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Mouser Cf16

O livro 'Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos - Volume 16' de Newton C. Braga aborda o funcionamento de diversos componentes e circuitos eletrônicos, visando tanto profissionais da área quanto leigos interessados em tecnologia. A obra inclui tópicos como capacitores cerâmicos multicamadas, efeitos de som, amplificadores operacionais e transmissão de energia sem fio, oferecendo uma fonte de consulta rica e acessível. Além disso, o autor destaca a importância do conhecimento básico em eletrônica para evitar acidentes e melhorar o uso de equipamentos tecnológicos.

Enviado por

Denilson dede
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O livro 'Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos - Volume 16' de Newton C. Braga aborda o funcionamento de diversos componentes e circuitos eletrônicos, visando tanto profissionais da área quanto leigos interessados em tecnologia. A obra inclui tópicos como capacitores cerâmicos multicamadas, efeitos de som, amplificadores operacionais e transmissão de energia sem fio, oferecendo uma fonte de consulta rica e acessível. Além disso, o autor destaca a importância do conhecimento básico em eletrônica para evitar acidentes e melhorar o uso de equipamentos tecnológicos.

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1

Como Funciona
Aparelhos, Circuitos e
Componentes Eletrônicos
Volume 16

Newton C. Braga

Patrocinado por

2
São Paulo - Brasil - 2021

Instituto NCB
www.newtoncbraga.com.br
leitor@newtoncbraga.com.br

Diretor responsável: Newton C. Braga


Coordenação: Renato Paiotti
Impressão: AgBook – Clube de Autores

Nosso Podcast

3
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
- Volume 16
Autor: Newton C. Braga
São Paulo - Brasil - 2021
Palavras-chave: Eletrônica – aparelhos eletrônicos –
componentes – física – química – circuitos eletrônicos – como
funciona

Copyright by
INTITUTO NEWTON C BRAGA.
1ª edição

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por


qualquer meio ou processo, especialmente por sistemas gráficos, microfílmicos,
fotográficos, reprográficos, fonográficos, videográficos, atualmente existentes ou
que venham a ser inventados. Vedada a memorização e/ou a recuperação total ou
parcial em qualquer parte da obra em qualquer programa juscibernético
atualmente em uso ou que venha a ser desenvolvido ou implantado no futuro.
Essas proibições aplicam-se também às características gráficas da obra e à sua
editoração. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e
parágrafos, do Código Penal, cf. Lei nº 6.895, de 17/12/80) com pena de prisão e
multa, conjuntamente com busca e apreensão e indenização diversas (artigos 122,
123, 124, 126 da Lei nº 5.988, de 14/12/73, Lei dos Direitos Autorais).

4
Índice
APRESENTAÇÃO DA SÉRIE..........................................................8
APRESENTAÇÃO......................................................................10
CONHEÇA OS CAPACITORES CERÂMICOS MULTICAMADAS MLCC 11
CARACTERÍSTICAS DESEJADAS................................................11
O QUE SÃO OS MLCC...............................................................12
CONHEÇA OS EFEITOS DE SOM.................................................15
FUZZ.......................................................................................17
UÁ-UÁ (WA-WA).......................................................................18
TRÉMULO................................................................................19
LESLIE.....................................................................................20
VIBRATO..................................................................................22
REVERBERAÇÃO......................................................................22
ECO......................................................................................... 23
PHASER...................................................................................27
FLANGER.................................................................................28
CHORUS..................................................................................29
CONCLUSÃO............................................................................29
CONHEÇA O DETECTOR DE RAIOS AS3936 DA SPARKFUN..........31
COMO FUNCIONA....................................................................33
IDEIAS PARA PROJETOS...........................................................37
CONHEÇA O LM158 258 358.....................................................39
APLICAÇÕES............................................................................43
CONHEÇA O LM4136- QUÁDRUPLO AMPLIFICADOR OPERACIONAL
..............................................................................................46
CIRCUITOS...............................................................................48
CONHEÇA O TDA7050..............................................................52
CONFIGURAÇÕES....................................................................55
APLICAÇÕES PRÁTICAS............................................................57
Minicaixa amplificada.................................................57
Microrreceptor de AM.................................................58
CONHEÇA O 4060....................................................................61
APLICAÇÕES............................................................................65
a) Timer de longo período..........................................65

5
b) Instrumento musical de 3 oitavas..........................67
c) Divisor para aplicações lógicas...............................68
CONHEÇA A MATRIZ DE CONTATOS DE 170 PONTOS..................69
PROJETO DE EXEMPLO: ACENDENDO UM LED E APAGANDO
OUTRO COM UM POTENCIÔMETRO..............................................72
Explicação..................................................................72
Montagem..................................................................72
CONHEÇA AS INDUTÂNCIAS.....................................................75
REFORÇANDO O CAMPO..........................................................78
REATÂNCIA INDUTIVA..............................................................85
INDUTÂNCIA............................................................................85
REATÂNCIA E OSCILAÇÕES......................................................86
CONHEÇA O ANALISADOR DE ESPECTRO...................................91
O ANALISADOR DE ESPECTRO.................................................92
PARA O TÉCNICO INSTALADOR DE ANTENAS..........................94
VALE À PENA INVESTIR..........................................................100
REGULADOR DE TENSÃO LM723.............................................102
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS..............................................103
CIRCUITOS.............................................................................105
CIRCUITO 1...............................................................106
CIRCUITO 2...............................................................106
CIRCUITO 3...............................................................107
CIRCUITO 4...............................................................107
CIRCUITO 5...............................................................108
CIRCUITO 6...............................................................109
CIRCUITO 7...............................................................110
CIRCUITO 8...............................................................111
CIRCUITO 9...............................................................112
CIRCUITO 10.............................................................112
CIRCUITO 11.............................................................113
CONCLUSÃO..........................................................................114
WIRELESS POWER TRANSMISSION: TRANSMISSÃO DE ENERGIA
SEM FIO................................................................................115
CARREGADORES SEM FIO X CARREGADORES COM FIO.........118
OS EFEITOS SOBRE A SAÚDE.................................................119
BLINDAGEM...........................................................................120
CONCLUSÃO..........................................................................122
ESPECTRO ESPALHADO..........................................................124

6
UMA INVENÇÃO FEMININA.....................................................124
A TECNOLOGIA SPREAD SPECTRUM......................................128
CONCLUSÃO..........................................................................132
CONSTRUINDO GERADORES EÓLICOS.....................................133
UM MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA COMO GERADOR.......133
SIMULADOR DE GERADOR ALTERNATIVO..............................139
O GERADOR COM SCR...........................................................141
O GERADOR TRANSISTORIZADO...........................................143
O QUE EXPLICAR...................................................................146
COMO FUNCIONA A IMPRESSORA JATO DE BOLHAS.................147
DSP - PROCESSADORES DE SINAL DIGITAIS.............................151
CONVERTENDO SINAIS ANALÓGICOS EM DIGITAL.................152
REQUISITOS MÍNIMOS............................................................154
COMO A CONVERSÃO DO SINAL É FEITA...............................157
O MICROPROCESADOR..........................................................159
TRANSFORMADA DE FOURIER...............................................161
OS DSPS COMERCIAIS...........................................................162
RELÉS DE ESTADO SÓLIDO.....................................................165
TECNOLOGIAS E VANTAGENS................................................165
ESPECIFICAÇÕES DE RELÉS – EMR/ESR.................................168
VANTAGENS EM FUNCIONAMENTO........................................169
RUÍDOS.................................................................................169
OUTROS PROBLEMAS............................................................170
CONCLUSÃO..........................................................................170
OUTROS MAIS DE 160 LIVROS DE ELETRÔNICA E TECNOLOGIA DO
INCB.....................................................................................171

7
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

APRESENTAÇÃO DA SÉRIE
Esta é uma série de livros que levamos aos nossos leitores
sob patrocínio da Mouser Electronics (www.mouser.com). Os
livros são baseados nos artigos que ao longo de nossa carreira
como escritor técnico publicamos em diversas revistas, livros e no
nosso site. São artigos que representam 50 anos de evolução das
tecnologias eletrônicas e, portanto, têm diversos graus de
atualidade. Os mais antigos foram analisados com eventuais
atualizações. Outros pela sua finalidade didática, tratando de
tecnologias antigas e mesmo de ciência não foram muito
alterados a não ser pela linguagem que sofreu modificações. Os
livros da série consistirão numa excelente fonte de informações
para nossos leitores.
Os artigos têm diversos níveis de abordagem, indo dos
mais simples que são indicados para os que gostam de
tecnologia, mas que não possuem uma fundamentação teórica
forte ou ainda não são do ramo. Neles abordamos o
funcionamento de aparelhos de uso comum como
eletroeletrônicos, não nos aprofundando em detalhes técnicos
que exijam conhecimento de teorias que são dadas nos cursos
técnicos ou de engenharia.
Outros tratam de componentes, ideais para os que
gostam de eletrônica e já possuem uma fundamentação quer seja
estudando ou praticando com as montagens que descrevemos
em nossos artigos. Estes já exigem um pequeno conhecimento
básico da eletrônica. Estes artigos também vão ser uma
excelente fonte de consulta para professores que desejam
preparar suas aulas.
Temos ainda os artigos teóricos que tratam de circuitos e
tecnologias de uma forma mais profunda com a abordagem de
instrumentação e exigindo uma fundamentação técnica mais alta.
São indicados aos técnicos com maior experiência, engenheiros e
professores.
Também lembramos que no formato virtual o livro conta
com links importantes, vídeos e até mesmo pode passar por
atualizações on-line que faremos sempre que julgarmos
necessário.

8
NEWTON C. BRAGA

Trata-se de mais um livro que certamente será importante


na sua biblioteca de consulta, devendo ser carregado no seu
tablete, laptop ou celular para consulta imediata.
Os livros podem ser baixados gratuitamente no nosso site
e um link será dado para os que desejarem ter a versão impressa
pagando apenas pela impressão e frete.

Newton C. Braga

9
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

APRESENTAÇÃO
Saber como funcionam componentes, circuitos e
equipamentos eletrônicos é fundamental não apenas para os
profissionais da eletrônica que usam de forma prática a
tecnologia em seu dia a dia como também para aqueles que não
sendo técnicos, mas possuindo certo conhecimento, precisam
conhecer o funcionamento básico das coisas.
São os profissionais de outras áreas que, para usar melhor
equipamentos e tecnologias precisam ter um conhecimento
básico que os ajude.
Assim, tratando de conceitos básicos sobre componentes e
circuitos neste primeiro volume e depois de equipamentos
prontos num segundo, levamos ao leitor algo muito importante
que já se tornou relevante em recente estudo feito por
profissionais.
A maior parte dos acidentes que ocorrem com o uso de
equipamentos de novas tecnologias ocorre com pessoas que não
tem um mínimo de conhecimento sobre o seu princípio de
funcionamento.
A finalidade deste livro não é, portanto, ajudar apenas os
estudantes, professores e profissionais, mas também os que
usam tecnologia no dia a dia e desejam saber um pouco mais
para melhor aproveitá-la e não cometer erros que podem
comprometer a integridade de seus equipamentos e até causar
acidentes graves.

Nota importante: componentes


básicos como os resistores,
capacitores, indutores,
transformadores, diodos, transistores,
também têm a seu princípio de
funcionamento explicado na nossa
série de livros “Curso de Eletrônica”.
Neste livro, abordamos alguns
componentes que especificamente
têm explicações mais detalhadas do
que as encontradas naquelas
publicações.

10
NEWTON C. BRAGA

CONHEÇA OS CAPACITORES
CERÂMICOS MULTICAMADAS MLCC
Novas tecnologias para o desenvolvimento de
componentes estão constantemente surgindo. Assim, ao lado dos
antigos capacitores cerâmicos tipo disco ou mesmo tubulares,
com as montagens de componentes em superfície cada vez mais
frequentes, os capacitores também evoluíram e novos tipos
surgiram. Neste artigo trataremos especificamente dos
capacitores cerâmicos multicamadas ou MLCC (Multilayer Ceramic
Capacitor).
Apesar do desenvolvimento de circuitos integrados com
cada vez maior número de componentes internos, tais como
resistores, transistores e diodos, a integração do capacitor ainda
está longe de alcançar a perfeição. Não podemos integrar num
chip capacitores que vão além de uns poucos picofarads.
Isso faz com que os capacitores como componentes
discretos ainda sejam necessários em qualquer montagem
eletrônica. Capacitores eletrolíticos de tântalo hoje são comuns
com capacitâncias cada vez maiores e tamanhos mais reduzidos.
Um tipo que se tornou muito popular atualmente nas
montagens eletrônicas é o capacitor cerâmico multicamada de
que trataremos neste artigo.

CARACTERÍSTICAS DESEJADAS
Como já abordamos em diversos de nossos artigos, um
capacitor não é apenas um capacitor.
Quando analisamos o comportamento real de um capacitor
num circuito vemos que além da capacitância, ele apresenta
também uma resistência e uma indutância parasita. Assim,
podemos dizer que um capacitor consiste num circuito RLC série
em que o C é o principal, mas em alguns casos R e L não são
desprezíveis.
E, não sendo desprezíveis, podem afetar o funcionamento
do componente num circuito como elementos parasitas. Na figura
1 temos o circuito equivalente a um capacitor.

11
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 1 – Circuito equivalente a um capacitor

Neste circuito R é a resistência de fuga que fica em


paralelo com o capacitor. Resr é a resistência em série associada
aos seus terminais. Lesl é a indutância em série que tem sua
maior parte devida aos terminais. O capacitor ideal tem RESR e
LESL nula e R de fuga infinita.
As tecnologias modernas permitem obter capacitores com
excelentes características, como no caso dos MLCCs.
Analisemos estes capacitores.

O QUE SÃO OS MLCC


Os capacitores cerâmicos multicamadas são fabricados
com diversas camadas de cerâmica como dielétrico tendo como
armaduras metal depositado nestas camadas, conforme mostra a
figura 2.

Figura 2 – Construção do MLCC.

12
NEWTON C. BRAGA

Os capacitores deste tipo não podem ser fabricados em


capacitâncias muito grandes. No entanto, eles apresentam muitas
vantagens no seu uso como:
- Possuem maior estabilidade de funcionamento em função
da temperatura
- Possuem menor indutância parasita o que possibilita seu
uso em circuitos de frequências elevadas.
Por outro lado, como desvantagem:
- Possuem menor densidade de capacitância (por volume)
- São instáveis nos circuitos DC
Como qualquer componente, os capacitores possuem
diversas especificações, sendo as mais importantes as relativas à
tensão de trabalho e a capacitância.
No entanto, para os tipos SMD é importante o tamanho do
invólucro. Assim, para efeito de exemplo, tomamos os códigos
usados pelos capacitores da Samsung dados na figura 3.

Figura 3 – Códigos e dimensões para tipos SMD

13
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
No nosso curso de leitura de códigos de componentes
ensinamos como ler as marcações desses componentes, mas na
tabela mostrada na figura 4 temos um exemplo.

Figura 4 – Marcações de valores

Para os tipos comuns as tensões de trabalho podem variar


entre 6,3 e 3000 V.
Uma característica importante que deve ser levada em
conta quando usamos um capacitor MLCC num circuito de alta
frequência é que ele não se comporta exatamente como podemos
esperar de um capacitor ideal.
A indutância e as resistências parasitas fazem com que ele
tenha uma reatância que varia com a frequência, conforme
mostra o gráfico da figura 5.

Figura 5 – Impedância versus frequência

A utilização deste tipo de capacitor segue as mesmas


regras que devemos observar com outros capacitores cerâmicos.
Uma boa prática é que, usando determinado tipo, consultemos
seu datasheet para certificarmo-nos se o capacitor usado
funcionará corretamente na aplicação.

14
NEWTON C. BRAGA

CONHEÇA OS EFEITOS DE SOM


O som original de um estúdio, microfone, ou instrumento
musical pode ser alterado por meios eletrônicos e, com isso,
efeitos especiais podem ser obtidos com as mais às diversas
finalidades. Tais efeitos podem enriquecer uma gravação, tornar
mais agradável uma música, ou ainda, incutir num ouvinte certas
sensações como a de estar num ambiente amplo, estar falando
dentro de um tambor, ou ainda, modificar a voz a ponto de torná-
la irreconhecível. Diversos são os efeitos que podem ser
conseguidos com o auxílio da eletrônica e é muito interessante
que o leitor tenha uma ideia de como cada um funciona. Será
justamente isso que veremos neste artigo.
Os sons que são processados pelos circuitos eletrônicos
analógicos nada mais são do que sinais de baixas frequências,
que podem ter as mais diversas formas de onda.
As formas de onda e as frequências determinam o timbre e
altura do som, enquanto a amplitude determina o volume. O
timbre é uma característica muito importante, pois nos permite
diferenciar um instrumento de outro, ou a voz de um homem da
voz de uma mulher, mesmo quando produzem a mesma nota.
Dois sinais de mesma frequência soam como ela nota
musical, mas se tiverem formas de onda diferentes, o que vai
caracterizá-los como de timbres diferentes, serão percebidos de
maneira diferenciada, conforme mostra a figura 1.

Figura 1

15
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
A finalidade de um amplificador e da maioria dos circuitos
eletrônicos de reprodução ou gravação de sons e processar um
sinal de áudio, mantendo o mais fielmente possível sua
frequência e seu timbre.
Um amplificador de boa qualidade deve apenas aumentar
a intensidade de um sinal. Se houver qualquer tipo de
deformação, isso se manifestará de maneira desagradável,
caracterizando o que chamamos de distorção. No entanto,
existem alguns tipos de deformações de um sinal de áudio que,
se introduzidas de forma controlada, podem resultar em efeitos
interessantes e até tomar agradável uma música ou a reprodução
da voz humana.
Da mesma forma, podemos acrescentar a um sinal outros
sinais que sejam gerados de forma especial por um circuito e,
com isso, obter efeitos interessantes tanto pela sua soma quanto
pela modulação de um sobre o outro, conforme vemos na figura
2.

Figura 2

Aqueles que trabalham em conjuntos musicais, em


estúdios de gravação, salões de danças e emissoras de rádio logo
descobriram esses efeitos, e hoje existe uma boa quantidade
deles, os quais podem ser observados facilmente em fitas, discos,
filmes, e na programação normal de rádio e TV.
Neste artigo vamos apresentar alguns desses efeitos,
explicando o que fazem e como podem ser obtidos por meios
eletrônicos.

16
NEWTON C. BRAGA

FUZZ
O fuzz é um efeito que consiste na deformação proposital
de um som de modo a modificar seu timbre. Este efeito é mais
usado com instrumentos musicais de corda (guitarras e violões),
pois com a voz humana ele se torna desagradável (voz fanhosa).
Na figura 3 temos algumas das deformações que podem ocorrer
com as formas de onda a partir desse efeito.

Figura 3

Um circuito simples de fuzz é mostrado na figura 4.

Figura 4

Esse circuito emprega apenas um transistor e é


intercalado entre o instrumento musical e a entrada do
amplificador.

17
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Obs.: o funcionamento deste circuito
depende das características do sinal
gerado pelo captador do instrumento.
Em alguns casos, pode ser necessário
agregar um pré-amplificador casador
de impedâncias.

Na posição normal da chave o sinal de áudio passa do


instrumento diretamente para a entrada do amplificador. Quando
a chave é acionada (pode ser um pedal), o sinal passa pelo fuzz e
o efeito ocorre.
Quando o sinal passa pelo circuito, é aplicado a
transistores que são polarizados de tal forma a operarem na
região não linear de sua curva característica, conforme o ajuste
do potenciômetro de distorção. Dependendo do ajuste deste
componente podemos cortar os picos negativos ou positivos do
sinal de áudio, produzindo, assim, as deformações desejadas.
O capacitor de 47 nF determina a faixa de frequências em
que o efeito acontece de modo mais acentuado.
Em alguns casos, uma chave seletora pode comutar este
capacitor, de modo a termos o melhor efeito com os agudos
(capacitores menores) ou com os graves (capacitores maiores).
Quando o efeito é obtido com os agudos o aparelho é, às vezes,
denominado de “treble-boost“.
Recursos adicionais como filtros e regulagem de tom,
podem ser encontrados nos aparelhos profissionais para este
efeito.

UÁ-UÁ (WA-WA)
Esse é um efeito muito usado em conjuntos musicais para
modular o som de guitarras, segundo o padrão sugerido pelo
próprio nome.
O circuito básico consta de um pedal que controla um
amplificador seletivo (que trabalha somente com determinadas
frequências). Dessa forma, ao pressionar o pedal ritmadamente,
modulamos em amplitude o som produzido, mas nas frequências
apropriadas, modificando assim seu timbre.
Uma chave, no próprio circuito, faz com que o sinal passe
diretamente para o amplificador quando não se desejar o efeito.

18
NEWTON C. BRAGA

Circuitos simples usando transistores ou integrados podem


ser elaborados para se obter esse efeito.
Na figura 5 temos um exemplo de circuito comercial de
Uá-Uá com apenas um transistor.

Figura 5

Dada a pequena intensidade dos sinais com que trabalha


esse circuito, os cabos de entrada e de saída devem ser
blindados. O pedal deve atuar sobre o potenciômetro de 2,2
kohms ligado ao emissor do transistor. Um potenciômetro
deslizante pode ser facilmente adaptado para esta finalidade.

Obs.: também neste caso, o


funcionamento depende das
características do sinal fornecido pelo
captador do instrumento.

TRÉMULO
O efeito de trêmulo consiste na variação de modo ritmado
da amplitude de um som, conseguida através de um circuito
modulador externo. Na figura 6 damos uma ideia do que ocorre

19
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
com a forma de onda de um sinal que tenha passado por esse
efeito.

Figura 6

Num circuito típico de trêmulo, como o da figura 7, temos


um oscilador de baixa frequência que atua sobre a polarização de
uma etapa amplificadora de áudio.

Figura 7

No potenciômetro P1 ajustamos a velocidade do efeito, ou


seja, a frequência da modulação, que pode variar entre uma
fração de hertz até alguns hertz. No potenciômetro P2 ajustamos
a profundidade do efeito, ou seja, de quanto ele varia a
intensidade do sinal.
Uma chave no circuito permite que o sinal passe
diretamente do instrumento para o amplificador, sem o efeito.

LESLIE
O efeito “Leslie” tem certa semelhança com o trêmulo
quanto aos resultados finais, já que produz variações da
intensidade do som, mas a maneira como é feito é diferente.
Nele, temos um alto-falante que se movimenta ou um sistema
acústico móvel, 0 que faz com que o som mude de direção de
emissão constantemente; veja a figura 8.

20
NEWTON C. BRAGA

Figura 8

Basicamente é um efeito mecânico, mas pode-se ter sua


produção obtida de maneira mais sofisticada por meios
totalmente eletrônicos. Neste caso, o som seria transferido
sequencialmente para alto-falantes dispostos em círculo, dando
assim a impressão de uma fonte sonora giratória, conforme
ilustra a figura 9.

Figura 9

21
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
VIBRATO
O efeito de “vibrato” consiste na modulação em frequência
de um som, obtendo-se algo que lembra a guitarra havaiana, no
caso de instrumentos de corda.
Este efeito é mais fácil de ser obtido em órgãos, teclados e
sintetizadores que possuam em sua configuração normal VCOs,
ou seja, osciladores controlados por tensão.
Dessa forma, o efeito pode ser obtido facilmente,
modulando-se em frequência o sinal no mesmo instante em que
ele é gerado.
Para outros tipos de sons como, por exemplo, os que
venham de fontes externas que não podem ter alterações simples
de frequência, a obtenção deste efeito é mais difícil.

REVERBERAÇÃO
Se, num ambiente de grandes dimensões, ocorrerem
reflexões sucessivas de um som, que deem a sensação de seu
prolongamento, teremos o efeito denominado “reverberação”.
Para que seja possível obter este efeito, as reflexões
sucessivas devem ocorrer em intervalos inferiores a 0,1 segundo.
Isso se deve ao fato desse tempo corresponder ao que
denominamos “persistência auditiva”.
Só podemos distinguir dois sons sucessivos se entre eles
houver um intervalo maior que 0,1 segundo. Dois tiros dados com
intervalos inferiores a 0,1 segundo, serão ouvidos como um só
que “se prolonga”.
Na figura 10 temos uma ilustração em que vemos de que
modo as reflexões sucessivas, chegando em intervalos muito
curtos aos nossos ouvidos, produzem o efeito da reverberação.

22
NEWTON C. BRAGA

Figura 10

Esse fenômeno ocorre no interior de grandes ambientes,


por exemplo, numa catedral, onde as paredes são dotadas de
características acústicas que facilitam as reflexões. Nos teatros e
estúdios, a arquitetura tem recursos para evitar este efeito que
prejudica o entendimento da palavra falada; no entanto, ele pode
ajudarem determinados tipos de músicas.
Eletronicamente existem diversas formas de se obter este
efeito e que são basicamente as mesmas que permitem obter o
eco, que será o próximo efeito a ser analisado.

ECO
O eco é produzido pela reflexão do som, de tal forma que
nos permite distinguir o som original do som que se reflete (e
chega depois). Podemos dizer que o eco é a repetição do som
devido as reflexões.
Para que haja eco, o tempo de ida e volta do sinal sonoro
deve ser maior que 0,1 segundo. Para uma reflexão num
obstáculo físico, levando em conta a velocidade do som de 340
metros por segundo, isso significa uma distância de pelo menos
17 metros; observe afigura 11.

Figura 11

Por meios eletrônicos podemos retardar os sinais de áudio


em tempos que, tanto possam resultar no efeito de reverberação
como de eco, e esses efeitos já fazem parte de muitos
equipamentos de som comuns.

23
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Assim, temos as chamadas “câmaras de eco” que
proporcionam retardos controlados aos sinais de áudio e que são
intercaladas entre as fontes de sinais e os amplificadores.
Diversas são as técnicas empregadas na produção do eco e da
reverberação:
Uma delas, muito frequente em estúdios, mas já
antiquada, é a que faz uso de uma fita magnética sem fim e
diversas cabeças de gravação e leitura, conforme mostra a figura
12.

Figura 12

O sinal de áudio é gravado na fita e depois lido


sucessivamente pelas cabeças de leitura, sendo então
reproduzido com retardos sucessivos e intensidades que
decrescem, dando assim a impressão de eco.
Como a fita não tem fim, o sinal passa pelas cabeças e é
apagado para que novo sinal captado passe pelo mesmo efeito,
enquanto o sistema estiver em movimento.
Outra maneira de se obter o efeito é com uma linha de
retardo mecânica, que é mostrada na figura 13.

Figura 13

24
NEWTON C. BRAGA

Nesta linha, que consiste num sistema de molas, temos


um par de transdutores magnéticos que faz a transferência do
som correspondente ao sinal de áudio e do outro lado. captadores
que podem ser do tipo magnético ou elementos piezoelétricos.
O sinal aplicado ao transdutor se propaga pela mola e
sofre reflexões sucessivas, sendo captado pelo transdutor e
levado aos circuitos amplificadores. Conforme o comprimento da
mola podemos ter eco ou reverberação.
Um sistema mais moderno é o que faz uso de circuitos
integrados especiais que contêm linhas de retardo do tipo
“brigada de baldes”.
Nele, o sinal passa de um capacitor para outro, numa
sequência, controlado por um clock cuja frequência determinará o
retardo e, portanto, o efeito; atente para a figura 14.

Figura 14

O nome “brigada de baldes” vem do fato do circuito poder


ser comparado a baldes de água que vão transferindo o seu
conteúdo para os baldes adjacentes, fazendo com que o líquido
(que é o sinal) se propague pelo circuito.
Para um circuito integrado com 512 células, por exemplo,
e uma frequência de clock de 10 kHz podemos obter um retardo
de 0,1 segundo, o que resulta num eco.
Com velocidades menores de clocks obtemos uma
fidelidade maior na passagem de som pelo circuito, mas à medida
que isso ocorre também é reduzida a faixa de frequências dos
sons que podem ser manipulados pelo circuito. Se o eco for muito
longo (maior retardo), somente os sons graves e que podem ser
trabalhados.
Uma solução para esse problema consiste na ligação de
diversas células (circuitos integrados) em série aumentando,

25
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
assim, o retardo. O sistema mais moderno, entretanto, é o digital
que faz uso de memórias com enormes quantidades de células.
São comuns as memórias com 1 milhão de células que, não só
permitem retardos grandes com um eco bem acentuado, como
também a repetição de parte dos sons gravados em sequência
(até uma frase completa), e com uma faixa de frequências
passantes suficientemente ampla para garantir uma excelente
fidelidade para o efeito.
Na figura 15 damos uma ideia de como funciona uma
dessas câmeras de eco digital. O sinal de áudio é, inicialmente,
digitalizado, ou seja, convertido em “números” que correspondem
a “1s” e “0s” e depois gravado nas células da memória.

Figura 15

O circuito varre constantemente a memória lendo após a


gravação o seu conteúdo, que também se renova continuamente.
Como a memória é muito “grande”, demora um certo tempo para
que a leitura seja feita depois da gravação, o que também
dependerá da frequência do “clock”. Este tempo determina então
o eco, que nada mais é do que o intervalo entre a entrada e a
saída do sinal.
Misturado ao sinal original, temos o efeito final, que é o
som principal seguido de uma repetição.

26
NEWTON C. BRAGA

PHASER
Neste efeito, os sinais de áudio são submetidos a um
retardo da ordem de 0,1 a 20 ms, 0 que é suficiente para que os
nossos ouvidos possam ter percepção de alguma alteração. Trata-
se, portanto, de um tempo inferior ao necessário até para a
reverberação.
Contudo, o efeito final que se obtém quando o sinal é
colocado nesta faixa de tempos e misturado ao sinal original. é
bem interessante.
Tomamos como exemplo um sinal de 1 kHz que seja
retardado de 1 ms, conforme sugere a figura 16.

Figura 16

Nesta frequência, o retardo em questão corresponde ao


tempo de um ciclo, ou seja, temos 360 graus de retardo.
Misturando os dois sinais, o resultado será um sinal com a mesma
frequência do original, mas com o dobro da amplitude (reforço).
Vamos supor agora que o sinal aplicado seja de 500 Hz e o
retardo seja o mesmo. Esse tempo corresponde a meio ciclo e os
sinais ficam defasados de 180 graus; veja a figura 17.

27
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 17

Somando novamente os sinais defasados, o resultado é o


cancelamento. Os sinais dessa frequência não aparecem na saída.
Veja que, os sinais múltiplos de 1 kHz, como 2 kHz, 8 kHz,
4 kHz, são reforçados enquanto, os sinais de 500, 1500, 2500 Hz
são cancelados.
Com isso, temos o reforço e a atenuação seletiva de certas
frequências, modificando o timbre dos instrumentos musicais.

FLANGER
A diferença entre o Phaser e este efeito é que os sinais
neste são misturados antes da linha de retardo, conforme mostra
a figura 18.

Figura 18

28
NEWTON C. BRAGA

O resultado é que as componentes do sinal que estão em


fase tendem a provocar um efeito de regeneração, modificando
sensivelmente a curva de resposta do circuito, que passa a ter
altos e baixos. A amplitude desses altos e baixos dependerá da
atuação da regeneração ou do retardo que ocorrer.
Atuando-se sobre o tempo de retardo, modificando-se a
frequência do clock, consegue-se levar os efeitos a um corrimento
dentro do espectro audível, o que é muito interessante do ponto
de vista musical.
Linhas de retardo integradas, tanto do tipo “abrigada de
baldes” quanto digitais, são usadas na obtenção deste efeito.

CHORUS
Nesse efeito, o sinal de áudio de entrada é separado em
duas trajetórias: uma delas tem um caminho direto para a saída,
enquanto a outra passa pela linha de retardo, ajustada para
tempos de atraso entre 10 e 25 ms, como mostrado na figura 19.

Figura 19

No final, os dois sinais são misturados e aplicados ao


circuito amplificador de saída. O resultado é que o ouvido percebe
dois sons distintos, um levemente atrasado em relação ao outro,
lembrando o defasamento que grupos musicais podem introduzir
na música de modo proposital.

CONCLUSÃO
Todos estes efeitos são comuns nos equipamentos para os
conjuntos musicais, músicos independentes e nos teclados e nas
placas de som dos computadores.
De fato, as interfaces tipo MIDI que permitem fazer música
com o computador ligado a um teclado, incluem não só esses
efeitos, como muitos outros.

29
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
O conhecimento do que cada um dos efeitos faz e as
experiências práticas no sentido de “sentir” o que acontece com a
música em cada um, é fundamental para que os músicos,
compositores e arranjadores tirem o seu máximo proveito.

30
NEWTON C. BRAGA

CONHEÇA O DETECTOR DE RAIOS


AS3936 DA SPARKFUN
No ano de 2018 dois alunos meus, Leonardo Araujo Lion e
Elton Shinji Okuma Hayachigui apresentaram na 15ª FEBRACE na
USP em São Paulo, um interessante trabalho em que, sob minha
orientação desenvolveram um detector de raios baseados na
emissão de sinais elétricos da descarga e das alterações do
campo elétrico que acompanham o fenômeno. A ideia veio de um
artigo anterior e para nossa surpresa a empresa americana
Sparkfun lança um Shield para Arduino que justamente opera
pelo mesmo princípio e tem um desempenho sensacional. Vamos
analisá-lo neste artigo.
Em artigos de nosso site exploramos o fato de que uma
descarga elétrica na atmosfera gera salvas de baixas frequência
ou “silvos” que podem ser captados a milhares de quilômetros.
Estações meteorológicas usam esses sinais para detectar os raios
e por triangulação, sua localização.
Se o leitor deseja saber mais sobre este processo leia o
artigo ART716 – Detecção de Descargas Atmosféricas em nosso
site.
Dois alunos meus, baseados nesse fato desenvolveram um
interessante projeto cuja finalidade era detectar raios, que podem
emitir sinais mesmo antes que a descarga ocorra, e com isso
alertar pessoas, por exemplo, em campo aberto ou praia, para
que se abriguem.
Apresentado na FEBRACE o projeto ganhou menção de
honra da American Meteorological Society.
É claro que projeto original baseado num receptor de rádio
e num sensor eletrostático com o 4093 era bastante simples, já
que os alunos em questão não cursavam engenharia, mas um
curso médio.
Na figura 1 temos o diagrama do detector que tinha um
princípio de funcionamento bastante simples em sua versão
experimental demonstrada na FEBRACE.

31
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 1 – O sensor

Neste circuito temos um simples rádio AM sintonizado em


frequência em que não existam estações operando de modo a
detectar a salva que normalmente ocorre na descarga
atmosférica. Ela se manifesta na saída de áudio como um estalo.
O sensor é uma pequena antena que detecta cargas
estáticas no ar que podem variar de intensidade na presença da
descarga.
Os sinais dos dois sensores se combinam e se houver uma
coincidência temos o acionamento de um LED. Numa versão final,
em lugar do LED podemos ter um relé ou um sistema de aviso.
No entanto, a ideia foi explorada de uma forma mais
profunda pela Sparkfun, uma empresa que fabrica shields e
dispositivos microcontrolados dos Estados Unidos. Essa empresa
lançou o AS3935 em 2019, um detector de raios que opera em
500 kHz alcançando 40 km com uma precisão de 1 km. Veja mais
no site da Mouser Electronics, onde você pode compra-lo para
seus experimentos e mesmo para a criação de um novo produto.
https://br.mouser.com/new/sparkfun/sparkfun-as3935-lightning-
detector/

32
NEWTON C. BRAGA

Figura 2 – A placa da Sparkfun

COMO FUNCIONA
Para uma detecção precisa da distância em que ocorre
uma descarga ou onde se localiza uma tormenta, os sistemas
avançados usam um processo de triangulação que já exploramos
em nossos artigos.
A placa da Sparkfun, por outro lado usa de um outro
processo de detecção. Ela se baseia num algoritmo em que se
compara a frequência da descarga com a distância estimada,
conforme mostra a figura 3.

33
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 3 – Como a distância é estimada em função das descargas

Através desse algoritmo, pode-se encontrar a distância


mínima do núcleo da tempestade a partir de uma contagem das
descargas.
A placa contém então um sistema receptor que gerará um
sinal para o microcontrolador contendo o valor da distância
estimada para a origem dos pulsos produzidos pelas descargas.
A integração do sistema é relativamente simples. Pode-se
escolher a interface SPI ou I2C conforme a aplicação. A placa
contém um regulador interno que permite alimentar o circuito
com uma faixa de tensões de 2,4 a 3,6 V. O circuito básico é
mostrado na figura 4.

34
NEWTON C. BRAGA

Figura 4 – Circuito básico para SPI

Assim, além dos capacitores temos o circuito ressonante e


um resistor.
No datasheet disponível em
https://br.mouser.com/ds/2/588/ams_AS3935_Datasheet_EN_v5-
1214568.pdf o leitor terá outras configurações possíveis,
conforme a unidade de controle (MCU).
Uma característica muito interessante do algoritmo usado
é que ele pode distinguir os padrões de sinais captados de uma
descarga atmosférica, dos padrões de sinais gerados pelo
homem, fontes de ruído etc. Somente no caso do sinal ser
identificado como proveniente de uma descarga atmosférica ele é
computado para a estimativa da distância da tormenta.
O dispositivo possui diversos modos de operação.
No modo Power-Down ele entra numa condição de baixo
consumo, drenando uma corrente típica de 1 uA. No modo
Listening, o dispositivo avalia o piso de ruído no local e estabelece
uma condição de baixo consumo de apenas 60 uA.
Temos ainda o modo Signal Verification em que ele opera
baseado no algoritmo analisando o sinal recebido.
No datasheet o leitor poderá encontrar diversos gráficos
e tabelas em que os diversos sinais produzidos pelo circuito são

35
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
analisados, por exemplo, os dados do registro ao se gravar dados
e enviar para as interfaces.
Um exemplo é dado no diagrama de tempos da interface
I2C mostrado na figura 5.

Figura 5 – Diagrama de tempos I2C

Finalmente, a Sparkfun fornece um gráfico em que se


mostra a eficiência do dispositivo na detecção de tormentas.

Figura 6 – Eficiência

36
NEWTON C. BRAGA

O diagrama de blocos do dispositivo é visto na figura 7.

Figura 7 – Diagrama de blocos do AS3935

IDEIAS PARA PROJETOS


Evidentemente com base nas características deste
dispositivo, utilizando um microcontrolador e eventualmente algo
mais, o maker pode criar um excelente produto e os estudantes
podem elaborar um TCC de características inéditas. Sugerimos
algumas aplicações.
- Estações meteorológicas
- Relógios inteligentes
- Equipamento esportivo
- Segurança em campo aberto

Tudo depende da imaginação de cada um.


Outras informações sobre este produto podem ser obtidas
no site da Mouser Electronics que o vende:

37
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
https://br.mouser.com/new/sparkfun/sparkfun-as3935-lightning-
detector/. Veja o vídeo.

38
NEWTON C. BRAGA

CONHEÇA O LM158 258 358


Os circuitos integrados LM158/ 258/ 358, consistem em
amplificadores operacionais duplos de baixa potência. Suas
características de ganho elevado e excursão da tensão de saída
até zero volt mesmo com fonte de alimentação simples,
possibilitam sua utilização numa grande quantidade de projetos.
Neste artigo descrevemos estes circuitos integrados, ajudando
assim o leitor a formar seu arquivo de dados para projetos.
Diversos são os fabricantes destes componentes,
incluindo-se a Philips Components e a National Semiconductor.
As informações dadas neste artigo, referem-se a dados
obtidos dos circultos integrados da Philips Components (1992).
Pequenas variações de fabricante para fabricante podem
ocorrer, mas ao em geral o comportamento do componente para
aplicações gerais pode ser considerado o mesmo,
independentemente de sua origem
Os circuitos integrados LM158, LM258 e LM358, consistem
em dois amplificadores operacionais independentes, com alto-
ganho, compensação interna da frequência a projetados
especialmente para operar com fonte de alimentação simples
numa ampla faixa de valores.
A operação com fonte simétrica também é possível e o
consumo de corrente na condição de baixa potência e
independente da tensão de alimentação.
Além destas características os fabricantes destacam
algumas que são únicas nestes componentes como a capacidade
de operar numa faixa de tensões de saída e a tensão
programada, mesmo com fontes de alimentação simples. A
frequência de cruzamento para ganho unitário é com- pensada
em temperatura assim como a corrente de polarização de
entrada.
Na figura 1 temos o invólucro deste componente.

39
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 1 - Pinagem

As principais características destacadas pela Philips


Components para estes componentes são:
Compensação de frequência interna pelo ganho unitário.
Ganho elevado de tensão - 100 dB.
Faixa larga de operação (ganho unitário) - 1 MHz - com
compensação de temperatura.
Faixa muito ampla de tensões de alimentação não
simétrica: - 3 Vdc a 30 Vdc e para fonte simétrica de 1,5 V a +/-
15 Vc.c.
Consumo de corrente muito baixo (400 uA) -
essencialmente independente da tensão de alimentação.
Corrente de polarização de entrada muito baixa 45 mA c.c.
e compensada em temperatura.
Baixa tensão de offset de entrada – 2 mV cc e corrente de
offset de 5 uA
Faixas de tensões diferenciais de entrada igual a faixa de
tensões de alimentação.
Tensão de saída com faixa elevada: 0 a 1m5 V cc
Os diversos tipos de integrado que formam esta família se
diferenciam pelas condições de funcionamento (faixa de
temperatura) e invólucro.
Damos na Tabela I as diversas designações possíveis para
os integrados desta família com invólucros e faixas de
temperaturas correspondentes:

40
NEWTON C. BRAGA

Os máximos absolutos deste integrado são dados na


Tabela Il.

41
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Nas figuras 2, 3 e 4 temos alguns gráficos mostrando as


performances destes integrados.

42
NEWTON C. BRAGA

Figuras 2, 3 e 4 - gráficos

APLICAÇÕES
O circuito da figura 5 mostra como podemos usar estes
integrados em uma configuração inversora com fonte de
alimentação não simétrica (simples).

43
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 5 – aplicação com fonte simples

O circuito da figura 6 é um seguidor de tensão (ganho de


tensão unitário) operando com fonte de alimentação simples (não
simétrica).

Figura 6 – Seguidor de tensão

O circuito da figura 7 é um amplificador não inversor


usando fonte de alimentação simples.

44
NEWTON C. BRAGA

Figura 7 – Amplificador não inversor

O ganho deste circuito é determinado pela relação entre


os valores de Rf e Ri. O capacitor serve para bloquear o ganho DC
do circuito.

45
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

CONHEÇA O LM4136- QUÁDRUPLO


AMPLIFICADOR OPERACIONAL
Você está precisando de um circuito integrado que
contenha quatro amplificadores operacionais semelhantes ao
741, mas com performance melhorada? Se a resposta é sim,
então você deve conhecer o LM4136 da SID Microeletrônica, que
pode ser a solução para seus problemas de projeto.

Nota: O artigo é de 1995. O LM4136


ainda pode ser encontrado de outros
fabricantes, mas a SID não mais
existe.

O circuito Integrado LM4136 da SID Microeletrônica


consiste em 4 amplificadores operacionais independentes de alto
ganho e com compensação interna de frequência.
Na figura 1, temos & pinagem deste circuito integrado.

46
NEWTON C. BRAGA

Este integrado possui nas entradas dos amplificadores


transistores de baixo ganho especialmente projetados para
aplicações que envolvam processamento de sinais, como por
exemplo, em pré-amplificadores de áudio e condicionadores de
sinais.
A etapa de saída foi simplificada, no sentido de reduzir a
distorção por crossover em quaisquer condições de carga. Na
figura 2, temos o diagrama equivalente a um dos amplificadores
do LM4136.

Cada amplificador operacional possui ainda grande


capacidade de fornecimento ou drenagem de corrente, e saídas
protegidas contra curto-circuito. Os parâmetros de saída são
estabilizados por um novo circuito, numa ampla faixa de tensão
de alimentação.

Máximos Absolutos
Tensão de alimentação: 18-0-18 V
Tensão de entrada: 15-0-15 V
Dissipação de potência: 1,04 W
(*) Para tensões de alimentação
menores que 15 V, a máxima tensão
de entrada é a tensão de
alimentação.

47
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Na tabela 1, temos as características elétricas a uma
temperatura de 25 ºC e com tensão de alimentação de 15-0-15 V,
a não ser quando especificado de forma diferente.

CIRCUITOS
Na figura 3, temos um filtro passa-faixas ativo tipo
Butterworth com frequência de corte de 400 Hz.

48
NEWTON C. BRAGA

Os resistores com tolerância de 1% fixam a frequência de


atuação do filtro, por isto, são elementos críticos deste circuito.
Os quatro amplificadores internos do LM4136 são usados neste
projeto.
O circuito da figura 4, é um amplificador diferencial para
uso em instrumentação.

Este circuito possui alto ganho, elevadíssima impedância


de entrada e uma rejeição em modo comum igualmente alta.

49
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Os valores dos resistores indicados no diagrama devem ser
rigorosamente casados, para que & performance desejada seja
alcançada. Evidentemente a fonte de alimentação não incluída no
desenho deve ser do tipo simétrico. Na figura 5, temos um
divisor/multiplicador analógico usando os quatro amplificadores
operacionais do LM4136.

Os transistores são de uso geral e a expressão da tensão


de saída em função das tensões de entrada é mostrada no próprio
diagrama. Temos então na saída uma tensão equivalente ao
produto das tensões nas entradas E1 e E2 dividida pela tensão da
entrada E3. O circuito da figura 6 usa apenas dois dos
amplificadores operacionais do LM4136 e consiste num filtro
passa-faixa sintonizado em 1 kHz.
Os capacitores de 10 nF juntamente com os resistores de
390 kΩ determinam a frequência central deste filtro, podendo ser
alterados conforme a aplicação. Evidentemente, a tolerância
desses componentes deve estar de acordo com a tolerância
desejada para a frequência sintonizada.
Finalmente, na figura 7, temos um retificador de onda
completa com filtro medidor.

50
NEWTON C. BRAGA

São usados apenas dois dos quatro amplificadores


operacionais disponíveis no LM4136 e a tolerância dos
componentes deve ser mantida.
Este circuito, mediante ajuste apropriado, fornece em sua
saída uma tensão contínua com o valor médio da tensão
alternada de entrada.

51
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

CONHEÇA O TDA7050
Projetos que envolvam amplificadores de áudio de
pequena potência, com baixa tensão de alimentação, ficarão
sensivelmente simplificados com este novo componente da
Philips. Trata-se de um integrado que funciona a partir de 1,6V e
fornece potências de até 140 mW, com um ganho excelente, da
ordem de 26 dB.

Obs. O artigo é de 1988, época em


que o CI foi lançado.

Uma das dificuldades para o projeto de equipamentos de


áudio portáteis, ou que possuam etapas de áudio de baixa
potência, é a tensão de alimentação.
Em alguns casos dispõem-se de tensões muito baixas
como, por exemplo, 3 V (duas pilhas), o que dificulta a elaboração
de circuitos amplificadores com componentes discretos e, ainda
mais, a obtenção de um tipo comercial de integrado que opere
com tal alimentação.
Projetado para ser usado em rádios de bolso, na versão
monofônica, ou em aparelhos do tipo FM estéreo, na versão
estereofônica, este integrado apresenta características
excepcionais que permitem uma simplificação extrema dos
projetos.
Com saída capaz de excitar diretamente fones de ouvido,
este integrado não necessita de nenhum componente externo na
versão mono, e apenas dois capacitores na versão estéreo.
Disponível em invólucro DUAL IN LINE de 8 pinos, ele
permite a realização de montagens extremamente compactas
para o setor de áudio.
Suas principais características são:
- Opera com tensões a partir de 1,6V
- Não necessita de componentes extemos
- Corrente quiescente muito baixa
- Ganho fixo de 26dB - entradas diferenciais flutuantes
- Flexibilidade no uso - versão mono ou estéreo V
- Encapsulamento de pequenas dimensões

52
NEWTON C. BRAGA

Na figura 1 temos o invólucro deste integrado, com a


identificação de seus terminais.

Figura 1 – Invólucro

As características elétricas principais são:


- Faixa de tensão de alimentação (Vcc): 1,6 a 6 V
- Corrente quiescente total (para VCC = 3V): 3,2mA (típ.)
- Potência de saída em ponte com RL = 32 ohms e Vcc =
3V:140 mW(típ.)
- Potência de saída estéreo por canal com RL = 32 ohms e
VCC = 3 V: 35mW (típ.)
- Separação dos canais com Rs = O ohm e f = 1 kHz: 40 dB
(típ.)
- Impedância de entrada: 1M(mín.)

53
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
- Corrente de polarização de entrada: 40 nA (típ.) x Ganho
de tensão: 26dB

Na figura 2 temos um gráfico em que mostramos a


variação da potência para duas impedâncias de carga em função
da tensão de alimentação, na configuração mono, em que os dois
amplificadores internos são ligados em ponte.

Figura 2 – Potência de saída para versão mono

As medidas foram feitas com uma frequência de 1kHz e


distorção harmônica total de 10%.
A temperatura ambiente foi de 25°C.
Na figura 3 temos o gráfico semelhante para a versão
estereofônica, considerando-se três impedâncias de cargas.

54
NEWTON C. BRAGA

Figura 3 – Desempenho para versão estéreo

As condições de medida foram as mesmas usadas na


obtenção do gráfico da figura 2.
Observamos que, com baixas impedâncias de cargas, 8
ohms por exemplo, chegamos bem próximos do limite de
potência deste amplificador, já com uma alimentação de 3 V.
Por este motivo a impedância ideal para um projeto é
obtida com fones (32 ohms), mas dois alto-falantes pequenos (do
tipo usado em rádios portáteis) ligados em série, num total de 16
ohms, podem ser usados em aplicações domésticas como, por
exemplo, um simples reforçador para walkman.

CONFIGURAÇÕES
Na figura 4 temos o circuito básico para a aplicação mono.

55
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 4 – Circuito básico mono

Observe que nesta aplicação os dois amplificadores


internos são ligados em ponte.
O sinal de entrada é então amplificado, com uma fase
num dos setores e com fase oposta no outro resultado é que,
após a amplificação, temos um sinal de saída entre os pinos 6 e 7
com amplitude pico-a-pico dobrada.
Levando-se em conta que a potência, em função da tensão
de pico, é dada por P = V2/RL, se dobrarmos a tensão temos P1 =
(2V)2/RL.

Isso significa que:


P1/P = (4V2/RL) / (V2/RL)
P1/P = 4
O que equivale a dizer que a potência fica multiplicada por
4 com esta configuração.
Para a utilização do sistema na configuração estéreo,
temos o circuito da figura 5.

56
NEWTON C. BRAGA

Figura 5 – Configuração estéreo

Os dois únicos componentes externos empregados são os


capacitores de 47 ou 50 uF, para acoplamento dos fones ou alto-
falantes.

APLICAÇÕES PRÁTICAS
Minicaixa amplificada
Um primeiro circuito aplicativo é o mostrado na figura 6,
em que temos uma minicaixa amplificada para walkman.

57
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 6 – Minicaixa amplificada

Devem ser montadas duas unidades iguais, uma para cada


canal, e cada qual conterá sua fonte de alimentação, que consiste
em duas pilhas pequenas.
Deve ser usado um alto-falante de 32 ohms, ou então dois
de 16 ohms ligados em série, pois com menor impedância
teremos uma potência além daquela que o integrado pode
fornecer, o que vai causar sua queima.

Microrreceptor de AM
Com um único transistor de efeito de campo e um
TDA7050 podemos montar o sensível receptor de AM da figura 7.

58
NEWTON C. BRAGA

Figura 7 – Microrreceptor AM

A placa de circuito impresso para esta montagem é dada


na figura 8.

Figura 8 – Placa para a montagem

Com as estações mais fortes não será necessário usar


antena; com estações mais fracas uma ligação à terra ou mesmo
um pedaço de fio de 1 ou 2 metros já é suficiente para termos um
bom sinal.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
A bobina L1 consiste em 80 voltas de fio 28 AWG num
bastão de ferrite de 1ocm de comprimento, ou um pouco mais, e
aproximadamente 1cm de diâmetro.
CV é um variável de 150 a 360 pF para AM.
O fone deve ser dinâmico de 32 ohms ou mais.
Se o fone for estéreo basta fazer a ligação em série dos
dois canais no próprio jaque de saída, conforme mostra a figura 9.

Figura 9 – Ligação do jaque estéreo

A alimentação vem de duas pilhas pequenas e o controle


de volume foi eliminado.
Para acréscimo do controle de volume faça como indicado
na figura 4.
Os capacitores de menos de 1 uF são cerâmicos e os
eletrolíticos são para 3 V ou mais.
Para os que gostam da escuta de ondas curtas, pode-se
alterar L1 da seguinte forma:
 40 voltas de fio 28AWG no mesmo núcleo de ferrite, para a
faixa entre 3 e 7MHz
 20 voltas de fio 28AWG no mesmo núcleo de ferrite, para a
faixa entre 7 e12 MHz;
 10 voltas de fio 28AWG no mesmo núcleo de ferrite, para a
faixa entre 12 e 20 MH2.
Neste caso devemos usar uma boa antena externa e
também ligação à terra.

60
NEWTON C. BRAGA

CONHEÇA O 4060
Um circuito integrado que contenha um divisor de 14
estágios e um oscilador incorporado serve para uma infinidade de
aplicações práticas interessantes, como: bases de tempo, timers,
instrumentos musicais, geradores de efeitos etc. O circuito
integrado que abordamos neste artigo faz tudo isso. Denominado
4060, este integrado contém um contador-divisor até 16 384 e
ainda elementos para elaboração de um oscilador próprio.
O circuito integrado 4060 consiste num contador binário
do tipo 'ripple' e que opera no sentido crescente com lógica
positiva.
Elaborado com tecnologia CMOS, pode ser encontrado em
diversas versões que são diferenciadas pelas siglas no final da
especificação. Assim a sigla A é para os integrados com
alimentação de 3 a 12 V e a sigla B para os que admitem
alimentação de 3 a 15 Volts.
Para o tipo B a frequência máxima de operação (clock) é
de 12 MHz com a alimentação com tensão máxima.
À medida que a tensão de alimentação é reduzida também
diminui a velocidade máxima em que o integrado pode operar.
Observamos que nesta frequência máxima de operação é
válida para as etapas contadoras já que o oscilador tem um limite
de operação bem menor em torno de 1 MHz.
Na figura 1, temos a pinagem deste circuito integrado que
é apresentado em invólucro DlL (Dual ln Line) de 16 pinos.

61
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 1 – Pinagem do 4060

Na simbologia da figura 1, as saídas são indicadas pela


potência de 2, segundo ocorre a divisão da frequência aplicada à
entrada (Clock).
Assim, a saída 5 corresponde à divisão da frequência por
25 = 32.
A saída de maior valor de divisão é a 14 que corresponde a
16384.
Para operar os estágios divisores devemos manter a saída
Reset no nível baixo (aterrada).
O contador operará com a transição negativa do pulso de
clock, ou seja, o contador avançará uma unidade cada vez que
ocorrer uma transição do nível alto (positivo) para o nível baixo
(zero) na entrada de clock.
Observe que o circuito integrado não possui saídas com
divisões por 21: 22, 23:
No setor de oscilação podemos usar diversas
configurações externas para obter o funcionamento do circuito.
A primeira possibilidade consiste no uso de um oscilador a
cristal e é mostrada na figura 2.

62
NEWTON C. BRAGA

Figura 2 – Usando oscilador a cristal


Nesta configuração o trimmer possibilita encontrar o ponto
ideal de operação do circuito para uma partida sem problemas.
Outra possibilidade consiste no uso de um oscilador RC
conforme mostra a figura 3.

Figura 3 – Usando oscilador RC


Entretanto, para este circuito se o resistor Rx for menor
que 50 k não se recomenda utilizar alimentação menor que 7
volts.
Tipicamente Rs deve ser de 2 a 10 vezes o valor de Rx.
A constante de tempo do circuito que permite calcular a
frequência de operação do oscilador é dada por:
T = 2,2 x Rx x Cx

63
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Características básicas do circuito são dadas na tabela a
seguir:

O circuito interno para oscilador também pode ser


modificado para operar como um Schmitt trigger (disparador).
Para isso a configuração usada é mostrada na figura 4.

Figura 4 – Operação como disparador

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NEWTON C. BRAGA

APLICAÇÕES
Damos a seguir alguns circuitos simples que podem servir
de base para projetos, usando este circuito integrado.

a) Timer de longo período


Com um capacitor de poliéster com boa estabilidade em
relação a um eletrolítico que seria usado um timer comum,
podemos obter longa temporização, pois a frequência é dividida
por até 16 384.
Assim, se a frequência do oscilador for de 1 Hz, teremos
uma temporização de 16 384 segundos o que corresponde à mais
de 4 horas, conforme a figura 5.

Figura 5 – Longa temporização

Uma temporização ainda maior pode ser obtida se


ligarmos dois 4060 em cascata conforme mostra a figura 6.
Na saída podemos fazer com que o circuito atue sobre um
relé, SCR ou transistor, para ativar por exemplo: um oscilador de
áudio simples. A ativação é mostrada na figura 7.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 6 – Ligação em cascata

Figura 7 – Ativação de circuito externo

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NEWTON C. BRAGA

No caso do relé e SCR a carga controlada tem suas


características determinadas por estes componentes.
Para o oscilador, a frequência é determinada pelo ajuste
do trimpot.
No caso do relé podemos usar para o circuito alimentação
de 6 ou 12 Volts conforme o relé escolhido para a aplicação.
Com a utilização de um potenciômetro no oscilador
podemos variar a sua frequência e com isso obter intervalos
reguláveis numa boa faixa para o temporizador, no entanto não
devemos esquecer os limites de valor que este componente pode
admitir para um funcionamento estável.

b) Instrumento musical de 3 oitavas


Usando oscilador com divisores do tipo 4060 podemos
dividir por 3 a quantidade de componentes necessários a
elaboração de um órgão de 3 oitavas, conforme sugere o circuito
básico da figura 8.

Figura 8 – Instrumento de 3 oitavas

Afinando cada um dos osciladores para uma nota de uma


das oitavas, automaticamente estarão afinadas as mesmas notas
das oitavas seguintes do aparelho.
Observe, entretanto, que os sinais obtidos nas saídas são
retangulares, o que significa que, para um órgão ou Sintetizador,

67
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
eles deverão ser trabalhados por filtros e circuitos de efeitos
apropriados.

c) Divisor para aplicações lógicas


Na figura 9, temos a maneira simples de se utilizar o
circuito como divisor para a frequência de um sinal por valor
conhecido, o que pode ser necessário numa aplicação digital.

Figura 9 – Divisor lógico

Lembramos que, nesta aplicação a transição das saídas,


ou seja, a contagem ocorre quando o sinal de entrada passa o
nível alto para o nível baixo.
Os limites de frequência para a entrada dados nas tabelas
devem ser observados para esta aplicação.

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NEWTON C. BRAGA

CONHEÇA A MATRIZ DE CONTATOS DE


170 PONTOS
Além das matrizes de contatos de 550 e mais pontos (até
800) podem ser encontradas no mercado pequenas matrizes
de170 pontos que são ideais para projetos de iniciação. Veja
neste artigo como é simples utilizá-las.
A matriz de contatos é usada para a montagem de
circuitos experimentais e didáticos, pois não necessita de solda e
os componentes são encaixados com facilidade nos furos que ela
possui.
Com isso o montador tem a possibilidade de experimentar
um circuito antes de fazer uma montagem definitiva e até
aproveitar os mesmos componentes muitas vezes em diversas
montagens.
Uma matriz de contatos de 170 pontos consiste numa base
de plástico com pequenos furos onde podem ser encaixados os
terminais de componentes como resistores, diodos, capacitores,
transistores e circuitos integrados.
As distâncias dos furos são tais que os invólucros
padronizados se encaixam perfeitamente na matriz, conforme
mostra a figura 1.

Figura 1– A matriz de 170 pontos

Por baixo da base de plástico existem contatos metálicos


que se prendem nos terminais dos componentes por pressão.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Estes contatos formam filas ou carreiras que são
interligadas entre si.
Desta forma, conforme podemos observar na figura 1,
todos os furinhos das filas verticais de uma matriz de contatos
estão interligados entre si.
Assim, se ligarmos o polo positivo de uma fonte de
alimentação na fila superior, qualquer componente que seja
conectado a esta fila receberá a alimentação positiva e da mesma
forma na fila inferior, conforme mostra a figura 2.

Figura 2 – Obtendo linhas de alimentação positiva (+) e negativa (-)

Veja então que para componentes sejam interligados,


basta que seus terminais sejam enfiados nos furos de uma
mesma fila, conforme mostra a figura 3.

Figura 3 – Interligação de componentes

Para interligar componentes que estão distantes na matriz


usamos pedaços de fios rígidos com as pontas descascadas, como
os mostrados na figura 4.

70
NEWTON C. BRAGA

Figura 4 - Pedaços de fios usados nas interligações

Um tipo de fio rígido fácil de obter é o usado em linhas


telefônicas (fio paralelo cinza) que pode ser adquirido por metro e
cortado em diversos tamanhos tendo as pontas descascadas de
uns 0,5 cm aproximadamente.
Planejando bem as colocações dos componentes, podemos
reproduzir com certa facilidade os mais complicados circuitos
numa matriz de contatos e assim obter seu funcionamento.
Para as experiências básicas, que podem ser encontradas
neste site será suficiente possuir inicialmente uma matriz
pequena de 170 pontos de ligação.
Com ela o leitor também poderá montar muitos dos
projetos que simples que descrevemos e que temos em nosso
site.
Damos a seguir uma sequência de projetos simples para
aprender a usar a matriz e para conhecer alguns componentes
eletrônicos, verificando seu funcionamento.
Neste site poderão ser encontrados muitos projetos que,
além da montagem em placa de circuito impresso ou ainda em
ponte de terminais, poderão ser feitos utilizando-se uma matriz
de contatos.

Atenção:
1. Não deixe o terminal de um componente encostar no
terminal de outro. Isso pode provocar curtos que levam
componentes à queima. Mesmo que não ocorra a queima, o
circuito não funcionará.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
2. Observe que determinados componentes como LEDs,
transistores e capacitores eletrolíticos, circuitos integrados,
e outros têm posições certas de colocação. Se forem
invertidos, o circuito não funciona.
3. Confira sempre a montagem antes de ligar as pilhas. Nunca
faça a montagem com as pilhas ligadas. Se houver algum
erro, e você não descobrir antes de conferir, pode ocorrer a
queima de componentes.
4. Não altere um circuito, trocando um componente por outro,
ou invertendo se você descobrir que isso é preciso, com as
pilhas ligadas.
5. Se usar fonte de alimentação, ela será a última a ser ligada
e nunca altere sua tensão com o circuito ligado.

PROJETO DE EXEMPLO: ACENDENDO UM LED E


APAGANDO OUTRO COM UM POTENCIÔMETRO
Nível: Fundamental, médio e iniciação
Finalidade: aprender a utilizar o potenciômetro ou
trimpot para fazer a transição do acendimento de um LED para
outro.

Explicação
Quando giramos o eixo de um potenciômetro ou trimpot ao
mesmo tempo em que a resistência entre um extremo e o cursor
aumenta, diminui a resistência entre o outro extremo e o cursor.
Assim, se ligarmos LEDs nos extremos de um
potenciômetro, quando o cursor corre para o lado de um ou do
outro, a corrente neles aumenta e com isso o brilho.
Isso significa que ao mesmo tempo em que o brilho de um
aumenta o do outro diminui.
Nosso circuito pode então ser montado com um trimpot
comum, dois LEDs, um resistor e a fonte de alimentação.

Montagem
Na figura 5 temos o circuito de demonstração do
funcionamento do trimpot ou potenciômetro.

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NEWTON C. BRAGA

Figura 5 – Circuito de demonstração

A montagem feita na matriz de contatos de 170 pontos é


mostrada na figura 6 .

Figura 6 – Montagem na matriz de contatos

Na montagem, observe a posição do potenciômetro P1 e


dos LEDs.
Podem ser usados LEDs de cores diferentes, para uma
montagem interessante.
Outra possibilidade consiste no uso de um LED bicolor, que
tenha o catodo comum, como mostrado na figura 7.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 7 – Usando LED bicolor

O LED bicolor tem 3 terminais, sendo um comum, devendo


ser montado conforme mostra a figura 8.

Figura 8 – Montagem com LED bicolor

Neste caso, não teremos uma transição de brilho, mas sim


uma transição de cor.

Material Usado
LED1, LED2 – LEDs comuns
R1 – 1 k ohms – resistor – marrom, preto, vermelho
P1 – Potenciômetro de 47 k ohms
B1 – 6 V – 4 pilhas pequenas
Diversos:
Matriz de contatos, suporte de pilhas, fios, solda etc.

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NEWTON C. BRAGA

CONHEÇA AS INDUTÂNCIAS
A maioria dos montadores não gosta muito das chamadas
"bobinas", por diversos motivos. Um deles é o desconhecimento
de seu princípio de funcionamento. O outro é a dificuldade em
obtê-las. Neste artigo vamos falar um pouco dos indutores ou
bobinas, que são componentes muito usados nas montagens
eletrônicas, dando algumas orientações que, sem dúvida, serão
de utilidade para nossos leitores.
Foi Hans Christian Oersted, um professor dinamarquês que
no século passado descobriu que era possível criar campos
magnéticos a partir de correntes elétricas. O efeito magnético da
corrente elétrica aparecia quando
uma corrente circulava por um fio e "criava" forças
suficientemente intensas para mudar de posição uma agulha
magnetizada, conforme mostra a figura 1.

Figura 1 – O campo magnético de uma corrente

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Evidentemente, naquela época o fenômeno não passou de
curiosidade, mas com o tempo, esse efeito foi aproveitado em
diversos tipos de dispositivos e hoje é muito importante para
eletrônica.
Para que possamos entender como esse efeito é
aproveitado em diversos tipos de dispositivos eletrônicos, será
interessante estudarmos sua natureza desde o início.
Quando cargas elétricas se movimentam, em torno de sua
trajetória aparece um campo magnético, conforme mostra a
figura 2.

Figura 2 – Cargas em movimento criam campos magnéticos

Veja que devemos diferenciar a natureza do campo


elétrico da natureza do campo magnético.
Enquanto o campo elétrico aparece em torno de uma
carga elétrica parada, o campo magnético exige movimento.
Assim, sempre que houver cargas elétricas em movimento,
ou seja, correntes elétricas, teremos obrigatoriamente o
aparecimento de campos magnéticos.
Num fio percorrido por uma corrente, se representarmos
esta corrente no sentido convencional que vai do polo positivo
para o negativo, as linhas de força do campo magnético terão o
sentido indicado na figura 3.

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NEWTON C. BRAGA

Figura 3 – A orientação do campo magnético

Trata-se da conhecida "regra do saca-rolhas", estudada


nos cursos técnicos, ensino médio e nos cursinhos preparatórios
aos vestibulares: o campo representa o movimento do saca-rolha
para que ele avance no mesmo sentido da corrente.
Veja que o campo produzido por uma corrente elétrica tem
a mesma natureza que o campo produzido por um ímã.
No ímã, o campo tem origem nos elétrons que giram de
maneira organizada em torno dos núcleos dos átomos,
produzindo campos, conforme a orientação mostrada na figura 4.

Figura 4 – Os elétrons se movimentam num ímã criando um campo


orientado

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Observe que as linhas de força dos campos magnéticos


são sempre fechadas, ou seja, sempre saem do polo Norte e
chegam ao polo Sul e quando, como no caso da corrente, não
podemos identificar esses polos, elas formam círculos
concêntricos.

REFORÇANDO O CAMPO
O campo magnético que aparece em torno de um fio
percorrido por uma corrente é muito fraco, mal conseguindo
deflexionar uma agulha imantada.
No entanto, é possível aumentar a intensidade desse
campo, se enrolarmos o fio condutor de modo a formar uma
bobina, como sugere a figura 5.

Figura 5 – Aumentando a intensidade do campo criado pela corrente

Tendo de passar pelo mesmo lugar, dando voltas em


espiras diferentes, a corrente cria campos que se somam e a
bobina se comporta como um verdadeiro ímã, com um polo Norte
e um polo Sul, conforme mostra a figura 6.

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NEWTON C. BRAGA

Figura 6 – Os campos de um ímã e um solenoide são iguais

Qual extremidade será o polo Norte e qual será o polo Sul


dependerá do sentido de circulação da corrente na bobina e pode
ser determinada pela mesma regra do saca-rolhas.
O dispositivo formado por uma bobina nas condições
indicadas é um solenoide.
Podemos concentrar o campo magnético criado por uma
bobina se, no seu interior, colocarmos um núcleo de material
ferroso, por exemplo, o ferro, o aço, ou ainda o ferrite.
Estes materiais têm a propriedade de concentrar as linhas
de força do campo magnético, como mostrado na figura 7.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 7 – Materiais que concentram as linhas de um campo magnético

Alguns dispositivos podem ser formados por bobinas com


ou sem núcleo, ou ainda com núcleos móveis.
Podemos citar o caso dos relés em que temos uma bobina
com um núcleo que atrai uma parte móvel quando é percorrida
por uma corrente.
A parte móvel tem contatos que podem ou fechar em
função da corrente de uma bobina conforme mostra a figura 8.

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NEWTON C. BRAGA

Figura 8 –O relé

Outro dispositivo é o solenoide que tem um núcleo móvel


que e' puxado para dentro com muita força quando uma corrente
na bobina cria um campo magnético.
Este movimento pode ser usado para abrir fechaduras em
portas elétricas ou ainda para abrir válvulas de água, como nas
máquinas de lavar roupas.
Na figura 9 mostramos o princípio de funcionamento de
um solenoide.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 9 – O solenoide

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NEWTON C. BRAGA

Veja que todos estes dispositivos operam com uma


corrente contínua circulando pela bobina.
Se aplicarmos uma corrente de características diferentes a
um dispositivo formado por fio enrolado, o efeito do campo criado
pode ser diferente.
Na realidade, este efeito é tão diferente que pode ser
aproveitado numa outra categoria de componentes eletrônicos de
grande importância.
Se tivermos uma bobina com fio de cobre, sua resistência
à passagem de uma corrente depende basicamente da
resistência do fio de cobre usado.
Usando fios apropriados podemos obter campos intensos
quando correntes circulam.
No entanto, existem alguns fenômenos que merecem ser
comportamento da bobina quando a corrente varia.
Vejamos um primeiro caso em que temos uma bobina
ligada a uma pilha por meio de uma chave e que é mostrado na
figura 10.

Figura 10- corrente quando fechado o circuito

No momento em que fechamos a chave, a corrente não


aumenta instantaneamente de intensidade até atingir o máximo.
O campo magnético tem de ser criado e isso significa que
suas linhas de força se expandem com certa velocidade.
Ora, ao se expandirem, essas linhas cortam as espiras da
mesma bobina e isso causa um fenômeno de indução.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Se os fios cortarem as linhas de um campo quer seja pelo
seu próprio movimento quer pelo movimento do campo, é
induzida uma tensão neste fio, figura 11.

Figura 11 – A indução

No caso da bobina a tensão induzida tende justamente a


se opor ao estabelecimento da corrente.
Em suma, a bobina "reage" ao estabelecimento da
corrente, com uma certa oposição.
Da mesma forma, se a corrente for interrompida quando a
chave é aberta, as linhas de força do campo magnético não se
contraem instantaneamente, mas demoram um certo tempo.
E, nesta contração, elas cortam as espiras da mesma
bobina, agora induzindo uma tensão contrária àquela que
provocou a corrente que as estabeleceu.
O resultado disso é que por um instante aparece uma
tensão nas extremidades da bobina, enquanto as linhas se
contraem.
Em algumas bobinas de grande número de espiras, esta
tensão chega a ser suficientemente elevada para provocar uma
faísca entre os contatos da chave quando ela é desligada.
Em suma, o que ocorre é que as bobinas não "gostam" de
variações da corrente, quer seja quando ela aumenta, quer seja
quando diminui, pois isso implica em alterações do campo
magnético.
As bobinas reagem a isso e este fato nos leva a dizer que
as, bobinas têm uma certa reatância.

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NEWTON C. BRAGA

REATÂNCIA INDUTIVA
Evidentemente, num circuito de corrente contínua só
teremos problemas com a indutância no momento em, que a
corrente for estabelecida ou desligada.
No entanto, as bobinas podem ser usadas em circuitos de
correntes alternadas, onde as correntes estão variando
constantemente.
Nestes circuitos, o que ocorre é que a bobina está
constantemente “reagindo” às variações da corrente.
Isso significa que, a intensidade da corrente que circula
numa bobina, quando ligada num circuito de corrente alternada,
não depende somente da resistência do fio usado, mas de um
fator adicional: a reatância.
As bobinas possuem então uma "reatância indutiva" que é
a propriedade de se opor à circulação de uma corrente alternada.
Assim, uma bobina que tenha, uma resistência do fio de 10
ohms para a circulação de uma corrente contínua apresenta uma
oposição, 100 ohms, por exemplo, quando num circuito de
corrente alternada.
É o que ocorre com um pequeno transformador: se
medirmos com o multímetro a resistência de seu enrolamento
primário encontramos um valor
baixo que nos levaria a calcular uma corrente muito alta
quando ele fosse ligado na rede de energia.
No entanto, ao ser ligado na rede de energia, o
transformador cujo enrolamento primário é uma bobina ou
indutor, deixa circular uma corrente muito menor.
Veja que a reatância indutiva também é medida em ohms,
pois ela é uma "oposição à passagem da corrente" exatamente
como a resistência.

INDUTÂNCIA
A principal característica de uma bobina é a sua
indutância.
A indutância indica de que modo essa bobina "reage" às
variações de corrente e de que modo ela produz um campo
magnético no seu interior.
A indutância é medida em henrys (H) mas nas aplicações
eletrônicas é comum especificarmos as indutâncias em

85
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
submúltiplos do henry como o milihenry (mH) e o microhenry
(uH). O milihenry é a milésima parte do henry e o microhenry a
milionésima parte do henry.
A indutância de uma bobina depende de diversos fatores
como:
a) Número de espiras: quanto maior o número de espiras,
maior a indutância.
b) Diâmetro: quanto maior o diâmetro, maior será a
indutância.
c) Comprimento: quando maior o comprimento, maior será
a indutância.
d) Existência ou não de núcleo: um núcleo de ferrite ou de
material ferroso aumenta a indutância.

Na figura 12 temos a fórmula que permite calcular com


aproximação a indutância de uma bobina.

Figura 12 – Cálculo da indutância

REATÂNCIA E OSCILAÇÕES
Conforme vimos, as bobinas reagem às variações da
corrente, apresentando uma oposição que denominamos
reatância indutiva.
Ora, quanto mais rápidas forem as variações da corrente,
maior será a reação da bobina.
Isso nos leva a concluir que a reatância depende tanto da
frequência como da indutância de uma bobina.

86
NEWTON C. BRAGA

Assim, na figura 13 mostramos que a reatância indutiva


depende tanto da frequência como da indutância numa proporção
direta.

Figura 13 – Reatância versus frequência

O fator 2π é urna constante que equivale a 6,28.


Um outro comportamento interessante das bobinas ocorre
quando são associadas a capacitores.
Na figura 14 temos um caso importante que é o do circuito
ressonante LC, em que temos uma bobina ligada em paralelo com
um capacitor.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 14 – O circuito ressonante LC

Quando aplicamos um pulso de tensão neste circuito, ele


carrega imediatamente o capacitor, pois a bobina "reage" a este
pulso, não deixando inicialmente circular corrente alguma.
No entanto, tão logo o capacitor esteja carregado, a
bobina não reage mais, deixando agora que o capacitor se
descarregue através dela.
Ora, com a descarga, um forte campo magnético é
produzido na bobina.
No entanto, este campo não pode durar muito, pois a
corrente que o produz, com a descarga do capacitor desaparece.
O campo, depois disso se contrai, induzindo na bobina uma
tensão que carrega o capacitor, mas com polaridade contrária.
Entretanto, a carga do capacitor não se mantém.
Uma vez que o capacitor esteja carregado e a bobina sem
corrente alguma circulando, não há impedimento para a descarga
do capacitor.
Uma forte corrente de descarga circula novamente com a
produção de outro campo.
Na figura 15 mostramos o que ocorre.

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NEWTON C. BRAGA

Figura 15 - As oscilações de um circuito LC

Se não existissem resistências no circuito de carga e


descarga do capacitor que provocassem a transformação da
energia em calor, e se nenhuma parte da energia fosse irradiada
na forma de ondas eletromagnéticas, ele se manteria nesse ciclo
eternamente, ou seja, em oscilação.
Na prática, entretanto, à medida que a energia vai se
dissipando no circuito as oscilações vão se tornando mais fracas.
Podemos manter constantes essas oscilações se, à medida
que a energia for se dissipando ou sendo aproveitada
externamente, a repusermos através de um circuito externo.
Temos então um circuito oscilante, figura 16.

Figura 16 – O circuito oscilante

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
A frequência deste circuito é justamente determinada
pelas características da bobina e do capacitor, ou seja, da sua
tendência em manter o ciclo de carga e descarga numa
velocidade constante.
Dizemos que o circuito LC ressoa numa determinada
frequência e nela ele tende a oscilar quando excitado.

90
NEWTON C. BRAGA

CONHEÇA O ANALISADOR DE
ESPECTRO
Este artigo é antigo, mas totalmente
valido em nossos dias, pois o princípio
de funcionamento e o modo de uso
do analisador de espectro não
mudou. Muda apenas a tecnologia
empregada nos tipos mais modernos.
Importante para todos que estão
ligados às telecomunicações.

A maioria dos leitores conhece o osciloscópio e sabe usá-lo


numa boa quantidade de aplicações na oficina. No entanto, um
equipamento "aparentado" com o osciloscópio que poucos
conhecem, e que com a tecnologia das microondas aplicada cada
vez mais em equipamentos de uso doméstico como as antenas
parabólicas e os próprios fornos de cozinha, se torna importante,
é o analisador de espectro. O que faz o analisador de espectro e
sua importância na oficina do técnico moderno é o assunto deste
capítulo.
Usando um tubo de rádios catódicos (TRC) o osciloscópio
permite visualizar a forma de onda de um sinal ou então analisar
curvas de seletividade com ajuda de um gerador de varredura.
Com este útil instrumento também podemos medir
tensões, frequências (com as famosas figuras de Lissajous) e até
estudar fenômenos físicos dinâmicos com a ajuda de
transdutores.
Toda esta utilidade do osciloscópio torna este instrumento
quase que indispensável na oficina do técnico eletrônico que é
capaz de reconhecê-lo a quilômetros de distância simplesmente
pela presença da "telinha".
No entanto, muitos técnicos podem confundir este
instrumento com um outro de tecnologia semelhante, e de
utilidade igualmente ampla, e que também usa o tubo de raios
catódicos: o analisador de espectro.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Se bem que pareça "de longe" com um osciloscópio, e que
também faça a análise de sinais projetando o resultado numa
tela, o princípio de funcionamento do analisador de espectro é
outro e igualmente sua utilidade.

Com a utilização cada vez mais frequente de


equipamentos que operam na faixa de microondas, o analisador
de espectro que, até então era um instrumento restrito aos
laboratórios sofisticados, principalmente de telecomunicações,
passa a ser agora um instrumento necessário ao técnico comum,
evidentemente o que deseja estar a um degrau acima dos
concorrentes.

O ANALISADOR DE ESPECTRO
Se aplicarmos na entrada de um osciloscópio os sinais
captados por um circuito que responda a uma determinada banda
de frequências, conforme mostra a figura 2, teremos como
resultado a projeção da forma de onda dos sinais presentes no
circuito, mas de maneira combinada.

92
NEWTON C. BRAGA

Não será possível ao usuário saber quais frequências estão


presentes no sinal e quais são suas intensidades relativas, a não
ser que uma complexa análise seja feita partindo de cálculos que
envolvam as transformadas de Fourier! Evidentemente, tais
cálculos além de muito trabalhosos não são dominados pela
grande maioria dos técnicos.
Se, em lugar de desejarmos visualizar a forma de onda de
um sinal, quisermos ter uma ideia de que frequências o formam e
com que intensidade relativa aparece cada uma, precisaremos de
um instrumento diferente: o analisador de espectro.
Conforme o nome diz, este aparelho "analisa" uma certa
faixa do espectro projetando numa tela os sinais contidos nesta
faixa com suas intensidades relativas.
Vamos supor que um analisador de espectro seja ajustado
para varrer a faixa de 100 a 200 MHz, conforme mostra a figura 3.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Varrendo esta faixa, ele vai determinar a frequência e a
intensidade com que aparece cada sinal aplicado a sua entrada,
por exemplo a partir de uma antena.
Assim, supondo que o técnico esteja em busca de
interferências num local em que vai instalar um equipamento, ele
pode perfeitamente "localizar" no espectro os sinais das estações
em 120, 150 e 180 MHz e sinais interferentes ou que precisem ser
identificados em frequências de 110, 140, 170 e 190 MHz, alguns
"espalhando" por uma faixa algo larga.
Veja então que é possível "explorar" uma determinada
faixa do espectro, detectando todos os sinais com suas
intensidades relativas que estejam presentes nesta faixa.
Ligado à saída de um transmissor ou de um oscilador,
podemos detectar os sinais espúrios, as harmônicas com suas
intensidades relativas, conforme mostra a figura 4.

Em outras palavras, nesta aplicação, o analisador de


espectro permite verificar a "pureza" do funcionamento de um
transmissor ou de um oscilador, ou ainda fazer os ajustes
eliminando os sinais indesejáveis.

PARA O TÉCNICO INSTALADOR DE ANTENAS


Para o técnico comum, a disponibilidade de um analisador
de espectro revela-se interessante quando nos defrontamos com
alguns problemas de interferências.

94
NEWTON C. BRAGA

Por exemplo, o técnico ao instalar um sistema de antenas


coletivas num local problemático, por exemplo, que esteja sujeito
a interferências de estações transmissoras, pode usar o
analisador para encontrar a frequência exata dos sinais
interferentes e utilizar filtros rejeitores.
Na figura 5 temos um caso em que a conexão do
analisador de espectro, ajustado para varrer a faixa dos canais
altos de TV, revela uma harmônica de uma estação de FM
próxima, que afeta a qualidade de recepção.

Um filtro para a frequência que está entrando


indevidamente pode então ser previsto no sistema de antena, de
modo a se evitar seus problemas.
Outra aplicação interessante para o analisador de espectro
é mostrada na figura 6.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Instalações de distribuição de sinais como sistemas de TV


em circuito fechado, mesmo sistemas simples em que o sinal de
um videocassete transmite sinais para um televisor em outra
sala, podem ser responsáveis por "escapamentos" de radiação
que acabam por interferir em televisores próximos ou mesmo
outros equipamentos.
O interessante desses escapes é que nem sempre a
frequência é única e as vezes, sinais espúrios podem ser gerados
no próprio circuito transmissor.
Explorando a linha de distribuição desses sinais com o
analisador de espectro o técnico pode identificar não só os pontos
de escape como também saber que frequências de sinais estão
sendo irradiadas e em que intensidade.
Mas, é na instalação de antenas parabólicas que a
utilidade do analisador de espectro pode se revelar de uma forma
que os técnicos pouco conhecem.
As instalações de antenas parabólicas são especialmente
sensíveis a sinais interferentes e a problemas de escapes, tanto
pela elevadíssima frequência com que operam seus circuitos
como também pela baixíssima intensidade dos sinais com que ela
opera em alguns pontos.

96
NEWTON C. BRAGA

A primeira utilidade consiste em se verificar a pureza do


sinal captado pela própria antena.
Links terrestres e outras fontes de microondas podem
afetar a recepção, acrescentando um sinal interferente
indesejável, conforme mostra a figura 7.

Links terrestres nada mais são do que estações de


microondas que são usadas pelos serviços de telecomunicações,
transportando conversas telefônicas, e outros sinais ponto a
ponto, conforme mostra a figura 8.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Estas estações recebem da anterior o sinal e o retransmite


para a seguinte, operando na mesma faixa de microondas usada
pelos satélites de TV e por isso podem ser captadas de forma
indevida.
Os moradores que estejam próximos destas antenas
podem receber lateralmente os sinais pelas suas antenas,
ocorrendo então uma interferência indesejável.
Com a ajuda de um analisador de espectro o técnico
instalador pode verificar antes de posicionar definitivamente a
antena se o local não está sujeito ao problema de captação dessa
interferência e se está pode facilmente encontrar o ponto em que
ela não ocorra.
Outra utilidade para o analisador, nos sistemas de TV por
satélite, é a verificação do sinal nos diversos pontos da
instalação.

98
NEWTON C. BRAGA

Ligado na extremidade do cabo, ele permite verificar se o


sinal que está chegando naquele ponto tem seu espectro correto,
ou seja, ocupa a faixa esperada e se tem a intensidade ideal.
Uma deficiência do cabo pode causar uma atenuação
seletiva do sinal, ou seja, atenuar em certas frequências de forma
diferente, o que poderá ser observado no analisador conforme
mostra a figura 9.

Nos sistemas de TV por assinatura que operam na faixa de


SHF (Frequência Super Alta) a presença de sinais interferentes é
problemática e só pode ser detectada com dificuldade.
O analisador de espectro torna-se indispensável neste
caso. Na figura 10 temos o sistema usado para se determinar os
níveis de interferência numa certa faixa, utilizando para esta
finalidade o analisador de espectro.

99
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

VALE À PENA INVESTIR


Já existem analisadores de espectro cujo preço compensa
o investimento, já que a qualidade dos serviços obtidos só tem a
ganhar e além disso o técnico encontra uma agilização de
diagnóstico que também é importante para seus lucros.
Um analisador de espectro disponível em nosso mercado é
o ICEL 7802 que opera na faixa de 1 MHz a 1 000 MHz (1 GHz) o
que está dentro das necessidades básicas do instalador de
sistemas de antenas e especialistas em telecomunicações.

100
NEWTON C. BRAGA

A sensibilidade deste equipamento torna-o ideal para


análise direta de sinais de TV. Além disso, este equipamento
fornece uma leitura direta na tela do nível de sinal da frequência
central.
Sua impedância de entrada de 50 ou 75 ohms, com
capacitância menor que 1,5 pF permite a utilização direta de
pequenas antenas na captação dos sinais.

Suas especificações principais são:


* Faixa de frequências: 1 a 1 000 MHz
* Faixas de varredura: 0,1 a 100 MHz/div
* Faixa de amplitudes medidas: 15 a 129 dB
* TRC - amplitude: 15 a 80 dB 10dB/div
* Faixa dinâmica: 60/70 dB
* Tempo de varredura: 5 ms/div

101
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

REGULADOR DE TENSÃO LM723


Se bem que este circuito integrado já esteja superado por
componentes mais modernos em algumas aplicações, o fato de
ter uma grande versatilidade, ser de obtenção fácil faz com que
ele seja o preferido para muitos projetistas. Como muitos leitores
nos escreveram pedindo mais informações sobre este
componente preparamos este artigo em que suas características
e aplicações básicas são relembradas
O circuito integrado LM723 consiste num regulador de
tensão integrado que pode ser ajustado para fornecer tensões de
2 a 37 volts em fontes fixas ou variáveis. Sozinho ele pode
fornecer correntes de até 150 mA mas com etapas de potência
não há limite para a corrente de saída.
O LM723 é semelhante ao LM723C exceto pela faixa de
temperaturas de operação.
O circuito integrado LM723 tanto pode ser encontrado em
invólucro DIL de 14 pinos com a pinagem mostrada na figura 1
como em versão mais rara em invólucro metálico redondo de 10
pinos.

O circuito equivalente interno em blocos deste circuito


integrado é mostrado na figura 2.

102
NEWTON C. BRAGA

Dentre as principais características que merecem


destaque neste circuito integrado temos:
* 150 mA de corrente de saída sem transistores externos
* Correntes até 10 A são possíveis com o uso de
transistores externos
* Tensão de entrada máxima de 40 V
* Tensão de saída ajustável de 2 a 37 V
* Pode ser usado tanto em fontes lineares como chaveadas

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Tensão máxima de entrada: 40 V
Faixa de tensões de saída: 2 a 37 V
Corrente no diodo zener: 25 mA (max)
Regulação de linha: 0,3% (tip)
Regulação de carga: 0,15% (tip)
Rejeição de ripple: 74 dB (tip)
Corrente de curto-circuito limitada em: 65 mA (tip)
Tensão de referência: 7,15 V (tip)
Faixa de tensões de entrada: 9,5 a 40 V
Corrente em standby: 1.7 mA (tip)

Na tabela 1 temos os valores dos resistores para diversas


tensões de saída com os circuitos em que os valores são
aplicáveis. As fórmulas para tensões intermediárias são dadas na
figura 3.

103
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

104
NEWTON C. BRAGA

CIRCUITOS
Os seguintes circuitos foram obtidos de manuais de
fabricantes (Motorola, National, Texas etc.) que fabricam este
mesmo componente. Sugerimos que os leitores interessados em
mais informações acessem o datasheet deste componente num
dos fabricantes os quais os disponibilizam em formato PDF.

105
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
CIRCUITO 1
Na figura 4 temos a configuração básica do LM723 para
saídas de 2 a 7 volts. Os valores dos componentes básicos são
dados na tabela 1.

CIRCUITO 2
Mostramos na figura 5 a configuração básica para saídas
de 7 a 37 volts também com os valores dos resistores dados na
tabela 1.

Lembramos que este circuito e o anterior tem sua corrente


de saída limitadas a 150 mA já que não há etapa adicional de
potência com transistores.

106
NEWTON C. BRAGA

CIRCUITO 3
O circuito mostrado na figura 6 é de um regulador de
tensão negativo para uma tensão de saída de 15 V.

Este circuito apresenta uma regulagem de carga de 1 mV


para uma corrente de 100 mA.

CIRCUITO 4
Na figura 7 temos um regulador de tensão positivo com
saída de 15 V que pode fornecer uma corrente de 1 A com uma
regulagem de carga de 15 mV.

107
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Para outros valores de tensões consulte a tabela 1.

CIRCUITO 5
O circuito apresentado na figura 8 pode fornecer correntes
de saída de 1 A sob tensão de 5 V devendo o transistor ser
montado em radiador de calor.

108
NEWTON C. BRAGA

Para outras tensões o leitor deve consultar a tabela de


resistores.

CIRCUITO 6
Na figura 9 temos um circuito com limitação de corrente
do tipo "foldback" com a capacidade de fornecer uma corrente de
saída de 10 mA e uma corrente de curto-circuito de 20 mA.

109
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Para outras tensões de saída a tabela 1 pode ser


consultada.

CIRCUITO 7
No circuito da figura 10 temos um regulador positivo
flutuante com a capacidade de fornecer tensões de saída de 50 V
com regulagem de 20 mV para uma corrente de 50 mA.
Para outras tensões os valores dos componentes são
dados na tabela. O transistor admite equivalentes.

110
NEWTON C. BRAGA

CIRCUITO 8
Um regulador negativo flutuante capaz de fornecer uma
tensão de saída de -100 V com regulagem de 20 mV para uma
corrente de carga de 100 mA é mostrado na figura 11.

111
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
CIRCUITO 9
Uma fonte chaveada com saída de 5 V e saída de 2 A é
mostrada na figura 12.

Para 2A de saída a regulagem de carga é de 80 mV. Os


transistores admitem equivalentes. A tabela 1 também fornece
dados para se obter outras tensões em função dos resistores
usados.

CIRCUITO 10
O aplicativo mostrado na figura 13 pode ser cortado a
partir de controle lógico remoto. O shutdown pode vir de uma
saída TTL.

112
NEWTON C. BRAGA

A corrente de saída é de 100 mA para uma tensão de 5 V.


Outras tensões podem ser obtidas consultando-se para isso os
valores de componentes na tabela 1.

CIRCUITO 11
O regulador tipo shunt apresentado na figura 14 pode
fornecer uma corrente de 100 mA e tensão de saída de 100 mA.
Outras tensões podem ser obtidas com a troca de valores
de componentes segundo a tabela 1.

Obs: Apesar de existirem circuitos


integrados mais modernos para esta
função, este ainda é muito usado e
encontrado em circuitos comerciais
(2010).

113
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

CONCLUSÃO
Com a utilização de transistores de correntes e ganhos
apropriados pode-se obter correntes muito maiores de saída para
qualquer dos circuitos apresentados. Da mesma forma, pela
tabela pode-se ver quais são os resistores que podem se tornar
variáveis possibilitando assim a elaboração de fontes ajustáveis.

114
NEWTON C. BRAGA

WIRELESS POWER TRANSMISSION:


TRANSMISSÃO DE ENERGIA SEM FIO
Carregadores de bateria por indução já estão no mercado
para alguns tipos de aparelhos, mas sua viabilidade em outros
dispositivos parece promissora ou necessária. Conheça um pouco
dessa tecnologia sonhada por Tesla e outros mil fabricantes e
usuários de produtos eletrônicos.

Nota: o artigo é de 2010

Tendo a humanidade descoberto os benefícios da energia


elétrica, todos os aparelhos criados dependem da conexão com
as usinas geradoras de energia, ou seja, com a tomada. Com o
aprimoramento das pilhas e baterias foi possível tornar os
aparelhos móveis, mesmo que por um intervalo de tempo. Isso
não é novidade, principalmente para aqueles que nasceram numa
época em que as pilhas já existiam.
Pensar num mundo sem fios é muito bom, mas como
carregar a bateria de um celular sem conectarmos a fonte?
Diversos cientistas contribuíram para que esta tecnologia fosse
viável nos dias atuais, onde temos diversos aparelhos que se
utilizam deste recurso. O próprio Nichola Tesla buscava uma
forma de transferir energia pelo ar, o que serviu de base para as
antenas transmissora.
Os carregadores wireless podem carregar baterias por
aproximação, e quanto menor a distância maior o rendimento.
Podemos imaginar a seguinte cena: você chega ao seu
local de trabalho e coloca o seu celular sob a mesa e ele
começará a carregar a bateria, isso porque o carregador está
embaixo da mesa. Como o sistema de transmissão de energia se
dá através da indução, é possível colocar mais de um aparelho
para carregar ao mesmo tempo.
A lógica do sistema é bem simples: temos uma bobina que
recebe a carga elétrica e gera o campo magnético induzindo
outra bobina, só que está no aparelho que contém a bateria a ser
carregada, veja na figura 1 uma representação básica da
tecnologia.

115
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Esta bobina, que se encontra no aparelho que irá converter


a indução em energia, é menor que a bobina que gera o campo,
porém como é possível ver no gráfico da figura 2, quanto mais
próximo o diâmetro da bobina 1 estiver da bobina 2, melhor será
o aproveitamento da carga, e, portanto, quanto maior a diferença
entre o diâmetro da bobina 1 da bobina 2, menor a eficiência
(rendimento).
Neste mesmo gráfico temos a queda da eficiência
referente à distância entre as bobinas, veja que a área de
eficiência plena é bem curta. Quanto melhor o material
empregado nas bobinas, melhor será a eficiência e menor será o
consumo. Um outro fator que interfere na eficiência da indução é
o grau de inclinação em que as bobinas se encontram uma da
outra, quanto mais paralelas estão maior é a eficiência.

116
NEWTON C. BRAGA

No gráfico da figura 3 podemos observar a perda da


qualidade do fluxo magnético que a bobina receptora capta em
relação à posição da bobina transmissora, tanto em distância com
o em deslocamento lateral.

117
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

CARREGADORES SEM FIO X CARREGADORES


COM FIO
O melhor condutor de energia ainda é o fio de cobre, e
mesmo que outros elementos sejam melhores condutores, o
cobre é o mais viável economicamente. Porém, se levarmos em
conta que um carregador que está em standby sem a carga, tem
um consumo estimado de 0,12 W, ao carregarmos a bateria por 1
hora teremos um consumo de 2,8 Wh. Se deixarmos o carregador
ligado 23 horas com um consumo de 0,12 W teremos uma média
de 2,8 Wh. Se considerarmos que um carregador wireless tenha a
mesma eficiência, seu rendimento valerá a pena se tivermos 2
aparelhos sendo carregados.
Os carregadores sem fio são aplicados aos produtos que
não podem ter contatos externos, os quais podem dar choques ou
oxidar-se, tais como escovas de dente elétricas, lanternas ou

118
NEWTON C. BRAGA

aparelhos de mergulhadores, ou aparelhos com contatos com


fluidos corpóreos.

OS EFEITOS SOBRE A SAÚDE


Para todo invento existem algumas normas, e para este
não poderia estar de fora pelo motivo de estarmos induzindo a
uma certa frequência um campo magnético e, assim como os
aparelhos celulares, devem passar por uma bateria de testes para
ver se atende as normas mundiais de saúde. Baseando-se nos
estudos e normas do ICNIRP (International Commision on
Non_Ionizing Ra-diation Protection), a densidade da corrente
enviada deve estar dentro da norma para não prejudicar o
usuário.
Na figura 4 temos um gráfico que mostra as taxas de
absorção de watts por kg em relação a frequência e densidade da
corrente. Sem estas restrições poderíamos criar um enorme
transmissor de energia para alimentar qualquer aparelho numa
sala, por exemplo, mas isso seria prejudicial à saúde das pessoas
que ficassem dentro desta área.

119
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

BLINDAGEM
Como o campo magnético criado pelo transmissor não se
limita à indução do receptor e, sim, a partes metálicas adjacentes
a ele, uma blindagem é importante para esta transmissão de
energia. Outro evento indesejado seria a interferência com outros
aparelhos e o aquecimento das baterias.
Para proteger um sistema das baixas frequências temos a
utilização de materiais permeáveis que desviam o fluxo
magnético, e das altas frequências com a geração de um fluxo
inverso. Como o fluxo tende a encontrar o material que oferece
menor resistência ferromagnética, o campo magnético que é
emitido acaba desviando-se. Para obter este efeito o ferrite tem
que ser bem grosso, porque senão a fuga será grande, conforme
é possível observar na figura 5.

120
NEWTON C. BRAGA

Uma alternativa para evitar as fugas é adicionar uma faixa


de cobre junto ao ferrite. Desse modo a faixa de cobre neutraliza
o efeito de fuga do ferrite, conforme pode ser visto na figura 6.

121
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

CONCLUSÃO
Se pensarmos em termos de eficiência energética,
daremos créditos aos carregadores com fio, mas devemos
lembrar de outros fatores que não levamos em consideração
como, por exemplo, o fato de termos apenas um carregador de
bateria sem fio para diversos tipos de aparelhos, uma vez que
temos apenas um carregador de bateria e não é necessário
dispensar recursos para a fabricação de diversos carregadores,
isso envolvendo recursos naturais e energia para a fabricação,
bem como o transporte destes para os pontos de vendas, e na
ponta final do processo o lixo tecnológico gerado pelas trocas de
tecnologias. Outro fator seria a durabilidade do carregador, pois
enrolar o fio quando não for utilizado e desenrolar quando for
usar, quebra os finos fios de cobre, tendo que inutilizar todo o
carregador.

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NEWTON C. BRAGA

A necessidade de melhorias força a busca por novas


tecnologia, porém os fatores humanos e financeiros os viabilizam
ou condenam. Os carregadores por indução consistem numa
necessidade para um mundo sem fios, mas muito ainda temos
que fazer para alcançar a melhor eficiência e o menor impacto na
saúde e no meio ambiente.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

ESPECTRO ESPALHADO
“O futuro é sem fio”. Essa afirmação feita há alguns anos é
um retrato fiel do que estamos presenciando em nossos dias. Os
cabos que interligam os diversos computadores e elementos de
uma rede estão desaparecendo e novos dispositivos, nunca
imaginados, estão se comunicando através de redes sem fio.
Tudo isso é possível graças a uma velha tecnologia, descoberta
por uma artista de cinema austríaca, da época da Segunda
Grande Guerra. Veja nesse artigo como tudo isso é possível e
como tudo começou.
As redes sem fio, telefones celulares, comunicações
digitais por RF têm um aspecto comum em sua tecnologia. Todas
operam pelo que se denomina Spread Spectrum (SS) ou Espectro
Espalhado. Em especial, os sistemas wireless de redes locais
(WLAN) que estão ocupando um espaço cada vez maior no
mercado e de muitos produtos que devem aparecer nos próximos
anos fazem uso dessa tecnologia.
Dessa forma, ao se falar em qualquer de rede que não
empregue meios físicos, ou seja, sem fio ou de tecnologia
wireless, o tema Spread Spectrum é obrigatório assim como a
tecnologia do salto de frequências ou frequency hopping. De
modo a levar aos nossos leitores conceitos básicos sobre o
assunto, preparamos esse artigo que certamente será útil para
que os profissionais reciclem seus conhecimentos, ou tome
contacto com uma tecnologia com a qual muitos ainda não estão
devidamente familiarizados. Trataremos das vantagens de seu
uso, seu princípio de operação além de alguns aspectos históricos
interessantes.

UMA INVENÇÃO FEMININA


Talvez um dos aspectos mais interessantes da tecnologia
do Spread Spectrum e Frequency Hopping, esteja no fato de que
ela foi inventada por uma artista de cinema de Hollywood, que fez
muito sucesso a partir dos anos 30. Nascida em 1913 na Áustria e
falecida em 2000, essa artista era também uma excelente
engenheira eletrônica.

124
NEWTON C. BRAGA

Hedy Lamarr

Casada com um engenheiro, ambos foram procurados por


Hitler que estava em busca de um sistema de controle remoto
para seus torpedos e bombas, o qual fosse à prova de
interferências ou intercepção pelo inimigo. Hedy teve a idéia de
se transmitir os sinais através de um sistema que mudava
constantemente de freqüência (frequency hopping), mas não
revelou isso a ninguém, tendo fugido para os Estados Unidos,
onde passou a fazer filmes. Sansão e Dalila com Victor Mature é
um dos seus maiores sucessos.

125
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Figura 2 – Hedy Lamarr e Victor Macture em “Sansão e Dalila”, super-


produção de 1949 de Cecil B. DeMille.

A oportunidade de voltar ao assunto veio de uma conversa


com outro engenheiro americano que a convenceu a desenvolver
a ideia. O resultado do trabalho conjunto foi a patente do
processo de transmissão que hoje é a base da telefonia celular e
de todas as comunicações sem fio por RF. Na época não existia
uma tecnologia que pudesse colocar em prática as ideia
avançadas de Hedy. Somente algum tempo depois é que ela
começa a ser utilizada em sistemas de comunicações militares.

126
NEWTON C. BRAGA

Figura 3 – Página da documentação da patente de Hedy Lamarr

Se bem que ela não tenha recebido nada em troca de sua


invenção, pois a patente venceu justamente quando os primeiros

127
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
telefones celulares foram criados, deram-lhe como justa
homenagem o título de Patrona das Comunicações sem Fio.

A TECNOLOGIA SPREAD SPECTRUM


O que se faz no Spread Spectrum é colocar a informação
num sinal que tenha um espectro de frequência muito largo. Isso
é bem diferente dos processos convencionais em que o sinal
modula uma portadora numa faixa bem estreita, conforme mostra
a figura 4.

Como a informação se espalha num espectro largo de


frequência, quando captados por um receptor comum, esses
sinais se assemelham a um ruído. Essa característica além de
tornar o sinal difícil de interceptar (Low Probability of Intercept ou
LPI) também os torna imunes à interferência e ruídos (anti-jam
ou AJ). Os códigos que geram os sinais são denominados Pseudo
Ruídos ou Pseudo Aleatórios.
Espalhando uma faixa de frequências relativamente
ampla, a densidade de potência dos sinais é baixa, ou seja, eles
ocupam menos watts por hertz, diferentemente dos sinais de
banda estreita convencionais que ocupam uma faixa estreita,
conforme mostra a figura 5.

128
NEWTON C. BRAGA

Existem diversas técnicas para se obter esses sinais. As


mais usadas nos sistemas comerciais são aquelas em que a faixa
de sinal de RF é de 20 a 254 vezes mais larga do que a faixa da
informação que está sendo enviada. Em alguns casos ela chega a
ser até 1 000 vezes mais larga.
Existem dois tipos de tecnologia de espectro espalhado:
sequência direta e salto de frequências (direct sequence ou
frequency hopping - adotando os termos em inglês). Menos
usados são os sistemas que fazem o “salto de tempo” ou “time
hopped” e ainda “sibilo” ou “chirp”, usando o termo inglês
original.
O sistema de sequência direta funciona da seguinte forma:
uma portadora é modulada com uma sequência que corresponde
ao código enviado. Podem ser usados códigos de apenas 11 bits
até os mais longos com milhões de bits isso numa velocidade que
pode variar entre 1 bps até muitos Mbps. Na figura 6 temos o
aspecto de um sinal desse tipo. O lobo principal desse sinal tem
uma largura de faixa igual ao dobro da frequência de clock do
código modulador, isso dos pontos de nulo a nulo.

Os lobos laterais possuem pontos de nulo a nulo ocupando


uma faixa igual à frequência de clock. O sinal mostrado na figura
é do tipo BPSK (Binary Phase Shift Keyed). No frequency hopping,

129
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
o funcionamento é o seguinte: a faixa de frequências que vai ser
utilizada é preenchida por sinais que estão constantemente
mudando de frequência, conforme mostra a figura 7. Conforme o
número sugere, os sinais “saltam” constantemente de uma
frequência para outra segundo um padrão determinado que o
receptor deve conhecer para acompanhar esses saltos.
Com isso, cada vez que o transmissor salta de uma
frequência para outra, o receptor acompanha de modo a manter
sua sintonia. Se usarmos um analisador de espectro para
visualizar um sinal desse tipo, teremos o padrão mostrado na
figura 7.

Observe que os picos correspondem a cada pacote de


informações enviadas numa frequência diferente. Se bem que o
analisador mostre esses sinais lado a lado, eles são produzidos
numa ordem pseudo-aleatória, determinada por um código
próprio. Como cada frequência é determinada no transmissor, a
sua sequência pode ser enviada ao receptor de modo que ele
controle o seu circuito conversor acompanhando o sinal. Assim,
para sintonizar o sinal basta então que o receptor conheça
previamente para que frequência vai o próximo salto da
frequência do transmissor.
Observe que, como o sinal emitido está constantemente
mudando de frequência, a mesma banda pode ser compartilhada
por diversos outros sinais ao mesmo tempo. Basta que os saltos
das frequências dos outros transmissores ocorram para
frequências que naquele instante não estejam sendo ocupadas,
conforme mostra a figura 8.

130
NEWTON C. BRAGA

Evidentemente, os códigos devem ser gerados de modo


que não ocorram conflitos capazes de colocar dois sinais ao
mesmo tempo numa mesma frequência. Outro fato que merece
ser ressaltado é que, se existirem ruídos ou sinais interferentes
concentrados numa determinada faixa do espectro usado, como o
sinal ocupa uma banda mais larga ele não é integrado no receptor
que trabalha com uma sintonia mais larga.
Para receber esses sinais utiliza-se uma configuração
diferente da encontrada nos receptores convencionais de banda
estreita. O processo de recepção é denominado de-hopping (de-
salto) sendo realizado por um circuito chamado correlator.
O correlator tem uma característica muito importante para
as telecomunicações usando essa tecnologia SS por salto de
frequência. Ele não responde a ruídos naturais nem artificiais, e
nem interferências.
Isso ocorre pela sua característica de banda larga que o
faz integrar os sinais numa faixa ampla, ignorando os sinais de
interferências ou ruídos que ocorram numa faixa estreita. O
correlator responde apenas aos sinais SS (Spread Spectrum) de
mesmas características que o codificado previamente. Isso é
mostrado na figura 9.

131
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Os receptores usados nas aplicações práticas trabalham


com ganhos de 11 a 16 dB dependendo da velocidade dos dados
que devem ser recebidos. Com isso eles podem tolerar
interferências que tenham níveis de 0 a 5 dB acima dos sinais que
devem ser sintonizados.
Uma outra característica dos sinais SS é a sua imunidade
ao que se denomina “spoof” e “exploit”. Denomina-se spoof
(engano) é ato de introduzir indevidamente qualquer tipo de
informação indesejável no sinal. Exploit (explodir) é o processo de
decompor ou invadir o código transmitido de modo a poder ser
feita sua decifração.

CONCLUSÃO
Graças ao Spread Spectrum e Frequency Hoping as
tecnologias wireless conseguem ter um desempenho que permite
uma enorme gama de aplicações práticas. As redes sem fio
(WLAN), telefonia celular, sensoriamento remoto para uso
industrial são alguns exemplos de aplicações dessa tecnologia.
Com o desenvolvimento de novos produtos usando recursos sem
fio, que é o caminho da convergência entre internet, vídeo e
telefonia, a presença de sinais SS no ambiente em que vivemos
será cada vez maior.

132
NEWTON C. BRAGA

CONSTRUINDO GERADORES EÓLICOS


Experimentos e montagens que envolvem energias
alternativas são sempre de grande interesse para professores e
alunos do ensino médio. Além de resultarem em trabalhos
práticos interessantes, as maquetes que podem ser construídas
são vistosas, chamando a atenção principalmente em eventos
culturais, feiras de ciências ou mesmo aulas práticas. Os projetos
que descrevemos não só podem mostrar como obter energia do
vento como de outras fontes naturais, sendo simples de construir
e usando material de fácil obtenção.
A preocupação atual em se explorar fontes de energia
alternativas como a força do vento, energia solar, movimento das
marés e outras tem sido explorada nos cursos de nível
fundamental e médio que, frequentemente, pedem trabalhos
práticos para os seus alunos.
Se bem que seja relativamente simples montar geradores
alternativos experimentais, nem todos sabem como fazer isso e
existem algumas possibilidades demonstrativas que levam a
efeitos muito especiais.
Assim, vamos descrever neste artigo alguns projetos
simples para demonstrar a conversão da energia eólica (dos
ventos) em eletricidade e algumas ideias práticas para simular
esta conversão e também para montar uma usina hidroelétrica
em maquete.

UM MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA COMO


GERADOR
Pequenos motores de corrente contínua, como os
encontrados em brinquedos e eletrodomésticos podem funcionar
“ao contrário” gerando energia elétrica quando seus eixos são
forçados a girar. Conforme mostra a figura 1, esses pequenos
motores são dínamos podendo gerar tensões de 1 a 6 volts com
correntes que chegam a algumas dezenas de miliampères
(milésimos de ampères).

133
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Essa tensão e corrente são suficientes para acender alguns


LEDs, mas não o suficiente para resultar numa quantidade de
energia maior, que possa ser aproveitada de forma mais intensa a
não ser sob condições especiais.
Para gerar mais energia seriam precisos fazê-los girar
numa rotação mais alta e quando os carregamos a força
necessária à isso aumenta.
Observamos experimentalmente que, quando
“carregamos” um motor com uma carga de maior consumo (uma
lâmpada por exemplo), é preciso fazer mais força para girá-los. O
princípio da conservação da energia deve ser levado em conta
aqui: não podemos criar energia, o motor apenas converte a
energia mecânica aplicada em energia elétrica.
Dessa forma, podemos elaborar uma maquete em que
pequenos LEDs simulam lâmpadas sendo instalados em postes de
iluminação e em casinhas, conforme mostra a figura 2 em que
temos o seu circuito prático também.

134
NEWTON C. BRAGA

No entanto, não podemos ir muito além tentando acender


lâmpadas ou movimentar pequenos motores. Mesmo para esses
LEDs, lembramos que eles precisam de uma tensão mínima de
1,6 V para acender, se forem vermelhos, e mais se forem de outra
cor, o que exige uma velocidade mínima para o motorzinho que
funciona como gerador.
Na maquete, o que fazemos então é acionar o motor por
uma hélice que terá um ventilador ou outro recursos para
produzir o vento, conforme mostra a figura 3.

135
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Um capacitor de valor elevado e um diodo servem para
manter mais estável a alimentação dos LEDs. Com um capacitor
grande carregado, os LEDs podem ficar acesos vários segundos
depois de pararmos de girar o motor.
Se na sua localidade os ventos forem bons o circuito pode
ser utilizado para obter mais energia, servindo até mesmo para
carregar pilhas pequenas para alimentar o seu rádio ou walkman.
Na figura 4 mostramos como isso pode ser feito.

O vento terá atingido intensidade suficiente para acionar o


circuito quando a tensão produzida conseguir polarizar o LED e
acendê-lo. Isso indicará que a corrente de carga está passando
para as pilhas. Uma carga completa deve precisar de 12 a 16
horas conforme o tipo de pilha recarregável usada (Nicad).
Observamos que as pilhas comuns alcalinas e zinco-ar
(secas) não são recarregáveis e que, portanto, não podem ser
utilizadas com este aparelho.
Outra possibilidade interessante, se os ventos realmente
forem bons em sua localidade e a tensão superar os 4 Volts (o
que pode ser medido com o multímetro), conforme mostra a
figura 5 é montar uma pequena fonte para alimentar um radinho
de 2 pilhas (AM/FM).

136
NEWTON C. BRAGA

Na figura 6 mostramos como implementar um regulador


de 3 V com filtro para alimentar o rádio. O capacitor serve para
impedir que as variações de velocidade do vento causem
alterações de volume no rádio.

137
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Evidentemente, um ponto importante para a montagem do


gerador eólico é a eficiência da hélice. Conforme mostra a figura
7 ela pode ser elaborada como os mais diversos materiais
alternativos como papelão, madeira ou plástico.

138
NEWTON C. BRAGA

Evidentemente, a opção papelão não serve para o caso em


que você vá instalar o gerador fora de sua casa.
Mais energia, com uma hélice maior pode ser obtida com
um dínamo de bicicleta. No entanto, lembramos que para
alimentar circuitos eletrônicos é preciso contar com um regulador
de tensão. Os circuitos sensíveis podem sofrer danos com as
variações de tensão que ocorrem quando o gerador tem sua
velocidade alterada.
Também é preciso observar que, para obter mais energia a
hélice deve ser maior e a força necessária para sua
movimentação aumenta proporcionalmente.

SIMULADOR DE GERADOR ALTERNATIVO


O baixo rendimento dos pequenos motores de corrente
contínua como geradores levou o Prof. Eduardo Pinho Prado, que
também é colaborador de nosso site, a elaborar uma interessante
alternativa para demonstrar o princípio de funcionamento dos
geradores.
O que o Prof. Edú fez foi ligar o pequeno motor de corrente
contínua num SCR para acionar uma lâmpada. Assim, na verdade,
quem fornece energia para a lâmpada é a rede de energia, e o
motor usado como dínamo simplesmente controla essa energia
com a energia que ele próprio gera, conforme mostra a figura 8.

139
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Basta então uma pequena força atuando sobre o motor


para que a pequena energia gerada acione o SCR e a lâmpada
acenda.
É claro que a energia que vai para a lâmpada não é a
energia gerada pelo motor, mas para efeitos demonstrativos os
efeitos são equivalentes se não entrarmos em detalhes sobre o
princípio de funcionamento da parte eletrônica.
Na figura 9 temos então a maquete da Usina Hidroelétrica
montada pelo Prof. Edú do Colégio Mater Amabilis que funciona
justamente segundo este princípio.

140
NEWTON C. BRAGA

Para os leitores interessados vamos transpor o circuito do


prof. Edú para o caso de um gerador eólico e dar também a nossa
versão com transistores para a mesma aplicação.

O GERADOR COM SCR


Na figura 10 temos o circuito do sistema simulador usando
um SCR e acionando uma lâmpada (ou mais) incandescentes
comuns.

141
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

O Prof. Edú sugere que outros dispositivos possam ser


controlados, por exemplo uma pequena bomba de circulação de
água de aquários para esvaziar um pequeno poço.
Na figura 11 temos a montagem do circuito tendo por base
uma ponte de terminais isolados.

142
NEWTON C. BRAGA

Como este circuito é alimentado pela rede de energia


tenha o máximo cuidado em não deixar nenhuma ligação exposta
para evitar o perigo de choques.
Para lâmpadas até 40 W o SCR não precisa de radiador de
calor. O SCR deve ser sufixo B se a rede for de 110 V e sufixo D se
a rede for de 220 V.
Ao experimentar o circuito verifique o sentido de rotação
do motor que provoca o acionamento do SCR. Se ao girar o motor
nada acontecer inverta os fios de ligação do motor.
A instalação é conveniente que o circuito eletrônico com o
SCR fique oculto, para que a explicação sobre a conversão de
energia possa ser dada sem que tenhamos de explicar que se
trata de uma simulação.

Lista de Material
SCR – TIC106B (D) – Diodo controlado de silício
D1 – 1N4002 ou equivalente – diodo se silício
R1 – 1 k ohms x 1/8 W – resistor – marrom,
preto, vermelho
M1 – Motor de corrente contínua (*)
X1 – Lâmpada incandescente de 5 a 40 W

Diversos:
Ponte de terminais, soquete para a lâmpada,
cabo de força, sistema mecânico para acionar o motor
(roda d’água, hélice, etc.).

(*) O motor usado no protótipo foi o


mesmo do VM-1 e do Robô de
Competição publicados neste site.

O GERADOR TRANSISTORIZADO
Uma possibilidade mais simples de se ter o acionamento
de LEDs, lâmpadas ou mesmo um rádio é a que faz uso de um
circuito transistorizado, conforme mostra a figura 12.

143
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Neste caso, a tensão gerada pelo motor, que funciona


como dínamo, serve para polarizar o transistor de potência
saturando-o. Ao conduzir, o transistor faz com que a carga seja
alimentada.
No projeto mostrado na figura 12 usamos uma lâmpada de
6 V, mas outros tipos de cargas com correntes até 100 mA podem
ser alimentadas, se pilhas comuns forem utilizadas.
Veja que neste circuito também temos uma simulação do
gerador, e que, se possível o circuito eletrônico deve ficar oculto.

144
NEWTON C. BRAGA

A montagem do circuito transistorizado é mostrada na


figura 13 tendo por base uma pequena ponte de terminais.
Na montagem, tenha cuidado em observar a posição
correta do transistor e a polaridade do suporte de pilhas. Os fios
de conexão à lâmpada podem ser soldados diretamente na sua
rosca, como fizemos, mas é preciso ter habilidade nesta
operação. Se a solda se negar a “pegar” raspe o local com um
estilete. Transistores equivalentes ao TIP31 como o BD135 e o
BD137 podem ser usados. Apenas lembramos que esses
componentes têm pinagens diferentes dos TIP31.
Para testar o gerador, verifique qual é o sentido de rotação
do motor que provoca o acendimento da lâmpada. Depois é só
acoplar a hélice ou roda d’água para fazer sua usina experimental
para demonstrações.

Lista de Material:
Q1 – TIP31 – transistor NPN de potência

145
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
X1 – Lâmpada de 6 V x 20 a 100 mA (no protótipo foi usada
uma lâmpada de 50 mA)
R1 – 220 ohms x 1/8 W – resistor – vermelho, vermelho,
marrom
M1 – Qualquer motor de corrente contínua
B1 – 6 V – 4 pilhas pequenas

Diversos:
Ponte de terminais, suporte de pilhas, sistema mecânico para
acionar o motor, fios, solda, etc.

O QUE EXPLICAR
O conceito de que energia não pode ser criada e nem
destruída é fundamental no estudo de ciências. A transformação
dos diversos tipos de energia disponíveis na natureza em energia
aproveitáveis pelo homem também é assunto de grande
importância no ensino de nível fundamental e médio.
Assim, levar aos alunos ideias de como podemos
aproveitar formas de energia disponíveis na natureza e não
poluentes resulta tanto em assunto cuja discussão ampla é de
grande valia para a sua formação como também pode levar a
experimentos que fixam os conceitos envolvidos de forma
bastante eficiente.
Os experimentos que descrevemos envolvendo energia
alternativas como o vento (eólica), as marés e a própria força das
águas (que já é aproveitada) mostram então toda a sua utilidade,
atendendo assim muitas das recomendações do PCN.
Cabe aos professores elaborar o modo como os
experimentos descritos podem ser incluídos como assunto
transversal de suas disciplinas, enriquecendo-as com o uso de
uma tecnologia moderna que, no entanto, está ao alcance de
todos.

146
NEWTON C. BRAGA

COMO FUNCIONA A IMPRESSORA JATO


DE BOLHAS
Este artigo faz parte do livro “Reparação de Impressoras”
de minha autoria. O livro já não é atual, mas os ensinamentos
básicos são válidos ainda servindo de orientação para quem
deseja saber como essas impressoras funcionam e eventualmente
recuperá-las. Nesta segunda parte tratamos dos circuitos
eletrônicos.
As impressoras Jato de Bolhas ou Bubble Jet consistem
numa variação das impressoras Jato de Tinta, com a única
diferença de que o bico ejetor de tintas tem um elemento de
aquecimento, conforme mostra a figura 1.

Figura 1

147
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Juntamente com os anéis piezoelétricos, existem


elementos de aquecimento resistivos. Quando o elemento
resistivo é acionado, juntamente com o transdutor piezoelétrico, o
aquecimento da tinta faz com que se forme uma “bolha” na saída
do transdutor, a qual é ejetada pela ação do transdutor.
A vantagem de se ejetar gotículas quentes de tinta é que,
estando a uma diferença de temperatura maior em relação ao ar
ambiente, elas secam muito mais rápido no papel.
Veja que neste caso também, a forma de onda do sinal de
excitação é fundamental para se obter tanto a dosagem correta
da tinta (toner), como também a temperatura final da gotícula
que é ejetada. Outra vantagem que esta tecnologia oferece, é
sua maior velocidade de impressão. Uma cabeça típica deste tipo
pode alcançar velocidades de 1.000 pontos de imagem por
segundo.
Esta velocidade está diretamente ligada à inércia térmica
dos elementos de aquecimento em torno dos bicos ejetores de
toner. Da mesma forma que nas impressoras matriciais térmicas
que vimos, é preciso que o anel resistivo esfrie antes de um novo
pulso ser aplicado para a produção do ponto de imagem seguinte.
Na análise do funcionamento de impressora deste tipo,
que apresente problemas na qualidade da impressão, contar com
um osciloscópio para visualização da forma de onda do pulso de
acionamento consiste num recurso importante para o profissional.
A figura 2, obtida da própria Canon, é outra forma de
ilustrar bem o processo todo de produção da gotícula de tinta
numa impressora Bubble Jet. Nesta figura temos seis etapas do
processo de geração da gotícula de tinta que é lançada contra o
papel.

148
NEWTON C. BRAGA

Figura 2

Na figura 3 temos uma vista em corte de outro tipo de


elemento em que a ejeção da bolha de tinta é feita
transversalmente.

Figura 3

Considerando-se o tamanho das gotículas que devem ser


lançadas para se obter um ponto de imagem, o leitor pode ter
uma ideia da delicadeza dos elementos de aquecimento, com
dimensões extremamente reduzidas.

149
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Evidentemente, essas dimensões são importantes, pois
determinam tanto a inércia térmica, como também o consumo de
energia. Assim, numa impressora deste tipo, apesar de termos
elementos térmicos que são sempre partes de consumo alto em
equipamentos comuns, seu consumo não é dos maiores.
Como a diferença entre as impressoras Jato de Tinta e Jato
de Bolhas é muito pequena, o leitor pode perceber que os
circuitos dos dois tipos são bastante semelhantes. As únicas
diferenças estão na presença de um circuito adicional de
aquecimento dos elementos resistivos dos bicos. Esses
elementos, no entanto, consomem muito pouco, operando com
pulsos de 24 a 50 V de amplitude.
Impressoras usadas com laptops, entretanto podem usar
cabeças que exigem pulsos de menor tensão ainda. A figura 4
mostra um cartucho típico de impressoras de jato de bolhas.

Figura 4 - Cartucho de uma impressora Canon Jato de Bolhas

Completamos este item dizendo ao leitor que as técnicas


de diagnóstico de defeitos e reparação deste tipo de impressora
são exatamente as mesmas usadas no caso das impressoras jato
de tinta. O uso do multímetro na medida das tensões nos diversos
pontos, principalmente nas etapas de potência em que os sinais
são tensões contínuas, ou pulsos, é um recurso importante. E,
para os pontos em que temos um funcionamento dinâmico, o uso
do osciloscópio é de grande valia.

150
NEWTON C. BRAGA

DSP - PROCESSADORES DE SINAL


DIGITAIS
O mundo está se tornando digital, diria o menos fanático
dos praticantes de eletrônica. Mesmo nos circuitos analógicos
comuns, como amplificadores de áudio, rádios, instrumentos
musicais eletrônicos e até brinquedos, encontramos circuitos
digitais. Até onde vai isso?
É claro que não podemos dizer que a eletrônica analógica
vai desaparecer por completo, mas um fato deve ser levado em
conta: se digitalizarmos sinais analógicos fica muito fácil trabalhar
com eles e parece que a eletrônica descobriu isso: os
processadores de sinais digitais começam a aparecer numa
infinidade de aplicações práticas envolvendo sinais analógicos e
brevemente, os profissionais que relutaram em aprender
eletrônica digital, presos a velha tecnologia analógica que ainda
lhes pode dar algum campo de trabalho vão se ver em maus
lençóis se não souberem trabalhar com os tais DSPs ou Digital
Signal Processing. (1998)
Se convertermos sinais analógicos como sons, imagens,
sinais obtidos a partir de sensores lineares como termistores,
LDRs e outros em sinais digitais, além de termos muito mais
facilidade em trabalhar com eles, existe a possibilidade de
modificarmos suas características, acrescentando uma vantagem
de controle a partir de um microprocessador.
Isso significa que, nos modernos equipamentos que
trabalham com sinais analógicos tais como amplificadores de
áudio, televisores, modems, equipamentos de telecomunicações,
telefones celulares, TV a cabo e digital, o uso de um dispositivo
que seja capaz de converter sinais analógicos em digitais é
essencial.
A tecnologia que permite desenvolver circuitos com a
capacidade de converter sinais analógicos em digitais não é
complicada. O problema surge quando se deseja operar com
sinais que precisam manter suas características de fidelidade,
mas em frequências muito altas.
Isso significa que dispositivos comuns que poderiam ser
usados com esta finalidade se tornam inadequados, exigindo dos
fabricantes o desenvolvimento de tecnologias avançadas.

151
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Hoje é possível contar com circuitos integrados que


reúnem todos os elementos necessários a conversão de sinais
analógicos para a forma digital e em frequências muito elevadas
e, além disso, incorporar os microprocessadores e diversos
circuitos de apoio que podem trabalhar com estes sinais
digitalizados. A partir deles, aplicações em equipamentos como os
que citamos como exemplo no início do artigo podem ser
desenvolvidas com facilidade.
É claro que a montagem do próprio DSPs não interessa
para o nosso leitor que pode contar com o componente pronto. No
entanto, para saber usá-lo e para saber como reparar ou
simplesmente instalar estes dispositivos nas aplicações modernas
é preciso conhecer seu princípio de funcionamento.
É justamente este princípio de funcionamento que vamos
detalhar neste artigo.

CONVERTENDO SINAIS ANALÓGICOS EM


DIGITAL
Vamos partir de uma forma de onda de um sinal comum,
como, por exemplo, um som qualquer e que pode ser
representada conforme mostra a figura 1.

Esta forma de onda corresponde a um sinal analógico já


que instante a instante a intensidade do sinal varia assumindo
valores que mudam segundo saltos infinitamente pequenos.
Isso é diferente de um sinal digital em que a intensidade
do sinal varia instante a instante, mas segundo saltos discretos e
que, portanto, podem ser representados por valores finitos ou
dígitos, conforme mostra a figura 2.

152
NEWTON C. BRAGA

A conversão de um sinal analógico para a forma digital


pode ser feita tomando-se uma certa quantidade de amostras da
sua intensidade em diversos instantes de modo que cada amostra
tenha um valor numérico que possa ser representado na forma
digital.
O nosso sinal analógico tomado como exemplo pode ser
"amostrado" um certo número de vezes tomando-se valores que
correspondem a "altura" de cada retângulo, ou seja, o seu valor
em cada instante conforme mostra a figura 3.

Representando o valor instantâneo de cada amostragem


na forma digital, um ciclo de nosso sinal analógico pode se
converter em uma sequência de números binários conforme
mostra a figura 4.

153
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

É claro que estes valores binários podem facilmente ser


trabalhados por um microprocessador que seja programado para
realizar algum tipo de operação que nos interesse.
Um sinal na sua forma analógica original não poderia
sequer se aplicado a um microprocessador, quanto mais ser
trabalhado de uma determinada forma por seus circuitos.

REQUISITOS MÍNIMOS
Um ponto importante a ser considerado quando
convertemos um sinal analógico qualquer numa sequência de
valores digitais é a precisão que estes valores representam o
sinal original.
Se representarmos um sinal senoidal, por exemplo, com
apenas duas amostragens, uma para o valor máximo positivo e
outra para o valor máximo negativo estará claro que na
"recuperação" da forma de onda original não teremos uma boa
fidelidade, conforme sugere a figura 5.

154
NEWTON C. BRAGA

Fica claro, pela figura 6 que a precisão na recuperação do


sinal original e, portanto em qualquer tratamento digital que
dermos ao sinal depende da quantidade de amostragens: tanto
melhor ela será quanto mais amostragens conseguirmos obter
para o sinal.
Define-se o limite de Nyquist como a menor frequência de
amostragens que podemos utilizar para converter um sinal e que
ainda se pode obter precisão. Este limite estabelece que a
frequência mínima de amostragens que podemos usar na
conversão é de 3 vezes a frequência do sinal amostrado.
É claro que na prática é conveniente usar frequências
muito maiores do que 3 vezes a do sinal e isso ocorre, por
exemplo, no caso dos CDs em que a frequência é da ordem de
150 kbytes por segundo onde temos um 1 byte por valor
instantâneo o que nos leva a 10 vezes a frequência máxima que
podemos ouvir que é de 15 kHz.
A coisa começa a complicar-se um pouco se levarmos em
conta que para representar um valor instantâneo de uma
amostragem com uma definição de 1 byte (8 bits) o que levaria a
256 valores diferentes, precisamos transmitir 8 bits por
amostragem.

155
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Assim, se tivermos um sinal de 10 MHz e desejamos
amostrá-lo 10 vezes em cada ciclo, isso significa 100 milhões de
amostragens por segundo e em cada segundo a produção de 800
milhões de bits, conforme sugerido pela figura 6.

O leitor já pode ter uma ideia das dificuldades que ocorrem


se desejarmos processar um sinal de vídeo, por exemplo, ou o
sinal produzido por um sistema de telecomunicações que opere
com várias centenas de megahertz. Usando apenas um byte por
amostragem de um sinal de vídeo, por exemplo, limitamos as
suas intensidades a 256 níveis e se isso for feito com um sinal de
cor teremos a mesma limitação em relação a sua quantidade.
Uma maneira interessante de se fazer conversão com uma
taxa amostragem usando apenas um bit é a chamada sigma-delta
que é usado nos conversores dos CD-players.
A ideia é simples: a partir do momento em que o sinal a
ser amostrado passa por zero, o circuito simplesmente verifica se
na amostragem seguinte sua intensidade modificou-se o
suficiente para se alterar um único bit. Se a intensidade ainda se
mantém aproximadamente a mesma (dentro da faixa de
resolução) o bit enviado ao circuito é zero e a intensidade é
mantida. No entanto, se o sinal aumentou o suficiente para ser
alterado de um bit, este bit é somado à intensidade anterior.
Assim, no ciclo do sinal amostrado, somando-se ou
subtraindo-se um bit pode-se ter sua digitalização de uma forma
com boa precisão, conforme mostra a figura 7.

156
NEWTON C. BRAGA

Mas existem ainda outros requisitos importantes para a


digitalização dos sinais que devem ser considerados.
Uma das aplicações mais importantes dos DSPs
atualmente é nos sistemas de telecomunicações móveis e nos
microcomputadores portáteis com aplicações especiais como os
que reconhecem a caligrafia (reconhecedores de letras).
Nestes equipamentos alimentados por bateria o consumo
do dispositivo é um requisito muito importante. Como a
complexidade de um DSP aumenta em função da quantidade de
amostragens que ele pode fazer e a potencialidade do
microprocessador usado, os fabricantes trabalham arduamente
tendo em vista este requisito atualmente com resultados práticos
surpreendentes.
De fato, DSPs que podem operar tanto com sinais digitais
como analógicos são usados em telefones digitais.
Além destes fatores devem ser considerados os custos e a
facilidade de uso.

COMO A CONVERSÃO DO SINAL É FEITA


Existem diversas técnicas para a conversão de sinais
analógicos em digitais e que podem ser encontradas em DSPs.
Na figura 8 temos um circuito denominado "flash
converter" e que pode ser encontrado na entrada de um DSP
tendo por base conversor digital-analógico.

157
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Para um circuito de 8 bits o que se faz é ligar 256


comparadores em série, tendo cada um em sua entrada de
referência aplicada uma tensão que vai determinar seu ponto de
disparo. Estes circuitos são ligados a um decodificador que
entrega em sua saída os valores digitais correspondentes ao sinal
aplicado na entrada.
Em funcionamento, o circuito é habilitado, por um instante,
no momento exato em que se deseja fazer a amostragem do
sinal. A tensão instantânea do sinal é então aplicada ao divisor de
tensão ligado à entrada de referência dos comparadores de
tensão.
Os comparadores que vão comutar são aqueles em que a
tensão instantânea do sinal amostrado é maior ou igual a tensão
de referência, ou seja, uma quantidade proporcional à intensidade
do sinal. Assim, teremos um certo número de sinais de entrada
que vão determinar o valor digital que o decodificador vai
entregar na saída.

158
NEWTON C. BRAGA

Uma desvantagem deste tipo de conversor é que são


necessários tantos comparadores quantos sejam os níveis de
sinais que devem ser detectados. A vantagem está na sua alta
velocidade de operação.
Existem outras técnicas para se converter o sinal como,
por exemplo, os conversores de aproximação sucessiva, o dual
slope converter, este último mostrado em blocos na figura 9.

O MICROPROCESADOR
O sinal digital obtido pelo conversor é aplicado a um
microprocessador que vai submetê-lo a uma série de
processamentos, de acordo com a finalidade do projeto. Assim, no
chip do DSP além do conversor A/D encontramos um
microprocessador.
O uso de microprocessadores específicos para o DSP e não
tipos comuns deve-se principalmente ao fato de que os sinais
precisam ser processados em velocidades muito altas. Um
microprocessador comum não tem uma faixa passante
suficientemente larga para operar num DSP.
Além disso, normalmente as funções mais usadas se
resumem a adição, multiplicação e outras funções simples que
devem ser aplicadas rapidamente de forma repetitiva, o que é
uma modalidade diferente da operação esperada para os
microprocessadores comuns.
Isso significa que os microprocessadores usados nos DSPs
possuem características especiais, que os diferenciam dos
microprocessadores comuns.

159
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Uma delas é a utilização de circuitos especiais que são
capazes de multiplicar números com velocidade muito grande.
Outra característica especial incorporada aos
microprocessadores dos DSPs e que leva em conta sua principal
aplicação que é com sinais de áudio e vídeo é a incorporação de
um modo especial de endereçamento denominado bit-swapped
addressing.
Como o nome sugere, a ordem de processamento dos bits
na entrada e saída é invertida. Assim com esta arquitetura, os
bits são armazenados na mesma ordem que eles são gerados
pela amostragem, mas endereçados na mesma ordem em que
eles são requisitados, sem a necessidade de se fazer cálculos
internos de endereçamento.
No entanto, uma das principais funções encontradas num
DSP é o cálculo das transformadas de Fourier.
Através da transformada de Fourier é possível representar
uma forma de onda em termos de frequência (pela intensidade
relativa do fundamental e harmônicas).

160
NEWTON C. BRAGA

Esta forma de representação torna simples a


implementação de funções de processamento como, por
exemplo, a de um filtro capaz de remover uma componente de
frequência que leve o DSP a operar como um filtro passa faixas ou
rejeita faixas.

TRANSFORMADA DE FOURIER
A ideia básica de Fourier é que qualquer tipo de sinal,
independentemente de sua forma de onda é na realidade
formado por um sinal senoidal de determinada frequência e uma
quantidade (que pode ser infinita) de sinais senoidais de
intensidades menores e de frequências múltiplas (harmônicas).
Isso significa que tanto um sinal de qualquer forma de
onda pode ser sintetizado por um sinal senoidal de certa
frequência e sinais senoidais de frequências harmônicas e
intensidades selecionadas como a recíproca é verdadeira:
qualquer sinal, independentemente de sua forma de onda pode
ser decomposto num sinal senoidal de frequência fundamental e
sinais senoidais de frequências harmônicas.

161
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
OS DSPS COMERCIAIS
A Analog Devices possui uma ampla linha de DSPs
destacando-se o ADSP-2140 que é usado em brinquedos,
sintetizadores de música, além de outras aplicações.
Uma nova série de DSPs da Analog Devices usando a
arquitetura SHARC (Super Harvard Architeture) é indicada para
aplicações tais como impressoras, scanners, mixers de áudio
profissionais etc. A principal característica da arquitetura Super
Harvard é a de armazenar códigos e dados em bancos de
memórias separados com barramentos separados para acelerar o
acesso ao programa e aos dados.
Outro destaque da Analog Device é o par AD9853 e
AD8320, um consistindo num transmissor de percurso reverso
com sintetizador DDS (Direct Digital Synthesizer), além de outros
circuitos DSP num único chip e o outro um driver de ganho
variável ambos indicados. Estes integrados são indicados para
aplicações em TV a cabo, Modems, comunicações por satélite e
micro-ondas, além de outras.
Já, o AD15060/14160 da Analog Device é um módulo
multiprocessador DSP de alta velocidade com arquitetura SHARC
com uma performance de 480 MFLOPS e SRAM on chip de 16
MBytes.
Dentre as aplicações sugeridas para estes componentes
temos os equipamentos de controle de tráfego aéreo, mísseis,
radar/sonar, aviônica etc.
Informações sobre os DSPs da Analog Devices podem ser
obtidas na Internet no endereço: http://www.analog.com
A Motorola tem também DSPs em sua linha de produtos e
a família que pode ser citada como exemplo é a do DSP6300 que
podem executar uma instrução por ciclo de clock com baixa
potência de consumo. A frequência máxima deste dispositivo é da
ordem de 80 MHz e um PLL interno permite usar um cristal de
frequência mais baixa no seu controle. Dentre as aplicações deste
chip a Motorola sugere: DVD, HDTV, Dolby etc.
Um dos DSPs mais utilizados atualmente em projetos é o
TMS320 da Texas Instruments que tem a arquitetura mostrada na
figura 11.

162
NEWTON C. BRAGA

Conforme podemos ver, além dos circuitos de controle, as


entradas e saídas de sinais multiplexadas com os conversores D/A
e circuitos PLL de apoio destaca-se a CPU.
Observe que o principal bloco da CPU é justamente um
multiplicador de 16 x 16 bits já que, conforme vimos, nas
principais aplicações dos DSPs a multiplicação de sinais deve ser
feita rapidamente. Este multiplicador no próprio hardware tem
ainda por característica fazer a multiplicação em um único ciclo
de clock.

163
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
Este DSP é fabricado segundo a arquitetura de Harvard
que permite acessos simultâneos a instruções e operadores de
dados.
Uma pilha de hardware é um setor importante deste
microprocessador pois possibilita o processamento com
interrupções muito rápidas.
As portas I/O têm memória mapeada o que facilita a
transferência de dados para os circuitos periféricos.
Uma unidade de lógica paralela permite a manipulação
direta dos bits nos operandos da memória aumentando assim a
velocidade de processamento.
O TMS320 da Texas Instruments é encontrado em diversas
gerações e em versões tanto para operação com ponto fixo como
com ponto flutuante. A última geração que tem o chip TMS320Cx
opera em 200 MHz e tem uma nova arquitetura denominada Very
Long Instruction Word que opera com até 8 pacotes de instruções
de 32 bits num ciclo. Este dispositivo é também capaz de realizar
1024 transformadas de Fourier em apenas 70 ns.
Os tipos de ponto fixo têm uma arquitetura de 16 bits com
uma ALU de 32 bits e um acumulador sendo baseados na
arquitetura de Harvard com barramentos separados de dados e
programação.
Os tipos de ponto flutuante projetados para
processamento paralelo possuem uma arquitetura de 32 bits com
registradores de precisão estendida de 40 bits baseados na
arquitetura Von Neuman. Ele contém diversos barramentos de
modo a se obter melhor desempenho e, além disso, incorporam
multiplicadores e ALU de ponto-flutuante.
Mais informações sobre os DSPs da Texas podem ser
obtidas no site da Internet: http://www.ti.com

164
NEWTON C. BRAGA

RELÉS DE ESTADO SÓLIDO

TECNOLOGIAS E VANTAGENS
A substituição de dispositivos que tenham partes
mecânicas por equivalentes que sejam totalmente de estado
sólido apresenta uma infinidade de vantagens tanto em termos
de custo como de confiabilidade. Este é o caso dos relés de
estado sólido (SSR – Solid State relays) que cada vez mais
substituem os equivalentes eletromecânicos (EMR – Electro-
Mechanical Relays). Veja neste artigo como funcionam estes
dispositivos e as suas principais vantagens.
Os relés eletromecânicos (EMR) combinam uma parte
elétrica como um sistema mecânico de acionamento. Neles,
conforme mostra a figura 1, uma bobina, ao ser energizada atrai
uma armadura que movimenta um conjunto de contatos que são
responsáveis pela ação do dispositivo num circuito elétrico.

Figura 1 – Estrutura de um relé eletromecânico comum (EMR).

Além do tamanho, estes componentes têm por


desvantagem a presença de partes mecânicas móveis que se

165
Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
desgastam, produzem ruído ao operar e, além disso, os contatos
que estão sujeitos a diversos problemas como, por exemplo, o
repique e a produção de ruídos de natureza elétrica.
Num relé de estado sólido o que temos é um circuito de
acionamento formado por um acoplador óptico, o qual ao ser
energizado faz com que um fotossensor de potência conduza
intensamente a corrente, conforme diagrama de blocos mostrado
na figura 2, em que temos diversos tipos de sensores.

Figura 2 - Diagrama de blocos correspondente a um relé de estado sólido


(SSR)

Na prática, o emissor e o receptor são montados num


invólucro muito pequeno, havendo uma separação entre eles e
eventualmente um material que aumente o isolamento. Na figura
3 temos algumas técnicas utilizadas para a disposição dos
elementos de um SSR.

a) Montagem face-a-face

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b) Montagem coplanar

c) Isolamento reforçado

Figura 3 - Disposições dos elementos internos de um SSR.

Para a configuração de saída do circuito com um MOSFET


de potência temos o circuito típico da figura 4.

Figura 4 - Circuito típico de saída de um SSR.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16

Vantagens
 Os SSR são muito menores e mais leves que os relés
eletromecânicos (EMR) equivalentes. Isso é de grande
importância principalmente nas aplicações compactas. Os
SSR possibilitam uma grande economia de espaço na
placa de circuito impresso.
 Como os SSRs não possuem partes móveis, sua
confiabilidade é muito maior. Não existem partes que se
desgastam e, além disso, seu funcionamento é
perfeitamente silencioso.
 O problema do repique dos contatos, que ocorre com os
EMR não existe no caso dos SSR não havendo, portanto,
necessidade de circuitos ou recursos adicionais para sua
eliminação. Os SSR podem excitar diretamente circuitos
eletrônicos como muito maior facilidade.
 A ausência de partes móveis também possibilita o alcance
de velocidades de operação muito maiores e uma vida útil
também maior.
 Os SSR podem ser obtidos em versões tão pequenas que
possibilitam a montagem em superfície (SMT), o que os
torna ideal para a sua utilização em linhas de montagem
automatizadas.

Todas estas características levam a uma enorme gama de


aplicações para os SSR tais como em telecomunicações,
comunicação de dados, aplicações industriais, eletrônica de
consumo, aeroespacial, aplicações de segurança, eletrônica
embarcada, equipamentos médicos e muito mais.

ESPECIFICAÇÕES DE RELÉS – EMR/ESR


No trabalho com relés eletromecânicos é comum que se
faça a escolha de componentes que sejam super-especificados
para a aplicação. Uma margem de segurança deve ser dada no
sentido de se garantir maior confiabilidade. Normalmente isto é
feito em relação à corrente que pode ser manuseada.
Utilizam-se sempre relés com uma capacidade de corrente
maior devido tanto à problemas de degradação dos contatos
como também devido ao problema de que, trabalhando no limite,
os relés tendem a ter seus contatos “grudados”.

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Para os SSRs não é preciso deixar uma margem de


segurança grande em relação à corrente da carga que deve ser
controlada. Isso ocorre porque não existe o problema da corrosão
dos contatos e, além disso, é mais fácil encontrar um tipo de
corrente baixa o suficiente para controlar um determinado tipo de
carga, o que não sempre possível para o caso dos relés
eletromecânicos.

VANTAGENS EM FUNCIONAMENTO
Na placa de circuito impresso, encontramos outras
vantagens para o SSR em relação aos EMR. Os relés
eletromecânicos produzem um campo magnético que pode
interagir com outros elementos do circuito causando problemas.
Isso não ocorre com os SSR. Temos ainda que a ação dos
contatos pode também gerar ruídos captados pelos diversos
elementos do circuito, causando problemas de funcionamento.
Os SSRs não produzem nenhum tipo de interação
magnética, não geram ruídos elétricos e são imunes a choques
mecânicos. Esse problema de gerar campos, no caso dos EMR,
também faz com que exista uma distância mínima recomendável
entre eles na montagem, para que não ocorram interações.

RUÍDOS
Nos dias atuais existe uma preocupação muito grande com
os ruídos tanto os gerados pelos equipamentos como os que
podem ser captados, tendo origem em outros equipamentos ou
em outras fontes.
Assim, EMI é um item de grande importância em qualquer
projeto e no caso dos EMR ela é especialmente crítica. Os relés
eletromecânicos podem gerar muitos ruídos devendo ser tomadas
medidas para que eles não influenciem o funcionamento do
equipamento ou ainda sejam irradiados. Para os relés devem ser
considerado os seguintes pontos.

 Os relés eletromecânicos geram uma boa quantidade de


ruídos que podem afetar circuitos semicondutores. Seu
posicionamento na placa deve ser estudado
cuidadosamente para que não ocorram influências nos
demais circuitos na mesma placa.

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Como Funciona - Aparelhos, Circuitos e Componentes Eletrônicos
– Volume 16
 Relés e circuitos semicondutores devem ser mantidos o
mais afastado um do outro quanto seja possível.
 O supressor usado com o relé deve ficar o mais próximo
quanto seja possível deste componente.
 Evite a passagem de trilhas de sinais, principalmente
áudio, próxima de um relé.
 O traçado das trilhas que alimentam o relé devem ser os
mais curtos possíveis.
 Se o circuito for sensível, utilize blindagem para evitar a
influência do relé.

OUTROS PROBLEMAS
Também deve ser levado em conta que os SSR não são tão
sensíveis às vibrações quanto os relés eletromecânicos. Para os
EMR, nos casos mais sensíveis deve-se até estudar a orientação
de sua montagem numa placa de modo a minimizar este
problema.
Os relés eletromecânicos também são mais sensíveis à
fadiga causadas pelas variações da temperatura, o que não
ocorre com os SSRs. Também temos os problemas de custos de
montagem, observando-se que a possibilidade de se ter SSRs
para montagem em superfície pode ser um fator determinante
para a adoção desta tecnologia, nos casos mais críticos.

CONCLUSÃO
Somando a tudo que vimos o isolamento muito maior que
é possível obter entre o circuito de controle e o circuito
controlado, vemos que a confiabilidade de um SSR é muito maior
do que a de um EMR na maioria das aplicações. No entanto, os
SSR também têm alguns pontos críticos que devem sem
observados em algumas aplicações. Nestes componentes, a
condução da corrente para a carga é feita por um MOSFET que
não é um dispositivo que tem uma resistência nula. Assim, existe
não só uma dissipação, mas também uma queda de tensão a ser
considerada. De qualquer forma, com os pontos abordados neste
artigo em mente, o leitor estará apto a fazer uma boa escolha
para seu novo projeto.

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