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O preceito da soberania nas constituições e

na jurisprudência brasileiras

Raul José de Galaad Oliveira

Sumário
1. Introdução. 2. O princípio da soberania
na Constituição de 1988. 3. O princípio da
soberania em outras constituições brasileiras.
4. O princípio da soberania na jurisprudência
brasileira. 5. Conclusão.

1. Introdução
O princípio da soberania está previsto
de forma explícita, ou é deduzível de
forma implícita, em todas as constituições
nacionais. A Constituição de 1988 refere-
se a ele em diversas situações. A simples
circunstância de ele estar inserido na
Constituição já denota sua importância e
valor. Segundo Baracho, os valores essen-
ciais estão inseridos na Constituição, que
os cristaliza “em documento que passa a
ser definidor da estrutura jurídica global”1.
Além de sua menção formal, o preceito
da soberania é de presença real na vida
institucional brasileira, pois orienta um
grande número de decisões dos tribunais
brasileiros. No presente artigo, colhemos
alguns exemplos tomando como base a
jurisprudência produzida nos últimos anos
Raul José de Galaad Oliveira é Professor de pelo Supremo Tribunal Federal, Superior
Direito Constitucional e Direito Eleitoral na Tribunal de Justiça, Superior Tribunal
Faculdade de Direito da Universidade Federal Militar e Tribunal de Contas da União.
de Juiz de Fora – UFJF, Doutor em Direito pela
Assim, julgamos de interesse e atuali -
UFMG, coordenador da pós-graduação de
Direito da UFJF – 1993/1995, consultor em dade analisar a temática, principalmente
Direito Político e Direito Educacional, assessor em face das reincidentes e equivocadas
em projetos de criação de cursos de pós- defesas e sustentações de que o Estado
graduação e consultor ad hoc do CNPq. nacional estaria extinto e o princípio da
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soberania derrogado – conseqüências que Segundo José Afonso da Silva, ela não
seriam estimuladas especialmente pelo precisava ser mencionada, pois constitui-
fenômeno da globalização. se fundamento do próprio conceito de
Estado5. Sobre a natureza de fundamento
2. O princípio da soberania na da soberania, José Cretella Júnior observa:
Constituição de 1988 “A ‘soberania’ é, realmente, fun-
damento do Estado, qualquer que
Com a promulgação da Lei Fundamen-
seja sua forma, monárquica ou
tal de 1988, segundo José Cretella Júnior,
republicana, federativa ou unitária,
que a denomina oitava Constituição, o
porque Estado ‘é síntese dos poderes
Brasil “entra, em definitivo, no rol dos paí-
soberanos’. Soberania é a situação do
ses democráticos, firmando-se como Estado
Estado que não está submetido a
de direito ou Estado democrático” 2 .
outro e que, por isso, pode elaborar
O preceito da soberania é elevado à
sua Constituição, ou seja, pode criar
norma constitucional com o texto da atual
seu direito positivo no mais alto grau.
Constituição, que de forma expressa e
O vocábulo ‘soberania’ evoca a idéia
explícita, quase que solenemente, con- de ‘soberano’, aquele que decidia
sagra-o em várias passagens de seu texto. qual o tipo de direito válido para a
Aliás, da interpretação de sua inserção coletividade, num dado momento
topológica nas constituições em geral, e na histórico. O soberano podia ser um
brasileira em particular, entendemos que indivíduo, o rei, por exemplo, ou
o mesmo tem a natureza de princípio toda uma classe ou casta, como
fundamental, com caráter primacial. ocorria e ocorre nos regimes oligár-
A segurança e harmonia social são quicos, podendo, ainda, ser toda a
objetivos eleitos pelo legislador consti- Nação (...) Desta situação do sobe-
tuinte e que se constituem objetos contidos rano resulta que a soberania é uma
na dimensão interna da soberania, confor- força que nasce das circunstâncias
me o que anuncia o preâmbulo de nossa históricas e nacionais em que se
Constituição. Essa idéia é reforçada na encontra comprometida a comuni-
medida em que o preâmbulo afirma que a dade política em um momento de
sociedade brasileira está comprometida, sua existência (...) Eis por que o
na ordem interna e internacional, com a soberano é colocado acima de todo
solução pacífica das controvérsias 3. A estatuto constitucional e que não é
Assembléia Constituinte tem plena cons- a este vinculado. O soberano o cria,
ciência de que exerce a representação de mas não lhe deve nada. A marca
um poder originário do povo brasileiro. essencial da soberania é a posse do
O art. 1º, que dá o nome oficial ao país Poder constituinte (...) Em suma, a
e que o constitui Estado Democrático de soberania é o fundamento – e deve
Direito, consagra a soberania como pri- ser o fundamento – de todo e qual-
meiro fundamento nacional. Analisando quer tipo de Estado...” 6 .
esse artigo, Manoel Gonçalves Ferreira Conhecer o ordenamento jurídico-
Filho entende que a Constituição, enfati- constitucional e os institutos e instituições
zando a soberania, “quer sublinhar a não- que contempla, consoante afirmou Pablo
sujeição do Brasil a qualquer poder estran- Lucas Verdu em introdução ao trabalho do
geiro, seja ele de Estado estrangeiro, seja jurista Vergottini, permite-nos identificar,
ele de organização internacional. Sobera- analisar e extrair as suas pertinentes
nia, portanto, está aqui no seu aspecto conseqüências7. Ainda segundo Verdu,
‘externo’: não sujeição, independência”4 . conforme avança uma civilização jurídica,
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o direito, nascido diretamente das relações A soberania constitui um princípio
sociais, vai-se modulando e, estimulado recorrente em qualquer análise e interpre-
pelo que surge da especulação jurídica, a tação de nossa Constituição, pois sobre ele
própria juridicidade – nascida das entra- se erige o Estado democrático. Todavia, não
nhas sociais – enriquece-se com a reelabo- é um princípio unissubsistente. É neces-
ração e ampliação da dogmática jurídica. sário, por meio do método sistemático,
É justamente a dimensão axiológica e sempre se empreender um esforço no sen-
fática contida no princípio da soberania tido de integrá-lo aos demais princípios.
que lhe permite ser o principal estímulo No seu preâmbulo, a CFB declara que
àquilo que Rolla considera o aspecto a sociedade brasileira assume compro-
dinâmico da constituição, ou seja, o poder missos na ordem interna e internacional;
que garante a reformulação das insti- logo depois, o art. 4º, I, estabelece a
tuições. A efetivação da idéia de soberania independência nacional como princípio
pode vir a garantir a realização de progra- que orienta o país nas suas relações
ma emancipador e para o qual, observa internacionais.
Verdu, exige-se uma transformação das O parágrafo único do art. 1 º filia o
estruturas sócio-econômicas8. Isso poderia nosso poder soberano à doutrina da
permitir que a constituição, em seu sentido soberania popular ao estabelecer a clássica
material, viesse a cumprir uma função afirmativa de que todo o poder emana do
ativa e plena de significado. povo, que o exerce por meio de represen-
A rubrica que nomeia o Título I da tantes eleitos ou diretamente, nos termos
Constituição do Brasil, “Dos Princípios da Constituição. Esse entendimento fica
Fundamentais”, com sabor quase pleonás- reforçado e complementado com o art. 14.
tico, fornece o elenco dos princípios No seu teor, a soberania popular será
considerados indispensáveis à nossa exercida pelo sufrágio universal e pelo
República. Segundo Abbagnano, funda- voto direto e secreto, com valor igual para
mento é o que dá razão a uma preferência, todos, e, nos termos da lei, mediante
a uma eleição, da realização de uma plebiscito, referendo e iniciativa popular.
alternativa ao revés de outra. Diz-se Em um trabalho de disquisición constitu-
fundamento toda vez que a preferência ou cional, sabemos muito bem que a idéia de
eleição esteja justificada ou a realização da representação confrontada com a de
alternativa seja explicada. De maneira soberania representa uma evolução teóri-
similar, “um princípio ‘fundamental’ é um ca de grande importância prática. Isso
princípio que estabelece a condição pri- porque, na perspectiva rousseauniana, a
meira e mais geral para que algo possa soberania se expressa por meio da vontade
existir” 9. Assim, Abbagnano afirma que o geral, que é sempre certa e direta, não
uso moderno da palavra fundamento tem admitindo intermediário. Por isso, no
um significado não diferente de condição. esquema rousseauniano, o ideal para a
Nesse sentido, a soberania é um dos democracia direta são os pequenos esta-
princípios fundamentais, é o primeiro dos, pois toda lei que o povo não aprovar
princípio, ou melhor, é a condição (sem a diretamente é nula, jamais será lei. Na
qual não há a realização) da República do verdade, os representantes são meros
Brasil. O plus de valoração recebido pelo comissários da comunidade popular,
princípio da soberania na nossa ordem verdadeira titular da soberania, portanto
justifica-se em função de constituir o pilar seu mandato é imperativo. Emmanuel
de nossa organização, substrato da legiti- Siéyès afirmará, por seu turno, que a
midade, que confere validade e efetivi- soberania não pertence efetivamente ao
dade aos direitos e garantias do cidadão. conjunto de homens concretos e reais
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existentes em um determinado período designar um corpo de jurados, soberania
histórico, mas à nação, que é o conjunto constituída, para promover os julgamentos.
daqueles que viveram, que vivem e que O inciso LXXI do art. 5º prescreve que
viverão. Segundo ele, a nação não se será concedido mandado de injunção a
confunde com cada geração que passa, todo aquele que, por falta de norma
mas com os interesses permanentes do regulamentadora, não possa exercer
Estado; os interesses permanentes do povo qualquer dos direitos inerentes à naciona-
transcendem os interesses momentâneos lidade, à soberania e à cidadania. Anali-
do povo. Por isso, “é preciso haver repre- sando a natureza do mandado de injun-
sentantes da nação, sem vínculos jurídicos ção, Ivo Dantas sustenta:
com seus eleitores, pois sendo uma enti- “Percebe-se, de logo, que o Man-
dade abstrata, como poderia receber dado de Injunção – ao contrário do
mandato juridicamente vinculante por que alguns pensam – não é direito
parte do corpo eleitoral?”10. A constituição individual, mas sim uma Garantia
revolucionária francesa adotará a dou- ou Remédio Constitucional, através
trina de Siéyès. do qual se tenta obter o exercício dos
A Constituição Federal estabelece, no direitos e liberdades constitucionais,
art. 14, “os princípios básicos dos direitos entendidos estes não apenas os que
políticos, com um conjunto sistemático de estão enumerados no art. 5º, mas,
normas que disciplinam a atuação da igualmente, os dos artigos 6º e 7º da
soberania popular, a que se refere expres- Constituição, além de ‘outros decor-
samente o texto constitucional”11. Segundo rentes do regime e dos princípios
Pinto Ferreira, os direitos políticos podem por ela adotados, ou dos tratados
ser definidos como aquelas prerrogativas internacionais em que a República
que permitem ao cidadão participar na Federativa do Brasil seja parte’,
formação e comando do governo. Em sua conforme preceitua o parágrafo 2º
concepção restrita, os direitos políticos do artigo 5º” 14.
são, consoante Rosah Russomano, o Analisando os requisitos à interposição
poder de que dispõe o indivíduo para do mandado de injunção em relação à
interferir na estrutura governamental por soberania, José Cretella Júnior entende que
meio do voto12 . se a soberania popular pelo sufrágio direto
O inciso XXXVIII do art. 5º reconhece e secreto, nas hipóteses de plebiscito,
a instituição do júri, assegurando-lhe, além referendo ou iniciativa popular, não puder
de outras prerrogativas, a soberania de concretizar-se, inviabilizando o exercício
seus veredictos. A idéia foi vitoriosa com desse direito e liberdade constitucional por
a Revolução Francesa, que estabeleceu o seu titular, que é o povo brasileiro, em
júri como um tribunal popular e consa- decorrência de norma regulamentadora,
grou a vitória da soberania popular, em estarão presentes os requisitos para o
detrimento da soberania monárquica – que ajuizamento do writ do mandado de
detinha o poder e controle sobre os magis- injunção15 .
trados judiciais. Soberania dos veredictos O art. 17 garante a liberdade na criação,
pode parecer uma expressão imprópria1 3 fusão, incorporação e extinção de partidos
já que o titular da soberania é o povo; desde que sejam resguardados a soberania
contudo, ela guarda coerência na medida nacional, o regime democrático, o pluripar-
em que o exercício da soberania se dá por tidarismo, os direitos fundamentais da
meio de várias instâncias e instituições do pessoa humana, além de outros preceitos
Estado. Sintoniza-se com a idéia de que a estabelecidos constitucionalmente. É
soberania constituinte, o povo, aceita muito oportuno lembrar que, ainda nesse
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dispositivo, foi intenção do legislador tenham sua sede e administração no País.
constituinte erigir o princípio da soberania A redação desse dispositivo foi dada pela
como sendo o primeiro valor a ser resguar- Emenda Constitucional nº 6, de 15-8-95, e
dado pelos partidos. Por isso se justifica o se justifica a fim de se preservar a sobe-
estabelecimento, no inciso II do art. 17, da rania nacional econômica, na medida em
proibição feita ao partido político de que são as empresas menores que empre-
receber recursos financeiros de entidade gam a maior parte dos trabalhadores
ou governo estrangeiros ou de subordina- brasileiros. Aliás, já havia à época da
ção a estes. A fim de preservar a soberania redação dessa emenda a Lei nº 8.864, de
nacional e popular contra, respectiva- 28-3-94, que regula o tratamento a ser
mente, a intromissão alienígena e o abuso dispensado à Empresa de Pequeno Porte;
do poder econômico, os partidos têm devido à importância desse tema, o legis-
direito a recursos do fundo partidário e lador constitucional cercou-o de maiores
acesso gratuito ao rádio e à televisão, cuidados, inserindo-o na Constituição. Por
conforme definição legal. A Justiça Elei- isso, a nosso ver, esses dispositivos visam,
toral é responsável pela fiscalização das com certeza, implementar o princípio da
finanças partidárias, por isso os partidos soberania nacional estatuído no art. 170,
devem-lhe prestar contas16 . I, evidente medida protetora de nossa
O Conselho de Defesa Nacional está na economia, que não se constitua, portanto,
estrutura do Poder Executivo, constituindo- mero comando arbitrário e incontrastável.
se órgão de consulta do Presidente da Nessa mesma tônica, o art. 172 esta-
República nos assuntos relacionados com belece que a lei disciplinará, com base no
a soberania nacional e a defesa do Estado interesse nacional , os investimentos de
democrático, conforme estrita determina- capital estrangeiro, incentivará os rein-
ção do art. 91 da Constituição 17 . Nas vestimentos e regulará a remessa de
hipóteses de declaração de guerra, cele- lucros. O art. 177 estabelece como mono-
bração da paz, decretação do estado de pólio da União (1) a pesquisa e a lavra das
defesa, do estado de sítio e da intervenção jazidas de petróleo e gás natural e outros
federal, nas iniciativas necessárias à hidrocarbonetos fluidos, (2) a refinação do
garantia da independência nacional etc., petróleo nacional ou estrangeiro, (3) a
o Conselho de Defesa Nacional deverá ser importação e exportação dos produtos e
ouvido. É um órgão de consulta que tem derivados básicos resultantes das ativi-
muita importância nas questões referentes dades previstas nos incisos anteriores, (4)
à manutenção da soberania do país. o transporte marítimo do petróleo bruto
A ordem econômica nacional, fundada de origem nacional ou de derivados
na valorização do trabalho humano e na básicos de petróleo produzidos no País,
livre iniciativa, tem por finalidade ga- bem assim o transporte, por meio de
rantir a todos existência digna, consoante conduto, de petróleo bruto, seus derivados
os ditames da justiça social, que deverá e gás natural de qualquer origem, (5) a
observar, entre outros preceitos, a sobe- pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o
rania nacional como primeiro princípio reprocessamento, a industrialização e o
geral que rege a atividade econômica, comércio de minérios e minerais nucleares
conforme disciplina o art. 170 da Consti- e seus derivados. À União é facultado, em
tuição. O princípio geral da soberania é relação aos itens de nº 1 a 4, contratar com
que justifica também a previsão, no inciso empresas estatais ou privadas a realização
IX do mesmo artigo, de tratamento favo- daquelas atividades, segundo a obser-
recido para as empresas de pequeno porte vância das condições previstas na Consti-
constituídas sob as leis brasileiras e que tuição, bem como do que dispor a lei
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infraconstitucional. Essa previsão consti- imbricados com o princípio geral e funda-
tucional é, na verdade, uma forma que o mental da soberania, tais como indepen-
legislador constitucional encontrou de dência nacional, poder do povo, auto-
melhor garantir a preservação de estraté- determinação, igualdade entre Estados,
gicos e indispensáveis interesses ligados à interesses nacionais. Caso o fizéssemos,
soberania do país. teríamos de reservar o espaço para a
Na perspectiva de integração do âmbito feitura de uma nova tese, o que não é o
interno e externo da soberania, podemos nosso propósito. Apenas relembramos que
interpretar a Emenda Constitucional nº 7 a perspectiva que temos até aqui traba-
de 15-8-95, que alterou a redação do art. 178 lhado não deixa de frisar a importância do
da Constituição e estabeleceu, quanto à princípio da soberania como paradigma
ordenação do transporte internacional, a para interpretação dos demais preceitos
observância dos acordos firmados pela constitucionais.
União, desde que atendido o princípio da
reciprocidade. No parágrafo único do 3. O princípio da soberania em outras
mesmo artigo, temos corroborado a idéia
constituições brasileiras
de coexistência geoeconômica pacífica ,
pois fica reservado à lei o estabeleci- A Constituição Política de 1824 define
mento das condições em que o transporte o Império como a associação política de
de mercadorias na cabotagem e a nave- todos os cidadãos brasileiros. O art. 9º
gação interior poderão ser feitos por estabelece que a divisão e harmonia dos
embarcações estrangeiras. poderes políticos é o princípio conser-
O art. 231 reconhece aos índios sua orga- vador dos direitos dos cidadãos. Já o art. 12
nização social, costumes, línguas, crenças proclama que todos os poderes do Império
e tradições, e os direitos originários sobre do Brasil são delegações da nação 1 8 .
as terras que tradicionalmente ocupam. As Evidente aí a filiação ao contratualismo e
terras tradicionalmente ocupadas pelos a influência das idéias de divisão de
índios destinam-se a sua posse perma- poderes e soberania popular de Montes-
nente, cabendo-lhes o usufruto das rique- quieu e Rousseau. Da leitura desses dois
zas do solo, dos rios e dos lagos nelas artigos podemos observar que estavam
existentes. No entanto, como medida de insertos na Constituição os princípios
caráter tutelar, o poder soberano nacional liberal-democráticos. Esses princípios
declara que essas terras são inalienáveis e liberais e democráticos consagrados,
indisponíveis, e os direitos sobre elas, consoante Almir de Oliveira, são os (a) da
imprescritíveis (art. 231, parágrafo 4º). Os soberania popular , que se comunica aos
grupos indígenas só poderão ser remo- agentes do poder para exercê-lo em nome
vidos de suas terras, ad referendum do do povo, ou da Nação; (b) da divisão e
Congresso Nacional, em caso de catástrofe harmonia dos poderes políticos; (c) da
ou epidemia que ponha em risco sua limitação do poder por meio de um ins-
população, ou no interesse da soberania do trumento jurídico fundamental, que é a
País, após deliberação do Congresso Constituição; (d) do contrato social como
Nacional. Em qualquer hipótese, fica fundamento do Estado19 .
garantido o retorno dos grupos indígenas Ainda segundo o art. 1º da Constituição
logo que cesse o risco. imperial, fica declarado que os cidadãos
Essas são as referências à soberania que brasileiros formam uma nação livre e
constam expressamente do texto constitu- independente, que não admite com qual-
cional. Não incluímos aqui várias outras quer outra laço algum de união ou de
idéias, normas e princípios que estão federação que se oponha a sua indepen-
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dência. Sobre essa disposição, José Carlos pelo emergente Império “passaram a ser,
Rodrigues anota a seguinte observação: no direito positivo do Brasil, algo intima-
“O tratado de paz de 29 de mente ligado a ele (a despeito da mácula
Agosto de 1825 reconhece o Imperio do trabalho escravo)” 24 .
do Brasil independente e separado Com a Proclamação da República, o
dos reinos de Portugal e Algarves. novo regime instala-se num clima promis-
Diz o art. 1.: ‘Sua Magestade Fide- sor, caracterizado pela preocupação de
lissima reconhece o Brasil na cathe- corrigir os vícios da política imperial, que
goria de Imperio independente e praticamente alijava da participação e da
separado dos reinos de Portugal e representação política a maioria do povo
Algarves, e a seu, sobre todos, muito do país; ademais, com a abolição da
amado e prezado filho D. Pedro por escravidão, ocorria o reconhecimento de
Imperador; cedendo e transferindo que essa enorme população trabalhadora
de sua livre vontade a soberania do brasileira também integrava a Nação, e o
dito Imperio ao mesmo seu filho e a novo governo parecia ter condição, por
seus legitimos successores...’ O meio de novas instituições, de dar expres-
decreto de 10 de Abril de 1826 são ao anseio do povo brasileiro, no seu
determina ‘que se dê ao dito tratado conjunto 25 . No entanto, segundo o que
entendem Célia Galvão Quirino e Maria
a mais exacta observancia e execu-
Lúcia Montes,
ção, como convém á santidade dos
“apesar das promessas iniciais de
tratados celebrados entre nações
Deodoro, o próprio governo provi-
civilisadas, e á inviolável fé com que
sório impõe, em junho de 1890, a
são firmados”20 .
nova Constituição, elaborada pela
A Constituição imperial, no art. 6º,
comissão que deveria apenas fazer
inclui como cidadão brasileiro os nascidos
o seu projeto, e que o Congresso Cons-
em Portugal e suas possessões que, sendo tituinte deveria agora apenas refe-
já residentes no Brasil na época da inde- rendar. Mais uma vez, a soberania do
pendência, aderiram a esta expressa ou poder constituinte era claramente
tacitamente pela continuação de sua cerceada”26 (destaques nossos).
residência. Segundo José Carlos Rodrigues, Por seu turno, Almir de Oliveira afirma
essa disposição é muito racional, e a que as duas principais preocupações dos
Constituição, ao galardoar com a quali- primeiros constituintes republicanos foram
dade de cidadão àqueles portugueses que o federalismo e o presidencialismo27 .
aderiram a independência, “pagou uma A Constituição de 1934 efetivamente
dívida de gratidão” 21 . criou mecanismos institucionais que
O Estado estruturado a partir da possibilitavam a maior participação dos
Constituição imperial de 1824 decorre do cidadãos, em evidente avanço político que
movimento de idéias advindas do século tornava mais real a soberania popular. A
XVIII, que tinha nítida preocupação de Constituição eliminou a discriminação
limitar, por meio de direitos e garantias, o por motivo de sexo e reconheceu à mulher
poder incontrastável dos reis absolu- o direito de voto, ao mesmo tempo em que
tistas22 . Ao modelo da Constituição fran- reduzia para dezoito anos a idade para
cesa, ela declara os direitos fundamentais, aquisição da cidadania ativa. O voto
insertos no Título VIII sob a rubrica Das passou a ser não só um direito mas tam-
disposições gerais e garantias dos direitos bém um dever do cidadão. Foi instituída a
civis e políticos dos cidadãos brasileiros23 . Justiça Eleitoral, “visando-se a dar serie-
Segundo Pontes de Miranda, os direitos dade e verdade à manifestação da vontade
fundamentais e as garantias adotadas popular pelo voto secreto” 28 .
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A Constituição autoritária de 1937 foi partidos a subordinação a entidade ou
elaborada por Francisco Campos a mando Governo estrangeiro. Consoante lição de
de Getúlio Vargas, constituindo-se resul- Manoel Gonçalves Ferreira Filho, a Cons-
tado da imposição do Estado Novo. Estra- tituição de 1967, ao delinear as idéias
nhamente, como concessão à soberania básicas de um estatuto para os partidos
popular, nela se previa sua aprovação por políticos, seguiu o exemplo da Lei Fun-
meio de plebiscito nacional – o que não foi damental de Bonn, de 1949. Segundo o
realizado, já que o país vivia em estado de mestre paulista, o delineamento feito pela
emergência, durante o qual ficavam Constituição tinha por finalidade:
suspensas as garantias constitucionais. “Tal estatuto se destina, por um
Após a deposição de Getúlio Vargas, lado, a propiciar aos partidos con-
advém a Constituição de 1946, democra- dições melhores para que colaborem
ticamente elaborada por uma Assembléia com o funcionamento das institui-
Nacional Constituinte. Essa Constituição ções democráticas, realizando a for-
diminui o campo de incidência da sobera- mação política do povo, divulgando
nia estatal e restabelece as autonomias planos e alternativas de governo,
estaduais. Foi inspirada nos ideais liberais selecionando candidatos. Por outro,
consagrados na Constituição de 1934. visa a impedir que os mesmos atuem
Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho, como elemento perturbador das
a Comissão Constitucional a tomou como referidas instituições, servindo para
ponto de partida, já que a Assembléia de o predomínio de oligarquias, acober-
1946 não recebeu, ao contrário das ante- tando a ação de poder econômico” 33.
cessoras, “projeto do Governo para base Ainda conforme o art. 152, no seu inciso
inicial de seus estudos”29. Por sua vez, III, fica proibida a subordinação dos
Pontes de Miranda considera que a Cons- Partidos Políticos a entidade ou Governos
tituição de 1946, ainda que tendente à estrangeiros 34 . Comentando esse disposi-
volta de 1891, “representou a maior tivo, Manoel Gonçalves Ferreira Filho
parcela nos três caminhos da democracia, afirma que, no sistema constitucional
da liberdade e da igualdade” 30. brasileiro, os partidos devem expressar
Com o regime militar de 64, adveio, concepções políticas subordinadas exclusi-
poucos anos após, a Constituição de 1967 vamente a interesses nacionais, vedando-
e a seguir a Emenda nº 1 – que modificou lhes qualquer subordinação ao estran-
em muitos pontos a redação da de 196731. geiro. “A existência de liames como esses
O texto reformulado com a Emenda nº 1 desnatura o partido e enseja a cassação de
de 1969 declara no art. 1º seu vínculo, do seu registro. A redação anterior era mais
ponto de vista formal, à concepção da rigorosa. Proibia a mera ‘vinculação’”35. A
soberania popular, ao estabelecer, no afeição ao princípio da soberania, no
parágrafo primeiro, que todo o poder entanto, não deve ser extremada enquanto
emana do povo e em seu nome é exercido. valor de um poder ilimitado, pois ela sofre
O texto da Emenda nº 1 estabelece, no várias limitações. Em consonância com
art. 152, ser livre a criação de Partidos essa perspectiva, Pontes de Miranda,
Políticos. Sua organização e funciona- discorrendo sobre o conceito de soberania,
mento devem resguardar como primeiro advoga:
princípio a soberania nacional 32 , bem “A já velha concepção da sobe-
como o regime democrático, o pluralismo rania ilimitada, que ainda é base de
partidário e os direitos fundamentais da muitos raciocínios errôneos, foi a da
pessoa humana. A fim de melhor efetivar antigüidade e ainda vibrou nos
o resguardo da soberania, proíbe aos trechos das Lettres écrites de la
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montagne, de J. J. Rousseau: ‘Dans a União e o Distrito Federal, ou entre uns
tout État politique il faut une puis- e outros. Nesse sentido, o Regimento
sance suprême, un centre où tout se Interno do STF de 1980 está conforme a
rapporte, un principe d’où tout Constituição atual ao estabelecer que a
dérive, un souverain Qui puisse sentença estrangeira não possui eficácia no
tout...’ Ora, nos nossos dias, há país sem a homologação anterior da Corte
direitos anteriores e superiores ao Superior38. Em virtude da constitucionali-
Estado, há limitações espaciais, zação do princípio da soberania, guarda
temporais e ético-jurídicas à sobe- coerência também aquele preceito do
rania. O Estado é no Espaço e no Regimento que veda a homologação de
Tempo, e não pode negar direitos sentença estrangeira que ofenda a sobe-
que provêm da ambiência jurídica rania nacional39.
em que se banham os próprios A verificação de algumas decisões do
Estados. De ambiência supra-estatal STF que têm como lastro o princípio da
e, por conseguinte, de ambiência soberania torna-se oportuna na medida
interestatal”36 . em que se constitui em outros argumentos
que reforçam a efetividade do princípio da
4. O princípio da soberania na soberania. Diversas são as decisões dessa
jurisprudência brasileira Corte que tomam como base o princípio.
Neste item abordamos como o preceito Aqui apresentamos algumas.
da soberania tem sido aplicado pelos Decorrente de interpretação da Cons-
tribunais do Brasil. Selecionamos alguns tituição, a Corte Superior brasileira tem
julgados, compreendendo decisões do entendido que as sentenças proferidas por
Supremo Tribunal Federal – STF , Superior tribunais estrangeiros somente terão
Tribunal de Justiça – STJ, Superior Tribunal eficácia no Brasil depois de homologadas
Militar – STM e Tribunal de Contas da pelo Supremo Tribunal Federal40 . O pro-
União – TCU. Embora tenhamos encon- cesso de homologação de sentença estran-
trado enorme quantidade de material, geira reveste-se de caráter constitutivo e
devido ao plano que adotamos para a faz instaurar uma situação de contencio-
disposição geral desta obra, preferimos sidade limitada. A ação de homologação
selecionar apenas alguns casos que, na destina-se, a partir da verificação de
medida do possível, tenham alguma determinados requisitos fixados pelo
conexão um com o outro37 . ordenamento positivo nacional, a pro-
piciar o reconhecimento de decisões
4.1. A aplicação do princípio da soberania estrangeiras pelo estado brasileiro, com o
em decisões do STF objetivo de viabilizar a produção dos
A principal competência atribuída ao efeitos jurídicos que são inerentes a esses
Supremo Tribunal Federal – STF é a atos de conteúdo sentencial.
guarda da Constituição, consoante dispo- O sistema de controle limitado que foi
sição do art. 102, caput, da Constituição da instituído pelo direito brasileiro em tema
República. Como supremo guardião da de homologação de sentença estrangeira
Constituição, o STF exercita competências não permite que o Supremo Tribunal
constitucionalmente conferidas que pro- Federal, atuando como tribunal do foro,
tegem tanto a soberania interna como a proceda, no que se refere ao ato sentencial
soberania externa do país. formado no exterior, “ao exame da ma-
O STF tem a competência originária, téria de fundo ou a apreciação de questões
conforme art. 102, I, da Constituição, para pertinentes ao meritum causae, ressalvada,
julgar o litígio entre a União e os Estados, tão-somente, para efeito do juízo de
Brasília a. 37 n. 146 abr./jun. 2000 161
delibação que lhe compete, a análise dos sileira, o que não se torna possível até
aspectos concernentes à soberania nacional, porque isso maltrataria o princípio da
à ordem pública e aos bons costumes”. soberania nacional. Com base nessas razões,
Não se discute, no processo de homolo- em votação unânime, o resultado foi o
gação, a relação de direito material indeferimento43,44.
subjacente a sentença estrangeira homo- Na Apelação Cível nº 9.690, cujo
loganda. A legalização consular da certi- resultado unânime foi o não-provimento,
dão comprobatória do trânsito em julgado o STF aprecia determinadas circunstâncias
da sentença estrangeira constitui requisito da despedida de empregado de Consulado-
que, desatendido, impede a homologação Geral de Estado estrangeiro45. Ocorre a
do título sentencial. O ato de chancela renúncia à imunidade de jurisdição pelo
consular destina-se a conferir autenti- Estado estrangeiro que requereu, perante
cidade ao documento formado no exterior a Justiça brasileira, a instauração do inqué-
(RTJ 49/148). Os cônsules brasileiros, quer rito trabalhista. Aspectos que denunciam
em face de nosso ordenamento positivo a falta grave constantes de agressão física
interno, quer à luz do que prescreve a a um subordinado. Há incontinência de
conduta, com aspectos anteriores nega-
Convenção de Viena sobre Relações Con-
tivos do procedimento funcional do
sulares (1963), dispõem de funções certi-
empregado que já haviam ensejado sanção
ficantes e de autenticação de documentos
disciplinar. Não-ocorrência de bis in idem
produzidos por órgãos públicos do estado
na aplicação da penalidade. A rescisão do
estrangeiro perante o qual desempenham
contrato de trabalho, pelo empregador, dá-
as suas atribuições.
se com base no art. 482, letra “b”, da CLT.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Afastamento do serviço, com os salários,
Federal tem expressamente admitido a enquanto a Administração do Consulado
aplicação do princípio da sucumbência realizava sindicância para apuração
aos processos de homologação de sentença prévia dos fatos. Não-aceitação da proba-
estrangeira, observando-se, para efeito de tion, por um ano, pelo empregado.
fixação dos honorários advocatícios No caso em espécie, houve a tentativa
devidos à parte vencedora, o critério anterior de recuperação do empregado,
estabelecido pelo art. 20, § 4º, do CPC. quando principiou seu declínio funcional.
Nesse caso, o Estado brasileiro tem como A circunstância da aplicação do direito
dispor de sua jurisdição soberana no trabalhista brasileiro, para dirimir a
sentido de compelir o sucumbido ao controvérsia (lex loci executionis), não
pagamento dessas despesas. implica, por si só, a inviabilidade de
Por todos esses motivos, o pleno do poderem os órgãos do Estado estrangeiro
Supremo Tribunal Federal julgou, por empregador ser considerados segundo
unanimidade, pela extinção do processo “as peculiaridades do funciona-
referente à sentença estrangeira contes- mento de seus serviços e de acordo
tada nº 4.73841. com disciplina interna a todos os
Em outra decisão, o STF negou homo- empregados aplicável, desde que, a
logação à sentença estrangeira sob o evidência não ofenda a soberania
argumento de que “não é de homologar- nacional, a ordem pública e os bons
se a sentença estrangeira se resulta dos costumes, a teor do art. 17 da Lei de
autos não ter sido efetuada regular citação Introdução ao Código Civil”.
da parte agora requerida, e que figurou Os atos de disciplina, ditados pela
como ré no feito processado no exterior” 42. organização administrativa da Embaixada
Além disso, no caso, a homologação ou do Consulado, do Estado estrangeiro,
importaria em reforma de sentença bra- no território nacional, respeitado o dis-
162 Revista de Informação Legislativa
posto no art. 17 da Lei de Introdução ao que a apreensão de arma de uso exclusivo
Código Civil (LICC), hão de ser conside- das Forças Armadas com civil não enseja
rados no exame de eventual litígio tra- a competência da Justiça Federal para o
balhista posto à apreciação do Poder processo e julgamento do feito, ainda mais
Judiciário brasileiro. Se um certo compor- se ficou afastada a possibilidade de
tamento pode ser tido como tolerável no ocorrência de contrabando – não se veri-
âmbito de uma empresa privada, não ficou, pois existia laudo pericial atestando
configurando falta grave, nada obsta tê- a sua fabricação em território nacional.
lo como de maior gravidade, se ocorrer, Verificou-se a inocorrência, em princípio,
em relação de emprego, no âmbito de de lesão ou perigo de lesão à integridade
Repartição estrangeira, no território territorial, à soberania nacional, ao regime
nacional, que assim lhe empreste, com
representativo e democrático, à federação,
mais rigor, determinada disciplina, sempre
ao estado de Direito, ou à pessoa dos
tendo em conta o parâmetro do art. 17 da
chefes dos poderes da União48.
LICC. Não se caracterizou, na espécie,
No recurso especial nº 117.784/SP,
dupla punição, pelo mesmo fato. O afas-
referente a contrato de investimento
tamento do empregado, sem prejuízo dos
financeiro49 , a que, por unanimidade, foi
salários, em virtude de fato grave sucedido
conhecido e dado provimento, seu funda-
no recinto de trabalho do Consulado-
Geral em São Paulo fez-se com o objetivo mento decorreu da circunstância de que a
de tornar viável a apuração completa do “jurisprudência do STJ consolidou enten-
incidente, segundo diretrizes de serviço do dimento no sentido de que o banco comer-
Estado estrangeiro, não atentatórias, na cial é parte legítima para responder
espécie, ao art. 17 da LICC. A atualidade perante o adquirente do recibo ou depósito
da punição verificou-se. Sentido da não- bancário por eventual diferença, desca-
aceitação, pelo empregado, da probation. bendo a denunciação da lide à União
Nos autos, não só se afirmam as ofensas Federal”. No contrato de aplicação finan-
físicas contra outro colega no recinto do ceira, a lei cogente que regula direito
Consulado, mas também comportamento financeiro tem incidência imediata atin-
do empregado que, progressivamente, gindo até as avenças em curso. “Essas
comprometia-o por desídia, desinteresse normas emanam da própria soberania do
pelo serviço, com o freqüente não-cumpri- estado e os administrados não podem opor
mento dos expedientes normais de traba- contra elas o princípio da aquisição de
lho e, ainda, por apresentação, com sinais direitos”50 .
de ter ingerido álcool, manifestações Consoante entendimento do STJ, o
verificadas em serviço. Procedência do direito internacional público atual não
inquérito judicial. Falta grave enqua- tem prestigiado como absoluto o princípio
drável nas letras “b” e “h” do art. 482 da da imunidade de jurisdição de Estado
CLT aos fins dos art. 492 e 493 do mesmo estrangeiro, e nesse sentido confirmou
diploma legal46. Apelação a que se negou decisão que deu pela competência da
provimento. justiça brasileira 51 .
O princípio da soberania tem sido
4.2. Aplicação do princípio da soberania
usado como fundamento essencial de
pelo Superior Tribunal de Justiça
argumentações das partes envolvidas.
O Superior Tribunal de Justiça, ao No Mandado de Segurança nº 6.494/MG,
dirimir o Conflito de Competência nº a CONFEGAPE insurge-se contra o Minis-
22.889/RJ 47 entre a Justiça Federal e a tério Público Federal, que exigia da enti-
Justiça Criminal do Rio de Janeiro, decidiu dade retirar de seus Estatutos do Con-
a favor da segunda sob o argumento de selho Federal de Garimpeiros as palavras
Brasília a. 37 n. 146 abr./jun. 2000 163
“defender, fiscalizar e coordenar” 52. A Em outra decisão envolvendo o crime
Procuradoria da República, em Minas de ofensa às Forças Armadas, o STM
Gerais, instaurou processo sob o pálio de negou provimento a recurso do Ministério
defender as leis, as autarquias e suas Público Militar, mantendo a decisão
prerrogativas, vez que a entidade investi- anterior que rejeitara a denúncia. Segundo
gada estaria de fato ferindo as prerroga- o STM, declarações levianas e inverídicas,
tivas das autarquias. A CONFEGAPE, por a periódico de publicação restrita, não têm
meio do mandamus, pretendeu do STJ o condão de abalar o crédito e o conceito
revogar as decisões do R/MPF-MG, extin- que as Forças Armadas inspiram na
guindo os autos do processo investigatório sociedade, como mantenedora da sobe-
acionado. Os principais argumentos da rania nacional, consoante destinação
entidade impetrante foram os de que “o especificada na Lei Maior55 .
órgão só fez bem às classes, ao país e à
soberania nacional”, “o órgão não causa 4.4. Aplicação do princípio da soberania
lesões à nação”, pelo contrário, “o órgão pelo Tribunal de Contas da União
ajuda a justiça e a polícia a combater os O princípio da soberania nacional tem
crimes nos garimpos do país”53. sido recorrente nos pareceres do Tribunal
de Contas da União – TCU. A soberania é
4.3. Aplicação do princípio da soberania referida, entre outros pareceres, no da
pelo Superior Tribunal Militar apreciação das contas do governo, exer-
A apreciação do princípio da soberania cício de 199656.
tem sido permanente nos julgamentos do No Parecer Prévio, acima relatado, em
Superior Tribunal Militar. observância do disposto no art. 71, I, da
O artigo 219 do Código Penal Militar Constituição Federal, o TCU aprovou as
prevê o crime de ofensa às Forças Arma- Contas do Governo, atinentes ao exercício
das. Em recurso criminal, RCFO nº 5.952- de 1996, que foram prestadas pelo Presi-
6/PA, de 11-9-90, o STM rejeitou denúncia dente da República ao Congresso Nacional
com base nesse artigo, cujo substrato da no prazo constitucional.
decisão foi o seguinte: É da competência do Congresso Nacio-
“Para que se caracterize o crime nal julgar as contas anuais prestadas pelo
do artigo 219, do Código Penal Presidente da República, consoante o
Militar, há necessidade de que a art. 49, inc. IX, da Constituição Federal.
divulgação dos fatos inverídicos Por sua vez, o Tribunal de Contas da União
sejam propalados de tal forma que apreciou as referidas contas, mediante
o homem comum neles acredite, e parecer prévio elaborado em sessenta dias
que esses fatos ainda sejam capazes a contar de seu recebimento, ocorrido em
de abalar o crédito e o conceito que 18 de abril de 1997. Entre os diversos
as Forças Armadas devem inspirar considerandos 57, fundamentos, razões de
junto à sociedade como instrumento voto que sustentam a aprovação das
de garantia da soberania nacional , contas do governo, é pertinente relatar um
consoante destinação constitucio- pequeno trecho da extensa e bem susten-
nal” (grifos nossos)54. tada fala do Ministro Lincoln Magalhães
A tipificação do crime em foco exige da Rocha, que exalta a atitude de ingente
que a divulgação de fatos precisos e defesa da soberania nacional, por parte do
determinados, que o agente sabe inverí- governo em relação à ALCA e ao Merco-
dicos, mas que tenham a aparência de sul, nos seguintes termos:
realidade, sejam potencialmente ofensivos “O MERCOSUL E A ALCA. Me-
às Forças Armadas, ou seja, caracterizados rece enômios a atuação dos órgãos
de objetividade. do governo em seu trabalho no
164 Revista de Informação Legislativa
último conclave realizado em Belo processo licitatório em apreço. Segundo
Horizonte, período de 12 a 16 de entendeu o TCU, a formação de um
maio de 1997 e que se denomina parque gráfico próprio, além de regular-
FORUM DAS AMÉRICAS. Eu tive a mente autorizada, justifica-se pela
oportunidade de representar o TCU “natureza sigilosa de uma substan-
e assistir a todo o desenrolar do cial parcela das informações produ-
evento. Foi muito expressiva e for- zidas e/ou tratadas pela Secretaria,
temente afirmativa da soberania estritamente relacionadas à defini-
nacional a decisão que contrariou a ção das estratégias de atuação da
posição americana no que concerne Administração Pública Federal, à
aos planos de instalação das convo- soberania nacional e à defesa do estado
cações definitivas sobre a ALCA. É democrático” (grifos nossos).
evidente que o mercado brasileiro e O TCU também tem competência para
sobretudo a indústria, o comércio e realizar auditorias do tipo operacional.
a prestação de serviços precisam Essa modalidade de auditoria possibilita
alcançar um nível de qualidade que inúmeros benefícios ao Órgão auditado. A
lhes permita competir com os pro- partir do instante em que uma entidade
dutos dos países mais adiantados. da Administração Pública é selecionada
Por isso, a fixação do ano de 2005 pelo Tribunal em seus Planos de Auditoria,
constituiu uma vitória da diploma- essa mera seleção é capaz de possibilitar
cia e da economia nacional. Ao que na entidade visada sejam levantadas
concluir as presentes considerações, questões de cunho operacional que nor-
renovo meus louvores ao Ministro malmente deveriam ser discutidas pelo
Paulo Affonso Martins de Oliveira, próprio órgão, porém não o são em função
pelo zelo demonstrado na elabora- de barreiras diversas, especialmente
ção do trabalho e Voto pela apro- políticas, que o mantém, por longo tempo,
vação do PROJETO DE PARECER frente a situações indesejadas. As audito-
tal qual por ele proposto” (grifos rias operacionais orientam-se, fundamen-
nossos)58. talmente, para o futuro e para as melhorias
Em representação formulada pela que podem ser introduzidas nas respecti-
ABIGRAF contra a Secretaria de Assuntos vas áreas analisadas; é prática de alto
Estratégicos da Presidência da República interesse que permite responder a questões
– SAE/PR, em função de aquisição de essenciais para que a soberania possa
material gráfico sem autorização presi- exercer o controle público. Essas auditorias
dencial, nos termos do art. 113, parágrafo proporcionam ao órgão uma certa exclu-
1º, da Lei 8.666/93, o TCU entendeu que o sividade se comparado àqueles que ainda
órgão está isento dessa obrigação59. Algu- mantêm-se à parte de um controle dessa
mas das atividades a cargo da SAE/PR natureza. A simples presença de um órgão
estão diretamente relacionadas à sobera- provido de competência técnica e política
nia e defesa nacionais. Segundo o TCU, que possa ir, incondicionalmente, à busca
estando inserida “entre os ‘órgãos e de soluções, como é o caso do TCU, faz
entidades ligados à segurança nacional’, com que os problemas possam ser mais
à SAE/PR não se aplicam as restrições facilmente resolvidos. O Tribunal de
impostas pelo Decreto nº 86.873/82, Contas tem, dessa forma, o papel de
conforme estabelece o seu art. 3º”. Portan- iniciador desse processo de saneamento
to, não se pode falar, sob a alegação de quando se propõe a realizar levanta-
ausência de expressa autorização do mentos e sugerir soluções técnicas para os
Presidente da República, em ilegalidade do problemas enfrentados pela entidade
Brasília a. 37 n. 146 abr./jun. 2000 165
auditada. Ademais, o TCU leva ao conheci- atingiu. Esse documento consensual fun-
mento das autoridades superiores o teor do damental a que os constituintes, represen-
trabalho, para que essas possam tomar as tantes do povo, chegaram, a Constituição,
providências cabíveis. consagra o princípio da soberania como o
Na auditoria operacional do Instituto primeiro dos princípios que rege a orga-
Nacional de Pesquisa da Amazônia INPA, nização política da República Federativa
DC-0038-06/93-1, baseado em relatório do Brasil.
elaborado pela Inspetoria Regional de Ao estudarmos a soberania no Direito
Controle Externo no Amazonas – IRCE/ constitucional brasileiro, preocupamo-
AM, o TCU analisa, entre outros pro- nos, essencialmente, em (1) verificar a
blemas, a composição dos financiamentos previsão da soberania na Constituição de
do INPA, atualmente muito dependentes 1988, (2) constatar sua manifestação nas
de instituições estrangeiras, que exigem Constituições brasileiras anteriores, (3)
contrapartidas futuras60. Devemos lem- analisar como se dava a manifestação do
brar que o INPA foi criado por meio do princípio da soberania na jurisprudência
Decreto nº 31.672, de 29 de outubro de brasileira. Isso nos permitiu constatar que
1952, em reação às reiteradas propostas a Constituição brasileira de 1988 é a mais
estrangeiras de internacionalização da enfática em afirmar o princípio da sobe-
Amazônia. O INPA tem como finalidade rania, que está previsto nos artigos 1º; 5º,
promover e executar estudos, pesquisas XXXVIII e LXXI; 14; 17; 91; 170 e 231. As
científicas e de desenvolvimento tecnoló- Constituições anteriores, em geral, não o
gico relacionadas com o meio ambiente e mencionam expressamente. Contudo,
com os sistemas sócio-econômicos e acreditamos que, ainda nesses casos, o
culturais da Região Amazônica, e, ainda, silêncio se deve ao fato de que ele já é
realizar atividades de extensão e cursos de considerado como fundamento do Estado.
pós-graduação, objetivando a ampliação Além disso, as demais Constituições
do conhecimento científico e tecnológico consagram vários outros preceitos cons-
para o desenvolvimento nacional. titucionais que guardam íntima relação
Na justificativa do voto do Relator do com o preceito da soberania, tais como,
parecer do TCU, Ministro Homero Santos, interesse nacional, poder do povo e para o
consta expressamente o reconhecimento povo, independência nacional, autodeter-
de que as atividades do INPA contribuem minação dos povos etc. Por último, proce-
para o fortalecimento da soberania nacional demos ao estudo jurisprudencial, contem-
mas que a origem estrangeira dos recursos plando decisões do STF, STJ, STM e TCU,
do Instituto geram o comprometimento da que recorrem ao princípio da soberania
soberania do país, por ficar implícita na como fundamento de decisão. Com isso,
relação a existência de contrapartida demonstramos uma das formas de efetiva
futura. Todavia, nessa mesma justificativa
aplicação do princípio da soberania no
da auditoria operacional do INPA, o
âmbito do Direito pátrio.
Ministro constata a escassez de recursos a
Dessa forma, buscamos subsidiar a
que a entidade está submetida, sendo-lhe
afirmação de que, apesar dos discursos
impossível “sobreviver à margem de
exaltados dos que detectam o fim do
recursos, ainda que externos”61 .
Estado Nacional e a demolição das sobe-
ranias, o princípio da soberania perma-
5. Conclusão nece inteiramente válido e eficiente para
Na hierarquia das normas, a Consti- o Brasil, em particular no que se relaciona
tuição está no vértice e representa, dentro à sua Constituição e às decisões de seus
do país, o consenso jurídico mais fun- tribunais – que ao princípio recorrem
damental a que a comunidade nacional sistematicamente.
166 Revista de Informação Legislativa
14
DANTAS, Ivo. Mandado de injunção, 1989, p. 70.
Notas 15
CRETELLA JR., op. cit., p. 760.
1
BARACHO, José Alfredo de Oliveira. Processo 16
FERREIRA, op. cit., p. 332.
constitucional. 1984. p. 355. 17
BRASIL. Constituição da República Federativa
2
CRETELLA JÚNIOR, José. Comentários à Consti- do Brasil, art. 91, caput e seguintes, p. 62-63.
tuição brasileira de 1988. 1992, v. 1, p. 69. 18
Analisando o art. 12 da Constituição imperial,
3
BRASIL. Constituição da República Federativa do afirma José Carlos Rodrigues: “Donde resulta que o
Brasil, preâmbulo: “Nós, representantes do povo poder eleitoral é sem duvida nenhuma o primeiro poder
brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Consti- politico, do qual derivão todos os outros” (sic) – v.:
tuinte para instituir um Estado Democrático, destinado BRASIL. Constituição política do Império do Brasil.
a assegurar o exercício dos direitos sociais e indivi- Seguida do Acto adicional, da lei da sua interpretação
duais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o e de outras notas analysada por um jurisconsulto e
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores novamente annotada com a leis regulamentares,
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem decretos, avisos, ordens, e portarias que lhe são rela-
preconceitos, fundada na harmonia social e comprome- tivas, por José Carlos Rodrigues, 1863, art. 12, p. 15.
tida, na ordem interna e internacional, com a solução 19
OLIVEIRA, Almir de. Direito constitucional
pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a brasileiro e direitos humanos. Separata da Revista de In-
proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA formação Legislativa, ano 20, n. 79, p. 180, jul./set. 1983.
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL”. 20
BRASIL. Constituição Política do Império do
4
FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Comentá- Brasil. Analysada e annotada por José Carlos Rodrigues,
rios à Constituição de 1988. 1990, v. 1, p. 18-19. 1863, art. 1., p. 7. O tratado de 1825, em que Portugal
5
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu- reconheceu a soberania brasileira, foi assinado, do lado
cional positivo. 1994. p. 95. lusitano, pelo diplomata inglês Charles Stuart, munido
6
CRETELLA JÚNIOR, op. cit., p. 137. O mestre que estava de poderes especiais por parte de D. João VI
observa, não obstante, às páginas 136-137, que o Título – v. SOARES, op. cit., p. 44.
Primeiro, arts. 1º a 5º, mistura as noções de princípios 21
BRASIL. Constituição Política do Império do
com as de objetivos, vez que, segundo ele, “ princípios, Brasil. Op. cit., art. 6, IV, p. 14.
que definimos como proposições que se colocam na 22
Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho, as
base dos sistemas, são sempre fundamentais, porque são
liberdades públicas surgidas no final do século XVII
‘fundações’, ‘alicerces’, ‘bases’”. não constituem senão a primeira geração dos direitos
7
VERGOTTINI, Giuseppe. Derecho constitucional
fundamentais. Esses direitos definem “a fronteira entre
comparado. Traducción e introducción por Pablo Lucas
o que é lícito e o que não o é para o Estado. E, limitando
Verdú. 1983. p. 13.
o poder, deixam de fora de seu alcance um núcleo irre-
8
VERGOTTINI, op. cit., p. 22.
dutível de liberdade” – v. FERREIRA FILHO, Manoel
9
ABBAGNANO, Nicola. Diccionario de filosofía,
Gonçalves. Direitos humanos fundamentais. 1999. p. 6.
1991. p. 580. 23
BRASIL. Constituição Política do Império do
10
SIÉYÈS, Emmanuel Joseph, Comte. A constituinte
Brasil. Op.cit., art. 173 a 179, 1863, p. 137-161.
burguesa: que é o Terceiro Estado? Org. e introd. Aurélio 24
MIRANDA, Pontes de. Comentários à Consti-
Wander Bastos, tradução por Norma Azeredo, 1988.
11
FERREIRA, Pinto. Comentários à Constituição tuição de 1946. São Paulo : Max Limonad, v. 1, 1953.
brasileira. V. 1., p. 288. p. 41.
12
RUSSOMANO, Rosah. Curso de direito constitu-
25
QUIRINO, Célia Galvão, MONTES, Maria Lúcia.
cional. 1972. p. 186. Constituições brasileiras e cidadania. São Paulo : Ática,
13
José Cretella Jr., em comentário à expressão 1987. p. 48-49.
soberania do veredicto, afirma: “O vocábulo ‘soberania’
26
Idem, ibidem, p. 49.
é aqui empregado no sentido corrente ou vulgar e não
27
OLIVEIRA, op.cit., p. 185.
no sentido técnico-jurídico, significando, o termo,
28
OLIVEIRA, op.cit., p. 188.
‘indiscutibilidade’: a decisão do júri, quando obedecido
29
Manoel Gonçalves Ferreira Filho, no entanto, de
o due process of law, faz ‘coisa julgada’, é insuscetível de forma diligente observa: “A Constituição de 1946
contestação, a não ser que advenha de fato posterior, seguiu de perto o modelo traçado pela Lei Magna de
que possibilite algum tipo de recurso”. A expressão 1891 e, particularmente, pela de 1934. Em muitos
soberania do veredicto foi introduzida em 1946, mantida pontos, procurou reagir frontalmente contra as
em 1967 e suprimida pela EC nº 1 de 1969. Não deveria práticas e os hábitos que a ditadura de Vargas
figurar, segundo Cretella Jr., em regra jurídica imprimira à vida nacional – v.: FERREIRA FILHO,
constitucional por estar implícita a regra no Cód. Proc. Manoel Gonçalves. Comentários à Constituição brasileira:
Penal, quando trata das possibilidades de apelação e (emenda constitucional n. 1, de 17-10-69, com as
da impugnação de veredictos prolatados pelo júri – v. alterações introduzidas pelas emendas constitucionais
CRETELLA JR., op. cit., p. 470. até a 27, de 27-11-85). 6. ed. 1986. p. 6.
Brasília a. 37 n. 146 abr./jun. 2000 167
30
MIRANDA, Pontes. Comentários à Constituição de 39
Prescreve o art. 216 do Regimento Interno do STF:
1967: com a Emenda nº 1, de 1969. v. 1, abril de “Não será homologada sentença que ofenda a
1970. p. 25. soberania nacional, a ordem pública e os bons
31
Muito já se discutiu sobre a natureza do texto costumes” – v.: Op. cit., p. 870.
decorrente da Emenda n. 1 de 1969. Seria uma nova 40
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Sentença
Constituição? José Cretella Júnior situa a Constituição estrangeira – homologação – sistema de delibação –
de 1967 como a sexta do país; o texto alterado de 1969 limites do juízo delibatório – pressupostos de homolo-
ele o considera como a sétima Constituição do país, gabilidade – ausência de autenticação consular da
pois, segundo ele: “Preferimos denominar de Consti- certidão de trânsito em julgado – condenação da parte
tuição a Carta Constitucional de 1969, tantas foram as sucumbente a verba honorária – possibilidade – recusa
alterações feitas, no texto emendado de 24 de janeiro de homologação por ausência de um de seus requisitos
de 1967” – v. CRETELLA JÚNIOR, op. cit., p. 36-42 e – extinção do processo sem julgamento do mérito.
45. Orlando Soares identifica a Constituição de 1967 Sentença estrangeira contestada n. 4.738. Estados Unidos
com a instituição da Sexta República e a de 1969 com o versus União Federal. Relator: Ministro Celso de Mello.
da Sétima República – v. SOARES, op. cit., p. 78-86. José Acórdão de 24 de nov. 1994. Diário do Judiciário, p. 8871,
Afonso da Silva observa que “afinal promulgado em 07 abr. 1995. Disponível na Internet: <www.stf.gov.br/
A:\nph-brs(2).html> (inclusão no site: 20-4-95; última
17.10.69, como EC 1 à Constituição do Brasil, para entrar
alteração: 09-11-99).
em vigor em 30.10.69. Teórica e tecnicamente, não se 41
Para outra decisão relacionada à sentença
tratou de emenda, mas de nova constituição. A emenda
apresentada, vide o precedente: se-1945, RTJ-81/347,
só serviu como mecanismo de outorga, uma vez que
RTJ-93/40, RTJ-95/1017, RTJ-115/1089, RTJ-49/148,
verdadeiramente se promulgou texto integralmente
RTJ-124/471, RTJ-93/514, RTJ-104/971, RTJ-13/92.
reformulado, a começar pela denominação que se lhe 42
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Indexação
deu: Constituição da República Federativa do Brasil, pedido, homologação, sentença judiciária estrangeira,
enquanto a de 1967 se chamava apenas Constituição do posse, guarda, filho menor. Autos, comprovação,
Brasil” – v. SILVA, op. cit., p. 80. Em sentido contrário, irregularidade, citação, réu, domicílio, Brasil, recusa,
Pontes de Miranda, ao discorrer sobre a Emenda n. 1 subordinação, justiça estrangeira. Impropriedade,
de 1969, sempre a ela se refere como vinculada pedido, descumprimento, requisitos, homologação,
antologicamente à Lei Maior de 1967, razão que violação, princípio constitucional, soberania. in0026,
inclusive justifica o nome que dá aos seus comentários sentença estrangeira, citação, irregularidade. Sentença
– v.: MIRANDA, op. cit., 1970. Manoel Gonçalves estrangeira n. 3.457. Relator: Ministro Aldir Passarinho.
Ferreira Filho sustenta: “Esta Emenda n. 1 não Acórdão 27-8-87. Diário do Judiciário, 19-out.-87. p.
modificou substancialmente a Constituição. É certo que 21.776. Disponível na Internet: <www.stf.gov.br/
não se limitou a burilar a redação anterior. Modificou- A:\nph-brs(3).html> (última alteração, 12-3-99).
a em muitos pontos significativamente. Não lhe alterou 43
A fim de consultar decisões correlatas, v.: se-2114,
o sistema, contudo, nem lhe deformou o espírito. Assim, RTJ-87/384; se-2311, RTJ-89/742; se-2512, RTJ-89/743;
nem formalmente, nem substancialmente, há razão se-2582, RTJ 99/28; se-2609, se-2225, se-2227, se-2522,
para denominar-se Constituição de 1969 a Emenda n. RTJ 87/782; se-1529, RTJ 8/274.
1 à Constituição de 1967” – v. FERREIRA FILHO, op.
44
Legislação diretamente relacionada à espécie:
cit., 1986. p. 45. Lei-Del. 4.657/42, Lei de Introdução ao Código Civil –
32
BRASIL. Constituição da República Federativa LICC, art. 12; Lei-5.869/73, CPC, art-89; Regimento
do Brasil. Op. cit., 1987. art. 152, p. 68. Interno do STF, ano-1980, art. 216, art. 217 inc. 1,
art. 217 inc. 2. Reza o art. 12 da LICC: “É competente a
33
FERREIRA FILHO, op. cit., 1986. p. 573.
autoridade judiciária brasileira, quando for o réu
34
BRASIL. Constituição da República Federativa
domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a
do Brasil. Op. cit., art. 152, III, 1987. p. 68.
obrigação”.
35
FERREIRA FILHO, op. cit., 1986. p. 575. 45
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Empregado,
36
MIRANDA, op. cit., 1970. p. 56.
consulado estrangeiro, rescisão contratual, falta grave
37
De toda e qualquer forma, inúmeros julgados consulado estrangeiro, despedida justa IN0471,
consultados, que embora não tenham sido diretamente imunidade de jurisdição, renúncia, Estado Estrangeiro,
citados no corpo principal do presente item, são inquérito trabalhista, período de prova, probation,
indicados em notas de rodapé. sujeição, recusa. Apelação cível n. 9.690/SP. Relator:
38
O art. 215 do Regimento Interno do STF estabelece: Ministro Néri da Silveira. Acórdão 31-ago-88. Diário
“A sentença estrangeira não terá eficácia no Brasil sem do Judiciário, 13-03-92, p. 2922. Disponível na Internet:
a prévia homologação pelo Supremo Tribunal Federal <www.stf.gov.br/A:\nph-brs(4).html> (implantação
ou por seu Presidente” – v.: BRASIL. Supremo Tribunal no site, 13-4-92; última alteração 19-8-94).
Federal. Regimento Interno de 15-10-80. In: Código de 46
Decisões relacionadas à Apelação Cível relatada,
Processo Civil. Coord. Maurício Antonio Ribeiro Lopes. vide: AC-9681, RTJ-65/24, PETA-56466, RTJ-66/727,
Revista dos Tribunais, 1997. p. 870. AC-9686-6, RTJ-121/47, AC-9687-4, RTJ-111/949,

168 Revista de Informação Legislativa


AC-9684-0, RTJ-104/990, ACOR-298, RTJ-104/889. Mineradores e Joalheiros – CONFEGAPE versus
Legislação pertinente ao caso, vide LICC-42, Lei de Ministério Público Federal. Relator: Ministro José
Introdução ao Código Civil, art. 17; Lei-del.-005452/ Delgado. Sessão 21-09-99. Diário do Judiciário, 30-set.-
43, Consolidação das Leis do Trabalho, art. 482, b, h, 1999, p. 367. Disponível na Internet: <http://
arts-492, 493, 853. Diz o art. 17 da LICC: “As leis, atos www.stj.gov.br/netacgi/nph-
e sentenças de outro país, bem como quaisquer brs?s1=’soberania+nacional’.../
declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil, index.html&r=4&f=G&1=200>
quando ofenderem a soberania nacional, a ordem 53
O mandado de segurança não foi provido pelo
pública e os bons costumes”. STJ, cuja decisão, na sua parte final, assim está
47
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Compe- fundamentada: “É plenamente sabido que a compe-
tência jurisdicional – justiça estadual – julgamento – tência do Superior Tribunal de Justiça, por ser fixada
ação penal – apreensão – arma de fogo – uso privativo pela Constituição Federal, é de natureza fechada, o que
– forças armadas – réu – civil – não caracterização – impossibilita a fixação de interpretação ampliativa. Na
contrabando – inexistência – ofensa – lei de segurança espécie, conforme demonstrado acima, não há previsão
nacional. Conflito de competência n. 22.889/RJ. Relator: de competência do STJ para processar e julgar,
Ministro Gilson Dipp. Acórdão 28-04-99. Diário do originariamente, o presente mandamus pelo que, com
Judiciário, 24-mai.-99, p. 91. Disponível na Internet: apoio no artigo 212, do RISTJ, o indefiro”.
<http://www.stj.gov.br/netacgi/nph-
54
BRASIL. Superior Tribunal Militar. Civil –
brs?s1=’soberania+nacional’.../ acusação – execução – crime – ofensa – Forças Armadas
index.html&r=1&f=G&1=200> – rejeição – denúncia – juiz auditor – ausência –
48
Legislação também aplicável, v. Lei n. 7.170/83. tipicidade – desprovimento – recurso da acusação –
49
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Legitimi- manutenção da decisão – juízo – primeira instância –
dade passiva – banco comercial – manifestação – unanimidade. Recurso Criminal, RCFO n. 5952-6/PA.
correção monetária prefixada – CDB – RDB – descabi- Relator: Ministro Eduardo Pires Gonçalves. Sessão
mento – denunciação da lide – União Federal – 1 1 -09-90. Diário do Judiciário, 16-nov.-90, v. 1890-01.
cabimento – aplicação imediata – Lei – ordem pública Disponível na Internet: <http://www.stm.gov.br/
– contrato – aplicação financeira – abrangência – scripts/samples/search/webhits.exe/j.../
processo – andamento – decorrência – soberania pesquisa.htm&CiHiliteType=Ful>
nacional – impossibilidade – alegação – direito adqui-
55
BRASIL. Superior Tribunal Militar. Ministério
Público Militar – interposição – recurso criminal –
rido. Recurso Especial n. 117784/SP. Relator: Ministro
decisão – juiz auditor – rejeição – denúncia – civil –
Waldemar Zveiter. Acórdão 02-09-97. Diário do
acusado – ofensa – Forças Armadas – unanimidade –
Judiciário, 01-dez.-97, p. 62.739. Disponível na Internet:
desprovimento – recurso da acusação – ausência –
<http://www.stj.gov.br/netacgi/nph-
tipicidade. Recurso Criminal, RCFO n. 6135-0/SP.
brs?s1=’soberania+nacional’.../index.html&r=2&f-
Relator: Ministro José do Cabo Teixeira de Carvalho.
G&1=200>
Sessão 10-03-94. Diário do Judiciário, 09-mai.-94, v. 994-
50
Legislação atinente: Lei 8.177/91, art. 27. Outros 01. Disponível na Internet: <http://www.stm.gov.br/
recursos especiais relacionados ao relatado: Resp- scripts/samples/search/webhits.exe/j.../
184556/SP, DJ, 29-mar.-99, p. 173; Resp-150730/SP,
pesquisa.htm&CiHiliteType=Ful>
DJ, 06-abr.-98. p. 106; e muitos outros. 56
BRASIL. Tribunal de Contas da União. Contas
51
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Comer- do Governo. Parecer Prévio. Priorização do ensino
ciante – propositura – ação ordinária – cobrança – superior em detrimento do ensino fundamental.
representação diplomática especial – país estrangeiro Extrapolação da dotação orçamentária pelas empresas
– competência jurisdicional – justiça brasileira – estatais. Pouca transparência nas operações do
julgamento – inadimplemento – contrato – direito civil PROER. Ineficiência na cobrança de créditos inscritos
– embaixada estrangeira – caracterização – ato – gestão em Dívida Ativa. Ausência nos Balanços Gerais da
– inaplicabilidade – imunidade diplomática – União, de forma clara e detalhada, a destinação dos
inexistência – direito internacional – norma jurídica – recursos provenientes do PND. Entidades financeiras
determinação – reconhecimento – imunidade – privadas socorridas pelo PROER, não identificadas sob
jurisdição – embaixada estrangeira – ofensa – a alegação de sigilo bancário. Parecer Prévio pela
soberania nacional. Agravo de Instrumento n. 757/DF. regularidade das contas. Unanimidade dos votos.
Relator: Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. Sessão Recomendação. - Sigilo bancário. Considerações sobre
21-08-90. Diário do Judiciário, 01-out.-90, p. 10.448. o assunto. Contas do Governo 1996 - Plenário - Ata 21/
Disponível na Internet: <http://www.stj.gov.br/neta 97. Relator: Ministro Paulo Affonso Martins de
cgi/nph-brs?s1=’soberania+nacional’.../ Oliveira. Sessão, 10-jun-1997. Diário Oficial da União,
index.html&r=3&f=G&1=200> 26-jun-1997. p. 13.279. Disponível na Internet:
52
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Mandado <www.tcu..../&p=1&SECT5=ADJ&r=1&f=G&s1
de Segurança. MS 6494/MG. Conselho Federal e =’soberania+nacional’&d=C001&1=100> (incluído e
Internacional Ilimitado dos Garimpeiros Pedristas atualizado em 07-07-97).

Brasília a. 37 n. 146 abr./jun. 2000 169


57
Entre algumas razões técnicas para a aprovação Paulo Affonso Martins de Oliveira. Sessão 05-06-96.
das contas do governo, exercício 1996, podem ser Diário Oficial da União, p. 11.791. Disponível na
elencadas as seguintes, que são as primeiras e funda- Internet: <http://www.tcu..../&p=1&SECT5=ADJ&R
mentais: “CONSIDERANDO que os Balanços Gerais =3&F=G&s1=’soberania+nacional’&d=C001&1=100>
da União e o Relatório da Secretaria do Tesouro (incluído em 05-07-96, atualizado em 29-08-96, 3p.)
Nacional traduzem a execução dos Orçamentos Fiscal, 60
BRASIL. Tribunal de Contas da União. Auditoria
da Seguridade Social e de Investimento das Empresas Operacional. INPA. MCT/PR. Considerações sobre a
Estatais, bem como o comportamento das Receitas e área de pesquisa científica e tecnológica do país, bem
Despesas dos diversos órgãos e entidades dos Poderes como sobre os recursos humanos, financeiros e
Legislativo, Executivo e Judiciário, e das Funções materiais de que dispõe. Política Governamental para
Essenciais à Justiça; CONSIDERANDO que o Relatório o setor. Envio de Relatório às entidades competentes.
que acompanha as Contas do Governo contém Auditoria Operacional, DC-0038-06/93-1. Entidade:
detalhadas e minuciosas informações sobre a execução Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA.
dos programas incluídos no orçamento anual quanto Relator: Ministro Homero Santos. Sessão 09-03-93.
à execução da programação financeira de desembolso; Diário Oficial da União, 17-mar.-93, p. 3.358. Disponível
CONSIDERANDO que no Relatório apresentado pelo na Internet: <http://www.tcu..../&p=1&SECT5
Ministro-Relator ao Plenário do Tribunal de Contas da =ADJ&r=2&f=G&s1=’soberania+nacional’&d=C001
União estão registrados e analisados os atos e fatos &1=100> (incluído e atualizado em 06-04-93, 8 p.).
contábeis, econômicos, financeiros, orçamentários e 61
O reconhecimento da soberania em relação ao
patrimoniais realizados pelo Governo no exercício de INPA e o voto aparentemente contrário a esse reconheci-
1996; CONSIDERANDO que o Relatório sobre as mento assim foi expresso pelo Relator Ministro Homero
Contas do Governo contém as informações necessárias Santos: “Os critérios escolhidos pela competente equipe
para o Congresso Nacional analisar os reflexos da da IRCE-AM que serviram de base para a seleção do
administração financeira e orçamentária federal sobre INPA como órgão da presente Auditoria Operacional
o desenvolvimento econômico e social do país; não podiam ser mais adequados, haja vista os aspectos
CONSIDERANDO que a análise técnica sobre as de cunho econômico-social que neles encontram-se
Contas prestadas pelo Presidente da República, bem contemplados. 2. No tocante às atividades-fins daquele
como este Parecer Prévio, não interferem nem condi- instituto, há que se ressaltar os aspectos de desenvol-
cionam o posterior julgamento pelo Tribunal das vimento da região e fortalecimento da soberania nacional,
contas dos administradores e demais responsáveis por mais especificamente a defesa e preservação da Região
dinheiros, bens e valores da administração pública Amazônica, os quais são, em parte, possibilitados pela
direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos contribuição dada pelas pesquisas e projetos de
Poderes da União, bem como daqueles que derem causa competência do INPA. 3. No que diz respeito à origem
a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte estrangeira dos recursos utilizados por aquele instituto,
prejuízo ao Erário, consoante o disposto no art. 71, II, segundo abordado pela própria Equipe e ainda
da Constituição Federal; e CONSIDERANDO o enfatizado pela nobre Inspetora-Regional, o fato de
disposto no art. 181 do Regimento Interno, É DE serem estes oriundos de outros países pode levar o Brasil
PARECER que os Balanços Gerais da União represen- a um certo comprometimento de sua soberania por ficar
tam adequadamente a posição financeira, orçamentária implícita nessa relação a existência de uma contrapar-
e patrimonial da União em 31 de dezembro de 1996, tida futura que compense o investimento feito por esses
bem como o resultado das operações, de acordo com os países naquela área, contrariando ainda aos interesses
princípios fundamentais de contabilidade aplicados à nacionais que justamente nortearam a própria criação
Administração Pública Federal, estando assim as contas do Instituto. 4. Quanto à escassez de recursos a que se
prestadas pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da encontra submetida a entidade auditada, é importante
República, Professor Fernando Henrique Cardoso, em ressaltar que um órgão como o INPA, cujas atividades
condições de serem aprovadas pelo Congresso são, na sua maioria, de pesquisa, não pode prescindir
Nacional. Sala das Sessões Ministro Luciano Brandão de apoios financeiros, uma vez que os programas por
Alves de Souza, em 10 de junho de 1997” – v. Op. cit. ele desenvolvidos tendem, por sua própria natureza, a
Disponível na Internet, site já citado, 53 p., p. 1-2. contabilizar apenas despesas. 5. Não vejo, portanto,
58
Op. cit. Disponível na Internet, site já citado, 53 como seria possível a uma instituição de objetivos
p., p. 49-50. sociais tão relevantes e trabalhos quase que exclusi-
59
BRASIL. Tribunal de Contas da União. Repre- vamente voltados para a pesquisa sobreviver à margem
sentação formulada pela Associação Brasileira da de recursos, ainda que externos. 6. Na verdade, o País
Indústria Gráfica. Licitação promovida pela SAE para vive uma fase de total incapacidade de gerar poupança,
aquisição de equipamentos de reprodução gráficos sem razão pela qual as restrições financeiras para crescer e
autorização presidencial. Órgão isento desta obrigação. implantar medidas nas áreas em foco tem sido
Conhecimento. Negado provimento. Arquivamento. compensada pelo apoio internacional. Tanto que o
Decisão 326/96 – Plenário – Ata 22/96. Relator: Ministro próprio Relatório brasileiro para a ECO-92 sugeriu a

170 Revista de Informação Legislativa


captação de recursos externos, resultando, em essência, p. 91. Disponível na Internet: <http://
num dos princípios ambientais e de desenvolvimento w w w . s t j . g o v . b r / n e t a c g i /
sustentável subscrito pelos países participantes da nphbrs?s1=’soberania+nacional’.../
referida Conferência, cuja ‘Declaração do Rio’ também index.html&r=1&f=G&1=200>
foi denominada ‘Carta da Terra” (grifos nossos) – v. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Legitimidade
Op. cit. Disponível na Internet: <http://www.tcu..../ passiva – banco comercial – manifestação –
&p=1&SECT5=ADJ&r=2&f=G&s1=’soberania+nacional’& correção monetária prefixada – CDB – RDB –
d=C001&1=100> (8 p., p. 6-7). descabimento – denunciação da lide – União Fe-
deral – cabimento – aplicação imediata – Lei –
ordem pública – contrato – aplicação financeira –
abrangência – processo – andamento – decorrên-
Bibliografia cia – soberania nacional – impossibilidade –
alegação – direito adquirido. Recurso Especial n.
ABBAGNANO, Nicola. Diccionario de filosofía. 2. ed., 8. 117784/SP. Relator: Ministro Waldemar Zveiter.
reimpr. Traducción de Alfredo N. Galletti. México Acórdão 02-09-97. Diário do Judiciário, 01-dez.-97,
: Fondo de Cultura Económica, 1991. 1206 p. p. 62.739. Disponível na Internet: <http://
BARACHO, José Alfredo de Oliveira. Processo constitu- w w w . s t j . g o v . b r / n e t a c g i /
cional. Rio de Janeiro : Forense, 1984. 405 p. nphbrs?s1=’soberania+nacional’.../
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. index.html&r=2&f-G&1=200>
Promulgada em 5 de outubro de 1988. Atualizada BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Mandado de
até a Emenda Constitucional n. 22, de 18-3-1999. Segurança. MS 6494/MG. Conselho Federal e
22. ed., atual. e ampliada. São Paulo : Saraiva, 1999. Internacional Ilimitado dos Garimpeiros Pedristas
273 p. Mineradores e Joalheiros – CONFEGAPE versus
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Ministério Público Federal. Relator: Ministro José
Atualizada até a Emenda Constitucional n. 27, de Delgado. Sessão 21-09-99. Diário do Judiciário,
28-11-1985. 32. ed. São Paulo : Saraiva, 1987. 124 p. 3 0 -set.-1999, p. 367. Disponível na Internet:
BRASIL. Constituição política do Império do Brasil: seguida <http://www.stj.gov.br/netacgi/
do Acto adicional, da lei da sua interpretação e de nphbrs?s1=’soberania+nacional’.../
outras notas analysada por um jurisconsulto e index.html&r=4&f=G&1=200>
novamente anotada com a leis regulamentares, BRASIL. Superior Tribunal Militar. Civil – acusação –
decretos, avisos, ordens, e portarias que lhe são execução – crime – ofensa – Forças Armadas –
relativas. por José Carlos Rodrigues. Rio de Janeiro rejeição – denúncia – juiz auditor – ausência –
: Eduardo & Henrique Laemmert, 1863. 274 p. tipicidade – desprovimento – recurso da acusação
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Comerciante – – manutenção da decisão – juízo – primeira
propositura – ação ordinária – cobrança – instância – unanimidade. Recurso Criminal, RCFO
representação diplomática especial – país n. 5952-6/PA. Relator: Ministro Eduardo Pires
estrangeiro – competência jurisdicional – justiça Gonçalves. Sessão 11-09-90. Diário do Judiciário,
brasileira – julgamento – inadimplemento – 16-nov.-90, v. 1890-01. Disponível na Internet:
contrato – direito civil – embaixada estrangeira – <http://www.stm.gov.br/scripts/samples/sear-
caracterização – ato – gestão – inaplicabilidade – c h / w e b h i t s . e x e / j . . . /
imunidade diplomática – inexistência – direito pesquisa.htm&CiHiliteType=Ful>
internacional – norma jurídica – determinação – BRASIL. Superior Tribunal Militar. Ministério Público
reconhecimento – imunidade – jurisdição – Militar – interposição – recurso criminal – decisão
embaixada estrangeira – ofensa – soberania – juiz auditor – rejeição – denúncia – civil –
nacional. Agravo de Instrumento n. 757/DF. Relator: acusado – ofensa – Forças Armadas – unanimi-
Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. Sessão 21- dade – desprovimento – recurso da acusação –
08-90. Diário do Judiciário, 01-out.-90, p. 10.448. ausência – tipicidade. Recurso Criminal, RCFO n.
Disponível na Internet: <http://www.stj.gov.br/ 6135-0/SP. Relator: Ministro José do Cabo Teixeira
netacgi/nph-brs?s1=’soberania+nacional’.../ de Carvalho. Sessão 10-03-94. Diário do Judiciário,
index.html&r=3&f=G&1=200> 09-mai.-94, v. 994-01. Disponível na Internet:
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Competência <http://www.stm.gov.br/scripts/samples/
jurisdicional – justiça estadual – julgamento – s e a r c h / w e b h i t s . e x e / j . . . /
ação penal – apreensão – arma de fogo – uso pesquisa.htm&CiHiliteType=Ful>
privativo – forças armadas – réu – civil – não BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Empregado,
caracterização – contrabando – inexistência – consulado estrangeiro, rescisão contratual, falta
ofensa – lei de segurança nacional. Conflito de com- grave consulado estrangeiro, despedida justa
petência n. 22.889/RJ . Relator: Ministro Gilson Dipp. IN0471, imunidade de jurisdição, renúncia,
Acórdão 28-04-99. Diário do Judiciário, 24-mai.-99, Estado Estrangeiro, inquérito trabalhista, período

Brasília a. 37 n. 146 abr./jun. 2000 171


de prova, probation, sujeição, recusa. Apelação cível empresas estatais. Pouca transparência nas
n. 9.690/SP. Relator: Ministro Néri da Silveira. operações do PROER. Ineficiência na cobrança de
Acórdão 31-ago-88. Diário do Judiciário, 13-03-92, créditos inscritos em Dívida Ativa. Ausência nos
p. 2922. Disponível na Internet: <www.stf.gov.br/ Balanços Gerais da União, de forma clara e
A:\nph-brs(4).html> (implantação no site, 13-4- detalhada, a destinação dos recursos provenientes
92; última alteração 19-8-94). do PND. Entidades financeiras privadas socor-
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Indexação pedido, ridas pelo PROER, não identificadas sob a
homologação, sentença judiciária estrangeira, alegação de sigilo bancário. Parecer Prévio pela
posse, guarda, filho menor. Autos, comprovação, regularidade das contas. Unanimidade dos votos.
irregularidade, citação, réu, domicílio, Brasil, Recomendação. – Sigilo bancário. Considerações
recusa, subordinação, justiça estrangeira. Impro- sobre o assunto. Contas do Governo 1996 – Plenário
priedade, pedido, descumprimento, requisitos, – Ata 21/97. Relator: Ministro Paulo Affonso
homologação, violação, princípio constitucional, Martins de Oliveira. Sessão, 10-jun-1997. Diário
soberania. in0026, sentença estrangeira, citação, Oficial da União, 26-jun-1997, p. 13.279. Disponí-
irregularidade. Sentença estrangeira n. 3.457. vel na Internet: <www.tcu..../&p=1&SECT5
Relator: Ministro Aldir Passarinho. Acórdão 27- =ADJ&r=1&f=G&s1=’soberania+nacional’&d
8-87. Diário do Judiciário, 19-out.-87, p. 21.776. =C001&1=100> (incluído e atualizado em 07-
Disponível na Internet: <www.stf.gov.br/A:\nph- 07-97).
brs(3).html> (última alteração, 12-3-99). BRASIL. Tribunal de Contas da União. Representação
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Regimento Interno
formulada pela Associação Brasileira da Indús-
de 15-10-80. In: Código de Processo Civil. Coord. tria Gráfica. Licitação promovida pela SAE para
Maurício Antonio Ribeiro Lopes. São Paulo :
aquisição de equipamentos de reprodução
Revista dos Tribunais, 1997.
gráficos sem autorização presidencial. Órgão
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Sentença estran-
isento dessa obrigação. Conhecimento. Negado
geira – homologação – sistema de delibação –
provimento. Arquivamento. Decisão 326/96 –
limites do juízo delibatório – pressupostos de
Plenário – Ata 22/96. Relator: Ministro Paulo
homologabilidade – ausência de autenticação
Affonso Martins de Oliveira. Sessão 05-06-96.
consular da certidão de trânsito em julgado –
Diário Oficial da União, p. 11.791. Disponível na
condenação da parte sucumbente a verba hono-
Internet: <http://www.tcu..../&p=1&SECT5
rária – possibilidade – recusa de homologação por
ausência de um de seus requisitos – extinção do =ADJ&R=3&F=G&s1=’soberania+nacional’&d
processo sem julgamento do mérito. Sentença =C001&1=100> (incluído em 05-07-96, atualizado
estrangeira contestada n. 4.738. Estados Unidos em 29-08-96, 3p.).
versus União Federal. Relator: Ministro Celso de CRETELLA JÚNIOR, José. Comentários à Constituição
Mello. Acórdão de 24 de nov. 1994. Diário do brasileira de 1988. 3. ed. Rio de Janeiro : Forense
Judiciário, p. 8871, 07 abr. 1995. Disponível na Universitária, v. 1, 1992.
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