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Resumo – Medicina Legal 2º ano Direito – Solange Barone

MEDICINA LEGAL

TÓPICO 03 – IMPORTÂNCIA DA MEDICINA LEGAL E RELAÇÃO COM A


CIÊNCIA JURÍDICA – INTRODUÇÃO E CONCEITO

CADERNO

O QUE ENGLOBA A MEDICINA LEGAL


- Perícia
- Exame de DNA
- Incapacidade Civil (Ex. Interdição através de perito)
- Exame de Corpo Delito (pessoa ou objeto envolvido no delito)

Obs.: Todo crime que deixa vestígio, exige perícia para IML (agressão física –
ART 129); Sexológico (abuso sexual); erro médico; seguro (ex.: amputa a
própria mão).
Portanto, a Medicina Legal refere-se a cadáveres e vivos.

EXAMES REALIZADOS NO IML


- Exame Cautelar – é realizado mesmo sem haver lesão, para atestar a
integridade física (Ex.: Em presos);
- Exame de Embriaguez;
- Exame de Lesão Corporal;
- Exame Sexológico;
- Exame de Corpo de Delito (verificar se há lesão);
- Perícia de Identificação (quem é a pessoa? Ex.: cadáver);
- Exame Necroscópico (necropsia).

SVO – SERVIÇO DE VERIFICAÇÃO DE ÓBITO (SERVIÇO MUNICIPAL)


Ex.: Geralmente em pessoas que morrem em casa, a fim de verificar a causa
da morte.

Obs.:- Há necessidade de saber o motivo da morte, a fim de se obter dados


estatísticos para melhorar a política de saúde pública.

NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
Quando diagnosticadas doenças graves (Ex.: tuberculose). O Estado tem que
ser informado, mesmo o paciente não tendo conhecimento da doença.

LIVRO
Flamínio Fávero: Medicina Legal: “a aplicação dos conhecimentos médico-
biológicos na elaboração e execução que deles carecem”.

Medicina Legal é uma ciência e uma arte, simultaneamente, pois, se ela


sistematiza conhe cimentos gerais, inclusive de outras ciências; e se ela adota
métodos próprios de trabalho e de pesquisa também é uma arte.

A Medicina Legal estabelece relações, com toda a medicina e, também, com os


mais variados ramos das ciências paramédicas ou até extramédicas: a

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química, a física, a biologia em geral, a grafoscopia, a balística, etc. Engloba a


polícia técnica ou criminalística, a identificação e a toxicologia.

A Medicina Legal contribui, do ponto de vista médico, para a aplicação e


elaboração das leis. Para a formulação das leis, a colabora para evitar ou
corrigir os defeitos que tem sido apontados quando essas normas legais não se
auxiliam dos conhecimentos médico-legais indispensáveis à sua correta feitura.

Portanto, em todas aquelas oportunidades em que leis, ou decretos,


regulamentos, regimentos, portarias, provisões, etc., possam necessitar de
conhecimentos de medicina legal, deve ela ser ouvida, para que a aplicação
daquelas normas e determinações seja cumprida de forma correta. Não será
ela destinada apenas a redigir os seus laudos e pareceres, atividade da maior
importância e da mais prestimosa valia, chegando a ser de fato indispensável
para a melhor distribuição e aplicação da Justiça.

Segundo Carraça, a Medicina Legal é a ciência que constitui uma ponte entre o
direito e a medicina, enriquecendo aquele de conhecimentos médicos, e
permeando a esta do saber dos juristas.

A Medicina Legal no conjunto das atividades sociais, sugerido na Antiguidade:


Percebem indícios da sua atuação no Código de Hamurabi e nas normas
legislativas mosaicas, egípcias e gregas.
No “Editto della Gran Carta della Vicaria di Napoli” de 1525, aquele que
primeiro exigiu o parecer de peritos para a execução das práticas judiciárias.
Em 1532, o Código Criminal Carolino, promulgado pela Assembléia de
Ratisbonna, já exigia fossem ouvidos médicos e parteiras para esclarecimento
dos juízes.

O início da doutrina médico-forense, relaciona-se com a publicação do Tratado


dos relatórios, de Ambrósio Pare, de 1575, em que se ministravam as normas a
serem seguidas na atuação pericial. Até que foram publicadas as Questões
médico-legais, de Paulo Zacchia, em 1621, em três volumes, obra monumental
e que deve, em verdade, ser considerada o primeiro tratado de medicina legal.

No Brasil, a primeira publicação de caráter médico-legal, que Oscar Freire e


Flamínio Fávero encontraram, refere-se a um trabalho atribuído a Gonçalves
Gomide, n o ano de 1814.

A evolução do ensino e da pesquisa da medicina legal, no Brasil, expandiu-se


em dois grandes centros de estudo: na Bahia e no Rio de Janeiro, onde foram
fundadas, em 1832, as primeiras escolas médicas do País.

Há no Brasil, hoje, inúmeras Escolas de Medicina e de Direito, onde o ensino, a


pesquisa e a perícia se desenvolvem em alto nível, honrando sobremaneira e
elevada cultura médico-legal brasileira.

JUSTIÇA
Refere-se a atos humanos, isto é, exige-se justiça aos homens, não à natureza.

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A igualdade e a justiça pressupõem que, se uma regra é válida para todos,


ninguém a pode infringir em benefício próprio e prejuízo alheio.

A aplicação da justiça, pressupõe decidir quais são os princípios essenciais


que devem reger a nossa conduta nas relações humanas e estabelecer os
fundamentos da organização social, isto é, dar um conteúdo material, concreto,
à idéia de justiça.

JUSTIÇA E DIREITO
“Justiça”” se trata de uma coação socialmente aceita, ou seja, uma coação que
a comunidade apóia ou mesmo cria.

Em direito podem-se reconhecer dois aspectos: o direito subjetivo e o direito


objetivo.

Direito Subjetivo – é a faculdade de agir juridicamente, isto é, que cada


indivíduo tem de recorrer às normas escritas.

Direito Objetivo – ou simplesmente direito, é formado por um conjunto de


normas jurídicas, estabelecidas por escrito, aceitas pelo consenso social.

DIREITO E NORMA
O direito é formado por um conjunto de normas. As normas, cuja violação
implica uma determinada sanção, são as jurídicas: privação da liberdade,
indenização pelos danos causados, anulação de um contrato ou de um
testamento que não tenha sido feito de forma prescrita, etc.

OS CÓDIGOS DE PROCESSO
Constituem o conjunto de leis subsidiárias que regulamentam a lei principal. O
Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal são conjuntos de
normas que regem os procedimentos adotados durante o processo civil e o
penal.

PROCESSUALÍSTICA CIVIL
Quando alguém sofre uma lesão em seu patrimônio, provocada por outrem, e
este nega-se a reparar o dano, para ser ressarcido deverá recorrer à via
judicial, iniciando então um processo civil.

Após o cumprimento de todos os procedimentos regulamentares e com base


no conjunto de provas levantadas e anexadas aos autos, o juiz julga o caso e
prolata a sentença. Sendo condenado, o acusado deverá ressarcir o dano,
geralmente sob a forma de indenização.

PROCESSUALÍSTICA PENAL
Compete à Justiça penal a averiguação, constatação, julgamento e punição
das infrações ao Código Penal, isto é, os crimes.

A Justiça é acionada quando notificada da ocorrência de um crime, isto é,


quando recebe a notícia criminis.

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Após constatar que houve umc rime e obter provas, quem foi a vítima, quem é
o provável criminoso e as circunstâncias em que ocorreu o delito, o delegado
faz sumário do caso e envia o inquérito ao fórum. No fórum o inquérito policial é
recebido, registrado e distribuído para uma das varas criminais, indo ter às
mãos do Promotor de Justiça.

O Promotor de Justiça analisa os autos, avaliando o valor das provas colhidas,


após o que pode oferecer denúncia ou pedir o arquivamento do caso ao juiz ou,
ainda, devolver o inquérito à autoridade policial, determinando a esta as
diligências necessárias para sanar falhas, além de apontar, deverá indicar que
procedimentos se fazem necessários para dirimi-las.

O Juiz de direito recebendo a denúncia ou o pedido de arquivamento pode


aceitá-los ou recusá-los, ou arquivamento após estudar o caso, poderá
determinar à promotoria que apresente denúncia. Quando o juiz aceita a
denúncia, constitui-se o processo-crime, ou processo penal, que tem as
seguintes fases: instrução, acusação, defesa e julgamento.

A PROVA
A partir do momento em que ocorre um fato ilícito e a justiça é acionada, esta
empenha-se em coletar e analisar provas que permitam o estabelecimento da
verdade jurídica. As provas são os elementos-chaves para o estabelecimento
da justiça.

“Provar é fornecer, no processo, o conhecimento de qualquer fato, adquirindo,


para si, e gerando noutrem a convicção da substância ou verdade do mesmo
fato” (Florian).

Os fatos que interessam à justiça podem ou não deixar vestígios materiais. Os


que deixam vestígios materiais são chamados fatos permanentes (delicta facti
permanentes), os segundos são denominados fatos transitórios ou transeuntes
(delicta facti transeuntes).

O conjunto de vestígios ou de elementos objetivos, materiais, deixados por um


fato criminoso, compõe o chamado corpo de delito direito. Estes elementos
podem ser submetidos a exame técnico (prova pericial), que auxiliará no
esclarecimento do fato.

TÓPICO 04 E 05 – PERITOS E PERÍCIAS – CONCEITOS E ESPÉCIES /


PERÍCIAS – LEGISLAÇÃO

CADERNO

PERITO
Especialista que realiza perícia, e pode ser qualquer profissão.

A palavra “perito” deriva do prefixo latino per, peritos, que significa percorrer,
mover-se através, que deu origem às palavras experiência e esperto.

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PERITO é o indivíduo experiente, prático, douto, sabedor ou especialista em


determinado assunto.

No sentido jurídico, PERITO é o técnico nomeado e compromissado


judicialmente para proceder a um exame, vistoria ou avaliação, com a
finalidade de esclarecer fatos que interessam num processo.

A justiça espera do perito o VISUM ET REPERTUM, que significa ver bem


(examinar minuciosamente) e referir (descrever, documentar) exatamente o
que viu

**PERITOS
São experts em determinados assuntos, incumbidos por autoridades
competentes de os esclarecerem num processo.

- Peritos Oficiais
Inseridos na função através de concurso público.

- Peritos Nomeados/louvados/”ad-hoc”/Judiciais
Nomeado – Não é perito oficial, mas é nomeado para determinados
processo.

Obs.:- O perito pode solicitar um parecer a determinado profissional


especialista.
O perito judicial é imparcial; não julga; não acusa; não defende.
O perito vê e relata o que viu (visum et repertum)

PERÍCIA MÉDICO-LEGAL
É todo procedimento médico (exames clínicos, laboratoriais, necrospia,
exumação) promovido por autoridade policial ou judiciária, praticado por
profissional de medicina, visando prestar esclarecimentos à justiça.

Para que seja realizada uma perícia tem que haver a requisição de uma
autoridade.

O laudo pericial é encaminhado ao solicitante e o periciando não tem


conhecimento do resultado.

OBS.: Todas as profissões podem ter peritos.

ASSISTENTE TÉCNICO
Também é um perito nomeado. Assiste as partes e não ao Juiz. Assim, é
parcial, tendencioso. Dá assistência ao advogado da parte.

São fundamentais na hora de elaborar quesitos (perguntas) a serem feitas ao


perito.

O objetivo da perícia é responder aos quesitos requisitados pela Justiça.

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ARTS: 134 E 138

IMPEDIMENTO DO JUIZ
O Juiz está por Lei impedido de participar de determinado processo.

O Juiz pode solicitar a SUSPEIÇÃO do caso devido ao seu envolvimento com a


parte.

O perito nomeado também pode estar impedido de atuar no caso.

O médico não pode atuar como perito em em casos de seus pacientes, mas
pode ser Assistente Técnico (não está sujeito a SUSPEIÇÃO).

LEI 11.690/2008
Atualizou/modificou o “Código Penal” quanto ao Assistente Técnico.
Todo laudo pericial era feito por dois peritos, atualmente é necessário somente
um.

Quando no local não há peritos, devido a distância, a perícia será realizada por
duas pessoas idôneas, portadoras de diploma superior e de preferência com
habilidade técnica (área específica quanto a natureza do exame).

ART. 158 DO CPP


O exame de corpo de delito é feito em pessoas ou objetos, ou seja, todo corpo
que participou do fato.

EXAME DE CORPO DE DELITO DIRETO


O corpo a ser periciado (examinado) vai diretamente ao local.

EXAME DE CORPO DE DELITO INDIRETO


Feito a partir de provas testemunhais, geralmente baseado em, prontuários
médicos.
Há necessidade do exame de corpo de delito direto ou indireto, pois não é
suprimido com a confissão do acusado.

ART. 167 DO CPP


A prova pericial pode ser substituída pela testemunhal, desde que não haja
vestígios.

ART. 160 DO CPP


Prazo de 10 dias.

ART. 180 DO CPP


Divergência entre os peritos.

ART. 182 DO CPP


O Juiz pode aceitar ou não o laudo pericial.

ARTS. 420 A 439 DO CPC

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ARTS. 158 A 184 / 275 A 281 DO CPP


Verificar

ART. 159 DO CPP (Código de Processo Penal)


- O exame deverá ser realizado por perito oficial;
- Na falta desse, por duas pessoas idôneas, portadoras de diploma de nível
superior, preferencialmente na área específica;
- Será facultada a indicação de Assistente Técnico;
- O Assistente Técnico atuará a partir de sua admissão pelo Juiz.

ART. 160 DO CPP


Descreve o que o perito faz.

Quesitos Oficiais (no caso de necropsia):


1) Houve morte?
2) Qual sua causa?
3) Qual o meio, instrumento ou agente?
4) Se o procedimento foi grave (perda de membro) para verificar a
qualificadora.

ART. 161 DO CPP


O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia ou horário.

ART. 168 DO CPP


Se o primeiro exame for incompleto, poderá ser solicitado exame
complementar (Ministério Público, acusado, ofendido ou defensor).

ART. 180 DO CPP


Se houver divergências entre os peritos, os laudos serão em separado, e será
solicitado novo laudo a um terceiro perito.

ART. 421 DO CPP


As partes tem o prazo de 5 dias contados da intimação do despacho de
nomeação do perito, para indicar o Assistente Técnico e apresentar quesitos.

ART. 422 DO CPP


Os peritos devem ser imparciais.

ART. 134 DO CPC


Impedimento – É defeso ao Juiz exercer as suas funções no processo
contencioso ou voluntário.

ART. 135 DO CPC


Suspeição – Reputa-se fundada a sujeição de parcialidade do Juiz.

ART. 138 DO CPC


Aplicação dos motivos de impedimento e suspeição.

Obs.: O Assistente Técnico não está sujeito a impedimento e suspeição.

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FALSA PERÍCIA
ART. 342 DO CPP
Afirmação contra a verdade; a negação da verdade e o silêncio sobre a
verdade.

IMPERÍCIA
Ignorância, falta de conhecimento técnico-científico, inabilitação específica para
prática de determinado ato.

ART. 18
Diz-se o crime: Doloso (quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco
de produzi-lo). Culposo (o agente deu causa ao resultado por negligência ou
imperícia).

LIVRO
PERÍCIA MÉDICA
Pode ser de dois tipos:

1) Administrativas
Securitárias, estatuárias, etc.

2) Judiciais
Cíveis, criminais, trabalhistas, etc.

Diferenciam-se quanto ao caráter privado das Administrativas (válidas à


empresa ou repartição que as solicitou). As duas seriam, SENSU LATO,
perícias médico-legais, definida como “toda sindicância promovida por
autoridade policial ou judiciária, acompanhada de exame em que, pela
natureza do mesmo, os peritos são ou devem ser médicos” (Souza Lima).

REGULAMENTAÇÃO DA PERÍCIA MÉDICA

Código de Processo Penal – CPP


** ARTS.: 158 AO 184

Código de Processo Civil – CPC


** ARTS.: 33; 145; 146; 147; 420 AO 439

Direito Processual do Trabalho (Lei nº 5.584/70)


** ART. 3º

Consolidação das Leis do Trabalho


** ART. 827

Legislação sobre o Seguro de Acidentes do Trabalho (Lei nº 6.367/76)


** ART. 18

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Código Brasileiro de Deontologia Médica (Resolução CFM nº 1.154/84)


** Princípio XV; ARTS.: 54 AO 59

ESCOLHA E INVESTIDURA DOS PERITOS


A nomeação do perito é feita pela autoridade que preside a fase do processo,
isto é, na fase de inquérito o delegado de polícia, após esta, o juiz de direito. A
maioria das perícias criminais deve ser realizada pelos chamados “peritos
oficiais” (CPP, ART. 159); a designação é feita pelo diretor da instituição que os
congrega (Instituto Médico-Legal, manicômio judiciário, etc.), deve o exame ser
solicitado, pela autoridade, a esse diretor (CPP, ART6. 178).

PERITOS OFICIAIS são aqueles que, após admitidos (geralmente por


concurso público) nos quadros de uma instituição onde se realizam perícias,
passam a executá-las profissionalmente.

PERITOS LOUVADOS são aqueles nomeados diretamente pelo juiz entre


profissionais de sua confiança.

Nos casos penais, o número de peritos é geralmente de dois, enquanto no cível


é nomeado um perito do juízo, cabendo a cada uma das partes indicar um
profissional de sua confiança (denominado assistente técnico), para
acompanhar a perícia (CPC, ART. 421).

Na JUSTIÇA DO TRABALHO é indicado um perito pelo juiz, podendo cada


parte, se quiser, indicar um assistente técnico.

ACEITAÇÃO DA PERÍCIA
Nos casos em que a inexistência de peritos oficiais torna necessária a
nomeação de profissionais que não executam perícias como ofício, sua
aceitação pelo nomeado, no foro criminal, é obrigatória (CPP, ART. 277), salvo
escusa atendível.

Na esfera civil, a aceitação pelo perito é optativa, podendo escusar-se do


encargo por motivo legítimo (CPC, ART. 146).

TÓPICOS 06 E 07 – DOCUMENTOS MÉDICO LEGAIS

DOCUMENTO MÉDICO-LEGAL é toda declaração formada por médico, no


exercício da profissão, para servir como prova, e que pode ser utilizada com
finalidades jurídicas, e são classificados em três tipos: Relatórios, Pareceres e
Atestados.

DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS
** Notificações Compulsórias
** Relatórios (laudos – perícia)
** Pareceres (opinião de um especialista)
** Atestados
** Consulta / Depoimento Oral

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NOTIFICAÇÕES COMPULSÓRIAS
São comunicações obrigatórias feitas pelo médico às autoridades competentes,
por razões sociais ou sanitárias:

1 - Doenças que implicam em medidas de isolamento ou doenças


constantes de Portaria no M.S. (Cada vez que uma pessoa adquire uma
doença contagiosa, o médico tem de notificar, para que as autoridades
competentes tomem as medidas necessárias). Ex.: Dengue/Malária.
LEI 6259 DE 30/out/1975
ART. 8º - É dever de todo cidadão comunicar à autoridade sanitária local a
ocorrência de fato, comprovado ou presumível, de caso de doença
transmissível, sendo obrigatória a médicos e outros profissionais de saúde no
exercício da profissão, bem como aos responsáveis por organizações e
estabelecimentos públicos e particulares de saúde e ensino a notificação de
casos suspeitos ou confirmados das doenças relacionadas em conformidade
com o artigo 7º.

ART. 7º - São de notificação compulsória às autoridades sanitárias os casos


suspeitos ou confirmados:
I - De doenças que podem implicar medidas de isolamento ou quarentena, de
acordo com o Regulamento Sanitário Internacional.

II - De doenças constantes de relação elaborada pelo Ministério da Saúde,


para cada Unidade da Federação, a ser atualizada periodicamente.
§ 1º - Na relação de doenças de que trata o Inciso II deste artigo, será
incluído item para casos de “agravo inusitado à saúde”.

§ 2º - O Ministério da Saúde poderá exigir dos Serviços de Saúde a


notificação negativa da ocorrência de doenças constantes da relação de
que tratam os itens I e II deste artigo.

- C.A.T. (Comunicação de Acidente de Trabalho – é de notificação obrigatória,


podendo ser de trajeto também).

2 – Notificação de Crime de ação penal pública incondicionada de que teve


ciência no exercício da Medicina. (não depende de representação. Quando
condicionada a própria pessoa tem que estar presente).
Exs.: (1) Estupro (condicionado) – a vítima tem que ir pessoalmente e fazer a
queixa.
(2) Homicídio - (incondicionado)

CÓDIGO PENAL

- DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA:

ART. 269 DO CP
Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é
compulsória: Pena – Detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

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- LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS

ART. 66 DO CP
Deixar de comunicar a autoridade competente:
I - Crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função
pública, desde que a ação penal não dependa de representação;

II – Crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina


ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de
representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento
criminal.

- Violação do segredo profissional.

ART. 154 DO CP
Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de
função ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a
outrem.
Pena – Detenção de três meses a um ano, ou multa.
Parágrafo único – Somente se procede mediante representação.

3 - Violência (no caso de evidência de violência grave, é imediatamente


acionada a polícia). A vítima não recebe alta enquanto não sair o laudo.

4 - Esterilizações Cirúrgicas (tornar estéril cirurgicamente – laqueadura ou


vasectomia, tem que ser notificado as autoridades sociais e sanitárias para
controle da natalidade. Também o câncer no útero.
LEI 9263 DE 1996 – ART. 11 E ART. 16

5 - Morte Encefálica
Lei 9434 de 1997 – art. 13
Morte encefálica é diferente de morte cerebral: Juridicamente afirma que a
pessoa está morta quando ocorre a morte encefálica.
- Cérebro = dentro do crânio
- Encéfalo = cérebro fica dentro
Portanto, para ocorrer a morte, tem que atingir o encéfalo, que
consequentemente “para” todos os órgãos inseridos em seu interior/exterior.

Morte cerebral = Estado vegetativo persistente.

Obs.: (1) O Prontuário é elaborado com finalidade médica, mas não é um


documento médico-legal.
(2) ART. 269 DO CP – Deixar o médico de denunciar à autoridade
pública, doença cuja notificação é compulsória.

RELATÓRIO MÉDICO LEGAL

1) CONCEITO

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RELATÓRIO MÉDICO LEGAL é a narração escrita e minuciosa de todas as


operações de uma perícia médica, determinada por autoridade policial ou
judiciária, a um ou mais profissionais anteriormente nomeados e
compromissados na forma da lei (Flamínio Fávero).

2) TIPOS
** O relatório é chamado de LAUDO quando é redigido pelo perito,
posteriormente ao exame.
** O relatório é chamado de AUTO quando é ditado pelo perito ao escrivão,
durante o exame ou logo após.

3) FORMA
O Relatório Médico-Legal deve ser redigido de forma padronizada, obedecendo
a certas normas que facilitam sua análise. É composto das seguintes partes:

O Laudo é dividido em sete partes:


1 – Preâmbulo
2 – Quesitos
3 – Histórico
4 – Descrição
5 – Discussão
6 – Conclusão
7 – Respostas aos quesitos

1 – PREÂMBULO
É a introdução do relatório e serve-lhe como cabeçalho. É conveniente que
contenha a data e o local do exame, a qualificação do(s) perito(s) e da
autoridade requisitante, a qualificação do examinado e o tipo de exame
pericial solicitado.
- Qualificação da autoridade solicitante
- Qualificação do examinado
- Qualificação do perito
- Data
- Hora
- Local
- Tipo de Perícia

2 – QUESITOS
São as perguntas formuladas pela autoridade judiciária ou policial, pela
promotoria pública ou pelos advogados das partes.

Os quesitos são a expressão das dúvidas que a justiça deseja sejam


esclarecida através de determinada perícia. A transcrição dos quesitos logo
no início do laudo deixa clara a finalidade daquela perícia.

Principais Perícias Criminais que Requerem Quesitos:


- Lesões Corporais;
- Exame Necroscópico;
- Exame Complementar de Sanidade Física;

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- Exame para Verificação de Idade;


- Conjunção Carnal;
- Ato Libidinoso;
- Aborto;
- Infanticídio (exame da vítima);
- Infanticídio (exame da Indiciada);

3 – HISTÓRICO
Todas as informações pertinentes fornecidas pela autoridade requisitante,
por outros profissionais (ex.: peritos criminais), ou por outras fontes
fidedignas (laudos, prontuários, fichas ou exames médicos anteriores,
relatórios ou outros documentos relacionados com o caso), além do
depoimento do examinando, de seus familiares ou de pessoas que
presenciaram a ocorrência ou o desenrolar dos fatos que interessam à
perícia.

4 – DESCRIÇÃO
O perito fará o VISUM ET REPERTUM dos textos clássicos, isto é, após
proceder ao exame apurado, deverá descrever, de modo precioso e
minucioso, exatamente o que viu (relatar exatamente o que foi visto). Deve
ser referida a técnica utilizada, as observações feitas, os exames realizados
ou solicitados e os seus respectivos resultados, com esquemas e
fotografias.

As provas periciais são as que maior peso tem em um processo, e os fatos


objetivos além de serem a base sobre a qual deverá calcar as partes
restantes do seu relatório, constituem subsídios valiosos para as
conclusões da justiça acerca da natureza jurídica da ocorrência.

Ao examinar e registrar o que observou, o perito constitui-se,


frequentemente, nos “olhos da justiça” e que a descrição é a “alma do
laudo”, podendo, uma descrição malfeita, torná-lo uma peça inútil.

Na descrição da perícia necroscópica devem constar: elementos de


identificação, exame das vestes, sinais de morte, exames externo, interno e
complementares (radiológicos, histopatológicos, toxicológicos, etc.).

5 – DISCUSSÃO
O perito fará os diagnósticos e prognósticos que julgar necessários,
exteriorizará suas impressões pessoais a respeito do caso, alicerçando-se,
sempre, em justificativas coerentes, documentando suas assertivas com
citações de tratadistas ou com referências bibliográficas adequadas ao
caso.

A discussão é fundamental para assegurar lógica e clareza no deduzir das


conclusões e para mostrar as vantagens e desvantagens dos diversos
critérios e opiniões sobre o fato.

6 – CONCLUSÃO

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É o sumário de todos os elementos objetivos observados e discutidos pelo


perito, constituindo a dedução sintética natural da discussão elaborada.

A discussão e a conclusão são elaboradas em um único item, o que facilita


a formulação de novas hipóteses e deduções, que possibilitem a elucidação
de possíveis dúvidas que devem ser dirimidas.

Obs.: Conclusão e a síntese dos principais pontos.

7 – RESPOSTAS AOS QUESITOS


Devem ser precisas, concisas e conclusivas, sempre que possível um
simples “sim” ou “não”. Haverá ocasiões em que é impossível responder
afirmativa ou negativamente, sendo aceitável uma resposta dubitativa.

O quesito às vezes escapa da área de competência do perito, ou, então, no


material examinado não há elementos que possibilitem qualquer tipo de
conclusão para o esclarecimento da dúvida exposta; nessas situações, ele
deverá, simplesmente, declarar suas limitações ou o motivo que o impede
de responder.

Deve ser sucinta e objetiva.


TAMBÉM PODEM FORMULAR QUESITOS:
- MP, Assistente da Acusação; Ofendido; Querelante; Acusado (CPP ART.
159, § 3º, incluído pela LEI 11.690/2008).

PODE HAVER QUESITOS COMPLEMENTARES.

4) REGULAMENTAÇÃO
Vários dispositivos legais (perícias e peritos) dizem respeito ao relatório
médico-legal (laudo ou auto). ARTS. 160 AO 168; 170; 171; 176; 179 AO
182 (CÓDIGO DE PROCESSO PENAL) E 421; 425; 426;427; 429; 430;
431; 432; 433 e 435 (CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL)

PARECER MÉDICO LEGAL

É a resposta escrita de autoridade médica, de comissão de profissionais ou de


sociedade científica, a consulta formulada com o intuito de esclarecer questões
de interesse jurídico.

A consulta médico-legal é geralmente feita pelo advogado de uma das partes e


visa esclarecer dúvidas levantadas acerca de um relatório médico-legal. É
dirigida a profissionais que tenha competência especial no assunto, para saber-
lhe a opinião, que, após adequadamente escrita e documentada, pode ser
aproveitada na forma de parecer e ser anexada ao processo judiciário.

PARECER
** Documento utilizado para dirimir divergências na interpretação dos achados
de uma perícia.
** Pode ser solicitado pelo Juiz, a fim de esclarecer dúvidas sobre uma perícia.
** Parecer é literalmente “opinião de um especialista”. NÃO É LAUDO.

Resumo – Medicina Legal 2º ano Direito – Solange Barone


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** Geralmente solicitado a uma pessoa de renome. Os títulos/qualificações do


especialista é importante para credibilidade das informações.
** Possui o valor de simples prova técnica a ser estimada de maneira muito
relativa pelo juiz, que dará a esse documento particular a importância que
entender, fundamentando sua decisão de modo a possibilitar às partes a
apreciação crítica da mesma (Delton Croce)

As partes também podem solicitar o parecer de um especialista para esclarecer


casos.

O Parecer é dividido em quatro partes:

1 – PREÂMBULO
Consta a qualificação do solicitante, qualificação do parecerista (com
enumeração de seus títulos), número do processo e vara em que tramita.

2 – EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
Breve relato dos quesitos formulados e do histórico.

3 – DISCUSSÃO (parte mais importante do parecer)


Momento em que expõe suas considerações sobre o laudo, opinando sobre
o caso, sempre embasando sua opinião sobre os fatos.

4 – CONCLUSÃO
Síntese clara dos pontos relevantes da discussão.

ATESTADO MÉDICO

1) CONCEITO
Atestado Médico é a afirmação simples e por escrito de um fato médico e de
suas conseqüências. É um documento firmado por solicitação do interessado
ou de seu representante legal.

2) NORMAS JURÍDICAS E ÉTICAS


O atestado é documento particular que, como o parecer, independe de
compromisso legal. Qualquer médico pode fornecer um atestado, contanto que
esteja habilitado profissional e legalmente para o exercício da medicina e que
tenha praticado os atos profissionais que o justifiquem.

É a descrição da afirmação simples e por escrito de um fato médico e suas


conseqüências (Souza Lima).

O Atestado Médico é Dividido em três partes:

1 – OFICIOSOS

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Quando solicitados por particulares e cujos interesses atendem (faltas ao


trabalho, provas escolares, atestados de saúde para admissão em aulas de
ginástica, freqüentar piscinas, etc.)

2 – ADMINISTRATIVOS
Quando exigidos por autoridade administrativa (funcionários públicos –
licenças ou aposentadoria -, atestados de sanidade física e mental para
concursos públicos, INSS).
Ex. Funcionário Público que vai se ausentar do trabalho, para assegurar os
benefícios.

3 – JUDICIÁRIOS
Se requisitados por Juiz (jurados que faltam ao Tribunal do Júri).

CÓDIGO PENAL
O Código Penal Brasileiro regulamenta a matéria nos seguintes termos:

ART. 302
Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso.
Pena – Detenção de um mês a um ano.
Parágrafo Único – Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também
multa.

ARTS.: 50; 51; 52 e 53.

3) FINALIDADES DOS ATESTADOS MÉDICOS


As principais finalidades dos atestados medidos são:

a) Justificar faltas, afastamentos, obter licença ou dispensa do trabalho, da


escola ou de outros locais (ex.: Tribunal do Júri);

b) Permitir a freqüência nesses ambientes ou outros;

c) Autorizar a participação, realização ou exercício de algum tipo de


atividade ou profissão;

d) Preencher exigências legais (ex.: Atestado de Óbito).

Os atestados medidos são de três tipos básicos: Sanidade, Enfermidade e


Óbito.

ATESTADO DE ÓBITO

ATESTADO DE ÓBITO é um documento médico-legal que tem forma


padronizada, sendo os impressos (em duas vias) fornecidos pelo Ministério da
Saúde.

OS FATOS A SEREM ATESTADOS

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O médico que vai fornecer o atestado tem que fazer o diagnóstico da morte e
também o da doença ou evento traumático que a ocasionou.

O diagnóstico da morte constitui prova cabal e incontestável do


desaparecimento do indivíduo. O correto diagnóstico da causa da morte é
fundamental para as estatísticas de mortalidade.

O DIAGNÓSTICO DA MORTE E O DE CAUSA DA MORTE


O diagnóstico da morte é feito com base nos sinais de morte (fenômenos
cadavéricos).

As causas da morte, a serem registradas no atestado médico de causa da


morte, são todas aquelas doenças, estados mórbidos ou lesões que a
produziram ou contribuíram para que ela ocorresse e as circunstâncias do
acidente, ou da violência, que produziu essas lesões.

A causa que será usada para tabulação, em estatística de mortalidade é


chamada causa básica da morte, que pode ser definida como:
a) A doença ou lesão que iniciou a sucessão de eventos mórbidos que levou
diretamente à morte:

b) As circunstâncias do acidente ou violência que produziu a lesão fatal.

A causa básica dá origem às causas conseqüenciais, registrada na linha (a), e


é chamada causa terminal ou imediata.

QUEM DEVE FORNECER O ATESTADO DE ÓBITO


O fornecimento do atestado de óbito, pela ética e pela lei, é da competência do
profissional que vinha prestando assistência médica ao paciente. Exceções:
a) Nos casos de morte natural (causada por doença), sem assistência médica;

b) Nas mortes violentas ou suspeitas, ou no falecimento de pessoas não


identificadas.

Nas mortes violentas (causadas por acidentes, suicídio ou homicídio) ou


suspeitas ou de pessoa não identificada, em que há interesse judiciário na
averiguação, a responsabilidade do fornecimento de atestado de óbito é dos
institutos médico-legais.

Portanto, o fornecimento de atestado de óbito compete ao médico assistente,


ou a seu substituto. Em caso de ser chamado para atender a um paciente que
faleceu sem assistência médica, comunicará o fato à autoridade competente,
isto é, à delegacia mais próxima, que se encarregará de requisitar o carro
próprio ao translado do cadáver para o Serviço de Verificação de Óbito.

COMUNICAÇÕES OBRIGATÓRIAS
São documentos que relatam fatos observados ou constatados no exercício da
profissão e que, por força de lei, o médico tem obrigação de comunicar.

Constituem verdadeiros documentos médico-legais porque:

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a) De praxe, devem ser feitas por escrito;


b) Servem como prova;
c) Comunicam fatos observados ou constatados pelo médico no exercício
de sua profissão;
d) São emitidas para cumprir determinação legal.

Estas comunicações diferenciam-se dos atestados comuns, porque são


documentos que devem ser passados a pedido do próprio interessado ou de
seu representante legal. O atestado é a afirmação de um fato médico e de suas
conseqüências, enquanto a comunicação obrigatória relata fatos de que o
médico teve conhecimento no exercício da profissão e que, nem sempre, são
de natureza médica.

São Obrigatórias:
- Comunicações de Doenças de Notificação Compulsória (CP): ART. 269
- Comunicação de Toxicomania (DEC.-LEI Nº 891/38): ART. 27
- Comunicação dos Crimes de Ação Pública (LCP): ART. 66
- Comunicação das Doenças Profissionais e das Produzidas por Condições
Especiais de Trabalho (CLT): ART. 169

LEI Nº 6.015 de 31 de dezembro de 1973


ART. 77
Nenhum sepultamento será feito sem certidão, do oficial de registro do lugar do
falecimento, extraída após a lavratura do assento de óbito, em vista do
atestado de médico, se houver no lugar, ou em caso contrário, de duas
pessoas qualificadas que tiverem presenciado ou verificado a morte.
§ 1º - Antes de proceder ao assento de óbito de criança de menos de 1 (um)
ano, o oficial verificará se houve registro de nascimento, que, em caso de falta,
será previamente feito.

§ 2º - A cremação de cadáver somente será feita daquele que houver


manifestado a vontade de ser incinerado ou no interesse da saúde pública e se
o atestado de óbito houver sido firmado por 2 (dois) médicos ou por 1 (um)
médico legista e, no caso de morte violenta, depois de autorizada pela
autoridade judiciária.

O formulário preenchido é Declaração de Óbito, que dá origem no Cartório a


Certidão de Óbito.

Obs.:- O atestado está dentro da Declaração. Na parte 6 da Declaração, consta


a causa da morte. Serviço de Verificação de Óbito.

NA PARTE DA CAUSA DO ÓBITO:


Ex.: Levar perfuração no fígado (tiro)

1 – Causa Final do Óbito


a) Anemia Aguda
Ausência de sangue de forma rápida – hemorragia interna.

b) Em decorrência de lesão hepática.

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2 – Doenças que Contribuíram com o Óbito


Ex.: a) Hemofilia – A pessoa sangra e não coagula.
b) Diabete

É necessário se fazer o exame quando a pessoa morre para saber a causa da


morte.

IML
- Mortes violentas
* Meta – traumática
- Suspeita
- Presos
- Sem identificação – A pessoa é enviada ao IML para identificação
- Natimorto – Bebê que nasce morto, também recebe atestado de óbito.
Quando nasce e respira, recebe atestado (declaração) de nascido vivo, tem
registro e atestado de óbito.

TÓPICO 08, 09 e 10 – ANTROPOLOGIA FORENSE

ANTROPOLOGIA FORENSE
É a aplicação prática ao Direito de um conjunto de conhecimentos da
Antropologia Geral, visando principalmente às questões relativas à identidade
médico legal e à identidade judiciária ou policial.

IDENTIDADE
Conjunto de características que diferenciam as pessoas. Essas características
que dão a identidade às pessoas, favorecendo o reconhecimento dos mesmos.

Esse conjunto de características tornam a pessoa única, ou seja,


individualizada.

** As tatuagens foram introduzidas para identificar as pessoas; também a


mutilação de um membro era uma forma de marcar w identificar uma pessoa
(Ex. preso).

GENIVAL VELOSO DE FRANÇA: Identidade é o conjunto de caracteres que


individualiza uma pessoa ou coisa, fazendo-a distinta das demais. É um elenco
de atributos que torna alguém ou alguma coisa igual apenas a si próprio.

AFRÂNIO PEIXOTO: Identidade é o conjunto de sinais ou propriedades que


caracterizam um indivíduo entre todos, ou entre muitos, e o revelam em
determinada circunstância, e que estes sinais são específicos e individuais,
originários ou adquiridos.

MORAIS: Identidade é a qualidade de ser a mesma cousa e não diversa.

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Todo o ser apresenta um conjunto de caracteres que o definem, que são a sua
identidade. Uma cousa, um corpo, um ente só pode ser idêntico a si mesmo.

IDENTIDADE HUMANA
Pode ser dividida em:
a) Subjetiva
É a noção que cada indivíduo tem de si próprio, no tempo e no espaço.

b) Objetiva
Mostra que um indivíduo examinado é o mesmo que em passado recente
ou remoto foi submetido a igual exame.

O homem resulta da ação conjunta de dois fatores: o biológico, transmitido de


para filho, resultado das múltiplas disposições de gens, e o ambiental,
conseqüência da ação que, sobre ele, o meio exerce.

IDENTIFICAÇÃO
Série de processos (procedimentos) para identificar uma pessoa.

** É O PROCESSO PELO QUAL SE DETERMINA A IDENTIDADE DA


PESSOA.
** É UM CONJUNTO DE DILIGÊNCIAS CUJA FINALIDADE É DETERMINAR
A INDIVIDUALIDADE DE UMA PESSOA E ESTABELECER CARACTERES
OU CONJUNTO DE QUALIDADES QUE A FAZEM DIFERENTE DE TODAS
AS OUTRAS E IGUAL APENAS A SI MESMA.
** IDENTIFICAÇÃO MÉDICO LEGAL.
** IDENTIFICAÇÃO POLICIAL OU JUDICIÁRIA.

A identificação protege, assim, os interesses individuais e coletivos; o Código


Penal, em seu ART. 307, atribui sanções aos indivíduos que usem de falsa
identidade. Decorre do exposto que há um direito e um dever de identidade.

A IDENTIDADE afirma Luiz Reyna Almandos, é a condição de ser cada homem


igual a si mesmo; a IDENTIFACAÇÃO é o meio, sistema ou mecanismo de
determiná-la para todos os efeitos jurídicos. Portanto, IDENTIDADE E
IDENTIFICAÇÃO são a fonte da personalidade jurídica do indivíduo humano.

PROCESSO
É uma sequência de eventos, porque não pode se basear em uma única
característica para identificar uma pessoa.
Portanto, todo método de identificação é um processo.

PROCESSO É UM CONJUNTO DE DILIGÊNCIAS CUJA FINALIDADE É


DETERMINAR A INDIVIDUALIDADE DE UMA PESSOA E ESTABELECER
CARACTERES...

MATERIAL DE ESTUDO
A identificação pode ser feita: no vivo; no morto e em restos e outros materiais.
a) No Vivo

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Sempre que um ato a ser realizado exija comprovação da identidade.


Quem, tendo praticado um ato à margem de normas e códigos, nega sua
participação nele.

b) No Morto
Realizada em cadáveres encontrados nos mais variados lugares, quando
informações sobre sua identidade sejam escassas ou inexistentes.

c) Em Locais de Crime
A identificação através de pêlos, manchas de sangue ou esperma, pegadas
ou impressões digitais, em muito vem facilitar as investigações.

MEIOS DE IDENTIFICAÇÃO
O ato de identificação compreende três fases:
1) O registro de certos caracteres permanentes do indivíduo, capazes de o
distinguir dos demais, em qualquer época de sua vida;

2) A verificação dos mesmos caracteres, no indivíduo, quando necessária se


torne a sua identificação;

3) A comparação dos elementos colhidos nas duas fases anteriores para que,
seja negada ou afirmada a sua identidade.

MÉTODOS DE IDENTIFICAÇÃO / REQUISITOS TÉCNICOS


Tem que ter algumas características, como:
- Unicidade / Variedade
- Imutabilidade
- Perenidade – Tem que ser a mesma desde o momento do nascimento até a
morte.
- Praticabilidade
- Classificabilidade

Unicidade / Variedade
Que determinados elementos sejam específicos daquele indivíduo e diferente
dos demais.

Imutabilidade
São características que não mudam e não se alteram ao longo do tempo. Ex.:
Digital

Perenidade
Consiste na capacidade de certos elementos resistirem a ação do tempo, e que
permanecem durante toda a vida e até após a morte.

Praticabilidade
Um processo que não seja complexo, tanto na obtenção como no registro dos
caracteres.

Classificabilidade

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É necessária metodologia no arquivamento, assim como rapidez e facilidade na


busca dos registros.

IDENTIFICAÇÃO POLICIAL OU JUDICIÁRIA

Metodologias que não dependem do exame médico.


Ex.: Cor do cabelo; dentes; nariz; etc. – Através da fotografia, vídeos, etc.

A identificação pode ocorrer através da imagem (fotografia; retrato falado;


Sistema DACTILOSCÓPICO DECADACTILAR DE VUCETICH – impressão
digital).

As ondas que tem nos dedos = cristas papilares, que são linhas que vão de
uma ponta a outra (A – Sistema Marginal), e também no centro formando
ondas (B – Sistema Nuclear) e os que ficam na base – embaixo (C – Sistema
Basilar).

** INDEPENDE DE CONHECIMENTOS MÉDICOS


** MÉTODOS ANTIGOS (ferro em brasa, mutilações, tatuagens)
** FOTOGRAFIA SIMPLES
** RETRATO FALADO
** SISTEMA ANTROPOMÉTRICO DE BERTILLON
** SISTEMA DACTILOSCÓPICO DECADACTILAR DE VUCETICH

SISTEMA ANTROPOMÉTRICO DE BERTILLON


- BERTILLONAGEM

- ALPHONSE BERTILLON – 1º MÉTODO CIENTÍFICO DE IDENTIFICAÇÃO

- DADOS ANTROPOMÉTRICOS, DESCRIÇÃO E SINAIS INDIVIDUAIS


** 11 MEDIDAS (após 20 anos de idade)
## DIÂMETRO ÂNTERO-POSTERIOR DA CABEÇA E DIÂMETRO
TRANSVERSAL
## COMPRIMENTO DA ORELHA DIREITA
## DIÂMETRO BIZIGOMÁTICO
## COMPRIMENTO DO PÉ ESQUERDO, DO DEDO MÉDIO
ESQUERDO, DO DEDO MÍNIMO, DO ANTEBRAÇO
## ESTATURA, ENVERGADURA E ALTURA DO BUSTO

** CARACTERES CROMÁTICOS: cor dos cabelos, da pela, dos olhos

** SINAIS INDIVIDUAIS: cicatrizes, manchas, tatuagens, amputações,


anquiloses, deformidades, etc.

- DIFÍCIL EXECUÇÃO, ARQUIVAMENTO E CLASSIFICABILIDADE

Existem quatro tipos fundamentais de digitais e o que diferencia uma da


outra é o DELTA:

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1 – VERTICILO (LETRA V) (nº 4)


Tipo que possui dois deltas.

2 – PRESILHA EXTERNA (LETRA E) (Nº 3)


Tipo que possui delta do lado esquerdo.

3 – PRESILHA INTERNA (LETRA I) (Nº 2)


Tipo que possui delta do lado direito.

4 – ARCO (LETRA A) (Nº 1)


Tipo que não possui delta.

PORTANTO, AS LETRAS FICARAM: V E I A


4 3 2 1

PAPILOSCOPISTA
Especialista em impressões digitais.

SISTEMA DACTILOSCÓPICO DECADACTILAR DE VUCETICH

IMPRESSÕES DIGITAIS

** Moldadas
Superfície plástica (tinta fresca);

** Latentes
Revelação (carbonato de chumbo, negro de fumo);

** Reveladas
Sangue, graxa.

DEDOS

- D – (Direito) I 2 4 1 1

- E – (Esquerdo) A 4 3 1 2

** CASO TENHA ALGUM DEDO AMPUTADO COLOCA (O)


** CASO NÃO ESTEJA LEGÍVEL A DIGITAL COLOCA (X)

SISTEMAS LINEARES
Sistema onde o dedo é dividido em 3 partes:
A = Sistema Marginal
B = Sistema Nuclear
C = Sistema Basilar

FICHA DACTILOSCOPICA DECADACTILAR


Onde consta as digitais de todos os dedos.

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- Pontos Característicos:
Forquilha, Cortada, Bifurcação, Ilhota e Encerro.

Obs.: Mínimo 12 pontos

LIVRO
A IDENTIFICAÇÃO POLICIAL OU JUDICIÁRIA pode ser realizada seguindo
vários setores, tais como: A Identificação Dactiloscópica, o estudo das pegas e
das impressões dentárias, e o método antropométrico segundo Bertilon.

IDENTIFICAÇÃO DACTILOSCOPICA
É o método de identificação que, para fins policiais, melhor preenche os
requisitos técnicos. Baseia-se na disposição das cristas papilares que se
encontram na polpa dos dedos; um desenho característico, absolutamente
individual, que não se modifica durante toda a vida. As cristas deixarão marcas
positivas ou negativas, dependendo de qual seja o material em que se
depositam ou da substância que as recubra: são as IMPRESSÕES DIGITAIS.

SISTEMAS DECADACTILARES
São os que utilizam os dez dedos como base da classificação. Na Argentina,
VUCETICH lançou as bases de um sistema de classificação, que é o adotado
no Brasil.

A classificação de VUCETICH tem 3 grupos de cristas papilares, denominados


sistemas de cristas papilares:
a) Sistema Marginal - É constituído pelo conjunto de cristas que se dispõem
segundo as bordas e a extremidade da falange;

b) Sistema Basal – Formado pelas cristas horizontais que se encontram


próximas ao sulco articular entre as duas últimas falanges;

c) Sistema Nuclear ou Central – Localizado na porção central do conjunto e


limitado pelos outros.

IDENTIFICAÇÃO MÉDICO LEGAL

A identificação medico legal é sempre feita por médicos legistas (colher sangue
ou ossos; verificar a medida do crânio; pelve para definir sexo; etc.)

É feita quanto a:

ESPÉCIE:

1 - Ossos
Analisar microscopicamente (dimensões e caracteres) e
macroscopicamente (células ósseas).

2 - Sangue
** Análise dos cristais de Teichmann (sangue);

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** Processo de Uhlenhuth (albumino-reação).

3 - Dentes, pele, pelos, espermatozóides, fezes

RAÇA (crânio)
** Genótipos morfológicos (características físicas), que caracterizam subtipos
da espécie humana. Observa-se várias características para definição.

** Estatura, envergadura, forma do crânio, índice cefálico, forma da face e


ângulos faciais, índices dentários, fenda palpebral e cor da íris, forma do
nariz, espessura dos lábios, tipo e cor dos cabelos, pavilhão auricular,
índices tíbio-femoral e rádio-umeral, pigmentação cutânea e distribuição
pilosa.

** Tipos étnicos fundamentais de Ottolenghi:

- Tipo Caucásico: pele branca; cabelos lisos ou crespos; louros ou


castanhos; íris azuis ou castanhas.

- Tipo Mongólico: pele amarela; cabelos lisos; face achatada.

- Tipo Negroide: pele negra; cabelos crespos; crânio pequeno; Iris


castanhas; nariz pequeno, largo e achatado.

- Tipo Indiano: estatura alta; pele amarelo-trigueira ou avermelhada; cabelos


pretos, lisos, espessos; íris castanhas; orelhas pequenas, nariz saliente,
estreito e longo.

- Tipo Australoide: estatura alta; pele trigueira; nariz curto e largo; mento
retraído.

SEXO
Crânio; tórax; Pelve (quadril); análise cromossomial (46XY ou 46XX); genitália
interna (útero, ovários, próstata); genitália externa.

IDADE
Aparência (imprecisão); Pele (rugas); Pelos (pubianos, axilares, calvície,
encanecimento = brancos); globo ocular (arco senil = arco branco ao redor do
globo ocular); Dentes; Suturas cranianas (junção dos ossos); Radiografias dos
ossos (pontos de ossificação e soldadura das epífises – punho, cotovelo,
joelho, tornozelo, bacia, crânio).

ESTATURA
- No vivo = em pé
- No morto = régua específica
- Ossadas = comprimento dos ossos longos
** Tábua Osteométrica de Broca
** Tabela de Étienne-Rollet
** Tabela de Trotter e Gleser (sexo e raça)

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** Tabela de Lacassagne e Martin

SINAIS INDIVIDUAIS
Manchas; cicatrizes; pintas.

MALFORMAÇÕES
Lábio leporino; escoliose (coluna); junção de dedos; dedos a mais; etc.

TATUAGENS
Sinais marcados no corpo; piercing; etc.
Obs.:- O corpo acaba inchando e altera a forma e cor.

CICATRIZES
Dependendo da pessoa a cicatrização é diferente. Qualquer sinal é
importante para individualizar e identificar a pessoa.

EXAME DA ARCADA DENTÁRIA O exame da arcada dentária deve ser


perene, resistente. Somente é possível se houver como confrontar as
informações (Prontuário odontológico).
Há necessidade de escrever as características a serem analisadas:

Sistema Odontológico de Amoedo (cor; erosão; limpeza; malformação; restos


radiculares; cáries; restaurações; posição e características de cada dente;
radiografia; identificação/documentação prévia; mordeduras; prótese ou
aparelho ortodôntico.

Obs.:- Tem que haver vários pontos coincidentes e nenhum discordante para
caracterizar a identificação do corpo, ou seja, são dados importantes para a
identificação.

DNA
- Vínculo genético de paternidade;
- Investigação criminal (sêmen; pelos; saliva; sangue; partes cadavéricas;
confronto).
Obs.: São analisados alguns cromossomos.

Importantes:
- Custo (muito elevado);
- Material disponível (amostras degradadas X tempo para obtenção dos
resultados);
- Banco de dados (não temos no Brasil);
- Manutenção da cadeia de custódia (procedimentos para garantir que
não houve fraude (saber que a amostra que saiu da pessoa é a
mesma que chegou no laboratório e consequentemente deu origem ao
resultado);
- Metodologia e credibilidade do laboratório.

TÓPICO 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 E 19 – TRAUMATOLOGIA FORENSE

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TRAUMATOLOGIA FORENSE
Referem-se às lesões causadas por “pancadas”.
Portanto, refere-se a energia de ordem externa que atinge um corpo e o
danifica.

- Estuda as lesões e estados patológicos, imediatos ou tardios, produzidos por


violência sobre o corpo humano, assim como as diversas energias
causadoras desses danos.

- Também chamada de Causalidade Médico-Legal do Dano.

LIVRO
LESÕES PESSOAIS
As lesões que a pessoa humana pode sofrer – em seu corpo e em sua saúde,
inclusive mental – têm sido denominadas lesões corporais; é mais exato que as
denominemos lesões pessoais (ART. 129 do Código Penal – “ofender a
integridade corporal ou a saúde de outrem”).

Quanto a causadas lesões, pode ser subdividida em quatro grupos de energias


vulnerantes: energias de ordem física, físico-química, química e mista.

LESÕES LEVES
São as lesões que ofendem a integridade corporal ou a saúde de outrem
(elemento positivo) mas de que não resulta incapacidade para as ocupações
habituais por mais de trinta dias, perigo de vida, debilidade, perda ou
inutilização de membro, sentido ou função, etc. A pena respectiva é de
detenção de três meses a um ano.

A perícia compete averiguar e fundamentar a existência da ofensa ao corpo ou


a saúde e excluir a existência das outras espécies que agravam o tipo da
lesão.

LESÕES GRAVES
São as lesões caracterizadas pelos termos do Parágrafo 1º do ART. 129, em
que a pena é marcada pela reclusão, de um a cinco anos.

ART. 129 – Parágrafo 1º: “Se resulta (da ofensa à integridade corporal ou à
saúde de outrem): I – Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de
trinta dias; II – Perigo de vida; III – Debilidade permanente de membro, sentido
ou função; IV – Aceleração de parto”.

Incapacidade para as Ocupações Habituais por Mais de Trinta Dias


Ocupações habituais são a comum atividade corporal, que abrange desde a
criança de peito até o velho trôpego, o operário, o banqueiro, etc., todos em
perfeita igualdade, cada um tendo, como óbvio, a sua “ocupação habitual”, com
direito a ela, e que a lei protege.

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Incapacidade, diz a lei, por espaço de trinta dias. É um critério de avaliação


econômica do dano, na lei penal. (A incapacidade deve ter cessado ao fim de
trinta dias).

Perigo de Vida
Caracterizada a existência atual ou passada de um perigo de vida, a hipótese
da lesão grave se configurará.

Necessário se torna, contudo, que o perigo exista ou tenha existido de fato e


não que ele poderia ou deveria ter existido.

Ao perito compete, em vista disso, fundamentar insofismavelmente a sua


asserção. Desde que tenha havido um momento de perigo, a figura jurídica se
apresenta.
Tendo havido perigo para a vida, seja qual for o tempo em que ele persistiu, ou
se apresentou, a lei produzirá os seus efeitos e o agressor será
responsabilizado por uma lesão grave.

Debilidade Permanente de Membro, Sentido ou Função


Debilidade Permanente será o enfraquecimento permanente da capacidade
funcional. Este tema refere-se a “RESTITUTIO AD INTEGRUM”.

A lesão sofrida, para ser considerada grave deverá produzir um indubitável


enfraquecimento do membro, sentido ou função, de forma que essa debilidade
prejudique efetivamente ao ofendido, mas não chegando, contudo, a um tal
grau que já seja verdadeira inutilização.

Aceleração de Parto
Está ligada à abortamento conseqüente, a lesão corporal (lesão gravíssima).
ART. 129, Parágrafo 2º.

LESÕES GRAVÍSSIMAS
São aquelas ofensas à integridade corporal ou à saúde de outrem de que
resulta: I) Incapacidade permanente para o trabalho; II) Enfermidade incurável;
III) Perda ou inutilização de membro, sentido ou função; IV) Deformidade
permanente; V) Aborto. ART. 129, Parágrafo 2º - e conduzem à pena de
reclusão, por dois a oito anos.

Incapacidade Permanente para o Trabalho


Perda para todo o sempre de qualquer validez.

Enfermidade Incurável
Refere-se ao estado de desvio da normalidade. Restará perturbações que se
sucederem ao trauma.

Perda ou Inutilização de Membro, sentido ou Função


A inutilização será um tal grau de comprometimento da capacidade do
membro, sentido ou função, que venha a se equiparar à sua perda.

Resumo – Medicina Legal 2º ano Direito – Solange Barone


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O agressor responde pela perda da função a que os órgãos duplos serviam,


não se considerando o estado anterior (ou até pela morte da vítima, se a perda
do órgão duplo remanescente conduzir a esse desfecho).

Deformidade Permanente
Para que esteja presente a deformidade, na sua configuração jurídica,
necessário se torna que ela preencha dois requisitos SINE QU NON: a
aparência e a permanência.

Para que haja deformidade é necessário, que a deformação seja aparente; se


não vista, poderá ser deformação, mas não constituirá deformidade no sentido
legal.

Abortamento
Será estudado conjuntamente com a figura da aceleração do parto (ART. 129 –
Parágrafo 2º, item V). A interrupção da gravidez conseqüente a uma lesão
corporal.

Não importa que o feto morra no útero, durante o processo de expulsão ou


depois, em conseqüência da sua prematuridade ou do trauma sofrido durante
aquele processo; havendo morte, nestas condições, há abortamento, e não
aceleração de parto, não importando o grau de amadurecimento fetal.

A perícia deverá verificar a existência do fato, o nexo de causa e efeito entre a


lesão pessoal e aquelas conseqüências, o estado de vida ou não do produto, a
sua causa mortis, quando seja o caso, a sua regular ou anomalia, a intenção
do agente e, por fim, o estado de saúde da mulher.

LESÕES MORTAIS
Constituem o maior dano à pessoa humana, pois que lhe extinguem a vida.
(ART. 121, ART. 129, Parág. 3º, ART. 123 e ART 134).

Matar alguém será sempre homicídio; este poderá ser simples ou qualificado,
havendo também atenuação da pena em determinadas circunstâncias e
condições.

Ao perito médico compete dizer da realidade e da causa da morte, do nexo de


causa e efeito entre esta e uma ação traumática, da emoção do agressor
devida à provocação injusta, da sua personalidade, da identificação de meios
especiais como o envenenamento, a queimadura, a dilaceração dos tecidos por
mecanismos explosivos, a asfixia, a crueldade manifestada por certo tipo de
lesões e, também da impossibilidade ou incapacidade de defesa da vítima, seu
abandono, sua pouca idade, sua contensão, etc. Ainda lhe competirá opinar
sobre a inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, como causa
de homicídio culposo.

A perícia deverá esclarecer aquilo que o Código não quis ver, mas que o Juiz
saberá, seguramente, ver e julgar. Informe o perito, com clareza e
discernimento, o que em sua consciência concluiu.

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- Tipos de Energias Causadoras de Lesões:


** Energias Físicas de Ordem Mecânica
** Energias Físicas de Ordem não Mecânica
Ex.:- Luz; Radiação (Japão); Eletricidade.
** Energias Químicas
Ex.:- Veneno; tóxico
** Energias Bioquímicas
** Energias Fisioquímicas
** Energias Biodinâmicas
** Energias Mistas

ENERGIAS FÍSICAS DE ORDEM MECÂNICA

As ENERGIAS DE ORDEM FÍSICA, são as energias que, pondo em ação


agentes físicos, determinam lesões. Enumeram-se, nesta categoria, as
seguintes formas de energia: ações mecânicas, temperatura, pressão
atmosférica, eletricidade, radioatividade, luz e som.

1. ENERGIAS MECÂNICAS

As energias mecânicas atuam mecanicamente sobre o corpo humano e nele


provocam lesões devidas à modificação, no todo ou em parte, do seu estado
de repouso ou de movimento.

Instrumentos lesivos: a) armas naturais (mãos, pés, cabeça. Dentes, unhas,


etc.); b) armas propriamente ditas – armas brancas (punhais, espadas, etc.)
e armas de fogo (revólveres, pistolas, etc.); c) armas eventuais (facas,
canivetes, navalhas, machados, etc.).

O modo de ação destas energias compreende dois mecanismos: a PRESSÃO


e a DISTENSÃO; a ambos pode-se associar o DESLIZAMENTO.

- LESÕES PUNCTÓRIAS OU PUNTIFORMES


São causadas por agentes PERFURANTES, ou seja, que agem por
PRESSÃO causando o afastamento dos tecidos, penetrando-os. Ex.:-
Agulha; garfo; prego (A profundidade é maior do que a lesão).

A lesão é mais profunda que extensa; exteriorizada através de ponto; pouco


sangrante; danos menores; menor diâmetro que o do instrumento causador.

Os agentes perfurantes de grosso calibre seguem as seguintes Leis:

1) Primeira Lei de Filhos – As soluções de continuidade dessas feridas


assemelham-se às produzidas por instrumento de dois gumes ou tomam
a aparência de “casa de botão” (biconvexa alongada).

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2) Segunda Lei de Filhos – Quando essas feridas se mostram numa


mesma região onde as linhas de força tenham um só sentido, seu maior
eixo tem sempre a mesma direção.

3) A Lei de Langer – Na confluência de regiões de linhas de forças


diferentes, a extremidade da lesão toma o aspecto de ponta de sete, de
triângulo, ou mesmo de quadrilátero.

INSTRUMENTOS PERFURANTES E LESÕES QUE PRODUZEM


Esses instrumentos são os que agiriam por um ponto que, pressionado, lesaria
o corpo da vítima. São instrumentos afilados, pontiagudos, alongados, em geral
de secção circular ou poligonal. O diâmetro, em regra, não é largo.

O mecanismo de ação provoca mais o afastamento dos tecidos, agindo por


pressão e em profundidade. As lesões provocadas por instrumentos
perfurantes denominam-se FERIDAS PUNCTÓRIAS.

Elementos nas lesões:


1) Um orifício de entrada, em regra de pequenas dimensões.
2) Um trajeto, em que os órgãos e tecidos atravessados pelo instrumento
denunciarão a sua passagem pelas lesões recebidas, que podem assim
atingir órgãos parenquimatosos, vasos e nervos, ossos, etc.
O trajeto, em sua profundidade, corresponderá à porção do instrumento
que penetrou no corpo, o que poderá acontecer de forma total ou
parcial, dependendo do grau da pressão empregada e da sua
correspondente penetração.
3) Um orifício de saída, que obedecerá ao tipo descrito para o de entrada.

O tipo de instrumento será diagnosticado pela qualidade das lesões


produzidas.

Quanto ao prognóstico das lesões, variará ele de acordo com as lesões


produzidas e as infecções eventualmente provocadas. O que caracteriza estas
lesões PERFURANTES é a PROFUNDIDADE ALCANÇADA.

Quanto a causalidade jurídica deste tipo de lesão, comporta a hipótese


homicida ou suicida, acidental.

- LESÕES INCISAS
São causadas por agentes CORTANTES, ou seja, que agem por
DESLIZAMENTO através de uma borda aguçada a que se dá o nome de
gume ou fio, seccionando as fibras dos tecidos.

A lesão é mais extensa que profunda; bordas lisas e regulares com ângulos
muito agudos; mais profunda no terço inicial; cauda de escoriação (quando o
corte com faca: no final quando está saindo, causa um risco). e geralmente
muito sangrantes.
Ex.:- Suicídio (corte no punho) – Tem lesões de excitação (tentativas).

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SINAL CHAVIGNY – Significa costurar a lesão para verificar qual foi feita
primeiro.

Portanto, as Lesões Incisas tem forma linear; bordas regulares; paredes


lisas e regulares; ausência de sinais contusos nas bordas; hemorragia quase
sempre abundante; extensão maior que profundidade; afastamento das
bordas da lesão; cauda de escoriação; terço inicial mais profundo.

Lesões Incisas Específicas:

a) ESQUARTEJAMENTO
Divisão do corpo em partes (quartos), para ocultação ou para dificultar a
identificação (post mortem). Ex.: Tiradentes / Homicídio do Dr. Farah
(desmembra o corpo nas articulações).

b) ESPOTEJAMENTO
Redução do corpo a fragmentos diversos e irregulares (intra vitam). Ex.:
Acidentes Ferroviários.

c) DECAPITAÇÃO
Separação da cabeça do corpo (também para dificultar a identificação).

d) ESGORJAMENTO
Lesão transversal profunda na região anterior do pescoço. Ex.; Lesão do
Jack estripador

e) DEGOLAMENTO
Lesão em outras partes do pescoço, principalmente posterior, muitas
vezes com lesão da coluna).

Instrumentos Cortantes e Lesões que Produzem


Estes instrumentos são os que agem por uma linha, representada pelo GUME
da respectiva arma lesiva (navalha, facas, lâminas, fragmentos de vidro, etc. A
sua ação realiza-se pelo DESLIZAMENTO.

As lesões produzidas são denominadas FERIDAS INCISAS e podem assumir


diversos tipos: 1) as simples, quando se verifica a incisão superficial; 2) as com
retalho, quando a ação se faz obliquamente, de modo a destacar uma porção
do tecido lesado; 3) as mutilantes, no caso de haver perda de substância pela
ação tangencial em relação ao ponto atingido.

Quanto a Forma e a Direção


As lesões por instrumentos CORTANTES adquirem caracteres particulares,
como acontece no pescoço, onde a lesão em seu contorno anterior é
conhecida como ESGORJAMENTO (lesão homicida).

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A lesão CORTANTE na parte posterior do pescoço toma o nome de


DEGOLAMENTO, praticada por instrumento CORTOCONTUNDENTE e ocorre
em casos de suplício, que pode ser homicida.

Caracteres da Ferida Incisa:


a) O comprimento da lesão prepondera sobre a profundidade:
b) Esta é variável, partindo de um ponto de apoio inicial do instrumento,
mais profundo, e tornando-se progressivamente mais superficial, para
terminar na CAUDA DE SAÍDA;
c) A ferida apresenta bordas nítidas, lisas e regulares;
d) A ferida mostra-se angular, de abertura para o exterior ou em forma de
bisel.

O diagnóstico da ferida incisa é genérico. São lesões que procuram


especificamente DEFORMAR a vítima – ANIMUS DEFORMANDI.

Em geral, as feridas incisas são superficiais e de importância clínica de


pequeno porte. Mas pode ocorrer uma profundidade maior, e vasos, nervos e
outros órgãos serem atingidos, aumentando a gravidade da lesão, que poderá
ser inclusive mortal, como no caso do esgorjamento.

Os acidentes com instrumentos cortantes costumam acontecer com mais


freqüência nas mãos.

- LESÕES CONTUSAS
São causadas por agentes CONTUNDENTES, que age por PRESSÃO e
DESLIZAMENTO na maioria das vezes, mas podem atuar por: pressão;
explosão; deslizamento; percussão; compressão; descompressão; distensão;
torção; contragolpe; forma mista.

Agem por pressão e deslizamento, mas também pode atuar: pressão;


explosão; deslizamento; percussão; compressão; etc.
Obs.:- É O TIPO DE LESÃO MAIS COMUM.

Os agentes contundentes, ou seja, os meios ou instrumentos geralmente tem


superfície plana que atua sobre o corpo. Superfície lisa, áspera, anfractuosa
ou irregular. Geralmente são sólidos, mas podem ser líquidos ou gasosos.
Ex.:- Caiu do trampolim de barriga na água.

A CONTUSÃO pode ser: ATIVA; PASSIVA OU MISTA

a) Contusão Ativa
O agressor pratica o ato.

b) Contusão Passiva
A vítima vai até o agressor.

c) Contusão Mista

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O agressor vai de encontro a vítima e vice-versa.

Portanto, LESÃO CONTUSA, chamada: contusão; ferimento contuso; ferida


contusa.

Contusão Lacero-Contusa:
Lesão contusa onde a pele se rompeu porque a pressão exercida foi maior
que a resistência da pele – geralmente na superfície óssea.

- Lesões Perfuroincisas
São causadas por agentes PERFUROCORTANTES – Agente de fura, dá
profundidade e corta.

- Lesões Perfurocontusas
São causadas por agentes PERFUROCONTUNDENTES – Perfura e
contunde.

- Lesões Cortocontusas
São causadas por agentes cortocontundentes.

A LESÃO DETERMINA O AGENTE


Ex.: Faca / Tesoura – Fura, corta, contunde.

Dependendo da lesão, que vai definir o que a causou (agente cortante;


perfurante; contundente), podendo ocorrer lesões diversas (furo e corte;
perfuração e corte; etc).

É IMPORTANTE SABER A DIFERENÇA ENTRE INSTRUMENTO E AGENTE.

RUBEFAÇÃO
É uma vermelhidão; os vasos sanguíneos ficam dilatados (congestão repentina
e momentânea).
Obs.: A pura rubefação não é crime.

ESCORIAÇÃO
Típico ralado.
- Arrancamento da epiderme e desnudamento da derme (a derme fica
exposta);
- Saída de serosidade e sangue;
- RESTITUTIO AD INTEGRUM – Reepitelização;
- Formação de crosta serosa – Não em lesão POST MORTEM (a crosta –
casquinha – somente se forma em pessoas vivas);
- Abrasão (ralar no asfalto);
- Lesão de arraste: escoriação (cair de moto e arrastar no asfalto).

EQUIMOSE

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É uma mancha na pele, cuja cor pode variar de acordo com o tempo que foi
feita. É provocada pelo sangue derramado, que se infiltra nos tecidos formados
pela lesão e ocasionando a mancha.

Acontece a partir de uma infiltração hemorrágica nas malhas dos tecidos, por
rotura de capilares = mancha.
** São manchas “roxas” deixadas no corpo devido, por exemplo, a um topão na
quina da cama.
- Prova irrefutável de reação vital (é incontestável). Morto não forma equimose.
- Mais comuns em regiões com planos resistentes sob a área traumatizada.
- Podem aparecer tardiamente (a lesão pode aparecer na pele posteriormente).
- As vezes imprimem a marca dos objetos de origem.

Obs.: a) Podem aparecer por outros mecanismos, a não ser pancada.


b) O edema é uma forma do corpo se proteger.
c) Víbice – tipo de equimose em forma ondulada (equimose específica)

Tonalidade da Equimose
- AVERMELHADA (no início); VERMELHA (escura); VIDÁCEA; AZULADA;
ESVERDEADA e AMARELADA.

Espectro Equimótico de Legrand Du Saulle


- Alteração das cores da equimose
- 1º dia = VERMELHA
- 2º e 3º dias = VIOLÁCEA
- 4º ao 6º dias = AZUL
- 7º ao 10º dias = ESVERDEADA
- 12º dia em diante = AMARELADA
- 15º ao 20º dia = DESAPARECIMENTO

HEMATOMA
TOMA = No sentido de tumoração, que significa o aumento de volume.
- Rompe-se os vasos maiores, que além de causar uma mancha na pele,
causa o aumento do volume (calombo).
- Extravasamento de sangue de vaso calibroso.
- Não há difusão nas malhas dos tecidos (coleção sanguínea).
- Aumento de volume.
- Pode causar relevo na pele ou interno (não é visível na pele).
- Absorção mais demorada.
No hematoma forma a mancha e o aumento do volume (calombo).

Hematoma Subdural
Quando ocorre no cérebro, onde incha e empurra para baixo (dentro do crânio).

LESÃO LÁCERO-CONTUSA
Lesões abertas – ação contundente vence a resistência e elasticidade da pele;
Forma estrelada, sinuosa ou retilínea; Bordas irregulares, escoriadas e
equimosadas; Fundo irregular; Vertentes irregulares; Pontes de tecido íntegro

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ligando as vertentes da lesão; Retração das bordas e Menos sangrantes que


lesões incisas.

Ex.: Fraturas; Luxações; Entorses; Explosões; Encravamento; Lesões por


precipitação e por desaceleração.

Contusa – onde rompe os tecidos.

- O agente que causa a lesão lácero-contusa é o perfurantre (agente


contundente).
- Edema é um sinal de lesão lacero-contusa.
- Fratura é a quebras de osso (trincar é fratura incompleta)
- Luxação é quando o osso sai do lugar, sem quebrar (a lesão é contusa).
Portanto: Deslocamento do osso, sem fratura.
- Entorses – lesão de ligamento.
- Explosão – deslocamento de ar que pode causar lesão através da explosão
causada.

- Encravamento – Objetos perfurando algum local do corpo. Apresenta


características de lesão contusa e o agente perfuro contundente.

- Lesões por Precipitação – São as causadas quando há o arremesso da


pessoa.

LESÃO PÉRFURO-INCISA
Lesão causada por agente PÉRFURO-CORTANTE, perfurando com a ponta e
cortando com o gume. Age por PRESSÃO e DESLIZAMENTO.
Ex.: Tesoura aberta

A Lesão tem bordas lisas e regulares; Duas ou mais caudas; Profunda e


Sangrante.

LESÃO CORTO-CONTUSA
Causada pro agente CORTO-CONTUNDENTE, portador de gume e com ação
contundente, agindo por DESLIZAMENTO, PERCUSSÃO e PRESSÃO.

Características da Lesão:
- Bordas regulares e contundidas, porque tem gume (cortou)
- Não tem causa de escoriação
- Forma variável
- Geralmente causa lesão profunda
- Características cortantes e contundentes
- No fundo da lesão não tem tecido íntegro no seu interior

Obs.: a) Os dentes são agentes cortocontundentes desde que provoque o corte


na lesão
b) Os dentes são agentes cortantes e/ou contundentes (ao mesmo
tempo que corta, esmaga).

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LESÃO PERFURO-CONTUSA
Causada por agente PÉRFURO-CONTUNDENTE, que atua através de uma
ponta, perfurando e contundindo os tecidos. Age por PRESSÃO (perfura e
causa contusão – Ex.: lesão causada por um pincel atômico, introduzido no
abdomem).
** A ação contusa pode se dar pela largura do objeto ou por sua ponta romba.

A Lesão tem orifício circular ou ovalado; Bordas invertidas (para dentro) ou


evertidas (para fora) e a profundidade maior que a extensão.
Ex.:- Tiro – na entrada a borda fica evertida.

Lesão Por Projétil de Arma de Fogo


Quem causa a lesão é o PROJÉTIL e ao a arma.
- Pode ser transfixante (entra no corpo) ou não
Obs.: lesão não transfixante (quando o projétil entra no corpo, mas não sai).
- Orifício de Entrada
- Orifício de Saída
- Trajeto – percurso que o projétil faz no interior do corpo, e as lesões que vai
causar. O projétil não faz curva, é sempre RETILÍNEO (linha reta), pode
haver desvio, mas sempre em linha reta.

Disparo de Arma de Fogo


- Projétil e gases em expansão
- Partículas de pólvora
- Fuligem
- Fogo

Cada ARMA e MUNIÇÃO tem a sua particularidade.


Ex.:- Munição anti-motim (não letal) – bala de borracha – tem que haver uma
distância mínima, porque senão causará dano fatal.
O PROJÉTIL causa lesões não somente no seu trajeto, mas também ao seu
redor.
Quando o PROJÉTIL sai do corpo; também sai a PÓLVORA (partículas
metálicas, pequeninas, que não queimou); sai FULIGEM (fumaça); sai FOGO
(curto e rápido). Cada um desses componentes causa uma lesão diferente.

- DISTÂNCIAS – ORIFÍCIO DE ENTRADA

Disparos a Longa Distância


- Circular ou Ovalado
- Bordas Invertidas (para dentro)
- Bordas equimóticas (lesões)
- Orla de escoriação e enxugo

O orifício tende a ser menor do que o calibre do projétil, portanto causa na


epiderme a ESCORIAÇÃO.

Disparos a Média Distância


- Orla de escoriação e enxugo
- Zona de Tatuagem

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Disparo a distância suficiente para que a pólvora também atinge o corpo da


vítima.
A ZONA DE TATUAGEM são partículas de pólvora que não queimou ainda,
mas ficam no corpo da vítima devido a distância dada no disparo.

Disparos a Curta Distância


- Orla de escoriação e enxugo
- Zona de Tatuagem
- Zona de Esfumaçamento (a fumaça que saiu do projétil também atingiu a
vítima)

Onde há ESFUMAÇAMENTO, também há TATUAGEM. Quanto mais próximo


o tiro, a zona de tatuagem será menor (forma de cone).

Disparos a Queima Roupa


- Orla de Escoriação e Enxugo
- Zona de Tatuagem
- Zona de Esfumaçamento
- Zona de Chamuscamento (queima somente os pelos)

O que atinge o corpo da vítima: projétil; pólvora; fuligem e fogo. Não causa
queimadura na pele porque é muito rápido.

Portanto, quando verifica-se os “pelinhos” queimados, pode-se dizer que o tiro


foi a queima-roupa.

Disparos Encostados
A “boca” da arma está encostada na pele da vítima – através do projétil, vai
tudo para dentro do corpo da vítima.
- Forma Variada, Irregular, estrelada (devido a proximidade do tiro, a tendência
é que os gases voltam e a pele fica estrelada)
- “Tudo Dentro”
- Sinal da Câmara de Mina de Hoffmann (Tipo de mina de carvão – o projétil
entra na pele, abre caminhos e são impregnados de fuligem (Câmara de
Mina).
PORTANTO, O SINAL DA CÂMARA DA MINA DE HOFFMANN (FICA TUDO
PRETO, DEVIDO A FULIGEM), somente ocorre em DISPAROS
ENCOSTADOS (no tecido subcutâneo).
- Sinal de Benassi
** halo de fuligem e pólvora na lâmina externa do OSSO (ocorre no osso).
- Sinal de Puppe-Werkgaertner
** Marca da boca da arma e da massa de mira na pele
** Geralmente em Abdome
** Trata-se de equimose e não de queimadura

Obs.: Dependendo do local a pele não se rompe, mas é jogada contra o cano
da arma, formando uma EQUIMOSE pela boca da arma.
- Sinal de Bonnet
Diferenciação de orifício de entrada e saída em ossos chatos (crânio).

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ORIFÍCIO DE SAÍDA
- Forma irregular ou estrelada. Também pode ser redondo e circular, pois
depende do projétil; da forma.
- Bordas Evertidas (para fora)
- Maior Sangramento (no orifício da saúde)
- Não apresenta orla de escoriação e enxugo (não há escoriação da epiderme
porque o projétil vem de dentro para fora).

Obs.: Se não tiver orifício de saída, o projétil está dentro do corpo.

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