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ROMANTISMO: COMO PERÍODO:

O termo romântico vem de uma atitude estética diferente dos artistas. Pensa-se que
este termo tenha derivado do romance medieval, que consistia num poema externo que
contava as virtudes das grandes personagens. Existe a ideia do misticismo e passado remoto,
conferindo um sentido de individualidade. Este foi também um período influenciado por
grandes acontecimentos, como a Convenção de Viena (1815), as Invasões francesas ou a
Revolução Industrial, o que levou a uma mudança de pensamento.

Enquanto que o período clássico transmite a ideia de obra acabada, perfeita e


exemplar, o período romântico transmite a ideia de lendário, misterioso e fantástico. No
entanto, na música esta antítese não é tão evidente, pois existem traços românticos na música
do séc. XVIII, bem como traços clássicos na música do séc. XIX, visto que não existiu uma
quebra de pensamento na linguagem técnica.

No período romântico surge a ideia do individualismo, que consiste na quebra do


princípio clássico do universalismo. Posto isto, os compositores cultivam o artista que vive pela
arte, sendo que a sua personalidade se confunde com a sua obra.

Com a Revolução Industrial, dá-se o desenvolvimento da agricultura, do comércio e a


circulação dos bens, tal como o desenvolvimento das grandes cidades. Surgem novas
profissões, grandes empresas (devido ao aumento do poder financeiro dos Estados), e a
velocidade de correspondência e circulação de bens aumenta, devido à criação de estradas,
caminhos de ferro e ao desenvolvimento da tipografia. Os camponeses dirigiram-se para a
cidade, assim como os a burguesia que, por ter tanto dinheiro, fazia questão de ter
instrumentos musicais em casa e pagava para ter entretenimento.

Hegel e Schopenhauer eram grandes filósofos, responsáveis pelo desenvolvimento do


pensamento romântico. Embora não partilhem o mesmo conhecimento filosófico, as
orientações, gostos e preferências são semelhantes.

ROMANTISMO: NA MÚSICA:

Neste período, os compositores respeitam as convenções musicais, mas deixam


espaço para a imaginação, ou seja, continuam a compor sinfonias e sonatas, embora não
sigam totalmente as formas destas.
A música instrumental era vista como a arte ideal, pois sendo música “pura”, tinha a
capacidade de conseguir expor sentimentos inexplicáveis. Existiam importantes distinções
entre os vários tipos de música instrumental: música absoluta e música programática.
A música absoluta representava uma música onde se expressavam sentimentos sem
auxílio de outras artes; enquanto que a música programática, que podia descrever situações,
defendia que a música necessitava de estar associada a outras artes, como a poesia, por
exemplo.
Outro aspecto importante da música romântica é a maximização da forma, ou seja, as
durações das obras aumentaram.
Passou a existir também um interesse histórico pela música – começa-se a dar mais
importância à música do passado.
LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

Beethoven é visto como o principal compositor de transição do período clássico para o


período romântico. Este idolatra inicialmente Napoleão, euforia que termina em 1815. No
entanto, as ideias que este defendia (liberdade, nacionalismo) mantêm-se. O governo francês,
seguindo as ideias de Napoleão, observa que a música está apenas acessível a pessoas ricas.
Por isso, cria em 1795 o Conservatório de Paris. Este tem a vida cronologicamente organizada
em três fases:

1ªfase [1770-1802]: Beethoven nasceu em Bona, na Alemanha, onde estudou e trabalhou até
1791. O seu pai queria que este fosse o novo Mozart. Beethoven é ouvido por Haydn, que lhe
arranja uma bolsa de estudo. Este parte então para Viena, em 1792, para estudar com Haydn e
Albrechtsberger. Haydn passa-lhe influências do classicismo, como a forma, estrutura e
harmonia, enquanto que Albrechtsberger lhe ensina a dominar o contraponto, como as fugas.
Resumindo, esta é a fase em que Beethoven ganha as bases das suas composições,
mas tenta ganhar um estilo próprio.
Como obras importantes desta fase, destacam-se a sua Sonata op. 2 nº1, dedicada a
Haydn; a sua Sinfonia nº1 em Dó maior; e os seus quartetos de cordas op. 18.

2ªfase [1803-1814]: Por volta de 1803, Beethoven começou a compor num novo estilo (ainda
baseado nos modelos de Haydn e Mozart), em parte devido ao apoio de patrocinadores e
editores. Existiam vários patrocinadores interessados em manter Beethoven em Viena. Teve
como seu aluno de piano e estudante de composição, o Arquiduque Rudolph. Os editores
começaram a competir pela música de Beethoven.
É por volta de 1802 que este começa a perder a audição. Considerou o suicídio, mas
decidiu trabalhar para a arte, tal como descrito no testamento Heiligenstadt. Começou a
aparecer menos vezes em público, mas continuou a compor. Muitas das suas composições
desta altura parecem refletir a luta da sua própria vida. Os temas podem ser vistos como
personagens de um drama.
Beethoven iniciou uma reformulação das formas musicais sem precedentes,
compondo sonatas, sinfonias, e quartetos de cordas maiores e mais complexos que os dos
seus mestres.
As suas obras mais importantes desta fase são a sua 3ª Sinfonia e Fidelio, a sua única
ópera.

3ªfase [1815-1827]: Esta é uma fase complicada para Beethoven, devido ao agravamento da
sua surdez. Termina a guerra em Viena, existindo um ambiente depressivo.
Beethoven resolve abandonar progressivamente o seu estilo heroico, isolando-se e
focando-se muito nas obras de carácter intimista, e voltando a utilizar o contraponto. Vai
procurar também a continuidade de andamentos, e começar a “turvar” as frases (relação
entre estas).
Entre as principais obras desta fase, estão a sua 9ª Sinfonia, a Grande Fuga para
quarteto de cordas, as suas sonatas para piano op. 106 e 110.
HECTOR BERLIOZ

O principal compositor ligado à música programática é Hector Berlioz. Compositor, flautista e


guitarrista, estudou no Conservatório de Paris. Em 1830 foi premiado como Jovem Compositor,
com a Sinfonia Fantástica – obra de cariz autobiográfico composta em 1837.
Esta é uma obra de cinco andamentos: visões e paixões; um baile; cena campestre;
marcha para o cadafalso; e sonho de uma noite de Sabbat. Tem segundo programa, para ser
apresentado depois – Lelio.
Nesta obra, Berlioz usa a sinfonia como uma narrativa, e tenta unificá-la através de um
tema recorrente e de transformação temática – idée fixe, que consiste num motivo fixo que
surge ao longo da obra, conferindo continuidade.
Em 1848, escreve um importante tratado orquestral: o Tratado de Instrumentação,
dando especial destaque aos instrumentos de sopro.

Poemas Sinfónicos de Liszt: Um poema sinfónico é uma forma contínua com várias secções de
caráter e andamento mais ou menos contrastante, sendo alguns temas desenvolvidos,
repetidos, variados ou transformados de acordo com a estrutura de cada obra. A inspiração
vem de um quadro, uma estátua, um poema, uma personalidade, etc. e é identificado no título
pelo compositor.
Liszt compôs 13 poemas sinfónicos, 12 dos quais entre 1848 e 1858, sendo que o 13º
foi composto entre 1881 e 1882.
Quanto à orquestração, existe um maior peso dos metais, maior contraste entre
madeiras e metais, e maior virtuosismo nas cordas.

Desenvolvimentos musicais no início do século XIX

Quanto a desenvolvimentos musicais no início do século XIX, dá-se um crescimento de


concertos públicos e um desenvolvimento de orquestras amadoras, que davam estes mesmo
concertos. São criadas novas orquestras, tais como London Philharmonic (1813), New York
Pilharmonic (1842) e Vienna Philharmonic (1842). Inicialmente o público das novas orquestras
pertencia maioritariamente à classe média, geralmente gente que apreciava a prática musical
caseira.
Passam a existir tournés de grandes virtuosos, como Liszt, Paganini, etc, que
contribuíram para uma vibrante vida de concertos.
Obras do período clássico têm um importante papel no desenvolvimento da orquestra,
com a apresentação de obras de compositores que já faleceram. Inicialmente eram
apresentadas maioritariamente obras de Händel e Haydn, principalmente oratórias e,
posteriormente, obras de música de câmara e orquestrais da primeira escola de Viena. Esta
corrente despoleta a aspiração dos compositores deste período a que as suas obras sejam
apresentadas após a sua morte.
Vários géneros e formas (música para orquestra, música de câmara e coral) misturam-
se, criando novos estilos musicais.
Quanto aos instrumentos musicais, existem várias inovações nos sopros: nas madeiras,
introduz-se um sistema completo de chaves, que permitiu o desenvolvimento técnico e da
afinação; nos metais, dá-se a introdução de válvulas que permitem passagens cromáticas.
Introduzem-se também instrumentos como o piccolo, corne inglês, clarinete baixo e
contrafagote. A tuba começou a aparecer em meados da década de 30 do século XIX. Também
foi feita a introdução de outros instrumentos de percussão, como o bombo, triângulo, entre
outros.

FRANZ SCHUBERT (1797-1828)

Schubert manteve a estrutura clássica nas suas obras, mas introduziu um novo estilo
romântico, assente em grandes melodias, claras e agradáveis, harmonias arrojadas, cores
instrumentais, contrastes dinâmicos e no realce de emoções.
A sua 8ª Sinfonia foi a sua sinfonia mais popular, apesar de Schubert apenas ter
completado dois dos quatro andamentos (não se sabe o porquê, pois existem esboços dos
outros andamentos). Nunca foi tocada durante a sua vida (apenas 37 anos após a sua morte).
A sua 9ª sinfonia resulta da união entre o lirismo romântico, o drama Beethoveniano e a
forma clássica. Tal como a Sinfonia Incompleta, nunca foi apresentada durante a sua vida.
Schumann elogia a obra pela sua “pesada direcção”.

FELIX MENDELSSOHN

As obras de Mendelssohn têm uma sonoridade muito mais clássica comparativamente às


obras de Berlioz, pois treinou as formas clássicas na sua juventude, tendo escrito 13 sinfonias
para cordas. As últimas sinfonias do compositor conjugam modelos clássicos com elementos
românticos.
As 5 sinfonias são curiosamente numeradas pela data de publicação e não pela de
composição:
 5a Sinfonia: O último andamento é baseado num coral de Luthero.
 2a Sinfonia: Esta sinfonia foi composta para orquestra, vozes solistas, coro e órgão, à
semelhança da 9a Beethoven.
 3a Sinfonia: Obra baseada em impressões de uma viagem às ilhas Britânicas.
 4a Sinfonia: Baseada em impressões de uma viagem a Itália. O segundo andamento
pretende representar cânticos dos peregrinos e o último apresenta uma dança
tradicional, o saltarello.
A sua principal abertura são as Hébridas, que se baseiam nas viagens de Mendelssohn pela
Escócia.

ROBERT SCHUMANN (1856)

O compositor via a sinfonia como um género prestigiado e concordava com as ideias


da primeira sinfonia de Schubert, bem como das obras de Mendelssohn. Os temas das
sinfonias do compositor desenvolvem-se habitualmente a partir de uma célula rítmica, criando
variedade pelas constantes mudanças na apresentação do tema – refletindo o interesse
romântico em criar algo novo e individual, mas sem abandonar a tradição.

Lied: O lied romântico é baseado na tradição do séc. XVIII, mas a sua popularidade apenas
começou a aumentar a partir do século XIX. Os poetas desenvolveram este género sobre
elementos clássicos e da tradição. A natureza era o tema comum, e o lirismo a forma mais
comum da poesia, em que são utilizadas estrofes com métrica e rima regular, e em que se
denota a influência dos modelos clássicos do Sopphr e Horacio. O poema é estrófico e
representa o sentimento de um único tema.

Ciclos de Canções: Canções agrupadas por características unificadoras, como por exemplo o
mesmo poeta ou mesma temática. Nestas coleções, as canções deviam ser apresentadas por
ordem, permitindo ao compositor contar uma história. Esta temática foi introduzida por
Beethoven em Andie ferne Gelieble (3ª fase).

Nos Lieds e Ciclos de Canções, destacam-se Schubert: primeiro grande mestre do género,
autor de mais de 600 lieder. Viveu da publicação das suas obras e transformou textos e formas
das canções de variados poetas, incluindo Goethe. Este tentou equiparar a música à palavra,
colocando poemas estróficos, em especial os que apresentavam uma imagem ou sentimento,
e melodias que capturavam o tema e espírito do poema; e Schumann: compositor que
defendia que o piano e a voz eram parceiros. Este é da opinião que a música deve captar a
essência do poema, usando uma figura para conseguir a ideia da criação central do poema.

Ópera Romântica (do século XIX):

A ópera no século XIX era bastante lucrativa, sendo que os compositores ganhavam
bastante dinheiro. Esta era destinada não só à classe média e alta, mas também à burguesia.
Eram os compositores Italianos que dominavam os palcos. A ópera italiana, quando
comparada à francesa e alemã, é mais centrada no canto e no virtuosismo dos cantores. Na
ópera francesa e alemã, há uma maior preocupação com o papel da orquestra e com a
orquestração.
Quanto à ópera italiana, podemos destacar vários compositores, entre os quais
Rossini.
Rossini estudou em Bolonha, compondo a sua primeira ópera aos 18 anos. Em 1815,
foi nomeado diretor musical do teatro San Carlo, em Nápoles. Uma vez que tinha de compor
rapidamente, revia muitas vezes material de óperas anteriores para compor as mais recentes.
Associado ao Bel Canto, adaptou as suas obras para o público francês ao mudar-se para Paris,
tornando-se diretor do Théatre Italien. Escreve William Tell em 1829, sendo encenada mais de
500 vezes durante a sua vida. Esta obra caracteriza-se por combinar características italianas
com elementos da Grand Opera Francesa. Rossini parou de escrever óperas quando tinha
quarenta anos, e viveu os restantes quarenta com conforto económico, compondo noutros
géneros.
Nas suas óperas, Rossini procurava o Bel Canto, um estilo elegante de cantar que
contrastava com o estilo dramático, que tinha dominado a última metade do século anterior.
Estas óperas são conhecidas pelo fraseado melódico, ritmos vigorosos, frases claras,
orquestração simples e esquemas harmónicos simples.
Rossini e os seus libretistas desenvolveram uma estrutura de cena em que todos os
solos, conjuntos e coros contribuem para o desenvolver do enredo. Uma cena típica de solo
consiste numa introdução orquestral e uma scena – recitativo acompanhado pela orquestra,
seguido de uma ária com duas secções principais, uma lenta lírica e cantabile, e uma cabaleta
brilhante e rápida. A tempo di mezzo geralmente separa estas secções. Os conjuntos e os finais
têm estruturas semelhantes.
Outros importantes compositores da ópera italiana do século XIX são Bellini e
Donizetti.

Ópera em França

Em França, Napoleão apenas permitiu 3 teatros de ópera: o Opéra, onde inicialmente


só eram apresentadas tragédias; o Opéra Comique, onde eram apresentadas óperas
exclusivamente em francês; e o Théatre Italienne, onde eram apresentadas óperas italianas.
O estilo nacional de ópera, apelidado de Grand Opera, combina um canto glorioso com
a noção de espectáculo de entretenimento. Inclui um grande elenco, ballet, cenários
dramáticos, efeitos de luz e efeitos sonoros. Torna-se assim uma afirmação artística de
carácter sério.
Como principal compositor de Grand Operas destaca-se Giacomo Meyerbeer,
compositor alemão que compôs várias óperas para Paris. Este compõe inicialmente em italiano
e, mais tarde, influencia compositores como Wagner.

Ópera Alemã

Na ópera, a interação entre a música e a literatura era muito forte nos países germânicos. O
Singspiel, género que integra elementos da ópera francesa e tradição austro-germânica, era o
nome dado ao estilo nacional de ópera deste país. O enredo é baseado na história ou em
lendas medievais, envolvendo elementos sobrenaturais e o folclore – características de
identidade do país.
Como principal compositor, destaca-se C.M.Weber, com a obra Der Freischütz.

Variedade musical no fim do século XIX

Anteriormente a este século, a música não religiosa era apenas a composta na época,
não havendo contacto com o repertório passado. A partir de cerca de 1850 as bases do
repertório clássico são criadas, e um novo campo de Musicologia inicia o estudo da música
passada, sendo criadas e publicadas coletâneas das obras de Bach, Händel, Mozart,
Beethoven, Schubert, Chopin e outras de alguns trabalhos menos conhecidos do Barroco e
Renascimento. Com a criação deste novo campo de estudo, é iniciado o domínio da música
germânica, e também o fácil acesso à música mais antiga, tanto por parte dos músicos como
do público em geral.
BRAHMS vs WAGNER
Brahms seguiu as linhas mais clássicas, enquanto que Wagner, à semelhança de Liszt, seguiu o
legado de Beethoven, que apontava para novas linhas e géneros de composição. Nestes dois
compositores, existe uma dualidade entre música absoluta e música programática; tradição e
inovação; formas/géneros clássicos e “novos”estilos.

JOHANNES BRAHMS (1897)


Nasceu em Hamburgo em 1833 e estudou diversos instrumentos. Este foi descoberto ainda
jovem por Schumann. Destaca-se sendo um dos principais compositores do seu tempo.
Brahms era um compositor conservador, e defendia que os compositores deviam respeitar a
tradição musical. Este era contra o virtuosismo e individualismo na música.
Brahms não arrisca desde cedo composições orquestrais, compondo inicialmente
maioritariamente para piano e música de câmara – compõe a sua primeira sinfonia aos 43
anos.
Compôs 4 sinfonias:
 1a Sinfonia, 1876: Estrutura típica de 4 andamentos. Contudo, o 3o andamento é um
intermezzo lírico em vez do habitual Scherzo. Tal como a 5a Sinfonia de Beethoven,
inicia em Dó menor e termina em Dó Maior, e o tema presente no último andamento
em estilo de Hino invoca a 9a Sinfonia – aproximação da escrita Beethoveniana.
 2a Sinfonia, 1877
 3a Sinfonia, 1883: Ambiguidade rítmica entre ritmos binários e ternários;
 4a Sinfonia, 1885: O último andamento da obra é uma chaconne ou passacaglia –
Forma barroca que consiste em variações sobre um baixo que se repete. A tonalidade
de Mi menor invoca a Ciaccona também em Mi menor, de Bartehade. Adaptou o baixo
ostinato do final do coral de uma cantata de Bach – interação com a escrita do período
barroco.

RICHARD WAGNER (-1883)

Wagner foi um compositor influenciado por Weber e Beethoven. Escreveu algumas obras
instrumentais, 1 sonata para piano e alguns Lieder. O seu primeiro grande sucesso foi Rienzi,
composto em 1842. O êxito das suas obras continuou com O Navio Fantasma, e o Holandês
Voador, em 1843, período onde se estabeleceu em Dresden, e consolidou a sua vida
económica. No final da década de 40, século XIX, Wagner foge da Alemanha, devido a
acontecimentos políticos e dívidas de jogo. Estabelece-se na Suíça, onde tem contacto com
Liszt e se casa com Cosima Liszt. A nível de estrutura e concepção sinfónica, as obras de
Wagner têm influências de Beethoven, Meyerbeer (no sentido de obra de arte total) e de
Weber (no estilo de Singspiel e nacionalismo).
Wagner desenvolveu alguns ensaios a partir dos anos 50, denotando-se influências
Antissemitas (Judaísmo na música), apesar de as mesmas não terem sido uma contribuição
fundamental para o estilo nacional.
No tratado Ópera e Drama, Wagner expõe a noção de arte total. Este conceito baseia-
se no fundamento de que a poesia, desenho técnico, encenação, ação e a música trabalham
em conjunto, com o objetivo de tornar a obra composta numa obra de arte total. Wagner, nos
seus dramas musicais (terminologia usada pelo mesmo para descrever as suas obras), utilizava
as linhas vocais como parte de uma textura completa, na qual a música era o fundamental. O
pensamento total da ópera devia ser obra do compositor. Wagner utilizava nas suas obras o
leitmotiv, que consiste num motivo musical associado a uma personagem, emoção ou ideia.
Durante a composição, é utilizado para determinar o sentido do tema, mas caso a situação da
ação se modifique, o leitmotiv pode também ser modificado. A música dos dramas musicais
desenvolve-se em torno destes temas em que o material melódico circundante e o
desenvolvimento do leitmotiv criam a ideia de “melodia sem fim”.
Exemplos Óperas de Wagner: Óperas/Dramas musicais intermédios – Tannhäuser (1845);
Lohengrin (1850). Tetralogia Ciclo do Anel, baseada na mitologia nórdica – Das Rheingeld
(1854); Die Walhure (1856); Singfried (1857); Götterdämmerung (1879). Óperas finais – Tristão
e Isolda (1859), conhecida pela utilização continua de cromatismos e linguagem harmónica;
Die Meistersinger von Nürnberg (1856); Parsifal (1882).

Influências de Wagner: Compositor que mais textos teve escritos sobre a sua vida. Visiona as
suas obras como arte total o que afeta toda a ópera do final do Romântico. Dedica-se à
questão da afinação e cor orquestral, que influencia outros compositores, pois até então a
afinação era bastante descurada. Não só os compositores foram influenciados pelas obras de
Wagner, mas também poetas e pintores inspiraram-se nas obras do mesmo; os pensamentos
antissemitas também tiveram seguidores, como os Nazis.

Nacionalismo: Baseia-se no estilo individual de composição pois procura influências de grandes


nomes do seu pais. No nacionalismo é incorporado o Folclore, característica nacional,
curiosamente em França houve um debate sobre a possibilidade de incorporar influências de
compositores germânicos, como Bach ou Beethoven no seu estilo nacional. Inglaterra e os
Estados Unidos não adotaram as tendências nacionais justificando esta ação pela procura da
linguagem musical universal.