Marcos Paulo Ferreira Pimentel
Física Experimental IV:
Refração da Luz
Resende – RJ
2024
Sumário
Introdução...................................................................................................................................4
Teoria...........................................................................................................................................5
Descrição do experimento...........................................................................................................6
Materiais utilizados................................................................................................................7
Dados experimentais...................................................................................................................7
Resultados...................................................................................................................................9
Gráfico 1- Gerado da tabela 8, Vout x Vin.........................................................................11
Gráfico 2- Vout x Vin da tabela 10....................................................................................13
Gráfico 3- Vout x Vint para Ns<Np.....................................................................................16
Conclusão..................................................................................................................................17
2
Resumo
A refração é um fenômeno óptico amplamente utilizado no cotidiano. Ela ocorre
quando a luz passa de um meio para outro, o que altera sua velocidade e, frequentemente, sua
direção.
O experimento foi realizado com o objetivo de estudar esse fenômeno. Para isso,
utilizamos três métodos diferentes para determinar o índice de refração de um material. Os
equipamentos incluíram uma meia-lua de acrílico e um bloco de vidro.
O primeiro método se baseou na Lei de Snell, enquanto o segundo utilizou o
fenômeno do ângulo crítico. Ambos os métodos foram realizados com a meia-lua de acrílico.
O terceiro método, que envolveu a medição das distâncias entre os feixes refletidos, foi feito
com o bloco de vidro.
Os resultados foram os seguintes: Primeiro método (Lei de Snell): índice de refração
de 1,33, com um desvio de 10,74%. Segundo método (ângulo crítico): índice de refração de
1,48, com um desvio de 0,67%. Terceiro método (distâncias entre feixes): índice de refração
de 1,32, com um desvio de 13,15%.
Constatou-se que o primeiro e o terceiro métodos não foram realizados com a precisão
necessária. A coleta de dados apresentou falhas, impactando diretamente os resultados. Além
disso, a falta de compreensão do terceiro método também contribuiu para o aumento do
desvio.
Em relação ao segundo método, o experimento e a coleta de dados foram bem
executadas e o resultado obtido apresentou grande próximidade ao valor conhecido.
3
•
Introdução
A refração é um fenômeno óptico que ocorre quando a luz muda de meio de
propagação, fazendo com que o raio de luz altere sua velocidade e, muitas vezes, sua direção.
Esse fenômeno pode ser facilmente observado no cotidiano; um exemplo comum é quando se
observa um objeto parcialmente submerso na água, que parece deslocado devido à mudança
de direção da luz ao passar pela água.
Figura 1 - Fenômeno da refração no coitidiano.
Este fenômeno é muito utilizado na industria em controle de qualidade, medições de
líquidos e outras aplicações.
Este relatório tem como objetivo estudar esse fenômeno e utilizar diferentes métodos
para obter o índice de refração do meio.
Teoria
A refração ocorre quando a luz passa de um meio para outro com densidades
diferentes, alterando sua velocidade e, muitas vezes, sua direção. Esse fenômeno ocorre
devido às propriedades ópticas de cada meio, que são expressas pelo índice de refração n.
Figura 2- Representação da reflexão e refração da luz.
4
A luz sofre uma mudança na sua velocidade, podendo também sofrer uma mudança
em sua direção, de acordo com a Lei de Snell-Descartes, que relaciona os ângulos de
incidência θ i e de refração θ r com os respectivos índices de refração.
n1 sen θ i =n2 sen θ r (i)
Neste fenômeno ainda existe uma ocasião específica onde a luz refratada sai em
paralelo à face do objeto e, nesse caso, o ângulo de incidência que produz um ângulo de
refração de 90° (noventa graus) é denominado ângulo crítico.
Admitindo que o feixe de luz saia do meio com o índice de refração maior para o meio
com o índice de refração menor (n2 > n1), nesse caso adotaremos o ar com n1 = 1. Da lei de
Snell temos:
n1 sen ( π )=n2 sen (θ c )
2
Logo, temos:
1
n2 = (ii)
sen(θ c )
Contudo, ainda é possível obter o índice de refração através da distância entre os
feixes refletidos e a espessura da placa utilizada.
Figura 3 – Representação do comportamento do feixe
Utilizando a seguinte relação para obter o índice de refração do meio:
t sen (2θ i )
D= (iii)
n √ 1−sen2 (θ )/n2
i
5
•
Onde D é a distância entre os raios refletidos, t é a espessura da placa, n é o índice de
refração do meio e θi é o ângulo que o raio de incidência faz com a normal.
Descrição do experimento
O experimento foi realizado em três arranjos distintos. Em cada configuração,
verificou-se o alinhamento do laser com os objetos. Observou-se que a mesa giratória
apresentava instabilidade, o que exigiu o uso de um calço para minimizar o deslocamento
vertical do feixe.
No primeiro arranjo, utilizou-se um objeto em formato de meia-lua, com o laser
incidindo sobre sua face plana. Foram realizadas nove medições, nas quais o objeto era
rotacionado a cada medida com o auxílio da mesa giratória. O ângulo de cada rotação foi
registrado, e o anteparo também era rotacionado para marcar o desvio provocado pela
refração.
Figura 4 – Imagem ilustrativa 1° experimento
n2
θr
n1
α
θi
No primeiro arranjo, a trajetória do laser foi representada por duas linhas: a linha
vermelha, indicando o trajeto do laser sem desvio, a linha azul, correspondendo ao laser após
sofrer refração. A linha verde, representa a normal da face plana. O ângulo medido foi α; para
calcular o ângulo refratado θr, aplicou-se a relação:
θr = θi – α (iv)
No segundo arranjo, utilizou-se o mesmo objeto, porém o laser incidiu sobre a face
curva, e o objeto foi rotacionado até atingir o ângulo crítico, onde o feixe de laser não era
mais visível no anteparo. Como o laser incidia sobre a face curva, ele seguia sua trajetória
6
original, pois incidia sobre a normal, que, nesse caso, corresponde à direção radial da face
curva.
Figura 5 – Representação do segundo experimento
n2
θc
Nesse arranjo, a linha vermelha representava o feixe de laser, e a linha verde, a normal
da face plana. Ao atingir a angulação crítica, θc, o feixe sofria reflexão total, alinhando-se de
forma paralela à face plana do objeto. Para garantir maior precisão, foram realizadas três
medições do ângulo crítico θc.
No terceiro arranjo, utilizou-se um bloco de vidro. O laser incidia sobre o bloco,
gerando duas marcações no anteparo. As distâncias entre essas marcações foram medidas e
utilizadas para determinar o índice de refração do material.
Figura 6 – Representação do terceiro arranjo
n2
θr n1
θi
7
•
A linha vermelha representa o laser antes da refração, a azul, após a refração e as
linhas verdes e roxas são, respectivamente, a normal em relação a primeira superficie e a
segunda, em relação a segunda superficíe. Foram retiradas 5 medidas rotacionando a base e
anotando a distância medida no anteparo. Além disso, foi utilizado um paquímetro para medir
a espessura da placa.
Materiais utilizados
- Fonte Laser
- Trilho
- Mes Giratória
- Bloco de Acrílico em formato de meia-lua
- Bloco de Vidro
- Anteparo
- Paquímetro
Dados experimentais
Aqui estão os dados obtidos experimentalmente.
Primeiramente estão os dados obtidos na primeira etapa do experimento, a etapa onde
a luz incidia sobre a face plana do objeto de acrílico.
Tabela 1 – Dados coletados diretamente do experimento
θi ±0 ,5 α ±0 ,5
0 0
10 3,5
20 6,5
30 12
40 15
50 19
60 21,5
70 27
80 31
8
Com esses dados em mão, foi possível aplicar a relação (iv) e com isso, montar uma
nova tabela:
Tabela 2 – Obtida através da aplicação da relação (iv) na tabela 1
θi ±0 ,5 ° θr ±0 ,5 °
0 0
10 6,5
20 13,5
30 18
40 25
50 31
60 38,5
70 43
80 49
Em relação ao segundo arranjo, os seguintes dados foram coletados:
Tabela 3 – Dados referentes ao ângulo crítico
Medida θc ±0 ,5 °
1 40,0
2 44,0
3 43,0
Média(θ¯c ) 42,3
Desvio Padrão 2,1
Erro estatístico 2,1
9
•
O último arranjo tem os dados coletados expostos na seguinte tabela:
Tabela 4 – Dados referentes a distância entre os feixes e o ângulo
θi ±0 ,5 ° D ±0 ,5 (mm)
12 6,5
16 7,5
20 9,5
24 11,0
28 12,5
É importante destacar que a espessura do bloco de vidro foi medida e apresentou um
valor de 18,1 ±0,005 mm.
Resultados
Tendo posse dos dados expostos na Tabela 2, foi aplicado a função seno sobre os
dados e obtivemos a seguinte tabela:
Tabela 5 – Seno dos ângulos da Tabela 2
Sen θi ±|cos θ i|∗σ θ Sen θr ±|cos θ r|∗σ θ
0,0000 ±0,0087 0,0000 ±0,0087
0,1700 ±0,0086 0,1100 ±0,0087
0,3420 ±0,0082 0,2334 ±0,0085
0,5000 ±0,0076 0,3090 ±0,0083
0,6428 ±0,0067 0,4226 ±0,0079
0,7660 ±0,0056 0,5150 ±0,0075
0,8660 ±0,0044 0,6225 ±0,0068
0,9397 ±0,0030 0,6820 ±0,0064
0,9848 ±0,0015 0,7547 ±0,0057
Com esses novos dados em mãos foi possível aplicar MMQ e obter a equação da reta
que melhor descreve o comportamento dos pontos.
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Tabela 6 – MMQ dos dados
Com isso, a criação do gráfico foi possível.
Gráfico 1 – sen θi x sen θr
sen θi x sen θr
1,2
1
f(x) = 1,3301 x + 0,0397
0,8 R² = 0,9885
sen θi
0,6
0,4
0,2
0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8
sen θr
Podemos propagar o erro no coeficiente angular utilizando a seguinte fórmula:
σ α=
σ y
√∑ (x − x̄ )
i
2
σ y=
√ ∑ y i−α x i− β
n−2
11
•
Aplicando essa fórmula, temos o seguinte: 1 ,33±0 ,05
Os resultados referentes ao segundo arranjo se da aplicando a relação (ii) na média da
tabela 3.
1
n= n±csc(θ c )cot (θ c ) σ θ
sen(θ c ) c
Onde σθ é dado por:
σ θ = √ σ 2est + σ 2inst
É importante ressaltar que para essas operações é necessário da converção dos dados
para radianos.
n±σ n =1,48±0 ,06
É possível obter um gráfico D x θi com os dados do terceiro experimento:
Gráfico 2 - D x θi
D x θi
14
12
10
8
D mm
0
10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30
θi °
O gráfico não apresenta uma relação linear muito clara, para linearizar vamos utilizar a
seguinte aproximação da equação (iii) considerando que n >> sen θi:
1
1≈
√
2
sen θ i
1− 2
n
Com isso, a equação fica:
t
D≈ sen 2θ i
n
12
Agora, construindo um gráfico de D x sen 2θi devemos obter uma relação mais linear.
O erro na medida do sen 2θi pode ser expresso por:
σ x =2cos 2θ i∗σ θ i
Gráfico 3 – D x sen 2θi
D x sen 2θi
14
12
f(x) = 13,674 x + 0,681
10 R² = 0,987
8
D mm
0
0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
sen 2θi
O gráfico apresentou uma relação mais linear, aplicando MMQ foi possível obter uma
equação que melhor descreve o problema.
O coeficiente angular deve ser igual a:
t
α=
n
Logo:
t
n= α
Fazendo essa operação encontramos, aproximadamente, n = 1,32.
Conclusão
O experimento foi realizado com o objetivo de determinar os índices de refração dos
materiais utilizados, aplicando diferentes abordagens. Para isso, foram montados três arranjos
distintos. Nos dois primeiros arranjos, utilizou-se um objeto de acrílico em formato de meia-
lua, enquanto o último arranjo empregou um bloco de vidro.
13
•
É importante destacar que a mesa giratória utilizada apresentou uma certa
instabilidade, o que pode ter influenciado os resultados obtidos.
No primeiro arranjo, aplicou-se a Lei de Snell para determinar o índice de refração do
acrílico. O gráfico construído exibiu o comportamento esperado, em conformidade com a Lei
de Snell. A equação da reta ajustada no gráfico deveria fornecer o índice de refração do
acrílico; o valor esperado era de 1,49, mas o valor obtido na equação foi de 1 ,33±0 ,05.
O desvio do resultado é dado por:
|nref −nexp|
δ (% )= x 100
nref
Logo:
δ (% )=10 ,74
O desvio obtido foi relativamente alto, possivelmente devido à falta de precisão nas
leituras. Durante o experimento, houve uma grande dificuldade em alinhar o sistema, o que
demandou bastante tempo e esforço. Além disso, observou-se que, ao mover a mesa giratória,
o bloco de acrílico também se deslocava acidentalmente, o que pode ter causado um
desalinhamento adicional.
O segundo experimento foi feito utilizando o ângulo crítico, que é o nome dado ao
ângulo onde o feixe sofre reflexão total.
1
n2 =
sen(θ c )
Tirou-se a média de 3 medidas, era esperado um valor de 1,49 e foi obtido um valor de
1,48 ±0 ,06 .
Utilizando a mesma fórmula para comparar, o desvio obtido é:
δ (% )=0 ,67
O valor é muito bom, indicando que o experimento ocorreu da maneira correta e os
dados foram bem coletados
Já o terceiro experimento foi feito buscando a relação entre as distância do feixe, a
espessura da placa e o ângulo de incidência.
t sen (2θ i )
D=
n √ 1−sen2 (θ )/n2
i
Utilizando uma aproximação de:
14
1 t
1≈ , D≈ sen 2θ i
√
2
sen θ i n
1− 2
n
O material do objeto era vidro, logo era esperado um valor de 1,52 e foi obtido um
valor de 1,32.
O desvio obtido é:
δ (% )=13 ,15
O valor é elevado, e o método requer a coleta de três dados distintos, o que aumenta a
probabilidade de erros. Uma leitura incorreta dessas medições pode comprometer
significativamente o índice obtido. Além disso, para alcançar a relação é necessário fazer
algumas suposições como a conservação de alguns ângulos e que a distância D seja
perpendicular aos dois feixes. E vale salientar que também houve a dificuldade em alinhar os
sistema.
Método n
Lei de Snell 1,33
Ângulo Crítico 1,48
Reflexões Sucessivas 1,32
A conclusão após os resultados é que é necessário uma maior cautela na tomada de
dados e a montagem do experimento.
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Referências
Freedman, R. A., Young, H. D., & Ford, A. L. (2018). Física Universitária: com Física
Moderna (Vol. 4). São Paulo: Pearson Education do Brasil.
Sociedade Brasileira de Física. Traçado de Retas, Algarismos Significativos e Propagação de
Erros. Disponível em: https://noic.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Arquivo-SBF-sobre-
Retas-e-Erro.pdf
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