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Apost. Solos - 2008

Apost. Solos - 2008

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A plasticidade é uma das mais importantes propriedades dos solos, sendo essa
característica pertencente aos solos finos, ou seja, as argilas. Essa propriedade é
associada à umidade dos solos.
A experiência mostrou que, para os solos em cuja textura haja uma certa
porcentagem de fração fina, não basta a granulometria para caracterizá-los sob o
ponto de vista da engenharia, pois suas propriedades plásticas dependem do teor
de umidade, além da forma das partículas e da sua composição química e
mineralógica.

Enquanto que, os solos arenosos são perfeitamente identificáveis por meio de
suas curvas granulométricas. Isto é, areias ou pedregulhos de iguais curvas
granulométricas comportam-se, na prática de forma semelhante.

4.5.1 Plasticidade

A plasticidade é normalmente definida como uma propriedade dos solos, que
consiste na maior ou menor capacidade de serem eles moldados, sob certas
condições de umidade, sem variação de volume. É essa uma propriedade das
argilas, muito útil à cerâmica onde se necessita que o material seja moldado sem
variações de volume.

Em outras ciências da engenharia, o comportamento plástico dos materiais
fundamenta-se nas características tensão-deformação. Assim é que um corpo diz-se
elástico quando recupera a forma e o volume primitivo, ao cessar a ação das forças
externas que o deformava; ao contrário, diz-se plástico quando não recupera seu
estado original ao cessar a ação deformante. Na prática os corpos não
correspondem rigorosamente a nenhum dos tipos citados, posto que todos eles
apresentam uma fase elástica e outra plástica, com predominância em geral de
uma sobre a outra.

4.5.2 Ìndices de consistência (limites de Atterberg)

A CONSISTÊNCIA refere-se ao grau de coesão entre as partículas de solo e a
resistência oferecida às forças que tendem a deformar ou romper a massa de solo.
Portanto é definida como sendo a maior ou menor dureza em que os solos coesivos
são encontrados na natureza. A sua obtenção em laboratório é através do ensaio de
resistência a compressão simples, e a sua obtenção no campo por meio da
resistência à penetração dinâmica (SPT).

Mecânica dos Solos – João Carlos Página 33

Como foi visto no item anterior, o comportamento dos solos com fração fina não
dependem somente da sua granulometria. Portanto, o seu comportamento depende
além da granulometria de outros fatores como: superfície específica, teor de
umidade, estrutura, forma das partículas e composição mineralógica, ou seja estes
solos apresentam um comportamento complexo. Veja, solos que possuem a mesma
porcentagem da fração argila, pode ter comportamentos muito diferentes,
dependendo das características dos minerais presentes.
Todos esses fatores interferem no comportamento do solo, mas o estudo dos
minerais-argilas é muito complexo. À procura de uma forma mais prática de
identificar a influência das partículas argilosas, a engenharia a substituiu por uma
análise indireta, baseada no comportamento do solo na presença de água.
Generalizou-se, para isto, o emprego de ensaios e índices proposto pelo
engenheiro químico Atterberg, pesquisador do comportamento dos solos sob o
aspecto agronômico, adaptado e padronizado pelo Professor de Mecânica dos
Solos Arthur Casagrande.
Os limites se baseiam na construção de que um solo argiloso ocorre com
aspectos bem distintos conforme o seu teor de umidade. Quando o solo está muito
úmido, ele se comporta como um líquido (fluido denso) e se diz no estado líquido;
quando perde parte de sua água, ele endurece e perde sua capacidade de fluir,
porém pode ser moldado facilmente e conservar sua forma, o solo agora se encontra
no estado plástico. E quando mais seco, torna-se quebradiço (se desmancha ao ser
trabalhado), encontram-se nos estados semi-sólido e sólido.
Os teores de umidade correspondentes às mudanças de estado, como se mostra
à figura 4.2, são definidos como: Limite de Liquidez (LL) e Limite de Plasticidade (LP)
dos solos. A diferença entre estes dois limites, que indica a faixa de valores em que o
solo se apresenta plástico, é definida como o Índice de Plasticidade (IP) do solo. Em
condições normais, só são apresentados os valores do LL e do IP como índices de
consistência dos solos. O LP só é empregado para a determinação do IP.

Umidade(%) - crescendo →

Figura 4.2 – Estados físicos

Mecânica dos Solos – João Carlos Página 34

Limite de Liquidez - é definido como o teor de umidade do solo para a qual a
ranhura se fecha com 25 golpes, no ensaio em laboratório pelo aparelho de
Casagrande como ilustrado na figura 4.3. Traça-se o gráfico semilogarítmo por
meio de diversas tentativas realizadas, com o solo em diferentes umidades,
anotando-se o número de golpes para fechar a ranhura, obtendo-se o limite pela
interpolação dos resultados correspondente a 25 golpes. O procedimento de ensaio
é padronizado no Brasil pela ABNT (Método NBR 6459).

Com os valores obtidos (número de golpes para fechar a ranhura feita na
amostra, e as umidades correspondentes) traça-se a linha de escoamento do
material, a qual no intervalo compreendido entre 6 e 35 golpes, pode considerar-se
como uma reta conforme ilustra figura 4.4. Recomenda-se a determinação de, pelo
menos, 5 pontos.

Figura 4.4 – Linha de escoamento do material

Antes do
ensaio

Depois do
ensaio

Figura 4.3 – Ensaio para determinação do limite de liquidez

Mecânica dos Solos – João Carlos Página 35

De acordo com os estudos do Federal Highway Administration (órgão Americano
na área de Estradas), o LL pode também ser determinado, conhecido “um só ponto”,
por meio da fórmula:

A resistência que o solo oferece ao fechamento do sulco, medida pelo número
de golpes requerido, provém da sua “resistência ao cisalhamento” correspondente à
umidade que apresenta.
O limite de liquidez também pode ser determinado pelo método do cone de
penetração
. Este método apresenta algumas vantagens, a saber: o ensaio é fácil de
executar, os resultados não são tão dependentes do julgamento do operador e é
aplicável para uma maior variedade de solos.

Limite de Plasticidade – É definido como o menor teor de umidade com o qual se
consegue moldar um cilindro com 3 mm de diâmetro e cerca de 10 cm e
comprimento, rolando-se o solo com a palma da mão (figura 4.5) sobre uma placa
de vidro fosco. O procedimento é padronizado no Brasil pelo método NBR 7180.
Nota-se que a passagem de um estado para outro ocorre de forma gradual,
com a variação da umidade. A definição dos limites acima descrita é arbitrária
(convencional). Isto não diminui seu valor, pois os resultados são índices
comparativos, e que permitem, de maneira simples e rápida, dar uma idéia bastante
clara do tipo de solo e suas propriedades. A padronização dos ensaios é que é
importante, sendo de fato, praticamente universal e rotineiras nos laboratórios de
Mecânica dos Solos.

LL =

n

h

log

3,
0

419
,
1 −

Onde h é a umidade, em porcentagem,
correspondente a n golpes

Figura 4.5 – Procedimento manual para determinação do limite de
plasticidade. Em b, está fora das condições requisitadas

Mecânica dos Solos – João Carlos Página 36

Índice de Plasticidade - Representa a zona em que o solo se acha no estado plástico,
por ser máximo para as argilas e mínimo, ou melhor, nulo para as areias, fornece um
critério para se ajuizar do caráter argiloso de um solo; assim quanto maior o IP, tanto
mais plástico será o solo. É definido pela diferença entre os limites de liquidez e o de
plasticidade:

Quando um material não tem plasticidade (areia, por exemplo), considera-se o
índice de plasticidade nulo e escreve-se IP =NP (não plástico).
Para uma pequena porcentagem de matéria orgânica eleva o valor o LP, sem
elevar simultaneamente o do LL; tais solos apresentam, pois, baixo valor de IP.
Segundo Jenkins, os solos poderão ser classificados em:

Fracamente plásticos: ................... 1 < IP < 7
Mediamente plásticos: ................... 7 < IP < 15
Altamente plásticos: ...................... IP > 15

4.5.3 Propriedades da fração argilosa dos solos
a) Troca catiônica - As investigações sobre as propriedades das frações muito finas
dos solos mostram que a superfície da partícula sólida possui uma carga elétrica
negativa, cuja intensidade depende primordialmente de suas características
mineralógicas; as atividades físicas e químicas decorrentes dessa carga superficial
constituem a chamada atividade da superfície do mineral.
Portanto, os grãos de argila, pelo menos quando dispersos em água, têm uma
carga elétrica negativa. E como as partículas estão presas entre si no solo, e
impedidas de migrar, movimenta-se a água intersticial (na forma polarizada H+ , OH-),
ou seja, as partículas sólidas atraem seus íons positivos H+ , formando uma película
de água adsorvida (Figura 4.6), além de outros cátions adsorvidos como, por
exemplo, dos mais comuns: Na+, K+ e Ca++. A natureza desses cátions determina
muitas propriedades das argilas. As argilas têm a propriedade de trocar os íons
adsorvidos.

Obs.: Nas argilas para tijolos,
são indicados os seguintes
valores de plasticidade:
LL= 42; LP = 21; IP = 21

IP =LL-LP

Figura 4.6 – Partícula de argila

Mecânica dos Solos – João Carlos Página 37

b) Atividade das Argilas - Os índices de Atterberg indicam a influência dos finos
argilosos no comportamento do solo. Certos solos com teores elevados de argila
podem apresentar índices mais baixos do que aqueles com pequenos teores de
argila. Isto pode ocorrer porque a composição mineralógica dos argilo-minerais é
bastante variável. Pequenos teores de argila e altos índices de consistência indicam
que a argila é muito ativa (no popular é uma argila gorda). Dos três grupos mais
comuns de minerais argílicos, as caolinitas são as menos ativas e as montmorilonitas
as mais ativas.

Solos de mesma procedência, com o mesmo mineral-argila, mas com diferentes
teores de argila, apresentarão índices diferentes, tanto maiores quanto maior o teor
de argila, numa razão aproximadamente constante. Quando se quer ter uma idéia
sobre a atividade da fração argila, os índices devem ser comparados com a fração
argila presente. Segundo Skempton, é isto que mostra o índice de atividade de uma
argila, e que pode ser definido pela relação:

A argila presente num solo é considerada normal quando seu índice de
atividade se situa entre 0,75 e 1,25. Quando o índice é menor que 0,75 considera-se
como inativa e, quando o índice é maior que 1,25, ela é considerada ativa.
Este índice pode servir, então, como indicação da maior ou menor influência das
propriedades mineralógicas e químico-coloidal, da fração argila, nas propriedades
geotécnicas de um solo argiloso. É um índice que tem grande valor na
caracterização dos solos para fins de engenharia.

c) Coesão - De uma forma intuitiva, a coesão é aquela resistência que a fração
argilosa empresta ao solo, pela qual ele se torna capaz de se manter coeso, em
forma de torrões ou blocos, ou pode ser cortados em forma diversas e manter essa
forma. De uma forma geral, poder-se-ia definir coesão como a resistência ao
cisalhamento de um solo quando, sobre ele, não atua pressão externa alguma.

Índice de Atividade (IA) =

)

002
,
0

(%

arg

mm

ila

fração

IP

<

Mecânica dos Solos – João Carlos Página 38

4.5.4 Índice de consistência (IC)

É a medida de consistência de um solo em função do seu teor de umidade

natural.

A consistência das argilas pode ser quantificada por meio de um ensaio de
compressão simples, que consiste na ruptura por compressão de um corpo de prova
de argila, geralmente cilíndrico. A carga que leva o corpo de prova à ruptura,
dividida pela área deste corpo é denominada resistência à compressão simples da
argila (a expressão “simples” expressa que o corpo não é confinado), conforme ilustra
a figura. 4.7.

Em função do índice de consistência e da resistência à compressão simples, a
consistência das argilas é expressa pelos termos apresentados na tabela 4.2.

Consistência

Índice de
consistência (IC)

Resistência a compressão simples
(Kg/cm2)

muito mole

IC < 0

R < 0,25

mole

0 a 0,50

0,25 a 0,50

média

0,50 a 0,75

0,50 a 1,00

rija

0,75 a 1,00

1 a 4,00

dura

IC > 1,00

R > 4,00

Tabela 4.2– Consistência em função da resistência a compressão simples e do
índice de consistência

4.5.5 Emprego dos índices de consistência

Os índices de consistência têm se mostrado muito útil para a identificação dos
solos e sua classificação. Desta forma, com o seu conhecimento, pode-se prever

IC =

IP

h

LL −

Figura 4.7– Resistência a compressão simples de uma
amostra indeformada.

Mecânica dos Solos – João Carlos Página 39

muito do comportamento do solo, sob o ponto de vista da engenharia. Uma primeira
correlação foi apresentada por Terzaghi, resultante da observação de que os solos
são tanto mais compressíveis (sujeito a recalques) quanto maior for o seu LL. Tendo-se
a compressibilidade expressa pelo índice de compressão (Cc), estabeleceu-se a
seguinte correlação:

De maneira análoga, diversas correlações empíricas vêm sendo apresentadas,
muitas vezes com uso restrito para solos de uma determinada região ou de uma certa
formação geológica.

Portanto, a granulometria, o limite de liquidez e o índice de plasticidade são as
propriedades índices”, capazes de identificar qualquer solo quanto ao seu
comportamento como material de construção. Evidentemente, suas propriedades
tecnológicas irão depender, ainda, do estado em que tais materiais se encontram na
natureza, isto é, em estado mais fofo ou mais compacto, ou mais mole ou mais duro.

Cc – Índice de compressão
LL – Limite de liquidez

Cc = 0,009 (LL – 10)

Mecânica dos Solos – João Carlos Página 40

E X E R C I C I O S – sala deaula

01) Na determinação do LL de um determinado solo, obteve-se os seguintes valores:

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