Comunicação e Expressão

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Curso: Letras Disciplina: Comunicação e Expressão Professora:

Ano/sem: 2011/01 h/a: 68 Código: 990101 Turma:

“Descobri que a pessoa só faz bem aquilo de que gosta. Todo mundo que faz alguma coisa bem é porque gosta do que faz. O ato de gostar está ligado ao ato do conhecer e o ato de conhecer está ligado à curiosidade” (Gilberto Dimenstein)

PLANO DE ENSINO EMENTA: Linguagem, língua e fala. Funções da linguagem. Oralidade, escrita e variação linguística. Leitura e estratégias de leitura. Escrita e estratégias de escrita. Paragrafação. Coesão e coerência textuais. Paráfrase e retextualização. Argumentação e persuasão. Particularidades léxicas e gramaticais. Competências: Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências:

1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e produtivas,
em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização de práticas sociais; 2. ser ético, pontual, interessado e comprometido com a prática e a vivência acadêmicas. Habilidades: 1. conceituar linguagem, língua e fala;

2. reconhecer as variedades linguísticas e os níveis de linguagem a partir de textos e de situações
concretas da cultura local;

3. identificar a estrutura de diferentes tipos e gêneros de textos; 4. empregar adequadamente elementos anafóricos, articuladores e conectivos para promover a coesão
e a coerência em textos produzidos; 5. compreender e interpretar adequadamente diferentes textos; 6. distinguir fala e escrita, destacando aspectos estilísticos e discursivos da escrita; 7. identificar, distinguir e empregar corretamente os conceitos: argumentar, convencer e persuadir; 8. transpor textos da oralidade para a escrita e de um gênero textual para outro (retextualização);

9. produzir e corrigir parágrafo e paráfrase de acordo com a teoria, com a variante padrão e com os
critérios definidos nesta disciplina.

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CONTEÚDOS: 1. 2. 3. 4. 5. 6. conceito, níveis e funções de linguagem; oralidade, escrita e variação lingüística; estratégias de leitura e de escrita; paragrafação; coesão e coerência textuais; compreensão e interpretação de textos; argumentação e persuasão; paráfrase e retextualização; revisão gramatical. METODOLOGIA: A disciplina propõe espaço para o processo de reflexão e aperfeiçoamento da língua materna por meio de aulas teóricas e atividades práticas de leitura e escrita. Para tanto, nos encontros haverá discussões que desafiem o aluno a ler, elaborar hipóteses e compreender os entrelaces das palavras na constituição do discurso coerente e, sobretudo, na capacidade de utilizá-lo de maneira consciente no dia a dia. O acadêmico será provocado a produzir, autocorrigir e refazer textos significativos. Os conteúdos dos encontros presenciais serão desenvolvidos a partir de dinâmicas diversas tais como GV-GO, discussão circular, Phillips 66, seminários e mesa redonda para que o grupo possa socializar tanto as experiências quanto os conhecimentos prévios e os novos. Serão utilizados recursos como: quadro, retroprojetor, cartazes, datashow, músicas, revista, dvd, aparelho de televisão e de som. Para as aulas semipresenciais será utilizado sistema web, via plataforma da Instituição (www.ulbra-to.br), onde estarão disponíveis atividades da disciplina que envolvam leitura e escrita como também os critérios a serem observados pelo acadêmico ao publicar as respostas solicitadas. AVALIAÇÃO: O processo de avaliação será contínuo, por meio de observação, no que diz respeito à participação, ao interesse, à responsabilidade e pontualidade em que os alunos deverão apresentar trabalhos individuais e em grupos; orais e/ou por escrito, demonstrando conhecimento do conteúdo, coerência e consciência crítica sobre o que dizem. Os textos e as referências bibliográficas serão disponibilizados no portal e na reprografia. A produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada. Os acadêmicos que apresentarem dificuldades na escrita deverão frequentar o Laboratório de Produção Textual. Compõe G1: - leitura e discussão da obra O que é leitura. (v.1,0) - leitura e apresentação oral do livro Preconceito Linguístico: o que é, como se faz: (v.1,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5), de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico. Compõe G2: - leitura e apresentação oral do livro A arte de Argumentar e o filme Obrigado por fumar. O aluno deverá apresentar de maneira clara e coerente a relação que há entre a obra e o filme. (v.2,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5) de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico.
*Obs: o aluno que faltar à prova deverá substituí-la no fim do semestre, de acordo com a resolução institucional.

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Substitutiva de grau: Avaliação- Assunto cumulativo do semestre Prova (v.10,0), conforme resolução institucional.

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NB: - As atividades serão realizadas a partir de roteiro disponibilizado no Portal e na reprografia. Todos devem ficar atentos ao cronograma. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BASTOS, Lucia Kopschitz. A Produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FARACO, Carlos Roberto e TEZZA, Cristóvão. Prática de Texto: para estudantes Universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. Ed. São Paulo: Ática, 1998. LEITURAS OBRIGATÓRIAS: ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: Loyola, 2004. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura.19. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BAGNO, Marcos. A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 14. ed. São Paulo: Conteto, 2005. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1998. POSSENTI, Sírio.Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado das letras/ALB, 1996. RAMOS, Jânia M. O espaço da oralidade na sala de aula. São Paulo: Martins Fontes, 1997. SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001.
1. Critérios de avaliação oral Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: a) demonstração, por meio de informações precisas, de que fez a leitura do texto; b) exposição de ideias claras, coerentes e com senso crítico, tanto nos debates em grupos pequenos quanto no grupão; c) boa entonação, adequado volume de voz e entusiasmo ao fazer exposição oral; d) apresentação de informações novas e relevantes a partir, quando possível, de conhecimentos prévios; e) atenção e respeito às ideias dos colegas; f) inscrever-se (sinalizar com a mão) e esperar pelo turno de exposição; g) criatividade e colaboração na preparação de material e nas apresentações orais; h) postura adequada quando fizer exposição; i) uso da norma culta da língua nas modalidades oral e escrita, exceto em situações específicas que exijam outras variantes. 2. Critérios de avaliação escrita Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios: 1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) • apresenta características do gênero textual solicitado, de forma que é possível identificá-lo? • apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) • apresenta o uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? • apresenta o assunto de maneira original, crítica e criativa? 3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) • está escrito de acordo com a variante lingüística adequada? • está adequado quanto à ortografia?

acima de tudo. Leia o texto: 1 O Alfabeto Morse foi inventado pelo norte-americano Samuel Finley B. diversas modalidades: língua familiar. objeto da semiologia ou semiótica. numa extensão de 64 quilômetros. o texto: (valor: 15%) apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? • apresenta letra legível. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. Nota-se.com. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa. Samuel também inventou o telégrafo sem fio. de uma forma geral. a língua é um sistema de símbolos pela qual a linguagem se realiza. que deve estudar “a vida dos signos no seio da vida social”. língua técnica. no interior de uma mesma língua são importantes as variações. 2009. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos. Alguns linguistas preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações. portanto. então. da evolução dos meios de receber comunicação e de se comunicar. está adequado quanto ä concordância? está adequado quanto à pontuação? está adequado quanto à sintaxe? está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 4. organização estética adequada e título criativo? LINGUAGEM.girafamania. E sua linguagem é uma ferramenta capaz de traduzir. para as comunicações telegráficas. A língua é. como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. em que se enquadram os diferentes tipos de Gíria. Morse 1) e torna-se. entendida como forma de realização da linguagem. sejam graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas. Ele transmitiu o primeiro telegrama do mundo. a descoberta do fogo. Como se vê. fotografar o estágio de desenvolvimento da humanidade. um fenômeno fonético. então.Comunicação e Expressão 4 • • • • 0. que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua. mais rápida será sua progressão. língua inglesa). língua própria a certas classes sociais. de registrar o conhecimento e o desenvolvimento da escrita e fonética. A fala. a divisão do trabalho. usada pelos falantes por meio da fonação e da articulação vocal. Dentro de uma mesma língua temos. Morse (1791-1872). a linguagem é composta de duas partes: a Língua. as máquinas.html. fica evidente que o desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependem do progresso alcançado em suas atividades. a certos subgrupos. assim.br/girafas/lingua_morse. com ajuda dos órgãos sensoriais. Para o linguista Saussure. as tecnologias. essencialmente social porque é convencionada por determinada comunidade linguística. quanto mais avançada for a capacidade de comunicação de um conjunto de indivíduos. É a capacidade da espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). LÍNGUA E FALA O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilitam nossos modos específicos de pensamento. conhecimento e interação com os semelhantes. Mas. língua popular. nos Estados Unidos.> Acesso em 31 de jul. Atividade 1. e a Fala. que é secundária e individual. é um fenômeno físico e concreto que pode ser analisado seja diretamente. entre as cidades de Washington e Baltimore. por sua vez. é veículo de transmissão da Língua. língua erudita. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das regiões do Brasil). com efeito. Quanto a aspectos estéticos. O homem necessita comunicar para progredir. a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a titulo de pura sensação. . Assim. Disponível em:<http://www. ou seja. Para os receptores (ouvintes) a fala é.

2. 2.NV. pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupõe. 5. no placar eletrônico. Dias. mas também de todas as outras disciplinas sem exceção.V d. 2. Um bom exemplo é o texto que segue: "As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. nas conversas e insultos dos torcedores. a comunicação aparece nos gritos da torcida. Mas não se pode responder a essa pergunta sem antes destacar que não existe para ela uma solução mágica. Dias antes já havia provocado dúzias de mensagens e durante dias a fio ele continuará sendo objeto de comunicação nos botequins.V.V e. gestos. que proíbe que as casas de vídeo aluguem. cores das bandeiras 3. E.V. 6/6/92). 4.15) Questão 1: Dentre as manifestações comunicativas citadas a seguir. 3. 1982.( ) 1.V. reconheça o que se constitui em linguagem verbal (V) e em linguagem não-verbal (NV).V. conversas de torcedores Assinale a alternativa correta. a. 5. O APRENDIZADO DA LEITURA . 5.( ) 1. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991. gritos da torcida 2.NV. 2. 3.NV. 3.( ) 1. 2. Juan. nas cores das bandeiras. O que é comunicação. nas fábricas. 4. 1. a compreensão do texto depende também do conhecimento de mundo. 2009. e cartões do juiz e dos bandeirinhas 5.( ) 1. apitadas.NV.Comunicação e Expressão 5 No estádio de futebol. nos gestos.com. p. extraída de um vestibular da UNICAMP: Às vezes. nos escritórios.( ) 1.V. A título de ilustração.V.NV. É o conhecimento lingüístico que nos permite reconhecer a ambigüidade do texto em questão (pela posição em que se situa.NV. o que não quer dizer que não exista solução alguma. 4. São Paulo: Brasiliense. Genericamente. É muito provável que ele tenha tido a intenção de dizer que os menores estão proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorização dos pais e de frequentarem motéis. em seus gritos de estímulo.NV c. 3.NV. a expressão sem a companhia ou autorização dos pais permite a interpretação de que com a companhia ou autorização dos pais os menores podem ir a rodeios ou motéis).V. exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos. 3. fotógrafos e operadores de TV.V.V Disponível em: <ttp://novosolhos. nos rádios e nos jornais. no trabalho dos repórteres.V b.V.COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Interessa a todos saber que procedimento se adotar para tirar o maior rendimento possível da leitura de um texto. números das camisetas 4. apitadas e cartões do juiz e dos bandeirinhas. 4. observe a questão seguinte. 5. 4. Acesso em 31 de jul. quando um texto é ambíguo.br/site/arq_material/12042_13033. do Juizado de Menores. 5. O próprio jogo é um ato de comunicação. é o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que se lê.NV. nos números das camisetas dos jogadores. Como se vê. (BORDENAVE. um repertório de informações exteriores ao texto. o que nos leva à conclusão de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Português. além do conhecimento lingüístico propriamente dito.NV. nos alto-falantes e radinhos de pilha. Três questões básicas: Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido é a resposta a três questões básicas: .NV. radialistas.NV. 2 ed.pdf>. Mas o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretação é estranha e só pode ter sido produzida por engano do redator. o que se costuma chamar de conhecimento de mundo. A portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais" (Folha Sudeste.

lembrem-se. d. melhor os usamos em cada ocasião. Mas estamos mais esperançosos de que a verdade e a Justiça culpem os culpados e absolvam os inocentes. na vida diária.html>. no vasto e interessantíssimo leque das nossas capacidades e curiosidades. no interior do parágrafo. isto é. Na verdade. uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. Se de um lado andamos de cabeça mais erguida nestes dias. Para tanto. O receio é que os jovens. Linguagem de cegos. Os catastrofistas. acredito – e os linguistas talvez confirmem – que. Por isso.br/articles/411/1/O-APRENDIZADO-DA-LEITURA---COMPREENSAOE-INTERPRETACAO-DE-TEXTOS/Paacutegina1. são muitos. Acesso em 30 jul. ou sabe apenas de maneira genérica e confusa. as linguagens das famílias – em que determinadas palavras evocam cenas hilariantes ou tristes. que precisa eventualmente ser traduzido para o comum mortal. compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentatório. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando. os argumentos apresentados em favor da tese. de quanto mais recursos dispomos. . como se dá a passagem de um parágrafo para outro.Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. O autor sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados.com. não há perigo de sotaque. o jargão dos médicos. como nos chats. Texto de Francisco Platão Savioli. Também para Geraldi (1984). aquele que aprendesse taquigrafia haveria de cometer mais erros de ortografia. também. aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve.Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto. Na escrita. o código do próprio idioma escrito. na fala e na escrita. Receio infundado: somos capazes de dominar. Sem falar na linguagem das siglas que dominam o mundo. 2009.Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta. haveriam de desaprender. b. c. linguagens profissionais. se passa de uma afirmação para outra. isto é. aquela em torno da qual gira o texto inteiro. porque ao menos um passo foi dado e temos quatro dezenas de réus em falcatruas variadas e graves. usando desse recurso que tem a ver com velocidade e economia.mundovestibular. que na verdade é múltiplo. para as quais até dicionários já existem. ou nunca aprender direito. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. várias linguagens ao mesmo tempo e transitar entre elas com habilidade e até elegância em certos casos. linguagem de namorados. linguagem de surdos. III .Comunicação e Expressão 6 I . Os novos códigos Lya Luft Linguagens são códigos e com eles nos comunicamos. O da comunicação. é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. a coerência entre tese e argumentos. o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal. Se pudéssemos dominar apenas um sistema de sinais escritos. de cabelo em pé. Linguagens técnicas. Agora. os contra-argumentos levantados em teses contrárias. Ao contrário. Isso dito. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor. Disponível em: <http://www. II . que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra-argumentos confirmam sua posição. Segundo códigos de ética que no momento são objeto de verdadeira guerra entre nós. vamos ao código que aqui me interessa. surge uma preocupação com a linguagem abreviada e de caráter fonético usada em mensagens de computador. Longe disso. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita. paira ainda certo receio de que tudo seja turvado por interesses políticos e artimanhas de compadres. um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias. é importante observar a “costura” do texto. Vivemos segundo alguns. a. empunham a vassoura da faxina crítica. dos advogados. um bom roteiro para estudar um texto é o de especificar a tese defendida (tema do texto). o da linguagem. e como. E a linguagem técnica ligada às mais variadas ciências e meandros do universo tecnológico.

Nem tudo o que é novo é positivo. A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: a) leitura integral do texto para contato panorâmico. ou damas enfiadas no espartilho do preconceito: sem ginga. 2010. em lugar de criticar de saída ou prevenir-se contra. a línguapadrão que é e deve ser usada em momentos mais sérios. como os costumes. os casos de discordâncias. . f) assinalar. Que nem sempre são o lobo mau. É como se fora da língua culta. sem alegria. dos donos da verdade. Além de tudo. marcas diversas que orientam a leitura. se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura e na compreensão das ideias. resumo. b) esclarecimento de dúvidas de vocabulário e termos técnicos. “Sua finalidade é destacar elementos que servirão de orientação para consulta futura. à margem do texto. um pouco secreta de estabelecer e cultivar laços cibernéticos. tese. fichamento. É importante perceber como o autor desenvolveu o texto. a língua. d) sublinhar. principais argumentos. os tópicos mais importantes. sim. rápida. dos moralistas. Além disso. siglas. contraposições. embora em geral a gente não tenha nem dê essa impressão de nós mesmos. a sociedade e as culturas. a vida. que podem confirmar amizades já existentes (falo com amigos distantes mais frequentemente do que com o que mora no mesmo edifício) ou abrir a porta para novas relações. o estudo e a reflexão de um texto supõem o uso de recursos como sublinha. mais hábeis e mais capazes. é uma estratégia que monitora a compreensão. à margem do texto. os argumentos discutíveis. c) releitura do texto para identificar as ideias principais. por isso mesmo sem discernimento para o verdadeiramente mau. Disponível em: http://www. com um ponto de interrogação. como se tudo o que é novo fosse primariamente mau. nem tudo o que é tradicional é melhor. no bom e no negativo. e casais extraordinariamente infelizes que conviveram desde a adolescência. É preciso dar uma chance às novidades e inovações. econômica. e) assinalar com uma linha vertical. as passagens obscuras. as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes importantes. embora crianças devam ser controladas e alertadas para doenças como pedofilia e outros males nesta nossa enferma sociedade. Escrever com abreviaturas.digestivocultural. etc. num outro momento. todas as demais formas de comunicação fossem espúrias. Vamos estudar alguns desses recursos mais detalhadamente. definições. esquema.Comunicação e Expressão 7 Linguagem é a roupa da mente: não falamos em casa como falamos num discurso em ocasião solene nem falamos numa entrevista para conseguir emprego como falamos brincando com nossa turma na escola. em cada parágrafo. Para tanto é importante ter a percepção do conteúdo do texto. auxilia na concentração na hora da leitura. tem de ser objetivo e restringir a palavras ou frases”. Acesso em 17 de junho. por isso. Não sejamos chatíssimos senhores com odor de naftalina. uma ação concreta. dos gramáticos. dos puristas. por qualquer outro motivo. criativa e. destacando partes ou subdivisões. Como é necessário encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto. sem abertura para o novo e o bom.com/colunistas/coluna. Essa marcação. A TÉCNICA DE SUBLINHAR Sublinhar um texto é destacar as ideias principais. Permite que se faça um mapeamento do texto. inteligente. anotações de margem de texto. no fundo obscuro de alguma caverna. quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou. E não falamos com um bebê de dois anos como falamos com o médico ao qual estamos expondo nossos males. Somos melhores do que se pensa. Ou ainda acenderíamos fogo esfregando pedrinhas. pois com um objetivo. formas enigmáticas aos desavisados é apenas uma maneira divertida. dos que seguram o facho da razão numa das mãos e na outra o chicote da censura. além de ajudar na compreensão do texto. ESTRATÉGIAS – LEITURA DE ESTUDO Para Brito (2001). possibilita voltar ao texto lido. uma tarefa a realizar. segue uma evolução que independe de nós. Conheço casais felizes que se encontraram num chat. fazer uma retomada do texto. Questão 1: Vamos identificar a tese defendida por Lya Luft no texto Os novos códigos como também os argumentos e os contra-argumentos utilizados na construção da opinião da autora.

no final do trabalho. É muito útil. Elabore um resumo: Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar. pois nele aparece apenas o ‘esqueleto’. A primeira diz respeito à difusão de notícias. ou não de interpretações ou explicações. ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos seqüenciais ou arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida”. acompanhada. as ‘palavraschave’. evitando-se o acúmulo de anotações que. as ideias principais estão sublinhadas. (Samuel Pfromm Neto apud Soares & Campos. comentários etc. para não danificar o texto. em vez de facilitar o trabalho do leitor. setas e outros símbolos (Andrade. usa-se caneta hidrocor. a uma radiografia do texto. A quarta função — ensinar — é realizada de modo direto ou indireto. • Dependendo do gosto. p. ou seja. estudo e trabalho. destrezas.Comunicação e Expressão 8 g) ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido. tais como: • Sublinhar com lápis preto macio. divertir. por parte do público. planos. Utilizam-se normalmente de colchetes. dificulta e gera confusão. O indispensável é sublinhar apenas o estritamente necessário. de divertimento. como: vermelho = idéia principal. • Outra prática optativa é sublinhar com dois traços a ideia principal e com um traço as ideias secundárias. A segunda função atende à procura da distração. de evasão. em várias cores. a votar em certo candidato. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. Uma terceira função é persuadir o indivíduo — convencê-lo a adquirir certo produto. azul = detalhes importantes. É um texto que auxilia na leitura. Para se obter maior funcionalidade das anotações. sem necessidade de apresentar frases redigidas”. por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. grosso modo. Ocorrência Exemplo: periódica (época do Natal) Águas do Oceano Pacífico Atividade de pesca do Peru Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão) Corrente marítima de Humboldt Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas Alimentos para os peixes FENÔME NO EL NIÑO Microrganismos animais e vegetais de vida aquática (plâncton) Desvio da corrente de águas frias Ventos provindos do oeste Diminuição da quantidade de plâncton Inflete para oeste. • As anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos. antes de atingir as costas do Peru Ar quente Aquecimento das águas costeiras do Peru Queda do rendimento pesqueiro . 1997) que possam ajudar na organização e visualização das ideias. podem sofrer variações e adaptações pessoais. 111). estabelecendo-se um código particular. h) reconstruir o texto. tomando as palavras sublinhadas como base. relatos. intencional ou não. No texto abaixo. etc. evidentemente. essas sugestões. É uma atividade que pode ajudar na seleção e na organização das informações mais importantes. fundamental para desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social. persuadir e ensinar. 1978. fazer uma leitura comparando-se o texto original com o texto sublinhado. chaves. sobre a realidade. além de causar mau aspecto. “O esquema é um texto que corresponde.

não se dá no vácuo. São Paulo: Contexto. Atividades de pesca do Peru. de outro. 3. A variedade padrão é a variedade linguística socialmente mais valorizada de reconhecido prestígio dentro de uma comunidade. Constata-se. Em nossas sociedades de tradição ocidental. As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão. Leda Tessari. vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais” (Gnerre). Como facilitar a leitura. historicamente coincide com a variedade falada pelas classes sociais altas. Leitura de estudo. podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas. 2. 5.1. Corrente marítima de Humboldt.1. em qualquer comunidade de fala. o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos linguísticos dos grupos socialmente dominantes. Microrganismos animais e vegetais da vida aquática (plâncton).1.1. A língua padrão tem uma enorme importância em sociedades como nossa. definidas pela comunidade como próprias em função da formalidade da situação. da relação entre os interlocutores etc. Alimentos para os peixes. Na realidade objetiva da vida social. Isto é. isto é. de modo evidente. a variedade padrão. Desvio da corrente de águas frias. Diminuição da quantidade de plâncton. “Uma variedade linguística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes. 2003 FULGÊNCIO. 6. mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada comunidade. de um lado. há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso. como o seguinte: FENÔMENO EL NIÑO 1. que se traduz. A LÍNGUA E OS FALANTES 1.1. a existência de variedades prestigiadas e de variedades não prestigiadas nas sociedades em geral. Lúcia & LIBERATO. esquematizá-lo e apresentá-los aos colegas por meio do esquema elaborado. antes de atingir as costas do Peru. em todas as comunidades existem variedades que são consideradas superiores e outras inferiores. Águas do Oceano Pacífico. Essa coexistência. pelo estabelecimento de um conjunto de normas que definem o modo “correto” de falar.1. Inflete para oeste. entretanto. AS VARIEDADES LINGUÍSTICAS E A ESTRUTURA SOCIAL Como já foi dito. 4. Ventos provindos do oeste Ar quente. de determinadas regiões geográficas. 2000. Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas. . CASTELLO-PEREIRA.Comunicação e Expressão 9 Outra forma de apresentar um esquema é por meio de uma listagem hierarquizada por diferenciação de espaço e/ou subdivisão numérica. O que chamamos de variedade padrão é o resultado de uma atitude social ante a língua. cujo uso é normalmente requerido em situações de interação determinadas. 5. Tradicionalmente. Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão). Ocorrência periódica (época do Natal). vamos definir um assunto. Aquecimento das águas costeiras do Peru. do assunto tratado. Queda do rendimento pesqueiro. 2. pela seleção de um dos modos de falar entre variedades existentes na comunidade. Questão 1: A partir dos conhecimentos específicos que já temos do nosso curso. que reflete a hierarquia dos grupos sociais. Campinas: Alínea. 1. Yara.

2003.” (Texto adaptado de MIRABETE.. Exemplo: “Na Antigüidade.. entre outros... Não casual. e o fazemos em função de sua inserção na estrutura social. na imprensa e.Comunicação e Expressão 10 A avaliação social das variedades linguísticas é um fato observável em qualquer comunidade da fala. “primitivas”. Em razão disso. Para a Linguística – ciência da linguagem – esse tipo de afirmação carece de qualquer fundamento científico. aplicava a pena que parecia a ele mais justa. Frequentemente.. é um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive. que se julgue “feia” a variedade dos falantes de origem rural. assim. Segue as regras da gramática normativa././ .. as avaliações sociais? Podemos afirmar que os julgamentos sociais ante a língua – ou melhor. “inferiores”. Toda língua é adequada à comunidade que utiliza. julgamos não a fala./ .. aplicar-se-ia sempre pena idêntica. há obediência também à regência verbal e nominal (. Variedades linguísticas Ivan Cupertino Dutra Sibele Letícia Rodrigues de Oliveira Biazotto • Língua Culta ou Língua-padrão – variedade praticada pela classe social de prestígio.. por exemplo.. passou-se. sem ambigüidades. 2. Em resumo. aplicava a pena que lhe parecia mais adequada.. Exemplo: “Na Antigüidade. Em que se baseiam./). a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que... principalmente. como a posição dos pronomes em relação aos verbos (. vol. não existem variedades linguísticas “inferiores”.). um sistema de aplicação de penas. ficava sujeito aos humores do juiz. as atitudes sociais – se baseiam em critérios não linguísticos: são julgamentos de natureza política e social. assim. o r caipira “desagradável”. No Iluminismo. na forma escrita... com pouca escolaridade. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que.. portanto. 1. passou-se a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos../. As línguas não são homogêneas e a variação observável em todas elas é produto de sua história e do seu presente. foi questionado esse modelo especialmente com o argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. Assim como não existem línguas “inferiores”. 291). foi questionado esse modelo especialmente com o . passou-se a adotar. de regiões culturalmente desvalorizadas. mas usamos esse mesmo som para falar “car” (carro) em inglês sem achar “feio”. podemos perceber a obediência às regras gramaticais.. p. com palavras escolhidas que realmente representam o que se quer dizer. o que também não se revelou um bom critério em razão de que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto. Consideramos. • Língua Coloquial – utilizada sem muita preocupação em seguir as regras da gramática normativa..... Na língua culta ou padrão. é usada na elaboração de documentos oficiais. de classe social baixa. então. Observamos também que o léxico (vocabulário) é mais bem trabalhado. mas o falante. ou seja.. para o crime de mesma natureza. ouvimos falar em línguas “simples”. que lhe parecia mais adequada... é mais espontânea e natural. aplicar-seia.. No Iluminismo..

. Aí. contém erros por se afastar da norma culta estabelecida. porque cada um é cada um.. do ponto de vista das regras gramaticais normativas. Exemplo: “Antigamente o castigo do meliante ficava por conta do cana dura que dava o castigo que ele achava melhor. pelos meios de comunicação de massa. ou seja. qualquer falante de uma língua a utiliza... Exemplo: “Papai. 291) Já a linguagem popular.. 2003. ia pro pau de arara.. 291) Quanto à linguagem familiar. Por exemplo: 1. usaram a aritmética: todo malandro que fazia um presunto.. o que também não se revelou um bom critério em razão que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso acontecido.. Exemplo: “Antigamente o castigo do bandido ficava por conta do juiz que dava o castigo que ele achava melhor. . Vejamos: . porque cada um é cada um.. • Língua Popular – utilizada pelas pessoas de baixa escolaridade.mais também. Exemplo: “Antigamente o juiz é que tomava de conta do corretivo do cabra que matava um vivente.. muito. se aplicaria.. gírias: são consideradas efêmeras. Aí. p... vol... 1.E depois? .tudinho. 291) A linguagem coloquial já ‘burla’ algumas regras gramaticais. vivente.” (Texto adaptado de MIRABETE. tá ligado?” (Texto adaptado de MIRABETE.. 2003..querido. amizade. 2. Aí. Podemos notar exemplos no texto como: . Talvez em outros estados os falantes considerem diferente ou atribuam outros sentidos a tais expressões.. conhecidas. .. .gostaro.. . • Língua Grupal – é dividida em subníveis. porque só o dotô decidia. era preciso deixar que o juiz olhasse o erro de cada um para aplicar o castigo merecido. regionalismos: é diferenciada principalmente pela pronúncia. 2003..” (Texto adaptado de MIRABETE. .. tivesse castigo parecido ou até que o outro acabasse tendo um castigo muito pior. p.. para o crime de mesma natureza.. principalmente.. tomava de conta. 1. se aplicaria sempre pena parecida.. Mas também num foi do agrado de todos. Mais também num deu. que era para ele mais certo. particulares e diminutivos.. corretivo. no tempo antigo... Mais também num gostaro porque cada um é cada um. era castigado igual.tava. Depois acharam que não tava certo.. entre outras.. carregada de gírias e regionalismos./. porque só o dotô decidia. conforme o grupo que a utiliza. caminhoneiros etc. p. não era bom. vol. 2003. Depois. com uso recorrente de diminutivos. se passou a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos... p. . vol. 1.. vol.. notamos que foram utilizadas palavras mais frequentes entre os falantes. era corrigido igual. A questão é a escolha do momento em que podemos utilizá-la.. porque como nunca tem crime igual.. Por exemplo. vol.. Depois acharam que não tava certo.dotô.aí.” (Texto adaptado de MIRABETE. começaram a fazer assim: o que a pessoa fez e como era castigada já estava escrito. Podia acontecer que quem fez alguma coisa muito.. 291) . usaram uma tal de matemática: todo cabra que matava. porque só o doutor decidia. Depois acharam que não colava. querido. caso concreto/caso acontecido. 1. porque contém expressões emotivas.... 1. etc. 2003... como idêntica/parecida.Então.filhinho.muito. de pouca duração.. muito errada. etc. • Língua Familiar – linguagem de caráter afetivo. utilizadas na região do Tocantins. usaram uma tal de matemática: todo bandido que matava. ...Comunicação e Expressão 11 argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. as regras que regem o uso de pronomes não são seguidas (... menos formal e de relativa obediência às regras gramaticais.. sem preocupação com regras gramaticais. o juiz castigava. ou seja.” (Texto adaptado de MIRABETE. Em razão disso. se passou. Mas há também as gírias de grupos como: de marinheiros. como é que o bandido vai pra cadeia? .. p. Aí. os outros começaram a achar que desse jeito não era bom porque ficava na vontade do juiz o tamanho do castigo. Quanto à escolha do léxico. 291) Regionalismos: podemos citar as expressões: cabra.).. tudinho. mais que outra.Filhinho... quando alguém fazia um crime. surfistas. mas também pelo vocabulário e pela sintaxe.

podemos identificar claramente que se trata de uma linguagem do campo jurídico. de comércio e de serviços. por um sistema de penas rígido. ATIVIDADE Questão 1: Assinale a opção que identifica a variação linguística presente nos textos abaixo. localizadas em qualquer parte do mundo. possam economizar precioso tempo com a troca de informações. Exemplo: “Na Antigüidade. 2011. No texto encontramos a expressão meliante. bichin… Isso é um assalto… Arriba os braços e num se bula nem faça muganga… Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão. pelo correio eletrônico (e-mail). a eficiência dessa forma de comunicação permite que as empresas. vol. porque esse tipo de correspondência apresenta uma característica muito presente na contemporaneidade: a rapidez. Acesso em 06 de fev. sanção. meu… Pó. ao escrever uma mensagem eletrônica devemos ficar atentos a alguns procedimentos que ajudam a compreensão da mensagem escrita. por exemplo. que são menos volúveis. delito. Apesar de sua elaboração aparentemente fácil. mas é que eu tô com uma fome da moléstia… Assaltante Baiano – Ô meu rei… (longa pausa) Isso é um assalto… (longa pausa). meu… Isso é um assalto. 291) Para classificação. dividimos a linguagem grupal em: Línguas técnicas: no exemplo dado. se manda. predominantemente. meu irmãozinho (longa pausa). Linguagem na Internet Atualmente. que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Corinthians. são mais resistentes Disponível em: <Artigos>. mas é pra não ficar muito pesado… Não esquenta. Vou deixar teus documentos na encruzilhada… Assaltante Paulista – Orra. pois contém expressões como: arbítrio judicial. meu Padim Ciço. meu. línguas técnicas: são utilizadas pelas várias profissões. Isso acontece. Além da rapidez. em que pouca ou nenhuma flexibilidade se dava ao juiz para aplicar a sanção. 1. mas não se avexe não… (longa pausa). principalmente na escrita. as correspondências entre pessoas físicas. em decorrência do Iluminismo. Num repara se o berro está sem bala. meu… Passa a grana logo. Levanta os braços. meu… Alevanta os braços. As formas lingüísticas consideradas padrões. Esse injusto sistema foi substituído. 3. bem devagarinho… (longa pausa). meu… (A) (B) (C) (D) (E) variação social variação regional variação cultural variação histórica variação padrão A Língua Padrão muda no tempo Este é um fato elementar para quem quer entender as línguas: todas as línguas mudam ao longo do tempo. . a fixação da pena ficava inteiramente ao arbítrio judicial. com presença de vocabulário específico. empresas e serviço público têm sido feitas.Comunicação e Expressão 12 Gírias: vamos nos concentrar mais nas gírias profissionais. que é considerada gíria do grupo lingüístico de que fazem parte os policiais. pra num ficar cansado… Vai passando a grana. Se num quiser nem precisa levantar. p. Mostrou-se esse critério também inadequado por não poder o julgador sopesar devidamente as circunstâncias do delito para uma melhor correspondência da sanção penal ao agente do fato criminoso” (Texto adaptado de MIRABETE. meu… Mais rápido. Assaltante Nordestino –Ei. 2003.

a tendência já está passando à escrita. a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério. impossível sintaticamente com verbos transitivos indiretos (O jogo Brasil x Argentina foi assistido por milhões de telespectadores dos dois países. isto é. eu o aviso. não há como dizer que uma forma linguística é melhor que outra.. é claro. Mas aqui a transformação não chegou ao padrão escrito de prestígio.. que nasce não da diferença desta ou daquela forma em si. na década de vinte do século passado. e não Se eu ver fulano. Nós costumamos “medir nossas palavras”. pode-se dizer que a mudança de padrão começa a se consolidar.melhor q a outra a n ser por gosto pessoal). criticou veementemente a norma culta muito parecida com o português praticado em Portugal: Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade ) Em outros casos.. Vejamos algumas conseqüências que decorrem da mudança.e isso mesmo nas faixas mais escolarizadas da população . a resistência é muito mais forte. Do ponto de vista científico.mas também mudam. como o exemplifica o texto do poeta Oswald de Andrade que. Na língua oral .. é fato que há uma diferenciação valorativa. as "novidades" (ou os "erros". ou Convencer pessoas de que o certo é. Falar nisso: o padrão é Convencer pessoas que o certo é. o que costuma ser sintoma de que a mudança está avançando significativamente. eu aviso ele. Uma delas é a relativa imprecisão de suas características. Faça um teste: tente convencer pessoas comuns que o certo é dizer Se eu vir fulano.linguist.Comunicação e Expressão 13 à mudança . e talvez seja muito mais frequente o emprego "errado" que o emprego "certo". dependendo do ponto de vista. o padrão de Portugal (que determinou na origem o do Brasil) desapareceu quase que por completo. que por mais que reclamem e vociferem não conseguem “segurar” a mudança. O QUE É LÍNGUA PADRÃO? Já sabemos que as línguas são um conjunto bastante variado de formas linguísticas. Uma evidência dessa mudança na língua padrão é o fato de que esses verbos tornados transitivos diretos passaram a ocorrer com freqüência na escrita padrão na forma passiva. do tipo foram inauguradas as usinas. por exemplo. Mesmo que tenhamos pensado objetivamente a respeito nós sabemos (ou procuramos saber o tempo todo) o que é e o que não é permitido.. Outro aspecto que decorre da transformação da língua ao longo do tempo é a convivência (nem sempre pacífica!) entre formas arcaicas e formas contemporâneas. mas também quem diz. Nesses casos.) vão se popularizando e disseminando até o momento em que ninguém mais consegue perceber a nova forma como erro .há uma tendência sistemática a não fazer a concordância (Foi inaugurado as usinas). Pouco a pouco. Há uma tendência muito forte na linguagem oral do português brasileiro de tornar transitivos diretos alguns verbos que tradicionalmente eram transitivos indiretos (Assisti um filme. Um exemplo bastante visível é o caso da regência de alguns verbos. porque o nosso ouvinte vai julgar não somente o que se diz. em vez de Assisti a um filme). Na fala.porque vivem sob controle severo! .(não exist var. mesmo em textos de boa qualidade. Veja-se. as mudanças nunca acontecem subitamente. ou A Constituição nem sempre tem sido obedecida pelas autoridades federais). E a linguagem é altamente reveladora: ela não . entre outras razões. escritos por bons escritores ou jornalistas.. Na escrita mantém-se mais visivelmente apenas a regra de não se começar período com pronome átono. Outro caso visível é a colocação dos pronomes no português brasileiro. o fenômeno da concordância nos casos em que o sujeito aparece depois do verbo. mas do significado social que certas formas linguísticas adquirem nas sociedades. a sua organização estrutural.exceto. os gramáticos. Entretanto.. Quando o uso chega a esse ponto. embora seja frequentíssima em textos escolares. mas mesmo esta é rompida em textos mais informais e nos textos literários.. cada uma delas com a sua gramática.? ATIVIDADES Texto 1: MAS. por exemplo. que insiste sistematicamente em recusar algumas normas das gramáticas escolares. AFINAL.

kemsomos.. mais beijam. pelo sotaque. 8.. o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga. mas também quem diz” (linha 9) estabelece uma relação de retificação do argumento da primeira afirmação com o argumento da segunda e acrescenta uma nova informação. mas também” em: “nosso ouvinte vai julgar não somente o que diz. a região de onde viemos. além de outras informações.p/ exemp. Nesse sentido. a língua padrão ocupa um espaço privilegiado: ela é o conjunto de formas consideradas como o modo correto. Tem uns que gostam muito. A expressão “não somente. a linguagem também é um índice de poder. O articulador “assim” (linha 13) foi usado com o valor exemplificativo e complementar.. revela também nossa classe social.. 2. mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer. a nossa escolaridade. n falar algopra n agredir alguém.( n existe inform neutra. O beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega. pela forma usada. No trecho “ela não transmite só informações neutras” (linha 10).Medir palavras é n fugir daquilo que é prestabelec pela socied. é correto afirmar: 1. o nosso ponto de vista. O trecho “a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério (linhas 3 e 4) pode ser parafraseado: “a não ser que nos esqueçamos da ciência e seja adotado o preconceito linguístico ou o gosto pessoal como critério”. de falar ou escrever.Comunicação e Expressão 14 transmite só informações neutras.. (Millôr Fernandes) (cron. socialmente aceitável. outros que ficam aborrecidos e limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam. e que o papai deu de raspão na empregada noutro dia. Humoristica) Questão 2: Em que variante linguística está escrita a pequena crônica de Millôr Fernandes? Por quê? Que marcas textuais autorizam tal resposta? R:var.. O parágrafo introduzido por ele serviu para confirmar o que foi dito antes. O beijo pode ser no escuro e no claro.é quest de adequabilidade) Assim. tanto na linguagem padrão como na coloquial.a partir do que falamos podem identificar de onde vimos. atualmente. Ver marcas e termos usados! Texto 3: Observar a imagem para responder às questões e elaborar texto.colokial e familiar. na rede das linguagens de uma dada sociedade. Esse recurso se caracteriza como variação linguística e pode ser observado. Os pronomes “a gente” (linha 3) e “nós” (linha 7) foram usados com o mesmo significado referencial.. . a nossa intenção. como a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição. 4. A soma das alternativas corretas: a) 12 b) 24 c) 15 d) 28 e) 31 Texto 2: O beijo O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo. a afirmação indica que existem informações neutras. Atividade: Questão 1: Sobre o texto acima.ou seja. 16.

como por exemplo.de que sexo é e .png>. o perfil da hipotética pessoa que escreveu o aviso na parede.Que idade tem. sem tópicos. a circunstância em que elas ocorrem. Questão 3: A partir dos elementos verbais (palavras) e não verbais (imagens) do texto 1 (charge). Acesso em 15 de mar. aproximadamente. ou seja. no qual apareçam todas as informações. que motivo a obrigou a escrever tal texto? . .que profissão exerce.Após ter todas as respostas às perguntas feitas. a adequabilidade ou inadequabilidade do uso das variantes.Que atitude do interlocutor o aviso espera ser colocada em prática? .Comunicação e Expressão 15 Questão 3: A respeito da placa de papelão na parede em construção: . elaboremos um texto contínuo. . com coesão e coerência. Texto 3: Vamos observar atentamente a tirinha para responder à questão 3.em que local mora a pessoa que o escreveu? Como também.a que classe social pertence. LÍNGUA E ESCRITA FALAR E ESCREVER . por que um dos personagens da tirinha passou mal? Nos argumentos apresentados devemos apresentar informações fundamentadas na teoria. tipo de variantes as quais estão em questão.2010.com/quadrinhos/31-03-2009_diversas. . Disponível em: <http://noisnatira.

Distinções específicas entre fala e escrita . de um livro que descreva as regras da língua. que não tem gramática nem dicionário. ao transpor da conversa espontânea para o texto escrito. 17 ed. Nenhuma reforma ortográfica no mundo muda a língua. naturalmente. nesse caso. isto é.Redundâncias x concisão . Veja este trecho de uma revista semanal sobre a situação em Timor Leste: Timor Leste é uma ilha do tamanho do município de Manaus. redirecionando-o a partir das reações do interlocutor. o sistema altamente complexo que os falantes usam no seu dia a dia. que. A reformulação pode ser promovida tanto pelo falante como pelo interlocutor. O texto mostra todo o seu processo de criação. Já a palavra “dicionário” foi bem usada – um erro equivalente. isto é. sendo a fala uma espécie de subproduto dela. o catolicismo. Sem condições de consulta a outros textos. jornalistas e intelectuais em geral se manifestando sobre “mudança da língua”. deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão e a escrita constitui-se em outra forma de comunicação. O falante pode processar o texto. na verdade. FALA E ESCRITA Condições de produção Fala Interação face a face. Possibilidade de revisão. O escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor. Planejamento simultâneo ou quase simultâneo à produção. Práticas de texto para estudantes universitários.Interlocutor: presença x ausência . que devemos “falar como escrevemos”. é um dos poucos traços fortes que une o país a seu passado português. Por força da tradição escolar e da própria ideia de autoridade que emana da escrita. Criação individual. Planejamento anterior à produção. Livre consulta. mostrando o resultado. de tempos em tempos aparecem em torno de reforma ortográfica da língua portuguesa que encontraremos escritores. A identificação de língua com escrita leva a confusão grosseira na própria noção de gramática. (FARACO. quando.Ampla variedade x modalidade única (“língua padrão”) . o que é um absurdo. Rio de Janeiro: Vozes. O redator quis dizer. 2008).Aprendizagem “natural” x aprendizagem “artificial” O estudo da Retextualização. em geral. parece-nos mesmo que a “verdadeira língua” é escrita. seria dizer que a língua não tem “vocabulário”. A religião praticada pela maioria. Impossibilidade de apagamento.Comunicação e Expressão 16 A cultura letrada. Mas é claro que a língua tem gramática.Prosódia e entonação x sinais gráficos .Frases mais curtas x frases mais longas . o máximo que uma reforma ortográfica consegue é mudar o modo como se grafam as palavras. com população equivalente à de Campinas e dividida em 36 etnias. A língua dominante é o teto. tem uma forte tendência a confundir língua com representação gráfica da língua (escrita). de menor importância e sem nenhum prestígio.Unidade temática: flutuação x rigidez . Carlos Alberto. Escrita Interação à distância. A reformulação é promovida apenas pelo escritor. Acesso imediato às reações do interlocutor. Petrópolis. invertendo o curso da história. Frágil infraestrutura existente foi destruída nas duas semanas entre o plebiscito e a chegada das tropas de paz da ONU. Criação coletiva: administrada passo a passo. Não se trata simplesmente de uma confusão de ignorantes: basta acompanhar as discussões que. Sem possibilidade de acesso imediato. Há mesmo quem diga. a . que a língua não dispõe de uma gramática normativa.Elementos extralingüísticos x sinais gráficos . O texto tende a esconder o seu processo de criação. é qualidade intrínseca de qualquer língua. como vimos.

. tem muitus crianças ah.06... existe:: apenas na nossa língua:: como pela sonoridade. quando criança. Quanto à palavra mais bonita da Língua Portuguesa.. pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: muitas coisas assim extragada né? cumidas ex. sou. ah ah. Minas. pode perceber. a passagem do texto oral para o escrito constitui-se na organização da escrita. mas também pelo significado e sonoridade. sem falar no sentido... coerente e elegante..Comunicação e Expressão 17 qual deve ser clara. poco antes de o trem passá.... elis omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus E sobre o centro da cidade? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas éh::: sei lá .. Questão 1: A partir do texto acima... Assim... profissão) c) transpor o texto oral para a modalidade escrita.. ele destaca saudade. as idéias organizadas mentalmente ajudam-nos a escrever com clareza.tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu.. onde fui criado:: atravessar uma ponte:: . (Ead Conectado: Vanessa Loureiro Correa) Como você.. MP – Qual a palavra mais bonita da Língua Portuguesa? ZV – Saudade::. de atravessar uma ponte antes da passagem do trem..05. em entrevista. respeitando aspectos de clareza. nível de escolaridade.. onde vive. afirma que costumava brincar.. um humilde operário das letras. aluno. tem . Texto 2: HISTÓRIA DE VAQUEIROS . b) elaborar o perfil do/a falante (classe social. O autor do livro 1968 termina a entrevista definindo-se como um humilde operário das letras. coesa. Exemplo de retextualização – transposição da conversa espontânea em texto escrito: Zuenir Ventura.. gênero. não só pela o-ri-gi-na-lida-de. Minas Gerais. Conversação espontânea Em reportagem do dia 19. sendo sua lembrança mais antiga da infância. direta. coesão e coerência. vamos: a) identificar as características típicas da fala (oralidade). não só por existir apenas na nossa língua. o jornal Zero Hora publica uma entrevista que Márcio Pinheiro fez ao jornalista Zuenir Ventura.. sua cidade natal. jornalista. ZV – Eu::. uma:: pirigosa brincadeira que fazíamos em Ponte Nova. elegância.. objetividade. MP – Qual a sua lembrança de infância mais remota? ZV – Era.sou. MP – Defina-se. na cidade de Ponte Nova.. idade.. ATIVIDADES Vamos ler o segmento abaixo e responder à questão 1? Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::.

Ranca-tôco ribadêro = perito em matéria de mato e capoeirões Lubião = qualquer produtor de vaca. quando uma rês desvia-se do rebanho. Ele é de Vitória da Conquista-BA) Mais foi tanto dos vaquero qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro num menajo todos não. cabra. também em dialeto. Na viagem do gado. diz-se que o animal ficou na ribada. e se interna no mato ou nos capoeirões. João Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro num menajo todos não certa feita vô contá só um feito desse vaquêro foi chamado pra pegá um levantado marruêro Morada Velha do Olivêra Lagoa do Pancadão Tiquiano foi só cum a pitêra a Ri-de-Conta e sem gibão mêa noite e lua e um quilarão pontô o bicho na bibida vino do fundo da mata na lagoa de pureza feito u'a bacia de prata qui buniteza nessa hora só lamento nun tá lá e sem mais demora Tiquiano gritô: vem bichão vem cá! riscô um tufão feito um raiá já cum bicho bem pegado ma ponta do pau-de-ferro pelos mistero da hora in qui num pode havê êrro o incapetado lubisomi 'stremeceu soltô truvão já tava intregano ao bicho home as alma nas palma das Vocabulário: Reno= reinou num menajo = não homenageio ranca toco= perito ribadêro = vem de ´ribada´. ou ovelha. um dos maiores músicos e violeiros do nosso país. contanto que seja de pelagem preta e meio desaforado.Comunicação e Expressão 18 (Elomar Figueira Mello. mão faca na venta e sangue no chão e a lua oumenta o quilarão faca na venta e boi no chão mais foi tanto dos vaguêro qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-dasContas Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuros pelas mão mermo cantano um dia interô num manajo todos não as Guariba é um cruzamento in toda tarde de dumingo hai um grande ajuntamento de muita gente e malungo moça bunita perdedêra Bragadá sua perdição boi das arma branca cara preta catravo de pé e mão fera sturrano cavava o chão surucucú de dois ferrão malvado e brabo pegô Juão derna o tempo de minino fazia pur brincadêra pegá bicho remeteno de mão pilunga ô pitêra dentra da venda in descursão entrô os vaquêro de lá pruns olhos bunito cum ferrão pulô a cerca bragadá a noite intêra bebeu dançô na brincadêra no Tomba virô moça bunita laço de amô pelo triz de um momento da peleja in certa altura viu nos olhos da morena ispelhada u'a mancha iscura faca na venta o boi morreno Bragadá caiu no chão cum o vazí rasgado'stremeceno parava o saingue c'as mão amô nun sei pru modi quê facilitei olhei voce foi pur teus olhos pur a fulô pegava o boi boi me pegô édura a sorte do pegadô morrê da morte chifrada amô mais foi tanto dos vaguêro qui renô no meu sertão qui cantano o dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro nun menajo todos não mermo cantano um dia intêro nun menajo meus irmão .

a letra da música não apresenta poeticidade ou lirismo. puderam ser pensadas antes de serem executadas. o boi investiu contra o moço com muita velocidade e grande fúria. o já idoso vaqueiro Bragadá descobriu que estava ferido ao ver sua imagem refletida no cristal dos olhos da moça e. d. o conteúdo fica para além da estória que capta os tios regionais que lhes dá o nome de heróis. Questão 1 Vamos entender as seguintes afirmações sobre o texto de Elomar Figueira Mello: a) o texto de Elomar apresenta caráter épico. recheada por elementos do mundo rural. Risco um tufão feito um raiá = ante o chamado do vaqueiro. Pur a fulo = pela flor. durante o combate. a intensidade e a transferência de planos da vida para o mundo mágico. pouso de tropas e de encontro de vaqueiros. por tal. pelo fato de tratar da luta do homem diante das forças naturais. chifres brancos. de um lado. Sururú = jararaca grande. Arma branca = cornos. com a proteção de forte charrua. em dialeto catingueiro. a expressão “pelo triz de um momento” expressa que as atitudes. vara trabalhada em cuja base. como o vaqueiro tipo Bragadá. O vaqueiro. Pegá bicho remeteno = enfrentar boi enraivecido e furioso. está encravado um bico de ferro. d. e 5) todas 6) nenhuma Questão 2: Transpor o texto “Histórias de vaqueiros” para a modalidade escrita (retextualização) . Certa feita = em certa ocasião Pegá um levantado marruêro = matar um touro que se alevantou. sem contato com as mudanças pelas quais passa a língua materna. Lubisoni = lobisomem. pau-de-ferro. a moça bonita perdera. representada. e 4) a. infinitamente pequena – que. nem sempre deve ser desprezada. pedaço de pau feito um cabo de machado. pelo contrário. como o estampido do clarão de um raio. d. b) c) d) e) Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1) a. Guariba = localidade na zona da Mata (estado da Bahia) abaixo da cidade de Itapetinga. no canto de homenagem e celebração da bravura. o bicho. ponto onde se cruzam corredores e estradas reais. Na brincadeira do Tomba-virô = na festa do lugar chamado Tomba-virô. b. Gibão = casaco de couro de veado ou de bodão. região do Palmeira. Ele é escrito em português arcaico ou na variante inculta. c. vindo do mundo dos homens. e 3) a. sendo mais comum a cor branca. É uma luta simbólica e ancestral do homem contra a dominação da besta. a mancha vermelha na camisa. o texto de Elomar é de difícil decodificação. falado especificamente por pessoas idosas as quais vivem no interior do país. trata da brutalidade de pessoas incultas do interior do Brasil. que abandonou o rebanho e passou a uma vida solitária nos ermos. Catravo de pé e mão = diz-se catravo qualquer espécie de animal que tenha os pés e as mãos (até uma pequena altura) de cor diferente da do resto do corpo. d. no caso. E a lua omenta o quilarão = e a lua aumenta o clarão. Vazí = ventre. do fundo da mata.Comunicação e Expressão 19 Turuna = sinônimo de ranca-tôco Frechêro = cabrito ou bodete de cabra na faixa dos seis ou sete meses de idade. na sua imagem. Pilunga = porrete. Pruns = por uns. pelo “levantado marruêro”. Derna = desde. de outro. na fúria da peleja. Viu nos olhos da morena/ ispelhada u´a mancha iscura = no ferver do sangue. Pitêra = ferrão. embora trate de assunto comum como a bravura dos vaqueiros brasileiros e do amor que é tema universal. Triz de um momento = fração infinitesimal de tempo. o ajuntamento das pessoas no vazio daquelas tardes imensas. pelo viril e bravo vaqueiro e. tipo de arma branca artisticamente trabalhada. Ponto o bicho na bibida = surgiu o touro na aguada. e 2) c. Ri-de-conta = faca. guiada.

alguns amigos de Nicolino compraram um caixão e algumas garrafas de cangibrina. (DELL’ISOLA. então. levando tudo para o velório. mas esqueceram o falecido em cima da mesa. numa indigência que eu vou te contar. produzem gêneros textuais. vamos ouvir algumas notícias divulgadas em rádio para não faltar no nosso texto. tendo em vista a variedade de gêneros possíveis para as muitas situações comunicativas. Dentre elas. 2011 Questão 1: Vamos transpor a crônica de Stanislaw Ponte Preta em criativo texto noticioso para rádio. sujeita a mudanças ocorridas na sociedade. É que os bêbados fecharam o caixão. na esperança de ter sobrado alguma cachacinha no fundo da garrafa. É para ajudar a velar pelo falecido.o momento do fato • "Por quê" .o fato ocorrido • "Quem" .com/redacao/cronica>. lá abriram a cova e lá enterraram o caixão. processo que envolve operações que evidenciam o funcionamento social da linguagem. Sabem como é. Para retextualizar.o modo como o fato ocorreu QUALIDADES TEXTUAIS . num cortejo meio ziguezagueando e num compasso mais de rancho que de féretro.o personagem envolvido • "Onde" . a maior espinafração da vizinha do pranteado Nicolino. ou seja. Levaram. dependendo das necessidades dos falantes que os utilizam. para cada interlocutor. ou seja. inevitavelmente. as pessoas se expressam de maneira diferente. Segundo telegrama vindo de Ubá. de relativa estabilidade. ao objetivo almejado. Também não podemos nos esquecer de que a atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos que deve informar ao público: • "O quê" . portanto as produções – orais ou escritas – partem de um objetivo que certamente. De manhã.coladaweb. antes de realizar a tarefa. seja numa favela carioca. é preciso. terra do grande Ari Barroso. Passaram a noite velando o morto e entornando a cachaça. seja num bairro pobre da cidade do interior. Para tanto. o que se escreveu e os feitos de sentido gerados pelo texto escrito.a causa do fato • "Como" . A intenção de trabalhar a retextualização em sala de aula é promover uma certa adversidade de textos. Partimos de escolhas. Mas — bem ou mal — lá chegaram. vai interferir no modo como vamos falar ou escrever. portanto. As escolhas envolvem tanto o melhor modo de construção do texto. a cachacinha é inevitável. (Stanislaw Ponte Preta = Sérgio Porto) Disponível em: <http://www. por exemplo. é preciso haver um incentivo qualquer para a turma subnutrida poder aguentar a noite inteira com o ar compungido que o extinto merece. ressalta-se um aspecto de imensa importância que é a compreensão do que foi dito ou escrito para que se produza outro texto. veia e cachaça Enterro de pobre sempre tem cachaça. para transpor de uma modalidade para outra ou de um gênero para outro. 2007) Texto 3: crônica Choro. sendo que alguns podem desaparecer e outros podem surgir.Comunicação e Expressão 20 RETEXTUALIZAÇÃO Entende-se por retextualização o processo de transformação de uma modalidade textual para outra. a cada situação. pobre só tem amigo pobre e. Morreu lá um tal de Nicolino. as formas gramaticais mais adequadas e tudo que está diretamente vinculado à função de cada texto. em cada lugar. Foi o que aconteceu agora em Ubá (MG). trata-se de uma refacção e reescrita de um texto para o outro. Todo texto tem sempre uma finalidade. fecharam o caixão e foram para o cemitério. que seja entendido o que se disse ou se quis dizer. foram lá enterrar. Assim. na hora do enterro. Enfim. Acesso em 05 de fev. Depois voltaram até a casa do mono. As atividades de retextualização englobam várias operações que favorecem o trabalho com a produção de texto. O ensino de português não pode acontecer sem que todos esses aspectos sejam levados em consideração. Retextualização de Gêneros Escritos – Rio de Janeiro: Lucerna. Regina Lúcia Péret. às situações de uso. a chamada aos ouvintes e o tom rápido e detalhado.o local do fato • "Quando" .

ter um hobby que exige atenção constante – como jogos de computador ou esportes radicais constitui um padrão entre os que são bem-sucedidos”. já nos solicitaram a produção de um texto. Concisão – é a qualidade do texto em ser preciso. um colega de reunião de associação de moradores de bairro. Adriane. sem provocar dúvidas ao seu leitor. ou seja. por coesão se entende a ligação. coesão. além de mostrar ao leitor algo diferente. Um professor em sala de aula. Clareza – A clareza é uma qualidade essencial de qualquer texto. coesão. concisão. o resultado final não atinge seu objetivo. o texto.94. – Bauru. não se sabe se o ninho é da cobra ou da galinha. Um erro muito comum é o uso de um conectivo não correspondente à relação lógica presente entre dois trechos do texto. Para Oliveira (2003). Ler bastante. escolhe os aviamentos. criativo. colocamo-nos a refletir: “Como eu vou fazer um texto?” Este questionamento traz à mente uma série de requisitos necessários para a composição de um texto. criatividade e correção gramatical. ou ainda. a modista escolhe o modelo. precisa coerência. é o uso dos conectivos adequados à correta ligação entre palavras e frases no texto. frequentar cinema e teatro. a produção de um texto requer também que se observem elementos para uma boa tessitura. a relação. São Paulo: EDUSC. p. Fatores que contribuem para a produção de um texto de qualidade Na obra Texto técnico – guia de pesquisa e de redação. viajar para conhecer outras culturas. O texto é claro quando é facilmente entendido. entretanto. Segundo pesquisa na Flórida (VEJA. 30 abr. eu não sei fazer um texto!” Em seguida. Os Degraus da Produção Textual. nossa primeira reação? Nossa primeira reação vem com um sentido de rejeição: “Ah. a admiração. E qual é. se a pessoa que ler a frase não souber que penosa é gíria de galinha. Nesse caso. ficará sem entendê-la ainda mais. 2003). Podemos comparar essa tessitura com o “bom caimento” de uma roupa. “um profissional criativo estimula seu cérebro também nas horas de lazer. novo. traça o molde. vendo que não há outra saída. ou um chefe no local de trabalho. 2003).Comunicação e Expressão 21 O SIGNIFICADO DE TEXTO Por inúmeras vezes na vida. É muito importante memorizar as conjunções e seus significados para que haja coesão e coerência na elaboração das diversas frases. no exercício de matemática tirou zero. sem rodeios de palavras. toma medidas. coerência e correção gramatical. tais como: • sobre o que escrever? • como organizar as ideias? • que sequência utilizar? • como escolher as palavras adequadas e estabelecer a conexão entre elas? Assim como para confeccionar uma roupa. foi usado um conectivo que indica contraste no lugar do de exemplificação (por exemplo) ou de reafirmação (de fato). São eles: criatividade. Além disso. frequentemente. os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual. concisão. Nesse caso. sem circunlóquios. . Ex: Juca não está indo bem na escola. Exemplo de texto ambíguo: A cobra matou a penosa no seu ninho. Como uma roupa em que todos os detalhes devem se harmonizar. Oliveira (2003) coloca seis cês que contribuem para a construção de um texto de qualidade. Coesão – Segundo Koch (2001). (BELLUCI. A ambiguidade impede a clareza do texto. exceto quando ela é utilizada como recurso de retórica. Desperta a curiosidade. clareza. clareza. Criatividade – A originalidade de um texto acrescenta-lhe uma importância muito grande. o tecido. Se houver qualquer falhar. sendo uma unidade semântica.

sem planejamento real. “A ‘mulher perdida’ não pode ser exemplo para a sociedade” ou ainda. uma após a outra. sem dúvida. esconde na verdade um problema grave no português moderno: a dificuldade do falante em se expressar em sua língua materna. entre outros tantos substantivos que poderiam ter sido escolhidos. Assim. a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto. principalmente nos textos cujos autores são jovens. entre aspas. É possível constatar que o vocabulário do brasileiro está gradativamente mais escasso. é uma sequência de palavras e expressões próprias da língua falada. as redações “naum” virem exatamente escritas como se esperaria. Coerência – Para Koch (2001). ou. Também é comum a expressão “por exemplo. entre aspas. é o que faz o texto fazer sentido para os usuários. que já é sentido há algum tempo na escrita. Que mal há em criar em cima da língua que falamos? O que. devendo. Leiamos o artigo “Jeitinho”. que remeta a essa ideia? Não haveria obstáculo se a artimanha fosse ocasional. Assim. O fenômeno do uso excessivo das aspas. manter suas especificidades (já que ninguém escreve como fala).Comunicação e Expressão 22 Outro defeito é o uso constante de conectivos aditivos (e. por exemplo. não como quis nem como gostaria. que não exemplifica o que veio antes”. o uso das aspas nunca foi tão prestigiado. portanto ser entendida como um princípio de interpretabilidade. Isso é verificado no cotidiano e até mesmo na . ou seja. Por causa desse artifício. meretrizes. Valendo-se da função de apresentar termos e expressões em sentido figurado. recorreu-se ao uso das aspas. o povo conhecido pelo seu jeito especial de lidar com as situações adversas do dia a dia desenvolveu o remédio de usar. Mas essa capacidade de reinventar a língua de acordo com a necessidade e com as ferramentas linguísticas disponíveis não para aí. profissionais do sexo. E pensará o leitor: que problema há em esquecer e/ou não conhecer a palavra mais adequada para representar uma ideia e substituí-la por um vocábulo. é muito comum. Na gramática tradicional. a coluna gramática moderna tratou sobre o jeito muito criativo de o brasileiro reconstruir a gramática. O que se vê. sem a construção adequada no interior da argumentação. realçar palavras e apresentar palavras em sentido figurado e/ ou gírias. muitos brasileiros têm utilizado esse artifício para disfarçar outro problema: o conhecimento cada vez menor do léxico. Não o é. Vale lembrar que não faltam palavras no vocabulário brasileiro quando o assunto é sexo. de Andréia Neiva. na pior das hipóteses. garotas de programa. é claro. depois. Correção gramatical – é o uso da língua de acordo com os padrões da norma culta. isto é. da revista Discutindo a Língua Portuguesa para respondermos às questões: “Jeitinho” O uso exagerado das aspas – que muitas vezes reflete a falta de vocabulário na redação – está impregnando também a linguagem falada. o elemento tem a função de delimitar citações. O uso das aspas é. Na edição passada. ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. a formação de ironia. não tem o poder de formar uma ironia. com o exemplo dos usos equivocados do “onde”. vem gradativamente também afetando a língua falada. Para solucionar esse problema. Fica claro é que o pequeno vocabulário do discente o levou a escrever como pôde. porque faltou repertório. no entanto é importante ressaltar que o sinal gráfico sozinho. “A ‘mulher de vida quase fácil’ se tornou celebridade” são exemplos de frases retiradas de textos de prévestibulandos em que é possível inferir que as tais mulheres às quais os alunos se referem – a “perdida” e a de “vida quase fácil” – são prostitutas. parece rabugice de professor. além disso) para ligar entre si frases escritas ao acaso. num vestibular. numa entrevista de emprego e em outras situações semelhantes. de ter grande função estilística no texto. que deveria ter certo aspecto formal. também. outra grande reinvenção do famoso “jeitinho brasileiro”. transferidas de forma indiscriminada à modalidade escrita. outra palavra que lembre a ideia que se pretende transmitir. sem incorreções ou desvios gramaticais. como. à primeira vista. no mesmo tema. Além.

de Einstein ou Copérnico. A ciência só se torna dogmática. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. cada sabor. Uma cultura opera de forma semelhante. E em todas as outras já virou piada sem graça. por exemplo? Atividades Texto: A FALIBILIDADE DA CIÊNCIA 20/06/2010 Umberto Eco Como uma totalidade de conteúdo. cada sentença. de 1942. Felizmente. precisamos começar a partir dos paradigmas existentes. um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar. o qual sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates. diz Panebianco. resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore. no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas. seríamos desalmados. Se fosse simples ironia.Comunicação e Expressão 23 mídia. Mas muitas das vezes é falta de vocabulário mesmo. pelo uso das aspas na comunicação oral com o já famoso gesto feito com os dedos. Em seu conto “Funes el Memorioso”. Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. não filtrado nem organizado. que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos. Questão 01: Qual é a tese defendida pela autora do texto “Jeitinho” e que argumentos que ela usa para defender tal tese. Se temos um problema. todo o resto foi eliminado. cada palavra. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados? Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota. Sem a . Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. Para que uma discussão seja compreendida por todos. Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin. é também o resultado da filtragem desses dados. Questão 03: Quem já usou aspas pelo fato de o repertório do léxico ser restrito? Em que situação. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas. Seus paradigmas. todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra. Questão 02: Vamos identificar pelo menos dois fragmentos em que a autora usou aspas e dizer por que ela as usou. sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica. Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento? Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade? A questão é importante. O escritor Angelo Panebianco argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade. cada rajada de vento. mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. a internet oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. a própria entonação já daria conta de expressar.

Comunicação e Expressão

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rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível. Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente. Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.” Tradução: Eloise De Vylder Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/umberto-eco/2010/06/20/afalibilidade-da-ciencia.jhtm>. Acesso em 20 de jun. 2010. Notas: - PTOLOMEU: Astrônomo e geógrafo grego (90?-168?). Um dos últimos grandes cientistas da Grécia antiga, é autor dos estudos de astronomia mais importantes produzidos antes de Copérnico e Galileu. Nasce em Ptolemaida, com o nome de Cláudio Ptolomeu, e vive em Alexandria entre os anos de 120 e 145. Durante esse período, registra várias de suas observações astronômicas. Entre outras coisas afirma que a Terra é o centro do universo. O sistema ptolomaico, em que a Terra aparece como o centro, é adotado pela Igreja Católica durante toda a Idade Média, até ser derrubada pelas teorias de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Disponível em: <http://www.algosobre.com.br/biografias/ptolomeu.html>. Acesso em 07 de fev. 2011. - NICOLAU COPÉRNICO: Nascido na Polônia, no ano de 1473, Nicolau Copérnico é considerado o fundador da Astronomia moderna. Antes de sua teoria, os homens consideravam como verdadeira a tese de um cientista grego chamado Ptolomeu, que defendia a idéia de que a Terra era o centro do universo. Contrário a esta idéia, Copérnico não se convenceu da idéia de que o Sol e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Por esta razão, defendeu a tese de todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do Sol
Disponível em: <(Heliocentrismo)>. Acesso em 07 de fev. 2011.

Questão 1: Que tese é defendida por Umberto Eco no texto “Falibilidade da ciência”? Que argumentos ele utiliza para construir tal ponto de vista? Questão 2: Vamos pensar a respeito e responder às seguintes perguntas: a) que desafio e/ou necessidade o semioticista italiano sugere às pessoas dos tempos atuais? Justificativa: b) que sentido/s estabelece o conectivo MAS no início do segundo parágrafo do texto? Comentário: c) como entendemos as afirmações de que a ciência é antidogmática, porém ela, em algumas situações, pode ser dogmática? Você lembra algum exemplo semelhante ao de Copérnico em relação a Ptolomeu? Explicitação: d) “Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados?”. Por quê? Questão 3: Quanto à construção do texto: - há coerência? Por quê? Que elementos de coesão identificamos nele? - conseguimos identificar os seis CÊS nesse texto de Umberto Eco? Que marcas textuais nos autorizam a responder a essa pergunta?

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- o que mais me chama a atenção nesse texto? por quê? COERÊNCIA TEXTUAL As metarregras da coerência Um francês chamado Michel Charolles descobriu quatro princípios responsáveis pela coerência. Chamou-os de metarregras da coerência. São elas: fundamentais

1. Metarregra da repetição — um texto coerente deve ter elementos recorrentes; nada mais é do
que aquilo que chamamos de coesão textual. O fato de, em uma frase, recuperarmos termos de frases anteriores, por meio de pronomes, apagamentos ou elementos lexicais constitui um processo de repetição ou recorrência. A coesão textual é, portanto, a primeira condição para que um texto seja coerente. Vejamos o exemplo: A imprensa internacional cobre a violência no Brasil de uma maneira tão sensacionalista que os estrangeiros ficam com a impressão de que nossas ruas são mais perigosas do que elas realmente são. Essa cobertura não apenas afugenta os turistas como também pinta uma imagem falsa, do país e do mundo em geral. No trecho acima, há metarregra da repetição, porque há termos recuperando informações anteriores, por exemplo, elas, essa cobertura.

2. Metarregra de progressão — um texto coerente deve apresentar renovação do suporte
semântico; nos diz que um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai sendo escrito. Vejamos o texto a seguir: Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres, ou seja: pega a colher, o garfo e não olha para o prato de comida. Ela não se alimenta. Brinca apenas. Diverte-se com uma colher e um garfo e o prato fica na mesa. O ato de brincar substitui o ato de alimentar-se. Não há no exemplo dado informações significativas novas, há sim repetição do que já foi dito. Poderíamos reduzir esta informação a: “Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres”.

3. Metarregra da não-contradição — Em um texto coerente, o que se diz depois não pode
contradizer o que se disse antes ou o que ficou pressuposto; nos diz que cada pedaço do texto deve "fazer sentido" com o que se disse antes. Vejamos o texto abaixo: Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc. Sabemos que um das qualidades de um bom texto é não haver contradição, e no texto do exemplo acima há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que havia fumaça espessa que não permitia ver ninguém e, depois, cita os tipos de pessoas que estavam na festa. É um texto sem credibilidade argumentativa.

4. Metarregra de relação — Em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um
estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto: Em nosso pequeno vilarejo aconteceu, certa vez, um caso bastante curioso. Havia ali um coronel muito matuto que vivia assombrando os moradores da cidade com suas bravatas. Numa manhã de domingo, no dia da festa da padroeira, ele acordou morto e todo pronto para conduzir o turíbulo que, de véspera, havia dormido em sua casa. Depois do café matinal, fez-se uma grande

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aglomeração de pessoas diante da casa do coronel: foi a primeira vez que tivemos um engarrafamento de 15 km: carros, motocicletas, triciclos, bicicletas e mesmo pedestres aguardavam atentos pelas palavras do coronel nas primeiras horas do dia de seu enterro. O que mais chama a atenção nesse texto é o fato de o coronel estar morto e, mesmo assim, estar pronto para carregar o turíbulo. Além disso, é estranho o fato de os moradores aguardarem seu pronunciamento matinal. Ao ler o texto, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a de que se trata de um “causo”, não de um fato verídico. Isso porque no “mundo real” não existe a possibilidade de se acordar morto, de um morto carregar um turíbulo e, menos ainda, de um morto fazer pronunciamento em festa de padroeira. Atividade Questão 1: Leia o excerto de texto abaixo e identifique a (s) metarregra (s) de coerência que foram infringidas. Reconstrua-os para torná-los coerentes, atendendo às metarregras da coerência textual. a) São Paulo tem uma extensão territorial superior à de muitos países do continente europeu e podendo comparar perfeitamente em seu seio uma população de mais de quarenta milhões de habitantes, ninguém poderá dizer que São Paulo não possui os elementos necessários para tornar efetiva a sua autonomia política. Em São Paulo, a hipótese separatista foi abortada. O discurso do presidente da República caminha para o separatismo famélico entre o Norte e o Sul. Uma das perversidades da política brasileira é a demagogia. b) Um dos cuidados que devemos ter quando redigimos um texto é com a repetição de palavras no texto. A repetição de palavras é muitas vezes inoportuna, torna o texto cansativo e deselegante. Sendo assim, seria interessante que editores de texto pudessem oferecer uma funcionalidade que ajudasse o escritor a controlar a repetição de palavras no texto indicando quantas vezes uma palavra já foi usada no texto e em que situação. c) Minha amiga foi para Porto seguro, recomendou a viagem para todos e afirmou que jamais retornaria ao local.

AMBIGUIDADE
“Ambiguidade – Latim ambiguu(m), ambíguo, que apresenta duas faces, dois sentidos”. “O vocábulo ambiguidade emprega-se em Gramática para designar os equívocos de sentido provenientes de construção defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios”. “Em crítica literária, a palavra foi introduzida por William Empson (...). A seu ver, a ambiguidade consiste em toda nuança verbal, posto ligeira, que dê lugar a diferentes reações ao mesmo fragmento de linguagem”. (MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974). Texto 1: Placa

em branco.A partir do primeiro e do terceiro conceitos sobre ambiguidade. 2011. Acesso em 02 de fev. A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO O texto é uma máquina preguiçosa. Texto 2: charge Disponível em: <osnigomes. Lector in fabula. vamos identificar possíveis leituras que as imagens anteriores (placa e charge) sugerem. para elaborar um texto coerente. São Paulo. 1979 p. sistematizemos por escrito o que conversamos. por assim dizer. 11). Em seguida.Acesso em 07 de fev. O parágrafo Você sabe que.Placasridículas. não basta reunir qualquer conjunto de frases ordenadas de forma aleatória. O parágrafo – como um microtexto – deve obviamente apresentar essa organização.Comunicação e Expressão 27 Disponível em: <www. Perspectiva. (ECO.br. 2011 . que exige do leitor um renhido trabalho cooperativo para preencher espaços não-ditos que ficaram.com/>. Umberto.blogspot. 1. É preciso que elas sejam logicamente ordenadas a fim de que o receptor siga o fio do discurso e seja capaz de entender aquilo que desejamos comunicar. . sem nos esquecermos dos seis cês.com.>.

explicitaremos cada uma dessas partes. os ordena. tempo-espaço. No entanto. em primeiro lugar. que servirá como forma de controle. em que se desenvolve ou se explana determinada idéia central. ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de experimentos que costumam rechear as obras de referência. seja qual for a forma de ordenação empregada. Civilização Brasileira. você poderá começar a escrever. entediando o leitor não especializado. secundárias.1. constrói um plano de desenvolvimento. enumeração de detalhes. a ideia-núcleo do parágrafo constituem o que se chama tópico frasal. o tópico frasal garante que você não se afaste do objetivo estabelecido. 1. Há várias formas de ordenação do desenvolvimento. em seguida. Essa ou essas frases iniciais do parágrafo que traduzem. fixado o objetivo que deverá orientar o parágrafo. assim como há diversos processos de desenvolvimento e ordenação de idéias. e com que finalidade. É importante redigir. Boorstin. do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o texto escrito. comparação. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. uma ou mais frases que expressem o objetivo escolhido. A fim de ordená-los. o redator passa a expandir as ideias indicadas no tópico frasal. mantendo a coerência do texto. também. Em primeiro lugar. Na sequência da nossa exposição. ele. A segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de alguns instrumentos. (0thon Garcia). as quais variam conforme o objetivo fixado para a redação. há. de maneira geral e sucinta. de Daniel J. entre elas: exemplificação. constituída por um ou mais de um período. A estruturação O chamado parágrafo-padrão é constituído de três partes essenciais: o tópico frasal. definição. em primeiro lugar. mas intimamente relacionadas pelo sentido”.2. 0 conceito acima aplica-se ao chamado parágrafo-padrão. Você deve estabelecer para que vai escrever sobre determinado assunto. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. Porém. seleciona aspectos ou detalhes particulares que desenvolvam a frase-núcleo e. do gênero da composição. o desenvolvimento e a conclusão. Para isso. dependendo da natureza do assunto.Comunicação e Expressão 28 1. Exemplo: Os descobridores. A conceituação “0 parágrafo é uma unidade de composição. a que geralmente se agregam outras. 646 páginas – O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para escrever essa história compacta da ciência é duplamente inovador. TÓPICO FRASAL (introdução) DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO OU TRANSIÇÃO a) A formulação do tópico frasal Delimitado o assunto. a ideia-tópico. a preocupação maior do autor deve ser a de fundamentar de maneira clara e convincente as ideias que defende ou expõe. Assim. A fixação clara do objetivo facilita a seleção e a ordenação das ideias. é mais fácil fixar o objetivo que deverá orientar a redação do parágrafo. causaconsequência. b) O desenvolvimento do parágrafo Nessa etapa de redação do parágrafo. diferentes formas de construção do parágrafo. b) A fixação do objetivo: delimitado o assunto. como . A redação Etapas prévias a) A delimitação do assunto: a restrição ou delimitação do assunto é necessária para que possamos organizar o parágrafo com mais facilidade.

p.. o nexo não vem explicitado. O elemento continuativo depois acrescenta mais uma causa à já citada no período anterior. a biografia dá ilusão de que. ou seja: tópico frasal. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS: 1 . . * Então. reorganizamos resumidamente os diversos aspectos do desenvolvimento em uma frase final. a bússola e o microscópio. (Istoé/Senhor. como você vê. c) A elaboração da conclusão Na formulação da conclusão. 1185. Em outras palavras.63) A pergunta inicial Por que se lê uma biografia? Constitui a introdução (tópico frasal).96. . para se conhecer segredos de uma personagem que eventualmente ainda não tenham sido divulgados. A expressão Num caso e no outro retoma as causas mencionadas no desenvolvimento e resume-as. É possível também encerrá-lo apresentando de modo conciso consequências. ter sua origem numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar os monges para as orações noturnas. implicações daquilo que foi expresso no tópico frasal e no desenvolvimento. DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Resenha crítica da obra.2 Opção por urna narrativa romanceada.. seguido pelo articulador para. Apresentação das duas novidades: 1 . Com isso. Boorstin. talvez um dia. * Logo... Assim. . e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas. ASSUNTO: A obra Os descobridores. dependendo da situação do leitor. . tais como: * Assim . Ou. Num caso e no outro. A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita. indica com que objetivo alguém lê uma biografia. OBJETIVO FIXADO: Mostrar a dupla inovação estabelecida pelo escritor Daniel Boorstin ao escrever a história da ciência. (Veja). que o leitor aprenderá. ATIVIDADES Por exemplo: a generalização de um tema como violência obriga o autor a delimitar alguns enfoques que lhe são pertinentes. desenvolvimento e conclusão. O início do desenvolvimento do parágrafo é explicitado por meio do operador argumentativo antes de mais nada. no entanto. por meio de articuladores que indiquem a relação que desejamos estabelecer. O nexo ou introduz uma nova possível causa da leitura de uma biografia. recapitulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. de Daniel J. . geralmente. Algumas vezes. algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. para se constatar que pessoas absolutamente normais têm a chance de adquirir notoriedade.06. . ou seja. CONCLUSÃO: o autor une precisão científica e leitura acessível. que estabelece uma relação de finalidade.Comunicação e Expressão 29 o relógio. Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e leitura acessível. o parágrafo possui as três partes essenciais à sua redação. Civilização Brasileira. * Dessa forma. podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo. deliciosamente.1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica. procede a duas inovações. Exemplificando: Veja o parágrafo abaixo: Por que se lê uma biografia? Antes de mais nada. pois ela se caracteriza por uma apreciação do autor. para se verificar como ela conseguiu alcançar projeção a despeito das dificuldades que enfrentou. TÓPICO FRASAL: Daniel Boorstin. Depois. ao escrever uma história compacta da ciência. É o caso da história dos despertadores digitais. o mundo terá a chance de reconhecer o nosso talento ou de algum parente. que feche o parágrafo. Longe da sisudez dos textos técnicos. então.. para a conclusão do parágrafo.. Há vários passíveis de discussão: a) causas e consequências da marginalidade b) causas e consequências da impunidade c) formas de punição d) divulgação da violência pelos meios de comunicação . 1 . 17.

de modo que. etc. visto que. composto de enxofre. Palavra e ação) 3. a razão disso. ano II. Outra forma liga-se à ação de veículos automotores. a degradação ambiental deve-se à atividade industrial. como resultado. A razão principal desse fenômeno é o distanciamento cada vez maior entre uma minoria que possui muito e a grande massa popular que se afunda.. São expressões indicadoras de CAUSA: porque. Portanto. tanto que. na miséria. de CONSEQÜÊNCIA: tão que. além. segundo a qual os detalhes do fato são apresentados.moradia Formas de ordenar o Parágrafo Depois de compreendermos a estrutura do parágrafo-padrão. por motivo de. Questão 1: Proponha 4 delimitações para os seguintes assuntos: . graças a. cada vez mais. depois. de maneira que. estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo. número 18) 2. (Revista Interior. em virtude de. que eliminam gases como monóxido de carbono. ou seja. gases vulcânicos. no mundo atual. tamanho que. odores de fermentação natural. inicialmente. frequentemente. que explodem bióxido de carbono. Exemplo: Temos. em vista disso. A relação causa-consequência. Por último. é um romantismo que cai no vazio. A de origem natural. uma vez que. em conseqüência. óxido de enxofre. etc. ainda.Comunicação e Expressão 30 e) causas do aumento de criminalidade f) crimes afiançáveis e crimes hediondos (sequestro e estupro) g) a violência contra a mulher e contra a criança h) a violência no trânsito i) a violência decorrente dos vícios (drogas e álcool). após. bromo. por fim. etc. passaremos agora ao estudo das formas de construir o desenvolvimento desse parágrafo. por meio de certos articuladores que têm a função de marcar a ordem. 1. pois. a causa disso. devido a. em segundo lugar. de forma que. segundo. nevoeiros. a violência cresce de maneira assustadora. Alguns destes articuladores: primeiro. Organiza-se. Exemplos: Parágrafo ordenado por causa: A cada dia que passa. Existe ainda a poluição registrada em consequência de fenômenos de combustão como aquecimento doméstico e outras incinerações. sem falar de justiça social e lutar por ela. Ordenação por causa-conseqüência Consiste em indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). Ordenação por enumeração Consiste em enumerar diferentes situações ou características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal e que. causada por agentes como poeira. por meio da interpretação das ideias relacionadas. Ana Maria. quatro tipos principais de poluição. (GUEDES. falar de amor e de promoção humana. depois. em primeiro lugar. na atmosfera. etc. já que. também. cloro. tal que. hidrocarbonetos não queimados. por isso. mais adiante. em seguida. parágrafo ordenado por causa-consequência: . poderá ser desenvolvido e detalhado nos parágrafos seguintes. ou é evidenciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida semanticamente. a seguir.cultura .

. também.patamar que o Brasil abandonou em 1984. Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento de algo acontecido... as 9 milhões de linhas telefônicas existentes no país estão cada vez mais enervando os brasileiros. em seguida. e então talvez se encontre uma grande liberdade. detrás de... (KRISHNAMURTI..). este. tanto quanto. Simplesmente deixa de estar aí. J. Hoje. Expressões indicativas dessas formas de ordenação de TEMPO: agora. se por um lado. a violência e a luta constante. que não media os meios para impor suas ideias. sempre que. não foi mais do que um charlatão. em oposição. Exemplo: Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud. mas. a agressão... a competição. naquele tempo... fora de.. à medida que. já. logo que. muitos anos atrás.. um herói que desbravou as profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau desconhecido até então. conseguir linha era motivo de comemoração.. por amor à ciência (. não só. etc. O padrão internacional é de seis tentativas fracassadas a cada centena de ligações . seres. O mundo somos nós. (para) uns. fatos ou fenômenos. congestionados como uma avenida de metrópole na hora do rush. após. Intelectual. Fasc. alguém que perseguia os discípulos dissidentes. Freud foi um gênio. de igual modo. segundo parece. Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como. perto de. aquele. antes.Comunicação e Expressão 31 Por que o sexo se tornou um problema? Ou deveríamos antes perguntar por que ele é. enquanto.. mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças). em ambos os casos. há muita gente para falar e poucos aparelhos instalados para transportar as conversas... Mas as divergências em torno de sua pessoa e de sua obra são imensas. já. brancas. 54. no local tal. pessoas de segunda mão. O país tem hoje 6. atualmente mais de 29 não são completados devido aos problemas de fiação e à insuficiência de linhas.. dentro de. diante de.. um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública. à proporção que. porém etc. etc. não havendo liberdade a não ser no sexo. tanto como. por outro lado. cá. por um lado.. abaixo de. ao contrário. este passa a ser muito importante e. (para) outros. a única coisa que resta em que o homem se sente livre? Só aí se perde totalmente a si mesmo: nesse momento. assim que. ainda. depois... em frente de.. E assim.4 telefones para cada grupo .. presentemente. é a de que mudou nossa maneira de compreender a cultura.. além. inteiramente moldadas pela nossa sociedade tecnológica. Enfim. Retirar o fone do gancho para conversar com a vizinha ou ligar para Portugal tornou-se missão complicada. ESPAÇO: longe de.. à esquerda. Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Consiste em estabelecer um confronto de idéias. Em tudo o mais não somos livres.. atrás de. Tal divisão acaba. breve. além de. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de ideias por tempo e espaço. (como) também. deixa de ser todas as misérias. Lisboa. ao passo que... todas as memórias. de um lado. Em suma. emocional e fisicamente somos pessoas constrangidas e cheias de limitações.. Exemplo: Ordenação por tempo e espaço simultaneamente O Brasil está voltando ao tempo em que os telefones eram pretos e as geladeiras.. Para outros. frequentemente. (FREUD: A exploração do inconsciente. do Pensamento. finalmente. Para alguns. à direita. o outro e a nós mesmos. por outro lado.. no século tal.. por causa dessa ausência. enquanto. as torturas... aí. ali. de outro lado. Ordenação por tempo e/ou espaço As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. Naqueles tempos de telefones exclusivamente pretos e pesados.. por esse motivo. p. antes de. A cada 100 telefonemas. Hist. 641) 5. nesse momento não existe mais a divisão entre "eu" e "tu".. o sexo torna-se importante. também. "nós" e "eles".. ultimamente. coisas... um homem que enxergava o sexual em todas as coisas.. no país tal. Livros Horizonte) 4. um problema.

as repetências. Com isso. quando se trata de algo muito abstrato. A Alemanha Ocidental tem 43. A redação do vestibular. as pessoas com problemas depressivos ou maníacodepressivos são expostas a raios artificiais que reproduzem a mesma frequência da luz solar infravermelha. principalmente. embora os sons também possam ser ouvidos sem o auxílio do aparelho. muito utilizada em textos técnicos ou científicos. a ordenação . Exemplo: Na luta contra a depressão fora do divã. como os países nórdicos. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. Nelas. Ordenação por definição De todas as formas de ordenação esta é a mais abstrata. pois revela os atributos essenciais de um objeto por meio de sua definição. A ausculta é uma prática de variadas finalidades. a corrupção e outros males que denigrem a Educação em nossa Pátria. "Através de estímulos acústicos. Exemplo: Auscultação é o ato de ouvir sons produzidos por órgãos internos como o coração. Moderna). uma preocupação crescente com a quantidade em prejuízo da qualidade do ensino. explica o psiquiatra carioca Jorge Alberto da Costa e Silva.Comunicação e Expressão 32 de 100 pessoas. 8. os pulmões ou os intestinos. Cada uma das técnicas aponta para a causa e também para a consequência da sua aplicação. que consiste em manter o paciente acordado por até 36 horas. (Pequeno Dicionário de Medicina. Uma outra técnica é a chamada "deprivação do sono". O autor cita as técnicas de cura para a depressão. TRATAR-SE DE. jogos e a presença de especialistas que se revezam. no seu desenvolvimento. Nas regiões onde o inverno é longo e intenso. presidente do Comitê Internacional de Tratamento e Prevenção da Depressão. 64. Em função disso. crescem dia a dia as experiências à base das chamadas clínicas de luz. Daí as desistências. Ordenação por exemplificação Consiste em exemplificar um conceito ou justificar uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. Ed. a glândula pineal é ativada. as pessoas em tratamento são mantidas acordadas". Nesta forma de ordenação é frequente o emprego do verbo SER ou de verbos como CHAMAR-SE. Abril Cultural) 7. que está longe de ser o melhor exemplo de bom funcionamento da telefonia. Os parágrafos mistos são aqueles em que há mais de uma forma. e a Suécia. durante a gravidez e o parto. o que é uma taxa rala. que incluem a detecção de anormalidades cardíacas e pulmonares e a verificação dos batimentos cardíacos do feto no útero. Em geral. de forma que a produção de neurotransmissores seja regularizada. por exemplo. Observe o emprego da expressão POR EXEMPLO. O embaralhamento de sistema telefônico brasileiro é produto da diminuição de investimentos em infraestrutura de comunicações e da defasagem do preço das tarifas pelo uso de telefones. O exemplo estabelece um elo. O parágrafo misto Alguns parágrafos caracterizam-se. por serem mistos. além dos remédios e da aplicação do ECT. (MACEDO. o médico ausculta com o estetoscópio. exemplificando-as. DENOMINARSE. Jorge Armando. Abrem-se inúmeros estabelecimentos de ensino superior sem as mínimas condições de funcionamento. São Paulo. Há. há dez telefones para cada 100 habitantes. luminosos. CONSIDERAR-SE. através da parede abdominal ou do tórax. uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor. Exemplo: O Brasil tem gritantes problemas no campo da Educação. Na Argentina. o que gera um aumento da metabolização dos neurotransmissores antidepressivos. 6. os psiquiatras de todo o mundo decidiram investir em outros tipos de acompanhamentos médicos.

Comunicação e Expressão 33 desse parágrafo é classificada: por exemplificação e por causa e consequência. A presidenta Dilma. Não se esqueça de examinar os elementos de transição entre os diferentes parágrafos. Caso contrário. um cachorro que não a largava. Para não morrer. quando há uma unidade dos seres e do planeta terra. Em cenas dramáticas. que é agredida. Por um lado. teimosos. Se não tinham emprego. convidamos você a observar a estrutura de cada um dos parágrafos do texto a seguir. ficou clara a necessidade de ações e prevenção para não deixar que populações fiquem submetidas à chuva e às suas consequências. envenenam-se águas. A MULHER. de quem não se respeita o curso natural: cortam-se árvores sem critérios. 2011. dona Ilair foi salva. como se apenas fonte de lucro.01. 23. O homem aproveita-se da natureza. as condições de vida precárias. o que indica o parágrafo misto. Vale a pena viver! Disponível em: <http://www. Por outro lado. ela larga o cachorro.11). com o apoio do governo estadual e governos municipais. Os parágrafos no contexto da dissertação Para concluir. serve-se dela como se apenas fosse propriedade sua. Sobrou-lhes.br/site/noticia. vão mostrar resultados. Com as mudanças climáticas. Nos braços. . ‘agarrar-se à vida’. escreveu: "Quanto à tragédia nas cidades serranas. as árvores vão cair sobre casas e carros. seus fluxos. Os brasileiros sempre se agarram à vida. da tragédia de início de ano no Rio de Janeiro foi a de uma mulher sendo resgatada com a corda puxada pelos vizinhos do alto de um prédio de vários andares. Quem se agarra à vida é mais que sobrevivente. Luís Fernando Veríssimo. endireitam-se as curvas de córregos e rios e tira-se sua beleza. sob aplauso geral.2011 A imagem mais impressionante. seguramente. Acesso em 07 de fev. Quem acredita. os sequencializadores textuais. É a vingança da natureza.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53574>. Ainda é tempo de repensar relações. É um ser humano que acredita em si e nos outros. São. em mais uma de suas magistrais crônicas (A Doutrina do Choque. Acreditou que os vizinhos não iam largá-la nas águas enfurecidas. Ela deu esta lição. a renda era péssima. o ‘novo começo’ pressupõe novo rigor nas licenças para construção e uma ocupação mais racional da terra. a chuva e a água incontroláveis. No caso do Rio. enquanto os vizinhos a puxam para cima do prédio. ou cheios de esperança. e o levou até onde pôde). para ao menos diminuir o sofrimento de quem é atingido. pelo menos a vida era sua e dela não abria mão em nenhuma circunstância. Acreditou que tinha força nos braços para se segurar na corda oferecida (e ainda acreditou que podia carregar junto o cachorro. O poder público historicamente pouco ou nada tem se preocupado com políticas de habitação popular e de saneamento básico. ocupam-se morros sem cuidado. ou seja.01. O que mais me marcou no episódio do Rio foi o gesto de dona Ilair agarrar-se à vida. Nunca devemos desesperar e achar que as coisas são impossíveis. Quer dizer: nada que diga respeito ao pobre obrigado a erguer seu barraco num barranco deslizante por absoluta falta de alternativas”. vence e vive.com. quando se convive com o meio ambiente porque ele faz parte do bem viver. conforme a sua posição no contexto da dissertação. como talvez nenhum outro povo ou outra gente. sobretudo. Dona Ilair agarrou-se à vida e sobreviveu graças à solidariedade. histórica e secularmente. Também é fundamental ter mais agilidade na ação coordenada dos agentes e órgãos públicos. as tragédias se sucedem e quem normalmente mais sofre são os pobres e os trabalhadores. O CACHORRO E A VIDA Selvino Heck 28. valores e modelos de sociedade. seres humanos feitos para viver vão perder estupidamente a vida. as águas vão descer os morros. ao longo do tempo. entre tantas. O Globo. Dona Ilair estava dentro de um pedaço de casa que estava sendo arrastado pelas águas furiosas e implacáveis. quando há mais respeito pelas pessoas e seus direitos.adital. que visitou os locais e a população. vêm os tornados. e ela não largava o cachorro. determinou um conjunto de providências que. sem conviver com suas regras. Há um novo tempo em perspectiva. vêm as tempestades.

" Depois a mãe recolhe as velas. e espera. quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico. Utilizar construções que não sejam uma simples repetição daquelas que estão no original e. no entanto. pai. amarelo-escuro. ao episódico. o que contém um texto A” (Othon Garcia. apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. ocorre uma transformação da parte formal do texto. na contenção de gestos e palavras. A perspectiva me assusta. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. Como a um gesto ensaiado. e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão. O autor da paráfrase deve demonstrar que entendeu claramente a ideia do texto. de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Este ouve. obedecem em torno à mesa um discreto ritual. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. O pai. 2. vagamente ansiosa. Passo a observá-los. E enquanto ela serve a Coca-Cola. que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. A . olhando para os lados. porém. que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. haver modificações das idéias ou acréscimo de informações. Nesta perseguição do acidental. São três velinhas brancas. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se. Sem mais nada para contar. entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. inclinando-se para trás na cadeira. torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. célula da sociedade. minúsculas. num texto B. como se aguardasse a aprovação do garçom. apagando as chamas.. discretos: "parabéns pra você. de maneira mais clara. depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso. Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua. concentrado. atenta como um animalzinho. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel. Visava ao circunstancial. A negrinha. 1988). Exemplo de paráfrase A ÚLTIMA CRÔNICA Fernando Sabino A caminho de casa. Além disso. que se preparam para algo mais que matar a fome. que a faz mais digna de ser vivida. a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força. Na paráfrase. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante. torna a guardálas na bolsa. curvo a cabeça e tomo meu café.um bolo simples. Utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto original. Por que não começa a comer? Vejo que os três. O pai se mune de uma caixa de fósforos. Imediatamente põe-se a bater palmas. deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos. quer num flagrante de esquina. contida na sua expectativa. em que se diz. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano. A filha aguarda também. Lanço então um último olhar fora de mim. Vejo. aborda o garçom. vocabulário e estrutura da frase.Comunicação e Expressão 34 PARAFRASEAR TEXTOS Paráfrase “é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico”. o pai risca o fósforo e acende as velas. o pedido do homem e depois se afasta para atendêlo. Não omitir nenhuma informação essencial. cantando num balbucio. onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. sempre que possível. muito compenetrada. enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. Ninguém mais os observa além de mim.. Gostaria de estar inspirado. Não sou poeta e estou sem assunto. 3. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família. fruto da convivência. A mulher suspira. A compostura da humildade. “Consiste no desenvolvimento explicativo (ou interpretativo) de um texto. sem. larga-o no pratinho -. toda arrumadinha no vestido pobre. retira qualquer coisa. numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. a que os pais se juntam. um vocabulário também diferente. laço na cabeça. Na realidade estou adiando o momento de escrever. são exigências de uma boa paráfrase: 1. parabéns pra você. Para tanto é necessária uma boa compreensão do texto. mãe e filha.

Para nós isso é destruição. de acordo com o exposto sobre esse tipo de recriação textual. mas não resolveu. Por último. rios. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo. nossas terras tradicionais. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. já que não . sangraram suas veias. rasgaram sua pele.Comunicação e Expressão 35 mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta.. para os refúgios. Acreditamos que não. apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais. com o sabor amargo de uma cesta básica. A maltrataram.releituras.02. Atividade Texto: CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF 03. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta. E nós não podemos mais esperar. Agora. para as retomadas. O pai corre os olhos pelo botequim. ameaça abaixar a cabeça. No final do ano passado. se comprometeu. esses "palavrões" ainda surpreendem muita gente. Dá comigo de súbito. satisfeito. ele se perturba. especialmente na reconquista de nossas terras. estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. Sem nossa mãe terra sagrada. Questão 1: Vamos elaborar uma criativa paráfrase da CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF. Mais ou menos recentes na nomenclatura empregada nas questões de alguns vestibulares e concursos públicos. Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. nossos olhos se encontram. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades. lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito. Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani Dourados. animais e aves.. Não estamos pedindo nada demais. ANAFÓRICOS E CATAFÓRICOS Pasquale O gentil leitor sabe o que é um anafórico? E um catafórico? Não se trata de nomes de medicamentos. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Sem nossos tekohá.Brasil Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. Presidente Dilma...com/i_samuel_fsabino. Acesso em 30 de jul. 2010. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá. a violência vai aumentar.11 .. para os confinamentos. quebraram seus ossos. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. para os acampamentos. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. não. da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. é matança.asp>. Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos. nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. roubaram nossa mãe. arvores.. vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. Disponível em: <http://www. limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. a observá-lo. Presidenta Dilma. peixes. constrangido — vacila. nós também estamos morrendo aos poucos. Esperamos que não seja um prêmio de consolação. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra. a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. 31 janeiro de 2011. Por isso. é crueldade. mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. o expresidente Lula prometeu.

. a esta altura o leitor talvez deseje saber o que é o bendito "catafórico".que Ahy.. são três)? Vamos lá: "lo" (de "esquecê-lo"). Em "esquecê-lo". meus caros: estamos mal-arrumados!". (2) Há cães bons para proteção do lar. Um caso comum de mau emprego dos anafóricos ocorre com o pronome "seu". "dela" ou "deles". de Joaquim M. (3) O professor era bom. Gostava de toda espécie de livro. Em "fugiu-lhe". por exemplo. El Ninho foi impiedoso: derrubou árvores. lá. o pronome "lo" (que resulta da transformação de "o" em "lo") recupera o substantivo "atestado". porém.advérbios (aqui. Nesse caso.Comunicação e Expressão 36 costumam fazer parte do que se estuda ou discute nas aulas de português do segundo grau de boa parte de nossas escolas. Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a Mona Lisa. Pois bem. como era de esperar. Como sempre digo. Todas essas limitações acabam prejudicando o importador. potencialmente ambíguo. Bem. Enfrentam tudo para nos defender. mas não sabe que o nome do bicho é esse..termo-síntese (7) . de Macedo) era este: ". "fugiu a ele" ou "fugiu dele"). / Quase te mataste. pagar uma infinidade de taxas. Em "A verdade é esta. (6) O presidente viajou para o exterior. por exemplo.elipse (2). em seu último vestibular. o bom uso dos anafóricos estabelece adequadamente a coesão textual (terminologia que também tem sido empregada em alguns vestibulares e concursos). o "lhe" corresponde a "a ele" ou a "dele" ("fugiu ao moço" ou "fugiu do moço". Paulo) Os processos de anáfora e catáfora ocorrem quando há: . Os três elementos anafóricos se referem ao mesmo antecedente ("moço").pronominalização (1). destruiu casas. O presidente levou consigo uma grande comitiva. Em "o esqueceu". (4) Sempre mandava flores para a namorada. muito mais importante do que o nome é o emprego. É bom lembrar que o termo "anáfora" também é usado para denominar a "repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases" ("Aurélio"): "Quase tu mataste. Em "Atestado sem selo deixa de sê-lo". Explique essas anáforas". (5) Lia muitos policiais. citado antes na frase. hiperônimo (4). muita gente sabe o que é um anafórico. procurou fugir do insensível moço e fazer por esquecêlo. o catafórico se refere ao que será enunciado adiante. Depois. (7) O país é cheio de entraves burocráticos. repetição do mesmo termo ou repetição do nome próprio (ou parte dele) . Na verdade. . não se sabe a quem se refere o possessivo "seu" (ao rapaz. por exemplo. o exemplo é de "Estrela da Vida Inteira". nem fugiu-lhe e nem o esqueceu" (a "linha 16" começa em "moço" e termina em "o"). o problema pode ser resolvido com o emprego de "dele". mas indisciplina o mestre não tolerava. Em outras palavras. isso corresponde a deixar claro quem é quem no texto. no jornal Folha de S. caro leitor? Quais são os anafóricos (que.substituição vocabular. (8) Não podíamos deixar de ir ao Louvre. É isso. Se o anafórico se refere a um antecedente. a Fundação Getúlio Vargas (de São Paulo) fez esta questão: "Selecione. hipônimo (5). No caso dos anafóricos. duas palavras que tenham valor anafórico. Pronto! Você já sabe o que é um anafórico! Ou ainda não sabe? Sabe. o "o" é posto antes da forma verbal por atração do termo negativo "nem". por exemplo. na verdade. o pronome demonstrativo "esta" se refere ao que é enunciado em seguida ("estamos mal-arrumados!"). rosas de todas as cores. ali. sim: um anafórico nada mais é do que um elemento linguístico que se refere a um termo antecedente. ou seja. que ocorre com: sinônimo (3). . aí) (8) (1) Ele chegou. da linha 16 do texto. . / Quase te mataram!" (citado no próprio "Aurélio". o pronome "o" se transforma em "lo" porque se prende a verbo terminado em "r" (esquecer + o = esquecê-lo). (Coluna publicada no dia 22 de julho de 2004. É preciso preencher um sem-número de papéis. de Manuel Bandeira). à irmã ou aos dois). Em "O rapaz disse à irmã que seu futuro estava decidido".. E então. O trecho de que fazia parte a "linha 16" (de um fragmento de "A Moreninha". "lhe" (de fugiu-lhe") e "o" (de "o esqueceu"). de cansada.

Havia uma química com nosso jeito de fazer negócios". respectivamente. Estudo de texto Em 1997. Maria Luisa admite que o nome e o histórico do marido pesaram na decisão da Starbucks. Seu plano era tentar convencer o fundador da maior rede de cafeterias do mundo. Outra particularidade é que as cafeterias brasileiras devem também usar xícaras -. No final de maio. na década de 80.4 bilhões de dólares. ainda não definimos os valores". Maria Luisa teve de ser persistente. Para concretizá-lo. responsável pelo desembarque do McDonald's no Brasil. finalmente. Em junho de 2005. mas analistas estimam que gire em torno de 20 milhões de reais. em Seattle. da American Airlines e do Outback (rede australiana de restaurantes lançada no Brasil pelo casal Rodenbeck). Nos Estados Unidos. porém. "Peter é meu guru. A primeira delas deve ser inaugurada neste ano. a então estudante de MBA Maria Luisa Rodenbeck chegou à sede da americana Starbucks. enviou cartas anuais a Seattle reiterando o interesse em ser sócia da rede. Ao entrar no elevador para deixar o edifício. já que a Starbucks só trabalha com lojas próprias e sócios locais. . diz. em São Paulo. o café é servido apenas em copos de isopor.nos outros 36 países onde a Starbucks opera. confirmada -. No Brasil. e disparou: "Quero falar com Howard Schultz". Maria Luisa levou quase uma década para convencer Schultz de que investir por aqui seria um bom negócio. Casada com o americano Peter Rodenbeck. Maria Luisa tergiversa. aprendi tudo com ele. Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. "Lembra-se disso?". hoje sua sócia no Brasil. convencer. Ex-executiva da United Airlines. Maria Luisa deu de cara com o próprio Schultz. o mesmo Schultz a recebeu em seu escritório com um abraço e o velho plano nas mãos. vice-presidente de marketing e negócios da Starbucks para a América Latina.o encadeamento de segmentos do texto. (Revista EXAME. por Malu Gaspar) QUESTÃO 1: Apresente de modo resumido qual foi o objetivo alcançado (a tese principal) e o respectivo caminho (recursos de presença) que a ex-estudante de MBA trilhou para consegui-lo.Comunicação e Expressão 37 2º . especula-se que um café poderá custar até 10 reais. Quais foram as conquistas da executiva e por que ela conseguiu persuadir os americanos? Justifique. a empresária Maria Luisa conseguiu fazer uma eficiente argumentação junto à empresa de Seattle? Por quê? Na sua resposta deverão aparecer os termos argumentar. Em 2002. o que não ocorre no resto do mundo. Após a primeira visita. Esse é o primeiro grande negócio de Maria Luisa Rodenbeck. a começar pela tese de adesão inicial empregada. Aqui. conseguiu trazer os primeiros executivos para sondar o mercado brasileiro. perguntou ele a Maria Luisa. 01. Aos poucos. diz Pablo Arizmendi. Tenho um compromisso. uma das secretárias tratou de dispensá-la. um expresso custa 2 dólares. Um dos pontos que ainda precisam ser definidos é o preço. QUESTÃO 2: De acordo com Abreu (2001). a sociedade entre a rede Starbucks e o casal Rodenbeck foi. persuadir. "Desde o início percebi que ela seria forte candidata. "Isso é chute. Educadamente. Apresentou-se ao empresário e lhe entregou uma cópia de seu plano de negócios. as visitas foram ficando mais frequentes. a entrar no mercado brasileiro. (10) Preciso sair com urgência. Iniciadas as discussões sobre o formato da operação brasileira. as lojas vão oferecer cafés exclusivamente brasileiros. o suficiente para a abertura de cinco lojas.06.2006. Mas desde o início ficou muito claro que o sonho de trazer a Starbucks ao país era meu". mas devemos insistir que aprendam. na obra A arte de argumentar. Nesses encontros. feito por conexão (9) ou justaposição (10): (9) Os alunos não prestam atenção. com faturamento anual de 6. QUESTÃO 3: O último parágrafo diz que Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações.as participações são de 49% e 51%. Os sócios não revelam o valor do investimento. os Rodenbeck esforçavam-se para mostrar conhecimento do mercado.

sobre a obra O que é leitura . Texto “Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem” 2. Textos 1. IV.sobre a obra Preconceito lingüístico II.Comunicação e Expressão 38 Anexos: I.imagens sobre as olimpíadas . Exercícios . V. Reforma Ortográfica Roteiro de filme Particularidades léxicas e gramaticais Pontuação: o uso (ou não) da vírgula Vamos observar esta imagem sobre as Olimpíadas: . Texto: “Não existem línguas uniformes III. VI. Texto: “A pedagogia do grande irmão platinado” 3.

com. Questão 1: Podemos afirmar que a ilustração.Comunicação e Expressão 39 Disponível em: www.azneuras. .br. nesse caso.wordpress. cumpre a mesma função de charge? Por quê? Apresentemos pelo menos um argumento no texto elaborado. Acesso em 02 de fev. 2011.

pois a função da escola não é restringir ao ensino das regras e da nomenclatura dos termos gramaticais.liliansimoes. Em seguida. vamos reescrever com nosso estilo o que falou Maria Helena a respeito do assunto.0) A partir do tópico 3 – “o que é ensinar português” . b) Assim como determinada pessoa se matricula em autoescola para aprender a dirigir e não para saber detalhes do funcionamento do veículo. de Maria Helena Martins.Comunicação e Expressão 40 Após a leitura da obra O QUE É LEITURA vamos responder às questões: 1) A partir do livro de Maria Helena.no capítulo 3 do livro Preconceito linguístico. no mínimo. emocional e racional. O que caracteriza cada um deles? Que importância têm esses três níveis para o leitor? 4) O capítulo “ampliando a noção de leitura” faz críticas severas ao sistema de ensino de alfabetização e letramento. e da charge de Lilian Simões. o que entendemos por leitura? 2) Quando aprendemos a ler? Como foi nosso aprendizado de leitura? Quem nos ajudou? Como foi nosso contato com a leitura na escola? 3) A obra O que é Leitura. 2. 2009. a preocupação da mestra está relacionada ao modo precário como o garoto se comunica na escrita. elabore um parágrafo de correção da alternativa com. apresenta alguns tipos de leitura que não estão ligadas unicamente ao lermos apenas palavras. 5) É possível ler o mesmo texto várias vezes e construir novos sentidos após cada leitura? Por quê? Após a leitura da obra PRECONCEITO LINGUÍSTICO vamos responder às questões: Charge para a questão 3: Disponível em:<http://www.com. Questão 3: (v. a) De acordo com a fala do aluno da charge e do linguista Marcos Bagno. o aluno precisa da instituição escolar para ajudá-lo a usar a língua materna com competência.br/blog/wp-content/uploads/>. marque a alternativa incorreta. Isso significa que ele deve aprender a ter . De forma sucinta. mas também situações. a autora apresenta três níveis de leituras: sensorial. doze linhas. Para tanto. Acesso em 09 de jul.

para que o aluno saiba identificar os termos da oração e os classifique não é garantia de que ele se tornará um usuário competente da língua culta. Acreditas que nos estão envenenando? Esther: O modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentícias das pessoas. intensiva e petrodependente tem se mostrado incapaz de alimentar à população. Para acabar com a fome no mundo não é preciso produzir mais. E também é desnecessário. por meio da variante culta. Comemos o que as grandes empresas do setor querem. tanto nos países do Norte quanto nos do Sul. Esses bens naturais não devem servir para fazer negócio. também. há o mesmo número de pessoas no mundo que passam fome do que o de pessoas com problemas de sobrepeso. inclusive as mais inocentes. alimentos transgênicos e livre comércio.Comunicação e Expressão 41 êxito nas situações de comunicação. ativista social pela soberania alimentar e militante do movimento antiglobalização. para especular. à sua saúde e ao respeito ao meio ambiente. Os consumidores temos que poder decidir o que comemos. Pelo contrário. Não pode acontecer que umas poucas multinacionais. em ambos os casos. Por ela não ter preconceito linguístico. que monopolizam cada uma das etapas da cadeia agroalimentar. ele será amparado por alguma política assistencialista do governo.Adital Entrevista a Esther Vivas. se queremos consumir produtos livres de transgênicos. Que alternativa pode ser proposta pelos movimentos sociais? Esther: É preciso recuperar o controle social da agricultura e da alimentação. afetando. o esforço. faz falta democratizar os processos produtivos e fazer com que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população. Icaria. ou seja. quilométrica. Porém. A agricultura industrial.Mundo Enric Llopis . alerta sobre a primazia do capital privado na hora de impor gostos. Os problemas agrícolas e alimentícios são globais e são o resultado de converter os alimentos em uma mercadoria. d) O ensino da gramática normativa mais estrita. Poderias definir o conceito de "soberania alimentar”? . por exemplo. a água e as sementes devem estar nas mãos dos camponeses. a ONU e o FMI propõem uma nova "revolução verde”. 2009) Comprar um quilo de açúcar. Juntamente com Xavier Montagut publicou os livros "Do campo ao Prato”. a obsessão pela terminologia e pela classificação de termos e o apego à nomenclatura. esforçar-se em aprender a comunicar. c) O garoto tem razão: não há necessidade de a professora se preocupar-se em ensiná-lo a falar e redigir textos claros e coerentes para comunicar-se melhor. daqueles que trabalham na terra. Isso é uma prova do fracasso do capitalismo agroindustrial? Sim. obrigada!”. "Para onde vai o comércio justo?” e "Supermercados? Não. A terra. como afirmam os governos e as instituições internacionais. como aluno. Definitivamente. um litro de leite ou um pacote de bolachas pode parecer um ato bem cotidiano. Hoje. independente da área na qual atua. gerando mudança climática e destruindo terras férteis. Você é coautora do livro "Do Campo ao Prato”. sejam elas orais ou por escrito. marcas e produtos. As empresas multinacionais. Esther Vivas.11 . acabem decidindo o que comemos. pois. como pobre que supostamente é. Texto: ‘COMEMOS O QUE AS GRANDES EMPRESAS AGROALIMENTÍCIAS QUEREM' 04.02. que ele adquiriu dos pais. a inculta. sob essa aparência inócua subjaz a relevância política de nossas ações. reduzindo a agrodiversidade. temos que apostar na soberania alimentar. coautora do livro "Do Campo ao Prato” (Ed. 925 milhões de pessoas no mundo passam fome. aos setores mais pobres da população. o aluno deve continuar se expressando pela única variante. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental.

trata-se de recuperar o conhecimento das práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologias e saberes. Que balanço geral pode ser feito sobre as diferentes cúpulas sobre a mudança climática? Esther: O balanço é muito negativo. a partir de grupos e cooperativas de consumo agroecológico. organizar-nos no âmbito do consumo. o seu máximo expoente. Também é necessário sair às ruas e atuar politicamente. saudáveis.. O que comemos é resultado da mercantilização do sistema alimentar e dos interesses do agronegócio. Por detrás disso escondem-se os interesses das companhias multinacionais e de um suposto "capitalismo verde”? Esther: Sim. reivindicar a soberania alimentar não implica em um retorno romântico ao passado. Não foram feitos acordos vinculantes que permitam uma redução efetiva dos gases de efeito estufa. Porém. converteu-se em um "ato político”. Promover os circuitos curtos de comercialização. Como nasceu e quais são seus princípios? Esther: O Movimento pela Justiça Climática faz uma crítica às causas de fundo da mudança climática. ao contrário. Estamos em mãos das grandes cadeias de distribuição. por ocasião da campanha da Iniciativa Legislativa Popular contra os transgênicos. Copenhague. tenta "mudar o sistema. A mercantilização que está sendo realizada na produção agroalimentar é a mesma que atinge a muitos outros âmbitos de nossa vida: privatização dos serviços públicos. É necessário antepor outra lógica e organizar-se contra o modelo agroalimentar atual no marco do combate mais geral contra o capitalismo global. De tal maneira que o consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida e o mesmo passa ao produtor ao buscar acesso ao consumidor. como muito bem diz seu lema. nesse sentido. no qual o comércio internacional funcione como um complemento do anterior. por exemplo. impulsionada por "Son lo que siembrem”. Trata-se de medidas cujo único resultado é agravar ainda mais a crise atual social e ecológica e. mas de promover a produção e o comércio local. os mercados locais. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. de temporada. proporcionar grandes benefícios a umas poucas empresas. como. Em vez de dar soluções reais. porém. Cancún. Estás de acordo? Esther: Completamente. Em Cancun fez sucesso a ideia de "adaptação” à mudança climática. em defesa do território. não o clima”. O que isso implica e que efeitos nos traz esse modelo de consumo? Esther: Hoje. os critérios mercantis têm sido uma vez mais a moeda de troca e o mecanismo de comércio de emissões é. criar alternativas e promover alianças amplas a partir da participação em campanhas contra a crise. mas os interesses privados. como a energia nuclear. Combater a competição desleal. Apostar no cultivo de variedades autóctones. não consiste em uma proposta localista. Desse modo. não gera mudanças estruturais. Kyoto. questionando o sistema capitalista e.Comunicação e Expressão 42 Esther: Consiste em ter a capacidade de decidir sobre tudo aquilo que faça referência à produção. os mecanismos de dumping. porque. expressa essa relação difusa que existe entre justiça social e . A Via Campesina afirma que comer. sete empresas no Estado Espanhol controlam 75% da distribuição dos alimentos. os que estão nas instituições não representam nossos interesses. distribuição e consumo de alimentos. como vimos em múltiplas ocasiões. a captação de carbono da atmosfera para seu armazenamento.. Da mesma forma. as ajudas à exportação. isso sim. O Movimento pela Justiça Climática tenta oferecer alternativas. por exemplo. As soluções individualistas servem para romper com essas pautas de consumo? Esther: A ação individual tem um valor demonstrativo e aporta coerência. hoje. fóruns sociais etc. Conseguir esse objetivo implica uma estratégia de ruptura com as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). ou os agrocombustíveis. E essa tendência cresce cada vez mais. Em todas essas cúpulas os interesses privados e o curto prazo têm pesado mais do que a vontade política real para acabar com a mudança climática. Pelo contrário. opta-se por falsas soluções. mas. precarização dos direitos trabalhistas. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. Faz falta uma ação política coletiva. especulação com a habitação e com o território.

2. No ato rotineiro de fazer compras. A crise atual apresenta a necessidade urgente de mudar o mundo pela base e fazer isso desde a perspectiva anticapitalista e ecologista radical. Disponível em: <http://www. nas mobilizações de Cancún.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53754>. .De que modo o capitalismo criou a crise ecológica a partir da qual pode faltar comida no mundo? . 2011.com. entre crise social e ecológica. O movimento tem tido um forte impacto internacional. d. 5. e) A agricultura de caráter industrial é enorme e intensiva. 4. nós já pensamos sobre o fato de nos submeter às grandes redes de supermercado ou como elas interferem no nosso modo de viver? . mais recentemente. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. Questão 1: De acordo com a entrevista Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem. É urgente mudar o sistema.adital. não o clima. Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1. A solução é mudar o clima ou mudar o sistema capitalista? Esther: Faz falta uma mudança radical de modelo. c) O Movimento pela Justiça Climática tem tido um forte impacto internacional. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. c.Por que concordamos ou discordamos da ativista espanhola Esther Vivas? . as pessoas nada podem fazer. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou”. vinculá-lo às lutas cotidianas e buscar alianças com o sindicalismo alternativo.br/site/noticia. mais recentemente. Acesso em 05 de fev. é possível afirmar que: a) O texto descarta as novas tecnologias e o comércio local. e todas elas nenhuma delas Questão 2: “Faz falta uma mudança radical de modelo. b. como também os pequenos produtores. Ela tem sido incapaz de alimentar à população. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que devem andar estreitamente unidos. Isso tem contribuído para visualizar a urgência de atuar contra a mudança climática. b) O consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida. O desafio é ampliar sua base social. porque o primeiro não combina com os produtos saudáveis e o segundo tem dificuldade de manter-se sem agrotóxicos. 3. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental ao reduzir a diversidade de culturas agrícolas.Comunicação e Expressão 43 climática. e c.Como é que o supermercado impõe o que eu como? Citemos exemplos. nas mobilizações de Cancún. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. d) A produção de combustíveis de origem vegetal é uma medida que pode colaborar na resolução do problema da falta de alimentos no mundo. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. ao influenciar a mudança climática e destruir terras férteis. a. E diante disso. c a.

esperando o ônibus. No dia em que ela saiu do castigo. As notícias estão no jornal. em todos os lugares.01. esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. Um sacerdote muito bem pago. o que. Querem mais do que as migalhas do banquete. peito e cabeça vazia. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade” da Globo. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "‘qualquer um pode neste mundo livre”. sou um bicho televisivo. obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária. héteros tarados. mas ocorre que estas "lições” em que se eliminam pessoas. a qual é parte intrínseca do "show”. no elevador. já que coisas do tipo que se veem ali também são possíveis de ver na novela. é claro. lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão. também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis.. músculo. nas cadeias. É a lavagem cerebral. Há os que vêem e nem gostam. dando as "notícias” dos broders. ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades. Está bem. etc. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder "????”). se oferecem. Tudo pela "plata”. enquanto os demais a abraçavam. é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. Agora inventaram a figura de um sabotador. me causa espécie.Comunicação e Expressão 44 Texto: A pedagogia do grande irmão platinado Texto de 26. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. putas ou santas. um outro. bi. passam meio que por osmose. É praticamente impossível fugir desses saberes. em que se traem os amigos. Mas fica. Mas. Vi a cara do rapazinho. ele se deixava cair. coisa que. obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém com requintes de crueldade.11 . O melhor sinal é o da platinada. Cada uma daquelas criaturas que ali estão quebrando todas as regras da ética do bem viver são pobres seres humanos. em que vale tudo. Pega em qualquer lugar deste grande país. Mas enfim. mas que também dá sua espiadinha. elas mandam vídeos. escorregando pela parede. Sabia. fez a sua escolha. É só estar vivo para saber. Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial. Precisava sabotar seus amigos. o tal do sabotador é uma pessoa. Cada ano a violência fica maior. as pessoas estão ali porque querem. O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes. que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas.. nos filmes. E fui observar um pouco desse zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites. chorando. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral possa ter o "show”. É invasivo e feroz. Fiquei por aí a matutar. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase que totalitária. E o fez. trans. Em nome do milhão. O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. Depois. Uma coisa de uma maldade abissal. Estava em completo desespero. dono de um texto refinado. Então esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido.Brasil Elaine Tavares Jornalista Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudoesquerda que fica falando mal do BBB. que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. São vítimas. morrem até para estar naquela casa. em busca do que pensar ser seu lugar ao sol. ainda assim. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. E assim vai o "grande irmão” propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência. Não são eles os "imorais”. Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. Então. perdidos num mundo que exige da juventude bunda. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. do grupo. Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. Mesmo no terminal. é perverso demais o que os "inventores” fazem com aquelas tristes criaturas. e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. Deveras. Ele. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais. no ônibus. loucas. . É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”.

aqui perto. Questão 1: Que tese Elaine Tavares defende no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Que argumentos a jornalista utiliza para tecer o ponto de vista dela? Questão 2: Por que Elaine Tavares emprega aspas nas palavras no seguinte trecho: É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. perseguição aos homens de bem e impunidade aos pérfidos. Acredito firmemente que se deve reduzir a idade na qual alguém pode ser legalmente responsável por seus atos. Recentemente. lúcida ou drogada. talvez diga como outro criminoso. foi para uma dessas instituições de ressocialização nas quais não acredito. cruel. Quando em outros países a idade mínima é de 14 anos. sinistra e miserável. 2011.. Logo estará livre para reiniciar com alegria sua atividade de assassino psicopata. via repetição. Ando exausta de tanto cinismo. aqui. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética”. A questão do "grande irmão” não é moral. lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos”. aos 16 podemos mudar o país através do voto. E. segundo Elaine Tavares? Texto: A lei e a justiça Lya Luft Ando cansada da loucura humana. maldade. malcheirosa. quase uma criança. um menino de 14 anos confessou na maior frieza o assassinato de dezessete pessoas. da rede Globo.com. ele sairá em breve para matar. “Matei. Os empresários globais lambem seus bigodes. Onde as pessoas. ele vem. Voltarão para novos crimes. aos 12 anos – pouco mais.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53508>. e repetia “vou te matar”. 12. O show da Globo é uma violência explícita. Acesso em 28 de jan. sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. Cansei do drama da juventude que. a Globo. Hoje sai a fim de matar alguém”. Quinze deles já foram confirmados. Meu amigo perguntou por que. juntas. Tudo pela "plata”? Questão 3: . típica do capitalismo. É ética. roubamos.Comunicação e Expressão 45 Enquanto isso. nefanda. até . Penso que há outras formas de a gente se divertir. às vezes com requintes de crueldade. se perguntarem a razão. matamos. o que causa espanto na autora? Por quê? Esse programa nos causa espanto de alguma maneira? Por quê? Questão 5: Que paradoxo Elaine Tavares discute no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Questão 6: Afinal.br/site/noticia. É coisa ruim. sim”. Então. mas se estupramos. nem rodos poderão ser reintegrados na sociedade. Tratase da consolidação. e até menos. fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudoesquerda. buscam o bem viver. que pretender cristalizar como verdade que para que um seja feliz. e o menino respondeu com simplicidade: “Nada. como bem já levantaram alguns blogueiros. Talvez tenha acreditado num dar de ombros: “E daí?” Se não houver alguma grave interferência. Por ser menor de idade. É galera. junto com as companhias telefônicas. começa a roubar e matar.adital. outro tenha que ser "eliminado”. como tantos assassinos iguais a ele.. que assaltou um amigo meu.Em que variante/s o texto é escrito? Por que é dessa forma? Vamos apresentar marcas textuais que justifiquem nossa resposta. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. Questão 4: Diante do programa do BBB. pouco menos: se apanhados. de uma pedagogia. Disponível em: < http://www. qual é a pedagogia do BBB. brother quer dizer irmão em inglês.

mas o dinheiro e o esforço dedicados a isso têm sido irrisórios dentro do orçamento do país. me disseram que. sociedade doente. e de outro lado os criminosos. aqui e ali. Questão 2: Luft afirma que não acredita em instituições de ressocialização.. nem todos divertidos. ou seja.>.Vamos responder a essas perguntas em um único texto com coerência. para ver se não haverá alguma luz que o afugente. nada adiantará se não cumprirmos o que deve estar em qualquer Constituição: que a todo ser humano seja garantido tratamento digno e decente. E você. Do poder dos maus e da fragilidade dos bons. vítimas e criminosos deixando famílias destroçadas dos dois lados. que às vezes é apenas outra vítima. p. que não usamos um pano diante dos olhos. enquanto se multiplicam os dramas. A palavra é de origem francesa e significa carga. pegamos uma leve – e breve – pena em uma instituição que (com raras exceções) reeduca os passíveis de melhoria e deixa os psicopatas mais loucos. ano 44 – n. que deveria começar com a educação em suas bases.blogspot. em lá chegando. e se. na maioria das vezes. 19 de janeiro de 2011. Questão 3: Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar. Quem são os personagens da charge abaixo? Onde e em que momento eles estão? O que eles estão fazendo? Por quê? O que eles representam no nosso país? Que crítica a charge faz? Por quê? Em que aspectos a charge se assemelha ao texto de Lya Luft A lei e a justiça? . sociedade moderna. exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. livros e seminários com discursos pomposos mas pouco eficazes. Disponível em: <mariquinhamaricota. o que nem sempre é bom. onde jovens. algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. Isso inclui as possíveis vítimas. aumentam as tragédias. As charges são muito utilizadas em críticas políticas no Brasil. Resta descobrir quanto tempo se leva para chegar a esse fundo. A autora demonstra revolta e indignação diante da situação de violência do nosso país. Um deles parece não ter fim: o poço dos escândalos nossos de cada dia. Do desinteresse e da má vontade. . descobri que a vida tem outros poços. e quem sabe. Como nós. coesão. poderá integrar-se à sociedade como um cidadão de bem? Justifique sua resposta com argumentos claros e convincentes. 18) Questão 1: Lya Luft. por meio de uma caricatura. que talvez tenha suas razões para não tirar a venda e finalmente olhar para nós. conceito vago que isenta de uma ação enérgica. de pernas para o ar estaríamos nós). E aí nem leis nem tribunais supremos ou mínimos nos ajudarão. Adulta. que mereceriam uma sociedade menos violenta e autoridades mais eficazes. além de teorias. criatividade. O diabinho rosna então uma das melhores frases sobre o assunto: “A lei nem sempre garante a justiça”. realmente voltar à sociedade regenerados. descobriremos que a senhora Justiça era apenas um mito. Quando menina. no texto “A lei e a justiça” faz referência à questão da idade penal. 03. acredita que um jovem criminoso. produzimos esse e outros dramas morais? Acusa-se pela criminalidade juvenil a família. esse poço daria no Japão. da nossa desolação e dos nossos enganos. concisão e clareza. que deveriam ser submetidos a leis mais firmes e colocados – se for o caso – em prisões decentes onde possam trabalhar. A partir de reflexão sobre a redução da idade penal. comentem crimes de forma fria e calculista. sem solução à vista. mas enrolamos a alma numa cortina escura. se a gente cavasse fundo no jardim. O poço tem fundo: o diabinho no meu ombro espia seu reflexo nele. onde as pessoas andavam de cabeça para baixo (para eles. Sou mais crédula do que cética. 2010. ou “a sociedade”. elabore um parágrafo padrão declarando o que você pensa a respeito do assunto. os seis cês que são fatores essenciais para a escrita de um texto de qualidade. correção gramatical.com/2008/11/as-ch. ou seja.Comunicação e Expressão 46 os 18. Além do mais. Pouca é a vontade de mudar isso. Acesso em 25 de nov. produzir para seu próprio sustento. se ficarem apenas na letra escrita ou submetidos a jogos de poder. com nova oportunidade de mostrar isso. depois de cumprir pena em uma dessas instituições. (Revista Veja..

muitos meninos não podem ou não querem usar a chamada linguagem correta na escola. há “erros” que ninguém comente. relapso. Por isso. do mesmo modo (e. quando não ridículo um velho falar como uma criança. Por isso. as línguas fornecem meios também para a identificação social. otro). uma autoridade falar como uma pessoa simples etc. poderia talvez achar que tem um argumento definitivo. Os principais são os fatores geográficos. De uma forma um pouco simplificada: assim como certos grupos se caracterizam por meio de alguma marca (digamos. peixe. Em outras palavras. de idade. quando observa que “até mesmo para falar somos um povo desleixado”. etnias. Em outras palavras. de etnia. outro: a pronúncia padrão incluiria a semivogal. os fatores que permitem ou influenciam na variação podem ser detectados por meio de uma análise mais cuidadosa e mesmo anedótica. sob pena de serem objeto de gozação por parte dos colegas porque em nossa sociedade a correção é considera uma marca feminina. ouvem-se pronúncias alternativas de palavras como caixa.html>. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre indivíduos ou grupos. a distância – só que esta é social) acabam caracterizando sua fala por traços diversos em relação aos de outra classe. isto é.zip. Ou seja. por utilizarem certos trazes. de certa forma. Por exemplo. de profissão etc. a pronúncia não-padrão a eliminaria (caxa. infelizmente. pexe. Para exemplificar: podemos dizer que fulano é velho por quem tal hábito (fuma cigarro sem filtro. de sexo. Mas como existe. ou porque como em geral ocorrem com os mais jovens). Um dos tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas são externas à língua. A segunda verdade é que as diferenças que existem em uma língua não são casuais. Mas nunca se ouve . é frequentemente estranho. Por exemplo.). essas diferenças se refletem na língua. Ao contrário. que não respeita nem mesmo sua rica língua. b) a variedade linguística é o reflexo da variedade social e. 2010. E não apenas no Brasil porque seriamos um povo descuidado. Acesso em 25 de nov. por exemplo. para quem pretende ter uma visão mais adequada do fenômeno da linguagem. Texto: Não Existem Línguas Uniformes Sírio Possenti Alguém que estivesse desanimado pelo fato de que parece que as coisas não dão certo no Brasil e que isso se deve ao “povinho” que habita esse país (conhecem a piada?).net/arch2010-04-01_2010-04-30. Ou seja: pessoas que moram em lugares diferentes acabam caracterizado-se por falar de algum modo de maneira diferente em relação ao outro grupo. dois fatos são importante: a) todas as línguas variam. deve ser levado em conta. Ou seja: a primeira verdade que devemos encarar de frente é relativa ao fato de que em todos os países (uma em todas as “comunidades de falantes”) existem variedade de língua. profissões. Pessoas que pertencem a classes sociais diferentes. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. também podem caracterizar-se por traços linguísticos.Comunicação e Expressão 47 Disponível em:<juicetech. idades. especialmente para os profissionais. Esse modo de encarar os fatos da linguagem é bastante comum. não é preciso estudar uma língua para não “errar” em certos casos. porque a língua não permite. a variação é de alguma forma regrada por uma gramática interior da língua. Ou seja. pela mesma razão. Por isso. Faz parte da visão de mundo que as pessoas tem a respeito do campos nos quais não são especialista. por terem determinados hábitos etc. é uma avaliação falsa. Também há fatores internos à língua que condicionam a variação. de classe. O mesmo vale para diferentes sexos. e como também é um fato social associado à linguagem.

Podemos pensar na variação como fonte de recursos alternativos: quanto mais numerosos forem. Mas. então. e como os falantes fariam para demonstrar atitudes diferentes? Teriam que avisar (dizer.Comunicação e Expressão 48 alguém dizer peto ou jeto ao invés de peito e jeito. o tipo de semivogal (i ou u) e a consoante seguinte são partes dos fatores internos relevantes para explicar esse fato que. as variações linguísticas são condicionadas por fatores internos à língua ou por fatores sociais. e a poesia? E o humor. em vários lugares do país. Alguns sonham com uma língua uniforme. Campinas: Mercado das letras/ALB. Por que será que os mesmos falantes ora eliminam e ora mantêm a semivogal? Alguém pode explicar porque o i cai antes de certos consoantes e não diante de outras? Alguém pode explicar por que o u cai antes de t (otro) e o i não cai no mesmo contexto (peito. auguma. Outro exemplo: podem-se ouvir várias pronúncias. no início. arguma. de alguma forma. também (embora não com o mesmo número de variedade). Por que (não) ensinar gramática na escola. no meio. Sírio. “vou tratá-lo formalmente”)? (POSSENTI. Mais exemplos: poderemos ouvir “os boi”. Mas. E a variedade linguística está entre as variedades mais funcionais que existem. do som que se escreve com a letra l em palavras como alguma: alguma. 33) . “estou à vontade”. “um caras” ou “Comédia do Erros”. por exemplo. Ouviremos muitas vezes “nós vai”. A variação tembém existirá em palavras como planta: planta ou pranta (mas nunca ouviremos puanta). nunca. o l setá sempre um l em palavras como lata. p. que é uma das melhores coisas que a humanidade inventou. mas nunca “ eu vamo(s)”. dar ordens e instruções. E isso vale para falantes cultos e incultos. 1996. “dois cara”. Assim. ou por ambos ao mesmo tempo. Em uma língua uniforme talvez fosse possível pensar. ele varia. “estou irritado”. “Comédia dos Erro” . Ou seja: no fim da sílaba. todo falante conhece. mais expressiva pode ser a linguagem humana. Só podem ser por mania repressiva ou medo da variedade. mas nunca “o bois”. Mas. jeito)? Certamente.

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E qual é a tese principal do lobista? Por que ele a defende? 6. fraquezas e ações. na revista Língua Portuguesa no. antes da principal. o filme é irônico? Por quê? 9. p. do desperdício.Vamos identificar em que momento o filme apresenta a técnica da argumentação pelo modelo e antimodelo e justificar por quê.Além de identificar os dois auditórios do lobista. podemos dizer que há argumentação e contraargumentação? O que de fato está em jogo no discurso de um e de outro? Podemos afirmar que. que a expressão hierarquia de valores é largamente utilizada. No filme. não devemos propor de imediato nossa tese principal. nesse caso. A partir de uma das conversas entre Nick e o filho e outra entre a criança e a mãe. obviamente. “Os valores de uma pessoa não têm. p. . Nick Naylor possui ambos os auditórios. que diferença há entre negociação e argumentação? Qual das duas estratégias apresenta maior grau de credibilidade? Por quê? De acordo com o personagem. etc”. . o falante pode ter o auditório particular ou ainda o auditório universal. retorsão. 33). a maneira como o auditório hierarquiza os seus valores chega a ser. então. Abreu (2005) cita quatro condições da argumentação de sucesso. De que ponto de vista o lobista a pronunciou? Você concorda com essa afirmação? Por quê? 7. 8. às vezes.30) afirma que “na sociedade em que vivemos somos moldados por uma infinidade de discursos: discurso científico. que “ a atração pelas palavras. Abreu (2005. Tanto isso é verdade. regra de justiça. a tese de adesão inicial. Em termos de argumentação. discurso político. possui todas elas ou não? Que trechos e/ou referências do filme autorizam e/ou justificam nossa resposta? Que relação há entre o trabalho desenvolvido pelo lobista e as entrelinhas do filme? 4. o que pode ser considerado como tese de adesão inicial utilizada por Nick Naylor? Por quê? . pelo poder que elas têm de significar. 5. discurso do senso comum. p. os tais auditórios e o título do filme. a técnica da definição. às suas glórias. “se uma pessoa souber argumentar corretamente nunca estará errada”. como lobista. a ideia que queremos “vender” ao nosso auditório”. Nas disputas entre Nick e o senador.No primeiro programa de televisão apresentado no filme. discurso religioso. Segundo Abreu. Num processo persuasivo. o falante ou locutor expressa seus argumentos (ponto de vista/ discurso) para outro falante. porque quer convencê-lo e/ou persuadi-lo sobre algo. trabalha em uma empresa de estudos sobre Tabaco a qual é financiada pelos empresários da indústria de cigarro e desenvolve com excelência a sua profissão de lobista. pelo exemplo. Segundo a obra A arte de argumentar (ABREU. vamos verificar como é a relação entre o lobista. e ainda os argumentos: pragmáticos. para que o falante tenha êxito na sua argumentação é ainda necessária a utilização das técnicas argumentativas como: compatibilidade e incompatibilidade.Qual é o discurso comum e o discurso científico que aparece no filme sobre o cigarro? Como se constrói o primeiro e o segundo? 3. O que você sabe a respeito de tal profissão? Por que Nick é um lobista cobiçado pelos grandes empresários? 2. Abreu (2005.45) afirma que “ao iniciar um processo argumentativo visando ao convencimento. Nick Naylor. . o argumento do ridículo. seu interlocutor. dando sentido ao homem. 36 (2008. 2005). Nick Naylor. Lembra Beth Brait. pode se revelar de muitas maneiras”. O protagonista do filme. O escritor.Comunicação e Expressão 51 ROTEIRO DO FILME OBRIGADO POR FUMAR 1. até . . pelo modelo e antimodelo e pela analogia. sugere que o falante deve apresentar. todos eles a mesma importância. discurso jurídico.

Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual falei a você. qualidade. compreender os valores e as necessidades do outro. Eu fiz o trabalho. 2005.(= o qual) As cantoras se apresentaram. p. E os lobistas do tabaco..Comunicação e Expressão 52 mais importante do que os próprios valores em si. O sitio me deixou encantado. essência. o falante deve re-hierarquizar os valores com os lugares da argumentação: lugar de quantidade. O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. visitei o sítio de minha tia o qual me deixou encantado. cujas Quanto. Particularidades Léxicas e Gramaticais USO DO PRONOME RELATIVO Os pronomes relativos são os seguintes: Variáveis Invariáveis O qual. (. pessoa e existente. Eu falei a você sobre o restaurante. Essas são as conclusões do processo. (ABREU. quanta Quantos. cuja Onde (quando equivale a no qual e flexões) Cujos. as quais Quem (quando equivale a o qual e flexões) Cujo. Regressando de São Paulo.) As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa. das armas de fogo e de bebidas são bem pagos. ordem. O que o filme sugere com isso? Por quê? 11. . . a mídia está sempre em evidência. Eu me refiro à obra dele. Assim. No filme.. quantas Ex: fale tudo quanto quiser. a qual Que (quando equivale a o qual e flexões) Os quais. qual é o lugar de argumentação que o filme mostra de forma mais evidente? Por quê? 10. Sobre elas pairam muitas dúvidas. Maria Bello. em função da cultura. duração: 92 min gênero: Comédia status: Arquivado IV. Adam Brody. para que a argumentação atinja positivamente o auditório. Essas são as conclusões do processo sobre as quais pairam muitas dúvidas. (= as quais) Este é o pintor. das ideologias e da própria história pessoal”. A arte de argumentar está relacionada com a capacidade de gerenciar emoções. As cantoras que se apresentaram eram péssimas. Esse trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. As cantoras eram péssimas. Cameron Bright. 77).Afinal. visitei o sítio de minha tia. Traga todos quantos quiser Regressando de São Paulo. Meu irmão comprou o restaurante. Até que ponto Obrigado por fumar aborda a respeito disso? Que trechos autorizam minha resposta? Nota: OBRIGADO POR FUMAR título original: (Thank You for Smoking) lançamento: 2006 (EUA) direção: Jason Reitman atores: Aaron Eckhart.

. que encerra uma frase interrogativa direta. Aquela é a senhora Bovary.com. O acento é correto. A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada. Eu me referi ao artista ontem. Eu lhe falei do homem. acesso em 05 de jun. Eu trabalho para ela. O advogado está preso. Roubaram a peça. Nós assistimos ao filme que vocês perderam. Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança. 2009 (com modificações) Por que. Os alunos gostaram dos livros apresentados. fraco. O sítio aonde fui é aprazível. o "que" é acentuado. Aquela é a senhora Bovary para a qual trabalho. Aquele é o homem. por quê. Roubaram a peça que era rara no Brasil. Este é o artista. Este é o pintor.gramaticaonline. A peça que roubaram era rara no Brasil. por ser monossílabo tônico terminado em "e". Releia a frase: "Você tem cheiro de quê?". Vocês perderam o filme a que nós assistimos. Aqui estão os ingredientes. Eu gosto da obra desse pintor. Isso normalmente ocorre quando o "que" encerra a oração. é emitido tonicamente. porquê Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista ("Você tem cheiro de quê?"). Eu acreditei nas palavras do advogado. Percebeu? Quando vem no meio da frase.br/gramaticaonline. o "que" normalmente é átono. Nós necessitamos desses ingredientes. Encontrei o garoto a quem você estava procurando. Notou? Quando emitido tonicamente. Este é o pintor de cuja obra gosto. Aquele é o homem de quem lhe falei. O advogado em cujas palavras acreditei está preso. A árvore foi derrubada. Eu não o conheço. O pesquisador apresentou alguns livros dos quais os alunos gostaram. porque. Encontrei o garoto. já que esse "quê". Você estava procurando o garoto. Nós assistimos ao filme. Onde/aonde: Sempre morei no país onde nasci. Disponível em: <http://www. Vocês perderam o filme. Você falou do político.asp?menu=1&cod=160>. Não conheço o político de quem você falou. A peça era rara no Brasil. e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse "qui": "Quero o que você quiser". Os frutos da árvore são venenosos. Este é o artista a quem me referi ontem. ou seja. Aqui estão os ingredientes de que necessitamos. Ele comprou os livros de que gostou.Comunicação e Expressão 53 Este é o pintor a cuja obra me refiro. O pesquisador apresentou alguns livros.

temos a equivalência com as expressões "pelo/a qual". talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a "pelo/a qual". e ninguém sabe por qual razão/por que razão"). mesmo com ponto de interrogação no fim da frase. mas sempre vale a pena voltar a ele. Veja este caso: "Você não foi porque estava doente?". Note que às vezes é justamente a grafia ("junto" ou "separado") o que decide o sentido da frase: "Ninguém sabe por que ele não explicou". se a doença foi o motivo. Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve "por que" ("separado". É "separado" porque equivale a "por qual razão" ("Por qual razão?". a causa) da demissão do ministro". "por quê" e "porquê". o que ocorre. como se diz) quando não há ponto de interrogação. por exemplo.Comunicação e Expressão 54 Há outras situações em que se deve acentuar o "que". Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes. faixas. "pelos/as quais" ou a "por que razão". e o que tinha de ser separado vem junto. e ninguém sabe por quê". como se diz) quando há ponto de interrogação. Como já afirmei. "pelos/as quais": "São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar". Num deles. "Faço questão de saber por que (= por que razão. não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é "junto" ou "separado". quando da explicação do título da revista ("Você tem cheiro de quê?"). por exemplo. sim. desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. por qual razão) você é tão áspero com ela". quando o assunto é "por que". "Ele não vai. grafa-se "porque" (com acento. Há basicamente dois casos em que se usa "por que". Se você estiver lendo Saramago. esse "porque" é "junto". "porque" etc. o que tinha de ser junto vem separado. ou seja. O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente. rótulos. "Ele não revelou o porquê (= o motivo. Se você gosta de "curto e grosso". é preciso que essa palavra seja substantivo. Quando não. "porque". esqueça o que verá neste texto. O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber. as pessoas saberiam se ele tivesse explicado. é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto. No primeiro caso. como ele não explicou. vamos lá. normalmente "porquê" acaba sendo sinônimo de "motivo". Nesse caso. e só se escreve "porque" ("junto". "Ele não vai. "Ninguém sabe porque ele não explicou". a causa) da renúncia". isto é. por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?". "causa": "Não entendemos o porquê (= motivo. Para acentuar "porque" ("junto"). No segundo. o "por que" equivale a "por que razão". mas. continuaram sem saber. Vejamos um trecho da canção "Pedacinhos". Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. "por qual razão". A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar "por que". "As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas". Posto isso. quando a palavrinha tem valor de substantivo ("Ela tem um quê de magia") ou de interjeição ("Quê! Vocês por aqui?"). grafa-se "por que" (com acento. E quando se coloca acento em "por que" e "porque"? É simples. de Guilherme Arantes: Pra que tornar as coisas tão sombrias na hora de partir? Por que não se abrir? Se o que vale é o sentimento e não palavras quase . se a oração terminar ali). "por qual razão": "Por que (= por que razão. textos publicitários etc. É por isso que. ninguém sabe por qual razão ele não explicou. se for substantivo). a causa da ausência dessa pessoa. pouco comum. avisos públicos. basta que a oração termine ali: "Por quê?". Já tratei do assunto há um bom tempo. Muitas vezes. No outro caso. muda tudo. "Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios". No primeiro caso. Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal. Já o "porque" ("junto") introduz explicação ou causa do que se afirma: "Não vou porque estou doente".

use entre. Mas há casos em que só o verbo ter é aceitável: . Junto a “Junto a” significa “adido a”.) 4. À medida que/na medida em que Não confunda “à medida que” com “na medida em que”.) Todo livro traz sempre algum benefício ao leitor. Nos demais casos. 2. Todo O pronome todo. 5. particulariza o objeto. nem sempre podemos trocar um pelo outro. Vamos seguir o regulamento na medida em que (uma vez que) ele foi aprovado. Já esta frase não está correta: Você tem de se explicar junto ao banco. locução dá idéia de Você vai melhor à medida que (à proporção que) for tomando esse remédio. 3. é proprietário de alguma coisa: Ele possui uma bela casa de campo. (Significa “qualquer livro”. (E não “desde de 1980”). generalizao. Obs: Não existe a forma “à medida em que”. Sempre se emprega com verbos como sair. Entre os filmes em cartaz. o melhor é o do Palace. ele tirou a mais bela para dançar. O certo é abandonar a palavra “junto” e usar a preposição exigida pelo verbo: Você tem de se explicar ao banco. Todo o livro é perfeito. Desde Nunca escreva “desde de”. Esse "por que" é separadíssimo! Toda vez que for possível substituir o "por que" por "por qual razão" ou "por que razão". Use possuir quando quiser dizer que alguém tem posse de. Nessa canção. ele deve ser escrito separado: por que não se abrir por qual razão não se abrir 1.Comunicação e Expressão 55 sempre traiçoeiras e é bobeira se enganar. (Significa que o livro a que me refiro é perfeito do princípio ao fim. Possuir/ter Muito cuidado quando empregar o verbo possuir. Não o vejo desde 1980. A primeira proporção e a segunda de causa. 6. Dentre Significa “do meio de”. Dentre as moças da sala. Embora os dicionários o dêem como sinônimo de ter. quando acompanhado de artigo. Não é errado dizer que “ele tem uma bela casa de campo”. Arantes usa a frase "Por que não se abrir?". ressurgir. Leia este exemplo: Ele é nosso representante junto à FIFA. tirar. sem o artigo. Compare estas duas frases.

10. ele sorria.Comunicação e Expressão 56 A praia tem agora quadras de esporte. Ele é muito mal-humorado.mal – contrário de “bem”. “de outro modo”. bares limpos. “perante”. pois estudar não é o contrário de ver televisão. “ao menos” Não disse sequer uma palavra para agradecer. “em face de”. Ao invés de / Em vez de ao invés de – significa “ao contrário de” Ao invés de chorar. Mau/Mal . 9. Se quer viajar. Tome conta de seu cachorro. Ela tem cabelos castanhos e olhos azuis. Em vez de pode ser usado também no primeiro caso: Em vez de chorar. preferiu ver televisão. Ao invés de só é usado quando marca uma oposição.aproximadamente Minha casa fica a cerca de cem metros da praia. Ele foi muito ríspido. 13. Face a / Frente a Nunca use.sequer – significa “pelo menos”.mau – contrário de “bom”. ele sorria. 12. viaje. Há/a . Senão/ Se não . No segundo exemplo seu emprego não estaria correto. há cerca de – faz aproximadamente Há cerca de dez anos que eles estudam esse assunto. “a não ser”. Substitua por “diante de”. Nós temos direitos adquiridos. . em vez de – significa “em lugar de” Em vez de estudar.Senão – significa “no caso contrário”. a cerca de . senão (caso contrário) ele foge. Sequer/ Se quer . . “em vista de”.se quer – o “se” é conjunção condicional mais o verbo “querer”. se não (quando não) mal-educado. “ante”. “em frente de”. 11. 7. . Acerca de / A cerca de / Há cerca de acerca de – sobre Não disse nada acerca do plano econômico que elaborou.Se não – significa “quando não” ou “caso não”. boa iluminação. Ele estava de mau humor. 8. Inauguraram uma padaria em frente de nossa casa.

essa. esta. vendia. Juvestônio?" Em relação ao tempo. Onde você comprou essa sua?" "Dê-me essa caneta. Use a para exprimir distância ou tempo futuro. aquilo. usamos este.. para elemento distante de ambos. isso. esse.. e não sua. que é minha. essa." "Essas olimpíadas foram horríveis para os atletas brasileiros. depois. parti) é uma questão de estilo: o que julgar que é passado recente usará esse.. usase aquele. aquilo. aquela. Haja vista os casos de dengue dos últimos meses. lá. aquela. com o pretérito perfeito do indicativo (cantei. usamos este. aquela. para o passado recente ou para o futuro. O grande problema é distinguir o passado recente do remoto. Ele está na Austrália há (faz) tempo. aquele. isso. Use há para tempo passado. esta. Por exemplo: "Este ano é o ano das mudanças!" "Nesse domingo. isso. Haja vista o seu súbito interesse pelo caso. esta. aquilo Espaço (lugar) Aqui Aí Ali. Pronomes Demonstrativos Para maior clareza no estudo dos pronomes demonstrativos. para elemento que esteja próximo da pessoa com quem se fala. Minha escola fica a duzentos metros de casa.. aquele. e o que julgar que é passado distante usará aquele. irei a Águas de Santa Bárbara. vendi." "Que cara é essa. isso Aquele. aquela. substitua o verbo haver por fazer: Há (faz) oito anos que não o vejo. construiremos uma tabela e. essa. Veja a diferença entre a tempo e há tempo: Chegou a tempo de fazer as malas. pois duas pessoas podem ter interpretações diferentes para a mesma frase. Por exemplo: "Comprei esta jaqueta que estou usando daquele camelô que vai lá adiante. esse. Daqui a cinco anos estarei formado. Haja vista Prefira sempre essa forma. isto para representar o tempo presente." . partia). aquilo. essa. para o passado remoto. Quando o verbo estiver conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (cantava. explicá-la-emos: Pronomes Este. Para saber se seu emprego está correto.Comunicação e Expressão 57 Não troque a por há e vice-versa. isto Esse. acolá Tempo Presente Passado recente ou futuro Passado remoto Citações Apresentam um elemento Retomam um elemento -o- Em relação ao espaço (lugar). 14. aquilo. isto para representar qualquer elemento que esteja próximo da pessoa que fala.aquela.

ninguém etc. denominam-se: PRÓCLISE ." Usamos este. vos. nem com este você deve envolver-se.Antes . isto.. nos.Comunicação e Expressão 58 "Em 1922 aconteceu a Semana de Arte Moderna. havia muitos poetas eminentes. aquele = Machado de Assis) COLOCAÇÃO PRONOMINAL Os pronomes pessoais oblíquos átonos me.)” (Farid Ud-Din Attar. para outra pessoa poderia ser distante) Em relação a citações orais ou escritas. pois para mim. por seus brilhantes romances. pois observe o verbo no pretérito imperfeito do indicativo – havia) "Em 1984 casei-me. A conferência dos pássaros. isto.“Dei-lhe mais uma chance de voltar atrás”. aquilo e o último por este." Perceba que o pronome "esta" está retomando o substantivo "saúde". esta deve ser preservada. esse foi um dos melhores anos de minha vida. as. apesar de saber que este jamais conversa com aquele.. deveremos usar este. Por exemplo: "Ao me encontrar com Florisberto perguntei por Abiduílson. jamais." "Pode ser citado como exemplo comprobatório este fato: o policial não estava armado." ("esse"." (este = Abiduílson. naquela época. lhe. esta. o.. quiser retomá-los. aquele = Florisberto) "Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira. a.. se. Sombra de reis barbudos.“Deixou escapar um soluço estrangulado como se limpasse a garganta. isso já foi comprovado cientificamente." Se o pronome demonstrativo estiver retomando o substantivo imediatamente anterior. aquela. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde.): . apesar de fazer 16 anos." Quando houver a enumeração de dois elementos e. à frente. lhes.) MESÓCLISE – Meio . esta. esta." "Astolfeno Barbosento é candidato a prefeito de Castanheira Verde do Sudoeste.” (Fernando Sabino. aliás. é passado recente.) ÊNCLISE – Depois . Por exemplo: "Preste atenção a estas palavras: O fumo é prejudicial à saúde. que está imediatamente anterior a ele.“Obedecer-lhe-emos de todo o coração e faremos o que ele disser (. isto para apresentar um elemento ou uma frase que será escrita ou falada. Veiga. isso para retomar um elemento ou uma frase anterior. . esse homem é muito truculento." ("Naquela época". (José J. Este é conhecido por suas poesias. usamos esse. não se envolva com os funcionários da empresa em que trabalha o nosso vizinho. te." (este = Carlos Drummond de Andrade. deve-se substituir o primeiro por aquele. em relação aos verbos. aquele. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. Outro exemplo: "Meu filho. nunca.) Próclise Palavras “atrativas” • De sentido negativo (não. os. O grande mentecapto. essa.

. todos. Todos me olhavam (. e não próclise.: “Foi nesse momento que.: Hoje.)” (Karl Albrecht..: “– Custa-me pedir-lhe” (Machado de Assis. • Pronomes relativos (que. Rasguei a carta para não aborrecer-te. quanto etc. Revolução nos serviços).)” (Machado de Assis. haverá ênclise.: “(. porque. Rasguei a carta para te não aborrecer.: Está me chamando? Mesóclise • Quando o verbo estiver no futuro do indicativo. Obs.): Ex. . Revolução nos serviços). Ex. descobri características que causam a diferença entre as empresas” (Karl Albrecht..) outras.. embora etc. Obs. A conferência dos pássaros). Esaú e Jacó). • Preposição em + gerúndio. meu espírito me empurra (empurra-me.: Os problemas que se não discutem. Certo: Eu não te havia dito.: Rasguei a carta para não te aborrecer. Revolução nos serviços).. A conferência dos pássaros). aqui.: Não utilize pronome átono depois de particípio: Errado: .: O pronome pode aparecer antes do não. cujo. continuam sem solução.: “(. quem... Ex. ainda que discordem (.. • Períodos iniciados por verbos que não estejam no futuro: Ex. ter-me-ia habituado aos poucos” (Albert Camus. quando. Atenção: Se houver vírgula após o advérbio..): Ex. Ênclise • Sempre que houver pausa: Ex. Orações exclamativas ou interrogativas: Ex. O estrangeiro). • Pronome demonstrativo: Ex.: “Tu deves de ir também co’os teus armado Esperá-lo em cilada.)” (Albert Camus.. Ex. • Verbo no imperativo: Ex.: “Não te surpreendas. Casos facultativos Se a palavra que antecede o verbo for: • Pronome pessoal do caso reto: Ex. sempre. • Certos pronomes indefinidos (tudo. Este dá-me satisfação. • Advérbios em geral (já. O estrangeiro). • Conjunções subordinativas (se.: “– Pode corrigi-los por boas maneiras.: “A dignidade de governo começava a enrijar-lhe os quadris” (Machado de Assis.Comunicação e Expressão 59 Ex.)” (Farid Ud-Din Attar.: Que Nossa Senhora o proteja... Ele despertar-te-á cedo. quando lhe pedi uma recomendação de um restaurante próximo (.. • Substantivo (de qualquer tipo): Ex.: Eu me despertei assustada.) mas. dito-te.: “Queremos que acreditem tanto na idéia de serviço que se transformem em defensores da qualidade do serviço na organização” (Karl Albrecht. • Preposição para + infinitivo (mesmo com presença da palavra “atrativa”): Ex. bem etc. Masson já nos chamava” (Albert Camus. empurrar-me-á) para a prece” (Farid UdDin Attar. Esaú e Jacó).: “Quando voltamos.. respondeu-lhe uma voz interior (. cada etc.): Ex. diante de mim.: “Em se tratando de discussões sobre serviços com executivos.): Ex. distingui uma fila de rostos.: Este me dá satisfação. Ex. O estrangeiro). fazê-los unidos. Este dar-me-á satisfação.) sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça.. Orações que expressam desejo: Ex. defini-me quanto aos métodos de trabalho.: “(. O Alienista). • Preposição a + infinitivo: Ex.. Ela despertou-se suavemente. Os Lusíadas). oculto e quêdo” (Camões.

Atualmente. houver palavra que exige a próclise. no caso mencionado. Não devemos dizer-lhe a verdade. • Se.10. ainda: Devemos dizerlhe a verdade..999). (sem "s" e sem ponto depois de "h"). (sem deixar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de "h" e "min"). Hora quebrada: 8h30min. ou escrita informal: Devemos lhe dizer. como em 08:00 09:00 10:05 13:20 é usada em áreas específicas. horários anunciados pela televisão etc. a próclise com o infinitivo é própria da linguagem oral. no entanto.002). só duas posições serão possíveis para o pronome átono: antes do auxiliar (próclise) ou depois do infinitivo (ênclise). O primeiro dia do mês deve ser escrito assim: 1º (e não 1). 2. o pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo. 2002 (e não 2. 9h. a anteposição de um zero é prática corrente.Comunicação e Expressão 60 Casos Especiais • Colocação do pronome átono em locuções e combinações verbais.: Não lhe devemos dizer a verdade. O emprego de zero antes do dia ou do mês formado de um só algarismo não é de rigor: 02/02/99 ou 2/2/99. Ou: Nós lhe devemos dizer a verdade. Ex. O ano pode ser registrado com os dois últimos dígitos: 12/11/02. horas. Saiba Mais: 1. agendas. Dias. Evite-se esta colocação na redação oficial. pois atende a objetivos estéticos. como em anotações de programação com horários em seqüência.2004 Observações: Os números cardinais devem ser escritos sem ponto ou espaço entre o milhar e a centena: 1999 (e não 1. Nas combinações de verbo pessoal (auxiliar ou não) + infinitivo. competições. quando se quer evitar fraude. • No caso.. Ou. A grafia com dois pontos. Ou 8h. etc. Horas Hora redonda: 8 horas. Exemplo: 1º/5/02 ou 1º/05/02. E é sempre aconselhável. de passagens. Datas Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas: com traço: 28-12-1945 com barra: 12/11/2002 com ponto: 21. crase e paralelismo Escreva assim: De segunda a sexta-feira De terça a quinta-feira ou Da segunda à sexta-feira .: Devemos-lhe dizer a verdade. ou depois do infinitivo. Ex. 9 horas etc. 9h43min etc.

Para indicar procedência. poder). deixaram sobre a minha mesa os prospectos para mim encaminhar aos clientes. junto. pois ele contém muitas informações técnicas. Certo = A fim de redigir a carta. ele precisa de outras informações. • Havia ou haviam – Por ser impessoal. impessoaliza-se: Há muita gente no escritório. sem ágio (câmbio). ações). Errado = Afim de redigir a carta. Errado = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava ao par do ocorrido. Será impossível para mim realizar esse trabalho. sem qualquer desconto ou abatimento (títulos. Errado = É difícil para eu entender esse plano. Nada tem a ver com o verbo. Marketing e comunicação são assuntos afins. Errado = Não haviam muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. ao lado. ocorrer.: Não foi fácil para mim conquistar essa vaga. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para eu encaminhar aos clientes. Haverá duas reuniões da equipe de apoio operacional neste mês. pois ele contém muitas informações técnicas. • Difícil para mim ou difícil para eu – Para mim é complemento de difícil. ele precisa de outras informações.Comunicação e Expressão 61 Da terça à quinta-feira Não escreva assim: De segunda à sexta-feira De terça à quinta-feira Escreva assim: De 9h a 11h De 8h30min a 11h30min ou Das 9h às 11h Das 8h30min às 11h30min Não escreva assim: De 9h à 11h De 8h30min à 11h30min 9h às 11h 8h30min às 11h30min OUTRAS DIFICULDADES MAIS FREQUENTES NO USO DA LÍNGUA • Onde ou aonde – Onde indica lugar fixo. função esta que cabe ao pronome pessoal do caso reto eu. Deve haver muitos candidatos para o cargo de Datilógrafo. Certo = É difícil para mim entender esse plano. acontecer. razão pela qual não pode ser usado como sujeito. semelhante. Ex. Acompanhado do auxiliar (dever. o verbo fica na 3ª pessoa do singular quando significar existir. • Para eu encaminhar ou para mim encaminhar – Mim é pronome pessoal oblíquo. aonde expressa a idéia de movimento (para onde). ao par. Pode haver muitos problemas com o novo gerente. • A par ou ao par – A par equivale a ciente. realizar-se ou indicar tempo transcorrido. Certo = No início do expediente. afim significa parente por afinidade. Certo = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava a par do ocorrido. Observe que após o pronome mim há um verbo no infinitivo (encaminhar). emprega-se de onde ou donde: De onde (ou donde) provinham os recursos financeiros? Errado = Aonde você deixou a minuta da carta? Certo = Onde você deixou a minuta da carta? • Afim ou a fim – A fim de equivale a para. de acordo com a convenção legal. Certo = Não havia muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. Errado = No início do expediente. análogo: Estou aqui a fim de ajudá-lo a concluir o trabalho. .

comprometemo-nos. Errado = Gostei das novas medidas econômicas. Errado = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego.Comunicação e Expressão 62 • De encontro a ou ao encontro de – Ao encontro de = para junto de. só varia o último elemento: Nossa biblioteca recebeu muitas obras técnicocientíficas. • Há ou tem – Não se deve empregar o verbo ter em lugar de haver impessoal (significando existir). fica invariável: Os candidatos estavam meio nervosos. favorável. Apesar de o datilógrafo ter pouca experiência. portanto. • Subscrevemo-nos ou subscrevemos-nos – Com o pronome reflexivo nos.. . Certo = Esperando uma resposta favorável. elimina-se o “s” da forma verbal: Queixamo-nos. esta seria escrita assim: Não gostei das novas medidas econômicas. subscrevemos-nos. Quando se refere a um substantivo (claro ou subentendido). Errado = Havia menas pessoas na reunião desta semana. porque já é meio-dia e meia (meia hora). Cessão = ato de ceder (cedência): Nem todos concordam com a cessão do auditório. Ex. o documento ficou bem datilografado. cinema. as preposições de e a estão contraídas com artigos. Errado = Paralisamos a produção porque não tem matéria-prima. Certo = O chefe da seção (ou secção) de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos.. há dois engenheiros. subdivisão: Na Seção de Obras. Certo = Gostei das novas medidas econômicas. Errado = Comunicamo-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. • Seção ou sessão – Sessão = tempo em que se realiza uma reunião. esquecemo-nos. Ex. • Menos ou menas – Menos é invariável.: Se as medidas econômicas tivessem contrariado o desejo de quem formulou a frase. • Viagem ou viajem – viagem = substantivo. • Têm ou tem – Na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Certo = O presidente cancelou a viagem que faria às filiais.: Há secretárias que não se preocupam com o aperfeiçoamento profissional. Certo = Os funcionários têm contribuído muito para a racionalização dos serviços. dignamo-nos.. Errado = O presidente cancelou a viajem que faria às filiais. pois elas vieram de encontro ao meu desejo. pois elas vieram de encontro aos meus desejos. Certo = Está na hora de o malote chegar. Certo = As novas decisões político-econômicas afetaram os negócios da companhia. de encontro a = contra. Errado = Os funcionários tem contribuído muito para a racionalização dos serviços. Errado = O chefe da sessão de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos. Certo = Paralisamos a produção porque não há matéria-prima. em prejuízo de. • De o ou do – Não se combina preposição (de. Seção ou secção = setor. • Meio ou meia – Meio. • Comunicamos-lhe ou comunicamo-lhe – Com o pronome lhe(s) nenhuma modificação sofre o verbo: Informamos-lhes. subscrevemo-nos. em) com sujeito ou termo que a ele se refira: Chegou o momento de ela mostrar a sua competência profissional. pois elas vieram ao encontro do meu desejo. não existe a forma menas: Queremos menos conversa e mais ação.. Errado = Esperando uma resposta favorável. Certo = Havia menos pessoas na reunião desta semana. viajem. concorda em gênero e número: Nosso Diretor não é homem de adotar meias medidas. programa de teatro. • Decisões políticas-econômicas ou decisões político-econômicas – Nos adjetivos compostos ligados por hífen. etc. Observe: Nos exemplos. Errado = As novas decisões políticas-econômicas afetaram os negócios da companhia. Errado = Está na hora do malote chegar. Certo = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. a candidata ficou meia preocupada. quando modifica adjetivo = um tanto. viajem = forma verbal (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo viajar): Se querem viajar. Apresse-se. o verbo ter recebe acento circunflexo: Eles têm alguns privilégios. Certo = Comunicamos-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. fazemos-lhe.: Durou apenas trinta minutos a sessão do teatro. a candidata ficou meio preocupada.

Certo = Somos sete na seção. Errado = Aluga-se telefones. Errado = Se você ver alguém sem o equipamento de proteção. Certo = Alugam-se telefones.. virdes. • Preço alto ou preço caro – O preço da mercadoria pode ser alto ou baixo. Se o sujeito estiver no singular. Observe: o pronome de tratamento senhora admite crase. • Consigo ou com você – Consigo pronome reflexivo da 3ª pessoa. Errado = Somos em sete na seção. • Alugam-se telefones ou aluga-se telefones – Verbo apassivado pelo pronome se concorda em número e pessoa com o sujeito: Vendem-se casas. • Vir ou ver – Trata-se do verbo ver no futuro do subjuntivo: vir. em vez de consigo usa-se com você. porque não se trata de voz passiva. disse a secretária. terceira pessoa no singular.: Precisa-se de empregados. Neste caso.. Certo = A nova filial está situada na Rua Piraí nº 110. • A Vossa Senhoria ou à Vossa Senhoria – Não se usa crase antes de expressões de tratamento: Encaminhamos a Vossa Senhoria a documentação. avise a segurança. uma vez que não se trata de expressão ou locução: Peço à senhora que compreenda as minhas dificuldades. vir.Comunicação e Expressão 63 • Faz ou fazem – Tempo transcorrido ou fenômeno meteorológico = impessoal. estará fazendo dois anos que não recebo notícias de meu país. • Situada na rua ou situada à rua – Por se tratar de verbo de quietação (lugar fixo). • Procedeu a ou procedeu – No sentido de efetuar. virmos. • Obedecer ou obedecer ao – O verbo obedecer pede objeto indireto (obedecer a): Quem não obedece às normas de trânsito deve ser punido.. Na próxima semana. A mercadoria é que pode ser cara ou barata: Essa mercadoria é muito barata. Certo = O auditor procedeu a uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. há uma pessoa que deseja falar com o senhor. constrói-se com a preposição em: Resido na Rua Paraná. Dica: Aparecendo preposição (de. o verbo fica no singular. Só se emprega o pronome consigo na terceira pessoa: A balconista (ela) levou a caneta consigo. a). avise a segurança. Certo = Júlio. esse cliente quer falar consigo. Errado = Comunicamos à Vossa Senhoria que . Ex. 327. este cliente quer falar com você (contigo). pede objeto indireto (responder a): Não responderei a esse memorando. deixa-se o verbo no singular.. Certo = O preço da mercadoria é muito alto. Observe: Fica no singular o verbo intransitivo indireto acompanhado do pronome se. Errado = Responderei já essa carta. VÍRGULA . Acompanhado de auxiliar (estar.. esse verbo pede objeto indireto (proceder a): É necessário proceder a uma investigação. Errado = O auditor procedeu uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. com o senhor. • Somos ou somos em – A preposição em é desnecessária. com Vossa Senhoria: Presidente. • A essa ou essa – Com o verbo responder.. Errado = Júlio. realizar. Errado = O preço da mercadoria é muito caro.. Não deve ser usado em relação à segunda pessoa. Certo =Todos devem obedecer ao regulamento. disse a secretária. Errado = A nova filial está situada à Rua Piraí nº 110. Errado = Fazem dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. Certo = Se você vir alguém sem o equipamento de proteção. Certo = Comunicamos a Vossa Senhoria que . virem. poder).. Errado = Todos devem obedecer o regulamento. dever. vires. Certo = Responderei já a essa carta. nunca caro ou barato. assume a forma impessoal: Faz vinte dias que encaminhei o relatório à Diretoria. Certo = Faz dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife.

e a terra. Um vegetal é um animal que dorme.Antes de orações adjetivas restritivas: Ex.: O carnaval. (elipse do verbo “estava”) 11 . quando as orações apresentarem sujeitos diferentes ou quando o “e” se repetir: Ex.Entre as orações intercaladas: Ex. Ex. entretanto.Para marcar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Ex.Assinalar o vocativo (é o termo com que se interpela/chama o ouvinte/interlocutor): Ex.: O comandante do batalhão. contudo. quer dizer. 4 .): Ex.Assinalar o aposto (é o termo da oração que serve par explicar um termo anterior. PONTUAÇÃO Casos de uso da vírgula Usa-se a vírgula para: 1 .Em construção com termos pleonásticos: Ex. buscou o canal certo. João escreveu uma carta. 13 de novembro de 2008. etc.: A guerra. sem uso de conjunções. o cidadão infrator. logo.Nos elementos paralelos de um provérbio: Ex. talvez não mais o seja. isto é. 4 .Nas datas e endereços: Ex.: Belo Horizonte.: Quando menos se esperava. 14 . 12 .Em orações coordenadas ligadas por “e” que tenham o mesmo sujeito: Ex. sentou no sofá.): Ex. 5 . pode vir a ocorrer algum equívoco.: O criminoso.Entre expressões explicativas ou retificativas (isto é.: Foram apreendidas armas de fogo. nº 30. 10 . Obedecemos às ordens do comandante. portanto.Entre o sujeito e o verbo: Ex.: O tiroteio. esclarecendo ou qualificando-o): Ex. a saber. são orações não introduzidas pela conjunção aditiva “e”.Antes de “e”. por exemplo. Via de regra.: Mocidade ociosa. Rua da Alegria. velhice vergonhosa. o sol.: Bom policial.Antes de orações subordinadas substantivas. substâncias entorpecentes e bicicletas furtadas. mas como a operação é considerada de alto risco. exceto as apositivas.: Fez-se o céu. a cada ano está mais perigoso. o cadete deixou de lado suas antigas aspirações. Espero que nenhum policial cometa erros durante a operação.Entre verbo e complementos verbais: Ex. que mantivéssemos suas vírgulas .Para indicar zeugma (elipse/omissão de um ou mais termos anteriormente citados): Ex.Precedendo orações principais pospostas: Ex. a meu ver. disse o general.: Os policiais prenderam o infrator. continuava. acomodou-se e assistiu ao filme. não condenou o sindicado.: Chegou a casa.Comunicação e Expressão 64 Não deve ocorrer vírgula 1 .: Convém que deixemos o local. ligou o televisor. e o mar. quando pospostas/intercaladas (porém.: Ele é o homem que mata passarinhos. pessoa justa. e José arrumou a cama. 6 . porém. outros. compareça ao local da ocorrência.: Destemidos e intrépidos. O sargento é mestre em artes marciais. etc.Para separar predicativos situados antes do verbo (predicativo é o termo que exprime um atributo.: Fez-nos um pedido. 2 . identificandoo.: Sargento Mike.Entre as conjunções coordenativas adversativas e conclusivas. que é tradicional.: Encontramos o suspeito. 8 . escaldante. Ex. todavia. foi detido às nove horas. 2 .Orações subordinadas substantivas apositivas: Ex. (elipse do verbo “diziam”) O dia estava quente. 3 . digo.Precedendo termos de mesmo valor sintático: Ex. ou melhor. 7 . digo. 9 . 14 .: Uns diziam que se suicidou. é uma defesa prévia. 5 . na minha opinião. que foi assassinado.: Chegou e prendeu o infrator.): Ex. 15 .Precedendo orações coordenadas assindeticamente. 3 . 13 . um estado ou modo de ser do sujeito ou que se refere ao objeto de um verbo transitivo. os policiais avançavam pela área de risco.

. . Ela pode ser a solução. nada foi resolvido.09 PARA QUEM PENSA QUE UMA VÍRGULA É SÓ "UMA VÍRGULA"... * Se você for mulher. certamente colocou a vírgula depois de MULHER..mate! Prender.com/2008/11/uso-da-vrgula-tire-suas-dvidas-aqui. ou não. * Se você for homem.html>. 23.. Não tenha clemência! Não..não mate! Uma vírgula muda tudo.. Pode criar heróis. espere. Não. Não espere.Comunicação e Expressão 65 Disponível em: <http://www. Detalhes Adicionais: SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA. colocou a vírgula depois de TEM. queremos saber. Isso só ele resolve.34. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação. tenha clemência! Prender não.4. ele resolve. 2. A vírgula pode condenar ou salvar. Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).05.. Vamos perder nada. 29. Não queremos saber. Não.. Vírgula pode ser uma pausa. foi resolvido.. A vírgula muda uma opinião.. Isso só. Vamos perder.universopolicial. Ela pode sumir com seu dinheiro.

os parabéns soados quase como sussurros. ávido. enquanto aguardava ansiosamente a fatia de bolo. ele acompanhou. Como também a satisfação deles pelo sucesso da comemoração do aniversário de três anos da pequena. o cronista acolheu o sorriso cheio de dignidade do moço o qual coroou aquele pequeno evento que o possibilitou captar a essência do ser humano em sua crônica.Comunicação e Expressão 66 Paráfrase: Fernando Sabino entrou em um botequim da Gávea. As palavras. Reflexivo. Finalmente. Então. como também as vestimentas simples e a curiosidade da criança revelaram que não era prática comum eles estarem naquele tipo de lugar. Assim. na última mesa. o quadro composto em poucos minutos mais parecia uma espécie de ritual. . o cronista repetia na memória o verso de Drummond “assim eu quereria o meu último poema”. a humildade e insegurança dos dois adultos. com o olhar e a capacidade de quem tem muita sensibilidade e habilidade para escrever. e ainda a insegurança da mãe e a concentração da criança no refrigerante. antes de escrever a crônica diária. captada da convivência entre as pessoas. ele passou a observar a pequena família. a mãe e a menina de três anos chegaram e se estabeleceram em um canto. ele ergueu os olhos e notou a presença de um pequeno grupo de pessoas negras ao fundo do estabelecimento: era um casal acompanhado de uma menina. os gestos comedidos. o cronista construiu uma detalhada e emocionada descrição dos atos e dos traços psicológicos daqueles três. E. Além disso. ele lamentou o fato de seus textos terem abordado situações muito comuns e circunstancias dos fatos cotidianos naqueles últimos tempos. Fernando Sabino chamou a atenção para a forma esquiva e insegura como o pai. ele pensava em concluir o ano de forma grandiosa. Ou seja. os fósforos na mão. Por isso enquanto tomava o cafezinho. o escritor desejava falar sobre a essência humana. os gestos e olhares de ternura de pai e mãe ao observarem a filha comendo o único pedaço de bolo. O cronista captou o momento quando o pai tímido fez o pedido ao garçom como algo distinto e raro. O escritor havia encontrado sobre o que falar em sua crônica especial. compenetrado ao tomar o café e sem ter assunto. aspecto que ele julgava o mais digno da vida. Na verdade. Sabino queria ser capaz de expressar a respeito das relações humanas o que estava fora do alcance dos olhares comuns. desmentindo o que havia afirmado antes. o sopro das velas e as mãos trêmulas da menininha ao agarrar o bolo para comer. O escritor foi capaz de enxergar pequenos atos como a procura das velinhas na bolsa. Ao terminar a pequena reflexão. Talvez por se sentirem deslocados.

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