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1o.

Curso de umbanda
Proposta: preparar umbandistas para a organização e direção espiritual de casa de umbanda, através
de um conhecimento aprofundado da umbanda ancestral - Aumpram (pela orientação de Roger Feraudy –
as frases em itálico são tiradas de seus livros).
Não é um curso de desenvolvimento mediúnico. É um curso avançado de umbanda, em continuação do
curso básico de umbanda on line “700.000 anos de umbanda”. Não é um curso para formação de
babalaôs, pois para tanto seria necessário o candidato ter um compromisso cármico, além de
ter todas as obrigações feitas, etc.
8. Aula
Ritualística da umbanda
1a. parte
Neste capítulo comentaremos sobre as atividades do dia a dia dos trabalhos de
umbanda, tão necessárias de serem mais bem compreendidas. Além
disso nomearemos e explicaremos objetos, elementos da natureza, locais,
rituais e procedimentos usados na umbanda, entre outras coisas, separando
por itens, apenas para uma compreensão didática e sem uma ordem
específica.
1. GONGÁ: (significa lugar alto / altar) e é só um oratório. No altar devem
ser colocados:
- Flores (qualquer tipo - geralmente um buquê): são usadas
apenas como uma homenagem.
- Velas: em número impar (3 em festividade e 1 em trabalho
normal) e são acesas para dar o equilíbrio aos trabalhos
(sempre junto com um copo d’água ao lado). O fogo representa o princípio
(o universo é o fogo que se transforma).
A água representa o fim e, portanto, fogo e água unem o
positivo e o negativo.
2. OTÁ: (local sagrado) onde são feitas as seguranças do terreiro. Fica
embaixo do Gongá. Os elementos da natureza são trocados cada 21 dias.
Tanto objetos quanto elementos da natureza servem para firmeza da entidade
chefe, que atua nessa região e nesses objetos imantados; agem como imãs
que absorvem e eliminam energias e vibrações (absorvem as positivas e
eliminam as negativas).
- Cumbuca com água e sal: as entidades usam um ou outro
elemento da natureza, o que for melhor, para descarregar as
energias negativas.
- Cumbuca com 3 favas tipo olho de boi. É um catalisador
específico (absorve toda a energia negativa até rachar, quando
saturados).
- Vela com água ao lado: representam o equilíbrio (o principio
e o fim; o positivo e o negativo).
- 3 espadas de ogum: são catalisadores de energia (a mesma
coisa).
- Triangulo confeccionado com o metal do orixá da vibração
original do chefe do terreiro e serve para a mesma coisa dos
elementos anteriores.
3. ASSENTAMENTO DO AGENTE MÁGICO: local usado para a
segurança do terreiro. É feito com uma caixa de madeira quadrada de
aproximadamente 0,60X0,60 cm, por 0,15 de altura, pintada de cinza. Da
mesma forma que no Otá, onde os objetos e elementos da natureza lá
colocados servem para a firmeza do guia chefe, no assentamento estão as
firmezas dos agentes mágicos (exus). Ao final dos trabalhos a vela é apagada
e a caixa é coberta por um pano cinza (na tonalidade do agente
mágico correspondente – a cada orixá corresponde um agente mágico, com
seu tom de cinza específico).
-Terras (1o. elemento) das matas ou cachoeiras.
- Flores Lunares (3 flores apenas): dália ou rosa ou orquídea
ou copo de leite, ou outra.
- Pedra específica da vibração de cada orixá. Catalisador
usado pelos Exus para suas magias.
- Cristal da cor do orixá no qual o terreiro é firmado (lembrar
Que o terreiro deve ser firmado na vibração original do
médium que recebe o guia chefe).
- Álcool ou éter (2o. elemento): o elemento volátil é o que
difunde a magia dos Agentes Mágicos (usam-no para difundir
a magia, da mesma forma que o charuto – é o elemento fogo
direcionado). A água contida no álcool é o 3o elemento.
- Vela acesa: fogo (4o.elemento). Juntamente com o fogo está
o ar (5o. elemento).
Observação: Tudo o que se usa é, de certa forma, simbólico (nada disso
seria necessário se os médiuns conseguissem mentalizar no astral os
elementos). Na umbanda que já atua com o desenvolvimento esotérico, isso é o
que se espera dos médiuns no futuro. Espera-se que toda a magia se
dê no astral e coletivamente, atingindo toda a humanidade e não se façam
mais necessários atendimentos individuais.
4. UNIFORMES: os médiuns não podem vir com uniforme e nem sair
com ele (porque é uma roupa cerimonial imantada pelos guias e protetores).
Tudo é preparado antes e tem que ser tratado com respeito. Deve ser
totalmente branco (inclusive os sapatos, que devem ser exclusivos para os
trabalhos e não devem vir calçados).
5. DEFUMAÇÃO: é feita com fogo ou flores ou ervas secas, usando-se
um defumador ou turíbulo (serve para queimar os miasmas e limpar os
fluídos deletérios do ambiente). Faz-se a limpeza do terreiro, dos médiuns
e da assistência, que deve se colocar em pé, nessa ordem. É feita pelos
cambonos (um leva o defumador e um segundo o acompanha com um copo
d’água). Em primeiro lugar defuma-se o gongá (ou altar). Depois o local
onde os médiuns atendem (chamado de abassá), cruzando-se os quatro
cantos. Depois o médium chefe do terreiro seguido dos demais médiuns
e cambonos. Ao final o turíbulo é deixado ao lado da porta de entrada
do terreiro (que é a porteira, ao contrário do que se pensa, pois muitos
umbandistas acreditam que a porteira é a entrada do abassá).
6. PASSOS DE ABERTURA DOS TRABALHOS:
1º. Abertura das cortinas ou biombos do abassá (se houver).
2º. Riscar ponto da entidade chefe do terreiro (pelo chefe do terreiro –
pode ser riscado antes ou ser deixado permanentemente riscado). O ponto
deve ser riscado em um quadro de madeira pequeno (Ex: 0.40X0.40 cm) e
colocado em cima do altar, em pé.
3º Acender vela ou velas do gongá e do assentamento dos agentes mágicos
(qualquer médium).
4º. Momento de evangelização e momento da umbanda (ambos em
breves explanações de 5 a 10 minutos).
5º. Prece de Abertur a (Pai Nosso da Umbanda – ao final dos trabalhos a
prece é o Pai Nosso de Ay-Mhoré); médiuns voltados para o Gongá e
assistência em pé. Os médiuns formam a estrela de 6 pontas, representando
os orixás (com Oxalá ao centro), mentalizando a mesma e seu significado
6º. Mantra da umbanda para harmonização (UM – o som sagrado na tônica
Dó). Um médium entoa sozinho, dando o tom e depois os demais juntos 3
vezes. Assistência já sentada novamente e os médiuns conservando a
formação da estrela mas já voltados para o centro do abassá.
7º. Mentalização dos campos geométricos de proteção em forma de pirâmide,
sobre toda a casa, formados com o auxílio de pulsos
magnéticos, com a técnica usada na apometria (falaremos dela em
capítulo próprio).
8° Ponto de evocação (do Agente Mágico relacionado com a entidade
chefe do terreiro).
9°. Ponto de saudação (à entidade chefe do terreiro).
10°. Defumação (Gongá e Otá / Terreiro / médiuns / assistentes – nessa ordem)
com o ponto de defumação.
11°. Pontos de saudação das 7 Linhas de Umbanda na seguinte ordem:
- Oxalá
- Ogum
- Oxossi
- Xango
- Yemanjá
- Yori
- Yorimá
12º. Pontos De Homenagem: (do curso)
- Entidade chefe do terreiro *
- Babajiananda (Pai Tomé) *
- Índio Icaraí *
* ver história dessas entidades em capítulo próprio
13º. Pontos de descida dos guias e protetores:
a) Ponto de saudação a todas as entidades manifestadas
na casa.
b) Ponto de descida do guia chefe ou de seu preposto
(algumas vezes o chefe de cabeça do médium pode
ser da vibração de Yori ou Yorimá, por exemplo,
que não tomam, geralmente, a chefia do terreiro).
Obs. Mesmo quando a caridade do dia for de Pretos
Velhos o guia chefe ou seu preposto abrem os
trabalhos da mesma forma (porque os pretos velhos
não gostam dessa tarefa); depois o caboclo sobe para
a descida da entidade manifestada nessa linha no
mesmo médium
c) Pontos de descida das demais entidades que atendem
os consulentes. Obs. Outras entidades, das diversas linhas, podem
se manifestar durante os trabalhos (para um trabalho
específico) com a autorização do guia chefe, inclusive os Agentes Mágicos.
Observações: - Ver todos os pontos cantados e mantras em outro capítulo.
7. CONSULENTES: Recebem fichas numeradas ao chegar (cada pessoa pode
pegar apenas uma ficha, que é individual), trocadas posteriormente por outras,
pelos cambonos, numeradas e com os nomes e cores das entidades (o nome
dos médiuns não deve nunca ser colocado nas fichas, para evitar
vaidades, pois quem atende são as entidades e não os médiuns). Os
consulentes são chamados em ordem, através da exposição do número e nome
da entidade em questão (e não verbalmente), em quadro magnético, para que
fiquem atentos e concentrados nos trabalhos. A porta do terreiro é aberta
apenas meia hora antes do início dos trabalhos para a distribuição das fichas
e entrada dos consulentes. A organização de eventuais filas do lado de
fora fica por conta dos próprios consulentes. Os médiuns atendem um número
igual de consulentes e se alguém não consegue a ficha desejada é
orientado a escolher outra entidade naquele dia, podendo retornar ao anterior
num próximo trabalho (são todos orientados a perceber que as entidades
trabalham juntas, o que significa que não há porque ficar desgostoso se isso
ocorrer). Tal providencia evita que pessoas cheguem horas antes, temendo não
ser atendidos por esta ou aquela entidade, ou mesmo demorar muito para ser
atendido por uma entidade com grandes filas, o que deixa de existir.
8. ENCERRAMENTO: Pontos de subida das entidades (o último a subir é o
guia chefe). Prece de encerramento. O trabalho termina aí. Não se canta ponto
de fechar gira (só quando o terreiro for ficar parado muito tempo, como em
férias, por exemplo).
9. BANHOS: de descarga ou proteção. Pode ser feito pelos médiuns antes ou
depois do trabalho no terreiro (o médium sente quando precisa e não há um
ritmo determinado de freqüência). Se a entidade recomendar banho para o
consulente, encaminhar para o cambono orientar (ele não só o fará como
também entregará por escrito ao consulente a orientação). Deverá haver papéis
prontos para serem entregues aos consulentes (como no modelo abaixo); o
cambono preencherá os dados individuais na hora.
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Orientação para banhos
1. Ferver a água e desligar o fogo.
2. Colocar as ervas (de proteção, como espada de ogum, por exemplo) ou do
orixá correspondente à vibração original e tampar para abafar (até a hora de
usar).
3. Na hora de usar coar (ou não, como desejar) e jogar do pescoço
para baixo (erva na cabeça só nas obrigações dos médiuns para
fixar a vibração dos orixás ou nos amacis).
4. Não re-esquentar e não “batizar” com água fria.
5. Se o banho for apenas com sal grosso, apenas encher um
recipiente com a água do chuveiro mesmo, ao final do banho
normal e colocar um punhado de sal grosso.
6. Antes de jogar sobre o corpo colocar um carvão virgem embaixo de um dos
pés (o do lado preferencial do médium) para
descarregar as energias (orientando o pé e o corpo, se possível,
para o ponto cardeal correspondente àquela vibração). Se apontar
o braço direito para o lado que o sol nasce, á sua frente está o
Norte (desta forma é fácil determinar os outros pontos).
7. O cambono orientará quanto às ervas e pontos cardeais. Tanto a
relação de ervas quanto a dos pontos cardeais ver em capítulo
próprio.
a. Ervas:....................................................................................
b. Direção do pé e do corpo:...................................................
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Pontos cardeais
Oxalá – Norte Yemanjá – Sudoeste Oxossi – Noroeste
Ogum – Norte Xangô – Sul Yori – Oeste Yorimá - Leste
10. DESCARGAS:
Médium de umbanda não faz descarga, isto é, não pode ser usado para dar
“passagem” aos espíritos inferiores ou necessitados dos consulentes durante os
trabalhos de caridade (só na apometria, onde o ambiente é preparado para isso),
pois vai se desequilibrar inutilmente, sendo esse procedimento desnecessário
(as entidades necessitadas são assistidas da mesma forma). Somente quando for
um problema do próprio médium, e ainda assim a critério da entidade chefe do
terreiro, para que ele se sinta melhor antes
do início dos trabalhos, caso tenha trazido algum “acompanhante” para ser
beneficiado (e mesmo assim pode a entidade perturbadora ser retirada e
assistida apenas com prece e mão passada no frontal ou, se absolutamente
necessário, o ponto riscado). O guia chefe ou o próprio médium, pode
simplesmente permitir que a entidade seja retirada,fazendo girar o Chakra
Vibuti* (que o liga ao seu guia), pois muda a freqüência que o liga à entidade
necessitada.
* Falaremos em capítulo próprio deste chakra.
Se o consulente “incorpora” espontaneamente (pois as entidades
manifestadas que atendem no curso não “trazem” os espíritos
desenvolvedores ou perturbadores dos consulentes para incorporação de forma
alguma, pois isto não serve para nada no auxílio do consulente, que precisa ser
encaminhado para desenvolvimento, se for o caso), o mesmo procedimento
simples é realizado.
Ou ainda, se durante os trabalhos ocorrer alguma invasão por
desequilíbrio coletivo ou individual dos médiuns, o que é raro, o mesmo
procedimento também poderá ser tomado.
O equilíbrio é conseguido com a harmonia e vibração dos médiuns (é preciso
atenção ao que está acontecendo no trabalho, aos pontos cantados, à descida e
subida das entidades). Principalmente é preciso estudar, para saber o que está
acontecendo, já que a proposta do Curso é de uma umbanda onde os médiuns
devem conhecem os segredos ocultos.
O equilíbrio da corrente também é conseguido com o equilíbrio
individual de cada médium em sua vida particular (reforma íntima).Caso o
médium chegue aos trabalhos e perceba que não está bem, deve se dirigir ao
chefe do terreiro ou a outro médium que já estiver incorporado, no início dos
trabalhos e pedir para ser atendido de urgência, o que será feito (esse
procedimento deverá ser feito antes da descida da entidade que se manifesta
através de sua própria mediunidade). O médium precisa também, não apenas
saber, como também se dispor a cantar os pontos, para colaborar na harmonia e
equilíbrio dos trabalhos, e até mesmo iniciar um ponto solicitado por alguma
entidade caso o Ogam (que é o médium que começa os pontos) ou os
cambonos estejam ocupados. Para isso precisa saber diferenciar um ponto de
descida de uma linha com, por exemplo, um ponto de demanda ou de limpeza,
etc.
11. INCORPORAÇÃO EXPONTANEA DE CONSULENTE:
- Se for uma entidade apenas ainda não harmonizada com a
mediunidade do consulente, pedir que se retire imediatamente (se
necessário dar breve explicação á entidade). A seguir encaminhar o consulente
para desenvolvimento em uma das casas selecionadas (pois o curso de
“umbanda – escola” e não possui espaço para desenvolvimento de novos
médiuns). Poderá tomar aulas teóricas nos cursos on line disponibilizados pela
internet. Encaminhar para o cambono passar toda essa orientação, quando se
perceber que o desenvolvimento é imprescindível. Quando o terreiro não tiver
condições de desenvolver novos médiuns, os cambonos deverão dispor de uma
lista de bons centros (tanto kardecistas quanto de umbanda, para o
encaminhamento).
- Se for uma “presença” negativa, retirar imediatamente para que possa ser
assistida (com os mesmos procedimentos relatados acima). Se necessário
chamar o guia chefe para as providências necessárias.
12. GUIAS :
Geralmente somente as entidades manifestadas na vibração de Yorimá, os
pretos velhos, é que pedem guias (e de favas da natureza, geralmente
– jamais de plástico, vidro ou outros materiais).
Agentes mágicos não as usam e caboclos raramente. O problema é que muitas
vezes as guias são usadas em quantidade, quase como uma demonstração de
hierarquia, o que é absolutamente inútil. No curso os médiuns usam apenas um
cristal imantado, na cor de sua vibração original, e nada mais. O cristal deve
ser imantado pelo guia chefe do terreiro ou por ele próprio com a caixa de
imantação de objetos (falaremos desse procedimento, o da caixa, mais adiante).