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DISCIPULADO NA NOVA ERA

VOLUME I

Por

Alice A. Bailey

(Mestre Tibetano Djwhal Khul)

COPYRIGHT © 1944 por Lucis Trust

COPYRIGHT RENOVADA © 1972 por Lucis Trust

(http://www.lucistrust.org/online_books/discipleship_in_the_new_age_vol_i_obooks)

DEDICADO A REGINA KELLER

Uma companheira de discipulado que há mais de 20 anos andou comigo no Caminho

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APRESENTAÇÃO

SEÇÃO I - Discipulado na Nova Era

SEÇÃO II - Instruções pessoais para os discípulos

SEÇÃO II - Instruções pessoais para os discípulos (Continuação)

SEÇÃO III - Os seis estágios do discipulado

SEÇÃO IV - Resumo do trabalho do Tibetano (1919-1943)

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PREFÁCIO

Este livro é, em muitos aspectos, único. Tanto quanto eu sei, nada como ele foi publicado até agora. Ele contém duas séries de conversações dadas por um dos Mestres da Sabedoria para alguns membros de seu grupo interno, e também uma série de instruções pessoais, dadas por ele a um grupo de Seus discípulos. Muitas dessas pessoas eram desconhecidas para mim quando foram trazidos à minha atenção; alguns deles conheci depois e outros nunca; alguns deles eu cheguei a conhecer muito bem e conseguimos entender por que tinham sido escolhidos, sabendo que sua dedicação à vida do espírito e seu amor à humanidade mereceram sua escolha. Um ou dois foram considerados por mim como escolhas inadequadas; mais tarde eu alterei meu ponto de vista, e reconheci que uma mente mais sábia que a minha era responsável por sua inclusão no Ashram1. Aprendi também que os relacionamentos antigos, estabelecidos em outras vidas, também foram fatores condicionantes e que alguns tinham ganhado o direito de ser incluídos, mesmo que suas realizações espirituais parecessem inadequadas para o espectador.

Uma boa parte do ensinamento dado é nova em sua forma, e outra parte é nova, de fato. Um ponto que emerge com clareza é que: as velhas regras a que se submeteram os discípulos no decorrer dos séculos, ainda são válidas, mas estão sujeitas a interpretações novas e muitas vezes diferentes. O treinamento a ser dado durante a próxima Nova Era será adequado para o desenvolvimento em seu tempo. O progresso evolucionário de século para século apresenta um amadurecimento constante e um desenvolvimento contínuo da mente humana, sobre o qual o Mestre pode trabalhar. Assim, os padrões do discipulado estão se tornando cada vez mais altos. Isso, por si só, exige uma nova abordagem, uma apresentação mais ampla da verdade e uma maior liberdade de ação por parte do discípulo. O elemento tempo também é diferente. Nos velhos tempos, o Mestre dava ao seu discípulo uma pista ou um ponto sobre o qual refletir e meditar, ou lhe sugeria alguma necessidade de mudança nos hábitos de pensamento. Então, o

1 Ashram, na antiga Índia, era um eremitério hindu onde os sábios viviam em paz e tranquilidade no meio da Natureza. Hoje, o termo ashram é, normalmente, usado para designar uma comunidade formada intencionalmente com o intuito de promover a evolução espiritual dos seus membros, frequentemente orientado por um místico ou líder religioso.

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discípulo se retirava, às vezes por anos, às vezes por uma vida inteira e refletia e ponderava, e tentava alterar suas atitudes sem qualquer sentido particular de pressão. Hoje, em nossos tempos mais acelerados

e quando a demanda da humanidade por ajuda é tão manifesta, a

sugestão tem dado lugar a explicação, e confiada ao discípulo informação até então retida. Considera-se que o discípulo chegou a uma fase de desenvolvimento que pode tomar suas próprias decisões e avançar com mais rapidez, se assim o desejar.

Certas razões concretas levaram-me a tornar estas instruções disponíveis para os aspirantes em todos os lugares, depois de solicitar

a permissão de quem as recebeu. Uma deles é a necessidade de

chamar a atenção do público em geral para o fato de que a Hierarquia existe, de que seus membros estão interessados no progresso humano

e que não há um sistema definitivamente planejado de treinamento

oferecido por eles, capaz de tirar um homem do reino humano e levar para o Reino de Deus; este progresso do quarto para o quinto reino no caminho da evolução pode ser feito de forma consciente e cientificamente, e com o pleno consentimento e cooperação do aspirante. O dia chegou, no qual a crença pode (e o faz) dar lugar ao conhecimento um conhecimento obtido através da aceitação de uma hipótese, em primeiro lugar, e da convicção de que esta hipótese é apoiada pelo testemunho adequado e experiência planejada. A mente racional do discípulo pode, então, aprender as lições designadas pelos sucessos e fracassos que encontra em seu treinamento. Em seguida, ele descobre que o progresso no Caminho traz um homem a um mais íntimo e consciente contato com aqueles que trilharam este caminho antes dele, e que o caminho para a Hierarquia exige disciplina, aumento de iluminação, serviço aos seus semelhantes e uma capacidade de resposta crescente aos contatos e indivíduos, dos quais o ser humano médio nada sabe.

A segunda razão para a publicação deste livro é a necessidade de mudar o ponto de vista do público em geral quanto à natureza desses Mestres que aceitam discípulos, e que lhes dão treinamento necessário para que possam receber a iniciação (como é chamada), o que deve chegar ao conhecimento das massas. Tanta estupidez tem sido dita e escrita sobre a relação entre Mestre e discípulo, que sentimos a necessidade de demonstrar que, quando um membro da Hierarquia

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mostra sabedoria, amplitude de visão, e entendimento, e declina de sua autoridade, nada pode fazer a não ser o bem. Descobrimos também que

o Mestre consentiu que Suas instruções fossem publicadas.

A terceira razão para a publicação destas instruções era o desejo de deixar claro um ponto que é continuamente enfatizado pelo Tibetano

e pelos Mestres, e que é de grande importância para todo aspirante.

Somente aqueles que estão começando a ser influenciados e controlados por suas próprias almas e estão, portanto, mentalmente centrados e sintonizados, são elegíveis para o treinamento oferecido pela Hierarquia. Devoção, reações emocionais e sentimento não são suficientes. O treinamento esotérico também é um assunto impessoal; diz respeito ao desenvolvimento da consciência da alma e à expansão dessa consciência para incluir, e não excluir, todas as formas de vida através das quais palpita a vida e o amor de Deus. O verdadeiro discípulo é sempre inclusivo e não exclusivo. Essa inclusividade é a marca registrada do verdadeiro esotérico. Onde está faltando temos um aspirante, mas não um verdadeiro discípulo. Há demasiada exclusividade existente hoje entre esotéricos e em escolas de ocultismo e muito separatividade teológica. Considerou-se que este livro de instruções contribuirá muito para compensar essa tendência errônea e pode ajudar a abrir ainda mais a porta para o Reino de Deus.

Grande parte do conteúdo deste livro é nova. Grande parte é muito antiga, experimentada e comprovada. Nenhuma das pessoas escolhidas para este treinamento e para a inclusão no ashram do Mestre é santa ou perfeita. Todos são, no entanto, verdadeiros aspirantes e continuarão a sê-lo até o fim, apesar da dor e tristeza, da disciplina, sucesso, fracasso, alegria; todos reconhecem espiritualmente esses objetivos quase inatingíveis. Alguns estiveram neste caminho do Discipulado Aceito (tecnicamente entendido) por muitas vidas. Outros estão se aventurando pela primeira vez de forma consciente e com deliberado esforço a trilhar o caminho para Deus. Todos são místicos, que estão aprendendo

a ser ocultistas. Todos são pessoas normais, que vivem uma vida útil e

moderna em diversos países do mundo. Alguns são cristãos, ortodoxos, protestantes; outros são católicos romanos; e alguns pertencem à Ciência Cristã ou a outros cultos mentais; vários são independentes e livres de qualquer afiliação. Nenhum deles acha que sua crença particular ou sua origem religiosa são essenciais para a salvação; sabem

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que a única crença essencial é a crença nas realidades espirituais e na divindade essencial da humanidade. Essa crença envolve necessariamente um coração cheio de amor, uma mente aberta e iluminada pela orientação direta à verdade, e uma vida dedicada ao serviço e ao alívio dos sofrimentos humanos. Tal é o objetivo determinado por todos cujas instruções são encontradas neste livro um objetivo que ainda não alcançaram e um modo de vida ainda não aperfeiçoado. No entanto, seguem inalteravelmente seu caminho, e este caminho é o Caminho. Cristo disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida"; estes aspirantes, trabalhando sob um grande discípulo do Cristo, estão começando a compreender alguns dos significados e implicações de tal declaração, que é válida para todos os tempos e discípulos, porque "como Ele é, também somos nós neste mundo."

O trabalho com este grupo em particular começou há 12 anos. As instruções a cada membro foram dadas em sequência ordenada, ano após ano, de modo que uma imagem real da pessoa em questão, seus problemas, sua realização ou ausência de resultados, emerge claramente. Este livro é encorajador porque contraria a ideia de que para se tornar discípulo aceito deve-se possuir um caráter excepcionalmente perfeito e, portanto, destacar-se pela aspiração que inspira sua vida. Estas pessoas têm problemas, e se esforçam para resolvê-los; têm limitações características que estão se esforçando para superar; são verdadeiros exemplos de homem ou mulher que vira as costas para a abordagem usual de lidar com os assuntos materiais mundiais, e levam sua cruz, a fim de encontrar o caminho de retorno à casa do Pai; exemplificam para nós o homem que, tendo "colocado a mão no arado," continua em frente "para o prêmio de sua mais alta vocação em Cristo".

Algumas dessas pessoas foram estudantes da Escola Arcana; outras nunca o foram; outras ainda (quando ouviram da existência da escola através de sua afiliação com O Tibetano) trabalharam nela, a fim de ajudar os estudantes. Seus nomes não serão divulgados. As iniciais encabeçando as várias instruções e as datas atribuídas são supostas; provavelmente as instruções não foram recebidas nas datas indicadas e as iniciais do nome de nenhum deles é correta. Nenhuma informação será dada por qualquer um de nós que conhece a relação entre as iniciais e o discípulo, ou responderão as dúvidas sobre sua identidade.

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É

o objeto do ensino que é importante e não o nome do discípulo, porque

o

que é ensinado é aplicável a todos os aspirantes.

Outra razão pode ser mencionada aqui como indicativa do valor

deste livro. Em todos os casos, é informado ao discípulo o tipo de energia

a que ele responde mais facilmente, e sob qual raio ou emanação divina

ele se encontra. Ele, portanto, torna-se consciente do que constitui sua linha de menor resistência e onde reside o ponto principal de conflito em sua vida.

Somos ensinados na filosofia esotérica que sete grandes divinas Emanações, Eons ou Espíritos (em Quem vivemos, nos movemos e temos nosso ser) vieram de Deus no momento da criação. O mesmo ensinamento também pode ser encontrado na Bíblia Sagrada. As almas de todas as formas de vida encontram-se em um ou outro desses sete Raios, bem como as próprias formas. Estes sete raios produzem os sete principais tipos psicológicos. Estes sete raios ou emanações são2:

1. O primeiro Raio de Vontade ou Poder. Muitos grandes governantes do mundo são encontrados neste raio, como Júlio César.

2. O segundo Raio de Amor-Sabedoria. O Cristo e o Buda se encontram neste raio. É o grande raio do ensinamento.

3. O terceiro Raio da Inteligência Ativa. A massa da humanidade inteligente pertence a este raio.

4. O quarto Raio de Harmonia através do Conflito. Os aspirantes, pessoas bem-intencionadas, os que se esforçam e lutam, os que trabalham pela unidade emergem ao longo desta linha.

5. O quinto Raio de Conhecimento Concreto ou Ciência. Os cientistas e as pessoas que são puramente mentais e regidas unicamente pela mente.

2 Maiores informações sobre os esses Raios serão encontrados no Um Tratado Sobre os Sete Raios, em especial na obra integrante deste, Psicologia Esotérica, da mesma autora (N.T)

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6.

O sexto Raio da Devoção ou Idealismo. Muitas pessoas cristãs. Fanáticos religiosos. Inúmeros clérigos sérios de todas as religiões do mundo.

7. O sétimo Raio da Ordem Cerimonial ou Magia. Maçons. Financistas. Grandes empresários e organizadores de todos os tipos. Os Executivos possuem estas energias em seus equipamentos.

No entanto, apenas quando um homem é altamente desenvolvido e se aproximando do caminho do discipulado é possível para o estudante esotérico saber, com exatidão, a que raio pertence. Pessoas de todos os tipos e profissões são encontradas em todos os raios. O conflito na vida do discípulo ocorre quando o raio da sua alma e o raio da sua personalidade integrada se opõem. Ao mesmo tempo, sua natureza emocional, seu equipamento mental e seu cérebro físico também são controlados por um ou outro dos raios e nesta quíntupla relação encontra-se grande parte do problema do ser humano em evolução. O Tibetano esclarece aos membros de seu grupo quais são os cinco raios que os condicionam, de maneira que os estudantes aprenderão muito se refletirem sobre o exposto. Nos casos que conheço pessoalmente o discípulo envolvido e algo de seus problemas, foi surpreendentemente interessante observar como foi infalível o diagnóstico preciso do Tibetano sobre os raios envolvidos. Ao ler estas instruções, lembrem-se que embora o Tibetano geralmente fale da alma, Ele também usa a palavra "Ego" como sinônimo, significando assim o ego espiritual e não o ego pessoal dos psicólogos.

Não creio que seja sábio dar as meditações de trabalho ou os exercícios respiratórios, exceto em uns poucos casos. Eles eram estritamente individuais e adequados para a pessoa e seus problemas peculiares. Em um ou dois casos, no entanto, após a devida consideração, foram inseridas algumas das meditações com ligeiras alterações. Era óbvio que elas poderiam ser úteis.

No final de cada instrução, nós adicionamos uma ou duas frases informando o trabalho do discípulo no Ashram. Isto se revelará particularmente esclarecedor como, por exemplo, nos casos de P.D.W. e K.E.S. onde O Tibetano mostra definitiva previsão e o conhecimento

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de que ambos os homens morreriam alguns anos mais tarde. Obviamente, preparando-os para a grande transição.

Finalmente, eu gostaria de agradecer a todos estes discípulos que tão gentilmente colocaram suas instruções pessoais à minha disposição, em um esforço para servir as futuras gerações de discípulos. Em muitos casos, eles ajudaram a preparar o original para impressão. Gostaria também de agradecer àqueles que me ajudaram a preparar o texto para publicação, especialmente Joseph Lovejoy que dedicou muitos dias de trabalho, ajudando-me durante anos na preparação para a publicação dos livros do Tibetano.

Espero que todos os que lerem este livro recebam a inspiração que recebemos e também que sua confiança na Hierarquia e na existência do Cristo e Seus Discípulos, os Mestres, possa receber tal força que impelirá muitos mais a tentar trilhar o Caminho e juntar-se ao grande número de aspirantes em todos os países que estão buscando trilhar o Caminho, tornando-se, eles próprios, o próprio Caminho.

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Outubro de 1943

Alice Bailey

AS GRANDES INVOCAÇÕES

Que as Forças da Luz iluminem a humanidade. Que o Espírito da Paz se difunda pelo mundo Que os homens de boa vontade possam unir-se em toda parte num espírito de cooperação Que o perdão por parte de todos os homens possa ser a tônica dessa época

Que o poder sirva aos esforços dos Grandes Seres Que assim seja, e ajudai-nos a fazer a nossa parte.

1935

Que os Senhores da Liberação se manifestem Que Eles tragam socorro aos filhos dos homens Que o Cavaleiro do Lugar Sagrado venha a nós, e vindo, salve Vinde a nós, ó Poderoso Ser

Que as almas dos homens despertem para a Luz

E possam eles permanecer com o propósito congregado Que a ordem do Senhor seja proclamada:

O fim do infortúnio chegou!

Vinde a nós, ó Poderoso Ser

A hora do serviço da Força Salvadora é chegada

Que ela seja estendida por toda parte, ó Poderoso Ser

Que a Luz e o Amor e o Poder e a Morte Cumpram o propósito d’Aquele Que Vem

A

VONTADE para salvar está aqui

O

AMOR para conduzir o trabalho está amplamente difundido

A

AJUDA ATIVA de todos os que conhecem a verdade também está aqui

Vinde a nós, ó Poderoso Ser, e funde estes três Constrói uma grande muralha defensora

O governo do mal deve agora terminar.

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1940

De um ponto de Luz na mente de Deus Que flua luz às mentes dos homens. Que a Luz desça a Terra.

De um ponto de Amor no Coração de Deus Que brote amor nos corações dos homens. Que o Cristo volte à Terra.

Desde o centro onde a Vontade de Deus é conhecida Que o Propósito guie as pequenas vontades dos homens O Propósito que os Mestres conhecem e a que servem.

Desde o centro a que chamamos raça dos homens Que se cumpra o Plano de Amor e Luz E que ele vede a porta onde mora o mal.

Que a Luz, o Amor e o Poder Restabeleçam o Plano Divino na Terra.

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1945

DISCIPULADO NA NOVA ERA

SEÇÃO UM

Pelo Tibetano

CONVERSA COM DISCÍPULOS

PARTE I

MEUS IRMÃOS:

É importante que vocês percebam que algo novo está acontecendo hoje. Emerge um novo reino da natureza, o quinto reino; este é o Reino de Deus na terra, ou o reino das almas. Ele está se precipitando na Terra e será composto por aqueles que estão se tornando cada vez mais grupo-conscientes e que podem trabalhar na formação de grupos. Isso será possível, porque essas pessoas estão alcançando uma perfeição auto iniciada (embora relativa) e se identificarão com certas expansões de consciência de grupo. Também o será porque eles amam seus semelhantes, assim como eles têm amado a si mesmos no passado. Pensem sobre isso com clareza, meus irmãos, e alcancem, se puderem, o pleno significado dessa última frase.

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Sua principal tarefa será resumir e tornar efetivo o trabalho desses dois grandes Filhos de Deus, Buda e Cristo. Como sabem, um deles trouxe iluminação para o mundo e encarna em si o princípio da sabedoria, e o outro trouxe amor ao mundo e encarna em si mesmo um grande princípio cósmico o princípio do amor. O que podemos fazer para tornar seu trabalho eficaz? O processo vai seguir três linhas:

1. O esforço individual, feito pelo discípulo individual, utilizando a técnica de distanciamento, de desapego e de discriminação que o Buda ensinou.

2. Iniciação grupal, tornada possível pelo esforço auto iniciado de discípulos individuais, seguindo as injunções do Cristo e levando a completa

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subordinação da personalidade e da unidade ao interesse do grupo e bem do grupo.

3. Esforço grupal, levado adiante como um grupo, para amar todos os seres, apreender e compreender o verdadeiro significado da técnica de Aquário de amor e trabalho grupal.

Senti que me ligando a vossas mentes em conexão com o trabalho do Buda e do Cristo posso servir a um propósito útil, e dar-lhes um vislumbre e uma indicação de Seus dois sistemas de preparação para desenvolvimento um preparatório para o discipulado aceito e outro para a iniciação que são

sequenciais e inter-relacionados. A síntese de Seu trabalho é facilmente vista por nós que trabalhamos com uma visão e perspectiva mais clara do que ainda

é possível a vocês.

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Estou, portanto, dividindo os meus discípulos em grupos para que eles possam trabalhar em diferentes aspectos do Plano, e também preparar o terreno para o trabalho em grupo que vai ajudar muito o indivíduo, mas que também irá acima de tudo transmitir a tarefa da Nova Era.

Pretendo, portanto, escrever de uma forma mais detalhada sobre estes grupos. Meu tempo é muito limitado e terei que colocar uma grande quantidade

de informações nestas conversas e em quaisquer instruções individuais que eu possa transmitir (provavelmente em largos intervalos) aos meus discípulos. Não estou basicamente escrevendo para qualquer um de vocês, mas para todos, a fim de estabelecer as bases para o trabalho grupal a ser feito no mundo durante os próximos anos. O que digo deve ser lido com cuidado, pois

a palavra escrita pode conter vários significados que devem ser pressentidos, de acordo com a intuição desperta ou não do aspirante.

Eu, seu Irmão Tibetano, estou supondo que cada um dos meus discípulos tem uma base essencial, pelo menos, e um zelo perseverante que nada deterá. Cada um de vocês começa este trabalho com certas características fundamentais; cada um de vocês está começando esta empresa definida de treinamento para a iniciação com certos defeitos, que agem como impedimentos e obstáculos; cada um de vocês tem sido reconhecido por sua luz e por suas potencialidades e com isto devemos forçosamente fazer o melhor que pudermos. Observem, portanto, o problema

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difícil que confrontarão aqueles que estarão guiando a evolução do mundo e procurando aqueles que possam ajudar no seu trabalho.

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Eu ensinarei a vocês. Querendo ou não o que vocês lucram com o ensinamento é assunto inteiramente seu; isso é algo que os discípulos da Nova Era devem aprender. Não existe tal coisa como obediência oculta, como geralmente ensinada pelas atuais escolas de ocultismo. Nos tempos antigos, no Oriente, o Mestre exigia de seus discípulos obediência implícita, o que realmente o tornava responsável, e colocava sobre seus ombros o destino ou o carma do discípulo. Essa condição já não existe. O princípio intelectual do indivíduo é agora muito desenvolvido para justificar esse tipo de condição. Portanto, essa condição já não é válida. Na vindoura Nova Era o Mestre será responsável pela oferta de oportunidades e pela correta enunciação da verdade, e por nada mais. Nestes dias mais esclarecidos, não assumi a posição que assumia o instrutor no passado. Devo falar com franqueza. Eu sei quem são meus discípulos, porque nenhum discípulo é admitido em um Ashram sem profunda análise por parte de seu instrutor. Transmitirei por insinuações e símbolos o que deve ser apreendido, o que será observado e compreendido por aqueles dentre meus discípulos que têm aberto o ouvido interno e tem verdadeira humildade de coração. Se o símbolo não for reconhecido, o tempo vai seguir seu curso, e eventualmente, a revelação chegará. Não exijo, portanto, nenhuma obediência cega. Mas, no entanto, se meus conselhos e sugestões forem aceitos e vocês decidirem de sua livre vontade seguir minhas instruções, essas instruções devem ser seguidas com precisão. Além disso, não deve haver a constante busca de resultados e fenômenos que impedem o curso e o progresso de muitos pseudo discípulos.

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Esta é uma experiência também para mim, para aqueles de nós que são membros em algum grau da Hierarquia, que necessariamente precisam mudar os velhos hábitos e adaptar os métodos antigos para circunstâncias mais atuais e para o avanço da evolução. Muitos discípulos e aspirantes tentaram (talvez devesse ter dito "cansaram", irmão meu, pois eu suponho que ambas as palavras são verdadeiras?) se submeter a experimentos que envolvem a aplicação das regras antigas, de uma forma moderna. Os discípulos de antigamente eram o produto de tempos mais pacíficos. O "chitta" ou substância mental (como Patanjali o denomina em seu famoso Livro de Regras), não era nem tão altamente desenvolvido, nem foi bem tingido pelo pensamento, nem potencialmente tão iluminado. Hoje, o conhecimento é difundido, e muitas, muitas pessoas já estão pensando por si mesmas. O

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material para o discipulado com que os Mestres têm de lidar e o tipo de pessoa que tem de ser desenvolvida e conduzida em direção à iluminação é de uma maior qualidade e melhor grau, se posso empregar termos tão inadequados.

O experimento de mudança de métodos e a implantação de nova técnica de

trabalho de grupo têm de ser efetuado, do mesmo modo, no meio do estresse

e tensão da civilização ocidental. Isto impõe a todos os escolhidos para

participar neste trabalho um esforço excessivo, mas se a continuidade é possível e se segue o sucesso, ele tempera o material a um grau maior de poder. Como já foi dito, as florestas do Ocidente são de um tipo diferente daquelas selvas Orientais. Clamam pela paz em meio ao tumulto; pela resistência à fadiga; pela persistência, apesar da má saúde; pela compreensão, apesar do clamor de vida ocidental. O progresso é feito, portanto, apesar de, e não por causa, das condições existentes. Para os discípulos, como os que eu estou tentando agora ensinar, não há como se aposentar do mundo. Não há nenhuma condição de paz física e de calma na qual a alma possa ser invocada e na qual o trabalho potente em resultados possa ser alcançado, na calma do silêncio e no restante daquilo que o hindu chama de “Samadhi” – o completo desapego do chamado do corpo e das emoções. O trabalho tem que seguir adiante em meio à miragem. O ponto de paz deve ser encontrado em meio à desordem. A sabedoria deve ser atingida no próprio meio da turbulência intelectual e o trabalho de cooperação com a Hierarquia no lado interno da vida deve prosseguir em meio à agitação devastadora da vida moderna nas grandes cidades. Tal é o seu problema e tal é o meu problema quando eu procuro ajudá-los.

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Para mim, há também o problema do desprendimento excessivo de força para tentar chegar a cada um de vocês e estudar cada um de vocês em determinados intervalos. Há o trabalho de ler suas mentes a longa distância, ver sua luz, e vitalizar suas auras. Isto não foi até agora problema dos mestres orientais, exceto em casos muito raros. Aqueles que trabalham agora no mundo moderno, sob os Mestres de Sabedoria, foram submetidos a um processo de afinação preliminar e a um treinamento na receptividade durante uma encarnação ou encarnações anteriores. Não se esqueçam, portanto, que eu também tenho um problema, que estou disposto a confrontar em prol de um mundo carente, e como minha contribuição para apressar a vinda de uma nova e mais frutífera era. Vamos, portanto, facilitar os esforços de cada um.

Asseguro que não há resultados rápidos. O que me comprometo a fornecer não trará desdobramentos espetaculares. Os resultados repousam

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inteiramente em vocês. Eles dependem de sua paciência, da sua exatidão nos detalhes, da disciplina que vocês estão dispostos a impor em suas vidas e do seu auto esquecimento. Peço-lhes para deixarem os resultados de lado e trabalharem sem o apego de saber ou não, com exatidão, quais são as metas que eu defini para vocês. Peço-lhes que desistam da autoanálise constante, que é uma característica marcante do místico ocidental introspectivo, mas

Qual é, portanto, a posição adotada? A posição de que eu, um

dentre um grande grupo de discípulos que desde o mais humilde aspirante até o mais alto membro da Hierarquia que liga a humanidade ao reino da espiritual posso ensinar-lhes as antigas regras e dar sugestões para que vocês possam viajar mais rapidamente ao longo do Caminho e alcançar maior utilidade para seus semelhantes. Não há o menor indício de declaração oficial por um membro da hierarquia que deva ser obedecida e cuja palavra é infalível. Isto deve ser lembrado, caso contrário, não será possível trabalhar. Podem entrar elementos perigosos e o presente esforço será por nada. Meu

anonimato sempre foi preservado e continuará a sê-lo, embora alguns membros desse grupo de discípulos me conhecem por quem eu sou. Vocês me conhecem como um instrutor, como um discípulo Tibetano e como um iniciado de certo grau qual grau não tem nenhuma importância para vocês. É o ensinamento que importa. Eu sou um iniciado nos mistérios do ser. Esta afirmação em si transmite informações para aqueles que têm conhecimento. Vocês sabem também que estou em um corpo humano, e sou um residente do norte da Índia. Que isso seja suficiente e não deixe a curiosidade perder de vista o ensinamento.

ambicioso

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Chegamos a um empreendimento espiritual. Todos vocês voluntariamente e livre de pressões manifestaram sua vontade de avançar para uma vida espiritual mais intensa. Isso vocês devem fazer na liberdade de suas próprias almas e através do poder de seus próprios intelectos. Vocês seguirão as instruções que lhes parecer razoáveis e certas, mas, quando vocês optam por segui-las devem tentar cumprir as exigências com exatidão. Vocês vão analisar e questionar as exigências que, de vez em quando, vem de mim, e vocês não aceitarão sua crença na inspiração verbal. A linguagem sempre tem desvantagens e limites. Vocês também serão guiados em seu trabalho pela saúde e circunstância, e vocês nunca se lembrarão que Mestres se fazem através da realização da mestria e não por meio da obediência a qualquer pessoa. Vocês devem ter em mente que eu, seu instrutor, não estou constantemente ciente de sua condição física ou de suas ações diárias. Eu não me preocupo com os assuntos da personalidade e aqueles aspirantes

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equivocados que afirmam que os Mestres estão sempre lhes dizendo o que fazer e estão orientando-os nos seus assuntos pessoais ainda estão longe do grau do discipulado aceito. Vocês vão se lembrar que a luz brilhará em uma mente que é autocontrolada e livre do domínio mental de outra mente. Com estas ressalvas claramente entendidas, vamos passar para a enunciação de certos princípios e à consideração do que é possível fazer.

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Primeiro: Que seja constantemente lembrado que o novo discipulado é principalmente uma experiência de trabalho grupal e que seu principal objetivo não é o aperfeiçoamento do discípulo individual no grupo. Eu considero esta declaração básica e essencial. Os indivíduos têm por objetivo completar um ao outro e se complementarem, e no agregado de suas qualidades devem eventualmente fornecer ao grupo algo capaz de expressar utilidade espiritual, e através do qual a energia espiritual possa fluir para o auxílio da humanidade. O trabalho a ser feito é no plano mental. As esferas de serviço dos discípulos individuais continuam a ser as mesmas de antes, mas aos diferentes campos de atuação individual, será acrescentada uma atividade e vida grupais, o que se tornará mais claro no decorrer do tempo. O primeiro objetivo é, portanto, fundir e unificar o grupo para que cada pessoa possa trabalhar em estreita relação mental e em espiritual cooperação com os demais. Isso inevitavelmente leva tempo, e o sucesso deste novo esforço por parte da Hierarquia dependerá de uma atitude não-crítica e da afluência do espírito de amor por parte de cada membro do grupo. Isto será relativamente fácil de alcançar para alguns discípulos, mas muito difícil para outros. Além disso, hoje, muitas pessoas de alta qualidade desenvolveram excessivamente a mente analítica. Conforme o tempo passa, no entanto, e se faça um verdadeiro esforço, o processo de fusão progredirá. Este, portanto, é o nosso primeiro esforço, pois é o primeiro esforço do grupo de cada Mestre e a realização da Hierarquia mesma a unidade grupal.

Cada discípulo tem que aprender a subordinar suas próprias ideias de crescimento pessoal às necessidades do grupo a fim de ter um grupo coordenado, funcionando como uma unidade de serviço porque enquanto alguns discípulos terão de acelerar seus progressos em certas linhas, outros terão de desacelerar temporariamente para adequar-se ao ritmo da maioria. Isso acontecerá automaticamente, se a identidade grupal for o fator dominante nos pensamentos de cada discípulo, e o desejo de crescimento pessoal e de satisfação espiritual for relegado a um segundo plano. Os grupos dentro de cada Ashram estão destinados a trabalhar juntos, eventualmente, da mesma

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maneira que os vários departamentos de uma grande organização trabalham de forma eficaz juntos, como uma unidade. Os grupos devem funcionar em harmonia e de forma inteligente. Isso será possível quando os indivíduos de um grupo e os grupos individuais perderem de vista suas próprias identidades, ao realizar um esforço para tornar esta experiência da Hierarquia bem sucedida. Os sentimentos, reações, desejos e os enfáticos sucessos do indivíduo não contam. Só é considerado de importância o que promove o esforço grupal e enriquece a consciência de grupo. Só atrai minha atenção, por exemplo, aquilo que traz mais poder espiritual ao meu grupo de discípulos ou que aumenta sua luz ou escurece seu esplendor. Deve ser lembrado que sempre considero subjetivamente meu grupo de discípulos como um grupo. É a total radiância que eu vejo; é o ritmo unido, o tom e a cor unificados que eu noto; é o som que emitem coletivamente que eu ouço. Posso reiterar que, em certo sentido, suas individualidades não me interessam, nem as considero de importância, exceto na medida em que aumentam ou diminuem a vibração grupal. Como personalidades, não importam para nós, os Instrutores do lado interno. Como almas são de vital importância. Cada discípulo do grupo de qualquer Mestre pode ter muitas fraquezas e limitações que atuam como obstáculos para o grupo em si. Mas, como almas, estão parcialmente despertos e vivos, e alcançaram certo grau de alinhamento. Assim é com todos vocês no meu grupo. Como almas eu os estimo, e procuro ajudá-los a se elevar, para que alcancem expansão e iluminação.

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Gostaria aqui de salientar um ponto, à medida que consideramos o indivíduo no grupo e suas relações grupais. Vigiem cuidadosamente seus pensamentos a respeito uns dos outros, eliminem imediatamente toda suspeita e crítica, e procurem manterem-se mutuamente firmes na luz do amor. Vocês não têm ideia da potência de tal esforço, nem de seu poder para desatar as amarras de cada um e elevar o grupo a uma altura extraordinária. Pela luz pura do mútuo amor podem aproximar-se mais a mim e dos professores no lado subjetivo da vida, e chegar mais rapidamente àquele portão que conduz ao Caminho iluminado. Têm a oportunidade de demonstrar um ao outro o valor científico e o poder do amor, considerado como uma força da natureza. Façam esforço para demonstrá-lo. Assim, cada um liberará o que é necessário para trazer mudanças potentes e vitais nos padrões e no propósito de vida dos membros do grupo. O amor não é um sentimento ou emoção, nem é desejo ou um motivo egoísta para ação correta na vida diária. Amar é empunhar a força que guia os mundos e que conduz à integração, unidade e inclusividade, e que impele à ação a própria Divindade. O amor é

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algo difícil de cultivar tal é o egoísmo inerente da natureza humana; é difícil

de aplicar a todas as condições da vida, e sua expressão exige o máximo que

possam dar e o salutar abandono de suas atividades pessoais egoístas.

Os discípulos do grupo de um Mestre têm que amar-se mutuamente com inteligência e uma força permanente e, assim, liberar essa luz e energia que acabará por tornar o grupo de valor efetivo no mundo. Ao trabalhar com vocês

no futuro, não esperem que eu amenize as verdades que tenho a dizer a cada

um de vocês, de tal maneira que vocês não venham a melindrar-se. Eu não devo, no futuro, considerar seus sentimentos e reações de personalidade,

porque conto com a sinceridade de seu propósito.

011

Talvez seja bom lembrar aqui que, como regra geral, ninguém acredita

no que os outros dizem, não importa quão aparente seja a verdade, por mais

que a pessoa afirme que aceita a verdade. Apenas aquelas verdades que se

demonstram individualmente no cadinho da experiência realmente penetram na consciência viva e dão frutos. Mas neste esforço grupal que estamos empreendendo, o fato é que todos no grupo estão cientes de que aquilo que

é dito para o indivíduo pode revelar-se útil, e produzir ajustes muito mais rápidos do que de outro modo seria possível, desde que, unidos e em amor, ajudem seu condiscípulo a mudar a condição indesejável. Conto com apenas uma coisa, meus irmãos, que é sua profunda sinceridade. Não é uma coisa

negativa (como alguns dizem) apontar uma falha ou erro. À medida que a clara luz da alma se derrama, revela à personalidade tal qual é. Se o verdadeiro desapego é praticado, este grupo de discípulos verá as coisas como elas são,

e permanecerá intocado pela revelação de qualidades desejáveis ou

indesejáveis. Se você se sentir deprimido, irritado ou ferido por tal revelação,

indica uma falta básica de desapego e demonstra apego à personalidade e às opiniões dos outros.

Segundo, é essencial que os discípulos em um ashram sejam

contemplativos, mas contemplativos no sentido oculto e não místico. Em todo

o trabalho de meditação que estão fazendo ou farão no futuro, seu objetivo

deve ser o de alcançar o mais rapidamente possível o ponto mais alto no processo de meditação, passando rapidamente através dos estágios de concentração, alinhamento e meditação, até chegar à contemplação. Tendo alcançado este elevado ponto, procurem mantê-lo e, assim, aprenderão a funcionar como alma em seu próprio mundo, contemplando o mundo de energias, nas quais todos iniciados trabalham, e no qual cada um de vocês

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deve algum dia nesta ou em outra vida tomar seu lugar. Este estado (se é que posso chamá-lo por esse nome) devem se esforçar cuidadosamente para alcançar, com precisão, e quando observarem de alguma forma tê-lo atingido, procurem manter um registro exato das impressões. Devem, portanto, constituir um grupo de contemplativos ativos, e os resultados serão facilitados se refletirem e lutarem para alcançar a primeira condição de sua existência grupal, a unidade grupal.

012

Terceiro: Esta unidade grupal, que terá suas raízes na meditação grupal unida ou na vida contemplativa (em que a alma conhece a si mesmo com una com todas as almas) deve trabalhar em alguma forma de atividade grupal. Isso deve demonstrar-se de uma vez no próprio grupo e mais tarde quando a unificação for mais completa no mundo em geral. É desta forma que o Ashram dos Mestres será exteriorizado na terra e a Hierarquia funcionará abertamente no plano físico, e não nos bastidores como até então. Em seguida virá a restauração dos Mistérios.

PARTE II

Cabe agora perguntar: Como isso pode funcionar em forma prática em um grupo de discípulos, todos eles individuais, e sinceramente ansiosos para cooperar e ajudar neste trabalho? Deixe-me tentar dar uma resposta clara.

Vocês se comprometeram voluntariamente a trabalhar juntos quando foi oferecida a oportunidade. Aspiram a uma solidariedade grupal, baseada no fato de que são almas. Isto deve, eventualmente, manifestar-se subjetivamente e, essencialmente, na forma de uma intercomunicação telepática grupal, como compreensão também grupal dos problemas e dificuldades de cada um e, portanto, como uma oportunidade grupal para ajudar-se mutuamente. Esta ajuda não pode nem deve vir através do esforço do contato pessoal, ou através da afirmação de problemas relacionados às circunstâncias e caráter, nem através de conselhos e sugestões. Nós não lidamos com personalidades no grupo de um Mestre, no que concerne a cada um. Assim, cada um de vocês deve aprender a fortalecer e a ajudar uns aos outros, evitando sempre qualquer intromissão da personalidade. Cada um deve aprender a transmitir a qualidade do raio da sua alma a um condiscípulo, estimulando-o a maior coragem, para fins de adquirir pureza de intenção e um amor mais profundo, evitando a dinamização das suas características de

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personalidade. Também devem aprender sempre a pensar em si mesmos como almas, e não como seres humanos limitados.

013

Temos, portanto, três objetivos diante de nós:

1. Unidade grupal

através do pensamento, conhecimento exotérico um do

outro e um constante envio de amor.

2. Meditação grupal

como um grupo de contemplativos, enraizando, assim,

este grupo dentro do reino da alma e fortalecendo a todos os indivíduos

envolvidos.

3. Atividade grupal

resultando na mutua ajuda em problemas específicos de

personalidade, mas não circunstanciais. Reflitam sobre essa distinção, meus irmãos.

Mais tarde, quando o grupo estiver realmente estabelecido, ele deve começar a funcionar externamente, e sua vida fará sentir sua presença. Deve procurar aumentar constantemente a potência espiritual de todos os grupos com os quais os membros do grupo possam estar relacionados ou associados. Refiro-me a todos os grupos que pertencem à Nova Era e trabalham em linhas espirituais. Eventualmente isso trará como efeito a cura dos diversos males da humanidade físico, mental, psicológico e emocional.

Há certas regras simples, mas precisas, que devem reger a vida interna espiritual dos neófitos em treinamento para as distintas etapas do discipulado. Deixem-me fazer sugestões para este trabalho simples e imediato.

Antes de tudo, os discípulos devem praticar a meditação regular e diária. Essas meditações são individuais e adequadas ao discípulo implicado e variam de acordo com os raios, ponto da evolução e do estágio do discipulado, que é o objetivo imediato. Estas informações não podem ser dadas aqui. Essas meditações serão dadas como sugestões para seu uso e aceitação. Em algum estágio de sua meditação procurem conectar-se comigo, mas façam isso depois de terem tentado e alcançado um alinhamento com a sua alma. É essencial a vocês conectarem-se comigo somente após o alinhamento, em razão de evitar, então, as miragens e as ilusões do plano astral onde milhares de formas-pensamento e entidades se disfarçam de instrutores. Durante sua

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meditação dediquem um curto período de tempo para tentar conectar-se com seus condiscípulos, enviando-lhes amor, a força de alma, e ajuda.

 

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Poderão achar útil manter o que poderia ser chamado de um diário espiritual. Isso não envolve anotar diariamente os eventos do dia e não tem relação com os acontecimentos que podem dizer respeito à personalidade. Observem, neste diário vocês devem anotar o seguinte:

1. Qualquer experiência espiritual obtida, como o contato com alguma Presença, ou de sua própria alma, o Anjo da Presença, ou o contato com algum discípulo e, eventualmente (quando o justifiquem a vida, obra e disciplina) o contato com um dos Mestres. Registrem de forma imparcial, preservando a atitude científica e buscando sempre uma explicação prática antes de aceitar uma mística. Um espírito agnóstico (não ateu) é de real valor para o iniciante e o resguarda das armadilhas do mundo da ilusão e do psiquismo inferior.

2. Qualquer iluminação que lhes chegue, lançando um facho de luz sobre um problema e revelando o caminho que cada um ou o grupo deve seguir. Qualquer intuição que corroborada pela razão leve ao conhecimento e evoque a sabedoria da alma, e o registro pelo cérebro, através da mente.

3. Quaisquer acontecimentos telepáticos entre você e seus condiscípulos. Essa interação telepática deve ser cultivada, mas deve ser cuidadosamente controlada e verificada, com sua precisão estritamente preservada. Assim teremos a promoção do espírito da Verdade, que é o princípio que rege toda verdadeira comunicação telepática. Um Ashram trabalha telepaticamente quando totalmente organizado.

4. Quaisquer fenômenos de caráter místico e espiritual também devem ser registrados. A visão da luz na cabeça vem sob esta categoria. O seu brilho deve ser observado, seu crescimento e escurecimento; a audição da Voz do Silêncio, que é a voz da alma, não do subconsciente; o registro de mensagens da alma ou de outros discípulos e servidores do mundo; expansões de consciência que os inicia para a vida consciente de Deus, à medida que se manifesta através de quaisquer formas, e devem ouvir a nota que emitem todos os seres. Um estudo minucioso da terceira parte de A Luz da Alma (os Aforismos de Patanjali) vai indicar o tipo de fenômenos que devem encontrar seu lugar neste diário.

 

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5. Todas as experiências do tipo psíquico, que não se enquadram na classificação anterior. Os mencionados acima vêm sob o título de psiquismo superior, e concernem às faculdades psíquicas superiores, percepção espiritual, conhecimento intuitivo, telepatia mental (e não a telepatia que tem por base a atividade do plexo solar). Se puderem, anotem também as experiências psíquicas inferiores, agradáveis ou desagradáveis. Uma vez registradas, no entanto, devem ser esquecidas, pois não são de nenhuma importância.

Podem se passar dias e semanas sem nada a registrar. Não permitam que isso de forma alguma os desconcerte. A sensibilidade do mecanismo à alma e a vibração espiritual devem ser cultivadas, e abandonada a sensibilidade às impressões psíquicas inferiores sintonizadas de fora; tantas vozes clamam por atenção, tantas impressões emanadas das formas físicas e astrais em torno de nós que nossa consciência registra, que as vibrações e sons que vêm do mundo subjetivo e espiritual se perdem, e não são registrados nem percebidos. Acharão interessante notar, no final de alguns anos, a diferença entre os dados registrados e o desenvolvimento da sensibilidade para o tipo certo de impressão. Isso só pode ser realizado depois de muito tempo decorrido e muito material espúrio ter sido eliminado, depois de ser reconhecido por aquilo que é: astralismo, afirmações espúrias e formas- pensamento.

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Outra pergunta pode ser aqui formulada: O que devem buscar os discípulos no grupo de seu Mestre, para comprovar o trabalho grupal bem sucedido? Em primeiro lugar, como sabem, a integridade e a coesão do grupo. Nada pode ser feito sem isto. A ligação subjetiva dos discípulos entre si, em seu próprio grupo, e a ligação do grupo com outros grupos ocupados com trabalho especial dentro do Ashram e (como resultado deste) o surgimento de um grupo e uma consciência ashramica são objetivos vitais. Espera-se que isso também ocasione uma eventual interação telepática que trará resultados potentes e um trabalho externo bem sucedido. Essas atividades produzirão uma circulação grupal de energia, que estarão a serviço do salvamento mundial. Cada um deve se lembrar que a pureza do corpo, controle das emoções e estabilidade mental são necessidades fundamentais, e deve-se tentar conquistá-las diariamente. De novo e de novo reitero estes requisitos básicos e à custa de cansativa repetição exorto-os sobre o cultivo dessas qualidades. Gostaria de lembrá-los também que vocês são homens e

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mulheres adultos e maduros, que não precisam de declarações específicas sobre defeitos e características. Busco apenas fazer sugestões quanto às tendências de pensamento. Observem aqui a palavra sugestão, pois isso é tudo o que eu procuro dar. O discípulo deve sentir livre para seguir uma sugestão ou uma dica, como melhor lhe parecer. Este trabalho todo pode ser denominado um experimento no sentido comum esotérico e na disposição de aceitar a sugestão. É um ensaio da intuição e um teste em discernimento. O trabalho, para o qual os tenho chamado, é também uma experiência na impessoalidade, na vontade de trabalhar e aprender, na liberdade de escolher ou rejeitar as observações e as técnicas. Tudo têm o seu valor.

Este é um experimento, da mesma forma, para mim. Tenho trabalhado até agora com apenas três chelas ocidentais, dos quais A.A.B. é uma. Os outros dois são totalmente desconhecidos para vocês. Peço a vossa ajuda e cooperação durante as fases iniciais do trabalho, no que diz respeito à obtenção de conclusões. Peço-lhes para se manterem unidos não importa quais eventos ou que forças possam tentar separá-los. Peço aos meus discípulos para amarem-se uns aos outros, apesar das diferenças de caráter

e de raios, e para trabalhar lealmente juntos pela coerência e integridade do

grupo não importa quais opiniões diversas vocês possam ter, ou o que possa ocorrer no decorrer do tempo. Se puderem manter-se unidos ao longo dos anos e ao longo deste ciclo de vida, então o grupo poderá seguir adiante, para

o futuro, e trabalhar em conjunto em outros planos, economizando, assim,

energia. Podem persistir e continuar? Pode ser configurada uma interação telepática de tal forma que a morte não constitua uma barreira, a fim de que

se prove que tudo persiste e continua a comunicação?

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Muitas dessas questões surgem e só o tempo trará a resposta. Se houver persistência do esforço, um vínculo leal de amor, adesão ao ideal

grupal e mútua tolerância, compreensão e paciência, será possível a este grupo fundir-se em uma unidade que, na realidade, será um átomo vivente no corpo hierárquico. Todos estão no caminho do discipulado em alguma etapa;

e nisto reside a oportunidade.

Este é um grupo (pequeno de fato) de discípulos que através da devoção à verdade, por meio de sua tentativa de cumprir seu dever, e em razão de sua mútua relação carmica uns com os outros e comigo foram escolhidos (apesar das limitações e desenvolvimento deficiente) para trabalhar em conjunto com o fim específico de formar um núcleo de poder e

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energia espirituais, para ajudar a humanidade. Mas acima de tudo, é um grupo formado para inaugurar os métodos da Nova Era a respeito do trabalho grupal, bem como para o treinamento de discípulos e sua preparação para a iniciação, juntamente com outros grupos em todo o mundo, que captaram a nova visão e trabalham sob a inspiração e a impressão dos Mestres. A fundação dessas escolas de mistérios que posteriormente serão estabelecidas no mundo e às quais me referi no livro Cartas sobre Meditação Ocultista, pode ser possível se todos vocês se colocarem à altura da oportunidade. Isto se deve ter em mente. O experimento pode fracassar. Fracasse ou não, em qualquer caso

Que todos e cada um de vocês estejam à altura da

oportunidade e possam levar o trabalho adiante nos três mundos e no reino

onde a luz da alma flui, é meu mais sincero anelo e desejo.

haverá benefício

PARTE III

À medida que enfrentam esta oportunidade em um mundo que atravessa uma grande crise, gostaria de afirmar a todos os irmãos e discípulos ativos, que é necessário ter em mente três coisas, para que possam trabalhar com eficiência e como desejado.

018 Primeiro: Os discípulos devem saber que os Mestres têm três tipos de trabalhadores. Existem aqueles que fazem o trabalho difícil do mundo exterior. Eles materializam as formas pelas quais a Hierarquia pode expressar suas intenções e estabelecer contatos humanos. Há muitos desses discípulos, e fazem este trabalho de sua livre escolha, e porque já perceberam a necessidade imediata e vindoura da humanidade, e se comprometeram a servir. Há outros, os que agem como elemento de ligação entre os Irmãos Mais Velhos da raça, os Mestres de Sabedoria que encarnam o plano divino, e os trabalhadores mencionados acima. Não atuam como elementos de ligação entre o discípulo e seu Mestre, porque nessa relação direta ninguém pode intervir, particularmente nos estágios mais avançados. Este segundo grupo de discípulos trabalha, no entanto, agindo como intermediários na elaboração do plano no mundo, e estão de prontidão para ir a qualquer lugar, quando solicitado, auxiliando, assim, com sua sabedoria e experiência, e completando as capacidades dos trabalhadores locais, trocando ideias. Existem vários desses que são enviados expressamente para campo, atualmente, para acelerar o trabalho sempre que possível, e para aumentar a atração magnética desses centros, através do qual a força espiritual da Nova Era possa fluir.

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Isso tudo é preparatório para um esforço supremo que a Hierarquia dos Mestres planeja fazer. Caso vocês, no local que se encontram, trabalhem com completa entrega e devoção doando seu tempo e interesse pela causa será possível preparar o terreno, de tal forma que, o esforço vindouro dos Mestres esteja adequado para emergir.

O terceiro grupo é o dos Mestres e Seus iniciados colaboradores. Trabalham principalmente desde o lado interno. Suas atividades se confinam em grande parte ao plano mental e ao uso científico do pensamento. Assim, Eles orientam Seus trabalhadores e ajudantes, e influenciam e direcionam Seus discípulos e os discípulos mundiais.

Existe neste momento a intenção interna de mesclar as abordagens ocidentais e orientais das antigas sabedorias e da Hierarquia. A cooperação e o intercâmbio mútuo de sabedoria e de conhecimento são essenciais para o aperfeiçoamento. Os objetivos de ambos os métodos o místico e o ocultista são os mesmos.

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Segundo: É necessário que os discípulos trabalhando neste momento compreendam a emergência imediata. Há uma crise nos assuntos dos homens. Esta crise deve ser vista em termos de oportunidade e não em termos de cataclismo ou catástrofe. Assim como na vida de um aspirante ao discipulado, surge uma vida ou série de vidas em que existe conflito direto entre a alma e a natureza inferior, também existe agora uma crise semelhante em nosso planeta. O objetivo em ambos os casos é o de que a alma possa assumir um controle cada vez maior sobre o aspecto forma.

Observando de outro ângulo, esta alma planetária funcionando como uma Hierarquia de Mestres se encontra em conflito direto com as forças do mal. Convém, no entanto, ter em mente que essas forças também constituem uma hierarquia de entidades, constituindo as formas materiais e, portanto, reais e corretas em seu lugar. Em realidade, trata-se de qual é o objetivo, em qualquer ciclo de tempo particular. O presente objetivo é o de que a família humana deve agora, como um todo, fazer três coisas e tudo o que milita contra este mal.

1.

Manifestar a natureza da alma, através da personalidade integrada. A natureza da alma é o amor e a vontade para o bem.

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2. Transferir a energia, agora direcionada para a vitalização do corpo físico e para a criação física, ao cultivo da faculdade criadora no plano mental; assim a família humana inteira será transmutada em um agente dinâmico, autoconsciente, e criador.

3. Inaugurar um período de desenvolvimento espiritual em cada reino da natureza. No final deste período, a porta para o reino animal se abrirá novamente, serão oferecidas oportunidades para as almas embrionárias que aguardam. Muitos também, neste momento, poderão receber a iniciação, equilibrando, portanto, as forças em cada extremidade da linha humana de desenvolvimento. Isto será produzido pela renovada atividade cíclica da Grande Loja Branca e será alcançado por meio das energias que estão inaugurando a nova era. Esta crise nos alcançou quase prematuramente, devido ao avanço extremamente rápido feito pela humanidade desde 1850. Através do impulsivo desejo dos próprios homens, foi feito contato com um novo reino e com uma nova dimensão. A humanidade liberou energias até então desconhecidas e os efeitos são de dois tipos, com resultados bons e maus.

020

Terceiro: Os discípulos devem agora se organizar para um esforço firme e unido. Esta atitude deve assumir a forma de uma cooperação mais estreita entre todos os grupos, permanecendo em estreita relação, fortalecendo-se assim mutuamente, e sempre que possível, partilhando recursos. Deve resultar também em um impulso adiante unido de todas as agências espirituais e ocultistas, e na apresentação da verdade ao longo de todas as linhas possíveis, para as massas dos homens. Assim como nos dias Atlantes, as forças espirituais foram subordinadas aos desejos egoístas dos homens, também hoje, estão sendo subordinadas às mentes egoístas e às ambições dos homens e os resultados serão profundamente malignos. A situação do mundo hoje demonstra isso. Pois, embora benefício material e prosperidade física possa eventualmente emergir a partir de certos países onde grandes experimentos estão sendo realizados, eles só vão exemplificar o triunfo da forma e finalmente chegarão a nada. Assim como todo ser humano se esforça em alguma vida pela realização da personalidade, assim é entre as nações. No entanto, no coração de cada nação encontra-se latente a alma mística e, eventualmente após terrível luta e sofrimento tudo ficará bem. As tendências para o materialismo e para a realização da personalidade devem, no âmbito do plano maior e da vontade para o bem, ser compensadas por um

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movimento contrário da vida espiritual e este deve ser o objetivo de todos os discípulos ativos.

Que esses discípulos ativos procurem, portanto, aprofundar seu amor por todos os seres, e que o crescimento desse amor venha através do amor grupal que jaz por trás de todos os acontecimentos mundiais. Meus irmãos, quando chegará o tempo em que o mundo perceba que o aspecto amor do Logos no que afeta o reino humano é focalizado através do grupo interno subjetivo dos trabalhadores? Esse amor se acha agora na fase de se ancorar fisicamente através dos novos grupos (como este grupo) que estão em processo de formação em todo o mundo. Estes novos grupos são centros (ou deveriam ser) do amor divino, magnéticos, construtivos e puros. Procurem, portanto, cumprir os requisitos na medida de sua força física, tendo sempre em mente que são mais capazes que antes, a um maior esforço e a uma maior pressão.

021

Esta experiência que instituí e para o qual se submeteram voluntariamente e de bom grado, deve ser empreendida para propósitos

grupais. A Hierarquia procura descobrir até que grau os grupos são sensíveis, como um todo, à orientação e instrução subjetiva, e até onde os canais de comunicação estão desimpedidos, entre os vários indivíduos do grupo e o Mestre, e entre os vários grupos dentro do Ashram de um Mestre. O grupo de discípulos do Mestre, no lado interno da vida, constitui um organismo integrado, caracterizado pela vida, amor e interação mútuos. As relações em

tal grupo são estabelecidas inteiramente nos níveis mental e astral e, portanto,

não são sentidas as limitações de força do corpo etérico, nem as do cérebro físico. Desnecessário dizer que a relação fundamental é nos níveis de alma.

O fato é que o corpo etérico e o cérebro físico estão fora destas relações

básicas às quais o Ashram se refere; isso facilita a compreensão e a interação recíproca. É sábio lembrar, no entanto, que a potência astral é mais fortemente sentida no plano físico do que em outros planos e, portanto, é maior a ênfase colocada sobre controle do desejo emocional, recomendada em todos os tratados sobre discipulado ou em preparação para aquele estado. Não é fácil para o principiante médio no Caminho do Discipulado compreender isto ou a ver a necessidade das regras e sugestões feitas. Para algumas pessoas não é fácil se conformar às regras e disciplina, a menos que seja inteiramente auto iniciada. As sugestões que eu faço a vocês, meus irmãos, são apenas isto:

sugestões, mas certamente é sábio segui-las, desde que se colocaram voluntariamente sob minha tutela. Seu trabalho comigo tem de ser

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inteiramente de sua própria vontade e escolha. Vocês não estão sujeitos a nenhuma compulsão. Outros tipos de discípulos evidenciam a vontade de seguir as instruções, mas sua verdadeira dificuldade consiste em trazer a vida em conformidade com os ritmos desejados. O caminho estreito, que todos os discípulos têm a trilhar, exige obediência às regras antigas para discípulos. Esta obediência se presta de bom grado e com os olhos abertos, embora não se espere uma rígida aderência a essas regras. O discípulo progride adaptando sua vida inteligentemente a esses requisitos, tanto quanto for razoavelmente possível e não adaptando os requisitos à sua vida. Flexibilidade dentro de certos limites é sempre necessária, mas que a flexibilidade não seja posta em movimento por qualquer inércia pessoal ou dúvidas mentais.

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Uma mudança nesta relação entre os discípulos está sendo feita agora. O início de uma atividade e interação grupais no plano físico, pode agora ser tentada, envolvendo, por conseguinte, o uso do corpo etérico e do cérebro. As dificuldades enfrentadas são grandes, e anseio que entendam isso. Compreendem, por exemplo, que as divergências de opinião que podem ocorrer nas relações deste grupo de discípulos serão causadas por reações cérebro-astrais e, portanto, não se deve ser dar qualquer importância a elas? Devem ser imediatamente eliminadas, e limpas da ardósia da mente e da memória, e classificadas inteiramente como limitações de personalidade e indignas de entravar a integridade grupal.

Este experimento, sendo tentado por um grupo dentro do meu Ashram,

é em relações mentais e contato com a alma, que consiste basicamente em

colocar a atenção lá. As reações astrais-físicas cerebrais devem ser consideradas como inexistentes e como ilusões, e devem descer abaixo do limiar da consciência do grupo e morrer lá por falta de atenção. Este tipo de

trabalho em grupo é um novo empreendimento e, a menos que algo definitivamente novo surja como resultado desta experiência, não se justifica

o gasto de tempo e o esforço. Não devem imaginar que a linha particular de

trabalho em que estão empenhados é o fator de principal interesse. O desdobramento da intuição, o poder de curar ou a eficiência telepática não são de principal importância. Aquilo que conta para a Hierarquia como funcionamento dos Ashrams é o estabelecimento subjetivo de uma interação

grupal e um grupo tão potente, que possa ser visto como o surgimento de uma união mundial em embrião. A potência conjunta para se tornar telepático ou a capacidade grupal de intuir a verdade é valiosa e algo utópica. É o

31

funcionamento dos grupos que têm habilidade de trabalhar como uma unidade, cujos ideais são unos, cujas personalidades estão fundidas em um movimento adiante, cujo ritmo é uno e cuja unidade está tão firmemente estabelecida que não permita gerar no grupo características humanas puramente separatistas, de isolamento pessoal e busca egoísta, que é novo. Pessoas altruístas não são raras. Grupos altruístas são muito raros. A devoção individual pura em um ser humano não é rara, mas encontrar devoção em um grupo certamente é. Muitas vezes se encontra a submersão dos interesses pessoais pelo bem da família, ou de outra pessoa, pois a beleza do coração humano tem se manifestado ao longo das eras. Encontrar essa atitude em um grupo de pessoas e ver tal ponto de vista mantido com um ritmo ininterrupto e demonstrando de forma espontânea e natural será a glória da Nova Era.

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O estabelecimento de um vínculo de puro amor e relação de alma,

realizados e aplicados em forma grupal e no trabalho grupal, é de fato novo, e

a realização deste ideal é o que ponho diante deste grupo de meus discípulos. Se este grupo estiver à altura da visão como existe em minha mente, se

estabelecerão no plano físico os pontos focais da força especializada, através dos quais a Hierarquia poderá trabalhar com maior segurança do que até agora. Será (através deste e grupos análogos) colocada em movimento na terra uma rede de energias espirituais que facilitarão a regeneração de todo o mundo. A influência desses grupos quando estabelecidos permanentemente

e trabalhando de forma potente terá um objetivo bem mais amplo do que apenas a elevação da humanidade.

O potente ritmo que anima internamente a Fraternidade da Loja dos

Mestres se fará sentir em todas as partes da terra, e esses grupos, se bem sucedidos, serão considerados como o primeiro passo para a exteriorização

da Grande Loja Branca. Mas lembrem-se: a tônica da Loja não é a obtenção de uma graduação. É a relação estável, a unidade de pensamento, além da diversidade de método, de esforço e de função, sendo essa qualidade a amizade em seu sentido mais puro. A Fraternidade é uma comunidade de almas impulsionadas pelo desejo de servir, impelidas por um impulso espontâneo para amar, iluminadas por uma Luz pura, devotamente fundidas

e misturadas em grupos de Mentes de serviço, e energizadas por uma só Vida. Seus Membros são organizados para promover o Plano com o qual eles conscientemente entraram em contato e com o qual Eles deliberadamente cooperam.

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Será aparente para vocês, portanto, que o propósito desses grupos é desenvolver, com o tempo, três grandes poderes de todas as mentes iluminadas:

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Primeiro: o poder de trabalhar em e com toda a substância mental. A Hierarquia de Mentes Iluminadas é um grupo Cujos poderes telepáticos os tornam sensíveis às correntes mentais e suscetíveis de registrar os pensamentos Daqueles que personificam a Mente de Deus, a Mente Universal, e também ao registro das formas-pensamento Daqueles que estão mais além da Hierarquia de Mestres e Aqueles que, por sua vez, estão além dos discípulos do mundo.

Estas Vidas que realizam as ideias da Mente Divina existem em ordens graduadas, e não nos concernem os detalhes de Seus grupos, a não ser o fato

de que a Fraternidade planetária está em relação telepática com Aqueles que são responsáveis pelas condições planetárias do sistema solar, com o Grande Conselho, portanto, com Shamballa. Eles também estão em relação telepática imediata uns com os outros. Os poderes se manifestando lentamente do rádio

e o funcionamento sensível dos mecanismos de rádio e da televisão que estão

se aperfeiçoando são a contraparte, em matéria física, dos poderes telepáticos

aperfeiçoados e televisivos das mentes dos Mestres de Sabedoria. Não se esqueçam que tais poderes são inerentes a todos os homens.

O grupo interno do Mestre com o Qual estou associado, também trabalha telepaticamente com Seus discípulos e os discípulos trabalham mutuamente telepaticamente em menor grau. O poder de "ver" o Mestre que tem sido o impulso equivocado dos devotos do mundo que substituíram esse desejo pela aspiração ao contato com a alma é sua resposta a "tele-visão", daqueles que buscam guiá-los para a luz de suas próprias almas. Reagem apenas a um dos poderes divinos demonstrados pelo Mestre, mas não a ação da alma.

Sua resposta ao estímulo que eu eventualmente dê a vocês constitui-se

num esforço sério de sua parte para amar com desprendimento, e que acabará por aperfeiçoar lhes gradualmente até que atinjam uma condição semelhante

à

de outros trabalhadores. Isto se fará em três direções:

1.

Na capacidade demonstrada para estar em contato telepático comigo e com Aqueles com quem estou associado.

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2.

No poder de comunicarem-se uns com os outros, em qualquer momento.

3. Na sensibilidade aos pensamentos da humanidade como um todo.

025

Podem ver, portanto, como é possível estabelecer na Terra uma réplica em miniatura da Fraternidade e como, em décadas futuras, os discípulos ativos do mundo, os Iniciados isolados nas muitas organizações mundiais e o pessoal do Novo Grupo de Servidores do Mundo responderão automaticamente à sensibilidade telepática dos grupos que trabalham nos muitos Ashrams dos Mestres? O resultado desse sucesso conduzirá ao reconhecimento do poder universal e do estado mental dos discípulos de todos os graus, e não será apenas o reconhecimento de um grupo qualquer em particular. Isto demonstrará, com o tempo, e sem controvérsia, a unidade de todos os seres. A revelação da unidade através do poder do pensamento é a gloriosa consumação do trabalho da Fraternidade, e vocês, como todos os discípulos, respondem em seus momentos de maior elevação. Em menor grau e na medida em que se consagrarem, assim será sua glória e seu propósito, se mantém a ideia de unidade, de serviço e acima de tudo de amor.

Segundo: o poder da intuição, que é o objetivo da maior parte do trabalho que os discípulos devem realizar, requer o desenvolvimento de outra faculdade no homem. A intuição é uma função da mente também, e quando usada corretamente, capacita ao homem a apreender a realidade com clareza e ver a realidade livre de qualquer miragem ou ilusão nos três mundos. Quando o ser humano possui intuição, está habilitado a agir direta e corretamente, porque está em contato com o Plano, com os fatos puros e ideias não adulteradas livres da ilusão, e que provém diretamente da Mente divina ou universal. O desenvolvimento dessa faculdade trará um reconhecimento mundial do Plano, e esta é a maior conquista da intuição no presente ciclo mundial. Quando esse Plano é percebido, traz a compreensão da unidade de todos os seres, da síntese da evolução mundial e da unidade do propósito divino. Todas as vidas e todas as formas serão vistas, então, em sua verdadeira perspectiva; se obterá um correto sentido de valores e de tempo. Quando o Plano é diretamente e verdadeiramente intuído, o esforço construtivo torna-se inevitável e não há desperdício de movimento. É a compreensão parcial do Plano e sua interpretação em segunda ou terceira mão pelo ignorante que é responsável pelo esforço desperdiçado e pelos

34

impulsos insensatos que caracterizam as atuais organizações ocultistas e mundiais.

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Os distintos grupos do Ashram de um Mestre podem cumprir determinadas funções e fornecer laboratórios para trabalhos específicos. Alguns podem fornecer um laboratório para os observadores treinados do mundo e ocupar-se com a miragem e ilusão mundiais. Outros grupos podem concentrar-se no desenvolvimento da faculdade telepática e tornarem-se comunicadores treinados. O objetivo atual que a Hierarquia tem diante de si, nesta época, é romper e dissipar a miragem mundial. Isso tem que acontecer em escala mundial assim como acontece na vida de cada discípulo. Do mesmo modo que um homem transfere seu foco de consciência (quando no Caminho do Discipulado) para o plano mental e aprende romper a miragem que até então o manteve preso ao plano astral, assim é o problema atual diante da Hierarquia, de produzir um acontecimento semelhante na vida da humanidade como um todo, porque a humanidade está numa encruzilhada e sua consciência está se tornando focalizada, rapidamente, no plano mental. Um golpe mortal deve ser desferido na ilusão mundial, porque ela escraviza os filhos dos homens. Aprendendo a romper a miragem em suas próprias vidas

e a viver à luz da intuição, os discípulos podem fortalecer Aqueles Cuja tarefa

é despertar a intuição no homem. Há muitos e diferentes tipos de miragem, e os discípulos são frequentemente surpreendidos quando eles aprendem o que é considerado como miragem pelos Mestres. Vou enumerar algumas das miragens mais comuns para vocês, deixando que façam qualquer aplicação necessária, e expandindo a ideia, desde o indivíduo até humanidade como um todo. Aqui estão os nomes de algumas dessas miragens:

1. A miragem do destino. Esta é uma miragem que indica àquele que está por ela controlado, que tem um trabalho importante a fazer, e que deve agir e trabalhar como está destinado. Isso alimenta o orgulho e não tem nenhum fundamento real.

2. A miragem da aspiração. Aqueles assim condicionados se sentem completamente satisfeitos, se ocupam com sua aspiração à luz, e se respaldam no fato de que são aspirantes. Essas pessoas precisam avançar no caminho do discipulado e abandonar a preocupação e satisfação com as suas ambições e metas espirituais.

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3. A miragem de autoconfiança, ou o que se poderia chamar de os princípios astrais do discípulo. Em linguagem simples é a crença do discípulo que considera seu ponto de vista totalmente correto. Também alimenta o orgulho e tende a fazer crer que o discípulo é uma autoridade infalível. É o pano de fundo do teólogo.

4. A miragem do dever. Leva a uma ênfase exagerada do sentido de

responsabilidade, produzindo movimentos inúteis e a ênfase naquilo que

é não-essencial.

5. A miragem das condições ambientais, levando frequentemente a um sentimento de frustração, de futilidade ou de importância.

6. A miragem da mente, e de sua eficiência e capacidade de lidar com qualquer ou todos os problemas. Isto conduz inevitavelmente ao isolamento e solidão.

7. A miragem da devoção, levando a uma estimulação excessiva do corpo astral. O homem ou a mulher sob essa miragem vê apenas uma ideia, uma pessoa, uma autoridade e um aspecto de verdade, alimentando o fanatismo e o orgulho espiritual.

8. A miragem do desejo, com sua ação reflexa sobre o corpo físico. Conduz

a uma condição constante de luta e turbulência, nega toda paz e trabalho frutífero, e algum dia deve terminar.

9. A miragem da ambição pessoal.

Existem muitas outras miragens, tanto individuais como mundiais, mas estas servem para indicar a tendência geral.

Aqueles que estão em preparação para a iniciação devem aprender a agir conscientemente com a miragem; devem trabalhar de forma eficaz com a verdade apresentada, ignorando qualquer dor ou sofrimento, ou questionamento mental, incidentais à rebeldia e limitações da personalidade; eles devem cultivar essa "divina indiferença" pelas considerações pessoais característica do Iniciado treinado.

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Não me ocuparei mais do assunto da miragem, como ela afeta ou pode afetar esse grupo particular de discípulos em meu Ashram. Os tempos urgem e a necessidade da humanidade é tão grande que não há "espaço na consciência" (para usar uma antiga frase ocultista) para a reiteração do ideal conhecido, ou para dizer novamente o que precisa ser feito.

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Gostaria que compreendessem que não há pressa no trabalho que um Mestre executa com Seus discípulos. Não há pressa no trabalho que proponho fazermos juntos, mas também não deve haver qualquer desperdício de tempo ou movimento perdido. Será evidente para vocês que muito do que eu procuro realizar se relaciona com o controle do pensamento e da atividade da imaginação criativa. A Hierarquia produz seus efeitos no plano das aparências, pela potência de seu consciente pensamento unificado. O estabelecimento de tal condição de pensamento unificado dentro do Novo Grupo de Servidores do Mundo faz parte do meu principal esforço neste momento; nós pouco poderemos alcançar até que isso tenha sido conseguido.

Assim eu os convoco a uma nova fase de intensa vida interior e a pensar

dinamicamente, mas desta vez com um objetivo grupal o objetivo da fusão,

A vida interna de reflexão, o

cultivado reconhecimento da alma e o reflexivo alinhamento da alma e

personalidade, determinarão o sucesso deste trabalho.

pensamento unido grupal e relação grupal

Terceiro: Há outro grande poder da mente que tem que ser desenvolvido. Caracteriza todas as almas liberadas, não importa qual seja seu raio. É o poder de curar. Este trabalho está ainda em embrião e a consciência grupal é ainda tão jovem e sem polarização, que me é desnecessário explanar as possibilidades futuras. Quando os homens puderem ser treinados a ser altruístas, divinamente magnéticos e radioativos, então se derramarão sobre o mundo certas forças divinas que vivificam e reconstroem, eliminam o mal e curam os doentes. Até agora, as tentativas dos homens no campo da medicina, da cura e das várias formas de terapia têm sido o resultado de impulsos para responder a essas forças que pairam, mas isso é tudo por enquanto.

Estas são as três principais faculdades que o homem espiritual pode desenvolver; outras faculdades e capacidades em desenvolvimento são apenas expansões destas três telepatia mental, recepção e transmissão; reconhecimento intuitivo da verdade e sua formulação em conceitos mentais,

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acrescido do posterior processo de materializar o que foi intuído, a forma mais elevada do trabalho criativo; a cura, com a consequente compreensão da energia e das forças, que conduzirão mais adiante ao renascimento da humanidade.

 

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Pouco a pouco, o quadro das possibilidades e do Plano se desdobrará ante vocês, à medida que suas mentes aumentem a sensibilidade e seus cérebros se tornem mais sensíveis aos impulsos mentais. Pouco a pouco, os discípulos do mundo reproduzirão no plano físico o que existe subjetivamente. Pouco a pouco, aparecerão na terra grupos de almas iluminadas que poderão cooperar com os Mestres com perfeita liberdade e intercâmbio, porque sua faculdade de resposta foi cientificamente treinada e desenvolvida. Seu poder para trabalhar em sintonia ou em uníssono com a Hierarquia, de cooperar com a vida grupal de muitos outros grupos de discípulos e transmitir a luz e revelação ao mundo dos homens, será mais adiante um fato consumado, e já está muito ativo no presente e mais potente do que vocês creem. Um pouco de visão, irmão meu, facilita o caminho do discípulo e, portanto, explanei mais amplamente sobre as possibilidades que, devido a nossa previsão, já são consideradas como fatos em manifestação. Nada pode deter o eventual êxito do Plano; é simplesmente uma questão de tempo.

Um dos passos a dar no treinamento é o estabelecimento de um contato mais próximo comigo, seu Instrutor Tibetano. Devem tentar, sem ideias pré- concebidas quanto aos resultados se querem realizá-lo objetivamente. Os resultados podem ser percebidos apenas por mim, ou podem constituir-se em certas realizações específicas e até mesmo fenomênicas por vocês. Não indico quais seriam os resultados de tal atividade, a fim de evitar o poder da sugestão e a resposta da imaginação criativa, que são uma fonte fecunda de miragens.

 

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Gostaria, por isso, de pedir a todos vocês, que se esforcem para fazer contato comigo no momento da lua cheia de cada mês. Façam o sacrifício, a fim de estabelecer essa relação mensal, assim como, também eu, farei ajustes para contatá-los. Enfatizo a necessidade de manter a ideia deste contato durante os três dias que antecedem a própria Lua Cheia, com aspiração e com confiança e, depois, nos três dias posteriores, com expectativa. Gostaria de assinalar a importância primordial de tornar esta uma atividade grupal, não um contato pessoal. Comecem o trabalho compreendendo sua relação grupal com

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seus condiscípulos e comigo, pois só na medida em que procurem contatar- me, como discípulos no meu grupo poderá ser avaliada a medida de seu sucesso. Este contato é da mesma natureza que o contato direto e individual entre um discípulo e seu Mestre. Muitos de vocês estão ligados com seu

próprio Mestre, apesar de trabalharem temporariamente em meu Ashram; seu contato comigo se destina a ser um contato grupal e, como um grupo, procurem reforçar o laço entre nós. Este, portanto, é um ato de serviço grupal

a ser prestado de forma altruísta e sem nenhuma expectativa pessoal. Devido

à pressão do tempo e da urgência do serviço, sou um dos vários instrutores

que se comprometeram a manter, durante os próximos anos, doze horas disponíveis antes da Lua Cheia de cada mês para contatos com seus discípulos, de modo que, a qualquer momento durante essas 12 horas, os servidores mundiais e os discípulos possam tentar chegar até nós. Isso facilitará um pouco seu trabalho, porque vocês não precisam se adequar à hora exata da Lua Cheia, a menos que isso seja facilmente possível. O serviço

no mundo nos dias de hoje requer uma constante pressão e atenção, e o trabalho é árduo. Pode ser que nem sempre seja possível na hora exata da Lua Cheia, embora possam sempre, àquela hora silenciosamente e internamente elevar seus corações e seus olhos ao Eterno. Mas podem se aproximar em algum momento durante as doze horas anteriores. Quando o façam corretamente, me encontrarão esperando. Realizem seu trabalho com uma visão clara, um coração amoroso e um amor compreensivo. Muito poderá, então, ser realizado.

PARTE IV

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À medida que estes grupos de discípulos tornam-se ativos no mundo e sua integração interna e realização grupal tornar-se firmemente estabelecida, teremos o germe destas características que dignificarão os grupos da Nova Era. Não se esqueçam que este trabalho de grupo que estão tentando fazer é, na realidade, um trabalho pioneiro e, portanto, com todas as dificuldades inerentes ao trabalho pioneiro, inevitável e necessariamente. Assim se adquire força ao progredir. Conforme o número desses grupos aumenta, e se vá obtendo, gradualmente, o pessoal necessário, o esqueleto de uma estrutura futura emergirá lentamente. Como essa estrutura se apresentará quando concluída só o sabe a visão inspirada dos arquitetos. Mas as fundações devem ser definidas com certeza e profundidade; o quadro deve ser verdadeiro e corretamente ajustado. Esses dois requisitos são tudo o que vocês verão materializar-se nesta vida.

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Já se aperceberam, meus irmãos, o progresso mundial oculto que vocês poderão presenciar durante o atual ciclo de vida? Já vislumbraram a magnitude do presente impulso que está sendo dado pelos Mestres e reconhecem Seus planos tomando forma diante de seus olhos? Captaram a essência do que a Grande Loja Branca tem feito durante os últimos vinte e cinco anos e a extensão do trabalho no qual compartilham discípulos e aspirantes autorizados, em todos os lugares? Gostaria de ampliar um pouco disto, de modo a tornar a imagem mais clara aos seus olhos, a fim de que vocês possam cooperar com maior inteligência, pois, sobretudo, o trabalho é grupal.

Lenta e gradualmente, no que concerne a vocês, reuni um grupo de discípulos no plano externo. Conforme o grupo se integre mentalmente, e discípulos respondam ao meu chamado, se conhecerão mutuamente e trabalharão em conjunto, tornando possível eu ir adiante com o trabalho que escolhi, e levar adiante os planos que defini quando recebi certa iniciação.

Primeiro de tudo, meus livros foram publicados em sequência ordenada, e forneceram um ensinamento e verdade que satisfarão as necessidades da geração vindoura. Meus discípulos devem salvaguardar esta apresentação da verdade durante este século, e fazer com que os livros sejam lidos e cumpram sua missão, até que sejam finalmente substituídos num século vindouro, por um ensinamento mais novo e mais adequado.

Em seguida veio um acontecimento de importância vital de mais importância do que talvez vocês possam apreciar. Uma instrução sobre o Novo Grupo de Servidores do Mundo foi enviada e amplamente divulgada por meio do panfleto intitulado “Os Próximos Três Anos”. Estes sinalizaram a ancoragem se posso chamá-lo assim do Novo Grupo de Servidores do Mundo no plano físico, já em existência ativa agora. Este grupo está lentamente se integrando e, também lentamente, faz sentir sua influência no trabalho primário de educação da opinião pública, único meio potente de trabalho, de maior força e valor final, do que qualquer legislação ou ênfase posta na autoridade.

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Em decorrência da integração deste novo grupo, está se formando no mundo uma "ponte de almas e de servidores" que possibilitará a fusão da subjetiva Hierarquia interna de almas e o mundo externo da humanidade. Isto

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constituirá uma fusão ou mescla efetiva, e marcará a iniciação da família humana através da realização dos seus membros mais avançados. Este é o verdadeiro "casamento nos Céus" de que fala o Cristianismo místico, e o resultado desta fusão será a manifestação do quinto reino da natureza, o reino de Deus. Na história passada da raça, ocorreu um grande evento que trouxe

à manifestação o quarto reino da natureza, o reino humano. Estamos agora à beira de um evento semelhante, porém ainda mais importante o

aparecimento do quinto reino, como resultado da atividade planejada do Novo Grupo de Servidores do Mundo, trabalhando em colaboração com a Hierarquia das almas aperfeiçoadas, e sob a orientação do Próprio Cristo. Isso inaugurará

a Nova Era, na qual se reconhecerão cinco reinos da natureza existindo, lado

a lado, sobre a terra.

Por conseguinte, vocês foram autorizados a participar e assistir o trabalho da Hierarquia, na medida de seu contato espiritual individual, presenciando os seguintes eventos espirituais que estão ocorrendo:

 

1.

A difusão do ensinamento para a Nova Era. Trata-se da nova psicologia, do controle da personalidade e dos mistérios do reino de Deus.

2.

A fundação embrionária dessas escolas de esoterismo que incorporam o ensinamento sobre o novo discipulado e o aplicam de forma prática. Há várias dessas escolas e a Escola Arcana é uma das primeiras. Elas preparam o caminho para melhores bases, descritas no meu livro, Cartas sobre Meditação Ocultista.

3.

O reconhecimento, em grande escala, do Novo Grupo de Servidores do Mundo e seu trabalho.

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4.

O surgimento ainda que apenas em indicação simbólica do quinto reino ou espiritual.

5.

A formação da estrutura de novos grupos de discípulos, que são a exteriorização, em embrião, dos Ashrams internos. Estes vão se multiplicar na Nova Era, e levarão adiante o trabalho de integração dos grupos internos e externos, e fomentarão o crescimento do Reino de Deus na terra. Isso chamará a atenção do público para o fato da restauração dos Mistérios da Iniciação.

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A criação da forma externa na terra, por meio de livros, de escolas esotéricas e da educação da opinião pública, a que se comprometeu um grupo de nós que fazemos parte do governo interno do mundo discípulos e iniciados e nesse grupo eu desempenho o papel de secretário e sou o homem de contato e o organizador uso palavras que signifiquem algo para seus ouvidos, versados como estão no trabalho de organização no plano físico; elas significam pouco ou nada para nós, versados como estamos no trabalho de produção de organismos vivos. Este grupo a que me refiro é composto por dois iniciados orientais (dos quais eu sou um) e de cinco iniciados ocidentais.

Vamos deixar agora a consideração deste quadro geral e retornar ao assunto específico do trabalho que esse grupo particular de meus discípulos podem fazer. Devem evitar a ideia de que estão trabalhando sozinhos e de maneira original, porque não é assim. Há muitos hoje trabalhando de forma inteligente com os nossos planos, com frequência isolados e sós. A principal e mais difícil exigência no trabalho grupal que neste momento eu procuro destacar é a verdadeira impessoalidade. No passado, os discípulos foram bem enfáticos em dois pontos: perceberam e sentiram a necessidade de serem reticentes, com relação a qualquer experiência espiritual interior, e notaram que o relato ou discussão dos acontecimentos espirituais e eventos psíquicos superiores em suas vidas produziu um sentimento de perda, contrário à lei oculta. Eles também exigiram privacidade sobre suas vidas de personalidade, sobre os seus erros e falhas, e exigiram ainda a permissão para guardar silêncio sobre sua vida da alma. Sua demanda foi baseada em um verdadeiro reconhecimento de que a discussão de um acontecimento espiritual com aqueles que não entendem encerra grandes perigos risco de má interpretação, da miragem e da ilusão. O desejo de privacidade na vida da personalidade é baseado geralmente no orgulho, no medo de críticas, no temor de ser ridicularizado, incompreendido e julgado; todos estes são motivos fúteis.

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Entre os discípulos dos grupos da Nova Era, e no Ashram interno de Mestre, não há nenhuma necessidade desta teoria da privacidade. Todos são condiscípulos e colegas de trabalho. Se algum de vocês foi iniciado no passado ou o será no futuro, isso não afetará sua relação com os seus condiscípulos neste grupo. Os conhecimentos sobre a iniciação não podem ser transmitidos em palavras nas fileiras de iniciados, porque não são comunicados com palavras faladas ou escritas. Apenas aqueles que possuem

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certos sentidos transcendentais podem receber a iniciação e se tentarem comunicar a outros os segredos e mistérios da iniciação em símbolos ou formas, estes não reagiriam ou compreenderiam seu significado.

Assim, que neste grupo de meus discípulos, haja o reconhecimento da unidade de pensamento. Experiências, pensamentos, dificuldades e problemas podem ser compartilhados, e do cultivo da compreensão solidária pode ser desenvolvida a mútua ajuda na vida espiritual. Discípulos são pessoas maduras, do ponto de vista da alma e, portanto, não devem compartilhar, entre si, as pequenezas da vida e pequenas dificuldades de atrito. Não deve haver a tentação de perder tempo com conversa fiada. É o esboço amplo e geral do plano de trabalho externo desses grupos de discípulos que devem absorver seus pensamentos e comunicações mutuas.

Os grupos planejados serão de vários tipos e seu trabalho será diversificado e variado. Tenho a algum tempo desejado escrever um pouco mais detalhadamente sobre os grupos que estão se formando no mundo de hoje, sob a direção dos Mestres. Eles estão aparecendo gradualmente no mundo e cumprem sua missão destinada. Quatro destes grupos já estão formados ou em processo de formação e os outros serão gradualmente criados para atender a crescente necessidade.

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É essencial que os membros desses grupos adquiram uma visão mais ampla do que têm agora; sua participação em qualquer um dos grupos constitui um ato de serviço que prestam ao trabalho que eu e outros membros da Hierarquia desenvolvemos de acordo com o Plano. O discípulo individual não deve considerar seu trabalho como uma maravilhosa oportunidade de seu próprio progresso espiritual. Todos os verdadeiros discípulos se distinguem igualmente por uma determinação de que os grupos tenham sucesso e todos estão ansiosos em obter o máximo possível do trabalho grupal. Todos estão realmente animados por um desejo de servir, mas também sentem uma satisfação geral pelo interesse e oportunidade oferecida pelo trabalho grupal. Junto com essas reações normais e corretas, encontra-se muita ignorância quanto ao verdadeiro significado do trabalho, uma boa dose de prazer egoísta e alguma ambição. Isso é natural, pois ainda não se espera nenhuma perfeição entre os discípulos. Se perfeição existisse, você todos seriam encontrados trabalhando em uma relação distinta com a Grande Loja Branca.

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A fim de esclarecer este trabalho grupal, proposto pela Hierarquia e a fim de permitir-lhes captar claramente sua intenção, vou dizer algo sobre a finalidade que existe por trás dos grupos e do plano geral, no qual se deseja que engajem. Nas fases iniciais de qualquer experiência hierárquica, surgem muitas dificuldades, devido ao material com o qual os agentes iniciadores (como eu) têm que trabalhar. Qualquer ideia nova, especialmente se ela incorpora um propósito que só poderá se materializar mais tarde, quando o Plano estiver mais aperfeiçoado, naturalmente não conta com a plena compreensão nas fases iniciais.

Tenho dito que esses grupos constituem uma experiência. Esta experiência tem um quádruplo caráter, e uma declaração concisa sobre sua natureza pode revelar-se útil.

I. Os grupos são uma experiência para fundar ou iniciar pontos focais de energia na família humana, através da qual certas energias possam fluir para toda a raça dos homens.

II. Constituem um experimento para inaugurar novas técnicas de trabalho e métodos de comunicação. Gostaria de salientar que, nestas últimas palavras, resume-se a história toda. Estes grupos têm por objetivo facilitar a inter-relação ou comunicação, como se segue:

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1. Há um grupo de que poderíamos chamar de Comunicadores Telepáticos. São pessoas receptivas a impressão dos Mestres e uns aos outros; eles são os guardiões do propósito grupal e, portanto, intimamente relacionados com todos os outros tipos de grupos. Seu trabalho é em grande parte no plano mental, e eles trabalham dentro e com a matéria do pensamento e com a recepção e direção das correntes de pensamento. Trabalham também na facilitação da comunicação entre os indivíduos, de modo que as regras e os métodos pelos quais possa ser transcendida a palavra falada tornem-se conhecidos, e a nova forma de intercambio seja provocada. A comunicação acabará por ser:

a. De alma para alma, nos níveis superiores do plano mental. Isto implica no completo alinhamento, para que alma-mente-cérebro sejam completamente unos.

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b. De mente a mente, nos níveis inferiores do plano mental. Isso envolve

a integração completa da personalidade ou eu inferior, de modo que

a mente e o cérebro sejam unos.

Os discípulos devem lembrar esses dois contatos distintos e ter em mente também que o contato superior não tem necessariamente de incluir o inferior. A comunicação telepática entre os distintos aspectos do ser humano é inteiramente possível nos diferentes estágios de desenvolvimento.

2. Outro grupo é o dos Observadores Treinados. Seu objetivo é ver claramente, através de todos os eventos, através do tempo e do espaço, por meio do cultivo e uso da intuição. Trabalham em grande parte no plano astral, na dissipação da miragem, trazendo, assim, iluminação para a humanidade. Assim, outro tipo de energia é posta em jogo, produzindo outro tipo de inter-relação e comunicação. Esta comunicação ocorre entre o plano da iluminação e razão pura (o plano búdico) e o plano da miragem e ilusão, que é o plano astral. Os Observadores Treinados devem lembrar que sua grande tarefa é dissipar a ilusão do mundo, através do derramamento da luz. Quando um número suficiente de grupos trabalharem ao longo destas linhas, serão encontrados no plano físico certos canais de comunicação que atuarão como mediadores entre o mundo da luz e o mundo da ilusão. Serão os transmissores dessa forma de energia que vai romper as miragens e ilusões existentes, e assim dissipar as antigas e enganosas formas- pensamento. Lançarão luz e paz, iluminando o plano astral e dissipando a natureza ilusória da vida.

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3. O terceiro grupo é o dos Curadores Magnéticos. Esses curadores não têm relação com o trabalho dos chamados curadores magnéticos de hoje. Trabalham de forma inteligente com as forças vitais do corpo etérico. Muito de seu trabalho é tratado no quarto volume de Um Tratado sobre os Sete Raios 3 . Este grupo deve curar corretamente a personalidade dos indivíduos em todos os aspectos de sua natureza. O trabalho a ser feito é o da transmissão inteligente da energia para várias partes da natureza mental, emocional e física através da correta organização e circulação da força. Os atuais curadores devem se esforçar para romper com as ideias modernas e tradicionais sobre a

3 Vol. 4: Cura Esotérica, 1953

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cura; devem reconhecer o estupendo fato de que a cura deve eventualmente ser efetuada por grupos que agem como intermediários entre o plano da energia espiritual (ou energia da alma, energia intuitiva ou energia vontade) e o paciente ou grupo de pacientes. Observem este último ponto. A ideia grupal deve sempre ser mantida pelos estudantes enquanto trabalham; eles não devem trabalhar como indivíduos, mas como unidades em um todo coerente. Isto irá distinguir os métodos da Nova Era dos métodos do passado, porque o trabalho será grupal, e geralmente, direcionado para um grupo. Curadores magnéticos devem aprender a trabalhar como almas e não como indivíduos. Devem aprender a transmitir a energia de cura a partir do reservatório de força viva para o paciente ou pacientes.

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4. Os Educadores da Nova Era virão em seguida. Seu serviço é ao longo da linha cultural no novo tipo de educação. Sua ênfase será sobre a construção do antahkarana 4 , e sobre o uso da mente em meditação. Mais uma vez grande parte desta nova ciência educacional será dada no quinto volume da série. Os educadores irão atuar como comunicadores e transmissores de dois aspectos da divina energia conhecimento e sabedoria. Estes devem ser considerados em termos de energia. Este quarto grupo (cujo trabalho refere-se à educação das massas) é um intermediário direto entre a mente superior e a mente inferior. Estarão ocupados com a construção do antahkarana, e sua

tarefa é ligar os três pontos de foco mental a mente superior, a alma e

a mente inferior de modo que possa ser estabelecido um antahkarana grupal entre o reino das almas e o mundo dos homens.

5. O quinto grupo será o dos Organizadores Políticos, e se ocupará com os fatores políticos em todas as nações. Trabalharão no campo do governo

humano, lidando com os problemas da civilização e com as relações existentes entre as nações. A busca da compreensão internacional será seu grande objetivo. Este grupo transmite a "qualidade de imposição", autoridade que falta em outros ramos desta atividade grupal divina. Este

é um trabalho em grande parte de primeiro raio, e incorpora o método

pelo qual a Vontade divina funciona na consciência das raças e das nações. Os membros desse grupo terão muita energia de primeiro raio

em seus equipamentos. Seu trabalho consiste em atuar como canais de

4 Antahkarana. O caminho, ou ponte, entre a mente superior e inferior, servindo como um meio de comunicação entre os dois. Ele é construído pelo próprio aspirante em matéria mental.

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comunicação entre o Departamento do Manu e raça dos homens. É uma tarefa nobre, meus irmãos, ser canal da vontade de Deus.

6. Os Trabalhadores no Campo da Religião formam este grupo. Seu trabalho é formular a plataforma universal da nova religião mundial. É um trabalho de síntese amorosa e enfatizará a unidade e a comunhão do espírito. Este grupo é, em certo sentido pronunciado, um canal para a atividade do segundo Raio de Amor-Sabedoria, o do Instrutor do Mundo cargo ocupado atualmente pelo Cristo. A plataforma da nova religião mundial será construída por muitos grupos, trabalhando sob a inspiração do Cristo e da influência do segundo raio e estes em sua totalidade constituirão este sexto grupo.

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7. O sétimo grupo é o dos Servidores Científicos. Irão revelar a espiritualidade essencial de todo trabalho científico que é motivado pelo amor à humanidade e seu bem-estar. Relacionará a ciência e a religião, e trará à luz a glória de Deus por meio de Seu mundo tangível e Suas obras. Têm uma função muito interessante, mas que não será evidente por um longo período de tempo não até que as forças de construção do universo sejam melhor compreendidas. Isto irá coincidir com o desenvolvimento da visão etérica. Este grupo irá funcionar como um canal de comunicação ou intermediário entre as energias que constituem as forças que constroem as formas e elaboram a vestidura externa da Divindade e dos espíritos humanos. Notarão aqui, por conseguinte, a possibilidade de que o principal trabalho inicial deste grupo se ocupe do problema da reencarnação. Esse problema lida com a tomada da vestidura externa, ou forma, sob a Lei do Renascimento.

8. Os Psicólogos formarão o próximo grupo e se ocuparão com a revelação da verdade da existência da alma e com a nova psicologia, que se baseará nos sete tipos de raios na nova astrologia esotérica. A sua principal tarefa será a de relacionar, através de técnicas aprovadas, a alma e a personalidade, conduzindo à revelação da divindade por meio da humanidade. Atuarão, também, como transmissores de iluminação entre grupos de pensadores e como iluminadores do pensamento grupal. Transmitem energia de um centro de pensamento para outro e, acima de tudo, transmitem a energia das ideias. O mundo das ideias é um mundo de centros de força dinâmicos. Isto não deve ser esquecido.

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Essas ideias têm de ser contatadas e observadas, e sua energia tem de ser assimilada e transmitida.

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9. Este nono grupo será composto por Financistas e Economistas. Trabalharão com energias e forças que se expressam através do intercâmbio e dos valores comerciais; vão lidar com a Lei da Oferta e da Procura, e com o grande princípio da Partilha, que sempre governa o propósito divino. Serão os grandes trabalhadores psicométricos, pois o psicometrista é aquele cuja alma é sensível à alma dos demais e de todas as formas de vida. O princípio da Partilha que deve reger as relações econômicas no futuro é uma qualidade da alma ou energia e, consequentemente, seu trabalho é relacionar alma com alma. Eles também evocarão a alma do passado, articulando-a com o presente e encontrando, do mesmo modo, o indicativo do futuro.

10. Este é o grupo de Trabalhadores Criativos. São os comunicadores entre o terceiro aspecto da Divindade, o Aspecto Criador que se expressa através do trabalho criativo e em resposta ao pensamento mundial e o primeiro aspecto, Vida. Vinculam e fundem vida em forma criadora. Estão intimamente relacionados com o nono grupo porque hoje, sem saber e sem qualquer compreensão verdadeira, estarão trazendo uma concretização da energia do desejo; esta, por sua vez, provoca a criação de coisas. Portanto, estarão também ocupados com a concretização do dinheiro. Seu trabalho também é, em grande parte, filosófico, e se ocuparão com a tarefa de relacionar factual e cientificamente, os outros nove tipos de grupos, para que possam trabalhar criativamente no plano físico, e o Plano divino possa aparecer claramente, como resultado desta síntese que traz aproximação.

III. Esses grupos são também uma exteriorização de uma condição interna já existente. Constituem um efeito e não uma causa. Que têm um efeito iniciático (à medida que atuam em manifestação no plano físico) é, sem dúvida, verídico; mas são, eles próprios, o produto de uma atividade interna e de uma agregação subjetiva de forças que forçosamente devem se tornar objetivas. O trabalho dos discípulos que encontram seu lugar nesses vários grupos é se manter em estreita relação com os dez grupos internos que formam, no entanto, um grande grupo ativo. Esta força grupal irá, em seguida, fluir através de todos os diferentes grupos, apenas na medida em que os discípulos nos grupos façam, como um grupo, o seguinte:

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1. Mantenham-se relacionados com a fonte interna de poder.

2. Nunca percam de vista o objetivo grupal.

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3. Cultivem a dupla capacidade de aplicar as leis da alma para a vida individual e as leis do grupo para vida grupal.

4. Usem todas as forças que afluem ao grupo no serviço; devem aprender, portanto, a registrar essas forças e usá-las corretamente. As dicas dadas abaixo de como utilizar essas forças dos centros destes dez grupos devem ser estudadas. O uso correto desses centros será realizado somente quando houver uma maior unidade grupal estabelecida entre os membros individuais dos grupos, e entre os grupos como um todo. Talvez perguntem por que isto é assim, meus irmãos? Porque a força que flui pode revelar-se demasiado forte para o discípulo individual lidar sozinho, mas a força será compartilhada pelo grupo, se houver grupo completa unificação grupal. Desta forma, cada discípulo pode servir ao grupo, e eventualmente seu objetivo torna-se:

a. A unificação com seus irmãos de grupo.

b. O alinhamento com sua alma e com o grupo interno, causa subjetiva dos grupos exteriores.

c. A expressão da técnica particular que o grupo deve, eventualmente, manifestar.

Estes grupos irão usar em seu trabalho os seguintes centros:

Grupo 1.

Coronário, cardíaco e laríngeo.

Grupo 2.

Coronário, cardíaco e plexo solar.

Grupo 3.

Coronário, cardíaco e ajna.

Grupo 4.

Coronário, ajna e laríngeo.

Grupo 5.

Coronário, cardíaco e base da coluna.

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Grupo 6.

Coronário, cardíaco e plexo solar. Este é necessariamente igual ao Grupo 2.

Grupo 7.

Coronário, laríngeo e sacro.

Grupo 8. Coronário, cardíaco, plexo solar e laríngeo. Este grupo de discípulos será o primeiro a empregar quatro centros em seu trabalho, pois curiosamente, são os mediadores dos pensamentos entre os outros grupos. Peculiarmente constituem um grupo de ligação.

Grupo 9.

Coronário, cardíaco, laríngeo e sacro.

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Grupo 10. Coronário, cardíaco, sacro e base da coluna.

Eu me pergunto, meus irmãos, se a seguinte sequência de declarações transmitirá alguma coisa para as suas mentes? É uma declaração de fato e não menos simbólica em sua terminologia exceto na medida em que todas as palavras são símbolos inadequados das verdades internas.

1. Cada grupo tem sua contraparte interna.

2. Esta contraparte interna é um todo completo. Os resultados exteriores são ainda parciais.

3. Esses dez grupos internos, formando um só grupo, estão relacionados com os Ashrams dos Mestres, e cada um deles é a expressão ou é regido por dez leis, incorporando os fatores de controle no trabalho grupal. Uma lei é uma expressão ou manifestação de força aplicada, sob o poder do pensamento, por um pensador ou grupo de pensadores.

4. Esses dez grupos internos, englobando dez tipos de força de trabalho e sinteticamente expressando dez leis, constituem um esforço para trazer novas e diferentes condições e, portanto, produzir uma nova e melhor civilização. A Era de Aquário verá sua culminação.

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5. Os grupos externos são um esforço provisório e experimental para ver até onde a humanidade está pronta para tal esforço.

IV.Esses grupos também são um experimento que tem por objetivo a manifestação de certos tipos de energia, os quais, quando funcionando de forma eficaz, produzirão coesão ou unificação sobre a terra. A atual condição de perturbação no mundo, o cataclismo internacional e seu evidente impasse, a insatisfação religiosa, o transtorno econômico e social e os terríveis efeitos da guerra, são todos resultados de energias que são tão poderosas devido à sua imensa força que só puderem ser postas em atividade rítmica pela imposição de energias mais fortes e mais definitivamente dirigidas.

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Os grupos são destinados a, eventualmente, trabalhar juntos, assim como os diversos departamentos de uma grande organização trabalham eficazmente, em conjunto, como uma unidade. Eles devem funcionar sem problemas e de forma inteligente dentro de si, e também em suas mútuas inter- relações. Isso se tornará possível quando os membros individuais dos grupos e os grupos individuais de discípulos perderem de vista suas próprias identidades, num esforço para tornar possível este trabalho hierárquico. Neste tipo de trabalho grupal, os sentimentos, reações, desejos e sucessos do indivíduo enfaticamente não contam. Só é considerado de importância aquilo que intensifica ainda mais esforço grupal e enriquece a consciência de grupo.

PARTE V

A Hierarquia sancionou a criação desses grupos no ano de 1931. Os membros desses grupos foram escolhidos lentamente desde então, e estão se esforçando, desde sua inclusão neste trabalho ashramico, a trabalhar juntos em completa unidade de propósito e de relacionamento. Pode lhes interessar conhecer um pouco de como abordamos o assunto.

Como todos sabem, eu sou um discípulo do segundo raio, um iniciado de certo grau de cujo grau em nada interessa a vocês, embora muitos de vocês pessoalmente e interiormente sabem quem eu sou. Se o ensinamento e os livros que eu tenho dado ao mundo não são suficientes para ganhar sua confiança e sua atenção, então, sabendo que sou um iniciado do terceiro grau, ou um Mestre, ou um Boddhisattva ou um dos Budas perto do Trono de Deus,

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de nenhuma maneira ajudará sua compreensão e só irá dificultar seu desenvolvimento. Por muitas vidas eu estive perto do Mestre K.H.; e em nossas conversas, muitas vezes nos perguntamos como devemos ajudar na inauguração sobre a terra, desses novos tipos de trabalho que serão distintivos da Nova Era e, ainda, estar perto o suficiente para a compreensão dos aspirantes avançados e dos discípulos mundiais, para evocar sua cooperação e sua ajuda inteligente. Quais são os requisitos que devemos buscar e qual deveria ser a técnica a ser aplicada na Nova Era, para a elevação da consciência dos homens? Decidimos que quatro coisas devem, antes de tudo, distinguir o trabalho grupal que deve ser feito, e deve caracterizar os discípulos porventura escolhidos para o treinamento. Estas foram: Sensibilidade, Impessoalidade, Dons Psíquicos e Polarização Mental. Não menciono aspiração, altruísmo ou desejo de servir. Estes são os fundamentais e básicos e, quando não existem, não há nenhuma serventia em oferecer o tipo de assistência que estamos buscando dar.

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Notarão, quando olharem para trás sobre a história espiritual da raça dos homens, durante os últimos dois mil anos (que é o suficiente para o nosso propósito), que os seguintes métodos têm sido consecutivamente usados para atingir espiritualmente as mentes dos homens:

1. O método de elevar a consciência do indivíduo até que ele se torne um Conhecedor. A salvação individual e o surgimento de indivíduos

excepcionais, cujo sentido espiritual, visão e realizações têm caracterizado

a história mística do passado. Algumas dessas pessoas surgiram ao longo

do caminho do coração, o caminho místico; tais como Shri Krishna, São Francisco de Assis, e todos aqueles Conhecedores cujo caminho era o caminho do amor. A estes podemos adicionar Milarepa do Tibete e Lao Tze da China. Assim também têm sido com muitos dos santos da igreja no

Ocidente. O Bhagavad Gita tem sido o livro que encarnou o caminho nesta maneira superlativa.

Outros surgiram ao longo do caminho da mente e foram os Conhecedores

intelectuais. Deles é o caminho estritamente ocultista, que se tornou cada vez mais o caminho dos nossos aspirantes atuais. A razão para isto é que

a polarização da raça está se transferindo em cada vez mais para o plano

mental. Alguns dos indivíduos que seguiram este caminho da mente foram Sankaracharya, o Apóstolo Paulo, e Meister Eckhart. Hoje, muitos estão seguindo ao longo deste caminho sob o nome de ciência. Havia também

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aqueles indivíduos proeminentes, como o Cristo e o Buda, que combinaram ambos os caminhos em sua perfeição e que se ergueram acima de seus semelhantes às alturas de sua realização. Eles influenciaram hemisférios e séculos, ao passo que os filhos menores de Deus influenciaram países, tipos específicos de mente e períodos menores de tempo.

2. O segundo método utilizado para elevar a consciência da raça foi através de grupos reunidos em torno de um Instrutor que (em maior ou menor grau) foi um ponto focal de energia:

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a. Pelo poder de seu contato com a alma ou

b. Por ser contato e também um canal através do qual algum membro da Hierarquia poderia funcionar.

Através do exemplo desses Instrutores, por meio de seus ensinamentos, por meio de seus sucessos e fracassos, aqueles a quem eles reuniram tiveram sua vibração aumentada e sua consciência expandida, e o grupo pôde tornar- se um centro magnetizado de força, de propósito e de luz espiritual o grau desta dependia da pureza da nota soada e do desprendimento demonstrado nas vidas. O calibre mental do grupo também teve seu efeito, pois a vibração média e polarização estabeleciam a nota para o grupo como um todo.

Um experimento está sendo feito agora para mudar o foco dos grupos para o interior e ainda, ao mesmo tempo, para aumentar sua potência, porque não será permitido nenhum líder individual no centro do grupo, no plano externo. Todos no grupo devem ser reunidos como almas livres. Juntos vão aprender; juntos ficarão com impessoalidade; juntos prestarão serviço ao mundo. Devem se lembrar, no entanto, que qualquer pessoa que assume a posição de realizar um trabalho apenas nos planos internos, e que está trabalhando exclusivamente a partir de níveis mentais ou espirituais da consciência, não terá uma visão correta em sua concepção do processo. O trabalho interno que não funciona em atividade objetiva no plano físico é erroneamente orientado e inspirado.

Estes novos tipos de grupos trabalharão juntos sob a orientação e sugestão consciente de um membro da Grande Loja Branca. Note a palavra "sugestão," meus irmãos. Se estes grupos forem submetidos à autoridade de tal membro, depois, o objetivo de todo o trabalho desenvolvido falhará em

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conseguir se materializar. Uma lei oculta teria sido quebrada. Liberdade, assistência inteligente é o que estamos pedindo de todos os nossos discípulos hoje, e os deixamos livres para concedê-la ou não como quiserem e da maneira que melhor lhes parecer. Eu sou seu Instrutor. Eu faço sugestões. Eu ofereço instrução. Indico o caminho para a meta e para o campo de serviço. Recordo-lhes o que nós, os Instrutores do lado interno, procuramos ver realizado. Temporariamente e de seu próprio livre-arbítrio, indicaram sua disposição de servir e cooperar nos meus planos. Não vou além de indicar a estrada e o serviço. É para todos vocês, meus discípulos, trabalharem em colaboração conjunta e unida compreensão do caminho, que minhas sugestões e minhas dicas devem ser utilizadas. Eu não vou interferir.

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Primeiro de tudo, recomendo que haja um amor mais profundo e compreensão entre os membros do grupo. Isto é necessário, a fim de que a estrutura interna do grupo possa ser mais firme e estejam estreitamente integrados.

Em seguida, devem aprender a trabalhar nos níveis da meditação com maior clareza e poder. Muito do seu trabalho de meditação é egoísta. Percebem isso? Não é sua atitude frequentemente expressa nos seguintes termos: Quando estou meditando, o que será que o Tibetano me dará neste momento? Será que me dará algo que me tornará um discípulo melhor? Será que a meditação que ele pode me dar será mais interessante do que a que estou fazendo agora? Será que uma mudança na meditação me trará melhores resultados (provavelmente de um tipo fenomenal!) ou uma nova revelação ou iluminação que me ajudará a atingir meu objetivo? Poucos de vocês ainda, neste grupo específico no meu Ashram, realmente trabalham em meditação nesses níveis onde o trabalho criativo é realizado. Gostaria de assinalar que, até que vocês possam começar a fazer isso, o trabalho que procuro fazer através de todos vocês é, em grande parte, uma paralisação. O objetivo de qualquer meditação que eu possa atribuir a vocês é para que possam ter poder na meditação, para que não se sintam mais pré-ocupados com vocês mesmos e seus próprios problemas, mas se tornem unificados com seu grupo, com o trabalho grupal e, eventualmente, para fins grupais ainda maiores são os meus propósitos, como seu instrutor e como um trabalhador e servidor do mundo.

Assim, com que tipo de instrumento vou agora trabalhar? Todo verdadeiro instrutor faz a si mesmo esta pergunta ao estudar o agrupamento

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de almas com o qual está associado, e que ele procura servir e ajudar. Quando

a integração do grupo tem lugar, as pré-disposições e as tendências básicas das qualidades do grupo reunido emergem e podem ser estudadas; as fraquezas podem, então, ser compensadas e indicações corretas promovidas

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Indiquei mais cedo que as qualidades básicas que buscamos são sensibilidade, impessoalidade, capacidade psíquica e polarização mental. Me ocuparei brevemente de ampliá-las e depois apresentar ante vossos olhos (pelo seu compreensivo interesse e possível colaboração) os planos futuros para a atividade grupal. Estes planos podem materializar-se se os ajustes necessários forem feitos e sujeitarem-se a disciplina e ao treinamento, que aumentarão sua utilidade.

Tenho afirmado que a primeira exigência é a sensibilidade. O que é isso exatamente? Isso não significa que vocês são uma "alma sensível" conotação que normalmente significa que são susceptíveis, egocêntricos e estão sempre na defensiva! Ao invés disso, refiro-me à capacidade pela qual

vocês estão habilitados a expandir sua consciência, de modo a abarcar círculos cada vez mais amplos de contato. Refiro-me à capacidade de estar desperto, alerta, afinado para reconhecer relacionamentos, rápido para reagir

à necessidade, mentalmente, emocionalmente e fisicamente atento à vida e

capaz de desenvolver rapidamente o poder de observar simultaneamente todos os três planos dos três mundos. Não estou interessado em suas reações pessoais, que dizem respeito à errônea sensibilidade da sua personalidade que pode levar à depressão, à auto piedade, suas defesas, a sua chamada sensibilidade ao desprezo, a mal-entendidos, ou seu desagrado às condições circunstantes, seu orgulho ferido e coisas desse tipo. Tudo isto lhes causa perplexidade e libera em vocês as comportas da compaixão por si mesmos.

Mas não precisam de mim para lidar com isso; disso vocês estão bem cientes

e podem lidar com isso, se assim decidirem. Estas falhas são interessantes

apenas na medida em que afetam a vida do grupo; devem ser manipuladas por vocês com cuidado e com os olhos abertos que pressentem o perigo de longe e procuram evitá-lo. A sensibilidade a que me refiro é o desenvolvimento alerta para o contato com a alma, impressionabilidade à "voz do Mestre", uma vivacidade ao impacto das novas ideias e à delicada capacidade de resposta intuitiva. Estas são sempre a marca do verdadeiro discípulo. É a sensibilidade espiritual que deve ser cultivada; isso só é realmente possível quando vocês aprendem a trabalhar através dos centros acima do diafragma e a transmutar

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a atividade do plexo solar (que é tão dominante no homem comum),

transformando-o em atividade cardíaca e no serviço aos seus semelhantes.

 

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Impessoalidade é peculiarmente difícil de alcançar, especialmente para pessoas altamente integradas. Há uma relação estreita entre a impessoalidade e o desapego. Estudem isso. Muitas ideias estimadas, muitas qualidades rígidas, muitas virtudes cuidadosamente nutridas e muitas crenças poderosamente formuladas militam contra a impessoalidade. É difícil para o discípulo durante o início do processo de treinamento enquanto se agarra fervorosamente a seus próprios ideais e prossegue vigorosamente em sua própria integração espiritual, permanecer ainda impessoal e orientado por outras pessoas. Anseia pelo reconhecimento de suas lutas e conquistas; anseia para que a luz que ajudou acender provoque uma reação nos outros; quer ser conhecido como um discípulo; padece por mostrar seu poder e seu amor à natureza altamente desenvolvidos, de modo que ele possa evocar admiração ou, pelo menos, desafio. Mas nada disto acontece. Ele é visto como nada melhor do que o resto de seus irmãos. A vida, portanto, prova-se lamentável.

Estas verdades de autoanálise raramente são definitivamente enfrentadas ou formuladas por qualquer um de vocês e, portanto, (porque eu procuro ajudá-los) eu as estou formulando para que vocês as enfrentem. É difícil para homens e mulheres inteligentes ver os outros com os quais estão intimamente associados, lidar com a vida e com os problemas a partir de um ângulo próprio, totalmente diferente do seu e tratá-los de uma maneira fraca ou estúpida (a partir do ângulo do discípulo), cometendo erros aparentemente graves em julgamento ou técnica. No entanto, irmão meu, por que você está tão certo de que você está certo e que seu ponto de vista é necessariamente correto? Pode ser que sua inclinação sobre a vida e sua interpretação de uma situação precise de reajustes e que seus motivos e atitudes sejam os mais elevados ou mais puros. E mesmo que sejam para você mais elevados e

o

melhor que você possa conseguir em qualquer momento, prossiga seu

caminho e deixe o seu irmão prosseguir o dele. “Melhor o próprio dharma de

 

um homem, que o dharma de outro." Assim o Bhagavad Gita expressa esta verdade, dizendo que o discípulo se ocupe de seus próprios assuntos.

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Esta atitude de não-interferência e recusa a criticar, de modo algum impede o serviço mútuo ou relações grupais construtivas. Tampouco nega a expressão do amor ou da feliz cooperação grupal. Há sempre muita

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oportunidade para a prática da impessoalidade em todas as relações grupais. Em cada grupo há geralmente um membro do grupo (e talvez vários) que constitui um problema para si e para seus irmãos do grupo. Talvez seja você mesmo e não saiba disso. Talvez você conheça quem, entre seus colegas servidores, proporciona um teste para seus companheiros. Talvez você possa ver claramente qual é a fraqueza do grupo e quem está impedindo que o grupo desenvolva uma atividade mais sutil. Isso é muito bom, desde que você

continue a amar e a servir e se abstenha de criticar. É uma atitude errada procurar assiduamente endireitar seu irmão, repreendê-lo ou procurar impor sua vontade ou seu ponto de vista sobre ele, embora seja sempre legítimo expressar ideias e fazer sugestões. Grupos de discípulos são grupos de almas livres e independentes, que submergem seus interesses pessoais ao serviço

e que procuram a ligação interna que irá fundir o grupo num instrumento para

o serviço da humanidade e da Hierarquia. Continue com sua própria disciplina de alma e deixe seus irmãos continuarem com a deles.

A questão dos poderes psíquicos não é tão fácil de explicar. Não me refiro aos poderes psíquicos inferiores, que podem se desenvolver ou não,

com o passar do tempo e quando surja a necessidade. Refiro-me às seguintes capacidades, inerentes à alma, que devem ser desenvolvidas por todos vocês, se querem fazer sua parte para suprir as necessidades do mundo, e trabalhar para a Hierarquia no campo do serviço mundial. Vamos enumerá-los

brevemente:

1. Resposta intuitiva às ideias.

2. Sensibilidade à impressão, que algum membro da Hierarquia possa plasmar na mente do discípulo. É por esta razão que os estou treinando para utilizarem o contato da Lua Cheia.

3. Rápida resposta a necessidade real. Irmão meu, não tinha considerado este como um dos poderes psíquicos, certo? Não me refiro aqui à reação do plexo solar, mas ao conhecimento que possui o coração. Reflitam sobre essa distinção.

4. Observação correta da realidade no plano da alma. Isto leva a percepção mental correta, a liberdade da ilusão e miragem, e à iluminação do cérebro.

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5.

Correta manipulação da força, envolvendo, portanto, a compreensão dos tipos e qualidades de força e seu correto e criador entrelaçamento com o serviço no plano externo.

6. Verdadeira compreensão do elemento tempo, com seu fluxo e refluxo cíclico e períodos adequados de atuação um poder psíquico difícil de dominar, meus irmãos, mas que pode ser dominado por meio do uso da paciente espera e da eliminação da pressa.

Todos esses poderes, o discípulo deve, eventualmente, desenvolver, mas o processo é necessariamente lento.

Em seguida vem a qualidade da polarização mental. O que exatamente é este poder ou qualidade? Para você (neste momento) deve expressar-se de duas maneiras:

1. Através da vida de meditação.

2. Através do controle do corpo astral.

Cada vez mais sua vida interior deve ser vivida no plano mental. De forma constante e sem desvios deve-se manter uma atitude meditativa não por alguns minutos a cada manhã ou em momentos específicos ao longo do dia, mas constantemente, durante todo o dia. Isso implica em uma orientação constante à vida e ao manejo da vida, desde o ângulo da alma. Isto não se refere ao que é muitas vezes referido como "virar as costas ao mundo". O discípulo enfrenta o mundo, mas ele o enfrenta a partir do nível da alma, olhando de olhos claros sobre o mundo dos assuntos humanos. "No mundo, ainda que não seja do mundo" é a correta atitude expressada para nós pelo Cristo. Cada vez mais a vida normal e a poderosa natureza astral, emocional, de desejo e de ilusões devem ser controladas e subjugadas pela vida da alma, funcionando através da mente. As emoções que normalmente são autocentradas e pessoais devem ser transmutadas em realizações da universalidade e da impessoalidade; o corpo astral deve tornar-se o órgão através do qual o amor da alma pode derramar-se; o desejo deve dar lugar à aspiração e, por sua vez, deve mesclar-se a vida grupal, para o bem grupal; a miragem deve dar lugar à realidade, e a luz pura da mente deve derramar-se em todos os lugares escuros da natureza inferior. Estes são os resultados da polarização mental e são alcançados pela meditação definida e pelo cultivo da

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atitude meditativa. Esta não é uma informação nova para você, mas é algo que ainda permanece praticamente sem expressão. Se você perguntar a si mesmo com coragem e sinceridade, e responder perante o tribunal de sua própria alma, vai aprender muito e ajudar muito seu desenvolvimento:

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1. O que você entende por sensibilidade espiritual?

a. Alguma vez você já sentiu verdadeiramente minha vibração?

b. Responde mais rapidamente às falhas de um irmão do que às suas características divinas?

c. De

que

forma

espiritual?

a

crítica

interfere com

a

verdadeira

sensibilidade

d. O que você acha que pessoalmente dificulta o desenvolvimento dessa sensibilidade necessária?

2. Defina impessoalidade.

a. Você sabe a diferença entre a impessoalidade do tipo do primeiro raio e a verdadeira impessoalidade espiritual?

b. Quando alguém discorda de você ou o desagradam suas atitudes, ideias ou propostas, qual é a primeira coisa que você faz? Você o ama? Você fica em silêncio? Você o discute com os outros? Você se esforçar para corrigi-lo? Como você tenta fazer isso?

c. Se você é impessoal é o resultado de treinamento ou é natural para você? É simples autodefesa? Ou é a maneira mais fácil de alcançar a paz? Ou é uma realização espiritual?

3. Defini poderes psíquicos, e listei seis deles. Por favor, estudem-nos e, em seguida, façam uma declaração clara e concisa, para si mesmos, de acordo com sua própria capacidade de:

a. Demonstrá-los.

b. Desenvolvê-los, delineando o seu método de fazê-lo.

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4. Acredita que teve sucesso em manter um controle mental sobre a vida?

a. Transmuta a condição de estresse emocional através do amor?

b. Você inibe a exibição de emoção e por quê?

c. Você aplica a mente para lidar com seus problemas desde o nível mental?

d. Você sabe o que é miragem e pode reconhecê-la quando se exibe a você?

Estas perguntas têm uma dupla finalidade. Se as respondem com sinceridade e as enfrentam claramente, os levará a considerarem-se como um membro do grupo e assim determinar a medida da sua contribuição para a necessidade grupal e à nossa necessidade de trabalhadores. Se você escrever e responder estas perguntas e compartilhar as respostas com seus colegas de discipulado, isso irá lhes dar uma oportunidade de se conhecerem melhor uns aos outros.

Há um processo oculto que atinge seu ponto culminante em uma das iniciações superiores com qual iniciação você ainda não tem qualquer preocupação. É chamado de "conduzindo à luz". Um discípulo aceito é aquele que está em processo de preparação para a iniciação, que é uma das tarefas com as quais estou envolvido no momento. Tenho, portanto, que começar a estabelecer as bases para essa "exumação" esotérica ou "revelação daquilo que está oculto." Estou, por conseguinte, concedendo a você, através destas questões, a oportunidade de praticar no início de seu treinamento esta "revelação angustiante", que mais tarde irá ter lugar em um estado superior de consciência.

O que é que eu e Aqueles que estão trabalhando na parte interna estamos tentando fazer com esses grupos? Qual é o objetivo maior? Os grupos não foram formados para treinar indivíduos. Eles têm sido formados (cada um deles) como grupos sementes para um final definido e específico. Eles são organizados para fornecer canais ao mundo para a distribuição de certos tipos peculiares de força, que vão funcionar para manifestação em forma específica. A energia sempre foi manipulada pela Hierarquia e

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distribuída no mundo dos homens. Refiro-me às energias usadas em relação ao despertar da consciência humana, para a integração do mundo das almas com o mundo dos homens. Refiro-me às atividades nas quais o reino humano pode tornar-se uma grande estação de luz e uma potência de força espiritual, distribuindo-os para os outros reinos da natureza.

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Tal declaração é de importância vital; expressa nossos objetivos imediatos e a natureza do campo de serviço em que vocês como um grupo

e não como indivíduos podem funcionar. Esta manipulação das energias tem sido (há séculos) levada adiante por nós, mas seus efeitos só foram registrados inconscientemente pelo homem. Nós temos (simbolicamente

falando) irradiado a luz e distribuído a água da vida em uma distribuição ampla

e geral, e aqui e ali (e raramente) algum indivíduo isolado responde ativamente

e conscientemente. Assim torna-se um minúsculo ponto focal de energia e luz espiritual. Agora nos pareceu possível focalizar a luz e o conhecimento mais definidamente e formar grupos na terra compostos desses indivíduos isolados que respondem de modo que mais luz e mais conhecimento possa ser difundido no exterior. Isto decidimos fazer de duas maneiras:

1. Através da colaboração de todos os Mestres da Grande Loja Branca, trabalhando por meio de Seus Próprios discípulos.

2. Através da atividade especificamente orientada dos Mestres Morya e Koot Hoomi e eu, Seu servo e discípulo.

Através do primeiro método veio à existência o Novo Grupo de Servidores do Mundo, formado por discípulos e aspirantes do mundo, trabalhando em todos os raios e sob a orientação conscientemente ou inconscientemente reconhecida dos Mestres que especificamente se comprometeram a ajudar a humanidade. Assim, uma grande usina de força e estação de luz foi formada. É uma luz difundida e generalizada, e seus canais podem ser encontrados em todo o mundo, em todos os países e em todas as grandes cidades. Isso vocês já sabem e com este aspecto do trabalho (no qual estou pessoalmente comprometido) estão ativamente cooperando e devem cooperar.

Além disso, considerou-se, também a possibilidade de focalizar a luz, ainda mais intensamente, através de grupos menores, cuidadosamente escolhidos e selecionados. Através destes pequenos grupos de discípulos, a

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aparência fenomênica de certos tipos de energia poderia expressar-se; certos poderes poderiam ser desdobrados, possibilitando uma experiência mais especializada. Poderiam ser estudados e focalizados poderes peculiares, que intensificam a luz e poder, e que seriam claramente demonstrados, de forma que os filhos dos homens viriam a reconhecer sua influência, e testemunhar o sobrenatural, que é a herança dos séculos futuros.

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Comprometi-me com este ramo particular do trabalho hierárquico; isto iria providenciar o núcleo para os próximos tipos de civilização e as características e atividades que poderiam desdobrar-se no âmbito das novas e principais influências entrantes. Estas sempre me interessaram e me especializei nelas. Naturalmente, busquei entre aqueles cujas vidas tenho observado às vezes por várias encarnações. Entre estes estavam aqueles que agora estão trabalhando comigo. Estes grupos constituem o germe de um grande experimento. Se for bem sucedido, eles irão, no curso dos próximos 275 anos:

1. Ancorar na terra certos tipos de forças superiores, que a raça necessita, e que ainda não estão ativos.

2. Desenvolver os seis poderes sobrenaturais a que me referi acima.

3. Capacitar os membros do grupo nessa relação sintética que caracteriza a Hierarquia e assim prepará-los para a iniciação.

Nestes grupos serão escolhidos aqueles que podem ser definitivamente preparados para certas expansões de consciência, e que possam ser confiáveis para manter contato com os aspectos do Plano até então não revelados. À medida que progridem neste trabalho, e procuram entender as implicações grupais, se tornará cada vez mais claro para vocês o que o Plano realmente é. É tão difícil para eu explicar o propósito subjacente a este trabalho grupal, como seria para vocês explicar frações decimais para uma criança de sete anos de idade, não importa o quão brilhante ela possa ser. Mas se tiverem a paciência necessária, a vontade de trabalhar de forma impessoal e prosseguir com amor, se submergirem suas personalidades na vida grupal, conhecerão e perceberão, e irromperá a luz; e o poder de trabalhar virá até vocês. Teremos, então, pontos focais radiantes ou portadores de luz e canais para a distribuição planejada da força uma coisa que nunca ocorreu, na escala que agora contemplamos.

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PARTE VI

Não tenho a intenção única de continuar reiterando conselhos sobre como trilhar o Caminho do Discipulado. Vocês são homens e mulheres adultos e conhecem o Caminho. A aplicação prática das Regras antigas é de sua responsabilidade pessoal. O que fazem é assunto seu. Já atingiram a maturidade e devem estar prontos para a próxima etapa. Esse passo será dado quando tiverem transmutado conhecimento e teoria em sabedoria, prática e expressão.

É somente com um espírito de verdadeiro desapego que o discípulo realiza seu melhor trabalho. O discípulo chega a perceber que, por causa deste distanciamento ele é (para o resto de sua vida) simplesmente um trabalhador um de um grande exército de trabalhadores hierárquicos sem, supostamente, inclinações de personalidade, objetivos ou desejos. Nada há para ele, apenas um trabalho constante, e constante associação com outras pessoas. Pode ser uma pessoa isolada por natureza, com um profundo desejo de solidão, mas isso não importa. É o preço que deve pagar pela oportunidade de satisfazer a necessidade atual. O impulso mais árduo organizado da Hierarquia está ocorrendo agora, e seu objetivo é compensar a tendência da raça para se cristalizar em separatividade, pois a separatividade é a linha de menor resistência para as pessoas e nações neste momento. Daí a formação desses grupos de trabalho de discípulos, expressando trabalho, coesão e não- separatividade grupais.

Alguns relativamente muito poucos dos discípulos e intuitivos do mundo, hoje estão unidos em uma dupla atividade: uma atividade é sentir e contatar com maior precisão o plano subjetivo, em constante desdobramento;

a outra é falar e ensinar com maior clareza e escolher com mais sábia exatidão as palavras certas (escritas e faladas) com as quais expressar a verdade. A apresentação das realidades detectadas levará, então, as pessoas reflexivas do mundo a deter sua atual tendência de pensamento e a cooperar mais plena

e livremente no esclarecimento do mundo. Uso a palavra "iluminação" em seu

sentido ocultista. A medida completa do que pode ser feito depende (naquilo que concerne ao discípulo individual) de seu poder interno para viver cada dia

como alma livre de temores, sem auto preocupações e livre dessas reações não originadas na alma, que agitam o corpo astral ou emocional, em atividade organizada, baseada em antigos hábitos. Para o discípulo e para o sucesso

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do seu trabalho, um corpo astral em quietude e em aquiescência, sensível às impressões da alma e do Mestre, e refletindo a visão com tanta pureza quanto possível, no claro esboço de como deve ser, é o objetivo. Deve-se lembrar que, quando o discípulo está totalmente ocupado em viver a vida de serviço em todos os três planos, não há muito que pode ou deve ser dito a ele. Mas uma ideia pode ser de ajuda.

 

056

Tem que procurar, no estresse de sua vida, preservar a síntese da personalidade e a integração de todas as partes do seu equipamento. Muitas vezes, o estresse da atividade em um só corpo ou em um só plano, põem a ênfase temporariamente tão forte em alguma direção, que podem perder de vista, por um momento, do ponto de vista sintético, tanto o Plano como o grupo. Fisicamente, estão trabalhando sob grande pressão; emocionalmente, pode ser difícil aprender a lição do desapego e pode, consequentemente, verem-se em uma rebelião temporária. No entanto, no plano mental, estão cientes de que possuem clareza mental e poder de pensamento, que o mantém incessantemente e construtivamente ativos. Os três termos que se seguem, portanto, expressam com bastante frequência a situação do discípulo, no que concerne à sua natureza inferior: fadiga excessiva, rebeldia emocional e lucidez mental. Como lidar com este problema? A fadiga física não precisa, necessariamente, prejudicar a utilidade do discípulo. Em muitas pessoas, as condições físicas prejudicam seu trabalho porque sua atenção torna-se centrada na situação física indesejável; discípulos, no entanto, muitas vezes têm a curiosa capacidade de continuar seu trabalho, não importa o que possa estar acontecendo com eles fisicamente. O cérebro físico chega a refletir tanto a vida mental que ele permanecerá essencialmente sem ser afetado por quaisquer condições externas. O discípulo aprende a viver com suas deficiências físicas sob condições adversas e seu trabalho mantém seu alto nível habitual.

O problema emocional pode ser o mais difícil. Mas só o discípulo pode lidar com sua própria auto piedade e libertar-se da tempestade emocional interior em que se encontra vivendo. Ele deve reconhecer que a sua integração é fraca, pois ele está trabalhando em duas fases ou seções:

 

057

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emocional.

e

da alma.

Ele é às vezes uma, e às vezes outra, e geralmente atua bem em ambos os casos. Esta dualidade deve ser levada a uma estreita relação, e este é o ponto no qual ele deve ocupar-se se pretende criar e preservar a necessária síntese integrada de personalidade-alma. Quando aprenderão os discípulos que a atitude que envolve um certo "não me importo" à reação, e uma espécie de indiferença, é um dos meios mais rápidos para se liberar das reivindicações da personalidade? Este espírito "não se importa" não afetará a atitude do discípulo para com outras pessoas. É a atitude que adota a personalidade reflexiva e integrada do discípulo para com o corpo astral ou emocional e o leva a assumir a posição de que nada lhe produzirá reação de dor ou angústia, nas questões do corpo emocional. Estas reações são simplesmente reconhecidas, vividas, toleradas e não se permite que constituam qualquer limitação. Todos os discípulos fariam bem em refletir sobre o que acabo de dizer. Todo o processo é baseado em uma crença profundamente arraigada na persistência do Ser imortal dentro das formas da alma e da personalidade.

Essa percepção interna cresce com o desenvolvimento do poder de

meditação, seja meditação individual ou grupal. A meditação é essencial para

o estabelecimento de uma maior liberdade espiritual interior seja da alma em

relação à personalidade, ou de um grupo de discípulos em relação ao seu Mestre, ou entre si. Pode-se aqui perguntar: Por que essa interação sensível entre os discípulos no grupo do Mestre é necessária? Já não é a vida complicada o suficiente sem consciência das condições, das personalidades

e dos contatos de alma daqueles com quem estamos associados e com quem

procuramos caminhar como condiscípulos fiéis? Gostaria aqui de lembrar-lhes que, como discípulos, estão em preparação para a iniciação e que a iminente condição da consciência implica três coisas:

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1. Crescente percepção e sensibilidade à experiência e à vida em todas as formas.

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2.

O poder de fazer pelos outros, o que tenho tentado fazer por vocês, neste momento, em uma escala menor e posteriormente, em outras vidas, como eu o faço agora.

3. A coragem e a força para conhecer todos, para compreender todos e amar com sabedoria paciente e sinceridade imutável.

Isto deve ser evidente para vocês. No trabalho grupal no qual os discípulos são agora chamados a participar, está sendo oferecida a oportunidade de auxiliar a despertar todas as qualidades necessárias a vocês como candidatos a iniciação, o que ocorrerá numa data não muito distante, tal como vemos o tempo no lado interno.

O ensinamento que sempre foi dado ao discípulo ou ao iniciado deve adaptar-se às condições em que se encontra, e aprender com elas e com a condição do ambiente no qual sua vida no plano físico o coloca diariamente em contato. Esta é uma das generalidades iniciais do Caminho. Foi, no entanto, em uma época, um conceito novo para o aspirante e o discípulo em treinamento, como o é o ensinamento que eu procuro dar a este grupo de meus discípulos, e a oportunidade que eu gostaria que aproveitassem. O treinamento, até então levado adiante nos planos internos, sem que o discípulo aceito se desse conta em consciência desperta, deve agora ser aproveitado, usado e materializado em sua consciência desperta e no cérebro físico. O discípulo no passado procurou estabelecer relações harmoniosas com seu meio ambiente a harmonia é uma dessas forças libertadoras que devem preceder a liberação da energia para uso após a iniciação. Ele praticava a paciência, a tolerância e prestimosidade, prestando serviço, o que se realizava através do processo de correta conduta externa, baseada na correta orientação e atitude internas. Mas, sob o novo sistema (necessário em razão do progresso racial alcançado), esse processo de corretos ajustes externos deve ser paralelo, na Nova Era, às corretas relações internas, conscientemente estabelecidas e conscientemente mantidas e reconhecidas por aquilo que são, pela mente consciente e cérebro do discípulo. Isto, portanto, envolve o verdadeiro conhecimento da relação grupal interna do discípulo, a penetração espiritual na vida interna do condiscípulo, e a consequente fusão no coração-mente-cérebro do discípulo, simultaneamente, de tudo o que conhece tanto sobre os planos externos como internos. Isto não tem sido o caso até agora. Esta é uma das principais razões para a formação desses grupos, e também no que concerne aos membros individuais do grupo.

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Será introduzida gradualmente e com segurança através da utilização diária das meditações grupais que eu lhes atribuir, pelo renovado interesse no trabalho telepático, e por um amor mais estreito e profundo, cultivado por todos vocês.

059

 

Três

coisas

são

de

grande

importância

e

constituem

sua

 

responsabilidade individual:

 

1. Facilidade de relacionamento. Como membro de meu grupo, é essencial que vocês cultivem dois aspectos da "arte do relacionamento", que se baseiam, eternamente, na atração amorosa.

a. Relacionamento ou contato com a alma através de um alinhamento cultivado e correta meditação.

b. Relacionamento ou contato com seus irmãos do grupo; isto estabelece as bases para o trabalho unido e construtivo.

2. Impessoalidade. Existe alguma coisa mais que eu possa dizer sobre este tema? Devem aprender a considerar o que é dito ou sugerido por algum irmão do grupo com uma completa e cuidadosamente desenvolvida "divina indiferença". Note o uso da palavra "divina", pois detém a chave para a

atitude necessária. É algo diferente da indiferença de não se importar, ou da indiferença de uma "via de escape" psicologicamente desenvolvida a partir daquilo que é desagradável; nem é a indiferença da superioridade. É

indiferença que aceita tudo o que é ofertado, usa o que é útil, aprende o que pode ser aprendido, mas não se detém por reações de personalidade. É a atitude normal da alma ou eu para com o não-eu. É a negação do preconceito, de todas as estreitas ideias preconcebidas, de todas as tradições, da influência ou pano de fundo da personalidade. É o processo de desprendimento do mundo, da carne e do diabo", aos quais O Novo Testamento se refere.

a

3. Amor. O amor que é inclusivo, não crítico, magneticamente compreensivo

e

essa atitude que (no trabalho de grupo) preserva a integridade grupal,

promove o ritmo grupal e não permite que os acontecimentos secundários

ou atitudes da personalidade estraguem o trabalho grupal.

 

060

67

Contato, impessoalidade e amor estes três constituem os objetivos individuais diante de todos e de cada um de vocês.

Os requisitos grupais, que devem ser observados e preservados pelo grupo, como um grupo, são os seguintes:

a. Integridade Grupal. Esta nasce da correta integração e refere-se ao delicado equilíbrio que deve ser preservado entre os membros do grupo. Isto é de tal natureza que traz, finalmente, uma estabilidade grupal e uma liberdade grupal da "oscilação", que permitirá o trabalho grupal e interação ininterrupta. Será obtida simplesmente se cada um dos membros do grupo se ocupar de seus próprios assuntos, e permitir que seus irmãos de grupo se ocupem com os deles; se obterá se os assuntos da personalidade, das preocupações e problemas particulares forem mantidos fora da vida grupal; se obterá se vocês se abstiverem de discutir entre si os assuntos e atitudes de cada um. Isto é de importância suprema nesta fase do trabalho grupal; isto significa se vocês querem alcançar o sucesso nisto que vocês devem ser capazes de manter suas mentes apartadas de todas as pequenas coisas, que dizem respeito à vida da personalidade. Isto significa que suas mentes estarão livres, portanto, para o trabalho grupal.

b. Fusão. Com isto quero significar a capacidade do grupo para trabalhar como uma unidade. Isto depende da aquisição de certas atitudes individuais e (quando se trabalha) da obtenção da capacidade de perder de vista tudo, exceto o trabalho a ser feito e o profundo amor sentido por seus irmãos.

c. Compreensão. Uso essa palavra em referência a sua compreensão do trabalho a ser realizado. Não uso essa palavra em referência à sua atitude para consigo mesmo ou para com seus irmãos do grupo. Isso significa que cada grupo executa sábia e inteligentemente sua própria tarefa designada, sabendo que isso contribui para um todo que existe na mente do Mestre.

Integridade, fusão e compreensão este é a ordem do trabalho e a sequência do desenvolvimento. Todos os grupos que trabalham no mundo externo, em relação com os Ashrams dos Mestres, seguem certas fases iniciais e finais no seu trabalho e estas são uniformes para todos os grupos, não importa qual possa ser o trabalho específico e individual do grupo. Assim, se estabelecerá uma relação intergrupal e um consequente fortalecimento dos

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grupos individuais. A terceira etapa do trabalho será especial e particular, distinta para cada grupo, e será seguida pelo grupo com cuidado meticuloso. Gostaria de pedir a todos os vários grupos que possam estar trabalhando sob minha direção, que se ocupem de seu próprio assunto grupal individual, e não especulem sobre a natureza do trabalho que está sendo feito pelos outros grupos.

061

Deixe-me descrever para vocês as etapas a serem seguidas:

PRIMEIRA ETAPA:

Alinhamento. Contato com a alma. Equilíbrio espiritual. O equilíbrio consiste em manter constantemente o contato alcançado com a alma.

a. Abandono consciente das reações de personalidade.

b. Reconhecimento de que o amor é a expressão do contato com a alma manifestado por meio da personalidade.

c. Por último, a fusão imaginativa dos raios egóicos e da personalidade.

Esta constitui a etapa vertical.

SEGUNDA ETAPA.

O descrito acima é seguido pela integração grupal e fusão grupal, levada adiante conscientemente:

a. Trazer cada membro do grupo em relação consciente através do chamamento de seus nomes e enviando-lhes amor.

b. Ver todos os membros do grupo como compondo um círculo de luz vivente, juntos com você mesmo no círculo, mas não se veja no centro do círculo.

c. Imaginar todos esses pontos de luz como fusão e mistura para fazer um sol radiante, com raios de luz que saem para os quatro cantos da terra.

Esta constitui a fase horizontal.

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062

TERCEIRA ETAPA.

Considerar cuidadosamente o propósito e técnica grupais. Esta técnica será diferente para cada grupo; serão alcançados resultados dinâmicos, por uma constante aplicação da particular técnica indicada. Esta técnica não deve ser alterada por ninguém, exceto por eu mesmo.

As primeira e segunda etapas, trarão resultados eficazes e quase instantâneos, após cuidadoso trabalho efetuado por três meses. Peço que vocês tenham cuidado e atenção paciente para com eles, para que eventualmente desenvolvam-se em hábitos estáveis e assim não causem nenhum problema ou dificuldade. Os estágios iniciais deste tipo de trabalho são de suma importância.

QUARTA ETAPA

Uma vez terminado o trabalho especial de grupo, sob a terceira etapa, os membros do grupo então, procurarão associar-se com os outros grupos da mesma maneira em que tenham se ligado com os membros de seu próprio grupo. Neste caso, no entanto, discípulos não se preocupam com as pessoas de qualquer um dos grupos, incluindo seu próprio, mas somente como um grupo ligam seu grupo com os outros grupos. Assim, os conceitos de ilusão e da separatividade, assumirão corretas proporções em suas mentes, e se realizará a fusão

a. Em seguida, como um grupo, pronunciem a Grande Invocação três vezes:

“Que as Forças da Luz iluminem a humanidade. Que o Espírito da Paz se difunda pelo mundo Que os homens de boa vontade possam unir-se em toda parte em um espírito de cooperação Que o poder sirva aos esforços dos Grandes Seres”

b. Entoem o som da Palavra Sagrada, o O.M., três vezes.

c. Finalizem com a oração que a personalidade eleva a alma:

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"Que as palavras de minha boca e a meditação de meu coração sejam sempre agradáveis a tua presença, Oh alma, meu Senhor e meu Redentor."

063

PARTE VII

A necessidade de sensibilidade telepática em cada grupo, composto por discípulos, se baseia em três coisas imprescindíveis. Gostaria que vocês entendessem isso mais claramente.

1. O cultivo de uma inter-relação de natureza telepática no plano mental é essencial. Este sempre foi um fato ou condição estabelecida no caso de um Mestre e Seu discípulo, e entre os discípulos avançados em qualquer grupo de discípulos aceitos. É chegada época em que esta qualidade grupal deve em prol de um mundo necessitado ser desenvolvida pelos discípulos menos avançados no grupo.

2. Este desdobramento telepático levará a uma maior sensibilidade para com os outros. Este é o segredo do trabalho de um Mestre, e o fator que lhe permite trabalhar através de seus discípulos, usando-os como postos avançados da sua consciência. Para fazer isso com exatidão, Ele deve ser capaz de saber sua condição (mental, psíquica e física), quando Ele decide saber. Pode, assim, descobrir se eles estão disponíveis ou não para qualquer serviço específico, se eles podem ou não ser utilizados com segurança, e se sua sensibilidade é tal, e sua interpretação do que eles sentem é de precisão suficiente para que respondão de forma inteligente à necessidade. Não foi assim quando tive que estudar todos vocês? Pensem nisso e reflitam sobre as implicações.

3. Esta sensibilidade telepática também levará à nova ciência da intercomunicação que, na Nova Era, chegará ao uso e compreensão geral. Desta condição, o rádio é o símbolo físico exterior.

Certas questões se colocam hoje e que bem melhor seria responder a algumas delas. Poderia perguntar-se se alguém tem o direito de trabalhar telepaticamente na mente de qualquer pessoa? A resposta é que vocês fazem isso o tempo todo, consciente ou inconscientemente, e sem habilidade ou

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efeito ou se há um propósito geralmente tem por finalidade a personalidade. É através da telepatia que as ideias são divulgadas no mundo, pelo processo de impressionar mentalmente a mente de algum discípulo ou pessoa sensível. Assim, a tarefa é encontrar e direcionar a mente e as atividades dos indivíduos, cuja tarefa é não só responder a esta impressão, mas também incuti-la na consciência dos pensadores mundiais. Alguma vez você já se perguntou quais são os aspectos do trabalho, em conexão com a telepatia, que despertam dúvidas em sua mente? Não será desconfiar da intenção ou de seu ponto de vista pessoais, ou ainda questionar quanto à sua própria sinceridade ou motivos? A menos que este trabalho seja realizado abnegadamente e com total liberdade de preconceitos e preferências pessoais políticas ou religiosas não poderá haver um trabalho seguro ao longo desta linha. É por isso que eu enfatizo a vocês a necessidade de fazer este trabalho no ponto mais elevado de meditação unida e com a obediência completa as minhas decisões sobre a questão.

064

Outra pergunta poderia muito bem ser: Qual é a diferença entre esse trabalho que eu estou sugerindo, e o trabalho da Loja dos Senhores da Forma? Nenhuma, exceto o motivo e o ponto a partir do qual devem esforçar-se para trabalhar. Os Senhores da Forma trabalham inteiramente em e a partir dos níveis inferiores do plano mental e com a energia do conhecimento. O aspecto amor da própria alma está inativo e, portanto, a partir do ângulo e visão da Grande Loja Branca, os motivos estão errados e os objetivos são egoístas. Isto é verdade tanto para indivíduos como grupos. Não se esqueçam de que estes Senhores da Forma são almas de idade avançada e cegueira única. Mais tarde, em algum ciclo muito distante, e quando carma deles for trabalhado, e a Grande Lei tenha exigido o pagamento integral de todos os feitos errôneos, eles também começarão a desenvolver o aspecto amor e a transmutar os seus motivos. Vocês também devem trabalhar a partir de níveis mentais, mas o conhecimento e o amor devem ser postos em jogo, em conjunto, produzindo apenas resultados harmoniosos e inteligentes, de acordo com o Plano. Os discípulos não estão autorizados a invocar e pôr em atividade funcionante o aspecto Vontade da alma, a menos que sejam iniciados do terceiro grau. Antes disso, eles raramente percebem a distinção entre a imposição da vontade e a impressão direta de ideias. Há muito desejo (que é a vontade embrionária) em seus equipamentos, para que se possa confiar a eles este aspecto mais elevado da atividade mental. Peço-lhes para compreender claramente em suas mentes a conexão do trabalho telepático que estes grupos (que trabalham sob minha direção) devem fazer, que é a

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impressão de ideias, e não uma direção imposta, que é o ideal grupal algo muito diferente, meus irmãos.

065

 

Pode-se perguntar também: Como pode levar-se a cabo esta impressão coletiva e ainda deixar um homem livre? Porque ele será mantido limpo de toda força-vontade; tudo o que os trabalhadores e os discípulos em meus grupos procurarão fazer é impressionar certas mentes com contornos ou

sugestões quanto ao Plano; essas ideias irão lidar especialmente com o conceito de que a separação é coisa do passado, e que a unidade é o objetivo do futuro imediato; que o ódio é retroativo e indesejável, e que a boa vontade

é

o critério que irá transformar o mundo.

Como, então, podem manter suas mentes livres de seus próprios desejos e de suas próprias interpretações? Ao atingir a negatividade equilibrada e positiva por parte dos dois aspectos inferiores da personalidade o corpo astral e o cérebro, bem como o cérebro etérico; estes determinam as reações dos centros inferiores, particularmente do centro do plexo solar. A mente, então, estará livre para cumprir três funções:

1. Estabelecer contato com a alma; isso resultará em iluminação e em conhecimento prático dos aspectos imediatos do Plano.

2. Formular ideias e formas-pensamento criativas. Assim, uma forma- pensamento clara pode ser construída com definição, e pode ser dirigida positivamente.

3. Trabalhar em níveis mentais com seus irmãos do grupo, para que sua forma-pensamento seja uma parte da forma-pensamento grupal, e vocês possam, portanto, unidos, produzir a vida encarnada desta forma- pensamento grupal, que será dirigida como eu vier a determinar.

066

Outra pergunta pode surgir aqui: Existem regras específicas e breves que devem ser obedecidas? Estas serão dadas na sequência, mas eu gostaria de lembrá-los que o que importa neste trabalho, mais do que qualquer outra

coisa, é o que vocês são. O fator de controle é a inofensividade do pensamento

e da palavra; a prática desta, com a observação adequada, ajudará muito a

todos vocês. Devem recusar-se a pensar indelicadamente ou com crítica; isso é essencial em conexão com aqueles cujas mentes vocês procuram impressionar. Silêncio, completo e ininterrupto, do que você está fazendo,

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também é um fator vital; a pronunciação de palavras em conexão com este trabalho mais sutil e confidencial (ou mesmo a discussão do trabalho com um colega discípulo) pode quebrar a delicada forma-pensamento que você está tentando construir. Pode abortar o trabalho de semanas. Uma atitude equilibrada em relação a quem exerce o poder em todo o mundo, também deve ser cultivada; eles precisam acima de tudo de inspiração, que pode chegar a eles a partir da Hierarquia.

Peço-lhes, portanto, a prática de eliminar de suas mentes todos os pensamentos críticos e desagradáveis, de modo a conseguir uma atitude de divina indiferença para com as personalidades efêmeras e fugazes, e para o caos em toda parte, e assim se esforçar para sintonizar a atitude da hierarquia. Isso envolve a ênfase do aspecto consciência da cuidadosa observação de tudo o que acontece abaixo da superfície desperta, provocando e estimulando uma atividade mental mais pronunciada das massas até então inconscientes. Os eventos que estão acontecendo em todos os países estão alcançando isso com muita rapidez; a humanidade está se vivificando, e sua consciência está despertando para os valores subjetivos. A Hierarquia é dolorosamente assediada para atender a emergente necessidade da humanidade de orientação. A sensibilidade da raça humana (como o resultado da insuficiência econômica, da guerra, ansiedade e dor) está se tornando tão aguda que nós, que trabalhamos no lado interno, devemos nos apressar para impressionar os médiuns sensíveis, despertando-os para a impressão direita. Daí o nosso esforço para criar esses grupos, e usar pessoas como vocês que são (teoricamente) inofensivas, mas, na verdade, cheias de preconceitos e julgamentos precipitados. Temos de usar o material que temos em mãos, e são um grande obstáculo em todos os momentos.

Uma vez que hajam trabalhado conscientemente a purificação da mente e terem tentado libertar-se de preconceitos, de ideias preconcebidas, julgamentos apressados e decisões precipitadas (com base em seu próprio pano de fundo, tradição, status social e racial), então reflitam conscientemente sobre o processo de construção de formas-pensamento; devem lembrar-se que para propósitos grupais e pela simplicidade três etapas são de importância:

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1. A etapa de ponderar sobre a ideia a ser impressionada na mente de um indivíduo. Esta ponderação e reflexão cuidadosamente dirigida produz construção; é uma atividade criativa e é a primeira etapa real em nosso

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trabalho. Eu não quero que vocês se esforcem para construir formas- pensamento. Eu quero que vocês pensem claramente ao longo das linhas que eu possa indicar. Então o pensamento desejado tomará forma automaticamente e todos vocês contribuirão com algo para ele.

2. Quando a forma-pensamento é assim construída em sua mente, então seguirá um período em que ganha vida. Torna-se lentamente a encarnação viva da ideia vibrante, ativa e pronta para o serviço desejado.

3. Então, quando este estágio é atingido, é possível como grupo prosseguir com a fase de direcionamento. Tenham em mente, cuidadosamente, a pessoa a ser impressionada e o fato de o grupo ser a agência impressionante (proporcionando assim os dois polos entre os quais a interação é desejada), tentem ver a ideia encarnada viva, oscilando entre os dois polos. Enviem-na sobre as asas do amor, impulsionada pelo sábio desejo de servir e em obediência aos meus sentidos. Vez ou outra a forma- pensamento pode voltar a vocês para revigoração e enriquecimento, antes que sua tarefa seja cumprida satisfatoriamente. 5

Os grupos exteriorizados de discípulos estão destinados a ser expressões de um tipo de relação grupal, que será melhor conhecida e compreendida quando o mundo entrar no próximo ciclo e era de paz. Certos tipos de força, como sabem, serão posteriormente utilizados pelos grupos para fins específicos grupais e para o serviço mundial. O motivo para todo esse serviço não deve ser esquecido por vocês, enquanto estudam e trabalham no grupo de seu Mestre. O objetivo não é sua assistência e desenvolvimento individual, mas seu treinamento em certos alinhamentos e atividades grupais, que permitam a estes grupos de discípulos trabalhar em uma forma definida e específica. O fato, no entanto, de um grupo trabalhar com um tipo de força e outro grupo de discípulos empregarem um tipo diferente não deve, em qualquer sentido, ser considerado atividade separada ou interesse separatista. Todo trabalho tem um objetivo ou meta, e tudo funcionará com a mesma energia divina, diferenciada entre forças distintas para efeitos de serviços em um departamento da vida ou de outro. Peço-lhes para refletirem profundamente sobre os vários aspectos do plano ou do sistema de trabalho

5 Ver o livro Formas de Pensamento, de C. W. Leadbeater e Annie Besant, disponível para download na internet:

http://www.4shared.com/office/VLS9ViX2ba/C_W_Leadbeater e_Annie_Besant.html?

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em grupo delineado que apresento a vocês, pois é um esforço experimental

de exteriorizar sobre a terra determinadas fases do esforço hierárquico.

 

068

 

A energia utilizada no trabalho telepático é o "chitta" (como os Hindus a

chamam) ou a substância mental subjacente, e é a essência da própria manifestação. Deus, a Vida planetária ou Logos, no entanto, trabalha com a correspondência superior desta substância mental, e as forças do plano mental são o reflexo, ou melhor, a densificação desta substância mental superior. Estas forças, esta substância mental, estão constantemente em fluxo e em movimento. Isso produz a atividade criadora de formas-pensamento do mundo mental, postas em movimento por mentes trabalhando individualmente ou em formação grupal. No verdadeiro trabalho telepático (concluído sem erros e de forma correta e equilibrada desde um ponto de ação) as correntes deste estofo mental são postas em movimento entre determinados pontos pela vontade e a ideia cuidadosamente expressos e formulados na mente do pensador. Uma certa parte deste estofo mental (já em movimento) é construída em uma forma e, em seguida, viaja ao longo da corrente estabelecida entre os dois pontos. O trabalhador telepático, como, por exemplo, eu mesmo, funciona a partir do ângulo da mente do transmissor

 

e

do receptor que, estabelecendo antes de tudo uma afinidade de

relacionamento (que você às vezes chamam de "sentir a vibração do Tibetano"); ao longo dessa corrente, envia a impressão, a ideia ou o pensamento que procura imprimir em primeiro lugar em suas mentes e, em seguida se forem capazes de tal alinhamento em seus cérebros. Este processo pode ser rápido ou lento. Quando o alinhamento é bom, pode haver uma resposta quase imediata para o meu pensamento; onde não é tão bom, pode levar dias e até mesmo semanas para a impressão ser finalmente percebida e conscientemente registrada na mente e cérebro do discípulo.

 

069

Há outros grupos que trabalham conscientemente com a energia que pode dissipar a miragem e a ilusão. Esta é a energia do mais elevado nível do plano astral. Este nível é suscetível a reação ou resposta a esse tipo de energia que nós chamamos a energia da intuição ou buddhi, se você gosta da terminologia oriental. É a energia da sabedoria. Esta energia da sabedoria é o único tipo de força que é suficiente para dissipar os miasmas, as neblinas e as brumas do mundo da miragem. Aqueles discípulos que estão trabalhando nesses grupos têm que aprender a usar essa energia, para trabalhar de forma inteligente, para pensar com sabedoria e para perceber que a própria sabedoria é uma força. É essa percepção que faz uma pessoa procurar outra

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com sabedoria, quando está com problemas e dificuldades, e ansiosa para ver com clareza o caminho que deveria seguir. É essa percepção que impulsiona os membros da família humana para os Mestres de Sabedoria.

Nos dias Atlantes (vou dizer-lhes algo interessante, que deve evocar um senso de responsabilidade), a principal tarefa dos Mestres de Sabedoria era implantar a grande ilusão mundial, ou melhor, a miragem. Trabalharam, então, principalmente no plano astral e se Eles não tivessem feito isso, a vida e as condições humanas não seriam tão boas pois, na realidade, a miragem é cheia de beleza, a beleza da potencialidade, pairando sobre a iminência do imediatismo da expressão.

Hoje, Eles trabalham principalmente no plano mental, lidando com ideias

e com sua impressão sobre as mentes dos Seus discípulos e da humanidade avançada; o problema da humanidade, como um todo, é atuar no mundo da miragem; é responsabilidade dos aspirantes do mundo guiar a humanidade para fora do vale da miragem. Os homens devem aprender a compreendê-la

e, eventualmente auxiliados pelos discípulos mais avançados do mundo,

treinados pelos Mestres de Sabedoria transmutá-la e dissipá-la.

Devem, portanto, ter em mente, que a tarefa diante do discípulo moderno

é introduzir na Nova Era a ideia de conduzir a miragem e a grande ilusão para

a luz. Na luz, ela desaparecerá. Nesta época, nós dominamos, talvez muito

bem, as forças da natureza, e obtivemos, para o nosso próprio benefício, os recursos materiais do plano físico. Os conquistamos e os inclinamos à nossa

vontade e uso, muitas vezes de forma egoísta, mas às vezes com boa e pura intenção. Na Nova Era um controle paralelo terá lugar sobre o mundo dos fenômenos astrais e sobre as forças da miragem e ilusão. Hoje nós procuramos controlá-los mentalmente e teoricamente. Mas apenas a energia

de sabedoria será suficiente para dissipar as forças dos mundos da miragem

e da ilusão. Pratiquem a sabedoria, meus irmãos, e, assim, ajudem a humanidade a encurtar sua luta astral.

070

Outros grupos têm a tarefa de trabalhar com essa energia bem conhecida e muito discutida denominada prana ou energia vital a energia de vitalidade. O uso correto das energias prânicas (em número de sete) seguramente dissipam doenças e males corporais, e curam as dores do veículo físico humano. Mas, em conexão com isso, duas coisas são essenciais

e estas raramente são encontradas juntas:

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1.

A energia da alma como a energia da mente universal e a energia de

buddhi, ou intuição tem de ser posta em ação no plano físico por aquele

a ser curado e pelo curador. Ambos têm de trabalhar em cooperação.

2. Deve haver o correto conhecimento da doença e de sua causa, além do estado carmico do paciente, da condição de seus centros, seu alinhamento

e seu ponto de evolução.

Como ainda estamos apenas lidando com o a.b.c. destas relativamente novas ciências, muito do nosso trabalho inicial deve ser de natureza esclarecedora, pois são muito distorcidos estes sistemas ocultos de utilização de energia, e se tem feito mau uso desses poderes.

Outros grupos estão associados de forma peculiar com o número quatro, e eles estão ocupados com o trabalho de estabelecer uma ponte entre a personalidade e a Mônada (o homem tríplice inferior e a Tríade Espiritual) e também entre a mente inferior, a alma e a mente vinculando assim a triplicidade relativamente inferior com a unidade, a Tríade Espiritual. O quarto reino da natureza é, por sua vez, um reino de ponte entre os três reinos super- humanos e os três sub-humanos. Novamente, o quarto plano (que deve ser alcançado pela ponte de luz, o antahkarana) é a ligação entre os três mundos mais elevados de existência espiritual e os três mundos inferiores do esforço e da experiência humanos. A energia com que o grupo de discípulos ao longo desta linha de atividade tem que trabalhar é a Luz da alma, lembrando-se sempre que luz é substância; seu esforço é criar como indivíduos e também como um grupo de discípulos um grande caminho de luz entre a personalidade e a Tríade Espiritual (atma-buddhi-manas ou vontade espiritual, compreensão intuitiva e mente superior).

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Eu não tenho me ocupado com algumas das atividades destes grupos de discípulos da Nova Era, nem apontado as energias com as quais eles devem trabalhar, a fim de enfatizar novamente os planos para meus próprios grupos de discípulos. Estes grupos com os quais estou envolvido como parte da atividade do meu Ashram, são essencialmente Grupos Sementes. Destinam-se a serem postos avançados da consciência hierárquica, concentrados através de meu intermédio, no mesmo sentido que um discípulo individual aceito é um posto avançado da consciência do Mestre no mundo. Essa é a conexão que eu procuro enfatizar a exteriorização do trabalho

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interno da Hierarquia planetária, pela primeira vez na história, e uma precipitação (se você gosta desse termo) de uma condição interna e pronta para isto. A Nova Era já está sobre nós, e a integração da humanidade nos três mundos justifica mudanças definidas na técnica, embora não nos planos básicos.

Tudo isso é, no entanto, uma experiência, e gostaria de lembrá-los que

é uma experiência que eu e vários outros iniciados estamos levando adiante

como membros de uma grande organização espiritual. Se for bem sucedida e se o impulso espiritual criado por todos vocês for adequado aos esforços feitos, e se vocês puderem continuar com persistência, com incansável esforço e interesse, será possível trazer o estágio experimental para o objetivado; a Hierarquia pode assim reconhecer (como efetivamente estabelecido sobre a terra) certos pontos focais de energia que constituirão os centros magnéticos ou pontos de reunião para a nova religião, o novo

medicamento, a nova psicologia e educação e as novas políticas. As potencialidades são grandes. As dificuldades não são insuperáveis, caso contrário não teria me permitido este grande experimento. Nunca empreendemos quaisquer atividades que são, obviamente, destinadas ao fracasso. Muitos experimentos estão sendo realizados hoje no mundo pelos diversos Membros da Hierarquia em Suas notas diferentes e com seus grupos especiais. Esse esforço pode ser bem sucedido, apenas na medida em que

os discípulos do mundo o desejem, façam os sacrifícios necessários e tragam

a existência os vários objetivos.

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Estou mencionando isso neste momento porque na pressão dos assuntos mundiais, nas lutas de sua própria existência individual, na fadiga que é incidente ao trabalho diário, e nas consequentes responsabilidades físicas, há inevitavelmente o arrefecimento dos ardores e entusiasmo anteriores, o reconhecimento da monotonia do esforço exigido (com frequente cansaço e aspiração pouco empreendedora), que o incansável trabalho espiritual exige.

O discípulo aprende a não prestar atenção a esses ciclos recorrentes e intervalos entre os pares de opostos, porque ele reconhece que são intermitentes. Entretanto, procuro ressaltar esse ponto de perigo pois é um perigo e pedir-lhes para continuar com o trabalho apenas "como se fossetotalmente novo e fascinante.

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É necessário aqui também lembrar que, embora esses grupos pretendam ser grupos Sementes da Nova Era, dois fatores em conexão com eles deve ser ressaltados:

1. Constituem um experimento único no sentido de que conhecendo as possibilidades e entendendo um pouco as forças que estão surgindo lentamente em destaque num mundo que está rapidamente se ajustando aos novos ritmos no entanto, são principalmente um experimento realizado por mim, seu professor Tibetano e um membro de determinada posição na Hierarquia, com a cooperação de certos outros iniciados. Não sou, como já disse, o único trabalhador ao longo destas linhas e esses grupos sementes não são as únicas unidades que podem ser encontradas hoje no mundo. Há, por exemplo, vários grupos sementes em formação no âmbito da Igreja Católica, sob a inspiração do Mestre Jesus. Estes são, no entanto, um pouco mais subjetivos do que o são os grupos em que estou particularmente interessado e seu surgimento é mais lento, mas eles existem. Há, também, dois desses grupos sementes na China e quatro na Índia. Digo isto, a fim de protegê-los contra o sentido da singularidade que é a semente sutil da grande heresia da separatividade.

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2. Estes grupos de discípulos estão todos passando pelo estágio de formação e mudança, e a adaptação está ocorrendo. Seu padrão ainda é fluido porque muitos discípulos são mais receptivos às palavras dos Mestres, e menos receptivos às ideias sobre as quais Eles assentam Seu trabalho. Este comentário merece sua atenção. Mais tarde, quando os ajustes necessários forem feitos e grupos de discípulos puderem trabalhar juntos sem críticas ou mal-entendido, então eles poderão passar para o trabalho grupal organizado. Isto necessariamente depende do nível geral do esforço grupal, de sua aspiração e sua persistência aplicada. A vontade de trabalhar com estes grupos existe em nosso lado e é encontrada, portanto, nos planos internos. O fornecimento de um instrumento adequado através do qual podemos trabalhar deve vir de vocês.

Deve chegar o momento, no entanto, quando o trabalho de cada grupo de discípulos deve definitivamente se integrar e, assim, mudar de teórico e experimental, para definitivo e prático. Então chegará o período de utilidade para o grupo. Isto, naturalmente, dependerá de duas coisas:

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1. Quando o grupo atinge certo grau de síntese, torna-se possível então trabalhar como grupo com poder.

2. Se o grupo não consegue integrar-se e tirar proveito da oportunidade grupal e ao chamado particular para o serviço, então um rearranjo do pessoal será essencial. Certos discípulos, então, terão que sair, e os que estiveram à altura das exigências que suas almas ajustou para eles, e para o ponto de realização para o qual tenho expectativa, serão absorvidos por outros grupos ou formarão o núcleo de uma unidade reorganizada.

Todo o ensinamento sobre grupos de discípulos, funcionando na Nova Era, é destinado a todos os grupos, e para distribuição geral mais tarde. O ensinamento sobre o específico trabalho grupal será dado até o ponto em que se possa utilizar conscientemente o conhecimento dado, e que possa ser transformado para fins práticos no serviço ao mundo. E, meus irmãos, o serviço ao mundo é necessário hoje.

074

PARTE VIII

A Hierarquia está profundamente preocupada com os acontecimentos

mundiais. Quando a guerra acabar, nosso trabalho deve seguir adiante a todo

e qualquer custo e apesar de quaisquer obstáculos que se possa imaginar. O Novo Grupo de Servidores do Mundo deve preservar sua integridade e trabalhar de forma constante e corajosamente. A firmeza de quem conhece o plano de Deus ajudará a humanidade e auxiliará os esforços da Hierarquia. Estes nada odeiam e trabalham para o bem da unidade tanto subjetiva como eventualmente objetiva.

É sábio para seres humanos perceberem que a humanidade é livre.

Mesmo a própria Hierarquia não sabe que forças as do bem ou as do mal finalmente prevalecerão, porque mesmo que as forças do bem triunfem no que concerne à guerra, triunfarão no que concerne a paz? Em última análise o bem finalmente deve triunfar, mas a Hierarquia não conhece o que o futuro imediato reserva para a humanidade, porque os homens determinam seu próprio destino. A Lei de Causa e Efeito não pode ser neutralizada. Nos casos em eu isso ocorreu, foi exigida a intervenção de forças maiores do que as disponíveis no momento sobre o nosso planeta. Estas forças maiores podem intervir se os

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aspirantes e discípulos do mundo façam ouvir suas penetrantes vozes adequadamente

Neste momento de estresse e tensão, meus irmãos, eu gostaria de lembrar que não há razão para o sentimento de inutilidade ou para sentir-se insignificante. Os novos grupos de discípulos são Grupos Sementes; estão no escuro do palco ou em crescimento, e em processo de expansão crescem em silêncio. Esta etapa é a mais importante para, de acordo com a saúde das sementes e sua capacidade de penetrar raízes fortes para baixo, e se lançar lenta e firmemente para cima em direção à luz, assim será também a adequação da contribuição para a Nova Era que está sobre nós. Gostaria de salientar um fato para vocês. A Nova Era está muito próxima de nós e nós estamos testemunhando as dores do parto da nova cultura e da nova civilização. O que é velho e indesejável deve passar, e essas coisas indesejáveis tais como o ódio e o espírito de separatividade devem ser os primeiros a desaparecer.

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O principal objetivo do nosso trabalho conjunto é a integração do grupo e a criação da intercomunicação entre os membros do grupo, que resultará na interação necessária e comunicação telepática; Isso vai finalmente instituir uma rede de luz dourada que servirá para criar um poderoso ponto focal; este ponto focal será o agente para a revitalização espiritual do corpo etérico da humanidade como um todo. Esta é uma declaração essencial e importante. Este ponto focal ajudará, por sua vez, na revitalização do corpo etérico do planeta, com novo poder e com impulso renovado.

Por vários anos tenho tentado ser seu Instrutor e Mestre e, acho que posso dizer também seu amigo. Uma ligação muito forte foi estabelecida entre nós, de amor e compreensão da minha parte, e sinceridade provada e desejo definitivo de cooperar, da sua. Qual é a minha atitude em relação a vocês?

Como indivíduos, vocês podem ser de pequena importância; como unidades de um grupo eu os preparo e treino para serviço definido no futuro, em uma vida ainda mais importante do que esta, mas que no momento é suficiente para justificar o meu interesse. Um grupo não é mais potente que seu elo mais fraco e um grupo sofre esotericamente e como um todo, e seu poder é definitivamente reduzido quando um membro deixa de estar à altura da oportunidade ou recua para as miragens da personalidade. Isto vocês já viram acontecer. Indivíduos como eu procuram ajudá-los, mas apenas com

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vista à sua integração no grupo, pela sua influência, compreensão e amor grupais, mais a força que cada um pode acrescentar ao todo.

Eu, portanto, apelo a vocês, como grupo, por uma intensificação do seu amor grupal, propósito e serviço, de modo que a, integração subjetiva interior pode prosseguir rapidamente. Tenho três coisas a lhes dizer hoje como um grupo:

Primeiro de tudo, a força ou a fraqueza deste grupo de discípulos se encontra no fato de que os indivíduos que o compõem não estão apenas ligados como almas, mas existe também um forte laço de personalidade (com todos os pontos fracos e o que isso possa implicar) e um profundo, porém não compreendido, afeto entre todos e cada um de vocês, mesmo que não se conheçam pessoalmente. A força desta situação é encontrada na existência de uma amizade inconsciente, que é o resultado de muitas vidas de estreita associação no trabalho e também nas relações pessoais e laços familiares do passado. A fraqueza existe no fato de que esta situação é capaz de tornar pessoais as reações do grupo. Este grupo de discípulos é, intrinsecamente, uma entidade em todos os três níveis dos três mundos: físico, emocional e mental, existindo, ainda, um vínculo da alma.

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Também gostaria de impressionar vocês com um segundo ponto. É de aplicação oportuna nas extenuantes condições que prevalecem neste momento. No stress e na tensão de seu trabalho grupal, que cada um de vocês tenha em mente, para seu encorajamento, alegria e incentivo de sua dedicação, que estão neste grupo particular de discípulos para receber treinamento preparatório para a iniciação. Estou iniciando um experimento em iniciação grupal, e isso é parte do novo empreendimento da Hierarquia, de acordo com o desenvolvimento evolutivo. Em épocas futuras, homens e mulheres passarão em conjunto pelo Portal da Iniciação, em vez de sós e isolados, como tem sido o caso até agora. O progresso grupal pode, portanto, neste contexto ser favorecido ou retido pelo esforço de um único membro do grupo. As dificuldades de um membro podem ser corrigidas pela estimulação grupal unida; Sua força e eficácia podem ser aumentadas pela força, o poder e a compreensão do grupo. Sua responsabilidade unida é, portanto, grande, e sua oportunidade para um rápido progresso é real e definitivamente incomum. Quando transponham juntos o Portal e eu os apresente Àqueles Cuja tarefa é conduzir vocês na próxima etapa, devem eventualmente reforçar seus poderes para amar, para intuir e servir, e a vida nunca mais será a mesma.

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Vão entender com certeza então o que agora estão sentindo vagamente, e conhecerão a maravilha do amor grupal, intuição grupal e serviço grupal; assim, vocês passarão em comum por uma iluminação, uma resposta comum

e um esforço conjunto. Compreenderão então que pode existir espiritualmente uma linha de exclusão, indicando aqueles que podem passar para a fase preparatória de iniciação grupal e aqueles que devem aproximar-se deste grande evento isoladamente e a sós. Estes últimos predominantemente pertencem à Era de Peixes. Eles farão a iniciação como identidades separadas; vocês podem receber a iniciação em formação grupal.

Nenhum de nós que fazemos o trabalho de preparação dos candidatos para a iniciação estamos em posição de predizer o momento; isso tem de ser determinado individualmente para cada aspirante. Cuidem, então, como indivíduos, que seu grupo não seja retido por sua incapacidade de ver, por suas miragens pessoais, por seu problema pessoal ou por suas lentas reações

a verdade conhecida.

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A terceira coisa que quero dizer é que qualquer que seja sua etapa particular no Caminho vou procurar ajudá-los neste momento, como no passado. Falarei da Verdade como a vejo do meu particular e vantajoso ponto de vista. Após sua cegueira em certas direções, vou procurar lançar uma luz. Devo apontar suas fraquezas se posso chamar sua atenção sincera. Essas fraquezas existem. Vocês ainda não são iniciados, e têm falhas, limitações, pontos de escuridão, muita inércia e ao mesmo tempo autossatisfação. A tendência para a autodefesa é forte em alguns de vocês e isto produz uma falta de vontade de reconhecer falhas ou mesmo a admitir, por hipótese, que as falhas possam estar presentes. A tendência para a auto depreciação é forte em outros e produz essa ênfase exagerada da personalidade e esse pensamento constante sobre a personalidade que é tão prejudicial para o progresso real. Nestas tendências (que são tão usuais) encontra-se verdadeiro perigo para o candidato a iniciação. Advirto-os para observar os indícios destas condições e a dispor-se a ouvir e admitir a possibilidade de fracassar no primeiro caso e de esquecerem-se de si mesmos, no outro. Encarem a si mesmos e a vida sem medo e vejam as coisas como elas são, em verdade. Façam isso não porque eu estou sugerindo esta situação, assim, sem mais nem menos, mas porque vocês estão dispostos a enfrentar fatos e estão prontos para descobertas inesperadas acerca de vocês mesmos. Uma das primeiras lições que o discípulo precisa aprender é que onde pensa que é mais forte e onde encontra maior satisfação é, frequentemente, o ponto de

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maior perigo e de fraqueza. Condições astrais são frequentemente invertidas; por isso, superem a miragem que muitas vezes domina um discípulo.

A este respeito, meus irmãos, eu confio a vocês um pedaço de história

e algo pessoal que é bastante comum na vida de um discípulo. Que sirva para

transmitir uma lição e advertência. Várias vidas atrás, meu Mestre viu uma

fraqueza em mim. Era uma das quais eu estava bem inconsciente, e era de fato qualidade que eu considerava como uma força e eu abracei a mesma

como uma virtude. Eu então era um jovem, ansioso para ajudar o meu Mestre

e humanidade, mas em última análise, eu estava muito interessado em mim

mesmo como um aspirante e muito satisfeito comigo mesmo disfarçando essa satisfação sob o manto da humildade. O Mestre derramava sobre mim Sua força e energia e assim me estimulava e aquilo que eu pensei que era uma virtude e o que eu havia negado e repudiado como um vício, provou ser minha ruína. Eu simbolicamente cai para a terra através do próprio peso da minha fraqueza. Você deve estar se perguntando qual era esta fraqueza? Foi meu amor por meu Mestre a minha ruína. Foi apontado para mim depois de meu fracasso, que meu amor por ele era na realidade baseado no orgulho e na satisfação profunda comigo mesmo como um aspirante e discípulo dele. Isso eu violentamente neguei e entristeci-me por que me entendera mal. Eventualmente, através de uma vida de fracassos e do fundo do meu egoísmo, comprovei que o Mestre estava certo. Isso eu aprendi com o fracasso, mas perdi muito tempo a partir do ponto de vista do serviço útil. Descobri que eu estava realmente servindo a mim e não a humanidade. De um erro semelhante procuro guardá-los, pois o tempo é um grande fator em serviço. Para as massas da humanidade, o tempo não é de grande importância; mas para os servidores da raça, importa muito. Não percam tempo, portanto, em autoanálise indevida, auto depreciação ou autodefesa. Prossigam com discernimento no que concerne ao seu desenvolvimento, e com amor e compreensão no que concerne ao seu grupo. No que concerne a mim, seu Instrutor, atentem para minhas devidas palavras, e procurem colaborar comigo. Então, algum dia terei a alegria de recebê-los no "Lugar Secreto", onde todos os verdadeiros servidores e iniciados devem eventualmente se conhecer e se unir.

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Revelei a vocês, meus discípulos, meu verdadeiro nome. A necessidade de erradicar todo o questionamento especulativo de alguns de vocês a respeito de minha identidade, e estimular outros de vocês para um esforço renovado e consagrado, são minhas duas razões para renunciar ao

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anonimato. Outra razão é que gostaria que vocês reconhecessem o fato de que são discípulos aceitos, com tudo o que isso implica necessariamente de responsabilidade e oportunidade. Ainda outro fator decisivo é testar sua capacidade de manter silêncio até que já não seja necessário fazê-lo. O silêncio é um dos pré-requisitos principais para a iniciação e algo que cada discípulo deve necessariamente aprender. Existe, portanto, a necessidade para o teste. Muitos de vocês estão interiormente convencidos da minha

identidade. Vocês não manifestaram sua crença nesta conexão exceto à A.A.B., que não corroborou qualquer evidência ou observações. Se vocês não podem ser confiáveis para manter silêncio e para preservar uma atitude isolada e independente, então não estão prontos para o que tenho a transmitir,

e quanto mais cedo descubram isto melhor. Se você é incapaz de reter a

língua, mesmo o silêncio entre vós, então você é incapaz de ser confiável, o que não posso crer. Se, quando descobriu quem sou, você questionou a sabedoria da minha decisão de me revelar a você e sustenta que eu deveria

ter ocultado minha identidade, então uma isso também será revelador e me guiará em toda minha futura abordagem para com você. Se o conhecimento de quem eu sou o conduz ao perigoso caminho do devoto, será bom você

descobrir essa tendência dentro de si mesmo; se doravante enfatizar demasiado a importância de minhas palavras e se você cair no hábito perigoso de aceitar a autoridade, a sua fraqueza será revelada para mim, para si mesmo

e para seus irmãos do grupo. Todos nós lucraremos assim. Você já descobriu

uma fraqueza inata que surgiu ao descobrir minha identidade; se você está sobrecarregado pelo conhecimento, então você precisa aprender a carregar fardos, ou então você não será de nenhum uso como um servidor mundo. O

fato de que eu sou um Mestre não me altera. Eu ainda sou seu Instrutor Tibetano e o mesmo Instrutor que lhe ensinou por muitos anos. Eu permaneço

o mesmo e sem nenhuma diferença de sabedoria. Qualquer reação de sua

parte será uma reação da personalidade e, portanto, deve ser reconhecida,

tratada e finalmente subjugada.

Avancemos juntos, meus irmãos e chelas, ao longo do caminho do serviço; vamos juntos entrar na Luz e trilhar o caminho para a paz mundial e não para iluminação individual iluminação que é inevitável, ainda que incidental.

No que diz respeito a todos vocês com o que eu tenho que lidar? Um grupo ainda não testado, um grupo estático, um grupo crítico e um grupo sujeito a miragens pronunciadas tal é o material com o qual eu devo levar

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adiante meu trabalho. O que posso fazer em tal situação, meus irmãos? Posso confiar em sua devoção à humanidade, sua vontade de aprender e sua determinação para prosseguir no caminho do serviço a qualquer custo? É isso que certamente farei.

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Eu gostaria de tratar, em primeiro lugar, com os objetivos que eu tenho em mente para todos vocês:

1. O principal objetivo no presente.

Procuro alcançar uma integração grupal muito necessária. A polarização deste grupo como uma unidade de espírito no plano mental ainda não foi realizada. Ela é a mais necessária e esta integração, enquanto não for atingida, não será possível a intercomunicação grupal unida nem o desejado trabalho grupal será capaz de realização. Vários de vocês precisam fazer uma cuidadosa reflexão, e devem alinhar-se no amor dos seus condiscípulos, eliminando todo o sentido pessoal de crítica e autossatisfação em seu próprio julgamento e retidão.

2. O futuro objetivo destes grupos ashramicos.

É fundamentalmente necessário que os novos grupos que estão inaugurando o novo discipulado eventualmente estabeleçam uma relação telepática uns com os outros. Mais tarde, quando existir uma inter-relação individual mais estreita, será possível transmitir o ensinamento definitivo que tornará isto cada vez mais possível, mas, no momento, uma pista terá de ser suficiente. É fundamental e terá de ser compreendido em parte, antes que esses grupos pioneiros tenham sucesso no trabalho: Exteriorizem com amor seu pensamento até os demais. Simplesmente isso, meus irmãos simples e humildemente isso e nada mais que isso no momento. Vocês podem aceitar tal única regra aparentemente simples? Desta forma, o corpo etérico deste grupo de discípulos será animado pela energia dourada e à luz do amor, e apenas assim uma rede de luz será estabelecida, que formará um ponto focal de energia no corpo etérico da própria humanidade e, eventualmente, no corpo etérico planetário também.

3. O objetivo grupal geral.

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Este é a mudança de consciência de todos os seres humanos integrados, em grandes números, cada vez mais para os níveis etéricos de consciência e atividade. Isto implica trabalho consciente sobre esses níveis como unidades de energia, cada um contribuindo com sua parte pessoal e sua quota particular de energia para a soma total de energia etérica disponível e fazendo isto consciente e inteligente. Quando isso é feito, o homem está, então, pronto para a primeira iniciação, e é um verdadeiro ocultista pois trabalha com a energia sob a orientação hierárquica.

4. O objetivo individual.

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Isto implica necessariamente na preparação da vida e da consciência para este novo processo de iniciação grupal, o qual é em si de real importância, e depende de que cada unidade no grupo prepare a si mesmo para a iniciação, e ao mesmo tempo aprenda a subordinar sua ambição espiritual e desejos pelo ritmo grupal, e pela necessidade do tempo certo no que concerne aos seus condiscípulos. Envolve, portanto, uma dupla atitude em relação aos processos de iniciação: a adaptação de si mesmo para a integração necessária e, segundo, o desenvolvimento da capacidade de resposta espiritual a impressões a partir do nível da alma e da Hierarquia espiritual. Também envolve o cultivo de julgamento e de sabedoria no estabelecimento de uma correta inter-relação com o grupo de discípulos, para que o grupo neste caso meu grupo de discípulos e, definitivamente, uma entidade grupal possa seguir em frente juntos. Isto exige as mesmas condições para o grupo que sempre existiram individualmente: a correta integração dos três níveis da personalidade e também nos níveis de alma, acrescida de uma correta impressão ou capacidade de respostas grupais às “ondas psíquicas que outorgam faculdades” espirituais superiores – como as denominam os ocultistas Tibetanos.

Isso levará muitos anos, e o trabalho de alcançar atitudes e relacionamentos grupais, através do entendimento pessoal e verdadeira impessoalidade, pode avançar no plano físico durante a encarnação, e continuar fora da encarnação com a mesma facilidade. Vocês devem ter sempre em mente que a consciência permanece a mesma, seja na encarnação física ou fora da encarnação, e que o desenvolvimento pode ser efetuado com ainda maior facilidade do que quando limitado e condicionado pela consciência cerebral.

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A realização destes objetivos implicará em visão clara e compreensão afiada e inteligente; exigirá a intensificação constante e consciente do amor e interação grupais; levará todos os discípulos a viver uma vida plena de sábio propósito e planejados objetivos espirituais e, ao mesmo tempo, o serviço prestado assumirá uma definitiva e automática técnica de expressão.

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Você poderia me perguntar aqui se há um único modo ou meio pelo qual um discípulo pode começar a se aproximar desta meta aparentemente impossível. Eu responderia: Pela prática constante da impessoalidade com sua subsidiária atitude de indiferença no que se refere aos desejos, contatos e metas pessoais. Essa impessoalidade é pouco compreendida e mesmo quando cultivada pelo bem-intencionado aspirante, têm uma base egoísta. Reflita sobre isto e se esforce para alcançar a impessoalidade através do auto esquecimento e através da descentralização do foco da consciência da personalidade (onde é normalmente centrado) para a alma, viva e amorosa.

Há quatro coisas que frequentemente impedem um grupo de discípulos de realização e de trabalho satisfatório:

1. Falta de visão, incidente a uma falta de agudeza mental.

2. Miragens pessoais. Isso envolve o plano astral.

3. Problemas individuais, envolvendo uma preocupação acentuada no plano físico com as suas circunstâncias e dificuldades neste que é o mais difícil dos mundos.

4. Inércia ou lenta reação ao ensinamento transmitido e à oportunidade apresentada.

Uma reflexão profunda sobre a urgência dos tempos e um reconhecimento compassivo da infeliz situação da humanidade são muito necessários por muitos discípulos e aspirantes do mundo de hoje, principalmente por aqueles que não estão bem perto da situação do mundo, mas que estão olhando para ele de uma certa distância. É tão fácil ter uma expressão de simpatia, mas ao mesmo tempo evitar o grande gasto de energia em serviço e o esforço intenso para dar assistência.

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A principal característica do consagrado discípulo e a qualidade que deve cada vez mais predominar em sua vida é a capacidade de identificar-se com a parte ou o todo de acordo com a particular necessidade de um dado momento. Tal atitude envolve um completo amor, e isto leva à inclusão e à dedicação da vida ao serviço ao maior número de pessoas possível, e aos mais necessitados. Se me pedissem para especificar a falha marcante da maioria dos grupos de discípulos neste momento, eu diria que é a expressão do tipo errado de indiferença, levando a uma preocupação quase imóvel com suas ideias e compromissos pessoais. Estes militam contra a integração do grupo e tendem a bloquear o trabalho.

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Uma das coisas mais necessárias para cada discípulo é aplicar o ensinamento dado à ideia de promover e aumentar seu serviço no mundo, e assim tornar prático e eficaz em seu meio ambiente o conhecimento adquirido, e o estímulo para o qual foram submetidos. Esta é uma sugestão que gostaria que prestassem verdadeira atenção.

Também gostaria neste momento de chamar sua atenção o fato de que um discípulo aceito, em realidade, não é aquele que foi aceito por um Mestre para o treinamento. Esta é uma distorção da verdadeira noção, a qual ao passar do plano mental para o físico, sofre reversão ou completa distorção. Um discípulo aceito é aquele que:

1. Aceitou a realidade da existência da Hierarquia, com as implicações de lealdade e de cooperação que envolve essa aceitação.

2. Aceitou o fato de que todas as almas são uma e, consequentemente, comprometeu-se a buscar a expressão como alma. O serviço a ser prestado é o despertar e estimulação de todas as almas contatadas.

3. Aceitou a técnica do serviço oculto. Seu serviço à humanidade determina todas as suas atividades e subordina sua personalidade para a necessidade da época. Note essa frase. Cultive uma visão e uma resposta fluida para a necessidade imediata e não uma reação sensível a um objetivo distante.

4. Aceitou o Plano, conforme indicados pelos Instrutores da raça. Busca entender a natureza desse plano para facilitar e sua manifestação.

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Outros pontos (de natureza mais individual) poderiam ser enumerados, mas desejo colocar ênfase sobre as aceitações que deveriam ter ou que motivaram sua atitude, e gostaria de pedir-lhes para não enfatizar indevidamente em seus pensamentos privados esta ideia de ter sido "aceito por um Mestre". Este pensamento e o ensinamento de muitos grupos esotéricos têm ocasionado muito erros, mal-entendidos, muita dor e muita desilusão. Um discípulo é treinado em certas questões importantes e não em Sua relação com um mestre. Esses fatores de importância para um discípulo são:

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1. Todo o fator da humanidade Sua situação atual, seus problemas e sua oportunidade imediata. Um discípulo é aquele que procura em todos os momentos ajudar a humanidade e impulsionar os processos de evolução, bem como desenvolver esse profundo amor pela humanidade que é a marca distintiva do iniciado e do Mestre.

2. O fator da iniciação. Um estudo sobre este assunto vai levar a uma consideração secundária de seu desenvolvimento e seu objetivo básico da progressiva identificação com a alma do discípulo, com a alma do grupo, com a alma da humanidade como um todo, e com a alma de todas as formas.

3. O fator do serviço. Este não é geralmente o serviço tal como é entendido. A conotação ordinária perdeu em grande parte seu significado em razão de uma ênfase incorreta. O iniciado considera serviço como a espontânea e fácil expressão, de um definitivo contato com a alma, estabelecido no plano físico e dando uma visão interna, praticidade e inspiração para o discípulo, à medida que trabalha no plano externo de expressão. A maioria dos discípulos está vagamente ocupada com a obtenção de inspiração, mas não conhecem nada a respeito das fases anteriores do insight, que conduzem à expressão prática e sábia da satisfação das necessidades da vida diária. Uma das atividades principais do discípulo aceito (ou, como prefiro denominá-lo, o discípulo em aceitação) é transformar-se de um idealista bem-intencionado, em um homem de ação, em prol da humanidade.

Quando um grupo seja capaz de pensar, com unanimidade, ao longo destas linhas e trabalhar em uníssono, então um primeiro passo terá sido dado

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no sentido da iniciação grupal, que é o objetivo do novo discipulado. A iniciação grupal envolve:

1. A posse e o reconhecimento de uma visão unificada, pela qual o indivíduo se subordina ao grupo.

2. A relação simultânea dos membros do grupo com a alma em seu próprio nível (essa alma grupal composta da alma de cada membro individual). Isto leva a integração do grupo em níveis de alma.

3. O contato fundido consagrado das personalidades do grupo, nos três níveis de expressão pessoal níveis de consciência mental, astral e etérico. Alguns membros do grupo estabelecem contato com outros em um nível, e alguns em outro nível, mas o objetivo deve ser estabelecer à vontade um contato mais estreito em todos os três níveis, e todos juntos quando o grupo, como um grupo, o exige. Isto é difícil de expor, porém mais tarde um entendimento mais claro do que isso significa virá, e o que produz.

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4. A habilidade do grupo para permanecer unido e sem barreiras de qualquer tipo entre os membros do grupo. Isto envolve, necessariamente, o sacrifício das reações, ideais e planos da personalidade. Atualmente, os diferentes ideais, atitudes e pontos de vista separam os discípulos uns dos outros. Estes devem eliminados.

Há, naturalmente, outros requisitos, mas se puderem entender os enumerados e procurarem com o melhor de sua capacidade se ajustar a eles, é o que peço neste momento. Uma das grandes necessidades de todos os discípulos e aspirantes é o abandono das teorias preferidas a respeito da vida, do discipulado e do Plano; a preservação da mente sempre aberta,

pronta para receber o inesperado, e confiável (quando a visão espiritual é forte

o suficiente) para alcançar uma rápida reversão de todas as ideias pré-

concebidas. Isso deve ser feito quando for considerado espiritualmente sábio,

e envolve também atitude receptiva que aguarda a nova visão e que as

verdades mais recentes emerjam formuladas com clareza, e os novos poderes se tornem cada vez mais eficazes. Tais atitudes são peculiarmente difíceis para aqueles discípulos que têm o sexto Raio da Devoção e Idealismo predominante em seus equipamentos de energia, porque os ideais do aspirante do sexto raio cristalizam mais rapidamente e se deformam muito fácil. O ideal temporário (destinado a orientar o aspirante não desenvolvido),

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pode se tornar uma barreira, separando-o da verdade e da realização de uma visão mais verdadeira.

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Assim, gostaria de pedir a vocês, meus discípulos, para alcançar essa ampla e aberta sensibilidade, aguardando expectante o novo, que está pronto para se precipitar, mas que está sendo impedido de fazê-lo mais pelos idealistas do mundo, do que pelo homem na rua. O último é mais simples em suas reações e mais pronto para captar e ver uma saída para o impasse imediato, do que o místico ou o ocultista, porque pensa em termos de humanidade. Os discípulos do mundo (com seus bem formados ideais e suas concepções idealistas, ordenadamente expressados) são ofuscados pela miragem da beleza do futuro, porque são alheios a presente oportunidade. Muitos deles descobrirão mais tarde, que foram deixados para trás no que se refere à captação das novas verdades. Cristo se referiu a isto quando disse que não era possível colocar vinho novo em odres velhos, por que aquilo é antigo será destruído pela nova vida em expansão.

Portanto, a que está pronto o iniciado? Ao reconhecimento imediato do que é novo para alcance imediato, e a dar um passo na nova etapa para o desdobramento da consciência humana precursora, para a revelação firme e constantemente apresentada de novos e superiores conceitos. Esses conceitos possuem um poder expulsivo dinâmico e atendem satisfatoriamente as necessidades humanas no ciclo imediato. O iniciado também está pronto para o abandono imediato de tudo o que possa parecer fútil, desnecessário e inadequado para a necessidade atual, e para a recepção do poder do alto que quebra e destrói aquilo que se tornou cristalizado, que se tornou velho e inútil, e que já serviu ao seu propósito; o iniciado está pronto, ainda, a trabalhar como um ocultista prático (e não apenas como um místico idealista) sobre os níveis da visão, bem como sobre os níveis dos assuntos práticos humanos.

Eu gostaria de sugerir que seu processo de meditação seja dividido em duas partes. Deve haver uma meditação individual e uma grupal definitivamente planejadas, e também uma sistemática reflexão da vida espiritual. Esta reflexão espiritual irá promover a vida dual objetiva e subjetiva do discípulo, embora a meditação formal auxilie no processo de focalizar a luz da alma no cérebro e estabelecer as bases para o vivo, iluminado serviço de alma.

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Este serviço é apenas a expressão no plano físico de atitudes e atividades da alma, tal como a alma os evidencias em seu próprio nível de consciência. Uma fase deste duplo trabalho, a fase reflexiva, funciona em uma crescente compreensão e se expressa vivendo uma vida intencional ou "vida com um propósito." Isso leva a um modo de vida que é construído com base em um programa planejado, que se aproxima, na medida do possível, do Plano

e dos impulsos de vida hierárquicos. A segunda fase, que se consubstancia

na meditação comum, é um retiro consciente e definido. Se for realizada correta e deliberadamente, com regularidade, se alcançará, com o tempo, uma interação telepática mais produtiva entre os discípulos do grupo, e individualmente entre o discípulo, o Mestre e o Ashram principal. Também tornará o discípulo mais sensível às “ondas superiores que outorgam faculdades". Toda a meditação (em suas duas partes) envolve, portanto, a

ligação entre o coração e a cabeça, a abordagem mística e ocultista, e também

o sentimento e o conhecimento.

Somente o centro do coração pode transmitir, na realidade, essas linhas de energia que ligam e unem. Foi por este motivo que designei meditações que estimulam o coração a entrar em atividade, ligando o centro cardíaco (entre as omoplatas) com o coronário, por meio da analogia superior do centro cardíaco que se encontra na cabeça (o lótus de mil pétalas). Este centro cardíaco, quando é adequadamente irradiante e magnético, relaciona os discípulos entre si e com o mundo todo. Também produz a tão desejada interação telepática, que é construtivamente útil para a Hierarquia espiritual fornecendo o estabelecimento de um grupo de discípulos comprometidos e dedicados ao serviço à humanidade. Assim eles podem ser confiáveis.

Uma das tarefas de todos os discípulos é a evocação do aspecto vontade da alma; a vontade é geralmente quiescente em seus aspectos mais elevados, até que um homem pisa o Caminho do Discipulado

Vocês podem perguntar, meus irmãos, para que servem essas analogias

e estes elementos de informação? Eles são de pouca utilidade técnica para

vocês e realmente aumentam sua responsabilidade. Se, no entanto, eles servem para estabelecer um verdadeiro reconhecimento da realidade, da síntese e da relação na consciência do discípulo, então eles são de real valor.

Essas três palavras realidade, síntese e relação indicam o objetivo e o problema do discípulo, acrescido do efeito resultante do inteligente trabalho consciente e espiritual, motivado pelo amor.

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Na Nova Era, como já apontado anteriormente, a tônica do progresso do aspirante será o amor à humanidade; isto indicará o despertar do centro cardíaco. No passado e até uns poucos anos atrás, a tônica tem sido serviço (se prestado altruisticamente), porque encarna uma técnica de colocar o centro cardíaco em atividade automaticamente. O amor à humanidade é a principal falha no caráter de muitos discípulos hoje. Eles amam aqueles com quem podem estar associados, ou amam o trabalho relacionado com o esforço grupal, ou amam sua própria nação; eles também podem amar uma suposição ideal ou teórica, mas eles realmente não amam a humanidade como um todo. Há limites para a sua capacidade de amar e é a superação desses limites que constitui seu principal problema neste momento; eles têm que aprender que é a humanidade que exige sua fidelidade, sua lealdade e serviço. Gostaria de pedir a todos vocês para refletir profundamente sobre as afirmações acima, porque incorporam a tarefa à frente de vocês, e também a preparação para a primeira ou a segunda iniciação.

Gostaria de recordar também que a vida do discípulo é sempre uma vida de riscos e de perigos, que ele aceita voluntária e deliberadamente em prol de seu desenvolvimento espiritual e do serviço à humanidade. Mas gostaria de pedir a cada um de vocês para vigiar sua vida emocional e reações com maior cuidado; Peço-lhes para vigiar particularmente o menor afloramento de miragens. Gostaria de chamar a atenção para o fato de que o surgimento de condições emocionais ou de miragens em sua expressão de vida não precisa necessariamente indicar fracasso. Há falha apenas se houver identificação com estas condições astrais e no sucumbir aos ritmos antigos. O sucesso do trabalho de meditação atribuído, regularmente seguido, pode ser provado a vocês exatamente pelo aparecimento dessas condições indesejáveis; devem então ser reconhecidas por aquilo que são, e evocar em vocês a "divina indiferença", que permite a morte, por atrito, da emoção ou da miragem, porque privadas da "alimentação pela energia" da atenção. Toda a história do verdadeiro controle emocional está contida nesta última frase. O processo de alcançar esse controle constitui um dos períodos mais difíceis na vida do discípulo, e um dos mais prolongados, do ponto de vista do tempo. Para isso, devem estar preparados. É particularmente difícil neste momento triunfar sobre a emoção, por causa da intensa condição emocional de toda a família humana e por causa do medo e terror generalizado, pelo qual é responsável a energia da Loja Negra de Adeptos. Isso definitivamente complica o problema de todos os discípulos: ele tende a promover uma miragem mais potente.

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Então, eu lhes imploro para prosseguir com coragem, alegria, compreensão, cuidado extremo e, ao mesmo tempo, com velocidade.

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Gostaria de salientar também que a intenção de todos os discípulos verdadeiros é apoiar seus irmãos de grupo no amor e compreensão. Com isto vocês podem contar. Também gostaria de garantir que o amor protetor de seu Mestre está em torno de vocês, e que eu não falharei em nenhum momento Mas, em última análise, a batalha é sua.

PARTE IX

O segredo de todo o verdadeiro trabalho de meditação em seus estágios iniciais é o poder de visualização. Esta é a primeira etapa a ser dominada. Os discípulos devem pôr ênfase sobre este processo; nele se encontra, eventualmente, a capacidade de usar os poderes criativos da imaginação, mais a energia mental, como uma medida para promover os fins da Hierarquia e realização do Plano Divino. Todos os novos processos em técnicas de meditação (pelos quais a Nova Era será responsável) deverão incluir e incluirão a visualização como um passo preliminar, pelas seguintes razões:

1. A visualização é o passo inicial para a demonstração da lei oculta de que "a energia segue o pensamento." Isso, é claro, todos os interessados em estudo ocultista reconhecem teoricamente. Uma das tarefas que confrontam discípulos é alcançar este conhecimento factual. Visualização pictórica (que é uma característica definitiva do trabalho em muitas escolas esotéricas) é simplesmente um exercício para desenvolver o poder de visualizar. No trabalho daqueles discípulos que estão sendo treinados para a iniciação, este aspecto externo de visualização deve dar lugar a um processo interno, que é o primeiro passo em direção ao direcionamento da energia. A visualização de imagens tem a intenção de enfocar o aspirante na cabeça, em um ponto intermediário entre o corpo pituitário e a glândula pineal. Nessa área, ele desenha imagens e pinta cenas e, assim, adquire a facilidade para ver no conjunto e em detalhe o que ele deseja e no qual pretende trabalhar. A visualização, no que poderia ser chamado de "processo dirigido", prossegue de forma mais orientada e na área diretamente ao redor da glândula pineal. A glândula pineal, em seguida, se torna o centro de um campo magnético que é posto em movimento em primeiro lugar pelo poder de visualização. Nesse ponto, a energia é

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recolhida pelo discípulo e, em seguida, dirigida intencionalmente a um dos centros. Este pensamento focado produz efeitos inevitáveis dentro do corpo etérico e, portanto, dois aspectos da imaginação criativa entram em jogo.

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2. A faculdade de visualizar é o aspecto construtor da forma da imaginação criadora. Este processo se divide em três partes, que correspondem, de certo modo, ao processo criador seguido pela Divindade mesma:

a. O acúmulo de energia qualificada, dentro de um círculo “não-se-passa”.

b. A focalização desta energia sob a força da intenção, ou seja, em um ponto ao redor da glândula pineal. A energia agora está focalizada, e não difusa.

c. O envio desta energia reunida e focalizada por meio do processo pictórico (não por um ato da vontade, neste momento) em qualquer direção desejada, isto é, a certos centros e em uma ordem determinada.

Este processo de direcionamento da energia pode se tornar um hábito espiritual, se os discípulos começarem a praticá-lo lenta e gradualmente. Em princípio, o processo de visualização pode parecer-lhes ser trabalhoso e inútil, mas se perseverarem descobrirão que se torna fácil e eficaz com o passar do tempo. Esta é uma das maneiras mais importantes de como um Mestre trabalha; é essencial, portanto, que vocês comecem a dominar a técnica. Os estágios são:

a. O processo de acumulação de energia.

b. O processo de focalização.

c. O processo de distribuição ou direcionamento.

O discípulo aprende a fazer isso dentro de si mesmo e mais tarde a dirigir a energia (de tipo determinado e escolhido, de acordo com a demanda da ocasião) para aquilo que está fora de si mesmo. Isto constitui, por exemplo, uma das principais técnicas de cura do futuro. Também é usado pelo Mestre para despertar em Seu discípulo certos estados de consciência, mas com estes vocês não tem nada a ver.

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3. O poder de visualizar corretamente é um modo definitivo de averiguar a verdade ou falsidade. Esta é uma afirmação difícil para compreenderem. A visualização é, literalmente, a construção de uma ponte entre o plano emocional ou astral e o nível mental e é, portanto, o que corresponde à personalidade na construção do antahkarana. O plano astral, o segundo aspecto da personalidade, é a correspondência do aspecto construtor da forma da Tríade, o segundo aspecto. A imaginação criativa "imagina uma forma" através da capacidade de visualizar, e a energia do pensamento da mente dá vida e sentido a esta forma. Ele encarna o propósito. Assim, um relacionamento ou linha de energia é construído entre a mente e o veículo astral, e torna-se uma linha tripla de energia quando a alma do discípulo está utilizando este processo criativo de alguma forma planejada e definitivamente construtiva.

Este processo de visualização e este uso da imaginação formam os dois primeiros passos na atividade de construir formas-pensamento. É com estas formas autocriadas encarnando ideias espirituais e propósito divino que os Mestres trabalham e os propósitos hierárquicos tomam forma. Portanto, meus discípulos, é essencial que vocês comecem, deliberada e lentamente, a trabalhar desta maneira, e a usar as informações acima construtiva e criativamente. A necessidade da época é cada vez maior e é desejado o máximo de trabalho e de propósito.

O objetivo da iniciação realizada pelos Mestres é a meta de todos os seus discípulos, e eles estão prontos para dar a instrução necessária. Gostaria de lembrá-los nesta fase inicial, que apenas o que vocês sabem por si mesmos e experimentam conscientemente dentro de si mesmos é importante e constitui a verdade para vocês. O que os outros dizem, ainda que seja eu, não serve a nenhum propósito vital, exceto para ampliar ou corroborar uma verdade já conhecida, ou para criar ilusões ou responsabilidade até que seja rejeitado ou vivido por vocês, em sua própria consciência. Entendem o que eu quero dizer?

Iniciação pode ser definida como o momento de crise em que a consciência paira sobre os limites da revelação. As exigências da alma e as sugestões do Mestre podem ser consideradas como em conflito com as exigências de tempo e espaço, centradas na personalidade ou homem inferior. Vocês terão, portanto, nesta situação, uma tremenda força de atração entre os pares de opostos; o campo de tensão ou o foco do esforço pode ser

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encontrado no discípulo "no ponto a meio caminho." Será que ele vai responder e reagir conscientemente à atração superior e passar a novas e mais elevadas áreas da experiência espiritual? Ou cairá de volta para a miragem do tempo e espaço, e para a escravidão da vida pessoal? Será que se manterá em uma condição estática de repouso em que nem a tendência superior nem a atração inferior irão afetá-lo? Uma ou outra dessas três condições deve distingui-lo, e deve ser bem sucedido apesar de uma experiência anterior e vacilante, em que o discípulo vibrou entre a decisão superior e inferior. O Mestre preside este processo, em que nada pode fazer, porque é um problema que o próprio discípulo deve resolver. Ele só pode se esforçar para intensificar o desejo da alma, pelo poder do Seu pensamento dirigido. A personalidade também nada pode fazer, pois neste momento tanto o corpo físico como o veículo astral são simplesmente autômatos, esperando responder a decisão do discípulo, funcionando em seu corpo mental. O discípulo só pode atuar a partir do nível mental de consciência, neste momento de esforço. Uma vez feito isso, a sorte está lançada. Ou ele se move para diante em direção à porta de luz onde o Mestre o pega pela mão, e o Anjo da Presença torna-se potente e ativo de uma forma indescritível, ou retrocede temporariamente para a condição de vida do homem inferior; miragem e maya se estabelecem de novo nele, e o Morador do Umbral insere-se entre o discípulo e a luz da porta aberta, e renova sua atividade. O discípulo ou desperta subitamente para uma compreensão mais ampla da realidade e uma compreensão mais profunda do Plano e sua parte no mesmo, ou os "véus da terra" cerram sobre a sua cabeça; a visão desaparece e ele volta para a vida de um ser humano comum, provavelmente por todo o período da encarnação em que a oportunidade foi oferecida a ele. Ele deveria, no entanto, ir adiante por aquela porta, então (de acordo com a iniciação correspondente), teria a revelação e suas consequências decorrentes. A revelação não será a revelação de possibilidades. É uma experiência factual, resultando na evocação de novos poderes e capacidades, e o reconhecimento de novos métodos e campos de serviço. Esses poderes são condicionados pela evolução do passado e a presença dessas faculdades, além de uma liberdade de movimento "dentro dos limites da Hierarquia", que se encontram muito além de qualquer coisa que ele pode ter sonhado, tornados seus. Novos contatos hierárquicos são agora possíveis para ele; novas responsabilidades são colocadas sobre seus ombros, e novos "campos de poder" se tornam disponíveis para seu uso no serviço mundial.

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Muitas vezes ouvimos que o Guru, ou Mestre, no Oriente ensina Seu discípulo por insinuações ou dicas. Se já leram e estudaram os antigos escritos

da Índia (e quem hoje não leu pelo menos alguns deles?), terão notado que

estas sugestões caem em duas categorias:

1. Sugestões de caráter pessoal em relação à realidade e preparação para a iniciação.

2. Sugestões da Unidade da Divindade e a relação do homem com a unidade comprovada e alcançada.

A estes foram adicionados mais tarde ensinamentos relativos ao

processo criador, quando Deus criou o mundo, e muito a respeito da energia

e do desenvolvimento dos centros (laya-yoga, como é tecnicamente

chamado). Estas quatro linhas de ensinamento são praticamente tudo o que é transmitido, e todo o treinamento oferecido era de natureza exotérica. Podem ver por si mesmos que eram de natureza preparatória e que o treinamento para a iniciação estava tão profundamente oculto na ênfase colocada sobre a relação do Guru e discípulo, e não expressado em palavras e não era, portanto, revelado de forma alguma. As poucas pistas possíveis e significados simbólicos eram investigados e o esoterista erudito já esgotou estas fontes de informação.

O que eu estou procurando fazer é levar o ensinamento a uma etapa externa, e tornar exotérico o que o Mestre ensinava a Seus discípulos, antigamente, quando as verdades fundamentais relativas à consciência universal eram pouco compreendidas pelo discípulo, e desenvolvidas particularmente à maneira do discípulo, e assim trabalhadas com sucesso, no seu devido lugar. A velha regra permanece uma regra inalterável, de que todo verdadeiro ensinamento esotérico começa com o universal e termina no particular; isso vocês devem ter sempre em mente. É minha difícil tarefa colocar em linguagem moderna e em formas simbólicas estas regras não escritas até então. Muito do que tem sido dado desde o tempo em que H.P.B. lutava e trabalhava tem sido verdade, incluindo informações a respeito da iniciação. Muito, porém tem sido fantasioso e gravemente distorcido.

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Quando um neófito, em primeiro lugar, solicita ao Mestre o treinamento necessário prévio da iniciação, qual, vocês diriam, é o problema do Mestre? Estou presumindo que o Mestre conhece bem Seu discípulo, está convencido

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de sua sinceridade e da adequação de sua solicitação. Também estou supondo que vocês percebem que a chamada "solicitação" é a qualidade da vida vivida, o serviço prestado e a presença de uma mente iluminada iluminada através de alguma medida definitiva de contato com a alma.

O problema do Mestre consiste em ensiná-lo a estabilizar a relação entre

a alma e o corpo de modo que, à vontade, o contato pode ser estabelecido

entre eles; o corpo astral não forneça nenhum obstáculo como tal, e através do contato com a alma se possa conseguir uma relação fácil com seus fins e recursos da Hierarquia. Segundo, indica a natureza da energia e sua utilização prudente, por meio de uma personalidade integrada.

É essencial que todos vocês compreendam uma coisa, antes de iniciar

o trabalho comigo. É que, em um grupo de discípulos, como este, a grande

maioria já passou pela primeira iniciação e está sendo preparada para uma das iniciações posteriores. Não há nada de surpreendente nesta declaração ou qualquer motivo de especial alegria ou júbilo. Um número imenso de aspirantes mundiais evidencia por sua vivencia de questões espirituais, pela intensidade de sua aspiração, e através de suas lutas para serem bons, altruístas e sábios que a vida do Cristo habita definitivamente neles e está presente em seus corações. A iniciação da "fixação espiritual no plano físico" (como é chamado, às vezes, o nascimento em Belém, a primeira iniciação) já foi recebida por milhares, e eles estão sinceramente e, definitivamente, avançando no Caminho. Gostaria de recordar aqui que muitas, muitas vidas podem decorrer entre a primeira e a segunda iniciação - longos intervalos de silencioso e quase imperceptível crescimento. De nenhuma maneira vocês são únicos, ou muito à frente dos aspirantes avançados mundiais. Nisto encontrarão motivo de encorajamento e humildade. E, naturalmente, não é minha intenção dizer quem está se preparando para qualquer iniciação particular. Essa é uma questão que cada um de vocês deve descobrir por si mesmo. É uma questão de orientação interior e não uma questão de informação externa.

Gostaria de referir-me neste momento, a um ponto a respeito das três primeiras grandes iniciações. É que elas têm sempre de ser recebidas quando em corpo físico e no plano físico, demonstrando, assim, consciência iniciática, tanto da mente como do cérebro. Este é um ponto não enfatizado e, por vezes, contradito.

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Gostaria também de salientar com toda a clareza e força de que disponho, a profunda necessidade de humildade e sua expressão constante. Não me refiro a um complexo de inferioridade, mas sim a esse ajustado senso de correta proporção, que dá a seu possuidor um ponto de vista equilibrado a respeito de si mesmo, suas responsabilidades e trabalho de sua vida. Este, quando presente, vai permitir-lhes ver a si mesmos de forma desapaixonada,

e as oportunidades apresentadas com igual desapego. Sem dúvida, todos os

discípulos, vocês entre eles, têm especulado sobre seu estado e posição sobre o caminho, e sobre o status dos seus condiscípulos. Isto é, apesar de tudo, tanto natural como humano. Alguns de vocês são demasiados humildes no sentido pessoal, mas não no sentido da verdadeira humildade. Com isso quero dizer que você tem tanto medo do orgulho e do estilo bombástico, e de uma superavaliação de suas capacidades, que não são verdadeiros acerca das realidades e subestimam o poder de suas almas. R.S.U. é um exemplo e precisa caminhar humildemente na vida espiritual, o que envolve um correto

reconhecimento do lugar e da oportunidade, e não essa ênfase constante

sobre não estar à altura dela. Deve mostrar-se ao meu grupo de discípulos e

a mim, e ver a si mesma como realmente é uma discípula, em preparação

para uma certa iniciação e com muita sabedoria à sua disposição. W.D.S. sofre de um complexo de inferioridade que o leva a uma imposição externa de sua personalidade sobre os outros, e manifesta-se em um ciúme sutil, espiritual, daqueles que sua consciência registra como seus superiores espirituais. Ele precisa aceitar a si mesmo como ele é, e alegrar-se que há aqueles que garantem a ele a possibilidade de um futuro desdobramento, porque eles já alcançaram mais do que ele e, em seguida, esquecer-se de si mesmo, e aceitar o discipulado e encontrar-se tão ocupado em verdadeiro serviço, que não terá tempo para uma comparação incessante com os outros.

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A verdadeira humildade é baseada em fatos, em visão e nas pressões do tempo. Aqui faço uma insinuação e gostaria de lhes pedir para pensar profundamente sobre estes três fundamentos de uma importante atitude da personalidade, que deve ser mantida e demonstrada antes de cada iniciação. Gostaria de lembrá-los que deve haver sempre a humildade na presença de uma verdadeira visão.

Este experimento que estou realizando tem seus perigos. Os discípulos no Ashram de um Mestre nos planos internos conhecem um pouco o status dos seus condiscípulos, mas eles nem sempre levam este conhecimento até

a consciência cerebral. Este é em grande parte um fator de proteção, porque

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não se poderia confiar neles para lidar corretamente com esse conhecimento no plano físico. Eles podem ser excessivamente críticos com um condiscípulo que, temporariamente, não faça jus ao objetivo da iniciação; eles podem sentir sutilmente ciúmes ou serem indevidamente autodepreciativos; podem tratar o discípulo que está à frente deles no Caminho da Iniciação como alguém superior e privilegiado e, portanto, complicar seu problema e seu esforço; podem perder o senso de proporção quanto à iniciação em si, como para com seus processos e estados, e isso por estarem demasiado perto para uma abordagem, ou mal entendido, de outro iniciando-discípulo, que luta. As armadilhas são muitas e eu lhes digo para tomar cuidado. Cuidem de sua própria vida e de seus próprios assuntos. Não especulem quanto à condição dos outros discípulos do meu grupo, que são seus colaboradores próximos e coparticipes no meu experimento. Cultivem a humildade, que é baseada na compreensão e visão, e assim sirvam ao mundo, a seus condiscípulos e a mim também, como seu principal ponto de contato com a Hierarquia.

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Tenho frequentemente salientado que um discípulo é conhecido pela influência que exerce sobre o meio ambiente, e um iniciado pelo amplo escopo

de seu serviço mundial. Como acontece, então, que alguns de vocês (não todos) não se destacam por esse serviço e são de importância relativamente pequena nas questões mundiais? Vários fatores podem explicar isso. Primeiro de tudo, um discípulo pode ser chamado a trabalhar certas relações carmicas,

a cumprir certas obrigações de origem muito antiga e assim "limpar o terreno"

para um serviço mais completo e ininterrupto para a humanidade, em uma data posterior. Isto ocorre muito frequentemente entre a primeira e segunda iniciações. Às vezes, um discípulo pode prestar um serviço eficaz e em larga escala nos planos internos e, ainda, não haver nenhuma evidência disso no plano físico, exceto na beleza de uma vida vivida. Outros podem estar aprendendo algumas técnicas de relações psicológicas e de distribuição de

energia e ter dedicado um pouco da vida particular, à aquisição dessas ciências esotéricas. Uma vida não passa de um breve momento no longo ciclo da alma. O verdadeiro discípulo nunca usa as razões acima expostas como álibi para a falta de esforço. Gostaria de recordar que a influência no mundo nem sempre implica, por si só, discipulado. Há muitos grupos conhecidos e magnéticos que têm em seu centro uma personalidade dominante que não

é necessariamente um discípulo.

Em conexão com este grupo de meus discípulos e com esta experiência que eu estou realizando, precisam chegar a um ponto na experiência grupal

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em que vocês não estejam tão intensamente preocupados com seu próprio desenvolvimento, estado e serviço; todos vocês precisam aprender a descentralizar-se para que o trabalho a ser feito se torne o fator de grande importância. Quando for esse o caso, cessará então o intenso interesse

próprio sobre algum aspecto da expressão da personalidade, alguma fraqueza de caráter, um objetivo preferido, ou alguma condição física. Descobrirão que

o cultivo de uma "divina indiferença" (como já disse várias vezes) é de grande

ajuda para esquecer o pequeno eu; este frequentemente parece tão grande (de hábito) que impede de ver o eu superior; se interpõe entre o discípulo e o Mestre, e impede o contato com seus condiscípulos, negando assim o serviço eficaz.

Há mais um ponto que eu gostaria de levar a vocês para que possa haver completa compreensão. Há períodos na vida do discípulo quando parece não haver nenhum contato com o Mestre, como se toda a relação tinha sido

cortada, pelo menos temporariamente. No que concerne a discípulos aceitos, gostaria de enfatizar que tal separação não é possível. Ocultamente, isso não pode acontecer e o amor do Mestre para com o discípulo torna novamente isso impossível. Há apenas uma condição que pode resultar em interrupções

e que é um esforço deliberado e consciente pelo discípulo, realizado por um

período muito longo de tempo. Um Mestre não admite um discípulo, com rapidez, em seu grupo, e uma vez tendo feito isso, a situação é irrevogável do

ponto de vista do Mestre. Qualquer atraso no progresso e qualquer interrupção final vêm inteiramente do pupilo. Pode haver uma suspensão temporária da comunicação e isso pode durar toda uma vida; que, no entanto, não é longa a partir do ângulo da alma; mas é um flash de curto tempo e importância na longa carreira da alma. Ele aparece como grande e importante na vida da personalidade, mas pode significar apenas uma oportunidade no eterno agora da alma.

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Tenho, portanto, observado vocês de perto e assisti, em intervalos, a corrente da vida passar por cima de vocês; Tenho observado seu progresso e demora. Vi vocês terem sucesso e tenho visto vocês falharem. Isso eu faço observando a pulsação de sua luz não vendo os detalhes de sua vida diária. Não se justifica neste momento de crise, e nunca se justificará, devido ao desenvolvimento evolutivo dos discípulos. Vocês ainda estão dentro da aura do meu grupo, dentro do meu Ashram. Sua posição é determinada por vocês mesmos, e não por mim. Existe, por vezes, algo que se assemelha a uma pulsação na relação entre professor e pupilo um retrocesso e um avanço,

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relativo ao discípulo em provação e à firme esperança por parte do professor. Quando terminam as flutuações de contato, e o aluno se estabiliza e se converte em um "ponto de energia em constante aproximação", então ele se torna um discípulo aceito. Alguns no meu grupo de discípulos estão estabilizados; alguns ainda estão a recuar; alguns poucos estão se aproximando, e eu assisto com interesse a intensificação e a diminuição de sua luz.

Esta época exige a mobilização de todos os discípulos, e quando digo "esta época6 refiro-me ao tempo presente e aos próximos cinquenta anos. Esta mobilização envolve a concentração das energias do discípulo, seu tempo e seus recursos em nome da humanidade; ela requer uma nova dedicação ao serviço, uma consagração da vida de pensamento (vocês percebem o que isso significa, meus irmãos?) e um esquecimento de si mesmo que exclui todos os humores e sentimentos, todo desejo da personalidade, ressentimentos, mágoas e toda mesquinhez nas suas relações com os seus semelhantes. No plano físico, isso significaria o total condicionamento externo ativo do ser, de modo que toda a vida se converta num serviço ativo focalizado. Peço-lhes para estudar o fraseado acima, usando-o como uma luz reveladora, de modo que possam saber do que carecem e o que têm que fazer.

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Dei-lhes no passado grande quantidade de instrução, ajuda e incentivo. Isso vocês ainda tem e terão, e lucrariam muito se passassem algum tempo recordando-os. Mas hoje façam um novo começo, não para seu próprio bem, mas para o auxílio de um mundo necessitado. Esqueçam-se de si mesmos.

A pressão do trabalho que pesa sobre mim tem sido bem grande, ultimamente. Muito trabalho recaiu sobre meus ombros, devido à situação mundial. Isto envolveu mais esforço por parte da hierarquia para evitar um colapso completo da estrutura da civilização humana, tal como ela existe na atualidade. Bases sólidas de uma parte da estrutura devem ser salvas; todo o resto pode vir a desaparecer.

Muitas coisas contribuem para a inércia que hoje parece afligir muitos dos discípulos mundiais, que deveriam estar ativos no serviço e prestimosidade. Isto também se aplica a vocês. A pressão das condições da guerra, e preocupação com seus próprios assuntos pessoais, atitudes e

6 A 1ª Edição foi publicada em 1944, durante a 2ª Guerra Mundial, portanto.

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reações têm tirado de suas mentes muito do que eu disse e poderia dizer. Uma das primeiras lições para aqueles em treinamento para a iniciação têm de dominar é a difícil atitude dual que permite a correta atividade da personalidade e o verdadeiro interesse nas questões da personalidade e ainda, ao mesmo tempo, não permite que nada pessoal interfira com a vida espiritual subjetiva, com o serviço e com o treinamento preparatório para a iniciação. Conforme o tempo passa, vou tentar encontrar um ponto médio entre as antigas técnicas e os modos mais recentes de treinamento, usando uma parte das antigas técnicas que estão agora se tornando obsoletas e essas insinuações e pistas que vão levar vocês a compreenderem a natureza, finalidade e métodos de educar os discípulos aceitos nos processos da iniciação.

Acima de tudo, gostaria de dizer: procurem recuperar o fervor da anterior aspiração espiritual e autodisciplina. Se vocês nunca a perderam (apesar de muitos discípulos sim) procurem buscar, à força, a energia da inspiração para trabalhar em uma ação eficaz e definida no plano físico. Como, perguntarão vocês, meus irmãos? Aumentando o brilho de sua luz no mundo, através do amor e meditação, para que outros possam dirigir-se a vocês, como um farol na noite escura da vida que parece ter descido neste século sobre a humanidade; busquem amar mais do que vocês creem ser possível, para que os outros congelados e desalentados pelas circunstâncias da vida e do presente horror da existência humana, possam voltar-se a vocês em busca de calor e reconforto. O que eu e todos os que são afiliados a Hierarquia procuram fazer neste momento desesperado de crise é encontrar aqueles que são pontos confiáveis de energia viva e através deles derramar o amor, a força e a luz que o mundo necessita, e que deve possuir para resistir a essa tempestade. Peço-lhes para prestar esse serviço para mim e para a humanidade. Não peço nada espetacular; no entanto, exigirá um esforço extenuante de suas almas para responderem de forma adequada. Não peço nada impossível; gostaria de lembrá-los que a apatia do corpo físico e do cérebro, a inércia da natureza emocional e o sentimento de inutilidade da mente, quando confrontado com grandes problemas parecem impedi-los.

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Mais uma vez eu aponto o caminho para vocês e mais uma vez eu espero. Intensificarão sua vida interior e alcançarão o poder que irá permitir- lhes viver ao mesmo tempo como um ser humano eficiente e como almas amorosas e viventes? É o estabelecimento da continuidade desse processo dual sua principal necessidade neste momento; irá conduzir a fusão, a

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coordenação da personalidade e a uma maior eficiência. Muitos discípulos não são jovens, e não lhes é fácil modificar os hábitos arraigados dos pensamentos

e das sensações de uma vida. Devem, no entanto, interrompê-los e vocês não

devem sentir nenhum ressentimento. Os ritmos da personalidade são estabilizados e constituem sua linha de menor resistência. Vocês devem cortar este entrave, formando assim a cruz da vida e da existência, e então, aceitar este acréscimo de dificuldade. Os resultados serão novos e belos ritmos.

Para aqueles que se encontram em meio à chama da dor (e seu número

é Legião), da agonia, ansiedade e angústia vendo isto em toda parte e

tentando ficar estável no meio de tudo isso lhes digo: Aquilo que parece nem

sempre é; o que rasga e perturba a vida da personalidade é, frequentemente,

o agente de liberação, se corretamente apreendido; o que surgirá quando as

Forças da Luz penetrarem na escuridão do mundo irá demonstrar a natureza do eterno espírito humano. A todos vocês eu digo: Meu amor os rodeia e a aura do Ashram do qual eu sou o centro ergue-se, para defendê-los, como uma grande parede em torno de vocês e em torno de todos os que estão lutando pelos direitos. Lutem vocês também. Vocês poderão, então, sentir essa proteção amorosa. A cada dia, se vocês quiserem, podem colocar-se em relacionamento com seu Mestre. Nós não somos cegos ou indiferentes. Sabemos, no entanto, que há males piores que a morte e a dor. Sabemos que esta é a hora da maior oportunidade da humanidade e que, se os homens puderem passar triunfalmente por isso e (pela força de suas próprias almas) superar este mal atual, então a evolução da humanidade será acelerada além de tudo que se acreditava possível. Irá constituir uma libertação auto alcançada e auto iniciada. Isto tem importância tanto na vida do homem como na vida do discípulo individual. Essa oportunidade e essa ocasião não devem ser privadas do homem; o ganho espiritual e os eternos valores obtidos são muito mais importantes do que sua agonia temporária.

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Quando pensam que Nós estamos em Nossos assim chamados retiros seguros, poucos de vocês podem compreender a capacidade de identificação com tudo o que está envolvido no mundo hoje, de dor e sensibilidade Daqueles conectados à Hierarquia à condição infeliz da humanidade, torna Sua expectativa uma agonia espiritual suprema, ao permanecerem inativos. Eles compreendem as profundezas da reação da humanidade; Eles compreendem

e entendem, pois eles São unos com todos os homens. Isto envolve uma

compreensão muito maior do que vocês podem captar e que só pode ser adequadamente expressa na palavra "identificação". Eles precisam do apoio

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incondicional de todos os Seus discípulos, o amor inabalável, a atitude leal, a resposta inquestionável às necessidades humanas que Lhes permitam transportar mais facilmente o pesado fardo do carma humano posto sobre Seus ombros, e que Eles carregam de forma voluntária.

Farão isso? Vocês ajudarão Nosso trabalho em todos os sentidos possíveis, tanto como personalidades, dedicadas ao serviço, e como almas que trilham o Caminho iluminado? A necessidade da humanidade por amor e luz, a necessidade da Hierarquia por canais e daqueles que funcionarão sob Sua direção, sobre a terra, pode evocar tudo o que vocês têm a dar, e pode evocar suas almas (a única verdadeira recompensa que o discípulo procura) no poder e amor. Isso acontecerá a vocês, se você esquecerem o pequeno eu.

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Que seu conhecimento possa ser transmutado em sabedoria, e o olho da visão controle seus processos de vida e todos os seus empreendimentos, é o desejo (do profundo do meu coração) para cada um e todos vocês.

Seu Mestre, Amigo e Professor,

O Tibetano

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SEÇÃO DOIS

INSTRUÇÕES PESSOAIS PARA DISCÍPULOS

Pelo Tibetano

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Para B. S. D.

 

Novembro de 1931

 

IRMÃO MEU:

Eu diria a você as seguintes palavras: não perca tempo na recordação do que foi realizado nos anos dedicados ao trabalho oculto, nem na

antecipação febril de mais alguns anos de esforço oculto dirigidos sob minha tutela. A equação tempo tem estado muito presente em seus pensamentos, meu irmão, e no trabalho do momento atual os possíveis desenvolvimentos futuros devem ser esquecidos. Você deve alcançar o esquecimento do aspecto forma durante a meditação, pois sua intuição precisa despertar. Trabalhar sem apego aos resultados é uma dura lição que todos os discípulos devem aprender, mas que vale a pena. Minhas instruções especiais para você, portanto, podem causar momentânea surpresa, porém, mais tarde você verá

a

razão delas. Estas são as instruções:

 

Primeiro, abandone toda forma em seu trabalho de meditação e sente-

 

se em perfeito silêncio, com sua atenção centrada no Senhor do Amor que

é

a alma. Aquiete seus processos de pensamento (o que não é difícil para

você) e, também, abandone o uso do pensamento semente. Ouça e aspire. Encerre cada meditação derramando amor para todos os seres. Esta exteriorização mental é um grande libertador, e cada discípulo no grupo, aos quais estou procurando treinar, necessita libertar de algo. Para você, é libertar- se da forma, enquanto presta seu serviço. Você sabe a que estou me referindo.

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Segundo, até a Lua Cheia de Maio, cesse todos os exercícios respiratórios. Você os pratica há anos e precisa de uma pausa. A natureza progride e avança através da atividade cíclica e repouso cíclico e, antes que eu possa levá-lo para o próximo desdobramento, prefiro que repouse da

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pressão mental e também da devoção que governou grande parte de sua experiência de vida. Até maio, centre seu pensamento, sua meditação e seu serviço no ser e verá se não é grande a recompensa. Não duvide desta sugestão, mas no pensamento no ser encontre seu caminho para o centro da vida a partir da qual todo o trabalho ocultista é feito. Ser instado a ser é uma honra, meu irmão; levará você neste momento além da intelectualidade, ao pranayama 7 , e a este potente desejo de realização espiritual que é sua excelente qualidade divina, mas que, em certos aspectos, também seu principal obstáculo. Estou aqui por um ciclo para ensiná-lo com o melhor de minha capacidade e preparar aqueles que responderão ao serviço no próximo ciclo de vida. Pergunte-me, portanto, as questões que você não entender das injunções acima e responderei. Você achará esta linha de atividade mais passiva difícil no início, pois sua mente e vida são bem organizadas, mas, até maio, simplesmente viva e esteja em seu Ser espiritual e ame todos os seres. Mais tarde descreverei para você o treinamento e os exercícios respiratórios que me parecem ser indicados para você no caminho. Entenda que um interlúdio está sendo dado a você, onde cessam os exercícios ativos praticados por mais de trinta anos de aspiração e esforço, de modo que possa ser conseguido um ritmo de calma. Mais tarde, sobre o conhecimento acumulado ao longo dos anos, uma nova estrutura de conhecimento poderá ser erguida, e um novo e mais elevado ritmo imposto. As células cerebrais necessitam de descanso, pois existe certa quantidade de fadiga mental.

Junho de 1933.

Você aceitou meu pedido, meu irmão, e eu acredito que agora esteja vendo a razão para o método de treinamento com você. O aspecto amor da sua alma foi liberado um pouco, embora ainda permaneça alguma preocupação interior com a realização exterior, o que dificulta no caminho da realização. Uma coisa gostaria de lembrá-lo e isso talvez responda algumas de suas perguntas. Vejo a realização do meu grupo de discípulos desde o ponto de vista do efeito grupal, e não tanto a partir do sucesso ou fracasso de suas unidades. Esse resultado e sucesso devem, também, demonstrar-se sequencialmente à medida que vem à manifestação. A primeira esfera de enfoque foi em níveis mentais. Lá você é incapaz de julgar por si mesmo seu

7 Pranayama (do sânscrito प्राणायाम, transliterado prāNāyāma, "respiratório") é o quarto ramo do Raja Yoga exposto nos Ioga Sutras de Patañjali. Prana é a fonte de energia. O prana é substrato universal. Pranayama é o conhecimento e controle do Prana. (In Wikipédia - N. T.)

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sucesso ou insucesso, porque você não tem, por enquanto, a visão mental desenvolvida. Digo-lhe que o grupo já existe como um fator ativo nesses níveis

e que talvez isso seja o bastante. Sua nota está soando e sua influência está

sendo organizada. Nos próximos anos organizar-se-á também em níveis astrais, no plano emocional, e você deve ter em mente que nestes níveis todas as formas estão em perigo de sucumbir à Grande Ilusão. Esses anos serão críticos, portanto, na vida do grupo, e isso deve-se ter em mente. Ninguém no grupo deve permitir-se entregar-se à miragem.

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Tudo isso que você está pressentindo, meu irmão, deve indicar-lhe o progresso da sua sensibilidade subjetiva. Mais tarde, uma relação grupal será estabelecida e uma realização grupal estabilizada, que justificará a atenção do mundo dos homens. Não perca tempo em ansiedade quanto a realizações fenomênicas. Elas devem chegar inevitavelmente se o fogo da aspiração de cada um de vocês, e o poder de persistir for firmemente estimulado.

Agora você pode retomar a meditação mais ativamente, e praticar o exercício respiratório que lhe darei. Em sua meditação procure manter todo o processo na cabeça, e lembre-se que seu problema é tornar-se um "extrovertido do tipo cardíaco" em vez de ser, como você é, um "introvertido do tipo coronário”. Portanto, seu caminho de libertação é o caminho do amor,

e a nota do amor deve colorir toda a sua meditação. Proceda com cuidado,

portanto, seguindo todas as instruções, lembrando que, para você, procuro evitar toda a ênfase no lado forma. O tema da sua meditação poderia ser resumido nas seguintes frases:

"Eu me comprometo ao Caminho do Amor. Exijo da minha alma que eu, o Espírito na forma, deverei atuar como um canal para a compaixão e um instrumento para o amor até que eu me conheça como sendo o próprio Amor. Eu sou o Amor. Com pura intenção sirvo. Este amor e zelo devem alimentar a aspiração de meus semelhantes. Para isso com pleno conhecimento eu me comprometo."

Sua contribuição a este grupo de condiscípulos é esta ardente, dinâmica

e devotada aspiração, que é a qualidade espiritual do sexto raio, que rege sua personalidade.

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IRMÃO MEU:

Junho de 1934

 

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Faz um ano desde que eu te dei instruções definidas, e é chegado o momento em que certas mudanças podem ser feitas. O desenvolvimento do coração progrediu e o centro cardíaco está mais ativo do que antes. Você está despertando a consciência às reações de seus irmãos e pode identificar-se mais facilmente com eles. Você se deu conta, meu irmão, que antes você vivia tão enfocado com a consciência na mente, que os problemas de seu irmão eram mais importantes do que o próprio? Você não percebe que agora sua habilidade mental para compreender a situação de seu irmão lhe interessa mais do que sua alma atribulada? Não percebe também que seu profundo desejo de encontrar o Mestre e ter com Ele um contato definitivo tem por base uma dúvida intelectual? A satisfação de seu desejo mental de verificar a existência dos Mestres e verificar sua própria posição na escada da evolução era naqueles dias mais forte do que seu amor pela humanidade e pelo serviço. Esta condição agora está em grande parte sanada, e qualquer reflexão ao longo das antigas linhas é mais uma recaída de pensamento do que um retrocesso no caminho do progresso.

Todo o crescimento é cíclico e se progride passo a passo em espiral, e envolve um (aparente) repisar dos passos. Isto é, no entanto, uma ilusão.

Desejo hoje dar-lhe um exercício de respiração que vai mesclar e fundir as energias dos centros acima do diafragma. Nenhum pensamento a respeito dos centros abaixo do diafragma precisa entrar em sua mente. No fim, irmão de antanho, para que eu saiba que você compreende este trabalho e, a fim de que seus irmãos no meu grupo possam lucrar com sua experiência, gostaria de pedir-lhe para escrever um artigo sobre este triplo exercício de respiração Desejo que você explique o propósito e a intenção deste exercício, e observe seu efeito sobre a estimulação dos corpos vital e psíquico

Janeiro de 1935

MEU IRMÃO ACEITO:

 

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Gostaria que você observasse minha nova forma de endereçamento. Agora eu posso usá-la, uma vez que você atingiu um ponto na etapa

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desejado em sua experiência em que você já sabe que está no Caminho do Discipulado Aceito. Eu não poderia chamá-lo assim antes, porque o reconhecimento externo de uma condição interna (bem como de estados interiores de consciência, que é outro nome para a mesma coisa) deve vir sempre de dentro da própria natureza do discípulo; nós, os Instrutores, apenas estamos autorizados, mais tarde, a colocar o selo de reconhecimento sobre o fato. Você trabalhou por anos ativamente no plano mental consigo e em si mesmo, e também com as muitas vidas com as quais teve permissão de contatar, e que guia no caminho probatório. No entanto, sempre houve ansiedade e desejo por um contato mais emocional e sensível, e por um aumento da atividade cardíaca. Esta você está adquirindo agora, e como resultado do trabalho nos últimos dois anos (pois você só começou a mudar seu foco no fim de 1932), você começou a ligar a cabeça e o coração. Quando isso é feito através da atividade da vontade, e quando se expressa na pratica em serviço, então o homem passa para o Caminho do Discipulado. Ele pode, então, encontrar seu caminho também para o grupo de um dos Grandes Seres, desde que haja uma vaga. Isso já aconteceu no seu caso e disso você sabe por si mesmo, e, portanto, eu posso saudar você como meu irmão aceito.

Eu procuro fazer uma mudança em seus exercícios respiratórios e também em seu trabalho de meditação, e gostaria de lhe pedir para manter um registro dos resultados em conexão com estes dois e, no fim de seis meses, observar a média geral dos resultados, de quaisquer efeitos fenomênicos e qualquer expansão de consciência que você possa atribuir definitivamente a estes exercícios. Estes efeitos devem ser procurados, no seu caso, na consciência psíquica. É este departamento do seu ser que teve certa medida de retenção no crescimento. A tensão mental tem sido tal durante trinta anos, que o livre fluxo das forças psíquicas foi inibido.

Por sua idade você tem uma segura estabilidade mental, e você se beneficiará se procurar sob a minha supervisão obter certa medida de desdobramento psíquico. Mas ao longo dessa linha, vamos prosseguir lentamente, meu irmão; para os próximos seis meses, vamos simplesmente seguir o método de "lavagem" psíquica geral ou depuração, por meio de sete respirações dinâmicas ou elétricas (a respeito das quais eu irei instruí-lo) exaladas por um ato da vontade. Estas irão varrer todo o seu ser e produzir uma estimulação geral, que ocasionará numa maior sensibilidade. Observe, portanto, sua resposta a essa consciência interior e, durante o próximo semestre, mantenha um diário espiritual mais cuidadoso, observando cada

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acontecimento psíquico, registrando cada vez o que você sintonizar telepaticamente da necessidade ou do pensamento daqueles em torno de você, e também de toda a aparente expressão da consciência sensória comum, e escrever até as coisas que parecem especulativas a você e de nenhuma importância real. Reconhecimento discriminativo é para você o objetivo imediato. Revele-se a si mesmo no papel, não no que diz respeito a seus anseios e aspirações, mas no que respeita ao crescimento da sua sensibilidade. Tente sintonizar mais conscientemente a consciência de seus irmãos de grupo. Seu diário vai interessar aos outros e será a garantia para você mesmo do seu próprio desenvolvimento.

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Você tem feito um progresso real, meu irmão, mas, no entanto, tem apenas quebrado o terreno. No restante de sua vida se prepare para o futuro. Trabalhe no desenvolvimento de uma maior resposta psíquica a própria vida e consciência internas, que fará com que você reaja à necessidade a partir do ângulo de um equipamento exterior completo; ele será de natureza psíquica, que permitirá identificar-se com as reações dos outros e lhe dará uma estabilidade mental que lhe permitirá trabalhar como alma. Assim, você aprenderá a aproveitar-se do conhecimento ganho psiquicamente, e servirá com maior eficácia.

Mais tarde (se você aumentar sua sensibilidade) vou treiná-lo na arte da psicometria, mas ainda não é chegado o tempo.

Que a luz da sua alma e a luz que emana do grupo do Mestre possam inundar seu coração e energizar sua vida, é o desejo que guardo em meu coração para você.

VELHO IRMÃO:

Junho de 1935

Eu procuro hoje fazer uma análise um pouco cuidadosa da condição de seus centros psíquicos, do plexo solar para cima. Você está passando por um duplo processo ao mesmo tempo, de desapego psíquico e de desenvolvimento psíquico. É preciso lembrar que as fases de desapego são muitas e variadas. Algumas delas implicam em um distanciamento do mundo exterior dos apegos sensórios, ou podem implicar (como no seu caso) um desapego temporário e relativo do mundo dos contatos intelectuais. Este é um

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desapego baseado em uma atitude interior e não em uma condição externa ou estado de coisas. Isso está ocorrendo a fim de completar e enriquecer sua vida psíquica e emocional. Há um perigo real para o estudante sério na generalizada atitude mental que diz respeito ao mundo das emoções e da resposta sensível aos fenômenos psíquicos sutis, como necessariamente retrógrados. Ele pode (e muitas vezes o faz) indicar um caminho repleto de desastres psíquicos. Ao mesmo tempo, ele pode indicar uma resposta da recém desperta consciência e uma percepção sensível a outros aspectos da vida divina, que estão em seu legítimo lugar, e seu emprego é tão divino e necessário, como expressão da divindade, como os objetivos a que o devoto aspira.

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A vida psíquica de um discípulo é uma parte definida de sua expressão espiritual. É indesejável somente quando é descontrolada, muito enfatizada ou super estimulada. É um obstáculo quando é mal utilizada ou considerada como um substituto para outras formas de expressão divina. Em tal caso, produz o que é indesejável e submerge o discípulo no mundo da miragem e ilusão. Os poderes psíquicos são ajudas valiosas para servir quando corretamente desenvolvidos e utilizados de forma saudável; podem ser desdobrados de forma segura pelo homem que é mentalmente polarizado e corretamente orientado para serviço.

Sem dúvida você está surpreso por ser o primeiro que eu escolhi deste grupo particular de discípulos para preparar no trabalho psíquico. Minha razão é que, sob a sua reserva externa e sua forte polarização mental, existe um poderoso corpo psíquico em um estado relativamente elevado de desenvolvimento. Você nunca o utilizou nesta vida, mas ele foi trazido para seu atual estágio de desdobramento em vidas anteriores. Tão fortes foram suas tendências psíquicas que sua alma escolheu nesta vida equilibrar e completar sua personalidade, colocando a ênfase sobre o aspecto mente. Foram, no entanto, suas ligações psíquicas passadas, que o levaram a uma organização, cujo trabalho você recebeu ajuda por alguns anos uma organização cujo trabalho é predominantemente realizado sobre os níveis psíquicos e astrais. Esta deve ser a prova, para você, da precisão do meu diagnóstico.

Desdobramentos psíquicos, quando não originários do plexo solar, devem ser provocados pelo controle direito dos centros ajna, laríngeo, cardíaco e do plexo solar, pelo homem espiritual, assentado no coronário. O

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centro ajna é, no seu caso, muito pouco ativo. É quiescente e revolvendo-se lentamente. O corpo pituitário está, portanto, um pouco abaixo do normal. O centro do plexo solar está desperto, mas você tem dado pouca atenção a ele como um meio de contato, e só durante os dois últimos anos você começou a trazê-lo em subordinação ao centro coronário, e isso através do cultivo de compaixão. O centro laríngeo é letárgico em seu movimento, mas poderia facilmente ser despertado para a atividade, e o centro cardíaco está rapidamente despertando. Portanto, velho irmão, temos a seguinte situação a considerar, vou tentar explicar a você através de uma tabulação:

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O

Centro

40% desperto

O

Centro

15% desperto

O

Centro

.60% desperto

O

Centro

.50% desperto

O

Centro do Plexo

75% desperto

Você vê, por conseguinte, que no momento o centro ajna é o que deve receber atenção imediata. O nosso problema é despertá-lo para que inicie suas duas atividades principais em movimento. Estas são, no seu caso:

1. Seu poder de projetar formas-pensamento.

2. Sua capacidade de atuar como órgão de clarividência.

Vou pedir-lhe para fazer o seguinte exercício de respiração todos os

dias, antes de fazer seu trabalho de meditação

exercício duas vezes por dia, mas não mais, porque ele é muito poderoso. Ele irá em breve pôr em maior atividade vibratória o centro ajna, que está em repouso. Caso sobrevenha dor de cabeça ou tensão, suspenda o trabalho por um dia ou dois e depois retome. Preserve sempre a atitude do espectador e não preste atenção aos resultados. Eles vão estar lá, mas a princípio, somente eu estarei em posição notá-los.

Você pode fazer este

Meu irmão, os próximos dois anos serão, para você, de muito teste interno, e obtenção da sutil sensibilidade à voz do Mestre, que lhe permitirá trabalhar com maior facilidade no lado subjetivo da vida. Eu provei sua sinceridade de propósito e por muitos anos você tem voltado diligentemente seu rosto à luz. Mas, velho irmão, você andou no Caminho com rigidez, e não

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com essa flexibilidade, que nega a fadiga, característica do atleta treinado que é o que o discípulo deve ser. Você já enxergou a necessidade de servir e percebeu o campo de serviço, que é para você o legítimo lugar de esforço, mas prestando esse serviço em forma cristalizada, e demasiadas vezes indevidamente objetivas, e não suficientemente movido pela oportunidade. Você tem servido a partir de um rígido senso de dever, mas agora você deve aprender a servir com a espontaneidade amorosa que supera tudo. A fluidez do verdadeiro discípulo deve ser seu objetivo e essa exteriorização do espírito que produz o servidor magnético. Seu magnetismo e sua radiação precisam melhorar; e terão lugar quando você deixar de fazer tanto esforço para se desenvolver e manifestar a divindade, e entrar nessa condição mais avançada que é expressa pelas palavras "estar no Ser espiritual". Pode também entrar em sua vida (como o faz na vida de todos os servidores verdadeiros) um interlúdio ou ciclo de experiência que pode negar temporariamente o atual ciclo de influência, mas isso é preparatório para um maior poder em serviço.

Quanto às suas práticas, meu irmão, em seguida ao término do exercício de respiração, proceda à meditação, começando o seu trabalho em um ponto tão alto quanto possível. Escolha para você um pensamento semente cada

mês, mantendo um registro dos escolhidos

ideia encarnada e leve seus pensamentos para adiante e para cima (escolha a palavra que lhe transmite o significado mais profundo) até chegar a um ponto

tão abstrato quanto você possa conseguir. Quando você chegar mais longe e entrar no mundo da abstração, então mantenha seu pensamento tranquilo, e mantenha a mente firme na luz por um período tão longo quanto possível. Vigie seus processos de pensamento como de hábito, e observe qualquer novo ou especialmente intuitivo que você possa registrar durante este tempo de espera. Mantenha um registro rigoroso das ideias que possam entrar em sua mente e, anote-as todos os dias em seu diário espiritual.

Reflita profundamente sobre a

Ao encerrar esta instrução, meu irmão, quero lembrá-lo de que o caminho solitário é também o caminho iluminado. A solidão é uma ilusão que visa impedir os esforços do servidor; é uma miragem que pode prejudicar seriamente a verdadeira visão. Que você possa andar no Caminho em paz, e que possam ser seus a luz e o poder em serviço, é o desejo do meu coração para você.

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117

Janeiro de 1936

Eu não pretendo mudar seu trabalho durante os próximos seis meses, meu condiscípulo. Eu esbocei para você em junho de 1935 todo o necessário

para sua prática de meditação. O crescimento da sua compreensão tem sido real, embora o centro ajna tenha resistido ao esforço. O principal resultado foi

a intensificação da atividade do centro cardíaco, mas isso acabará por ter uma

ação reflexa sobre o centro ajna. Qualquer um dos centros intimamente ligados com algumas das principais glândulas endócrinas e que, ao mesmo tempo, não tenham ligação com grandes órgãos (tais como o coração ou o estômago), se desenvolvem mais lentamente e são mais cuidadosamente protegidos no processo, do que o são os centros com um órgão principal fisiologicamente ligado a eles. Por exemplo, o timo está ligado com o centro cardíaco e o pâncreas com o centro do plexo solar. Ao mesmo tempo, a energia que se derrama através destes centros pode ser desviada para determinados grandes órgãos físicos, tais como o coração e o estômago. Por isso, quando estes centros estão sendo desenvolvidos ou estimulados, oferecem menos perigo fisiológico do que aqueles que não estão assim relacionados. O centro ajna está relacionado com o corpo pituitário, mas não há nenhum grande órgão físico que receba a energia captada; a teia etérica é, por conseguinte, nesta localização, especialmente reforçada e a atividade do centro gerada mais lentamente. Isso é interessante e reconfortante. É em insinuações, tais como a acima, que o verdadeiro ensinamento é dado.

Então, meu irmão, siga adiante ao longo destas mesmas linhas anteriormente indicadas, até que eu dê-lhe sua próxima instrução; estude com cuidado as sugestões dadas a você e aos seus condiscípulos.

Junho de 1936

Há dois pensamentos em meu coração em conexão com você, meu irmão, e duas questões práticas que eu tenho em minha mente para dizer-lhe. Gostaria que você observasse a formulação cuidadosa da frase acima, porque

o ensinamento nele tem valor para todos vocês.

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Antes de expor esses dois pensamentos, quero dar-lhe uma palavra de elogio, sabendo que não a deseja, e sabendo também que você certamente busca sempre agir sob o impulso e a inspiração de sua própria alma. Você trabalha em conformidade com os requisitos, não por qualquer ideia específica

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de me agradar ou até mesmo de produzir uma maior integração de si mesmo para com o grupo de condiscípulos, mas a partir de um senso de dever e de correta atividade. No entanto, eu procuro elogiá-lo pela sua qualidade de firmeza firmeza que o faz persistir em face de muitas decepções psíquicas, se é que posso chamá-las assim, e pelo fato de que parece haver pouca resposta fenomênica ao seu esforço constante. Procure manter seus olhos fora de si mesmo e simplesmente fazer o que deve ser feito, e o que você foi induzido a crer que é o caminho para você, bem como para todos os verdadeiros discípulos.

Anos atrás, meu irmão, você procurou ansiosamente por bons resultados da sua atividade. Agora você é tão ativo, mas você está disposto a desconsiderar os resultados. Isso está bem e é muito bom. No entanto, lhe digo que há resultados e, talvez, eles possam começar a aclarar-se em sua mente. Dois resultados eu posso indicar a você, e eu escolhi estes dois com deliberação, porque eles estão relacionados comigo e com seu trabalho comigo, seu Instrutor e amigo. Em primeiro lugar, eu o aceitei em meu próprio grupo, no sentido técnico e agora você é um discípulo aceito (Chela) no meu

Segundo, eu disse a você e a seus irmãos que estou no processo de

preparação para a iniciação.

grupo

Estou recordando desses dois fatos pelo seguinte motivo: É necessário começar o próximo ciclo de atividade com um propósito definido, visão clara e inabalável atenção aos fatos. Você terminou um ciclo de esforço no mês passado, no momento da Lua Cheia de Maio. Você está entrando agora em outro ciclo. Eu gostaria que você mantivesse isto firmemente em mente, e siga adiante servindo com mais liberdade, maior compreensão e visão mais clara. Você estabeleceu uma base firme.

Os dois pensamentos que estão em meu coração para dizer-lhe podem ser resumidos como segue. Observe que estes pensamentos vêm do meu coração e que a sugestão vem da minha mente. Aqui reside uma pista sobre o trabalho no futuro, para aqueles que aguardam de você assistência na vida espiritual.

1. Você precisa trabalhar agora mais definitivamente e com mais confiança como um discípulo aceito. O que quero dizer com essa afirmação? Eu quero dizer que você deve trabalhar na constatação de que devido a essa aceitação definitiva você está vinculado a Hierarquia de Mestres e,

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portanto, a qualidade do serviço hierárquico para a humanidade também deve ser expressa por e através de você. O que é essa qualidade? Sabedoria, expressando-se de forma inteligente através do amor. Sobre esta declaração, você deve ponderar. Seu serviço é sempre inteligente (altamente) por você ter tanto conhecimento, como resultado da antiga experiência, e profunda reflexão e estudo nesta vida. Esse conhecimento deve, no entanto, ser traduzido em sabedoria, através do poder dinâmico de um vivo amor. Não usarei outros termos para expressar essa ideia. Essa frase deve fornecer-lhe muito no que pensar.

2. O segundo pensamento que vem do meu coração é exortá-lo a lembrar que o chelado (discipulado) envolve responsabilidade, que por sua vez se desenvolve através do sofrimento. Isso leva, inevitavelmente, ao desapego. Esse processo de desapego irá continuará em conexão com todos no grupo, e deve acarretar dificuldades. Essa dificuldade pode envolver um fluxo constante de problemas e desapegos menores, que irão colorir incessantemente sua vida de serviço, sua vida em casa, e seus contatos no mundo. Isto exige, talvez, um grau maior de fé e de coragem para fazer expurgos drásticos. Mas eu não temo por você, meu irmão no Caminho. Você tem uma fé inquebrantável como aço temperado. Lembre-se, no entanto, que sempre que a corrente do amor é frustrada, pode acontecer uma deformação temporária de sua natureza. Você vai entender do que estou falando e esta frase transmite-lhe uma insinuação necessária. Deixe que o amor se derrame através de você e estará tudo bem.

As sugestões que procuro fazer são baseadas em instruções passadas. Desde junho de 1935, nós estabelecemos uma realização técnica e uma que ainda permanece inacabada para a maior parte da humanidade avançada. Esta é o despertar do centro ajna. Sua grande necessidade e o que despertaria este centro para maior utilidade residem para você no poder de visualizar.

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A segunda coisa que vai integrar sua natureza e aumentar sua utilidade magnética e espiritual reside no desdobramento da imaginação criativa. Como se fará isso? Os dois estão intimamente ligados. Visualização e imaginação criativa são relacionadas. Uma grande parte do seu problema nesta vida (no que concerne ao seu desdobramento esotérico) será resolvida quando estes dois forem melhor compreendidos por você, e quando o fluxo destas duas forças produzir em você uma readaptação interna, um realinhamento e uma

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exteriorização de sua vida subjetiva. Você refletirá profundamente sobre este assunto, meu irmão?

IRMÃO MEU:

Janeiro de 1937

Eu estou contente que você seja sensível a minha vibração, pois assim é. Mas não tão frequentemente como você pensa. É tão fácil para aspirantes confundir a vibração do segundo raio quando se expressa através de um grupo de segundo raio, como o meu grupo de discípulos com minha vibração individual. Discípulos precisam treinar-se para distinguir:

1. A vibração do segundo Raio de Amor-Sabedoria.

2. A vibração do Mestre M. ou a do Mestre K.H. se Eles chegarem a usar a vibração de raio para fins de estimular o grupo.

3. Minha vibração que é, naturalmente, fortemente colorida pelo segundo raio.

4. A vibração de um grupo de segundo de raio, que é um agregado de todas as notas e tons dos discípulos no grupo.

5. A vibração dos discípulos avançados do segundo raio. Esta às vezes pode ser confundida com a minha.

6. A vibração dos grupos do sexto raio, que respondem a vibração do segundo raio. Seu trabalho encontra-se predominantemente no plano astral e é contatado com relativa facilidade.

A consideração do acima pode indicar-lhe algo de valor. Curiosamente você e seu condiscípulo B.S.W. representam os dois polos extremos neste processo de reconhecimento teórico. Você quer reconhecer um determinado contato, no entanto, na pratica, B.S.W. é mais sensível à minha vibração do que você; ele perde muito, no entanto, por que impõe sua impessoalidade; você perde muito por estar demasiado seguro, às vezes.

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Em conexão com este assunto de sentir a vibração, é de valor lembrar que toda sensação é natural, e normalmente é uma reação astral ou

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emocional. Ao considerar o meu grupo, estou impressionado (sim, e um pouco divertido) pelo esforço de alguns de vocês e o seu em particular em repudiar a sensibilidade emocional ou astral. Alguns a admitem, mas a consideram indesejável; outros a consideram como algo a ser inibido, inexpressado ou ignorado. Poucos de vocês, se é que existe algum, olham para o corpo astral como uma expressão da realidade divina com seus usos definidos e específicos.

Essas perguntas que coloco em suas mentes estão na natureza do que pode ser chamado de perguntas "capciosas". O corpo astral é em seu tempo e lugar de tão real valor, finalidade e utilidade como o mental. Ele serve para relacionar a impressão superior com a inferior, e você não pode registrar minha vibração na consciência cerebral física, salvo através da intermediação do corpo astral. Você pode estar ciente de minha vibração no plano da alma e esta ficar impressa na sua consciência mental. A não ser que, no entanto, o corpo sensorial, o veículo emocional, também esteja corretamente ativo (negativo para o mundo dos sentidos e receptivo à impressão mental) essa impressão não será registrada no cérebro ou na consciência ou desperta.

Muito do que você diz em suas comunicações sob a forma de artigos escritos sobre este assunto, lida com o efeito que seu trabalho e vida têm sobre os outros, através da manipulação das forças com que os discípulos têm de aprender a trabalhar, e que são produtos de real benefício para os outros, quando eles os estudam e observam as reações evocadas adiante. É de valor, no entanto, notar o diferente tipo de reações evocadas quando:

1. Você trabalha com seus subordinados no Caminho, que são pessoas médias ou probacionários, que estão trilhando o caminho pela primeira vez. Com este tipo de pessoa você tem muito a fazer. É o efeito deles sobre você do tipo mais desejável?

2. Sua inter-relação com aqueles que são seus iguais no Caminho, e aqueles cuja vibração ocultamente "neutraliza" a sua, ou é "paralela em intensidade" à sua e, consequentemente, não evoca de você (como comprova o status deles) praticamente nenhuma reação, exceto uma sensação de bem-estar ou camaradagem.

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3. Seu reconhecimento daqueles mais avançados que você no Caminho, que podem se assim o desejarem invocar de você ou evidenciar em você uma resposta poderosa.

Estamos começando a lidar com as sutilezas mais ocultas em nosso trabalho e para isto você deve estar preparado. Seus escritos e respostas às questões que lhe forem dadas lidam principalmente com seu trabalho em conexão com seus inferiores espirituais. O que você pode dizer sobre seus iguais e superiores espirituais? Releia suas perguntas e respostas sob esta luz e verá qual reação é então evocada em você. O iniciado de quinto grau, nos tempos da Atlântida, tinha que comprovar o uso correto da emoção. Em tempos Arianos, o iniciado do segundo grau tem que evidenciar isso. Você, meu irmão, está preparado para dizer como esta prova é produzida?

Você iniciou este trabalho de grupo como resultado de séria e intensa busca, de antigos laços carmicos, e de tanto questionamento que arrancou resposta de sua alma, e ganhou o direito como servidor consagrado que trabalhou firmemente sozinho por muitos anos. Você trouxe a esta atividade grupal um certo haver de natureza pronunciada, e também determinados passivos, igualmente pronunciados como os têm todos os membros do grupo. Minha tarefa é usar os ativos do grupo e ajudá-lo a quitar suas dívidas Peço-lhe, portanto, para ponderar sobre esta questão, mantendo-se como alma no estreito caminho do fio de navalha entre os pares de opostos seus ativos e passivos e os encare com total desapego. As sentenças ocultas com as quais eu gostaria de indicar o seu problema e sua solução são os seguintes:

"O ímã oscila, e oscilando, falha em tocar as mãos suplicantes que se estendem pedindo ajuda. Ele oscila no elevado céu, sustentado pela alma serena e destemida cuja vontade é firme, cujos olhos são claros, cujo coração está se abrindo lentamente para o som distante som de dor e tristeza, de fraqueza e angústia.

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"O ímã cai na massa de mãos que o seguram. Ele desaparece de vista. Distúrbios ocorrem em seguida. A alma, cujos olhos serenos têm encarado os horizontes distantes do mundo, retira seu olhar. Ambos os olhos estão focados no tumultuado grupo de buscadores da verdade. A alma busca o ímã e não o vê, pois está escondido nas formas de muitos homens. A alma desce e percorre o caminho da terra e não o caminho da mente. O horizonte distante

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desaparece. Diante dos olhos aparece a visão bem-sucedida; o imediato toma o lugar do distante. E nesse lugar imediato, o ímã reaparece".

MEU IRMÃO:

Julho de 1937

Seu corpo mental é regido pela energia do quinto raio. Esta é uma condição pronunciada e constitui grande parte das dificuldades de sua vida. No caso de todos os candidatos assim condicionados mentalmente, constitui

a causa primordial do seu comportamento não-magnético, usando essa

palavra nas suas implicações psicológicas. Gostaria de lembrá-lo que ser não- magnético em sua fase de desenvolvimento significa que (mesmo que você tenha alguma medida de contato com a alma), você não pode irradiar a vida da alma para os outros como você gostaria de fazer, pois seu corpo mental predominante de quinto raio (o Raio da Ciência Concreta, como você sabe) é insulado, isolado e tem uma tendência natural para essa discriminação que leva à separatividade. O efeito inverso também é verdadeiro. A radiação das outras pessoas também pode estar desligada e daí, portanto, sua incapacidade de registrar impressões telepáticas. O valor de uma mente do quinto raio é, no entanto, muito grande, pois significa uma mente perspicaz e útil e (reflita sobre isto) e uma porta aberta a inspiração.

Seu corpo astral ou emocional é condicionado pelo sexto raio de devoção ou de idealismo, por isso pode ser mais facilmente transferido e

transformado sob a influência do segundo Raio de Amor-Sabedoria. Sua tarefa nesta vida é tornar isso possível, de modo que, em sua próxima vida, você possa ter um corpo astral condicionado pelo segundo raio. Sua capacidade de

ir adiante, apesar dos obstáculos, para atingir seu ideal é seu bem mais

notável, e aquele que vai levá-lo eventualmente ao seu objetivo. Sua grande dificuldade, neste momento, é a sua mente de quinto raio. Não é verdade, meu irmão?

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Você tem um corpo físico de terceiro raio (o raio da Inteligência Ativa). Está largamente controlado, interiormente, por sua mente de quinto raio. Mais uma vez você vê o domínio deste tipo de energia em seu equipamento de expressão. Os seus raios são, portanto:

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1. O raio de alma o terceiro Raio da Inteligência Ativa.

2. O raio da personalidade o sexto Raio da Devoção.

3. O raio da mente o quinto Raio da Ciência Concreta.

4. O raio do corpo astral o sexto Raio da Devoção.

5. O raio do corpo físico o terceiro Raio da Atividade.

Esta análise deve lançar muita luz sobre o seu problema, pois você notará a predominância do terceiro raio maior e o sexto raio menor da devoção.

MEU IRMÃO:

Janeiro de 1938

Anteriormente indiquei para você o ponto de vista que eu pessoalmente avalio a capacidade e o crescimento do grupo, e a partir desse ângulo estou satisfeito com o progresso que você fez. Durante os últimos anos eu tenho falado muitas vezes para você com franqueza e mesmo com aparente aspereza. Isso eu tenho feito num esforço para estimulá-lo a uma reação mais orientada pelo desejo de sua alma e, assim, afastar você dos dois fatores que têm impedido a relação livre que deve existir entre sua alma sua personalidade. Sempre faço insinuações. Eu não expresso minhas sugestões em palavras claras em todos os momentos, pois meu objetivo é sempre evocar a atividade de seu Eu Superior, exigindo, assim, o tipo correto de obediência. Quais são esses dois fatores?

1. A atividade de vida que, embora um pouco mais equilibrada pelo trabalho feito em meu grupo, no entanto, teve um efeito restritivo e não consegue evocar os mais elevados poderes de sua alma. Você atentou a essa situação e elevou o tom geral, mas é difícil para um discípulo solitário compensar a vibração de um grupo poderoso astralmente polarizado. Sabe a que me refiro?

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2. A tendência de sua vida para a depressão, que você compensou incrivelmente pela negação e uma persistente atitude de serviço. Mesmo assim isso complicou seu padrão de vida e, ainda assim tem sido um dos seus principais educadores.

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Esta experiência de vida rendeu-lhe grandes resultados e você vai entrar no próximo ciclo da existência fenomênica com muito do que extrair, e tendo trabalhado externamente muitas relações de vida durante esta encarnação particular. Quais foram seus maiores ganhos nesta vida?

Primeiro, a transferência da ênfase da sua vida de trabalho objetivo externo para as realidades subjetivas internas. A fim de conseguir isso, você veio à encarnação em ambientes restritos e limitados, de modo a não haver distrações externas predominantes e obstrutoras; você esteve, portanto, livre para concentrar-se sobre as realidades internas. Você se beneficiou largamente por esta experiência, e sua orientação subjetiva está estabilizada em cima de uma base legítima. Apenas um grande ajuste resta a ser feito e um sacrifício importante. Seu problema é, como você sabe, efetuar este reajuste sem produzir sofrimento material naqueles que dependem de você.

Segundo, ter orientado o corpo astral para valores e impressões mais elevadas e ter feito isso com tanto sucesso que sua sensibilidade emocional para com os outros é agora definitivamente um ativo trabalhado. Gostaria que desenvolvesse ainda mais essa sensibilidade para transformá-la em uma de ainda maior utilidade, através do despertar do centro cardíaco, e um renovado interesse no Caminho do Coração. Para este fim, eu lhe darei uma meditação nesta instrução pessoal que deve praticar até novo aviso.

Terceiro, você deu um passo, nesta vida, para fora do caminho da provação e ingressou no Caminho do Discipulado Aceito e fez bons progressos nele. A ênfase da época e sua própria intensidade, em conjunto, foram suficientes para levá-lo ao longo do caminho em direção ao objetivo, e isso eu acho que você está começando a perceber é muito surpreendente para você, às vezes. O reconhecimento de fatos espirituais e subjetivos é parte do treinamento necessário a todos os discípulos; o reconhecimento de um fato no plano físico não requer esse tipo de treinamento em sensibilidade. O reconhecimento das realidades espirituais requer treinamento e expressão definitivamente formulada.

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