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O Self Corporificado

O self é um estado somático-emocional que reflete a organização e a resposta a experiências de vida, sendo moldado por interações emocionais e biológicas. A terapia somática busca desorganizar e reorganizar padrões musculares e emocionais para promover a integridade do self. As agressões e traumas impactam a forma e a expressão do self, levando a diferentes reações que podem ser entendidas através de posturas de resistência e submissão.
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O Self Corporificado

O self é um estado somático-emocional que reflete a organização e a resposta a experiências de vida, sendo moldado por interações emocionais e biológicas. A terapia somática busca desorganizar e reorganizar padrões musculares e emocionais para promover a integridade do self. As agressões e traumas impactam a forma e a expressão do self, levando a diferentes reações que podem ser entendidas através de posturas de resistência e submissão.
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O self corporificado

O self é um estado somático-emocional. O contato e o relacionamento


emocional são gerados pelas qualidades de pulsação, vitalidade, energia,
excitação e sentimento, pelo estado das células e órgãos.

O self é um fluxo contínuo de respostas cognitivas e emocionais que


buscam manter e organizar formas de expressão. Isso significa que a
forma é mais do que uma simples expressão da função; na verdade, ela é
uma função.

Autoconhecimento significa ser capaz de conectar eventos psicológicos


com o processo biológico de corporificar essas experiências, dando-lhes
forma somática e emocional e continuidade.

A psicologia formativa tenta compreender a forma de uma pessoa; como


ela está organizada; como essa forma funciona; a que papéis dá origem;
suas regras musculares, emocionais e nervosas; como a vitalidade e a
vivacidade são mantidas; e o padrão de agressões que resultou na forma
ou papéis observados. Associações psicológicas, sentimentos, interações
e conexões musculares, todos fazem parte da estruturação de uma forma
pessoal.

O significado específico de uma forma emerge apenas a partir da história


e das experiências da pessoa, e essa, não tem escolha consciente quanto
a isso. Trata-se de um processo contínuo que se manifesta por si mesmo.
Ao mesmo tempo, a pessoa também reflete uma forma que o mundo
externo demanda dele. A forma é uma função do crescimento e da
experiência de vida. A personalidade, portanto, é não apenas o
modo como uma pessoa funciona, mas também a maneira como
ela pretende funcionar. A pessoa se organiza para responder aos
desafios, podendo se instalar uma incoerência entre experenciar-
se a si mesma e a organizar seu comportamento numa ação que a
expresse. Assim, esses desafios podem se transformar em agressões. A
integridade do processo de uma pessoa pode não ser capaz de se manter
ou de responder, resultando numa falha de organização ou uma mudança
de forma corporal, portanto, se essa forma for agredida, há uma
reorganização tornando-se assertiva e espástica, ou colapsa e congela.

Exemplo: ao longo da vida de uma pessoa seus pais não responderam tão
prontamente quanto sua fome exigia, ela pode ter chorado mais alto. Essa
pessoa pode ter recebido uma resposta a seu choro de raiva, mas não
pelo seu choro de fome. Assim, ela aprende como organizar o tipo de
choro no qual vai se engajar. Se, entretanto, seus choros não receberem
nenhuma resposta, eles podem ter se transformado em um choramingo
de derrota. Essas diferentes respostas envolvem diferentes formas
expressivas; uma, com o peito inflado de raiva e agressividade, e outra,
com o peito esvaziado, encolhido de derrota. Qualquer uma dessas
formas representa uma estrutura interna que dá origem à consciência e
ao comportamento da pessoa. Se um desafio excede a capacidade que
uma pessoa tem para responder, ela muda sua forma original para “se
moldar” à contingência no momento. Esse comportamento exploratório,
mostra que o organismo é capaz de suspender operações enquanto
organiza seu futuro. Isso constata uma relação entre o curso natural
biológico com o estado emocional-psicológico da pessoa.

O terapeuta somático tem que encontrar meios de desorganizar a


estrutura, e isso envolve muito mais do que somente liberar tensões
musculares, de modo que não possa haver possibilidade de falha se todo
o padrão de encolhimento do paciente não for desorganizado. São coisas
distintas, um paciente falar que foi humilhado, e, chorar, e ficar zangado,
reproduzindo a situação que o levou a se sentir assim e liberar esse
padrão de humilhação. Ele tem que aprender a desorganizar e reorganizar
seu padrão muscular emocional.

Os quatro tipos de agressão:

O distresse pessoal e a agressão somática afetam o self subjetivo em


desenvolvimento. O esforço da natureza para organizar um corpo natural
tem um paralelo no desenvolvimento de uma forma subjetiva pessoal. O
self somático subjetivo começa por uma imagem interna, um molde
universal presente no código genético, que organiza a forma humana. O
modo específico como o soma de um indivíduo é moldado dá origem a um
senso subjetivo pessoal de self e ao desenvolvimento de sua
independência.

A resposta a irritações, danos e agressões, é análoga aos quatro estágios


de um processo inflamatório: dor, vermelhidão, calor e inchaço. As
agressões provocam uma mudança na relação dos tecidos. A vermelhidão
indica uma elevação do nível de organização: o calor, um aumento de
atividade; o inchaço, uma tentativa de neutralizar o evento; e a dor, um
sinal para recuar. No caso de um desafio sério, para o qual nenhuma
resposta é adequada, há uma regressão para uma posição de
sobrevivência num nível vegetativo. Esses estados de agressão podem
ser chamados de choque, trauma, abuso e negligência. O choque congela
a forma ou cria uma forma consistente do modo como a pessoa interpreta
sua existência naquele momento. O trauma significa uma ruptura ou
esgarçamento, um dano imediato ao tecido e o início da dor. O abuso
significa irritação, inflamação a longo prazo, cansaço e exaustão. A
negligência é atrofia, desuso, apatia e indiferença às próprias
necessidades físicas e emocionais.

Cada uma dessas respostas requer uma mudança na forma, para


congelar, ativar, aumentar a atividade ou contê-la. O congelamento
resulta numa forma espástica; o aumento de atividade, em uma forma
mais espessa; um aumento ainda maior de atividade gera calor e inchaço
e, em última instância, contenção e colapso. Essa é a gênese das
estruturas rígida, densa, inchada e em colapso. Congelar a forma,
aumenta a atividade; mutila-se, fazer-se menor, encolher, ficar deprimido;
torna-se apático, inchar, ficar sem limites, deixar vazar _ essas são as
respostas possíveis a uma agressão, e cada uma delas implica uma
mudança de forma.

Aprender a lidar com obstáculos faz parte do crescimento. Cair,


machucar-se e assustar-se gera uma resposta de congelamento, porém a
motilidade permanece intacta. Mas, uma agressão que não desaparece,
como no caso de uma criança que apanha repetidamente, ela vai
congelar, enrijecer, aumentar sua pressão interna e esperar que a
agressão desapareça.

As mudanças que uma agressão produz na forma de uma pessoa podem


ser compreendidas através da fórmula: intensidade x duração x repetição.
As respostas a uma agressão envolvem tanto um aumento quanto a uma
diminuição de atividade, levando também a um aumento ou diminuição
da fronteira física do corpo (expansão e contração), “overbound” ou
“underbound” (Stanley Keleman).

“Há duas formas relacionadas à intensidade e duração de uma agressão:


formas overbound são tentativas de manter atitudes agressivas diante de
uma agressão, quer diretamente, ou apenas na superfície. A formas
underbound representam uma submissão à agressão e tentativas de
acalmar o agressor, cedendo”. (Stanley Keleman, 1992.

Após o nascimento e durante os primeiros anos de vida, os padrões de


agressão se organizam primeiro na parte superior do corpo, agarrar,
segurar, chorar, estender os braços. Os padrões de ansiedade começam
aí. Nessa fase de desenvolvimento, o organismo se empenha mais com os
braços, boca e cabeça do que com o abdômen, genitais e pernas. Isso
significa que são formas mais “emocionais” de agressão.

Mais tarde, a agressão se empenha mais nas genitais e pernas resultando


na retirada do “firmar” da pessoa, puxando suas vísceras para dentro e
para cima numa tentativa de proteger o endoderma (órgãos internos),
superexcitando o cérebro e se superprontifica para receber a agressão.
Na terapia corporal reichiana, o segmento do abdômen está
principalmente relacionado aos caráteres masoquista e oral, embora
possa também apresentar tensões em outros tipos de estrutura de
caráter, dependendo da história emocional da pessoa. Vamos entender
com mais detalhes:

Segmento do Abdômen
É o penúltimo dos sete segmentos de tensão descritos por Wilhelm Reich,
localizado entre o diafragma e a pelve. Este segmento inclui a
musculatura da parede abdominal, a região lombar e está diretamente
ligado à expressão de impulsos, digestão emocional, raiva contida e
contenção de desejos.

Caráteres Associados
1. Caráter Masoquista
Descrição: Pessoa com energia reprimida, especialmente raiva e desejo
de afirmação.
Expressão no abdômen:
 Tensão profunda e crônica na musculatura abdominal, como se
“segurasse” algo.
 Frequentemente envolve uma postura encurvada, como se
houvesse uma constante tentativa de “recolher-se”.
 A barriga é usada como barreira para não expressar a agressividade
ou o desejo.
Mensagem corporal inconsciente:
"Eu aguento, mas não posso me expressar."
"Se eu mostrar quem eu sou, serei punido."

2. Caráter Oral
Descrição: Relacionado a experiências precoces de carência afetiva e
desamparo.
Expressão no abdômen:
 Pode haver flacidez ou colapso da musculatura abdominal.
 Dificuldade em sustentar a energia vital na região do centro do
corpo.
 Abdômen "vazio" como expressão da falta de nutrição emocional.
Mensagem corporal inconsciente:
"Não sou suficiente."
"Preciso do outro para existir."

3. Outros aspectos possíveis


 Em muitos casos, o abdômen também é envolvido no controle
da sexualidade, junto com o segmento pélvico, especialmente em
personalidades com traços rígidos.
 O segmento pode ser hipertônico (duro, contraído) ou hipotônico
(fraco, colapsado), dependendo do tipo de defesa instalada.

Trabalho Terapêutico Corporal com esse Segmento


 Respiração abdominal profunda
 Toques e vibrações para liberar tensões profundas
 Movimentos de som e impulso visceral
 Expressão vocal de emoções reprimidas (gritos, sons guturais)
 Apoio no contato com o “centro do eu” e na construção de
autonomia.

Na estrutura humana qualquer coisa que assuste uma pessoa, essa se


organiza para cima e se retira do chão. *Quando o embrião está em
desenvolvimento intrauterino, ele está flutuando, num estado de
neutralidade, despolarizado, porém, entre a dilatação e contração das
extremidades num movimento de pulsação* (NL). A implicação
terapêutica disso é que as pessoas têm que ser ensinadas a manter seu
“chão” (ground), abaixando seu centro de gravidade (essa força agressiva
deve ser anulada pela energia gravitacional que se aloja da pélvis para
baixo).

- O estado de choque começa com o aumento de intensidade e evolui


da incredulidade (desancoramento) para a anestesia e,
eventualmente, para a dissociação.
- O trauma invoca raiva, medo e dor; termina na projeção da mania,
que abrange uma infinidade de eventos que vão dar hiperatividade
à histeria.
- Com o abuso, vem a humilhação, o entorpecimento, a submissão, a
negação e o início do recuo.
- Com a negligência e o abandono vêm a perda de limites, a
depressão e apatia, o colapso.

Foi aprofundando o “drama” da vida em busca de compreender o


processo de preservação da humanidade, que Keleman construiu um
modelo somático-emocional de respostas de orientação e defesa ao
perigo composto por seis posturas organizadas nas polaridades: RESISTIR
e CEDER.

São elas:

1) investigar / afirmar / estar alerta;


2) deter-se / ficar parado / expandir-se / estabelecer limites;

3) desviar-se do ataque;

4) conflitar entre resistir / ceder;

5) ceder / submeter-se / encolher-se / diminuir-se;

6) resignar-se / deixar de existir / morrer.

Ver a ilustração a seguir: 1 2 3 4 5 6 Todas essas posturas evidenciam


“tanto um aumento como uma diminuição da atividade excitatória
levando à construção de dois grupos de formas: overbound ou
underbound. As posturas overbound (1-2-3) - que resistem aumentando a
intensidade da tensão e da pressão - detêm a pulsação, criam
segmentação nas estruturas e sistemas e recrutam mais camadas de
experiências para ir ao mundo e voltar para o seu próprio mundo. Por
outro lado, as posturas underbound (4-5-6) - que cedem diminuindo a
intensidade da tensão e pressão - perdem qualidade importante do seu
pulso e não usam suas camadas de experiências para ir ao mundo e
voltar para o seu próprio mundo. Resistir e ceder, aumentar e diminuir ou
ainda expandir e contrair influenciam a vida inteira do organismo nas
esferas do pensamento, sentimento, emoções e comportamentos.

Uma resposta experienciada em um determinado momento se internaliza


como um verdadeiro estado celular. Estas respostas envolvem mudanças
na forma, assim como no estado básico de sensações do organismo,
independentemente de quais sejam as imagens introjetadas. O cérebro
registra o estado no qual a pessoa se encontra e cria uma imagem dele.

Se um choque é muito grande, a pessoa torna-se espástica. A relação


entre choque, trauma, abuso e negligência e as diferentes formas que os
refletem não são questões isoladas, mas existem como parte de um
contínuum. Há diferenças entre enrijecer e afastar, encolher e não deixar
nada sair, inchar e colapsar. São as possíveis respostas a uma agressão -
puxar para cima, para trás, para dentro e para baixo (da cabeça ao
abdômen).

A ruptura somático-emocional
A forma que uma pessoa organizou para si mesma representa o modo
como ela se sente.

À medida que a motilidade das células, tecidos e órgãos de uma pessoa


se modifica, seus sentimentos e pensamentos a respeito de si mesma
também mudam. Ela organiza uma imagem somática e um self possível.

Pulsação: cerne do processo de organização

Um dado fundamental para o processo de organização é um fenômeno


que chamo de pulsação, um movimento único e arquetípico. A pulsação é
um padrão profundo e primitivo que organiza e canaliza a excitação ao
lingo de uma trilha, para criar uma forma. O batimento cardíaco, por
exemplo, é uma pulsação com a qual todos estamos familiarizados; ele se
expande e se contrai, assumindo formas específicas, sob diferentes
condições ao longo do tempo. Essa morfologia duradoura molda a si
mesma, de acordo com os desafios que encontra, ora há um aumento ora
uma redução do movimento. Quando se interfere com essa forma
pulsatória, há uma mudança completa na consciência da pessoa e em sua
responsividade.

O padrão pulsatório fundamental, para dentro e para fora, forma um


perímetro, uma superfície e um interior. Os pontos extremos de seus
movimentos representam um padrão que tem limites externos e internos.
O ritmo e a amplitude do movimento do coração estabelecem ema série
de membranas e estruturas que mantém uma morfologia viva ao longo do
tempo. Dessa forma, assim como no coração, o movimento, a percepção,
o pensamento e as emoções da pessoa estão representados num padrão
pulsante de grande complexibilidade.

A pulsação é uma força dinâmica que deve ser mantida para se ter uma
identidade ou uma certa expressão vital. Ela dá origem às sensações que
criam a imagem corporal primitiva. Esse padrão é antigo e constitui a
sabedoria ancestral da pessoa. Seu movimento incorpora o registro das
experiências de toda a criação até este momento, e permite que o
organismo como um todo conheça sua história, sua corporificação e sua
forma. A realidade somática é esse profundo e enraizado padrão
pulsatório. O padrão reconhece a si mesmo, uma vez que a pulsação,
movendo-se ao longo de um continuum de espaços, determina as
sensações e os sentimentos que funcionam como um diálogo entre um
nível e outro. O padrão conversa consigo mesmo. Portanto o indivíduo o
descreve como algo distante ou separado dele mesmo: “Eu sinto o meu
corpo”. De fato, é o nível de pulsação, à medida que se espalha ou
diminui ao longo de um continumm de níveis de seu próprio padrão, que
estabelece o auto diálogo e o autoconhecimento. O diálogo se dá nas
camadas de sensação, na interseção dos movimentos, ele é dirigido por
ele mesmo, está na própria base de toda existência.

A função do processo de organização é manter esse ritmo pulsatório em


resposta a uma forma que está sendo organizada. Quando o padrão
pulsatório encontra resistência a seu movimento ele se enrijece ou infla
na tentativa de enfrentar o agente “agressor”, ou também, recua, e
congela a fim de aguardar que o agente agressor desapareça.

Na clínica corporal somática, o terapeuta reconhece esses


padrões em seus pacientes, quando são rígidos ou colapsados,
maníacos ou depressivos, aqueles que lutam ou que engajam
numa resistência passiva. Quando o clínico presta atenção ao
modo como o paciente pulsa e sua pulsação de organiza em um
nível superior de expressão(facing), confirma-se que esse
paciente tem raízes(grounding) em um ambiente e tem uma
matriz que inclui tanto a si mesmo quanto os outros. Há um
movimento que transita entre a propriocepção e a exterocepção.
Porém existe ainda uma terceira percepção, que é aquela em que
tudo está contido, o plano de pertencimento, onde o paciente se
percebe pertencente a uma existência comum a todas as coisas.

Quando esse padrão pulsante se defronta com graves restrições,


a pessoa sente-se sem raízes, aguardando incessantemente por
conexões. Isso descreve nossa cultura atual, a qual nos aprisiona
em uma pulsação localizada, especializada em nossa cabeça (1º,
2º segmentos, sentidos gerais) sem ponte para os demais
segmentos, sem continumm; onde a genitalidade é desenhada
“ilusoriamente” na nossa tela imaginária totalmente
desconectada da sensação e construção que se refere a ela como
processo de desenvolvimento do “self”. Estamos nos tornando
seres isolados, presos no encolhimento da esperança de amanhã
será melhor sem saber como fazer esse amanhã acontecer.

Reorganização física: a chave


Todo desafio de proporção suficiente chama a atenção de nosso
organismo e introduz uma mudança na forma interna. Essa premência de
reformar a própria forma pode se tornar crônica, subaguda ou aguda.
Mudança de forma implica em mudança de atividade. As três primeiras
imagens mostram a condição overbound, um aumento de forma, de
organização, de estrutura, que não necessariamente implica no aumento
físico, mas pode ser sentido como excitação ou ansiedade.

A estruturas overbound e underbound são hiperativas ou hipoativas. A


imagem de susto dramatiza a relação entre a parede do corpo e os
espaços viscerais, as superfícies e o interior, e o modo como o organismo
pode se compartimentar. A deformidade ocorre através da diminuição ou
do aumento, onde os órgãos próximos à parede do peito e do abdome
recebem muita ou pouca pressão.

Na figura1, a imagem mostra que os órgãos ainda estão em condição


normal, nas figuras 2 os órgãos estão começando a ficar encolhidos,
contraídos; na figura 4, o abdome se encolhe enquanto o tórax se
expande (onde ocorre o trauma); enquanto nas figuras 5 e 6 os órgãos do
abdômen inflam e cedem. A linha demarcatória entre o aumento e a
diminuição ocorre na figura 3, à medida que o aumento da estrutura
(parede do corpo, espaços viscerais) se torna opressivo, o organismo
responde com inibição e depressão. Se a agressão continua, surgem
impotência, submissão, desesperança e apatia, e finalmente a pessoa se
recua para o colapso onde há o abandono da luta e da autopreservação.

A pessoa vai da hiperatividade, convulsão, histeria e mania, à


hipoatividade, hibernação, coma, apatia e indiferença.

O colapso (figura 6), o ponto final do contínuum de susto, é uma


reorganização sobre a condição inicial (figura 1). O terapeuta, ao lidar
com esse tipo de estrutura, precisa compreender em primeiro lugar como
o paciente organiza seu colapso. Por exemplo, o colapso envolve um
padrão reflexo de desistência. Isso representa uma organização que
garante o colapso, a hibernação do mecanismo de oxigenação. Em
determinado nível, o paciente pode desorganizar seus mecanismos
inibidores, ao invés aumentar sua respiração. O terapeuta deve começar a
desestruturar o que está superestruturado; e, alternativamente pode
aumentar a motilidade visceral da área colapsada, construindo um senso
de pulsação e gerando motilidade dos órgãos, excitação e sentimento.
Outro modo do terapeuta fazer isso também é usar a comunicação
linguística, simbólica e literal como catalisadora. A ação se organiza num
padrão de camadas. Há um esquema genético, neural e emocional para
ação. Para preparar-se para a ação, a pessoa invoca um conjunto de
padrões musculares e então aumenta esse padrão para agir. Ela começa
enervando um grupo de feixe musculares, vai organizando aquela
quantidade mínima que representa sua ação, até organizar todo o padrão
muscular de ação. Três níveis estão envolvidos: a parte superior do
cérebro, a parte intermediária e o tronco cerebral.

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SLIDES AULA
O SELF CORPORIFICADO
(baseado em Stanley Keleman e psicologia somática)

1. O QUE É SELF?

 Estado somático-emocional contínuo


 Expressa-se por pulsação, vitalidade, energia e sentimento
 Forma ≠ expressão da função → Forma é função

2. AUTOCONHECIMENTO

 Conectar eventos psicológicos ↔ processos biológicos


 Forma somática e emocional com continuidade

3. PSICOLOGIA FORMATIVA

 Estuda:
o Forma da pessoa
o Papéis
o Regras musculares/emocionais
o Vitalidade e agressões
4. FORMA E PERSONALIDADE

 Forma moldada por:


o Experiências
o Crescimento
o Expectativas externas
 Forma = Função + Intenção + Organização

5. ATO DE AGREDIR / RESPOSTAS À AGRESSÃO

 🔥 Calor = aumento de atividade


 🔴 Vermelhidão = elevação organizacional
 💧 Inchaço = tentativa de neutralizar
 ⚡ Dor = sinal para recuo

Tipos de agressão:

1. Choque → congelamento, dissociação


2. Trauma → dor, raiva, medo, histeria
3. Abuso → humilhação, submissão
4. Negligência → colapso, apatia

6. MUDANÇAS DE FORMA

 Agressão gera:
o Espasticidade (rigidez)
o Densidade
o Inchaço
o Colapso
 Fórmula: Intensidade x Duração x Repetição

7. RESPOSTAS DO CORPO

 Overbound (resistência ativa)


 Underbound (submissão)

Exemplo infantil:
Choro → Raiva = peito inflado
Choro → Derrota = peito retraído

8. POSTURAS CORPORAIS DIANTE DA AGRESSÃO


(6 estágios de Keleman)

1. Afirmar / Investigar
2. Estabelecer limites
3. Desviar-se
4. Conflito resistir/ceder
5. Ceder / Encolher
6. Resignar / Morrer

Posturas:

 Overbound (1-2-3): tensão, hiperatividade


 Underbound (4-5-6): colapso, retirada

9. INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA

 Desorganizar/reorganizar forma
 Liberar padrões musculares/emocionais
 Ensinar a manter o “chão” (grounding)
 Ancorar pélvis → energia gravitacional

10. RUPTURA SOMÁTICO-EMOCIONAL

 Forma afeta:
o Sentimentos
o Pensamentos
o Imagem somática

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