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Cursos Profissionais ANO LECTIVO 2010/2011

FICHA DE TRABALHO DE PORTUGUÊS ANO: 12º TURMAS: M, O MÓDULO 10

Os Lusíadas, de Luís de Camões

- Data de publicação: 1572


- Período de elaboração: de 1545 a 1570
- Fontes literárias: Odisseia de Homero, Eneida de Virgílio, (…)
- Fontes históricas: Crónicas de Fernão Lopes, de Rui de Pina, de João Barros, etc.
- Género narrativo: epopeia
- Importância atribuída ao que é narrado
- Protagonista: herói colectivo (povo português).

Situação económico-social:
- momento pós-descobrimentos
- esbanjamento das riquezas obtidas
- crises económicas
- surgimento do tribunal do Santo Ofício
- ameaça do monopólio marítimo
- corrupção dos costumes

Situação cultural:
- desenvolvimento cultural florescente de influência clássica e renascentista
- apologia do ideal humanista
- desenvolvimento científico

Contexto histórico-cultural – exercício

Assinale as afirmações verdadeiras:


1- Os Lusíadas foram criados no período do Renascimento.
2- Os Lusíadas seguem, na maioria dos aspectos, a tragédia clássica.
3- A obra encontra-se estruturada em quatro partes.
4- Ao escrever Os Lusíadas, Camões pretendia exaltar os heróis
portugueses.

A estrutura d’ Os Lusíadas

Epopeia

Uma epopeia, forma literária da Antiguidade Clássica, define-se como uma narrativa,
estruturada em verso, que narra, através de uma linguagem cuidada, os feitos
grandiosos, de um herói, com interesse para toda a Humanidade.

Estrutura externa de Os Lusíadas

A obra está dividida em 10 cantos, estruturada em oitavas de versos


decassilábicos e com rima abababcc.

Obedecendo às regras da epopeia, a obra Os Lusíadas organiza-se em quatro


partes:
- Proposição
- Invocação
- Dedicatória
- Narração
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Os planos estruturais d’ Os Lusíadas

Ao longo de Os Lusíadas verificam-se quatro planos estruturais:


- Plano do Poeta: momentos em que Camões tece as suas considerações e reflexões
sobre questões relacionadas com o Homem e o Mundo;
- Plano da Viagem: ocupa a Narração, sendo a principal acção;
- Plano da Mitologia: surge ao mesmo tempo que o da Narração da viagem, de certa
forma, para mostrar que a intervenção dos deuses tem um papel fundamental no
desenrolar da acção;
- Plano da História de Portugal: permite-nos recuar na História e conhecer os feitos
ilustres dos portugueses.

Proposição (Canto I, estrofes 1-3) – exercício


1. Associe os seguintes versos da Proposição " de Os Lusíadas aos planos
temáticos que Camões se propõe cantar.

A- "Que eu canto o peito ilustre Lusitano," 1. Plano da História de


Portugal
B- "Por mares nunca dantes navegados" 2. Plano da Mitologia
C- "Daqueles Reis que foram dilatando" 3. Plano do Poeta
D- "A quem Neptuno e Marte obedeceram." 4. Plano da Viagem

2. Repare que na terceira estrofe Camões faz referência ao valor guerreiro dos
gregos e dos romanos como sendo inferior àquele que ele considera ser o
verdadeiro herói de Os Lusíadas. Assinale o verso que identifica esse herói.

3. Tendo em conta o verso assinalado, qual a figura de estilo que lhe diz
respeito?
a) enumeração
b) metonímia
c) apóstrofe

Invocação (Canto I, estrofes 4-5)


Camões escolhe as ninfas do Tejo para suas verdadeiras inspiradoras. Assinale os versos
que revelam os pedidos efectuados às musas.
Ao pedir inspiração às ninfas do Tejo para celebrar os feitos gloriosos do povo português,
Camões expõe a necessidade destes serem cantados em tom alto, suficientemente audível
(dada a importância do que é cantado), remetendo-nos para a natureza épica.
1. Coloque as expressões do texto presentes no quadro para o espaço
correspondente ao tipo a que pertencem:

Canto épico Canto lírico

“agreste avena” “tuba canora e belicosa”

Dedicatória (Canto I, estrofes 6-18)


De acordo com os modelos estruturais das epopeias clássicas, a Dedicatória não era um
elemento obrigatório. Todavia, Camões opta por dedicar este canto ao jovem D.
Sebastião, que reinava na época, tecendo-lhe um grande elogio e considerando-o a
esperança da continuação do império português.
A Dedicatória, tratando-se de um discurso em louvor do rei, obedece a uma estrutura
organizada de acordo com os moldes da oratória:
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Exórdio – parte introdutória, ou seja, de apresentação do assunto que se irá cantar


(estrofes VI-VIII);
Exposição – exposição do assunto propriamente dito (estrofes IX-XI);
Confirmação – apresentação das provas de que realmente os feitos do povo português
ultrapassam os da antiguidade (estrofes XII-XIV);
Peroração – reforço da esperança depositada no novo rei e nos feitos gloriosos que irá
concretizar (estrofes XV-XVII);
Epílogo – conclusão (estrofe XVIII).

Narração
1. Esta estrofe dá início a uma nova parte de Os Lusíadas. Qual é o tema
tratado?

a) O elogio a D. Sebastião.
b) A chegada dos portugueses à Índia.
c) A travessia marítima para a Índia.
d) A descoberta de Calecut.

2. Identifique, no texto, a palavra ou expressão que indica que a viagem já


havia começado quando se inicia a sua narração.

A acção central de Os Lusíadas é formada pela narração de uma viagem: a viagem em


busca do caminho marítimo para a Índia, cujo protagonista – Vasco da Gama – surge assim
em representação do povo português. A narração ocupa grande parte da obra e tem início
logo após a Dedicatória pela voz de Camões, narrador heterodiegético que fala na
terceira pessoa. A viagem não é narrada desde o seu início, mas sim já a meio –
narração in media res. A narração da primeira parte da viagem, de Lisboa a Melinde, do
Canto III à estrofe 85 do Canto V, é feita por Vasco da gama que assume a posição de
narrador homodiegético na primeira pessoa. O domínio da mitologia também interfere na
narração, ou seja, a presença dos deuses torna-se crucial para o desenrolar dos
acontecimentos.

Considerações do Poeta: críticas e conselhos

Em Os Lusíadas, Camões procurou demonstrar a sua base ideológica, deixando de certa


forma um apelo aos vindouros. Vivia-se já uma época turbulenta e a grandeza e a fama
trazidas pelos descobrimentos iam-se corrompendo.
A forte crença na capacidade de o homem se tornar cada vez mais digno e perfeito estava
ameaçada, razão pela qual o Poeta sentiu necessidade de deixar presentes as suas
considerações:
• os perigos que cercam o homem - Canto I (105-106)
- grandes dificuldades que o homem enfrenta: ser/parecer; no mar e na terra;

Terrível insegurança e fragilidade

- exaltação à valentia dos portugueses que mesmo pequenos podem mais que os
deuses.

• o Velho do Restelo – Canto IV (102-104)


- lançamento de uma maldição a quem pretende desafiar os limites: a quem inventou a
navegação; a quem teve ambição (ex: Prometeu…);
A honra que nunca poderá ter , essa cabe aos verdadeiramente autênticos.

Comparação dos portugueses com outros que foram ambiciosos e por isso
castigados.
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- Camões, pela voz do Velho do Restelo, lança um alerta: aqueles que são levados pela
fama e pela cobiça ambicionam a honra que nunca poderá ter , essa cabe aos
verdadeiramente autênticos.

• a Honra e Glória – Canto V (95-99)


- condenação daqueles que se encostam à fama já alcançada: enumeração dos
obstáculos que impedem o homem de atingir a fama e a glória; enumeração das
condições para alcançar a fama e a glória;

Realce do valor da honra e da glória alcançadas por mérito próprio.


- apelo aos portugueses para procurarem ser heróis pelos seus próprios esforços.
• o poder do ouro – Canto V (96-99)
- os problemas trazidos pela ambição do ouro: traição; corrupção;

Condenação da riqueza fácil (“metal luzente e louro”).


- queixa do poeta de que, tanto os ricos como os pobres, se vêem afectados pela ideia
de riqueza fácil.

• a aspiração à imortalidade – Canto IX (93-95).


- indicação de caminhos para alcançar “o verdadeiro valor”: renúncia do poder do
dinheiro; aplicação da justiça na paz; combate na guerra; desafio dos próprios limites;

Recompensa moral (“Ilha dos Amores”)


- caminho apontado para se ser um herói de verdadeiro valor e assim atingir a
imortalidade.