Comunicação e Expressão

1

Curso: Letras Disciplina: Comunicação e Expressão Professora:

Ano/sem: 2011/01 h/a: 68 Código: 990101 Turma:

“Descobri que a pessoa só faz bem aquilo de que gosta. Todo mundo que faz alguma coisa bem é porque gosta do que faz. O ato de gostar está ligado ao ato do conhecer e o ato de conhecer está ligado à curiosidade” (Gilberto Dimenstein)

PLANO DE ENSINO EMENTA: Linguagem, língua e fala. Funções da linguagem. Oralidade, escrita e variação linguística. Leitura e estratégias de leitura. Escrita e estratégias de escrita. Paragrafação. Coesão e coerência textuais. Paráfrase e retextualização. Argumentação e persuasão. Particularidades léxicas e gramaticais. Competências: Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências:

1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e produtivas,
em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização de práticas sociais; 2. ser ético, pontual, interessado e comprometido com a prática e a vivência acadêmicas. Habilidades: 1. conceituar linguagem, língua e fala;

2. reconhecer as variedades linguísticas e os níveis de linguagem a partir de textos e de situações
concretas da cultura local;

3. identificar a estrutura de diferentes tipos e gêneros de textos; 4. empregar adequadamente elementos anafóricos, articuladores e conectivos para promover a coesão
e a coerência em textos produzidos; 5. compreender e interpretar adequadamente diferentes textos; 6. distinguir fala e escrita, destacando aspectos estilísticos e discursivos da escrita; 7. identificar, distinguir e empregar corretamente os conceitos: argumentar, convencer e persuadir; 8. transpor textos da oralidade para a escrita e de um gênero textual para outro (retextualização);

9. produzir e corrigir parágrafo e paráfrase de acordo com a teoria, com a variante padrão e com os
critérios definidos nesta disciplina.

Comunicação e Expressão

2

CONTEÚDOS: 1. 2. 3. 4. 5. 6. conceito, níveis e funções de linguagem; oralidade, escrita e variação lingüística; estratégias de leitura e de escrita; paragrafação; coesão e coerência textuais; compreensão e interpretação de textos; argumentação e persuasão; paráfrase e retextualização; revisão gramatical. METODOLOGIA: A disciplina propõe espaço para o processo de reflexão e aperfeiçoamento da língua materna por meio de aulas teóricas e atividades práticas de leitura e escrita. Para tanto, nos encontros haverá discussões que desafiem o aluno a ler, elaborar hipóteses e compreender os entrelaces das palavras na constituição do discurso coerente e, sobretudo, na capacidade de utilizá-lo de maneira consciente no dia a dia. O acadêmico será provocado a produzir, autocorrigir e refazer textos significativos. Os conteúdos dos encontros presenciais serão desenvolvidos a partir de dinâmicas diversas tais como GV-GO, discussão circular, Phillips 66, seminários e mesa redonda para que o grupo possa socializar tanto as experiências quanto os conhecimentos prévios e os novos. Serão utilizados recursos como: quadro, retroprojetor, cartazes, datashow, músicas, revista, dvd, aparelho de televisão e de som. Para as aulas semipresenciais será utilizado sistema web, via plataforma da Instituição (www.ulbra-to.br), onde estarão disponíveis atividades da disciplina que envolvam leitura e escrita como também os critérios a serem observados pelo acadêmico ao publicar as respostas solicitadas. AVALIAÇÃO: O processo de avaliação será contínuo, por meio de observação, no que diz respeito à participação, ao interesse, à responsabilidade e pontualidade em que os alunos deverão apresentar trabalhos individuais e em grupos; orais e/ou por escrito, demonstrando conhecimento do conteúdo, coerência e consciência crítica sobre o que dizem. Os textos e as referências bibliográficas serão disponibilizados no portal e na reprografia. A produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada. Os acadêmicos que apresentarem dificuldades na escrita deverão frequentar o Laboratório de Produção Textual. Compõe G1: - leitura e discussão da obra O que é leitura. (v.1,0) - leitura e apresentação oral do livro Preconceito Linguístico: o que é, como se faz: (v.1,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5), de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico. Compõe G2: - leitura e apresentação oral do livro A arte de Argumentar e o filme Obrigado por fumar. O aluno deverá apresentar de maneira clara e coerente a relação que há entre a obra e o filme. (v.2,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5) de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico.
*Obs: o aluno que faltar à prova deverá substituí-la no fim do semestre, de acordo com a resolução institucional.

1.
2.

Substitutiva de grau: Avaliação- Assunto cumulativo do semestre Prova (v.10,0), conforme resolução institucional.

Comunicação e Expressão

3

NB: - As atividades serão realizadas a partir de roteiro disponibilizado no Portal e na reprografia. Todos devem ficar atentos ao cronograma. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BASTOS, Lucia Kopschitz. A Produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FARACO, Carlos Roberto e TEZZA, Cristóvão. Prática de Texto: para estudantes Universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. Ed. São Paulo: Ática, 1998. LEITURAS OBRIGATÓRIAS: ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: Loyola, 2004. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura.19. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BAGNO, Marcos. A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 14. ed. São Paulo: Conteto, 2005. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1998. POSSENTI, Sírio.Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado das letras/ALB, 1996. RAMOS, Jânia M. O espaço da oralidade na sala de aula. São Paulo: Martins Fontes, 1997. SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001.
1. Critérios de avaliação oral Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: a) demonstração, por meio de informações precisas, de que fez a leitura do texto; b) exposição de ideias claras, coerentes e com senso crítico, tanto nos debates em grupos pequenos quanto no grupão; c) boa entonação, adequado volume de voz e entusiasmo ao fazer exposição oral; d) apresentação de informações novas e relevantes a partir, quando possível, de conhecimentos prévios; e) atenção e respeito às ideias dos colegas; f) inscrever-se (sinalizar com a mão) e esperar pelo turno de exposição; g) criatividade e colaboração na preparação de material e nas apresentações orais; h) postura adequada quando fizer exposição; i) uso da norma culta da língua nas modalidades oral e escrita, exceto em situações específicas que exijam outras variantes. 2. Critérios de avaliação escrita Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios: 1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) • apresenta características do gênero textual solicitado, de forma que é possível identificá-lo? • apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) • apresenta o uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? • apresenta o assunto de maneira original, crítica e criativa? 3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) • está escrito de acordo com a variante lingüística adequada? • está adequado quanto à ortografia?

sejam graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas. que é secundária e individual. então. Para o linguista Saussure. Samuel também inventou o telégrafo sem fio. ou seja. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos. Ele transmitiu o primeiro telegrama do mundo. Disponível em:<http://www. Como se vê. a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a titulo de pura sensação. no interior de uma mesma língua são importantes as variações. a divisão do trabalho. Para os receptores (ouvintes) a fala é. o texto: (valor: 15%) apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? • apresenta letra legível. um fenômeno fonético. usada pelos falantes por meio da fonação e da articulação vocal.com. numa extensão de 64 quilômetros. língua inglesa). com ajuda dos órgãos sensoriais. fotografar o estágio de desenvolvimento da humanidade. entendida como forma de realização da linguagem. a língua é um sistema de símbolos pela qual a linguagem se realiza. E sua linguagem é uma ferramenta capaz de traduzir. com efeito.> Acesso em 31 de jul. objeto da semiologia ou semiótica. essencialmente social porque é convencionada por determinada comunidade linguística. é veículo de transmissão da Língua. assim.Comunicação e Expressão 4 • • • • 0. organização estética adequada e título criativo? LINGUAGEM. que deve estudar “a vida dos signos no seio da vida social”. A fala. para as comunicações telegráficas. que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua. em que se enquadram os diferentes tipos de Gíria. conhecimento e interação com os semelhantes. Mas. O homem necessita comunicar para progredir. entre as cidades de Washington e Baltimore. LÍNGUA E FALA O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilitam nossos modos específicos de pensamento. as máquinas.html. e a Fala. língua erudita. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa. de registrar o conhecimento e o desenvolvimento da escrita e fonética. as tecnologias. a certos subgrupos. como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. mais rápida será sua progressão.br/girafas/lingua_morse. nos Estados Unidos. de uma forma geral. Leia o texto: 1 O Alfabeto Morse foi inventado pelo norte-americano Samuel Finley B. fica evidente que o desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependem do progresso alcançado em suas atividades. quanto mais avançada for a capacidade de comunicação de um conjunto de indivíduos. portanto. Atividade 1. língua técnica. está adequado quanto ä concordância? está adequado quanto à pontuação? está adequado quanto à sintaxe? está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 4. acima de tudo. Morse 1) e torna-se. por sua vez. . diversas modalidades: língua familiar. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das regiões do Brasil). É a capacidade da espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). língua popular. Nota-se. da evolução dos meios de receber comunicação e de se comunicar.girafamania. Assim. a descoberta do fogo. então. a linguagem é composta de duas partes: a Língua. Quanto a aspectos estéticos. Alguns linguistas preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações. é um fenômeno físico e concreto que pode ser analisado seja diretamente. Dentro de uma mesma língua temos. A língua é. 2009. língua própria a certas classes sociais. Morse (1791-1872).

gritos da torcida 2. 4. 5. a comunicação aparece nos gritos da torcida. 2. conversas de torcedores Assinale a alternativa correta. O APRENDIZADO DA LEITURA . Um bom exemplo é o texto que segue: "As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito.V.( ) 1. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991. quando um texto é ambíguo. 3. (BORDENAVE.V. Três questões básicas: Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido é a resposta a três questões básicas: .NV.V.V. apitadas.br/site/arq_material/12042_13033.( ) 1. 3. reconheça o que se constitui em linguagem verbal (V) e em linguagem não-verbal (NV). É o conhecimento lingüístico que nos permite reconhecer a ambigüidade do texto em questão (pela posição em que se situa. 2. o que nos leva à conclusão de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Português. 1. a compreensão do texto depende também do conhecimento de mundo. do Juizado de Menores. é o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que se lê. fotógrafos e operadores de TV. no placar eletrônico.15) Questão 1: Dentre as manifestações comunicativas citadas a seguir. A título de ilustração.( ) 1. 6/6/92). nas conversas e insultos dos torcedores. Mas não se pode responder a essa pergunta sem antes destacar que não existe para ela uma solução mágica. O próprio jogo é um ato de comunicação.NV.V.V. no trabalho dos repórteres.Comunicação e Expressão 5 No estádio de futebol. em seus gritos de estímulo.V d. exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos.pdf>. Dias.NV.NV.V. e cartões do juiz e dos bandeirinhas 5.COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Interessa a todos saber que procedimento se adotar para tirar o maior rendimento possível da leitura de um texto. pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupõe.NV. 3.NV. E. 2 ed. 5. cores das bandeiras 3. Como se vê. o que não quer dizer que não exista solução alguma.NV. um repertório de informações exteriores ao texto. nas fábricas. radialistas. O que é comunicação. nos gestos. o que se costuma chamar de conhecimento de mundo. observe a questão seguinte. A portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais" (Folha Sudeste. 4. nos escritórios.NV. p.com. 2. 2009.V b. 5. São Paulo: Brasiliense. Dias antes já havia provocado dúzias de mensagens e durante dias a fio ele continuará sendo objeto de comunicação nos botequins. além do conhecimento lingüístico propriamente dito. que proíbe que as casas de vídeo aluguem. nas cores das bandeiras. nos números das camisetas dos jogadores. mas também de todas as outras disciplinas sem exceção. Genericamente. 4.V Disponível em: <ttp://novosolhos. nos rádios e nos jornais. nos alto-falantes e radinhos de pilha. 4.( ) 1. 5.V e.NV.NV c. 2.V. a. Mas o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretação é estranha e só pode ter sido produzida por engano do redator. 3. 5. extraída de um vestibular da UNICAMP: Às vezes. 2. 3. É muito provável que ele tenha tido a intenção de dizer que os menores estão proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorização dos pais e de frequentarem motéis.( ) 1. 4. Acesso em 31 de jul. apitadas e cartões do juiz e dos bandeirinhas. gestos. Juan. 1982.V.NV.NV. a expressão sem a companhia ou autorização dos pais permite a interpretação de que com a companhia ou autorização dos pais os menores podem ir a rodeios ou motéis). números das camisetas 4.

isto é. c. Na escrita. vamos ao código que aqui me interessa. de cabelo em pé. II . aquela em torno da qual gira o texto inteiro. várias linguagens ao mesmo tempo e transitar entre elas com habilidade e até elegância em certos casos. Se de um lado andamos de cabeça mais erguida nestes dias. Longe disso. melhor os usamos em cada ocasião.Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. Ao contrário.Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto. III . lembrem-se. Os catastrofistas. como nos chats. uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. linguagem de namorados. paira ainda certo receio de que tudo seja turvado por interesses políticos e artimanhas de compadres. os argumentos apresentados em favor da tese. dos advogados. Para tanto. também. que na verdade é múltiplo. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita. Agora. é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. Mas estamos mais esperançosos de que a verdade e a Justiça culpem os culpados e absolvam os inocentes. Linguagens técnicas. a.html>. na vida diária. surge uma preocupação com a linguagem abreviada e de caráter fonético usada em mensagens de computador. Texto de Francisco Platão Savioli. é importante observar a “costura” do texto. o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal. Vivemos segundo alguns. Se pudéssemos dominar apenas um sistema de sinais escritos.mundovestibular. acredito – e os linguistas talvez confirmem – que. linguagem de surdos. Acesso em 30 jul. a coerência entre tese e argumentos. Na verdade. usando desse recurso que tem a ver com velocidade e economia. E a linguagem técnica ligada às mais variadas ciências e meandros do universo tecnológico. Disponível em: <http://www. que precisa eventualmente ser traduzido para o comum mortal. são muitos. um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias.Comunicação e Expressão 6 I . . o jargão dos médicos. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando. Receio infundado: somos capazes de dominar. ou sabe apenas de maneira genérica e confusa. o código do próprio idioma escrito. aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentatório. no vasto e interessantíssimo leque das nossas capacidades e curiosidades. Segundo códigos de ética que no momento são objeto de verdadeira guerra entre nós. Por isso. isto é. para as quais até dicionários já existem.br/articles/411/1/O-APRENDIZADO-DA-LEITURA---COMPREENSAOE-INTERPRETACAO-DE-TEXTOS/Paacutegina1. ou nunca aprender direito. se passa de uma afirmação para outra. Isso dito. Também para Geraldi (1984).com. na fala e na escrita. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor. aquele que aprendesse taquigrafia haveria de cometer mais erros de ortografia. porque ao menos um passo foi dado e temos quatro dezenas de réus em falcatruas variadas e graves. que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra-argumentos confirmam sua posição. as linguagens das famílias – em que determinadas palavras evocam cenas hilariantes ou tristes. b. 2009. o da linguagem. Sem falar na linguagem das siglas que dominam o mundo. e como. haveriam de desaprender. O da comunicação. não há perigo de sotaque. no interior do parágrafo. linguagens profissionais. um bom roteiro para estudar um texto é o de especificar a tese defendida (tema do texto). de quanto mais recursos dispomos. os contra-argumentos levantados em teses contrárias.Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta. como se dá a passagem de um parágrafo para outro. d. Os novos códigos Lya Luft Linguagens são códigos e com eles nos comunicamos. O receio é que os jovens. Linguagem de cegos. empunham a vassoura da faxina crítica. O autor sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados.

com/colunistas/coluna. contraposições. f) assinalar. e) assinalar com uma linha vertical. tem de ser objetivo e restringir a palavras ou frases”. a sociedade e as culturas. destacando partes ou subdivisões. e casais extraordinariamente infelizes que conviveram desde a adolescência. Somos melhores do que se pensa. pois com um objetivo. os argumentos discutíveis. definições. Além de tudo. como se tudo o que é novo fosse primariamente mau. dos donos da verdade. siglas. sem alegria. as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes importantes. Não sejamos chatíssimos senhores com odor de naftalina. Além disso. inteligente. marcas diversas que orientam a leitura. por qualquer outro motivo. É preciso dar uma chance às novidades e inovações. segue uma evolução que independe de nós. dos moralistas. esquema. tese. os casos de discordâncias. sem abertura para o novo e o bom. c) releitura do texto para identificar as ideias principais. no bom e no negativo. fichamento. Como é necessário encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto. quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou. Acesso em 17 de junho. rápida.digestivocultural. Permite que se faça um mapeamento do texto. todas as demais formas de comunicação fossem espúrias. Para tanto é importante ter a percepção do conteúdo do texto. com um ponto de interrogação. Disponível em: http://www. b) esclarecimento de dúvidas de vocabulário e termos técnicos. uma ação concreta. se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura e na compreensão das ideias. à margem do texto. d) sublinhar. principais argumentos. Nem tudo o que é novo é positivo. a vida. embora em geral a gente não tenha nem dê essa impressão de nós mesmos. . fazer uma retomada do texto. ESTRATÉGIAS – LEITURA DE ESTUDO Para Brito (2001). auxilia na concentração na hora da leitura. Conheço casais felizes que se encontraram num chat. a língua. Que nem sempre são o lobo mau. possibilita voltar ao texto lido. o estudo e a reflexão de um texto supõem o uso de recursos como sublinha. A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: a) leitura integral do texto para contato panorâmico. A TÉCNICA DE SUBLINHAR Sublinhar um texto é destacar as ideias principais. É importante perceber como o autor desenvolveu o texto. em cada parágrafo. dos puristas. como os costumes. uma tarefa a realizar. mais hábeis e mais capazes. Vamos estudar alguns desses recursos mais detalhadamente. E não falamos com um bebê de dois anos como falamos com o médico ao qual estamos expondo nossos males. por isso mesmo sem discernimento para o verdadeiramente mau. sim. embora crianças devam ser controladas e alertadas para doenças como pedofilia e outros males nesta nossa enferma sociedade. ou damas enfiadas no espartilho do preconceito: sem ginga. em lugar de criticar de saída ou prevenir-se contra. criativa e. a línguapadrão que é e deve ser usada em momentos mais sérios. no fundo obscuro de alguma caverna. dos que seguram o facho da razão numa das mãos e na outra o chicote da censura. os tópicos mais importantes. por isso. Escrever com abreviaturas. 2010. que podem confirmar amizades já existentes (falo com amigos distantes mais frequentemente do que com o que mora no mesmo edifício) ou abrir a porta para novas relações. É como se fora da língua culta. é uma estratégia que monitora a compreensão. as passagens obscuras. formas enigmáticas aos desavisados é apenas uma maneira divertida. nem tudo o que é tradicional é melhor.Comunicação e Expressão 7 Linguagem é a roupa da mente: não falamos em casa como falamos num discurso em ocasião solene nem falamos numa entrevista para conseguir emprego como falamos brincando com nossa turma na escola. à margem do texto. além de ajudar na compreensão do texto. anotações de margem de texto. econômica. “Sua finalidade é destacar elementos que servirão de orientação para consulta futura. resumo. um pouco secreta de estabelecer e cultivar laços cibernéticos. Essa marcação. Ou ainda acenderíamos fogo esfregando pedrinhas. dos gramáticos. Questão 1: Vamos identificar a tese defendida por Lya Luft no texto Os novos códigos como também os argumentos e os contra-argumentos utilizados na construção da opinião da autora. num outro momento. etc.

h) reconstruir o texto. por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. Uma terceira função é persuadir o indivíduo — convencê-lo a adquirir certo produto. setas e outros símbolos (Andrade. (Samuel Pfromm Neto apud Soares & Campos. acompanhada. A primeira diz respeito à difusão de notícias. comentários etc. as ideias principais estão sublinhadas. relatos. estudo e trabalho. tomando as palavras sublinhadas como base. intencional ou não. pois nele aparece apenas o ‘esqueleto’. podem sofrer variações e adaptações pessoais. O indispensável é sublinhar apenas o estritamente necessário. Para se obter maior funcionalidade das anotações. azul = detalhes importantes. em várias cores. etc. planos. sobre a realidade. 111). persuadir e ensinar. 1978. as ‘palavraschave’. No texto abaixo. • As anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos. ou seja. destrezas. fundamental para desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social. • Dependendo do gosto. evitando-se o acúmulo de anotações que. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. É uma atividade que pode ajudar na seleção e na organização das informações mais importantes. além de causar mau aspecto.Comunicação e Expressão 8 g) ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido. ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos seqüenciais ou arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida”. no final do trabalho. fazer uma leitura comparando-se o texto original com o texto sublinhado. • Outra prática optativa é sublinhar com dois traços a ideia principal e com um traço as ideias secundárias. “O esquema é um texto que corresponde. essas sugestões. de evasão. grosso modo. ou não de interpretações ou explicações. como: vermelho = idéia principal. antes de atingir as costas do Peru Ar quente Aquecimento das águas costeiras do Peru Queda do rendimento pesqueiro . divertir. estabelecendo-se um código particular. 1997) que possam ajudar na organização e visualização das ideias. usa-se caneta hidrocor. sem necessidade de apresentar frases redigidas”. dificulta e gera confusão. Elabore um resumo: Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar. por parte do público. chaves. p. A segunda função atende à procura da distração. em vez de facilitar o trabalho do leitor. tais como: • Sublinhar com lápis preto macio. a uma radiografia do texto. É muito útil. evidentemente. a votar em certo candidato. A quarta função — ensinar — é realizada de modo direto ou indireto. para não danificar o texto. Utilizam-se normalmente de colchetes. Ocorrência Exemplo: periódica (época do Natal) Águas do Oceano Pacífico Atividade de pesca do Peru Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão) Corrente marítima de Humboldt Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas Alimentos para os peixes FENÔME NO EL NIÑO Microrganismos animais e vegetais de vida aquática (plâncton) Desvio da corrente de águas frias Ventos provindos do oeste Diminuição da quantidade de plâncton Inflete para oeste. de divertimento. É um texto que auxilia na leitura.

que se traduz. Águas do Oceano Pacífico. entretanto. Campinas: Alínea. Essa coexistência.1. 3. não se dá no vácuo. Como facilitar a leitura. de determinadas regiões geográficas. Diminuição da quantidade de plâncton. 5. de modo evidente. historicamente coincide com a variedade falada pelas classes sociais altas. A LÍNGUA E OS FALANTES 1. Ventos provindos do oeste Ar quente. 2. Yara. 2003 FULGÊNCIO. do assunto tratado. 2. AS VARIEDADES LINGUÍSTICAS E A ESTRUTURA SOCIAL Como já foi dito. Tradicionalmente. Inflete para oeste. 2000. de outro. Leda Tessari. Desvio da corrente de águas frias. A língua padrão tem uma enorme importância em sociedades como nossa. que reflete a hierarquia dos grupos sociais. Constata-se. A variedade padrão é a variedade linguística socialmente mais valorizada de reconhecido prestígio dentro de uma comunidade. “Uma variedade linguística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes. O que chamamos de variedade padrão é o resultado de uma atitude social ante a língua.1. Atividades de pesca do Peru. Alimentos para os peixes. em todas as comunidades existem variedades que são consideradas superiores e outras inferiores. 6. cujo uso é normalmente requerido em situações de interação determinadas. Na realidade objetiva da vida social. Em nossas sociedades de tradição ocidental. a variedade padrão. Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas. Isto é. CASTELLO-PEREIRA. Ocorrência periódica (época do Natal). Questão 1: A partir dos conhecimentos específicos que já temos do nosso curso. pelo estabelecimento de um conjunto de normas que definem o modo “correto” de falar. Corrente marítima de Humboldt. Lúcia & LIBERATO. de um lado. Microrganismos animais e vegetais da vida aquática (plâncton). da relação entre os interlocutores etc. podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas. como o seguinte: FENÔMENO EL NIÑO 1. pela seleção de um dos modos de falar entre variedades existentes na comunidade. o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos linguísticos dos grupos socialmente dominantes.1. a existência de variedades prestigiadas e de variedades não prestigiadas nas sociedades em geral.1. 5. vamos definir um assunto. há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso. em qualquer comunidade de fala. 4. São Paulo: Contexto. . isto é. esquematizá-lo e apresentá-los aos colegas por meio do esquema elaborado.1. mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada comunidade. 1. Queda do rendimento pesqueiro. As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão. Aquecimento das águas costeiras do Peru.1. antes de atingir as costas do Peru.Comunicação e Expressão 9 Outra forma de apresentar um esquema é por meio de uma listagem hierarquizada por diferenciação de espaço e/ou subdivisão numérica. vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais” (Gnerre). Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão). Leitura de estudo. definidas pela comunidade como próprias em função da formalidade da situação.

aplicava a pena que parecia a ele mais justa. ouvimos falar em línguas “simples”.Comunicação e Expressão 10 A avaliação social das variedades linguísticas é um fato observável em qualquer comunidade da fala. Variedades linguísticas Ivan Cupertino Dutra Sibele Letícia Rodrigues de Oliveira Biazotto • Língua Culta ou Língua-padrão – variedade praticada pela classe social de prestígio. Exemplo: “Na Antigüidade. as atitudes sociais – se baseiam em critérios não linguísticos: são julgamentos de natureza política e social. por exemplo. passou-se. e o fazemos em função de sua inserção na estrutura social. com palavras escolhidas que realmente representam o que se quer dizer.. p. portanto. Consideramos. sem ambigüidades.. Para a Linguística – ciência da linguagem – esse tipo de afirmação carece de qualquer fundamento científico. foi questionado esse modelo especialmente com o argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. é um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive.. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. ficava sujeito aos humores do juiz... há obediência também à regência verbal e nominal (. Observamos também que o léxico (vocabulário) é mais bem trabalhado. Em resumo. mas usamos esse mesmo som para falar “car” (carro) em inglês sem achar “feio”./. como a posição dos pronomes em relação aos verbos (.).. 2. principalmente.. mas o falante.. foi questionado esse modelo especialmente com o . Não casual. de classe social baixa. o que também não se revelou um bom critério em razão de que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto. passou-se a adotar. aplicar-seia.. As línguas não são homogêneas e a variação observável em todas elas é produto de sua história e do seu presente.. “inferiores”. de regiões culturalmente desvalorizadas. Segue as regras da gramática normativa. 1.. vol.. então. Toda língua é adequada à comunidade que utiliza. assim.. Na língua culta ou padrão... “primitivas”.. podemos perceber a obediência às regras gramaticais../). julgamos não a fala. é usada na elaboração de documentos oficiais. Assim como não existem línguas “inferiores”. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. aplicar-se-ia sempre pena idêntica. que lhe parecia mais adequada.. Em que se baseiam. para o crime de mesma natureza. na imprensa e... No Iluminismo. No Iluminismo./.” (Texto adaptado de MIRABETE. não existem variedades linguísticas “inferiores”. que se julgue “feia” a variedade dos falantes de origem rural. Frequentemente. passou-se a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos... assim. • Língua Coloquial – utilizada sem muita preocupação em seguir as regras da gramática normativa. um sistema de aplicação de penas. aplicava a pena que lhe parecia mais adequada. 291). na forma escrita. ou seja.. com pouca escolaridade.. Em razão disso./ . o r caipira “desagradável”. as avaliações sociais? Podemos afirmar que os julgamentos sociais ante a língua – ou melhor. Exemplo: “Na Antigüidade.. é mais espontânea e natural. 2003../ . entre outros.

tá ligado?” (Texto adaptado de MIRABETE. 291) Regionalismos: podemos citar as expressões: cabra. o juiz castigava.. 1. usaram uma tal de matemática: todo cabra que matava. Mais também num gostaro porque cada um é cada um. Depois acharam que não tava certo.gostaro. 2003.. entre outras. p. 2003. 291) Quanto à linguagem familiar. Exemplo: “Papai. p.. do ponto de vista das regras gramaticais normativas. se passou a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. caminhoneiros etc. • Língua Familiar – linguagem de caráter afetivo. Aí. porque contém expressões emotivas. 2. vol. • Língua Grupal – é dividida em subníveis..” (Texto adaptado de MIRABETE....). 1. usaram a aritmética: todo malandro que fazia um presunto. conforme o grupo que a utiliza. qualquer falante de uma língua a utiliza. regionalismos: é diferenciada principalmente pela pronúncia. vol.tava.. 1. vol.. corretivo. Aí.. que era para ele mais certo.Então. usaram uma tal de matemática: todo bandido que matava. ia pro pau de arara.. p. vivente.... vol.Filhinho. Exemplo: “Antigamente o juiz é que tomava de conta do corretivo do cabra que matava um vivente. principalmente. Aí. 2003. Mais também num deu.. se passou.. não era bom../. Exemplo: “Antigamente o castigo do bandido ficava por conta do juiz que dava o castigo que ele achava melhor.... para o crime de mesma natureza.. mais que outra. caso concreto/caso acontecido. querido.E depois? .. porque como nunca tem crime igual. particulares e diminutivos. surfistas. 1.. tudinho. Podemos notar exemplos no texto como: . Mas há também as gírias de grupos como: de marinheiros.. Aí... com uso recorrente de diminutivos. conhecidas. Mas também num foi do agrado de todos. 1. Quanto à escolha do léxico. p..muito. . o que também não se revelou um bom critério em razão que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso acontecido. era castigado igual. tivesse castigo parecido ou até que o outro acabasse tendo um castigo muito pior... os outros começaram a achar que desse jeito não era bom porque ficava na vontade do juiz o tamanho do castigo. ou seja.. Por exemplo: 1. .. porque só o doutor decidia. como é que o bandido vai pra cadeia? .filhinho. se aplicaria. porque só o dotô decidia. no tempo antigo. 2003. p. pelos meios de comunicação de massa. 291) Já a linguagem popular. como idêntica/parecida... ou seja. menos formal e de relativa obediência às regras gramaticais. .Comunicação e Expressão 11 argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz.. 291) A linguagem coloquial já ‘burla’ algumas regras gramaticais. começaram a fazer assim: o que a pessoa fez e como era castigada já estava escrito.. sem preocupação com regras gramaticais.tudinho.querido. porque cada um é cada um.. etc..” (Texto adaptado de MIRABETE. notamos que foram utilizadas palavras mais frequentes entre os falantes. Depois.. etc. Depois acharam que não tava certo. porque cada um é cada um. de pouca duração.. Exemplo: “Antigamente o castigo do meliante ficava por conta do cana dura que dava o castigo que ele achava melhor. mas também pelo vocabulário e pela sintaxe. Em razão disso.. A questão é a escolha do momento em que podemos utilizá-la. era corrigido igual. quando alguém fazia um crime. .. gírias: são consideradas efêmeras. . Talvez em outros estados os falantes considerem diferente ou atribuam outros sentidos a tais expressões.. .. • Língua Popular – utilizada pelas pessoas de baixa escolaridade. .. Por exemplo. tomava de conta. se aplicaria sempre pena parecida.dotô.. . 2003... 291) . era preciso deixar que o juiz olhasse o erro de cada um para aplicar o castigo merecido. porque só o dotô decidia. amizade.” (Texto adaptado de MIRABETE. as regras que regem o uso de pronomes não são seguidas (. muito errada. Vejamos: . vol...” (Texto adaptado de MIRABETE. contém erros por se afastar da norma culta estabelecida.aí... carregada de gírias e regionalismos.. Depois acharam que não colava. Podia acontecer que quem fez alguma coisa muito. muito.mais também. utilizadas na região do Tocantins..

que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Corinthians. Isso acontece. As formas lingüísticas consideradas padrões. meu… Alevanta os braços. 2011. ao escrever uma mensagem eletrônica devemos ficar atentos a alguns procedimentos que ajudam a compreensão da mensagem escrita. bichin… Isso é um assalto… Arriba os braços e num se bula nem faça muganga… Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão. a fixação da pena ficava inteiramente ao arbítrio judicial. meu… (A) (B) (C) (D) (E) variação social variação regional variação cultural variação histórica variação padrão A Língua Padrão muda no tempo Este é um fato elementar para quem quer entender as línguas: todas as línguas mudam ao longo do tempo. delito. principalmente na escrita. 3. possam economizar precioso tempo com a troca de informações. que é considerada gíria do grupo lingüístico de que fazem parte os policiais. empresas e serviço público têm sido feitas. com presença de vocabulário específico. as correspondências entre pessoas físicas. vol. mas é pra não ficar muito pesado… Não esquenta. em que pouca ou nenhuma flexibilidade se dava ao juiz para aplicar a sanção. meu… Passa a grana logo. sanção. Levanta os braços. No texto encontramos a expressão meliante. 2003. se manda. p. localizadas em qualquer parte do mundo. pois contém expressões como: arbítrio judicial.Comunicação e Expressão 12 Gírias: vamos nos concentrar mais nas gírias profissionais. pra num ficar cansado… Vai passando a grana. Assaltante Nordestino –Ei. mas é que eu tô com uma fome da moléstia… Assaltante Baiano – Ô meu rei… (longa pausa) Isso é um assalto… (longa pausa). por um sistema de penas rígido. que são menos volúveis. meu. 1. Acesso em 06 de fev. Apesar de sua elaboração aparentemente fácil. podemos identificar claramente que se trata de uma linguagem do campo jurídico. Exemplo: “Na Antigüidade. de comércio e de serviços. Vou deixar teus documentos na encruzilhada… Assaltante Paulista – Orra. predominantemente. em decorrência do Iluminismo. porque esse tipo de correspondência apresenta uma característica muito presente na contemporaneidade: a rapidez. bem devagarinho… (longa pausa). meu… Isso é um assalto. meu Padim Ciço. são mais resistentes Disponível em: <Artigos>. Num repara se o berro está sem bala. meu… Mais rápido. 291) Para classificação. . por exemplo. a eficiência dessa forma de comunicação permite que as empresas. Linguagem na Internet Atualmente. dividimos a linguagem grupal em: Línguas técnicas: no exemplo dado. Se num quiser nem precisa levantar. Além da rapidez. meu irmãozinho (longa pausa). mas não se avexe não… (longa pausa). Esse injusto sistema foi substituído. Mostrou-se esse critério também inadequado por não poder o julgador sopesar devidamente as circunstâncias do delito para uma melhor correspondência da sanção penal ao agente do fato criminoso” (Texto adaptado de MIRABETE. pelo correio eletrônico (e-mail). meu… Pó. línguas técnicas: são utilizadas pelas várias profissões. ATIVIDADE Questão 1: Assinale a opção que identifica a variação linguística presente nos textos abaixo.

porque vivem sob controle severo! . mas mesmo esta é rompida em textos mais informais e nos textos literários. porque o nosso ouvinte vai julgar não somente o que se diz.. a sua organização estrutural. é fato que há uma diferenciação valorativa.? ATIVIDADES Texto 1: MAS.linguist. Pouco a pouco. mesmo em textos de boa qualidade.há uma tendência sistemática a não fazer a concordância (Foi inaugurado as usinas). eu aviso ele. Nós costumamos “medir nossas palavras”. e talvez seja muito mais frequente o emprego "errado" que o emprego "certo". Vejamos algumas conseqüências que decorrem da mudança. ou A Constituição nem sempre tem sido obedecida pelas autoridades federais). as mudanças nunca acontecem subitamente. não há como dizer que uma forma linguística é melhor que outra. Quando o uso chega a esse ponto. em vez de Assisti a um filme). e não Se eu ver fulano.(não exist var. isto é. é claro. entre outras razões....e isso mesmo nas faixas mais escolarizadas da população . a tendência já está passando à escrita. mas do significado social que certas formas linguísticas adquirem nas sociedades. que nasce não da diferença desta ou daquela forma em si.) vão se popularizando e disseminando até o momento em que ninguém mais consegue perceber a nova forma como erro . Na língua oral . por exemplo. O QUE É LÍNGUA PADRÃO? Já sabemos que as línguas são um conjunto bastante variado de formas linguísticas.. Do ponto de vista científico. Na escrita mantém-se mais visivelmente apenas a regra de não se começar período com pronome átono. que por mais que reclamem e vociferem não conseguem “segurar” a mudança. Uma evidência dessa mudança na língua padrão é o fato de que esses verbos tornados transitivos diretos passaram a ocorrer com freqüência na escrita padrão na forma passiva. Nesses casos. Outro caso visível é a colocação dos pronomes no português brasileiro. Outro aspecto que decorre da transformação da língua ao longo do tempo é a convivência (nem sempre pacífica!) entre formas arcaicas e formas contemporâneas.. como o exemplifica o texto do poeta Oswald de Andrade que. Uma delas é a relativa imprecisão de suas características. Falar nisso: o padrão é Convencer pessoas que o certo é. mas também quem diz. as "novidades" (ou os "erros".Comunicação e Expressão 13 à mudança . dependendo do ponto de vista. Um exemplo bastante visível é o caso da regência de alguns verbos. o fenômeno da concordância nos casos em que o sujeito aparece depois do verbo..exceto.melhor q a outra a n ser por gosto pessoal). o que costuma ser sintoma de que a mudança está avançando significativamente. impossível sintaticamente com verbos transitivos indiretos (O jogo Brasil x Argentina foi assistido por milhões de telespectadores dos dois países. os gramáticos. pode-se dizer que a mudança de padrão começa a se consolidar. Entretanto. que insiste sistematicamente em recusar algumas normas das gramáticas escolares. do tipo foram inauguradas as usinas. a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério. o padrão de Portugal (que determinou na origem o do Brasil) desapareceu quase que por completo. eu o aviso. criticou veementemente a norma culta muito parecida com o português praticado em Portugal: Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade ) Em outros casos. ou Convencer pessoas de que o certo é. na década de vinte do século passado. Veja-se. embora seja frequentíssima em textos escolares. Faça um teste: tente convencer pessoas comuns que o certo é dizer Se eu vir fulano. E a linguagem é altamente reveladora: ela não . a resistência é muito mais forte. Mesmo que tenhamos pensado objetivamente a respeito nós sabemos (ou procuramos saber o tempo todo) o que é e o que não é permitido. Mas aqui a transformação não chegou ao padrão escrito de prestígio. escritos por bons escritores ou jornalistas. AFINAL.mas também mudam. por exemplo. Há uma tendência muito forte na linguagem oral do português brasileiro de tornar transitivos diretos alguns verbos que tradicionalmente eram transitivos indiretos (Assisti um filme. cada uma delas com a sua gramática. Na fala..

4. . No trecho “ela não transmite só informações neutras” (linha 10). atualmente. revela também nossa classe social. n falar algopra n agredir alguém. a nossa escolaridade. é correto afirmar: 1. o nosso ponto de vista. como a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição. pelo sotaque.colokial e familiar...ou seja. 8. kemsomos.. a linguagem também é um índice de poder. a região de onde viemos. 16. mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer. a afirmação indica que existem informações neutras. tanto na linguagem padrão como na coloquial..a partir do que falamos podem identificar de onde vimos. Esse recurso se caracteriza como variação linguística e pode ser observado. e que o papai deu de raspão na empregada noutro dia. mas também” em: “nosso ouvinte vai julgar não somente o que diz. mais beijam. Os pronomes “a gente” (linha 3) e “nós” (linha 7) foram usados com o mesmo significado referencial. A expressão “não somente. pela forma usada. O trecho “a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério (linhas 3 e 4) pode ser parafraseado: “a não ser que nos esqueçamos da ciência e seja adotado o preconceito linguístico ou o gosto pessoal como critério”. Humoristica) Questão 2: Em que variante linguística está escrita a pequena crônica de Millôr Fernandes? Por quê? Que marcas textuais autorizam tal resposta? R:var. Nesse sentido. Tem uns que gostam muito. o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga. (Millôr Fernandes) (cron. O parágrafo introduzido por ele serviu para confirmar o que foi dito antes. 2. O beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega. mas também quem diz” (linha 9) estabelece uma relação de retificação do argumento da primeira afirmação com o argumento da segunda e acrescenta uma nova informação. na rede das linguagens de uma dada sociedade.. outros que ficam aborrecidos e limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam.p/ exemp.( n existe inform neutra. a nossa intenção... O beijo pode ser no escuro e no claro. além de outras informações. Atividade: Questão 1: Sobre o texto acima.Comunicação e Expressão 14 transmite só informações neutras. A soma das alternativas corretas: a) 12 b) 24 c) 15 d) 28 e) 31 Texto 2: O beijo O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo.Medir palavras é n fugir daquilo que é prestabelec pela socied. de falar ou escrever. O articulador “assim” (linha 13) foi usado com o valor exemplificativo e complementar.é quest de adequabilidade) Assim. a língua padrão ocupa um espaço privilegiado: ela é o conjunto de formas consideradas como o modo correto. Ver marcas e termos usados! Texto 3: Observar a imagem para responder às questões e elaborar texto. socialmente aceitável.

a que classe social pertence. no qual apareçam todas as informações.em que local mora a pessoa que o escreveu? Como também. .com/quadrinhos/31-03-2009_diversas. o perfil da hipotética pessoa que escreveu o aviso na parede. ou seja. Acesso em 15 de mar. Texto 3: Vamos observar atentamente a tirinha para responder à questão 3.que profissão exerce. a adequabilidade ou inadequabilidade do uso das variantes. . como por exemplo. que motivo a obrigou a escrever tal texto? .Que idade tem. Questão 3: A partir dos elementos verbais (palavras) e não verbais (imagens) do texto 1 (charge).de que sexo é e . tipo de variantes as quais estão em questão.png>.2010. . por que um dos personagens da tirinha passou mal? Nos argumentos apresentados devemos apresentar informações fundamentadas na teoria.Após ter todas as respostas às perguntas feitas. aproximadamente.Comunicação e Expressão 15 Questão 3: A respeito da placa de papelão na parede em construção: . com coesão e coerência. elaboremos um texto contínuo. a circunstância em que elas ocorrem.Que atitude do interlocutor o aviso espera ser colocada em prática? . LÍNGUA E ESCRITA FALAR E ESCREVER . sem tópicos. Disponível em: <http://noisnatira.

sendo a fala uma espécie de subproduto dela. jornalistas e intelectuais em geral se manifestando sobre “mudança da língua”.Elementos extralingüísticos x sinais gráficos . Sem condições de consulta a outros textos. o catolicismo. FALA E ESCRITA Condições de produção Fala Interação face a face. O escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor. Práticas de texto para estudantes universitários. Impossibilidade de apagamento.Comunicação e Expressão 16 A cultura letrada. quando. redirecionando-o a partir das reações do interlocutor. Acesso imediato às reações do interlocutor. ao transpor da conversa espontânea para o texto escrito. seria dizer que a língua não tem “vocabulário”. deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão e a escrita constitui-se em outra forma de comunicação. Há mesmo quem diga. Criação individual. de tempos em tempos aparecem em torno de reforma ortográfica da língua portuguesa que encontraremos escritores.Ampla variedade x modalidade única (“língua padrão”) . Petrópolis. mostrando o resultado. o máximo que uma reforma ortográfica consegue é mudar o modo como se grafam as palavras. O falante pode processar o texto. A reformulação pode ser promovida tanto pelo falante como pelo interlocutor. O texto mostra todo o seu processo de criação. Criação coletiva: administrada passo a passo. Nenhuma reforma ortográfica no mundo muda a língua. Livre consulta. Carlos Alberto. Escrita Interação à distância. Planejamento simultâneo ou quase simultâneo à produção. (FARACO. que. que a língua não dispõe de uma gramática normativa. nesse caso. o sistema altamente complexo que os falantes usam no seu dia a dia. parece-nos mesmo que a “verdadeira língua” é escrita. Sem possibilidade de acesso imediato. de menor importância e sem nenhum prestígio. Possibilidade de revisão. Por força da tradição escolar e da própria ideia de autoridade que emana da escrita. isto é.Interlocutor: presença x ausência . Rio de Janeiro: Vozes. Planejamento anterior à produção. isto é. Já a palavra “dicionário” foi bem usada – um erro equivalente. com população equivalente à de Campinas e dividida em 36 etnias. como vimos.Frases mais curtas x frases mais longas . que devemos “falar como escrevemos”. na verdade. é um dos poucos traços fortes que une o país a seu passado português. Mas é claro que a língua tem gramática. é qualidade intrínseca de qualquer língua. A reformulação é promovida apenas pelo escritor.Prosódia e entonação x sinais gráficos .Redundâncias x concisão . naturalmente. Não se trata simplesmente de uma confusão de ignorantes: basta acompanhar as discussões que. O texto tende a esconder o seu processo de criação.Aprendizagem “natural” x aprendizagem “artificial” O estudo da Retextualização. A língua dominante é o teto.Unidade temática: flutuação x rigidez . Frágil infraestrutura existente foi destruída nas duas semanas entre o plebiscito e a chegada das tropas de paz da ONU. em geral. o que é um absurdo. de um livro que descreva as regras da língua. A identificação de língua com escrita leva a confusão grosseira na própria noção de gramática. invertendo o curso da história. 17 ed. a . Distinções específicas entre fala e escrita . Veja este trecho de uma revista semanal sobre a situação em Timor Leste: Timor Leste é uma ilha do tamanho do município de Manaus. A religião praticada pela maioria. tem uma forte tendência a confundir língua com representação gráfica da língua (escrita). 2008). que não tem gramática nem dicionário. O redator quis dizer.

ZV – Eu::. gênero.. elegância.05. Minas Gerais.. Texto 2: HISTÓRIA DE VAQUEIROS . ATIVIDADES Vamos ler o segmento abaixo e responder à questão 1? Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::.. tem . quando criança....Comunicação e Expressão 17 qual deve ser clara.. mas também pelo significado e sonoridade.. jornalista. poco antes de o trem passá. não só por existir apenas na nossa língua. Minas. Conversação espontânea Em reportagem do dia 19. onde fui criado:: atravessar uma ponte:: .sou. b) elaborar o perfil do/a falante (classe social.06. uma:: pirigosa brincadeira que fazíamos em Ponte Nova. ah ah. sendo sua lembrança mais antiga da infância.. um humilde operário das letras.. sem falar no sentido. pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: muitas coisas assim extragada né? cumidas ex. O autor do livro 1968 termina a entrevista definindo-se como um humilde operário das letras. de atravessar uma ponte antes da passagem do trem. não só pela o-ri-gi-na-lida-de. ele destaca saudade. a passagem do texto oral para o escrito constitui-se na organização da escrita... coesão e coerência.. nível de escolaridade... profissão) c) transpor o texto oral para a modalidade escrita... objetividade.. coesa. idade. elis omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus E sobre o centro da cidade? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas éh::: sei lá . sua cidade natal. Assim. (Ead Conectado: Vanessa Loureiro Correa) Como você. afirma que costumava brincar. MP – Defina-se... MP – Qual a sua lembrança de infância mais remota? ZV – Era... coerente e elegante. pode perceber. respeitando aspectos de clareza. em entrevista. tem muitus crianças ah.. MP – Qual a palavra mais bonita da Língua Portuguesa? ZV – Saudade::. aluno. Quanto à palavra mais bonita da Língua Portuguesa. existe:: apenas na nossa língua:: como pela sonoridade..tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu. Exemplo de retextualização – transposição da conversa espontânea em texto escrito: Zuenir Ventura. vamos: a) identificar as características típicas da fala (oralidade). sou.. direta. na cidade de Ponte Nova.. o jornal Zero Hora publica uma entrevista que Márcio Pinheiro fez ao jornalista Zuenir Ventura. Questão 1: A partir do texto acima. onde vive. as idéias organizadas mentalmente ajudam-nos a escrever com clareza.

ou ovelha. Ranca-tôco ribadêro = perito em matéria de mato e capoeirões Lubião = qualquer produtor de vaca. também em dialeto. um dos maiores músicos e violeiros do nosso país. mão faca na venta e sangue no chão e a lua oumenta o quilarão faca na venta e boi no chão mais foi tanto dos vaguêro qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-dasContas Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuros pelas mão mermo cantano um dia interô num manajo todos não as Guariba é um cruzamento in toda tarde de dumingo hai um grande ajuntamento de muita gente e malungo moça bunita perdedêra Bragadá sua perdição boi das arma branca cara preta catravo de pé e mão fera sturrano cavava o chão surucucú de dois ferrão malvado e brabo pegô Juão derna o tempo de minino fazia pur brincadêra pegá bicho remeteno de mão pilunga ô pitêra dentra da venda in descursão entrô os vaquêro de lá pruns olhos bunito cum ferrão pulô a cerca bragadá a noite intêra bebeu dançô na brincadêra no Tomba virô moça bunita laço de amô pelo triz de um momento da peleja in certa altura viu nos olhos da morena ispelhada u'a mancha iscura faca na venta o boi morreno Bragadá caiu no chão cum o vazí rasgado'stremeceno parava o saingue c'as mão amô nun sei pru modi quê facilitei olhei voce foi pur teus olhos pur a fulô pegava o boi boi me pegô édura a sorte do pegadô morrê da morte chifrada amô mais foi tanto dos vaguêro qui renô no meu sertão qui cantano o dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro nun menajo todos não mermo cantano um dia intêro nun menajo meus irmão . contanto que seja de pelagem preta e meio desaforado. João Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro num menajo todos não certa feita vô contá só um feito desse vaquêro foi chamado pra pegá um levantado marruêro Morada Velha do Olivêra Lagoa do Pancadão Tiquiano foi só cum a pitêra a Ri-de-Conta e sem gibão mêa noite e lua e um quilarão pontô o bicho na bibida vino do fundo da mata na lagoa de pureza feito u'a bacia de prata qui buniteza nessa hora só lamento nun tá lá e sem mais demora Tiquiano gritô: vem bichão vem cá! riscô um tufão feito um raiá já cum bicho bem pegado ma ponta do pau-de-ferro pelos mistero da hora in qui num pode havê êrro o incapetado lubisomi 'stremeceu soltô truvão já tava intregano ao bicho home as alma nas palma das Vocabulário: Reno= reinou num menajo = não homenageio ranca toco= perito ribadêro = vem de ´ribada´.Comunicação e Expressão 18 (Elomar Figueira Mello. quando uma rês desvia-se do rebanho. Ele é de Vitória da Conquista-BA) Mais foi tanto dos vaquero qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro num menajo todos não. diz-se que o animal ficou na ribada. Na viagem do gado. cabra. e se interna no mato ou nos capoeirões.

o bicho. pelo viril e bravo vaqueiro e. Lubisoni = lobisomem. sendo mais comum a cor branca. Certa feita = em certa ocasião Pegá um levantado marruêro = matar um touro que se alevantou. no caso. ponto onde se cruzam corredores e estradas reais. puderam ser pensadas antes de serem executadas. a mancha vermelha na camisa. Catravo de pé e mão = diz-se catravo qualquer espécie de animal que tenha os pés e as mãos (até uma pequena altura) de cor diferente da do resto do corpo. pau-de-ferro. Na brincadeira do Tomba-virô = na festa do lugar chamado Tomba-virô. e 3) a. b) c) d) e) Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1) a. em dialeto catingueiro. que abandonou o rebanho e passou a uma vida solitária nos ermos. região do Palmeira. d. Risco um tufão feito um raiá = ante o chamado do vaqueiro. Ponto o bicho na bibida = surgiu o touro na aguada. o texto de Elomar é de difícil decodificação. sem contato com as mudanças pelas quais passa a língua materna. vindo do mundo dos homens. o boi investiu contra o moço com muita velocidade e grande fúria. falado especificamente por pessoas idosas as quais vivem no interior do país. pouso de tropas e de encontro de vaqueiros. guiada. pedaço de pau feito um cabo de machado. no canto de homenagem e celebração da bravura. Pruns = por uns. o já idoso vaqueiro Bragadá descobriu que estava ferido ao ver sua imagem refletida no cristal dos olhos da moça e. Pegá bicho remeteno = enfrentar boi enraivecido e furioso. Pur a fulo = pela flor. c. chifres brancos. representada. Pitêra = ferrão. Ele é escrito em português arcaico ou na variante inculta. É uma luta simbólica e ancestral do homem contra a dominação da besta. Derna = desde. Guariba = localidade na zona da Mata (estado da Bahia) abaixo da cidade de Itapetinga. Pilunga = porrete. e 5) todas 6) nenhuma Questão 2: Transpor o texto “Histórias de vaqueiros” para a modalidade escrita (retextualização) . infinitamente pequena – que. Vazí = ventre. b. pelo contrário. de outro. e 4) a.Comunicação e Expressão 19 Turuna = sinônimo de ranca-tôco Frechêro = cabrito ou bodete de cabra na faixa dos seis ou sete meses de idade. na sua imagem. Questão 1 Vamos entender as seguintes afirmações sobre o texto de Elomar Figueira Mello: a) o texto de Elomar apresenta caráter épico. na fúria da peleja. de um lado. do fundo da mata. a intensidade e a transferência de planos da vida para o mundo mágico. Sururú = jararaca grande. Ri-de-conta = faca. trata da brutalidade de pessoas incultas do interior do Brasil. pelo “levantado marruêro”. como o vaqueiro tipo Bragadá. recheada por elementos do mundo rural. e 2) c. vara trabalhada em cuja base. d. como o estampido do clarão de um raio. d. tipo de arma branca artisticamente trabalhada. está encravado um bico de ferro. d. o ajuntamento das pessoas no vazio daquelas tardes imensas. Arma branca = cornos. Triz de um momento = fração infinitesimal de tempo. o conteúdo fica para além da estória que capta os tios regionais que lhes dá o nome de heróis. nem sempre deve ser desprezada. a letra da música não apresenta poeticidade ou lirismo. a moça bonita perdera. E a lua omenta o quilarão = e a lua aumenta o clarão. durante o combate. O vaqueiro. por tal. pelo fato de tratar da luta do homem diante das forças naturais. Gibão = casaco de couro de veado ou de bodão. embora trate de assunto comum como a bravura dos vaqueiros brasileiros e do amor que é tema universal. a expressão “pelo triz de um momento” expressa que as atitudes. com a proteção de forte charrua. Viu nos olhos da morena/ ispelhada u´a mancha iscura = no ferver do sangue.

produzem gêneros textuais. na esperança de ter sobrado alguma cachacinha no fundo da garrafa. Para retextualizar.coladaweb. é preciso haver um incentivo qualquer para a turma subnutrida poder aguentar a noite inteira com o ar compungido que o extinto merece. tendo em vista a variedade de gêneros possíveis para as muitas situações comunicativas. pobre só tem amigo pobre e.Comunicação e Expressão 20 RETEXTUALIZAÇÃO Entende-se por retextualização o processo de transformação de uma modalidade textual para outra. Sabem como é. (DELL’ISOLA. numa indigência que eu vou te contar. a chamada aos ouvintes e o tom rápido e detalhado. levando tudo para o velório. a maior espinafração da vizinha do pranteado Nicolino. antes de realizar a tarefa. lá abriram a cova e lá enterraram o caixão. sujeita a mudanças ocorridas na sociedade.com/redacao/cronica>. num cortejo meio ziguezagueando e num compasso mais de rancho que de féretro. para transpor de uma modalidade para outra ou de um gênero para outro. As atividades de retextualização englobam várias operações que favorecem o trabalho com a produção de texto. Regina Lúcia Péret. A intenção de trabalhar a retextualização em sala de aula é promover uma certa adversidade de textos. terra do grande Ari Barroso. fecharam o caixão e foram para o cemitério. Acesso em 05 de fev. mas esqueceram o falecido em cima da mesa. a cada situação. Partimos de escolhas. em cada lugar. Para tanto. ou seja. portanto as produções – orais ou escritas – partem de um objetivo que certamente. Foi o que aconteceu agora em Ubá (MG).o personagem envolvido • "Onde" . foram lá enterrar. É que os bêbados fecharam o caixão. para cada interlocutor. às situações de uso.o modo como o fato ocorreu QUALIDADES TEXTUAIS . Também não podemos nos esquecer de que a atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos que deve informar ao público: • "O quê" . ressalta-se um aspecto de imensa importância que é a compreensão do que foi dito ou escrito para que se produza outro texto. seja numa favela carioca. o que se escreveu e os feitos de sentido gerados pelo texto escrito. as formas gramaticais mais adequadas e tudo que está diretamente vinculado à função de cada texto. sendo que alguns podem desaparecer e outros podem surgir. (Stanislaw Ponte Preta = Sérgio Porto) Disponível em: <http://www. Mas — bem ou mal — lá chegaram. 2011 Questão 1: Vamos transpor a crônica de Stanislaw Ponte Preta em criativo texto noticioso para rádio. 2007) Texto 3: crônica Choro. Retextualização de Gêneros Escritos – Rio de Janeiro: Lucerna. na hora do enterro. Dentre elas. a cachacinha é inevitável. O ensino de português não pode acontecer sem que todos esses aspectos sejam levados em consideração. Segundo telegrama vindo de Ubá. veia e cachaça Enterro de pobre sempre tem cachaça. Assim. ou seja.o fato ocorrido • "Quem" . é preciso. então. ao objetivo almejado. de relativa estabilidade.a causa do fato • "Como" . Depois voltaram até a casa do mono. É para ajudar a velar pelo falecido. seja num bairro pobre da cidade do interior. Enfim. processo que envolve operações que evidenciam o funcionamento social da linguagem. por exemplo. Levaram. as pessoas se expressam de maneira diferente. Morreu lá um tal de Nicolino. alguns amigos de Nicolino compraram um caixão e algumas garrafas de cangibrina. portanto. dependendo das necessidades dos falantes que os utilizam.o momento do fato • "Por quê" . Passaram a noite velando o morto e entornando a cachaça. De manhã. Todo texto tem sempre uma finalidade. inevitavelmente. que seja entendido o que se disse ou se quis dizer. vai interferir no modo como vamos falar ou escrever.o local do fato • "Quando" . vamos ouvir algumas notícias divulgadas em rádio para não faltar no nosso texto. As escolhas envolvem tanto o melhor modo de construção do texto. trata-se de uma refacção e reescrita de um texto para o outro.

Desperta a curiosidade. não se sabe se o ninho é da cobra ou da galinha. ou um chefe no local de trabalho. a relação. no exercício de matemática tirou zero.94. São Paulo: EDUSC. entretanto.Comunicação e Expressão 21 O SIGNIFICADO DE TEXTO Por inúmeras vezes na vida. ou ainda. Como uma roupa em que todos os detalhes devem se harmonizar. 30 abr. coerência e correção gramatical. Nesse caso. sem provocar dúvidas ao seu leitor. colocamo-nos a refletir: “Como eu vou fazer um texto?” Este questionamento traz à mente uma série de requisitos necessários para a composição de um texto. – Bauru. traça o molde. sem rodeios de palavras. a admiração. frequentemente. coesão. . o resultado final não atinge seu objetivo. Além disso. tais como: • sobre o que escrever? • como organizar as ideias? • que sequência utilizar? • como escolher as palavras adequadas e estabelecer a conexão entre elas? Assim como para confeccionar uma roupa. eu não sei fazer um texto!” Em seguida. se a pessoa que ler a frase não souber que penosa é gíria de galinha. Podemos comparar essa tessitura com o “bom caimento” de uma roupa. Exemplo de texto ambíguo: A cobra matou a penosa no seu ninho. p. exceto quando ela é utilizada como recurso de retórica. Ex: Juca não está indo bem na escola. Concisão – é a qualidade do texto em ser preciso. E qual é. Oliveira (2003) coloca seis cês que contribuem para a construção de um texto de qualidade. um colega de reunião de associação de moradores de bairro. Um erro muito comum é o uso de um conectivo não correspondente à relação lógica presente entre dois trechos do texto. a modista escolhe o modelo. Criatividade – A originalidade de um texto acrescenta-lhe uma importância muito grande. já nos solicitaram a produção de um texto. vendo que não há outra saída. sem circunlóquios. Coesão – Segundo Koch (2001). é o uso dos conectivos adequados à correta ligação entre palavras e frases no texto. concisão. nossa primeira reação? Nossa primeira reação vem com um sentido de rejeição: “Ah. (BELLUCI. 2003). criativo. clareza. além de mostrar ao leitor algo diferente. “um profissional criativo estimula seu cérebro também nas horas de lazer. ou seja. os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual. frequentar cinema e teatro. ficará sem entendê-la ainda mais. Fatores que contribuem para a produção de um texto de qualidade Na obra Texto técnico – guia de pesquisa e de redação. toma medidas. Se houver qualquer falhar. Segundo pesquisa na Flórida (VEJA. o tecido. escolhe os aviamentos. Nesse caso. a produção de um texto requer também que se observem elementos para uma boa tessitura. foi usado um conectivo que indica contraste no lugar do de exemplificação (por exemplo) ou de reafirmação (de fato). o texto. São eles: criatividade. Clareza – A clareza é uma qualidade essencial de qualquer texto. Adriane. A ambiguidade impede a clareza do texto. Para Oliveira (2003). Ler bastante. ter um hobby que exige atenção constante – como jogos de computador ou esportes radicais constitui um padrão entre os que são bem-sucedidos”. Os Degraus da Produção Textual. É muito importante memorizar as conjunções e seus significados para que haja coesão e coerência na elaboração das diversas frases. novo. sendo uma unidade semântica. criatividade e correção gramatical. precisa coerência. coesão. viajar para conhecer outras culturas. por coesão se entende a ligação. Um professor em sala de aula. O texto é claro quando é facilmente entendido. concisão. clareza. 2003).

principalmente nos textos cujos autores são jovens. O uso das aspas é. Fica claro é que o pequeno vocabulário do discente o levou a escrever como pôde. depois. o povo conhecido pelo seu jeito especial de lidar com as situações adversas do dia a dia desenvolveu o remédio de usar. esconde na verdade um problema grave no português moderno: a dificuldade do falante em se expressar em sua língua materna. Na gramática tradicional. não tem o poder de formar uma ironia. além disso) para ligar entre si frases escritas ao acaso. também. Por causa desse artifício. entre outros tantos substantivos que poderiam ter sido escolhidos. a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto. que já é sentido há algum tempo na escrita. muitos brasileiros têm utilizado esse artifício para disfarçar outro problema: o conhecimento cada vez menor do léxico. Assim. sem planejamento real. “A ‘mulher perdida’ não pode ser exemplo para a sociedade” ou ainda. o elemento tem a função de delimitar citações. Na edição passada. no mesmo tema. portanto ser entendida como um princípio de interpretabilidade. outra grande reinvenção do famoso “jeitinho brasileiro”. Vale lembrar que não faltam palavras no vocabulário brasileiro quando o assunto é sexo. entre aspas. com o exemplo dos usos equivocados do “onde”. Correção gramatical – é o uso da língua de acordo com os padrões da norma culta. sem a construção adequada no interior da argumentação. realçar palavras e apresentar palavras em sentido figurado e/ ou gírias. ou seja. como. que deveria ter certo aspecto formal. Mas essa capacidade de reinventar a língua de acordo com a necessidade e com as ferramentas linguísticas disponíveis não para aí. é claro. isto é. Assim. ou. na pior das hipóteses. transferidas de forma indiscriminada à modalidade escrita. a formação de ironia. Além. Que mal há em criar em cima da língua que falamos? O que. Não o é. profissionais do sexo. É possível constatar que o vocabulário do brasileiro está gradativamente mais escasso. Coerência – Para Koch (2001). da revista Discutindo a Língua Portuguesa para respondermos às questões: “Jeitinho” O uso exagerado das aspas – que muitas vezes reflete a falta de vocabulário na redação – está impregnando também a linguagem falada. de ter grande função estilística no texto. Também é comum a expressão “por exemplo. no entanto é importante ressaltar que o sinal gráfico sozinho. manter suas especificidades (já que ninguém escreve como fala). porque faltou repertório. entre aspas. Isso é verificado no cotidiano e até mesmo na . de Andréia Neiva. vem gradativamente também afetando a língua falada. E pensará o leitor: que problema há em esquecer e/ou não conhecer a palavra mais adequada para representar uma ideia e substituí-la por um vocábulo. numa entrevista de emprego e em outras situações semelhantes. recorreu-se ao uso das aspas. Para solucionar esse problema. sem dúvida. as redações “naum” virem exatamente escritas como se esperaria. que não exemplifica o que veio antes”. “A ‘mulher de vida quase fácil’ se tornou celebridade” são exemplos de frases retiradas de textos de prévestibulandos em que é possível inferir que as tais mulheres às quais os alunos se referem – a “perdida” e a de “vida quase fácil” – são prostitutas. por exemplo.Comunicação e Expressão 22 Outro defeito é o uso constante de conectivos aditivos (e. que remeta a essa ideia? Não haveria obstáculo se a artimanha fosse ocasional. a coluna gramática moderna tratou sobre o jeito muito criativo de o brasileiro reconstruir a gramática. é o que faz o texto fazer sentido para os usuários. o uso das aspas nunca foi tão prestigiado. sem incorreções ou desvios gramaticais. O que se vê. uma após a outra. devendo. é uma sequência de palavras e expressões próprias da língua falada. não como quis nem como gostaria. num vestibular. Valendo-se da função de apresentar termos e expressões em sentido figurado. O fenômeno do uso excessivo das aspas. parece rabugice de professor. meretrizes. à primeira vista. ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. outra palavra que lembre a ideia que se pretende transmitir. garotas de programa. é muito comum. Leiamos o artigo “Jeitinho”.

Para que uma discussão seja compreendida por todos. por exemplo? Atividades Texto: A FALIBILIDADE DA CIÊNCIA 20/06/2010 Umberto Eco Como uma totalidade de conteúdo. o qual sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante. diz Panebianco. de 1942. cada sentença. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes. Sem a . cada palavra. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. Questão 02: Vamos identificar pelo menos dois fragmentos em que a autora usou aspas e dizer por que ela as usou.Comunicação e Expressão 23 mídia. A ciência só se torna dogmática. a própria entonação já daria conta de expressar. Questão 03: Quem já usou aspas pelo fato de o repertório do léxico ser restrito? Em que situação. cada rajada de vento. pelo uso das aspas na comunicação oral com o já famoso gesto feito com os dedos. seríamos desalmados. não filtrado nem organizado. sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. O escritor Angelo Panebianco argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade. Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. Felizmente. Uma cultura opera de forma semelhante. Questão 01: Qual é a tese defendida pela autora do texto “Jeitinho” e que argumentos que ela usa para defender tal tese. Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore. Se fosse simples ironia. Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento? Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade? A questão é importante. todo o resto foi eliminado. a internet oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados? Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados. de Einstein ou Copérnico. Se temos um problema. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas. Seus paradigmas. no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas. cada sabor. Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica. resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar. Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. Em seu conto “Funes el Memorioso”. Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin. que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos. precisamos começar a partir dos paradigmas existentes. E em todas as outras já virou piada sem graça. Mas muitas das vezes é falta de vocabulário mesmo. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota. todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra. é também o resultado da filtragem desses dados.

Comunicação e Expressão

24

rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível. Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente. Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.” Tradução: Eloise De Vylder Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/umberto-eco/2010/06/20/afalibilidade-da-ciencia.jhtm>. Acesso em 20 de jun. 2010. Notas: - PTOLOMEU: Astrônomo e geógrafo grego (90?-168?). Um dos últimos grandes cientistas da Grécia antiga, é autor dos estudos de astronomia mais importantes produzidos antes de Copérnico e Galileu. Nasce em Ptolemaida, com o nome de Cláudio Ptolomeu, e vive em Alexandria entre os anos de 120 e 145. Durante esse período, registra várias de suas observações astronômicas. Entre outras coisas afirma que a Terra é o centro do universo. O sistema ptolomaico, em que a Terra aparece como o centro, é adotado pela Igreja Católica durante toda a Idade Média, até ser derrubada pelas teorias de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Disponível em: <http://www.algosobre.com.br/biografias/ptolomeu.html>. Acesso em 07 de fev. 2011. - NICOLAU COPÉRNICO: Nascido na Polônia, no ano de 1473, Nicolau Copérnico é considerado o fundador da Astronomia moderna. Antes de sua teoria, os homens consideravam como verdadeira a tese de um cientista grego chamado Ptolomeu, que defendia a idéia de que a Terra era o centro do universo. Contrário a esta idéia, Copérnico não se convenceu da idéia de que o Sol e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Por esta razão, defendeu a tese de todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do Sol
Disponível em: <(Heliocentrismo)>. Acesso em 07 de fev. 2011.

Questão 1: Que tese é defendida por Umberto Eco no texto “Falibilidade da ciência”? Que argumentos ele utiliza para construir tal ponto de vista? Questão 2: Vamos pensar a respeito e responder às seguintes perguntas: a) que desafio e/ou necessidade o semioticista italiano sugere às pessoas dos tempos atuais? Justificativa: b) que sentido/s estabelece o conectivo MAS no início do segundo parágrafo do texto? Comentário: c) como entendemos as afirmações de que a ciência é antidogmática, porém ela, em algumas situações, pode ser dogmática? Você lembra algum exemplo semelhante ao de Copérnico em relação a Ptolomeu? Explicitação: d) “Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados?”. Por quê? Questão 3: Quanto à construção do texto: - há coerência? Por quê? Que elementos de coesão identificamos nele? - conseguimos identificar os seis CÊS nesse texto de Umberto Eco? Que marcas textuais nos autorizam a responder a essa pergunta?

Comunicação e Expressão

25

- o que mais me chama a atenção nesse texto? por quê? COERÊNCIA TEXTUAL As metarregras da coerência Um francês chamado Michel Charolles descobriu quatro princípios responsáveis pela coerência. Chamou-os de metarregras da coerência. São elas: fundamentais

1. Metarregra da repetição — um texto coerente deve ter elementos recorrentes; nada mais é do
que aquilo que chamamos de coesão textual. O fato de, em uma frase, recuperarmos termos de frases anteriores, por meio de pronomes, apagamentos ou elementos lexicais constitui um processo de repetição ou recorrência. A coesão textual é, portanto, a primeira condição para que um texto seja coerente. Vejamos o exemplo: A imprensa internacional cobre a violência no Brasil de uma maneira tão sensacionalista que os estrangeiros ficam com a impressão de que nossas ruas são mais perigosas do que elas realmente são. Essa cobertura não apenas afugenta os turistas como também pinta uma imagem falsa, do país e do mundo em geral. No trecho acima, há metarregra da repetição, porque há termos recuperando informações anteriores, por exemplo, elas, essa cobertura.

2. Metarregra de progressão — um texto coerente deve apresentar renovação do suporte
semântico; nos diz que um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai sendo escrito. Vejamos o texto a seguir: Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres, ou seja: pega a colher, o garfo e não olha para o prato de comida. Ela não se alimenta. Brinca apenas. Diverte-se com uma colher e um garfo e o prato fica na mesa. O ato de brincar substitui o ato de alimentar-se. Não há no exemplo dado informações significativas novas, há sim repetição do que já foi dito. Poderíamos reduzir esta informação a: “Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres”.

3. Metarregra da não-contradição — Em um texto coerente, o que se diz depois não pode
contradizer o que se disse antes ou o que ficou pressuposto; nos diz que cada pedaço do texto deve "fazer sentido" com o que se disse antes. Vejamos o texto abaixo: Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc. Sabemos que um das qualidades de um bom texto é não haver contradição, e no texto do exemplo acima há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que havia fumaça espessa que não permitia ver ninguém e, depois, cita os tipos de pessoas que estavam na festa. É um texto sem credibilidade argumentativa.

4. Metarregra de relação — Em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um
estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto: Em nosso pequeno vilarejo aconteceu, certa vez, um caso bastante curioso. Havia ali um coronel muito matuto que vivia assombrando os moradores da cidade com suas bravatas. Numa manhã de domingo, no dia da festa da padroeira, ele acordou morto e todo pronto para conduzir o turíbulo que, de véspera, havia dormido em sua casa. Depois do café matinal, fez-se uma grande

Comunicação e Expressão

26

aglomeração de pessoas diante da casa do coronel: foi a primeira vez que tivemos um engarrafamento de 15 km: carros, motocicletas, triciclos, bicicletas e mesmo pedestres aguardavam atentos pelas palavras do coronel nas primeiras horas do dia de seu enterro. O que mais chama a atenção nesse texto é o fato de o coronel estar morto e, mesmo assim, estar pronto para carregar o turíbulo. Além disso, é estranho o fato de os moradores aguardarem seu pronunciamento matinal. Ao ler o texto, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a de que se trata de um “causo”, não de um fato verídico. Isso porque no “mundo real” não existe a possibilidade de se acordar morto, de um morto carregar um turíbulo e, menos ainda, de um morto fazer pronunciamento em festa de padroeira. Atividade Questão 1: Leia o excerto de texto abaixo e identifique a (s) metarregra (s) de coerência que foram infringidas. Reconstrua-os para torná-los coerentes, atendendo às metarregras da coerência textual. a) São Paulo tem uma extensão territorial superior à de muitos países do continente europeu e podendo comparar perfeitamente em seu seio uma população de mais de quarenta milhões de habitantes, ninguém poderá dizer que São Paulo não possui os elementos necessários para tornar efetiva a sua autonomia política. Em São Paulo, a hipótese separatista foi abortada. O discurso do presidente da República caminha para o separatismo famélico entre o Norte e o Sul. Uma das perversidades da política brasileira é a demagogia. b) Um dos cuidados que devemos ter quando redigimos um texto é com a repetição de palavras no texto. A repetição de palavras é muitas vezes inoportuna, torna o texto cansativo e deselegante. Sendo assim, seria interessante que editores de texto pudessem oferecer uma funcionalidade que ajudasse o escritor a controlar a repetição de palavras no texto indicando quantas vezes uma palavra já foi usada no texto e em que situação. c) Minha amiga foi para Porto seguro, recomendou a viagem para todos e afirmou que jamais retornaria ao local.

AMBIGUIDADE
“Ambiguidade – Latim ambiguu(m), ambíguo, que apresenta duas faces, dois sentidos”. “O vocábulo ambiguidade emprega-se em Gramática para designar os equívocos de sentido provenientes de construção defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios”. “Em crítica literária, a palavra foi introduzida por William Empson (...). A seu ver, a ambiguidade consiste em toda nuança verbal, posto ligeira, que dê lugar a diferentes reações ao mesmo fragmento de linguagem”. (MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974). Texto 1: Placa

O parágrafo Você sabe que.br. A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO O texto é uma máquina preguiçosa. 1. que exige do leitor um renhido trabalho cooperativo para preencher espaços não-ditos que ficaram. 1979 p.com/>.blogspot. Em seguida.Comunicação e Expressão 27 Disponível em: <www.A partir do primeiro e do terceiro conceitos sobre ambiguidade. sistematizemos por escrito o que conversamos. (ECO. Texto 2: charge Disponível em: <osnigomes.>. Lector in fabula. O parágrafo – como um microtexto – deve obviamente apresentar essa organização. vamos identificar possíveis leituras que as imagens anteriores (placa e charge) sugerem. 2011 . Acesso em 02 de fev.Acesso em 07 de fev. por assim dizer. São Paulo. . sem nos esquecermos dos seis cês. Perspectiva. 11).com.Placasridículas. 2011. para elaborar um texto coerente. Umberto. É preciso que elas sejam logicamente ordenadas a fim de que o receptor siga o fio do discurso e seja capaz de entender aquilo que desejamos comunicar. não basta reunir qualquer conjunto de frases ordenadas de forma aleatória. em branco.

do gênero da composição. de Daniel J. 1. b) A fixação do objetivo: delimitado o assunto. Para isso. fixado o objetivo que deverá orientar o parágrafo. dependendo da natureza do assunto. (0thon Garcia). definição. A redação Etapas prévias a) A delimitação do assunto: a restrição ou delimitação do assunto é necessária para que possamos organizar o parágrafo com mais facilidade. a preocupação maior do autor deve ser a de fundamentar de maneira clara e convincente as ideias que defende ou expõe. A fixação clara do objetivo facilita a seleção e a ordenação das ideias.1. entediando o leitor não especializado. que servirá como forma de controle. em primeiro lugar. A segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de alguns instrumentos. as quais variam conforme o objetivo fixado para a redação. a ideia-núcleo do parágrafo constituem o que se chama tópico frasal. seja qual for a forma de ordenação empregada. ele. Você deve estabelecer para que vai escrever sobre determinado assunto. como . 646 páginas – O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para escrever essa história compacta da ciência é duplamente inovador. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. constrói um plano de desenvolvimento. diferentes formas de construção do parágrafo. o desenvolvimento e a conclusão. há. uma ou mais frases que expressem o objetivo escolhido. em primeiro lugar. de maneira geral e sucinta. Em primeiro lugar. em seguida. Essa ou essas frases iniciais do parágrafo que traduzem. tempo-espaço. b) O desenvolvimento do parágrafo Nessa etapa de redação do parágrafo. seleciona aspectos ou detalhes particulares que desenvolvam a frase-núcleo e. secundárias. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. é mais fácil fixar o objetivo que deverá orientar a redação do parágrafo. A conceituação “0 parágrafo é uma unidade de composição. Assim. constituída por um ou mais de um período. A estruturação O chamado parágrafo-padrão é constituído de três partes essenciais: o tópico frasal. enumeração de detalhes. 0 conceito acima aplica-se ao chamado parágrafo-padrão. comparação. o redator passa a expandir as ideias indicadas no tópico frasal. mantendo a coerência do texto. a ideia-tópico. A fim de ordená-los. Há várias formas de ordenação do desenvolvimento. Porém. e com que finalidade. em que se desenvolve ou se explana determinada idéia central. No entanto. você poderá começar a escrever. entre elas: exemplificação. o tópico frasal garante que você não se afaste do objetivo estabelecido. Na sequência da nossa exposição. TÓPICO FRASAL (introdução) DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO OU TRANSIÇÃO a) A formulação do tópico frasal Delimitado o assunto. os ordena. Exemplo: Os descobridores. também.Comunicação e Expressão 28 1. Boorstin. Civilização Brasileira. a que geralmente se agregam outras. ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de experimentos que costumam rechear as obras de referência. do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o texto escrito. mas intimamente relacionadas pelo sentido”. É importante redigir. assim como há diversos processos de desenvolvimento e ordenação de idéias. explicitaremos cada uma dessas partes. causaconsequência.2.

. então. para se constatar que pessoas absolutamente normais têm a chance de adquirir notoriedade. O nexo ou introduz uma nova possível causa da leitura de uma biografia. . o parágrafo possui as três partes essenciais à sua redação. pois ela se caracteriza por uma apreciação do autor. O início do desenvolvimento do parágrafo é explicitado por meio do operador argumentativo antes de mais nada. ATIVIDADES Por exemplo: a generalização de um tema como violência obriga o autor a delimitar alguns enfoques que lhe são pertinentes. A expressão Num caso e no outro retoma as causas mencionadas no desenvolvimento e resume-as. * Então. c) A elaboração da conclusão Na formulação da conclusão. Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e leitura acessível. . Há vários passíveis de discussão: a) causas e consequências da marginalidade b) causas e consequências da impunidade c) formas de punição d) divulgação da violência pelos meios de comunicação . talvez um dia. para a conclusão do parágrafo. . deliciosamente. indica com que objetivo alguém lê uma biografia. dependendo da situação do leitor. (Istoé/Senhor. Apresentação das duas novidades: 1 . DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Resenha crítica da obra. de Daniel J. desenvolvimento e conclusão. Longe da sisudez dos textos técnicos. * Dessa forma. ou seja. O elemento continuativo depois acrescenta mais uma causa à já citada no período anterior. que feche o parágrafo. Exemplificando: Veja o parágrafo abaixo: Por que se lê uma biografia? Antes de mais nada. . podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo. que o leitor aprenderá. e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas.06. Civilização Brasileira. seguido pelo articulador para.. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS: 1 .. Com isso.1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica. ter sua origem numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar os monges para as orações noturnas. para se verificar como ela conseguiu alcançar projeção a despeito das dificuldades que enfrentou. que estabelece uma relação de finalidade. o nexo não vem explicitado. É possível também encerrá-lo apresentando de modo conciso consequências.Comunicação e Expressão 29 o relógio. TÓPICO FRASAL: Daniel Boorstin. É o caso da história dos despertadores digitais. no entanto. por meio de articuladores que indiquem a relação que desejamos estabelecer. algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. a biografia dá ilusão de que. ao escrever uma história compacta da ciência. OBJETIVO FIXADO: Mostrar a dupla inovação estabelecida pelo escritor Daniel Boorstin ao escrever a história da ciência. CONCLUSÃO: o autor une precisão científica e leitura acessível. .2 Opção por urna narrativa romanceada. como você vê. A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita. Num caso e no outro. Ou.63) A pergunta inicial Por que se lê uma biografia? Constitui a introdução (tópico frasal). * Logo. p. recapitulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. tais como: * Assim . Depois. Algumas vezes. implicações daquilo que foi expresso no tópico frasal e no desenvolvimento. Boorstin... 1 . ASSUNTO: A obra Os descobridores. 17. 1185. (Veja)... reorganizamos resumidamente os diversos aspectos do desenvolvimento em uma frase final. o mundo terá a chance de reconhecer o nosso talento ou de algum parente. Assim. geralmente. a bússola e o microscópio.96. Em outras palavras. ou seja: tópico frasal. procede a duas inovações. para se conhecer segredos de uma personagem que eventualmente ainda não tenham sido divulgados.

Alguns destes articuladores: primeiro. A de origem natural. em conseqüência. Exemplos: Parágrafo ordenado por causa: A cada dia que passa. óxido de enxofre. mais adiante.cultura . 1. número 18) 2. Outra forma liga-se à ação de veículos automotores. ano II. visto que. causada por agentes como poeira. nevoeiros. falar de amor e de promoção humana. é um romantismo que cai no vazio. na miséria. Ana Maria. como resultado. tanto que. composto de enxofre. frequentemente. de forma que. passaremos agora ao estudo das formas de construir o desenvolvimento desse parágrafo. Ordenação por causa-conseqüência Consiste em indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). a degradação ambiental deve-se à atividade industrial. em seguida. ou seja. Exemplo: Temos. a razão disso. cada vez mais. segundo. Por último. inicialmente. São expressões indicadoras de CAUSA: porque. em primeiro lugar. também. que explodem bióxido de carbono. etc. uma vez que. A razão principal desse fenômeno é o distanciamento cada vez maior entre uma minoria que possui muito e a grande massa popular que se afunda. pois. graças a. por meio da interpretação das ideias relacionadas. por fim. a causa disso. de maneira que. depois. quatro tipos principais de poluição. de modo que. tamanho que. que eliminam gases como monóxido de carbono. etc. ainda. Palavra e ação) 3. A relação causa-consequência. hidrocarbonetos não queimados. devido a. em vista disso. parágrafo ordenado por causa-consequência: . de CONSEQÜÊNCIA: tão que. sem falar de justiça social e lutar por ela. por meio de certos articuladores que têm a função de marcar a ordem. na atmosfera. após.Comunicação e Expressão 30 e) causas do aumento de criminalidade f) crimes afiançáveis e crimes hediondos (sequestro e estupro) g) a violência contra a mulher e contra a criança h) a violência no trânsito i) a violência decorrente dos vícios (drogas e álcool). Portanto. depois. segundo a qual os detalhes do fato são apresentados. etc. Questão 1: Proponha 4 delimitações para os seguintes assuntos: . no mundo atual. estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo. tal que. já que. ou é evidenciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida semanticamente. cloro. além. em segundo lugar. gases vulcânicos.moradia Formas de ordenar o Parágrafo Depois de compreendermos a estrutura do parágrafo-padrão. a seguir. Ordenação por enumeração Consiste em enumerar diferentes situações ou características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal e que. etc.. odores de fermentação natural. em virtude de. Organiza-se. bromo. Existe ainda a poluição registrada em consequência de fenômenos de combustão como aquecimento doméstico e outras incinerações. a violência cresce de maneira assustadora. (Revista Interior. poderá ser desenvolvido e detalhado nos parágrafos seguintes. por motivo de. por isso. (GUEDES.

). O padrão internacional é de seis tentativas fracassadas a cada centena de ligações . Exemplo: Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud. a violência e a luta constante. este passa a ser muito importante e. perto de. Ordenação por tempo e/ou espaço As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. Intelectual.. Freud foi um gênio. "nós" e "eles".. alguém que perseguia os discípulos dissidentes. um problema. ali. Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Consiste em estabelecer um confronto de idéias. frequentemente.. há muita gente para falar e poucos aparelhos instalados para transportar as conversas. no local tal. Mas as divergências em torno de sua pessoa e de sua obra são imensas. além. a única coisa que resta em que o homem se sente livre? Só aí se perde totalmente a si mesmo: nesse momento.. tanto quanto. Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento de algo acontecido. o outro e a nós mesmos. segundo parece. todas as memórias. aí. 54. Hoje. à medida que.. à esquerda.. O país tem hoje 6. E assim. além de. o sexo torna-se importante.patamar que o Brasil abandonou em 1984. já. seres. já.. Em suma. a competição. por outro lado. 641) 5. nesse momento não existe mais a divisão entre "eu" e "tu". no país tal....Comunicação e Expressão 31 Por que o sexo se tornou um problema? Ou deveríamos antes perguntar por que ele é. fatos ou fenômenos. abaixo de. Expressões indicativas dessas formas de ordenação de TEMPO: agora. presentemente... à direita... (para) outros. etc. atrás de.. antes de.4 telefones para cada grupo . enquanto. (KRISHNAMURTI. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de ideias por tempo e espaço.. sempre que. por um lado. cá. diante de. em ambos os casos.. finalmente. Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como. depois... por outro lado. que não media os meios para impor suas ideias. é a de que mudou nossa maneira de compreender a cultura. um homem que enxergava o sexual em todas as coisas. inteiramente moldadas pela nossa sociedade tecnológica. Tal divisão acaba. ESPAÇO: longe de. Exemplo: Ordenação por tempo e espaço simultaneamente O Brasil está voltando ao tempo em que os telefones eram pretos e as geladeiras. A cada 100 telefonemas.. Hist... deixa de ser todas as misérias.. (como) também. breve. a agressão.... do Pensamento. à proporção que. p.... atualmente mais de 29 não são completados devido aos problemas de fiação e à insuficiência de linhas.. as torturas. Retirar o fone do gancho para conversar com a vizinha ou ligar para Portugal tornou-se missão complicada. tanto como... mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças). etc. emocional e fisicamente somos pessoas constrangidas e cheias de limitações. J. ainda. este. também. brancas. após. mas. de igual modo. um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública. e então talvez se encontre uma grande liberdade. Lisboa. em seguida. congestionados como uma avenida de metrópole na hora do rush.. antes. em oposição. aquele. Para outros. (para) uns. Livros Horizonte) 4. conseguir linha era motivo de comemoração.. não só. muitos anos atrás. ultimamente. fora de. Enfim. detrás de.. por esse motivo. por causa dessa ausência. coisas. um herói que desbravou as profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau desconhecido até então. em frente de. de outro lado. ao contrário.. naquele tempo. logo que.. Fasc. pessoas de segunda mão. (FREUD: A exploração do inconsciente.. se por um lado. Naqueles tempos de telefones exclusivamente pretos e pesados. dentro de. porém etc. também. não foi mais do que um charlatão. ao passo que. de um lado. O mundo somos nós.. Para alguns. assim que. por amor à ciência (.. enquanto. Em tudo o mais não somos livres. Simplesmente deixa de estar aí. as 9 milhões de linhas telefônicas existentes no país estão cada vez mais enervando os brasileiros. não havendo liberdade a não ser no sexo. no século tal.

as repetências. Abril Cultural) 7. Com isso. A redação do vestibular. como os países nórdicos. São Paulo. (Pequeno Dicionário de Medicina. Na Argentina. luminosos. que consiste em manter o paciente acordado por até 36 horas. que incluem a detecção de anormalidades cardíacas e pulmonares e a verificação dos batimentos cardíacos do feto no útero. o médico ausculta com o estetoscópio. A ausculta é uma prática de variadas finalidades. muito utilizada em textos técnicos ou científicos. O parágrafo misto Alguns parágrafos caracterizam-se. Há. Exemplo: O Brasil tem gritantes problemas no campo da Educação. Nesta forma de ordenação é frequente o emprego do verbo SER ou de verbos como CHAMAR-SE. além dos remédios e da aplicação do ECT. Daí as desistências. embora os sons também possam ser ouvidos sem o auxílio do aparelho. no seu desenvolvimento. quando se trata de algo muito abstrato. de forma que a produção de neurotransmissores seja regularizada. presidente do Comitê Internacional de Tratamento e Prevenção da Depressão. Uma outra técnica é a chamada "deprivação do sono". CONSIDERAR-SE. Em função disso. Exemplo: Auscultação é o ato de ouvir sons produzidos por órgãos internos como o coração. as pessoas com problemas depressivos ou maníacodepressivos são expostas a raios artificiais que reproduzem a mesma frequência da luz solar infravermelha. durante a gravidez e o parto. Nelas. por exemplo. TRATAR-SE DE. Exemplo: Na luta contra a depressão fora do divã. exemplificando-as. a corrupção e outros males que denigrem a Educação em nossa Pátria. uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor. as pessoas em tratamento são mantidas acordadas". 64. através da parede abdominal ou do tórax. Moderna). 8. uma preocupação crescente com a quantidade em prejuízo da qualidade do ensino. principalmente. pois revela os atributos essenciais de um objeto por meio de sua definição. O embaralhamento de sistema telefônico brasileiro é produto da diminuição de investimentos em infraestrutura de comunicações e da defasagem do preço das tarifas pelo uso de telefones. Ordenação por exemplificação Consiste em exemplificar um conceito ou justificar uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. e a Suécia. Em geral. o que é uma taxa rala. Nas regiões onde o inverno é longo e intenso. Cada uma das técnicas aponta para a causa e também para a consequência da sua aplicação. Ed. O exemplo estabelece um elo. os pulmões ou os intestinos. DENOMINARSE. A Alemanha Ocidental tem 43. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. o que gera um aumento da metabolização dos neurotransmissores antidepressivos. Jorge Armando. jogos e a presença de especialistas que se revezam. Abrem-se inúmeros estabelecimentos de ensino superior sem as mínimas condições de funcionamento. a glândula pineal é ativada. "Através de estímulos acústicos. que está longe de ser o melhor exemplo de bom funcionamento da telefonia. (MACEDO. explica o psiquiatra carioca Jorge Alberto da Costa e Silva. há dez telefones para cada 100 habitantes. Os parágrafos mistos são aqueles em que há mais de uma forma. Observe o emprego da expressão POR EXEMPLO. Ordenação por definição De todas as formas de ordenação esta é a mais abstrata. O autor cita as técnicas de cura para a depressão. os psiquiatras de todo o mundo decidiram investir em outros tipos de acompanhamentos médicos. crescem dia a dia as experiências à base das chamadas clínicas de luz. a ordenação .Comunicação e Expressão 32 de 100 pessoas. 6. por serem mistos.

Caso contrário. Acesso em 07 de fev. o que indica o parágrafo misto. a chuva e a água incontroláveis. No caso do Rio.01. valores e modelos de sociedade. São. teimosos. Há um novo tempo em perspectiva. as árvores vão cair sobre casas e carros. vão mostrar resultados. Dona Ilair agarrou-se à vida e sobreviveu graças à solidariedade. vence e vive. que é agredida. seus fluxos.br/site/noticia. Com as mudanças climáticas. e ela não largava o cachorro. Não se esqueça de examinar os elementos de transição entre os diferentes parágrafos. as condições de vida precárias. as águas vão descer os morros. Em cenas dramáticas. A MULHER. o ‘novo começo’ pressupõe novo rigor nas licenças para construção e uma ocupação mais racional da terra. Nos braços. O poder público historicamente pouco ou nada tem se preocupado com políticas de habitação popular e de saneamento básico. sob aplauso geral.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53574>. enquanto os vizinhos a puxam para cima do prédio. seres humanos feitos para viver vão perder estupidamente a vida. ao longo do tempo. conforme a sua posição no contexto da dissertação. ela larga o cachorro. . É um ser humano que acredita em si e nos outros. Por um lado.adital.01. Quer dizer: nada que diga respeito ao pobre obrigado a erguer seu barraco num barranco deslizante por absoluta falta de alternativas”. seguramente. pelo menos a vida era sua e dela não abria mão em nenhuma circunstância. serve-se dela como se apenas fosse propriedade sua.com. vêm os tornados. envenenam-se águas. com o apoio do governo estadual e governos municipais. ou seja. Quem se agarra à vida é mais que sobrevivente. ocupam-se morros sem cuidado. Sobrou-lhes. O CACHORRO E A VIDA Selvino Heck 28. histórica e secularmente. convidamos você a observar a estrutura de cada um dos parágrafos do texto a seguir.2011 A imagem mais impressionante. Os brasileiros sempre se agarram à vida. O homem aproveita-se da natureza. Se não tinham emprego. Ela deu esta lição.Comunicação e Expressão 33 desse parágrafo é classificada: por exemplificação e por causa e consequência. Ainda é tempo de repensar relações. determinou um conjunto de providências que. O que mais me marcou no episódio do Rio foi o gesto de dona Ilair agarrar-se à vida. Os parágrafos no contexto da dissertação Para concluir. sobretudo. quando se convive com o meio ambiente porque ele faz parte do bem viver. a renda era péssima. as tragédias se sucedem e quem normalmente mais sofre são os pobres e os trabalhadores. ‘agarrar-se à vida’. Nunca devemos desesperar e achar que as coisas são impossíveis. como talvez nenhum outro povo ou outra gente. dona Ilair foi salva. Acreditou que tinha força nos braços para se segurar na corda oferecida (e ainda acreditou que podia carregar junto o cachorro. em mais uma de suas magistrais crônicas (A Doutrina do Choque. Dona Ilair estava dentro de um pedaço de casa que estava sendo arrastado pelas águas furiosas e implacáveis. da tragédia de início de ano no Rio de Janeiro foi a de uma mulher sendo resgatada com a corda puxada pelos vizinhos do alto de um prédio de vários andares. Quem acredita. de quem não se respeita o curso natural: cortam-se árvores sem critérios.11). quando há uma unidade dos seres e do planeta terra. É a vingança da natureza. sem conviver com suas regras. Luís Fernando Veríssimo. e o levou até onde pôde). para ao menos diminuir o sofrimento de quem é atingido. um cachorro que não a largava. vêm as tempestades. ficou clara a necessidade de ações e prevenção para não deixar que populações fiquem submetidas à chuva e às suas consequências. endireitam-se as curvas de córregos e rios e tira-se sua beleza. Também é fundamental ter mais agilidade na ação coordenada dos agentes e órgãos públicos. Por outro lado. quando há mais respeito pelas pessoas e seus direitos. 23. Vale a pena viver! Disponível em: <http://www. entre tantas. escreveu: "Quanto à tragédia nas cidades serranas. 2011. como se apenas fonte de lucro. Acreditou que os vizinhos não iam largá-la nas águas enfurecidas. que visitou os locais e a população. os sequencializadores textuais. ou cheios de esperança. O Globo. A presidenta Dilma. Para não morrer.

muito compenetrada. enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". mãe e filha. discretos: "parabéns pra você. vocabulário e estrutura da frase. Não omitir nenhuma informação essencial. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. ocorre uma transformação da parte formal do texto. sempre que possível. vagamente ansiosa. quer num flagrante de esquina. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família. obedecem em torno à mesa um discreto ritual. torna a guardálas na bolsa. inclinando-se para trás na cadeira. a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. como se aguardasse a aprovação do garçom. “Consiste no desenvolvimento explicativo (ou interpretativo) de um texto. de maneira mais clara. E enquanto ela serve a Coca-Cola. A filha aguarda também. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se. um vocabulário também diferente. A compostura da humildade. Visava ao circunstancial. e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. Além disso. Para tanto é necessária uma boa compreensão do texto. minúsculas. pai. célula da sociedade. que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. Passo a observá-los. de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. apenas uma pequena fatia triangular. haver modificações das idéias ou acréscimo de informações. parabéns pra você. em que se diz. amarelo-escuro. Utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto original. que se preparam para algo mais que matar a fome. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão.." Depois a mãe recolhe as velas. Como a um gesto ensaiado. toda arrumadinha no vestido pobre. Nesta perseguição do acidental. ao episódico. quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico. entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. larga-o no pratinho -. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano. a que os pais se juntam. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. olhando para os lados. que a faz mais digna de ser vivida. onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força. O pai. são exigências de uma boa paráfrase: 1. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante. laço na cabeça. atenta como um animalzinho. O pai se mune de uma caixa de fósforos. Gostaria de estar inspirado. 3. depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso. São três velinhas brancas. A perspectiva me assusta. fruto da convivência. Lanço então um último olhar fora de mim. sem. Na realidade estou adiando o momento de escrever. olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Exemplo de paráfrase A ÚLTIMA CRÔNICA Fernando Sabino A caminho de casa. Sem mais nada para contar.um bolo simples. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel. Ninguém mais os observa além de mim. retira qualquer coisa. deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos. A negrinha. Este ouve. Por que não começa a comer? Vejo que os três. A . Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua. o pai risca o fósforo e acende as velas. numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. Vejo. Não sou poeta e estou sem assunto. cantando num balbucio. num texto B. contida na sua expectativa. Utilizar construções que não sejam uma simples repetição daquelas que estão no original e. O autor da paráfrase deve demonstrar que entendeu claramente a ideia do texto.Comunicação e Expressão 34 PARAFRASEAR TEXTOS Paráfrase “é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico”.. curvo a cabeça e tomo meu café. 2. torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. e espera. na contenção de gestos e palavras. concentrado. o que contém um texto A” (Othon Garcia. apagando as chamas. porém. aborda o garçom. 1988). A mulher suspira. que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Na paráfrase. no entanto. Imediatamente põe-se a bater palmas. o pedido do homem e depois se afasta para atendêlo.

Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. já que não . Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. No final do ano passado. constrangido — vacila.. Não estamos pedindo nada demais. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. a violência vai aumentar. Presidenta Dilma. rios. para os acampamentos. arvores.. sangraram suas veias. 2010. estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. Para nós isso é destruição. satisfeito. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos.02. nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Dá comigo de súbito. a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. animais e aves. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso. rasgaram sua pele. para os confinamentos. Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Questão 1: Vamos elaborar uma criativa paráfrase da CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF. E nós não podemos mais esperar. Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani Dourados. o expresidente Lula prometeu. nós também estamos morrendo aos poucos. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Disponível em: <http://www. para as retomadas. sem a qual hoje não conseguimos sobreviver.. Acesso em 30 de jul. limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais.releituras.asp>. roubaram nossa mãe.. Atividade Texto: CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF 03. como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. ameaça abaixar a cabeça. a observá-lo. Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos. nossos olhos se encontram. esses "palavrões" ainda surpreendem muita gente. lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito. da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos..com/i_samuel_fsabino. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta. quebraram seus ossos. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades. para os refúgios. é matança. 31 janeiro de 2011. Acreditamos que não. mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. O pai corre os olhos pelo botequim.Brasil Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. de acordo com o exposto sobre esse tipo de recriação textual. Por isso. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta. ANAFÓRICOS E CATAFÓRICOS Pasquale O gentil leitor sabe o que é um anafórico? E um catafórico? Não se trata de nomes de medicamentos. Mais ou menos recentes na nomenclatura empregada nas questões de alguns vestibulares e concursos públicos. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Sem nossa mãe terra sagrada. vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. nossas terras tradicionais. Presidente Dilma. Por último.11 . Sem nossos tekohá. se comprometeu. Esperamos que não seja um prêmio de consolação. não. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo. é crueldade. mas não resolveu. com o sabor amargo de uma cesta básica.. A maltrataram. peixes. ele se perturba.Comunicação e Expressão 35 mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo. especialmente na reconquista de nossas terras. Agora.

muita gente sabe o que é um anafórico. O trecho de que fazia parte a "linha 16" (de um fragmento de "A Moreninha". (4) Sempre mandava flores para a namorada. Um caso comum de mau emprego dos anafóricos ocorre com o pronome "seu". É preciso preencher um sem-número de papéis. procurou fugir do insensível moço e fazer por esquecêlo. rosas de todas as cores. de cansada. o pronome "lo" (que resulta da transformação de "o" em "lo") recupera o substantivo "atestado". por exemplo. Em "esquecê-lo". Nesse caso. nem fugiu-lhe e nem o esqueceu" (a "linha 16" começa em "moço" e termina em "o"). (5) Lia muitos policiais. muito mais importante do que o nome é o emprego. aí) (8) (1) Ele chegou. Em outras palavras. Na verdade. como era de esperar. porém. Bem. Como sempre digo. lá. potencialmente ambíguo. Depois.substituição vocabular. mas não sabe que o nome do bicho é esse. Pois bem. por exemplo. Gostava de toda espécie de livro. El Ninho foi impiedoso: derrubou árvores.. . No caso dos anafóricos. . o pronome "o" se transforma em "lo" porque se prende a verbo terminado em "r" (esquecer + o = esquecê-lo). que ocorre com: sinônimo (3). isso corresponde a deixar claro quem é quem no texto. Em "O rapaz disse à irmã que seu futuro estava decidido". da linha 16 do texto. Paulo) Os processos de anáfora e catáfora ocorrem quando há: . hiperônimo (4). o "o" é posto antes da forma verbal por atração do termo negativo "nem". caro leitor? Quais são os anafóricos (que. ali. por exemplo. mas indisciplina o mestre não tolerava.pronominalização (1). Se o anafórico se refere a um antecedente. em seu último vestibular. É bom lembrar que o termo "anáfora" também é usado para denominar a "repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases" ("Aurélio"): "Quase tu mataste. o problema pode ser resolvido com o emprego de "dele". de Macedo) era este: ".que Ahy. o bom uso dos anafóricos estabelece adequadamente a coesão textual (terminologia que também tem sido empregada em alguns vestibulares e concursos). (8) Não podíamos deixar de ir ao Louvre. "fugiu a ele" ou "fugiu dele").. (7) O país é cheio de entraves burocráticos.elipse (2).. Em "A verdade é esta. meus caros: estamos mal-arrumados!". / Quase te mataram!" (citado no próprio "Aurélio". (3) O professor era bom. Explique essas anáforas". Enfrentam tudo para nos defender. à irmã ou aos dois). Todas essas limitações acabam prejudicando o importador. Em "o esqueceu". são três)? Vamos lá: "lo" (de "esquecê-lo"). de Joaquim M. na verdade. o pronome demonstrativo "esta" se refere ao que é enunciado em seguida ("estamos mal-arrumados!").termo-síntese (7) . não se sabe a quem se refere o possessivo "seu" (ao rapaz. citado antes na frase. (6) O presidente viajou para o exterior. a esta altura o leitor talvez deseje saber o que é o bendito "catafórico". pagar uma infinidade de taxas. Em "Atestado sem selo deixa de sê-lo". de Manuel Bandeira). E então. no jornal Folha de S. o exemplo é de "Estrela da Vida Inteira". o "lhe" corresponde a "a ele" ou a "dele" ("fugiu ao moço" ou "fugiu do moço". "lhe" (de fugiu-lhe") e "o" (de "o esqueceu"). ou seja. O presidente levou consigo uma grande comitiva. repetição do mesmo termo ou repetição do nome próprio (ou parte dele) .Comunicação e Expressão 36 costumam fazer parte do que se estuda ou discute nas aulas de português do segundo grau de boa parte de nossas escolas. a Fundação Getúlio Vargas (de São Paulo) fez esta questão: "Selecione. o catafórico se refere ao que será enunciado adiante. por exemplo. destruiu casas. hipônimo (5). Pronto! Você já sabe o que é um anafórico! Ou ainda não sabe? Sabe. / Quase te mataste. "dela" ou "deles". sim: um anafórico nada mais é do que um elemento linguístico que se refere a um termo antecedente. É isso.. . (Coluna publicada no dia 22 de julho de 2004. (2) Há cães bons para proteção do lar. Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a Mona Lisa. Os três elementos anafóricos se referem ao mesmo antecedente ("moço").advérbios (aqui. duas palavras que tenham valor anafórico. Em "fugiu-lhe".

o mesmo Schultz a recebeu em seu escritório com um abraço e o velho plano nas mãos.2006. confirmada -. Tenho um compromisso.nos outros 36 países onde a Starbucks opera. e disparou: "Quero falar com Howard Schultz". "Isso é chute. QUESTÃO 2: De acordo com Abreu (2001). Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. Ex-executiva da United Airlines. a sociedade entre a rede Starbucks e o casal Rodenbeck foi. (10) Preciso sair com urgência.Comunicação e Expressão 37 2º .as participações são de 49% e 51%.06. especula-se que um café poderá custar até 10 reais.4 bilhões de dólares. Nos Estados Unidos. Após a primeira visita.o encadeamento de segmentos do texto. o suficiente para a abertura de cinco lojas. No final de maio. finalmente. Aqui. 01. Havia uma química com nosso jeito de fazer negócios". Quais foram as conquistas da executiva e por que ela conseguiu persuadir os americanos? Justifique. respectivamente. Nesses encontros. ainda não definimos os valores". Iniciadas as discussões sobre o formato da operação brasileira. Em junho de 2005. hoje sua sócia no Brasil. diz. Esse é o primeiro grande negócio de Maria Luisa Rodenbeck. Em 2002. Estudo de texto Em 1997. feito por conexão (9) ou justaposição (10): (9) Os alunos não prestam atenção. vice-presidente de marketing e negócios da Starbucks para a América Latina. mas devemos insistir que aprendam. Outra particularidade é que as cafeterias brasileiras devem também usar xícaras -. Os sócios não revelam o valor do investimento. por Malu Gaspar) QUESTÃO 1: Apresente de modo resumido qual foi o objetivo alcançado (a tese principal) e o respectivo caminho (recursos de presença) que a ex-estudante de MBA trilhou para consegui-lo. . com faturamento anual de 6. enviou cartas anuais a Seattle reiterando o interesse em ser sócia da rede. Maria Luisa tergiversa. A primeira delas deve ser inaugurada neste ano. Maria Luisa levou quase uma década para convencer Schultz de que investir por aqui seria um bom negócio. Um dos pontos que ainda precisam ser definidos é o preço. já que a Starbucks só trabalha com lojas próprias e sócios locais. "Peter é meu guru. as visitas foram ficando mais frequentes. Ao entrar no elevador para deixar o edifício. persuadir. Para concretizá-lo. a entrar no mercado brasileiro. mas analistas estimam que gire em torno de 20 milhões de reais. na obra A arte de argumentar. (Revista EXAME. responsável pelo desembarque do McDonald's no Brasil. as lojas vão oferecer cafés exclusivamente brasileiros. "Lembra-se disso?". Aos poucos. porém. em Seattle. Apresentou-se ao empresário e lhe entregou uma cópia de seu plano de negócios. em São Paulo. a então estudante de MBA Maria Luisa Rodenbeck chegou à sede da americana Starbucks. Seu plano era tentar convencer o fundador da maior rede de cafeterias do mundo. a empresária Maria Luisa conseguiu fazer uma eficiente argumentação junto à empresa de Seattle? Por quê? Na sua resposta deverão aparecer os termos argumentar. os Rodenbeck esforçavam-se para mostrar conhecimento do mercado. "Desde o início percebi que ela seria forte candidata. No Brasil. convencer. Maria Luisa deu de cara com o próprio Schultz. QUESTÃO 3: O último parágrafo diz que Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. um expresso custa 2 dólares. Maria Luisa teve de ser persistente. uma das secretárias tratou de dispensá-la. Educadamente. diz Pablo Arizmendi. perguntou ele a Maria Luisa. Mas desde o início ficou muito claro que o sonho de trazer a Starbucks ao país era meu". Maria Luisa admite que o nome e o histórico do marido pesaram na decisão da Starbucks. conseguiu trazer os primeiros executivos para sondar o mercado brasileiro. a começar pela tese de adesão inicial empregada. Casada com o americano Peter Rodenbeck. o café é servido apenas em copos de isopor. na década de 80. da American Airlines e do Outback (rede australiana de restaurantes lançada no Brasil pelo casal Rodenbeck). o que não ocorre no resto do mundo. aprendi tudo com ele.

Texto “Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem” 2.imagens sobre as olimpíadas . V. Texto: “Não existem línguas uniformes III. VI. Exercícios . Texto: “A pedagogia do grande irmão platinado” 3. Textos 1. IV.Comunicação e Expressão 38 Anexos: I.sobre a obra Preconceito lingüístico II.sobre a obra O que é leitura . Reforma Ortográfica Roteiro de filme Particularidades léxicas e gramaticais Pontuação: o uso (ou não) da vírgula Vamos observar esta imagem sobre as Olimpíadas: .

cumpre a mesma função de charge? Por quê? Apresentemos pelo menos um argumento no texto elaborado. Questão 1: Podemos afirmar que a ilustração.com.br. Acesso em 02 de fev.wordpress.Comunicação e Expressão 39 Disponível em: www. nesse caso.azneuras. 2011. .

de Maria Helena Martins. vamos reescrever com nosso estilo o que falou Maria Helena a respeito do assunto. doze linhas. 2009. Acesso em 09 de jul. a autora apresenta três níveis de leituras: sensorial. mas também situações. De forma sucinta.no capítulo 3 do livro Preconceito linguístico. a) De acordo com a fala do aluno da charge e do linguista Marcos Bagno. 2. 5) É possível ler o mesmo texto várias vezes e construir novos sentidos após cada leitura? Por quê? Após a leitura da obra PRECONCEITO LINGUÍSTICO vamos responder às questões: Charge para a questão 3: Disponível em:<http://www. apresenta alguns tipos de leitura que não estão ligadas unicamente ao lermos apenas palavras. Questão 3: (v. Para tanto. pois a função da escola não é restringir ao ensino das regras e da nomenclatura dos termos gramaticais. elabore um parágrafo de correção da alternativa com. Em seguida. o que entendemos por leitura? 2) Quando aprendemos a ler? Como foi nosso aprendizado de leitura? Quem nos ajudou? Como foi nosso contato com a leitura na escola? 3) A obra O que é Leitura. e da charge de Lilian Simões.br/blog/wp-content/uploads/>.com. O que caracteriza cada um deles? Que importância têm esses três níveis para o leitor? 4) O capítulo “ampliando a noção de leitura” faz críticas severas ao sistema de ensino de alfabetização e letramento.0) A partir do tópico 3 – “o que é ensinar português” . b) Assim como determinada pessoa se matricula em autoescola para aprender a dirigir e não para saber detalhes do funcionamento do veículo. o aluno precisa da instituição escolar para ajudá-lo a usar a língua materna com competência. Isso significa que ele deve aprender a ter . emocional e racional. marque a alternativa incorreta.liliansimoes. a preocupação da mestra está relacionada ao modo precário como o garoto se comunica na escrita. no mínimo.Comunicação e Expressão 40 Após a leitura da obra O QUE É LEITURA vamos responder às questões: 1) A partir do livro de Maria Helena.

inclusive as mais inocentes. o esforço. a inculta. Você é coautora do livro "Do Campo ao Prato”.Mundo Enric Llopis . afetando. Poderias definir o conceito de "soberania alimentar”? . que ele adquiriu dos pais. para que o aluno saiba identificar os termos da oração e os classifique não é garantia de que ele se tornará um usuário competente da língua culta. que monopolizam cada uma das etapas da cadeia agroalimentar. obrigada!”. Isso é uma prova do fracasso do capitalismo agroindustrial? Sim. como aluno. A terra. também. alerta sobre a primazia do capital privado na hora de impor gostos. se queremos consumir produtos livres de transgênicos. Juntamente com Xavier Montagut publicou os livros "Do campo ao Prato”. por meio da variante culta. Pelo contrário. reduzindo a agrodiversidade. Os problemas agrícolas e alimentícios são globais e são o resultado de converter os alimentos em uma mercadoria. Icaria. Por ela não ter preconceito linguístico. gerando mudança climática e destruindo terras férteis. A agricultura industrial. coautora do livro "Do Campo ao Prato” (Ed. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental. Porém. um litro de leite ou um pacote de bolachas pode parecer um ato bem cotidiano. d) O ensino da gramática normativa mais estrita. As empresas multinacionais. Comemos o que as grandes empresas do setor querem. a obsessão pela terminologia e pela classificação de termos e o apego à nomenclatura. independente da área na qual atua. 2009) Comprar um quilo de açúcar. "Para onde vai o comércio justo?” e "Supermercados? Não. como afirmam os governos e as instituições internacionais. para especular. à sua saúde e ao respeito ao meio ambiente. Texto: ‘COMEMOS O QUE AS GRANDES EMPRESAS AGROALIMENTÍCIAS QUEREM' 04. Acreditas que nos estão envenenando? Esther: O modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentícias das pessoas. Para acabar com a fome no mundo não é preciso produzir mais. Hoje. faz falta democratizar os processos produtivos e fazer com que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população. ativista social pela soberania alimentar e militante do movimento antiglobalização. acabem decidindo o que comemos. o aluno deve continuar se expressando pela única variante. há o mesmo número de pessoas no mundo que passam fome do que o de pessoas com problemas de sobrepeso.Comunicação e Expressão 41 êxito nas situações de comunicação. esforçar-se em aprender a comunicar. Esther Vivas. em ambos os casos. intensiva e petrodependente tem se mostrado incapaz de alimentar à população. ele será amparado por alguma política assistencialista do governo.11 . por exemplo.Adital Entrevista a Esther Vivas. 925 milhões de pessoas no mundo passam fome. E também é desnecessário. sob essa aparência inócua subjaz a relevância política de nossas ações. Esses bens naturais não devem servir para fazer negócio. pois. aos setores mais pobres da população. a ONU e o FMI propõem uma nova "revolução verde”. quilométrica. ou seja. marcas e produtos. c) O garoto tem razão: não há necessidade de a professora se preocupar-se em ensiná-lo a falar e redigir textos claros e coerentes para comunicar-se melhor. Não pode acontecer que umas poucas multinacionais. alimentos transgênicos e livre comércio. temos que apostar na soberania alimentar. Os consumidores temos que poder decidir o que comemos. Definitivamente.02. Que alternativa pode ser proposta pelos movimentos sociais? Esther: É preciso recuperar o controle social da agricultura e da alimentação. sejam elas orais ou por escrito. como pobre que supostamente é. tanto nos países do Norte quanto nos do Sul. a água e as sementes devem estar nas mãos dos camponeses. daqueles que trabalham na terra.

as ajudas à exportação. O Movimento pela Justiça Climática tenta oferecer alternativas. como a energia nuclear. O que comemos é resultado da mercantilização do sistema alimentar e dos interesses do agronegócio. A Via Campesina afirma que comer. Pelo contrário. expressa essa relação difusa que existe entre justiça social e . proporcionar grandes benefícios a umas poucas empresas. Desse modo. Também é necessário sair às ruas e atuar politicamente. isso sim. nesse sentido. E essa tendência cresce cada vez mais. Apostar no cultivo de variedades autóctones. como vimos em múltiplas ocasiões. não o clima”. por exemplo. Em todas essas cúpulas os interesses privados e o curto prazo têm pesado mais do que a vontade política real para acabar com a mudança climática. sete empresas no Estado Espanhol controlam 75% da distribuição dos alimentos. ou os agrocombustíveis.. Cancún. os que estão nas instituições não representam nossos interesses. Faz falta uma ação política coletiva. Estamos em mãos das grandes cadeias de distribuição. Promover os circuitos curtos de comercialização. Copenhague. os critérios mercantis têm sido uma vez mais a moeda de troca e o mecanismo de comércio de emissões é. por ocasião da campanha da Iniciativa Legislativa Popular contra os transgênicos. converteu-se em um "ato político”. especulação com a habitação e com o território. o seu máximo expoente. Não foram feitos acordos vinculantes que permitam uma redução efetiva dos gases de efeito estufa. precarização dos direitos trabalhistas. Trata-se de medidas cujo único resultado é agravar ainda mais a crise atual social e ecológica e. no qual o comércio internacional funcione como um complemento do anterior. Conseguir esse objetivo implica uma estratégia de ruptura com as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Por detrás disso escondem-se os interesses das companhias multinacionais e de um suposto "capitalismo verde”? Esther: Sim. fóruns sociais etc.Comunicação e Expressão 42 Esther: Consiste em ter a capacidade de decidir sobre tudo aquilo que faça referência à produção. mas. De tal maneira que o consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida e o mesmo passa ao produtor ao buscar acesso ao consumidor. O que isso implica e que efeitos nos traz esse modelo de consumo? Esther: Hoje. não consiste em uma proposta localista. em defesa do território. Da mesma forma. os mercados locais.. organizar-nos no âmbito do consumo. Kyoto. como muito bem diz seu lema. Em vez de dar soluções reais. trata-se de recuperar o conhecimento das práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologias e saberes. criar alternativas e promover alianças amplas a partir da participação em campanhas contra a crise. Porém. mas os interesses privados. É necessário antepor outra lógica e organizar-se contra o modelo agroalimentar atual no marco do combate mais geral contra o capitalismo global. Combater a competição desleal. ao contrário. a captação de carbono da atmosfera para seu armazenamento. porém. de temporada. tenta "mudar o sistema. saudáveis. porque. As soluções individualistas servem para romper com essas pautas de consumo? Esther: A ação individual tem um valor demonstrativo e aporta coerência. como. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. reivindicar a soberania alimentar não implica em um retorno romântico ao passado. por exemplo. opta-se por falsas soluções. questionando o sistema capitalista e. Estás de acordo? Esther: Completamente. os mecanismos de dumping. A mercantilização que está sendo realizada na produção agroalimentar é a mesma que atinge a muitos outros âmbitos de nossa vida: privatização dos serviços públicos. hoje. Que balanço geral pode ser feito sobre as diferentes cúpulas sobre a mudança climática? Esther: O balanço é muito negativo. distribuição e consumo de alimentos. mas de promover a produção e o comércio local. impulsionada por "Son lo que siembrem”. não gera mudanças estruturais. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. a partir de grupos e cooperativas de consumo agroecológico. Em Cancun fez sucesso a ideia de "adaptação” à mudança climática. Como nasceu e quais são seus princípios? Esther: O Movimento pela Justiça Climática faz uma crítica às causas de fundo da mudança climática.

como também os pequenos produtores.Comunicação e Expressão 43 climática. A solução é mudar o clima ou mudar o sistema capitalista? Esther: Faz falta uma mudança radical de modelo. 5. O desafio é ampliar sua base social.De que modo o capitalismo criou a crise ecológica a partir da qual pode faltar comida no mundo? . Questão 1: De acordo com a entrevista Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou”. a. No ato rotineiro de fazer compras.adital. 4.Por que concordamos ou discordamos da ativista espanhola Esther Vivas? . 2011. b.com. 3. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que devem andar estreitamente unidos. O movimento tem tido um forte impacto internacional. ao influenciar a mudança climática e destruir terras férteis. não o clima. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental ao reduzir a diversidade de culturas agrícolas. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. Ela tem sido incapaz de alimentar à população. Acesso em 05 de fev. . c a. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou. b) O consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida. d.br/site/noticia. mais recentemente. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. d) A produção de combustíveis de origem vegetal é uma medida que pode colaborar na resolução do problema da falta de alimentos no mundo. A crise atual apresenta a necessidade urgente de mudar o mundo pela base e fazer isso desde a perspectiva anticapitalista e ecologista radical.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53754>. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. E diante disso. Isso tem contribuído para visualizar a urgência de atuar contra a mudança climática. 2. e) A agricultura de caráter industrial é enorme e intensiva. as pessoas nada podem fazer. É urgente mudar o sistema. e c. c) O Movimento pela Justiça Climática tem tido um forte impacto internacional. mais recentemente. nas mobilizações de Cancún. Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e.Como é que o supermercado impõe o que eu como? Citemos exemplos. nas mobilizações de Cancún. nós já pensamos sobre o fato de nos submeter às grandes redes de supermercado ou como elas interferem no nosso modo de viver? . porque o primeiro não combina com os produtos saudáveis e o segundo tem dificuldade de manter-se sem agrotóxicos. entre crise social e ecológica. vinculá-lo às lutas cotidianas e buscar alianças com o sindicalismo alternativo. c. e todas elas nenhuma delas Questão 2: “Faz falta uma mudança radical de modelo. é possível afirmar que: a) O texto descarta as novas tecnologias e o comércio local. Disponível em: <http://www.

se oferecem. músculo. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência. nas cadeias. é claro. o tal do sabotador é uma pessoa. do grupo. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade” da Globo. Mesmo no terminal. No dia em que ela saiu do castigo. em que se traem os amigos. etc.01. Precisava sabotar seus amigos. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder "????”). Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. coisa que. Mas. Cada uma daquelas criaturas que ali estão quebrando todas as regras da ética do bem viver são pobres seres humanos. E fui observar um pouco desse zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites. Sabia. também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível. sou um bicho televisivo. E o fez. Pega em qualquer lugar deste grande país. é perverso demais o que os "inventores” fazem com aquelas tristes criaturas.. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais. Tudo pela "plata”.. no ônibus. Vi a cara do rapazinho. ainda assim. É a lavagem cerebral. em que vale tudo. em todos os lugares. putas ou santas. É só estar vivo para saber. perdidos num mundo que exige da juventude bunda. morrem até para estar naquela casa. dando as "notícias” dos broders. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. fez a sua escolha. Mas enfim. e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. Então esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido.Brasil Elaine Tavares Jornalista Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudoesquerda que fica falando mal do BBB. mas que também dá sua espiadinha. Está bem. héteros tarados. é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. peito e cabeça vazia. passam meio que por osmose. que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. já que coisas do tipo que se veem ali também são possíveis de ver na novela. nos filmes. dono de um texto refinado. que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas. ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades. mas ocorre que estas "lições” em que se eliminam pessoas. Depois. São vítimas.11 . esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. esperando o ônibus. E assim vai o "grande irmão” propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. . obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém com requintes de crueldade. chorando. elas mandam vídeos. me causa espécie. escorregando pela parede. loucas. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "‘qualquer um pode neste mundo livre”. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase que totalitária. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. Em nome do milhão. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes. Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. trans. Cada ano a violência fica maior. lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão. um outro. Querem mais do que as migalhas do banquete. Então. Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial. O melhor sinal é o da platinada. É praticamente impossível fugir desses saberes. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. em busca do que pensar ser seu lugar ao sol. obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária. É invasivo e feroz. a qual é parte intrínseca do "show”. ele se deixava cair. Fiquei por aí a matutar. Agora inventaram a figura de um sabotador. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral possa ter o "show”. Uma coisa de uma maldade abissal. As notícias estão no jornal. enquanto os demais a abraçavam. as pessoas estão ali porque querem.Comunicação e Expressão 44 Texto: A pedagogia do grande irmão platinado Texto de 26. Há os que vêem e nem gostam. que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. Ele. Mas fica. o que. Estava em completo desespero. bi. Um sacerdote muito bem pago. Não são eles os "imorais”. no elevador. Deveras.

como bem já levantaram alguns blogueiros. outro tenha que ser "eliminado”. Hoje sai a fim de matar alguém”. nem rodos poderão ser reintegrados na sociedade. Por ser menor de idade. pouco menos: se apanhados. via repetição. às vezes com requintes de crueldade. Logo estará livre para reiniciar com alegria sua atividade de assassino psicopata. buscam o bem viver. ele sairá em breve para matar. Questão 4: Diante do programa do BBB. 12. da rede Globo.com. Tratase da consolidação.adital. começa a roubar e matar. que pretender cristalizar como verdade que para que um seja feliz. aos 16 podemos mudar o país através do voto. quase uma criança. A questão do "grande irmão” não é moral. aqui. e até menos. Voltarão para novos crimes. sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. Quando em outros países a idade mínima é de 14 anos. Onde as pessoas. malcheirosa. e repetia “vou te matar”. Penso que há outras formas de a gente se divertir. brother quer dizer irmão em inglês. Tudo pela "plata”? Questão 3: . de uma pedagogia. típica do capitalismo. aqui perto. a Globo. lúcida ou drogada. juntas.. O show da Globo é uma violência explícita. perseguição aos homens de bem e impunidade aos pérfidos. mas se estupramos. um menino de 14 anos confessou na maior frieza o assassinato de dezessete pessoas. foi para uma dessas instituições de ressocialização nas quais não acredito. como tantos assassinos iguais a ele. Questão 1: Que tese Elaine Tavares defende no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Que argumentos a jornalista utiliza para tecer o ponto de vista dela? Questão 2: Por que Elaine Tavares emprega aspas nas palavras no seguinte trecho: É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. junto com as companhias telefônicas. e o menino respondeu com simplicidade: “Nada. talvez diga como outro criminoso. segundo Elaine Tavares? Texto: A lei e a justiça Lya Luft Ando cansada da loucura humana.Comunicação e Expressão 45 Enquanto isso. É galera. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética”. fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudoesquerda. se perguntarem a razão. Então. Quinze deles já foram confirmados.. Recentemente. 2011. Os empresários globais lambem seus bigodes. Acesso em 28 de jan. que assaltou um amigo meu. aos 12 anos – pouco mais. lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos”. Cansei do drama da juventude que. E. Meu amigo perguntou por que.Em que variante/s o texto é escrito? Por que é dessa forma? Vamos apresentar marcas textuais que justifiquem nossa resposta. ele vem. qual é a pedagogia do BBB. Acredito firmemente que se deve reduzir a idade na qual alguém pode ser legalmente responsável por seus atos. até . roubamos. “Matei. sim”. É ética. maldade. nefanda. Talvez tenha acreditado num dar de ombros: “E daí?” Se não houver alguma grave interferência. Disponível em: < http://www. Ando exausta de tanto cinismo. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. cruel. É coisa ruim.br/site/noticia. matamos. sinistra e miserável.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53508>. o que causa espanto na autora? Por quê? Esse programa nos causa espanto de alguma maneira? Por quê? Questão 5: Que paradoxo Elaine Tavares discute no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Questão 6: Afinal.

p. acredita que um jovem criminoso. ou “a sociedade”. na maioria das vezes. me disseram que. comentem crimes de forma fria e calculista. vítimas e criminosos deixando famílias destroçadas dos dois lados. se ficarem apenas na letra escrita ou submetidos a jogos de poder. E aí nem leis nem tribunais supremos ou mínimos nos ajudarão. Um deles parece não ter fim: o poço dos escândalos nossos de cada dia. se a gente cavasse fundo no jardim. produzir para seu próprio sustento. com nova oportunidade de mostrar isso. no texto “A lei e a justiça” faz referência à questão da idade penal. enquanto se multiplicam os dramas. (Revista Veja. Disponível em: <mariquinhamaricota.>. que às vezes é apenas outra vítima. mas enrolamos a alma numa cortina escura. pegamos uma leve – e breve – pena em uma instituição que (com raras exceções) reeduca os passíveis de melhoria e deixa os psicopatas mais loucos. descobri que a vida tem outros poços. livros e seminários com discursos pomposos mas pouco eficazes.blogspot. sociedade doente. ou seja. . Isso inclui as possíveis vítimas. o que nem sempre é bom. ano 44 – n. sociedade moderna. ou seja. produzimos esse e outros dramas morais? Acusa-se pela criminalidade juvenil a família. que deveriam ser submetidos a leis mais firmes e colocados – se for o caso – em prisões decentes onde possam trabalhar. Do poder dos maus e da fragilidade dos bons. nada adiantará se não cumprirmos o que deve estar em qualquer Constituição: que a todo ser humano seja garantido tratamento digno e decente. Quando menina. 19 de janeiro de 2011. onde as pessoas andavam de cabeça para baixo (para eles. os seis cês que são fatores essenciais para a escrita de um texto de qualidade. algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. por meio de uma caricatura. Acesso em 25 de nov. 18) Questão 1: Lya Luft. A partir de reflexão sobre a redução da idade penal. para ver se não haverá alguma luz que o afugente. que talvez tenha suas razões para não tirar a venda e finalmente olhar para nós. em lá chegando.. elabore um parágrafo padrão declarando o que você pensa a respeito do assunto. de pernas para o ar estaríamos nós). criatividade. onde jovens. Questão 2: Luft afirma que não acredita em instituições de ressocialização. exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco.Vamos responder a essas perguntas em um único texto com coerência. Do desinteresse e da má vontade. aumentam as tragédias. e de outro lado os criminosos. realmente voltar à sociedade regenerados. da nossa desolação e dos nossos enganos. coesão. que mereceriam uma sociedade menos violenta e autoridades mais eficazes. poderá integrar-se à sociedade como um cidadão de bem? Justifique sua resposta com argumentos claros e convincentes. concisão e clareza. além de teorias. E você.com/2008/11/as-ch. que não usamos um pano diante dos olhos. 2010. O diabinho rosna então uma das melhores frases sobre o assunto: “A lei nem sempre garante a justiça”. correção gramatical. O poço tem fundo: o diabinho no meu ombro espia seu reflexo nele. nem todos divertidos.. mas o dinheiro e o esforço dedicados a isso têm sido irrisórios dentro do orçamento do país. que deveria começar com a educação em suas bases. Adulta.Comunicação e Expressão 46 os 18. depois de cumprir pena em uma dessas instituições. Quem são os personagens da charge abaixo? Onde e em que momento eles estão? O que eles estão fazendo? Por quê? O que eles representam no nosso país? Que crítica a charge faz? Por quê? Em que aspectos a charge se assemelha ao texto de Lya Luft A lei e a justiça? . Questão 3: Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar. e quem sabe. sem solução à vista. aqui e ali. A autora demonstra revolta e indignação diante da situação de violência do nosso país. Além do mais. Sou mais crédula do que cética. e se. Resta descobrir quanto tempo se leva para chegar a esse fundo. descobriremos que a senhora Justiça era apenas um mito. 03. esse poço daria no Japão. Como nós. A palavra é de origem francesa e significa carga. Pouca é a vontade de mudar isso. conceito vago que isenta de uma ação enérgica. As charges são muito utilizadas em críticas políticas no Brasil.

a distância – só que esta é social) acabam caracterizando sua fala por traços diversos em relação aos de outra classe. essas diferenças se refletem na língua. Também há fatores internos à língua que condicionam a variação. do mesmo modo (e. de sexo. ou porque como em geral ocorrem com os mais jovens).html>. relapso. Por exemplo. Por isso. Pessoas que pertencem a classes sociais diferentes. e como também é um fato social associado à linguagem. que não respeita nem mesmo sua rica língua. por exemplo. Um dos tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas são externas à língua.Comunicação e Expressão 47 Disponível em:<juicetech. dois fatos são importante: a) todas as línguas variam. otro). isto é. há “erros” que ninguém comente. para quem pretende ter uma visão mais adequada do fenômeno da linguagem.zip. poderia talvez achar que tem um argumento definitivo. a pronúncia não-padrão a eliminaria (caxa. 2010. profissões.). muitos meninos não podem ou não querem usar a chamada linguagem correta na escola. etnias. infelizmente. De uma forma um pouco simplificada: assim como certos grupos se caracterizam por meio de alguma marca (digamos. de profissão etc. porque a língua não permite. não é preciso estudar uma língua para não “errar” em certos casos. Ou seja: a primeira verdade que devemos encarar de frente é relativa ao fato de que em todos os países (uma em todas as “comunidades de falantes”) existem variedade de língua. Para exemplificar: podemos dizer que fulano é velho por quem tal hábito (fuma cigarro sem filtro. quando não ridículo um velho falar como uma criança. pexe. Acesso em 25 de nov. Ao contrário. a variação é de alguma forma regrada por uma gramática interior da língua. b) a variedade linguística é o reflexo da variedade social e. outro: a pronúncia padrão incluiria a semivogal. quando observa que “até mesmo para falar somos um povo desleixado”. O mesmo vale para diferentes sexos. Por isso.net/arch2010-04-01_2010-04-30. pela mesma razão. Por isso. de etnia. as línguas fornecem meios também para a identificação social. Mas nunca se ouve . como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre indivíduos ou grupos. também podem caracterizar-se por traços linguísticos. sob pena de serem objeto de gozação por parte dos colegas porque em nossa sociedade a correção é considera uma marca feminina. A segunda verdade é que as diferenças que existem em uma língua não são casuais. Em outras palavras. Texto: Não Existem Línguas Uniformes Sírio Possenti Alguém que estivesse desanimado pelo fato de que parece que as coisas não dão certo no Brasil e que isso se deve ao “povinho” que habita esse país (conhecem a piada?). Esse modo de encarar os fatos da linguagem é bastante comum. Ou seja. de classe. Mas como existe. por terem determinados hábitos etc. Faz parte da visão de mundo que as pessoas tem a respeito do campos nos quais não são especialista. de certa forma. ouvem-se pronúncias alternativas de palavras como caixa. Ou seja. de idade. Em outras palavras. é frequentemente estranho. deve ser levado em conta. E não apenas no Brasil porque seriamos um povo descuidado. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. os fatores que permitem ou influenciam na variação podem ser detectados por meio de uma análise mais cuidadosa e mesmo anedótica. idades. especialmente para os profissionais. por utilizarem certos trazes. uma autoridade falar como uma pessoa simples etc. Ou seja: pessoas que moram em lugares diferentes acabam caracterizado-se por falar de algum modo de maneira diferente em relação ao outro grupo. peixe. Por exemplo. é uma avaliação falsa. Os principais são os fatores geográficos.

Assim. Campinas: Mercado das letras/ALB. as variações linguísticas são condicionadas por fatores internos à língua ou por fatores sociais. Outro exemplo: podem-se ouvir várias pronúncias. e como os falantes fariam para demonstrar atitudes diferentes? Teriam que avisar (dizer. E isso vale para falantes cultos e incultos. Mas. jeito)? Certamente. e a poesia? E o humor. A variação tembém existirá em palavras como planta: planta ou pranta (mas nunca ouviremos puanta). também (embora não com o mesmo número de variedade). Por que (não) ensinar gramática na escola. mas nunca “ eu vamo(s)”. que é uma das melhores coisas que a humanidade inventou. no início. Sírio. Mas. “vou tratá-lo formalmente”)? (POSSENTI. 1996. E a variedade linguística está entre as variedades mais funcionais que existem. nunca. todo falante conhece. “estou irritado”. o tipo de semivogal (i ou u) e a consoante seguinte são partes dos fatores internos relevantes para explicar esse fato que. o l setá sempre um l em palavras como lata. Por que será que os mesmos falantes ora eliminam e ora mantêm a semivogal? Alguém pode explicar porque o i cai antes de certos consoantes e não diante de outras? Alguém pode explicar por que o u cai antes de t (otro) e o i não cai no mesmo contexto (peito. no meio. então. auguma. dar ordens e instruções. ele varia. Podemos pensar na variação como fonte de recursos alternativos: quanto mais numerosos forem. Em uma língua uniforme talvez fosse possível pensar. 33) . ou por ambos ao mesmo tempo. “um caras” ou “Comédia do Erros”. Alguns sonham com uma língua uniforme. em vários lugares do país. arguma. “dois cara”. Só podem ser por mania repressiva ou medo da variedade. Mais exemplos: poderemos ouvir “os boi”. Ouviremos muitas vezes “nós vai”. “estou à vontade”. Mas. Ou seja: no fim da sílaba. do som que se escreve com a letra l em palavras como alguma: alguma.Comunicação e Expressão 48 alguém dizer peto ou jeto ao invés de peito e jeito. mais expressiva pode ser a linguagem humana. mas nunca “o bois”. de alguma forma. “Comédia dos Erro” . p. por exemplo.

Comunicação e Expressão 49 .

Comunicação e Expressão 50 .

dando sentido ao homem.30) afirma que “na sociedade em que vivemos somos moldados por uma infinidade de discursos: discurso científico. a tese de adesão inicial. Tanto isso é verdade. seu interlocutor. que a expressão hierarquia de valores é largamente utilizada. De que ponto de vista o lobista a pronunciou? Você concorda com essa afirmação? Por quê? 7. pelo modelo e antimodelo e pela analogia. possui todas elas ou não? Que trechos e/ou referências do filme autorizam e/ou justificam nossa resposta? Que relação há entre o trabalho desenvolvido pelo lobista e as entrelinhas do filme? 4. O protagonista do filme. discurso político. Abreu (2005) cita quatro condições da argumentação de sucesso. . não devemos propor de imediato nossa tese principal. etc”. antes da principal. Num processo persuasivo. Nick Naylor. Abreu (2005.E qual é a tese principal do lobista? Por que ele a defende? 6. a maneira como o auditório hierarquiza os seus valores chega a ser. até . todos eles a mesma importância. Abreu (2005. na revista Língua Portuguesa no. e ainda os argumentos: pragmáticos. que diferença há entre negociação e argumentação? Qual das duas estratégias apresenta maior grau de credibilidade? Por quê? De acordo com o personagem. Nick Naylor. Lembra Beth Brait. O escritor. o que pode ser considerado como tese de adesão inicial utilizada por Nick Naylor? Por quê? . o argumento do ridículo. então. “Os valores de uma pessoa não têm. a ideia que queremos “vender” ao nosso auditório”. “se uma pessoa souber argumentar corretamente nunca estará errada”. sugere que o falante deve apresentar. p. fraquezas e ações. discurso jurídico. p. como lobista. os tais auditórios e o título do filme. para que o falante tenha êxito na sua argumentação é ainda necessária a utilização das técnicas argumentativas como: compatibilidade e incompatibilidade.Comunicação e Expressão 51 ROTEIRO DO FILME OBRIGADO POR FUMAR 1. podemos dizer que há argumentação e contraargumentação? O que de fato está em jogo no discurso de um e de outro? Podemos afirmar que. 36 (2008. . a técnica da definição. obviamente. regra de justiça. . Em termos de argumentação. No filme. 33).Qual é o discurso comum e o discurso científico que aparece no filme sobre o cigarro? Como se constrói o primeiro e o segundo? 3.Vamos identificar em que momento o filme apresenta a técnica da argumentação pelo modelo e antimodelo e justificar por quê. Segundo Abreu. que “ a atração pelas palavras. o falante ou locutor expressa seus argumentos (ponto de vista/ discurso) para outro falante. discurso do senso comum. discurso religioso. o falante pode ter o auditório particular ou ainda o auditório universal.No primeiro programa de televisão apresentado no filme.45) afirma que “ao iniciar um processo argumentativo visando ao convencimento. Nick Naylor possui ambos os auditórios. o filme é irônico? Por quê? 9. pelo exemplo. 2005). às vezes. retorsão. . vamos verificar como é a relação entre o lobista. Segundo a obra A arte de argumentar (ABREU.Além de identificar os dois auditórios do lobista. trabalha em uma empresa de estudos sobre Tabaco a qual é financiada pelos empresários da indústria de cigarro e desenvolve com excelência a sua profissão de lobista. 8. do desperdício. nesse caso. O que você sabe a respeito de tal profissão? Por que Nick é um lobista cobiçado pelos grandes empresários? 2. p. 5. Nas disputas entre Nick e o senador. A partir de uma das conversas entre Nick e o filho e outra entre a criança e a mãe. pelo poder que elas têm de significar. às suas glórias. porque quer convencê-lo e/ou persuadi-lo sobre algo. pode se revelar de muitas maneiras”.

em função da cultura. (ABREU. . Sobre elas pairam muitas dúvidas. As cantoras eram péssimas. Eu me refiro à obra dele. O que o filme sugere com isso? Por quê? 11. das armas de fogo e de bebidas são bem pagos. Regressando de São Paulo. Cameron Bright. E os lobistas do tabaco. cuja Onde (quando equivale a no qual e flexões) Cujos. quanta Quantos. quantas Ex: fale tudo quanto quiser. O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. 77). Eu falei a você sobre o restaurante. Até que ponto Obrigado por fumar aborda a respeito disso? Que trechos autorizam minha resposta? Nota: OBRIGADO POR FUMAR título original: (Thank You for Smoking) lançamento: 2006 (EUA) direção: Jason Reitman atores: Aaron Eckhart.. Esse trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. ordem. duração: 92 min gênero: Comédia status: Arquivado IV. a mídia está sempre em evidência.. O sitio me deixou encantado. As cantoras que se apresentaram eram péssimas. visitei o sítio de minha tia. A arte de argumentar está relacionada com a capacidade de gerenciar emoções. visitei o sítio de minha tia o qual me deixou encantado. compreender os valores e as necessidades do outro. Maria Bello. 2005. qualidade. Meu irmão comprou o restaurante. qual é o lugar de argumentação que o filme mostra de forma mais evidente? Por quê? 10. Essas são as conclusões do processo.(= o qual) As cantoras se apresentaram. Particularidades Léxicas e Gramaticais USO DO PRONOME RELATIVO Os pronomes relativos são os seguintes: Variáveis Invariáveis O qual.) As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa. (= as quais) Este é o pintor. as quais Quem (quando equivale a o qual e flexões) Cujo. para que a argumentação atinja positivamente o auditório.Comunicação e Expressão 52 mais importante do que os próprios valores em si. Adam Brody. das ideologias e da própria história pessoal”. essência. p. Traga todos quantos quiser Regressando de São Paulo. Eu fiz o trabalho. o falante deve re-hierarquizar os valores com os lugares da argumentação: lugar de quantidade. . (. pessoa e existente. a qual Que (quando equivale a o qual e flexões) Os quais. No filme. Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual falei a você. Essas são as conclusões do processo sobre as quais pairam muitas dúvidas. cujas Quanto. Assim.Afinal.

porque. que encerra uma frase interrogativa direta. Notou? Quando emitido tonicamente. Aquela é a senhora Bovary para a qual trabalho. Encontrei o garoto a quem você estava procurando. Os alunos gostaram dos livros apresentados. O pesquisador apresentou alguns livros. Ele comprou os livros de que gostou. Aquele é o homem de quem lhe falei. Eu acreditei nas palavras do advogado. Eu gosto da obra desse pintor. por quê. Aquela é a senhora Bovary. O sítio aonde fui é aprazível. Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança. Este é o pintor de cuja obra gosto. Nós necessitamos desses ingredientes. Releia a frase: "Você tem cheiro de quê?". Roubaram a peça. . Este é o artista.com. Os frutos da árvore são venenosos. Eu me referi ao artista ontem. Vocês perderam o filme. Nós assistimos ao filme que vocês perderam. Eu não o conheço. Este é o pintor. O pesquisador apresentou alguns livros dos quais os alunos gostaram. Eu lhe falei do homem. Eu trabalho para ela. Este é o artista a quem me referi ontem. o "que" normalmente é átono. Nós assistimos ao filme. A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada. Aqui estão os ingredientes de que necessitamos. já que esse "quê". O acento é correto. ou seja. porquê Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista ("Você tem cheiro de quê?"). Onde/aonde: Sempre morei no país onde nasci. fraco. Vocês perderam o filme a que nós assistimos. Aquele é o homem. Aqui estão os ingredientes. A peça que roubaram era rara no Brasil. Não conheço o político de quem você falou.asp?menu=1&cod=160>. O advogado em cujas palavras acreditei está preso. Roubaram a peça que era rara no Brasil. Encontrei o garoto.Comunicação e Expressão 53 Este é o pintor a cuja obra me refiro. Você estava procurando o garoto. por ser monossílabo tônico terminado em "e". e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse "qui": "Quero o que você quiser".gramaticaonline. acesso em 05 de jun. A peça era rara no Brasil. 2009 (com modificações) Por que. Disponível em: <http://www. Você falou do político. A árvore foi derrubada. O advogado está preso. é emitido tonicamente.br/gramaticaonline. o "que" é acentuado. Isso normalmente ocorre quando o "que" encerra a oração. Percebeu? Quando vem no meio da frase.

Para acentuar "porque" ("junto"). muda tudo. por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?".Comunicação e Expressão 54 Há outras situações em que se deve acentuar o "que". se a oração terminar ali). temos a equivalência com as expressões "pelo/a qual". O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber. Num deles. e ninguém sabe por quê". o que tinha de ser junto vem separado. a causa) da renúncia". esse "porque" é "junto". vamos lá. como se diz) quando há ponto de interrogação. ou seja. por exemplo. Quando não. basta que a oração termine ali: "Por quê?". No primeiro caso. textos publicitários etc. "porque" etc. a causa da ausência dessa pessoa. faixas. como ele não explicou. Há basicamente dois casos em que se usa "por que". rótulos. Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes. "por qual razão": "Por que (= por que razão. "pelos/as quais" ou a "por que razão". quando o assunto é "por que". pouco comum. "por quê" e "porquê". Vejamos um trecho da canção "Pedacinhos". normalmente "porquê" acaba sendo sinônimo de "motivo". avisos públicos. esqueça o que verá neste texto. por qual razão) você é tão áspero com ela". É "separado" porque equivale a "por qual razão" ("Por qual razão?". não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é "junto" ou "separado". o que ocorre. "causa": "Não entendemos o porquê (= motivo. Posto isso. "Ninguém sabe porque ele não explicou". A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar "por que". mas sempre vale a pena voltar a ele. Já tratei do assunto há um bom tempo. "porque". Se você estiver lendo Saramago. e o que tinha de ser separado vem junto. Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. Como já afirmei. Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal. é preciso que essa palavra seja substantivo. quando da explicação do título da revista ("Você tem cheiro de quê?"). sim. Já o "porque" ("junto") introduz explicação ou causa do que se afirma: "Não vou porque estou doente". O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente. ninguém sabe por qual razão ele não explicou. o "por que" equivale a "por que razão". "Ele não revelou o porquê (= o motivo. mas. "Faço questão de saber por que (= por que razão. "Ele não vai. mesmo com ponto de interrogação no fim da frase. quando a palavrinha tem valor de substantivo ("Ela tem um quê de magia") ou de interjeição ("Quê! Vocês por aqui?"). É por isso que. "As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas". talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a "pelo/a qual". Muitas vezes. e ninguém sabe por qual razão/por que razão"). por exemplo. "pelos/as quais": "São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar". de Guilherme Arantes: Pra que tornar as coisas tão sombrias na hora de partir? Por que não se abrir? Se o que vale é o sentimento e não palavras quase . isto é. Veja este caso: "Você não foi porque estava doente?". grafa-se "por que" (com acento. "Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios". No outro caso. "por qual razão". E quando se coloca acento em "por que" e "porque"? É simples. continuaram sem saber. grafa-se "porque" (com acento. Se você gosta de "curto e grosso". como se diz) quando não há ponto de interrogação. e só se escreve "porque" ("junto". se for substantivo). No primeiro caso. No segundo. se a doença foi o motivo. é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto. "Ele não vai. a causa) da demissão do ministro". Note que às vezes é justamente a grafia ("junto" ou "separado") o que decide o sentido da frase: "Ninguém sabe por que ele não explicou". Nesse caso. Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve "por que" ("separado". as pessoas saberiam se ele tivesse explicado.

O certo é abandonar a palavra “junto” e usar a preposição exigida pelo verbo: Você tem de se explicar ao banco. (Significa que o livro a que me refiro é perfeito do princípio ao fim.Comunicação e Expressão 55 sempre traiçoeiras e é bobeira se enganar. Já esta frase não está correta: Você tem de se explicar junto ao banco. Não o vejo desde 1980. sem o artigo. generalizao. 2. é proprietário de alguma coisa: Ele possui uma bela casa de campo. (Significa “qualquer livro”. ressurgir. (E não “desde de 1980”).) 4. A primeira proporção e a segunda de causa. Obs: Não existe a forma “à medida em que”. use entre. Todo O pronome todo. Todo o livro é perfeito. Use possuir quando quiser dizer que alguém tem posse de. Junto a “Junto a” significa “adido a”. Leia este exemplo: Ele é nosso representante junto à FIFA. Dentre as moças da sala. Dentre Significa “do meio de”. 5. Sempre se emprega com verbos como sair. Arantes usa a frase "Por que não se abrir?". Não é errado dizer que “ele tem uma bela casa de campo”. quando acompanhado de artigo. Entre os filmes em cartaz. nem sempre podemos trocar um pelo outro. Vamos seguir o regulamento na medida em que (uma vez que) ele foi aprovado.) Todo livro traz sempre algum benefício ao leitor. Embora os dicionários o dêem como sinônimo de ter. particulariza o objeto. Possuir/ter Muito cuidado quando empregar o verbo possuir. o melhor é o do Palace. Nos demais casos. locução dá idéia de Você vai melhor à medida que (à proporção que) for tomando esse remédio. Compare estas duas frases. tirar. Nessa canção. À medida que/na medida em que Não confunda “à medida que” com “na medida em que”. 3. Mas há casos em que só o verbo ter é aceitável: . ele deve ser escrito separado: por que não se abrir por qual razão não se abrir 1. 6. Desde Nunca escreva “desde de”. Esse "por que" é separadíssimo! Toda vez que for possível substituir o "por que" por "por qual razão" ou "por que razão". ele tirou a mais bela para dançar.

Ele é muito mal-humorado. 13. . 12. em vez de – significa “em lugar de” Em vez de estudar. Tome conta de seu cachorro. 8. “em vista de”. Ao invés de só é usado quando marca uma oposição. “em frente de”. “perante”. senão (caso contrário) ele foge. Acerca de / A cerca de / Há cerca de acerca de – sobre Não disse nada acerca do plano econômico que elaborou.Se não – significa “quando não” ou “caso não”. . “ao menos” Não disse sequer uma palavra para agradecer. Senão/ Se não .Comunicação e Expressão 56 A praia tem agora quadras de esporte. 9.Senão – significa “no caso contrário”.aproximadamente Minha casa fica a cerca de cem metros da praia. Ela tem cabelos castanhos e olhos azuis. ele sorria. Ele foi muito ríspido.se quer – o “se” é conjunção condicional mais o verbo “querer”. Se quer viajar. viaje. se não (quando não) mal-educado. 11. Há/a . Ele estava de mau humor. Inauguraram uma padaria em frente de nossa casa.mal – contrário de “bem”. Nós temos direitos adquiridos. Face a / Frente a Nunca use.sequer – significa “pelo menos”. Ao invés de / Em vez de ao invés de – significa “ao contrário de” Ao invés de chorar. “ante”. . 10. 7. há cerca de – faz aproximadamente Há cerca de dez anos que eles estudam esse assunto.mau – contrário de “bom”. boa iluminação. bares limpos. “de outro modo”. “em face de”. No segundo exemplo seu emprego não estaria correto. preferiu ver televisão. Em vez de pode ser usado também no primeiro caso: Em vez de chorar. a cerca de . Substitua por “diante de”. Sequer/ Se quer . ele sorria. Mau/Mal . pois estudar não é o contrário de ver televisão. “a não ser”.

14. para elemento que esteja próximo da pessoa com quem se fala. para o passado recente ou para o futuro. explicá-la-emos: Pronomes Este. esta. isso. Pronomes Demonstrativos Para maior clareza no estudo dos pronomes demonstrativos. lá.. Para saber se seu emprego está correto. para o passado remoto.Comunicação e Expressão 57 Não troque a por há e vice-versa. acolá Tempo Presente Passado recente ou futuro Passado remoto Citações Apresentam um elemento Retomam um elemento -o- Em relação ao espaço (lugar). partia). construiremos uma tabela e. essa. Daqui a cinco anos estarei formado. aquela. vendia. com o pretérito perfeito do indicativo (cantei. usamos este. parti) é uma questão de estilo: o que julgar que é passado recente usará esse. substitua o verbo haver por fazer: Há (faz) oito anos que não o vejo. Haja vista os casos de dengue dos últimos meses. Por exemplo: "Este ano é o ano das mudanças!" "Nesse domingo.. isto para representar qualquer elemento que esteja próximo da pessoa que fala. essa. Use há para tempo passado. isto Esse. isso. aquela. isso Aquele. aquilo. aquilo. essa. irei a Águas de Santa Bárbara. pois duas pessoas podem ter interpretações diferentes para a mesma frase. Juvestônio?" Em relação ao tempo. aquele. Onde você comprou essa sua?" "Dê-me essa caneta. esse. essa. usase aquele. esse. esta.." "Essas olimpíadas foram horríveis para os atletas brasileiros. que é minha. Ele está na Austrália há (faz) tempo. aquilo." . depois. Minha escola fica a duzentos metros de casa. Por exemplo: "Comprei esta jaqueta que estou usando daquele camelô que vai lá adiante. usamos este. aquela.aquela. Haja vista o seu súbito interesse pelo caso.. isso." "Que cara é essa. Use a para exprimir distância ou tempo futuro. aquilo. para elemento distante de ambos. aquilo Espaço (lugar) Aqui Aí Ali. e não sua. Veja a diferença entre a tempo e há tempo: Chegou a tempo de fazer as malas. Quando o verbo estiver conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (cantava. isto para representar o tempo presente. e o que julgar que é passado distante usará aquele. aquele. aquela. esta. vendi. O grande problema é distinguir o passado recente do remoto. Haja vista Prefira sempre essa forma.

isto para apresentar um elemento ou uma frase que será escrita ou falada. (José J. Por exemplo: "Preste atenção a estas palavras: O fumo é prejudicial à saúde. isso já foi comprovado cientificamente. se. Por exemplo: "Ao me encontrar com Florisberto perguntei por Abiduílson.)” (Farid Ud-Din Attar. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. Outro exemplo: "Meu filho." ("Naquela época". a. isso para retomar um elemento ou uma frase anterior.“Obedecer-lhe-emos de todo o coração e faremos o que ele disser (.Comunicação e Expressão 58 "Em 1922 aconteceu a Semana de Arte Moderna. Este é conhecido por suas poesias. as. esta deve ser preservada." (este = Abiduílson. não se envolva com os funcionários da empresa em que trabalha o nosso vizinho. denominam-se: PRÓCLISE .. esse homem é muito truculento.. O grande mentecapto. naquela época. nunca. esta. isto. Sombra de reis barbudos. esta. .“Dei-lhe mais uma chance de voltar atrás”. te. aquela. em relação aos verbos. aquilo e o último por este. esse foi um dos melhores anos de minha vida.Antes ." Se o pronome demonstrativo estiver retomando o substantivo imediatamente anterior..“Deixou escapar um soluço estrangulado como se limpasse a garganta. o. lhes. esta.) ÊNCLISE – Depois ." Perceba que o pronome "esta" está retomando o substantivo "saúde".. aquele = Florisberto) "Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira." (este = Carlos Drummond de Andrade. por seus brilhantes romances." Quando houver a enumeração de dois elementos e. deve-se substituir o primeiro por aquele. aliás. nem com este você deve envolver-se." "Astolfeno Barbosento é candidato a prefeito de Castanheira Verde do Sudoeste. ninguém etc. os. usamos esse. vos. aquele = Machado de Assis) COLOCAÇÃO PRONOMINAL Os pronomes pessoais oblíquos átonos me. havia muitos poetas eminentes. à frente. para outra pessoa poderia ser distante) Em relação a citações orais ou escritas. isto. A conferência dos pássaros. jamais. pois para mim. essa." ("esse". aquele." "Pode ser citado como exemplo comprobatório este fato: o policial não estava armado.” (Fernando Sabino. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. nos.) Próclise Palavras “atrativas” • De sentido negativo (não. pois observe o verbo no pretérito imperfeito do indicativo – havia) "Em 1984 casei-me.): . Veiga.) MESÓCLISE – Meio . deveremos usar este. apesar de fazer 16 anos. é passado recente. lhe. apesar de saber que este jamais conversa com aquele. quiser retomá-los. que está imediatamente anterior a ele." Usamos este.

: Que Nossa Senhora o proteja..): Ex.. Ex. O Alienista). oculto e quêdo” (Camões. Revolução nos serviços). Revolução nos serviços)..) sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça. Rasguei a carta para não aborrecer-te. ainda que discordem (. cujo. • Advérbios em geral (já. Ex.: “Quando voltamos. • Períodos iniciados por verbos que não estejam no futuro: Ex.: “– Custa-me pedir-lhe” (Machado de Assis. meu espírito me empurra (empurra-me.)” (Karl Albrecht.: Rasguei a carta para não te aborrecer..: “– Pode corrigi-los por boas maneiras.) mas.: “(.)” (Machado de Assis. Este dar-me-á satisfação.: Eu me despertei assustada. • Certos pronomes indefinidos (tudo. embora etc. quando lhe pedi uma recomendação de um restaurante próximo (. • Pronomes relativos (que..: “Queremos que acreditem tanto na idéia de serviço que se transformem em defensores da qualidade do serviço na organização” (Karl Albrecht.: “(.): Ex. bem etc. porque. sempre. distingui uma fila de rostos.): Ex. Obs. Rasguei a carta para te não aborrecer. e não próclise. ter-me-ia habituado aos poucos” (Albert Camus.: Os problemas que se não discutem.. • Preposição em + gerúndio.. haverá ênclise.: “Em se tratando de discussões sobre serviços com executivos.)” (Albert Camus. cada etc.: “A dignidade de governo começava a enrijar-lhe os quadris” (Machado de Assis. diante de mim. O estrangeiro)..: “Foi nesse momento que.: “Tu deves de ir também co’os teus armado Esperá-lo em cilada.) outras.Comunicação e Expressão 59 Ex. • Preposição a + infinitivo: Ex.)” (Farid Ud-Din Attar.): Ex. descobri características que causam a diferença entre as empresas” (Karl Albrecht.: “Não te surpreendas. Atenção: Se houver vírgula após o advérbio.: O pronome pode aparecer antes do não. quem. Ele despertar-te-á cedo.. Ênclise • Sempre que houver pausa: Ex. Os Lusíadas). quando.. . respondeu-lhe uma voz interior (. Ela despertou-se suavemente. Esaú e Jacó). Certo: Eu não te havia dito.: “(.. Este dá-me satisfação. Masson já nos chamava” (Albert Camus. Esaú e Jacó). empurrar-me-á) para a prece” (Farid UdDin Attar. Todos me olhavam (. Revolução nos serviços). todos.: Hoje.: Não utilize pronome átono depois de particípio: Errado: . Obs.. Orações exclamativas ou interrogativas: Ex. A conferência dos pássaros). O estrangeiro).. aqui. • Substantivo (de qualquer tipo): Ex. quanto etc. A conferência dos pássaros).. O estrangeiro). Orações que expressam desejo: Ex. Ex. Ex.. • Pronome demonstrativo: Ex. defini-me quanto aos métodos de trabalho. dito-te. Casos facultativos Se a palavra que antecede o verbo for: • Pronome pessoal do caso reto: Ex. fazê-los unidos. • Preposição para + infinitivo (mesmo com presença da palavra “atrativa”): Ex. continuam sem solução. • Conjunções subordinativas (se. • Verbo no imperativo: Ex..: Está me chamando? Mesóclise • Quando o verbo estiver no futuro do indicativo.: Este me dá satisfação.

9h. A grafia com dois pontos. O primeiro dia do mês deve ser escrito assim: 1º (e não 1). como em 08:00 09:00 10:05 13:20 é usada em áreas específicas. pois atende a objetivos estéticos.Comunicação e Expressão 60 Casos Especiais • Colocação do pronome átono em locuções e combinações verbais. O ano pode ser registrado com os dois últimos dígitos: 12/11/02. Evite-se esta colocação na redação oficial. Horas Hora redonda: 8 horas.002).: Devemos-lhe dizer a verdade. ou depois do infinitivo. horários anunciados pela televisão etc. o pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo. 2002 (e não 2. 2. Ex. Dias. Ou: Nós lhe devemos dizer a verdade. Saiba Mais: 1. ou escrita informal: Devemos lhe dizer. 9 horas etc. agendas. horas. Exemplo: 1º/5/02 ou 1º/05/02. (sem deixar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de "h" e "min"). houver palavra que exige a próclise.. a próclise com o infinitivo é própria da linguagem oral. no caso mencionado. Atualmente. ainda: Devemos dizerlhe a verdade. só duas posições serão possíveis para o pronome átono: antes do auxiliar (próclise) ou depois do infinitivo (ênclise). Não devemos dizer-lhe a verdade. Ex. competições. Hora quebrada: 8h30min. Datas Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas: com traço: 28-12-1945 com barra: 12/11/2002 com ponto: 21. Ou 8h.10. como em anotações de programação com horários em seqüência. • Se. O emprego de zero antes do dia ou do mês formado de um só algarismo não é de rigor: 02/02/99 ou 2/2/99. quando se quer evitar fraude.: Não lhe devemos dizer a verdade.999). 9h43min etc. Ou. Nas combinações de verbo pessoal (auxiliar ou não) + infinitivo. de passagens. crase e paralelismo Escreva assim: De segunda a sexta-feira De terça a quinta-feira ou Da segunda à sexta-feira .. etc. • No caso. (sem "s" e sem ponto depois de "h"). a anteposição de um zero é prática corrente. no entanto.2004 Observações: Os números cardinais devem ser escritos sem ponto ou espaço entre o milhar e a centena: 1999 (e não 1. E é sempre aconselhável.

poder). • A par ou ao par – A par equivale a ciente. Observe que após o pronome mim há um verbo no infinitivo (encaminhar). aonde expressa a idéia de movimento (para onde). função esta que cabe ao pronome pessoal do caso reto eu. emprega-se de onde ou donde: De onde (ou donde) provinham os recursos financeiros? Errado = Aonde você deixou a minuta da carta? Certo = Onde você deixou a minuta da carta? • Afim ou a fim – A fim de equivale a para. ocorrer. ele precisa de outras informações. ele precisa de outras informações. Para indicar procedência. sem ágio (câmbio). deixaram sobre a minha mesa os prospectos para eu encaminhar aos clientes. Haverá duas reuniões da equipe de apoio operacional neste mês. Certo = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava a par do ocorrido. Ex. realizar-se ou indicar tempo transcorrido. Deve haver muitos candidatos para o cargo de Datilógrafo. ações). Errado = Afim de redigir a carta. ao lado. Será impossível para mim realizar esse trabalho. pois ele contém muitas informações técnicas. Errado = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava ao par do ocorrido. semelhante. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para mim encaminhar aos clientes. Marketing e comunicação são assuntos afins. acontecer. Errado = No início do expediente. Certo = É difícil para mim entender esse plano. . Errado = Não haviam muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. • Para eu encaminhar ou para mim encaminhar – Mim é pronome pessoal oblíquo. sem qualquer desconto ou abatimento (títulos. impessoaliza-se: Há muita gente no escritório. junto. • Difícil para mim ou difícil para eu – Para mim é complemento de difícil. Nada tem a ver com o verbo.: Não foi fácil para mim conquistar essa vaga. de acordo com a convenção legal. Certo = A fim de redigir a carta. ao par. Errado = É difícil para eu entender esse plano. Certo = Não havia muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. • Havia ou haviam – Por ser impessoal. Pode haver muitos problemas com o novo gerente. afim significa parente por afinidade. razão pela qual não pode ser usado como sujeito.Comunicação e Expressão 61 Da terça à quinta-feira Não escreva assim: De segunda à sexta-feira De terça à quinta-feira Escreva assim: De 9h a 11h De 8h30min a 11h30min ou Das 9h às 11h Das 8h30min às 11h30min Não escreva assim: De 9h à 11h De 8h30min à 11h30min 9h às 11h 8h30min às 11h30min OUTRAS DIFICULDADES MAIS FREQUENTES NO USO DA LÍNGUA • Onde ou aonde – Onde indica lugar fixo. Certo = No início do expediente. análogo: Estou aqui a fim de ajudá-lo a concluir o trabalho. Acompanhado do auxiliar (dever. pois ele contém muitas informações técnicas. o verbo fica na 3ª pessoa do singular quando significar existir.

Quando se refere a um substantivo (claro ou subentendido). fica invariável: Os candidatos estavam meio nervosos. concorda em gênero e número: Nosso Diretor não é homem de adotar meias medidas. Errado = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. Certo = Havia menos pessoas na reunião desta semana. Certo = Está na hora de o malote chegar. porque já é meio-dia e meia (meia hora). . fazemos-lhe. Certo = Paralisamos a produção porque não há matéria-prima.. esta seria escrita assim: Não gostei das novas medidas econômicas. Errado = As novas decisões políticas-econômicas afetaram os negócios da companhia. Certo = Gostei das novas medidas econômicas. Certo = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. favorável. pois elas vieram de encontro aos meus desejos. pois elas vieram ao encontro do meu desejo. há dois engenheiros. elimina-se o “s” da forma verbal: Queixamo-nos. Certo = O chefe da seção (ou secção) de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos.: Há secretárias que não se preocupam com o aperfeiçoamento profissional. Seção ou secção = setor. subscrevemo-nos. • Há ou tem – Não se deve empregar o verbo ter em lugar de haver impessoal (significando existir). subdivisão: Na Seção de Obras. Errado = Havia menas pessoas na reunião desta semana. • Viagem ou viajem – viagem = substantivo. Errado = O presidente cancelou a viajem que faria às filiais. Ex. Certo = Os funcionários têm contribuído muito para a racionalização dos serviços.: Se as medidas econômicas tivessem contrariado o desejo de quem formulou a frase. • Subscrevemo-nos ou subscrevemos-nos – Com o pronome reflexivo nos. Certo = As novas decisões político-econômicas afetaram os negócios da companhia.Comunicação e Expressão 62 • De encontro a ou ao encontro de – Ao encontro de = para junto de. quando modifica adjetivo = um tanto. • Decisões políticas-econômicas ou decisões político-econômicas – Nos adjetivos compostos ligados por hífen. Certo = O presidente cancelou a viagem que faria às filiais. viajem = forma verbal (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo viajar): Se querem viajar.. Cessão = ato de ceder (cedência): Nem todos concordam com a cessão do auditório.: Durou apenas trinta minutos a sessão do teatro. portanto. em) com sujeito ou termo que a ele se refira: Chegou o momento de ela mostrar a sua competência profissional. subscrevemos-nos. cinema. Errado = Os funcionários tem contribuído muito para a racionalização dos serviços.. Errado = Comunicamo-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. comprometemo-nos. a candidata ficou meia preocupada. • Seção ou sessão – Sessão = tempo em que se realiza uma reunião. viajem. as preposições de e a estão contraídas com artigos. Errado = Gostei das novas medidas econômicas. não existe a forma menas: Queremos menos conversa e mais ação. pois elas vieram de encontro ao meu desejo. em prejuízo de. • Têm ou tem – Na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Certo = Comunicamos-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. etc. Apesar de o datilógrafo ter pouca experiência. a candidata ficou meio preocupada. Errado = Está na hora do malote chegar. programa de teatro. Certo = Esperando uma resposta favorável. esquecemo-nos. Observe: Nos exemplos. Ex. Errado = Esperando uma resposta favorável. só varia o último elemento: Nossa biblioteca recebeu muitas obras técnicocientíficas. Errado = O chefe da sessão de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos.. • Meio ou meia – Meio. de encontro a = contra. Apresse-se. o verbo ter recebe acento circunflexo: Eles têm alguns privilégios. Errado = Paralisamos a produção porque não tem matéria-prima. • De o ou do – Não se combina preposição (de. dignamo-nos. o documento ficou bem datilografado. • Menos ou menas – Menos é invariável. • Comunicamos-lhe ou comunicamo-lhe – Com o pronome lhe(s) nenhuma modificação sofre o verbo: Informamos-lhes.

. em vez de consigo usa-se com você. vires.. • Consigo ou com você – Consigo pronome reflexivo da 3ª pessoa. a). A mercadoria é que pode ser cara ou barata: Essa mercadoria é muito barata. uma vez que não se trata de expressão ou locução: Peço à senhora que compreenda as minhas dificuldades. virdes. Certo = Comunicamos a Vossa Senhoria que . Certo = Somos sete na seção. Errado = Responderei já essa carta. • Preço alto ou preço caro – O preço da mercadoria pode ser alto ou baixo. Na próxima semana. Errado = Comunicamos à Vossa Senhoria que .. Errado = O preço da mercadoria é muito caro. porque não se trata de voz passiva. avise a segurança. assume a forma impessoal: Faz vinte dias que encaminhei o relatório à Diretoria. Errado = Aluga-se telefones. Errado = Fazem dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. disse a secretária. Errado = O auditor procedeu uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. Errado = A nova filial está situada à Rua Piraí nº 110. Certo = Alugam-se telefones. avise a segurança.. estará fazendo dois anos que não recebo notícias de meu país. Certo = Júlio. Errado = Se você ver alguém sem o equipamento de proteção. Errado = Todos devem obedecer o regulamento. Errado = Somos em sete na seção. Ex. nunca caro ou barato. Certo = O preço da mercadoria é muito alto. Se o sujeito estiver no singular. realizar. com Vossa Senhoria: Presidente. poder). disse a secretária.: Precisa-se de empregados.Comunicação e Expressão 63 • Faz ou fazem – Tempo transcorrido ou fenômeno meteorológico = impessoal. VÍRGULA . • Obedecer ou obedecer ao – O verbo obedecer pede objeto indireto (obedecer a): Quem não obedece às normas de trânsito deve ser punido.. Certo = A nova filial está situada na Rua Piraí nº 110. Certo = Responderei já a essa carta. Certo = Faz dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. Errado = Júlio. pede objeto indireto (responder a): Não responderei a esse memorando. • Vir ou ver – Trata-se do verbo ver no futuro do subjuntivo: vir. Acompanhado de auxiliar (estar. • Procedeu a ou procedeu – No sentido de efetuar. Certo = O auditor procedeu a uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. • A Vossa Senhoria ou à Vossa Senhoria – Não se usa crase antes de expressões de tratamento: Encaminhamos a Vossa Senhoria a documentação. virmos. Neste caso. • Somos ou somos em – A preposição em é desnecessária. Observe: Fica no singular o verbo intransitivo indireto acompanhado do pronome se. com o senhor. Certo = Se você vir alguém sem o equipamento de proteção. deixa-se o verbo no singular. terceira pessoa no singular. vir... • Situada na rua ou situada à rua – Por se tratar de verbo de quietação (lugar fixo). esse cliente quer falar consigo. dever. • Alugam-se telefones ou aluga-se telefones – Verbo apassivado pelo pronome se concorda em número e pessoa com o sujeito: Vendem-se casas. virem. o verbo fica no singular. Certo =Todos devem obedecer ao regulamento. 327. há uma pessoa que deseja falar com o senhor. Não deve ser usado em relação à segunda pessoa. Observe: o pronome de tratamento senhora admite crase. constrói-se com a preposição em: Resido na Rua Paraná. Só se emprega o pronome consigo na terceira pessoa: A balconista (ela) levou a caneta consigo. Dica: Aparecendo preposição (de. este cliente quer falar com você (contigo). esse verbo pede objeto indireto (proceder a): É necessário proceder a uma investigação.. • A essa ou essa – Com o verbo responder.

(elipse do verbo “estava”) 11 .: Belo Horizonte.: Bom policial. 14 . identificandoo.: Ele é o homem que mata passarinhos. João escreveu uma carta. 4 .Para marcar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Ex. O sargento é mestre em artes marciais. 3 . talvez não mais o seja. 14 .: Os policiais prenderam o infrator. contudo. nº 30.: Encontramos o suspeito.Antes de orações adjetivas restritivas: Ex.): Ex. 7 .: O comandante do batalhão. etc. esclarecendo ou qualificando-o): Ex.: Foram apreendidas armas de fogo.Entre as orações intercaladas: Ex.: Chegou e prendeu o infrator.Nas datas e endereços: Ex. ligou o televisor. e a terra. 2 .: Convém que deixemos o local. que é tradicional. 13 . foi detido às nove horas. disse o general. não condenou o sindicado. o sol. é uma defesa prévia. etc. os policiais avançavam pela área de risco. Ex. que foi assassinado.: Destemidos e intrépidos. a cada ano está mais perigoso.Para separar predicativos situados antes do verbo (predicativo é o termo que exprime um atributo. digo. 2 .Entre expressões explicativas ou retificativas (isto é.: Mocidade ociosa.Para indicar zeugma (elipse/omissão de um ou mais termos anteriormente citados): Ex. entretanto. quando as orações apresentarem sujeitos diferentes ou quando o “e” se repetir: Ex.Assinalar o aposto (é o termo da oração que serve par explicar um termo anterior. Ex. 12 . Obedecemos às ordens do comandante. isto é. 4 .Comunicação e Expressão 64 Não deve ocorrer vírgula 1 . o cadete deixou de lado suas antigas aspirações. velhice vergonhosa.: O criminoso. 13 de novembro de 2008. todavia. 5 .: O carnaval. (elipse do verbo “diziam”) O dia estava quente. são orações não introduzidas pela conjunção aditiva “e”.Em orações coordenadas ligadas por “e” que tenham o mesmo sujeito: Ex.: O tiroteio. quer dizer. 15 .): Ex.Em construção com termos pleonásticos: Ex. digo.): Ex.Nos elementos paralelos de um provérbio: Ex. Rua da Alegria. 10 . Via de regra.: Fez-nos um pedido. ou melhor. que mantivéssemos suas vírgulas .Orações subordinadas substantivas apositivas: Ex. sentou no sofá.: Sargento Mike.Precedendo orações principais pospostas: Ex. buscou o canal certo.Entre as conjunções coordenativas adversativas e conclusivas. escaldante. outros. por exemplo. 9 . sem uso de conjunções. exceto as apositivas. portanto. e o mar. a saber. a meu ver.: A guerra. quando pospostas/intercaladas (porém.Assinalar o vocativo (é o termo com que se interpela/chama o ouvinte/interlocutor): Ex. na minha opinião. um estado ou modo de ser do sujeito ou que se refere ao objeto de um verbo transitivo.Antes de “e”.: Quando menos se esperava. pode vir a ocorrer algum equívoco.: Chegou a casa. 6 . 3 . porém. substâncias entorpecentes e bicicletas furtadas. pessoa justa. Um vegetal é um animal que dorme.Precedendo orações coordenadas assindeticamente.Entre verbo e complementos verbais: Ex. logo. acomodou-se e assistiu ao filme. PONTUAÇÃO Casos de uso da vírgula Usa-se a vírgula para: 1 .: Fez-se o céu. Espero que nenhum policial cometa erros durante a operação. continuava.: Uns diziam que se suicidou. 5 .Precedendo termos de mesmo valor sintático: Ex. o cidadão infrator. 8 . compareça ao local da ocorrência.Antes de orações subordinadas substantivas. mas como a operação é considerada de alto risco. e José arrumou a cama.Entre o sujeito e o verbo: Ex.

* Se você for homem. ele resolve.html>. Detalhes Adicionais: SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA. Não queremos saber..Comunicação e Expressão 65 Disponível em: <http://www. Vírgula pode ser uma pausa. ou não. Isso só. A vírgula pode condenar ou salvar. Não. 29. nada foi resolvido. Não. Vamos perder nada.não mate! Uma vírgula muda tudo. colocou a vírgula depois de TEM.universopolicial.05. Pode criar heróis.. Vamos perder.com/2008/11/uso-da-vrgula-tire-suas-dvidas-aqui. A vírgula muda uma opinião. 23. queremos saber. 2.4.. Ela pode ser a solução. Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)..34.. Não tenha clemência! Não.. foi resolvido.. tenha clemência! Prender não. Ela pode sumir com seu dinheiro. * Se você for mulher. espere. certamente colocou a vírgula depois de MULHER. Não espere..mate! Prender. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação. Isso só ele resolve.09 PARA QUEM PENSA QUE UMA VÍRGULA É SÓ "UMA VÍRGULA". ....

aspecto que ele julgava o mais digno da vida. desmentindo o que havia afirmado antes. Na verdade. Como também a satisfação deles pelo sucesso da comemoração do aniversário de três anos da pequena. Talvez por se sentirem deslocados. O cronista captou o momento quando o pai tímido fez o pedido ao garçom como algo distinto e raro. Além disso.Comunicação e Expressão 66 Paráfrase: Fernando Sabino entrou em um botequim da Gávea. ele pensava em concluir o ano de forma grandiosa. o escritor desejava falar sobre a essência humana. Ou seja. com o olhar e a capacidade de quem tem muita sensibilidade e habilidade para escrever. Por isso enquanto tomava o cafezinho. Finalmente. O escritor foi capaz de enxergar pequenos atos como a procura das velinhas na bolsa. compenetrado ao tomar o café e sem ter assunto. Assim. o cronista acolheu o sorriso cheio de dignidade do moço o qual coroou aquele pequeno evento que o possibilitou captar a essência do ser humano em sua crônica. na última mesa. antes de escrever a crônica diária. ele ergueu os olhos e notou a presença de um pequeno grupo de pessoas negras ao fundo do estabelecimento: era um casal acompanhado de uma menina. os gestos e olhares de ternura de pai e mãe ao observarem a filha comendo o único pedaço de bolo. Ao terminar a pequena reflexão. Reflexivo. os parabéns soados quase como sussurros. o cronista repetia na memória o verso de Drummond “assim eu quereria o meu último poema”. a humildade e insegurança dos dois adultos. o sopro das velas e as mãos trêmulas da menininha ao agarrar o bolo para comer. o quadro composto em poucos minutos mais parecia uma espécie de ritual. como também as vestimentas simples e a curiosidade da criança revelaram que não era prática comum eles estarem naquele tipo de lugar. E. ele passou a observar a pequena família. ele acompanhou. ele lamentou o fato de seus textos terem abordado situações muito comuns e circunstancias dos fatos cotidianos naqueles últimos tempos. Fernando Sabino chamou a atenção para a forma esquiva e insegura como o pai. O escritor havia encontrado sobre o que falar em sua crônica especial. Então. ávido. . a mãe e a menina de três anos chegaram e se estabeleceram em um canto. os fósforos na mão. captada da convivência entre as pessoas. os gestos comedidos. o cronista construiu uma detalhada e emocionada descrição dos atos e dos traços psicológicos daqueles três. enquanto aguardava ansiosamente a fatia de bolo. Sabino queria ser capaz de expressar a respeito das relações humanas o que estava fora do alcance dos olhares comuns. As palavras. e ainda a insegurança da mãe e a concentração da criança no refrigerante.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful