Você está na página 1de 9

4 – MÉTODO DE DESENVOLVIMENTO CASCATA EM CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

4.1 – Introdução e metodologia de resolução “Cascata”

Com o avanço tecnológico e o crescente uso da pneumática no


meio industrial, foram surgindo novas metodologias de
desenvolvimento de circuitos pneumáticos.

Diferentemente do método intuitivo para resolução de circuitos


pneumáticos, o método cascata nos permite seguir um “roteiro”, ou
uma metodologia pré-estabelecida.

De uma forma geral, podemos seguir as seguintes regras:

• 1º Passo – Estabelecer a seqüência dos movimentos na


forma algébrica do diagrama “Trajeto x Passo”.

• 2º Passo – Dividir a seqüência de movimentos em grupos


(G).
Obs.: Letras iguais não podem pertencer ao mesmo grupo.

• 3º Passo – O número de linhas auxiliares (L) deve ser


igual ao número de grupos (G).

• 4º Passo – O número de grupos menos 1, é o número de


válvulas inversoras (I).
Nota: Válvulas inversoras são válvulas de memória, cuja
função é de fornecer ar às linhas auxiliares.
Ex.: 3 grupos → I = G – 1 → I = 2 válvulas inversoras.

• 5º Passo – Verificar o último movimento:


5.1 - Se o último movimento pertencer ao primeiro
grupo, desenhar o circuito cascata com ar na primeira
linha;
5.2 - Se o último movimento pertencer ao último grupo,
desenhar o circuito cascata com ar na última linha.

• 6º Passo – As válvulas de sinais, cuja função é mudar de


linha, ficam sempre abaixo das mesmas.

• 7º Passo – A confirmação de fim de ciclo é feito


colocando-se o uma válvula de rolete acionado pelo último
movimento em série com o botão de partida.

• 8º Passo – Embora não exista um número máximo de grupos


(mas sim um número mínimo: 2), e conseqüentemente de
linhas, recomenda-se respeitar um limite de máximo de 5
linhas auxiliares.

Vamos verificar mais detalhadamente como se processa cada


passo abordado acima.

No primeiro passo, estabelecer a seqüência algébrica dos


movimentos, significa atribuir ao avanço do cilindro, o símbolo
“+”, enquanto o símbolo “-”, é atribuído ao retorno do cilindro.
No segundo passo, a divisão de grupos surge de forma natural,
apenas observando a não repetição de letras iguais no mesmo
grupo.
Veja os exemplos:

(a) A+ B+ B- A-

Temos portanto: Grupo 1 → A+ B+


Grupo 2 → B- A- , Logo, G = 2.

(b) A+ B+ / B- A- / B+ / B-
1 2 3 4 → G = 4.

(c) A+ B+ / A- / A+ B- / A- / A+ C+ / C- A-
1 2 3 4 5 6 → G = 6.

Quanto ao terceiro passo, temos que, o número de linhas


auxiliares (L) deve ser igual ao número de grupos (G), portanto,
L = G,

(a) L = 2

(b) L = 4

(c) L = 6

O quarto passo refere-se ao número de válvulas inversoras (I),


ou seja, I = G – 1,

(a) I = 2 – 1 = 1 (uma válvula inversora)

(b) I = 4 – 1 = 3 (três válvulas inversoras)

(c) I = 6 – 1 = 5 (cinco válvulas inversoras)

O quinto e sexto passo deve ser observado, utilizando válvulas


de memória de 4 ou 5 vias com 2 posições e acionamento por duplo
piloto.
Obs.: Verificar a qual grupo pertence o último movimento.
(1) Se o último movimento pertencer ao primeiro grupo, deve-se
ter ar na primeira linha, conforme exemplo:

A+ B+ / B- C+ / C- D+ A- / D-
2 3

1
Nesta condição, o último
movimento faz parte do
grupo de comando número 1,
portanto, a última válvula
de memória passa a
alimentar a primeira linha.

Obs.: Neste caso, há 3


grupos (G = 3), portanto, 3
linhas auxiliares (L = 3),
e 2 válvulas inversoras
(I = 2).

(2) Agora vamos considerar que o último movimento pertence


realmente ao último grupo, portanto, deve-se ter ar na última
linha, conforme exemplo:

A+ B+ / A- / A+ / B- A+ / A- B-
1 2 3 4 5

Nesta condição, o último


movimento faz parte do
último grupo, portanto, a
última válvula de memória
passa a alimentar a última
linha.

Obs.: Neste caso, há 5


grupos (G = 5), portanto, 5
linhas auxiliares (L = 5),
e 4 válvulas inversoras
(I = 4)
4.2 – Aplicação do método “Cascata”

Vamos verificar por completo agora, uma aplicação do comando


cascata. Para isto, tomaremos a seguinte seqüência algébrica
(assumindo um ciclo contínuo, com acionamento inicial por uma
válvula 3/2 vias, acionamento por botão):

A+ B+ B- C+ C- A-

Dividindo a minha aplicação em grupos, obtenho:

A+ B+ / B- C+ / C- A-
1 2 3 → Portanto, 3 grupos de comando (G = 3)

Temos então, 3 grupos de


comando, 3 linhas auxiliares
(L = 3) e 2 válvulas de
memória (inversoras).

Como a última divisão


coincide com o final da
seqüência, a última válvula
inversora pressuriza a última
linha de comando.

Podemos acrescentar agora os elementos de trabalho e seus


respectivos elementos de comando.
Veja como fica:
No método cascata, todas as válvulas de sinais e de
processamento de sinais são alimentadas pelos grupos de comando.
O botão de partida está alimentado pelo último grupo, e sua
função no circuito consiste em realizar a transferência da
pressão do último para o primeiro grupo, iniciando dessa forma, a
seqüência (A+).
A seguir, precisamos colocar no final de curso do cilindro A,
uma válvula que dê o sinal para o próximo movimento da sequência,
(B+). É importante notar que, quando A avança totalmente, aciona
b2 (que é alimentada pelo grupo 1, ao qual está pressurizado no
momento).

O cilindro B chegando ao final do seu movimento deve enviar um


sinal para o próximo passo da sequência (B-). Nesse momento,
ainda é o grupo 1 quem está pressurizado, portanto, é esse grupo
que alimentará a válvula do final de curso de B. Em função disso,
essa válvula (b1) não poderá pilotar diretamente “12” de b0, pois
dessa forma, teríamos contra-pressão em b0. Logo, essa válvula
irá efetuar uma mudança no comando cascata, despressurizando o
grupo 1 e pressurizando o grupo 2.

Veja como fica:

Com a chegada de B ao seu início de curso, é necessário ter


outra válvula para comandar o próximo passo da seqüência (C+).
É importante verificar que nesse momento o grupo de comando
cascata que está pressurizado é o segundo.
Portanto, a válvula do início de curso de B (c2), deverá ser
alimentada pelo grupo 2.

Vejamos como fica o circuito quando c2 é acionado:


Após o avanço de C, deve haver uma válvula que envie um sinal
para efetuar o retorno de C. Esta válvula será c1 e estará
alimentada pelo grupo 2. A válvula c1 também fará a mudança no
comando cascata, pressurizando dessa forma, o grupo 3.

Teremos então:
Com o retorno de C, precisamos de uma válvula que envie um
sinal para o último movimento da seqüência (A-). Essa válvula
(a1) deverá ser alimentada pelo grupo 3, pois é o grupo
pressurizado no momento.

Assim, teremos:

A seguir, é apresentado o esquema pneumático completo, com


todos os componentes na sua posição inicial.
4.3 – Exercício

1) Resolver aplicando o comando


cascata.

Seqüência algébrica: A+ B+ B-A-

Condições: (a) Ciclo contínuo;


(b) Emergência de despressurização total.