Comunicação e Expressão

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Curso: Letras Disciplina: Comunicação e Expressão Professora:

Ano/sem: 2011/01 h/a: 68 Código: 990101 Turma:

“Descobri que a pessoa só faz bem aquilo de que gosta. Todo mundo que faz alguma coisa bem é porque gosta do que faz. O ato de gostar está ligado ao ato do conhecer e o ato de conhecer está ligado à curiosidade” (Gilberto Dimenstein)

PLANO DE ENSINO EMENTA: Linguagem, língua e fala. Funções da linguagem. Oralidade, escrita e variação linguística. Leitura e estratégias de leitura. Escrita e estratégias de escrita. Paragrafação. Coesão e coerência textuais. Paráfrase e retextualização. Argumentação e persuasão. Particularidades léxicas e gramaticais. Competências: Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências:

1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e produtivas,
em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização de práticas sociais; 2. ser ético, pontual, interessado e comprometido com a prática e a vivência acadêmicas. Habilidades: 1. conceituar linguagem, língua e fala;

2. reconhecer as variedades linguísticas e os níveis de linguagem a partir de textos e de situações
concretas da cultura local;

3. identificar a estrutura de diferentes tipos e gêneros de textos; 4. empregar adequadamente elementos anafóricos, articuladores e conectivos para promover a coesão
e a coerência em textos produzidos; 5. compreender e interpretar adequadamente diferentes textos; 6. distinguir fala e escrita, destacando aspectos estilísticos e discursivos da escrita; 7. identificar, distinguir e empregar corretamente os conceitos: argumentar, convencer e persuadir; 8. transpor textos da oralidade para a escrita e de um gênero textual para outro (retextualização);

9. produzir e corrigir parágrafo e paráfrase de acordo com a teoria, com a variante padrão e com os
critérios definidos nesta disciplina.

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CONTEÚDOS: 1. 2. 3. 4. 5. 6. conceito, níveis e funções de linguagem; oralidade, escrita e variação lingüística; estratégias de leitura e de escrita; paragrafação; coesão e coerência textuais; compreensão e interpretação de textos; argumentação e persuasão; paráfrase e retextualização; revisão gramatical. METODOLOGIA: A disciplina propõe espaço para o processo de reflexão e aperfeiçoamento da língua materna por meio de aulas teóricas e atividades práticas de leitura e escrita. Para tanto, nos encontros haverá discussões que desafiem o aluno a ler, elaborar hipóteses e compreender os entrelaces das palavras na constituição do discurso coerente e, sobretudo, na capacidade de utilizá-lo de maneira consciente no dia a dia. O acadêmico será provocado a produzir, autocorrigir e refazer textos significativos. Os conteúdos dos encontros presenciais serão desenvolvidos a partir de dinâmicas diversas tais como GV-GO, discussão circular, Phillips 66, seminários e mesa redonda para que o grupo possa socializar tanto as experiências quanto os conhecimentos prévios e os novos. Serão utilizados recursos como: quadro, retroprojetor, cartazes, datashow, músicas, revista, dvd, aparelho de televisão e de som. Para as aulas semipresenciais será utilizado sistema web, via plataforma da Instituição (www.ulbra-to.br), onde estarão disponíveis atividades da disciplina que envolvam leitura e escrita como também os critérios a serem observados pelo acadêmico ao publicar as respostas solicitadas. AVALIAÇÃO: O processo de avaliação será contínuo, por meio de observação, no que diz respeito à participação, ao interesse, à responsabilidade e pontualidade em que os alunos deverão apresentar trabalhos individuais e em grupos; orais e/ou por escrito, demonstrando conhecimento do conteúdo, coerência e consciência crítica sobre o que dizem. Os textos e as referências bibliográficas serão disponibilizados no portal e na reprografia. A produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada. Os acadêmicos que apresentarem dificuldades na escrita deverão frequentar o Laboratório de Produção Textual. Compõe G1: - leitura e discussão da obra O que é leitura. (v.1,0) - leitura e apresentação oral do livro Preconceito Linguístico: o que é, como se faz: (v.1,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5), de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico. Compõe G2: - leitura e apresentação oral do livro A arte de Argumentar e o filme Obrigado por fumar. O aluno deverá apresentar de maneira clara e coerente a relação que há entre a obra e o filme. (v.2,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5) de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico.
*Obs: o aluno que faltar à prova deverá substituí-la no fim do semestre, de acordo com a resolução institucional.

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Substitutiva de grau: Avaliação- Assunto cumulativo do semestre Prova (v.10,0), conforme resolução institucional.

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NB: - As atividades serão realizadas a partir de roteiro disponibilizado no Portal e na reprografia. Todos devem ficar atentos ao cronograma. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BASTOS, Lucia Kopschitz. A Produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FARACO, Carlos Roberto e TEZZA, Cristóvão. Prática de Texto: para estudantes Universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. Ed. São Paulo: Ática, 1998. LEITURAS OBRIGATÓRIAS: ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: Loyola, 2004. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura.19. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BAGNO, Marcos. A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 14. ed. São Paulo: Conteto, 2005. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1998. POSSENTI, Sírio.Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado das letras/ALB, 1996. RAMOS, Jânia M. O espaço da oralidade na sala de aula. São Paulo: Martins Fontes, 1997. SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001.
1. Critérios de avaliação oral Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: a) demonstração, por meio de informações precisas, de que fez a leitura do texto; b) exposição de ideias claras, coerentes e com senso crítico, tanto nos debates em grupos pequenos quanto no grupão; c) boa entonação, adequado volume de voz e entusiasmo ao fazer exposição oral; d) apresentação de informações novas e relevantes a partir, quando possível, de conhecimentos prévios; e) atenção e respeito às ideias dos colegas; f) inscrever-se (sinalizar com a mão) e esperar pelo turno de exposição; g) criatividade e colaboração na preparação de material e nas apresentações orais; h) postura adequada quando fizer exposição; i) uso da norma culta da língua nas modalidades oral e escrita, exceto em situações específicas que exijam outras variantes. 2. Critérios de avaliação escrita Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios: 1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) • apresenta características do gênero textual solicitado, de forma que é possível identificá-lo? • apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) • apresenta o uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? • apresenta o assunto de maneira original, crítica e criativa? 3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) • está escrito de acordo com a variante lingüística adequada? • está adequado quanto à ortografia?

que deve estudar “a vida dos signos no seio da vida social”. numa extensão de 64 quilômetros. no interior de uma mesma língua são importantes as variações. fotografar o estágio de desenvolvimento da humanidade. O homem necessita comunicar para progredir. a certos subgrupos. as tecnologias. quanto mais avançada for a capacidade de comunicação de um conjunto de indivíduos. entendida como forma de realização da linguagem. assim. a descoberta do fogo. Morse (1791-1872). e a Fala. mais rápida será sua progressão. Disponível em:<http://www. da evolução dos meios de receber comunicação e de se comunicar. 2009. a divisão do trabalho.> Acesso em 31 de jul. fica evidente que o desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependem do progresso alcançado em suas atividades. Assim. com ajuda dos órgãos sensoriais.Comunicação e Expressão 4 • • • • 0. usada pelos falantes por meio da fonação e da articulação vocal. por sua vez. as máquinas. o texto: (valor: 15%) apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? • apresenta letra legível. a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a titulo de pura sensação. então. é um fenômeno físico e concreto que pode ser analisado seja diretamente. portanto. ou seja. Para o linguista Saussure. para as comunicações telegráficas. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos. nos Estados Unidos. Alguns linguistas preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações.girafamania. língua própria a certas classes sociais. um fenômeno fonético. Morse 1) e torna-se. Para os receptores (ouvintes) a fala é. de registrar o conhecimento e o desenvolvimento da escrita e fonética. língua técnica. acima de tudo. como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. Samuel também inventou o telégrafo sem fio. de uma forma geral. Mas. a língua é um sistema de símbolos pela qual a linguagem se realiza. está adequado quanto ä concordância? está adequado quanto à pontuação? está adequado quanto à sintaxe? está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 4. Quanto a aspectos estéticos. é veículo de transmissão da Língua. É a capacidade da espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). diversas modalidades: língua familiar. língua inglesa). a linguagem é composta de duas partes: a Língua. Ele transmitiu o primeiro telegrama do mundo. A fala. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. E sua linguagem é uma ferramenta capaz de traduzir. Dentro de uma mesma língua temos. língua erudita. entre as cidades de Washington e Baltimore. que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua.html. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa. língua popular.br/girafas/lingua_morse. Nota-se. objeto da semiologia ou semiótica. Como se vê. Atividade 1. que é secundária e individual. LÍNGUA E FALA O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilitam nossos modos específicos de pensamento. em que se enquadram os diferentes tipos de Gíria. então. organização estética adequada e título criativo? LINGUAGEM. Leia o texto: 1 O Alfabeto Morse foi inventado pelo norte-americano Samuel Finley B.com. conhecimento e interação com os semelhantes. A língua é. essencialmente social porque é convencionada por determinada comunidade linguística. com efeito. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das regiões do Brasil). . sejam graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas.

( ) 1. 3.15) Questão 1: Dentre as manifestações comunicativas citadas a seguir. que proíbe que as casas de vídeo aluguem. O próprio jogo é um ato de comunicação. nos gestos. O APRENDIZADO DA LEITURA . Juan.( ) 1. 5. A portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais" (Folha Sudeste. cores das bandeiras 3.NV c. Mas não se pode responder a essa pergunta sem antes destacar que não existe para ela uma solução mágica. nos números das camisetas dos jogadores.NV. e cartões do juiz e dos bandeirinhas 5. quando um texto é ambíguo.NV. nas fábricas. 3. 5. 4. nas cores das bandeiras. 2. no trabalho dos repórteres. 1. observe a questão seguinte.NV.V. 2. 4. 2. além do conhecimento lingüístico propriamente dito.( ) 1. 4. 3. nos alto-falantes e radinhos de pilha.pdf>. Dias antes já havia provocado dúzias de mensagens e durante dias a fio ele continuará sendo objeto de comunicação nos botequins. 5.V. E. (BORDENAVE. 3. apitadas. o que não quer dizer que não exista solução alguma. É o conhecimento lingüístico que nos permite reconhecer a ambigüidade do texto em questão (pela posição em que se situa. 2009.NV. 3. a expressão sem a companhia ou autorização dos pais permite a interpretação de que com a companhia ou autorização dos pais os menores podem ir a rodeios ou motéis). São Paulo: Brasiliense. Como se vê. reconheça o que se constitui em linguagem verbal (V) e em linguagem não-verbal (NV). Genericamente. 2.( ) 1. a compreensão do texto depende também do conhecimento de mundo. a comunicação aparece nos gritos da torcida.NV. apitadas e cartões do juiz e dos bandeirinhas.COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Interessa a todos saber que procedimento se adotar para tirar o maior rendimento possível da leitura de um texto.NV.NV. É muito provável que ele tenha tido a intenção de dizer que os menores estão proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorização dos pais e de frequentarem motéis. gestos. 2 ed. Três questões básicas: Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido é a resposta a três questões básicas: .( ) 1. extraída de um vestibular da UNICAMP: Às vezes. a.NV.V. 4. 6/6/92). no placar eletrônico. 1982.V.V. é o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que se lê. números das camisetas 4.com. fotógrafos e operadores de TV.br/site/arq_material/12042_13033.Comunicação e Expressão 5 No estádio de futebol. mas também de todas as outras disciplinas sem exceção. do Juizado de Menores. o que nos leva à conclusão de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Português. 4.V. pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupõe. 2. O que é comunicação. gritos da torcida 2. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991.NV.V. nos rádios e nos jornais. Um bom exemplo é o texto que segue: "As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos.V d.V b. Acesso em 31 de jul.V Disponível em: <ttp://novosolhos. o que se costuma chamar de conhecimento de mundo.V.V. em seus gritos de estímulo. radialistas. p. nas conversas e insultos dos torcedores. A título de ilustração. Mas o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretação é estranha e só pode ter sido produzida por engano do redator.NV. 5. conversas de torcedores Assinale a alternativa correta. Dias. 5.V e. um repertório de informações exteriores ao texto. nos escritórios.NV.

d. III . o código do próprio idioma escrito. Longe disso. O da comunicação. várias linguagens ao mesmo tempo e transitar entre elas com habilidade e até elegância em certos casos. na fala e na escrita. que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra-argumentos confirmam sua posição. é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. Mas estamos mais esperançosos de que a verdade e a Justiça culpem os culpados e absolvam os inocentes. Vivemos segundo alguns. c. II . Também para Geraldi (1984). b. melhor os usamos em cada ocasião. haveriam de desaprender. Por isso. Ao contrário.mundovestibular. 2009. as linguagens das famílias – em que determinadas palavras evocam cenas hilariantes ou tristes. como nos chats. é importante observar a “costura” do texto. um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. Acesso em 30 jul. para as quais até dicionários já existem. e como. também. os argumentos apresentados em favor da tese. O autor sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados. como se dá a passagem de um parágrafo para outro. se passa de uma afirmação para outra. empunham a vassoura da faxina crítica. Para tanto. Disponível em: <http://www. isto é. dos advogados. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando.Comunicação e Expressão 6 I . paira ainda certo receio de que tudo seja turvado por interesses políticos e artimanhas de compadres. Se de um lado andamos de cabeça mais erguida nestes dias. o da linguagem. no interior do parágrafo. Os catastrofistas. no vasto e interessantíssimo leque das nossas capacidades e curiosidades. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor. porque ao menos um passo foi dado e temos quatro dezenas de réus em falcatruas variadas e graves. Sem falar na linguagem das siglas que dominam o mundo.Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. aquela em torno da qual gira o texto inteiro. usando desse recurso que tem a ver com velocidade e economia.html>. a. a coerência entre tese e argumentos. Linguagens técnicas. vamos ao código que aqui me interessa. os contra-argumentos levantados em teses contrárias. compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentatório. Receio infundado: somos capazes de dominar. E a linguagem técnica ligada às mais variadas ciências e meandros do universo tecnológico. que precisa eventualmente ser traduzido para o comum mortal.Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto. Na escrita.Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta. Segundo códigos de ética que no momento são objeto de verdadeira guerra entre nós.com. . de quanto mais recursos dispomos. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita. uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. linguagens profissionais. ou sabe apenas de maneira genérica e confusa. acredito – e os linguistas talvez confirmem – que. Linguagem de cegos. lembrem-se. Isso dito. linguagem de namorados. Se pudéssemos dominar apenas um sistema de sinais escritos. aquele que aprendesse taquigrafia haveria de cometer mais erros de ortografia. aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. o jargão dos médicos. na vida diária. Os novos códigos Lya Luft Linguagens são códigos e com eles nos comunicamos. Na verdade. O receio é que os jovens. ou nunca aprender direito. Agora. de cabelo em pé. isto é. são muitos. um bom roteiro para estudar um texto é o de especificar a tese defendida (tema do texto). linguagem de surdos. o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal. que na verdade é múltiplo. Texto de Francisco Platão Savioli. surge uma preocupação com a linguagem abreviada e de caráter fonético usada em mensagens de computador.br/articles/411/1/O-APRENDIZADO-DA-LEITURA---COMPREENSAOE-INTERPRETACAO-DE-TEXTOS/Paacutegina1. não há perigo de sotaque.

dos puristas. É como se fora da língua culta. que podem confirmar amizades já existentes (falo com amigos distantes mais frequentemente do que com o que mora no mesmo edifício) ou abrir a porta para novas relações. no bom e no negativo. Somos melhores do que se pensa. em lugar de criticar de saída ou prevenir-se contra. sem abertura para o novo e o bom. Além disso. Nem tudo o que é novo é positivo. por isso mesmo sem discernimento para o verdadeiramente mau. à margem do texto. os tópicos mais importantes. com um ponto de interrogação. em cada parágrafo. embora em geral a gente não tenha nem dê essa impressão de nós mesmos. auxilia na concentração na hora da leitura. contraposições. dos donos da verdade. por isso. siglas. A TÉCNICA DE SUBLINHAR Sublinhar um texto é destacar as ideias principais. a língua. marcas diversas que orientam a leitura. dos gramáticos.digestivocultural. Para tanto é importante ter a percepção do conteúdo do texto. esquema. formas enigmáticas aos desavisados é apenas uma maneira divertida. sem alegria. num outro momento. dos que seguram o facho da razão numa das mãos e na outra o chicote da censura. destacando partes ou subdivisões. além de ajudar na compreensão do texto. a línguapadrão que é e deve ser usada em momentos mais sérios. um pouco secreta de estabelecer e cultivar laços cibernéticos. fazer uma retomada do texto. . inteligente. 2010. se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura e na compreensão das ideias. Questão 1: Vamos identificar a tese defendida por Lya Luft no texto Os novos códigos como também os argumentos e os contra-argumentos utilizados na construção da opinião da autora. Que nem sempre são o lobo mau. os casos de discordâncias. Acesso em 17 de junho. f) assinalar. possibilita voltar ao texto lido. Não sejamos chatíssimos senhores com odor de naftalina. principais argumentos. Escrever com abreviaturas. Como é necessário encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto. a vida. Essa marcação. definições. tem de ser objetivo e restringir a palavras ou frases”. a sociedade e as culturas. tese.Comunicação e Expressão 7 Linguagem é a roupa da mente: não falamos em casa como falamos num discurso em ocasião solene nem falamos numa entrevista para conseguir emprego como falamos brincando com nossa turma na escola.com/colunistas/coluna. ou damas enfiadas no espartilho do preconceito: sem ginga. como os costumes. uma tarefa a realizar. embora crianças devam ser controladas e alertadas para doenças como pedofilia e outros males nesta nossa enferma sociedade. como se tudo o que é novo fosse primariamente mau. e) assinalar com uma linha vertical. E não falamos com um bebê de dois anos como falamos com o médico ao qual estamos expondo nossos males. pois com um objetivo. por qualquer outro motivo. Permite que se faça um mapeamento do texto. sim. e casais extraordinariamente infelizes que conviveram desde a adolescência. todas as demais formas de comunicação fossem espúrias. segue uma evolução que independe de nós. à margem do texto. dos moralistas. criativa e. c) releitura do texto para identificar as ideias principais. os argumentos discutíveis. etc. uma ação concreta. rápida. o estudo e a reflexão de um texto supõem o uso de recursos como sublinha. Ou ainda acenderíamos fogo esfregando pedrinhas. É preciso dar uma chance às novidades e inovações. as passagens obscuras. A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: a) leitura integral do texto para contato panorâmico. mais hábeis e mais capazes. b) esclarecimento de dúvidas de vocabulário e termos técnicos. as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes importantes. anotações de margem de texto. Vamos estudar alguns desses recursos mais detalhadamente. É importante perceber como o autor desenvolveu o texto. Disponível em: http://www. fichamento. ESTRATÉGIAS – LEITURA DE ESTUDO Para Brito (2001). Conheço casais felizes que se encontraram num chat. econômica. resumo. Além de tudo. “Sua finalidade é destacar elementos que servirão de orientação para consulta futura. nem tudo o que é tradicional é melhor. d) sublinhar. quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou. no fundo obscuro de alguma caverna. é uma estratégia que monitora a compreensão.

É muito útil. relatos. A primeira diz respeito à difusão de notícias. divertir. 111). ou seja. a uma radiografia do texto. • As anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos.Comunicação e Expressão 8 g) ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido. além de causar mau aspecto. setas e outros símbolos (Andrade. acompanhada. estudo e trabalho. Para se obter maior funcionalidade das anotações. de divertimento. para não danificar o texto. Ocorrência Exemplo: periódica (época do Natal) Águas do Oceano Pacífico Atividade de pesca do Peru Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão) Corrente marítima de Humboldt Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas Alimentos para os peixes FENÔME NO EL NIÑO Microrganismos animais e vegetais de vida aquática (plâncton) Desvio da corrente de águas frias Ventos provindos do oeste Diminuição da quantidade de plâncton Inflete para oeste. • Dependendo do gosto. grosso modo. antes de atingir as costas do Peru Ar quente Aquecimento das águas costeiras do Peru Queda do rendimento pesqueiro . A segunda função atende à procura da distração. fazer uma leitura comparando-se o texto original com o texto sublinhado. persuadir e ensinar. tais como: • Sublinhar com lápis preto macio. Elabore um resumo: Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar. p. evitando-se o acúmulo de anotações que. “O esquema é um texto que corresponde. A quarta função — ensinar — é realizada de modo direto ou indireto. essas sugestões. podem sofrer variações e adaptações pessoais. por parte do público. ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos seqüenciais ou arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida”. 1997) que possam ajudar na organização e visualização das ideias. fundamental para desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social. No texto abaixo. dificulta e gera confusão. etc. O indispensável é sublinhar apenas o estritamente necessário. evidentemente. Utilizam-se normalmente de colchetes. Uma terceira função é persuadir o indivíduo — convencê-lo a adquirir certo produto. É um texto que auxilia na leitura. ou não de interpretações ou explicações. pois nele aparece apenas o ‘esqueleto’. (Samuel Pfromm Neto apud Soares & Campos. as ‘palavraschave’. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. intencional ou não. É uma atividade que pode ajudar na seleção e na organização das informações mais importantes. como: vermelho = idéia principal. usa-se caneta hidrocor. tomando as palavras sublinhadas como base. por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. 1978. as ideias principais estão sublinhadas. azul = detalhes importantes. sem necessidade de apresentar frases redigidas”. h) reconstruir o texto. a votar em certo candidato. • Outra prática optativa é sublinhar com dois traços a ideia principal e com um traço as ideias secundárias. estabelecendo-se um código particular. comentários etc. em várias cores. chaves. destrezas. no final do trabalho. sobre a realidade. de evasão. planos. em vez de facilitar o trabalho do leitor.

de outro. 4. historicamente coincide com a variedade falada pelas classes sociais altas. do assunto tratado. Yara. “Uma variedade linguística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes. de determinadas regiões geográficas. 3. pela seleção de um dos modos de falar entre variedades existentes na comunidade. As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão.1. antes de atingir as costas do Peru. Ventos provindos do oeste Ar quente.1.1. Constata-se.1. Ocorrência periódica (época do Natal).1. a existência de variedades prestigiadas e de variedades não prestigiadas nas sociedades em geral. Tradicionalmente. Lúcia & LIBERATO. entretanto. Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão). que se traduz. Na realidade objetiva da vida social. 6. Isto é. que reflete a hierarquia dos grupos sociais. Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas. Campinas: Alínea. em qualquer comunidade de fala. Leda Tessari. cujo uso é normalmente requerido em situações de interação determinadas. como o seguinte: FENÔMENO EL NIÑO 1. isto é. Em nossas sociedades de tradição ocidental. de modo evidente. São Paulo: Contexto. de um lado. Essa coexistência. Alimentos para os peixes. Leitura de estudo. . Inflete para oeste. Atividades de pesca do Peru. A variedade padrão é a variedade linguística socialmente mais valorizada de reconhecido prestígio dentro de uma comunidade. vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais” (Gnerre). Questão 1: A partir dos conhecimentos específicos que já temos do nosso curso. pelo estabelecimento de um conjunto de normas que definem o modo “correto” de falar. 2. há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso.1. Microrganismos animais e vegetais da vida aquática (plâncton). 2. Desvio da corrente de águas frias. A língua padrão tem uma enorme importância em sociedades como nossa. podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas. 2000. 1. Como facilitar a leitura. 5. definidas pela comunidade como próprias em função da formalidade da situação. Águas do Oceano Pacífico. Corrente marítima de Humboldt. CASTELLO-PEREIRA. da relação entre os interlocutores etc. 2003 FULGÊNCIO. vamos definir um assunto. o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos linguísticos dos grupos socialmente dominantes. esquematizá-lo e apresentá-los aos colegas por meio do esquema elaborado. AS VARIEDADES LINGUÍSTICAS E A ESTRUTURA SOCIAL Como já foi dito. em todas as comunidades existem variedades que são consideradas superiores e outras inferiores. Queda do rendimento pesqueiro. Aquecimento das águas costeiras do Peru. Diminuição da quantidade de plâncton.Comunicação e Expressão 9 Outra forma de apresentar um esquema é por meio de uma listagem hierarquizada por diferenciação de espaço e/ou subdivisão numérica. mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada comunidade. não se dá no vácuo. a variedade padrão. 5. O que chamamos de variedade padrão é o resultado de uma atitude social ante a língua. A LÍNGUA E OS FALANTES 1.

Na língua culta ou padrão./... aplicava a pena que lhe parecia mais adequada. 2003. aplicar-seia. com palavras escolhidas que realmente representam o que se quer dizer. Frequentemente. 1. 291)../ . Para a Linguística – ciência da linguagem – esse tipo de afirmação carece de qualquer fundamento científico. podemos perceber a obediência às regras gramaticais. para o crime de mesma natureza. principalmente.. p. foi questionado esse modelo especialmente com o ..” (Texto adaptado de MIRABETE. como a posição dos pronomes em relação aos verbos (... No Iluminismo. Exemplo: “Na Antigüidade. Em resumo. entre outros. ficava sujeito aos humores do juiz. Em que se baseiam../.. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. Variedades linguísticas Ivan Cupertino Dutra Sibele Letícia Rodrigues de Oliveira Biazotto • Língua Culta ou Língua-padrão – variedade praticada pela classe social de prestígio. é mais espontânea e natural. julgamos não a fala. Em razão disso. mas o falante. Toda língua é adequada à comunidade que utiliza.. sem ambigüidades. é um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive. na imprensa e. é usada na elaboração de documentos oficiais. “inferiores”. Consideramos.. então. há obediência também à regência verbal e nominal (. que se julgue “feia” a variedade dos falantes de origem rural. foi questionado esse modelo especialmente com o argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. por exemplo./ .... Exemplo: “Na Antigüidade. o que também não se revelou um bom critério em razão de que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto. Assim como não existem línguas “inferiores”. e o fazemos em função de sua inserção na estrutura social.. • Língua Coloquial – utilizada sem muita preocupação em seguir as regras da gramática normativa. aplicava a pena que parecia a ele mais justa. com pouca escolaridade. de classe social baixa.... assim..Comunicação e Expressão 10 A avaliação social das variedades linguísticas é um fato observável em qualquer comunidade da fala... vol. que lhe parecia mais adequada. não existem variedades linguísticas “inferiores”.). o r caipira “desagradável”.. de regiões culturalmente desvalorizadas. No Iluminismo. assim. aplicar-se-ia sempre pena idêntica. ou seja. mas usamos esse mesmo som para falar “car” (carro) em inglês sem achar “feio”./). “primitivas”. Observamos também que o léxico (vocabulário) é mais bem trabalhado. As línguas não são homogêneas e a variação observável em todas elas é produto de sua história e do seu presente.. passou-se a adotar. um sistema de aplicação de penas.. as atitudes sociais – se baseiam em critérios não linguísticos: são julgamentos de natureza política e social. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. Não casual. passou-se. portanto.. ouvimos falar em línguas “simples”.. 2. Segue as regras da gramática normativa. na forma escrita. passou-se a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. as avaliações sociais? Podemos afirmar que os julgamentos sociais ante a língua – ou melhor.

muito errada. querido. de pouca duração. Aí.. quando alguém fazia um crime..tava. Por exemplo: 1.. Exemplo: “Papai. caminhoneiros etc. o que também não se revelou um bom critério em razão que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso acontecido. usaram a aritmética: todo malandro que fazia um presunto.. corretivo. 2003. gírias: são consideradas efêmeras. como idêntica/parecida.Comunicação e Expressão 11 argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. Vejamos: . A questão é a escolha do momento em que podemos utilizá-la. entre outras. . conforme o grupo que a utiliza.. amizade. no tempo antigo. mais que outra.. pelos meios de comunicação de massa. começaram a fazer assim: o que a pessoa fez e como era castigada já estava escrito. 291) ...Então. 291) Já a linguagem popular. 2003. .. porque cada um é cada um. usaram uma tal de matemática: todo cabra que matava. p. surfistas. muito.E depois? . Quanto à escolha do léxico. porque como nunca tem crime igual. tá ligado?” (Texto adaptado de MIRABETE..gostaro. vol.. Depois. com uso recorrente de diminutivos. Podia acontecer que quem fez alguma coisa muito. porque só o doutor decidia. se aplicaria sempre pena parecida.querido. etc.. qualquer falante de uma língua a utiliza.filhinho... contém erros por se afastar da norma culta estabelecida. p. .. particulares e diminutivos. 1. era castigado igual.. Em razão disso. menos formal e de relativa obediência às regras gramaticais. Podemos notar exemplos no texto como: .. 291) A linguagem coloquial já ‘burla’ algumas regras gramaticais. 1.aí.mais também... p.. 2..” (Texto adaptado de MIRABETE. era corrigido igual... 2003... vol. que era para ele mais certo. • Língua Familiar – linguagem de caráter afetivo.. ou seja. sem preocupação com regras gramaticais. tivesse castigo parecido ou até que o outro acabasse tendo um castigo muito pior. notamos que foram utilizadas palavras mais frequentes entre os falantes.. usaram uma tal de matemática: todo bandido que matava. tudinho. 1. não era bom. Depois acharam que não tava certo.... ia pro pau de arara.. porque só o dotô decidia.. se aplicaria. 1.. Aí.). regionalismos: é diferenciada principalmente pela pronúncia. etc... os outros começaram a achar que desse jeito não era bom porque ficava na vontade do juiz o tamanho do castigo.. Depois acharam que não colava. do ponto de vista das regras gramaticais normativas. Aí. mas também pelo vocabulário e pela sintaxe... p. Aí. Exemplo: “Antigamente o castigo do bandido ficava por conta do juiz que dava o castigo que ele achava melhor. Talvez em outros estados os falantes considerem diferente ou atribuam outros sentidos a tais expressões. Depois acharam que não tava certo. ou seja. porque cada um é cada um. vol.muito. se passou a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. vol. as regras que regem o uso de pronomes não são seguidas (. era preciso deixar que o juiz olhasse o erro de cada um para aplicar o castigo merecido.. Exemplo: “Antigamente o juiz é que tomava de conta do corretivo do cabra que matava um vivente./. Por exemplo. como é que o bandido vai pra cadeia? . carregada de gírias e regionalismos... principalmente. • Língua Grupal – é dividida em subníveis. . Exemplo: “Antigamente o castigo do meliante ficava por conta do cana dura que dava o castigo que ele achava melhor. vol. 2003.. o juiz castigava.. . p. caso concreto/caso acontecido. 291) Quanto à linguagem familiar... conhecidas.tudinho. vivente. • Língua Popular – utilizada pelas pessoas de baixa escolaridade.. .. ... 291) Regionalismos: podemos citar as expressões: cabra.” (Texto adaptado de MIRABETE. 1.” (Texto adaptado de MIRABETE. Mais também num gostaro porque cada um é cada um. utilizadas na região do Tocantins. . 2003...Filhinho. Mas há também as gírias de grupos como: de marinheiros. para o crime de mesma natureza. porque só o dotô decidia.. porque contém expressões emotivas.” (Texto adaptado de MIRABETE.dotô.. Mais também num deu. Mas também num foi do agrado de todos. se passou. tomava de conta.

Esse injusto sistema foi substituído. ATIVIDADE Questão 1: Assinale a opção que identifica a variação linguística presente nos textos abaixo. Isso acontece. em decorrência do Iluminismo. mas é que eu tô com uma fome da moléstia… Assaltante Baiano – Ô meu rei… (longa pausa) Isso é um assalto… (longa pausa). p. bichin… Isso é um assalto… Arriba os braços e num se bula nem faça muganga… Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão. No texto encontramos a expressão meliante. Assaltante Nordestino –Ei. meu… Pó. Exemplo: “Na Antigüidade. Apesar de sua elaboração aparentemente fácil. que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Corinthians. vol. 2011. Vou deixar teus documentos na encruzilhada… Assaltante Paulista – Orra. possam economizar precioso tempo com a troca de informações. 2003. Se num quiser nem precisa levantar. 3. 291) Para classificação. dividimos a linguagem grupal em: Línguas técnicas: no exemplo dado. em que pouca ou nenhuma flexibilidade se dava ao juiz para aplicar a sanção. Mostrou-se esse critério também inadequado por não poder o julgador sopesar devidamente as circunstâncias do delito para uma melhor correspondência da sanção penal ao agente do fato criminoso” (Texto adaptado de MIRABETE. mas é pra não ficar muito pesado… Não esquenta. 1. pois contém expressões como: arbítrio judicial. localizadas em qualquer parte do mundo. de comércio e de serviços. se manda. meu irmãozinho (longa pausa). por exemplo. pra num ficar cansado… Vai passando a grana.Comunicação e Expressão 12 Gírias: vamos nos concentrar mais nas gírias profissionais. que são menos volúveis. . meu… Isso é um assalto. por um sistema de penas rígido. são mais resistentes Disponível em: <Artigos>. ao escrever uma mensagem eletrônica devemos ficar atentos a alguns procedimentos que ajudam a compreensão da mensagem escrita. Acesso em 06 de fev. predominantemente. porque esse tipo de correspondência apresenta uma característica muito presente na contemporaneidade: a rapidez. Linguagem na Internet Atualmente. línguas técnicas: são utilizadas pelas várias profissões. sanção. meu… (A) (B) (C) (D) (E) variação social variação regional variação cultural variação histórica variação padrão A Língua Padrão muda no tempo Este é um fato elementar para quem quer entender as línguas: todas as línguas mudam ao longo do tempo. Levanta os braços. meu Padim Ciço. meu. delito. que é considerada gíria do grupo lingüístico de que fazem parte os policiais. a eficiência dessa forma de comunicação permite que as empresas. mas não se avexe não… (longa pausa). as correspondências entre pessoas físicas. podemos identificar claramente que se trata de uma linguagem do campo jurídico. pelo correio eletrônico (e-mail). meu… Alevanta os braços. Num repara se o berro está sem bala. Além da rapidez. empresas e serviço público têm sido feitas. a fixação da pena ficava inteiramente ao arbítrio judicial. As formas lingüísticas consideradas padrões. meu… Mais rápido. bem devagarinho… (longa pausa). com presença de vocabulário específico. principalmente na escrita. meu… Passa a grana logo.

embora seja frequentíssima em textos escolares. que insiste sistematicamente em recusar algumas normas das gramáticas escolares. Entretanto. Na fala. eu o aviso..porque vivem sob controle severo! . Vejamos algumas conseqüências que decorrem da mudança. ou Convencer pessoas de que o certo é. Nós costumamos “medir nossas palavras”. O QUE É LÍNGUA PADRÃO? Já sabemos que as línguas são um conjunto bastante variado de formas linguísticas. Uma delas é a relativa imprecisão de suas características. a resistência é muito mais forte. Há uma tendência muito forte na linguagem oral do português brasileiro de tornar transitivos diretos alguns verbos que tradicionalmente eram transitivos indiretos (Assisti um filme. Mas aqui a transformação não chegou ao padrão escrito de prestígio. em vez de Assisti a um filme). do tipo foram inauguradas as usinas. isto é. Veja-se. Do ponto de vista científico. e não Se eu ver fulano. que nasce não da diferença desta ou daquela forma em si.e isso mesmo nas faixas mais escolarizadas da população . o padrão de Portugal (que determinou na origem o do Brasil) desapareceu quase que por completo. E a linguagem é altamente reveladora: ela não . entre outras razões. os gramáticos. a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério. é fato que há uma diferenciação valorativa.) vão se popularizando e disseminando até o momento em que ninguém mais consegue perceber a nova forma como erro . Na língua oral . como o exemplifica o texto do poeta Oswald de Andrade que. não há como dizer que uma forma linguística é melhor que outra. AFINAL. Falar nisso: o padrão é Convencer pessoas que o certo é. Outro aspecto que decorre da transformação da língua ao longo do tempo é a convivência (nem sempre pacífica!) entre formas arcaicas e formas contemporâneas. Faça um teste: tente convencer pessoas comuns que o certo é dizer Se eu vir fulano. mas mesmo esta é rompida em textos mais informais e nos textos literários. as mudanças nunca acontecem subitamente. o fenômeno da concordância nos casos em que o sujeito aparece depois do verbo. pode-se dizer que a mudança de padrão começa a se consolidar. que por mais que reclamem e vociferem não conseguem “segurar” a mudança.? ATIVIDADES Texto 1: MAS. Um exemplo bastante visível é o caso da regência de alguns verbos.mas também mudam.melhor q a outra a n ser por gosto pessoal).exceto... cada uma delas com a sua gramática.(não exist var. dependendo do ponto de vista. Quando o uso chega a esse ponto. porque o nosso ouvinte vai julgar não somente o que se diz. ou A Constituição nem sempre tem sido obedecida pelas autoridades federais).. Nesses casos. criticou veementemente a norma culta muito parecida com o português praticado em Portugal: Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade ) Em outros casos. o que costuma ser sintoma de que a mudança está avançando significativamente. as "novidades" (ou os "erros". e talvez seja muito mais frequente o emprego "errado" que o emprego "certo". impossível sintaticamente com verbos transitivos indiretos (O jogo Brasil x Argentina foi assistido por milhões de telespectadores dos dois países.. por exemplo. a sua organização estrutural. Outro caso visível é a colocação dos pronomes no português brasileiro. por exemplo.. eu aviso ele. é claro. escritos por bons escritores ou jornalistas.Comunicação e Expressão 13 à mudança . na década de vinte do século passado. mesmo em textos de boa qualidade.há uma tendência sistemática a não fazer a concordância (Foi inaugurado as usinas). mas do significado social que certas formas linguísticas adquirem nas sociedades. Uma evidência dessa mudança na língua padrão é o fato de que esses verbos tornados transitivos diretos passaram a ocorrer com freqüência na escrita padrão na forma passiva. mas também quem diz. a tendência já está passando à escrita. Na escrita mantém-se mais visivelmente apenas a regra de não se começar período com pronome átono..linguist.. Mesmo que tenhamos pensado objetivamente a respeito nós sabemos (ou procuramos saber o tempo todo) o que é e o que não é permitido. Pouco a pouco.

a região de onde viemos. a língua padrão ocupa um espaço privilegiado: ela é o conjunto de formas consideradas como o modo correto.( n existe inform neutra.. revela também nossa classe social.Medir palavras é n fugir daquilo que é prestabelec pela socied. 2. outros que ficam aborrecidos e limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam. Tem uns que gostam muito. socialmente aceitável.Comunicação e Expressão 14 transmite só informações neutras. O beijo pode ser no escuro e no claro.. Os pronomes “a gente” (linha 3) e “nós” (linha 7) foram usados com o mesmo significado referencial. mas também quem diz” (linha 9) estabelece uma relação de retificação do argumento da primeira afirmação com o argumento da segunda e acrescenta uma nova informação. tanto na linguagem padrão como na coloquial. mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer. na rede das linguagens de uma dada sociedade. o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga. a linguagem também é um índice de poder. Esse recurso se caracteriza como variação linguística e pode ser observado..p/ exemp.. como a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição. Nesse sentido. O parágrafo introduzido por ele serviu para confirmar o que foi dito antes.colokial e familiar. pelo sotaque. n falar algopra n agredir alguém. mais beijam. O articulador “assim” (linha 13) foi usado com o valor exemplificativo e complementar.a partir do que falamos podem identificar de onde vimos. Ver marcas e termos usados! Texto 3: Observar a imagem para responder às questões e elaborar texto. de falar ou escrever. é correto afirmar: 1. além de outras informações. A soma das alternativas corretas: a) 12 b) 24 c) 15 d) 28 e) 31 Texto 2: O beijo O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo. O trecho “a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério (linhas 3 e 4) pode ser parafraseado: “a não ser que nos esqueçamos da ciência e seja adotado o preconceito linguístico ou o gosto pessoal como critério”. kemsomos. Atividade: Questão 1: Sobre o texto acima. (Millôr Fernandes) (cron. a afirmação indica que existem informações neutras. No trecho “ela não transmite só informações neutras” (linha 10). 16. a nossa intenção.. atualmente. pela forma usada. o nosso ponto de vista.é quest de adequabilidade) Assim. 8. mas também” em: “nosso ouvinte vai julgar não somente o que diz. A expressão “não somente. 4. Humoristica) Questão 2: Em que variante linguística está escrita a pequena crônica de Millôr Fernandes? Por quê? Que marcas textuais autorizam tal resposta? R:var. e que o papai deu de raspão na empregada noutro dia... .ou seja. a nossa escolaridade. O beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega.

Que atitude do interlocutor o aviso espera ser colocada em prática? . Disponível em: <http://noisnatira.2010. ou seja.em que local mora a pessoa que o escreveu? Como também.com/quadrinhos/31-03-2009_diversas. como por exemplo. sem tópicos.Após ter todas as respostas às perguntas feitas. aproximadamente.que profissão exerce. .de que sexo é e . a adequabilidade ou inadequabilidade do uso das variantes. Questão 3: A partir dos elementos verbais (palavras) e não verbais (imagens) do texto 1 (charge). Texto 3: Vamos observar atentamente a tirinha para responder à questão 3. por que um dos personagens da tirinha passou mal? Nos argumentos apresentados devemos apresentar informações fundamentadas na teoria.Que idade tem. a circunstância em que elas ocorrem. Acesso em 15 de mar. LÍNGUA E ESCRITA FALAR E ESCREVER . no qual apareçam todas as informações. que motivo a obrigou a escrever tal texto? . com coesão e coerência. o perfil da hipotética pessoa que escreveu o aviso na parede.Comunicação e Expressão 15 Questão 3: A respeito da placa de papelão na parede em construção: . elaboremos um texto contínuo.png>. tipo de variantes as quais estão em questão.a que classe social pertence. . .

o máximo que uma reforma ortográfica consegue é mudar o modo como se grafam as palavras. Possibilidade de revisão. FALA E ESCRITA Condições de produção Fala Interação face a face. mostrando o resultado. Escrita Interação à distância. Criação individual. Veja este trecho de uma revista semanal sobre a situação em Timor Leste: Timor Leste é uma ilha do tamanho do município de Manaus. Carlos Alberto.Comunicação e Expressão 16 A cultura letrada. Nenhuma reforma ortográfica no mundo muda a língua. como vimos. que devemos “falar como escrevemos”. Planejamento simultâneo ou quase simultâneo à produção. Frágil infraestrutura existente foi destruída nas duas semanas entre o plebiscito e a chegada das tropas de paz da ONU. seria dizer que a língua não tem “vocabulário”.Unidade temática: flutuação x rigidez . O falante pode processar o texto. 17 ed. redirecionando-o a partir das reações do interlocutor. Acesso imediato às reações do interlocutor. O texto mostra todo o seu processo de criação. o sistema altamente complexo que os falantes usam no seu dia a dia.Aprendizagem “natural” x aprendizagem “artificial” O estudo da Retextualização. deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão e a escrita constitui-se em outra forma de comunicação. que a língua não dispõe de uma gramática normativa. parece-nos mesmo que a “verdadeira língua” é escrita. A identificação de língua com escrita leva a confusão grosseira na própria noção de gramática. Já a palavra “dicionário” foi bem usada – um erro equivalente. Sem condições de consulta a outros textos. Não se trata simplesmente de uma confusão de ignorantes: basta acompanhar as discussões que. Petrópolis. O redator quis dizer. isto é. naturalmente.Interlocutor: presença x ausência . em geral.Redundâncias x concisão . 2008). a . Práticas de texto para estudantes universitários. o catolicismo. que. de um livro que descreva as regras da língua. A reformulação pode ser promovida tanto pelo falante como pelo interlocutor. Mas é claro que a língua tem gramática. o que é um absurdo. com população equivalente à de Campinas e dividida em 36 etnias.Elementos extralingüísticos x sinais gráficos . Por força da tradição escolar e da própria ideia de autoridade que emana da escrita. Impossibilidade de apagamento. que não tem gramática nem dicionário. Planejamento anterior à produção. (FARACO. quando. é um dos poucos traços fortes que une o país a seu passado português. Sem possibilidade de acesso imediato. isto é. de tempos em tempos aparecem em torno de reforma ortográfica da língua portuguesa que encontraremos escritores. A língua dominante é o teto.Prosódia e entonação x sinais gráficos . sendo a fala uma espécie de subproduto dela. O texto tende a esconder o seu processo de criação. é qualidade intrínseca de qualquer língua. na verdade. A religião praticada pela maioria. A reformulação é promovida apenas pelo escritor. O escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor. invertendo o curso da história. Livre consulta. Criação coletiva: administrada passo a passo.Frases mais curtas x frases mais longas . ao transpor da conversa espontânea para o texto escrito. Distinções específicas entre fala e escrita . Rio de Janeiro: Vozes. tem uma forte tendência a confundir língua com representação gráfica da língua (escrita). jornalistas e intelectuais em geral se manifestando sobre “mudança da língua”.Ampla variedade x modalidade única (“língua padrão”) . Há mesmo quem diga. de menor importância e sem nenhum prestígio. nesse caso.

. Conversação espontânea Em reportagem do dia 19. coesão e coerência.. sou. profissão) c) transpor o texto oral para a modalidade escrita... pode perceber. coerente e elegante.... coesa. direta.... ah ah. ZV – Eu::.. elegância..Comunicação e Expressão 17 qual deve ser clara.. na cidade de Ponte Nova. Texto 2: HISTÓRIA DE VAQUEIROS . MP – Qual a sua lembrança de infância mais remota? ZV – Era.sou.. tem muitus crianças ah. idade. respeitando aspectos de clareza. as idéias organizadas mentalmente ajudam-nos a escrever com clareza. jornalista. sua cidade natal. Minas. sem falar no sentido. o jornal Zero Hora publica uma entrevista que Márcio Pinheiro fez ao jornalista Zuenir Ventura.06.tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu. quando criança. não só por existir apenas na nossa língua. uma:: pirigosa brincadeira que fazíamos em Ponte Nova. onde vive. Questão 1: A partir do texto acima. b) elaborar o perfil do/a falante (classe social.. ele destaca saudade. Assim. ATIVIDADES Vamos ler o segmento abaixo e responder à questão 1? Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::.. um humilde operário das letras. aluno. gênero. (Ead Conectado: Vanessa Loureiro Correa) Como você. de atravessar uma ponte antes da passagem do trem.. Exemplo de retextualização – transposição da conversa espontânea em texto escrito: Zuenir Ventura. tem . onde fui criado:: atravessar uma ponte:: .... objetividade.. a passagem do texto oral para o escrito constitui-se na organização da escrita. MP – Defina-se. nível de escolaridade. em entrevista. Minas Gerais. vamos: a) identificar as características típicas da fala (oralidade).05. pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: muitas coisas assim extragada né? cumidas ex. elis omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus E sobre o centro da cidade? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas éh::: sei lá . Quanto à palavra mais bonita da Língua Portuguesa. MP – Qual a palavra mais bonita da Língua Portuguesa? ZV – Saudade::.... afirma que costumava brincar.. sendo sua lembrança mais antiga da infância.. poco antes de o trem passá. não só pela o-ri-gi-na-lida-de. O autor do livro 1968 termina a entrevista definindo-se como um humilde operário das letras. existe:: apenas na nossa língua:: como pela sonoridade. mas também pelo significado e sonoridade.

um dos maiores músicos e violeiros do nosso país. ou ovelha. diz-se que o animal ficou na ribada. João Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro num menajo todos não certa feita vô contá só um feito desse vaquêro foi chamado pra pegá um levantado marruêro Morada Velha do Olivêra Lagoa do Pancadão Tiquiano foi só cum a pitêra a Ri-de-Conta e sem gibão mêa noite e lua e um quilarão pontô o bicho na bibida vino do fundo da mata na lagoa de pureza feito u'a bacia de prata qui buniteza nessa hora só lamento nun tá lá e sem mais demora Tiquiano gritô: vem bichão vem cá! riscô um tufão feito um raiá já cum bicho bem pegado ma ponta do pau-de-ferro pelos mistero da hora in qui num pode havê êrro o incapetado lubisomi 'stremeceu soltô truvão já tava intregano ao bicho home as alma nas palma das Vocabulário: Reno= reinou num menajo = não homenageio ranca toco= perito ribadêro = vem de ´ribada´. contanto que seja de pelagem preta e meio desaforado. Na viagem do gado.Comunicação e Expressão 18 (Elomar Figueira Mello. quando uma rês desvia-se do rebanho. cabra. Ranca-tôco ribadêro = perito em matéria de mato e capoeirões Lubião = qualquer produtor de vaca. e se interna no mato ou nos capoeirões. Ele é de Vitória da Conquista-BA) Mais foi tanto dos vaquero qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro num menajo todos não. também em dialeto. mão faca na venta e sangue no chão e a lua oumenta o quilarão faca na venta e boi no chão mais foi tanto dos vaguêro qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-dasContas Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuros pelas mão mermo cantano um dia interô num manajo todos não as Guariba é um cruzamento in toda tarde de dumingo hai um grande ajuntamento de muita gente e malungo moça bunita perdedêra Bragadá sua perdição boi das arma branca cara preta catravo de pé e mão fera sturrano cavava o chão surucucú de dois ferrão malvado e brabo pegô Juão derna o tempo de minino fazia pur brincadêra pegá bicho remeteno de mão pilunga ô pitêra dentra da venda in descursão entrô os vaquêro de lá pruns olhos bunito cum ferrão pulô a cerca bragadá a noite intêra bebeu dançô na brincadêra no Tomba virô moça bunita laço de amô pelo triz de um momento da peleja in certa altura viu nos olhos da morena ispelhada u'a mancha iscura faca na venta o boi morreno Bragadá caiu no chão cum o vazí rasgado'stremeceno parava o saingue c'as mão amô nun sei pru modi quê facilitei olhei voce foi pur teus olhos pur a fulô pegava o boi boi me pegô édura a sorte do pegadô morrê da morte chifrada amô mais foi tanto dos vaguêro qui renô no meu sertão qui cantano o dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro nun menajo todos não mermo cantano um dia intêro nun menajo meus irmão .

como o estampido do clarão de um raio. trata da brutalidade de pessoas incultas do interior do Brasil. Viu nos olhos da morena/ ispelhada u´a mancha iscura = no ferver do sangue. e 5) todas 6) nenhuma Questão 2: Transpor o texto “Histórias de vaqueiros” para a modalidade escrita (retextualização) . d. sem contato com as mudanças pelas quais passa a língua materna. pelo contrário. embora trate de assunto comum como a bravura dos vaqueiros brasileiros e do amor que é tema universal. com a proteção de forte charrua. como o vaqueiro tipo Bragadá. Gibão = casaco de couro de veado ou de bodão. d. puderam ser pensadas antes de serem executadas. Guariba = localidade na zona da Mata (estado da Bahia) abaixo da cidade de Itapetinga. pelo viril e bravo vaqueiro e. ponto onde se cruzam corredores e estradas reais. e 4) a. o ajuntamento das pessoas no vazio daquelas tardes imensas. que abandonou o rebanho e passou a uma vida solitária nos ermos. a expressão “pelo triz de um momento” expressa que as atitudes. vara trabalhada em cuja base. guiada. está encravado um bico de ferro. d. a mancha vermelha na camisa. a intensidade e a transferência de planos da vida para o mundo mágico. E a lua omenta o quilarão = e a lua aumenta o clarão. a moça bonita perdera. vindo do mundo dos homens. no caso. chifres brancos. Pur a fulo = pela flor. o texto de Elomar é de difícil decodificação. b. pelo “levantado marruêro”. por tal. Sururú = jararaca grande. nem sempre deve ser desprezada. Risco um tufão feito um raiá = ante o chamado do vaqueiro. falado especificamente por pessoas idosas as quais vivem no interior do país. pau-de-ferro. pedaço de pau feito um cabo de machado. no canto de homenagem e celebração da bravura. de um lado. Derna = desde. região do Palmeira. a letra da música não apresenta poeticidade ou lirismo. e 2) c. Ele é escrito em português arcaico ou na variante inculta. de outro. na sua imagem. pelo fato de tratar da luta do homem diante das forças naturais. Pitêra = ferrão. em dialeto catingueiro. o boi investiu contra o moço com muita velocidade e grande fúria. b) c) d) e) Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1) a. Vazí = ventre. Pilunga = porrete. pouso de tropas e de encontro de vaqueiros. infinitamente pequena – que. o conteúdo fica para além da estória que capta os tios regionais que lhes dá o nome de heróis. Certa feita = em certa ocasião Pegá um levantado marruêro = matar um touro que se alevantou. Lubisoni = lobisomem. Ponto o bicho na bibida = surgiu o touro na aguada. Na brincadeira do Tomba-virô = na festa do lugar chamado Tomba-virô. sendo mais comum a cor branca. Catravo de pé e mão = diz-se catravo qualquer espécie de animal que tenha os pés e as mãos (até uma pequena altura) de cor diferente da do resto do corpo. Pegá bicho remeteno = enfrentar boi enraivecido e furioso. d. Ri-de-conta = faca. representada. Questão 1 Vamos entender as seguintes afirmações sobre o texto de Elomar Figueira Mello: a) o texto de Elomar apresenta caráter épico. É uma luta simbólica e ancestral do homem contra a dominação da besta.Comunicação e Expressão 19 Turuna = sinônimo de ranca-tôco Frechêro = cabrito ou bodete de cabra na faixa dos seis ou sete meses de idade. na fúria da peleja. o bicho. recheada por elementos do mundo rural. O vaqueiro. e 3) a. Pruns = por uns. Arma branca = cornos. do fundo da mata. durante o combate. o já idoso vaqueiro Bragadá descobriu que estava ferido ao ver sua imagem refletida no cristal dos olhos da moça e. tipo de arma branca artisticamente trabalhada. c. Triz de um momento = fração infinitesimal de tempo.

ou seja. terra do grande Ari Barroso.o modo como o fato ocorreu QUALIDADES TEXTUAIS . ou seja. Todo texto tem sempre uma finalidade. alguns amigos de Nicolino compraram um caixão e algumas garrafas de cangibrina. sendo que alguns podem desaparecer e outros podem surgir. portanto. (Stanislaw Ponte Preta = Sérgio Porto) Disponível em: <http://www. Dentre elas. para transpor de uma modalidade para outra ou de um gênero para outro. Retextualização de Gêneros Escritos – Rio de Janeiro: Lucerna. lá abriram a cova e lá enterraram o caixão. Levaram. Morreu lá um tal de Nicolino. 2011 Questão 1: Vamos transpor a crônica de Stanislaw Ponte Preta em criativo texto noticioso para rádio. para cada interlocutor. o que se escreveu e os feitos de sentido gerados pelo texto escrito. ao objetivo almejado. foram lá enterrar. Acesso em 05 de fev. ressalta-se um aspecto de imensa importância que é a compreensão do que foi dito ou escrito para que se produza outro texto. mas esqueceram o falecido em cima da mesa. levando tudo para o velório. por exemplo. é preciso haver um incentivo qualquer para a turma subnutrida poder aguentar a noite inteira com o ar compungido que o extinto merece. dependendo das necessidades dos falantes que os utilizam. a cachacinha é inevitável.o momento do fato • "Por quê" . vai interferir no modo como vamos falar ou escrever. A intenção de trabalhar a retextualização em sala de aula é promover uma certa adversidade de textos. portanto as produções – orais ou escritas – partem de um objetivo que certamente. na hora do enterro. Também não podemos nos esquecer de que a atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos que deve informar ao público: • "O quê" .a causa do fato • "Como" . processo que envolve operações que evidenciam o funcionamento social da linguagem. é preciso. 2007) Texto 3: crônica Choro. produzem gêneros textuais. a maior espinafração da vizinha do pranteado Nicolino. É para ajudar a velar pelo falecido.Comunicação e Expressão 20 RETEXTUALIZAÇÃO Entende-se por retextualização o processo de transformação de uma modalidade textual para outra. em cada lugar. tendo em vista a variedade de gêneros possíveis para as muitas situações comunicativas. a chamada aos ouvintes e o tom rápido e detalhado. (DELL’ISOLA. Passaram a noite velando o morto e entornando a cachaça. inevitavelmente. Assim. Depois voltaram até a casa do mono. Foi o que aconteceu agora em Ubá (MG). veia e cachaça Enterro de pobre sempre tem cachaça. De manhã.com/redacao/cronica>. sujeita a mudanças ocorridas na sociedade. fecharam o caixão e foram para o cemitério.o personagem envolvido • "Onde" . as pessoas se expressam de maneira diferente. às situações de uso. a cada situação. Segundo telegrama vindo de Ubá. Mas — bem ou mal — lá chegaram. Para tanto. antes de realizar a tarefa. as formas gramaticais mais adequadas e tudo que está diretamente vinculado à função de cada texto. Enfim. numa indigência que eu vou te contar. As atividades de retextualização englobam várias operações que favorecem o trabalho com a produção de texto. Regina Lúcia Péret. pobre só tem amigo pobre e. seja numa favela carioca.o fato ocorrido • "Quem" . de relativa estabilidade. As escolhas envolvem tanto o melhor modo de construção do texto. então. seja num bairro pobre da cidade do interior. Partimos de escolhas.coladaweb. vamos ouvir algumas notícias divulgadas em rádio para não faltar no nosso texto. na esperança de ter sobrado alguma cachacinha no fundo da garrafa. num cortejo meio ziguezagueando e num compasso mais de rancho que de féretro. trata-se de uma refacção e reescrita de um texto para o outro. Sabem como é. Para retextualizar. que seja entendido o que se disse ou se quis dizer. O ensino de português não pode acontecer sem que todos esses aspectos sejam levados em consideração. É que os bêbados fecharam o caixão.o local do fato • "Quando" .

Fatores que contribuem para a produção de um texto de qualidade Na obra Texto técnico – guia de pesquisa e de redação. já nos solicitaram a produção de um texto. Se houver qualquer falhar. Ex: Juca não está indo bem na escola. São eles: criatividade. 30 abr. E qual é. É muito importante memorizar as conjunções e seus significados para que haja coesão e coerência na elaboração das diversas frases. além de mostrar ao leitor algo diferente. entretanto. Nesse caso. ficará sem entendê-la ainda mais. ou um chefe no local de trabalho. um colega de reunião de associação de moradores de bairro. coesão. o texto. a modista escolhe o modelo. Adriane. Ler bastante. Concisão – é a qualidade do texto em ser preciso. sem rodeios de palavras. – Bauru. Um professor em sala de aula. sendo uma unidade semântica. ter um hobby que exige atenção constante – como jogos de computador ou esportes radicais constitui um padrão entre os que são bem-sucedidos”. Os Degraus da Produção Textual. criativo. Nesse caso. coerência e correção gramatical. por coesão se entende a ligação. novo. Coesão – Segundo Koch (2001).94. (BELLUCI. coesão. O texto é claro quando é facilmente entendido. ou seja. . colocamo-nos a refletir: “Como eu vou fazer um texto?” Este questionamento traz à mente uma série de requisitos necessários para a composição de um texto. precisa coerência. a produção de um texto requer também que se observem elementos para uma boa tessitura. “um profissional criativo estimula seu cérebro também nas horas de lazer. Criatividade – A originalidade de um texto acrescenta-lhe uma importância muito grande. Podemos comparar essa tessitura com o “bom caimento” de uma roupa. traça o molde. frequentar cinema e teatro. sem provocar dúvidas ao seu leitor. ou ainda. A ambiguidade impede a clareza do texto. clareza. concisão. nossa primeira reação? Nossa primeira reação vem com um sentido de rejeição: “Ah. exceto quando ela é utilizada como recurso de retórica. Para Oliveira (2003). sem circunlóquios. escolhe os aviamentos. clareza. não se sabe se o ninho é da cobra ou da galinha. no exercício de matemática tirou zero. Desperta a curiosidade. se a pessoa que ler a frase não souber que penosa é gíria de galinha. 2003). a admiração. Oliveira (2003) coloca seis cês que contribuem para a construção de um texto de qualidade. frequentemente. Exemplo de texto ambíguo: A cobra matou a penosa no seu ninho. viajar para conhecer outras culturas. vendo que não há outra saída.Comunicação e Expressão 21 O SIGNIFICADO DE TEXTO Por inúmeras vezes na vida. é o uso dos conectivos adequados à correta ligação entre palavras e frases no texto. Um erro muito comum é o uso de um conectivo não correspondente à relação lógica presente entre dois trechos do texto. os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual. tais como: • sobre o que escrever? • como organizar as ideias? • que sequência utilizar? • como escolher as palavras adequadas e estabelecer a conexão entre elas? Assim como para confeccionar uma roupa. São Paulo: EDUSC. 2003). foi usado um conectivo que indica contraste no lugar do de exemplificação (por exemplo) ou de reafirmação (de fato). eu não sei fazer um texto!” Em seguida. criatividade e correção gramatical. o resultado final não atinge seu objetivo. concisão. p. o tecido. Além disso. a relação. Clareza – A clareza é uma qualidade essencial de qualquer texto. Segundo pesquisa na Flórida (VEJA. Como uma roupa em que todos os detalhes devem se harmonizar. toma medidas.

O que se vê. Que mal há em criar em cima da língua que falamos? O que. no mesmo tema. a formação de ironia. da revista Discutindo a Língua Portuguesa para respondermos às questões: “Jeitinho” O uso exagerado das aspas – que muitas vezes reflete a falta de vocabulário na redação – está impregnando também a linguagem falada. é muito comum. não como quis nem como gostaria. profissionais do sexo. ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. transferidas de forma indiscriminada à modalidade escrita. Isso é verificado no cotidiano e até mesmo na . que não exemplifica o que veio antes”. é uma sequência de palavras e expressões próprias da língua falada. é o que faz o texto fazer sentido para os usuários. vem gradativamente também afetando a língua falada. parece rabugice de professor. É possível constatar que o vocabulário do brasileiro está gradativamente mais escasso. entre outros tantos substantivos que poderiam ter sido escolhidos. porque faltou repertório. de ter grande função estilística no texto. Assim. ou. que deveria ter certo aspecto formal. recorreu-se ao uso das aspas. Assim. sem incorreções ou desvios gramaticais. realçar palavras e apresentar palavras em sentido figurado e/ ou gírias. depois. na pior das hipóteses. manter suas especificidades (já que ninguém escreve como fala). outra grande reinvenção do famoso “jeitinho brasileiro”. a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto. Não o é. não tem o poder de formar uma ironia. Também é comum a expressão “por exemplo. com o exemplo dos usos equivocados do “onde”. Coerência – Para Koch (2001). o povo conhecido pelo seu jeito especial de lidar com as situações adversas do dia a dia desenvolveu o remédio de usar. por exemplo. Para solucionar esse problema. que remeta a essa ideia? Não haveria obstáculo se a artimanha fosse ocasional. sem a construção adequada no interior da argumentação. ou seja. entre aspas. outra palavra que lembre a ideia que se pretende transmitir. no entanto é importante ressaltar que o sinal gráfico sozinho. Fica claro é que o pequeno vocabulário do discente o levou a escrever como pôde. Mas essa capacidade de reinventar a língua de acordo com a necessidade e com as ferramentas linguísticas disponíveis não para aí. sem dúvida. Leiamos o artigo “Jeitinho”. é claro. que já é sentido há algum tempo na escrita. além disso) para ligar entre si frases escritas ao acaso. Correção gramatical – é o uso da língua de acordo com os padrões da norma culta. uma após a outra. principalmente nos textos cujos autores são jovens. o elemento tem a função de delimitar citações. O uso das aspas é. esconde na verdade um problema grave no português moderno: a dificuldade do falante em se expressar em sua língua materna. O fenômeno do uso excessivo das aspas.Comunicação e Expressão 22 Outro defeito é o uso constante de conectivos aditivos (e. garotas de programa. Na edição passada. também. sem planejamento real. “A ‘mulher perdida’ não pode ser exemplo para a sociedade” ou ainda. o uso das aspas nunca foi tão prestigiado. devendo. portanto ser entendida como um princípio de interpretabilidade. Além. isto é. Vale lembrar que não faltam palavras no vocabulário brasileiro quando o assunto é sexo. Valendo-se da função de apresentar termos e expressões em sentido figurado. numa entrevista de emprego e em outras situações semelhantes. num vestibular. E pensará o leitor: que problema há em esquecer e/ou não conhecer a palavra mais adequada para representar uma ideia e substituí-la por um vocábulo. Por causa desse artifício. meretrizes. a coluna gramática moderna tratou sobre o jeito muito criativo de o brasileiro reconstruir a gramática. de Andréia Neiva. as redações “naum” virem exatamente escritas como se esperaria. muitos brasileiros têm utilizado esse artifício para disfarçar outro problema: o conhecimento cada vez menor do léxico. Na gramática tradicional. entre aspas. “A ‘mulher de vida quase fácil’ se tornou celebridade” são exemplos de frases retiradas de textos de prévestibulandos em que é possível inferir que as tais mulheres às quais os alunos se referem – a “perdida” e a de “vida quase fácil” – são prostitutas. como. à primeira vista.

Mas muitas das vezes é falta de vocabulário mesmo. precisamos começar a partir dos paradigmas existentes. a internet oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Sem a . Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin. Se fosse simples ironia. a própria entonação já daria conta de expressar. Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore. todo o resto foi eliminado. seríamos desalmados. diz Panebianco. mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento? Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade? A questão é importante. Questão 02: Vamos identificar pelo menos dois fragmentos em que a autora usou aspas e dizer por que ela as usou. que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos. é também o resultado da filtragem desses dados. Felizmente. todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra. Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. não filtrado nem organizado. Questão 01: Qual é a tese defendida pela autora do texto “Jeitinho” e que argumentos que ela usa para defender tal tese. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados? Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados. Em seu conto “Funes el Memorioso”. cada palavra. A ciência só se torna dogmática. Seus paradigmas. cada sabor. O escritor Angelo Panebianco argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes. por exemplo? Atividades Texto: A FALIBILIDADE DA CIÊNCIA 20/06/2010 Umberto Eco Como uma totalidade de conteúdo. cada sentença. de Einstein ou Copérnico. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota. de 1942. pelo uso das aspas na comunicação oral com o já famoso gesto feito com os dedos. Para que uma discussão seja compreendida por todos. o qual sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante. cada rajada de vento. no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas. Se temos um problema. um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar.Comunicação e Expressão 23 mídia. sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica. Questão 03: Quem já usou aspas pelo fato de o repertório do léxico ser restrito? Em que situação. Uma cultura opera de forma semelhante. E em todas as outras já virou piada sem graça.

Comunicação e Expressão

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rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível. Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente. Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.” Tradução: Eloise De Vylder Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/umberto-eco/2010/06/20/afalibilidade-da-ciencia.jhtm>. Acesso em 20 de jun. 2010. Notas: - PTOLOMEU: Astrônomo e geógrafo grego (90?-168?). Um dos últimos grandes cientistas da Grécia antiga, é autor dos estudos de astronomia mais importantes produzidos antes de Copérnico e Galileu. Nasce em Ptolemaida, com o nome de Cláudio Ptolomeu, e vive em Alexandria entre os anos de 120 e 145. Durante esse período, registra várias de suas observações astronômicas. Entre outras coisas afirma que a Terra é o centro do universo. O sistema ptolomaico, em que a Terra aparece como o centro, é adotado pela Igreja Católica durante toda a Idade Média, até ser derrubada pelas teorias de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Disponível em: <http://www.algosobre.com.br/biografias/ptolomeu.html>. Acesso em 07 de fev. 2011. - NICOLAU COPÉRNICO: Nascido na Polônia, no ano de 1473, Nicolau Copérnico é considerado o fundador da Astronomia moderna. Antes de sua teoria, os homens consideravam como verdadeira a tese de um cientista grego chamado Ptolomeu, que defendia a idéia de que a Terra era o centro do universo. Contrário a esta idéia, Copérnico não se convenceu da idéia de que o Sol e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Por esta razão, defendeu a tese de todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do Sol
Disponível em: <(Heliocentrismo)>. Acesso em 07 de fev. 2011.

Questão 1: Que tese é defendida por Umberto Eco no texto “Falibilidade da ciência”? Que argumentos ele utiliza para construir tal ponto de vista? Questão 2: Vamos pensar a respeito e responder às seguintes perguntas: a) que desafio e/ou necessidade o semioticista italiano sugere às pessoas dos tempos atuais? Justificativa: b) que sentido/s estabelece o conectivo MAS no início do segundo parágrafo do texto? Comentário: c) como entendemos as afirmações de que a ciência é antidogmática, porém ela, em algumas situações, pode ser dogmática? Você lembra algum exemplo semelhante ao de Copérnico em relação a Ptolomeu? Explicitação: d) “Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados?”. Por quê? Questão 3: Quanto à construção do texto: - há coerência? Por quê? Que elementos de coesão identificamos nele? - conseguimos identificar os seis CÊS nesse texto de Umberto Eco? Que marcas textuais nos autorizam a responder a essa pergunta?

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- o que mais me chama a atenção nesse texto? por quê? COERÊNCIA TEXTUAL As metarregras da coerência Um francês chamado Michel Charolles descobriu quatro princípios responsáveis pela coerência. Chamou-os de metarregras da coerência. São elas: fundamentais

1. Metarregra da repetição — um texto coerente deve ter elementos recorrentes; nada mais é do
que aquilo que chamamos de coesão textual. O fato de, em uma frase, recuperarmos termos de frases anteriores, por meio de pronomes, apagamentos ou elementos lexicais constitui um processo de repetição ou recorrência. A coesão textual é, portanto, a primeira condição para que um texto seja coerente. Vejamos o exemplo: A imprensa internacional cobre a violência no Brasil de uma maneira tão sensacionalista que os estrangeiros ficam com a impressão de que nossas ruas são mais perigosas do que elas realmente são. Essa cobertura não apenas afugenta os turistas como também pinta uma imagem falsa, do país e do mundo em geral. No trecho acima, há metarregra da repetição, porque há termos recuperando informações anteriores, por exemplo, elas, essa cobertura.

2. Metarregra de progressão — um texto coerente deve apresentar renovação do suporte
semântico; nos diz que um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai sendo escrito. Vejamos o texto a seguir: Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres, ou seja: pega a colher, o garfo e não olha para o prato de comida. Ela não se alimenta. Brinca apenas. Diverte-se com uma colher e um garfo e o prato fica na mesa. O ato de brincar substitui o ato de alimentar-se. Não há no exemplo dado informações significativas novas, há sim repetição do que já foi dito. Poderíamos reduzir esta informação a: “Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres”.

3. Metarregra da não-contradição — Em um texto coerente, o que se diz depois não pode
contradizer o que se disse antes ou o que ficou pressuposto; nos diz que cada pedaço do texto deve "fazer sentido" com o que se disse antes. Vejamos o texto abaixo: Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc. Sabemos que um das qualidades de um bom texto é não haver contradição, e no texto do exemplo acima há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que havia fumaça espessa que não permitia ver ninguém e, depois, cita os tipos de pessoas que estavam na festa. É um texto sem credibilidade argumentativa.

4. Metarregra de relação — Em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um
estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto: Em nosso pequeno vilarejo aconteceu, certa vez, um caso bastante curioso. Havia ali um coronel muito matuto que vivia assombrando os moradores da cidade com suas bravatas. Numa manhã de domingo, no dia da festa da padroeira, ele acordou morto e todo pronto para conduzir o turíbulo que, de véspera, havia dormido em sua casa. Depois do café matinal, fez-se uma grande

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aglomeração de pessoas diante da casa do coronel: foi a primeira vez que tivemos um engarrafamento de 15 km: carros, motocicletas, triciclos, bicicletas e mesmo pedestres aguardavam atentos pelas palavras do coronel nas primeiras horas do dia de seu enterro. O que mais chama a atenção nesse texto é o fato de o coronel estar morto e, mesmo assim, estar pronto para carregar o turíbulo. Além disso, é estranho o fato de os moradores aguardarem seu pronunciamento matinal. Ao ler o texto, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a de que se trata de um “causo”, não de um fato verídico. Isso porque no “mundo real” não existe a possibilidade de se acordar morto, de um morto carregar um turíbulo e, menos ainda, de um morto fazer pronunciamento em festa de padroeira. Atividade Questão 1: Leia o excerto de texto abaixo e identifique a (s) metarregra (s) de coerência que foram infringidas. Reconstrua-os para torná-los coerentes, atendendo às metarregras da coerência textual. a) São Paulo tem uma extensão territorial superior à de muitos países do continente europeu e podendo comparar perfeitamente em seu seio uma população de mais de quarenta milhões de habitantes, ninguém poderá dizer que São Paulo não possui os elementos necessários para tornar efetiva a sua autonomia política. Em São Paulo, a hipótese separatista foi abortada. O discurso do presidente da República caminha para o separatismo famélico entre o Norte e o Sul. Uma das perversidades da política brasileira é a demagogia. b) Um dos cuidados que devemos ter quando redigimos um texto é com a repetição de palavras no texto. A repetição de palavras é muitas vezes inoportuna, torna o texto cansativo e deselegante. Sendo assim, seria interessante que editores de texto pudessem oferecer uma funcionalidade que ajudasse o escritor a controlar a repetição de palavras no texto indicando quantas vezes uma palavra já foi usada no texto e em que situação. c) Minha amiga foi para Porto seguro, recomendou a viagem para todos e afirmou que jamais retornaria ao local.

AMBIGUIDADE
“Ambiguidade – Latim ambiguu(m), ambíguo, que apresenta duas faces, dois sentidos”. “O vocábulo ambiguidade emprega-se em Gramática para designar os equívocos de sentido provenientes de construção defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios”. “Em crítica literária, a palavra foi introduzida por William Empson (...). A seu ver, a ambiguidade consiste em toda nuança verbal, posto ligeira, que dê lugar a diferentes reações ao mesmo fragmento de linguagem”. (MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974). Texto 1: Placa

Acesso em 07 de fev. É preciso que elas sejam logicamente ordenadas a fim de que o receptor siga o fio do discurso e seja capaz de entender aquilo que desejamos comunicar. Lector in fabula. (ECO. 2011 . A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO O texto é uma máquina preguiçosa.Placasridículas. O parágrafo Você sabe que. Perspectiva. sem nos esquecermos dos seis cês. O parágrafo – como um microtexto – deve obviamente apresentar essa organização. Texto 2: charge Disponível em: <osnigomes. . que exige do leitor um renhido trabalho cooperativo para preencher espaços não-ditos que ficaram. por assim dizer.>.com. 11). sistematizemos por escrito o que conversamos. Em seguida. em branco.blogspot. Umberto. 2011. para elaborar um texto coerente.Comunicação e Expressão 27 Disponível em: <www. Acesso em 02 de fev. São Paulo. não basta reunir qualquer conjunto de frases ordenadas de forma aleatória.br.com/>.A partir do primeiro e do terceiro conceitos sobre ambiguidade. 1. 1979 p. vamos identificar possíveis leituras que as imagens anteriores (placa e charge) sugerem.

b) O desenvolvimento do parágrafo Nessa etapa de redação do parágrafo. em primeiro lugar. dependendo da natureza do assunto. TÓPICO FRASAL (introdução) DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO OU TRANSIÇÃO a) A formulação do tópico frasal Delimitado o assunto.Comunicação e Expressão 28 1. você poderá começar a escrever. de maneira geral e sucinta. o redator passa a expandir as ideias indicadas no tópico frasal. em que se desenvolve ou se explana determinada idéia central. Há várias formas de ordenação do desenvolvimento. do gênero da composição. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. A fim de ordená-los. constituída por um ou mais de um período. também. Boorstin. a ideia-tópico. É importante redigir. causaconsequência. Para isso. diferentes formas de construção do parágrafo. ele. Porém. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. (0thon Garcia). Civilização Brasileira. é mais fácil fixar o objetivo que deverá orientar a redação do parágrafo. Essa ou essas frases iniciais do parágrafo que traduzem. enumeração de detalhes. o tópico frasal garante que você não se afaste do objetivo estabelecido. explicitaremos cada uma dessas partes. como . secundárias. a ideia-núcleo do parágrafo constituem o que se chama tópico frasal. tempo-espaço.1. A redação Etapas prévias a) A delimitação do assunto: a restrição ou delimitação do assunto é necessária para que possamos organizar o parágrafo com mais facilidade. em primeiro lugar. assim como há diversos processos de desenvolvimento e ordenação de idéias.2. e com que finalidade. 646 páginas – O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para escrever essa história compacta da ciência é duplamente inovador. a preocupação maior do autor deve ser a de fundamentar de maneira clara e convincente as ideias que defende ou expõe. há. definição. Na sequência da nossa exposição. Você deve estabelecer para que vai escrever sobre determinado assunto. A estruturação O chamado parágrafo-padrão é constituído de três partes essenciais: o tópico frasal. em seguida. mantendo a coerência do texto. a que geralmente se agregam outras. fixado o objetivo que deverá orientar o parágrafo. comparação. seja qual for a forma de ordenação empregada. entre elas: exemplificação. o desenvolvimento e a conclusão. b) A fixação do objetivo: delimitado o assunto. Em primeiro lugar. os ordena. A conceituação “0 parágrafo é uma unidade de composição. que servirá como forma de controle. No entanto. uma ou mais frases que expressem o objetivo escolhido. ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de experimentos que costumam rechear as obras de referência. do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o texto escrito. seleciona aspectos ou detalhes particulares que desenvolvam a frase-núcleo e. de Daniel J. mas intimamente relacionadas pelo sentido”. 1. as quais variam conforme o objetivo fixado para a redação. constrói um plano de desenvolvimento. A segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de alguns instrumentos. 0 conceito acima aplica-se ao chamado parágrafo-padrão. Exemplo: Os descobridores. Assim. A fixação clara do objetivo facilita a seleção e a ordenação das ideias. entediando o leitor não especializado.

procede a duas inovações. Assim.. O nexo ou introduz uma nova possível causa da leitura de uma biografia. . * Então. O início do desenvolvimento do parágrafo é explicitado por meio do operador argumentativo antes de mais nada.1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica.. .. de Daniel J. e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas. indica com que objetivo alguém lê uma biografia. pois ela se caracteriza por uma apreciação do autor. Exemplificando: Veja o parágrafo abaixo: Por que se lê uma biografia? Antes de mais nada. É possível também encerrá-lo apresentando de modo conciso consequências.. . É o caso da história dos despertadores digitais.96. Ou. então. A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita. ou seja. como você vê. deliciosamente. que estabelece uma relação de finalidade. ao escrever uma história compacta da ciência. Com isso. para a conclusão do parágrafo. 1 . ou seja: tópico frasal. O elemento continuativo depois acrescenta mais uma causa à já citada no período anterior. c) A elaboração da conclusão Na formulação da conclusão. OBJETIVO FIXADO: Mostrar a dupla inovação estabelecida pelo escritor Daniel Boorstin ao escrever a história da ciência. ASSUNTO: A obra Os descobridores. TÓPICO FRASAL: Daniel Boorstin. DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Resenha crítica da obra. Algumas vezes. para se verificar como ela conseguiu alcançar projeção a despeito das dificuldades que enfrentou. reorganizamos resumidamente os diversos aspectos do desenvolvimento em uma frase final. A expressão Num caso e no outro retoma as causas mencionadas no desenvolvimento e resume-as. Em outras palavras. algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. implicações daquilo que foi expresso no tópico frasal e no desenvolvimento. (Istoé/Senhor. Civilização Brasileira. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS: 1 . . dependendo da situação do leitor.. p. seguido pelo articulador para. tais como: * Assim . Boorstin.06. podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo. * Logo. Num caso e no outro. a biografia dá ilusão de que. para se conhecer segredos de uma personagem que eventualmente ainda não tenham sido divulgados.. . que feche o parágrafo. para se constatar que pessoas absolutamente normais têm a chance de adquirir notoriedade. 17. por meio de articuladores que indiquem a relação que desejamos estabelecer. Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e leitura acessível.2 Opção por urna narrativa romanceada.Comunicação e Expressão 29 o relógio.63) A pergunta inicial Por que se lê uma biografia? Constitui a introdução (tópico frasal). ter sua origem numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar os monges para as orações noturnas. ATIVIDADES Por exemplo: a generalização de um tema como violência obriga o autor a delimitar alguns enfoques que lhe são pertinentes. recapitulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. o parágrafo possui as três partes essenciais à sua redação. * Dessa forma. desenvolvimento e conclusão. talvez um dia. Apresentação das duas novidades: 1 . . Há vários passíveis de discussão: a) causas e consequências da marginalidade b) causas e consequências da impunidade c) formas de punição d) divulgação da violência pelos meios de comunicação . geralmente. que o leitor aprenderá. no entanto. o nexo não vem explicitado. 1185. o mundo terá a chance de reconhecer o nosso talento ou de algum parente. Depois. (Veja). Longe da sisudez dos textos técnicos. a bússola e o microscópio. CONCLUSÃO: o autor une precisão científica e leitura acessível.

Por último. em seguida. depois. de forma que. gases vulcânicos. ou é evidenciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida semanticamente. Outra forma liga-se à ação de veículos automotores. cloro. a causa disso. tamanho que. odores de fermentação natural. número 18) 2. a degradação ambiental deve-se à atividade industrial. ano II. Existe ainda a poluição registrada em consequência de fenômenos de combustão como aquecimento doméstico e outras incinerações. depois. A relação causa-consequência. poderá ser desenvolvido e detalhado nos parágrafos seguintes. visto que. que explodem bióxido de carbono. além. de CONSEQÜÊNCIA: tão que. quatro tipos principais de poluição. segundo a qual os detalhes do fato são apresentados. Questão 1: Proponha 4 delimitações para os seguintes assuntos: . (GUEDES. de modo que. falar de amor e de promoção humana.cultura . parágrafo ordenado por causa-consequência: . sem falar de justiça social e lutar por ela. a seguir. Portanto. por motivo de. em segundo lugar. A razão principal desse fenômeno é o distanciamento cada vez maior entre uma minoria que possui muito e a grande massa popular que se afunda. etc. a violência cresce de maneira assustadora. devido a. bromo. segundo. na atmosfera. em primeiro lugar. pois. também. que eliminam gases como monóxido de carbono. por meio da interpretação das ideias relacionadas. já que. tanto que.Comunicação e Expressão 30 e) causas do aumento de criminalidade f) crimes afiançáveis e crimes hediondos (sequestro e estupro) g) a violência contra a mulher e contra a criança h) a violência no trânsito i) a violência decorrente dos vícios (drogas e álcool).. A de origem natural. etc. etc. Organiza-se.moradia Formas de ordenar o Parágrafo Depois de compreendermos a estrutura do parágrafo-padrão. graças a. após. tal que. por fim. em conseqüência. inicialmente. composto de enxofre. Exemplos: Parágrafo ordenado por causa: A cada dia que passa. frequentemente. ou seja. ainda. Ordenação por enumeração Consiste em enumerar diferentes situações ou características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal e que. no mundo atual. causada por agentes como poeira. nevoeiros. por meio de certos articuladores que têm a função de marcar a ordem. mais adiante. como resultado. por isso. etc. Ana Maria. é um romantismo que cai no vazio. estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo. Ordenação por causa-conseqüência Consiste em indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). de maneira que. em vista disso. Exemplo: Temos. na miséria. em virtude de. Alguns destes articuladores: primeiro. (Revista Interior. uma vez que. hidrocarbonetos não queimados. 1. cada vez mais. a razão disso. óxido de enxofre. passaremos agora ao estudo das formas de construir o desenvolvimento desse parágrafo. Palavra e ação) 3. São expressões indicadoras de CAUSA: porque.

no local tal.. Intelectual. etc..... Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento de algo acontecido. Ordenação por tempo e/ou espaço As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. 641) 5. Mas as divergências em torno de sua pessoa e de sua obra são imensas. Fasc. Expressões indicativas dessas formas de ordenação de TEMPO: agora.. a violência e a luta constante.. tanto como. logo que.. "nós" e "eles". antes. no país tal.. Em tudo o mais não somos livres. já. o sexo torna-se importante. naquele tempo. Lisboa. as 9 milhões de linhas telefônicas existentes no país estão cada vez mais enervando os brasileiros.. O mundo somos nós. as torturas.. Exemplo: Ordenação por tempo e espaço simultaneamente O Brasil está voltando ao tempo em que os telefones eram pretos e as geladeiras. no século tal. Livros Horizonte) 4. cá. ali. não só. à medida que. depois. atualmente mais de 29 não são completados devido aos problemas de fiação e à insuficiência de linhas. também.. atrás de. à proporção que. Hoje. (como) também. coisas. seres. de igual modo. diante de. Para outros.. o outro e a nós mesmos. segundo parece. etc. há muita gente para falar e poucos aparelhos instalados para transportar as conversas. por outro lado.Comunicação e Expressão 31 Por que o sexo se tornou um problema? Ou deveríamos antes perguntar por que ele é. além. todas as memórias. (para) outros. não havendo liberdade a não ser no sexo.. um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de ideias por tempo e espaço..). à direita. por esse motivo. (para) uns. p. fora de. muitos anos atrás.. este passa a ser muito importante e.. (FREUD: A exploração do inconsciente.. aí. e então talvez se encontre uma grande liberdade. Para alguns. ao contrário. após. fatos ou fenômenos.. congestionados como uma avenida de metrópole na hora do rush. conseguir linha era motivo de comemoração. pessoas de segunda mão. em frente de. é a de que mudou nossa maneira de compreender a cultura. um herói que desbravou as profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau desconhecido até então. abaixo de. um homem que enxergava o sexual em todas as coisas.. por causa dessa ausência. O país tem hoje 6.. mas. deixa de ser todas as misérias. Enfim. por outro lado. sempre que. antes de.. alguém que perseguia os discípulos dissidentes. ESPAÇO: longe de. que não media os meios para impor suas ideias. aquele.. por um lado.. ao passo que.4 telefones para cada grupo . de um lado. ainda.. Hist. mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças)... a competição. Naqueles tempos de telefones exclusivamente pretos e pesados. Retirar o fone do gancho para conversar com a vizinha ou ligar para Portugal tornou-se missão complicada..patamar que o Brasil abandonou em 1984. presentemente... um problema.. perto de. Tal divisão acaba. já. em ambos os casos.. a agressão. Em suma. enquanto. J. em oposição. por amor à ciência (. Exemplo: Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud. emocional e fisicamente somos pessoas constrangidas e cheias de limitações. à esquerda. brancas. Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como. além de. O padrão internacional é de seis tentativas fracassadas a cada centena de ligações . a única coisa que resta em que o homem se sente livre? Só aí se perde totalmente a si mesmo: nesse momento. este. A cada 100 telefonemas. finalmente.. detrás de. breve... Simplesmente deixa de estar aí. dentro de.. 54. tanto quanto. assim que. do Pensamento. E assim. não foi mais do que um charlatão. de outro lado.. também. em seguida... enquanto. se por um lado.. porém etc. nesse momento não existe mais a divisão entre "eu" e "tu". Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Consiste em estabelecer um confronto de idéias. (KRISHNAMURTI. frequentemente. inteiramente moldadas pela nossa sociedade tecnológica. Freud foi um gênio. ultimamente.

Ed. TRATAR-SE DE. o médico ausculta com o estetoscópio. (MACEDO. a corrupção e outros males que denigrem a Educação em nossa Pátria. quando se trata de algo muito abstrato. Abrem-se inúmeros estabelecimentos de ensino superior sem as mínimas condições de funcionamento. (Pequeno Dicionário de Medicina. Abril Cultural) 7. Ordenação por exemplificação Consiste em exemplificar um conceito ou justificar uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. que consiste em manter o paciente acordado por até 36 horas. a glândula pineal é ativada. embora os sons também possam ser ouvidos sem o auxílio do aparelho. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. Em função disso. e a Suécia. A redação do vestibular. as pessoas em tratamento são mantidas acordadas". luminosos. O autor cita as técnicas de cura para a depressão. além dos remédios e da aplicação do ECT. Nelas. no seu desenvolvimento. como os países nórdicos.Comunicação e Expressão 32 de 100 pessoas. há dez telefones para cada 100 habitantes. através da parede abdominal ou do tórax. as pessoas com problemas depressivos ou maníacodepressivos são expostas a raios artificiais que reproduzem a mesma frequência da luz solar infravermelha. O exemplo estabelece um elo. Jorge Armando. Com isso. o que gera um aumento da metabolização dos neurotransmissores antidepressivos. A ausculta é uma prática de variadas finalidades. "Através de estímulos acústicos. presidente do Comitê Internacional de Tratamento e Prevenção da Depressão. Exemplo: O Brasil tem gritantes problemas no campo da Educação. que incluem a detecção de anormalidades cardíacas e pulmonares e a verificação dos batimentos cardíacos do feto no útero. Nas regiões onde o inverno é longo e intenso. jogos e a presença de especialistas que se revezam. 8. Uma outra técnica é a chamada "deprivação do sono". muito utilizada em textos técnicos ou científicos. de forma que a produção de neurotransmissores seja regularizada. 64. Observe o emprego da expressão POR EXEMPLO. pois revela os atributos essenciais de um objeto por meio de sua definição. explica o psiquiatra carioca Jorge Alberto da Costa e Silva. Exemplo: Auscultação é o ato de ouvir sons produzidos por órgãos internos como o coração. principalmente. Cada uma das técnicas aponta para a causa e também para a consequência da sua aplicação. Em geral. Exemplo: Na luta contra a depressão fora do divã. uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor. DENOMINARSE. exemplificando-as. Nesta forma de ordenação é frequente o emprego do verbo SER ou de verbos como CHAMAR-SE. CONSIDERAR-SE. Moderna). Há. crescem dia a dia as experiências à base das chamadas clínicas de luz. a ordenação . o que é uma taxa rala. que está longe de ser o melhor exemplo de bom funcionamento da telefonia. O parágrafo misto Alguns parágrafos caracterizam-se. por serem mistos. O embaralhamento de sistema telefônico brasileiro é produto da diminuição de investimentos em infraestrutura de comunicações e da defasagem do preço das tarifas pelo uso de telefones. Daí as desistências. São Paulo. Na Argentina. os psiquiatras de todo o mundo decidiram investir em outros tipos de acompanhamentos médicos. A Alemanha Ocidental tem 43. Ordenação por definição De todas as formas de ordenação esta é a mais abstrata. as repetências. Os parágrafos mistos são aqueles em que há mais de uma forma. os pulmões ou os intestinos. por exemplo. uma preocupação crescente com a quantidade em prejuízo da qualidade do ensino. durante a gravidez e o parto. 6.

Dona Ilair estava dentro de um pedaço de casa que estava sendo arrastado pelas águas furiosas e implacáveis. endireitam-se as curvas de córregos e rios e tira-se sua beleza. como se apenas fonte de lucro. A MULHER. Nos braços. O CACHORRO E A VIDA Selvino Heck 28. No caso do Rio. A presidenta Dilma.com. Com as mudanças climáticas.br/site/noticia. Ela deu esta lição. escreveu: "Quanto à tragédia nas cidades serranas. Também é fundamental ter mais agilidade na ação coordenada dos agentes e órgãos públicos. Em cenas dramáticas. . com o apoio do governo estadual e governos municipais. envenenam-se águas. Por um lado. O homem aproveita-se da natureza. Caso contrário. Não se esqueça de examinar os elementos de transição entre os diferentes parágrafos. ou seja. quando se convive com o meio ambiente porque ele faz parte do bem viver. 23. Sobrou-lhes. convidamos você a observar a estrutura de cada um dos parágrafos do texto a seguir. Quem acredita. as águas vão descer os morros.adital. vão mostrar resultados. Vale a pena viver! Disponível em: <http://www.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53574>. Nunca devemos desesperar e achar que as coisas são impossíveis. O Globo.11). como talvez nenhum outro povo ou outra gente. ou cheios de esperança. sob aplauso geral. Quem se agarra à vida é mais que sobrevivente. Se não tinham emprego. e ela não largava o cachorro. serve-se dela como se apenas fosse propriedade sua. o que indica o parágrafo misto. Acreditou que os vizinhos não iam largá-la nas águas enfurecidas. São. Acreditou que tinha força nos braços para se segurar na corda oferecida (e ainda acreditou que podia carregar junto o cachorro.Comunicação e Expressão 33 desse parágrafo é classificada: por exemplificação e por causa e consequência.01. Dona Ilair agarrou-se à vida e sobreviveu graças à solidariedade. Luís Fernando Veríssimo. vence e vive. O que mais me marcou no episódio do Rio foi o gesto de dona Ilair agarrar-se à vida. as árvores vão cair sobre casas e carros. de quem não se respeita o curso natural: cortam-se árvores sem critérios. em mais uma de suas magistrais crônicas (A Doutrina do Choque. a renda era péssima. valores e modelos de sociedade. ficou clara a necessidade de ações e prevenção para não deixar que populações fiquem submetidas à chuva e às suas consequências. Por outro lado.01. quando há mais respeito pelas pessoas e seus direitos. as condições de vida precárias. dona Ilair foi salva. Os parágrafos no contexto da dissertação Para concluir. que é agredida. teimosos. um cachorro que não a largava. da tragédia de início de ano no Rio de Janeiro foi a de uma mulher sendo resgatada com a corda puxada pelos vizinhos do alto de um prédio de vários andares. É a vingança da natureza. vêm as tempestades. os sequencializadores textuais. para ao menos diminuir o sofrimento de quem é atingido. seus fluxos. a chuva e a água incontroláveis. pelo menos a vida era sua e dela não abria mão em nenhuma circunstância. seguramente. 2011. Para não morrer. as tragédias se sucedem e quem normalmente mais sofre são os pobres e os trabalhadores. ao longo do tempo. enquanto os vizinhos a puxam para cima do prédio. ocupam-se morros sem cuidado. sobretudo. Há um novo tempo em perspectiva. vêm os tornados. o ‘novo começo’ pressupõe novo rigor nas licenças para construção e uma ocupação mais racional da terra. histórica e secularmente. O poder público historicamente pouco ou nada tem se preocupado com políticas de habitação popular e de saneamento básico. sem conviver com suas regras. quando há uma unidade dos seres e do planeta terra. seres humanos feitos para viver vão perder estupidamente a vida. Os brasileiros sempre se agarram à vida. ‘agarrar-se à vida’. É um ser humano que acredita em si e nos outros. Ainda é tempo de repensar relações. determinou um conjunto de providências que. ela larga o cachorro. entre tantas. que visitou os locais e a população. Acesso em 07 de fev. e o levou até onde pôde).2011 A imagem mais impressionante. Quer dizer: nada que diga respeito ao pobre obrigado a erguer seu barraco num barranco deslizante por absoluta falta de alternativas”. conforme a sua posição no contexto da dissertação.

aborda o garçom. torna a guardálas na bolsa. São três velinhas brancas. quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico. Imediatamente põe-se a bater palmas. como se aguardasse a aprovação do garçom. amarelo-escuro. no entanto. concentrado. haver modificações das idéias ou acréscimo de informações. contida na sua expectativa. muito compenetrada. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante. na contenção de gestos e palavras. A compostura da humildade. Além disso. a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força. ocorre uma transformação da parte formal do texto. que se preparam para algo mais que matar a fome. ao episódico. sempre que possível. Na paráfrase. Não sou poeta e estou sem assunto. obedecem em torno à mesa um discreto ritual.. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. mãe e filha. sem. são exigências de uma boa paráfrase: 1. quer num flagrante de esquina. Exemplo de paráfrase A ÚLTIMA CRÔNICA Fernando Sabino A caminho de casa. que a faz mais digna de ser vivida. de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Por que não começa a comer? Vejo que os três. o pai risca o fósforo e acende as velas. “Consiste no desenvolvimento explicativo (ou interpretativo) de um texto.um bolo simples. Vejo. 2. inclinando-se para trás na cadeira. onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. Não omitir nenhuma informação essencial. atenta como um animalzinho. cantando num balbucio. Gostaria de estar inspirado. Utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto original. Utilizar construções que não sejam uma simples repetição daquelas que estão no original e. A . deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos. pai. numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão. entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. curvo a cabeça e tomo meu café. parabéns pra você. A perspectiva me assusta. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano. enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Como a um gesto ensaiado. discretos: "parabéns pra você. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel." Depois a mãe recolhe as velas. laço na cabeça. A filha aguarda também. Ninguém mais os observa além de mim. de maneira mais clara. vagamente ansiosa.Comunicação e Expressão 34 PARAFRASEAR TEXTOS Paráfrase “é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico”. o pedido do homem e depois se afasta para atendêlo. um vocabulário também diferente. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. Lanço então um último olhar fora de mim. A negrinha. 1988). depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso. retira qualquer coisa. a que os pais se juntam. Para tanto é necessária uma boa compreensão do texto. num texto B. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. O pai. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se. porém. A mulher suspira. e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. 3. Passo a observá-los. Nesta perseguição do acidental. Visava ao circunstancial. apagando as chamas. Sem mais nada para contar. e espera. olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família. que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. O pai se mune de uma caixa de fósforos. célula da sociedade. larga-o no pratinho -. vocabulário e estrutura da frase. toda arrumadinha no vestido pobre. O autor da paráfrase deve demonstrar que entendeu claramente a ideia do texto. em que se diz. o que contém um texto A” (Othon Garcia. Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua.. Na realidade estou adiando o momento de escrever. Este ouve. olhando para os lados. minúsculas. E enquanto ela serve a Coca-Cola. apenas uma pequena fatia triangular. fruto da convivência.

para os refúgios. para os confinamentos. sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio.11 . especialmente na reconquista de nossas terras. No final do ano passado. Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani Dourados. 31 janeiro de 2011. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo. Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Questão 1: Vamos elaborar uma criativa paráfrase da CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF. a observá-lo. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra. Sem nossos tekohá. se comprometeu. já que não . Presidenta Dilma. E nós não podemos mais esperar.com/i_samuel_fsabino. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta. como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. não. mas não resolveu. Esperamos que não seja um prêmio de consolação. rios. Sem nossa mãe terra sagrada. ele se perturba. é crueldade... ANAFÓRICOS E CATAFÓRICOS Pasquale O gentil leitor sabe o que é um anafórico? E um catafórico? Não se trata de nomes de medicamentos. Agora. de acordo com o exposto sobre esse tipo de recriação textual. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. Acreditamos que não. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta. Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos. Mais ou menos recentes na nomenclatura empregada nas questões de alguns vestibulares e concursos públicos. é matança. Por isso.asp>. Atividade Texto: CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF 03.. quebraram seus ossos. a violência vai aumentar. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. constrangido — vacila.. nossos olhos se encontram. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. Não estamos pedindo nada demais. nossas terras tradicionais. satisfeito. Acesso em 30 de jul.releituras. apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais. Disponível em: <http://www. Para nós isso é destruição. 2010. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo.Comunicação e Expressão 35 mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo. mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. peixes. animais e aves. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. para os acampamentos. lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito. com o sabor amargo de uma cesta básica.02. ameaça abaixar a cabeça. O pai corre os olhos pelo botequim. A maltrataram. Presidente Dilma. o expresidente Lula prometeu. rasgaram sua pele. Por último. arvores.. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades. para as retomadas. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá. a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas.. sangraram suas veias. roubaram nossa mãe. vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. esses "palavrões" ainda surpreendem muita gente. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder.Brasil Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. nós também estamos morrendo aos poucos. Dá comigo de súbito. limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo.

elipse (2). Bem..que Ahy. Em "esquecê-lo". como era de esperar. de Manuel Bandeira). Como sempre digo. por exemplo. por exemplo. Se o anafórico se refere a um antecedente. o exemplo é de "Estrela da Vida Inteira". caro leitor? Quais são os anafóricos (que.. ali. por exemplo. Pronto! Você já sabe o que é um anafórico! Ou ainda não sabe? Sabe. pagar uma infinidade de taxas. Em "Atestado sem selo deixa de sê-lo". destruiu casas. hipônimo (5). / Quase te mataram!" (citado no próprio "Aurélio". (7) O país é cheio de entraves burocráticos. É preciso preencher um sem-número de papéis. Em outras palavras. muito mais importante do que o nome é o emprego.Comunicação e Expressão 36 costumam fazer parte do que se estuda ou discute nas aulas de português do segundo grau de boa parte de nossas escolas. . Nesse caso. (5) Lia muitos policiais. são três)? Vamos lá: "lo" (de "esquecê-lo"). no jornal Folha de S. mas não sabe que o nome do bicho é esse. duas palavras que tenham valor anafórico. Em "fugiu-lhe". o catafórico se refere ao que será enunciado adiante. O presidente levou consigo uma grande comitiva. o "o" é posto antes da forma verbal por atração do termo negativo "nem". Gostava de toda espécie de livro. em seu último vestibular. Explique essas anáforas". Um caso comum de mau emprego dos anafóricos ocorre com o pronome "seu". "lhe" (de fugiu-lhe") e "o" (de "o esqueceu"). que ocorre com: sinônimo (3).substituição vocabular. procurou fugir do insensível moço e fazer por esquecêlo. lá. rosas de todas as cores. Enfrentam tudo para nos defender.pronominalização (1). porém. Depois. muita gente sabe o que é um anafórico. citado antes na frase. o bom uso dos anafóricos estabelece adequadamente a coesão textual (terminologia que também tem sido empregada em alguns vestibulares e concursos). E então. "dela" ou "deles". de cansada. isso corresponde a deixar claro quem é quem no texto. aí) (8) (1) Ele chegou. o problema pode ser resolvido com o emprego de "dele". (4) Sempre mandava flores para a namorada. Paulo) Os processos de anáfora e catáfora ocorrem quando há: . a esta altura o leitor talvez deseje saber o que é o bendito "catafórico". o pronome demonstrativo "esta" se refere ao que é enunciado em seguida ("estamos mal-arrumados!"). (6) O presidente viajou para o exterior. . por exemplo. Todas essas limitações acabam prejudicando o importador. nem fugiu-lhe e nem o esqueceu" (a "linha 16" começa em "moço" e termina em "o"). É isso. O trecho de que fazia parte a "linha 16" (de um fragmento de "A Moreninha". da linha 16 do texto. na verdade. de Joaquim M. a Fundação Getúlio Vargas (de São Paulo) fez esta questão: "Selecione. sim: um anafórico nada mais é do que um elemento linguístico que se refere a um termo antecedente. potencialmente ambíguo. (2) Há cães bons para proteção do lar. Em "O rapaz disse à irmã que seu futuro estava decidido". Pois bem. meus caros: estamos mal-arrumados!". "fugiu a ele" ou "fugiu dele"). ou seja. No caso dos anafóricos. É bom lembrar que o termo "anáfora" também é usado para denominar a "repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases" ("Aurélio"): "Quase tu mataste. El Ninho foi impiedoso: derrubou árvores. à irmã ou aos dois). Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a Mona Lisa. mas indisciplina o mestre não tolerava. repetição do mesmo termo ou repetição do nome próprio (ou parte dele) . / Quase te mataste. não se sabe a quem se refere o possessivo "seu" (ao rapaz.termo-síntese (7) . Na verdade. . o pronome "o" se transforma em "lo" porque se prende a verbo terminado em "r" (esquecer + o = esquecê-lo). o "lhe" corresponde a "a ele" ou a "dele" ("fugiu ao moço" ou "fugiu do moço"..advérbios (aqui. (Coluna publicada no dia 22 de julho de 2004. de Macedo) era este: ". (8) Não podíamos deixar de ir ao Louvre. o pronome "lo" (que resulta da transformação de "o" em "lo") recupera o substantivo "atestado". Em "A verdade é esta. hiperônimo (4). Em "o esqueceu".. Os três elementos anafóricos se referem ao mesmo antecedente ("moço"). (3) O professor era bom.

a então estudante de MBA Maria Luisa Rodenbeck chegou à sede da americana Starbucks. mas analistas estimam que gire em torno de 20 milhões de reais. o café é servido apenas em copos de isopor. Iniciadas as discussões sobre o formato da operação brasileira. Ao entrar no elevador para deixar o edifício. feito por conexão (9) ou justaposição (10): (9) Os alunos não prestam atenção. ainda não definimos os valores". com faturamento anual de 6. conseguiu trazer os primeiros executivos para sondar o mercado brasileiro. perguntou ele a Maria Luisa. convencer. (Revista EXAME. Para concretizá-lo. porém. Esse é o primeiro grande negócio de Maria Luisa Rodenbeck. as visitas foram ficando mais frequentes. Nos Estados Unidos. "Desde o início percebi que ela seria forte candidata.as participações são de 49% e 51%.nos outros 36 países onde a Starbucks opera. Em 2002. respectivamente. QUESTÃO 3: O último parágrafo diz que Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. "Isso é chute.o encadeamento de segmentos do texto. e disparou: "Quero falar com Howard Schultz". QUESTÃO 2: De acordo com Abreu (2001). por Malu Gaspar) QUESTÃO 1: Apresente de modo resumido qual foi o objetivo alcançado (a tese principal) e o respectivo caminho (recursos de presença) que a ex-estudante de MBA trilhou para consegui-lo. Maria Luisa admite que o nome e o histórico do marido pesaram na decisão da Starbucks. responsável pelo desembarque do McDonald's no Brasil. Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. Maria Luisa tergiversa. da American Airlines e do Outback (rede australiana de restaurantes lançada no Brasil pelo casal Rodenbeck). aprendi tudo com ele. Tenho um compromisso. Nesses encontros. "Lembra-se disso?". enviou cartas anuais a Seattle reiterando o interesse em ser sócia da rede. as lojas vão oferecer cafés exclusivamente brasileiros. o suficiente para a abertura de cinco lojas. mas devemos insistir que aprendam. a sociedade entre a rede Starbucks e o casal Rodenbeck foi. o mesmo Schultz a recebeu em seu escritório com um abraço e o velho plano nas mãos. Apresentou-se ao empresário e lhe entregou uma cópia de seu plano de negócios. a entrar no mercado brasileiro. Um dos pontos que ainda precisam ser definidos é o preço. um expresso custa 2 dólares. Seu plano era tentar convencer o fundador da maior rede de cafeterias do mundo. a começar pela tese de adesão inicial empregada. em Seattle. hoje sua sócia no Brasil. No final de maio. em São Paulo. vice-presidente de marketing e negócios da Starbucks para a América Latina. No Brasil. finalmente. (10) Preciso sair com urgência. na obra A arte de argumentar. Casada com o americano Peter Rodenbeck. Quais foram as conquistas da executiva e por que ela conseguiu persuadir os americanos? Justifique. Maria Luisa levou quase uma década para convencer Schultz de que investir por aqui seria um bom negócio. Outra particularidade é que as cafeterias brasileiras devem também usar xícaras -.Comunicação e Expressão 37 2º . .2006. Em junho de 2005. Aos poucos. na década de 80. Aqui. Mas desde o início ficou muito claro que o sonho de trazer a Starbucks ao país era meu". Estudo de texto Em 1997. "Peter é meu guru. Após a primeira visita. Maria Luisa deu de cara com o próprio Schultz. Ex-executiva da United Airlines. 01. persuadir. Maria Luisa teve de ser persistente. o que não ocorre no resto do mundo. os Rodenbeck esforçavam-se para mostrar conhecimento do mercado.06. Os sócios não revelam o valor do investimento. Havia uma química com nosso jeito de fazer negócios". diz. Educadamente.4 bilhões de dólares. A primeira delas deve ser inaugurada neste ano. confirmada -. uma das secretárias tratou de dispensá-la. especula-se que um café poderá custar até 10 reais. diz Pablo Arizmendi. a empresária Maria Luisa conseguiu fazer uma eficiente argumentação junto à empresa de Seattle? Por quê? Na sua resposta deverão aparecer os termos argumentar. já que a Starbucks só trabalha com lojas próprias e sócios locais.

imagens sobre as olimpíadas . VI. Textos 1. Texto: “Não existem línguas uniformes III. Texto “Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem” 2. V. IV.Comunicação e Expressão 38 Anexos: I. Texto: “A pedagogia do grande irmão platinado” 3.sobre a obra Preconceito lingüístico II. Reforma Ortográfica Roteiro de filme Particularidades léxicas e gramaticais Pontuação: o uso (ou não) da vírgula Vamos observar esta imagem sobre as Olimpíadas: .sobre a obra O que é leitura . Exercícios .

cumpre a mesma função de charge? Por quê? Apresentemos pelo menos um argumento no texto elaborado. nesse caso.wordpress. Acesso em 02 de fev.Comunicação e Expressão 39 Disponível em: www.br. .azneuras. Questão 1: Podemos afirmar que a ilustração. 2011.com.

Para tanto. pois a função da escola não é restringir ao ensino das regras e da nomenclatura dos termos gramaticais. Acesso em 09 de jul. 5) É possível ler o mesmo texto várias vezes e construir novos sentidos após cada leitura? Por quê? Após a leitura da obra PRECONCEITO LINGUÍSTICO vamos responder às questões: Charge para a questão 3: Disponível em:<http://www.liliansimoes.br/blog/wp-content/uploads/>. 2009. Questão 3: (v. mas também situações. O que caracteriza cada um deles? Que importância têm esses três níveis para o leitor? 4) O capítulo “ampliando a noção de leitura” faz críticas severas ao sistema de ensino de alfabetização e letramento. vamos reescrever com nosso estilo o que falou Maria Helena a respeito do assunto.Comunicação e Expressão 40 Após a leitura da obra O QUE É LEITURA vamos responder às questões: 1) A partir do livro de Maria Helena. a autora apresenta três níveis de leituras: sensorial. emocional e racional. Isso significa que ele deve aprender a ter . doze linhas. e da charge de Lilian Simões. marque a alternativa incorreta. o que entendemos por leitura? 2) Quando aprendemos a ler? Como foi nosso aprendizado de leitura? Quem nos ajudou? Como foi nosso contato com a leitura na escola? 3) A obra O que é Leitura. De forma sucinta.0) A partir do tópico 3 – “o que é ensinar português” . no mínimo. elabore um parágrafo de correção da alternativa com. o aluno precisa da instituição escolar para ajudá-lo a usar a língua materna com competência. apresenta alguns tipos de leitura que não estão ligadas unicamente ao lermos apenas palavras.no capítulo 3 do livro Preconceito linguístico. 2.com. Em seguida. a) De acordo com a fala do aluno da charge e do linguista Marcos Bagno. de Maria Helena Martins. b) Assim como determinada pessoa se matricula em autoescola para aprender a dirigir e não para saber detalhes do funcionamento do veículo. a preocupação da mestra está relacionada ao modo precário como o garoto se comunica na escrita.

por meio da variante culta. independente da área na qual atua. como pobre que supostamente é. coautora do livro "Do Campo ao Prato” (Ed. a obsessão pela terminologia e pela classificação de termos e o apego à nomenclatura. alimentos transgênicos e livre comércio. Que alternativa pode ser proposta pelos movimentos sociais? Esther: É preciso recuperar o controle social da agricultura e da alimentação. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental. há o mesmo número de pessoas no mundo que passam fome do que o de pessoas com problemas de sobrepeso. Pelo contrário. a ONU e o FMI propõem uma nova "revolução verde”. Acreditas que nos estão envenenando? Esther: O modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentícias das pessoas. Hoje. também. quilométrica. se queremos consumir produtos livres de transgênicos. acabem decidindo o que comemos. para que o aluno saiba identificar os termos da oração e os classifique não é garantia de que ele se tornará um usuário competente da língua culta. para especular. Juntamente com Xavier Montagut publicou os livros "Do campo ao Prato”. 925 milhões de pessoas no mundo passam fome. intensiva e petrodependente tem se mostrado incapaz de alimentar à população. afetando.02. Para acabar com a fome no mundo não é preciso produzir mais. ele será amparado por alguma política assistencialista do governo. A terra. marcas e produtos. pois. Os consumidores temos que poder decidir o que comemos. Texto: ‘COMEMOS O QUE AS GRANDES EMPRESAS AGROALIMENTÍCIAS QUEREM' 04. que monopolizam cada uma das etapas da cadeia agroalimentar. 2009) Comprar um quilo de açúcar. sob essa aparência inócua subjaz a relevância política de nossas ações. Você é coautora do livro "Do Campo ao Prato”.Mundo Enric Llopis . temos que apostar na soberania alimentar.Comunicação e Expressão 41 êxito nas situações de comunicação. A agricultura industrial. em ambos os casos. Não pode acontecer que umas poucas multinacionais. E também é desnecessário. por exemplo. à sua saúde e ao respeito ao meio ambiente.11 . Por ela não ter preconceito linguístico. Definitivamente. um litro de leite ou um pacote de bolachas pode parecer um ato bem cotidiano. ou seja.Adital Entrevista a Esther Vivas. que ele adquiriu dos pais. como aluno. daqueles que trabalham na terra. c) O garoto tem razão: não há necessidade de a professora se preocupar-se em ensiná-lo a falar e redigir textos claros e coerentes para comunicar-se melhor. a inculta. o aluno deve continuar se expressando pela única variante. a água e as sementes devem estar nas mãos dos camponeses. As empresas multinacionais. Comemos o que as grandes empresas do setor querem. Esther Vivas. reduzindo a agrodiversidade. d) O ensino da gramática normativa mais estrita. "Para onde vai o comércio justo?” e "Supermercados? Não. esforçar-se em aprender a comunicar. obrigada!”. o esforço. Esses bens naturais não devem servir para fazer negócio. alerta sobre a primazia do capital privado na hora de impor gostos. gerando mudança climática e destruindo terras férteis. ativista social pela soberania alimentar e militante do movimento antiglobalização. tanto nos países do Norte quanto nos do Sul. Icaria. Isso é uma prova do fracasso do capitalismo agroindustrial? Sim. Porém. como afirmam os governos e as instituições internacionais. aos setores mais pobres da população. sejam elas orais ou por escrito. faz falta democratizar os processos produtivos e fazer com que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população. Poderias definir o conceito de "soberania alimentar”? . Os problemas agrícolas e alimentícios são globais e são o resultado de converter os alimentos em uma mercadoria. inclusive as mais inocentes.

o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. não consiste em uma proposta localista. criar alternativas e promover alianças amplas a partir da participação em campanhas contra a crise. converteu-se em um "ato político”. por ocasião da campanha da Iniciativa Legislativa Popular contra os transgênicos. distribuição e consumo de alimentos. proporcionar grandes benefícios a umas poucas empresas. E essa tendência cresce cada vez mais. os mercados locais.. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. como vimos em múltiplas ocasiões. Cancún. De tal maneira que o consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida e o mesmo passa ao produtor ao buscar acesso ao consumidor. mas de promover a produção e o comércio local. sete empresas no Estado Espanhol controlam 75% da distribuição dos alimentos. os que estão nas instituições não representam nossos interesses. como a energia nuclear. O que comemos é resultado da mercantilização do sistema alimentar e dos interesses do agronegócio. saudáveis. A Via Campesina afirma que comer. ao contrário. como muito bem diz seu lema. Em vez de dar soluções reais.. isso sim. Em todas essas cúpulas os interesses privados e o curto prazo têm pesado mais do que a vontade política real para acabar com a mudança climática. especulação com a habitação e com o território. Desse modo. É necessário antepor outra lógica e organizar-se contra o modelo agroalimentar atual no marco do combate mais geral contra o capitalismo global. impulsionada por "Son lo que siembrem”. Apostar no cultivo de variedades autóctones. questionando o sistema capitalista e. de temporada. As soluções individualistas servem para romper com essas pautas de consumo? Esther: A ação individual tem um valor demonstrativo e aporta coerência. por exemplo. Combater a competição desleal. Copenhague. expressa essa relação difusa que existe entre justiça social e . não gera mudanças estruturais. porém. Trata-se de medidas cujo único resultado é agravar ainda mais a crise atual social e ecológica e. como. Que balanço geral pode ser feito sobre as diferentes cúpulas sobre a mudança climática? Esther: O balanço é muito negativo. as ajudas à exportação. ou os agrocombustíveis. precarização dos direitos trabalhistas. Conseguir esse objetivo implica uma estratégia de ruptura com as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). mas. Da mesma forma. Pelo contrário. Não foram feitos acordos vinculantes que permitam uma redução efetiva dos gases de efeito estufa. a captação de carbono da atmosfera para seu armazenamento. nesse sentido. Kyoto. opta-se por falsas soluções. Promover os circuitos curtos de comercialização. fóruns sociais etc. Porém. Por detrás disso escondem-se os interesses das companhias multinacionais e de um suposto "capitalismo verde”? Esther: Sim. A mercantilização que está sendo realizada na produção agroalimentar é a mesma que atinge a muitos outros âmbitos de nossa vida: privatização dos serviços públicos. Estás de acordo? Esther: Completamente. hoje.Comunicação e Expressão 42 Esther: Consiste em ter a capacidade de decidir sobre tudo aquilo que faça referência à produção. por exemplo. Estamos em mãos das grandes cadeias de distribuição. tenta "mudar o sistema. os critérios mercantis têm sido uma vez mais a moeda de troca e o mecanismo de comércio de emissões é. a partir de grupos e cooperativas de consumo agroecológico. trata-se de recuperar o conhecimento das práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologias e saberes. os mecanismos de dumping. em defesa do território. organizar-nos no âmbito do consumo. Como nasceu e quais são seus princípios? Esther: O Movimento pela Justiça Climática faz uma crítica às causas de fundo da mudança climática. Também é necessário sair às ruas e atuar politicamente. Em Cancun fez sucesso a ideia de "adaptação” à mudança climática. Faz falta uma ação política coletiva. não o clima”. mas os interesses privados. o seu máximo expoente. reivindicar a soberania alimentar não implica em um retorno romântico ao passado. porque. O Movimento pela Justiça Climática tenta oferecer alternativas. no qual o comércio internacional funcione como um complemento do anterior. O que isso implica e que efeitos nos traz esse modelo de consumo? Esther: Hoje.

E diante disso. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. A crise atual apresenta a necessidade urgente de mudar o mundo pela base e fazer isso desde a perspectiva anticapitalista e ecologista radical.Comunicação e Expressão 43 climática. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou. 4. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. d. mais recentemente. 5. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental ao reduzir a diversidade de culturas agrícolas.com. vinculá-lo às lutas cotidianas e buscar alianças com o sindicalismo alternativo. 3. não o clima. d) A produção de combustíveis de origem vegetal é uma medida que pode colaborar na resolução do problema da falta de alimentos no mundo. a. .De que modo o capitalismo criou a crise ecológica a partir da qual pode faltar comida no mundo? . O movimento tem tido um forte impacto internacional. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou”.Por que concordamos ou discordamos da ativista espanhola Esther Vivas? . Isso tem contribuído para visualizar a urgência de atuar contra a mudança climática. como também os pequenos produtores. Ela tem sido incapaz de alimentar à população. nas mobilizações de Cancún. b) O consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida.adital. 2011. e todas elas nenhuma delas Questão 2: “Faz falta uma mudança radical de modelo. e c. Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1. é possível afirmar que: a) O texto descarta as novas tecnologias e o comércio local. e) A agricultura de caráter industrial é enorme e intensiva. É urgente mudar o sistema. c a.Como é que o supermercado impõe o que eu como? Citemos exemplos. porque o primeiro não combina com os produtos saudáveis e o segundo tem dificuldade de manter-se sem agrotóxicos. mais recentemente. ao influenciar a mudança climática e destruir terras férteis.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53754>. c) O Movimento pela Justiça Climática tem tido um forte impacto internacional. as pessoas nada podem fazer. Acesso em 05 de fev. c. A solução é mudar o clima ou mudar o sistema capitalista? Esther: Faz falta uma mudança radical de modelo. nós já pensamos sobre o fato de nos submeter às grandes redes de supermercado ou como elas interferem no nosso modo de viver? . Disponível em: <http://www. O desafio é ampliar sua base social. b. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e.br/site/noticia. entre crise social e ecológica. No ato rotineiro de fazer compras. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que devem andar estreitamente unidos. Questão 1: De acordo com a entrevista Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem. 2. nas mobilizações de Cancún.

Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais. Um sacerdote muito bem pago.01. nas cadeias. Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. Uma coisa de uma maldade abissal. Está bem. Sabia. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes. no elevador. Ele. Querem mais do que as migalhas do banquete. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. Mas fica. mas ocorre que estas "lições” em que se eliminam pessoas. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "‘qualquer um pode neste mundo livre”.Brasil Elaine Tavares Jornalista Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudoesquerda que fica falando mal do BBB. peito e cabeça vazia. músculo. perdidos num mundo que exige da juventude bunda. morrem até para estar naquela casa. Precisava sabotar seus amigos.11 . E assim vai o "grande irmão” propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. passam meio que por osmose. É só estar vivo para saber.. Agora inventaram a figura de um sabotador. em que se traem os amigos. no ônibus. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero.Comunicação e Expressão 44 Texto: A pedagogia do grande irmão platinado Texto de 26. que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. Então esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido. que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. já que coisas do tipo que se veem ali também são possíveis de ver na novela. a qual é parte intrínseca do "show”. Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. São vítimas. em todos os lugares. Cada uma daquelas criaturas que ali estão quebrando todas as regras da ética do bem viver são pobres seres humanos. nos filmes. Então. o que. Mas enfim. lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão. As notícias estão no jornal. ele se deixava cair. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder "????”). O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém com requintes de crueldade. Há os que vêem e nem gostam. Vi a cara do rapazinho. obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária. Deveras. em que vale tudo. Não são eles os "imorais”. ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades. Pega em qualquer lugar deste grande país. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase que totalitária. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. se oferecem. É praticamente impossível fugir desses saberes. O melhor sinal é o da platinada.. . ainda assim. Tudo pela "plata”. mas que também dá sua espiadinha. Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial. Cada ano a violência fica maior. o tal do sabotador é uma pessoa. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral possa ter o "show”. trans. É a lavagem cerebral. Estava em completo desespero. Fiquei por aí a matutar. escorregando pela parede. fez a sua escolha. que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas. é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. putas ou santas. em busca do que pensar ser seu lugar ao sol. E fui observar um pouco desse zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites. me causa espécie. Depois. também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível. chorando. E o fez. dono de um texto refinado. do grupo. Mesmo no terminal. dando as "notícias” dos broders. Em nome do milhão. héteros tarados. bi. as pessoas estão ali porque querem. loucas. enquanto os demais a abraçavam. No dia em que ela saiu do castigo. esperando o ônibus. etc. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade” da Globo. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência. É invasivo e feroz. sou um bicho televisivo. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. elas mandam vídeos. Mas. esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. é claro. um outro. é perverso demais o que os "inventores” fazem com aquelas tristes criaturas. coisa que.

Disponível em: < http://www. qual é a pedagogia do BBB.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53508>. Por ser menor de idade. buscam o bem viver.Comunicação e Expressão 45 Enquanto isso. e repetia “vou te matar”. maldade. É ética. Acesso em 28 de jan. É coisa ruim. O show da Globo é uma violência explícita. junto com as companhias telefônicas. aos 16 podemos mudar o país através do voto. Quinze deles já foram confirmados. É galera. sinistra e miserável. Cansei do drama da juventude que. aqui.. aos 12 anos – pouco mais. Meu amigo perguntou por que. Tratase da consolidação. Hoje sai a fim de matar alguém”. roubamos. matamos. a Globo. que assaltou um amigo meu. nefanda. até . brother quer dizer irmão em inglês. como tantos assassinos iguais a ele. sim”. foi para uma dessas instituições de ressocialização nas quais não acredito. Logo estará livre para reiniciar com alegria sua atividade de assassino psicopata. como bem já levantaram alguns blogueiros.Em que variante/s o texto é escrito? Por que é dessa forma? Vamos apresentar marcas textuais que justifiquem nossa resposta. outro tenha que ser "eliminado”. Tudo pela "plata”? Questão 3: . 2011. aqui perto. Penso que há outras formas de a gente se divertir. sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. às vezes com requintes de crueldade. via repetição. da rede Globo. 12. segundo Elaine Tavares? Texto: A lei e a justiça Lya Luft Ando cansada da loucura humana. perseguição aos homens de bem e impunidade aos pérfidos. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética”. E. A questão do "grande irmão” não é moral..adital. de uma pedagogia. ele sairá em breve para matar. Talvez tenha acreditado num dar de ombros: “E daí?” Se não houver alguma grave interferência. Os empresários globais lambem seus bigodes. Quando em outros países a idade mínima é de 14 anos.br/site/noticia. Recentemente. Onde as pessoas. nem rodos poderão ser reintegrados na sociedade. Questão 1: Que tese Elaine Tavares defende no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Que argumentos a jornalista utiliza para tecer o ponto de vista dela? Questão 2: Por que Elaine Tavares emprega aspas nas palavras no seguinte trecho: É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. malcheirosa. cruel. um menino de 14 anos confessou na maior frieza o assassinato de dezessete pessoas. mas se estupramos. lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos”. se perguntarem a razão. ele vem. juntas. típica do capitalismo. que pretender cristalizar como verdade que para que um seja feliz. Acredito firmemente que se deve reduzir a idade na qual alguém pode ser legalmente responsável por seus atos. e o menino respondeu com simplicidade: “Nada. pouco menos: se apanhados. Voltarão para novos crimes. Então. talvez diga como outro criminoso. fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudoesquerda. e até menos. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. começa a roubar e matar. “Matei. Questão 4: Diante do programa do BBB. lúcida ou drogada. Ando exausta de tanto cinismo.com. quase uma criança. o que causa espanto na autora? Por quê? Esse programa nos causa espanto de alguma maneira? Por quê? Questão 5: Que paradoxo Elaine Tavares discute no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Questão 6: Afinal.

Adulta. depois de cumprir pena em uma dessas instituições. Acesso em 25 de nov. onde jovens. nada adiantará se não cumprirmos o que deve estar em qualquer Constituição: que a todo ser humano seja garantido tratamento digno e decente. que às vezes é apenas outra vítima. e de outro lado os criminosos. na maioria das vezes. A partir de reflexão sobre a redução da idade penal. descobri que a vida tem outros poços. onde as pessoas andavam de cabeça para baixo (para eles. para ver se não haverá alguma luz que o afugente. que deveria começar com a educação em suas bases. . além de teorias. mas enrolamos a alma numa cortina escura. ou “a sociedade”. que não usamos um pano diante dos olhos. O diabinho rosna então uma das melhores frases sobre o assunto: “A lei nem sempre garante a justiça”.Vamos responder a essas perguntas em um único texto com coerência. (Revista Veja. E aí nem leis nem tribunais supremos ou mínimos nos ajudarão. ou seja. ou seja. Quem são os personagens da charge abaixo? Onde e em que momento eles estão? O que eles estão fazendo? Por quê? O que eles representam no nosso país? Que crítica a charge faz? Por quê? Em que aspectos a charge se assemelha ao texto de Lya Luft A lei e a justiça? . 18) Questão 1: Lya Luft. Pouca é a vontade de mudar isso.>. E você. produzir para seu próprio sustento. pegamos uma leve – e breve – pena em uma instituição que (com raras exceções) reeduca os passíveis de melhoria e deixa os psicopatas mais loucos. algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. de pernas para o ar estaríamos nós). Resta descobrir quanto tempo se leva para chegar a esse fundo. em lá chegando. mas o dinheiro e o esforço dedicados a isso têm sido irrisórios dentro do orçamento do país. 19 de janeiro de 2011. Além do mais.. Do desinteresse e da má vontade.com/2008/11/as-ch. descobriremos que a senhora Justiça era apenas um mito. com nova oportunidade de mostrar isso. os seis cês que são fatores essenciais para a escrita de um texto de qualidade. aumentam as tragédias. se a gente cavasse fundo no jardim. A autora demonstra revolta e indignação diante da situação de violência do nosso país. que deveriam ser submetidos a leis mais firmes e colocados – se for o caso – em prisões decentes onde possam trabalhar. coesão. Quando menina. esse poço daria no Japão. Disponível em: <mariquinhamaricota. produzimos esse e outros dramas morais? Acusa-se pela criminalidade juvenil a família. A palavra é de origem francesa e significa carga. enquanto se multiplicam os dramas. 03. realmente voltar à sociedade regenerados. aqui e ali. por meio de uma caricatura. me disseram que. Isso inclui as possíveis vítimas. Como nós. livros e seminários com discursos pomposos mas pouco eficazes. e se. p.Comunicação e Expressão 46 os 18. elabore um parágrafo padrão declarando o que você pensa a respeito do assunto. no texto “A lei e a justiça” faz referência à questão da idade penal. As charges são muito utilizadas em críticas políticas no Brasil. e quem sabe. poderá integrar-se à sociedade como um cidadão de bem? Justifique sua resposta com argumentos claros e convincentes. ano 44 – n. comentem crimes de forma fria e calculista. acredita que um jovem criminoso. exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. Sou mais crédula do que cética. da nossa desolação e dos nossos enganos. se ficarem apenas na letra escrita ou submetidos a jogos de poder. que talvez tenha suas razões para não tirar a venda e finalmente olhar para nós. Um deles parece não ter fim: o poço dos escândalos nossos de cada dia. O poço tem fundo: o diabinho no meu ombro espia seu reflexo nele. vítimas e criminosos deixando famílias destroçadas dos dois lados. Questão 2: Luft afirma que não acredita em instituições de ressocialização. Questão 3: Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar. sociedade moderna. correção gramatical. criatividade. Do poder dos maus e da fragilidade dos bons. 2010. conceito vago que isenta de uma ação enérgica.blogspot. nem todos divertidos. o que nem sempre é bom. concisão e clareza.. sociedade doente. que mereceriam uma sociedade menos violenta e autoridades mais eficazes. sem solução à vista.

Os principais são os fatores geográficos. dois fatos são importante: a) todas as línguas variam. essas diferenças se refletem na língua. quando não ridículo um velho falar como uma criança.net/arch2010-04-01_2010-04-30. Um dos tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas são externas à língua. 2010. por terem determinados hábitos etc. Ou seja: a primeira verdade que devemos encarar de frente é relativa ao fato de que em todos os países (uma em todas as “comunidades de falantes”) existem variedade de língua. De uma forma um pouco simplificada: assim como certos grupos se caracterizam por meio de alguma marca (digamos. de sexo. Pessoas que pertencem a classes sociais diferentes. Mas como existe. sob pena de serem objeto de gozação por parte dos colegas porque em nossa sociedade a correção é considera uma marca feminina. a distância – só que esta é social) acabam caracterizando sua fala por traços diversos em relação aos de outra classe. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre indivíduos ou grupos. de classe. uma autoridade falar como uma pessoa simples etc. porque a língua não permite. Para exemplificar: podemos dizer que fulano é velho por quem tal hábito (fuma cigarro sem filtro. Esse modo de encarar os fatos da linguagem é bastante comum. ou porque como em geral ocorrem com os mais jovens). Ao contrário. de idade. outro: a pronúncia padrão incluiria a semivogal. Acesso em 25 de nov. Também há fatores internos à língua que condicionam a variação. Texto: Não Existem Línguas Uniformes Sírio Possenti Alguém que estivesse desanimado pelo fato de que parece que as coisas não dão certo no Brasil e que isso se deve ao “povinho” que habita esse país (conhecem a piada?). Faz parte da visão de mundo que as pessoas tem a respeito do campos nos quais não são especialista. relapso. Por exemplo. Em outras palavras. Por isso. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. é frequentemente estranho. O mesmo vale para diferentes sexos. pela mesma razão. ouvem-se pronúncias alternativas de palavras como caixa. por utilizarem certos trazes. não é preciso estudar uma língua para não “errar” em certos casos. Ou seja: pessoas que moram em lugares diferentes acabam caracterizado-se por falar de algum modo de maneira diferente em relação ao outro grupo. pexe. idades. de profissão etc. Por isso. por exemplo. a variação é de alguma forma regrada por uma gramática interior da língua. e como também é um fato social associado à linguagem. isto é. as línguas fornecem meios também para a identificação social. Ou seja. para quem pretende ter uma visão mais adequada do fenômeno da linguagem. Por exemplo.Comunicação e Expressão 47 Disponível em:<juicetech. poderia talvez achar que tem um argumento definitivo. quando observa que “até mesmo para falar somos um povo desleixado”. a pronúncia não-padrão a eliminaria (caxa. Por isso. Mas nunca se ouve . muitos meninos não podem ou não querem usar a chamada linguagem correta na escola.html>. deve ser levado em conta. de etnia. A segunda verdade é que as diferenças que existem em uma língua não são casuais. é uma avaliação falsa. de certa forma. do mesmo modo (e. também podem caracterizar-se por traços linguísticos. Ou seja. especialmente para os profissionais. há “erros” que ninguém comente. que não respeita nem mesmo sua rica língua. peixe. Em outras palavras. b) a variedade linguística é o reflexo da variedade social e. E não apenas no Brasil porque seriamos um povo descuidado. profissões. os fatores que permitem ou influenciam na variação podem ser detectados por meio de uma análise mais cuidadosa e mesmo anedótica.). otro).zip. etnias. infelizmente.

Em uma língua uniforme talvez fosse possível pensar. arguma. e como os falantes fariam para demonstrar atitudes diferentes? Teriam que avisar (dizer. “um caras” ou “Comédia do Erros”. Assim. mas nunca “o bois”. “vou tratá-lo formalmente”)? (POSSENTI. dar ordens e instruções. todo falante conhece. E a variedade linguística está entre as variedades mais funcionais que existem. E isso vale para falantes cultos e incultos. “estou à vontade”. jeito)? Certamente. do som que se escreve com a letra l em palavras como alguma: alguma. no meio. em vários lugares do país. Podemos pensar na variação como fonte de recursos alternativos: quanto mais numerosos forem. Por que (não) ensinar gramática na escola. Só podem ser por mania repressiva ou medo da variedade. Ou seja: no fim da sílaba. nunca. então. 33) . “Comédia dos Erro” . ou por ambos ao mesmo tempo. A variação tembém existirá em palavras como planta: planta ou pranta (mas nunca ouviremos puanta). Mas. mais expressiva pode ser a linguagem humana. por exemplo.Comunicação e Expressão 48 alguém dizer peto ou jeto ao invés de peito e jeito. Por que será que os mesmos falantes ora eliminam e ora mantêm a semivogal? Alguém pode explicar porque o i cai antes de certos consoantes e não diante de outras? Alguém pode explicar por que o u cai antes de t (otro) e o i não cai no mesmo contexto (peito. o l setá sempre um l em palavras como lata. que é uma das melhores coisas que a humanidade inventou. ele varia. as variações linguísticas são condicionadas por fatores internos à língua ou por fatores sociais. também (embora não com o mesmo número de variedade). e a poesia? E o humor. no início. auguma. mas nunca “ eu vamo(s)”. p. Campinas: Mercado das letras/ALB. Mas. Mas. “estou irritado”. “dois cara”. Outro exemplo: podem-se ouvir várias pronúncias. Ouviremos muitas vezes “nós vai”. o tipo de semivogal (i ou u) e a consoante seguinte são partes dos fatores internos relevantes para explicar esse fato que. Alguns sonham com uma língua uniforme. Mais exemplos: poderemos ouvir “os boi”. de alguma forma. Sírio. 1996.

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todos eles a mesma importância. p. o filme é irônico? Por quê? 9. Segundo a obra A arte de argumentar (ABREU. Nick Naylor. retorsão. antes da principal. Tanto isso é verdade. trabalha em uma empresa de estudos sobre Tabaco a qual é financiada pelos empresários da indústria de cigarro e desenvolve com excelência a sua profissão de lobista. os tais auditórios e o título do filme. p. às vezes.30) afirma que “na sociedade em que vivemos somos moldados por uma infinidade de discursos: discurso científico. Nick Naylor. pode se revelar de muitas maneiras”. obviamente. até . . Abreu (2005. .Comunicação e Expressão 51 ROTEIRO DO FILME OBRIGADO POR FUMAR 1. o falante ou locutor expressa seus argumentos (ponto de vista/ discurso) para outro falante. do desperdício. . o que pode ser considerado como tese de adesão inicial utilizada por Nick Naylor? Por quê? . Lembra Beth Brait. . a tese de adesão inicial.Vamos identificar em que momento o filme apresenta a técnica da argumentação pelo modelo e antimodelo e justificar por quê. fraquezas e ações. No filme. regra de justiça. dando sentido ao homem. na revista Língua Portuguesa no.No primeiro programa de televisão apresentado no filme. então. O que você sabe a respeito de tal profissão? Por que Nick é um lobista cobiçado pelos grandes empresários? 2. Abreu (2005) cita quatro condições da argumentação de sucesso. Em termos de argumentação. pelo modelo e antimodelo e pela analogia. que a expressão hierarquia de valores é largamente utilizada. Segundo Abreu. a técnica da definição. às suas glórias. “Os valores de uma pessoa não têm. vamos verificar como é a relação entre o lobista. De que ponto de vista o lobista a pronunciou? Você concorda com essa afirmação? Por quê? 7. Nas disputas entre Nick e o senador. O escritor. discurso do senso comum. 8.45) afirma que “ao iniciar um processo argumentativo visando ao convencimento. como lobista.Além de identificar os dois auditórios do lobista. para que o falante tenha êxito na sua argumentação é ainda necessária a utilização das técnicas argumentativas como: compatibilidade e incompatibilidade. a maneira como o auditório hierarquiza os seus valores chega a ser. 36 (2008. 5. pelo exemplo. não devemos propor de imediato nossa tese principal. pelo poder que elas têm de significar. discurso político. Abreu (2005. que diferença há entre negociação e argumentação? Qual das duas estratégias apresenta maior grau de credibilidade? Por quê? De acordo com o personagem. que “ a atração pelas palavras. seu interlocutor. nesse caso. O protagonista do filme. possui todas elas ou não? Que trechos e/ou referências do filme autorizam e/ou justificam nossa resposta? Que relação há entre o trabalho desenvolvido pelo lobista e as entrelinhas do filme? 4. discurso jurídico. porque quer convencê-lo e/ou persuadi-lo sobre algo. etc”. podemos dizer que há argumentação e contraargumentação? O que de fato está em jogo no discurso de um e de outro? Podemos afirmar que. o argumento do ridículo.Qual é o discurso comum e o discurso científico que aparece no filme sobre o cigarro? Como se constrói o primeiro e o segundo? 3. e ainda os argumentos: pragmáticos. Nick Naylor possui ambos os auditórios. discurso religioso. 33).E qual é a tese principal do lobista? Por que ele a defende? 6. 2005). “se uma pessoa souber argumentar corretamente nunca estará errada”. a ideia que queremos “vender” ao nosso auditório”. Num processo persuasivo. p. A partir de uma das conversas entre Nick e o filho e outra entre a criança e a mãe. o falante pode ter o auditório particular ou ainda o auditório universal. sugere que o falante deve apresentar.

As cantoras eram péssimas. Esse trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual falei a você. quanta Quantos. Sobre elas pairam muitas dúvidas. cuja Onde (quando equivale a no qual e flexões) Cujos. 2005. qualidade. duração: 92 min gênero: Comédia status: Arquivado IV. O que o filme sugere com isso? Por quê? 11. a qual Que (quando equivale a o qual e flexões) Os quais. p. Adam Brody. (. . a mídia está sempre em evidência. Assim. . compreender os valores e as necessidades do outro. Meu irmão comprou o restaurante. Essas são as conclusões do processo. ordem. pessoa e existente. das ideologias e da própria história pessoal”. essência. quantas Ex: fale tudo quanto quiser. Maria Bello.. A arte de argumentar está relacionada com a capacidade de gerenciar emoções. cujas Quanto. qual é o lugar de argumentação que o filme mostra de forma mais evidente? Por quê? 10. as quais Quem (quando equivale a o qual e flexões) Cujo.(= o qual) As cantoras se apresentaram. visitei o sítio de minha tia. Cameron Bright. Eu me refiro à obra dele. (= as quais) Este é o pintor.) As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa. Eu fiz o trabalho. E os lobistas do tabaco. visitei o sítio de minha tia o qual me deixou encantado.Afinal. (ABREU.Comunicação e Expressão 52 mais importante do que os próprios valores em si. Eu falei a você sobre o restaurante. Traga todos quantos quiser Regressando de São Paulo. das armas de fogo e de bebidas são bem pagos.. Até que ponto Obrigado por fumar aborda a respeito disso? Que trechos autorizam minha resposta? Nota: OBRIGADO POR FUMAR título original: (Thank You for Smoking) lançamento: 2006 (EUA) direção: Jason Reitman atores: Aaron Eckhart. O sitio me deixou encantado. Essas são as conclusões do processo sobre as quais pairam muitas dúvidas. o falante deve re-hierarquizar os valores com os lugares da argumentação: lugar de quantidade. As cantoras que se apresentaram eram péssimas. 77). No filme. Particularidades Léxicas e Gramaticais USO DO PRONOME RELATIVO Os pronomes relativos são os seguintes: Variáveis Invariáveis O qual. O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. em função da cultura. Regressando de São Paulo. para que a argumentação atinja positivamente o auditório.

O advogado em cujas palavras acreditei está preso. Nós assistimos ao filme. Nós necessitamos desses ingredientes. Roubaram a peça que era rara no Brasil. porque. já que esse "quê". Percebeu? Quando vem no meio da frase. Aquele é o homem de quem lhe falei. ou seja. Vocês perderam o filme. Este é o artista. O sítio aonde fui é aprazível. Ele comprou os livros de que gostou. Disponível em: <http://www. acesso em 05 de jun. Aqui estão os ingredientes. O advogado está preso. Nós assistimos ao filme que vocês perderam.com. que encerra uma frase interrogativa direta. Este é o artista a quem me referi ontem.gramaticaonline. Notou? Quando emitido tonicamente. 2009 (com modificações) Por que. A peça que roubaram era rara no Brasil.asp?menu=1&cod=160>. Roubaram a peça. Eu gosto da obra desse pintor. o "que" normalmente é átono. Isso normalmente ocorre quando o "que" encerra a oração. Você estava procurando o garoto. Vocês perderam o filme a que nós assistimos.br/gramaticaonline. Eu trabalho para ela. Onde/aonde: Sempre morei no país onde nasci. Eu lhe falei do homem. Encontrei o garoto. Aqui estão os ingredientes de que necessitamos. Eu acreditei nas palavras do advogado. Os frutos da árvore são venenosos. A árvore foi derrubada. O pesquisador apresentou alguns livros. Você falou do político. Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança. Este é o pintor. Encontrei o garoto a quem você estava procurando.Comunicação e Expressão 53 Este é o pintor a cuja obra me refiro. O acento é correto. Eu me referi ao artista ontem. Aquele é o homem. fraco. porquê Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista ("Você tem cheiro de quê?"). Não conheço o político de quem você falou. Aquela é a senhora Bovary para a qual trabalho. o "que" é acentuado. é emitido tonicamente. O pesquisador apresentou alguns livros dos quais os alunos gostaram. Releia a frase: "Você tem cheiro de quê?". por ser monossílabo tônico terminado em "e". Os alunos gostaram dos livros apresentados. Eu não o conheço. Este é o pintor de cuja obra gosto. por quê. Aquela é a senhora Bovary. e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse "qui": "Quero o que você quiser". A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada. . A peça era rara no Brasil.

avisos públicos. "Ele não vai. se for substantivo). Se você estiver lendo Saramago. temos a equivalência com as expressões "pelo/a qual". Num deles. É por isso que. Veja este caso: "Você não foi porque estava doente?". é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto. Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal. Para acentuar "porque" ("junto"). por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?". como se diz) quando há ponto de interrogação. ou seja. como se diz) quando não há ponto de interrogação. sim. "causa": "Não entendemos o porquê (= motivo. O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber. Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve "por que" ("separado". Já o "porque" ("junto") introduz explicação ou causa do que se afirma: "Não vou porque estou doente". "pelos/as quais" ou a "por que razão". "Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios". a causa) da demissão do ministro". "Ninguém sabe porque ele não explicou". O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente. como ele não explicou. E quando se coloca acento em "por que" e "porque"? É simples. isto é. "por qual razão". rótulos. No primeiro caso. grafa-se "por que" (com acento. normalmente "porquê" acaba sendo sinônimo de "motivo". quando da explicação do título da revista ("Você tem cheiro de quê?"). não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é "junto" ou "separado". mas sempre vale a pena voltar a ele. e só se escreve "porque" ("junto". "Ele não vai. É "separado" porque equivale a "por qual razão" ("Por qual razão?". o que ocorre. A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar "por que". Quando não. "porque" etc. esse "porque" é "junto". quando a palavrinha tem valor de substantivo ("Ela tem um quê de magia") ou de interjeição ("Quê! Vocês por aqui?"). se a oração terminar ali). esqueça o que verá neste texto. "As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas". mas. Note que às vezes é justamente a grafia ("junto" ou "separado") o que decide o sentido da frase: "Ninguém sabe por que ele não explicou". de Guilherme Arantes: Pra que tornar as coisas tão sombrias na hora de partir? Por que não se abrir? Se o que vale é o sentimento e não palavras quase . textos publicitários etc. ninguém sabe por qual razão ele não explicou. e ninguém sabe por qual razão/por que razão"). faixas. "Ele não revelou o porquê (= o motivo. No outro caso. Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. No segundo. continuaram sem saber. pouco comum. basta que a oração termine ali: "Por quê?". "pelos/as quais": "São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar". por qual razão) você é tão áspero com ela". Nesse caso. muda tudo. Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes. vamos lá. Vejamos um trecho da canção "Pedacinhos". Há basicamente dois casos em que se usa "por que". Como já afirmei. "porque". desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. No primeiro caso. "por quê" e "porquê". quando o assunto é "por que". por exemplo. Muitas vezes. o "por que" equivale a "por que razão". é preciso que essa palavra seja substantivo. e o que tinha de ser separado vem junto. talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a "pelo/a qual". a causa da ausência dessa pessoa. a causa) da renúncia". grafa-se "porque" (com acento. Se você gosta de "curto e grosso". mesmo com ponto de interrogação no fim da frase. e ninguém sabe por quê". se a doença foi o motivo. o que tinha de ser junto vem separado. por exemplo. "Faço questão de saber por que (= por que razão.Comunicação e Expressão 54 Há outras situações em que se deve acentuar o "que". Já tratei do assunto há um bom tempo. Posto isso. "por qual razão": "Por que (= por que razão. as pessoas saberiam se ele tivesse explicado.

A primeira proporção e a segunda de causa. Arantes usa a frase "Por que não se abrir?". quando acompanhado de artigo.) 4. ele tirou a mais bela para dançar. (E não “desde de 1980”). Mas há casos em que só o verbo ter é aceitável: . use entre. Embora os dicionários o dêem como sinônimo de ter. generalizao. é proprietário de alguma coisa: Ele possui uma bela casa de campo. ele deve ser escrito separado: por que não se abrir por qual razão não se abrir 1. Junto a “Junto a” significa “adido a”.) Todo livro traz sempre algum benefício ao leitor. Nessa canção.Comunicação e Expressão 55 sempre traiçoeiras e é bobeira se enganar. (Significa “qualquer livro”. Não o vejo desde 1980. Todo O pronome todo. (Significa que o livro a que me refiro é perfeito do princípio ao fim. Todo o livro é perfeito. Obs: Não existe a forma “à medida em que”. À medida que/na medida em que Não confunda “à medida que” com “na medida em que”. Sempre se emprega com verbos como sair. O certo é abandonar a palavra “junto” e usar a preposição exigida pelo verbo: Você tem de se explicar ao banco. sem o artigo. Desde Nunca escreva “desde de”. Não é errado dizer que “ele tem uma bela casa de campo”. 6. Já esta frase não está correta: Você tem de se explicar junto ao banco. ressurgir. particulariza o objeto. nem sempre podemos trocar um pelo outro. Compare estas duas frases. Dentre as moças da sala. Nos demais casos. Esse "por que" é separadíssimo! Toda vez que for possível substituir o "por que" por "por qual razão" ou "por que razão". Use possuir quando quiser dizer que alguém tem posse de. Entre os filmes em cartaz. tirar. Leia este exemplo: Ele é nosso representante junto à FIFA. 3. 5. Dentre Significa “do meio de”. Possuir/ter Muito cuidado quando empregar o verbo possuir. Vamos seguir o regulamento na medida em que (uma vez que) ele foi aprovado. o melhor é o do Palace. locução dá idéia de Você vai melhor à medida que (à proporção que) for tomando esse remédio. 2.

ele sorria. 13. “ao menos” Não disse sequer uma palavra para agradecer. 12. Ao invés de só é usado quando marca uma oposição. 9. “em face de”. “ante”. Se quer viajar.Senão – significa “no caso contrário”. há cerca de – faz aproximadamente Há cerca de dez anos que eles estudam esse assunto. Tome conta de seu cachorro. No segundo exemplo seu emprego não estaria correto. “em vista de”.Se não – significa “quando não” ou “caso não”.aproximadamente Minha casa fica a cerca de cem metros da praia. viaje.mau – contrário de “bom”. preferiu ver televisão. Sequer/ Se quer . 7. “a não ser”. “em frente de”. .se quer – o “se” é conjunção condicional mais o verbo “querer”. Há/a . Ele estava de mau humor. pois estudar não é o contrário de ver televisão. Acerca de / A cerca de / Há cerca de acerca de – sobre Não disse nada acerca do plano econômico que elaborou. em vez de – significa “em lugar de” Em vez de estudar. Ele foi muito ríspido. 10. Face a / Frente a Nunca use. 11. boa iluminação. . Em vez de pode ser usado também no primeiro caso: Em vez de chorar. 8. se não (quando não) mal-educado. . “perante”. Inauguraram uma padaria em frente de nossa casa. Nós temos direitos adquiridos. Senão/ Se não . senão (caso contrário) ele foge.Comunicação e Expressão 56 A praia tem agora quadras de esporte.sequer – significa “pelo menos”. ele sorria. Substitua por “diante de”. “de outro modo”. Ela tem cabelos castanhos e olhos azuis. bares limpos.mal – contrário de “bem”. a cerca de . Ele é muito mal-humorado. Mau/Mal . Ao invés de / Em vez de ao invés de – significa “ao contrário de” Ao invés de chorar.

com o pretérito perfeito do indicativo (cantei. essa. Use há para tempo passado. isso. aquela. vendia. substitua o verbo haver por fazer: Há (faz) oito anos que não o vejo. aquilo. usamos este." . Haja vista o seu súbito interesse pelo caso. Por exemplo: "Este ano é o ano das mudanças!" "Nesse domingo.. Pronomes Demonstrativos Para maior clareza no estudo dos pronomes demonstrativos. Haja vista os casos de dengue dos últimos meses. para o passado recente ou para o futuro. Para saber se seu emprego está correto. depois. que é minha. isso. essa. vendi. aquilo Espaço (lugar) Aqui Aí Ali. isto para representar o tempo presente. aquilo. lá. esse. aquele. e não sua. Use a para exprimir distância ou tempo futuro. parti) é uma questão de estilo: o que julgar que é passado recente usará esse. construiremos uma tabela e. essa.Comunicação e Expressão 57 Não troque a por há e vice-versa. esse. isso Aquele. usamos este.. Juvestônio?" Em relação ao tempo.. aquela. aquilo. isto para representar qualquer elemento que esteja próximo da pessoa que fala. usase aquele. Onde você comprou essa sua?" "Dê-me essa caneta. irei a Águas de Santa Bárbara. Ele está na Austrália há (faz) tempo. Minha escola fica a duzentos metros de casa. para elemento distante de ambos. Daqui a cinco anos estarei formado. isso. Veja a diferença entre a tempo e há tempo: Chegou a tempo de fazer as malas. esta. O grande problema é distinguir o passado recente do remoto. 14. partia). essa. Por exemplo: "Comprei esta jaqueta que estou usando daquele camelô que vai lá adiante.aquela. aquela. aquela. Haja vista Prefira sempre essa forma. acolá Tempo Presente Passado recente ou futuro Passado remoto Citações Apresentam um elemento Retomam um elemento -o- Em relação ao espaço (lugar). e o que julgar que é passado distante usará aquele. esta. para o passado remoto. para elemento que esteja próximo da pessoa com quem se fala." "Essas olimpíadas foram horríveis para os atletas brasileiros.. pois duas pessoas podem ter interpretações diferentes para a mesma frase. aquilo. explicá-la-emos: Pronomes Este. aquele. esta. isto Esse. Quando o verbo estiver conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (cantava." "Que cara é essa.

os. isto.. por seus brilhantes romances. . isso para retomar um elemento ou uma frase anterior. Este é conhecido por suas poesias. Outro exemplo: "Meu filho. esta. nunca. A conferência dos pássaros. nem com este você deve envolver-se.“Dei-lhe mais uma chance de voltar atrás”. aliás." (este = Carlos Drummond de Andrade. em relação aos verbos. jamais. não se envolva com os funcionários da empresa em que trabalha o nosso vizinho." "Pode ser citado como exemplo comprobatório este fato: o policial não estava armado. se. é passado recente. isto. a. quiser retomá-los. Sombra de reis barbudos. apesar de fazer 16 anos..Comunicação e Expressão 58 "Em 1922 aconteceu a Semana de Arte Moderna." ("esse". Veiga. à frente. Por exemplo: "Preste atenção a estas palavras: O fumo é prejudicial à saúde. esse foi um dos melhores anos de minha vida. aquele = Florisberto) "Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira. naquela época. O grande mentecapto. que está imediatamente anterior a ele. aquele = Machado de Assis) COLOCAÇÃO PRONOMINAL Os pronomes pessoais oblíquos átonos me. esse homem é muito truculento. esta... Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. aquele." Quando houver a enumeração de dois elementos e. deveremos usar este.” (Fernando Sabino. isto para apresentar um elemento ou uma frase que será escrita ou falada. o. para outra pessoa poderia ser distante) Em relação a citações orais ou escritas.)” (Farid Ud-Din Attar." Se o pronome demonstrativo estiver retomando o substantivo imediatamente anterior. as.) Próclise Palavras “atrativas” • De sentido negativo (não.) MESÓCLISE – Meio .“Obedecer-lhe-emos de todo o coração e faremos o que ele disser (.“Deixou escapar um soluço estrangulado como se limpasse a garganta.): . lhe. lhes. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde.) ÊNCLISE – Depois ." "Astolfeno Barbosento é candidato a prefeito de Castanheira Verde do Sudoeste. esta. pois observe o verbo no pretérito imperfeito do indicativo – havia) "Em 1984 casei-me.Antes . usamos esse. vos. apesar de saber que este jamais conversa com aquele. Por exemplo: "Ao me encontrar com Florisberto perguntei por Abiduílson. esta deve ser preservada. aquilo e o último por este." ("Naquela época". te. nos." (este = Abiduílson. isso já foi comprovado cientificamente. denominam-se: PRÓCLISE . (José J." Perceba que o pronome "esta" está retomando o substantivo "saúde". essa. havia muitos poetas eminentes." Usamos este. deve-se substituir o primeiro por aquele. pois para mim. aquela. ninguém etc.

Comunicação e Expressão 59 Ex. cada etc. • Verbo no imperativo: Ex. Ênclise • Sempre que houver pausa: Ex. todos. descobri características que causam a diferença entre as empresas” (Karl Albrecht.: “Tu deves de ir também co’os teus armado Esperá-lo em cilada. O estrangeiro). haverá ênclise. O estrangeiro). O Alienista).: “– Custa-me pedir-lhe” (Machado de Assis. • Períodos iniciados por verbos que não estejam no futuro: Ex. diante de mim.)” (Farid Ud-Din Attar. embora etc. dito-te. respondeu-lhe uma voz interior (.: “(. oculto e quêdo” (Camões. bem etc. Rasguei a carta para não aborrecer-te.): Ex. sempre.. cujo.: “A dignidade de governo começava a enrijar-lhe os quadris” (Machado de Assis. quando lhe pedi uma recomendação de um restaurante próximo (. fazê-los unidos. A conferência dos pássaros).. • Substantivo (de qualquer tipo): Ex. Rasguei a carta para te não aborrecer..: Os problemas que se não discutem..): Ex. defini-me quanto aos métodos de trabalho.: Este me dá satisfação. Esaú e Jacó).. • Pronome demonstrativo: Ex. Esaú e Jacó).: O pronome pode aparecer antes do não. Este dar-me-á satisfação.. Ex. Este dá-me satisfação. Ex.: “(. Todos me olhavam (. • Advérbios em geral (já..) outras. ter-me-ia habituado aos poucos” (Albert Camus.: “Em se tratando de discussões sobre serviços com executivos. quanto etc.. aqui. quando.. Certo: Eu não te havia dito.) mas... e não próclise. • Pronomes relativos (que. quem.): Ex. Revolução nos serviços). Obs. Os Lusíadas). O estrangeiro). Ela despertou-se suavemente.: Rasguei a carta para não te aborrecer.: Hoje..): Ex.: “Quando voltamos. .: “Foi nesse momento que. Atenção: Se houver vírgula após o advérbio. A conferência dos pássaros).: “– Pode corrigi-los por boas maneiras.: Não utilize pronome átono depois de particípio: Errado: .: “(. Revolução nos serviços)..: Está me chamando? Mesóclise • Quando o verbo estiver no futuro do indicativo. distingui uma fila de rostos.)” (Machado de Assis. Ex. Revolução nos serviços).: Que Nossa Senhora o proteja.: “Queremos que acreditem tanto na idéia de serviço que se transformem em defensores da qualidade do serviço na organização” (Karl Albrecht. porque. • Preposição para + infinitivo (mesmo com presença da palavra “atrativa”): Ex.: Eu me despertei assustada. Ele despertar-te-á cedo.. ainda que discordem (. Orações que expressam desejo: Ex. • Preposição em + gerúndio. meu espírito me empurra (empurra-me. continuam sem solução.)” (Karl Albrecht.. Ex.: “Não te surpreendas. • Preposição a + infinitivo: Ex. Orações exclamativas ou interrogativas: Ex. Masson já nos chamava” (Albert Camus. Casos facultativos Se a palavra que antecede o verbo for: • Pronome pessoal do caso reto: Ex. • Certos pronomes indefinidos (tudo. empurrar-me-á) para a prece” (Farid UdDin Attar..) sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça. Obs.)” (Albert Camus. • Conjunções subordinativas (se.

Hora quebrada: 8h30min. crase e paralelismo Escreva assim: De segunda a sexta-feira De terça a quinta-feira ou Da segunda à sexta-feira . horas.Comunicação e Expressão 60 Casos Especiais • Colocação do pronome átono em locuções e combinações verbais.: Não lhe devemos dizer a verdade. Horas Hora redonda: 8 horas. etc. • No caso. (sem "s" e sem ponto depois de "h"). (sem deixar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de "h" e "min"). de passagens. no entanto. só duas posições serão possíveis para o pronome átono: antes do auxiliar (próclise) ou depois do infinitivo (ênclise). Atualmente. 9h. Datas Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas: com traço: 28-12-1945 com barra: 12/11/2002 com ponto: 21. ainda: Devemos dizerlhe a verdade.2004 Observações: Os números cardinais devem ser escritos sem ponto ou espaço entre o milhar e a centena: 1999 (e não 1. quando se quer evitar fraude. Dias. como em 08:00 09:00 10:05 13:20 é usada em áreas específicas. Exemplo: 1º/5/02 ou 1º/05/02. ou depois do infinitivo. E é sempre aconselhável. Ex. 2002 (e não 2.002).999). no caso mencionado. pois atende a objetivos estéticos. 9h43min etc. competições. agendas. a próclise com o infinitivo é própria da linguagem oral. 9 horas etc. Não devemos dizer-lhe a verdade. ou escrita informal: Devemos lhe dizer. Saiba Mais: 1. A grafia com dois pontos. O ano pode ser registrado com os dois últimos dígitos: 12/11/02. como em anotações de programação com horários em seqüência. O primeiro dia do mês deve ser escrito assim: 1º (e não 1). Ou. horários anunciados pela televisão etc. Evite-se esta colocação na redação oficial. houver palavra que exige a próclise. o pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo. O emprego de zero antes do dia ou do mês formado de um só algarismo não é de rigor: 02/02/99 ou 2/2/99. Ou 8h. a anteposição de um zero é prática corrente.10. • Se.. Ou: Nós lhe devemos dizer a verdade. Ex. Nas combinações de verbo pessoal (auxiliar ou não) + infinitivo. 2.: Devemos-lhe dizer a verdade..

ações). Marketing e comunicação são assuntos afins. Para indicar procedência. ocorrer. Errado = No início do expediente. Errado = É difícil para eu entender esse plano. impessoaliza-se: Há muita gente no escritório. Certo = A fim de redigir a carta. função esta que cabe ao pronome pessoal do caso reto eu. sem ágio (câmbio).Comunicação e Expressão 61 Da terça à quinta-feira Não escreva assim: De segunda à sexta-feira De terça à quinta-feira Escreva assim: De 9h a 11h De 8h30min a 11h30min ou Das 9h às 11h Das 8h30min às 11h30min Não escreva assim: De 9h à 11h De 8h30min à 11h30min 9h às 11h 8h30min às 11h30min OUTRAS DIFICULDADES MAIS FREQUENTES NO USO DA LÍNGUA • Onde ou aonde – Onde indica lugar fixo. ele precisa de outras informações. de acordo com a convenção legal. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para eu encaminhar aos clientes. Ex. Errado = Afim de redigir a carta. sem qualquer desconto ou abatimento (títulos. pois ele contém muitas informações técnicas. Acompanhado do auxiliar (dever. junto. Será impossível para mim realizar esse trabalho. ao lado. • A par ou ao par – A par equivale a ciente. o verbo fica na 3ª pessoa do singular quando significar existir. semelhante. Certo = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava a par do ocorrido. Certo = No início do expediente. • Difícil para mim ou difícil para eu – Para mim é complemento de difícil. pois ele contém muitas informações técnicas. ao par. Nada tem a ver com o verbo. razão pela qual não pode ser usado como sujeito. poder). realizar-se ou indicar tempo transcorrido. Pode haver muitos problemas com o novo gerente. Haverá duas reuniões da equipe de apoio operacional neste mês. acontecer. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para mim encaminhar aos clientes. Observe que após o pronome mim há um verbo no infinitivo (encaminhar). Certo = É difícil para mim entender esse plano. Errado = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava ao par do ocorrido. Errado = Não haviam muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. aonde expressa a idéia de movimento (para onde). • Para eu encaminhar ou para mim encaminhar – Mim é pronome pessoal oblíquo. afim significa parente por afinidade. Certo = Não havia muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. análogo: Estou aqui a fim de ajudá-lo a concluir o trabalho. .: Não foi fácil para mim conquistar essa vaga. Deve haver muitos candidatos para o cargo de Datilógrafo. • Havia ou haviam – Por ser impessoal. emprega-se de onde ou donde: De onde (ou donde) provinham os recursos financeiros? Errado = Aonde você deixou a minuta da carta? Certo = Onde você deixou a minuta da carta? • Afim ou a fim – A fim de equivale a para. ele precisa de outras informações.

Certo = O presidente cancelou a viagem que faria às filiais. Ex. programa de teatro. Errado = Comunicamo-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. comprometemo-nos. Certo = Gostei das novas medidas econômicas. pois elas vieram de encontro ao meu desejo. Certo = Havia menos pessoas na reunião desta semana. não existe a forma menas: Queremos menos conversa e mais ação. as preposições de e a estão contraídas com artigos. Errado = As novas decisões políticas-econômicas afetaram os negócios da companhia. porque já é meio-dia e meia (meia hora). Observe: Nos exemplos. Errado = Os funcionários tem contribuído muito para a racionalização dos serviços.. Apresse-se.. cinema. dignamo-nos.: Se as medidas econômicas tivessem contrariado o desejo de quem formulou a frase. elimina-se o “s” da forma verbal: Queixamo-nos. Certo = Paralisamos a produção porque não há matéria-prima. pois elas vieram ao encontro do meu desejo. • Decisões políticas-econômicas ou decisões político-econômicas – Nos adjetivos compostos ligados por hífen. Certo = Esperando uma resposta favorável. Certo = Os funcionários têm contribuído muito para a racionalização dos serviços. Certo = O chefe da seção (ou secção) de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos. há dois engenheiros. Cessão = ato de ceder (cedência): Nem todos concordam com a cessão do auditório. Certo = As novas decisões político-econômicas afetaram os negócios da companhia. • Menos ou menas – Menos é invariável. Quando se refere a um substantivo (claro ou subentendido). concorda em gênero e número: Nosso Diretor não é homem de adotar meias medidas.: Durou apenas trinta minutos a sessão do teatro. Certo = Comunicamos-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. pois elas vieram de encontro aos meus desejos. a candidata ficou meio preocupada. subscrevemo-nos. • Seção ou sessão – Sessão = tempo em que se realiza uma reunião. • Comunicamos-lhe ou comunicamo-lhe – Com o pronome lhe(s) nenhuma modificação sofre o verbo: Informamos-lhes. Seção ou secção = setor. • Subscrevemo-nos ou subscrevemos-nos – Com o pronome reflexivo nos. quando modifica adjetivo = um tanto. o documento ficou bem datilografado. viajem. Errado = Esperando uma resposta favorável. viajem = forma verbal (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo viajar): Se querem viajar. • De o ou do – Não se combina preposição (de. Certo = Está na hora de o malote chegar. esquecemo-nos. Errado = Está na hora do malote chegar. de encontro a = contra. • Viagem ou viajem – viagem = substantivo. subscrevemos-nos. Apesar de o datilógrafo ter pouca experiência.. portanto. etc. o verbo ter recebe acento circunflexo: Eles têm alguns privilégios. a candidata ficou meia preocupada. • Meio ou meia – Meio. só varia o último elemento: Nossa biblioteca recebeu muitas obras técnicocientíficas. esta seria escrita assim: Não gostei das novas medidas econômicas. Errado = Havia menas pessoas na reunião desta semana. Errado = Paralisamos a produção porque não tem matéria-prima. Errado = O presidente cancelou a viajem que faria às filiais. Certo = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. . Errado = Gostei das novas medidas econômicas. Ex. • Há ou tem – Não se deve empregar o verbo ter em lugar de haver impessoal (significando existir). fazemos-lhe. favorável..: Há secretárias que não se preocupam com o aperfeiçoamento profissional. Errado = O chefe da sessão de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos.Comunicação e Expressão 62 • De encontro a ou ao encontro de – Ao encontro de = para junto de. subdivisão: Na Seção de Obras. • Têm ou tem – Na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Errado = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. em prejuízo de. em) com sujeito ou termo que a ele se refira: Chegou o momento de ela mostrar a sua competência profissional. fica invariável: Os candidatos estavam meio nervosos.

estará fazendo dois anos que não recebo notícias de meu país. há uma pessoa que deseja falar com o senhor. esse cliente quer falar consigo. Só se emprega o pronome consigo na terceira pessoa: A balconista (ela) levou a caneta consigo. Errado = A nova filial está situada à Rua Piraí nº 110. Observe: o pronome de tratamento senhora admite crase. 327. • Procedeu a ou procedeu – No sentido de efetuar. Certo = Responderei já a essa carta. Certo = Júlio. Se o sujeito estiver no singular. Certo = Comunicamos a Vossa Senhoria que . assume a forma impessoal: Faz vinte dias que encaminhei o relatório à Diretoria.. Errado = O preço da mercadoria é muito caro.Comunicação e Expressão 63 • Faz ou fazem – Tempo transcorrido ou fenômeno meteorológico = impessoal. virmos. a).. avise a segurança. Acompanhado de auxiliar (estar. disse a secretária. Errado = O auditor procedeu uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. • Situada na rua ou situada à rua – Por se tratar de verbo de quietação (lugar fixo). • Obedecer ou obedecer ao – O verbo obedecer pede objeto indireto (obedecer a): Quem não obedece às normas de trânsito deve ser punido. realizar. Errado = Fazem dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. Certo = A nova filial está situada na Rua Piraí nº 110.. Errado = Responderei já essa carta. Ex. pede objeto indireto (responder a): Não responderei a esse memorando. Certo = O preço da mercadoria é muito alto. nunca caro ou barato. vires. em vez de consigo usa-se com você. Errado = Todos devem obedecer o regulamento. Errado = Júlio. Errado = Somos em sete na seção. • Preço alto ou preço caro – O preço da mercadoria pode ser alto ou baixo. constrói-se com a preposição em: Resido na Rua Paraná. Na próxima semana. A mercadoria é que pode ser cara ou barata: Essa mercadoria é muito barata. vir. Certo = O auditor procedeu a uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. VÍRGULA . poder). uma vez que não se trata de expressão ou locução: Peço à senhora que compreenda as minhas dificuldades. Errado = Aluga-se telefones. • A Vossa Senhoria ou à Vossa Senhoria – Não se usa crase antes de expressões de tratamento: Encaminhamos a Vossa Senhoria a documentação. Certo = Faz dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. porque não se trata de voz passiva.. este cliente quer falar com você (contigo). • Somos ou somos em – A preposição em é desnecessária. disse a secretária. Errado = Se você ver alguém sem o equipamento de proteção. Certo =Todos devem obedecer ao regulamento. com o senhor.. Observe: Fica no singular o verbo intransitivo indireto acompanhado do pronome se. esse verbo pede objeto indireto (proceder a): É necessário proceder a uma investigação.. Dica: Aparecendo preposição (de. Certo = Alugam-se telefones. virem. Certo = Se você vir alguém sem o equipamento de proteção. dever.: Precisa-se de empregados. Certo = Somos sete na seção. Não deve ser usado em relação à segunda pessoa. Neste caso. o verbo fica no singular. com Vossa Senhoria: Presidente. virdes.. • Consigo ou com você – Consigo pronome reflexivo da 3ª pessoa.. • A essa ou essa – Com o verbo responder. Errado = Comunicamos à Vossa Senhoria que . • Alugam-se telefones ou aluga-se telefones – Verbo apassivado pelo pronome se concorda em número e pessoa com o sujeito: Vendem-se casas. avise a segurança. • Vir ou ver – Trata-se do verbo ver no futuro do subjuntivo: vir. terceira pessoa no singular. deixa-se o verbo no singular.

todavia. isto é. Rua da Alegria. acomodou-se e assistiu ao filme. a cada ano está mais perigoso. que mantivéssemos suas vírgulas . 2 . digo. logo.Assinalar o vocativo (é o termo com que se interpela/chama o ouvinte/interlocutor): Ex.: O comandante do batalhão. 14 . portanto. 7 . ou melhor.: Os policiais prenderam o infrator. etc. 15 .Entre expressões explicativas ou retificativas (isto é. compareça ao local da ocorrência. porém. 14 .Em construção com termos pleonásticos: Ex.): Ex.Entre as conjunções coordenativas adversativas e conclusivas.Antes de orações adjetivas restritivas: Ex. ligou o televisor. 4 . pode vir a ocorrer algum equívoco. Ex.Orações subordinadas substantivas apositivas: Ex.Antes de orações subordinadas substantivas. que é tradicional.: Sargento Mike. talvez não mais o seja.: O criminoso. que foi assassinado. 2 . a saber.Precedendo orações coordenadas assindeticamente. disse o general. são orações não introduzidas pela conjunção aditiva “e”. quando as orações apresentarem sujeitos diferentes ou quando o “e” se repetir: Ex. um estado ou modo de ser do sujeito ou que se refere ao objeto de um verbo transitivo.: Fez-nos um pedido. 6 .Em orações coordenadas ligadas por “e” que tenham o mesmo sujeito: Ex. foi detido às nove horas. Um vegetal é um animal que dorme. 13 de novembro de 2008. exceto as apositivas. 4 .: Mocidade ociosa.: Destemidos e intrépidos. entretanto. e a terra.: Quando menos se esperava.: Bom policial. (elipse do verbo “estava”) 11 . Ex. 13 .Precedendo termos de mesmo valor sintático: Ex. esclarecendo ou qualificando-o): Ex. 3 .: Fez-se o céu.Para indicar zeugma (elipse/omissão de um ou mais termos anteriormente citados): Ex. é uma defesa prévia. e o mar. 3 .Antes de “e”. escaldante. etc. 5 . (elipse do verbo “diziam”) O dia estava quente. mas como a operação é considerada de alto risco.Precedendo orações principais pospostas: Ex. quando pospostas/intercaladas (porém.Para marcar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Ex.: A guerra. 5 . o sol.: Encontramos o suspeito.: Foram apreendidas armas de fogo. digo. o cadete deixou de lado suas antigas aspirações.Para separar predicativos situados antes do verbo (predicativo é o termo que exprime um atributo. sentou no sofá.): Ex. outros.): Ex. contudo. quer dizer.Assinalar o aposto (é o termo da oração que serve par explicar um termo anterior. os policiais avançavam pela área de risco. a meu ver.: O carnaval. o cidadão infrator. PONTUAÇÃO Casos de uso da vírgula Usa-se a vírgula para: 1 . Via de regra. Espero que nenhum policial cometa erros durante a operação. sem uso de conjunções. não condenou o sindicado. buscou o canal certo. continuava. e José arrumou a cama.Nos elementos paralelos de um provérbio: Ex.: Chegou a casa. O sargento é mestre em artes marciais. na minha opinião. substâncias entorpecentes e bicicletas furtadas. nº 30. Obedecemos às ordens do comandante. 9 . por exemplo.: O tiroteio.Nas datas e endereços: Ex.Entre as orações intercaladas: Ex.Entre verbo e complementos verbais: Ex. João escreveu uma carta. 12 .Entre o sujeito e o verbo: Ex.: Uns diziam que se suicidou.: Ele é o homem que mata passarinhos.: Chegou e prendeu o infrator.: Convém que deixemos o local. 8 . velhice vergonhosa. pessoa justa.: Belo Horizonte.Comunicação e Expressão 64 Não deve ocorrer vírgula 1 . identificandoo. 10 .

2. * Se você for mulher. Não. Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Vamos perder. Isso só.. 23. queremos saber. Pode criar heróis. Não. Vamos perder nada. ou não. Ela pode ser a solução. Detalhes Adicionais: SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.Comunicação e Expressão 65 Disponível em: <http://www. A vírgula muda uma opinião. Vírgula pode ser uma pausa. nada foi resolvido. Ela pode sumir com seu dinheiro. certamente colocou a vírgula depois de MULHER.09 PARA QUEM PENSA QUE UMA VÍRGULA É SÓ "UMA VÍRGULA". Não queremos saber.html>....4. ele resolve.. * Se você for homem. 29. Isso só ele resolve.com/2008/11/uso-da-vrgula-tire-suas-dvidas-aqui. Não tenha clemência! Não. A vírgula pode condenar ou salvar.34. .. Não espere. colocou a vírgula depois de TEM...05.. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.. espere.mate! Prender.universopolicial. tenha clemência! Prender não. foi resolvido.não mate! Uma vírgula muda tudo..

O escritor havia encontrado sobre o que falar em sua crônica especial. o escritor desejava falar sobre a essência humana. ele acompanhou. compenetrado ao tomar o café e sem ter assunto. os gestos comedidos. ávido. O cronista captou o momento quando o pai tímido fez o pedido ao garçom como algo distinto e raro. ele pensava em concluir o ano de forma grandiosa. Fernando Sabino chamou a atenção para a forma esquiva e insegura como o pai. e ainda a insegurança da mãe e a concentração da criança no refrigerante. Sabino queria ser capaz de expressar a respeito das relações humanas o que estava fora do alcance dos olhares comuns. o cronista construiu uma detalhada e emocionada descrição dos atos e dos traços psicológicos daqueles três. Por isso enquanto tomava o cafezinho. enquanto aguardava ansiosamente a fatia de bolo. . ele ergueu os olhos e notou a presença de um pequeno grupo de pessoas negras ao fundo do estabelecimento: era um casal acompanhado de uma menina. Ao terminar a pequena reflexão. ele lamentou o fato de seus textos terem abordado situações muito comuns e circunstancias dos fatos cotidianos naqueles últimos tempos. Como também a satisfação deles pelo sucesso da comemoração do aniversário de três anos da pequena. o sopro das velas e as mãos trêmulas da menininha ao agarrar o bolo para comer. As palavras. os gestos e olhares de ternura de pai e mãe ao observarem a filha comendo o único pedaço de bolo. captada da convivência entre as pessoas. os fósforos na mão.Comunicação e Expressão 66 Paráfrase: Fernando Sabino entrou em um botequim da Gávea. com o olhar e a capacidade de quem tem muita sensibilidade e habilidade para escrever. Ou seja. E. O escritor foi capaz de enxergar pequenos atos como a procura das velinhas na bolsa. Além disso. como também as vestimentas simples e a curiosidade da criança revelaram que não era prática comum eles estarem naquele tipo de lugar. a mãe e a menina de três anos chegaram e se estabeleceram em um canto. Finalmente. o cronista acolheu o sorriso cheio de dignidade do moço o qual coroou aquele pequeno evento que o possibilitou captar a essência do ser humano em sua crônica. na última mesa. o cronista repetia na memória o verso de Drummond “assim eu quereria o meu último poema”. aspecto que ele julgava o mais digno da vida. ele passou a observar a pequena família. Assim. a humildade e insegurança dos dois adultos. Talvez por se sentirem deslocados. o quadro composto em poucos minutos mais parecia uma espécie de ritual. antes de escrever a crônica diária. Na verdade. os parabéns soados quase como sussurros. Reflexivo. desmentindo o que havia afirmado antes. Então.

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