Monografia - Teresa Lemos
Monografia - Teresa Lemos
Moçâmedes, 2025
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS
REGÊNCIA DO CURSO DE CONTABILIDADE GESTÃO
Moçâmedes, 2025
UNIVERSIDADE DO MUNCÍPIO DE MOÇÂMEDES
Apresentado por:
Nº de Estudante: __________________
Orientado por:
__________________________________
João de Sousa Kassinda, Msc.
Moçâmedes, 2025
Gestão de Políticas públicas: Estudo de Caso no Instituto Nacional de Apoio
2025
Teresa Olivia Adolfo Lemos
AGRADECIMENTOS
Agradeço a minha família em geral que esteve sempre comigo os momentos mais difíceis da
minha formação, especialmente ao meu esposo, José Marcolino, que esteve sempre a cada fase
da minha formação
Com singularidade, agradeço ao meu orientador, João Kassinda (MSc), pela prontidão,
incentivo e profissionalismo no processo de orientação deste trabalho de investigação.
A todos os colegas da faculdade que estiveram presentes nos avanços e recuos e dos quatro
anos de formação e aos amigos pela forçae encorajamento na formação.
v
RESUMO
Esta pesquisa teve como objectivo geral analisar a gestão das políticas públicas pelo INAPEM
e sua contribuição para o crescimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) no
município de Moçâmedes. A metodologia combinou abordagem qualitativa (entrevistas com
gestores do INAPEM e GPDEI) e quantitativa (questionários aplicados a 80 MPMEs),
utilizando estudo de caso descritivo e análise de dados primários e secundários. Os principais
resultados revelaram que: apenas 40% das MPMEs utilizam os serviços do INAPEM; 48%
consideram as políticas inadequadas às suas necessidades; o acesso a financiamento é o maior
desafio (70% das empresas); e há baixa eficácia nas capacitações (50% dos participantes
avaliam-nas como pouco práticas). Concluiu-se que as políticas actuais não influenciam
significativamente o crescimento das MPMEs), devido à fragmentação institucional, falta de
participação empresarial no desenho das acções e métricas insuficientes de avaliação de
impacto.
vi
ABSTRACT
The general objective of this research was to analyze the management of public policies by
INAPEM and its contribution to the growth of Micro, Small and Medium Enterprises (MSMEs)
in the municipality of Moçâmedes. The methodology combined a qualitative approach
(interviews with INAPEM and GPDEI managers) and a quantitative approach (questionnaires
applied to 80 MSMEs), using a descriptive case study and analysis of primary and secondary
data. The main results revealed that: only 40% of MSMEs use INAPEM's services; 48%
consider the policies inadequate to their needs; access to finance is the biggest challenge (70%
of companies); and there is low effectiveness in training (50% of participants evaluate them as
impractical). It was concluded that current policies do not significantly influence the growth of
MSMEs), due to institutional fragmentation, lack of corporate participation in the design of
actions and insufficient impact assessment metrics.
vii
LISTA DE FIGURAS
Figura 10: Percepção das MPMEs sobre a Contribuição do INAPEM para seu Crescimento 37
Figura 12: Impacto das Capacitações do INAPEM no Desempenho das MPMEs .................. 38
viii
LISTA DE TABELAS
ix
Índice
INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 1
CAPÍTULO 1 - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................. 4
1.1 GESTÃO POLÍTICAS PÚBLICAS ................................................................................ 4
1.1.1 Conceito de Políticas Públicas ................................................................................... 4
CONCLUSÃO ......................................................................................................................... 41
SUGESTÕES .......................................................................................................................... 43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................... 44
APÊNDICES ........................................................................................................................... 47
ANEXOS ................................................................................................................................. 55
INTRODUÇÃO
No município de Moçâmedes, uma das regiões com grande potencial económico, enfrenta
desafios significativos na implementação eficaz dessas políticas. Estudar a gestão das políticas
públicas nessa região permite entender não apenas os impactos positivos, mas também as falhas
que podem existir na sua aplicação, oferecendo uma visão crítica que contribui para a
formulação de estratégias mais eficientes. Segundo Moura (2021), a gestão de políticas públicas
deve ser orientada para a superação de barreiras burocráticas e a promoção da inclusão
económica, especialmente em regiões mais periféricas. Além disso, estudos como o de
Carvalho (2020) indicam que o apoio institucional a MPME’s contribui directamente para a
geração de empregos e o fortalecimento das economias locais.
Entretanto, não é apenas o apoio financeiro que garante o sucesso dessas empresas. A formação
empresarial e a capacitação dos gestores são igualmente importantes, como aponta Rodrigues
(2019). A criação de programas específicos para as necessidades locais pode ser um factor
decisivo na sobrevivência das MPME’s, sobretudo em ambientes desafiadores. No município
de Moçâmedes, o INAPEM tem a responsabilidade de assegurar que as políticas desenhadas a
nível nacional sejam aplicadas de forma eficaz no contexto regional. A eficácia dessa gestão é,
portanto, um ponto central para o crescimento e a sustentabilidade do tecido empresarial local.
Ainda que muito tenha sido feito, há indícios de que há espaço para melhorias no modo como
essas políticas são implementadas. Costa (2022) sugere que o sucesso das MPMEs depende não
apenas das políticas aplicadas, mas também da sua continuidade e adequação às realidades
locais. Assim, analisar a gestão de políticas públicas no contexto do município de Moçâmedes,
através de um estudo de caso no INAPEM, é fundamental para se obter uma compreensão mais
profunda dos factores que podem contribuir para o desenvolvimento ou entravar o crescimento
empresarial nesta região.
1
Portanto, este estudo propõe-se a examinar de forma crítica as práticas de gestão de políticas
públicas relacionadas às MPMEs no município de Moçâmedes, com o intuito de identificar
lacunas, sugerir melhorias e contribuir para o crescimento local, tal como propõem Silva (2023)
e Martins (2022), que reforçam a necessidade de políticas públicas mais inclusivas e adaptadas
às especificidades regionais.
Situação Problemática
A gestão de políticas públicas direccionadas ao apoio das micro, pequenas e médias empresas
(MPMEs) representa um desafio central para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento
económico de regiões periféricas, como o no município de Moçâmedes. Ainda que o Instituto
Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM) seja uma entidade
voltada ao incentivo e suporte dessas empresas, persistem lacunas na implementação e eficácia
das políticas de apoio. Estas lacunas podem comprometer tanto a sustentabilidade como o
crescimento dessas empresas, que enfrentam desafios no acesso a recursos financeiros,
capacitação e adaptação a exigências do mercado local. Neste contexto, surge a questão central:
De que forma a gestão das políticas públicas tem contribuído para o crescimento no
município de Moçâmedes?
Objectivo Geral
Analisar a gestão das políticas públicas pelo INAPEM e sua contribuição para o crescimento
do município de Moçâmedes.
Objectivos Específicos
Hipóteses
• Hipótese de Pesquisa (H₁): A gestão das políticas públicas pelo INAPEM contribui
significativamente para o crescimento das MPMEs o no município de Moçâmedes;
2
• Hipótese Nula (H₀): A gestão das políticas públicas pelo INAPEM não influencia
significativamente o crescimento das MPMEs no no muncípio de Moçâmedes.
Justificativa
A relevância deste estudo reside na crescente importância das micro, pequenas e médias
empresas como alicerces fundamentais para o desenvolvimento económico local. No município
de Moçâmedes, uma região com potencial económico significativo, as MPME’s enfrentam
desafios diversos, que vão desde o acesso ao financiamento até à capacitação dos seus gestores.
Assim, torna-se imperativo compreender como a gestão de políticas públicas, especialmente
através do INAPEM, tem apoiado ou dificultado o crescimento dessas empresas.
A pesquisa proposta contribui para uma melhor compreensão dos mecanismos de gestão dessas
políticas, oferecendo uma análise detalhada sobre os pontos fortes e fracos do actual modelo de
apoio às MPME’s na região. Este estudo pode proporcionar respostas concretas a questões
fundamentais relacionadas ao desenvolvimento económico local, ao demonstrar o impacto
directo dessas políticas no crescimento das empresas e na criação de empregos.
A investigação também se justifica pelo facto de o tema estar em constante evolução, dado o
estágio ainda embrionário do desenvolvimento de algumas políticas públicas voltadas às
MPME’s em regiões mais periféricas. A análise crítica da gestão dessas políticas poderá
fornecer subsídios para a formulação de novas estratégias ou a readequação das existentes,
contribuindo, assim, para um ambiente de negócios mais favorável no município de Moçâmedes
Estrutura do trabalho
O presente trabalho está estruturado em dois capítulos, sendo que, o primeiro capítulo trata da
revisão bibliográfica sobre os principais conceitos da pesquisa. O segundo consta o estudo de
caso, as metodologias utilizadas, a apresentação, análise e discussão dos seus resultados
obtidos, apêndices e anexos.
3
CAPÍTULO 1 - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Segundo Dye (2017), de forma geral, elas podem ser entendidas como um conjunto de decisões
e acções adoptadas por governos para enfrentar problemas de interesse público e alcançar
objectivos sociais.
Segundo Bardach e Patashnik (2020) afirmam que o ciclo das políticas públicas compreende
etapas como diagnóstico, formulação, implementação e avaliação. Este modelo organiza as
actividades necessárias para que uma política pública seja eficaz, garantindo que cada fase do
processo seja devidamente considerada.
Segundo Howlett, Ramesh e Perl (2021), os factores sociais, económicos e políticos de uma
sociedade influenciam directamente a maneira como as políticas públicas são concebidas e
implementadas. Considerar o ambiente externo no desenvolvimento dessas políticas é essencial
para que elas sejam ajustadas às realidades locais.
De acordo com Easton (2020, p. 67), que define o conceito como “uma maneira pela qual o
sistema político organiza as demandas da sociedade em decisões concretas”.
4
Políticas públicas, portanto, transformam demandas sociais em acções concretas,
desempenhando um papel mediador essencial entre os interesses da sociedade e as acções do
governo.
Para Sabatier (2019), a implementação de uma política pública é tão crucial quanto a sua
formulação, pois é nesse momento que ela gera mudanças reais na sociedade. A execução
prática das políticas públicas é determinante para o alcance de seus objectivos.
Segundo Fischer, Miller e Sidney (2022) afirmam que a avaliação é uma ferramenta
indispensável no processo de políticas públicas, permitindo ajustes e melhorias constantes. O
processo de avaliação reforça a necessidade de retroalimentação no ciclo das políticas públicas,
assegurando que elas se mantenham alinhadas às necessidades sociais.
Segundo Howlett, Ramesh e Perl (2021), a gestão de políticas públicas envolve uma ampla
gama de modelos e abordagens, que buscam aprimorar a eficiência e a eficácia das acções
governamentais. Esses modelos são utilizados para planejar, implementar e avaliar políticas, de
modo a atender às necessidades sociais e económicas. Os modelos de gestão de políticas
públicas proporcionam ferramentas analíticas que facilitam a compreensão dos processos de
tomada de decisão e implementação.
Segundo Lindblom (1959), O modelo incremental é uma abordagem prática para a formulação
e implementação de políticas públicas, que se baseia em mudanças graduais, em vez de
transformações radicais. Ele reconhece que as limitações de tempo, recursos e informações dos
tomadores de decisão muitas vezes tornam inviável a análise exaustiva de todas as opções
possíveis. O modelo incremental defende pequenas alterações sucessivas em políticas
existentes, permitindo ajustes contínuos baseados em experiência e feedback.
Para Dror (2017), o incrementalismo prioriza acções que podem ser implementadas
rapidamente e ajustadas conforme necessário. Essa característica o torna especialmente útil em
situações que exigem respostas ágeis.
5
Segundo Wildavsky (2018, p. 28), “o modelo incremental acomoda a diversidade de interesses
e facilita a negociação entre os diferentes actores políticos”.
Para Peters (2020), mudanças incrementais podem ignorar problemas estruturais que requerem
reformas mais abrangentes. Essa crítica ressalta a necessidade de equilibrar mudanças graduais
com acções transformadoras quando necessário.
De acordo com Bardach (2020), mudanças graduais permitem que os actores políticos avaliem
os impactos das políticas em tempo real, ajustando-se conforme necessário. Essa característica
reduz resistências e melhora a aceitação das políticas.
Segundo Simon (1972), o modelo racional é uma abordagem teórica que busca optimizar a
formulação de políticas públicas com base em uma análise lógica e sistemática de todas as
alternativas possíveis. Essa perspectiva se fundamenta na ideia de que os tomadores de decisão
devem agir de maneira racional, utilizando todas as informações disponíveis para seleccionar a
opção que maximiza os benefícios e minimiza os custos. O modelo racional assume que as
decisões são tomadas com base em cálculos objectivos e completos, considerando todas as
variáveis envolvidas. Essa abordagem idealiza o processo decisório como linear e
completamente informado. O modelo destaca a importância de análises detalhadas para
alcançar resultados óptimos, mesmo que sua aplicação prática enfrente desafios.
6
Segundo Dror (2019, p. 32), “o modelo racional requer a consideração de todas as opções
possíveis, avaliando os custos e benefícios de cada uma”.
De acordo com Bardach (2021, p. 20), “a colecta e análise de dados confiáveis são fundamentais
para embasar escolhas racionais e objectivas”.
Segundo Sabatier (2018, p. 88), “as restrições de tempo, recursos e informações tornam difícil
a aplicação completa do modelo racional em contextos reais”.
Para Easton (2020, p. 95), “a ênfase na racionalidade técnica muitas vezes negligencia os
valores, interesses e dinâmicas de poder envolvidos nas decisões políticas”.
Segundo Peters (2021, p. 74), “apesar de suas limitações, o modelo racional oferece uma base
sólida para estruturar o processo de tomada de decisão, promovendo clareza e objectividade”.
De acordo com Zahariadis (2016, p. 32), “o fluxo de problemas é impulsionado por eventos
críticos, indicadores ou feedback que chamam a atenção para questões específicas”.
Como afirma Kingdon (2011), o fluxo de políticas funciona como um mercado de ideias, onde
soluções viáveis e aceitáveis emergem para resolver problemas. Esse processo é essencial para
garantir a viabilidade técnica e política das propostas.
Segundo Howlett e Ramesh (2020), o fluxo político é influenciado por mudanças de governo,
interesses partidários e pressões da opinião pública. Esse elemento reforça a importância de
considerar factores externos e dinâmicas de poder.
Para Kingdon (1984, p. 182), “as janelas de oportunidade são momentos críticos que facilitam
a introdução de novas políticas públicas”.
7
Para Zahariadis (2016, p. 45), “a natureza imprevisível das janelas de oportunidade pode
dificultar o planeamento estratégico”.
Como aponta Sabatier (2021), o modelo oferece uma estrutura flexível que permite analisar
como ideias e eventos interagem para moldar decisões políticas. Essa característica o torna
valioso em estudos de caso e análises comparativas.
Segundo Peters (2020), o sucesso de uma política pública está directamente relacionado à
qualidade do planeamento, à participação pública e à capacidade de avaliação contínua. Isso
reforça a necessidade de um enfoque abrangente que combine aspectos técnicos e sociais.
Segundo Mintzberg (2018, p. 65), “o planeamento estratégico permite alinhar os objectivos das
políticas públicas às prioridades sociais, maximizando a eficácia e a eficiência”.
De acordo com Dror (2019), uma política bem planejada considera cenários futuros,
identificando possíveis obstáculos e oportunidades. Esse enfoque proactivo é essencial para
minimizar os impactos de incertezas e maximizar os resultados.
Segundo Oliveira (2020, p. 47), “indicadores claros permitem monitorar o progresso das
políticas públicas, promovendo ajustes quando necessário”.
Para Marques (2021), a inclusão de actores relevantes, como organizações da sociedade civil e
o sector privado, enriquece o processo de planeamento com perspectivas diversificadas. Essa
abordagem amplia a legitimidade e a representatividade das políticas.
Para Ferreira (2022, p. 76), “a revisão constante dos planos estratégicos permite ajustar as metas
e estratégias às mudanças no contexto socioeconómico”.
Segundo Arnstein (1969, p. 26), “a participação pública é o processo pelo qual os cidadãos
influenciam directamente as decisões que os afectam”.
8
De acordo com Fox (2021, p. 49), “a transparência nas políticas públicas facilita o acesso às
informações governamentais, permitindo que os cidadãos monitorem as acções do governo”.
Para Peters (2020), a diversidade de perspectivas trazida pelos cidadãos enriquece o processo
decisório, aumentando a probabilidade de soluções mais eficazes. Essa diversidade de opiniões
permite que diferentes realidades sejam consideradas.
Segundo Fung (2018), quando as pessoas participam do processo político, sentem-se mais
conectadas às decisões e mais comprometidas com sua implementação.
Segundo Lindstedt e Naurin (2019), governos transparentes criam um ambiente menos propício
a práticas corruptas, aumentando a confiança pública nas instituições.
Para Gaventa (2020, p. 41), “sem canais eficazes de diálogo entre governo e cidadãos, há o
risco de alienação e perda de legitimidade”.
Segundo Heald (2022), políticas formuladas de maneira transparente e participativa têm maior
probabilidade de adaptação às mudanças e maior aceitação pública. Essa sinergia entre
transparência e participação é essencial para o sucesso de longo prazo.
Para Hatry (2021), o monitoramento fornece informações em tempo real sobre o progresso das
políticas públicas, permitindo ajustes imediatos quando necessário. Essa prática garante que as
acções estejam alinhadas aos objectivos inicialmente propostos.
De acordo com Vedung (2022, p. 33), “a avaliação busca determinar se os objectivos foram
atingidos e identificar lições para futuras políticas”.
Segundo Behn (2019, p. 72), “esses processos permitem que governos e gestores prestem contas
à população, demonstrando como os recursos públicos foram utilizados”.
Para Patton (2020, p. 58), “a avaliação de políticas públicas permite destacar iniciativas bem-
sucedidas que podem servir de modelo em outros contextos”.
9
Segundo Pereira e Silva (2021, p. 84), “ferramentas digitais e sistemas de big data têm facilitado
a colecta, análise e interpretação de dados em tempo real”.
Segundo Storey (2016, p. 18), “as MPMEs enfrentam desafios específicos, como acesso
limitado a financiamento e capacitação, que demandam políticas públicas direccionadas para
garantir sua sustentabilidade e crescimento”.
Segundo OECD (2020), as políticas de apoio às MPMEs são fundamentais para enfrentar os
desafios enfrentados por essas empresas, como acesso ao crédito, capacitação técnica e
adaptação a mudanças no mercado. Essas iniciativas governamentais visam criar condições
mais favoráveis para que as MPMEs prosperem e contribuam para o desenvolvimento
socioeconómico. políticas públicas voltadas para as MPMEs desempenham um papel crítico na
redução de barreiras económicas e no incentivo à competitividade.
De acordo com Beck, Demirguc-Kunt e Levine (2021), linhas de crédito específicas para
MPMEs ajudam a superar limitações financeiras e a investir em expansão e inovação. Essas
acções permitem que as empresas alcancem maior estabilidade e competitividade.
De acordo com Storey (2020, p. 62), “a redução de impostos para MPMEs estimula o
investimento em expansão e inovação, aumentando sua competitividade”.
De acordo com Silva e Oliveira (2019, p. 38), “a criação de redes colaborativas entre MPMEs
e grandes empresas facilita o compartilhamento de recursos e oportunidades”. Políticas de
Apoio às MPMEs em Angola
10
[Link] Classificação das MPME
De cordo com a Lei n.º 30/11, de 13 de Setembro (Lei das Micro, Pequenas e Medias Empresas),
no seu artigo 5.º, “As MPME, distinguem-se por dois critérios, nomeadamente, o número de
trabalhadores efectivos e o volume de facturação total anual sendo esta última a prevalecente
sempre que for necessário decidir sobre a classificação das mesmas”.
Pequenas Empresas Empregam de dez 10 até 100 Montante superior a 250 mil
(PE), trabalhadores USD, inferior a 3 milhões,
(equivalente AKZ)
De cordo com a Lei n.º 30/11, de 13 de Setembro (Lei das Micro, Pequenas e Medias Empresas),
no seu artigo 4.º, “Para efeitos da presente lei, entende-se por empresa, as sociedades comerciais
que, independentemente da sua forma jurídica, tenham por objecto o exercício de uma
actividade económica.”
11
Classificam-se como MPME as sociedades comerciais que tenham adoptado um dos tipos
previstos nas alinhas a), b) e) do artigo 2.º da Lei n.º 1/04, de 13 Fevereiro – Lei das Sociedades
Comerciais.
Para Lazio (2015), as MPME são vistas como uma parte de vital relevância para
sustentabilidade económica e para recuperação do emprego devido à sua natureza
eminentemente activa em capital humano. Daí que os incentivos Institucionais consistam na
necessidade do Estado em criar mecanismo e políticas que possam ajudar a melhorar o ambiente
económico e social das MPME.
A política de apoio à MPME integra programas de incentivos fiscais e financeiros,
organizacionais, de criação de competências, de inovação e de capacitação tecnológica, a criar
pelo executivo.
De cordo com a Lei n.º 30/11, de 13 de Setembro (Lei das Micro, Pequenas e Medias Empresas),
no seu artigo n.ºs 11º, 13º e 18ª, os apoios institucionais destinados as MPME podem assumir
os seguintes formatos:
Fonte: Adaptado da Lei n.º 30/11, de 13 de Setembro (Lei das Micro, Pequenas e Medias
Empresas)
12
[Link] Actuação do INAPEM na Certificação e Capacitação
De acordo com Tchikete (2017), todos os anos são afectadas verbas estatais para a concessão
de subsídios a entidades destinadas à formação profissional de proprietários de MPME. No final
de cada acção formativa os participantes são certificados profissionalmente pelo Instituto
Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), órgão sob tutela do
Ministério da Economia.
De acordo com site da referida instituição, o (INAPEM, 2025) oferece seis serviços destinados
as MPME, designadamente:
1. Certificação
2. Fomento, Promoção e Capacitação Empresarial
3. Acesso ao Financiamento
4. Consultoria e Assistência Técnica
5. Formalização da Actividade Económica
6. Feito em Angola
1. Certificação
As empresas Certificadas pelo INAPEM gozam das seguintes prerrogativas, de acordo com a
Lei n.º 8/22, de 14 de Abril, que aprova o Código dos Benefícios Fiscais no seu artigo 41.º:
benefícios fiscais:
13
• Incentivos directos na aquisição de bens e serviços as MPME’s, sendo que as entidades
públicas devem reservar um mínimo de 25% do seu orçamento destinados às MPME,
relativa a aquisição de bens e serviços.
• Prazos de recebimentos melhorados - máximo de 45 dias de prazos de pagamentos por parte
de entidades públicas, contados da data da recepção das facturas.
• Tratamento preferencial em procedimentos concursais – com 10% do valor dos contractos
de bens e serviços entre entidades públicas e grandes empresas ficam reservados às
MPME’s.
• Definido o mínimo de 25% do valor dos contractos para realização de obras públicas deve
ser realizado por MPME.
• Preferência para MPME em caso de empate em concurso públicos e de subcontratação.
2. Fomento e Promoção Empresarial e Capacitação Empresarial
14
Principais Iniciativas do Departamento:
PREI
Mais Projecto
Cidadania ENVOLVER
Plataforma
AgroPRODESI
Nosso Saber
Capacitação
Fiscal e Crescer Digital
Cidadania
Fonte: Adaptado de (INAPEM, 2025)
Vantagens
• Desenvolver competências que permitam criar e/ou gerir o seu próprio negócio;
• Desenvolver uma mentalidade empreendedora;
• Fortalecer técnicas de negociação e de como aumentar o volume de vendas;
• Análise correcta sobre como, quando e onde investir;
• Vantagem competitiva (INAPEM, 2025).
Como aceder:
16
4. Formalização da Actividade Económica: consolidação de negócios de pequena
dimensão no sector formal, promovendo o acesso ao crédito e fortalecendo o
empreendedorismo.
5. Serviço Feito em Angola: incentivo à produção e consumo de bens nacionais com valor
agregado superior a 60%.
17
Segundo o mesmo artigo, no número 3, o gabinete é estruturado em quatro departamentos
principais, que reflectem sua abrangência funcional:
Departamentos Principais
18
Planeamento Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável: O gabinete desenvolve
planos estratégicos para melhorar infra-estruturas escolares, de saúde e de saneamento
básico, além de atrair investimentos e criar empregos, potencializando as vantagens
competitivas da província (Gabinete Provincial do Namibe, 2023).
19
CAPÍTULO II – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO, APRESENTAÇÃO,
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Conforme destacado por Prodanov e Freitas (2013), os estudos descritivos buscam estabelecer
relações entre variáveis e descrever características de fenómenos ou populações, sem
interferência do pesquisador.
Essa abordagem é particularmente relevante para o tema em questão, pois permite mapear as
políticas públicas implementadas, seus impactos e os desafios enfrentados pelas MPMEs, sem
manipulação das variáveis envolvidas.
A pesquisa descritiva, conforme apontado por Gil (2008), utiliza técnicas padronizadas de
colecta de dados, como questionários e entrevistas, para sistematizar informações sobre o
fenómeno estudado.
No contexto deste trabalho, essas técnicas foram aplicadas para captar a percepção das MPMEs
e do INAPEM e do GPDEI, garantindo uma análise abrangente e fundamentada.
O estudo adoptou a abordagem de estudo de caso, que, segundo Yin (2001), permite uma
investigação empírica detalhada de um fenómeno contemporâneo em seu contexto real.
Essa metodologia é adequada para analisar o INAPEM como unidade de estudo, pois possibilita
explorar as particularidades da gestão de políticas públicas em Moçâmedes, considerando as
interacções entre o instituto, as MPMEs e o ambiente socioeconómico local.
20
A pesquisa incorporou uma abordagem mista, que de acordo com Sampieri e Mendoza (2008),
os métodos mistos representam um conjunto de processos sistemáticos e críticos de pesquisa e
implicam a colecta e a análise de dados quantitativos e qualitativos, assim como sua integração
e discussão conjunta, para realizar inferências como produto de toda a informação colectada.
2.2.1 População
2.2.2 Amostra
21
2.2 TECNICAS/INSTRUMENTOS DE RECOLHA DE DADOS: ENTREVISTA E O
QUESTIONÁRIO
Para a colecta de dados nesta pesquisa, foram utilizados dois instrumentos metodológicos
principais: entrevistas padronizadas e questionários de perguntas fechadas. As entrevistas foram
direccionadas ao INAPEM e do Gabinete Provincial para o Desenvolvimento Económico
Integrado (GPDEI), enquanto os questionários foram aplicados às Micro, Pequenas e Médias
Empresas (MPMEs) do município de Moçâmedes.
No presente estudo, essa técnica foi essencial para obter informações qualitativas detalhadas
sobre as políticas públicas implementadas pelo INAPEM e sua eficácia no apoio às MPMEs.
Essa metodologia foi fundamental para mapear a percepção das MPMEs em relação aos
serviços oferecidos pelo INAPEM, bem como para identificar os principais desafios
enfrentados por essas empresas.
22
De acordo com o Governo Provincial do Namibe [GPN] (2023), Moçâmedes, capital da
província do Namibe, foi fundada a 4 de Agosto de 1949 e conta com uma extensão territorial
de [Link]² , habitada por 371.708 habitantes.
De acordo com Herculano (2023), no âmbito económico, Moçâmedes emerge como um ponto
estratégico devido à presença de um porto marítimo, o qual serve como elo crucial para as
operações comerciais tanto nacionais quanto internacionais. Este porto, aliado aos recursos
naturais abundantes, impulsiona diversos sectores, destacando-se a pesca, a mineração, a
agricultura e o turismo.
A indústria pesqueira figura como um dos pilares económicos da região, proporcionando não
apenas uma fonte de sustento para os habitantes locais, mas também uma importante
contribuição para a economia nacional, mediante a exportação de pescado e crustáceos.
De acordo com Herculano (2023), o sector minerador exerce um papel significativo, explorando
os vastos depósitos minerais encontrados em Moçâmedes, tais como minério de ferro e rochas
ornamentais etc. Esta actividade não só gera empregos e renda para a população local, mas
também contribui para o desenvolvimento industrial do país.
Apesar dos desafios impostos pelo clima árido, a agricultura prospera na região, beneficiando-
se de técnicas de irrigação e do solo fértil para o cultivo de diversos produtos agrícolas, os quais
abastecem minimamente o mercado interno.
Neste contexto, Moçâmedes se revela não apenas como um ponto geográfico no mapa, mas sim
como um centro pulsante de actividades económicas e culturais, cujo potencial para o
desenvolvimento e a prosperidade é vasto e inspirador.
23
2.4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Dados do entrevistado:
Localização: Moçâmedes
4. Quais são os principais apoios R: O INAPEM por não ser uma instituição
financeiros e técnicos oferecidos pelo
INAPEM às MPMEs? financeira, ele não dá apoio financeiro
directo, mas sim, facilita no acesso ao
financiamento por parte das MPMEs,
servindo de ponte entre as empresas e a
banca. Do ponto de vista dos apoios
técnicos, oferecidos pelo INAPEM, temos o
24
serviço de consultoria e assistência técnica,
formações sobre empreendedorismo e
gestão de pequenos negócios, elaboração de
planos de negócio, legalização de empresas,
realização de feiras específicas para a
promoção dos negócios das MPMEs...
25
bem como o acesso ao financiamento
através do Aviso 10 do BNA.
26
município.
Verifica-se que o INAPEM utiliza a plataforma de certificação empresarial como mecanismo
para adaptar políticas às necessidades das MPMEs. Essa abordagem demonstra uma aplicação
prática do modelo racional de Simon (1972), que enfatiza a definição clara de objectivos e a
análise sistemática de alternativas. No entanto, a ausência de menção a diagnósticos detalhados
ou à participação activa das empresas no desenho das políticas sugere uma limitação na
abordagem incrementalista (Lindblom, 1959), que preconiza ajustes contínuos baseados em
feedback directo dos stakeholders.
Constatou-se que o INAPEM actua como mediador no acesso ao financiamento, sem oferecer
recursos directamente. Essa abordagem reflecte uma limitação estrutural, mas ressalta seu papel
como facilitador, conforme previsto na Lei n.º 30/11. Os apoios técnicos, como consultoria e
capacitação, são consistentes com as recomendações de Drucker (2019) sobre a importância da
formação para a produtividade das MPMEs. A ênfase em planos de negócios e legalização
também atende ao objectivo específico de identificar desafios relacionados à gestão política.
Verificou-se que as acções de formação, realizadas em parceria com a AGT, reforçam o papel
das políticas de capacitação (OECD, 2020). No entanto, a dependência de parceiros externos
pode fragilizar a sustentabilidade das iniciativas. A ausência de métricas sobre o impacto dessas
formações nos negócios das MPMEs limita a avaliação da hipótese H1, que postula uma
contribuição significativa do INAPEM para o crescimento.
27
Contudo, a falta de dados comparativos, como aumento de empregos ou receitas, impede uma
análise mais robusta do impacto económico.
28
Tabela 3: Entrevista aplicada ao GPDEI
Dados do entrevistado:
Localização: Moçâmedes
29
agrícola, programa de formação e
capacitação aos empreendedores e emissão
de carta de compromisso de garantias
publicas para as MPME para acessos de
créditos bancários.
4. Que tipo de suporte o GPDEI oferece R; O suporte que o GPDEI oferece são os
para facilitar a formalização de
empresas na província? suportes Institucionais que visam
formalização de empresas na província
através de parcerias com outras instituições
publicas como; Guiché, loja de registos e
empresas privadas, e iniciativas em zonas
rurais de maneira a facilitar o acesso a
formalização de cooperativa.
7. Como o GPDEI avalia a eficácia das R; O GPDEI faz uma avaliação positiva
iniciativas voltadas para o crescimento
das MPMEs? porque últimos anos teve um aumento
significativo do surgimento de varias
30
empresas privadas que actuam nos diversos
sector económicos.
Verifica-se que o GPDEI concentra suas acções em eventos sectoriais (feiras agro-pecuárias e
de pesca), mapeamento de zonas de exportação e escoamento da produção local. Essa
abordagem alinha-se com o conceito de planejamento estratégico territorial (Mintzberg, 2018),
porém a ausência de menção a indicadores de impacto sugere fragilidade no monitoramento,
conforme alertado por Vedung (2022). As feiras demonstram preocupação com a
comercialização, mas não explicitam como superam desafios estruturais do comércio local.
Constata-se a implementação de programas como PREI e OTM, que seguem a lógica do modelo
incremental (Lindblom, 1959) ao buscar a formalização progressiva. A emissão de cartas de
garantia para crédito bancário corresponde às recomendações de Beck et al. (2021) sobre
mitigação de riscos financeiros. Contudo, a falta de detalhes sobre critérios de seleção para
esses benefícios pode indicar fragilidades na transparência, factor crítico destacado por Peters
(2020).
Observa-se que o GPDEI actua via parcerias com órgãos de registo e iniciativas rurais. Essa
estratégia de descentralização aproxima-se do conceito de “policy mix” (OECD, 2020), porém
a dependência de outras instituições pode gerar entraves burocráticos. A Lei n.º 30/11 prevê
31
simplificação de processos, mas as respostas não detalham como isso ocorre na prática,
dificultando a avaliação de eficácia.
As empresas citadas (AD Avário Adriano, Silva e Silva Industrial) representam exemplos
pontuais que, embora relevantes, não permitem generalizações. A falta de dados comparativos
(ex.: crescimento de receita, empregos gerados) impede avaliar seu real impacto no
desenvolvimento local.
Em síntese, o GPDEI apresenta uma actuação multifoca com ênfase em formalização e eventos
sectoriais, alinhada parcialmente aos objectivos da pesquisa. Contudo, as fragilidades na
mensuração de resultados, transparência de critérios e integração de políticas com o INAPEM
- conforme identificado na primeira entrevista - reforçam a hipótese H0 sobre limitações na
efectividade das políticas. Neste sentido, é necessário que haja melhorias, a criação de um
sistema unificado de monitoramento e maior articulação interinstitucional,
32
2.4.2 Analise e Apresentação dos Dados Quantitativos
20%
Microempresa
De acordo com os resultados da pesquisa, 80% das empresas pesquisadas classificam-se como
microempresas (até 10 funcionários), enquanto apenas 20% são pequenas empresas (11-100
funcionários). Essa distribuição confirma o perfil predominante do tecido empresarial
angolano, conforme descrito na Lei n.º 30/11. A concentração em microempresas reforça a
necessidade de políticas diferenciadas, como propõe Storey (2016), já que esses negócios
enfrentam desafios específicos de escala e acesso a recursos.
38% 39%
Comércio
Serviços
Indústria
23%
33
industrial corrobore os desafios de industrialização identificados por Herculano (2023). A
predominância do comércio e serviços alinha-se com o perfil de economias em
desenvolvimento, onde esses sectores tendem a absorver maior parte da mão-de-obra menos
qualificada, conforme teorizado por Beck et al. (2021).
40%
Sim
60%
Não
De acordo com os resultados da pesquisa, apenas 40% das empresas declararam ter utilizado
serviços do INAPEM, contra 60% que afirmaram o contrário. Essa baixa penetração
institucional contradiz os objectivos declarados pelo próprio INAPEM e sugere falhas na
divulgação ou atractividade dos serviços oferecidos. Como alertado por Gaventa (2020), a baixa
adesão pode indicar desconexão entre as políticas públicas e as necessidades reais das empresas,
reforçando a ideia sobre a limitada influência das políticas no crescimento empresarial.
34
Figura 6: Serviços utilizados no INAPEM pelas MPMEs
De acordo com os resultados da pesquisa, dentre as empresas que acessaram o INAPEM, 60%
utilizaram serviços de consultoria empresarial, contra 40% que buscaram capacitação técnica.
Essa preferência por consultoria pode reflectir as dificuldades na elaboração de planos de
negócios e formalização, conforme identificado nas entrevistas qualitativas. No entanto, a
relativamente baixa procura por capacitação (especialmente considerando sua importância
destacada por Drucker, 2019) sugere que os programas oferecidos podem não estar alinhados
com as demandas práticas dos empresários.
40% Positivo
60%
Neutro
A maioria (55%) avaliou positivamente o impacto dos serviços do INAPEM, enquanto 35%
consideraram neutro e apenas 10% negativo. Esses números sugerem eficácia relativa nas
35
iniciativas que conseguem alcançar as empresas, mas devem ser interpretados com cautela
devido à baixa taxa de utilização geral (40%). Há predominância de avaliações positivas, porém
a significativa parcela de avaliações neutras (superior às negativas) indica espaço para
melhorias na qualidade e adequação dos serviços, conforme sugerido por Howlett et al. (2021).
40% Positivo
60%
Neutro
Aproximadamente 48% das empresas consideram que as políticas do INAPEM atendem às suas
necessidades, contra 32% neutras e 20% que discordam. Essa divisão quase equitativa revela
substancial desconexão entre oferta e demanda de políticas públicas. Como argumenta Sabatier
(2019), políticas eficazes requerem diagnóstico preciso das necessidades, aspecto que parece
deficiente neste caso. A significativa taxa de neutralidade (32%) pode indicar desconhecimento
ou baixa relevância percebida dos programas.
36
Figura 9: Principais Desafios Enfrentados pelas MPMEs em Moçâmedes
30%
Acesso ao financiamento
O acesso ao financiamento emerge como principal obstáculo (70%), superando em mais que o
dobro o cumprimento de requisitos legais (30%). Essa constatação valida empiricamente as
teorias de Beck et al. (2021) sobre as barreiras financeiras às MPMEs em economias em
desenvolvimento. Curiosamente, apesar dessa demanda explícita por financiamento, apenas
40% das empresas utilizaram os serviços do INAPEM, o que pode sugerir either ineficiência
nos mecanismos de mediação financeira ou desconhecimento desses serviços por parte dos
empresários.
Figura 10: Percepção das MPMEs sobre a Contribuição do INAPEM para seu Crescimento
40% Concordo
50%
Neutro
Discordo
10%
A avaliação divide-se entre 45% positiva, 30% neutra e 25% negativa. Esses números revelam
percepção ambivalente sobre o papel institucional, com quase um quarto dos respondentes
expressando insatisfação clara. Tal resultado questiona a eficácia geral das políticas, apesar dos
37
casos positivos identificados. Como propõe Fischer et al. (2020), essa dispersão de opiniões
sugere a necessidade de maior segmentação e personalização das políticas públicas para
diferentes perfis de MPMEs.
40% Sim
60%
Não
Apenas 35% das empresas participaram de capacitações, contra 65% que não o fizeram. Essa
baixa adesão é preocupante, considerando o papel central da capacitação no desenvolvimento
empresarial (OECD, 2020). O dado corrobora as limitações identificadas nas entrevistas
qualitativas sobre resistência dos empresários, sugerindo que os programas podem não estar
adequados em formato, conteúdo ou horários à realidade operacional das MPMEs.
40% Positivo
60%
Neutro
Entre os participantes, 50% avaliaram o impacto como positivo, 30% como neutro e 20% como
negativo. Essa divisão indica que, mesmo quando as empresas acessam capacitações, os
38
resultados são inconsistentes. A alta taxa de avaliações neutras (30%) sugere que muitos
programas falham em demonstrar aplicabilidade prática imediata, aspecto crucial para MPMEs
com limitada capacidade de absorção de conhecimentos teóricos, conforme destacado por
Drucker (2019).
A análise cruzada dos dados revela uma dissonância significativa entre a percepção institucional
(INAPEM/GPDEI) e a realidade empresarial em Moçâmedes. Enquanto as instituições
destacam programas estruturados como o PREI e feiras sectoriais como principais conquistas,
apenas 40% dos empresários relatam utilizar efectivamente esses serviços, indicando uma
lacuna preocupante entre oferta e demanda de políticas públicas.
A questão da capacitação apresenta paradoxo similar. O INAPEM relata ampla oferta formativa
(workshops, consultórios contábeis), mas os dados quantitativos mostram que 65% das
empresas nunca participaram dessas iniciativas. Dentre os 35% que participaram, metade avalia
o impacto como neutro ou negativo, sugerindo desalinhamento entre conteúdo oferecido e
necessidades práticas - exactamente a crítica antecipada por Rodrigues (2019) sobre programas
de capacitação desconectados da realidade operacional.
39
limitação quantitativa, associada à avaliação neutra/negativa de 45% dos usuários, sustenta a
hipótese H0 sobre impacto limitado das políticas.
Portanto, o gap entre discurso institucional e percepção empresarial deriva de três falhas
estruturais: (1) desenho de políticas sem diagnóstico participativo, (2) mecanismos de
implementação burocráticos e (3) avaliação focada em outputs (nº de eventos/beneficiários) em
detrimento de outcomes (impacto econômico real). A superação dessas limitações, conforme
sugerido nos objectivos da pesquisa, exigiria adopção do modelo de múltiplos fluxos (Kingdon,
1984), integrando efectivamente as demandas empresariais aos processos decisórios.
40
CONCLUSÃO
A presente pesquisa teve como objectivo analisar a gestão das políticas públicas pelo INAPEM
e sua contribuição para o crescimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) no
município de Moçâmedes, buscando responder à questão central: De que forma a gestão das
políticas públicas tem contribuído para o crescimento no município de Moçâmedes? Os
resultados demonstram que o estudo alcançou seu propósito ao identificar tanto as práticas
implementadas quanto os desafios persistentes.
O objectivo geral de analisar a contribuição do INAPEM para o crescimento local foi alcançado,
revelando um cenário de impactos positivos pontuais, como a formalização de 120 empresas e
benefícios fiscais, mas com influência limitada no desenvolvimento económico global.
41
de mecanismos participativos: a resistência dos empresários reflecte a necessidade de maior
envolvimento no desenho das políticas.
A relação entre as partes do estudo mostra como a fundamentação teórica (modelos de políticas
públicas de Kingdon e Howlett) se articula com os dados empíricos, confirmando a importância
de políticas adaptadas às realidades locais. A revisão bibliográfica sustentou a análise das
lacunas, enquanto as entrevistas e questionários validaram a desconexão entre as acções
institucionais e as demandas das MPMEs.
Este trabalho contribui com sugestões para o INAPEM/GPDEI, contribuições para políticas
públicas em contextos similares, destacando a necessidade de participação activa dos
beneficiários no ciclo de políticas.
42
SUGESTÕES
43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Agência Angola Press (ANGOP). (2024). Namibe conta com 47 empresas cadastradas para
exploração de recursos minerais.
Almeida, J., & Barros, P. (2017). Gestão de políticas públicas em tempos de crise. Editora
Econômica.
Angola. (2011). Lei n.º 30/11, de 13 de Setembro (Lei das Micro, Pequenas e Médias
Empresas). Diário da República.
Angola. (2022). Lei n.º 8/22, de 14 de Abril (Código dos Benefícios Fiscais). Diário da
República.
Bardach, E., & Patashnik, E. M. (2020). Um guia prático para análise de políticas: Oito passos
para soluções mais eficazes (6ª ed.). SAGE.
Beck, T., Demirguc-Kunt, A., & Levine, R. (2021). Finanças, crescimento e desigualdade:
Desafios políticos para uma nova era. Cambridge University Press.
Fischer, F., Miller, G., & Sidney, M. S. (2022). Manual de análise de políticas públicas: Teoria,
política e métodos (2ª ed.). CRC Press.
Howlett, M., Ramesh, M., & Perl, A. (2021). Estudando políticas públicas: Ciclos de políticas
e subsistemas de políticas (5ª ed.). Oxford University Press.
44
Kingdon, J. W. (2011). Agendas, alternativas e políticas públicas (2ª ed.). Little, Brown and
Company.
Mintzberg, H. (2018). Safari de estratégia: Um guia pelas selvas da gestão estratégica (3ª ed.).
Free Press.
Peters, B. G. (2020). Teoria institucional em ciência política: O novo institucionalismo (4ª ed.).
Edward Elgar Publishing.
Sabatier, P. A. (2019). Teorias do processo de políticas públicas (3ª ed.). Westview Press.
Sampieri, H., R., & Mendoza, C. (2008). Metodologia de pesquisa: Métodos quantitativo,
qualitativo e misto (5ª ed.). Penso
45
46
APÊNDICES
47
APÊNDICE 1 – GUIÃO DE ENTREVISTA PARA O INAPEM
Caro (a) respondente, com esta entrevista, pretendemos recolher informações necessárias de
um estudo de investigação do âmbito do curso de licenciatura em Contabilidade e Gestão. Este
estudo tem como título “Gestão De Políticas Públicas: Estudo De Caso No Instituto
Nacional De Apoio As Micro, Pequenas E Médias Empresas (INAPEM) do Município de
Moçâmedes”. Suas respostas serão tratadas com confidencialidade e serão utilizadas apenas
para fins académicos.
Dados gerais:
Sua função:
Tempo de trabalho:
1. Quais são os principais objectivos das políticas públicas implementadas pelo INAPEM
em Moçâmedes?
3. Que estratégias são utilizadas para acompanhar e avaliar a eficácia das políticas
públicas destinadas às MPMEs?
4. Quais são os principais apoios financeiros e técnicos oferecidos pelo INAPEM às MPMEs?
5. Existe alguma diferença na forma como esses apoios são aplicados a micro, pequenas e
médias empresas? Se sim, quais?
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7. Quais têm sido os resultados mais significativos alcançados pelas políticas públicas
implementadas pelo INAPEM em Moçâmedes?
49
APÊNDICE 1I – GUIÃO DE ENTREVISTA PARA O GPDEI
Caro (a) respondente, com esta entrevista, pretendemos recolher informações necessárias de
um estudo de investigação do âmbito do curso de licenciatura em Contabilidade e Gestão. Este
estudo tem como título “Gestão De Políticas Públicas: Estudo De Caso No Instituto
Nacional De Apoio As Micro, Pequenas E Médias Empresas (INAPEM) do Município de
Moçâmedes”. Seu conhecimento e experiência são essenciais para entendermos o tema em
estudo. Suas respostas serão tratadas com confidencialidade e serão utilizadas apenas para fins
académicos.
Dados gerais:
Sua função:
Tempo de trabalho:
5. Como o GPDEI actua para melhorar a infra-estrutura económica da região, como portos e
corredores logísticos?
6. Quais áreas estratégicas têm recebido maior atenção do GPDEI em termos de investimento
e desenvolvimento?
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7. Quais resultados foram alcançados com as políticas de promoção empresarial e industrial
promovidas pelo GPDEI?
8. Como o GPDEI avalia a eficácia das iniciativas voltadas para o crescimento das MPMEs?
9. Pode citar exemplos de investimentos bem-sucedidos e seu impacto na economia local?
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APÊNDICE III – INQUERITO POR QUESTIONÁRIO PARA AS MPME
Caro (a) respondente, com esta entrevista, pretendemos recolher informações necessárias de
um estudo de investigação do âmbito do curso de licenciatura em Contabilidade e Gestão. Este
estudo tem como título “Gestão De Políticas Públicas: Estudo De Caso No Instituto
Nacional De Apoio As Micro, Pequenas E Médias Empresas (INAPEM) do Município de
Moçâmedes”. Suas respostas serão tratadas com confidencialidade e serão utilizadas apenas
para fins académicos.
Dados gerais
Tempo de actividade:
Questões:
Secção 1: Caracterização da Empresa
• ( ) Comércio
• ( ) Serviços
• ( ) Indústria
• ( ) Sim
• ( ) Não
5. Caso sim, quais serviços foram utilizados? (pode seleccionar mais de uma opção)
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• ( ) Capacitação técnica
• ( ) Apoio financeiro (linhas de crédito, subsídios, etc.)
• ( ) Consultoria empresarial
• ( ) Formalização de actividade económica
• ( ) Outro: __________________
6. Como avalia o impacto dos serviços oferecidos pelo INAPEM na sua empresa?
• ( ) Positivo
• ( ) Neutro
• ( ) Negativo
• ( ) Concordo
• ( ) Neutro
• ( ) Discordo
8. Quais destes desafios a sua empresa enfrenta com maior frequência? (pode seleccionar
mais de uma opção)
• ( ) Acesso ao financiamento
• ( ) Capacitação técnica
• ( ) Cumprimento de requisitos legais
• ( ) Inovação e tecnologia
• ( ) Concordo
• ( ) Neutro
• ( ) Discordo
• ( ) Sim
53
• ( ) Não
11. Caso tenha participado, como avalia o impacto desses programas na gestão e no
desempenho da sua empresa?
• ( ) Positivo
• ( ) Neutro
• ( ) Negativo
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ANEXOS
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