DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS
REGÊNCIA DO CURSO DE CONTABILIDADE E GESTÃO
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO ÁREA ADMINISTRATIVA E
FINANCEIRA
JUELMA MARTINS SANTANA
Moçâmedes, 2025
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS
REGÊNCIA DO CURSO CONTABILIDADE E GESTÃO
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR NA ÁREA ADMINISTRATIVA E
FINANCEIRA
JUELMA MARTINS SANTANA
Nome da Empresa: Empresa Pública de Água e Saneamento do Namibe (EPASN-EP)
Supervisor: Carolina Mendes
Período de Estágio: 16/01/2025 à 16/06/2025
Jornada de Trabalho: 40 horas semanais
Total: horas: 960
Moçâmedes/ Namibe 2025
UNIVERSIDADE DO NAMIBE
Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades
Departamento de Ciências Económicas
Relatório de Estágio Supervisionado elaborado para a
obtenção do grau de Licenciado em Curso de
Contabilidade e Gestão, no Departamento de Ciências
Económicas, sob a orientação Científica do docente
Domingos Carrelógio, Lic.
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR NA ÁREA ADMINISTRATIVA E
FINANCEIRA
Apresentado por
JUELMA MARTINS SANTANA
Nº de Estudante:
N.º de Registo do pré-projecto:
Orientado por
_________________________
Domingos Carrelógio, Lic.
Moçâmedes, 2025
AGRADECIMENTO
RESUMO
O presente relatório descreve as actividades desenvolvidas durante o estágio curricular
realizado na Empresa Pública de Água e Saneamento do Namibe (EPASN-EP), no período de
16 de Janeiro a 16 de Junho de 2025, na área Administrativa e Financeira. O estágio teve como
objectivo aplicar os conhecimentos teóricos adquiridos ao longo da formação em Contabilidade
e Gestão, através da participação activa em tarefas práticas como reconciliação bancária,
organização documental, inventariação patrimonial, validação de mapas de recebimentos,
preenchimento de modelos para o Tribunal de Contas e emissão de notas de pagamento. A
metodologia utilizada incluiu a observação directa, a análise documental e a participação activa,
com abordagem qualitativa e estudo de caso. Os principais resultados incluem o reforço das
competências técnico-profissionais e a contribuição efectiva para os processos internos da
empresa. O estágio permitiu ainda identificar pontos fortes da organização, como o empenho
dos colaboradores e o uso do sistema Primavera, bem como fragilidades, como a dependência
de processos manuais. Conclui-se que o estágio atingiu plenamente os seus objectivos
pedagógicos, técnicos e profissionais, promovendo uma experiência prática valiosa e um
contributo relevante para a melhoria contínua da instituição.
Palavras-chave: Estágio curricular, reconciliação bancária, gestão documental, administração
financeira, EPASN-EP.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Organograma da empresa ........................................................................................... 4
Figura 2: Parte frontal da empresa ............................................................................................ 24
Figura 3: Posto de trabalho ....................................................................................................... 24
ÍNDICE
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 1
2.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DA EMPRESA ............................................................. 3
2.2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO/REVISÃO DE LITERATURA ............................... 5
2.2.1. O Estágio Curricular no Contexto da Formação Académica ................................... 5
2.2.2 Área Administrativa e Financeira .............................................................................. 6
2.3 METODOLOGIA, DESCRIÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES
DESENVOLVIDAS E DOS RESULTADOS OBTIDOS ..................................................... 8
2.3.1. Reconciliação Bancária .......................................................................................... 11
2.3.2 Organização dos Documentos Contabilísticos ........................................................ 13
2.3.3. Inventariação Patrimonial ....................................................................................... 15
2.3.4. Validação dos Mapas de Recebimentos ................................................................. 16
2.3.5. Preenchimento de Modelos para o Tribunal de Contas .......................................... 17
2.3.6. Preenchimento da Nota de Pagamento (NP) .......................................................... 17
CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 20
SUGESTÕES ........................................................................................................................... 21
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 22
APÊNDICE .............................................................................................................................. 23
ANEXOS .................................................................................................................................. 25
INTRODUÇÃO
A realização do estágio curricular constitui uma etapa fundamental na consolidação da
formação académica, ao proporcionar ao estudante a oportunidade de aplicar na prática os
conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do curso. No âmbito da Licenciatura em
Contabilidade e Gestão, esta experiência revela-se particularmente importante, na medida em
que permite o contacto directo com procedimentos técnicos, administrativos e financeiros
próprios da realidade organizacional. Como afirma Chiavenato (2005), “o estágio é uma ponte
entre o mundo académico e o mundo organizacional, funcionando como um processo de
transição e aprendizagem contínua” (p. 44).
O estágio foi realizado na área Administrativa e Financeira, sendo esta uma das secções vitais
de qualquer instituição pública ou privada. Esta área é responsável pelo controlo financeiro,
pela organização documental, pela reconciliação bancária, pela gestão patrimonial e pela
prestação de contas. De acordo com Gitman (2004), a administração financeira tem como
principal objectivo planear, angariar e utilizar os recursos financeiros de forma eficiente,
assegurando que a organização mantenha a sua estabilidade económica e maximize o seu valor
a longo prazo.
A entidade acolhedora foi a Empresa Pública de Água e Saneamento do Namibe (EPASN), uma
instituição de interesse público com responsabilidades na captação, tratamento, distribuição e
comercialização de água potável na província do Namibe. Dotada de autonomia administrativa,
financeira e patrimonial, a EPASN-EP assume um papel estratégico no fornecimento de um
serviço essencial à população.
O objectivo geral deste estágio é de Desenvolver competências técnico-profissionais na área de
Contabilidade e Gestão, por meio da aplicação prática dos conhecimentos adquiridos durante a
formação, através da participação em actividades administrativas e financeiras na Empresa
Pública de Água e Saneamento do Namibe.
De forma específica, pretendeu-se:
• Compreender os procedimentos de reconciliação bancária utilizados pela EPASN-EP;
• Identificar e participar nos processos de organização e arquivo documental da área
contabilística;
• Apoiar no processo de inventariação patrimonial da empresa;
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• Auxiliar na validação dos mapas de recebimentos e no preenchimento de documentos
exigidos pelo Tribunal de Contas;
• Conhecer o processo de emissão de notas de pagamento aos fornecedores.
A importância do estágio no contexto local reside no facto de ter decorrido numa instituição
pública essencial à garantia do acesso à água potável e ao saneamento básico. A EPASN-EP
desempenha um papel estratégico na província do Namibe, pelo que a qualidade dos seus
processos internos influencia directamente a eficiência do serviço prestado à população. Assim,
as actividades desenvolvidas durante o estágio não só contribuíram para a formação
profissional, como também procuraram acrescentar valor à organização.
A metodologia utilizada baseou-se na observação directa, na participação activa e na análise
documental. Estas técnicas permitiram acompanhar o funcionamento da área administrativa e
financeira, colaborar nas actividades diárias da organização e aplicar os conhecimentos
adquiridos em contexto académico.
Este relatório está estruturado em três partes principais: a primeira abrange os elementos pré-
textuais, a segunda parte abrange os elementos textuais como a introdução e a apresentação da
empresa; as actividades desenvolvidas durante o estágio, conclusões e sugestões; e a terceira
apresenta os elementos pós-textuais
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2.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DA EMPRESA
A Empresa Pública de Água e Saneamento do Namibe (EPASN-EP) é uma instituição de
natureza pública, dotada de personalidade jurídica e de autonomia administrativa, financeira,
patrimonial e de gestão, cuja actividade principal consiste na captação, tratamento, adução,
distribuição e comercialização de água potável, bem como na prestação de serviços
relacionados com o saneamento básico na província do Namibe, República de Angola.
A EPASN-EP foi formalmente constituída ao abrigo do Decreto Executivo Conjunto n.º 477/15,
de 19 de Dezembro de 2016, sendo posteriormente organizada sob orientação do Governo
Provincial do Namibe, por força do Decreto Presidencial n.º 251/16, de 17 de Agosto, trata-se
de uma empresa pública, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, Cujo o
objectivo é de satisfazer as suas necessidades básicas e melhorar a qualidade de vida.
A EPASN-EP actua em todos os municípios que integram a província do Namibe,
nomeadamente Moçâmedes, Bibala, Tombwa, Camucuio e Virei, sendo a única entidade
gestora responsável por garantir o fornecimento regular de água potável às populações urbanas
e periurbanas da região, bem como por implementar e manter infra-estruturas de saneamento.
A estrutura de governação da empresa compreende o Conselho de Administração e o Conselho
Fiscal. O Conselho de Administração é composto por três membros: o Presidente, o
Administrador para a Área Administrativa e Financeira, e o Administrador para a Área Técnica.
Actualmente, o Conselho é presidido pelo Eng.º Nilton Ucuanjongo, tendo como membros a
Dr.ª Floridy Cassinda e o Eng.º Edmir Fragão, respectivamente.
O Conselho Fiscal da EPASN-EP adopta o modelo de Fiscal Único, que tem como função
principal auxiliar no controlo e na orientação das boas práticas de gestão da coisa pública,
assegurando o cumprimento dos princípios da legalidade, transparência e responsabilidade.
Este órgão é constituído por um único membro, designadamente o Presidente do Conselho
Fiscal, cargo actualmente ocupado pelo Dr.º Lote Chongolola.
Tendo a seguinte missão, valores e visão:
• Missão
Captar, tratar, aduzir, distribuir e comercializar água potável para as populações da Província
do Namibe de modo a satisfazer a necessidade dos seus clientes.
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• Visão
Procurar dentro daquilo que é a missão de elevar a taxa de cobertura em termos de
abastecimento de água nível da Província do Namibe.
• Valores
➢ Honestidade;
➢ Honrar,
➢ Comprometimento;
➢ Qualidade de serviços;
➢ Inovação;
➢ Ética;
➢ Foco no cliente;
➢ Eficiência e rentabilidade.
A empresa despões do seguinte organograma:
Figura 1: Organograma da empresa
Fonte: Empresa Pública de Água e Saneamento do Namibe (EPASN-EP)
A EPASN-EP desempenha um papel fundamental no contexto local, contribuindo
significativamente para a melhoria das condições de vida das comunidades e para a promoção
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da saúde pública. Ao mesmo tempo, a sua actuação está alinhada com os objectivos nacionais
de desenvolvimento sustentável, especialmente no que concerne ao acesso equitativo à água
potável e ao saneamento básico.
2.2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO/REVISÃO DE LITERATURA
2.2.1. O Estágio Curricular no Contexto da Formação Académica
O estágio curricular constitui uma etapa fundamental na formação superior, permitindo a
aplicação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula no contexto real de trabalho. Segundo
Pimenta e Lima (2012), o estágio supervisionado “representa um espaço de formação que
proporciona ao estudante o contacto directo com a prática profissional, promovendo a
articulação entre teoria e prática” (p. 17).
De acordo com Libâneo (2013), o estágio é uma oportunidade de integração entre a academia
e o mundo do trabalho, onde o estudante se depara com situações concretas que desafiam sua
capacidade de análise, decisão e actuação. Este confronto com a realidade contribui para o
amadurecimento profissional e pessoal.
Oliveira (2010) destaca que o estágio tem por finalidade desenvolver habilidades técnicas e
sociais, essenciais para a inserção no mercado de trabalho, tais como a comunicação, o trabalho
em equipa, a responsabilidade e a resolução de problemas. É um momento em que o estudante
passa a compreender a complexidade do ambiente organizacional.
Na perspectiva de Tardif (2002), o conhecimento profissional é constituído na prática, sendo o
estágio o espaço privilegiado para essa construção. Ao envolver-se nas rotinas e processos da
instituição, o estudante começa a internalizar normas, procedimentos e valores próprios da
profissão.
Para Vieira (2009), o estágio contribui não apenas para o desenvolvimento técnico, mas também
para a formação ética e humana do estudante. A convivência com diferentes actores
institucionais permite a formação de uma consciência profissional voltada para a
responsabilidade social.
Lück (2000) refere que a realização do estágio favorece o conhecimento dos processos
administrativos, a dinâmica dos fluxos de trabalho e a estrutura das organizações. Ao
compreender essas dimensões, o estudante desenvolve competências adaptadas às exigências
do mercado de trabalho actual.
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Chiavenato (2004) afirma que o estágio constitui uma ponte entre a teoria e a prática, sendo
determinante para a formação de profissionais capazes de actuar estrategicamente nas
organizações. O contacto com a realidade organizacional estimula o desenvolvimento de uma
visão sistémica e crítica sobre a sua área de formação.
2.2.2 Área Administrativa e financeira
O departamento administrativo e financeiro é responsável pela coordenação dos recursos
materiais, humanos e financeiros de uma organização, assegurando a sustentabilidade das
operações. De acordo com Gitman (2004), “a função financeira consiste em planear, angariar e
aplicar recursos de forma eficiente, visando maximizar o valor da empresa e assegurar a sua
estabilidade económica” (p. 5).
Essa área está directamente ligada ao processo de tomada de decisão, pois fornece informações
cruciais sobre o desempenho da organização. Segundo Assaf Neto (2003), o gestor financeiro
deve dispor de dados precisos para definir estratégias de investimento, controlo de custos e
planeamento orçamental, sendo esta uma das funções-chave para o sucesso institucional.
No âmbito do sector público, a actuação do departamento administrativo e financeiro assume
especial relevância, uma vez que está sujeita à legalidade, transparência e responsabilidade na
gestão dos recursos públicos. Conforme estabelece a Lei de Bases do Orçamento Geral do
Estado (Lei n.º 15/10, art. 4.º), toda execução financeira deve observar os princípios da
eficiência, eficácia e economicidade.
Segundo Marion (2009), “a contabilidade pública deve fornecer aos gestores informação que
permita controlar o cumprimento do orçamento, a execução das receitas e despesas, bem como
a situação patrimonial das entidades” (p. 56). Neste sentido, o departamento administrativo e
financeiro é o elo que assegura o cumprimento das obrigações legais e a correcta aplicação dos
recursos.
Além da gestão financeira, este departamento é também responsável pela organização e
controlo da documentação contabilística, como comprovativos, mapas de pagamento, notas de
liquidação e reconciliações bancárias. De acordo com Ribeiro (2010, p. 78), uma adequada
gestão documental é fundamental para garantir a transparência e facilitar auditorias internas e
externas.
A reconciliação bancária, tarefa frequentemente atribuída ao sector financeiro, visa conferir os
lançamentos contabilísticos com os extractos bancários, a fim de verificar a conformidade dos
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registos. Segundo Sá (2008, p. 113), esta prática é essencial para a fiabilidade das
demonstrações financeiras e para o controlo de receitas e despesas.
Outro aspecto central deste departamento é a inventariação do património, que permite
conhecer e controlar os bens da organização. De acordo com Franco (2006), o inventário
patrimonial tem como objectivo assegurar a integridade dos activos, evitar perdas e
proporcionar informação útil à contabilidade e à gestão.
A articulação entre os sectores administrativo, financeiro e de recursos humanos é determinante
para a fluidez dos processos internos. Segundo Oliveira (2005, p. 62), “a eficiência
organizacional depende do alinhamento entre as diversas áreas operacionais, e o departamento
administrativo e financeiro tem um papel estratégico na coordenação e supervisão dessas
interacções” (p. 62).
Uma das actividades centrais do estágio foi a reconciliação bancária, prática essencial ao
controlo financeiro de qualquer entidade. De acordo com Sá (2008), a reconciliação bancária é
o processo de verificação das diferenças entre os saldos apresentados pelos registos internos da
contabilidade e os extractos emitidos pelas instituições financeiras, sendo imprescindível para
a fiabilidade da informação contabilística e para a detecção de erros, omissões ou fraudes. Esta
actividade revela-se ainda mais relevante no sector público, onde a transparência e o rigor nos
fluxos financeiros são imperativos legais e éticos.
A organização e classificação documental também desempenham um papel crucial no
funcionamento de qualquer entidade. De acordo com Ribeiro (2010), a gestão documental visa
assegurar a conservação, a acessibilidade e a integridade dos documentos, garantindo a
rastreabilidade das operações e a legalidade das práticas administrativas. A organização dos
arquivos contabilísticos segundo os diários de vendas, compras, caixa e bancos permite uma
consulta eficiente e uma base sólida para auditorias internas e externas.
A inventariação patrimonial constitui igualmente uma prática obrigatória para a gestão dos
activos fixos. Segundo Franco (2006), o inventário físico e financeiro dos bens do imobilizado
permite assegurar o controlo, a conservação e a valorização do património público. Este
procedimento deve obedecer a normas padronizadas que assegurem a precisão dos registos e
evitem a depreciação ou a perda de activos, sendo também uma exigência da contabilidade
pública angolana.
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Outro aspecto relevante refere-se à validação dos mapas de recebimentos e ao preenchimento
dos modelos de organismos autónomos exigidos pelo Tribunal de Contas. Conforme estabelece
a Lei Orgânica do Tribunal de Contas de Angola (Lei n.º 13/10), as entidades públicas estão
obrigadas a remeter a documentação relativa à execução financeira, com vista à fiscalização da
legalidade, eficiência e eficácia na utilização dos recursos públicos. Esta actividade insere-se
na lógica da prestação de contas e da responsabilização financeira das instituições estatais.
O preenchimento da Nota de Pagamento (NP) nas facturas de fornecedores revela-se como uma
ferramenta de registo e controlo da despesa pública. Segundo Oliveira (2005), a NP representa
o reconhecimento formal da obrigação de pagamento por parte da entidade adquirente,
funcionando como instrumento de controlo orçamental e suporte à transparência na execução
da despesa.
Todas estas actividades enquadram-se nas disciplinas de Contabilidade Geral, Contabilidade
Pública, Auditoria e Gestão Financeira, demonstrando a transversalidade dos conhecimentos
adquiridos durante o curso de Contabilidade e Gestão. O estágio permitiu, assim, o
desenvolvimento de competências técnicas relevantes e a aplicação prática de normativos legais
e procedimentos administrativos em contexto real de uma empresa pública
Dessa forma, as actividades realizadas no decorrer do estágio permitiram aplicar conhecimentos
técnico-contabilísticos essenciais ao funcionamento das instituições públicas. Como destaca
Martins (2010), “a prática profissional deve estar sustentada por uma sólida base teórica, sendo
o domínio das normas legais, dos princípios contabilísticos e dos procedimentos
administrativos indispensável para garantir a legalidade e a eficiência das operações realizadas
no sector público” (p. 31)
2.3 METODOLOGIA, DESCRIÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
E DOS RESULTADOS OBTIDOS
A metodologia constitui o alicerce da sistematização do conhecimento, representando o
conjunto de processos, técnicas e estratégias utilizados para alcançar os objectivos de uma
investigação.
Segundo Gil (2008), a metodologia organiza os caminhos que o investigador ou o profissional
em formação percorre para compreender, descrever ou intervir na realidade estudada. No
contexto deste estágio curricular, a metodologia assumiu um papel central na orientação das
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actividades e na construção do relatório, permitindo identificar os procedimentos adoptados e
justificar as escolhas feitas de forma científica.
Quanto aos objectivos, este estudo enquadra-se numa pesquisa exploratória e descritiva.
De acordo com Vergara (2011), a pesquisa exploratória é apropriada quando se pretende
proporcionar uma visão geral de um fenómeno, especialmente quando há pouco conhecimento
prévio sobre o contexto. Esta característica é aplicável ao estágio, uma vez que o primeiro
contacto com a estrutura e funcionamento da EPASN-EP exigiu a compreensão inicial dos seus
processos internos.
A natureza descritiva refere-se à necessidade de registar, detalhar e organizar as actividades
realizadas. Gil (2008) afirma que a pesquisa descritiva visa observar, registar, analisar e
correlacionar factos ou fenómenos sem os manipulares. Neste relatório, pretende-se descrever
de forma clara e objectiva as práticas contabilísticas, administrativas e operacionais vivenciadas
ao longo do estágio, sem interferir directamente no funcionamento da instituição.
Quanto aos procedimentos técnicos, a metodologia adoptada enquadra-se na pesquisa do
tipo estudo de caso.
De acordo com Yin (2005), o estudo de caso é uma estratégia de investigação que examina um
fenómeno dentro do seu contexto real, especialmente quando os limites entre o fenómeno e o
contexto não são claramente definidos. Esta abordagem é especialmente adequada a situações
em que se pretende obter um conhecimento aprofundado de uma organização ou de um conjunto
de actividades em contexto específico, como é o caso do estágio na EPASN-EP.
O estudo de caso aqui desenvolvido permitiu compreender de forma pormenorizada os métodos
e práticas utilizados na contabilidade pública de uma empresa estatal, oferecendo uma
perspectiva realista sobre os seus processos internos, fluxos de informação e desafios
operacionais.
Quanto à abordagem, utilizou-se a abordagem qualitativa. Segundo Creswell (2010), a
abordagem qualitativa é apropriada quando o objectivo da investigação é compreender
fenómenos sociais e organizacionais a partir da perspectiva dos participantes, analisando
significados, experiências e relações. O estágio proporcionou uma vivência directa com a
realidade da empresa, o que exigiu uma análise interpretativa das práticas administrativas e
financeiras observadas.
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Esta abordagem permitiu envolver-se activamente nas actividades, desenvolvendo uma
compreensão profunda dos processos e estruturas da organização. Além disso, possibilitou a
reflexão crítica sobre os métodos de trabalho, promovendo uma análise contextualizada e
significativa dos dados obtidos.
Quanto aos instrumentos de recolha de dados, recorreu-se à observação directa, à análise
documental e à participação activa.
A observação directa, segundo Marconi e Lakatos (2017), “é uma técnica que permite ao
observador acompanhar os factos tal como ocorrem no seu ambiente natural, sem interferências
externas” (p. 89). Esta técnica foi fundamental durante o estágio, uma vez que permitiu
acompanhar em tempo real as rotinas diárias da empresa e observar actividades como
reconciliações bancárias, organização de documentos, inventariação patrimonial e validação de
dados.
A análise documental consistiu na consulta a diversos materiais internos da empresa, tais como
extractos bancários, recibos, facturas, mapas de recebimentos, inventários e modelos
institucionais. De acordo com Cellard (2008), os documentos são fontes valiosas de informação,
pois permitem reconstruir acontecimentos, verificar dados e compreender decisões
administrativas.
A participação activa nas actividades da organização configurou-se como uma ferramenta
metodológica adicional e relevante. Esta técnica, conforme Gil (2008), consiste na integração
do investigador no ambiente observado, contribuindo efectivamente para a realização de
tarefas, com o objectivo de vivenciar a realidade institucional de forma imersiva.
No âmbito do estágio, esta participação permitiu aplicar directamente os conhecimentos
adquiridos durante a formação académica e obter uma compreensão prática dos procedimentos
administrativos e financeiros. Tal envolvimento possibilitou ainda uma reflexão crítica sobre
as tarefas desenvolvidas, fomentando uma aprendizagem mais significativa e contextualizada.
As actividades realizadas foram diversas e envolveram tarefas relacionadas com a reconciliação
bancária, organização de documentos, inventariação patrimonial, validação de mapas de
recebimentos, preenchimento de modelos exigidos pelo Tribunal de Contas e emissão de notas
de pagamento. A seguir, descrevem-se cada uma dessas actividades, com análise crítica dos
procedimentos adoptados, dos contributos para a formação profissional e das dificuldades
encontradas no contexto de trabalho.
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2.3.1. Reconciliação Bancária
A reconciliação bancária é uma actividade fundamental no controlo interno financeiro de
qualquer organização, pública ou privada. Este processo consiste na comparação dos registos
contabilísticos da empresa com os movimentos bancários constantes nos extractos emitidos
pelas instituições financeiras. Segundo Sá (2008), o objectivo é identificar e justificar eventuais
divergências entre os saldos, assegurando que a contabilidade reflicta fielmente a realidade
financeira da entidade. Durante o estágio na EPASN-EP, a reconciliação bancária revelou-se
uma das tarefas mais exigentes e enriquecedoras, permitindo aplicar na prática os
conhecimentos adquiridos na unidade curricular de Contabilidade Financeira.
➢ Vantagens da reconciliação bancária
A reconciliação bancária apresenta inúmeras vantagens operacionais e estratégicas para a
gestão financeira. Em primeiro lugar, possibilita o controlo eficaz dos recursos financeiros,
assegurando que a contabilidade interna está em conformidade com os registos bancários. Esta
concordância permite que a empresa tenha um retracto fidedigno da sua situação financeira, o
que facilita a tomada de decisões estratégicas e reduz o risco de erros ou fraudes (Franco, 2006).
Outra vantagem significativa é a actualização constante dos lançamentos contabilísticos.
Durante o estágio, foi possível verificar que este procedimento é essencial, especialmente em
processos de auditoria, pois permite confirmar que os registos estão correctos, coerentes e
devidamente justificados. Conforme sublinha Oliveira (2005), a reconciliação garante a
integridade dos dados apresentados nos balanços e demonstrações financeiras.
Por fim, destaca-se a vantagem relacionada com o controlo de pagamentos e cobranças. Através
da análise dos extractos bancários, a empresa pode verificar se os pagamentos de salários,
fornecedores e outros compromissos foram efectivamente realizados. Além disso, permite
identificar facturas pendentes, quer do lado do cliente, quer do lado do fornecedor, o que
contribui para uma melhor gestão de contas a pagar e a receber.
➢ Formas de efectuar a reconciliação bancária
Existem duas formas principais de executar a reconciliação bancária: manual e automática. A
reconciliação manual, como o próprio nome indica, envolve o confronto directo entre os
movimentos bancários e os lançamentos contabilísticos, linha por linha, normalmente
utilizando ferramentas como o Excel. Já a reconciliação automática é realizada por sistemas
informáticos que cruzam os dados e assinalam automaticamente as divergências a corrigir.
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Durante o estágio, observou-se que a EPASN-EP adopta o método manual. Este processo é
realizado com base nos extractos bancários e nos registos contabilísticos emitidos mensalmente.
Houve um acompanhamento e participação directa no processo de verificação manual de cada
transacção, comparando os documentos físicos e digitais da empresa com os extractos emitidos
pelo banco.
Apesar de ser funcional, a reconciliação manual apresenta algumas limitações. É um processo
moroso, exige muita atenção e está sujeito a erros humanos. No entanto, também permite maior
familiaridade com os documentos e garante um controlo minucioso dos movimentos
financeiros, sendo adequado à realidade da empresa.
➢ Etapas do processo de reconciliação bancária
Para efectuar correctamente a reconciliação bancária, é necessário seguir um conjunto de etapas
lógicas e bem estruturadas. Abaixo descrevem-se os passos observados e praticados durante o
estágio na EPASN-EP:
1. Identificação das contas bancárias da empresa e recolha dos respectivos extractos
referentes ao mês em análise.
2. Registo contabilístico das transacções financeiras, como pagamentos, recebimentos,
transferências e depósitos, utilizando o software de contabilidade.
3. Definição da conta a reconciliar e extracção dos extractos bancário correspondente.
4. Utilização dos seguintes documentos: extractos bancários do mês, registos
contabilísticos das transacções financeiras, mapa de recebimentos e reconciliação do
mês anterior.
5. Comparação entre os extractos bancário e contabilístico, procurando estabelecer a
correspondência exacta entre os movimentos de ambas as fontes.
6. Análise e correcção de divergências encontradas, procedendo aos ajustes necessários
nos lançamentos.
7. Conclusão da reconciliação, confirmando que o saldo final da contabilidade coincide
com o saldo final do extracto bancário.
Estas etapas, segundo Gil (2008), garantem a integridade do processo e devem ser realizadas
com regularidade para assegurar o rigor na prestação de contas.
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➢ Divergências encontradas na reconciliação bancária
Durante a execução da actividade, foram identificadas diversas inconsistências entre os
registos bancários e os contabilísticos, que exigiram análise e ajustamento. As principais
divergências encontradas foram:
• Duplicação de recibos, registando duas vezes o mesmo pagamento;
• Erro na forma de pagamento, como transferências indevidamente classificadas como
depósitos em numerário;
• Valores cobrados a mais ou a menos, tanto por parte de clientes como de fornecedores;
• Diferenças nas datas das transferências, com reflexo no período contabilístico
incorrecto.
Estas situações exigiram atenção rigorosa e, em alguns casos, contacto com os sectores de
tesouraria e fornecedores para confirmação de dados. Conforme Chiavenato (2004), os
domínios técnicos aliados à responsabilidade ética são essenciais na actuação do profissional
de contabilidade, especialmente em contextos onde a prestação de contas é imperativa.
2.3.2 Organização dos Documentos Contabilísticos
A organização documental é uma prática fundamental para o funcionamento eficiente de
qualquer entidade, em especial no contexto da contabilidade pública. Segundo Ribeiro (2010),
a gestão de documentos assegura a conservação, acessibilidade e integridade da informação,
garantindo a rastreabilidade das operações e o cumprimento das obrigações legais. Durante o
estágio na EPASN-EP, houve a participação activa na organização dos documentos
contabilísticos, respeitando os critérios estabelecidos pela instituição.
➢ Vantagens da organização documental
Entre as principais vantagens desta actividade, destaca-se a melhoria do controlo interno, uma
vez que os documentos correctamente organizados facilitam a verificação e auditoria dos
lançamentos contabilísticos. Além disso, contribui para a eficiência operacional, ao permitir o
acesso rápido à informação relevante. Conforme Oliveira (2005), a adequada gestão
documental reduz riscos de perda de dados e aumenta a fiabilidade das demonstrações
financeiras.
A organização também permite cumprir com as normas legais e regulatórias, garantindo que os
documentos estejam acessíveis para fins de prestação de contas ou inspecções por entidades
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como o Tribunal de Contas. Esta actividade reforça a transparência e a responsabilidade
institucional, valores fundamentais na gestão pública.
➢ Formas de organização dos documentos
Na EPASN-EP, os documentos são organizados segundo os diários contabilísticos: vendas,
compras, bancos e caixa. As facturas emitidas pela empresa são arquivadas no diário de vendas;
as facturas recebidas dos fornecedores vão para o diário de compras; os comprovativos de
operações bancárias são colocados no diário de bancos; e os movimentos em numerário são
registados no diário de caixa. Para documentos que não se enquadram nestes grupos, são criados
diários específicos.
O critério utilizado para arquivamento é a cronologia inversa, ou seja, o documento mais antigo
fica em baixo e o mais recente em cima. Este método facilita a localização da informação e
mantém a sequência lógica dos registos. Foi também utilizado um sistema de cores e etiquetas
para distinguir os tipos de documentos, o que facilita ainda mais a consulta e controlo.
➢ Etapas do processo de organização
A organização segue três etapas principais: organização, classificação e lançamento. Na
primeira fase, os documentos são separados conforme a sua natureza. Em seguida, realiza-se a
classificação, que consiste na preparação das informações contabilísticas e fiscais, conforme os
princípios legalmente aceites. Por fim, os dados são lançados no sistema de gestão
PRIMAVERA,
Os documentos organizados foram também utilizados como base para reconciliações bancárias
e inventários, demonstrando a importância da articulação entre os sectores. Durante o estágio,
houve a oportunidade de manusear diferentes tipos de documentos e compreender a sua
utilidade dentro dos processos administrativos e financeiros.
Durante a execução da actividade, foram identificadas algumas dificuldades, tais como
documentos não assinados, falta de numeração sequencial e ausência de digitalização em alguns
arquivos antigos. Estas falhas comprometem a integridade do processo e exigem acções
correctivas imediatas.
A actividade permitiu o desenvolvimento de competências como rigor, disciplina, atenção ao
detalhe e organização, além de contribuir para a compreensão do impacto directo da gestão
documental na eficiência dos processos contabilísticos e administrativos.
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2.3.3. Inventariação Patrimonial
A inventariação patrimonial é uma actividade essencial para o controlo e valorização dos
activos de uma organização. Segundo Franco (2006), o inventário consiste na identificação,
localização, avaliação e registo de todos os bens patrimoniais, sendo indispensável para a
contabilidade e para a gestão estratégica.
➢ Vantagens do inventário patrimonial
O inventário permite confirmar a existência física dos bens, avaliar o seu estado de conservação
e actualizar os registos patrimoniais. Também fornece dados fundamentais para auditorias e
tomada de decisões sobre aquisição, manutenção ou abate de activos. De acordo com Oliveira
(2005), a correcta gestão patrimonial evita perdas, desperdícios e fraudes, além de facilitar a
elaboração do balanço patrimonial.
No caso da EPASN-EP, o inventário revelou-se importante para identificar bens obsoletos ou
em mau estado, reforçando a necessidade de abate ou substituição. A actividade também
proporcionou maior conhecimento sobre a estrutura física da empresa e seus recursos materiais.
➢ Tipos e métodos de inventário
Foram identificados dois tipos de inventário: o inventário permanente, que é actualizado em
tempo real a cada transacção; e o inventário periódico, realizado em intervalos de tempo
definidos. A EPASN-EP adopta o inventário periódico, especialmente no fecho do exercício
económico.
O método utilizado foi o físico-manual, com contagem directa dos bens. Antes do início da
contagem, procedeu-se à organização do espaço e agrupamento dos itens por categorias, o que
facilitou o processo. Todos os itens foram verificados individualmente e registados em fichas
próprias, contendo a descrição, o estado e a localização dos bens.
➢ Etapas do processo de inventário
A primeira etapa consistiu na elaboração da listagem de bens, seguida da preparação dos
espaços a inventariar. Em seguida, procedeu-se à contagem física e verificação dos itens com
os registos existentes. As informações recolhidas foram cruzadas com a base de dados
patrimonial da empresa e registadas em mapas de controlo.
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Foram utilizados formulários manuais e, posteriormente, lançados dados no sistema digital.
Houve a participação total em todas as fases, acompanhada por um técnico responsável, o que
permitiu adquirir experiência prática relevante.
2.3.4. Validação dos Mapas de Recebimentos
A validação dos mapas de recebimentos é uma actividade que permite verificar a
correspondência entre os valores facturados pela entidade e os montantes efectivamente
cobrados ou recebidos. Esta tarefa assume um papel estratégico no controlo da receita e na
conformidade dos registos contabilísticos.
➢ Vantagens da validação dos mapas de recebimentos
A validação sistemática dos mapas de recebimentos oferece inúmeras vantagens. Em primeiro
lugar, contribui para a fiabilidade da informação financeira ao garantir que os valores lançados
no sistema correspondem às receitas efectivamente arrecadadas. Segundo Franco (2006), a
qualidade da informação contabilística depende da exactidão das fontes primárias, sendo o
controlo da receita um elemento essencial para a tomada de decisão.
Adicionalmente, esta actividade permite identificar falhas nos lançamentos, erros de digitação
ou omissões que poderiam comprometer o resultado financeiro do período. Também auxilia na
detecção de situações de inadimplência ou cobranças indevidas, promovendo a
responsabilização e a transparência institucional.
➢ Forma de execução e instrumentos utilizados
O processo de validação é realizado por meio do confronto entre os dados do sistema interno
de facturação e os mapas de recebimentos enviados pelas autoridades competentes. Na EPASN-
EP, esses dados são inicialmente tratados em formato digital, em planilhas de Excel, e
posteriormente inseridos no sistema Primavera.
Foram utilizados diversos documentos, incluindo os mapas de facturação, comprovativos de
pagamento, recibos e registos de cobrança. Foi possível acompanhar a conferência desses
dados, verificando valores, datas e identificação do cliente. Em casos de discrepância, era
necessária a reemissão do recibo ou a rectificação do lançamento.
➢ Etapas do processo de validação
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As etapas da validação incluem: levantamento das facturas emitidas no período; obtenção dos
mapas de recebimentos; verificação da correspondência entre os documentos; registo das
discrepâncias encontradas; e, finalmente, a correcção dos dados ou comunicação ao sector
responsável.
Este procedimento é repetido periodicamente, permitindo manter actualizados os registos e
assegurar a conformidade com os princípios da contabilidade pública.
2.3.5. Preenchimento de Modelos para o Tribunal de Contas
A prestação de contas é um dever das entidades públicas, previsto na legislação angolana. Neste
âmbito, o preenchimento dos modelos exigidos pelo Tribunal de Contas foi uma actividade de
elevada responsabilidade acompanhada durante o estágio. Esta tarefa visa assegurar que todas
as movimentações financeiras da instituição sejam reportadas em conformidade com o artigo
73.º da Lei n.º 13/10.
➢ Importância e vantagens da prestação de contas
A entrega regular de informação financeira ao Tribunal de Contas reforça os princípios da
legalidade, eficiência e transparência. Segundo Chiavenato (2004), a responsabilização é um
dos pilares da gestão pública, e deve ser suportada por documentos consistentes e bem
elaborados.
O preenchimento do modelo do tribunal de contas é feito da seguinte maneira: Primeiro é usado
a planilha do Excel aprovada pelo tribunal de contas, onde contém o campo de informação do
saldo inicial de cada banco de Janeiro a Dezembro. Tendo também outro campo para preencher
o saldo final de cada banco.
Esta actividade visa reportar as informações financeiras ao tribunal de contas assegurando o
princípio da legalidade eficiente e transparência
2.3.6. Preenchimento da Nota de Pagamento (NP)
A Nota de Pagamento (NP) é um documento oficial que comprova a realização de um
pagamento servindo como prova para ambas as partes envolvidas na transacção financeira. Ela
documenta o pagamento de um valor específico a um credor, seja por serviços prestados,
produtos adquiridos ou qualquer outro tipo de obrigação financeira.
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➢ Função e importância da Nota de Pagamento
A NP tem valor legal e serve como evidência da execução da despesa, sendo necessária para a
instrução dos processos de pagamento e para efeitos de auditoria. Segundo Oliveira (2005), este
documento garante o cumprimento dos princípios da legalidade, eficiência e controlo
orçamental.
Além disso, permite assegurar a rastreabilidade da despesa e proteger a instituição contra
pagamentos indevidos ou duplicados. O correcto preenchimento da NP demonstra a
responsabilidade da entidade no uso dos recursos públicos.
➢ Estrutura da NP e procedimentos
A NP contém dados como número da factura, data de vencimento, valor total, descrição do bem
ou serviço, rubrica orçamental e identificação da entidade pagadora. Na EPASN-EP, o
preenchimento é realizado manualmente em formulário próprio, com posterior digitalização
para arquivo.
Esta actividade exigiu atenção aos detalhes, domínio das rubricas orçamentais e conhecimento
das normas de despesa pública.
2.4.7. Pontos Fortes e Fracos da Empresa
Durante o período de estágio na Empresa Pública de Água e Saneamento do Namibe (EPASN-
EP), foi possível observar de forma crítica diversos aspectos organizacionais que reflectem
tanto os pontos fortes quanto os pontos fracos da instituição. A análise foi baseada na
participação activa nas actividades desenvolvidas e na observação directa dos processos e
estruturas internas.
Pontos Fortes
Um dos principais pontos fortes identificados na EPASN-EP é a dedicação e o empenho dos
seus colaboradores, que, apesar de algumas limitações materiais, demonstram forte
compromisso com o cumprimento das suas funções. Essa postura contribui significativamente
para o funcionamento das actividades administrativas e técnicas da empresa, sobretudo no
contexto da prestação de um serviço essencial como o abastecimento de água potável.
Outro aspecto positivo é a existência de procedimentos formais definidos, nomeadamente no
âmbito da reconciliação bancária, organização documental e prestação de contas. Tais
procedimentos indicam que a empresa segue um modelo de controlo interno com bases
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estruturadas, conforme recomendado pelas normas de contabilidade pública (Franco, 2006).
Essa organização permite maior fiabilidade nos registos e facilita o trabalho de auditoria.
A utilização de sistemas informáticos como o PRIMAVERA também constitui um ponto
forte, pois permite o registo electrónico de operações, aumentando a eficiência e a
rastreabilidade das actividades financeiras. A capacidade de comunicação
interdepartamental observada em actividades como validação de recebimentos e
preenchimento de modelos para o Tribunal de Contas é outro factor positivo que denota
integração e cooperação entre sectores.
Pontos Fracos
Apesar dos pontos fortes, também foram identificadas algumas fragilidades que comprometem
a eficiência de determinados processos. Uma das principais limitações prende-se com a
dependência excessiva de procedimentos manuais, nomeadamente nas reconciliações
bancárias e organização documental. Esta prática aumenta o tempo de execução das tarefas,
aumenta a probabilidade de erros humanos e dificulta o controlo sistemático dos registos.
A ausência de digitalização completa dos arquivos representa outro ponto fraco, dificultando
o acesso rápido à informação e expondo a empresa ao risco de perda de documentos físicos.
Essa situação compromete a fluidez de actividades como auditorias internas e resposta a
exigências de entidades fiscalizadoras.
Verificou-se ainda fragilidade nas condições físicas de armazenamento de materiais e
equipamentos, especialmente no estaleiro, onde não há vedação nem sinalização adequada.
Este aspecto compromete a segurança do património e revela a necessidade de melhorias na
gestão de activos.
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CONCLUSÃO
A realização do estágio curricular na Empresa Pública de Água e Saneamento do Namibe
(EPASN-EP) constituiu uma experiência enriquecedora e determinante para o desenvolvimento
de competências profissionais e pessoais. Ao longo do estágio, foram abordadas áreas-chave da
contabilidade pública, permitindo a articulação dos conhecimentos teóricos adquiridos no curso
com as práticas quotidianas de uma organização real.
Desde a introdução até às actividades práticas descritas, foi possível verificar o papel
fundamental da contabilidade na estrutura organizacional da empresa. Actividades como a
reconciliação bancária, organização documental, inventariação patrimonial, validação de mapas
de recebimentos, e o preenchimento de modelos para o Tribunal de Contas e de notas de
pagamento revelaram-se fundamentais para o funcionamento eficaz da empresa. Cada uma
destas actividades exigiu rigor, atenção ao detalhe, domínio técnico e respeito pelos princípios
legais e éticos.
A metodologia aplicada ao estágio foi cuidadosamente escolhida com base nos objectivos
exploratórios e descritivos do trabalho, recorrendo à abordagem qualitativa e aos instrumentos
de recolha como a observação directa, análise documental e participação activa. Esta
metodologia revelou-se adequada para o contexto institucional da EPASN-EP, permitindo a
compreensão crítica da realidade organizacional.
A análise das actividades desenvolvidas demonstrou que, apesar de algumas limitações, a
EPASN-EP possui uma base estrutural sólida e recursos humanos comprometidos com o
serviço público. No entanto, também se verificaram fragilidades importantes, como a
dependência de processos manuais, falhas na gestão documental e insuficiências na protecção
do património.
Em termos de crescimento pessoal, o estágio contribuiu para o fortalecimento de competências
como autonomia, responsabilidade, organização, comunicação profissional e pensamento
analítico. Estas competências serão cruciais na futura inserção no mercado de trabalho e na
evolução enquanto profissional de contabilidade e gestão.
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SUGESTÕES
Com base nas observações realizadas e nas experiências vividas durante o estágio, apresentam-
se as seguintes sugestões com o objectivo de contribuir para a melhoria contínua dos processos
da EPASN-EP:
1. Automatização dos processos de reconciliação bancária, através de softwares
especializados, para reduzir o tempo despendido e minimizar os erros humanos.
2. Digitalização progressiva dos arquivos físicos, criando uma base de dados
centralizada que permita acesso rápido e seguro aos documentos.
3. Melhoria das condições do estaleiro, com a vedação do espaço, organização interna e
implementação de normas de segurança para protecção dos bens patrimoniais.
Estas sugestões, se implementadas, poderão contribuir significativamente para o aumento da
eficiência operacional, da transparência institucional e da qualidade dos serviços prestados pela
empresa.
Assim, conclui-se que o estágio atingiu plenamente os seus objectivos pedagógicos, técnicos e
profissionais, consolidando a formação académica e permitiu uma imersão prática num
ambiente organizacional real e desafiante.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Cellard, A. (2008). Análise documental. Pearson.
Chiavenato, I. (2004). Gestão de pessoas. Elsevier.
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Creswell, J. W. (2010). Projeto de pesquisa: Métodos qualitativo, quantitativo e misto.
Bookman.
Franco, H. (2006). Contabilidade geral. Atlas.
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Lück, H. (2000). Gestão educacional. Pearson.
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Vieira, S. L. (2009). Gestão escolar. Campos.
Yin, R. K. (2005). Estudo de caso: Planejamento e métodos. Bookman
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APÊNDICE
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APÊNDICE I
FOTOS DA EMPRESA
Figura 2: Parte frontal da empresa
Fonte: Elaborado pelo autor (2025)
Figura 3: Posto de trabalho
Fonte: Elaborado pelo autor
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ANEXOS
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