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OS 60 ACÓRDÃOS MAIS RELEVANTES

PROFERIDOS PELO TCU EM 2017, E OS 20 DE


MAIOR DESTAQUE PROLATADOS EM 2018,
RELACIONADOS À ÁREA DE LICITAÇÕES E
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
(as decisões serão apresentadas sob a forma de
perguntas e respostas, estas últimas representando o
entendimento do TCU consagrado no respectivo acórdão)

Luiz Felipe Bezerra Almeida Simões


ACÓRDÃO 134/2017 - PLENÁRIO
1ª PERGUNTA:
É legal a exigência de comprovação, para
fim de qualificação técnica, de tempo de
experiência dos profissionais a serem
disponibilizados pela licitante para a execução
do objeto contratado?
EXIGÊNCIAS DE HABILITAÇÃO
Lei 8.666/1993:
Art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á
dos interessados, exclusivamente, documentação
relativa a:
I – habilitação jurídica; [art. 28]
II – qualificação técnica; [art. 30]
III – qualificação econômico-financeira; [art. 31]
IV – regularidade fiscal e trabalhista; [art. 29]
V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do
art. 7º da Constituição Federal.
EXIGÊNCIAS DE HABILITAÇÃO
Constituição Federal:
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e
rurais (...):
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso
ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer
trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na
condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
EXIGÊNCIAS DE HABILITAÇÃO
Constituição Federal:
Art. 37. (...)
XXI - ressalvados os casos especificados na
legislação, as obras, serviços, compras e
alienações serão contratados mediante processo
de licitação pública (...), o qual somente permitirá
as exigências de qualificação técnica e econômica
indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações.
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação
técnica limitar-se-á a: (...)
II - comprovação de aptidão para desempenho de
atividade pertinente e compatível em características,
quantidades e prazos com o objeto da licitação, e
indicação das instalações e do aparelhamento e do
pessoal técnico adequados e disponíveis para a
realização do objeto da licitação, bem como da
qualificação de cada um dos membros da equipe
técnica que se responsabilizará pelos trabalhos;
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. (...)
§ 6º As exigências mínimas relativas a
instalações de canteiros, máquinas, equipamentos
e pessoal técnico especializado, considerados
essenciais para o cumprimento do objeto da
licitação, serão atendidas mediante a
apresentação de relação explícita e da declaração
formal da sua disponibilidade, sob as penas
cabíveis, vedada as exigências de propriedade e
de localização prévia.
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. (...)
§ 5º É vedada a exigência de comprovação de
atividade ou de aptidão com limitações de tempo
ou de época ou ainda em locais específicos, ou
quaisquer outras não previstas nesta Lei, que
inibam a participação na licitação.
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO VII-A)
DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DO
ATO CONVOCATÓRIO
10. Da habilitação: (...)
10.6. Na contratação de serviço continuado,
para efeito de qualificação técnico-operacional,
a Administração Pública poderá exigir do
licitante: (...)
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
b) comprovação que já executou objeto compatível,
em prazo, com o que está sendo licitado, mediante a
comprovação de experiência mínima de três anos na
execução de objeto semelhante ao da contratação,
podendo ser aceito o somatório de atestados;
[...]
10.6.1. É admitida a apresentação de atestados
referentes a períodos sucessivos não contínuos, para
fins da comprovação de que trata a alínea "b" do
subitem 10.6 acima, não havendo obrigatoriedade de
os três anos serem ininterruptos.
ACÓRDÃO 134/2017 - PLENÁRIO

RESPOSTA À 1ª PERGUNTA:
É ilegal a exigência de comprovação, para
fim de qualificação técnico-profissional, de
tempo de experiência ou de exercício em função
dos profissionais a serem disponibilizados pela
licitante para a execução do objeto, porquanto o
rol de exigências de habilitação previsto na Lei
8.666/1993 é taxativo.
ACÓRDÃO 134/2017 - PLENÁRIO

2ª PERGUNTA:
É possível exigir, como critério de
habilitação, atestado de qualificação técnica
comprovando experiência em tipologia
específica de obra ou serviço?
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica limitar-se-á
a: (...)
II - comprovação de aptidão para desempenho de atividade
pertinente e compatível em características, quantidades e prazos
com o objeto da licitação, e indicação das instalações e do
aparelhamento e do pessoal técnico adequados e disponíveis para a
realização do objeto da licitação, bem como da qualificação de cada
um dos membros da equipe técnica que se responsabilizará pelos
trabalhos;
(...)
§ 3o Será sempre admitida a comprovação de aptidão através de
certidões ou atestados de obras ou serviços similares de
complexidade tecnológica e operacional equivalente ou superior.
ACÓRDÃO 134/2017 - PLENÁRIO

RESPOSTA À 2ª PERGUNTA:
Caracteriza restrição à competitividade da
licitação a exigência, como critério de
habilitação, de atestado de qualificação técnica
comprovando experiência em tipologia
específica de obra, salvo se imprescindível à
certeza da boa execução do objeto e desde que
devidamente fundamentada no processo
licitatório.
ACÓRDÃO 248/2017 - PLENÁRIO
3ª PERGUNTA:
Na condição de participante, bem como de
adquirente não participante (mediante adesão),
em licitações pelo sistema de registro de preços,
os órgãos e entidades devem fazer constar do
processo administrativo de contratação, além de
justificativa sobre os quantitativos solicitados,
justificativa acerca da pertinência dos requisitos,
das restrições e das especificações dispostos no
edital às suas necessidades e peculiaridades?
PERFIL CONSTITUCIONAL DA LICITAÇÃO

Constituição Federal:
Art. 37. (...)
XXI – ressalvados os casos especificados na
legislação, as obras, serviços, compras e
alienações serão contratados mediante processo
de licitação pública que assegure igualdade de
condições a todos os concorrentes, com cláusulas
que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos
termos da lei (...);
LICITAÇÃO COMO INSTRUMENTO
 Licitação é meio;

 A licitação não tem um fim em si mesma;

 Pensar primeiro no que contratar;

 Definir, preliminarmente, o objeto que atende à


necessidade da Administração;

 Decidir, na sequência, sobre como contratar


esse objeto de que a Administração necessita.
CAMINHOS PARA A CONTRATAÇÃO

1º) Contratação direta, ou seja, sem prévia


licitação – gênero que tem como espécies a
inexigibilidade e a dispensa de licitação;
2º) Licitação e, na sequência, contratação;
3º) Licitação, formalização da ata de registro de
preços e, durante o prazo de vigência desta,
contratações (Sistema de Registro de Preços);
4º) Adesão a uma ata de registro de preços para
fim de contratação (também no âmbito do SRP).
CAMINHOS PARA A CONTRATAÇÃO

Está autorizada
É viável a Dispensa de
Sim a contratação Sim
competição? Licitação
direta?

Não
Não
A situação Licitação +
se enquadra Sim ARP +
no SRP? Contratações
Inexigibilidade
de licitação
Licitação + Contratação
Não
ou
Adesão a uma ARP
PROTAGONISTAS DO SRP
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 2º Para os efeitos deste Decreto, são adotadas as seguintes
definições: (...)
III - órgão gerenciador - órgão ou entidade da administração
pública federal responsável pela condução do conjunto de
procedimentos para registro de preços e gerenciamento da ata
de registro de preços dele decorrente;
IV - órgão participante - órgão ou entidade da administração
pública que participa dos procedimentos iniciais do Sistema de
Registro de Preços e integra a ata de registro de preços; e
V- órgão não participante - órgão ou entidade da
administração pública que, não tendo participado dos
procedimentos iniciais da licitação, atendidos os requisitos desta
norma, faz adesão à ata de registro de preços.
ÓRGÃO PARTICIPANTE
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 6º O órgão participante será responsável pela
manifestação de interesse em participar do registro de
preços, providenciando o encaminhamento ao órgão
gerenciador de sua estimativa de consumo, local de
entrega e, quando couber, cronograma de contratação e
respectivas especificações ou termo de referência ou
projeto básico, nos termos da Lei nº 8.666, de 21 de
junho de 1993, e da Lei nº 10.520, de 17 de julho de
2002, adequado ao registro de preços do qual pretende
fazer parte, devendo ainda:
ÓRGÃO PARTICIPANTE
I - garantir que os atos relativos a sua inclusão no
registro de preços estejam formalizados e
aprovados pela autoridade competente;
II - manifestar, junto ao órgão gerenciador,
mediante a utilização da Intenção de Registro de
Preços, sua concordância com o objeto a ser
licitado, antes da realização do procedimento
licitatório;
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 22. Desde que devidamente justificada a
vantagem, a ata de registro de preços, durante
sua vigência, poderá ser utilizada por qualquer
órgão ou entidade da administração pública
federal que não tenha participado do certame
licitatório, mediante anuência do órgão
gerenciador.
§ 1º Os órgãos e entidades que não participaram
do registro de preços, quando desejarem fazer
uso da ata de registro de preços, deverão
consultar o órgão gerenciador da ata para
manifestação sobre a possibilidade de adesão.
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)

§ 1º-A A manifestação do órgão gerenciador de


que trata o § 1º fica condicionada à realização
de estudo, pelos órgãos e pelas entidades que
não participaram do registro de preços, que
demonstre o ganho de eficiência, a viabilidade e
a economicidade para a administração pública
federal da utilização da ata de registro de preços,
conforme estabelecido em ato do Secretário de
Gestão do Ministério do Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão. (dispositivo inserido
pelo Decreto Federal 9.488/2018)
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 22. (...)
§ 10. É vedada a contratação de serviços de tecnologia da informação
e comunicação por meio de adesão a ata de registro de preços que não
seja:
I - gerenciada pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e
Gestão; ou
II - gerenciada por outro órgão ou entidade e previamente aprovada pela
Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação do Ministério do
Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. (dispositivo inserido pelo
Decreto Federal 9.488/2018)
§ 11. O disposto no § 10 não se aplica às hipóteses em que a
contratação de serviços esteja vinculada ao fornecimento de bens de
tecnologia da informação e comunicação constante da mesma ata de
registro de preços. (dispositivo inserido pelo Decreto Federal
9.488/2018)
ACÓRDÃO 248/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 3ª PERGUNTA:
Na condição de participante, bem como de
adquirente não participante (mediante adesão), em
licitações pelo Sistema de Registro de Preços, os
órgãos e entidades da Administração Pública
Federal devem fazer constar do processo
administrativo de contratação, além de justificativa
sobre os quantitativos solicitados, justificativa
acerca da pertinência dos requisitos, das restrições
e das especificações dispostos no edital às suas
necessidades e peculiaridades, em obediência ao
art. 6º, caput, do Decreto 7.892/2013 c/c arts. 3º,
caput, e 15, § 7º, incisos I e II, da Lei 8.666/1993.
ACÓRDÃO 248/2017 - PLENÁRIO
4ª PERGUNTA:
Em licitações pelo sistema de registro de
preços, deve ser computado o valor previsto das
adesões de órgãos e entidades não participantes
(“caronas”) para aferição do limite que torna
obrigatória a realização da audiência pública
prevista no art. 39, caput, da Lei 8.666/1993?
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Lei 8.666/1993:
Art. 39. Sempre que o valor estimado para uma licitação
(...) for superior a 100 (cem) vezes o limite previsto no art.
23, inciso I, alínea "c" desta Lei, o processo licitatório será
iniciado, obrigatoriamente, com uma audiência pública
concedida pela autoridade responsável com antecedência
mínima de 15 (quinze) dias úteis da data prevista para a
publicação do edital, e divulgada, com a antecedência
mínima de 10 (dez) dias úteis de sua realização, pelos
mesmos meios previstos para a publicidade da licitação, à
qual terão acesso e direito a todas as informações
pertinentes e a se manifestar todos os interessados.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Lei 8.666/1993:
Art. 23. As modalidades de licitação a que se referem os incisos I a
III do artigo anterior serão determinadas em função dos seguintes
limites, tendo em vista o valor estimado da contratação: (...)
I - para obras e serviços de engenharia:
a) convite - até R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais); (“até R$
330.000,00”, a partir de 19.7.2018, conforme o Decreto Federal
9.412/2018)
b) tomada de preços - até R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos
mil reais); (“até R$ 3.300.000,00”, a partir de 19.7.2018, conforme
o Decreto Federal 9.412/2018)
c) concorrência: acima de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos
mil reais); (“acima de R$ 3.300.000,00”, a partir de 19.7.2018,
conforme o Decreto Federal 9.412/2018)
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 22. (...).
§ 3º As aquisições ou as contratações adicionais de que trata este
artigo não poderão exceder, por órgão ou entidade, a cinquenta por
cento dos quantitativos dos itens do instrumento convocatório e
registrados na ata de registro de preços para o órgão gerenciador e
para os órgãos participantes. (redação dada pelo Decreto Federal
9.488/2018)
§ 4º O instrumento convocatório preverá que o quantitativo
decorrente das adesões à ata de registro de preços não poderá
exceder, na totalidade, ao dobro do quantitativo de cada item
registrado na ata de registro de preços para o órgão gerenciador e
para os órgãos participantes, independentemente do número de
órgãos não participantes que aderirem. (redação dada pelo Decreto
Federal 9.488/2018)
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 9º O edital de licitação para registro de preços (...)
contemplará, no mínimo: (...)
II - estimativa de quantidades a serem adquiridas pelo
órgão gerenciador e órgãos participantes;
III - estimativa de quantidades a serem adquiridas por
órgãos não participantes, observado o disposto no § 4º do
art. 22, no caso de o órgão gerenciador admitir adesões;
[...]
§ 3º A estimativa a que se refere o inciso III do caput não
será considerada para fins de qualificação técnica e
qualificação econômico-financeira na habilitação do
licitante.
ACÓRDÃO 248/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 4ª PERGUNTA:
Em licitações pelo Sistema de Registro de
Preços, deve ser computado o valor previsto das
adesões de órgãos e entidades não participantes
(caronas) para aferição do limite que torna
obrigatória a realização da audiência pública
disposta no art. 39, caput, da Lei 8.666/1993.
ACÓRDÃO 365/2017 - PLENÁRIO
5ª PERGUNTA:
A exigência de comprovação de
propriedade ou de compromisso de cessão,
locação/leasing ou venda das máquinas e dos
equipamentos considerados essenciais para o
cumprimento do objeto da licitação contraria o
art. 30, § 6º, da Lei 8.666/1993?
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação
técnica limitar-se-á a: (...)
§ 6º As exigências mínimas relativas a instalações
de canteiros, máquinas, equipamentos e pessoal
técnico especializado, considerados essenciais para
o cumprimento do objeto da licitação, serão
atendidas mediante a apresentação de relação
explícita e da declaração formal da sua
disponibilidade, sob as penas cabíveis, vedada as
exigências de propriedade e de localização prévia.
ACÓRDÃO 365/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 5ª PERGUNTA:
A exigência de comprovação de
propriedade ou de compromisso de cessão,
locação/leasing ou venda das máquinas e dos
equipamentos considerados essenciais para o
cumprimento do objeto da licitação contraria o
art. 30, § 6º, da Lei 8.666/1993, que proíbe
exigências de propriedade e de locação prévia
para a participação em licitações, e restringe a
competitividade do certame.
ACÓRDÃO 361/2017 - PLENÁRIO
6ª PERGUNTA:
É obrigatório o estabelecimento de
parâmetros objetivos para análise da
comprovação (atestados de capacidade técnico-
operacional) de que a licitante já tenha prestado
serviços pertinentes e compatíveis em
características, quantidades e prazos com o
objeto da licitação (art. 30, inciso II, da Lei
8.666/1993)?
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica
limitar-se-á a: (...)
II - comprovação de aptidão para desempenho de
atividade pertinente e compatível em características,
quantidades e prazos com o objeto da licitação, e
indicação das instalações e do aparelhamento e do
pessoal técnico adequados e disponíveis para a
realização do objeto da licitação, bem como da
qualificação de cada um dos membros da equipe técnica
que se responsabilizará pelos trabalhos;
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Jurisprudência do TCU:
"Trata-se de representação (...) relatando possíveis
irregularidades no edital do Pregão Eletrônico 101/7062-2013,
conduzido pela Gerência de Filial de Logística São Paulo da
Caixa Econômica Federal, para contratação de serviços de
vigilância e segurança, no valor estimado de R$ 30.538.656,00.
(...) O atestado de capacidade técnica tem a função de
demonstrar que a contratada possui condições técnicas
necessárias e suficientes para cumprir o contrato e de
comprovar experiência anterior em atividades similares ao
objeto do certame. Deve, entretanto, ser exigido em
quantitativo proporcional ao serviço a ser contratado, não
impondo limitação desnecessária.
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Exigir atestado de prestação de serviço de
vigilância de 80% dos postos de trabalho previstos no
certame restringe a participação de um número maior de
licitantes. Não há razoabilidade nesta exigência.
(...) esta Corte vem determinado aos
jurisdicionados que não estabeleça a exigência de
percentuais mínimos acima de 50% dos quantitativos dos
itens de maior relevância da obra ou serviço, salvo em
casos excepcionais, cujas justificativas para tal
extrapolação deverão estar tecnicamente explicitadas."
(Acórdão 282/2014 – Primeira Câmara)
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Jurisprudência do TCU:
"O entendimento desta Casa é o de que, na aferição da experiência das
licitantes por meio de atestados de serviços realizados, deve-se permitir o
somatório desses nos casos em que a demonstração satisfatória da aptidão
técnica do concorrente demande a apresentação de mais de um atestado. Ou
seja, em condições normais, aceita-se o somatório de atestados para o fim de
comprovação de capacidade técnica, a não ser que haja motivo bastante para
justificar a exigência de atestado único ou a imposição de outras limitações
(Acórdãos 1.237/2008, 2.150/2008, 2.882/2008 e 1.231/2012, todos do Plenário).
Na mesma linha temos o Acórdão 849/2014-2ª Câmara (...), cujo voto
condutor traz consignado que é vedada a imposição de limites ou de quantia
certa de atestados ou certidões para fins de comprovação da qualificação
técnica, a menos que a natureza e a complexidade técnica da obra ou do serviço
mostrem ser indispensáveis tais restrições, devendo a Administração, nesses
casos, comprovar a pertinência e a necessidade da fixação de limites ou de não
permitir o somatório de atestados no exame da qualificação técnica do licitante.
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Diante disso, a inexistência de regra expressa no
Edital 24/2014 permitindo o somatório não configura, a
meu ver, violação ao princípio da vinculação ao
instrumento convocatório, já que justamente o
impedimento à utilização de mais de um atestado, por
implicar algum tipo de restrição à competividade do
certame, é que demandaria, além da demonstração do
seu cabimento por parte do contratante, estar
expressamente previsto no edital."
(Acórdão 1983/2014 – Plenário)
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Jurisprudência do TCU:
"9.4. dar ciência ao Ministério do Esporte sobre as
seguintes irregularidades verificadas no Pregão Eletrônico
10/2015, para que sejam adotadas medidas tendentes à
prevenção de outras ocorrências semelhantes:
9.4.1. não consignar, no edital, parâmetros objetivos
para análise da comprovação de que a licitante já tenha
prestado serviços compatíveis em características com o
objeto da licitação, em desacordo com o previsto no art.
30, II, da Lei 8.666/93 e com a jurisprudência desta Corte, a
exemplo dos Acórdãos 970/2014-TCU-Plenário, 1.443/2014-
TCU-Plenário e 382/2015-TCU-Plenário;"
(Acórdão 553/2016 – Plenário)
ACÓRDÃO 361/2017 - PLENÁRIO

RESPOSTA À 6ª PERGUNTA:
É obrigatório o estabelecimento de
parâmetros objetivos para análise da
comprovação (atestados de capacidade técnico-
operacional) de que a licitante já tenha prestado
serviços pertinentes e compatíveis em
características, quantidades e prazos com o
objeto da licitação (art. 30, inciso II, da Lei
8.666/1993).
ACÓRDÃO 559/2017 - PLENÁRIO

7ª PERGUNTA:
É admissível a indicação ou a preferência
por marca em processo licitatório? A licitação
tem por objetivo, necessariamente, a escolha do
produto ou do serviço de melhor qualidade
disponibilizado no mercado?
OBJETIVOS DA LICITAÇÃO
Lei 8.666/1993:
Art. 3º A licitação destina-se a garantir a
observância do princípio constitucional da
isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa
para a administração e a promoção do
desenvolvimento nacional sustentável (...).
SELEÇÃO DA PROPOSTA MAIS VANTAJOSA
Lei 8.666/1993:
Art. 45. (...)
§ 1º Para os efeitos deste artigo, constituem tipos de
licitação (...):
I – a de menor preço – (...) será vencedor o licitante que
apresentar a proposta de acordo com as especificações do
edital ou convite e ofertar o menor preço;

Lei 12.462/2011 (RDC):


Art. 19. O julgamento pelo menor preço ou maior
desconto considerará o menor dispêndio para a
administração pública, atendidos os parâmetros mínimos
de qualidade definidos no instrumento convocatório.
SELEÇÃO DA PROPOSTA MAIS VANTAJOSA
Lei 8.666/1993:
Art. 3º (...)
§ 1º É vedado aos agentes públicos:
I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas
ou condições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter
competitivo, (...) e estabeleçam preferências ou distinções em razão da
naturalidade, da sede ou domicílio dos licitantes ou de qualquer outra
circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto do
contrato (...).

Lei 10.520/2002 (Lei do Pregão):


Art. 3º A fase preparatória do pregão observará o seguinte: (...)
II - a definição do objeto deverá ser precisa, suficiente e clara, vedadas
especificações que, por excessivas, irrelevantes ou desnecessárias,
limitem a competição.
SELEÇÃO DA PROPOSTA MAIS VANTAJOSA
Jurisprudência do TCU:
"(...) a documentação juntada pela Secretaria
Executiva de Segurança Pública do Estado do Pará traz
elementos suficientes para justificar a necessidade de que os
coletes balísticos referidos no item 1 do objeto do pregão
em exame atendam às normas técnicas mencionadas
[normas NIJ 0101.03, 0101.04 e 0115.00]. Os autos
demonstram que esses coletes destinam-se a policiais
militares que atuam na linha de frente do combate ao
crime organizado e ao banditismo nas regiões sudeste e
sudoeste do Estado do Pará, localidades em que o índice de
ocorrências com armas brancas é considerável. O colete
especificado no item 1 visa à proteção não apenas contra
armas de fogo, mas também contra ameaças com arma
branca. A exigência fundamentou-se em necessidade local,
tendo em vista as peculiaridades da região (...).
SELEÇÃO DA PROPOSTA MAIS VANTAJOSA

Portanto, há coerência na especificação dos


coletes pretendidos. Não poderia a promotora da
licitação aviltar a especificação do objeto para,
com isso, garantir a participação das empresas
representantes, em prejuízo da segurança dos
policiais militares que utilizarão os coletes.
Verifica-se, no presente caso, que a definição dos
requisitos mínimos no edital foi motivada e visa à
garantia de que o objeto a ser adquirido atenda
às necessidades da Administração Pública."
(Acórdão 1071/2005 - Plenário)
INDICAÇÃO DE MARCA
Lei 8.666/1993:
Art. 7º (...)
§ 5º É vedada a realização de licitação cujo
objeto inclua bens e serviços sem similaridade ou
de marcas, características e especificações
exclusivas, salvo nos casos em que for
tecnicamente justificável (...).
INDICAÇÃO DE MARCA
Jurisprudência do TCU:
"Em exame representação (...) questionando a legalidade
da exigência contida no edital do Pregão 3/2013, conduzido
pela Gerência Regional do INSS em Teófilo Otoni/MG
(INSS/MPS), de que os cartuchos a serem adquiridos sejam
produzidos pela empresa fabricante das impressoras.
(...) não se admite, como regra, a especificação de marca
para aquisição de cartuchos para impressoras. No entanto, o
Tribunal aceitou esse tipo de exigência quando os
equipamentos em que os cartuchos serão utilizados
estiverem em período de garantia e os termos de garantia
previrem que ela somente se aplicará caso os produtos
neles utilizados sejam originais (Acórdão 860/2011-
Plenário).
INDICAÇÃO DE MARCA
(...) as informações trazidas aos autos em função das
oitivas e da diligência realizadas indicam que o caso presente
se enquadra na situação acima mencionada, uma vez que:
– as impressoras em que serão utilizados os cartuchos
encontram-se em período de garantia;
– os respectivos termos de garantia estabelecem que não
serão cobertos problemas decorrentes do uso de cartuchos
e de outros suprimentos não fabricados pela Samsung;
– é razoável o número de cartuchos previstos na
licitação, considerando a quantidade de impressoras em que
eles serão aplicados.
Assim, é pertinente a exigência contida no edital."
(Acórdão 185/2014 – Segunda Câmara)
INDICAÇÃO DE MARCA
Jurisprudência do TCU:
"9.4. dar ciência à Prefeitura do Município de Coronel
Sapucaia/MS que, em futuras licitações para aquisições de
bens, abstenha-se de formular especificações que
demonstrem preferência por marca, a não ser quando
devidamente justificado por critérios técnicos ou
expressamente indicativa da qualidade do material a ser
adquirido, hipótese em que a descrição do item deverá ser
acrescida de expressões como ‘ou similar’, ‘ou equivalente’,
‘ou de melhor qualidade’, devendo, nesse caso, o produto
ser aceito de fato e sem restrições pela Administração, de
modo a se coadunar com o disposto nos arts. 3°, § 1°,
inciso I, e 15, § 7°, inciso I, da Lei nº 8.666/1993;"
(Acórdão 1861/2012 – Primeira Câmara)
CERTIFICAÇÃO DE QUALIDADE
Jurisprudência do TCU:
"(...) as exigências habilitatórias visam auscultar se a pessoa da
licitante possui capacidade ampla de adimplir aos comandos
licitatórios. No que se refere ao âmbito técnica, intenta-se averiguar o
expertise da empresa, em termos de ‘saber fazer’. E a comprovação
desse know how se faz por meio de atestados técnicos demonstrativos
de experiência anterior bem-sucedida. São, portanto, requisitos
pessoais da licitante a serem avaliados. Tais condições, por disposição
constitucional, devem limitar-se às demonstrações imprescindíveis para
comprovar esse savoir feire (art. 37, inciso XXI, da Carta Magna).
Já os requisitos de atendimento à norma ou especificações do
objeto são caracterizadores do produto; não da contratada.
Demonstram que o objeto está em conformidade com as exigências do
edital, mas não traduzem – pelo menos imediatamente – a qualidade
da licitante capaz de ensejar a respectiva ‘inabilitação’ (por não ter
capacidade de oferecer o produto na especificação desejada).
CERTIFICAÇÃO DE QUALIDADE
Nesse diapasão, acrescento que além de não traduzirem a
capacidade das concorrentes, também não constam do rol
exaustivo das condições de habilitação previstos no art. 30 da Lei
de Licitações. Não tenho dúvidas, portanto, da ilegalidade
cometida.
Poder-se-ia, em contraponto, argumentar que o dito
atestado podia fazer parte das condições da classificação da
proposta, demonstrando a aderência do produto às condições
editalícias. Ou ainda, que o imperativo fosse exigido como
condição contratual, não licitatório.
De fato, diante de situações em que a administração, por si
própria, não possui condições ferramentais para aferir, mediante
amostra, a qualidade do produto ofertado, esta Corte tem
admitido a utilização de certificações para comprovar a aderência
do produto às normas técnicas de qualidade. E isso pode ser feito
como condição para classificação ou como requisito contratual."
(Acórdão 1054/2014 – Plenário)
ACÓRDÃO 559/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 7ª PERGUNTA:
A indicação ou a preferência por marca só
é admissível se restar comprovado que a escolha
é a mais vantajosa e a única que atende às
necessidades da Administração. A licitação não
tem por objetivo, necessariamente, a escolha do
produto ou do serviço de melhor qualidade
disponibilizado no mercado.
ACÓRDÃO 10049/2017 – 1ª CÂMARA
8ª PERGUNTA:
A possibilidade de realização de diligência
(art. 43, § 3º, da Lei 8.666/1993) na empresa
que ofertou a melhor proposta na fase de lances
de pregão, para verificar suas instalações físicas
e equipamentos, a fim de comprovar as
condições declaradas pela licitante, extrapola as
previsões contidas no art. 30, §§ 5º e 6º, da
Lei 8.666/1993?
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação
técnica limitar-se-á a: (...)
§ 5º É vedada a exigência de comprovação de
atividade ou de aptidão com limitações de tempo
ou de época ou ainda em locais específicos, ou
quaisquer outras não previstas nesta Lei, que
inibam a participação na licitação.
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. (...)
§ 6º As exigências mínimas relativas a
instalações de canteiros, máquinas, equipamentos
e pessoal técnico especializado, considerados
essenciais para o cumprimento do objeto da
licitação, serão atendidas mediante a
apresentação de relação explícita e da declaração
formal da sua disponibilidade, sob as penas
cabíveis, vedada as exigências de propriedade e
de localização prévia.
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA
Lei 8.666/1993:
Art. 43. (...)
§ 3º É facultada à Comissão ou autoridade
superior, em qualquer fase da licitação, a
promoção de diligência destinada a esclarecer ou
a complementar a instrução do processo, vedada
a inclusão posterior de documento ou
informação que deveria constar originariamente
da proposta.
ACÓRDÃO 10049/2017 – 1ª CÂMARA
RESPOSTA À 8ª PERGUNTA:
A possibilidade de realização de diligência
(art. 43, § 3º, da Lei 8.666/1993) na empresa
que ofertou a melhor proposta na fase de lances
de pregão, para verificar suas instalações físicas
e equipamentos, a fim de comprovar as
condições declaradas pela licitante, não
extrapola as previsões contidas no art. 30, §§
5º e 6º, da Lei 8.666/1993, tampouco significa a
imposição de ônus prévio à licitação, mas
apenas a verificação das condições mínimas de
cumprimento do objeto que se deseja contratar.
ACÓRDÃO 745/2017 - PLENÁRIO
9ª PERGUNTA:
Uma vez admitida a participação de
consórcios em processo licitatório, o edital
poderá fixar o número máximo de empresas
integrantes do consórcio?
PARTICIPAÇÃO DE CONSÓRCIO

Lei 8.666/1993:
Art. 33. Quando permitida na licitação a
participação de empresas em consórcio,
observar-se-ão as seguintes normas: (...).
ACÓRDÃO 745/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 9ª PERGUNTA:
A limitação a número máximo de empresas
integrantes de consórcio deve ter motivação
prévia e consistente, sob pena de afrontar os
arts. 3°, § 1°, inciso I, e 33 da Lei 8.666/93
c/c os arts. 2° e 50 da Lei 9.784/99.
ACÓRDÃO 756/2017 - PLENÁRIO
10ª PERGUNTA:
É admissível o estabelecimento de
requisito de velocidade mínima de impressão na
contratação de empresa para a prestação de
serviço de outsourcing?
SELEÇÃO DA PROPOSTA MAIS VANTAJOSA
Lei 8.666/1993:
Art. 3º (...)
§ 1º É vedado aos agentes públicos:
I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas
ou condições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter
competitivo, (...) e estabeleçam preferências ou distinções em razão da
naturalidade, da sede ou domicílio dos licitantes ou de qualquer outra
circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto do
contrato (...).

Lei 10.520/2002 (Lei do Pregão):


Art. 3º A fase preparatória do pregão observará o seguinte: (...)
II - a definição do objeto deverá ser precisa, suficiente e clara, vedadas
especificações que, por excessivas, irrelevantes ou desnecessárias,
limitem a competição.
ACÓRDÃO 756/2017 - PLENÁRIO
O TCU apreciou representação formulada por empresa
licitante contra pregão eletrônico realizado pela Empresa de
Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) para
registro de preços com vistas à contratação de empresa para a
prestação de serviço de solução de impressão/cópias (outsourcing).
Em síntese, a representante alegou que a exigência do edital por
impressoras coloridas A4 com velocidade mínima de impressão de
25 ppm nos formatos A4 e Carta nos modos colorido e
monocromático, sem justificativa técnica, restringiria o universo de
competidores, e que a atenuação do requisito possibilitaria a oferta
de outros modelos de impressoras e a consequente participação de
outras empresas fornecedoras, sem comprometimento da
qualidade na prestação do serviço. Ao analisar preliminarmente o
feito, a unidade técnica que originalmente o instruiu considerou
injustificada a exigência “de velocidade mínima de 25 ppm, por
ACÓRDÃO 756/2017 - PLENÁRIO
entender que a demanda diária da Dataprev poderia ser atendida
com equipamentos com capacidade de impressão de 4 ppm”. Ante o
caráter eminentemente técnico das questões tratadas nos autos, o
relator submeteu o assunto à apreciação de unidade técnica
especializada, tendo esta se manifestado no sentido de que “o
requisito de velocidade mínima de 25 ppm não restringiu o universo
de competidores no caso concreto” pois, no principal, “(i) não é
possível afirmar que o requisito de velocidade mínima de impressão
impediu a participação de outras empresas que atuam no mercado
de outsourcing de impressão, como aduz a representante; (ii) há
uma tendência da administração pública federal em adquirir
impressoras com velocidade superior ou igual a 25 ppm [...]; (iii)
quanto aos modelos [...], citados como exemplos de equipamentos
de menor capacidade que poderiam ter participado do certame,
verificou-se que, de fato, os equipamentos não atendem a todos os
ACÓRDÃO 756/2017 - PLENÁRIO
requisitos do edital (conectividade wireless, conectividade 1000
Ethernet, memória de 512MB); (iv) não foi possível identificar
modelos de equipamentos de menor velocidade de impressão que
atendessem integralmente aos demais requisitos definidos no edital;
e (vi) não é possível afirmar que a exigência de equipamento com
velocidade de 25 ppm significaria aumento de custos desnecessários,
como alega a representante, pois o objeto da licitação sob exame
refere-se à contratação de solução de impressão, em que a
impressora é apenas um dos componentes do custo total, devendo-
se considerar outras variáveis, como o custo de manutenção
preventiva e corretiva, incluindo fornecimento de insumos e a
substituição de peças e componentes”. Assim, em consonância com o
entendimento da unidade especializada, o relator concluiu serem
improcedentes as alegações da representante, “uma vez que não se
mostrou descabida a exigência questionada acerca da velocidade da
ACÓRDÃO 756/2017 - PLENÁRIO

impressão, sobretudo em razão dos demais requisitos técnicos


das impressoras previstos no edital, que não seriam
plenamente atendidos por equipamentos de menor
velocidade, o que comprometeria a qualidade da solução a
contratar”. Em razão de outras falhas no certame, o Colegiado
acolheu a proposta do relator no sentido de considerar a
representação parcialmente procedente.
ACÓRDÃO 756/2017 - PLENÁRIO

RESPOSTA À 10ª PERGUNTA:


É admissível o estabelecimento de requisito
de velocidade mínima de impressão na contratação
de empresa para a prestação de serviço de
outsourcing quando os requisitos técnicos dos
equipamentos previstos no edital requeiram
compatibilidade de desempenho entre eles, de
modo a assegurar a qualidade da solução a ser
contratada.
ACÓRDÃO 2260/2017 - 1ª CÂMARA

11ª PERGUNTA:
É permitida a participação de cooperativas
de trabalho em licitações que envolvam
terceirização de serviços?
PARTICIPAÇÃO DE COOPERATIVAS

Súmula 281 do TCU:


É vedada a participação de cooperativas em
licitação quando, pela natureza do serviço ou
pelo modo como é usualmente executado no
mercado em geral, houver necessidade de
subordinação jurídica entre o obreiro e o
contratado, bem como de pessoalidade e
habitualidade.
PARTICIPAÇÃO DE COOPERATIVAS
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO VII-A):
DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DO ATO
CONVOCATÓRIO
3. Das condições de participação no processo
licitatório:
3.1. Deverão ser previstas nas condições de
participação no processo licitatório, dentre outras, a
forma de credenciamento dos licitantes, os critérios,
as proibições e a possibilidade ou não da participação
de cooperativas, bem como as declarações a serem
prestadas.
PARTICIPAÇÃO DE COOPERATIVAS
IN SEGES-MP 5/2017:
Art. 10. A contratação de sociedades cooperativas somente poderá
ocorrer quando, pela sua natureza, o serviço a ser contratado
evidenciar:
I - a possibilidade de ser executado com autonomia pelos
cooperados, de modo a não demandar relação de subordinação
entre a cooperativa e os cooperados, nem entre a Administração e
os cooperados; e
II - que a gestão operacional do serviço seja executada de forma
compartilhada ou em rodízio, em que as atividades de coordenação
e supervisão da execução dos serviços e as de preposto, conforme
determina o art. 68 da Lei nº 8.666, de 1993, sejam realizadas pelos
cooperados de forma alternada ou aleatória, para que tantos
quanto possíveis venham a assumir tal atribuição.
ACÓRDÃO 2260/2017 - 1ª CÂMARA
RESPOSTA À 11ª PERGUNTA:
A permissão à participação de cooperativas
em licitações que envolvam terceirização de
serviços com subordinação, pessoalidade e
habitualidade afronta os arts. 4º, inciso II, e 5º da
Lei 12.690/2012, a Súmula TCU 281, o Termo de
Conciliação Judicial entre a União e o Ministério
Público do Trabalho, de 5/6/2003, e o art. 4º da IN-
SLTI/MPOG 2/2008. A aparente economicidade dos
valores ofertados pelo licitante nesses casos não
compensa o risco de relevante prejuízo financeiro
para a Administração Pública advindo de eventuais
ações trabalhistas.
ACÓRDÃO 2416/2017 - 1ª CÂMARA
12ª PERGUNTA:
É legal a exigência de que a vistoria técnica,
quando exigida, seja realizada exclusivamente
pelo sócio administrador da licitante?
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)

Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação
técnica limitar-se-á a: (...)
III - comprovação, fornecida pelo órgão licitante,
de que recebeu os documentos, e, quando
exigido, de que tomou conhecimento de todas as
informações e das condições locais para o
cumprimento das obrigações objeto da licitação;
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)
Jurisprudência do TCU:
"9.2. dar ciência ao Município de Itapé/BA de
que:
9.2.1. a vistoria ao local das obras somente
deve ser exigida quando for imprescindível ao
cumprimento adequado das obrigações contratuais,
o que deve ser justificado e demonstrado pela
Administração no processo de licitação, devendo o
edital prever a possibilidade de substituição do
atestado de visita técnica por declaração do
responsável técnico de que possui pleno
conhecimento do objeto (...);
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)
9.2.2. segundo entendimento desta Corte de Contas
(...), a exigência de que a visita técnica seja realizada
exclusivamente pelo responsável técnico da licitante é
potencialmente restritiva à competitividade dos
certames;
9.2.3. a obrigatoriedade de que a visita técnica seja
realizada em um único dia se mostra prejudicial à
obtenção da proposta mais vantajosa para a
Administração, uma vez que possibilita que as licitantes
tomem conhecimento de quantos e quais são os
participantes do certame, facilitando a ocorrência de
ajuste entre os competidores (...)."
(Acórdão 1447/2015 – Plenário)
ACÓRDÃO 2416/2017 - 1ª CÂMARA

RESPOSTA À 12ª PERGUNTA:


É ilegal a exigência de que a vistoria técnica
seja realizada exclusivamente pelo sócio
administrador da licitante, tendo em vista que
tal visita, quando exigida, não deve sofrer
condicionantes por parte da Administração que
resultem em ônus desnecessário aos
particulares e importem restrição injustificada à
competitividade do certame.
ACÓRDÃO 910/2017 - PLENÁRIO
13ª PERGUNTA:
Partindo da premissa de que a Administração
deve adotar como referência, para fins de
orçamentação e critério de aceitabilidade de preço,
composições de custos que adotem a metodologia
mais econômica, o contratado poderia executar
determinado serviço valendo-se de equipamentos
que resultassem em maior produtividade, obtendo
assim vantagens comparativas ao Sicro, por
exemplo, no caso de obras rodoviárias? Por outro
lado, seria legítimo transferir para a Administração
os custos decorrentes da utilização de metodologia
executiva mais onerosa?
ORÇAMENTO DE REFERÊNCIA
Decreto Federal 7.983/2013:
Art. 3o O custo global de referência de obras e serviços de
engenharia, exceto os serviços e obras de infraestrutura de
transporte, será obtido a partir das composições dos custos
unitários previstas no projeto que integra o edital de
licitação, menores ou iguais à mediana de seus
correspondentes nos custos unitários de referência do
Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da
Construção Civil – Sinapi (...).
Parágrafo único. O Sinapi deverá ser mantido pela Caixa
Econômica Federal - CEF, segundo definições técnicas de
engenharia da CEF e de pesquisa de preço realizada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
ORÇAMENTO DE REFERÊNCIA

Art. 4o O custo global de referência dos serviços e


obras de infraestrutura de transportes será obtido a
partir das composições dos custos unitários
previstas no projeto que integra o edital de licitação,
menores ou iguais aos seus correspondentes nos
custos unitários de referência do Sistema de Custos
Referenciais de Obras - Sicro, cuja manutenção e
divulgação caberá ao Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes – DNIT (...).
CRITÉRIO DE ACEITABILIDADE DOS PREÇOS
GLOBAL E UNITÁRIOS
Lei 8.666/1993:
Art. 40. O edital (...) indicará, obrigatoriamente, o
seguinte:
X - o critério de aceitabilidade dos preços unitário
e global, conforme o caso, permitida a fixação de
preços máximos e vedados a fixação de preços
mínimos, critérios estatísticos ou faixas de
variação em relação a preços de referência,
ressalvado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do
art. 48;
FIXAÇÃO DE PREÇOS MÁXIMOS

Súmula 259 do TCU:


Nas contratações de obras e serviços de
engenharia, a definição do critério de
aceitabilidade dos preços unitários e global,
com fixação de preços máximos para ambos, é
obrigação e não faculdade do gestor.
ACÓRDÃO 910/2017 - PLENÁRIO
O TCU apreciou pedidos de reexame interpostos contra o
Acórdão 2.861/2013 Plenário (posteriormente integrado pelo
Acórdão 546/2014 Plenário), que deliberara acerca de relatório de
auditoria nas obras de construção da BR-364/MG, lote 3, objeto do
Contrato 568/2010, celebrado pelo Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (Dnit). No acórdão recorrido, o
Tribunal, entre outras medidas, ao constatar sobrepreço e
superfaturamento nos itens analisados, determinara ao Dnit a
repactuação do contrato, especialmente quanto à alteração dos
valores das distâncias médias de transporte (DMT) de cimento,
CBUQ, areia, solo e brita, para adequação aos reais trajetos
percorridos entre a origem do insumo e o local das obras, e dos
equipamentos constantes das composições de custo unitário dos
serviços de escavação, carga e transporte (ECT), para adequação às
composições previstas no Sicro. Em relação aos serviços de ECT,
ACÓRDÃO 910/2017 - PLENÁRIO
argumentou o consórcio contratado, um dos recorrentes, que
“existem precedentes no Tribunal no sentido de que a forma como o
serviço é executado diz respeito ao contratado, de modo que não
cabe contestar decisões empresariais ‘se a empreiteira utilizar um
equipamento melhor, que resulte numa maior produtividade ou se
já tiver o equipamento e por isso tiver um custo bem menor para o
serviço ou se quiser colocar um número bem maior de máquinas
porque não quer deixar suas máquinas ociosas’”. Ao analisar esse
ponto do recurso, o relator acolheu “a análise efetivada pelo auditor
da Serur, a qual se baseou em jurisprudência firme desta Corte de
Contas no sentido de que a Administração deve adotar como
referência, para fins de orçamentação e critério de aceitabilidade de
preço, composições de custos que adotem a metodologia mais
econômica, in casu, o Sicro, conforme a tipologia da obra em exame
– rodovias”. Nesse sentido, transcreveu a seguinte passagem do
ACÓRDÃO 910/2017 - PLENÁRIO
exame empreendido pela unidade técnica: “O que os citados
precedentes do Tribunal afirmam, em última análise, é que a
metodologia executiva prevista pelo Sicro não é vinculante, mas os
preços referenciais o são. Em outras palavras, o contratado pode
executar o serviço valendo-se de equipamentos que resultam em
maior produtividade, obtendo vantagens comparativas ao Sicro. Por
outro lado, pode também utilizar arranjos produtivos que lhes são
mais convenientes, mas que resultam em maior onerosidade (como,
no exemplo, utilizar motoscrapers para todas as DMTs, mesmo
naquelas distâncias em que a escavadeira hidráulica seria opção
mais econômica). Só não pode pretender que a Administração
suporte o gasto adicional decorrente.” Quanto à afirmação do
consórcio de que, de fato, usara motoscrapers para a execução dos
serviços de escavação, carga e transporte, o relator também acatou
as ponderações do auditor da Serur, “uma vez que não se mostra
ACÓRDÃO 910/2017 - PLENÁRIO
legítimo transferir para a Administração os custos decorrentes da
utilização de metodologia executiva mais onerosa”. Pela mesma
razão, de que os preços referenciais devem considerar o padrão
estabelecido pelo Sicro, rejeitou “o pedido do consórcio de que seja
utilizada a Escavadeira 320 (alocada à obra), e não a Escavadeira 330,
prevista pelo Sicro, para as DMTs superiores a 400 m, nos termos
aduzidos pelo auditor da Serur”. Embora tenha concluído pela não
elisão do sobrepreço inicialmente apontado, entendeu o relator ter
havido perda de objeto das determinações recorridas, uma vez o
Contrato 568/2010 já se encontrar encerrado, não havendo mais
sentido se falar em repactuação e compensação financeira dos
prejuízos consumados. Assim, propôs, no que foi seguido pelo
Colegiado, dar provimento parcial ao pedido de reexame do consórcio
contratado, tornar insubsistentes as determinações do Acórdão
2.861/2013 Plenário e encaminhar os autos ao relator a quo para
seguimento do processo.
ACÓRDÃO 910/2017 - PLENÁRIO

RESPOSTA À 13ª PERGUNTA:


O contratado pode executar o serviço com
metodologia distinta da prevista no Sicro,
valendo-se de equipamentos ou arranjos
produtivos que lhes são mais convenientes,
contudo não pode transferir para a
Administração os custos da utilização de
metodologia mais onerosa do que aquela
prevista no Sicro.
ACÓRDÃO 926/2017 - PLENÁRIO
14ª PERGUNTA:
A comprovação de credenciamento ou
parceria junto a fabricantes pode ser exigida
como requisito de habilitação das licitantes?
DECLARAÇÃO DO FABRICANTE
Jurisprudência do TCU:
"O pregão tem como objeto a contratação da prestação
de serviços de impressão e reprografia corporativa,
englobando fornecimento de equipamentos, instalação e
configuração, serviços de manutenção, peças de reposição,
materiais de consumo conforme especificações do anexo I do
edital.
A representante alegou (...) que a exigência (...) de
apresentação de ‘declaração do fabricante dos equipamentos
ofertados na proposta comercial, que comprove
expressamente que a licitante pode comercializar e fornecer
peças e insumos, além de prestar assistência técnica destes
equipamentos’ seria ilegal e restritiva à competitividade do
certame.
DECLARAÇÃO DO FABRICANTE
Conforme jurisprudência desta Corte, a
exigência de declaração do fabricante, carta de
solidariedade, ou credenciamento, como condição
para habilitação de licitante, carece de amparo legal,
por extrapolar o que determinam os arts. 27 a 31, da
Lei nº 8.666/93, e 14 do Decreto nº 5.450/2005.
Essa exigência pode ter caráter restritivo e ferir
o princípio da isonomia entre os licitantes, por deixar
ao arbítrio do fabricante a indicação de quais
representantes poderão participar do certame.
DECLARAÇÃO DO FABRICANTE
Existem outros meios para assegurar o
cumprimento das obrigações pactuadas, tais como
pontuação diferenciada em licitações do tipo técnica e
preço, exigência de garantia para execução contratual,
ou ainda multa contratual.
A exigência de declaração do fornecedor como
requisito de habilitação somente pode ser aceita em
casos excepcionais, quando se revelar necessária à
execução do objeto contratual, situação em que deverá
ser adequadamente justificada de forma expressa e
pública, por ser requisito restritivo à competitividade."
(Acórdão 1805/2015 – Plenário)
ACÓRDÃO 926/2017 - PLENÁRIO
Representação formulada por licitante apontara possíveis
irregularidades em pregão eletrônico promovido pela Caixa
Econômica Federal, destinado à contratação de serviços de
tecnologia da informação, em regime de fábrica de software, nos
itens Barramento de Serviços e Business Intelligence. A
representante questionara as seguintes exigências do edital, por
supostamente restringirem a competitividade do certame ao
demandarem custos prévios à licitação: (i) atestado/certificação de
que a empresa possui parceria/capacidade jurídica comercial com a
IBM Brasil, em nível Premier, para pelo menos 50% das ferramentas
a seguir: IBM Integration Bus, IBM Business Monitor, Sterling B2B
Integrator e Sterling Control Center; e (ii) certificação/declaração de
pelo menos um fabricante de que está apta a desenvolver e prestar
suporte técnico especializado aos produtos componentes da solução
das seguintes plataformas: a) Oracle Brasil - certificação com selo
ACÓRDÃO 926/2017 - PLENÁRIO
Gold ou platinum; b) Plataforma Pentaho Enterprise Premium
Edition; c) Plataforma SAP Business Objects Enterprise Premium -
SAP Partner Center of Expertise; d) Power Center Advanced Edition
- Informática Data Quality. A unidade especializada do TCU (Sefti)
opinou, no que respeita às exigências de certificação junto a
fabricantes, por sua perfeita correlação com o objeto contratado,
mostrando-se fundamentais para o bom desempenho dos serviços,
desde que devidamente justificadas. Ademais, assegurou a Sefti que
as exigências não restringem a competitividade da licitação nem
demandam custos prévios à licitação. Ainda, entendeu a unidade
técnica que as exigências de credenciamento na licitação em exame
deveriam ser interpretadas como metodologia de execução, nos
termos dos §§ 8º e 9º do art. 30 da Lei 8.666/1993. Após detida
análise das exigências de credenciamento/certificação em questão,
concluiu o relator que as características da contratação e a
ACÓRDÃO 926/2017 - PLENÁRIO
complexidade técnica do objeto justificavam a necessidade das
exigências de credenciamento/certificação altamente especializadas:
“acompanho a proposta da Sefti no sentido de considerar
imprescindíveis as exigências constantes dos itens 8.5.1.2.4 e
8.5.2.3.7 do edital do Pregão Eletrônico 335/7066-2016, não
havendo, no caso concreto, indevida restrição ao caráter competitivo
do certame”. Dissentiu da unidade especializada, contudo, pela
inferência de que as exigências de credenciamento deveriam ser
interpretadas como metodologia de execução. Em seu
entendimento, “as exigências aqui discutidas estão claramente
definidas no edital como requisitos de habilitação”. Assim, em
sintonia com a jurisprudência do TCU, afirmou, “exigências dessa
natureza, em regra, não devem ser solicitadas na fase de habilitação
e sim como requisitos obrigatórios da contratação”. Nesses termos,
acolheu o Plenário a proposta do relator para, julgando parcialmente
ACÓRDÃO 926/2017 - PLENÁRIO

procedente a representação, recomendar à Caixa, entre


outros comandos, que “defina, em seus futuros certames
licitatórios, as exigências de credenciamento ou parceria
junto a fabricantes, quando devidamente motivadas, como
requisitos técnicos obrigatórios das contratadas e não como
requisitos de habilitação das licitantes”.
ACÓRDÃO 926/2017 - PLENÁRIO

RESPOSTA À 14ª PERGUNTA:


A comprovação de credenciamento ou
parceria junto a fabricantes, quando
imprescindível e desde que devidamente
motivada, deve ser exigida como requisito
técnico obrigatório da contratada e não como
requisito de habilitação das licitantes.
ACÓRDÃO 929/2017 - PLENÁRIO

15ª PERGUNTA:
A contratação de serviços de conservação e
manutenção de infraestrutura predial, com a
inclusão de serviços variados, na modelagem
conhecida como contratação de facilities,
prática adotada no setor privado, configura
afronta à Lei 8.666/1993?
PARCELAMENTO DO OBJETO

Lei 8.666/1993:
Art. 23. (...)
§ 1º As obras, serviços e compras efetuadas pela
administração serão divididas em tantas parcelas
quantas se comprovarem técnica e
economicamente viáveis, procedendo-se à
licitação com vistas ao melhor aproveitamento
dos recursos disponíveis no mercado e à
ampliação da competitividade, sem perda da
economia de escala.
PARCELAMENTO DO OBJETO
Jurisprudência do TCU:
"A restrição à competitividade adveio do agrupamento,
em um mesmo lote, de periféricos, mídias, suprimentos de
impressão e, até mesmo, de material de papelaria,
exigindo-se que o licitante devesse cotar preços para todos
os itens do lote, sob pena de desclassificação. Difícil
conceber, portanto, como tal condição não importaria no
afastamento, do certame, de vários potenciais fornecedores
(e.g., papelarias, fabricantes de cartuchos para impressoras
ou de mídias, importadores de periféricos), que, embora
operassem com parte dos objetos, não estivessem aptos a
fornecer a totalidade destes. A limitação, aliás, findou por
realizar-se na prática, já que, embora cerca de oitenta
empresas hajam retirado o edital, apenas duas licitantes
apresentaram propostas para o lote (...). Não me resta
dúvida acerca da forte restrição à competitividade, em
concreto, no caso em tela."
(Acórdão 2401/2006 - Plenário)
PARCELAMENTO DO OBJETO
Jurisprudência do TCU:
"9.3. determinar à Companhia de Pesquisa
de Recursos Minerais - CPRM - Residência de
Porto Velho (CNPJ 00.091.652/0012-31) que em
futuras licitações, em respeito aos princípios da
competitividade e da isonomia, não inclua no
mesmo lote da licitação produtos que
comumente são produzidos/desenvolvidos e
comercializados por fornecedores distintos."
(Acórdão 964/2013 – Plenário)
PARCELAMENTO DO OBJETO
Jurisprudência do TCU:
"Quanto ao parcelamento do objeto, é sabido, a teor
do disposto no art. 15, inciso IV, e art. 23, § 1º, da Lei nº
8.666, de 1993, que deverá ocorrer sempre que possível,
com vistas ao melhor aproveitamento das peculiaridades e
recursos disponíveis no mercado e à ampliação da
competitividade.
(...) não se trata de regra absoluta, vez que deve ocorrer
sempre que for técnica e economicamente viável e sem
que implique a perda da economia de escala. Ocorre que,
justamente por ser a regra, as vantagens do não
parcelamento devem ser devidamente justificadas e os
ganhos de escala devidamente demonstrados."
(Acórdão 933/2011 - Plenário)
PARCELAMENTO X FRACIONAMENTO
Jurisprudência do TCU:
"9.5. esclarecer à Universidade Federal de Campina
Grande que, em licitações destinadas à execução de
obras, via de regra deve-se evitar que no objeto
licitado, a exemplo do que foi feito na Tomada de
Preços 01/2006, seja inserida a aquisição de
aparelhos de ar condicionado ou outros
equipamentos, os quais devem ser licitados
separadamente, salvo se tal espécie de contratação
conjunta, além estar aderente às leis e normativos
em vigor, contar com prévia e fundamentada
justificativa para a escolha;"
(Acórdão 266/2014 – Segunda Câmara)
ACÓRDÃO 929/2017 - PLENÁRIO
Representação formulada por sociedade empresária apontara
possíveis irregularidades em pregão eletrônico promovido pela
Gerência de Filial Logística da Caixa Econômica Federal em Goiás
(GILOG/GO), destinado à contratação de serviços de conservação e
manutenção de infraestrutura predial, bem como de atividades
acessórias, incluindo insumos e materiais [“apoio administrativo;
conservação e limpeza; manutenção de instalações civis, elétricas,
hidráulicas, instalações de combate a incêndio, cabeamento
estruturado, sistemas de climatização e ventilação, e equipamentos
de transporte vertical”], com o objetivo de garantir a continuidade e
disponibilidade dos serviços de forma integrada e conjunta.
Segundo a representante, a contratação única de todos os serviços
caracterizaria cerceamento à competição e violação à Súmula TCU
247 que estabelece a necessidade de adjudicação por itens como
diretriz nos processos licitatórios. Notificada, a Caixa argumentou,
ACÓRDÃO 929/2017 - PLENÁRIO
em síntese, tratar-se de um novo modelo de gestão denominado
gestão de facilities, aplicável a serviços conexos e complementares,
que possibilita maior sinergia em um mesmo ambiente, ganho na
gestão contratual, eliminação de sobreposições de funções e de
ociosidade, sem prejuízo para o conjunto e com significativa
redução de custos em função do ganho de escala. Analisando o
mérito, discorreu o relator sobre as variáveis que incidem nas
contratações do gênero, destacando que é natural que a prática
adotada no setor privado migre para o setor público, sendo,
contudo, “necessário discernir se a contratação de facilities atende
aos preceitos exigíveis das empresas públicas”, em especial os
princípios trazidos no art. 3º da Lei 8.666/1993. Nesse passo,
procedeu o relator à verificação, um a um, da incidência na licitação
em comento dos princípios da igualdade, da impessoalidade, da
motivação, da eficiência, e da obtenção de competitividade, para
ACÓRDÃO 929/2017 - PLENÁRIO
concluir que “a licitação realizada pela Caixa obedeceu a todos os
princípios inscritos no art. 3º da Lei 8.666/1993”. Ademais, fez
registrar o relator concordância com a argumentação da Caixa, no
sentido de que inexistiu ofensa à Súmula TCU 247, entendendo que
“seu teor possibilitava a opção da modelagem licitatória escolhida,
em face da ressalva constante em seu texto de que a adjudicação
por item é obrigatória, ‘desde que não haja prejuízo para o
conjunto ou complexo ou perda de economia de escala’”. De mais a
mais, a par da suficiente participação de licitantes, concluiu o
relator pela inexistência de restrição à competitividade do certame,
no qual, ademais, restou evidente a vantajosidade, tendo em vista
que o preço contratado se situou 2,6% abaixo do somatório dos
contratos hoje existentes, cujos serviços foram albergados pela nova
contratação. De forma comparativa, prosseguiu o relator, “a
experiência da Caixa demonstrou que o custo mensal por área total
ACÓRDÃO 929/2017 - PLENÁRIO

(R$/m2) de um edifício, em Brasília, com serviços


contratados pelo modelo de Facilities, é de R$ 13,55,
bastante inferior ao de dois outros utilizados para
comparação, que ostentam custos mensais superiores a
R$ 22,00”. Nesses termos, acolheu o Plenário a proposta
do relator para considerar improcedente a representação.
ACÓRDÃO 929/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 15ª PERGUNTA:
Assegurado o atendimento aos princípios que
regem as licitações e os contratos públicos, a
contratação de serviços de conservação e
manutenção de infraestrutura predial, com a
inclusão de serviços variados, na modelagem
conhecida como contratação de facilities, não
configura, por si só, afronta à Lei de Licitações,
quando prévia e formalmente motivada, de modo a
evidenciar, de forma clara e inequívoca, os
benefícios potenciais advindos dessa modelagem,
com destaque para a quantificação das vantagens
econômicas e financeiras e dos ganhos advindos da
economia de escala.
ACÓRDÃO 9455/2017 – 2ª CÂMARA
16ª PERGUNTA:
Há óbice a que familiar do gestor de
contrato seja admitido por empresa prestadora
de serviço terceirizado em contratações sob a
sua fiscalização?
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO
IN SEGES-MP 5/2017:
Art. 39. As atividades de gestão e fiscalização da execução
contratual são o conjunto de ações que tem por objetivo
aferir o cumprimento dos resultados previstos pela
Administração para os serviços contratados, verificar a
regularidade das obrigações previdenciárias, fiscais e
trabalhistas, bem como prestar apoio à instrução processual
e o encaminhamento da documentação pertinente ao setor
de contratos para a formalização dos procedimentos
relativos a repactuação, alteração, reequilíbrio, prorrogação,
pagamento, eventual aplicação de sanções, extinção dos
contratos, dentre outras, com vistas a assegurar o
cumprimento das cláusulas avençadas e a solução de
problemas relativos ao objeto.
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO

 Gestão da execução contratual (gestor):


coordenação das atividades de fiscalização
 Fiscalização técnica: acompanha e avalia a execução
do objeto (qualidade, quantidade, prazos e modo)
 Fiscalização administrativa: em contratos de
terceirização, verificação da regularidade documental
 Fiscalização setorial: acompanhamento da execução,
quanto aos aspectos técnico e administrativo, quando
a execução dos serviços se der de forma
descentralizada, em diversas unidades
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO
IN SEGES-MP 5/2017:
Art. 40. O conjunto de atividades de que trata o artigo anterior
compete ao gestor da execução dos contratos, auxiliado pela
fiscalização técnica, administrativa, setorial e pelo público usuário,
conforme o caso, de acordo com as seguintes disposições:
[...]
§ 3º As atividades de gestão e fiscalização da execução
contratual devem ser realizadas de forma preventiva, rotineira e
sistemática, podendo ser exercidas por servidores, equipe de
fiscalização ou único servidor, desde que, no exercício dessas
atribuições, fique assegurada a distinção dessas atividades e, em
razão do volume de trabalho, não comprometa o desempenho de
todas as ações relacionadas à Gestão do Contrato.
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO

Decreto Federal 7.203/2010:


Art. 7º Os editais de licitação para a contratação
de empresa prestadora de serviço terceirizado
[...] deverão estabelecer vedação de que
familiar de agente público preste serviços no
órgão ou entidade em que este exerça cargo em
comissão ou função de confiança.
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO

Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 1332/2015 – Segunda Câmara) Parentesco entre o
fiscal/gestor do contrato e pessoa contratada pela empresa
prestadora de serviços. Violação dos princípios da
moralidade e da impessoalidade.
[VOTO]
Diferente é a situação do Sr. (...). Na posição de gestor do
contrato, cabia a ele a fiscalização dos serviços prestados pela
empresa e por seus colaboradores, inclusive por seu filho (...),
admitido na data da celebração do contrato entre o hospital e a
empresa terceirizada (...). Ao acompanhar e atestar a prestação
dos serviços, o gestor afrontou os princípios da moralidade e da
impessoalidade insculpidos no art. 37 da Constituição Federal.
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO
(Acórdão 1332/2015 – Segunda Câmara) Continuação...
Não podem prosperar os argumentos do gestor de que não
exercia cargo de chefia ou de direção, pois a irregularidade foi
praticada na condição de gestor do contrato. Da mesma forma, as
alegações de que não foi adequadamente capacitado e de que não
havia proibição, no edital e no contrato, da contratação de parentes,
não resistem a uma análise mais acurada, já que cabia ao servidor agir
de acordo com o ordenamento jurídico, a começar pela Carta Magna.
Outro argumento, de que era elevado o número de pessoas contratadas
pela prestadora de serviços, também não diminui a responsabilidade do
gestor, pois não se poderia supor que ele não tivesse conhecimento de
que seu filho era um dos contratados.
Tampouco merecem ser acolhidas as alegações de que não
houve dano ao erário nem má fé e de que não há documento que
prove o favorecimento na contratação de seu filho. Ocorre que a
irregularidade não reside no favorecimento, mas no exercício da
função de gestor do contrato e fiscal dos serviços prestados pelo seu
próprio filho. Além disso, a imputação de sanção pelo Tribunal não
depende da existência de débito ou de má fé.
ACÓRDÃO 9455/2017 – 2ª CÂMARA
RESPOSTA À 16ª PERGUNTA:
O gestor de contrato responde por
nepotismo ao não coibir a admissão de familiar
seu por empresa prestadora de serviço
terceirizado em contratações sob a sua
fiscalização, por afronta aos princípios da
moralidade e da impessoalidade.
ACÓRDÃO 1079/2017 - PLENÁRIO
17ª PERGUNTA:
A desclassificação de proposta por
inexequibilidade pode dar-se sumariamente
com base no critério definido no edital, sem a
necessidade de ser franqueada oportunidade ao
licitante de defender sua proposta e demonstrar
sua capacidade de bem executar os serviços no
preço por ele ofertado?
PREÇOS MANIFESTAMENTE INEXEQUÍVEIS
Lei 8.666/1993:
Art. 48. Serão desclassificadas: (...)
II - propostas com valor global superior ao limite estabelecido ou com
preços manifestamente inexequíveis, assim considerados aqueles que
não venham a ser demonstrada sua viabilidade através de
documentação que comprove que os custos dos insumos são
coerentes com os de mercado (...).
§ 1º Para os efeitos do disposto no inciso II deste artigo,
consideram-se manifestamente inexequíveis, no caso de licitações de
menor preço para obras e serviços de engenharia, as propostas cujos
valores sejam inferiores a 70% (setenta por cento) do menor dos
seguintes valores:
a) média aritmética dos valores das propostas superiores a 50%
(cinquenta por cento) do valor orçado pela Administração; ou
b) valor orçado pela Administração.
PREÇOS MANIFESTAMENTE INEXEQUÍVEIS

Súmula 262 do TCU:


O critério definido no art. 48, inciso II, § 1º,
alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.666/93 conduz a
uma presunção relativa de inexequibilidade de
preços, devendo a Administração dar à licitante a
oportunidade de demonstrar a exequibilidade da
sua proposta.
DESCLASSIFICAÇÃO DAS PROPOSTAS
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO VII-A):
DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DO ATO
CONVOCATÓRIO
9. Da desclassificação das propostas:
9.1. Serão desclassificadas as propostas que: (...)
c) apresentarem preços finais superiores ao valor máximo
estabelecido pelo órgão ou entidade contratante no ato
convocatório;
d) apresentarem preços que sejam manifestamente
inexequíveis; e
e) não vierem a comprovar sua exequibilidade, em especial
em relação ao preço e a produtividade apresentada.
DESCLASSIFICAÇÃO DAS PROPOSTAS

9.2. Consideram-se preços manifestamente


inexequíveis aqueles que, comprovadamente,
forem insuficientes para a cobertura dos custos
decorrentes da contratação pretendida;
9.3. A inexequibilidade dos valores referentes a
itens isolados da planilha de custos e formação de
preços não caracteriza motivo suficiente para a
desclassificação da proposta, desde que não
contrariem exigências legais;
ACÓRDÃO 1079/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 17ª PERGUNTA:
A desclassificação de proposta por
inexequibilidade deve ser objetivamente
demonstrada, a partir de critérios previamente
publicados, e deve ser franqueada oportunidade
de o licitante defender sua proposta e
demonstrar sua capacidade de bem executar os
serviços, nos termos e condições exigidos pelo
instrumento convocatório, antes de ter sua
proposta desclassificada.
ACÓRDÃO 1122/2017 - PLENÁRIO
18ª PERGUNTA:
A contratação direta com base no art. 24,
inciso IV, da Lei 8.666/1993, também se mostra
possível quando a situação de emergência
decorre da falta de planejamento ou mesmo da
desídia administrativa?
CONTRATAÇÃO EMERGENCIAL
Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
IV – nos casos de emergência ou de calamidade pública,
quando caracterizada urgência de atendimento de situação
que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança
de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens,
públicos ou particulares, e somente para os bens necessários
ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e
para as parcelas de obras e serviços que possam ser
concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias
consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da
emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos
respectivos contratos;
FALTA DE PLANEJAMENTO COMO CAUSA
Jurisprudência do TCU:
"(...) há que se separar a ausência de planejamento da
contratação emergencial propriamente dita, tratando-as como
questões distintas.
A contratação emergencial se dá em função da
essencialidade do serviço ou bem que se pretende adquirir,
pouco importando os motivos que tornam imperativa a imediata
contratação. Na análise de contratações emergenciais não se
deve buscar a causa da emergência, mas os efeitos advindos de
sua não realização. A partir dessa verificação de efeitos, sopesa-
se a imperatividade da contratação emergencial e avalia-se a
pertinência da aplicação, pelo administrador, da
excepcionalidade permitida pelo art. 24, IV, da Lei de Licitações.
FALTA DE PLANEJAMENTO COMO CAUSA

Exemplificando esse ponto com uma situação


extrema, imagine-se que a falta de planejamento
de algum gestor conduza à ausência de
medicamentos em determinado hospital. Poderá o
hospital deixar de adquirir os medicamentos, em
caráter emergencial, porque decorreu de omissão
da própria entidade? Evidente que não."
(Acórdão 1138/2011 – Plenário)
FALTA DE PLANEJAMENTO COMO CAUSA
Jurisprudência do TCU:
"(...) o entendimento do Tribunal (...) é de que
a contratação direta é possível mesmo quando a
situação de emergência decorre de falta de
planejamento, da desídia administrativa ou da má
gestão dos recursos públicos. A inércia do servidor,
culposa ou dolosa, não pode vir em prejuízo de
interesse público maior a ser tutelado pela
administração. Todavia, deve ser analisada a
conduta do gestor público que não adotou
tempestivamente as providências para fins de
responsabilização."
(Acórdão 1312/2016 – Primeira Câmara)
ACÓRDÃO 1122/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 18ª PERGUNTA:
A contratação direta também se mostra
possível quando a situação de emergência decorre da
falta de planejamento, da desídia administrativa ou
da má gestão dos recursos púbicos. O art. 24, inciso
IV, da Lei 8.666/1993 não distingue a emergência
resultante do imprevisível daquela resultante da
incúria ou da inércia administrativa, sendo cabível,
em ambas as hipóteses, a contratação direta, desde
que devidamente caracterizada a urgência de
atendimento a situação que possa ocasionar prejuízo
ou comprometer a segurança de pessoas, obras,
serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou
particulares.
ACÓRDÃO 2443/2017 - PLENÁRIO
19ª PERGUNTA:
O fato de o orçamento estimativo da
licitação não contemplar os salários definidos
em convenção coletiva mais recente é
considerado falha meramente formal, passível
de convalidação mediante repactuação logo
após a assinatura do contrato?
SALÁRIO DEFINIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA

IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO I):


XXII - SALÁRIO: valor a ser efetivamente pago ao
profissional envolvido diretamente na execução
contratual, não podendo ser inferior ao estabelecido
em Acordo ou Convenção Coletiva, Sentença
Normativa ou lei. Quando da inexistência destes, o
valor poderá ser aquele praticado no mercado ou
apurado em publicações ou pesquisas setoriais para
a categoria profissional correspondente.
REPACTUAÇÃO
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO I):
XX – REPACTUAÇÃO: forma de manutenção do
equilíbrio econômico-financeiro do contrato que
deve ser utilizada para serviços continuados com
dedicação exclusiva da mão de obra, por meio da
análise da variação dos custos contratuais, devendo
estar prevista no ato convocatório com data
vinculada à apresentação das propostas, para os
custos decorrentes do mercado, e com data
vinculada ao Acordo ou à Convenção Coletiva ao
qual o orçamento esteja vinculado, para os custos
decorrentes da mão de obra.
EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO

Constituição Federal:
Art. 37. (...)
XXI - ressalvados os casos especificados na
legislação, as obras, serviços, compras e
alienações serão contratados mediante processo
de licitação pública que assegure igualdade de
condições a todos os concorrentes, com cláusulas
que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos
termos da lei (...).
ORÇAMENTO CONFORME O PREÇO DE MERCADO
Decreto Federal 5.450/2005:
Art. 9o Na fase preparatória do pregão, na forma
eletrônica, será observado o seguinte: (...)
§ 2o O termo de referência é o documento que
deverá conter elementos capazes de propiciar avaliação
do custo pela administração diante de orçamento
detalhado, definição dos métodos, estratégia de
suprimento, valor estimado em planilhas de acordo
com o preço de mercado, cronograma físico-financeiro,
se for o caso, critério de aceitação do objeto, deveres
do contratado e do contratante, procedimentos de
fiscalização e gerenciamento do contrato, prazo de
execução e sanções, de forma clara, concisa e objetiva.
ACÓRDÃO 2443/2017 - PLENÁRIO

RESPOSTA À 19ª PERGUNTA:


O fato de o orçamento estimativo da
licitação não considerar os salários definidos em
convenção coletiva mais recente, a despeito da
possibilidade de repactuação em seguida à
assinatura do contrato, viola o art. 9º, § 2º, do
Decreto 5.450/2005, uma vez que o orçamento
estimativo deve refletir os preços de mercado
no momento da publicação do edital.
ACÓRDÃO 1134/2017 - PLENÁRIO
20ª PERGUNTA:
A ausência de interesse da contratada em
prorrogar (renovar) avença de prestação de
serviços de natureza continuada autoriza a
realização de dispensa de licitação para
contratação de remanescente de serviço (art.
24, inciso XI, da Lei 8.666/1993)?
SERVIÇOS DE NATUREZA CONTINUADA
Lei 8.666/1993:
Art. 57. A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará
adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários,
exceto quanto aos relativos: (...)
II - à prestação de serviços a serem executados de forma
contínua, que poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e
sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e condições
mais vantajosas para a administração, limitada a sessenta meses;
(...)
§ 4º Em caráter excepcional, devidamente justificado e
mediante autorização da autoridade superior, o prazo de que
trata o inciso II do caput deste artigo poderá ser prorrogado por
até doze meses.
SERVIÇOS DE NATUREZA CONTINUADA
IN SEGES-MP 5/2017:
Art. 15. Os serviços prestados de forma contínua são
aqueles que, pela sua essencialidade, visam atender à
necessidade pública de forma permanente e contínua, por
mais de um exercício financeiro, assegurando a
integridade do patrimônio público ou o funcionamento das
atividades finalísticas do órgão ou entidade, de modo que
sua interrupção possa comprometer a prestação de um
serviço público ou o cumprimento da missão institucional.
Parágrafo único. A contratação de serviços prestados de
forma contínua deverá observar os prazos previstos no art.
57 da Lei nº 8.666, de 1993.
PRORROGAÇÃO CONTRATUAL
Lei 8.666/1993:
Art. 57. (...)
§ 2º Toda prorrogação de prazo deverá ser justificada por escrito e
previamente autorizada pela autoridade competente para celebrar o
contrato.

Jurisprudência do TCU:
"(...) no que se refere à previsão da prorrogação no ato
convocatório, resta esclarecer que, de fato, a prorrogabilidade do
inciso II depende de explícita autorização no ato convocatório.
Sendo omisso o edital, não poderá a entidade promover a
prorrogação. (...) Assim, em razão de não haver previsão editalícia
e, consequentemente, contratual quanto à prorrogação em
questão, entendo que deve ser mantida a irregularidade."
(Acórdão 551/2002 – Segunda Câmara)
PRORROGAÇÃO CONTRATUAL
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO IX):
DA VIGÊNCIA E DA PRORROGAÇÃO
3. Nas contratações de serviços continuados, o contratado não
tem direito subjetivo à prorrogação contratual que objetiva a
obtenção de preços e condições mais vantajosas para a
Administração, podendo ser prorrogados, a cada 12 (doze)
meses, até o limite de 60 (sessenta) meses, desde que a
instrução processual contemple:
a) estar formalmente demonstrado que a forma de prestação
dos serviços tem natureza continuada;
b) relatório que discorra sobre a execução do contrato, com
informações de que os serviços tenham sido prestados
regularmente;
PRORROGAÇÃO CONTRATUAL

c) justificativa e motivo, por escrito, de que a


Administração mantém interesse na realização do
serviço;
d) comprovação de que o valor do contrato
permanece economicamente vantajoso para a
Administração;
e) manifestação expressa da contratada informando
o interesse na prorrogação; e
f) comprovação de que o contratado mantém as
condições iniciais de habilitação.
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
XI – na contratação de remanescente de obra,
serviço ou fornecimento, em consequência de
rescisão contratual, desde que atendida a ordem
de classificação da licitação anterior e aceitas as
mesmas condições oferecidas pelo licitante
vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente
corrigido;
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
Jurisprudência do TCU:
"Consta nos autos que o TRE/RR [Tribunal Regional
Eleitoral de Roraima], em 22/12/1999, por meio da Tomada de
Preços nº 1/1999, contratou a empresa KCB de Queiroz e Cia.
Ltda. para executar serviços de limpeza, conservação,
copeiragem, reprografia e atendimento telefônico. A avença foi
firmada pelo prazo inicial de 24 meses, com a possibilidade de
renovação por até 60 meses.
Em 22/5/2001, a Administração do TRE/RR rescindiu,
unilateralmente, o referido ajuste. Seis dias após a rescisão, a
empresa RORSERC, por ter sido a segunda colocada na Tomada
de Preços nº 1/1999, foi contratada, com base no art. 24, inciso
XI, da Lei de Licitações, para prosseguir na prestação dos
serviços.
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
A controvérsia reside em saber se a Administração
poderia ou não ter dispensado a referida licitação. O
gestor defende a possibilidade por entender que o edital
do certame previa a prorrogação da avença por até 60
meses. Assim, como houve a rescisão do contrato inicial
antes deste prazo, a segunda colocada, com fundamento
no já transcrito art. 24, inciso XI, poderia prosseguir com
a prestação do serviço por todo o período.
O entendimento defendido pela administração do
TRE/RR está em consonância com o pensamento desta
Corte.
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
(...) A contratação do segundo colocado por conta de
rescisão contratual serve para tornar mais ágil a
Administração Pública. Não se pode reclamar a realização
de novo certame, quando a legislação permite a
contratação direta. Ademais, no caso concreto, seria
desarrazoado exigir que o órgão funcionasse sem receber
os serviços de conservação e limpeza enquanto outra
licitação fosse realizada.
Assim, uma vez que não há indícios nos autos de que a
contratação do segundo colocado tenha sido efetuada ao
arrepio do art. 24, inciso XI, da Lei nº 8.666/1993, considero
acolhida a razão de justificativa (...)."
(Acórdão 412/2008 – Plenário)
ACÓRDÃO 1134/2017 - PLENÁRIO
O Plenário apreciou relatório de auditoria com objetivo
examinar a regularidade dos procedimentos em contratações de bens
e serviços pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), no
âmbito de Fiscalização de Orientação Centralizada (FOC). Entre outras
ocorrências, a equipe de fiscalização apontou como achado de
auditoria a “contratação direta com aplicação irregular do
embasamento legal no inciso XI do art. 24 da Lei 8.666/93”, pois
empresa fora contratada para manutenção dos bens móveis e
imóveis dos prédios da sede da Cnen em decorrência da rescisão do
contrato firmado com a vencedora do pregão eletrônico, que
informara, pouco antes do término da vigência do ajuste, não poder
continuar prestando os serviços. Com amparo no Acórdão 819/2014
Plenário, que, em situação similar, considerou irregular uma nova
contratação fundamentada no inciso XI do artigo 24 da Lei 8.666/93,
a unidade técnica entendeu que o embasamento legal adotado não
ACÓRDÃO 1134/2017 - PLENÁRIO
poderia ser aplicado, por se tratar de contrato de prestação
continuada, com prazo de doze meses, que se encontrava no seu
segundo ano de prestação, de modo que o contrato original teria
sido plenamente executado. Assim, propôs a unidade instrutiva dar
ciência à Cnen de que a celebração do contrato em questão afrontara
o citado dispositivo legal e o entendimento do mencionado acórdão,
uma vez que o contrato anterior tratava de serviço continuado já em
sua primeira prorrogação de doze meses, não havendo, portanto, a
situação de serviço remanescente. O relator, por sua vez, ponderou
que a comunicação quanto à impossibilidade de prorrogação
contratual fora realizada pela empresa então contratada a menos de
um mês do encerramento da vigência do contrato, inexistindo tempo
suficiente para a realização de novo procedimento licitatório.
Ademais, destacou o Acórdão 412/2008 Plenário, que teria
considerado regular contratação similar. Assim,
ACÓRDÃO 1134/2017 - PLENÁRIO

tendo sido atendida a ordem de classificação da licitação


anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo
licitante vencedor, inclusive quanto ao preço, concluiu o
relator que a contratação com base no art. 24, inciso XI, da
Lei 8.666/1993 fora regular e que o achado poderia ser
afastado, dispensando-se a ciência proposta, no que foi
acompanhado pelo Colegiado.
ACÓRDÃO 1134/2017 - PLENÁRIO
RESPOSTA À 20ª PERGUNTA:
A ausência de interesse da contratada em
fazer nova prorrogação de avença de prestação
de serviços de natureza continuada autoriza a
realização de dispensa de licitação para
contratação de remanescente de obra, serviço
ou fornecimento (art. 24, inciso XI, da Lei
8.666/1993), desde que atendida a ordem de
classificação da licitação anterior e aceitas as
mesmas condições oferecidas pelo licitante
vencedor, inclusive quanto ao preço.
ACÓRDÃO 10075/2017 – 1ª CÂMARA
21ª PERGUNTA:
Nos contratos de soluções de tecnologia da
informação, o atesto de faturas por parte do
gestor do contrato, sem a manifestação do fiscal
técnico quanto à avaliação dos serviços
executados ou dos bens entregues, viola o
princípio da segregação de funções?
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO
IN SLTI-MP 4/2014 (art. 2º):
V - Gestor do Contrato: servidor com atribuições gerenciais, designado
para coordenar e comandar o processo de gestão e fiscalização da
execução contratual, indicado por autoridade competente;
VI - Fiscal Técnico do Contrato: servidor representante da Área de
Tecnologia da Informação, indicado pela
autoridade competente dessa área para fiscalizar tecnicamente o contrato;
VII - Fiscal Administrativo do Contrato: servidor representante da Área
Administrativa, indicado pela
autoridade competente dessa área para fiscalizar o contrato quanto aos
aspectos administrativos;
VIII - Fiscal Requisitante do Contrato: servidor representante da Área
Requisitante da Solução, indicado pela
autoridade competente dessa área para fiscalizar o contrato do ponto de
vista funcional da Solução de Tecnologia da Informação;
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO
IN SLTI-MP 4/2014:
Art. 34. O monitoramento da execução deverá observar o
disposto no Plano de Fiscalização da contratada e o
disposto no Modelo de Gestão do contrato, e consiste
em:
I - confecção e assinatura do Termo de Recebimento
Provisório, a cargo do Fiscal Técnico do Contrato, quando
da entrega do objeto resultante de cada Ordem de
Serviço ou de Fornecimento de Bens;
II - avaliação da qualidade dos serviços realizados ou dos
bens entregues e justificativas, a partir da aplicação das
Listas de Verificação e de acordo com os Critérios de
Aceitação definidos em contrato, a cargo dos Fiscais
Técnico e Requisitante do Contrato;
OS ATORES DA GESTÃO E DA FISCALIZAÇÃO

III - identificação de não conformidade com os


termos contratuais, a cargo dos Fiscais Técnico e
Requisitante do Contrato;
(...)
VIII - confecção e assinatura do Termo de
Recebimento Definitivo para fins de
encaminhamento para pagamento, a cargo do
Gestor e do Fiscal Requisitante do Contrato, com
base nas informações produzidas nos incisos I a VII
deste artigo;
ACÓRDÃO 10075/2017 – 1ª CÂMARA
RESPOSTA À 21ª PERGUNTA:
Nos contratos de soluções de tecnologia da
informação, o atesto de faturas por parte do
gestor do contrato, sem a manifestação do fiscal
técnico quanto à avaliação dos serviços
executados ou dos bens entregues, viola o art.
34, incisos II e III, da IN-SLTI 4/2014, bem como o
princípio da segregação de funções.
ACÓRDÃO 4222/2017 – 1ª CÂMARA
22ª PERGUNTA:
É irregular a adesão de entidades do
Sistema ‘S’ a atas de registro de preços de
órgãos e entidades da Administração Pública?
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)

Decreto Federal 7.892/2013:


Art. 22. Desde que devidamente justificada a
vantagem, a ata de registro de preços, durante
sua vigência, poderá ser utilizada por qualquer
órgão ou entidade da administração pública
federal que não tenha participado do certame
licitatório, mediante anuência do órgão
gerenciador.
ACÓRDÃO 4222/2017 – 1ª CÂMARA
Em análise das contas anuais do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial - Departamento Regional do Estado de
Roraima (Senai/RR), referentes ao exercício de 2014, identificara-se,
entre outras falhas, a adesão, sem previsão legal, a ata de registro
de preços do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima. A esse respeito,
o gestor argumentou que o TCU não considera expressamente
existir impedimento para tanto e que o regulamento de licitações e
contratos do Senai não se aplicaria ao caso concreto. Refutando tais
alegações, observou o relator que “eventual ausência de
manifestação expressa desta Corte acerca de determinada questão
não é suficiente para tornar o ato regular”, destacando também o
pacífico entendimento de que as entidades do Sistema S estão
obrigadas a cumprir os seus regulamentos próprios e não se
submetem às disposições da Lei 8.666/1993 e do Decreto
7.892/2013. No caso do Senai, ressaltou, o regulamento de licitações
ACÓRDÃO 4222/2017 – 1ª CÂMARA
e contratos não prevê adesão a ata de registro de preços de
órgão ou ente da Administração Pública, sendo que seu art.
38-A apenas dispõe que o registro de preços realizado por
departamento do Senai poderá ser objeto de adesão por
outro departamento da entidade e por serviço social
autônomo, desde que previsto no instrumento convocatório.
Assim, concluiu o relator, inexistindo previsão legal, “não
socorre o responsável a justificativa, sem comprovação, de que
os valores eram inferiores aos da pesquisa de preços realizada,
e não há como considerar regular a referida adesão”. Diante
do conjunto de falhas constatadas na gestão, votou o relator
pela irregularidade das contas do dirigente da entidade, com
aplicação de multa, no que foi seguido pelo Colegiado.
ACÓRDÃO 4222/2017 – 1ª CÂMARA

RESPOSTA À 22ª PERGUNTA:


É irregular a adesão de entidades do
Sistema ‘S’ a atas de registro de preços de
órgãos e entidades da Administração Pública,
caso seus regulamentos próprios de licitações
não prevejam tal possibilidade.
ACÓRDÃO 2472/2017 – PLENÁRIO
23ª PERGUNTA:
A participação de empresa estatal no bloco
de controle de empresa privada da qual é
acionista minoritária, mediante celebração de
acordo com o acionista majoritário, conferindo à
estatal parcela de controle compartilhado,
torna-a controladora da empresa participada,
sendo assim devida sua contratação direta pela
estatal com base no art. 24, inciso XXIII, da Lei
8.666/1993?
CONTRATAÇÃO COM EMPRESA CONTROLADA

Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
XXIII - na contratação realizada por empresa
pública ou sociedade de economia mista com
suas subsidiárias e controladas, para a aquisição
ou alienação de bens, prestação ou obtenção de
serviços, desde que o preço contratado seja
compatível com o praticado no mercado.
ACÓRDÃO 2472/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 23ª PERGUNTA:
A participação de empresa estatal no bloco de
controle de empresa privada da qual é acionista
minoritária, mediante celebração de acordo com o
acionista majoritário, conferindo à estatal parcela de
controle compartilhado, não a torna controladora da
empresa participada, devendo esta concorrer nas licitações
em condições de igualdade com as demais empresas do
setor privado, sendo indevida sua contratação direta pela
estatal com base no art. 24, inciso XXIII, da Lei 8.666/1993.
Para fins de dispensa de licitação com fundamento nesse
dispositivo, entende-se por controlada a empresa em que a
União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do
capital social com direito a voto, em analogia ao conceito
do art. 165, § 5º, inciso II, da Constituição Federal, que
baliza a noção de empresa controlada.
ACÓRDÃO 1406/2017 – PLENÁRIO
24ª PERGUNTA:
É possível a participação de organizações
sociais (OSs) e de organizações da sociedade
civil de interesse público (Oscips) em
procedimentos licitatórios realizados pelo poder
público?
PARTICIPAÇÃO DE OSCIP EM LICITAÇÃO
É vedado às OSCIPS, nessa condição, participar de
processos licitatórios promovidos pela Administração, sob
pena de desvirtuamento do objetivo primordial para o
qual foram criadas, qual seja, estabelecer cooperação com
o Poder Público, mediante a celebração de termo de
parceria. Assim, a Lei 8.666/1993 não se aplica à seleção
de OSCIPS. Entretanto, o gestor público não está livre para
contratar tais entidades da maneira que lhe convier,
devendo observar a Lei 9.790/1999 e o Decreto
3.100/1999, que estabelecem diretrizes para a elaboração
do Termo de Parceria a ser celebrado com essas entidades.
(Acórdão 2741/2014 – Plenário)
CONTRATAÇÃO DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL
Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
XXIV - para a celebração de contratos de
prestação de serviços com as organizações
sociais, qualificadas no âmbito das respectivas
esferas de governo, para atividades contempladas
no contrato de gestão.
ACÓRDÃO 1406/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 24ª PERGUNTA:
Inexiste vedação legal à participação de
organizações sociais, qualificadas na forma dos
arts. 5º a 7º da Lei 9.637/1998, em
procedimentos licitatórios realizados pelo Poder
Público, sob a égide da Lei 8.666/1993, desde
que o intuito do procedimento licitatório seja a
contratação de entidade privada para prestação
de serviços que se insiram entre as atividades
previstas no contrato de gestão firmado entre o
Poder Público e a organização social.
ACÓRDÃO 1431/2017 – PLENÁRIO
25ª PERGUNTA:
A variação da taxa cambial, para mais ou
para menos, pode ser considerada suficiente
para, isoladamente, fundamentar a necessidade
de reequilíbrio econômico-financeiro do
contrato?
REVISÃO CONTRATUAL/TEORIA DA IMPREVISÃO
Lei 8.666/1993:
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com
as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...)
II - por acordo das partes: (...)
d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente
entre os encargos do contratado e a retribuição da Administração
para a justa remuneração da obra, serviço ou fornecimento,
objetivando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial
do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou
previsíveis porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou
impeditivos da execução do ajustado, ou ainda, em caso de força
maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea
econômica extraordinária e extracontratual.
(...)
§ 5º Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou
extintos, bem como a superveniência de disposições legais, quando
ocorridas após a data da apresentação da proposta, de comprovada
repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão destes
para mais ou para menos, conforme o caso. [fato do príncipe]
REVISÃO CONTRATUAL/TEORIA DA IMPREVISÃO
Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 1383/2014 – Plenário) Revisão. Pressupostos autorizadores.
Demonstração no processo administrativo.
[VOTO]
“(...) para que seja deferida revisão de preços fundada no art. 65,
II, ‘d’, da Lei nº 8.666/93, faz-se necessária, além da presença do fato
gerador imprevisível ou previsível de consequências incalculáveis, a
demonstração do impacto dessa superveniência nos custos da
contratada de tal monta que, caso não deferido o seu pleito junto ao
ente público contratante, estará ela impossibilitada de honrar os
compromissos assumidos. Não se pode, pois, concluir previamente,
como fez a agravante, que a revisão seria inevitável, isso porque caberia
à contratada, quando da formulação do seu pedido à Eletronuclear,
abrir a sua planilha de custos e demonstrar, de forma contundente, a
sobredita onerosidade excessiva (...).”
Observação: a demonstração analítica da variação ocorrida e do
impacto na formação do preço é ônus do contratado.
REVISÃO CONTRATUAL/TEORIA DA IMPREVISÃO
Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 1085/2015 – Plenário) Variação Cambial. Necessidade de
demonstração da onerosidade excessiva.
“(...) a desvalorização da moeda nacional ocorrida no início de 1999 já
foi reconhecida pela Justiça e por este Tribunal como evento extracontratual
impactante nos contratos administrativos em vigor na época. Contudo, não
pode ser tida como uma condição suficiente e autônoma para justificar a
revisão contratual.
Explico melhor, a aplicação da cláusula rebus sic stantibus aos
contratos administrativos também requer demonstração objetiva de que
ocorrências supervenientes tornaram a sua execução excessivamente onerosa
para uma das partes. A simples variação cambial, por si só, não justifica a
revisão contratual por um motivo simples: o particular contratado pode ter
adquirido os insumos ou incorrido nas despesas impactadas pelo câmbio
antes da ocorrência do evento. Em tal situação (...), a posterior desvalorização
da moeda favoreceria ao contratado, pois os índices de reajuste contratual
supervenientes captariam em maior ou menor grau o fato ocorrido.
REVISÃO CONTRATUAL/TEORIA DA IMPREVISÃO
(Acórdão 1085/2015 – Plenário) Continuação...
Assim, o construtor seria beneficiado, pois teria sua
remuneração majorada por índices que foram afetados ao menos
parcialmente pelo câmbio, mas não incorreria em custos
adicionais, haja vista que adquiriu os bens importados antes da
depreciação do Real. Em outra circunstância, na qual o contratado
ainda não tivesse incorrido nos gastos atrelados ao câmbio,
certamente uma variação anômala da moeda poderia justificar o
reequilíbrio.
Portanto, pleitos do gênero não podem se basear
exclusivamente nos preços contratuais ou na variação de valores
extraídos de sistemas referenciais de custos, sendo indispensável
que se apresentem outros elementos adicionais do impacto
cambial, tais como a comprovação dos custos efetivamente
incorridos no contrato, demonstrados mediante notas fiscais.”
ACÓRDÃO 1431/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 25ª PERGUNTA:
A variação da taxa cambial, para mais ou para
menos, não pode ser considerada suficiente para,
isoladamente, fundamentar a necessidade de reequilíbrio
econômico-financeiro do contrato. Para que a variação do
câmbio seja considerada um fato apto a ocasionar uma
recomposição nos contratos, considerando se tratar de fato
previsível, deve culminar consequências incalculáveis
(consequências cuja previsão não seja possível pelo gestor
médio quando da vinculação contratual), fugir à
normalidade, ou seja, à flutuação cambial típica do regime
de câmbio flutuante e, sobretudo, acarretar onerosidade
excessiva no contrato a ponto de ocasionar um
rompimento na equação econômico-financeira, nos termos
previstos no art. 65, inciso II, alínea d, da Lei 8.666/1993.
ACÓRDÃO 2552/2017 – PLENÁRIO
26ª PERGUNTA:
É regular a exigência de prestação de
garantia da proposta antes da data de
apresentação dos documentos de habilitação?
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA
Lei 8.666/1993:
Art. 31. A documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-á a:
(...)
III - garantia, nas mesmas modalidades e critérios previstos no "caput" e § 1º do
art. 56 desta Lei, limitada a 1% (um por cento) do valor estimado do objeto da
contratação.
(...)
§ 2º A Administração, nas compras para entrega futura e na execução de obras e
serviços, poderá estabelecer, no instrumento convocatório da licitação, a exigência
de capital mínimo ou de patrimônio líquido mínimo, ou ainda as garantias previstas
no § 1º do art. 56 desta Lei, como dado objetivo de comprovação da qualificação
econômico-financeira dos licitantes e para efeito de garantia ao adimplemento do
contrato a ser ulteriormente celebrado.
§ 3º O capital mínimo ou o valor do patrimônio líquido a que se refere o parágrafo
anterior não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor estimado da
contratação, devendo a comprovação ser feita relativamente à data da
apresentação da proposta, na forma da lei, admitida a atualização para esta data
através de índices oficiais.
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA

Súmula TCU nº 275:


Para fins de qualificação econômico-financeira, a
Administração pode exigir das licitantes, de
forma não cumulativa, capital social mínimo,
patrimônio líquido mínimo ou garantias que
assegurem o adimplemento do contrato a ser
celebrado, no caso de compras para entrega
futura e de execução de obras e serviços.
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA
Jurisprudência do TCU:
"Acerca das irregularidades atinentes às licitações públicas,
manifesto-me de acordo com as ponderações da Secex/MS e acolho as
razões de justificativas dos responsáveis mencionados especificamente
quanto à exigência de patrimônio líquido mínimo cumulativamente
com a prestação de garantia prevista no art. 31, inciso III, da Lei
8.666/1993 (...). De fato, os editais de licitação exigiram somente a
apresentação de garantia relativa à execução contratual, e não a
garantia atinente à proposta de preços, não havendo, portanto,
qualquer irregularidade neste aspecto."
(Acórdão nº 2055/2014 – Plenário)

Lei 10.520/2002:
Art. 5º É vedada a exigência de:
I - garantia de proposta;
ACÓRDÃO 2552/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 26ª PERGUNTA:
É irregular a exigência de prestação de
garantia da proposta antes da data de
apresentação dos documentos de habilitação,
pois não encontra amparo na Lei 8.666/1993 e
permite o conhecimento antecipado das
empresas que efetivamente participarão do
certame, o que pode comprometer o caráter
competitivo da licitação.
ACÓRDÃO 1545/2017 – PLENÁRIO
27ª PERGUNTA:
É regular a aquisição pela Administração,
mediante credenciamento, de passagens aéreas
em linhas regulares domésticas, sem a
intermediação de agência de viagem?
CREDENCIAMENTO

Lei 8.666/1993:
Art. 25. É inexigível a licitação quando houver
inviabilidade de competição, em especial: (...)
CREDENCIAMENTO
Jurisprudência do TCU:
"Via de regra, no credenciamento, a Administração
estabelece o preço máximo a ser pago pelos serviços.
(...) embora o credenciamento não seja compatível
com o procedimento licitatório, trata-se, na opinião dos
juristas, de caso de inexigibilidade de licitação pela
inviabilidade ou pela desnecessidade de competição, dado
que, em tese, todos os interessados na prestação do
serviço ficam disponíveis para a contratação. Assim, são
exigidos os elementos prescritos no parágrafo único do art.
26 da Lei nº 8.666/93, entre eles a justificativa do preço
fixado pela administração contratante."
(Acórdão 2731/2009 – Plenário)
CREDENCIAMENTO
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO I):
DEFINIÇÕES
IV - CREDENCIAMENTO: ato administrativo de
chamamento público destinado à pré-
qualificação de todos os interessados que
preencham os requisitos previamente
determinados no ato convocatório, visando
futura contratação, pelo preço definido pela
Administração.
CREDENCIAMENTO
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO VII-B):
DIRETRIZES ESPECÍFICAS PARA ELABORAÇÃO DO ATO
CONVOCATÓRIO
3. Do credenciamento:
3.1. Para a contratação de prestação de serviços, os órgãos
e entidades poderão utilizar o sistema de credenciamento,
desde que atendidas às seguintes diretrizes:
a) justificar a inviabilidade de competição pela natureza da
contratação do serviço a ser prestado;
b) comprovar que o interesse da Administração será
melhor atendido mediante a contratação de um maior
número de prestadores de serviço;
CREDENCIAMENTO
c) promover o chamamento público por meio do ato
convocatório que definirá o objeto a ser executado, os requisitos
de habilitação, as especificações técnicas indispensáveis, a
fixação prévia de preços e os critérios para convocação dos
credenciados;
d) garantir a igualdade de condições entre todos os interessados
hábeis a contratar com a Administração, pelo preço por ela
definido; e
e) contratar todos os que tiverem interesse e que satisfaçam as
condições fixadas pela Administração.
3.2. O Sistema de Credenciamento ficará aberto pelo prazo
estipulado no ato convocatório, renováveis por iguais e
sucessivos períodos, para inscrição de novos interessados, desde
que atendam aos requisitos do chamamento.
ACÓRDÃO 1545/2017 – PLENÁRIO
Representação formulada ao TCU apontou possíveis
irregularidades no Credenciamento 1/2014, conduzido pela Central
de Compras e Contratações do Ministério do Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão (MPDG), com vigência de sessenta
meses e objetivo de permitir a compra de passagens aéreas em
linhas regulares domésticas sem a intermediação de agência de
viagem. Ao apreciar o novo modelo, a unidade técnica concluiu pela
sua incompatibilidade com o ordenamento jurídico, ressaltando a
“possibilidade de competição entre as companhias aéreas e entre
estas e as agências de viagem”. Ao discordar da unidade instrutiva,
o relator assinalou não haver possibilidade de real competição
entre empresas aéreas e agências que intermedeiam a venda de
passagens das companhias aéreas e cobram comissões por seus
serviços. A corroborar sua assertiva, frisou que o próprio
representante afirmara que “as companhias aéreas TAM, GOL/VRG,
ACÓRDÃO 1545/2017 – PLENÁRIO
Avianca e Azul, pela condição dominante no mercado, estão
apresentando condições ao MPOG que nenhuma agência de viagens
(canal de distribuição) conseguiria”. O relator ressaltou, ainda, a
impossibilidade de competição entre as próprias companhias
aéreas, isso porque “normalmente não há vários voos de diferentes
empresas aéreas para o mesmo lugar, no mesmo dia e horário, de
modo a atender à necessidade específica da Administração
Pública”. Deixou também assente que a opção administrativa pelo
Credenciamento 1/2014 “não subtrai do mercado seguimento
comercial algum, tampouco retira as agências de viagem do ciclo
econômico”, haja vista que os contratos dos órgãos públicos com
agências de viagem representam menos de 1% dos negócios do
setor. Por fim, enfatizou que o Tribunal já se manifestou pela
regularidade da utilização do credenciamento em casos cujas
particularidades do objeto contratado indiquem a inviabilidade de
ACÓRDÃO 1545/2017 – PLENÁRIO
competição, “ao mesmo tempo em que se admite a possibilidade de
contratação de todos os interessados em oferecer o mesmo tipo de
serviço à Administração Pública”. Em relação aos pregões
eletrônicos também objeto de exame na representação, conduzidos
pela Central de Compras com vistas à contratação de agência de
viagem para a prestação de serviços de agenciamento para a
compra de bilhetes internacionais, regionais e outros não atendidos
pelo credenciamento, o relator concordou com a unidade técnica no
sentido de que “para o objeto ‘agenciamento de viagens’ há
competição, exclusivamente entre agências de viagens, o que enseja
licitação previamente à contratação”. Considerando então não haver
irregularidades no Credenciamento 1/2014 nem “intercorrências
observadas nestes autos que justifiquem a paralisação dos Pregões
Eletrônicos 2/2015, 1/2016 e 1/2017”, aptas a impedir que o MPDG
prosseguisse com sua estratégia de migração dos contratos para o
ACÓRDÃO 1545/2017 – PLENÁRIO

novo modelo de compra de passagens aéreas que vem


sendo implementado, o relator propôs e o Plenário decidiu
considerar improcedente a representação.
ACÓRDÃO 1545/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 27ª PERGUNTA:
É regular a aquisição pela Administração,
mediante credenciamento, de passagens aéreas
em linhas regulares domésticas, sem a
intermediação de agência de viagem, por ser
inviável a competição entre as companhias
aéreas e entre estas e as agências de viagem.
ACÓRDÃO 1549/2017 – PLENÁRIO
28ª PERGUNTA:
Nas licitações regidas pela Lei 8.666/1993,
pela Lei 10.520/2002 (Lei do Pregão) e pela Lei
13.303/2016 (Lei das Estatais), o valor orçado se
confunde com o preço máximo?
FIXAÇÃO DE PREÇOS MÁXIMOS
Jurisprudência do TCU:
"A Súmula TCU nº 259/2010 deixou então assente que, em
se tratando de obras e serviços de engenharia, é obrigatória a
fixação de preços máximos, tanto unitários quanto global, donde
se conclui que, para outros objetos que não obras e serviços de
engenharia, essa fixação é meramente facultativa.
(...) nos regimes jurídicos da Lei nº 8.666/93 e da Lei nº
10.520/2002 (Lei do Pregão), ‘valor orçado’ – ou ‘orçamento’ ou
‘valor de referência’ ou simplesmente ‘valor estimado’ – não se
confunde com ‘preço máximo’. O valor orçado, a depender de
previsão editalícia, pode eventualmente ser definido como o
preço máximo a ser praticado em determinada licitação, mas não
necessariamente. São conceitos distintos, que não se confundem."
(Acórdão nº 3195/2014 – Plenário)
FIXAÇÃO DE PREÇOS MÁXIMOS
IN SEGES-MP 5/2017:
DIRETRIZES PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO BÁSICO (PB)
OU TERMO DE REFERÊNCIA (TR)
2.9. Estimativa de preços e preços referenciais: (...)
b) No caso de serviços com regime de dedicação exclusiva
de mão de obra, o custo estimado da contratação deve
contemplar o valor máximo global e mensal estabelecido
em decorrência da identificação dos elementos que
compõem o preço dos serviços, definidos da seguinte forma:
b.1. por meio do preenchimento da planilha de custos e
formação de preços, observados os custos dos itens
referentes ao serviço (...);
DESCLASSIFICAÇÃO DE PROPOSTAS
Lei 13.303/2016 (Lei de Responsabilidade das Estatais - LRE):
Art. 56. Efetuado o julgamento dos lances ou propostas, será
promovida a verificação de sua efetividade, promovendo-se a
desclassificação daqueles que:
I - contenham vícios insanáveis;
II – descumpram especificações técnicas constantes do
instrumento convocatório;
III - apresentem preços manifestamente inexequíveis;
IV – se encontrem acima do orçamento estimado para a
contratação de que trata o § 1o do art. 57, ressalvada a
hipótese prevista no caput do art. 34 desta Lei;
V - não tenham sua exequibilidade demonstrada, quando
exigido pela empresa pública ou sociedade economia mista;
ORÇAMENTO SIGILOSO
Lei 13.303/2016 (LRE):
Art. 34. O valor estimado do contrato a ser celebrado
pela empresa pública ou pela sociedade de economia
mista será sigiloso, facultando-se à contratante,
mediante justificação na fase de preparação prevista
no inciso I do art. 51 desta Lei, conferir publicidade ao
valor estimado do objeto da licitação, sem prejuízo da
divulgação do detalhamento dos quantitativos e das
demais informações necessárias para a elaboração
das propostas.
ACÓRDÃO 1549/2017 – PLENÁRIO
Representação formulada ao TCU apontou possível
irregularidade em convite promovido pela Petróleo Brasileiro S.A.
(Petrobras), cujo objeto era a locação de embarcações. De acordo
com o representante, o preço final contratado teria sido 6,32%
superior ao valor orçado pela Petrobras, à evidência de sobrepreço.
Após apreciar as razões de justificativa dos responsáveis ouvidos em
audiência, a unidade técnica propôs que lhes fosse aplicada multa,
bem como expedida determinação à entidade para que repactuasse
o contrato firmado com a vencedora do certame. Ao discordar da
unidade instrutiva, o relator pontuou que “a Lei de Licitações e
Contratos estabelece que o preço da proposta vencedora deve estar
compatível com os preços de mercado, sem embargo de prever a
possibilidade de a entidade licitante estabelecer, no edital, que o
valor global não poderá exceder determinado limite, tal como
disposto no art. 48, inciso II”. A corroborar sua assertiva, o relator
ACÓRDÃO 1549/2017 – PLENÁRIO
invocou o Acórdão 392/2011 Plenário, no qual restou assente que
“o valor orçado não se confunde com preço máximo, a menos que
o edital estabeleça tal condição”, e que a fixação do preço máximo
só é obrigatória na contratação de obras e serviços de engenharia,
conforme a Súmula TCU 259. Nesse contexto, cumpriria então
averiguar se o instrumento convocatório da licitação em exame
estabelecera o preço constante do orçamento como limite máximo
para aceitabilidade das propostas. Após transcrever o item do
convite relativo ao julgamento das propostas, o relator concluiu que
o orçamento não fora fixado como preço máximo aceitável pela
Petrobras, inexistindo, dessa forma, afronta ao instrumento
convocatório. Ponderou, contudo, restar como impropriedade
“uma aparente insuficiência na justificativa da contratação por
preço superior ao orçado”, sendo bastante, a seu ver, dar ciência à
entidade. Registrou, por fim, que a Lei 13.303/2016 (Lei das
ACÓRDÃO 1549/2017 – PLENÁRIO
Estatais), em seu art. 56, inciso IV, determina a desclassificação
das propostas que se encontrarem acima do orçamento estimado
para a contratação, lembrando, porém, que o art. 91 do mesmo
diploma concedeu prazo de 24 meses, a partir do início de sua
vigência, para que as empresas públicas e as sociedades de
economia mista promovam as adaptações necessárias à adequação
ao disposto na referida lei. Ao final, acolhendo a proposição do
relator, o Plenário decidiu considerar improcedente a
representação e dar ciência à Petrobras acerca da “insuficiência na
justificativa da contratação por preço superior ao orçado, para
que sejam adotadas medidas com vistas a prevenir novas
ocorrências, enquanto não for aplicável o disposto no art. 56,
inciso IV, da Lei 13.303/2016”.
ACÓRDÃO 1549/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 28ª PERGUNTA:
Nas licitações regidas pela Lei 8.666/1993, o
valor orçado não se confunde com o preço máximo,
a menos que o instrumento convocatório
estabeleça tal condição. Não sendo ela
estabelecida, a contratação por preço superior ao
orçado deve ser justificada.
ACÓRDÃO 5244/2017 – 1ª CÂMARA
29ª PERGUNTA:
A existência de um único imóvel apto a,
por suas características de instalação e
localização, atender às finalidades precípuas da
Administração é requisito para a contratação
por dispensa de licitação fundada no art. 24,
inciso X, da Lei 8.666/1993?
COMPRA OU LOCAÇÃO DE IMÓVEL

Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
X – para a compra ou locação de imóvel destinado
ao atendimento das finalidades precípuas da
Administração, cujas necessidades de instalação e
localização condicionem a sua escolha, desde que
o preço seja compatível com o valor de mercado,
segundo avaliação prévia;
COMPRA OU LOCAÇÃO DE IMÓVEL
Jurisprudência do TCU:
Dispensa de Licitação: necessidade de comprovação de que o
imóvel a ser locado é o único que atende aos interesses da Administração
Pública
Em representação feita ao TCU, foi noticiada possível irregularidade
constituída na ausência de licitação e na inobservância dos princípios
constitucionais da impessoalidade e da moralidade, quando da locação, com
a utilização de recursos públicos da área de saúde, de imóvel de
propriedade do cônjuge da ex-Prefeita do município de Guarabiras, na
Paraíba. Ao examinar as razões de justificativa apresentadas pela responsável,
a unidade técnica registrou o fato de o proprietário do imóvel locado ser
esposo da então Prefeita de Guarabiras, ou seja, a Prefeitura havia locado
um imóvel da própria Prefeita, por intermédio do esposo desta. Acresceu,
ainda, que “o fato de eventualmente ter havido inabilidade no ato de
contratação com dispensa de licitação, com inobservância das devidas
cautelas de justificativa como previsto no art. 24, inciso X, da Lei nº
8.666/1993 não conduz à exclusão da culpabilidade”.
COMPRA OU LOCAÇÃO DE IMÓVEL
Caberia, ainda na opinião da unidade técnica, até se
discutir o dolo na utilização da dispensa de licitação, mas seria
induvidável a ofensa a diversos princípios constitucionais, como o
da legalidade, o que levaria à reprovação da conduta da ex-
Prefeita. Citando precedente jurisprudencial, a unidade técnica
anotou que “O art. 24, inciso X, da Lei de Licitações estabelece
ser dispensável a licitação para a compra ou locação de imóvel
destinado ao atendimento das finalidades precípuas da
Administração, cujas necessidades de instalação e localização
condicionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível
com o valor de mercado, segundo avaliação prévia”. Assim, “a
utilização desse dispositivo só é possível quando se identifica um
imóvel específico cujas instalações e localização sinalizem que
ele é o único que atende o interesse da Administração”.
COMPRA OU LOCAÇÃO DE IMÓVEL
Como, na espécie, haveria pelo menos outro imóvel que serviria
ao intuito da administração municipal, não seria possível a utilização da
hipótese do art. 24, inc. X, da Lei 8.666/1993, como fundamento da
contratação direta. O relator, ao concordar com a unidade técnica,
destacou, em seu voto, que “havia pelo menos outro imóvel com
características semelhantes, que poderia servir de alternativa à
locação”, o que, portanto, leva à incorreção quanto ao procedimento de
se dispensar a licitação com base no art. 24, inciso X, da Lei nº
8.666/1993. Votou, em consequência, pela aplicação de multa à ex-
Prefeita, bem como pela expedição de determinação corretiva e de
alerta ao município de Guarabira, a fim de que sejam evitadas
ocorrências semelhantes em situações futuras. O Colegiado acolheu, por
unanimidade, o encaminhamento sustentado pelo relator. Precedentes
citados: Acórdão n.º 444/2008-Plenário. Acórdão 5281/2010-1ª Câmara.
(INFORMATIVO DE LICITAÇÕES E CONTRATOS Nº 31)
COMPRA OU LOCAÇÃO DE IMÓVEL
Jurisprudência do TCU:
"Parte da doutrina tem considerado que a dispensa de
licitação com fulcro no art. 24, inciso X, da Lei 8.666/1993, na
verdade, configuraria situação de inexigibilidade, devido à
ausência de competitividade, pois somente um único imóvel
seria capaz de atender ao interesse da Administração.
Nesse sentido, alguns julgados desta Casa, a exemplo dos
Acórdãos 1.816/2010 e 5.948/2014, ambos da 2ª Câmara,
consideraram ser necessária a comprovação de que a escolha de
um imóvel que, em face das suas características de instalação e
localização, seja o único capaz de atender às necessidades da
Administração. Caso contrário, seria inaplicável a contratação
direta fundamentada na hipótese de dispensa de licitação prevista
no art. 24, inciso X, da Lei 8.666/1993.
COMPRA OU LOCAÇÃO DE IMÓVEL
Penso, todavia, que tal entendimento possa ser aperfeiçoado.
De fato, realmente me parece mais adequado o enquadramento da
aquisição/locação de imóveis como hipótese de dispensa de
licitação, tal como efetivamente definido pelo legislador da Lei
8.666/1993, e não como situação de inexigibilidade de licitação,
conforme defendido por alguns juristas. Não existe, em geral, um
único imóvel que atenda às necessidades da Administração, o que
seria um caso de inviabilidade de competição, em que aplicar-se-ia o
instituto da inexigibilidade de licitação. Muitas vezes, uma pluralidade
de imóveis atende aos requisitos do Poder Público, sem que isso
implique na necessidade de licitar, pois torna-se inviável ou
extremamente difícil estabelecer um torneio em que seja realizada
uma seleção com critérios estritamente objetivos, dentro dos
princípios norteadores da licitação, e que assegure a obtenção da
melhor contratação dentre todas as possibilidades possíveis.
COMPRA OU LOCAÇÃO DE IMÓVEL
O art. 24 da Lei 8666/93 indica as hipóteses em que a licitação
seria juridicamente viável, embora a lei dispense o administrador de
realizá-la. Já no caso de inexigibilidade, a licitação é inviável, ou seja,
impossível de ser realizada, tendo em vista fatores que impedem a
competitividade.
Dentre os vários imóveis que podem satisfazer às condições
desejadas pela Administração para ocupação, encontra-se na esfera do
poder discricionário do gestor público a efetivação de sua locação por
dispensa de licitação, bem como os motivos adotados para a seleção,
que não estão necessariamente atrelados apenas ao valor de aluguel,
sendo possível – e até desejável - a consideração de outros critérios.
Contudo, deve ser observado que o art. 26 da Lei de Licitações e
Contratos exige adequada motivação para a opção escolhida e a
demonstração de que o valor da contratação resultante esteja
compatível com parâmetros de mercado."
(Acórdão nº 2420/2015 – Plenário)
ACÓRDÃO 5244/2017 – 1ª CÂMARA

RESPOSTA À 29ª PERGUNTA:


A existência de um único imóvel apto a,
por suas características de instalação e
localização, atender às finalidades precípuas da
Administração não é requisito para a
contratação por dispensa de licitação fundada
no art. 24, inciso X, da Lei 8.666/1993.
ACÓRDÃO 1667/2017 – PLENÁRIO
30ª PERGUNTA:
O desenvolvimento e a manutenção de
softwares podem ser enquadrados na categoria
de objetos comuns prevista na Lei 10.520/2002
(Lei do Pregão)?
CONCEITO DE BENS E SERVIÇOS COMUNS
Lei 10.520/2002:
Art. 1º Para aquisição de bens e serviços comuns,
poderá ser adotada a licitação na modalidade de
pregão, que será regida por esta Lei.
Parágrafo único. Consideram-se bens e serviços
comuns, para os fins e efeitos deste artigo, aqueles
cujos padrões de desempenho e qualidade possam
ser objetivamente definidos pelo edital, por meio
de especificações usuais no mercado.
PREGÃO NA ÁREA DE TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO
Decreto Federal 7.174/2010:
Art. 9º Para a contratação de bens e serviços de informática
e automação, deverão ser adotados os tipos de licitação
“menor preço” ou “técnica e preço”, conforme disciplinado
neste Decreto, ressalvadas as hipóteses de dispensa ou
inexigibilidade previstas na legislação.
§ 1º A licitação do tipo menor preço será exclusiva para a
aquisição de bens e serviços de informática e automação
considerados comuns, na forma do parágrafo único do art.
1º da Lei nº 10.520, de 2002, e deverá ser realizada na
modalidade de pregão, preferencialmente na forma
eletrônica, conforme determina o art. 4º do Decreto nº
5.450, de 31 de maio de 2005.
PREGÃO NA ÁREA DE TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO
[...]
§ 4º A licitação do tipo técnica e preço será utilizada
exclusivamente para bens e serviços de informática e
automação de natureza predominantemente intelectual,
justificadamente, assim considerados quando a
especificação do objeto evidenciar que os bens ou
serviços demandados requerem individualização ou
inovação tecnológica, e possam apresentar diferentes
metodologias, tecnologias e níveis de qualidade e
desempenho, sendo necessário avaliar as vantagens e
desvantagens de cada solução.
ACÓRDÃO 1667/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 30ª PERGUNTA:
O desenvolvimento e a manutenção de
softwares enquadram-se na categoria de
objetos comuns prevista na Lei 10.520/2002
sempre que possam ter seus padrões de
desempenho e qualidade objetivamente
definidos no edital por meio de especificações
usuais no mercado, devendo, nessa situação, ser
licitados mediante pregão (art. 9º, §§ 1º e 2º,
do Decreto 7.174/2010).
ACÓRDÃO 1604/2017 – PLENÁRIO
31ª PERGUNTA:
A utilização do sistema de registro de
preços para contratação imediata de serviços
continuados e específicos, com quantitativos
certos e determinados, sem que haja
parcelamento de entregas do objeto, viola o art.
3º do Decreto Federal 7.892/2013?
CONDIÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO SRP
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 3º O Sistema de Registro de Preços poderá ser
adotado nas seguintes hipóteses:
I- quando, pelas características do bem ou serviço,
houver necessidade de contratações frequentes;
II - quando for conveniente a aquisição de bens com
previsão de entregas parceladas ou contratação de
serviços remunerados por unidade de medida ou em
regime de tarefa;
III - quando for conveniente a aquisição de bens ou a
contratação de serviços para atendimento a mais de um
órgão ou entidade, ou a programas de governo; ou
IV – quando, pela natureza do objeto, não for possível
definir previamente o quantitativo a ser demandado pela
Administração.
CONTRATAÇÃO DA QUASE TOTALIDADE DO
OBJETO REGISTRADO – EXTINÇÃO DA ATA
Jurisprudência do TCU:
"Cuidam os autos de representação (...) a respeito de
possíveis irregularidades ocorridas no âmbito do Pregão
Eletrônico 108/2014, conduzido pelo Tribunal Superior
Eleitoral (...).
O certame tem como objeto o registro de preços para
aquisição de kits para a coleta de informações biométricas do
eleitor, incluída a prestação de serviço de
integração/configuração dos kits, com garantia de 48 meses.
A contratação foi estimada em R$ 131.526.200,00 e, em
31/12/2014, o TSE assinou contrato com a empresa Akiyama
Indústria e Comércio de Equipamentos Eletrônicos e Sistemas
Ltda., vencedora do certame, no valor de R$ 67.729.040,00,
para a compra de 12.900 kits dos 13.000 registrados.
CONTRATAÇÃO DA QUASE TOTALIDADE DO
OBJETO REGISTRADO – EXTINÇÃO DA ATA
(...) a contratação quase que integral dos kits
registrados (12.900 dos 13.000), o que em termos
práticos significa que a Ata foi praticamente extinta em
sua primeira contratação, evidencia a inaplicabilidade
do Sistema de Registro de Preços para a situação em
tela. [9.2. determinar ao Tribunal Superior Eleitoral (...)
que não autorize adesões à Ata de Registro de Preços
resultante do Pregão Eletrônico 108/2014];"
(Acórdão nº 1443/2015 – Plenário)
ACÓRDÃO 1604/2017 – PLENÁRIO
Representação formulada ao TCU apontou possíveis
irregularidades na Prefeitura Municipal de Natal/RN, relacionadas ao
Pregão Eletrônico 20.062/2016, que tinha por objeto o registro de
preços para contratação de pessoa jurídica especializada na
prestação de serviços de apoio operacional e administrativo, de
natureza contínua, visando suprir necessidades da Secretaria
Municipal de Saúde referentes ao Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência (Samu). Quanto à irregularidade consistente na “utilização
indevida do Sistema de Registro de Preços”, ao apreciar a alegação do
Secretário Municipal de Saúde de que “o motivo da escolha pelo SRP
teria sido o atendimento de demandas futuras e imprevisíveis”, a
unidade técnica ponderou que o simples fato de haver possibilidade
de aumento futuro da demanda pelos serviços “não justifica a
constituição de uma ata de registro de preços”. Segundo a unidade
instrutiva, o termo de referência do pregão “demonstra claramente
ACÓRDÃO 1604/2017 – PLENÁRIO
a quantidade de mão de obra a ser contratada para cada serviço a
ser prestado pela empresa contratada”, e o art. 65, § 1º, da Lei
8.666/1993 “faculta ao administrador público alterar
unilateralmente o contrato celebrado para acrescer ou suprimir em
até 25% os serviços contratados, o que representa uma margem
razoável”. E se houvesse necessidade de um aumento superior a
25% dos serviços previstos inicialmente no termo de referência,
“mostrar-se-ia mais coerente realizar uma nova licitação,
aumentando a competitividade e possibilitando a contratação de
outras empresas interessadas”. A unidade técnica concluiu então
que se tratava da “contratação imediata de serviços continuados e
específicos, com quantitativos certos e determinados, não havendo
parcelamento de entregas do objeto”, restando, portanto, indevida
a utilização do sistema de registro de preços. Em seu voto, o relator
acompanhou, no essencial, o entendimento da unidade instrutiva,
ACÓRDÃO 1604/2017 – PLENÁRIO
acrescentando a jurisprudência do TCU no sentido de que “a ata de
registro de preços se encerra ou com o término da sua vigência ou
com a contratação da totalidade do objeto nela registrado”,
invocando, para tanto, o Acórdão 113/2012 Plenário. Ao final, o
relator propôs e o Plenário decidiu considerar parcialmente
procedente a representação, expedindo determinação à Prefeitura
Municipal de Natal/RN que “se abstenha de praticar quaisquer atos
tendentes a novas contratações da empresa vencedora dos lotes
licitados, bem como de autorizar adesões à ata de registro de
preços por outros entes públicos, preservada tão somente a
execução do Contrato 182/2016”, sem prejuízo de dar-lhe ciência de
que a “utilização do sistema de registro de preços para contratação
imediata de serviços continuados e específicos, com quantitativos
certos e determinados, não havendo parcelamento de entregas do
objeto”, viola o art. 3º do Decreto 7.892/2013.
ACÓRDÃO 1604/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 31ª PERGUNTA:
A utilização do sistema de registro de
preços para contratação imediata de serviços
continuados e específicos, com quantitativos
certos e determinados, sem que haja
parcelamento de entregas do objeto, viola o art.
3º do Decreto 7.892/2013.
ACÓRDÃO 2554/2017 – PLENÁRIO
32ª PERGUNTA:
Para atendimento dos limites definidos no
art. 65, §§ 1º e 2º, da Lei 8.666/1993, é
possível a compensação entre acréscimos e
supressões?
ALTERAÇÃO CONTRATUAL
Lei 8.666/1993:
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser
alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes
casos:
I - unilateralmente pela Administração:
a) quando houver modificação do projeto ou das
especificações, para melhor adequação técnica aos seus
objetivos;
b) quando necessária a modificação do valor contratual
em decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa
de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
(...)
ALTERAÇÃO CONTRATUAL
§ 1º O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas
condições contratuais, os acréscimos ou supressões
que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até
25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado
do contrato, e, no caso particular de reforma de
edifício ou de equipamento, até o limite de 50%
(cinqüenta por cento) para os seus acréscimos.
§ 2º Nenhum acréscimo ou supressão poderá
exceder os limites estabelecidos no parágrafo anterior,
salvo:
I - (VETADO)
II - as supressões resultantes de acordo celebrado
entre os contratantes.
ALTERAÇÃO CONTRATUAL

Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 2302/2013 – Plenário)
"9.2. dar ciência à Petrobras das seguintes
ocorrências, para que adote as medidas
corretivas cabíveis: (...)
9.2.2. o limite de 25% para os acréscimos
contratuais em obras ou serviços de engenharia
deve ser calculado apenas sobre o valor da
planilha de preço global (...);"
ALTERAÇÃO CONTRATUAL
Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 335/2015 – Plenário)
"9.6. informar à Sara/PE [Secretaria de Agricultura e
Reforma Agrária do Estado de Pernambuco] que, de
acordo com a jurisprudência desta Corte, para fins de
observância dos limites previstos no art. 65, § 1º, da
Lei n. 8.666/1993, o conjunto de reduções e o conjunto
de acréscimos contratuais devem ser sempre
calculados sobre o valor original da avença, aplicando-
se a cada um desses conjuntos, individualmente e sem
nenhum tipo de compensação entre eles, os limites de
alteração fixados no dispositivo legal em referência;"
ALTERAÇÃO CONTRATUAL

Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 1536/2016 – Plenário)
"9.1. (...) responder ao consulente que:
9.1.1. a jurisprudência deste Tribunal é pacífica no
sentido de entender, como regra geral, para
atendimento dos limites definidos no art. 65, §§ 1º
e 2º, da Lei 8.666/1993, que os acréscimos ou
supressões nos montantes dos ajustes firmados pelos
órgãos e pelas entidades da Administração Pública
devem ser considerados de forma isolada, sendo
calculados sobre o valor original do contrato, vedada
a compensação entre seus valores;"
ACÓRDÃO 2554/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 32ª PERGUNTA:
Como regra geral, para atendimento dos
limites definidos no art. 65, §§ 1º e 2º, da Lei
8.666/1993, os acréscimos ou supressões nos
montantes dos contratos firmados pelos órgãos
e entidades da Administração Pública devem ser
considerados de forma isolada, sendo
calculados sobre o valor original do contrato,
vedada a compensação entre acréscimos e
supressões.
ACÓRDÃO 2600/2017 – PLENÁRIO
33ª PERGUNTA:
É regular a permissão de adesão à ata de
registro de preços derivada de licitação na qual
foram impostos critérios e condições
particulares às necessidades do ente
gerenciador?
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 22. (...)
§ 10. É vedada a contratação de serviços de tecnologia da informação
e comunicação por meio de adesão a ata de registro de preços que não
seja:
I - gerenciada pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e
Gestão; ou
II - gerenciada por outro órgão ou entidade e previamente aprovada pela
Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação do Ministério do
Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. (dispositivo inserido pelo
Decreto Federal 9.488/2018)
§ 11. O disposto no § 10 não se aplica às hipóteses em que a
contratação de serviços esteja vinculada ao fornecimento de bens de
tecnologia da informação e comunicação constante da mesma ata de
registro de preços. (dispositivo inserido pelo Decreto Federal
9.488/2018)
ACÓRDÃO 2600/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 33ª PERGUNTA:
É irregular a permissão de adesão à ata de
registro de preços derivada de licitação na qual
foram impostos critérios e condições
particulares às necessidades do ente
gerenciador.
ACÓRDÃO 1893/2017 – PLENÁRIO
34ª PERGUNTA:
É possível a utilização da ata de registro de
preços por quaisquer interessados – incluindo o
próprio gerenciador, os órgãos participantes e
eventuais “caronas” – para aquisição separada
de itens de objeto adjudicado por preço global
de lote ou grupo para os quais o fornecedor
convocado para assinar a ata não tenha
apresentado o menor preço na licitação?
CONDIÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO SRP
Jurisprudência do TCU:
"A adoção do critério de julgamento de menor preço por
lote somente deve ser adotado quando for demonstrada
inviabilidade de promover a adjudicação por item e
evidenciadas fortes razões que demonstrem ser esse o
critério que conduzirá a contratações economicamente mais
vantajosas. Na licitação por menor preço global do lote, a
vantajosidade para a Administração somente se concretiza
na medida em que for adquirido do licitante o lote integral
dos itens, pois o preço é resultante da multiplicação de
preços dos bens licitados pelas quantidades estimadas.
Configura dano ao erário a compra de itens cujos preços
registrados não são os menores ofertados na disputa."
(Acórdão nº 4205/2014 – Primeira Câmara)
ACÓRDÃO 1893/2017 – PLENÁRIO
Representação formulada ao TCU apontou possíveis
irregularidades no Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes (Dnit/Sede) relacionadas ao Pregão Eletrônico 448/2016,
que objetivava o registro de preços para aquisição de mobiliário,
incluindo fornecimento, montagem e instalação. O objeto do
certame fora divido em dois grupos, sendo o primeiro composto de
mesas, armários, divisórias e outros, ao passo que o segundo fora
constituído de cadeiras, poltronas e sofás. Entre as irregularidades
apontadas, estava a “permissão de adesão à ata para aquisição de
itens, isoladamente, por outros órgãos não participantes”. Em seu
voto, o relator ressaltou que o agrupamento de itens em lotes
frequentemente resulta na adjudicação de diversos produtos por
valores superiores aos que teriam sido obtidos caso os mesmos itens
fossem licitados separadamente. Para o relator, o critério do menor
preço por lote com itens agrupados geralmente acarreta o descarte
ACÓRDÃO 1893/2017 – PLENÁRIO
de lances individuais mais vantajosos para a Administração. A
corroborar seu entendimento, o relator trouxe à colação excertos da
proposta de deliberação que fundamentou o Acórdão 2977/2012
Plenário, nos seguintes termos: “A adjudicação por grupo, em
licitação para registro de preços, sem robustas, fundadas e
demonstradas razões (fáticas e argumentativas) que a sustente,
revela-se sem sentido quando se atenta para o evidente fato de que
a Administração não está obrigada a contratar a composição do
grupo a cada contrato, podendo adquirir isoladamente cada item,
no momento e na quantidade que desejar. Essa modelagem torna-se
potencialmente mais danosa ao erário na medida em que diversos
outros órgãos e entidade podem aderir a uma ata cujos preços não
refletem os menores preços obtidos na disputa por item. Em registro
de preços, a realização de licitação utilizando-se como critério de
julgamento o menor preço global por grupo/lote leva, vis à vis a
ACÓRDÃO 1893/2017 – PLENÁRIO
adjudicação por item, a flagrantes contratações antieconômicas e
dano ao erário, potencializado pelas possibilidades de adesões,
uma vez que, como reiteradamente se observa, itens são
ofertados pelo vencedor do grupo a preços superiores aos
propostos por outros competidores.”. Ao final, o relator propôs e o
Plenário decidiu considerar parcialmente procedente a
representação, sem prejuízo de determinar ao Dnit/Sede que se
abstenha de “autorizar a utilização da ata de registro de preços
por quaisquer interessados (incluindo o próprio órgão
gerenciador, os órgãos participantes e eventuais caronas - caso
tenha sido prevista a adesão para órgãos não participantes) para
aquisição separada de itens de objeto adjudicado por preço global
de lote/grupo para os quais o fornecedor convocado para assinar
a ata não tenha apresentado o menor preço no pregão eletrônico
SRP 448/2016”.
ACÓRDÃO 1893/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 34ª PERGUNTA:
É indevida a utilização da ata de registro de
preços por quaisquer interessados – incluindo o
próprio gerenciador, os órgãos participantes e
eventuais caronas, caso tenha sido prevista a
adesão para órgãos não participantes – para
aquisição separada de itens de objeto
adjudicado por preço global de lote ou grupo
para os quais o fornecedor convocado para
assinar a ata não tenha apresentado o menor
preço na licitação.
ACÓRDÃO 2033/2017 – PLENÁRIO
35ª PERGUNTA:
Mesmo com a edição da Lei 13.303/2016,
as empresas estatais exploradoras de atividade
econômica estão dispensadas de licitar a
prestação de serviços relacionados com seus
respectivos objetos sociais?
ALCANCE
Lei 13.303/2016 (LRE):
Art. 28. Os contratos com terceiros destinados à
prestação de serviços às empresas públicas e às
sociedades de economia mista, inclusive de
engenharia e de publicidade, à aquisição e à locação
de bens, à alienação de bens e ativos integrantes do
respectivo patrimônio ou à execução de obras a
serem integradas a esse patrimônio (...) serão
precedidos de licitação nos termos desta Lei,
ressalvadas as hipóteses previstas nos arts. 29 e 30.
ALCANCE
Lei 13.303/2016 (LRE):
Art. 28. (...)
§ 3º São as empresas públicas e as sociedades de
economia mista dispensadas da observância dos
dispositivos deste Capítulo nas seguintes situações:
I - comercialização, prestação ou execução, de forma
direta, pelas empresas mencionadas no caput, de
produtos, serviços ou obras especificamente
relacionados com seus respectivos objetos sociais;
ACÓRDÃO 2033/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 35ª PERGUNTA:
Embora as empresas estatais estejam
dispensadas de licitar a prestação de serviços
relacionados com seus respectivos objetos
sociais (art. 28, § 3º, inciso I, da Lei
13.303/2016), devem conferir lisura e
transparência a essas contratações, em atenção
aos princípios que regem a atuação da
Administração Pública, selecionando seus
parceiros por meio de processo competitivo,
isonômico, impessoal e transparente.
ACÓRDÃO 9873/2017 – 2ª CÂMARA
36ª PERGUNTA:
O contrato emergencial deve conter
expressa cláusula resolutiva que estabeleça a
sua extinção logo após a conclusão do processo
licitatório para nova contratação dos
correspondentes serviços?
CONTRATAÇÃO EMERGENCIAL
Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
IV – nos casos de emergência ou de calamidade pública,
quando caracterizada urgência de atendimento de situação
que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança
de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens,
públicos ou particulares, e somente para os bens necessários
ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e
para as parcelas de obras e serviços que possam ser
concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias
consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da
emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos
respectivos contratos;
ACÓRDÃO 9873/2017 – 2ª CÂMARA
RESPOSTA À 36ª PERGUNTA:
O contrato emergencial deve conter
expressa cláusula resolutiva que estabeleça a
sua extinção logo após a conclusão do processo
licitatório para nova contratação dos
correspondentes serviços.
ACÓRDÃO 2077/2017 – PLENÁRIO
37ª PERGUNTA:
A apuração das condutas faltosas
praticadas por licitantes consiste em faculdade
do gestor público com tal atribuição?
INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO PARA APURAÇÃO
Jurisprudência do TCU:
"9.3. dar ciência à Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(Capes) da obrigação de instaurar procedimento
administrativo para apuração dos atos praticados
pela empresa São Jorge Gráfica e Tecnologia Ltda.
– ME, com vistas a, se for o caso, aplicar as
penalidades previstas nas Leis 8.666/1993 e
10.520/2002;"
(Acórdão 2664/2015 – Plenário)
PODER-DEVER DE APLICAR SANÇÃO
Jurisprudência do TCU:
"O âmbito de discricionariedade na aplicação
de sanções em contratos administrativos não faculta
ao gestor, verificada a inadimplência injustificada da
contratada, simplesmente abster-se de aplicar-lhe as
medidas previstas em lei, mas sopesar a gravidade
dos fatos e os motivos da não execução para escolher
uma das penas exigidas nos arts. 86 e 87 da Lei nº
8.666/93, observado o devido processo legal."
(Acórdão 2558/2006 – Segunda Câmara)
ACÓRDÃO 2077/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 37ª PERGUNTA:
A apuração das condutas faltosas
praticadas por licitantes não consiste em
faculdade do gestor público com tal atribuição,
mas em dever legal. A aplicação de penalidades
não se restringe ao Poder Judiciário, mas, nos
termos das Leis 8.666/1993 e 10.520/2002, cabe
também aos entes públicos que exercem a
função administrativa.
ACÓRDÃO 2212/2017 – PLENÁRIO
38ª PERGUNTA:
Em certame licitatório para a contratação
de serviços de gerenciamento, controle e
fornecimento de combustíveis por meio de
sistema informatizado, é legal a exigência de
comprovação de rede credenciada na fase de
habilitação técnica?
COMPROVAÇÃO DE REDE CREDENCIADA
O momento adequado para a exigência de comprovação de
rede credenciada não é a fase de habilitação, mas sim a de
contratação, concedendo-se ao licitante vencedor prazo
razoável para tanto, de forma a garantir uma boa prestação do
serviço, sem causar prejuízo à competitividade do certame.
(Acórdão 212/2014-Plenário)
Nas licitações para fornecimento de vale refeição, o momento
adequado para exigir a apresentação da rede de
estabelecimentos credenciados é na contratação,
concedendo-se ao licitante vencedor prazo adequado para
realizar o credenciamento, sendo ilegal estabelecer tal
exigência como critério de habilitação técnica.
(Acórdão 1718/2013-Plenário)
ACÓRDÃO 2212/2017 – PLENÁRIO

RESPOSTA À 38ª PERGUNTA:


Em certame licitatório para a contratação
de serviço de gerenciamento, controle e
fornecimento de combustíveis, é irregular a
exigência de comprovação de rede credenciada
na fase de habilitação, porquanto acarreta ônus
desnecessário ao licitante e, em consequência,
restringe indevidamente a competitividade da
licitação.
ACÓRDÃO 1134/2017 – 2ª CÂMARA
39ª PERGUNTA:
A licitação conjunta de equipamentos e
dos respectivos serviços de instalação, por ser
exceção à regra geral do parcelamento, exige do
órgão contratante a demonstração, por meio de
estudos preliminares, de que aquisição conjunta
seria efetivamente a mais adequada em termos
técnicos e econômicos?
PARCELAMENTO DO OBJETO

Lei 8.666/1993:
Art. 23. (...)
§ 1º As obras, serviços e compras efetuadas pela
administração serão divididas em tantas parcelas
quantas se comprovarem técnica e
economicamente viáveis, procedendo-se à
licitação com vistas ao melhor aproveitamento
dos recursos disponíveis no mercado e à
ampliação da competitividade, sem perda da
economia de escala.
PARCELAMENTO X FRACIONAMENTO
Jurisprudência do TCU:
"9.5. esclarecer à Universidade Federal de Campina
Grande que, em licitações destinadas à execução de
obras, via de regra deve-se evitar que no objeto
licitado, a exemplo do que foi feito na Tomada de Preços
01/2006, seja inserida a aquisição de aparelhos de ar
condicionado ou outros equipamentos, os quais devem
ser licitados separadamente, salvo se tal espécie de
contratação conjunta, além estar aderente às leis e
normativos em vigor, contar com prévia e
fundamentada justificativa para a escolha;"
(Acórdão nº 266/2014 – Segunda Câmara)
ACÓRDÃO 1134/2017 – 2ª CÂMARA
RESPOSTA À 39ª PERGUNTA:
A licitação conjunta de equipamentos e
dos respectivos serviços de instalação, por ser
exceção à regra geral do parcelamento, exige do
órgão contratante a demonstração, por meio de
estudos preliminares, de que a segregação da
compra traria prejuízos aos fins pretendidos e
de que a aquisição conjunta seria efetivamente
a mais adequada em termos técnicos e
econômicos.
ACÓRDÃO 212/2017 – PLENÁRIO
40ª PERGUNTA:
Mesmo sendo imprescindível a vistoria ao
local da prestação dos serviços, deverá o edital
prever a possibilidade de substituição do
atestado de visita técnica por declaração do
responsável técnico da licitante de que possui
pleno conhecimento do objeto, das condições e
das peculiaridades inerentes à natureza dos
trabalhos?
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)

Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação
técnica limitar-se-á a: (...)
III - comprovação, fornecida pelo órgão licitante,
de que recebeu os documentos, e, quando
exigido, de que tomou conhecimento de todas as
informações e das condições locais para o
cumprimento das obrigações objeto da licitação;
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)
Jurisprudência do TCU:
"9.2. dar ciência ao Centro de Obtenção da Marinha no
Rio de Janeiro (COMRJ) de que: (...)
9.2.2. deve evitar, salvo em situações excepcionais
devidamente justificadas, exigir visita técnica pelos
interessados nas licitações, eis que sua substituição por
declaração formal assinada pela empresa, sob as penalidades
da lei, de que tem pleno conhecimento das condições locais e
peculiaridades inerentes à natureza dos trabalhos e não alegará
desconhecimento para quaisquer questionamentos futuros de
caráter técnico ou financeiro, atende o art. 30, inciso III, da Lei
8.666/1993 sem comprometer a competitividade do certame;"
(Acórdão 1564/2015 – Segunda Câmara)
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)
Jurisprudência do TCU:
"9.2. dar ciência ao Município de Itapé/BA de que:
9.2.1. a vistoria ao local das obras somente deve
ser exigida quando for imprescindível ao cumprimento
adequado das obrigações contratuais, o que deve ser
justificado e demonstrado pela Administração no
processo de licitação, devendo o edital prever a
possibilidade de substituição do atestado de visita
técnica por declaração do responsável técnico de que
possui pleno conhecimento do objeto (...);"
(Acórdão nº 1447/2015 – Plenário)
ACÓRDÃO 212/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 40ª PERGUNTA:
A vistoria ao local da prestação dos
serviços somente deve ser exigida quando
imprescindível, devendo, mesmo nesses casos, o
edital prever a possibilidade de substituição do
atestado de visita técnica por declaração do
responsável técnico da licitante de que possui
pleno conhecimento do objeto, das condições e
das peculiaridades inerentes à natureza dos
trabalhos.
ACÓRDÃO 2397/2017 – PLENÁRIO
41ª PERGUNTA:
A não realização da audiência pública
prevista no art. 39 da Lei 8.666/1993 constitui
vício insanável que macula todo o procedimento
licitatório, ocasionando a sua anulação?
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Lei 8.666/1993:
Art. 39. Sempre que o valor estimado para uma licitação
(...) for superior a 100 (cem) vezes o limite previsto no art.
23, inciso I, alínea "c" desta Lei, o processo licitatório será
iniciado, obrigatoriamente, com uma audiência pública
concedida pela autoridade responsável com antecedência
mínima de 15 (quinze) dias úteis da data prevista para a
publicação do edital, e divulgada, com a antecedência
mínima de 10 (dez) dias úteis de sua realização, pelos
mesmos meios previstos para a publicidade da licitação, à
qual terão acesso e direito a todas as informações
pertinentes e a se manifestar todos os interessados.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Lei 8.666/1993:
Art. 23. As modalidades de licitação a que se referem os incisos I a
III do artigo anterior serão determinadas em função dos seguintes
limites, tendo em vista o valor estimado da contratação: (...)
I - para obras e serviços de engenharia:
a) convite - até R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais); (“até R$
330.000,00”, a partir de 19.7.2018, conforme o Decreto Federal
9.412/2018)
b) tomada de preços - até R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos
mil reais); (“até R$ 3.300.000,00”, a partir de 19.7.2018, conforme
o Decreto Federal 9.412/2018)
c) concorrência: acima de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos
mil reais); (“acima de R$ 3.300.000,00”, a partir de 19.7.2018,
conforme o Decreto Federal 9.412/2018)
ACÓRDÃO 2397/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 41ª PERGUNTA:
A não realização da audiência pública
prevista no art. 39 da Lei 8.666/1993 constitui
vício insanável que macula todo o procedimento
licitatório, ocasionando a sua anulação.
ACÓRDÃO 637/2017 – PLENÁRIO
42ª PERGUNTA:
A inexequibilidade de itens isolados da
planilha de custos caracteriza motivo suficiente
para a desclassificação da proposta?
PREÇOS MANIFESTAMENTE INEXEQUÍVEIS
Lei 8.666/1993:
Art. 48. Serão desclassificadas: (...)
II - propostas com valor global superior ao limite estabelecido ou com
preços manifestamente inexequíveis, assim considerados aqueles que
não venham a ser demonstrada sua viabilidade através de
documentação que comprove que os custos dos insumos são
coerentes com os de mercado (...).
§ 1º Para os efeitos do disposto no inciso II deste artigo, consideram-
se manifestamente inexequíveis, no caso de licitações de menor preço
para obras e serviços de engenharia, as propostas cujos valores sejam
inferiores a 70% (setenta por cento) do menor dos seguintes valores:
a) média aritmética dos valores das propostas superiores a 50%
(cinquenta por cento) do valor orçado pela Administração; ou
b) valor orçado pela Administração.
PREÇOS MANIFESTAMENTE INEXEQUÍVEIS

Súmula do TCU nº 262:


O critério definido no art. 48, inciso II, § 1º,
alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.666/93 conduz a
uma presunção relativa de inexequibilidade de
preços, devendo a Administração dar à licitante
a oportunidade de demonstrar a exequibilidade
da sua proposta.
INEXEQUIBILIDADE DE ITENS ISOLADOS

IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO VII-A):


DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DO ATO
CONVOCATÓRIO
9. Da desclassificação das propostas: (...)
9.3. A inexequibilidade dos valores referentes a
itens isolados da planilha de custos e formação de
preços não caracteriza motivo suficiente para a
desclassificação da proposta, desde que não
contrariem exigências legais;
ACÓRDÃO 637/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 42ª PERGUNTA:
A inexequibilidade de itens isolados da
planilha de custos não caracteriza motivo
suficiente para a desclassificação da proposta
(art. 48, inciso II, da Lei 8.666/1993), pois o juízo
sobre a inexequibilidade, em regra, tem como
parâmetro o valor global da proposta.
ACÓRDÃO 844/2017 – PLENÁRIO
43ª PERGUNTA:
Existe percentual tolerável de sobrepreço
global nas contratações públicas?
INEXISTÊNCIA DE SOBREPREÇO TOLERÁVEL
Não existe percentual tolerável de sobrepreço global, de
forma que somente é admissível contratar
empreendimento por valores superiores aos de sistemas
referencias de preço oficiais se presentes condições
extraordinárias, devidamente justificadas no
procedimento administrativo.
(Acórdão 1000/2017-Plenário)
Não existe percentual tolerável de sobrepreço global nas
contratações públicas, especialmente quando a análise da
economicidade se baseia em amostra representativa e os
preços paradigmas são extraídos dos sistemas oficiais de
referência.
(Acórdão 844/2017-Plenário)
ACÓRDÃO 844/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 43ª PERGUNTA:
Não existe percentual tolerável de
sobrepreço global nas contratações públicas,
especialmente quando a análise da
economicidade se baseia em amostra
representativa e os preços paradigmas são
extraídos dos sistemas oficiais de referência.
ACÓRDÃO 2504/2017 – 1ª CÂMARA
44ª PERGUNTA:
Quais requisitos deverão ser observados
para que o credenciamento possa ser
considerado como hipótese de inviabilidade de
competição?
CREDENCIAMENTO
Jurisprudência do TCU:
"9.2. prestar ao interessado, excepcionalmente, sem
caráter de prejulgamento de tese, as seguintes informações:
(...)
9.2.3. embora não esteja previsto nos incisos do art.
25 da Lei nº 8.666/1993, o credenciamento tem sido
admitido pela doutrina e pela jurisprudência como
hipótese de inexigibilidade inserida no caput do referido
dispositivo legal, porquanto a inviabilidade de competição
configura-se pelo fato de a Administração dispor-se a
contratar todos os que tiverem interesse e que satisfaçam
as condições por ela estabelecidas, não havendo, portanto,
relação de exclusão;
CREDENCIAMENTO
9.2.4. na hipótese de opção pelo credenciamento (...),
deve ser observado que, para a regularidade da contratação
direta, é indispensável a garantia da igualdade de condições
entre todos os interessados hábeis a contratar com a
Administração, pelo preço por ela definido;
9.2.5. é possível à Administração realizar a contratação
direta, mediante inexigibilidade de licitação, desde que haja
a demonstração inequívoca de que suas necessidades
somente poderão ser atendidas dessa forma, cabendo a
devida observância das exigências do art. 26 da Lei n.
8.666/1993, principalmente no que concerne à justificativa de
preços;"
(Acórdão nº 351/2010 – Plenário)
ACÓRDÃO 2504/2017 – 1ª CÂMARA

RESPOSTA À 44ª PERGUNTA:


O credenciamento pode ser considerado
como hipótese de inviabilidade de competição
quando observados requisitos como: i) contratação
de todos os que tiverem interesse e que satisfaçam
as condições fixadas pela Administração, não
havendo relação de exclusão; ii) garantia de
igualdade de condições entre todos os interessados
hábeis a contratar com a Administração, pelo preço
por ela definido; iii) demonstração inequívoca de
que as necessidades da Administração somente
poderão ser atendidas dessa forma.
ACÓRDÃO 1175/2017 – PLENÁRIO
45ª PERGUNTA:
O menor somatório dos preços unitários é
critério racional, apto e válido para seleção da
proposta mais vantajosa para a Administração?
MENOR SOMATÓRIO DOS PREÇOS UNITÁRIOS

A utilização de critério de julgamento


consistente no menor preço resultante do
somatório de preços unitários é grave o
suficiente para conduzir à anulação do certame
e, consequentemente, à do contrato dele
decorrente.
(Acórdão 3361/2015-Plenário)
NECESSIDADE DE PREVISÃO DE QUANTIDADES

Lei 8.666/1993:
Art. 7º (...)
§ 4º É vedada, ainda, a inclusão, no objeto da
licitação, de fornecimento de materiais e
serviços sem previsão de quantidades ou cujos
quantitativos não correspondam às previsões
reais do projeto básico ou executivo.
ACÓRDÃO 1175/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 45ª PERGUNTA:
O menor somatório dos preços unitários
não é critério racional, apto e válido para
seleção da proposta mais vantajosa para a
Administração, nos termos do art. 3º da Lei
8.666/1993, e, portanto, não pode ser utilizado
como critério de julgamento em licitações para
contratação de serviços de planejamento,
organização e execução de eventos, ou
destinadas a qualquer outro tipo de
contratação.
ACÓRDÃO 2397/2017 – PLENÁRIO
46ª PERGUNTA:
Viola o art. 31, § 2º, da Lei 8.666/1993 o
edital da licitação exigir comprovação de
patrimônio líquido mínimo pelo licitante, para
fins de qualificação econômico-financeira,
concomitantemente com previsão de prestação
de garantia contratual (art. 56) pelo contratado?
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA
Lei 8.666/1993:
Art. 31. A documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-á a:
(...)
III - garantia, nas mesmas modalidades e critérios previstos no "caput" e § 1º do
art. 56 desta Lei, limitada a 1% (um por cento) do valor estimado do objeto da
contratação.
(...)
§ 2º A Administração, nas compras para entrega futura e na execução de obras e
serviços, poderá estabelecer, no instrumento convocatório da licitação, a exigência
de capital mínimo ou de patrimônio líquido mínimo, ou ainda as garantias previstas
no § 1º do art. 56 desta Lei, como dado objetivo de comprovação da qualificação
econômico-financeira dos licitantes e para efeito de garantia ao adimplemento do
contrato a ser ulteriormente celebrado.
§ 3º O capital mínimo ou o valor do patrimônio líquido a que se refere o parágrafo
anterior não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor estimado da
contratação, devendo a comprovação ser feita relativamente à data da
apresentação da proposta, na forma da lei, admitida a atualização para esta data
através de índices oficiais.
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA

Súmula TCU nº 275:


Para fins de qualificação econômico-financeira, a
Administração pode exigir das licitantes, de
forma não cumulativa, capital social mínimo,
patrimônio líquido mínimo ou garantias que
assegurem o adimplemento do contrato a ser
celebrado, no caso de compras para entrega
futura e de execução de obras e serviços.
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA
Jurisprudência do TCU:
"Acerca das irregularidades atinentes às licitações públicas,
manifesto-me de acordo com as ponderações da Secex/MS e acolho as
razões de justificativas dos responsáveis mencionados especificamente
quanto à exigência de patrimônio líquido mínimo cumulativamente
com a prestação de garantia prevista no art. 31, inciso III, da Lei
8.666/1993 (...). De fato, os editais de licitação exigiram somente a
apresentação de garantia relativa à execução contratual, e não a
garantia atinente à proposta de preços, não havendo, portanto,
qualquer irregularidade neste aspecto."
(Acórdão nº 2055/2014 – Plenário)

Lei 10.520/2002:
Art. 5º É vedada a exigência de:
I - garantia de proposta;
ACÓRDÃO 2397/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 46ª PERGUNTA:
Não viola o art. 31, § 2º, da Lei
8.666/1993 o edital da licitação exigir
comprovação de patrimônio líquido mínimo
pelo licitante, para fins de qualificação
econômico-financeira, concomitantemente com
previsão de prestação de garantia contratual
(art. 56) pelo contratado. Afronta aquele
dispositivo legal a exigência simultânea de
patrimônio líquido mínimo e de garantia de
participação na licitação (art. 31, inciso III) como
requisitos de habilitação.
ACÓRDÃO 4843/2017 – 1ª CÂMARA
47ª PERGUNTA:
A autoridade homologadora é
solidariamente responsável pelos vícios
identificados nos procedimentos licitatórios?
RESPONSABILIZAÇÃO DO AGENTE PÚBLICO -
CONCEITO DE HOMEM MÉDIO
Doutrina:
(Sílvio Rodrigues) Responsabilização do agente
público. Parâmetro do “homem médio”.
Inexigibilidade de conduta diversa.
Para se verificar se existiu, ou não, erro de
conduta, e portanto culpa, por parte do agente
causador do dano, mister se faz comparar o seu
comportamento com aquele que seria normal e
correntio em um homem médio, fixado como
padrão. Se de tal comparação resultar que o dano
derivou de uma imprudência, imperícia ou
negligência do autor do dano, nos quais não
incorreria o homem padrão, criado in abstracto pelo
julgador, caracteriza-se a culpa, ou seja, o erro de
conduta.
RESPONSABILIDADE DA COMISSÃO DE
LICITAÇÃO E DO PREGOEIRO
Jurisprudência do TCU:
"Apesar de o art. 43, IV, da Lei 8.666/1993 estipular que os
preços da proposta vencedora deverão estar de acordo com aqueles
praticados pelo mercado, a Lei de Licitações não estabelece que a
responsabilidade pela pesquisa de preço e a consequente elaboração
do orçamento seja da autoridade que autorizou ou homologou o
procedimento licitatório, da CPL ou do pregoeiro. Em cada caso
concreto devem ser identificados os responsáveis pela elaboração do
orçamento ou do termo de referência utilizado para avaliação da
adequação dos preços ofertados aos preços de mercado.
(...) em regra, os projetos básicos, os termos de referência,
estimativas de preço são elaborados pelas respectivas unidades
requisitantes do bem, serviço ou obra, ou por algum outro setor
especializado e não pela CPL, pregoeiro ou autoridade superior."
(Acórdão nº 10413/2011 – Primeira Câmara)
RESPONSABILIDADE DA AUTORIDADE
HOMOLOGADORA
A autoridade homologadora é responsável
solidariamente pelos vícios identificados nos
procedimentos licitatórios, exceto se forem vícios
ocultos, dificilmente perceptíveis. A homologação se
caracteriza como um ato de controle praticado pela
autoridade competente sobre todos os atos praticados
na respectiva licitação. Esse controle não pode ser tido
como meramente formal ou chancelatório, mas antes
como um ato de fiscalização.
(Acórdão 1018/2015-Plenário)
ACÓRDÃO 4843/2017 – 1ª CÂMARA

RESPOSTA À 47ª PERGUNTA:


A autoridade homologadora é
solidariamente responsável pelos vícios
identificados nos procedimentos licitatórios,
exceto se forem vícios ocultos, dificilmente
perceptíveis. A homologação se caracteriza
como um ato de controle praticado pela
autoridade competente, que não pode ser tido
como meramente formal ou chancelatório.
ACÓRDÃO 1549/2017 – PLENÁRIO
48ª PERGUNTA:
O fato de os valores adjudicados
encontrarem-se superiores aos valores orçados
serve para evidenciar que aqueles estão acima
dos preços de mercado?
PREÇOS DESCONFORMES COM O MERCADO
Jurisprudência do TCU:
"(...) a Lei nº 8.666/93 não ordena a
desclassificação de propostas de preços
desconformes com o orçamento, mas sim de
propostas de preços desconformes com o
mercado, este que é, na verdade, o padrão
efetivo para avaliação da conformidade das
ofertas, como se percebe dos artigos 24, inciso
VII, e 43, inciso IV, da mencionada lei."
(Acórdão nº 267/2003 - Plenário)
PREÇOS DESCONFORMES COM O MERCADO
Lei 8.666/1993:
Art. 43. A licitação será processada e julgada com
observância dos seguintes procedimentos: (...)
IV - verificação da conformidade de cada proposta com
os requisitos do edital e, conforme o caso, com os
preços correntes no mercado ou fixados por órgão
oficial competente, ou ainda com os constantes do
sistema de registro de preços, os quais deverão ser
devidamente registrados na ata de julgamento,
promovendo-se a desclassificação das propostas
desconformes ou incompatíveis;
ACÓRDÃO 1549/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 48ª PERGUNTA:
O sobrepreço deve ser aferido a partir dos
preços de mercado ou com base em sistemas
referenciais de preço. O fato de os valores
adjudicados encontrarem-se superiores aos
valores orçados não serve para evidenciar que
aqueles estão acima dos preços de mercado.
Essa constatação deve estar baseada em
informações sobre os preços efetivamente
praticados no mercado à época.
ACÓRDÃO 1671/2017 – PLENÁRIO
49ª PERGUNTA:
Nos serviços de natureza continuada, é
lícita a previsão contratual de retenção pela
Administração de pagamentos devidos à
contratada em valores correspondentes às
obrigações trabalhistas e previdenciárias
inadimplidas, relativas aos empregados
dedicados à execução do contrato?
IRREGULARIDADE FISCAL, RETENÇÃO DO
PAGAMENTO E RESCISÃO CONTRATUAL
Lei 8.666/1993:
Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as
que estabeleçam: (...)
XIII - a obrigação do contratado de manter, durante toda
a execução do contrato, compatibilidade com as
obrigações por ele assumidas, todas as condições de
habilitação e qualificação exigidas na licitação.
(...)
Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato:
I – o não cumprimento de cláusulas contratuais,
especificações, projetos ou prazos.
IRREGULARIDADE FISCAL, RETENÇÃO DO
PAGAMENTO E RESCISÃO CONTRATUAL
Jurisprudência do TCU:
"9.1. conhecer da consulta [formulada pela Ministra
de Estado da Saúde sobre pagamento a fornecedores que
constem, no sistema de cadastramento unificado de
fornecedores, em débito com o sistema de seguridade
social];
9.2. (...) responder à consulente que:
9.2.1. os órgãos e entidades da Administração Pública
Federal devem exigir, nos contratos de execução continuada
ou parcelada, a comprovação, por parte da contratada, da
regularidade fiscal, incluindo a seguridade social, sob pena
de violação do disposto no § 3º do art. 195 da Constituição
Federal;
IRREGULARIDADE FISCAL, RETENÇÃO DO
PAGAMENTO E RESCISÃO CONTRATUAL
9.2.2. os órgãos e entidades da Administração Pública
Federal devem incluir, nos editais e contratos de execução
continuada ou parcelada, cláusula que estabeleça a obrigação do
contratado de manter, durante toda a execução do contrato, todas
as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação,
prevendo, como sanções para o inadimplemento a essa cláusula, a
rescisão do contrato e a execução da garantia para ressarcimento
dos valores e indenizações devidos à Administração, além das
penalidades já previstas em lei (arts. 55, inciso XIII, 78, inciso I, 80,
inciso III, e 87, da Lei nº 8.666/93);
9.2.3. verificada a irregular situação fiscal da contratada,
incluindo a seguridade social, é vedada a retenção de pagamento
por serviço já executado, ou fornecimento já entregue, sob pena de
enriquecimento sem causa da Administração;"
(Acórdão nº 964/2012 – Plenário)
IRREGULARIDADE TRABALHISTA E
RETENÇÃO CAUTELAR DO PAGAMENTO
Súmula 331 do TST:
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do
empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador
de serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja
participado da relação processual e conste também do título
executivo judicial.
V - Os entes integrantes da administração pública direta e indireta
respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV,
caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das
obrigações da Lei nº 8.666/93, especialmente na fiscalização do
cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora
de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não
decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas
assumidas pela empresa regularmente contratada.
IRREGULARIDADE TRABALHISTA E
RETENÇÃO CAUTELAR DO PAGAMENTO
Jurisprudência do TCU:
"(...) o item 9.2.3 do Acórdão nº 964/2012-Plenário
não deve ser automaticamente aplicado a contratos em que
se evidencia a responsabilidade subsidiária do ente público
contratante por encargos trabalhistas não adimplidos pela
contratada, quais sejam, contratos de prestação de serviços
terceirizados (serviços contínuos prestados mediante cessão
– ou dedicação – exclusiva da mão de obra). No âmbito de tais
contratos, a não retenção de pagamento ante o
descumprimento de obrigações trabalhistas por parte da
contratada pode caracterizar culpa por omissão da
Administração contratante."
(Acórdão nº 567/2015 – Plenário)
IRREGULARIDADE TRABALHISTA E
RETENÇÃO CAUTELAR DO PAGAMENTO
Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 3301/2015 – Plenário) Regularidade trabalhista.
Retenção de pagamento.
9.3. recomendar à Ceagesp que adote os seguintes
procedimentos, para resguardar-se contra dívidas
trabalhistas da prestadora de serviços continuados com
dedicação exclusiva de mão de obra:
9.3.1. prever nos contratos, de forma expressa:
9.3.1.1. autorização para retenção de pagamentos devidos
em valores correspondentes às obrigações trabalhistas
inadimplidas pela contratada, incluindo salários e demais
verbas trabalhistas, previdência social e FGTS, concernentes
aos empregados dedicados à execução do contrato;
IRREGULARIDADE TRABALHISTA E
RETENÇÃO CAUTELAR DO PAGAMENTO
(Acórdão 3301/2015 – Plenário) Continuação...
9.3.1.2. autorização para realização de pagamentos de salários e
demais verbas trabalhistas diretamente aos empregados da
contratada, bem assim das contribuições previdenciárias e do FGTS,
quando estes não forem adimplidos;
9.3.1.3. aprovisionamento, em conta vinculada, de valores
relativos a férias, décimo terceiro e multa sobre o FGTS, na forma
prevista no art. 19-A, I, da IN/SLTI/MP 2/2008, com redação dada pela
IN/SLTI/MP 6/2013.
9.3.2. depositar os valores retidos cautelarmente junto à Justiça
do Trabalho, com o objetivo de serem utilizados exclusivamente no
pagamento dos salários e das demais verbas trabalhistas, bem como
das contribuições sociais e FGTS, quando não for possível a realização
desses pagamentos pela própria administração, dentre outras razões,
por falta da documentação pertinente, tais como folha de pagamento,
rescisões dos contratos e guias de recolhimento;
ACÓRDÃO 1671/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 49ª PERGUNTA:
Nos serviços de natureza continuada, é
lícita a previsão contratual de retenção pela
Administração de pagamentos devidos à
contratada em valores correspondentes às
obrigações trabalhistas e previdenciárias
inadimplidas, relativas aos empregados
dedicados à execução do contrato.
ACÓRDÃO 2468/2017 – PLENÁRIO
50ª PERGUNTA:
Em contratações de serviços de software,
há amparo legal para a exigência de certificado
de qualidade de processo de software, a
exemplo de CMMi ou MPS.BR, como requisito
de habilitação no certame licitatório?
EXIGÊNCIAS DE HABILITAÇÃO
Lei 8.666/1993:
Art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á
dos interessados, exclusivamente, documentação
relativa a:
I – habilitação jurídica; [art. 28]
II – qualificação técnica; [art. 30]
III – qualificação econômico-financeira; [art. 31]
IV – regularidade fiscal e trabalhista; [art. 29]
V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do
art. 7º da Constituição Federal.
EXIGÊNCIAS DE HABILITAÇÃO
Não se pode exigir o Certificado Brasileiro de
Qualidade e Produtividade de Habitat -
PBQPH como requisito de habilitação em
processo licitatório.
(Acórdão 492/2011-Plenário)
É irregular a exigência de certificação ISO e
outras assemelhadas para habilitação de
licitantes ou como critério de desclassificação de
propostas.
(Acórdão 1542/2013-Plenário)
ACÓRDÃO 2468/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 50ª PERGUNTA:
Em contratações de serviços de software,
não há amparo legal para a exigência de
certificado de qualidade de processo de
software, a exemplo de CMMi ou MPS.BR, como
requisito de habilitação no certame licitatório.
ACÓRDÃO 1823/2017 – PLENÁRIO
51ª PERGUNTA:
A adesão à ata de registro de preços deve
ser justificada pelo órgão não participante
(“carona”). Serve a esse propósito a mera
reprodução do plano de trabalho do órgão
gerenciador?
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 22. Desde que devidamente justificada a
vantagem, a ata de registro de preços, durante
sua vigência, poderá ser utilizada por qualquer
órgão ou entidade da administração pública
federal que não tenha participado do certame
licitatório, mediante anuência do órgão
gerenciador.
§ 1º Os órgãos e entidades que não participaram
do registro de preços, quando desejarem fazer
uso da ata de registro de preços, deverão
consultar o órgão gerenciador da ata para
manifestação sobre a possibilidade de adesão.
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)

§ 1º-A A manifestação do órgão gerenciador de


que trata o § 1º fica condicionada à realização
de estudo, pelos órgãos e pelas entidades que
não participaram do registro de preços, que
demonstre o ganho de eficiência, a viabilidade e
a economicidade para a administração pública
federal da utilização da ata de registro de preços,
conforme estabelecido em ato do Secretário de
Gestão do Ministério do Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão.
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)
A adesão a ata de registro de preços deve ser
justificada pelo órgão não participante mediante
detalhamento das necessidades que pretende suprir
por meio do contrato e demonstração da sua
compatibilidade com o objeto discriminado na ata, não
servindo a esse propósito a mera reprodução, parcial
ou integral, do plano de trabalho do órgão gerenciador.
A comprovação da vantagem da adesão deve estar
evidenciada pelo confronto entre os preços unitários
dos bens e serviços constantes da ata de registro de
preços e referenciais válidos de mercado.
(Acórdão 509/2015-Plenário)
ACÓRDÃO 1823/2017 – PLENÁRIO

RESPOSTA À 51ª PERGUNTA:


A adesão a ata de registro de preços deve ser
justificada pelo órgão não participante mediante
detalhamento das necessidades que pretende
suprir por meio do contrato e demonstração da sua
compatibilidade com o objeto discriminado na ata,
não servindo a esse propósito a mera reprodução,
parcial ou integral, do plano de trabalho do órgão
gerenciador. A comprovação da vantagem da
adesão deve estar evidenciada pelo confronto
entre os preços unitários dos bens e serviços
constantes da ata de registro de preços e
referenciais válidos de mercado.
ACÓRDÃO 7979/2017 – 2ª CÂMARA
52ª PERGUNTA:
A contratação direta de remanescente de
obra, serviço ou fornecimento decorrente de
rescisão contratual (art. 24, inciso XI, da Lei
8.666/1993) requer a manutenção das
condições oferecidas pelo licitante vencedor,
inclusive quanto aos preços unitários, ou basta
apenas a adoção do mesmo preço global?
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
XI – na contratação de remanescente de obra,
serviço ou fornecimento, em consequência de
rescisão contratual, desde que atendida a ordem
de classificação da licitação anterior e aceitas as
mesmas condições oferecidas pelo licitante
vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente
corrigido;
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
Jurisprudência do TCU:
"O caso concreto não deixa dúvidas da relevância da
manutenção do preço unitário para essa licitação [tinha por
objeto a construção de trecho rodoviário]. Tanto isso era
importante que o próprio fato de a terraplanagem ter tido
preços unitários mais elevados e o de ter sido necessário o
incremento dessas etapas da obra produziram reflexos
absolutamente desvantajosos para a Administração Pública
[DER/SC].
A presente situação, por si só, demonstra que não é
suficiente a manutenção do preço global, mas igualmente a dos
preços unitários. Na impossibilidade das empresas, por ordem
de classificação no certame, não poderem assumir os preços
unitários da vencedora, deve-se efetuar outra licitação.
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
Como se viu, a necessidade do incremento da
terraplanagem gerou aumento do custo do contrato,
justamente porque os preços unitários desse item
eram maiores na planilha da empresa convocada
(ARG), comprovando a importância de serem
mantidos os preços unitários constantes da planilha
da empresa vencedora (REIS), a fim de se evitar que
fatos inesperados, passíveis de ocorrerem em obras
de engenharia, encareçam os contratos
administrativos."
(Acórdão nº 580/2002 – Segunda Câmara)
ACÓRDÃO 7979/2017 – 2ª CÂMARA
RESPOSTA À 52ª PERGUNTA:
A contratação direta de remanescente de
obra, serviço ou fornecimento decorrente de
rescisão contratual (art. 24, inciso XI, da Lei
8.666/1993) requer a manutenção das
condições oferecidas pelo licitante vencedor,
inclusive quanto aos preços unitários,
devidamente corrigidos, e não apenas a adoção
do mesmo preço global.
ACÓRDÃO 7982/2017 – 2ª CÂMARA
53ª PERGUNTA:
Pode o edital vedar o somatório de
atestados para fim de comprovação, por parte
dos licitantes, dos quantitativos mínimos
exigidos na qualificação técnico-operacional?
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica
limitar-se-á a: (...)
II - comprovação de aptidão para desempenho de
atividade pertinente e compatível em características,
quantidades e prazos com o objeto da licitação, e
indicação das instalações e do aparelhamento e do
pessoal técnico adequados e disponíveis para a
realização do objeto da licitação, bem como da
qualificação de cada um dos membros da equipe
técnica que se responsabilizará pelos trabalhos;
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Jurisprudência do TCU:
"O entendimento desta Casa é o de que, na aferição da experiência das
licitantes por meio de atestados de serviços realizados, deve-se permitir o
somatório desses nos casos em que a demonstração satisfatória da aptidão
técnica do concorrente demande a apresentação de mais de um atestado. Ou
seja, em condições normais, aceita-se o somatório de atestados para o fim de
comprovação de capacidade técnica, a não ser que haja motivo bastante para
justificar a exigência de atestado único ou a imposição de outras limitações
(Acórdãos 1.237/2008, 2.150/2008, 2.882/2008 e 1.231/2012, todos do Plenário).
Na mesma linha temos o Acórdão 849/2014-2ª Câmara (...), cujo voto
condutor traz consignado que é vedada a imposição de limites ou de quantia
certa de atestados ou certidões para fins de comprovação da qualificação
técnica, a menos que a natureza e a complexidade técnica da obra ou do serviço
mostrem ser indispensáveis tais restrições, devendo a Administração, nesses
casos, comprovar a pertinência e a necessidade da fixação de limites ou de não
permitir o somatório de atestados no exame da qualificação técnica do licitante.
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Diante disso, a inexistência de regra expressa no
Edital 24/2014 permitindo o somatório não configura, a
meu ver, violação ao princípio da vinculação ao
instrumento convocatório, já que justamente o
impedimento à utilização de mais de um atestado, por
implicar algum tipo de restrição à competividade do
certame, é que demandaria, além da demonstração do
seu cabimento por parte do contratante, estar
expressamente previsto no edital."
(Acórdão nº 1983/2014 – Plenário)
ACÓRDÃO 7982/2017 – 2ª CÂMARA

RESPOSTA À 53ª PERGUNTA:


A vedação, sem justificativa técnica, ao
somatório de atestados para comprovar os
quantitativos mínimos exigidos na qualificação
técnico-operacional contraria os princípios da
motivação e da competitividade.
ACÓRDÃO 8330/2017 – 2ª CÂMARA
54ª PERGUNTA:
O tratamento favorecido às microempresas
e empresas de pequeno porte para
comprovação de regularidade fiscal, previsto na
Lei Complementar 123/2006, também deve ser
estendido à qualificação econômico-financeira?
TRATAMENTO DIFERENCIADO DE ME/EPP
NAS CONTRATAÇÕES PÚBLICAS
Lei Complementar 123/2006:
Art. 42. Nas licitações públicas, a comprovação de regularidade
fiscal das microempresas e empresas de pequeno porte
somente será exigida para efeito de assinatura do contrato.
[“regularidade fiscal e trabalhista”, a partir de 1º de janeiro
de 2018, com a entrada em vigor da Lei Complementar
155/2016]
Art. 43. As microempresas e empresas de pequeno porte, por
ocasião da participação em certames licitatórios, deverão
apresentar toda a documentação exigida para efeito de
comprovação de regularidade fiscal, mesmo que esta
apresente alguma restrição. [“regularidade fiscal e
trabalhista”, a partir de 1º de janeiro de 2018, com a entrada
em vigor da Lei Complementar 155/2016]
TRATAMENTO DIFERENCIADO DE ME/EPP
NAS CONTRATAÇÕES PÚBLICAS
§ 1o Havendo alguma restrição na comprovação da regularidade
fiscal, será assegurado o prazo de 5 (cinco) dias úteis, cujo termo
inicial corresponderá ao momento em que o proponente for
declarado o vencedor do certame, prorrogável por igual período, a
critério da administração pública, para a regularização da
documentação, pagamento ou parcelamento do débito e emissão de
eventuais certidões negativas ou positivas com efeito de certidão
negativa. [“regularidade fiscal e trabalhista”, a partir de 1º de janeiro
de 2018, com a entrada em vigor da Lei Complementar 155/2016]
§ 2o A não-regularização da documentação, no prazo previsto no §
1o deste artigo, implicará decadência do direito à contratação, sem
prejuízo das sanções previstas no art. 81 da Lei no 8.666, de 21 de
junho de 1993, sendo facultado à Administração convocar os licitantes
remanescentes, na ordem de classificação, para a assinatura do
contrato, ou revogar a licitação.
ACÓRDÃO 8330/2017 – 2ª CÂMARA
RESPOSTA À 54ª PERGUNTA:
O tratamento favorecido às microempresas
e empresas de pequeno porte para
comprovação de regularidade fiscal, previsto na
Lei Complementar 123/2006, não se estende à
qualificação econômico-financeira.
ACÓRDÃO 8514/2017 – 2ª CÂMARA
55ª PERGUNTA:
Na elaboração de orçamento estimativo
para equipamentos a serem fornecidos em
mercado competitivo, devem ser adotados os
valores decorrentes das cotações mínimas?
PESQUISA DE PREÇOS
Instrução Normativa SLTI-MP 5/2014 (alterada pela IN SEGES-MP
3/2017):
Art. 2º A pesquisa de preços será realizada mediante a utilização dos
seguintes parâmetros:
I – Painel de Preços, disponível no endereço eletrônico
http://paineldeprecos.planejamento.gov.br;
II - contratações similares de outros entes públicos, em execução ou
concluídos nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores à data da
pesquisa de preços;
III - pesquisa publicada em mídia especializada, sítios eletrônicos
especializados ou de domínio amplo, desde que contenha a data e
hora de acesso; ou
IV - pesquisa com os fornecedores, desde que as datas das
pesquisas não se diferenciem em mais de 180 (cento e oitenta) dias.
PESQUISA DE PREÇOS
§ 1º Os parâmetros previstos nos incisos deste artigo poderão
ser utilizados de forma combinada ou não, devendo ser
priorizados os previstos nos incisos I e II e demonstrada no
processo administrativo a metodologia utilizada para obtenção
do preço de referência.
§ 2º Serão utilizadas, como metodologia para obtenção do
preço de referência para a contratação, a média, a mediana ou o
menor dos valores obtidos na pesquisa de preços, desde que o
cálculo incida sobre um conjunto de três ou mais preços,
oriundos de um ou mais dos parâmetros adotados neste artigo,
desconsiderados os valores inexequíveis e os excessivamente
elevados.
§ 3º Poderão ser utilizados outros critérios ou metodologias,
desde que devidamente justificados pela autoridade competente.
PESQUISA DE PREÇOS
§ 4º Os preços coletados devem ser analisados de forma
crítica, em especial, quando houver grande variação entre os
valores apresentados.
§ 5º Para desconsideração dos preços inexequíveis ou
excessivamente elevados, deverão ser adotados critérios
fundamentados e descritos no processo administrativo;
§ 6º Excepcionalmente, mediante justificativa da autoridade
competente, será admitida a pesquisa com menos de três
preços ou fornecedores.
(...)
Art. 5º O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica a
obras e serviços de engenharia, de que trata o Decreto nº 7.983,
de 8 de abril de 2013.
ACÓRDÃO 8514/2017 – 2ª CÂMARA
RESPOSTA À 55ª PERGUNTA:
Na elaboração de orçamento estimativo
para equipamentos a serem fornecidos em
mercado restrito, devem ser adotados os valores
decorrentes das cotações mínimas. As médias
ou medianas de cotações de preços devem ser
empregadas apenas em condições de mercado
competitivo.
ACÓRDÃO 8564/2017 – 2ª CÂMARA
56ª PERGUNTA:
A Administração pode realizar despesas
com festividades, eventos comemorativos,
lanches e congêneres vinculados às finalidades
da entidade?
DESPESAS COM FESTIVIDADES E LANCHES

É recomendável à administração de conselho de


fiscalização profissional não realizar despesas
com refeições e lanches para servidores,
conselheiros e convidados quando elas não
estejam estritamente vinculadas às finalidades
institucionais da entidade.
(Acórdão 6259/2011-Segunda Câmara)
ACÓRDÃO 8564/2017 – 2ª CÂMARA

RESPOSTA À 56ª PERGUNTA:


A Administração não deve realizar
despesas com festividades, eventos
comemorativos, lanches e congêneres não
vinculados às finalidades da entidade e sem que
haja comedimento de gastos, em obediência aos
princípios da legalidade, da moralidade, da
legitimidade e da economicidade.
ACÓRDÃO 9609/2017 – 2ª CÂMARA
57ª PERGUNTA:
Há vedação à participação do autor do
projeto básico em certame licitatório para a
elaboração do projeto executivo ou para a
assessoria técnica dos projetos durante a
construção da obra?
IMPEDIMENTOS LEGAIS
Lei 8.666/1993:
Art. 9o Não poderá participar, direta ou indiretamente, da
licitação ou da execução de obra ou serviço e do
fornecimento de bens a eles necessários:
I - o autor do projeto, básico ou executivo, pessoa física ou
jurídica;
[...]
§ 1o É permitida a participação do autor do projeto (...) na
licitação de obra ou serviço, ou na execução, como consultor
ou técnico, nas funções de fiscalização, supervisão ou
gerenciamento, exclusivamente a serviço da Administração
interessada.
ACÓRDÃO 9609/2017 – 2ª CÂMARA
RESPOSTA À 57ª PERGUNTA:
Não há vedação à participação do autor do
projeto básico em certame licitatório para a
elaboração do projeto executivo ou para a
assessoria técnica dos projetos durante a
construção da obra. A proibição incide sobre a
participação do autor do projeto básico ou
executivo na licitação para a contratação da
obra, serviço ou fornecimento deles
decorrentes, nos termos do art. 9º, inciso I, da
Lei 8.666/1993.
ACÓRDÃO 2307/2017 – PLENÁRIO
58ª PERGUNTA:
Quais os riscos da existência, na planilha
contratual, de serviços específicos com preços
unitários acima dos referenciais de mercado,
mesmo que não esteja caracterizado o
sobrepreço global?
JOGO DE PLANILHA
Jurisprudência do TCU:
"(...) pressupostos usualmente considerados necessários
por este Tribunal para se caracterizar a ocorrência do ‘jogo de
planilha’: licitação processada sem a definição e o emprego de
critérios efetivos de aceitabilidade de preços unitários;
adjudicação pelo menor preço global; existência, no
orçamento contratado, de serviços com sobrepreço e de
outros com subpreço, que se compensam na análise da
compatibilidade do preço global; alterações quantitativas
posteriores, por meio de aditivos, em decorrência de
deficiências ou insuficiências do projeto básico, que
privilegiam serviços com sobrepreço em detrimento dos com
subpreço."
(Acórdão 1650/2006 - Plenário)
JOGO DE PLANILHA
Jurisprudência do TCU:
"Trata-se de Relatório de Auditoria nas obras de construção
da BR-230/PA, usualmente denominada de ‘Rodovia
Transamazônica’, trecho Marabá - Altamira.
(...) constatou-se a absoluta deficiência do projeto básico
elaborado para o empreendimento, fato que (...), dentre outros
problemas, dá margem à prática do nefasto ‘jogo de planilhas’, em
que as licitantes, sabedoras dos problemas no projeto básico,
supervalorizam os itens cujos quantitativos estão subestimados e
subvalorizam aqueles cujas quantidades estão superestimadas, com
a certeza de que em momento posterior serão celebrados aditivos
para corrigir esses problemas, que modificarão o equilíbrio
econômico do contrato, em benefício da contratada e em desfavor
do erário (...)."
(Acórdão 2439/2008 - Plenário)
JOGO DE CRONOGRAMA
O jogo de cronograma ocorre quando a parcela mais
vantajosa de um contrato, do ponto de vista
econômico-financeiro, é concentrada na fase inicial
da obra, sem justificativa técnica, de maneira que as
etapas posteriores não apresentam a mesma
atratividade. Como consequência, causa dano ao
erário se a contratada abandona as obras após a fase
inicial, deixando-as inconclusas.
(Acórdão 2257/2015-Plenário)
JOGO DE CRONOGRAMA
A aquisição de bens de alto valor, que representam percentual
significativo do contrato, sem que sejam necessários no
estágio em que a obra se encontra ou em momento próximo,
expõe indevidamente a Administração à perda precoce da
garantia do fabricante, à deterioração e ao jogo de
cronograma, por meio do qual a empreiteira antecipa a
medição de serviços mais rentáveis e abandona o contrato sem
executar os menos rentáveis. A medição de tais bens somente
deve ser feita quando forem efetivamente necessários à
execução dos serviços a que se destinam, considerando a
manutenção de estoque mínimo que permita a continuidade e
o bom andamento dos serviços.
(Acórdão 2442/2014-Plenário)
ACÓRDÃO 2307/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 58ª PERGUNTA:
A existência na planilha contratual de serviços
específicos com preços unitários acima dos
referenciais de mercado, ainda que não caracterize
sobrepreço global, deve ser evitada, principalmente
se concentrados na parcela de maior materialidade
da obra, pois traz risco de dano ao erário no caso de
celebração de aditivos que aumentem quantitativos
dos serviços majorados (jogo de planilha) ou diante
da inexecução de serviços com descontos
significativos nos preços, depois de executados
aqueles com preços unitários superiores aos de
mercado (jogo de cronograma).
ACÓRDÃO 2318/2017 – PLENÁRIO
59ª PERGUNTA:
É competência do pregoeiro verificar se
houve pesquisa recente de preços junto ao
mercado fornecedor do bem licitado e se essa
pesquisa se orientou por critérios aceitáveis?
Essa verificação também pode ser exigida da
autoridade que homologa o certame?
COMPETÊNCIA DO PREGOEIRO E DA
AUTORIDADE HOMOLOGADORA
É da competência da comissão permanente de
licitação, do pregoeiro e da autoridade superior
verificar se houve recente pesquisa de preço
junto a fornecedores do bem a ser licitado e se
essa pesquisa observou critérios aceitáveis.
(Acórdão 2147/2014-Plenário)
COMPETÊNCIA DO PREGOEIRO E DA
AUTORIDADE HOMOLOGADORA
A Lei de licitações não define que a responsabilidade pela
pesquisa de preço e a consequente elaboração do
orçamento são de incumbência do responsável pela
homologação do procedimento licitatório, da CPL ou do
pregoeiro. A CPL, o pregoeiro e a autoridade superior
devem verificar: primeiro, se houve pesquisa recente de
preço junto a fornecedores do bem e se essa observou
critérios aceitáveis; segundo, se foi realizada a adequação
orçamentária; e, por último, se os preços da proposta
vencedora estão coerentes com o orçamento estimado
pelo setor competente.
(Acórdão 3516/2007-Primeira Câmara)
ACÓRDÃO 2318/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 59ª PERGUNTA:
É da competência do pregoeiro e da
autoridade que homologa o certame verificar se
houve pesquisa recente de preços junto ao
mercado fornecedor do bem licitado e se essa
pesquisa se orientou por critérios aceitáveis.
ACÓRDÃO 2591/2017 – PLENÁRIO
60ª PERGUNTA:
Na contratação integrada do RDC,
eventuais ganhos ou encargos oriundos das
soluções adotadas pelo contratado na
elaboração do projeto básico devem ser
auferidos ou suportados única e exclusivamente
pelo particular, independentemente da
existência de uma matriz de riscos disciplinando
a contratação?
REGIMES DE EXECUÇÃO
Lei 13.303/2016 (Lei de Responsabilidade das Estatais):
Art. 43. Os contratos destinados à execução de obras e
serviços de engenharia admitirão os seguintes regimes:
I - empreitada por preço unitário, nos casos em que os
objetos, por sua natureza, possuam imprecisão inerente de
quantitativos em seus itens orçamentários;
II - empreitada por preço global, quando for possível definir
previamente no projeto básico, com boa margem de precisão, as
quantidades dos serviços a serem posteriormente executados na
fase contratual;
III - contratação por tarefa, em contratações de profissionais
autônomos ou de pequenas empresas para realização de
serviços técnicos comuns e de curta duração;
REGIMES DE EXECUÇÃO
IV - empreitada integral, nos casos em que o contratante necessite
receber o empreendimento, normalmente de alta complexidade, em
condição de operação imediata;
V - contratação semi-integrada, quando for possível definir
previamente no projeto básico as quantidades dos serviços a serem
posteriormente executados na fase contratual, em obra ou serviço de
engenharia que possa ser executado com diferentes metodologias ou
tecnologias;
VI - contratação integrada, quando a obra ou o serviço de
engenharia for de natureza predominantemente intelectual e de inovação
tecnológica do objeto licitado ou puder ser executado com diferentes
metodologias ou tecnologias de domínio restrito no mercado.
§ 1º Serão obrigatoriamente precedidas pela elaboração de projeto
básico, disponível para exame de qualquer interessado, as licitações para a
contratação de obras e serviços, com exceção daquelas em que for
adotado o regime previsto no inciso VI do caput deste artigo.
REGIMES DE EXECUÇÃO
Lei 13.303/2016:
Art. 42. Na licitação e na contratação de obras e serviços por
empresas públicas e sociedades de economia mista, serão observadas as
seguintes definições: (...)
V - contratação semi-integrada: contratação que envolve a
elaboração e o desenvolvimento do projeto executivo, a execução de
obras e serviços de engenharia, a montagem, a realização de testes, a pré-
operação e as demais operações necessárias e suficientes para a entrega
final do objeto, de acordo com o estabelecido nos §§ 1º e 3º deste
artigo;
VI - contratação integrada: contratação que envolve a elaboração e o
desenvolvimento dos projetos básico e executivo, a execução de obras e
serviços de engenharia, a montagem, a realização de testes, a pré-
operação e as demais operações necessárias e suficientes para a entrega
final do objeto, de acordo com o estabelecido nos §§ 1º, 2º e 3º deste
artigo;
ANTEPROJETO DE ENGENHARIA
VII - anteprojeto de engenharia: peça técnica com todos
os elementos de contornos necessários e fundamentais à
elaboração do projeto básico, devendo conter minimamente os
seguintes elementos:
a) demonstração e justificativa do programa de
necessidades, visão global dos investimentos e definições
relacionadas ao nível de serviço desejado;
b) condições de solidez, segurança, durabilidade e prazo
de entrega;
c) estética do projeto arquitetônico;
d) parâmetros de adequação ao interesse público, à
economia na utilização, à facilidade na execução, aos impactos
ambientais e à acessibilidade;
ANTEPROJETO DE ENGENHARIA
e) concepção da obra ou serviço de engenharia;
f) projetos anteriores ou estudos preliminares que
embasaram a concepção adotada;
g) levantamento topográfico e cadastral;
h) pareceres de sondagem;
i) memorial descritivo dos elementos da edificação,
dos componentes construtivos e dos materiais de
construção, de forma a estabelecer padrões mínimos para a
contratação.
MATRIZ DE RISCOS
X - matriz de riscos: cláusula contratual definidora de
riscos e responsabilidades entre as partes e caracterizadora
do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato, em
termos de ônus financeiro decorrente de eventos
supervenientes à contratação, contendo, no mínimo, as
seguintes informações:
a) listagem de possíveis eventos supervenientes à
assinatura do contrato, impactantes no equilíbrio
econômico-financeiro da avença, e previsão de eventual
necessidade de prolação de termo aditivo quando de sua
ocorrência;
MATRIZ DE RISCOS
Lei 13.303/2016:
Art. 81. (...)
§ 8º É vedada a celebração de aditivos
decorrentes de eventos supervenientes alocados, na
matriz de riscos, como de responsabilidade da
contratada.
REGIMES DE EXECUÇÃO
Lei 13.303/2016:
Art. 42. (...)
§ 1º As contratações semi-integradas e integradas (...)
restringir-se-ão a obras e serviços de engenharia e observarão os
seguintes requisitos:
I - o instrumento convocatório deverá conter:
a) anteprojeto de engenharia, no caso de contratação
integrada, com elementos técnicos que permitam a caracterização
da obra ou do serviço e a elaboração e comparação, de forma
isonômica, das propostas a serem ofertadas pelos particulares;
b) projeto básico, nos casos de empreitada por preço unitário,
de empreitada por preço global, de empreitada integral e de
contratação semi-integrada, nos termos definidos neste artigo;
REGIMES DE EXECUÇÃO
c) documento técnico, com definição precisa das frações do
empreendimento em que haverá liberdade de as contratadas inovarem em
soluções metodológicas ou tecnológicas, seja em termos de modificação das
soluções previamente delineadas no anteprojeto ou no projeto básico da
licitação, seja em termos de detalhamento dos sistemas e procedimentos
construtivos previstos nessas peças técnicas;
d) matriz de riscos;
[...]
III - o critério de julgamento a ser adotado será o de menor preço ou de
melhor combinação de técnica e preço, pontuando-se na avaliação técnica
as vantagens e os benefícios que eventualmente forem oferecidos para cada
produto ou solução;
IV - na contratação semi-integrada, o projeto básico poderá ser
alterado, desde que demonstrada a superioridade das inovações em termos
de redução de custos, de aumento da qualidade, de redução do prazo de
execução e de facilidade de manutenção ou operação.
REGIMES DE EXECUÇÃO
Lei 13.303/2016:
Art. 42. (...)
§ 3º Nas contratações integradas ou semi-integradas, os
riscos decorrentes de fatos supervenientes à contratação
associados à escolha da solução de projeto básico pela contratante
deverão ser alocados como de sua responsabilidade na matriz de
riscos.
§ 4º No caso de licitação de obras e serviços de engenharia,
as empresas públicas e as sociedades de economia mista
abrangidas por esta Lei deverão utilizar a contratação semi-
integrada, prevista no inciso V do caput, cabendo a elas a
elaboração ou a contratação do projeto básico antes da licitação
de que trata este parágrafo, podendo ser utilizadas outras
modalidades previstas nos incisos do caput deste artigo, desde que
ACÓRDÃO 2591/2017 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 60ª PERGUNTA:
Na contratação integrada do RDC,
eventuais ganhos ou encargos oriundos das
soluções adotadas pelo contratado na
elaboração do projeto básico devem ser
auferidos ou suportados única e exclusivamente
pelo particular, independentemente da
existência de uma matriz de riscos disciplinando
a contratação. Eventuais omissões ou
indefinições no anteprojeto, em regra, não
ensejam a celebração de termos de aditamento
contratual, pois anteprojeto não é projeto
básico.
ACÓRDÃO 170/2018 – PLENÁRIO
61ª PERGUNTA:
A vistoria ao local das obras, quando
exigida pela Administração, pode ser substituída
pela apresentação de declaração de preposto da
licitante de que possui pleno conhecimento do
objeto?
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)

Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação
técnica limitar-se-á a: (...)
III - comprovação, fornecida pelo órgão licitante,
de que recebeu os documentos, e, quando
exigido, de que tomou conhecimento de todas as
informações e das condições locais para o
cumprimento das obrigações objeto da licitação;
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)
Jurisprudência do TCU:
"9.2. dar ciência ao Centro de Obtenção da Marinha no
Rio de Janeiro (COMRJ) de que: (...)
9.2.2. deve evitar, salvo em situações excepcionais
devidamente justificadas, exigir visita técnica pelos
interessados nas licitações, eis que sua substituição por
declaração formal assinada pela empresa, sob as penalidades
da lei, de que tem pleno conhecimento das condições locais e
peculiaridades inerentes à natureza dos trabalhos e não alegará
desconhecimento para quaisquer questionamentos futuros de
caráter técnico ou financeiro, atende o art. 30, inciso III, da Lei
8.666/1993 sem comprometer a competitividade do certame;"
(Acórdão 1564/2015 – Segunda Câmara)
EXIGÊNCIA DE VISITA TÉCNICA (VISTORIA)
Jurisprudência do TCU:
"9.2. dar ciência ao Município de Itapé/BA de que:
9.2.1. a vistoria ao local das obras somente deve
ser exigida quando for imprescindível ao cumprimento
adequado das obrigações contratuais, o que deve ser
justificado e demonstrado pela Administração no
processo de licitação, devendo o edital prever a
possibilidade de substituição do atestado de visita
técnica por declaração do responsável técnico de que
possui pleno conhecimento do objeto (...);"
(Acórdão nº 1447/2015 – Plenário)
ACÓRDÃO 170/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 61ª PERGUNTA:
A vistoria ao local das obras somente deve
ser exigida quando imprescindível para a
perfeita compreensão do objeto e com a
necessária justificativa da Administração nos
autos do processo licitatório, podendo ser
substituída pela apresentação de declaração de
preposto da licitante de que possui pleno
conhecimento do objeto. A visita deve ser
compreendida como direito subjetivo da
empresa licitante, não como obrigação imposta
pela Administração.
ACÓRDÃO 420/2018 – PLENÁRIO
62ª PERGUNTA:
A mera comparação dos valores constantes
em ata de registro de preços com os obtidos
junto a empresas consultadas na fase interna de
licitação é suficiente para configurar a
vantajosidade da adesão à ata?
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 22. Desde que devidamente justificada a
vantagem, a ata de registro de preços, durante
sua vigência, poderá ser utilizada por qualquer
órgão ou entidade da administração pública
federal que não tenha participado do certame
licitatório, mediante anuência do órgão
gerenciador.
§ 1º Os órgãos e entidades que não participaram
do registro de preços, quando desejarem fazer
uso da ata de registro de preços, deverão
consultar o órgão gerenciador da ata para
manifestação sobre a possibilidade de adesão.
ÓRGÃO NÃO PARTICIPANTE (“CARONA”)

§ 1º-A A manifestação do órgão gerenciador de


que trata o § 1º fica condicionada à realização
de estudo, pelos órgãos e pelas entidades que
não participaram do registro de preços, que
demonstre o ganho de eficiência, a viabilidade e
a economicidade para a administração pública
federal da utilização da ata de registro de preços,
conforme estabelecido em ato do Secretário de
Gestão do Ministério do Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão. (dispositivo inserido
pelo Decreto Federal 9.488/2018)
PESQUISA DE PREÇOS
Instrução Normativa SLTI-MP 5/2014 (alterada pela IN SEGES-MP
3/2017):
Art. 2º A pesquisa de preços será realizada mediante a utilização dos
seguintes parâmetros:
I – Painel de Preços, disponível no endereço eletrônico
http://paineldeprecos.planejamento.gov.br;
II - contratações similares de outros entes públicos, em execução ou
concluídos nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores à data da
pesquisa de preços;
III - pesquisa publicada em mídia especializada, sítios eletrônicos
especializados ou de domínio amplo, desde que contenha a data e
hora de acesso; ou
IV - pesquisa com os fornecedores, desde que as datas das
pesquisas não se diferenciem em mais de 180 (cento e oitenta) dias.
PESQUISA DE PREÇOS
§ 1º Os parâmetros previstos nos incisos deste artigo
poderão ser utilizados de forma combinada ou não,
devendo ser priorizados os previstos nos incisos I e II e
demonstrada no processo administrativo a metodologia
utilizada para obtenção do preço de referência.
§ 2º Serão utilizadas, como metodologia para obtenção
do preço de referência para a contratação, a média, a
mediana ou o menor dos valores obtidos na pesquisa de
preços, desde que o cálculo incida sobre um conjunto de
três ou mais preços, oriundos de um ou mais dos
parâmetros adotados neste artigo, desconsiderados os
valores inexequíveis e os excessivamente elevados.
ACÓRDÃO 420/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 62ª PERGUNTA:
A mera comparação dos valores constantes
em ata de registro de preços com os obtidos junto
a empresas consultadas na fase interna de
licitação não é suficiente para configurar a
vantajosidade da adesão à ata, haja vista que os
preços informados nas consultas, por vezes
superestimados, não serão, em regra, os
efetivamente contratados. Deve o órgão não
participante (“carona”), com o intuito de aferir a
adequação dos preços praticados na ata, se
socorrer de outras fontes, a exemplo de licitações
e contratos similares realizados no âmbito da
Administração Pública.
ACÓRDÃO 505/2018 – PLENÁRIO
63ª PERGUNTA:
Em licitações de serviços de terceirização
de mão de obra, pode ser aceito o somatório de
atestados para fins de qualificação técnico-
operacional mesmo quando eles não se
referirem a serviços executados de forma
concomitante?
HABILITAÇÃO TÉCNICA
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO VII-A):
DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DO ATO CONVOCATÓRIO
10.6. Na contratação de serviço continuado, para efeito de
qualificação técnico-operacional, a Administração Pública poderá
exigir do licitante: (...)
b) comprovação que já executou objeto compatível, em prazo, com
o que está sendo licitado, mediante a comprovação de experiência
mínima de três anos na execução de objeto semelhante ao da
contratação, podendo ser aceito o somatório de atestados;
[...]
10.6.1. É admitida a apresentação de atestados referentes a
períodos sucessivos não contínuos, para fins da comprovação de
que trata a alínea "b" do subitem 10.6 acima, não havendo
obrigatoriedade de os três anos serem ininterruptos.
HABILITAÇÃO TÉCNICA
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO VII-A):
10.6. Na contratação de serviço continuado, para efeito de
qualificação técnico-operacional, a Administração Pública poderá
exigir do licitante: (...)
c) no caso de contratação de serviços por postos de trabalho:
c.1. quando o número de postos de trabalho a ser contratado for
superior a 40 (quarenta) postos, o licitante deverá comprovar
que tenha executado contrato(s) com um mínimo de 50%
(cinquenta por cento) do número de postos de trabalho a serem
contratados;
c.2. quando o número de postos de trabalho a ser contratado for
igual ou inferior a 40 (quarenta), o licitante deverá comprovar
que tenha executado contrato(s) em número de postos
equivalentes ao da contratação.
HABILITAÇÃO TÉCNICA
10.7. No caso de contratação de serviços por postos de
trabalho (alínea “c” do subitem 10.6), será aceito o
somatório de atestados que comprovem que o licitante
gerencia ou gerenciou serviços de terceirização
compatíveis com o objeto licitado por período não
inferior a 3 (três) anos;
10.7.1. É admitida a apresentação de atestados
referentes a períodos sucessivos não contínuos, para
fins da comprovação de que trata o subitem 10.7 acima,
não havendo obrigatoriedade de os três anos serem
ininterruptos.
HABILITAÇÃO TÉCNICA
10.8. Somente serão aceitos atestados expedidos
após a conclusão do contrato ou se decorrido, pelo
menos, um ano do início de sua execução, exceto se
firmado para ser executado em prazo inferior;
10.9. Poderá ser admitida, para fins de comprovação
de quantitativo mínimo do serviço, a apresentação
de diferentes atestados de serviços executados de
forma concomitante, pois essa situação se equivale,
para fins de comprovação de capacidade técnico-
operacional, a uma única contratação;
ACÓRDÃO 505/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 63ª PERGUNTA:
Em licitações de serviços de terceirização
de mão de obra, só deve ser aceito o somatório
de atestados para fins de qualificação técnico-
operacional quando eles se referirem a serviços
executados de forma concomitante, pois essa
situação equivale, para comprovação da
capacidade técnica das licitantes, a uma única
contratação.
ACÓRDÃO 980/2018 – PLENÁRIO
64ª PERGUNTA:
O sistema de registro de preços é aplicável
à contratação de obras?
CONDIÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO SRP
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 3º O Sistema de Registro de Preços poderá ser adotado
nas seguintes hipóteses:
I- quando, pelas características do bem ou serviço,
houver necessidade de contratações frequentes;
II - quando for conveniente a aquisição de bens com
previsão de entregas parceladas ou contratação de serviços
remunerados por unidade de medida ou em regime de
tarefa;
III - quando for conveniente a aquisição de bens ou a
contratação de serviços para atendimento a mais de um
órgão ou entidade, ou a programas de governo; ou
IV – quando, pela natureza do objeto, não for possível definir
previamente o quantitativo a ser demandado pela
Administração.
ACÓRDÃO 980/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 64ª PERGUNTA:
O sistema de registro de preços não é
aplicável à contratação de obras, pelo fato de o
objeto não se enquadrar em nenhuma das
hipóteses previstas no art. 3º do Decreto
7.892/2013 e também porque, na contratação
de obras, não há demanda por itens isolados,
pois os serviços não podem ser dissociados uns
dos outros.
ACÓRDÃO 3474/2018 – 2ª CÂMARA
65ª PERGUNTA:
O contrato emergencial deve conter
expressa cláusula resolutiva que estabeleça a
sua extinção logo após a conclusão do processo
licitatório para nova contratação dos
correspondentes serviços?
CONTRATAÇÃO EMERGENCIAL
Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
IV – nos casos de emergência ou de calamidade pública,
quando caracterizada urgência de atendimento de situação
que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança
de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens,
públicos ou particulares, e somente para os bens necessários
ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e
para as parcelas de obras e serviços que possam ser
concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias
consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da
emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos
respectivos contratos;
ACÓRDÃO 3474/2018 – 2ª CÂMARA

RESPOSTA À 65ª PERGUNTA:


O contrato emergencial deve conter
expressa cláusula resolutiva que estabeleça a
sua extinção logo após a conclusão do processo
licitatório para nova contratação dos
correspondentes serviços.
ACÓRDÃO 1095/2018 – PLENÁRIO
66ª PERGUNTA:
É possível a Administração estabelecer
limites ao somatório de atestados ou mesmo
não o permitir no exame da qualificação técnica
do licitante?
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Lei 8.666/1993:
Art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica
limitar-se-á a: (...)
II - comprovação de aptidão para desempenho de
atividade pertinente e compatível em características,
quantidades e prazos com o objeto da licitação, e
indicação das instalações e do aparelhamento e do
pessoal técnico adequados e disponíveis para a
realização do objeto da licitação, bem como da
qualificação de cada um dos membros da equipe
técnica que se responsabilizará pelos trabalhos;
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Jurisprudência do TCU:
"O entendimento desta Casa é o de que, na aferição da experiência das
licitantes por meio de atestados de serviços realizados, deve-se permitir o
somatório desses nos casos em que a demonstração satisfatória da aptidão
técnica do concorrente demande a apresentação de mais de um atestado. Ou
seja, em condições normais, aceita-se o somatório de atestados para o fim de
comprovação de capacidade técnica, a não ser que haja motivo bastante para
justificar a exigência de atestado único ou a imposição de outras limitações
(Acórdãos 1.237/2008, 2.150/2008, 2.882/2008 e 1.231/2012, todos do Plenário).
Na mesma linha temos o Acórdão 849/2014-2ª Câmara (...), cujo voto
condutor traz consignado que é vedada a imposição de limites ou de quantia
certa de atestados ou certidões para fins de comprovação da qualificação
técnica, a menos que a natureza e a complexidade técnica da obra ou do serviço
mostrem ser indispensáveis tais restrições, devendo a Administração, nesses
casos, comprovar a pertinência e a necessidade da fixação de limites ou de não
permitir o somatório de atestados no exame da qualificação técnica do licitante.
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA
Diante disso, a inexistência de regra expressa no
Edital 24/2014 permitindo o somatório não configura, a
meu ver, violação ao princípio da vinculação ao
instrumento convocatório, já que justamente o
impedimento à utilização de mais de um atestado, por
implicar algum tipo de restrição à competividade do
certame, é que demandaria, além da demonstração do
seu cabimento por parte do contratante, estar
expressamente previsto no edital."
(Acórdão nº 1983/2014 – Plenário)
ACÓRDÃO 1095/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 66ª PERGUNTA:
É vedada a imposição de limites ou de
quantidade certa de atestados ou certidões para
fins de comprovação da qualificação técnica.
Contudo, caso a natureza e a complexidade
técnica da obra ou do serviço mostrem
indispensáveis tais restrições, deve a
Administração demonstrar a pertinência e a
necessidade de estabelecer limites ao somatório
de atestados ou mesmo não o permitir no
exame da qualificação técnica do licitante.
ACÓRDÃO 1234/2018 – PLENÁRIO
67ª PERGUNTA:
É possível a formalização de contratação de
fornecimento de bens para entrega imediata e
integral, da qual não resulte obrigações futuras,
por meio de nota de empenho,
independentemente do valor ou da modalidade
licitatória adotada? O que significa “entrega
imediata”?
INSTRUMENTOS DE CONTRATAÇÃO
Lei 8.666/1993:
Art. 62. O instrumento de contrato é obrigatório
nos casos de concorrência e de tomada de preços,
bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos
preços estejam compreendidos nos limites destas
duas modalidades de licitação, e facultativo nos
demais em que a Administração puder substituí-lo
por outros instrumentos hábeis, tais como carta-
contrato, nota de empenho de despesa,
autorização de compra ou ordem de execução de
serviço.
INSTRUMENTOS DE CONTRATAÇÃO
Lei 8.666/1993:
Art. 62. (...)
§ 4o É dispensável o "termo de contrato" e facultada a
substituição prevista neste artigo, a critério da
Administração e independentemente de seu valor, nos
casos de compra com entrega imediata e integral dos bens
adquiridos, dos quais não resultem obrigações futuras,
inclusive assistência técnica.

Lei 8.666/1993:
Art. 40. (...)
§ 4o Nas compras para entrega imediata, assim
entendidas aquelas com prazo de entrega até trinta dias da
data prevista para apresentação da proposta, poderão ser
dispensadas: (...)
ACÓRDÃO 1234/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 67ª PERGUNTA:
É possível a formalização de contratação de
fornecimento de bens para entrega imediata e
integral, da qual não resulte obrigações futuras, por
meio de nota de empenho, independentemente do
valor ou da modalidade licitatória adotada, nos
termos do art. 62, § 4º, da Lei 8.666/1993 e à luz
dos princípios da eficiência e da racionalidade
administrativa. Entende-se por “entrega imediata”
aquela que ocorrer em até trinta dias a partir do
pedido formal de fornecimento feito pela
Administração, que deve ocorrer por meio da
emissão da nota de empenho, desde que a
proposta esteja válida na ocasião da solicitação.
ACÓRDÃO 1347/2018 – PLENÁRIO
68ª PERGUNTA:
Numa licitação para registro de preços em
que tenha sido utilizada a modelagem de
aquisição por preço global de grupo de itens, é
possível a aquisição futura de itens
isoladamente?
MODELAGEM DE AQUISIÇÃO POR PREÇO
GLOBAL DE GRUPO DE ITENS
"A adjudicação por grupo, em licitação para registro de
preços, sem robustas, fundadas e demonstradas razões (fáticas
e argumentativas) que a sustente, revela-se sem sentido
quando se atenta para o evidente fato de que a
Administração não está obrigada a contratar a composição do
grupo a cada contrato, podendo adquirir isoladamente cada
item, no momento e na quantidade que desejar. Essa
modelagem torna-se potencialmente mais danosa ao erário na
medida em que diversos outros órgãos e entidade podem
aderir a uma ata cujos preços não refletem os menores preços
obtidos na disputa por item. Em registro de preços, a
realização de licitação utilizando-se como critério de
julgamento o menor preço global por grupo/lote leva, vis à vis
MODELAGEM DE AQUISIÇÃO POR PREÇO
GLOBAL DE GRUPO DE ITENS
a adjudicação por item, a flagrantes contratações
antieconômicas e dano ao erário, potencializado
pelas possibilidades de adesões, uma vez que, como
reiteradamente se observa, itens são ofertados pelo
vencedor do grupo a preços superiores aos
propostos por outros competidores."
(Acórdão 2977/2012 Plenário)
ACÓRDÃO 1347/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 68ª PERGUNTA:
Nas licitações para registro de preços, a
modelagem de aquisição por preço global de
grupo de itens é medida excepcional que precisa
ser devidamente justificada, a ser utilizada
apenas nos casos em que a Administração
pretende contratar a totalidade dos itens do
grupo, respeitadas as proporções de quantitativos
definidos no certame. Apesar de essa modelagem
ser, em regra, incompatível com a aquisição
futura de itens isoladamente, admite-se tal
hipótese quando o preço unitário ofertado pelo
vencedor do grupo for o menor lance válido na
disputa relativa ao item.
ACÓRDÃO 1443/2018 – PLENÁRIO
69ª PERGUNTA:
A contratação direta de remanescente de
obra, serviço ou fornecimento decorrente de
rescisão contratual (art. 24, inciso XI, da Lei
8.666/1993) requer a manutenção das
condições oferecidas pelo licitante vencedor,
inclusive quanto aos preços unitários,
devidamente corrigidos, ou só apenas a adoção
do mesmo preço global?
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
Lei 8.666/1993:
Art. 24. É dispensável a licitação: (...)
XI – na contratação de remanescente de obra,
serviço ou fornecimento, em consequência de
rescisão contratual, desde que atendida a ordem
de classificação da licitação anterior e aceitas as
mesmas condições oferecidas pelo licitante
vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente
corrigido;
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
Jurisprudência do TCU:
"O caso concreto não deixa dúvidas da relevância da
manutenção do preço unitário para essa licitação [tinha por
objeto a construção de trecho rodoviário]. Tanto isso era
importante que o próprio fato de a terraplanagem ter tido
preços unitários mais elevados e o de ter sido necessário o
incremento dessas etapas da obra produziram reflexos
absolutamente desvantajosos para a Administração Pública
[DER/SC].
A presente situação, por si só, demonstra que não é
suficiente a manutenção do preço global, mas igualmente a dos
preços unitários. Na impossibilidade das empresas, por ordem
de classificação no certame, não poderem assumir os preços
unitários da vencedora, deve-se efetuar outra licitação.
CONTRATAÇÃO DO REMANESCENTE DE OBRA,
SERVIÇO OU COMPRA
Como se viu, a necessidade do incremento da
terraplanagem gerou aumento do custo do contrato,
justamente porque os preços unitários desse item
eram maiores na planilha da empresa convocada
(ARG), comprovando a importância de serem
mantidos os preços unitários constantes da planilha
da empresa vencedora (REIS), a fim de se evitar que
fatos inesperados, passíveis de ocorrerem em obras
de engenharia, encareçam os contratos
administrativos."
(Acórdão nº 580/2002 – Segunda Câmara)
ACÓRDÃO 1443/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 69ª PERGUNTA:
A contratação direta de remanescente de
obra, serviço ou fornecimento decorrente de
rescisão contratual (art. 24, inciso XI, da Lei
8.666/1993) requer a manutenção das
condições oferecidas pelo licitante vencedor,
inclusive quanto aos preços unitários,
devidamente corrigidos, e não apenas a adoção
do mesmo preço global.
ACÓRDÃO 1620/2018 – PLENÁRIO
70ª PERGUNTA:
O juízo do pregoeiro acerca da
aceitabilidade da proposta é feito após a etapa
competitiva do certame (fase de lances),
devendo o licitante ser convocado para
comprovar a sua exequibilidade antes de
eventual desclassificação. É possível também a
exclusão de lances durante a etapa competitiva
do pregão?
APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DA LEI 8.666/1993

Lei 10.520/2002:
Art. 9º Aplicam-se subsidiariamente, para a
modalidade de pregão, as normas da Lei nº
8.666, de 21 de junho de 1993.
PREÇOS MANIFESTAMENTE INEXEQUÍVEIS
Lei 8.666/1993:
Art. 48. Serão desclassificadas: (...)
II - propostas com valor global superior ao limite estabelecido ou com
preços manifestamente inexequíveis, assim considerados aqueles
que não venham a ser demonstrada sua viabilidade através de
documentação que comprove que os custos dos insumos são
coerentes com os de mercado (...).
§ 1º Para os efeitos do disposto no inciso II deste artigo,
consideram-se manifestamente inexequíveis, no caso de licitações
de menor preço para obras e serviços de engenharia, as propostas
cujos valores sejam inferiores a 70% (setenta por cento) do menor
dos seguintes valores:
a) média aritmética dos valores das propostas superiores a 50%
(cinquenta por cento) do valor orçado pela Administração; ou
b) valor orçado pela Administração.
PREÇOS MANIFESTAMENTE INEXEQUÍVEIS

Súmula 262 do TCU:


O critério definido no art. 48, inciso II, § 1º,
alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.666/93 conduz a
uma presunção relativa de inexequibilidade de
preços, devendo a Administração dar à licitante a
oportunidade de demonstrar a exequibilidade da
sua proposta.
ACÓRDÃO 1620/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 70ª PERGUNTA:
O juízo do pregoeiro acerca da
aceitabilidade da proposta é feito após a etapa
competitiva do certame (fase de lances),
devendo o licitante ser convocado para
comprovar a sua exequibilidade antes de
eventual desclassificação. Apenas em situações
extremas, quando os lances ofertados
configurarem preços simbólicos, irrisórios ou de
valor zero, gerando uma presunção absoluta de
inexequibilidade, admite-se a exclusão de lances
durante a etapa competitiva do pregão.
ACÓRDÃO 1695/2018 – PLENÁRIO
71ª PERGUNTA:
A definição do critério de aceitabilidade
dos preços unitários e global nos editais para a
contratação de obras, com a fixação de preços
máximos para ambos (Súmula TCU 259), é
obrigatória mesmo no caso de empreitada por
preço global?
FIXAÇÃO DE PREÇOS MÁXIMOS

Súmula 259 do TCU:


Nas contratações de obras e serviços de
engenharia, a definição do critério de
aceitabilidade dos preços unitários e global,
com fixação de preços máximos para ambos, é
obrigação e não faculdade do gestor.
JOGO DE PLANILHA
Jurisprudência do TCU:
"(...) pressupostos usualmente considerados necessários
por este Tribunal para se caracterizar a ocorrência do ‘jogo de
planilha’: licitação processada sem a definição e o emprego de
critérios efetivos de aceitabilidade de preços unitários;
adjudicação pelo menor preço global; existência, no
orçamento contratado, de serviços com sobrepreço e de
outros com subpreço, que se compensam na análise da
compatibilidade do preço global; alterações quantitativas
posteriores, por meio de aditivos, em decorrência de
deficiências ou insuficiências do projeto básico, que
privilegiam serviços com sobrepreço em detrimento dos com
subpreço."
(Acórdão 1650/2006 - Plenário)
JOGO DE CRONOGRAMA
A aquisição de bens de alto valor, que representam percentual
significativo do contrato, sem que sejam necessários no
estágio em que a obra se encontra ou em momento próximo,
expõe indevidamente a Administração à perda precoce da
garantia do fabricante, à deterioração e ao jogo de
cronograma, por meio do qual a empreiteira antecipa a
medição de serviços mais rentáveis e abandona o contrato sem
executar os menos rentáveis. A medição de tais bens somente
deve ser feita quando forem efetivamente necessários à
execução dos serviços a que se destinam, considerando a
manutenção de estoque mínimo que permita a continuidade e
o bom andamento dos serviços.
(Acórdão 2442/2014-Plenário)
ACÓRDÃO 1695/2018 – PLENÁRIO

RESPOSTA À 71ª PERGUNTA:


A definição do critério de aceitabilidade
dos preços unitários e global nos editais para a
contratação de obras, com a fixação de preços
máximos para ambos, é obrigação e não
faculdade do gestor (Súmula TCU 259), ainda
que se trate de empreitada por preço global.
Essa obrigação tem por objetivo mitigar a
ocorrência dos riscos associados tanto ao “jogo
de cronograma” quanto ao “jogo de planilha”.
ACÓRDÃO 1872/2018 – PLENÁRIO
72ª PERGUNTA:
Na fase de negociação posterior à disputa
de lances em pregão sob a modelagem de
adjudicação por preço global de grupo de itens,
é possível a aceitação pelo pregoeiro de itens
com preço unitário superior àquele definido na
etapa de lances, desde que o valor total do
respectivo grupo tenha sido reduzido?
NEGOCIAÇÃO NO ÂMBITO DO PREGÃO

Lei 10.520/2002:
Art. 4º A fase externa do pregão será iniciada
com a convocação dos interessados e
observará as seguintes regras: (...)
XVII – (...) o pregoeiro poderá negociar
diretamente com o proponente para que seja
obtido preço melhor;
ACÓRDÃO 1872/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 72ª PERGUNTA:
Na fase de negociação posterior à disputa
de lances em pregão sob a modelagem de
adjudicação por preço global de grupo de itens,
é irregular a aceitação pelo pregoeiro de itens
com preço unitário superior àquele definido na
etapa de lances, ainda que o valor total do
respectivo grupo tenha sido reduzido. A
negociação de itens de grupo só é admissível se
resultar em redução ou manutenção dos preços
desses itens (art. 4º, inciso XVII, da Lei
10.520/2002).
ACÓRDÃO 1953/2018 – PLENÁRIO
73ª PERGUNTA:
Nos contratos celebrados entre entidades
pertencentes à Administração Pública, são
aplicáveis as cláusulas exorbitantes, previstas
nos arts. 58 e 59 da Lei 8.666/1993?
CLÁUSULAS EXORBITANTES
Lei 8.666/1993:
Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos instituído
por esta lei confere à Administração, em relação a eles, a
prerrogativa de:
I – modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às
finalidades de interesse público, respeitados os direitos do
contratado;
II – rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no inciso I
do art. 79 desta lei;
III – fiscalizar-lhes a execução;
IV – aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do
ajuste;
(...)
§ 2º Na hipótese do inciso I deste artigo, as cláusulas econômico-
financeiras do contrato deverão ser revistas para que se mantenha
o equilíbrio contratual.
ACÓRDÃO 1953/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 73ª PERGUNTA:
Nos contratos celebrados entre entidades
pertencentes à Administração Pública, são
inaplicáveis as cláusulas exorbitantes, previstas
nos arts. 58 e 59 da Lei 8.666/1993, porquanto
se trata de avenças acordadas por entidades
detentoras de prerrogativas de Poder Público,
onde há situação de igualdade entre as partes.
Assim, qualquer alteração em contratos da
espécie somente pode ocorrer por acordo das
partes, não havendo espaço, ainda, para
anulação ou rescisão pela via administrativa.
ACÓRDÃO 710/2018 – PLENÁRIO
74ª PERGUNTA:
Para fim de qualificação econômico-
financeira, é possível exigir, cumulativamente,
capital social mínimo e garantia de proposta,
prevista no art. 31, inciso III, da Lei 8.666/1993
(garantia de participação)?
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA
Lei 8.666/1993:
Art. 31. A documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-á a:
(...)
III - garantia, nas mesmas modalidades e critérios previstos no "caput" e § 1º do
art. 56 desta Lei, limitada a 1% (um por cento) do valor estimado do objeto da
contratação.
(...)
§ 2º A Administração, nas compras para entrega futura e na execução de obras e
serviços, poderá estabelecer, no instrumento convocatório da licitação, a exigência
de capital mínimo ou de patrimônio líquido mínimo, ou ainda as garantias previstas
no § 1º do art. 56 desta Lei, como dado objetivo de comprovação da qualificação
econômico-financeira dos licitantes e para efeito de garantia ao adimplemento do
contrato a ser ulteriormente celebrado.
§ 3º O capital mínimo ou o valor do patrimônio líquido a que se refere o parágrafo
anterior não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor estimado da
contratação, devendo a comprovação ser feita relativamente à data da
apresentação da proposta, na forma da lei, admitida a atualização para esta data
através de índices oficiais.
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA

Súmula TCU nº 275:


Para fins de qualificação econômico-financeira, a
Administração pode exigir das licitantes, de
forma não cumulativa, capital social mínimo,
patrimônio líquido mínimo ou garantias que
assegurem o adimplemento do contrato a ser
celebrado, no caso de compras para entrega
futura e de execução de obras e serviços.
QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA
Jurisprudência do TCU:
"Acerca das irregularidades atinentes às licitações públicas,
manifesto-me de acordo com as ponderações da Secex/MS e acolho as
razões de justificativas dos responsáveis mencionados especificamente
quanto à exigência de patrimônio líquido mínimo cumulativamente
com a prestação de garantia prevista no art. 31, inciso III, da Lei
8.666/1993 (...). De fato, os editais de licitação exigiram somente a
apresentação de garantia relativa à execução contratual, e não a
garantia atinente à proposta de preços, não havendo, portanto,
qualquer irregularidade neste aspecto."
(Acórdão nº 2055/2014 – Plenário)

Lei 10.520/2002:
Art. 5º É vedada a exigência de:
I - garantia de proposta;
ACÓRDÃO 710/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 74ª PERGUNTA:
Para fim de qualificação econômico-
financeira, é vedada a exigência cumulativa de
capital social mínimo e garantia de proposta,
prevista no art. 31, inciso III, da Lei 8.666/1993
(garantia de participação).
ACÓRDÃO 718/2018 – PLENÁRIO
75ª PERGUNTA:
A pesquisa de preços para elaboração do
orçamento estimativo da licitação pode ter
como único foco propostas solicitadas a
fornecedores?
PESQUISA DE PREÇOS
Instrução Normativa SLTI-MP 5/2014 (alterada pela IN SEGES-MP
3/2017):
Art. 2º A pesquisa de preços será realizada mediante a utilização dos
seguintes parâmetros:
I – Painel de Preços, disponível no endereço eletrônico
http://paineldeprecos.planejamento.gov.br;
II - contratações similares de outros entes públicos, em execução ou
concluídos nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores à data da
pesquisa de preços;
III - pesquisa publicada em mídia especializada, sítios eletrônicos
especializados ou de domínio amplo, desde que contenha a data e
hora de acesso; ou
IV - pesquisa com os fornecedores, desde que as datas das
pesquisas não se diferenciem em mais de 180 (cento e oitenta) dias.
PESQUISA DE PREÇOS
§ 1º Os parâmetros previstos nos incisos deste artigo
poderão ser utilizados de forma combinada ou não,
devendo ser priorizados os previstos nos incisos I e II e
demonstrada no processo administrativo a metodologia
utilizada para obtenção do preço de referência.
§ 2º Serão utilizadas, como metodologia para obtenção
do preço de referência para a contratação, a média, a
mediana ou o menor dos valores obtidos na pesquisa de
preços, desde que o cálculo incida sobre um conjunto de
três ou mais preços, oriundos de um ou mais dos
parâmetros adotados neste artigo, desconsiderados os
valores inexequíveis e os excessivamente elevados.
ACÓRDÃO 718/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 75ª PERGUNTA:
A pesquisa de preços para elaboração do
orçamento estimativo da licitação não pode ter
como único foco propostas solicitadas a
fornecedores. Ela deve priorizar os parâmetros
disponíveis no Painel de Preços do Portal de
Compras do Governo Federal e as contratações
similares realizadas por entes públicos, em
observância à IN-SLTI 5/2014.
ACÓRDÃO 719/2018 – PLENÁRIO
76ª PERGUNTA:
O fato de o licitante apresentar
composição de custo unitário contendo salário
de categoria profissional inferior ao piso
estabelecido em acordo, convenção ou dissídio
coletivo de trabalho enseja, necessariamente, a
desclassificação da proposta?
PREÇOS MANIFESTAMENTE INEXEQUÍVEIS
Lei 8.666/1993:
Art. 48. Serão desclassificadas: (...)
II - propostas com valor global superior ao limite estabelecido ou com
preços manifestamente inexequíveis, assim considerados aqueles que
não venham a ser demonstrada sua viabilidade através de
documentação que comprove que os custos dos insumos são
coerentes com os de mercado (...).
§ 1º Para os efeitos do disposto no inciso II deste artigo,
consideram-se manifestamente inexequíveis, no caso de licitações de
menor preço para obras e serviços de engenharia, as propostas cujos
valores sejam inferiores a 70% (setenta por cento) do menor dos
seguintes valores:
a) média aritmética dos valores das propostas superiores a 50%
(cinquenta por cento) do valor orçado pela Administração; ou
b) valor orçado pela Administração.
PREÇOS MANIFESTAMENTE INEXEQUÍVEIS

Súmula 262 do TCU:


O critério definido no art. 48, inciso II, § 1º,
alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.666/93 conduz a
uma presunção relativa de inexequibilidade de
preços, devendo a Administração dar à licitante a
oportunidade de demonstrar a exequibilidade da
sua proposta.
DESCLASSIFICAÇÃO DAS PROPOSTAS
IN SEGES-MP 5/2017 (ANEXO VII-A):
DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DO ATO
CONVOCATÓRIO
9. Da desclassificação das propostas:
9.1. Serão desclassificadas as propostas que: (...)
c) apresentarem preços finais superiores ao valor máximo
estabelecido pelo órgão ou entidade contratante no ato
convocatório;
d) apresentarem preços que sejam manifestamente
inexequíveis; e
e) não vierem a comprovar sua exequibilidade, em especial
em relação ao preço e a produtividade apresentada.
DESCLASSIFICAÇÃO DAS PROPOSTAS

9.2. Consideram-se preços manifestamente


inexequíveis aqueles que, comprovadamente,
forem insuficientes para a cobertura dos custos
decorrentes da contratação pretendida;
9.3. A inexequibilidade dos valores referentes a
itens isolados da planilha de custos e formação de
preços não caracteriza motivo suficiente para a
desclassificação da proposta, desde que não
contrariem exigências legais;
ACÓRDÃO 719/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 76ª PERGUNTA:
O fato de o licitante apresentar
composição de custo unitário contendo salário
de categoria profissional inferior ao piso
estabelecido em acordo, convenção ou dissídio
coletivo de trabalho é, em tese, somente erro
formal, o qual não enseja a desclassificação da
proposta, podendo ser saneado com a
apresentação de nova composição de custo
unitário desprovida de erro, em face do
princípio do formalismo moderado e da
supremacia do interesse público.
ACÓRDÃO 1347/2018 – PLENÁRIO
77ª PERGUNTA:
No sistema de registro de preços com
critério de adjudicação pelo menor preço global
por grupo (lote) de itens, é admissível aquisição
junto a empresa que apresentou a melhor
proposta para determinado item, mas que não
foi vencedora do respectivo grupo?
MODELAGEM DE AQUISIÇÃO POR PREÇO
GLOBAL DE GRUPO DE ITENS
"A adjudicação por grupo, em licitação para registro de
preços, sem robustas, fundadas e demonstradas razões (fáticas
e argumentativas) que a sustente, revela-se sem sentido
quando se atenta para o evidente fato de que a
Administração não está obrigada a contratar a composição do
grupo a cada contrato, podendo adquirir isoladamente cada
item, no momento e na quantidade que desejar. Essa
modelagem torna-se potencialmente mais danosa ao erário na
medida em que diversos outros órgãos e entidade podem
aderir a uma ata cujos preços não refletem os menores preços
obtidos na disputa por item. Em registro de preços, a
realização de licitação utilizando-se como critério de
julgamento o menor preço global por grupo/lote leva, vis à vis
MODELAGEM DE AQUISIÇÃO POR PREÇO
GLOBAL DE GRUPO DE ITENS
a adjudicação por item, a flagrantes contratações
antieconômicas e dano ao erário, potencializado
pelas possibilidades de adesões, uma vez que, como
reiteradamente se observa, itens são ofertados pelo
vencedor do grupo a preços superiores aos
propostos por outros competidores."
(Acórdão 2977/2012 Plenário)
ACÓRDÃO 1347/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 77ª PERGUNTA:
No sistema de registro de preços com
critério de adjudicação pelo menor preço global
por grupo (lote) de itens, não é admissível
aquisição junto a empresa que apresentou a
melhor proposta para determinado item, mas
que não foi vencedora do respectivo grupo, uma
vez que a licitação para registro de preços
objetiva a convocação dos fornecedores mais
bem classificados para assinar as atas, sendo
possível, única e exclusivamente, contratação
com as empresas vencedoras para fornecimento
dos itens nelas registrados.
ACÓRDÃO 1381/2018 – PLENÁRIO
78ª PERGUNTA:
O sistema de registro de preços pode ser
utilizado para a contratação de obras?
CONDIÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO SRP
Decreto Federal 7.892/2013:
Art. 3º O Sistema de Registro de Preços poderá ser adotado
nas seguintes hipóteses:
I- quando, pelas características do bem ou serviço,
houver necessidade de contratações frequentes;
II - quando for conveniente a aquisição de bens com
previsão de entregas parceladas ou contratação de serviços
remunerados por unidade de medida ou em regime de
tarefa;
III - quando for conveniente a aquisição de bens ou a
contratação de serviços para atendimento a mais de um
órgão ou entidade, ou a programas de governo; ou
IV – quando, pela natureza do objeto, não for possível definir
previamente o quantitativo a ser demandado pela
Administração.
ACÓRDÃO 1381/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 78ª PERGUNTA:
É cabível o registro de preços para a
contratação de serviços de engenharia em que a
demanda pelo objeto é repetida e rotineira, a
exemplo dos serviços de manutenção e
conservação de instalações prediais, não
podendo ser utilizado para a execução de obras.
ACÓRDÃO 7184/2018 – 2ª CÂMARA
79ª PERGUNTA:
Eventual ausência de cláusula contratual
de reajuste de preços constitui impedimento ao
reequilíbrio econômico-financeiro do contrato?
REVISÃO X REAJUSTE
Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 1563/2004 – Plenário) Revisão e
reajuste. Mecanismos de recomposição da
equação econômico-financeira do contrato.
“A Lei de Licitações e Contratos Administrativos
prevê a possibilidade de readequar a equação
econômico-financeira nas hipóteses de álea
ordinária e extraordinária. A primeira é efetuada
por meio de reajuste [...]. A segunda é realizada via
reequilíbrio econômico-financeiro insculpido na
alínea ‘d’ do inciso II do art. 65.”
REAJUSTE DE PREÇOS

Lei 8.666/1993:
Art. 40. O edital (...) indicará, obrigatoriamente,
o seguinte:
XI - critério de reajuste, que deverá retratar a
variação efetiva do custo de produção, admitida
a adoção de índices específicos ou setoriais,
desde a data prevista para apresentação da
proposta, ou do orçamento a que essa proposta
se referir, até a data do adimplemento de cada
parcela;
REAJUSTE DE PREÇOS
Constituição Federal:
Art. 37. (...)
XXI – ressalvados os casos especificados na
legislação, as obras, serviços, compras e
alienações serão contratados mediante
processo de licitação pública que assegure
igualdade de condições a todos os
concorrentes, com cláusulas que estabeleçam
obrigações de pagamento, mantidas as
condições efetivas da proposta, nos termos da
lei (...);
REAJUSTE DE PREÇOS

Lei 9.069/1995:
Art. 28. Nos contratos celebrados ou
convertidos em REAL com cláusula de correção
monetária por índices de preço ou por índice
que reflita a variação ponderada dos custos dos
insumos utilizados, a periodicidade de aplicação
dessas cláusulas será anual.
REAJUSTE DE PREÇOS
Jurisprudência do TCU:
(Acórdão 1685/2008 – Plenário) Inclusão de cláusula de
reajuste no contrato.
Nessa assentada, o TCU determinou o aditamento ao
contrato, para nele incluir cláusula de reajuste, pois se trata
de direito do particular.
Ver também o item 27 do voto que fundamentou o
Acórdão 963/2010 – Plenário:
“27. Quanto à vedação ao reajuste prevista no contrato
[prestação de serviços de preparo, conferência e digitação de
dados], cabe ressaltar que a jurisprudência desta Corte de
Contas é no sentido de que deverá assegurar-se ao interessado
o direito a esse instrumento de reequilíbrio econômico-
financeiro do contrato, ainda que não esteja previsto
contratualmente, uma vez que a Lei 8.666/93 (arts. 5º, § 1º, e
40, XI) garante aos contratados a correção dos preços a fim de
que lhes preservem o valor (Acórdãos 376/1997 - 1ª Câmara e
479/2007 - Plenário).”
ACÓRDÃO 7184/2018 – 2ª CÂMARA
RESPOSTA À 79ª PERGUNTA:
O estabelecimento do critério de reajuste de
preços, tanto no edital quanto no contrato, não
constitui discricionariedade conferida ao gestor, mas
sim verdadeira imposição, ante o disposto nos arts.
40, inciso XI, e 55, inciso III, da Lei 8.666/1993, ainda
que a vigência contratual prevista não supere doze
meses. Entretanto, eventual ausência de cláusula de
reajuste de preços não constitui impedimento ao
reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, sob
pena de ofensa à garantia inserta no art. 37, inciso
XXI, da Constituição Federal, bem como de
enriquecimento ilícito do erário e consequente
violação ao princípio da boa-fé objetiva.
ACÓRDÃO 1628/2018 – PLENÁRIO
80ª PERGUNTA:
A conduta culposa do responsável que foge
ao referencial do “administrador médio”
utilizado pelo TCU para avaliar a razoabilidade
dos atos submetidos a sua apreciação
caracteriza o “erro grosseiro” a que alude o art.
28 do Decreto-lei 4.657/1942 (Lei de Introdução
às Normas do Direito Brasileiro), incluído pela
Lei 13.655/2018?
CONCEITO DE “ERRO GROSSEIRO”
Lei 13.655/2018:
Art. 1o O Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de
setembro de 1942 (Lei de Introdução às Normas
do Direito Brasileiro), passa a vigorar acrescido
dos seguintes artigos: (...)
“Art. 28. O agente público responderá
pessoalmente por suas decisões ou opiniões
técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro.”
ACÓRDÃO 1628/2018 – PLENÁRIO
RESPOSTA À 80ª PERGUNTA:
A conduta culposa do responsável que foge
ao referencial do “administrador médio”
utilizado pelo TCU para avaliar a razoabilidade
dos atos submetidos a sua apreciação
caracteriza o “erro grosseiro” a que alude o art.
28 do Decreto-lei 4.657/1942 (Lei de Introdução
às Normas do Direito Brasileiro), incluído pela
Lei 13.655/2018.
MUITO OBRIGADO!
(luizfelipe.adv.bsb@gmail.com)