RESENHA DO FILME GERMINAL ADAPTAÇÃO DA OBRA CLÁSSICA DE ÉMILE ZOLA

O filme se passa na França durante o século XIX no entorno de uma mina de carvão. Faz uma abordagem do momento histórico em que é contextualizada a cultura, economia e a política, antepondo-se à Revolução Industrial. Germinal, traz à tona a ofensiva por parte de alguns trabalhadores de uma mina de carvão em relação aos seus patrões, por estarem insatisfeitos com baixos salários, carga horária exaustiva, falta de segurança, dentre tantos outros agravantes. Apesar disso, não houve consenso entre eles em suas reivindicações em detrimento da rudeza do mundo operário do século XIX. Conforme mostra o filme, todos da família eram encaminhados para o mesmo tipo de trabalho, expondo-se a péssimas condições. As mulheres, além do demasiado trabalho em suas respectivas casas, tinham que submeter-se a uma exaustiva jornada de trabalho na mina e ver seus filhos começarem a trabalhar ainda jovens. Restando-lhes pouco a fazer, senão lutar contra os opressores. A companhia que geria a mina alegava dar casa e aquecimento, como se isso fosse um favor, não levando em consideração a mão de obra “escrava”. Os donos da companhia usaram de sarcasmo, pois em um trecho do filme chegou a sugerir para uma mãe de família que era necessário poupar, quando na verdade, o valor que eles doavam para o aluguel das casas, não passava de seis francos e os salários dos operários, se quer, dava para alimentá-los. A classe operária encontrava-se numa situação cuja dívida só aumentava, uma vez que ganhavam muito pouco e, além disso, eram multados em detrimento dos desmoronamentos existentes na mina, forçando-os a viverem em um completo estado de miséria. A criação da Associação Internacional é fundada em Londres, passando a funcionar muito bem aumentando o número de filiados e possibilitando pela primeira vez a união dos trabalhadores do mundo para lutar de igual contra os

uma vez que consideravam como asneiras as idéias de Karl Marx. O filme faz alusão a Marx e Engels e também ao anarquismo. Para muitos. nem que para isso tivessem que passar por situações extremas. pois se tornou aliada ao capital tirano e selvagem. “Os operários só têm direito a comer pão duro e a ter filhos. Fica evidenciada a omissão por parte da Igreja. contrapondo-se a alguns de seus companheiros de trabalho. Um dos personagens do filme que havia vindo de lugares longínquos para trabalhar na mina tinha idéias marxistas. e seguindo as idéias marxistas do forasteiro terminaram por organizar-se e fizeram uma greve.. A classe operária diante das dificuldades que lhes foram impostas. Havia coação por parte dos patrões para que os trabalhadores não se envolvessem na política. por que é que hão de serem escravos dos patrões que lhes pagam?” A não necessidade de Deus nem do paraíso para serem felizes. aumentar os salários numa economia capitalista seria um sonho. Surge aí. Além da precariedade dos salários ainda existia a ameaça da redução dos mesmos. tais como: a perda do emprego e até mesmo o corte de pensão dos seus ascendentes. o que terminara fortalecendo cada vez mais o poder hegemônico.. conforme mostra o filme. Afirmava um dos personagens do filme. fazendo-se necessário o uso . O então forasteiro concordava com Marx. pois continuava a acreditar na evolução das forças naturais querendo negociar com os patrões cara a cara para obter aumento de salário. dependendo apenas de nós neste mundo podre mude e que a paz reine sobre a terra. “Se todos os operários estão juntos. é uma lei férrea que se baseia no equilíbrio dos ventres vazios. Conquanto. é uma condenação à prisão perpétua de fome e miséria”. a idéia de correr com os burgueses. pois um dos personagens da trama assume o discurso dos pensadores que propuseram o anarquismo até as últimas conseqüências..patrões. Desde então a existência de greve já era cogitada. não houve adesão por muitos deles. Mas unido representa uma grande força”. A luta pela justiça. Afirmava um sujeito descrente às idéias do forasteiro.. “O operário sozinho não é ninguém. podemos assim dizer uma espécie de sindicato. havendo a necessidade de organização por parte dos operários.

era deste rumo que a terra estava necessitada. e aquela germinação depressa iria rebentar a na terra. e aquecia a terra que dava fruto. tanto no que tange a reivindicação dos nossos direitos quanto a não alienação aos poderes hegemônicos. com o seu extraordinário bom senso. Os homens cresciam. Percebo que a obra nos conclama a liberdade. Ficha técnica do filme: GERMINAL (França. Adaptação da obra clássica de Émile Zola.) . acabar os amos. Cada vez com mais força. mas não desaparecerão as desigualdades. “A velha sociedade já não existirá. tomar o poder. Nascerá um novo mundo. seria um golpe. como se estivessem mais perto da terra. Afirma um dos personagens do filme. 1993. o ruído da semente se dava num grande beijo. Que amanhecer de verdade e justiça! Agora no céu o sol de abril brilhava com esplendor. criar sindicatos quando as leis o permitiram e no dia em que estiverem unidos. crescia. 1:58 min.da força (protesto) por aqueles que reivindicavam por justiça. agrupar-se tranquilamente. por todos os lados os grãos inchavam. os companheiros batiam. e frutificava para ser recolhido nos séculos vindouros. um negro exército vingador brotava lentamente nos sulcos. Por baixo dos ardentes raios do sol. Continuará a haver pessoas mais inteligentes que outras que viverão à custa dos fracos”. nesta manhã juvenil. 1884. Já o dizia Maheude. quebravam a casca necessitando de calor e luz a profusa seiva fluía num murmúrio. o dia em que milhões de trabalhadores enfrentar-se-ão com milhares de revolucionários. conhecer-se. Direção: Claude Berri.

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