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Apostila Biossegurança

Apostila Biossegurança

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Os microorganismos são distribuídos em quatro classes, de um a quatro,
por ordem crescente de risco, segundo os seguinte critérios:
_ Patogenicidade do microorganismo, incluindo a incidência e a gravidade
da doença. Quanto mais grave a potencialidade da doença adquirida, maior o
risco;

_ Via de transmissão dos microorganismos, a qual pode não ser
definitivamente estabelecida. A transmissão via aerossol é a forma mais comum
de infecção laboratorial;

_ Estabilidade do microorganismo, que envolve não somente a infectividade
dos aerossóis mas também a capacidade de sobreviver por mais tempo no
ambiente em condições desfavoráveis;
_ Dose infecciosa, a qual pode variar de uma a milhares de unidades;
_ Concentração do número de microorganismos infecciosos por unidade de
volume, sendo importante na determinação do risco (exemplo: aerossol formado
por manipulação de tecido, sangue, escarro, meio de cultura líquido);
_ A disponibilidade de medidas profiláticas eficazes estabelecidas ou a
intervenção terapêutica são outros fatores importantes a serem considerados. A

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imunização é a forma mais usada de profilaxia e faz parte do gerenciamento de
risco;

_Disponibilidade de tratamento eficaz através da intervenção terapêutica
com antibiótico ou antiviral, particularmente importante nas condições de campo;
_ Endemicidade;
_ Conseqüências epidemiológicas;
_ Vigilância médica, a qual faz parte do gerenciamento de risco e assegura
que as normas de segurança surtam os resultados esperados. Nela está incluído o
exame admissional, periódico, demissional, além do monitoramento das condições
de saúde e a participação em um gerenciamento pós-exposição.

Classe de Risco 1:
Constituído por microorganismos não suscetíveis de causar enfermidades
no homem e animais. São considerados de baixo risco individual e para a
comunidade.

Classe de Risco 2:
Integrado por microorganismos capazes de provocar enfermidades no
homem e em animais. Podem constituir risco para os trabalhadores de saúde,
caso sua manipulação não seja realizada de acordo com as boas práticas
laboratoriais nem seguidas as precauções universais de biossegurança. Sua
propagação na comunidade, entre os seres vivos e o meio ambiente, é
considerada de menor risco. Geralmente, para os microorganismos desta classe
de risco existe profilaxia e/ou tratamento. Considera-se que o risco individual é
moderado e o risco para a comunidade limitado. Ex: Hepatites.

Classe de Risco 3:
Composto por microorganismos capazes de provocar enfermidades graves
no homem e em animais. Constituem sério risco para os trabalhadores de saúde.
Geralmente para os microorganismos desta classe de risco existem tratamento e

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profilaxia. O risco individual é elevado, sendo limitado para a comunidade. Ex:

mycobacterium tuberculosis.

Classe de Risco 4:
Constituída por microorganismos que produzem enfermidades graves no
homem e em animais, representando grande risco para os trabalhadores de
saúde, sendo alto o risco de transmissibilidade na comunidade. Não existem
profilaxia nem tratamento eficazes. Apresentam elevado risco individual e para a
comunidade. Ex: vírus Ebola.

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4. NOÇÕES BÁSICAS DE DOENÇAS INFECTO CONTAGIOSAS

Algumas espécies de microrganismos exercem efeitos nefastos ao homem
e outros animais causando as doenças, conhecidas como doenças infecciosas,
toxinoses e toxinfecciosas.

O nosso contato com microrganismos não significa obrigatoriamente que
desenvolveremos doenças, muito pelo contrário, o homem, os animais e as
plantas não apenas convivem com os germes, mas dependem direta ou
indiretamente deles. Todas as áreas da Terra, que reúnem condições de vida, são
habitadas por microrganismos e nós sempre convivemos com eles; inclusive em
nosso corpo, onde eles auxiliam na proteção de nossa pele e mucosas contra a
invasão de outros germes mais nocivos. Estes seres vivos minúsculos
decompõem matéria orgânica transformando-a em sais minerais prontos para
serem novamente sintetizados em substratos nutritivos que formarão os vegetais
do qual homem e animais se alimentam. O homem (hospedeiro) e os germes
(parasitas) convivem em pleno equilíbrio. Somente a quebra desta relação
harmoniosa poderá causar a doença infecção.
A doença infecciosa é uma manifestação clínica de um desequilíbrio no
sistema parasito-hospedeiro-ambiente, causado pelo aumento da patogenicidade
do parasita em relação aos mecanismos de defesa antiinfecciosa do hospedeiro,
ou seja, quebra-se a relação harmoniosa entre as defesas do nosso corpo e o
número e virulência dos germes, propiciando a invasão deles nos órgãos do
corpo. Alguns microrganismos possuem virulência elevada podendo causar
infecção no primeiro contato, independente das nossas defesas. Outros,
usualmente encontrados na nossa microbiota normal, não são tão virulentos, mas
podem infectar o nosso organismo se diminuímos a nossa capacidade de defesa.
A capacidade de defesa antiinfecciosa é multifatorial, pois é influenciada
pela nossa idade (bebês e idosos), estado nutricional, doenças e cirurgias, stress,
uso de corticóides, quimioterapia, radioterapia, doenças imunossupressoras (HIV,
leucemia), fatores climáticos e precárias condições de higiene e habitação.

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Muito embora o sucesso da ciência microbiológica seja evidenciado nos
países desenvolvidos através do controle das doenças infecciosas fatais como a
Cólera, Tétano, a Peste Negra (Bulbônica), a Difteria, Poliomielite, Botulismo,
Raiva, dentre outras, o mesmo não acontece nos países menos desenvolvidos
onde essas doenças grassam e são, ainda, importante causa de morte.
Abaixo são listadas algumas das principais DOENÇAS humanas, animais e
vegetais de origem infecciosa:

DOENÇA

CAUSADOR

AIDS

Vírus

Antrax

Bactéria

Botulismo

Bactéria

Brucelose

Bactéria

Cancro das hastes

Fungo

Cinomose

Vírus

Febre aftosa

Vírus

Ferrugem do café

Fungo

Gonorréia

Bactéria

Gripe

Vírus

Hepatite

Vírus

Herpes Zoster

Vírus

Leptospirose

Bactéria

Micoses

Fungos

Podridão do colmo

Fungo

Raiva

Vírus

Tétano

Bactéria

Tuberculose

Bactéria

Varíola

Vírus

"Vassoura de bruxa"

Fungo

As vias de penetração das doenças infecto contagiosas são:
_ Via aérea;
_ Via cutânea;
_ Via ocular;
_ Via digestiva ou oral.

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Verificaremos alguns agentes das infecções comuns, suas vias de
penetração e período de incubação na tabela abaixo:

Doença

Via

Período de incubação

Sobrevivência`a
temperatura ambiente

M.Tuberculosis saliva

escarro

até 6 meses

meses

M.Aureus

saliva
exsudatos
pele

de 4 a 5 dias

dias

Vírus de vias
aéras superiores saliva

secreções

até uma semana

horas

Hepatite B

saliva
sangue
sêmen

até 6 meses

meses

Hepatite A

saliva
sangue
sêmen

de 2 a 6 semanas

dias

HIV

sangue
sêmen
secreções

até 10 dias

dias

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