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APOSTILA COMUNICAÇÃO E EXPRESSAO 2011-1

APOSTILA COMUNICAÇÃO E EXPRESSAO 2011-1

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Comunicação e Expressão

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Curso: Letras Disciplina: Comunicação e Expressão Professora:

Ano/sem: 2011/01 h/a: 68 Código: 990101 Turma:

“Descobri que a pessoa só faz bem aquilo de que gosta. Todo mundo que faz alguma coisa bem é porque gosta do que faz. O ato de gostar está ligado ao ato do conhecer e o ato de conhecer está ligado à curiosidade” (Gilberto Dimenstein)

PLANO DE ENSINO EMENTA: Linguagem, língua e fala. Funções da linguagem. Oralidade, escrita e variação linguística. Leitura e estratégias de leitura. Escrita e estratégias de escrita. Paragrafação. Coesão e coerência textuais. Paráfrase e retextualização. Argumentação e persuasão. Particularidades léxicas e gramaticais. Competências: Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências:

1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e produtivas,
em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização de práticas sociais; 2. ser ético, pontual, interessado e comprometido com a prática e a vivência acadêmicas. Habilidades: 1. conceituar linguagem, língua e fala;

2. reconhecer as variedades linguísticas e os níveis de linguagem a partir de textos e de situações
concretas da cultura local;

3. identificar a estrutura de diferentes tipos e gêneros de textos; 4. empregar adequadamente elementos anafóricos, articuladores e conectivos para promover a coesão
e a coerência em textos produzidos; 5. compreender e interpretar adequadamente diferentes textos; 6. distinguir fala e escrita, destacando aspectos estilísticos e discursivos da escrita; 7. identificar, distinguir e empregar corretamente os conceitos: argumentar, convencer e persuadir; 8. transpor textos da oralidade para a escrita e de um gênero textual para outro (retextualização);

9. produzir e corrigir parágrafo e paráfrase de acordo com a teoria, com a variante padrão e com os
critérios definidos nesta disciplina.

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CONTEÚDOS: 1. 2. 3. 4. 5. 6. conceito, níveis e funções de linguagem; oralidade, escrita e variação lingüística; estratégias de leitura e de escrita; paragrafação; coesão e coerência textuais; compreensão e interpretação de textos; argumentação e persuasão; paráfrase e retextualização; revisão gramatical. METODOLOGIA: A disciplina propõe espaço para o processo de reflexão e aperfeiçoamento da língua materna por meio de aulas teóricas e atividades práticas de leitura e escrita. Para tanto, nos encontros haverá discussões que desafiem o aluno a ler, elaborar hipóteses e compreender os entrelaces das palavras na constituição do discurso coerente e, sobretudo, na capacidade de utilizá-lo de maneira consciente no dia a dia. O acadêmico será provocado a produzir, autocorrigir e refazer textos significativos. Os conteúdos dos encontros presenciais serão desenvolvidos a partir de dinâmicas diversas tais como GV-GO, discussão circular, Phillips 66, seminários e mesa redonda para que o grupo possa socializar tanto as experiências quanto os conhecimentos prévios e os novos. Serão utilizados recursos como: quadro, retroprojetor, cartazes, datashow, músicas, revista, dvd, aparelho de televisão e de som. Para as aulas semipresenciais será utilizado sistema web, via plataforma da Instituição (www.ulbra-to.br), onde estarão disponíveis atividades da disciplina que envolvam leitura e escrita como também os critérios a serem observados pelo acadêmico ao publicar as respostas solicitadas. AVALIAÇÃO: O processo de avaliação será contínuo, por meio de observação, no que diz respeito à participação, ao interesse, à responsabilidade e pontualidade em que os alunos deverão apresentar trabalhos individuais e em grupos; orais e/ou por escrito, demonstrando conhecimento do conteúdo, coerência e consciência crítica sobre o que dizem. Os textos e as referências bibliográficas serão disponibilizados no portal e na reprografia. A produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada. Os acadêmicos que apresentarem dificuldades na escrita deverão frequentar o Laboratório de Produção Textual. Compõe G1: - leitura e discussão da obra O que é leitura. (v.1,0) - leitura e apresentação oral do livro Preconceito Linguístico: o que é, como se faz: (v.1,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5), de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico. Compõe G2: - leitura e apresentação oral do livro A arte de Argumentar e o filme Obrigado por fumar. O aluno deverá apresentar de maneira clara e coerente a relação que há entre a obra e o filme. (v.2,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5) de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico.
*Obs: o aluno que faltar à prova deverá substituí-la no fim do semestre, de acordo com a resolução institucional.

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Substitutiva de grau: Avaliação- Assunto cumulativo do semestre Prova (v.10,0), conforme resolução institucional.

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NB: - As atividades serão realizadas a partir de roteiro disponibilizado no Portal e na reprografia. Todos devem ficar atentos ao cronograma. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BASTOS, Lucia Kopschitz. A Produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FARACO, Carlos Roberto e TEZZA, Cristóvão. Prática de Texto: para estudantes Universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. Ed. São Paulo: Ática, 1998. LEITURAS OBRIGATÓRIAS: ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: Loyola, 2004. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura.19. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BAGNO, Marcos. A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 14. ed. São Paulo: Conteto, 2005. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1998. POSSENTI, Sírio.Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado das letras/ALB, 1996. RAMOS, Jânia M. O espaço da oralidade na sala de aula. São Paulo: Martins Fontes, 1997. SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001.
1. Critérios de avaliação oral Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: a) demonstração, por meio de informações precisas, de que fez a leitura do texto; b) exposição de ideias claras, coerentes e com senso crítico, tanto nos debates em grupos pequenos quanto no grupão; c) boa entonação, adequado volume de voz e entusiasmo ao fazer exposição oral; d) apresentação de informações novas e relevantes a partir, quando possível, de conhecimentos prévios; e) atenção e respeito às ideias dos colegas; f) inscrever-se (sinalizar com a mão) e esperar pelo turno de exposição; g) criatividade e colaboração na preparação de material e nas apresentações orais; h) postura adequada quando fizer exposição; i) uso da norma culta da língua nas modalidades oral e escrita, exceto em situações específicas que exijam outras variantes. 2. Critérios de avaliação escrita Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios: 1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) • apresenta características do gênero textual solicitado, de forma que é possível identificá-lo? • apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) • apresenta o uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? • apresenta o assunto de maneira original, crítica e criativa? 3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) • está escrito de acordo com a variante lingüística adequada? • está adequado quanto à ortografia?

ou seja. com ajuda dos órgãos sensoriais. organização estética adequada e título criativo? LINGUAGEM. um fenômeno fonético. então. LÍNGUA E FALA O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilitam nossos modos específicos de pensamento. então. entre as cidades de Washington e Baltimore. a língua é um sistema de símbolos pela qual a linguagem se realiza. a certos subgrupos. língua inglesa). 2009. língua técnica.br/girafas/lingua_morse. Morse (1791-1872). como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. Morse 1) e torna-se.girafamania. a divisão do trabalho. A fala. usada pelos falantes por meio da fonação e da articulação vocal.com. quanto mais avançada for a capacidade de comunicação de um conjunto de indivíduos. conhecimento e interação com os semelhantes. fotografar o estágio de desenvolvimento da humanidade. que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua. o texto: (valor: 15%) apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? • apresenta letra legível. Para os receptores (ouvintes) a fala é. que é secundária e individual. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das regiões do Brasil). de registrar o conhecimento e o desenvolvimento da escrita e fonética. língua erudita. Disponível em:<http://www. a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a titulo de pura sensação. O homem necessita comunicar para progredir. Atividade 1.Comunicação e Expressão 4 • • • • 0. as máquinas. A língua é. da evolução dos meios de receber comunicação e de se comunicar. é veículo de transmissão da Língua. entendida como forma de realização da linguagem. mais rápida será sua progressão. é um fenômeno físico e concreto que pode ser analisado seja diretamente. acima de tudo. Samuel também inventou o telégrafo sem fio. está adequado quanto ä concordância? está adequado quanto à pontuação? está adequado quanto à sintaxe? está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 4. numa extensão de 64 quilômetros. língua popular. . nos Estados Unidos. Quanto a aspectos estéticos. de uma forma geral. com efeito. que deve estudar “a vida dos signos no seio da vida social”. Leia o texto: 1 O Alfabeto Morse foi inventado pelo norte-americano Samuel Finley B. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos. em que se enquadram os diferentes tipos de Gíria. para as comunicações telegráficas. sejam graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas. essencialmente social porque é convencionada por determinada comunidade linguística. Dentro de uma mesma língua temos. assim. diversas modalidades: língua familiar. as tecnologias. Para o linguista Saussure. Mas. no interior de uma mesma língua são importantes as variações. a linguagem é composta de duas partes: a Língua.> Acesso em 31 de jul. e a Fala. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa.html. a descoberta do fogo. Como se vê. fica evidente que o desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependem do progresso alcançado em suas atividades. objeto da semiologia ou semiótica. Nota-se. portanto. E sua linguagem é uma ferramenta capaz de traduzir. Ele transmitiu o primeiro telegrama do mundo. língua própria a certas classes sociais. Assim. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. É a capacidade da espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). por sua vez. Alguns linguistas preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações.

nos escritórios. e cartões do juiz e dos bandeirinhas 5. E. 3. além do conhecimento lingüístico propriamente dito. A título de ilustração. gritos da torcida 2. 2. nos números das camisetas dos jogadores. 2009. 2. 6/6/92). O próprio jogo é um ato de comunicação.V.Comunicação e Expressão 5 No estádio de futebol. Dias. é o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que se lê. (BORDENAVE. Como se vê.V.( ) 1. a comunicação aparece nos gritos da torcida. Dias antes já havia provocado dúzias de mensagens e durante dias a fio ele continuará sendo objeto de comunicação nos botequins. p. a. 5.br/site/arq_material/12042_13033.V.V. É o conhecimento lingüístico que nos permite reconhecer a ambigüidade do texto em questão (pela posição em que se situa. apitadas e cartões do juiz e dos bandeirinhas.( ) 1. 3.V. gestos. cores das bandeiras 3. o que não quer dizer que não exista solução alguma. exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos. Três questões básicas: Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido é a resposta a três questões básicas: . apitadas. nos rádios e nos jornais. extraída de um vestibular da UNICAMP: Às vezes. 3. nos alto-falantes e radinhos de pilha.NV. nos gestos.V. O que é comunicação. O APRENDIZADO DA LEITURA . É muito provável que ele tenha tido a intenção de dizer que os menores estão proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorização dos pais e de frequentarem motéis. nas cores das bandeiras. A portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais" (Folha Sudeste.V.V. números das camisetas 4.NV.V d.15) Questão 1: Dentre as manifestações comunicativas citadas a seguir. 4. 3. a compreensão do texto depende também do conhecimento de mundo. nas fábricas. reconheça o que se constitui em linguagem verbal (V) e em linguagem não-verbal (NV). a expressão sem a companhia ou autorização dos pais permite a interpretação de que com a companhia ou autorização dos pais os menores podem ir a rodeios ou motéis). 5. conversas de torcedores Assinale a alternativa correta.V b.NV.( ) 1. radialistas.NV. Genericamente.COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Interessa a todos saber que procedimento se adotar para tirar o maior rendimento possível da leitura de um texto.( ) 1. 5. Acesso em 31 de jul.V Disponível em: <ttp://novosolhos. do Juizado de Menores. Mas não se pode responder a essa pergunta sem antes destacar que não existe para ela uma solução mágica. 2. mas também de todas as outras disciplinas sem exceção. 2. um repertório de informações exteriores ao texto.NV. 3. 4.NV. 5. observe a questão seguinte. Juan. 2.V.V e. no placar eletrônico.NV. o que se costuma chamar de conhecimento de mundo. 1. 4. nas conversas e insultos dos torcedores. no trabalho dos repórteres.NV.( ) 1.com. o que nos leva à conclusão de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Português. pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupõe. 5. que proíbe que as casas de vídeo aluguem. 1982. quando um texto é ambíguo. 4.NV c.NV. 4. fotógrafos e operadores de TV.NV. Um bom exemplo é o texto que segue: "As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito.NV. em seus gritos de estímulo. Mas o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretação é estranha e só pode ter sido produzida por engano do redator. 2 ed. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991. São Paulo: Brasiliense.pdf>.

se passa de uma afirmação para outra. isto é. O receio é que os jovens. linguagem de surdos. as linguagens das famílias – em que determinadas palavras evocam cenas hilariantes ou tristes. o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal. Longe disso.br/articles/411/1/O-APRENDIZADO-DA-LEITURA---COMPREENSAOE-INTERPRETACAO-DE-TEXTOS/Paacutegina1. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando. lembrem-se. que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra-argumentos confirmam sua posição. Vivemos segundo alguns. também. Mas estamos mais esperançosos de que a verdade e a Justiça culpem os culpados e absolvam os inocentes. Na verdade. Sem falar na linguagem das siglas que dominam o mundo. Na escrita. ou nunca aprender direito. porque ao menos um passo foi dado e temos quatro dezenas de réus em falcatruas variadas e graves.Comunicação e Expressão 6 I . Os novos códigos Lya Luft Linguagens são códigos e com eles nos comunicamos. compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentatório. que na verdade é múltiplo. Acesso em 30 jul. como se dá a passagem de um parágrafo para outro.mundovestibular. Por isso.Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta. Os catastrofistas. Agora. de quanto mais recursos dispomos.com.Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. . na fala e na escrita. isto é. O autor sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados. surge uma preocupação com a linguagem abreviada e de caráter fonético usada em mensagens de computador. Receio infundado: somos capazes de dominar. 2009. é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. II . usando desse recurso que tem a ver com velocidade e economia. Isso dito. na vida diária. linguagem de namorados. Texto de Francisco Platão Savioli. empunham a vassoura da faxina crítica. III . o jargão dos médicos. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. dos advogados. que precisa eventualmente ser traduzido para o comum mortal. Se pudéssemos dominar apenas um sistema de sinais escritos. E a linguagem técnica ligada às mais variadas ciências e meandros do universo tecnológico. e como. Se de um lado andamos de cabeça mais erguida nestes dias. paira ainda certo receio de que tudo seja turvado por interesses políticos e artimanhas de compadres. acredito – e os linguistas talvez confirmem – que. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor. são muitos. melhor os usamos em cada ocasião. Linguagens técnicas. a coerência entre tese e argumentos. não há perigo de sotaque. aquela em torno da qual gira o texto inteiro. O da comunicação. o da linguagem. uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve.Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto. um bom roteiro para estudar um texto é o de especificar a tese defendida (tema do texto). os argumentos apresentados em favor da tese. Linguagem de cegos. no interior do parágrafo. haveriam de desaprender. no vasto e interessantíssimo leque das nossas capacidades e curiosidades. é importante observar a “costura” do texto.html>. b. linguagens profissionais. vamos ao código que aqui me interessa. d. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita. Ao contrário. c. aquele que aprendesse taquigrafia haveria de cometer mais erros de ortografia. várias linguagens ao mesmo tempo e transitar entre elas com habilidade e até elegância em certos casos. o código do próprio idioma escrito. ou sabe apenas de maneira genérica e confusa. os contra-argumentos levantados em teses contrárias. Para tanto. como nos chats. a. para as quais até dicionários já existem. Disponível em: <http://www. de cabelo em pé. Também para Geraldi (1984). Segundo códigos de ética que no momento são objeto de verdadeira guerra entre nós. um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias.

dos donos da verdade. 2010. como se tudo o que é novo fosse primariamente mau. é uma estratégia que monitora a compreensão. dos que seguram o facho da razão numa das mãos e na outra o chicote da censura. as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes importantes. marcas diversas que orientam a leitura. tem de ser objetivo e restringir a palavras ou frases”. contraposições. Ou ainda acenderíamos fogo esfregando pedrinhas. Escrever com abreviaturas. em cada parágrafo. por isso. no bom e no negativo. além de ajudar na compreensão do texto. É preciso dar uma chance às novidades e inovações. tese. auxilia na concentração na hora da leitura. por isso mesmo sem discernimento para o verdadeiramente mau. um pouco secreta de estabelecer e cultivar laços cibernéticos. que podem confirmar amizades já existentes (falo com amigos distantes mais frequentemente do que com o que mora no mesmo edifício) ou abrir a porta para novas relações. inteligente. a língua. Além de tudo. Como é necessário encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto. sem alegria. d) sublinhar. no fundo obscuro de alguma caverna. formas enigmáticas aos desavisados é apenas uma maneira divertida. A TÉCNICA DE SUBLINHAR Sublinhar um texto é destacar as ideias principais. anotações de margem de texto. em lugar de criticar de saída ou prevenir-se contra. Além disso. resumo. ESTRATÉGIAS – LEITURA DE ESTUDO Para Brito (2001). dos puristas. f) assinalar.com/colunistas/coluna. etc. segue uma evolução que independe de nós. como os costumes. Nem tudo o que é novo é positivo. dos moralistas. a sociedade e as culturas. mais hábeis e mais capazes. Para tanto é importante ter a percepção do conteúdo do texto. possibilita voltar ao texto lido. destacando partes ou subdivisões. uma tarefa a realizar. criativa e. . a línguapadrão que é e deve ser usada em momentos mais sérios. Que nem sempre são o lobo mau. Acesso em 17 de junho. Somos melhores do que se pensa. à margem do texto. É importante perceber como o autor desenvolveu o texto. Vamos estudar alguns desses recursos mais detalhadamente. os casos de discordâncias. principais argumentos. sim. E não falamos com um bebê de dois anos como falamos com o médico ao qual estamos expondo nossos males. Conheço casais felizes que se encontraram num chat. a vida. por qualquer outro motivo. “Sua finalidade é destacar elementos que servirão de orientação para consulta futura. c) releitura do texto para identificar as ideias principais. econômica. Essa marcação. embora crianças devam ser controladas e alertadas para doenças como pedofilia e outros males nesta nossa enferma sociedade. b) esclarecimento de dúvidas de vocabulário e termos técnicos. nem tudo o que é tradicional é melhor. num outro momento. os tópicos mais importantes. com um ponto de interrogação. os argumentos discutíveis. e) assinalar com uma linha vertical. à margem do texto. A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: a) leitura integral do texto para contato panorâmico. quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou. sem abertura para o novo e o bom.Comunicação e Expressão 7 Linguagem é a roupa da mente: não falamos em casa como falamos num discurso em ocasião solene nem falamos numa entrevista para conseguir emprego como falamos brincando com nossa turma na escola. Disponível em: http://www. todas as demais formas de comunicação fossem espúrias. embora em geral a gente não tenha nem dê essa impressão de nós mesmos. o estudo e a reflexão de um texto supõem o uso de recursos como sublinha. se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura e na compreensão das ideias. Permite que se faça um mapeamento do texto. siglas. e casais extraordinariamente infelizes que conviveram desde a adolescência. definições. pois com um objetivo. dos gramáticos. fichamento. esquema. uma ação concreta. ou damas enfiadas no espartilho do preconceito: sem ginga.digestivocultural. rápida. Questão 1: Vamos identificar a tese defendida por Lya Luft no texto Os novos códigos como também os argumentos e os contra-argumentos utilizados na construção da opinião da autora. fazer uma retomada do texto. É como se fora da língua culta. as passagens obscuras. Não sejamos chatíssimos senhores com odor de naftalina.

No texto abaixo. ou seja. etc. antes de atingir as costas do Peru Ar quente Aquecimento das águas costeiras do Peru Queda do rendimento pesqueiro . A segunda função atende à procura da distração. divertir. • Outra prática optativa é sublinhar com dois traços a ideia principal e com um traço as ideias secundárias. É uma atividade que pode ajudar na seleção e na organização das informações mais importantes. em várias cores. dificulta e gera confusão. tomando as palavras sublinhadas como base. a votar em certo candidato. 1978. ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos seqüenciais ou arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida”. evitando-se o acúmulo de anotações que. chaves. para não danificar o texto. as ‘palavraschave’. relatos. azul = detalhes importantes. de evasão. • As anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos. O indispensável é sublinhar apenas o estritamente necessário. setas e outros símbolos (Andrade. além de causar mau aspecto. pois nele aparece apenas o ‘esqueleto’. intencional ou não. podem sofrer variações e adaptações pessoais. ou não de interpretações ou explicações. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. 1997) que possam ajudar na organização e visualização das ideias. de divertimento. usa-se caneta hidrocor. grosso modo. fundamental para desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social. A primeira diz respeito à difusão de notícias. planos. h) reconstruir o texto. • Dependendo do gosto. essas sugestões. a uma radiografia do texto. como: vermelho = idéia principal. em vez de facilitar o trabalho do leitor. Utilizam-se normalmente de colchetes. estabelecendo-se um código particular. estudo e trabalho. “O esquema é um texto que corresponde. p. sobre a realidade. Para se obter maior funcionalidade das anotações. acompanhada. evidentemente. tais como: • Sublinhar com lápis preto macio. destrezas.Comunicação e Expressão 8 g) ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido. (Samuel Pfromm Neto apud Soares & Campos. Elabore um resumo: Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar. comentários etc. Ocorrência Exemplo: periódica (época do Natal) Águas do Oceano Pacífico Atividade de pesca do Peru Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão) Corrente marítima de Humboldt Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas Alimentos para os peixes FENÔME NO EL NIÑO Microrganismos animais e vegetais de vida aquática (plâncton) Desvio da corrente de águas frias Ventos provindos do oeste Diminuição da quantidade de plâncton Inflete para oeste. por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. Uma terceira função é persuadir o indivíduo — convencê-lo a adquirir certo produto. É muito útil. as ideias principais estão sublinhadas. persuadir e ensinar. no final do trabalho. fazer uma leitura comparando-se o texto original com o texto sublinhado. É um texto que auxilia na leitura. 111). A quarta função — ensinar — é realizada de modo direto ou indireto. sem necessidade de apresentar frases redigidas”. por parte do público.

. entretanto.Comunicação e Expressão 9 Outra forma de apresentar um esquema é por meio de uma listagem hierarquizada por diferenciação de espaço e/ou subdivisão numérica. 1. Como facilitar a leitura. Diminuição da quantidade de plâncton. Corrente marítima de Humboldt. esquematizá-lo e apresentá-los aos colegas por meio do esquema elaborado. Na realidade objetiva da vida social.1. 5.1. de outro. São Paulo: Contexto. 2000. As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão. 6.1. vamos definir um assunto. 5. Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas. o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos linguísticos dos grupos socialmente dominantes. de modo evidente. Atividades de pesca do Peru. Ventos provindos do oeste Ar quente. Lúcia & LIBERATO. 3. em qualquer comunidade de fala. não se dá no vácuo. Isto é. Em nossas sociedades de tradição ocidental. Queda do rendimento pesqueiro. Inflete para oeste. A variedade padrão é a variedade linguística socialmente mais valorizada de reconhecido prestígio dentro de uma comunidade. Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão).1.1. 2. que se traduz. O que chamamos de variedade padrão é o resultado de uma atitude social ante a língua.1. do assunto tratado. pela seleção de um dos modos de falar entre variedades existentes na comunidade. A LÍNGUA E OS FALANTES 1. de um lado. vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais” (Gnerre). Yara. Ocorrência periódica (época do Natal). Tradicionalmente. 4. definidas pela comunidade como próprias em função da formalidade da situação. Campinas: Alínea. 2. Questão 1: A partir dos conhecimentos específicos que já temos do nosso curso. historicamente coincide com a variedade falada pelas classes sociais altas. há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso. pelo estabelecimento de um conjunto de normas que definem o modo “correto” de falar. como o seguinte: FENÔMENO EL NIÑO 1. Microrganismos animais e vegetais da vida aquática (plâncton). Leitura de estudo. Constata-se. da relação entre os interlocutores etc. 2003 FULGÊNCIO. podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas. “Uma variedade linguística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes. antes de atingir as costas do Peru. CASTELLO-PEREIRA. em todas as comunidades existem variedades que são consideradas superiores e outras inferiores. mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada comunidade. que reflete a hierarquia dos grupos sociais. isto é. Essa coexistência. a variedade padrão. Alimentos para os peixes. Águas do Oceano Pacífico. Desvio da corrente de águas frias. Leda Tessari. A língua padrão tem uma enorme importância em sociedades como nossa. a existência de variedades prestigiadas e de variedades não prestigiadas nas sociedades em geral. cujo uso é normalmente requerido em situações de interação determinadas. Aquecimento das águas costeiras do Peru. de determinadas regiões geográficas. AS VARIEDADES LINGUÍSTICAS E A ESTRUTURA SOCIAL Como já foi dito.

291).. as avaliações sociais? Podemos afirmar que os julgamentos sociais ante a língua – ou melhor.). com pouca escolaridade.. podemos perceber a obediência às regras gramaticais. Toda língua é adequada à comunidade que utiliza. Em resumo. por exemplo./..Comunicação e Expressão 10 A avaliação social das variedades linguísticas é um fato observável em qualquer comunidade da fala./ . não existem variedades linguísticas “inferiores”. Em que se baseiam. é usada na elaboração de documentos oficiais. aplicar-se-ia sempre pena idêntica.. que se julgue “feia” a variedade dos falantes de origem rural. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. “inferiores”. passou-se... vol. foi questionado esse modelo especialmente com o .. passou-se a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. 2003./ ...... aplicava a pena que parecia a ele mais justa. as atitudes sociais – se baseiam em critérios não linguísticos: são julgamentos de natureza política e social. entre outros... Observamos também que o léxico (vocabulário) é mais bem trabalhado./). é mais espontânea e natural.. então.. como a posição dos pronomes em relação aos verbos (. p. Para a Linguística – ciência da linguagem – esse tipo de afirmação carece de qualquer fundamento científico. Assim como não existem línguas “inferiores”. Consideramos. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. com palavras escolhidas que realmente representam o que se quer dizer.. Na língua culta ou padrão.. sem ambigüidades. principalmente. Variedades linguísticas Ivan Cupertino Dutra Sibele Letícia Rodrigues de Oliveira Biazotto • Língua Culta ou Língua-padrão – variedade praticada pela classe social de prestígio. No Iluminismo. é um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive. assim. julgamos não a fala. aplicava a pena que lhe parecia mais adequada. de classe social baixa. o r caipira “desagradável”.. assim. As línguas não são homogêneas e a variação observável em todas elas é produto de sua história e do seu presente.. passou-se a adotar.” (Texto adaptado de MIRABETE. 1. ouvimos falar em línguas “simples”. ficava sujeito aos humores do juiz. que lhe parecia mais adequada.. Exemplo: “Na Antigüidade. Não casual. um sistema de aplicação de penas. Frequentemente. foi questionado esse modelo especialmente com o argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. há obediência também à regência verbal e nominal (. de regiões culturalmente desvalorizadas. ou seja. e o fazemos em função de sua inserção na estrutura social./. No Iluminismo.. para o crime de mesma natureza. mas usamos esse mesmo som para falar “car” (carro) em inglês sem achar “feio”. na forma escrita. Exemplo: “Na Antigüidade. mas o falante. na imprensa e. o que também não se revelou um bom critério em razão de que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto. 2. Segue as regras da gramática normativa. portanto... Em razão disso. • Língua Coloquial – utilizada sem muita preocupação em seguir as regras da gramática normativa. “primitivas”. aplicar-seia...

. particulares e diminutivos. 2003.. Vejamos: . Aí.. 2. muito.. Aí. . • Língua Popular – utilizada pelas pessoas de baixa escolaridade.. porque só o dotô decidia. Depois acharam que não tava certo. Aí. usaram uma tal de matemática: todo cabra que matava. Mas também num foi do agrado de todos. no tempo antigo... se passou a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. era preciso deixar que o juiz olhasse o erro de cada um para aplicar o castigo merecido. com uso recorrente de diminutivos. vol. . para o crime de mesma natureza. porque como nunca tem crime igual. menos formal e de relativa obediência às regras gramaticais. • Língua Grupal – é dividida em subníveis. surfistas..... vol.” (Texto adaptado de MIRABETE.. 1. porque só o dotô decidia. Por exemplo.” (Texto adaptado de MIRABETE. 291) Quanto à linguagem familiar.tava.. Exemplo: “Antigamente o castigo do meliante ficava por conta do cana dura que dava o castigo que ele achava melhor. querido.. Exemplo: “Antigamente o castigo do bandido ficava por conta do juiz que dava o castigo que ele achava melhor.. ... do ponto de vista das regras gramaticais normativas. Mas há também as gírias de grupos como: de marinheiros. como idêntica/parecida. Depois acharam que não tava certo... 2003. Aí.dotô.. caso concreto/caso acontecido... Exemplo: “Antigamente o juiz é que tomava de conta do corretivo do cabra que matava um vivente...E depois? . . p. contém erros por se afastar da norma culta estabelecida. etc. etc. caminhoneiros etc. gírias: são consideradas efêmeras. se aplicaria. • Língua Familiar – linguagem de caráter afetivo. conhecidas. tudinho. Quanto à escolha do léxico.. usaram a aritmética: todo malandro que fazia um presunto. vol.. se passou.. porque só o doutor decidia.. como é que o bandido vai pra cadeia? .. .querido.Comunicação e Expressão 11 argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. Em razão disso. Podia acontecer que quem fez alguma coisa muito... 291) Regionalismos: podemos citar as expressões: cabra. conforme o grupo que a utiliza. Mais também num gostaro porque cada um é cada um... . porque cada um é cada um. A questão é a escolha do momento em que podemos utilizá-la. as regras que regem o uso de pronomes não são seguidas (.Então. vivente. 2003. 291) A linguagem coloquial já ‘burla’ algumas regras gramaticais..” (Texto adaptado de MIRABETE... regionalismos: é diferenciada principalmente pela pronúncia. entre outras. 291) . Podemos notar exemplos no texto como: .. Mais também num deu. ou seja. 1. carregada de gírias e regionalismos. Por exemplo: 1..” (Texto adaptado de MIRABETE. mais que outra. Depois. era corrigido igual. de pouca duração.. vol. os outros começaram a achar que desse jeito não era bom porque ficava na vontade do juiz o tamanho do castigo. 2003.gostaro. utilizadas na região do Tocantins..... quando alguém fazia um crime.. 1. . o juiz castigava. que era para ele mais certo. 291) Já a linguagem popular.mais também. p. principalmente.). p. . 1... porque contém expressões emotivas. o que também não se revelou um bom critério em razão que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso acontecido..aí. qualquer falante de uma língua a utiliza. amizade. Talvez em outros estados os falantes considerem diferente ou atribuam outros sentidos a tais expressões. p. Exemplo: “Papai. ou seja. notamos que foram utilizadas palavras mais frequentes entre os falantes... usaram uma tal de matemática: todo bandido que matava. muito errada. tomava de conta. 1.tudinho. Depois acharam que não colava. 2003./. ia pro pau de arara.muito. era castigado igual. porque cada um é cada um. sem preocupação com regras gramaticais.filhinho. vol. não era bom. tá ligado?” (Texto adaptado de MIRABETE... se aplicaria sempre pena parecida.Filhinho. tivesse castigo parecido ou até que o outro acabasse tendo um castigo muito pior. p. mas também pelo vocabulário e pela sintaxe. começaram a fazer assim: o que a pessoa fez e como era castigada já estava escrito. pelos meios de comunicação de massa.. corretivo..

mas não se avexe não… (longa pausa). 2003. possam economizar precioso tempo com a troca de informações. Linguagem na Internet Atualmente. Além da rapidez. Assaltante Nordestino –Ei. dividimos a linguagem grupal em: Línguas técnicas: no exemplo dado. p. de comércio e de serviços. a fixação da pena ficava inteiramente ao arbítrio judicial. sanção. Apesar de sua elaboração aparentemente fácil. meu… Alevanta os braços. As formas lingüísticas consideradas padrões.Comunicação e Expressão 12 Gírias: vamos nos concentrar mais nas gírias profissionais. principalmente na escrita. No texto encontramos a expressão meliante. porque esse tipo de correspondência apresenta uma característica muito presente na contemporaneidade: a rapidez. Num repara se o berro está sem bala. se manda. com presença de vocabulário específico. bem devagarinho… (longa pausa). empresas e serviço público têm sido feitas. meu. Mostrou-se esse critério também inadequado por não poder o julgador sopesar devidamente as circunstâncias do delito para uma melhor correspondência da sanção penal ao agente do fato criminoso” (Texto adaptado de MIRABETE. Isso acontece. meu… Mais rápido. que são menos volúveis. delito. 1. pois contém expressões como: arbítrio judicial. por exemplo. 291) Para classificação. línguas técnicas: são utilizadas pelas várias profissões. meu… Isso é um assalto. as correspondências entre pessoas físicas. predominantemente. a eficiência dessa forma de comunicação permite que as empresas. podemos identificar claramente que se trata de uma linguagem do campo jurídico. meu irmãozinho (longa pausa). 3. Se num quiser nem precisa levantar. pra num ficar cansado… Vai passando a grana. meu… (A) (B) (C) (D) (E) variação social variação regional variação cultural variação histórica variação padrão A Língua Padrão muda no tempo Este é um fato elementar para quem quer entender as línguas: todas as línguas mudam ao longo do tempo. ao escrever uma mensagem eletrônica devemos ficar atentos a alguns procedimentos que ajudam a compreensão da mensagem escrita. pelo correio eletrônico (e-mail). mas é pra não ficar muito pesado… Não esquenta. ATIVIDADE Questão 1: Assinale a opção que identifica a variação linguística presente nos textos abaixo. em decorrência do Iluminismo. localizadas em qualquer parte do mundo. . Vou deixar teus documentos na encruzilhada… Assaltante Paulista – Orra. Levanta os braços. Esse injusto sistema foi substituído. meu Padim Ciço. 2011. meu… Pó. em que pouca ou nenhuma flexibilidade se dava ao juiz para aplicar a sanção. meu… Passa a grana logo. por um sistema de penas rígido. Exemplo: “Na Antigüidade. que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Corinthians. mas é que eu tô com uma fome da moléstia… Assaltante Baiano – Ô meu rei… (longa pausa) Isso é um assalto… (longa pausa). que é considerada gíria do grupo lingüístico de que fazem parte os policiais. Acesso em 06 de fev. são mais resistentes Disponível em: <Artigos>. bichin… Isso é um assalto… Arriba os braços e num se bula nem faça muganga… Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão. vol.

as mudanças nunca acontecem subitamente. criticou veementemente a norma culta muito parecida com o português praticado em Portugal: Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade ) Em outros casos.. Na língua oral . na década de vinte do século passado. Do ponto de vista científico. Outro caso visível é a colocação dos pronomes no português brasileiro.mas também mudam. como o exemplifica o texto do poeta Oswald de Andrade que. pode-se dizer que a mudança de padrão começa a se consolidar.. e não Se eu ver fulano. por exemplo. entre outras razões. em vez de Assisti a um filme). que insiste sistematicamente em recusar algumas normas das gramáticas escolares.há uma tendência sistemática a não fazer a concordância (Foi inaugurado as usinas). o que costuma ser sintoma de que a mudança está avançando significativamente.Comunicação e Expressão 13 à mudança . o fenômeno da concordância nos casos em que o sujeito aparece depois do verbo. Veja-se. a sua organização estrutural. porque o nosso ouvinte vai julgar não somente o que se diz. eu o aviso. Na fala. Falar nisso: o padrão é Convencer pessoas que o certo é. por exemplo. Um exemplo bastante visível é o caso da regência de alguns verbos. não há como dizer que uma forma linguística é melhor que outra. a tendência já está passando à escrita.porque vivem sob controle severo! . Pouco a pouco. e talvez seja muito mais frequente o emprego "errado" que o emprego "certo". dependendo do ponto de vista. a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério. Mesmo que tenhamos pensado objetivamente a respeito nós sabemos (ou procuramos saber o tempo todo) o que é e o que não é permitido. é fato que há uma diferenciação valorativa. Vejamos algumas conseqüências que decorrem da mudança. ou Convencer pessoas de que o certo é. Na escrita mantém-se mais visivelmente apenas a regra de não se começar período com pronome átono. Há uma tendência muito forte na linguagem oral do português brasileiro de tornar transitivos diretos alguns verbos que tradicionalmente eram transitivos indiretos (Assisti um filme. o padrão de Portugal (que determinou na origem o do Brasil) desapareceu quase que por completo.? ATIVIDADES Texto 1: MAS. os gramáticos. mas do significado social que certas formas linguísticas adquirem nas sociedades. Entretanto. embora seja frequentíssima em textos escolares. Faça um teste: tente convencer pessoas comuns que o certo é dizer Se eu vir fulano. a resistência é muito mais forte. cada uma delas com a sua gramática. as "novidades" (ou os "erros"..e isso mesmo nas faixas mais escolarizadas da população . do tipo foram inauguradas as usinas. eu aviso ele. é claro. Nesses casos. O QUE É LÍNGUA PADRÃO? Já sabemos que as línguas são um conjunto bastante variado de formas linguísticas. que por mais que reclamem e vociferem não conseguem “segurar” a mudança. escritos por bons escritores ou jornalistas. AFINAL. Nós costumamos “medir nossas palavras”.(não exist var. isto é... mas mesmo esta é rompida em textos mais informais e nos textos literários.. mas também quem diz.melhor q a outra a n ser por gosto pessoal). Uma delas é a relativa imprecisão de suas características.exceto. ou A Constituição nem sempre tem sido obedecida pelas autoridades federais). impossível sintaticamente com verbos transitivos indiretos (O jogo Brasil x Argentina foi assistido por milhões de telespectadores dos dois países. mesmo em textos de boa qualidade. Uma evidência dessa mudança na língua padrão é o fato de que esses verbos tornados transitivos diretos passaram a ocorrer com freqüência na escrita padrão na forma passiva. Quando o uso chega a esse ponto. Outro aspecto que decorre da transformação da língua ao longo do tempo é a convivência (nem sempre pacífica!) entre formas arcaicas e formas contemporâneas. que nasce não da diferença desta ou daquela forma em si.) vão se popularizando e disseminando até o momento em que ninguém mais consegue perceber a nova forma como erro .linguist. E a linguagem é altamente reveladora: ela não ... Mas aqui a transformação não chegou ao padrão escrito de prestígio.

socialmente aceitável.. pelo sotaque. a afirmação indica que existem informações neutras.ou seja. O beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega. mas também” em: “nosso ouvinte vai julgar não somente o que diz. é correto afirmar: 1. na rede das linguagens de uma dada sociedade. 4. O parágrafo introduzido por ele serviu para confirmar o que foi dito antes. O articulador “assim” (linha 13) foi usado com o valor exemplificativo e complementar. (Millôr Fernandes) (cron. A soma das alternativas corretas: a) 12 b) 24 c) 15 d) 28 e) 31 Texto 2: O beijo O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo. a nossa escolaridade. mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer. tanto na linguagem padrão como na coloquial..Medir palavras é n fugir daquilo que é prestabelec pela socied.. Tem uns que gostam muito. Ver marcas e termos usados! Texto 3: Observar a imagem para responder às questões e elaborar texto.( n existe inform neutra. além de outras informações. Atividade: Questão 1: Sobre o texto acima. 16. Nesse sentido. atualmente. .a partir do que falamos podem identificar de onde vimos. A expressão “não somente. kemsomos. outros que ficam aborrecidos e limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam. n falar algopra n agredir alguém. mas também quem diz” (linha 9) estabelece uma relação de retificação do argumento da primeira afirmação com o argumento da segunda e acrescenta uma nova informação. pela forma usada. Esse recurso se caracteriza como variação linguística e pode ser observado.p/ exemp. e que o papai deu de raspão na empregada noutro dia. a nossa intenção. o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga. O beijo pode ser no escuro e no claro. como a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição. No trecho “ela não transmite só informações neutras” (linha 10). revela também nossa classe social. o nosso ponto de vista. Humoristica) Questão 2: Em que variante linguística está escrita a pequena crônica de Millôr Fernandes? Por quê? Que marcas textuais autorizam tal resposta? R:var. 8.Comunicação e Expressão 14 transmite só informações neutras..é quest de adequabilidade) Assim. mais beijam.. a linguagem também é um índice de poder. Os pronomes “a gente” (linha 3) e “nós” (linha 7) foram usados com o mesmo significado referencial. 2.. O trecho “a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério (linhas 3 e 4) pode ser parafraseado: “a não ser que nos esqueçamos da ciência e seja adotado o preconceito linguístico ou o gosto pessoal como critério”.colokial e familiar.. a língua padrão ocupa um espaço privilegiado: ela é o conjunto de formas consideradas como o modo correto. de falar ou escrever. a região de onde viemos.

Que idade tem.em que local mora a pessoa que o escreveu? Como também.com/quadrinhos/31-03-2009_diversas. como por exemplo. aproximadamente. LÍNGUA E ESCRITA FALAR E ESCREVER . a adequabilidade ou inadequabilidade do uso das variantes. tipo de variantes as quais estão em questão. por que um dos personagens da tirinha passou mal? Nos argumentos apresentados devemos apresentar informações fundamentadas na teoria. a circunstância em que elas ocorrem.2010. . Disponível em: <http://noisnatira. Texto 3: Vamos observar atentamente a tirinha para responder à questão 3. elaboremos um texto contínuo. com coesão e coerência. sem tópicos. ou seja.a que classe social pertence.png>.Após ter todas as respostas às perguntas feitas.de que sexo é e .que profissão exerce. . Acesso em 15 de mar.Que atitude do interlocutor o aviso espera ser colocada em prática? . no qual apareçam todas as informações.Comunicação e Expressão 15 Questão 3: A respeito da placa de papelão na parede em construção: . que motivo a obrigou a escrever tal texto? . . o perfil da hipotética pessoa que escreveu o aviso na parede. Questão 3: A partir dos elementos verbais (palavras) e não verbais (imagens) do texto 1 (charge).

é um dos poucos traços fortes que une o país a seu passado português. Criação individual.Interlocutor: presença x ausência . Práticas de texto para estudantes universitários. Sem condições de consulta a outros textos. 17 ed. Não se trata simplesmente de uma confusão de ignorantes: basta acompanhar as discussões que. Acesso imediato às reações do interlocutor. Carlos Alberto. sendo a fala uma espécie de subproduto dela. O redator quis dizer. naturalmente. que. Escrita Interação à distância. Veja este trecho de uma revista semanal sobre a situação em Timor Leste: Timor Leste é uma ilha do tamanho do município de Manaus.Frases mais curtas x frases mais longas . tem uma forte tendência a confundir língua com representação gráfica da língua (escrita). parece-nos mesmo que a “verdadeira língua” é escrita. Possibilidade de revisão. O texto tende a esconder o seu processo de criação.Redundâncias x concisão . A identificação de língua com escrita leva a confusão grosseira na própria noção de gramática. A reformulação pode ser promovida tanto pelo falante como pelo interlocutor. a . de menor importância e sem nenhum prestígio. Impossibilidade de apagamento. isto é. jornalistas e intelectuais em geral se manifestando sobre “mudança da língua”. Frágil infraestrutura existente foi destruída nas duas semanas entre o plebiscito e a chegada das tropas de paz da ONU. Planejamento simultâneo ou quase simultâneo à produção. O escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor. o sistema altamente complexo que os falantes usam no seu dia a dia. quando.Ampla variedade x modalidade única (“língua padrão”) . de um livro que descreva as regras da língua. invertendo o curso da história. o que é um absurdo.Aprendizagem “natural” x aprendizagem “artificial” O estudo da Retextualização. Planejamento anterior à produção. como vimos. com população equivalente à de Campinas e dividida em 36 etnias. Mas é claro que a língua tem gramática. que a língua não dispõe de uma gramática normativa. Rio de Janeiro: Vozes. em geral. Por força da tradição escolar e da própria ideia de autoridade que emana da escrita. Distinções específicas entre fala e escrita . Petrópolis. nesse caso.Prosódia e entonação x sinais gráficos . O texto mostra todo o seu processo de criação.Elementos extralingüísticos x sinais gráficos . o máximo que uma reforma ortográfica consegue é mudar o modo como se grafam as palavras. Criação coletiva: administrada passo a passo. o catolicismo. Sem possibilidade de acesso imediato. (FARACO. seria dizer que a língua não tem “vocabulário”. O falante pode processar o texto. é qualidade intrínseca de qualquer língua. A religião praticada pela maioria. ao transpor da conversa espontânea para o texto escrito. de tempos em tempos aparecem em torno de reforma ortográfica da língua portuguesa que encontraremos escritores. na verdade. que não tem gramática nem dicionário. que devemos “falar como escrevemos”. Há mesmo quem diga. Nenhuma reforma ortográfica no mundo muda a língua. Já a palavra “dicionário” foi bem usada – um erro equivalente. mostrando o resultado. isto é. redirecionando-o a partir das reações do interlocutor. Livre consulta. A língua dominante é o teto. A reformulação é promovida apenas pelo escritor. deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão e a escrita constitui-se em outra forma de comunicação.Comunicação e Expressão 16 A cultura letrada. 2008). FALA E ESCRITA Condições de produção Fala Interação face a face.Unidade temática: flutuação x rigidez .

. Quanto à palavra mais bonita da Língua Portuguesa... O autor do livro 1968 termina a entrevista definindo-se como um humilde operário das letras. jornalista.. o jornal Zero Hora publica uma entrevista que Márcio Pinheiro fez ao jornalista Zuenir Ventura. aluno. na cidade de Ponte Nova.. afirma que costumava brincar.. mas também pelo significado e sonoridade.. uma:: pirigosa brincadeira que fazíamos em Ponte Nova. Conversação espontânea Em reportagem do dia 19...Comunicação e Expressão 17 qual deve ser clara... Exemplo de retextualização – transposição da conversa espontânea em texto escrito: Zuenir Ventura. um humilde operário das letras. (Ead Conectado: Vanessa Loureiro Correa) Como você. pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: muitas coisas assim extragada né? cumidas ex.. em entrevista. Minas Gerais.06.sou. elegância. profissão) c) transpor o texto oral para a modalidade escrita. tem muitus crianças ah. as idéias organizadas mentalmente ajudam-nos a escrever com clareza.. onde fui criado:: atravessar uma ponte:: .05. a passagem do texto oral para o escrito constitui-se na organização da escrita.. coesão e coerência. ATIVIDADES Vamos ler o segmento abaixo e responder à questão 1? Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::. onde vive. sem falar no sentido. coesa. não só pela o-ri-gi-na-lida-de. respeitando aspectos de clareza. poco antes de o trem passá. de atravessar uma ponte antes da passagem do trem... vamos: a) identificar as características típicas da fala (oralidade). idade. Minas. objetividade. não só por existir apenas na nossa língua. sendo sua lembrança mais antiga da infância. Assim. sou. MP – Qual a sua lembrança de infância mais remota? ZV – Era. Texto 2: HISTÓRIA DE VAQUEIROS . Questão 1: A partir do texto acima. pode perceber.... ZV – Eu::. elis omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus E sobre o centro da cidade? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas éh::: sei lá .. ele destaca saudade. gênero.. nível de escolaridade.. sua cidade natal. tem . MP – Qual a palavra mais bonita da Língua Portuguesa? ZV – Saudade::. b) elaborar o perfil do/a falante (classe social. coerente e elegante. MP – Defina-se.tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu.. direta.. ah ah. existe:: apenas na nossa língua:: como pela sonoridade... quando criança.

um dos maiores músicos e violeiros do nosso país. Ranca-tôco ribadêro = perito em matéria de mato e capoeirões Lubião = qualquer produtor de vaca. Ele é de Vitória da Conquista-BA) Mais foi tanto dos vaquero qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro num menajo todos não. Na viagem do gado. quando uma rês desvia-se do rebanho. João Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro num menajo todos não certa feita vô contá só um feito desse vaquêro foi chamado pra pegá um levantado marruêro Morada Velha do Olivêra Lagoa do Pancadão Tiquiano foi só cum a pitêra a Ri-de-Conta e sem gibão mêa noite e lua e um quilarão pontô o bicho na bibida vino do fundo da mata na lagoa de pureza feito u'a bacia de prata qui buniteza nessa hora só lamento nun tá lá e sem mais demora Tiquiano gritô: vem bichão vem cá! riscô um tufão feito um raiá já cum bicho bem pegado ma ponta do pau-de-ferro pelos mistero da hora in qui num pode havê êrro o incapetado lubisomi 'stremeceu soltô truvão já tava intregano ao bicho home as alma nas palma das Vocabulário: Reno= reinou num menajo = não homenageio ranca toco= perito ribadêro = vem de ´ribada´. contanto que seja de pelagem preta e meio desaforado. mão faca na venta e sangue no chão e a lua oumenta o quilarão faca na venta e boi no chão mais foi tanto dos vaguêro qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-dasContas Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuros pelas mão mermo cantano um dia interô num manajo todos não as Guariba é um cruzamento in toda tarde de dumingo hai um grande ajuntamento de muita gente e malungo moça bunita perdedêra Bragadá sua perdição boi das arma branca cara preta catravo de pé e mão fera sturrano cavava o chão surucucú de dois ferrão malvado e brabo pegô Juão derna o tempo de minino fazia pur brincadêra pegá bicho remeteno de mão pilunga ô pitêra dentra da venda in descursão entrô os vaquêro de lá pruns olhos bunito cum ferrão pulô a cerca bragadá a noite intêra bebeu dançô na brincadêra no Tomba virô moça bunita laço de amô pelo triz de um momento da peleja in certa altura viu nos olhos da morena ispelhada u'a mancha iscura faca na venta o boi morreno Bragadá caiu no chão cum o vazí rasgado'stremeceno parava o saingue c'as mão amô nun sei pru modi quê facilitei olhei voce foi pur teus olhos pur a fulô pegava o boi boi me pegô édura a sorte do pegadô morrê da morte chifrada amô mais foi tanto dos vaguêro qui renô no meu sertão qui cantano o dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro nun menajo todos não mermo cantano um dia intêro nun menajo meus irmão . e se interna no mato ou nos capoeirões. ou ovelha. também em dialeto. cabra.Comunicação e Expressão 18 (Elomar Figueira Mello. diz-se que o animal ficou na ribada.

e 3) a. Questão 1 Vamos entender as seguintes afirmações sobre o texto de Elomar Figueira Mello: a) o texto de Elomar apresenta caráter épico. Derna = desde. Pitêra = ferrão. d. durante o combate. Ri-de-conta = faca. d. trata da brutalidade de pessoas incultas do interior do Brasil. sem contato com as mudanças pelas quais passa a língua materna. puderam ser pensadas antes de serem executadas. do fundo da mata. a mancha vermelha na camisa. nem sempre deve ser desprezada. de um lado. e 5) todas 6) nenhuma Questão 2: Transpor o texto “Histórias de vaqueiros” para a modalidade escrita (retextualização) . o texto de Elomar é de difícil decodificação. e 2) c. tipo de arma branca artisticamente trabalhada. infinitamente pequena – que. no caso. o boi investiu contra o moço com muita velocidade e grande fúria. guiada. b. falado especificamente por pessoas idosas as quais vivem no interior do país. Pilunga = porrete. Ele é escrito em português arcaico ou na variante inculta. como o estampido do clarão de um raio. pouso de tropas e de encontro de vaqueiros. como o vaqueiro tipo Bragadá. pelo fato de tratar da luta do homem diante das forças naturais. c. a expressão “pelo triz de um momento” expressa que as atitudes. Sururú = jararaca grande. de outro. o ajuntamento das pessoas no vazio daquelas tardes imensas. O vaqueiro. na sua imagem. a letra da música não apresenta poeticidade ou lirismo. Viu nos olhos da morena/ ispelhada u´a mancha iscura = no ferver do sangue. Gibão = casaco de couro de veado ou de bodão. Certa feita = em certa ocasião Pegá um levantado marruêro = matar um touro que se alevantou. E a lua omenta o quilarão = e a lua aumenta o clarão. região do Palmeira. representada. a intensidade e a transferência de planos da vida para o mundo mágico. vara trabalhada em cuja base. a moça bonita perdera. recheada por elementos do mundo rural. Na brincadeira do Tomba-virô = na festa do lugar chamado Tomba-virô.Comunicação e Expressão 19 Turuna = sinônimo de ranca-tôco Frechêro = cabrito ou bodete de cabra na faixa dos seis ou sete meses de idade. b) c) d) e) Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1) a. Vazí = ventre. em dialeto catingueiro. Pegá bicho remeteno = enfrentar boi enraivecido e furioso. o bicho. Ponto o bicho na bibida = surgiu o touro na aguada. Triz de um momento = fração infinitesimal de tempo. pelo contrário. embora trate de assunto comum como a bravura dos vaqueiros brasileiros e do amor que é tema universal. vindo do mundo dos homens. Pruns = por uns. por tal. Guariba = localidade na zona da Mata (estado da Bahia) abaixo da cidade de Itapetinga. na fúria da peleja. com a proteção de forte charrua. o conteúdo fica para além da estória que capta os tios regionais que lhes dá o nome de heróis. Lubisoni = lobisomem. d. Risco um tufão feito um raiá = ante o chamado do vaqueiro. e 4) a. ponto onde se cruzam corredores e estradas reais. pelo viril e bravo vaqueiro e. d. pau-de-ferro. o já idoso vaqueiro Bragadá descobriu que estava ferido ao ver sua imagem refletida no cristal dos olhos da moça e. no canto de homenagem e celebração da bravura. Pur a fulo = pela flor. está encravado um bico de ferro. É uma luta simbólica e ancestral do homem contra a dominação da besta. que abandonou o rebanho e passou a uma vida solitária nos ermos. chifres brancos. pedaço de pau feito um cabo de machado. Arma branca = cornos. Catravo de pé e mão = diz-se catravo qualquer espécie de animal que tenha os pés e as mãos (até uma pequena altura) de cor diferente da do resto do corpo. sendo mais comum a cor branca. pelo “levantado marruêro”.

2011 Questão 1: Vamos transpor a crônica de Stanislaw Ponte Preta em criativo texto noticioso para rádio. 2007) Texto 3: crônica Choro. Levaram. O ensino de português não pode acontecer sem que todos esses aspectos sejam levados em consideração. Partimos de escolhas. É para ajudar a velar pelo falecido. Assim. as pessoas se expressam de maneira diferente.coladaweb. Regina Lúcia Péret. Morreu lá um tal de Nicolino. Para tanto. Depois voltaram até a casa do mono. Foi o que aconteceu agora em Ubá (MG).o modo como o fato ocorreu QUALIDADES TEXTUAIS . fecharam o caixão e foram para o cemitério. seja numa favela carioca.o momento do fato • "Por quê" . vai interferir no modo como vamos falar ou escrever. Para retextualizar. num cortejo meio ziguezagueando e num compasso mais de rancho que de féretro. a cachacinha é inevitável. ou seja. Acesso em 05 de fev.o fato ocorrido • "Quem" . para transpor de uma modalidade para outra ou de um gênero para outro. alguns amigos de Nicolino compraram um caixão e algumas garrafas de cangibrina. a cada situação.com/redacao/cronica>. vamos ouvir algumas notícias divulgadas em rádio para não faltar no nosso texto. dependendo das necessidades dos falantes que os utilizam. sendo que alguns podem desaparecer e outros podem surgir. Mas — bem ou mal — lá chegaram. pobre só tem amigo pobre e. inevitavelmente. processo que envolve operações que evidenciam o funcionamento social da linguagem.Comunicação e Expressão 20 RETEXTUALIZAÇÃO Entende-se por retextualização o processo de transformação de uma modalidade textual para outra. então.a causa do fato • "Como" . a maior espinafração da vizinha do pranteado Nicolino. numa indigência que eu vou te contar. Sabem como é. em cada lugar. Segundo telegrama vindo de Ubá.o personagem envolvido • "Onde" . levando tudo para o velório. a chamada aos ouvintes e o tom rápido e detalhado. (DELL’ISOLA. terra do grande Ari Barroso. trata-se de uma refacção e reescrita de um texto para o outro. A intenção de trabalhar a retextualização em sala de aula é promover uma certa adversidade de textos. De manhã. As atividades de retextualização englobam várias operações que favorecem o trabalho com a produção de texto. ou seja. de relativa estabilidade. portanto. veia e cachaça Enterro de pobre sempre tem cachaça. As escolhas envolvem tanto o melhor modo de construção do texto. tendo em vista a variedade de gêneros possíveis para as muitas situações comunicativas. que seja entendido o que se disse ou se quis dizer. ressalta-se um aspecto de imensa importância que é a compreensão do que foi dito ou escrito para que se produza outro texto. Retextualização de Gêneros Escritos – Rio de Janeiro: Lucerna. é preciso. Dentre elas. portanto as produções – orais ou escritas – partem de um objetivo que certamente. sujeita a mudanças ocorridas na sociedade. é preciso haver um incentivo qualquer para a turma subnutrida poder aguentar a noite inteira com o ar compungido que o extinto merece. as formas gramaticais mais adequadas e tudo que está diretamente vinculado à função de cada texto. Passaram a noite velando o morto e entornando a cachaça.o local do fato • "Quando" . Enfim. Todo texto tem sempre uma finalidade. lá abriram a cova e lá enterraram o caixão. (Stanislaw Ponte Preta = Sérgio Porto) Disponível em: <http://www. o que se escreveu e os feitos de sentido gerados pelo texto escrito. É que os bêbados fecharam o caixão. seja num bairro pobre da cidade do interior. ao objetivo almejado. Também não podemos nos esquecer de que a atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos que deve informar ao público: • "O quê" . na hora do enterro. às situações de uso. produzem gêneros textuais. foram lá enterrar. por exemplo. para cada interlocutor. antes de realizar a tarefa. mas esqueceram o falecido em cima da mesa. na esperança de ter sobrado alguma cachacinha no fundo da garrafa.

Concisão – é a qualidade do texto em ser preciso. ou seja. além de mostrar ao leitor algo diferente. sem circunlóquios. concisão. (BELLUCI. coerência e correção gramatical. foi usado um conectivo que indica contraste no lugar do de exemplificação (por exemplo) ou de reafirmação (de fato). o texto. nossa primeira reação? Nossa primeira reação vem com um sentido de rejeição: “Ah. escolhe os aviamentos. frequentar cinema e teatro. Clareza – A clareza é uma qualidade essencial de qualquer texto. – Bauru. Além disso. Ex: Juca não está indo bem na escola. São Paulo: EDUSC. a produção de um texto requer também que se observem elementos para uma boa tessitura. é o uso dos conectivos adequados à correta ligação entre palavras e frases no texto. colocamo-nos a refletir: “Como eu vou fazer um texto?” Este questionamento traz à mente uma série de requisitos necessários para a composição de um texto. A ambiguidade impede a clareza do texto. E qual é. ficará sem entendê-la ainda mais. entretanto. É muito importante memorizar as conjunções e seus significados para que haja coesão e coerência na elaboração das diversas frases. Para Oliveira (2003). o tecido. o resultado final não atinge seu objetivo. criativo. Coesão – Segundo Koch (2001). Um professor em sala de aula. Criatividade – A originalidade de um texto acrescenta-lhe uma importância muito grande. traça o molde. novo. clareza. exceto quando ela é utilizada como recurso de retórica. por coesão se entende a ligação. já nos solicitaram a produção de um texto. se a pessoa que ler a frase não souber que penosa é gíria de galinha. sem provocar dúvidas ao seu leitor. Podemos comparar essa tessitura com o “bom caimento” de uma roupa. Exemplo de texto ambíguo: A cobra matou a penosa no seu ninho. O texto é claro quando é facilmente entendido. Ler bastante. Adriane. Fatores que contribuem para a produção de um texto de qualidade Na obra Texto técnico – guia de pesquisa e de redação.94. coesão. . Os Degraus da Produção Textual. toma medidas. 2003). os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual. Desperta a curiosidade. precisa coerência. tais como: • sobre o que escrever? • como organizar as ideias? • que sequência utilizar? • como escolher as palavras adequadas e estabelecer a conexão entre elas? Assim como para confeccionar uma roupa. 2003). São eles: criatividade. Segundo pesquisa na Flórida (VEJA. sem rodeios de palavras. vendo que não há outra saída. clareza. Nesse caso. a relação. ou ainda. criatividade e correção gramatical. Oliveira (2003) coloca seis cês que contribuem para a construção de um texto de qualidade. não se sabe se o ninho é da cobra ou da galinha. no exercício de matemática tirou zero. ou um chefe no local de trabalho. a admiração. p.Comunicação e Expressão 21 O SIGNIFICADO DE TEXTO Por inúmeras vezes na vida. concisão. Como uma roupa em que todos os detalhes devem se harmonizar. sendo uma unidade semântica. viajar para conhecer outras culturas. um colega de reunião de associação de moradores de bairro. coesão. Um erro muito comum é o uso de um conectivo não correspondente à relação lógica presente entre dois trechos do texto. Se houver qualquer falhar. a modista escolhe o modelo. ter um hobby que exige atenção constante – como jogos de computador ou esportes radicais constitui um padrão entre os que são bem-sucedidos”. 30 abr. frequentemente. “um profissional criativo estimula seu cérebro também nas horas de lazer. Nesse caso. eu não sei fazer um texto!” Em seguida.

Isso é verificado no cotidiano e até mesmo na . de Andréia Neiva. esconde na verdade um problema grave no português moderno: a dificuldade do falante em se expressar em sua língua materna. uma após a outra. “A ‘mulher perdida’ não pode ser exemplo para a sociedade” ou ainda. é o que faz o texto fazer sentido para os usuários. devendo. no mesmo tema. O que se vê. E pensará o leitor: que problema há em esquecer e/ou não conhecer a palavra mais adequada para representar uma ideia e substituí-la por um vocábulo. Coerência – Para Koch (2001). ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. à primeira vista. “A ‘mulher de vida quase fácil’ se tornou celebridade” são exemplos de frases retiradas de textos de prévestibulandos em que é possível inferir que as tais mulheres às quais os alunos se referem – a “perdida” e a de “vida quase fácil” – são prostitutas. isto é. sem dúvida. Também é comum a expressão “por exemplo. que deveria ter certo aspecto formal. depois. não como quis nem como gostaria. é claro. por exemplo. Valendo-se da função de apresentar termos e expressões em sentido figurado. recorreu-se ao uso das aspas. o uso das aspas nunca foi tão prestigiado. Assim. realçar palavras e apresentar palavras em sentido figurado e/ ou gírias. que remeta a essa ideia? Não haveria obstáculo se a artimanha fosse ocasional. Para solucionar esse problema. de ter grande função estilística no texto. garotas de programa. no entanto é importante ressaltar que o sinal gráfico sozinho. vem gradativamente também afetando a língua falada. muitos brasileiros têm utilizado esse artifício para disfarçar outro problema: o conhecimento cada vez menor do léxico. o povo conhecido pelo seu jeito especial de lidar com as situações adversas do dia a dia desenvolveu o remédio de usar. ou. Assim. principalmente nos textos cujos autores são jovens. transferidas de forma indiscriminada à modalidade escrita. Leiamos o artigo “Jeitinho”. Na gramática tradicional. entre outros tantos substantivos que poderiam ter sido escolhidos. Correção gramatical – é o uso da língua de acordo com os padrões da norma culta. Não o é. outra palavra que lembre a ideia que se pretende transmitir. portanto ser entendida como um princípio de interpretabilidade. na pior das hipóteses. sem planejamento real. Que mal há em criar em cima da língua que falamos? O que. além disso) para ligar entre si frases escritas ao acaso. é uma sequência de palavras e expressões próprias da língua falada. Fica claro é que o pequeno vocabulário do discente o levou a escrever como pôde.Comunicação e Expressão 22 Outro defeito é o uso constante de conectivos aditivos (e. que não exemplifica o que veio antes”. outra grande reinvenção do famoso “jeitinho brasileiro”. É possível constatar que o vocabulário do brasileiro está gradativamente mais escasso. O fenômeno do uso excessivo das aspas. com o exemplo dos usos equivocados do “onde”. Vale lembrar que não faltam palavras no vocabulário brasileiro quando o assunto é sexo. manter suas especificidades (já que ninguém escreve como fala). o elemento tem a função de delimitar citações. que já é sentido há algum tempo na escrita. entre aspas. profissionais do sexo. Além. é muito comum. porque faltou repertório. como. da revista Discutindo a Língua Portuguesa para respondermos às questões: “Jeitinho” O uso exagerado das aspas – que muitas vezes reflete a falta de vocabulário na redação – está impregnando também a linguagem falada. sem a construção adequada no interior da argumentação. entre aspas. também. não tem o poder de formar uma ironia. sem incorreções ou desvios gramaticais. meretrizes. parece rabugice de professor. O uso das aspas é. num vestibular. a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto. as redações “naum” virem exatamente escritas como se esperaria. numa entrevista de emprego e em outras situações semelhantes. ou seja. a formação de ironia. Mas essa capacidade de reinventar a língua de acordo com a necessidade e com as ferramentas linguísticas disponíveis não para aí. Por causa desse artifício. a coluna gramática moderna tratou sobre o jeito muito criativo de o brasileiro reconstruir a gramática. Na edição passada.

Seus paradigmas. um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar. todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra. de 1942. a própria entonação já daria conta de expressar. por exemplo? Atividades Texto: A FALIBILIDADE DA CIÊNCIA 20/06/2010 Umberto Eco Como uma totalidade de conteúdo. cada sentença. não filtrado nem organizado. sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. diz Panebianco. precisamos começar a partir dos paradigmas existentes. mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. de Einstein ou Copérnico. pelo uso das aspas na comunicação oral com o já famoso gesto feito com os dedos. Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore. resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. Sem a . cada palavra. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota. no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas. Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento? Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade? A questão é importante. Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. seríamos desalmados. Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. cada rajada de vento. que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos. Questão 02: Vamos identificar pelo menos dois fragmentos em que a autora usou aspas e dizer por que ela as usou. E em todas as outras já virou piada sem graça. A ciência só se torna dogmática. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes. O escritor Angelo Panebianco argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados? Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados. Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin. cada sabor. todo o resto foi eliminado. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. o qual sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante. Felizmente. Se fosse simples ironia. Questão 01: Qual é a tese defendida pela autora do texto “Jeitinho” e que argumentos que ela usa para defender tal tese. Questão 03: Quem já usou aspas pelo fato de o repertório do léxico ser restrito? Em que situação. Mas muitas das vezes é falta de vocabulário mesmo. Se temos um problema. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates. a internet oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Em seu conto “Funes el Memorioso”. Para que uma discussão seja compreendida por todos. Uma cultura opera de forma semelhante. é também o resultado da filtragem desses dados. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas.Comunicação e Expressão 23 mídia. Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica.

Comunicação e Expressão

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rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível. Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente. Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.” Tradução: Eloise De Vylder Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/umberto-eco/2010/06/20/afalibilidade-da-ciencia.jhtm>. Acesso em 20 de jun. 2010. Notas: - PTOLOMEU: Astrônomo e geógrafo grego (90?-168?). Um dos últimos grandes cientistas da Grécia antiga, é autor dos estudos de astronomia mais importantes produzidos antes de Copérnico e Galileu. Nasce em Ptolemaida, com o nome de Cláudio Ptolomeu, e vive em Alexandria entre os anos de 120 e 145. Durante esse período, registra várias de suas observações astronômicas. Entre outras coisas afirma que a Terra é o centro do universo. O sistema ptolomaico, em que a Terra aparece como o centro, é adotado pela Igreja Católica durante toda a Idade Média, até ser derrubada pelas teorias de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Disponível em: <http://www.algosobre.com.br/biografias/ptolomeu.html>. Acesso em 07 de fev. 2011. - NICOLAU COPÉRNICO: Nascido na Polônia, no ano de 1473, Nicolau Copérnico é considerado o fundador da Astronomia moderna. Antes de sua teoria, os homens consideravam como verdadeira a tese de um cientista grego chamado Ptolomeu, que defendia a idéia de que a Terra era o centro do universo. Contrário a esta idéia, Copérnico não se convenceu da idéia de que o Sol e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Por esta razão, defendeu a tese de todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do Sol
Disponível em: <(Heliocentrismo)>. Acesso em 07 de fev. 2011.

Questão 1: Que tese é defendida por Umberto Eco no texto “Falibilidade da ciência”? Que argumentos ele utiliza para construir tal ponto de vista? Questão 2: Vamos pensar a respeito e responder às seguintes perguntas: a) que desafio e/ou necessidade o semioticista italiano sugere às pessoas dos tempos atuais? Justificativa: b) que sentido/s estabelece o conectivo MAS no início do segundo parágrafo do texto? Comentário: c) como entendemos as afirmações de que a ciência é antidogmática, porém ela, em algumas situações, pode ser dogmática? Você lembra algum exemplo semelhante ao de Copérnico em relação a Ptolomeu? Explicitação: d) “Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados?”. Por quê? Questão 3: Quanto à construção do texto: - há coerência? Por quê? Que elementos de coesão identificamos nele? - conseguimos identificar os seis CÊS nesse texto de Umberto Eco? Que marcas textuais nos autorizam a responder a essa pergunta?

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- o que mais me chama a atenção nesse texto? por quê? COERÊNCIA TEXTUAL As metarregras da coerência Um francês chamado Michel Charolles descobriu quatro princípios responsáveis pela coerência. Chamou-os de metarregras da coerência. São elas: fundamentais

1. Metarregra da repetição — um texto coerente deve ter elementos recorrentes; nada mais é do
que aquilo que chamamos de coesão textual. O fato de, em uma frase, recuperarmos termos de frases anteriores, por meio de pronomes, apagamentos ou elementos lexicais constitui um processo de repetição ou recorrência. A coesão textual é, portanto, a primeira condição para que um texto seja coerente. Vejamos o exemplo: A imprensa internacional cobre a violência no Brasil de uma maneira tão sensacionalista que os estrangeiros ficam com a impressão de que nossas ruas são mais perigosas do que elas realmente são. Essa cobertura não apenas afugenta os turistas como também pinta uma imagem falsa, do país e do mundo em geral. No trecho acima, há metarregra da repetição, porque há termos recuperando informações anteriores, por exemplo, elas, essa cobertura.

2. Metarregra de progressão — um texto coerente deve apresentar renovação do suporte
semântico; nos diz que um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai sendo escrito. Vejamos o texto a seguir: Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres, ou seja: pega a colher, o garfo e não olha para o prato de comida. Ela não se alimenta. Brinca apenas. Diverte-se com uma colher e um garfo e o prato fica na mesa. O ato de brincar substitui o ato de alimentar-se. Não há no exemplo dado informações significativas novas, há sim repetição do que já foi dito. Poderíamos reduzir esta informação a: “Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres”.

3. Metarregra da não-contradição — Em um texto coerente, o que se diz depois não pode
contradizer o que se disse antes ou o que ficou pressuposto; nos diz que cada pedaço do texto deve "fazer sentido" com o que se disse antes. Vejamos o texto abaixo: Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc. Sabemos que um das qualidades de um bom texto é não haver contradição, e no texto do exemplo acima há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que havia fumaça espessa que não permitia ver ninguém e, depois, cita os tipos de pessoas que estavam na festa. É um texto sem credibilidade argumentativa.

4. Metarregra de relação — Em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um
estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto: Em nosso pequeno vilarejo aconteceu, certa vez, um caso bastante curioso. Havia ali um coronel muito matuto que vivia assombrando os moradores da cidade com suas bravatas. Numa manhã de domingo, no dia da festa da padroeira, ele acordou morto e todo pronto para conduzir o turíbulo que, de véspera, havia dormido em sua casa. Depois do café matinal, fez-se uma grande

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aglomeração de pessoas diante da casa do coronel: foi a primeira vez que tivemos um engarrafamento de 15 km: carros, motocicletas, triciclos, bicicletas e mesmo pedestres aguardavam atentos pelas palavras do coronel nas primeiras horas do dia de seu enterro. O que mais chama a atenção nesse texto é o fato de o coronel estar morto e, mesmo assim, estar pronto para carregar o turíbulo. Além disso, é estranho o fato de os moradores aguardarem seu pronunciamento matinal. Ao ler o texto, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a de que se trata de um “causo”, não de um fato verídico. Isso porque no “mundo real” não existe a possibilidade de se acordar morto, de um morto carregar um turíbulo e, menos ainda, de um morto fazer pronunciamento em festa de padroeira. Atividade Questão 1: Leia o excerto de texto abaixo e identifique a (s) metarregra (s) de coerência que foram infringidas. Reconstrua-os para torná-los coerentes, atendendo às metarregras da coerência textual. a) São Paulo tem uma extensão territorial superior à de muitos países do continente europeu e podendo comparar perfeitamente em seu seio uma população de mais de quarenta milhões de habitantes, ninguém poderá dizer que São Paulo não possui os elementos necessários para tornar efetiva a sua autonomia política. Em São Paulo, a hipótese separatista foi abortada. O discurso do presidente da República caminha para o separatismo famélico entre o Norte e o Sul. Uma das perversidades da política brasileira é a demagogia. b) Um dos cuidados que devemos ter quando redigimos um texto é com a repetição de palavras no texto. A repetição de palavras é muitas vezes inoportuna, torna o texto cansativo e deselegante. Sendo assim, seria interessante que editores de texto pudessem oferecer uma funcionalidade que ajudasse o escritor a controlar a repetição de palavras no texto indicando quantas vezes uma palavra já foi usada no texto e em que situação. c) Minha amiga foi para Porto seguro, recomendou a viagem para todos e afirmou que jamais retornaria ao local.

AMBIGUIDADE
“Ambiguidade – Latim ambiguu(m), ambíguo, que apresenta duas faces, dois sentidos”. “O vocábulo ambiguidade emprega-se em Gramática para designar os equívocos de sentido provenientes de construção defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios”. “Em crítica literária, a palavra foi introduzida por William Empson (...). A seu ver, a ambiguidade consiste em toda nuança verbal, posto ligeira, que dê lugar a diferentes reações ao mesmo fragmento de linguagem”. (MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974). Texto 1: Placa

que exige do leitor um renhido trabalho cooperativo para preencher espaços não-ditos que ficaram.Placasridículas. não basta reunir qualquer conjunto de frases ordenadas de forma aleatória.br. vamos identificar possíveis leituras que as imagens anteriores (placa e charge) sugerem.blogspot. sistematizemos por escrito o que conversamos. Perspectiva. Texto 2: charge Disponível em: <osnigomes. É preciso que elas sejam logicamente ordenadas a fim de que o receptor siga o fio do discurso e seja capaz de entender aquilo que desejamos comunicar. . O parágrafo – como um microtexto – deve obviamente apresentar essa organização. 1. Lector in fabula. por assim dizer.Acesso em 07 de fev.A partir do primeiro e do terceiro conceitos sobre ambiguidade. O parágrafo Você sabe que.com/>. 1979 p. 11). para elaborar um texto coerente. 2011 .>. 2011. sem nos esquecermos dos seis cês. em branco. A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO O texto é uma máquina preguiçosa. (ECO. Em seguida. Acesso em 02 de fev.com.Comunicação e Expressão 27 Disponível em: <www. Umberto. São Paulo.

seja qual for a forma de ordenação empregada. entre elas: exemplificação. A fim de ordená-los.1. A fixação clara do objetivo facilita a seleção e a ordenação das ideias. mas intimamente relacionadas pelo sentido”. b) O desenvolvimento do parágrafo Nessa etapa de redação do parágrafo. 646 páginas – O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para escrever essa história compacta da ciência é duplamente inovador. Você deve estabelecer para que vai escrever sobre determinado assunto. Civilização Brasileira. também. causaconsequência. Essa ou essas frases iniciais do parágrafo que traduzem. 1. é mais fácil fixar o objetivo que deverá orientar a redação do parágrafo. os ordena. em primeiro lugar. A segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de alguns instrumentos. a ideia-núcleo do parágrafo constituem o que se chama tópico frasal. A redação Etapas prévias a) A delimitação do assunto: a restrição ou delimitação do assunto é necessária para que possamos organizar o parágrafo com mais facilidade. e com que finalidade. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. mantendo a coerência do texto. como . Boorstin. entediando o leitor não especializado. o redator passa a expandir as ideias indicadas no tópico frasal. tempo-espaço. comparação. em primeiro lugar. b) A fixação do objetivo: delimitado o assunto. definição. explicitaremos cada uma dessas partes. ele. a preocupação maior do autor deve ser a de fundamentar de maneira clara e convincente as ideias que defende ou expõe. dependendo da natureza do assunto. 0 conceito acima aplica-se ao chamado parágrafo-padrão. secundárias. diferentes formas de construção do parágrafo. constituída por um ou mais de um período. de Daniel J. que servirá como forma de controle. (0thon Garcia). seleciona aspectos ou detalhes particulares que desenvolvam a frase-núcleo e. fixado o objetivo que deverá orientar o parágrafo. Para isso. É importante redigir. uma ou mais frases que expressem o objetivo escolhido. de maneira geral e sucinta. do gênero da composição. Exemplo: Os descobridores. em que se desenvolve ou se explana determinada idéia central. do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o texto escrito. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. constrói um plano de desenvolvimento. Em primeiro lugar. TÓPICO FRASAL (introdução) DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO OU TRANSIÇÃO a) A formulação do tópico frasal Delimitado o assunto. você poderá começar a escrever. as quais variam conforme o objetivo fixado para a redação. a que geralmente se agregam outras. o desenvolvimento e a conclusão. ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de experimentos que costumam rechear as obras de referência.2. Na sequência da nossa exposição. há. a ideia-tópico. Há várias formas de ordenação do desenvolvimento.Comunicação e Expressão 28 1. No entanto. enumeração de detalhes. o tópico frasal garante que você não se afaste do objetivo estabelecido. Porém. A estruturação O chamado parágrafo-padrão é constituído de três partes essenciais: o tópico frasal. assim como há diversos processos de desenvolvimento e ordenação de idéias. em seguida. A conceituação “0 parágrafo é uma unidade de composição. Assim.

1 .63) A pergunta inicial Por que se lê uma biografia? Constitui a introdução (tópico frasal). por meio de articuladores que indiquem a relação que desejamos estabelecer. Boorstin. .Comunicação e Expressão 29 o relógio. indica com que objetivo alguém lê uma biografia. c) A elaboração da conclusão Na formulação da conclusão.1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica. CONCLUSÃO: o autor une precisão científica e leitura acessível. Depois.. ter sua origem numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar os monges para as orações noturnas.. O nexo ou introduz uma nova possível causa da leitura de uma biografia. para se verificar como ela conseguiu alcançar projeção a despeito das dificuldades que enfrentou. tais como: * Assim . para se constatar que pessoas absolutamente normais têm a chance de adquirir notoriedade. o nexo não vem explicitado. talvez um dia. de Daniel J. a biografia dá ilusão de que. podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo. O início do desenvolvimento do parágrafo é explicitado por meio do operador argumentativo antes de mais nada. . o parágrafo possui as três partes essenciais à sua redação. algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. É o caso da história dos despertadores digitais. Ou. que estabelece uma relação de finalidade. ou seja: tópico frasal. ou seja. ASSUNTO: A obra Os descobridores. Num caso e no outro. DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Resenha crítica da obra. reorganizamos resumidamente os diversos aspectos do desenvolvimento em uma frase final. Apresentação das duas novidades: 1 . como você vê. (Veja). * Então.06.96. Assim. 1185. OBJETIVO FIXADO: Mostrar a dupla inovação estabelecida pelo escritor Daniel Boorstin ao escrever a história da ciência. dependendo da situação do leitor. geralmente. deliciosamente. pois ela se caracteriza por uma apreciação do autor. que o leitor aprenderá. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS: 1 . para se conhecer segredos de uma personagem que eventualmente ainda não tenham sido divulgados. O elemento continuativo depois acrescenta mais uma causa à já citada no período anterior. . * Dessa forma. TÓPICO FRASAL: Daniel Boorstin. . implicações daquilo que foi expresso no tópico frasal e no desenvolvimento. que feche o parágrafo. (Istoé/Senhor. Há vários passíveis de discussão: a) causas e consequências da marginalidade b) causas e consequências da impunidade c) formas de punição d) divulgação da violência pelos meios de comunicação . Em outras palavras.2 Opção por urna narrativa romanceada. e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas. ao escrever uma história compacta da ciência. . no entanto.. ATIVIDADES Por exemplo: a generalização de um tema como violência obriga o autor a delimitar alguns enfoques que lhe são pertinentes. seguido pelo articulador para.. o mundo terá a chance de reconhecer o nosso talento ou de algum parente. Civilização Brasileira. A expressão Num caso e no outro retoma as causas mencionadas no desenvolvimento e resume-as.. 17. Exemplificando: Veja o parágrafo abaixo: Por que se lê uma biografia? Antes de mais nada. A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita. Algumas vezes. Com isso. procede a duas inovações. p. É possível também encerrá-lo apresentando de modo conciso consequências. Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e leitura acessível. recapitulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. para a conclusão do parágrafo. a bússola e o microscópio. * Logo. . Longe da sisudez dos textos técnicos.. então. desenvolvimento e conclusão.

número 18) 2. Portanto. hidrocarbonetos não queimados. parágrafo ordenado por causa-consequência: . de modo que. como resultado. também. Ana Maria. poderá ser desenvolvido e detalhado nos parágrafos seguintes. etc.Comunicação e Expressão 30 e) causas do aumento de criminalidade f) crimes afiançáveis e crimes hediondos (sequestro e estupro) g) a violência contra a mulher e contra a criança h) a violência no trânsito i) a violência decorrente dos vícios (drogas e álcool). nevoeiros. quatro tipos principais de poluição. Exemplos: Parágrafo ordenado por causa: A cada dia que passa. na miséria. odores de fermentação natural. uma vez que. por fim. ano II. mais adiante. 1. ou seja. Existe ainda a poluição registrada em consequência de fenômenos de combustão como aquecimento doméstico e outras incinerações. de forma que. Questão 1: Proponha 4 delimitações para os seguintes assuntos: . inicialmente. tamanho que. Ordenação por enumeração Consiste em enumerar diferentes situações ou características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal e que. etc. etc. Alguns destes articuladores: primeiro.cultura .. ainda. a seguir. em seguida. na atmosfera. que explodem bióxido de carbono. após. Outra forma liga-se à ação de veículos automotores. é um romantismo que cai no vazio. gases vulcânicos. bromo. em virtude de. segundo. tanto que. etc. a razão disso. além. por meio da interpretação das ideias relacionadas. devido a. já que. Ordenação por causa-conseqüência Consiste em indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). por meio de certos articuladores que têm a função de marcar a ordem. segundo a qual os detalhes do fato são apresentados. a violência cresce de maneira assustadora. cloro. composto de enxofre. em conseqüência. pois. de maneira que. no mundo atual. visto que. passaremos agora ao estudo das formas de construir o desenvolvimento desse parágrafo.moradia Formas de ordenar o Parágrafo Depois de compreendermos a estrutura do parágrafo-padrão. Exemplo: Temos. causada por agentes como poeira. depois. graças a. cada vez mais. óxido de enxofre. em segundo lugar. depois. A razão principal desse fenômeno é o distanciamento cada vez maior entre uma minoria que possui muito e a grande massa popular que se afunda. por isso. A relação causa-consequência. falar de amor e de promoção humana. São expressões indicadoras de CAUSA: porque. (GUEDES. Palavra e ação) 3. (Revista Interior. frequentemente. em primeiro lugar. ou é evidenciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida semanticamente. de CONSEQÜÊNCIA: tão que. sem falar de justiça social e lutar por ela. por motivo de. tal que. Organiza-se. A de origem natural. que eliminam gases como monóxido de carbono. em vista disso. estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo. a causa disso. Por último. a degradação ambiental deve-se à atividade industrial.

mas.. nesse momento não existe mais a divisão entre "eu" e "tu". por outro lado. em seguida. perto de. (KRISHNAMURTI.. é a de que mudou nossa maneira de compreender a cultura. inteiramente moldadas pela nossa sociedade tecnológica. J. no século tal. O país tem hoje 6. Naqueles tempos de telefones exclusivamente pretos e pesados. deixa de ser todas as misérias... depois. O mundo somos nós. (como) também. assim que.. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de ideias por tempo e espaço.. Em suma. enquanto. porém etc. à direita. abaixo de. Freud foi um gênio. ultimamente. detrás de..Comunicação e Expressão 31 Por que o sexo se tornou um problema? Ou deveríamos antes perguntar por que ele é. 641) 5. não havendo liberdade a não ser no sexo.. à medida que. Intelectual.. a violência e a luta constante.. A cada 100 telefonemas. 54. Hoje. coisas. por causa dessa ausência. pessoas de segunda mão. Lisboa. brancas. de outro lado... frequentemente. ao passo que. enquanto.. em frente de. aquele. após. um problema. Expressões indicativas dessas formas de ordenação de TEMPO: agora. sempre que. dentro de.. as 9 milhões de linhas telefônicas existentes no país estão cada vez mais enervando os brasileiros. se por um lado. aí. em ambos os casos. que não media os meios para impor suas ideias. emocional e fisicamente somos pessoas constrangidas e cheias de limitações. um homem que enxergava o sexual em todas as coisas. a agressão. Ordenação por tempo e/ou espaço As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. atualmente mais de 29 não são completados devido aos problemas de fiação e à insuficiência de linhas. a competição. fora de. todas as memórias. não só. Hist..patamar que o Brasil abandonou em 1984. Fasc. logo que.. antes. p. por outro lado. Tal divisão acaba. (para) uns. antes de.. ESPAÇO: longe de. as torturas. naquele tempo.. conseguir linha era motivo de comemoração. além de.. Simplesmente deixa de estar aí. além.. no país tal. Exemplo: Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud.. atrás de. breve.. há muita gente para falar e poucos aparelhos instalados para transportar as conversas. tanto quanto.. alguém que perseguia os discípulos dissidentes. já. em oposição. já. de igual modo... a única coisa que resta em que o homem se sente livre? Só aí se perde totalmente a si mesmo: nesse momento. cá. E assim. Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento de algo acontecido. diante de.. etc. Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Consiste em estabelecer um confronto de idéias. "nós" e "eles". Para alguns. (para) outros. no local tal.. congestionados como uma avenida de metrópole na hora do rush. seres. presentemente. ao contrário. à esquerda. fatos ou fenômenos. do Pensamento. O padrão internacional é de seis tentativas fracassadas a cada centena de ligações . etc. e então talvez se encontre uma grande liberdade. este. também. Livros Horizonte) 4. o sexo torna-se importante. o outro e a nós mesmos. Exemplo: Ordenação por tempo e espaço simultaneamente O Brasil está voltando ao tempo em que os telefones eram pretos e as geladeiras. (FREUD: A exploração do inconsciente. Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como.. tanto como. por um lado. Em tudo o mais não somos livres. ali. à proporção que. finalmente. segundo parece. não foi mais do que um charlatão. um herói que desbravou as profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau desconhecido até então. este passa a ser muito importante e. de um lado. ainda. Enfim. Para outros.. Retirar o fone do gancho para conversar com a vizinha ou ligar para Portugal tornou-se missão complicada. Mas as divergências em torno de sua pessoa e de sua obra são imensas. mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças)....).4 telefones para cada grupo .. muitos anos atrás.. também... por amor à ciência (. um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública.... por esse motivo..

explica o psiquiatra carioca Jorge Alberto da Costa e Silva. Ordenação por exemplificação Consiste em exemplificar um conceito ou justificar uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. Abril Cultural) 7. 8. que incluem a detecção de anormalidades cardíacas e pulmonares e a verificação dos batimentos cardíacos do feto no útero. O parágrafo misto Alguns parágrafos caracterizam-se. (MACEDO. Ordenação por definição De todas as formas de ordenação esta é a mais abstrata. Jorge Armando. (Pequeno Dicionário de Medicina. há dez telefones para cada 100 habitantes. a corrupção e outros males que denigrem a Educação em nossa Pátria. crescem dia a dia as experiências à base das chamadas clínicas de luz. Daí as desistências. CONSIDERAR-SE. por serem mistos. Abrem-se inúmeros estabelecimentos de ensino superior sem as mínimas condições de funcionamento. os psiquiatras de todo o mundo decidiram investir em outros tipos de acompanhamentos médicos. principalmente. uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor. no seu desenvolvimento. presidente do Comitê Internacional de Tratamento e Prevenção da Depressão. Observe o emprego da expressão POR EXEMPLO. como os países nórdicos. muito utilizada em textos técnicos ou científicos. Nas regiões onde o inverno é longo e intenso. as repetências. quando se trata de algo muito abstrato. Em função disso. Ed. o médico ausculta com o estetoscópio. as pessoas em tratamento são mantidas acordadas". e a Suécia.Comunicação e Expressão 32 de 100 pessoas. A redação do vestibular. Há. São Paulo. uma preocupação crescente com a quantidade em prejuízo da qualidade do ensino. exemplificando-as. O embaralhamento de sistema telefônico brasileiro é produto da diminuição de investimentos em infraestrutura de comunicações e da defasagem do preço das tarifas pelo uso de telefones. Com isso. Nelas. Exemplo: Auscultação é o ato de ouvir sons produzidos por órgãos internos como o coração. DENOMINARSE. Cada uma das técnicas aponta para a causa e também para a consequência da sua aplicação. "Através de estímulos acústicos. além dos remédios e da aplicação do ECT. Exemplo: O Brasil tem gritantes problemas no campo da Educação. através da parede abdominal ou do tórax. TRATAR-SE DE. Em geral. Moderna). Uma outra técnica é a chamada "deprivação do sono". Na Argentina. Exemplo: Na luta contra a depressão fora do divã. jogos e a presença de especialistas que se revezam. por exemplo. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. luminosos. Os parágrafos mistos são aqueles em que há mais de uma forma. O exemplo estabelece um elo. A Alemanha Ocidental tem 43. Nesta forma de ordenação é frequente o emprego do verbo SER ou de verbos como CHAMAR-SE. 6. de forma que a produção de neurotransmissores seja regularizada. O autor cita as técnicas de cura para a depressão. embora os sons também possam ser ouvidos sem o auxílio do aparelho. as pessoas com problemas depressivos ou maníacodepressivos são expostas a raios artificiais que reproduzem a mesma frequência da luz solar infravermelha. que consiste em manter o paciente acordado por até 36 horas. a glândula pineal é ativada. 64. durante a gravidez e o parto. o que gera um aumento da metabolização dos neurotransmissores antidepressivos. que está longe de ser o melhor exemplo de bom funcionamento da telefonia. pois revela os atributos essenciais de um objeto por meio de sua definição. os pulmões ou os intestinos. o que é uma taxa rala. A ausculta é uma prática de variadas finalidades. a ordenação .

Quem acredita. 2011. de quem não se respeita o curso natural: cortam-se árvores sem critérios. serve-se dela como se apenas fosse propriedade sua. quando se convive com o meio ambiente porque ele faz parte do bem viver. O que mais me marcou no episódio do Rio foi o gesto de dona Ilair agarrar-se à vida. para ao menos diminuir o sofrimento de quem é atingido. convidamos você a observar a estrutura de cada um dos parágrafos do texto a seguir. ela larga o cachorro. e ela não largava o cachorro. endireitam-se as curvas de córregos e rios e tira-se sua beleza. O Globo. como se apenas fonte de lucro.adital. pelo menos a vida era sua e dela não abria mão em nenhuma circunstância.01. escreveu: "Quanto à tragédia nas cidades serranas. No caso do Rio. Luís Fernando Veríssimo. Por um lado. um cachorro que não a largava. Dona Ilair agarrou-se à vida e sobreviveu graças à solidariedade. em mais uma de suas magistrais crônicas (A Doutrina do Choque. Caso contrário. Dona Ilair estava dentro de um pedaço de casa que estava sendo arrastado pelas águas furiosas e implacáveis. Com as mudanças climáticas. sem conviver com suas regras. Não se esqueça de examinar os elementos de transição entre os diferentes parágrafos. as condições de vida precárias. vêm as tempestades. Por outro lado. A MULHER. ao longo do tempo. 23. Sobrou-lhes. quando há mais respeito pelas pessoas e seus direitos. Também é fundamental ter mais agilidade na ação coordenada dos agentes e órgãos públicos. da tragédia de início de ano no Rio de Janeiro foi a de uma mulher sendo resgatada com a corda puxada pelos vizinhos do alto de um prédio de vários andares. dona Ilair foi salva. seguramente. as árvores vão cair sobre casas e carros. Há um novo tempo em perspectiva. O poder público historicamente pouco ou nada tem se preocupado com políticas de habitação popular e de saneamento básico. Os parágrafos no contexto da dissertação Para concluir. seres humanos feitos para viver vão perder estupidamente a vida. Quer dizer: nada que diga respeito ao pobre obrigado a erguer seu barraco num barranco deslizante por absoluta falta de alternativas”. que visitou os locais e a população. Se não tinham emprego. São. a chuva e a água incontroláveis. envenenam-se águas. ocupam-se morros sem cuidado. seus fluxos. como talvez nenhum outro povo ou outra gente. Em cenas dramáticas. histórica e secularmente. ou cheios de esperança.01. que é agredida. Para não morrer. Ainda é tempo de repensar relações. A presidenta Dilma. vão mostrar resultados. valores e modelos de sociedade. É um ser humano que acredita em si e nos outros. com o apoio do governo estadual e governos municipais. vêm os tornados. conforme a sua posição no contexto da dissertação. O CACHORRO E A VIDA Selvino Heck 28. Quem se agarra à vida é mais que sobrevivente. os sequencializadores textuais.com.2011 A imagem mais impressionante. O homem aproveita-se da natureza. quando há uma unidade dos seres e do planeta terra. . É a vingança da natureza. o que indica o parágrafo misto. Acesso em 07 de fev. entre tantas. Os brasileiros sempre se agarram à vida.Comunicação e Expressão 33 desse parágrafo é classificada: por exemplificação e por causa e consequência. ou seja. o ‘novo começo’ pressupõe novo rigor nas licenças para construção e uma ocupação mais racional da terra. Vale a pena viver! Disponível em: <http://www. ficou clara a necessidade de ações e prevenção para não deixar que populações fiquem submetidas à chuva e às suas consequências. as águas vão descer os morros. as tragédias se sucedem e quem normalmente mais sofre são os pobres e os trabalhadores. determinou um conjunto de providências que. teimosos. sobretudo. a renda era péssima. Nunca devemos desesperar e achar que as coisas são impossíveis. Acreditou que os vizinhos não iam largá-la nas águas enfurecidas. Ela deu esta lição.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53574>.11). vence e vive. ‘agarrar-se à vida’. enquanto os vizinhos a puxam para cima do prédio. sob aplauso geral.br/site/noticia. e o levou até onde pôde). Acreditou que tinha força nos braços para se segurar na corda oferecida (e ainda acreditou que podia carregar junto o cachorro. Nos braços.

como se aguardasse a aprovação do garçom. Exemplo de paráfrase A ÚLTIMA CRÔNICA Fernando Sabino A caminho de casa. porém. sem. Na realidade estou adiando o momento de escrever. Ninguém mais os observa além de mim. o pedido do homem e depois se afasta para atendêlo. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. fruto da convivência. a que os pais se juntam. Não omitir nenhuma informação essencial. deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos. numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. O pai. Como a um gesto ensaiado. o pai risca o fósforo e acende as velas. retira qualquer coisa. que a faz mais digna de ser vivida. haver modificações das idéias ou acréscimo de informações. muito compenetrada. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se. concentrado. A . Além disso. obedecem em torno à mesa um discreto ritual. São três velinhas brancas. amarelo-escuro. onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. um vocabulário também diferente. Para tanto é necessária uma boa compreensão do texto. minúsculas. célula da sociedade. torna a guardálas na bolsa. inclinando-se para trás na cadeira. Passo a observá-los. ocorre uma transformação da parte formal do texto. 2. Nesta perseguição do acidental. Sem mais nada para contar. parabéns pra você. Este ouve. cantando num balbucio. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.um bolo simples. Gostaria de estar inspirado. toda arrumadinha no vestido pobre. e espera. o que contém um texto A” (Othon Garcia. Visava ao circunstancial. O pai se mune de uma caixa de fósforos. A mulher suspira. Lanço então um último olhar fora de mim. Na paráfrase. 3. olhando para os lados. “Consiste no desenvolvimento explicativo (ou interpretativo) de um texto." Depois a mãe recolhe as velas. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel. A negrinha. a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso. aborda o garçom. ao episódico. de maneira mais clara. e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo.. que se preparam para algo mais que matar a fome. Não sou poeta e estou sem assunto. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico. vocabulário e estrutura da frase.. apagando as chamas. vagamente ansiosa. A perspectiva me assusta. pai. a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força. Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua. A filha aguarda também. quer num flagrante de esquina. laço na cabeça. olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. são exigências de uma boa paráfrase: 1. em que se diz. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família. sempre que possível. no entanto. 1988). Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano. discretos: "parabéns pra você. na contenção de gestos e palavras. contida na sua expectativa. num texto B. A compostura da humildade. Utilizar construções que não sejam uma simples repetição daquelas que estão no original e. E enquanto ela serve a Coca-Cola. larga-o no pratinho -. Por que não começa a comer? Vejo que os três. apenas uma pequena fatia triangular. entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto original. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão. curvo a cabeça e tomo meu café. Imediatamente põe-se a bater palmas. O autor da paráfrase deve demonstrar que entendeu claramente a ideia do texto. Vejo. mãe e filha. atenta como um animalzinho.Comunicação e Expressão 34 PARAFRASEAR TEXTOS Paráfrase “é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico”. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante. torno-me simples espectador e perco a noção do essencial.

Brasil Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. rasgaram sua pele. Agora. não. arvores. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Não estamos pedindo nada demais. estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio.Comunicação e Expressão 35 mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo. E nós não podemos mais esperar. Dá comigo de súbito. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso. quebraram seus ossos. Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos.02. apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais. a violência vai aumentar. já que não .asp>. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. com o sabor amargo de uma cesta básica. para os confinamentos. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. O pai corre os olhos pelo botequim. Para nós isso é destruição. ANAFÓRICOS E CATAFÓRICOS Pasquale O gentil leitor sabe o que é um anafórico? E um catafórico? Não se trata de nomes de medicamentos. Acreditamos que não. vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. Acesso em 30 de jul. se comprometeu.com/i_samuel_fsabino.. constrangido — vacila. rios. especialmente na reconquista de nossas terras. 2010. nossos olhos se encontram. Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. ele se perturba. Por último. para as retomadas. Mais ou menos recentes na nomenclatura empregada nas questões de alguns vestibulares e concursos públicos. Presidenta Dilma. ameaça abaixar a cabeça. sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. Atividade Texto: CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF 03. animais e aves. é matança. roubaram nossa mãe. nós também estamos morrendo aos poucos. Sem nossos tekohá.. mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias.11 . de acordo com o exposto sobre esse tipo de recriação textual. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. No final do ano passado. Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani Dourados. a observá-lo. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta.. A maltrataram. esses "palavrões" ainda surpreendem muita gente. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá. nossas terras tradicionais. Por isso.. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo. peixes. Disponível em: <http://www.. 31 janeiro de 2011. Esperamos que não seja um prêmio de consolação.releituras. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta. mas não resolveu. sangraram suas veias. como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. satisfeito. Sem nossa mãe terra sagrada. Presidente Dilma. é crueldade. Sem as nossas terras sagradas estamos condenados.. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades. para os acampamentos. o expresidente Lula prometeu. lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito. para os refúgios. Questão 1: Vamos elaborar uma criativa paráfrase da CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF.

caro leitor? Quais são os anafóricos (que. procurou fugir do insensível moço e fazer por esquecêlo. Depois. / Quase te mataste. o pronome "o" se transforma em "lo" porque se prende a verbo terminado em "r" (esquecer + o = esquecê-lo). "lhe" (de fugiu-lhe") e "o" (de "o esqueceu"). Gostava de toda espécie de livro. de cansada.substituição vocabular. É isso. Em "o esqueceu". Bem. Em outras palavras. da linha 16 do texto.pronominalização (1). pagar uma infinidade de taxas. por exemplo. repetição do mesmo termo ou repetição do nome próprio (ou parte dele) . . à irmã ou aos dois). Os três elementos anafóricos se referem ao mesmo antecedente ("moço"). no jornal Folha de S. isso corresponde a deixar claro quem é quem no texto. de Manuel Bandeira). aí) (8) (1) Ele chegou. a Fundação Getúlio Vargas (de São Paulo) fez esta questão: "Selecione. Em "A verdade é esta. Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a Mona Lisa. o "o" é posto antes da forma verbal por atração do termo negativo "nem". Em "Atestado sem selo deixa de sê-lo". potencialmente ambíguo. . Pronto! Você já sabe o que é um anafórico! Ou ainda não sabe? Sabe. Se o anafórico se refere a um antecedente. o exemplo é de "Estrela da Vida Inteira". não se sabe a quem se refere o possessivo "seu" (ao rapaz. Pois bem. O trecho de que fazia parte a "linha 16" (de um fragmento de "A Moreninha". destruiu casas. Em "fugiu-lhe".Comunicação e Expressão 36 costumam fazer parte do que se estuda ou discute nas aulas de português do segundo grau de boa parte de nossas escolas. como era de esperar. "dela" ou "deles". a esta altura o leitor talvez deseje saber o que é o bendito "catafórico". em seu último vestibular. Paulo) Os processos de anáfora e catáfora ocorrem quando há: . Enfrentam tudo para nos defender. "fugiu a ele" ou "fugiu dele"). É bom lembrar que o termo "anáfora" também é usado para denominar a "repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases" ("Aurélio"): "Quase tu mataste.que Ahy. Explique essas anáforas". (4) Sempre mandava flores para a namorada. duas palavras que tenham valor anafórico. Na verdade. (6) O presidente viajou para o exterior. (2) Há cães bons para proteção do lar. Em "O rapaz disse à irmã que seu futuro estava decidido".elipse (2). E então. hiperônimo (4). lá. muita gente sabe o que é um anafórico.. Um caso comum de mau emprego dos anafóricos ocorre com o pronome "seu".advérbios (aqui.. (Coluna publicada no dia 22 de julho de 2004. o bom uso dos anafóricos estabelece adequadamente a coesão textual (terminologia que também tem sido empregada em alguns vestibulares e concursos). que ocorre com: sinônimo (3). Nesse caso. mas indisciplina o mestre não tolerava. Em "esquecê-lo". muito mais importante do que o nome é o emprego. por exemplo. por exemplo. / Quase te mataram!" (citado no próprio "Aurélio". de Joaquim M. El Ninho foi impiedoso: derrubou árvores. (8) Não podíamos deixar de ir ao Louvre. por exemplo. (7) O país é cheio de entraves burocráticos.. meus caros: estamos mal-arrumados!". nem fugiu-lhe e nem o esqueceu" (a "linha 16" começa em "moço" e termina em "o"). rosas de todas as cores. No caso dos anafóricos. de Macedo) era este: ". na verdade. ou seja. citado antes na frase. (3) O professor era bom.termo-síntese (7) . sim: um anafórico nada mais é do que um elemento linguístico que se refere a um termo antecedente. Como sempre digo. mas não sabe que o nome do bicho é esse. o problema pode ser resolvido com o emprego de "dele". o "lhe" corresponde a "a ele" ou a "dele" ("fugiu ao moço" ou "fugiu do moço". são três)? Vamos lá: "lo" (de "esquecê-lo").. É preciso preencher um sem-número de papéis. . (5) Lia muitos policiais. o pronome "lo" (que resulta da transformação de "o" em "lo") recupera o substantivo "atestado". o catafórico se refere ao que será enunciado adiante. porém. Todas essas limitações acabam prejudicando o importador. hipônimo (5). O presidente levou consigo uma grande comitiva. o pronome demonstrativo "esta" se refere ao que é enunciado em seguida ("estamos mal-arrumados!"). ali.

os Rodenbeck esforçavam-se para mostrar conhecimento do mercado. Tenho um compromisso. finalmente. mas devemos insistir que aprendam. responsável pelo desembarque do McDonald's no Brasil.06. No final de maio. o suficiente para a abertura de cinco lojas. confirmada -. (10) Preciso sair com urgência. a começar pela tese de adesão inicial empregada. Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. Havia uma química com nosso jeito de fazer negócios". uma das secretárias tratou de dispensá-la. "Peter é meu guru. mas analistas estimam que gire em torno de 20 milhões de reais. Maria Luisa admite que o nome e o histórico do marido pesaram na decisão da Starbucks. a empresária Maria Luisa conseguiu fazer uma eficiente argumentação junto à empresa de Seattle? Por quê? Na sua resposta deverão aparecer os termos argumentar. com faturamento anual de 6. o mesmo Schultz a recebeu em seu escritório com um abraço e o velho plano nas mãos. Em junho de 2005. Maria Luisa teve de ser persistente. um expresso custa 2 dólares. Ao entrar no elevador para deixar o edifício. Um dos pontos que ainda precisam ser definidos é o preço. "Isso é chute.nos outros 36 países onde a Starbucks opera. Após a primeira visita. A primeira delas deve ser inaugurada neste ano. enviou cartas anuais a Seattle reiterando o interesse em ser sócia da rede. aprendi tudo com ele. Outra particularidade é que as cafeterias brasileiras devem também usar xícaras -. a então estudante de MBA Maria Luisa Rodenbeck chegou à sede da americana Starbucks. as visitas foram ficando mais frequentes.4 bilhões de dólares. QUESTÃO 3: O último parágrafo diz que Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. já que a Starbucks só trabalha com lojas próprias e sócios locais.o encadeamento de segmentos do texto. da American Airlines e do Outback (rede australiana de restaurantes lançada no Brasil pelo casal Rodenbeck). persuadir. Em 2002. feito por conexão (9) ou justaposição (10): (9) Os alunos não prestam atenção. o café é servido apenas em copos de isopor. No Brasil. Esse é o primeiro grande negócio de Maria Luisa Rodenbeck.2006. perguntou ele a Maria Luisa. convencer. (Revista EXAME. vice-presidente de marketing e negócios da Starbucks para a América Latina. a sociedade entre a rede Starbucks e o casal Rodenbeck foi. Quais foram as conquistas da executiva e por que ela conseguiu persuadir os americanos? Justifique. 01. Seu plano era tentar convencer o fundador da maior rede de cafeterias do mundo. Ex-executiva da United Airlines. "Desde o início percebi que ela seria forte candidata. Iniciadas as discussões sobre o formato da operação brasileira. Maria Luisa tergiversa. Estudo de texto Em 1997. as lojas vão oferecer cafés exclusivamente brasileiros.Comunicação e Expressão 37 2º . conseguiu trazer os primeiros executivos para sondar o mercado brasileiro. Nesses encontros. Educadamente. na década de 80. Apresentou-se ao empresário e lhe entregou uma cópia de seu plano de negócios. "Lembra-se disso?". o que não ocorre no resto do mundo. e disparou: "Quero falar com Howard Schultz". Para concretizá-lo. Mas desde o início ficou muito claro que o sonho de trazer a Starbucks ao país era meu". hoje sua sócia no Brasil. QUESTÃO 2: De acordo com Abreu (2001). em Seattle. . Aqui. diz. Casada com o americano Peter Rodenbeck. Os sócios não revelam o valor do investimento. Aos poucos. Maria Luisa deu de cara com o próprio Schultz. Maria Luisa levou quase uma década para convencer Schultz de que investir por aqui seria um bom negócio. na obra A arte de argumentar. a entrar no mercado brasileiro.as participações são de 49% e 51%. em São Paulo. respectivamente. especula-se que um café poderá custar até 10 reais. Nos Estados Unidos. diz Pablo Arizmendi. por Malu Gaspar) QUESTÃO 1: Apresente de modo resumido qual foi o objetivo alcançado (a tese principal) e o respectivo caminho (recursos de presença) que a ex-estudante de MBA trilhou para consegui-lo. ainda não definimos os valores". porém.

Texto “Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem” 2.sobre a obra O que é leitura . Texto: “Não existem línguas uniformes III.Comunicação e Expressão 38 Anexos: I. Exercícios . Reforma Ortográfica Roteiro de filme Particularidades léxicas e gramaticais Pontuação: o uso (ou não) da vírgula Vamos observar esta imagem sobre as Olimpíadas: . Textos 1. VI.imagens sobre as olimpíadas .sobre a obra Preconceito lingüístico II. Texto: “A pedagogia do grande irmão platinado” 3. IV. V.

nesse caso. 2011.Comunicação e Expressão 39 Disponível em: www. Acesso em 02 de fev. .com. Questão 1: Podemos afirmar que a ilustração.br.wordpress.azneuras. cumpre a mesma função de charge? Por quê? Apresentemos pelo menos um argumento no texto elaborado.

no capítulo 3 do livro Preconceito linguístico. O que caracteriza cada um deles? Que importância têm esses três níveis para o leitor? 4) O capítulo “ampliando a noção de leitura” faz críticas severas ao sistema de ensino de alfabetização e letramento. doze linhas. a autora apresenta três níveis de leituras: sensorial. apresenta alguns tipos de leitura que não estão ligadas unicamente ao lermos apenas palavras. b) Assim como determinada pessoa se matricula em autoescola para aprender a dirigir e não para saber detalhes do funcionamento do veículo. Em seguida.Comunicação e Expressão 40 Após a leitura da obra O QUE É LEITURA vamos responder às questões: 1) A partir do livro de Maria Helena. Para tanto. Acesso em 09 de jul.com. elabore um parágrafo de correção da alternativa com. a) De acordo com a fala do aluno da charge e do linguista Marcos Bagno. De forma sucinta. o aluno precisa da instituição escolar para ajudá-lo a usar a língua materna com competência. mas também situações. no mínimo.br/blog/wp-content/uploads/>. pois a função da escola não é restringir ao ensino das regras e da nomenclatura dos termos gramaticais. emocional e racional.0) A partir do tópico 3 – “o que é ensinar português” . marque a alternativa incorreta. 2009. e da charge de Lilian Simões. Questão 3: (v. 5) É possível ler o mesmo texto várias vezes e construir novos sentidos após cada leitura? Por quê? Após a leitura da obra PRECONCEITO LINGUÍSTICO vamos responder às questões: Charge para a questão 3: Disponível em:<http://www. vamos reescrever com nosso estilo o que falou Maria Helena a respeito do assunto.liliansimoes. de Maria Helena Martins. 2. a preocupação da mestra está relacionada ao modo precário como o garoto se comunica na escrita. Isso significa que ele deve aprender a ter . o que entendemos por leitura? 2) Quando aprendemos a ler? Como foi nosso aprendizado de leitura? Quem nos ajudou? Como foi nosso contato com a leitura na escola? 3) A obra O que é Leitura.

inclusive as mais inocentes. gerando mudança climática e destruindo terras férteis. independente da área na qual atua. ou seja. As empresas multinacionais. sejam elas orais ou por escrito. 2009) Comprar um quilo de açúcar. se queremos consumir produtos livres de transgênicos. alimentos transgênicos e livre comércio. reduzindo a agrodiversidade. também. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental. ele será amparado por alguma política assistencialista do governo. obrigada!”. Não pode acontecer que umas poucas multinacionais. alerta sobre a primazia do capital privado na hora de impor gostos. daqueles que trabalham na terra. que ele adquiriu dos pais. a inculta. Porém. pois. o esforço. que monopolizam cada uma das etapas da cadeia agroalimentar. um litro de leite ou um pacote de bolachas pode parecer um ato bem cotidiano. Acreditas que nos estão envenenando? Esther: O modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentícias das pessoas. por exemplo. há o mesmo número de pessoas no mundo que passam fome do que o de pessoas com problemas de sobrepeso. a ONU e o FMI propõem uma nova "revolução verde”. Icaria. temos que apostar na soberania alimentar.Mundo Enric Llopis . Comemos o que as grandes empresas do setor querem. Esses bens naturais não devem servir para fazer negócio. 925 milhões de pessoas no mundo passam fome. quilométrica. esforçar-se em aprender a comunicar. c) O garoto tem razão: não há necessidade de a professora se preocupar-se em ensiná-lo a falar e redigir textos claros e coerentes para comunicar-se melhor. acabem decidindo o que comemos. como pobre que supostamente é. d) O ensino da gramática normativa mais estrita. Os problemas agrícolas e alimentícios são globais e são o resultado de converter os alimentos em uma mercadoria. Você é coautora do livro "Do Campo ao Prato”. A agricultura industrial. como aluno. faz falta democratizar os processos produtivos e fazer com que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população. Texto: ‘COMEMOS O QUE AS GRANDES EMPRESAS AGROALIMENTÍCIAS QUEREM' 04. afetando. marcas e produtos. ativista social pela soberania alimentar e militante do movimento antiglobalização. Os consumidores temos que poder decidir o que comemos. Esther Vivas. a água e as sementes devem estar nas mãos dos camponeses. à sua saúde e ao respeito ao meio ambiente. a obsessão pela terminologia e pela classificação de termos e o apego à nomenclatura. Que alternativa pode ser proposta pelos movimentos sociais? Esther: É preciso recuperar o controle social da agricultura e da alimentação.11 . como afirmam os governos e as instituições internacionais. Hoje. E também é desnecessário. Juntamente com Xavier Montagut publicou os livros "Do campo ao Prato”. A terra. aos setores mais pobres da população. Isso é uma prova do fracasso do capitalismo agroindustrial? Sim. coautora do livro "Do Campo ao Prato” (Ed.Adital Entrevista a Esther Vivas. em ambos os casos. Para acabar com a fome no mundo não é preciso produzir mais. "Para onde vai o comércio justo?” e "Supermercados? Não. Poderias definir o conceito de "soberania alimentar”? . para especular. para que o aluno saiba identificar os termos da oração e os classifique não é garantia de que ele se tornará um usuário competente da língua culta. Definitivamente. tanto nos países do Norte quanto nos do Sul. o aluno deve continuar se expressando pela única variante.Comunicação e Expressão 41 êxito nas situações de comunicação. sob essa aparência inócua subjaz a relevância política de nossas ações.02. Por ela não ter preconceito linguístico. Pelo contrário. intensiva e petrodependente tem se mostrado incapaz de alimentar à população. por meio da variante culta.

Cancún. mas de promover a produção e o comércio local. O Movimento pela Justiça Climática tenta oferecer alternativas. A Via Campesina afirma que comer. Também é necessário sair às ruas e atuar politicamente. os critérios mercantis têm sido uma vez mais a moeda de troca e o mecanismo de comércio de emissões é. Estamos em mãos das grandes cadeias de distribuição. porém. proporcionar grandes benefícios a umas poucas empresas. Promover os circuitos curtos de comercialização. ao contrário. Trata-se de medidas cujo único resultado é agravar ainda mais a crise atual social e ecológica e. os mercados locais. trata-se de recuperar o conhecimento das práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologias e saberes. Da mesma forma. O que isso implica e que efeitos nos traz esse modelo de consumo? Esther: Hoje. fóruns sociais etc. os que estão nas instituições não representam nossos interesses. Faz falta uma ação política coletiva. Pelo contrário. Estás de acordo? Esther: Completamente. É necessário antepor outra lógica e organizar-se contra o modelo agroalimentar atual no marco do combate mais geral contra o capitalismo global. por ocasião da campanha da Iniciativa Legislativa Popular contra os transgênicos. em defesa do território. Em vez de dar soluções reais. não gera mudanças estruturais. sete empresas no Estado Espanhol controlam 75% da distribuição dos alimentos. a captação de carbono da atmosfera para seu armazenamento. Porém. de temporada. reivindicar a soberania alimentar não implica em um retorno romântico ao passado. ou os agrocombustíveis. impulsionada por "Son lo que siembrem”. no qual o comércio internacional funcione como um complemento do anterior.Comunicação e Expressão 42 Esther: Consiste em ter a capacidade de decidir sobre tudo aquilo que faça referência à produção. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. Por detrás disso escondem-se os interesses das companhias multinacionais e de um suposto "capitalismo verde”? Esther: Sim. Desse modo. distribuição e consumo de alimentos. mas os interesses privados. Apostar no cultivo de variedades autóctones. por exemplo. A mercantilização que está sendo realizada na produção agroalimentar é a mesma que atinge a muitos outros âmbitos de nossa vida: privatização dos serviços públicos. por exemplo. Como nasceu e quais são seus princípios? Esther: O Movimento pela Justiça Climática faz uma crítica às causas de fundo da mudança climática. tenta "mudar o sistema. isso sim. opta-se por falsas soluções. como vimos em múltiplas ocasiões. as ajudas à exportação. precarização dos direitos trabalhistas. Copenhague. De tal maneira que o consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida e o mesmo passa ao produtor ao buscar acesso ao consumidor. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. Combater a competição desleal. não o clima”. como. organizar-nos no âmbito do consumo. questionando o sistema capitalista e. Conseguir esse objetivo implica uma estratégia de ruptura com as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Que balanço geral pode ser feito sobre as diferentes cúpulas sobre a mudança climática? Esther: O balanço é muito negativo. expressa essa relação difusa que existe entre justiça social e . a partir de grupos e cooperativas de consumo agroecológico. O que comemos é resultado da mercantilização do sistema alimentar e dos interesses do agronegócio. como muito bem diz seu lema.. Não foram feitos acordos vinculantes que permitam uma redução efetiva dos gases de efeito estufa.. Em Cancun fez sucesso a ideia de "adaptação” à mudança climática. porque. não consiste em uma proposta localista. Kyoto. hoje. nesse sentido. os mecanismos de dumping. mas. converteu-se em um "ato político”. o seu máximo expoente. como a energia nuclear. E essa tendência cresce cada vez mais. criar alternativas e promover alianças amplas a partir da participação em campanhas contra a crise. As soluções individualistas servem para romper com essas pautas de consumo? Esther: A ação individual tem um valor demonstrativo e aporta coerência. Em todas essas cúpulas os interesses privados e o curto prazo têm pesado mais do que a vontade política real para acabar com a mudança climática. especulação com a habitação e com o território. saudáveis.

Questão 1: De acordo com a entrevista Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem. Isso tem contribuído para visualizar a urgência de atuar contra a mudança climática. . e c. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. Disponível em: <http://www. entre crise social e ecológica. c a.Por que concordamos ou discordamos da ativista espanhola Esther Vivas? . A crise atual apresenta a necessidade urgente de mudar o mundo pela base e fazer isso desde a perspectiva anticapitalista e ecologista radical. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. e) A agricultura de caráter industrial é enorme e intensiva. O movimento tem tido um forte impacto internacional. O desafio é ampliar sua base social. vinculá-lo às lutas cotidianas e buscar alianças com o sindicalismo alternativo. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que devem andar estreitamente unidos. não o clima.adital. E diante disso.Comunicação e Expressão 43 climática. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. as pessoas nada podem fazer. É urgente mudar o sistema. nas mobilizações de Cancún. ao influenciar a mudança climática e destruir terras férteis. b. d. No ato rotineiro de fazer compras. b) O consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida.Como é que o supermercado impõe o que eu como? Citemos exemplos. 2011. Acesso em 05 de fev. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou”. nós já pensamos sobre o fato de nos submeter às grandes redes de supermercado ou como elas interferem no nosso modo de viver? . Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1.br/site/noticia.com.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53754>. 5. c. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. 4.De que modo o capitalismo criou a crise ecológica a partir da qual pode faltar comida no mundo? . como também os pequenos produtores. mais recentemente. 3. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental ao reduzir a diversidade de culturas agrícolas. e todas elas nenhuma delas Questão 2: “Faz falta uma mudança radical de modelo. porque o primeiro não combina com os produtos saudáveis e o segundo tem dificuldade de manter-se sem agrotóxicos. mais recentemente. A solução é mudar o clima ou mudar o sistema capitalista? Esther: Faz falta uma mudança radical de modelo. Ela tem sido incapaz de alimentar à população. c) O Movimento pela Justiça Climática tem tido um forte impacto internacional. 2. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou. d) A produção de combustíveis de origem vegetal é uma medida que pode colaborar na resolução do problema da falta de alimentos no mundo. é possível afirmar que: a) O texto descarta as novas tecnologias e o comércio local. a. nas mobilizações de Cancún.

em busca do que pensar ser seu lugar ao sol. Mas enfim. o que. É só estar vivo para saber. Então.Brasil Elaine Tavares Jornalista Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudoesquerda que fica falando mal do BBB. nos filmes. Depois. um outro. O melhor sinal é o da platinada. O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes. enquanto os demais a abraçavam. . e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. é claro. sou um bicho televisivo. Fiquei por aí a matutar. loucas. O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "‘qualquer um pode neste mundo livre”. É praticamente impossível fugir desses saberes. Agora inventaram a figura de um sabotador. que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas. Mesmo no terminal. Sabia. É invasivo e feroz. ainda assim. E o fez. músculo. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência. peito e cabeça vazia. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral possa ter o "show”. chorando. em todos os lugares. do grupo. as pessoas estão ali porque querem. E assim vai o "grande irmão” propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. héteros tarados. Mas fica. E fui observar um pouco desse zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites.01. Deveras. me causa espécie. coisa que. São vítimas. Cada ano a violência fica maior.Comunicação e Expressão 44 Texto: A pedagogia do grande irmão platinado Texto de 26. Cada uma daquelas criaturas que ali estão quebrando todas as regras da ética do bem viver são pobres seres humanos.11 . Vi a cara do rapazinho. Estava em completo desespero. dono de um texto refinado. que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão. Querem mais do que as migalhas do banquete. mas ocorre que estas "lições” em que se eliminam pessoas. bi. morrem até para estar naquela casa. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase que totalitária. no ônibus. etc. é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária.. Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. mas que também dá sua espiadinha. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder "????”). escorregando pela parede. Uma coisa de uma maldade abissal. dando as "notícias” dos broders. no elevador. Mas.. Está bem. ele se deixava cair. esperando o ônibus. Um sacerdote muito bem pago. Em nome do milhão. esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. é perverso demais o que os "inventores” fazem com aquelas tristes criaturas. Não são eles os "imorais”. Ele. As notícias estão no jornal. Tudo pela "plata”. putas ou santas. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades. No dia em que ela saiu do castigo. obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém com requintes de crueldade. nas cadeias. Precisava sabotar seus amigos. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. passam meio que por osmose. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. já que coisas do tipo que se veem ali também são possíveis de ver na novela. perdidos num mundo que exige da juventude bunda. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade” da Globo. Há os que vêem e nem gostam. Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. trans. em que vale tudo. a qual é parte intrínseca do "show”. elas mandam vídeos. fez a sua escolha. o tal do sabotador é uma pessoa. Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial. Então esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido. também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível. Pega em qualquer lugar deste grande país. em que se traem os amigos. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. É a lavagem cerebral. se oferecem. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais.

. Meu amigo perguntou por que. Hoje sai a fim de matar alguém”. É galera. 12. começa a roubar e matar. e o menino respondeu com simplicidade: “Nada. Logo estará livre para reiniciar com alegria sua atividade de assassino psicopata. Penso que há outras formas de a gente se divertir. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética”. Recentemente. malcheirosa. sim”.Comunicação e Expressão 45 Enquanto isso. foi para uma dessas instituições de ressocialização nas quais não acredito. quase uma criança. Ando exausta de tanto cinismo. outro tenha que ser "eliminado”. aqui perto. aos 16 podemos mudar o país através do voto. mas se estupramos. Acredito firmemente que se deve reduzir a idade na qual alguém pode ser legalmente responsável por seus atos. É coisa ruim. aqui. o que causa espanto na autora? Por quê? Esse programa nos causa espanto de alguma maneira? Por quê? Questão 5: Que paradoxo Elaine Tavares discute no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Questão 6: Afinal. fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudoesquerda. maldade. da rede Globo. típica do capitalismo. Então. talvez diga como outro criminoso. segundo Elaine Tavares? Texto: A lei e a justiça Lya Luft Ando cansada da loucura humana. Quinze deles já foram confirmados. via repetição. às vezes com requintes de crueldade. Talvez tenha acreditado num dar de ombros: “E daí?” Se não houver alguma grave interferência. Acesso em 28 de jan. como bem já levantaram alguns blogueiros. Disponível em: < http://www. se perguntarem a razão. junto com as companhias telefônicas. 2011. e até menos. qual é a pedagogia do BBB. ele sairá em breve para matar.adital. Por ser menor de idade. “Matei.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53508>. buscam o bem viver. sinistra e miserável. ele vem. Cansei do drama da juventude que. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. Tudo pela "plata”? Questão 3: . nefanda. juntas. Questão 4: Diante do programa do BBB. um menino de 14 anos confessou na maior frieza o assassinato de dezessete pessoas. Os empresários globais lambem seus bigodes. nem rodos poderão ser reintegrados na sociedade. de uma pedagogia. Tratase da consolidação. como tantos assassinos iguais a ele. até . matamos.Em que variante/s o texto é escrito? Por que é dessa forma? Vamos apresentar marcas textuais que justifiquem nossa resposta.com. Voltarão para novos crimes. cruel.br/site/noticia. pouco menos: se apanhados. e repetia “vou te matar”. brother quer dizer irmão em inglês. roubamos. lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos”.. sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. que pretender cristalizar como verdade que para que um seja feliz. É ética. Questão 1: Que tese Elaine Tavares defende no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Que argumentos a jornalista utiliza para tecer o ponto de vista dela? Questão 2: Por que Elaine Tavares emprega aspas nas palavras no seguinte trecho: É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. aos 12 anos – pouco mais. O show da Globo é uma violência explícita. lúcida ou drogada. A questão do "grande irmão” não é moral. que assaltou um amigo meu. a Globo. E. Onde as pessoas. Quando em outros países a idade mínima é de 14 anos. perseguição aos homens de bem e impunidade aos pérfidos.

A autora demonstra revolta e indignação diante da situação de violência do nosso país.. concisão e clareza. da nossa desolação e dos nossos enganos. nada adiantará se não cumprirmos o que deve estar em qualquer Constituição: que a todo ser humano seja garantido tratamento digno e decente. que não usamos um pano diante dos olhos. coesão. livros e seminários com discursos pomposos mas pouco eficazes. mas enrolamos a alma numa cortina escura. no texto “A lei e a justiça” faz referência à questão da idade penal.com/2008/11/as-ch. além de teorias. As charges são muito utilizadas em críticas políticas no Brasil. o que nem sempre é bom. Resta descobrir quanto tempo se leva para chegar a esse fundo. esse poço daria no Japão. Sou mais crédula do que cética. vítimas e criminosos deixando famílias destroçadas dos dois lados. na maioria das vezes. p. que talvez tenha suas razões para não tirar a venda e finalmente olhar para nós. depois de cumprir pena em uma dessas instituições. mas o dinheiro e o esforço dedicados a isso têm sido irrisórios dentro do orçamento do país. que deveria começar com a educação em suas bases. onde as pessoas andavam de cabeça para baixo (para eles. produzimos esse e outros dramas morais? Acusa-se pela criminalidade juvenil a família. descobri que a vida tem outros poços. Um deles parece não ter fim: o poço dos escândalos nossos de cada dia. que às vezes é apenas outra vítima. e de outro lado os criminosos. de pernas para o ar estaríamos nós). acredita que um jovem criminoso. e se. conceito vago que isenta de uma ação enérgica. me disseram que. E aí nem leis nem tribunais supremos ou mínimos nos ajudarão. Quem são os personagens da charge abaixo? Onde e em que momento eles estão? O que eles estão fazendo? Por quê? O que eles representam no nosso país? Que crítica a charge faz? Por quê? Em que aspectos a charge se assemelha ao texto de Lya Luft A lei e a justiça? . ou “a sociedade”. Disponível em: <mariquinhamaricota. elabore um parágrafo padrão declarando o que você pensa a respeito do assunto. 03. comentem crimes de forma fria e calculista.blogspot.. nem todos divertidos. Como nós. descobriremos que a senhora Justiça era apenas um mito. sociedade moderna. ou seja. 18) Questão 1: Lya Luft. . 19 de janeiro de 2011. poderá integrar-se à sociedade como um cidadão de bem? Justifique sua resposta com argumentos claros e convincentes. A partir de reflexão sobre a redução da idade penal. se a gente cavasse fundo no jardim. que mereceriam uma sociedade menos violenta e autoridades mais eficazes. com nova oportunidade de mostrar isso. A palavra é de origem francesa e significa carga. para ver se não haverá alguma luz que o afugente. os seis cês que são fatores essenciais para a escrita de um texto de qualidade. exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. que deveriam ser submetidos a leis mais firmes e colocados – se for o caso – em prisões decentes onde possam trabalhar. criatividade. ou seja. enquanto se multiplicam os dramas. produzir para seu próprio sustento. E você.Vamos responder a essas perguntas em um único texto com coerência. onde jovens. pegamos uma leve – e breve – pena em uma instituição que (com raras exceções) reeduca os passíveis de melhoria e deixa os psicopatas mais loucos. Isso inclui as possíveis vítimas.Comunicação e Expressão 46 os 18. sem solução à vista. Acesso em 25 de nov. (Revista Veja. em lá chegando.>. Adulta. aumentam as tragédias. Do desinteresse e da má vontade. correção gramatical. por meio de uma caricatura. ano 44 – n. Questão 3: Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar. 2010. Além do mais. realmente voltar à sociedade regenerados. Quando menina. Do poder dos maus e da fragilidade dos bons. algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. Pouca é a vontade de mudar isso. e quem sabe. sociedade doente. aqui e ali. O poço tem fundo: o diabinho no meu ombro espia seu reflexo nele. se ficarem apenas na letra escrita ou submetidos a jogos de poder. Questão 2: Luft afirma que não acredita em instituições de ressocialização. O diabinho rosna então uma das melhores frases sobre o assunto: “A lei nem sempre garante a justiça”.

b) a variedade linguística é o reflexo da variedade social e. Por isso. Acesso em 25 de nov. O mesmo vale para diferentes sexos. deve ser levado em conta. Por exemplo. a variação é de alguma forma regrada por uma gramática interior da língua. otro). uma autoridade falar como uma pessoa simples etc. Para exemplificar: podemos dizer que fulano é velho por quem tal hábito (fuma cigarro sem filtro. a pronúncia não-padrão a eliminaria (caxa. isto é. por terem determinados hábitos etc. profissões. idades. de classe. essas diferenças se refletem na língua. pexe. do mesmo modo (e. etnias. por exemplo. Um dos tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas são externas à língua. Esse modo de encarar os fatos da linguagem é bastante comum. Ou seja. de etnia. as línguas fornecem meios também para a identificação social. Os principais são os fatores geográficos. de idade. quando observa que “até mesmo para falar somos um povo desleixado”. Mas como existe.Comunicação e Expressão 47 Disponível em:<juicetech. de profissão etc. que não respeita nem mesmo sua rica língua.). ouvem-se pronúncias alternativas de palavras como caixa. E não apenas no Brasil porque seriamos um povo descuidado. poderia talvez achar que tem um argumento definitivo. a distância – só que esta é social) acabam caracterizando sua fala por traços diversos em relação aos de outra classe. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre indivíduos ou grupos. por utilizarem certos trazes. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. Em outras palavras. Por isso. há “erros” que ninguém comente. Pessoas que pertencem a classes sociais diferentes. porque a língua não permite. Ou seja: pessoas que moram em lugares diferentes acabam caracterizado-se por falar de algum modo de maneira diferente em relação ao outro grupo. Também há fatores internos à língua que condicionam a variação. 2010. Em outras palavras. relapso. quando não ridículo um velho falar como uma criança. os fatores que permitem ou influenciam na variação podem ser detectados por meio de uma análise mais cuidadosa e mesmo anedótica.zip. é uma avaliação falsa. é frequentemente estranho. Por exemplo. A segunda verdade é que as diferenças que existem em uma língua não são casuais. Texto: Não Existem Línguas Uniformes Sírio Possenti Alguém que estivesse desanimado pelo fato de que parece que as coisas não dão certo no Brasil e que isso se deve ao “povinho” que habita esse país (conhecem a piada?). especialmente para os profissionais. não é preciso estudar uma língua para não “errar” em certos casos.net/arch2010-04-01_2010-04-30. pela mesma razão. Mas nunca se ouve . Faz parte da visão de mundo que as pessoas tem a respeito do campos nos quais não são especialista. peixe. infelizmente. para quem pretende ter uma visão mais adequada do fenômeno da linguagem. muitos meninos não podem ou não querem usar a chamada linguagem correta na escola. sob pena de serem objeto de gozação por parte dos colegas porque em nossa sociedade a correção é considera uma marca feminina. Ou seja: a primeira verdade que devemos encarar de frente é relativa ao fato de que em todos os países (uma em todas as “comunidades de falantes”) existem variedade de língua. e como também é um fato social associado à linguagem. De uma forma um pouco simplificada: assim como certos grupos se caracterizam por meio de alguma marca (digamos. também podem caracterizar-se por traços linguísticos. dois fatos são importante: a) todas as línguas variam. Por isso. Ao contrário. Ou seja.html>. de certa forma. de sexo. outro: a pronúncia padrão incluiria a semivogal. ou porque como em geral ocorrem com os mais jovens).

1996. “um caras” ou “Comédia do Erros”. “vou tratá-lo formalmente”)? (POSSENTI. também (embora não com o mesmo número de variedade). de alguma forma. mas nunca “o bois”. nunca.Comunicação e Expressão 48 alguém dizer peto ou jeto ao invés de peito e jeito. “Comédia dos Erro” . que é uma das melhores coisas que a humanidade inventou. Só podem ser por mania repressiva ou medo da variedade. jeito)? Certamente. “estou irritado”. Mas. todo falante conhece. do som que se escreve com a letra l em palavras como alguma: alguma. dar ordens e instruções. Em uma língua uniforme talvez fosse possível pensar. p. Mais exemplos: poderemos ouvir “os boi”. “estou à vontade”. Ouviremos muitas vezes “nós vai”. Mas. Podemos pensar na variação como fonte de recursos alternativos: quanto mais numerosos forem. ele varia. por exemplo. Alguns sonham com uma língua uniforme. Campinas: Mercado das letras/ALB. Assim. mais expressiva pode ser a linguagem humana. Por que será que os mesmos falantes ora eliminam e ora mantêm a semivogal? Alguém pode explicar porque o i cai antes de certos consoantes e não diante de outras? Alguém pode explicar por que o u cai antes de t (otro) e o i não cai no mesmo contexto (peito. Ou seja: no fim da sílaba. no início. Outro exemplo: podem-se ouvir várias pronúncias. A variação tembém existirá em palavras como planta: planta ou pranta (mas nunca ouviremos puanta). E a variedade linguística está entre as variedades mais funcionais que existem. e como os falantes fariam para demonstrar atitudes diferentes? Teriam que avisar (dizer. E isso vale para falantes cultos e incultos. no meio. ou por ambos ao mesmo tempo. e a poesia? E o humor. 33) . em vários lugares do país. o l setá sempre um l em palavras como lata. Sírio. as variações linguísticas são condicionadas por fatores internos à língua ou por fatores sociais. o tipo de semivogal (i ou u) e a consoante seguinte são partes dos fatores internos relevantes para explicar esse fato que. Por que (não) ensinar gramática na escola. mas nunca “ eu vamo(s)”. Mas. auguma. então. “dois cara”. arguma.

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Além de identificar os dois auditórios do lobista. porque quer convencê-lo e/ou persuadi-lo sobre algo. 2005). 8. Lembra Beth Brait. nesse caso. na revista Língua Portuguesa no. . Num processo persuasivo.Comunicação e Expressão 51 ROTEIRO DO FILME OBRIGADO POR FUMAR 1. “Os valores de uma pessoa não têm. pelo exemplo. regra de justiça. trabalha em uma empresa de estudos sobre Tabaco a qual é financiada pelos empresários da indústria de cigarro e desenvolve com excelência a sua profissão de lobista. Em termos de argumentação.45) afirma que “ao iniciar um processo argumentativo visando ao convencimento. vamos verificar como é a relação entre o lobista. etc”.Vamos identificar em que momento o filme apresenta a técnica da argumentação pelo modelo e antimodelo e justificar por quê. possui todas elas ou não? Que trechos e/ou referências do filme autorizam e/ou justificam nossa resposta? Que relação há entre o trabalho desenvolvido pelo lobista e as entrelinhas do filme? 4. pode se revelar de muitas maneiras”. 36 (2008. a ideia que queremos “vender” ao nosso auditório”. do desperdício. pelo poder que elas têm de significar. discurso do senso comum. todos eles a mesma importância.No primeiro programa de televisão apresentado no filme. os tais auditórios e o título do filme. . como lobista. p. Nick Naylor. fraquezas e ações. antes da principal. 33). retorsão. 5. Abreu (2005) cita quatro condições da argumentação de sucesso. “se uma pessoa souber argumentar corretamente nunca estará errada”. que “ a atração pelas palavras. pelo modelo e antimodelo e pela analogia. No filme. Segundo a obra A arte de argumentar (ABREU. discurso jurídico. O protagonista do filme. até . Nick Naylor. p. podemos dizer que há argumentação e contraargumentação? O que de fato está em jogo no discurso de um e de outro? Podemos afirmar que. não devemos propor de imediato nossa tese principal. sugere que o falante deve apresentar. o argumento do ridículo. que diferença há entre negociação e argumentação? Qual das duas estratégias apresenta maior grau de credibilidade? Por quê? De acordo com o personagem. dando sentido ao homem. obviamente. que a expressão hierarquia de valores é largamente utilizada.30) afirma que “na sociedade em que vivemos somos moldados por uma infinidade de discursos: discurso científico. o filme é irônico? Por quê? 9. seu interlocutor. o falante pode ter o auditório particular ou ainda o auditório universal.Qual é o discurso comum e o discurso científico que aparece no filme sobre o cigarro? Como se constrói o primeiro e o segundo? 3. a maneira como o auditório hierarquiza os seus valores chega a ser. às suas glórias. a tese de adesão inicial. Nick Naylor possui ambos os auditórios. Tanto isso é verdade. Abreu (2005. discurso político. então. discurso religioso. O que você sabe a respeito de tal profissão? Por que Nick é um lobista cobiçado pelos grandes empresários? 2.E qual é a tese principal do lobista? Por que ele a defende? 6. o falante ou locutor expressa seus argumentos (ponto de vista/ discurso) para outro falante. Nas disputas entre Nick e o senador. De que ponto de vista o lobista a pronunciou? Você concorda com essa afirmação? Por quê? 7. . às vezes. O escritor. a técnica da definição. . e ainda os argumentos: pragmáticos. para que o falante tenha êxito na sua argumentação é ainda necessária a utilização das técnicas argumentativas como: compatibilidade e incompatibilidade. A partir de uma das conversas entre Nick e o filho e outra entre a criança e a mãe. Abreu (2005. o que pode ser considerado como tese de adesão inicial utilizada por Nick Naylor? Por quê? . p. Segundo Abreu.

Traga todos quantos quiser Regressando de São Paulo. O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção.Afinal. qualidade. Até que ponto Obrigado por fumar aborda a respeito disso? Que trechos autorizam minha resposta? Nota: OBRIGADO POR FUMAR título original: (Thank You for Smoking) lançamento: 2006 (EUA) direção: Jason Reitman atores: Aaron Eckhart. . para que a argumentação atinja positivamente o auditório. . As cantoras que se apresentaram eram péssimas. Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual falei a você. duração: 92 min gênero: Comédia status: Arquivado IV. Cameron Bright. Essas são as conclusões do processo sobre as quais pairam muitas dúvidas. Sobre elas pairam muitas dúvidas. O sitio me deixou encantado. em função da cultura. No filme. Maria Bello. compreender os valores e as necessidades do outro. pessoa e existente. cuja Onde (quando equivale a no qual e flexões) Cujos. (. Eu me refiro à obra dele. 2005. Adam Brody. Particularidades Léxicas e Gramaticais USO DO PRONOME RELATIVO Os pronomes relativos são os seguintes: Variáveis Invariáveis O qual. Eu fiz o trabalho. a qual Que (quando equivale a o qual e flexões) Os quais. das ideologias e da própria história pessoal”.) As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa. Esse trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. Regressando de São Paulo. ordem.. a mídia está sempre em evidência. (= as quais) Este é o pintor. visitei o sítio de minha tia. Essas são as conclusões do processo. quanta Quantos. As cantoras eram péssimas. (ABREU. Assim. Meu irmão comprou o restaurante.(= o qual) As cantoras se apresentaram. cujas Quanto.Comunicação e Expressão 52 mais importante do que os próprios valores em si.. E os lobistas do tabaco. das armas de fogo e de bebidas são bem pagos. quantas Ex: fale tudo quanto quiser. qual é o lugar de argumentação que o filme mostra de forma mais evidente? Por quê? 10. essência. A arte de argumentar está relacionada com a capacidade de gerenciar emoções. Eu falei a você sobre o restaurante. o falante deve re-hierarquizar os valores com os lugares da argumentação: lugar de quantidade. as quais Quem (quando equivale a o qual e flexões) Cujo. 77). visitei o sítio de minha tia o qual me deixou encantado. O que o filme sugere com isso? Por quê? 11. p.

Isso normalmente ocorre quando o "que" encerra a oração. o "que" normalmente é átono. Nós necessitamos desses ingredientes. O pesquisador apresentou alguns livros. O pesquisador apresentou alguns livros dos quais os alunos gostaram. Você falou do político. Encontrei o garoto a quem você estava procurando. A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos. Você estava procurando o garoto. Eu acreditei nas palavras do advogado. Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança. Este é o artista. Aquele é o homem de quem lhe falei. o "que" é acentuado. O acento é correto. Este é o pintor.asp?menu=1&cod=160>. ou seja. que encerra uma frase interrogativa direta. Percebeu? Quando vem no meio da frase. A peça era rara no Brasil. 2009 (com modificações) Por que. Roubaram a peça. Este é o pintor de cuja obra gosto.Comunicação e Expressão 53 Este é o pintor a cuja obra me refiro.br/gramaticaonline. Notou? Quando emitido tonicamente. Aqui estão os ingredientes. Nós assistimos ao filme. . Eu trabalho para ela. Vocês perderam o filme. A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada. Roubaram a peça que era rara no Brasil. e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse "qui": "Quero o que você quiser". fraco. O sítio aonde fui é aprazível. Releia a frase: "Você tem cheiro de quê?". Vocês perderam o filme a que nós assistimos. já que esse "quê". Eu gosto da obra desse pintor. Eu não o conheço. Aquela é a senhora Bovary para a qual trabalho. por quê. Ele comprou os livros de que gostou. O advogado está preso. A peça que roubaram era rara no Brasil.gramaticaonline. Eu lhe falei do homem. porquê Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista ("Você tem cheiro de quê?"). Onde/aonde: Sempre morei no país onde nasci. Aquele é o homem. O advogado em cujas palavras acreditei está preso. é emitido tonicamente. porque. Eu me referi ao artista ontem. Encontrei o garoto. Não conheço o político de quem você falou. Aquela é a senhora Bovary. Nós assistimos ao filme que vocês perderam. por ser monossílabo tônico terminado em "e". Disponível em: <http://www. Este é o artista a quem me referi ontem. Aqui estão os ingredientes de que necessitamos. acesso em 05 de jun.com. Os alunos gostaram dos livros apresentados.

desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. "Ninguém sabe porque ele não explicou". como se diz) quando há ponto de interrogação. É "separado" porque equivale a "por qual razão" ("Por qual razão?". talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a "pelo/a qual". Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. "Ele não revelou o porquê (= o motivo. A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar "por que". Já tratei do assunto há um bom tempo. Note que às vezes é justamente a grafia ("junto" ou "separado") o que decide o sentido da frase: "Ninguém sabe por que ele não explicou". "Ele não vai. esqueça o que verá neste texto. No primeiro caso. ou seja. como se diz) quando não há ponto de interrogação. normalmente "porquê" acaba sendo sinônimo de "motivo". No outro caso. Nesse caso. as pessoas saberiam se ele tivesse explicado. é preciso que essa palavra seja substantivo. como ele não explicou. por exemplo. por qual razão) você é tão áspero com ela". "porque" etc. e o que tinha de ser separado vem junto. grafa-se "por que" (com acento. "causa": "Não entendemos o porquê (= motivo. É por isso que. quando o assunto é "por que". Para acentuar "porque" ("junto"). ninguém sabe por qual razão ele não explicou. mas sempre vale a pena voltar a ele. se a doença foi o motivo. E quando se coloca acento em "por que" e "porque"? É simples. a causa) da renúncia". sim. não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é "junto" ou "separado". rótulos. e ninguém sabe por qual razão/por que razão"). e ninguém sabe por quê". por exemplo. a causa da ausência dessa pessoa. isto é. "por qual razão". faixas. Como já afirmei. continuaram sem saber. Posto isso. mesmo com ponto de interrogação no fim da frase. se a oração terminar ali). Muitas vezes. basta que a oração termine ali: "Por quê?". Há basicamente dois casos em que se usa "por que". "pelos/as quais" ou a "por que razão". a causa) da demissão do ministro". "pelos/as quais": "São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar". vamos lá. muda tudo. quando a palavrinha tem valor de substantivo ("Ela tem um quê de magia") ou de interjeição ("Quê! Vocês por aqui?"). por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?". No segundo. e só se escreve "porque" ("junto". "por qual razão": "Por que (= por que razão. se for substantivo). temos a equivalência com as expressões "pelo/a qual". quando da explicação do título da revista ("Você tem cheiro de quê?"). textos publicitários etc. Quando não. Veja este caso: "Você não foi porque estava doente?". "porque". Se você estiver lendo Saramago. mas. No primeiro caso. "As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas". grafa-se "porque" (com acento. é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto. esse "porque" é "junto".Comunicação e Expressão 54 Há outras situações em que se deve acentuar o "que". "Ele não vai. "Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios". o que tinha de ser junto vem separado. "Faço questão de saber por que (= por que razão. Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes. O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber. o "por que" equivale a "por que razão". Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve "por que" ("separado". O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente. pouco comum. Num deles. Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal. avisos públicos. de Guilherme Arantes: Pra que tornar as coisas tão sombrias na hora de partir? Por que não se abrir? Se o que vale é o sentimento e não palavras quase . o que ocorre. "por quê" e "porquê". Se você gosta de "curto e grosso". Já o "porque" ("junto") introduz explicação ou causa do que se afirma: "Não vou porque estou doente". Vejamos um trecho da canção "Pedacinhos".

Esse "por que" é separadíssimo! Toda vez que for possível substituir o "por que" por "por qual razão" ou "por que razão". ele deve ser escrito separado: por que não se abrir por qual razão não se abrir 1. À medida que/na medida em que Não confunda “à medida que” com “na medida em que”. Leia este exemplo: Ele é nosso representante junto à FIFA. locução dá idéia de Você vai melhor à medida que (à proporção que) for tomando esse remédio. Mas há casos em que só o verbo ter é aceitável: . Embora os dicionários o dêem como sinônimo de ter. Dentre as moças da sala. Dentre Significa “do meio de”. ressurgir. Sempre se emprega com verbos como sair. (E não “desde de 1980”). Não o vejo desde 1980. sem o artigo. ele tirou a mais bela para dançar. Não é errado dizer que “ele tem uma bela casa de campo”. Nessa canção. Arantes usa a frase "Por que não se abrir?".) 4. o melhor é o do Palace. Desde Nunca escreva “desde de”. 2. 6. Use possuir quando quiser dizer que alguém tem posse de. Possuir/ter Muito cuidado quando empregar o verbo possuir. generalizao. Todo o livro é perfeito. (Significa que o livro a que me refiro é perfeito do princípio ao fim. Compare estas duas frases.Comunicação e Expressão 55 sempre traiçoeiras e é bobeira se enganar. é proprietário de alguma coisa: Ele possui uma bela casa de campo. O certo é abandonar a palavra “junto” e usar a preposição exigida pelo verbo: Você tem de se explicar ao banco. Obs: Não existe a forma “à medida em que”. Entre os filmes em cartaz. Já esta frase não está correta: Você tem de se explicar junto ao banco. quando acompanhado de artigo. Todo O pronome todo. Junto a “Junto a” significa “adido a”. 5.) Todo livro traz sempre algum benefício ao leitor. (Significa “qualquer livro”. Vamos seguir o regulamento na medida em que (uma vez que) ele foi aprovado. particulariza o objeto. tirar. use entre. Nos demais casos. A primeira proporção e a segunda de causa. nem sempre podemos trocar um pelo outro. 3.

Comunicação e Expressão 56 A praia tem agora quadras de esporte. 13. 12. Ela tem cabelos castanhos e olhos azuis. No segundo exemplo seu emprego não estaria correto.aproximadamente Minha casa fica a cerca de cem metros da praia. Sequer/ Se quer .mau – contrário de “bom”. Substitua por “diante de”. pois estudar não é o contrário de ver televisão. boa iluminação. há cerca de – faz aproximadamente Há cerca de dez anos que eles estudam esse assunto. 10. “em face de”. Se quer viajar. Ao invés de só é usado quando marca uma oposição. Em vez de pode ser usado também no primeiro caso: Em vez de chorar. bares limpos.Se não – significa “quando não” ou “caso não”. Tome conta de seu cachorro. ele sorria. senão (caso contrário) ele foge. “ao menos” Não disse sequer uma palavra para agradecer. . “em frente de”. “perante”. Ao invés de / Em vez de ao invés de – significa “ao contrário de” Ao invés de chorar. a cerca de .mal – contrário de “bem”. se não (quando não) mal-educado. . Senão/ Se não . Ele foi muito ríspido. 9. .sequer – significa “pelo menos”.Senão – significa “no caso contrário”. Inauguraram uma padaria em frente de nossa casa. “a não ser”. Mau/Mal . preferiu ver televisão. ele sorria. Face a / Frente a Nunca use. em vez de – significa “em lugar de” Em vez de estudar. Há/a . 8.se quer – o “se” é conjunção condicional mais o verbo “querer”. “em vista de”. “de outro modo”. Acerca de / A cerca de / Há cerca de acerca de – sobre Não disse nada acerca do plano econômico que elaborou. 11. 7. Ele é muito mal-humorado. “ante”. Ele estava de mau humor. Nós temos direitos adquiridos. viaje.

Daqui a cinco anos estarei formado. Ele está na Austrália há (faz) tempo. substitua o verbo haver por fazer: Há (faz) oito anos que não o vejo. usamos este. aquele. esta. essa. isto para representar o tempo presente. esta. irei a Águas de Santa Bárbara. isso. isso Aquele. pois duas pessoas podem ter interpretações diferentes para a mesma frase. para elemento distante de ambos. aquilo Espaço (lugar) Aqui Aí Ali. construiremos uma tabela e. usamos este." ." "Essas olimpíadas foram horríveis para os atletas brasileiros. Para saber se seu emprego está correto. aquela. isso.. esta. aquilo. que é minha. aquela. Haja vista o seu súbito interesse pelo caso. Minha escola fica a duzentos metros de casa. vendia. vendi. isto para representar qualquer elemento que esteja próximo da pessoa que fala. 14. para o passado recente ou para o futuro. isso. aquilo.Comunicação e Expressão 57 Não troque a por há e vice-versa. Por exemplo: "Comprei esta jaqueta que estou usando daquele camelô que vai lá adiante. com o pretérito perfeito do indicativo (cantei. aquele. esse.. partia).aquela. essa. Pronomes Demonstrativos Para maior clareza no estudo dos pronomes demonstrativos. para elemento que esteja próximo da pessoa com quem se fala. essa. Haja vista Prefira sempre essa forma. para o passado remoto.. usase aquele. Veja a diferença entre a tempo e há tempo: Chegou a tempo de fazer as malas. essa. Haja vista os casos de dengue dos últimos meses. Use há para tempo passado. depois. Use a para exprimir distância ou tempo futuro. aquilo. lá. e o que julgar que é passado distante usará aquele. acolá Tempo Presente Passado recente ou futuro Passado remoto Citações Apresentam um elemento Retomam um elemento -o- Em relação ao espaço (lugar). e não sua. Por exemplo: "Este ano é o ano das mudanças!" "Nesse domingo.. explicá-la-emos: Pronomes Este. O grande problema é distinguir o passado recente do remoto. Juvestônio?" Em relação ao tempo. Quando o verbo estiver conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (cantava. parti) é uma questão de estilo: o que julgar que é passado recente usará esse. isto Esse." "Que cara é essa. aquilo. esse. aquela. Onde você comprou essa sua?" "Dê-me essa caneta. aquela.

. isto para apresentar um elemento ou uma frase que será escrita ou falada." Se o pronome demonstrativo estiver retomando o substantivo imediatamente anterior. Por exemplo: "Ao me encontrar com Florisberto perguntei por Abiduílson." (este = Carlos Drummond de Andrade. aquele = Florisberto) "Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira. pois observe o verbo no pretérito imperfeito do indicativo – havia) "Em 1984 casei-me. o. para outra pessoa poderia ser distante) Em relação a citações orais ou escritas. Por exemplo: "Preste atenção a estas palavras: O fumo é prejudicial à saúde. nunca.“Deixou escapar um soluço estrangulado como se limpasse a garganta. esse foi um dos melhores anos de minha vida.” (Fernando Sabino. esse homem é muito truculento. a." ("Naquela época".) ÊNCLISE – Depois . em relação aos verbos. essa. é passado recente. esta deve ser preservada. nem com este você deve envolver-se. quiser retomá-los.." "Pode ser citado como exemplo comprobatório este fato: o policial não estava armado.): .Comunicação e Expressão 58 "Em 1922 aconteceu a Semana de Arte Moderna. te.“Obedecer-lhe-emos de todo o coração e faremos o que ele disser (. Este é conhecido por suas poesias. aquele. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde." "Astolfeno Barbosento é candidato a prefeito de Castanheira Verde do Sudoeste. aquilo e o último por este. não se envolva com os funcionários da empresa em que trabalha o nosso vizinho. lhe. deveremos usar este. esta." Usamos este. isso para retomar um elemento ou uma frase anterior... por seus brilhantes romances. vos. ninguém etc. aquela. isto. Veiga.“Dei-lhe mais uma chance de voltar atrás”. aquele = Machado de Assis) COLOCAÇÃO PRONOMINAL Os pronomes pessoais oblíquos átonos me.)” (Farid Ud-Din Attar. esta. (José J. ." ("esse". Sombra de reis barbudos. deve-se substituir o primeiro por aquele.) MESÓCLISE – Meio . lhes. isto. jamais. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. se. apesar de fazer 16 anos. O grande mentecapto. os." Quando houver a enumeração de dois elementos e. que está imediatamente anterior a ele. denominam-se: PRÓCLISE .Antes . apesar de saber que este jamais conversa com aquele. naquela época. isso já foi comprovado cientificamente. à frente. nos." (este = Abiduílson. as. Outro exemplo: "Meu filho. usamos esse. aliás. esta. havia muitos poetas eminentes. pois para mim.) Próclise Palavras “atrativas” • De sentido negativo (não." Perceba que o pronome "esta" está retomando o substantivo "saúde". A conferência dos pássaros.

: Hoje. Obs.: “Foi nesse momento que. quem.. embora etc..: Está me chamando? Mesóclise • Quando o verbo estiver no futuro do indicativo.: “(. .: Este me dá satisfação.. aqui.: “Quando voltamos. meu espírito me empurra (empurra-me. Orações exclamativas ou interrogativas: Ex. Ele despertar-te-á cedo. respondeu-lhe uma voz interior (... ainda que discordem (. diante de mim. • Preposição para + infinitivo (mesmo com presença da palavra “atrativa”): Ex. Ex.. O Alienista). • Preposição em + gerúndio. Rasguei a carta para não aborrecer-te.): Ex. O estrangeiro). ter-me-ia habituado aos poucos” (Albert Camus.: “Tu deves de ir também co’os teus armado Esperá-lo em cilada. quando..: Os problemas que se não discutem. Revolução nos serviços).: Que Nossa Senhora o proteja. Casos facultativos Se a palavra que antecede o verbo for: • Pronome pessoal do caso reto: Ex.. • Advérbios em geral (já. cada etc.): Ex. Todos me olhavam (.. Esaú e Jacó).: “– Custa-me pedir-lhe” (Machado de Assis.: Rasguei a carta para não te aborrecer. • Certos pronomes indefinidos (tudo. Ênclise • Sempre que houver pausa: Ex.. Obs. empurrar-me-á) para a prece” (Farid UdDin Attar. Os Lusíadas). Certo: Eu não te havia dito. porque.. Ex. Ex. fazê-los unidos. cujo.)” (Farid Ud-Din Attar. Este dá-me satisfação. Esaú e Jacó).: O pronome pode aparecer antes do não.)” (Karl Albrecht. Revolução nos serviços). • Preposição a + infinitivo: Ex.): Ex. • Períodos iniciados por verbos que não estejam no futuro: Ex.: “Em se tratando de discussões sobre serviços com executivos.: “A dignidade de governo começava a enrijar-lhe os quadris” (Machado de Assis.: Eu me despertei assustada... • Substantivo (de qualquer tipo): Ex. O estrangeiro). todos. • Pronome demonstrativo: Ex. Ex. • Conjunções subordinativas (se.: “Não te surpreendas.)” (Albert Camus.. quanto etc.) mas. Rasguei a carta para te não aborrecer.): Ex. e não próclise. • Verbo no imperativo: Ex.: “Queremos que acreditem tanto na idéia de serviço que se transformem em defensores da qualidade do serviço na organização” (Karl Albrecht. A conferência dos pássaros). O estrangeiro)..: “(. • Pronomes relativos (que.: Não utilize pronome átono depois de particípio: Errado: . dito-te. A conferência dos pássaros). distingui uma fila de rostos.) outras. Atenção: Se houver vírgula após o advérbio.)” (Machado de Assis. Masson já nos chamava” (Albert Camus. sempre. Ela despertou-se suavemente.) sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça. haverá ênclise. Orações que expressam desejo: Ex.: “– Pode corrigi-los por boas maneiras.: “(.Comunicação e Expressão 59 Ex. Revolução nos serviços). oculto e quêdo” (Camões. defini-me quanto aos métodos de trabalho. Este dar-me-á satisfação. bem etc. descobri características que causam a diferença entre as empresas” (Karl Albrecht.. quando lhe pedi uma recomendação de um restaurante próximo (. continuam sem solução.

Comunicação e Expressão 60 Casos Especiais • Colocação do pronome átono em locuções e combinações verbais. agendas.002). no entanto. 2. Ou 8h. Dias.999). Evite-se esta colocação na redação oficial. 9 horas etc. horas. Atualmente. quando se quer evitar fraude. O ano pode ser registrado com os dois últimos dígitos: 12/11/02. ainda: Devemos dizerlhe a verdade.: Devemos-lhe dizer a verdade. Ex. Ou: Nós lhe devemos dizer a verdade. A grafia com dois pontos. Não devemos dizer-lhe a verdade. (sem "s" e sem ponto depois de "h"). 9h.. como em 08:00 09:00 10:05 13:20 é usada em áreas específicas. crase e paralelismo Escreva assim: De segunda a sexta-feira De terça a quinta-feira ou Da segunda à sexta-feira . de passagens. houver palavra que exige a próclise. 2002 (e não 2. (sem deixar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de "h" e "min"). ou depois do infinitivo.. a anteposição de um zero é prática corrente. Saiba Mais: 1.: Não lhe devemos dizer a verdade. Ou. • Se. ou escrita informal: Devemos lhe dizer. Horas Hora redonda: 8 horas. pois atende a objetivos estéticos. Hora quebrada: 8h30min. Exemplo: 1º/5/02 ou 1º/05/02. Nas combinações de verbo pessoal (auxiliar ou não) + infinitivo. só duas posições serão possíveis para o pronome átono: antes do auxiliar (próclise) ou depois do infinitivo (ênclise). no caso mencionado. 9h43min etc. • No caso. como em anotações de programação com horários em seqüência. Ex. E é sempre aconselhável. etc. Datas Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas: com traço: 28-12-1945 com barra: 12/11/2002 com ponto: 21. o pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo.10. O emprego de zero antes do dia ou do mês formado de um só algarismo não é de rigor: 02/02/99 ou 2/2/99.2004 Observações: Os números cardinais devem ser escritos sem ponto ou espaço entre o milhar e a centena: 1999 (e não 1. competições. horários anunciados pela televisão etc. a próclise com o infinitivo é própria da linguagem oral. O primeiro dia do mês deve ser escrito assim: 1º (e não 1).

Nada tem a ver com o verbo. • A par ou ao par – A par equivale a ciente. ele precisa de outras informações. Marketing e comunicação são assuntos afins. • Difícil para mim ou difícil para eu – Para mim é complemento de difícil. Certo = A fim de redigir a carta. sem qualquer desconto ou abatimento (títulos. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para eu encaminhar aos clientes. análogo: Estou aqui a fim de ajudá-lo a concluir o trabalho. de acordo com a convenção legal. Será impossível para mim realizar esse trabalho. Errado = No início do expediente. Pode haver muitos problemas com o novo gerente. impessoaliza-se: Há muita gente no escritório. Certo = É difícil para mim entender esse plano. Errado = Não haviam muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. sem ágio (câmbio). pois ele contém muitas informações técnicas. junto. Errado = Afim de redigir a carta. • Havia ou haviam – Por ser impessoal. . função esta que cabe ao pronome pessoal do caso reto eu. ele precisa de outras informações. Errado = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava ao par do ocorrido. Observe que após o pronome mim há um verbo no infinitivo (encaminhar). Certo = No início do expediente. Errado = É difícil para eu entender esse plano.: Não foi fácil para mim conquistar essa vaga. Haverá duas reuniões da equipe de apoio operacional neste mês. poder). pois ele contém muitas informações técnicas. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para mim encaminhar aos clientes. acontecer. aonde expressa a idéia de movimento (para onde). Para indicar procedência. ocorrer. ações). afim significa parente por afinidade. Certo = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava a par do ocorrido. semelhante. ao lado. Acompanhado do auxiliar (dever.Comunicação e Expressão 61 Da terça à quinta-feira Não escreva assim: De segunda à sexta-feira De terça à quinta-feira Escreva assim: De 9h a 11h De 8h30min a 11h30min ou Das 9h às 11h Das 8h30min às 11h30min Não escreva assim: De 9h à 11h De 8h30min à 11h30min 9h às 11h 8h30min às 11h30min OUTRAS DIFICULDADES MAIS FREQUENTES NO USO DA LÍNGUA • Onde ou aonde – Onde indica lugar fixo. realizar-se ou indicar tempo transcorrido. Ex. o verbo fica na 3ª pessoa do singular quando significar existir. emprega-se de onde ou donde: De onde (ou donde) provinham os recursos financeiros? Errado = Aonde você deixou a minuta da carta? Certo = Onde você deixou a minuta da carta? • Afim ou a fim – A fim de equivale a para. • Para eu encaminhar ou para mim encaminhar – Mim é pronome pessoal oblíquo. Certo = Não havia muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. Deve haver muitos candidatos para o cargo de Datilógrafo. razão pela qual não pode ser usado como sujeito. ao par.

Certo = Esperando uma resposta favorável. não existe a forma menas: Queremos menos conversa e mais ação. Certo = O presidente cancelou a viagem que faria às filiais. comprometemo-nos. Errado = Paralisamos a produção porque não tem matéria-prima. dignamo-nos. Errado = O presidente cancelou a viajem que faria às filiais. Errado = Os funcionários tem contribuído muito para a racionalização dos serviços. a candidata ficou meia preocupada. esquecemo-nos. programa de teatro. viajem = forma verbal (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo viajar): Se querem viajar. • Têm ou tem – Na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo.. Errado = Gostei das novas medidas econômicas. Ex. Seção ou secção = setor. há dois engenheiros. fazemos-lhe. Certo = Gostei das novas medidas econômicas. • Subscrevemo-nos ou subscrevemos-nos – Com o pronome reflexivo nos. esta seria escrita assim: Não gostei das novas medidas econômicas. Apesar de o datilógrafo ter pouca experiência. o documento ficou bem datilografado. em prejuízo de. Certo = Havia menos pessoas na reunião desta semana. • Seção ou sessão – Sessão = tempo em que se realiza uma reunião. Errado = Esperando uma resposta favorável. a candidata ficou meio preocupada. fica invariável: Os candidatos estavam meio nervosos.Comunicação e Expressão 62 • De encontro a ou ao encontro de – Ao encontro de = para junto de. Certo = Os funcionários têm contribuído muito para a racionalização dos serviços. subscrevemo-nos. • Viagem ou viajem – viagem = substantivo. Ex. em) com sujeito ou termo que a ele se refira: Chegou o momento de ela mostrar a sua competência profissional. • Decisões políticas-econômicas ou decisões político-econômicas – Nos adjetivos compostos ligados por hífen. elimina-se o “s” da forma verbal: Queixamo-nos. pois elas vieram de encontro aos meus desejos. Certo = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. subscrevemos-nos. cinema. Certo = Comunicamos-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. • Meio ou meia – Meio.. • De o ou do – Não se combina preposição (de. portanto. Certo = Está na hora de o malote chegar. • Há ou tem – Não se deve empregar o verbo ter em lugar de haver impessoal (significando existir). subdivisão: Na Seção de Obras. etc. Errado = As novas decisões políticas-econômicas afetaram os negócios da companhia. viajem. só varia o último elemento: Nossa biblioteca recebeu muitas obras técnicocientíficas. Errado = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego.: Há secretárias que não se preocupam com o aperfeiçoamento profissional.. Observe: Nos exemplos. Quando se refere a um substantivo (claro ou subentendido). • Comunicamos-lhe ou comunicamo-lhe – Com o pronome lhe(s) nenhuma modificação sofre o verbo: Informamos-lhes. as preposições de e a estão contraídas com artigos. Apresse-se. o verbo ter recebe acento circunflexo: Eles têm alguns privilégios. favorável.: Durou apenas trinta minutos a sessão do teatro. Certo = O chefe da seção (ou secção) de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos. Cessão = ato de ceder (cedência): Nem todos concordam com a cessão do auditório. Errado = O chefe da sessão de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos. Certo = Paralisamos a produção porque não há matéria-prima. concorda em gênero e número: Nosso Diretor não é homem de adotar meias medidas. Errado = Comunicamo-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. ..: Se as medidas econômicas tivessem contrariado o desejo de quem formulou a frase. Certo = As novas decisões político-econômicas afetaram os negócios da companhia. • Menos ou menas – Menos é invariável. quando modifica adjetivo = um tanto. de encontro a = contra. pois elas vieram ao encontro do meu desejo. Errado = Está na hora do malote chegar. pois elas vieram de encontro ao meu desejo. porque já é meio-dia e meia (meia hora). Errado = Havia menas pessoas na reunião desta semana.

virmos. Se o sujeito estiver no singular.. a). porque não se trata de voz passiva. assume a forma impessoal: Faz vinte dias que encaminhei o relatório à Diretoria. Errado = Todos devem obedecer o regulamento. Certo = A nova filial está situada na Rua Piraí nº 110. realizar.: Precisa-se de empregados. Errado = Júlio. deixa-se o verbo no singular.. vires. • Obedecer ou obedecer ao – O verbo obedecer pede objeto indireto (obedecer a): Quem não obedece às normas de trânsito deve ser punido. Certo = Comunicamos a Vossa Senhoria que .. • Somos ou somos em – A preposição em é desnecessária. estará fazendo dois anos que não recebo notícias de meu país. em vez de consigo usa-se com você. • Consigo ou com você – Consigo pronome reflexivo da 3ª pessoa. disse a secretária.. Errado = Somos em sete na seção. Observe: o pronome de tratamento senhora admite crase. Errado = Aluga-se telefones. Ex. disse a secretária. com o senhor. avise a segurança. virdes. Dica: Aparecendo preposição (de. Na próxima semana. esse verbo pede objeto indireto (proceder a): É necessário proceder a uma investigação. Certo = Se você vir alguém sem o equipamento de proteção.. este cliente quer falar com você (contigo). dever. Só se emprega o pronome consigo na terceira pessoa: A balconista (ela) levou a caneta consigo. Errado = Se você ver alguém sem o equipamento de proteção. • Situada na rua ou situada à rua – Por se tratar de verbo de quietação (lugar fixo).. Certo = Alugam-se telefones. pede objeto indireto (responder a): Não responderei a esse memorando. avise a segurança. A mercadoria é que pode ser cara ou barata: Essa mercadoria é muito barata. Não deve ser usado em relação à segunda pessoa. com Vossa Senhoria: Presidente. Errado = O preço da mercadoria é muito caro. há uma pessoa que deseja falar com o senhor. uma vez que não se trata de expressão ou locução: Peço à senhora que compreenda as minhas dificuldades. VÍRGULA . o verbo fica no singular. Certo = Júlio. Observe: Fica no singular o verbo intransitivo indireto acompanhado do pronome se.. esse cliente quer falar consigo. • Preço alto ou preço caro – O preço da mercadoria pode ser alto ou baixo.Comunicação e Expressão 63 • Faz ou fazem – Tempo transcorrido ou fenômeno meteorológico = impessoal. Neste caso. • A Vossa Senhoria ou à Vossa Senhoria – Não se usa crase antes de expressões de tratamento: Encaminhamos a Vossa Senhoria a documentação. Errado = A nova filial está situada à Rua Piraí nº 110. 327. terceira pessoa no singular. poder). nunca caro ou barato. Certo = Somos sete na seção. vir. • Vir ou ver – Trata-se do verbo ver no futuro do subjuntivo: vir. Certo = O auditor procedeu a uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. Errado = O auditor procedeu uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. virem. Certo = Faz dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. Certo = Responderei já a essa carta.. • Procedeu a ou procedeu – No sentido de efetuar. constrói-se com a preposição em: Resido na Rua Paraná. • Alugam-se telefones ou aluga-se telefones – Verbo apassivado pelo pronome se concorda em número e pessoa com o sujeito: Vendem-se casas. Certo =Todos devem obedecer ao regulamento. Acompanhado de auxiliar (estar. Errado = Fazem dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. Errado = Responderei já essa carta. Certo = O preço da mercadoria é muito alto. • A essa ou essa – Com o verbo responder. Errado = Comunicamos à Vossa Senhoria que .

na minha opinião.: Ele é o homem que mata passarinhos. e o mar. esclarecendo ou qualificando-o): Ex. é uma defesa prévia.): Ex.): Ex. porém. a meu ver.: Encontramos o suspeito. ligou o televisor. ou melhor. 14 . Via de regra. acomodou-se e assistiu ao filme.: Destemidos e intrépidos.Em orações coordenadas ligadas por “e” que tenham o mesmo sujeito: Ex.: Belo Horizonte.: A guerra.: Convém que deixemos o local. entretanto. logo. a saber. a cada ano está mais perigoso. Ex.Orações subordinadas substantivas apositivas: Ex. 2 . um estado ou modo de ser do sujeito ou que se refere ao objeto de um verbo transitivo. 14 . 6 . pessoa justa. escaldante.: O tiroteio. mas como a operação é considerada de alto risco.: Mocidade ociosa. digo.: O criminoso. digo. (elipse do verbo “diziam”) O dia estava quente. O sargento é mestre em artes marciais. são orações não introduzidas pela conjunção aditiva “e”. Espero que nenhum policial cometa erros durante a operação. nº 30.Assinalar o vocativo (é o termo com que se interpela/chama o ouvinte/interlocutor): Ex. PONTUAÇÃO Casos de uso da vírgula Usa-se a vírgula para: 1 .Entre expressões explicativas ou retificativas (isto é. o cadete deixou de lado suas antigas aspirações.: Foram apreendidas armas de fogo. 8 . 3 .: Uns diziam que se suicidou.Nas datas e endereços: Ex.: Bom policial. sentou no sofá.Nos elementos paralelos de um provérbio: Ex. 7 . Obedecemos às ordens do comandante. etc. João escreveu uma carta.: O carnaval.: Quando menos se esperava. substâncias entorpecentes e bicicletas furtadas. 2 .: Chegou a casa. (elipse do verbo “estava”) 11 . portanto. que mantivéssemos suas vírgulas .Entre as conjunções coordenativas adversativas e conclusivas.Entre o sujeito e o verbo: Ex.: Fez-se o céu. Rua da Alegria.Assinalar o aposto (é o termo da oração que serve par explicar um termo anterior. sem uso de conjunções. Um vegetal é um animal que dorme. 10 . 4 .: Sargento Mike.Comunicação e Expressão 64 Não deve ocorrer vírgula 1 . Ex. e a terra. pode vir a ocorrer algum equívoco. 13 de novembro de 2008. 15 . os policiais avançavam pela área de risco.Antes de “e”. talvez não mais o seja. velhice vergonhosa. compareça ao local da ocorrência.Antes de orações subordinadas substantivas. 12 . identificandoo. por exemplo. outros.Para separar predicativos situados antes do verbo (predicativo é o termo que exprime um atributo. o cidadão infrator. 5 . 3 .: Fez-nos um pedido.: Chegou e prendeu o infrator. 4 . exceto as apositivas. todavia.Precedendo orações coordenadas assindeticamente. 5 .Antes de orações adjetivas restritivas: Ex. isto é.Entre verbo e complementos verbais: Ex.Precedendo termos de mesmo valor sintático: Ex.Em construção com termos pleonásticos: Ex. 13 .): Ex. quer dizer.Entre as orações intercaladas: Ex.: Os policiais prenderam o infrator. continuava. disse o general. etc.: O comandante do batalhão. o sol. que foi assassinado. e José arrumou a cama. não condenou o sindicado. contudo.Para indicar zeugma (elipse/omissão de um ou mais termos anteriormente citados): Ex.Precedendo orações principais pospostas: Ex. buscou o canal certo. que é tradicional. quando pospostas/intercaladas (porém. 9 . foi detido às nove horas. quando as orações apresentarem sujeitos diferentes ou quando o “e” se repetir: Ex.Para marcar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Ex.

23. certamente colocou a vírgula depois de MULHER. 2.. ele resolve.09 PARA QUEM PENSA QUE UMA VÍRGULA É SÓ "UMA VÍRGULA".mate! Prender.Comunicação e Expressão 65 Disponível em: <http://www.universopolicial.4. colocou a vírgula depois de TEM. Não queremos saber. Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)... queremos saber. Vamos perder nada...não mate! Uma vírgula muda tudo. tenha clemência! Prender não. Vírgula pode ser uma pausa.05. nada foi resolvido.. espere.. Não tenha clemência! Não. . Pode criar heróis. Detalhes Adicionais: SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.com/2008/11/uso-da-vrgula-tire-suas-dvidas-aqui. A vírgula muda uma opinião. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação. A vírgula pode condenar ou salvar. Não espere. foi resolvido. * Se você for homem. Isso só.34. 29. * Se você for mulher. Não... Não.. Isso só ele resolve.. Ela pode ser a solução. Ela pode sumir com seu dinheiro.html>. Vamos perder. ou não.

Ou seja. o cronista acolheu o sorriso cheio de dignidade do moço o qual coroou aquele pequeno evento que o possibilitou captar a essência do ser humano em sua crônica. e ainda a insegurança da mãe e a concentração da criança no refrigerante. o quadro composto em poucos minutos mais parecia uma espécie de ritual. Assim. Como também a satisfação deles pelo sucesso da comemoração do aniversário de três anos da pequena. . os fósforos na mão. enquanto aguardava ansiosamente a fatia de bolo. ávido.Comunicação e Expressão 66 Paráfrase: Fernando Sabino entrou em um botequim da Gávea. a mãe e a menina de três anos chegaram e se estabeleceram em um canto. Reflexivo. ele pensava em concluir o ano de forma grandiosa. os gestos e olhares de ternura de pai e mãe ao observarem a filha comendo o único pedaço de bolo. os parabéns soados quase como sussurros. o cronista construiu uma detalhada e emocionada descrição dos atos e dos traços psicológicos daqueles três. O escritor foi capaz de enxergar pequenos atos como a procura das velinhas na bolsa. Por isso enquanto tomava o cafezinho. com o olhar e a capacidade de quem tem muita sensibilidade e habilidade para escrever. E. o escritor desejava falar sobre a essência humana. os gestos comedidos. ele passou a observar a pequena família. O escritor havia encontrado sobre o que falar em sua crônica especial. ele ergueu os olhos e notou a presença de um pequeno grupo de pessoas negras ao fundo do estabelecimento: era um casal acompanhado de uma menina. aspecto que ele julgava o mais digno da vida. Além disso. antes de escrever a crônica diária. As palavras. ele lamentou o fato de seus textos terem abordado situações muito comuns e circunstancias dos fatos cotidianos naqueles últimos tempos. O cronista captou o momento quando o pai tímido fez o pedido ao garçom como algo distinto e raro. a humildade e insegurança dos dois adultos. Na verdade. o cronista repetia na memória o verso de Drummond “assim eu quereria o meu último poema”. captada da convivência entre as pessoas. como também as vestimentas simples e a curiosidade da criança revelaram que não era prática comum eles estarem naquele tipo de lugar. o sopro das velas e as mãos trêmulas da menininha ao agarrar o bolo para comer. Então. desmentindo o que havia afirmado antes. Ao terminar a pequena reflexão. na última mesa. compenetrado ao tomar o café e sem ter assunto. Finalmente. Sabino queria ser capaz de expressar a respeito das relações humanas o que estava fora do alcance dos olhares comuns. ele acompanhou. Fernando Sabino chamou a atenção para a forma esquiva e insegura como o pai. Talvez por se sentirem deslocados.

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