PERÍCIA AMBIENTAL
AULA 2
Prof. Klaus Dieter Sautter
CONVERSA INICIAL
Legislação ambiental
A legislação ambiental é um dos instrumentos básicos do perito ambiental.
Ao ser instado à realização de uma perícia ambiental, um dos seus primeiros
atos deve ser o levantamento dessa legislação, em todos os níveis necessários.
A sua atualização também é premente. Então, é importante que se discuta essa
legislação, iniciando-se com os seus princípios básicos. Agora, convidamos você
a aprender um pouco mais sobre a legislação ambiental brasileira.
TEMA 1 – PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL
Dizemos que o direito ambiental é um conjunto de regras sistematizadas
que tem como objetivo disciplinar a atividade humana visando proteger o meio
ambiente. Assim como em outras áreas do direito, o direito ambiental tem como
base os seus princípios, jurisprudência, atos normativos e doutrina. A
jurisprudência nada mais é do que um conjunto de decisões e interpretações que
são feitas por tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF), da
legislação em vigor. Os atos normativos são os diferentes tipos de legislação
existentes no Brasil, por exemplo, leis ordinárias, portarias etc. Já a doutrina
pode ser conceituada, basicamente, como o conjunto de ideias fundamentais
que vêm da interpretação da legislação por juristas mais experientes. Mas o que
nos interessa, nesse momento, são os princípios. Estes podem ser considerados
como a base, o alicerce da legislação. São proposições elementares e
fundamentais, que acabam por servir de base para o direito. O princípio jurídico,
então, se forma por meio de um enunciado lógico concebido tanto de forma
explícita, quanto implícita, que vincula, de maneira inequívoca, o entendimento
e a aplicação de um ato normativo. Serve, no final, como uma regra básica para
a aplicação do direito e acaba, assim, por influenciar a doutrina, a jurisprudência
e os próprios atos normativos.
Assim como em outros ramos do direito, o direito ambiental também
possui alguns princípios básicos, que vão dar provimento à criação e
interpretação da legislação ambiental. A seguir, elencamos alguns dos princípios
do direito ambiental brasileiro:
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a. Princípio do direito humano fundamental: estabelece que o meio
ambiente pertence a toda a sociedade, quer dizer, não deve ser
considerado como uma propriedade privada. Aos Poderes Executivo e
Legislativo, assim como o Poder Judiciário, cabe a defesa, em nome de
toda a sociedade, do meio ambiente.
b. Princípio democrático: segundo esse princípio, todas as pessoas têm
direito à informação e também à participação quando políticas públicas
ambientais forem elaboradas. Isso pode ser colocado em prática por meio
de diferentes tipos de atos, como audiências públicas, ações populares,
ações civis públicas, entre outros.
c. Princípio da precaução: a ideia do princípio da precaução é que uma
modificação no meio ambiente somente poderá ser feita no caso de
sabermos que aquela não causará danos negativos sobre o meio
ambiente. Se pairar sobre ela alguma dúvida, essa ação não deve ser
realizada.
d. Princípio da prevenção: esse princípio tem uma ligação bem estreita
com o princípio da precaução. Mas, no caso da prevenção, devemos
saber quais são os efeitos das atividades humanas sobre o meio
ambiente. Esse princípio se materializa de diferentes formas, como pelo
licenciamento ambiental e pelo estudo de impactos ambientais (EIA).
Somente após determinarmos os principais impactos ambientais que uma
dada atividade pode provocar é que essa poderá ser colocada em prática,
desde que medidas para diminuir ou acabar com esses impactos sejam
tomadas.
e. Princípio da responsabilidade: nesse caso, o poluidor deve responder
por suas ações ou mesmo omissões que impactem o meio ambiente.
Esse princípio se materializa, no Brasil, por intermédio da Lei de Crimes
Ambientais (Brasil, 1998).
f. Princípios do usuário pagador e do poluidor pagador: ambos os
princípios têm uma ligação com o princípio da responsabilidade. Pelo
princípio do usuário pagador, aquele que se utiliza de algum recurso
natural deve pagar por esse uso. É o caso do pagamento pelo uso da
água. O princípio do poluidor pagador propaga a ideia de que aquele que
polui deve assumir os custos de reparação do meio ambiente prejudicado.
Isso pode ser feito mediante sanções penais ou administrativas. O
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conceito aí colocado é que o poluidor deve internalizar os custos
ambientais de sua atividade. É importante que o custo dessas sanções
seja maior que o custo da internalização dos custos ambientais. Nesse
caso, deve ser preferível ao poluidor tomar iniciativas que diminuam seu
impacto ambiental a pagar sanções penais ou administrativas por más
iniciativas.
g. Princípio do limite: por esse princípio, a Administração Pública deve
definir parâmetros máximos e/ou mínimos de poluição admitidos. Como
exemplo temos limites de poluição do solo, de poluição do ar, de ruídos,
entre outros. Esses parâmetros podem ser modificados ao longo do
tempo, se necessário.
h. Princípio do desenvolvimento sustentável: segundo esse princípio, o
desenvolvimento econômico da sociedade deve ser conduzido com uso
racional dos recursos naturais, isto é, deve ser compatível com a
preservação do meio ambiente.
TEMA 2 – POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (PNMA)
Em 31 de agosto de 1981, o Brasil promulgou a Lei n. 6.938/1981,
chamada de Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) (Brasil, 1981). Essa lei
tem como objetivo estabelecer conceitos básicos, princípios, objetivos,
instrumentos, penalidades e outros elementos visando à gestão e proteção dos
recursos naturais em nosso país. Podemos dizer que seria uma espécie de
Constituição Ambiental do Brasil. Ela dá as diretrizes ambientais que servirão
de base para a criação de novas leis, assim como direciona o comportamento
ambiental de nossa sociedade.
O art. 2º da PNMA diz que a lei “[...] tem por objetivo a preservação,
melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando
assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos
interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana [...]”
(Brasil, 1981). Para que isso se materialize, os seguintes princípios devem ser
respeitados:
I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico,
considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser
necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso
coletivo;
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;
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Ill - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;
IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas
representativas;
V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente
poluidoras;
VI – incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para
o uso racional e a proteção dos recursos ambientais;
VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental;
VIII - recuperação de áreas degradadas;
IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação;
X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a
educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação
ativa na defesa do meio ambiente. (Brasil, 1981)
Já no seu art. 6º, ela cria o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama),
que reúne os diferentes órgãos e outras entidades, tanto a nível federal (União),
quanto a nível estadual, quanto municipal, responsáveis pelas ações de proteção
do meio ambiente e melhoria da qualidade ambiental. Um dos pontos mais
importantes da PNMA é, sem dúvida, estabelecer os instrumentos a serem
utilizados pela política ambiental brasileira para diminuir os impactos ambientais
das atividades humanas:
Art. 9º - São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente:
I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental;
II - o zoneamento ambiental;
III - a avaliação de impactos ambientais;
IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente
poluidoras;
V - os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação
ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade
ambiental;
VI - a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo
Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de
proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas
extrativistas;
VII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente;
VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de
Defesa Ambiental;
IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não
cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da
degradação ambiental.
X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser
divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
Recursos Naturais Renováveis - IBAMA;
XI - a garantia da prestação de informações relativas ao Meio
Ambiente, obrigando-se o Poder Público a produzí-las, quando
inexistentes;
XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente
poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais.
XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão
ambiental, seguro ambiental e outros. (Brasil, 1981)
Sempre é bom lembrar que a PNMA contempla somente as linhas gerais
da política ambiental a ser implementada em nosso país. Os detalhes dessa
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política devem ser definidos por meio de atos normativos adicionais, por
exemplo, leis, portarias, resoluções etc.
TEMA 3 – LEI DE CRIMES AMBIENTAIS
Podemos definir crimes ambientais como ações ou atos que provocam ou
mesmo podem provocar danos ao meio ambiente. A Lei n. 9.605/1998,
promulgada em 12 de fevereiro de 1998, determinou sanções penais e
administrativas àquelas ações ou condutas que sejam consideradas lesivas ao
meio ambiente. Essa lei, chamada de Lei de Crimes Ambientais, tipifica os
crimes cometidos ao meio ambiente em crimes contra a fauna, a flora, crimes de
poluição, crimes contra o ordenamento urbano e contra o patrimônio cultural,
assim como crimes contra a administração ambiental (Brasil, 1998).
São considerados culpados não somente aqueles que descumprem as
condições estabelecidas na lei, mas também aqueles que, sabendo que há uma
conduta criminosa, não impedem que esta aconteça, quando poderiam fazê-lo.
Pessoas jurídicas podem ser responsabilizadas tanto no âmbito administrativo,
quanto civil e penal. Para a aplicação de penas, a Lei de Crimes Ambientais
considera três categorias: pena privada de liberdade, pena restritiva de direito e
multa levando em conta a gravidade do fato, os antecedentes do infrator e a sua
condição econômica. O juiz ainda pode considerar como atenuantes o baixo grau
de instrução do infrator, o seu arrependimento, a comunicação prévia, pelo
agente, do perigo iminente e a sua colaboração com os agentes encarregados
da vigilância e controle ambiental.
TEMA 4 – CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO
Até 2012, o Brasil possuía um Código Florestal datado de 1965, que era
considerado ultrapassado e que não absorvia o equilíbrio entre a produção
agropecuária e a proteção ambiental. Em 2012 foi promulgado o novo Código
Florestal Brasileiro (Lei n. 12.651/2012), com o objetivo de atualizar a legislação
anterior (Brasil, 1965, 2012). Com isso, várias mudanças foram introduzidas.
Algumas delas visavam a, principalmente, tornar mais claras a forma de
regularização, do ponto de vista ambiental, das propriedades rurais. Entre elas
podemos citar a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com o objetivo de
monitorar e controlar as áreas de preservação permanente (APP) e de reserva
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legal em propriedades rurais. Com o CAR, os proprietários rurais podem se
registrar dando detalhes sobre suas propriedades e seu compromisso com a
preservação do meio ambiente, evitando assim multas e sanções:
Art. 29. É criado o Cadastro Ambiental Rural - CAR, no âmbito do
Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente - SINIMA,
registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos
os imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações
ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de
dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e
econômico e combate ao desmatamento. (Brasil, 2012)
Uma outra mudança em relação à lei anterior diz respeito à flexibilização
do uso das APPs dentro das propriedades rurais. Com o novo Código Florestal,
há a possibilidade de utilização de partes dessas áreas, desde que medidas de
recuperação e conservação sejam adotadas. Em relação à reserva legal, o novo
Código Florestal permitiu que os estados determinassem percentagens mínimas
de reserva legal, conforme suas próprias condições e características. Também
foi criado o Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), contemplando
técnicas de condução, exploração, reposição florestal e manejo que sejam
compatíveis com os diferentes tipos de ecossistemas existentes no Brasil (Brasil,
2012).
O PFMS deve seguir os seguintes fundamentos técnicos e científicos:
I - caracterização dos meios físico e biológico;
II - determinação do estoque existente;
III - intensidade de exploração compatível com a capacidade de
suporte ambiental da floresta;
IV - ciclo de corte compatível com o tempo de restabelecimento do
volume de produto extraído da floresta;
V - promoção da regeneração natural da floresta;
VI - adoção de sistema silvicultural adequado;
VII - adoção de sistema de exploração adequado;
VIII - monitoramento do desenvolvimento da floresta remanescente;
IX - adoção de medidas mitigadoras dos impactos ambientais e sociais.
(Brasil, 2012)
Infelizmente, o novo Código Florestal ainda não solucionou todos os
problemas relacionados à exploração florestal no Brasil. Foi um passo muito
importante em relação à lei de 1965, mas carece de uma implementação
realmente efetiva e, principalmente, fiscalização constante (Brasil, 1965, 2012).
TEMA 5 – POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS (PNRH)
Criada pela Lei n. 9.433/1997, a Política Nacional de Recursos Hídricos
(PNRH) determina as diretrizes, princípios e instrumentos objetivando a gestão
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sustentável das águas em nosso país. Ela estabeleceu um marco regulatório
sobre a gestão dos recursos hídricos, elegendo a água como um recurso natural
finito e essencial para a vida e também para o desenvolvimento socioeconômico.
Em seu art. 1º, a PNRH define como princípios básicos que:
I - a água é um bem de domínio público;
II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III - em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos
é o consumo humano e a dessedentação de animais;
IV - a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso
múltiplo das águas;
V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da
Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional
de Gerenciamento de Recursos Hídricos;
VI - a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar
com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.
(Brasil, 1997)
Para a sua efetiva implementação, o art. 3º enumera as seguintes
diretrizes:
I - a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos
aspectos de quantidade e qualidade;
II - a adequação da gestão de recursos hídricos às diversidades físicas,
bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas
regiões do País;
III - a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão
ambiental;
IV - a articulação do planejamento de recursos hídricos com o dos
setores usuários e com os planejamentos regional, estadual e nacional;
V - a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo;
VI - a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos
sistemas estuarinos e zonas costeiras. (Brasil, 1997)
E, finalmente, a PNRH também estabelece os instrumentos práticos que
devem ser criados, por meio de outros atos normativos, para a efetiva
implementação e fiscalização dos seus princípios e diretrizes:
I - os Planos de Recursos Hídricos;
II - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos
preponderantes da água;
III - a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;
IV - a cobrança pelo uso de recursos hídricos;
V - a compensação a municípios;
VI - o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. (Brasil, 1997)
O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo o seu uso
preponderante, representou um avanço importante na proteção de nossos
mananciais. Esse enquadramento é regulamentado pelas Resoluções n.
357/2005 e n. 430/2011 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Brasil, 2005,
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2011). Em relação aos corpos de água doce, ele os classifica da seguinte
maneira:
I - classe especial: águas destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e,
c) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de
conservação de proteção integral.
II - classe 1: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento
simplificado;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático
e mergulho, conforme Resolução Conama n° 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que
se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem
remoção de película; e
e) à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas.
III - classe 2: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento
convencional;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático
e mergulho, conforme Resolução Conama n° 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins,
campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter
contato direto; e
e) à aquicultura e à atividade de pesca.
IV - classe 3: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento
convencional ou avançado;
b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
c) à pesca amadora;
d) à recreação de contato secundário; e
e) à dessedentação de animais.
V - classe 4: águas que podem ser destinadas:
a) à navegação; e
b) à harmonia paisagística. (Brasil, 2005)
NA PRÁTICA
Ao se deparar com um caso de perícia ambiental, um dos primeiros atos
que o perito deve fazer diante do juiz é levantar toda a legislação ambiental
referente ao caso. Para tanto, ele deve levar em conta a legislação federal, mas
também a legislação estadual e mesmo a municipal, quando houver. Há muitos
municípios brasileiros que complementam a legislação dos entes superiores
(estado e federação). Lembramos, nesse sentido, que, pelo princípio da
hierarquia das leis, a legislação de um ente inferior não pode contradizer a
legislação de um ente superior, porém pode ser mais restritiva.
Vamos dar um exemplo? Digamos que um município qualquer deseje
fazer uma Lei proibindo o plantio de espécies transgênicas. No Brasil, a liberação
de plantio de espécies transgênicas é feita pelo Conselho Nacional de
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Biossegurança (CNBS). Então, um município não pode proibir esse plantio, se o
CNBS já o permitiu; porém, ele pode restringir as condições de plantio, por
exemplo. O mesmo princípio vale para outros casos ligados à questão ambiental.
FINALIZANDO
Nesta etapa, vimos alguns dos princípios básicos do direito ambiental
brasileiro e também algumas das principais leis de cunho ambiental, em nosso
país: a PNMA, a Lei de Crimes Ambientais, o novo Código Florestal Brasileiro e
a PNRH (Brasil, 1981, 1997, 1998, 2012). É claro que existem outros atos
normativos importantes ligados ao meio ambiente, como a Resolução n.
420/2009 do Conama, sobre a qualidade do solo; e a Lei n. 12.305/2010, que
estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outros (Brasil, 2009,
2010). O bom perito ambiental deve estar sempre atualizado no domínio de toda
a legislação vigente no Brasil.
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n. 4.771, de 15 de setembro de 1965. Diário Oficial da União,
Brasília, 16 set. 1965. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 14 nov. 2023.
_____. Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Diário Oficial da União, Brasília,
2 set. 1981. Disponível em:
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_____. Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Diário Oficial da União, Brasília,
9 jan. 1997. Disponível em:
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Resolução n. 357, de 17 de março de 2005. Diário Oficial da União, Brasília,
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