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Análise do Conto “O Largo”

Manuel da Fonseca
Enquadramento
• O conto “O largo” encontra-se inserido na obra O fogo e as cinzas de Manuel
da Fonseca.
• Esta obra foi publicada em 1951 e é uma das mais significativas da moderna
literatura portuguesa.
• Mais uma vez, Manuel da Fonseca debruça-se sobre as gentes do Alentejo, o
seu modo de vida, tradições e costumes.
• https://www.youtube.com/watch?v=XbslHUOJ4Yg
Breve resumo do conto
• O conto começa por apresentar a importância que o largo tinha antigamente, mas
que desapareceu com a chegada do comboio. Na construção desta linha
desapareceram também inúmeras pessoas que são apresentadas pelo autor.
• Neste largo existiam inúmeras faias (árvores), que eram utilizadas pelos homens
com diversos fins.
• O largo era considerado o centro do mundo, pois era lá que os homens falavam das
notícias reais ou muitas vezes as criavam.
• Os homens da vila concentravam-se no largo e quem o domina-se, também
dominava a vila, mas quem tivesse dificuldades no largo também teria na vila.
Breve resumo do conto (cont.)
• O largo era cheio de vida, de feitos, de tragédias e de aprendizagens.
• No largo não estavam as mulheres, estas ficavam em casa a aguardar que os homens
voltassem do largo e a fazer as lides domésticas.
• Com a chegada do comboio, o largo foi perdendo a sua importância, pois o
comboio trazia cada vez mais novidades e o estilo de vida começou a alterar-se. Os
costumes que antigamente existiam passaram a dar lugar a novos modos de vida, tal
como as oficinas deram lugar às fábricas.
• Com esta evolução também as notícias começaram a chegar cada vez mais rápido e
a vila a ficar cada vez mais desenvolvida.
Breve resumo do conto (cont.)
• Com estas alterações as pessoas com a mesma condição começaram a
frequentar os mesmos espaços, o que fez com que a aldeia fica-se dividida.
Perante isto, o largo como era conhecido antigamente desapareceu e deu
lugar a um espaço onde todos se encontram, homens, mulheres e crianças.
• Neste largo, existia um bêbado chamado João Gadunha que começou por
contar uma história sobre a existência do Largo do Rossio em Lisboa, como
agora todos tinham acesso à informação, rapidamente perceberam que era
mentira, pois sabiam que no Rossio não existiam eucaliptos.
Breve resumo do conto (cont.)
• Após isto, o largo voltou a ficar vazio, veio o velho Ranito tentar dar
novamente importância ao largo, mas em vão. O largo ficou perdido para
sempre nas histórias de antigamente, agora as pessoas faziam as suas vidas
nos cafés, cinemas e no campo.
• O largo deixou de ser o centro do mundo e passou apenas a ser um
espectador do que se passa no mundo, sabendo que coisas terríveis ainda
poderão estar por viver.
Localização do conto no tempo e no espaço

Este conto é passado no Alentejo de antigamente, em que as pessoas faziam as


suas vidas entre as vilas e os campos:
“Antigamente, o Largo era o centro do mundo.”
É feita uma comparação entre o passado e o presente:
“ Hoje, é apenas um cruzamento de estradas, com casas em volta e uma
rua que sobe para a vila.”
Principais recursos expressivos
• Personificação:
Atribuição de características humanas às árvores:
“…as faias agitavam-se, viçosas. Acenavam rudemente os braços e eram parte
de todos os grandes acontecimentos.”
• Hipérbole:
Exagero da realidade para dar enfâse à importância do largo:
“O largo era o centro do mundo.”
Principais recursos expressivos (cont.)
• Enumeração
Apresentação sucessiva de ideias:
“ …os homens se sentiam grandes em tudo que a vida dava, quer fosse a
valentia, ou a inteligência, ou a tristeza.”
• Comparação
Comparação entre o antigamente e o presente:
“Mas nada é já como era.”
Apresentação das personagens do conto

• Senhor Palma Branco – “Alto, seco e rodeado de respeito.”


• Os três irmãos Montenegro – “espadaúdos e graves”
• Badina – “fraco e repontão”
• Estroína – “bêbado, trocando as pernas de navalha em punho.”
• Má Raça – “Rengendo os dentes, sempre enraivecido contra tudo e todos”
• Lavrador de Alba Grande – “Plantado ao meio do largo com a sua serena
valentia”
Apresentação das personagens do conto (cont.)

• Mestre Sobral
• Cotovio – “Rufião de caracol sobre a testa”
• Acácio – “bebedolas, tirando retratos, curvado debaixo do grande pano preto”
• Um desconhecido – “aparecia subitamente à esquina, olhando cheio de espanto
para o largo”
• João Gadunha – “o bebâdo que fala de Lisboa”
• Velho Ranito – “mestre artíficie, era importante e respeitado. Hoje é tão pobre e
sem préstimo…”
O Largo e a sua relação com a moderna
literatura portuguesa
• O Largo passa-se numa vila alentejana. O Alentejo é um território com um
forte simbolismo revolucionário ligado à moderna literatura portuguesa, pois
foi marcado pelo conflito entre os grandes latifundiários e as camadas sociais
exploradas. O autor nutre um sentimento dividido entre o deslumbramento e
a desilusão.
• Esta literatura é também inspirada pela denúncia das injustiças sociais, tal
como o autor retrata neste conto, ao falar que as pessoas se encontravam
divididas consoante as suas classes sociais.
Dicotomia entre passado e presente
• Neste conto estão patentes as alterações que a sociedade foi sofrendo ao
longo do tempo, ou seja, demonstra a evolução que foi sentida em Portugal,
independentemente de o autor a considerar boa ou má.
• Demonstra também um Alentejo mais desenvolvido, mas ao mesmo tempo
mais egoísta, pois as pessoas passaram a estar mais afastadas, apesar de terem
acesso a mais informação, o que também ocorre nos dias de hoje.
• É importante referir que este conto quer no seu tempo, quer no seu espaço é
um verdadeiro símbolo do sentimento do autor pelo Alentejo.
Webgrafia
• https://estrolabio.blogs.sapo.pt/1145554.html
• https://en.wikipedia.org/wiki/Manuel_da_Fonseca
• https://www.guiaestudo.com.br/literatura-portuguesa