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Anáfora e Catáfora

Anáfora e Catáfora

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Published by: Fernanda Morais on Aug 08, 2013
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Anáfora Fala-se de anáfora quando a interpretação de uma expressão (habitualmente designada por termo anafórico) depende da interpretação de uma

outra expressão presente no contexto verbal (o termo antecedente). Mais concretamente, a expressão referencialmente não autónoma (o termo anafórico) retoma, total ou parcialmente, o valor referencial do antecedente. Há casos de anáfora em que o termo anafórico e o antecedente são co-referentes (isto é, designam a mesma entidade, como os exemplos 1 e 2 ilustram), mas há também casos de anáfora sem co-referência (ex.3).

Ex 1) O João está doente. Vi-o na semana passada. Aqui, o pronome pessoal o é o termo anafórico, referencialmente dependente, que retoma o valor referencial do grupo nominal o João. Ex 2) A Ana comprou um cão. O animal já conhece todos os cantos da casa. Aqui, o termo anafórico é o grupo nominal o animal, que retoma o valor referencial do antecedente o cão. É a relação de hiponímia/hiperonímia entre cão e animal que suporta a co-referência. Ex 3) A sala de aulas está degradada. As carteiras estão todas riscadas. Aqui, a interpretação referencial do grupo nominal as carteiras depende da sua relação anafórica com o grupo nominal a sala de aulas. Entre os lexemas em causa, há uma relação parte-todo (ver meronímia e holonímia) que sustenta a relação anafórica. Ex 4) O João faz 18 anos no dia 2 de Julho de 2001. No dia seguinte parte para uma grande viagem pela Europa. Aqui, exemplifica-se um caso de anáfora temporal. O valor referencial da locução adverbial no dia seguinte constrói-se a partir da interpretação do termo antecedente, a expressão temporal no dia 2 de Julho de 2001. Assim, o dia seguinte designa o dia 3 de Julho de 2001.

1.1.2.

Catáfora

Numa cadeia de referência, a expressão que estabelece o referente pode ocorrer no discurso subsequente àquele em que surgem as expressões referencialmente dependentes habitualmente designadas por termos anafóricos (anáfora). Quando a cadeia de referência exibe esta ordenação linear, o termo catáfora substitui o termo anáfora. No fragmento textual "A irmã olhou-o e disse: - João, estás com um ar cansado", o pronome pessoal o é uma expressão referencialmente não autónoma, cujo valor depende da

3. podem identificar a mesma entidade. extraída da obra de Autran Dourado: “A praia deserta. Observe que após o vocábulo “ninguém”. podemos identificar facilmente a ausência do verbo haver (No fim da festa haviam. ninguém àquela hora na rua”. No texto "O Rui foi trabalhar para África. Veja esta outra sentença: “No fim da festa. sem que nenhuma delas funcione como termo anafórico. “A tarde talvez fosse azul.1. Elipse Na frase "O Rui caiu e fracturou uma perna". mas esse sujeito continua a ser interpretado anaforicamente. Elipse Leia a seguinte afirmação. não houvesse tantos desejos” (Carlos Drummond de Andrade) – elipse da conjunção “se”. antes de “não”. o marido da Ana conseguiu concretizar o seu sonho". está implícito o verbo estava. neste caso. sem que nenhuma delas seja referencialmente dependente da outra. Ele não aparece na afirmação.4. Nesta frase. sobre as mesas. Naturalmente. verifica-se a elipse do sujeito da segunda oração. por retoma do valor referencial do antecedente „O Rui‟. podemos afirmar que. copos e garrafas vazias).interpretação de uma expressão presente no contexto discursivo subsequente. só informação de carácter extralinguístico permite afirmar se há ou não co-referência entre as duas expressões nominais. copos e garrafas vazias”. em que o termo anafórico precede o antecedente. nenhum sinal de vida” – elipse da expressão “não havia”. Portanto. Finalmente. então. sobre as mesas.1. . de co-referência não anafórica. 1. também ocorreu elipse do verbo haver. Catáfora designa este tipo particular de anáfora. 1. as expressões „O Rui‟ e „o marido da Ana‟ podem ser co -referentes. o nome próprio João. ou seja. Elipse é a figura de linguagem que consiste em omitir um termo da frase que não foi enunciado anteriormente na frase. Co-referência não anafórica Duas ou mais expressões linguísticas podem identificar o mesmo referente. Por isso dizemos que aqui ocorreu elipse do verbo estava. Outros exemplos: “Na casa vazia. mas podemos notar sua ausência pelo contexto. Fala-se. mas podemos facilmente identificá-lo pelo contexto.

quando alguém serve chá pode perguntar "com ou sem açúcar?" . mais ou menos extensos. "Na sala. Exemplos  "No mar. . o próprio contexto serve para esclarecer o seu sentido. Preferiu não entrar. Pompéia) João estava com pressa. João. elipse é a exclusão.    Zeugma Zeugma é uma forma particular de elipse em que a expressão subentendida já foi mencionada anteriormente:   "O colégio compareceu fardado. dando origem a vazios narrativos.Elipse é a supressão de uma palavra facilmente subentendida. A elipse é um processo fundamental da técnica narrativa. de casaca. (Ele. de determinados acontecimentos diegéticos. a diretoria. pois nenhum narrador pode relatar com estrita fidelidade todos os pormenores da diegese. ainda que seja óbvia a intenção do autor. pelo narrador." (R. tanta tormenta e tanto dano. (Quanta maldade há na Terra) Na oralidade.ainda que a frase não explicite que se está a referir ao chá." (em "Os Lusíadas" de Camões) onde se omite o verbo "haver". preferiu não entrar) Elipse narrativa Em narrativa. Consiste da omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto ou por elementos gramaticais presentes na frase com a intenção de tornar o texto mais conciso e elegante. apenas quatro ou cinco convidados" (Machado de Assis) Quanta maldade na Terra.

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