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Cécile Chaminade

Este trabalho analisa a vida e obra de Cécile Chaminade, destacando sua importância na música romântica do século XIX. O documento inclui uma contextualização histórica e musical da França no século XIX, além de uma análise do 'Concertino para Flauta'. Chaminade, uma compositora de sucesso, enfrentou desafios como mulher na música, mas deixou um legado significativo com cerca de 400 obras.

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Este trabalho analisa a vida e obra de Cécile Chaminade, destacando sua importância na música romântica do século XIX. O documento inclui uma contextualização histórica e musical da França no século XIX, além de uma análise do 'Concertino para Flauta'. Chaminade, uma compositora de sucesso, enfrentou desafios como mulher na música, mas deixou um legado significativo com cerca de 400 obras.

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CÉCILE CHAMINADE

VIDA E OBRA

Trabalho de História de Música Ocidental V

Joana Francisco da Costa l59536

1º ano Licenciatura – Música

Docente: Vanda de Sá

Évora

Dezembro de 2023
Cécile Chaminade

Resumo

Este trabalho insere-se na disciplina de História de Música Ocidental V, da licenciatura


de Música, na vertente de interpretação da Universidade de Évora.
Este trabalho, tal como o título indica, “Cécile Chaminade”, consiste na recolha de um
conjunto de informações direcionadas à interpretação e à análise de Cecile Chaminade.
Para além de apresentar a análise das suas obras e a sua vida, irei também realizar uma
breve contextualização histórica e musical do século envolvido, século XIX.

Palavras-chave: Cécile Chaminade, Flauta, Século XIX, Análise.


Cécile Chaminade

Abstract

This work is part of the History of Western Music V discipline, of the Music degree,
in the interpretation section of the University of Évora.
This work, as the title indicates, “Cécile Chaminade”, consists of collecting a set of
information aimed at the interpretation and analysis of Cecile Chaminade.
In addition to presenting an analysis of this works and his life, I will also provide a
brief historical and musical contextualization of the century involved, the 19th century.
Keywords: Cécile Chaminade, Flute, Nineteen century, analysis.
Cécile Chaminade

Índice geral

Resumo ........................................................................................................................................
Abstract .......................................................................................................................................
Índice de Figuras ........................................................................................................................
1 Introdução ...........................................................................................................................
2 França no século XIX .........................................................................................................
2.1 No contexto histórico ...................................................................................................
2.2 No contexto Musical ....................................................................................................
3 Cécile Chaminade ...............................................................................................................
3.1 Vida..............................................................................................................................
4 Concertino para Flauta ......................................................................................................
5 Conclusão ............................................................................................................................
6 Referências bibliográficas..................................................................................................
Cécile Chaminade

Índice de Figuras

Figura 1- Revoluções francesas do século XIX ...........................................................................


Figura 2 - Gasparto Spontini ........................................................................................................
Figura 3 - Ópera Carmen, George Bizet ......................................................................................
Figura 4 - Cécile Chaminade ........................................................................................................
Figura 5 - Concertino para Flauta e Piano....................................................................................
Cécile Chaminade

1 Introdução

Com este trabalho pretendo aprofundar os meus conhecimentos na área da música


romântica do século XIX, mais propriamente, a música de Cécile Chaminade.
Este estilo sempre me cativou bastante, e este trabalho será uma mais valia para
enriquecer o meu crescimento a nível musical.
Este trabalho ramifica-se em três capítulos, denominados de “França no século XIX”,
“Cécile Chaminade” e “Concertino para Flauta e Piano”, que consiste na recolha de um
conjunto de informações.
No primeiro capítulo será visível uma apresentação histórica e musical do século XIX,
num contexto nacional.
No segundo capítulo será apresentada a biografia da compositora em questão.
O terceiro capítulo deste trabalho incidirá numa breve análise da obra “Concertino para
Flauta e Piano”.
Cécile Chaminade

2 França no século XIX

2.1 No contexto histórico

O século XIX foi um período de profunda mudança e instabilidade política na França.


Tal instabilidade não impediu o progresso econômico, porém retardou o progresso econômico,
porém retardou o progresso social. Após a Revolução Francesa (1799) com o Golpe de 18 de
Brumário, o país conheceu o equilíbrio político no qual os insurgentes republicanos haviam
lutado. Mas este foi um século cheio de revoluções, em 1848 a monarquia foi abolida e criada
a Segunda República, que durou apenas quatro anos, de fevereiro de 1848 a dezembro de 1852.
O Antigo Regime deixou uma herança social e cultural pesada, o poder era colocado
acima de tudo. Ao mesmo tempo, importantes mudanças sociais, científicas e tecnológicas
ocorreram na sociedade francesa, formando o surgimento de uma nova classe, a do proletariado.
O enfraquecimento e a influência da nobreza e do clero nos assuntos do país estabeleceu uma
burguesia liberal e reformista como a classe de definição social, estimulando desta forma o
crescimento industrial. A burguesia era a produtora e detentora da riqueza do país restando para
os trabalhadores apenas a miséria. Eles não possuíam nenhuma garantia trabalhista ou salários
dignos. Tal situação terminou por resultar na organização do sindicalismo.
Após o fim das ambições napoleônicas, as mudanças ocorrem lentamente sobre o fundo
de crises e ruturas que aconteciam com uma regularidade a cada 20 anos. Foram dois Impérios
(1803-1814, 1852-1870), três monarquias (1815- 1824, 1825-1830, 1830-1848), duas
Repúblicas (1848-1852, 1870), três revoluções (1830, 1848, 1871). A produção literária no
século XIX foi bastante ativa, neste século surgiram quatro movimentos literários: romantismo,
realismo, realismo, o naturalismo e o simbolismo representados no teatro, romance e poesia.
Tiveram importância nesse cenário as figuras Honoré de Balzac e Victor Hugo.
Cécile Chaminade

2.2 No contexto Musical

Combinando as influências de Gluck, da Revolução Figura 1- Revoluções francesas do século XIX


Francesa e do Império Napoleônico, Paris transformou-se na
capital da Europa na primeira metade do século XIX, tendo-se desenvolvido, ali, um
determinado tipo de ópera séria, um exemplo é, “La Vestale” (A Vestal – 1807) de Spontini.
O compositor, Gasparto Spontini (1774 – 1851) um italiano que se radicara em Paris em 1803
e veio, mais tarde, a partir de 1820, a fazer uma segunda
carreira como diretor musical da corte de Berlin, era o músico
preferido da imperatriz Josefina. Em “La Vestale”, Spontini
conjugou o caráter heroico das últimas óperas de Gluck com
uma forte tensão dramática dos enredos de libertação de
libertação, exprimindo esta atmosfera num solene e aparatoso
estilo solístico, coral e orquestral. Os mais importantes
confrades em Paris foram Étine Nicolas Méhul (1763 – 1817)
recordado pela ópera bíblica “Joseph” (1807) e Luigi
Cherubini, cuja ópera “Le Deux Jounées” (Os Dois Dias –
1800) e em alemão, “Der Wasserträger” (O Aguadeiro), foi o
modelo no qual se inspirou Beethoven para compor “Fidélio”. Figura 2 - Gasparto Spontini
A partir de 1820, com a ascensão de uma classe média numerosa e mais influente, surge um
novo tipo de ópera destinado a cativar o público que enchia os teatros de ópera. Os chefes desta
escola da “grande ópera” foram o libretista Eugéne Scribe (1791-1864) e o diretor de ópera de
Paris, Louís Véron (1798-1867). Duas óperas de Meyerbeer fixaram este estilo: “Robert, le
Diable” (“Roberto, o Diabo” – 1831) e “Les Hunguenots” (1836).
Desde o tempo de Lully, segundo tendência dominante na França, a grande ópera dava tanta
importância ao espetáculo como à música. Os libretos eram concebidos a explorar todas as
oportunidades possíveis de introduzir bailados, coros e cenas de multidão.
Meyerbeer tinha a capacidade para encenar multidões, cerimônias e confrontos públicos, como
no caso das últimas cenas do ato II de “Les Hunguenots”.
Este ideal francês da grande ópera sobreviveu ao longo de todo o século XIX, vindo a
influenciar as obras de Bellini (I Puritani), Verdi (Les Vêpres Siciliennes, Aída) e Wagner
(Rienzi) sendo esta um perfeito exemplo de grande ópera.
Determinadas características do gênero são, também, evidentes em algumas das suas obras mais
tardias, como em “Tanhäuser”, “Lohengrin” e “O Crepúsculo dos Deuses”.
A tradição da grande ópera subsiste ainda no século XX em obras como “Christophe Colomb”,
de Milhaud, e “Antônio e Cleóprata” de Barker.
A par da grande ópera, na França, a ópera cômica prosseguiu durante o período romântico. A
diferença técnica entre ambas era que na cômica utilizava-se o diálogo falado em vez do
recitativo, tinha menos pretensões do que a grande ópera, menos cantores e instrumentistas e
Cécile Chaminade

escrita numa linguagem musical mais simples. Em meados de 1860, surgiu em Paris, um novo
gênero, a ópera bouffe, com especial ênfase aos elementos espirituosos e satíricos da ópera
cômica. O seu fundador foi Jacques Offenbach (1819-1880) com “Orphée aux Enfers” (“Orfeu
nos infernos” – 1858) e “La Belle Hélène” (“A Bela Helena”).
As obras de Offenbach influenciaram a evolução da ópera cômica em outros países como as
operetas de Gilbert e Sullivan nas Inglaterra (“The Mikado”, 1885) e as de uma escola vienense
cujo representante é Johann Strauss, em “Die Fledermaus” (“O Morcego” – 1874).
A meio caminho entre a ópera cômica e a grande ópera, surge a ópera lírica: são dramas ou
fantasias românticas e as proporções são dramas ou fantasias românticas e as proporções são
geralmente mais amplas do que as da ópera cômica, mas não tão majestosas como as da grande
ópera típica.
Estreada em Paris em 1875, “Carmen” de George Bizet (1838-1875) foi um marco importante
na história da ópera francesa. Tal qual a versão original de “Fausto”, “Carmen” foi classificada
como ópera cômica, porque continha diálogos falados.
O fato da denominação “cômica” para este drama sombrio revela, pura e simplesmente, que
nessa época a distinção entre ópera cômica passara a ser, apenas, de ordem técnica.

Figura 3 - Ópera Carmen, George Bizet


Cécile Chaminade

3 Cécile Chaminade

3.1 Vida

Cécile Chaminade nasceu a 8 de agosto de 1857 em Paris.


Veio de uma família poderosa, estudou
primeiramente com a mãe e depois com Félix Le Couppey,
Savart, Martin Pierra, Joseph Marsick e Benjamin Gobard,
mas não “oficialmente”, pois o seu pai desaprovava a sua
educação musical.
O seu pai tocava violina, trabalhava com seguros e
a sua mãe era uma pianista e cantora competente que
apoiou energicamente a carreira da filha.
Apesar do seu pai não lhe permitir estudar no
Conservatório, Cécile teve aulas particulares e começou a
compor em meados da década de 1860.
Foi uma das pianistas e compositoras profissionais
de maior sucesso do século XIX, especializando-se em
obras para piano e vocais e acumulando uma fortuna
durante a vida.
Chaminade fez a sua estreia profissional em 1877 Figura 4 - Cécile Chaminade
na Salle Pleyel. Ela deu o primeiro recital das suas próprias
obras no ano seguinte (1878) e executou com sucesso a sua própria música pelo resto da sua
vida.
Durante a década de 1880, aventurou-se nas grandes formas de ópera, sinfonia e música
de câmara, mas a morte do seu pai e a perda associada de renda familiar empurraram-na para
gêneros mais comercializáveis de música vocal e de teclado.
Sobre os obstáculos enfrentados pelas mulheres compositoras, Cécile construiu
pragmaticamente uma carreira deslumbrante nesses gêneros.
Hoje em dia, apenas o Concertino para flauta e orquestra (ou piano) é executado
regularmente.
Entre 1892 e 1924, Chaminade percorreu regularmente a Inglaterra, ganhando uma
enorme popularidade e contando com a Rainha Vitória entre os seus fãs. Também viajou por
cidades belgas, alemãs e austríacas, bem como pela Europa Oriental e pelos Balcãs. No final
do século, ela acumulou inúmeros admiradores nos Estados Unidos da América, resultando no
fenómeno único dos Clubes Chaminade só para mulheres, que foram criados apenas em 1940.
Cécile Chaminade

Chaminade casou-se por conveniência em 1901 com o editor musical Louis-Mathieu


Carbonel, que tinha vinte anos a mais que ela. Isto resolveu o problema percebido de solteira
sem restringir muito as suas atividades profissionais. Eles viveram separados e ele morreu em
1907. No geral, Chaminade permaneceu privada, mantendo um lugar fora dos principais
círculos musicais franceses. No entanto, foi a primeira compositora a receber a Legião de Honra
Francesa.
Chaminade tinha um conhecimento brilhante no mercado musical, abraçou a tecnologia,
gravando rolos de piano para a Aeolian Company a partir de 1908, começou a realizar duetos
de concertos com as suas próprias gravações na pianola.
No entanto, a sua atividade e reputação diminuíram na década de 1920.
Sofreu problemas de saúde e mudou-se para Monte Carlo em 1936, onde morreu em
1944.
Cécile escreveu aproximadamente 400 obras, das quais pelo menos 130 são canções.
Tal como a música de contemporâneos como Viardot, Bizet, Chabrier e Debussy, a sua música
tem frequentemente um sabor espanhol.
Escreveu muitos duetos, refletindo a sociabilidade e acessibilidade do seu mundo
musical, da mesma forma, a sua música foi transcrita inúmeras vezes para outras formas, como
a sua Sérénade Espagnole Op.150 que Fritz Kreisler popularizou num arranjo para violino e
piano.
Nas suas canções, favoreceu melodias líricas e atraentes e estruturas de frase
transparentes, muitas vezes em forma ternária, e expressas em harmonia tonal funcional.
Compôs textos de muitos poetal contemporâneos, incluindo Théophile Gautier, Sully
Prudhomme, Edouard Guinand, Armand Silvestre, Júli Verne e Pierre de Ronsard.
Durante a sua vida, a música de Chaminade foi regularmente elogiada pelas qualidades
femininas percebidas de “encanto e graça”. O seu Concerto para piano e orquestra foi criticado
por ser demasiado “forte e viril”, mas igualmente a sua “delicadeza” foi equiparada à
superficialidade.
Aliou-se ao mundo estilístico do final do século XIX em toda a sua riqueza expressiva
e harmónica.
Canções como “L’anneau d’argent” (1891) são primorosamente elaboradas e
justificadamente famosas. “Viens, mon biem-aimé” (1892) merece ser um recital básico, dada
a sua melodia perfeitamente moldada. “Si j’etais jardinier” (1893) é lúdico e alegre.
As suas músicas são geralmente curtas e fáceis de combinar em vários grupos. Acima
de tudo, a música de Chaminade merece livrar-se da sua reputação de encanto superficial; a sua
qualidade corresponde e pode superar muito dos seus contemporâneos.
Cécile Chaminade

4 Concertino para Flauta

O Concertino foi escrito inicialmente para Flauta e


Piano, e mais tarde orquestrada para flauta e orquestra.
Esta obra foi encomendada pelo Conservatório de
Paris em 1902 para ser uma peça de exame para estudantes de
flauta. Foi dedicado ao flautista e professor Paul Taffanel.
Supostamente, Cécile Chaminade escreveu esta obra
para punir um amante que tocava flauta depois de este a ter
deixado para casar com outra mulher. Assim, escreveu um
concertino extremamente difícil ara que ele não o conseguisse
tocar.
Esta obra está em movimento único e em forma
Rondó. Começa com uma ampla declaração do piano, que
leva à entrada da flauta.
Ouve-se uma melodia lírica construída num
movimento de colcheias e tercinas e este solo é a base de toda
a obra. Figura 5 - Concertino para Flauta e Piano

Esta melodia é mais romântica e mostra as diferentes tonalidades da flauta.


As passagens mais técnicas funcionam como um interlúdio que conduz às próximas seções.
Logo a seguir, há uma seção mais central marcada como um animato. Esta seção é um
pouco mais animada e usa diferentes técnicas como o stacatto duplo, que torna a parte da flauta
muito mais exigente. Existe também algumas passagens rápidas e esporádicas que aumentam a
emoção da peça.
Quase no final da obra, o piano começa outra variação do tema que logo em seguida
leva para uma cadência da flauta. Esta cadência escrita requer uma grande destreza por parte
do flautista, bem como um som e alcance mais ousado.
O piano retorna após um trilo da flauta, que de seguida dá início para o final da obra.
A seção final é composta por uma repetição do tema inicial, com a existência de escalas
mais predominantes.
É considerada uma das obras de estilo romântico mais bonita e incrível de tocar para os
flautistas.
Atualmente esta peça ainda é usada como prova de exame.
Cécile Chaminade
Cécile Chaminade

5 Conclusão

Com o objetivo de alargar os meus conhecimentos na área da música


romântica, o esforço foi compensador. Desde a contextualização do século XIX, tanto
a nível histórico como a nível musical, até à análise da obra, foram vínculos que me
direcionaram para o meu futuro musical.
O maior obstáculo que encontrei neste trabalho foi a procura de informação que
não é muita, contudo, como sempre admirei esta compositora, a motivação superou
as minhas dificuldades.
Cécile Chaminade

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Cécile Chaminade

6 Referências bibliográficas

Tese de Raquel Alexandra Oliveira da Silva Ribeiro


Romantismo Contextualização histórica e das artes
Wikipédia
Oxford International Song Festival
Centro de pesquisa e formação

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Cécile Chaminade

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