UNIVERSIDADE FEDERAL DA INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA
Ciências Biológicas – Ecologia e Biodiversidade
História Natural Das Interações Parasito-Hospedeiro
Discente: Jaciely Vieira Santana
Schistosoma
Um dos principais causadores de esquistossomose é o
Schistosoma mansoni, um parasito da classe Trematoda,
família Schistosomatidae e gênero Schistosoma.
No ciclo da doença, estão envolvidos dois hospedeiros,
um intermediário e um definitivo. O hospedeiro
intermediário é o caramujo gastrópode aquático,
pertencente ao gênero Biomphalaria sp. O hospedeiro
definitivo é o homem. O ciclo de vida do Schistosoma
mansoni começa com a eliminação de ovos nas fezes de
uma pessoa infectada. Ao entrar em contato com a água, os
ovos liberam larvas chamadas miracídios, que penetram em
moluscos do gênero Biomphalaria. Dentro do molusco, os
miracídios se transformam em esporocistos, que se
multiplicam e produzem cercárias. Essas cercárias são liberadas na água e, ao entrarem em
contato com a pele humana, penetram ativamente, transformando-se em esquistossômulos.
Eles migram pelo corpo e se desenvolvem em vermes adultos no sistema porta em cerca de 28
a 30 dias. Os vermes adultos se acasalam e a fêmea coloca ovos nas veias intestinais,
eliminados nas fezes, reiniciando o ciclo.
A esquistossomose pode se desenvolver de forma crônica, apresentando diferentes
níveis de gravidade e sintomas relacionados ao estágio do parasita no hospedeiro, divididos em
fases inicial e tardia. Na fase aguda, que representa os primeiros momentos da infecção, os
sintomas variam de ausentes a visíveis, incluindo reações alérgicas e problemas de pele. Na
fase crônica, surgem complicações mais sérias que podem afetar vários órgãos, levando a
condições graves como hipertensão pulmonar, ascite e ruptura de varizes esofágicas. A forma
hepatoesplênica descompensada representa os casos mais graves, podendo resultar em
óbitos.
É uma doença tropical que afeta 54 países, com maior incidência na África e América do
Sul, especialmente na Venezuela e no Brasil. No Brasil, as regiões mais atingidas são o
Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, com cerca de 25 milhões de brasileiros vivendo em áreas de
risco. Embora a doença esteja presente em todo o país, as áreas endêmicas se concentram em
Alagoas, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais, enquanto a transmissão em estados como Pará,
Maranhão e Goiás é mais localizada. Isso destaca a complexidade da distribuição da doença e a
necessidade de vigilância contínua.
A transmissão depende de um ambiente favorável e indivíduos suscetíveis, com a falta
de saneamento básico sendo um fator crucial. A ausência de rede de esgoto leva à deposição
de fezes no solo, facilitando o ciclo do Schistosoma mansoni, enquanto coleções hídricas
contaminadas com moluscos do gênero Biomphalaria são essenciais para o desenvolvimento
das cercárias. Condições ambientais, como altas temperaturas e boa luminosidade, favorecem
a sobrevivência do parasita. A falta de educação sanitária e um estado nutricional inadequado
aumentam o risco de infecções graves. Assim, é fundamental educar a população sobre a
transmissão e riscos da doença, melhorar o saneamento básico, controlar os moluscos vetores,
evitar contato com água contaminada e promover campanhas de tratamento. O diagnóstico
precoce é essencial para o tratamento eficaz e prevenção de complicações graves.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SOUZA, Felipe Pereira Carlos et al. Esquistossomose mansônica: aspectos gerais,
imunologia, patogênese e história natural . UFV, UNIFESO. Teresópolis, RJ.
Secretaria de Vigilância em Saúde/MS. Esquistossomose mansônica. Guia de
vigilância epidemiológica, caderno 10.
VIANNA, Mariana Hauck; BAPTISTA, Mariana Manso; GARCIA, Patricia Guedes. Texto &
atlas de parasitologia. Juiz de Fora: Suprema, 2020.
Esparganose
A esparganose é uma infecção parasitária zoonótica
causada por larvas do gênero Spirometra, da família
Diphyllobothriidae. Embora existam mais de 60 espécies,
apenas quatro são válidas: S. erinaceieuropaei, S.
mansonoides, S. pretoriensis e S. theileri.
A maioria dos relatos sobre tênias do gênero
Spirometra está relacionada à infecção por sparganum.
Esse parasita requer dois hospedeiros intermediários e
vários hospedeiros paratênicos em seu ciclo de vida. O
ciclope é o primeiro, seguido por cobras, sapos, peixes e
aves como segundos hospedeiros, enquanto gatos e
cães são os definitivos, onde o sparganum se desenvolve
em adultos e libera ovos nas fezes. Esses ovos podem
eclodir em coracídios, que, ao serem consumidos pelo
ciclope, se transformam em larvas procercoides, e posteriormente em sparganum quando
ingeridos por sapos ou peixes. Humanos e outros intermediários podem ser infectados, mas o
sparganum não se torna adulto neles, migrando para tecidos como músculos, fígado, pulmões
e cérebro, causando sérios danos, como paralisia, cegueira e até a morte. O ciclo recomeça
quando um gato ou cachorro ingere um espargano.
A migração do sparganum causa sintomas variados, dependendo de sua localização no
corpo, que pode incluir tecido subcutâneo, glândulas mamárias, órbita ocular, trato urinário,
cavidade pleural, pulmões, órgãos abdominais e sistema nervoso central. Em geral, a migração
nos tecidos subcutâneos é indolor, mas se atingir o cérebro ou a coluna, pode resultar em
sintomas neurológicos, como fraqueza, dores de cabeça, convulsões e alterações sensoriais. A
infecção do ouvido interno pode levar à vertigem ou surdez. Raramente, o Sparganum
proliferum causa lesões proliferativas com múltiplos plerocercoides em uma única área.
A esparganose é uma doença de distribuição global, com maior incidência na China,
Japão, Coreia do Sul, Tailândia e outras nações do Sudeste Asiático. Embora ocorram casos
esporádicos na América do Sul, Europa e África, a maioria das infecções humanas é registrada
no Sudeste Asiático. O gênero Spirometra também é encontrado mundialmente, sendo
endêmico em animais na América do Norte, mas os casos humanos nesta região são
incomuns.
Os fatores de risco para a infecção por espargana incluem a ingestão de sapos crus,
carne de cobra, pássaros e porcos mal cozidos, especialmente em regiões da China onde
superstições favorecem esses hábitos. Além disso, nadar em águas contaminadas pode resultar
em infecção ocular.
O Spirometra é um patógeno humano negligenciado devido à sua ocorrência
relativamente rara em humanos e aos ciclos de vida complexos. Para a profilaxia, é essencial
promover medidas preventivas, como evitar o consumo de alimentos suspeitos e monitorar a
qualidade da água. A vigilância e a eliminação de hábitos prejudiciais são fundamentais para
reduzir o risco de contaminação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DPDx. Esparganose. Biologia de Parasitas. Disponível em:
https://www-cdc-gov.translate.goog/dpdx/sparganosis/index.html?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=
pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc
WEI LIU, Tengfang Gong et al. Epidemiologia, Diagnóstico e Prevenção da
Esparganose na Ásia. Animals MDPI. 18 de junho de 2022. Disponível em:
https://pmc-ncbi-nlm-nih-gov.translate.goog/articles/PMC9219546/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl
=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc
Ascaridíase
Ascaridíase é a doença causada pelo verme
Ascaris lumbricoides, mais conhecido como
lombriga.
O ciclo de vida do Ascaris lumbricoides
começa no intestino delgado de um hospedeiro
humano, onde um macho e uma fêmea se
acasalam, e a fêmea produz até 200.000 ovos
diariamente, eliminados nas fezes. Esses ovos vão
para o solo, onde, em condições ideais de umidade
e temperatura, se desenvolvem em larvas
infectantes (L3) em 15 a 18 dias, podendo sobreviver
por até um ano. Quando ingeridas por humanos
através de alimentos ou água contaminados, as
larvas eclodem no intestino delgado, migram para
o ceco, fígado, coração e pulmões, onde se tornam larvas L4. Após alguns dias, se transformam
em L5 e, ao serem expelidas ou deglutidas, retornam ao intestino delgado, onde se tornam
adultas em cerca de 60 dias, reiniciando o ciclo ao produzir novos ovos.
A infecção causa sintomas como febre, dores abdominais, diarreia e náuseas, cuja
gravidade depende da carga parasitária. A desnutrição é uma complicação significativa,
especialmente em crianças, pois o parasita consome nutrientes essenciais, afetando o
crescimento e o sistema imunológico. A obstrução intestinal pode ocorrer em casos graves,
exigindo cirurgia. Além disso, a migração das larvas pode causar danos ao fígado, resultando
em fibrose hepática, e aos pulmões, levando a quadros pneumônicos.
A ascaridíase, provocada pelo Ascaris lumbricoides, afeta cerca de 30% da população
mundial, sendo a helmintíase mais comum, com alta prevalência em muitas regiões, exceto
em países de clima frio. Estima-se que 732 milhões de pessoas estavam infectadas em todo o
mundo em 2021. As taxas mais altas de prevalência são encontradas na Melanésia (Oceania),
Sudeste Asiático, América Central e África Central, enquanto as mais baixas ocorrem na Ásia
Oriental e Ocidental e na África do Norte.
Fatores como climas quentes e úmidos, acesso limitado a saneamento e higiene
adequados, e o uso de fezes humanas como fertilizante contribuem para a propagação da
doença. Crianças, especialmente aquelas entre 2 e 10 anos, estão em maior risco devido à sua
tendência de brincar em solo contaminado.
Para prevenir a ascaridíase, é importante melhorar o acesso a saneamento básico e água
limpa, o que ajuda a evitar a contaminação do solo e da água. Também é essencial promover
hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência, para evitar a ingestão de ovos do
parasita. Campanhas de educação em saúde podem informar as pessoas sobre a doença e
como ela se espalha. Programas de desparasitação, especialmente para crianças, podem
ajudar a reduzir as infecções. Além disso, é importante não comer alimentos crus ou mal
cozidos que podem estar contaminados e ter sistemas para monitorar surtos da doença.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VIANNA, Mariana Hauck; BAPTISTA, Mariana Manso; GARCIA, Patricia Guedes. Texto &
atlas de parasitologia. Juiz de Fora: Suprema, 2020.
NEREU, Jonatha França. Revisão Bibliográfica: |Ascaris lumbricoides e a ascaridíase.
Universidade Estadual Paulista. Araraquara, 2023.
ALEVATO, Júlia Pacheco; FERREIRA, João Paulo de Souza. Ascaris lumbricoides:
Ascaridíase. Faculdades Metropolitanas Unidas.
Angiostrongilos contonensis
A angiostrongilíase é uma infecção provocada por larvas de vermes do gênero
Angiostrongylus. Os sintomas clínicos e o método de diagnóstico variam conforme a espécie
envolvida. A espécie A. cantonensis está associada à meningite eosinofílica.
O ciclo de vida do Angiostrongylus começa com vermes adultos de A. cantonensis que
vivem nas artérias pulmonares de ratos, onde as fêmeas produzem ovos que se transformam
em larvas de primeiro estágio. Essas larvas migram para a faringe dos ratos, são engolidas e
eliminadas nas fezes. Elas podem ser ingeridas ou penetrar em hospedeiros intermediários,
como caracóis e lesmas, onde se desenvolvem para o terceiro estágio. Quando um rato come o
hospedeiro intermediário infectado, as larvas de terceiro estágio migram para o cérebro,
tornando-se adultos jovens, que retornam ao sistema venoso e amadurecem nas artérias
pulmonares. Os seres humanos podem contrair a infecção ao consumir caracóis ou lesmas
crus ou mal cozidos, produtos que contenham partes desses animais ou outros hospedeiros,
como caranguejos e sapos.
Ciclo evolutivo do Angiostrongylus cantonensis (adaptado). Fonte: Boletim Eletrônico
Epidemiológico. Secretaria de Vigilância em Saúde. Meningite eosinofílica. ANO 08, NO
18 - 01/12/2008.
A meningite eosinofílica causada por A. cantonensis manifesta-se com sintomas
neurológicos, como dor de cabeça intensa, visão dupla, formigamento e rigidez na nuca, além
de febre baixa, cansaço e sintomas gastrointestinais. Em casos mais graves, podem ocorrer
cegueira, paralisia ou até morte. Por outro lado, a enterite eosinofílica provocada por A.
costaricensis se apresenta com dor abdominal, náuseas, vômitos e/ou diarreia, podendo às
vezes levar à peritonite ou à formação de uma massa abdominal palpável, com febre e outros
sintomas sistêmicos, e, em situações severas, pode resultar em perfuração intestinal.
A infecção é mais comum no Sudeste Asiático e na Bacia do Pacífico, embora também
tenha sido relatada em outras regiões, como o Caribe, Havaí e partes do sul dos Estados
Unidos. A infecção, chamada angiostrongilíase abdominal, está presente nas Américas,
principalmente na América Latina e no Caribe.
Os seres humanos podem contrair Angiostrongylus ao consumir caramujos, lesmas ou
hospedeiros, como caranguejos e rãs crus ou mal cozidos. As larvas de A. cantonensis migram
para as meninges, causando meningite eosinofílica, enquanto A. costaricensis pode resultar
em dor abdominal e febre. O tratamento para a infecção por A. cantonensis inclui analgésicos
e corticoides, mas o uso de anti-helmínticos para A. costaricensis pode ser ineficaz e até
agravar os sintomas. Para prevenir essas infecções, é recomendado evitar o consumo de
alimentos potencialmente contaminados em áreas afetadas, incluindo vegetais e sucos que
possam estar sujos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VIANNA, Mariana Hauck; BAPTISTA, Mariana Manso; GARCIA, Patricia Guedes. Texto &
atlas de parasitologia. Juiz de Fora: Suprema, 2020.
MARIE, Chelsea et al. Angiostrongilíase. University of Virginia, 2025. Disponível:
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/nematoides-v
ermes-cil%C3%ADndricos/angiostrongil%C3%ADase?autoredirectid=33743