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O documento apresenta diretrizes e princípios do Direito Ambiental, abordando a definição de meio ambiente, competências para sua proteção e os princípios da prevenção, precaução e desenvolvimento sustentável. Também discute o licenciamento ambiental, os tipos de licenças, e os espaços territoriais especialmente protegidos, além de detalhar as unidades de conservação e suas finalidades. Por fim, enfatiza a importância da responsabilidade do Poder Público e dos empreendedores na preservação ambiental.
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O documento apresenta diretrizes e princípios do Direito Ambiental, abordando a definição de meio ambiente, competências para sua proteção e os princípios da prevenção, precaução e desenvolvimento sustentável. Também discute o licenciamento ambiental, os tipos de licenças, e os espaços territoriais especialmente protegidos, além de detalhar as unidades de conservação e suas finalidades. Por fim, enfatiza a importância da responsabilidade do Poder Público e dos empreendedores na preservação ambiental.
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OAB 1ª Fase 2011.

2
Direito Ambiental
Prof. Frederico Amado

DICAS DE DIREITO AMBIENTAL


PREPARAÇÃO PARA CONCURSOS PÚBLICOS E EXAME DA OAB
Elaborado pelo Prof. FREDERICO AMADO
([Link])

01. Meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas (artigo 3º, I, da Lei 6.938/81).
02. A competência material para proteger o meio ambiente e controlar a poluição em todas as suas formas é
comum entre União, estados, Distrito Federal e municípios (especificado pelo artigo 23, III, IV, VI, VII e XI, da
Constituição).
03. A competência para legislar sobre o meio ambiente é concorrente entre União, estados e Distrito Federal
(especificado pelo artigo 24, VI, VII e VIII, da Constituição), cabendo aos municípios legislar sobre os assuntos
ambientais de interesse local e suplementar a legislação federal e estadual no que couber (artigo 30, I e II, da
Constituição). Contudo, apenas a União poderá legislar sobre águas, energias, jazidas, minas e outros recursos
minerais, além de atividades nucleares (artigo 22, IV, XII e XXVI, da Constituição).
04. O Princípio da Prevenção trabalha com risco certo, conhecido ou concreto. Já o Princípio da Precaução se volta
ao risco incerto, desconhecido ou abstrato, incidindo a máxima in dubio pro natura ou salute, pois, quando houver
ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser utilizada como razão
para postergar medidas eficazes e economicamente viáveis para precaver a degradação ambiental.
05. O Princípio do Desenvolvimento Sustentável prega que haja um desenvolvimento econômico que observe a
capacidade máxima de suporte dos ecossistemas, pois a presentes gerações deverão consumir as parcelas
necessárias dos recursos naturais sem privar as futuras gerações das suas porções.
06. Pelo Princípio do Poluidor-pagador, deverá o empreendedor responder pelos custos sociais da degradação
causada por sua atividade impactante, devendo-se agregar esse valor no custo produtivo da atividade, para se evitar
que se privatizem os lucros e se socializem os prejuízos ambientais, que também deverão ser internalizados. Este
Princípio não deverá ser interpretado de forma que haja abertura para a poluição incondicionada, desde que se
pague (não é Pagador-poluidor), só podendo o poluidor degradar o meio-ambiente dentro dos limites de tolerância
previstos na legislação ambiental, após regular licenciamento ambiental.
07. Pelo Princípio do Usuário-pagador, as pessoas que utilizam recursos naturais devem pagar pela sua utilização,
mesmo que não haja poluição, sendo mais abrangente que o Princípio do Poluidor-pagador, a fim de demonstrar a
economicidade dos recursos naturais, racionalizando o seu uso e angariando recursos em prol do equilíbrio
ambiental.
08. São instrumentos para a execução da Política Nacional do Meio Ambiente: I - o estabelecimento de padrões de
qualidade ambiental; II - o zoneamento ambiental; III - a avaliação de impactos ambientais; IV - o licenciamento e a
revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; V - os incentivos à produção e instalação de
equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental; VI - a criação
de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas
de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas; VII - o sistema nacional de
informações sobre o meio ambiente; VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumento de Defesa
Ambiental; IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias pelo não cumprimento das medidas necessárias à
preservação ou correção da degradação ambiental; X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a
ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA; XI - a
garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando-se o Poder Público a produzi-las,
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quando inexistentes; XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos
recursos ambientais. XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro
ambiental e outros (artigo 9º, da Lei 6.938/81).
09. O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), a quem compete executar a Política Nacional de Meio
Ambiente, conta com a seguinte composição: I - órgão superior: o Conselho de Governo II - órgão consultivo e
deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), III - órgão central: o Ministério do Meio Ambiente
(MMA) IV - órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA); V -
Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estaduais e distritais responsáveis pela execução de programas, projetos
e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental; VI - Órgãos Locais: os
órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas
jurisdições (artigo 6º, da Lei 6.938/81).
10. Compete ao Poder Público controlar a poluição, sendo o licenciamento ambiental um dos principais
instrumentos, assim considerado o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a
localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos
ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam
causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis
ao caso (artigo 1º, I, da Resolução CONAMA 237/97).
11. Dentro do licenciamento ambiental, dentre outros atos, serão outorgadas as licenças ambientais, isoladas ou
sucessivamente, que, em regra (salvo atividades de pequeno impacto negativo), serão de três espécies: Licença
Prévia (LP) – aprova o projeto, declara a sua viabilidade ambiental e impõe condicionantes; Licença de Instalação
(LI) – libera a implantação do empreendimento, impondo novos condicionantes; Licença de Operação (LO) – permite
o funcionamento da atividade.
12. A licença ambiental é ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as condições,
restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou
jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos
ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar
degradação ambiental (artigo 1º, II, da Resolução CONAMA 237/97).
13. A licença ambiental tem o regime jurídico diferenciado da tradicional licença administrativa, pois: possui prazos
máximos de validade; pressupõe a apresentação de estudos ambientais; tem um sistema trifásico de concessão e
poderá ser alterada, suspensa ou cancelada na hipótese de superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.
14. O EPIA – Estudo Prévio de Impacto Ambiental, de natureza pública, é o estudo ambiental mais complexo, com
previsão no artigo 225, §1º, IV, da Constituição, sendo exigível para instalação de obra ou atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente, sendo presumida a significativa degradação ambiental no
rol exemplificativo do artigo 2º, da Resolução CONAMA 01/1986.
15. O EPIA será elaborado por equipe técnica multidisciplinar contratada diretamente pelo proponente do projeto,
que arcará com todos os custos de elaboração do estudo, e não pelo órgão ambiental licenciador, devendo ser
elaborado um Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que conterá as conclusões do EPIA, a ser apresentado em
linguagem objetiva e adequada à sua compreensão pela população, inclusive podendo ter ilustrações, sendo de
acessibilidade pública, cujas conclusões não vincularão o órgão ambiental.
16. Apenas será obrigatória a audiência pública para debater o RIMA nas hipóteses listadas na Resolução CONAMA
09/87: a critério do órgão ambiental, por requisição do Ministério Público, por requerimento de entidade civil ou por
solicitação de 50 cidadãos. Se obrigatória, a dispensa da audiência pública implicará na invalidação das licenças
ambientais eventualmente concedidas.

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17. De acordo com a determinação do artigo 225, §1º, III, da Constituição, deverá o Poder Público definir, em todas
as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a
alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção.
18. De acordo com o artigo 225, §4º, da Constituição, a Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do
Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional (revela o interesse da nação na sua
preservação, não convertendo esses Biomas em bens públicos), e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de
condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
19. Os principais espaços territoriais especialmente protegidos são as áreas de preservação permanente (artigos 2º e
3º, da Lei 4.771/65), a reserva legal (artigo 16, da Lei 4.771/65) e as unidades de conservação, estas reguladas pela
Lei 9.985/2000, divididas em 02 grupos e 12 modalidades:

Existes dois grandes grupos de unidades de conservação: as de PROTEÇÃO INTEGRAL, que objetivam basicamente a
preservação da natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos
previstos em lei; as de USO SUSTENTÁVEL, cujo objetivo básico é compatibilizar a conservação da natureza com o
uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais.

01- UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE PROTEÇÃO INTEGRAL:

1.1. Estação ecológica - tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas, sendo
de posse e domínio públicos, proibida a visitação pública, exceto quando com objetivo educacional, de acordo com o
que dispuser o Plano de Manejo da unidade ou regulamento específico, podendo ser autorizada a pesquisa
científica.
1.2. Reserva biológica - tem como objetivo a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em
seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de
recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o
equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais. É de posse e domínio públicos, sendo
proibida a visitação pública, exceto aquela com objetivo educacional, de acordo com regulamento específico.
1.3. Parque nacional - tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância
ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de
educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico, sendo de
posse e domínio públicos.
1.4. Monumento natural - tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza
cênica, podendo ser composta por áreas públicas ou particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos
da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários, podendo haver visitação
pública.
1.5. Refúgio da vida silvestre - tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a
existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória, podendo ser
composta por áreas públicas ou particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a
utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários, podendo haver visitação.

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02- UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE USO SUSTENTÁVEL:

2.1. Área de proteção ambiental – é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada
de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-
estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo
de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais, podendo ser constituída por terras
públicas ou privadas.
2.2. Área de relevante interesse ecológico - é uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma
ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e
tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível
dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza, podendo ser constituída por
terras públicas ou privadas.
2.3. Floresta nacional - é uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como
objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos
para exploração sustentável de florestas nativas, de posse e domínio públicos, admitida a permanência de
populações tradicionais que a habitam quando de sua criação, com visitação e pesquisas permitidas, observada a
regulamentação.
2.4. Reserva extrativista - é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se
no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e
tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável
dos recursos naturais da unidade, de domínio público, com uso concedido às populações extrativistas tradicionais,
com visitação e pesquisas permitidas, observada a regulamentação.
2.5. Reserva da fauna – é uma área natural com populações animais de espécies nativas, terrestres ou aquáticas,
residentes ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo econômico sustentável de
recursos faunísticos, de posse e domínio públicos, com visitação permitida, proibida a caça amadorística ou
profissional.
2.6. Reserva de desenvolvimento sustentável - é uma área natural que abriga populações tradicionais, cuja
existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de
gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da
natureza e na manutenção da diversidade biológica, que tem como objetivo básico preservar a natureza e, ao
mesmo tempo, assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da
qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações tradicionais, bem como valorizar, conservar e
aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente, desenvolvido por estas populações, sendo de
domínio público, com visitação e pesquisas permitidas, observada a regulamentação.
2.7. Reserva particular do patrimônio natural - é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de
conservar a diversidade biológica, sendo apenas permitida a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos,
recreativos e educacionais. Apesar de ser uma unidade de uso sustentável, tem o regime jurídico de proteção
integral, pois o extrativismo que seria permitido foi vetado pelo Presidente da República.

20. A responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente é objetiva (artigo 14, §1º, da Lei 6.938/81),
norteada pela Teoria do Risco Integral (tema polêmico, apesar da posição do STJ, no REsp 442.586, de 26.11.2002),
não sendo excluída pela existência de licença regular que ampare a poluição. Será responsabilizado o poluidor, assim

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considerado a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, diretamente ou indiretamente,
por atividade causadora de degradação ambiental (artigo 3º, IV, da Lei 6.938/81).
21. A responsabilidade civil entre todos os poluidores, diretos ou indiretos, além de ser objetiva, será solidária (STJ,
REsp 1.056.540, de 25.08.2009), sendo imprescritível a pretensão de reparação dos danos ambientais (STJ, REsp
647.493, de 22.05.2007), e incabível a intervenção de terceiros, pois o direito de regresso deverá ser exercido em
ação própria, devendo a ação civil pública deve discutir, unicamente, a relação jurídica referente à proteção do meio
ambiente e das suas conseqüências pela violação a ele praticada (STJ, REsp 232.187, de 23.03.2000). Será possível a
inversão do ônus da prova, com base no Princípio da Precaução e na natureza pública da proteção, transferindo
para o empreendedor da atividade potencialmente lesiva o ônus de demonstrar a segurança do empreendimento
(STJ, REsp 972.902, de 25.08.2009).
22. A Constituição Federal possibilita a responsabilização penal da pessoa jurídica por crime ambiental (artigo 225,
§3º), sendo regulamentada pelo artigo 3º, da Lei 9.605/98, que exige dois pressupostos cumulativos para a
responsabilização do ente moral: crime cometido por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu
órgão colegiado (1), assim como no interesse ou benefício da pessoa jurídica (2).
23. Inexiste responsabilidade penal objetiva, mesmo da pessoa jurídica por delito ambiental, a teor do Princípio da
Culpabilidade. Em regra, competirá à Justiça Estadual julgar os crimes ambientais. A Justiça Federal apenas terá
competência nas hipóteses do artigo 109, da Constituição: infrações penais praticadas em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções;
os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha
ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves.
24. As pessoas jurídicas não poderão ser pacientes na ação constitucional de habeas corpus, uma vez que não têm
direito de locomoção, consoante já decidiu o STF (HC 92.921, de 19.08.2008). A ação penal será de iniciativa pública
incondicionada (artigo 26, da Lei 9.605/98), existindo decisões do STJ que aplicaram o Princípio da Insignificância
aos crimes ambientais (HC 93.859, de 13.08.2009; HC 112.840, de 23.03.2010).
25. O artigo 225, da Constituição, instituiu o direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
imaterial e difuso por excelência, bem de uso comum do povo (não no significado de bem público, e sim
expressando a titularidade coletiva) e indispensável à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
26. O §1º, do artigo 225, da Constituição, criou uma série de determinações ao Poder Público, tais como: preservar
e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; preservar a
diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e
manipulação de material genético; controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e
substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; promover a educação
ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; proteger
a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a
extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
27. Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com
solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei (artigo 225, §2º, da Constituição). As usinas
que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser
instaladas (artigo 225, §6º, da Constituição)
28. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou
em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da
sociedade brasileira, nos quais se incluem: I - as formas de expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as
criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços
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destinados às manifestações artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico,


artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. O Poder Público, com a colaboração da comunidade,
promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e
desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação (artigo 216, da Constituição).
29. Em sentido amplo, o tombamento é um procedimento administrativo que veicula uma modalidade não
supressiva de intervenção concreta do Estado na propriedade privada ou mesmo pública, de índole declaratório, que
tem o condão de limitar o uso, o gozo e a disposição de um bem, gratuito (em regra), permanente e indelegável,
destinado à preservação do patrimônio cultural material (móvel ou imóvel), dos monumentos naturais e dos sítios e
paisagens de feição notável, pela própria natureza ou por intervenção humana. Em sentido estrito, significa a
inscrição de um bem tangível em um dos Livros de Tombo, podendo ser realizado por todos entes políticos, inclusive
simultaneamente, ante a competência material comum para proteger o patrimônio cultural.
30. O registro é o instrumento de tutela de bens imateriais integrantes do patrimônio cultural, pois a intangibilidade
faz com que a tutela através do tombamento não seja compatível com a sua morfologia. No âmbito federal, foi
regulamentado pelo Decreto 3.551/2000, tendo como referência a continuidade histórica do bem e sua relevância
nacional para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira.

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