P. 1
comedia cearense 45 anos_livro

comedia cearense 45 anos_livro

|Views: 567|Likes:
Publicado poruirazx

More info:

Published by: uirazx on Mar 22, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

02/03/2013

pdf

text

original

RETROSPECTIVA

45 Anos da Comédia Cearense

Haroldo Serra

RETROSPECTIVA
45 Anos da Comédia Cearense

Fortaleza, 2002

Capa, Computação

gráfica iconográfica HAROLDO JÚNIOR Revisão HIRAMISA SERRA Editor HIROLDO SERRA Diagramação SÉRGIO LINHARES

Rua Israel Bezerra, 633 Dionísio Torres Fone (85) 272.7844 Fax (85) 272.6069 Fortaleza - Ceará e-mail: graficalcr@.px.com.br

EDITORA GRÁFICA LCR

“... e formular um voto especial à Comédia Cearense: não seja melhor do que é. Seria exagero”. Adísia Sá - O Povo - 15/10/86

“A única coisa que poderíamos dizer diante de tão genial espetáculo é que eles não precisavam ser tão geniais... Mas foram”. Sônia Margarida – Diário da Região – 19/07/71 (Sobre “O Morro do Ouro” no III Festival Nacional de São José do Rio Preto)

“Hoje em dia a gente vai ao teatro, assistir sem saber, a uma encenação do Haroldo Serra e dentro de poucos minutos se pode identificar o estilo dele, pois tem uma linha de comédia de farsa que denota uma personalidade já formada”. Yan Michalski – em entrevista ao O Povo – 23/11/97

APRESENTAÇÃO
A razão principal de “Retrospectiva” é registrar a trajetória da Comédia Cearense. Fala-se muito na falta de memória do movimento cultural cearense e pouca coisa se faz a respeito. Sempre que precisávamos de informações de grupos, autores e espetáculos anteriores a nossa geração, não havia registros. Daí a idéia de editar uma revista que preservasse as informações sobre o trabalho da Comédia Cearense. Sabíamos que as publicações sobre cultura têm vida curta. Um artifício solucionou o problema. A revista não seria periódica, teria uma numeração cronológica, sem a obrigação de data preestabelecida de publicação. O primeiro número da “Comédia Cearense” foi editado em 1963 e além de noticias sobre o movimento do grupo, publicou o texto completo de Eduardo Campos, ”O Morro do Ouro”. Incluir textos completos foi uma constante em quase todos os números. 39 anos e a revista ainda não morreu. Várias Universidades, inclusive estrangeiras têm exemplares em suas bibliotecas. Vários textos de autores cearenses foram montados ou estudados em oficinas e cursos de teatro fora do Ceará. Por sugestão de Eduardo Campos o número especial comemorativo dos 45 anos da “Comédia Cearense” está circulando em forma de livro. Uma boa razão para que ele escrevesse o prefácio. Além da teatrografia, fotos, históricos das principais montagens, resumos críticos e uma relação nominal de todos os que participaram da Comédia Cearense, estamos publicando para atender sobretudo, a futuros pesquisadores, os capítulos: ”Prêmios e Homenagens”; “Editora da Comédia Cearense”; “Bastidores”; “Comunicações” e “Teatro Arena Aldeota”. São artigos, documentos, correspondências e algumas reportagens importantes para a história da Comédia Cearense.

Neste ano de 2002 a Comédia Cearense completa 45 anos de atividades ininterruptas e Haroldo Serra 50, sem hiato de um ano sequer. Além da montagem de espetáculos e viagens por outros Estados, exposições de fotos e cartazes, o grupo está implantando a “Casa da Comédia Cearense” que abrigará o acervo da Comédia, biblioteca, um teatro jardim e promoverá cursos de teatro, dança, artes plásticas e outros. Estamos em contato com Marcos Teixeira Campos, diretor do Departamento de Artes Cênicas da FUNARTE, para cessão, a título de doação de um moderno sistema de iluminação e em negociações com Humberto Braga e Stanley Whibbe, da Secretaria da Música e Artes Cênicas do Ministério da Cultura, para apoio daquele órgão, principalmente no que diz respeito a cursos de teatro e dança. Cláudio César, responsável pela biblioteca, já iniciou o processo de catalogação de todo o acervo que pertencia a Haroldo Serra acrescido com os livros doados pela família do saudoso Marcus Miranda. A inauguração será a 31 de agosto. Na oportunidade a Comédia Cearense estará homenageando entidades e personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do grupo. Receberão o “Troféu Tripé”: Demócrito Dummar (O Povo); Wanda Palhano (O Estado); José Anderson (Diário do Nordeste); Edilmar Norões (TV Verdes Mares); Roberto Moreira (TV Diário); Armando Vasconcelos (TV Cidade); Fernando Eugênio (TV Jangadeiro); Godofredo Pereira (TV Ceará); Roberto de Carvalho Rocha (Colégio Christus); Álvaro Jarreta (Grupo Pão de Açúcar) e Fernanda Quinderé, pelos seus 50 anos dedicados à cultura e o escritor Márcio de Souza (Presidente da Funarte). Ricardo Guilherme encenará seu texto “RÁ”, que numa feliz coincidência conta a história da Waldemar Garcia, patrono do espaço. Selecionada pelo Projeto EnCena Brasil – Circulação, a Comédia Cearense, com as peças “A Caça e o Caçador” , de Francisco Pereira da Silva e “Nos Trilhos da Paixão”, de Caio Quinderé, fará temporadas em Mossoró, Recife e Rio.

EM CENA ABERTA
Os fatos que se inserem neste trabalho são os tantos que, valiosos, marcaram o percurso altamente consagrador de louvável instituição – a “Comédia Cearense” - gestora de intenso exercício dramático efetivado no Ceará e, por extensão, com igual desempenho, pelo país. Desde 1957. Não muitos os grupos teatrais, no Brasil, que se podem orgulhar das atividades tão alvissareiras empreendidas com o brilho alcançado pela “Comédia Cearense”, agremiação exemplar que chega aos nossos dias exibindo o mesmo entusiasmo, a mesma capacidade de produzir espetáculos (e projetos) como se a idade, de seus principais animadores, jamais se atenuasse na permanente disponibilidade para fazer. O de mais significativo, permitam-me mencionar, não está consignado nesse itinerário: a extrema renúncia de Haroldo e Hiramisa Serra aos vagares da vida doméstica, que, por opção bem assumida, trocaram os dois pela convivência no palco, à luz dos refletores, reféns de irretocável idealismo, modelo de dedicação às artes ainda hoje, infelizmente no Ceará, não avaliado corretamente. A “Comédia Cearense” é Haroldo Serra; é Hiramisa Serra; é B. de Paiva, que, em período bastante significativo de sua vida profissional, esteve no Ceará, dando-nos o tom excitante de sua capacidade artística. E não só desses, arremate-se, fez-se e faz-se a “Comédia”, mas de quantos - artistas e técnicos – fundiram-na em cadinho especial de efervescente criatividade, a mostrar quanto pode, quanto vale, a vocação dramática do artista cearense. Na existência da “Comédia Cearense”, quando a cortina do palco fecha, a assinalar o final do espetáculo, é sinal de que logo voltará a se abrir apresentando outros grandes momentos de perdurável emoção. Eduardo Campos

de Guilherme Figueiredo De certa forma a Comédia Cearense é uma extensão do Teatro Experimental de Arte, grupo teatral surgido em 1952 e fundado por Marcus Miranda, B. de Paiva, Hugo Bianchi e Haroldo Serra, que inovou a cena cearense e permitiu o surgimento de muitos talentos locais. O TEA foi o primeiro grupo no Ceará a abdicar do auxilio do “ ponto”. Foi sem dúvida, um passo enorme a caminho de uma interpretação moderna onde o ritmo da encenação não dependia mais do “sopro” vindo do porão do palco. A ida de Hugo Bianchi, B. de Paiva e Marcus Miranda para o Rio de Janeiro provocou a desativação do TEA. Maiores informações no capítulo ”Bastidores”, com a transcrição de texto de Marcelo Costa sobre o Teatro Experimental de Arte publicado em sua “História do Teatro Cearense”. Em 1957, Haroldo, Hiramisa, Glyce Sales, Palmeira Guimarães e outros amadores fundaram a Comédia Cearense. O autor nacional foi escolhido para a estréia do grupo. À época, as temporadas se resumiam a um ou dois fins de semana no máximo. “Lady Godiva”, de Guilherme Figueiredo, foi recorde: 20 encenações, incluindo clubes e teatro. A peça foi encenada na cidade do Crato. Posteriormente, uma segunda versão. ESTRÉIA: 07/09/57 – Theatro José de Alencar Com: Haroldo Serra, Glyce Sales e Palmeira Guimarães Cenotécnico: Helder Ramos - Luz: Lamartine – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Segunda Versão Estréia: 24/09/63 – Theatro José de Alencar.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

11

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

LADY GODIVA

12

Com: Haroldo Serra, Tereza Paiva e Aderbal Freire Filho. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários e Figurinos: Arialdo Pinho – Música: Paurillo Barroso - Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

OS INIMIGOS NÃO MANDAM FLORES
de Pedro Bloch Estréia: 06/12/57 – Theatro José de Alencar Com: Esther Barroso e Haroldo Serra Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

CANÇÃO DENTRO DO PÃO
de R. Magalhães Júnior. Para a terceira montagem da Comédia Cearense foi escolhido um autor cearense: R. Magalhães Júnior. Uma montagem arrojada. Cenários e figurinos bem cuidados. Ficou vários fins de semana em cartaz. Um sucesso. Marcou a estréia de Hiramisa Serra. Em 1960, B. de Paiva volta a Fortaleza e integra-se à Comédia Cearense. Paralelamente, B. funda o Curso de Arte Dramática da UFC e dirige o Teatro Universitário. Graças a um convênio firmado com o Governador Parsifal Barroso e renovado posteriormente por Virgilio Távora, a Comédia ficou responsável pela direção e administração do Theatro José de Alencar. A década de sessenta foi muito importante para o grupo. Em 1960, “Canção dentro do Pão”, teve uma nova versão especialmente montada para as comemorações do cinqüentenário do Theatro José de Alencar.

H

A R O L D O

S

E R R A

Com: Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Ruy Diniz, Itamar Cavalcante, Ary Sherlock, Baman Vieira e Glyce Sales. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine - Figurinos: Cira Pereira. Cenário, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Segunda Versão Estréia: 22/06/60 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Haroldo Serra, B. de Paiva, Gonzaga Vasconcelos, Ary Sherlock e Baman Vieira. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Cira Pereira – Cenário: J. Figueiredo – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

MACBETH
de Shakespeare A união de grupos possibilitou esse momento importante para o teatro cearense. Teatro Universitário, Comédia Cearense, Teatro Escola do Ceará e Teatro de Amadores Gráficos tornaram realidade o sonho de toda gente de teatro: fazer Shakespeare. E o importante: foi bem feito. Estréia: 15/07/61 – Theatro José de Alencar Com: B.de Paiva, Nadir Saboya, Almir Teles, Athualpa Frota, Haroldo Serra, Zilma Duarte, Agenor Vieira, Aileda Moreira, Gracinha Soares, Roberto Araújo, Alcides Barreira, Marcus Antônio, Luiz Carlos Valente, Francisco Pinheiro, Antônio Dias, Francisco Zani, Ricardo Araújo, Agassi Bar-

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

13

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

Estréia: 06/03/58 – Theatro José de Alencar

14

ros, Lucas Cavalcante, Roberto Vasconcelos, Marcus Fernandes, Roberto César, José Maria Cunha, Leonan Moreira, Studart Dória, Cláudio Figueiredo, Ilclemar Nunes, José Carlos Marçal, Edilson Soares, José Humberto, Almir Klein, Expedito Pereira, Maurício Alves, José Maria Lima, Álvaro Maia, Dorita Freire, Airileda Moreira, Albaniza Cavalcante, João Falcão, Florisvaldo Frota, Juarez Alencar, Afonso Barroso e Fernando Oliveira. Cenotécnico: Paulo Alves – Luz: Lamartine – Sec. de Produção: Gracinha Soares – Cenários e Figurino: J. Figueiredo – Ensaios: Waldemar Garcia – Assistentes de Direção: José Humberto, Florisvaldo Fernandes, Afonso Barroso e Zonardo Leite – Direção: B. de Paiva

DEU FREUD CONTRA
de Silveira Sampaio Estréia: 14/08/61 – Comercial Clube Com: Hiramisa Serra, Consuelo Ferreira, Haroldo Serra, Mário Santos e Sidrack Silva. Ambientação Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

O PAGADOR DE PROMESSAS
de Dias Gomes
E R R A

H

A R O L D O

Primeiro grande “estouro” de bilheteria do teatro cearense. Um mês inteiro de lotação esgotada. A peça saiu de cartaz por falta de pauta. Acreditem... A peça fez mais sucesso em Fortaleza do que o próprio filme.

S

“ A realização do espetáculo em Fortaleza, marcou a maioridade do teatro cearense. O espetáculo foi a primeira grande temporada de um elenco da terra para um público que desconhecia o novo teatro brasileiro”. Milton Dias

MÉDICO À FORÇA
de Molière Incursão da Comédia nos clássicos. Para alguns, um dos melhores espetáculos do grupo. Estréia:23/09/62 – Theatro José de Alencar No pátio do Theatro José de Alencar, a Comédia promoveu uma exposição do artista plástico J. Figueiredo, que assina o cenário da peça. Posteriormente, ainda durante a temporada, foi a vez da exposição do excelente Estrigas.

R E T R O S P E C T I VA

Com: José Humberto, Gracinha Soares, Tereza Paiva, Edilson Soares, Marcus Fernandes, Afonso Barroso, José Maria Lima, Aileda Cavalcante, Ernesto Escudero, Hiramisa Serra, Aderbal Freire Filho, Leonan Moreira, José Newton, Roberto César, Aécio de Borba, José Maria Cunha, Luiz Antônio Alencar, Francisco Zani, Joaquim Ribeiro, Álvaro Maia, Antônio Augusto, Renan Cavalcante, Ribeiro Soares e Maura Matos. Cenotécnico: Helder Ramos Luz: Lamartine – Sec. de Produção: Afonso Barroso – Cenário: J. Figueiredo - Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva

4 5

A

15

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

Estréia:14/07/62 – Theatro José de Alencar

16

Com: Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Aderbal Freire Filho, Aileda Cavalcante, Roberto César, Studart Dória, José Maria Lima, Afonso Barroso, B. Paiva, José Humberto e Dora Barros. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários: J. Figueiredo – Figurinos: Francisco Fernandes – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

O MORRO DO OURO
de Eduardo Campos “... E a peça? Ela é um soco bem forte dado no rosto da sociedade”. Adísia Sá – Tribuna do Ceará – 07/08/63 A primeira versão da peça maior de Eduardo Campos, com direção de B. de Paiva, foi um grande sucesso. Ousada, provocou polêmica na imprensa e entre os espectadores. Lotou o José de Alencar por dois meses. A segunda versão adaptada e dirigida por Haroldo Serra e musicada por Belchior e Jorge Melo ficou quase dez anos em cartaz. Em 1971, com o apoio do Gal. Torres de Melo, então comandante do CPOR, participou, com a presença do autor, do III Festival de São José do Rio Preto – SP, e trouxe para o Ceará o “Arlequim” de “Melhor Espetáculo”; o troféu do júri popular de “Melhor Espetáculo”; o de “Melhor Cenografia” e “Menção Honrosa de Diretor” (Haroldo Serra) e “Melhor Atriz Coadjuvante” (Socorro Noronha). Esse III Festival foi a hora e a vez do Nordeste: Ceará em primeiro lugar (Morro.../Eduardo Campos); Pernambuco em segundo ( Rua do Lixo 24/Vital Santos) e Paraíba em terceiro (Quarto de Empregada/Roberto Freire). Ainda em 1971, o Morro do Ouro foi encenado no encerramento do VII Congresso Brasileiro de Agronomia, realizado em Fortaleza.

H

A R O L D O

S

E R R A

Foi encenado no Rio, em 1972, no Teatro Senac Copacabana, com a participação do ator cearense Milton Morais (Zé Valentão) e Mírian Pérsia (Madalena).O projeto teve o apoio do então governador César Cals que foi ao Rio especialmente para a estréia. Ganhou ótima reportagem da revista “O Cruzeiro”. Em 1976 foi montada em São Paulo no Teatro Aplicado, com produção de Tom Santos, com excelente receptividade pelo público e crítica especializada. Na oportunidade, a Comédia e o produtor Tom Santos promoveram uma exposição das obras do Ferreira do Ceará. O Gal. Torres de Melo, naquela ocasião, radicado em S. Paulo, mandou banda de música em farda de gala... Uma festa. Marcou a estréia profissional do ator José Dumont. Foi encenada em dezenas de municípios cearenses integrando o projeto “Caravana da Cultura”, prioridade do Secretário Ernando Uchoa, da Secretaria de Cultura. Inaugurou vários teatros: o Carlos Câmara da EMCETUR, com as presenças do Ministro Armando Falcão, Gov. César Cals e Secretários, Demócrito e Vânia Dummar, da crítica teatral Ilka Marinho Zanotto, do produtor teatral Tom Santos e do autor; o Teatro Municipal de Juazeiro do Norte e o teatro do Centro Comunitário Presidente Médici. Convidado por Jack Lang para o Festival de Nancy o “Morro...” não pode ir (38 passagens aéreas por conta do grupo – impossível). A comunidade do Morro do Ouro, onde se desenrola a estória, denominou de Eduardo Campos, o grupo escolar do bairro. O anexo do Theatro José de Alencar foi denominado Teatro Morro do Ouro em homenagem ao espetáculo. A última montagem foi 1990, no Teatro Arena Aldeota, merecendo do Grupo Balaio, Destaques de “Autor” (Eduardo Campos); “Atriz” (Hiramisa Serra);“Composição Musical” (Belchior e Jorge Melo) e “Direção Musical”(Mário Mesquita). O texto foi publicado na revista “Comédia Cearense”, números 1 e 9 ( esgotados).

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

17

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

18

Estréia:11/07/63 – Theatro José de Alencar Com: Afonso Barroso, Tereza Paiva, Haroldo Serra, José Humberto, Hiramisa Serra, Edilson Soares, Lourdinha Falcão, Gracinha Soares, Zilma Duarte, Leonan Moreira, Edinardo Brasil, Laís Freire, Maria da Glória Martins, Eliete Regina, Mizael Fernandes, José Maria Cunha, Carlos Paiva e Fátima Alencar. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários e Figurinos: Flávio Phebo Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva. Versão Musical Estréia: 15/06/71 – Theatro José de Alencar Com: Jorge Mello, Tereza Mello, Atualpa Paiva, Hiramisa Serra, Martha Vasconcelos, Antonieta Fernandes, Haroldo Serra, Maria José, Socorro Noronha, Cláudio Pamplona, Benedito Siqueira, Mário Mesquita, Orlene Moura, Regina Távora, Wanda Albuquerque, Amália Riomar, Carlos Limaverde, Victor Junior, Walden Luiz, Arlindo Araújo, Marcus Fernandes, Jane Azeredo, Everardo Gomes, Fernando Holanda, Olavo Leite, João Freire, Jorge Oliveira, Jota Wanderley, Odenisio Holanda, Sérgio Viana, Vânia Queiroz, Raimundo Gadelha, Julieta, David, e Wanderley Pinto. Cenotécnico: Célio Facundo – Luz: Hélio Brasil – Som: Mauro Coutinho – Slides Cor: Nelson Bezerra – Slide (preto e branco): Polion Lemos- Maquiagem: Eubirajara Garcia - Musica: Belchior e Jorge Mello – Conjunto Musical: Avanson - Iluminação, Adaptação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. Rio Estréia: 02/02/72 – Teatro SENAC - Copacabana

H

A R O L D O

S

E R R A

Com: Milton Morais, Mírian Pérsia, Marcus Miranda, Paulo Pinheiro, Jorge Mello, Haroldo Serra, B. de Paiva, Hiramisa Serra, Tereza Mello, Yara Victória, Almir Teles, Chico Silva, Elizabeth Matos, Mary Neubauer, Vera Monteiro, Amália Riomar, Tarcísio Gurgel, Martha Vasconcelos, Francisco Neto, Célio Barros, Adail Daliano, Cairo Trindade, João Antônio, Paulo Rogério, Wanderley Pinto e Wilson Cirino. Sonoplastia: Manolo - Iluminação: Jorginho de Carvalho- Música: Belchior e Jorge Mello Conjunto Musical: Daniel Oliveira, Geraldo Darbilly e Sérgio Palha – Produção, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. S. Paulo Estréia: 11/03/76 – Teatro Aplicado Com: Thereza Teller, Tereza Mello, Jorge Mello, José Dumont, Paulo Braga, Carlos Costa, Ricardo Guilherme, Zélia Silva, Luiza Carmela, Vera Lúcia, Jurandir Pereira, Sérgio Migliaccio, Júlia Grey, Simone Miranda, Inês Otranto, Thaís de Andrade, Olavo Branco, Edélcio Vigna, Tom Santos, Iêda Gaboardi, Mário Silva, Sérgio Melo, Jorge Oliveira e Aiman Hamoud. Assistente de Direção: Ricardo Guilherme – Figurinos: Hiramisa Serra – Produção: Teatro Aplicado – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Estréia: 03/11/92 – Teatro Arena Aldeota Com: Guglielmina Saldanha, Jorge Caminha, Haroldo Serra, Euler Muniz, Rogério Medeiros, Manoela Villar Queiroz, Aida Massipe, Antonieta Noronha, Poliana Moraes, Marinina Gruska, Juliane Santos, Ana Cristina, Walden Luiz, Mário Mesquita, J. Arraes, Hiroldo Serra, Otto Maciel, Gina Kerly, Sara Lacet, Camila Abreu, Mário Henrique, Adail Carvalho,

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

19

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

20

Joelise Collyer, Mara Verly, Paula Ramalho, Ricardo Borges, Conceição Almeida, Cristina Mendes, Alex Sander, André Luiz e Juliana Medeiros. Músicos: Otávio Neto e Alberto Magno – Música: Belchior e Jorge Melo – Cantor e Diretor Musical: Mário Mesquita – Som e Luz: Francisco Costa – Contra-Regra: Ana Patrício – Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. COMENTÁRIOS À PRIMEIRA VERSÃO “... Jamais vimos um espetáculo de estréia apresentar em tão grande intimidade produtiva a peça em si e a interpretação...” Otacílio Colares – Correio do Ceará “... Acredito que o autor será muito criticado por muita gente que ainda acha que em uma obra de arte, sobre a nudez pura da verdade, deve vir sempre o manto diáfano da fantasia...“ Fran Martins - Unitário “O melhor primeiro ato do teatro brasileiro“. B. de Paiva

E R R A

“De todos os personagens de “O Morro do Ouro”, mais meu foram Zé Valentão – ele está presente em toda a peça ,mesmo que engaiolado tanto tempo, longe de nossas vistas – e a adorável quenga do Morro... Madalena é a mais bela criação do nosso teatro. Tem a perenidade de Tereza Raquim, de Anna Christie, de Anna Lucasta”. Péricles Leal – Diretor de Televisão “...O Morro do Ouro, ora em cartaz pela Comédia Cearense no José de Alencar, vem atestar a bravura e a maturidade de quantos fazem teatro no Ceará. É um espetáculo que toca à grande a quem acompanha os esforços dos idealistas B. de Paiva e Haroldo Serra...”.

H

A R O L D O

S

... Observando-se o panorama do teatro brasileiro, nos últimos cinco anos, temos que reconhecer a existência de novos e honestos dramaturgos, perfeitos analisadores da problemática social. Assim é Gianfrancesco Guarnieri com ”Gimba” e “Eles não usam Black-Tie”, assim também Antônio Calado com “Pedro Mico”. Assim Alfredo Dias Gomes com o “Pagador de Promessas” e “A Invasão”. Nesta lista pode participar agora Eduardo Campos, com o seu “Morro do Ouro” pela felicidade de caracterizar o popular e o regional, de pintar os tipos que enchem os bairros das capitais nordestinas, e mais particularmente Fortaleza, da sua honestidade de não fazer distorções. É claro que, de certa forma, o público se choca com a crueza da ação do diálogo. Mas, na sua reportagem social, o autor não poderia poupar a prostituta, empurrada da zona rural para a cidade grande; como fórmula de sobrevivência o bicheiro, forjando sonhos para cada um dos fregueses a fim de suportar a vida do asfalto; o bodegueiro, ganhando cruzado pela venda de cachaça que faz passar problemas de fome de amor; o contrabandista comerciante marginal eterno alvo dos “tiras”; a monitora e assistentes sociais denunciadoras de um vazio conhecimento dos problemas de falsas soluções; as mulheres do “society” eternas caçadoras de novidades para fugirem à monotonia das quatro paredes do lar; a lavadeira e outros tipos autênticos de qualquer bairro. Nesse mostrar as coisas dos subúrbios, Eduardo Campos demonstrou ter dado o salto tríplice-semântico-participante, atestou que a sua honestidade de autor sobrepuja as próprias conveniências pessoais e de dirigente de empresa, e num arranco de liberdade voltou as idéias, que dormitavam consigo, desde que deixara às manias consideradas loucas de escrever e interpretar para a gente dos bairros, que o aplaudia como autor e artista. Eduardo Campos ganhou a dimensão do intelectual moderno, sem barreira e com horizontes definidos, dentro da realidade nacional para atestar isso. Aí está a sua peça com as ações, os tipos e o

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

21

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

22

E R R A

linguajar do nosso homem comum, que anda de alpargata de rabicho, que come uma vez por dia, que sofre e sua nos transportes coletivos, que não tem dinheiro para casar, que vegeta até a tuberculose o conduzir para a última morada. As figuras humanas estão todas ali, com a sua necessidade econômica, com o seu misticismo doentio, com os seus desejos e instintos animalescos, com a alegria nos lábios ao viver intensamente a dança do Bumba-Meu-Boi com toda aquela gama que faz uma criatura se arrastar no lodo e ainda ter tempo para sonhar com coisas belas. Em “Morro do Ouro” encontra-se também o talento de “metteur-en-scëne” de B. de Paiva, imprimindo perfeito equilíbrio na composição, no ritmo, bem como nas interpretações magistrais dessa plêiade de jovens revelações onde se destacam Teresa Bittencourt, José Humberto, Hiramisa Serra, Afonso Barroso e tantos outros. Excelente também é o cenário de Flávio Phebo, cearense que reside em S. Paulo, onde foi várias vezes premiado como cenógrafo e figurinista. Apesar de estar distante, realizou um trabalho magistral, recriando com todos os detalhes, os barracos característicos dos bairros dando mais autenticidade ao ambiente onde se desenrola a peça. Em suma, esta obra popular de Eduardo Campos, apesar de algumas deficiências que de tão insignificante não tiram o brilho do contexto geral, constitui-se uma revolução, rompendo com a velha estrutura do melodrama e do digestivo e fazendo-nos mais crentes de que o futuro já se integrou na realidade dos dias presentes, na vida teatral cearense. Inácio de Almeida - 1963 “Tivemos no José de Alencar, um espetáculo de verdadeiro teatro . O que vimos na estréia da peça “O Morro do Ouro”, nascida da mentalidade e do talento de Eduardo Campos, resume, a nosso ver, um espetáculo teatral tecnicamente perfeito.

H

A R O L D O

S

“Quando já se afirmara que o teatro cearense sucumbira , eis que, mais uma vez, Haroldo Serra aparece e joga a última cartada. Desta feita, a “tábua de salvação” foi a obra máxima do teatrólogo Eduardo Campos, “Morro do Ouro”, que Haroldo “vestiu” de roupa nova, a fim de testar a veracidade das afirmações, segundo as quais, o teatro já era coisa do passado, morto e sepultado, por obra e graça da Televisão. A roupagem nova com que Haroldo Serra “vestiu” o velho “Morro” foi roupagem sonora, concebida segundo a extraordinária capacidade criadora dos jovens Belchior e Jorge Melo, dois expoentes que acabam de colocar o Ceará na pauta do movimento de MPB que até então congregava, apenas, cariocas e baianos e algumas exceções mineiras, paulistas e gaúchas. Sem tirar o mérito da obra de Eduardo Campos, que consideramos como sua melhor criação, não temos palavras para louvar o gênio inventivo de Haroldo Serra, que repetiu o feito de Alan e Lerner, a famosa dupla norte-americana, que transformou o “Pigmalião”, de Shaw, no soberbo espetáculo “My Fair Lady”. Salvando as devidas proporções, o trabalho de Haroldo Serra merece os mesmos encômios que receberam os geniais adaptadores da Broadway. Mesclando a espetaculosidade mecânica de “O Balcão” e a coreografia alucinante de “Hair” e mais ainda, valendo-se de todas as modernas tendências que são a tônica forte das atuais montagens teatrais nas grandes cidades, o esforçado homem de teatro de nossa terra construiu o seu “Morro”, que agora, é, realmente, de “Ouro”,

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

23

N O S

D A

COMENTÁRIOS À VERSÃO MUSICAL

C

O M É D I A

Bem avisado foi o autor, ao entregar a este outro consumado artista que é José Maria Bezerra Paiva, o nosso conhecido B. de Paiva, a direção, a realização, a vivência enfim, do seu “Morro do Ouro”. Nadir Saboya - 1963

C

E A R E N S E

24

graças ao tratamento recebido durante nada menos de nove meses – período exato de uma gestação. Nessa fase de montagem de “Morro do Ouro”, houve quem afirmasse que, como denúncia, a peça está superada, uma vez que a própria peça quando de sua encenação original, encarregou-se de solucionar o angustiante problema da famigerada favela onde proliferava a marginalização, pois as autoridades, ante a denúncia levada ao palco, resolveram mudar a situação dos infelizes que ali moravam. Mas, não se justificam tais afirmações, uma vez que o “Morro do Ouro” permanecerá, pelo tempo afora, como símbolo de um problema social, como identificação de um aglomerado de criaturas que vegetam na mais absoluta promiscuidade. E não importa se geograficamente se chama “Morro do Ouro”, “Curral”, “Cinzas” ou “Lagamar”. Por outro lado, como espetáculo em que Haroldo Serra acaba de situar a obra-prima de Eduardo Campos, “Morro do Ouro” pode ser incluída nas criações imortais e daqui a cem anos, ela ainda será algo digno da admiração pública. Não é fácil concentrar esta versão musicada de “Morro do Ouro”, principalmente, porque ela surge, no momento exato em que o teatro vem sendo apontado como a mais desacreditada das artes, mormente entre nós. Posso dizer, apenas, que o espetáculo é chocante, não pelo fato de apresentar a nudez que caracteriza “Hair”, ou a promiscuidade moral de “Navalha na Carne”, ou os palavrões de “Roda Viva”. Este espetáculo choca, pela sua grandiosidade, pela sua contínua vibração, pela sua música maravilhosa, pelo seu lirismo, pela sua brutalidade. Não é este o comentário definitivo que pretendo fazer de “Morro do Ouro”. Este, virá depois, quando assistir a uma segunda apresentação. Mas, posso dizer agora: Vá ao teatro! Não deixe passar a oportunidade de assistir a coisa mais séria que já se fez nesta terra, em matéria de teatro! Por enquanto, adianto que a peça tem cenas inesquecíveis... canções inesquecíveis... interpretações inesquecíveis... E uma

H

A R O L D O

S

E R R A

“Ontem foi apresentada a mais original e bem montada peça do festival: O Morro do Ouro, do grupo de Fortaleza. Conseguiram um perfeito entrosamento entre som, iluminação e interpretação. Os atores surgiam como que impulsionados por uma varinha de condão. De todas as partes da platéia só se ouviam aplausos e mais aplausos. A Basílica, mais uma vez, abrigou um grande público que vibrou durante todo o desenrolar das cenas. O Júri Popular aprovou dando 96% de bom e ótimo e apenas 4% de regular. Só não entendo os 4% de regular. Estes jovens estão conseguindo criar uma nova imagem do Nordeste. Uma imagem colorida, onde se reflete um Estado em desenvolvimento, em todos os setores e principalmente no teatro. A mulher do aleijado ( Hiramisa Serra) esteve esplêndida... A única crítica que poderíamos dizer diante de tão genial espetáculo cênico é que eles não precisavam ser tão geniais... mas foram. Quando terminou o espetáculo ninguém queria retirar-se: sentia-se em cada rosto o desejo de continuidade, pareciam todos clamar: Queremos mais, queremos mais. O Morro do Ouro proporcionou a todos que viveram juntos com seus personagens, seus problemas e suas tradições, uma sensação dourada, uma sensação gostosa de saber que o bom teatro existe. Eles mostraram o colorido da pobreza e a expressão do desamor dentro de um clima de euforia e grandiosidade. Sônia Margarida – Diário da Região – 19/07/71 - S.J. do Rio Preto - SP

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

25

N O S

O BOM TEATRO EXISTE

D A

Hiramisa Serra diferente de todas as Hiramisas que você já vira antes. Ela está, apenas Divina, Maravilhosa, Estupenda como “mulher do aleijado”. E faço minhas, as palavras de Afonso Jucá: “Hiramisa está tão autêntica como mulher de um mendigo que a gente, lá do fim da platéia sente a catinga dela...”. Confesso que também senti. Marciano Lopes

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

26

“Quem foi ontem ao auditório da Basílica sentiu o que é comunicação. O Morro do Ouro mexeu com todos, foi um espetáculo maiúsculo , dentro de um ritmo alucinante, alegre, gostoso, comunicativo, característica marcante do diretor Haroldo Serra, um cearense que sabe da coisa”. Valter Vale – A Notícia – 19/07/71- S.J. do Rio Preto - SP “... Quando estávamos em vésperas da realização do Festival de Teatro de São José do Rio Preto, a nossa convicção de que “O Morro do Ouro” iria marcar, entre dezenas de outras peças a serem ali representadas. E assim o fazíamos baseados no conhecimento das qualidades intrínsecas da obra, até certo ponto muito avançada para a época em que apareceu e foi levada ao palco, isso já faz mais de dez anos, já pela “tarimba” de que ia forrado o numeroso elenco responsável pela encenação. As notícias agora chegam lá do sul, e são um coroamento de um trabalho honesto desenvolvido por Haroldo Serra e sua equipe. O aplauso do público e do júri em São José do Rio Preto, proporcionados à peça e ao elenco, depois da representação, bastariam para consagrar o autor e os que lhe apresentaram a obra, não fora a existência de prêmios que foram à mesma conferidos com espírito de justiça. Valha o acontecimento como um grito de alerta aos homens do setor cultural de nosso governo. Tudo temos de melhor, nos mais diversos escalões de cultura artística; só o que nos há faltado é estímulo e sobretudo estímulo financeiro. Otacílio Colares – 28/07/71 – Gazeta de Noticias

S

E R R A

O SENAC MOSTRA A ARTE MÍSTICA DE UM CEARENSE “O Morro do Ouro veio do Ceará até o Rio. Trouxe consigo todo o lirismo e misticismo do Nordeste. Mas em sua caminhada arrebatou vários prêmios no III Festival de São José do Rio Preto. É

H

A R O L D O

uma peça viva, na qual Eduardo Campos revela seu talento como escritor e Haroldo Serra mostra suas virtudes de diretor. O Morro do Ouro não é um morro como outro qualquer. Consistente qual uma rocha, às vezes lírico, às vezes místico, é um vulcão em erupção contínua. Suas lavas atingem, de pronto, a sensibilidade de quem o assiste. Na verdade, é uma peça viva, esculpida pelo talento do escritor cearense Eduardo Campos e dirigida pelo seu conterrâneo Haroldo Serra. Quem vai ao Teatro do Senac, em Copacabana, está virtualmente no topo do Morro do Ouro, onde poderá aplaudir a coreografia amorosa de Zé Valentão (Milton Morais) e sua quenga preferida, Madalena, interpretada por Mírian Pérsia. Tudo isso com o acompanhamento do som de Jorge Mello e Belchior, aquele menino grande que ganhou com Hora do Almoço o Festival de Música Universitária, promovido pela Rede Tupi de Televisão. Deixando o topo do Morro do Ouro, encontramos no seu sopé sua população, composta de canelau, gente sem berço, alguns sem chão, muitos sem teto, com exceção de um candidato a vereador, muito demagogo, mas por sinal, muito bom. Também, pudera! Interpretado por B. de Paiva, nem poderia ser diferente. Tirante a mãe de Madalena – que já chega no fim da peça, trazendo o retrato do padre Cícero nas mãos, com o mesmo ardor com que uma portaestandarte conduz a bandeira de sua escola -, todas as mulheres que habitam o Morro do Ouro são quengas. Não escapa nem a mulher do aleijado, uma personagem muito bem vivida por Hiramisa Serra. Mas a “natureza teatral”, na qual elas foram geradas, lhes deu uma forte dose de calor humano, que faz suar até mesmo os espectadores. Pôr isso, O Morro do Ouro não é um morro qualquer. Pôr isso, no Terceiro Festival de Teatro Amador, realizado em S. José do Rio Preto, S. Paulo, a peça fez jus ao Arlequim, primeiro prêmio do certame e foi a preferida pelo júri popular, além de ganhar outros troféus. Na Guanabara, o Morro do Ouro está sendo encenado sob os auspícios do governo do Ceará, que vem prestigiando todos os

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

27

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

28

movimentos culturais nas suas mais variadas expressões. Quem se comunica – como Eduardo Campos - , através de um grupo tão homogêneo, dirigido por Haroldo Serra, precisa ser ouvido e entendido por todos. Ainda bem que o Morro do Ouro tem eco”. Orlandino Rocha - Revista “ O Cruzeiro” - 1972 “Sob o patrocínio do Governador do Ceará, César Cals, do Prefeito Vicente Fialho e do Secretário de Cultura, Ernando Uchôa, Haroldo Serra trouxe para o Teatro Senac, aqui no Rio, a peça do cearense Eduardo Campos: “O Morro do Ouro”. A iniciativa é das mais simpáticas e dá conhecimento ao nosso público de um autor de quem possivelmente poucos jamais haviam ouvido falar, assim como do trabalho que vem se desenvolvendo no campo teatral de um dos mais simpáticos Estados da União. “O Morro do Ouro” é o retrato de um dos bairros mais populares de Fortaleza, aquele justamente onde era despejado o lixo da cidade, mostrando diversos aspectos da vida de seus habitantes. A peça não chega a ter um desenvolvimento dramático, sendo mais uma série de flagrantes mostrados através de uma história simples, mas apresenta vários tipos interessantes e situações curiosas e engraçadas. A adaptação feita por Haroldo Serra, sobretudo na introdução das músicas excelentes de Belchior e Jorge Mello dá um ritmo trepidante ao espetáculo, tornando-o moderno e agradável. Temos certeza que o espetáculo feito por um elenco inteiramente cearense teria um sabor especial que pode ser notado nas interpretações de Hiramisa Serra, Teresa Mello, Amália Riomar e Martha Vasconcelos, que faziam parte da produção original, mas de qualquer maneira, as aquisições feitas no Rio para o elenco, funcionaram perfeitamente. Mírian Pérsia, mulher bonita e atriz completamente segura de seus dotes, se encarrega do papel principal que desempenha com grande categoria. Milton Morais (diga-se de passagem, cearense também, com vários anos de Rio), é o excelente ator que estamos acostumados a ver e resolve com um pé nas costas o papel de Zé

H

A R O L D O

S

E R R A

UM MORRO ENTRE CAMPOS E SERRA “... certos desempenhos chegam a ser tocantes em sua espontaneidade. Penso especificamente em Hiramisa Serra, a mulher do aleijado, Elizabete Matos, a grã-fina exuberante e Tereza Mello, Margarida. Curiosamente, a primeira e a última são da montagem original. A descontração e garra de Tereza Mello, então jovem universitária cearense, seriam por si só motivo mais do que justo para que tanto o Governo do Ceará quanto nós todos prestigiássemos a montagem de “O Morro do Ouro...” Gilberto Tumscitz (Gilberto Braga) - O Globo – 16/02/72 INAUGURAÇÃO DO TEATRO DA EMCETUR “... Demonstração palpável desta orientação tivemos quando da inauguração do Teatro da Emcetur, com a peça “Morro do Ouro” de Eduardo Campos. Haroldo Serra, o diretor, soube incorporar ao espetáculo as técnicas modernas da encenação, ao mesmo tempo em que conservava a comicidade ingênua do texto, valorizando-o com o ritmo preciso que imprimiu às cenas sucessivas. As luzes, a

R E T R O S P E C T I VA

Valentão. B. de Paiva, outro cearense radicado no Rio, faz o político demagogo com muita graça. As demais aquisições cariocas são: Paulo Pinheiro, Yara Vitória, Célio Barros, Marcus Miranda, Elizabeth Matos, Mary Neubauer, Vera Monteiro, Almir Teles, Francisco Silva e Tarcísio Gurgel, todos desempenhando muito bem seus papéis. E ainda o coro constituído por Adail Daliano, Cairo Trindade, Francisco Neto, João Antônio, Paulo Rogério, Wanderley Pinto e Wilson Cirino, todos perfeitamente entrosados. Parabéns, pois, a Haroldo Serra por ter mostrado ao Rio de Janeiro o que está se fazendo, em matéria de teatro, no Ceará, e a Belchior e Jorge Mello, ótimos compositores e cantores. Podem ir que vão gostar. Roberto de Cleto – O Dia – 20/02/72

4 5

A

29

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

30

sonoplastia e expressão corporal dos atores foram utilizadas de modo estético, mas não “estetiantes”, isto é, não a serviço de efeitos gratuitos , mas de impactos que dão força ao que se pretende comunicar aos espectadores. A garra dos atores e o entrosamento de suas interpretações categorizam-se para vôos ainda maiores. Somente a continuidade do trabalho lhes permitirá que não se perca essa qualidade de coesão, essencial á vida de um grupo dramático. Continuidade, aliás, que será necessária para que se perpetue esta mentalidade vanguardista que justifica o título de “Terra da Luz” conferida ao Ceará. Ilka Zanotto – Gazeta de Noticias – 13/10/74 MUITAS E GRATAS SURPRESAS DO CEARÁ O MORRO DO OURO EM CARTAZ NO TEATRO APLICADO: BOM TEXTO E BOM ESPETÁCULO “ A primeira virtude de O Morro do Ouro está em revelar a S. Paulo um dramaturgo (Eduardo Campos), um diretor (Haroldo Serra) e diversos intérpretes cearenses. O Teatro Aplicado, no seu elogiável programa de explorar as várias regiões do país (Lampião no Inferno, Viva o Cordão Encarnado e Derradeira Ceia), mostra agora uma outra realidade brasileira, tão importante para o conhecimento do nosso público, em termos de arte. Nada disso seria significativo se não estivesse amparado por outra virtude: o interesse do texto e do espetáculo. E se as qualidades não surgissem envoltas em despretensão. Ninguém tenta revolucionar a dramaturgia brasileira nem os conceitos da encenação moderna. Deseja-se, apenas, dentro da técnica tradicional do teatro documentar um problema verídico de Fortaleza, que aliás se aplica provavelmente a todas as nossas capitais. E a direção, informada pelos processos em voga nos palcos de hoje, procura assimilá-los à realidade nordestina. Eduardo Campos faz, basicamente, uma peça de costumes, cujos personagens pertencem a uma favela de Fortaleza, onde deságua o

H

A R O L D O

S

E R R A

lixo de toda a população. Neste ambiente marcado pela marginalidade avultam as figuras de um contrabandista, uma prostituta, um aleijado, um bicheiro, um dono de botequim e assim por diante. Seus conflitos concentram-se nas questões do dia-a-dia, animadas pela vinda da polícia, de um candidato a vereador ou a mãe da prostituta, devota do Padre Cícero. Não há uma análise em profundidade de nenhum problema social, mas o desfile de figuras expressivas de um cotidiano triste. Enquanto o texto, de 1963, adota linguagem realista, em voga desde a estréia, em 1958, de Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, Haroldo Serra acrescentou-lhe o elemento musical. Como a música (de Jorge Mello, que é também cantador, e de Belchior) é bonita e propicia os deslocamentos do conjunto, o espetáculo ganha uma nova dimensão. Pode ser discutido o sacrifício da última parte do texto, que sugere ao espectador ter ficado incompleto, sobretudo, o destino de Zé Valentão. “O Morro do Ouro” funciona pelo colorido, pela plasticidade, pelo ritmo sempre dinâmico do desempenho. Mesmo com os deficientes recursos técnico da iluminação ou das projeções, o palco se encontra em continuo movimento. É possível que Haroldo Serra tenha alterado as características das assistentes sociais, cuja fatuidade não precisaria chegar à composição artificial das personagens. Mas na sua perspectiva solidária com a verdade do morro, compreende-se a deturpação caricatural do mundo lá de fora – tanto as assistentes como o político e os policiais. Um elenco de 22 intérpretes, numa produção forçosamente econômica, deveria ter altos e baixos. A rapidez dos ensaios não permitiu a superação de trabalhos inaceitáveis. Mas há muitos desempenhos espontâneos e vigorosos, como os de Tereza Mello (Madalena), Thereza Teller (Elvira), José Dumont (Aleijado), Ricardo Guilherme (Ezequiel), Vera Silva (Margot) e Zélia Silva (Mulher do Aleijado). Diversos intérpretes prometem uma carreira de êxito. As primeiras atividades do empresário Tom Santos não con-

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

31

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

32

venceram de nenhum ponto de vista. Não eram artisticamente sérias nem indicavam bons propósitos. As três estréias da última temporada e “Morro do Ouro” são indícios de uma salutar regeneração, que pode converter o Teatro Aplicado num dos centros mais importantes do palco paulista e brasileiro. São esses os votos de quem acompanha, quase como torcedor, esse esforço pela implantação de uma dramaturgia nacional, originária dos vários estados e cunhadas de popularidade. Sábato Magaldi – Jornal da Tarde – 16/03/76 O ESCÁRNIO E NÃO O PRANTO “ São Paulo acolhe atualmente, no Teatro Aplicado, uma experiência teatral que foge inteiramente à sofisticação das montagens às quais estamos acostumados. Um trabalho simples e distanciado da complacência comercial e dos enfeites aparentemente criativos mas que escondem a verdade interior de uma obra teatral. “O Morro do Ouro”, de Eduardo Campos, dirigido por Haroldo Serra – ambos cearenses e ligados à popularização do teatro em Fortaleza – é a visão da pobreza e dos dramas da população do bairro com este nome, um dos mais abandonados da capital cearense, último reduto dos marginais, mendigos e desempregados que o centro rejeita. As vicissitudes produzem um sentimento natural de solidariedade entre seus habitantes e o autor parte desta constatação para tecer a história singela da prostituta que tenta esconder sua condição quando sabe que a mãe virá do interior para visitá-la. E todos os vizinhos participam da farsa para que a velha senhora não saiba a verdade. O tema tem um forte apelo melodramático que poderia esvaziar suas intenções críticas. O autor, porém, contorna habilmente o terreno da emoção fácil ao envolver, simultaneamente, os fatos com uma irônica rejeição da auto-piedade, atitude não estranha às idéias do teatro de Brecht. A pobreza é cruel mas sobre ela se eleva o escárnio e não o pranto dos atingidos.

H

A R O L D O

S

E R R A

“O Morro” incorpora, em sua visão geral do grupo humano que apresenta, elementos da cultura popular como o Bumba- meuboi e a música de viola. A junção destes elementos em cenas fragmentadas fornece ao espectador um quadro genérico da situação. O dramaturgo encerra bruscamente a peça sem deixar indicações precisas sobre o desfecho das muitas tramas que armou. Enquanto a mãe da prostituta não chega, ou durante a sua permanência, aconteceram amores difíceis e sensuais, violências da polícia e façanhas engraçadas de um esperto cambista do jogo do bicho. Um fecho mais orgânico daria maior consistência ao texto e ao espetáculo. Haroldo Serra, um dos veteranos encenadores de teatro do Nordeste – deixou por algum tempo suas atividades como diretor do Teatro José de Alencar, de Fortaleza, e o trabalho junto aos grupos “Comédia Cearense e “Teatro Móvel” e veio reproduzir “O Morro” em São Paulo a convite do produtor Tom Santos. Seu espetáculo é claro nas intenções críticas ao fixar determinado drama social sem deixar de dar ao espectador o encanto dos folguedos populares. É um trabalho maduro, sem preciosismos, que aproveita ao máximo a potencialidade dos atores, embora o tempo de ensaios (um mês) tenha sido bastante exíguo. Pena que a crítica não disponha, no momento, a relação dos intérpretes para citar os que se destacam ( o bicheiro e o aleijado). A falta de outro recurso imediato, a solução é registrar nomes conhecidos como os de Thereza Teller, na melhor composição de sua carreira (a velha) e Luzia Carmelo, que volta ao palco na criação de um marcante tipo popular (costureira e lavadeira). “O Morro”, além dos méritos artísticos evidentes, é um lembrete a mais aos empresários paulistas. O nordeste tem um teatro expressivo embora careça de novas influências renovadoras. Fortaleza, por exemplo, faz teatro desde de 1830, conforme documenta Marcelo Farias Costa em sua “História do Teatro Cearense”. Quem mais, em São Paulo, se habilita a prestigiar estes valores? Jefferson Del Rios - Folha de S. Paulo - 12/03/76

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

33

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

34

“...O espetáculo ganha um ritmo e uma vivacidade que prendem o espectador. Se nesse sentido o diretor obteve excelente resultado, é preciso reconhecer que contou com um elenco jovem que se entregou ao espetáculo com grande garra, dando mesmo a impressão de sentir enorme satisfação em participar da montagem, o que sempre se comunica ao público. ... Finalmente, é preciso destacar o aproveitamento de elementos da cultura espontânea popular , o que parece certo como um caminho para a realização não somente de um teatro, mas de uma arte brasileira“. Clovis Garcia - O Estado de S. Paulo – 12/03/76 O LIXÃO RÍ “Em cena, no Teatro Aplicado, mais um autor nacional – o cearense Eduardo Campos e seu Morro do Ouro. Irreverente, satírica e com boa dose de observação, a peça retrata o “Lixão” de Fortaleza, bairro esquecido de todos e somente lembrado pelos políticos em época de eleição ou por enfastiadas senhoras da Aldeota (o Morumbi de lá) como ilustração de suas “pesquisas sociais”. Em torno da história despretensiosa de indivíduos que dão a volta por cima da miséria que os cerca, armou-se um espetáculo cheio de música e cores, de acordo com o espírito do texto. Entre os muitos modos de resistir à injustiça existe a do desafio sorridente e este é o escolhido por “O Morro do Ouro”. Movidos pela solidariedade nascida da desgraça que a todos identifica, os residentes do morro não hesitam em driblar as “aves de arribação, sejam elas as autoridades políticas ou policiais. Sucedem-se rapidamente cenas bem enquadradas, nas quais triunfa sempre o espírito de Pedro Malazarte, que ainda anima a todos: no pega-pega com a polícia, até um bumba-meu-boi invade o palco para despistar os perseguidores do contrabandista amigo. Fica do espetáculo uma impressão de coragem colorida e de alegria irrefreada , que não abafa de todo o travo amargo presente

H

A R O L D O

S

E R R A

“Eduardo Campos, o autor, dá uma amostra muito real dos costumes e da cultura do povo do Ceará, aonde apesar da pobreza da sua gente, valores tradicionais como o respeito à família e a fé cristã são evidenciados. O colorido típico da região, seus ingênuos cantos populares amainam a dureza da região... A criatividade da direção de Haroldo Serra, às vezes excessiva, e um elenco de jovens que se entregam ao trabalho com garra total, fazem deste musical simples e ingênuo algo agradável de se ver e ouvir”. Elvira Gentil – Revista: Este Mês em S. Paulo – 03/76 “ De tendência analítica, sobretudo denunciante, a peça – um pôster colorido e muito bem dimensionado do norte-nordeste, se fundamenta numa trilogia indispensável ao entendimento do espetáculo: costume, crença e o próprio folclore... A direção em nada deturpou o desabafo do autor. Ativou apenas sua criatividade e há de se reconhecer no trabalho de Haroldo Serra um processo metódico de integração, objetivando o conjunto”. Roggiego - Gazeta do Ipiranga –03/76

R E T R O S P E C T I VA

“Simples e direto, o diálogo de Eduardo Campos é muito bom e apesar de ter sido escrito ha dez anos mantém o interesse e não cai no lugar- comum”... Hilton Viana – Diário da Noite – 12/03/76

4 5

A

35

N O S

SUCESSSO NO APLICADO

D A

nas entrelinhas. O numerosíssimo elenco saiu com garra da parada bem conduzida pelas mãos hábeis de Haroldo Serra e embelezada pela música de Jorge Mello e Belchior. São marcantes as interpretações de Thereza Teller, como a mãe Elvira; Tereza Mello, como Madalena; Simone Miranda, como a “menina” e Ricardo Guilherme como o bicheiro Fortuna. Ilka Marinho Zanotto – Visão – 05/04/76

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

36

“ O que se destaca no entrecho do espetáculo é o seu acentuado teor de análise crítica, tomando como ponto de partida o cortejo das misérias morais, físicas e, portanto sobre humanas de pessoas pertencentes a uma determinada comunidade social. A concepção cênica possui a qualidade de saber aproveitar todas as virtualidades do musical, seja no ritmo das danças ao som das músicas como o baião, seja na captação das partes dialogadas que ligam umas cenas às outras. A direção musical de Jorge Mello está sincronizada ao estilo interpretativo adotado por Haroldo Serra, o que proporciona uma dimensão cênica bastante equilibrada”. Alípio R. Marcelino – Jornal da Semana –03/76 DEBATE NO TEATRO APLICADO “...O espetáculo coloca a dramaturgia com outra dimensão, totalmente divergente da tradicional. Essa fluidez mostra o mundo cheio de acasos que é o Morro do Ouro e não uma simples estória contada. A situação sociológica do texto está sujeita a eventualidades. O tom satírico como é tratado o problema da religião foi muito bem colocado pela direção e passa perfeitamente...” Miroel Silveira – Presidente da Associação Paulista de Crítico de Arte “...Realmente eu acho muito importante, mas muito mesmo, a tentativa de colocar o povo brasileiro em cena. E o que vi no Teatro Aplicado era o povo brasileiro. Pelos espetáculos que assisti em S. Paulo nessa atual temporada o nível de representação do Morro do Ouro é excelente. São atores brasileiros fazendo coisas brasileiras... O melhor momento em termos de dramaturgia é quando o folclore do bumba-meu-boi é usado na ação dramática. Isto é, um cara vai tentar passar o contrabando pela polícia através de uma manifestação folclórica. É perfeito, chega a ser obra prima. Eu gostaria de ter essas idéias para aproveitar o folclore brasileiro.

H

A R O L D O

S

E R R A

COMENTÁRIOS DE PRÓPRIO PUNHO “ A melhor coisa que posso dizer desse espetáculo é que ele tem alma, que toca a alma da gente. Tem coração e a inteligência de Haroldo Serra, sonhador e realista, realizador notável de coisas grandes. Que gente! Autenticidade, pureza, grandeza, amor e muito Brasil. Valeu! E como? Eduardo Campos se inscreve como autor pai d’égua. Pedro Bloch - Teatrólogo “O Morro do Ouro” é um espetáculo de imensa validez. Eduardo Campos é a Voz do Ceará que nos chega clara e lúcida. Haroldo Serra orquestrou tudo e todos com maestria com a ajuda positiva da música jovem e inspirada de Belchior e Jorge Mello. Este sim é um espetáculo para exportação”. Van Jafa - Crítico “É necessário que movimentos como este se tornem uma constante no intercâmbio cultural do nosso País. Venham, cearenses, venham mais vezes ao Rio”. Jacy Campos – TV Educativa

R E T R O S P E C T I VA

É uma experiência muito honesta porque a única maneira da gente chegar ao universal é partir da aldeia da gente. Essa montagem é um passo à frente. O cearense veio fazer um teatro deles falando deles. Está surgindo uma necessidade nos autores de procurar o Brasil. O lamentável é que nós, que representamos a arte popular brasileira, tenhamos total desconhecimento das nossas raízes. Precisamos descobrir a verdade de cada um com alguém que conheça de perto os seus ( e nossos) problemas. O teatro do Ceará e suas implicações sociais me interessam profundamente. E se a proposta do trabalho é fazer uma dramaturgia cearense isso representa uma contribuição enorme ao teatro brasileiro...” Plínio Marcos - Teatrólogo

4 5

A

37

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

38

“Estou encantado! Este é o caminho do teatro brasileiro. Fora do nosso folclore não há qualquer opção! São amadores! Pois sim! José Gama - Escritor “Fui convidada para participar da peça, infelizmente não pude aceitar por outros compromissos, mas tive muita pena, porque ao assistir hoje pela segunda vez a peça, cada vez mais vejo o trabalho, que foi feito por esta equipe tão simpática, tão profissional, formada por Haroldo Serra. Espero da próxima vez poder trabalhar com eles. Pois tenho certeza que o Governo do Ceará, que tão bem auxiliou a vinda do grupo, auxiliará uma próxima vez diante do sucesso junto ao público e da classe teatral daqui do Rio, que muito tem apreciado “O Morro do Ouro”. Susy Arruda - Atriz “O Morro do Ouro”, Eduardo Campos, Haroldo Serra e Fortaleza – quatro brasileiros que devem sempre voltar ao Rio mostrando o Nordeste, sua verdade, sua abertura, sua gente, seu teatro. Que o governo do Ceará tome por base essa iniciativa e continue cada vez mais prestigiando o teatro de sua terra”. Rubens de Falco – Ator

ELES NÃO USAM BLACK-TIE
de Gianfrancesco Guarnieri Outro grande sucesso da Comédia cearense... Um mês em carEstréia: 24/09/63 – Theatro José de Alencar Com Eliete Regina, Hiramisa Serra, José Humberto, Haroldo Serra, Aderbal Freire Filho, Lourdinha Falcão, Edinardo Brasil, Carlos Paiva, Yeda Gurgel e João Falcão.

taz.
S H
A R O L D O E R R A

“Artisticamente um dos melhores espetáculos da Comédia Cearense “. Marcelo Costa

A BARRAGEM
de Guilherme Neto Guilherme Neto, um faz-tudo do rádio e da televisão do Ceará. Incentivou e orientou muitos dos valores locais. Pena não ter continuado a emprestar o seu talento de escritor ao teatro cearense. Estréia:28/02/64 – Theatro José de Alencar Com Gracinha Soares, Lourdinha Falcão, B. de Paiva, Haroldo Serra, Edilson Soares, Tarcísio Gurgel e Edinardo Brasil.

R E T R O S P E C T I VA

Com Aderbal Freire Filho, Haroldo Serra, José Humberto, Edilson Soares, B. de Paiva, Gracinha Soares, Eliete Regina, Aileda Cavalcante e Fernando Augusto. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Assist. de Direção: José Nilton – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

4 5

A

Estréia:04/12/63 – Theatro José de Alencar

39

N O S

D A

de Nelson Rodrigues

C

O BEIJO NO ASFALTO

O M É D I A

C

Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Assist. de Direção: José Nilton – Cenário: Flávio Phebo – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

E A R E N S E

40

Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Assist. de Direção: Rufino Gomes de Matos – Sonoplastia: Sebastião Gomes – Cenário: Rinauro Moreira – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

JOÃO GANGORRA
de R. Magalhães Junior Estréia: 27/05/64 – Theatro José de Alencar Com Marcus Miranda, Gracinha Soares, Maria da Glória Martins, Edilson Soares, José Humberto, Lourdinha Falcão e Francisco Rocha. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenário: Arialdo Pinho – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

ROSA DO LAGAMAR
de Eduardo Campos “... Um espetáculo que beirou o perfeito ” MCS – Diário da Região – S.J. do Rio Preto Com mais de 500 apresentações Rosa do Lagamar, que continua no repertório do grupo, é sem dúvida um dos espetáculos mais importantes da Comédia e do teatro cearense. A primeira versão,1964, foi dirigida por B. de Paiva e foi encenada no Teatro Nacional de Comédia, hoje Glauce Rocha, em 1966. A versão musicada e dirigida por Haroldo Serra, em 1971, representou o Ceará com muito sucesso no III Encontro de Estudos do Nordeste – o Teatro, em Salvador, em julho de 1977. Participou do I Festival de Inverno

H

A R O L D O

S

E R R A

de Campina Grande (Mostra Nacional de Teatro Amador) e do 9o Festival Nacional de S. José do Rio Preto ,com excelente receptividade pela crítica e público sendo 2a colocada pelo júri popular e recebendo indicações para “Melhor Espetáculo”; “Melhor Diretor” e “Melhor Atriz”. Integrando a Caravana da Cultura, da Sec. de Cultura, foi apresentada em Teresina, em junho de 1977. Foi selecionada pelo SNT para o Projeto Mambembão, se apresentando com sucesso de público e crítica em Brasília, S. Paulo e Rio de Janeiro, resultando na indicação de Hiramisa Serra para o prêmio “Mambembe” de atriz, ao lado de Fernanda Montenegro, Aracy Balabanian e Clarisse Abujanra. Ganhou “Placa de Bronze” no Theatro José de Alencar pela 100a. apresentação e outra no Teatro Carlos Câmara por ocasião das comemorações das 300 apresentações. Participou da programação de reinauguração do Teatro de Icó, em 1980. Foi encenada no Palácio da Abolição a convite do Gov. Adauto Bezerra. Uma de suas apresentações mais emocionantes foi a encenação realizada no próprio bairro Lagamar. Foi comovente a receptividade e participação da comunidade em debate promovido com a presença do autor, após o espetáculo. Também encenada no Teatro Móvel e Casa Amarela. A festa de 500 apresentações, no Teatro Arena Aldeota, foi promovida pela Fundação Demócrito Rocha que na ocasião prestou homenagem a Hiramisa Serra pelos seus trinta anos de teatro. Encenada na programação inaugural do Teatro do IBEU, em 1975. O texto original foi publicado na revista “Comédia Cearense” números 2 e 9 ( esgotados). A versão musical foi publicada na Revista da SBAT, edição de abril de 1990. Estréia: 05/11/64 – Theatro José de Alencar Com Hiramisa Serra, Tereza Paiva, Lourdinha Falcão, Haroldo Serra, Edinardo Brasil, Tarcísio Gurgel, João Falcão, Antonieta Noronha e José Humberto. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenário: J. Figueiredo – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

41

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

42

Teatro Nacional de Comédia – Rio – julho de1966 Com: Hiramisa Serra, Tereza Paiva, Haroldo Serra, Matos Dourado, Roberto César, Jaborandy Matos Dourado, Ayla Maria, Jório Nerthal, Salete Dias, B. de Paiva e Rogério Froes (ator convidado). Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva. Versão Musical Estréia: 14/10/75 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão, Ricardo Guilherme, Haroldo Serra, Marcus Miranda, Erotilde Honório, Zulene Martins, Antonieta Noronha, Walden Luiz, João Antônio, Ivo Rosa, José Gomes (Trepinha), Arlindo Araújo, Paulo Alencar, Deugiolino Lucas, Beth Araújo, Murilo, Pierre e De Assis. Conj. Musical: Quinteto Agreste. Cenotécnico: Antônio Guedes – Luz: Haroldo Jr. – Som: Hiroldo Serra – Filme: Polion Lemos – Fotos: Geraldo Oliveira - Música: Haroldo Serra com arranjos de Helder Peixoto – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. ELENCO DO “MAMBEMBÃO “ Brasília: Teatro Escola Parque, de 17 a 21/01/79

E R R A

São Paulo: Teatro Eugênio Kusnet, de 24 a 28/01/79 Rio: Teatro Cacilda Becker, de 31/01 a 04/02/79 Com: Hiramisa Serra, Zulene Martins, Arlindo Araújo, Lourdinha Falcão, Haroldo Serra, Ricardo Guilherme, Beth

H

A R O L D O

S

Estréia: 10/09/88 Com Hiramisa Serra, Zulene Martins, Haroldo Serra, Arnaldo Matos, Ayla Maria, Lourdinha Falcão, Marcus Miranda, depois Ary Sherlock, Walden Luiz, Raimundo Arrais, Antonieta Noronha, Macilon Daniel, Josamar Leão, e Rogério Medeiros. Luz e Som: Hiroldo Serra – Figurinos: Hiramisa Serra – Música: Haroldo Serra com arranjos de Helder Peixoto – Iluminação Ambientação e Direção: Haroldo Serra. COMENTÁRIOS À VERSÃO ORIGINAL “Rosa do Lagamar deixa bem claro a qualidade de Eduardo Campos, que tem a seu favor a personagem Rosa (telúrica e de características gregas)... ... Rosa do Lagamar indica um bom caminho do teatro brasileiro, de um teatro repleto de autenticidade, de um exato teatro regional, a comédia de costumes, típico de aspectos sociais e por vezes políticos”. Van Jafa – Correio da Manhã - 14/07/66 “... Mais uma vez foi colocada diante de nós a cristalina mas tão facilmente esquecida verdade. O teatro brasileiro não se restringe apenas a Rio e São Paulo. O grupo de Fortaleza, por exemplo,

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

43

N O S

Teatro Arena Aldeota

D A

Araújo, Trepinha, Paulo Alencar, Antonieta Noronha, Walden Luiz e Deugiolino Lucas - Música: Haroldo Serra com arranjos de Helder Peixoto – Intérpretes: Quinteto Agreste – Filme: Polon Lemos- Fotos: Geraldo Oliveira - Luz: Hiroldo Serra – C/Regra: Trepinha e Deugiolino Lucas – Fotos: Geraldo Oliveira – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

44

demonstra possuir um elenco cuja competência – na medida em que um único espetáculo possa constituir base válida para um julgamento – pode perfeitamente ser comparada ao nível médio dos elementos profissionais que costumamos ver no Rio”. Yan Michalski - Jornal do Brasil – 12/07/66 “... Como em Morte e Vida Severina, do Tuca, o público, na Rosa, também é levado a participar e tirar suas conclusões, sendo este um dos maiores méritos do espetáculo cearense...” Luiz Alberto Sanz – Última Hora – 08/07/66 “... E note-se o sabor da linguagem coloquial, de indiscutível autenticidade. Vale a pena ler o texto...” C.V. – O Jornal – 09/07/66 “... Eduardo Campos tinha uma história humana e simples para contar e soube faze-la de maneira satisfatória...“ Acazé - A Luta – 15/07/66 “Comédia de costumes focalizando aspectos da pobreza de um bairro de Fortaleza, com muita argúcia de observação. Linguajar solta, autêntico, com dialogação bastante expressiva, natural, sem qualquer rebuscamento literário que lhe tire o sabor e a agressividade de alguns trechos mais vivos, a história não tem originalidade, pois é calcada no velho e secular problema da habitação pobre construída em terreno cujo dono aparece mais tarde para promover o despejo fatal. Mas não se lhe pode negar o cunho de realidade, pois o fato de tão banal pode até ser caracterizado como reportagem. O que há a salientar no texto não é propriamente o enredo, a estória em si, mas o seu conteúdo dramático e pitoresco que Eduardo Campos soube bem manipular; sem cair no melodramático. Tratando-se de autor conhecido como jornalista, ensaísta e ficcionista, devemos salientar que é no teatrólogo que mais se evidenciam suas qualidades. O teatro parece-nos o campo onde mais se lhe ajusta a vocação. “Rosa do

H

A R O L D O

S

E R R A

Lagamar” é uma peça bem desenvolvida e retrata o aspecto urbano comum com muita facilidade e segurança. A direção se conduziu com acerto na encenação. Dentro das possibilidades do quadro de intérpretes, a representação decorre equilibrada e viva. Hiramisa Serra no personagem-título demonstra desembaraço, embora o natural nervosismo das primeiras cenas. Teresa Paiva e Salete Dias também se portaram com denodo nas figuras de Maria Galante e Emília. Ayla Maria (D. Julieta) um tanto fria e por demais angélica no tipo que encarna, sem maiores ensejos de destaque. É mais cantora do que atriz. Haroldo Serra tira proveito do papel que lhe coube (Vasques) mas sem oportunidade de maior comicidade. B. de Paiva numa ponta (oficial de justiça) demonstra seu domínio de palco. Jório Nerthal faz o bêbado com segurança. Os demais mantém o bom nível da representação. Cenário bem armado de J. Figueiredo, dentro de simplicidade de realização. Síntese: Uma produção honesta o atual espetáculo da Comédia Cearense, no Teatro Nacional de Comédia. Demonstração de que pelo nordeste já se faz teatro com coragem, sem fantasia e sem literatice. Edigar de Alencar – A Notícia – 05/07/66 COMENTARIOS À SEGUNDA VERSÃO “... E o teatro popular só se encontra na medida em que vai ao fundo do poço buscar, não somente modelos de comportamento, mas as próprias raízes vivenciais de tipos dentro de conceito social. A Comédia Cearense sem passar por processo analógico, esquecendo deduções desnecessárias, encampa a performance do texto de Eduardo Campos, imprimindo uma dinâmica cênica equivalente com a palavra escrita. ...Clima com nuvens de realismo envolve toda a representação cênica, com Hiramisa Serra comandando no papel principal a integração com o proposto no texto. Outra presença magnífica é

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

45

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

46

Lourdinha Falcão que em termos de identificação com o personagem que faz, está insuperável. Haroldo Serra, Walden Luiz, Arlindo Araújo, Antonieta Noronha e Zulene Martins dão a necessária continuidade estrutural que o texto exige. Como diretor Haroldo Serra demonstra toda sua experiência nos contrapontos que ajusta, colocando sua capacidade como encenador, algo mediador, aproveitando ao máximo o poder de envolvimento dos artistas com o discurso do autor. Eliezer Rodrigues - O Povo – 03/10/78 ”... Já na entrada do teatro a venda de artigos típicos inicia a viagem no espaço. No seu interior, as fotos iluminadas dos alagados, o pequeno filme mostrado no decorrer da peça e a participação do Quinteto Agreste, cantando algumas músicas anunciadas de forma coloquial, pelo diretor, reafirmam o aspecto “regional” e acentuam, para a platéia, o clima geral adotado pela encenação. A partir daí, Haroldo procura “brincar” com a peça e o espectador, lançando mão de recursos como a primeira entrada do Dr. Severiano em seu carro, da polícia, do Oficial de Justiça ou a briga das mulheres. O melodrama fica, assim, restrito ao final do espetáculo, enquanto o aspecto de submissão da obra é quebrado, criticamente , pela utilização da música – aparentemente enfática – contraposta à ironia dos estandartes carnavalescos e loquazes”. Tânia Pacheco – O Globo – 02/02/79 “... No conjunto prevalece o tom descontraído de quem se diverte com a solene seriedade do que está dizendo e creio que hoje em dia é sobretudo a este tom que a Comédia Cearense deve a penetração e a longevidade de sua Rosa do Lagamar junto ao seu público popular. Sobretudo porque o elenco, com poucas exceções, sabe defender esta empostação com inegável competência, destacando-se a falsa seriedade de Hiramisa Serra e as quase debochadas composições de Zulene Martins e Lourdinha Falcão. Yan Michalski – Jornal do Brasil – 02/02/79

H

A R O L D O

S

E R R A

“Quero fazer um teatro que atinja tanto o juiz da comarca como o vendedor de pirulitos”. Assim Haroldo Serra se pronuncia sobre o seu teatro. E esta afirmação fica patente em “Rosa do Lagamar”, de Eduardo Campos, peça montada pela Comédia Cearense, sob sua direção, ora apresentada no Teatro Escola Parque. Haroldo Serra, um cearense que trabalha há mais de 25 anos pelo desenvolvimento teatral do seu estado, é um artista tipicamente popular. Ele carrega consigo todos os condimentos do teatro circense, do deboche e do escrachado brasileiro. Em Rosa do Lagamar é colocado em cena o povo brasileiro, com seus problemas, malandragens, amores e sofrimentos. Tudo no espetáculo é simples. E esta simplicidade o torna bastante específico e estabelece a comunicação direta entre os atores e o público. O espetáculo até certo ponto é rústico, e o diretor às vezes lança mão de velhos clichês, mas mesmo assim, como não poderia deixar de ser, o espetáculo é de grande honestidade. Nele está contida a aspereza do teatro popular, seu sal, suor, barulho, cheiro, enfim, um teatro bastante próximo do povo. Rosa do Lagamar é uma antiheroina brasileira. Uma mulher simples que encontramos em qualquer ponta de rua, em qualquer botequim de canteiros de obras. Arraigada às suas crenças religiosas e a padrões de comportamento. Rosa vive a sonhar com a volta do marido, que partiu há dez anos. Ela também sonha com um futuro promissor para a filha, que acaba grávida, lhe dando assim um profundo desgosto. Em todo o espetáculo, tanto a polícia, como também a alta sociedade, são criticados sagazmente pelo autor, crítica esta reforçada pela direção do espetáculo. O casal que representa a alta sociedade cearense é desprovido de qualquer humanismo, e nas suas vestes, carros, ventiladores, por causa do calor cearense, sentimos toda a futilidade de suas vidas. O espetáculo está também intimamente ligado a filosofia do teatro de Brecht, principalmente no seu final, quando os atores can-

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

47

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

UM ESPETÁCULO POÉTICO

48

tam uma marcha carnavalesca, e portando estandartes, conseguem fazer com que o público pense e reexamine toda a problemática apresentada na peça. Eduardo Campos, autor de “Rosa do Lagamar”, não desviou nem por um momento seus olhos dos problemas brasileiros, particularmente cearenses. E a peça nos traz uma carga de informações no que concerne aos hábitos, gírias e costumes do povo cearense. “Rosa do Lagamar” é um espetáculo claro, simples e poético. Nele a obscenidade é fascinante, exercendo um papel de libertador social, pois, por sua própria natureza, o teatro popular é anti-autoritário, anti-tradicional, anti-pomposo, anti-pretensioso. É um espetáculo para o povo. José Anderson – Jornal de Brasília – 20/01/79 “... Um drama pungente e que adquire a dimensão que só uma pessoa como Eduardo Campos, autor também de O Morro do Ouro, poderia reproduzir com tanta fidelidade. E é também com simplicidade e fidelidade que Haroldo Serra dirigiu o espetáculo, um dos mais importantes apresentados em S. Paulo nos últimos anos. Só a vinda de uma peça como Rosa do Lagamar já justifica o Projeto Mambembão. Rosa do Lagamar atinge, apesar da simplicidade proposta, dimensões que vão desde o teatro brechtiano até os autos de Gil Vicente. Quanto aos intérpretes, Hiramisa Serra pode ser considerada, quer pela sua voz, verdade e qualidades de intérprete entre as primeiras atrizes brasileiras. É a protagonista total do espetáculo e todo o elenco a começar por Haroldo Serra, um excelente intérprete ao lado de Zulene Martins, Arlindo Araújo, Lourdinha Falcão, Ricardo Guilherme, Paulo Alencar, Walden Luiz, Antonieta Noronha e Deugiolino Lucas. Simples e direto, o diálogo de Eduardo campos é muito bom e apesar de ter sido escrito há dez anos, mantém o interesse e não cai no “ lugar-comum”. Hilton Viana – Diário da Noite – 27/01/79

H

A R O L D O

S

E R R A

“Finalmente um bom espetáculo “. A exclamação de um anônimo espectador do 9o Festival Nacional de Teatro Amador, mostra bem a insatisfação do público com as peças apresentadas antes da “Rosa do Lagamar”, pelo grupo Comédia Cearense, um verdadeiro e bem acabado exemplo do teatro popular, daquele que ri de pequenas tragédias que acontecem todos os dias e que discute a luta pela sobrevivência contra o poderio econômico de forma simples, direta sem metáforas e metalinguagens. Pela primeira vez, dentro do 9o Festival uma apresentação , sem grandes produções, simples, mas espontânea e direta, conseguiu a unanimidade da platéia, que por várias vezes aplaudia o espetáculo a cena aberta. Pela primeira vez um grupo mostrou que se pode fazer teatro de linha popular sem recorrer a grosserias e palavrões. Um teatro popular que ainda consegue agradar, fazer rir e ao mesmo tempo pensar sobre os problemas de todos. A encenação de ontem à noite, feita pela Comédia Cearense foi irrepreensível. No palco algumas peças com restos de madeira formam a casa de Rosa da Aldeota, que já foi do Lagamar e que queria apenas um lugar tranqüilo e seco para morar e educar a sua filha Maria Galante. O texto de Eduardo Campos, adaptado por Haroldo Serra consegue ao mesmo tempo mostrar as dificuldades de Rosa com uma boa dose de humor e fazer a crítica social. Um espetáculo que beirou o perfeito, com truques que agradaram o público, como a projeção de slide imitando um automóvel trazendo o rico. Num ativo trabalho de interpretação, Hiramisa Serra é a Rosa sofrida, Lourdinha Falcão dá a graça que a personagem Emilia exige e Haroldo Serra é o malandro Vasques com todos os seus “tiques” e “truques”. A espontaneidade do elenco foi outro trunfo de Rosa do Lagamar, que finalmente conseguiu tirar a impressão de enfado que pairava sobre o Festival. Como disse o espectador: finalmente um bom espetáculo. MCS – Diário da Região – 25/07/87 - S.J. do Rio Preto/SP

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

49

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

FINALMENTE ROSA DO LAGAMAR CONSEGUE LEVANTAR O ASTRAL

50

O grupo Comédia Cearense, que está completando 30 anos de existência, mostrou ontem no Festival que permanece fiel às suas origens, ou seja, fazer teatro popular da forma mais simples que há – sem invencionices. “Rosa do Lagamar”, de Eduardo Campos, o mesmo autor de “O Morro do Ouro”, trata da eterna temática da disputa pelo espaço urbano onde a “justiça” tem se mostrado sempre ao lado do mais forte, do mais poderoso. Sem ser piegas o tratamento dado pelo diretor do espetáculo, emocionou-me pela limpeza da concepção cênica. Teatro popular é isso: claro, cômico, trágico, farsesco. É disso que o povo gosta. Superou a todos os outros espetáculos apresentados até agora. Dispara como favorito. Nota 10. Luiz Carlos Bardari – S. José do Rio Preto – 25/07/87 HIRAMISA SERRA OU O “CAVALO DA ROSA” “Hiramisa Serra está festejando trinta anos de teatro, 24 dos quais, emprestando seu corpo para que o espírito de Rosa do Lagamar nele se manifeste em toda sua plenitude. A carreira da Hiramisa nasceu ao acaso, esse acaso que às vezes determina vidas, profissões, alinha e entorta caminhos e até programa a morte. Com Haroldo Serra, “companheiro de sina e de cruz”, participa da mesma luta pelo teatro e também na batalha pela própria existência, que casados estão ( ou são) desde que ela se fez atriz. Pois a história da Comédia Cearense é a história desse casal obstinado que ao longo dos anos tem participado, melhor dizendo, tem ajudado (com toda força) a fazer o teatro de nossa terra. Óbvio, que em trinta anos, Hiramisa já “incorporou” muitos outros personagens que vão do nosso Eduardo Campos até Molière, patrono do teatro francês. Mas foi a Rosa que marcou a vida de Hiramisa, determinando, inclusive, mudanças no comportamento da atriz. Em 24 anos vivendo a sofrida e ingênua Rosa do Lagamar, num total de 500 “incorporações”, Hiramisa Serra está de tal forma unida ao personagem, que até as pessoas que privam da sua

H

A R O L D O

S

E R R A

intimidade afirma não saber mais quando ela deixa de ser Hiramisa e começa a ser a Rosa e vice-versa. Qual irmã siamesa, Hiramisa não pode mais prescindir da sua “companheira” que passou a integrar sua vida e seu cotidiano. Pois Hiramisa e Rosa se fundiram... Levada a várias cidades brasileiras, inclusive Rio e São Paulo, Hiramisa chegou a disputar com monstros sagrados do teatro, como Fernanda Montenegro, o título de melhor atriz do ano. Pôr causa da sua Rosa. E do seu talento também, é evidente. Em 24 anos, o elenco da Rosa do Lagamar tem sofrido sucessivas alterações e só Hiramisa permanece imbatível, donde se conclui que não é mais possível a gente conceber a Rosa “incorporar” em outro “cavalo”, digo em outra atriz, tal a simbiose existente entre as duas criaturas. A Rosa nasceu para a Hiramisa, assim como a planta parasita depende de outra para sobreviver. Em 30 anos de carreira das mais dinâmicas, sempre participando de todas as montagens da Comédia Cearense como uma de suas vigas mestras que é, Hiramisa é hoje, uma intérprete completa, quer no drama, na comédia escrachada ou na sofisticada e até na tragédia. Ela dá conta do recado em qualquer personagem e em qualquer situação seja na pele de uma dondoca socialite ou “recebendo” a simplória Rosa do Lagamar, cheia de sonhos e ilusões. Nos últimos anos, senhora absoluta do mundo do teatro, Hiramisa, além de atriz, tomou para si, outros encargos e tem-se revelado, também, excelente figurinista com apuradíssimo bom gosto, cuidando ela própria de todo o setor de criação de vestuários quer seja de uma peça infantil ou de montagens mais sofisticadas e difíceis, inclusive de época, que exige mais pesquisa e o máximo de equação. Nesta atual montagem da Rosa do Lagamar com a qual Hiramisa festeja suas vitórias, poderia comentar outros personagens e outros intérpretes, porém, como este não é um comentário crítico e sim uma homenagem a Hiramisa Serra, direi apenas, que Arnaldo Matos, está notável, como o milionário, que Lourdinha

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

51

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

52

Falcão é a própria “lavadeira” e que dificilmente outro ator faria um simplório vigia com tanta convicção como o tarimbado e veterano Ary Sherlock. Para Haroldo nota “mil” pela idéia do carrão do milionário em “slide”, bem como pelo achado do “carro da polícia”. Mas, como disse, a festa é da Hiramisa, da Rosa e do Eduardo Campos. 30 anos de carreira de Hiramisa que soma 24 anos “recebendo” a Rosa em nada menos de 500 incorporações”. Não são números cabalísticos, são somas de vitórias e conquistas após tantas batalhas escondidas, batalhas que sempre se refugiam do público por trás dos bastidores. Triste é dizer que a Rosa ainda vai “incorporar” muito, pelos anos porvir. Em Hiramisa e em outros “cavalos”, digo atrizes. Pois a Rosa do Lagamar é uma síntese de outras Rosas e Marias e Joanas e Joaquinas e Sebastianas para as quais os lagamares da vida serão uma constante, já que a Aldeota não passa de uma miragem. Ou de uma triste decepção. Marciano Lopes – Diário do Nordeste

de Paurillo Barroso com diálogos de Silvano Serra A Valsa Proibida com música e enredo de Paurillo Barroso e diálogos de Silvano Serra é sem dúvida o mais carismático dos espetáculos cearenses. Sua primeira encenação, promovida pela Sociedade de Cultura Artística, ocorreu em l941. “Uma seleta assistência enchia literalmente o Theatro José de Alencar...”, registrava o Jornal Unitário, edição de l6/12/41, transcrito por Marcelo Costa em sua História do Teatro Cearense. Outra montagem ocorreu em 1943 e no ano seguinte A Valsa Proibida passou a ser a única opereta brasileira a ser encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas, sem dúvida foi com a Comédia Cearense que A Valsa Proibida recebeu o tratamento de grande espetáculo que merecia. Expoentes da cultura local se uniram para realizar um dos espetá-

A VALSA PROIBIDA

H

A R O L D O

S

E R R A

culos mais importantes da teatrografia cearense. O maestro Orlando Leite ficou responsável pela direção musical e interpretou com muita dignidade o príncipe tenor. Ayla Maria, talento indiscutível viveu Mitz de forma brilhante. O maestro Nelson Eddy regeu a orquestra com Dina Piccinini ao piano e Dalva Stela orientou as vozes e integrou o coral. Hugo Bianchi coreografou e dançou com Tereza Paiva. Um dos pontos altos da montagem foram os cenários e figurinos de Flávio Phebo aplaudidos a cena aberta em todas as apresentações. Haroldo Serra produziu e Hiramisa atuou e cuidou da realização dos figurinos. B. de Paiva foi o responsável pela direção. O empreendimento teve apoio parcial do Prefeito Murilo Borges. 60 dias em cartaz e nas quartas feiras era difícil comprar ingresso para o fim de semana. Todo o custo coberto pela bilheteria.. Uma glória. Em noite de gala representamos para o Presidente cearense Castelo Branco que no final vai a caixa-de-cena ciceroneado por Armando Vasconcelos, para cumprimentar o elenco. Presentes também vários de seus Ministros e os Reitores das Universidades Brasileiras que realizavam congresso em Fortaleza e o Prefeito do Recife que formulou convite para que A Valsa Proibida fosse a Pernambuco. Fomos e também a Maceió onde ganhamos linda crônica do saudoso Teotônio Villela, publicada abaixo na íntegra. A Valsa... ganhou reportagem colorida no “O Cruzeiro”, à época a revista mais importante do país e “Placa de Bronze”, no Theatro José de Alencar. 20 anos depois Haroldo Serra resolveu, com a experiência da primeira montagem, reencenar o espetáculo. O mesmo processo: contatar as pessoas certas, testes de voz, construir cenários, confeccionar figurinos, ensaiar... ensaiar.. ensaiar... Felizmente muita gente da primeira montagem voltou a participar: Flávio Phebo, Hugo Bianchi, Hiramisa, Dalva Stela, Ayla Maria. Muita gente nova embarcou no projeto: Raimundo Arrais, Hiroldo Serra, Thadeu Nobre, Haroldo Júnior. O maestro Mozart Brandão, de volta ao Ceará, regeu a orquestra. Novo sucesso. Dois meses em cartaz. Es-

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

53

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

54

tréia dentro da programação oficial do Estado comemorativa do centenário da abolição no Ceará. Teatro lotado. Presentes, dentre outros, o Governador Gonzaga Mota e D. Mirian Mota, Ernane Barreira, José Macedo e D. Maria Macedo, secretários de estado, Afonso Barroso, filho do autor e que participou da primeira montagem, e Orlando Miranda, diretor do Inacen que convidou a Comédia a participar do 1o Mês da Ópera no Teatro Dulcina numa promoção do Serviço Brasileiro de Ópera, organizado pela atriz Beatriz Veiga. Elenco, cenários e o maestro Mozart Brandão, com o apoio do prefeito César Cals Neto enfrentaram a estrada. No Rio a orquestra e coral da Somusica, com apoio do maestro Ciro Braga, participaram da temporada. No saguão do teatro exposição do primitivista cearense, J. Arraes e uma mostra do nosso artesanato. Estréia lotada com gratas presenças: Rachel de Queiroz, Fagner, Carlos Durval, Norma Geraldy, César de Alencar, Maurício Shermam, Oswaldo Louzada, Paulo Pinheiro, Carlos Miranda, Humberto Braga, Mírian Pérsia, Orlando Miranda, Stanley Whibbe e muita gente boa. Receptividade excelente... Valeu... Em 1990 mais um desafio para a Comédia Cearense: montar em arena uma opereta encenada tradicionalmente em palco italiano. A concepção é outra. Uma maior interação público/ator dando maior dinâmica ao espetáculo e relegando a um segundo plano a cenarização que era predominante nas encenações anteriores. Em relação à música novamente o espaço modifica a concepção da peça. Ao contrário das outras montagens a música não é executada por uma orquestra ao vivo. É criada uma trilha sonora à base de sintetizadores e som eletrônico comandados por um computador. O responsável pela inovação foi Herlon Robson que criou os arranjos, executou e gravou. Deu certo... Mais uma vez o público prestigiou... O texto de A Valsa Proibida foi publicado no n. 10 da revista Comédia Cearense (esgotado). Estréia: 21/04/65 – Theatro José de Alencar

H

A R O L D O

S

E R R A

Segunda Versão Estréia: 25/03/84 - Theatro José de Alencar Com Ayla Maria, Raimundo Arrais, Thadeu Nobre, J. Arraes, César Ferreira, Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Jorge Paulo, Haroldo Serra, Luiz Arrais, Maria Auxiliadora, Rita de Cássia, Hiroldo Serra, Luzia Eveline, Mônica Silveira. Oficiais e Coro: Sandra de Borba, Maria Lucenígia, Jomar Júnior, Jorge Braga, Francisco José, Feijó Benevides, Erasmo Amaral, João Batista Veras, Haroldo Júnior, Ricardo Melo, José Cassiano (Muriçoca), Ozires e Valberto – Corpo de Baile da Academia Hugo Bianchi: Solange Fernandes, Ticiana Almada, Fábia Vieira, Scherezad Leite, Airtes Vasconcelos, Edna Rita, Adriana Pereira, Nádia Vasconcelos, Lina Márcia, Luciana Arrais, Roberto e Angelino Albano – Coral: Ceci, Leontina, Joventina, Apolinário Fernando e Sarto. Cenotécnicos: Antônio Guedes, Antonio Vieira, e Puraquê – Confecção figu-

R E T R O S P E C T I VA

Com Ayla Maria, Orlando Leite, Hiramisa Serra, Afonso Barroso, Haroldo Serra, José Humberto, Edinardo Brasil, Lourdes Martins, Rufino Gomes de Matos, Matos Dourado, Roberto César, Léa Maria, Ninito Cavalcante e F. Mesquita. Corpo de Baile: Tereza Paiva, Hugo Bianchi, Maria Helena Veríssimo, Sônia Mariah, Nilma Carneiro, Marília Barros e Maria de Lourdes. Oficiais e Coro: Zady, Lázaro, Zito Mark, Feijó Benevides, Roberto Araújo, Paulo Afonso, Steferson, Luiz Gonzaga, Miguel Araújo, Joventina, Isaltina, Lourdes e Antonieta. Túlio Ciarlini foi substituto de Orlando Leite. Cenotécnicos: Helder Ramos e Artur Pereira – Luz: Lamartine – Direção Musical: Orlando Leite – Regência da Orquestra: Nelson Eddy – Coreografia: Hugo Bianchi - Assist. de Direção: Afonso Barroso – Cenários e Figurinos: Flávio Phebo – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

4 5

A

55

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

56

rinos masculino: Domenico –Confecção figurinos feminino: Hiramisa Serra, Judite Lúcia e Fátima Albano – Chapéus e Arranjos: Conceição de Alencar – Adereços: Antônio Marechal, Pimentel Ramos e Cláudio Bringel – Lustres: Falanga – Pinturas: J. Arraes – Logotipo: Thadeu Nobre – C. Regra: Trepinha – Regente : Mozart Brandão – Pianista Dina Piccinini – Vocalização: Dalva Stela - Coreografia: Hugo Bianchi. – Cenários e Figurinos: Flávio Phebo – Produção e Direção: Haroldo Serra. Dentro da programação oficial do Estado comemorativa do Centenário da Abolição no Ceará. Publicada na revista Comédia Cearense n. 10 (esgotado). Terceira Versão Estréia: 26/06/90 - Teatro Arena Aldeota Com: Ayla Maria, Raimundo Arrais, Haroldo Serra, Hiramisa Serra, J. Arraes, Manoela Villar Queiroz, Hiroldo Serra, Rogério Medeiros, Guglielmina Saldanha, Euler Muniz, Thadeu Nobre, Mônica Silveira, Muriçoca, Feijó Benevides, Kildary Pinho, Jorge Ritchie, Adriana Pereira, Idolberto Santos, Ticiana Almada, Dayse Abreu, Roxane Alencar, Ana Vládia Lima, Poliana Gonçalves, Vinícius Borges, Ulisses Narciso, Francisco Costa. Cenários e Figurinos a partir dos desenhos originais de Flávio Phebo – Confecção de Figurinos Masculinos: Domenico - Som/Luz: Sandro Camilo, Criação de Arte: Euler Muniz e Antonio Marechal - Coreografia: Hugo Bianchi, Arranjos, Execução e Gravações: Herlon Robson – Participação Especial: Dalva Stela, Teógenes e Luiz Arrais - Cenotécnica: Raimundo e Bila – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra

H

A R O L D O

S

E R R A

“Sempre gostei de operetas. Todavia, é um gênero de teatro que não se explora mais no Brasil. A inflação, que aniquila a vida do país, como era natural, teria que se sentir no setor do teatro. Nenhum empresário hoje, sem ajuda do poder público, se arriscaria a montar opereta. Quando a “Comédia Cearense” anunciou que iria montar a opereta de Paurillo Barroso e Silvano Serra, supus que os seus diretores haviam enlouquecido. Tanto Haroldo Serra como Zé Maria estavam carecendo de repouso em Santo Antônio de Pádua. Finalmente a “Comédia Cearense” concretizou o que prometeu, oferecendo ao público amante de teatro um espetáculo deslumbrante. E as pequenas falhas, que porventura se observam, escapam, escondidas no termo deslumbramento. E a “Comédia Cearense”, embora ajudada, em parte pela Edilidade, merece registro especial pela coragem e arrojo do empreendimento. “A Valsa Proibida” é, pois, um espetáculo belíssimo e que merece ser visto por todo o Ceará. Compensa, por exemplo, uma viagem do Cariri a Fortaleza , para assistir uma encenação que se levará tempo para esquecer. Eu sabia das dificuldades que a “Comédia” vinha enfrentando para preparar o espetáculo que eu assisti no sábado. Sabia, por exemplo, que os cenários seriam majestosos, pois já os tinha visto em “croquis” e na “estiva”. Sabia também que a orquestra, apesar do seu número exagerado (33) não prestava. Faltava regência e retoques de partitura, partitura que primava em desacerto de acordes, que o ex-regente nunca ouviu nem sentiu. E como não costumo meter o bedelho onde não sou solicitado, aguardei, preocupado, porque estavam em jogo o nome do teatro cearense e o grande capital investido. Desse modo, não fui ao teatro com a disposição de espírito de quem vai assistir a um grande espetáculo. Entretanto, a noite de

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

57

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

COMENTÁRIOS À PRIMEIRA VERSÃO

58

sábado, foi para mim uma noitada de surpresas .Uma sucessão de surpresas agradáveis. A primeira delas foi o regente Nelson Eddy. Essa história de Nelson Eddy ser um estreante na regência , não será, porventura, uma dessas mentirinhas de que se serve a publicidade , para valorizar, ainda mais o esforço dos dirigentes da função para contornar a crise eclodida com a atitude do ex-regente? Se Nelson é, realmente, um estreante, estaremos, por sem dúvida em face de um gênio... Vejamos agora qual o comportamento das autoridades do Ceará, em face do fenômeno Nelson Eddy. Será que ficarão em atitude contemplativa, como se estivessem na observação de um bibelô? Domingos Gusmão de Lima – O Povo - 26/04/65 “A opereta de Paurillo Barroso, ora encenada no Teatro José de Alencar, não é apenas um musical, o primeiro, aliás, a ser levado pela Comédia Cearense. Dizer-se da obra de Paurillo Barroso apenas isso, é reduzir demais o seu valor. Tudo que se assiste na Valsa Proibida é algo de belo, agradável, repousante e, mais do que isto, motivo especial de orgulho. A opereta em si não tem falhas. Sim, porque seria vaidade tola e exibicionismo vazio o estar-se buscando erro, lapso, hiato na obra do nosso conterrâneo. Seria um sadismo doentio, inaceitável, principalmente, da parte de quem, pela primeira vez assiste espetáculo dessa natureza. Além do mais, não ha faltas a se apontar. Há sim, boas coisas a salientar. Será que já vimos cenários mais bonitos? Aposto o meu dauphine se alguém me disser que já viu algo, pelo menos semelhante, na categoria da Valsa Proibida. Abrir a boca, esnobar frisando que já viu isto ou aquilo no Rio e em S. Paulo, é tão fútil quanto o virar crítico, quando não se passa de... sapateiro. Porque eu já tenho visto grandes espetáculos por este Brasil, inclusive o grande “My fair lady”, com Bibi Ferreira e Paulo Autran. Mas eu estou deixando muito de lado os cenários de Flávio

H

A R O L D O

S

E R R A

Phebo. Tudo é tão belo que da platéia partem exclamações de contentamento, surpresa, alegria e palmas que coroam a criação do jovem artista. Os diálogos são vivos, movimentados, leves e muitas vezes hilariantes, trazendo sempre o espectador num estado de euforia. Os artistas... bem os artistas são Haroldo Serra, Hiramisa, Afonso Barroso, José Humberto – que não precisam de adjetivos. Os “novatos” impressionam por sua desenvoltura, como Lourdes Martins, Matos Dourado e toda aquela bela equipe de jovens da nossa sociedade. Moças e rapazes se movimentam com desembaraço. E os dois: Ayla e Orlando Leite? Ultrapassam a toda expectativa e independem de sinônimos. Tereza Paiva e Hugo Bianchi – estes são os mestres do ballet deleitando nossas vistas tão pobres de exibição desta categoria. Os músicos? Deus do Céu: souberam encher o José de Alencar com beleza contida na obra de Paurillo. Tudo isto se deve ao diretor, este fenomenal B. de Paiva – talento que tem plasmado a geração nova de artistas conterrâneos e que planta a mais duradoura semente que se pode orgulhar um povo: a cultura artística. Mas é bom parar por aqui – porque a Valsa Proibida não pode ser descrita: ela foi feita para ser vista. E para orgulhar toda cabeçachata que se preza porque é toda ela cearense. E vamos ao teatro.” Adísia Sá – Gazeta de Noticias - 1965 “Dentre as efetivas qualidades de “A Valsa Proibida” de Paurillo Barroso, apreciaríamos de logo destacar o que aqui chamaríamos de senso de proporção crescente dos efeitos artísticos. De maneira mais clara: uma cena parece ser sempre melhor que a outra; os três atos em que se divide a peça ganham proporcionalmente em grandeza: o segundo para o primeiro, o terceiro para o segundo. Esse, por sinal, será, fundamentalmente um mérito da obra literária, sobretudo

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

59

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

60

quando se trata de teatro: o melhor é sempre dado com parcimônia, para enfim alcançar-se o resultado máximo. Será esse ainda um dom exclusivo do autor (o seu senso de proporção ou equilíbrio), ainda que o diretor, especialmente quando se trata de um B. de Paiva, possa enriquece-lo, como de fato, no caso o enriqueceu. A pluralidade de estilo, já em relação às canções e árias, todas elas de grande harmonia e beleza, já em relação ao espaço tangível, pois que Paurillo Barroso funde num todo Ocidente e Oriente, dando-nos o conhecimento e o exótico, é também outro dote do autor que ele pouco pode dividir com outros. Faremos referências ainda à precisão e graça dos diálogos em parte à colaboração de Silvano Serra, ao que estamos informados. Dentro de tudo isso, a segurança da direção, quer nas cenas mais vazias de participantes (apenas Mitz e o Príncipe, por exemplo), quer nas cenas de movimentação de muitas figuras como no caso da festa inicial ou na recepção, quando do casamento dos heróis. Marcação perfeita, gesto oportuno, elegante ou cômico, se é o caso, tudo nos levando a esquecer o palco, a ribalta, para sentir a vida. Canções, árias de suavidade e beleza, particularmente a romanza com que o príncipe, pela primeira vez e em cena solitária, confessa a sua afeição a Mitz. No mesmo nível de beleza emocional a canção do lenço, com que se encerra a cena em que esse amor parece desfeito. Paurillo então se completa como compositor e autor, unidade sem dúvida nem sempre fácil de encontrar. De outra parte, embora destacando como de justiça, o desempenho admirável de Orlando Leite e Ayla Maria, não saberíamos dizer de outras preferências, se todos estão magistralmente equilibrados desde esse fabuloso José Humberto (o coronel frascário) ao capitão Afonso, com passagem pelo general que outro não é, em vida, senão o Dourado do “Romcy Gira a Sorte”, com a sua permanente presença de espírito, valendo aqui a gravidade do seu desempenho. Nem em plano diverso fica o rei caquético, decrépito como sempre imaginamos todos os velhos reis donos de impérios deca-

H

A R O L D O

S

E R R A

“Nunca antes o importante casarão da Praça José de Alencar vibrara tanto. Nunca antes tantas luzes emanaram do seu vetusto palco inundando a platéia, subindo para as galerias e esvaindo-se pelas janelas e portas. Nunca antes o arco-íris derramara tanta beleza fazendo embriagar o público. Parecerá inacreditável, porem, foi um espetáculo cearense, escrito por cearense, montado por um elenco cearense, com cenários, figurinos e iluminação de artista e técnicos cearenses, que conseguiu transformar o Teatro José de Alencar naquele fabuloso palácio de contos de fadas, durante mais de dois meses. Reunindo um elenco dos mais harmoniosos , orquestra de professores, coro de alto nível, , bailarinos, coreógrafos, maquiladores, maquinistas, enfim uma equipe de mais de uma centena de pessoas, a Comédia Cearense, por seus dirigentes Haroldo Serra, B. de Paiva e Serra Filho, conseguiu mostrar ao povo brasileiro o elevado nível atingido pela arte cênica entre nós.

R E T R O S P E C T I VA

dentes, ainda que muito acordado para as coisas de dinheiro. Desempenho a cargo do próprio Serra, o corajoso e já agora vitorioso idealizador da Comédia Cearense. A esse conjunto juntemos a harmonia do grupo de jovens militares que forma o fundo da peça, o corpo de bailarinos, onde Hugo Bianchi e Tereza Paiva são figuras de primeiro plano, sem esquecer o equilíbrio e a graça com que estiveram em cena Hiramisa Serra, Lourdes Martins e Léa Maria. Diríamos que para esta segunda encenação de “A Valsa Proibida” houve um desses momentos raros e felizes, em que foi possível reunir um punhado de artistas autênticos nos seus diversos planos, por que não seria possível esquecer também a atuação da orquestra regida pelo violinista Nelson Eddy, que em tão pouco tempo realizou milagre inesperado. É uma vitória de Paurillo Barroso. É mais uma vitória de B. de Paiva e Haroldo Serra. E particularmente mais um triunfo da Comédia Cearense e do próprio Ceará. Moreira Campos – Unitário – 25/05/65

4 5

A

61

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

62

Foi essa, podemos assegurar, a primeira vez que um espetáculo cearense mereceu as atenções de uma grande revista nacional, sendo honrada com ampla reportagem em cores no semanário “O Cruzeiro”. Vindo a Fortaleza participar das festividades centenárias do Colégio da Imaculada Conceição, o Presidente da Republica, Marechal Castelo Branco, como bom cearense, fez questão de assistir ao mais bem-feito até então levado à cena em nossa terra. E em noite de grande gala, S. Exa., acompanhado de seus ministros, bem como dos reitores de todas as universidades do Brasil, foi recebido com todas as honras no Palácio da Arte de Fortaleza, sendo seus anfitriões os jovens arrojados dirigentes da Comédia Cearense, além do autor da obra, o internacional Paurillo Barroso. Após a representação, o mandatário da Nação fez questão de subir ao palco, afim de cumprimentar pessoalmente, os artistas, técnicos e dirigentes do monumental espetáculo, tendo oportunidade de abraçar Paurillo Barroso pela sua grande vitória alcançada no ano em que comemorava o seu Jubileu de Ouro na música. Motivo de grande atração dessa representação foi a presença de Ayla Maria, artista das mais conhecidas e admiradas pelo público, a qual pela primeira vez pisava um palco de teatro, cantando, dançando e representando, caracterizada como cantora de café-concerto e princesa oriental, respectivamente. Em suma, A Valsa Proibida foi uma apoteose de luzes e cores, sons e movimentos. Uma festa de encantamento, uma afirmação da Arte e da Cultura cearenses, tornada realidade graças a abnegação de elementos como B. de Paiva e Haroldo Serra, que resolveram dotar nossa terra de um movimento sério, fazendo teatro que em nada fica a dever aos conjuntos profissionais do Sul do País. A Valsa Proibida ficou nos anais da História das Artes Cearenses, como uma de suas páginas mais brilhantes, o troféu que o nosso povo deu ao insigne musicista Paurillo Barroso, uma das glórias maiores do mundo artístico de nossa querida província”. Marciano Lopes

H

A R O L D O

S

E R R A

“... Louve-se antes de tudo a versatilidade da temática sutiíissima que presidiu tão insuflado momento criador de Paurillo Barroso. E tudo tão bem ajustado, numa seriação de acontecimentos cênicos tão agradáveis, que o grotesco ali posto e magnificamente posto, na atitude e na expressão do secretário da embaixada americana , tão bem vivido por Edinardo Brasil, não arrepia aquele extraordinário tapete de veludo da dialogação musical desse universal Orlando Leite e dessa descomunalíssima e esperançosa Ayla Maria, que encarnam num triunfo teatral raramente observado as personagens do príncipe e da plebéia tornada princesa da urdidura delicada. Tereza Paiva – gênio do palco – enche de maravilhosa fragrância todos os lances da opereta com a essência esquisita do seu miraculoso poder de interpretação, seja quando apenas contracena numa passagem comum, seja quando dá largas à perfeição rítmica dos seus bailados, que as mais civilizadas platéias têm o que ver e aplaudir. Haroldo Serra, vivendo o Rei gagá, ridículo, com uma caracterização de vestimenta impecável, sabe assumir como um mestre da dramaturgia todos os gestos e inflexões, para que o personagem se realize na dimensão exata que o autor quis revelada para a captação sensorial do auditório. José Humberto em Floflô, a famosa Lourdes Martins em Tanara, Matos Dourado em Gen. Cynão, Afonso Barroso em Vavá, além da atuante presença de Hiramisa Serra, Ninito Cavalcante, Roberto César, Efe Mesquita, Léa Maria, Rufino Gomes de Matos, todos, enfim. que completam tão significativamente o elenco dessa soberba “Valsa Proibida”, dão com suas peregrinas qualidades para a cena, um verdadeiro show de inequívoca afirmação de que o Ceará pode ir onde quiser, ao Rio ou S. Paulo, à cultíssima Bahia ou a civilizada Porto Alegre. E colher muito mais sucesso, receber mais frenéticas palmas, porque de mais grossas avalanches de espectadores, e sobretudo, mais habituados ao esplendor de manifestações dessa ordem.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

63

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

64

Homem feliz esse meu querido e formidável Paurillo Barroso que chega aos 70 anos debaixo de tantos guizos que os ouvidos só ouvem o sol-a-pino da mocidade. Esses 70 anos que ele está comemorando nesta festa em que os deslumbrantes cenários de Flávio Phebo esplendem e vibram na musicalidade maior de tudo quanto é capaz de conceber, nas pautas do colorido infinito do talento de arrojadas fulgurações de B. de Paiva, não são setenta, mas apenas 20, que o carro da glória é essa “Valsa Proibida”, e o carro parou no tempo. E vem lá em cima , espargindo juventudes, o gênio imortal de Paurillo...” Quixadá Felício “... A Valsa Proibida, que é um canto de aleluia, não será, estou certo, o canto do cisne, do compositor aureolado numa vivência histórica de dedicação à cultura artística de sua terra. A flor do seu idealismo, na paisagem dessa realidade memorável, seria nada, se não contasse Paurillo com o apoio, talento e vocação artística desse consórcio admirável que é a Comédia Cearense. Ali se aglutinam os mais autênticos e brilhantes valores da arte cênica no Ceará. Entre os responsáveis por essa primorosa organização, se destacam Haroldo Serra e B. de Paiva, muito embora, e não sei porque, na sinopse histórica que preambula a programação musical, se esconda uma personalidade de requinte intelectual, num truque de magia eufórica, em que se tece a identidade espiritual daquele grupo que persegue o ideal. Diz assim: - eu e B. de Paiva, Haroldo Serra e eu, e um só sonho verdadeiro – a Comédia Cearense. Francamente, nisto vai um delicioso slogan de comediante. A montagem da opereta está a capricho, um primor de cenografia e roupagem, em cenários de admirável concepção e movimento. Flávio Phebo, cenógrafo e figurinista, deu ao Ceará a encantadora realidade de seu sonho e de sua vocação. Na impossibilidade, todavia, de perfilar todos os intérpretes dos personagens configurados na opereta, excelentes e felicíssimos

H

A R O L D O

S

E R R A

numa exibição conjunta, quero destacar as estrelas centrais dessa constelação de artistas diletantes que povoou a ribalta: - Ayla Maria e Orlando Leite. Médio-soprano, Ayla acalanta o dom das modulações variadas e oportunas. É um encanto quando define emoção nos momentos de transposição vocal. A Valsa Proibida deu-lhe oportunidade de se revelar dominadora dos caprichos da cena lírica. Rapidamente conquistou o delírio da platéia ao surgir na cena. Orlando Leite revelou-se um artista completo. Ungido na sinfonia de esplendentes madrigais, Orlando passou de intérprete e criador de melodias corais, ao domínio do “bel canto”, em estilo napolitano, ensaiando grandes vôos para a cena lírica. Orlando e Ayla, Fred e Mitz, conduziram-se com maravilhoso desempenho, estrelando a vitoriosa estréia da Comédia Cearense. A orquestra. Prata de casa, valores excepcionais disciplinados sob a batuta de um jovem e talentoso discípulo de Paganini, pela continuidade da vocação artística: Nelson Eddy. Ele é que, num impulso sereno e confiante, comandou aquela congregação de artistas, nucleados por Dina Piccinini, “fada” e mestra no conluio sinfônico do maravilhoso espetáculo. É mais um orgulho para a cultura artística cearense. Leite Maranhão “O último ato é uma verdadeira apoteose... Parabéns aos jovens artistas da Valsa Proibida... Espetáculo emocionante...” José Cláudio de Oliveira – Tribuna do Ceará - 1965 “Ayla Maria e Orlando Leite vivendo os principais papeis são estrelas de primeira grandeza. Brilharão em qualquer palco brasileiro” Paulo Sampaio de Oliveira - Unitário “ Todas as dependências do Teatro Santa Isabel tomadas, presentes o prefeito Augusto Lucena e várias autoridades municipais e

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

65

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

66

uma representação de sacerdotes que tomam parte no II Encontro Vocacional do Nordeste – estreou ontem , nesta capital, a opereta “A Valsa Proibida “, de Paurillo Barroso. A peça encenada pela Comédia Cearense, recebeu consagradora manifestação de aplausos do enorme público presente, que em todo o transcorrer da encenação, se mostrou admirado pela beleza dos cenários e o desempenho dos artistas. O desempenho de Ayla Maria encantou o público presente ontem no Teatro Santa Isabel. No final do terceiro ato, o público levantou-se e aplaudiu, de pé, por vários minutos, o elenco da Comédia Cearense. Todos os presentes declararam-se satisfeitos e admirados com “A Valsa”. Os integrantes da Comédia Cearense vibraram de emoção com os aplausos, que pela primeira vez, receberam além-fronteiras cearenses. Haroldo Serra e B. de Paiva foram vivamente cumprimentados pelo prefeito do Recife, tendo o Sr. Augusto Lucena afirmado: “voltarei aqui por mais vezes”. Egídio Serpa – Correspondente de O Povo no Recife “Tudo expliquei a Haroldo Serra e B. de Paiva, que nos trazem com a Comédia Cearense, “ A Valsa Proibida”, para o Santa Isabel: tinha eu de publicar, primeiro, a série de crônicas já escritas sobre a Escola de Música da Universidade do Rio Grande do Norte. Só depois – e isso acontece hoje – poderia manifestar-me sobre o espetáculo, que quase heroicamente, trouxeram ao Recife, dando-nos a conhecer o admirável trabalho que vem realizando em seu Estado, já agora transbordando dos seus limites para projetar-se, lisonjeiramente pelo Nordeste. Reencontrei-me com “A Valsa Proibida” e suas lindas melodias, coisa de que está cheia a partitura do meu velho amigo Paurillo Barroso, sobressaindo-se a valsa que dá título à peça, de fácil fixação auditiva. Outros números podia citar, todos de bela invenção melódica, caracteristicamente do seu autor. Destaque especial merecem, não apenas pelo caráter de suas

H

A R O L D O

S

E R R A

“ A presença entre nós do teatro cearense, com A Valsa Proibida, é uma suave mensagem cultural de congraçamento entre as gentes que fazem a arte e aquelas outras que admiram a arte. Considero-me incluído entre as últimas e daqui proclamo a excelência da peça. A opereta atrai mais ainda o meu aplauso pelo fato de ser filha legítima da terra de José de Alencar; nada ali é alienígena. Autores, produtores, cenário, música – tudo traz a marca registrada do talento de um povo que sabe vencer com igual tenacidade as intempéries climáticas e a rotina da mediocridade atenta simplesmente às aflições e fuxicos do prosaísmo social. Essa importância do aproveitamento do valor local em toda sua extensão vale para nós, homens do Norte, uma manchete nova e acalentadora contra as velhas manchetes do subdesenvolvimento e do atraso. E para se agitar a consciência adormecida do país para os imensos problemas dessa região, nada mais sugestivo e atraente do que o lembrete da cultura. E esta, felizmente, continua viva e ativa, a cumprir a sua missão de contribuinte em dia com o tesouro da civilização. Muito embora pouquíssima amparada e sem o estímulo desejado – quase que tida como elemento de pouca confiança junto ao trono dos poderes chamados competentes. Na verdade é bem pos-

R E T R O S P E C T I VA

personagens, Ayla Maria e Orlando Leite, ela, já conhecida de rádio e televisão, ele, músico excelente e voz muito agradável, que aplaudimos ( e coroamos) como regente do Madrigal do Ceará, que aqui participou, há algum tempo, vitoriosamente, de uma competição orfeônica. Outros elementos merecem anotação simpática, entre eles J. Humberto, Hiramisa Serra, Roberto Araújo e Lourdes Martins. Haroldo Serra compôs, com felicidade, um Rei mentecapto e Matos Dourado defendeu bem o General Synão. Aqui fica, com um apertado abraço a Paurillo Barroso, a minha palavra de profunda simpatia pelos que fazem a Comédia Cearense que nos trouxeram esse espetáculo, em que igualmente ressaltam a vistosa montagem e o rico quarda-roupa. Waldemar de Oliveira – Jornal do Comércio – 07/65

4 5

A

67

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

68

sível que dentro em pouco possamos ir à Lua e Marte; mas se não prestigiarmos e consolidarmos o lado puramente espiritual da criatura humana – é bem possível, também, que nessa ânsia incontida em busca de novos mundos, , arrisque-se o nosso mundo velho a cair permanentemente na órbita da brutalização final. Assim como nós temos em medicina doenças provenientes da civilização, temos decerto na cultura geral os mitos da civilização. A ilusão da necessidade atira o homem nas aventuras interplanetárias mais ousadas com precisão científica de estarrecer os mais incrédulos. Entretanto o sociólogo ou o economista não atina com a solução mais elementar para trazer um pequeno roteiro, seguro de subsistência ou de segurança física, a uma comunidade onde vive, convive e estuda. Podemos prever o eclipse do sol com precisão absoluta, não podemos dar uma palavra sobre a utilização humana da bomba atômica se corremos para o Apocalipse ou para a tranqüilidade universal. No meio da inquietação que abala e constrange a humanidade, uma voz de muitos séculos ou melhor do princípio dos séculos se alevanta com a superioridade do seu valor eterno, para chamar os homens ao reduto legítimo de sua essencialidade – a voz da cultura artística. Pois é esta voz que agora estamos ouvindo no Teatro Deodoro, enviada pelo Ceará, graças ao esforço e a desambição de grupo de artistas missionários – desses que não fazem só arte pela arte e muito menos arte por dinheiro, desses que dominam a arte como instrumento sublime de reeducação e fortalecimento da vida espiritual do homem. A peça tem nos seus três atos o poder dos tranqüilizantes medicinais: - deixa a gente leve e livre de opressões de qualquer espécie. E empolga e emociona e cria no espectador condições de se associar à movimentação do palco, não através de repelões violentos mas de sugestões que se infiltram e se fixam na sensibilidade da platéia. A equipe é simplesmente fabulosa; o apuro do trabalho de cada um dá ao conjunto uma ação global harmoniosa, como se tudo funcionasse na vida real; e não há exagero nisso nem utilizo velho chavão do manual de etiqueta para visitas.

H

A R O L D O

S

E R R A

COMENTÁRIOS À SEGUNDA VERSÃO “... Crítica fizeram ontem e repetem hoje, de que a opereta é gênero superado e de que o enredo nada tem a ver conosco. Ingênuo e superficial ponto de vista. Nos mais cultos países, não apenas a opereta como a ópera tem vez independentemente do tema, como é o caso de “Madame Buterfly”, ainda hoje no Teatro de Berlim. Quanto ao enredo, meu Deus, é o amor, as aspirações de liberdade de um povo sufocado por um regime despótico, é a ganância do poder, realidade tão do aqui e do agora.. O êxito da Valsa Proibida, em termos de público e de crítica, vem demonstrar, graças a Deus, que estamos deixando o provincianismo de lado e saímos de casa para aplaudir os de casa”. Adísia Sá – O Povo “Quando escrevo estas linhas a opereta de Paurillo Barroso e Silvano Serra continuava em cartaz no Teatro José de Alencar, cumprindo dois meses de exibições, mensuração de tempo que expressa de modo significativo com que apreço a têm os apreciadores de bons espetáculos. O trabalho é da Comédia Cearense, único conjunto teatral do Ceará que se tem mantido fiel ao culto do teatro, fazendo-o

R E T R O S P E C T I VA

Quem desejar algumas horas de bem estar vá ao teatro. A iniciativa de Valter Oliveira – esse maluco pernambucano que só pensa no que é bom; a responsabilidade de Bráulio Leite que esposou a idéia na igreja do ideal sob o admirável impulso filosófico de que nem só de pão vive o homem; o patrocínio de Luiz Gutemberg que andou fazendo mágicas perigosas para salvar a palavra empenhada – tudo isso, senhores, está salvo e bem pago pela beleza do espetáculo que os artistas amadores do Ceará estão proporcionando ao povo alagoano. De minha parte, quero ser e faço questão de ser apenas um atrevido camelô e berrar aos quatros cantos da cidade: - o Deodoro está aberto. Vamos ao Teatro”. Teotôneo Villela

4 5

A

69

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

70

por mais de vinte e seis anos, alheio a invejosos, a intrigantes de ribalta, gente que sobra nos movimentos artísticos de província, enquanto mingua os de melhor índole e vocação a favor da cultura cearense. Vale a pena dizer ao leitor, antes de qualquer apreciação de que estofo é feito o diretor Haroldo Serra: temperamento ágil, inovador, e sobretudo audacioso, não medindo esforços para materializar os sonhos de artista. E o resultado, quase sempre, é como o que se colhe agora com “A Valsa Proibida”. “A Valsa Proibida”, como opereta, se sobrepõe a qualquer questionamento de fundo social. É peça de entretenimento, leve, graciosa, fadada a ser historicamente o último trabalho desse gênero entre nós, com a inesperada felicidade de ter um libreto da autoria de compositor da estirpe de Paurillo Barroso, e texto, bem delineado, conciso e delicado, escrito por Silvano Serra, nome que merecia mais citações pelos que estudam as peculiaridades de nossa dramaturgia. Como espetáculo, temos que reconhecer, antes de mais nada, a conjunção de outro talentos, que concorrem para o êxito da opereta, a começar do diretor Haroldo Serra que, a cada dia mais aprimora o seu bom senso de “metteur-en-scéne”; de Fávio Phebo, cujos cenários convencem e emocionam, a ponto de arrancar aplausos da platéia. E dele ainda, desse cenarista primoroso, o guarda-roupa irrepreensível, proposta de um grande artista para encher com nobreza, alegria e cor, os melhores momentos do musical de Paurillo e Silvano, fato que ocorre de modo indiscutível, no primeiro ato e segundo quadro do terceiro, ao término do espetáculo. Seríamos injustos não ressaltando aqui outras participações decisivas à afinação da reapresentação da opereta: a condução da orquestra pelo maestro Mozart Brandão( faz milagre com um punhado de músicos bem disciplinados), regente e orquestrador de apreciáveis méritos; Hugo Bianchi, bailarino e coreógrafo de dimensão, que repete a surpresa que colhi dele, quando transpôs para o palco em ritmo de balé, “Os Deserdados”; da professora Dalva Stela

H

A R O L D O

S

E R R A

, competente força de trabalho que não deserta dos compromissos artísticos, a responder pela condução das vozes harmoniosas que reforçam a moldura sonora da exibição. Como observa o leitor, fizemos uma inversão da análise, fugindo à norma tradicional de comentários artísticos, preferindo começar pelos que dirigem. Nem sempre a ficha técnica, como se menciona hoje, é discutida com atenção , ignorando-se que o êxito de uma encenação teatral não pode estar dissociado do talento de todos os seus participantes. Diferindo de qualquer outra atividade artística , o teatro alcança maior sucesso quando todos os seus valores (de concepção, direção e representação) situa-se em igual nível de realização. Feliz sociedade que pode dispor de apreciáveis valores na arte do canto, como o que nas três fases da encenação da opereta, ora comentada, subiram ao palco em Fortaleza, notadamente Orlando Leite e Ayla Maria (na segunda encenação) e agora, novamente, Ayla Maria acompanhada de Raimundo Arrais, uma voz que se impõe, vivendo ambos delicados duetos nos papéis de Mitz e Fred. Solange Fernandes e Angelino Albano, no corpo de baile, cumprem exibição digna, ajustados a trabalho inteligentemente dirigido, e coadjuvados pelas graciosas Sherezad, Airtes, Edinarita, Ticiana, Fábia e Adriana. Muito boas as interpretações do Cel. Floflô (Arnaldo Matos): Theodor (J. Arraes); General Synão (César Ferreira), papel que interpretei quando da primeira apresentação d’ A Valsa Proibida em 1941; Mr. Smith (Thadeu Nobre); Vavá (Luiz Arrais), seguidos por Hiramisa Serra, na figura da ingênua e trêfega Sachia; e nesse enquadramento, Rita de Cássia, Maria Auxiliadora e as damas que, muito bem vestidas, concorrem para a formação de quadro cênico realmente encantador. O espetáculo que vimos transcorreu sem o menor comprometimento técnico ou artístico. Toda a inspiração e criatividade postas em cena funcionaram corretamente com a seriedade da participação dos bons oficiais de primeira e terceira linhas, e dos convidados,

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

71

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

72

bastante ciosos de sua colaboração em cena, envergando trajes de Domênico (masculinos), Judite Lúcia e Fátima Albano (femininas) , dignos de menção especial. Pena que só de raro em raro possa a sociedade fortalezense ver e aplaudir espetáculos como o d’ A Valsa Proibida. Eduardo Campos - Correio do Ceará Agora que terminou a vitoriosa temporada de encenação da primeira opereta de Paurillo Barroso – A Valsa Proibida – cabe-me louvar por dever de justiça o esforço heróico desse extraordinário lutador que é Haroldo Serra. Foram magnificamente superados todos os impasses surgidos para ser garantido o êxito desse espetáculo inesquecível, que deliciou a quantos ficaram deslumbrados com a perfeição desse espetáculo teatral, cantarolando todos a beleza da Valsa Proibida. O maestro Mozart Brandão veio do Rio para renovar o milagre de um acompanhamento orquestral, que mereceu o aplauso consagrador do povo que acorreu ao Teatro José de Alencar. Louvor especial merece a excelente cantora que é Ayla Maria, por haver renovado com notável enriquecimento a apresentação da inesquecível Mitz. Mas a revelação maior que foi proporcionada nessa reencenação corre à conta dos irmãos Arrais, permitindo-me destacar a ímpar atuação de Raimundo Arrais, na interpretação do papel de “Príncipe” que foi anteriormente representado por esse músico de escol que é o maestro Orlando Leite. Os cenários admiráveis de Flávio Phebo, mais uma vez, concorreram muito para o notável êxito da encenação de agora. Cumpre-me também ressaltar a cooperação artística de Hugo Bianchi, a cuja responsabilidade se deve o êxito dos números de bailado. Já louvei e agradeci a Haroldo Serra, através do meu depoimento televisionado, todo o esforço que desenvolveu, para assegurar a plenitude do sucesso alcançado por sua corajosa iniciativa. Parsifal Barroso

H

A R O L D O

S

E R R A

“... A opereta do saudoso Paurillo Barroso terminou sendo aplaudida de pé. Não somente pelo luxo e beleza do figurino, deslumbramento dos cenários de Flávio Phebo, como também pela atuação segura de Ayla Maria além da bela voz de Raimundo Arrais e dos impecáveis Haroldo e Hiramisa Serra. Lindas canções, diálogos interessantes, enredo sem muitas pretensões. “A Valsa Proibida “ é um espetáculo que nos envaidece por ser todo “made in Ceará ”. Regina Marshall - O Povo “... A abertura da opereta é de impacto. Emocionante. Bela. A estória de contos de fada sem mensagens intelectualistas vai-se desenvolvendo em meio a músicas lindíssimas valorizadas pelo talento desse extraordinário Mozart Brandão, que enche o teatro com as melodias de Paurillo Barroso, dirigidas ao coração, tendo a arte de Dalva Stela a tocar todo o nosso ser, com um coral fulgurante. O final do primeiro ato em que Ayla Maria canta a Valsa Proibida, está divino. O grande trunfo do genial diretor Haroldo Serra foi ter assumido o romantismo da peça. O terceiro ato, por exemplo, está um deslumbramento... Os bailados coreografados por Hugo Bianchi estão lindos...” Ezaclir Aragão – O Povo

R E T R O S P E C T I VA

“... Os cenários de Flávio Phebo, que muitos elogios colecionaram, fazem com que o espectador retroceda ao tempo do romantismo... Ayla Maria magistral em sua interpretação somou com os irmãos Raimundo e Luiz Arrais as notas máximas do espetáculo quando extensão, sonoridade e beleza vocal se harmonizam. Hiramisa Serra e Arnaldo Matos catalogam mais aplausos aos muitos que já receberam em apresentações outras. Maestro Mozart Brandão, talento ímpar através do tempo e cada dia consegue ser melhor... e o “maestro” da direção do teatro cearense Haroldo Serra merece aplausos de todos nós e o cearense que não for ao Teatro José de Alencar aplaudir , fica devendo apoio e incentivo aos talentos da terra...”. Edmundo Vitoriano - O POVO

4 5

A

73

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

74

“... Uma opereta com o pessoal de casa é que nos desperta o carinho que vai preencher todas as lacunas. O coração do Armando, a tarimba do Haroldo, da Hiramisa e de todos os Serras, as mágicas do Mozart e da Dalva, as vozes desprendidas de Ayla, Raimundo e seu irmão Luiz, o Feijó representando o bom gosto de um vasto círculo de amizades, o Flávio Phebo, o Hugo Bianchi e, ainda por cima de tudo, uma revista com o retrato do Paurillo e o Afonso Barroso, do elenco anterior e filho do compositor, lembrando toda a força da almas do saudoso compositor...”. Cid Carvalho – Tribuna do Ceará DE PRÓPRIO PUNHO... Teatro Dulcina - Rio “ Este espetáculo que assisti, me trazendo uma saudade imensa do querido Paurillo, me encantou pela realização tão bonita, quase difícil de imaginar com os recursos modestos do nosso Ceará. Verdade que se os recursos são modestos, a gente toda é um luxo. E como são lindas as moças e os rapazes. Comovidamente Rachel de Queiroz “ Fiquei muito emocionado ao assistir pela primeira vez A Valsa Proibida e gostaria de parabenizar todo o elenco, direção e todos que participam deste trabalho que ha muito tempo orgulha muito o nosso Ceará. De coração “. Raimundo Fagner “Um espetáculo verdadeiramente onírico a Valsa Proibida, de Paurillo Barroso. De parabéns Haroldo Serra e toda a sua equipe por esta maravilhosa encenação”. Sheila Maghi – Cantora lírica “ É comovente a bravura deste elenco com tantos talentos significativos desta cultura indomável do Ceará... Bravo. Abraço de um niteroiense”. Maurício Shermam

H

A R O L D O

S

E R R A

“Parabéns Haroldo. É preciso raça e você tem. Foi um privilégio... Paulo Pinheiro - Ator “ Essa Valsa jamais será proibida. Alegra, comove e nos honra de ser brasileiros. Um beijo” Norma Geraldy - Atriz “ Beleza de espetáculo. Um elenco cearense no Rio fazendo o encantamento de quantos os assistem. Ayla Soberba. Parabéns “. César de Alencar - Radialista “Espetáculo digno de qualquer cidade onde a cultura é reconhecida. Obrigado pelas horas de enlevo que me proporcionaram. Oswaldo Louzada - Ator “A emoção que senti nasceu de uma Valsa Proibida. O trabalho da Comédia Cearense engrandeceu a nosso opereta, que voltou a reflorir em nossa alma um pouco adormecida”. Paulo Saavedra – Ator Carta de Afonso Barroso Caro Amigo Haroldo Depois da estréia da “Valsa Proibida” não pude lhe dizer o que achei da remontagem do espetáculo, fazendo-o agora com mais calma, se bem que tomado da mesma emoção.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

75

N O S

D A

“ É um bonito espetáculo. Para mim que trabalhei muitos anos em opereta, foi um momento de gostosa saudade. Parabéns ao Haroldo Serra que armou o espetáculo com tanta harmonia e bom gosto. Parabéns a este esforçado grupo que muita garra nos proporcionou estes momentos tão gostosos sem esquecer o meu “velho amigo” Flávio pelos seus cenários e figurinos”. Carlos Durval - Ator

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

76

H

A R O L D O

O mais lógico seria lhe escrever apenas duas palavras numa paródia a sua fala do dia 26: “Sem voz, sem discurso.” “Sem voz”, pelo esgotamento da árdua tarefa a que você se propôs, “sem discurso”- porque o mais lindo discurso já tinha sido feito nos três atos apresentados. Mais uma vez você nos mostra que a “Comédia” é “Cearense”, com Paurillo ( meu pai), Silvano Serra, você, Hiramisa, Flávio Phebo, Mozart Brandão, Hugo Bianchi, Dalva Stela, Ayla, Arrais, Luis e tantos outros – todos da terra. Só isso já vale muito: o aproveitamento de nossos próprios valores, sem ter que os “importar”, porque sabemos que, muitas vezes, é bem mais fácil busca-los lá fora. Mas você foi muito além disso... Nos deu o deslumbramento dos figurinos e cenários criados por Flávio, superando a ele mesmo quando da montagem de 1965. A pequena orquestra que tira efeitos de uma grande, sob a batuta do Mozart; Os momentos maravilhosos do ballet, criados por Hugo Bianchi; Ayla, já consagrada no papel, nos transmite uma “Mitz” com sua graça, leveza, tessitura de voz feita sob medida para o gênero “opereta”, que dificilmente teríamos outra igual. Magnífica ! ; Os irmãos Arrais (Raimundo e Luis) estrearam como veteranos: vozes seguras e tipos perfeitos nos respectivos papéis; Hiramisa e Arnaldo fazem uma dupla cômica, de uma performance impecável. J. Arraes no “Theodor” e Tadeu no “Mister Smith” estão ótimos; O personagem criado por você (o Rei) está esplêndido; A sua direção segura tem pontos verdadeiramente sublimes, como o fim do 1o ato, em que estamos habituados a vê-lo de uma forma poética e tristonha, passa a ser revolucionária e arrebatadora; A agradável surpresa do número 10 da revista da Comédia, que serve como programa.

S

E R R A

A FARSA DO CANGACEIRO ASTUCIOSO,
de Eduardo Campos Estréia: 08/09/65 – Theatro José de Alencar Com B. de Paiva, Haroldo Serra, Rinauro Moreira, Roberto César, Hiramisa Serra, Lourdes Martins, Túlio Ciarlini, Antônio Mendes, Matos Dourado e Jório Nerthal. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários e Figurinos: Nearco Araújo- Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva. Segunda Versão Dentro das comemorações dos setenta anos do Theatro José de Alencar. Publicada na revista Comédia Cearense, n. 6 (esgotado). Estréia: 17/06/80 – Theatro José de Alencar Com B. de Paiva, Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Francisco Arruda, Nairo Gomez, Lourdinha Martins e Raimundo Lima. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Hiroldo Serra – Cenários e Figurinos: Nearco Araújo – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

77

N O S

D A

C

O M É D I A

É tanta coisa que, como lhe disse no começo da carta, o mais lógico seria lhe escrever apenas duas palavras – porque resumiria tudo: Obrigado, Haroldo. Afonso Barroso

C

E A R E N S E

78

AMOR A OITO MÃOS
de Pedro Bloch Estréia: 12/11/65 - Theatro José de Alencar Com: Jório Nerthal, Dora Barros, José Maria Lima e Lourdes Martins. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenário: Neudson Braga – Assist. de Direção: Roberto César – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

OS TRÊS RATOS CEGOS
( A Ratoeira), de Agatha Christie De tanto divulgar e se envolver com as montagens da Comédia Cearense, o colunista Lúcio Brasileiro terminou por fazer a sua experiência como ator em Os Três Ratos Cegos. Estréia: 20/01/66 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Jório Nerthal, Haroldo Serra, Nadir Papi Saboya, Marister Gentil, B. de Paiva, Ernesto Escudero e participação especial do colunista Lúcio Brasileiro. Cenotécnicos: Célio Facundo e Hélio Brasil – Luz: Lamartine – Figurinos: M. Socorro – Cenário: Liberal de Castro Produção: Haroldo Serra – Direção; B. de Paiva.
E R R A

O CASAMENTO DA PERALDIANA
de Carlos Câmara A Comédia Cearense busca resgatar um dos mais importantes comediógrafos cearenses: Carlos Câmara. Escrita e montada em 1919

H

A R O L D O

S

Estréia: 21/04/66 – Theatro José de Alencar Com: Haroldo Serra, Matos Dourado, Hiramisa Serra, Jório Nerthal, Túlio Ciarlini, Tereza Paiva, Hugo Bianchi, Roberto César, Ayla Maria, Regina Jaborandy, Lourdes Martins, Jomar Farias, Rinauro Moreira, Leda Maria, Ernesto Escudero, Salete Dias, Feijó Benevides, Cláudio Pamplona, Paulo Steferson, Rufino Gomes de Matos, José Cassiano (Muriçoca) e Hélio Brasil. Corpo de Baile: Jacaúna, Fernandes, Luiz Derossy, Lázaro Medeiros, Léa, Lizete, Maria José e Lucy. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Assist. de Direção: Inácio Ratts – Coreografia: Hugo Bianchi – Cenários e Figurinos: Flávio Phebo – Arranjos: Orlando Leite – Orquestração e Regência: Cleóbulo Maia – Produção: Haroldo Serra - Direção: B. de Paiva.

R E T R O S P E C T I VA

pelo Grêmio Dramático Familiar, “O Casamento da Peraldiana”, foi um dos maiores sucessos do teatrinho do Joaquim Távora. Até então as músicas interpretadas nas burletas, eram na sua maioria, paródias de operetas de sucesso. No Casamento da Peraldiana são músicas originais compostas pelo talentoso maestro Silva Novo e por Wagner Donizetti. A redescoberta de Carlos Câmara foi em super produção. Flávio Phebo projetou cenários que reproduziam o tradicional Passeio Público com suas estátuas e fonte com água jorrando e figurinos retratando 1920 com muito brilho e muitas cores. Uma grande orquestra com regência do maestro Cleóbulo Maia, que também foi responsável pela orquestração, valorizou sobremaneira a musicalidade de Silva Novo. Haroldo Serra interpretou a viúva Peraldiana Pimenta mantendo a tradição da personagem ser vivida por homem. Estréia lotada com a presença do Gov. Virgílio Távora. Foram dois meses de sucesso. (publicada na revista Comédia Cearense n. 3 ( esgotado)

4 5

A

79

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

80

PROCURA-SE UMA ROSA
de Pedro Bloch e Gláucio Gil Colaboraram nesse espetáculo os artistas plásticos Sérgio Lima e Nearco. Estréia: 22/09/66 – Theatro José de Alencar Com Gonzaga Vasconcelos, João Falcão, Haroldo Serra, Hiramisa Serra e José Humberto. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenários: Sérgio Lima e Nearco – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

O FAZEDOR DE MILAGRES
de Eduardo Campos Estréia: 21/04 67 – Theatro José de Alencar Com Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Marcus Miranda, Karla Peixoto, Aldenir de Castro, Antônio Mendes, Juarez Silveira, Geraldo Oliveira e Francisco Falcão. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Cenário: Arialdo Pinho – Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

E R R A

ARMADILHA PARA UM HOMEM SÓ
de Robert Thomas – Tradução: Luís de Lima Montagem extremamente bem cuidada. Além dos figurinos e cenários de Flávio Phebo, a divulgação (cartaz, programa e convite da estréia) foi uma criação do nosso cartunista maior: Mino.

H

A R O L D O

S

Com Aderbal Freire Filho, Hiramisa Serra, Almir Pedreira, João Falcão, Haroldo Serra, Lourdinha Falcão e Pedro Américo. Cenotécnico: Helder Ramos - Luz: Lamartine – Som: Hélio Brasil – Efeitos Especiais: Prof. Waldemar Garcia – Decoração: Luiz Antonio – Adereços: Jacaúna – Penteados: Elza Maciel – Administração: Afonso Jucá – Confecções do figurino: Glamour – Arte: Mino - Cenário e Figurinos: Flávio Phebo – Iluminação e Direção: Haroldo Serra. UM POLICIAL NA CIDADE Policial - gênero difícil para qualquer autor, mormente quando se trata de obra para o teatro, que exige elaboração especial da trama, a colocação do “suspense” na devida ocasião e, o que é mais complicado, saber dar o desfecho, depois de conseguir a indispensável dose de tensão. Inteligentemente e perspicaz, Robert Thomas, soube construir uma trama, que desde os primeiros minutos, mantém o público em constante sobressalto. Na verdade, o desenrolar dos acontecimentos são uma autêntica descarga nos nervos dos assistentes. Obra de grande mestre na especialidade. Mostrando mais uma vez a sua força, a vitoriosa Comédia Cearense conseguiu arrebanhar um elenco de categoria para levar a cena o trabalho de Robert Thomas. Aderbal Junior, bonita figura cênica, sai-se a contento no desempenho do marido envolto na trama ( a armadilha); Haroldo Serra, num papel curto mas de grande efeito, marca bem sua presença em cena, encarnando o original “vagabundo”; João Falcão, vivendo o padre, figura misteriosa e cheia de intriga, chega a impressionar; o mesmo poderíamos dizer de Lourdinha, na pele da astuciosa enfermeira. Hiramisa, vestida por Flávio Phebo e maquilada por Neto, é a grande presença. Seu personagem precisa ser bem sentido pelo público para que se possa aqui-

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

81

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

Estréia: 20/08/68 – Theatro José de Alencar

82

H

A R O L D O

latar o alto desempenho da atriz. Finalmente, Almir Pedreira, a querida figura do Rádio, com efêmeras passagens pelo palco, surpreende na pele do comissário de polícia: frio, metódico, analisando cada detalhe, juntando os fatos. Peca pela falta de uma melhor dicção, porém é rico de nuanças de voz, de gestos, de expressões. Uma acertada escolha. A cenografia de Flávio Phebo é um dos pontos de relevo do espetáculo. Em dois planos, fixo, cem por cento funcional, é este, sem favor, o melhor cenário que já se fez no Ceará, merecendo sua execução os melhores encômios. Trabalho de fôlego do Mestre Helder Ramos, verdadeiro artista na sua especialidade, que vem de superar-se a si próprio. Iluminação da melhor qualidade, bem dosada e funcionando com precisão, sem atropelos, sem falhas. Demais efeitos cênicos a cargo do Professor Waldemar Garcia, o grande mestre do Teatro Cearense. Haroldo Serra surpreende os aficcionados do teatro e revela-se Diretor. Diretor com letra graúda, nivelando-se aos bons, ciente e consciente do real papel de um diretor. Sem rebuscados, sem os nervosismos que caracterizam os diretores, com simplicidade e muita vontade de acertar. Haroldo apresenta-nos um espetáculo bonito, agradável homogêneo, cada peça da engrenagem funcionando no devido lugar, dentro da bitola. Inteligente e cuidadoso desde a escolha do texto, o mais novo mestre da “mis-en-scene” cearense pode receber, sem inibição, os louros pelo seu merecido sucesso. “Armadilha Para Um Homem Só”, é um espetáculo que deve ser visto por todos, pois se trata de uma bem urdida história policial, com todos os ingredientes que o público aprecia. Com excelente direção, desempenho de nível elevado, cenário de alta categoria. Alertamos os apreciadores do gênero: não percam esta rara oportunidade de assistir a um espetáculo tão bom! Mas, rogamos: não revele o desfecho nem mesmo para seu amigo mais íntimo. Mesmo que ele insista! Marciano Lopes

S

E R R A

de Gastão Tojeiro – Adaptação: Haroldo Serra Texto escrito em 1919 por Gastão Tojeiro. A peça era o “cavalo de batalha” do grande Leopoldo Froes. Nas suas andanças, remédio para temporada fraca era o “Simpático Jeremias”. Isso motivou Haroldo Serra. Transformando o texto em espetáculo corrido, mantendo o charme das melindrosas da época e assumindo a comédia escrachada, a peça teve excelente receptividade em Fortaleza e numa mostra de teatro amador no Recife. O espetáculo ganhou muito com os figurinos de Flávio Phebo e o cenário do arquiteto Neudson Braga. A reação da crítica e principalmente do público encorajou o grupo a participar, pela primeira vez de um festival nacional. Superando as dificuldades costumeiras e conhecidas, o elenco conseguiu chegar. Era o II Festival Nacional de Teatro Amador de S. José do Rio Preto – SP, organizado pela professora Dinorah do Vale e Humberto Sinibaldi. Grupos de Santos, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul participavam do Festival. A Comédia Cearense era o único representante do Nordeste. Foi uma experiência ímpar para o grupo. A preocupação maior da Comédia Cearense era realizar uma encenação correta. Foi surpreendente a receptividade do público, da crítica e dos componentes dos outros grupos. Surpresa maior no entanto, foi o resultado do Festival. A Comédia trouxe para o Ceará o troféu “Arlequim“ de “Melhor Espetáculo” e mais os prêmios de “Melhor Diretor” e “Melhor Ator” (Haroldo Serra); “Melhor Figurino” (Flávio Phebo); “Melhor Sonoplastia” (Helio Brasil); “Melhor Ator Coadjuvante” (Walden Luiz); “Menção Honrosa de Atriz” (Jacy Fontenele ); “Menção Honrosa de Atriz Coadjuvante” (Regina Távora); “Menção Honrosa de Ator Coadjuvante” (Paulo Silveira). Este resultado foi importante, não só para o grupo, mas também para a auto-estima do nordestino. O grupo foi recepcionado pelo Gov. César Cals no Palácio da Abolição e ganhou Placa de Bronze no Theatro José de Alencar, por iniciativa do Jornal “O Povo”. Posteriormente o espetáculo fez

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

83

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

O SIMPÁTICO JEREMIAS

84

temporadas em Teresina (Theatro 4 de Setembro), São Luiz (Teatro Artur Azevedo) e Manaus (Teatro Amazonas). Em 1988, foi reencenada no Teatro Arena Aldeota. Estréia: 20/04/69 – Theatro José de Alencar Com: Antonieta Noronha, Haroldo Serra, Walden Luiz, Hiramisa Serra, Karla Peixoto, Jesus Serra Silveira, Edinardo Brasil, Marcelo Costa, João Falcão, Lourdinha Falcão e Marcus Jussier. Contra-Regra: Muriçoca – Cenotécnica e Luz: Hélio Brasil – Assist. de Direçào: Marcus Jussier - Cenário: Neudson Braga – Figurinos: Flávio Phebo – Coreografia: Hugo Bianchi – Produção e Direção: Haroldo Serra. S. José do Rio Preto – 15/07/70 – Teatro da Basílica Com: Haroldo Serra, Lourdinha Falcão, Hiramisa Serra, Regina Távora, Jacy Fontenele, Walden Luiz, Marcelo Costa, Paulo Silveira e Luiz Antônio. Cenário: Neudson Braga: Figurinos: Flávio Phebo – Som e Luz: Hélio Brasil - Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Segunda Versão Estréia: 27/10/89 - Teatro Arena Aldeota Com: Antonieta Noronha, Haroldo Serra, Poliana Moraes, Guglielmina Cavalcante, Euler Muniz, Rogério Medeiros, Márcia Paiva, Kildary Pinho, Hiroldo Serra e J. Arraes. Cenotécnico: Catita – Luz: Fábio Melo – Som: Sandro Melo – Maquiagem: Gurgel do Amaral - Piano: Dina Piccinini – Figurinos: Hiramisa Serra e M. Socorro – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

H

A R O L D O

S

E R R A

Fenômeno de Comunicação “... A gostosíssima comédia de Gatão Tojeiro, sob a espetacular direção de Haroldo Serra, se constituiu em verdadeiro fenômeno de comunicação, arrancando uma seqüência interminável de gargalhadas do numeroso público presente. O elenco surpreendeu a todos que não esperavam tanto do grupo do Nordeste”. A Notícia - 19/07/70 “... O auditório estava completamente lotado por um público cheio de curiosidade. Uma expectativa justificada, já que o grupo vinha de tão longe e portanto inevitável uma concepção teatral bastante diversa; um espetáculo que nos mostraria os rumos seguidos pelo amadorismo num Estado tão distante do nosso. Quando a peça se iniciou, todas as falsas motivações caíram por terra: o “ pitoresco” de um grupo que viajou tantos quilômetros até chegar aqui, a simpática modéstia dos componentes, a curiosidade em torno de teatro teoricamente inferiorizado, isso desapareceu imediatamente, quando o público foi envolvido por uma autêntica atmosfera teatral, recebendo o impacto de uma encenação bastante comunicativa”. A Notícia - 30/07/70

R E T R O S P E C T I VA

“... Pelo o que nos foi dado a observar durante a realização do I Festival de Teatro do Nordeste, a melhor performance do certame foi dada pela Comédia Cearense, sob a direção de Haroldo Serra, com a roupagem nova que deu ao carcomido texto de Gastão Tojeiro. A concepção cênica dada pelo “metteur-en-scène” não é original, todavia correspondeu à expectativa, seguindo a linha imposta por Hermilo Borba Filho, a outro texto também de Gastão Tojeiro, “Onde Canta o Sabiá”, montada no Recife pelo Teatro de Amadores de Pernambuco... ... A direção apresentou apreciáveis marcas, concorrendo para que o velho texto, com uma adequada roupagem, pudesse ser aceito com agrado geral”. Adeth Leite – Diário de Pernambuco – 05/ 08/69

4 5

A

85

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

86

“... No contexto do festival, o grupo do Ceará foi o mais original. “Atacou” com o “Simpático Jeremias” de Gastão Tojeiro, com a maior tranqüilidade desse mundo. A principal vantagem do grupo foi a de ter em cada ponta um bom ator. O diretor e ator Haroldo Serra usou de todos os “truques” convencionais e alcançou logo de início a adesão total do público que, nos momentos de música, batia palmas acompanhando o ritmo. Além disso eles fazem a já famosa “cafonália” com a facilidade de dar inveja (muitos dos nossos diretores profissionais adorariam o espetáculo). Para se ter uma idéia, basta se dizer que quando um ator entra em cena, seu nome real é iluminado em pisca-pisca num dos cantos do cenário. Eles nos trouxeram, sei lá se criticando ou não, uma espécie de “Broadway Cearense”, com muitas luzes piscando, passos de dança, plásticos estampados com florzinhas, etc. ”O Simpático...” foi um espetáculo sem pretensões, mas agradável, sincero e da maior honestidade artística.” Armando Sérgio – Palco + Platéia – n. 5

O TERRIVEL CAPITÃO DO MATO
de Martins Pena Integrando o “Plano Anual de Divulgação Artística”, promovido pela Secretaria de Cultura e Comédia Cearense, no Theatro José de Alencar, com apoio do jornal “O Povo “, direcionado para alunos de escolas públicas com teatro, música e ballet.
E R R A

Estréia: 14/05/73 – Theatro José de Alencar Com: Lourdinha Falcão, Marcelo Costa, Marcus Fernandes, Hiramisa Serra, Carlos Karrah, Odenísio Holanda, Marcus Miranda e Haroldo Jr. Cenotécnico: Helder Ramos - Luz e Som: Hélio Brasil – Fi-

H

A R O L D O

S

ALVORADA
de Carlos Câmara Novamente Carlos Câmara. Agora com seu texto mais popular: Alvorada. Montada para a inauguração do Teatro Móvel, em noite de muita chuva com a presença do Gov. César Cals. Uma iniciativa da Comédia Cearense com apoio do Governo do Estado, Inacen e jornal “O Povo”. De 1974 a 1976 a peça integrou o Projeto Mobral Cultural em dezenas de municípios cearenses. (Outras informações no capítulo “Comunicações“). Foi também encenada no Teatro do IBEU. Com o apoio do Secretário de Cultura Paulo Linhares e da FUNARTE, Alvorada teve nova montagem que marcou os 40 anos de fundação da Comédia Cearense. No processo de encenação o espetáculo contou com a assessoria do diretor José Renato, do maestro Murilo Alvarenga e do cenógrafo Renato Scripilliti. Por ocasião da estréia, a Comédia homenageou com o troféu “Tripé” (Autor/ Ator/Público), alguns de seus muitos colaboradores: Professora Maria Lúcia Lima de Carvalho Rocha (Colégio Christus); Orlando Miranda (pelo seu apoio quando diretor do SNT ); Eduardo Campos e B. de Paiva. Por proposição da vereadora Luizianne Lins,(PT), Haroldo Serra recebeu do presidente da Câmara Municipal, vereador Acilon Gonçalves o título de “Cidadão de Fortaleza”, em solenidade realizada antes do espetáculo e prestigiada por, entre outros, Fábio Brasil, Dr. José Lima de Carvalho Rocha e sua esposa Valéria Brasil Rocha (apoio permanente ao grupo). Alvorada foi publicada na revista Comédia Cearense n. 8 (esgotado). Estréia: 10/06/74 – Teatro Móvel

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

87

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

gurinos: Hiramisa Serra – Cenário, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

88

Com: Marcus Miranda, Hiramisa Serra, Ricardo Guilherme, Carlos Karrah, Walden Luiz, Beth Cardoso, Arlindo Araújo, Antonieta Noronha, Odenísio Holanda, Erotilde Honório e Roberto Celso. Luz: Haroldo Jr. – Figurinos: Walden Luiz Consultor Musical: Clóvis Matias – Pianista: Luiz Assunção –Ambientação e Direção: Haroldo Serra – Apoio: Secretaria de Cultura e Inacen. Segunda Versão Estréia: 09/08/97 – Teatro Arena Aldeota Com: Itauana Ciribelli, Walden Luiz, Odair Prado, Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Eveline Soares Vieira, depois Silvana Sales, Alex Allan, Hiroldo Serra, Irish Salvador, Poliana Morais e Marcos Araújo. Cenotécnico: Catita – Luz e Som: Haroldo Neto – Figurinos: Hiramisa Serra – Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo – Música: Maestro Silva Novo e Wagner Donizeti – Assessoria: José Renato; Murilo Alvarenga e Renato Scripilliti – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. 40 ANOS DE COMÉDIA A burleta “Alvorada”, de Carlos Câmara, foi a peça escolhida pela tradicional Comédia para comemorar os seus 40 anos. Com elenco de onze atores e ficha técnica onde se lêem na sua maioria a força da família Serra, a festa de comemoração contou com presença da afetividade de alguns amigos da classe teatral e convidados especiais, que aplaudiram a terceira peça de Carlos Câmara montada pelo grupo. Com o apoio do Ministério da Cultura, Secut –Governo do Estado, Haroldo Serra realizou esse espetáculo bem ao gosto de seu público, com assessoria artística do famoso diretor carioca José Renato, à época, presidente da Sbat.

H

A R O L D O

S

E R R A

Idealizado por Haroldo Serra, montado letrinha por letrinha por seu filho Haroldo Júnior, o Toféu “Tripé” fez a abertura da noite comemorativa, comandada por B. de Paiva, surgido por entre as filas do Arena, surpreendendo com a postura de um prólogo, tão usado nos primórdios do teatro, a exemplo da Comédia Dell’Arte. Como num passe de mágica, abriu-se a cortina e eis que a família Serra, em traje de gala, aparece para os aplausos da platéia. Os distinguidos para receberem o “Troféu Tripé” foram aqueles historicamente ligados ao grupo. Maria Lúcia de Carvalho Rocha por permitir a continuidade do Projeto Teatro Permanente, cedendo o Teatro Arena; Eduardo Campos, por ter contribuído (através de seus textos) para a projeção da Comédia Cearense, e Orlando Miranda, cearense honorário, que muito fez pela Comédia e pelo teatro brasileiro, em suas várias gestões na direção do Inacen/ Fundacen. Quando nos referimos à Comédia Cearense, dizendo tratar-se de um dos grupos mais antigos do Brasil, não estamos apelando para o exagero. Estamos, na verdade, divulgando o mérito de permanecer em cartaz tanto tempo, formando novos atores e novas platéias através de seus projetos e ações e na preocupação de querer acertar sempre. Parabéns aos que fazem a Comédia Cearense e, particularmente, ao Haroldo e Hiramisa, que batalham cotidianamente pela permanência da família em cena. Fernanda Quinderé – O Povo – 12/08/97

A GUERRA DO BENZE-CACETE
de Nertan Macêdo, adaptação de Haroldo Serra Mais uma experiência teatral do escritor Nertan Macedo, escrita especialmente para o Plano de Divulgação Artística, promovido pela Comédia, jornal O Povo e Sec. de Cultura. Posteriormente foi montada com o mesmo elenco no Teatro Móvel. O texto foi publicado na revista Comédia Cearense, n 5 (esgotado).

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

89

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

90

Estréia: 2705/74 – Theatro José de Alencar Com: Marcus Miranda Arlindo Araújo, Haroldo Serra, Ricardo Guilherme, Hiramisa Serra, Odenísio Holanda, Walden Luiz, Mauro Portela, Carlos Karrah, Cláudio Madruga e Edinardo Barros. Participação do Grupo de Tradições Cearenses, dirigido por Elzenir Colares – Luz e Som: Haroldo Jr. – Figurinos: Hiramisa Serra -Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A VIGILIA DA NOITE ETERNA
de B. de Paiva Apresentada durante os meses de novembro e dezembro de l974 em várias cidades do interior e no Projeto Cultural do Mobral. Posteriormente encenada na Casa Amarela e Teatro Universitário com os alunos do Curso de Informação e Prática Teatral ministrado por Haroldo Serra com Promoção do SNT. Publicada em separata da revista Comédia Cearense número 2 (esgotado). Com Ricardo Guilherme, Marcus Miranda, Hiramisa Serra, Walden Luiz, Erotilde Honório, Odenísio Holanda, Arlindo Araújo e Antonieta Noronha. Luz e Som: Haroldo Jr.- Figurinos: Hiramisa Serra – Música: Quinteto Agreste – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.
E R R A

de José de Alencar – adaptação de Haroldo Serra Essa peça é sem dúvida a mais importante na dramaturgia de José de Alencar. No processo de encenação foi sentida a necessidade de uma adaptação que procurou eliminar as redundâncias tão co-

O DEMÔNIO FAMILIAR

H

A R O L D O

S

Estréia: 01/03/75 - Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Nadir Papi Saboya, Hiramisa Serra, Ricardo Guilherme, Erotilde Honório, Laerte Bedê, Haroldo Serra e Maurício Estevão. Corpo de Baile: Mônica Xavier, Jovita Farias, Goreti Quintela, Marcus Jussier, D. Martins e Gil Sodré. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Haroldo Jr. – Música: Alberto Nepomuceno – Pianista: Nízia Diogo – Direção Musical: Dalva Stela – Cenários e Figurinos: Flávio Phebo - Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

adaptação de Haroldo Serra de um conto do escritor José Alcides Pinto. Montada com alunos do Curso de Informação e Prática Teatral, ministrado por Haroldo Serra. A peça participou do Festival de Campina Grande.

EQUINÓCIO

R E T R O S P E C T I VA

muns aos dramaturgos da época. Foi incluído ballet e música de outro cearense, Alberto Nepomuceno, quase tão ilustre quanto o patrono do nosso teatro. Música, teatro e ballet juntos transformaram o texto declamado num espetáculo de rara beleza. A peça em três atos ganhou dinâmica na encenação corrida, sem intervalos. Os cenários de Flávio Phebo ganharam aplausos nos momentos em que “escravos à Debret” promoviam mutações cênicas com cena aberta. O espetáculo dirigido por Haroldo Serra contou com participações importantes como as de Dalva Stela (orientação musical), Hugo Bianchi (coreografia) e Nízia Diogo (piano). Encenada no dia do aniversário de José de Alencar na reabertura do teatro após a restauração de 1974. Posteriormente reinaugurou, o Teatro São João, em Sobral.

4 5

A

91

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

92

Estréia: 28/02/77 - Theatro José de Alencar Com: Francisco Marques, Edneuma Melo, Afrânio Marques, Eliene Vieira, Maria Ronilda, Francisco Darcísio, Joaquim Stone, Carminha Serra Azul, Josefa Amilda, Rosa Nogueira, Eloina Marques, Francisco Célio, Francisco Perez, Mário Bahia, Benedito Portela, Dárcio e Dagoberto. Caracterização: Deugiolino Lucas – Luz e Som: Haroldo Jr.Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A CAÇA E CAÇADOR
de Francisco Pereira da Silva Convidado pelo economista Raimundo Padilha, Haroldo Serra projetou um teatro de arena para compor o Espaço Cultural da Crédimus, na Aldeota. O texto escolhido para a primeira experiência da Comédia Cearense, em arena foi “A Caça e o Caçador”, de Francisco Pereira da Silva, um dos mais importantes dramaturgos brasileiros. O primeiro ato da peça é inspirado no conto “A faca e o Rio“, de Odílio Costa Filho, que esteve presente à estréia. A encenação marca a primeira participação do bonequeiro Pedro Boca Rica no teatro. Posteriormente uma nova versão foi produzida para inaugurar as novas instalações do Teatro Móvel. Presentes o Prefeito Lúcio Alcântara, Reitor Paulo Elpídio, Liberal de Castro, Orlando Miranda, Demócrito e Vânia Dummar, Aldomar Conrado e os críticos José Anderson, do DN, Eliézer Rodrigues, de O Povo e Yan Michalski do Jornal do Brasil. Platéia lotada. Agora, em 2002, nos quarenta e cinco anos da Comédia Cearense, voltamos a encena-la. Sendo um dos mais importantes textos da literatura teatral brasileira, usado como texto-tema por vários professores de cursos de teatro, elogiada por todos os diretores que conhecemos, continua entretanto, praticamente inédita fora do Ceará. Assim, a Comédia

H

A R O L D O

S

E R R A

Estréia: 29/10/77 - Inauguração do Teatro de Arena da Crédimus Com: Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão, Antonieta Noronha, Walden Luiz, Arlindo Araújo, Eliene Vieira, Rejane Lima Verde, Paulo Alencar, Joaquim Stone, Deugiolino Lucas e Maurício Estevão. Luz: Haroldo Jr. – Som: Hiroldo Serra – Contra-Regra: Deugiolino Lucas – Ambientação e Direção: Haroldo Serra. Segunda Versão Estréia: 20/11/79 - Reinauguração do Teatro Móvel Com: Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão, Antonieta Noronha, Walden Luiz, Nairo Gómez, Paulo Alencar, Zulene Martins, Ricardo Guilherme, Deugiolino Lucas, Beth Araújo e B. de Paiva. Luz: Haroldo Jr -. Som: Hiroldo Serra – Bonecos: Pedro BocaRica e Fran Menezes – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

R E T R O S P E C T I VA

Cearense toma a si a responsabilidade de procurar resgatar esse excelente texto do Nordestino/Piauiense/Universal: Francisco Pereira da Silva, “Chico”, para os que privaram da sua amizade. Na noite da estréia a Comédia Cearense outorgou o “Troféu Tripé” a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do grupo: Dr. José Lima de Carvalho Rocha, Diretor do Colégio Christus; Prof. Barros Pinho, Presidente da Funcet; Stanley Whibbe, Coordenador de Teatro da Secretaria da Música e Artes Cênicas da Funarte e Dr. Francisco Jereissati, Diretor do Pão de Açúcar. Paranifaram os agraciados, Armando Vasconcelos; Eliézer Rodrigues; José Anderson e Artur Bruno. Mário Barbosa, Edilmar Norões, Fco. Ribeiro, José Augusto Lopes e Sônia Pinheiro deram importante apoio na divulgação do evento.

4 5

A

93

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

94

Terceira Versão Estréia: 04/06/02 – Teatro Arena Aldeota Com: Hiroldo Serra, Itauana Ciribelli, Poliana Moraes, Silvana Sales, Ana Cristina Viana, Lucio Leonn, Odair Prado, Paulo César Cândido, Haroldo Serra, Paulo Roque, Jorge Ritche e Aline Pereira. Figurinos: Hiramisa Serra –Bonecos: Hiramisa Serra, Augusto Bonequeiro, Carri Costa e Pedro Boca Rica – Luz e Som: Gustavo Portela – Direção de Arte e Fotos: Haroldo JúniorAmbientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. COMENTÁRIOS: “Para a reinauguração do Teatro Móvel, a Comédia Cearense estava preparando Calu, do clássico cearense Carlos Câmara. A doença de um dos intérpretes principais obrigou o grupo a adiar este lançamento e a substitui-lo por uma remontagem de “A Caça e Caçador”, de Francisco Pereira da Silva. Premiada num dos concursos do SNT há muitos anos, é incompreensível que esta bela peça, que mostra uma realidade nordestina algo diferente do que estamos acostumados a ver em cena, e se presta a experiências de direção bastante ricas, não tenha até hoje encontrado quem quisesse ou conseguisse produzi-la no Rio. A encenação de Haroldo Serra mostra que a Comédia Cearense chegou a cristalizar um estilo de interpretação farsesca inconfundivelmente seu, do qual tivemos uma amostra em Rosa do Lagamar apresentada no último Mambembão, mas que em A Caça e Caçador alcança um rendimento bem mais nítido e convincente. E o fato de tratar-se de um elenco que trabalha junto ha muito tempo pode ser concretamente sentido, de maneira agradável, em cada momento do espetáculo. Yan Michalski – Jornal do Brasil – 26/11/79

H

A R O L D O

S

E R R A

“Pesa muito numa encenação teatral o nível do elenco encarregado de levar até o público o proposto pelo autor, e esquematizado pela direção do espetáculo. Novamente montada, a peça “A Caça e o Caçador”, de Francisco Pereira da Silva, ganha desta feita um dimensionamento mais eloqüente quanto a sua feitura cênica, na representação da Comédia Cearense. A farsa social do autor, solidifica-se uma linha de estilística de representação própria da Comédia, com a direção de Haroldo Serra sequenciando o tom regional, estacionado, na “Rosa do Lagamar”, de Eduardo Campos, quando a troupe empunhava técnica de amostragem dos caracteres do personagem, sedimentada num teatro lúdico e prazerosamente enraizados em concepções repassadas para uma linguagem teatral telúrica. E essa retomada de sintonia está ocorrendo, na remontagem da “Caça”, atualmente em cartaz no Teatro Móvel, com a exibição de um espetáculo, que se não foi reestruturado na sua forma primeira, partiu para uma aceleração de ritmo interpretativo com um elenco que se apresenta muito melhor de que na temporada anterior. Sem falar dos dois protagonistas Haroldo e Hiramisa Serra, a direção apóia-se na experiência interpretativa de B. de Paiva, na primorosa atuação de Antonieta Noronha, no “rush” interpretativo de Ricardo Guilherme, a sempre comedida atuação de Walden Luiz, com grau de extensão permitido por Lourdinha Falcão, Nairo Gomez, Zulene Martins, Paulo Alencar, Deugiolino Lucas e Beth Araújo. O texto em si já permite um caminho para um amplo entendimento e deduções por parte do público pela sua incrível semelhança com o Nordeste povoado pelo arbítrio do coronelismo, pelo mandos e desmandos latifundiários, pela descrença dos mais, quanto ao papel da justiça. E mais ainda o texto, agora peça teatral emerge para uma atualidade, no ato final, exatamente no julgamento do todo poderoso, o sertanejo Raimundo Moça (Haroldo Serra), numa feliz

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

95

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

Novamente em Sintonia

96

antecipação dos tempos da justiça brasileira da era Doca Street. O clima de inanição do júri, formado por bonecos de pano, o machismo tropical que ainda perdura, a corrupção transformando criminosos em heróis nacionais aprofunda a farsa em realidade que ainda fazem parte do contexto social. Para transpor o concedido pela criação do autor, a direção do espetáculo aplica sugestões cênicas as mais variadas, tomando, como ponto de partida logo na chegada de Raimundo Moça com argumentação servida com o apoio de teatro de mamulengos. O mesmo apelo é vibrante quando do contraponto dos bonecos com o assassinato de Maria (Hiramisa Serra) mulher de Raimundo Moça, num bonito dueto visual carregado de emoções. A atual temporada da “Caça” contemporiza valores da Comédia Cearense, pelas marcações cênicas inerentes do grupo, como se estivessem reassumindo postos para o fato intemporal de uma arte teatral visceralmente, e antes de tudo, motivado pelo ambiente que nos circundam. Eliézer Rodrigues – O Povo – 28/11/79 COMENTÁRIOS Á TERCEIRA VERSÃO Farsa, desejo e simulacro Como Martins Pena esboçou o retrato do país em várias de suas peças, o piauiense Francisco Pereira da Silva, um dos mais importantes dramaturgos contemporâneos , lançou mão da farsa para retratar também um país cheio de mazelas e contrastes, com o poder econômico sobrepondo-se aos outros poderes – o Executivo, Legislativo e Judiciário. Esquecido no Brasil – talvez por ser piauiense – Pereira da Silva tem suas peças montadas em países da Europa. Entre as mais conhecidas estão “A Caça e o Caçador”, “O Vaso Suspirado” e “Chapéu de Sebo”. Para se ter uma medida da importância de Francisco Pereira da Silva – não citado por Sábato Magaldi em seu cânone

H

A R O L D O

S

E R R A

“Panorama do Teatro Brasileiro”, Pereira da Silva teve sua peça “Chapéu de Sebo” incluída numa antologia traduzida para o alemão em que figuram cinco autores do moderno teatro brasileiro. Sua peça foi encenada na Alemanha, Finlândia e Tchecoslováquia. A Comédia Cearense para marcar os seus 45 anos de atividades ininterruptas resgatou uma das peças mais representativas do teatro de Francisco Pereira da Silva – “A Caça e o Caçador”. Um texto dos mais comunicativos, de fácil percepção pela platéia, mas com alguns obstáculos para a sua montagem. Dificuldades transpostas com sucesso pela mão de um hábil diretor de teatro: Haroldo Serra. Um homem que, nos seus 50 anos de cena, vive sob o signo do teatro e, como poucos, conhece seus meandros, às vezes concretos, objetivos; mas outras vezes subjetivos, fechados. Códigos só abertos e lidos por quem, por tantos anos, desvenda os mistérios de uma arte das mais difíceis da humanidade. “A Caça e o Caçador” passa-se em vários planos. Planos não temporais, nem dialéticos com personagens investidas de grande carga psicológica, problematizadas com a sua relação com o mundo. Mas a geografia da peça de Francisco Pereira é complicada. Ora a ação passa-se na beira de um rio de um povoado do interior nordestino; ora numa feira com toda a sua algaravia. A ação é transposta depois para gabinetes, tribunais e casas de políticos corruptos. Em outro momento, o conflito estabelece-se numa prolongada viagem de balsa por caudaloso rio, onde os dois protagonistas Raimundo Moça (Hiroldo Serra) e Maria (Itauana Ciribelli cumprem seus destinos. A seqüência de acontecimentos de “A Caça e o Caçador” envolve muitos personagens, lugares diferentes, complexas viagens, enfim, diferentes cenários. Haroldo Serra utilizou-se de recursos simples, retirados do teatro popular, para resolver todos os problemas cênicos postos pelo texto de Francisco Pereira da Silva. Utilizou abertamente o teatro de bonecos, nosso tão rico mamulengo, para representar feiras populares, portos e até o júri que julgou Raimundo Moça pelo assassinato de Maria. Uniu atores e bonecos dando um ritmo alegre e

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

97

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

98

fantástico à farsa, esboçando um retrato carnavalizado de um povoado largado no interior do Nordeste brasileiro com um insinuante jogo de luzes. Raimundo Moça chega à sua cidade natal depois de um longo tempo trabalhando nos seringais do Amazonas, lugar onde enricou e comprou fazendas. Voltou para a mulher e, logicamente, com o objetivo de constituir uma rede de novos negócios no povoado. No entanto, Maria, sem notícias de Raimundo, entregou-se a outro homens, enchendo-se de filhos. Raimundo, logo ao chegar, descobre a traição da mulher. Apesar de rico, ele vira motivo de chacota da população ribeirinha, só lhe restando, no contexto patriarcal brasileiro, uma saída: matar Maria e lavar a sua honra. Para isso, conta com o beneplácito dos poderosos do povoado. Existe aí um recorte dos mais interessantes entre o comportamento das duas estâncias: o povo e a minoria dominante. Para a comunidade mais pobre, Raimundo com todo o seu dinheiro, tem a sua honra de homem enxovalhada. Para os poderosos, o interesse recai não na honra, nem na moral tão cara aos ribeirinhos; nem tampouco no assassinato de Maria por Raimundo. Mas sim no poder econômico simbolizado pelo protagonista. Um deles chega a entregar sua mulher para o influente Raimundo Moça servir-se dela sexualmente em troca de favores econômicos. Como num grande banquete antropofágico unindo sexo, dinheiro e religião, o protagonista é ungido, no final do espetáculo, pelas classes dominantes com vestes litúrgicas, símbolo do seu poder terreno. Fica assim, patente a relação entre o profano e o sagrado. Somente uma pessoa, uma outra mulher, tenta socorrer Maria de seu infortúnio : Rosa (Ana Cristina Viana). Amante do governador (Lucio Leonn), Rosa tenta através do sexo salvar Maria do seu destino trágico. O que não consegue diante da manipulação do poder econômico exercido por Raimundo Moça. Ele compra juízes, governadores e políticos. A questão do sexo é colocada pelo autor em dois pólos: Maria será assassinada pelo marido por tê-lo traído – problematizando a questão da posse sexual – e Rosa exerce um tênue poder sobre o

H

A R O L D O

S

E R R A

TEMPOS NEM SEMPRE MODERNOS Os tempos passam e o Brasil continua o mesmo. Corrupção, pobreza, desmandos administrativos, impunidade, violência e outras mazelas sempre atormentaram principalmente a maioria da população. Se por um lado, a ação dos governantes é impotente para deter catástrofes sociais, os meios de comunicação (a televisão por excelência) de alguma forma maquiam e até camuflam causas dos problemas. O teatro segue a sua trilha. Fiel, quando a linguagem cênica é requisitada para retratar transformações e deformações em grupos sociais, o santuário do palco continua altaneiro. A peça A Caça e o Caçador, encenada nas comemorações dos 45 anos da Comédia Cearense, ratifica a intemporalidade que faz do teatro o espelho da vida. O texto do piauiense Francisco Pereira da Silva, mesmo tendo sido escrito há quarenta anos, apresenta situações e personagens verossímeis aos viventes da conjuntura neoliberal em terras tropicais deste o início de século. A prepotência do ex-exportador de bor-

R E T R O S P E C T I VA

governador também por questões sexuais. O capitalismo, afinal, exige o controle dos corpos e desejos. A montagem da Comédia é alegre. O ritmo da farsa está presente na composição dos personagens, figurinos, cenários, guardando uma sutil ponte entre a comédia e o drama. A bela música medieval pontua toda ação. Numa balsa, no meio do rio, com um punhal de prata (uma bela figura de Garcia Lorca ou Jorge Luís Borges), Raimundo mata Maria. Mata por amor e ódio, orgulho e paixão. Por ser rico é absolvido. Maria paga por seu ato falho (a paixão) com a morte. O dinheiro protege Raimundo, juizes e políticos corruptos. Eles estão livres. É a lógica, a razão, do nosso mundo barroco. Como quer Calderon de la Barca – “A vida é sonho” ou “ A vida é uma comédia”. Ou ainda como escreveu Francisco de Quevedo: “a vida é desengano”. José Anderson Sandes - 21/06/02 – Diário do Nordeste

4 5

A

99

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

100 racha, Raimundo Moça, voltando, rico, ao interior nordestino onde

nasceu e viveu parte da vida, provoca um escorchante contraponto. A força econômica corrompe e devasta poderes constitucionais. A cara podre do Brasil de hoje. Motivado por um machismo crônico, Moça humilha e mata sua mulher, Maria, diante de vozes que, enquanto se calam, o perdoam, e o exaltam, entorpecidas por um punhado de dinheiro. O elenco da Comédia Cearense cumpre direitinho o dever de casa ensinado pelo mestre Haroldo Serra. Texto bem ensaiado, posicionamentos adequados no palco, cortes de falas concatenados, acrescidos do cuidadoso figurino criado por Hiramisa Serra. Enquanto que na condução dos personagens, o casal de atores protagonistas, Hiroldo Serra e Itauana Ciribelli, parece chegar ao limite interpretativo. Hiroldo cumpre a missão, numa performance convincente, conduzindo Raimundo Moça. Enquanto que Ciribelli cuida bem de Maria, todavia, poderia adicionar mais carga emocional harmonizada com o destino da infeliz mulher. Ana Cristina Viana tem uma interpretação condizente com a prostituta Rosa. Já Lúcio Leonn é exuberante, rouba a cena na pele do caricato governador mulherengo e corrupto. A direção, iluminação e ambientação do espetáculo ratificam o talento deste premiado ( duas vezes melhor diretor no Festival Nacional de Teatro em São José do Rio Preto) e incansável guerreiro do teatro cearense: Haroldo Serra. A sincronia que ele cria numa encenação sobre o palco/arena (no caso da Caça) é para consagrá-lo, em definitivo, nestes seus 50 anos de ribalta. As cenas da balsa, artifícios complicados inventados pelo autor, devem levar diretores teatrais à loucura (no cinema, por exemplo, seria uma delícia). Haroldo resolve o problema usando iluminação verticalizada, compondo com movimentos corporais cadenciados do atores, sugestionando uma viagem, valorizando os diálogos ocorridos dentro dela. A inclusão do teatro de fantoches e de bonecos enriquece o contexto em que acontece a trama, provocando uma empatia com o clima regional. Solução cenográfica que faz elo para a cena final,

H

A R O L D O

S

E R R A

Estréia: 15/12/77 – Theatro José de Alencar Com: Helena Macêdo, Edneuma Melo, Hiramisa Serra, Maria José Bráz, Carla Facundes, Ana Maria Macêdo, Dayse Greiser, Walderez Vitoriano e Isabel Bráz. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Haroldo Jr - Som: Hiroldo Serra – Móveis: Holanda Arte – Penteados: Nellie Cabeleireiro - Cenário e Figurinos: Flávio Phebo – Produção, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

de Eduard Fay e Michel Kamin, tradução de Mário da Silva. Montado especialmente para a inauguração do Teatro do Cen101 tro de Convenções e integrando as comemorações do Cinqüentenário do jornal “O Povo”. Ganhou o prêmio SNT de “Melhor Espetáculo do Ano” de 1978, no Ceará.

RASHOMON

R E T R O S P E C T I VA

Outra grande produção da Com édia Cearense com cenário e figurinos de Flavio Phebo. Montada com a participação de várias senhoras de nossa sociedade com renda em benefício de obras sociais. Também foi encenada no Teatro São João , em Sobral, com o apoio do Serviço de Promoção Social do Estado do Ceará.

4 5

A

de Robert Thomas, tradução de Luiz de Lima

N O S

OITO MULHERES

D A

C

O M É D I A

esta carregada de misticismo e religiosidade popular no canto do bendito “O Senhor é nosso Rei”. Crença nascida da fé do povo. Só que na Caça e o Caçador, apenas os ricos e corruptos ganham o paraíso. Os tempos não mudaram. Eliézer Rodrigues é jornalista e editor da Revista Singular

C

E A R E N S E

102

Estréia: 24/02/78 – Inauguração do Teatro do Centro de Convenções. Com: Fernanda Quinderé, Haroldo Serra, Nadir Papi Sabóya, Hiramisa Serra,Tereza Paiva, Ricardo Guilherme, B. de Paiva e Arlindo Araújo. Cenotécnico: Helder Ramos – Iluminação: José Luiz – Luz: Maneco Quinderé e Haroldo Jr. – Som: Hiroldo Serra - Contra-Regra: Deugiolino Lucas – Cenário: Sérgio Lima e B. de Paiva – Figurinos: Pernambuco de Oliveira – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

O CAPETA DE CARUARÚ
de Aldomar Conrado Resultado do Curso de Informação e Prática Teatral, ministrado por Haroldo Serra no Teatro Móvel. Foi encenada no III Ciclo de Estudos de Literatura de Cordel, promovido pela Coordenação de Extensão do Centro de Humanidades da UFC. Vários participantes do curso foram aproveitados no elenco da Comédia Cearense. Patrocínio do Serviço Brasileiro de Teatro – Mec. Estréia: 1981 - Teatro Móvel Com: Tânia Dourado, Eglacine Monteiro, Mariza, Cáudia Leocádio, Lucídia Fonteles, Francisca Barbosa, Valter Marques, Jorge Paulo, Adriano Lúcio, Sergio de Franco, Joaquim Paulo, Auxiliadora Lima, Jaqueline Caprone e Haroldo Halanda. Participação especial: Hiramisa Serra, J. Arraes, Zulene Martins e Francisco Arruda. Música: César Barreto e Haroldo Holanda – Luz e Som: Hiroldo Serra – Gravações: Mauro Coutinho – Adereços: Antonio Marechal e J. Arraes – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

H

A R O L D O

S

E R R A

de Eduardo Campos

Nova incursão ao teatro de Carlos Câmara. Com o apoio do SNT e Sec. de Cultura do Estado, a Comédia Cearense promoveu temporada no Rio e S. Paulo em comemoração ao centenário de nascimento de Carlos Câmara. No Rio, uma turma de alunos do “Tablado” escolheu Carlos Câmara para tema de trabalho de fim do ano e em São Paulo, foi tema de discussão na Escola de Arte Dramática. Numa promoção da Prefeitura Municipal de Fortaleza, a peça integrou com grande sucesso, o projeto “Caminhão da Cultura”, em dezenas de bairros da cidade.O teatrólogo Márcio de Sousa, veio a Fortaleza prestigiar o projeto. Encenada também na solenidade de mudança do nome do Teatro da Emcetur para Teatro Carlos Câmara. Publicada na revista “Comédia Cearense n. 8” (esgotado). Estréia: 30/11/80 – Teatro Móvel

Com: Arnaldo Matos, Antonieta Noronha, Nairo Gómez, Francisco Arruda, Deugiolino Lucas, Lourdinha Falcão, Zulene Martins, B. 103 de Paiva, Walden Luiz, Cláudia, Sônia, Regina Queiroz, J. Arraes, Haroldo Serra e Trepinha. Luz: Haroldo Jr. – Som: Hiroldo Serra – Figurinos: Sandoval –

R E T R O S P E C T I VA

de Carlos Câmara

4 5

CALU

A

N O S

D A

Com: B. de Paiva, Haroldo Serra e Paulo Alencar.

C

O M É D I A

Leitura dramática realizada, no Theatro José de Alencar, em comemoração aos 40 anos de atividades teatrais do autor, em 1979.

C

E A R E N S E

O ANDARILHO

104 Adereços: Hiramisa Serra – Música: Silva Novo, Luiz Assunção e
Francisco Arruda – Instrumentistas: Zémaria e José Arteiro – Slides: Nirez – Ambientação: Descartes – Direção: Haroldo Serra. COMENTÁRIOS “Já muito conhecido entre nós, o grupo da Comédia Cearense está se apresentando no Teatro Experimental Eugênio Kusnet com mais um espetáculo de seu repertório. Falamos de “Calu”, uma burleta escrita em 1920 e de autoria de Carlos Câmara. O espetáculo foi montado em comemoração ao centenário de nascimento do autor. Fez muito sucesso em Fortaleza e no Rio de Janeiro recebeu consagração total, por sinal a cidade que mais burletas apresentou no passado, graças a Arthur Azevedo, o criador do gênero que veio do Maranhão e foi morar no Rio no início do século. O texto é de inegável qualidade. Em todas as cenas o hilarísmo que faz parte desse gênero de espetáculo, aqui aparece mais bem encaixado do que nunca. Quer como contexto global, como sugestão ao público e como rendimento final, graças a mão firme de Haroldo Serra, também um excelente ator. Hilton Viana – Diário Popular – 27/09/81 “Com a encenação de “Calu”, de Carlos Câmara, a Comédia Cearense completa a tríade auspiciosa deste ano, celebrada juntamente com as encenações de “A Caça e o Caçador”, de Francisco Pereira da Silva, e da comédia musical infantil “Zartan, o Rei das Selvas”, de Ilclemar Nunes. Brilhantismo que transparece com mais vivas pinceladas, justamente em “Calu”, por intermédio de um elenco, coeso e alegre, comandado por Antonieta Noronha e Arnaldo Matos, os atores principais. A Fortaleza dos anos vinte é reavivada nas suas cores de província, dos bondinhos, da paisagem humanística da Praça do Ferreira, por intermédio do ativista do circuito artístico da época, o autor dessa comédia de costumes, que atualmente está em cartaz no

H

A R O L D O

S

E R R A

Teatro Móvel. O cunho passadista se equipara na encenação pela satisfação do diretor Haroldo Serra, colocando em cena toda uma carga de informações visuais, configurações e ilustrações equivalentes à época, acresce o potencial informático próprio do período. O texto inegavelmente é o melhor trabalho de Carlos Câmara. Eliezer Rodrigues – O Povo – 06/12/79 “Com a encenação da burleta de Carlos Câmara, Calu, no Teatro Móvel, a Comédia Cearense dá mais uma vez uma valiosa contribuição ao movimento teatral da cidade. De há muito identificado com as vertentes de um teatro compromissado com a nossa realidade, o diretor Haroldo Serra atesta a sua capacidade de aviventar com soluções do código circense o aludido espetáculo, que se nos apresenta com rendimento proveitoso para a proposta cênica. Ele recria a atmosfera brejeira do Ceará da década de vinte, trazendo até a nova geração a presença de Carlos Câmara, como cronista teatral de nossa terra e nossa gente. Constatamos, no entanto, que nas entrelinhas de Calu aflora, aqui e ali, o conflito entre a cidade (Fortaleza) e o sertão (Quixará – hoje Farias Brito) que o autor, através do jocoso, soube tão bem refletir. É um espetáculo que, sem sombra de dúvida, pode ser considerado o melhor do ano. Euzélio Oliveira – O Povo

MINHA NORA INGLESA
de Walderez Vitoriano Estréia: 04/09/81 – Palácio da Abolição Experiência teatral da escritora Walderez Vitoriano. O espetáculo foi montado com renda revertida em benefício da escolinha da

105

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

106 ACF. Sua estréia ocorreu nos Jardins do Palácio da Abolição. Tendo
em vista a excelente receptividade do público, a peça foi montada posteriormente com sucesso no Teatro José de Alencar e Teatro Carlos Câmara.

Com: Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Maria José Bráz, Hiroldo Serra, Ana Paula, Ana Maria Macêdo, Vera Tigre, Walderez Vitoriano e Edna de Oliveira. Luz: Neto – Som: Mauro Coutinho – Figurinos: Victor Moreira – Cenário, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

OS FUZIS DA SENHORA CARRAR
de Bertolt Brecht – tradução: Antônio Bulhões Encenada no Teatro José de Alencar nas comemorações dos trinta anos da morte de Brecht. Apoio do Centro de Cultura Germânica, Inacen, Minc e Sec de Cultura. Foi também apresentada no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno em mostra promovida pela Federação de Teatro Amador – Festa. “Os Fuzis da Senhora Carrar”, marcou a experiência cenográfica do excelente artista plástico Roberto Galvão. Em 1988 nova montagem para a inauguração do Teatro Arena Aldeota, espaço construído pelo Colégio Christus em convênio com a Comédia Cearense. Para prestigiar a inauguração do Arena esteve presente Antônio Carlos Gerber, representando Carlos Miranda, diretor da Fundação Nacional de Artes Cênicas. O novo espaço foi entregue à comunidade em brilhante fala do Dr. Roberto de Carvalho Rocha, patriarca da instituição Christus. Estréia: 09/10/86 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Nadir Papi Saboya, Haroldo Serra, Raimundo Arrais, Daíse de Castro, Valter Marques, Hiroldo

H

A R O L D O

S

E R R A

Estréia: 18/06/88 – Inauguração do Teatro Arena Aldeota Com: Hiamisa Serra, Glyce Sales, Haroldo Serra, Arnaldo Matos, Tânia Dourado, Hiroldo Serra, Ary Sherlock, Rogério Medeiros, Massilon, Sérgio Alexandre, Marinina Gruska, Eugênia Siebra, Seny Furtado, Pádua e José Domingos. Cenotécnico: Bira e Catita – Luz e Som: Hiroldo Serra – Assist. de Direção: Rogério Medeiros – Adereços: Walden Luiz e Nirez –Figurinos: Hiramisa Serra – Cenário: Roberto Galvão – Produção Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

“É comum: quem aniversaria, recebe presentes. Aqui no Ceará a regra não foi cumprida. A Comédia Cearense, para comemorar a sua fundação, nos deu um belo presente: “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Bertolt Brecht. Quem teve o prazer especial de assistir a sua exibição comprovou a qualidade dos artistas, o alto senso profissional de seus quadros, a competência da figura maior do teatro cearense: Haroldo Serra. Um casal vocacionado, Hiramisa e Haroldo, com grandes vitórias na sua vida profissional, e com um belo futuro, ainda, a palmilhar, em benefício do teatro no Ceará. A peça em si – “Os Fuzis da Senhora Carrar”, encontrou in- 107 térpretes à altura do acontecimento, a partir da Velha Senhora, Nadir Papi de Sabóia, prima-dona do teatro cearense. Hiramisa, como in-

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

Segunda Versão

D A

Serra, Clovis Matias, Luiz Simões, Ivan Lima, Nilda Magno, Seny Furtado, Raimunda Coelho e Pádua Alencar. Voz: Nonato Albuquerque – Cenotécnico: Evandro dos Santos e Antônio Guedes – Luz: Sérvulo Brasil – Som: Hiroldo Serra – Gravação: Luiz Carlos – Adereços: Antônio Marechal e Nirez – Cenário: Roberto Galvão - Produção e Direção: Haroldo Serra.

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

108 térprete do personagem título, saiu-se com um desempenho de pri-

meira qualidade, repetindo êxitos anteriores. Os demais participantes não destoaram a performance de Haroldo, Hiramisa e Nadir – pequena passagem, mas presença forte no palco. Sou muito exigente em termos de teatro e posso afirmar: valeu a pena sair de casa e aplaudir os nossos artistas. E formular um voto especial à Comédia Cearense: não seja melhor do que é. Seria exagero. Adísia Sá – O Povo – 15/10/86

H

“A inauguração do Teatro Arena Aldeota, no último fim de semana, significou, antes de tudo, a criação de um espaço digno para a montagem de espetáculos que podem prescindir do palco convencional. De propriedade do Colégio Christus, que o construiu, a gente sente, desde a bilheteria, que ali teve a orientação técnica de quem entende do metier. Haroldo Serra, cuja Comédia Cearense é a usuária do referido espaço, nos fins de semana, foi o autor da obra que vem preencher uma grande lacuna em nossa cidade, melhor dizendo, veio dar dignidade às apresentações teatrais em Fortaleza. Simples e sem rebuscados tão comuns às casas do gênero, o Arena Aldeota, é o melhor teatro na espécie que conheci. Espaçoso e funcional, tem refrigeração perfeita, cadeiras confortáveis, sistema de iluminação e som dentro da mais moderna técnica e, o que é mais importante a uma casa de espetáculos, acústica irrepreensível. Com vários espaços livres entre os lances de cadeiras , as montagens podem ser feitas, permitindo aos atores, maior liberdade de marcações, além de grandes efeitos de plasticidade em montagens sofisticadas que venham a exigir o uso indiscriminado da platéia, juntando-a ao espaço cênico convencional e formando um todo numa integração palco-platéia ou atores-público. A peça de estréia – “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Brecht – foi sem dúvida, escolha das mais felizes, pois embora seja uma obra de forte envergadura em sua temática de cunho político, é de fácil montagem e Haroldo, que faz a direção, foi felicíssimo na seleção de atores que compôs o seu elenco.

A R O L D O

S

E R R A

Hiramisa Serra, está segura e tranqüila, dominando a cena, com sua tarimba de palco e experiência de centenas de interpretações de Rosa do Lagamar, papel que lhe outorgou vários prêmios e garantia para interpretar fortes papéis dramáticos. Nesta montagem, Hiramisa confirma sua maturidade de notável intérprete, seja numa personagem de Eduardo Campos como numa figura clássica de Brecht. Haroldo, que reservou para si, o papel do operário, está tão à vontade no seu personagem que fica difícil separar os dois. Tânia Dourado, um dos valores da atual geração de artistas dos nossos palcos, precisaria de uma Senhora Carrar, para demonstrar todo o seu talento. Glyce Sales, como sempre, irrepreensível, faz a contento a senhora Perez. Glyce é dessas intérpretes que a gente tem prazer em rever. Não sei se foi esta a primeira vez que Ary Sherlock foi dirigido por Haroldo Serra, porém o que o público vê é um Ary diferente, mais solto e bem mais à vontade dentro do seu personagem, o Padre. Hiroldo Serra é plenamente razoável, da mesma maneira que os demais atores que fazem os pescadores e as mulheres, compondo um conjunto harmonioso. Mas, é Arnaldo Matos, quem impressiona por uma interpretação perfeita de José. Trabalho difícil, pois fica permanentemente em cena. É perfeito até quando faz contraponto, sentado sem falar, enquanto outros atores dialogam em plano principal. Acredito ser este o melhor momento na carreira de Arnaldo, que reafirma ser o melhor ator cearense da atualidade. Quanto à obra de Brecht, é eterna. Escrita na década de trinta, quando um tirano assumiu a Espanha, é tão presente e tão moderna que a gente conclui serem os tiranos, males de todos os tempos e de todos os lugares. Inteligente o cenário de Roberto Galvão. Marciano Lopes - Diário do Nordeste – 27/06/88 “A Comédia Cearense, o mais antigo grupo cênico em atividade no teatro cearense, reassume a sua postura histórica e dá sinais

109

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

110 de que produzir teatro, no Ceará, ainda é possível, mesmo atraves-

sando turbulências econômicas nessa crise ingovernável. A Comédia Cearense inaugura com a peça “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Bertolt Brecht, o Teatro Arena Aldeota, uma belíssima casa de espetáculos , aparelhada com requintes técnicos de primeira linha. Um primor de teatro. Precursora na produção teatral cearense, a Comédia, dirigida pelo incansável Haroldo Serra, volta a ocupar o seu devido lugar na animação cultural da cidade. Apoiada na estrutura econômica do Colégio Christus, proprietário do Teatro Arena, a Comédia idealizou aquela casa de espetáculos dentro dos padrões mais modernos da tecnologia a serviço das artes cênicas. É um exemplo significativo, partindo da iniciativa privada, nessa caatinga desértica, onde a expressão teatral cearense padece de inanição ante a omissão e incompetência dos órgãos públicos. Quanto ao espetáculo, o texto revela o lado político do engajamento circunstancial do autor alemão. Na família de pescadores, comandada pela Sra. Carrar, viúva de um opositor do regime franquista, durante a guerra civil, na Espanha, o teatro brechtiniano empunha bandeira em defesa dos oprimidos, sufocados pela violência praticada na ditadura de Franco, que fulminou tantas vítimas. O texto, por ser circunstancial e documentário de um período negro na história de um povo, meio século depois de escrito e encenado hoje, num Brasil a caminho da democracia, para nós, ecoa apenas como uma revisão didática da obra de Brecht. Na carpintaria interpretativa da peça , a trupe, formada na maioria por atores detentores de currículos respeitados, o teatro cearense, absorve aquilo consagrado na obra dramatúrgica de Brecht, conhecido como distanciamento. Isto é, o mecanismo teatral, onde sentimentos e idéias dos indivíduos são secundários diante das ações que eles podem provocar num contexto histórico/social. Nesse processo peculiar à obra do autor, nem todos os atores cumprem à risca os princípios teóricos da linha arquitetada por ele. Embora imbuídos do referencial brechtiniano, Arnaldo Matos (José) e Ary Sherlock

H

A R O L D O

S

E R R A

(Padre) esforçam-se para conter emoções e uma possível interiorização dos personagens. Enquanto Hiramisa (Sra. Carrar) e Haroldo Serra (Operário) formam um duo afinado, compenetrado na transposição do teatro épico do autor. Os demais integrantes do elenco não destoam no contexto geral. Fica para a direção da peça (Haroldo Serra) a função mais complicada na proposta do grupo. Por ser uma das obras que foge a dialética de Brecht, e que resvala no ilusionismo, característica teatral susceptível a exercícios de efeitos, “Os Fuzis da Senhora Carrar”, permite o uso de recursos no teatro convencional. Ora, como conjugar o raro artifício ilusionista de Brecht numa sala construída para a realização do teatro aberto, como é o Arena? As soluções aplicadas por Haroldo, em grande parte, resolvem situações de adaptação ao teatro de arena. Em outras, como o abrir e fechar janela, através do uso da mímica, quebram o natural da ambientação. Em contrapartida a estrutura técnica, cenotécnica, iluminação, adereços e cenários sustentam com competência a aplicação do trabalho. Eliézer Rodrigues – O Povo – 22/10/88

A MENTE CAPTA
de Mauro Rasi Grande sucesso da Comédia Cearense. Montada em duas temporadas (89/90). “A Mente Capta” teve excelente receptividade por parte do público e da crítica. Nos destaques do Grupo Balaio, de 1990 , a peça foi distinguida como “Espetáculo”; “Direção”(Haroldo Serra);”Atriz Protagonista” (Hiramisa Serra); “Atriz Coadjuvante” (Eugênia Siebra ); “Ator Coadjuvante”(Rogério Medeiros) e “Revelação” (Poliana Moraes e Guglielmina Saldanha). Estréia: 14/04/89 – Teatro Arena Aldeota

111

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

112 Com: Hiramisa Serra, Poliana Moraes, Euler Muniz, Eugênia

Siebra, Ary Sherlock, Guglielmina Saldanha, Marinina Gruska, Glyce Sales, Kildary Pinho, Augusto Alencar, Rogério Medeiros, Sérgio Alexandre, José Domingos, Haroldo Serra e J. Arraes. Cenotécnicos: Raimundo, Bila e Catita – Figurinos: Hiramisa Serra – Cartaz: Hemetério – Luz : Hiroldo Serra – Som: Sandro Melo – Adereços: J. Arraes - Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra Segunda Versão Estréia: 04/01/90 – Teatro Arena Aldeota Com: Hiramisa Serra, Poliana Moraes, Hiroldo Serra, Manoela Villar Queiroz, Veimires Lavor, Silvana Salles, Ary Sherlock, Guglielmina Saldanha, Roberto Reial, Irish Salvador, Rogério Medeiros e Lúcio Leonn. Cenotécnicos: Catita e Bila – Luz e Som: Haroldo Neto – Figurinos: Hiramisa Serra – Cartaz: Hemetério - Ambientação e Direção: Haroldo Serra. COMENTÁRIOS “Nos últimos anos da conturbada década de sessenta, a portuguesa Ruth Escobar revolucionou o teatro brasileiro, com as sensacionais montagens de Cemitério de Automóveis, de Arrabal e O Balcão, de Jean Jenet. Foram verdadeiras extravagâncias teatrais, que chamaram as atenções para a capital paulista, pelo inusitado da coisa: simplesmente, Ruth, fugindo ao convencional de criar cenários para as suas produções, praticamente destruía teatros, para adapta-los às exigências de suas montagens. Realmente uma revolução que mexeu com os meios teatrais do país. Cerca de vinte anos depois desses desvarios de La Escobar, aqui

H

A R O L D O

S

E R R A

em Fortaleza, o veterano ator-diretor Haroldo Serra, causa nova revolução, por sinal, bem mais interessante: ele constrói atores e atrizes para os seus espetáculos. Surpreendente. Ele começou, com as peças infantis, deu certo e logo adotou o mesmo sistema para as produções dramáticas e para as comédias, como esta que está em cena no Teatro Arena Aldeota, A Mente Capta, de Mauro Rasi, paulista, detentor do “Molière” (1988) para autores. É muito simples o procedimento de Haroldo Serra. Ele ministra pequenos cursos de teatro a rapazes e moças com talento comprovado e que o procuram, com desejos de ingressar no mundo do teatro. O que Haroldo faz, é tão somente, despertar os valores adormecidos desses jovens. E ensina os rudimentos da maquina teatral, condicionando cada um ao papel que irá interpretar na peça programada. O resultado é surpreendente e pode ser constatado na peça acima referida, no Arena, A Mente Capta, na qual, de doze intérpretes em cena, apenas quatro são profissionais, pois os estreantes, em número de oito, formam um conjunto de peso e medida, perfeitamente harmônico e capaz de sustentar qualquer espetáculo, quer seja uma comédia ou um drama de forte densidade. Do naipe estreante, uma surpresa, é a Poliana Moraes, talvez a maior revelação do nosso teatro, desde a talentosíssima Fernanda Quinderé. Ela consegue impressionar e é preciso muita força interpretativa e muito exercício cênico para contracenar com essa menina que, em silêncio e sozinha em cena, tem o dom de “contar” uma história, tanto em uma peça histriônica quanto uma tragédia. Ela é realmente incrível. Não fica muito distante, a talentosa Eugênia Siebra, também de grande força dramática, da mesma maneira que Marinina Gruska (agora substituída pela veterana Glyce Sales) Guglielmina Saldanha, Sergio Alexandre, Euler Muniz e Kildary Pinho, este último, também, uma agradável revelação de comediante. Dos profissionais, além de Ary Sherlock, Rogério Medeiros e J. Arraes, que faz uma 113 “Carmem Miranda “mais aperfeiçoada nos trejeitos e no revirar dos olhos do que a Carmem original. Uma gracinha. Quanto a
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

114 Hiramisa Serra, tarimbadíssima , é a “doutora Rosa Cruz”, a ana-

lista esquizofrênica, e é esta, sem dúvida, a sua criação maior, a prova incontestável do seu imenso talento. Sua performance, é impressionante. Seu semblante, graças a pequenos truques de maquilagem e ao seu olhar, convence como uma verdadeira louca. É, sem dúvida, uma das maiores atrizes desse país. A Mente Capta, é uma deliciosa sátira aos modernos conceitos da psiquiatria e da psicanálise, com as neuroses e esquizofrenias do mundo conturbado de hoje e os seus analistas ou “médicos de Alma”, não raro, mais neuróticos ou loucos do que os pacientes que os procuram. Sem jamais ter visto a montagem original da obra de Mauro Rasi, Haroldo Serra fez uma direção livre e inseriu personagens estranhos ao texto, como o “Ney Matogrosso” de Rogério Medeiros e a “Carmem Miranda” de J. Arraes. E criou uma espécie de prólogo que fica a cargo do talento de Eugênia Siebra. Obs. – O espetáculo começa antes de começar (?). Tome cuidado com Ella! Marciano Lopes – Diário do Nordeste – 24/06/89 “Um espetáculo pronto para um público ávido.“A Mente Capta” permanece em cartaz no Teatro Arena Aldeota, dentro de um louvável projeto da Comédia Cearense de permanência teatral no circuito local. É raro, diga-se de passagem, ver-se uma peça permanecer mais de quatro apresentações consecutivas numa casa de espetáculo, isto quando é uma realização dos grupos cearenses. Haroldo Serra, diretor de “Mente Capta” e da Comédia Cearense, conseguiu manter durante vários meses esta montagem nos finais de semana. A peça transcorre dentro de um clima hilário realizado numa linguagem real e surreal, exigência da comédia. O texto de Mauro Rasi foi bem captado pela visão de Haroldo Serra. O público empatiza-se com a cena e seus elementos. Existe um equilíbrio e uma dosagem que harmoniza a peça como um todo.

H

A R O L D O

S

E R R A

de Garcia Lorca – Tradução de Walmir Ayala

Depois de várias tentativas, finalmente a Comédia consegue reunir um elenco capaz de encenar Lorca. Foram quatro meses de trabalho. A montagem foi muito bem recebida pelo público e particularmente pela classe teatral. Estréia: 11/09/93 - Teatro Arena Aldeota Com: Hiramisa Serra, Martha Vasconcelos, Poliana Moraes, Silvana Salles, Mônica Silveira, Guglielmina Saldanha, Veimires Lavôr, Astrid Miranda Leão, Neidinha Castelo Branco, Maria de Jesus Silveira, Lindy Saldanha e Sonia Sales. C/Regra: Ana Patrício – Cenotécnicos: Bila e Catita – Cartaz: Marivaldo – Som e Luz: Hiroldo Serra – Fotos e Direção de Arte:Haroldo Junior – Figurinos: Flávio Phebo – Execução de Figurinos: Maisa Castro – Iluminação, Ambientação: Haroldo Serra

115

R E T R O S P E C T I VA

A CASA DE BERNARDA ALBA

4 5

A

N O S

“A Mente Capta” mostrou que a cultura cearense está no mais alto nível. A peça é hilariante, mas deixa bastante ensinamentos pisquiátricos” Lêda Craveiro –Professora Universitária

D A

C

O M É D I A

... O diretor interpretou bem a loucura da cabeça do autor. Mauro Rasi é um iluminado nesta panorâmica moderna do absurdo”. Ivonilo Praciano – O Povo - 26/08/89

C

E A R E N S E

116

O GÓLGOTA – A PAIXÃO DE CRISTO
a partir do original de Almeida Garret Era uma tradição da cidade...Durante quase 50 anos, o programa do fortalezense durante a Semana Santa, era assistir O Gólgota no José de Alencar. Afonso Jucá, José Lima Verde, José Júlio Barbosa, Abel Teixeira e outros amadores comandavam a produção. A morte de alguns dirigentes enfraqueceu o projeto. Sem os principais líderes e a falta de apoio financeiro acabaram com essa importante manifestação do teatro cearense. Várias gerações de amadores cearenses participaram das encenações. Em 2001, com o integral apoio da direção do Colégio Christus, a Comédia Cearense tomou a si a responsabilidade de reviver essa tradição. Para “caber” a produção no Arena, metade das poltronas foram retiradas e foram construídos vários espaços suplementares de forma a permitir a continuidade das várias cenas. Um elevador hidráulico foi instalado para a perfeita “ascensão” de Cristo. Marcus Fernandes, Walden Luiz, Haroldo e Hiramisa Serra, remanescentes das últimas temporadas do José de Alencar, se juntaram a novos atores nessa empreitada. Excelente a receptividade do público e da classe teatral. Agora, em 2002, ano 45 da Comédia Cearense, além do Christus, contamos com o apoio da Funcet e da iniciativa privada através de uma proveitosa parceria com o “Pão de Açúcar”. Talvez, quem sabe, consigamos retomar mais uma tradição que o Ceará deixou morrer. Estréia: 23/03/01 - Teatro Arena Aldeota

E R R A

H

Com: Odair Prado, Veimires Lavôr, Marcus Fernandes, Hiramisa Serra, Walden Luiz, Hiroldo Serra, Paulo Roque, Haroldo Serra, Paulo César, Irish Salvador, Paulo Freitas, Simone Sucupira, Silvana Salles, Itauana Ciribelli, Carlos Jamacaru, Marcos Aurélio, Wagner Pereira, Jadeilson Feitosa,

A R O L D O

S

Lúcio Leonn, Aldo Pio, Marcos Araújo, Raimundo Nonato, Carlos Magno, Wagner Ramos, Raul César, Jade Ciribelli, Ismael Mattos e as meninas Lia e Carolina Serra. Apoio Cênico: Francisco Falcão, Walden Luiz e Jadeilson Feitosa – Perucas: Thony – Cenotécnico: Bila – Som e Luz: Haroldo Neto – C/Regra: Ana Patrício – Caracterização, Fotos e Direção de Arte: Haroldo Junior – Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. VERSÃO 2002 Com: Odair Prado, Veimires Lavor, Marcus Fernandes, Hiramisa Serra, Hiroldo Serra, Walden Luiz, Haroldo Serra, Lana Soraya, Eliacy Saboya, Rachel Haddad, Paulo Roque, Paulo César Cândido, Francisco Falcão, Paulo Freitas, Wagner Pereira, Edson Paz, José Tarcísio, Lúcio Leonn, Marcus Araújo, Nonato Soares, Victor Augusto, Santana Júnior, João Cavalcante, Jaccidey Cavalcante, Aldo Pio, Lia e Carolina Serra. Penteados: Paulinho Cabeleileiros - Luz e Som: Gustavo Portela – Conta-Regra: Ana Patrício – Cenotécnico: Bila – Apoio Técnico: Francisco Falcão e Walden Luiz – Adereços, Fotos e Direção de Arte: Haroldo Júnior – Texto Original: Almeida Garret – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. COMENTÁRIOS Cena Roubada

“Na muito boa montagem do Gólgota, pela Comédia Cearense no Teatro Arena Aldeota, com presença de bom público, quem rouba a cena é o ator Hiroldo Serra, filho do grande Haroldo Serra, no 117 papel de Judas Iscariotes. Uma atuação simplesmente irrepreensível, apesar da abominável figura do traidor”. Alan Neto – O Povo – 08/04/01

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

118

Um dos melhores espetáculos do ano “ Vi e gostei. Aliás não me surpreendi com a platéia lotada. Sempre tive certeza de que um espetáculo no gênero, principalmente no ciclo quaresmal, tem público garantido. E foi o que ocorreu com “O Gólgota – A Paixão de Cristo”. Em artigo publicado anteriormente eu já havia alertado aos produtores teatrais para não deixarem cair na poeira do tempo, um tema tão identificado com as pessoas (nunca é demais tratar do Cristianismo) e que tem tradição em Fortaleza dantanho. Lembre-se que o “Mártir do Calvário” fazia parte das montagens do Conjunto Teatral Cearense, do mestre J. Cabral que percorria o interior do Estado, usando espaços dos Salões Paroquiais ( e nisto ele ousou muito). Em Fortaleza era exibido no então Teatro Pio XII, dos franciscanos da Igreja do Coração de Jesus. Outro mestre das artes cênicas, Waldemar Garcia (com quem convivi no Curso de Arte Dramática), encenava “Cristo no Calvário”, no palco do Colégio Cearense. Antes, nos anos 30, a “Vida de Cristo” já era vista no saudoso Centro Artístico Cearense, que tombou recentemente na onda das obras do Metrofor. Mas quem marcou época mesmo foi “O Gólgota”no Theatro José de Alencar. Como era gratificante ver o trabalho de atores como Walden Luiz (Jesus), Haroldo Serra (Anás), Hiramisa Serra (Cláudia), Marcus Fernandes (Pilatos), Jane Azeredo (Madalena) Mizael Fernandes (Judas), Edilson e Gracinha Soares, Erotilde Honório, Lourdinha , Muriçoca, Clovis Matias e , no passado, Gasparina Germano (Madalena), José Lima Verde (Pilatos), Abel Teixeira. J.Oliveira e Oliveira Filho. Uma olhada no livro “”História do Teatro Cearense”, de Marcelo Costa, comprova a importância do referido espetáculo. O que interessa aqui, de fato, é ressaltar a feliz iniciativa da Comédia Cearense, comandada pelo empreendedor cultural Haroldo Serra (uma das pilastras do teatro do Ceará) em resgatar uma peça que dormita em nosso inconsciente ancestral. Montar “O Gólgota

H

A R O L D O

S

E R R A

– A Paixão de Cristo”, no Teatro Arena Aldeota, anexo ao Colégio Christus, tem um significado muito amplo para o fortalezense e para a classe teatral. E mais que isto, oportuniza a conhecer um ícone da dramaturgia universal, agora com uma roupagem, utilizando técnicas da encenação moderna. Assim, para comportar a produção no Arena, metade das poltronas foram retiradas, dando lugar a vários palcos complementares, de forma a permitir continuidade das muitas cenas. Um elevador hidráulico foi instalado para dar realismo à “ascensão” de Cristo ao céu. O elenco foi integrado por Odair Prado, Veimires Lavôr, Marcus Fernandes, Hiramisa Serra, Walden Luiz, Hiroldo Serra, Paulo Roque, Haroldo Serra, Paulo César Cândido, Irish Salvador, Paulo Freitas, Simone Sucupira, Silvana Salles, Itauana Ciribelli, Carlos Jamacaru, Marcos Aurélio, Wagner Pereira, Jadeilson Feitosa, Lúcio Leonn, Marcos Araújo, Raimundo Nonato, João Luiz, Carlos Magno, Wagner Ramos, Raul César, Jade Ciribelli, Ismael Matos, e as meninas Lia e Carolina Serra. No apoio cênico: Francisco Falcão, Walden Luiz e Jadeilson Feitosa. Perucas: Thony. Cenotécnico: Bila. Som e Luz: Haroldo Neto. C/Regra: Ana Patrício, Caracterização, fotos e direção de arte: Haroldo Júnior. Figurinos: Hiramisa Serra. Iluminação, ambientação e Direção: Haroldo Serra. Este completando 50 anos de teatro em 2002. Quem perdeu a apresentação não fique triste, pois terá oportunidade na próxima Semana Santa. Afinal “O Gólgota – A Paixão de Cristo”, inspirado no original de Almeida Garret, retornou para ficar. Que bom! Paulo Tadeu – O Estado – 21/12/01 O DOMINGO DA TRADIÇÃO

Qual o terceiro dia de seu herói crucificado, O Gólgota, resurge, pondo de pé, junto consigo, toda tradição que dele emerge. Encena- 119 do pela Comédia Cearense permanece em cartaz durante os finais de semana de março, no Teatro Arena Aldeota.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

120

“O Gólgota – A Paixão de Cristo”, tudo inspira tradição. A partir de seu texto, do português, Almeida Garret, duma dramaturgia sacra absolutamente comedida e alinhada a interesses católicos (há traços anti-semitas e uma análise inteiramente oficial da paixão) a seu próprio histórico de montagens em Fortaleza desde princípios de outro século, e, sobretudo, por como é montada para agora, pela Comédia Cearense, não posso guardar outra senão a impressão de estar diante de um ritual antigo que insiste em preservar – qual a mesma igreja. Verdade agora houve algumas tentativas de modernização, como o uso da projeção em sombra, praticáveis hidráulicos que levam Jesus aos céus e o local da encenação em si, um teatro de arena (ampliado, com a retirada de inúmeras poltronas), para tragédia tão horizontal. Contudo, até que ponto isso é novo não sei precisar, e parte desses recursos, como as tais projeções, não me pareceram convincentes na sua naturalidade cênica, inserção tecnológica numa montagem clássica, mais lembraria. O numeroso elenco também não investe em novas perspectivas de interpretação; projeta-se como se estivesse num anfiteatro, num teatro de ópera, feito o velho José de Alencar, onde antigamente O Gólgota se apresentava: personagens como o Cristo, de Odair Prado, são pura grandiloqüência . Nada, entretanto, que traduza uma incoerência. Há a ciente noção por parte de Haroldo Serra, o diretor, de que O Gólgota teria de ser assim, tradicional, em face da tradição em que esse espetáculo se insere. Para tanto é sugerida uma grande produção, bem cuidada, de dezenas de figurinos, adereços, cenários suntuosos (apesar de simples). O cuidado, aliás, beira o excessivo, nas vestes tão distintas e emperdigadas para o Cristo e seus seguidores, todos, na realidade, uns pobretões mercê de zombaria. Seria mesmo difícil esperar outra coisa, já que nas estações de pintores clássicos Jesus e seus discípulos também se mostram trajados dignamente. Nessa montagem é assim, afinal: a visão da paixão de Cristo é emblemática, evoca o mito que nos é repassado há séculos e que mais recentemente vem confirmado pelo teatro e pelas épicas pro-

H

A R O L D O

S

E R R A

duções holliwoodianas, a despeito do texto de Garret já suscitar questões mais sutis , como as conjecturas e embates pessoais em torno do julgamento de Jesus, e a própria marcante presença de Judas como ente permeador da trama. Tais sutilezas, todo o teor implícito e menos ritualizado do espetáculo, são relegados em nome de uma concepção cênica de projeção, feito já apostasse que o público, doutrinado pela tradição, houvesse de distinguir o drama delicado por baixo de suas cenas imponentes. Para ajudar nisso, O Gólgota cumpre seu mister de imprimir um ritmo bem resolvido nas cenas e entre elas, de apresentar personagens seguros na sua interpretação, e, salvo algum relapso em instantes tensos tratados com descuido como a cena em que Pedro corta a orelha do Soldado e Jesus nem-te-ligo; no mais o espetáculo é competente ao que se propõe apresentar. Apenas acredito que atuações como as de Hiroldo Serra, na carne-alma de um Judas atormentado, Lucio Leonn, como um Doutor implacável, e mesmo Paulo Roque, na espontaneidade telúrica de seu general Romano, deveriam, por suas ampliações interpretativas, escapando da retidão de um padrão, servir como modelo para toda a montagem, afim de esta lograr uma perspectiva trágica (porque humana) mais rica. Mas sei que isso é difícil, que muito raramente as Paixões de Cristo pelo mundo afora, aqui perto mesmo, em Nova Jerusalém, fogem ao prazer de evocar o mito que há tantos (e há tempos) emociona pela própria tez mitológica. Questão de gosto. Thiago Arrais – O Povo – 14/03/02

NOS TRILHOS DA PAIXÃO
de Caio Quinderé Primeiro lugar no Prêmio de Dramaturgia Eduardo Campos, 121 promovido pela Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza. “Os Trilhos da Paixão” foi selecionado pelo projeto EnCena

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

122 Brasil, do Ministério da Cultura. Foi também apresentado no
Theatro 4 de Setembro, em Teresina. A mídia deu bastante destaque a troca de experiência entre o elenco dos “Trilhos” e o elenco da peça “Caixa Dois”, de Juca de Oliveira, que realizava temporada no José de Alencar. Estréia: 18/05/01 – Teatro Arena Aldeota Com: Lúcio Leonn, Hiroldo Serra, Itauana Ciribelli, Odair Prado e Hiramisa Serra. C/Regra: Ana Patrício – Luz: Leir Ponte – Som: Marcos Araújo – Figurinos: Hiramisa Serra - Caracterizações e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. NOS TRILHOS DE UMA PAIXÃO IMPOSSÍVEL “Você esperaria trinta anos por um grande amor? Esta pergunta inicia a chamada de televisão que divulga o espetáculo “Nos Trilhos da Paixão”, em cartaz no Teatro Arena Aldeota. A pergunta, e o espetáculo em si, fazem o público refletir sobre o tempo e o que fazer com ele. Um tempo que escorre por entre os dedos e termina quando menos se espera. Tempo invisível, gozador, que escraviza pessoas, principalmente quando se diz que tempo é dinheiro. Isso nos faz lembrar, que as esperas, hoje, estão cada vez mais impacientes. Temos pressa, como se fossemos perder o trem da vida. Você esperaria trinta anos por um grande amor? E quando essa espera significa parar tudo, não fazer mais nada além de esperar? Uma briga contra o tempo, para não desistir de um sonho? José Maria dos Anjos, o personagem principal da peça “Nos Trilhos da Paixão” faz isso. Há trinta anos ele espera por um grande amor de carnaval, um amor de pierrô e colombina. Esperar às vezes vale mesmo a pena. Esperar por um novo autor teatral com um bom texto, por exemplo. E ver surgir um Caio

H

A R O L D O

S

E R R A

Quinderé, que está estreando como dramaturgo com o texto “Nos Trilhos da Paixão”, o vencedor do Prêmio Eduardo Campos de Dramaturgia. Caio teve a sorte de ver seu rebento vir ao mundo teatral, através das mãos do experiente, criativo e competente Haroldo Serra, que além da direção, assina também a iluminação e a ambientação do espetáculo. Para dar vida ao texto, Haroldo Serra encontrou soluções simples, mas brilhantes. Um trem em cena, com seus sons e movimentos. Uma chuva de serpentina luminosa. Um ponteiro de relógio, que gira rapidamente. Fantasias, que caem do céu por um fio. Recursos que funcionam com perfeição. Um dos pontos fortes da montagem é a iluminação. As lembranças aparecem envoltas num misterioso azul poético. A luz azul suaviza, dá um tom de melancolia. Outro acerto é da marcação, limpa, sem atropelar as mensagens. Marcação fielmente seguida pelo elenco que consegue, assim, transmitir bem as características dos personagens criados por Caio Quinderé. Odair Prado faz uma boa interpretação do vendedor de livros, viciado em palavras cruzadas, que espera vender uma de suas coleções. Expressiva, Itauna Ciribelli encarna a jornalista impaciente, mas que também espera por um furo jornalístico – custe o que custar. Hiroldo Serra está muito seguro no papel de malandro, cheio de ginga e sedução, à espera de novos clientes para seu produto suspeito. Hiramisa Serra, já bem conhecida dos palcos cearenses, traz o tom cômico à peça, quebrando um pouco a tensão causada pela patética espera de José Maria dos Anjos, vulgo Pierrô, pela sua colombina. 123 Ao ator Lúcio Leon coube a parte mais difícil: viver o intrigante José Maria dos Anjos. Transmitir sua fé, sua paciência e resignação de quem espera por trinta anos, preso a um sonho.
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

124

Toda a espera de José Maria dos Anjos nos parece curta, no entanto, quando assistimos a um espetáculo de qualidade, com feição moderna, que agrada pelo conjunto e pela poesia. Ainda mais quando estamos no Nordeste, onde fazer teatro é sempre um desafio. Mônica Silveira - Diário do Nordeste – 14/06/01 “Uma das boas coisas da atual safra teatral cearense é o espetáculo “Nos Trilhos da Paixão”, texto de Caio Quinderé e direção de Haroldo Serra. Montagem mais recente da Comédia Cearense, grupo que está chegando aos 45 anos de palco. O espetáculo já tem agendadas temporadas no Rio, São Paulo, Brasília e Teresina. Com primorosa direção do craque da ribalta, Haroldo Serra, “Nos Trilhos da Paixão” foi a melhor coisa feita no teatro do Ceará este ano. Emociona ouvir texto tão pungente e encenação tão competente e bela. O elenco está super afinado – Hiramisa Serra, Itauana Ciribelli, Hiroldo Serra e Odair Prado. A direção se vale de recursos simples que caem como uma luva ao bem arquitetado texto de Caio Quinderé e a cena na qual se forma o triângulo ArlequimColombina-Pierrot, bem como a ambientação criada para a “morte” da tão esperada Colombina são riquíssimas de signos. Um espetáculo que merece nossos melhores aplausos e deve abocanhar muitos prêmios em outras praças por onde passar. Parabéns a todos com destaque especial para este monumental ator que é Lúcio Leonn, um gigante dos palcos brasileiros”. Gente de Ação, n. 3 – Julho de 2001 O DESTINO DO PIERROT É ESPERAR PELA COLOMBINA “Imagine esperar 30 anos por alguém. Promessa de amor perdida numa estação onde o trem há muito deixou de parar – “Oceanos distanciando sonhos...” Imagine um ícone de carnaval desses que povoam o sonho de todo folião tímido, para quem a máscara é escudo indispensável.

H

A R O L D O

S

E R R A

Agora foque sua retina no cenário de um espetáculo teatral, onde tudo é muito simples e absolutamente enquadrado no contexto. Os refletores serão acesos e em cena estará um “Pierrot”... Falta a Colombina. É por ela que ele está a esperar. E o público será emocionalmente conduzido a esperar também. A espera é inquietante e ansiosa. Três décadas... Fácil imaginar mas a Dramaturgia não surge do nada. Do cotidiano brota a inspiração do autor. Afinal, a vida é muito mais teatral que a Dramaturgia. Foi num detalhe perdido numa notícia de jornal que a inspiração soprou baixinho e fundo na sensibilidade de Caio Quinderé. E assim nasceu a poética e instigante história de “Nos Trilhos da Paixão”. Sozinho numa estação de trem, onde o frio muitas vezes incomoda e a solidão é companheira contumaz, José Maria dos Anjos espera insone a amada. Dificilmente, Haroldo Serra teria encontrado outro ator à altura de Lúcio Leonn para interpretar José Maria dos Anjos, o “Pierrot”. Hiramisa Serra, a grande atriz que os cearenses conhecem, arranca risos da platéia com sua despachada personagem. Em seus breves minutos no palco, confirma o talento que Deus lhe deu. Itauana Ciribelli é jovem, bonita e tem vasto caminho a percorrer. Odair Prado é outra boa surpresa. Em pequena participação, revela estudo na composição do personagem e está muito bem em cena. Hiroldo Serra faz o malandro, vivendo talvez seu melhor momento no teatro. É linda a cena na qual ele, Itauana e Leonn compõem o triângulo Arlequim-Colombina-Pierrot. Todos de máscara, simbolizando essa grande paixão pela qual todos nós sempre esperamos – É o destino invariável de toda criatura humana, e as exceções só confirmam a regra. O “ José Maria dos Anjos” de Lúcio Leonn é o anjo que cada um de nós carrega dentro de si, escondido no fundo 125 do coração à espera do momento de completa entrega.
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

126

“Nos Trilhos da Paixão” é um documento vivo da força do Teatro Cearense, do teatro sério, comprometido com a qualidade, nascido de estudos e dedicação, de partilha e troca de experiências. O texto de Caio Quinderé é recheado de vários momentos de farta poesia. Bom de ouvir, gostoso de ver. Dá vontade de levar uma cópia para casa. Vencedor do Prêmio Eduardo Campos de Dramaturgia, o texto justifica o prêmio. Caio é um autor novo, de futuro promissor, como disse Juca de Oliveira após ver o espetáculo. A Direção de Haroldo Serra é primorosa! São funcionais, delicados e bonitos os objetos cênicos e muito criativa a forma como chegam ao palco. É especialmente bela a cena na qual a jornalista vai entrevistar o Pierrot, acusando-o de ter assassinado a Colombina: uma cortina se abre e num ambiente roxo, ornado por rosas vermelhas de vários tamanhos, surge um caixão branco... A cena é de uma plasticidade irrepreensível e comovente. Arrepia e emociona. É o ápice da direção de Haroldo. O espetáculo, não à atoa, foi selecionado para o projeto EnCena Brasil, do Ministério da Cultura. Aurora Miranda Leão - Diário do Nordeste – 17/12/01

H

A R O L D O

S

E R R A

TEATRO INFANTIL
Antes de completar um ano de atividades, e por influência de Hiramisa Serra, a Comédia Cearense criou o seu departamento de teatro infantil. A preocupação de formar platéia e preencher a lacuna de diversão sadia para as crianças da cidade, motivou o projeto. A receptividade do público e o apoio da imprensa estimulou a continuidade das montagens infantis. Maria Clara Machado, ícone da literatura teatral para crianças, influenciou sobremaneira as nossas encenações. Muitos dos seus textos, como em todo o país, foram encenados pela Comédia Cearense. O projeto encorajou os autores locais permitindo o surgimento de várias experiências no campo do teatro infantil. Autores consagrados como Eduardo Campos, Nertan Macêdo e Ciro Colares criaram textos para crianças. Posteriormente os autores jovens embarcaram na empreitada. A constância das temporadas para crianças e o sucesso de público fez com que outros grupos enveredassem pelo mesmo caminho. Hoje, temos no Ceará, um intenso movimento de teatro infantil. Espetáculos simultâneos preenchem as pautas de nossos teatros. E o importante é a preocupação pela qualidade com que estão imbuídos a maioria dos atores e diretores que fazem teatro infantil em Fortaleza.

128

A REVOLTA DOS BRINQUEDOS
de Pernambuco de Oliveira e Pedro Veiga Estréia: 11/05/58 – Theatro José de Alencar Com: José Humberto, Hiramisa Serra, Cybele Pompeu, Haroldo Serra, Ary Sherlock, Mizael Fernandes, Franciran Cavalcante e Eliete Maria. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A BRUXINHA QUE ERA BOA
de Maria Clara Machado Estréia: 01/06/58 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Cybele Pompeu, Francisco Falcão, Sérgio Luiz, José Humberto, Haroldo Serra e Mariinha Drumond. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. . Segunda Versão Estréia: 08/10/66 – Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Roberto César, Hugo Bianchi, Salete Dias e B. de Paiva. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Hélio Brasil – Figurinos: Hiramisa Serra – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

H

A R O L D O

S

E R R A

QUE MÁGICA BOBA
de Olegário Azevedo Estréia: 06/07/58 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Clóvis Matias e Mariinha Drumond. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine - Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

O RAPTO DAS CEBOLINHAS
de Maria Clara Machado Primeira participação de Emiliano Queiroz na Comédia Cearense. À época integrante do cast da TV Ceará.

129

R E T R O S P E C T I VA

Com: Marinina Gruska, Eugênia Siebra, Poliana Moraes, Sônia Sales, Adriana Bezerra, Rogério Medeiros e Kildary Pinho. Cenotécnicos: Raimundo e Catita – Luz e Som: Hiroldo Serra – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

4 5

A

N O S

D A

Estréia: 01/04/89 – Teatro Arena Aldeota

C

O M É D I A

Resultante do Curso de Informação e Prática Teatral, ministrado por Haroldo Serra, para sócios da AABB. Foi apresentada na sede do clube e posteriormente no Arena.

C

E A R E N S E

Terceira Versão

130

ESTRÉIA: 03/ 08/58 – Theatro José de Alencar Com: Emiliano Queiroz, Hiramisa Serra, Mariinha Drumond, Clóvis Matias, Haroldo Serra, José Humberto, Sérgio Luiz e Mizael Fernandes. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

SIMBITA E O DRAGÃO
de Lúcia Benedetti Estréia: 07/09/58 – Theatro José de Alencar Com: José Humberto, Emiliano Queiroz, Haroldo Serra, Antônio Pinheiro, Hiramisa Serra, Mariinha Drumond, Mizael Fernandes e Sérgio Luiz. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hirmisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

A LENDA DO SAPATINHO DE CRISTAL
Adaptação livre de Emiliano Queiroz Estréia: 12/10/58 – Theatro José de Alencar Com: Cybele Pompeu, Hiramisa Serra, Mariinha Drumond, Neide Maia, Haroldo Serra, Ary Sherlock e Clóvis Matias. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.
E R R A

H

A R O L D O

S

Terceira Versão Estréia: 14/12/75 – Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Hiramisa Serra, Ricardo Guilherme, Mário Mesquita, Antonieta Noronha, Erotilde Honório e Trepinha. Cenotécnico: Antônio Mendes – Som: Hiroldo Serra – Luz: Haroldo Jr. – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

O CASACO ENCANTADO,
de Lúcia Benedetti Estréia: 23/11/58 – Theatro José de Alencar Com: Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Clóvis Matias, José Humberto e Matos Dourado. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

131

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

Com: Ayla Maria, Hiramisa Serra, Salete Dias, Hugo Bianchi, Tereza Paiva, Roberto César e B. de Paiva. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva.

D A

C

O M É D I A

C

Estréia: 07/09/66 – Theatro José de Alencar

E A R E N S E

Segunda Versão

132

PLUFT, O FANTASMINHA
de Maria Clara Machado Estréia; 21/12/58 – Theatro José de Alencar Com: Cybele Pompeu, Hiramisa Serra, Mariinha Drumond, Haroldo Serra, Giácomo Genari, Carlos David, Clóvis Matias e José Silva. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Segunda Versão Estréia: 02/02/90 – Teatro Arena Aldeota Com: Márcia Sucupira, Glyce Sales, Euler Muniz, Guglielmina Saldanha, Hiroldo Serra, Rogério Medeiros, J. Arraes e Kildary Pinho. Cenotécnicos: Bila e Catita – Luz: Sandro Camilo – Adereços: Glice Salles, J. Arraes e Euler Muniz - Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

JOÃOZINHO ANDA PRA TRÁS
de Lúcia Benedetti Estréia: 01/03/59 – Theatro José de Alencar
E R R A

H

A R O L D O

Com: Hiramisa Serra, Haroldo Serra, Clóvis Matias, Sérgio Luiz e Mariinha Drumod. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra - Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

S

de J. Reis

adaptação de Mariinha Drumond

Estréia: 10/09/59 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Maria Aglais, Haroldo Serra, Francisco Falcão, Gonzaga Vasconcelos, Mariinha Drumond e Paulo Lima Verde. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES
adaptação de Haroldo Serra Estréia: 18/10/59 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Mariinha Drumond, Cybele Pompeu e Maria Helena. Participação de crianças da Escola Sacy. 133 Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

R E T R O S P E C T I VA

A BELA ADORMECIDA

4 5

A

Com: Hiramisa Serra, Mariinha Drumond, Cybele Pompeu, Gonzaga Vasconcelos e Francisco Falcão. Cenotécnico: Helder Ramos - Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

N O S

D A

C

O M É D I A

Estréia: 10/05/59 – Theatro José de Alencar

C

E A R E N S E

OS TRES EXPLORADORES

134

Segunda Versão Estréia:03/10/66 – Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Haroldo Serra, Hiramisa Serra, Solange Palhano, Valesca Vale, Soraya Palhano, Haroldo Jr., Harolmisa Serra, Isabel Cristina Braz e Elizabeth Paiva. Cenotécnico: Célio Facundes – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Terceira Versão Estréia: - Teatro Arena Aldeota Com: Manoela Villar Queiroz, Hiroldo Serra, Guglielmina Saldanha, Roberto Reial, Rogério Medeiros, Cristina Mendes, Joelise Collyer, Gina Kerly, Sara Lacet, Jerton Uchôa, Neiara Serra, Nager Uchôa, Cecilia Uchôa, Naiana Serra, Pedrinho e Paulinho Uchoa Cenotécnicos: Bila e Catita - Trilha Sonora: Herlon Robson Figurinos: Hiramisa Serra –Luz e Som: Bento – Caracterização e Arte: Haroldo Jr. – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Quarta Versão Estréia: 02/03/96 – Teatro Arena Aldeota Com: Itauana Ciribelli, Roberto Reial, Silvana Salles, Lúcio Leonn, Hiroldo Serra, Jailson Feitosa, Igor Carvalho, André Aguiar, Bruno Silva, Ana Biatriz, Diego Parente, Samuel Rocha, Naiana Serra, Neiara Serra, Mariana Magalhães, Rafaela Matoso, Carolina Serra e Lia Serra. Cenotécnicos: Bila e Catita – Contra-Regra: Ana Lúcia - Arte e

H

A R O L D O

S

E R R A

CIRCO RATAPLAN
de Pedro Veiga Estréia: 12/10/60 – Theatro José de Alencar Com: Tereza Paiva, Hiramisa Serra, J. Oliveira, Haroldo Serra e Edilson Soares. Cenotécnico: Helder Ramos – Luz: Lamartine – Figurinos: Hiramisa Serra – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva. Segunda Versão Estréia: 15/03/68 – Theatro José de Alencar Com: Haroldo Serra, Walden Luiz, Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão e João Falcão. Cenotécnico: Célio Facundes – Luz e Som: Hélio Brasil – Figurinos: Hiramisa Serra - Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Terceira Versão Estréia: 24/06/95 – Teatro Arena Aldeota

Com: Hiroldo Serra, Cláudio Jaborandy, Veruska Donato, Poliana Moraes, Irish Salvador, Silvana Salles, Roberto Reial, Oscar Roney e Haroldo Serra. 135 Cenotécnico: Bila e Catita – Luz e Som: Paulo Henrique – Arte, Foto e Caracterização: Haroldo Jr. – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

Caracterização: Haroldo Jr. – Figurinos: Hiramisa Serra – Trilha Sonora, Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

136

O JULGAMENTO DOS ANIMAIS
de Eduardo Campos Publicada na revista Comédia Cearense, n.7 (esgotado). Estréia: 17/10/63 – Theatro José de Alencar Com: Emiliano Queiroz, Jane Azeredo, Hiramisa Serra, Ary Sherlock e Haroldo Serra. Cenotécnico: Célio Facundes – Luz e Som: Hélio Brasil – Figurinos: Hiramisa Serra – Produção: Haroldo Serra – Direção: B. de Paiva. Segunda Versão Estréia: 12/10/67 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Marcus Miranda, Zulene Martins, João Antônio, Walden Luiz e Roberto César e Luiz Derossy. Cenotécnico: Célio Facundes - Luz e Som: Hélio Brasil – Direção e Figurino: Hiramisa Serra. Terceira Versão Estréia: 02/05/82 - Teatro Móvel Com: Hiramisa Serra, Zulene Martins, J. Arraes, Walden Luiz e Francisco Neto. Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra Quarta Versão Estréia: 13/10/90 - Teatro Arena Aldeota

H

A R O L D O

S

E R R A

“A qualidade de uma peça infantil a gente mede pela participação do público no desenrolar do espetáculo. Neste Julgamento dos Animais”, Eduardo Campos, o inimitável mestre do folclore, encontra um dos momentos mais felizes como teatrólogo. Demonstrando um profundo conhecimento da nossa gente do campo, Manuelito, transpõe para o mundo diminutivo do palco toda a vida movimentada de uma fazenda típica do sertão, sem faltar inclusive as diabruras de um moleque insolente, no caso o “MeiaPataca”, que é “um carvão”. A exceção do moleque “Meia-Pataca”, de seu Valadão, do médico e do Vaqueiro, todos os demais personagens são animais: jumento, vaca, cavalo, que encontraram admiráveis intérpretes nessa encenação elogiável. O excelente texto é farto de diálogos saborosíssimos e plenos daquele espírito tão característico do autor de “O Morro do Ouro”. Os intérpretes muito bem conduzidos por Hiramisa Serra, que também faz o papel de “Meia-Pataca”, todos estão à altura do texto, merecendo maiores encômios o “Jumento” de Luiz Derossy, ator que se revela magistral comediante. Walden Luiz, como o médico, é inigualável, o mesmo acontecendo com Zulene, que faz uma “vaca” gozadíssima. João Antônio fazendo o “cavalo” está quase irreconhecível, arrancando gargalhadas do público grande e pequeno que tem acorrido ao José de Alencar todos os fins de semana. Marcus Miranda, na pele do cruel e depois complacente fazendeiro Valadão é o ator seguro de sempre. Hiramisa travestida de moleque “Meia-Pataca”, dá mais um “show” de interpretação e ratifica o título de atriz mais versátil do Ceará. 137 Em suma, “O Julgamento dos Animais” é um bom trabalho de Eduardo Campos, plenamente aproveitado pela Comédia
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

Com: Márcia Sucupira, Euler Muniz, Hiroldo Serra, Rogério Medeiros, Kildary Pinho, Ricardo Moreira e Poliana Moraes. Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

E A R E N S E

138 Cearense e que merece ser visto mais de uma vez, não só por cri-

ança mais também pelos adultos, pois sua mensagem é válida para todos. Além do mais, “Meia- Pataca” é um carvão, queima! Marciano Lopes – O Estado – 08/11/86

PEDRO E O LOBO
Adaptação de Haroldo Serra Estréia: 18/11/66 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão, e Haroldo Serra. Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A VIAGEM DO ANJO PAULINHO À TERRA
de Nertan Macedo Experiência teatral do escritor Nertan Macedo. O texto foi publicado na revista Comédia Cearense, n. 2 (esgotado). Estréia: 12/12/66 – Teatro Universitário Com: Tereza Paiva, Hiramisa Serra, Lourdinha Falcão, Antonieta Noronha e Haroldo Serra. Produção: Haroldo Serra – Ambientação e Direção: B. de Paiva

H

A R O L D O

S

E R R A

adaptação de Haroldo Serra.

Segunda Versão Estréia: 06/07/91 – Teatro Arena Aldeota Com: Manoela Villar Queiroz, Poliana Moraes, Rogério Medeiros, Guglielmina Saldanha, Hiroldo Serra, Joelise Collyer, Gina Karla, Sônia Lacet e Ana Cristina. Música: Haroldo Serra – Direção Musical: Herlon Robson – Figurinos: Izidoro Santos – Luz e Som: Francisco Costa – Cenografia: Bila – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra

adaptação de Geraldo Markan e Leão Junior. Estréia: 01/10/67 – Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Lourival Brasileiro, Ayla Markan, Leão Junior, Rodolfo Markan, Hiramisa Serra, Geraldo Markan, Harolmisa Serra, Cláudia Markan, Antonita Noronha e Hugo 139 Bianchi. Cenários e Figurinos: Sergei de Castro – Coreografia: Hugo Bianchi – Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

A BELA ADORMECIDA

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

Com: Ayla Maria, Antonieta Noronha, Haroldo Serra, Hiramisa Serra e Marcos Miranda. Figurinos: Hiramisa Serra - Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

N O S

D A

C

O M É D I A

Estréia: 05/03/67 – Theatro José de Alencar

C

E A R E N S E

O CHAPEUZINHO VERMELHO

140

D. PATINHA VAI SER MISS
de Arthur Maia Estréia: 04/07/68 – Theatro José de Alencar Com: Hiramisa Serra, Antonieta Noronha, Marcus Miranda, Francisco Falcão, Walden Luiz e Haroldo Serra. Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Segunda Versão Prêmio SNT de “Melhor Espetáculo Infantil”-1977 – Também apresentada no Teatro de Arena da Crédimus. Estréia: 15/10/77 – Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Antonieta Noronha, Walden Luiz, Arlindo Araújo e Francisco Marques. Figurinos: Hiramisa Serra – Música: Mário Mesquita e Arlindo Araújo – Som: Mauro Coutinho – Luz: Haroldo Junior – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Com o mesmo elenco e ficha técnica esta versão foi também encenada no Teatro Móvel com temporada iniciada em 19/07/81. Terceira Versão

E R R A

Estréia: 21/10/89 - Teatro Arena Aldeota Com: Márcia Sucupira, Hiroldo Serra, Antonieta Noronha, Rogério Medeiros e Kildary Pinho. Cenografia: Catita – Luz: Fábio Melo – Som: Sandro Melo – Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

H

A R O L D O

S

de Kleber Fernandes

SEGUNDA VERSÃO Estréia: 05/01/80 - Teatro Móvel Com: Lourdinha Falcão e Haroldo Serra – Mesma equipe técnica TERCEIRA VERSÃO Estréia: 24/09/88 - Teatro Arena Aldeota “Melhor Diretor“ (Haroldo Serra) – “Melhor Ator” (Arnaldo Matos) – “Melhor Atriz” (Eugênia Siebra) no I Festival de Teatro Infantil do SESC/Ce – 1988. Com: Eugênia Siebra e Arnaldo Matos. Cenotécnico: Catita – Som e Luz: Hiroldo Serra – Caracterização e Arte: Haroldo Junior – Cenário: Equipe de Alunos da Faculdade de Arquitetura da UFC – Iluminação e Direção; Haroldo Serra. QUARTA VERSÃO Estréia: 31/08/96 - Teatro Arena Aldeota

141

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

Com: Haroldo Serra e Hiramisa Serra. Cenário: Equipe de Alunos da Faculdade de Arquitetura da UFC – Figurinos: Hiramisa Serra – Cenotécnico: Helder Ramos- Luz: Helio Brasil – Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

N O S

D A

C

O M É D I A

Estréia: 12/10.68 – Theatro José de Alencar

C

E A R E N S E

A ONÇA E O BODE

142 Com: Hiroldo Serra e Silvana Salles.
Mesma equipe técnica.

ABELINHA SONHADORA
de Nati Cortez Estréia: 19/01/75 – Teatro Carlos Câmara (Emcetur) Com: Ayla Maria, Hiramisa Serra, Jovita Farias, Erotilde Honório, Ricardo Guilherme, Elizabeth Cardoso, Rochele Cardoso, Patrícia Batista, Norma Brasil e Harolmisa Serra. Cenários e Figurinos: Eubirajara Garcia – Música: Pe. Linhares – Coreografia: Jovita Farias – Luz e Som: Haroldo Junior – Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

O ANÃOZINHO SABIDO E OUTRAS ESTÓRIAS
adaptação de textos para fantoches de Glyce Sales Apresentado durante o mês de maio de 1975 na cadeia de super mercados “Romcy”. Com: Glyce Sales, Hiramisa Serra, Ricardo Guilherme, Haroldo Serra, Gil Sodré e Haroldo Junior – Direção: Hiramisa Serra.
E R R A

A R O L D O

O PLANETA DAS CRIANÇAS ALEGRES
de Ciro Colares – Música de Haroldo Serra com arranjos de Mário Mesquita.

H

S

Estréia: 10/10/76 - Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Walden Luiz, Antonieta Noranha, Ricardo Guilherme, Arlindo Araújo e Hiroldo Serra. Música: Haroldo Serra – Arranjos e Interpretação: Mário Mesquita e Arlindo Araújo – Figurinos: Hiramisa Serra – Luz e Som: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientaçãso e Direção: Haroldo Serra.

de Guilherme Figueiredo e música de Aluysio de Alencar Pinto Estréia: 20/08/78 – Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Arlindo Araújo, Paulo Alencar, Beth Araújo, Francisco Marques, Galba, Janson e Lourenço. Direção Musical: Nízia Diogo e Descarte Gadelha – Instrumentistas: Grupo Pixinguinha – Figurinos: Hiramisa Serra – Luz e Som: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A MENINA SEM NOME

ZARTAN, O REI DAS SELVAS
de Ilclemar Nunes Estréia: 25/11/79 – Teatro Móvel Publicada na revista Comédia Cearense n. 7 (esgotado).

143

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

Experiência teatral do cronista e romancista Ciro Colares. Foi “Melhor Espetáculo Infantil”, prêmio SNT de 1976 – Publicado na revista Comédia Cearense n. 7 (esgotado).

E A R E N S E

144 Com: Walden Luiz, Ayla Maria, Nairo Gomez, Deugiolino
Lucas, Lourdinha Falcão, J. Arraes e Paulo Alencar. Figurinos: Hiramisa Serra – Luz e Som: Hiroldo Serra – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A LENDA DO VALE DA LUA
de João das Neves Estréia: 12/04/81 – Teatro Móvel Com: Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Rachel Haddad e Walden Luiz. Música: César Barreto – Luz e Som: Hiroldo Serra - Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. SEGUNDA VERSÃO Estréia: 08/07/89 - Teatro Arena Aldeota Com: Glyce Sales, Hiroldo Serra, Guglielmina Saldanha e Rogério Medeiros. Contra-Regra: Ana Patrício – Cenografia: Catita - Figurinos: Hiramisa Serra – Música: César Barreto – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. “A Lenda do Vale da Lua”, de João das Neves, montagem da Comédia Cearense, ressuscita um dos folguedos da maior significação estética e social do país: o bumba-meu-boi, um personagem, sem dúvida, apagado da memória de grande parte das crianças brasileiras. Mas este não é o único mérito do espetáculo, ele vai muito mais longe. Nele a criança participa ativamente da ação, e o que é melhor, é despertada para o jogo do teatro, um jogo onde se usam basicamente estórias e idéias.

H

A R O L D O

S

E R R A

Logo de início é quebrado o gelo palco/platéia, tão comum no teatro tradicional. Munidas de papel e lápis, as crianças, juntamente com os atores, desenham à vontade. A sensação é de que ali, no pequeno espaço do Teatro Móvel, está nascendo um mundo novo, onde são tomadas decisões e criadas formas de vida: terra ou não, máquina ou não... tudo pode ser mudado, afinal o mundo é passível de transformações. Aliás, parece ser este o principal objetivo proposto pelo criativo João das Neves quando escreveu “A Lenda do Vale da Lua”. Também bastante criativa é a montagem da Comédia Cearense. Simples, despojada, mas riquíssima em brincadeiras populares, coisas que não se fazem há muito tempo. Os próprios atores fazem questão de assumir a simplicidade e pobreza do espetáculo, como querendo dizer às crianças: “Olha, nosso povo, infelizmente, é muito pobre, mas tem brincadeiras ricas e alegres”. E assim a peça se desenvolve, com imaginação e criatividade. Pedaços de lenços são transformados em brisas, de papelão em televisores, e o próprio Boi Estrela é montado em cima do tablado com varetas e tiras de pano. Os atores Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Walden Luiz e Rachel Hadad, com leveza e harmonia, comandam o espetáculo, Sonham com as estrelas, contam histórias da lua – sempre atormentada pelos astronautas que lhe roubam preciosas pedrinhas – e criam o Boi Estrela, a alegria do vale. O conflito é estabelecido quando as crianças e o fogoso boi deixam o vale e resolvem dar um passeio pela cidade: edifícios, carros, televisores. Lá o Boi Estrela é atropelado por um carro, e como no folguedo tradicional, morre, sendo ressuscitado mais tarde, com canções populares. Fica aí estabelecida também a morte da cultura popular na cidade grande. É bastante significativa a montagem da Comédia Cearense, principalmente quando sabemos que poucos grupos no Brasil se dedicam honestamente ao teatro infantil. O que se vêem, atual- 145 mente, com raras exceções, são empreendimentos comerciais, cujos espetáculos são vendidos como picolés da Kibon ou chocoR E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

146 lates da Nestlé. A Lenda do Vale da Lua está sendo mostrada, no

Teatro Móvel, sempre aos domingos, às 17 horas. Vale a pena assistir. José Anderson – Diário do Nordeste

O REI SOLIMÃO E A RAINHA DE JABÁ
de José Argemiro da Silva Estréia: 13/06/81 – Teatro Móvel Com: Arnaldo Matos, Hiramisa Serra, Zulene Martins, Rachel Haddad, Deugiolino Lucas, Antonieta Noronha e Guiomar Carleal. Figurinos: Hiramisa Serra, Luz e Som: Hiroldo Serra, Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

ROMÃO E JULINHA
de Oscar Von Pfuhl Esse espetáculo contou com duas participações importantes: o artista plástico José Tarcísio e o músico César Barreto. Ambos, posteriormente, voltaram a colaborar com a Comédia Cearense. A segunda versão, em 1988, ganhou o prêmio de “Melhor Espetáculo”, no I Festival de Teatro Infantil do SESC, organizado por W. Salmito.
E R R A

Estréia: 19/07/86 – Theatro José de Alencar Com: Ayla Maria, Arnaldo Matos, J, Arraes, Anchieta Lacerda, Valter Marques, Maria Auxiliadora, Wagner Fernandes, Tadeu Nobre, Hiroldo Serra, Andréa Fontenele, Rose, Fernando, Douglas, Sérgio, Pádua, Valéria e Gabriela.

H

A R O L D O

S

Segunda Versão Estréia:03/07/88 - Teatro Arena Aldeota Com: Arnaldo Matos, Ayla Maria, Rogério Medeiros, J.Arraes, Anchieta Lacerda, Dora Lima, Hiroldo Serra, Domingos Neto, Angela Cristina, Karine Bessa, Kelly de Castro, Rosana Schiaerentolla, Érico, Álvaro, Pierre, Roberto, Dodth, e Haroldo Neto. Som e Luz: Massilon Moura – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação: José Tarcísio – Música: César Barreto – Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

“Durante toda a semana as crianças recebem, o dia inteiro, doses maciças de Xuxas, He-Men, Bozos, Esqueletos, Shyrras, Thundercast, Maravilhas afora “maravilhas outras que fundem (e confundem) as frágeis cabecinhas infantis, tal a constante belicosidade sobre os mais díspares tipos de forças que levam a gurizada a se indagar quem de fato representa o bem e quem realmente sintoniza o mau. Por causa disso, para aliviar tensões é necessário que nos finais de semana os pais levem seus rebentos para uma reciclagem, melhor dizendo, para uma “desintoxicação” dos enlatados alienígenas, no Teatro Arena Aldeota, onde a Comédia Cearense está levando a peça “Romão e Julinha”, uma versão infantil da tragédia “Romeu e Julieta”. De autoria do Paulista-alemão Oscar Von Pfuhl, “Romão e Julinha” é uma engraçadíssima comédia escrita especialmente para as crianças que Haroldo Serra transformou num delicioso musical 147 e dosou sua versão com inteligentes pitadas de humor que provocam as gargalhadas da criançada e dos adultos.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

Divulgação: Terraço - Cenário: José Tarcísio – Figurinos: Hiramisa Serra – Som e Luz: Brasil - Música: César BarretoIluminação e Direção: Haroldo Serra.

E A R E N S E

148

A peça conta a história de uma cidade onde duas comunidades de gatos se degladiam. De um lado os refinados, belicosos e preguiçosos gatos brancos, cujo chefe, o rei dos gatos brancos é o pai da bela e pacífica Julinha. Do outro lado, os ordeiros e laboriosos gatos amarelos que têm por líder o endiabrado Romão. Enquanto os amarelos constroem varas de pescar, os brancos fazem baladeiras para guerrear com “inimigos”. As duas castas vêm a ser o equivalente das famílias Capulleto e Montecchio da obra original de William Shakespeare. Sabedores das exigências do público infantil, Haroldo e Hiramisa fizeram um espetáculo perfeito: ricos figurinos, imponentes adereços de cena para dar clima medieval, canções bem urdidas (por César Barreto) e um minueto bem marcado e melhor ainda executado. A iluminação funciona na medida e o som idem, sob o comando de Massilon. Quanto ao elenco, mais uma vez Haroldo demonstra sua extraordinária capacidade como diretor e ensaiador e os intérpretes começam a surpreender logo no prólogo, quando os irrepreensíveis Domingos Neto e Hiroldo Serra, com muita categoria e elegância fazem os arautos. O veterano J. Arraes interpreta o engraçadíssimo rei dos gatos brancos, monarca velho, preguiçoso e com insaciável apetite por peixes. Seu ministro, bajulador e subserviente é Anchieta Lacerda e Rogério Medeiros vive Amarildo, o astucioso gato amarelo que é amigo de Romão. Haroldo Neto é o compenetrado “bufãozinho” que está sempre atrás do rei conduzindo seu trono. Hiroldo Serra, faz ainda o cozinheiro chinês do faminto rei e Maria Auxiliadora é a aia da princesa Julinha. Sobre Ayla Maria e Arnaldo Matos, intérpretes do par romântico da peça quase nada precisa ser dito, talvez, apenas que mais uma vez pisam o palco com a desenvoltura dos bons profissionais: seguros, tranquilos e tarimbados. Arnaldo que à noite no mesmo espaço interpreta um papel dramático, mais uma vez revela seu talento como ótimo comediante. Por sua vez, Ayla Maria, além de talentosa, está mais linda do que nunca. Nestes tempos de gatonas e gatões, nada mais adequado do que esse delicioso musical feito para as gatinhas de todas as faixas

H

A R O L D O

S

E R R A

Estréia: 07/04/91 – Teatro Arena Aldeota Com: Manoela Villar Queiroz, Hiroldo Serra, Guglielmina Saldanha, Poliana Moraes, Solange Teixeira, Adriana Chagas, Kildary Pinho, Ulisses Narcísio, Sara Lacet, Simone Sucupira, Cibele Mathias, Joelise Collyer, Carolina Firmino, Poliana Gonçalves e Karla Farias. C/Regra: Ana Patrício – Cenotécnica: Bila – Penteados: Paulinho Cabeleireiro – Perucas: Marlene Silveira -Som e Luz: Francisco Costa – Música: Herlon Robson – Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. 2a. Versão Estréia: 26/05/96 – Teatro Arena Aldeota

Com: Itauana Ciribelli, Yuri Oliveira, Hiramisa Serra, Poliana Moraes, Silvana Salles, Lucio Leonn, Lúcia Menezes, Nágila Sobral, Renata Gomes, Juliane, Lídia Rodrigues, Carolina e Lia Serra. Som/Luz: Haroldo Neto – Figurinos: Hiramisa Serra – Ar- 149 ranjos Musicais: Herlon Robson - Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

Adp. Livre de Hiramisa Serra

N O S

CINDERELA

D A

C

O M É D I A

etárias. Em tempo: O Hiroldo é filho de Haroldo e Hiramisa, que são avós de Haroldo Neto. Domingos Neto, é filho da talentosa Glyce Sales. Um atestado de que o Teatro Cearense começa a fazer gerações. E tradições...“ Marciano Lopes – Diário do Nordeste – 10/09/88

C

E A R E N S E

150

O CASAMENTO DE D. BARATINHA
adaptação de Walden Luiz Estréia: 14/03/92 – Teatro Arena Aldeota Com: Manoela Villar Queiroz, Hiroldo Serra, Odair Prado, Haroldo Neto, Eudstone Paixão, Rogério Medeiros, Poliana Moraes, Guglielmina Saldanha. Cenotécnica: Bila – Figurinos: Hiramisa Serra – Arranjos Musicais: Herlon Robson – Luz/Som: Sandro Camilo – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

adaptação livre de Walden Luiz Estréia: 05/06/92 – Teatro Arena Aldeota Com: Hiroldo Serra, Odair Prado, Joelise Collyer, Rogério Medeiros, Guglielmina Saldanha. Eudstone Paixão e Poliana Moraes. Contra Regra: Ana Patrício – Figurinos: Hiramisa Serra Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

O GATO DE BOTAS

E R R A

adaptação livre de Walden Luiz Estréia: 10/10/92 – Teatro Arena Aldeota Com: Márcia Sucupira, Euler Muniz, Rogério Medeiros, Felipe Furtado, Guglielmina Saldanha, Eudstone Paixão, Hiroldo Serra e Odair Prado.

PINOCCHIO

H

A R O L D O

S

Estréia: 13/03/93 – Teatro Arena Aldeota Com: Sara Lacet, Hiroldo Serra, Rogério Medeiros, Eudstone Paixão, Guglielmina Saldanha, Poliana Moraes, Naiana e Neiara Serra, Clice Norões, Cecilia Uchôa e Nágila Sobral. C/Regra: Ana Patrício – Figurinos: Hiramisa Serra – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Adp. Livre de Walden Luiz Estréia: 03/07/93 – Teatro Arena Aldeota Com: Clice Norões, Poliana Moraes, Hiroldo Serra, Rogério Medeiros, Guglielmina Saldanha, Odair Prado, Nágila Sobral, Naiana e Neiara Serra, e Irish Salvador. Contra-Regra: Ana Patrício – Cenografia: Bila - Som e Luz: Haroldo Neto – Figurinos: Hiramisa Serra – Direção Musi- 151 cal: Carlinhos Crisóstomo – Adereços: Carri Costa – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Júnior – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

R E T R O S P E C T I VA

Adaptada a partir de um conto de Alexandre Dumas Filho (inspirado em Hoffman) e música de Tchaikovsky. Encenada em homenagem ao centenário de morte do compositor.

4 5

A

N O S

Adap: Walden Luiz

D A

O QUEBRA-NOZES

C

O M É D I A

Contra-Regra: Ana Patrício - Direção musical: Herlon Robson – Figurinos: Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

C

E A R E N S E

152

Segunda Versão Estréia: 03/07/99 - Teatro Arena Aldeota Com: Clice Norões, Jadeílson Feitosa, Silvana Salles, Hiroldo Serra, Paulo Roque, Poliana Moraes, Yuri Oliveira, Christiane Goes, Alice Carvalho e Ana Maria. Som e Luz: Haroldo Neto – Cenografia: Bila – Adereços: Carri Costa; Figurinos: Hiramisa Serra – Contra-Regra: Ana Patrício – Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

A BELA E A FERA
adp. livre de Glyce Sales Estréia:18/02/93 – Teatro Arena Aldeota Com: Mônica Silveira, Hiroldo Serra, Guglielmina Saldanha, Rogério Medeiros e Sônia Sales. Contra-Regra: Ana Patrício – Figurinos: Hiramisa Serra –Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra

de Maria Irismar - Música de Paurillo Barroso
E R R A

ABRACADABRA,

Encenada para comemorar o centenário de nascimento de Paurillo Barroso. Estréia: 23/04/94 – Teatro Arena Aldeota

H

A R O L D O

S

Com: Poliana Moraes – Guglielmina Saldanha –Irish Salvador - Odair Prado – Maira Saldanha – Nágila Sobral - Naiana e Neiara Serra. Coreografia: Nádia Uchôa – Arranjos Musicais: Nízia Diogo – Luz: Serra Neto - Ambientação, iluminação e Direção: Haroldo Serra.

Com: Márcia Sucupira, Hiroldo Serra, Cláudio Jaborandy, Odair Prado, Irish Salvador, Silvana Salles, Marcos Araújo, Poliana Moraes e Roberto Reial. Contra-Regra: Ana Patrício – Som e Luz: Bento – Figurinos: Hiramisa Serra – Arranjos Musicais: Haroldo Ribeiro – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção; Haroldo Serra.

Adap. livre de Walden Luiz Estréia: 18/03/95 Teatro Arena Aldeota Com: Clice Norões, Roberta Brasil, Tiago Bessa, Jailson Feitosa, Igor Arruda, Lucas Lucena, Jadeilson Feitosa, Hiroldo Serra, Irish Salvador, Odair Prado, Neiara e Naiana Serra. Carpintaria: Bila - Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Paulo Henrique – Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo - 153 Adereços: Carri Costa – Figurinos: Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

PETER PAN,

R E T R O S P E C T I VA

Estréia: 06/08/94 - Teatro Arena Aldeota

4 5

A

O MÁGICO DE OZ
Adap. livre de Walden Luiz

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

154

Segunda Versão Estréia: 06/03/99 – Teatro Arena Aldeota Com: Hiroldo Serra – Christiane Goes -Irish Salvador – Itauana Ciribelli – Gabriel Carvalho – Igor Carvalho – Neiara Serra – Carolina Serra - Jadeilson Feitosa – Jailson Feitosa – André Goes – Lia Serra e Ricardo Medeiros. Cenotécnica: Bila - Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Haroldo Neto – Adereços: Carri Costa – Figurinos: Hiramisa Serra- Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

O DETESTINHA
de Dimitri Túlio Estréia: 16/11/96 – Teatro Arena Adeota Com: Hiroldo Serra, Lúcio Leonn, Itauana Ciribelli e Simone Sucupira. Contra-Regra: Ana Patrício – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Som e Luz: Jadeilson Feitosa - Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

E R R A

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JOÃO E MARIA
Adap. livre de Hiroldo Serra Estréia: 01/03/97 - Teatro Arena Aldeota

H

A R O L D O

S

Com: Jailson Feitosa, Thaís Furtado, Itauana Ciribelli, Hiroldo Serra, Poliana Moraes, Carolina e Lia Serra. Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Jadeilson Feitosa – Figurinos: Hiramisa Serra - Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

Com: Itauana Ciribelli, Hiroldo Serra, Odair Prado, Irish Salvador, Hiramisa Serra, Silvana Salles, Jadeilson Feitosa, Kalina de Carvalho, Nayane de Carvalho, Carolina e Lia Serra. Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Haroldo Neto – Direção Musical: Carlinhos Crisóstomo – Figurinos: Hiramisa Serra - Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra

VIVA EU... VIVA TU... VIVA A CASA DO TATU
de Walden Luiz Estréia: 1997 – Teatro Arena Aldeota Com: Hiroldo Serra, Silvana Salles, Odair Prado, Poliana Moraes e Irish Salvador. Contra-Regra: Ana Patrício – Som e Luz: Haroldo Neto – 155 Música: Haroldo Serra – Arranjos e Gravação: Carlinhos Crisóstomo – Adereços: Carri Costa – Caracterização e Dire-

R E T R O S P E C T I VA

Estréia: 11/05/97 – Teatro Arena Aldeota

4 5

A

A DAMA E O VAGABUNDO
Adap. de Hiroldo Serra

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

156 ção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação:
Haroldo Serra.

Adap. livre de Hiroldo Serra e Itauana Ciribelli Estréia: 04/04/98 - Teatro Arena Aldeota Com: Hiroldo Serra, Itauana Ciribelli, Hiramisa Serra, Irish Salvador, Haroldo Serra, Yuri Oliveira - Jailson Feitosa – Christiane Goes – Kalina de Carvalho e Nayane de Carvalho. Contra-Regra: Ana Patrício – Cenografia: Bila - Figurinos: Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Luz e Som: Haroldo Neto – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra.

FAMÍLIA ADDAMS

O SOLDADINHO DE CHUMBO
adap. livre de Hiroldo Serra Estréia: 05/09/98 – Teatro Arena Aldeota Com: Yuri Oliveira – Sabrina Romero -Itauana Ciribelli – Silvana Salles – Irish Salvador – Hiroldo Serra - Christiane Goes e Jadeilson Feitosa Contra-Regra: Ana Patrício – Cenografia: Bila - Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Luz e Som: Haroldo Neto - Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra

H

A R O L D O

S

E R R A

Adap. livre de Hiroldo Serra

500 ANOS DO SR. MOLEZA NO REINO DA PREGUIÇA
de Daniel Adjafre Estréia: 06/05/00 – Teatro Arena Aldeota Com: Hiroldo Serra, Pablo Vitoriano, Nancy Vitoriano, Irish Salvador, Haroldo Serra, Odair Prado, Paulo Roque, Christiane Goes e Jadeilson Feitosa. Contra-Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Haroldo Neto Figurinos: Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Iluminação, Ambientação e Direção: Haroldo Serra. 157

R E T R O S P E C T I VA

Com: Pablo Vitoriano, André Goes, Arthur Frota, Hiroldo Serra – Silvana Salles – Poliana Moraes – Paulo Roque – Lúcio Leonn – Christiane Goes – Lia e Carolina Serra. Luz e Som: Haroldo Neto - Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Figurinos: Hiramisa Serra – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

4 5

A

Estréia: 09/10/99 – Teatro Arena Aldeota

N O S

D A

Como resultado de um teste, com mais de cem garotos para escolha do intérprete para o personagem Mogli, três candidatos se destacaram: Pablo, André e Arthur. A Direção resolveu aproveitar os três, revezando os candidatos a cada semana.

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

MOGLI, O MENINO LOBO

158

AS MIL E UMA NOITES
adaptação livre de Walden Luiz Estréia: 19/08/2000 – Teatro Arena Aldeota Com: Eveline Soares Vieira - Hiroldo Serra – Paulo Roque – Rafael Martins – Luiza Torres – Irish Salvador – Marcos Araújo – Bailarinas: Manuela Lustosa - Luiza Torres – Elza – Cecilia, Catherine, Elaine – Crianças: Carol, Lia e Carolina Serra. Som e Luz: Haroldo Neto – Figurinos: Hiramisa - Cenários, Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Junior – Coreografia: Manuela Lustosa – Iluminação e Direção: Haroldo Serra. Talento e obstinação de uma família teatral “Revejo as lindas e milenares lendas árabes das “Mil e Uma Noites” agora em cores cearenses. A montagem, direção, guarda roupa, interpretação, pertencem a Haroldo Serra, ou dizendo melhor, à sua família, mulher, filhos e netos incluídos. Minha amizade com Haroldo Serra remonta aos anos cinqüenta, quando juntos militamos no rádio local. Já então, Haroldo Serra devotava com entusiasmo e carinho à arte teatral, inicialmente como ator e depois como diretor, cenarista e o mais que exija a arte do palco. Unindo-se pelo casamento à moça Hiramisa, o casal passou a constituir um ponto de referência e apoio à cultura teatral no Ceará, com projeção em todo o país. No Theatro José de Alencar, em palcos e arenas menores ou maiores, anos a fio, Haroldo e Hiramisa foram mostrando a força de seu talento em espetáculos inesquecíveis, a exemplo de “A Valsa Proibida”, a consagrada opereta de Paurillo Barroso, e de montagens memoráveis de “O Morro do Ouro” e da “Rosa do Lagamar”, de Eduardo Campos. Com estas peças, Haroldo Serra concorreu e ganhou, a nível

H

A R O L D O

S

E R R A

nacional, importantes prêmios de reconhecimento aos méritos indiscutíveis de sua obra. O tempo parece não reduzir o ânimo e a capacidade do querido amigo na realização daquilo que é o oxigênio de sua vida, a força que move sua ação cotidiana: o Teatro. E é com prazer que o reencontramos agora na produção de uma peça infantil de tanto bom gosto e de agrado absoluto, em cena no espaço do Teatro de Arena do Colégio Christus, na Aldeota. Nesta versão alencarina de “As Mil e Uma Noites” deparamos-nos com muitos detalhes que fazem de Haroldo e Hiramisa artistas de respeitável grandeza no campo do teatro brasileiro. Estão presentes na peça, antes de tudo, o poder de improvisação e o talento criativo que superam as limitações para uma montagem mais suntuosa. O guarda-roupa, por exemplo, foi produzido por Hiramisa Serra e consegue encantar pela graciosa policromia das fantasias ostentadas pelas várias e belas odaliscas. Vale a pena ver “As Mil e Uma Noites”, aos sábados e domingos, no Christus, mais uma forte demonstração do talento dessa predestinada família de artistas devotada ao teatro. Blanchard Girão – Diário do Nordeste

adap. livre de Hiroldo Serra Estréia: 13/10/01 – Teatro Arena Aldeota Com: Eveline Soares Vieira, Hiroldo Serra, Itauana Ciribelli, Jadeilson Feitosa, Hiramisa Serra, Poliana Moraes, Lia e Carolina Serra, Priscyla Prado, Paulo César Cândido, Odair Prado, Andre Góes, Francisco Falcão e Christiana Góes. C/Regra: Ana Patrício – Luz e Som: Lucas - Figurinos: 159 Hiramisa Serra – Caracterização e Direção de Arte: Haroldo Júnior – Ambientação, Iluminação e Direção: Haroldo Serra.

OS DÁLMATAS

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

PRÊMIOS E HOMENAGENS
Há uma certa “mania” do artista cearense dizer que não é prestigiado na terrinha. Se fala da falta de apoio financeiro, por parte das “autoridades” locais... é a pura verdade. Mas, em compensação, o reconhecimento da imprensa, dos intelectuais e principalmente do povo, é patente. Talvez a forma carinhosa com que sempre tenha sido tratada a Comédia Cearense, seja o motivo da nossa permanência na cidade. É ótimo receber prêmios pelo nosso trabalho fora do Ceará. Agora, um simples cartão de cumprimento de um conterrâneo nos dá uma imensa satisfação. O primeiro reconhecimento público do trabalho da Comédia Cearense, a partir do primeiro espetáculo, “Lady Godiva”, de Guilherme de Figueiredo, foi do programa - 7 Dias em Destaque – da extinta e saudosa TV Ceará. Um troféu em forma de jangada, chamado carinhosamente de “Jangadinha”, era oferecido semanalmente às pessoas ou entidades que haviam se destacado. A cada nova peça uma “Jangadinha”, ora recebida por mim, ora por B. de Paiva. Eu tenho, muito bem guardadas, sete “Jangadinhas” e, acho que o B. um outro tanto. Foi um programa importante para a valorização do talento local. Somente 13 anos depois de sua fundação a Comédia Cearense achou-se apta a participar de um Festival de Teatro a nível nacional. Entendemos que quando um grupo teatral apresenta-se em outros Estados, quer queira ou não, ele representa a cultura do nosso Ceará. Daí a nossa preocupação. Mas, valeu a espera. Nessa sua primeira participação a Comédia trouxe para o Ceará, prêmios importantes.

162

1963
Por requerimento do Deputado Raimundo Ivan foi registrado em ata, em 17/07/63, voto de aplauso e congratulações à Comédia Cearense, pela encenação da peça “O Morro do Ouro”, de Eduardo Campos

1965
“Placa de Bronze” no Theatro José de Alencar: “À Comédia Cearense e a Paurillo Barroso pelo sucesso da opereta “A Valsa Proibida” produzida por Haroldo Serra, dirigida por B. de Paiva e nos principais papéis, Orlando Leite e Ayla Maria, a homenagem do Governador e do Povo do Ceará. - 29/05/65”.

1966
“Placa de Bronze” no Theatro José de Alencar – 19/10/66 “À Eduardo Campos e a Comédia Cearense pelo sucesso no Rio de Janeiro e pela 100 a. apresentação de “Rosa do Lagamar. A homenagem do Prefeito Murilo Borges e do Povo de Fortaleza”. Descerrada por Paulo Sarazate, Diretor-Presidente de “O Povo”.

1970
E R R A

A R O L D O

II Festival Nacional de Teatro Amador de São José do Rio Preto – SP – 1970 Peça: “O Simpático Jeremias”, de Gastão Tojeiro – Adap. de Haroldo Serra

H

S

“Prêmio Arlequim – Melhor Espetáculo” pela Comissão julgadora e “Segundo Lugar” pelo Júri Popular “Melhor Diretor” – Haroldo Serra “Melhor Ator” - Haroldo Serra “Melhor Figurino” - Flávio Phebo “Melhor Sonoplastia” - Hélio Brasil “Melhor Ator Coadjuvante” - Walden Luiz “Menção Honrosa de Atriz” – Jacy Fontenele “Menção Honrosa de Atriz Coadjuvente” – Regina Távora “Menção Honrosa de Ator Coadjuvante” – Paulo Silveira De volta a Fortaleza, é promovida pelo Jornal O Povo, “A Noite do Arlequim” com presença do Governador do Estado, várias autoridades e a classe teatral. A Comédia ganha “Placa de Bronze” no saguão do Theatro José de Alencar: “À Comédia Cearense e a Haroldo Serra que com a peça “O Simpático Jeremias”, de Gastão Tojeiro, ganharam no II Festival de Teatro de São José do Rio Preto, os troféus de “Melhor Espetáculo”, “Melhor Diretor” e Melhor Ator”, a homenagem do Jornal O Povo - Agosto de 1970” A Câmara Municipal de São José do Rio Preto, a requerimento do Veareador José Barbar Cury, aprova por unanimidade, “ voto de grande júbilo pelo extraordinário sucesso com a realização do II Festival de Teatro, o qual foi brilhantemente vencido por este notável grupo de teatro com a peça “O Simpático Jeremias”, que tantos aplausos arrancou dos espectadores e dos críticos especializados”.

163

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

164

1971
III Festival Nacional de Teatro Amador de São José do Rio Preto – SP - 1971 Peça: O Morro do Ouro, de Eduardo Campos Adap. de Haroldo Serra Música: Belchior e Jorge Mello “Prêmio Arlequim de Melhor Espetáculo”, pela Comissão Julgadora “Melhor Espetáculo”, pelo Júri Popular “Melhor Cenógrafo” - Haroldo Serra “Melhor Atriz Coadjuvante” – Socorro Noronha “Menção Honrosa de Diretor” – Haroldo Serra

1974
Em 5 de outubro a Comédia ganha “Placa de Bronze”, pela inauguração do Teatro da Emcetur, com a peça de Eduardo Campos, “O Morro do Ouro”.

1976
Com a peça infantil “ O Planeta das Crianças Alegres”, de Ciro Colares, a Comédia Cearense ganha o prêmio “Melhores do Ano” pelo Serviço Nacional de Teatro.
E R R A

A R O L D O

S

1977
Prêmio “Melhor Espetáculo Infantil” do Serviço Nacional de Teatro, com a peça “D. Patinha Vai Ser Miss”, de Arthur Maia.

H

“Do Dr. Luiz Campos ao Diretor e Ator Haroldo Serra - Abril /77”

“Em homenagem aos 25 anos de teatro de Haroldo Serra, o Instituto Brasil-Estados Unidos apresenta a peça Abe Lincoln em Illinois” no Teatro do IBEU, dia 4 de abril às 21 horas. Em seguida será oferecido um coquetel no pátio do Ibeu”. “Placa de Bronze” no Theatro José de Alencar: “Haroldo Serra – Jubileu de Prata O reconhecimento da Secretaria de Cultura e da Classe Teatral aos seus 25 anos de trabalho e amor ao Teatro Cearense”. Dezembro de 1977

1978
“Melhor Espetáculo” – Serviço Nacional de Teatro – com a peça “Rashomon”, de Eduard Fay e Michel Kamin com tradução de Mário da Silva, que inaugurou o Teatro do Centro de Convenções, dentro das comemorações do Cinqüentenário do jornal “O Povo”. - 24/02/78. “Conselho Deliberativo Sociedade Brasileira Autores Teatrais aprovou voto congratulações dirigentes Teatro Móvel pelo êxito iniciativa que muito contribuirá cultura teatral nosso grande povo que habita férteis regiões glorioso nordeste deste nosso imenso et 165 muito querido Brasil pt Daniel Rocha Diretor de Comunicações”.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

Plaqueta de Bronze: “ querido casal Haroldo e Hiramisa Serra Ao com a amizade e a gratidão das “Oito Mulheres” – Maria José Braz, Dayse Griezer, Maria Helena Macêdo, Carla Fagundes, Edneuma Melo, Ana Maria Macêdo e Walderez Vitoriano. 12/77”.

C

E A R E N S E

166

Conselho Estadual de Cultura, aprovou, por unanimidade, a proposta do Conselheiro Eduardo Campos, no sentido de que fosse registrado em ata um voto de louvor ao ensejo da passagem do 21º aniversário de fundação da Comédia Cearense. - 21/09/78. O Círculo dos Trabalhadores Cristãos Autônomos de Fortaleza, concede o Título de Sócio Benemérito ao Sr. Haroldo Serra, pelos relevantes serviços prestados a este Círculo. – Lyrisse Porto – Presidente. Em 27/03/78. Diploma de Consagração Pública – Diploma de Honra ao Mérito conquistada na consulta pública, realizada na cidade de Fortaleza, pela Organização Informativa da Imprensa Brasileira, realizada com a assistência da Sociedade Brasileira de Pesquisa e Estatística, conforme resultado publicado no matutino “Unitário” e divulgada na TV-Ceará e Ceará Radio Clube, por haver classificado-se em Primeiro Lugar entre os realizadores do Setor Teatral. 30/09/68.

1979
A Câmara Municipal de Fortaleza, no ano do transcurso do Sesquicentenário de Nascimento de José de Alencar, concede a Haroldo Serra o “Diploma Sesquicentenário de Alencar” pelo seu devotamento à causa da Cultura Brasileira. José Barros de Alencar – Presidente. Em dezembro de 1979 A atriz Hiramisa Serra é indicada, em São Paulo para o “Prêmio MEC - Troféu Mambembe”, categoria Atriz, pela peça de Eduardo Campos “Rosa do Lagamar ‘.
E R R A

H

A R O L D O

S

1982
“Plaqueta de Bronze”- Haroldo Serra, as palmas da platéia e do elenco do Morro do Ouro, nos seus 30 anos de Teatro – Martha Vasconcelos – em 15/09/82. “À Comédia Cearense a homenagem do Programa Irapuan Lima, pelos 25 anos de Atividades”. “No transcurso do “Dia do Artista” nossa homenagem a Haroldo Serra pelos seus 30 anos dedicados ao Teatro Cearense. Rotary Club – Fortaleza/Oeste – Cláudio Bedê – Presidente”. Conselho de Cultura Sr. Haroldo Serra 17/09/82

Temos a satisfação de comunicar a V.Sa. que, o Conselho Estadual de Cultura, por iniciativa desta presidência, aprovou que lhe fosse enviado um voto de congratulações pela transcorrência dos 25 anos da Comédia Cearense. Comunicamos-lhe, outrossim, que esse testemunho de admiração e reconhecimento, contou com o apoio dos Conselheiros presentes, Manuel Albano Amora, Mirian Carlos Moreira, Artur Eduardo Benevides, Nízia Diogo, Mozart Soriano Aderaldo e Dálva Stella Nogueira 167 Atenciosamente, Manuel Eduardo Pinheiro Campos

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

“Plaqueta de Bronze” oferecida pelas entidades assistenciais, ACE e ACAD – em 04/09/81

C

E A R E N S E

1981

168

Sec. de Cultura e Desporto e Pres. do Conselho Estadual de Cultura. Secretaria de Cultura e Desporto 15/12/82 “Amigo da Cultura” A Secretaria de Cultura e Desporto homenageou com o diploma “Amigo da Cultura”, Nadir Papi de Saboya e Haroldo Serra. O Sec. Eduardo Campos exaltou as virtudes dos homenageados: “artistas de memoráveis representações cênicas, os dois novos amigos da cultura, marcam presença no cenário artístico cearense, especialmente nas artes cênicas, como diretores de peças e incentivadores de movimentos artístico-culturais”.

1984
Hiramisa Serra – Diploma de Grande Colaborador da Cultura Cearense, por seu Apoio e Participação nos Eventos Culturais do Ceará – Paulo Peroba Produções Culturais do Nordeste. Haroldo Serra – Diploma de Grande Colaborador da Cultura Cearense, por seu Apoio e Participação nos Eventos Culturais do Ceará – Paulo Peroba Produções Culturais do Nordeste

1985
E R R A

Diário Oficial 27/07/85 “Conselheiro” Nomeação de Haroldo Serra para o Conselho Estadual de Cultura pelo Gov. Adauto Bezerra.

H

A R O L D O

S

Tenho a satisfação de comunicar-lhe que a Assembléia Legislativa do Ceará, em atendimento ao requerimento do Senhor Deputado Teodorico Menezes, aprovou e inseriu em Ata voto de congratulações pelos trinta anos da Comédia Cearense. Atenciosamente, Deputado Luiz Pontes Primeiro Secretário

1988
I Festival de Teatro Infantil do SESC Organizado por Walfrido Salmito “Melhor Espetáculo”:“Romão e Julinha” de Oscar Von Pfuhl “Melhor Diretor”: “Melhor Ator”: “Melhor Atriz: Haroldo Serra (Romão e Julinha) Arnaldo Matos ( A Onça e o Bode) Eugênia Siebra ( A Onça e o Bode)

169

R E T R O S P E C T I VA

Assembléia Legislativa Sr. Haroldo Serra

4 5

A

“Plaqueta de Bronze”- Honra ao Mérito – 30 anos de Comédia Cearense – 1957/1987 - Fundação Cultural de Fortaleza – Presidente Cláudio Pereira.

N O S

D A

C

O M É D I A

“Troféu Carlos Câmara” – Agraciado: Haroldo Serra Promoção do Grupo Balaio - (Outros agraciados: B. de Paiva e Edilson Soares)

C

E A R E N S E

1987

170

“Plaqueta de Bronze” Hiramisa Serra pelos 30 anos de Teatro – Homenagem da TV Educativa. “Plaqueta de Bronze”- Honra ao mérito à Hiramisa Serra inexcedível interprete de Rosa do Lagamar”. Fundação Demócrito Rocha – 10/12/88 Conselho de Cultura Sr. Diretor da Comédia Cearense 07/11/88 O Conselho de Cultura congratula-se com todos os componentes desse tradicional grupo artístico, pelo recebimento do prêmio de “Melhor Espetáculo” com a peça “Romão e Julinha” no I Festival de Teatro Infantil, revelando o estágio de seus talentos artísticos. Atenciosamente, José Blanchard Girão Sub-Secretário de Cultura, Turismo e Desporto Conselho de Cultura Ilustríssima Atriz, Hiramisa Serra O Conselho de Cultura, atendendo proposta do Conselheiro Antônio Girão Barroso, consignou na ata da última sessão ordinária realizada em 1988, um voto de congratulações a V.Sa. pelo seu excelente trabalho na peça “Rosa do Lagamar” no Teatro Arena Aldeota. Atenciosamente, José Blanchard Girão Sub-Secretário de Cultura, Turismo e Desporto

H

A R O L D O

S

E R R A

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Diretor: Atriz: Cenário: Especiais: Haroldo Serra (Conjunto de Trabalhos) Lourdinha Martins ( Rosa do Lagamar ) Hiramisa Serra (Conjunto de Trabalhos) Roberto Galvão (Os Fuzis da Senhora Carrar) Colégio Christus (Construção do Teatro Arena Aldeota) Hiramisa Serra (30 anos de Teatro}

1989
I FESTIVAL DE TEATRO DO SESC Rasi Melhor Atriz: Hiramisa Serra, em a Mente Capta de Mauro “Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Espetáculo: A Mente Capta, de Mauro Rasi Diretor: Haroldo Serra (A Mente Capta) Atriz: Hiramisa Serra (A Mente Capta) Antonieta Noronha (O Simpático Jeremias) Atriz Coad.: Eugênia Siebra (A Mente Capta} Ator Coad.: Rogério Medeiros (Conjunto de Trabalhos} Revelação: Poliana Moraes (A Mente Capta) Guglielmina Saldanha (A Mente Capta)

171

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

“Troféu Carlos Câmara” – Agraciado: Hiramisa Serra – Promoção do Grupo Balaio – (Outros agraciados: Glyce Sales e Hugo Bianchi).

E A R E N S E

172

1990
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Espetáculo: A Valsa Proibida, de Paurillo Barroso Produção: A Valsa Proibida Figurino: Flávio Phebo (In Memoriam) Atriz: Ayla Maria (A Valsa Proibida) Dir. Musical: Herlon Robson (A Valsa Proibida) Ator Coad.: Haroldo Serra (A Valsa Proibida) Revelação: Márcia Sucupira (O Julgamento dos Animais)

1991
Plaqueta de Bronze- “À Comédia Cearense pelo transcurso do segundo aniversário do Projeto Teatro Permanente. – Fundação Cultural de Fortaleza – Presidente Cláudio Pereira – Julho de 1991”. “Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Espetáculo: Cinderela, de Hiramisa Serra Ator: Walden Luiz (O Morro do Ouro) Atriz: Guglielmina Saldanha (Branca de Neve) Hiramisa Serra (O Morro do Ouro) Poliana Moraes (Conjunto de Trabalhos) Autor: Eduardo Campos: (O Morro do Ouro) Figurino: Hiramisa Serra (Cinderela) Música: Belchior e Jorge Melo (O Morro do Ouro) Dir. Musical: Mário Mesquita (O Morro do Ouro)

H

A R O L D O

S

E R R A

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Ator: Euler Muniz ((Pinocchio} Sonoplastia: Haroldo Serra (Casamento de Dona Baratinha) Revelação: Odair Prado (O Gato de Botas) Especial: Haroldo Serra (40 anos de Teatro)

1993
A Fundação Cultural de Fortaleza concede a Hiramisa Serra a Placa de Honra ao Mérito pelos seus relevantes serviços prestados à Cultura e a Ciência. Dia da Cultura – Cláudio Pereira – Presidente. Em 05/11/93. O catálogo da XII Bienal de São Paulo registra a participação de Haroldo Serra, Carlos Morais e Aderson Medeiros na Bienal com o trabalho “A Morte do Circo”– 25 m2 de Arte/Comunicação. (outubro/novembro/73). “Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Esp. Infantil: Alice no País das Maravilhas Ator: Hiroldo Serra (Conjunto de Trabalhos)

173

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

“Plaqueta de Bronze” – 82o. Aniversário do Theatro José de Alencar – Homenagem aos Ex-Diretores – À Haroldo Serra o nosso agradecimento – 17/06/92

N O S

D A

C

O M É D I A

“Plaqueta de Bronze” – 82o Aniversário do Theatro José de Alencar – Homenagem aos Ex-Diretores – À Sra. Hiramisa Serra o nosso agradecimento – 17/06/92

C

E A R E N S E

1992

174

Atriz: Especial:

Martha Vasconcelos (A Casa de Bernalda Alba) Veimires Lavôr ( A Casa de Bernarda Alba) Colégio Christus (Construção do Teatro Paurillo Barroso

1994
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Esp. Infantil: Figurino: Atriz Coad.: Especial: O Mágico de Oz Hiramisa Serra (O Mágico de Oz) Silvana Salles (O Mágico de Oz) Antonieta Noronha

1995
I FESTIVAL DE FORTALEZA – 1995 Prêmio Waldemar Garcia “Melhor Atriz” – Hiramisa Serra (A Mente Capta) “Melhor Figurino” – Hiramisa Serra ( A Mente Capta) “Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Produção: Diretor: Ator Coad.: Revelação: A Bela Adormecida, de Walden Luiz Haroldo Serra (Circo Rataplan) Irish Salvador (Peter Pan) Roberta Brasil (Peter Pan)

H

A R O L D O

S

E R R A

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Autor: Dimitri Túlio (O Detestinha) Figurino: Hiramisa Serra (A Onça e Bode) Atriz Coad.: Poliana Moraes (Cinderela) Revelação: Itauana Ciribelli (Branca de Neve)

“Troféu Carlos Câmara”- Agraciado: Comédia Cearense – 40 Anos. Promoção do Grupo Balaio (Outros agraciados: Ilclemar Nunes e Muriçoca) “Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Ator Coad.: Walden Luiz (Alvorada) Maquilagem: Haroldo Júnior (Conjunto de Trabalhos) Assembléia Legislativa do Ceará 17 de março de 1997 Senhor Diretor

Atendendo ao requerimento de autoria do Senhor Deputado Artur Bruno, subscrito pelos Senhores Deputados Eudoro Santana, Tomaz Brandão, Barros Pinho e Artur Silva, aprovado em Plenário, comunicamos a V. Sa. o registro em Ata dos trabalhos desta Casa de voto de congratulação a esse grupo teatral, pelo transcurso alusivo aos “40 anos” de suas atividades. 175 Deputado Welington Landim Primeiro Secretário

R E T R O S P E C T I VA

4 5

1997

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

1996

176

Assembléia Legislativa do Ceará 03 de abril de 1997 Prezado Senhor Atendendo ao Requerimento de autoria do Senhor Deputado Barros Pinho, subscrito pelos Senhores Deputados João Alfredo, Tomaz Brandão, Artur Bruno e Arthur Silva, comunicamos a V. Sa. o registro em Ata dos trabalhos desta Casa de voto de congratulação, pelo transcurso alusivo ao “Dia Mundial do Teatro”. Deputado Welington Landim Primeiro Secretário Agência Mark Propaganda Kroma Produções Cliente: Mercadinhos São Luiz Duração: 90” Roteiro: Garcia Júnior Veiculado na televisão em homenagem aos 40 anos da Comédia Cearense (Me Acostumei Com Você) Aos Atores Haroldo e Hiramisa Serra e demais integrantes da Comédia Cearense. 20/09/97 O Teatro da Praia, na figura do seu diretor, o ator Carri Costa, parabeniza tão importante grupo teatral pelos 40 anos de intensa e significativa atividade cultural no campo das Artes Cênicas em Fortaleza, no Ceará e no Brasil. “Sinto-me demasiadamente estimulado a continuar o meu trabalho e pôr que não dizer: luta diária, que amo profundamente, ao me deparar com o testemunho de vossas vidas voltadas para essa fascinante arte. A história do teatro no Ceará se orgulha de ter sido ornada com as pérolas de suas produções e com certeza qualquer

H

A R O L D O

S

E R R A

Câmara Municipal de Fortaleza Presidente: Acilon Gonçalves 20 de setembro de 1997 “Cidadão de Fortaleza” Haroldo Serra recebe, por propositura da Vereadora Luiziane Lins, o título Cidadão de Fortaleza Haroldo Serra Fortaleza está mais cidadã fazendo cena com alegria – Parabéns – Artur Bruno Conterrâneo juntos faremos mais por Fortaleza. Fortitudne – Abraços Orlando Miranda. Parabéns pela honrosa e merecida homenagem Fátima Mendes Belchior. Receba minhas congratulações justa homenagem ao dileto colega extensivas Comédia Cearense. Martha Vasconcelos

Apraz-me cumprimenta-lo merecida homenagem prestada a V. Sa. através Câmara Municipal de Fortaleza. Atenciosamente – Adolfo Marinho Pontes 177 Parabéns merecido título cidadão de Fortaleza. Kécia Morais Lopes

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

homenagem que ressalte e valorize esses atos de bravura, cairão de forma mais justa. Diante disso o Teatro da Praia, filho caçula do movimento teatral, sente-se no dever de saudar esse importante antecessor e desejar que suas produções continuem a atravessar décadas, num resgate honroso daquilo que sabemos melhor fazer: Teatro”. Carri Costa

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

178

Assembléia Legislativa do Ceará 20 de setembro de 1977 Prezado Haroldo Serra Atendendo requerimento de autoria do Senhor Deputado João Alfredo, aprovado em plenário, comunicamos o registro em Ata dos trabalhos desta Casa de voto de congratulação por ter sido agraciado com o título de “Cidadão de Fortaleza” concedido pela Câmara de Vereadores. Atenciosamente, Deputado Ricardo Almeida- Seg. Secretário Merecimento “Em solenidade especial, na decorrência dos 40 anos da Comédia Cearense, Haroldo Serra recebeu da Câmara Municipal o título de “Cidadão de Fortaleza”. Uma homenagem super merecida a um artista que trabalhou, incansavelmente, ao longo de décadas, pela manutenção de um elenco permanente de (bom) teatro no Ceará”. Lêda Maria - Diário do Nordeste – 28/09/97

1998
“Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Espet. Infantil: Maquilagem: Revelação: A Família Addams Haroldo Júnior Jadeilson Feitosa (A Familia Addams) Christiane Goes (A Familia Addams)
E R R A

H

A R O L D O

S

“Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Ator: Hiroldo Serra (Peter Pan) Ator Coad.: Jadeilson Feitosa (Peter Pan) Paulo Roque (Mogli, O Menono Lobo)

2000
Governo do Estado do Ceará Secretaria de Educação Básica Homenagem Especial Haroldo Serra e Hiramisa Serra Homenagem pelos relevantes serviços prestados no campo da arte, com notável contribuição para o desenvolvimento de uma educação pública de qualidade. Antenor Naspolini Secretário de Educação Básica – 27/11/2000 “Prêmio Destaque do Grupo Balaio” Produção: As Mil e Uma Noites, de Walden Luiz Ator: Walden Luiz (Conjunto de Trabalhos) Ator Coad.: Haroldo Serra (500 Anos do Sr. Moleza) Figurino: Hiramisa Serra (As Mil e Uma Noites) Sonoplastia: Haroldo Neto (Conjunto de Trabalhos) Especial: Hiroldo Serra (25 Anos de Teatro)

179

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

1999

180

2001
Prefeitura Municipal de Fortaleza FUNCET – 29/11/01 O Professor Barros Pinho presta homenagem a Haroldo Serra no Dia da Cultura e Ciência por sua dedicação ao Teatro Cearense.

2002
HAROLDO SERRA RECEBE HOMENAGEM NO TJA O diretor teatral Haroldo Serra foi homenageado, ontem, na abertura do I Festival de Teatro de Fortaleza, pelos seus 50 anos de dedicação à arte. A cerimônia aconteceu no Teatro José de Alencar e contou com as presenças dos dirigentes da Fecomércio, Luiz Gastão Bittencourt, e da Fundação de Cultura Esporte e Turismo de Fortaleza (Funcet), Barros Pinho, promotores do evento. Ao receber o troféu em sua homenagem, Haroldo Serra anunciou está organizando a criação da Casa da Comédia Cearense que deve dispor, em seu espaço, de uma biblioteca para estudo, pesquisa e discussão sobre teatro. Haroldo Serra também falou da família e destacou a alegria de ter envolvidos com o teatro a esposa (Hiramisa Serra), filhos e netos. “O maior mérito do Haroldo é a persistência em superar dificuldades, num meio ainda pequeno e onde o apoio nunca é bastante. Ele lutou aqui, venceu aqui, e abriu espaços com o teatro do Christus, por sua determinação. É uma homenagem muito merecida porque tem feito muito pelo teatro cearense”, afirmou o senador Lúcio Alcântara, que participou da solenidade. O Povo – 07/01/02

H

A R O L D O

S

E R R A

Esta Coordenação tem a honra de participar que V. Sa. foi indicado para ser homenageado por seus relevantes serviços prestados às Artes Cênicas, tanto no Ceará quanto a nível nacional. Contamos com sua presença no dia 17 de janeiro de 2002 no teatro SESC Emiliano Queiroz às 15h para receber nossas homenagens. Regina Ângela Sales Praciano Coordenadora O troféu foi entregue pela atriz Jane Azeredo, atual presidente do Sindicato dos Artistas do Ceará. Câmara Municipal de Fortaleza Prezado Haroldo Serra Levamos ao conhecimento de V. Sa. que foi aprovado o Requerimento No. 002/02, de autoria do Vereador Heitor Férrer, solicitando “Votos de Congratulações”, pelo transcurso de 50 anos de vida dedicada ao povo cearense através de seu enorme talento nas artes cênicas. Atenciosamente, Vereador Francisco Matias Primeiro Secretário

Por ocasião da estréia de “O Gólgota” no Teatro Arena Aldeota, 181 o Deputado Artur Bruno homenageou, com “Placa de Bronze”, em nome da Assembléia Legislativa do Ceará, a Comédia Cearense,

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

Coordenadoria de Assistência Social Célula em Co-Gestão da Secretaria do Trabalho e Ação Social – SETAS

E A R E N S E

182 por seus 45 anos de fundação e a Haroldo Serra por seus 50 anos de
Teatro. Integrou a comitiva o Deputado João Alfredo. Teatro da Praia No dia 29/06/02, no encerramento do Festival de Esquetes, promovido pelo Teatro da Praia, Carri Costa, dirigente do grupo, outorgou a Comédia Cearense, por seus 45 anos de fundação e a Haroldo Serra, pelos seus 50 anos de teatro, o troféu “Gasparina Germano”. No saguão do teatro exposição retrospectiva da Comédia Cearense. Academia Cearense de Letras Artur Eduardo Benevides Presidente Haroldo Serra, Orlando Leite, Beatriz Alcântara, Mauro Benevides, Pedro Henrique Saraiva Leão, Lourdes Sarmento e João Dummar foram distinguidos com o “Diploma de Mérito Cultural” na sessão solene realizada em 15 de agosto de 2002, na sede da Academia Cearense de Letras. IX Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga Fernando Piancó, em nome da organização do IX Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, comunicou que o referido festival fará homenagem a Comédia Cearense, pelos seus 45 anos de atividades e a Haroldo Serra pelos seus 50 anos de teatro. Solicitou ao grupo material para promover uma exposição retrospectiva da Comédia Cearense durante o Festival que será realizado de 13 a 21/ 09/02.

H

A R O L D O

S

E R R A

Por iniciativa do Vereador Heitor Férrer a Câmara Municipal de Fortaleza, outorgará a Haroldo Serra, a “Medalha Boticário Ferreira”.

183

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

Edilmar Norões comunicou a Haroldo Serra, em nome de D. Yolanda Queiroz, a sua escolha para o troféu “Sereia de Ouro”. Também foram agraciados: Irmã Elizabeth Silveira; Prof. Roberto Cláudio Bezerra e Jornalista Luiz Edgar Andrade. A solenidade acontecerá no dia 27 de setembro de 2002, no Ideal Clube.

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

“Sereia de Ouro”

EDITORA COMÉDIA CEARENSE
Assim como as exposições de artes plásticas de artistas cearenses, das mostras de artesanato quando em viagem, a editora é também uma atividade paralela da Comédia Cearense. A sua criação deveu-se a necessidade da publicação da Revista “Comédia Cearense”. A partir daí fomos publicando eventualmente, contos, romances e peças teatrais de autores conterrâneos. Os 45 anos não nos fez arrefecer, ao contrário, nos estimula. A partir deste ano vamos intensificar as publicações. As nossas edições fazem parte do acervo de várias bibliotecas municipais e de universidades. Dentre elas: Biblioteca da Universidade Federal de Uberlândia; Biblioteca da Prefeitura Municipal de Uberlândia; Biblioteca Latinoamericana Benson da Universidade do Texas em Austin/EUA; Biblioteca Central da Universidade Federal de Goiânia; Biblioteca do Serviço Social do Comércio – SESC/Pernambuco; Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes de São Paulo; Biblioteca Mário de Andrade do Departamento de Bibliotecas Públicas da Prefeitura Municipal de São Paulo. Endereço para pedidos: Rua Canuto de Aguiar, 707/602 – CEP 60160 120 – Meireles – Fortaleza/Ce.

186

PUBLICAÇÕES: Revista Comédia Cearense: Nº 1 – Informações do grupo e texto completo da peça “Morro do Ouro”, de Eduardo Campos – 1964 (esgotada). Nº 2 - Informações do grupo; “História do Theatro José de Alencar ”, por Raimundo Girão; “Curta História de uma Vedete” (Concha Acústica), por Milton Dias e textos completos das peças “Rosa do Lagamar ”, de Eduardo Campos; “A Viagem do Anjo Paulinho a Terra”, de Nertan Macêdo e em separata “A Vigilia da Noite Eterna”, de B. de Paiva – 1964 (esgotada) Nº 3 – Informações do grupo e texto completo da burleta “O Casamento da Peraldiana”, de Carlos Câmara - 1966 (esgotada). Nº 4 – Informações do grupo; “Mais de Meio Século de Theatro José de Alencar”, por Raimundo Girão e texto completo da peça “Os Deserdados”, de Eduardo Campos – em português e espanhol, com tradução de Geraldina Amaral – 1967 (esgotada). Nº 5 – Informações do grupo; Mobral e Teatro Móvel e texto completo da peça “A Execução, ou antes, O Assassinato Jurídico do Cel. Joaquim Pinto Madeira, ou ainda, A Guerra do Benze-Cacete”, de Nertan Macedo - 1978 (disponível). Nº 6 – Informações do Grupo; “Novo Teatro Móvel” e “Plano Anual de Divulgação Artística e textos completos das peças “A Caça e o Caçador ”, de Francisco Pereira da Silva e “A Farsa do Cangaceiro Astucioso”, de Eduardo Campos. 1980 (disponível).

H

A R O L D O

S

E R R A

Nº 10 – Informações sobre o Grupo e texto completo da opereta “A Valsa Proibida”, de Paurillo Barroso. 1984 (esgotada). Nº 11 – Informações sobre o Grupo e texto completo da peça “Minha Nora Inglesa”, de Walderez Vitoriano. 1985 (disponível). Nº 12 – Informações sobre o Grupo – “História do Theatro José de Alencar, por Ricardo Guilherme e texto completo da peça “O Pão”, de Oswald Barroso. 1986 (disponível). Nº 13 – Informações sobre o Grupo – Comemorativa dos 30 anos – “ Trajetória da Comédia Cearense”, por Marcelo Costa. 1987 (disponível). Nº 14 – Sobre o “Teatro Arena Aldeota” e a implantação do “Projeto Teatro Permanente”. 1989 (disponível).

187

R E T R O S P E C T I VA

Nº 9 – Informações do Grupo – Comemorativa dos 25 anos da Comédia Cearense e textos completos das peças “O Morro do Ouro” e “Rosa do Lagamar” de Eduardo Campos. 1982 (esgotada).

4 5

A

N O S

D A

Nº 8 – Informações do Grupo e textos completos das burletas “Calu” e “Alvorada”, de Carlos Câmara. 1981 (esgotada).

C

O M É D I A

Nº 7 – Informações do Grupo e textos completos das peças infantis “Zartan, O Rei das Selvas”, de Ilclemar Nunes; “O Planeta das Crianças Alegres”, de Ciro Colares e “O Julgamento dos Animais”, de Eduardo Campos. 1981 (esgotada).

C

E A R E N S E

188

Outras Publicações LP -“Pastoril – Cantigas do Cearᔠ– Poesia e Crônicas de Jáder de Carvalho, Blanchard Girão, Eduardo Campos, Milton Dias, Moreira Campos, Juarez Barroso, Filgueiras Lima e Martins D’Alvarez. Canções de Aluysio de Alencar Pinto. Com as participações de José Domingos, João Falcão, Giacomo Mastroiani, Narcelio Lima Verde, José Humberto, B. de Paiva, Aderbal Júnior, Haroldo e Hiramisa Serra e do Madrigal da Universidade do Ceará, com regência do Maestro Orlando Leite. Brevemente em CD (remasterizado) como apoio de Calé Alencar. “Os Grandes Espantos” – Eduardo Campos - 1965 “O Clã dos Inhamuns” – Nertan Macêdo – 1965 “As Cunhãs” – Milton Dias – 1965 “As Danações” - Eduardo Campos – 1966 “Os Deserdados” – Teatro - Portugues/Espanhol – Tradução de Geraldina Amaral – 1967 “Eduardo Campos – Ator e Autor, 40 Anos a Serviço do Teatro Cearense – 1979

E R R A

“Teatro na Escola” – Peças Teatrais – Hiroldo Serra - 2001 “Novelo do Tempo” - Poesia - Caio Quinderé – 2002 “Retrospectiva” – 45 Anos da Comédia Cearense – Haroldo Serra – 2002

H

A R O L D O

S

BASTIDORES
Quem já não ouviu a promessa: me dá o endereço que eu te mando o texto. Fica quase sempre na promessa. De certa feita, Procópio Ferreira, que fazia temporada no José de Alencar, aceitou, com todo o elenco da cia., convite para um jantar preparado pela Hiramisa. O papo era variado: teatro...teatro e teatro. Comentei com Procópio sobre um grande sucesso de sua carreira: “Flores de Sombra” e que eu gostaria muito de conhecer o texto. Antes do final da temporada, Procópio manda me chamar no camarim e me surpreende: - Eis a peça que você queria...” Quebrou a máxima... mandou vir do Rio a peça de Cláudio de Souza, em rara edição de 1919, e me ofertou com honroso oferecimento: Haroldo, Aproveito a oportunidade para dizer da grande alegria que tive em lhe conhecer. Muitos homens de teatro, e que se dizem de teatro, nada entendem de teatro, eis a razão pela qual manifesto o enorme contentamento de ver em você um verdadeiro homem de teatro. Graças a Deus. A você a minha solidariedade, a minha admiração e a minha estima. Seu, do coração Procópio – 30/11/69

190

Como se vê, Procópio, além de grande ator, era um verdadeiro “gentleman”. Felizmente tive o prazer de conhecer na área teatral outras personalidades não menos cordiais, uma delas é Sábato Magaldi. Em princípios de 1981 era iminente a venda, pela Universidade Federal do Ceará, do prédio vizinho ao Theatro José de Alencar, que por direito pertencia ao Estado do Ceará. À época diretor do teatro, procurava evitar, por todos os meios, que de repente, o prédio privatizado, viesse abrigar sei lá o que... Enviei correspondência consubstanciada a Sábato, então membro do Conselho Federal de Cultura, municiado por dados que me foram fornecidos por Liberal de Castro. A resposta se fez de pronto: Rio, 16/10/81 Prezado Haroldo: Estou enviando a você a proposta que fiz ontem no Conselho Federal de Cultura e foi aprovada por unanimidade. A Rachel de Queiroz e o Djacir Menezes, que são cearenses, apoiaram com veemência minhas palavras e redigiram a nota anexa, que acompanhará a indicação ao ministro Ludwig e a outras autoridades. A decisão do Conselho – espero – poderá resolver o caso, evitando que o imóvel seja vendido a terceiros. O Orlando Miranda será também acionado, para que fortifique as reivindicações. O Conselheiro Adonias Filho, presidente do Conselho, não vê objeção que este material se torne do conhecimento dos interessados. Assim, você está livre para dar-lhe o destino que julgar conveniente. Lembranças à Hiramisa e um abraço para você. Sábato

H

A R O L D O

S

E R R A

O Magnífico Reitor da Universidade Federal do Ceará oficiou ao Excelentíssimo Senhor Governador daquele Estado, propondo a venda do imóvel situado na esquina da rua 24 de Maio com Liberato Barroso, em Fortaleza, onde se acha instalada a antiga Faculdade de Odontologia, atual Curso de Odontologia do Centro de Ciências da Saúde. O terreno se incorporaria ao Theatro José de Alencar, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o que é uma velha reivindicação dos responsáveis pela casa de espetáculos, já que ampliariam os jardins e se adaptaria uma construção ali existente para apoio das atividades artísticas. Informa o Magnífico Reitor que a alienação do imóvel foi autorizada pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da Republica, por meio do Decreto n. 86.031, de 27 de maio de 1981, e pondera que, se terceiros o adquirissem, poderia quebrar-se a unidade arquitetônica do Teatro, com uma edificação inconveniente para a beleza do logradouro. É de louvar-se a preocupação do Magnífico Reitor que, de acordo com a avaliação feita pelo Departamento de Obras e Projetos da UFC, propõe a compra pelo preço de Cr$124,897.040,00 (cento e vinte e quatro milhões oitocentos e noventa e sete mil e quarenta cruzeiros). Pelo que sei, ninguém admite em Fortaleza que o imóvel tenha destino diferente da incorporação ao Theatro José de Alencar. Ciente das dificuldades financeiras e jurídicas do Governo do Ceará para realizar a transação, venho pedir que 191 este Conselho seja mediador no encaminhamento do problema, para que ele tenha um desfecho feliz.
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

Sr. Presidente, Srs. Conselheiros:

E A R E N S E

A proposta na íntegra:

192

E não me parece difícil. Na realidade, o imóvel que a Universidade pretende agora vender ao Estado do Ceará foi por ele cedido à Faculdade de Medicina, mediante condições constantes da Lei n. 55, de 17 de novembro de 1947. As cláusulas salvaguardam os interesses do Estado, inclusive a de voltarem os mencionados prédios e terreno ao patrimônio do mesmo Estado se a Faculdade de Medicina não for efetivamente fundada ou, se o for, não preencher de qualquer maneira as suas finalidades”. Ora, instalando-se a Faculdade de Odontologia da Universidade, atual ocupante do imóvel, no bairro de Porangabussu. Deixa ele de preencher as suas finalidades, devendo pura e simplesmente reverter ao patrimônio do Estado, que lhe dará a melhor destinação. A devolução da área ao Governo do Ceará, sem nenhum ônus, já que o imóvel serviu durante trinta anos ao ensino, é ato elementar de justiça. Sem aprofundar a questão jurídica, seria possível prever que, se a Universidade Federal alienasse o imóvel a terceiros, o Estado, em face das condições previstas na citada Lei n. 55, de novembro de 1947, teria o direito de impugnar a transação. E, entre dois órgãos da administração pública, não cabe esse gênero de pendência. O Governo do Ceará já havia solicitado ao Ministro da Educação e Cultura a doação ou cessão gratuita do imóvel, com o objetivo de construir o jardim da face poente do Theatro José de Alencar. O Excelentíssimo Senhor Ministro Eduardo Portella, então titular da pasta, respondeu ao Excelentíssimo Senhor Governador do Ceará, alegando que, “No momento, entretanto, torna-se difícil atender a solicitação, por não ter a Universidade Federal do Ceará outro local para abrigar a referida escola” (Faculdade de Odontologia). Proximamente, com a mudança do estabelecimento, esse óbice desaparece, não havendo mais motivo para que se deixe de atender ao pedido.

H

A R O L D O

S

E R R A

Sábato Magaldi, conselheiro Abaixo o adendo conjunto de Rachel de Queiroz e Djacir Menezes: Crescidos à sombra do tradicional Theatro José de Alencar, edifício julgado por Rodrigo Mello Franco de Andrade, um dos mais belos exemplares da arquitetura ArtNoveau existentes no Brasil, fazemos nossa a argumentação exposta pelo Conselheiro Sábato Magaldi no presente relatório, a decisão que se aplaudirá, se favorável nesse processo, tocaria profundamente o coração cearense, em nome do qual pretendem falar os dois signatários. Rachel de Queiroz Djacir Menezes

193

R E T R O S P E C T I VA

A interveniência do Conselho Federal de Cultura junto ao Ministério poderá pôr fim a uma questão do maior interesse para o embelezamento de uma área tombada pelo Patrimônio Histórico. O Estado do Ceará compromete-se, em contrapartida, a implantar os jardins projetados pelo grande paisagista Roberto Burle Marx, demolindo todas as edificações sem significado arquitetônico ora ali remanescentes, conservando apenas o pequeno e quase secular edifício construído para a sede da Escola Normal, que será devidamente restaurado para uso de serviços auxiliares do Teatro, tais como ensaios de peças, escolas de dança etc. A boa vontade do Excelentíssimo Senhor Ministro Rubem Ludwig poderá levar à revogação do Decreto n. 86.031, de 27 de maio de 1981, que autorizou a Universidade Federal do Ceará a alienar o imóvel, devolvendo-se ele ao Estado do Ceará, com o objetivo de servir a um tão nobre projeto artístico e cultural.

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

194

Outra gentileza de Sábato foi atender ao nosso convite para vir a Fortaleza prestigiar a inauguração da Biblioteca Carlos Câmara, do Theatro José de Alencar, cujo acervo, com mais de mil títulos, adquiri do ator José Domingos, contemporâneo de Carlos Câmara, e doei ao Teatro. É evidente que primeiro José Domingos procurou as “autoridades competentes”. Ele queria apenas o valor do frete do Rio para Fortaleza. Foi recebido, mas não atendido. Tão grave quanto a história do prédio vizinho ao José de Alencar foi a notícia de que o Teatro São João, em Sobral, seria demolido para em seu lugar ser construída a “moderna” sede da Prefeitura Municipal. Novamente com o apoio do Liberal de Castro, alunos da Faculdade de Arquitetura e vários outros artistas, fomos aos jornais e televisões para denunciar. Deu excelente resultado... o Prefeito José Prado, de Sobral, nos procurou e de forma ingênua (?) disse: - Vocês criticam... eu quero saber se vão ajudar na recuperação do Teatro São João. Liberal, de pronto, organizou uma equipe da Arquitetura, conseguiu verba federal e fomos muitas vezes a Sobral acompanhar os trabalhos. É bom que se diga: sem receber qualquer remuneração. Na reabertura do Teatro, a Comédia encenou “O Demônio Familiar”, de José de Alencar, e um grupo de artistas sobralenses montou uma adaptação de “Luzia Homem”, de Domingos Olimpio. Uma história com final feliz... De tanto ouvir as estórias de Waldemar Garcia sobre Crato, acabamos por nutrir uma afeição especial por aquela cidade. Foi portanto prazeroso, ter tido a oportunidade de ajudar na implantação do Teatro Rachel de Queiroz – uma justa homenagem à nossa escritora maior. Ganhamos o reconhecimento da Sociedade de Cultura Artística do Crato, em missiva assinada pela batalhadora Divani Cabral: “ ... A sua interferência junto ao SNT, nos fez conseguir a

H

A R O L D O

S

E R R A

verba para o teatro. Até que enfim este sonho vai se realizar. O Teatro Rachel de Queiroz será terminado... ... Mais uma vez o nosso agradecimento e aqui na Sociedade de Cultura Artística o sr. terá sempre boa vontade, interesse e alegria em lhe servir”. Há melhor pagamento? O bom nesse apoio que temos dado a implantação de casas de espetáculos de nossas cidades interioranas é, quase sempre, a oportunidade da Comédia Cearense encenar, na inauguração, um espetáculo de seu repertório. A pedido do então Governador Adauto Bezerra, acompanhamos a implantação do Teatro Municipal de Juazeiro. Para inaugura-lo, por convite do Prefeito Orlando Bezerra, encenamos “O Morro do Ouro”, de Eduardo Campos. Teatro lotado, muitos aplausos. Uma noite memorável... Outra figura admirável, “meu tipo inesquecível” de todos os que fazem teatro no Brasil, era Paschoal Carlos Magno. Duvido que alguém o tenha procurado e recebido um não como resposta. Chamada telefônica certa no Ano-Novo; um quadro ou um objeto artístico quando o visitávamos. Oferecia muito e pedia pouco. Pena não ter podido atender a uma sua solicitação: Haroldo

É realmente uma pena que a Comédia Cearense não possa participar do Festival da Aldeia. Fico até namorando a possibilidade de “O Demônio Familiar” ser representada para gente de todas as idades. Eu me lembro que, trabalhando em Manchester, assisti á 195 “Macbeth”, de Shakespeare, representada para crianças, motivando um clima polêmico.

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

196

Os pedagogos respondiam que a tragédia vinha carregada daquela poesia, que é mais fácil ser compreendida pelas crianças que pelos adultos. Ora, “O Demônio Familiar” não tem crimes e é uma deliciosa aventura dos nossos avós. Sua linguagem é limpa. Sua história é uma lição de sobriedade e bons costumes. Se o Governador César Cals, que é um homem lúcido e inteligente, e fez um governo voltado para a cultura, resolver nos dar o presente de encerrar o “VII Festival” com “O Demônio Familiar”, seria o melhor prêmio para este velho combatente. De qualquer maneira, terminado o Festival e inaugurado em Niteroi o Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, vou a Fortaleza, que é uma das terras que amo, desde os vinte anos. Lembranças a Hiramisa, ao pintor e a dançarina. Abraço do seu amigo Paschoal Tal qual a biblioteca, também sem custos para o Teatro, foi a instalação do “Museu de Teatro de Fortaleza”. Ricardo Guilherme, seu criador, nos oficiou: Senhor Diretor Vimos, por meio desta, propor a V. .Sa., a instalação, nesta casa de espetáculos, do Museu de Teatro de Fortaleza, atualmente em funcionamento no Teatro São José. Tal proposição visa a melhor atender aos nossos objetivos de difundir e preservar acervos referentes à história da Arte Dramática Cearense, proporcionando assim a turistas, estudantes e pesquisadores em geral o estudo mais detalhado e a averiguação curiosa do assunto, Outrossim, esclareceríamos que a adesão que nos fosse dada não implicaria em ônus, posto que nos responsabilizaríamos pela

H

A R O L D O

S

E R R A

B. de Paiva, velho companheiro das primeiras investidas no teatro e parceiro na Comédia em muitos e importantes momentos, da o seu testemunho sobre os 45 anos do grupo e fala sobre muita gente da nossa geração.

“Em 1952, um grupo de sonhadores criava o Teatro Experimental de Arte, em Fortaleza. Era um começo, a definição para alguns de participarem como geradores de um processo cultural em uma região. Eram os da geração teatral dos anos 50. Entre muitos, alguns permaneceram e outros se desgarraram. Os que ficaram: Marcus Miranda ou Viana (se formaria alguns anos depois no Conservatório Nacional de Teatro, que no futuro viria a ser o curso superior de teatro da UniRio; Haroldo Serra (mais tarde, também advogado, administrador e funcionário público); Hugo Bianchi (depois se transferiu de armas e bagagens para a Dança); José Humberto Cavalcante, (este virou funcionário do Banco do Nordeste, foi para o Rio, tornando-se advogado; hoje foi trans- 197 portado para o Olimpo) e este escriba, (que fez um bocado de besteira pelo mundo afora). Outros começaram e depois se transferiram

R E T R O S P E C T I VA

Atenciosamente Ricardo Guilherme Diretor do Museu de Teatro de Fortaleza

4 5

A

N O S

disposição de todo o material (folhetins, retratos, programas, textos, recortes, documentos, etc.) e nos encarregaríamos de promover, junto a estabelecimentos de ensino e entidades culturais, a visita a interessados. Ficaria, ainda, acertado que no caso de não ser mais possível a permanência do Museu no T. J. de Alencar, o acordo seria desfeito, sem que nenhuma parte envolvida tivesse direito a objeções. Aproveito o ensejo para apresentar-lhe os mais sinceros protestos de elevada estima e consideração.

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

198 para novos palcos, aqui ou além: Eme Socorro ou Socorro Serra
(notável e bela atriz de “O Morro dos Ventos Uivantes” e “Irene”, papéis em que foi insuperável); Maria José Gonçalves a maior e única “centro dramática”, portadora da mais completa expressão verbal e prosódica que conheci nos meus cinqüenta anos de teatro. Essa paraense de nascimento, educada no Maranhão, foi magnífica no papel de avó Deolinda da peça de Pedro Bloch, “Irene”); Bismark de Paula, (onde andará hoje o galã de “Irene”) casado com a atriz Maria de Nazaré, filha de Lima Verde – o mais famoso homem de rádio de Fortaleza , inesquecível “Pilatos” do “ Gólgata” que ele produzia , com Abel Teixeira e Afonso Jucá. Um dos meninos ficou famoso no sul, na TV-Globo, Emiliano Queiroz, estreante de “Complexo”, peça minha e “Lampião” da Raquelzinha, depois ator de primeira da TV-Ceará e que um dia foi “Simbita”. Estes que ai foram citados foram início , não de um movimento amadorista, simplesmente. Os que ficaram não se utilizaram do palco, apenas, como atividade pequeno burguesa em períodos bissextos. Todos permaneceram fiéis ao seu apostolado. Da comunidade receberam estímulo, homenagens, ás vezes reconhecimento. Aquele grupo idealizado por Marcus Miranda, o TEA, desde o título até sua organização civil teve como segundo colaborador, este Pero Vaz cearense. Os dois saíram pela cidade , à cata de novos elementos. O terceiro encontro foi com Hugo Alves Mesquita, o “Bianchi”, amador conhecido em Fortaleza, surgido no Teatro das Irmãs Ferreira Lima, (Ginásio Santa Maria, no Benfica – hoje, Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno, na av. Da Universidade, então Visconde de Cauipe). Hugo já tivera experiências profissionais na Cia. de Marquise Branca com quem itinerou pelo norte e nordeste; depois. Estudando balé no Rio, inclusive com a imortal Eros Volusia, chegaria a trabalhar em grandes musicais do antigo Distrito Federal, entre eles os da Cia. Walter Pinto.O quarto participante foi Luiz Haroldo Cavalcante Serra, nosso Haroldo Serra, na época trilhando os primeiros passos como radialista, locutor, produtor de programas e publicitário. Ai o primeiro núcleo do Teatro Experimental de Arte que estrearia em 27

H

A R O L D O

S

E R R A

de novembro de 1952, no Theatro José de Alencar, “O Morro dos Ventos Uivantes” – adaptação do romance de Emille Brontè. Estes quatro permaneceram fiéis ao sonho original. Suas teatrografias somam mais de um milhar de criações de espetáculos, como autores, atores e diretores. Hoje em dia na história do Teatro Brasileiro, poucos são os que mais produziram, não apenas no Ceará, em todo o Brasil. Nenhum grupo permaneceu mais fiel aos seus princípios, enfrentado todas as transformações sócio-politíco-econômicas porque tem passado a província e o país. Não sobreviveram somente do trabalho cênico, todos têm atividades outras. Marcus Miranda, que Deus levou recentemente, era professor da Universidade Federal do Ceará, tendo feito televisão onde criou um dos personagens mais famosos da crônica cultural de Fortaleza, o “Praxedinho”. Hugo Bianchi, foi professor do Conservatório Nacional de Teatro, depois lecionou no Curso de Arte Dramática da UFC e, por acidente de percurso burocrático, bastante injusto, não recebeu o direito de aposentadoria. Este escrivinhador é professor aposentado da Universidade de Brasília, (com passagens na UFC e na UniRio, ator e diretor de Teatro, rádio, cinema e televisão) e Haroldo Serra. Dos quatro, dois constituíram famílias: Haroldo Serra tem três filhos: Haroldo Júnior, artista plástico e publicitário premiado, Hiroldo, (Pedagogo, pós-graduado em Educação Artística, Professor de Teatro e também Ator, fazedor de muitas coisas no palco, continuador das artes do pai e da mãe Hiramisa) e a filha Harolmisa... e lhe deram netos. O escriba que assina esta memória, tem dois filhos: o mais novo, Carlos Bittencourt, está em Fortaleza, graduado e pós-graduado em comunicações e Elizabeth, museóloga, está mornado no Rio, cada um com uma filha. De todos, o permanente e fiel amigo de Fortaleza, Haroldo Serra, foi quem conseguiu concretizar o maior trabalho em termos de experimentalismo e fidelidade às suas origens. Nenhum diretor realizou o que, em termos nacionais, tanto projetou o nome de seu 199 Estado, na área de teatro. Diretor convidado para encenar espetáculos em São Paulo, reconhecido como inovador nas suas “mise-enR E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

200 scene” de “O Simpático Jeremias” e “O Morro do Ouro”, (espetá-

culos premiados em festivais nacionais, reconhecidos por críticos como Sábato Magaldi, a quem a Comédia deve muitas recomendações; criou um espaço cênico que foi modelo para várias regiões do País, o Teatro Móvel, sem fins lucrativos, apresentava as mais diversas manifestações culturais. Haroldo vem editando ha mais de 30 anos, a “Comédia Cearense”, revista que é documento histórico dos mais importantes do Ceará, como crônica das atividades fortalezenses das últimas décadas. Poucos são os amadores destes últimos 45 anos que não passaram pelas mãos do Haroldo Serra: Ricardo Guilherme, (que lhe deve não apenas a oportunidade de iniciar-se ao reconhecimento público do sul e a quem deu apoio, quando diretor do Theatro José de Alencar, para a criação do Museu Cearense de Teatro); Aderbal Júnior, (homem de rádio no inicio, ator de muitos espetáculos e hoje – Aderbal Freire Filho – um dos mais importantes encenadores do País, inclusive no Uruguai, deixou a advocacia, herança da família, a partir do pai, Aderbal Freire); Glyce Sales, (integrante do TEA em 52, que fez a estréia nacional de “Lampião”, de Rachel de Queiroz, magnífica atriz e poeta), Lourdinha Falcão, (que é das nossas melhores intérpretes... e cada vez menos aparece no palco) e esta notável atriz e mulher de teatro, Hiramisa Serra, esposa, companheira de ideal e de trabalho de H.S (o casal tem as mesmas iniciais), braço direito da Comédia, formada em nível superior e ex-Diretora do Theatro José de Alencar, por competência e história de vida. O Theatro José de Alencar, tombado no Governo Virgílio Távora, por intercessão deste escriba, sobre projeto de Liberal de Castro, graças ao gesto de Juarez Távora, teve em Haroldo Serra um dos mais dedicados e dinâmicos administradores. Aliás, lembrando do assunto, não tivesse acontecido o tombamento, certamente em lugar do prédio erguer-se-ia hoje, como em quase toda a nossa antiga arquitetura histórica da cidade, um belíssimo edifício “moderno”. Foi idéia de Haroldo o aproveitamento do espaço vizinho ao TJA, o prédio da antiga Escola de Medicina, depois Odonto-

H

A R O L D O

S

E R R A

logia; por isso não foi também derrubado, como a Fênix Caixeral e antiga sede da Academia Cearense de Letras. Mas Haroldo fez mais: deve-se à sua iniciativa, junto ao Governador César Cals, a recuperação da estrutura comprometida e o surgimento do jardim anexo ao Teatro, onde antes funcionava o Centro de Saúde. Ainda: o Teatro da Emcetur. (hoje abandonado, quase em ruínas) foi construído graças ao espírito de um governador e ao assessoramento permanente de HS, que soube aproveitar o espaço de um quintal para erguer um teatro, a seu tempo dos melhores da cidade. Também é creditado a HS nomina-lo de Carlos Câmara, justa homenagem ao nosso grande comediógrafo. Naquele momento o Governo Cals também salvava o antigo prédio da cadeia pública, para transforma-lo em centro cultural pioneiro em Fortaleza, quando não haviam ainda influências pré-globalizantes na terra de Iracema. O “Centro de Convenções” que no projeto seria apenas um auditório virou teatro, dos maiores do Brasil, pela feliz frase de HS - ... um auditório não é um teatro, mas um teatro é um auditório – César Cals autorizou a Neudson Braga refazer o projeto. Eu e Haroldo o inauguramos, como teatro, no Governo Adauto Bezerra, com a peça “Rashomon” que foi “Melhor Espetáculo”, pelo Serviço Nacional de Teatro. No elenco a talentosa atriz Fernanda Quinderé, uma das mulheres de teatro que mais pugnaram pelo TJA, desde o final dos anos 80. Uma curiosidade: Maneco Quinderé, filho de Fernanda, começou a sua carreira, de um dos melhores iluminadores do País, nesse espetáculo da Comédia Cearense. Nos anos 70, Haroldo Serra, por suas boas relações com o pessoal de teatro do Rio, fez com que vários teatros de Fortaleza tivessem sistema de iluminação dos mais modernos, inclusive Theatro José de Alencar, Emcetur e Teatro do Centro de Convenções. Uma das testemunhas de reconhecimento do trabalho criativo e organizador de Haroldo Serra está expressa em crônica do jornalista, crítico, historiador, memorialista e professor de artes cênicas, 201 Yan Michalski, publicada no Jornal do Brasil: Yan define Haroldo como um homem que realizou uma unidade de equipe na busca da
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

202 forma interpretativa, batizando um estilo próprio e coerente como

encenador. Nesta hora de comemoração do ritual de 45 anos de Comédia, falo eu: Haroldo Serra foi o homem de teatro mais importante de sua geração, que nunca abandonou seu torrão para buscar sucesso lá fora, que sobreviveu idealisticamente por todo este tempo, a partir daquele núcleo chamado Teatro Experimental de Arte, criando o único grupo de teatro permanente do Ceará. Um dos únicos que sobreviveram além do Teatro de Amadores de Pernambuco e O Tablado de Maria Clara Machado. Além da Comédia, somente o grupo Clã, tanto significou nestes últimos 50 anos para a nossa terra. Haroldo encenou os mais significativos nomes do Teatro Moderno, de Lorca a Brecht. Foi quem mais estreou e fez representar autores cearenses, entre eles o mais importante dramaturgo, depois de Carlos Câmara: Eduardo Campos. Paurillo Barroso, em termos cênicos, sobreviveu pela Comédia. Não podendo, por falta de apoio à época, erguer o seu teatro, na “Estância”, continuou a buscar o seu espaço físico, que encontrou graças ao entendimento de cultura e arte que sempre pautou a trajetória do Colégio Christus, tão bem conduzido pelo prof. Roberto de Carvalho Rocha. Ali, na quina da João Carvalho com a Silva Paulet, desenvolveu-se um teatro de repertório, além da retomada do mais permanente movimento em busca de uma linguagem cênica para o público infantil, igual ao que fizera a Comédia Cearense no Theatro José de Alencar nos anos 60, quando, em termos de recordes nacionais de encenações e público, realizou, apresentou em mais de 60 fins de semana, com casas cheias, diversos autores, muitos deles nascidos no Ceará – um fato inédito na história do teatro brasileiro. A Comédia Cearense chega aos seus 45 anos. Seu idealizador, hoje aposentado do serviço público, continua, depois de tanto fazer pelos caminhos da vida e da arte. Criador de circo, elencos permanentes, “mambembeiro” por todo o interior do Estado do Ceará, levando, ora Carlos Câmara, ora Eduardo Campos, as principais cidades da terra em que nasceu, (quem tanto fez em outro estado do

H

A R O L D O

S

E R R A

Brasil?) criando teatros de arena e de palco italiano, publicando revistas de cultura, editando vários autores cearenses, mestre em “mídia” e “marketing”, inventor do mais original título para um bar destinado ao público do José de Alencar: o “Chopin-Bach”, no antigo bar do Teixerinha... Meu Dionisos! O tempo passou e eu não senti, porque sonhava. Nossa terra sempre foi a terra do esquecimento, que só é boa para se sentir saudade. Cadê o Afonso Jucá, (revolucionário de 32 em S. Paulo e administrador do TJA, de 36 a 63), o Teixirinha , (poeta, boêmio sério e culto da Fortaleza de Nogueira Accioli, e dono do barzinho do TJA, desde a inauguração do Teatro até ir-se para sempre, em fins dos anos 70; pai de Jório Nerthal, ator da Comédia e figura histórica da memória teatral cearense; o Queiroz (por cinqüenta e tantos anos zelador do TJA, limpador das cadeiras, do chão e do piano da Cultura Artística, e cujo melhor espetáculo que assistira foi “ aquele que terminou mais cedo”); o Fialho,(1o porteiro do TJA, por mais de 50 anos) o Brasil, (iluminador de cena e eletricista, iniciador de uma geração de iluminadores cearenses; seus filhos. Netos e o genro, o Lamartine, que o sucedeu (não posso esquecer que o Brasil construiu um refletor para me alumiar em “As Mãos de Eurídice”, num tempo em que só havia luz de ribalta e gambiarras no TJA); o Helder Ramos (que me ensinou carpintaria cênica e construiu muitos cenários para a Comédia e que ainda continua ali); o Carlinhos, filho do Queiroz, (que pelos ensaios “adivinhava” o sucesso ou fracasso das peças); Evanry Gurgel, que nos deu os primeiros apoios na imprensa do sul, um dos co-criadores da revista “Comédia Cearense” e redator do 1o número; Maestro Orlando Leite (que foi diretor do TJA; que cantou e foi diretor musical de “A Valsa Proibida” e criou a 1a orquestra de câmara e coral do Estado do Ceará, apresentando-se com grupos de dança na nossa casa oficial de espetáculos, entre eles o dirigido por Tereza Bittencourt, em sua Academia de Ballet Vaslav Veltchek, que funcionou por quase dez anos no 203 “Foyer” do TJA); Tereza (atriz destacada em muitos dos espetáculos da Comédia. Entre eles “Morro do Ouro”, “Lady Godiva”, “CaR E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

204 samento da Peraldiana”, “A Valsa Proibida” e “Rosa do Lagamar”);

o Mestre de tantos de nós. Waldemar Garcia, (completo em tantos segredos do palco, e que tantas vezes nos deu seu apoio crítico, sua ironia cultural, sua ajuda profissional, sua competência permanente, sua influência caririense); Serra filho, Serrinha, dinâmico e muito amigo que Deus levou tão cedo; Ayla Maria, esta diva cênica que tanto legou de seu talento ao grupo do Haroldo. E Paurillo Barroso , graças a quem foi realizado o primeiro processo de tercerização entre a Comédia e o Governo do Estado que permitiu a Comédia administrar, por Ato do Governador Parsifal Barroso, o TJA. Esta idéia do Haroldo antecipava os projetos do governo federal em fim de século... Neste instante, inicio dos anos sessenta, junta-se à direção da Comédia Afonso Barroso, como ator e co-administrador, somando-se ao sonho e muito tendo participado desta aventura, aquele que chamei um dia de “meu irmão Alegria”. E tantas outras pessoas e lendas que não consigo recordar agora. Entretanto, de coração e lembrança, estamos agora, todos juntos, batendo palmas pelos 45 anos de Comédia Cearense”. B. de Paiva Precursor da Comédia Cearense e celeiro de toda uma geração de talentos teatrais, o “Teatro Experimental de Arte” ganhou um eficiente resumo no livro de Marcelo Costa: “A História do Teatro Cearense”, que aqui reproduzimos: “Fundado por Marcus Miranda, Hugo Bianchi, B. de Paiva e Haroldo Serra, estreou no dia 27 de novembro de 1952 no Theatro José de Alencar, com “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontè, adaptação de B. de Paiva. O espetáculo alcançou grande êxito na cidade, sendo hoje um dos marcos da história do nosso teatro. Otacílio Colares no Correio do Ceará de 28 de novembro escreveu: “Fomos à nossa velha casa oficial de espetáculos com um certo receio – por que não dize-lo? Tratava-se de um conjunto do qual não tínhamos ouvido falar senão há poucos

H

A R O L D O

S

E R R A

dias e nos fazia temerosos o arrojo da primeira empreitada – a encenação de um drama forte como o imaginado e escrito pela grande romancista inglesa. Foi em tal estado de ceticismo que começamos a ver desenrolar-se no palco do Theatro José de Alencar as primeiras seqüências do enredo que, algum tempo atrás, Sandro e Maria Della Costa nos forneciam. A verdade é que logo nos primeiros momentos, evidenciou-se em nós a certeza de que o Teatro Experimental de Arte sabia com que contava para dar seus primeiros passos decisivos. Ali estava gente que estudara a peça que se impregnara do acre sabor daquele drama terrível de amor e ódio”. No mesmo jornal a 1/12/52: “O autor da adaptação soube escolher no romance o que havia de mais preponderante como matéria-prima do drama e lançou muito na peça em três atos e seis quadros que nos foi apresentada sem darnos canseira, antes interessando-nos vivamente (...) elogiando Hélder Ramos pelo muito que conseguiu na montagem dos cenários (...) Eme Socorro que se nos revelou uma artista realizada, pouco necessitando para poder ser considerada sem defeitos.” O sucesso de Eme Socorro foi estrondoso; jamais uma estreante no Ceará conseguiu tanto sucesso. Seu desempenho é hoje um dos mitos do teatro cearense. O Estado de 14/12/52 publicou: “Eme Socorro foi sem dúvida o ponto alto do programa. Com uma estréia brilhante e uma interpretação segura no papel de Catty, ajudada pela graça feminina e pela voz simpática. ”Estavam no elenco os grandes esteios do nosso teatro, então principiantes, Marcus Miranda, B. de Paiva, Haroldo Serra, Hugo Bianchi e mais Maria José Gonçalves, Hilka Rosane, Wagner Wanderley. O idealismo desses jovens foi recompensado e, animados pelo êxito, montaram “Irene”, de Pedro Bloch. Eme Socorro fez Irene; Maria José Gonçalves, Deolinda; B. de Paiva, Rocha; e Marcos 205 Miranda fez Gentil. Com estas duas peças e mais “A força do Coração”, de Alda Miranda, viajaram a Sobral, Teresina e São Luis,
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

206 onde conheceram Gracinha Figueiredo e J. Figueiredo, então dire-

tor do Teatro Artur Azevedo. O Teatro Experimental de Arte (TEA) se organizou. Seus estatutos, publicados no Diário Oficial de 12/06/56 diz: Seu objetivo é congregar todos os idealistas da arte teatral, objetivando com isso desenvolver no Estado a arte dramática. O TEA teria número ilimitado de membros (eram conhecidos como “Teanos”) dividido em três categorias: artistas, contribuintes e beneméritos. Eram obrigados a difundir a campanha do teatro cearense e pagar sua mensalidade: cada sócio podia levar três pessoas ao teatro mediante apresentação de recibo. Em muito dos seus espetáculos não cobravam ingressos, passando, no final, uma bandeja entre os espectadores para recolher contribuições. Sofriam penalidades, se faltassem três vezes consecutivas ou não aos ensaios, sem justificação por escrito; e por atos moralmente condenáveis nos ensaios ou espetáculos. Esta penalidade poderia ser em dinheiro. De Cr$ 5,00 a Cr$ 50,00 ou suspensão de cinco a trinta dias ou mesmo exclusão do quadro de sócios, sendo que as duas primeiras poderiam ser aplicadas cumulativamente. Muito rigorosos, como vemos, os estatutos do TEA. Os poderes eram divididos em: Conselho Diretor, composto de sete membros (Presidente, Secretário Geral, Tesoureiro Geral, Diretor Técnico, Diretor Social, Diretor de Publicidade e Diretor Cultural); o Conselho Artístico era composto de tantos membros quanto fossem necessário à montagem; e a Assembléia Geral, por todos os sócios. Ainda em 1953 o TEA realizou uma “Temporada Pedro Bloch” com “Os Inimigos Não Mandam Flores”( Haroldo Serra e Eme Socorro; “As Mãos de Eurídice” (com B .de Paiva) e “Morre um Gato na China” (com Marcus Miranda, Haroldo Serra e Eme Socorro – direção de B. de Paiva). O Teatro Experimental de Arte comemorou o seu primeiro aniversário com um espetáculo intitulado “Retalhos”. Composto de “Reflexo no Espelho”, adaptação de B. de Paiva, “Prelúdio” e “Pingo d’Água”, de Olegário Mariano, “Presidente Antes de Nascer”, de Mauro de Almeida e “Lágrimas de um

H

A R O L D O

S

E R R A

Palhaço”, de B. de Paiva, sendo esta a primeira peça de sua autoria, de que temos notícia. Em 1954 o Teatro Experimental de Arte, prosseguindo suas atividades, produz um importante espetáculo, tanto pela montagem como pelo texto de Rachel de Queiroz, “Lampião”. Direção de Vicente Marques com B. de Paiva, Glyce Sales, Tarcísio Tavares (assistente de direção), Marcus Miranda (fez Lampião),, Emiliano Queiroz, Helder Sousa, Othon Damasceno e José Humberto (fazendo Ezequiel ou Ponto Fino). “Lampião” foi mais um ponto positivo para os rapazes do TEA, antecipando-se ao Teatro Duse e à Cia. Dramática Nacional que no Rio disputavam o direito de encenar o texto. Sobre “Lampião”. Antes da estréia: O Povo, de 7/1/54 – “Inegavelmente a encenação da peça de Rachel de Queiroz representa muito bem a audácia e coragem dos moços do TEA. Os ensaios vêm se prolongando desde muitas semanas, em meio de pesquisa e estudos estafantes. Os teanos chegaram até a empreender uma viagem a Juazeiro, a serviço da encenação da discutida peça”. Depois da estréia – O Povo, de 22/ 2/54 – “Lampião” foi o espetáculo que maior repercussão alcançou nas representações teatrais de nossa terra. Nem uma outra anterior foi mais comentada nem mereceu mais acaloradas discussões.” 1954 foi ainda o ano de “O Noivo de Luiza”, de Saint-Clair Sena; “Simbita e o Dragão”, de Lúcia Benedetti: “Morre um Gato na China”, de Pedro Bloch, e “Mortos sem Sepulturas”, de Sartre, dirigido e traduzido por Vicente Marques, com Ary Sherlock, José Humberto, Paulo Silveira e outros. A 30 de setembro estreou “Complexo”, de B. de Paiva. O Povo, de 27/7/54, publicou:” B. de Paiva, este irrequieto elemento movimentador de nossos palcos, escreveu “Complexo” sem ligar para o convencionalismo, sem atinar para as regras teatrais há milênios estabelecidas e criou um espetáculo novo, 207 diferente daqueles que estamos acostumados a assistir.” O mesmo jornal de 30/7/54: “Maria José, que já constitui uma glóR E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

208 ria para nós, fará o papel de Marina, mulher viciada em

morfina, de caráter depravado, que constitui uma dupla, em identidades espiritual com seu filho Cícero, o traficante que tem em José Humberto uma interpretação magnífica. O terceiro personagem, um aleijado em conseqüência da maldade do irmão, é interpretado pelo próprio B. de Paiva.” No ano seguinte (1955) o TEA, num plano audacioso, produz para seus associados uma peça por mês. Estreando em abril com “Quilômetro 156”, de Luciana Peotta., direção de Marcus Miranda. Em maio – “Paiol Velho”, de Abilio Pereira da Silva, direção de Haroldo Serra com Glyce Sales, Marcus Miranda, José Humberto, Haroldo Serra, Maria José Gonçalves. Emília Correia Lima, então Miss Ceará e Miss Brasil, foi homenageada pelo Teatro Experimental de Arte com a peça “Aconteceu Naquela Noite”, de J. Wanderley e Daniel Rocha, foi a peça de junho e com ela o TEA viajou a Iguatu e Icó. “A Revolta dos Brinquedos”, de Pernambuco de Oliveira, em julho com Emiliano Queiroz, José Humberto, Marcus Miranda e Glyce Sales. “Os Inimigos não Mandam Flores” de Pedro Bloch e direção de Haroldo Serra com Esther Barroso, em agosto. “Deu Freud Contra”, de Silveira Sampaio com direção de Marcus Miranda, em setembro. “A Camisola do Anjo”, de Pedro Bloch, em outubro, com Haroldo Serra, Emiliano Queiroz, Glyce Sales, Nyl Rocha, dirigido por Haroldo Serra, cenários de Marcus Miranda e iluminação de Lamartine. “Era uma Vez um Vagabundo”, de J. Wanderley e Daniel Rocha, comemorou o seu terceiro aniversário e foi a peça de novembro. Neste espetáculo a atriz Glyce Sales, estrela do Tea, foi homenageada pelo Círculo Militar de Fortaleza. ”Um Cravo na Lapela”, em dezembro, completou o ano de 1955; neste espetáculo a atriz Maria José Gonçalves retornava ao TEA, depois de uma tournée com a Cia. De Raul Levy. Em 1956 o Teatro Experimental apresentou “Essa Mulher é Minha”, de Raimundo Magalhães Junior, com Marcus Miranda, Esther Barroso, Glyce Sales, José Humberto, Emiliano Queiroz e Maria José Gonçalves. Os cenários eram de Emiliano Queiroz e a

H

A R O L D O

S

E R R A

direção de Marcus Miranda. A peça foi encenada na Casa de Juvenal Galeno em homenagem a Henriqueta Galeno. Também na Casa de Juvenal Galeno o TEA apresentou “Um Pedido de Casamento”, de Thecov, com Marcus Miranda, Helder Sousa, Glyce Sales e cenários de Estrigas; e “Presidente Antes de Nascer”, compondo um único espetáculo. Com o elenco do Teatro Experimental de Arte, Waldemar Garcia montou “Cristo no Calvário”. No Patronato N. S. Auxiliadora; Emiliano Queiroz era Jesus; Glyce Sales, Madalena, Ary Sherlock, Caifaz; e a estréia de Aderbal Júnior, fazendo um soldado. A seguir, o TEA remontou “Irene”, desta vez com Glyce Sales no papel-título, e “Aconteceu Naquela Noite” com Marcílio Nogueira, Marcus Miranda, Bismark de Paula, Nyl Rocha e Glyce Sales “Almanjarra”, de Artur Azevedo, inaugurou o Teatro de Bolso do Teatro Experimental de Arte, a 9 de agosto de 1956, localizado na rua Pedro Primeiro, n. 1214. Em cima de uma garagem de ônibus. “Com cem cadeiras, um palco pequeno, o Teatro de Bolso ficou muito agradável” (O Povo, 15/9/56). “Almanjarra”, com direção de Marcus Miranda, teve Glyce Sales, Maria José Gonçalves e Marcílio Nogueira como protagonistas. “Deu Freud Contra”, com modificações no elenco, comemorou o seu quarto aniversário. No ano de 1957, Marcus Miranda ganhou bolsa de estudo do Gov. Paulo Sarazate para o Conservatório Nacional de Teatro. O incansável diretor do TEA vai para o Rio, para onde já tinham seguido Hugo Bianchi e B. de Paiva. Mas antes lança “Amanhã é Feriado”, de sua autoria, Domingos Gusmão comentando o espetáculo, (O Povo, 14/2/57) fala da peça do Miranda: “Amanhã é Feriado”, comédia ligeira de Marcus Miranda, não entedia, sobretudo pelas situações hilariantes, que provoca sem descer, todavia à classe de humorismo de bas-fond tão em voga hoje em dia... Há no dramaturgo estreante duas coisas prejudiciais, a sofreguidão de acabar logo e a ânsia do happy 209 end.” A peça tratava da vida de uma atriz. Miranda não fez mais nenhuma tentativa neste campo, firmando-se como ator e como diR E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

210 retor hábil (é excelente diretor de ator). Com sua viagem acaba um

dos principais grupos do Teatro Cearense, embora Tarcísio Tavares ainda tenha tentado prosseguir com o Teatro Experimental. Numa olhada pelas fichas do TEA vemos a ficha n. 25 de Ezaclir Aragão e ficamos sabendo que seu gênero preferido era a tragédia. A ficha de Marcus Miranda tem número 001 e ele preferia a comédia; a de José Humberto é 008 e preferia a tragédia; a ficha de B. de Paiva é a 002 e tinha uma preferência mais ampla (drama e tragédia). Uma ficha tinha a fotografia de um garoto, é a 14 de Emiliano Queiroz, que não tinha preferências; Glyce Sales tinha ficha 007 e Euzélio Oliveira a de n. 19. Eu nunca vi nenhum espetáculo feito pelo Teatro Experimental de Arte, a não ser fotografias; por isso peço emprestadas as palavras de um amigo e observador do processo do teatro nesta terra: Carlos Paiva – “O Teatro Experimental de Arte foi o maior celeiro de jovens idealistas que já surgiu no Ceará.” (Revista Comédia Cearense, n. 2).” Marcelo Costa - História do Teatro Cearense Ainda de Marcelo Costa, agora sobre os 45 anos da Comédia Cearense. Quarenta e cinco anos de Comédia Cearense. É um feito extraordinário. Há poucos casos no Brasil. E o que é mais importante: desde de 1957 vem a Comédia Cearense se apresentando ininterruptamente. É um grupo que tem um trabalho continuado. Aí está o seu maior patrimônio. A história da Comédia Cearense, seu passado glorioso, é um fato incontestável. Números e fatos, a Comédia tem o que mostrar. Temporadas fantásticas no José de Alencar, como o “Pagador de Promessas”, “Morro do Ouro”, “Rosa do Lagamar”, “Valsa Proibida”, “Casamento da Peraldiana”, para só citar algumas poucas. Prêmios em festivais nacionais, peças infantis, revista publicadas, discos editados, descoberta de no-

H

A R O L D O

S

E R R A

211

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

Marcelo Costa

C

O M É D I A

vos talentos. Haroldo Serra, Hiramisa Serra e a nova geração – Haroldo Júnior e Hiroldo Serra – estão de parabens. Vamos torcer para a continuidade deste grupo que faz parte da história do Ceará e particularmente contribuiu para aumentar meu amor pelo teatro.

C

E A R E N S E

HAROLDO SERRA, O VELHO GUERREIRO
Entrevista a Eliézer Rodrigues Ele é bacharel em Direito, formado em Administração Pública, aposentado do Tribunal de Contas do Estado (quando ingressou no serviço público, via concurso, obteve o 1º lugar). Nada a ver com uma das paixões da sua vida: o teatro. A outra é a família, integrando mulher - a atriz Hiramisa Serra - filhos e netos envolvidos, também com arte. Haroldo, 67 anos, comemora neste mês cinqüenta anos vivenciados nos palcos, montando espetáculos, formando milhares de atores, encenando textos de autores cearenses e ganhando os melhores prêmios em importantes festivais. E a vida segue na ribalta: semanalmente a sua Comédia Cearense monta trabalhos no Teatro Arena Aldeota. Um velho e atuante guerreiro! Como foram as suas primeiras aproximações ao teatro? As primeiras reminiscências da minha ligação com teatro recordam algumas peraltices da infância. Eu fazia parte de uma turma que, sem dinheiro para pagar ingresso, descobriu que o acesso ao José de Alencar poderia ser feito, pulando o muro do antigo prédio do Centro de Saúde, vizinho ao Teatro. Era o pulo-da-morte que consistia em “voar” quase dois metros entre os dois muros. E assim comecei a freqüentar o teatro. O tempo passou. Anos depois, freqüentando a Praça do Ferreira, onde se reuniam também os artistas

214 da cidade, nos famosos bate-papos, conheci em 1952, pessoas que já faziam teatro. Ali Marcus Miranda, B. de Paiva, Hugo Bianchi estavam iniciando os primeiros planos para a criação do Teatro Experimental de Arte. Aliás, eles estavam pondo em prática os ensinamentos dados por Paschoal Carlos Magno que havia passado por Fortaleza com o seu Teatro do Estudante do Brasil, trazendo no grupo excelentes atores, como Sérgio Cardoso. Por onde Paschoal passava, deixava semente na juventude para a criação de grupos teatrais. E por aqui não foi diferente. Os jovens cearenses, entusiasmados, levaram a idéia à frente. Fiquei interessado, e logo fui convidado por eles para integrar ao grupo que, por sinal, era muito organizado: todos fardadinhos, debates, tudo escrito em ata... O Teatro Experimental foi muito importante para a cultura cearense, porque naquela época o teatro cearense, em particular o de Fortaleza, era muito incipiente. Como surgiu a Comédia Cearense? Alguns anos depois, entre 1956 e 57, Marcus Miranda foi para o Rio de Janeiro fazer curso onde ingressou no teatro profissional, Hugo deixou de fazer teatro e passou a se dedicar ao balé, indo trabalhar, no Rio com Eros Volúsia. B. de Paiva tomou o mesmo rumo dos dois: radicou-se no Rio de Janeiro, onde juntou-se ao grupo de Paschoal Carlos Magno. Eu fiquei por aqui. Por natureza ética, tinha que formar um novo grupo, iniciar uma outra proposta. Aí surgiu a Comédia Cearense. A Hiramisa, à época, minha namorada, ainda sem ligação com o teatro, logo descobriu as qualidades como atriz e começou a integrar o grupo. E logo depois nos casamos, os filhos foram nascendo, isso deu margem para que a Comédia pudesse sobreviver. Porque passou a ser uma entidade onde o apoio familiar e a vivência caseira, sem gastos supérfluos, tornavam os custos menores e razoáveis. Além

H

A R O L D O

S

E R R A

das encenações, surgiu depois a Revista da Comédia com a finalidade de registrar todo o trabalho do grupo, além de criar uma memória do Teatro Cearense com a publicação de textos de autores locais. É um ponto que gosto de ressaltar: publicar e montar trabalhos de autores cearenses, nada tem a ver com bairrismo, e sim com uma busca da qualidade. A escolha sempre foi feita por meio de seleção. Durante muito tempo não participamos de festivais de teatro. Só em 1970 é que a Comédia realmente se sentiu que já estava com um nível de trabalho capaz de participar das mostras e festivais nacionais. A primeira experiência foi um sucesso para nós: ganhamos nove dos 12 prêmios (dentre eles, o de Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Diretor e Melhor Espetáculo) em disputa no Festival Nacional de São José do Rio Preto, em São Paulo, com a adaptação da peça O Simpático Jeremias, de Gastão Tojeiro. O interessante é que o Gastão até então era considerado um autor superado. Só que a nossa leitura entusiasmou o júri e os outros grupos. No ano seguinte fomos convidados para o mesmo Festival e levamos a peça, Morro do Ouro, de autor cearense, Eduardo Campos, e fomos muito, muito bem recebidos. Aliás, na votação de júri popular, a peça recebeu 96% na escala Bom e Ótimo. Um recorde até hoje não quebrado. Além de ganharmos o prêmio de Melhor Espetáculo pelo júri popular, a peça foi escolhida como o Melhor Espetáculo, eleito pelos julgadores. Claro que foi um grande estímulo, não à vaidade, mas incentivo para fortificar um trabalho que estava no caminho correto. E a Comédia teve, também, a oportunidade de encenar o espetáculo na Capital paulista, no Rio e foi convidada para participar do Festival de Nancy, na França. Todavia, não deu certo, porque teríamos que bancar a viagem ida e volta dos 38 integrantes do elenco. 215 Quando você dirigiu o Theatro José de Alencar foi feiR E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

216 ta uma grande reforma nas estruturas da tradicional casa
de espetáculos. Não deixou mágoas o fato de que, anos depois, arrancaram das paredes as placas que registravam sua passagem à frente do José de Alencar?

Penso que a gente não deve alimentar essa coisa de revanchismo, de mágoa, porque é preciso manter a certeza de que existe o reconhecimento da comunidade, não para a Comédia Cearense, mas para quem realmente faz um trabalho. Essa questão das placas realmente existiu, mas depois eles repuseram e até hoje elas estão expostas no jardim. Agora, com relação àquela reforma do Theatro José de Alencar pode ser analisada sob o ângulo da política atual imposta pelos administradores dos órgãos oficiais ligados à cultura. Evita-se de ser lembrada. Questão de procedimentos políticos. Mas, o que foi feito naquela época, deveria ser registrado, não por ter sido realizada na minha administração, e sim pela importância da reforma. Porque, enquanto essa última reforma foi voltada para o embelezamento, em 1974, o que ocorria é que o Theatro estava na iminência de desabar. A parte estrutural estava comprometida em todos os vigamentos e arcos de sustentação, pela ação da ferrugem. E sob a orientação e apoio do arquiteto Liberal de Castro, nós informamos ao governador César Cals sobre o perigo de se perder o belo monumento arquitetônico. Ele, muito sensível, determinou a efetivação dos trabalhos. Não se importou com o detalhe que a obra não ia render dividendos políticos, porque não aparecia aos olhos. Sugeri que as funções do Teatro não deveriam ser interrompidas. Nos dias de espetáculos, os andaimes e outros equipamentos da construção eram retirados. Platéia e palco foram os últimos setores restaurados. E quanto aos recursos humanos, técnicos, engenheiros e arquitetos, toda a equipe era composta por cearenses, comandada por Liberal de Castro. Diferente da reforma mais re-

H

A R O L D O

S

E R R A

O maior problema é o acesso. Se você quer defender uma proposta que é justa e importante para a comunidade, torna-se mais fácil quando a sua voz é ouvida. Hoje em dia, você não tem acesso às autoridades. Tenta-se marcar uma audiência, não consegue. Algumas são marcadas para seis, sete meses depois. É humilhante. Pra gente, que já foi recebido, sem maiores protocolos, por ministros, governadores, parlamentares, fica difícil aceitar tais regras protocolares. À época dos governadores Adauto Bezerra e César Cals, você tinha acesso e apoio muito mais objetivo. Um exemplo: durante muitos anos foi desenvolvido um projeto chamado Caravana da Cultura, patrocinado pela Secretaria do Estado, à época comandada por Ernando Uchôa Lima, em convênio com as prefeituras do Ceará, quando se faziam apresentações de teatro, música, balé, literatura etc. Mais de cem municípios foram visitados. Hoje, nós não temos nenhuma relação com esse tipo de trabalho. Tínhamos, aqui em Fortaleza, o Caminhão da Cultura que ia aos bairros. Além de tudo, a gente tem a predisposição de achar que a pessoa que não tem um nível cultural elevado, não gosta de teatro. Não é isso. Não precisa ser um intelectual pra gostar de uma peça! De uma música erudita! É questão de sensibilidade. E a 217 receptividade do público era algo fantástico.
R E T R O S P E C T I VA 4 5

A

N O S

Você que conviveu com políticas culturais de diferentes governos, principalmente nos governos dos coronéis César Cals e Adauto Bezerra, como avalia a relação atualmente entre a Comédia Cearense e instituições culturais oficiais?

D A

C

O M É D I A

C

cente, pois grande parte da equipe técnica veio de fora. Então, a reforma de 1974 mostrou que os cearenses tinham e têm capacidade para executar obra de tal envergadura.

E A R E N S E

218

E o que falta para a execução de uma parceria mais objetiva e satisfatória entre a classe artística e políticas governamentais? A política cultural dos órgãos governamentais da atualidade é apresentada de forma muito esdrúxula, estranha. Na realidade quando uma unidade cultural procura um órgão oficial, as autoridades evitam até de receber os representantes. Penso diferente. A idéia que faço de um órgão governamental, responsável pela política cultural da cidade, é que essa instituição planeje os acontecimentos artísticos, e que procure as lideranças artísticas, associações de pintores, de artistas de teatro, de dança, e com eles tracem planos. Na maioria dos nossos empreendimentos, a Comédia nem procura, pois é difícil, complicado e burocrático, que só realmente em alguns momentos de extrema necessidade é que a gente procura apoios oficiais. Imagino que em última análise, os grupos artísticos estão prestando um serviço aos órgãos que planejam projetos culturais. Nada é mais barato do que a cultura. Não adianta a cidade possuir teatros construídos com altos investimentos financeiros, super aparelhados, com manutenção caríssima, se o acesso do público, e principalmente o uso das salas tornam quase inacessível aos grupos. Resultado: as casas de espetáculos passam a maior parte do tempo, fechadas. A Comédia se acostumou às dificuldades financeiras, a projetar coisas economicamente viáveis, sem muitas parafernálias com soluções de acordo com as condições. Então isso termina tornando o espetáculo relativamente barato, como uma promoção do governo. Agora, o que acontece no presente é a falta de entrosamento do governo com os artistas.

H

A R O L D O

S

E R R A

Antigamente, apesar de a população de Fortaleza ser menor e os teatros em número reduzido, comparando com a situação de hoje, o público ia com mais freqüência às casas de espetáculos. O que influiu para minguarem as encenações e um decréscimo de platéia, principalmente nas exibições de grupos cearenses?

Alguns artistas locais falam, magoados de que o público não prestigia o que é produzido na terra. Eu discordo, radicalmente. No caso da Comédia, o público e a imprensa sempre prestigiaram o nosso trabalho, pela qualidade das peças, pelos prêmios que já ganhamos e homenagens que recebemos. O que ocorre é que houve uma transformação na sociedade e na cidade. Fortaleza era uma província até a década de oitenta. Ocorre que com o desenvolvimento turístico, aumentaram as atrações, inclusive mais chamativas (casas de forrós, shows de humor, temporadas de cantores, barracas de praia etc) quase em locais que oferecem bebida, jantares, e isso motiva muito as pessoas. A segurança tem um peso muito grande (um exemplo é a Praça José de Alencar que foi transformada em logradouro de ambulantes e sem estacionamento, e isso também fez com que as pessoas se afastassem do Theatro José de Alencar). Outra coisa: a televisão não tinha a força que tem hoje. O número de emissoras aumentou e conseqüentemente a briga pelo Ibope provocou que as atrações fossem diversificadas ao máximo. Por outro lado, a televisão ajuda, de certa forma, o teatro, quando, algumas peças vão a reboque de estrelas televisivas. E quando estrelas televisivas participam de espetáculos é o chamariz na certa. O que fez o cidadão: diante da falta de segurança para sair de casa, tendo dentro do seu lar amplas opções de diversões, praticamente gratuitas, ele acomodou-se no lugar 219 mais seguro. Também pode ser incluído como fator contra o teatro, a omissão da imprensa como elemento estimulador,
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

220 divulgando as peças, fazendo críticas aos espetáculos. A fal-

ta de continuidade de trabalho e a ausência de campanhas de marketing, ostensivo nos meios de comunicação estimulando o público, dificultam a propagação de temporadas. O que acontece é que as encenações são, na maioria, de grupos que cumprem temporadas eventuais. Então, não é um problema estrutural da cidade. Tudo faz parte de um contexto. A cultura não é um bem de primeira necessidade do ponto de vista material. Espiritual, sim. Entre um jantar num restaurante e uma peça teatral, a maioria das pessoas, quase sempre, prefere a primeira opção. Sempre que crises econômicas e outras mazelas atrapalham os operadores de projetos culturais, o teatro é um dos primeiros a sofrer conseqüências. O teatro vive em crise? Não é de hoje que se fala que o teatro está em crise. E isso quando é estimulado por aqueles que fazem teatro, transforma-se num referencial muito mais negativo. Ninguém gosta de fracasso. O público não vai a um espetáculo que antecipadamente é anunciado incompleto, porque faltou dinheiro para a produção. As pessoas apreciam as coisas que fazem sucesso. Particularmente, nunca dei entrevista pelo viés do pessimismo. Mesmo essa falta de apoio governamental não é uma constante nas minhas entrevistas. Porque, se falta a colaboração oficial, você vai encontrar outros caminhos. Dedicação e trabalho sempre fizeram parte da pauta da Comédia Cearense. Eliézer Rodrigues * Entrevista publicada na Revista Singular, edição de maio de 2002

H

A R O L D O

S

E R R A

São 45 anos de devoção ao teatro. Seu mentor comemora também uma efeméride ainda mais significativa. Os protagonistas dessa saga ininterrupta pelas arenas e palcos (italianos) brasileiros são a Comédia Cearense e seu diretor, Haroldo Serra. Na noite de hoje, no Teatro Arena Aldeota, a trupe inicia as suas comemorações com a montagem de um dos clássicos do moderno teatro nordestino: “A Faca e o Rio” ou “A Caça e o Caçador”, do piauiense Francisco Pereira da Silva. Ano após ano, o público cearense se acostumou a conferir as montagens da Comédia Cearense. O grupo teve várias formações, passeou por dramas, comédias, histórias nordestinas, histórias universais. Infantis e adultas. Conquistando o reconhecimento da crítica e do público.. No Ceará e em outros Estados. Haroldo Serra, maestro dessa trupe, constantemente renovada, é verdade, considera que o maior mérito da Comédia está na sua continuidade. “Nunca deixamos de nos apresentar um semestre sequer”. Feito raro em um país onde a cultura se habituou a se fragmentar. Aliado a essa longevidade, a Comédia se notabilizou pela diversidade e a qualidade de suas montagens. “ O teatro no Ceará é uma prática eventual, que a pessoa administra com outras atividades. Então procuramos estimular ao máximo essa diversidade, como forma de não privar o elenco de experiências distintas”. Assim, a Comédia Cearense exercitou sua versatilidade até em montagens mais populares, como a sua versão de “O Gólgota”, apresentada na Semana Santa deste ano. No mais, entre clássicos dos Irmãos Grimm e outros textos infantis mais contemporâneos. A companhia conquistou também o público adulto em montagens de Mauro Rasi, Bertolt Brecht, Carlos Câmara, Eduardo Campos ou Garcia Lorca, entre outros, como Gastão Tojeiro, autor de “O Sim- 221 pático Jeremias”, ovacionado e detentor de nove prêmios no Festival de São José do Rio Preto.
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

SOB O SIGNO DO TEATRO

222

A dramaturgia cearense também foi uma das características marcantes da atuação do grupo. Do infantil “O Detestinha”, de Demitri Túlio, aos legendários textos do também jornalista Eduardo Campos, montados nos anos 70 e 80. De o “Morro do Ouro”, musical que ficou em cartaz durante quase 10 anos, ao célebre “Rosa do Lagamar”, que deu vários prêmios a Hiramisa Serra, esposa e fiel escudeira de Haroldo. Também pudera. O envolvimento do diretor da Comédia Cearense com a cena começou na companhia de outras celebridades alencarinas. Ao lado de nomes como Marcus Miranda, B. de Paiva e Hugo Bianchi, Haroldo estreou em 1952, no Teatro Experimental de Arte. Sua primeira direção foi “Paiol Velho”, de Abílio Pereira de Almeida, com Glyce Sales, José Humberto e o próprio Haroldo no elenco. Nos cinco anos que separam o início da sua atuação na Comédia, o ex-animador da Rádio Iracema e seus parceiros, sobretudo B. de Paiva, podiam ser vistos incrementando sua formação dramática, além dos palcos, nas boas salas de projeção da cidade. “Às 10 horas, estávamos no Majestic. Às duas, íamos ao Moderno e às quatro, na hora da paquera, íamos para o Diogo. Já a noite, às oito era a hora do Cine Rex, que era vizinho lá de casa”, narra Haroldo, então vivendo na Rua Major Facundo. Uma das ousadias do Teatro Experimental de Arte foi romper com o ponto, antigo recurso utilizado para facilitar a vida de certos atores em cena.”Também acabamos com aquela estética da voz projetada preferindo uma linguagem mais coloquial. No “finalzinho” do Teatro Experimental, Haroldo conheceu Hiramisa, moça ousada que tocava acordeón e adorava quadrilhas de S. João. Logo os dois se casaram e a jovem atriz pode finalmente subir aos palcos.”Antes a família dela não deixaria nunca”. Em setembro de 1957, a Comédia faria sua primeira apresentação com “Lady Godiva”, de Guilherme Figueiredo. Nunca mais o casal se separaria dos palcos. Bem depois, em 88, a Comédia passou a ter seu nome atrelado ao Teatro Arena

H

A R O L D O

S

E R R A

Henrique Nunes – 14/06/02 – Diário do Nordeste O TEATRO, HAROLDO SERRA E A COMÉDIA A Comédia Cearense estréia hoje o espetáculo “A Faca e o Rio” ou “A Caça e o Caçador”, de Francisco Pereira da Silva, com direção de Haroldo Serra. A montagem integra a programação de comemoração dos 45 anos de atividades da Comédia e meio século de teatro de Serra. HISTÓRIAS PARA CONTAR

Em meio século de dedicação ao teatro, o cearense Haroldo Serra está mais do que disposto a continuar sua luta pelo bom teatro cearense. Prestes a apresentar um espetáculo dentro do projeto de circulação EmCena Brasil por três capitais brasileiras, ele é orgulho só quando o assunto é o aniversário da sua Comédia.“O aniversário é em setembro, mas não é uma coisa individualizada. Então a 223 gente tirou o ano – que houve uma coincidência de eu fazer 50 anos de teatro – e vamos tentar fazer isso com o máximo de eventos,

R E T R O S P E C T I VA

Aldeota, formato que estimulou a companhia a novas pesquisas de linguagem. Uma história de dificuldades e de vitórias que será descrita agora em livro, “Retrospectiva – 45 Anos da Comédia Cearense”, e numa exposição que também poderá ser vista no Arena Aldeota. Em agosto, a companhia inaugura a Casa da Comédia Cearense, espaço de memória e renovação das histórias do grupo, reunindo uma biblioteca especializada, além de cursos e até um Teatro Jardim para seus alunos. “Vai ser um espaço mais periférico, oferecendo uma alternativa cultural à cidade e onde pretendemos mostrar como o teatro e a Comédia Cearense refletem as transformações sociais que nos acompanham”. Longa vida a essa séria empreitada.

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

224 inclusive inaugurar a Casa da Comédia Cearense, já em agosto. Vai

ter um memorial, com uma exposição de prêmios e projetos de cenários, uma biblioteca especializada em teatro... Vai ser no Rodolfo Teófilo, porque o objetivo é exatamente atender todos aqueles bairros: Parquelândia, Damas, São Raimundo, Parangaba. É a primeira tentativa de promover nos bairros, cursos de várias atividades artísticas”, afirma. Tendo iniciado no rádio como locutor e rádio-ator, foi no Teatro Experimental de Arte que Haroldo – ao lado de B. de Paiva, Marcus Miranda e Hugo Bianchi – voltou os olhos com mais atenção para o palco. Extinto o grupo, criou então a Comédia Cearense no ano de 1957. A Comédia Cearense foi criada com o objetivo de fazer um repertório eclético, com uma preocupação muito grande com o autor local mas sem problema de bairrismo. Um texto não é escolhido apenas em função do autor ser cearense e sim em razão da qualidade. Haroldo Serra e o teatro cearense são dois nomes praticamente indissociáveis. Completando 50 anos dedicados ao teatro, o teatrólogo cearense aproveita a deixa e pede passagem para mais uma de suas montagens. O elenco da Comédia Cearense estréia hoje, às 20h30min, a peça “A Faca e o Rio” ou “A Caça e o Caçador”, de Francisco Pereira da Silva. O palco será mais uma vez o do Teatro Arena Aldeota, local em que o grupo, há 14 anos, vem firmando um fiel convênio. Tido como um dos mais importantes teatrólogos do Brasil, Francisco Pereira da Silva escreveu a peça e transpôs para o palco algumas questões, como o famigerado poder do dinheiro, a corrupção, o machismo e a linha tênue que separa o amor do ódio. No palco, uma volta às raízes nordestinas dá a ambientação da história por meio da mistura entre atores e bonecos e a literatura de cordel. O grupo, por ocasião da estréia logo mais, também fará homenagem especial a algumas pessoas que ajudaram de alguma forma para a sustentação da Comédia. São elas: Barros Pinho (presidente da Funcet), José de Carvalho Rocha (diretor do Colégio Christus),

H

A R O L D O

S

E R R A

Francisco Jereissati (diretor do Pão de Açúcar) e Stanley Whibbe (coordenador de teatro da Funarte). O Vida & Arte conversou com Haroldo Serra e selecionou alguns tópicos pertinentes em sua opinião. Cheio de projetos a curto prazo, inclusive a inauguração da Casa da Comédia Cearense, o diretor destacou curiosidades sobre a escolha do texto, o autor e a peça em si. O AUTOR

O autor, Francisco Pereira da Silva, já falecido, é na realidade um dos mais importantes autores do Brasil. Ele nasceu no Piauí, mas morava no Rio de Janeiro onde era funcionário da Biblioteca Nacional. É um autor publicado e representado na Europa. A Caça e o Caçador é um texto que os diretores no Rio e São Paulo adoram, usam inclusive como tema de cursos, mas eles acham que o espetáculo daria melhor pra cinema porque tem uma série de dificuldades cênicas. A peça tem várias cenas que ocorrem numa balsa dentro de um rio. A peça tem uma feira, um bumba-meu-boi, um tribunal de julgamento, o gabinete de um governador, uma intendência... Então o espetáculo é muito complexo em termos de espaço. Ocorre que quando você parte para o simples, o Nordeste, o teatro de cordel, o mamulengo, você tem possibilidades muito ricas e soluções muito simples como é a própria cultura do nordestino. Então, em vez de partir para soluções mecânicas, de teatro de Broadway ou qualquer coisa assim, a gente buscou exatamente as raízes e as soluções foram realmente muito interessantes para o espetáculo, além de tornar o texto nordestino mais acessível. Na medida em que você pega um texto de uma problemática do Nordeste e dá um tratamento que não o da própria cultura, fica meio difícil do espectador ter uma relação maior. Então essas soluções tornaram a peça muito mais fácil. A maioria dos grupos do Nordeste sempre buscaram trabalhar a partir das próprias raízes. 225
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

226

O ESPETÁCULO A linha mestra da peça é a história de um nordestino que, na época do período áureo da borracha, vai pro amazonas em busca de riqueza e, dez anos depois, ele volta. Tinha deixado a mulher ainda sem filhos. Ela teve vários filhos na ausência do marido com homens diferentes. Essa diversidade de homens era para não se fixar a ninguém, justifica a personagem. Raimundo volta, rico, cheio de poder e se sente traído. Ele vinha se apresentar como pessoa que tinha ganho bastante. Tinha crescido, e encontra... um par de chifres, né? (risos). Machista, com todo aquele poder, ele se sente traído, frustrado e resolve matar a mulher. Então entra a parte política da história, a corrupção. No decorrer da peça surge uma prostituta que revoltada por não ver nenhuma autoridade tomar providências, resolve lutar contra todos. É a única personagem a defender Maria. A COMÉDIA E OS DRAMATURGOS A Comédia sempre procurou montar autores cearenses, sem esquecer o autor nacional e o universal. Já montou Brecht, Lorca. A verdade é que ainda há um preconceito contra o autor nordestino. Mas um texto com essa qualidade não pode ficar inédito. Então eu achei que seria uma oportunidade interessante porque a Comédia está inscrita no projeto EnCena Brasil na categoria Circulação de Espetáculos e estamos tentando levar a peça a Brasília, São Paulo e Rio. Na oportunidade encenaremos também um autor novíssimo que é Caio Quinderé, cuja peça “Nos Trilhos da Paixão” apresentamos ano passado. Paralelo a isso, nós vamos divulgar o livro que estou escrevendo: uma retrospectiva que registra todo o percurso da Comédia Cearense nesses 45 anos. Vamos levando também fotos e cartazes dos principais espetáculos para divulgar o trabalho da gente no Ceará. Teresa Monteiro – 14/06/02 – O Povo

H

A R O L D O

S

E R R A

COMUNICAÇÕES
Fortaleza,07/11/68 Do Presidente da Sociedade Musical Henrique Jorge Ilmo. Sr, Professor Haroldo Serra A Sociedade Musical Henrique Jorge tem a honra de comunicar a V.Sa., que a Comissão Diretora do IV Festival da Música Popular do Ceará, promoção desta entidade, escolheu, entre as mais destacadas figuras do mundo cultural e artístico cearense, a sua digníssima pessoa para integrar a Comissão Julgadora do grande certame que empolga a opinião pública. A Comissão Julgadora, referida, contará com os seguintes nomes; Prof. Orlando Leite – Diretor da Escola Superior de Música e do Conservatório Alberto Nepomuceno Prof. Haroldo Serra – Diretor da Comédia Cearense Professora Dalva Stella – Conservatório Alberto Nepomuceno Professor Jader de Carvalho – Escritor, poeta e sociólogo Prof. Luis Róseo – Prof. De canto do Colégio Estadual do Ceará. Do Conselho Regional da OMB Jornalista Pantaleão Damasceno – Unitário e Correio do Ceará Dr. Manuel P Eduardo Campos – Presidente da ACL . Dr. Arthur Eduardo Benevides – Prof. Da Faculdade de Filosofia da UFC Dr. Otacílio Colares – Academia Cearense de Letras Ivanildo José da Silva – Diretor de Orquestra de dança

228

Assim, convidamos a V. Sa. a aceitar a escolha e participar do Júri, dando maior realce à promoção em retábulo. Prof. José Artur de Carvalho Presidente da S.M.H.J. Ministério da Educação e Cultura Serviço Nacional de Teatro Rio.16/09/74 Em encontro Nacional de Diretores de Teatro Amador, promovido por este Serviço nos dias 4, 5, 6, 7, 8 e 9 de setembro próximo passado, na cidade de Petrópolis, foi criada a Federação Nacional de Teatro Amador, que visa a unificar o trabalho dos Grupos Amadores existentes no país. O Sr. Luiz Haroldo Cavalcante Serra Eleito em Assembléia Geral para o Conselho Administrativo, está pois, credenciado a representar a Federação, para fins de levantamento e cadastramento dos Grupos Amadores em sua região, bem como para as atividades que para este fim se façam necessárias. Orlando Miranda - Diretor Teatro Novo Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

E R R A

DECLARAÇÃO Como participante do Primeiro Encontro Nacional de Diretores de Teatro Amador e Universitário, realizado em Petrópolis, nos dias 4,5,6,7,8, e 9 de setembro passado, e sob

H

A R O L D O

S

Natal, 15 de outubro de 1974 Carlos Alberto da Silva Furtado Diretor Artístico do TONUS Ministério da Educação e Cultura Universidade Federal do Ceará Centro de Humanidades Departamento de Comunicação social e Biblioteconomia DECLARAÇÃO Declaro, para os devidos fins, que o teatrólogo Luiz Haroldo Cavalcante Serra prestou inestimável colaboração ao professor José Alcides Pinto na ministração da disciplina “Teatro”, ofertada para o Curso de Comunicação Social do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará, nos 2os Períodos Letivos de 1973 e 1974. Departamento de Comunicação Social e Biblioteconomia do Centro de Humanidade da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, 17 de julho de 1975. Prof. Heitor Faria Guilherme Chefe do Departamento de Comunicação Social e Biblioteconomia

229

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

os auspícios do Serviço Nacional de Teatro, declaro que, o diretor de teatro Luiz Haroldo Cavalcante Serra, do Ceará, foi escolhido juntamente com Tácito Borralho, do estado do Maranhão, para Coordenadores Regionais da Segunda região que compreende os estado do Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Ceará. Outrossim, declaro que esta escolha foi feita por unanimidade.

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

230

III Seminário de Estudos sobre o Nordeste - o Teatro Prezado Haroldo Serra Tenho o prazer de fazer chegar às suas mãos as Resoluções e Recomendações do III Seminário de Estudos sobre o Nordeste – o Teatro, recentemente realizado em Salvador. Agradecendo a colaboração que V.Sia. prestou à realização deste encontro da gente de teatro do Nordeste, expresso as minhas mais Cordiais saudações Nelson Araújo Rio, 19/03/76 Ilmo. Sr. Haroldo Serra Saudações Tenho o prazer de comunicar-lhe que em Sessão do Conselho Deliberativo, realizada a 16 de março corrente, foi o nome de V. Sa. incluído no quadro social da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, na categoria de Sócio Administrado. Fazendo a presente comunicação, valho-me do ensejo para apresentar a V. Sa. os mais cordiais cumprimentos.

H

A R O L D O

S

E R R A

Roberto Ruiz Diretor de Comunicações e Divulgação

De ordem do Exmo. Sr. Secretário de Interior e Justiça, desejamos expressar a V.Sa., nesta oportunidade, os nossos melhores agradecimentos pela encenação da peça “Alvorada”, do consagrado e saudoso Carlos Câmara, para os internos recolhidos ao Instituto Psiquiátrico Governador Stênio Garcia, Instituto Penal Paulo Sarazate e Instituto Penal Feminino. Referida apresentação, agradou sobremaneira aos internos dos citados Estabelecimentos Penais e contribuiu grandemente para a política de reintegração social ora posta em prática pelo Departamento do Sistema Penal de nosso Estado. Na expectativa de que sejamos honrados com novas apresentações, prevalecemo-nos da oportunidade para, penhoradamente, apresentar a V.Sa. protestos de elevada estima e consideração. Dr. Francisco Feijó de Sá Benevides Inspetor Geral de Presídios

231

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

Dr. Haroldo Serra

C

E A R E N S E

Secretaria do Interior e Justiça 25/06/76

232

Do: Secretário Executivo da Fundação Mobral Ao: Diretor da Comédia Cearense Assunto: agradecimento (faz) 17/02/77 Senhor Diretor Estamos cientes de que o Mobral deve ao apoio e entusiasmo do Grupo Teatral Comédia Cearense, grande parte do sucesso obtido pelo Programa Cultural no Estado do Ceará. Tal fato nos permite constatar, três anos após a implantação do Mobral Cultural e especificamente, do Subprograma Teatro, haver atingido um milhão de brasileiros carentes dessa atividade cultural, além de ter-se constituído num agente mobilizador para os outros programas do Mobral, bem como ter estimulado a criação de novos núcleos teatrais nos Postos Culturais e nas localidades por onde atuou o Grupo Amador. Pretendemos no decorrer de 1977 realizar Encontros e Treinamentos de Grupos Amadores vinculados aos Postos Culturais. Neste sentido esperamos contar com a preciosa colaboração de V. Sa. de cuja experiência não podemos prescindir. Isso posto, queremos agradecer a V.Sa. e a todos os integrantes do Grupo, pela magnífica colaboração prestada à nossa ação cultural e registrar a nossa satisfação pela atuação sempre correta, dinâmica, entusiasta dos elementos de toda a equipe. Aproveitamos a oportunidade para reiterar nossos protestos de estima e consideração. Sérgio Marinho Barbosa - Secretário Geral

H

A R O L D O

S

E R R A

Congratulo-me com a prezada amiga motivo sua merecida designação pelo Governador Adauto Bezerra para elevadas funções Diretora Teatro José de Alencar na certeza que fará excelente administração, continuando assim grande obra realizada pelo Haroldo Serra. Cordialmente Armando Vasconcelos Universidade Federal do Ceará Gabinete do Reitor 13/09/79 Dr. Luiz Haroldo Cavalcante Serra Tenho o prazer de convidar V. Sa. para participar da Comissão Examinadora da matéria – FORMAS DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO ARTÍSTICA, como parte da Seleção de Professores, que esta Universidade vai realizar, a partir do dia 15 de setembro em curso. Na hipótese de V. Sa. aceitar o convite ora formulado, gostaria de poder contar com sua presença ao Campus da Universidade, em Itaperi, às 8.00 (oito) horas do mencionado dia 15 de setembro. No ensejo, apresento a V. Sa. protestos de elevado apreço. Danísio Dalton da Rocha Corrêa Reitor

233

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

Fortaleza, 29/11/77 À Hiramisa Serra

234

Excelentíssimo Gov. Luis Gonzaga Mota Palácio da Abolição 1984 Em nome do Inacen e meu próprio congratulamos-nos com o governo desse Estado, na pessoa de V. Excia., pela demonstração de sensibilidade cultural, portanto política, na demonstração dada pela apresentação da opereta A Valsa Proibida, possibilitada pôr V. Excia. e estreada no nosso Teatro Dulcina no Rio de Janeiro com grande sucesso e casa lotada. Atenciosamente Orlando Miranda de Carvalho Presidente do Inacen

H

A R O L D O

S

E R R A

TEATRO ARENA ALDEOTA
SURGE UMA ESTRELA NO TEATRO: O ARENA É fato mais do que conhecido que o Teatro, como forma de arte, surgiu numa arena. Na Grécia, para ser mais exato. Tempos depois é que o comodismo e o preconceito da burguesia européia, evitando misturar-se à chamada plebe rude, levaram-no ao interior dos palácios, o que originou o chamado “palco italiano”. Nesses séculos todos, essa manifestação artística tem voltado ao convívio das massas, seja nas ruas e avenidas ou utilizando-se de locais que ficaram conhecidos como teatro de arena. Fortaleza mesmo, já teve um. Ficava na Santos Dumont. Durou pouco, porém agora mais uma tentativa. A partir desta semana surge uma nova estrela em meio à constelação de atores, autores e diretores, beneficiando, inclusive, ao público, a quem sua mensagem se destina. É o Teatro Arena Aldeota. Quem passar pela rua João Carvalho, esquina da Silva Paulet, certamente, terá sua atenção voltada para um cartaz em neon, anunciando a chegada de mais uma nova casa de espetáculos do Ceará.. Ela fica para ser mais preciso, pôr trás do Colégio Christus, encravada no setor leste do conjunto arquitetônico do estabelecimento, de onde se sobressai a quadra de esportes. Fechando com a idéia antiga do diretor Haroldo Serra, de construir um teatro que servisse de base às funções da Comédia Cearense, a direção do Christus resolveu criar essa nova opção em termos de casa teatral. E, pelo visto, não foram medidos esforços para que ela se ajustasse aos modernos padrões da realidade teatral, preocupando-se, principalmente, em atender as exigências da platéia.

236

FUGINDO À REGRA “O teatro brasileiro, como um todo, não tem a preocupação com o público”, acusa Haroldo Serra, 36 anos de carreira, sempre defendendo a tese de que o Teatro é um tripé formado pelo autor, ator e público. O desprezo para com esse último, porém, tem sido testemunhado pôr ele nessas três décadas de existência da Comédia Cearense. O Arena surge como promessa de alterar essas deformações oriundas, até mesmo, da falta de uma maior consciência profissional de certos grupos. Espaço agradável, com hall de espera onde funcionarão barzinho, galeria de arte e uma mini-livraria especializada na bibliografia teatral, o Arena foi projetado pelo próprio Haroldo e desenvolvido pelo engenheiro José Rolim. Ele cobre um espaço físico de 30 por 15 metros, com 466 lugares, um palco com sete metros de diâmetro, ar refrigerado, três camarins, além de dispor de 42 refletores de mil watts e de aparelhagem de som própria. Tudo foi criteriosamente planejado para atender as necessidades de encenação, afora a quebra de idéia tradicional de todo teatro de arena obedecer a distribuição das cadeiras em torno do palco. No Arena que a Comédia estará inaugurando amanhã, com a peça “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Brecht, o círculo rodeado por cadeiras transformou-se em dois blocos divididos entre si e com a facilidade para o espectador de ter garantido o lugar que lhe aprouver. Para isso todas as cadeiras serão numeradas e a bilheteria não ultrapassará o limite de lotação sentada. ELO MANTIDO

E R R A

Outra vantagem do Teatro Arena Aldeota em relação, por exemplo, ao que existiu na Crédimus (também idéia de Haroldo) é de que este foi criado com todas as condições de o diretor fazer vários planos e de criar a possibilidade de cenarização. A peça de estréia, pôr exemplo, conta com cenários criados pelo artista plástico Roberto

H

A R O L D O

S

Galvão e que será homenageado na galeria com exposição de trabalhos seus. Quando Haroldo Serra pensou nessa idéia, consultou vários empresários, sempre ouvindo recusas ligadas a motivos vários. Um deles. Provavelmente ligado à velha discussão de que o povo não vai ao Teatro. O diretor pensa diferentemente. “Sempre depois de cada espetáculo que nós montamos, as pessoas nos procuram e dizem exatamente o contrário. A questão toda está restrita à falta de permanência de um espetáculo, levando a perder-se o elo de ligação com o público”. Para ser mais claro, Haroldo Serra admite que não há nenhuma possibilidade de uma idéia ter continuidade se não houver permanência. Isso vale para qualquer trabalho. Fazer com que o público crie hábito é necessário que uma montagem estabeleça um tempo maior na agenda de uma casa, o que em nível oficial se torna praticamente impossível, dada a obrigatoriedade de atender aos diversos segmentos culturais. Nonato Albuquerque – O Povo – 17/7/89 Esta matéria foi republicada na Revista da SBAT FORTALEZA DE TEATRO NOVO

Em seus trinta e cinco anos de existência, a Comédia Cearense lutou por um espaço para fazer teatro. Usaram mercados públicos, centros comunitários, colégios, igrejas, alpendre de fazenda, carroceria de caminhão, teatro tradicional e até mesmo as ruas. Agora, o grupo finalmente conseguiu realizar um dos seus maiores sonhos: ter um lugar permanente para mostrar o seu trabalho. No próximo dia 18, sábado, a Comédia Cearense inaugura o Teatro de Arena Aldeota com a peça “Os Fuzis da Senhora Carrar”, em comemoração aos noventa anos de nascimento de Bertolt Brecht. 237 Na abertura do Teatro Arena Aldeota – localizado na rua João Carvalho com Silva Paulet, ao lado do Colégio Christus – haverá a

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

238 exposição de arte de Roberto Galvão e inauguração do barzinho e

mini-livraria especializada em publicações sobre teatro. O Arena será administrado pela Comédia Cearense, encabeçado por Hiramisa e Haroldo Serra, através de convênio firmado com o Colégio Christus, responsável pela construção do teatro a partir de um projeto de Haroldo Serra. PÚBLICO PERMANENTE Com o Arena, pela primeira vez no Ceará, será testada a experiência de teatro permanente. A Comédia Cearense garantirá espetáculos durante todos os finais de semana, para crianças e adultos. A programação, segundo Haroldo Serra, será eclética atendendo a diversos gostos: comédia, drama, clássicos, musicais, etc. Nas tardes de sábados e domingos, o teatro abre para o público infantil com peças produzidas especialmente para a garotada. Haroldo Serra sabe que a iniciativa é um desafio porque a Comédia Cearense vai transformar a eventualidade do teatro cearense em uma realidade permanente. Geralmente o cearense só tem oportunidade de assistir peças teatrais esporadicamente, quando um grupo aluga uma pauta num teatro e faz temporada, na maioria das vezes, apenas de três dias. O compromisso da Comédia é oferecer teatro todos os fins de semana. TEATRO ARENA Haroldo Serra quer criar no espectador a certeza de que ele pode programar teatro para o fim de semana, pois encontrará espetáculos de qualidade. Depois de “Os Fuzis da Senhora Carrar”, a Comédia deverá encenar “Rosa do Lagamar”, de Eduardo Campos, “A Casa de Bernarda Alba”, de Garcia Lorca, e “A Mente Capta”, de Mauro Rasi. Para as crianças: “Romão e Julinha”, de Oscar Von Pfuhl e “A Lenda do Vale da Lua”, de João das Neves. Com a abertura do Teatro de Arena Aldeota, Fortaleza ganha

H

A R O L D O

S

E R R A

As 466 poltronas do Teatro Arena Aldeota foram especialmente fabricadas em fibra de vidro. O palco possui um diâmetro de sete metros, possibilitando vários tipos de montagem, inclusive com dois pequenos palcos laterais. O teatro possui três camarins planejados para oferecer o que o ator necessita. O sistema de iluminação é moderno com 42 refletores. A entrada do teatro é simples: um pátio sombreado por frondoso Jatobá, onde se localizam o barzinho e o local para exposição de artes plásticas. Para chegar à platéia é preciso subir uma escada helicoidal. Até aí, o espectador não imagina a beleza do Teatro Arena Aldeota. Assim que termina a escada, o piso acarpetado já mostra um ambiente mais requintado, com paredes espelhadas. Neste local estão as toilletes diferenciadas pelas denominações “Romeu” e “Julieta”. Dentro de um ano, Haroldo Serra espera que essa experiência de um teatro permanente tenha rendido bons frutos ao Ceará. Regina Luna – Diário do Nordeste – 09/06/89 TEATRO ARENA ALDEOTA – O CHÃO DA COMÉDIA CEARENSE Atípica, é a situação da Comédia Cearense na vida cultural do Ceará. Com uma invejável folha de serviços prestados à nossa co-

239

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

CONFORTO

D A

pela primeira vez um teatro de arena, construido especialmente para esse fim. “No teatro de arena a valorização do texto e do ator é incomparavelmente maior. Em relação ao próprio espectador, o envolvimento dele com o espetáculo, dado sobretudo à proximidade, é muito superior ao teatro tradicional”. No teatro tradicional a melhor localização é o centro. No Arena, onde a pessoa sentar, a visualização é boa.

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

240 munidade em mais de três décadas, tendo à frente o seu timoneiro

maior: Haroldo Serra. Foge ao nosso conhecimento o registro da ação de um grupo cultural e artístico durante tanto tempo, tornando-o ímpar em nossa história. Haroldo Serra mostra-nos, entre tantas coisas, que teatro não se faz somente com paixão, mas com obstinação, competência e organização. A mais recente conquista deste grupo, com o patrocínio do Colégio Christus, foi a construção do Teatro Arena Aldeota. É o mais alto anseio que uma equipe de teatro tem direito: um chão para pisar. E daqui vai o nosso regozijo e aplauso. No que tange aos mecanismos de produção e formas de organização, Haroldo Serra e a Comédia Cearense dão-nos um banho de lição, que deve ser atentamente observada, principalmente pelos mais jovens, para que no limiar da década que se avizinha, deixemos de ser só esperança de mudanças e conquistemos bravamente sólidas formas de produção, público e espaços para trabalho. Ivonilson Borges – O Povo – 23/12/89 “... Para Antônio Carlos Gerber, o Teatro de Arena Aldeota, que o Colégio Christus criou junto com a Comédia Cearense, é uma das obras mais bem planejadas, porque sua acústica e as formas resolvidas para as saídas, permitem a movimentação dos atores, além da possibilidade de se montar espetáculos com toda a carpintaria teatral. – Não é todo teatro que permite isso – considera”. Diário do Nordeste – entrevista em 21/06/88

H

A R O L D O

S

E R R A

ICONOGRAFIA

242

H

A R O L D O

S

E R R A

243

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

244

H

A R O L D O

S

E R R A

245

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

246

H

A R O L D O

S

E R R A

247

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

248

H

A R O L D O

S

E R R A

249

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

250

H

A R O L D O

S

E R R A

251

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

252

H

A R O L D O

S

E R R A

253

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

254

H

A R O L D O

S

E R R A

255

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

256

H

A R O L D O

S

E R R A

257

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

258

H

A R O L D O

S

E R R A

259

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

260

H

A R O L D O

S

E R R A

261

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

262

H

A R O L D O

S

E R R A

263

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

264

H

A R O L D O

S

E R R A

265

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

266

H

A R O L D O

S

E R R A

267

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

268

H

A R O L D O

S

E R R A

269

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

270

H

A R O L D O

S

E R R A

271

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

272

H

A R O L D O

S

E R R A

273

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

274

H

A R O L D O

S

E R R A

275

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

276

H

A R O L D O

S

E R R A

277

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

278

H

A R O L D O

S

E R R A

279

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

280

H

A R O L D O

S

E R R A

281

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

282

H

A R O L D O

S

E R R A

283

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

284

H

A R O L D O

S

E R R A

285

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

286

H

A R O L D O

S

E R R A

287

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

288

H

A R O L D O

S

E R R A

289

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

290

H

A R O L D O

S

E R R A

291

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

292

H

A R O L D O

S

E R R A

294

H

A R O L D O

S

E R R A

296

H

A R O L D O

S

E R R A

RELAÇÃO (MAIS OU MENOS COMPLETA) DOS ATORES, ATRIZES, COMPOSITORES, CENÓGRAFOS, DIRETORES E TÉCNICOS QUE PARTICIPARAM DOS ESPETÁCULOS DA COMÉDIA CEARENSE Aderbal Freire Filho, Adail Carvalho, Adriana Bezerra, Adriana

Chagas, Adriana Pereira, Adriano Lúcio, Aécio de Borba, Afonso Barroso, Afonso Jucá, Afrânio Marques, Agassi Barros, Agenor Vieira, Aída Massipe, Ailêda Cavalcante, Airileda Moreira, Aírtes Vasconcelos, Airton Silveira Bastos, Albaniza Cavalcante, Alberto Magno, Alcides Barreira, Aldenir de Castro, Aldo Pio, Alex Alan, Alex Sander, Alice Carvalho, Aline Pereira, Almir Klein, Almir Pedreira, Aluysio de Alencar Pinto, Álvaro Maia, Álvaro Neto, Amália Riomar, Ana Beatriz, Ana Cecília Uchôa, Ana Cristina Viana, Ana Isabel Pequeno, Ana Lúcia Patrício, Ana Maria, Ana Maria Macedo, Ana Maria Viana, Ana Paula, Ana Virgínia Valente, Ana Vládia Lima, Anchieta Lacerda, André Góes, André Luiz, Andréia Fontenele, Ângela, Ângela Cristina, Angelino Albano, Antonieta Noronha, Antônio Carlos Moreira, Antônio Guedes, Antônio Marechal, Antônio Mendes, Antônio Morais, Antônio Pinheiro, Antônio Vieira, Antônio Wagner Pinheiro, Apolinário Fernando, Arialdo Pinho, Arlindo Araújo, Armen Boyadjan, Arnaldo Matos, Arthur Frota, Arthur Pereira, Artur Pereira, Ary Sherlock, Astrid Miranda Leão, Athualpa Frota, Atualpa Paiva Reis, Augusto Alencar, Augusto Melo, Auxiliadora Lima, Avanson (grupo musical do Colégio Cearense), Ayla Maria, Ayla Markan.

298

Siqueira, Bento, Beth Araújo, Beth Cardoso, Bila, Bruno Silva.

B. de Paiva, Baman Vieira, Belchior, Benedito Portela, Benedito Camila Abreu, Carla Facundes, Carlinhos Crisóstomo, Carlos

David, Carlos Jamacaru, Carlos Jorge Costa, Carlos Karrar, Carlos Limaverde, Carlos Magno, Carlos Paiva, Carlos Rocha, Carminha Serra Azul, Carolina Firmino, Carolina Girão, Carolina Serra, Carri Costa, Catita, Catherine, Ceci Campos, Célia Cortez, Célio Facundes, Celso Almeida, César Barreto, César Ferreira, Cleóbulo Maia, Christiane Góes, Cibele Mathias, Cybele Pompeu, Cira Campos, Cira Pereira, Ciro Braga, Cláudia Leocádio, Cláudia Markan, Cláudia Regina, Cláudio Bringel, Cláudio Figueredo, Cláudio Jaborandy, Cláudio Madruga, Cláudio Pomplana, Cláudio Pereira, Cláudio Pinheiro, Cláutenes Aquino, Cleóbulo Maia, Clice Norões, Clóvis Matias, Conceição Almeida, Conceição de Alencar, Consuelo Ferreira, Cremilton Queiroz, Creuza Ferreira, Cristina, Cristina Mendes. Darcísio Dársio, Dayse Abreu, Dayse Griezer, Delfin, Descarte Gadelha, Deugiolino Lucas, Diego Parente, Dina Piccinini, Djacir Paraíba, Djalma Veríssimo, Domênico, Domingos Neto, Dora Barros, Dora Lima, Dorita Freire,Doth.

Dalva Stela, D. Martins, Dagoberto, Daíse de Castro, Daniel,

H

A R O L D O

ros, Edinardo Brasil, Edneuma Melo, Edson Paz, Efe Mesquita, Eglacine Monteiro, Elaine Marques, Eliact Saboya, Eliene Vieira, Eliete Maia, Eliete Regina, Elioneide Pereira, Elizabeth Cardoso, Elizabeth Paiva, Eme Socorro, Emiliano Aquino, Emiliano Queiroz, Erasmo Amaral, Érico, Erivando, Ernesto Escudero, Erotilde Honório, Esther Arantes, Esther Barroso, Eubirajara Garcia, Eudstone Paixão, Eugênia Siebra, Eugênio, Euler Muniz, Evandro dos Santos, Eveline Serra, Eveline Soares, Everardo Gomes, Expedito Pereira.

Edilson Soares, Edna Barros de Oliveira, Ednarita, Ednardo Bar-

S

E R R A

Haroldo Serra, Haroldo Holanda, Haroldo Júnior, Haroldo Neto,
Haroldo Ribeiro, Harolmisa Serra, Helder Monteiro, Helder Peixoto, Helder Ramos, Helana Macedo, Hélio Brasil, Hemetério, Herlon Robson, Hiramisa Serra, Hiran Albuquerque, Hiroldo Serra, Hugo Bianchi.

Giácomo Genari, Gil Sodré, Gina Kerly, Glyce Sales, Gonzaga Vasconcelos, Goretti Quintela, Gracinha Soares, Granjense, Grupo Pixinguinha, Guglielmina Saldanha, Guiomar Carleal, Gurgel do Amaral, Gustavo Portela.

Idolberto Santos, Igor Arruda, Ilclemar Nunes, Inácio Rates,

Irish Salvador, Isabel Brás, Isabel Cristina, Isaltina, Ismael Mattos, Itamar Cavalcante, Itauana Ciribelli, Ivan Lima, Ivo Rosa.

J. Arraes, J. Cassiano (Muriçoca), J. Figueiredo, J. Oliveira, J.

Wanderley, Jaborandy Matos Dourado, Jacaúna Aguiar, Jaccidey Cavaalcante, Jacy Fontenele, Jade Ciribelli, Jadeilson Feitosa, Jáderson Feitosa, Jaílson Feitosa, Jane Azeredo, Jânio Alves, Janson, 299 Jaqueline Caprone, Jerton Uchôa, Jesamar Leão, João Antônio, João Batista Veras, João Cavalcante, João Falcão, João Freire, João

R E T R O S P E C T I VA

G alba, Geraldo Lopes, Geraldo Markan, Geraldo Oliveira,

Alencar, Fátima Costa, Fernanda Quinderé, Feijó Benevides, Felipe Furtado, Fernando Augusto, Fernando Castelo Branco, Fernando Douglas, Fernando Holanda, Fernando Oliveira, Flávio Phebo, Florisvaldo Fernandes, Florisvaldo Frota, Fran Menezes, Franciran Cavalcante, Francisca Alves, Francisca Barbosa, Francisco Luciano Paiva, Francisco Araújo, Francisco Arruda, Francisco Célio, Francisco Costa, Francisco Falcão, Francisco Fernandes, Francisco Gilmar, Francisco Gláuter, Francisco Helder, Francisco Lúcio Moreira, Francisco Marques, Francisco Menezes, Francisco Perez, Francisco Pinto, Francisco Rocha, Francisco Zaní.

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

F. Mesquita, Fábia Vieira, Fábio Melo, Fátima Albano, Fátima

300 Linhares, João Luiz, Joaquim Paulo, Joaquim Ribeiro, Joaquim Stone,

Joelise Collyer, Jomar Farias, Jomar Júnior, Jorge Braga, Jorge Caminha, Jorge Melo, Jorge Oliveira, Jorge Paulo, Jorge Ritchie, Jório Nhertal, José Arteiro, José Carlos Maçal, José Carlos Matos, José Gomes (Trepinha), José Humberto, José Luiz, José Maria, José Maria Cunha, José Maria Lima, José Neto, José Neuton, José Silva, José Tarcísio, Josefa Anilda, Joventina, Jovita Farias, Juarez Alencar, Juarez Silveira, Judith Lúcia, Juliane Santos, Juliana Medeiros, Julieta.

Kelly de Castro, Kildary Pinho.

Karla Peixoto, Karla Farias, Kalina de Carvalho, Karine Bessa,

Medeiros, Léa Vasconcelos, Leão Júnior, Leontina, Leir Pontes, Lenir Alexandre, Leonan Moreira, Lia Serra, Liberal de Castro, Lígia Pereira, Lina Márcia, Lindy Saldanha, Lizete, Lourdinha Castelo Branco, Lourdinha Falcão, Lourdinha Martins, Lourenço, Lourival Brasileiro, Lucas Cavalcante, Lucas Lucena, Luciana Arrais, Lucídia Fonteles, Lúcio Brasileiro, Lúcio Leonn, Lucy, Luiz Antônio, Luiz Assunção, Luiz Derossy, Luiz Gonzaga, Luiz Simões, Luiza Torres, Luizinho. tro, Maneco Quinderé, Manoela Villar Queiroz, Manuela Lustosa, Mara Verly, Marcelo Costa, Márcia Paiva, Márcia Sucupira, Marcílio, Marcos Araújo, Marcos Aurélio, Marcus Antônio, Marcus Fernandes, Marcus Jussiê, Margareth, Maria Aglais, Maria da Glória Martins, Maria de Jesus Serra Silveira, Maria de Lourdes, Maria Eliete, Maria Helena, Maria Helena Veríssimo, Maria Ivete Pereira, Maria José, Maria José Bráz, Maria Lindomar, Maria Lucenígia, Maria Ronilda, Maria Vanda Albuquerque, Mariana Magalhães, Mariinha Drumond, Marília Barros, Marinina Gruska, Mário Bahia, Mário Henrique, Mário Mesquita, Mário Santos, Maristher Gentil, Marivaldo, Mariza, Marlene Silveira, Massilon

Laerte Bedê, Laís Freire, Lamartine Camurça, Lana Soraya, Lázaro

Marcus Miranda, Maira Cavalcante, Maíra Saldanha, Maísa Cas-

H

A R O L D O

S

E R R A

Nadir Saboya, Nádia Uchôa, Náger Uchôa, Nágila Sobral, Naiana

Odair Prado, Odenísio Holanda, Olavo Branco, Orlando Leite,

marães, Patrícia Batista, Patrícia Helena, Paula Ramalho, Paulinho Cabeleireiro, Paulinho Uchôa, Paulo Afonso, Paulo Alencar, Paulo César Cândido, Paulo Freitas, Paulo Henrique, Paulo Lima Verde, Paulo Roberto, Paulo Roque, Paulo Silveira, Pedrinho Uchôa, Pedro Américo, Pedro Boca-Rica, Pierre Barroso, Pimentel Ramos, Poliana Gonçalves, Poliana Moraes, Polion Lemos, Priscyla Prado, Puraquê.

Pablo Vitoriano, Padre Linhares, Pádua Alencar, Palmeira Gui-

Orlanea Monteiro, Orlene Moura, Oscar Roney, Otávio Magno, Otávio Neto, Otto Maciel, Ozires.

Quinteto Agreste. Rachel Haddad, Rafael Martins, Rafaela Matoso, Raimunda Co-

elho, Raimundo Crisóstomo, Raimunda Lima, Raimundo Marques, Raimundo Nonato, Raul César, Regina Jaborandy, Regina Lessa, Regina Távora, Rejane Limaverde, Rejane Medeiros, Renan Cavalcante, Ribeiro Soares, Ricardo Araújo, Ricardo Borges, Ricardo 301 Guilherme, Ricardo Medeiros, Ricardo Melo, Ricardo Moreira, Ricardo Santos, Rinauro Moreira, Rita de Cássia, Roberta Brasil,

R E T R O S P E C T I VA

Serra, Nairo Gómez, Nancy Vitoriano, Nayane de Carvalho, Nearco Araújo, Neiara Serra, Neide Maia, Neide Castelo Branco, Neisse Fernandes, Nelson Bezerra, Nelson Eddy, Nelson Vilela, Neudson Braga, Nilda Magno, Nilma Carneiro, Ninito Cavalcante, Nirez, Nízia Diogo, Nonato Albuquerque, Nonato Soares, Norma Brasil, Noslean.

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

Moura, Matha Vasconcelos, Matos Dourado, Maurício Alves, Maurício Estevão, Maurício Freitas, Mauro Coutinho, Mauro Portela, Miguel Araújo, Mirian Carlos, Mirian de Souza, Mizael Fernandes, Mônica Luiza Xavier, Mônica Silveira, Moura Matos, Mozart Brandão.

C

E A R E N S E

302 Roberto Araújo, Roberto Celso, Roberto César, Roberto Galvão,

Roberto Lessa, Roberto Reial, Roberto Vasconcelos, Rochele Cardoso, Rodolfo Galvão, Rodolfo Markan, Rogério Medeiros, Rosa Nogueira, Rosana Schiarentolla, Rosilene, Roxane Alencar, Rubens, Rufino Gomes de Matos, Ruy Diniz.

Sandoval, Sandra de Borba, Sandra Elizabeth, Sandro Camilo, Sandro Melo, Santana Júnior, Sara Lacet, Sarto, Sebastião Gomes, Seny Furtado, Sérgio Alexandre, Sérgio de Franco, Sérgio Lima, Sérgio Luiz, Sérgio Viana, Sergei de Castro, Sherezade Leite, Sidrack Silva,Silva Novo, Silvana Salles, Silvânia, Simone Sucupira, Socorro Noronha, Solange Fernandes, Solange Palhano, Solange Teixeira, Sônia Mariah, Sônia Sales, Soraya Palhano, Steferson, Studart Dória. Tereza Paiva, Thais Furtado, Thiago, Thony, Tiago Bessa, Ticiana Almada, Túlio Ciarlini.

Sabrina Romero, Salete Dias, Samuel Boyadjan, Samuel Rocha,

Tadeu Nobre, Tânia Dourado, Tarcísio Santos, Telma, Tereza Melo,

gre, Veruska Donato, Victor Arantes, Victor Augusto, Victor Júnior, Victor Moreira, Vinícius Borges.

Ulisses Narciso. Veimires Lavôr, Valberto, Valesca Serra, Vânia Queiroz, Vera TiWalden Luiz, Walderez Vitoriano, Wagner Donizetti, Wagner Xexéu, Ximenes Araújo. Yêda Gurgel, Yêda Souza, Yúri Oliveira. Zemaria Damasceno, Zeneida Parente, Zilma Duarte, Zito Mark,

Fernandes, Wagner Pereira, Wagner Ramos, Waldemar Garcia, Walter Luiz, Walter Marques, Wanda Albuquerque, Wanderley Pinto, Wilson Cirino.
S
A R O L D O E R R A

H

Zonardo Leite, Zulene Martins.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS
RIO: Adail Daliano, Almir Teles, Antônio Morais, Cairo Trindade, Célio Barros, Chico Silva, Delfim Pinheiro, Elizabeth Matos, Francisco Neto, Geraldo Darbilly, Jorginho de Carvalho, Manolo, Mary Neubaeur, Milton Morais, Mirian Pérsia, Paulo Pinheiro, Paulo Rogério, Rogério Fróes, Sérgio Palha, Vera Monteiro, Yara Victória. SÃO PAULO: Aiman Hamoud, Carlos Costa, Edélcio Vigna, Inês Otranto, José Dumont, Júlia Grey, Jurandir Pereira, Luiza Carmelo, Olavo Branco, Paulo Braga, Sérgio Migliaccio, Simone Miranda, Thaís Andrade, Thereza Teller, Tom Santos, Vera Sílvia, Zélia Silva.

ÍNDICE REMISSIVO
Autores: Agatha Christie, 78 Aldomar Conrado, 92, 102, 263 Almeida Garret, 116 Antônio Bulhões, 106 Argemiro Silva, 146 Arthur Maia, 140 B. de Paiva, 90, 186 Brecht, 106 Caio Quinderé, 121, 188, 226, 265 Carlos Câmara, 78, 87, 103, 186 Ciro Colares, 142 Daniel Adjafre, 142 Dias Gomes, 14 Dimitri Túlio, 154, 222,267 Eduard Fay, 101 Eduardo Campos, 16, 40, 77, 80, 87, 89, 94, 103, 136, 186, 187, 188, 281, 286 Emiliano Quiroz, 130 Francisco Pereira da Silva, 92 Garcia Lorca, 115 Gastão Tojeiro, 83 Geraldo Markan, 139 Gianfrancesco Guarnieri, 38 Glaúcio Gil, 80 Glyce Sales, 142, 152 Guilherme Figueiredo, 11, 143 Guilherme Neto, 39

306 Haroldo Serra, 83, 89, 90, 91, 133, 138, 139, 188
Hiramisa Serra, 149 Hiroldo Serra, 154 ,155 ,156 ,157 ,159 Ilclemar Nunes, 104, 143, 187 Itauana Ciribelli, 156 J. Reis, 133 José Alcides Pinto, 91, 229 José de Alencar, 90 João das Neves, 144, 145, 238 Kleber Fernandes, 141 Leão Júnior, 139 Lúcia Benedetti, 130, 131, 132 Luis de Lima, 80, 106 Maria Clara Machado, 128, 129, 132 Mariinha Drumond, 133 Maria Irismar, 152 Mário da Silva, 101 Martins Pena, 186 Mauro Rasi, 111, 112, 113, 114, 171, 174, 253 Michel Kamin, 101 Molière, 15 Nati Cortez, 142 Nelson Rodrigues, 39 Nertan Macêdo, 138 ,186, 188 Olegário Azevedo, 129 Oscar Von Pfuhl, 146 Paurillo Barroso, 52, 187 Pedro Bloch, 12, 37, 78, 80 Pedro Veiga, 128, 135 Pernambuco de Oliveira, 128 Raimundo Magalhães Júnior, 12, 40 Robert Thomas, 80, 101 Shakespeare, 13 Silvano Serra, 52

H

A R O L D O

S

E R R A

Jornais e Revistas

A Luta (Rio), 44 A Notícia (Rio), 45 A Notícia (SP), 26, 85 Correio da Manhã (Rio), 43 Correio do Ceará, 20, 72 Diário da Noite (SP), 48 Diário da Região (SP), 5, 25, 40, 49 Diário de Pernambuco, 85 Diário do Nordeste (Ce), 52, 99, 109, 114, 124, 126, 146, 159, 178, 239 Diário Popular (SP), 104 Estado de S. Paulo, 34 Este Mês em S.Paulo, 35 Folha de S. Paulo, 33 Gazeta de Notícias (Ce), 26, 30, 59 Gazeta do Ipiranga (Sp), 35 Gente de Ação (Ce), 124 Jornal da Semana (SP), 36 Jornal da Tarde (Sp), 32 Jornal de Brasília, 48 Jornal do Brasil (Rio), 44, 46, 94 Jornal do Comercio (Pe), 67 O Cruzeiro, 28, 35 O Dia (Rio), 29 O Estado (Ce), 119, 138 307 O Globo (Rio), 29, 46 O Jornal (Rio), 44
R E T R O S P E C T I VA 4 5 A
N O S

D A

C

O M É D I A

Silveira Sampaio, 14 Walden Luiz, 150, 151, 153, 155, 158 Walderez Vitoriano, 105, 187 Walmir Ayala, 115

C

E A R E N S E

308 O Povo (Ce), 5, 46, 58, 69, 73, 89, 96, 101, 105, 108, 111, 115,
117, 121, 163, 165, , 226, 237, 240 Palco + Platéia (Sp), 86 Singular (CE), 101, 220 Tribuna do Ceará, 16, 74 Última Hora (Rio), 44 Unitário (Ce), 20, 61, 65 Visão, 35 Críticos e Articulistas Acazé, 44 Adeth Leite, 85 Adísia Sá, 5, 16, 59, 69, 108 Afonso Barroso, 75, 77 Alan Neto, 117 Armando Sergio, 86 Alípio R. Marcelino, 36 Aurora Miranda, 126 B. de Paiva, 20, 197, 204 Blanchard Girão, 159, 170, 188 C. V., 44 Carlos Durval, 54, 75 César de Alencar, 54, 75 Cid Carvalho, 74 Clóvis Garcia, 34 Domingos Gusmão de Lima, 58 Edigar de Alencar, 45 Edmundo Vitoriano, 73 Eduardo Campos, 75 Egídio Serpa, 66 Eliézer Rodrigues, 46, 96, 101, 105, 111, 213, 220 Elvira Gentil, 35 Euzélio Oliveira, 105

H

A R O L D O

S

E R R A

Ezaclir Aragão, 73 Fernanda Quinderé,8, 89, 254 Fran Martins, 20 Gilberto Tumscitz, 29 Henrique Nunes, 223 Hilton Viana, 48, 104 Ilka Marinho Zanoto, 17, 30, 35 Inácio de Almeida, 22 Ivonilo Praciano, 115 Ivonilson Borges, 240 Yan Michalski, 5, 44, 46, 94 Jacy Campos, 37 Jefferson Del Rios, 33 José Anderson, 8, 49, 92, 93, 99, 146, 263 José Cláudio de Oliveira, 65 José Gama, 38 Lêda Craveiro, 115 Lêda Maria, 178 Leite Maranhão, 65 Luiz Alberto Sanz, 44 Luiz Carlos Bardari, 50 M.C.S., 40,49 Marciano Lopes, 25, 52, 62, 109, 114, 137, 149 Maurício Sherman, 54, 47 Milton Dias, 186, 188 Miroel Silveira, 36 Mônica Silveira, 124 Marcelo Costa, 11, 33, 39, 187, 204, 210, 211 Moreira Campos, 61 Nadir Saboya, 23 Nonato Albuquerque, 237 Norma Geraldy, 54, 75 Oswaldo Louzada, 54, 75 Orlandino Rocha, 28

309

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

310 Otacílio Colares, 20, 26

Parsifal Barroso, 72 Paulo Pinheiro, 54, 75 Paulo Saavedra, 75 Paulo Sampaio de Oliveira, 65 Paulo Tadeu, 119 Péricles Leal, 20 Plínio Marcos, 37 Quixadá Felício, 64 Rachel de Queiroz, 54, 74, 190, 193, 194, 195, 200, 257 Regina Luna, 239 Regina Marshall, 73 Roberto de Cleto, 29 Roggiego, 35 Rubens de Falco, 38 Sábato Magaldi, 32, 190, 193, 200, 282 Sheila Maghi, 74 Sônia Margarida, 5, 25 Susy Arruda, 38 Tânia Pacheco,46 Teotônio Villela, 69 Tereza Monteiro, 226 Thiago Arrais, 121 Valter Vale, 26 Van Jafa, 37, 43 Waldemar de Oliveira, 67 Outras Citações:

E R R A

Acilon Gonçalves, 87, 177, 287 Adauto Bezerra, 41, 168, 195, 201, 223 Aderson Medeiros, 179 Adolfo Marinho, 177 Adonias Filho, 190

H

A R O L D O

S

Aluysio de Alencar Pinto, 143, 188 Álvaro Jarreta, 8, 289 Antenor Naspolini, 179 Antônio Carlos Gerber, 106, 240 Armando Falcão, 17 Armando Vasconcelos, 8, 53, 93, 233, 255, 263 Arthur Eduardo Benevides, 167, 182, 227, 296 Arthur Silva, 175, 176 Artur Bruno, 176, 177, 181, 290 Barros Pinho, 93, 175, 176, 180, 231, 291, 292 Beatriz Alcântara, 182, 296 Beatriz Veiga, 54 Bibi Ferreira, 250 Braulio Leite, 69 Burle Marx, 193 Calé Alencar, 188 Carlinhos Morais, 179 Carlos Alberto da Silva Furtado, 236 Carlos Miranda, 54 Carri Costa, 176, 177, 182, 293 Castelo Branco, 53, 62, 255 César Cals, 17, 26, 196, 281 César Neto, 54 Ciro Braga, 54 Cláudia Melo, 289 Cláudio Bedê, 167 Cláudio César, 8 Cláudio Pereira, 169, 172, 173, 283 Daniel Rocha, 165 Danísio Dalton da Rocha Correia, 233 Demócrito Dummar, 8, 17 Dinorah do Vale, 83 Divani Cabral, 201 Djacir Menezes, 190, 193

311

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

312 Edilmar Norões, 8, 93, 183

Eduardo Portela, 192 Ernando Uchôa, 17, 28, 224 Ernane Barreira, 55 Estrigas, 15 Eudoro Santana, 181 Fábio Brasil, 87 Fagner, 54, 74 Fátima Belchior, 182 Fernando Eugênio, 8 Fernando Piancó, 182 Ferreira do Ceará, 17 Francisco Feijó Benevides, 231 Francisco Jereissati, 93, 289 Francisco Matias, 181 Fundação Demócrito Rocha, 41, 70 Geraldina Amaral, 186, 188 Giácomo Mastroiani, 188 Godofredo Pereira, 8 Gonzaga Mota, 54, 240 Grupo Balaio, 169, 171, 172, 173, 174, 175, 178, 179 Heitor Faria Guilherme, 229 Heitor Férrer, 181, 183 Helder Souza, 207 Humberto Bezerra, 281 Humberto Braga, 8, 54 Humberto Sinibaldi, 83 IBEU, 41,165 Irapuan Lima, 167 Irmã Elizabeth Silveira, 183 Jack Lang, 17 Jane Azeredo, 181 João Alfredo, 176, 178 João Dummar, 182, 296

H

A R O L D O

S

E R R A

José Augusto Lopes, 93 José Barbar Cury, 163 José Barros de Alencar, 172 José Lima de Carvalho Rocha, 87, 93, 224, 292 José Dias Macedo, 54 José Dumont, 17, 31 José Renato, 87, 88 José Rolim, 242 Juca de Oliveira, 122, 126, 288 Kécia Morais Lopes, 177 Kroma Produções, 176 Liberal de Castro, 78, 92, 190, 194, 263 Lourdes Sarmento, 182, 296 Lúcio Alcântara, 92, 180, 263 Lúcio Brasileiro, 78 Luiz Campos, 165 Luiz Edgar Andrade, 183 Luiz Gastão Bittencourt, 180 Luiz Pontes, 169 Luiziane Lins, 87, 177 Lyrisse Porto, 166 Márcio de Sousa, 8, 103 Marcos Teixeira, 8 Maria Lúcia de Carvalho Rocha, 87, 89, 284 Maria Macedo, 54 Mário Barbosa, 93 Mark Propaganda, 176 Martha Vasconcelos, 167, 177, 258 Mauro Benevides, 188 Mino, 80 Miriam Mota, 54 Mirian Pérsia, 54, 247 Murilo Alvarenga, 87 Murilo Borges, 168

313

R E T R O S P E C T I VA

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

314 Narcélio Lima Verde, 188

Neudson Braga, 83, 201 Nilzon Falcão, 289 Odílio Costa Filho, 92 Orlando Bezerra, 195 Orlando Leite, 182, 188, 227, 255, 296 Orlando Miranda, 54, 87, 89, 92, 177, 190, 228, 234, 263, 285 Oswald Barroso, 187 Paschoal Carlos Magno, 195, 196 Paulo Autran, 295 Paulo Elpídio, 92, 263 Paulo Linhares, 87 Paulo Peroba, 174 Paulo Sarazate, 162 Pedro Henrique S. Leão, 182, 296 Procópio Ferreira, 189 Raimundo Ivan, 162 Raimundo Girão, 186 Raimundo Padilha, 92 Regina Ângela Sales Praciano, 181 Renato Scripilliti, 87 Ricardo Almeida, 178 Ricardo Guilherme, 196, 197, 200 Roberto de Carvalho Rocha, 8, 106, 202 Roberto Cláudio Bezerra, 183 Roberto Freire, 16 Roberto Galvão, 106, 107, 243, 244 Roberto Moreira, 8 Rozemberg Cariri, 263 Ruben Ludwig, 190, 193 Samantha Tavares, 289 Sérgio Marinho Barbosa, 232 Sônia Pinheiro, 93 Stanley Whibe, 8, 54, 93, 231, 292

H

A R O L D O

S

E R R A

315

R E T R O S P E C T I VA

Tarciso Tavares, 207 Tácito Borralho, 229 Teodorico Menezes, 175 Thereza Teller, 31, 33, 35 Tom Santos, 17, 31, 33 Tomaz Brandão, 175, 176 Torres de Melo, 17, 287 Valéria Brasil Rocha, 87 Vânia Dummar, 17, 92, 263 Vicente Fialho, 28 Vicente Marques, 207 Virgílio Távora, 79 Vital Santos, 16 Walfrido Salmito, 169, 283 Wanda Palhano, 8 Welington Landim, 175, 176 Yolanda Queiroz, 183

4 5

A

N O S

D A

C

O M É D I A

C

E A R E N S E

SUMÁRIO
Apresentação ............................................................................. 7 Prefácio ....................................................................................... 9 Teatrografia: Adulto ....................................................................................... 11 Infantil .................................................................................... 127 Prêmios e Homenagens ....................................................... 101 Editora Comédia Cearense ................................................ 185 Bastidores ............................................................................... 189 Comunicações ....................................................................... 227 Teatro Arena Aldeota ........................................................... 235 Iconografia ............................................................................. 241 Participantes da Comédia Cearense .................................. 297 Autores ................................................................................... 305 Jornais e Revistas .................................................................. 307 Críticos e Articulistas ............................................................ 308 Outras Citações ..................................................................... 309

Este livro fo composto na fonte ZapdCalligr BT, corpo 12/16/20. O miolo foi impresso em papel AP75 g/m2 e a capa com laminação fosca em cartão supremo 250 g/m2. Impresso pela Editora Gráfica LCR em setembro de 2002.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->