EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA
CÍVEL DA COMARCA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM ESTADO DO
ESPÍRITO SANTO
P/ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA
GLÓRIA MARIA CORRÊA, brasileira, solteira, servidora pública
municipal, residente e domiciliada na Rua Sebastião Castilho, nº 57, Bairro
Arariguaba- em Cachoeiro de Itapemirim/ES, inscrita no CPF sob nº
798.682.317-87, portadora do RG nº 755.796 SPTC – ES, comparece perante
Vossa Excelência, nos termos do art. 319 do Código de Processo Civil e dos
art. 1.238 e SS do Código Civil, para propor a presente AÇÃO DE
USUCAPIÃO, pelos motivos de fato e de direito adiante alinhados:
I – DA ASSISTENCIA JUDICIÁRIA
Ab initio, cumpre destacar que a Requerente é pessoa que não
desfruta de condições econômicas suficientes para arcar com os ônus
processuais, assim como honorários advocatícios, sem prejuízo ao próprio
sustento. A Requerente se encontra sob o albergue da Lei 1060/1950,
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consoante o dispõe o artigo 5°, inciso LXXIV, da Magna Carta, legislação que
lhe garante o direito à justiça gratuita, como se comprova através do
documento relativo ao vencimentos da Requerente que ora se aporta.
Diante do argumentado, requer-se, desde já, com base nos artigos 98 e
99 do Código de Processo Civil, se digne Vossa Excelência de deferir à
Autora OS BENEFÍCIOS DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA , nos termos da
legislação vigente.
II – DA TRAMITAÇÃO PRIORITÁRIA
A Requerente é pessoa idosa, na forma do documento anexo, motivo
pelo qual se ampara no Estatuto do Idoso – Lei nº 10.741/2013 e nos termos
do art. 1.048, inciso I, do CPC/2015, para pleitear prioridade para efeito de
apreciação do presente feito.
III – DOS FATOS
A Requerente é possuidora de boa fé, com “animus” de dono, de forma
mansa, pacífica, ininterrupta e sem oposição, por aproximadamente 28 (vinte e
oito) anos, do imóvel localizado na Rua Sebastião Castilho, n° 57, Bairro
Arariguaba, em Cachoeiro de Itapemirim, conforme área detalhada em certidão
lavrada pelo Cartório de Serviço Notorial e Registral do 1º ofício/1ª zona de
Cachoeiro de Itapemirim:
“Uma área de terreno com quatrocentos e sessenta e dois metros
quadrados (462,00 m²), medindo quatorze metros (14,00) de frente e
fundos, por trinta e três metros (33,00) em cada uma das linhas laterais,
situado na Rua Sebastião Castilho n° 57 a 61, Bairro Arariguaba, nesta
cidade, confrontando pela frente com a Rua Sebastião Castilho, fundos
com a Rua Clarinda Rodrigues Jordão, lado direito com o espolio de
Alaíde Cirioco, lado esquerdo com Oscar Junior.”
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Vale frisar, para melhor esclarecimento de Vossa Excelência, que o
imóvel em questão, foi adquirido por José Vittori Zago através de recibo de
compra e venda no ano de 1988, constando como vendedor o Sr. Otugibas
Boa Morte da Paixão, conforme doc. em anexo, sendo tal imóvel,
posteriormente, doado para a Requerente, por seu então possuidor JOSÉ
VITTORI ZAGO (pai de criação da postulante), no ano de 1991.
Na época em que referido imóvel foi doado à Requerente, estava ele
inacabado, com apenas as colunas levantadas e com a laje batida. Contando
com a colaboração essencial de Fábio Zago, filho do doador, e seu “irmão de
criação”, a postulante deu continuidade e foi aos poucos finalizando a obra,
mediante esforço próprio e imenso sacrifício.
O documento emitido pelo setor competente da Prefeitura Municipal de
Cachoeiro de Itapemirim (Certidão Negativa de Débito), documento anexo, dá
conta de que todos os impostos municipais relativos ao imóvel em questão
encontram-se quitados pela Requerente.
Remarque-se, outrossim que, de igual modo, as tarifas de água e
energia estão, por seu turno, todas elas devidamente quitadas pela
Requerente, como se observa através dos comprovantes acostados.
IV – DO DIREITO
Diante do contexto fático ora exposto, sedimentado pela documentação
comprobatória que instrui a presente peça, cumpre destacar ser objetivo da
exordial, a declaração aquisitiva da propriedade da área supra descrita, sob a
modalidade do USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIO, como no permissivo contido
no caput, do art. 1.238, do Código Civil:
Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem
interrupção, nem oposição, possuir como seu um
imóvel, adquire-lhe a propriedade,
independentemente de título e boa-fé; podendo
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requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a
qual servirá de título para o registro no Cartório de
Registro de Imóveis.
Outrossim, por força do dispositivo supra declinado não se exige, para a
obtenção da declaração aquisitiva, a comprovação do justo título e da boa-fé.
Embora tanto, no decorrer da instrução a Requerente comprovará a
legitimidade do que postula, através da oitiva das testemunhas arroladas,
assim como das demais provas documentais carreadas aos autos mediante a
peça vestibular.
Além de residir no imóvel por mais de 20 (vinte) anos ininterruptos, com
manifesto “animus domini”, e nele haver implementado e complementado obras
de molde a torná-lo habitável, só esse fato comprovado, concede a Requerente
gozar das benesses do Parágrafo único do art. 1.238 do Diploma Civil, o qual
reza:
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo
reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver
estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou
nele realizado obras ou serviços de caráter
produtivo.
MARIA HELENA DINIZ, adverte: “para que se tenha usucapião
extraordinária, será preciso: a) exercida com aninus domini; b) decurso do
prazo de 15 anos, mas tal lapso temporal poderá reduzir-se a 10 anos se o
possuidor estabeleceu no imóvel sua moradia habitual ou nele realizou obras
ou serviços produtivos, aumentando sua utilidade.” MARIA HELENA DINIZ,
Código Civil Anotado, 13ª edição, pag. 844.
É nesse sentido que os nossos e. Tribunais Superiores vem se
posicionando a respeito do assunto em questão:
Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. USUCAPIÃO (BENS
IMÓVEIS). AÇÃO DE USUCAPIÃO
EXTRAORDINÁRIA. PROCEDÊNCIA.
LEGITIMIDADE PASSIVA DA PROPRIETÁRIA
REGISTRAL. SENTENÇA MANTIDA. O autor deve
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requerer a citação daquele em cujo nome estiver
registrado o imóvel usucapiendo, bem como dos
confinantes e, por edital, dos réus em lugar incerto e
dos eventuais interessados. A indicação do
proprietário registral é requisito da inicial de modo a
ensejar as citações exigidas por lei, requisito que
somente se afasta mediante certidão de
inexistência de registro no ofício de imóveis.
Caso. Inexistindo registro ou alteração do domínio
do bem advinda de falecimento da proprietária, junto
à matrícula imobiliária, a qual se encontrava
atualizada à época da propositura da demanda, a
condição de proprietária permanecia à apelante, não
havendo falar-se em eventual ilegitimidade passiva
do espólio. Sentença mantida. NEGARAM
PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME.
(Apelação Cível Nº 70077253284, Décima Sétima
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Giovanni Conti, Julgado em 10/05/2018) (Grifo
nosso)
Isto posto, não restam dúvidas que a ora Requerente faz jus à aquisição
do imóvel pelo instituto da USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA, eis que atendidos
todos os requisitos legais necessários, quais sejam: o “animus domini” e a
habitação não-ocasional, além da realização de obras no imóvel, que, apesar
de não ser requisito cumulativo, também foram executadas pela Autora.
V – DOS PEDIDOS
Ante o exposto, preenchidos os requisitos legais exigíveis, requer se
digne Vossa Excelência:
a) Seja deferida à Requerente as benesses instituídas na AJ, prevista na
Lei 1.060 c/c o art. 98 do CPC, na forma da declaração anexa, indicando
para patrociná-la em juízo os advogados Drª Maria José Machado
Medina, inscrita na OAB/ES sob nº. 1.918, Dr. Jefferson Pereira Vicente,
inscrito na OAB/ES sob o nº 30.929 e o Dr. André Pires Martins
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Machado, inscrito na OAB/ES sob o nº 31.563, com escritório na Praça.
República do Líbano, BLC3A/102 – Independência – em Cachoeiro de
Itapemirim, os quais declaram aceitar o encargo;
b) Seja concedida a tramitação prioritária, em se considerando ser a
Requerente pessoa idosa;
c) A intimação do i. representante do MP para intervir no feito;
d) A intimação dos confinantes, indicados, para, querendo apresentem
resposta no prazo legal, pena de revelia;
e) A intimação, por via postal, do representante legal do Município de
Cachoeiro de Itapemirim, para que manifeste seu eventual interesse na
demanda;
f) Designação de audiência instrucional, para fins de oitiva das
testemunhas arroladas, cujo rol será apresentado no prazo previsto em
lei;
g) Seja, ao final, a presente ação julgada procedente, por sentença judicial,
com a declaração de propriedade e domínio, do imóvel descrito na
inicial, em nome de GLORIA MARIA CORRÊA, determinando Vossa
Excelência, a expedição do correspondente MANDADO DE
PROCEDIMENTO DE REGISTRO DE SENTENÇA, com o
encaminhamento ao Registro Geral Imobiliário dessa Comarca, para as
devidas anotações e providências legais e da praxis.
VI – DAS PROVAS
Requer provar o alegado utilizando todos os meios de provas permitidos
em direito, em especial pela produção de prova documental, testemunhal,
pericial, inspeção judicial, depoimento pessoal do Requerido, sob pena de
confesso, máxime pela juntada de novos documentos, assim como demais
meios probatórios, permitidos, que se fizerem necessários.
Dá à causa o valor de R$(...) – O VALOR DA CAUSA SERÁ O VALOR
CONSTANTE NO IPTU.
E. Deferimento
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Cachoeiro de Itapemirim/ES, 23 de maio de 2019
ADV. MARIA JOSÉ MACHADO MEDINA
OAB/ES 1.918
ADV. JEFFERSON PEREIRA VICENTE
OAB/ES 30.929
ADV ANDRÉ PIRES MARTINS MACHADO
OAB/ES 31.563
PUXAR NOSSOS NOMES PARA A FOLHA
ANTERIOR, OU ESTENDER O TEXTO PARA
ENCAIXÁ-LOS NELE.
PRESTEM ATENÇÃO PARA A JUNTADA DAS
PLANTAS DO IMÓVEL À INICIAL. POSSIVELMENTE
ESTE IMÓVEL AINDA ESTEJA EM NOME DO
VENDEDOR AO JOSÉ ZAGO, NO RGI. SERIA BOM
VERIFICAR PARA QUE O MESMO FOSSE CITADO
PARA CONTESTAR A AÇÃO, OU NÃO. EXISTEM
CONFRONTANTES? SE EXISTIREM DEVERÃO SER
INTIMADOS.