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ANÁLISE DA SEGURANÇA DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE DE ANTENAS CELULARES

ANÁLISE DA SEGURANÇA DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE DE ANTENAS CELULARES

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CRISTOVAM ALBANO DA SILVA JÚNIOR

ANÁLISE DA SEGURANÇA DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE DE ANTENAS CELULARES, PARA MONTADORES DE SISTEMAS IRRADIANTES NO TOPO DE TORRES OU POSTES, EM ESTAÇÕES COMPARTILHADAS

CUIABÁ - MT

UNIVERSIDADE EDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ANÁLISE DA SEGURANÇA DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE DE ANTENAS CELULARES, PARA MONTADORES DE SISTEMAS IRRADIANTES NO TOPO DE TORRES OU POSTES, EM ESTAÇÕES COMPARTILHADAS

CRISTOVAM ALBANO DA SILVA JÚNIOR

ORIENTADOR: Prof. José Antonio Lambert, Dr.

CUIABÁ MATO GROSSO – BRASIL 2004

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ANÁLISE DA SEGURANÇA DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE DE ANTENAS CELULARES, PARA MONTADORES DE SISTEMAS IRRADIANTES NO TOPO DE TORRES OU POSTES, EM ESTAÇÕES COMPARTILHADAS

MONOGRAFIA

SUBMETIDA

À

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE ESPECIALISTA EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ORIENTADOR: Prof. José Antonio Lambert, Dr.

CUIABÁ MATO GROSSO – BRASIL 2004

DEDICATÓRIA

A dedicação deste trabalho sem dúvidas é para as mulheres de minha vida: primeiro minha Mãe, Elzita, que sempre me

incentivou, e com certeza me iniciou nos estudos. A minha Esposa, Marli, incansável companheira, que junto a mim sonhou ver este trabalho terminado. A minha Tia

Teolinda, que sempre acreditou no meu potencial. E a minha Sobrinha Inessa, que é uma das razões do meu viver. Mas há ainda o meu Pai, também Cristovam, de quem com certeza herdei o gosto e a curiosidade pelo conhecimento científico.

AGRADECIMENTOS

À DEUS por ter colocado pessoas especiais em minha vida, para que através delas pudesse me ajudar.

Ao Professor orientador José Antonio Lambert, pela extrema paciência, e demonstração de amizade, durante o período de orientação.

À Professora Denise, coordenadora do curso, e ao Professor Walter Milomen, por terem gentilmente aceito ao convite de participarem da banca avaliadora deste trabalho.

À amiga Elizete, que sempre adota aos alunos da FAET como filhos.

Aos colegas da Brasil Telecom, Samuel, Antonio Marcos, Max, Elaine, Alexandre, Claudionel, que muito ajudaram no desenvolvimento deste trabalho, seja com fotos, dados, ou simples apoio, acho que agora poderão junto comigo dizer “até que enfim”.

A toda minha família, especialmente a minha Avó Arlinda Gomes da Silva, matriarca dos Albanos e dos Gomes, pessoa que é referência e exemplo não só para nossa família, mas para muitas outras. Não menos especial, à minha irmã Cristiene, meu cunhado Marcos, e primo Márcio, que de alguma forma contribuíram também no andamento do trabalho.

Ao Casal Sildemar e Simoni, que pela amizade acompanharam, mesmo que de longe, os passos deste trabalho, incentivando sempre.

Ao Professor Romildo, que primeiro me orientou, e plantou a semente deste trabalho, colaborando com a idéia.

SUMÁRIO

GLOSSÁRIO ............................................................................................................................ i LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................. iii LISTA DE TABELAS ............................................................................................................. iv RESUMO ................................................................................................................................ v ABSTRACT ............................................................................................................................ vi 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 1 1.1 – PROBLEMÁTICA .................................................................................................... 2 1.2 – JUSTIFICATIVA ...................................................................................................... 3 1.3 – OBJETIVOS .............................................................................................................. 4 1.3.1 – Objetivo Geral .................................................................................................... 4 1.3.2 – Objetivo Específico ............................................................................................ 4 2 – REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................ 5 2.1 – HISTÓRIA DAS TELECOMUNICAÇÕES ............................................................. 5 2.2 – HISTÓRIA DAS COMUNICAÇÕES MÓVEIS ...................................................... 6 2.3 – CENÁRIO ATUAL DAS COMUNICAÇÕES MÓVEIS......................................... 8 2.4 – ONDAS ELETROMAGNÉTICAS ......................................................................... 10 2.4.1 – Conceito ............................................................................................................ 10 2.4.2 – Radiação Não Ionizante .................................................................................... 11 2.4.3 – Grandezas e Unidades Relativas a Ondas Eletromagnéticas ............................ 14 2.4.4 – Relação Watt x dBm ......................................................................................... 16 2.5 – ANTENAS............................................................................................................... 17 2.5.1 – Princípio de radiação ........................................................................................ 18 2.5.2 – Diagrama de Radiação ...................................................................................... 20 2.5.3 – Relação Frente-Costa e Ganho de Antenas ...................................................... 22 2.6 – O SISTEMA MÓVEL GSM ................................................................................... 23 2.6.1 – Componentes de um Sistema GSM .................................................................. 23 2.6.2 – Instalação de uma BTS ..................................................................................... 25 2.7 – EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS DO EFEITO DA RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA .......................................................................................... 28 2.7.1 – Efeitos Térmicos ............................................................................................... 29 2.7.2 – Efeitos não Térmicos ........................................................................................ 29 2.8 – DOSIMETRIA......................................................................................................... 30 2.9 – RESOLUÇÃO 303/02 DA ANATEL ..................................................................... 31 2.9.1 – Limites de Exposição Estabelecidos pela Resolução 303/02 ........................... 32 2.9.2 – Cálculo da Distância para Atendimento aos Limites de Exposição ................. 35 3 – METODOLOGIA ............................................................................................................ 38

3.1 – TIPO DE ESTUDO ................................................................................................. 38 3.2 – LOCAL DO ESTUDO ............................................................................................ 38 3.3 – POPULAÇÃO ESTUDADA ................................................................................... 39 3.4 – COLETA DE DADOS ............................................................................................ 40 4 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ................................................................ 41 4.1 – DADOS DAS ESTAÇÕES ESTUDADAS ............................................................ 41 4.2 – CÁLCULO DAS DISTÂNCIAS............................................................................. 44 4.3 – ANÁLISE DAS ESTAÇÕES .................................................................................. 49 5 – CONCLUSÃO ................................................................................................................. 55 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................................... 57 ANEXO I – RESOLUÇÃO Nº 303 – ANATEL .................................................................... 59 ANEXO II – LICENÇA PARA FUNCIONAMENTO DE ESTAÇÃO .................................. 84

i

GLOSSÁRIO

AMPS ANATEL B CCC CDMA CEMRF

– Advanced Mobile Phone System – Agência Nacional de Telecomunicações – Campo magnético, em T – Central de controle e comutação – Code Division Multiple Access – Campos elétricos, magnético e eletromagnéticos, na faixa de radiofreqüências entre 9KHz e 300GHz.

D dB

– Diretividade a antena – Decibel (Unidade de ganho de potência, relação linear entre um sinal de entrada e um sinal de saída, na mesma unidade de potência)

dBi dBm

– Ganho de uma antena, em relação a uma antena isotrópica – Unidade de potência que indica a quantidade de decibéis acima ou abaixo de 1mW

E ERP EiRP

– Campo elétrico, em V/m – Potência efetiva irradiada na direção de maior ganho da antena, em Watt – Potência equivalente isotropicamente irradiada na direção de maior ganho da antena, em Watt

EMBRATEL – Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A ERB f FAQ FDA GSM H Hz ICNIRP IEGMP mW – Estação Rádio Base – Freqüência, em Hz (também KHz, MHz e GHz) – Frequent Asked Question (Perguntas Mais Frequentes) – Food and Drug Administration – Global System for Mobile communication – Densidade de fluxo magnético, em A/m – Hertz (unidade de freqüência) – International Commission of Non-Ionizing Radiation Protection – Independent Expert Group on Mobile Phone – Miliwatt

ii OMS RF RFC RFS RMS Rooftop S SAR Site SMC SMP – Organização Mundial da Saúde – Rádio Freqüência – Relação Frente Costa – Radio Frequency Systems (fabricante de antenas e equipamentos de RF) – Valor eficaz – Tipo de instalação, onde a BTS é colocada no topo de um edifício – Densidade de potência, em W/m² – Specific energy Absortion Rate (Taxa de Absorção Específica de Energia) – Termo utilizado para designar uma estação – Serviço Móvel Celular – Serviço Móvel Pessoal

TELEBRÁS – Telecomunicações Brasileiras S/A TDMA TRX W WHO λ η σ ρ – Time Division Multiple Access – Rádio Transceptor – Watt (unidade de potência) – World Health Organization (OMS) – Comprimento de onda – Eficiência da antena – Condutividade, em Siemens/m – Densidade dos tecidos humanos, em Kg/m³

iii

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 – Propagação da onda eletromagnética ............................................ 11 Figura 2.2 – Espectro de Freqüência e comprimento de ondas eletromagnéticas ........................................................................... 12 Figura 2.3 – Relação Watt x dBm ..................................................................... 17 Figura 2.4 – Fluxo de energia em uma antena dipolo ........................................ 19 Figura 2.5 – Diagrama de radiação vertical de uma antena típica GSM ........... 20 Figura 2.6 – Diagrama de radiação horizontal de uma antena típica GSM ....... 21 Figura 2.7 – Definição de ângulo de abertura em um diagrama de radiação .... 21 Figura 2.8 – Componentes de um sistema GSM ............................................... 24 Figura 2.9 – Visualização interna de uma BTS ................................................. 25 Figura 2.10 – Visualização externa de uma BTS indoor ................................... 26 Figura 2.11 – Visualização externa de uma BTS outdoor ................................. 26 Figura 2.12 – Detalhe de conectores de RF interligando cabos dos rádios transceptores aos guias de onda .................................................. 27 Figura 4.1 – Disposição das antenas na torre da estação MT_CBA_001B ....... 50 Figura 4.2 – Disposição das antenas na torre da estação MT_CBA_002C ....... 51 Figura 4.3 – Disposição das antenas na torre da estação MT_CBA_003D ....... 52 Figura 4.4 – Disposição das antenas na torre da estação MT_CBA_004A ....... 53

iv

LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 – Limites para exposição ocupacional e da população em geral a radiação eletromagnética na faixa de freqüência entre 9 KHz e 300 GHz ........................................................................................ 33 Tabela 2.2 – Restrições básicas para exposição de campos eletromagnéticos, na faixa de freqüências entre 9 KHz e 10 GHz ............................ 34 Tabela 2.3 – Expressões para cálculo de distâncias mínimas a antenas de estações transmissoras, para atendimento aos limites de exposição em geral e ocupacional ................................................ 36 Tabela 3.1 – Lista das estações avaliadas da OPERADORA A ........................ 39 Tabela 4.1 – Parâmetros e valores da estação MT_CBA_001B ........................ 42 Tabela 4.2 – Parâmetros e valores da estação MT_CBA_002C ........................ 42 Tabela 4.3 – Parâmetros e valores da estação MT_CBA_003D ....................... 43 Tabela 4.4 – Parâmetros e valores da estação MT_VAZ_004A ....................... 44 Tabela 4.5 – Valores calculados das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_CBA_001B ............................................................... 45 Tabela 4.6 – Valores calculados das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_CBA_002C ............................................................... 46 Tabela 4.7 – Valores calculados das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_CBA_003D .............................................................. 47 Tabela 4.8 – Valores calculados das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_VAZ_004A .............................................................. 48 Tabela 4.9 – Valores de referência de Densidade de Potência, Campo Elétrico e Campo Magnético, na freqüência de 1.835 MHz ...................... 49

v

RESUMO

SILVA JÚNIOR, C. A. Análise da segurança da radiação não ionizante de antenas celulares, para montadores de sistemas irradiantes no topo de torres ou postes, em estações compartilhadas. Cuiabá-MT, 2004. 55p. Monografia (especialização) – Faculdade de Arquitetura e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso

O crescimento do mercado de telefonia móvel, trouxe junto com toda a sua tecnologia, hoje amplamente utilizada, a preocupação do provável relacionamento de suas radiações não ionizantes com efeitos adversos a saúde humana. Neste contexto situa o trabalhador que de diversas formas tem contato com esta tecnologia, e seus prováveis efeitos adversos. Dentre eles o grupo de montadores de sistemas irradiantes no topo de torres e postes, foram eleitos como público alvo deste estudo, pois trabalham geralmente a distâncias muito pequenas das antenas que são fontes desta radiação. Os parâmetros foram retirados da resolução 303/02 da ANATEL, que definiu limites para exposição do público em geral e ocupacional, tendo como base as diretrizes da Comissão Internacional de proteção a Radiação Não Ionizante (ICNIRP – International Commission of Non-Ionizing Radiation Protection). Foram

estudadas 4 (quatro) estações, que se apresentaram em conformidade com a resolução.

Palavras chave: Radiação não ionizante, Segurança do trabalhador, Saúde do trabalhador

vi

ABSTRACT

SILVA JÚNIOR, C. A. Safety analysis of non-ionizing radiation of cellular antennas, to radiating systems mounters on the top of towers and posts, in shared sites. Cuiabá, Mato Grosso, 2004. 51p. Monograph (specialization) – Architecture and Technology Faculty, Federal University of Mato Grosso

The growth of mobile phones market, bring with all your technology, largely used nowadays, the preoccupation of the probable relation of your non-ionizing radiation with some adverse human health effects. On this context there is the worker that on a lot of ways have contact with this technology, and your probable adverse effects. Between this workers, the radiating system mounters group, on the top of towers and posts, had been elect as the public purpose of this study, because they generally work at feel distance of the antennas that are this radiation font. The parameters were given by the 303/02 resolution of ANATEL, that define the limits of general e occupational public exposition, basing this limits on the guide lines of International Commission of Non-Ionizing Radiation Protection – ICINIRP. Four (4) sites were studied, and they were find on the resolution according.

Word keys: Non-ionizing radiation, Worker safety, Worker health

1

1 – INTRODUÇÃO

O crescimento da telefonia tem trazido expectativa de novos postos de trabalho, e isto de fato tem acontecido. Entretanto, o crescimento como se viu nos

primeiros anos deste século XXI, particularmente o crescimento da telefonia celular, tem trazido riscos aos trabalhadores, cuja função é a de providenciar este crescimento, pois as obras têm acontecido num ritmo muito acelerado, e num volume nunca antes experimentado por este segmento.

Alia-se a este súbito crescimento, a constante preocupação das empresas em reduzir os custos de implantação de novos sistemas, ou ampliação e adequação dos sistemas existentes. Tem-se neste caso um fator a mais concorrendo com a segurança dos

trabalhadores que trabalham nesta área.

É neste cenário que o presente trabalho irá trilhar, procurando relacionar o trabalho de montagem de equipamentos em torres para um sistema móvel celular, com o risco de se submeter a níveis desconhecidos de radiação não ionizante proveniente de outros sistemas celulares em funcionamento nesta mesma torre.

Expostos a este risco estão os grupos de montagem de sistemas irradiantes, que são geralmente formados por quatro trabalhadores, sendo 02 (dois) montadores, que trabalham em cima das torres ou postes, fazendo a montagem propriamente dita dos equipamentos, e 02 (dois) auxiliares em baixo da torre ou poste, que fazem a pré montagem ainda no solo, e ajudam na subida dos equipamentos, muitas vezes feita com tração manual. Eventualmente pode existir no grupo a figura de um supervisor, que coordena o trabalho do grupo, ajudando na logística e nos testes de aceitação final da montagem. Esta função é geralmente desempenhada por um montador. Com relação a formação profissional destes trabalhadores, os supervisores podem ser engenheiros ou técnicos de nível médio, os montadores são geralmente técnicos de nível médio ou auxiliares técnicos (técnicos

2 práticos sem formação curricular), enquanto que para a função de auxiliar, não é exigida nenhuma prática especializada no serviço.

1.1 – PROBLEMÁTICA

Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, a planta celular apresentou um crescimento de 529% no período de 1998 a 2003, tendo uma média anual de 105%. A taxa de crescimento após a privatização é de 9% ao ano para a planta celular, enquanto que a planta fixa cresceu a uma taxa de 3% ao ano. Para ilustrar estes números, no 1º semestre de 2003 foram criados 71.811 novos acessos fixos, enquanto foram criados 3.240.000 novos acessos celulares em todo o Brasil.

Em Mato Grosso até o 3º trimestre de 2003 haviam 614.410 celulares habilitados, cerca de 23,17 celulares para cada 100 habitantes. Em Cuiabá, nesta mesma época, haviam 184.217 celulares, enquanto haviam 167.787 telefones fixos.

O serviço móvel tem se tornado cada vez mais personalizado, conquistando e fidelizando cada vez mais o cliente, que já começa a utilizar a telefonia móvel como único meio de comunicação, descartando o uso da telefonia convencional. Neste cenário de competição acirrada, as concessionárias e licenciadas do serviço móvel, têm cada vez mais procurado minimizar os custos de implantação e manutenção do sistema, para poder competir entre si.

Uma das formas encontradas para tal minimização foi o compartilhamento de infraestrutura em estações que abrigam as ERBs1.1, ou seja em uma única estação existem mais de uma operadora compartilhando sistemas de energia, transmissão, segurança, torre, etc.

1.1

ERB – Estação Radio Base (estação transmissora do sinal de telefonia móvel)

3 Daí vem a preocupação com a condição de exposição do trabalhador que participa da montagem dos equipamentos em uma torre onde já se encontram outras ERBs funcionando, uma vez que este trabalhador estará exposto a níveis incertos de radiação, por estar próximo das antenas do outro sistema, por num intervalo de tempo que pode variar de 30 minutos a até 4 horas, que é o tempo necessário para subida e fixação dos equipamentos nas torres.

Esta problemática vem acompanhada de uma dificuldade, que é a quantidade de variáveis, que influenciam diretamente na exposição e absorção de energia irradiada, e que envolvem a questão, tais como tempo de exposição, distância entre trabalhador e a fonte de radiação (antena), potência irradiada por estas antenas, dentre outras.

O presente trabalho busca conhecer a distância segura em que o trabalhador deverá ficar destas antenas, enquanto executa seu trabalho, de acordo com as regras definidas pela resolução número 303 de 02 de julho de 2002, da ANATEL. Sabe-se de ante-mão que esta distância irá variar de acordo com a potência irradiada pelas antenas, juntamente com outros fatores.

1.2 – JUSTIFICATIVA

Com o crescimento do mercado de telefonia móvel, cresceu também a quantidade de empresas prestadoras do serviço. Isto resultou no crescimento do mercado de trabalho para técnicos e engenheiros da área de telecomunicações, que passaram a ter contato com novas tecnologias, envolvendo sistemas de transmissão bastante sofisticados. Mas além de sofisticação e tecnologia, estes sistemas trazem junto a suspeita de que podem desencadear reações adversas a saúde, quando a radiação de seus campos eletromagnéticos ultrapassarem determinados níveis.

Em função disto, alguns organismos mundiais, governamentais e não governamentais, têm se preocupado e procurado, junto com a comunidade acadêmica,

4 elucidar as várias incógnitas que ainda rondam este assunto. Neste sentido a ANATEL, órgão que regula o setor de telecomunicações aqui no Brasil, editou em 2002 uma resolução que veio estabelecer limites para a exposição a radiação não ionizante proveniente dos sistemas de rádio utilizados nos vários serviços prestados pelas concessionárias e licenciadas de telecomunicações.

Esta resolução contém limites estabelecidos para o público em geral, e também para trabalhadores que lidam com estes sistemas no seu dia a dia. E é justamente aí que se baseia este estudo, no atendimento dos limites estabelecidos pela Resolução 303/02 para os trabalhadores, que atuam na implantação de novos sistemas, em torres ou postes que já contenham outros sistemas em funcionamento.

1.3 – OBJETIVOS

1.3.1 – Objetivo Geral

Analisar os níveis de campo eletromagnético segundo a resolução 303/02 da ANATEL, em algumas estações do sistema de telefonia móvel, determinando a distância segura das antenas, para os montadores de sistemas irradiantes no topo das torres ou postes, em estações compartilhadas.

1.3.2 – Objetivo Específico

Verificar a que distância das antenas deverá situar um trabalhador que venha a subir nas torres de algumas estações compartilhadas por operadoras de telefonia celular. Comparar, distância calculada, com a atual distância das demais antenas dos outros sistemas, onde provavelmente possa ocorrer algum tipo de intervenção. Localizar situações em que os trabalhadores estão mais sujeitos ao risco da exposição a radiação não ionizante.

5

2 – REVISÃO DE LITERATURA

2.1 – HISTÓRIA DAS TELECOMUNICAÇÕES

Desde os tempos mais remotos de sua existência, o homem tem a necessidade de se comunicar. Desenvolveu ao longo desta existência, métodos de

comunicação que evoluíram de acordo com a necessidade e tecnologia disponível à época.

De todos os métodos desenvolvidos, um dos mais complexos e de maior popularidade, sem dúvida é o sistema de telefonia, que começou com o invento do telefone em 1876 (na verdade inventado em 1875, mas somente patenteado em 1876) pelo professor Graham Bell e seu ajudante Thomas A. Watson (ANATEL, 1998).

No ano em que foi inventado, o telefone foi parar numa grande exposição de inventos, a Exposição Centenária da Filadélfia nos Estados Unidos, onde apesar de não ter feito sucesso, o aparelho foi apresentado ao imperador D. Pedro II, que apreciou o invento com certo espanto. D. Pedro já conhecia Graham Bell, e seu trabalho como professor de jovens surdos-mudos, e ao chegar para visitar a exposição, rodeado de fotógrafos e repórteres, o inventor aproveitou-se da situação apresentando a D. Pedro seu novo aparelho.

Tal estratégia funcionou, pois a repercussão foi tal que em menos de um ano após o episódio, já estava organizada a primeira companhia telefônica do mundo, a Bell Telephone Company em Boston, nos Estados Unidos (ANATEL, 1998).

A experiência vivida por D. Pedro II o entusiasmou, fazendo com que o telefone fosse trazido para o Brasil no ano seguinte a exposição da Filadélfia. Os primeiros aparelhos foram instalados na cidade do Rio de Janeiro, e dois anos mais tarde, em 1879 foi feita a primeira concessão para instalação de uma rede telefônica no Brasil. A primeira linha interurbana foi instalada em 1883 e ligava a cidade do Rio de Janeiro a Petrópolis.

6

A novidade logo se espalhou pelo Brasil, e outras concessões foram criadas para outros estados, contemplando as cidades de São Paulo, Campinas, Florianópolis, Ouro Preto, Curitiba e Fortaleza. Em 1889, as estatísticas apontavam um número de 160 mil telefones instalados em todo Brasil, e em 1890 foi construída a primeira rede interurbana entre Rio de Janeiro e São Paulo (ANATEL, 1998).

No início do século XX, foi criada a CTB, Companhia Telefônica Brasileira que integrou várias companhias existentes, fazendo a interligação destas, via rede interurbana, e instalando as primeiras centrais telefônicas automáticas no Brasil. Em 1935 foi instalado o primeiro telefone público numa galeria no centro do Rio de Janeiro, que também evoluíram até chegar nos orelhões (baias em forma de concha) como são conhecidos hoje em dia.

A demanda dos serviços telefônicos no Brasil foi aumentando e com ela houve também o crescimento da Companhia Telefônica Brasileira, que foi estatizada em 1966, logo após a criação da EMBRATEL, Empresa Brasileira de Telecomunicações, em 1965.

Em 1972 foi criada a TELEBRÁS – Telecomunicações Brasileira S/A e as concessionárias estaduais, que ficaram responsáveis pelo desenvolvimento e ampliação coordenada do setor de telecomunicações no Brasil.

2.2 – HISTÓRIA DAS COMUNICAÇÕES MÓVEIS

O sistema móvel celular foi idealizado pela empresa americana AT&T, através de sua subsidiária de pesquisas a Bell Labs em 1947, mas somente em 1970 é que a própria AT&T propôs a construção de um sistema telefônico celular de alta capacidade. Este sistema ficou conhecido com AMPS2.1, mas somente em 13 de outubro de 1983,
2.1

AMPS – Advanced Mobile Phone Service (Serviço de Telefonia Móvel Avançado)

7 entrou em operação comercial nos Estados Unidos, na cidade de Chicago. No entanto a empresa japonesa NTT2.2 colocou em operação em 1979 um sistema semelhante ao AMPS, se antecipando a AT&T (ALCATEL, 2004)

Na

Europa

outros

sistemas,

como

o

NMT

Nordic

Mobile

Telecommunications (Telecomunicações Nórdicas Móveis), o TACS – Total Access Communication System (Sistema de Comunicação de Acesso Total) e outros mais, foram adotados para prover o serviço de comunicação móvel celular, nos diferentes paises deste continente. Estes foram os sistemas dos chamados celulares de primeira geração.

Atualmente os sistemas utilizados são os de segunda geração (ALCATEL, 2004), e permitiram a digitalização dos aparelhos, trazendo com isto uma gama de benefícios, dentre os quais a diminuição fisica dos aparelhos e da potência utilizada na comunicação entre as ERBs2.3 e estes aparelhos. Estes sistemas de segunda geração são TDMA – Time Division Multiple Access (Acessos Múltiplos por Divisão de Tempo), CDMA – Code Division Multiple Access (Acessos Múltiplos por Divisão de Código) e GSM – Global System for Mobile Communication (Sistema Global para Comunicação Móvel).

No Brasil, mais uma vez, foi a cidade do Rio de Janeiro a primeira a receber a novidade, isto ocorreu em 1990, quando foi implantada uma CCC – Central de Controle e Comutação e ERBs do sistema AMPS para 10 mil linhas celulares.

Em Cuiabá o primeiro sistema de comunicação móvel celular foi implantado em 1995. Na época, as ERBs, por serem poucas, tinham suas antenas posicionadas no topo das torres, que em geral tinham alturas entre 70 e 100m. Isso permitia que houvesse maior cobertura geográfica do sinal emitido pelas antenas e das áreas urbanas.

2.2 2.3

NTT – Nippon Telephone and Telegraph ERB – Estação Radio Base (estação transmissora do sinal de telefonia móvel)

8 2.3 – CENÁRIO ATUAL DAS COMUNICAÇÕES MÓVEIS

Com a popularização do sistema móvel celular, hoje chamado de sistema móvel pessoal – SMP, como meio de comunicação de massa, principalmente em função das linhas pré-pagas que somam mais de 60% do total de linhas existentes no Brasil, e com a abertura de mercado ocorrida em 1998, chegaram em Mato Grosso novas operadoras do serviço. Como conseqüência o número de ERBs2.4 aumentou, tanto em Cuiabá, quanto no interior do estado, ocorrendo também uma maior distribuição das ERBs nas áreas urbanas, ocupando espaços residenciais, escolas, prédios públicos, e chegando até mesmo ao meio rural. Emitindo sinais eletromagnéticos através de seus rádios transceptores, com potência variando entre 1 e 10 Watts, de acordo com área de cobertura, também denominada célula, que esta ERB tem que atuar.

Este crescimento vertiginoso é um fenômeno, que atingiu aos paises mais desenvolvidos, e que ora se estende ao Brasil e particularmente a Cuiabá, ou seja, cada vez mais uma parcela maior da população está em contato com esta tecnologia, o que ainda acarreta outra preocupação, o fato de que o aparelho celular, também chamado estação móvel, transmite o mesmo tipo de onda eletromagnética que as ERBs, e que apesar da potência do sinal destes ser bem inferior, da ordem de 0,1 Watt, tem um agravante que é o fato de estar junto ao corpo do usuário. O que pode acarretar numa maior absorção desta potência.

Por isso organizações e governos internacionais preocupados acerca dos prováveis efeitos das ondas eletromagnéticas quando absorvidos pelo organismo humano, intensificaram suas ações visando, resguardar deste provável e desconhecido risco, tanto os trabalhadores da área de telecomunicações que mantém contato diretos com os equipamentos do sistema móvel celular, quanto a população em geral que usam o sistema ou que habitam nas proximidades das estações.
2.4

ERB – Estação Radio Base (estação transmissora do sinal de telefonia móvel)

9

Enquanto estudos mais aprofundados, procuram trazer resultados mais concretos sobre a interação destas ondas com corpo humano, pois sabe-se que estes efeitos são de longo ou médio prazo, motivo pelo qual ainda não existam estudos mais conclusivos sobre o assunto, organizações como a Comissão Internacional de Proteção a Radiação não ionizante – ICNIRP2.5, baseados nos estudos efetuados pela Organização Mundial da Saúde – OMS, propôs limites para exposição a radiações eletromagnéticas, de trabalhadores e população em geral. Estes limites foram utilizados por vários paises como referência para o assunto.

Aqui no Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, órgão responsável pela regulamentação do setor de telecomunicações, deu seu primeiro passo rumo as ações citadas no parágrafo anterior, em 1999, quando o seu Conselho Diretor decidiu adotar como referência provisória para avaliação da exposição humana a campos eletromagnéticos de radiofreqüência provenientes de estações transmissoras de serviços de telecomunicações, os limites propostos pelas diretrizes da ICNIRP.

Em 02 de julho de 2002, com a aprovação da resolução de número 303 (ver anexo I), a ANATEL passou a regulamentar a Limitação da Exposição a Campo Elétrico, Magnético e Eletromagnético na Faixa de Radiofreqüência entre 9 kHz a 300 GHz, também baseada nas diretrizes do ICINIRP, ditando a obrigatoriedade de averiguação e adequação, de estações sujeitas a esta resolução, indicando métodos de medição e cálculo para esta averiguação e sanções por descumprimento a esta resolução. Desta forma todas as

concessionárias e licenciadas de telecomunicações devem adequar-se a resolução 303/02 até 02 de julho de 2004, prazo final delimitado por esta resolução.

2.5

ICNIRP – International Commission of Non-Ionizing Radiation Protection, comissão internacional independente que conta com a participação de membros da OMS para tratar assuntos relacionados a radiação não ionizante.

10 2.4 – ONDAS ELETROMAGNÉTICAS

2.4.1 – Conceito

Uma onda eletromagnética é a combinação dos campos elétricos e dos campos magnéticos, com a energia igualmente dividida entre estes campos, geralmente irradiada por um elemento chamado antena. Para que ocorra esta irradiação a antena deve estar submetida a uma diferença de potencial que faça com que as cargas elétricas se movimentem nesta antena. Este movimento de cargas elétricas provoca um campo elétrico variável nas suas vizinhanças, que por sua vez, provocará a movimentação de outras cargas elétricas contidas nestas vizinhanças, e assim sucessivamente, causando a chamada propagação (GOMES, 2000).

Segundo GOMES (2000), lembra ainda, que as cargas elétricas em movimento provocam uma corrente elétrica, e que a Física afirma que todo condutor percorrido por uma corrente elétrica cria ao seu redor um campo magnético. As linhas de campo magnético podem, perfeitamente, induzir a circulação de corrente elétrica em outro condutor separado fisicamente daquele causador do campo. A isso chamamos também de propagação.

Por serem ambos causados por cargas elétricas em movimento, é impossível separar a existência dos campos elétricos e magnéticos, o que nos leva a tratar da propagação de ondas chamando-as de eletromagnéticas, pois o campo elétrico e o magnético caminham em conjunto no espaço (figura 2.1).

11

Fonte: GOMES, ALCIDES T. – Telecomunicações: transmissão e recepção AM/FM

Figura 2.1 – Propagação da onda eletromagnética

Há de ressaltar que em uma onda eletromagnética os campos elétrico e magnético são perpendiculares, como na ilustração da figura 2.1, de uma onda eletromagnética com o campo elétrico variando no eixo cartesiano Y, o campo magnético variando no eixo cartesiano X, e direção de propagação no eixo cartesiano Z.

2.4.2 – Radiação Não Ionizante

Para TAVARES (2004) em uma analise dos efeitos da radiação produzida por sistemas móveis celulares, é preciso distinguir a radiação emitida pelos sistemas celulares dos outros tipos de radiação (figura 2.2).

12

Frequência (Hz) 1022 1021 1020 1019 1018 1017 1016 1015 1014 1013 1012 1011 1010 10 9 10 8 10 7 10 6 10 5 10 4 10 3 10 2

Raio Gama

Raio X Ultravioleta Luz Visível Infravermelho

Microondas

Ondas de Rádio

Comprimento de onda (m) 10-14 10-13 10-12 10-11 10-10 10-9 10-8 10-7 10-6 10-5 10-4 10-3 10-2 10-1 1 10 102 103 104 105 106

Figura 2.2 – Espectro de Freqüência e comprimento de ondas eletromagnéticas

A radiação eletromagnética, cujo espectro de freqüências e comprimento de onda está representado na figura 2.2, divide-se em Radiação Não Ionizante e Radiação Ionizante.

Apesar desta divisão não ter um ponto exato no espectro de freqüências, está situada entre os raios ultravioletas e os Raios X. É de suma importância que se saiba com qual tipo de radiação eletromagnética se está lidando, pois cada uma apresenta efeitos diferenciados quando absorvidas pelo corpo humano.

As radiações ionizantes são ondas eletromagnéticas de freqüência muito alta, e portanto comprimento de onda pequeno. Estas ondas têm a particularidade de possuir

13 energia suficiente para quebrar ligações químicas nas moléculas, e “provocar danos no material genético das células, levando potencialmente ao desenvolvimento de câncer e de defeitos congênitos” (TAVARES, 2004). A freqüência de operação dos rádios transceptores das ERBs2.6 celulares é da ordem de 800 MHz para as bandas A e B, ou 900 MHz e 1800 MHz para as bandas C, D e E, todas já em operação no Brasil, logo está situada no limiar das faixas de Ondas de Rádio e Microondas, o que implica em ondas eletromagnéticas do tipo Não Ionizante.

Por tratar-se de radiação não ionizante, as ondas eletromagnéticas dos sistemas de comunicação móvel celular, não apresentam o risco já comprovado para as ondas de radiação ionizante. Entretanto é sabido que tais ondas podem causar outras reações adversas quando absorvidas pelo corpo humano. MOULDER (2004) relatou em suas FAQ2.7 sobre a relação entre a exposição à radiação eletromagnética e a ocorrência de câncer nos seres humanos, que tal exposição quando de forma intensa, pode causar alguns efeitos biológicos danosos como cataratas, queimaduras na pele, queimaduras profundas, exaustão e insolação causada pelo calor excessivo.

Tais efeitos biológicos acontecem principalmente porque a radiação eletromagnética não ionizante pode causar a chamada hipotermia, ou seja, o aumento da temperatura nos tecidos atingidos pela radiação. Os relatos de MOULDER (2004) dizem ainda que os estudos realizados até hoje, tanto os de laboratório com cobaias, quanto os estudos de casos, ainda não foram capazes de relacionar a exposição à radiação eletromagnética não ionizante a algum tipo de câncer.

2.6 2.7

ERB – Estação Radio Base (estação transmissora do sinal de telefonia móvel) FAQ – Frequent Asked Questions (Perguntas Mais Freqüentes)

14 Outra afirmação de MOULDER (2004) é que exceto possivelmente nas proximidades das próprias antenas, a potência produzida pelas ERBs são muito baixas para causar aquecimento. Daí nossa preocupação em avaliar, a exposição dos trabalhadores que fazem a montagem de equipamentos em estações que já abrigam outros equipamentos em funcionamento, pois tais trabalhadores acabam por ficar expostos a radiação de antenas que estão localizadas a pouco mais de metro de distância, podendo absorver quantidades de energia eletromagnética suficiente para causar-lhes os efeitos já conhecidos e até mesmo outros ainda não reconhecidos.

Dos estudos já realizados que foram verificados durante a confecção deste trabalho, nenhum deles abordou de forma direta aos trabalhadores que estão em contato com os equipamentos dos sistemas de comunicação móvel, e que portanto estão expostos a níveis mais intensos que a população em geral.

2.4.3 – Grandezas e Unidades Relativas a Ondas Eletromagnéticas

Como já foi citado anteriormente no item 2.4.1, uma onda eletromagnética consiste de um campo elétrico e um campo magnético, e de acordo com STEWART (2000) no relatório do Grupo Especialista Independente em Telefones Móveis – IEGMP2.8, tem-se que estes campos oscilam entre os seus valores de pico e zero. O tamanho de um campo pode ser indicado tanto pela magnitude do pico, quanto pelo valor médio, mas se o campo for uma função periódica, em que metade do seu período o campo seja positivo, e a outra metade seja negativo, o seu valor médio poderá ser zero. Por isso é mais comum que seja utilizado valores RMS (valores eficazes), que é igual ao valor de pico dividido por 1.4 ( 2)

O campo elétrico (E) é dado em V/m (Volts por metro) e o campo magnético (H) é dado em A/m (Ampere por metro), mas também pode ser expresso pela densidade de

2.8

IEGMP – Independent Expert Group on Mobile Phone, grupo de estudo formado a pedido do governo do Reino Unido para avaliar os estudos e evidências dos efeitos da radiação não ionizante.

15 fluxo magnético (B) dado em T (Tesla) ou em suas sub unidades mT e µT (mili e micro Tesla sucessivamente) usualmente mais utilizadas. A correspondência entre o campo

magnético (H) e a densidade de campo magnético (B) é dada pela Eq. 2.1:
H ( A / m ) = 1,3B( µT )

(equação 2.1)

Se um objeto eletricamente carregado, como um íon, ou uma célula, é exposto a um campo elétrico, este objeto sentirá uma força de magnitude proporcional ao campo. Se for exposto a um campo magnético, este objeto somente sentirá a atuação de uma força, se estiver em movimento dentro deste campo, sendo que a magnitude da força neste caso será proporcional ao campo magnético e a velocidade em que se desloca através do campo.

A densidade de potência (S), que é dada em W/m² (Watt por metro quadrado) é outra grandeza física utilizada para mensurar os campos eletromagnéticos. Pode ser facilmente encontrada suas sub unidades mW/m² e µW/m² (mili e microWatt por metro quadrado sucessivamente).

Outras unidades que são necessárias conhecer, e que estão diretamente ligadas a ondas e campos eletromagnéticos, são freqüência (f), cuja unidade é o Hz (Hertz) e comprimento de onda (λ), cuja unidade é o m (metro) e suas sub unidades mm (milímetro), µm (micrometro), etc.

A freqüência é definida como a quantidade de vezes em que uma onda periódica repete o seu padrão, de zero a zero, ou de pico a pico, em um segundo, enquanto que o comprimento de onda é definido como a distância percorrida por uma onda igualmente periódica, onde um valor instantâneo (como um valor de pico, por exemplo) volte a se repetir. Na prática, calcula-se o comprimento de onda como o valor inverso da freqüência, como pode ser visto na Eq. 2.2.

16

λ=

1 f

(equação 2.2)

2.4.4 – Relação Watt x dBm

A grandeza que expressa a potência dos sinais elétricos é o Watt (W), sendo que uma de suas sub unidades, o miliwatt (mW) é a que mais se adapta às medidas de potência elétrica, realizadas em sistemas de telecomunicações.

BARRADAS (1983) afirma que mesmo o miliwatt é inconveniente como medida de potência em telecomunicações, pois a potência sonora máxima de uma pessoa, pode chegar a ser dez mil vezes maior que a potência sonora mínima dessa mesma pessoa, numa conversação normal. Por este motivo, utilizar uma escala linear para exprimir

valores de potência para os sinais de telecomunicações, torna-se pouco prática.

Face ao exposto utiliza-se, de forma mais comum, o dBm para indicar os valores de potência nos sistemas de telecomunicações. O dBm é o valor de uma potência P qualquer expressa em termos da razão desta potência P e um valor de referência fixo, neste caso um miliwatt.

BARRADAS (1983), mostra que se considerando na expressão da Eq. 2.3,

 Pq   Gq = 10 log P   q −1 

(equação 2.3)

onde Gq é o ganho de um dado sistema de telecomunicações, Pq é a potência em um dado estágio deste sistema e Pq-1 é a potência de referência, 1 mW, como citado anteriormente, tem-se que esta relação passa a ser um valor absoluto de potência, indicando o número de decibéis abaixo ou acima de 1mW.

17

Esta unidade é chamada dBm e a equação passa a ter a forma mostrada na Eq. 2.4: P = 10 log(Pq ) (dBm)

(equação 2.4)

onde Pq é expresso em mW. A figura 2.3 apresenta um ábaco de relação entre potências em Watt e dBm.

Potência 1.000 W 100 W 10 W 1W 100 mW 10 mW 1 mW 100 uW 10 uW 1 uW 100.000 pW 10.000 pW 1.000 pW 100 pW 10 pW 1 pW

dBm + 60 + 50 + 40 + 30 + 20 + 10 0 – 10 – 20 – 30 – 40 – 50 – 60 – 70 – 80 – 90

Figura 2.3 – Relação Watt x dBm

2.5 – ANTENAS

18 2.5.1 – Princípio de radiação

Uma antena, de uma forma simplificada, pode ser descrita como um condutor de tamanho geralmente limitado pelo comprimento de onda a ser irradiado, seus múltiplos e submúltiplos, que ao ser submetido a uma diferença de potencial sofre o deslocamento de cargas elétrica em seu interior, causando assim a ocorrência de campos elétricos e magnéticos simultaneamente, que de acordo com o que foi visto no item 2.4.1, acabam por influenciar a região próxima a estes campos, causando novos deslocamentos de cargas, e assim sucessivamente, permitindo a propagação destes campos, através da matéria ou do vácuo. Segunda a citação de STEWART (2000) no relatório do IEGMP2.9, as propriedades de um campo eletromagnético muda de acordo com a distância da fonte irradiante. Os campos eletromagnéticos são de análise mais simples quando estão a uma distância de alguns poucos comprimentos de onda (λ), a partir desta distância tem a chamada região de campo distante (para a faixa em que trabalham os sistemas móveis celular, esta distância é da ordem de pouco mais de um metro).

Nesta região, uma onda eletromagnética consiste de um campo elétrico (E) e um campo magnético (B) oscilando na mesma fase, ou seja, sem atrasos de um em relação ao outro, e ainda na direção em que a potência da onda está se propagando, isto significa que no ponto em que ocorre o pico do campo elétrico (E), ocorre também o pico do campo magnético (B), e ambas as magnitudes destes campos estão relacionadas com a densidade de potência da onda eletromagnética (S), pelas expressões que seguem na Eq. 2.5 e Eq. 2.6 E = S × 377

(equação 2.5)

B=

S 377

(equação 2.6)

2.9

IEGMP – Independent Expert Group on Mobile Phone, grupo de estudo formado a pedido do governo do Reino Unido para avaliar os estudos e evidências dos efeitos da radiação não ionizante.

19

Para distâncias menores que as de campo distante, tem a chamada região de campo próximo, onde a situação é bem mais complicada de se analisar, pois apesar da quantidade de potência irradiada ser a mesma que a da região de campo distante, tem-se uma quantidade de energia considerável sendo armazenada também nas vizinhanças da antena. Então enquanto há energia sendo irradiada na direção de propagação, há também energia circulando de um lado para outro ao longo da antena. Para facilitar a visualização, veja a figura 2.4.

Fonte: STEWART, William – Independent Expert Group on Mobile Phones: Mobile Phones and Health

Figura 2.4 – Fluxo de energia em uma antena dipolo

Os campos elétricos e magnéticos, na região de campo próximo, ainda permanecem perpendiculares entre si, mas não estão em fase, o que pode acarretar em diferentes valores dos percebidos na região de campo distante. Daí a dificuldade em conseguir definir e equacionar os campos elétricos e magnéticos na região de campo próximo.

20

2.5.2 – Diagrama de Radiação

As antenas não precisam ter a mesma performance de irradiação em todas as direções. A performance irá variar de acordo com o tipo de antena e mesma de acordo com a construção da antena. Para visualizar a performance de irradiação de cada antena, utilizase uma representação em coordenadas polares da intensidade de campo irradiada por uma antena em todas as direções. A esta representação é dado o nome de Diagrama de

Radiação, ou Padrão de Radiação.

Cada tipo de antena apresenta um diagrama de radiação horizontal, e outro vertical. Veja nas figura 2.5 e 2.6 os diagramas de radiação vertical e horizontal, respectivamente, de uma antena típica do sistema móvel GSM2.10.

Fonte: www.rfs-kmp.com.br

Figura 2.5 – Diagrama de radiação vertical de uma antena típica GSM

2.10

GSM – Global System for Mobile communication (Sistema Global para Comunicação Móvel)

21

Fonte: www.rfs-kmp.com.br

Figura 2.6 – Diagrama de radiação horizontal de uma antena típica GSM

Um diagrama de radiação permite saber qual a direção em que a antena irradia mais energia. O parâmetro que define a diretividade de uma antena, é o ângulo de abertura. Este ângulo é definido pelos dois pontos onde o campo máximo cai de 0,707 do seu valor (GOMES, 2000), desta forma quanto mais diretiva for a antena, menor será este ângulo, e por conseqüência mais comprido será o lóbulo que representa a irradiação na direção de maior radiação, veja a figura 2.7.

Figura 2.7 – Definição de ângulo de abertura em um diagrama de radiação

22 2.5.3 – Relação Frente-Costa e Ganho de Antenas

A Relação Frente-Costa, é o parâmetro que define a relação entre a potência irradiada na direção de maior intensidade de campo, e a potência irradiada no sentido contrário a desta direção. Este parâmetro é utilizado para identificar o quanto da potência entregue a antena é irradiado para sua parte posterior. Isto nos ajudará na definição do campo em que o trabalhador fica exposto, quando da montagem de novos equipamentos em estações com outros equipamentos já em funcionamento.

Segundo GOMES (2000) a relação frente-costa é normalmente expressa em dB pela relação dada na Eq. 2.7:

 Pf RFC = 10 log P  c

   

(equação 2.7)

O ganho de uma antena, indica a sua capacidade de direcionar, com a máxima eficiência, a potência recebida dos transmissores, ou seja, é o resultado do produto da eficiência (η) pela diretividade (D), visto na Eq. 2.8.
G =η×D

(equação 2.8)

Onde, a eficiência (η) é dada na Eq. 2.9

η=

Pirradiada Precebida do rádio

(equação 2.9)

e a diretividade (D) é dada na Eq. 2.10

D=

E Eiso

(equação 2.10)

23 Sendo, E o campo irradiado pela antena em uma determinada direção, e Eiso o campo irradiado por uma antena isotrópica que recebesse a mesma potência (GOMES, 2000).

2.6 – O SISTEMA MÓVEL GSM

O sistema móvel GSM2.11 é um sistema de segunda geração, e foi desenvolvido na Europa no final da década de 80 para substituir os vários padrões de sistemas de primeira geração (sistemas analógicos), que existiam naquele continente. O atual sistema instalado no Brasil, é considerado geração 2½, pois já passou por algumas revisões, permitindo oferecer mais serviços (principalmente a transmissão de dados) aos consumidores do já usual serviço de voz (telefonia), e pode trabalhar em duas faixas de freqüências distintas, a de 900 MHz e a de 1800 MHz.

No ano de 2004, o mercado de telefonia móvel se firmou com a exploração dos serviços por 05 grandes empresas, destas somente uma, não optou pelo sistema GSM, como plataforma de atendimento ao Serviço Móvel Pessoal – SMP2.12, o que acarretou num crescimento bastante significativo dos equipamentos GSM instalados em todo território nacional.

2.6.1 – Componentes de um Sistema GSM

Um sistema GSM é composto basicamente pelos seguintes componentes: Mobile Station – MS (estação móvel – aparelho celular); Base Transceiver Station – BTS2.13 (estação rádio base – ERB); Base Station Controller – BSC (Controladora de ERBs); Mobile Switch Centre – MSC (Central de Comutação Celular – CCC).

2.11 2.12

GSM – Global System for Mobile communication (Sistema Global para Comunicação Móvel) Serviço Móvel Pessoal – SMP é o nome designado pela ANATEL à modalidade de exploração do serviço de telefonia celular 2.13 BTS – Base Transceiver Station, é o mesmo que ERB – Estação Radio Base, entretanto o termo BTS é mais utilizado no sistema GSM

24 Na figura 2.8 pode-se visualizar a função e a interconexão entre estes componentes, nesta figura há ainda outros componentes que não fazem parte do sistema GSM. São componentes que permitem a comunicação do sistema GSM com a rede de telefonia convencional, a saber o Gateway – GW (central trânsito) e o Point Signaling Transfer Network – PSTN (rede de sinalização).

Fonte: ALCATEL – Apostila curso sistema GSM (com adaptações)

Figura 2.8 – Componentes de um sistema GSM

A BTS2.14 será um dos focos deste estudo, pois é a parte do sistema que contém os rádios transceptores, e que, por sua vez, estão conectados às antenas, através de cabos e guias de onda. Para ilustração do que seja uma BTS, veja a figura 2.9, que traz a foto de uma BTS, nela os rádios transceptores.
2.14

BTS – Base Transceiver Station, é o mesmo que ERB – Estação Radio Base

25

Figura 2.9 – Visualização interna de uma BTS

2.6.2 – Instalação de uma BTS

A BTS pode ser instada de duas maneiras, abrigada em uma sala climatizada de uma estação (são as chamadas “BTS indoor”, veja figura 2.10), ou em um gabinete tipo armário, especialmente preparado para ser instalado ao tempo (são as chamadas “BTS
outdoor”, veja figura 2.11). As “BTS outdoor”, podem ainda ser instaladas junto a torres

metálicas ou postes, que sustentarão as antenas, ou ainda no topo de um edifício, junto a um pequeno mastro de sustentação das antenas, nestes casos são chamadas de “rooftop”.

26

Figura 2.10 – Visualização externa de uma “BTS indoor”

Figura 2.11– Visualização externa de uma “BTS outdoor”

Nos casos “outdoor”, a instalação é efetuada geralmente em duas etapas, sendo a primeira a instalação física da BTS, ou seja da infraestrutura necessária a fixação, aterramento e alimentação do gabinete, e logo após a segunda etapa, a instalação do sistema

27 irradiante, que consiste na fixação das antenas na torre, poste ou mastro, lançamento e fixação dos cabos ou guias de onda, confecção dos conectores de RF em ambas as extremidades dos cabos ou guias de onda, teste de qualidade dos cabos e conectores, e por fim conexão das antenas, cabos e rádios transceptores para teste e ativação da BTS.

Em 90% do tempo necessário a execução desta segunda etapa, há pelo menos um trabalhador, geralmente trabalham em dupla, no topo da torre ou poste, para fazer o serviço de fixação das antenas e cabo ou guias de onda, e a confecção dos conectores também no topo. Veja na figura 2.12 um exemplo dos conectores são

confeccionados tanto no topo da torre ou poste, quanto junto a BTS, para conexão do rádio transceptores aos guias de onda ou cabos de RF2.15.

Figura 2.12 – Detalhe de conectores de RF interligando cabos dos rádios transceptores aos guias de onda

Mesmo durante os testes de qualidade do cabo, há um trabalhador posto no topo da torre ou poste, pois caso o cabo seja recusado no teste de qualidade, este trabalhador providenciará a troca do conector ou até mesmo o lançamento de um novo cabo, caso seja necessário.
2.15

RF – Rádio Freqüência

28

2.7 – EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS DO EFEITO DA RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA

Os efeitos biológicos da radiação eletromagnética têm sido estudados desde a década de 70, com estudos epidemiológicos analisando os efeitos de radiação na faixa de microondas, sobre a reprodução humana. Entretanto, ainda hoje o assunto é controverso, pois não se tem uma definição, mesmo no meio acadêmico ou médico, sobre a relação entre a exposição à radiação eletromagnética e o surgimento de certos tipos de doenças, como o câncer por exemplo. Assim como não foi comprovada também, que esta exposição não causa danos à saúde.

Envolvido nestas pesquisas, há duas grandes organizações, a Organização mundial da Saúde – OMS, que patrocina um grupo de estudos sobre o assunto, chamado de EMF – Eletromagnetic Fields, desde 1996, e a agência americana que regula alimentação e medicamentos, Food and Drug Administration – FDA. Esta declarou recentemente que não aceita o argumento de que não há comprovação científica de que a exposição à radiação eletromagnética pode causar efeito adverso. Como não se comprovou também que o uso destes equipamentos não apresenta riscos a saúde, cabe, segundo a FDA, empreender significativos esforços de pesquisa para chegar a um diagnóstico mais confiável sobre o assunto (TAVARES, 2004).

Reconhecidamente, os efeitos causados por radiação eletromagnética, podem ser divididos em dois grupos, os efeitos térmicos, e os não térmicos que serão verificados nos itens a seguir.

29

2.7.1 – Efeitos Térmicos

Na faixa de freqüência em que se situam os sistemas móveis, especialmente o sistema GSM, o principal efeito da absorção de energia eletromagnética é o aquecimento dos tecidos expostos a esta radiação, o que pode causar a exaustão e choque térmico, caso este aquecimento chegue ou supere um aumento de 2ºC.

A força produzida por um campo elétrico em objetos carregados eletricamente, como os íons presentes no corpo humano, faz com que eles se movam, resultando em uma corrente elétrica, e a resistência elétrica dos tecidos por onde passa esta corrente, fazem com que ocorra uma dissipação de potência, por efeito Joule (STEWART, 2000).

Estudos realizados com trabalhadores em ambientes termicamente estressantes mostraram que a elevação da temperatura corporal, até níveis próximos a estresse fisiológicos devido ao calor, priora o desempenho de tarefas simples (RANSEY e KWON, 1988 apud TAVARES, 2004). Isto pode agravar se o trabalhador estiver

realizando tarefas em cima de uma torre ou poste, pois aumenta consideravelmente o risco de acidente de trabalho. MOULDER (2004) cita outros efeitos do aquecimento em suas FAQ2.16, tais como cataratas, queimaduras na pele de primeiro e segundo graus, exaustão e insolação por aquecimento.

2.7.2 – Efeitos não Térmicos

Vários

estudos

procuraram

relacionar

a

exposição

à

radiação

eletromagnética a ocorrência de câncer, dores de cabeça, ou mesmo efeitos adversos a

2.16

FAQ – Frequent Asked Questions (Perguntas Mais Freqüentes)

30 reprodução humana, entretanto nenhum deles obteve êxito total, não podendo ser replicados com resultados semelhantes.

Dentre estes estudos, MORGAN et al 2000 apud MOULDER 2004, estudou todas as causas de mortalidade entre os funcionários da Motorola, fabricante de equipamentos de telefonia celular, principalmente as mortes por câncer no cérebro, linfomas e leucemia. Baseados na função de cada empregado, estes foram classificados em grupos de alta, média, baixa e insignificante exposição à radiação eletromagnética. Para os grupos com alta e média exposição à radiação eletromagnética, não houve aumento nos índices de incidência de câncer no cérebro ou linfomas e leucemia. Os picos ou valores médios dos níveis de radiação não são conhecidos, pois como foi dito, este estudo classificou conforme a função dos empregados.

Até mesmo os estudos com cobaias em laboratórios não puderam relacionar a incidência de câncer, ou outros efeitos adversos, a exposição à radiação eletromagnética, de forma convincente, ou mesmo de forma clara, com parâmetros bem definidos.

2.8 – DOSIMETRIA

Os campos eletromagnéticos penetram no corpo com uma extensão que diminui com o aumento da freqüência. Para entender os efeitos que estes campos causam nos tecidos biológicos, a magnitudes destes campos tem que ser determinadas dentro das várias partes do corpo que estão expostas. Isto requer o conhecimento das propriedades elétricas dos diferentes tipos de tecidos, e uma vez que isto esteja determinado, é possível calcular o campo elétrico (E) e magnético (B), em qualquer parte do corpo, causado por uma fonte de radiação qualquer, tal como um aparelho celular.

A taxa em que esta energia é absorvida por uma massa de tecido (m) é chamada de Taxa de Absorção Específica de Energia (SAR – Specific Energy Absortion Rate) e é igual a Eq. 2.11:

31

SAR =

mσE 2

ρ

(equação 2.11)

Onde (σ) e (ρ) são, respectivamente, a condutividade e a densidade do tecido e (E) é o valor rms (eficaz) do campo elétrico. A unidade da SAR é W/Kg. Esta taxa varia de um ponto para outro no corpo, porque o campo elétrico varia de acordo com a posição e porque a condutividade também varia de acordo com o tipo de tecido. A densidade é praticamente a mesma para todos os tipos de tecidos, com exceção ao osso.

Uma vez que os valores aproximados da condutividade, para a freqüência de 900 MHz, e densidade dos tecidos do corpo humano, são 1 S/m e 0,001 Kg/m³, respectivamente, o valor típico de um campo elétrico necessário para produzir uma SAR de 1 W/Kg é por volta de 30 V/m. O valor da condutividade para freqüência de 1800 MHz, é maior, portanto um campo elétrico da ordem de 25 V/m já é suficiente para causar a mesma SAR.

2.9 – RESOLUÇÃO 303/02 DA ANATEL

A Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL regulamentou a limitação da exposição a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos na faixa de radiofreqüências entre 9 KHz e 300 GHz, através de sua resolução de número 303 de 2 de julho de 2002 (ver anexo I). Esta resolução foi baseada nas diretrizes propostas pela ICNIRP2.17, que já tinham sido adotadas pela ANATEL, mas somente regulamentadas com a edição da resolução.

Esta resolução veio suprir a necessidade de estabelecer limites e de definir métodos de avaliação e procedimentos a serem observados quando do licenciamento de estações de radiocomunicação, no que diz respeito à exposição campos elétricos,

2.17

ICNIRP – Comissão Internacional de Proteção a Radiação não ionizante

32 magnéticos e eletromagnéticos de radiofreqüências associados à operação de estações transmissoras de serviços de telecomunicações.

A resolução 303 prevê dois tipos de exposição para controle dos limites, a exposição ocupacional ou exposição controlada, e a exposição pela população em geral ou exposição não controlada. Os limites são mais rígidos para a exposição pela população em geral, pois a resolução parte do princípio que os profissionais que trabalham com equipamentos rádio transmissores são pessoas perfeitamente saudáveis, e que conheçam os riscos a que estão expostos, quando estão desempenhando suas funções, e desta forma podem exercer controle de sua exposição ou permanência no local.

Esta mesma resolução estabelece ainda prazos para verificação e adequação de todas as estações licenciadas para uso pela ANATEL. Exigindo também que toda nova estação que se enquadre nos termos desta resolução deverá apresentar os resultados, medidos ou calculados, dos níveis de radiação que a futura estação emitirá, para que esta seja licenciada.

2.9.1 – Limites de Exposição Estabelecidos pela Resolução 303/02

Conforme visto, a resolução 303/02 da ANATEL veio estabelecer limites para exposição à radiação eletromagnética emitida por equipamentos de sistemas de telecomunicações. Tais limites podem ser descritos em valores de campo elétrico E, campo magnético H, e densidade de potência equivalente a onda plana, e ainda em valores de SAR2.18.

Pode-se observar estes valores limites nas tabelas que se seguem, os valores da tabela 2.1 para campo elétrico E, campo magnético H, e densidade de potência, enquanto os da tabela 2.2, para SAR

2.18

Taxa de Absorção Especifica de energia (Sapecific energy Absortion Rate – SAR)

33
Tabela 2.1 – Limites para exposição ocupacional e da população em geral a radiação eletromagnética na faixa de freqüência entre 9 KHz e 300 GHz. (valores não perturbados)

Faixa de Intensidade de Campo, Intensidade de Campo, E (V/m) H (A/m) radiofreqüências

9 KHz a 65 KHz 0,065 MHz a 1 MHz 1 MHz a 10 MHz 10 MHz a 400 MHz 400 MHz a 2000 MHz 2 GHz a 300 GHz

Densidade de potência da onda plana equivalente Seq (W/m²) Exposição População Exposição População Exposição População ocupacional em geral ocupacional em geral ocupacional em geral 610 87 24,4 5 ----610 610/f 61 3 f½ 137 87 87/f½ 28 1,375f½ 61 1,6/f 1,6/f 0,16 0,008f½ 0,36 0,73/f 0,73/f 0,073 0,0037f½ 0,16 ----10
f/40

----2
f/200

50

10

Fonte: Resolução 303/02 da ANATEL

Na aplicação dos valores da tabela 2.1, devem ser considerados os seguintes aspectos: I. f é o valor da freqüência, cuja unidade deve ser a mesma indicada na coluna da faixa de freqüências. II. Os limites de exposição estabelecidos se referem às médias espacial e temporal das grandezas indicadas. III. Para freqüências entre 100 KHz e 10 GHz, o período de tempo a ser utilizado para cálculo da média temporal é de 6 (seis) minutos. IV. Para freqüências acima de 10 GHz, o período de tempo a ser utilizado para cálculo da média temporal é de 68/f1,05 minutos (f em GHz). V. Para freqüências abaixo de 100 KHz, o conceito de média temporal não se aplica uma vez que, para estas freqüências, os principais efeitos da exposição a campos eletromagnéticos são os estímulos neurológicos instantâneos.

34 VI. Para freqüências superiores a 10 MHz a média dos picos da densidade de potência da onda plana equivalente calculada no intervalo de duração do pulso não deve exceder a 1000 (mil) vezes as restrições de Seq ou a intensidade de campo não deve exceder a 32 (trinta e duas) vezes os níveis de exposição indicados para intensidade de campo. VII. Valores não perturbados são aqueles medidos na ausência de indivíduos potencialmente expostos e sem a introdução de objetos absorvedores ou refletores de campos eletromagnéticos durante o processo de medição.

Tabela 2.2 – Restrições básicas para exposição de campos eletromagnéticos, na faixa de freqüências entre 9 KHz e 10 GHz.

Características de exposição

Exposição ocupacional Exposição da população em geral

Densidade de corrente para cabeça e tronco mA/m² (rms) 9 KHz a 100 KHz f/100 100 KHz a 10 MHz f/100 10 MHz a 10 GHz --9 KHz a 100 KHz f/500 100 KHz a 10 MHz f/500 10 MHz a 10 GHz ---

Faixas de freqüências

SAR média do corpo inteiro W/kg --0,4 0,4 --0,08 0,08

SAR SAR localizada localizada (cabeça e (membros) W/kg troncos) W/kg ----10 20 10 20 ----2 4 2 4

Fonte: Resolução 303/02 da ANATEL

Na aplicação da tabelas 2.2 devem ser considerados os seguintes aspectos: I. f é o valor da freqüência, em hertz II. As densidades de corrente devem ser calculadas pela média tomada sobre uma seção transversal de 1 (um) centimetro quadrado, perpendicular à direção da corrente. III. Para freqüências até 100 KHz, as restrições básicas, em valores de pico da densidade de corrente, podem ser obtidos multiplicando-se o valor eficaz (rms) por 2 . Para emissões de sinais pulsados, com pulsos de duração tp,

a freqüência equivalente a ser usada nas restrições básicas deve ser calculada pela expressão da Eq. 2.12:

35
f =

1 2t p

(equação 2.12)

IV. Todos os valores de SAR devem ter sua média temporal avaliada ao longo de qualquer período de 6 (seis) minutos V. No cálculo de SAR localizada deve ser utilizada uma massa de 10 (dez) gramas de tecido contíguo. O valor máximo de SAR assim obtido deve ser inferior ao valor correspondente na tabela 2.2

Para ambas tabelas, a resolução adverte, que no caso de indivíduos sujeitos a exposição ocupacional, e que não tenham recebido treinamento ou não estejam cientes da sua exposição à radiação eletromagnética, aplicam-se os limites de exposição para população em geral.

2.9.2 – Cálculo da Distância para Atendimento aos Limites de Exposição

Para o cálculo teórico relativo ao campo eletromagnético de uma estação, a ANATEL definiu, através de sua resolução 303/02, que deverão ser utilizados os valores máximos autorizados dos parâmetros de transmissão para aquela estação. Estes parâmetros constam de uma licença para funcionamento emitida pela ANATEL para cada estação, que a concessionária ou licenciada implantar com equipamentos de telecomunicações. A

concessionária ou licenciada deve solicitar o licenciamento da estação informando os parâmetros, quantidade e capacidade dos equipamentos nela instalados. visualizar uma destas licenças no anexo II. É possível

A tabela 2.3 mostra de forma simplificada, expressões para o cálculo de distâncias mínimas das antenas, em que se pode admitir que os limites de exposição à radiação de campo eletromagnético são atendidos. Esta tabela é para efeito de avaliação teórica, e contempla equipamentos operando em freqüência superior a 1MHz.

36
Tabela 2.3 – Expressões para cálculo de distâncias mínimas a antenas de estações transmissoras, para atendimento aos limites de Exposição em Geral e Ocupacional.

Faixa de freqüência
1 MHz a 10 MHz 10 MHz a 400 MHz 400 MHz a 2.000 MHz 2.000 MHz a 300.000 MHz

Exposição em Geral

Exposição Ocupacional

r = 0,10√(eirpxf) r = 0,129√(erpxf) r = 0,0144xfx√(eirp) r = 0,0184xfx√(erp) r = 0,319√(eirp) r = 6,38√(eirp/f) r = 0,143√(eirp) r = 0,409√(erp) r = 8,16√(erp/f) r = 0,184√(erp) r = 0,143√(eirp) r = 2,92√(eirp/f) r = 0,0638√(eirp) r = 0,184√(erp) r = 3,74√(erp/f) r = 0,0819√(erp)

r é a distância mínima da antena, em metros; f é a freqüência, em MHz; erp é a potência efetiva irradiada na direção de maior ganho da antena, em Watt eirp é a potência equivalente isotropicamente irradiada na direção de maior ganho da antena, em Watt
Fonte: Resolução 303/02 da ANATEL

As expressões contidas na tabela 2.3 foram derivadas do modelo de propagação mostrado na Eq. 2.13, utilizado para a região de campo distante:
erp × 1,64 × 2,56 4×π × r 2

S=

(equação 2.13)

ou, ainda da Eq. 2.14, que mostra em função da potência equivalente isotropicamente,

S=

eirp × 2,56 4×π × r 2

(equação 2.14)

onde: S é a densidade de potência, em W/m² erp é a potência efetiva irradiada, em W eirp é a potência equivalente isotropicamente irradiada, em W r é a distância da antena, em m

37 2,56 é o valor do fator de reflexão, que leva em conta a possibilidade de que campos refletidos possam se adicionar em fase ao campo incidente direto.

A resolução 303/02 aborda ainda no seu capítulo IV, os métodos de medição que deverão ser utilizados para aferição dos níveis de campos eletromagnéticos. Face a dificuldade em se conseguir aparelhos de medição devidamente calibrados, este método não será utilizado no presente trabalho, portanto este método não será descrito.

Faz-se necessário enfatizar que a medição dos valores de campo elétrico e/ou magnéticos são situações ideais para se definir o risco a que estarão submetidos os trabalhadores que venham a subir em torres ou postes para o desempenho de suas funções, pois para se calcular estes valores é preciso fazer algumas considerações, como potência de operação dos rádios transceptores, perda no acoplamento dos cabos ou guias de onda, interatividade entre os vários sistemas existentes na torre ou poste, que nem sempre trazem resultados próximos a realidade que será mostrada em uma medição.

38

3 – METODOLOGIA

3.1 – TIPO DE ESTUDO

O trabalho desenvolvido consistiu em um estudo de caso em algumas estações que integram a rede do sistema móvel da grande Cuiabá de uma operadora que será chamada de OPERADORA A. No total foram 4 (quatro), as estações estudadas, onde se procurou definir as distâncias mínimas de segurança, para exposição a irradiação de campos eletromagnéticos provenientes das antenas da rede do sistema GSM desta operadora, aos trabalhadores cuja função seja a montagem, ou até mesmo manutenção corretiva, deste tipo de sistema no topo das torres ou postes.

O estudo consistiu ainda da comparação das distâncias entre as antenas existentes nas torres ou postes, com o intuito de verificar a intensidade dos campos a que serão expostos os trabalhadores que vierem a praticar alguma intervenção nos demais sistemas que compartilham, ou que vierem a compartilhar, a infraestrutura com a OPERADORA A.

3.2 – LOCAL DO ESTUDO

Como já foi citado o estudo ocorreu em 4 (quatro) estações da OPERADOA A, listadas na tabela 3.1.

39

Tabela 3.1 – Lista das estações avaliadas da OPERADORA A
Denominação3.1 Cidade Compartilhamento com operadoras

MT_CBA_001B MT_CBA_002C MT_CBA_003D MT_VAZ_004A

Cuiabá Cuiabá Cuiabá Várzea Grande

OPERADORA B OPERADORA C OPERADORA D OPERADORA D3.2

3.3 – POPULAÇÃO ESTUDADA

A subida em torres ou postes, seja para montagem ou manutenção em sistemas irradiantes, expõe o trabalhador a níveis bem maiores de radiação, do que os trabalhadores que desempenham as suas funções no solo, ou dentro das estações de telecomunicações. Para o presente estudo foram eleitos como público alvo os montadores de sistemas irradiantes em torres ou postes, que devido a fatores econômicos das empresas, têm desempenhado suas funções em estações compartilhadas, onde já existem outros sistemas irradiantes em funcionamento.

Estes trabalhadores são geralmente técnicos de nível médio, e auxiliares técnicos de conhecimento prático sem formação curricular, e trabalham em grupos de 04 (quatro) ou 05 (cinco) trabalhadores, divididos em 02 (dois) auxiliares, 02 (dois) montadores e eventualmente 01 (um) supervisor, que pode ter formação de nível superior na área de engenharia.

Ao contrário das equipes de manutenção, que são mantidas ao longo do período em que o sistema estiver em funcionamento, as equipes de montagem trabalham sob a demanda de crescimento da rede de equipamentos que provêm o serviço de telefonia

3.1 3.2

As denominações aqui utilizadas são ficticias, somente para fazer a distinção entre as estações Esta estação pertence a OPERADORA A, entretanto é feito compartilhamento com a OPERADORA D, as demais pertencem às empresas com quem a OPERADORA A faz compartilhamento.

40 móvel, desta forma é difícil quantificar, e muito mais ainda controlar a quantidade de trabalhadores que estão desempenhando suas funções neste ramo.

Cabe ressaltar, que uma vez montado os equipamentos, dificilmente as equipes de manutenção terão a necessidade de subir nas torres para efetuar alguma manutenção corretiva, uma vez que são os rádios que mais oferecem sensibilidade às adversidades climáticas que afligem os equipamentos de um sistema móvel. Em função do exposto, foram eleitos como público alvo do presente estudo, o grupo dos montadores de sistemas irradiantes.

3.4 – COLETA DE DADOS

Os dados foram coletados junto ao Departamento de Projeto e Implantação de Rede, OPERADORA A. Este departamento é o responsável pela implantação e

ampliação da rede convencional e celular. É ainda responsável pelo licenciamento das estações junto a Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, portanto é um ponto de concentração dos dados necessários ao presente estudo.

Para o cálculo proposto, foram coletados dados dos rádios transceptores, como quantidade de rádios por setor e por BTS, e máxima potência de cada rádio transceptor. Foram coletados também dados sobre as antenas utilizadas em cada estação, como ganho, relação frente-costa, diagrama de radiação, etc (no caso das antenas foi consultado o “site” do fabricante na internet, para coleta de alguns dados, constantes do manual do equipamento).

A apresentação dos dados será feita no item 4, juntamente com o tratamento (cálculo das distâncias propostas) e análise deste.

41

4 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

4.1 – DADOS DAS ESTAÇÕES ESTUDADAS

Para calcular a distância mínima das antenas das estações em estudo, de forma que garanta aos limites de exposição, é preciso ter a definição dos valores de alguns parâmetros, que serão listados a seguir. Cabe ressaltar que os dados apresentados serão sempre relativos aos equipamentos da OPERADORA A, cujas estações estão no foco deste estudo.

A análise ideal de uma estação envolve o conhecimento de todos os equipamentos que nela estão ativos, entretanto pela complexidade, e volume de dados, além da dificuldade em se conseguir estes dados, não foi possível que este estudo atingisse este ponto ideal. Isto, entretanto, não invalida a presente análise.

Na tabela 4.1 constam os dados relativos a estação MT_CBA_001B. É uma estação compartilhada com a OPERADORA B, que é a proprietária da infraestrutura compartilhada. Nesta estação, junto ao sistema da GSM OPERADORA A, estão também instalados outros dois sistemas da OPERADORA B, um sistema TDMA e outro sistema GSM.

Em geral, as operadoras mais antigas, necessitam manter em sua planta de equipamentos, sistemas mais antigos convivendo com os mais modernos, em função de que é, na prática, impossível fazer com que todos os clientes troquem seus aparelhos, para migrar de tecnologia, daí a necessidade de haver dois sistemas de uma mesma empresa nas estações.

42 Tabela 4.1 – Parâmetros e valores da estação MT_CBA_001B

Parâmetro Potência máxima dos rádios transceptores Quantidade de rádios transceptores por setor Faixa de freqüência utilizada na transmissão Tipo de antena utilizada Ganho da antena (dBi) Relação frente-consta da antena

Valor 30 w 2 1835 - 1850 APX186515-2T2 da RFS 17,5 25

Na tabela 4.2 constam os dados de uma estação da MT_CBA_002C, compartilhada com a OPERADORA C que é a proprietária da infraestrutura. convivem somente um sistema de cada empresa, sendo ambos sistemas GSM. Nesta

Tabela 4.2 – Parâmetros e valores da estação MT_CBA_002C

Parâmetro Potência máxima dos rádios transceptores Quantidade de rádios transceptores por setor Faixa de freqüência utilizada na transmissão Tipo de antena utilizada Ganho da antena (dBi) Relação frente-consta da antena

Valor 30 w 2 1835 - 1850 APX186515-2T2 da RFS 17,5 25

A tabela 4.3 apresenta os dados de uma estação compartilhada com a OPERADORA D, é a MT_CBA_003D, cujo endereço é o topo de um edifício desta operadora. Nesta estação convivem também 3 (três) sistemas distintos, dois da

OPERADORA D sendo um CDMA e outro TDMA, e o da OPERADORA A, que é um sistema GSM, neste caso temos a BTS em uma configuração de instalação do tipo “rooftop”.

43

Tabela 4.3 – Parâmetros e valores da estação MT_CBA_003D

Parâmetro Potência máxima dos rádios transceptores Quantidade de rádios transceptores por setor Faixa de freqüência utilizada na transmissão Tipo de antena utilizada Ganho da antena (dBi) Relação frente-consta da antena

Valor 30 w 3 1835 - 1850 APX186515-2T2 da RFS 17,5 25

Na tabela 4.4, uma estação da OPERADORA A, compartilhada com a OPERADORA D. Mais uma vez 3 (três) sistemas distintos numa mesma torre. Nesta estação o sistema da OPERADORA A, trabalha com as duas faixas de freqüências possíveis de ser utilizadas por um sistema GSM, a faixa de 900 MHz e a de 1800 MHz. A faixa de 1800 MHz é geralmente utilizada para áreas com grandes concentrações urbanas, pois tem maior capacidade de tráfego de ligações, enquanto a faixa de 900MHz é utilizadas em áreas rurais ou áreas em que se precise maior alcance, e com menor tráfego de ligações.

Em função desta diferenciação na utilização das faixas de 900 MHz e 1800 MHz, tem-se também diferentes valores máximos de potência de trabalho para os rádios transceptores. Um parâmetro que não pode ser negligenciado neste caso é a

freqüência de operação dos rádios transceptores, pois este influencia diretamente no resultado do cálculo da distância mínima que assegure a exposição dentro dos limites impostos pela resolução 303/02 da ANATEL.

44

Tabela 4.4 – Parâmetros e valores da estação MT_VAZ_004A

Parâmetro Potência máxima dos rádios transceptores Quantidade de rádios transceptores por setor Faixa de freqüência utilizada na transmissão Tipo de antena utilizada Ganho da antena (dBi) Relação frente-consta da antena

Valor 60 w (em 900 MHz) 30 w (em 1800 MHz) 1 (em 900 MHz) 2 (em 1800 MHz) 957,5 – 960 MHz 1835 – 1850 MHz APX13G0-15D2B-2 da RFS 14,5 (em 900 MHz) 17,5 (em 1800 MHz) 25

4.2 – CÁLCULO DAS DISTÂNCIAS

No cálculo das distâncias mínimas das antenas, foram considerados os rádios transceptores trabalhando em sua potência máxima, pois nesta hipótese tem-se o maior risco para o trabalhador. Outra consideração necessária, foi sobre a quantidade de rádios transceptores existentes por setor/antena, que no seu pior caso podem estar operando simultaneamente, causando assim um acúmulo de suas potências na antena. Desta forma a
eirptotal será o somatório das eirp4.1 de cada rádio conectado a antena. Ainda no cálculo de eirptotal, não foi considerada a atenuação no cabo ou guia de onda sobre a potência entregue

na antena, considerando assim esta potência igual à potência de saída dos rádios transceptores. Todos os cálculos foram executados segundo as equações da tabela 2.3.

4.1

Potência isotropicamente equivalente irradiada (equivalent isotropicaly radiating power – eirp), na direção de maior ganho da antena.

45

Na tabela 4.5 é apresentado o resultado dos cálculos para determinação das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_CBA_001B.

Tabela 4.5 – Valores calculados das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_CBA_001B PARÂMETRO Nº de TRX Potência do TRX Potência total do TRX Potencia total em dBm Ganho antena em dBi EiRP total em dBm Relação frente-costa antena EiRP traseira total em dBm EiRP total em watt EiRP traseira total em watt Freqüência de operação Distância frontal ocupacional Distância frontal em geral Distância traseira ocupacional Distância traseira em geral Densidade de potência frontal ocupacional Densidade de potência frontal em geral Densidade de potência traseira ocupacional Densidade de potência traseira em geral Campo elétrico frontal ocupacional Campo elétrico frontal em geral Campo elétrico traseira ocupacional Campo elétrico traseira em geral Campo magnético frontal ocupacional Campo magnético frontal em geral Campo magnético traseira ocupacional Campo magnético traseira em geral MT_CBA_001B 2 30 60 47,78 17,5 65,28 25 40,28 3.374,05 10,67 1.835 3,96 8,65 0,22 0,49 43,83 9,19 44,91 9,05 128,55 58,85 130,12 58,42 0,34 0,16 0,35 0,15 W W dBm dBi dBm dB dBm W W MHz m m m m W/m² W/m² W/m² W/m² V/m V/m V/m V/m A/m A/m A/m A/m

Os cálculos da Densidade de Potência, Campo Elétrico e Campo Magnético, foram efetuados para as distâncias mínimas frontais e traseiras das antenas, para exposição ocupacional e exposição do público em geral, utilizando as equações 2.14, 2.5 e 2.6.

46

Os cálculos referentes a estação MT_CBA_002C, estão apresentados na tabela 4.6.

Tabela 4.6 – Valores calculados das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_CBA_002C PARÂMETRO Nº de TRX Potência do TRX Potência total do TRX Potencia total em dBm Ganho antena em dBi EiRP total em dBm Relação frente-costa antena EiRP traseira total em dBm EiRP total em watt EiRP traseira total em watt Freqüência de operação (MHz) Distância frontal ocupacional Distância frontal em geral Distância traseira ocupacional Distância traseira em geral Densidade de potência frontal ocupacional Densidade de potência frontal em geral Densidade de potência traseira ocupacional Densidade de potência traseira em geral Campo elétrico frontal ocupacional Campo elétrico frontal em geral Campo elétrico traseira ocupacional Campo elétrico traseira em geral Campo magnético frontal ocupacional Campo magnético frontal em geral Campo magnético traseira ocupacional Campo magnético traseira em geral MT_CBA_002C 2 30 60 47,78 17,5 65,28 25 40,28 3.374,05 10,67 1.835 3,96 8,65 0,22 0,49 43,83 9,19 44,91 9,05 128,55 58,85 130,12 58,42 0,34 0,16 0,35 0,15 W W dBm dBi dBm dB dBm W W MHz m m m m W/m² W/m² W/m² W/m² V/m V/m V/m V/m A/m A/m A/m A/m

47

A estação MT_CBA_003D, por ter mais rádios transceptores equipados na sua BTS4.2, apresentou no resultado dos cálculos, valores maiores para as distâncias mínimas das antenas. Entretanto a diferença não se apresentou muito significativa,

principalmente para as distâncias traseiras das antenas.

Tabela 4.7 – Valores calculados das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_CBA_003D PARÂMETRO Nº de TRX Potência do TRX Potência total do TRX Potencia total em dBm Ganho antena em dBi EiRP total em dBm Relação frente-costa antena EiRP traseira total em dBm EiRP total em watt EiRP traseira total em watt Freqüência de operação (MHz) Distância frontal ocupacional Distância frontal em geral Distância traseira ocupacional Distância traseira em geral Densidade de potência frontal ocupacional Densidade de potência frontal em geral Densidade de potência traseira ocupacional Densidade de potência traseira em geral Campo elétrico frontal ocupacional Campo elétrico frontal em geral Campo elétrico traseira ocupacional Campo elétrico traseira em geral Campo magnético frontal ocupacional Campo magnético frontal em geral Campo magnético traseira ocupacional Campo magnético traseira em geral MT_CBA_003D 3 30 90 49,54 17,5 67,04 25 42,04 5.061,07 16,00 1.835 4,85 10,60 0,27 0,60 43,83 9,18 44,71 9,05 128,55 58,82 129,83 58,42 0,34 0,16 0,34 0,15 W W dBm dBi dBm dB dBm W W MHz m m m m W/m² W/m² W/m² W/m² V/m V/m V/m V/m A/m A/m A/m A/m

4.2

BTS – Base Trasnceiver Station, é o mesmo que ERB – Estação Radio Base

48

Tabela 4.8 – Valores calculados das distâncias mínimas das antenas para a estação MT_VAZ_004A PARÂMETRO Nº de TRX Potência do TRX Potência total do TRX Potencia total em dBm Ganho antena em dBi EiRP total em dBm Relação frente-costa antena EiRP traseira total em dBm EiRP total em watt EiRP traseira total em watt Freqüência de operação (MHz) Distância frontal ocupacional Distância frontal em geral Distância traseira ocupacional Distância traseira em geral Densidade de potência frontal ocupacional Densidade de potência frontal em geral Densidade de potência traseira ocupacional Densidade de potência traseira em geral Campo elétrico frontal ocupacional Campo elétrico frontal em geral Campo elétrico traseira ocupacional Campo elétrico traseira em geral Campo magnético frontal ocupacional Campo magnético frontal em geral Campo magnético traseira ocupacional Campo magnético traseira em geral MT_VAZ_004A 2 30 60 47,78 17,5 65,28 25 40,28 3.374,05 10,67 1.835 3,96 8,65 0,22 0,49 43,83 9,19 44,91 9,05 128,55 58,85 130,12 58,42 0,34 0,16 0,35 0,15 W W dBm dBi dBm dB dBm W W MHz m m m m W/m² W/m² W/m² W/m² V/m V/m V/m V/m A/m A/m A/m A/m

Para a estação MT_VAZ_004A, foram calculadas as distâncias relativas às duas faixas de freqüências em que opera a estação, e a faixa de 1800 MHz (resultados da tabela) se apresentou mais restritiva. Isto se deu em função de que operam 2 (dois) rádios transceptores nesta faixa, enquanto que na faixa de 900 MHz opera somente 1 (um). Outro fator que influenciou foi a diferença entre o ganho da antena para as duas faixas: 17,5 dBi

49 para 1800 MHz e 14,5 dBi para 900 MHz. Este parâmetro influencia diretamente na potência irradiada pela antena.

Para comprovação da eficácia das distâncias mínimas das antenas, foram calculadas para estas distâncias, os valores de Densidade de Potência, de Campo Elétrico, e de Campo Magnético aplicando as equações 2.14, 2.5 e 2.6, comparando aos valores de referência indicados pela tabela 2.1 para a freqüência de 1.835 MHz, que é freqüência mais restritiva de operação dos rádios transceptores. freqüência, são dados na tabela 4.9. Os valores de referência, para esta

Tabela 4.9 – Valores de referência de Densidade de Potência, Campo Elétrico e Campo magnético, na freqüência de 1.835 MHz PARÂMETRO Densidade de Potência em W/m² Campo Elétrico em V/m Campo Magnético em A/m Ocupacional 45,87 128,51 0,34 Em geral 9,75 58,90 0,16

4.3 – ANÁLISE DAS ESTAÇÕES

Os valores apurados com os cálculos, definem distâncias bastante simples de serem alcançadas para que os trabalhadores estejam dentro dos limites de exposição especificados pela resolução ANATEL.

Como se pode observar na figura 4.1 (estação MT_CBA_001B), mesmo que esta não apresente uma referência numérica, as antenas estão a uma distância bem superior às distâncias calculadas para se assegurar o limite de exposição.

50

Figura 4.1 – Disposição das antenas na torre da estação MT_CBA_001B

Neste “site” a situação mais delicada de exposição ocupacional encontra-se justamente nas plataformas de descanso, pois as antenas do sistema TDMA estão montadas na mesma altura que estas plataformas (ver detalhe em verde). E no caso da plataforma de descanso, no topo do poste, além das antenas TDMA, temos montadas num mastro acima as antenas GSM da OPERADORA B, cuja radiação frontal incide também nesta plataforma. Para este caso o ideal seria efetuar uma medição da intensidade de campo elétrico nestas plataformas, pois isto indicaria de forma bem precisa o nível de radiação a que um trabalhador ficaria exposto, quando de sua estada em uma destas plataformas.

Das estações estudadas a MT_CBA_002C, que é mostrada na figura 4.2, é que menos oferece risco de exposição, pois não há sistemas ativos junto a plataforma de descanso intermediaria. Somente junto a plataforma do topo, é que se tem as antenas do sistema GSM da OPERADORA C.

51

Figura 4.2 – Disposição das antenas na torre da estação MT_CBA_002C

Numa eventual montagem de um novo sistema neste poste, o local mais propício para tal montagem seria no mastro que encontra-se no topo. E neste caso, tem-se uma situação de exposição ao campo na parte traseira da antena. Esta seria uma situação de risco considerável, em que seria necessário fazer uma medição para verificar o nível de exposição a que o trabalhador ficaria exposto.

A figura 4.3, contempla a estação MT_CBA_003D da OPERADORA D. Como citado anteriormente, trata-se de uma instalação do tipo “rooftop”, pois a BTS está localizada no topo do edifício (canto inferior direito da figura 4.3). É possível visualizar ainda nesta figura, um trabalhador dando manutenção na BTS, logo não é difícil concluir que este trabalhador esteja exposto a radiação frontal das antenas (direção de maior potência).

52

Figura 4.3 – Disposição das antenas na torre da estação MT_CBA_003D

Manutenções no hardware da BTS, não é constante, mas ocorrem com uma freqüência razoável, principalmente nas estações chuvosas, em função das descargas atmosféricas. No caso das estações tipo “rooftop”, tem-se nestes períodos uma maior exposição dos trabalhadores de manutenção ao risco de radiação não ionizante.

Durante a montagem de um sistema irradiante, numa estação com configuração semelhante a estação MT_CBA_003D, toda a equipe que trabalha na montagem (montadores, auxiliares, supervisores) esta sujeita aos níveis de radiação frontal proporcionado pelas varias antenas existentes na torre/mastro, devido a proximidade ocasionada neste tipo de instalação.

53

Na figura 4.4 se visualiza a torre da estação MT_VAZ_004A da OPERADORA A, onde encontram-se instalados, tal como na estação MT_CBA_003D, três sistemas distintos. Nesta estação o sistema GSM da OPERADORA A é Dual Band, ou seja, opera em duas faixas de freqüências distintas, 900MHz e 1800MHz. Tal configuração se faz necessária face a área de cobertura proporcionada por esta célula4.3.

Para o caso da estação MT_VAZ_004A, foram efetuados os cálculos para ambas as faixas, e a de 1800MHz se apresentou mais restritiva, em função de que há mais transmissores trabalhando nesta faixa, e também o ganho da antena é maior nestas freqüências.

Figura 4.4 – Disposição das antenas na torre da estação MT_VAZ_004A
4.3

Célula é também uma definição utilizada para área de cobertura da ERB – Estação Rádio Base, é desta definição que vem o termo telefonia celular.

54

Em estações como a MT_CBA_003D (figura 4.3) e MT_VAZ_004A (figura 4.4) para uma análise de maior confiabilidade, o ideal seria efetuar medições das grandezas como Campo Elétrico (E) e Campo Magnético (H), pois como se observa nestas figuras, há um emaranhado de três sistemas irradiando energia eletromagnética, bem próximos uns dos outros e por mais que suas antenas sejam bastante diretivas na irradiação vertical, não o são na horizontal, como se verifica nos padrões de radiação apresentados nas figuras 2.5 e 2.6, extraídas de um catalogo de fabricante. Para exemplificar, o ângulo de abertura horizontal das antenas utilizadas nos sistemas GSM é da ordem de 65º, pois cada antena de uma célula tem que cobrir um setor de 120º.

55

5 – CONCLUSÃO

A resolução 303/02 da Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, que foi amplamente utilizada como referência neste trabalho, é senão a única, uma das poucas referências legais sobre o assunto no território brasileiro, entretanto seus parâmetros são condicionados a um tempo médio de exposição de 6 minutos, enquanto o tempo médio de exposição do grupo de trabalhadores estudados é bem superior a dez vezes este tempo. Este fato, solicita uma nova reflexão sobre o real atendimento a esta resolução, ou até mesmo a eficácia desta resolução para os trabalhadores, ou mesmo pessoas comuns, que trabalhem ou permaneçam próximos a estas fontes de radiação não ionizante, como por exemplo em estações do tipo “rooftop”.

Esta resolução é ainda bem enfática quando se refere a diferença entre exposição para população em geral e exposição ocupacional, pois esta última somente poderá ser considerada nos casos em que o trabalhador conheça os níveis de radiação, o risco a que se encontra exposto, e ainda, possa ele próprio controlar a sua exposição a este risco. Durante o desenvolvimento dos trabalhos, foi constatado, informalmente, que o grupo de trabalhadores estudados, não têm conhecimento do risco, ou do nível de radiação a que estão expostos, e nem tão pouco têm condição de controlar a sua exposição a este risco.

Há de se ressaltar ainda que, a resolução é bem clara ao definir os parâmetros de cálculo, baseando-os nas características de um campo distante, onde as ondas irradiadas já não sofrem mais influências da antena, e da energia armazenada em torno desta. Entretanto para a exposição dos montadores de sistemas irradiantes, tem-se uma exposição a campos bem próximos às antenas que são as fontes de radiação.

Face aos fatos expostos, é aconselhável que as empresas operadoras procurem formar consciência em seus trabalhadores acerca do risco que os envolvem nos

56 trabalhos que envolvem montagem e manutenção de sistemas irradiantes, no topo de torres ou postes, ou ainda em equipamentos situados próximos às antenas destes sistemas, pois somente assim será possível considerar a exposição destes trabalhadores, como exposição ocupacional.

No caso de estações, em que se tem mais de um sistema em funcionamento, com antenas instaladas bastante próximas umas das outras, é prudente que se faça a medição das grandezas como Campo Elétrico (E) e Campo Magnético (H), pois estas grandezas permitem de uma forma precisa definir as outras grandezas como a Densidade de Potência e até mesmo a Taxa de Absorção de Energia Especifica – SAR, e assim garantir que os níveis de irradiação estejam dentro dos limites definidos pela resolução 303/02.

Estações como a MT_CBA_003D e a MT_VAZ_004A, oferecem mais riscos aos trabalhadores que vierem a ter que fazer alguma intervenção no sistema, seja de implantação de novos equipamentos, adequação dos existentes, ou ainda manutenção corretiva. É importante, aqui enfatizar, que as estações do tipo “rooftop” têm ainda o agravante de que a BTS geralmente fica situada no topo dos edifícios, junto ao sistema irradiante, recebendo parte da irradiação frontal das antenas. Para estes casos também o ideal seria efetuar medições junto a estes equipamentos para se verificar o nível dos Campos Elétricos (E) e Magnéticos (H) irradiados.

É necessário que as empresas, além de procurar cumprir a regulamentação imposta pela resolução 303/02, procurem formar consciência em meio a seus trabalhadores, sobre os riscos potenciais, e devidos cuidados com relação a exposição a campos eletromagnéticos.

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Anexo II

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