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GESTÃO DE CUSTOS

Robson Rodrigues Leinfelder


UFF Petrópolis – Departamento de Engenharia de Produção
14 de junho de 2017
FORMAÇÃO
FORMAÇÃO DE
DE PREÇO
PREÇO

Robson Rodrigues Leinfelder


UFF Petrópolis – Departamento de Engenharia de Produção
14 de junho de 2017
SUMÁRIO
Termos da Contabilidade de Custos:

preço, gastos, despesas, custos e métodos de custeios.

Preço: “volume de dinheiro pago por determinado produto ou serviço”.


(Kotler, 2008).

Ou “quantidade de dinheiro que o consumidor desembolsa para adquirir


algo ou alguma coisa e que a empresa recebe em troca. (Sardinha,
2013)

Ou ainda, quantidade de dinheiro, bens ou serviços que é dada para se


adquirir o uso ou a propriedade de um produto ou serviço. (Souza et all,
2006)
Gastos: “transações financeiras e não financeiras em que há ou não a
redução do disponível ou a promessa de um compromisso em troca de
algum bem de investimento ou bem de consumo”. (Leone, 2000).

Despesas: “conceito de fluxo, elas representam as diferenças


desfavoráveis dos ativos da empresa, ou seja, são redutoras do lucro.
Mas, também frisa que nem todas as despesas constituem o uso ou
consumo de bens e serviços no processo de geração de receitas”.
(Hendriksen e Breba, 1999)

Custos: “gasto relativo com bens ou serviços utilizados na produção ou


comercialização de outros bens e serviços.” (Martins, 1998)
Custos são divididos em: fixos e variáveis, diretos e indiretos.

“Bertó e Beuke (2005), falam que os Custos Fixos Totais se mantêm


inalterados independente do volume de atividades, ou seja, não se
alteram em função do crescimento ou retração ao volume de negócio
como, por exemplo, as folhas de pagamento do setor administrativo
e aluguel do imóvel.”

Métodos de custeios são formas que a entidade utiliza para apropriar os


custos de sua produção, das mercadorias que são vendidas ou os
serviços prestados.

Martins (2003), descreve “que métodos de custeio significam apropriação


de Custos.” Existem diversos métodos para se apropriar dos custos
como custeio por absorção, custeio variável, custeio padrão, ABC, entre
outros
P= (Custos + Serviços + Despesas +
Contingências + Lucro)
P= (Custos + Serviços + Despesas +
Contingências + Lucro)

Os custos são definidos pelos elementos da contabilidade,


baseados em escrituração regular (contábil)
e apoiada por elementos de suporte (planilhas,
rateios, cálculos, controles) utilizados para identificar,
mensurar e informar os custos das vendas de produtos,
mercadorias e serviços

Lembrando.... soma dos custos diretos e indiretos;


Custos por departamento; processo ou ordem de produção;
custo padrão;
P= (Custos + Serviços + Despesas +
Contingências + Lucro)

As despesas, apesar de não serem registradas,


habitualmente, como custos contábeis, precisam ser
mensuradas e acrescentadas à planilha de custos,
para a correta formação do preço, pois se tratam
de encargos necessários e que devem ser
remunerados pelas vendas

Variáveis: frete, comissão, encargos financeiros ...


P= (Custos + Serviços + Despesas +
Contingências + Lucro)

O lucro pode ser fixado por produto,


por hora de serviço ou atividade,
ou ainda em termos de percentual sobre as vendas
Para definir o preço de venda de um produto e/ou serviço,
deve-se considerar: os aspectos mercadológicos (externo) e
financeiros (interno).
O preço de venda deve ser competitivo, ou seja, considerar
o valor praticado pela concorrência.

Podem influenciar: marca, tempo de mercado, volume de


vendas já conquistado e agressividade da concorrência.
O preço de venda deve cobrir o custo direto da mercadoria/
produto/serviço vendido, as despesas variáveis (por exemplo,
comissões de vendedores), as despesas fixas (como aluguel,
luz, telefone, internet, salários). O saldo, será o lucro líquido.
E se o preço da concorrência for menor?

Deve-se reavaliar a viabilidade da produção. Ou seja, deve-se


diminuir custos diretos, despesas fixas ou diminuir o lucro.
Definir um preço de venda depende do equilíbrio entre o preço de
mercado e o valor calculado.

“O ponto de equilíbrio é determinado através do procedimento


gráfico ou aritmético, e surge da conjugação dos custos
despesas totais com as receitas totais”. (Silva, 2008)
Deve ser analisada para a empresa como um todo, e
ponderar as margens de cada linha de produção.

O procedimento é se calcular o Ponto de Equilíbrio para


cada produto, desde que haja custos fixos perfeitamente
identificados para cada um deles.

Tomando o exemplo de uma industria de camisetas que


tem a capacidade de produzir e comercializar ate 22.000
peças por mês ao preço de $ 4,50, cuja a síntese da
estrutura de custos é apresentada no quadro abaixo:
Tomando o exemplo de uma indústria de estojos
escolares que tem a capacidade de produzir e
comercializar ate 22.000 peças por mês ao preço de $
4,50, cuja a síntese da estrutura de custos é apresentada
no quadro abaixo:
O demonstrativo de resultado para um volume de vendas
de 22.000 peças segue na tabela abaixo:
Aplicando a formula para o cálculo do ponto de equilíbrio
conforme quadro 1 temos:

Ponto de equilíbrio operacional = 9.012


(volume mínimo de vendas mensal que a empresa deve
atingir para poder cobrir todos os seus custos).
Lucro, só acima do nível mínimo.

Considerando que o valor de capacidade máxima de


produção e vendas é de 22.000 peças, temos um caso
com boa margem de segurança operacional (22.000 –
9.012) que é igual a 12.988. Assim, a definição da meta
de vendas deve ficar entre 9.012 e 22.000, considerando
o valor de lucro liquido que pode ser relacionado com
meta pelo calculo de alavancagem operacional conforme
veremos no próximo tópico, vale ressaltar que essa meta
deve ficar o mais próximo possível do ponto Máximo de
vendas e produção.
Alguns dos principais objetivos do processo de formação de preços:

i) proporcionar a longo prazo o maior lucro possível;


ii) permitir a maximização lucrativa da participação de mercado;
iii) maximizar a capacidade produtiva;
iv) maximizar o capital investido (negócio de modo auto-
sustentado)
Principais fatores associados à formação de preços:

a) Capacidade e disponibilidade de pagar do consumidor;


b) Qualidade do produto em relação ao mercado;
c) Existência de produtos substitutos a preços vantajosos;
d) Demanda esperada do produto;
e) Níveis de produção/venda que se pode operar;
f) Mercado de atuação do produto;
g) Controle de preços por órgãos de Governo;
h) Custos e despesas no processo;
i) Ganhos e perdas de gerir o produto.
A)Custos:
Estimativa / cálculo dos custos acrescida de uma margem de
lucro (por exemplo, aplicando uma porcentagem sobre o
custo);

B)Valor de Mercado :
O preço do produto varia conforme a disposição do
consumidor em pagar mais ou menos pelo produto (variando
por exemplo, o local, a embalagem, a marca, etc);

C)Concorrência:
Nessa metodologia a empresa presta pouca atenção aos seus
custos ou a sua demanda. A concorrência é que determina os
preços a praticar – por oferta (conforme concorrência). Ou, por
proposta (empresa faz um julgamento sobre a concorrência).
Rentabilidade (ROI)

Diferenciação custo

Participação no Mercado (MS)


Disciplinas de valor:

Líder em produto (atende clientes que preferem empresas que


estão na frente em tecnologia;

Operacionalmente excelente (atende clientes que não


necessitam de produtos avançados, mas querem desempenho
confiável);

Íntima do cliente (atende clientes de imediato e com flexibilidade


às individualidades dos clientes)

Para ter sucesso, um negócio deveria 4 (quatro) regras:


i) ser o melhor em alguma disciplina de valor;
ii) ter desempenho adequado nas outras duas;
iii) investir na manutenção da posição escolhida;
iv) continuar a esforçar-se para ser adequado nas outras
duas disciplinas de valor, uma vez que a concorrência pode elevar as
expectativas do cliente ao que se considera adequado.
Conversão do benefício
em oferta, num versão
básica do produto.

Benefício núcleo: serviço ou benefício


fundamental que o consumidor está
comprando
Desenvolvimento da Proposta de valor:
A) Posicionamento Amplo
B) Posicionamento Específico
C) Posicionamento de valor
D) Desenvolva uma proposta de valor

Construção da Marca:
A) Nome
B) Associações e promessas fortes para o nome
C) Administrar contatos dos clientes com a marca (atender ou
superar as expectativas com a marca)
Aspectos Quantitativos para formação de preços:

a)Preço com base no custo pleno;


b)Preço com base no custo de transformação;
c)Preço com base no custo marginal;
d)Preço com base na taxa de retorno exigida sobre o capital
investido;
e)Preço com base no custo-padrão;
f)Aplicação de mark-ups
Mark-Up; “índice que aplicado sobre os gastos de uma mercadoria
obtém-se o preço de venda.” (Bruni e Famá, 2003)

A taxa de marcação deve representar um multiplicador que


aplicado sobre a base de formação de preços, permite obter o
preço final desejado. Para defini-la, todos os componentes não
incorporados na base devem ser apresentados na forma de
percentuais sobre o preço.
a) Preço com base no custo pleno

A Verde Vale Ltda produz e comercializa arranjos com flores


ornamentais. Os custos com materiais diretos para cada
arranjo é $ 3,40. Os custos com MOD são $ 2,20. Os custos
indiretos são apropriados com 300% da MOD. Despesas
administrativas chegam a $ 1,80. Se a empresa desejar obter
lucro de $1,20 por arranjo, qual deve ser o preço final?
a) Preço com base no custo pleno

A Verde Vale Ltda produz e comercializa arranjos com flores ornamentais. Os


custos com materiais diretos para cada arranjo é $ 3,40. Os custos com
MOD são $ 2,20. Os custos indiretos são apropriados com 300% da MOD.
Despesas administrativas chegam a $ 1,80. Se a empresa desejar obter
lucro de $1,20 por arranjo, qual deve ser o preço final?
Componente Valor ($) Observação
MD 3,40
MOD 2,20
CIF 6,60 ($6,60 = $2,20 * 300%)
Custo Total 12,20 Soma das parcelas
Preço a
Despesas 1,80
praticar:
Gasto Total 14,00 Soma custo e despesa
Lucro Desejado 1,20 $ 15,20
a) Preço com base no custo pleno

E se a Verde Vale Ltda resolvesse vender os arranjos a prazo?


a) Preço com base no custo pleno

E se a Verde Vale Ltda resolvesse vender os arranjos a prazo?

Valor do dinheiro no tempo!


a) Preço com base no custo pleno

E se a Verde Vale Ltda resolvesse vender os arranjos a prazo?

Valor do dinheiro no tempo!

VF = VP * (1 + i )n

Onde: VF: Valor Futuro


VP: Valor Presente
i: taxa de juros (custo de oportunidade dos recursos)
n: número de períodos da capitalização
a) Preço com base no custo pleno

Então, vamos ajudar a Verde Vale Ltda a determinar o valor dos arranjos a prazo.
Supondo que a taxa de juros é igual à taxa de juros (10% a.a.) e os arranjos
poderiam ser pagos em 2 (duas) parcelas.

VF = VP * (1 + i )n

Onde: VF: Valor Futuro = ?


VP: Valor Presente = $ 15,20
i: taxa de juros (custo de oportunidade dos recursos) = 10%
n: número de períodos da capitalização = 2
a) Preço com base no custo pleno

Então, vamos ajudar a Verde Vale Ltda a determinar o valor dos arranjos a prazo.
Supondo que a taxa de juros é igual à taxa de juros (10% a.m.) e os arranjos
poderiam ser pagos em 2 (duas) parcelas.

VF = 15,20 * (1 + 10/100 ) 2

VF = 15,20 * (1 + 0,1 ) 2

VF = 15,20 * (1,1) 2

VF = 15,20 * 1,1 * 1,1

VF = $18,39

cada parcela seria no valor de $9,19


Trabalho para a aula de 26/06/2017:

Exercício 2 da página 257 do Livro “Gestão de Custos e Formação de Preços”


(Bruni e Famá, 2012)..... As lojas amigos do Povo possui um preço de venda a
vista igual a $430,00 para determinado produto. O custo de oportunidade dos
recursos da empresa é iguala 3% a.m. Calcule qual deveria ser o preço cobrado
pela empresa, caso o prazo concedido para pagamento fosse igual a: (a) 30 dias;
(b) 60 dias; (c) 90 dias; (d) 15 dias); (e) 10 dias.

Exercício 6 da página 265 do Livro “Gestão de Custos e Formação de Preços”


(Bruni e Famá, 2012)..... Para montar a fábrica de Tramboleques foram
investidos $ 5.000.000,00 pelos sócios. Os acionistas da empresa estimam que o
retorno anual do investimento deveria ser de , no minimo, 14% a.a.
a)Sabendo que a empresa possui custos de $ 600.000,00 e pretende fabricar
2.000 unidades por ano, qual deveria ser o preço praticado para cada unidade
vendida?
b)Se as características do mercado permitem que seja cobrado um valor unitário
máximo igual a $ 620,00, qual deveria ser o custo máximo da empresa?
Trabalho para a aula de 26/06/2017:

Exercício 1 da página 289 do Livro “Gestão de Custos e Formação de Preços”


(Bruni e Famá, 2012)..... Após trabalhar durante anos como analista financeiro
de um grande banco de investimentos, André Rocha resolveu tornar-se
empreendedor. Surgiu a ideia do Mercado Virtual Ponto com: um supermercado
voltado exclusivamente para entregas em domicílio e com grande atrativo – seus
produtos custariam, pelo menos, um centavo a menos do que os principais
concorrentes existentes na cidade onde pretendia atuar. Além da comodidade de
entrega em domicílio, os clientes contariam com a vantagem da economia.

Segundo Rocha: “Creio que é uma excelente oportunidade de negócio.


Com a evolução da sociedade, creio que as pessoas cada vez mais terão menos
tempo para executar suas tarefas domésticas rotineiras, como fazer compras no
supermercado. Com o Mercado Virtual Ponto Com, os clientes poderão fazer
suas compras pelo telefone ou pela internet. Além disso, como a estrutura da
empresa é bastante enxuta, já que existe apenas virtualmente e a estrutura física
é compacta, possui custos menores. Dessa forma, podemos comercializar
nossos produtos sempre pelo menos um centavo a menos do que a
concorrência.”
Trabalho para a aula de 26/06/2017:

Exercício 1 da página 289 do Livro “Gestão de Custos e Formação de Preços”


(Bruni e Famá, 2012)..... (CONTINUAÇÃO)

Para facilitar o acesso de clientes de renda mais baixa – também incluídos no


mercado potencial da empresa - , seriam impressas e distribuídas listas de
preços dos principais produtos da empresa, comparados com os preços da
concorrência. As listas seriam entregues nas residências dos potenciais clientes
todo mês.

Uma ampla campanha de divulgação inicial foi realizada. Comerciais televisivos e


spots de rádios foram executados durante os primeiros meses. Promoções com
sorteios também foram intensivamente utilizados, porém, o negócio não
conseguiu superar o seu ponto de equilíbrio. Embora diversas vantagens
estivessem sendo oferecidas, os potenciais clientes mostravam-se reticentes em
não utilizar seus serviços. Em palavras de André Rocha:
Trabalho para a aula de 26/06/2017:

Exercício 1 da página 289 do Livro “Gestão de Custos e Formação de Preços”


(Bruni e Famá, 2012)..... (CONTINUAÇÃO)

“Não consigo entender o que está acontecendo. Oferecemos produtos


de excelente qualidade, das melhores marcas e com preços sempre mais baixos
que os da concorrência. Nosso serviço de entrega é muito eficiente – todos os
pedidos são entregues em menos de quatro horas. Não cobramos nada pelo
serviço de frete, mesmo para os bairros mais distantes ou para cidades vizinhas.
Não sei por que os clientes não preferem efetuar compras conosco.”

Após tentar durante 18 meses manter o negócio funcionando, André capitulou.


Suas reservas financeiras exauriram-se.

Pergunta: quais seriam as razões que motivaram a quebra do supermercado?


Lembre-se de que ele oferecia um serviço eficiente, com preços sempre mais
baixos.

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