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Direito Constitucional art 1º ao 4º

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DIR. CONSTITUCIONAL PROF.

JEAN DINIZ

DIREITO CONSTITUCIONAL
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1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
1.1. DOS FUNDAMENTOS

A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. REPÚBLICA – forma de governo particularizada pela eletividade e transitoriedade do poder central. Forma esta que rebate a monarquia em seus atributos vitalícios e sucessórios. Nossa forma republicana apresenta os chamados princípios sensíveis, elementos essenciais à segurança do estado que quando violados, motiva intervenção federal nas entidades pertinentes. FEDERATIVA – forma de estado que se contrapõe ao estado unitário e a confederação. No estado unitário o poder é centralizado, não existindo estados ou municípios que detenham auto-governo, auto-organização e auto- administração. Toda administração fica centralizada na cúpula da administração distribuídas em departamentos para gerir os interesses da sociedade. UNIÃO INDISSOLÚVEL – impede a secessão (separação) dos entes políticos constitucionalmente personalizados que fazem o sistema federativo brasileiro. Destarte, não é acolhido o conceito de uma nova pátria instituída ou formalizada sob a união de entidades políticas em nosso território nacional, no entanto, o termo jurídico não impede que novas unidades federativas brotem por meio do instituto jurídico da dissolução, fusão ou incorporação.

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ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO – estado democrático de direito ocorre quando a deliberação sobre os atos de comando político emana da participação direta (iniciativa popular) ou indireta (iniciativa parlamentar) dos administrados. SOBERANIA – a soberania é tratada de duas formas, a primeira em relação ao poder supremo do estado em seus limites territoriais e a segunda enaltecendo a força do povo na participação governamental. Autentica-se na vontade de nossos representantes expressa nos termos jurídicos adjetivados na imagem fiel do interesse popular. CIDADANIA – Preliminarmente, temos que diferenciar: POVO, POPULAÇÃO e CIDADÃO. POPULAÇÃO é a soma de todas as pessoas que habitam um território; POVO é a parte da população que detém a nacionalidade daquele território; CIDADÃO é a parcela do povo que detém a prerrogativa de exercer os direitos políticos em determinado território. Assim, exercer a cidadania significa participar das discussões políticas do estado, elegendo seus representantes, reclamar das irregularidades praticadas por eles ou participar diretamente do projeto de iniciativa legislativa. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA – fundamento de direito personalíssimo que prevalece os elementos axiológicos do ser humano. Os valores da sociedade devem ser pautados na consideração das necessidades básicas do ser humano enquanto parte de uma comunidade constitucionalmente organizada. A vida enquanto direito individual no plano biológico ou social, proibições de determinadas penas fazem parte desse fundamento etc.
OFENDE A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA:

A prisão cautelar com duração prolongada, abusiva e irrazoável. A prisão em penitenciária comum do apenado idoso que estiver acometido de doença grave que exija cuidados especiais, que não podem ser fornecidos no local da custódia ou em estabelecimento hospitalar adequado; Não ter atribuído nome em certidão de nascimento. VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE INICIATIVA – Operosidade do fundamento da dignidade humana. O trabalhador não pode ter como atributo apenas a produtividade. Ele deve ser estimado também como ser afetuoso e limitado, reclamando dos administradores todos os direitos previstos na Constituição Federal e nos atos infraconstitucionais. Em face do fundamento da livre iniciativa, cabe à Administração pública municipal fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial, salvo das entidades bancárias que respeitarão o determinado pela União. PLURALISMO POLÍTICO – É fator determinante na fiscalização do centro de poder dominante.

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1.2.

DA INDEPENDÊNCIA DOS PODERES

São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Os poderes da república estão evidenciados apenas na figura do povo, portanto, os três poderes fazem parte de uma divisão meramente orgânica já que o poder é prerrogativa do povo e só a ele pertence. A independência entre os poderes da República busca estabelecer um sistema de freios e contrapesos entre os representantes cuja atividade possa tornar-se de índole duvidosa ou absolutista. A fiscalização contábil e financeira exercida pelo Poder Legislativo no Poder Executivo, a declaração da inconstitucionalidade de uma norma pelo Poder Judiciário são exemplos desse controle. Não obstante, mesmo no plano da independência dos poderes, nada impede que um de seus membros seja escolhido por representante de outro poder, por exemplo a indicação para ocupar o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal que é de competência do Presidente da República (Poder executivo) e a aprovação do Senado Federal (Poder Legislativo). Não há óbice ainda pela independência supra, que os poderes exerçam atividades de natureza típica ou atípica. Assim, há plena admissão que chefe do poder executivo tanto federal, estadual, distrital ou até municipal edite Medidas Provisórias, algo que seria de competência típica do Poder Legislativo. Não é empecilho também que o Poder Legislativo por meio do Senado no âmbito federal exerça uma atividade típica do Poder Judiciário que seria julgar o Presidente da República por Crime de Responsabilidade. Ofende segundo o STF, o princípio da independência dos poderes: A convocação de autoridades judiciárias para prestar esclarecimentos sobre suas decisões judiciais. Norma que determina prazo para o poder executivo nomear candidatos aprovados em concurso público; A apreciação pelo poder judiciário referente ao mérito atos administrativos. QUESTÃO
1) A República Federativa do Brasil tem como fundamentos, dentre outros.

(A) o pluralismo político e a auto-determinação dos povos. (B) a independência nacional e o desenvolvimento nacional. (C) a dignidade da pessoa humana e a cidadania. (D) o repúdio ao terrorismo e a defesa da paz. (E) o asilo político e a não-intervenção.
2) O Brasil é um Estado Democrático de Direito que tem, dentre os seus fundamentos

expressos na Constituição, (A) a liberdade de imprensa. (B) o desenvolvimento nacional. (C) a defesa da paz. 3 www.jeandiniz.com.br

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(D) o pluralismo político. (E) a solução pacífica dos conflitos.
3) Um dos princípios fundamentais que regem a República Federativa do Brasil é a

(A) promoção do bem de todos, sem preconceitos de quaisquer naturezas. (B) redução das desigualdades sociais e regionais. (C) garantia do desenvolvimento nacional. (O) construção de uma sociedade livre, justa e solidária. (E) cidadania, sendo gratuitos os atos necessários ao seu exercício.

4) É correto afirmar, em relação à República Federativa do Brasil, que

(A) os poderes da União são harmônicos entre si, mas o Legislativo e o Executivo são dependentes do Judiciário. (B) os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa são considerados, dentre outros, como fundamentos do Estado brasileiro. (C) a concessão de asilo político e a autodeterminação dos povos são princípios repudiados nas relações internacionais. (D) a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais regionais não se incluem dentre os seus objetivos fundamentais. (E) a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político não fazem parte de seus fundamentos.
Gabarito 1-C; 2- D; 3-E; 4-B.

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