Comunicação e Expressão

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Curso: Letras Disciplina: Comunicação e Expressão Professora:

Ano/sem: 2011/01 h/a: 68 Código: 990101 Turma:

“Descobri que a pessoa só faz bem aquilo de que gosta. Todo mundo que faz alguma coisa bem é porque gosta do que faz. O ato de gostar está ligado ao ato do conhecer e o ato de conhecer está ligado à curiosidade” (Gilberto Dimenstein)

PLANO DE ENSINO EMENTA: Linguagem, língua e fala. Funções da linguagem. Oralidade, escrita e variação linguística. Leitura e estratégias de leitura. Escrita e estratégias de escrita. Paragrafação. Coesão e coerência textuais. Paráfrase e retextualização. Argumentação e persuasão. Particularidades léxicas e gramaticais. Competências: Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências:

1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, em suas dimensões receptivas e produtivas,
em diferentes situações ou contextos, com diversos interlocutores ou públicos, como meio de organização cognitiva da realidade, constituição de significados e realização de práticas sociais; 2. ser ético, pontual, interessado e comprometido com a prática e a vivência acadêmicas. Habilidades: 1. conceituar linguagem, língua e fala;

2. reconhecer as variedades linguísticas e os níveis de linguagem a partir de textos e de situações
concretas da cultura local;

3. identificar a estrutura de diferentes tipos e gêneros de textos; 4. empregar adequadamente elementos anafóricos, articuladores e conectivos para promover a coesão
e a coerência em textos produzidos; 5. compreender e interpretar adequadamente diferentes textos; 6. distinguir fala e escrita, destacando aspectos estilísticos e discursivos da escrita; 7. identificar, distinguir e empregar corretamente os conceitos: argumentar, convencer e persuadir; 8. transpor textos da oralidade para a escrita e de um gênero textual para outro (retextualização);

9. produzir e corrigir parágrafo e paráfrase de acordo com a teoria, com a variante padrão e com os
critérios definidos nesta disciplina.

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CONTEÚDOS: 1. 2. 3. 4. 5. 6. conceito, níveis e funções de linguagem; oralidade, escrita e variação lingüística; estratégias de leitura e de escrita; paragrafação; coesão e coerência textuais; compreensão e interpretação de textos; argumentação e persuasão; paráfrase e retextualização; revisão gramatical. METODOLOGIA: A disciplina propõe espaço para o processo de reflexão e aperfeiçoamento da língua materna por meio de aulas teóricas e atividades práticas de leitura e escrita. Para tanto, nos encontros haverá discussões que desafiem o aluno a ler, elaborar hipóteses e compreender os entrelaces das palavras na constituição do discurso coerente e, sobretudo, na capacidade de utilizá-lo de maneira consciente no dia a dia. O acadêmico será provocado a produzir, autocorrigir e refazer textos significativos. Os conteúdos dos encontros presenciais serão desenvolvidos a partir de dinâmicas diversas tais como GV-GO, discussão circular, Phillips 66, seminários e mesa redonda para que o grupo possa socializar tanto as experiências quanto os conhecimentos prévios e os novos. Serão utilizados recursos como: quadro, retroprojetor, cartazes, datashow, músicas, revista, dvd, aparelho de televisão e de som. Para as aulas semipresenciais será utilizado sistema web, via plataforma da Instituição (www.ulbra-to.br), onde estarão disponíveis atividades da disciplina que envolvam leitura e escrita como também os critérios a serem observados pelo acadêmico ao publicar as respostas solicitadas. AVALIAÇÃO: O processo de avaliação será contínuo, por meio de observação, no que diz respeito à participação, ao interesse, à responsabilidade e pontualidade em que os alunos deverão apresentar trabalhos individuais e em grupos; orais e/ou por escrito, demonstrando conhecimento do conteúdo, coerência e consciência crítica sobre o que dizem. Os textos e as referências bibliográficas serão disponibilizados no portal e na reprografia. A produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada. Os acadêmicos que apresentarem dificuldades na escrita deverão frequentar o Laboratório de Produção Textual. Compõe G1: - leitura e discussão da obra O que é leitura. (v.1,0) - leitura e apresentação oral do livro Preconceito Linguístico: o que é, como se faz: (v.1,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5), de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico. Compõe G2: - leitura e apresentação oral do livro A arte de Argumentar e o filme Obrigado por fumar. O aluno deverá apresentar de maneira clara e coerente a relação que há entre a obra e o filme. (v.2,0). - produção textual, atividade e participação em sala de aula (v.1,5) de acordo com os critérios estabelecidos; - participação em sala de aula: (v.0,5) - *prova (v.6,0), de acordo com o calendário acadêmico.
*Obs: o aluno que faltar à prova deverá substituí-la no fim do semestre, de acordo com a resolução institucional.

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Substitutiva de grau: Avaliação- Assunto cumulativo do semestre Prova (v.10,0), conforme resolução institucional.

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NB: - As atividades serão realizadas a partir de roteiro disponibilizado no Portal e na reprografia. Todos devem ficar atentos ao cronograma. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BASTOS, Lucia Kopschitz. A Produção escrita e a gramática. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FARACO, Carlos Roberto e TEZZA, Cristóvão. Prática de Texto: para estudantes Universitários. 17. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15. Ed. São Paulo: Ática, 1998. LEITURAS OBRIGATÓRIAS: ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 29. ed. São Paulo: Loyola, 2004. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura.19. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BAGNO, Marcos. A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 14. ed. São Paulo: Conteto, 2005. FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Vozes, 2001. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 6. ed. São Paulo: Ática, 1998. FULGÊNCIO, Lúcia; LIBERATO, Yara G. Como facilitar a leitura. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1998. POSSENTI, Sírio.Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado das letras/ALB, 1996. RAMOS, Jânia M. O espaço da oralidade na sala de aula. São Paulo: Martins Fontes, 1997. SERAFINI, Maria T. Como escrever textos. 11. ed. São Paulo: Globo, 2001.
1. Critérios de avaliação oral Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: a) demonstração, por meio de informações precisas, de que fez a leitura do texto; b) exposição de ideias claras, coerentes e com senso crítico, tanto nos debates em grupos pequenos quanto no grupão; c) boa entonação, adequado volume de voz e entusiasmo ao fazer exposição oral; d) apresentação de informações novas e relevantes a partir, quando possível, de conhecimentos prévios; e) atenção e respeito às ideias dos colegas; f) inscrever-se (sinalizar com a mão) e esperar pelo turno de exposição; g) criatividade e colaboração na preparação de material e nas apresentações orais; h) postura adequada quando fizer exposição; i) uso da norma culta da língua nas modalidades oral e escrita, exceto em situações específicas que exijam outras variantes. 2. Critérios de avaliação escrita Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios: 1. Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) • apresenta características do gênero textual solicitado, de forma que é possível identificá-lo? • apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 2. Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) • apresenta o uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? • apresenta o assunto de maneira original, crítica e criativa? 3. Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) • está escrito de acordo com a variante lingüística adequada? • está adequado quanto à ortografia?

fica evidente que o desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependem do progresso alcançado em suas atividades. as máquinas. de registrar o conhecimento e o desenvolvimento da escrita e fonética. língua popular. que é secundária e individual. entendida como forma de realização da linguagem. acima de tudo. em que se enquadram os diferentes tipos de Gíria. Dentro de uma mesma língua temos. fotografar o estágio de desenvolvimento da humanidade. então. Alguns linguistas preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações. Assim. de uma forma geral. numa extensão de 64 quilômetros. língua erudita. portanto.Comunicação e Expressão 4 • • • • 0. usada pelos falantes por meio da fonação e da articulação vocal. . e a Fala. para as comunicações telegráficas.br/girafas/lingua_morse. E sua linguagem é uma ferramenta capaz de traduzir. quanto mais avançada for a capacidade de comunicação de um conjunto de indivíduos. Leia o texto: 1 O Alfabeto Morse foi inventado pelo norte-americano Samuel Finley B. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. diversas modalidades: língua familiar. Atividade 1. língua inglesa). Ele transmitiu o primeiro telegrama do mundo. a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a titulo de pura sensação. mais rápida será sua progressão. Samuel também inventou o telégrafo sem fio. A fala. a certos subgrupos. a língua é um sistema de símbolos pela qual a linguagem se realiza. O homem necessita comunicar para progredir. como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. a linguagem é composta de duas partes: a Língua. um fenômeno fonético. língua técnica. com ajuda dos órgãos sensoriais. Morse (1791-1872). a descoberta do fogo. língua própria a certas classes sociais. o texto: (valor: 15%) apresenta paragrafação correta (distribuída de forma adequada)? • apresenta letra legível. por sua vez. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das regiões do Brasil). Para o linguista Saussure. Morse 1) e torna-se. é um fenômeno físico e concreto que pode ser analisado seja diretamente. É a capacidade da espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). sejam graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas. é veículo de transmissão da Língua.girafamania. então. conhecimento e interação com os semelhantes. a divisão do trabalho. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos. nos Estados Unidos.> Acesso em 31 de jul.com. LÍNGUA E FALA O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilitam nossos modos específicos de pensamento. Nota-se. A língua é. no interior de uma mesma língua são importantes as variações. 2009. que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua. entre as cidades de Washington e Baltimore. assim. essencialmente social porque é convencionada por determinada comunidade linguística. está adequado quanto ä concordância? está adequado quanto à pontuação? está adequado quanto à sintaxe? está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 4. as tecnologias. ou seja. Para os receptores (ouvintes) a fala é. organização estética adequada e título criativo? LINGUAGEM. com efeito. objeto da semiologia ou semiótica. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa. que deve estudar “a vida dos signos no seio da vida social”. Mas. Quanto a aspectos estéticos. Disponível em:<http://www. da evolução dos meios de receber comunicação e de se comunicar. Como se vê.html.

nos gestos. nas fábricas.( ) 1.( ) 1. a comunicação aparece nos gritos da torcida. nos escritórios. nos alto-falantes e radinhos de pilha.V.br/site/arq_material/12042_13033.( ) 1. a compreensão do texto depende também do conhecimento de mundo. o que nos leva à conclusão de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Português. no placar eletrônico.V. conversas de torcedores Assinale a alternativa correta.NV.NV c. nas conversas e insultos dos torcedores.V d. extraída de um vestibular da UNICAMP: Às vezes. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991. Dias antes já havia provocado dúzias de mensagens e durante dias a fio ele continuará sendo objeto de comunicação nos botequins. 1982. gritos da torcida 2. além do conhecimento lingüístico propriamente dito.V.( ) 1.NV. Mas o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretação é estranha e só pode ter sido produzida por engano do redator.NV. Dias.V. reconheça o que se constitui em linguagem verbal (V) e em linguagem não-verbal (NV). pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupõe. 2009. nas cores das bandeiras.V. Genericamente. um repertório de informações exteriores ao texto. quando um texto é ambíguo. e cartões do juiz e dos bandeirinhas 5. 6/6/92).V.NV. E.NV. Como se vê.pdf>.V Disponível em: <ttp://novosolhos. 2. a. a expressão sem a companhia ou autorização dos pais permite a interpretação de que com a companhia ou autorização dos pais os menores podem ir a rodeios ou motéis).Comunicação e Expressão 5 No estádio de futebol.15) Questão 1: Dentre as manifestações comunicativas citadas a seguir. gestos. (BORDENAVE. o que se costuma chamar de conhecimento de mundo.NV. O APRENDIZADO DA LEITURA . mas também de todas as outras disciplinas sem exceção. o que não quer dizer que não exista solução alguma.NV. É o conhecimento lingüístico que nos permite reconhecer a ambigüidade do texto em questão (pela posição em que se situa.( ) 1. cores das bandeiras 3.V e. 5. 4.V. fotógrafos e operadores de TV. nos rádios e nos jornais. 5. observe a questão seguinte. Um bom exemplo é o texto que segue: "As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. nos números das camisetas dos jogadores. 3. O que é comunicação. São Paulo: Brasiliense. É muito provável que ele tenha tido a intenção de dizer que os menores estão proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorização dos pais e de frequentarem motéis.com. 5. apitadas. 3. em seus gritos de estímulo. 5. 2. Juan. 2. 3. números das camisetas 4.V. 4. 4.NV. no trabalho dos repórteres. A portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais" (Folha Sudeste. que proíbe que as casas de vídeo aluguem.NV. 1. exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos. 2. p. Três questões básicas: Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido é a resposta a três questões básicas: . é o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretação adequada do que se lê. Acesso em 31 de jul. A título de ilustração.COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Interessa a todos saber que procedimento se adotar para tirar o maior rendimento possível da leitura de um texto. 3. Mas não se pode responder a essa pergunta sem antes destacar que não existe para ela uma solução mágica.V b. apitadas e cartões do juiz e dos bandeirinhas.NV. 4. O próprio jogo é um ato de comunicação. 2.V. do Juizado de Menores. radialistas. 3. 5. 4. 2 ed.NV.

O da comunicação. b.mundovestibular. surge uma preocupação com a linguagem abreviada e de caráter fonético usada em mensagens de computador. de cabelo em pé. Sem falar na linguagem das siglas que dominam o mundo. uma leitura competente não terá dificuldade em identificá-la. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando. aquela em torno da qual gira o texto inteiro. no interior do parágrafo. usando desse recurso que tem a ver com velocidade e economia. linguagens profissionais. se passa de uma afirmação para outra. III . Mas estamos mais esperançosos de que a verdade e a Justiça culpem os culpados e absolvam os inocentes. empunham a vassoura da faxina crítica. Para tanto. Na escrita. Vivemos segundo alguns. também. a coerência entre tese e argumentos.Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta. Pode-se ainda analisar os objetivos do autor.br/articles/411/1/O-APRENDIZADO-DA-LEITURA---COMPREENSAOE-INTERPRETACAO-DE-TEXTOS/Paacutegina1. isto é.com.html>. Segundo códigos de ética que no momento são objeto de verdadeira guerra entre nós. a. que contra-argumentos invalidam seus argumentos ou que contra-argumentos confirmam sua posição. melhor os usamos em cada ocasião. para as quais até dicionários já existem. Acesso em 30 jul. vamos ao código que aqui me interessa. os contra-argumentos levantados em teses contrárias. Na verdade. Linguagens técnicas. lembrem-se. é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. são muitos. linguagem de namorados. Isso dito. Longe disso. Se pudéssemos dominar apenas um sistema de sinais escritos. Disponível em: <http://www. o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal. é importante observar a “costura” do texto. compreender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentatório. aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. ou sabe apenas de maneira genérica e confusa. O receio é que os jovens. e como. aquele que aprendesse taquigrafia haveria de cometer mais erros de ortografia. d. Também para Geraldi (1984). que na verdade é múltiplo. como nos chats. o da linguagem. Linguagem de cegos. O autor sugere ainda que cada um desses tópicos pode ser posto em questão quanto à veracidade e à validade dos argumentos apresentados. E a linguagem técnica ligada às mais variadas ciências e meandros do universo tecnológico. de quanto mais recursos dispomos. não há perigo de sotaque. como se dá a passagem de um parágrafo para outro.Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. porque ao menos um passo foi dado e temos quatro dezenas de réus em falcatruas variadas e graves. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. c. Se de um lado andamos de cabeça mais erguida nestes dias. o código do próprio idioma escrito. paira ainda certo receio de que tudo seja turvado por interesses políticos e artimanhas de compadres.Comunicação e Expressão 6 I . Ao contrário. os argumentos apresentados em favor da tese. várias linguagens ao mesmo tempo e transitar entre elas com habilidade e até elegância em certos casos. dos advogados. Texto de Francisco Platão Savioli. ou nunca aprender direito. Agora. Por isso. Receio infundado: somos capazes de dominar. haveriam de desaprender. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita. linguagem de surdos. na vida diária. na fala e na escrita. . 2009. no vasto e interessantíssimo leque das nossas capacidades e curiosidades. acredito – e os linguistas talvez confirmem – que. isto é. Os catastrofistas. II . as linguagens das famílias – em que determinadas palavras evocam cenas hilariantes ou tristes. Os novos códigos Lya Luft Linguagens são códigos e com eles nos comunicamos. que precisa eventualmente ser traduzido para o comum mortal.Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto. o jargão dos médicos. um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias. um bom roteiro para estudar um texto é o de especificar a tese defendida (tema do texto).

num outro momento. inteligente. dos donos da verdade. contraposições. É preciso dar uma chance às novidades e inovações. uma ação concreta. a vida. dos moralistas. Não sejamos chatíssimos senhores com odor de naftalina. Além disso. c) releitura do texto para identificar as ideias principais. e casais extraordinariamente infelizes que conviveram desde a adolescência. embora em geral a gente não tenha nem dê essa impressão de nós mesmos.Comunicação e Expressão 7 Linguagem é a roupa da mente: não falamos em casa como falamos num discurso em ocasião solene nem falamos numa entrevista para conseguir emprego como falamos brincando com nossa turma na escola. dos gramáticos. como os costumes. f) assinalar. segue uma evolução que independe de nós. embora crianças devam ser controladas e alertadas para doenças como pedofilia e outros males nesta nossa enferma sociedade. Somos melhores do que se pensa. auxilia na concentração na hora da leitura. “Sua finalidade é destacar elementos que servirão de orientação para consulta futura. à margem do texto. A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: a) leitura integral do texto para contato panorâmico. os tópicos mais importantes. . anotações de margem de texto. principais argumentos. em lugar de criticar de saída ou prevenir-se contra. fazer uma retomada do texto. com um ponto de interrogação. Para tanto é importante ter a percepção do conteúdo do texto. fichamento.com/colunistas/coluna. a línguapadrão que é e deve ser usada em momentos mais sérios. Além de tudo. mais hábeis e mais capazes. à margem do texto. sim. rápida. pois com um objetivo. formas enigmáticas aos desavisados é apenas uma maneira divertida. a língua. Nem tudo o que é novo é positivo. os casos de discordâncias. uma tarefa a realizar. sem alegria. É importante perceber como o autor desenvolveu o texto. em cada parágrafo. no bom e no negativo. Como é necessário encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto. 2010. um pouco secreta de estabelecer e cultivar laços cibernéticos. todas as demais formas de comunicação fossem espúrias. Vamos estudar alguns desses recursos mais detalhadamente. Conheço casais felizes que se encontraram num chat. É como se fora da língua culta. e) assinalar com uma linha vertical. por isso mesmo sem discernimento para o verdadeiramente mau. E não falamos com um bebê de dois anos como falamos com o médico ao qual estamos expondo nossos males. se tem mais facilidade de fixar a atenção na leitura e na compreensão das ideias. tese. Disponível em: http://www. Permite que se faça um mapeamento do texto. econômica. Questão 1: Vamos identificar a tese defendida por Lya Luft no texto Os novos códigos como também os argumentos e os contra-argumentos utilizados na construção da opinião da autora. b) esclarecimento de dúvidas de vocabulário e termos técnicos. tem de ser objetivo e restringir a palavras ou frases”. marcas diversas que orientam a leitura. d) sublinhar. dos puristas. Ou ainda acenderíamos fogo esfregando pedrinhas. por isso. como se tudo o que é novo fosse primariamente mau.digestivocultural. Acesso em 17 de junho. destacando partes ou subdivisões. ou damas enfiadas no espartilho do preconceito: sem ginga. Que nem sempre são o lobo mau. além de ajudar na compreensão do texto. A TÉCNICA DE SUBLINHAR Sublinhar um texto é destacar as ideias principais. as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes importantes. as passagens obscuras. é uma estratégia que monitora a compreensão. resumo. Escrever com abreviaturas. no fundo obscuro de alguma caverna. ESTRATÉGIAS – LEITURA DE ESTUDO Para Brito (2001). dos que seguram o facho da razão numa das mãos e na outra o chicote da censura. Essa marcação. sem abertura para o novo e o bom. quando for necessário buscar uma ideia para fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou. a sociedade e as culturas. esquema. nem tudo o que é tradicional é melhor. por qualquer outro motivo. os argumentos discutíveis. que podem confirmar amizades já existentes (falo com amigos distantes mais frequentemente do que com o que mora no mesmo edifício) ou abrir a porta para novas relações. criativa e. definições. siglas. o estudo e a reflexão de um texto supõem o uso de recursos como sublinha. possibilita voltar ao texto lido. etc.

Comunicação e Expressão 8 g) ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido. de divertimento. etc. evitando-se o acúmulo de anotações que. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. • As anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos. azul = detalhes importantes. p. Para se obter maior funcionalidade das anotações. comentários etc. planos. h) reconstruir o texto. no final do trabalho. usa-se caneta hidrocor. por parte do público. chaves. A primeira diz respeito à difusão de notícias. as ideias principais estão sublinhadas. dificulta e gera confusão. A quarta função — ensinar — é realizada de modo direto ou indireto. estudo e trabalho. • Dependendo do gosto. de evasão. ou não de interpretações ou explicações. “O esquema é um texto que corresponde. A segunda função atende à procura da distração. persuadir e ensinar. 1978. (Samuel Pfromm Neto apud Soares & Campos. ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos seqüenciais ou arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida”. setas e outros símbolos (Andrade. grosso modo. por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. a votar em certo candidato. O indispensável é sublinhar apenas o estritamente necessário. essas sugestões. relatos. 1997) que possam ajudar na organização e visualização das ideias. estabelecendo-se um código particular. a uma radiografia do texto. além de causar mau aspecto. as ‘palavraschave’. para não danificar o texto. evidentemente. Utilizam-se normalmente de colchetes. No texto abaixo. divertir. Elabore um resumo: Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar. Ocorrência Exemplo: periódica (época do Natal) Águas do Oceano Pacífico Atividade de pesca do Peru Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão) Corrente marítima de Humboldt Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas Alimentos para os peixes FENÔME NO EL NIÑO Microrganismos animais e vegetais de vida aquática (plâncton) Desvio da corrente de águas frias Ventos provindos do oeste Diminuição da quantidade de plâncton Inflete para oeste. tomando as palavras sublinhadas como base. acompanhada. É muito útil. antes de atingir as costas do Peru Ar quente Aquecimento das águas costeiras do Peru Queda do rendimento pesqueiro . podem sofrer variações e adaptações pessoais. em vez de facilitar o trabalho do leitor. 111). • Outra prática optativa é sublinhar com dois traços a ideia principal e com um traço as ideias secundárias. É uma atividade que pode ajudar na seleção e na organização das informações mais importantes. É um texto que auxilia na leitura. como: vermelho = idéia principal. em várias cores. sem necessidade de apresentar frases redigidas”. destrezas. Uma terceira função é persuadir o indivíduo — convencê-lo a adquirir certo produto. tais como: • Sublinhar com lápis preto macio. sobre a realidade. ou seja. intencional ou não. fundamental para desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social. pois nele aparece apenas o ‘esqueleto’. fazer uma leitura comparando-se o texto original com o texto sublinhado.

do assunto tratado. 2000. Em nossas sociedades de tradição ocidental. 4. isto é. Desvio da corrente de águas frias.1. pela seleção de um dos modos de falar entre variedades existentes na comunidade. 6. como o seguinte: FENÔMENO EL NIÑO 1. 5. podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas. Questão 1: A partir dos conhecimentos específicos que já temos do nosso curso. de determinadas regiões geográficas. Como facilitar a leitura. As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão. o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos linguísticos dos grupos socialmente dominantes. Inflete para oeste. cujo uso é normalmente requerido em situações de interação determinadas. definidas pela comunidade como próprias em função da formalidade da situação. Ventos provindos do oeste Ar quente. 3. Yara. que se traduz. 2. pelo estabelecimento de um conjunto de normas que definem o modo “correto” de falar.Comunicação e Expressão 9 Outra forma de apresentar um esquema é por meio de uma listagem hierarquizada por diferenciação de espaço e/ou subdivisão numérica. Constata-se. Alimentos para os peixes. Corrente marítima de Humboldt. A LÍNGUA E OS FALANTES 1.1. Diminuição da quantidade de plâncton.1. 1. antes de atingir as costas do Peru. Campinas: Alínea. A língua padrão tem uma enorme importância em sociedades como nossa. Tradicionalmente. Lúcia & LIBERATO. Leda Tessari. São Paulo: Contexto. de um lado. não se dá no vácuo. CASTELLO-PEREIRA.1. Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão). em qualquer comunidade de fala. “Uma variedade linguística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes. Atividades de pesca do Peru. Águas frias das regiões polares para as regiões sul-equatorianas. que reflete a hierarquia dos grupos sociais.1. Águas do Oceano Pacífico. Microrganismos animais e vegetais da vida aquática (plâncton). de modo evidente. mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada comunidade. O que chamamos de variedade padrão é o resultado de uma atitude social ante a língua. Leitura de estudo. Isto é. esquematizá-lo e apresentá-los aos colegas por meio do esquema elaborado. Aquecimento das águas costeiras do Peru. em todas as comunidades existem variedades que são consideradas superiores e outras inferiores. de outro. há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso. . da relação entre os interlocutores etc. Na realidade objetiva da vida social. historicamente coincide com a variedade falada pelas classes sociais altas. 2. 2003 FULGÊNCIO. Queda do rendimento pesqueiro. vamos definir um assunto. A variedade padrão é a variedade linguística socialmente mais valorizada de reconhecido prestígio dentro de uma comunidade.1. Ocorrência periódica (época do Natal). 5. a existência de variedades prestigiadas e de variedades não prestigiadas nas sociedades em geral. vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais” (Gnerre). Essa coexistência. entretanto. AS VARIEDADES LINGUÍSTICAS E A ESTRUTURA SOCIAL Como já foi dito. a variedade padrão.

passou-se a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. As línguas não são homogêneas e a variação observável em todas elas é produto de sua história e do seu presente. principalmente.. é usada na elaboração de documentos oficiais. Frequentemente. as avaliações sociais? Podemos afirmar que os julgamentos sociais ante a língua – ou melhor./. Em resumo. então. ouvimos falar em línguas “simples”../ . Em que se baseiam.. assim. assim. com palavras escolhidas que realmente representam o que se quer dizer. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. foi questionado esse modelo especialmente com o argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. por exemplo. portanto. Na língua culta ou padrão.. Segue as regras da gramática normativa. “inferiores”. o r caipira “desagradável”... há obediência também à regência verbal e nominal (.. Para a Linguística – ciência da linguagem – esse tipo de afirmação carece de qualquer fundamento científico. Assim como não existem línguas “inferiores”. 291). aplicava a pena que parecia a ele mais justa. Não casual. para o crime de mesma natureza. na forma escrita. Exemplo: “Na Antigüidade... é mais espontânea e natural.. 1.. vol. passou-se. o que também não se revelou um bom critério em razão de que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto. Em razão disso.. aplicava a pena que lhe parecia mais adequada....Comunicação e Expressão 10 A avaliação social das variedades linguísticas é um fato observável em qualquer comunidade da fala. entre outros. foi questionado esse modelo especialmente com o . aplicar-seia. julgamos não a fala. ficava sujeito aos humores do juiz. Variedades linguísticas Ivan Cupertino Dutra Sibele Letícia Rodrigues de Oliveira Biazotto • Língua Culta ou Língua-padrão – variedade praticada pela classe social de prestígio. que se julgue “feia” a variedade dos falantes de origem rural. as atitudes sociais – se baseiam em critérios não linguísticos: são julgamentos de natureza política e social. como a posição dos pronomes em relação aos verbos (..). que lhe parecia mais adequada. ou seja./ ... um sistema de aplicação de penas. Exemplo: “Na Antigüidade.. mas usamos esse mesmo som para falar “car” (carro) em inglês sem achar “feio”. Observamos também que o léxico (vocabulário) é mais bem trabalhado.” (Texto adaptado de MIRABETE. aplicar-se-ia sempre pena idêntica. a aplicação da pena ao criminoso ficava a critério do juiz que. Consideramos. • Língua Coloquial – utilizada sem muita preocupação em seguir as regras da gramática normativa.. 2003.. sem ambigüidades.. com pouca escolaridade. Toda língua é adequada à comunidade que utiliza. de regiões culturalmente desvalorizadas. p. “primitivas”. No Iluminismo. No Iluminismo.. 2. e o fazemos em função de sua inserção na estrutura social. de classe social baixa.... não existem variedades linguísticas “inferiores”. na imprensa e./). passou-se a adotar./. podemos perceber a obediência às regras gramaticais. é um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive. mas o falante.

como é que o bandido vai pra cadeia? . p. menos formal e de relativa obediência às regras gramaticais... porque só o dotô decidia.” (Texto adaptado de MIRABETE.. 1.gostaro. não era bom.. utilizadas na região do Tocantins. . porque contém expressões emotivas. 1. carregada de gírias e regionalismos. . Depois acharam que não colava.. porque cada um é cada um.. ou seja. o juiz castigava. tudinho. Quanto à escolha do léxico... • Língua Popular – utilizada pelas pessoas de baixa escolaridade.. 291) . Em razão disso. p.. porque como nunca tem crime igual. etc.... p. ..filhinho.. ia pro pau de arara. Depois. usaram uma tal de matemática: todo cabra que matava. usaram a aritmética: todo malandro que fazia um presunto... A questão é a escolha do momento em que podemos utilizá-la. gírias: são consideradas efêmeras.. .mais também. Mas também num foi do agrado de todos. 291) Já a linguagem popular.. era preciso deixar que o juiz olhasse o erro de cada um para aplicar o castigo merecido. Aí. 2003. no tempo antigo. Exemplo: “Antigamente o castigo do bandido ficava por conta do juiz que dava o castigo que ele achava melhor. Depois acharam que não tava certo.. para o crime de mesma natureza.. 291) Regionalismos: podemos citar as expressões: cabra... p.. tivesse castigo parecido ou até que o outro acabasse tendo um castigo muito pior.. notamos que foram utilizadas palavras mais frequentes entre os falantes. particulares e diminutivos. corretivo. • Língua Familiar – linguagem de caráter afetivo. amizade. ou seja. se passou.” (Texto adaptado de MIRABETE. de pouca duração. com uso recorrente de diminutivos..muito.. tomava de conta. 291) A linguagem coloquial já ‘burla’ algumas regras gramaticais. vol. 2003.. pelos meios de comunicação de massa. Mas há também as gírias de grupos como: de marinheiros.. 2003. do ponto de vista das regras gramaticais normativas. mais que outra. 1. entre outras.. . porque cada um é cada um.dotô.. porque só o dotô decidia. mas também pelo vocabulário e pela sintaxe. regionalismos: é diferenciada principalmente pela pronúncia.. 2. vol. principalmente..tudinho.tava. se aplicaria.. 1. vol. conhecidas. era castigado igual. Depois acharam que não tava certo... .. 2003.. era corrigido igual. contém erros por se afastar da norma culta estabelecida. Aí.querido... 1. tá ligado?” (Texto adaptado de MIRABETE..” (Texto adaptado de MIRABETE.. Vejamos: ..” (Texto adaptado de MIRABETE. caso concreto/caso acontecido. qualquer falante de uma língua a utiliza. vol. vol. 291) Quanto à linguagem familiar. 2003. Talvez em outros estados os falantes considerem diferente ou atribuam outros sentidos a tais expressões. ... o que também não se revelou um bom critério em razão que tirava do julgador a possibilidade de fazer a aplicação da lei de acordo com as circunstâncias de cada caso acontecido. começaram a fazer assim: o que a pessoa fez e como era castigada já estava escrito..Comunicação e Expressão 11 argumento de que o castigo ficava sujeito aos humores do juiz. muito errada.. p.Então. como idêntica/parecida.. surfistas. querido.). .aí. Exemplo: “Antigamente o juiz é que tomava de conta do corretivo do cabra que matava um vivente.Filhinho. Mais também num gostaro porque cada um é cada um... as regras que regem o uso de pronomes não são seguidas (. muito. os outros começaram a achar que desse jeito não era bom porque ficava na vontade do juiz o tamanho do castigo. sem preocupação com regras gramaticais. Podia acontecer que quem fez alguma coisa muito. Por exemplo. quando alguém fazia um crime.. • Língua Grupal – é dividida em subníveis. Podemos notar exemplos no texto como: ./. caminhoneiros etc. Exemplo: “Antigamente o castigo do meliante ficava por conta do cana dura que dava o castigo que ele achava melhor. Aí. vivente.. Exemplo: “Papai. se passou a adotar um sistema de aplicação de penas com critérios matemáticos. porque só o doutor decidia. Mais também num deu. etc. se aplicaria sempre pena parecida. que era para ele mais certo. Aí. usaram uma tal de matemática: todo bandido que matava.E depois? .. conforme o grupo que a utiliza. Por exemplo: 1.

Num repara se o berro está sem bala. Acesso em 06 de fev. No texto encontramos a expressão meliante. 2011. Exemplo: “Na Antigüidade. Além da rapidez. meu… Passa a grana logo. que são menos volúveis. vol. em que pouca ou nenhuma flexibilidade se dava ao juiz para aplicar a sanção. Se num quiser nem precisa levantar. Vou deixar teus documentos na encruzilhada… Assaltante Paulista – Orra. pois contém expressões como: arbítrio judicial. a fixação da pena ficava inteiramente ao arbítrio judicial. localizadas em qualquer parte do mundo. meu. bem devagarinho… (longa pausa). porque esse tipo de correspondência apresenta uma característica muito presente na contemporaneidade: a rapidez. mas não se avexe não… (longa pausa). . meu… Pó. Assaltante Nordestino –Ei.Comunicação e Expressão 12 Gírias: vamos nos concentrar mais nas gírias profissionais. p. mas é pra não ficar muito pesado… Não esquenta. meu… Alevanta os braços. pelo correio eletrônico (e-mail). 291) Para classificação. que é considerada gíria do grupo lingüístico de que fazem parte os policiais. por um sistema de penas rígido. Levanta os braços. 2003. Isso acontece. sanção. em decorrência do Iluminismo. Linguagem na Internet Atualmente. meu irmãozinho (longa pausa). ATIVIDADE Questão 1: Assinale a opção que identifica a variação linguística presente nos textos abaixo. bichin… Isso é um assalto… Arriba os braços e num se bula nem faça muganga… Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão. línguas técnicas: são utilizadas pelas várias profissões. dividimos a linguagem grupal em: Línguas técnicas: no exemplo dado. principalmente na escrita. se manda. meu… Mais rápido. a eficiência dessa forma de comunicação permite que as empresas. predominantemente. com presença de vocabulário específico. meu Padim Ciço. por exemplo. Mostrou-se esse critério também inadequado por não poder o julgador sopesar devidamente as circunstâncias do delito para uma melhor correspondência da sanção penal ao agente do fato criminoso” (Texto adaptado de MIRABETE. possam economizar precioso tempo com a troca de informações. 3. podemos identificar claramente que se trata de uma linguagem do campo jurídico. empresas e serviço público têm sido feitas. pra num ficar cansado… Vai passando a grana. que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Corinthians. 1. meu… (A) (B) (C) (D) (E) variação social variação regional variação cultural variação histórica variação padrão A Língua Padrão muda no tempo Este é um fato elementar para quem quer entender as línguas: todas as línguas mudam ao longo do tempo. mas é que eu tô com uma fome da moléstia… Assaltante Baiano – Ô meu rei… (longa pausa) Isso é um assalto… (longa pausa). Apesar de sua elaboração aparentemente fácil. ao escrever uma mensagem eletrônica devemos ficar atentos a alguns procedimentos que ajudam a compreensão da mensagem escrita. Esse injusto sistema foi substituído. As formas lingüísticas consideradas padrões. as correspondências entre pessoas físicas. são mais resistentes Disponível em: <Artigos>. de comércio e de serviços. delito. meu… Isso é um assalto.

Na língua oral .) vão se popularizando e disseminando até o momento em que ninguém mais consegue perceber a nova forma como erro . isto é. O QUE É LÍNGUA PADRÃO? Já sabemos que as línguas são um conjunto bastante variado de formas linguísticas. ou A Constituição nem sempre tem sido obedecida pelas autoridades federais). Na escrita mantém-se mais visivelmente apenas a regra de não se começar período com pronome átono. Vejamos algumas conseqüências que decorrem da mudança. Mas aqui a transformação não chegou ao padrão escrito de prestígio. que insiste sistematicamente em recusar algumas normas das gramáticas escolares.exceto. os gramáticos. impossível sintaticamente com verbos transitivos indiretos (O jogo Brasil x Argentina foi assistido por milhões de telespectadores dos dois países.há uma tendência sistemática a não fazer a concordância (Foi inaugurado as usinas). pode-se dizer que a mudança de padrão começa a se consolidar. Um exemplo bastante visível é o caso da regência de alguns verbos. Mesmo que tenhamos pensado objetivamente a respeito nós sabemos (ou procuramos saber o tempo todo) o que é e o que não é permitido. é claro.. Na fala. do tipo foram inauguradas as usinas. Veja-se. é fato que há uma diferenciação valorativa. Nós costumamos “medir nossas palavras”. escritos por bons escritores ou jornalistas.Comunicação e Expressão 13 à mudança . Outro caso visível é a colocação dos pronomes no português brasileiro. a tendência já está passando à escrita. a resistência é muito mais forte. a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério. como o exemplifica o texto do poeta Oswald de Andrade que.melhor q a outra a n ser por gosto pessoal). por exemplo. Há uma tendência muito forte na linguagem oral do português brasileiro de tornar transitivos diretos alguns verbos que tradicionalmente eram transitivos indiretos (Assisti um filme.mas também mudam... e talvez seja muito mais frequente o emprego "errado" que o emprego "certo". entre outras razões. Falar nisso: o padrão é Convencer pessoas que o certo é. ou Convencer pessoas de que o certo é.. mas também quem diz. o que costuma ser sintoma de que a mudança está avançando significativamente. embora seja frequentíssima em textos escolares. por exemplo.? ATIVIDADES Texto 1: MAS... mesmo em textos de boa qualidade.(não exist var. a sua organização estrutural. Do ponto de vista científico. eu aviso ele. e não Se eu ver fulano. Quando o uso chega a esse ponto. na década de vinte do século passado. o padrão de Portugal (que determinou na origem o do Brasil) desapareceu quase que por completo. Uma evidência dessa mudança na língua padrão é o fato de que esses verbos tornados transitivos diretos passaram a ocorrer com freqüência na escrita padrão na forma passiva.porque vivem sob controle severo! . as mudanças nunca acontecem subitamente. E a linguagem é altamente reveladora: ela não . o fenômeno da concordância nos casos em que o sujeito aparece depois do verbo. Faça um teste: tente convencer pessoas comuns que o certo é dizer Se eu vir fulano. mas mesmo esta é rompida em textos mais informais e nos textos literários.linguist. não há como dizer que uma forma linguística é melhor que outra. porque o nosso ouvinte vai julgar não somente o que se diz.e isso mesmo nas faixas mais escolarizadas da população . Pouco a pouco. em vez de Assisti a um filme). Nesses casos. Outro aspecto que decorre da transformação da língua ao longo do tempo é a convivência (nem sempre pacífica!) entre formas arcaicas e formas contemporâneas. as "novidades" (ou os "erros".. cada uma delas com a sua gramática. que nasce não da diferença desta ou daquela forma em si. Uma delas é a relativa imprecisão de suas características. AFINAL. criticou veementemente a norma culta muito parecida com o português praticado em Portugal: Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da nação brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro (Oswald de Andrade ) Em outros casos. Entretanto. que por mais que reclamem e vociferem não conseguem “segurar” a mudança.. dependendo do ponto de vista. eu o aviso. mas do significado social que certas formas linguísticas adquirem nas sociedades.

kemsomos. Ver marcas e termos usados! Texto 3: Observar a imagem para responder às questões e elaborar texto. 2.. a afirmação indica que existem informações neutras. o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga. Nesse sentido.a partir do que falamos podem identificar de onde vimos. é correto afirmar: 1. mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer. O trecho “a não ser que a gente se esqueça da ciência e adote o preconceito ou o gosto pessoal como critério (linhas 3 e 4) pode ser parafraseado: “a não ser que nos esqueçamos da ciência e seja adotado o preconceito linguístico ou o gosto pessoal como critério”. 4. mais beijam. como a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição.. n falar algopra n agredir alguém.( n existe inform neutra. a nossa intenção. socialmente aceitável. O parágrafo introduzido por ele serviu para confirmar o que foi dito antes. a região de onde viemos. pela forma usada. de falar ou escrever. Esse recurso se caracteriza como variação linguística e pode ser observado. (Millôr Fernandes) (cron. Atividade: Questão 1: Sobre o texto acima.é quest de adequabilidade) Assim. tanto na linguagem padrão como na coloquial. mas também” em: “nosso ouvinte vai julgar não somente o que diz. outros que ficam aborrecidos e limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam. O beijo pode ser no escuro e no claro..ou seja. A soma das alternativas corretas: a) 12 b) 24 c) 15 d) 28 e) 31 Texto 2: O beijo O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo. revela também nossa classe social.Comunicação e Expressão 14 transmite só informações neutras. atualmente.. A expressão “não somente. mas também quem diz” (linha 9) estabelece uma relação de retificação do argumento da primeira afirmação com o argumento da segunda e acrescenta uma nova informação. além de outras informações. Os pronomes “a gente” (linha 3) e “nós” (linha 7) foram usados com o mesmo significado referencial. . e que o papai deu de raspão na empregada noutro dia. a linguagem também é um índice de poder. Humoristica) Questão 2: Em que variante linguística está escrita a pequena crônica de Millôr Fernandes? Por quê? Que marcas textuais autorizam tal resposta? R:var. a língua padrão ocupa um espaço privilegiado: ela é o conjunto de formas consideradas como o modo correto.p/ exemp. 16. o nosso ponto de vista. na rede das linguagens de uma dada sociedade. O beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega. pelo sotaque..colokial e familiar.. O articulador “assim” (linha 13) foi usado com o valor exemplificativo e complementar. a nossa escolaridade.. No trecho “ela não transmite só informações neutras” (linha 10). Tem uns que gostam muito.Medir palavras é n fugir daquilo que é prestabelec pela socied. 8.

Após ter todas as respostas às perguntas feitas.2010. o perfil da hipotética pessoa que escreveu o aviso na parede.png>. como por exemplo. Disponível em: <http://noisnatira.a que classe social pertence. aproximadamente. Texto 3: Vamos observar atentamente a tirinha para responder à questão 3. elaboremos um texto contínuo. ou seja. a adequabilidade ou inadequabilidade do uso das variantes. LÍNGUA E ESCRITA FALAR E ESCREVER .Comunicação e Expressão 15 Questão 3: A respeito da placa de papelão na parede em construção: .de que sexo é e . com coesão e coerência. . por que um dos personagens da tirinha passou mal? Nos argumentos apresentados devemos apresentar informações fundamentadas na teoria. . Questão 3: A partir dos elementos verbais (palavras) e não verbais (imagens) do texto 1 (charge).Que idade tem.que profissão exerce. que motivo a obrigou a escrever tal texto? . . sem tópicos. a circunstância em que elas ocorrem. tipo de variantes as quais estão em questão. no qual apareçam todas as informações.em que local mora a pessoa que o escreveu? Como também.Que atitude do interlocutor o aviso espera ser colocada em prática? .com/quadrinhos/31-03-2009_diversas. Acesso em 15 de mar.

invertendo o curso da história. Rio de Janeiro: Vozes. Mas é claro que a língua tem gramática. A religião praticada pela maioria. Criação individual. O texto mostra todo o seu processo de criação. em geral. de um livro que descreva as regras da língua. o máximo que uma reforma ortográfica consegue é mudar o modo como se grafam as palavras. parece-nos mesmo que a “verdadeira língua” é escrita. mostrando o resultado.Aprendizagem “natural” x aprendizagem “artificial” O estudo da Retextualização. ao transpor da conversa espontânea para o texto escrito. é qualidade intrínseca de qualquer língua. (FARACO. Acesso imediato às reações do interlocutor. Nenhuma reforma ortográfica no mundo muda a língua. jornalistas e intelectuais em geral se manifestando sobre “mudança da língua”. Já a palavra “dicionário” foi bem usada – um erro equivalente.Unidade temática: flutuação x rigidez . A identificação de língua com escrita leva a confusão grosseira na própria noção de gramática. A reformulação pode ser promovida tanto pelo falante como pelo interlocutor.Frases mais curtas x frases mais longas . nesse caso. Sem condições de consulta a outros textos. Livre consulta. deixa-nos a ideia nítida de que a fala é um modo de expressão e a escrita constitui-se em outra forma de comunicação. 17 ed. Frágil infraestrutura existente foi destruída nas duas semanas entre o plebiscito e a chegada das tropas de paz da ONU. tem uma forte tendência a confundir língua com representação gráfica da língua (escrita). Impossibilidade de apagamento. Não se trata simplesmente de uma confusão de ignorantes: basta acompanhar as discussões que. Possibilidade de revisão. Criação coletiva: administrada passo a passo. que não tem gramática nem dicionário. Escrita Interação à distância. isto é. o catolicismo. seria dizer que a língua não tem “vocabulário”. a .Ampla variedade x modalidade única (“língua padrão”) . o sistema altamente complexo que os falantes usam no seu dia a dia. O redator quis dizer.Comunicação e Expressão 16 A cultura letrada.Prosódia e entonação x sinais gráficos . Petrópolis. Distinções específicas entre fala e escrita . redirecionando-o a partir das reações do interlocutor. o que é um absurdo. Planejamento simultâneo ou quase simultâneo à produção. com população equivalente à de Campinas e dividida em 36 etnias. é um dos poucos traços fortes que une o país a seu passado português. Há mesmo quem diga. Sem possibilidade de acesso imediato.Interlocutor: presença x ausência . A língua dominante é o teto. O escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor. O falante pode processar o texto. quando. que. que devemos “falar como escrevemos”.Redundâncias x concisão . Práticas de texto para estudantes universitários. que a língua não dispõe de uma gramática normativa. na verdade. 2008). FALA E ESCRITA Condições de produção Fala Interação face a face. isto é. O texto tende a esconder o seu processo de criação. Planejamento anterior à produção. como vimos. de tempos em tempos aparecem em torno de reforma ortográfica da língua portuguesa que encontraremos escritores. de menor importância e sem nenhum prestígio. sendo a fala uma espécie de subproduto dela.Elementos extralingüísticos x sinais gráficos . naturalmente. A reformulação é promovida apenas pelo escritor. Veja este trecho de uma revista semanal sobre a situação em Timor Leste: Timor Leste é uma ilha do tamanho do município de Manaus. Por força da tradição escolar e da própria ideia de autoridade que emana da escrita. Carlos Alberto.

a passagem do texto oral para o escrito constitui-se na organização da escrita... coesa. Quanto à palavra mais bonita da Língua Portuguesa. poco antes de o trem passá. Exemplo de retextualização – transposição da conversa espontânea em texto escrito: Zuenir Ventura. (Ead Conectado: Vanessa Loureiro Correa) Como você.. sou. na cidade de Ponte Nova. ATIVIDADES Vamos ler o segmento abaixo e responder à questão 1? Qual é a sua opinião sobre os transportes em Porto Alegre? Bom u qui eu achu du:: du transporrte u qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti mintal i tem agora aquelis negóciu di carrterinha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti nãu::. tem muitus crianças ah. onde fui criado:: atravessar uma ponte:: . Minas.sou.. idade.... direta.. Assim. aluno. uma:: pirigosa brincadeira que fazíamos em Ponte Nova.Comunicação e Expressão 17 qual deve ser clara. Conversação espontânea Em reportagem do dia 19. elegância. de atravessar uma ponte antes da passagem do trem.. respeitando aspectos de clareza. as idéias organizadas mentalmente ajudam-nos a escrever com clareza... ZV – Eu::. sendo sua lembrança mais antiga da infância. não só pela o-ri-gi-na-lida-de. MP – Qual a palavra mais bonita da Língua Portuguesa? ZV – Saudade::... O autor do livro 1968 termina a entrevista definindo-se como um humilde operário das letras. afirma que costumava brincar. gênero. nível de escolaridade. não só por existir apenas na nossa língua.. ah ah. MP – Qual a sua lembrança de infância mais remota? ZV – Era...06.. pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu errmola i:: muitas coisas assim extragada né? cumidas ex. onde vive. Texto 2: HISTÓRIA DE VAQUEIROS . um humilde operário das letras. sem falar no sentido. pode perceber.. existe:: apenas na nossa língua:: como pela sonoridade. vamos: a) identificar as características típicas da fala (oralidade). objetividade. Questão 1: A partir do texto acima. quando criança.. MP – Defina-se. ele destaca saudade... b) elaborar o perfil do/a falante (classe social. coerente e elegante.. o jornal Zero Hora publica uma entrevista que Márcio Pinheiro fez ao jornalista Zuenir Ventura. Minas Gerais. mas também pelo significado e sonoridade. tem .tra-ga-da pelu centru comu verrdura otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu. jornalista. coesão e coerência.. em entrevista.. elis omilha bastanti na frenti di TODU mundu dentru dus ônhibus E sobre o centro da cidade? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtalegri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as pessoas éh::: sei lá ..05. profissão) c) transpor o texto oral para a modalidade escrita.. sua cidade natal.

mão faca na venta e sangue no chão e a lua oumenta o quilarão faca na venta e boi no chão mais foi tanto dos vaguêro qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-dasContas Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuros pelas mão mermo cantano um dia interô num manajo todos não as Guariba é um cruzamento in toda tarde de dumingo hai um grande ajuntamento de muita gente e malungo moça bunita perdedêra Bragadá sua perdição boi das arma branca cara preta catravo de pé e mão fera sturrano cavava o chão surucucú de dois ferrão malvado e brabo pegô Juão derna o tempo de minino fazia pur brincadêra pegá bicho remeteno de mão pilunga ô pitêra dentra da venda in descursão entrô os vaquêro de lá pruns olhos bunito cum ferrão pulô a cerca bragadá a noite intêra bebeu dançô na brincadêra no Tomba virô moça bunita laço de amô pelo triz de um momento da peleja in certa altura viu nos olhos da morena ispelhada u'a mancha iscura faca na venta o boi morreno Bragadá caiu no chão cum o vazí rasgado'stremeceno parava o saingue c'as mão amô nun sei pru modi quê facilitei olhei voce foi pur teus olhos pur a fulô pegava o boi boi me pegô édura a sorte do pegadô morrê da morte chifrada amô mais foi tanto dos vaguêro qui renô no meu sertão qui cantano o dia intêro nun manejo todos não Juão Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro nun menajo todos não mermo cantano um dia intêro nun menajo meus irmão . um dos maiores músicos e violeiros do nosso país.Comunicação e Expressão 18 (Elomar Figueira Mello. diz-se que o animal ficou na ribada. Na viagem do gado. também em dialeto. cabra. ou ovelha. quando uma rês desvia-se do rebanho. contanto que seja de pelagem preta e meio desaforado. Ranca-tôco ribadêro = perito em matéria de mato e capoeirões Lubião = qualquer produtor de vaca. João Silva do Ri-das-Conta Antenoro do Gavião Bragadá lá das Treis Ponta Tiquiano do Rumão ranca tôco ribadêro matadô de lubião turuna qui laça frechêro nos iscuro pelas mão mermo cantano um dia intêro num menajo todos não certa feita vô contá só um feito desse vaquêro foi chamado pra pegá um levantado marruêro Morada Velha do Olivêra Lagoa do Pancadão Tiquiano foi só cum a pitêra a Ri-de-Conta e sem gibão mêa noite e lua e um quilarão pontô o bicho na bibida vino do fundo da mata na lagoa de pureza feito u'a bacia de prata qui buniteza nessa hora só lamento nun tá lá e sem mais demora Tiquiano gritô: vem bichão vem cá! riscô um tufão feito um raiá já cum bicho bem pegado ma ponta do pau-de-ferro pelos mistero da hora in qui num pode havê êrro o incapetado lubisomi 'stremeceu soltô truvão já tava intregano ao bicho home as alma nas palma das Vocabulário: Reno= reinou num menajo = não homenageio ranca toco= perito ribadêro = vem de ´ribada´. e se interna no mato ou nos capoeirões. Ele é de Vitória da Conquista-BA) Mais foi tanto dos vaquero qui rênô no meu sertão qui cantano um dia intêro num menajo todos não.

como o vaqueiro tipo Bragadá. do fundo da mata. Ponto o bicho na bibida = surgiu o touro na aguada. Ele é escrito em português arcaico ou na variante inculta. o conteúdo fica para além da estória que capta os tios regionais que lhes dá o nome de heróis. b) c) d) e) Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1) a. no caso. d. Gibão = casaco de couro de veado ou de bodão. o bicho. guiada. E a lua omenta o quilarão = e a lua aumenta o clarão. Vazí = ventre. Guariba = localidade na zona da Mata (estado da Bahia) abaixo da cidade de Itapetinga. está encravado um bico de ferro. Pegá bicho remeteno = enfrentar boi enraivecido e furioso. por tal. b. pelo viril e bravo vaqueiro e. ponto onde se cruzam corredores e estradas reais. na fúria da peleja. a letra da música não apresenta poeticidade ou lirismo. infinitamente pequena – que. e 3) a. O vaqueiro. É uma luta simbólica e ancestral do homem contra a dominação da besta. Arma branca = cornos. pouso de tropas e de encontro de vaqueiros. Derna = desde. Ri-de-conta = faca. o texto de Elomar é de difícil decodificação. em dialeto catingueiro. tipo de arma branca artisticamente trabalhada. de outro. Triz de um momento = fração infinitesimal de tempo. e 4) a.Comunicação e Expressão 19 Turuna = sinônimo de ranca-tôco Frechêro = cabrito ou bodete de cabra na faixa dos seis ou sete meses de idade. embora trate de assunto comum como a bravura dos vaqueiros brasileiros e do amor que é tema universal. Risco um tufão feito um raiá = ante o chamado do vaqueiro. pau-de-ferro. recheada por elementos do mundo rural. sem contato com as mudanças pelas quais passa a língua materna. Sururú = jararaca grande. Questão 1 Vamos entender as seguintes afirmações sobre o texto de Elomar Figueira Mello: a) o texto de Elomar apresenta caráter épico. de um lado. trata da brutalidade de pessoas incultas do interior do Brasil. e 2) c. a expressão “pelo triz de um momento” expressa que as atitudes. d. puderam ser pensadas antes de serem executadas. Pilunga = porrete. pedaço de pau feito um cabo de machado. durante o combate. pelo fato de tratar da luta do homem diante das forças naturais. Lubisoni = lobisomem. com a proteção de forte charrua. Pur a fulo = pela flor. Viu nos olhos da morena/ ispelhada u´a mancha iscura = no ferver do sangue. Pruns = por uns. chifres brancos. na sua imagem. o já idoso vaqueiro Bragadá descobriu que estava ferido ao ver sua imagem refletida no cristal dos olhos da moça e. no canto de homenagem e celebração da bravura. falado especificamente por pessoas idosas as quais vivem no interior do país. vindo do mundo dos homens. Catravo de pé e mão = diz-se catravo qualquer espécie de animal que tenha os pés e as mãos (até uma pequena altura) de cor diferente da do resto do corpo. que abandonou o rebanho e passou a uma vida solitária nos ermos. c. d. como o estampido do clarão de um raio. Pitêra = ferrão. pelo contrário. d. o ajuntamento das pessoas no vazio daquelas tardes imensas. nem sempre deve ser desprezada. região do Palmeira. a moça bonita perdera. a mancha vermelha na camisa. pelo “levantado marruêro”. sendo mais comum a cor branca. Na brincadeira do Tomba-virô = na festa do lugar chamado Tomba-virô. Certa feita = em certa ocasião Pegá um levantado marruêro = matar um touro que se alevantou. o boi investiu contra o moço com muita velocidade e grande fúria. representada. e 5) todas 6) nenhuma Questão 2: Transpor o texto “Histórias de vaqueiros” para a modalidade escrita (retextualização) . a intensidade e a transferência de planos da vida para o mundo mágico. vara trabalhada em cuja base.

(Stanislaw Ponte Preta = Sérgio Porto) Disponível em: <http://www. Segundo telegrama vindo de Ubá. fecharam o caixão e foram para o cemitério. Também não podemos nos esquecer de que a atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos que deve informar ao público: • "O quê" . Foi o que aconteceu agora em Ubá (MG). é preciso. Levaram. veia e cachaça Enterro de pobre sempre tem cachaça. ao objetivo almejado. foram lá enterrar. portanto. a cada situação. inevitavelmente.Comunicação e Expressão 20 RETEXTUALIZAÇÃO Entende-se por retextualização o processo de transformação de uma modalidade textual para outra. terra do grande Ari Barroso. numa indigência que eu vou te contar. que seja entendido o que se disse ou se quis dizer. ou seja. Morreu lá um tal de Nicolino.a causa do fato • "Como" . para transpor de uma modalidade para outra ou de um gênero para outro. por exemplo. levando tudo para o velório. para cada interlocutor. o que se escreveu e os feitos de sentido gerados pelo texto escrito. seja num bairro pobre da cidade do interior. em cada lugar. sendo que alguns podem desaparecer e outros podem surgir. Para tanto.o fato ocorrido • "Quem" .o personagem envolvido • "Onde" . processo que envolve operações que evidenciam o funcionamento social da linguagem. É que os bêbados fecharam o caixão. na esperança de ter sobrado alguma cachacinha no fundo da garrafa.o momento do fato • "Por quê" . dependendo das necessidades dos falantes que os utilizam. (DELL’ISOLA. 2007) Texto 3: crônica Choro. Retextualização de Gêneros Escritos – Rio de Janeiro: Lucerna. produzem gêneros textuais. Para retextualizar. As escolhas envolvem tanto o melhor modo de construção do texto. Depois voltaram até a casa do mono. na hora do enterro. Todo texto tem sempre uma finalidade. 2011 Questão 1: Vamos transpor a crônica de Stanislaw Ponte Preta em criativo texto noticioso para rádio. as formas gramaticais mais adequadas e tudo que está diretamente vinculado à função de cada texto. alguns amigos de Nicolino compraram um caixão e algumas garrafas de cangibrina. Assim. É para ajudar a velar pelo falecido. então. as pessoas se expressam de maneira diferente. Passaram a noite velando o morto e entornando a cachaça. trata-se de uma refacção e reescrita de um texto para o outro. vamos ouvir algumas notícias divulgadas em rádio para não faltar no nosso texto. mas esqueceram o falecido em cima da mesa. Mas — bem ou mal — lá chegaram. Sabem como é. a chamada aos ouvintes e o tom rápido e detalhado. antes de realizar a tarefa. As atividades de retextualização englobam várias operações que favorecem o trabalho com a produção de texto. portanto as produções – orais ou escritas – partem de um objetivo que certamente. às situações de uso. de relativa estabilidade. pobre só tem amigo pobre e. lá abriram a cova e lá enterraram o caixão. Dentre elas.o local do fato • "Quando" . Enfim. tendo em vista a variedade de gêneros possíveis para as muitas situações comunicativas. A intenção de trabalhar a retextualização em sala de aula é promover uma certa adversidade de textos. sujeita a mudanças ocorridas na sociedade. Regina Lúcia Péret. O ensino de português não pode acontecer sem que todos esses aspectos sejam levados em consideração.o modo como o fato ocorreu QUALIDADES TEXTUAIS . vai interferir no modo como vamos falar ou escrever. ou seja. a cachacinha é inevitável. Acesso em 05 de fev.coladaweb. ressalta-se um aspecto de imensa importância que é a compreensão do que foi dito ou escrito para que se produza outro texto. num cortejo meio ziguezagueando e num compasso mais de rancho que de féretro. é preciso haver um incentivo qualquer para a turma subnutrida poder aguentar a noite inteira com o ar compungido que o extinto merece. a maior espinafração da vizinha do pranteado Nicolino. De manhã. Partimos de escolhas. seja numa favela carioca.com/redacao/cronica>.

É muito importante memorizar as conjunções e seus significados para que haja coesão e coerência na elaboração das diversas frases. ficará sem entendê-la ainda mais. Como uma roupa em que todos os detalhes devem se harmonizar. Ler bastante. um colega de reunião de associação de moradores de bairro. Os Degraus da Produção Textual. Oliveira (2003) coloca seis cês que contribuem para a construção de um texto de qualidade. o texto. a admiração. Ex: Juca não está indo bem na escola. concisão. o resultado final não atinge seu objetivo. São eles: criatividade. p. não se sabe se o ninho é da cobra ou da galinha. tais como: • sobre o que escrever? • como organizar as ideias? • que sequência utilizar? • como escolher as palavras adequadas e estabelecer a conexão entre elas? Assim como para confeccionar uma roupa. .94. Fatores que contribuem para a produção de um texto de qualidade Na obra Texto técnico – guia de pesquisa e de redação. Adriane. (BELLUCI. frequentar cinema e teatro. vendo que não há outra saída. sem rodeios de palavras. novo. – Bauru. Nesse caso. coesão. ter um hobby que exige atenção constante – como jogos de computador ou esportes radicais constitui um padrão entre os que são bem-sucedidos”. eu não sei fazer um texto!” Em seguida. clareza. A ambiguidade impede a clareza do texto. Se houver qualquer falhar. exceto quando ela é utilizada como recurso de retórica. Concisão – é a qualidade do texto em ser preciso. além de mostrar ao leitor algo diferente. por coesão se entende a ligação. criativo. o tecido. os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual. ou um chefe no local de trabalho. Podemos comparar essa tessitura com o “bom caimento” de uma roupa. Para Oliveira (2003). 30 abr. traça o molde. Desperta a curiosidade. coesão. a modista escolhe o modelo. sem circunlóquios. escolhe os aviamentos. nossa primeira reação? Nossa primeira reação vem com um sentido de rejeição: “Ah. foi usado um conectivo que indica contraste no lugar do de exemplificação (por exemplo) ou de reafirmação (de fato). a relação. 2003). Clareza – A clareza é uma qualidade essencial de qualquer texto. criatividade e correção gramatical. Além disso. São Paulo: EDUSC. “um profissional criativo estimula seu cérebro também nas horas de lazer. toma medidas. frequentemente. entretanto. precisa coerência. ou seja. Segundo pesquisa na Flórida (VEJA. O texto é claro quando é facilmente entendido. ou ainda. Exemplo de texto ambíguo: A cobra matou a penosa no seu ninho. no exercício de matemática tirou zero. clareza. Um professor em sala de aula. a produção de um texto requer também que se observem elementos para uma boa tessitura. já nos solicitaram a produção de um texto. 2003). Coesão – Segundo Koch (2001). Criatividade – A originalidade de um texto acrescenta-lhe uma importância muito grande. concisão. Nesse caso. se a pessoa que ler a frase não souber que penosa é gíria de galinha. sendo uma unidade semântica. coerência e correção gramatical.Comunicação e Expressão 21 O SIGNIFICADO DE TEXTO Por inúmeras vezes na vida. Um erro muito comum é o uso de um conectivo não correspondente à relação lógica presente entre dois trechos do texto. sem provocar dúvidas ao seu leitor. E qual é. viajar para conhecer outras culturas. colocamo-nos a refletir: “Como eu vou fazer um texto?” Este questionamento traz à mente uma série de requisitos necessários para a composição de um texto. é o uso dos conectivos adequados à correta ligação entre palavras e frases no texto.

Na gramática tradicional. principalmente nos textos cujos autores são jovens. é uma sequência de palavras e expressões próprias da língua falada. ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e é a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. sem a construção adequada no interior da argumentação. o elemento tem a função de delimitar citações. Leiamos o artigo “Jeitinho”. que já é sentido há algum tempo na escrita. no mesmo tema. manter suas especificidades (já que ninguém escreve como fala). não como quis nem como gostaria. devendo. vem gradativamente também afetando a língua falada. Assim. de Andréia Neiva. as redações “naum” virem exatamente escritas como se esperaria. recorreu-se ao uso das aspas. parece rabugice de professor. à primeira vista. Correção gramatical – é o uso da língua de acordo com os padrões da norma culta. uma após a outra. entre outros tantos substantivos que poderiam ter sido escolhidos. Assim. portanto ser entendida como um princípio de interpretabilidade. Para solucionar esse problema. Além. que deveria ter certo aspecto formal. na pior das hipóteses. meretrizes. a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido ao texto. a coluna gramática moderna tratou sobre o jeito muito criativo de o brasileiro reconstruir a gramática. o uso das aspas nunca foi tão prestigiado. o povo conhecido pelo seu jeito especial de lidar com as situações adversas do dia a dia desenvolveu o remédio de usar. porque faltou repertório. Vale lembrar que não faltam palavras no vocabulário brasileiro quando o assunto é sexo. Coerência – Para Koch (2001). além disso) para ligar entre si frases escritas ao acaso. “A ‘mulher perdida’ não pode ser exemplo para a sociedade” ou ainda. Por causa desse artifício. transferidas de forma indiscriminada à modalidade escrita. outra grande reinvenção do famoso “jeitinho brasileiro”. entre aspas. que não exemplifica o que veio antes”. É possível constatar que o vocabulário do brasileiro está gradativamente mais escasso.Comunicação e Expressão 22 Outro defeito é o uso constante de conectivos aditivos (e. O que se vê. Valendo-se da função de apresentar termos e expressões em sentido figurado. O fenômeno do uso excessivo das aspas. num vestibular. muitos brasileiros têm utilizado esse artifício para disfarçar outro problema: o conhecimento cada vez menor do léxico. Que mal há em criar em cima da língua que falamos? O que. Na edição passada. ou seja. Não o é. como. sem incorreções ou desvios gramaticais. Isso é verificado no cotidiano e até mesmo na . não tem o poder de formar uma ironia. isto é. E pensará o leitor: que problema há em esquecer e/ou não conhecer a palavra mais adequada para representar uma ideia e substituí-la por um vocábulo. por exemplo. Fica claro é que o pequeno vocabulário do discente o levou a escrever como pôde. sem planejamento real. esconde na verdade um problema grave no português moderno: a dificuldade do falante em se expressar em sua língua materna. no entanto é importante ressaltar que o sinal gráfico sozinho. entre aspas. Mas essa capacidade de reinventar a língua de acordo com a necessidade e com as ferramentas linguísticas disponíveis não para aí. ou. a formação de ironia. “A ‘mulher de vida quase fácil’ se tornou celebridade” são exemplos de frases retiradas de textos de prévestibulandos em que é possível inferir que as tais mulheres às quais os alunos se referem – a “perdida” e a de “vida quase fácil” – são prostitutas. profissionais do sexo. também. sem dúvida. que remeta a essa ideia? Não haveria obstáculo se a artimanha fosse ocasional. da revista Discutindo a Língua Portuguesa para respondermos às questões: “Jeitinho” O uso exagerado das aspas – que muitas vezes reflete a falta de vocabulário na redação – está impregnando também a linguagem falada. garotas de programa. Também é comum a expressão “por exemplo. de ter grande função estilística no texto. outra palavra que lembre a ideia que se pretende transmitir. numa entrevista de emprego e em outras situações semelhantes. é o que faz o texto fazer sentido para os usuários. O uso das aspas é. depois. é claro. com o exemplo dos usos equivocados do “onde”. é muito comum. realçar palavras e apresentar palavras em sentido figurado e/ ou gírias.

Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas. cada sentença. Questão 01: Qual é a tese defendida pela autora do texto “Jeitinho” e que argumentos que ela usa para defender tal tese. A ciência só se torna dogmática. no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas. Uma cultura opera de forma semelhante. Sem a . Felizmente. cada sabor. não filtrado nem organizado. cada rajada de vento. é também o resultado da filtragem desses dados. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra. Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento? Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade? A questão é importante. Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota. O escritor Angelo Panebianco argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade. seríamos desalmados. Para que uma discussão seja compreendida por todos. a própria entonação já daria conta de expressar. a internet oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. precisamos começar a partir dos paradigmas existentes. Questão 03: Quem já usou aspas pelo fato de o repertório do léxico ser restrito? Em que situação. um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar. cada palavra. Se fosse simples ironia. de 1942. Mas muitas das vezes é falta de vocabulário mesmo. Questão 02: Vamos identificar pelo menos dois fragmentos em que a autora usou aspas e dizer por que ela as usou. resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. pelo uso das aspas na comunicação oral com o já famoso gesto feito com os dedos. o qual sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados? Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados. que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos. todo o resto foi eliminado. diz Panebianco. Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes. E em todas as outras já virou piada sem graça.Comunicação e Expressão 23 mídia. sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore. Em seu conto “Funes el Memorioso”. por exemplo? Atividades Texto: A FALIBILIDADE DA CIÊNCIA 20/06/2010 Umberto Eco Como uma totalidade de conteúdo. de Einstein ou Copérnico. Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica. Seus paradigmas. Se temos um problema.

Comunicação e Expressão

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rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível. Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente. Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.” Tradução: Eloise De Vylder Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/umberto-eco/2010/06/20/afalibilidade-da-ciencia.jhtm>. Acesso em 20 de jun. 2010. Notas: - PTOLOMEU: Astrônomo e geógrafo grego (90?-168?). Um dos últimos grandes cientistas da Grécia antiga, é autor dos estudos de astronomia mais importantes produzidos antes de Copérnico e Galileu. Nasce em Ptolemaida, com o nome de Cláudio Ptolomeu, e vive em Alexandria entre os anos de 120 e 145. Durante esse período, registra várias de suas observações astronômicas. Entre outras coisas afirma que a Terra é o centro do universo. O sistema ptolomaico, em que a Terra aparece como o centro, é adotado pela Igreja Católica durante toda a Idade Média, até ser derrubada pelas teorias de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Disponível em: <http://www.algosobre.com.br/biografias/ptolomeu.html>. Acesso em 07 de fev. 2011. - NICOLAU COPÉRNICO: Nascido na Polônia, no ano de 1473, Nicolau Copérnico é considerado o fundador da Astronomia moderna. Antes de sua teoria, os homens consideravam como verdadeira a tese de um cientista grego chamado Ptolomeu, que defendia a idéia de que a Terra era o centro do universo. Contrário a esta idéia, Copérnico não se convenceu da idéia de que o Sol e todos os demais planetas giravam em torno da Terra. Por esta razão, defendeu a tese de todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do Sol
Disponível em: <(Heliocentrismo)>. Acesso em 07 de fev. 2011.

Questão 1: Que tese é defendida por Umberto Eco no texto “Falibilidade da ciência”? Que argumentos ele utiliza para construir tal ponto de vista? Questão 2: Vamos pensar a respeito e responder às seguintes perguntas: a) que desafio e/ou necessidade o semioticista italiano sugere às pessoas dos tempos atuais? Justificativa: b) que sentido/s estabelece o conectivo MAS no início do segundo parágrafo do texto? Comentário: c) como entendemos as afirmações de que a ciência é antidogmática, porém ela, em algumas situações, pode ser dogmática? Você lembra algum exemplo semelhante ao de Copérnico em relação a Ptolomeu? Explicitação: d) “Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados?”. Por quê? Questão 3: Quanto à construção do texto: - há coerência? Por quê? Que elementos de coesão identificamos nele? - conseguimos identificar os seis CÊS nesse texto de Umberto Eco? Que marcas textuais nos autorizam a responder a essa pergunta?

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- o que mais me chama a atenção nesse texto? por quê? COERÊNCIA TEXTUAL As metarregras da coerência Um francês chamado Michel Charolles descobriu quatro princípios responsáveis pela coerência. Chamou-os de metarregras da coerência. São elas: fundamentais

1. Metarregra da repetição — um texto coerente deve ter elementos recorrentes; nada mais é do
que aquilo que chamamos de coesão textual. O fato de, em uma frase, recuperarmos termos de frases anteriores, por meio de pronomes, apagamentos ou elementos lexicais constitui um processo de repetição ou recorrência. A coesão textual é, portanto, a primeira condição para que um texto seja coerente. Vejamos o exemplo: A imprensa internacional cobre a violência no Brasil de uma maneira tão sensacionalista que os estrangeiros ficam com a impressão de que nossas ruas são mais perigosas do que elas realmente são. Essa cobertura não apenas afugenta os turistas como também pinta uma imagem falsa, do país e do mundo em geral. No trecho acima, há metarregra da repetição, porque há termos recuperando informações anteriores, por exemplo, elas, essa cobertura.

2. Metarregra de progressão — um texto coerente deve apresentar renovação do suporte
semântico; nos diz que um texto deve sempre apresentar informações novas à medida que vai sendo escrito. Vejamos o texto a seguir: Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres, ou seja: pega a colher, o garfo e não olha para o prato de comida. Ela não se alimenta. Brinca apenas. Diverte-se com uma colher e um garfo e o prato fica na mesa. O ato de brincar substitui o ato de alimentar-se. Não há no exemplo dado informações significativas novas, há sim repetição do que já foi dito. Poderíamos reduzir esta informação a: “Essa criança não come nada. Fica apenas brincando com os talheres”.

3. Metarregra da não-contradição — Em um texto coerente, o que se diz depois não pode
contradizer o que se disse antes ou o que ficou pressuposto; nos diz que cada pedaço do texto deve "fazer sentido" com o que se disse antes. Vejamos o texto abaixo: Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc. Sabemos que um das qualidades de um bom texto é não haver contradição, e no texto do exemplo acima há contradição. Inicialmente, o narrador afirma que havia fumaça espessa que não permitia ver ninguém e, depois, cita os tipos de pessoas que estavam na festa. É um texto sem credibilidade argumentativa.

4. Metarregra de relação — Em um texto coerente, seu conteúdo deve estar adequado a um
estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto: Em nosso pequeno vilarejo aconteceu, certa vez, um caso bastante curioso. Havia ali um coronel muito matuto que vivia assombrando os moradores da cidade com suas bravatas. Numa manhã de domingo, no dia da festa da padroeira, ele acordou morto e todo pronto para conduzir o turíbulo que, de véspera, havia dormido em sua casa. Depois do café matinal, fez-se uma grande

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aglomeração de pessoas diante da casa do coronel: foi a primeira vez que tivemos um engarrafamento de 15 km: carros, motocicletas, triciclos, bicicletas e mesmo pedestres aguardavam atentos pelas palavras do coronel nas primeiras horas do dia de seu enterro. O que mais chama a atenção nesse texto é o fato de o coronel estar morto e, mesmo assim, estar pronto para carregar o turíbulo. Além disso, é estranho o fato de os moradores aguardarem seu pronunciamento matinal. Ao ler o texto, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a de que se trata de um “causo”, não de um fato verídico. Isso porque no “mundo real” não existe a possibilidade de se acordar morto, de um morto carregar um turíbulo e, menos ainda, de um morto fazer pronunciamento em festa de padroeira. Atividade Questão 1: Leia o excerto de texto abaixo e identifique a (s) metarregra (s) de coerência que foram infringidas. Reconstrua-os para torná-los coerentes, atendendo às metarregras da coerência textual. a) São Paulo tem uma extensão territorial superior à de muitos países do continente europeu e podendo comparar perfeitamente em seu seio uma população de mais de quarenta milhões de habitantes, ninguém poderá dizer que São Paulo não possui os elementos necessários para tornar efetiva a sua autonomia política. Em São Paulo, a hipótese separatista foi abortada. O discurso do presidente da República caminha para o separatismo famélico entre o Norte e o Sul. Uma das perversidades da política brasileira é a demagogia. b) Um dos cuidados que devemos ter quando redigimos um texto é com a repetição de palavras no texto. A repetição de palavras é muitas vezes inoportuna, torna o texto cansativo e deselegante. Sendo assim, seria interessante que editores de texto pudessem oferecer uma funcionalidade que ajudasse o escritor a controlar a repetição de palavras no texto indicando quantas vezes uma palavra já foi usada no texto e em que situação. c) Minha amiga foi para Porto seguro, recomendou a viagem para todos e afirmou que jamais retornaria ao local.

AMBIGUIDADE
“Ambiguidade – Latim ambiguu(m), ambíguo, que apresenta duas faces, dois sentidos”. “O vocábulo ambiguidade emprega-se em Gramática para designar os equívocos de sentido provenientes de construção defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios”. “Em crítica literária, a palavra foi introduzida por William Empson (...). A seu ver, a ambiguidade consiste em toda nuança verbal, posto ligeira, que dê lugar a diferentes reações ao mesmo fragmento de linguagem”. (MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974). Texto 1: Placa

A partir do primeiro e do terceiro conceitos sobre ambiguidade. Texto 2: charge Disponível em: <osnigomes. Perspectiva.Acesso em 07 de fev. vamos identificar possíveis leituras que as imagens anteriores (placa e charge) sugerem. .Placasridículas.com/>. não basta reunir qualquer conjunto de frases ordenadas de forma aleatória. É preciso que elas sejam logicamente ordenadas a fim de que o receptor siga o fio do discurso e seja capaz de entender aquilo que desejamos comunicar.blogspot.com. 11). 2011. sem nos esquecermos dos seis cês. 1979 p. sistematizemos por escrito o que conversamos. Em seguida. que exige do leitor um renhido trabalho cooperativo para preencher espaços não-ditos que ficaram. 1.br. O parágrafo Você sabe que. 2011 .>. Umberto. por assim dizer. São Paulo. A REDAÇÃO DO PARÁGRAFO O texto é uma máquina preguiçosa. Acesso em 02 de fev. para elaborar um texto coerente. em branco.Comunicação e Expressão 27 Disponível em: <www. O parágrafo – como um microtexto – deve obviamente apresentar essa organização. Lector in fabula. (ECO.

a ideia-tópico. o redator passa a expandir as ideias indicadas no tópico frasal. Isso evitará a inclusão de aspectos ou detalhes desnecessários ou incoerentes com o objetivo fixado. do objetivo do autor e do tipo de leitor a quem se destina o texto escrito.1. uma ou mais frases que expressem o objetivo escolhido. 0 conceito acima aplica-se ao chamado parágrafo-padrão. A fixação clara do objetivo facilita a seleção e a ordenação das ideias. No entanto. é mais fácil fixar o objetivo que deverá orientar a redação do parágrafo. Preferiu fazer a crônica da luta surda que sempre se travou entre as fantasias que os séculos transformariam em ciência e a “intocável realidade” que os instrumentos científicos de uma época podiam detectar. mas intimamente relacionadas pelo sentido”. A conceituação “0 parágrafo é uma unidade de composição. Assim. em primeiro lugar. tempo-espaço. constrói um plano de desenvolvimento. em primeiro lugar. A redação Etapas prévias a) A delimitação do assunto: a restrição ou delimitação do assunto é necessária para que possamos organizar o parágrafo com mais facilidade. os ordena. também.Comunicação e Expressão 28 1. o desenvolvimento e a conclusão. entediando o leitor não especializado. Em primeiro lugar. de maneira geral e sucinta. A estruturação O chamado parágrafo-padrão é constituído de três partes essenciais: o tópico frasal. diferentes formas de construção do parágrafo. Há várias formas de ordenação do desenvolvimento. Essa ou essas frases iniciais do parágrafo que traduzem. a que geralmente se agregam outras.2. a preocupação maior do autor deve ser a de fundamentar de maneira clara e convincente as ideias que defende ou expõe. secundárias. 646 páginas – O caminho que o historiador americano Daniel Boorstin escolheu para escrever essa história compacta da ciência é duplamente inovador. É importante redigir. o tópico frasal garante que você não se afaste do objetivo estabelecido. Para isso. mantendo a coerência do texto. enumeração de detalhes. constituída por um ou mais de um período. Você deve estabelecer para que vai escrever sobre determinado assunto. Na sequência da nossa exposição. que servirá como forma de controle. Civilização Brasileira. dependendo da natureza do assunto. entre elas: exemplificação. ele deixou de lado os habituais catálogos de nomes e descrições de experimentos que costumam rechear as obras de referência. você poderá começar a escrever. Boorstin. A segunda novidade foi a opção por uma narrativa romanceada – e não burocraticamente cronológica – para descrever a trajetória da evolução de alguns instrumentos. b) A fixação do objetivo: delimitado o assunto. (0thon Garcia). do gênero da composição. ele. definição. seleciona aspectos ou detalhes particulares que desenvolvam a frase-núcleo e. a ideia-núcleo do parágrafo constituem o que se chama tópico frasal. e com que finalidade. causaconsequência. assim como há diversos processos de desenvolvimento e ordenação de idéias. as quais variam conforme o objetivo fixado para a redação. TÓPICO FRASAL (introdução) DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO OU TRANSIÇÃO a) A formulação do tópico frasal Delimitado o assunto. em que se desenvolve ou se explana determinada idéia central. em seguida. Porém. seja qual for a forma de ordenação empregada. 1. Exemplo: Os descobridores. comparação. fixado o objetivo que deverá orientar o parágrafo. A fim de ordená-los. há. explicitaremos cada uma dessas partes. de Daniel J. b) O desenvolvimento do parágrafo Nessa etapa de redação do parágrafo. como .

para a conclusão do parágrafo. indica com que objetivo alguém lê uma biografia. É possível também encerrá-lo apresentando de modo conciso consequências. ou seja: tópico frasal. 17. que o leitor aprenderá. Em outras palavras. ao escrever uma história compacta da ciência. ter sua origem numa engenhoca inventada nos mosteiros medievais com a finalidade de acordar os monges para as orações noturnas. É o caso da história dos despertadores digitais. CONCLUSÃO: o autor une precisão científica e leitura acessível. como você vê. pois ela se caracteriza por uma apreciação do autor. dependendo da situação do leitor. . . para se verificar como ela conseguiu alcançar projeção a despeito das dificuldades que enfrentou. . que estabelece uma relação de finalidade. ou seja. . seguido pelo articulador para. Exemplificando: Veja o parágrafo abaixo: Por que se lê uma biografia? Antes de mais nada.. * Logo. Ou. (Istoé/Senhor... o parágrafo possui as três partes essenciais à sua redação. O nexo ou introduz uma nova possível causa da leitura de uma biografia.06. . ATIVIDADES Por exemplo: a generalização de um tema como violência obriga o autor a delimitar alguns enfoques que lhe são pertinentes. * Então. para se constatar que pessoas absolutamente normais têm a chance de adquirir notoriedade. Com isso. implicações daquilo que foi expresso no tópico frasal e no desenvolvimento. A transição entre o desenvolvimento e a conclusão do parágrafo é feita. 1185. o mundo terá a chance de reconhecer o nosso talento ou de algum parente. podemos retomar o objetivo expresso na frase núcleo. geralmente.2 Opção por urna narrativa romanceada. procede a duas inovações. e não por uma implicação direta a partir das ideias desenvolvidas. para se conhecer segredos de uma personagem que eventualmente ainda não tenham sido divulgados. Longe da sisudez dos textos técnicos. A expressão Num caso e no outro retoma as causas mencionadas no desenvolvimento e resume-as. ASSUNTO: A obra Os descobridores. TÓPICO FRASAL: Daniel Boorstin. Há vários passíveis de discussão: a) causas e consequências da marginalidade b) causas e consequências da impunidade c) formas de punição d) divulgação da violência pelos meios de comunicação . . 1 . DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Resenha crítica da obra.Comunicação e Expressão 29 o relógio. que feche o parágrafo. por meio de articuladores que indiquem a relação que desejamos estabelecer. Civilização Brasileira. Algumas vezes.1 Abandono dos catálogos de nomes e descrições de experimentos e preferência pela crônica.96.. algumas passagens da obra ganham sabor inesperado. (Veja). O elemento continuativo depois acrescenta mais uma causa à já citada no período anterior. Assim. de Daniel J. a biografia dá ilusão de que.63) A pergunta inicial Por que se lê uma biografia? Constitui a introdução (tópico frasal). desenvolvimento e conclusão. Boorstin. a bússola e o microscópio. OBJETIVO FIXADO: Mostrar a dupla inovação estabelecida pelo escritor Daniel Boorstin ao escrever a história da ciência. Apresentação das duas novidades: 1 . deliciosamente... no entanto. Num caso e no outro. Depois. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DAS IDÉIAS: 1 . p. reorganizamos resumidamente os diversos aspectos do desenvolvimento em uma frase final. o nexo não vem explicitado. recapitulando o conjunto de detalhes ou aspectos particulares que fazem parte do desenvolvimento. então. talvez um dia. tais como: * Assim . c) A elaboração da conclusão Na formulação da conclusão. Boorstin consegue a proeza de unir precisão científica e leitura acessível. O início do desenvolvimento do parágrafo é explicitado por meio do operador argumentativo antes de mais nada. * Dessa forma.

etc. de modo que. na atmosfera. gases vulcânicos. em segundo lugar. a razão disso. etc. frequentemente. em seguida. passaremos agora ao estudo das formas de construir o desenvolvimento desse parágrafo. Questão 1: Proponha 4 delimitações para os seguintes assuntos: . hidrocarbonetos não queimados. na miséria. por fim. que explodem bióxido de carbono. (GUEDES. em vista disso. é um romantismo que cai no vazio. São expressões indicadoras de CAUSA: porque. falar de amor e de promoção humana. quatro tipos principais de poluição. de CONSEQÜÊNCIA: tão que. óxido de enxofre. por meio de certos articuladores que têm a função de marcar a ordem. segundo a qual os detalhes do fato são apresentados. depois. ou é evidenciada por expressões (articuladores) que a introduzem ou é percebida semanticamente. Portanto. depois. A relação causa-consequência. Palavra e ação) 3. etc. ainda. graças a. Exemplos: Parágrafo ordenado por causa: A cada dia que passa. poderá ser desenvolvido e detalhado nos parágrafos seguintes.. no mundo atual. sem falar de justiça social e lutar por ela. também. já que. Outra forma liga-se à ação de veículos automotores. uma vez que. por motivo de. em primeiro lugar.moradia Formas de ordenar o Parágrafo Depois de compreendermos a estrutura do parágrafo-padrão. número 18) 2. 1. de maneira que. ano II. Alguns destes articuladores: primeiro. causada por agentes como poeira. de forma que. bromo. A razão principal desse fenômeno é o distanciamento cada vez maior entre uma minoria que possui muito e a grande massa popular que se afunda. a degradação ambiental deve-se à atividade industrial. A de origem natural. Organiza-se. devido a. etc. pois. além.Comunicação e Expressão 30 e) causas do aumento de criminalidade f) crimes afiançáveis e crimes hediondos (sequestro e estupro) g) a violência contra a mulher e contra a criança h) a violência no trânsito i) a violência decorrente dos vícios (drogas e álcool). nevoeiros. a seguir. Existe ainda a poluição registrada em consequência de fenômenos de combustão como aquecimento doméstico e outras incinerações. Ana Maria. cada vez mais. a violência cresce de maneira assustadora. cloro. após.cultura . em virtude de. Ordenação por enumeração Consiste em enumerar diferentes situações ou características de um fato expresso de modo genérico no tópico frasal e que. composto de enxofre. parágrafo ordenado por causa-consequência: . odores de fermentação natural. por meio da interpretação das ideias relacionadas. a causa disso. ou seja. tal que. (Revista Interior. Por último. tamanho que. estabelecida entre períodos de um mesmo parágrafo. que eliminam gases como monóxido de carbono. Exemplo: Temos. tanto que. Ordenação por causa-conseqüência Consiste em indicar a(s) causa(s) do fato apresentado e o(s) resultado(s) ou efeito(s) produzido(s). inicialmente. visto que. segundo. por isso. em conseqüência. como resultado. mais adiante.

por causa dessa ausência.. ao passo que. ainda. de outro lado. A cada 100 telefonemas... 641) 5. Livros Horizonte) 4.... conseguir linha era motivo de comemoração. a única coisa que resta em que o homem se sente livre? Só aí se perde totalmente a si mesmo: nesse momento. de um lado.. Hist. após. emocional e fisicamente somos pessoas constrangidas e cheias de limitações... a competição. Pode ocorrer o emprego simultâneo dos critérios de ordenação de ideias por tempo e espaço.Comunicação e Expressão 31 Por que o sexo se tornou um problema? Ou deveríamos antes perguntar por que ele é.. também. também. do Pensamento. no século tal. o sexo torna-se importante. além de. frequentemente. Enfim. Exemplo: Se há opinião unânime sobre Sigmund Freud. diante de. fatos ou fenômenos.. atrás de. pessoas de segunda mão. ao contrário. abaixo de. este. p. à esquerda. um homem que enxergava o sexual em todas as coisas. E assim. Tal divisão acaba.. seres.. Já a ordenação temporal exprime a ordem segundo a qual o redator teve a percepção ou o conhecimento de algo acontecido. fora de.patamar que o Brasil abandonou em 1984.. a violência e a luta constante. não só.. naquele tempo. Evidenciam-se expressões articulatórias como: assim como.. por outro lado. por outro lado... Ordenação por comparação: semelhança ou contraste Consiste em estabelecer um confronto de idéias.. detrás de. Para alguns.. por amor à ciência (. congestionados como uma avenida de metrópole na hora do rush.. J. é a de que mudou nossa maneira de compreender a cultura... logo que.. Retirar o fone do gancho para conversar com a vizinha ou ligar para Portugal tornou-se missão complicada.. etc..4 telefones para cada grupo . etc. por um lado. à proporção que. aí. O país tem hoje 6. porém etc. (FREUD: A exploração do inconsciente. finalmente. alguém que perseguia os discípulos dissidentes... as 9 milhões de linhas telefônicas existentes no país estão cada vez mais enervando os brasileiros. ESPAÇO: longe de. mostrando seus pontos comuns (semelhanças) ou seus contrastes (diferenças).. perto de. tanto quanto. tanto como. (para) outros. não havendo liberdade a não ser no sexo. um herói que desbravou as profundezas do inconsciente e expôs à posteridade sua vida pessoal em um grau desconhecido até então. as torturas... no país tal. o outro e a nós mesmos. Expressões indicativas dessas formas de ordenação de TEMPO: agora. em frente de. 54. Intelectual. presentemente. à medida que.. além. Em suma. O padrão internacional é de seis tentativas fracassadas a cada centena de ligações . cá. inteiramente moldadas pela nossa sociedade tecnológica. O mundo somos nós. "nós" e "eles". ali. (como) também. e então talvez se encontre uma grande liberdade. já. Lisboa.. antes de. muitos anos atrás. nesse momento não existe mais a divisão entre "eu" e "tu". Para outros. a agressão. em oposição. brancas. mas. atualmente mais de 29 não são completados devido aos problemas de fiação e à insuficiência de linhas.. ultimamente. assim que.. deixa de ser todas as misérias. de igual modo. um problema. no local tal. em seguida. breve. não foi mais do que um charlatão.. (KRISHNAMURTI. Freud foi um gênio. Fasc.. Simplesmente deixa de estar aí.. (para) uns. enquanto. em ambos os casos.. depois. Mas as divergências em torno de sua pessoa e de sua obra são imensas. antes. se por um lado. sempre que. Hoje. há muita gente para falar e poucos aparelhos instalados para transportar as conversas. enquanto. segundo parece. aquele. todas as memórias. à direita. Em tudo o mais não somos livres. este passa a ser muito importante e. Ordenação por tempo e/ou espaço As indicações de espaço são necessárias sempre que for conveniente mostrar o lugar em que aconteceram os fatos referidos.). Naqueles tempos de telefones exclusivamente pretos e pesados. Exemplo: Ordenação por tempo e espaço simultaneamente O Brasil está voltando ao tempo em que os telefones eram pretos e as geladeiras. que não media os meios para impor suas ideias. dentro de. por esse motivo. já.. coisas. um covarde que abandona a verdade por medo da opinião pública.

Exemplo: Na luta contra a depressão fora do divã. de forma que a produção de neurotransmissores seja regularizada. por exemplo. durante a gravidez e o parto. A Alemanha Ocidental tem 43. TRATAR-SE DE. o que gera um aumento da metabolização dos neurotransmissores antidepressivos. Ordenação por definição De todas as formas de ordenação esta é a mais abstrata. Observe o emprego da expressão POR EXEMPLO. Abrem-se inúmeros estabelecimentos de ensino superior sem as mínimas condições de funcionamento. uma preocupação crescente com a quantidade em prejuízo da qualidade do ensino. muito utilizada em textos técnicos ou científicos. pois revela os atributos essenciais de um objeto por meio de sua definição. e a Suécia. O embaralhamento de sistema telefônico brasileiro é produto da diminuição de investimentos em infraestrutura de comunicações e da defasagem do preço das tarifas pelo uso de telefones. as pessoas com problemas depressivos ou maníacodepressivos são expostas a raios artificiais que reproduzem a mesma frequência da luz solar infravermelha. O autor cita as técnicas de cura para a depressão. principalmente. além dos remédios e da aplicação do ECT. Em geral. como os países nórdicos. Uma outra técnica é a chamada "deprivação do sono". O parágrafo misto Alguns parágrafos caracterizam-se. exemplificando-as. 64. Nas regiões onde o inverno é longo e intenso. Os parágrafos mistos são aqueles em que há mais de uma forma. as repetências. Exemplo: O Brasil tem gritantes problemas no campo da Educação. Nelas. que incluem a detecção de anormalidades cardíacas e pulmonares e a verificação dos batimentos cardíacos do feto no útero. no seu desenvolvimento. luminosos. Ordenação por exemplificação Consiste em exemplificar um conceito ou justificar uma afirmação por meio de exemplos ilustrativos. os psiquiatras de todo o mundo decidiram investir em outros tipos de acompanhamentos médicos. embora os sons também possam ser ouvidos sem o auxílio do aparelho. A ausculta é uma prática de variadas finalidades. DENOMINARSE. O parágrafo seguinte usa a exemplificação para justificar a afirmação feita no tópico frasal. Jorge Armando. A redação do vestibular. há dez telefones para cada 100 habitantes. Abril Cultural) 7. "Através de estímulos acústicos. a glândula pineal é ativada. Cada uma das técnicas aponta para a causa e também para a consequência da sua aplicação. jogos e a presença de especialistas que se revezam. Nesta forma de ordenação é frequente o emprego do verbo SER ou de verbos como CHAMAR-SE. Com isso. os pulmões ou os intestinos. CONSIDERAR-SE. crescem dia a dia as experiências à base das chamadas clínicas de luz. que está longe de ser o melhor exemplo de bom funcionamento da telefonia. (MACEDO. por serem mistos. uma ponte entre o conceito ou a afirmativa e o leitor. as pessoas em tratamento são mantidas acordadas". explica o psiquiatra carioca Jorge Alberto da Costa e Silva. Exemplo: Auscultação é o ato de ouvir sons produzidos por órgãos internos como o coração. o médico ausculta com o estetoscópio. Em função disso. a ordenação . 8. quando se trata de algo muito abstrato. Moderna). Na Argentina. Há. o que é uma taxa rala. através da parede abdominal ou do tórax. 6.Comunicação e Expressão 32 de 100 pessoas. São Paulo. Daí as desistências. a corrupção e outros males que denigrem a Educação em nossa Pátria. Ed. (Pequeno Dicionário de Medicina. O exemplo estabelece um elo. que consiste em manter o paciente acordado por até 36 horas. presidente do Comitê Internacional de Tratamento e Prevenção da Depressão.

ao longo do tempo. Vale a pena viver! Disponível em: <http://www. O que mais me marcou no episódio do Rio foi o gesto de dona Ilair agarrar-se à vida. pelo menos a vida era sua e dela não abria mão em nenhuma circunstância. Os parágrafos no contexto da dissertação Para concluir.01. com o apoio do governo estadual e governos municipais. conforme a sua posição no contexto da dissertação. em mais uma de suas magistrais crônicas (A Doutrina do Choque. ficou clara a necessidade de ações e prevenção para não deixar que populações fiquem submetidas à chuva e às suas consequências. enquanto os vizinhos a puxam para cima do prédio.Comunicação e Expressão 33 desse parágrafo é classificada: por exemplificação e por causa e consequência. Quer dizer: nada que diga respeito ao pobre obrigado a erguer seu barraco num barranco deslizante por absoluta falta de alternativas”. da tragédia de início de ano no Rio de Janeiro foi a de uma mulher sendo resgatada com a corda puxada pelos vizinhos do alto de um prédio de vários andares. Sobrou-lhes. Ainda é tempo de repensar relações. vêm as tempestades. o que indica o parágrafo misto. Também é fundamental ter mais agilidade na ação coordenada dos agentes e órgãos públicos.com. É a vingança da natureza. Não se esqueça de examinar os elementos de transição entre os diferentes parágrafos. O CACHORRO E A VIDA Selvino Heck 28. entre tantas.2011 A imagem mais impressionante. valores e modelos de sociedade. O homem aproveita-se da natureza. Nos braços. Nunca devemos desesperar e achar que as coisas são impossíveis. como talvez nenhum outro povo ou outra gente. envenenam-se águas. Há um novo tempo em perspectiva. Caso contrário. É um ser humano que acredita em si e nos outros.01. os sequencializadores textuais. quando há mais respeito pelas pessoas e seus direitos. teimosos. Ela deu esta lição.br/site/noticia. serve-se dela como se apenas fosse propriedade sua.adital. Se não tinham emprego. Dona Ilair agarrou-se à vida e sobreviveu graças à solidariedade. . ocupam-se morros sem cuidado. de quem não se respeita o curso natural: cortam-se árvores sem critérios. Os brasileiros sempre se agarram à vida. dona Ilair foi salva. Acreditou que tinha força nos braços para se segurar na corda oferecida (e ainda acreditou que podia carregar junto o cachorro. Dona Ilair estava dentro de um pedaço de casa que estava sendo arrastado pelas águas furiosas e implacáveis. como se apenas fonte de lucro. Acesso em 07 de fev. o ‘novo começo’ pressupõe novo rigor nas licenças para construção e uma ocupação mais racional da terra. quando há uma unidade dos seres e do planeta terra. Luís Fernando Veríssimo. ela larga o cachorro. Por outro lado. as condições de vida precárias. que é agredida. sem conviver com suas regras. que visitou os locais e a população. vão mostrar resultados. seus fluxos. No caso do Rio. ou seja. sobretudo. São.11). Com as mudanças climáticas. A presidenta Dilma. a chuva e a água incontroláveis. 23. endireitam-se as curvas de córregos e rios e tira-se sua beleza. ‘agarrar-se à vida’. as águas vão descer os morros. O Globo. histórica e secularmente. Por um lado. convidamos você a observar a estrutura de cada um dos parágrafos do texto a seguir. Quem se agarra à vida é mais que sobrevivente. Quem acredita. Em cenas dramáticas. um cachorro que não a largava. vence e vive. escreveu: "Quanto à tragédia nas cidades serranas. Acreditou que os vizinhos não iam largá-la nas águas enfurecidas. as árvores vão cair sobre casas e carros. e o levou até onde pôde). quando se convive com o meio ambiente porque ele faz parte do bem viver. sob aplauso geral.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53574>. A MULHER. a renda era péssima. Para não morrer. seguramente. para ao menos diminuir o sofrimento de quem é atingido. ou cheios de esperança. 2011. as tragédias se sucedem e quem normalmente mais sofre são os pobres e os trabalhadores. determinou um conjunto de providências que. vêm os tornados. e ela não largava o cachorro. O poder público historicamente pouco ou nada tem se preocupado com políticas de habitação popular e de saneamento básico. seres humanos feitos para viver vão perder estupidamente a vida.

que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. e espera. olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão. 3. são exigências de uma boa paráfrase: 1. num texto B. A negrinha. “Consiste no desenvolvimento explicativo (ou interpretativo) de um texto. pai. de maneira mais clara. laço na cabeça. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. Utilizar construções que não sejam uma simples repetição daquelas que estão no original e. no entanto. e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. Resumos e explicações são tomados como paráfrase. Lanço então um último olhar fora de mim. amarelo-escuro. porém. Sem mais nada para contar. a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família. Não omitir nenhuma informação essencial. larga-o no pratinho -. Gostaria de estar inspirado. a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A filha aguarda também. célula da sociedade. 1988). onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.um bolo simples. inclinando-se para trás na cadeira." Depois a mãe recolhe as velas. concentrado. sem. um vocabulário também diferente. Por que não começa a comer? Vejo que os três. ao episódico.. haver modificações das idéias ou acréscimo de informações. Visava ao circunstancial. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano. Como a um gesto ensaiado. que se preparam para algo mais que matar a fome. A mulher suspira. Além disso. atenta como um animalzinho. vagamente ansiosa. Nesta perseguição do acidental. São três velinhas brancas. quer num flagrante de esquina. toda arrumadinha no vestido pobre. E enquanto ela serve a Coca-Cola. apenas uma pequena fatia triangular. deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos. que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. sempre que possível. contida na sua expectativa. aborda o garçom. Ninguém mais os observa além de mim. parabéns pra você. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se. A compostura da humildade. A . Para tanto é necessária uma boa compreensão do texto. vocabulário e estrutura da frase. apagando as chamas. fruto da convivência. quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico. Na realidade estou adiando o momento de escrever. o que contém um texto A” (Othon Garcia. o pedido do homem e depois se afasta para atendêlo. enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. curvo a cabeça e tomo meu café. Passo a observá-los. cantando num balbucio. Este ouve. mãe e filha. torna a guardálas na bolsa. como se aguardasse a aprovação do garçom. O pai se mune de uma caixa de fósforos. entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto original. retira qualquer coisa. Na paráfrase.. depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso. ocorre uma transformação da parte formal do texto. minúsculas. A perspectiva me assusta. em que se diz. O autor da paráfrase deve demonstrar que entendeu claramente a ideia do texto. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. olhando para os lados. 2. muito compenetrada. discretos: "parabéns pra você. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante. O pai. Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua. Exemplo de paráfrase A ÚLTIMA CRÔNICA Fernando Sabino A caminho de casa. o pai risca o fósforo e acende as velas. que a faz mais digna de ser vivida.Comunicação e Expressão 34 PARAFRASEAR TEXTOS Paráfrase “é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico”. Vejo. a que os pais se juntam. Não sou poeta e estou sem assunto. obedecem em torno à mesa um discreto ritual. Imediatamente põe-se a bater palmas. na contenção de gestos e palavras.

Disponível em: <http://www. vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. ANAFÓRICOS E CATAFÓRICOS Pasquale O gentil leitor sabe o que é um anafórico? E um catafórico? Não se trata de nomes de medicamentos. rios. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos.Comunicação e Expressão 35 mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo.. Por isso. roubaram nossa mãe. nós também estamos morrendo aos poucos. Acreditamos que não. o expresidente Lula prometeu.. Agora. a violência vai aumentar. Presidente Dilma. de acordo com o exposto sobre esse tipo de recriação textual. como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. para os acampamentos. não. a observá-lo. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta.11 . satisfeito. ele se perturba. O pai corre os olhos pelo botequim. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá. ameaça abaixar a cabeça. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. rasgaram sua pele. Não estamos pedindo nada demais. 31 janeiro de 2011. Por último. Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. é crueldade. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades.. 2010. Esperamos que não seja um prêmio de consolação. animais e aves. A maltrataram. Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. para os confinamentos. Presidenta Dilma. para as retomadas. especialmente na reconquista de nossas terras. sangraram suas veias..Brasil Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil.. apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais.com/i_samuel_fsabino. Mais ou menos recentes na nomenclatura empregada nas questões de alguns vestibulares e concursos públicos. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso. constrangido — vacila. limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. nossos olhos se encontram. estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. com o sabor amargo de uma cesta básica. Sem nossa mãe terra sagrada. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos. mas não resolveu. mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. peixes. Acesso em 30 de jul. sem a qual hoje não conseguimos sobreviver.releituras. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. já que não . Dá comigo de súbito. Sem nossos tekohá. Atividade Texto: CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF 03. é matança.asp>. nossas terras tradicionais. Questão 1: Vamos elaborar uma criativa paráfrase da CARTA DO POVO KAIOWÁ E GUARANI À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF.02. lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito. E nós não podemos mais esperar. No final do ano passado. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio. Para nós isso é destruição. esses "palavrões" ainda surpreendem muita gente. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. para os refúgios. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro.. da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. arvores. quebraram seus ossos. Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani Dourados. se comprometeu.

rosas de todas as cores.que Ahy. por exemplo. por exemplo. (8) Não podíamos deixar de ir ao Louvre. . porém. Em outras palavras. lá. que ocorre com: sinônimo (3). Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci: a Mona Lisa. aí) (8) (1) Ele chegou. a esta altura o leitor talvez deseje saber o que é o bendito "catafórico". por exemplo. O presidente levou consigo uma grande comitiva. mas indisciplina o mestre não tolerava. "fugiu a ele" ou "fugiu dele"). (3) O professor era bom. o catafórico se refere ao que será enunciado adiante. hipônimo (5). Em "Atestado sem selo deixa de sê-lo". (Coluna publicada no dia 22 de julho de 2004. isso corresponde a deixar claro quem é quem no texto. Em "A verdade é esta. duas palavras que tenham valor anafórico. (4) Sempre mandava flores para a namorada.Comunicação e Expressão 36 costumam fazer parte do que se estuda ou discute nas aulas de português do segundo grau de boa parte de nossas escolas.substituição vocabular. El Ninho foi impiedoso: derrubou árvores. da linha 16 do texto. / Quase te mataste. de Macedo) era este: ". de cansada. / Quase te mataram!" (citado no próprio "Aurélio". são três)? Vamos lá: "lo" (de "esquecê-lo"). como era de esperar.. pagar uma infinidade de taxas. Gostava de toda espécie de livro. Nesse caso.. não se sabe a quem se refere o possessivo "seu" (ao rapaz. o exemplo é de "Estrela da Vida Inteira". Em "O rapaz disse à irmã que seu futuro estava decidido". ali. Paulo) Os processos de anáfora e catáfora ocorrem quando há: . caro leitor? Quais são os anafóricos (que. o problema pode ser resolvido com o emprego de "dele". de Manuel Bandeira). . Pois bem. É isso. Depois. É preciso preencher um sem-número de papéis. No caso dos anafóricos. no jornal Folha de S. o pronome "o" se transforma em "lo" porque se prende a verbo terminado em "r" (esquecer + o = esquecê-lo). ou seja.advérbios (aqui. o "o" é posto antes da forma verbal por atração do termo negativo "nem". mas não sabe que o nome do bicho é esse. por exemplo. procurou fugir do insensível moço e fazer por esquecêlo. É bom lembrar que o termo "anáfora" também é usado para denominar a "repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases" ("Aurélio"): "Quase tu mataste. o pronome "lo" (que resulta da transformação de "o" em "lo") recupera o substantivo "atestado". Na verdade. à irmã ou aos dois). destruiu casas.elipse (2). Bem. Em "o esqueceu". o bom uso dos anafóricos estabelece adequadamente a coesão textual (terminologia que também tem sido empregada em alguns vestibulares e concursos). "dela" ou "deles". de Joaquim M. . Os três elementos anafóricos se referem ao mesmo antecedente ("moço"). em seu último vestibular. Se o anafórico se refere a um antecedente. repetição do mesmo termo ou repetição do nome próprio (ou parte dele) . (6) O presidente viajou para o exterior. potencialmente ambíguo. o "lhe" corresponde a "a ele" ou a "dele" ("fugiu ao moço" ou "fugiu do moço". O trecho de que fazia parte a "linha 16" (de um fragmento de "A Moreninha". Como sempre digo. muito mais importante do que o nome é o emprego.termo-síntese (7) . sim: um anafórico nada mais é do que um elemento linguístico que se refere a um termo antecedente. o pronome demonstrativo "esta" se refere ao que é enunciado em seguida ("estamos mal-arrumados!"). hiperônimo (4). muita gente sabe o que é um anafórico. nem fugiu-lhe e nem o esqueceu" (a "linha 16" começa em "moço" e termina em "o").pronominalização (1). Em "esquecê-lo". Pronto! Você já sabe o que é um anafórico! Ou ainda não sabe? Sabe. Explique essas anáforas". E então. (7) O país é cheio de entraves burocráticos. citado antes na frase. na verdade. meus caros: estamos mal-arrumados!". "lhe" (de fugiu-lhe") e "o" (de "o esqueceu").. Em "fugiu-lhe". Enfrentam tudo para nos defender. Um caso comum de mau emprego dos anafóricos ocorre com o pronome "seu". a Fundação Getúlio Vargas (de São Paulo) fez esta questão: "Selecione. (2) Há cães bons para proteção do lar. (5) Lia muitos policiais. Todas essas limitações acabam prejudicando o importador..

01. hoje sua sócia no Brasil. responsável pelo desembarque do McDonald's no Brasil. "Lembra-se disso?". Educadamente. uma das secretárias tratou de dispensá-la. Em 2002. Outra particularidade é que as cafeterias brasileiras devem também usar xícaras -. "Desde o início percebi que ela seria forte candidata. Aos poucos. Apresentou-se ao empresário e lhe entregou uma cópia de seu plano de negócios. persuadir. o suficiente para a abertura de cinco lojas.o encadeamento de segmentos do texto. Nos Estados Unidos. Após a primeira visita. o que não ocorre no resto do mundo. Ex-executiva da United Airlines.4 bilhões de dólares. enviou cartas anuais a Seattle reiterando o interesse em ser sócia da rede. a começar pela tese de adesão inicial empregada. Um dos pontos que ainda precisam ser definidos é o preço. Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. "Peter é meu guru. a sociedade entre a rede Starbucks e o casal Rodenbeck foi.06. perguntou ele a Maria Luisa. Esse é o primeiro grande negócio de Maria Luisa Rodenbeck. já que a Starbucks só trabalha com lojas próprias e sócios locais. ainda não definimos os valores". finalmente. "Isso é chute. Os sócios não revelam o valor do investimento. Tenho um compromisso. Ao entrar no elevador para deixar o edifício. em São Paulo. as visitas foram ficando mais frequentes. Para concretizá-lo. Maria Luisa teve de ser persistente. na obra A arte de argumentar. vice-presidente de marketing e negócios da Starbucks para a América Latina. da American Airlines e do Outback (rede australiana de restaurantes lançada no Brasil pelo casal Rodenbeck). feito por conexão (9) ou justaposição (10): (9) Os alunos não prestam atenção. convencer. A primeira delas deve ser inaugurada neste ano. (Revista EXAME. Quais foram as conquistas da executiva e por que ela conseguiu persuadir os americanos? Justifique. a então estudante de MBA Maria Luisa Rodenbeck chegou à sede da americana Starbucks. Mas desde o início ficou muito claro que o sonho de trazer a Starbucks ao país era meu". Maria Luisa admite que o nome e o histórico do marido pesaram na decisão da Starbucks. especula-se que um café poderá custar até 10 reais. QUESTÃO 2: De acordo com Abreu (2001). os Rodenbeck esforçavam-se para mostrar conhecimento do mercado. Aqui. a empresária Maria Luisa conseguiu fazer uma eficiente argumentação junto à empresa de Seattle? Por quê? Na sua resposta deverão aparecer os termos argumentar. respectivamente. No Brasil. um expresso custa 2 dólares. . as lojas vão oferecer cafés exclusivamente brasileiros. em Seattle. conseguiu trazer os primeiros executivos para sondar o mercado brasileiro. por Malu Gaspar) QUESTÃO 1: Apresente de modo resumido qual foi o objetivo alcançado (a tese principal) e o respectivo caminho (recursos de presença) que a ex-estudante de MBA trilhou para consegui-lo. e disparou: "Quero falar com Howard Schultz". o café é servido apenas em copos de isopor. com faturamento anual de 6. porém. diz Pablo Arizmendi. QUESTÃO 3: O último parágrafo diz que Maria Luisa tratou de persuadir os americanos a fazer pequenas adaptações. diz. Estudo de texto Em 1997. confirmada -. mas analistas estimam que gire em torno de 20 milhões de reais. (10) Preciso sair com urgência.nos outros 36 países onde a Starbucks opera.as participações são de 49% e 51%. aprendi tudo com ele. Maria Luisa deu de cara com o próprio Schultz. mas devemos insistir que aprendam. Seu plano era tentar convencer o fundador da maior rede de cafeterias do mundo. o mesmo Schultz a recebeu em seu escritório com um abraço e o velho plano nas mãos. Maria Luisa levou quase uma década para convencer Schultz de que investir por aqui seria um bom negócio. Havia uma química com nosso jeito de fazer negócios". No final de maio. a entrar no mercado brasileiro. Nesses encontros. Casada com o americano Peter Rodenbeck.2006. na década de 80. Maria Luisa tergiversa. Em junho de 2005. Iniciadas as discussões sobre o formato da operação brasileira.Comunicação e Expressão 37 2º .

Texto: “Não existem línguas uniformes III. IV. Exercícios .imagens sobre as olimpíadas . Texto “Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem” 2. VI. Reforma Ortográfica Roteiro de filme Particularidades léxicas e gramaticais Pontuação: o uso (ou não) da vírgula Vamos observar esta imagem sobre as Olimpíadas: . Texto: “A pedagogia do grande irmão platinado” 3.sobre a obra O que é leitura . Textos 1.sobre a obra Preconceito lingüístico II.Comunicação e Expressão 38 Anexos: I. V.

2011.br.azneuras. Acesso em 02 de fev.com. . cumpre a mesma função de charge? Por quê? Apresentemos pelo menos um argumento no texto elaborado. Questão 1: Podemos afirmar que a ilustração.wordpress. nesse caso.Comunicação e Expressão 39 Disponível em: www.

vamos reescrever com nosso estilo o que falou Maria Helena a respeito do assunto.com.liliansimoes. Para tanto. de Maria Helena Martins. Em seguida. e da charge de Lilian Simões. o que entendemos por leitura? 2) Quando aprendemos a ler? Como foi nosso aprendizado de leitura? Quem nos ajudou? Como foi nosso contato com a leitura na escola? 3) A obra O que é Leitura.no capítulo 3 do livro Preconceito linguístico. no mínimo. De forma sucinta. Acesso em 09 de jul. apresenta alguns tipos de leitura que não estão ligadas unicamente ao lermos apenas palavras. 5) É possível ler o mesmo texto várias vezes e construir novos sentidos após cada leitura? Por quê? Após a leitura da obra PRECONCEITO LINGUÍSTICO vamos responder às questões: Charge para a questão 3: Disponível em:<http://www. a) De acordo com a fala do aluno da charge e do linguista Marcos Bagno. o aluno precisa da instituição escolar para ajudá-lo a usar a língua materna com competência. O que caracteriza cada um deles? Que importância têm esses três níveis para o leitor? 4) O capítulo “ampliando a noção de leitura” faz críticas severas ao sistema de ensino de alfabetização e letramento. b) Assim como determinada pessoa se matricula em autoescola para aprender a dirigir e não para saber detalhes do funcionamento do veículo. emocional e racional. marque a alternativa incorreta. mas também situações. elabore um parágrafo de correção da alternativa com.0) A partir do tópico 3 – “o que é ensinar português” . pois a função da escola não é restringir ao ensino das regras e da nomenclatura dos termos gramaticais. 2. doze linhas. 2009. a preocupação da mestra está relacionada ao modo precário como o garoto se comunica na escrita. Isso significa que ele deve aprender a ter . a autora apresenta três níveis de leituras: sensorial. Questão 3: (v.br/blog/wp-content/uploads/>.Comunicação e Expressão 40 Após a leitura da obra O QUE É LEITURA vamos responder às questões: 1) A partir do livro de Maria Helena.

Porém. temos que apostar na soberania alimentar. a inculta. também. como pobre que supostamente é. o aluno deve continuar se expressando pela única variante. como afirmam os governos e as instituições internacionais. Hoje. aos setores mais pobres da população. afetando. por exemplo.Mundo Enric Llopis . Juntamente com Xavier Montagut publicou os livros "Do campo ao Prato”. que monopolizam cada uma das etapas da cadeia agroalimentar. um litro de leite ou um pacote de bolachas pode parecer um ato bem cotidiano. A agricultura industrial. como aluno. para especular. em ambos os casos. a obsessão pela terminologia e pela classificação de termos e o apego à nomenclatura. 2009) Comprar um quilo de açúcar.11 . sejam elas orais ou por escrito. A terra. d) O ensino da gramática normativa mais estrita. Os problemas agrícolas e alimentícios são globais e são o resultado de converter os alimentos em uma mercadoria. sob essa aparência inócua subjaz a relevância política de nossas ações. ativista social pela soberania alimentar e militante do movimento antiglobalização.02. por meio da variante culta. que ele adquiriu dos pais. reduzindo a agrodiversidade. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental. Os consumidores temos que poder decidir o que comemos. gerando mudança climática e destruindo terras férteis. Você é coautora do livro "Do Campo ao Prato”. Icaria. Por ela não ter preconceito linguístico. Esses bens naturais não devem servir para fazer negócio. marcas e produtos. Não pode acontecer que umas poucas multinacionais. Definitivamente. o esforço. esforçar-se em aprender a comunicar. coautora do livro "Do Campo ao Prato” (Ed. Isso é uma prova do fracasso do capitalismo agroindustrial? Sim. ele será amparado por alguma política assistencialista do governo. alimentos transgênicos e livre comércio. 925 milhões de pessoas no mundo passam fome. há o mesmo número de pessoas no mundo que passam fome do que o de pessoas com problemas de sobrepeso. Texto: ‘COMEMOS O QUE AS GRANDES EMPRESAS AGROALIMENTÍCIAS QUEREM' 04. inclusive as mais inocentes. Comemos o que as grandes empresas do setor querem. daqueles que trabalham na terra.Adital Entrevista a Esther Vivas. "Para onde vai o comércio justo?” e "Supermercados? Não. faz falta democratizar os processos produtivos e fazer com que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população. c) O garoto tem razão: não há necessidade de a professora se preocupar-se em ensiná-lo a falar e redigir textos claros e coerentes para comunicar-se melhor. acabem decidindo o que comemos. Esther Vivas. obrigada!”. Para acabar com a fome no mundo não é preciso produzir mais. Acreditas que nos estão envenenando? Esther: O modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentícias das pessoas. quilométrica. alerta sobre a primazia do capital privado na hora de impor gostos. As empresas multinacionais. se queremos consumir produtos livres de transgênicos. para que o aluno saiba identificar os termos da oração e os classifique não é garantia de que ele se tornará um usuário competente da língua culta. pois. intensiva e petrodependente tem se mostrado incapaz de alimentar à população. Pelo contrário. Que alternativa pode ser proposta pelos movimentos sociais? Esther: É preciso recuperar o controle social da agricultura e da alimentação. Poderias definir o conceito de "soberania alimentar”? . tanto nos países do Norte quanto nos do Sul. independente da área na qual atua. E também é desnecessário. ou seja.Comunicação e Expressão 41 êxito nas situações de comunicação. à sua saúde e ao respeito ao meio ambiente. a água e as sementes devem estar nas mãos dos camponeses. a ONU e o FMI propõem uma nova "revolução verde”.

É necessário antepor outra lógica e organizar-se contra o modelo agroalimentar atual no marco do combate mais geral contra o capitalismo global. sete empresas no Estado Espanhol controlam 75% da distribuição dos alimentos. a partir de grupos e cooperativas de consumo agroecológico. por exemplo. De tal maneira que o consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida e o mesmo passa ao produtor ao buscar acesso ao consumidor. no qual o comércio internacional funcione como um complemento do anterior. como a energia nuclear. em defesa do território. as ajudas à exportação. trata-se de recuperar o conhecimento das práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologias e saberes. Desse modo.. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. E essa tendência cresce cada vez mais. Não foram feitos acordos vinculantes que permitam uma redução efetiva dos gases de efeito estufa. Combater a competição desleal. especulação com a habitação e com o território. os critérios mercantis têm sido uma vez mais a moeda de troca e o mecanismo de comércio de emissões é. não o clima”. Em vez de dar soluções reais. Pelo contrário. A mercantilização que está sendo realizada na produção agroalimentar é a mesma que atinge a muitos outros âmbitos de nossa vida: privatização dos serviços públicos. precarização dos direitos trabalhistas. mas. porém. distribuição e consumo de alimentos. Cancún. reivindicar a soberania alimentar não implica em um retorno romântico ao passado. Em todas essas cúpulas os interesses privados e o curto prazo têm pesado mais do que a vontade política real para acabar com a mudança climática. Também é necessário sair às ruas e atuar politicamente. mas de promover a produção e o comércio local. A Via Campesina afirma que comer. tenta "mudar o sistema. Promover os circuitos curtos de comercialização. ou os agrocombustíveis. Estamos em mãos das grandes cadeias de distribuição. Kyoto. Copenhague. isso sim. como. expressa essa relação difusa que existe entre justiça social e . mas os interesses privados. como muito bem diz seu lema. O que isso implica e que efeitos nos traz esse modelo de consumo? Esther: Hoje.Comunicação e Expressão 42 Esther: Consiste em ter a capacidade de decidir sobre tudo aquilo que faça referência à produção. de temporada. proporcionar grandes benefícios a umas poucas empresas. como vimos em múltiplas ocasiões. questionando o sistema capitalista e. saudáveis. não gera mudanças estruturais. porque. Estás de acordo? Esther: Completamente. ao contrário. Como nasceu e quais são seus princípios? Esther: O Movimento pela Justiça Climática faz uma crítica às causas de fundo da mudança climática. organizar-nos no âmbito do consumo. O Movimento pela Justiça Climática tenta oferecer alternativas. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. Trata-se de medidas cujo único resultado é agravar ainda mais a crise atual social e ecológica e. hoje. os mecanismos de dumping. não consiste em uma proposta localista. Conseguir esse objetivo implica uma estratégia de ruptura com as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). fóruns sociais etc. Em Cancun fez sucesso a ideia de "adaptação” à mudança climática. Da mesma forma.. criar alternativas e promover alianças amplas a partir da participação em campanhas contra a crise. Que balanço geral pode ser feito sobre as diferentes cúpulas sobre a mudança climática? Esther: O balanço é muito negativo. converteu-se em um "ato político”. os mercados locais. os que estão nas instituições não representam nossos interesses. por exemplo. opta-se por falsas soluções. nesse sentido. As soluções individualistas servem para romper com essas pautas de consumo? Esther: A ação individual tem um valor demonstrativo e aporta coerência. o seu máximo expoente. por ocasião da campanha da Iniciativa Legislativa Popular contra os transgênicos. impulsionada por "Son lo que siembrem”. Por detrás disso escondem-se os interesses das companhias multinacionais e de um suposto "capitalismo verde”? Esther: Sim. Faz falta uma ação política coletiva. Porém. O que comemos é resultado da mercantilização do sistema alimentar e dos interesses do agronegócio. Apostar no cultivo de variedades autóctones. a captação de carbono da atmosfera para seu armazenamento.

3. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou. Isso tem contribuído para visualizar a urgência de atuar contra a mudança climática. porque o primeiro não combina com os produtos saudáveis e o segundo tem dificuldade de manter-se sem agrotóxicos. e todas elas nenhuma delas Questão 2: “Faz falta uma mudança radical de modelo. b. e c. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que devem andar estreitamente unidos.Como é que o supermercado impõe o que eu como? Citemos exemplos. nas mobilizações de Cancún. Questão 1: De acordo com a entrevista Comemos o que as grandes empresas agroalimentícias querem. .adital. 2011. c. ao mesmo tempo em que teve um forte impacto ambiental ao reduzir a diversidade de culturas agrícolas. b) O consumidor cada vez mais tem menos portas de acesso à comida. nós já pensamos sobre o fato de nos submeter às grandes redes de supermercado ou como elas interferem no nosso modo de viver? . 4. c) O Movimento pela Justiça Climática tem tido um forte impacto internacional. é possível afirmar que: a) O texto descarta as novas tecnologias e o comércio local. entre crise social e ecológica. Estão corretas as alternativas: (assinalar apenas uma) 1.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53754>. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e.De que modo o capitalismo criou a crise ecológica a partir da qual pode faltar comida no mundo? . mais recentemente. d) A produção de combustíveis de origem vegetal é uma medida que pode colaborar na resolução do problema da falta de alimentos no mundo. Ela tem sido incapaz de alimentar à população. vinculá-lo às lutas cotidianas e buscar alianças com o sindicalismo alternativo. E diante disso. Disponível em: <http://www. c a. como também os pequenos produtores. Esse monopólio outorga um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação. 5. nas mobilizações de Cancún. Acesso em 05 de fev. ao influenciar a mudança climática e destruir terras férteis. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que esse próprio sistema criou”.Por que concordamos ou discordamos da ativista espanhola Esther Vivas? . mais recentemente. O movimento tem tido um forte impacto internacional. A solução é mudar o clima ou mudar o sistema capitalista? Esther: Faz falta uma mudança radical de modelo.br/site/noticia. não o clima. d. 2. A crise atual apresenta a necessidade urgente de mudar o mundo pela base e fazer isso desde a perspectiva anticapitalista e ecologista radical. as pessoas nada podem fazer. sobretudo por ocasião dos protestos na cúpula do clima em Copenhague e. É urgente mudar o sistema. No ato rotineiro de fazer compras.com. O desafio é ampliar sua base social. a.Comunicação e Expressão 43 climática. o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado. e) A agricultura de caráter industrial é enorme e intensiva.

no ônibus.11 . Uma coisa de uma maldade abissal. obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém com requintes de crueldade. ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades. Não são eles os "imorais”. que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. coisa que. trans. nos filmes. as pessoas estão ali porque querem. Cada uma daquelas criaturas que ali estão quebrando todas as regras da ética do bem viver são pobres seres humanos. São vítimas.. Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. morrem até para estar naquela casa. Sabia. Cada ano a violência fica maior. me causa espécie. Mesmo no terminal. em que se traem os amigos. Mas enfim. fez a sua escolha. As notícias estão no jornal.Brasil Elaine Tavares Jornalista Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudoesquerda que fica falando mal do BBB. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral possa ter o "show”. enquanto os demais a abraçavam. putas ou santas. que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. mas ocorre que estas "lições” em que se eliminam pessoas. Agora inventaram a figura de um sabotador. em que vale tudo. Em nome do milhão. Precisava sabotar seus amigos. obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária. loucas. E assim vai o "grande irmão” propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. o tal do sabotador é uma pessoa. Há os que vêem e nem gostam. é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos.01. também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível. É invasivo e feroz. . E fui observar um pouco desse zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites. em busca do que pensar ser seu lugar ao sol. Mas fica. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. Depois. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais. héteros tarados. Estava em completo desespero. no elevador. Deveras. que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas. É só estar vivo para saber. é claro. Então. bi. em todos os lugares. a qual é parte intrínseca do "show”. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade” da Globo. passam meio que por osmose. peito e cabeça vazia. perdidos num mundo que exige da juventude bunda. ele se deixava cair. O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes. No dia em que ela saiu do castigo. Fiquei por aí a matutar. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência. músculo. Tudo pela "plata”. Vi a cara do rapazinho. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. dono de um texto refinado.Comunicação e Expressão 44 Texto: A pedagogia do grande irmão platinado Texto de 26. sou um bicho televisivo. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. ainda assim. o que. elas mandam vídeos. Mas. se oferecem. chorando. Querem mais do que as migalhas do banquete. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder "????”). etc. esperando o ônibus. Está bem.. dando as "notícias” dos broders. Ele. um outro. mas que também dá sua espiadinha. E o fez. O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. já que coisas do tipo que se veem ali também são possíveis de ver na novela. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "‘qualquer um pode neste mundo livre”. Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial. é perverso demais o que os "inventores” fazem com aquelas tristes criaturas. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. O melhor sinal é o da platinada. Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão. esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase que totalitária. do grupo. Pega em qualquer lugar deste grande país. escorregando pela parede. É praticamente impossível fugir desses saberes. nas cadeias. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. Um sacerdote muito bem pago. É a lavagem cerebral. Então esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido.

Tratase da consolidação. até . É ética. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. Tudo pela "plata”? Questão 3: . Recentemente. típica do capitalismo. nefanda. Então.. Onde as pessoas. da rede Globo. juntas. sinistra e miserável. ele sairá em breve para matar.adital. E. quase uma criança. se perguntarem a razão. A questão do "grande irmão” não é moral. “Matei. que assaltou um amigo meu. O show da Globo é uma violência explícita. Meu amigo perguntou por que. 12. começa a roubar e matar. mas se estupramos. segundo Elaine Tavares? Texto: A lei e a justiça Lya Luft Ando cansada da loucura humana. um menino de 14 anos confessou na maior frieza o assassinato de dezessete pessoas. Questão 4: Diante do programa do BBB. aos 12 anos – pouco mais.. junto com as companhias telefônicas. como bem já levantaram alguns blogueiros. perseguição aos homens de bem e impunidade aos pérfidos. foi para uma dessas instituições de ressocialização nas quais não acredito.asp?lang=PT&langref=PT&cod=53508>. o que causa espanto na autora? Por quê? Esse programa nos causa espanto de alguma maneira? Por quê? Questão 5: Que paradoxo Elaine Tavares discute no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Questão 6: Afinal. que pretender cristalizar como verdade que para que um seja feliz. Logo estará livre para reiniciar com alegria sua atividade de assassino psicopata. fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudoesquerda. Penso que há outras formas de a gente se divertir. Ando exausta de tanto cinismo. Disponível em: < http://www. e repetia “vou te matar”. Quando em outros países a idade mínima é de 14 anos. Acesso em 28 de jan. brother quer dizer irmão em inglês. maldade. qual é a pedagogia do BBB. via repetição. aos 16 podemos mudar o país através do voto. e até menos. matamos. Cansei do drama da juventude que. Talvez tenha acreditado num dar de ombros: “E daí?” Se não houver alguma grave interferência. Por ser menor de idade. outro tenha que ser "eliminado”. malcheirosa. Acredito firmemente que se deve reduzir a idade na qual alguém pode ser legalmente responsável por seus atos. a Globo. Voltarão para novos crimes. de uma pedagogia. ele vem. 2011. É galera.com. talvez diga como outro criminoso.br/site/noticia. Quinze deles já foram confirmados.Em que variante/s o texto é escrito? Por que é dessa forma? Vamos apresentar marcas textuais que justifiquem nossa resposta. lúcida ou drogada. como tantos assassinos iguais a ele. buscam o bem viver. sim”.Comunicação e Expressão 45 Enquanto isso. Hoje sai a fim de matar alguém”. aqui perto. e o menino respondeu com simplicidade: “Nada. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética”. Questão 1: Que tese Elaine Tavares defende no texto A pedagogia do grande irmão platinado? Que argumentos a jornalista utiliza para tecer o ponto de vista dela? Questão 2: Por que Elaine Tavares emprega aspas nas palavras no seguinte trecho: É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis”. aqui. nem rodos poderão ser reintegrados na sociedade. cruel. Os empresários globais lambem seus bigodes. É coisa ruim. às vezes com requintes de crueldade. sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. roubamos. lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos”. pouco menos: se apanhados.

A partir de reflexão sobre a redução da idade penal. me disseram que. vítimas e criminosos deixando famílias destroçadas dos dois lados. o que nem sempre é bom.com/2008/11/as-ch. sociedade moderna. se a gente cavasse fundo no jardim. descobriremos que a senhora Justiça era apenas um mito. O diabinho rosna então uma das melhores frases sobre o assunto: “A lei nem sempre garante a justiça”. poderá integrar-se à sociedade como um cidadão de bem? Justifique sua resposta com argumentos claros e convincentes. de pernas para o ar estaríamos nós). produzir para seu próprio sustento. Adulta. pegamos uma leve – e breve – pena em uma instituição que (com raras exceções) reeduca os passíveis de melhoria e deixa os psicopatas mais loucos. Quem são os personagens da charge abaixo? Onde e em que momento eles estão? O que eles estão fazendo? Por quê? O que eles representam no nosso país? Que crítica a charge faz? Por quê? Em que aspectos a charge se assemelha ao texto de Lya Luft A lei e a justiça? . Como nós. na maioria das vezes. A palavra é de origem francesa e significa carga. da nossa desolação e dos nossos enganos. coesão.Comunicação e Expressão 46 os 18. exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. aqui e ali. Do poder dos maus e da fragilidade dos bons. acredita que um jovem criminoso. 19 de janeiro de 2011. (Revista Veja. que mereceriam uma sociedade menos violenta e autoridades mais eficazes. livros e seminários com discursos pomposos mas pouco eficazes.Vamos responder a essas perguntas em um único texto com coerência. Além do mais. ano 44 – n. nem todos divertidos. que deveriam ser submetidos a leis mais firmes e colocados – se for o caso – em prisões decentes onde possam trabalhar. Isso inclui as possíveis vítimas. ou seja. onde jovens. para ver se não haverá alguma luz que o afugente.. . E você. sociedade doente. elabore um parágrafo padrão declarando o que você pensa a respeito do assunto. 18) Questão 1: Lya Luft. por meio de uma caricatura. Sou mais crédula do que cética. no texto “A lei e a justiça” faz referência à questão da idade penal. ou seja. 03. que deveria começar com a educação em suas bases. enquanto se multiplicam os dramas. criatividade. conceito vago que isenta de uma ação enérgica. algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. Disponível em: <mariquinhamaricota. comentem crimes de forma fria e calculista. realmente voltar à sociedade regenerados. Questão 2: Luft afirma que não acredita em instituições de ressocialização. ou “a sociedade”. As charges são muito utilizadas em críticas políticas no Brasil. e se. esse poço daria no Japão. mas o dinheiro e o esforço dedicados a isso têm sido irrisórios dentro do orçamento do país. produzimos esse e outros dramas morais? Acusa-se pela criminalidade juvenil a família. onde as pessoas andavam de cabeça para baixo (para eles. p. e de outro lado os criminosos. além de teorias. 2010. Um deles parece não ter fim: o poço dos escândalos nossos de cada dia. Resta descobrir quanto tempo se leva para chegar a esse fundo. em lá chegando. depois de cumprir pena em uma dessas instituições. concisão e clareza. E aí nem leis nem tribunais supremos ou mínimos nos ajudarão.. que talvez tenha suas razões para não tirar a venda e finalmente olhar para nós. os seis cês que são fatores essenciais para a escrita de um texto de qualidade. que às vezes é apenas outra vítima. Questão 3: Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar. Acesso em 25 de nov. O poço tem fundo: o diabinho no meu ombro espia seu reflexo nele. e quem sabe. sem solução à vista. aumentam as tragédias. A autora demonstra revolta e indignação diante da situação de violência do nosso país.>. se ficarem apenas na letra escrita ou submetidos a jogos de poder. Do desinteresse e da má vontade. Pouca é a vontade de mudar isso. Quando menina. que não usamos um pano diante dos olhos. mas enrolamos a alma numa cortina escura. nada adiantará se não cumprirmos o que deve estar em qualquer Constituição: que a todo ser humano seja garantido tratamento digno e decente. com nova oportunidade de mostrar isso. correção gramatical.blogspot. descobri que a vida tem outros poços.

Comunicação e Expressão 47 Disponível em:<juicetech. etnias. especialmente para os profissionais. 2010. Por isso.html>. por exemplo. a pronúncia não-padrão a eliminaria (caxa. relapso. Por isso. é uma avaliação falsa. poderia talvez achar que tem um argumento definitivo. otro). porque a língua não permite. ouvem-se pronúncias alternativas de palavras como caixa. Texto: Não Existem Línguas Uniformes Sírio Possenti Alguém que estivesse desanimado pelo fato de que parece que as coisas não dão certo no Brasil e que isso se deve ao “povinho” que habita esse país (conhecem a piada?). Pessoas que pertencem a classes sociais diferentes. Os principais são os fatores geográficos. e como também é um fato social associado à linguagem. que não respeita nem mesmo sua rica língua. por terem determinados hábitos etc. outro: a pronúncia padrão incluiria a semivogal. Em outras palavras. O mesmo vale para diferentes sexos. Por exemplo. de classe. Em outras palavras. isto é. não é preciso estudar uma língua para não “errar” em certos casos. de certa forma. os fatores que permitem ou influenciam na variação podem ser detectados por meio de uma análise mais cuidadosa e mesmo anedótica. as línguas fornecem meios também para a identificação social. b) a variedade linguística é o reflexo da variedade social e. quando observa que “até mesmo para falar somos um povo desleixado”. Mas nunca se ouve . idades. Esse modo de encarar os fatos da linguagem é bastante comum. ou porque como em geral ocorrem com os mais jovens). Por exemplo. também podem caracterizar-se por traços linguísticos. Ou seja: a primeira verdade que devemos encarar de frente é relativa ao fato de que em todos os países (uma em todas as “comunidades de falantes”) existem variedade de língua. pexe. é frequentemente estranho. de profissão etc. a variação é de alguma forma regrada por uma gramática interior da língua. Acesso em 25 de nov. por utilizarem certos trazes.). Para exemplificar: podemos dizer que fulano é velho por quem tal hábito (fuma cigarro sem filtro. a distância – só que esta é social) acabam caracterizando sua fala por traços diversos em relação aos de outra classe. Um dos tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas são externas à língua. de idade. de sexo. de etnia. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre indivíduos ou grupos. muitos meninos não podem ou não querem usar a chamada linguagem correta na escola. Ou seja. Ao contrário. E não apenas no Brasil porque seriamos um povo descuidado. sob pena de serem objeto de gozação por parte dos colegas porque em nossa sociedade a correção é considera uma marca feminina. A segunda verdade é que as diferenças que existem em uma língua não são casuais. profissões. pela mesma razão.zip. Mas como existe. Ou seja. Também há fatores internos à língua que condicionam a variação. De uma forma um pouco simplificada: assim como certos grupos se caracterizam por meio de alguma marca (digamos. quando não ridículo um velho falar como uma criança. para quem pretende ter uma visão mais adequada do fenômeno da linguagem. há “erros” que ninguém comente. essas diferenças se refletem na língua. Faz parte da visão de mundo que as pessoas tem a respeito do campos nos quais não são especialista. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. Ou seja: pessoas que moram em lugares diferentes acabam caracterizado-se por falar de algum modo de maneira diferente em relação ao outro grupo. Por isso.net/arch2010-04-01_2010-04-30. deve ser levado em conta. uma autoridade falar como uma pessoa simples etc. infelizmente. peixe. dois fatos são importante: a) todas as línguas variam. do mesmo modo (e.

“estou à vontade”. Mas. nunca. Mas. Mas. “dois cara”. Em uma língua uniforme talvez fosse possível pensar. por exemplo. Ou seja: no fim da sílaba. mas nunca “ eu vamo(s)”. o tipo de semivogal (i ou u) e a consoante seguinte são partes dos fatores internos relevantes para explicar esse fato que. Alguns sonham com uma língua uniforme. jeito)? Certamente. Sírio. 1996. A variação tembém existirá em palavras como planta: planta ou pranta (mas nunca ouviremos puanta). Assim. arguma. dar ordens e instruções. o l setá sempre um l em palavras como lata. Mais exemplos: poderemos ouvir “os boi”. também (embora não com o mesmo número de variedade). então. as variações linguísticas são condicionadas por fatores internos à língua ou por fatores sociais. mais expressiva pode ser a linguagem humana. “estou irritado”. “vou tratá-lo formalmente”)? (POSSENTI. “Comédia dos Erro” . mas nunca “o bois”. E a variedade linguística está entre as variedades mais funcionais que existem. no início. Campinas: Mercado das letras/ALB. Por que (não) ensinar gramática na escola. no meio. e a poesia? E o humor. de alguma forma. que é uma das melhores coisas que a humanidade inventou. p. Só podem ser por mania repressiva ou medo da variedade. todo falante conhece. Outro exemplo: podem-se ouvir várias pronúncias. ele varia. ou por ambos ao mesmo tempo. em vários lugares do país. Por que será que os mesmos falantes ora eliminam e ora mantêm a semivogal? Alguém pode explicar porque o i cai antes de certos consoantes e não diante de outras? Alguém pode explicar por que o u cai antes de t (otro) e o i não cai no mesmo contexto (peito. e como os falantes fariam para demonstrar atitudes diferentes? Teriam que avisar (dizer. 33) .Comunicação e Expressão 48 alguém dizer peto ou jeto ao invés de peito e jeito. auguma. E isso vale para falantes cultos e incultos. do som que se escreve com a letra l em palavras como alguma: alguma. “um caras” ou “Comédia do Erros”. Podemos pensar na variação como fonte de recursos alternativos: quanto mais numerosos forem. Ouviremos muitas vezes “nós vai”.

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os tais auditórios e o título do filme. fraquezas e ações. dando sentido ao homem. Tanto isso é verdade. porque quer convencê-lo e/ou persuadi-lo sobre algo. .Vamos identificar em que momento o filme apresenta a técnica da argumentação pelo modelo e antimodelo e justificar por quê. Nas disputas entre Nick e o senador. que diferença há entre negociação e argumentação? Qual das duas estratégias apresenta maior grau de credibilidade? Por quê? De acordo com o personagem.E qual é a tese principal do lobista? Por que ele a defende? 6. como lobista. antes da principal. O escritor. então. Em termos de argumentação. até .30) afirma que “na sociedade em que vivemos somos moldados por uma infinidade de discursos: discurso científico. A partir de uma das conversas entre Nick e o filho e outra entre a criança e a mãe. o falante pode ter o auditório particular ou ainda o auditório universal. não devemos propor de imediato nossa tese principal. retorsão. pode se revelar de muitas maneiras”. pelo exemplo. na revista Língua Portuguesa no. trabalha em uma empresa de estudos sobre Tabaco a qual é financiada pelos empresários da indústria de cigarro e desenvolve com excelência a sua profissão de lobista. o argumento do ridículo. vamos verificar como é a relação entre o lobista. nesse caso. 5. seu interlocutor. às suas glórias. e ainda os argumentos: pragmáticos. . pelo modelo e antimodelo e pela analogia.45) afirma que “ao iniciar um processo argumentativo visando ao convencimento. podemos dizer que há argumentação e contraargumentação? O que de fato está em jogo no discurso de um e de outro? Podemos afirmar que. De que ponto de vista o lobista a pronunciou? Você concorda com essa afirmação? Por quê? 7. Abreu (2005. a tese de adesão inicial. Nick Naylor. possui todas elas ou não? Que trechos e/ou referências do filme autorizam e/ou justificam nossa resposta? Que relação há entre o trabalho desenvolvido pelo lobista e as entrelinhas do filme? 4. p. p.Qual é o discurso comum e o discurso científico que aparece no filme sobre o cigarro? Como se constrói o primeiro e o segundo? 3. etc”. pelo poder que elas têm de significar. O protagonista do filme. que “ a atração pelas palavras. o falante ou locutor expressa seus argumentos (ponto de vista/ discurso) para outro falante. a ideia que queremos “vender” ao nosso auditório”. 2005).Além de identificar os dois auditórios do lobista. Abreu (2005. do desperdício. Lembra Beth Brait. . . 36 (2008. Abreu (2005) cita quatro condições da argumentação de sucesso. sugere que o falante deve apresentar. “Os valores de uma pessoa não têm. “se uma pessoa souber argumentar corretamente nunca estará errada”. que a expressão hierarquia de valores é largamente utilizada. 8. às vezes. No filme. Segundo a obra A arte de argumentar (ABREU. 33). todos eles a mesma importância. o que pode ser considerado como tese de adesão inicial utilizada por Nick Naylor? Por quê? . O que você sabe a respeito de tal profissão? Por que Nick é um lobista cobiçado pelos grandes empresários? 2. p. discurso do senso comum. Nick Naylor possui ambos os auditórios. para que o falante tenha êxito na sua argumentação é ainda necessária a utilização das técnicas argumentativas como: compatibilidade e incompatibilidade. discurso religioso.Comunicação e Expressão 51 ROTEIRO DO FILME OBRIGADO POR FUMAR 1. obviamente. Num processo persuasivo.No primeiro programa de televisão apresentado no filme. discurso político. discurso jurídico. o filme é irônico? Por quê? 9. Segundo Abreu. Nick Naylor. regra de justiça. a técnica da definição. a maneira como o auditório hierarquiza os seus valores chega a ser.

Maria Bello. As cantoras que se apresentaram eram péssimas. das armas de fogo e de bebidas são bem pagos. Esse trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. O que o filme sugere com isso? Por quê? 11. (. No filme. Eu me refiro à obra dele. Assim. O sitio me deixou encantado. Particularidades Léxicas e Gramaticais USO DO PRONOME RELATIVO Os pronomes relativos são os seguintes: Variáveis Invariáveis O qual. Essas são as conclusões do processo sobre as quais pairam muitas dúvidas. p.Comunicação e Expressão 52 mais importante do que os próprios valores em si. Até que ponto Obrigado por fumar aborda a respeito disso? Que trechos autorizam minha resposta? Nota: OBRIGADO POR FUMAR título original: (Thank You for Smoking) lançamento: 2006 (EUA) direção: Jason Reitman atores: Aaron Eckhart. cujas Quanto. Cameron Bright. as quais Quem (quando equivale a o qual e flexões) Cujo. (= as quais) Este é o pintor. qualidade. Essas são as conclusões do processo. ordem. Adam Brody.(= o qual) As cantoras se apresentaram. Traga todos quantos quiser Regressando de São Paulo. Sobre elas pairam muitas dúvidas. em função da cultura. Regressando de São Paulo. das ideologias e da própria história pessoal”. essência. Eu falei a você sobre o restaurante. a qual Que (quando equivale a o qual e flexões) Os quais.. quanta Quantos. a mídia está sempre em evidência. o falante deve re-hierarquizar os valores com os lugares da argumentação: lugar de quantidade. . 2005.Afinal. Eu fiz o trabalho. As cantoras eram péssimas.) As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa. A arte de argumentar está relacionada com a capacidade de gerenciar emoções. visitei o sítio de minha tia o qual me deixou encantado. pessoa e existente. Meu irmão comprou o restaurante. para que a argumentação atinja positivamente o auditório. . O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual falei a você. duração: 92 min gênero: Comédia status: Arquivado IV. visitei o sítio de minha tia. cuja Onde (quando equivale a no qual e flexões) Cujos. E os lobistas do tabaco. 77). quantas Ex: fale tudo quanto quiser.. compreender os valores e as necessidades do outro. qual é o lugar de argumentação que o filme mostra de forma mais evidente? Por quê? 10. (ABREU.

gramaticaonline. O advogado está preso. Vocês perderam o filme a que nós assistimos. Este é o artista. Eu me referi ao artista ontem. Aquela é a senhora Bovary para a qual trabalho. Este é o artista a quem me referi ontem. Nós necessitamos desses ingredientes. Percebeu? Quando vem no meio da frase. Aquele é o homem. Roubaram a peça que era rara no Brasil. Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança. Você falou do político. Eu lhe falei do homem. que encerra uma frase interrogativa direta. Aquela é a senhora Bovary. 2009 (com modificações) Por que. Os alunos gostaram dos livros apresentados. por quê. o "que" é acentuado.com. é emitido tonicamente. Não conheço o político de quem você falou. O pesquisador apresentou alguns livros dos quais os alunos gostaram. Onde/aonde: Sempre morei no país onde nasci. Ele comprou os livros de que gostou.br/gramaticaonline. Encontrei o garoto a quem você estava procurando. A peça era rara no Brasil. Isso normalmente ocorre quando o "que" encerra a oração. Disponível em: <http://www. porque. por ser monossílabo tônico terminado em "e". A árvore foi derrubada. O pesquisador apresentou alguns livros. Aqui estão os ingredientes. Nós assistimos ao filme que vocês perderam. . porquê Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista ("Você tem cheiro de quê?"). já que esse "quê". A peça que roubaram era rara no Brasil. ou seja. Vocês perderam o filme. Eu não o conheço. Este é o pintor de cuja obra gosto. acesso em 05 de jun. Notou? Quando emitido tonicamente. Eu acreditei nas palavras do advogado. Releia a frase: "Você tem cheiro de quê?". Eu gosto da obra desse pintor. O acento é correto. A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada. Você estava procurando o garoto. o "que" normalmente é átono.Comunicação e Expressão 53 Este é o pintor a cuja obra me refiro. O advogado em cujas palavras acreditei está preso. e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse "qui": "Quero o que você quiser". Aquele é o homem de quem lhe falei.asp?menu=1&cod=160>. Este é o pintor. Eu trabalho para ela. Roubaram a peça. fraco. Aqui estão os ingredientes de que necessitamos. Nós assistimos ao filme. O sítio aonde fui é aprazível. Encontrei o garoto. Os frutos da árvore são venenosos.

No primeiro caso. ninguém sabe por qual razão ele não explicou. continuaram sem saber. faixas. se a oração terminar ali). "causa": "Não entendemos o porquê (= motivo. por exemplo. Veja este caso: "Você não foi porque estava doente?". ou seja. o que tinha de ser junto vem separado. Para acentuar "porque" ("junto"). "pelos/as quais" ou a "por que razão". Há basicamente dois casos em que se usa "por que". temos a equivalência com as expressões "pelo/a qual". e o que tinha de ser separado vem junto. grafa-se "porque" (com acento. Já tratei do assunto há um bom tempo. A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar "por que". e ninguém sabe por qual razão/por que razão"). sim. No outro caso. de Guilherme Arantes: Pra que tornar as coisas tão sombrias na hora de partir? Por que não se abrir? Se o que vale é o sentimento e não palavras quase . "por qual razão": "Por que (= por que razão. O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber. se for substantivo). Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve "por que" ("separado". No primeiro caso. textos publicitários etc. mas. "Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios". quando o assunto é "por que". o que ocorre. é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto. Muitas vezes. Note que às vezes é justamente a grafia ("junto" ou "separado") o que decide o sentido da frase: "Ninguém sabe por que ele não explicou". E quando se coloca acento em "por que" e "porque"? É simples. e ninguém sabe por quê". Como já afirmei. a causa) da renúncia". por exemplo. normalmente "porquê" acaba sendo sinônimo de "motivo". como se diz) quando há ponto de interrogação. O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente. e só se escreve "porque" ("junto". mas sempre vale a pena voltar a ele. grafa-se "por que" (com acento. Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal. não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é "junto" ou "separado". "Ele não vai. vamos lá. a causa) da demissão do ministro". por qual razão) você é tão áspero com ela". avisos públicos. Vejamos um trecho da canção "Pedacinhos". Quando não. muda tudo. Se você estiver lendo Saramago. Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes. Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. esse "porque" é "junto". Nesse caso. "As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas". como ele não explicou. "porque" etc. "por quê" e "porquê". como se diz) quando não há ponto de interrogação. o "por que" equivale a "por que razão". Já o "porque" ("junto") introduz explicação ou causa do que se afirma: "Não vou porque estou doente". "porque".Comunicação e Expressão 54 Há outras situações em que se deve acentuar o "que". por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?". quando da explicação do título da revista ("Você tem cheiro de quê?"). "por qual razão". a causa da ausência dessa pessoa. as pessoas saberiam se ele tivesse explicado. esqueça o que verá neste texto. é preciso que essa palavra seja substantivo. "Faço questão de saber por que (= por que razão. Num deles. Posto isso. se a doença foi o motivo. "Ele não vai. "Ninguém sabe porque ele não explicou". pouco comum. É por isso que. desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. rótulos. No segundo. quando a palavrinha tem valor de substantivo ("Ela tem um quê de magia") ou de interjeição ("Quê! Vocês por aqui?"). "pelos/as quais": "São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar". isto é. talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a "pelo/a qual". basta que a oração termine ali: "Por quê?". "Ele não revelou o porquê (= o motivo. mesmo com ponto de interrogação no fim da frase. É "separado" porque equivale a "por qual razão" ("Por qual razão?". Se você gosta de "curto e grosso".

Entre os filmes em cartaz. é proprietário de alguma coisa: Ele possui uma bela casa de campo. locução dá idéia de Você vai melhor à medida que (à proporção que) for tomando esse remédio. Embora os dicionários o dêem como sinônimo de ter. Obs: Não existe a forma “à medida em que”. nem sempre podemos trocar um pelo outro. quando acompanhado de artigo. Sempre se emprega com verbos como sair. 5. (Significa “qualquer livro”. Arantes usa a frase "Por que não se abrir?".) 4. Desde Nunca escreva “desde de”. tirar. O certo é abandonar a palavra “junto” e usar a preposição exigida pelo verbo: Você tem de se explicar ao banco. Nos demais casos. ele deve ser escrito separado: por que não se abrir por qual razão não se abrir 1. generalizao. Leia este exemplo: Ele é nosso representante junto à FIFA. Compare estas duas frases. ressurgir. 2. A primeira proporção e a segunda de causa. Use possuir quando quiser dizer que alguém tem posse de. Vamos seguir o regulamento na medida em que (uma vez que) ele foi aprovado. Já esta frase não está correta: Você tem de se explicar junto ao banco. o melhor é o do Palace. use entre. Todo O pronome todo.) Todo livro traz sempre algum benefício ao leitor. (Significa que o livro a que me refiro é perfeito do princípio ao fim. ele tirou a mais bela para dançar. Possuir/ter Muito cuidado quando empregar o verbo possuir. À medida que/na medida em que Não confunda “à medida que” com “na medida em que”. Todo o livro é perfeito. 6. Não é errado dizer que “ele tem uma bela casa de campo”. 3. Junto a “Junto a” significa “adido a”. particulariza o objeto. Dentre Significa “do meio de”. Não o vejo desde 1980. (E não “desde de 1980”). Esse "por que" é separadíssimo! Toda vez que for possível substituir o "por que" por "por qual razão" ou "por que razão". Dentre as moças da sala. Mas há casos em que só o verbo ter é aceitável: .Comunicação e Expressão 55 sempre traiçoeiras e é bobeira se enganar. Nessa canção. sem o artigo.

mal – contrário de “bem”. Sequer/ Se quer . Se quer viajar.Comunicação e Expressão 56 A praia tem agora quadras de esporte. viaje. 13. “perante”. a cerca de . se não (quando não) mal-educado.aproximadamente Minha casa fica a cerca de cem metros da praia. senão (caso contrário) ele foge. “em vista de”. “de outro modo”. No segundo exemplo seu emprego não estaria correto. 11. Ao invés de só é usado quando marca uma oposição. Ele foi muito ríspido. Substitua por “diante de”. Mau/Mal . Ela tem cabelos castanhos e olhos azuis. . . 12. Ao invés de / Em vez de ao invés de – significa “ao contrário de” Ao invés de chorar. Em vez de pode ser usado também no primeiro caso: Em vez de chorar. “em face de”. “ante”. Inauguraram uma padaria em frente de nossa casa.se quer – o “se” é conjunção condicional mais o verbo “querer”. “em frente de”. Acerca de / A cerca de / Há cerca de acerca de – sobre Não disse nada acerca do plano econômico que elaborou. 8. Tome conta de seu cachorro. preferiu ver televisão.mau – contrário de “bom”. há cerca de – faz aproximadamente Há cerca de dez anos que eles estudam esse assunto. ele sorria. Face a / Frente a Nunca use. boa iluminação. 10. pois estudar não é o contrário de ver televisão. 7.Senão – significa “no caso contrário”. “a não ser”. bares limpos. ele sorria. Há/a . Ele é muito mal-humorado. Senão/ Se não . em vez de – significa “em lugar de” Em vez de estudar.sequer – significa “pelo menos”. . Ele estava de mau humor.Se não – significa “quando não” ou “caso não”. 9. “ao menos” Não disse sequer uma palavra para agradecer. Nós temos direitos adquiridos.

Ele está na Austrália há (faz) tempo. para o passado remoto. Haja vista o seu súbito interesse pelo caso. aquela. aquilo Espaço (lugar) Aqui Aí Ali. esse. isso.. Onde você comprou essa sua?" "Dê-me essa caneta. explicá-la-emos: Pronomes Este. irei a Águas de Santa Bárbara. Para saber se seu emprego está correto. essa. e não sua. 14. Haja vista Prefira sempre essa forma. vendi. aquela. aquela. aquilo. Veja a diferença entre a tempo e há tempo: Chegou a tempo de fazer as malas. Quando o verbo estiver conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (cantava. aquilo. Por exemplo: "Este ano é o ano das mudanças!" "Nesse domingo. isso Aquele. para elemento distante de ambos. esta. aquela. O grande problema é distinguir o passado recente do remoto.. essa.aquela. para elemento que esteja próximo da pessoa com quem se fala. essa. Use há para tempo passado. isto para representar qualquer elemento que esteja próximo da pessoa que fala. Juvestônio?" Em relação ao tempo. esse. construiremos uma tabela e. que é minha. isto para representar o tempo presente.. para o passado recente ou para o futuro. Por exemplo: "Comprei esta jaqueta que estou usando daquele camelô que vai lá adiante. pois duas pessoas podem ter interpretações diferentes para a mesma frase. aquele. isso. esta. Use a para exprimir distância ou tempo futuro. aquilo.. Minha escola fica a duzentos metros de casa. substitua o verbo haver por fazer: Há (faz) oito anos que não o vejo." "Essas olimpíadas foram horríveis para os atletas brasileiros. esta. acolá Tempo Presente Passado recente ou futuro Passado remoto Citações Apresentam um elemento Retomam um elemento -o- Em relação ao espaço (lugar)." . usamos este. com o pretérito perfeito do indicativo (cantei." "Que cara é essa. parti) é uma questão de estilo: o que julgar que é passado recente usará esse. lá. partia). aquilo. Haja vista os casos de dengue dos últimos meses. Daqui a cinco anos estarei formado. e o que julgar que é passado distante usará aquele. usamos este. aquele. isto Esse. essa. isso. vendia. usase aquele.Comunicação e Expressão 57 Não troque a por há e vice-versa. depois. Pronomes Demonstrativos Para maior clareza no estudo dos pronomes demonstrativos.

pois observe o verbo no pretérito imperfeito do indicativo – havia) "Em 1984 casei-me.)” (Farid Ud-Din Attar. esse foi um dos melhores anos de minha vida.” (Fernando Sabino. lhes. lhe.Antes . isto.“Deixou escapar um soluço estrangulado como se limpasse a garganta. esse homem é muito truculento. se. aquilo e o último por este. Por exemplo: "Ao me encontrar com Florisberto perguntei por Abiduílson. nunca. para outra pessoa poderia ser distante) Em relação a citações orais ou escritas. pois para mim. isto..“Obedecer-lhe-emos de todo o coração e faremos o que ele disser (. nos." "Astolfeno Barbosento é candidato a prefeito de Castanheira Verde do Sudoeste. aquele. esta deve ser preservada. naquela época." (este = Abiduílson. esta. (José J. apesar de fazer 16 anos. as. isto para apresentar um elemento ou uma frase que será escrita ou falada.): ." ("Naquela época".) MESÓCLISE – Meio . à frente. aquele = Florisberto) "Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira. te.. em relação aos verbos. deveremos usar este. por seus brilhantes romances." Usamos este. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. vos.) ÊNCLISE – Depois . é passado recente. denominam-se: PRÓCLISE . o. isso para retomar um elemento ou uma frase anterior. que está imediatamente anterior a ele." (este = Carlos Drummond de Andrade. os.." Perceba que o pronome "esta" está retomando o substantivo "saúde". apesar de saber que este jamais conversa com aquele." ("esse". Sombra de reis barbudos.Comunicação e Expressão 58 "Em 1922 aconteceu a Semana de Arte Moderna. jamais. não se envolva com os funcionários da empresa em que trabalha o nosso vizinho. Outro exemplo: "Meu filho. Por exemplo: "O fumo é prejudicial à saúde. isso já foi comprovado cientificamente. nem com este você deve envolver-se. aquela." Se o pronome demonstrativo estiver retomando o substantivo imediatamente anterior.. essa. ninguém etc. deve-se substituir o primeiro por aquele. O grande mentecapto. aquele = Machado de Assis) COLOCAÇÃO PRONOMINAL Os pronomes pessoais oblíquos átonos me.) Próclise Palavras “atrativas” • De sentido negativo (não.“Dei-lhe mais uma chance de voltar atrás”. Este é conhecido por suas poesias. esta. aliás. . havia muitos poetas eminentes. Por exemplo: "Preste atenção a estas palavras: O fumo é prejudicial à saúde. usamos esse. Veiga." Quando houver a enumeração de dois elementos e. quiser retomá-los. esta. a. A conferência dos pássaros." "Pode ser citado como exemplo comprobatório este fato: o policial não estava armado.

) outras. Rasguei a carta para te não aborrecer. Orações exclamativas ou interrogativas: Ex. O Alienista). Ex. Este dar-me-á satisfação. porque. • Verbo no imperativo: Ex. • Pronomes relativos (que. Ênclise • Sempre que houver pausa: Ex.: “Tu deves de ir também co’os teus armado Esperá-lo em cilada... .. Ex. Certo: Eu não te havia dito.)” (Machado de Assis. quando. quanto etc. Revolução nos serviços). sempre...: “Não te surpreendas. embora etc. defini-me quanto aos métodos de trabalho.)” (Farid Ud-Din Attar. • Preposição em + gerúndio. ter-me-ia habituado aos poucos” (Albert Camus. Os Lusíadas). dito-te. continuam sem solução.: “Queremos que acreditem tanto na idéia de serviço que se transformem em defensores da qualidade do serviço na organização” (Karl Albrecht. todos.. oculto e quêdo” (Camões..: “Foi nesse momento que..: Rasguei a carta para não te aborrecer.: Este me dá satisfação. Ela despertou-se suavemente. respondeu-lhe uma voz interior (.: Os problemas que se não discutem. meu espírito me empurra (empurra-me.: “– Pode corrigi-los por boas maneiras. Este dá-me satisfação.. Obs.: “– Custa-me pedir-lhe” (Machado de Assis. • Pronome demonstrativo: Ex.)” (Karl Albrecht.: Que Nossa Senhora o proteja.. bem etc.Comunicação e Expressão 59 Ex. Esaú e Jacó). O estrangeiro).: “(. Revolução nos serviços). fazê-los unidos.: Eu me despertei assustada. Revolução nos serviços). aqui. Esaú e Jacó). quem.. Ele despertar-te-á cedo.. O estrangeiro).) mas.: “(. • Preposição para + infinitivo (mesmo com presença da palavra “atrativa”): Ex.): Ex. Rasguei a carta para não aborrecer-te. cada etc..: “A dignidade de governo começava a enrijar-lhe os quadris” (Machado de Assis.: O pronome pode aparecer antes do não.): Ex. A conferência dos pássaros).): Ex.: “Quando voltamos. • Substantivo (de qualquer tipo): Ex.. Ex.) sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça.: “(. haverá ênclise. • Preposição a + infinitivo: Ex.: Não utilize pronome átono depois de particípio: Errado: . Casos facultativos Se a palavra que antecede o verbo for: • Pronome pessoal do caso reto: Ex. descobri características que causam a diferença entre as empresas” (Karl Albrecht. • Períodos iniciados por verbos que não estejam no futuro: Ex.: Hoje. cujo. Obs. • Advérbios em geral (já.: Está me chamando? Mesóclise • Quando o verbo estiver no futuro do indicativo. distingui uma fila de rostos. Orações que expressam desejo: Ex. empurrar-me-á) para a prece” (Farid UdDin Attar. Atenção: Se houver vírgula após o advérbio. A conferência dos pássaros). • Conjunções subordinativas (se.. Todos me olhavam (. • Certos pronomes indefinidos (tudo.)” (Albert Camus. ainda que discordem (.. e não próclise. diante de mim. O estrangeiro). Ex.): Ex. Masson já nos chamava” (Albert Camus.: “Em se tratando de discussões sobre serviços com executivos. quando lhe pedi uma recomendação de um restaurante próximo (.

agendas. crase e paralelismo Escreva assim: De segunda a sexta-feira De terça a quinta-feira ou Da segunda à sexta-feira . 9 horas etc. ou escrita informal: Devemos lhe dizer.2004 Observações: Os números cardinais devem ser escritos sem ponto ou espaço entre o milhar e a centena: 1999 (e não 1. Nas combinações de verbo pessoal (auxiliar ou não) + infinitivo. Datas Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas: com traço: 28-12-1945 com barra: 12/11/2002 com ponto: 21. Hora quebrada: 8h30min. etc.: Não lhe devemos dizer a verdade. a próclise com o infinitivo é própria da linguagem oral. Evite-se esta colocação na redação oficial. Atualmente. Dias. E é sempre aconselhável. a anteposição de um zero é prática corrente. no entanto. (sem deixar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de "h" e "min")..: Devemos-lhe dizer a verdade. Não devemos dizer-lhe a verdade. o pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo. competições. ainda: Devemos dizerlhe a verdade. 9h. • Se. 2. Horas Hora redonda: 8 horas. houver palavra que exige a próclise.999). horas. Exemplo: 1º/5/02 ou 1º/05/02. Ou. O ano pode ser registrado com os dois últimos dígitos: 12/11/02.Comunicação e Expressão 60 Casos Especiais • Colocação do pronome átono em locuções e combinações verbais. Ex. 9h43min etc. de passagens.10. O emprego de zero antes do dia ou do mês formado de um só algarismo não é de rigor: 02/02/99 ou 2/2/99. A grafia com dois pontos. no caso mencionado. ou depois do infinitivo. • No caso. como em 08:00 09:00 10:05 13:20 é usada em áreas específicas. Ou: Nós lhe devemos dizer a verdade. Ex. 2002 (e não 2. (sem "s" e sem ponto depois de "h"). horários anunciados pela televisão etc. Saiba Mais: 1. só duas posições serão possíveis para o pronome átono: antes do auxiliar (próclise) ou depois do infinitivo (ênclise).002). pois atende a objetivos estéticos. O primeiro dia do mês deve ser escrito assim: 1º (e não 1). Ou 8h.. como em anotações de programação com horários em seqüência. quando se quer evitar fraude.

Deve haver muitos candidatos para o cargo de Datilógrafo. • Havia ou haviam – Por ser impessoal. Acompanhado do auxiliar (dever. Errado = Não haviam muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. Pode haver muitos problemas com o novo gerente. . o verbo fica na 3ª pessoa do singular quando significar existir. poder).: Não foi fácil para mim conquistar essa vaga. aonde expressa a idéia de movimento (para onde). pois ele contém muitas informações técnicas. Certo = Não havia muitas pessoas na reunião do Departamento de Vendas. ele precisa de outras informações.Comunicação e Expressão 61 Da terça à quinta-feira Não escreva assim: De segunda à sexta-feira De terça à quinta-feira Escreva assim: De 9h a 11h De 8h30min a 11h30min ou Das 9h às 11h Das 8h30min às 11h30min Não escreva assim: De 9h à 11h De 8h30min à 11h30min 9h às 11h 8h30min às 11h30min OUTRAS DIFICULDADES MAIS FREQUENTES NO USO DA LÍNGUA • Onde ou aonde – Onde indica lugar fixo. sem qualquer desconto ou abatimento (títulos. Ex. Errado = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava ao par do ocorrido. ocorrer. emprega-se de onde ou donde: De onde (ou donde) provinham os recursos financeiros? Errado = Aonde você deixou a minuta da carta? Certo = Onde você deixou a minuta da carta? • Afim ou a fim – A fim de equivale a para. Será impossível para mim realizar esse trabalho. • A par ou ao par – A par equivale a ciente. realizar-se ou indicar tempo transcorrido. afim significa parente por afinidade. ao lado. junto. • Para eu encaminhar ou para mim encaminhar – Mim é pronome pessoal oblíquo. razão pela qual não pode ser usado como sujeito. impessoaliza-se: Há muita gente no escritório. Marketing e comunicação são assuntos afins. Certo = É difícil para mim entender esse plano. Observe que após o pronome mim há um verbo no infinitivo (encaminhar). Certo = O chefe da seção de pessoal não tomou as providências necessárias porque não estava a par do ocorrido. pois ele contém muitas informações técnicas. Errado = É difícil para eu entender esse plano. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para mim encaminhar aos clientes. Certo = No início do expediente. semelhante. de acordo com a convenção legal. função esta que cabe ao pronome pessoal do caso reto eu. • Difícil para mim ou difícil para eu – Para mim é complemento de difícil. Certo = A fim de redigir a carta. Haverá duas reuniões da equipe de apoio operacional neste mês. ele precisa de outras informações. acontecer. ações). Nada tem a ver com o verbo. Errado = Afim de redigir a carta. sem ágio (câmbio). Para indicar procedência. ao par. deixaram sobre a minha mesa os prospectos para eu encaminhar aos clientes. análogo: Estou aqui a fim de ajudá-lo a concluir o trabalho. Errado = No início do expediente.

: Durou apenas trinta minutos a sessão do teatro. comprometemo-nos. Certo = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. Ex. Errado = O chefe da sessão de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos. • Menos ou menas – Menos é invariável. pois elas vieram ao encontro do meu desejo. • Viagem ou viajem – viagem = substantivo. Errado = Comunicamo-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas. não existe a forma menas: Queremos menos conversa e mais ação.Comunicação e Expressão 62 • De encontro a ou ao encontro de – Ao encontro de = para junto de. pois elas vieram de encontro aos meus desejos. Errado = Paralisamos a produção porque não tem matéria-prima.. Certo = Os funcionários têm contribuído muito para a racionalização dos serviços. Certo = Esperando uma resposta favorável. • Decisões políticas-econômicas ou decisões político-econômicas – Nos adjetivos compostos ligados por hífen. quando modifica adjetivo = um tanto. • Têm ou tem – Na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo.. fica invariável: Os candidatos estavam meio nervosos. favorável. • Comunicamos-lhe ou comunicamo-lhe – Com o pronome lhe(s) nenhuma modificação sofre o verbo: Informamos-lhes. Errado = Havia menas pessoas na reunião desta semana. dignamo-nos. pois elas vieram de encontro ao meu desejo. . Errado = Gostei das novas medidas econômicas. Certo = Está na hora de o malote chegar. Certo = Comunicamos-lhe que estamos devolvendo as mercadorias defeituosas.: Se as medidas econômicas tivessem contrariado o desejo de quem formulou a frase. programa de teatro. em prejuízo de. concorda em gênero e número: Nosso Diretor não é homem de adotar meias medidas.. esta seria escrita assim: Não gostei das novas medidas econômicas. Certo = O chefe da seção (ou secção) de compras encaminhou a proposta ao grupo de estudos. subscrevemo-nos. • Subscrevemo-nos ou subscrevemos-nos – Com o pronome reflexivo nos. o verbo ter recebe acento circunflexo: Eles têm alguns privilégios. • Meio ou meia – Meio. subscrevemos-nos. Certo = As novas decisões político-econômicas afetaram os negócios da companhia. há dois engenheiros. Ex. Errado = Os funcionários tem contribuído muito para a racionalização dos serviços. Errado = Esperando uma resposta favorável. esquecemo-nos. Cessão = ato de ceder (cedência): Nem todos concordam com a cessão do auditório. subdivisão: Na Seção de Obras. Certo = Paralisamos a produção porque não há matéria-prima. Apesar de o datilógrafo ter pouca experiência. as preposições de e a estão contraídas com artigos. de encontro a = contra. Certo = Gostei das novas medidas econômicas. Errado = O presidente cancelou a viajem que faria às filiais. em) com sujeito ou termo que a ele se refira: Chegou o momento de ela mostrar a sua competência profissional. fazemos-lhe. viajem = forma verbal (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo viajar): Se querem viajar.. a candidata ficou meio preocupada. Apresse-se. porque já é meio-dia e meia (meia hora). portanto. etc. Errado = Está na hora do malote chegar. • Seção ou sessão – Sessão = tempo em que se realiza uma reunião. Certo = Havia menos pessoas na reunião desta semana. a candidata ficou meia preocupada. Errado = As novas decisões políticas-econômicas afetaram os negócios da companhia. Errado = Quando o selecionador perguntou-lhe sobre o seu último emprego. • De o ou do – Não se combina preposição (de. Observe: Nos exemplos. o documento ficou bem datilografado. Seção ou secção = setor. elimina-se o “s” da forma verbal: Queixamo-nos.: Há secretárias que não se preocupam com o aperfeiçoamento profissional. só varia o último elemento: Nossa biblioteca recebeu muitas obras técnicocientíficas. cinema. • Há ou tem – Não se deve empregar o verbo ter em lugar de haver impessoal (significando existir). Certo = O presidente cancelou a viagem que faria às filiais. Quando se refere a um substantivo (claro ou subentendido). viajem.

• Consigo ou com você – Consigo pronome reflexivo da 3ª pessoa.Comunicação e Expressão 63 • Faz ou fazem – Tempo transcorrido ou fenômeno meteorológico = impessoal. porque não se trata de voz passiva... • Vir ou ver – Trata-se do verbo ver no futuro do subjuntivo: vir. Errado = Aluga-se telefones. há uma pessoa que deseja falar com o senhor.. disse a secretária. • Alugam-se telefones ou aluga-se telefones – Verbo apassivado pelo pronome se concorda em número e pessoa com o sujeito: Vendem-se casas.. Neste caso. a). Certo = Se você vir alguém sem o equipamento de proteção. • Preço alto ou preço caro – O preço da mercadoria pode ser alto ou baixo. virem. constrói-se com a preposição em: Resido na Rua Paraná. Errado = Somos em sete na seção. Errado = O auditor procedeu uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. • A essa ou essa – Com o verbo responder. Errado = Responderei já essa carta. realizar. Errado = Fazem dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. pede objeto indireto (responder a): Não responderei a esse memorando. Errado = A nova filial está situada à Rua Piraí nº 110. dever. Certo = O auditor procedeu a uma cuidadosa verificação nos livros contábeis. virdes. vires. virmos. Errado = Todos devem obedecer o regulamento. • Obedecer ou obedecer ao – O verbo obedecer pede objeto indireto (obedecer a): Quem não obedece às normas de trânsito deve ser punido. poder). • A Vossa Senhoria ou à Vossa Senhoria – Não se usa crase antes de expressões de tratamento: Encaminhamos a Vossa Senhoria a documentação. Certo = A nova filial está situada na Rua Piraí nº 110. Só se emprega o pronome consigo na terceira pessoa: A balconista (ela) levou a caneta consigo. Errado = Se você ver alguém sem o equipamento de proteção. estará fazendo dois anos que não recebo notícias de meu país. Observe: Fica no singular o verbo intransitivo indireto acompanhado do pronome se. esse verbo pede objeto indireto (proceder a): É necessário proceder a uma investigação. assume a forma impessoal: Faz vinte dias que encaminhei o relatório à Diretoria.. avise a segurança. Certo = Somos sete na seção. Certo = Comunicamos a Vossa Senhoria que . • Somos ou somos em – A preposição em é desnecessária. • Procedeu a ou procedeu – No sentido de efetuar. Certo = O preço da mercadoria é muito alto. Dica: Aparecendo preposição (de. Certo = Responderei já a essa carta.. Certo = Alugam-se telefones. esse cliente quer falar consigo. Certo = Faz dez anos que desativamos a unidade industrial de Recife. este cliente quer falar com você (contigo). A mercadoria é que pode ser cara ou barata: Essa mercadoria é muito barata. vir. Se o sujeito estiver no singular. Errado = O preço da mercadoria é muito caro. nunca caro ou barato. Não deve ser usado em relação à segunda pessoa. terceira pessoa no singular. o verbo fica no singular. Errado = Comunicamos à Vossa Senhoria que .: Precisa-se de empregados. Na próxima semana. disse a secretária. Ex. 327. avise a segurança. VÍRGULA . com Vossa Senhoria: Presidente. Certo =Todos devem obedecer ao regulamento. com o senhor. • Situada na rua ou situada à rua – Por se tratar de verbo de quietação (lugar fixo). Acompanhado de auxiliar (estar.. Certo = Júlio.. Errado = Júlio. Observe: o pronome de tratamento senhora admite crase. deixa-se o verbo no singular. uma vez que não se trata de expressão ou locução: Peço à senhora que compreenda as minhas dificuldades. em vez de consigo usa-se com você.

Espero que nenhum policial cometa erros durante a operação. entretanto. a saber. isto é. e José arrumou a cama. e a terra.Assinalar o vocativo (é o termo com que se interpela/chama o ouvinte/interlocutor): Ex.Em orações coordenadas ligadas por “e” que tenham o mesmo sujeito: Ex. digo. substâncias entorpecentes e bicicletas furtadas. 14 . digo. 5 . quando pospostas/intercaladas (porém. 15 . outros.: A guerra. quer dizer. a cada ano está mais perigoso. 2 . 6 . todavia. 14 . a meu ver. um estado ou modo de ser do sujeito ou que se refere ao objeto de um verbo transitivo.: Fez-nos um pedido.Assinalar o aposto (é o termo da oração que serve par explicar um termo anterior.Antes de orações adjetivas restritivas: Ex.: O criminoso. acomodou-se e assistiu ao filme. o cidadão infrator. talvez não mais o seja. etc.Entre verbo e complementos verbais: Ex.Entre expressões explicativas ou retificativas (isto é. velhice vergonhosa. 4 . é uma defesa prévia.: Destemidos e intrépidos. são orações não introduzidas pela conjunção aditiva “e”.Comunicação e Expressão 64 Não deve ocorrer vírgula 1 .: O comandante do batalhão.Precedendo termos de mesmo valor sintático: Ex. 13 de novembro de 2008. (elipse do verbo “estava”) 11 . 3 . etc. o sol. 13 .Precedendo orações principais pospostas: Ex.Nas datas e endereços: Ex. buscou o canal certo. foi detido às nove horas. pode vir a ocorrer algum equívoco.: Quando menos se esperava. ou melhor. os policiais avançavam pela área de risco. 5 . exceto as apositivas. o cadete deixou de lado suas antigas aspirações.): Ex. 2 .Nos elementos paralelos de um provérbio: Ex.: Os policiais prenderam o infrator.Para separar predicativos situados antes do verbo (predicativo é o termo que exprime um atributo. disse o general. 7 .: Encontramos o suspeito.Orações subordinadas substantivas apositivas: Ex. que é tradicional. logo. 12 . João escreveu uma carta. 8 .Antes de orações subordinadas substantivas.Para indicar zeugma (elipse/omissão de um ou mais termos anteriormente citados): Ex. sem uso de conjunções. Via de regra. e o mar.Entre as conjunções coordenativas adversativas e conclusivas. escaldante. identificandoo.Precedendo orações coordenadas assindeticamente.: Sargento Mike. sentou no sofá. Obedecemos às ordens do comandante.): Ex. porém. 3 . O sargento é mestre em artes marciais. 10 .): Ex.Em construção com termos pleonásticos: Ex. compareça ao local da ocorrência. 4 .: Foram apreendidas armas de fogo. Um vegetal é um animal que dorme. (elipse do verbo “diziam”) O dia estava quente.: Ele é o homem que mata passarinhos. nº 30. na minha opinião.: O tiroteio. Ex. contudo.: Fez-se o céu.: Chegou a casa.: Chegou e prendeu o infrator.: Uns diziam que se suicidou. por exemplo. não condenou o sindicado. que foi assassinado. Ex.: O carnaval. continuava. portanto.Antes de “e”.: Convém que deixemos o local. Rua da Alegria. PONTUAÇÃO Casos de uso da vírgula Usa-se a vírgula para: 1 .: Bom policial. pessoa justa.Para marcar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Ex. que mantivéssemos suas vírgulas . ligou o televisor.: Belo Horizonte.: Mocidade ociosa. mas como a operação é considerada de alto risco. 9 .Entre o sujeito e o verbo: Ex. quando as orações apresentarem sujeitos diferentes ou quando o “e” se repetir: Ex. esclarecendo ou qualificando-o): Ex.Entre as orações intercaladas: Ex.

mate! Prender. colocou a vírgula depois de TEM.. Ela pode ser a solução. tenha clemência! Prender não.não mate! Uma vírgula muda tudo. 2. Vamos perder. * Se você for mulher. nada foi resolvido.. certamente colocou a vírgula depois de MULHER. Pode criar heróis.. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação. Vírgula pode ser uma pausa. queremos saber.Comunicação e Expressão 65 Disponível em: <http://www. Isso só.... * Se você for homem.. Detalhes Adicionais: SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.4.05. Ela pode sumir com seu dinheiro.. ele resolve. A vírgula pode condenar ou salvar. Não. Não espere. espere.. 29. Não tenha clemência! Não. Não queremos saber. Vamos perder nada. Não. foi resolvido.html>.com/2008/11/uso-da-vrgula-tire-suas-dvidas-aqui. Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). ou não. .universopolicial. 23. A vírgula muda uma opinião..09 PARA QUEM PENSA QUE UMA VÍRGULA É SÓ "UMA VÍRGULA". Isso só ele resolve..34.

os gestos comedidos. . Ou seja. desmentindo o que havia afirmado antes. ele passou a observar a pequena família. o quadro composto em poucos minutos mais parecia uma espécie de ritual. Por isso enquanto tomava o cafezinho. Na verdade. os fósforos na mão. Sabino queria ser capaz de expressar a respeito das relações humanas o que estava fora do alcance dos olhares comuns. enquanto aguardava ansiosamente a fatia de bolo. Talvez por se sentirem deslocados. E. ávido. ele lamentou o fato de seus textos terem abordado situações muito comuns e circunstancias dos fatos cotidianos naqueles últimos tempos. o cronista acolheu o sorriso cheio de dignidade do moço o qual coroou aquele pequeno evento que o possibilitou captar a essência do ser humano em sua crônica. Finalmente. O escritor foi capaz de enxergar pequenos atos como a procura das velinhas na bolsa. Além disso. o cronista repetia na memória o verso de Drummond “assim eu quereria o meu último poema”. o sopro das velas e as mãos trêmulas da menininha ao agarrar o bolo para comer. ele acompanhou. o escritor desejava falar sobre a essência humana. compenetrado ao tomar o café e sem ter assunto. Fernando Sabino chamou a atenção para a forma esquiva e insegura como o pai. aspecto que ele julgava o mais digno da vida.Comunicação e Expressão 66 Paráfrase: Fernando Sabino entrou em um botequim da Gávea. captada da convivência entre as pessoas. os parabéns soados quase como sussurros. ele ergueu os olhos e notou a presença de um pequeno grupo de pessoas negras ao fundo do estabelecimento: era um casal acompanhado de uma menina. como também as vestimentas simples e a curiosidade da criança revelaram que não era prática comum eles estarem naquele tipo de lugar. a humildade e insegurança dos dois adultos. Assim. ele pensava em concluir o ano de forma grandiosa. Ao terminar a pequena reflexão. Reflexivo. O cronista captou o momento quando o pai tímido fez o pedido ao garçom como algo distinto e raro. os gestos e olhares de ternura de pai e mãe ao observarem a filha comendo o único pedaço de bolo. com o olhar e a capacidade de quem tem muita sensibilidade e habilidade para escrever. Como também a satisfação deles pelo sucesso da comemoração do aniversário de três anos da pequena. Então. a mãe e a menina de três anos chegaram e se estabeleceram em um canto. e ainda a insegurança da mãe e a concentração da criança no refrigerante. na última mesa. antes de escrever a crônica diária. O escritor havia encontrado sobre o que falar em sua crônica especial. As palavras. o cronista construiu uma detalhada e emocionada descrição dos atos e dos traços psicológicos daqueles três.