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Resumo Neoconstitucionalismo e Direitos Sociais

O documento aborda o neoconstitucionalismo e os direitos sociais, destacando a evolução histórica do constitucionalismo e suas características centrais, como a limitação do poder e a proteção dos direitos fundamentais. O neoconstitucionalismo é apresentado como um movimento que prioriza a efetividade dos direitos e a dignidade da pessoa humana, com ênfase na interpretação axiológica das normas. Além disso, discute a importância do mínimo existencial e a relação entre dignidade e direitos sociais, enfatizando a responsabilidade do Estado em garantir condições mínimas para uma vida digna.
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Resumo Neoconstitucionalismo e Direitos Sociais

O documento aborda o neoconstitucionalismo e os direitos sociais, destacando a evolução histórica do constitucionalismo e suas características centrais, como a limitação do poder e a proteção dos direitos fundamentais. O neoconstitucionalismo é apresentado como um movimento que prioriza a efetividade dos direitos e a dignidade da pessoa humana, com ênfase na interpretação axiológica das normas. Além disso, discute a importância do mínimo existencial e a relação entre dignidade e direitos sociais, enfatizando a responsabilidade do Estado em garantir condições mínimas para uma vida digna.
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Neoconstitucionalismo e Direitos Sociais

Aula 1 – Introdução ao Neoconstitucionalismo e Direitos Sociais

1. Fundamentos do Constitucionalismo

1.1 Origem histórica

 Embora ideias embrionárias sejam encontradas em sociedades antigas,


o constitucionalismo moderno ganha força com a Constituição dos EUA (1787/1789) e
a Constituição Francesa (1791).
 Surge como reação às monarquias absolutistas, limitando o poder do governante e
estabelecendo normas superiores para organizar o Estado.

1.2 Características centrais

 Limitação do poder: a Constituição se sobrepõe aos governantes.


 Estado de Direito: poder regulado por normas escritas.
 Influência do Iluminismo: valorização da razão, ciência e dignidade humana.
 Positivação do direito: transformação do direito em sistema normativo estruturado.

Exemplos históricos: Positivismo como proteção e risco: garantiu direitos, mas também
legitimou regimes autoritários, como o nazismo na Alemanha.

2. Neoconstitucionalismo

2.1 Conceito

Movimento jurídico contemporâneo que coloca a Constituição no centro do sistema jurídico, com
primazia dos valores e princípios sobre regras estritas. Busca efetividade dos direitos
fundamentais e interpretação axiológica da norma.

2.2 Problemáticas

 Reserva do possível: limitação orçamentária do Estado para garantir direitos.


 Custos e viabilidade prática: tensão entre previsão normativa e implementação real.

2.3 Perspectiva crítica latino-americana

 Necessidade de adaptar conceitos europeus à realidade social, econômica e cultural da


América do Sul.
 Processo de “decolonização” do direito: aplicação de soluções próprias à realidade
brasileira.

3. Dignidade da Pessoa Humana


3.1 Fundamento constitucional

Prevista no art. 1º, III, da CF/88, é pilar do Estado Democrático de Direito. Serve como parâmetro
para interpretação e aplicação das normas.

3.2 Relação com os direitos sociais

Sem acesso a moradia, saúde, alimentação e educação, não há dignidade real.

4. Direitos Sociais

4.1 Previsão legal

 Art. 6º da CF: educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer,


segurança, previdência social, proteção à maternidade e infância, assistência aos
desamparados.

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma
desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)

Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar,
garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de renda, cujas normas e requisitos de
acesso serão determinados em lei, observada a legislação fiscal e orçamentária

4.2 Natureza e proteção

São cláusulas pétreas, não podendo ser abolidos nem por emenda constitucional.

Expressam a função garantidora da CF/88, nascida após o período de ditadura militar.

Exemplos de aplicação: Judicialização da saúde para garantir fornecimento de medicamentos;


Políticas públicas de habitação popular como cumprimento do direito à moradia.

Aula 02 – Constitucionalismo: Origens, Desenvolvimento e Função no Estado Moderno

1. Conceito de Constitucionalismo

1.1 Definição do STF

O Supremo Tribunal Federal define o constitucionalismo como movimento político surgido com a
Revolução Francesa ou doutrina jurídico-política baseada na Constituição, opondo-se à
autocracia, com o objetivo de estabelecer um regime constitucional com governos moderados e
poderes limitados por norma escrita.

Características Centrais:

1) Movimento político-social contra o poder arbitrário.


2) Oposição ao absolutismo e à vontade ilimitada do governante.
3) Instituição de uma Constituição escrita como instrumento de limitação e garantia.
4) Finalidade dupla: (i) garantir direitos fundamentais; (ii) organizar a estrutura político-social
do Estado.

2. Origens Históricas

2.1 Absolutismo e Revolução Francesa

Durante o século XVIII, o absolutismo concentrava poder ilimitado nas mãos do monarca,
considerado representante de Deus. A Revolução Francesa (1789) rompeu com essa lógica,
simbolizada pela Queda da Bastilha e pela instauração da república. O objetivo era criar um
governo do povo, pelo povo e para o povo.

2.2 Influências Filosóficas – Iluminismo

O Iluminismo retirou a centralidade da religião na explicação do mundo, colocando o ser


humano e a razão científica no centro da vida social. Essa mudança possibilitou que o Direito
fosse visto como construção racional e não como vontade divina ou arbitrária.

2.3 Constitucionalismo na História Mundial

 Antiguidade: Experiências republicanas em Roma, ainda sem plena garantia de direitos.


 Idade Média: Documentos como a Magna Carta limitaram o poder real, mas sem romper a
estrutura aristocrática.
 Idade Moderna: Independência dos EUA (1776) e Revolução Francesa impulsionaram
constituições modernas.
 Século XX: Consolidação após a Segunda Guerra Mundial, com constituições
democráticas voltadas à dignidade da pessoa humana.

3. O Constitucionalismo no Brasil

3.1 Evolução Histórica

O Brasil passou por períodos constitucionais e autoritários. Após a Ditadura Militar (1964–1985),
foi promulgada a Constituição de 1988, extensa e abrangente, com mais de 200 artigos, cobrindo
temas como direitos fundamentais, direito ambiental, trabalhista, tributário e civil.

Objetivo da Constituição de 1988:

 Garantir direitos fundamentais após décadas de restrição de liberdades.


 Assegurar participação democrática e representação política.
 Estabelecer um modelo de Estado comprometido com justiça social e dignidade humana.

4. Constitucionalismo Programático

Constituições programáticas fixam metas e objetivos a serem implementados gradualmente pelo


Estado, especialmente em políticas públicas e direitos sociais.
4.1 Críticas de André Ramos Tavares:

 Normas inalcançáveis: Previsões constitucionais cuja execução é inviável.


 Normas não implementadas por falta de motivação política: Dependem da atuação
cidadã para serem cobradas do poder público.

A efetividade do constitucionalismo depende do exercício ativo da democracia representativa,


com escolha consciente de representantes e cobrança por políticas compatíveis com os princípios
constitucionais.

5. Função Atual do Constitucionalismo

5.1 Instrumento de Limitação do Poder: Afasta o risco de regimes autoritários e mantém a


prevalência dos direitos fundamentais.

5.2 Evolução de Paradigmas: Transição do liberalismo clássico para modelos que incorporam
justiça social e solidariedade global.

5.3 Centralidade da Constituição: A Constituição torna-se o núcleo da vida política e social no


Estado Democrático de Direito.

Aula 3 – Neoconstitucionalismo e a Dignidade da Pessoa Humana

1. Contexto Histórico: Do Constitucionalismo ao Neoconstitucionalismo

1.1 Constitucionalismo Clássico

Movimento político surgido na Revolução Francesa, com a queda da monarquia absolutista.

 Objetivo: limitar o poder autoritário e garantir direitos fundamentais por meio de


uma Constituição escrita.
 Exemplos históricos: Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) e
Constituição dos EUA (1787).
 A Constituição impunha limites ao governante e organizava a estrutura política e social.

1.2 Limitações do Constitucionalismo Clássico

Baseado no positivismo jurídico: direito entendido como apenas a norma escrita.

 Consequência: regimes autoritários puderam cometer abusos com “aparência de


legalidade” (caso do nazismo e fascismo).
 Necessidade de resgatar valores e princípios para evitar a manipulação do direito.

2. Marcos Fundamentais do Neoconstitucionalismo

Segundo Luís Roberto Barroso, há três marcos essenciais:


2.1 Marco Histórico

Europa: reconstitucionalização pós-Segunda Guerra Mundial, especialmente na Alemanha,


Itália, Portugal e Espanha, com a criação de tribunais constitucionais e a rejeição ao positivismo,
que havia legitimado atrocidades em regimes nazistas e fascistas.

Tribunais Constitucionais: criados para proteger direitos e fiscalizar o poder estatal.

Brasil: movimento retardatário, somente no fim da Ditadura Militar (1985) e a partir da


Constituição de 1988, chamada Constituição Cidadã, que simbolizou a redemocratização e a
superação de um Estado autoritário, houve consolidação democrática e proteção ampla de
direitos. Mesmo diante de crises políticas (impeachments, escândalos, prisões de ex-
presidentes), manteve-se a estabilidade institucional.

2.2 Marco Filosófico – Pós-positivismo

Superação da dicotomia entre jusnaturalismo (princípios universais de justiça – ideia do século


XIV, XV) e positivismo (norma escrita como única fonte do direito – a partir do século XVII,
XVIII), buscando um equilíbrio entre norma escrita e princípios de justiça.

O pós-positivismo é uma Integração da legalidade positivista com a metafísica axiológica do


jusnaturalismo – a norma precisa ter um sentido moral, um valor.

Princípios constitucionais passam a ter força normativa, guiando a interpretação e aplicação das
leis.

Exemplo: dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado brasileiro (art. 1º, III, CF);
leis ditatoriais ou nazistas eram "legais", mas não justas. O pós-positivismo evita repetir esse erro.

2.3 Marco Teórico – Força Normativa da Constituição

Inspirado em Konrad Hesse (“A Força Normativa da Constituição”).

A Constituição não é apenas um texto político-organizatório, mas norma jurídica vinculante,


imperativa e superior.

Exemplo prático: o direito à saúde (art. 196 CF) não é mera promessa política; gera deveres
concretos ao Estado, como a criação do SUS (art. 198 CF).

Quando entramos em um Estado neoconstitucional a ideia é supremacia da constituição, unidade


estatal e razoabilidade da normal (a norma não é simplesmente o que esta posto, deve ter um
fundamento específico e convincente, pois deve ter valor/razoabilidade, alem de respeitar os
direitos humanos).

3. Diferenças Entre Constitucionalismo Clássico e Neoconstitucionalismo

Aspecto Constitucionalismo Clássico Neoconstitucionalismo


Base filosófica: Positivismo jurídico Pós-positivismo
Força dos princípios: Parâmetros interpretativos Normas vinculantes
Função da Limitar o poder e organizar o Limitar, organizar e efetivar valores
Constituição: Estado e direitos
Ênfase: Estrutura do Estado Dignidade da pessoa humana e
justiça material

Aula 4 – Neoconstitucionalismo: Força Normativa da Constituição e Interpretação


Constitucional

1. Supremacia da Constituição e Interpretação

1.1 Supremacia Constitucional

 A Constituição está no ápice do ordenamento, não só por organizar o Estado, mas


por fundamentar e irradiar valores a todas as normas.
 Toda norma infraconstitucional deve respeitar os direitos fundamentais.

Pirâmide de Kelsen

1.2 Interpretação Constitucional no Neoconstitucionalismo

 Vai além da aplicação literal da lei.


 Critérios como razoabilidade, proporcionalidade e unidade guiam a interpretação.
 O controle de constitucionalidade (abstrato, concreto, preventivo ou repressivo) garante
que leis e atos respeitem a Constituição.
 O Judiciário ganha papel de cocriador do direito, ao ponderar valores e princípios.

2. Colisão de Direitos e Ponderação

2.1 Colisão de Princípios

 O neoconstitucionalismo reconhece que princípios podem entrar em conflito, exigindo


ponderação.
 Exemplo histórico: durante a pandemia da COVID-19, houve conflito entre:
o Liberdade religiosa e de reunião (art. 5º, CF).
o Direito à vida e à saúde (arts. 5º e 196, CF).
 O STF decidiu que deveria prevalecer o direito à saúde, restringindo reuniões presenciais,
mas sem proibir encontros virtuais.

Portanto, o neoconstitucionalismo traz a ideia de que a constituição é o centro do sistema


normativo, possui carga valorativa, ou seja, axiológica, resguardando-se o direito da pessoas
humana, direitos fundamentais e é um norma jurídica com imperatividade e superioridade –
eficácia irradiante em relação aos poderes e mesmo aos particulares, devendo valer em
qualquer relação dentro do Estado democrático brasileiro.

2.2 Igualdade Material

 Justiça não significa tratar todos de forma idêntica, mas tratar desiguais na medida de
suas desigualdades.
 Exemplo ilustrativo: três pessoas de diferentes alturas assistindo a um jogo atrás de um
muro. Dar caixas de mesmo tamanho a todos não garante igualdade de visão; é preciso
redistribuí-las conforme a necessidade.

3. Cláusulas Gerais e Conceitos Abertos

 A Constituição contém cláusulas gerais que permitem adaptação às transformações


sociais.
 Exemplo: Art. 5º assegura a inviolabilidade da propriedade, mas condiciona-a à função
social. Assim, grandes latifúndios improdutivos podem ser objeto de reforma agrária.
 Essa abertura interpretativa garante flexibilidade, mas exige responsabilidade do intérprete.

Aula 5 – Dignidade da Pessoa Humana e o Mínimo Existencial

1. Dignidade da Pessoa Humana como Fundamento Constitucional

1.1 Conceito polissêmico

 Filosófico (Kant): dignidade é inerente ao ser humano, não tem preço nem substituto.
 Religioso: vinculada ao valor da vida conforme determinada crença.
 Jurídico: princípio estruturante do Estado Democrático de Direito, inscrito no art. 1º, III da
CF/88.

Independente do conceito que cada área dá, temos que a dignidade da pessoa humana é um
pressuposto do Estado democrático de direito, assim, exige condições materiais mínimas para
que a pessoa viva com liberdade e integridade.

Relaciona-se à ideia de vida com dignidade, não apenas à preservação biológica da vida.

1.2 Limitações e relatividade

 Nenhum direito é absoluto, nem mesmo a dignidade.


 Exemplo: prisão retira o direito de ir e vir (liberdade), mas não pode anular direitos básicos
(defesa, saúde, educação, trabalho).
 A dignidade pode ceder parcialmente, mas deve sempre permanecer como referência
mínima.

2. Mínimo Existencial e Direitos Fundamentais

2.1 Definição
Conjunto de condições básicas indispensáveis para uma vida digna. Representa o núcleo
essencial dos direitos fundamentais sociais.

 Direito à saúde: acesso mínimo a atendimento médico.


 Direito à educação: garantia de instrução fundamental.
 Direito ao transporte: oferta de condições razoáveis de mobilidade (não precisa ser o
melhor, mas deve ser funcional).
 Art. 1º, III, CF/88: a dignidade da pessoa humana é fundamento da República.
 Art. 3º, CF/88: estabelece objetivos fundamentais, como:
o Construir uma sociedade livre, justa e solidária.
o Erradicar a pobreza e reduzir desigualdades.
o Promover o bem de todos sem discriminação.

Esses dispositivos reforçam que a dignidade é tanto um direito de todos quanto um dever do
Estado.

2.2 Limitações estatais

 A efetivação depende de recursos financeiros.


 O Estado deve respeitar a reserva do possível, mas garantir sempre o mínimo essencial.
 Exemplo: não pode fornecer gratuitamente tudo a todos, mas deve assegurar condições
mínimas de subsistência.

3. Dignidade e Universalidade

 O princípio não se limita a cidadãos brasileiros, mas alcança toda pessoa no território
nacional, inclusive estrangeiros.
 Exemplo: estrangeiro acusado de crime tem direito de defesa e acesso à saúde.
 Reflete o caráter universalista da dignidade como valor humano.

Portanto, o princípio da dignidade da pessoa humana é a base de todo o Estado Democrático


de Direito, funcionando como critério de interpretação e aplicação das normas constitucionais.
Embora relativo, ele jamais pode ser anulado, pois garante o núcleo essencial da condição
humana. A partir dele surge o conceito de mínimo existencial, que representa os direitos
fundamentais sociais indispensáveis para a vida digna. A Constituição de 1988 reafirma esse
valor como fundamento da República e como objetivo estatal, vinculando a dignidade não apenas
a um ideal jurídico, mas a uma exigência concreta de justiça social.

Aula 6 – Dignidade da Pessoa Humana e o Mínimo Existencial

1 O Mínimo Existencial: continuação

Não se trata apenas de garantir a sobrevivência biológica (mínimo vital), mas de


oferecer qualidade de vida, permitindo ao indivíduo exercer sua liberdade e participar da vida
social.

 Existir: mera manutenção fisiológica, como ocorre com plantas ou pessoas em extrema
indigência.
 Viver: exercer papel social, construir algo para si e para a coletividade, usufruir de direitos
fundamentais e desenvolver-se pessoalmente.

Pessoas em situação de indigência possuem apenas uma existência precária, sem acesso a
saúde, moradia, educação ou segurança.
O problema não é a pobreza em si, mas a falta de políticas públicas que garantam o mínimo
necessário para viver com dignidade.

A Constituição de 1988, em seu artigo 3º, estabelece como objetivo da República a erradicação
da pobreza e a redução das desigualdades.

A responsabilidade é concorrente: cabe ao Estado, mas também à sociedade civil, colaborar


para a efetivação dos direitos sociais.

2. Origem da Noção de Mínimo Existencial

 A teoria foi inicialmente desenvolvida na Alemanha, a partir do Tribunal Constitucional


Federal, que reconheceu o direito à assistência social e vida digna.
 Lá, distinguiu-se:
o Mínimo fisiológico (vital): moradia, alimentação, vestimenta, saúde.
o Mínimo sociocultural: condições para participação social, como educação,
trabalho, cultura e lazer.
 Esse modelo influenciou o constitucionalismo brasileiro, embora com adaptações.

3. Mínimo Existencial no Brasil

3.1 Previsão Constitucional

Embora a Constituição não use o termo “mínimo existencial”, ele pode ser extraído do art. 6º, que
prevê direitos sociais: educação, saúde, trabalho, lazer, moradia, alimentação, previdência,
proteção à maternidade e assistência aos desamparados.

 O parágrafo único do art. 6º garante renda básica para pessoas em situação de


vulnerabilidade, regulamentada em programas sociais.

Exemplo Prático: Bolsa Família

 Objetivo: assegurar um patamar mínimo de dignidade às famílias em extrema pobreza.


 Condições: exigência de matrícula escolar dos filhos, buscando também combater o
trabalho infantil e promover o direito à educação.

4. Dignidade, Vida e Bioética

O maior bem jurídico protegido pela Constituição é a vida, mas não apenas como existência
biológica: é necessário que seja uma vida com dignidade.

Esse raciocínio se estende inclusive ao fim da vida: a bioética discute o direito a uma morte digna.

A indignidade causada por doenças terminais incuráveis ou dores insuportáveis levanta debates
sobre limites do direito à vida, diferenciando situações transponíveis (como a miséria, resolvida
por políticas públicas) e intransponíveis (como certas condições médicas irreversíveis).
5. O Papel do Estado e do Judiciário

O Estado tem obrigação constitucional de garantir o mínimo existencial.

O Supremo Tribunal Federal (STF) atua como guardião da Constituição e exerce a


função contramajoritária, limitando o legislador e evitando retrocessos ou omissões que
comprometam a dignidade humana.

 O STF assegura a efetividade dos direitos fundamentais por meio do controle de


constitucionalidade.

Portanto, conclui-se que a dignidade da pessoa humana exige mais que a simples preservação
da vida biológica: demanda condições concretas para uma vida plena, livre e participativa. O
mínimo existencial, composto por aspectos fisiológicos e socioculturais, é a base dessa garantia.
Cabe ao Estado assegurar esses direitos por meio de políticas públicas e legislações, enquanto o
Judiciário, especialmente o STF, atua como guardião contra retrocessos e omissões. Assim, o
princípio da dignidade da pessoa humana se consolida como eixo central do constitucionalismo
democrático brasileiro.

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