Comunicação e Expressão

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Curso: Letras Disciplina: Comunicação e Expressão Professora:

Ano/sem: 2011/01 h/a: 68 Código: 990101 Turma:

“Descobri que a pessoa só faz bem aquilo de que gosta. Todo mundo que faz alguma coisa bem é porque gosta do que faz. O ato de gostar está ligado ao ato do conhecer e o ato de conhecer está ligado à curiosidade” (Gilberto Dimenstein)

PLANO DE ENSINO EMENTA: Linguagem, língua e fala. Funções da linguagem. Oralidade, escrita e variação linguística. Leitura e estratégias de leitura. Escrita e estratégias de escrita. Paragrafação. Coesão e coerência textuais. Paráfrase e retextualização. Argumentação e persuasão. Particularidades léxicas e gramaticais. Competências: Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências:

1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e produtivas,
em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização de práticas sociais; 2. ser ético, pontual, interessado e comprometido com a prática e a vivência acadêmicas. Habilidades: 1. conceituar linguagem, língua e fala;

2. reconhecer as variedades linguísticas e os níveis de linguagem a partir de textos e de situações
concretas da cultura local;

3. identificar a estrutura de diferentes tipos e gêneros de textos; 4. empregar adequadamente elementos anafóricos, articuladores e conectivos para promover a coesão
e a coerência em textos produzidos; 5. compreender e interpretar adequadamente diferentes textos; 6. distinguir fala e escrita, destacando aspectos estilísticos e discursivos da escrita; 7. identificar, distinguir e empregar corretamente os conceitos: argumentar, convencer e persuadir; 8. transpor textos da oralidade para a escrita e de um gênero textual para outro (retextualização);

9. produzir e corrigir parágrafo e paráfrase de acordo com a teoria, com a variante padrão e com os
critérios definidos nesta disciplina.

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CONTEÚDOS: 1. 2. 3. 4. 5. 6. conceito, níveis e funções de linguagem; oralidade, escrita e variação lingüística; estratégias de leitura e de escrita; paragrafação; coesão e coerência textuais; compreensão e interpretação de textos; argumentação e persuasão; paráfrase e retextualização; revisão gramatical. METODOLOGIA: A disciplina propõe espaço para o processo de reflexão e aperfeiçoamento da língua materna por meio de aulas teóricas e atividades práticas de leitura e escrita. Para tanto, nos encontros haverá discussões que desafiem o aluno a ler, elaborar hipóteses e compreender os entrelaces das palavras na constituição do discurso coerente e, sobretudo, na capacidade de utilizá-lo de maneira consciente no dia a dia. O acadêmico será provocado a produzir, autocorrigir e refazer textos significativos. Os conteúdos dos encontros presenciais serão desenvolvidos a partir de dinâmicas diversas tais como GV-GO, discussão circular, Phillips 66, seminários e mesa redonda para que o grupo possa socializar tanto as experiências quanto os conhecimentos prévios e os novos. Serão utilizados recursos como: quadro, retroprojetor, cartazes, datashow, músicas, revista, dvd, aparelho de televisão e de som. Para as aulas semipresenciais será utilizado sistema web, via plataforma da Instituição (www.ulbra-to.br), onde estarão disponíveis atividades da disciplina que envolvam leitura e escrita como também os critérios a serem observados pelo acadêmico ao publicar as respostas solicitadas. AVALIAÇÃO: O processo de avaliação será contínuo, por meio de observação, no que diz respeito à participação, ao interesse, à responsabilidade e pontualidade em que os alunos deverão apresentar trabalhos individuais e em grupos; orais e/ou por escrito, demonstrando conhecimento do conteúdo, coerência e consciência crítica sobre o que dizem. Os textos e as referências bibliográficas serão disponibilizados no portal e na reprografia. A produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada. Os acadêmicos que apresentarem dificuldades na escrita deverão frequentar o Laboratório de Produção Textual. Compõe G1: - leitura e discussão da obra O que é leitura. (v.1,0) - leitura e apresentação oral do livro Preconceito Linguístico: o que é, como se faz: (v.1,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5), de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico. Compõe G2: - leitura e apresentação oral do livro A arte de Argumentar e o filme Obrigado por fumar. O aluno deverá apresentar de maneira clara e coerente a relação que há entre a obra e o filme. (v.2,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5) de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico.
*Obs: o aluno que faltar à prova deverá substituí-la no fim do semestre, de acordo com a resolução institucional.

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Substitutiva de grau: Avaliação- Assunto cumulativo do semestre Prova (v.10,0), conforme resolução institucional.

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NB: - As atividades serão realizadas a partir de roteiro disponibilizado no Portal e na reprografia. Todos devem ficar atentos ao cronograma. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BASTOS, Lucia Kopschitz. A Produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FARACO, Carlos Roberto e TEZZA, Cristóvão. Prática de Texto: para estudantes Universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. Ed. São Paulo: Ática, 1998. LEITURAS OBRIGATÓRIAS: ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: Loyola, 2004. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura.19. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BAGNO, Marcos. A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 14. ed. São Paulo: Conteto, 2005. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1998. POSSENTI, Sírio.Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado das letras/ALB, 1996. RAMOS, Jânia M. O espaço da oralidade na sala de aula. São Paulo: Martins Fontes, 1997. SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001.
1. Critérios de avaliação oral Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: a) demonstração, por meio de informações precisas, de que fez a leitura do texto; b) exposição de ideias claras, coerentes e com senso crítico, tanto nos debates em grupos pequenos quanto no grupão; c) boa entonação, adequado volume de voz e entusiasmo ao fazer exposição oral; d) apresentação de informações novas e relevantes a partir, quando possível, de conhecimentos prévios; e) atenção e respeito às ideias dos colegas; f) inscrever-se (sinalizar com a mão) e esperar pelo turno de exposição; g) criatividade e colaboração na preparação de material e nas apresentações orais; h) postura adequada quando fizer exposição; i) uso da norma culta da língua nas modalidades oral e escrita, exceto em situações específicas que exijam outras variantes. 2. Critérios de avaliação escrita Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios: 1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) • apresenta características do gênero textual solicitado, de forma que é possível identificá-lo? • apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) • apresenta o uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? • apresenta o assunto de maneira original, crítica e criativa? 3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) • está escrito de acordo com a variante lingüística adequada? • está adequado quanto à ortografia?

então. as máquinas. língua erudita. para as comunicações telegráficas.> Acesso em 31 de jul. que é secundária e individual. Para o linguista Saussure. a linguagem é composta de duas partes: a Língua. Ele transmitiu o primeiro telegrama do mundo. numa extensão de 64 quilômetros. essencialmente social porque é convencionada por determinada comunidade linguística. 2009. objeto da semiologia ou semiótica.br/girafas/lingua_morse. de uma forma geral. a descoberta do fogo. Para os receptores (ouvintes) a fala é. é veículo de transmissão da Língua. É a capacidade da espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). LÍNGUA E FALA O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilitam nossos modos específicos de pensamento. então. a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a titulo de pura sensação. entendida como forma de realização da linguagem. quanto mais avançada for a capacidade de comunicação de um conjunto de indivíduos. diversas modalidades: língua familiar. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das regiões do Brasil). sejam graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas. assim. conhecimento e interação com os semelhantes. O homem necessita comunicar para progredir. língua própria a certas classes sociais. língua popular. ou seja. no interior de uma mesma língua são importantes as variações. com efeito. a certos subgrupos. o texto: (valor: 15%) apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? • apresenta letra legível. fica evidente que o desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependem do progresso alcançado em suas atividades. entre as cidades de Washington e Baltimore. Atividade 1.html. nos Estados Unidos. Morse 1) e torna-se. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa. . usada pelos falantes por meio da fonação e da articulação vocal. Quanto a aspectos estéticos. Como se vê. língua inglesa). mais rápida será sua progressão. portanto. Dentro de uma mesma língua temos. é um fenômeno físico e concreto que pode ser analisado seja diretamente. Mas. Samuel também inventou o telégrafo sem fio. como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. está adequado quanto ä concordância? está adequado quanto à pontuação? está adequado quanto à sintaxe? está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 4. que deve estudar “a vida dos signos no seio da vida social”.Comunicação e Expressão 4 • • • • 0. com ajuda dos órgãos sensoriais. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. e a Fala. fotografar o estágio de desenvolvimento da humanidade. da evolução dos meios de receber comunicação e de se comunicar. A língua é.com. Assim. língua técnica. Alguns linguistas preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações. as tecnologias. A fala. organização estética adequada e título criativo? LINGUAGEM. em que se enquadram os diferentes tipos de Gíria.girafamania. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos. por sua vez. Disponível em:<http://www. que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua. Morse (1791-1872). a língua é um sistema de símbolos pela qual a linguagem se realiza. um fenômeno fonético. Nota-se. de registrar o conhecimento e o desenvolvimento da escrita e fonética. acima de tudo. a divisão do trabalho. E sua linguagem é uma ferramenta capaz de traduzir. Leia o texto: 1 O Alfabeto Morse foi inventado pelo norte-americano Samuel Finley B.

( ) 1.V.V. apitadas e cartões do juiz e dos bandeirinhas.com.V. nos alto-falantes e radinhos de pilha.( ) 1. 2.NV. nos números das camisetas dos jogadores. além do conhecimento lingüístico propriamente dito.V. É o conhecimento lingüístico que nos permite reconhecer a ambigüidade do texto em questão (pela posição em que se situa. E. cores das bandeiras 3.br/site/arq_material/12042_13033. Genericamente. 5. 3.V. Juan. São Paulo: Brasiliense. pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupõe. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991. 1. 4.( ) 1. Acesso em 31 de jul. reconheça o que se constitui em linguagem verbal (V) e em linguagem não-verbal (NV). e cartões do juiz e dos bandeirinhas 5. 5. nas conversas e insultos dos torcedores.NV. Um bom exemplo é o texto que segue: "As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. que proíbe que as casas de vídeo aluguem. exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos. 3.NV. É muito provável que ele tenha tido a intenção de dizer que os menores estão proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorização dos pais e de frequentarem motéis.V e. a comunicação aparece nos gritos da torcida.pdf>.Comunicação e Expressão 5 No estádio de futebol. (BORDENAVE. 3. 5. 3. Dias. mas também de todas as outras disciplinas sem exceção.V.NV c. 2009. 2. nos escritórios. 4.V. O que é comunicação. no placar eletrônico. nos rádios e nos jornais.NV. O próprio jogo é um ato de comunicação. A portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais" (Folha Sudeste. 5. O APRENDIZADO DA LEITURA . a compreensão do texto depende também do conhecimento de mundo. 4.V d. conversas de torcedores Assinale a alternativa correta. 5. Como se vê. 2. Mas o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretação é estranha e só pode ter sido produzida por engano do redator. nos gestos.COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Interessa a todos saber que procedimento se adotar para tirar o maior rendimento possível da leitura de um texto. 3. nas cores das bandeiras. Dias antes já havia provocado dúzias de mensagens e durante dias a fio ele continuará sendo objeto de comunicação nos botequins. um repertório de informações exteriores ao texto. gritos da torcida 2. quando um texto é ambíguo. observe a questão seguinte. 2. gestos. Três questões básicas: Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido é a resposta a três questões básicas: . radialistas.NV. o que nos leva à conclusão de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Português.NV. 4. apitadas. o que não quer dizer que não exista solução alguma.NV. do Juizado de Menores.V. o que se costuma chamar de conhecimento de mundo. nas fábricas.V b. no trabalho dos repórteres. em seus gritos de estímulo.V Disponível em: <ttp://novosolhos. extraída de um vestibular da UNICAMP: Às vezes. Mas não se pode responder a essa pergunta sem antes destacar que não existe para ela uma solução mágica. p. 2 ed.( ) 1. 1982.15) Questão 1: Dentre as manifestações comunicativas citadas a seguir.( ) 1. é o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que se lê. 6/6/92).NV.NV. fotógrafos e operadores de TV. 4.NV.V. a. a expressão sem a companhia ou autorização dos pais permite a interpretação de que com a companhia ou autorização dos pais os menores podem ir a rodeios ou motéis). A título de ilustração. números das camisetas 4. 2.NV.

Também para Geraldi (1984). dos advogados.br/articles/411/1/O-APRENDIZADO-DA-LEITURA---COMPREENSAOE-INTERPRETACAO-DE-TEXTOS/Paacutegina1. é importante observar a “costura” do texto. Agora. um bom roteiro para estudar um texto é o de especificar a tese defendida (tema do texto). linguagem de surdos. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando. na vida diária. de quanto mais recursos dispomos. 2009. um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias. melhor os usamos em cada ocasião.Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. Mas estamos mais esperançosos de que a verdade e a Justiça culpem os culpados e absolvam os inocentes. aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. surge uma preocupação com a linguagem abreviada e de caráter fonético usada em mensagens de computador. Se de um lado andamos de cabeça mais erguida nestes dias. linguagem de namorados. Na verdade. III . ou nunca aprender direito. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor. c.html>. isto é. Na escrita. aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Ao contrário. os argumentos apresentados em favor da tese. Disponível em: <http://www. e como. as linguagens das famílias – em que determinadas palavras evocam cenas hilariantes ou tristes. uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. .Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta. Segundo códigos de ética que no momento são objeto de verdadeira guerra entre nós. que na verdade é múltiplo. usando desse recurso que tem a ver com velocidade e economia. são muitos. II . O autor sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados. não há perigo de sotaque. a coerência entre tese e argumentos. Longe disso. porque ao menos um passo foi dado e temos quatro dezenas de réus em falcatruas variadas e graves. Se pudéssemos dominar apenas um sistema de sinais escritos. d. que precisa eventualmente ser traduzido para o comum mortal. se passa de uma afirmação para outra. Acesso em 30 jul. Sem falar na linguagem das siglas que dominam o mundo. como se dá a passagem de um parágrafo para outro. como nos chats. O receio é que os jovens. é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. Texto de Francisco Platão Savioli. Os catastrofistas. que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra-argumentos confirmam sua posição. na fala e na escrita. E a linguagem técnica ligada às mais variadas ciências e meandros do universo tecnológico. várias linguagens ao mesmo tempo e transitar entre elas com habilidade e até elegância em certos casos. b. empunham a vassoura da faxina crítica. Isso dito. linguagens profissionais. isto é. acredito – e os linguistas talvez confirmem – que. compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentatório. paira ainda certo receio de que tudo seja turvado por interesses políticos e artimanhas de compadres.mundovestibular. no interior do parágrafo. de cabelo em pé. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. a. os contra-argumentos levantados em teses contrárias. o código do próprio idioma escrito.Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto. haveriam de desaprender. Por isso.com. para as quais até dicionários já existem. Vivemos segundo alguns. Para tanto.Comunicação e Expressão 6 I . Os novos códigos Lya Luft Linguagens são códigos e com eles nos comunicamos. Linguagens técnicas. no vasto e interessantíssimo leque das nossas capacidades e curiosidades. Receio infundado: somos capazes de dominar. lembrem-se. O da comunicação. Linguagem de cegos. o jargão dos médicos. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita. o da linguagem. vamos ao código que aqui me interessa. também. aquele que aprendesse taquigrafia haveria de cometer mais erros de ortografia. o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal. ou sabe apenas de maneira genérica e confusa.

os argumentos discutíveis. Como é necessário encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto. destacando partes ou subdivisões. fazer uma retomada do texto. Escrever com abreviaturas. como os costumes. à margem do texto.Comunicação e Expressão 7 Linguagem é a roupa da mente: não falamos em casa como falamos num discurso em ocasião solene nem falamos numa entrevista para conseguir emprego como falamos brincando com nossa turma na escola. por isso. dos gramáticos. pois com um objetivo.digestivocultural. os tópicos mais importantes. siglas. que podem confirmar amizades já existentes (falo com amigos distantes mais frequentemente do que com o que mora no mesmo edifício) ou abrir a porta para novas relações. todas as demais formas de comunicação fossem espúrias. Questão 1: Vamos identificar a tese defendida por Lya Luft no texto Os novos códigos como também os argumentos e os contra-argumentos utilizados na construção da opinião da autora. É preciso dar uma chance às novidades e inovações. É importante perceber como o autor desenvolveu o texto. Não sejamos chatíssimos senhores com odor de naftalina. Disponível em: http://www. Para tanto é importante ter a percepção do conteúdo do texto. tem de ser objetivo e restringir a palavras ou frases”. dos que seguram o facho da razão numa das mãos e na outra o chicote da censura. e casais extraordinariamente infelizes que conviveram desde a adolescência. as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes importantes. Essa marcação. no bom e no negativo. com um ponto de interrogação. mais hábeis e mais capazes. sem abertura para o novo e o bom. a língua. o estudo e a reflexão de um texto supõem o uso de recursos como sublinha. uma tarefa a realizar. Além disso. contraposições. tese. c) releitura do texto para identificar as ideias principais. um pouco secreta de estabelecer e cultivar laços cibernéticos. é uma estratégia que monitora a compreensão. b) esclarecimento de dúvidas de vocabulário e termos técnicos. nem tudo o que é tradicional é melhor. à margem do texto. auxilia na concentração na hora da leitura. além de ajudar na compreensão do texto. Além de tudo. por isso mesmo sem discernimento para o verdadeiramente mau. se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura e na compreensão das ideias. dos moralistas. A TÉCNICA DE SUBLINHAR Sublinhar um texto é destacar as ideias principais. sim. criativa e. principais argumentos. dos puristas. Vamos estudar alguns desses recursos mais detalhadamente. embora crianças devam ser controladas e alertadas para doenças como pedofilia e outros males nesta nossa enferma sociedade. e) assinalar com uma linha vertical. as passagens obscuras. marcas diversas que orientam a leitura. inteligente. sem alegria. rápida. anotações de margem de texto. formas enigmáticas aos desavisados é apenas uma maneira divertida. Conheço casais felizes que se encontraram num chat. “Sua finalidade é destacar elementos que servirão de orientação para consulta futura. dos donos da verdade. ou damas enfiadas no espartilho do preconceito: sem ginga. num outro momento. esquema. quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou. Permite que se faça um mapeamento do texto. A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: a) leitura integral do texto para contato panorâmico. ESTRATÉGIAS – LEITURA DE ESTUDO Para Brito (2001). como se tudo o que é novo fosse primariamente mau.com/colunistas/coluna. É como se fora da língua culta. d) sublinhar. Nem tudo o que é novo é positivo. Que nem sempre são o lobo mau. por qualquer outro motivo. f) assinalar. segue uma evolução que independe de nós. a línguapadrão que é e deve ser usada em momentos mais sérios. em cada parágrafo. uma ação concreta. em lugar de criticar de saída ou prevenir-se contra. econômica. a sociedade e as culturas. a vida. embora em geral a gente não tenha nem dê essa impressão de nós mesmos. Ou ainda acenderíamos fogo esfregando pedrinhas. E não falamos com um bebê de dois anos como falamos com o médico ao qual estamos expondo nossos males. . etc. resumo. no fundo obscuro de alguma caverna. 2010. Somos melhores do que se pensa. Acesso em 17 de junho. fichamento. os casos de discordâncias. possibilita voltar ao texto lido. definições.

por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. etc. É uma atividade que pode ajudar na seleção e na organização das informações mais importantes. fundamental para desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social. tais como: • Sublinhar com lápis preto macio. intencional ou não. Elabore um resumo: Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar.Comunicação e Expressão 8 g) ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido. Uma terceira função é persuadir o indivíduo — convencê-lo a adquirir certo produto. como: vermelho = idéia principal. tomando as palavras sublinhadas como base. destrezas. • As anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos. É um texto que auxilia na leitura. h) reconstruir o texto. É muito útil. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. de divertimento. • Outra prática optativa é sublinhar com dois traços a ideia principal e com um traço as ideias secundárias. azul = detalhes importantes. A segunda função atende à procura da distração. em várias cores. comentários etc. Utilizam-se normalmente de colchetes. (Samuel Pfromm Neto apud Soares & Campos. em vez de facilitar o trabalho do leitor. estabelecendo-se um código particular. as ‘palavraschave’. fazer uma leitura comparando-se o texto original com o texto sublinhado. ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos seqüenciais ou arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida”. Para se obter maior funcionalidade das anotações. as ideias principais estão sublinhadas. planos. de evasão. no final do trabalho. ou não de interpretações ou explicações. pois nele aparece apenas o ‘esqueleto’. por parte do público. acompanhada. a uma radiografia do texto. O indispensável é sublinhar apenas o estritamente necessário. 111). para não danificar o texto. a votar em certo candidato. p. 1978. essas sugestões. evitando-se o acúmulo de anotações que. divertir. chaves. além de causar mau aspecto. ou seja. A quarta função — ensinar — é realizada de modo direto ou indireto. dificulta e gera confusão. “O esquema é um texto que corresponde. usa-se caneta hidrocor. evidentemente. setas e outros símbolos (Andrade. antes de atingir as costas do Peru Ar quente Aquecimento das águas costeiras do Peru Queda do rendimento pesqueiro . No texto abaixo. Ocorrência Exemplo: periódica (época do Natal) Águas do Oceano Pacífico Atividade de pesca do Peru Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão) Corrente marítima de Humboldt Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas Alimentos para os peixes FENÔME NO EL NIÑO Microrganismos animais e vegetais de vida aquática (plâncton) Desvio da corrente de águas frias Ventos provindos do oeste Diminuição da quantidade de plâncton Inflete para oeste. persuadir e ensinar. podem sofrer variações e adaptações pessoais. • Dependendo do gosto. relatos. estudo e trabalho. A primeira diz respeito à difusão de notícias. grosso modo. 1997) que possam ajudar na organização e visualização das ideias. sem necessidade de apresentar frases redigidas”. sobre a realidade.

não se dá no vácuo. São Paulo: Contexto. vamos definir um assunto. Queda do rendimento pesqueiro. de outro. 6. AS VARIEDADES LINGUÍSTICAS E A ESTRUTURA SOCIAL Como já foi dito.1. Isto é.1. 2. Ocorrência periódica (época do Natal). Inflete para oeste. Microrganismos animais e vegetais da vida aquática (plâncton). Ventos provindos do oeste Ar quente. 4. entretanto. em qualquer comunidade de fala. pelo estabelecimento de um conjunto de normas que definem o modo “correto” de falar. isto é. A variedade padrão é a variedade linguística socialmente mais valorizada de reconhecido prestígio dentro de uma comunidade. Questão 1: A partir dos conhecimentos específicos que já temos do nosso curso. cujo uso é normalmente requerido em situações de interação determinadas. vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais” (Gnerre). 2003 FULGÊNCIO. Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas. em todas as comunidades existem variedades que são consideradas superiores e outras inferiores. Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão). 1. Na realidade objetiva da vida social.1. que se traduz. Lúcia & LIBERATO. Campinas: Alínea. da relação entre os interlocutores etc. 2. mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada comunidade. do assunto tratado. pela seleção de um dos modos de falar entre variedades existentes na comunidade. definidas pela comunidade como próprias em função da formalidade da situação. historicamente coincide com a variedade falada pelas classes sociais altas. como o seguinte: FENÔMENO EL NIÑO 1. Leitura de estudo. CASTELLO-PEREIRA. de um lado. esquematizá-lo e apresentá-los aos colegas por meio do esquema elaborado. a existência de variedades prestigiadas e de variedades não prestigiadas nas sociedades em geral. Aquecimento das águas costeiras do Peru. Tradicionalmente. A língua padrão tem uma enorme importância em sociedades como nossa.1. 5. Desvio da corrente de águas frias. Constata-se. de modo evidente. Alimentos para os peixes. antes de atingir as costas do Peru. Leda Tessari. Como facilitar a leitura. o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos linguísticos dos grupos socialmente dominantes. As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão. . O que chamamos de variedade padrão é o resultado de uma atitude social ante a língua.Comunicação e Expressão 9 Outra forma de apresentar um esquema é por meio de uma listagem hierarquizada por diferenciação de espaço e/ou subdivisão numérica. Yara. de determinadas regiões geográficas. Em nossas sociedades de tradição ocidental.1. que reflete a hierarquia dos grupos sociais. Corrente marítima de Humboldt. “Uma variedade linguística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes.1. Diminuição da quantidade de plâncton. Atividades de pesca do Peru. podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas. Essa coexistência. a variedade padrão. 2000. A LÍNGUA E OS FALANTES 1. 3. há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso. Águas do Oceano Pacífico. 5.

291). para o crime de mesma natureza... Para a Linguística – ciência da linguagem – esse tipo de afirmação carece de qualquer fundamento científico. Em que se baseiam. e o fazemos em função de sua inserção na estrutura social. As línguas não são homogêneas e a variação observável em todas elas é produto de sua história e do seu presente.. aplicava a pena que lhe parecia mais adequada../.. ouvimos falar em línguas “simples”. com palavras escolhidas que realmente representam o que se quer dizer. Variedades linguísticas Ivan Cupertino Dutra Sibele Letícia Rodrigues de Oliveira Biazotto • Língua Culta ou Língua-padrão – variedade praticada pela classe social de prestígio. No Iluminismo. Não casual. No Iluminismo../ . Frequentemente. como a posição dos pronomes em relação aos verbos (. Assim como não existem línguas “inferiores”. mas o falante.Comunicação e Expressão 10 A avaliação social das variedades linguísticas é um fato observável em qualquer comunidade da fala. Exemplo: “Na Antigüidade... as atitudes sociais – se baseiam em critérios não linguísticos: são julgamentos de natureza política e social. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. Exemplo: “Na Antigüidade./)... sem ambigüidades. o r caipira “desagradável”. de classe social baixa. Observamos também que o léxico (vocabulário) é mais bem trabalhado. há obediência também à regência verbal e nominal (. passou-se.. é mais espontânea e natural. ficava sujeito aos humores do juiz.. “inferiores”. Na língua culta ou padrão. na forma escrita. assim. aplicava a pena que parecia a ele mais justa. passou-se a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos.. que lhe parecia mais adequada. por exemplo. aplicar-seia.). podemos perceber a obediência às regras gramaticais.. passou-se a adotar. Consideramos... aplicar-se-ia sempre pena idêntica. entre outros. vol.. 1. 2003. Segue as regras da gramática normativa... um sistema de aplicação de penas. 2. portanto. é um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive./. ou seja. foi questionado esse modelo especialmente com o argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. com pouca escolaridade. de regiões culturalmente desvalorizadas. então. “primitivas”.. p.. julgamos não a fala.. Em razão disso. mas usamos esse mesmo som para falar “car” (carro) em inglês sem achar “feio”. as avaliações sociais? Podemos afirmar que os julgamentos sociais ante a língua – ou melhor. Em resumo. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que.. • Língua Coloquial – utilizada sem muita preocupação em seguir as regras da gramática normativa./ . na imprensa e.. que se julgue “feia” a variedade dos falantes de origem rural. assim. principalmente. foi questionado esse modelo especialmente com o .. é usada na elaboração de documentos oficiais.. Toda língua é adequada à comunidade que utiliza. não existem variedades linguísticas “inferiores”.” (Texto adaptado de MIRABETE. o que também não se revelou um bom critério em razão de que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto.

os outros começaram a achar que desse jeito não era bom porque ficava na vontade do juiz o tamanho do castigo.. Podemos notar exemplos no texto como: . vol.Comunicação e Expressão 11 argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. A questão é a escolha do momento em que podemos utilizá-la.” (Texto adaptado de MIRABETE. se passou a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. 291) Quanto à linguagem familiar. no tempo antigo. Mais também num deu... contém erros por se afastar da norma culta estabelecida. porque só o dotô decidia. que era para ele mais certo. particulares e diminutivos. p. as regras que regem o uso de pronomes não são seguidas (.dotô... porque só o dotô decidia. • Língua Popular – utilizada pelas pessoas de baixa escolaridade. mais que outra. Em razão disso.. usaram uma tal de matemática: todo bandido que matava. como é que o bandido vai pra cadeia? . Exemplo: “Papai. • Língua Familiar – linguagem de caráter afetivo. Por exemplo.. notamos que foram utilizadas palavras mais frequentes entre os falantes. 2003. usaram a aritmética: todo malandro que fazia um presunto.. utilizadas na região do Tocantins. conhecidas. era preciso deixar que o juiz olhasse o erro de cada um para aplicar o castigo merecido. porque só o doutor decidia. ou seja.... conforme o grupo que a utiliza. porque contém expressões emotivas. do ponto de vista das regras gramaticais normativas. vol.... ... 291) Já a linguagem popular. sem preocupação com regras gramaticais. Aí.. com uso recorrente de diminutivos. p. corretivo.. 2003. vol. .. p. mas também pelo vocabulário e pela sintaxe.... ia pro pau de arara. usaram uma tal de matemática: todo cabra que matava. vol.. Exemplo: “Antigamente o castigo do bandido ficava por conta do juiz que dava o castigo que ele achava melhor. Aí. se passou. • Língua Grupal – é dividida em subníveis.” (Texto adaptado de MIRABETE. como idêntica/parecida.. .aí. caso concreto/caso acontecido. etc. .. qualquer falante de uma língua a utiliza..... tudinho... 2003. vol. . Mas há também as gírias de grupos como: de marinheiros.. Depois acharam que não tava certo. 1. gírias: são consideradas efêmeras. Por exemplo: 1. Depois acharam que não tava certo. quando alguém fazia um crime. Talvez em outros estados os falantes considerem diferente ou atribuam outros sentidos a tais expressões. porque como nunca tem crime igual. amizade.. . Aí. para o crime de mesma natureza. caminhoneiros etc.. não era bom. Depois. 2003.. regionalismos: é diferenciada principalmente pela pronúncia. pelos meios de comunicação de massa..muito. ou seja.Filhinho.filhinho.E depois? .” (Texto adaptado de MIRABETE. vivente. Podia acontecer que quem fez alguma coisa muito. etc. . muito errada. tá ligado?” (Texto adaptado de MIRABETE.)... 1.Então. era castigado igual. Depois acharam que não colava. 1. querido. tomava de conta. era corrigido igual. surfistas. principalmente. 291) Regionalismos: podemos citar as expressões: cabra. menos formal e de relativa obediência às regras gramaticais. 2003. muito.. 2.querido. Quanto à escolha do léxico. 1. 291) A linguagem coloquial já ‘burla’ algumas regras gramaticais.mais também. p. Mais também num gostaro porque cada um é cada um. Exemplo: “Antigamente o castigo do meliante ficava por conta do cana dura que dava o castigo que ele achava melhor. o juiz castigava. 291) ..” (Texto adaptado de MIRABETE. entre outras. .. carregada de gírias e regionalismos... o que também não se revelou um bom critério em razão que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso acontecido..gostaro.. p.. 1.. Exemplo: “Antigamente o juiz é que tomava de conta do corretivo do cabra que matava um vivente. se aplicaria sempre pena parecida. se aplicaria. Mas também num foi do agrado de todos. Aí. porque cada um é cada um./.tudinho.. de pouca duração.. começaram a fazer assim: o que a pessoa fez e como era castigada já estava escrito.tava. tivesse castigo parecido ou até que o outro acabasse tendo um castigo muito pior.. porque cada um é cada um.. Vejamos: ...

Levanta os braços. por um sistema de penas rígido. 1. 3. se manda. que são menos volúveis. principalmente na escrita. Isso acontece. vol. dividimos a linguagem grupal em: Línguas técnicas: no exemplo dado. As formas lingüísticas consideradas padrões. mas é pra não ficar muito pesado… Não esquenta. Esse injusto sistema foi substituído. porque esse tipo de correspondência apresenta uma característica muito presente na contemporaneidade: a rapidez. Apesar de sua elaboração aparentemente fácil. sanção. Assaltante Nordestino –Ei. ATIVIDADE Questão 1: Assinale a opção que identifica a variação linguística presente nos textos abaixo. Vou deixar teus documentos na encruzilhada… Assaltante Paulista – Orra. com presença de vocabulário específico. de comércio e de serviços. podemos identificar claramente que se trata de uma linguagem do campo jurídico. bem devagarinho… (longa pausa). meu Padim Ciço. Linguagem na Internet Atualmente.Comunicação e Expressão 12 Gírias: vamos nos concentrar mais nas gírias profissionais. meu irmãozinho (longa pausa). meu… Passa a grana logo. 291) Para classificação. que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Corinthians. mas é que eu tô com uma fome da moléstia… Assaltante Baiano – Ô meu rei… (longa pausa) Isso é um assalto… (longa pausa). meu… Pó. línguas técnicas: são utilizadas pelas várias profissões. Acesso em 06 de fev. localizadas em qualquer parte do mundo. bichin… Isso é um assalto… Arriba os braços e num se bula nem faça muganga… Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão. pois contém expressões como: arbítrio judicial. possam economizar precioso tempo com a troca de informações. empresas e serviço público têm sido feitas. mas não se avexe não… (longa pausa). delito. Exemplo: “Na Antigüidade. meu. 2003. em que pouca ou nenhuma flexibilidade se dava ao juiz para aplicar a sanção. são mais resistentes Disponível em: <Artigos>. No texto encontramos a expressão meliante. Mostrou-se esse critério também inadequado por não poder o julgador sopesar devidamente as circunstâncias do delito para uma melhor correspondência da sanção penal ao agente do fato criminoso” (Texto adaptado de MIRABETE. as correspondências entre pessoas físicas. meu… (A) (B) (C) (D) (E) variação social variação regional variação cultural variação histórica variação padrão A Língua Padrão muda no tempo Este é um fato elementar para quem quer entender as línguas: todas as línguas mudam ao longo do tempo. . p. Se num quiser nem precisa levantar. meu… Alevanta os braços. em decorrência do Iluminismo. pra num ficar cansado… Vai passando a grana. a eficiência dessa forma de comunicação permite que as empresas. Num repara se o berro está sem bala. Além da rapidez. que é considerada gíria do grupo lingüístico de que fazem parte os policiais. 2011. predominantemente. meu… Isso é um assalto. pelo correio eletrônico (e-mail). meu… Mais rápido. por exemplo. ao escrever uma mensagem eletrônica devemos ficar atentos a alguns procedimentos que ajudam a compreensão da mensagem escrita. a fixação da pena ficava inteiramente ao arbítrio judicial.

ou A Constituição nem sempre tem sido obedecida pelas autoridades federais). Outro aspecto que decorre da transformação da língua ao longo do tempo é a convivência (nem sempre pacífica!) entre formas arcaicas e formas contemporâneas. o padrão de Portugal (que determinou na origem o do Brasil) desapareceu quase que por completo. o fenômeno da concordância nos casos em que o sujeito aparece depois do verbo.melhor q a outra a n ser por gosto pessoal).. AFINAL. escritos por bons escritores ou jornalistas.. em vez de Assisti a um filme).porque vivem sob controle severo! . ou Convencer pessoas de que o certo é.Comunicação e Expressão 13 à mudança .. cada uma delas com a sua gramática. os gramáticos. Entretanto. por exemplo. mas mesmo esta é rompida em textos mais informais e nos textos literários. pode-se dizer que a mudança de padrão começa a se consolidar. Na escrita mantém-se mais visivelmente apenas a regra de não se começar período com pronome átono. do tipo foram inauguradas as usinas.(não exist var. Veja-se. isto é. dependendo do ponto de vista. não há como dizer que uma forma linguística é melhor que outra. como o exemplifica o texto do poeta Oswald de Andrade que. as mudanças nunca acontecem subitamente. Na fala.) vão se popularizando e disseminando até o momento em que ninguém mais consegue perceber a nova forma como erro . Nesses casos. e talvez seja muito mais frequente o emprego "errado" que o emprego "certo".. mesmo em textos de boa qualidade. Há uma tendência muito forte na linguagem oral do português brasileiro de tornar transitivos diretos alguns verbos que tradicionalmente eram transitivos indiretos (Assisti um filme. Pouco a pouco.exceto. Nós costumamos “medir nossas palavras”. na década de vinte do século passado. mas do significado social que certas formas linguísticas adquirem nas sociedades. Um exemplo bastante visível é o caso da regência de alguns verbos. Do ponto de vista científico. que por mais que reclamem e vociferem não conseguem “segurar” a mudança. eu aviso ele. eu o aviso. que insiste sistematicamente em recusar algumas normas das gramáticas escolares. criticou veementemente a norma culta muito parecida com o português praticado em Portugal: Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade ) Em outros casos. a tendência já está passando à escrita. Faça um teste: tente convencer pessoas comuns que o certo é dizer Se eu vir fulano. é fato que há uma diferenciação valorativa. Mas aqui a transformação não chegou ao padrão escrito de prestígio. a sua organização estrutural. e não Se eu ver fulano. por exemplo. é claro. E a linguagem é altamente reveladora: ela não .há uma tendência sistemática a não fazer a concordância (Foi inaugurado as usinas).? ATIVIDADES Texto 1: MAS.. a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério. as "novidades" (ou os "erros".. Uma delas é a relativa imprecisão de suas características. Quando o uso chega a esse ponto.mas também mudam. impossível sintaticamente com verbos transitivos indiretos (O jogo Brasil x Argentina foi assistido por milhões de telespectadores dos dois países. Na língua oral . O QUE É LÍNGUA PADRÃO? Já sabemos que as línguas são um conjunto bastante variado de formas linguísticas. porque o nosso ouvinte vai julgar não somente o que se diz.. Vejamos algumas conseqüências que decorrem da mudança. Uma evidência dessa mudança na língua padrão é o fato de que esses verbos tornados transitivos diretos passaram a ocorrer com freqüência na escrita padrão na forma passiva. Falar nisso: o padrão é Convencer pessoas que o certo é. o que costuma ser sintoma de que a mudança está avançando significativamente. Outro caso visível é a colocação dos pronomes no português brasileiro.. que nasce não da diferença desta ou daquela forma em si. entre outras razões. embora seja frequentíssima em textos escolares. a resistência é muito mais forte. mas também quem diz.e isso mesmo nas faixas mais escolarizadas da população .linguist. Mesmo que tenhamos pensado objetivamente a respeito nós sabemos (ou procuramos saber o tempo todo) o que é e o que não é permitido.

No trecho “ela não transmite só informações neutras” (linha 10).colokial e familiar. o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga. mas também” em: “nosso ouvinte vai julgar não somente o que diz. O beijo pode ser no escuro e no claro. Ver marcas e termos usados! Texto 3: Observar a imagem para responder às questões e elaborar texto. a nossa escolaridade. de falar ou escrever. revela também nossa classe social. O parágrafo introduzido por ele serviu para confirmar o que foi dito antes. atualmente.. O articulador “assim” (linha 13) foi usado com o valor exemplificativo e complementar. o nosso ponto de vista. pelo sotaque. a afirmação indica que existem informações neutras. O beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega. tanto na linguagem padrão como na coloquial. A soma das alternativas corretas: a) 12 b) 24 c) 15 d) 28 e) 31 Texto 2: O beijo O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo. Humoristica) Questão 2: Em que variante linguística está escrita a pequena crônica de Millôr Fernandes? Por quê? Que marcas textuais autorizam tal resposta? R:var. n falar algopra n agredir alguém.( n existe inform neutra. a região de onde viemos. outros que ficam aborrecidos e limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam. a nossa intenção. mais beijam.Comunicação e Expressão 14 transmite só informações neutras. Atividade: Questão 1: Sobre o texto acima. mas também quem diz” (linha 9) estabelece uma relação de retificação do argumento da primeira afirmação com o argumento da segunda e acrescenta uma nova informação.. a linguagem também é um índice de poder.p/ exemp. 4. O trecho “a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério (linhas 3 e 4) pode ser parafraseado: “a não ser que nos esqueçamos da ciência e seja adotado o preconceito linguístico ou o gosto pessoal como critério”. Os pronomes “a gente” (linha 3) e “nós” (linha 7) foram usados com o mesmo significado referencial. . mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer. e que o papai deu de raspão na empregada noutro dia.. como a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição. A expressão “não somente. 16. (Millôr Fernandes) (cron.. Tem uns que gostam muito. kemsomos. socialmente aceitável. Esse recurso se caracteriza como variação linguística e pode ser observado. pela forma usada.é quest de adequabilidade) Assim..Medir palavras é n fugir daquilo que é prestabelec pela socied. além de outras informações... Nesse sentido.a partir do que falamos podem identificar de onde vimos. 2. é correto afirmar: 1. 8. na rede das linguagens de uma dada sociedade. a língua padrão ocupa um espaço privilegiado: ela é o conjunto de formas consideradas como o modo correto.ou seja.

com/quadrinhos/31-03-2009_diversas.Que atitude do interlocutor o aviso espera ser colocada em prática? .a que classe social pertence. elaboremos um texto contínuo. ou seja. tipo de variantes as quais estão em questão. por que um dos personagens da tirinha passou mal? Nos argumentos apresentados devemos apresentar informações fundamentadas na teoria. Texto 3: Vamos observar atentamente a tirinha para responder à questão 3. Disponível em: <http://noisnatira.de que sexo é e . . o perfil da hipotética pessoa que escreveu o aviso na parede. aproximadamente.em que local mora a pessoa que o escreveu? Como também. . a adequabilidade ou inadequabilidade do uso das variantes.Após ter todas as respostas às perguntas feitas.Comunicação e Expressão 15 Questão 3: A respeito da placa de papelão na parede em construção: .Que idade tem. Acesso em 15 de mar. Questão 3: A partir dos elementos verbais (palavras) e não verbais (imagens) do texto 1 (charge). sem tópicos. a circunstância em que elas ocorrem.png>. LÍNGUA E ESCRITA FALAR E ESCREVER . no qual apareçam todas as informações. que motivo a obrigou a escrever tal texto? . com coesão e coerência. como por exemplo. .2010.que profissão exerce.

A língua dominante é o teto. mostrando o resultado. Livre consulta. de tempos em tempos aparecem em torno de reforma ortográfica da língua portuguesa que encontraremos escritores.Prosódia e entonação x sinais gráficos .Unidade temática: flutuação x rigidez . quando. que a língua não dispõe de uma gramática normativa. redirecionando-o a partir das reações do interlocutor. é um dos poucos traços fortes que une o país a seu passado português. Distinções específicas entre fala e escrita . Escrita Interação à distância. Carlos Alberto. Por força da tradição escolar e da própria ideia de autoridade que emana da escrita.Redundâncias x concisão . Criação individual. invertendo o curso da história. parece-nos mesmo que a “verdadeira língua” é escrita. tem uma forte tendência a confundir língua com representação gráfica da língua (escrita). O escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor. Não se trata simplesmente de uma confusão de ignorantes: basta acompanhar as discussões que. na verdade. Possibilidade de revisão. Já a palavra “dicionário” foi bem usada – um erro equivalente. a . Acesso imediato às reações do interlocutor. FALA E ESCRITA Condições de produção Fala Interação face a face. é qualidade intrínseca de qualquer língua. de um livro que descreva as regras da língua. o catolicismo. Criação coletiva: administrada passo a passo. Frágil infraestrutura existente foi destruída nas duas semanas entre o plebiscito e a chegada das tropas de paz da ONU. sendo a fala uma espécie de subproduto dela. que. Sem condições de consulta a outros textos. como vimos. o sistema altamente complexo que os falantes usam no seu dia a dia. O redator quis dizer. A identificação de língua com escrita leva a confusão grosseira na própria noção de gramática. A reformulação é promovida apenas pelo escritor. o máximo que uma reforma ortográfica consegue é mudar o modo como se grafam as palavras.Interlocutor: presença x ausência . A religião praticada pela maioria. Planejamento simultâneo ou quase simultâneo à produção. O texto tende a esconder o seu processo de criação. Planejamento anterior à produção. (FARACO.Comunicação e Expressão 16 A cultura letrada. Veja este trecho de uma revista semanal sobre a situação em Timor Leste: Timor Leste é uma ilha do tamanho do município de Manaus. isto é. em geral. isto é. deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão e a escrita constitui-se em outra forma de comunicação.Aprendizagem “natural” x aprendizagem “artificial” O estudo da Retextualização. Petrópolis.Ampla variedade x modalidade única (“língua padrão”) . jornalistas e intelectuais em geral se manifestando sobre “mudança da língua”. A reformulação pode ser promovida tanto pelo falante como pelo interlocutor. que devemos “falar como escrevemos”. Sem possibilidade de acesso imediato. o que é um absurdo. 17 ed. Mas é claro que a língua tem gramática. ao transpor da conversa espontânea para o texto escrito. com população equivalente à de Campinas e dividida em 36 etnias. Rio de Janeiro: Vozes. 2008). Práticas de texto para estudantes universitários. O falante pode processar o texto. nesse caso.Frases mais curtas x frases mais longas . O texto mostra todo o seu processo de criação. seria dizer que a língua não tem “vocabulário”. Impossibilidade de apagamento. de menor importância e sem nenhum prestígio. Há mesmo quem diga.Elementos extralingüísticos x sinais gráficos . Nenhuma reforma ortográfica no mundo muda a língua. que não tem gramática nem dicionário. naturalmente.

Minas Gerais. profissão) c) transpor o texto oral para a modalidade escrita. (Ead Conectado: Vanessa Loureiro Correa) Como você. não só por existir apenas na nossa língua. Quanto à palavra mais bonita da Língua Portuguesa. em entrevista.... jornalista. uma:: pirigosa brincadeira que fazíamos em Ponte Nova. ele destaca saudade. objetividade.. as idéias organizadas mentalmente ajudam-nos a escrever com clareza... tem .Comunicação e Expressão 17 qual deve ser clara. um humilde operário das letras.. o jornal Zero Hora publica uma entrevista que Márcio Pinheiro fez ao jornalista Zuenir Ventura. elis omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus E sobre o centro da cidade? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas éh::: sei lá . sem falar no sentido.. vamos: a) identificar as características típicas da fala (oralidade). quando criança. sua cidade natal. gênero.... onde fui criado:: atravessar uma ponte:: . sendo sua lembrança mais antiga da infância. Assim. Exemplo de retextualização – transposição da conversa espontânea em texto escrito: Zuenir Ventura. onde vive.. elegância.tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu. ATIVIDADES Vamos ler o segmento abaixo e responder à questão 1? Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::..sou. MP – Qual a palavra mais bonita da Língua Portuguesa? ZV – Saudade::. ah ah. existe:: apenas na nossa língua:: como pela sonoridade. pode perceber.. Texto 2: HISTÓRIA DE VAQUEIROS . aluno.05. afirma que costumava brincar. sou. de atravessar uma ponte antes da passagem do trem. ZV – Eu::... nível de escolaridade. MP – Defina-se. poco antes de o trem passá... idade. MP – Qual a sua lembrança de infância mais remota? ZV – Era. direta. a passagem do texto oral para o escrito constitui-se na organização da escrita... Questão 1: A partir do texto acima.. mas também pelo significado e sonoridade.06. O autor do livro 1968 termina a entrevista definindo-se como um humilde operário das letras.... b) elaborar o perfil do/a falante (classe social. tem muitus crianças ah.. coesão e coerência. pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: muitas coisas assim extragada né? cumidas ex. coerente e elegante. coesa. na cidade de Ponte Nova. respeitando aspectos de clareza. Conversação espontânea Em reportagem do dia 19. não só pela o-ri-gi-na-lida-de.. Minas.

Ranca-tôco ribadêro = perito em matéria de mato e capoeirões Lubião = qualquer produtor de vaca. diz-se que o animal ficou na ribada. mão faca na venta e sangue no chão e a lua oumenta o quilarão faca na venta e boi no chão mais foi tanto dos vaguêro qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-dasContas Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuros pelas mão mermo cantano um dia interô num manajo todos não as Guariba é um cruzamento in toda tarde de dumingo hai um grande ajuntamento de muita gente e malungo moça bunita perdedêra Bragadá sua perdição boi das arma branca cara preta catravo de pé e mão fera sturrano cavava o chão surucucú de dois ferrão malvado e brabo pegô Juão derna o tempo de minino fazia pur brincadêra pegá bicho remeteno de mão pilunga ô pitêra dentra da venda in descursão entrô os vaquêro de lá pruns olhos bunito cum ferrão pulô a cerca bragadá a noite intêra bebeu dançô na brincadêra no Tomba virô moça bunita laço de amô pelo triz de um momento da peleja in certa altura viu nos olhos da morena ispelhada u'a mancha iscura faca na venta o boi morreno Bragadá caiu no chão cum o vazí rasgado'stremeceno parava o saingue c'as mão amô nun sei pru modi quê facilitei olhei voce foi pur teus olhos pur a fulô pegava o boi boi me pegô édura a sorte do pegadô morrê da morte chifrada amô mais foi tanto dos vaguêro qui renô no meu sertão qui cantano o dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro nun menajo todos não mermo cantano um dia intêro nun menajo meus irmão . João Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro num menajo todos não certa feita vô contá só um feito desse vaquêro foi chamado pra pegá um levantado marruêro Morada Velha do Olivêra Lagoa do Pancadão Tiquiano foi só cum a pitêra a Ri-de-Conta e sem gibão mêa noite e lua e um quilarão pontô o bicho na bibida vino do fundo da mata na lagoa de pureza feito u'a bacia de prata qui buniteza nessa hora só lamento nun tá lá e sem mais demora Tiquiano gritô: vem bichão vem cá! riscô um tufão feito um raiá já cum bicho bem pegado ma ponta do pau-de-ferro pelos mistero da hora in qui num pode havê êrro o incapetado lubisomi 'stremeceu soltô truvão já tava intregano ao bicho home as alma nas palma das Vocabulário: Reno= reinou num menajo = não homenageio ranca toco= perito ribadêro = vem de ´ribada´. e se interna no mato ou nos capoeirões. Ele é de Vitória da Conquista-BA) Mais foi tanto dos vaquero qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro num menajo todos não. contanto que seja de pelagem preta e meio desaforado. Na viagem do gado. também em dialeto.Comunicação e Expressão 18 (Elomar Figueira Mello. cabra. ou ovelha. quando uma rês desvia-se do rebanho. um dos maiores músicos e violeiros do nosso país.

do fundo da mata. d. Lubisoni = lobisomem. Gibão = casaco de couro de veado ou de bodão. trata da brutalidade de pessoas incultas do interior do Brasil. região do Palmeira.Comunicação e Expressão 19 Turuna = sinônimo de ranca-tôco Frechêro = cabrito ou bodete de cabra na faixa dos seis ou sete meses de idade. embora trate de assunto comum como a bravura dos vaqueiros brasileiros e do amor que é tema universal. Risco um tufão feito um raiá = ante o chamado do vaqueiro. como o vaqueiro tipo Bragadá. pouso de tropas e de encontro de vaqueiros. por tal. Ele é escrito em português arcaico ou na variante inculta. pelo contrário. a expressão “pelo triz de um momento” expressa que as atitudes. a intensidade e a transferência de planos da vida para o mundo mágico. pau-de-ferro. durante o combate. a letra da música não apresenta poeticidade ou lirismo. d. no caso. vara trabalhada em cuja base. Catravo de pé e mão = diz-se catravo qualquer espécie de animal que tenha os pés e as mãos (até uma pequena altura) de cor diferente da do resto do corpo. Triz de um momento = fração infinitesimal de tempo. b. está encravado um bico de ferro. O vaqueiro. na sua imagem. nem sempre deve ser desprezada. na fúria da peleja. o conteúdo fica para além da estória que capta os tios regionais que lhes dá o nome de heróis. infinitamente pequena – que. e 4) a. Viu nos olhos da morena/ ispelhada u´a mancha iscura = no ferver do sangue. sendo mais comum a cor branca. tipo de arma branca artisticamente trabalhada. Questão 1 Vamos entender as seguintes afirmações sobre o texto de Elomar Figueira Mello: a) o texto de Elomar apresenta caráter épico. pelo fato de tratar da luta do homem diante das forças naturais. É uma luta simbólica e ancestral do homem contra a dominação da besta. e 3) a. Derna = desde. o texto de Elomar é de difícil decodificação. falado especificamente por pessoas idosas as quais vivem no interior do país. Sururú = jararaca grande. Ri-de-conta = faca. pedaço de pau feito um cabo de machado. Pilunga = porrete. c. Arma branca = cornos. ponto onde se cruzam corredores e estradas reais. pelo “levantado marruêro”. de um lado. como o estampido do clarão de um raio. recheada por elementos do mundo rural. a moça bonita perdera. d. Na brincadeira do Tomba-virô = na festa do lugar chamado Tomba-virô. e 5) todas 6) nenhuma Questão 2: Transpor o texto “Histórias de vaqueiros” para a modalidade escrita (retextualização) . Vazí = ventre. pelo viril e bravo vaqueiro e. b) c) d) e) Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1) a. puderam ser pensadas antes de serem executadas. guiada. em dialeto catingueiro. Pegá bicho remeteno = enfrentar boi enraivecido e furioso. o boi investiu contra o moço com muita velocidade e grande fúria. e 2) c. chifres brancos. sem contato com as mudanças pelas quais passa a língua materna. o já idoso vaqueiro Bragadá descobriu que estava ferido ao ver sua imagem refletida no cristal dos olhos da moça e. Pruns = por uns. Pitêra = ferrão. vindo do mundo dos homens. no canto de homenagem e celebração da bravura. Pur a fulo = pela flor. que abandonou o rebanho e passou a uma vida solitária nos ermos. representada. de outro. E a lua omenta o quilarão = e a lua aumenta o clarão. Guariba = localidade na zona da Mata (estado da Bahia) abaixo da cidade de Itapetinga. o ajuntamento das pessoas no vazio daquelas tardes imensas. com a proteção de forte charrua. a mancha vermelha na camisa. Certa feita = em certa ocasião Pegá um levantado marruêro = matar um touro que se alevantou. d. Ponto o bicho na bibida = surgiu o touro na aguada. o bicho.

a causa do fato • "Como" . Foi o que aconteceu agora em Ubá (MG). para cada interlocutor. vamos ouvir algumas notícias divulgadas em rádio para não faltar no nosso texto. A intenção de trabalhar a retextualização em sala de aula é promover uma certa adversidade de textos. na hora do enterro. É que os bêbados fecharam o caixão. Enfim. ou seja. num cortejo meio ziguezagueando e num compasso mais de rancho que de féretro. De manhã. Levaram. 2011 Questão 1: Vamos transpor a crônica de Stanislaw Ponte Preta em criativo texto noticioso para rádio. de relativa estabilidade. para transpor de uma modalidade para outra ou de um gênero para outro.o modo como o fato ocorreu QUALIDADES TEXTUAIS .o fato ocorrido • "Quem" . Também não podemos nos esquecer de que a atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos que deve informar ao público: • "O quê" . em cada lugar.Comunicação e Expressão 20 RETEXTUALIZAÇÃO Entende-se por retextualização o processo de transformação de uma modalidade textual para outra. mas esqueceram o falecido em cima da mesa. a maior espinafração da vizinha do pranteado Nicolino. inevitavelmente. Sabem como é. tendo em vista a variedade de gêneros possíveis para as muitas situações comunicativas. Morreu lá um tal de Nicolino. Para retextualizar. Dentre elas.com/redacao/cronica>. dependendo das necessidades dos falantes que os utilizam. (Stanislaw Ponte Preta = Sérgio Porto) Disponível em: <http://www. Acesso em 05 de fev. 2007) Texto 3: crônica Choro. O ensino de português não pode acontecer sem que todos esses aspectos sejam levados em consideração. trata-se de uma refacção e reescrita de um texto para o outro. antes de realizar a tarefa. então.o local do fato • "Quando" . As escolhas envolvem tanto o melhor modo de construção do texto. levando tudo para o velório.o momento do fato • "Por quê" .coladaweb. pobre só tem amigo pobre e. fecharam o caixão e foram para o cemitério. é preciso. Para tanto. na esperança de ter sobrado alguma cachacinha no fundo da garrafa. numa indigência que eu vou te contar. ao objetivo almejado. terra do grande Ari Barroso. ou seja. Mas — bem ou mal — lá chegaram. as pessoas se expressam de maneira diferente. a cada situação. por exemplo. as formas gramaticais mais adequadas e tudo que está diretamente vinculado à função de cada texto. (DELL’ISOLA. sendo que alguns podem desaparecer e outros podem surgir. Retextualização de Gêneros Escritos – Rio de Janeiro: Lucerna. sujeita a mudanças ocorridas na sociedade. portanto. lá abriram a cova e lá enterraram o caixão. alguns amigos de Nicolino compraram um caixão e algumas garrafas de cangibrina. a chamada aos ouvintes e o tom rápido e detalhado. portanto as produções – orais ou escritas – partem de um objetivo que certamente. Todo texto tem sempre uma finalidade. veia e cachaça Enterro de pobre sempre tem cachaça. foram lá enterrar. vai interferir no modo como vamos falar ou escrever. é preciso haver um incentivo qualquer para a turma subnutrida poder aguentar a noite inteira com o ar compungido que o extinto merece. a cachacinha é inevitável. As atividades de retextualização englobam várias operações que favorecem o trabalho com a produção de texto. processo que envolve operações que evidenciam o funcionamento social da linguagem.o personagem envolvido • "Onde" . Passaram a noite velando o morto e entornando a cachaça. produzem gêneros textuais. Assim. ressalta-se um aspecto de imensa importância que é a compreensão do que foi dito ou escrito para que se produza outro texto. Depois voltaram até a casa do mono. Segundo telegrama vindo de Ubá. Partimos de escolhas. que seja entendido o que se disse ou se quis dizer. o que se escreveu e os feitos de sentido gerados pelo texto escrito. às situações de uso. seja num bairro pobre da cidade do interior. É para ajudar a velar pelo falecido. seja numa favela carioca. Regina Lúcia Péret.

a relação. Nesse caso. por coesão se entende a ligação. “um profissional criativo estimula seu cérebro também nas horas de lazer. sem rodeios de palavras. exceto quando ela é utilizada como recurso de retórica. se a pessoa que ler a frase não souber que penosa é gíria de galinha. toma medidas. Ex: Juca não está indo bem na escola. A ambiguidade impede a clareza do texto. (BELLUCI. Adriane. concisão. ou ainda. Criatividade – A originalidade de um texto acrescenta-lhe uma importância muito grande. 30 abr. frequentemente.94. Ler bastante. o resultado final não atinge seu objetivo. Para Oliveira (2003). além de mostrar ao leitor algo diferente. sendo uma unidade semântica. já nos solicitaram a produção de um texto. Podemos comparar essa tessitura com o “bom caimento” de uma roupa. Exemplo de texto ambíguo: A cobra matou a penosa no seu ninho. viajar para conhecer outras culturas. É muito importante memorizar as conjunções e seus significados para que haja coesão e coerência na elaboração das diversas frases. coesão. um colega de reunião de associação de moradores de bairro. eu não sei fazer um texto!” Em seguida. frequentar cinema e teatro. . sem circunlóquios. Um professor em sala de aula. Concisão – é a qualidade do texto em ser preciso. – Bauru. criatividade e correção gramatical. Como uma roupa em que todos os detalhes devem se harmonizar. o texto. novo. 2003).Comunicação e Expressão 21 O SIGNIFICADO DE TEXTO Por inúmeras vezes na vida. clareza. Desperta a curiosidade. Além disso. concisão. coesão. São eles: criatividade. criativo. coerência e correção gramatical. escolhe os aviamentos. sem provocar dúvidas ao seu leitor. a modista escolhe o modelo. os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual. vendo que não há outra saída. Coesão – Segundo Koch (2001). nossa primeira reação? Nossa primeira reação vem com um sentido de rejeição: “Ah. ter um hobby que exige atenção constante – como jogos de computador ou esportes radicais constitui um padrão entre os que são bem-sucedidos”. a admiração. traça o molde. é o uso dos conectivos adequados à correta ligação entre palavras e frases no texto. p. no exercício de matemática tirou zero. precisa coerência. Clareza – A clareza é uma qualidade essencial de qualquer texto. O texto é claro quando é facilmente entendido. 2003). não se sabe se o ninho é da cobra ou da galinha. São Paulo: EDUSC. E qual é. a produção de um texto requer também que se observem elementos para uma boa tessitura. ou um chefe no local de trabalho. tais como: • sobre o que escrever? • como organizar as ideias? • que sequência utilizar? • como escolher as palavras adequadas e estabelecer a conexão entre elas? Assim como para confeccionar uma roupa. colocamo-nos a refletir: “Como eu vou fazer um texto?” Este questionamento traz à mente uma série de requisitos necessários para a composição de um texto. Fatores que contribuem para a produção de um texto de qualidade Na obra Texto técnico – guia de pesquisa e de redação. o tecido. Oliveira (2003) coloca seis cês que contribuem para a construção de um texto de qualidade. Um erro muito comum é o uso de um conectivo não correspondente à relação lógica presente entre dois trechos do texto. Segundo pesquisa na Flórida (VEJA. Se houver qualquer falhar. ficará sem entendê-la ainda mais. ou seja. clareza. Nesse caso. Os Degraus da Produção Textual. foi usado um conectivo que indica contraste no lugar do de exemplificação (por exemplo) ou de reafirmação (de fato). entretanto.

sem incorreções ou desvios gramaticais. na pior das hipóteses. esconde na verdade um problema grave no português moderno: a dificuldade do falante em se expressar em sua língua materna. Valendo-se da função de apresentar termos e expressões em sentido figurado. ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. no mesmo tema. não tem o poder de formar uma ironia. o uso das aspas nunca foi tão prestigiado. porque faltou repertório. portanto ser entendida como um princípio de interpretabilidade. Correção gramatical – é o uso da língua de acordo com os padrões da norma culta. Mas essa capacidade de reinventar a língua de acordo com a necessidade e com as ferramentas linguísticas disponíveis não para aí. Na edição passada. a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto. É possível constatar que o vocabulário do brasileiro está gradativamente mais escasso. muitos brasileiros têm utilizado esse artifício para disfarçar outro problema: o conhecimento cada vez menor do léxico. com o exemplo dos usos equivocados do “onde”. como. numa entrevista de emprego e em outras situações semelhantes. “A ‘mulher de vida quase fácil’ se tornou celebridade” são exemplos de frases retiradas de textos de prévestibulandos em que é possível inferir que as tais mulheres às quais os alunos se referem – a “perdida” e a de “vida quase fácil” – são prostitutas. realçar palavras e apresentar palavras em sentido figurado e/ ou gírias. O fenômeno do uso excessivo das aspas. outra palavra que lembre a ideia que se pretende transmitir. é uma sequência de palavras e expressões próprias da língua falada. sem a construção adequada no interior da argumentação. Além. a coluna gramática moderna tratou sobre o jeito muito criativo de o brasileiro reconstruir a gramática. de Andréia Neiva. Que mal há em criar em cima da língua que falamos? O que. uma após a outra. da revista Discutindo a Língua Portuguesa para respondermos às questões: “Jeitinho” O uso exagerado das aspas – que muitas vezes reflete a falta de vocabulário na redação – está impregnando também a linguagem falada. entre aspas. que deveria ter certo aspecto formal. meretrizes. não como quis nem como gostaria. de ter grande função estilística no texto. que remeta a essa ideia? Não haveria obstáculo se a artimanha fosse ocasional. ou seja. garotas de programa. profissionais do sexo. a formação de ironia. é o que faz o texto fazer sentido para os usuários. Fica claro é que o pequeno vocabulário do discente o levou a escrever como pôde. Assim. outra grande reinvenção do famoso “jeitinho brasileiro”. parece rabugice de professor. sem planejamento real. “A ‘mulher perdida’ não pode ser exemplo para a sociedade” ou ainda.Comunicação e Expressão 22 Outro defeito é o uso constante de conectivos aditivos (e. sem dúvida. O uso das aspas é. transferidas de forma indiscriminada à modalidade escrita. Para solucionar esse problema. ou. Também é comum a expressão “por exemplo. vem gradativamente também afetando a língua falada. além disso) para ligar entre si frases escritas ao acaso. entre aspas. é muito comum. manter suas especificidades (já que ninguém escreve como fala). Por causa desse artifício. Isso é verificado no cotidiano e até mesmo na . num vestibular. que não exemplifica o que veio antes”. isto é. E pensará o leitor: que problema há em esquecer e/ou não conhecer a palavra mais adequada para representar uma ideia e substituí-la por um vocábulo. o povo conhecido pelo seu jeito especial de lidar com as situações adversas do dia a dia desenvolveu o remédio de usar. recorreu-se ao uso das aspas. principalmente nos textos cujos autores são jovens. Assim. Não o é. o elemento tem a função de delimitar citações. O que se vê. no entanto é importante ressaltar que o sinal gráfico sozinho. depois. Vale lembrar que não faltam palavras no vocabulário brasileiro quando o assunto é sexo. Coerência – Para Koch (2001). à primeira vista. também. Leiamos o artigo “Jeitinho”. por exemplo. as redações “naum” virem exatamente escritas como se esperaria. é claro. entre outros tantos substantivos que poderiam ter sido escolhidos. Na gramática tradicional. que já é sentido há algum tempo na escrita. devendo.

Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. Em seu conto “Funes el Memorioso”. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados? Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados. E em todas as outras já virou piada sem graça. cada palavra. no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas. cada rajada de vento. seríamos desalmados. não filtrado nem organizado. A ciência só se torna dogmática. todo o resto foi eliminado. o qual sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante. O escritor Angelo Panebianco argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade. Felizmente. a internet oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore. diz Panebianco. Mas muitas das vezes é falta de vocabulário mesmo. resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota. um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes. de Einstein ou Copérnico. Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin. de 1942. Seus paradigmas. cada sentença. Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento? Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade? A questão é importante. Questão 03: Quem já usou aspas pelo fato de o repertório do léxico ser restrito? Em que situação.Comunicação e Expressão 23 mídia. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas. Para que uma discussão seja compreendida por todos. por exemplo? Atividades Texto: A FALIBILIDADE DA CIÊNCIA 20/06/2010 Umberto Eco Como uma totalidade de conteúdo. Se temos um problema. a própria entonação já daria conta de expressar. todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra. Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica. Sem a . é também o resultado da filtragem desses dados. pelo uso das aspas na comunicação oral com o já famoso gesto feito com os dedos. que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos. sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. cada sabor. mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. Questão 01: Qual é a tese defendida pela autora do texto “Jeitinho” e que argumentos que ela usa para defender tal tese. precisamos começar a partir dos paradigmas existentes. Se fosse simples ironia. Questão 02: Vamos identificar pelo menos dois fragmentos em que a autora usou aspas e dizer por que ela as usou. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. Uma cultura opera de forma semelhante. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates.

Comunicação e Expressão

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rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível. Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente. Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.” Tradução: Eloise De Vylder Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/umberto-eco/2010/06/20/afalibilidade-da-ciencia.jhtm>. Acesso em 20 de jun. 2010. Notas: - PTOLOMEU: Astrônomo e geógrafo grego (90?-168?). Um dos últimos grandes cientistas da Grécia antiga, é autor dos estudos de astronomia mais importantes produzidos antes de Copérnico e Galileu. Nasce em Ptolemaida, com o nome de Cláudio Ptolomeu, e vive em Alexandria entre os anos de 120 e 145. Durante esse período, registra várias de suas observações astronômicas. Entre outras coisas afirma que a Terra é o centro do universo. O sistema ptolomaico, em que a Terra aparece como o centro, é adotado pela Igreja Católica durante toda a Idade Média, até ser derrubada pelas teorias de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Disponível em: <http://www.algosobre.com.br/biografias/ptolomeu.html>. Acesso em 07 de fev. 2011. - NICOLAU COPÉRNICO: Nascido na Polônia, no ano de 1473, Nicolau Copérnico é considerado o fundador da Astronomia moderna. Antes de sua teoria, os homens consideravam como verdadeira a tese de um cientista grego chamado Ptolomeu, que defendia a idéia de que a Terra era o centro do universo. Contrário a esta idéia, Copérnico não se convenceu da idéia de que o Sol e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Por esta razão, defendeu a tese de todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do Sol
Disponível em: <(Heliocentrismo)>. Acesso em 07 de fev. 2011.

Questão 1: Que tese é defendida por Umberto Eco no texto “Falibilidade da ciência”? Que argumentos ele utiliza para construir tal ponto de vista? Questão 2: Vamos pensar a respeito e responder às seguintes perguntas: a) que desafio e/ou necessidade o semioticista italiano sugere às pessoas dos tempos atuais? Justificativa: b) que sentido/s estabelece o conectivo MAS no início do segundo parágrafo do texto? Comentário: c) como entendemos as afirmações de que a ciência é antidogmática, porém ela, em algumas situações, pode ser dogmática? Você lembra algum exemplo semelhante ao de Copérnico em relação a Ptolomeu? Explicitação: d) “Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados?”. Por quê? Questão 3: Quanto à construção do texto: - há coerência? Por quê? Que elementos de coesão identificamos nele? - conseguimos identificar os seis CÊS nesse texto de Umberto Eco? Que marcas textuais nos autorizam a responder a essa pergunta?

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- o que mais me chama a atenção nesse texto? por quê? COERÊNCIA TEXTUAL As metarregras da coerência Um francês chamado Michel Charolles descobriu quatro princípios responsáveis pela coerência. Chamou-os de metarregras da coerência. São elas: fundamentais

1. Metarregra da repetição — um texto coerente deve ter elementos recorrentes; nada mais é do
que aquilo que chamamos de coesão textual. O fato de, em uma frase, recuperarmos termos de frases anteriores, por meio de pronomes, apagamentos ou elementos lexicais constitui um processo de repetição ou recorrência. A coesão textual é, portanto, a primeira condição para que um texto seja coerente. Vejamos o exemplo: A imprensa internacional cobre a violência no Brasil de uma maneira tão sensacionalista que os estrangeiros ficam com a impressão de que nossas ruas são mais perigosas do que elas realmente são. Essa cobertura não apenas afugenta os turistas como também pinta uma imagem falsa, do país e do mundo em geral. No trecho acima, há metarregra da repetição, porque há termos recuperando informações anteriores, por exemplo, elas, essa cobertura.

2. Metarregra de progressão — um texto coerente deve apresentar renovação do suporte
semântico; nos diz que um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai sendo escrito. Vejamos o texto a seguir: Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres, ou seja: pega a colher, o garfo e não olha para o prato de comida. Ela não se alimenta. Brinca apenas. Diverte-se com uma colher e um garfo e o prato fica na mesa. O ato de brincar substitui o ato de alimentar-se. Não há no exemplo dado informações significativas novas, há sim repetição do que já foi dito. Poderíamos reduzir esta informação a: “Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres”.

3. Metarregra da não-contradição — Em um texto coerente, o que se diz depois não pode
contradizer o que se disse antes ou o que ficou pressuposto; nos diz que cada pedaço do texto deve "fazer sentido" com o que se disse antes. Vejamos o texto abaixo: Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc. Sabemos que um das qualidades de um bom texto é não haver contradição, e no texto do exemplo acima há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que havia fumaça espessa que não permitia ver ninguém e, depois, cita os tipos de pessoas que estavam na festa. É um texto sem credibilidade argumentativa.

4. Metarregra de relação — Em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um
estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto: Em nosso pequeno vilarejo aconteceu, certa vez, um caso bastante curioso. Havia ali um coronel muito matuto que vivia assombrando os moradores da cidade com suas bravatas. Numa manhã de domingo, no dia da festa da padroeira, ele acordou morto e todo pronto para conduzir o turíbulo que, de véspera, havia dormido em sua casa. Depois do café matinal, fez-se uma grande

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aglomeração de pessoas diante da casa do coronel: foi a primeira vez que tivemos um engarrafamento de 15 km: carros, motocicletas, triciclos, bicicletas e mesmo pedestres aguardavam atentos pelas palavras do coronel nas primeiras horas do dia de seu enterro. O que mais chama a atenção nesse texto é o fato de o coronel estar morto e, mesmo assim, estar pronto para carregar o turíbulo. Além disso, é estranho o fato de os moradores aguardarem seu pronunciamento matinal. Ao ler o texto, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a de que se trata de um “causo”, não de um fato verídico. Isso porque no “mundo real” não existe a possibilidade de se acordar morto, de um morto carregar um turíbulo e, menos ainda, de um morto fazer pronunciamento em festa de padroeira. Atividade Questão 1: Leia o excerto de texto abaixo e identifique a (s) metarregra (s) de coerência que foram infringidas. Reconstrua-os para torná-los coerentes, atendendo às metarregras da coerência textual. a) São Paulo tem uma extensão territorial superior à de muitos países do continente europeu e podendo comparar perfeitamente em seu seio uma população de mais de quarenta milhões de habitantes, ninguém poderá dizer que São Paulo não possui os elementos necessários para tornar efetiva a sua autonomia política. Em São Paulo, a hipótese separatista foi abortada. O discurso do presidente da República caminha para o separatismo famélico entre o Norte e o Sul. Uma das perversidades da política brasileira é a demagogia. b) Um dos cuidados que devemos ter quando redigimos um texto é com a repetição de palavras no texto. A repetição de palavras é muitas vezes inoportuna, torna o texto cansativo e deselegante. Sendo assim, seria interessante que editores de texto pudessem oferecer uma funcionalidade que ajudasse o escritor a controlar a repetição de palavras no texto indicando quantas vezes uma palavra já foi usada no texto e em que situação. c) Minha amiga foi para Porto seguro, recomendou a viagem para todos e afirmou que jamais retornaria ao local.

AMBIGUIDADE
“Ambiguidade – Latim ambiguu(m), ambíguo, que apresenta duas faces, dois sentidos”. “O vocábulo ambiguidade emprega-se em Gramática para designar os equívocos de sentido provenientes de construção defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios”. “Em crítica literária, a palavra foi introduzida por William Empson (...). A seu ver, a ambiguidade consiste em toda nuança verbal, posto ligeira, que dê lugar a diferentes reações ao mesmo fragmento de linguagem”. (MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974). Texto 1: Placa

Umberto.br. É preciso que elas sejam logicamente ordenadas a fim de que o receptor siga o fio do discurso e seja capaz de entender aquilo que desejamos comunicar. A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO O texto é uma máquina preguiçosa. O parágrafo Você sabe que. Acesso em 02 de fev.Placasridículas.Comunicação e Expressão 27 Disponível em: <www. não basta reunir qualquer conjunto de frases ordenadas de forma aleatória.Acesso em 07 de fev. São Paulo. (ECO. sem nos esquecermos dos seis cês. que exige do leitor um renhido trabalho cooperativo para preencher espaços não-ditos que ficaram. . sistematizemos por escrito o que conversamos. 11).com. Lector in fabula. para elaborar um texto coerente. 1. por assim dizer.>. 1979 p.blogspot. O parágrafo – como um microtexto – deve obviamente apresentar essa organização. 2011 .com/>. Perspectiva. em branco. 2011. Em seguida. vamos identificar possíveis leituras que as imagens anteriores (placa e charge) sugerem.A partir do primeiro e do terceiro conceitos sobre ambiguidade. Texto 2: charge Disponível em: <osnigomes.

2. b) O desenvolvimento do parágrafo Nessa etapa de redação do parágrafo. Há várias formas de ordenação do desenvolvimento.Comunicação e Expressão 28 1. em primeiro lugar. em primeiro lugar. é mais fácil fixar o objetivo que deverá orientar a redação do parágrafo. b) A fixação do objetivo: delimitado o assunto. No entanto. enumeração de detalhes. o redator passa a expandir as ideias indicadas no tópico frasal. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. e com que finalidade. Para isso. A redação Etapas prévias a) A delimitação do assunto: a restrição ou delimitação do assunto é necessária para que possamos organizar o parágrafo com mais facilidade. fixado o objetivo que deverá orientar o parágrafo. Porém. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. definição. há. Você deve estabelecer para que vai escrever sobre determinado assunto. 646 páginas – O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para escrever essa história compacta da ciência é duplamente inovador. constrói um plano de desenvolvimento. os ordena. Em primeiro lugar. que servirá como forma de controle. dependendo da natureza do assunto. entre elas: exemplificação. Exemplo: Os descobridores. o desenvolvimento e a conclusão. comparação. ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de experimentos que costumam rechear as obras de referência. diferentes formas de construção do parágrafo. A fim de ordená-los. constituída por um ou mais de um período. a que geralmente se agregam outras. de maneira geral e sucinta. uma ou mais frases que expressem o objetivo escolhido. o tópico frasal garante que você não se afaste do objetivo estabelecido. de Daniel J. Na sequência da nossa exposição. tempo-espaço. Essa ou essas frases iniciais do parágrafo que traduzem. a ideia-tópico. as quais variam conforme o objetivo fixado para a redação. A estruturação O chamado parágrafo-padrão é constituído de três partes essenciais: o tópico frasal. seja qual for a forma de ordenação empregada. do gênero da composição. 1. também. seleciona aspectos ou detalhes particulares que desenvolvam a frase-núcleo e. em seguida. assim como há diversos processos de desenvolvimento e ordenação de idéias. como . A conceituação “0 parágrafo é uma unidade de composição. A segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de alguns instrumentos. 0 conceito acima aplica-se ao chamado parágrafo-padrão. TÓPICO FRASAL (introdução) DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO OU TRANSIÇÃO a) A formulação do tópico frasal Delimitado o assunto. causaconsequência. (0thon Garcia). a ideia-núcleo do parágrafo constituem o que se chama tópico frasal. Assim. Civilização Brasileira.1. A fixação clara do objetivo facilita a seleção e a ordenação das ideias. mas intimamente relacionadas pelo sentido”. explicitaremos cada uma dessas partes. É importante redigir. entediando o leitor não especializado. secundárias. você poderá começar a escrever. ele. Boorstin. em que se desenvolve ou se explana determinada idéia central. a preocupação maior do autor deve ser a de fundamentar de maneira clara e convincente as ideias que defende ou expõe. mantendo a coerência do texto. do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o texto escrito.

desenvolvimento e conclusão. A expressão Num caso e no outro retoma as causas mencionadas no desenvolvimento e resume-as. que feche o parágrafo. tais como: * Assim . que estabelece uma relação de finalidade..96. talvez um dia. Ou. indica com que objetivo alguém lê uma biografia. para se conhecer segredos de uma personagem que eventualmente ainda não tenham sido divulgados. p.Comunicação e Expressão 29 o relógio. . (Istoé/Senhor. o mundo terá a chance de reconhecer o nosso talento ou de algum parente.. Assim. . 17. É o caso da história dos despertadores digitais. 1185.06. a bússola e o microscópio.. DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Resenha crítica da obra... então. c) A elaboração da conclusão Na formulação da conclusão. recapitulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. Exemplificando: Veja o parágrafo abaixo: Por que se lê uma biografia? Antes de mais nada. Num caso e no outro. .. O nexo ou introduz uma nova possível causa da leitura de uma biografia. 1 .1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica. de Daniel J. O elemento continuativo depois acrescenta mais uma causa à já citada no período anterior. Algumas vezes. * Logo. ao escrever uma história compacta da ciência. seguido pelo articulador para. para a conclusão do parágrafo. a biografia dá ilusão de que. Civilização Brasileira. ou seja: tópico frasal. reorganizamos resumidamente os diversos aspectos do desenvolvimento em uma frase final. É possível também encerrá-lo apresentando de modo conciso consequências. que o leitor aprenderá. TÓPICO FRASAL: Daniel Boorstin. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS: 1 .2 Opção por urna narrativa romanceada. . podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo. o nexo não vem explicitado. algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e leitura acessível. * Então. OBJETIVO FIXADO: Mostrar a dupla inovação estabelecida pelo escritor Daniel Boorstin ao escrever a história da ciência. dependendo da situação do leitor.63) A pergunta inicial Por que se lê uma biografia? Constitui a introdução (tópico frasal). (Veja). o parágrafo possui as três partes essenciais à sua redação. implicações daquilo que foi expresso no tópico frasal e no desenvolvimento. deliciosamente. . . Apresentação das duas novidades: 1 . ATIVIDADES Por exemplo: a generalização de um tema como violência obriga o autor a delimitar alguns enfoques que lhe são pertinentes. Em outras palavras. Com isso. no entanto. * Dessa forma. O início do desenvolvimento do parágrafo é explicitado por meio do operador argumentativo antes de mais nada. A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita. ter sua origem numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar os monges para as orações noturnas. por meio de articuladores que indiquem a relação que desejamos estabelecer. pois ela se caracteriza por uma apreciação do autor. Depois. Boorstin. Há vários passíveis de discussão: a) causas e consequências da marginalidade b) causas e consequências da impunidade c) formas de punição d) divulgação da violência pelos meios de comunicação . procede a duas inovações. ASSUNTO: A obra Os descobridores. geralmente. para se verificar como ela conseguiu alcançar projeção a despeito das dificuldades que enfrentou. e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas. para se constatar que pessoas absolutamente normais têm a chance de adquirir notoriedade. CONCLUSÃO: o autor une precisão científica e leitura acessível. Longe da sisudez dos textos técnicos. como você vê. ou seja.

A relação causa-consequência. em virtude de. a seguir. ainda. A razão principal desse fenômeno é o distanciamento cada vez maior entre uma minoria que possui muito e a grande massa popular que se afunda. bromo. etc. odores de fermentação natural. hidrocarbonetos não queimados. Portanto. a degradação ambiental deve-se à atividade industrial. Organiza-se. de forma que. Questão 1: Proponha 4 delimitações para os seguintes assuntos: . Por último.. já que. na atmosfera. visto que. etc. tanto que. no mundo atual. depois. em conseqüência. como resultado. segundo a qual os detalhes do fato são apresentados. nevoeiros. São expressões indicadoras de CAUSA: porque. Ana Maria. a razão disso. a violência cresce de maneira assustadora. ou é evidenciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida semanticamente. pois. em seguida.Comunicação e Expressão 30 e) causas do aumento de criminalidade f) crimes afiançáveis e crimes hediondos (sequestro e estupro) g) a violência contra a mulher e contra a criança h) a violência no trânsito i) a violência decorrente dos vícios (drogas e álcool). quatro tipos principais de poluição.moradia Formas de ordenar o Parágrafo Depois de compreendermos a estrutura do parágrafo-padrão. por fim. Exemplo: Temos. depois. que explodem bióxido de carbono. estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo. frequentemente. falar de amor e de promoção humana. inicialmente. Exemplos: Parágrafo ordenado por causa: A cada dia que passa. a causa disso. por motivo de. uma vez que. óxido de enxofre. por isso. Ordenação por causa-conseqüência Consiste em indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). em primeiro lugar. na miséria. de maneira que. A de origem natural.cultura . além. por meio da interpretação das ideias relacionadas. Outra forma liga-se à ação de veículos automotores. devido a. etc. número 18) 2. de CONSEQÜÊNCIA: tão que. em segundo lugar. Alguns destes articuladores: primeiro. tamanho que. graças a. tal que. também. sem falar de justiça social e lutar por ela. 1. (GUEDES. (Revista Interior. mais adiante. Palavra e ação) 3. cada vez mais. causada por agentes como poeira. por meio de certos articuladores que têm a função de marcar a ordem. Existe ainda a poluição registrada em consequência de fenômenos de combustão como aquecimento doméstico e outras incinerações. parágrafo ordenado por causa-consequência: . é um romantismo que cai no vazio. em vista disso. Ordenação por enumeração Consiste em enumerar diferentes situações ou características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal e que. ou seja. de modo que. passaremos agora ao estudo das formas de construir o desenvolvimento desse parágrafo. segundo. que eliminam gases como monóxido de carbono. etc. após. cloro. ano II. composto de enxofre. gases vulcânicos. poderá ser desenvolvido e detalhado nos parágrafos seguintes.

Enfim.Comunicação e Expressão 31 Por que o sexo se tornou um problema? Ou deveríamos antes perguntar por que ele é. O país tem hoje 6. (FREUD: A exploração do inconsciente. aquele... fora de. (como) também... o outro e a nós mesmos. Em suma. Fasc..4 telefones para cada grupo . um problema. este passa a ser muito importante e. à proporção que. à medida que. enquanto. brancas. Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento de algo acontecido. O padrão internacional é de seis tentativas fracassadas a cada centena de ligações . ultimamente... E assim. em frente de. o sexo torna-se importante. no país tal. p.. já.. ao contrário. não havendo liberdade a não ser no sexo. frequentemente.. um herói que desbravou as profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau desconhecido até então. antes de. cá. as torturas. também. também.. à esquerda. ainda. Tal divisão acaba. de um lado. dentro de. Em tudo o mais não somos livres. não só.. A cada 100 telefonemas. de igual modo. (KRISHNAMURTI. (para) uns. mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças). J.. Freud foi um gênio. sempre que. atrás de... por um lado. Simplesmente deixa de estar aí.. em ambos os casos. de outro lado. a agressão. tanto quanto. 641) 5. Hoje... Exemplo: Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud. mas. congestionados como uma avenida de metrópole na hora do rush. atualmente mais de 29 não são completados devido aos problemas de fiação e à insuficiência de linhas. ESPAÇO: longe de. detrás de. breve.. Retirar o fone do gancho para conversar com a vizinha ou ligar para Portugal tornou-se missão complicada. presentemente... naquele tempo. inteiramente moldadas pela nossa sociedade tecnológica.... Naqueles tempos de telefones exclusivamente pretos e pesados. segundo parece. alguém que perseguia os discípulos dissidentes. e então talvez se encontre uma grande liberdade. Ordenação por tempo e/ou espaço As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. por outro lado.. 54. depois.. em oposição. abaixo de. tanto como. à direita. por outro lado. Livros Horizonte) 4. emocional e fisicamente somos pessoas constrangidas e cheias de limitações.. em seguida.. já. se por um lado. ao passo que...patamar que o Brasil abandonou em 1984. finalmente. Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Consiste em estabelecer um confronto de idéias. é a de que mudou nossa maneira de compreender a cultura. Expressões indicativas dessas formas de ordenação de TEMPO: agora. etc. diante de. Mas as divergências em torno de sua pessoa e de sua obra são imensas. por amor à ciência (. no século tal. seres. "nós" e "eles". após. no local tal. do Pensamento.. um homem que enxergava o sexual em todas as coisas. (para) outros. muitos anos atrás. a única coisa que resta em que o homem se sente livre? Só aí se perde totalmente a si mesmo: nesse momento. Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como. aí. além. pessoas de segunda mão. conseguir linha era motivo de comemoração. Intelectual.. há muita gente para falar e poucos aparelhos instalados para transportar as conversas. porém etc.. Lisboa. por causa dessa ausência. etc. enquanto. O mundo somos nós. coisas. por esse motivo. a competição. ali. deixa de ser todas as misérias. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de ideias por tempo e espaço. Para alguns. antes. fatos ou fenômenos.. logo que. além de. este. as 9 milhões de linhas telefônicas existentes no país estão cada vez mais enervando os brasileiros.. Hist.). nesse momento não existe mais a divisão entre "eu" e "tu". não foi mais do que um charlatão. assim que. que não media os meios para impor suas ideias. a violência e a luta constante. Exemplo: Ordenação por tempo e espaço simultaneamente O Brasil está voltando ao tempo em que os telefones eram pretos e as geladeiras.. todas as memórias.. perto de... Para outros. um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública..

jogos e a presença de especialistas que se revezam. O parágrafo misto Alguns parágrafos caracterizam-se.Comunicação e Expressão 32 de 100 pessoas. A redação do vestibular. as repetências. Em função disso. que consiste em manter o paciente acordado por até 36 horas. Nas regiões onde o inverno é longo e intenso. o que gera um aumento da metabolização dos neurotransmissores antidepressivos. que incluem a detecção de anormalidades cardíacas e pulmonares e a verificação dos batimentos cardíacos do feto no útero. no seu desenvolvimento. O autor cita as técnicas de cura para a depressão. e a Suécia. São Paulo. Exemplo: Auscultação é o ato de ouvir sons produzidos por órgãos internos como o coração. Jorge Armando. 64. por exemplo. o que é uma taxa rala. exemplificando-as. 6. (MACEDO. que está longe de ser o melhor exemplo de bom funcionamento da telefonia. pois revela os atributos essenciais de um objeto por meio de sua definição. uma preocupação crescente com a quantidade em prejuízo da qualidade do ensino. presidente do Comitê Internacional de Tratamento e Prevenção da Depressão. A Alemanha Ocidental tem 43. 8. Ed. a glândula pineal é ativada. muito utilizada em textos técnicos ou científicos. DENOMINARSE. Cada uma das técnicas aponta para a causa e também para a consequência da sua aplicação. durante a gravidez e o parto. luminosos. explica o psiquiatra carioca Jorge Alberto da Costa e Silva. Uma outra técnica é a chamada "deprivação do sono". principalmente. Há. embora os sons também possam ser ouvidos sem o auxílio do aparelho. Abril Cultural) 7. Nelas. (Pequeno Dicionário de Medicina. Com isso. Na Argentina. como os países nórdicos. Abrem-se inúmeros estabelecimentos de ensino superior sem as mínimas condições de funcionamento. TRATAR-SE DE. Exemplo: Na luta contra a depressão fora do divã. Ordenação por definição De todas as formas de ordenação esta é a mais abstrata. há dez telefones para cada 100 habitantes. de forma que a produção de neurotransmissores seja regularizada. além dos remédios e da aplicação do ECT. as pessoas com problemas depressivos ou maníacodepressivos são expostas a raios artificiais que reproduzem a mesma frequência da luz solar infravermelha. os pulmões ou os intestinos. "Através de estímulos acústicos. CONSIDERAR-SE. O embaralhamento de sistema telefônico brasileiro é produto da diminuição de investimentos em infraestrutura de comunicações e da defasagem do preço das tarifas pelo uso de telefones. as pessoas em tratamento são mantidas acordadas". os psiquiatras de todo o mundo decidiram investir em outros tipos de acompanhamentos médicos. Nesta forma de ordenação é frequente o emprego do verbo SER ou de verbos como CHAMAR-SE. a ordenação . Ordenação por exemplificação Consiste em exemplificar um conceito ou justificar uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. Os parágrafos mistos são aqueles em que há mais de uma forma. o médico ausculta com o estetoscópio. a corrupção e outros males que denigrem a Educação em nossa Pátria. Observe o emprego da expressão POR EXEMPLO. O exemplo estabelece um elo. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. através da parede abdominal ou do tórax. Em geral. Daí as desistências. Exemplo: O Brasil tem gritantes problemas no campo da Educação. por serem mistos. uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor. quando se trata de algo muito abstrato. crescem dia a dia as experiências à base das chamadas clínicas de luz. Moderna). A ausculta é uma prática de variadas finalidades.

envenenam-se águas. seres humanos feitos para viver vão perder estupidamente a vida. Nos braços. Dona Ilair agarrou-se à vida e sobreviveu graças à solidariedade.com. O que mais me marcou no episódio do Rio foi o gesto de dona Ilair agarrar-se à vida. que visitou os locais e a população. dona Ilair foi salva. enquanto os vizinhos a puxam para cima do prédio. Se não tinham emprego. Para não morrer. O CACHORRO E A VIDA Selvino Heck 28. sobretudo. 23. No caso do Rio. 2011. com o apoio do governo estadual e governos municipais. escreveu: "Quanto à tragédia nas cidades serranas. O poder público historicamente pouco ou nada tem se preocupado com políticas de habitação popular e de saneamento básico. Em cenas dramáticas. Acesso em 07 de fev. em mais uma de suas magistrais crônicas (A Doutrina do Choque. ao longo do tempo.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53574>. sob aplauso geral.01. ocupam-se morros sem cuidado. A presidenta Dilma. que é agredida. vence e vive. os sequencializadores textuais. Há um novo tempo em perspectiva. Acreditou que os vizinhos não iam largá-la nas águas enfurecidas. valores e modelos de sociedade. vêm os tornados. ela larga o cachorro. Com as mudanças climáticas. O homem aproveita-se da natureza. o que indica o parágrafo misto. a renda era péssima. conforme a sua posição no contexto da dissertação. convidamos você a observar a estrutura de cada um dos parágrafos do texto a seguir. a chuva e a água incontroláveis. para ao menos diminuir o sofrimento de quem é atingido.br/site/noticia. ficou clara a necessidade de ações e prevenção para não deixar que populações fiquem submetidas à chuva e às suas consequências.2011 A imagem mais impressionante. ou cheios de esperança. e o levou até onde pôde). A MULHER. como se apenas fonte de lucro. Dona Ilair estava dentro de um pedaço de casa que estava sendo arrastado pelas águas furiosas e implacáveis. É um ser humano que acredita em si e nos outros. São. Caso contrário. o ‘novo começo’ pressupõe novo rigor nas licenças para construção e uma ocupação mais racional da terra. e ela não largava o cachorro.adital. pelo menos a vida era sua e dela não abria mão em nenhuma circunstância. quando há mais respeito pelas pessoas e seus direitos. Luís Fernando Veríssimo. Por outro lado. Ainda é tempo de repensar relações. Não se esqueça de examinar os elementos de transição entre os diferentes parágrafos. da tragédia de início de ano no Rio de Janeiro foi a de uma mulher sendo resgatada com a corda puxada pelos vizinhos do alto de um prédio de vários andares. teimosos. quando há uma unidade dos seres e do planeta terra. endireitam-se as curvas de córregos e rios e tira-se sua beleza. de quem não se respeita o curso natural: cortam-se árvores sem critérios. Vale a pena viver! Disponível em: <http://www. ‘agarrar-se à vida’. ou seja. Quem acredita. as tragédias se sucedem e quem normalmente mais sofre são os pobres e os trabalhadores. as árvores vão cair sobre casas e carros. Os parágrafos no contexto da dissertação Para concluir. Também é fundamental ter mais agilidade na ação coordenada dos agentes e órgãos públicos. vêm as tempestades. histórica e secularmente. as condições de vida precárias. quando se convive com o meio ambiente porque ele faz parte do bem viver. O Globo. como talvez nenhum outro povo ou outra gente. serve-se dela como se apenas fosse propriedade sua. entre tantas. Nunca devemos desesperar e achar que as coisas são impossíveis. determinou um conjunto de providências que. vão mostrar resultados.01. um cachorro que não a largava. . Sobrou-lhes. Os brasileiros sempre se agarram à vida.Comunicação e Expressão 33 desse parágrafo é classificada: por exemplificação e por causa e consequência. Quer dizer: nada que diga respeito ao pobre obrigado a erguer seu barraco num barranco deslizante por absoluta falta de alternativas”. Quem se agarra à vida é mais que sobrevivente.11). É a vingança da natureza. Ela deu esta lição. seus fluxos. seguramente. Acreditou que tinha força nos braços para se segurar na corda oferecida (e ainda acreditou que podia carregar junto o cachorro. sem conviver com suas regras. as águas vão descer os morros. Por um lado.

parabéns pra você. A perspectiva me assusta. como se aguardasse a aprovação do garçom. cantando num balbucio. que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. “Consiste no desenvolvimento explicativo (ou interpretativo) de um texto. Lanço então um último olhar fora de mim. na contenção de gestos e palavras. Para tanto é necessária uma boa compreensão do texto. A mulher suspira. no entanto. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. Na paráfrase. Na realidade estou adiando o momento de escrever. Este ouve. Ninguém mais os observa além de mim.um bolo simples. ao episódico. discretos: "parabéns pra você. e espera. olhando para os lados. vagamente ansiosa. atenta como um animalzinho. o que contém um texto A” (Othon Garcia. muito compenetrada. 3. o pai risca o fósforo e acende as velas.. Utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto original. mãe e filha. de maneira mais clara. O autor da paráfrase deve demonstrar que entendeu claramente a ideia do texto. Como a um gesto ensaiado. 2. Não sou poeta e estou sem assunto. Por que não começa a comer? Vejo que os três. obedecem em torno à mesa um discreto ritual. retira qualquer coisa. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano. E enquanto ela serve a Coca-Cola. Imediatamente põe-se a bater palmas. quer num flagrante de esquina. larga-o no pratinho -. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. o pedido do homem e depois se afasta para atendêlo. Sem mais nada para contar. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família. porém. Não omitir nenhuma informação essencial. Vejo. vocabulário e estrutura da frase. a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. são exigências de uma boa paráfrase: 1. enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Utilizar construções que não sejam uma simples repetição daquelas que estão no original e. de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. um vocabulário também diferente. Passo a observá-los. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se. fruto da convivência. entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. A compostura da humildade. a que os pais se juntam. que se preparam para algo mais que matar a fome. Gostaria de estar inspirado. depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso. toda arrumadinha no vestido pobre. A filha aguarda também. Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua. Exemplo de paráfrase A ÚLTIMA CRÔNICA Fernando Sabino A caminho de casa. apagando as chamas. onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. sempre que possível. torna a guardálas na bolsa. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel. aborda o garçom. concentrado. Além disso." Depois a mãe recolhe as velas. São três velinhas brancas. quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico. sem. Visava ao circunstancial. laço na cabeça. pai. minúsculas. em que se diz. 1988). contida na sua expectativa. A negrinha. a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força. ocorre uma transformação da parte formal do texto. deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos. numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. O pai. haver modificações das idéias ou acréscimo de informações. que a faz mais digna de ser vivida. olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. O pai se mune de uma caixa de fósforos. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. amarelo-escuro. A . torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. curvo a cabeça e tomo meu café. num texto B. e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. inclinando-se para trás na cadeira.Comunicação e Expressão 34 PARAFRASEAR TEXTOS Paráfrase “é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico”. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão. Nesta perseguição do acidental.. apenas uma pequena fatia triangular. célula da sociedade.

para os acampamentos. a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas.11 . Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani Dourados. Disponível em: <http://www. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. nós também estamos morrendo aos poucos. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta. Mais ou menos recentes na nomenclatura empregada nas questões de alguns vestibulares e concursos públicos. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. se comprometeu. Presidenta Dilma. Sem nossos tekohá. é matança. para as retomadas. Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso.Brasil Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. quebraram seus ossos.02. ele se perturba.releituras. vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. sangraram suas veias. Acreditamos que não. peixes. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá... satisfeito. da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. No final do ano passado. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. com o sabor amargo de uma cesta básica. nossas terras tradicionais. Agora. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra. animais e aves. Por isso. a violência vai aumentar. já que não . Esperamos que não seja um prêmio de consolação. mas não resolveu. 31 janeiro de 2011. Acesso em 30 de jul. é crueldade. lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades. Para nós isso é destruição.. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Por último. 2010. O pai corre os olhos pelo botequim. A maltrataram. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. ameaça abaixar a cabeça. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias.. para os refúgios. E nós não podemos mais esperar. Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta. limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo..Comunicação e Expressão 35 mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo. constrangido — vacila. esses "palavrões" ainda surpreendem muita gente. a observá-lo. Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Dá comigo de súbito. como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Questão 1: Vamos elaborar uma criativa paráfrase da CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF. mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. não. estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. ANAFÓRICOS E CATAFÓRICOS Pasquale O gentil leitor sabe o que é um anafórico? E um catafórico? Não se trata de nomes de medicamentos. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo. Atividade Texto: CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF 03. rasgaram sua pele. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.. apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais. de acordo com o exposto sobre esse tipo de recriação textual. nossos olhos se encontram. sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio. roubaram nossa mãe. Sem nossa mãe terra sagrada.asp>. para os confinamentos. arvores. o expresidente Lula prometeu. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Presidente Dilma. rios.com/i_samuel_fsabino. Não estamos pedindo nada demais. especialmente na reconquista de nossas terras.

o problema pode ser resolvido com o emprego de "dele". Em "O rapaz disse à irmã que seu futuro estava decidido". repetição do mesmo termo ou repetição do nome próprio (ou parte dele) .pronominalização (1). por exemplo. da linha 16 do texto. procurou fugir do insensível moço e fazer por esquecêlo.termo-síntese (7) .. Se o anafórico se refere a um antecedente. Em "Atestado sem selo deixa de sê-lo". ali.. (5) Lia muitos policiais. Os três elementos anafóricos se referem ao mesmo antecedente ("moço"). isso corresponde a deixar claro quem é quem no texto. de Joaquim M. ou seja. Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a Mona Lisa. Um caso comum de mau emprego dos anafóricos ocorre com o pronome "seu". . Nesse caso. meus caros: estamos mal-arrumados!". sim: um anafórico nada mais é do que um elemento linguístico que se refere a um termo antecedente. potencialmente ambíguo. no jornal Folha de S. o pronome demonstrativo "esta" se refere ao que é enunciado em seguida ("estamos mal-arrumados!"). o exemplo é de "Estrela da Vida Inteira".advérbios (aqui. por exemplo. são três)? Vamos lá: "lo" (de "esquecê-lo"). o pronome "o" se transforma em "lo" porque se prende a verbo terminado em "r" (esquecer + o = esquecê-lo). como era de esperar. de cansada. E então. Como sempre digo. Enfrentam tudo para nos defender. duas palavras que tenham valor anafórico. muita gente sabe o que é um anafórico. muito mais importante do que o nome é o emprego. Em "A verdade é esta. hipônimo (5). Bem. É isso. Depois. na verdade.. Explique essas anáforas". (7) O país é cheio de entraves burocráticos. citado antes na frase.. em seu último vestibular. (Coluna publicada no dia 22 de julho de 2004. o "lhe" corresponde a "a ele" ou a "dele" ("fugiu ao moço" ou "fugiu do moço". Paulo) Os processos de anáfora e catáfora ocorrem quando há: . Gostava de toda espécie de livro. Pronto! Você já sabe o que é um anafórico! Ou ainda não sabe? Sabe. (8) Não podíamos deixar de ir ao Louvre. (3) O professor era bom. É bom lembrar que o termo "anáfora" também é usado para denominar a "repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases" ("Aurélio"): "Quase tu mataste. "dela" ou "deles". Pois bem.elipse (2). "fugiu a ele" ou "fugiu dele"). rosas de todas as cores.Comunicação e Expressão 36 costumam fazer parte do que se estuda ou discute nas aulas de português do segundo grau de boa parte de nossas escolas. . No caso dos anafóricos. à irmã ou aos dois). mas indisciplina o mestre não tolerava. o pronome "lo" (que resulta da transformação de "o" em "lo") recupera o substantivo "atestado". mas não sabe que o nome do bicho é esse. por exemplo. por exemplo. / Quase te mataste. de Macedo) era este: ". (6) O presidente viajou para o exterior. (4) Sempre mandava flores para a namorada. caro leitor? Quais são os anafóricos (que. / Quase te mataram!" (citado no próprio "Aurélio". de Manuel Bandeira). O trecho de que fazia parte a "linha 16" (de um fragmento de "A Moreninha". pagar uma infinidade de taxas. destruiu casas. hiperônimo (4). Em "o esqueceu". Todas essas limitações acabam prejudicando o importador.substituição vocabular. a esta altura o leitor talvez deseje saber o que é o bendito "catafórico". . (2) Há cães bons para proteção do lar. "lhe" (de fugiu-lhe") e "o" (de "o esqueceu"). Em "fugiu-lhe". o bom uso dos anafóricos estabelece adequadamente a coesão textual (terminologia que também tem sido empregada em alguns vestibulares e concursos). a Fundação Getúlio Vargas (de São Paulo) fez esta questão: "Selecione. Na verdade. El Ninho foi impiedoso: derrubou árvores.que Ahy. É preciso preencher um sem-número de papéis. porém. aí) (8) (1) Ele chegou. O presidente levou consigo uma grande comitiva. o "o" é posto antes da forma verbal por atração do termo negativo "nem". lá. Em outras palavras. o catafórico se refere ao que será enunciado adiante. que ocorre com: sinônimo (3). Em "esquecê-lo". não se sabe a quem se refere o possessivo "seu" (ao rapaz. nem fugiu-lhe e nem o esqueceu" (a "linha 16" começa em "moço" e termina em "o").

respectivamente. Casada com o americano Peter Rodenbeck. Após a primeira visita. a entrar no mercado brasileiro. (10) Preciso sair com urgência. Seu plano era tentar convencer o fundador da maior rede de cafeterias do mundo. Ex-executiva da United Airlines. por Malu Gaspar) QUESTÃO 1: Apresente de modo resumido qual foi o objetivo alcançado (a tese principal) e o respectivo caminho (recursos de presença) que a ex-estudante de MBA trilhou para consegui-lo. Ao entrar no elevador para deixar o edifício. da American Airlines e do Outback (rede australiana de restaurantes lançada no Brasil pelo casal Rodenbeck). com faturamento anual de 6. Estudo de texto Em 1997. Outra particularidade é que as cafeterias brasileiras devem também usar xícaras -. Nesses encontros. aprendi tudo com ele. Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. Para concretizá-lo. o mesmo Schultz a recebeu em seu escritório com um abraço e o velho plano nas mãos. vice-presidente de marketing e negócios da Starbucks para a América Latina. Maria Luisa deu de cara com o próprio Schultz. diz Pablo Arizmendi.o encadeamento de segmentos do texto.4 bilhões de dólares. a começar pela tese de adesão inicial empregada. convencer. o suficiente para a abertura de cinco lojas. diz. hoje sua sócia no Brasil. a empresária Maria Luisa conseguiu fazer uma eficiente argumentação junto à empresa de Seattle? Por quê? Na sua resposta deverão aparecer os termos argumentar. mas devemos insistir que aprendam. finalmente. Aqui. Quais foram as conquistas da executiva e por que ela conseguiu persuadir os americanos? Justifique. especula-se que um café poderá custar até 10 reais. Havia uma química com nosso jeito de fazer negócios". Iniciadas as discussões sobre o formato da operação brasileira. perguntou ele a Maria Luisa.Comunicação e Expressão 37 2º . No Brasil.nos outros 36 países onde a Starbucks opera.06. Tenho um compromisso. "Isso é chute. Nos Estados Unidos. Um dos pontos que ainda precisam ser definidos é o preço. Maria Luisa levou quase uma década para convencer Schultz de que investir por aqui seria um bom negócio. Maria Luisa admite que o nome e o histórico do marido pesaram na decisão da Starbucks. "Peter é meu guru.as participações são de 49% e 51%. confirmada -. em São Paulo. as lojas vão oferecer cafés exclusivamente brasileiros. persuadir. as visitas foram ficando mais frequentes. . na obra A arte de argumentar. "Lembra-se disso?". (Revista EXAME. Em junho de 2005. responsável pelo desembarque do McDonald's no Brasil. um expresso custa 2 dólares. já que a Starbucks só trabalha com lojas próprias e sócios locais. o que não ocorre no resto do mundo. os Rodenbeck esforçavam-se para mostrar conhecimento do mercado. Maria Luisa tergiversa. o café é servido apenas em copos de isopor. Maria Luisa teve de ser persistente. mas analistas estimam que gire em torno de 20 milhões de reais. Em 2002. porém. e disparou: "Quero falar com Howard Schultz". ainda não definimos os valores". A primeira delas deve ser inaugurada neste ano. a sociedade entre a rede Starbucks e o casal Rodenbeck foi. na década de 80. em Seattle. Educadamente. "Desde o início percebi que ela seria forte candidata. Os sócios não revelam o valor do investimento.2006. conseguiu trazer os primeiros executivos para sondar o mercado brasileiro. enviou cartas anuais a Seattle reiterando o interesse em ser sócia da rede. Aos poucos. Apresentou-se ao empresário e lhe entregou uma cópia de seu plano de negócios. QUESTÃO 2: De acordo com Abreu (2001). Esse é o primeiro grande negócio de Maria Luisa Rodenbeck. Mas desde o início ficou muito claro que o sonho de trazer a Starbucks ao país era meu". QUESTÃO 3: O último parágrafo diz que Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. feito por conexão (9) ou justaposição (10): (9) Os alunos não prestam atenção. a então estudante de MBA Maria Luisa Rodenbeck chegou à sede da americana Starbucks. 01. uma das secretárias tratou de dispensá-la. No final de maio.

Texto: “Não existem línguas uniformes III.sobre a obra O que é leitura . Texto: “A pedagogia do grande irmão platinado” 3. Textos 1. VI. Reforma Ortográfica Roteiro de filme Particularidades léxicas e gramaticais Pontuação: o uso (ou não) da vírgula Vamos observar esta imagem sobre as Olimpíadas: . IV.Comunicação e Expressão 38 Anexos: I.imagens sobre as olimpíadas . V.sobre a obra Preconceito lingüístico II. Texto “Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem” 2. Exercícios .

br.com.azneuras. cumpre a mesma função de charge? Por quê? Apresentemos pelo menos um argumento no texto elaborado.Comunicação e Expressão 39 Disponível em: www. 2011. Acesso em 02 de fev.wordpress. nesse caso. Questão 1: Podemos afirmar que a ilustração. .

apresenta alguns tipos de leitura que não estão ligadas unicamente ao lermos apenas palavras. doze linhas.com. o aluno precisa da instituição escolar para ajudá-lo a usar a língua materna com competência.br/blog/wp-content/uploads/>. a autora apresenta três níveis de leituras: sensorial. a) De acordo com a fala do aluno da charge e do linguista Marcos Bagno.no capítulo 3 do livro Preconceito linguístico. elabore um parágrafo de correção da alternativa com. vamos reescrever com nosso estilo o que falou Maria Helena a respeito do assunto.Comunicação e Expressão 40 Após a leitura da obra O QUE É LEITURA vamos responder às questões: 1) A partir do livro de Maria Helena. O que caracteriza cada um deles? Que importância têm esses três níveis para o leitor? 4) O capítulo “ampliando a noção de leitura” faz críticas severas ao sistema de ensino de alfabetização e letramento. Em seguida. marque a alternativa incorreta. 2009. Para tanto. mas também situações. De forma sucinta.0) A partir do tópico 3 – “o que é ensinar português” . emocional e racional. Acesso em 09 de jul. b) Assim como determinada pessoa se matricula em autoescola para aprender a dirigir e não para saber detalhes do funcionamento do veículo. e da charge de Lilian Simões.liliansimoes. no mínimo. 2. Isso significa que ele deve aprender a ter . pois a função da escola não é restringir ao ensino das regras e da nomenclatura dos termos gramaticais. o que entendemos por leitura? 2) Quando aprendemos a ler? Como foi nosso aprendizado de leitura? Quem nos ajudou? Como foi nosso contato com a leitura na escola? 3) A obra O que é Leitura. a preocupação da mestra está relacionada ao modo precário como o garoto se comunica na escrita. Questão 3: (v. de Maria Helena Martins. 5) É possível ler o mesmo texto várias vezes e construir novos sentidos após cada leitura? Por quê? Após a leitura da obra PRECONCEITO LINGUÍSTICO vamos responder às questões: Charge para a questão 3: Disponível em:<http://www.

a obsessão pela terminologia e pela classificação de termos e o apego à nomenclatura.02. As empresas multinacionais. Acreditas que nos estão envenenando? Esther: O modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentícias das pessoas. Juntamente com Xavier Montagut publicou os livros "Do campo ao Prato”. por meio da variante culta. ele será amparado por alguma política assistencialista do governo. pois. que ele adquiriu dos pais. quilométrica. d) O ensino da gramática normativa mais estrita. "Para onde vai o comércio justo?” e "Supermercados? Não. Esther Vivas. sejam elas orais ou por escrito. intensiva e petrodependente tem se mostrado incapaz de alimentar à população. Poderias definir o conceito de "soberania alimentar”? . alimentos transgênicos e livre comércio.11 . em ambos os casos. Esses bens naturais não devem servir para fazer negócio. que monopolizam cada uma das etapas da cadeia agroalimentar. Pelo contrário. 925 milhões de pessoas no mundo passam fome.Comunicação e Expressão 41 êxito nas situações de comunicação. A terra. acabem decidindo o que comemos. por exemplo. coautora do livro "Do Campo ao Prato” (Ed. como afirmam os governos e as instituições internacionais.Adital Entrevista a Esther Vivas. o esforço. Icaria. inclusive as mais inocentes. reduzindo a agrodiversidade. tanto nos países do Norte quanto nos do Sul. Hoje. Não pode acontecer que umas poucas multinacionais. Os consumidores temos que poder decidir o que comemos. marcas e produtos. à sua saúde e ao respeito ao meio ambiente. o aluno deve continuar se expressando pela única variante. a ONU e o FMI propõem uma nova "revolução verde”. independente da área na qual atua. aos setores mais pobres da população. como aluno. há o mesmo número de pessoas no mundo que passam fome do que o de pessoas com problemas de sobrepeso. um litro de leite ou um pacote de bolachas pode parecer um ato bem cotidiano. Para acabar com a fome no mundo não é preciso produzir mais. Os problemas agrícolas e alimentícios são globais e são o resultado de converter os alimentos em uma mercadoria. se queremos consumir produtos livres de transgênicos. como pobre que supostamente é. Comemos o que as grandes empresas do setor querem. faz falta democratizar os processos produtivos e fazer com que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população. para que o aluno saiba identificar os termos da oração e os classifique não é garantia de que ele se tornará um usuário competente da língua culta. esforçar-se em aprender a comunicar. c) O garoto tem razão: não há necessidade de a professora se preocupar-se em ensiná-lo a falar e redigir textos claros e coerentes para comunicar-se melhor. 2009) Comprar um quilo de açúcar. Isso é uma prova do fracasso do capitalismo agroindustrial? Sim. a água e as sementes devem estar nas mãos dos camponeses. a inculta.Mundo Enric Llopis . sob essa aparência inócua subjaz a relevância política de nossas ações. afetando. Definitivamente. gerando mudança climática e destruindo terras férteis. A agricultura industrial. E também é desnecessário. ou seja. Você é coautora do livro "Do Campo ao Prato”. para especular. também. daqueles que trabalham na terra. Texto: ‘COMEMOS O QUE AS GRANDES EMPRESAS AGROALIMENTÍCIAS QUEREM' 04. ativista social pela soberania alimentar e militante do movimento antiglobalização. temos que apostar na soberania alimentar. obrigada!”. Porém. Por ela não ter preconceito linguístico. alerta sobre a primazia do capital privado na hora de impor gostos. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental. Que alternativa pode ser proposta pelos movimentos sociais? Esther: É preciso recuperar o controle social da agricultura e da alimentação.

E essa tendência cresce cada vez mais. fóruns sociais etc. A mercantilização que está sendo realizada na produção agroalimentar é a mesma que atinge a muitos outros âmbitos de nossa vida: privatização dos serviços públicos. Da mesma forma. O que isso implica e que efeitos nos traz esse modelo de consumo? Esther: Hoje. sete empresas no Estado Espanhol controlam 75% da distribuição dos alimentos. Desse modo. Trata-se de medidas cujo único resultado é agravar ainda mais a crise atual social e ecológica e. ao contrário. de temporada. Estás de acordo? Esther: Completamente. Cancún. Em todas essas cúpulas os interesses privados e o curto prazo têm pesado mais do que a vontade política real para acabar com a mudança climática. não o clima”. ou os agrocombustíveis. Pelo contrário. por exemplo. especulação com a habitação e com o território. É necessário antepor outra lógica e organizar-se contra o modelo agroalimentar atual no marco do combate mais geral contra o capitalismo global. Porém. criar alternativas e promover alianças amplas a partir da participação em campanhas contra a crise. como muito bem diz seu lema. porém. os mecanismos de dumping. precarização dos direitos trabalhistas. As soluções individualistas servem para romper com essas pautas de consumo? Esther: A ação individual tem um valor demonstrativo e aporta coerência. reivindicar a soberania alimentar não implica em um retorno romântico ao passado. mas de promover a produção e o comércio local. Estamos em mãos das grandes cadeias de distribuição. não consiste em uma proposta localista. como. a captação de carbono da atmosfera para seu armazenamento. mas. por ocasião da campanha da Iniciativa Legislativa Popular contra os transgênicos. a partir de grupos e cooperativas de consumo agroecológico. Combater a competição desleal. por exemplo. questionando o sistema capitalista e. O que comemos é resultado da mercantilização do sistema alimentar e dos interesses do agronegócio. Por detrás disso escondem-se os interesses das companhias multinacionais e de um suposto "capitalismo verde”? Esther: Sim. opta-se por falsas soluções. isso sim. em defesa do território. os mercados locais. não gera mudanças estruturais. Copenhague. Promover os circuitos curtos de comercialização. impulsionada por "Son lo que siembrem”. os critérios mercantis têm sido uma vez mais a moeda de troca e o mecanismo de comércio de emissões é. Em vez de dar soluções reais. De tal maneira que o consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida e o mesmo passa ao produtor ao buscar acesso ao consumidor. Não foram feitos acordos vinculantes que permitam uma redução efetiva dos gases de efeito estufa. organizar-nos no âmbito do consumo. Como nasceu e quais são seus princípios? Esther: O Movimento pela Justiça Climática faz uma crítica às causas de fundo da mudança climática. porque. trata-se de recuperar o conhecimento das práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologias e saberes. Em Cancun fez sucesso a ideia de "adaptação” à mudança climática. tenta "mudar o sistema.Comunicação e Expressão 42 Esther: Consiste em ter a capacidade de decidir sobre tudo aquilo que faça referência à produção. expressa essa relação difusa que existe entre justiça social e . O Movimento pela Justiça Climática tenta oferecer alternativas. como a energia nuclear. Kyoto.. hoje. Faz falta uma ação política coletiva. Também é necessário sair às ruas e atuar politicamente. nesse sentido. Apostar no cultivo de variedades autóctones. Que balanço geral pode ser feito sobre as diferentes cúpulas sobre a mudança climática? Esther: O balanço é muito negativo. no qual o comércio internacional funcione como um complemento do anterior. proporcionar grandes benefícios a umas poucas empresas. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. o seu máximo expoente. as ajudas à exportação. mas os interesses privados. saudáveis. A Via Campesina afirma que comer.. Conseguir esse objetivo implica uma estratégia de ruptura com as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). converteu-se em um "ato político”. como vimos em múltiplas ocasiões. os que estão nas instituições não representam nossos interesses. distribuição e consumo de alimentos. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação.

Por que concordamos ou discordamos da ativista espanhola Esther Vivas? .br/site/noticia. A crise atual apresenta a necessidade urgente de mudar o mundo pela base e fazer isso desde a perspectiva anticapitalista e ecologista radical. 2011. O desafio é ampliar sua base social.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53754>. d) A produção de combustíveis de origem vegetal é uma medida que pode colaborar na resolução do problema da falta de alimentos no mundo. as pessoas nada podem fazer. Questão 1: De acordo com a entrevista Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem. Disponível em: <http://www. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. e) A agricultura de caráter industrial é enorme e intensiva. Acesso em 05 de fev. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. No ato rotineiro de fazer compras. 3. e todas elas nenhuma delas Questão 2: “Faz falta uma mudança radical de modelo. O movimento tem tido um forte impacto internacional. c) O Movimento pela Justiça Climática tem tido um forte impacto internacional. mais recentemente. Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1. c. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. . 2. mais recentemente.adital. como também os pequenos produtores. d. a.com.De que modo o capitalismo criou a crise ecológica a partir da qual pode faltar comida no mundo? . ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental ao reduzir a diversidade de culturas agrícolas. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que devem andar estreitamente unidos. nas mobilizações de Cancún. 4. b) O consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida. 5. porque o primeiro não combina com os produtos saudáveis e o segundo tem dificuldade de manter-se sem agrotóxicos. vinculá-lo às lutas cotidianas e buscar alianças com o sindicalismo alternativo.Como é que o supermercado impõe o que eu como? Citemos exemplos. Ela tem sido incapaz de alimentar à população. entre crise social e ecológica. ao influenciar a mudança climática e destruir terras férteis. b. nós já pensamos sobre o fato de nos submeter às grandes redes de supermercado ou como elas interferem no nosso modo de viver? . E diante disso. c a. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. nas mobilizações de Cancún. A solução é mudar o clima ou mudar o sistema capitalista? Esther: Faz falta uma mudança radical de modelo. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou. É urgente mudar o sistema. Isso tem contribuído para visualizar a urgência de atuar contra a mudança climática. é possível afirmar que: a) O texto descarta as novas tecnologias e o comércio local. e c. não o clima.Comunicação e Expressão 43 climática. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou”.

em que se traem os amigos.. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. chorando. que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas. obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém com requintes de crueldade. Um sacerdote muito bem pago. héteros tarados. músculo. Uma coisa de uma maldade abissal. ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades. sou um bicho televisivo. escorregando pela parede.. as pessoas estão ali porque querem. Mas enfim. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder "????”). também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível. . e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. o tal do sabotador é uma pessoa. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. Está bem. etc. É a lavagem cerebral. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase que totalitária. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais. esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. Tudo pela "plata”. já que coisas do tipo que se veem ali também são possíveis de ver na novela. lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão. dando as "notícias” dos broders. mas que também dá sua espiadinha. Cada uma daquelas criaturas que ali estão quebrando todas as regras da ética do bem viver são pobres seres humanos. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral possa ter o "show”. Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. peito e cabeça vazia. que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. Há os que vêem e nem gostam. é perverso demais o que os "inventores” fazem com aquelas tristes criaturas. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. Precisava sabotar seus amigos.Comunicação e Expressão 44 Texto: A pedagogia do grande irmão platinado Texto de 26. elas mandam vídeos. nos filmes. Vi a cara do rapazinho. passam meio que por osmose. São vítimas. em que vale tudo. Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial. Fiquei por aí a matutar. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade” da Globo. me causa espécie. O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes. a qual é parte intrínseca do "show”.01. E fui observar um pouco desse zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites. do grupo. em busca do que pensar ser seu lugar ao sol. Depois. esperando o ônibus. ele se deixava cair. dono de um texto refinado. no ônibus. Mas. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. perdidos num mundo que exige da juventude bunda.11 . enquanto os demais a abraçavam. fez a sua escolha. Ele. Então. Querem mais do que as migalhas do banquete. no elevador. No dia em que ela saiu do castigo. ainda assim. obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária. As notícias estão no jornal. Cada ano a violência fica maior. um outro. Pega em qualquer lugar deste grande país. é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. nas cadeias. loucas. O melhor sinal é o da platinada. se oferecem. Agora inventaram a figura de um sabotador.Brasil Elaine Tavares Jornalista Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudoesquerda que fica falando mal do BBB. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência. em todos os lugares. Deveras. Mas fica. é claro. E assim vai o "grande irmão” propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. Em nome do milhão. Então esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido. Mesmo no terminal. bi. mas ocorre que estas "lições” em que se eliminam pessoas. O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. coisa que. morrem até para estar naquela casa. É só estar vivo para saber. Sabia. putas ou santas. Estava em completo desespero. trans. É invasivo e feroz. É praticamente impossível fugir desses saberes. E o fez. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. o que. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "‘qualquer um pode neste mundo livre”. Não são eles os "imorais”.

roubamos. buscam o bem viver. pouco menos: se apanhados. de uma pedagogia. Cansei do drama da juventude que. Voltarão para novos crimes. começa a roubar e matar. aos 12 anos – pouco mais. 2011. outro tenha que ser "eliminado”.Em que variante/s o texto é escrito? Por que é dessa forma? Vamos apresentar marcas textuais que justifiquem nossa resposta. se perguntarem a razão. o que causa espanto na autora? Por quê? Esse programa nos causa espanto de alguma maneira? Por quê? Questão 5: Que paradoxo Elaine Tavares discute no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Questão 6: Afinal. “Matei.br/site/noticia. um menino de 14 anos confessou na maior frieza o assassinato de dezessete pessoas.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53508>.com. E. maldade. qual é a pedagogia do BBB. lúcida ou drogada. cruel. como tantos assassinos iguais a ele. Acredito firmemente que se deve reduzir a idade na qual alguém pode ser legalmente responsável por seus atos. aqui. Hoje sai a fim de matar alguém”. fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudoesquerda. Tudo pela "plata”? Questão 3: . Quando em outros países a idade mínima é de 14 anos. como bem já levantaram alguns blogueiros. Por ser menor de idade. 12. Ando exausta de tanto cinismo. foi para uma dessas instituições de ressocialização nas quais não acredito. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. e o menino respondeu com simplicidade: “Nada. sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. sim”. talvez diga como outro criminoso. Onde as pessoas. até . A questão do "grande irmão” não é moral. perseguição aos homens de bem e impunidade aos pérfidos. malcheirosa. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética”. Quinze deles já foram confirmados. Penso que há outras formas de a gente se divertir. brother quer dizer irmão em inglês. e até menos. Então.Comunicação e Expressão 45 Enquanto isso. Disponível em: < http://www. nem rodos poderão ser reintegrados na sociedade. matamos. quase uma criança. mas se estupramos. e repetia “vou te matar”. Questão 4: Diante do programa do BBB. É coisa ruim. aqui perto. É galera. que pretender cristalizar como verdade que para que um seja feliz. típica do capitalismo.. Recentemente. Logo estará livre para reiniciar com alegria sua atividade de assassino psicopata.adital. Questão 1: Que tese Elaine Tavares defende no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Que argumentos a jornalista utiliza para tecer o ponto de vista dela? Questão 2: Por que Elaine Tavares emprega aspas nas palavras no seguinte trecho: É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. Os empresários globais lambem seus bigodes. sinistra e miserável. ele sairá em breve para matar. a Globo. O show da Globo é uma violência explícita. juntas. aos 16 podemos mudar o país através do voto. segundo Elaine Tavares? Texto: A lei e a justiça Lya Luft Ando cansada da loucura humana. É ética. junto com as companhias telefônicas. ele vem. Meu amigo perguntou por que. nefanda. Tratase da consolidação. Acesso em 28 de jan. via repetição. às vezes com requintes de crueldade. Talvez tenha acreditado num dar de ombros: “E daí?” Se não houver alguma grave interferência.. lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos”. que assaltou um amigo meu. da rede Globo.

em lá chegando.. produzir para seu próprio sustento.. sem solução à vista. As charges são muito utilizadas em críticas políticas no Brasil. vítimas e criminosos deixando famílias destroçadas dos dois lados. pegamos uma leve – e breve – pena em uma instituição que (com raras exceções) reeduca os passíveis de melhoria e deixa os psicopatas mais loucos. ou seja. da nossa desolação e dos nossos enganos. produzimos esse e outros dramas morais? Acusa-se pela criminalidade juvenil a família. que talvez tenha suas razões para não tirar a venda e finalmente olhar para nós. no texto “A lei e a justiça” faz referência à questão da idade penal. ou seja. Quem são os personagens da charge abaixo? Onde e em que momento eles estão? O que eles estão fazendo? Por quê? O que eles representam no nosso país? Que crítica a charge faz? Por quê? Em que aspectos a charge se assemelha ao texto de Lya Luft A lei e a justiça? . concisão e clareza. (Revista Veja. na maioria das vezes. comentem crimes de forma fria e calculista. que não usamos um pano diante dos olhos. com nova oportunidade de mostrar isso. E você. poderá integrar-se à sociedade como um cidadão de bem? Justifique sua resposta com argumentos claros e convincentes. acredita que um jovem criminoso. descobri que a vida tem outros poços. Disponível em: <mariquinhamaricota. para ver se não haverá alguma luz que o afugente. que mereceriam uma sociedade menos violenta e autoridades mais eficazes. que deveria começar com a educação em suas bases. sociedade moderna. algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. depois de cumprir pena em uma dessas instituições. Sou mais crédula do que cética. Do poder dos maus e da fragilidade dos bons. aumentam as tragédias. realmente voltar à sociedade regenerados. além de teorias. livros e seminários com discursos pomposos mas pouco eficazes. e de outro lado os criminosos. 18) Questão 1: Lya Luft. que às vezes é apenas outra vítima. p. onde jovens. Um deles parece não ter fim: o poço dos escândalos nossos de cada dia. se ficarem apenas na letra escrita ou submetidos a jogos de poder. enquanto se multiplicam os dramas.com/2008/11/as-ch. se a gente cavasse fundo no jardim. exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. por meio de uma caricatura. A partir de reflexão sobre a redução da idade penal.>. ano 44 – n. elabore um parágrafo padrão declarando o que você pensa a respeito do assunto. aqui e ali. O poço tem fundo: o diabinho no meu ombro espia seu reflexo nele. esse poço daria no Japão. Como nós. Questão 2: Luft afirma que não acredita em instituições de ressocialização.blogspot. 03. A palavra é de origem francesa e significa carga.Comunicação e Expressão 46 os 18. 19 de janeiro de 2011. me disseram que. correção gramatical.Vamos responder a essas perguntas em um único texto com coerência. 2010. Além do mais. coesão. Questão 3: Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar. . onde as pessoas andavam de cabeça para baixo (para eles. nada adiantará se não cumprirmos o que deve estar em qualquer Constituição: que a todo ser humano seja garantido tratamento digno e decente. ou “a sociedade”. que deveriam ser submetidos a leis mais firmes e colocados – se for o caso – em prisões decentes onde possam trabalhar. Acesso em 25 de nov. O diabinho rosna então uma das melhores frases sobre o assunto: “A lei nem sempre garante a justiça”. Isso inclui as possíveis vítimas. criatividade. A autora demonstra revolta e indignação diante da situação de violência do nosso país. Pouca é a vontade de mudar isso. mas o dinheiro e o esforço dedicados a isso têm sido irrisórios dentro do orçamento do país. de pernas para o ar estaríamos nós). nem todos divertidos. Do desinteresse e da má vontade. E aí nem leis nem tribunais supremos ou mínimos nos ajudarão. o que nem sempre é bom. Quando menina. Adulta. os seis cês que são fatores essenciais para a escrita de um texto de qualidade. e quem sabe. e se. descobriremos que a senhora Justiça era apenas um mito. Resta descobrir quanto tempo se leva para chegar a esse fundo. mas enrolamos a alma numa cortina escura. conceito vago que isenta de uma ação enérgica. sociedade doente.

os fatores que permitem ou influenciam na variação podem ser detectados por meio de uma análise mais cuidadosa e mesmo anedótica. especialmente para os profissionais. por exemplo. isto é. A segunda verdade é que as diferenças que existem em uma língua não são casuais. Para exemplificar: podemos dizer que fulano é velho por quem tal hábito (fuma cigarro sem filtro. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. por terem determinados hábitos etc. otro). Ou seja. de certa forma. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre indivíduos ou grupos. etnias. de idade. também podem caracterizar-se por traços linguísticos. pela mesma razão. Ou seja: pessoas que moram em lugares diferentes acabam caracterizado-se por falar de algum modo de maneira diferente em relação ao outro grupo. por utilizarem certos trazes. Por exemplo. Em outras palavras. é frequentemente estranho. há “erros” que ninguém comente. a distância – só que esta é social) acabam caracterizando sua fala por traços diversos em relação aos de outra classe. Esse modo de encarar os fatos da linguagem é bastante comum. não é preciso estudar uma língua para não “errar” em certos casos. Por isso. as línguas fornecem meios também para a identificação social. profissões. pexe. relapso. Texto: Não Existem Línguas Uniformes Sírio Possenti Alguém que estivesse desanimado pelo fato de que parece que as coisas não dão certo no Brasil e que isso se deve ao “povinho” que habita esse país (conhecem a piada?). quando não ridículo um velho falar como uma criança. E não apenas no Brasil porque seriamos um povo descuidado.net/arch2010-04-01_2010-04-30. b) a variedade linguística é o reflexo da variedade social e. Também há fatores internos à língua que condicionam a variação. Ou seja: a primeira verdade que devemos encarar de frente é relativa ao fato de que em todos os países (uma em todas as “comunidades de falantes”) existem variedade de língua. Faz parte da visão de mundo que as pessoas tem a respeito do campos nos quais não são especialista. 2010. quando observa que “até mesmo para falar somos um povo desleixado”. de sexo. Por isso. de classe. Mas como existe. ou porque como em geral ocorrem com os mais jovens).zip. e como também é um fato social associado à linguagem. para quem pretende ter uma visão mais adequada do fenômeno da linguagem. que não respeita nem mesmo sua rica língua. Os principais são os fatores geográficos. dois fatos são importante: a) todas as línguas variam. infelizmente. peixe. a variação é de alguma forma regrada por uma gramática interior da língua. porque a língua não permite. Por isso. uma autoridade falar como uma pessoa simples etc. O mesmo vale para diferentes sexos. idades. De uma forma um pouco simplificada: assim como certos grupos se caracterizam por meio de alguma marca (digamos.). de etnia. essas diferenças se refletem na língua. Por exemplo. Em outras palavras. ouvem-se pronúncias alternativas de palavras como caixa. do mesmo modo (e. Ao contrário. muitos meninos não podem ou não querem usar a chamada linguagem correta na escola. deve ser levado em conta. é uma avaliação falsa. Mas nunca se ouve . poderia talvez achar que tem um argumento definitivo. Acesso em 25 de nov. Ou seja. outro: a pronúncia padrão incluiria a semivogal.html>. sob pena de serem objeto de gozação por parte dos colegas porque em nossa sociedade a correção é considera uma marca feminina.Comunicação e Expressão 47 Disponível em:<juicetech. de profissão etc. Um dos tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas são externas à língua. a pronúncia não-padrão a eliminaria (caxa. Pessoas que pertencem a classes sociais diferentes.

Assim.Comunicação e Expressão 48 alguém dizer peto ou jeto ao invés de peito e jeito. Alguns sonham com uma língua uniforme. ele varia. o tipo de semivogal (i ou u) e a consoante seguinte são partes dos fatores internos relevantes para explicar esse fato que. E a variedade linguística está entre as variedades mais funcionais que existem. Mas. do som que se escreve com a letra l em palavras como alguma: alguma. “um caras” ou “Comédia do Erros”. Mais exemplos: poderemos ouvir “os boi”. no meio. Mas. ou por ambos ao mesmo tempo. A variação tembém existirá em palavras como planta: planta ou pranta (mas nunca ouviremos puanta). por exemplo. nunca. dar ordens e instruções. todo falante conhece. o l setá sempre um l em palavras como lata. Por que (não) ensinar gramática na escola. mas nunca “ eu vamo(s)”. Em uma língua uniforme talvez fosse possível pensar. em vários lugares do país. mas nunca “o bois”. “dois cara”. que é uma das melhores coisas que a humanidade inventou. Campinas: Mercado das letras/ALB. Outro exemplo: podem-se ouvir várias pronúncias. mais expressiva pode ser a linguagem humana. jeito)? Certamente. as variações linguísticas são condicionadas por fatores internos à língua ou por fatores sociais. Por que será que os mesmos falantes ora eliminam e ora mantêm a semivogal? Alguém pode explicar porque o i cai antes de certos consoantes e não diante de outras? Alguém pode explicar por que o u cai antes de t (otro) e o i não cai no mesmo contexto (peito. Ouviremos muitas vezes “nós vai”. Ou seja: no fim da sílaba. 33) . e a poesia? E o humor. 1996. Podemos pensar na variação como fonte de recursos alternativos: quanto mais numerosos forem. auguma. Mas. Só podem ser por mania repressiva ou medo da variedade. “estou irritado”. “Comédia dos Erro” . Sírio. “estou à vontade”. “vou tratá-lo formalmente”)? (POSSENTI. E isso vale para falantes cultos e incultos. de alguma forma. p. então. também (embora não com o mesmo número de variedade). no início. e como os falantes fariam para demonstrar atitudes diferentes? Teriam que avisar (dizer. arguma.

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não devemos propor de imediato nossa tese principal. pelo modelo e antimodelo e pela analogia. trabalha em uma empresa de estudos sobre Tabaco a qual é financiada pelos empresários da indústria de cigarro e desenvolve com excelência a sua profissão de lobista. que diferença há entre negociação e argumentação? Qual das duas estratégias apresenta maior grau de credibilidade? Por quê? De acordo com o personagem. “se uma pessoa souber argumentar corretamente nunca estará errada”. pelo exemplo. . Nick Naylor. Nick Naylor possui ambos os auditórios. pode se revelar de muitas maneiras”. 8. Em termos de argumentação. Nas disputas entre Nick e o senador. pelo poder que elas têm de significar. o falante ou locutor expressa seus argumentos (ponto de vista/ discurso) para outro falante. Abreu (2005. Abreu (2005. Segundo a obra A arte de argumentar (ABREU. que “ a atração pelas palavras. A partir de uma das conversas entre Nick e o filho e outra entre a criança e a mãe. discurso do senso comum. p. O protagonista do filme. Segundo Abreu. Tanto isso é verdade. na revista Língua Portuguesa no. para que o falante tenha êxito na sua argumentação é ainda necessária a utilização das técnicas argumentativas como: compatibilidade e incompatibilidade. discurso religioso. . De que ponto de vista o lobista a pronunciou? Você concorda com essa afirmação? Por quê? 7. às suas glórias. discurso jurídico. vamos verificar como é a relação entre o lobista. possui todas elas ou não? Que trechos e/ou referências do filme autorizam e/ou justificam nossa resposta? Que relação há entre o trabalho desenvolvido pelo lobista e as entrelinhas do filme? 4. o filme é irônico? Por quê? 9.Além de identificar os dois auditórios do lobista. antes da principal.Qual é o discurso comum e o discurso científico que aparece no filme sobre o cigarro? Como se constrói o primeiro e o segundo? 3.E qual é a tese principal do lobista? Por que ele a defende? 6. No filme. 2005).Vamos identificar em que momento o filme apresenta a técnica da argumentação pelo modelo e antimodelo e justificar por quê. o falante pode ter o auditório particular ou ainda o auditório universal. dando sentido ao homem. como lobista. os tais auditórios e o título do filme.45) afirma que “ao iniciar um processo argumentativo visando ao convencimento. 36 (2008. a ideia que queremos “vender” ao nosso auditório”. regra de justiça. sugere que o falante deve apresentar. O escritor. então. o argumento do ridículo. etc”. p. 33). às vezes. Num processo persuasivo. seu interlocutor. o que pode ser considerado como tese de adesão inicial utilizada por Nick Naylor? Por quê? . Abreu (2005) cita quatro condições da argumentação de sucesso. até . do desperdício. discurso político. a técnica da definição. obviamente.30) afirma que “na sociedade em que vivemos somos moldados por uma infinidade de discursos: discurso científico. a tese de adesão inicial. Nick Naylor.No primeiro programa de televisão apresentado no filme. “Os valores de uma pessoa não têm. a maneira como o auditório hierarquiza os seus valores chega a ser. e ainda os argumentos: pragmáticos. que a expressão hierarquia de valores é largamente utilizada.Comunicação e Expressão 51 ROTEIRO DO FILME OBRIGADO POR FUMAR 1. Lembra Beth Brait. . retorsão. podemos dizer que há argumentação e contraargumentação? O que de fato está em jogo no discurso de um e de outro? Podemos afirmar que. porque quer convencê-lo e/ou persuadi-lo sobre algo. p. fraquezas e ações. todos eles a mesma importância. O que você sabe a respeito de tal profissão? Por que Nick é um lobista cobiçado pelos grandes empresários? 2. nesse caso. . 5.

Eu me refiro à obra dele. compreender os valores e as necessidades do outro. Maria Bello. qualidade. cujas Quanto. das armas de fogo e de bebidas são bem pagos. Traga todos quantos quiser Regressando de São Paulo. Meu irmão comprou o restaurante. (ABREU. As cantoras eram péssimas. Sobre elas pairam muitas dúvidas. Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual falei a você. O que o filme sugere com isso? Por quê? 11. Essas são as conclusões do processo sobre as quais pairam muitas dúvidas. Regressando de São Paulo. A arte de argumentar está relacionada com a capacidade de gerenciar emoções. p. Particularidades Léxicas e Gramaticais USO DO PRONOME RELATIVO Os pronomes relativos são os seguintes: Variáveis Invariáveis O qual. duração: 92 min gênero: Comédia status: Arquivado IV.(= o qual) As cantoras se apresentaram. Eu fiz o trabalho. No filme. Eu falei a você sobre o restaurante. Adam Brody.. visitei o sítio de minha tia o qual me deixou encantado. (. O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. cuja Onde (quando equivale a no qual e flexões) Cujos. em função da cultura. essência. Cameron Bright. quantas Ex: fale tudo quanto quiser. . das ideologias e da própria história pessoal”.) As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa. as quais Quem (quando equivale a o qual e flexões) Cujo. As cantoras que se apresentaram eram péssimas.. Essas são as conclusões do processo. para que a argumentação atinja positivamente o auditório. 77). Até que ponto Obrigado por fumar aborda a respeito disso? Que trechos autorizam minha resposta? Nota: OBRIGADO POR FUMAR título original: (Thank You for Smoking) lançamento: 2006 (EUA) direção: Jason Reitman atores: Aaron Eckhart. Assim. pessoa e existente. ordem.Comunicação e Expressão 52 mais importante do que os próprios valores em si. Esse trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. a qual Que (quando equivale a o qual e flexões) Os quais. visitei o sítio de minha tia. qual é o lugar de argumentação que o filme mostra de forma mais evidente? Por quê? 10. quanta Quantos. 2005. E os lobistas do tabaco. o falante deve re-hierarquizar os valores com os lugares da argumentação: lugar de quantidade. a mídia está sempre em evidência. O sitio me deixou encantado. .Afinal. (= as quais) Este é o pintor.

O acento é correto. Eu acreditei nas palavras do advogado. por ser monossílabo tônico terminado em "e". Aquela é a senhora Bovary. Aquele é o homem de quem lhe falei. porquê Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista ("Você tem cheiro de quê?"). Os alunos gostaram dos livros apresentados. Ele comprou os livros de que gostou. Os frutos da árvore são venenosos. Disponível em: <http://www. ou seja. Este é o pintor de cuja obra gosto. Eu me referi ao artista ontem. é emitido tonicamente. O advogado em cujas palavras acreditei está preso. Aquela é a senhora Bovary para a qual trabalho. Eu lhe falei do homem. Você estava procurando o garoto. Nós assistimos ao filme que vocês perderam. Não conheço o político de quem você falou. e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse "qui": "Quero o que você quiser". Roubaram a peça. Percebeu? Quando vem no meio da frase. A árvore foi derrubada. Aqui estão os ingredientes de que necessitamos. por quê. Aqui estão os ingredientes. Encontrei o garoto.br/gramaticaonline. Notou? Quando emitido tonicamente. Vocês perderam o filme. O advogado está preso. Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança. Aquele é o homem. O pesquisador apresentou alguns livros dos quais os alunos gostaram. Este é o artista.com.Comunicação e Expressão 53 Este é o pintor a cuja obra me refiro. O pesquisador apresentou alguns livros.asp?menu=1&cod=160>. o "que" é acentuado. porque. A peça era rara no Brasil. que encerra uma frase interrogativa direta. Encontrei o garoto a quem você estava procurando. A peça que roubaram era rara no Brasil. o "que" normalmente é átono. Este é o pintor. Vocês perderam o filme a que nós assistimos. Eu trabalho para ela. acesso em 05 de jun.gramaticaonline. já que esse "quê". Você falou do político. Isso normalmente ocorre quando o "que" encerra a oração. 2009 (com modificações) Por que. Eu não o conheço. Nós assistimos ao filme. Roubaram a peça que era rara no Brasil. Este é o artista a quem me referi ontem. Onde/aonde: Sempre morei no país onde nasci. A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada. fraco. . O sítio aonde fui é aprazível. Eu gosto da obra desse pintor. Releia a frase: "Você tem cheiro de quê?". Nós necessitamos desses ingredientes.

por qual razão) você é tão áspero com ela". Há basicamente dois casos em que se usa "por que". Posto isso. como se diz) quando há ponto de interrogação. de Guilherme Arantes: Pra que tornar as coisas tão sombrias na hora de partir? Por que não se abrir? Se o que vale é o sentimento e não palavras quase . e ninguém sabe por quê". "Faço questão de saber por que (= por que razão. No segundo. Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve "por que" ("separado". temos a equivalência com as expressões "pelo/a qual". muda tudo. Como já afirmei. e o que tinha de ser separado vem junto. as pessoas saberiam se ele tivesse explicado. O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber. Nesse caso. "por qual razão": "Por que (= por que razão. esse "porque" é "junto". A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar "por que". quando o assunto é "por que". a causa da ausência dessa pessoa. "por quê" e "porquê". No primeiro caso. e só se escreve "porque" ("junto". por exemplo. talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a "pelo/a qual". Vejamos um trecho da canção "Pedacinhos". como se diz) quando não há ponto de interrogação. Muitas vezes. O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente. É por isso que. Já o "porque" ("junto") introduz explicação ou causa do que se afirma: "Não vou porque estou doente". "Ele não vai. normalmente "porquê" acaba sendo sinônimo de "motivo". grafa-se "porque" (com acento. "pelos/as quais" ou a "por que razão". Se você gosta de "curto e grosso". isto é. Note que às vezes é justamente a grafia ("junto" ou "separado") o que decide o sentido da frase: "Ninguém sabe por que ele não explicou". ou seja. o que tinha de ser junto vem separado. a causa) da demissão do ministro". o que ocorre.Comunicação e Expressão 54 Há outras situações em que se deve acentuar o "que". grafa-se "por que" (com acento. "porque" etc. se for substantivo). quando a palavrinha tem valor de substantivo ("Ela tem um quê de magia") ou de interjeição ("Quê! Vocês por aqui?"). e ninguém sabe por qual razão/por que razão"). faixas. basta que a oração termine ali: "Por quê?". continuaram sem saber. se a oração terminar ali). desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. Num deles. É "separado" porque equivale a "por qual razão" ("Por qual razão?". No primeiro caso. E quando se coloca acento em "por que" e "porque"? É simples. quando da explicação do título da revista ("Você tem cheiro de quê?"). é preciso que essa palavra seja substantivo. ninguém sabe por qual razão ele não explicou. No outro caso. "As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas". Veja este caso: "Você não foi porque estava doente?". "por qual razão". "pelos/as quais": "São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar". Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. a causa) da renúncia". o "por que" equivale a "por que razão". Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal. é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto. "Ninguém sabe porque ele não explicou". "Ele não revelou o porquê (= o motivo. se a doença foi o motivo. Já tratei do assunto há um bom tempo. Se você estiver lendo Saramago. mas sempre vale a pena voltar a ele. textos publicitários etc. "porque". como ele não explicou. por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?". esqueça o que verá neste texto. rótulos. "Ele não vai. sim. Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes. mas. pouco comum. vamos lá. mesmo com ponto de interrogação no fim da frase. "causa": "Não entendemos o porquê (= motivo. Quando não. por exemplo. avisos públicos. Para acentuar "porque" ("junto"). "Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios". não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é "junto" ou "separado".

Entre os filmes em cartaz. Mas há casos em que só o verbo ter é aceitável: . use entre. (Significa “qualquer livro”. Use possuir quando quiser dizer que alguém tem posse de. Não o vejo desde 1980. Arantes usa a frase "Por que não se abrir?". ressurgir. À medida que/na medida em que Não confunda “à medida que” com “na medida em que”. Leia este exemplo: Ele é nosso representante junto à FIFA. generalizao. quando acompanhado de artigo. tirar. sem o artigo. Nos demais casos. Esse "por que" é separadíssimo! Toda vez que for possível substituir o "por que" por "por qual razão" ou "por que razão". (E não “desde de 1980”). nem sempre podemos trocar um pelo outro. particulariza o objeto. Embora os dicionários o dêem como sinônimo de ter. Obs: Não existe a forma “à medida em que”. Não é errado dizer que “ele tem uma bela casa de campo”. O certo é abandonar a palavra “junto” e usar a preposição exigida pelo verbo: Você tem de se explicar ao banco. ele tirou a mais bela para dançar. Compare estas duas frases. 6. Dentre as moças da sala. Possuir/ter Muito cuidado quando empregar o verbo possuir.) 4. Dentre Significa “do meio de”. Sempre se emprega com verbos como sair. 2. 3. Nessa canção. (Significa que o livro a que me refiro é perfeito do princípio ao fim. A primeira proporção e a segunda de causa.) Todo livro traz sempre algum benefício ao leitor. Vamos seguir o regulamento na medida em que (uma vez que) ele foi aprovado.Comunicação e Expressão 55 sempre traiçoeiras e é bobeira se enganar. ele deve ser escrito separado: por que não se abrir por qual razão não se abrir 1. 5. Todo o livro é perfeito. o melhor é o do Palace. Desde Nunca escreva “desde de”. Já esta frase não está correta: Você tem de se explicar junto ao banco. Junto a “Junto a” significa “adido a”. é proprietário de alguma coisa: Ele possui uma bela casa de campo. Todo O pronome todo. locução dá idéia de Você vai melhor à medida que (à proporção que) for tomando esse remédio.

“em vista de”. viaje. Inauguraram uma padaria em frente de nossa casa. “em face de”.Comunicação e Expressão 56 A praia tem agora quadras de esporte. 8. Ela tem cabelos castanhos e olhos azuis. Nós temos direitos adquiridos. No segundo exemplo seu emprego não estaria correto. . ele sorria. Ele é muito mal-humorado. 9.Se não – significa “quando não” ou “caso não”. a cerca de . pois estudar não é o contrário de ver televisão. 7. em vez de – significa “em lugar de” Em vez de estudar. senão (caso contrário) ele foge. Ele foi muito ríspido. “em frente de”. Sequer/ Se quer . “ao menos” Não disse sequer uma palavra para agradecer. “a não ser”. bares limpos. “perante”. 12.aproximadamente Minha casa fica a cerca de cem metros da praia. . Face a / Frente a Nunca use. Tome conta de seu cachorro. boa iluminação. 10. 11. há cerca de – faz aproximadamente Há cerca de dez anos que eles estudam esse assunto. Há/a . Em vez de pode ser usado também no primeiro caso: Em vez de chorar.mau – contrário de “bom”.Senão – significa “no caso contrário”. Ele estava de mau humor. Acerca de / A cerca de / Há cerca de acerca de – sobre Não disse nada acerca do plano econômico que elaborou.se quer – o “se” é conjunção condicional mais o verbo “querer”. Se quer viajar. Senão/ Se não . “ante”. se não (quando não) mal-educado. Substitua por “diante de”.mal – contrário de “bem”.sequer – significa “pelo menos”. Ao invés de / Em vez de ao invés de – significa “ao contrário de” Ao invés de chorar. “de outro modo”. preferiu ver televisão. ele sorria. Mau/Mal . 13. Ao invés de só é usado quando marca uma oposição. .

" "Que cara é essa.. aquela. 14. aquilo Espaço (lugar) Aqui Aí Ali. esse. aquilo. Onde você comprou essa sua?" "Dê-me essa caneta. essa. para elemento distante de ambos.aquela. Daqui a cinco anos estarei formado. e não sua. isso. Quando o verbo estiver conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (cantava. aquela. acolá Tempo Presente Passado recente ou futuro Passado remoto Citações Apresentam um elemento Retomam um elemento -o- Em relação ao espaço (lugar). substitua o verbo haver por fazer: Há (faz) oito anos que não o vejo. esta. Por exemplo: "Este ano é o ano das mudanças!" "Nesse domingo. isto para representar o tempo presente.. essa. Use a para exprimir distância ou tempo futuro. aquela. Por exemplo: "Comprei esta jaqueta que estou usando daquele camelô que vai lá adiante. para elemento que esteja próximo da pessoa com quem se fala. O grande problema é distinguir o passado recente do remoto. vendia. com o pretérito perfeito do indicativo (cantei. Ele está na Austrália há (faz) tempo. isto para representar qualquer elemento que esteja próximo da pessoa que fala. isto Esse. parti) é uma questão de estilo: o que julgar que é passado recente usará esse. Minha escola fica a duzentos metros de casa.. explicá-la-emos: Pronomes Este. aquilo. usamos este. depois. vendi.Comunicação e Expressão 57 Não troque a por há e vice-versa. Para saber se seu emprego está correto. essa. pois duas pessoas podem ter interpretações diferentes para a mesma frase. Haja vista Prefira sempre essa forma." "Essas olimpíadas foram horríveis para os atletas brasileiros. isso. irei a Águas de Santa Bárbara. isso. que é minha. Pronomes Demonstrativos Para maior clareza no estudo dos pronomes demonstrativos. para o passado recente ou para o futuro. aquilo. esse. Veja a diferença entre a tempo e há tempo: Chegou a tempo de fazer as malas. usase aquele. construiremos uma tabela e. para o passado remoto. esta. Use há para tempo passado. Juvestônio?" Em relação ao tempo. Haja vista os casos de dengue dos últimos meses. aquilo. aquela. isso Aquele. partia). usamos este." . essa. e o que julgar que é passado distante usará aquele. esta. aquele. aquele.. lá. Haja vista o seu súbito interesse pelo caso.

" (este = Carlos Drummond de Andrade. esse foi um dos melhores anos de minha vida. lhes. O grande mentecapto.. os. essa. Por exemplo: "Ao me encontrar com Florisberto perguntei por Abiduílson.) ÊNCLISE – Depois .Antes . Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. Outro exemplo: "Meu filho. Este é conhecido por suas poesias.) Próclise Palavras “atrativas” • De sentido negativo (não. aliás." ("Naquela época". A conferência dos pássaros. aquele = Machado de Assis) COLOCAÇÃO PRONOMINAL Os pronomes pessoais oblíquos átonos me. isso para retomar um elemento ou uma frase anterior. nem com este você deve envolver-se. havia muitos poetas eminentes.): . isto. em relação aos verbos. pois para mim. Por exemplo: "Preste atenção a estas palavras: O fumo é prejudicial à saúde. esse homem é muito truculento. que está imediatamente anterior a ele. esta." ("esse"." Se o pronome demonstrativo estiver retomando o substantivo imediatamente anterior.) MESÓCLISE – Meio . se. (José J. aquele. lhe.. esta deve ser preservada. é passado recente. ninguém etc. deveremos usar este. quiser retomá-los. isso já foi comprovado cientificamente. aquela. nunca.. vos." Perceba que o pronome "esta" está retomando o substantivo "saúde". naquela época. apesar de fazer 16 anos. a.“Obedecer-lhe-emos de todo o coração e faremos o que ele disser (. Sombra de reis barbudos. por seus brilhantes romances. esta. pois observe o verbo no pretérito imperfeito do indicativo – havia) "Em 1984 casei-me. aquele = Florisberto) "Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira. aquilo e o último por este. à frente." (este = Abiduílson. .)” (Farid Ud-Din Attar. isto." Usamos este. esta. para outra pessoa poderia ser distante) Em relação a citações orais ou escritas." "Pode ser citado como exemplo comprobatório este fato: o policial não estava armado." Quando houver a enumeração de dois elementos e. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde.Comunicação e Expressão 58 "Em 1922 aconteceu a Semana de Arte Moderna. denominam-se: PRÓCLISE .“Deixou escapar um soluço estrangulado como se limpasse a garganta.“Dei-lhe mais uma chance de voltar atrás”. usamos esse. nos. não se envolva com os funcionários da empresa em que trabalha o nosso vizinho. apesar de saber que este jamais conversa com aquele.. as.” (Fernando Sabino. deve-se substituir o primeiro por aquele." "Astolfeno Barbosento é candidato a prefeito de Castanheira Verde do Sudoeste. jamais. te. isto para apresentar um elemento ou uma frase que será escrita ou falada. o. Veiga.

: Rasguei a carta para não te aborrecer..: “Foi nesse momento que. • Certos pronomes indefinidos (tudo. Rasguei a carta para te não aborrecer. • Pronomes relativos (que.): Ex. Ex. • Advérbios em geral (já.: “Quando voltamos. porque.. haverá ênclise. • Preposição em + gerúndio. O estrangeiro). cada etc. O Alienista).)” (Albert Camus. Masson já nos chamava” (Albert Camus. dito-te.: “Em se tratando de discussões sobre serviços com executivos. Esaú e Jacó).)” (Karl Albrecht. Obs. diante de mim.) outras. cujo. • Substantivo (de qualquer tipo): Ex. ..: Hoje. embora etc. defini-me quanto aos métodos de trabalho. Obs.. • Preposição para + infinitivo (mesmo com presença da palavra “atrativa”): Ex.: “– Custa-me pedir-lhe” (Machado de Assis.: O pronome pode aparecer antes do não. continuam sem solução. Ela despertou-se suavemente.. Orações que expressam desejo: Ex. oculto e quêdo” (Camões. • Preposição a + infinitivo: Ex.. todos. quanto etc. sempre. A conferência dos pássaros).) mas.: “A dignidade de governo começava a enrijar-lhe os quadris” (Machado de Assis. aqui.)” (Farid Ud-Din Attar.. • Pronome demonstrativo: Ex. respondeu-lhe uma voz interior (.: Que Nossa Senhora o proteja. • Períodos iniciados por verbos que não estejam no futuro: Ex. Este dá-me satisfação.: “– Pode corrigi-los por boas maneiras. Ex.: Os problemas que se não discutem. Ex.): Ex. O estrangeiro). • Conjunções subordinativas (se. O estrangeiro). Certo: Eu não te havia dito. Este dar-me-á satisfação. Os Lusíadas).: “Tu deves de ir também co’os teus armado Esperá-lo em cilada. distingui uma fila de rostos.: “Não te surpreendas.): Ex.. Ex. Orações exclamativas ou interrogativas: Ex. Casos facultativos Se a palavra que antecede o verbo for: • Pronome pessoal do caso reto: Ex. Revolução nos serviços)... quando. Revolução nos serviços). ter-me-ia habituado aos poucos” (Albert Camus. • Verbo no imperativo: Ex.. Todos me olhavam (..: “(. bem etc.) sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça.. Ênclise • Sempre que houver pausa: Ex.: Eu me despertei assustada.: “Queremos que acreditem tanto na idéia de serviço que se transformem em defensores da qualidade do serviço na organização” (Karl Albrecht.: “(.: Este me dá satisfação. ainda que discordem (. descobri características que causam a diferença entre as empresas” (Karl Albrecht. A conferência dos pássaros). Revolução nos serviços). e não próclise.. Ele despertar-te-á cedo. meu espírito me empurra (empurra-me.: Não utilize pronome átono depois de particípio: Errado: . empurrar-me-á) para a prece” (Farid UdDin Attar. Rasguei a carta para não aborrecer-te..)” (Machado de Assis. quando lhe pedi uma recomendação de um restaurante próximo (. fazê-los unidos. Atenção: Se houver vírgula após o advérbio.: “(.): Ex. quem. Esaú e Jacó).Comunicação e Expressão 59 Ex.: Está me chamando? Mesóclise • Quando o verbo estiver no futuro do indicativo..

• Se. ou escrita informal: Devemos lhe dizer. (sem "s" e sem ponto depois de "h"). O primeiro dia do mês deve ser escrito assim: 1º (e não 1). 2.2004 Observações: Os números cardinais devem ser escritos sem ponto ou espaço entre o milhar e a centena: 1999 (e não 1.10.002).: Não lhe devemos dizer a verdade.. houver palavra que exige a próclise. (sem deixar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de "h" e "min"). agendas. Horas Hora redonda: 8 horas. como em anotações de programação com horários em seqüência. Ou 8h. competições. E é sempre aconselhável. • No caso. no entanto. Dias. etc. Nas combinações de verbo pessoal (auxiliar ou não) + infinitivo. no caso mencionado. a próclise com o infinitivo é própria da linguagem oral. O emprego de zero antes do dia ou do mês formado de um só algarismo não é de rigor: 02/02/99 ou 2/2/99. ou depois do infinitivo. 9h. o pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo. Evite-se esta colocação na redação oficial. quando se quer evitar fraude. Ou. a anteposição de um zero é prática corrente. crase e paralelismo Escreva assim: De segunda a sexta-feira De terça a quinta-feira ou Da segunda à sexta-feira . Hora quebrada: 8h30min.999). 9h43min etc. ainda: Devemos dizerlhe a verdade. O ano pode ser registrado com os dois últimos dígitos: 12/11/02. Exemplo: 1º/5/02 ou 1º/05/02. Datas Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas: com traço: 28-12-1945 com barra: 12/11/2002 com ponto: 21. 9 horas etc. horários anunciados pela televisão etc. Não devemos dizer-lhe a verdade. Saiba Mais: 1. pois atende a objetivos estéticos. Ou: Nós lhe devemos dizer a verdade.: Devemos-lhe dizer a verdade. de passagens. só duas posições serão possíveis para o pronome átono: antes do auxiliar (próclise) ou depois do infinitivo (ênclise). 2002 (e não 2.. A grafia com dois pontos. Ex. Atualmente. como em 08:00 09:00 10:05 13:20 é usada em áreas específicas.Comunicação e Expressão 60 Casos Especiais • Colocação do pronome átono em locuções e combinações verbais. Ex. horas.

. junto. sem ágio (câmbio). Errado = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava ao par do ocorrido. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para mim encaminhar aos clientes. ações). impessoaliza-se: Há muita gente no escritório. análogo: Estou aqui a fim de ajudá-lo a concluir o trabalho. Errado = Afim de redigir a carta. Para indicar procedência. Certo = É difícil para mim entender esse plano. sem qualquer desconto ou abatimento (títulos. Errado = Não haviam muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. Haverá duas reuniões da equipe de apoio operacional neste mês. ao lado. Certo = A fim de redigir a carta. ele precisa de outras informações. razão pela qual não pode ser usado como sujeito. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para eu encaminhar aos clientes. Certo = No início do expediente. Observe que após o pronome mim há um verbo no infinitivo (encaminhar). de acordo com a convenção legal. Será impossível para mim realizar esse trabalho. • Difícil para mim ou difícil para eu – Para mim é complemento de difícil. o verbo fica na 3ª pessoa do singular quando significar existir. afim significa parente por afinidade. semelhante. Certo = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava a par do ocorrido.Comunicação e Expressão 61 Da terça à quinta-feira Não escreva assim: De segunda à sexta-feira De terça à quinta-feira Escreva assim: De 9h a 11h De 8h30min a 11h30min ou Das 9h às 11h Das 8h30min às 11h30min Não escreva assim: De 9h à 11h De 8h30min à 11h30min 9h às 11h 8h30min às 11h30min OUTRAS DIFICULDADES MAIS FREQUENTES NO USO DA LÍNGUA • Onde ou aonde – Onde indica lugar fixo. Marketing e comunicação são assuntos afins. Acompanhado do auxiliar (dever. emprega-se de onde ou donde: De onde (ou donde) provinham os recursos financeiros? Errado = Aonde você deixou a minuta da carta? Certo = Onde você deixou a minuta da carta? • Afim ou a fim – A fim de equivale a para. • Para eu encaminhar ou para mim encaminhar – Mim é pronome pessoal oblíquo. Errado = No início do expediente. poder). Certo = Não havia muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. ao par. Pode haver muitos problemas com o novo gerente. Errado = É difícil para eu entender esse plano. Deve haver muitos candidatos para o cargo de Datilógrafo. ocorrer. • A par ou ao par – A par equivale a ciente. Ex. pois ele contém muitas informações técnicas. acontecer. • Havia ou haviam – Por ser impessoal.: Não foi fácil para mim conquistar essa vaga. função esta que cabe ao pronome pessoal do caso reto eu. aonde expressa a idéia de movimento (para onde). Nada tem a ver com o verbo. realizar-se ou indicar tempo transcorrido. pois ele contém muitas informações técnicas. ele precisa de outras informações.

pois elas vieram de encontro aos meus desejos. pois elas vieram de encontro ao meu desejo. em) com sujeito ou termo que a ele se refira: Chegou o momento de ela mostrar a sua competência profissional. • Há ou tem – Não se deve empregar o verbo ter em lugar de haver impessoal (significando existir). • De o ou do – Não se combina preposição (de. • Viagem ou viajem – viagem = substantivo. Certo = Está na hora de o malote chegar. Errado = Gostei das novas medidas econômicas. cinema. elimina-se o “s” da forma verbal: Queixamo-nos. Errado = Esperando uma resposta favorável. Certo = O presidente cancelou a viagem que faria às filiais. há dois engenheiros. não existe a forma menas: Queremos menos conversa e mais ação. . etc. Observe: Nos exemplos. Ex. pois elas vieram ao encontro do meu desejo. Errado = Está na hora do malote chegar.. de encontro a = contra. esta seria escrita assim: Não gostei das novas medidas econômicas. Cessão = ato de ceder (cedência): Nem todos concordam com a cessão do auditório. o verbo ter recebe acento circunflexo: Eles têm alguns privilégios. fica invariável: Os candidatos estavam meio nervosos. subscrevemos-nos.: Se as medidas econômicas tivessem contrariado o desejo de quem formulou a frase. Errado = Paralisamos a produção porque não tem matéria-prima. fazemos-lhe. Errado = O chefe da sessão de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos.: Durou apenas trinta minutos a sessão do teatro. Certo = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. as preposições de e a estão contraídas com artigos.. Apesar de o datilógrafo ter pouca experiência. • Seção ou sessão – Sessão = tempo em que se realiza uma reunião. concorda em gênero e número: Nosso Diretor não é homem de adotar meias medidas.Comunicação e Expressão 62 • De encontro a ou ao encontro de – Ao encontro de = para junto de. Errado = Os funcionários tem contribuído muito para a racionalização dos serviços. viajem. Ex. Errado = Comunicamo-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. porque já é meio-dia e meia (meia hora). • Comunicamos-lhe ou comunicamo-lhe – Com o pronome lhe(s) nenhuma modificação sofre o verbo: Informamos-lhes. Seção ou secção = setor.: Há secretárias que não se preocupam com o aperfeiçoamento profissional. Certo = Os funcionários têm contribuído muito para a racionalização dos serviços. • Decisões políticas-econômicas ou decisões político-econômicas – Nos adjetivos compostos ligados por hífen. a candidata ficou meio preocupada. só varia o último elemento: Nossa biblioteca recebeu muitas obras técnicocientíficas. Certo = Havia menos pessoas na reunião desta semana. Certo = Paralisamos a produção porque não há matéria-prima. Certo = As novas decisões político-econômicas afetaram os negócios da companhia. esquecemo-nos. Certo = Esperando uma resposta favorável. Certo = Comunicamos-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. a candidata ficou meia preocupada. viajem = forma verbal (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo viajar): Se querem viajar. comprometemo-nos. Errado = Havia menas pessoas na reunião desta semana. quando modifica adjetivo = um tanto. • Meio ou meia – Meio. Certo = Gostei das novas medidas econômicas. • Têm ou tem – Na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Quando se refere a um substantivo (claro ou subentendido). em prejuízo de. subscrevemo-nos. dignamo-nos. favorável.. programa de teatro. Errado = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. Errado = As novas decisões políticas-econômicas afetaram os negócios da companhia.. subdivisão: Na Seção de Obras. • Subscrevemo-nos ou subscrevemos-nos – Com o pronome reflexivo nos. o documento ficou bem datilografado. Errado = O presidente cancelou a viajem que faria às filiais. portanto. Certo = O chefe da seção (ou secção) de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos. Apresse-se. • Menos ou menas – Menos é invariável.

disse a secretária.. Errado = O preço da mercadoria é muito caro. Certo = Somos sete na seção. Na próxima semana. Errado = Se você ver alguém sem o equipamento de proteção. Não deve ser usado em relação à segunda pessoa.Comunicação e Expressão 63 • Faz ou fazem – Tempo transcorrido ou fenômeno meteorológico = impessoal. deixa-se o verbo no singular. porque não se trata de voz passiva. avise a segurança. Dica: Aparecendo preposição (de. Errado = Comunicamos à Vossa Senhoria que . • Preço alto ou preço caro – O preço da mercadoria pode ser alto ou baixo. estará fazendo dois anos que não recebo notícias de meu país. A mercadoria é que pode ser cara ou barata: Essa mercadoria é muito barata.. VÍRGULA .. Errado = Júlio. este cliente quer falar com você (contigo). esse cliente quer falar consigo. constrói-se com a preposição em: Resido na Rua Paraná. Errado = Todos devem obedecer o regulamento. virem.. a). com Vossa Senhoria: Presidente. esse verbo pede objeto indireto (proceder a): É necessário proceder a uma investigação. • Situada na rua ou situada à rua – Por se tratar de verbo de quietação (lugar fixo). uma vez que não se trata de expressão ou locução: Peço à senhora que compreenda as minhas dificuldades. • Vir ou ver – Trata-se do verbo ver no futuro do subjuntivo: vir. • Alugam-se telefones ou aluga-se telefones – Verbo apassivado pelo pronome se concorda em número e pessoa com o sujeito: Vendem-se casas. assume a forma impessoal: Faz vinte dias que encaminhei o relatório à Diretoria. Certo = O auditor procedeu a uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. Errado = Aluga-se telefones. virdes. Se o sujeito estiver no singular. Acompanhado de auxiliar (estar. com o senhor. Certo = Se você vir alguém sem o equipamento de proteção. dever. pede objeto indireto (responder a): Não responderei a esse memorando.: Precisa-se de empregados. 327. Certo = A nova filial está situada na Rua Piraí nº 110. realizar. Certo = O preço da mercadoria é muito alto. nunca caro ou barato. Observe: Fica no singular o verbo intransitivo indireto acompanhado do pronome se.. terceira pessoa no singular. avise a segurança. Ex. • Procedeu a ou procedeu – No sentido de efetuar. vir. • Obedecer ou obedecer ao – O verbo obedecer pede objeto indireto (obedecer a): Quem não obedece às normas de trânsito deve ser punido. Observe: o pronome de tratamento senhora admite crase. poder). • A Vossa Senhoria ou à Vossa Senhoria – Não se usa crase antes de expressões de tratamento: Encaminhamos a Vossa Senhoria a documentação... Só se emprega o pronome consigo na terceira pessoa: A balconista (ela) levou a caneta consigo. Errado = O auditor procedeu uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. • A essa ou essa – Com o verbo responder. Errado = Fazem dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. Certo = Faz dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. Errado = Responderei já essa carta. Certo = Responderei já a essa carta.. Certo = Alugam-se telefones. Neste caso. • Somos ou somos em – A preposição em é desnecessária. há uma pessoa que deseja falar com o senhor. o verbo fica no singular. Errado = Somos em sete na seção. disse a secretária. em vez de consigo usa-se com você. virmos. Certo = Júlio. Certo =Todos devem obedecer ao regulamento. vires. • Consigo ou com você – Consigo pronome reflexivo da 3ª pessoa. Certo = Comunicamos a Vossa Senhoria que . Errado = A nova filial está situada à Rua Piraí nº 110.

Precedendo termos de mesmo valor sintático: Ex. velhice vergonhosa. logo. 3 .: Ele é o homem que mata passarinhos. é uma defesa prévia.Para marcar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Ex.Entre as conjunções coordenativas adversativas e conclusivas. etc. 14 .Em orações coordenadas ligadas por “e” que tenham o mesmo sujeito: Ex. continuava.Entre as orações intercaladas: Ex. Ex. 2 . que foi assassinado. ou melhor. outros.: Bom policial. não condenou o sindicado. o cadete deixou de lado suas antigas aspirações.: Fez-se o céu. esclarecendo ou qualificando-o): Ex. a cada ano está mais perigoso. quando as orações apresentarem sujeitos diferentes ou quando o “e” se repetir: Ex. por exemplo.Precedendo orações coordenadas assindeticamente.: A guerra. que mantivéssemos suas vírgulas . entretanto. nº 30.Entre expressões explicativas ou retificativas (isto é.: Encontramos o suspeito. 4 . digo. pode vir a ocorrer algum equívoco.: Quando menos se esperava. substâncias entorpecentes e bicicletas furtadas. que é tradicional. e José arrumou a cama. 6 .Para indicar zeugma (elipse/omissão de um ou mais termos anteriormente citados): Ex.: Fez-nos um pedido. compareça ao local da ocorrência.): Ex. 10 .: Foram apreendidas armas de fogo.Precedendo orações principais pospostas: Ex.Nos elementos paralelos de um provérbio: Ex. Rua da Alegria. um estado ou modo de ser do sujeito ou que se refere ao objeto de um verbo transitivo. sentou no sofá. ligou o televisor. 5 . foi detido às nove horas.Assinalar o aposto (é o termo da oração que serve par explicar um termo anterior. 3 . contudo. o sol. Espero que nenhum policial cometa erros durante a operação. sem uso de conjunções.Antes de orações adjetivas restritivas: Ex. 14 .): Ex. PONTUAÇÃO Casos de uso da vírgula Usa-se a vírgula para: 1 .: Chegou a casa. exceto as apositivas. etc.Em construção com termos pleonásticos: Ex. identificandoo.Entre o sujeito e o verbo: Ex. (elipse do verbo “estava”) 11 .Entre verbo e complementos verbais: Ex. isto é. a meu ver. Um vegetal é um animal que dorme. 15 . (elipse do verbo “diziam”) O dia estava quente. pessoa justa. 9 . 2 . quando pospostas/intercaladas (porém. 13 de novembro de 2008.Antes de orações subordinadas substantivas. quer dizer.: Chegou e prendeu o infrator. porém.: Uns diziam que se suicidou. escaldante. o cidadão infrator.: Mocidade ociosa.: O comandante do batalhão. Ex.Para separar predicativos situados antes do verbo (predicativo é o termo que exprime um atributo. 13 .Nas datas e endereços: Ex. talvez não mais o seja. 12 . mas como a operação é considerada de alto risco.Comunicação e Expressão 64 Não deve ocorrer vírgula 1 . e o mar.): Ex. são orações não introduzidas pela conjunção aditiva “e”. 7 . 4 . a saber. portanto. 5 .: O criminoso. os policiais avançavam pela área de risco. O sargento é mestre em artes marciais. na minha opinião.: Os policiais prenderam o infrator. João escreveu uma carta. Via de regra.Orações subordinadas substantivas apositivas: Ex.: O tiroteio. digo.: Belo Horizonte. 8 .: O carnaval. e a terra. Obedecemos às ordens do comandante. disse o general.: Convém que deixemos o local.: Destemidos e intrépidos.Antes de “e”.Assinalar o vocativo (é o termo com que se interpela/chama o ouvinte/interlocutor): Ex. todavia. buscou o canal certo.: Sargento Mike. acomodou-se e assistiu ao filme.

. Não queremos saber. * Se você for mulher.universopolicial. Detalhes Adicionais: SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA. 29. queremos saber... 23. Não. Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). foi resolvido. A vírgula pode condenar ou salvar. Pode criar heróis.Comunicação e Expressão 65 Disponível em: <http://www.09 PARA QUEM PENSA QUE UMA VÍRGULA É SÓ "UMA VÍRGULA".. Não espere.mate! Prender. Não tenha clemência! Não. ou não. Não.. Isso só ele resolve. Isso só. ele resolve..05. colocou a vírgula depois de TEM. . tenha clemência! Prender não..com/2008/11/uso-da-vrgula-tire-suas-dvidas-aqui. * Se você for homem. nada foi resolvido..html>. Vamos perder nada. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.34. A vírgula muda uma opinião. 2.. espere. Ela pode sumir com seu dinheiro... Vírgula pode ser uma pausa. certamente colocou a vírgula depois de MULHER.não mate! Uma vírgula muda tudo. Ela pode ser a solução. Vamos perder.4.

Assim. os fósforos na mão. ávido. o cronista construiu uma detalhada e emocionada descrição dos atos e dos traços psicológicos daqueles três. Reflexivo. com o olhar e a capacidade de quem tem muita sensibilidade e habilidade para escrever. ele ergueu os olhos e notou a presença de um pequeno grupo de pessoas negras ao fundo do estabelecimento: era um casal acompanhado de uma menina. O escritor havia encontrado sobre o que falar em sua crônica especial. ele passou a observar a pequena família. Fernando Sabino chamou a atenção para a forma esquiva e insegura como o pai. como também as vestimentas simples e a curiosidade da criança revelaram que não era prática comum eles estarem naquele tipo de lugar. Sabino queria ser capaz de expressar a respeito das relações humanas o que estava fora do alcance dos olhares comuns. Por isso enquanto tomava o cafezinho. Finalmente. o quadro composto em poucos minutos mais parecia uma espécie de ritual. ele lamentou o fato de seus textos terem abordado situações muito comuns e circunstancias dos fatos cotidianos naqueles últimos tempos. O escritor foi capaz de enxergar pequenos atos como a procura das velinhas na bolsa. Então. compenetrado ao tomar o café e sem ter assunto. Na verdade. ele pensava em concluir o ano de forma grandiosa. o sopro das velas e as mãos trêmulas da menininha ao agarrar o bolo para comer. a humildade e insegurança dos dois adultos. O cronista captou o momento quando o pai tímido fez o pedido ao garçom como algo distinto e raro. antes de escrever a crônica diária. desmentindo o que havia afirmado antes. ele acompanhou. na última mesa. a mãe e a menina de três anos chegaram e se estabeleceram em um canto. e ainda a insegurança da mãe e a concentração da criança no refrigerante.Comunicação e Expressão 66 Paráfrase: Fernando Sabino entrou em um botequim da Gávea. enquanto aguardava ansiosamente a fatia de bolo. Talvez por se sentirem deslocados. As palavras. Ao terminar a pequena reflexão. captada da convivência entre as pessoas. o escritor desejava falar sobre a essência humana. . aspecto que ele julgava o mais digno da vida. o cronista repetia na memória o verso de Drummond “assim eu quereria o meu último poema”. Como também a satisfação deles pelo sucesso da comemoração do aniversário de três anos da pequena. Além disso. Ou seja. os gestos e olhares de ternura de pai e mãe ao observarem a filha comendo o único pedaço de bolo. os parabéns soados quase como sussurros. E. o cronista acolheu o sorriso cheio de dignidade do moço o qual coroou aquele pequeno evento que o possibilitou captar a essência do ser humano em sua crônica. os gestos comedidos.

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