Comunicação e Expressão

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Curso: Letras Disciplina: Comunicação e Expressão Professora:

Ano/sem: 2011/01 h/a: 68 Código: 990101 Turma:

“Descobri que a pessoa só faz bem aquilo de que gosta. Todo mundo que faz alguma coisa bem é porque gosta do que faz. O ato de gostar está ligado ao ato do conhecer e o ato de conhecer está ligado à curiosidade” (Gilberto Dimenstein)

PLANO DE ENSINO EMENTA: Linguagem, língua e fala. Funções da linguagem. Oralidade, escrita e variação linguística. Leitura e estratégias de leitura. Escrita e estratégias de escrita. Paragrafação. Coesão e coerência textuais. Paráfrase e retextualização. Argumentação e persuasão. Particularidades léxicas e gramaticais. Competências: Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências:

1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e produtivas,
em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização de práticas sociais; 2. ser ético, pontual, interessado e comprometido com a prática e a vivência acadêmicas. Habilidades: 1. conceituar linguagem, língua e fala;

2. reconhecer as variedades linguísticas e os níveis de linguagem a partir de textos e de situações
concretas da cultura local;

3. identificar a estrutura de diferentes tipos e gêneros de textos; 4. empregar adequadamente elementos anafóricos, articuladores e conectivos para promover a coesão
e a coerência em textos produzidos; 5. compreender e interpretar adequadamente diferentes textos; 6. distinguir fala e escrita, destacando aspectos estilísticos e discursivos da escrita; 7. identificar, distinguir e empregar corretamente os conceitos: argumentar, convencer e persuadir; 8. transpor textos da oralidade para a escrita e de um gênero textual para outro (retextualização);

9. produzir e corrigir parágrafo e paráfrase de acordo com a teoria, com a variante padrão e com os
critérios definidos nesta disciplina.

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CONTEÚDOS: 1. 2. 3. 4. 5. 6. conceito, níveis e funções de linguagem; oralidade, escrita e variação lingüística; estratégias de leitura e de escrita; paragrafação; coesão e coerência textuais; compreensão e interpretação de textos; argumentação e persuasão; paráfrase e retextualização; revisão gramatical. METODOLOGIA: A disciplina propõe espaço para o processo de reflexão e aperfeiçoamento da língua materna por meio de aulas teóricas e atividades práticas de leitura e escrita. Para tanto, nos encontros haverá discussões que desafiem o aluno a ler, elaborar hipóteses e compreender os entrelaces das palavras na constituição do discurso coerente e, sobretudo, na capacidade de utilizá-lo de maneira consciente no dia a dia. O acadêmico será provocado a produzir, autocorrigir e refazer textos significativos. Os conteúdos dos encontros presenciais serão desenvolvidos a partir de dinâmicas diversas tais como GV-GO, discussão circular, Phillips 66, seminários e mesa redonda para que o grupo possa socializar tanto as experiências quanto os conhecimentos prévios e os novos. Serão utilizados recursos como: quadro, retroprojetor, cartazes, datashow, músicas, revista, dvd, aparelho de televisão e de som. Para as aulas semipresenciais será utilizado sistema web, via plataforma da Instituição (www.ulbra-to.br), onde estarão disponíveis atividades da disciplina que envolvam leitura e escrita como também os critérios a serem observados pelo acadêmico ao publicar as respostas solicitadas. AVALIAÇÃO: O processo de avaliação será contínuo, por meio de observação, no que diz respeito à participação, ao interesse, à responsabilidade e pontualidade em que os alunos deverão apresentar trabalhos individuais e em grupos; orais e/ou por escrito, demonstrando conhecimento do conteúdo, coerência e consciência crítica sobre o que dizem. Os textos e as referências bibliográficas serão disponibilizados no portal e na reprografia. A produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada. Os acadêmicos que apresentarem dificuldades na escrita deverão frequentar o Laboratório de Produção Textual. Compõe G1: - leitura e discussão da obra O que é leitura. (v.1,0) - leitura e apresentação oral do livro Preconceito Linguístico: o que é, como se faz: (v.1,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5), de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico. Compõe G2: - leitura e apresentação oral do livro A arte de Argumentar e o filme Obrigado por fumar. O aluno deverá apresentar de maneira clara e coerente a relação que há entre a obra e o filme. (v.2,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5) de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico.
*Obs: o aluno que faltar à prova deverá substituí-la no fim do semestre, de acordo com a resolução institucional.

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Substitutiva de grau: Avaliação- Assunto cumulativo do semestre Prova (v.10,0), conforme resolução institucional.

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NB: - As atividades serão realizadas a partir de roteiro disponibilizado no Portal e na reprografia. Todos devem ficar atentos ao cronograma. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BASTOS, Lucia Kopschitz. A Produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FARACO, Carlos Roberto e TEZZA, Cristóvão. Prática de Texto: para estudantes Universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. Ed. São Paulo: Ática, 1998. LEITURAS OBRIGATÓRIAS: ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: Loyola, 2004. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura.19. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BAGNO, Marcos. A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 14. ed. São Paulo: Conteto, 2005. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1998. POSSENTI, Sírio.Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado das letras/ALB, 1996. RAMOS, Jânia M. O espaço da oralidade na sala de aula. São Paulo: Martins Fontes, 1997. SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001.
1. Critérios de avaliação oral Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: a) demonstração, por meio de informações precisas, de que fez a leitura do texto; b) exposição de ideias claras, coerentes e com senso crítico, tanto nos debates em grupos pequenos quanto no grupão; c) boa entonação, adequado volume de voz e entusiasmo ao fazer exposição oral; d) apresentação de informações novas e relevantes a partir, quando possível, de conhecimentos prévios; e) atenção e respeito às ideias dos colegas; f) inscrever-se (sinalizar com a mão) e esperar pelo turno de exposição; g) criatividade e colaboração na preparação de material e nas apresentações orais; h) postura adequada quando fizer exposição; i) uso da norma culta da língua nas modalidades oral e escrita, exceto em situações específicas que exijam outras variantes. 2. Critérios de avaliação escrita Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios: 1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) • apresenta características do gênero textual solicitado, de forma que é possível identificá-lo? • apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) • apresenta o uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? • apresenta o assunto de maneira original, crítica e criativa? 3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) • está escrito de acordo com a variante lingüística adequada? • está adequado quanto à ortografia?

a linguagem é composta de duas partes: a Língua.> Acesso em 31 de jul. acima de tudo. então. com efeito. as tecnologias.html. . Ele transmitiu o primeiro telegrama do mundo. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das regiões do Brasil). usada pelos falantes por meio da fonação e da articulação vocal. numa extensão de 64 quilômetros. LÍNGUA E FALA O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilitam nossos modos específicos de pensamento. nos Estados Unidos. no interior de uma mesma língua são importantes as variações. E sua linguagem é uma ferramenta capaz de traduzir. o texto: (valor: 15%) apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? • apresenta letra legível. entendida como forma de realização da linguagem. em que se enquadram os diferentes tipos de Gíria. conhecimento e interação com os semelhantes. e a Fala. língua popular. da evolução dos meios de receber comunicação e de se comunicar. é um fenômeno físico e concreto que pode ser analisado seja diretamente. quanto mais avançada for a capacidade de comunicação de um conjunto de indivíduos. língua técnica. Morse 1) e torna-se. organização estética adequada e título criativo? LINGUAGEM. Assim. entre as cidades de Washington e Baltimore. Alguns linguistas preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações. então. Mas. Leia o texto: 1 O Alfabeto Morse foi inventado pelo norte-americano Samuel Finley B. Morse (1791-1872). língua inglesa). Atividade 1. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos. que deve estudar “a vida dos signos no seio da vida social”. fotografar o estágio de desenvolvimento da humanidade. a descoberta do fogo. é veículo de transmissão da Língua. a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a titulo de pura sensação. a língua é um sistema de símbolos pela qual a linguagem se realiza. está adequado quanto ä concordância? está adequado quanto à pontuação? está adequado quanto à sintaxe? está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 4.com. Como se vê. de uma forma geral. Disponível em:<http://www. ou seja. Quanto a aspectos estéticos. por sua vez. A língua é. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. um fenômeno fonético. Nota-se. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa. que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua. sejam graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas. essencialmente social porque é convencionada por determinada comunidade linguística. É a capacidade da espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). as máquinas. língua própria a certas classes sociais. língua erudita.br/girafas/lingua_morse. como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. a divisão do trabalho. que é secundária e individual. A fala. 2009.Comunicação e Expressão 4 • • • • 0. Samuel também inventou o telégrafo sem fio. assim. fica evidente que o desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependem do progresso alcançado em suas atividades. objeto da semiologia ou semiótica. Para o linguista Saussure. Para os receptores (ouvintes) a fala é. para as comunicações telegráficas. com ajuda dos órgãos sensoriais. portanto. a certos subgrupos. diversas modalidades: língua familiar. mais rápida será sua progressão. Dentro de uma mesma língua temos.girafamania. O homem necessita comunicar para progredir. de registrar o conhecimento e o desenvolvimento da escrita e fonética.

NV.V d. e cartões do juiz e dos bandeirinhas 5. é o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que se lê.NV. 4. que proíbe que as casas de vídeo aluguem. apitadas e cartões do juiz e dos bandeirinhas. o que nos leva à conclusão de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Português. 3. radialistas.NV c. Acesso em 31 de jul. nas fábricas. Juan.V. no placar eletrônico. p.NV. observe a questão seguinte. E.NV. além do conhecimento lingüístico propriamente dito. do Juizado de Menores. A título de ilustração.V. 2.( ) 1.NV. 2. 1. 2. a compreensão do texto depende também do conhecimento de mundo. a comunicação aparece nos gritos da torcida. Três questões básicas: Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido é a resposta a três questões básicas: . 4. 3.br/site/arq_material/12042_13033. 4. mas também de todas as outras disciplinas sem exceção.V.( ) 1.NV.V b. Genericamente.com. gestos. 1982. 2. Dias. nas cores das bandeiras.NV.NV. apitadas. em seus gritos de estímulo. 2 ed. Como se vê. números das camisetas 4. gritos da torcida 2.NV. o que se costuma chamar de conhecimento de mundo. 3. cores das bandeiras 3. pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupõe. É muito provável que ele tenha tido a intenção de dizer que os menores estão proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorização dos pais e de frequentarem motéis. nos escritórios. a expressão sem a companhia ou autorização dos pais permite a interpretação de que com a companhia ou autorização dos pais os menores podem ir a rodeios ou motéis). 4.pdf>. conversas de torcedores Assinale a alternativa correta.15) Questão 1: Dentre as manifestações comunicativas citadas a seguir.Comunicação e Expressão 5 No estádio de futebol.V Disponível em: <ttp://novosolhos. A portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais" (Folha Sudeste. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991. 5. Dias antes já havia provocado dúzias de mensagens e durante dias a fio ele continuará sendo objeto de comunicação nos botequins.NV. O que é comunicação. O APRENDIZADO DA LEITURA . 5. nos gestos. um repertório de informações exteriores ao texto. O próprio jogo é um ato de comunicação. 3.V. 6/6/92). nos rádios e nos jornais. quando um texto é ambíguo.V. extraída de um vestibular da UNICAMP: Às vezes.( ) 1. exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos. 5. 2.V e. a. É o conhecimento lingüístico que nos permite reconhecer a ambigüidade do texto em questão (pela posição em que se situa. Um bom exemplo é o texto que segue: "As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. fotógrafos e operadores de TV. 3. o que não quer dizer que não exista solução alguma.V. nos números das camisetas dos jogadores. nos alto-falantes e radinhos de pilha. 5.( ) 1. Mas o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretação é estranha e só pode ter sido produzida por engano do redator. 4.V. Mas não se pode responder a essa pergunta sem antes destacar que não existe para ela uma solução mágica. no trabalho dos repórteres. (BORDENAVE.V.COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Interessa a todos saber que procedimento se adotar para tirar o maior rendimento possível da leitura de um texto. 5.V. São Paulo: Brasiliense. nas conversas e insultos dos torcedores.( ) 1. 2009. reconheça o que se constitui em linguagem verbal (V) e em linguagem não-verbal (NV).NV.

Texto de Francisco Platão Savioli. b. também. Se pudéssemos dominar apenas um sistema de sinais escritos. Linguagem de cegos.Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta. como nos chats.Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. Os catastrofistas. E a linguagem técnica ligada às mais variadas ciências e meandros do universo tecnológico. vamos ao código que aqui me interessa. os argumentos apresentados em favor da tese. são muitos. que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra-argumentos confirmam sua posição. se passa de uma afirmação para outra. Ao contrário. Segundo códigos de ética que no momento são objeto de verdadeira guerra entre nós. o da linguagem. aquele que aprendesse taquigrafia haveria de cometer mais erros de ortografia. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor. O da comunicação. dos advogados. III . no interior do parágrafo. como se dá a passagem de um parágrafo para outro. Por isso. isto é. lembrem-se. as linguagens das famílias – em que determinadas palavras evocam cenas hilariantes ou tristes. Sem falar na linguagem das siglas que dominam o mundo. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. o jargão dos médicos. paira ainda certo receio de que tudo seja turvado por interesses políticos e artimanhas de compadres. O receio é que os jovens.mundovestibular. um bom roteiro para estudar um texto é o de especificar a tese defendida (tema do texto). o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal.Comunicação e Expressão 6 I . melhor os usamos em cada ocasião. aquela em torno da qual gira o texto inteiro.html>. Na verdade. aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. a. é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. Acesso em 30 jul. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando. ou nunca aprender direito. linguagens profissionais. empunham a vassoura da faxina crítica. linguagem de surdos. O autor sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados. Vivemos segundo alguns. no vasto e interessantíssimo leque das nossas capacidades e curiosidades. acredito – e os linguistas talvez confirmem – que. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita. II . que na verdade é múltiplo. a coerência entre tese e argumentos. c. de cabelo em pé. . os contra-argumentos levantados em teses contrárias. 2009. na vida diária. Na escrita. não há perigo de sotaque. na fala e na escrita. Também para Geraldi (1984). para as quais até dicionários já existem. um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias. haveriam de desaprender. Longe disso. Disponível em: <http://www. linguagem de namorados.br/articles/411/1/O-APRENDIZADO-DA-LEITURA---COMPREENSAOE-INTERPRETACAO-DE-TEXTOS/Paacutegina1. Mas estamos mais esperançosos de que a verdade e a Justiça culpem os culpados e absolvam os inocentes. Se de um lado andamos de cabeça mais erguida nestes dias. de quanto mais recursos dispomos. ou sabe apenas de maneira genérica e confusa. Linguagens técnicas. porque ao menos um passo foi dado e temos quatro dezenas de réus em falcatruas variadas e graves. usando desse recurso que tem a ver com velocidade e economia. e como. d.com. compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentatório. que precisa eventualmente ser traduzido para o comum mortal. Agora. várias linguagens ao mesmo tempo e transitar entre elas com habilidade e até elegância em certos casos.Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto. isto é. o código do próprio idioma escrito. Os novos códigos Lya Luft Linguagens são códigos e com eles nos comunicamos. é importante observar a “costura” do texto. surge uma preocupação com a linguagem abreviada e de caráter fonético usada em mensagens de computador. Isso dito. Receio infundado: somos capazes de dominar. Para tanto.

ou damas enfiadas no espartilho do preconceito: sem ginga. Escrever com abreviaturas. nem tudo o que é tradicional é melhor. Para tanto é importante ter a percepção do conteúdo do texto. E não falamos com um bebê de dois anos como falamos com o médico ao qual estamos expondo nossos males. A TÉCNICA DE SUBLINHAR Sublinhar um texto é destacar as ideias principais. por isso. à margem do texto. Ou ainda acenderíamos fogo esfregando pedrinhas. num outro momento. as passagens obscuras. definições.digestivocultural. inteligente. Questão 1: Vamos identificar a tese defendida por Lya Luft no texto Os novos códigos como também os argumentos e os contra-argumentos utilizados na construção da opinião da autora. a vida. fichamento. É importante perceber como o autor desenvolveu o texto. dos puristas. pois com um objetivo. . etc. A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: a) leitura integral do texto para contato panorâmico. contraposições. dos moralistas. tese. possibilita voltar ao texto lido. uma tarefa a realizar. dos gramáticos. quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou. a línguapadrão que é e deve ser usada em momentos mais sérios. no fundo obscuro de alguma caverna. uma ação concreta. além de ajudar na compreensão do texto. em cada parágrafo. esquema. “Sua finalidade é destacar elementos que servirão de orientação para consulta futura. Permite que se faça um mapeamento do texto. em lugar de criticar de saída ou prevenir-se contra. dos donos da verdade. se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura e na compreensão das ideias. siglas.com/colunistas/coluna. destacando partes ou subdivisões. c) releitura do texto para identificar as ideias principais. f) assinalar. e casais extraordinariamente infelizes que conviveram desde a adolescência. 2010. formas enigmáticas aos desavisados é apenas uma maneira divertida. Essa marcação. todas as demais formas de comunicação fossem espúrias. um pouco secreta de estabelecer e cultivar laços cibernéticos. rápida. Como é necessário encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto. como os costumes. embora crianças devam ser controladas e alertadas para doenças como pedofilia e outros males nesta nossa enferma sociedade. é uma estratégia que monitora a compreensão. fazer uma retomada do texto. ESTRATÉGIAS – LEITURA DE ESTUDO Para Brito (2001). os tópicos mais importantes.Comunicação e Expressão 7 Linguagem é a roupa da mente: não falamos em casa como falamos num discurso em ocasião solene nem falamos numa entrevista para conseguir emprego como falamos brincando com nossa turma na escola. auxilia na concentração na hora da leitura. Que nem sempre são o lobo mau. Somos melhores do que se pensa. os argumentos discutíveis. como se tudo o que é novo fosse primariamente mau. à margem do texto. econômica. no bom e no negativo. Conheço casais felizes que se encontraram num chat. mais hábeis e mais capazes. d) sublinhar. marcas diversas que orientam a leitura. com um ponto de interrogação. Disponível em: http://www. b) esclarecimento de dúvidas de vocabulário e termos técnicos. o estudo e a reflexão de um texto supõem o uso de recursos como sublinha. anotações de margem de texto. principais argumentos. Além disso. que podem confirmar amizades já existentes (falo com amigos distantes mais frequentemente do que com o que mora no mesmo edifício) ou abrir a porta para novas relações. É como se fora da língua culta. a língua. embora em geral a gente não tenha nem dê essa impressão de nós mesmos. Não sejamos chatíssimos senhores com odor de naftalina. sem alegria. É preciso dar uma chance às novidades e inovações. sem abertura para o novo e o bom. por isso mesmo sem discernimento para o verdadeiramente mau. a sociedade e as culturas. resumo. criativa e. e) assinalar com uma linha vertical. Nem tudo o que é novo é positivo. Vamos estudar alguns desses recursos mais detalhadamente. as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes importantes. sim. dos que seguram o facho da razão numa das mãos e na outra o chicote da censura. tem de ser objetivo e restringir a palavras ou frases”. Além de tudo. segue uma evolução que independe de nós. os casos de discordâncias. Acesso em 17 de junho. por qualquer outro motivo.

as ideias principais estão sublinhadas. • Outra prática optativa é sublinhar com dois traços a ideia principal e com um traço as ideias secundárias. No texto abaixo. A quarta função — ensinar — é realizada de modo direto ou indireto. sem necessidade de apresentar frases redigidas”. Uma terceira função é persuadir o indivíduo — convencê-lo a adquirir certo produto. estabelecendo-se um código particular. além de causar mau aspecto. 111). de evasão. A segunda função atende à procura da distração. divertir. A primeira diz respeito à difusão de notícias. comentários etc. É um texto que auxilia na leitura. “O esquema é um texto que corresponde. por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. • As anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos. (Samuel Pfromm Neto apud Soares & Campos. dificulta e gera confusão. fundamental para desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social. p. pois nele aparece apenas o ‘esqueleto’. em várias cores. ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos seqüenciais ou arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida”. por parte do público. fazer uma leitura comparando-se o texto original com o texto sublinhado. para não danificar o texto. destrezas. as ‘palavraschave’. intencional ou não. O indispensável é sublinhar apenas o estritamente necessário. acompanhada. planos. a votar em certo candidato. Utilizam-se normalmente de colchetes. Para se obter maior funcionalidade das anotações. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. 1978. essas sugestões. Ocorrência Exemplo: periódica (época do Natal) Águas do Oceano Pacífico Atividade de pesca do Peru Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão) Corrente marítima de Humboldt Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas Alimentos para os peixes FENÔME NO EL NIÑO Microrganismos animais e vegetais de vida aquática (plâncton) Desvio da corrente de águas frias Ventos provindos do oeste Diminuição da quantidade de plâncton Inflete para oeste. h) reconstruir o texto. antes de atingir as costas do Peru Ar quente Aquecimento das águas costeiras do Peru Queda do rendimento pesqueiro . estudo e trabalho. relatos. Elabore um resumo: Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar. ou seja. tomando as palavras sublinhadas como base. a uma radiografia do texto. etc. de divertimento. em vez de facilitar o trabalho do leitor.Comunicação e Expressão 8 g) ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido. azul = detalhes importantes. ou não de interpretações ou explicações. no final do trabalho. podem sofrer variações e adaptações pessoais. sobre a realidade. chaves. • Dependendo do gosto. evitando-se o acúmulo de anotações que. usa-se caneta hidrocor. É uma atividade que pode ajudar na seleção e na organização das informações mais importantes. 1997) que possam ajudar na organização e visualização das ideias. persuadir e ensinar. tais como: • Sublinhar com lápis preto macio. evidentemente. É muito útil. setas e outros símbolos (Andrade. grosso modo. como: vermelho = idéia principal.

cujo uso é normalmente requerido em situações de interação determinadas. podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas.1. A língua padrão tem uma enorme importância em sociedades como nossa. Diminuição da quantidade de plâncton. Lúcia & LIBERATO. . Na realidade objetiva da vida social. pela seleção de um dos modos de falar entre variedades existentes na comunidade. As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão. o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos linguísticos dos grupos socialmente dominantes. Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão). A variedade padrão é a variedade linguística socialmente mais valorizada de reconhecido prestígio dentro de uma comunidade. Inflete para oeste. Aquecimento das águas costeiras do Peru. CASTELLO-PEREIRA. de outro. Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas. de um lado. que se traduz. Leda Tessari. não se dá no vácuo. de determinadas regiões geográficas. a variedade padrão. antes de atingir as costas do Peru. AS VARIEDADES LINGUÍSTICAS E A ESTRUTURA SOCIAL Como já foi dito. 6. O que chamamos de variedade padrão é o resultado de uma atitude social ante a língua. vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais” (Gnerre). 2000. Atividades de pesca do Peru. 4. do assunto tratado. Corrente marítima de Humboldt. 2.1. Isto é. vamos definir um assunto. definidas pela comunidade como próprias em função da formalidade da situação. que reflete a hierarquia dos grupos sociais. Desvio da corrente de águas frias.1. historicamente coincide com a variedade falada pelas classes sociais altas. mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada comunidade. Queda do rendimento pesqueiro. Alimentos para os peixes. esquematizá-lo e apresentá-los aos colegas por meio do esquema elaborado. 5. pelo estabelecimento de um conjunto de normas que definem o modo “correto” de falar. São Paulo: Contexto. Como facilitar a leitura. Essa coexistência. 1. Ocorrência periódica (época do Natal). entretanto. há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso. Águas do Oceano Pacífico. Constata-se. a existência de variedades prestigiadas e de variedades não prestigiadas nas sociedades em geral. em qualquer comunidade de fala.1. Campinas: Alínea. em todas as comunidades existem variedades que são consideradas superiores e outras inferiores. Em nossas sociedades de tradição ocidental.1. Microrganismos animais e vegetais da vida aquática (plâncton). “Uma variedade linguística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes.1.Comunicação e Expressão 9 Outra forma de apresentar um esquema é por meio de uma listagem hierarquizada por diferenciação de espaço e/ou subdivisão numérica. A LÍNGUA E OS FALANTES 1. de modo evidente. Ventos provindos do oeste Ar quente. 2003 FULGÊNCIO. Tradicionalmente. como o seguinte: FENÔMENO EL NIÑO 1. 2. 5. Questão 1: A partir dos conhecimentos específicos que já temos do nosso curso. 3. Yara. da relação entre os interlocutores etc. isto é. Leitura de estudo.

aplicava a pena que parecia a ele mais justa. um sistema de aplicação de penas. ficava sujeito aos humores do juiz. Em razão disso. é usada na elaboração de documentos oficiais. mas o falante. Consideramos./.. é mais espontânea e natural.. com pouca escolaridade. • Língua Coloquial – utilizada sem muita preocupação em seguir as regras da gramática normativa. as avaliações sociais? Podemos afirmar que os julgamentos sociais ante a língua – ou melhor..). que lhe parecia mais adequada.... julgamos não a fala. por exemplo. aplicar-seia.. foi questionado esse modelo especialmente com o . entre outros. aplicava a pena que lhe parecia mais adequada. então. na forma escrita. Exemplo: “Na Antigüidade. as atitudes sociais – se baseiam em critérios não linguísticos: são julgamentos de natureza política e social. há obediência também à regência verbal e nominal (. é um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive. principalmente. na imprensa e. sem ambigüidades. Toda língua é adequada à comunidade que utiliza. Observamos também que o léxico (vocabulário) é mais bem trabalhado. e o fazemos em função de sua inserção na estrutura social. Não casual. de classe social baixa. 2.. Para a Linguística – ciência da linguagem – esse tipo de afirmação carece de qualquer fundamento científico... passou-se.. assim. o que também não se revelou um bom critério em razão de que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto./). foi questionado esse modelo especialmente com o argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. não existem variedades linguísticas “inferiores”. podemos perceber a obediência às regras gramaticais. ou seja. “inferiores”. Variedades linguísticas Ivan Cupertino Dutra Sibele Letícia Rodrigues de Oliveira Biazotto • Língua Culta ou Língua-padrão – variedade praticada pela classe social de prestígio..” (Texto adaptado de MIRABETE. Exemplo: “Na Antigüidade. como a posição dos pronomes em relação aos verbos (. 291). “primitivas”. passou-se a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos... As línguas não são homogêneas e a variação observável em todas elas é produto de sua história e do seu presente. para o crime de mesma natureza. 2003. 1. Em resumo...Comunicação e Expressão 10 A avaliação social das variedades linguísticas é um fato observável em qualquer comunidade da fala./.. No Iluminismo. Em que se baseiam./ . mas usamos esse mesmo som para falar “car” (carro) em inglês sem achar “feio”.... Na língua culta ou padrão. No Iluminismo. Assim como não existem línguas “inferiores”.. assim... Segue as regras da gramática normativa. o r caipira “desagradável”. ouvimos falar em línguas “simples”. p. que se julgue “feia” a variedade dos falantes de origem rural.. vol. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. de regiões culturalmente desvalorizadas.. aplicar-se-ia sempre pena idêntica./ .. com palavras escolhidas que realmente representam o que se quer dizer. portanto. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. Frequentemente. passou-se a adotar.

caso concreto/caso acontecido. tudinho.... pelos meios de comunicação de massa.. vivente. as regras que regem o uso de pronomes não são seguidas (.. muito errada... notamos que foram utilizadas palavras mais frequentes entre os falantes. particulares e diminutivos.. usaram uma tal de matemática: todo bandido que matava.filhinho.” (Texto adaptado de MIRABETE. vol. principalmente. Por exemplo. ou seja.gostaro. sem preocupação com regras gramaticais. ia pro pau de arara. .E depois? ... porque cada um é cada um.. 291) . 1.querido.. ou seja. Aí. era corrigido igual. se aplicaria sempre pena parecida... surfistas. 2003. Depois acharam que não tava certo. como é que o bandido vai pra cadeia? .. p. Exemplo: “Antigamente o juiz é que tomava de conta do corretivo do cabra que matava um vivente. 2003. • Língua Familiar – linguagem de caráter afetivo.dotô.. menos formal e de relativa obediência às regras gramaticais.. não era bom.. . usaram a aritmética: todo malandro que fazia um presunto.. 1.). Talvez em outros estados os falantes considerem diferente ou atribuam outros sentidos a tais expressões. Aí. 2003... o que também não se revelou um bom critério em razão que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso acontecido. p.Filhinho.. ..Então. mais que outra. . Mas também num foi do agrado de todos.. 2.. Aí. com uso recorrente de diminutivos. 1. 291) Regionalismos: podemos citar as expressões: cabra.. porque contém expressões emotivas. 291) A linguagem coloquial já ‘burla’ algumas regras gramaticais. Exemplo: “Antigamente o castigo do meliante ficava por conta do cana dura que dava o castigo que ele achava melhor. etc. no tempo antigo. Mas há também as gírias de grupos como: de marinheiros....” (Texto adaptado de MIRABETE.. conhecidas. Aí.” (Texto adaptado de MIRABETE. 291) Já a linguagem popular. regionalismos: é diferenciada principalmente pela pronúncia. carregada de gírias e regionalismos. .. os outros começaram a achar que desse jeito não era bom porque ficava na vontade do juiz o tamanho do castigo. se passou.. 1. . utilizadas na região do Tocantins. entre outras. Por exemplo: 1.. vol. A questão é a escolha do momento em que podemos utilizá-la. p.aí. Depois acharam que não tava certo. Vejamos: ... começaram a fazer assim: o que a pessoa fez e como era castigada já estava escrito. . vol../. como idêntica/parecida. Em razão disso. etc. gírias: são consideradas efêmeras. p.Comunicação e Expressão 11 argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz.. se aplicaria. contém erros por se afastar da norma culta estabelecida. caminhoneiros etc... 2003. vol. Depois acharam que não colava.. vol... se passou a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. p. porque como nunca tem crime igual. quando alguém fazia um crime.tudinho.. Podemos notar exemplos no texto como: . 1. porque só o doutor decidia.” (Texto adaptado de MIRABETE. 291) Quanto à linguagem familiar. • Língua Grupal – é dividida em subníveis..mais também. mas também pelo vocabulário e pela sintaxe. porque só o dotô decidia. qualquer falante de uma língua a utiliza. que era para ele mais certo.. do ponto de vista das regras gramaticais normativas.... tomava de conta. Podia acontecer que quem fez alguma coisa muito.. Quanto à escolha do léxico.. • Língua Popular – utilizada pelas pessoas de baixa escolaridade. Mais também num gostaro porque cada um é cada um. muito. querido. era castigado igual. Depois.muito. . usaram uma tal de matemática: todo cabra que matava. o juiz castigava. para o crime de mesma natureza.. tá ligado?” (Texto adaptado de MIRABETE. porque cada um é cada um. tivesse castigo parecido ou até que o outro acabasse tendo um castigo muito pior.. de pouca duração. era preciso deixar que o juiz olhasse o erro de cada um para aplicar o castigo merecido. Mais também num deu. amizade. corretivo. 2003. porque só o dotô decidia. conforme o grupo que a utiliza. Exemplo: “Papai.tava.. Exemplo: “Antigamente o castigo do bandido ficava por conta do juiz que dava o castigo que ele achava melhor.

em decorrência do Iluminismo. as correspondências entre pessoas físicas. Levanta os braços. Se num quiser nem precisa levantar. que são menos volúveis. por exemplo. As formas lingüísticas consideradas padrões. meu… (A) (B) (C) (D) (E) variação social variação regional variação cultural variação histórica variação padrão A Língua Padrão muda no tempo Este é um fato elementar para quem quer entender as línguas: todas as línguas mudam ao longo do tempo. se manda. que é considerada gíria do grupo lingüístico de que fazem parte os policiais. meu… Isso é um assalto. em que pouca ou nenhuma flexibilidade se dava ao juiz para aplicar a sanção. Apesar de sua elaboração aparentemente fácil. meu. 291) Para classificação.Comunicação e Expressão 12 Gírias: vamos nos concentrar mais nas gírias profissionais. a eficiência dessa forma de comunicação permite que as empresas. meu irmãozinho (longa pausa). pra num ficar cansado… Vai passando a grana. principalmente na escrita. porque esse tipo de correspondência apresenta uma característica muito presente na contemporaneidade: a rapidez. mas não se avexe não… (longa pausa). Exemplo: “Na Antigüidade. Vou deixar teus documentos na encruzilhada… Assaltante Paulista – Orra. que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Corinthians. dividimos a linguagem grupal em: Línguas técnicas: no exemplo dado. Além da rapidez. meu… Mais rápido. de comércio e de serviços. 2003. Esse injusto sistema foi substituído. sanção. podemos identificar claramente que se trata de uma linguagem do campo jurídico. . Linguagem na Internet Atualmente. meu… Alevanta os braços. Num repara se o berro está sem bala. No texto encontramos a expressão meliante. 3. são mais resistentes Disponível em: <Artigos>. por um sistema de penas rígido. pois contém expressões como: arbítrio judicial. 2011. a fixação da pena ficava inteiramente ao arbítrio judicial. Assaltante Nordestino –Ei. Isso acontece. predominantemente. Acesso em 06 de fev. meu… Passa a grana logo. vol. meu… Pó. Mostrou-se esse critério também inadequado por não poder o julgador sopesar devidamente as circunstâncias do delito para uma melhor correspondência da sanção penal ao agente do fato criminoso” (Texto adaptado de MIRABETE. línguas técnicas: são utilizadas pelas várias profissões. bem devagarinho… (longa pausa). bichin… Isso é um assalto… Arriba os braços e num se bula nem faça muganga… Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão. localizadas em qualquer parte do mundo. delito. p. ATIVIDADE Questão 1: Assinale a opção que identifica a variação linguística presente nos textos abaixo. possam economizar precioso tempo com a troca de informações. empresas e serviço público têm sido feitas. mas é pra não ficar muito pesado… Não esquenta. com presença de vocabulário específico. meu Padim Ciço. mas é que eu tô com uma fome da moléstia… Assaltante Baiano – Ô meu rei… (longa pausa) Isso é um assalto… (longa pausa). ao escrever uma mensagem eletrônica devemos ficar atentos a alguns procedimentos que ajudam a compreensão da mensagem escrita. 1. pelo correio eletrônico (e-mail).

) vão se popularizando e disseminando até o momento em que ninguém mais consegue perceber a nova forma como erro .. é fato que há uma diferenciação valorativa. e não Se eu ver fulano. o padrão de Portugal (que determinou na origem o do Brasil) desapareceu quase que por completo. ou A Constituição nem sempre tem sido obedecida pelas autoridades federais). escritos por bons escritores ou jornalistas. as "novidades" (ou os "erros". Entretanto.porque vivem sob controle severo! .há uma tendência sistemática a não fazer a concordância (Foi inaugurado as usinas). mas mesmo esta é rompida em textos mais informais e nos textos literários.. Vejamos algumas conseqüências que decorrem da mudança.linguist. Nesses casos. na década de vinte do século passado.. isto é. em vez de Assisti a um filme). Na língua oral . Quando o uso chega a esse ponto. o fenômeno da concordância nos casos em que o sujeito aparece depois do verbo. mas também quem diz. O QUE É LÍNGUA PADRÃO? Já sabemos que as línguas são um conjunto bastante variado de formas linguísticas. AFINAL. pode-se dizer que a mudança de padrão começa a se consolidar. Nós costumamos “medir nossas palavras”. que por mais que reclamem e vociferem não conseguem “segurar” a mudança. como o exemplifica o texto do poeta Oswald de Andrade que. Uma evidência dessa mudança na língua padrão é o fato de que esses verbos tornados transitivos diretos passaram a ocorrer com freqüência na escrita padrão na forma passiva. Um exemplo bastante visível é o caso da regência de alguns verbos. que nasce não da diferença desta ou daquela forma em si. Faça um teste: tente convencer pessoas comuns que o certo é dizer Se eu vir fulano.. Na fala. eu o aviso. as mudanças nunca acontecem subitamente.. Outro caso visível é a colocação dos pronomes no português brasileiro. a resistência é muito mais forte. Do ponto de vista científico. porque o nosso ouvinte vai julgar não somente o que se diz.e isso mesmo nas faixas mais escolarizadas da população . Falar nisso: o padrão é Convencer pessoas que o certo é. mesmo em textos de boa qualidade.exceto. por exemplo. é claro. Mas aqui a transformação não chegou ao padrão escrito de prestígio. Outro aspecto que decorre da transformação da língua ao longo do tempo é a convivência (nem sempre pacífica!) entre formas arcaicas e formas contemporâneas. a sua organização estrutural. não há como dizer que uma forma linguística é melhor que outra. Na escrita mantém-se mais visivelmente apenas a regra de não se começar período com pronome átono.? ATIVIDADES Texto 1: MAS. a tendência já está passando à escrita. a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério. do tipo foram inauguradas as usinas. que insiste sistematicamente em recusar algumas normas das gramáticas escolares. Pouco a pouco.. entre outras razões. dependendo do ponto de vista. embora seja frequentíssima em textos escolares. por exemplo. Mesmo que tenhamos pensado objetivamente a respeito nós sabemos (ou procuramos saber o tempo todo) o que é e o que não é permitido. mas do significado social que certas formas linguísticas adquirem nas sociedades. criticou veementemente a norma culta muito parecida com o português praticado em Portugal: Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade ) Em outros casos. eu aviso ele..mas também mudam.melhor q a outra a n ser por gosto pessoal). os gramáticos.Comunicação e Expressão 13 à mudança . ou Convencer pessoas de que o certo é. Há uma tendência muito forte na linguagem oral do português brasileiro de tornar transitivos diretos alguns verbos que tradicionalmente eram transitivos indiretos (Assisti um filme. E a linguagem é altamente reveladora: ela não . e talvez seja muito mais frequente o emprego "errado" que o emprego "certo".. impossível sintaticamente com verbos transitivos indiretos (O jogo Brasil x Argentina foi assistido por milhões de telespectadores dos dois países. cada uma delas com a sua gramática. o que costuma ser sintoma de que a mudança está avançando significativamente. Veja-se. Uma delas é a relativa imprecisão de suas características.(não exist var.

. e que o papai deu de raspão na empregada noutro dia. tanto na linguagem padrão como na coloquial.Medir palavras é n fugir daquilo que é prestabelec pela socied. a nossa intenção. pelo sotaque. Nesse sentido. A expressão “não somente. mas também quem diz” (linha 9) estabelece uma relação de retificação do argumento da primeira afirmação com o argumento da segunda e acrescenta uma nova informação. a língua padrão ocupa um espaço privilegiado: ela é o conjunto de formas consideradas como o modo correto. 16. n falar algopra n agredir alguém. além de outras informações.. a nossa escolaridade.colokial e familiar. Atividade: Questão 1: Sobre o texto acima. a linguagem também é um índice de poder. atualmente.é quest de adequabilidade) Assim. Humoristica) Questão 2: Em que variante linguística está escrita a pequena crônica de Millôr Fernandes? Por quê? Que marcas textuais autorizam tal resposta? R:var. socialmente aceitável.. A soma das alternativas corretas: a) 12 b) 24 c) 15 d) 28 e) 31 Texto 2: O beijo O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo. mais beijam. pela forma usada. 8.. revela também nossa classe social. O beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega. Os pronomes “a gente” (linha 3) e “nós” (linha 7) foram usados com o mesmo significado referencial. 2.( n existe inform neutra.ou seja. de falar ou escrever. No trecho “ela não transmite só informações neutras” (linha 10). 4. o nosso ponto de vista. mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer.. kemsomos. na rede das linguagens de uma dada sociedade. outros que ficam aborrecidos e limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam.p/ exemp. (Millôr Fernandes) (cron... O articulador “assim” (linha 13) foi usado com o valor exemplificativo e complementar.Comunicação e Expressão 14 transmite só informações neutras. O trecho “a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério (linhas 3 e 4) pode ser parafraseado: “a não ser que nos esqueçamos da ciência e seja adotado o preconceito linguístico ou o gosto pessoal como critério”. O parágrafo introduzido por ele serviu para confirmar o que foi dito antes.. Esse recurso se caracteriza como variação linguística e pode ser observado. Tem uns que gostam muito.a partir do que falamos podem identificar de onde vimos. como a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição. a afirmação indica que existem informações neutras. mas também” em: “nosso ouvinte vai julgar não somente o que diz. Ver marcas e termos usados! Texto 3: Observar a imagem para responder às questões e elaborar texto. a região de onde viemos. O beijo pode ser no escuro e no claro. é correto afirmar: 1. o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga.

ou seja. no qual apareçam todas as informações. a adequabilidade ou inadequabilidade do uso das variantes. elaboremos um texto contínuo. .2010.Que atitude do interlocutor o aviso espera ser colocada em prática? . LÍNGUA E ESCRITA FALAR E ESCREVER .que profissão exerce.Após ter todas as respostas às perguntas feitas. o perfil da hipotética pessoa que escreveu o aviso na parede.em que local mora a pessoa que o escreveu? Como também. . aproximadamente. por que um dos personagens da tirinha passou mal? Nos argumentos apresentados devemos apresentar informações fundamentadas na teoria.Comunicação e Expressão 15 Questão 3: A respeito da placa de papelão na parede em construção: .a que classe social pertence.com/quadrinhos/31-03-2009_diversas.de que sexo é e . tipo de variantes as quais estão em questão. Questão 3: A partir dos elementos verbais (palavras) e não verbais (imagens) do texto 1 (charge). como por exemplo. Disponível em: <http://noisnatira. com coesão e coerência. Texto 3: Vamos observar atentamente a tirinha para responder à questão 3. que motivo a obrigou a escrever tal texto? .Que idade tem. sem tópicos. Acesso em 15 de mar. .png>. a circunstância em que elas ocorrem.

A identificação de língua com escrita leva a confusão grosseira na própria noção de gramática. O escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor. o que é um absurdo. O falante pode processar o texto. de tempos em tempos aparecem em torno de reforma ortográfica da língua portuguesa que encontraremos escritores. Livre consulta. na verdade. Práticas de texto para estudantes universitários. que. jornalistas e intelectuais em geral se manifestando sobre “mudança da língua”. Acesso imediato às reações do interlocutor. Frágil infraestrutura existente foi destruída nas duas semanas entre o plebiscito e a chegada das tropas de paz da ONU. é um dos poucos traços fortes que une o país a seu passado português. Nenhuma reforma ortográfica no mundo muda a língua. Planejamento anterior à produção. deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão e a escrita constitui-se em outra forma de comunicação. como vimos. quando. de menor importância e sem nenhum prestígio. Petrópolis. nesse caso. 2008). Sem possibilidade de acesso imediato. Criação coletiva: administrada passo a passo.Frases mais curtas x frases mais longas . redirecionando-o a partir das reações do interlocutor. que a língua não dispõe de uma gramática normativa. Criação individual.Unidade temática: flutuação x rigidez . FALA E ESCRITA Condições de produção Fala Interação face a face. A reformulação é promovida apenas pelo escritor. o sistema altamente complexo que os falantes usam no seu dia a dia. A reformulação pode ser promovida tanto pelo falante como pelo interlocutor. com população equivalente à de Campinas e dividida em 36 etnias. em geral. Possibilidade de revisão. naturalmente. 17 ed. O texto mostra todo o seu processo de criação.Ampla variedade x modalidade única (“língua padrão”) . Planejamento simultâneo ou quase simultâneo à produção.Prosódia e entonação x sinais gráficos .Comunicação e Expressão 16 A cultura letrada. Distinções específicas entre fala e escrita .Aprendizagem “natural” x aprendizagem “artificial” O estudo da Retextualização. que devemos “falar como escrevemos”. parece-nos mesmo que a “verdadeira língua” é escrita.Elementos extralingüísticos x sinais gráficos . Não se trata simplesmente de uma confusão de ignorantes: basta acompanhar as discussões que.Redundâncias x concisão . ao transpor da conversa espontânea para o texto escrito. Rio de Janeiro: Vozes. isto é. O redator quis dizer. Escrita Interação à distância. Há mesmo quem diga.Interlocutor: presença x ausência . de um livro que descreva as regras da língua. é qualidade intrínseca de qualquer língua. tem uma forte tendência a confundir língua com representação gráfica da língua (escrita). o catolicismo. que não tem gramática nem dicionário. A religião praticada pela maioria. mostrando o resultado. Sem condições de consulta a outros textos. A língua dominante é o teto. Mas é claro que a língua tem gramática. Carlos Alberto. Por força da tradição escolar e da própria ideia de autoridade que emana da escrita. seria dizer que a língua não tem “vocabulário”. (FARACO. a . o máximo que uma reforma ortográfica consegue é mudar o modo como se grafam as palavras. isto é. invertendo o curso da história. sendo a fala uma espécie de subproduto dela. Impossibilidade de apagamento. O texto tende a esconder o seu processo de criação. Já a palavra “dicionário” foi bem usada – um erro equivalente. Veja este trecho de uma revista semanal sobre a situação em Timor Leste: Timor Leste é uma ilha do tamanho do município de Manaus.

jornalista.. na cidade de Ponte Nova. MP – Defina-se. pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: muitas coisas assim extragada né? cumidas ex.. ah ah. vamos: a) identificar as características típicas da fala (oralidade). aluno. sou.. O autor do livro 1968 termina a entrevista definindo-se como um humilde operário das letras.. afirma que costumava brincar... Minas Gerais.. Quanto à palavra mais bonita da Língua Portuguesa. coerente e elegante. elegância.06. tem muitus crianças ah. idade. direta... Questão 1: A partir do texto acima. sendo sua lembrança mais antiga da infância. onde fui criado:: atravessar uma ponte:: . o jornal Zero Hora publica uma entrevista que Márcio Pinheiro fez ao jornalista Zuenir Ventura. as idéias organizadas mentalmente ajudam-nos a escrever com clareza. ATIVIDADES Vamos ler o segmento abaixo e responder à questão 1? Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::. onde vive.... (Ead Conectado: Vanessa Loureiro Correa) Como você.sou. MP – Qual a sua lembrança de infância mais remota? ZV – Era. b) elaborar o perfil do/a falante (classe social..Comunicação e Expressão 17 qual deve ser clara..05... gênero. ele destaca saudade. quando criança. objetividade... respeitando aspectos de clareza. nível de escolaridade. MP – Qual a palavra mais bonita da Língua Portuguesa? ZV – Saudade::.. a passagem do texto oral para o escrito constitui-se na organização da escrita. poco antes de o trem passá.. não só por existir apenas na nossa língua. Assim. Minas. elis omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus E sobre o centro da cidade? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas éh::: sei lá .. tem . sua cidade natal. ZV – Eu::. de atravessar uma ponte antes da passagem do trem. existe:: apenas na nossa língua:: como pela sonoridade. profissão) c) transpor o texto oral para a modalidade escrita. pode perceber. uma:: pirigosa brincadeira que fazíamos em Ponte Nova.. coesão e coerência.. Texto 2: HISTÓRIA DE VAQUEIROS . não só pela o-ri-gi-na-lida-de. coesa.. Exemplo de retextualização – transposição da conversa espontânea em texto escrito: Zuenir Ventura..tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu. Conversação espontânea Em reportagem do dia 19.. mas também pelo significado e sonoridade. sem falar no sentido. em entrevista. um humilde operário das letras.

contanto que seja de pelagem preta e meio desaforado.Comunicação e Expressão 18 (Elomar Figueira Mello. cabra. ou ovelha. mão faca na venta e sangue no chão e a lua oumenta o quilarão faca na venta e boi no chão mais foi tanto dos vaguêro qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-dasContas Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuros pelas mão mermo cantano um dia interô num manajo todos não as Guariba é um cruzamento in toda tarde de dumingo hai um grande ajuntamento de muita gente e malungo moça bunita perdedêra Bragadá sua perdição boi das arma branca cara preta catravo de pé e mão fera sturrano cavava o chão surucucú de dois ferrão malvado e brabo pegô Juão derna o tempo de minino fazia pur brincadêra pegá bicho remeteno de mão pilunga ô pitêra dentra da venda in descursão entrô os vaquêro de lá pruns olhos bunito cum ferrão pulô a cerca bragadá a noite intêra bebeu dançô na brincadêra no Tomba virô moça bunita laço de amô pelo triz de um momento da peleja in certa altura viu nos olhos da morena ispelhada u'a mancha iscura faca na venta o boi morreno Bragadá caiu no chão cum o vazí rasgado'stremeceno parava o saingue c'as mão amô nun sei pru modi quê facilitei olhei voce foi pur teus olhos pur a fulô pegava o boi boi me pegô édura a sorte do pegadô morrê da morte chifrada amô mais foi tanto dos vaguêro qui renô no meu sertão qui cantano o dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro nun menajo todos não mermo cantano um dia intêro nun menajo meus irmão . quando uma rês desvia-se do rebanho. também em dialeto. Na viagem do gado. diz-se que o animal ficou na ribada. João Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro num menajo todos não certa feita vô contá só um feito desse vaquêro foi chamado pra pegá um levantado marruêro Morada Velha do Olivêra Lagoa do Pancadão Tiquiano foi só cum a pitêra a Ri-de-Conta e sem gibão mêa noite e lua e um quilarão pontô o bicho na bibida vino do fundo da mata na lagoa de pureza feito u'a bacia de prata qui buniteza nessa hora só lamento nun tá lá e sem mais demora Tiquiano gritô: vem bichão vem cá! riscô um tufão feito um raiá já cum bicho bem pegado ma ponta do pau-de-ferro pelos mistero da hora in qui num pode havê êrro o incapetado lubisomi 'stremeceu soltô truvão já tava intregano ao bicho home as alma nas palma das Vocabulário: Reno= reinou num menajo = não homenageio ranca toco= perito ribadêro = vem de ´ribada´. Ele é de Vitória da Conquista-BA) Mais foi tanto dos vaquero qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro num menajo todos não. e se interna no mato ou nos capoeirões. um dos maiores músicos e violeiros do nosso país. Ranca-tôco ribadêro = perito em matéria de mato e capoeirões Lubião = qualquer produtor de vaca.

recheada por elementos do mundo rural. guiada. vindo do mundo dos homens. o ajuntamento das pessoas no vazio daquelas tardes imensas. que abandonou o rebanho e passou a uma vida solitária nos ermos. Catravo de pé e mão = diz-se catravo qualquer espécie de animal que tenha os pés e as mãos (até uma pequena altura) de cor diferente da do resto do corpo. pouso de tropas e de encontro de vaqueiros. durante o combate. pau-de-ferro. no canto de homenagem e celebração da bravura. O vaqueiro. está encravado um bico de ferro. pelo “levantado marruêro”. Lubisoni = lobisomem. o boi investiu contra o moço com muita velocidade e grande fúria. Pur a fulo = pela flor. d. Questão 1 Vamos entender as seguintes afirmações sobre o texto de Elomar Figueira Mello: a) o texto de Elomar apresenta caráter épico. de um lado. e 3) a. em dialeto catingueiro. sendo mais comum a cor branca. o texto de Elomar é de difícil decodificação. ponto onde se cruzam corredores e estradas reais. Arma branca = cornos. Pruns = por uns. do fundo da mata. o bicho. como o estampido do clarão de um raio. pedaço de pau feito um cabo de machado. b. o já idoso vaqueiro Bragadá descobriu que estava ferido ao ver sua imagem refletida no cristal dos olhos da moça e. e 4) a. vara trabalhada em cuja base. Sururú = jararaca grande. puderam ser pensadas antes de serem executadas.Comunicação e Expressão 19 Turuna = sinônimo de ranca-tôco Frechêro = cabrito ou bodete de cabra na faixa dos seis ou sete meses de idade. Ele é escrito em português arcaico ou na variante inculta. Vazí = ventre. na fúria da peleja. região do Palmeira. E a lua omenta o quilarão = e a lua aumenta o clarão. Guariba = localidade na zona da Mata (estado da Bahia) abaixo da cidade de Itapetinga. d. com a proteção de forte charrua. Certa feita = em certa ocasião Pegá um levantado marruêro = matar um touro que se alevantou. Pitêra = ferrão. trata da brutalidade de pessoas incultas do interior do Brasil. pelo viril e bravo vaqueiro e. infinitamente pequena – que. no caso. pelo fato de tratar da luta do homem diante das forças naturais. Ri-de-conta = faca. Pegá bicho remeteno = enfrentar boi enraivecido e furioso. por tal. Triz de um momento = fração infinitesimal de tempo. e 5) todas 6) nenhuma Questão 2: Transpor o texto “Histórias de vaqueiros” para a modalidade escrita (retextualização) . embora trate de assunto comum como a bravura dos vaqueiros brasileiros e do amor que é tema universal. a expressão “pelo triz de um momento” expressa que as atitudes. tipo de arma branca artisticamente trabalhada. a moça bonita perdera. d. chifres brancos. d. o conteúdo fica para além da estória que capta os tios regionais que lhes dá o nome de heróis. nem sempre deve ser desprezada. falado especificamente por pessoas idosas as quais vivem no interior do país. Viu nos olhos da morena/ ispelhada u´a mancha iscura = no ferver do sangue. a intensidade e a transferência de planos da vida para o mundo mágico. Risco um tufão feito um raiá = ante o chamado do vaqueiro. na sua imagem. Na brincadeira do Tomba-virô = na festa do lugar chamado Tomba-virô. É uma luta simbólica e ancestral do homem contra a dominação da besta. de outro. pelo contrário. sem contato com as mudanças pelas quais passa a língua materna. a letra da música não apresenta poeticidade ou lirismo. Ponto o bicho na bibida = surgiu o touro na aguada. Derna = desde. e 2) c. b) c) d) e) Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1) a. Gibão = casaco de couro de veado ou de bodão. c. como o vaqueiro tipo Bragadá. representada. a mancha vermelha na camisa. Pilunga = porrete.

veia e cachaça Enterro de pobre sempre tem cachaça. para transpor de uma modalidade para outra ou de um gênero para outro. vai interferir no modo como vamos falar ou escrever. trata-se de uma refacção e reescrita de um texto para o outro. inevitavelmente.o fato ocorrido • "Quem" . seja num bairro pobre da cidade do interior. é preciso. Passaram a noite velando o morto e entornando a cachaça. em cada lugar. Dentre elas. Partimos de escolhas. por exemplo. Para tanto. (Stanislaw Ponte Preta = Sérgio Porto) Disponível em: <http://www. sendo que alguns podem desaparecer e outros podem surgir. antes de realizar a tarefa. a maior espinafração da vizinha do pranteado Nicolino. as formas gramaticais mais adequadas e tudo que está diretamente vinculado à função de cada texto. então. O ensino de português não pode acontecer sem que todos esses aspectos sejam levados em consideração. o que se escreveu e os feitos de sentido gerados pelo texto escrito. De manhã. Retextualização de Gêneros Escritos – Rio de Janeiro: Lucerna. dependendo das necessidades dos falantes que os utilizam. Mas — bem ou mal — lá chegaram. Depois voltaram até a casa do mono. é preciso haver um incentivo qualquer para a turma subnutrida poder aguentar a noite inteira com o ar compungido que o extinto merece. a chamada aos ouvintes e o tom rápido e detalhado. As atividades de retextualização englobam várias operações que favorecem o trabalho com a produção de texto. Acesso em 05 de fev.a causa do fato • "Como" . na hora do enterro. (DELL’ISOLA. foram lá enterrar. alguns amigos de Nicolino compraram um caixão e algumas garrafas de cangibrina. Enfim. É para ajudar a velar pelo falecido. que seja entendido o que se disse ou se quis dizer. É que os bêbados fecharam o caixão. Também não podemos nos esquecer de que a atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos que deve informar ao público: • "O quê" . de relativa estabilidade. Foi o que aconteceu agora em Ubá (MG).o local do fato • "Quando" . Levaram. as pessoas se expressam de maneira diferente. terra do grande Ari Barroso. sujeita a mudanças ocorridas na sociedade. ressalta-se um aspecto de imensa importância que é a compreensão do que foi dito ou escrito para que se produza outro texto. portanto as produções – orais ou escritas – partem de um objetivo que certamente. na esperança de ter sobrado alguma cachacinha no fundo da garrafa. às situações de uso. Morreu lá um tal de Nicolino. produzem gêneros textuais. A intenção de trabalhar a retextualização em sala de aula é promover uma certa adversidade de textos. lá abriram a cova e lá enterraram o caixão. fecharam o caixão e foram para o cemitério.Comunicação e Expressão 20 RETEXTUALIZAÇÃO Entende-se por retextualização o processo de transformação de uma modalidade textual para outra. para cada interlocutor. levando tudo para o velório. As escolhas envolvem tanto o melhor modo de construção do texto. tendo em vista a variedade de gêneros possíveis para as muitas situações comunicativas. seja numa favela carioca. mas esqueceram o falecido em cima da mesa. Assim. portanto. vamos ouvir algumas notícias divulgadas em rádio para não faltar no nosso texto. 2011 Questão 1: Vamos transpor a crônica de Stanislaw Ponte Preta em criativo texto noticioso para rádio. Sabem como é. a cada situação.o personagem envolvido • "Onde" .com/redacao/cronica>. Regina Lúcia Péret. num cortejo meio ziguezagueando e num compasso mais de rancho que de féretro. ou seja. numa indigência que eu vou te contar. ou seja. Para retextualizar. processo que envolve operações que evidenciam o funcionamento social da linguagem.o modo como o fato ocorreu QUALIDADES TEXTUAIS . 2007) Texto 3: crônica Choro. ao objetivo almejado. pobre só tem amigo pobre e. Todo texto tem sempre uma finalidade.coladaweb. a cachacinha é inevitável.o momento do fato • "Por quê" . Segundo telegrama vindo de Ubá.

Clareza – A clareza é uma qualidade essencial de qualquer texto. criatividade e correção gramatical. 2003). tais como: • sobre o que escrever? • como organizar as ideias? • que sequência utilizar? • como escolher as palavras adequadas e estabelecer a conexão entre elas? Assim como para confeccionar uma roupa. 2003). concisão. a modista escolhe o modelo. sem circunlóquios. Além disso. ter um hobby que exige atenção constante – como jogos de computador ou esportes radicais constitui um padrão entre os que são bem-sucedidos”.94. E qual é. Para Oliveira (2003). É muito importante memorizar as conjunções e seus significados para que haja coesão e coerência na elaboração das diversas frases. concisão. Oliveira (2003) coloca seis cês que contribuem para a construção de um texto de qualidade. coesão. 30 abr. sem rodeios de palavras. Como uma roupa em que todos os detalhes devem se harmonizar. entretanto. Criatividade – A originalidade de um texto acrescenta-lhe uma importância muito grande. a relação. nossa primeira reação? Nossa primeira reação vem com um sentido de rejeição: “Ah. Os Degraus da Produção Textual. os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual. colocamo-nos a refletir: “Como eu vou fazer um texto?” Este questionamento traz à mente uma série de requisitos necessários para a composição de um texto. criativo. é o uso dos conectivos adequados à correta ligação entre palavras e frases no texto. (BELLUCI. O texto é claro quando é facilmente entendido. sendo uma unidade semântica. Fatores que contribuem para a produção de um texto de qualidade Na obra Texto técnico – guia de pesquisa e de redação. o tecido. Se houver qualquer falhar. Desperta a curiosidade. Nesse caso. foi usado um conectivo que indica contraste no lugar do de exemplificação (por exemplo) ou de reafirmação (de fato). São Paulo: EDUSC. Coesão – Segundo Koch (2001). – Bauru.Comunicação e Expressão 21 O SIGNIFICADO DE TEXTO Por inúmeras vezes na vida. não se sabe se o ninho é da cobra ou da galinha. ou seja. Segundo pesquisa na Flórida (VEJA. precisa coerência. Nesse caso. vendo que não há outra saída. Um professor em sala de aula. o resultado final não atinge seu objetivo. Podemos comparar essa tessitura com o “bom caimento” de uma roupa. coesão. a admiração. ou um chefe no local de trabalho. viajar para conhecer outras culturas. frequentar cinema e teatro. A ambiguidade impede a clareza do texto. exceto quando ela é utilizada como recurso de retórica. p. no exercício de matemática tirou zero. frequentemente. Um erro muito comum é o uso de um conectivo não correspondente à relação lógica presente entre dois trechos do texto. o texto. clareza. sem provocar dúvidas ao seu leitor. se a pessoa que ler a frase não souber que penosa é gíria de galinha. Concisão – é a qualidade do texto em ser preciso. por coesão se entende a ligação. . Exemplo de texto ambíguo: A cobra matou a penosa no seu ninho. Ex: Juca não está indo bem na escola. coerência e correção gramatical. além de mostrar ao leitor algo diferente. Ler bastante. Adriane. ficará sem entendê-la ainda mais. um colega de reunião de associação de moradores de bairro. a produção de um texto requer também que se observem elementos para uma boa tessitura. eu não sei fazer um texto!” Em seguida. São eles: criatividade. novo. já nos solicitaram a produção de um texto. traça o molde. ou ainda. escolhe os aviamentos. toma medidas. “um profissional criativo estimula seu cérebro também nas horas de lazer. clareza.

numa entrevista de emprego e em outras situações semelhantes. com o exemplo dos usos equivocados do “onde”. transferidas de forma indiscriminada à modalidade escrita. esconde na verdade um problema grave no português moderno: a dificuldade do falante em se expressar em sua língua materna. à primeira vista. É possível constatar que o vocabulário do brasileiro está gradativamente mais escasso. não como quis nem como gostaria. Fica claro é que o pequeno vocabulário do discente o levou a escrever como pôde. Além. que remeta a essa ideia? Não haveria obstáculo se a artimanha fosse ocasional. as redações “naum” virem exatamente escritas como se esperaria. Também é comum a expressão “por exemplo. num vestibular. é o que faz o texto fazer sentido para os usuários. profissionais do sexo. o uso das aspas nunca foi tão prestigiado. devendo. ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. Isso é verificado no cotidiano e até mesmo na . é claro. uma após a outra. a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto. outra grande reinvenção do famoso “jeitinho brasileiro”. no mesmo tema. além disso) para ligar entre si frases escritas ao acaso. realçar palavras e apresentar palavras em sentido figurado e/ ou gírias. E pensará o leitor: que problema há em esquecer e/ou não conhecer a palavra mais adequada para representar uma ideia e substituí-la por um vocábulo. O uso das aspas é. portanto ser entendida como um princípio de interpretabilidade. manter suas especificidades (já que ninguém escreve como fala). Por causa desse artifício. sem a construção adequada no interior da argumentação. é muito comum. ou. é uma sequência de palavras e expressões próprias da língua falada. garotas de programa. porque faltou repertório. O fenômeno do uso excessivo das aspas.Comunicação e Expressão 22 Outro defeito é o uso constante de conectivos aditivos (e. no entanto é importante ressaltar que o sinal gráfico sozinho. entre aspas. Não o é. Para solucionar esse problema. o povo conhecido pelo seu jeito especial de lidar com as situações adversas do dia a dia desenvolveu o remédio de usar. entre outros tantos substantivos que poderiam ter sido escolhidos. “A ‘mulher perdida’ não pode ser exemplo para a sociedade” ou ainda. de ter grande função estilística no texto. outra palavra que lembre a ideia que se pretende transmitir. Assim. também. Coerência – Para Koch (2001). que já é sentido há algum tempo na escrita. o elemento tem a função de delimitar citações. Assim. vem gradativamente também afetando a língua falada. Vale lembrar que não faltam palavras no vocabulário brasileiro quando o assunto é sexo. muitos brasileiros têm utilizado esse artifício para disfarçar outro problema: o conhecimento cada vez menor do léxico. Na edição passada. da revista Discutindo a Língua Portuguesa para respondermos às questões: “Jeitinho” O uso exagerado das aspas – que muitas vezes reflete a falta de vocabulário na redação – está impregnando também a linguagem falada. Valendo-se da função de apresentar termos e expressões em sentido figurado. que não exemplifica o que veio antes”. que deveria ter certo aspecto formal. depois. sem incorreções ou desvios gramaticais. Correção gramatical – é o uso da língua de acordo com os padrões da norma culta. de Andréia Neiva. parece rabugice de professor. não tem o poder de formar uma ironia. O que se vê. Mas essa capacidade de reinventar a língua de acordo com a necessidade e com as ferramentas linguísticas disponíveis não para aí. por exemplo. recorreu-se ao uso das aspas. sem planejamento real. a formação de ironia. ou seja. na pior das hipóteses. a coluna gramática moderna tratou sobre o jeito muito criativo de o brasileiro reconstruir a gramática. Leiamos o artigo “Jeitinho”. como. “A ‘mulher de vida quase fácil’ se tornou celebridade” são exemplos de frases retiradas de textos de prévestibulandos em que é possível inferir que as tais mulheres às quais os alunos se referem – a “perdida” e a de “vida quase fácil” – são prostitutas. sem dúvida. Na gramática tradicional. principalmente nos textos cujos autores são jovens. meretrizes. isto é. Que mal há em criar em cima da língua que falamos? O que. entre aspas.

um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar. Se fosse simples ironia. não filtrado nem organizado. Felizmente. Questão 02: Vamos identificar pelo menos dois fragmentos em que a autora usou aspas e dizer por que ela as usou. cada sabor. Se temos um problema. de 1942. no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas. Mas muitas das vezes é falta de vocabulário mesmo. cada palavra. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota. de Einstein ou Copérnico. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas. Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento? Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade? A questão é importante. diz Panebianco. por exemplo? Atividades Texto: A FALIBILIDADE DA CIÊNCIA 20/06/2010 Umberto Eco Como uma totalidade de conteúdo. cada sentença. o qual sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante. A ciência só se torna dogmática. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos. Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. E em todas as outras já virou piada sem graça. a internet oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. é também o resultado da filtragem desses dados. Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin. Em seu conto “Funes el Memorioso”. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates. mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. Seus paradigmas. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados? Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados. precisamos começar a partir dos paradigmas existentes. todo o resto foi eliminado. pelo uso das aspas na comunicação oral com o já famoso gesto feito com os dedos. Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. seríamos desalmados. Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica. cada rajada de vento.Comunicação e Expressão 23 mídia. Sem a . Para que uma discussão seja compreendida por todos. Questão 01: Qual é a tese defendida pela autora do texto “Jeitinho” e que argumentos que ela usa para defender tal tese. Questão 03: Quem já usou aspas pelo fato de o repertório do léxico ser restrito? Em que situação. resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore. a própria entonação já daria conta de expressar. O escritor Angelo Panebianco argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade. Uma cultura opera de forma semelhante. todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra.

Comunicação e Expressão

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rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível. Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente. Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.” Tradução: Eloise De Vylder Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/umberto-eco/2010/06/20/afalibilidade-da-ciencia.jhtm>. Acesso em 20 de jun. 2010. Notas: - PTOLOMEU: Astrônomo e geógrafo grego (90?-168?). Um dos últimos grandes cientistas da Grécia antiga, é autor dos estudos de astronomia mais importantes produzidos antes de Copérnico e Galileu. Nasce em Ptolemaida, com o nome de Cláudio Ptolomeu, e vive em Alexandria entre os anos de 120 e 145. Durante esse período, registra várias de suas observações astronômicas. Entre outras coisas afirma que a Terra é o centro do universo. O sistema ptolomaico, em que a Terra aparece como o centro, é adotado pela Igreja Católica durante toda a Idade Média, até ser derrubada pelas teorias de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Disponível em: <http://www.algosobre.com.br/biografias/ptolomeu.html>. Acesso em 07 de fev. 2011. - NICOLAU COPÉRNICO: Nascido na Polônia, no ano de 1473, Nicolau Copérnico é considerado o fundador da Astronomia moderna. Antes de sua teoria, os homens consideravam como verdadeira a tese de um cientista grego chamado Ptolomeu, que defendia a idéia de que a Terra era o centro do universo. Contrário a esta idéia, Copérnico não se convenceu da idéia de que o Sol e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Por esta razão, defendeu a tese de todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do Sol
Disponível em: <(Heliocentrismo)>. Acesso em 07 de fev. 2011.

Questão 1: Que tese é defendida por Umberto Eco no texto “Falibilidade da ciência”? Que argumentos ele utiliza para construir tal ponto de vista? Questão 2: Vamos pensar a respeito e responder às seguintes perguntas: a) que desafio e/ou necessidade o semioticista italiano sugere às pessoas dos tempos atuais? Justificativa: b) que sentido/s estabelece o conectivo MAS no início do segundo parágrafo do texto? Comentário: c) como entendemos as afirmações de que a ciência é antidogmática, porém ela, em algumas situações, pode ser dogmática? Você lembra algum exemplo semelhante ao de Copérnico em relação a Ptolomeu? Explicitação: d) “Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados?”. Por quê? Questão 3: Quanto à construção do texto: - há coerência? Por quê? Que elementos de coesão identificamos nele? - conseguimos identificar os seis CÊS nesse texto de Umberto Eco? Que marcas textuais nos autorizam a responder a essa pergunta?

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- o que mais me chama a atenção nesse texto? por quê? COERÊNCIA TEXTUAL As metarregras da coerência Um francês chamado Michel Charolles descobriu quatro princípios responsáveis pela coerência. Chamou-os de metarregras da coerência. São elas: fundamentais

1. Metarregra da repetição — um texto coerente deve ter elementos recorrentes; nada mais é do
que aquilo que chamamos de coesão textual. O fato de, em uma frase, recuperarmos termos de frases anteriores, por meio de pronomes, apagamentos ou elementos lexicais constitui um processo de repetição ou recorrência. A coesão textual é, portanto, a primeira condição para que um texto seja coerente. Vejamos o exemplo: A imprensa internacional cobre a violência no Brasil de uma maneira tão sensacionalista que os estrangeiros ficam com a impressão de que nossas ruas são mais perigosas do que elas realmente são. Essa cobertura não apenas afugenta os turistas como também pinta uma imagem falsa, do país e do mundo em geral. No trecho acima, há metarregra da repetição, porque há termos recuperando informações anteriores, por exemplo, elas, essa cobertura.

2. Metarregra de progressão — um texto coerente deve apresentar renovação do suporte
semântico; nos diz que um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai sendo escrito. Vejamos o texto a seguir: Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres, ou seja: pega a colher, o garfo e não olha para o prato de comida. Ela não se alimenta. Brinca apenas. Diverte-se com uma colher e um garfo e o prato fica na mesa. O ato de brincar substitui o ato de alimentar-se. Não há no exemplo dado informações significativas novas, há sim repetição do que já foi dito. Poderíamos reduzir esta informação a: “Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres”.

3. Metarregra da não-contradição — Em um texto coerente, o que se diz depois não pode
contradizer o que se disse antes ou o que ficou pressuposto; nos diz que cada pedaço do texto deve "fazer sentido" com o que se disse antes. Vejamos o texto abaixo: Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc. Sabemos que um das qualidades de um bom texto é não haver contradição, e no texto do exemplo acima há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que havia fumaça espessa que não permitia ver ninguém e, depois, cita os tipos de pessoas que estavam na festa. É um texto sem credibilidade argumentativa.

4. Metarregra de relação — Em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um
estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto: Em nosso pequeno vilarejo aconteceu, certa vez, um caso bastante curioso. Havia ali um coronel muito matuto que vivia assombrando os moradores da cidade com suas bravatas. Numa manhã de domingo, no dia da festa da padroeira, ele acordou morto e todo pronto para conduzir o turíbulo que, de véspera, havia dormido em sua casa. Depois do café matinal, fez-se uma grande

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aglomeração de pessoas diante da casa do coronel: foi a primeira vez que tivemos um engarrafamento de 15 km: carros, motocicletas, triciclos, bicicletas e mesmo pedestres aguardavam atentos pelas palavras do coronel nas primeiras horas do dia de seu enterro. O que mais chama a atenção nesse texto é o fato de o coronel estar morto e, mesmo assim, estar pronto para carregar o turíbulo. Além disso, é estranho o fato de os moradores aguardarem seu pronunciamento matinal. Ao ler o texto, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a de que se trata de um “causo”, não de um fato verídico. Isso porque no “mundo real” não existe a possibilidade de se acordar morto, de um morto carregar um turíbulo e, menos ainda, de um morto fazer pronunciamento em festa de padroeira. Atividade Questão 1: Leia o excerto de texto abaixo e identifique a (s) metarregra (s) de coerência que foram infringidas. Reconstrua-os para torná-los coerentes, atendendo às metarregras da coerência textual. a) São Paulo tem uma extensão territorial superior à de muitos países do continente europeu e podendo comparar perfeitamente em seu seio uma população de mais de quarenta milhões de habitantes, ninguém poderá dizer que São Paulo não possui os elementos necessários para tornar efetiva a sua autonomia política. Em São Paulo, a hipótese separatista foi abortada. O discurso do presidente da República caminha para o separatismo famélico entre o Norte e o Sul. Uma das perversidades da política brasileira é a demagogia. b) Um dos cuidados que devemos ter quando redigimos um texto é com a repetição de palavras no texto. A repetição de palavras é muitas vezes inoportuna, torna o texto cansativo e deselegante. Sendo assim, seria interessante que editores de texto pudessem oferecer uma funcionalidade que ajudasse o escritor a controlar a repetição de palavras no texto indicando quantas vezes uma palavra já foi usada no texto e em que situação. c) Minha amiga foi para Porto seguro, recomendou a viagem para todos e afirmou que jamais retornaria ao local.

AMBIGUIDADE
“Ambiguidade – Latim ambiguu(m), ambíguo, que apresenta duas faces, dois sentidos”. “O vocábulo ambiguidade emprega-se em Gramática para designar os equívocos de sentido provenientes de construção defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios”. “Em crítica literária, a palavra foi introduzida por William Empson (...). A seu ver, a ambiguidade consiste em toda nuança verbal, posto ligeira, que dê lugar a diferentes reações ao mesmo fragmento de linguagem”. (MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974). Texto 1: Placa

que exige do leitor um renhido trabalho cooperativo para preencher espaços não-ditos que ficaram. . 2011 . O parágrafo Você sabe que. Acesso em 02 de fev. Texto 2: charge Disponível em: <osnigomes. Umberto.com/>. por assim dizer. São Paulo. não basta reunir qualquer conjunto de frases ordenadas de forma aleatória. vamos identificar possíveis leituras que as imagens anteriores (placa e charge) sugerem. sem nos esquecermos dos seis cês. 2011.Placasridículas. Perspectiva. sistematizemos por escrito o que conversamos.Comunicação e Expressão 27 Disponível em: <www. É preciso que elas sejam logicamente ordenadas a fim de que o receptor siga o fio do discurso e seja capaz de entender aquilo que desejamos comunicar. A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO O texto é uma máquina preguiçosa. 11). para elaborar um texto coerente.>. Lector in fabula. (ECO. 1. em branco. Em seguida.A partir do primeiro e do terceiro conceitos sobre ambiguidade.com. O parágrafo – como um microtexto – deve obviamente apresentar essa organização.blogspot. 1979 p.Acesso em 07 de fev.br.

Para isso. o tópico frasal garante que você não se afaste do objetivo estabelecido. a preocupação maior do autor deve ser a de fundamentar de maneira clara e convincente as ideias que defende ou expõe. diferentes formas de construção do parágrafo. em que se desenvolve ou se explana determinada idéia central. mas intimamente relacionadas pelo sentido”. constrói um plano de desenvolvimento. A segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de alguns instrumentos. de Daniel J. secundárias. dependendo da natureza do assunto. a ideia-tópico. A redação Etapas prévias a) A delimitação do assunto: a restrição ou delimitação do assunto é necessária para que possamos organizar o parágrafo com mais facilidade. Boorstin. No entanto. uma ou mais frases que expressem o objetivo escolhido. e com que finalidade. em primeiro lugar. seja qual for a forma de ordenação empregada. assim como há diversos processos de desenvolvimento e ordenação de idéias. as quais variam conforme o objetivo fixado para a redação. tempo-espaço. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. você poderá começar a escrever. Essa ou essas frases iniciais do parágrafo que traduzem. fixado o objetivo que deverá orientar o parágrafo. b) A fixação do objetivo: delimitado o assunto. A conceituação “0 parágrafo é uma unidade de composição. Em primeiro lugar. 0 conceito acima aplica-se ao chamado parágrafo-padrão. É importante redigir. em seguida. Há várias formas de ordenação do desenvolvimento. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. o desenvolvimento e a conclusão. Exemplo: Os descobridores. 646 páginas – O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para escrever essa história compacta da ciência é duplamente inovador. TÓPICO FRASAL (introdução) DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO OU TRANSIÇÃO a) A formulação do tópico frasal Delimitado o assunto. também. A fixação clara do objetivo facilita a seleção e a ordenação das ideias. Porém. do gênero da composição. explicitaremos cada uma dessas partes.2. ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de experimentos que costumam rechear as obras de referência.Comunicação e Expressão 28 1. definição. que servirá como forma de controle. Você deve estabelecer para que vai escrever sobre determinado assunto. o redator passa a expandir as ideias indicadas no tópico frasal. Civilização Brasileira. em primeiro lugar. a ideia-núcleo do parágrafo constituem o que se chama tópico frasal. 1. enumeração de detalhes. causaconsequência. há. mantendo a coerência do texto. como . de maneira geral e sucinta. entediando o leitor não especializado. A fim de ordená-los. é mais fácil fixar o objetivo que deverá orientar a redação do parágrafo. entre elas: exemplificação. Na sequência da nossa exposição. constituída por um ou mais de um período. (0thon Garcia). seleciona aspectos ou detalhes particulares que desenvolvam a frase-núcleo e. os ordena.1. b) O desenvolvimento do parágrafo Nessa etapa de redação do parágrafo. do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o texto escrito. comparação. A estruturação O chamado parágrafo-padrão é constituído de três partes essenciais: o tópico frasal. Assim. a que geralmente se agregam outras. ele.

ou seja. 17. para se verificar como ela conseguiu alcançar projeção a despeito das dificuldades que enfrentou.06. Num caso e no outro.. 1 . PLANO DE DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS: 1 . então. . ter sua origem numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar os monges para as orações noturnas. ao escrever uma história compacta da ciência. desenvolvimento e conclusão. * Logo. como você vê. (Istoé/Senhor. que feche o parágrafo. a biografia dá ilusão de que. O nexo ou introduz uma nova possível causa da leitura de uma biografia.63) A pergunta inicial Por que se lê uma biografia? Constitui a introdução (tópico frasal). por meio de articuladores que indiquem a relação que desejamos estabelecer. Em outras palavras. A expressão Num caso e no outro retoma as causas mencionadas no desenvolvimento e resume-as. O elemento continuativo depois acrescenta mais uma causa à já citada no período anterior. * Então. OBJETIVO FIXADO: Mostrar a dupla inovação estabelecida pelo escritor Daniel Boorstin ao escrever a história da ciência. TÓPICO FRASAL: Daniel Boorstin. recapitulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. Depois. que estabelece uma relação de finalidade.. ATIVIDADES Por exemplo: a generalização de um tema como violência obriga o autor a delimitar alguns enfoques que lhe são pertinentes. que o leitor aprenderá. . Civilização Brasileira. . . o parágrafo possui as três partes essenciais à sua redação. a bússola e o microscópio. para a conclusão do parágrafo. dependendo da situação do leitor. A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita. o mundo terá a chance de reconhecer o nosso talento ou de algum parente. geralmente. Com isso. p. É o caso da história dos despertadores digitais. procede a duas inovações.. (Veja). seguido pelo articulador para. Apresentação das duas novidades: 1 . indica com que objetivo alguém lê uma biografia.96. . e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas. para se constatar que pessoas absolutamente normais têm a chance de adquirir notoriedade. pois ela se caracteriza por uma apreciação do autor. É possível também encerrá-lo apresentando de modo conciso consequências. Há vários passíveis de discussão: a) causas e consequências da marginalidade b) causas e consequências da impunidade c) formas de punição d) divulgação da violência pelos meios de comunicação . Assim. Exemplificando: Veja o parágrafo abaixo: Por que se lê uma biografia? Antes de mais nada.. no entanto. O início do desenvolvimento do parágrafo é explicitado por meio do operador argumentativo antes de mais nada. de Daniel J. CONCLUSÃO: o autor une precisão científica e leitura acessível. algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. reorganizamos resumidamente os diversos aspectos do desenvolvimento em uma frase final. * Dessa forma. Longe da sisudez dos textos técnicos. deliciosamente. ASSUNTO: A obra Os descobridores. implicações daquilo que foi expresso no tópico frasal e no desenvolvimento. Algumas vezes. Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e leitura acessível. DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Resenha crítica da obra. ou seja: tópico frasal. Ou.1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica.. talvez um dia. tais como: * Assim . c) A elaboração da conclusão Na formulação da conclusão. 1185. podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo.Comunicação e Expressão 29 o relógio. o nexo não vem explicitado. Boorstin.. para se conhecer segredos de uma personagem que eventualmente ainda não tenham sido divulgados.2 Opção por urna narrativa romanceada. .

sem falar de justiça social e lutar por ela. Organiza-se. gases vulcânicos. em conseqüência. número 18) 2. segundo. Palavra e ação) 3. ou seja. também. por meio da interpretação das ideias relacionadas. depois. Portanto. a causa disso.moradia Formas de ordenar o Parágrafo Depois de compreendermos a estrutura do parágrafo-padrão. uma vez que. ou é evidenciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida semanticamente. 1. óxido de enxofre. cada vez mais. A relação causa-consequência.. Existe ainda a poluição registrada em consequência de fenômenos de combustão como aquecimento doméstico e outras incinerações. nevoeiros. causada por agentes como poeira. odores de fermentação natural. segundo a qual os detalhes do fato são apresentados. já que. Por último. em seguida. A razão principal desse fenômeno é o distanciamento cada vez maior entre uma minoria que possui muito e a grande massa popular que se afunda. de modo que. na miséria.Comunicação e Expressão 30 e) causas do aumento de criminalidade f) crimes afiançáveis e crimes hediondos (sequestro e estupro) g) a violência contra a mulher e contra a criança h) a violência no trânsito i) a violência decorrente dos vícios (drogas e álcool). a razão disso. São expressões indicadoras de CAUSA: porque. etc. ano II. poderá ser desenvolvido e detalhado nos parágrafos seguintes. ainda. por motivo de. por meio de certos articuladores que têm a função de marcar a ordem.cultura . falar de amor e de promoção humana. graças a. tamanho que. quatro tipos principais de poluição. tanto que. que eliminam gases como monóxido de carbono. Ordenação por enumeração Consiste em enumerar diferentes situações ou características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal e que. mais adiante. na atmosfera. etc. como resultado. Alguns destes articuladores: primeiro. é um romantismo que cai no vazio. tal que. em virtude de. a degradação ambiental deve-se à atividade industrial. depois. passaremos agora ao estudo das formas de construir o desenvolvimento desse parágrafo. Ana Maria. por isso. etc. de forma que. composto de enxofre. devido a. inicialmente. frequentemente. no mundo atual. pois. Questão 1: Proponha 4 delimitações para os seguintes assuntos: . em vista disso. Exemplos: Parágrafo ordenado por causa: A cada dia que passa. Ordenação por causa-conseqüência Consiste em indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). que explodem bióxido de carbono. estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo. etc. A de origem natural. por fim. em segundo lugar. além. hidrocarbonetos não queimados. (Revista Interior. de CONSEQÜÊNCIA: tão que. após. a violência cresce de maneira assustadora. cloro. Outra forma liga-se à ação de veículos automotores. parágrafo ordenado por causa-consequência: . a seguir. de maneira que. bromo. visto que. Exemplo: Temos. (GUEDES. em primeiro lugar.

. breve. em oposição. porém etc. por causa dessa ausência. de outro lado.. Expressões indicativas dessas formas de ordenação de TEMPO: agora. dentro de..... também. nesse momento não existe mais a divisão entre "eu" e "tu". congestionados como uma avenida de metrópole na hora do rush. Lisboa. por amor à ciência (. 54. mas. conseguir linha era motivo de comemoração. Para alguns.. enquanto. não só. muitos anos atrás.. no país tal.. Retirar o fone do gancho para conversar com a vizinha ou ligar para Portugal tornou-se missão complicada. após.. se por um lado. no local tal. ao passo que. ESPAÇO: longe de. A cada 100 telefonemas. cá. inteiramente moldadas pela nossa sociedade tecnológica. Mas as divergências em torno de sua pessoa e de sua obra são imensas. Freud foi um gênio. enquanto. a competição. em ambos os casos.4 telefones para cada grupo . etc. frequentemente. mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças).. há muita gente para falar e poucos aparelhos instalados para transportar as conversas.Comunicação e Expressão 31 Por que o sexo se tornou um problema? Ou deveríamos antes perguntar por que ele é. E assim. Hoje.. Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Consiste em estabelecer um confronto de idéias.. Exemplo: Ordenação por tempo e espaço simultaneamente O Brasil está voltando ao tempo em que os telefones eram pretos e as geladeiras. abaixo de. deixa de ser todas as misérias. (como) também. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de ideias por tempo e espaço.. antes. um herói que desbravou as profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau desconhecido até então.. assim que. seres. Fasc. à medida que. à esquerda. ao contrário. emocional e fisicamente somos pessoas constrangidas e cheias de limitações.. O país tem hoje 6. aí.. além. antes de. 641) 5. de um lado.. Naqueles tempos de telefones exclusivamente pretos e pesados. por esse motivo...... um homem que enxergava o sexual em todas as coisas. depois. Intelectual.. Simplesmente deixa de estar aí. Em suma. em seguida.. Para outros. p. (KRISHNAMURTI.. a agressão. Tal divisão acaba. etc.. "nós" e "eles". em frente de. naquele tempo. o outro e a nós mesmos.. um problema. (FREUD: A exploração do inconsciente. logo que. detrás de. a violência e a luta constante. O padrão internacional é de seis tentativas fracassadas a cada centena de ligações .. (para) uns.. as torturas. já.. J. à proporção que.. diante de. do Pensamento.. à direita. Livros Horizonte) 4. a única coisa que resta em que o homem se sente livre? Só aí se perde totalmente a si mesmo: nesse momento. atualmente mais de 29 não são completados devido aos problemas de fiação e à insuficiência de linhas.. Hist. brancas. finalmente. por um lado. Em tudo o mais não somos livres.. (para) outros. não foi mais do que um charlatão. além de. pessoas de segunda mão. no século tal. por outro lado. perto de. de igual modo. já. Exemplo: Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud. também. e então talvez se encontre uma grande liberdade. coisas. Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como. Ordenação por tempo e/ou espaço As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos. fora de. ali.). O mundo somos nós. ultimamente. um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública. atrás de.. alguém que perseguia os discípulos dissidentes. Enfim.patamar que o Brasil abandonou em 1984. é a de que mudou nossa maneira de compreender a cultura. não havendo liberdade a não ser no sexo. sempre que.. todas as memórias. este passa a ser muito importante e. tanto como. aquele. tanto quanto. este. fatos ou fenômenos. ainda. por outro lado... as 9 milhões de linhas telefônicas existentes no país estão cada vez mais enervando os brasileiros. presentemente. o sexo torna-se importante. que não media os meios para impor suas ideias. segundo parece. Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento de algo acontecido..

pois revela os atributos essenciais de um objeto por meio de sua definição. Observe o emprego da expressão POR EXEMPLO. que incluem a detecção de anormalidades cardíacas e pulmonares e a verificação dos batimentos cardíacos do feto no útero. Em geral. as repetências. crescem dia a dia as experiências à base das chamadas clínicas de luz. 6. Na Argentina. "Através de estímulos acústicos. de forma que a produção de neurotransmissores seja regularizada.Comunicação e Expressão 32 de 100 pessoas. Abril Cultural) 7. Há. presidente do Comitê Internacional de Tratamento e Prevenção da Depressão. os psiquiatras de todo o mundo decidiram investir em outros tipos de acompanhamentos médicos. jogos e a presença de especialistas que se revezam. por serem mistos. uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor. no seu desenvolvimento. Uma outra técnica é a chamada "deprivação do sono". como os países nórdicos. Ordenação por exemplificação Consiste em exemplificar um conceito ou justificar uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. Em função disso. Com isso. as pessoas com problemas depressivos ou maníacodepressivos são expostas a raios artificiais que reproduzem a mesma frequência da luz solar infravermelha. Abrem-se inúmeros estabelecimentos de ensino superior sem as mínimas condições de funcionamento. (Pequeno Dicionário de Medicina. 64. Exemplo: Na luta contra a depressão fora do divã. Ordenação por definição De todas as formas de ordenação esta é a mais abstrata. quando se trata de algo muito abstrato. explica o psiquiatra carioca Jorge Alberto da Costa e Silva. o que gera um aumento da metabolização dos neurotransmissores antidepressivos. São Paulo. a corrupção e outros males que denigrem a Educação em nossa Pátria. A redação do vestibular. a glândula pineal é ativada. Os parágrafos mistos são aqueles em que há mais de uma forma. embora os sons também possam ser ouvidos sem o auxílio do aparelho. o médico ausculta com o estetoscópio. por exemplo. através da parede abdominal ou do tórax. e a Suécia. O embaralhamento de sistema telefônico brasileiro é produto da diminuição de investimentos em infraestrutura de comunicações e da defasagem do preço das tarifas pelo uso de telefones. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. Nelas. luminosos. Exemplo: Auscultação é o ato de ouvir sons produzidos por órgãos internos como o coração. TRATAR-SE DE. Jorge Armando. muito utilizada em textos técnicos ou científicos. que está longe de ser o melhor exemplo de bom funcionamento da telefonia. Moderna). CONSIDERAR-SE. 8. a ordenação . durante a gravidez e o parto. A Alemanha Ocidental tem 43. (MACEDO. além dos remédios e da aplicação do ECT. o que é uma taxa rala. uma preocupação crescente com a quantidade em prejuízo da qualidade do ensino. O parágrafo misto Alguns parágrafos caracterizam-se. A ausculta é uma prática de variadas finalidades. as pessoas em tratamento são mantidas acordadas". que consiste em manter o paciente acordado por até 36 horas. Ed. os pulmões ou os intestinos. Daí as desistências. O exemplo estabelece um elo. Cada uma das técnicas aponta para a causa e também para a consequência da sua aplicação. DENOMINARSE. exemplificando-as. há dez telefones para cada 100 habitantes. Nesta forma de ordenação é frequente o emprego do verbo SER ou de verbos como CHAMAR-SE. O autor cita as técnicas de cura para a depressão. principalmente. Exemplo: O Brasil tem gritantes problemas no campo da Educação. Nas regiões onde o inverno é longo e intenso.

o que indica o parágrafo misto. Quem se agarra à vida é mais que sobrevivente. . Se não tinham emprego. vence e vive. ou cheios de esperança. seres humanos feitos para viver vão perder estupidamente a vida. Não se esqueça de examinar os elementos de transição entre os diferentes parágrafos.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53574>. serve-se dela como se apenas fosse propriedade sua. Nos braços. ficou clara a necessidade de ações e prevenção para não deixar que populações fiquem submetidas à chuva e às suas consequências. as condições de vida precárias. 23. Acreditou que os vizinhos não iam largá-la nas águas enfurecidas. como se apenas fonte de lucro.2011 A imagem mais impressionante. São.com.11). Ela deu esta lição. ou seja. seguramente. escreveu: "Quanto à tragédia nas cidades serranas. seus fluxos. quando se convive com o meio ambiente porque ele faz parte do bem viver. Acesso em 07 de fev.Comunicação e Expressão 33 desse parágrafo é classificada: por exemplificação e por causa e consequência. as árvores vão cair sobre casas e carros. sob aplauso geral. Nunca devemos desesperar e achar que as coisas são impossíveis. histórica e secularmente. a renda era péssima.adital. É a vingança da natureza. enquanto os vizinhos a puxam para cima do prédio. e o levou até onde pôde). que é agredida. É um ser humano que acredita em si e nos outros. Luís Fernando Veríssimo. vão mostrar resultados. Dona Ilair agarrou-se à vida e sobreviveu graças à solidariedade. Os parágrafos no contexto da dissertação Para concluir. Com as mudanças climáticas. vêm os tornados. ocupam-se morros sem cuidado. Também é fundamental ter mais agilidade na ação coordenada dos agentes e órgãos públicos. O poder público historicamente pouco ou nada tem se preocupado com políticas de habitação popular e de saneamento básico. O CACHORRO E A VIDA Selvino Heck 28. Vale a pena viver! Disponível em: <http://www. a chuva e a água incontroláveis. teimosos. Sobrou-lhes. um cachorro que não a largava. quando há mais respeito pelas pessoas e seus direitos.01. Quem acredita. Para não morrer.br/site/noticia. Por outro lado. as tragédias se sucedem e quem normalmente mais sofre são os pobres e os trabalhadores. Quer dizer: nada que diga respeito ao pobre obrigado a erguer seu barraco num barranco deslizante por absoluta falta de alternativas”. O Globo. conforme a sua posição no contexto da dissertação. em mais uma de suas magistrais crônicas (A Doutrina do Choque. determinou um conjunto de providências que. No caso do Rio. sobretudo. convidamos você a observar a estrutura de cada um dos parágrafos do texto a seguir. com o apoio do governo estadual e governos municipais. como talvez nenhum outro povo ou outra gente. dona Ilair foi salva. e ela não largava o cachorro. de quem não se respeita o curso natural: cortam-se árvores sem critérios. Acreditou que tinha força nos braços para se segurar na corda oferecida (e ainda acreditou que podia carregar junto o cachorro. 2011. ao longo do tempo. O homem aproveita-se da natureza. para ao menos diminuir o sofrimento de quem é atingido. valores e modelos de sociedade.01. entre tantas. O que mais me marcou no episódio do Rio foi o gesto de dona Ilair agarrar-se à vida. ela larga o cachorro. Os brasileiros sempre se agarram à vida. A MULHER. endireitam-se as curvas de córregos e rios e tira-se sua beleza. Em cenas dramáticas. pelo menos a vida era sua e dela não abria mão em nenhuma circunstância. sem conviver com suas regras. Por um lado. Ainda é tempo de repensar relações. que visitou os locais e a população. Há um novo tempo em perspectiva. as águas vão descer os morros. ‘agarrar-se à vida’. quando há uma unidade dos seres e do planeta terra. Dona Ilair estava dentro de um pedaço de casa que estava sendo arrastado pelas águas furiosas e implacáveis. A presidenta Dilma. envenenam-se águas. vêm as tempestades. os sequencializadores textuais. da tragédia de início de ano no Rio de Janeiro foi a de uma mulher sendo resgatada com a corda puxada pelos vizinhos do alto de um prédio de vários andares. o ‘novo começo’ pressupõe novo rigor nas licenças para construção e uma ocupação mais racional da terra. Caso contrário.

Na realidade estou adiando o momento de escrever. a que os pais se juntam. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. Nesta perseguição do acidental. Imediatamente põe-se a bater palmas. fruto da convivência. de maneira mais clara. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se. O autor da paráfrase deve demonstrar que entendeu claramente a ideia do texto. muito compenetrada. 2. concentrado. vocabulário e estrutura da frase. contida na sua expectativa. ocorre uma transformação da parte formal do texto. inclinando-se para trás na cadeira.. o pedido do homem e depois se afasta para atendêlo. A . Passo a observá-los. A perspectiva me assusta. 1988). Utilizar construções que não sejam uma simples repetição daquelas que estão no original e. a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força. Sem mais nada para contar. entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão.um bolo simples. na contenção de gestos e palavras. apagando as chamas. E enquanto ela serve a Coca-Cola. A negrinha. que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. o que contém um texto A” (Othon Garcia. quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico. Vejo. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. retira qualquer coisa. curvo a cabeça e tomo meu café. O pai. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano. aborda o garçom. enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". e espera.. Utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto original. amarelo-escuro. Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua. minúsculas. sempre que possível. deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos. Além disso. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. o pai risca o fósforo e acende as velas. de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Na paráfrase. Por que não começa a comer? Vejo que os três. célula da sociedade. Este ouve. pai. que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. parabéns pra você. A compostura da humildade. “Consiste no desenvolvimento explicativo (ou interpretativo) de um texto. apenas uma pequena fatia triangular. quer num flagrante de esquina. são exigências de uma boa paráfrase: 1. torna a guardálas na bolsa. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel. numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. cantando num balbucio. onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. haver modificações das idéias ou acréscimo de informações. torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Para tanto é necessária uma boa compreensão do texto. Não sou poeta e estou sem assunto. ao episódico. A filha aguarda também. depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso. mãe e filha. vagamente ansiosa. num texto B. toda arrumadinha no vestido pobre." Depois a mãe recolhe as velas. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família. Visava ao circunstancial. discretos: "parabéns pra você. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão. olhando para os lados. obedecem em torno à mesa um discreto ritual. porém. que a faz mais digna de ser vivida. como se aguardasse a aprovação do garçom. atenta como um animalzinho. O pai se mune de uma caixa de fósforos. a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A mulher suspira. e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. São três velinhas brancas.Comunicação e Expressão 34 PARAFRASEAR TEXTOS Paráfrase “é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico”. um vocabulário também diferente. Exemplo de paráfrase A ÚLTIMA CRÔNICA Fernando Sabino A caminho de casa. larga-o no pratinho -. que se preparam para algo mais que matar a fome. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante. sem. laço na cabeça. olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. 3. Gostaria de estar inspirado. Como a um gesto ensaiado. Ninguém mais os observa além de mim. em que se diz. no entanto. Lanço então um último olhar fora de mim. Não omitir nenhuma informação essencial.

.. peixes.asp>. ameaça abaixar a cabeça. limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. para os acampamentos. nossas terras tradicionais. quebraram seus ossos.. com o sabor amargo de uma cesta básica. sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. o expresidente Lula prometeu. não. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. especialmente na reconquista de nossas terras. é crueldade. ele se perturba. sangraram suas veias. Agora.releituras. a violência vai aumentar.com/i_samuel_fsabino. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra. de acordo com o exposto sobre esse tipo de recriação textual. satisfeito. Presidente Dilma. 31 janeiro de 2011. Presidenta Dilma. 2010. Para nós isso é destruição. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. rasgaram sua pele. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. O pai corre os olhos pelo botequim. constrangido — vacila. ANAFÓRICOS E CATAFÓRICOS Pasquale O gentil leitor sabe o que é um anafórico? E um catafórico? Não se trata de nomes de medicamentos. Por último. Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani Dourados. já que não . Não estamos pedindo nada demais. Acreditamos que não. apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais.Brasil Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. rios. A maltrataram.. Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio.Comunicação e Expressão 35 mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo. da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. Mais ou menos recentes na nomenclatura empregada nas questões de alguns vestibulares e concursos públicos. Sem nossos tekohá. nossos olhos se encontram. para os confinamentos. se comprometeu. animais e aves. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso. é matança. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá. Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos. Por isso.11 . Sem nossa mãe terra sagrada. para as retomadas. esses "palavrões" ainda surpreendem muita gente. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta. E nós não podemos mais esperar. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta. Acesso em 30 de jul. estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. Disponível em: <http://www. No final do ano passado. como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. Questão 1: Vamos elaborar uma criativa paráfrase da CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF. Esperamos que não seja um prêmio de consolação. Sem as nossas terras sagradas estamos condenados.. a observá-lo..02. roubaram nossa mãe. mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Atividade Texto: CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF 03. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades. para os refúgios. Dá comigo de súbito. arvores. mas não resolveu. lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo. nós também estamos morrendo aos poucos.

(8) Não podíamos deixar de ir ao Louvre. "fugiu a ele" ou "fugiu dele"). Pronto! Você já sabe o que é um anafórico! Ou ainda não sabe? Sabe. à irmã ou aos dois). lá. isso corresponde a deixar claro quem é quem no texto. ou seja. Em "Atestado sem selo deixa de sê-lo". por exemplo. Em outras palavras. de Joaquim M. meus caros: estamos mal-arrumados!". hipônimo (5). Como sempre digo. de Manuel Bandeira). muita gente sabe o que é um anafórico.pronominalização (1). Paulo) Os processos de anáfora e catáfora ocorrem quando há: . a esta altura o leitor talvez deseje saber o que é o bendito "catafórico". o pronome "lo" (que resulta da transformação de "o" em "lo") recupera o substantivo "atestado". repetição do mesmo termo ou repetição do nome próprio (ou parte dele) . por exemplo. Gostava de toda espécie de livro.. É preciso preencher um sem-número de papéis. ali. . Na verdade. "dela" ou "deles". muito mais importante do que o nome é o emprego. como era de esperar. de cansada. El Ninho foi impiedoso: derrubou árvores. a Fundação Getúlio Vargas (de São Paulo) fez esta questão: "Selecione.advérbios (aqui. (5) Lia muitos policiais. Em "O rapaz disse à irmã que seu futuro estava decidido". / Quase te mataste. Em "o esqueceu". Se o anafórico se refere a um antecedente. procurou fugir do insensível moço e fazer por esquecêlo. de Macedo) era este: ". em seu último vestibular. Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a Mona Lisa. Em "esquecê-lo". destruiu casas. no jornal Folha de S. E então. o bom uso dos anafóricos estabelece adequadamente a coesão textual (terminologia que também tem sido empregada em alguns vestibulares e concursos). Um caso comum de mau emprego dos anafóricos ocorre com o pronome "seu". citado antes na frase. aí) (8) (1) Ele chegou. É bom lembrar que o termo "anáfora" também é usado para denominar a "repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases" ("Aurélio"): "Quase tu mataste. / Quase te mataram!" (citado no próprio "Aurélio".. Nesse caso. duas palavras que tenham valor anafórico.Comunicação e Expressão 36 costumam fazer parte do que se estuda ou discute nas aulas de português do segundo grau de boa parte de nossas escolas. (2) Há cães bons para proteção do lar. mas indisciplina o mestre não tolerava.substituição vocabular. Depois. . Todas essas limitações acabam prejudicando o importador. nem fugiu-lhe e nem o esqueceu" (a "linha 16" começa em "moço" e termina em "o"). que ocorre com: sinônimo (3). na verdade. hiperônimo (4). Em "fugiu-lhe". por exemplo. Pois bem.que Ahy. O presidente levou consigo uma grande comitiva. o "o" é posto antes da forma verbal por atração do termo negativo "nem".. pagar uma infinidade de taxas. o problema pode ser resolvido com o emprego de "dele". (Coluna publicada no dia 22 de julho de 2004. não se sabe a quem se refere o possessivo "seu" (ao rapaz. No caso dos anafóricos. rosas de todas as cores. (4) Sempre mandava flores para a namorada. Explique essas anáforas". Bem. o catafórico se refere ao que será enunciado adiante. Em "A verdade é esta. "lhe" (de fugiu-lhe") e "o" (de "o esqueceu"). . o pronome "o" se transforma em "lo" porque se prende a verbo terminado em "r" (esquecer + o = esquecê-lo). (3) O professor era bom. o "lhe" corresponde a "a ele" ou a "dele" ("fugiu ao moço" ou "fugiu do moço". É isso. o pronome demonstrativo "esta" se refere ao que é enunciado em seguida ("estamos mal-arrumados!"). da linha 16 do texto. Enfrentam tudo para nos defender.. Os três elementos anafóricos se referem ao mesmo antecedente ("moço").elipse (2). por exemplo. mas não sabe que o nome do bicho é esse. são três)? Vamos lá: "lo" (de "esquecê-lo"). potencialmente ambíguo. porém. (6) O presidente viajou para o exterior. O trecho de que fazia parte a "linha 16" (de um fragmento de "A Moreninha".termo-síntese (7) . o exemplo é de "Estrela da Vida Inteira". sim: um anafórico nada mais é do que um elemento linguístico que se refere a um termo antecedente. caro leitor? Quais são os anafóricos (que. (7) O país é cheio de entraves burocráticos.

o mesmo Schultz a recebeu em seu escritório com um abraço e o velho plano nas mãos. ainda não definimos os valores". especula-se que um café poderá custar até 10 reais. No final de maio. Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. conseguiu trazer os primeiros executivos para sondar o mercado brasileiro. "Desde o início percebi que ela seria forte candidata. Maria Luisa levou quase uma década para convencer Schultz de que investir por aqui seria um bom negócio.4 bilhões de dólares. em Seattle.Comunicação e Expressão 37 2º . a entrar no mercado brasileiro. diz. da American Airlines e do Outback (rede australiana de restaurantes lançada no Brasil pelo casal Rodenbeck). perguntou ele a Maria Luisa.2006. Maria Luisa tergiversa. já que a Starbucks só trabalha com lojas próprias e sócios locais. responsável pelo desembarque do McDonald's no Brasil. Iniciadas as discussões sobre o formato da operação brasileira. Nesses encontros. 01.06. por Malu Gaspar) QUESTÃO 1: Apresente de modo resumido qual foi o objetivo alcançado (a tese principal) e o respectivo caminho (recursos de presença) que a ex-estudante de MBA trilhou para consegui-lo. Nos Estados Unidos. "Peter é meu guru. Aos poucos. a empresária Maria Luisa conseguiu fazer uma eficiente argumentação junto à empresa de Seattle? Por quê? Na sua resposta deverão aparecer os termos argumentar. Ao entrar no elevador para deixar o edifício. aprendi tudo com ele. mas devemos insistir que aprendam. e disparou: "Quero falar com Howard Schultz". (10) Preciso sair com urgência. "Lembra-se disso?". a então estudante de MBA Maria Luisa Rodenbeck chegou à sede da americana Starbucks. Casada com o americano Peter Rodenbeck. porém. enviou cartas anuais a Seattle reiterando o interesse em ser sócia da rede. convencer. Um dos pontos que ainda precisam ser definidos é o preço. finalmente. confirmada -. Seu plano era tentar convencer o fundador da maior rede de cafeterias do mundo. Outra particularidade é que as cafeterias brasileiras devem também usar xícaras -. No Brasil. Tenho um compromisso. as visitas foram ficando mais frequentes. A primeira delas deve ser inaugurada neste ano. mas analistas estimam que gire em torno de 20 milhões de reais. o que não ocorre no resto do mundo. Ex-executiva da United Airlines. (Revista EXAME. . QUESTÃO 3: O último parágrafo diz que Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. Apresentou-se ao empresário e lhe entregou uma cópia de seu plano de negócios. feito por conexão (9) ou justaposição (10): (9) Os alunos não prestam atenção. Esse é o primeiro grande negócio de Maria Luisa Rodenbeck.o encadeamento de segmentos do texto. uma das secretárias tratou de dispensá-la.as participações são de 49% e 51%. o café é servido apenas em copos de isopor. vice-presidente de marketing e negócios da Starbucks para a América Latina. Maria Luisa teve de ser persistente. as lojas vão oferecer cafés exclusivamente brasileiros. Educadamente. "Isso é chute. persuadir. Havia uma química com nosso jeito de fazer negócios". um expresso custa 2 dólares. em São Paulo.nos outros 36 países onde a Starbucks opera. Estudo de texto Em 1997. diz Pablo Arizmendi. respectivamente. a sociedade entre a rede Starbucks e o casal Rodenbeck foi. Maria Luisa admite que o nome e o histórico do marido pesaram na decisão da Starbucks. o suficiente para a abertura de cinco lojas. Mas desde o início ficou muito claro que o sonho de trazer a Starbucks ao país era meu". Maria Luisa deu de cara com o próprio Schultz. hoje sua sócia no Brasil. Após a primeira visita. Em junho de 2005. a começar pela tese de adesão inicial empregada. Os sócios não revelam o valor do investimento. Para concretizá-lo. na obra A arte de argumentar. com faturamento anual de 6. QUESTÃO 2: De acordo com Abreu (2001). Em 2002. Aqui. na década de 80. Quais foram as conquistas da executiva e por que ela conseguiu persuadir os americanos? Justifique. os Rodenbeck esforçavam-se para mostrar conhecimento do mercado.

Reforma Ortográfica Roteiro de filme Particularidades léxicas e gramaticais Pontuação: o uso (ou não) da vírgula Vamos observar esta imagem sobre as Olimpíadas: . VI. Texto: “Não existem línguas uniformes III.imagens sobre as olimpíadas . Exercícios . V. Textos 1. Texto “Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem” 2.Comunicação e Expressão 38 Anexos: I.sobre a obra O que é leitura . Texto: “A pedagogia do grande irmão platinado” 3. IV.sobre a obra Preconceito lingüístico II.

wordpress.com. Questão 1: Podemos afirmar que a ilustração. nesse caso.azneuras.br. Acesso em 02 de fev.Comunicação e Expressão 39 Disponível em: www. . 2011. cumpre a mesma função de charge? Por quê? Apresentemos pelo menos um argumento no texto elaborado.

Isso significa que ele deve aprender a ter . Questão 3: (v.Comunicação e Expressão 40 Após a leitura da obra O QUE É LEITURA vamos responder às questões: 1) A partir do livro de Maria Helena.com.liliansimoes. Em seguida.0) A partir do tópico 3 – “o que é ensinar português” . no mínimo. 5) É possível ler o mesmo texto várias vezes e construir novos sentidos após cada leitura? Por quê? Após a leitura da obra PRECONCEITO LINGUÍSTICO vamos responder às questões: Charge para a questão 3: Disponível em:<http://www. marque a alternativa incorreta. a) De acordo com a fala do aluno da charge e do linguista Marcos Bagno. O que caracteriza cada um deles? Que importância têm esses três níveis para o leitor? 4) O capítulo “ampliando a noção de leitura” faz críticas severas ao sistema de ensino de alfabetização e letramento.no capítulo 3 do livro Preconceito linguístico.br/blog/wp-content/uploads/>. emocional e racional. pois a função da escola não é restringir ao ensino das regras e da nomenclatura dos termos gramaticais. De forma sucinta. 2009. vamos reescrever com nosso estilo o que falou Maria Helena a respeito do assunto. b) Assim como determinada pessoa se matricula em autoescola para aprender a dirigir e não para saber detalhes do funcionamento do veículo. 2. apresenta alguns tipos de leitura que não estão ligadas unicamente ao lermos apenas palavras. e da charge de Lilian Simões. doze linhas. a preocupação da mestra está relacionada ao modo precário como o garoto se comunica na escrita. mas também situações. Para tanto. Acesso em 09 de jul. elabore um parágrafo de correção da alternativa com. de Maria Helena Martins. a autora apresenta três níveis de leituras: sensorial. o que entendemos por leitura? 2) Quando aprendemos a ler? Como foi nosso aprendizado de leitura? Quem nos ajudou? Como foi nosso contato com a leitura na escola? 3) A obra O que é Leitura. o aluno precisa da instituição escolar para ajudá-lo a usar a língua materna com competência.

Não pode acontecer que umas poucas multinacionais. esforçar-se em aprender a comunicar. como pobre que supostamente é. Que alternativa pode ser proposta pelos movimentos sociais? Esther: É preciso recuperar o controle social da agricultura e da alimentação. Você é coautora do livro "Do Campo ao Prato”. Isso é uma prova do fracasso do capitalismo agroindustrial? Sim. inclusive as mais inocentes. o aluno deve continuar se expressando pela única variante. como afirmam os governos e as instituições internacionais. Os problemas agrícolas e alimentícios são globais e são o resultado de converter os alimentos em uma mercadoria. Acreditas que nos estão envenenando? Esther: O modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentícias das pessoas. aos setores mais pobres da população. As empresas multinacionais. sejam elas orais ou por escrito. gerando mudança climática e destruindo terras férteis. Definitivamente. 2009) Comprar um quilo de açúcar. A terra. ele será amparado por alguma política assistencialista do governo. c) O garoto tem razão: não há necessidade de a professora se preocupar-se em ensiná-lo a falar e redigir textos claros e coerentes para comunicar-se melhor. E também é desnecessário. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental. coautora do livro "Do Campo ao Prato” (Ed. por meio da variante culta. alerta sobre a primazia do capital privado na hora de impor gostos. Hoje. intensiva e petrodependente tem se mostrado incapaz de alimentar à população. tanto nos países do Norte quanto nos do Sul. marcas e produtos. 925 milhões de pessoas no mundo passam fome. como aluno. por exemplo. ou seja. ativista social pela soberania alimentar e militante do movimento antiglobalização. a ONU e o FMI propõem uma nova "revolução verde”. Pelo contrário. há o mesmo número de pessoas no mundo que passam fome do que o de pessoas com problemas de sobrepeso. a obsessão pela terminologia e pela classificação de termos e o apego à nomenclatura. Esther Vivas. Juntamente com Xavier Montagut publicou os livros "Do campo ao Prato”. um litro de leite ou um pacote de bolachas pode parecer um ato bem cotidiano. Poderias definir o conceito de "soberania alimentar”? . d) O ensino da gramática normativa mais estrita. alimentos transgênicos e livre comércio. "Para onde vai o comércio justo?” e "Supermercados? Não. independente da área na qual atua. também. sob essa aparência inócua subjaz a relevância política de nossas ações. que monopolizam cada uma das etapas da cadeia agroalimentar. em ambos os casos. para que o aluno saiba identificar os termos da oração e os classifique não é garantia de que ele se tornará um usuário competente da língua culta.02. a inculta. acabem decidindo o que comemos. Para acabar com a fome no mundo não é preciso produzir mais. temos que apostar na soberania alimentar. Porém. à sua saúde e ao respeito ao meio ambiente. que ele adquiriu dos pais. A agricultura industrial. Por ela não ter preconceito linguístico.11 . reduzindo a agrodiversidade. se queremos consumir produtos livres de transgênicos. Comemos o que as grandes empresas do setor querem. quilométrica.Adital Entrevista a Esther Vivas. Icaria. o esforço. Esses bens naturais não devem servir para fazer negócio.Comunicação e Expressão 41 êxito nas situações de comunicação. Texto: ‘COMEMOS O QUE AS GRANDES EMPRESAS AGROALIMENTÍCIAS QUEREM' 04. afetando. obrigada!”. faz falta democratizar os processos produtivos e fazer com que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população. para especular. daqueles que trabalham na terra. pois. Os consumidores temos que poder decidir o que comemos. a água e as sementes devem estar nas mãos dos camponeses.Mundo Enric Llopis .

os mecanismos de dumping. não gera mudanças estruturais. sete empresas no Estado Espanhol controlam 75% da distribuição dos alimentos. Como nasceu e quais são seus princípios? Esther: O Movimento pela Justiça Climática faz uma crítica às causas de fundo da mudança climática. Também é necessário sair às ruas e atuar politicamente. como a energia nuclear. Trata-se de medidas cujo único resultado é agravar ainda mais a crise atual social e ecológica e.. como muito bem diz seu lema. Apostar no cultivo de variedades autóctones. trata-se de recuperar o conhecimento das práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologias e saberes. por ocasião da campanha da Iniciativa Legislativa Popular contra os transgênicos. Estamos em mãos das grandes cadeias de distribuição. Em Cancun fez sucesso a ideia de "adaptação” à mudança climática. nesse sentido. não consiste em uma proposta localista. De tal maneira que o consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida e o mesmo passa ao produtor ao buscar acesso ao consumidor. os que estão nas instituições não representam nossos interesses. Faz falta uma ação política coletiva. como. Por detrás disso escondem-se os interesses das companhias multinacionais e de um suposto "capitalismo verde”? Esther: Sim. por exemplo. como vimos em múltiplas ocasiões.. especulação com a habitação e com o território. ou os agrocombustíveis. Copenhague. E essa tendência cresce cada vez mais. reivindicar a soberania alimentar não implica em um retorno romântico ao passado. no qual o comércio internacional funcione como um complemento do anterior. É necessário antepor outra lógica e organizar-se contra o modelo agroalimentar atual no marco do combate mais geral contra o capitalismo global. O Movimento pela Justiça Climática tenta oferecer alternativas. a partir de grupos e cooperativas de consumo agroecológico. O que isso implica e que efeitos nos traz esse modelo de consumo? Esther: Hoje. hoje. proporcionar grandes benefícios a umas poucas empresas. porém. por exemplo. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. Que balanço geral pode ser feito sobre as diferentes cúpulas sobre a mudança climática? Esther: O balanço é muito negativo. Em todas essas cúpulas os interesses privados e o curto prazo têm pesado mais do que a vontade política real para acabar com a mudança climática. os critérios mercantis têm sido uma vez mais a moeda de troca e o mecanismo de comércio de emissões é. a captação de carbono da atmosfera para seu armazenamento. em defesa do território. Estás de acordo? Esther: Completamente. Combater a competição desleal. fóruns sociais etc. As soluções individualistas servem para romper com essas pautas de consumo? Esther: A ação individual tem um valor demonstrativo e aporta coerência. A Via Campesina afirma que comer. O que comemos é resultado da mercantilização do sistema alimentar e dos interesses do agronegócio. converteu-se em um "ato político”. Conseguir esse objetivo implica uma estratégia de ruptura com as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em vez de dar soluções reais. mas de promover a produção e o comércio local. os mercados locais. organizar-nos no âmbito do consumo. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. impulsionada por "Son lo que siembrem”. Pelo contrário. ao contrário. porque. Cancún. tenta "mudar o sistema. Da mesma forma. mas. Kyoto. expressa essa relação difusa que existe entre justiça social e . questionando o sistema capitalista e. saudáveis. precarização dos direitos trabalhistas. criar alternativas e promover alianças amplas a partir da participação em campanhas contra a crise. opta-se por falsas soluções. isso sim. mas os interesses privados.Comunicação e Expressão 42 Esther: Consiste em ter a capacidade de decidir sobre tudo aquilo que faça referência à produção. o seu máximo expoente. Porém. Desse modo. A mercantilização que está sendo realizada na produção agroalimentar é a mesma que atinge a muitos outros âmbitos de nossa vida: privatização dos serviços públicos. não o clima”. as ajudas à exportação. Não foram feitos acordos vinculantes que permitam uma redução efetiva dos gases de efeito estufa. de temporada. distribuição e consumo de alimentos. Promover os circuitos curtos de comercialização.

nas mobilizações de Cancún. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. 3. b) O consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida. d. nós já pensamos sobre o fato de nos submeter às grandes redes de supermercado ou como elas interferem no nosso modo de viver? . O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou. e todas elas nenhuma delas Questão 2: “Faz falta uma mudança radical de modelo.br/site/noticia. E diante disso. No ato rotineiro de fazer compras. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. b. 2011. é possível afirmar que: a) O texto descarta as novas tecnologias e o comércio local. Ela tem sido incapaz de alimentar à população. É urgente mudar o sistema.com. como também os pequenos produtores. O movimento tem tido um forte impacto internacional. não o clima. Questão 1: De acordo com a entrevista Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53754>. c a.De que modo o capitalismo criou a crise ecológica a partir da qual pode faltar comida no mundo? . o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. e) A agricultura de caráter industrial é enorme e intensiva. Acesso em 05 de fev. Isso tem contribuído para visualizar a urgência de atuar contra a mudança climática. 4. 5.Comunicação e Expressão 43 climática. entre crise social e ecológica. ao influenciar a mudança climática e destruir terras férteis. mais recentemente.Por que concordamos ou discordamos da ativista espanhola Esther Vivas? .adital. mais recentemente. c.Como é que o supermercado impõe o que eu como? Citemos exemplos. e c. O desafio é ampliar sua base social. Disponível em: <http://www. c) O Movimento pela Justiça Climática tem tido um forte impacto internacional. A crise atual apresenta a necessidade urgente de mudar o mundo pela base e fazer isso desde a perspectiva anticapitalista e ecologista radical. Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que devem andar estreitamente unidos. A solução é mudar o clima ou mudar o sistema capitalista? Esther: Faz falta uma mudança radical de modelo. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou”. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. porque o primeiro não combina com os produtos saudáveis e o segundo tem dificuldade de manter-se sem agrotóxicos. nas mobilizações de Cancún. d) A produção de combustíveis de origem vegetal é uma medida que pode colaborar na resolução do problema da falta de alimentos no mundo. 2. a. vinculá-lo às lutas cotidianas e buscar alianças com o sindicalismo alternativo. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental ao reduzir a diversidade de culturas agrícolas. . as pessoas nada podem fazer.

Um sacerdote muito bem pago. Mas enfim. coisa que. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. Ele. O melhor sinal é o da platinada. que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. sou um bicho televisivo. Estava em completo desespero. morrem até para estar naquela casa. Há os que vêem e nem gostam. esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "‘qualquer um pode neste mundo livre”. obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária. obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém com requintes de crueldade. escorregando pela parede. ainda assim. São vítimas. que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas. Tudo pela "plata”. enquanto os demais a abraçavam. as pessoas estão ali porque querem. ele se deixava cair. mas ocorre que estas "lições” em que se eliminam pessoas. As notícias estão no jornal. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. Então. peito e cabeça vazia. passam meio que por osmose. Cada uma daquelas criaturas que ali estão quebrando todas as regras da ética do bem viver são pobres seres humanos. elas mandam vídeos. No dia em que ela saiu do castigo. loucas. é claro. lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão.Comunicação e Expressão 44 Texto: A pedagogia do grande irmão platinado Texto de 26. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais. Mas. Pega em qualquer lugar deste grande país. o que. Querem mais do que as migalhas do banquete. E o fez. Fiquei por aí a matutar. É só estar vivo para saber. Vi a cara do rapazinho. se oferecem. no ônibus. héteros tarados. no elevador. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa.01. etc. um outro. esperando o ônibus. e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. Precisava sabotar seus amigos. músculo. Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. Deveras. Cada ano a violência fica maior. E assim vai o "grande irmão” propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder "????”). E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso.11 . ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades. mas que também dá sua espiadinha. em busca do que pensar ser seu lugar ao sol. Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial. Então esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido. dono de um texto refinado. Mas fica. . Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. do grupo. Não são eles os "imorais”. é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. Mesmo no terminal. chorando. É praticamente impossível fugir desses saberes. em todos os lugares. a qual é parte intrínseca do "show”. Em nome do milhão. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase que totalitária. Uma coisa de uma maldade abissal.. fez a sua escolha. é perverso demais o que os "inventores” fazem com aquelas tristes criaturas. que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. o tal do sabotador é uma pessoa. também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível. Depois. Sabia. em que se traem os amigos. nos filmes. Está bem. me causa espécie. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral possa ter o "show”.. nas cadeias. É a lavagem cerebral. em que vale tudo. putas ou santas. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. já que coisas do tipo que se veem ali também são possíveis de ver na novela. bi. O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes. É invasivo e feroz. perdidos num mundo que exige da juventude bunda. Agora inventaram a figura de um sabotador. trans. E fui observar um pouco desse zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade” da Globo.Brasil Elaine Tavares Jornalista Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudoesquerda que fica falando mal do BBB. dando as "notícias” dos broders.

nem rodos poderão ser reintegrados na sociedade. É ética. Acredito firmemente que se deve reduzir a idade na qual alguém pode ser legalmente responsável por seus atos.. o que causa espanto na autora? Por quê? Esse programa nos causa espanto de alguma maneira? Por quê? Questão 5: Que paradoxo Elaine Tavares discute no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Questão 6: Afinal. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética”. juntas.br/site/noticia. mas se estupramos. qual é a pedagogia do BBB. Penso que há outras formas de a gente se divertir. Logo estará livre para reiniciar com alegria sua atividade de assassino psicopata.Em que variante/s o texto é escrito? Por que é dessa forma? Vamos apresentar marcas textuais que justifiquem nossa resposta. aqui. É galera. Voltarão para novos crimes. Quando em outros países a idade mínima é de 14 anos. Onde as pessoas. como bem já levantaram alguns blogueiros. Ando exausta de tanto cinismo. aqui perto. lúcida ou drogada.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53508>. começa a roubar e matar. e o menino respondeu com simplicidade: “Nada. Por ser menor de idade. típica do capitalismo. buscam o bem viver. Tudo pela "plata”? Questão 3: . nefanda. Acesso em 28 de jan. às vezes com requintes de crueldade. outro tenha que ser "eliminado”. Quinze deles já foram confirmados. aos 16 podemos mudar o país através do voto.Comunicação e Expressão 45 Enquanto isso. 12. via repetição. Tratase da consolidação. sim”. fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudoesquerda. se perguntarem a razão. como tantos assassinos iguais a ele. E. Questão 1: Que tese Elaine Tavares defende no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Que argumentos a jornalista utiliza para tecer o ponto de vista dela? Questão 2: Por que Elaine Tavares emprega aspas nas palavras no seguinte trecho: É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. matamos. 2011. Talvez tenha acreditado num dar de ombros: “E daí?” Se não houver alguma grave interferência. quase uma criança. aos 12 anos – pouco mais. Então. foi para uma dessas instituições de ressocialização nas quais não acredito. da rede Globo. que assaltou um amigo meu. maldade. Meu amigo perguntou por que. e repetia “vou te matar”. Cansei do drama da juventude que. cruel. talvez diga como outro criminoso. perseguição aos homens de bem e impunidade aos pérfidos. e até menos. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. até . roubamos. a Globo. ele sairá em breve para matar. É coisa ruim. Os empresários globais lambem seus bigodes. sinistra e miserável. Disponível em: < http://www. Recentemente. ele vem. Hoje sai a fim de matar alguém”. sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. que pretender cristalizar como verdade que para que um seja feliz.adital. de uma pedagogia. Questão 4: Diante do programa do BBB. lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos”. brother quer dizer irmão em inglês. pouco menos: se apanhados. segundo Elaine Tavares? Texto: A lei e a justiça Lya Luft Ando cansada da loucura humana. “Matei. junto com as companhias telefônicas. O show da Globo é uma violência explícita. malcheirosa.. A questão do "grande irmão” não é moral.com. um menino de 14 anos confessou na maior frieza o assassinato de dezessete pessoas.

19 de janeiro de 2011. sociedade doente. o que nem sempre é bom.com/2008/11/as-ch. da nossa desolação e dos nossos enganos. depois de cumprir pena em uma dessas instituições. e quem sabe. comentem crimes de forma fria e calculista.>. vítimas e criminosos deixando famílias destroçadas dos dois lados. Do desinteresse e da má vontade. se a gente cavasse fundo no jardim. Quando menina. que deveriam ser submetidos a leis mais firmes e colocados – se for o caso – em prisões decentes onde possam trabalhar. Um deles parece não ter fim: o poço dos escândalos nossos de cada dia. sem solução à vista.Vamos responder a essas perguntas em um único texto com coerência. sociedade moderna. elabore um parágrafo padrão declarando o que você pensa a respeito do assunto. 03. me disseram que. A partir de reflexão sobre a redução da idade penal. mas o dinheiro e o esforço dedicados a isso têm sido irrisórios dentro do orçamento do país. que talvez tenha suas razões para não tirar a venda e finalmente olhar para nós. Acesso em 25 de nov. com nova oportunidade de mostrar isso. que mereceriam uma sociedade menos violenta e autoridades mais eficazes. na maioria das vezes. exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. Isso inclui as possíveis vítimas. onde as pessoas andavam de cabeça para baixo (para eles. além de teorias. Do poder dos maus e da fragilidade dos bons. ou “a sociedade”. O diabinho rosna então uma das melhores frases sobre o assunto: “A lei nem sempre garante a justiça”. Questão 3: Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar. e de outro lado os criminosos. Pouca é a vontade de mudar isso. descobriremos que a senhora Justiça era apenas um mito. livros e seminários com discursos pomposos mas pouco eficazes. no texto “A lei e a justiça” faz referência à questão da idade penal. Sou mais crédula do que cética.. para ver se não haverá alguma luz que o afugente. E aí nem leis nem tribunais supremos ou mínimos nos ajudarão. descobri que a vida tem outros poços. Disponível em: <mariquinhamaricota. Além do mais. que às vezes é apenas outra vítima. aqui e ali. de pernas para o ar estaríamos nós). produzimos esse e outros dramas morais? Acusa-se pela criminalidade juvenil a família. Questão 2: Luft afirma que não acredita em instituições de ressocialização.. concisão e clareza. ano 44 – n. A palavra é de origem francesa e significa carga. E você. esse poço daria no Japão. ou seja. aumentam as tragédias. onde jovens. por meio de uma caricatura. que deveria começar com a educação em suas bases. p. acredita que um jovem criminoso. os seis cês que são fatores essenciais para a escrita de um texto de qualidade. enquanto se multiplicam os dramas. poderá integrar-se à sociedade como um cidadão de bem? Justifique sua resposta com argumentos claros e convincentes. (Revista Veja. Adulta. coesão. O poço tem fundo: o diabinho no meu ombro espia seu reflexo nele. correção gramatical. Resta descobrir quanto tempo se leva para chegar a esse fundo. que não usamos um pano diante dos olhos. . A autora demonstra revolta e indignação diante da situação de violência do nosso país. 18) Questão 1: Lya Luft. ou seja. algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas.Comunicação e Expressão 46 os 18. criatividade. nem todos divertidos. e se. pegamos uma leve – e breve – pena em uma instituição que (com raras exceções) reeduca os passíveis de melhoria e deixa os psicopatas mais loucos. mas enrolamos a alma numa cortina escura. produzir para seu próprio sustento. em lá chegando. se ficarem apenas na letra escrita ou submetidos a jogos de poder. Como nós. As charges são muito utilizadas em críticas políticas no Brasil. Quem são os personagens da charge abaixo? Onde e em que momento eles estão? O que eles estão fazendo? Por quê? O que eles representam no nosso país? Que crítica a charge faz? Por quê? Em que aspectos a charge se assemelha ao texto de Lya Luft A lei e a justiça? . conceito vago que isenta de uma ação enérgica. 2010.blogspot. realmente voltar à sociedade regenerados. nada adiantará se não cumprirmos o que deve estar em qualquer Constituição: que a todo ser humano seja garantido tratamento digno e decente.

por utilizarem certos trazes. as línguas fornecem meios também para a identificação social. pela mesma razão. também podem caracterizar-se por traços linguísticos. de sexo. Faz parte da visão de mundo que as pessoas tem a respeito do campos nos quais não são especialista. Em outras palavras. Ao contrário. a pronúncia não-padrão a eliminaria (caxa. poderia talvez achar que tem um argumento definitivo. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre indivíduos ou grupos. do mesmo modo (e. Os principais são os fatores geográficos. para quem pretende ter uma visão mais adequada do fenômeno da linguagem. dois fatos são importante: a) todas as línguas variam. Para exemplificar: podemos dizer que fulano é velho por quem tal hábito (fuma cigarro sem filtro. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. outro: a pronúncia padrão incluiria a semivogal. idades. Em outras palavras. especialmente para os profissionais. uma autoridade falar como uma pessoa simples etc. quando não ridículo um velho falar como uma criança.zip. Ou seja: a primeira verdade que devemos encarar de frente é relativa ao fato de que em todos os países (uma em todas as “comunidades de falantes”) existem variedade de língua. Mas como existe. e como também é um fato social associado à linguagem. muitos meninos não podem ou não querem usar a chamada linguagem correta na escola.html>. Acesso em 25 de nov. Por exemplo. não é preciso estudar uma língua para não “errar” em certos casos. de idade. 2010. infelizmente. peixe. isto é. profissões.net/arch2010-04-01_2010-04-30. de certa forma. De uma forma um pouco simplificada: assim como certos grupos se caracterizam por meio de alguma marca (digamos. E não apenas no Brasil porque seriamos um povo descuidado. a distância – só que esta é social) acabam caracterizando sua fala por traços diversos em relação aos de outra classe. de etnia.). pexe. Mas nunca se ouve . os fatores que permitem ou influenciam na variação podem ser detectados por meio de uma análise mais cuidadosa e mesmo anedótica. Pessoas que pertencem a classes sociais diferentes. O mesmo vale para diferentes sexos. há “erros” que ninguém comente. a variação é de alguma forma regrada por uma gramática interior da língua. por terem determinados hábitos etc. Ou seja. de profissão etc. Um dos tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas são externas à língua. etnias. A segunda verdade é que as diferenças que existem em uma língua não são casuais. essas diferenças se refletem na língua. ou porque como em geral ocorrem com os mais jovens). que não respeita nem mesmo sua rica língua. b) a variedade linguística é o reflexo da variedade social e. sob pena de serem objeto de gozação por parte dos colegas porque em nossa sociedade a correção é considera uma marca feminina. ouvem-se pronúncias alternativas de palavras como caixa. é frequentemente estranho. Ou seja. Por exemplo. deve ser levado em conta. Por isso. Texto: Não Existem Línguas Uniformes Sírio Possenti Alguém que estivesse desanimado pelo fato de que parece que as coisas não dão certo no Brasil e que isso se deve ao “povinho” que habita esse país (conhecem a piada?). quando observa que “até mesmo para falar somos um povo desleixado”. é uma avaliação falsa. porque a língua não permite. Esse modo de encarar os fatos da linguagem é bastante comum. Por isso. Por isso. Ou seja: pessoas que moram em lugares diferentes acabam caracterizado-se por falar de algum modo de maneira diferente em relação ao outro grupo. Também há fatores internos à língua que condicionam a variação. otro). relapso.Comunicação e Expressão 47 Disponível em:<juicetech. por exemplo. de classe.

Sírio. Mas. Por que (não) ensinar gramática na escola. Ouviremos muitas vezes “nós vai”. ou por ambos ao mesmo tempo. no meio. Assim. 33) . que é uma das melhores coisas que a humanidade inventou. todo falante conhece. Alguns sonham com uma língua uniforme. de alguma forma. o l setá sempre um l em palavras como lata. arguma. Outro exemplo: podem-se ouvir várias pronúncias. Mais exemplos: poderemos ouvir “os boi”. “vou tratá-lo formalmente”)? (POSSENTI. mas nunca “o bois”. por exemplo. E isso vale para falantes cultos e incultos. auguma. as variações linguísticas são condicionadas por fatores internos à língua ou por fatores sociais. “um caras” ou “Comédia do Erros”. “Comédia dos Erro” . e a poesia? E o humor. E a variedade linguística está entre as variedades mais funcionais que existem. nunca. e como os falantes fariam para demonstrar atitudes diferentes? Teriam que avisar (dizer. A variação tembém existirá em palavras como planta: planta ou pranta (mas nunca ouviremos puanta). p. “estou irritado”. dar ordens e instruções. Podemos pensar na variação como fonte de recursos alternativos: quanto mais numerosos forem. do som que se escreve com a letra l em palavras como alguma: alguma. Em uma língua uniforme talvez fosse possível pensar. ele varia.Comunicação e Expressão 48 alguém dizer peto ou jeto ao invés de peito e jeito. Só podem ser por mania repressiva ou medo da variedade. Mas. jeito)? Certamente. também (embora não com o mesmo número de variedade). Mas. mas nunca “ eu vamo(s)”. Ou seja: no fim da sílaba. “estou à vontade”. 1996. Campinas: Mercado das letras/ALB. no início. em vários lugares do país. mais expressiva pode ser a linguagem humana. então. “dois cara”. Por que será que os mesmos falantes ora eliminam e ora mantêm a semivogal? Alguém pode explicar porque o i cai antes de certos consoantes e não diante de outras? Alguém pode explicar por que o u cai antes de t (otro) e o i não cai no mesmo contexto (peito. o tipo de semivogal (i ou u) e a consoante seguinte são partes dos fatores internos relevantes para explicar esse fato que.

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Segundo a obra A arte de argumentar (ABREU. o que pode ser considerado como tese de adesão inicial utilizada por Nick Naylor? Por quê? . na revista Língua Portuguesa no. discurso do senso comum. então. possui todas elas ou não? Que trechos e/ou referências do filme autorizam e/ou justificam nossa resposta? Que relação há entre o trabalho desenvolvido pelo lobista e as entrelinhas do filme? 4. os tais auditórios e o título do filme. 33). “se uma pessoa souber argumentar corretamente nunca estará errada”. o falante pode ter o auditório particular ou ainda o auditório universal. Tanto isso é verdade. sugere que o falante deve apresentar. pelo poder que elas têm de significar. A partir de uma das conversas entre Nick e o filho e outra entre a criança e a mãe. às vezes. a tese de adesão inicial. p.30) afirma que “na sociedade em que vivemos somos moldados por uma infinidade de discursos: discurso científico. Em termos de argumentação. etc”. podemos dizer que há argumentação e contraargumentação? O que de fato está em jogo no discurso de um e de outro? Podemos afirmar que. pelo modelo e antimodelo e pela analogia. Abreu (2005. até . porque quer convencê-lo e/ou persuadi-lo sobre algo. nesse caso. p. não devemos propor de imediato nossa tese principal. para que o falante tenha êxito na sua argumentação é ainda necessária a utilização das técnicas argumentativas como: compatibilidade e incompatibilidade.Vamos identificar em que momento o filme apresenta a técnica da argumentação pelo modelo e antimodelo e justificar por quê. seu interlocutor. vamos verificar como é a relação entre o lobista.45) afirma que “ao iniciar um processo argumentativo visando ao convencimento. Nick Naylor. todos eles a mesma importância. Abreu (2005. 5.Qual é o discurso comum e o discurso científico que aparece no filme sobre o cigarro? Como se constrói o primeiro e o segundo? 3.E qual é a tese principal do lobista? Por que ele a defende? 6. Nas disputas entre Nick e o senador.Além de identificar os dois auditórios do lobista. a ideia que queremos “vender” ao nosso auditório”. que diferença há entre negociação e argumentação? Qual das duas estratégias apresenta maior grau de credibilidade? Por quê? De acordo com o personagem. No filme. trabalha em uma empresa de estudos sobre Tabaco a qual é financiada pelos empresários da indústria de cigarro e desenvolve com excelência a sua profissão de lobista. 8. Nick Naylor. às suas glórias. . p. como lobista. o filme é irônico? Por quê? 9. . dando sentido ao homem. Num processo persuasivo. obviamente.No primeiro programa de televisão apresentado no filme. antes da principal. a técnica da definição. fraquezas e ações. regra de justiça. que a expressão hierarquia de valores é largamente utilizada. “Os valores de uma pessoa não têm. o argumento do ridículo. O que você sabe a respeito de tal profissão? Por que Nick é um lobista cobiçado pelos grandes empresários? 2. Nick Naylor possui ambos os auditórios. Lembra Beth Brait. Abreu (2005) cita quatro condições da argumentação de sucesso. O escritor. 36 (2008. discurso político. pelo exemplo. do desperdício. . De que ponto de vista o lobista a pronunciou? Você concorda com essa afirmação? Por quê? 7. a maneira como o auditório hierarquiza os seus valores chega a ser. 2005). Segundo Abreu. discurso religioso. O protagonista do filme. e ainda os argumentos: pragmáticos. pode se revelar de muitas maneiras”. o falante ou locutor expressa seus argumentos (ponto de vista/ discurso) para outro falante. retorsão.Comunicação e Expressão 51 ROTEIRO DO FILME OBRIGADO POR FUMAR 1. . discurso jurídico. que “ a atração pelas palavras.

2005. em função da cultura. A arte de argumentar está relacionada com a capacidade de gerenciar emoções. das armas de fogo e de bebidas são bem pagos. compreender os valores e as necessidades do outro. Essas são as conclusões do processo. E os lobistas do tabaco. ordem. a qual Que (quando equivale a o qual e flexões) Os quais. essência. cuja Onde (quando equivale a no qual e flexões) Cujos. quanta Quantos. (. As cantoras eram péssimas. O que o filme sugere com isso? Por quê? 11.Afinal. para que a argumentação atinja positivamente o auditório. O sitio me deixou encantado. (= as quais) Este é o pintor. qual é o lugar de argumentação que o filme mostra de forma mais evidente? Por quê? 10. . Esse trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. Eu me refiro à obra dele. O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. p. cujas Quanto. Traga todos quantos quiser Regressando de São Paulo. as quais Quem (quando equivale a o qual e flexões) Cujo. Meu irmão comprou o restaurante. visitei o sítio de minha tia. Assim. a mídia está sempre em evidência. duração: 92 min gênero: Comédia status: Arquivado IV. o falante deve re-hierarquizar os valores com os lugares da argumentação: lugar de quantidade. visitei o sítio de minha tia o qual me deixou encantado. quantas Ex: fale tudo quanto quiser. Até que ponto Obrigado por fumar aborda a respeito disso? Que trechos autorizam minha resposta? Nota: OBRIGADO POR FUMAR título original: (Thank You for Smoking) lançamento: 2006 (EUA) direção: Jason Reitman atores: Aaron Eckhart. (ABREU. . qualidade.(= o qual) As cantoras se apresentaram. Adam Brody. pessoa e existente. Sobre elas pairam muitas dúvidas. Maria Bello..Comunicação e Expressão 52 mais importante do que os próprios valores em si. Regressando de São Paulo. Essas são as conclusões do processo sobre as quais pairam muitas dúvidas. As cantoras que se apresentaram eram péssimas. Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual falei a você. das ideologias e da própria história pessoal”. No filme. 77). Cameron Bright. Particularidades Léxicas e Gramaticais USO DO PRONOME RELATIVO Os pronomes relativos são os seguintes: Variáveis Invariáveis O qual. Eu fiz o trabalho.. Eu falei a você sobre o restaurante.) As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa.

Nós assistimos ao filme que vocês perderam. Roubaram a peça que era rara no Brasil. A árvore foi derrubada. Não conheço o político de quem você falou. 2009 (com modificações) Por que. Isso normalmente ocorre quando o "que" encerra a oração.Comunicação e Expressão 53 Este é o pintor a cuja obra me refiro.com. A peça que roubaram era rara no Brasil. Aqui estão os ingredientes. . Encontrei o garoto a quem você estava procurando. Roubaram a peça. Eu me referi ao artista ontem. Notou? Quando emitido tonicamente. Aquele é o homem de quem lhe falei. Nós assistimos ao filme. Este é o artista. o "que" é acentuado. A peça era rara no Brasil. Nós necessitamos desses ingredientes. Você estava procurando o garoto. Vocês perderam o filme a que nós assistimos.asp?menu=1&cod=160>. Eu acreditei nas palavras do advogado. é emitido tonicamente. Encontrei o garoto. já que esse "quê". Eu trabalho para ela. Vocês perderam o filme. por quê. Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança.br/gramaticaonline. Aquela é a senhora Bovary. Você falou do político. Percebeu? Quando vem no meio da frase. Ele comprou os livros de que gostou. O advogado está preso. Este é o pintor. acesso em 05 de jun. Eu não o conheço. O advogado em cujas palavras acreditei está preso. fraco. Eu lhe falei do homem. Eu gosto da obra desse pintor. por ser monossílabo tônico terminado em "e". Os frutos da árvore são venenosos. Este é o artista a quem me referi ontem. e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse "qui": "Quero o que você quiser". porquê Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista ("Você tem cheiro de quê?"). Aquela é a senhora Bovary para a qual trabalho. Onde/aonde: Sempre morei no país onde nasci. O pesquisador apresentou alguns livros. Aquele é o homem. Aqui estão os ingredientes de que necessitamos. que encerra uma frase interrogativa direta. Este é o pintor de cuja obra gosto. O sítio aonde fui é aprazível. ou seja. O acento é correto.gramaticaonline. o "que" normalmente é átono. Os alunos gostaram dos livros apresentados. porque. Disponível em: <http://www. O pesquisador apresentou alguns livros dos quais os alunos gostaram. Releia a frase: "Você tem cheiro de quê?". A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada.

avisos públicos. por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?". Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve "por que" ("separado". rótulos. "Faço questão de saber por que (= por que razão. o que tinha de ser junto vem separado. a causa da ausência dessa pessoa. Já o "porque" ("junto") introduz explicação ou causa do que se afirma: "Não vou porque estou doente". é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto. o que ocorre. como se diz) quando há ponto de interrogação. O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente.Comunicação e Expressão 54 Há outras situações em que se deve acentuar o "que". desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a "pelo/a qual". é preciso que essa palavra seja substantivo. "por qual razão". de Guilherme Arantes: Pra que tornar as coisas tão sombrias na hora de partir? Por que não se abrir? Se o que vale é o sentimento e não palavras quase . Para acentuar "porque" ("junto"). "pelos/as quais": "São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar". textos publicitários etc. continuaram sem saber. Veja este caso: "Você não foi porque estava doente?". "Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios". "Ele não revelou o porquê (= o motivo. Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes. No segundo. quando a palavrinha tem valor de substantivo ("Ela tem um quê de magia") ou de interjeição ("Quê! Vocês por aqui?"). Se você gosta de "curto e grosso". O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber. "Ele não vai. Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal. "pelos/as quais" ou a "por que razão". e ninguém sabe por quê". No outro caso. se a doença foi o motivo. por exemplo. "Ninguém sabe porque ele não explicou". quando o assunto é "por que". Como já afirmei. "Ele não vai. por exemplo. "causa": "Não entendemos o porquê (= motivo. Se você estiver lendo Saramago. muda tudo. quando da explicação do título da revista ("Você tem cheiro de quê?"). "porque" etc. mas sempre vale a pena voltar a ele. grafa-se "porque" (com acento. basta que a oração termine ali: "Por quê?". ninguém sabe por qual razão ele não explicou. "porque". Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. faixas. mesmo com ponto de interrogação no fim da frase. É por isso que. "As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas". normalmente "porquê" acaba sendo sinônimo de "motivo". Muitas vezes. se for substantivo). isto é. A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar "por que". e ninguém sabe por qual razão/por que razão"). Há basicamente dois casos em que se usa "por que". Note que às vezes é justamente a grafia ("junto" ou "separado") o que decide o sentido da frase: "Ninguém sabe por que ele não explicou". e só se escreve "porque" ("junto". se a oração terminar ali). grafa-se "por que" (com acento. É "separado" porque equivale a "por qual razão" ("Por qual razão?". esqueça o que verá neste texto. ou seja. "por qual razão": "Por que (= por que razão. No primeiro caso. vamos lá. esse "porque" é "junto". as pessoas saberiam se ele tivesse explicado. Vejamos um trecho da canção "Pedacinhos". a causa) da demissão do ministro". como ele não explicou. Num deles. por qual razão) você é tão áspero com ela". Posto isso. sim. temos a equivalência com as expressões "pelo/a qual". e o que tinha de ser separado vem junto. não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é "junto" ou "separado". pouco comum. "por quê" e "porquê". E quando se coloca acento em "por que" e "porque"? É simples. mas. o "por que" equivale a "por que razão". Nesse caso. como se diz) quando não há ponto de interrogação. No primeiro caso. Quando não. a causa) da renúncia". Já tratei do assunto há um bom tempo.

Não o vejo desde 1980. (E não “desde de 1980”). Não é errado dizer que “ele tem uma bela casa de campo”. sem o artigo. é proprietário de alguma coisa: Ele possui uma bela casa de campo. nem sempre podemos trocar um pelo outro. Desde Nunca escreva “desde de”. Todo o livro é perfeito. (Significa “qualquer livro”. Compare estas duas frases. Arantes usa a frase "Por que não se abrir?". Vamos seguir o regulamento na medida em que (uma vez que) ele foi aprovado. Embora os dicionários o dêem como sinônimo de ter. particulariza o objeto. Use possuir quando quiser dizer que alguém tem posse de. quando acompanhado de artigo. Leia este exemplo: Ele é nosso representante junto à FIFA. 3.) Todo livro traz sempre algum benefício ao leitor. o melhor é o do Palace. (Significa que o livro a que me refiro é perfeito do princípio ao fim. Dentre as moças da sala. A primeira proporção e a segunda de causa. ele tirou a mais bela para dançar. Nos demais casos. Mas há casos em que só o verbo ter é aceitável: . ressurgir.) 4. tirar. À medida que/na medida em que Não confunda “à medida que” com “na medida em que”. Sempre se emprega com verbos como sair. Dentre Significa “do meio de”. Entre os filmes em cartaz. O certo é abandonar a palavra “junto” e usar a preposição exigida pelo verbo: Você tem de se explicar ao banco. Esse "por que" é separadíssimo! Toda vez que for possível substituir o "por que" por "por qual razão" ou "por que razão". Junto a “Junto a” significa “adido a”. Já esta frase não está correta: Você tem de se explicar junto ao banco. Nessa canção. Todo O pronome todo. Obs: Não existe a forma “à medida em que”. ele deve ser escrito separado: por que não se abrir por qual razão não se abrir 1. generalizao. 5. 2. use entre. 6.Comunicação e Expressão 55 sempre traiçoeiras e é bobeira se enganar. locução dá idéia de Você vai melhor à medida que (à proporção que) for tomando esse remédio. Possuir/ter Muito cuidado quando empregar o verbo possuir.

“de outro modo”. Nós temos direitos adquiridos.mal – contrário de “bem”. ele sorria. bares limpos. . 10.sequer – significa “pelo menos”. Senão/ Se não . Ela tem cabelos castanhos e olhos azuis. 9. há cerca de – faz aproximadamente Há cerca de dez anos que eles estudam esse assunto. boa iluminação. Inauguraram uma padaria em frente de nossa casa. ele sorria. Acerca de / A cerca de / Há cerca de acerca de – sobre Não disse nada acerca do plano econômico que elaborou. Ele é muito mal-humorado. a cerca de . “a não ser”. No segundo exemplo seu emprego não estaria correto. Tome conta de seu cachorro. 11. 8. 12. Ao invés de / Em vez de ao invés de – significa “ao contrário de” Ao invés de chorar. “ante”. Se quer viajar. 7. Há/a . Face a / Frente a Nunca use. . Ele foi muito ríspido. pois estudar não é o contrário de ver televisão. 13. “em frente de”. em vez de – significa “em lugar de” Em vez de estudar.Senão – significa “no caso contrário”.Comunicação e Expressão 56 A praia tem agora quadras de esporte.se quer – o “se” é conjunção condicional mais o verbo “querer”. senão (caso contrário) ele foge. Ao invés de só é usado quando marca uma oposição.Se não – significa “quando não” ou “caso não”. .mau – contrário de “bom”. Em vez de pode ser usado também no primeiro caso: Em vez de chorar. “em face de”. se não (quando não) mal-educado. viaje. Substitua por “diante de”. “em vista de”. “perante”. Ele estava de mau humor. Sequer/ Se quer .aproximadamente Minha casa fica a cerca de cem metros da praia. Mau/Mal . preferiu ver televisão. “ao menos” Não disse sequer uma palavra para agradecer.

isso. Por exemplo: "Este ano é o ano das mudanças!" "Nesse domingo. acolá Tempo Presente Passado recente ou futuro Passado remoto Citações Apresentam um elemento Retomam um elemento -o- Em relação ao espaço (lugar). com o pretérito perfeito do indicativo (cantei. depois. esta.aquela. aquilo. substitua o verbo haver por fazer: Há (faz) oito anos que não o vejo. vendia. e o que julgar que é passado distante usará aquele. isso. para elemento que esteja próximo da pessoa com quem se fala. Veja a diferença entre a tempo e há tempo: Chegou a tempo de fazer as malas. Use a para exprimir distância ou tempo futuro. lá.. isso. aquilo Espaço (lugar) Aqui Aí Ali. isto para representar qualquer elemento que esteja próximo da pessoa que fala. usamos este. partia). Haja vista Prefira sempre essa forma.. aquilo. Minha escola fica a duzentos metros de casa. Haja vista os casos de dengue dos últimos meses. aquilo. esta." "Essas olimpíadas foram horríveis para os atletas brasileiros. que é minha. usamos este. esta. Por exemplo: "Comprei esta jaqueta que estou usando daquele camelô que vai lá adiante. aquela. Onde você comprou essa sua?" "Dê-me essa caneta. vendi. aquela. irei a Águas de Santa Bárbara. para o passado remoto. isso Aquele.. Ele está na Austrália há (faz) tempo. esse. parti) é uma questão de estilo: o que julgar que é passado recente usará esse. essa. isto Esse.. Use há para tempo passado. Daqui a cinco anos estarei formado. explicá-la-emos: Pronomes Este. Quando o verbo estiver conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (cantava. 14. usase aquele. e não sua. aquele. essa. aquilo. Juvestônio?" Em relação ao tempo. aquela. para elemento distante de ambos. isto para representar o tempo presente. para o passado recente ou para o futuro. aquela." "Que cara é essa. construiremos uma tabela e. essa. aquele. pois duas pessoas podem ter interpretações diferentes para a mesma frase. Para saber se seu emprego está correto. Pronomes Demonstrativos Para maior clareza no estudo dos pronomes demonstrativos. O grande problema é distinguir o passado recente do remoto. Haja vista o seu súbito interesse pelo caso. esse. essa.Comunicação e Expressão 57 Não troque a por há e vice-versa." .

Comunicação e Expressão 58 "Em 1922 aconteceu a Semana de Arte Moderna. ninguém etc. em relação aos verbos.): . Sombra de reis barbudos." ("esse". A conferência dos pássaros. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. pois para mim. aquele = Machado de Assis) COLOCAÇÃO PRONOMINAL Os pronomes pessoais oblíquos átonos me. isto." (este = Carlos Drummond de Andrade.." Quando houver a enumeração de dois elementos e. a. é passado recente. vos. as. esta." Usamos este. apesar de saber que este jamais conversa com aquele." "Astolfeno Barbosento é candidato a prefeito de Castanheira Verde do Sudoeste. denominam-se: PRÓCLISE . Este é conhecido por suas poesias.)” (Farid Ud-Din Attar. Outro exemplo: "Meu filho." Se o pronome demonstrativo estiver retomando o substantivo imediatamente anterior. isto para apresentar um elemento ou uma frase que será escrita ou falada.) Próclise Palavras “atrativas” • De sentido negativo (não.. que está imediatamente anterior a ele. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. aliás." "Pode ser citado como exemplo comprobatório este fato: o policial não estava armado. nos.“Obedecer-lhe-emos de todo o coração e faremos o que ele disser (. aquilo e o último por este.“Deixou escapar um soluço estrangulado como se limpasse a garganta. esta. havia muitos poetas eminentes. aquele. por seus brilhantes romances. pois observe o verbo no pretérito imperfeito do indicativo – havia) "Em 1984 casei-me. usamos esse. deve-se substituir o primeiro por aquele.” (Fernando Sabino. aquela. os. nem com este você deve envolver-se. essa. esse homem é muito truculento.. deveremos usar este. para outra pessoa poderia ser distante) Em relação a citações orais ou escritas.“Dei-lhe mais uma chance de voltar atrás”. jamais.) MESÓCLISE – Meio .) ÊNCLISE – Depois . te. isso para retomar um elemento ou uma frase anterior. lhe. (José J. apesar de fazer 16 anos. Por exemplo: "Preste atenção a estas palavras: O fumo é prejudicial à saúde. Por exemplo: "Ao me encontrar com Florisberto perguntei por Abiduílson. lhes. não se envolva com os funcionários da empresa em que trabalha o nosso vizinho. naquela época. . esta deve ser preservada. O grande mentecapto. isso já foi comprovado cientificamente. aquele = Florisberto) "Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira. Veiga. o. esse foi um dos melhores anos de minha vida. se." Perceba que o pronome "esta" está retomando o substantivo "saúde". quiser retomá-los.Antes . esta.. à frente. isto. nunca." ("Naquela época"." (este = Abiduílson.

fazê-los unidos. Orações exclamativas ou interrogativas: Ex...: “Não te surpreendas. e não próclise. • Pronomes relativos (que. cujo. dito-te. • Certos pronomes indefinidos (tudo. Masson já nos chamava” (Albert Camus.: Não utilize pronome átono depois de particípio: Errado: .)” (Machado de Assis. • Substantivo (de qualquer tipo): Ex. empurrar-me-á) para a prece” (Farid UdDin Attar.: “(. meu espírito me empurra (empurra-me.. Revolução nos serviços). • Conjunções subordinativas (se. A conferência dos pássaros). • Preposição para + infinitivo (mesmo com presença da palavra “atrativa”): Ex. Ela despertou-se suavemente.): Ex. O estrangeiro).: “Foi nesse momento que. Atenção: Se houver vírgula após o advérbio. A conferência dos pássaros). • Advérbios em geral (já.: “– Pode corrigi-los por boas maneiras.Comunicação e Expressão 59 Ex. Rasguei a carta para te não aborrecer. haverá ênclise.)” (Albert Camus.) outras. Esaú e Jacó). descobri características que causam a diferença entre as empresas” (Karl Albrecht. defini-me quanto aos métodos de trabalho. Certo: Eu não te havia dito. ter-me-ia habituado aos poucos” (Albert Camus. embora etc. bem etc.. Este dá-me satisfação. Ex. Revolução nos serviços).: “Tu deves de ir também co’os teus armado Esperá-lo em cilada..: “(. quem.): Ex.)” (Karl Albrecht. • Verbo no imperativo: Ex. quanto etc.): Ex. Rasguei a carta para não aborrecer-te.. aqui.: “Quando voltamos. • Preposição a + infinitivo: Ex. • Pronome demonstrativo: Ex.: Que Nossa Senhora o proteja. sempre. Ênclise • Sempre que houver pausa: Ex. Orações que expressam desejo: Ex. respondeu-lhe uma voz interior (.: “Queremos que acreditem tanto na idéia de serviço que se transformem em defensores da qualidade do serviço na organização” (Karl Albrecht. todos.: “(.. Este dar-me-á satisfação.: “A dignidade de governo começava a enrijar-lhe os quadris” (Machado de Assis. distingui uma fila de rostos. quando lhe pedi uma recomendação de um restaurante próximo (.: Rasguei a carta para não te aborrecer. Ele despertar-te-á cedo. • Preposição em + gerúndio. continuam sem solução.. Todos me olhavam (.: “Em se tratando de discussões sobre serviços com executivos.) mas.)” (Farid Ud-Din Attar.. Revolução nos serviços). Ex.. porque.: “– Custa-me pedir-lhe” (Machado de Assis. oculto e quêdo” (Camões. O estrangeiro). quando. Obs.: Eu me despertei assustada.: Este me dá satisfação. O estrangeiro). • Períodos iniciados por verbos que não estejam no futuro: Ex. O Alienista). ainda que discordem (.): Ex.) sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça.. Obs.. Casos facultativos Se a palavra que antecede o verbo for: • Pronome pessoal do caso reto: Ex.: Os problemas que se não discutem. Os Lusíadas).: O pronome pode aparecer antes do não. Ex.: Está me chamando? Mesóclise • Quando o verbo estiver no futuro do indicativo. Esaú e Jacó)... Ex. . cada etc.: Hoje.. diante de mim..

ou escrita informal: Devemos lhe dizer. houver palavra que exige a próclise. Horas Hora redonda: 8 horas. Ou 8h. agendas. O ano pode ser registrado com os dois últimos dígitos: 12/11/02.002). (sem "s" e sem ponto depois de "h"). Não devemos dizer-lhe a verdade. Ou: Nós lhe devemos dizer a verdade. pois atende a objetivos estéticos. quando se quer evitar fraude.: Devemos-lhe dizer a verdade. • No caso. como em 08:00 09:00 10:05 13:20 é usada em áreas específicas. só duas posições serão possíveis para o pronome átono: antes do auxiliar (próclise) ou depois do infinitivo (ênclise). crase e paralelismo Escreva assim: De segunda a sexta-feira De terça a quinta-feira ou Da segunda à sexta-feira . no caso mencionado.2004 Observações: Os números cardinais devem ser escritos sem ponto ou espaço entre o milhar e a centena: 1999 (e não 1. ou depois do infinitivo. Atualmente. horas. Nas combinações de verbo pessoal (auxiliar ou não) + infinitivo. Dias. Hora quebrada: 8h30min. Exemplo: 1º/5/02 ou 1º/05/02. A grafia com dois pontos. 2002 (e não 2.10.: Não lhe devemos dizer a verdade. E é sempre aconselhável. a anteposição de um zero é prática corrente. ainda: Devemos dizerlhe a verdade. competições. no entanto. • Se. Ou. o pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo. de passagens. Saiba Mais: 1. etc.. 9h43min etc. 2. Datas Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas: com traço: 28-12-1945 com barra: 12/11/2002 com ponto: 21.Comunicação e Expressão 60 Casos Especiais • Colocação do pronome átono em locuções e combinações verbais. (sem deixar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de "h" e "min"). O primeiro dia do mês deve ser escrito assim: 1º (e não 1). 9 horas etc. Ex. Evite-se esta colocação na redação oficial. a próclise com o infinitivo é própria da linguagem oral. O emprego de zero antes do dia ou do mês formado de um só algarismo não é de rigor: 02/02/99 ou 2/2/99. como em anotações de programação com horários em seqüência. Ex. 9h.999). horários anunciados pela televisão etc..

emprega-se de onde ou donde: De onde (ou donde) provinham os recursos financeiros? Errado = Aonde você deixou a minuta da carta? Certo = Onde você deixou a minuta da carta? • Afim ou a fim – A fim de equivale a para. impessoaliza-se: Há muita gente no escritório. Certo = Não havia muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. sem qualquer desconto ou abatimento (títulos. junto. ocorrer. Observe que após o pronome mim há um verbo no infinitivo (encaminhar). Errado = Não haviam muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. Certo = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava a par do ocorrido. Para indicar procedência.Comunicação e Expressão 61 Da terça à quinta-feira Não escreva assim: De segunda à sexta-feira De terça à quinta-feira Escreva assim: De 9h a 11h De 8h30min a 11h30min ou Das 9h às 11h Das 8h30min às 11h30min Não escreva assim: De 9h à 11h De 8h30min à 11h30min 9h às 11h 8h30min às 11h30min OUTRAS DIFICULDADES MAIS FREQUENTES NO USO DA LÍNGUA • Onde ou aonde – Onde indica lugar fixo. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para mim encaminhar aos clientes. realizar-se ou indicar tempo transcorrido. Deve haver muitos candidatos para o cargo de Datilógrafo. ele precisa de outras informações. ações). Ex. acontecer. afim significa parente por afinidade. Acompanhado do auxiliar (dever. Será impossível para mim realizar esse trabalho. de acordo com a convenção legal. . Errado = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava ao par do ocorrido. Pode haver muitos problemas com o novo gerente. aonde expressa a idéia de movimento (para onde). semelhante. Certo = No início do expediente. Errado = No início do expediente. Certo = É difícil para mim entender esse plano. • A par ou ao par – A par equivale a ciente. sem ágio (câmbio). ele precisa de outras informações. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para eu encaminhar aos clientes. ao lado. Certo = A fim de redigir a carta. pois ele contém muitas informações técnicas. função esta que cabe ao pronome pessoal do caso reto eu. análogo: Estou aqui a fim de ajudá-lo a concluir o trabalho. o verbo fica na 3ª pessoa do singular quando significar existir. poder). Nada tem a ver com o verbo. Haverá duas reuniões da equipe de apoio operacional neste mês. Marketing e comunicação são assuntos afins. • Havia ou haviam – Por ser impessoal. • Para eu encaminhar ou para mim encaminhar – Mim é pronome pessoal oblíquo. ao par. • Difícil para mim ou difícil para eu – Para mim é complemento de difícil.: Não foi fácil para mim conquistar essa vaga. Errado = É difícil para eu entender esse plano. Errado = Afim de redigir a carta. razão pela qual não pode ser usado como sujeito. pois ele contém muitas informações técnicas.

Certo = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. Observe: Nos exemplos. o documento ficou bem datilografado. Apresse-se. Errado = As novas decisões políticas-econômicas afetaram os negócios da companhia. elimina-se o “s” da forma verbal: Queixamo-nos. viajem. dignamo-nos. favorável. fica invariável: Os candidatos estavam meio nervosos. Quando se refere a um substantivo (claro ou subentendido). porque já é meio-dia e meia (meia hora). • Menos ou menas – Menos é invariável. Errado = O chefe da sessão de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos.. em) com sujeito ou termo que a ele se refira: Chegou o momento de ela mostrar a sua competência profissional. Certo = Paralisamos a produção porque não há matéria-prima. • Têm ou tem – Na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Certo = As novas decisões político-econômicas afetaram os negócios da companhia. as preposições de e a estão contraídas com artigos. Certo = Gostei das novas medidas econômicas. Errado = Gostei das novas medidas econômicas. Certo = Esperando uma resposta favorável. Ex.. Certo = Havia menos pessoas na reunião desta semana. em prejuízo de. há dois engenheiros. Errado = Comunicamo-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. Certo = Comunicamos-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. a candidata ficou meio preocupada. Errado = Havia menas pessoas na reunião desta semana. Certo = O chefe da seção (ou secção) de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos. . quando modifica adjetivo = um tanto. etc.: Durou apenas trinta minutos a sessão do teatro.Comunicação e Expressão 62 • De encontro a ou ao encontro de – Ao encontro de = para junto de. • Meio ou meia – Meio. Errado = Está na hora do malote chegar. comprometemo-nos. só varia o último elemento: Nossa biblioteca recebeu muitas obras técnicocientíficas. Seção ou secção = setor. esta seria escrita assim: Não gostei das novas medidas econômicas. Errado = O presidente cancelou a viajem que faria às filiais. • Decisões políticas-econômicas ou decisões político-econômicas – Nos adjetivos compostos ligados por hífen. o verbo ter recebe acento circunflexo: Eles têm alguns privilégios. • Seção ou sessão – Sessão = tempo em que se realiza uma reunião. de encontro a = contra. a candidata ficou meia preocupada. subscrevemos-nos. • Viagem ou viajem – viagem = substantivo. Apesar de o datilógrafo ter pouca experiência.: Se as medidas econômicas tivessem contrariado o desejo de quem formulou a frase. pois elas vieram de encontro aos meus desejos. Certo = O presidente cancelou a viagem que faria às filiais. fazemos-lhe. Certo = Está na hora de o malote chegar. Errado = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. pois elas vieram ao encontro do meu desejo. Errado = Paralisamos a produção porque não tem matéria-prima. subscrevemo-nos. Errado = Os funcionários tem contribuído muito para a racionalização dos serviços. Errado = Esperando uma resposta favorável. programa de teatro... • Há ou tem – Não se deve empregar o verbo ter em lugar de haver impessoal (significando existir).: Há secretárias que não se preocupam com o aperfeiçoamento profissional. Certo = Os funcionários têm contribuído muito para a racionalização dos serviços. cinema. • Subscrevemo-nos ou subscrevemos-nos – Com o pronome reflexivo nos. • De o ou do – Não se combina preposição (de. não existe a forma menas: Queremos menos conversa e mais ação. concorda em gênero e número: Nosso Diretor não é homem de adotar meias medidas. viajem = forma verbal (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo viajar): Se querem viajar. pois elas vieram de encontro ao meu desejo. esquecemo-nos. subdivisão: Na Seção de Obras. Ex. Cessão = ato de ceder (cedência): Nem todos concordam com a cessão do auditório. • Comunicamos-lhe ou comunicamo-lhe – Com o pronome lhe(s) nenhuma modificação sofre o verbo: Informamos-lhes. portanto.

Só se emprega o pronome consigo na terceira pessoa: A balconista (ela) levou a caneta consigo. deixa-se o verbo no singular. VÍRGULA .. • Consigo ou com você – Consigo pronome reflexivo da 3ª pessoa. Certo =Todos devem obedecer ao regulamento.. terceira pessoa no singular. a).. Certo = O preço da mercadoria é muito alto. avise a segurança. Neste caso. Certo = Comunicamos a Vossa Senhoria que . pede objeto indireto (responder a): Não responderei a esse memorando. com Vossa Senhoria: Presidente. Certo = Alugam-se telefones. Errado = O auditor procedeu uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. Não deve ser usado em relação à segunda pessoa. o verbo fica no singular..: Precisa-se de empregados. assume a forma impessoal: Faz vinte dias que encaminhei o relatório à Diretoria. Ex. • Somos ou somos em – A preposição em é desnecessária. com o senhor. Errado = O preço da mercadoria é muito caro. • Situada na rua ou situada à rua – Por se tratar de verbo de quietação (lugar fixo). vires. Errado = Somos em sete na seção. Errado = Júlio. uma vez que não se trata de expressão ou locução: Peço à senhora que compreenda as minhas dificuldades. • Alugam-se telefones ou aluga-se telefones – Verbo apassivado pelo pronome se concorda em número e pessoa com o sujeito: Vendem-se casas. Errado = Aluga-se telefones.. em vez de consigo usa-se com você. há uma pessoa que deseja falar com o senhor. Acompanhado de auxiliar (estar. Certo = Faz dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. vir. disse a secretária. • Preço alto ou preço caro – O preço da mercadoria pode ser alto ou baixo. constrói-se com a preposição em: Resido na Rua Paraná. Errado = A nova filial está situada à Rua Piraí nº 110. Certo = A nova filial está situada na Rua Piraí nº 110. disse a secretária. estará fazendo dois anos que não recebo notícias de meu país. Errado = Fazem dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. 327. esse cliente quer falar consigo. • A essa ou essa – Com o verbo responder. virem. Certo = Júlio. • Procedeu a ou procedeu – No sentido de efetuar.. realizar. esse verbo pede objeto indireto (proceder a): É necessário proceder a uma investigação. Errado = Se você ver alguém sem o equipamento de proteção. dever. • Obedecer ou obedecer ao – O verbo obedecer pede objeto indireto (obedecer a): Quem não obedece às normas de trânsito deve ser punido. Observe: o pronome de tratamento senhora admite crase. poder). avise a segurança. Certo = O auditor procedeu a uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. Certo = Responderei já a essa carta. virdes. • Vir ou ver – Trata-se do verbo ver no futuro do subjuntivo: vir. Se o sujeito estiver no singular. virmos. A mercadoria é que pode ser cara ou barata: Essa mercadoria é muito barata. Observe: Fica no singular o verbo intransitivo indireto acompanhado do pronome se. Certo = Se você vir alguém sem o equipamento de proteção. Na próxima semana. nunca caro ou barato. Errado = Todos devem obedecer o regulamento.Comunicação e Expressão 63 • Faz ou fazem – Tempo transcorrido ou fenômeno meteorológico = impessoal. Dica: Aparecendo preposição (de... Certo = Somos sete na seção. Errado = Comunicamos à Vossa Senhoria que . Errado = Responderei já essa carta. este cliente quer falar com você (contigo). porque não se trata de voz passiva. • A Vossa Senhoria ou à Vossa Senhoria – Não se usa crase antes de expressões de tratamento: Encaminhamos a Vossa Senhoria a documentação.

: Chegou e prendeu o infrator. 14 . a meu ver. 4 .Precedendo orações principais pospostas: Ex. pessoa justa. um estado ou modo de ser do sujeito ou que se refere ao objeto de um verbo transitivo.): Ex. 8 . 2 .: Uns diziam que se suicidou. 12 .: O criminoso. ou melhor. por exemplo.: Encontramos o suspeito.: O carnaval.: O comandante do batalhão. isto é.: Fez-nos um pedido. compareça ao local da ocorrência.Assinalar o vocativo (é o termo com que se interpela/chama o ouvinte/interlocutor): Ex. o sol.: Fez-se o céu.: Destemidos e intrépidos. digo.: A guerra. 5 .Para indicar zeugma (elipse/omissão de um ou mais termos anteriormente citados): Ex. foi detido às nove horas.: Convém que deixemos o local.Em orações coordenadas ligadas por “e” que tenham o mesmo sujeito: Ex.: Quando menos se esperava. e a terra. que foi assassinado. é uma defesa prévia. João escreveu uma carta.: Bom policial. 10 . que mantivéssemos suas vírgulas .: Chegou a casa. pode vir a ocorrer algum equívoco.Para marcar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Ex. O sargento é mestre em artes marciais. 7 . esclarecendo ou qualificando-o): Ex. etc.Entre o sujeito e o verbo: Ex. 6 .): Ex.): Ex. quer dizer. porém. etc.Antes de orações subordinadas substantivas.: Os policiais prenderam o infrator. exceto as apositivas. 5 . na minha opinião.: O tiroteio. os policiais avançavam pela área de risco. disse o general.Para separar predicativos situados antes do verbo (predicativo é o termo que exprime um atributo.Entre as conjunções coordenativas adversativas e conclusivas. 4 . 2 . velhice vergonhosa. não condenou o sindicado. substâncias entorpecentes e bicicletas furtadas. talvez não mais o seja. 15 . continuava. nº 30. a cada ano está mais perigoso.Antes de orações adjetivas restritivas: Ex. Via de regra. Rua da Alegria. Ex. ligou o televisor.: Belo Horizonte. o cidadão infrator. todavia. portanto. contudo. (elipse do verbo “diziam”) O dia estava quente. 9 . identificandoo. outros.Antes de “e”. 14 . quando pospostas/intercaladas (porém.: Foram apreendidas armas de fogo. (elipse do verbo “estava”) 11 .Nos elementos paralelos de um provérbio: Ex. buscou o canal certo. 13 de novembro de 2008.Precedendo orações coordenadas assindeticamente. mas como a operação é considerada de alto risco. 13 . e José arrumou a cama.Entre as orações intercaladas: Ex. e o mar. escaldante.Assinalar o aposto (é o termo da oração que serve par explicar um termo anterior. 3 . logo. sentou no sofá.Entre verbo e complementos verbais: Ex. a saber. entretanto. Ex. Obedecemos às ordens do comandante. sem uso de conjunções. o cadete deixou de lado suas antigas aspirações.: Sargento Mike. acomodou-se e assistiu ao filme. PONTUAÇÃO Casos de uso da vírgula Usa-se a vírgula para: 1 .: Mocidade ociosa.Nas datas e endereços: Ex.Orações subordinadas substantivas apositivas: Ex. que é tradicional. são orações não introduzidas pela conjunção aditiva “e”.Comunicação e Expressão 64 Não deve ocorrer vírgula 1 . quando as orações apresentarem sujeitos diferentes ou quando o “e” se repetir: Ex. digo. 3 .Em construção com termos pleonásticos: Ex.Entre expressões explicativas ou retificativas (isto é. Um vegetal é um animal que dorme.Precedendo termos de mesmo valor sintático: Ex. Espero que nenhum policial cometa erros durante a operação.: Ele é o homem que mata passarinhos.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.com/2008/11/uso-da-vrgula-tire-suas-dvidas-aqui.. tenha clemência! Prender não... Não queremos saber...4.34.. Vamos perder nada. Isso só. Vamos perder.não mate! Uma vírgula muda tudo. Ela pode sumir com seu dinheiro. Isso só ele resolve. 2. Não.universopolicial. Não espere. Não tenha clemência! Não.mate! Prender. queremos saber.. Não... * Se você for mulher. A vírgula pode condenar ou salvar.Comunicação e Expressão 65 Disponível em: <http://www. Vírgula pode ser uma pausa.09 PARA QUEM PENSA QUE UMA VÍRGULA É SÓ "UMA VÍRGULA". foi resolvido. A vírgula muda uma opinião. Ela pode ser a solução. . nada foi resolvido. Detalhes Adicionais: SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA. * Se você for homem. 29.html>.. colocou a vírgula depois de TEM. Pode criar heróis. certamente colocou a vírgula depois de MULHER.. Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). ou não. espere. 23. ele resolve.05.

ávido. desmentindo o que havia afirmado antes. o sopro das velas e as mãos trêmulas da menininha ao agarrar o bolo para comer. O cronista captou o momento quando o pai tímido fez o pedido ao garçom como algo distinto e raro. e ainda a insegurança da mãe e a concentração da criança no refrigerante. Então. Assim. o cronista acolheu o sorriso cheio de dignidade do moço o qual coroou aquele pequeno evento que o possibilitou captar a essência do ser humano em sua crônica. os fósforos na mão. Na verdade. E. Fernando Sabino chamou a atenção para a forma esquiva e insegura como o pai. Sabino queria ser capaz de expressar a respeito das relações humanas o que estava fora do alcance dos olhares comuns. o cronista construiu uma detalhada e emocionada descrição dos atos e dos traços psicológicos daqueles três. Ao terminar a pequena reflexão. enquanto aguardava ansiosamente a fatia de bolo. ele pensava em concluir o ano de forma grandiosa. Como também a satisfação deles pelo sucesso da comemoração do aniversário de três anos da pequena. ele acompanhou.Comunicação e Expressão 66 Paráfrase: Fernando Sabino entrou em um botequim da Gávea. ele passou a observar a pequena família. O escritor havia encontrado sobre o que falar em sua crônica especial. antes de escrever a crônica diária. a humildade e insegurança dos dois adultos. ele ergueu os olhos e notou a presença de um pequeno grupo de pessoas negras ao fundo do estabelecimento: era um casal acompanhado de uma menina. como também as vestimentas simples e a curiosidade da criança revelaram que não era prática comum eles estarem naquele tipo de lugar. compenetrado ao tomar o café e sem ter assunto. Ou seja. a mãe e a menina de três anos chegaram e se estabeleceram em um canto. ele lamentou o fato de seus textos terem abordado situações muito comuns e circunstancias dos fatos cotidianos naqueles últimos tempos. os gestos comedidos. os parabéns soados quase como sussurros. Por isso enquanto tomava o cafezinho. os gestos e olhares de ternura de pai e mãe ao observarem a filha comendo o único pedaço de bolo. Finalmente. o escritor desejava falar sobre a essência humana. Talvez por se sentirem deslocados. na última mesa. captada da convivência entre as pessoas. o quadro composto em poucos minutos mais parecia uma espécie de ritual. o cronista repetia na memória o verso de Drummond “assim eu quereria o meu último poema”. O escritor foi capaz de enxergar pequenos atos como a procura das velinhas na bolsa. aspecto que ele julgava o mais digno da vida. com o olhar e a capacidade de quem tem muita sensibilidade e habilidade para escrever. Reflexivo. Além disso. . As palavras.

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