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DR.

Paulo Marinho
Mar inh o Ba st os DRª Maria Ângela Marinho
DRª Caroline Leal
A D V O G A D O S
Joviniano Dourado Epitácio Dantas Carla Valoise O. de Ávila
Adalberto Otaviano Luciano André Luiz Dias

EXMO (A). SR (A). DR(A). JUIZ(A) DA 14ª VARA DO TRABALHO DE


SALVADOR- BAHIA,

Proc. n.º 0233.2008.014.05.00-3 RT

JOSÉ CAROS DE SOUZA, já devidamente qualificado nos autos da


RECLAMAÇÃO TRABALHISTA, que move contra COVENTO DO CARMO HOTEL
(GRUPO PESTANA), vem, por seu advogado infrafirmado, no uso de suas atribuições
legais, a Douta presença de V. Exa., manifestar-se sobre a contestação de fls. 42/73, e os
documentos acostados aos autos pelo Reclamado, conforme a seguir:

DA JUSTIÇA GRATUITA:

Inicialmente, cumpre esclarecer aos menos avisados que o art. 4º, § 4º da Lei de Assistência
Judiciária Gratuita erigiu em favor do requerente autentica presunção iuris tantum de
veracidade quanto ao conteúdo de suas alegações, bastando a simples declaração do
requerente no sentido de ser carente de recursos financeiros para arcar com as próprias
despesas e as da família. Contudo, se assim não entender esse juízo, requer que seja
intimado o requerente para juntar os documentos comprobatórios do seu estado de penúria.

Rua Almeida Sande, 27 –A Barris


Tels: 3328-4790 / 4446 CEP: 40070-370
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Quanto a preliminar de Inépcia da Inicial em razão da ausência de causa de pedir por


integração da gorjeta do salário, ao contrário do que alega a reclamada a petição inicial
preenche todos os requisitos necessários para a sua aceitação, por isso mesmo que a
explanação feita pelo autor na exordial sobre a integração da gorjeta ao salário não tem
fundamento, tendo siso exposto e requerido na forma prescrita em lei.
Quanto a preliminar de inépcia do pedido 16 – honorários advocatícios, segue a mesma
sorte, uma vez que o direito do advogado aos honorários é resguardado pelo art. 133 da
Constituição Federal.
No mérito, traz o reclamado aos autos alegações gratuitas, despidas de qualquer
fundamento, sobretudo porque não juntou qualquer documento comprobatório da suposta
auditoria interna realizada na empresa a fim de comprovar o suposto desvio de verbas de
clientes imputado ao reclamante.

Quanto às parcelas rescisória, verdade é, que são totalmente devidas, até porque o
reclamado não comprovou em nenhum momento a suposta demissão por justa causa,
fazendo jus o reclamante a todas as parcelas concernentes a demissão sem justa causa.

Conforme acima mencionado, tem direito o reclamante ao recebimento do aviso prévio,


pois foi demitido sem justa causa e como é cediço o aviso prévio tem por finalidade evitar a
surpresa na ruptura do contrato de trabalho, possibilitando ao empregado uma nova
colocação no mercado de trabalho.

No que tange às horas extras, insta sublinhar que a Reclamante trabalhava, em média, das
09hs às 21hs, sempre de segunda-feira a segunda-feira, sendo que tinha um intervalo para
almoço e descanso de somente 30min, que não era concedido com regularidade.
Desse modo, impugna a folha de ponto apresentada pela reclamada, pois esta não tem o
condão de provar a jornada, verdadeiramente, cumprida pela reclamante, uma vez que o
mesma era forçado a assinar o cartão de ponto nos horários determinados pela empresa,
independe de permanecer ou não no local de trabalho alem do horário estebelecido.
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Frise-se que as prorrogações da jornada de trabalho provocam a incidência do adicional de


horas extras, estabelecido no art. 7°, XVI, da Constituição Federal, sendo que, as horas
extras trabalhadas habitualmente pelo obreiro, como vinha ocorrendo com a Reclamante,
devem integrar seu salário para todos os fins, refletindo-se em parcelas trabalhistas (13°
salário, férias com 1/3, FGTS, aviso prévio, etc.) e parcelas previdenciárias (salário-de-
contribuição).

Cabe, portanto, o pagamento de horas extras à Reclamante, devendo ser incorporadas ao


seu salário, com as repercussões sobre as demais parcelas.

Quanto ao FGTS, tem direito o reclamante de receber a diferença, uma vez que a reclamada
depositava o valor a menor.
O funcionário tem direito ao adicional por acúmulo de função quando, cumulativa e
habitualmente, exercer no mesmo local de trabalho tarefas para a qual não foi designado.
Dessa forma nota-se que as atividades de Barman, Garçom e Caixa são distintos e
executados concomitantemente, o que comprova que ocorreu o acumulo de funções.
Tendo o reclamante, direito a receber os respectivos salários em função das tarefas
executadas cumulativamente.
O Reclamante não foi pré-avisado acerca da rescisão contratual na forma prevista pela Lei.
Assim, deve o Reclamado proceder ao pagamento de indenização equivalente ao aviso-
prévio não concedido.
Dessa forma, vem impugnar os documentos de fls. 87/88, que informa a demissão por justa
causa. Destarte, percebe-se que o acionante em momento algum teve ciência desse
documento, visto que o mesmo não se encontra assinado pela parte reclamante.

No que tange às férias, não recebeu a Reclamante o equivalente a suas férias simples, do
último período aquisitivo, nem as proporcionais, devendo o Reclamado ser condenado a
pagá-las acrescidas de 1/3 legal.

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As férias simples são devidas ao obreiro, na ruptura contratual, qualquer que seja a causa de
extinção do contrato, sendo calculadas segundo o salário da época da rescisão (arts. 142,
146 e 148 da CLT).
As férias proporcionais também são calculadas segundo o salário da época da rescisão,
sendo pagas também sempre com o terço constitucional (Enunciado 328, TST). São
proporcionais, como visto, as férias devidas em função de período aquisitivo incompleto
(menos de 12 meses), calculando-se à base de 1/12 por mês componente do contrato
(incluído o aviso prévio).
Igualmente faz jus a Reclamante ao pagamento do FGTS, acrescido de 40%, devido à
despedida sem justa causa. Chama-se o instituto de acréscimo rescisório sobre o Fundo de
Garantia, previsto no art. 18, caput e § 1°, da Lei n. 8.036/90.
Assim, deve a reclamada comprovar os depósitos levados e feitos durnte todo o períodp da
relação empregatícia, sob pena de complementação, via execução direta.
É pertinente também a indenização do montante relativo ao salário-família, que nunca foi
pago pelo empregador, apesar do mesmo ter conhecimento de que a Reclamante tem
família, inclusive filho pequeno, de um ano de idade, aproximadamente.
O seguro-desemprego também é devido, nos valores correlatos, considerando, como
remuneração, o salário da Reclamante mais os acréscimos legais.
As guias do seguro-desemprego não foram disponibilizadas à Reclamante no momento
oportuno, qual seja, da despedida sem justa causa.
A falta administrativa empresarial quanto a tais procedimentos gera obrigação indenizatória
relativamente aos valores do seguro-desemprego.
É o que prevê a Orientação Jurisprudencial 211, SDI/TST, in fine:
“211 – Seguro-desemprego. Guias. Não-liberação. Indenização substitutiva. O não-
fornecimento pelo empregador da guia necessária para o recebimento do seguro-
desemprego dá origem ao direito à indenização.”

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