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MANUAL DE SUPORTE AVANÇADO DE VIDA

MANUAL DE SUPORTE AVANÇADO DE VIDA

MANUAL DE SUPORTE AVANÇADO DE VIDA

Manual de Suporte Avançado de Vida

Segunda Edição 2011

Manual de Suporte Avançado de Vida

1/2011

© Janeiro de 2011, Instituto Nacional de Emergência Médica, I.P.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer processo electrónico, mecânico, fotográfico ou outro, sem autorização prévia e escrita do Instituto Nacional de Emergência Médica, I.P

Prefácio da Segunda Edição

Manual de Suporte Avançado de Vida Departamento de Formação em Emergência Médica

Manual de Suporte Avançado de Vida Departamento de Formação em Emergência Médica

COORDENAÇÃO TÉCNICA

Sofia Madeira

AUTORES

Sofia Madeira

João Porto

Fernando Nieves

Amândio Henriques

Nuno Pinto

Guilherme Henriques

Jody Rato

Manual de Suporte Avançado de Vida Departamento de Formação em Emergência Médica

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FICHA TÉCNICA DA PRIMEIRA EDIÇÃO

AUTORES

Teresa Pinto Médica, Directora Regional de Delegação de Lisboa, INEM/DRL.

João Madeira Lopes Médico, Assistente Graduado de Medicina Interna, Centro Hospitalar de Lisboa Norte

Isabel Santos Médica, Assistente Graduada de Cardiologia, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.

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FICHA TÉCNICA DA SEGUNDA EDIÇÃO

COORDENAÇÃO TÉCNICA

Sofia Madeira Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do Centro de Formação de Coimbra, INEM/DRC

AUTORES

Sofia Madeira Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do Centro de Formação de Coimbra, INEM/DRC

João Porto Assistente de Medicina Interna, Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) Médico da VMER dos HUC e da VMER do Centro Hospitalar do Médio Tejo Formador do CFC e do Núcleo de Formação dos HUC em SAV e Sépsis Mestre em Educação Médica

Fernando Nieves Médico, INEM/DRC Médico do CODU, VMER e Heli 4, Formador do CFC

Amândio Henriques Médico, Consultor de Medicina Geral e Familiar, Formador do CFC Responsável pela DRC de 1996 a 2000, Coordenador do CFL em 2000, Coordenador do CFC de 2000 a 2006, Coordenador do CODU Coimbra de 2004 a 2006

Nuno Pinto Enfermeiro, INEM/DRC Enfermeiro da SIV e Heli 4, Formador do CFC e da ENB

Guilherme Henriques Enfermeiro, INEM/DRC Enfermeiro da SIV, Heli 4 e Heli 5, Formador do CFC

Jody Rato Assistente Técnico, INEM/DRC, Formador do CFC e da ENB

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PROCESSAMENTO DE TEXTO E TRATAMENTO DE IMAGEM

Sofia Madeira Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do CFC, INEM/DRC Fernando Nieves Médico, Formador do CFC, INEM/DRC Nuno Pinto Enfermeiro, Formador do CFC, INEM/DRC Guilherme Henriques Enfermeiro, Formador do CFC, INEM/DRC José Maleiro - Assistente Técnico, Formador do CFC, INEM/DRC Henrique Lourenço - Assistente Técnico, Formador do CFC, INEM/DRC

REVISÃO DE TEXTO

Sofia Madeira - Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do CFC, INEM/DRC Regina Pimentel - Médica, Consultora de Medicina Geral e Familiar, Directora Regional de Coimbra, INEM/DRC Luís Meira Médico, Assistente de Anestesiologia, Director Regional do Porto, INEM/DRP Raquel Ramos Médica, Assistente de Anestesiologia, Coordenadora do Centro de Formação de Lisboa, INEM/DRLVT Helena Lalanda Castro - Directora do Departamento de Emergência Médica, INEM

COLABORARAM NA SEGUNDA EDIÇÃO

José António Maleiro - Assistente Técnico, Formador do CFC, INEM/DRC Henrique Lourenço - Assistente Técnico, Formador do CFC, INEM/DRC Teresa Oliveira - Assistente Técnico, Formador do CFC, INEM/DRC Jacinta Gonçalves Psicóloga, INEM/DRC

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Índice

Índice de Figuras

ix

Índice de Esquemas

xi

Lista de acrónimos

I

CAPÍTULO 1 - SISTEMA INTEGRADO DE EMERGÊNCIA MÉDICA

 

1

1. CONCEITOS E DEFINIÇÕES

2

1.1.

Emergência Médica

2

1.2.

Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)

2

2. EVOLUÇÃO DA EMERGÊNCIA MÉDICA PRÉ-HOSPITALAR, em PORTUGAL

 

2

2.1.

O início do Socorro a Vítimas de Acidente na Via Pública, em Lisboa

2

2.2.

O Serviço Nacional de Ambulâncias (SNA)

2

2.3.

O Gabinete de Emergência Médica (GEM)

3

2.4.

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)

3

3. FASES DO SIEM

 

7

3.1.

Detecção

8

3.2.

Alerta

8

3.3.

Pré-socorro

8

3.4.

Socorro

8

3.5.

Transporte

8

3.6.

Tratamento na Unidade de Saúde

8

4. INTERVENIENTES NO SIEM

 

9

5. ORGANIZAÇÃO DO SIEM

9

5.1.

O INEM

9

5.2.

CODU

10

5.3.

AMBULÂNCIAS

12

5.4.

MOTAS

13

5.5.

UMIPE

13

5.6.

VMER

13

5.7.

HELICÓPTEROS

14

5.8.

CODU MAR

14

5.9.

CIAV

14

5.10.

Transporte de Recém-Nascidos e Pediatria de Alto Risco

15

CAPÍTULO 2 - SUPORTE BÁSICO DE VIDA NO ADULTO

 

16

INTRODUÇÃO

17

1. A CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA

18

1.1.

Acesso Precoce

18

1.2.

SBV Precoce

19

1.3.

Cuidados pós-reanimação (SAV)

20

2. RISCOS PARA O REANIMADOR

 

21

2.1.

Treino de SBV em Manequins

23

3. SBV NO ADULTO

 

24

3.1.

Etapas e Procedimentos

25

3.2.

Problemas Associados ao SBV

35

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4. POSIÇÃO LATERAL DE SEGURANÇA

 

36

4.1.

Como proceder para colocar uma vítima em PLS:

37

4.2.

Como Proceder para Voltar a Colocar a Vítima em Decúbito Dorsal:

40

5. ABORDAGEM DA VIA AÉREA

 

41

5.1.

Obstrução da Via Aérea (OVA) em Vítima Adulta

41

6. SITUAÇÕES ESPECIAIS EM SUPORTE BÁSICO DE VIDA

 

48

CAPÍTULO 3 - SUPORTE AVANÇADO DE VIDA EM PERSPECTIVA

 

54

INTRODUÇÃO: ‘O PROBLEMA’

55

1. O CONCEITO DE CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA

56

1.1. Acesso precoce aos serviços de emergência

 

57

1.2. SBV precoce

57

1.3. Desfibrilhação precoce

58

1.4. SAV precoce e Cuidados pós-reanimação

59

2. O CURSO DE SAV

 

59

3. O ALGORITMO DE SAV

60

4. O MANUAL

60

5. PRINCÍPIOS DE FORMAÇÃO EM REANIMAÇÃO

61

CAPÍTULO 4 PCR: CAUSAS E PREVENÇÃO

62

INTRODUÇÃO

63

1. CAUSAS DE PARAGEM CARDIO-RESPIRATÓRIA

64

1.1.

OBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA

65

1.2.

FALÊNCIA RESPIRATÓRIA

66

1.3.

PATOLOGIA CARDÍACA

67

2. IDENTIFICAÇÃO DOS DOENTES EM RISCO DE PCR

 

69

2.1.

EQUIPA MÉDICA DE EMERGÊNCIA

69

3. PREVENÇÃO DA PARAGEM CARDIO-RESPIRATÓRIA

 

71

3.1.

Obstrução da via aérea

71

3.2.

Ventilação inadequada

72

3.3.

Causas cardíacas

73

CAPÍTULO 5 ABORDAGEM INICIAL DOS SÍNDROMES CORONÁRIOS AGUDOS

 

76

INTRODUÇÃO

77

1. DEFINIÇÃO E FISIOPATOLOGIA

 

78

1.1.

ANGINA (estável e instável)

78

1.2.

ENFARTE DO MIOCÁRDIO SEM SUPRADESNIVELAMENTO DO SEGMENTO ST (EAM s/ SST)

81

1.3.

ENFARTE DO MIOCÁRDIO COM SUPRADESNIVELAMENTO DO SEGMENTO ST (EAMCSST)

82

2. DIAGNÓSTICO DE SÍNDROMES CORONÁRIOS AGUDOS

 

82

2.1.

HISTÓRIA CLÍNICA

82

2.2.

EXAME FÍSICO

82

2.3.

EXAMES COMPLEMENTARES

83

3. AVALIAÇÃO DE RISCO

 

86

4. TERAPÊUTICA IMEDIATA

87

4.1.

Medidas gerais comuns a todos os doentes com SCA:

87

4.2.

Estratégias e sistemas de saúde

91

5. TERAPÊUTICA DE REPERFUSÃO DO EAM com SST

(ou EAM com BCRE ‘de novo’)

93

5.1.

TERAPÊUTICA DE REPERFUSÃO

94

5.2.

FÁRMACOS TROMBOLÍTICOS

98

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6. ABORDAGEM SUBSEQUENTE DE DOENTES COM SCA

 

99

6.1.

Suspeita de Angina Instável Doentes de baixo risco

99

6.2.

Suspeita de Angina Instável de alto risco e EAM sem SST

99

6.3.

EAM com SST

99

7. COMPLICAÇÃO DE SCA

 

100

7.1.

ARRITMIAS VENTRICULARES

100

7.2.

OUTRAS COMPLICAÇÕES DOS SÍNDROMES CORONÁRIOS AGUDOS

101

8. REABILITAÇÃO CARDÍACA

 

103

8.1.

PREVENÇÃO SECUNDÁRIA

103

CAPÍTULO 6 - ABORDAGEM DA VIA AÉREA E VENTILAÇÃO

 

106

1. CAUSAS DE OBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA

107

1.1.

Reconhecimento da Obstrução da Via Aérea

108

1.2.

Permeabilização da Via Aérea usando técnicas básicas

109

2. ADJUVANTES PARA TÉCNICAS BÁSICAS DA VIA AÉREA

 

112

2.1.

Tubos Orofaríngeos

112

2.2.

Tubos Nasofaríngeos

113

3. VENTILAÇÃO

 

115

3.1.

Técnicas de abordagem básica da Via Aérea

115

3.2.

Variantes das Técnicas de Ventilação

120

4. TÉCNICAS DE ABORDAGEM AVANÇADA DA VIA AÉREA

 

122

4.1.

Máscara Laríngea

123

4.2.

Combitube

125

4.3.

Entubação traqueal

127

4.4.

Cricotirotomia por agulha

133

4.5.

OXIGÉNIO

134

5. ASPIRAÇÃO

 

134

CAPÍTULO 7 - MONITORIZAÇÃO CARDÍACA E RITMOS

138

INTRODUÇÃO

139

1. MONITORIZAÇÂO CARDÍACA

140

1.1.

Monitores Cardíacos

140

1.2.

Eléctrodos de Monitorização

140

1.3.

Monitorização após Paragem Cardíaca

140

1.4.

Monitorização com DAE

141

1.5.

Diagnóstico baseado no registo do monitor cardíaco

141

2. CONCEITOS BÁSICOS DE ELECTROFISIOLOGIA

 

142

3. LEITURA DE UMA TIRA DE RITMO

142

4. RITMOS DE PARAGEM CARDÍACA

147

4.1.

Fibrilhação Ventricular (FV)

147

4.2.

Taquicardia ventricular (TV)

148

4.3.

Assistolia

148

4.4.

Actividade eléctrica sem pulso (aesp)

149

5. BRADIARRITMIAS

 

149

5.1.

Bloqueios auriculo-ventriculares (BAV)

150

6. OUTROS RITMOS

 

151

6.1.

RITMOS DE ESCAPE

151

6.2.

RITMO AGÓNICO

151

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CAPÍTULO 8 DESFIBRILHAÇÃO ELÉCTRICA

 

158

INTRODUÇÃO

159

1. PRÉ-DESFIBRILHAÇÃO

161

1.1.

Minimizar a pausa pré-choque

161

1.2.

Eléctrodos autocolantes versus pás

161

1.3.

SBV antes da desfibrilhação

161

2. MECANISMO DA DESFIBRILHAÇÃO ELÉCTRICA

 

162

2.1.

Impedância Transtorácica

162

2.2.

Posição dos Eléctrodos

163

2.3.

Energia do Choque

165

3. CARDIOVERSÃO ELÉCTRICA SINCRONIZADA

 

165

4. SEGURANÇA

166

5. ENERGIA DO CHOQUE

167

6. DESFIBRILHADORES

167

6.1.

Desfibrilhadores Manuais

168

6.2.

Desfibrilhadores Bifásicos

168

CAPÍTULO 9 VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE FÁRMACOS

 

170

INTRODUÇÃO

171

1. ACESSOS VENOSOS PERIFÉRICOS VERSUS CENTRAIS

171

1.1.

Material

172

2. ACESSOS VENOSOS PERIFÉRICOS

 

173

2.1.

Veias do antebraço

173

2.2.

Veia jugular externa

173

2.3.

Veia femoral

174

3. ACESSOS VENOSOS CENTRAIS

 

174

3.1.

Veia jugular interna

174

3.2.

Veia subclávia

175

4. VIA INTRAÓSSEA

 

175

5. VIA ENDOTRAQUEAL

176

6. COMPLICAÇÕES DOS ACESSOS VENOSOS

176

CAPÍTULO 10 - FÁRMACOS USADOS NA REANIMAÇÃO

178

INTRODUÇÃO

179

1. FÁRMACOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DA PCR

180

1.1.

OXIGÉNIO

180

1.2.

ADRENALINA/EPINEFRINA

180

1.3.

ATROPINA

181

1.4.

AMIODARONA

182

1.5.

SULFATO DE MAGNÉSIO

183

1.6.

LIDOCAÍNA

184

1.7.

BICARBONATO DE SÓDIO

185

1.8.

CÁLCIO

186

1.9.

VASOPRESSINA

187

1.10.

FLUIDOS

187

2. FÁRMACOS A UTILIZAR NAS DISRITMIAS PERI-PARAGEM

 

188

2.1.

ADENOSINA

188

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2.2.

ATROPINA

189

2.3.

AMIODARONA

190

2.4.

DIGOXINA

191

2.5.

LIDOCAÍNA

192

2.6.

AMINOFILINA

192

2.7.

DILTIAZEM

192

2.8.

ESMOLOL

193

2.9.

ISOPRENALINA

194

3.

OUTROS FÁRMACOS USADOS NO PERÍODO PÉRI-PARAGEM e CUIDADOS PÓS-REANIMAÇÃO

195

3.1.

Fármacos Inotrópicos

195

3.2.

Fármacos Não-Ionotrópicos

199

CAPÍTULO 11 ALGORITMO DE SUPORTE AVANÇADO DE VIDA

 

208

INTRODUÇÃO

209

1.

ALGORITMO DE SUPORTE AVANÇADO DE VIDA

210

2.

RITMOS DESFIBRILHÁVEIS

211

2.1.

Tentativa de Desfibrilhação

212

2.2.

Compressões Torácicas, permeabilização da Via Aérea e Ventilação

215

2.3.

Acessos Venosos Periféricos versus Centrais

217

2.4.

Fármacos

218

2.5.

FV persistente

219

3.

RITMOS NÃO DESFIBRILHÁVEIS (aesp E ASSISTOLIA)

219

3.1.

Actividade Eléctrica sem pulso (aesp)

219

3.2.

Assistolia

220

3.3.

Etapas da Reanimação

221

4.

CAUSAS POTENCIALMENTE REVERSÍVEIS

222

4.1.

Hipoxia:

222

4.2. Hipovolémia:

223

4.3. Hipercaliémia, hipocaliémia, hipercalcémia, acidémia ou outras alterações metabólicas:

223

4.4. Hipotermia:

223

4.5. Pneumotórax hipertensivo:

223

4.6. Tamponamento cardíaco:

224

4.7. Tóxicos / iatrogenia medicamentosa:

224

4.8. Tromboembolia pulmonar (TEP):

224

CAPÍTULO 12 PACING CARDÍACO

 

226

1. ELECTROFISIOLOGIA BÁSICA

227

2. ‘PACING’ NÃO INVASIVO

229

2.1.

‘Pacing’ por Percussão

229

2.2.

‘Pacing’ Transcutâneo

230

3. ‘PACING’ INVASIVO

 

232

3.1.

‘Pacing’ temporário

233

3.2.

‘Pacing’ permanente

235

4. CARDIOVERSORES DESFIBRILHADORES IMPLANTADOS (CDI)

 

236

CAPÍTULO 13 TRATAMENTO DAS DISRITMIAS PERI-PARAGEM

238

INTRODUÇÃO

239

1.

CLASSIFICAÇÃO E PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO

239

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2. SINAIS DE GRAVIDADE

 

240

3. OPÇÕES TERAPÊUTICAS

241

 

3.1.

Fármacos anti-arrítmicos

241

3.2.

Cardioversão eléctrica sincronizada

241

3.3.

Pacing

242

4. BRADICARDIA

 

242

5. TAQUICARDIAS

245

 

5.1.

Taquicardias de QRS alargados

245

5.2.

Taquicardias de QRS estreitos

246

CAPÍTULO 14 PCR EM CIRCUNSTÂNCIAS ESPECIAIS

 

250

INTRODUÇÃO

251

1.

SITUAÇÕES ESPECIAIS DE PARAGEM CARDIO-RESPIRATÓRIA

252

 

1.1. HIPOTERMIA

252

1.2. HIPERTERMIA

255

1.3. AFOGAMENTOS

257

1.4. ALTERAÇÕES ELECTROLÍTICAS

260

1.5. INTOXICAÇÕES

266

1.6. GRAVIDEZ

269

1.7. ELECTROCUSSÃO

270

1.8. ANAFILAXIA

272

1.9. ASMA

274

1.10. TRAUMA

276

CAPÍTULO 15 - CUIDADOS PÓS-REANIMAÇÃO

 

280

INTRODUÇÃO

281

1. PRIORIDADES PÓS-REANIMAÇÃO

281

 

1.1.

Via Aérea e Ventilação: A e B

281

1.2.

Circulação: C

283

1.3.

Disfunção Neurológica e Exposição: D e E

284

2. EXAMES A PEDIR A TODOS OS DOENTES APÓS REANIMAÇÃO

 

286

3. EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE

288

 

3.1.

Interpretação da gasimetria arterial

288

3.2.

Oxigenação

290

3.3.

Tamponamento

291

3.4.

Classificação da alteração ácido-base

291

4. A TRANSFERÊNCIA do DOENTE

 

294

5. OPTIMIZAÇÃO DA PERFUSÃO E OXIGENAÇÃO

294

 

5.1.

Coração

294

5.2.

Cérebro

295

6. PROGNÓSTICO

 

295

7. DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

297

8. O APOIO À EQUIPA DE REANIMAÇÃO

298

CAPÍTULO 16 REANIMAÇÃO INTRA-HOSPITALAR

300

INTRODUÇÃO

301

1.

PCR NO CONTEXTO INTRA-HOSPITALAR

302

 

1.1. Reconhecimento e Prevenção

302

1.2. Reanimação

304

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2.

EQUIPA DE REANIMAÇÃO

306

 

2.1. O Team Leader

306

2.2. A Decisão de Parar

309

2.3. Formação

309

CAPÍTULO 17 SUPORTE BÁSICO DE VIDA PEDIÁTRICO

 

312

INTRODUÇÃO

313

1.

A CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA PEDIÁTRICA

314

 

2.4.

Prevenção da Paragem Cardio-Respiratória

314

2.5.

Suporte Básico de Vida

315

2.6.

Activação do Sistema de Emergência Médica

316

2.7.

Suporte Avançado de Vida

316

3.

SUPORTE BÁSICO DE VIDA EM PEDIATRIA

316

 

3.1.

Etapas e Procedimentos

317

4.

SUPORTE BÁSICO DE VIDA EM NEONATOLOGIA

331

5.

OBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA NA IDADE PEDIÁTRICA

332

 

5.1.

Causas e Reconhecimento

332

5.2.

Classificação

332

5.3.

Sequência de Actuação na OVA no Lactente

335

5.4.

Sequência de Actuação na OVA na Criança

336

5.5.

Sequência de Actuação na OVA no Lactente ou na Criança Inconsciente

337

CAPÍTULO 19 SUPORTE AVANÇADO DE VIDA PEDIÁTRICO

 

340

INTRODUÇÃO

341

1.

PREVENÇÃO DA PARAGEM CARDIO-RESPIRATÓRIA

342

 

1.1.

Diagnóstico da Falência Respiratória: A e B

342

1.2.

Diagnóstico da Falência Circulatória: C

343

1.3.

Diagnóstico da PCR

344

2.

ACTUAÇÃO NA FALÊNCIA RESPIRATÓRIA E CARDÍACA

344

 

2.1.

Via Aérea

345

2.2.

Respiração

349

2.3.

Acesso Vascular

351

2.4.

Fluidos e Fármacos

352

2.5.

Desfibrilhadores

355

3.

ACTUAÇÃO NA PCR ALGORITMO DE SAV 3.1. Ritmos não Desfibrilháveis: Assistolia, aesp

358

357

 

3.2. Ritmos Desfibrilháveis: FV, tvsp

358

3.3. Sequência de Acontecimentos na RCP

359

4.

ARRITMIAS

362

 

4.1. Arritmias Instáveis

362

4.2. Arritmias Estáveis

364

5.

CUIDADOS PÓS-REANIMAÇÃO

 

365

 

5.1. Disfunção Neurológica:

365

5.2. Disfunção miocárdica

365

5.3. Controlo da Temperatura

365

6.

PROGNÓSTICO DA PCR

366

CAPÍTULO 19 REANIMAÇÃO NEONATAL

 

368

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INTRODUÇÃO

369

1.

PREPARAÇÃO DO NASCIMENTO

370

1.1.

Equipamento e Ambiente

370

1.2.

Controlo da Temperatura

370

2.

ABORDAGEM INICIAL

371

2.1.

Actividade Respiratória

371

2.2.

Frequência Cardíaca

371

2.3.

Cor

371

2.4.

Tónus

371

2.5.

Estimulação Táctil

373

2.6.

Classificação de Acordo com a Abordagem Inicial

373

3.

SUPORTE DE VIDA NO RECÉM-NASCIDO

374

3.1.

Via Aérea: A

374

3.2.

Respiração: B

375

3.3.

Suporte Circulatório: C

376

3.4.

Fármacos: D

377

4.

SUSPENSÃO DA REANIMAÇÃO

378

5.

Comunicação com os Pais

378

CAPÍTULO 20 - APOIO AOS FAMILIARES DA VÍTIMA

 

380

INTRODUÇÃO

381

1. CONTACTO INICIAL COM OS FAMILIARES

381

2. PRESENÇA DOS FAMILIARES DURANTE A REANIMAÇÃO

382

2.1.

Vantagens da presença dos familiares durante a RCP:

382

2.2.

Desvantagens da presença de familiares durante a RCP:

382

3. A NOTIFICAÇÃO DE MORTE

 

383

3.1.

Comunicação do falecimento

384

4. OBSERVAÇÃO DO CADÁVER

 

385

5. PARTICULARIDADES ÉTNICAS E RELIGIOSAS

385

6. ASPECTOS PRÁTICOS E LEGAIS

385

6.1.

Informar os familiares acerca de alguns procedimentos no âmbito pré-hospitalar:

386

6.2.

Informar os familiares acerca de alguns procedimentos no âmbito hospitalar:

386

7. A EQUIPA MÉDICA

 

386

CAPÍTULO 21 ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS NA REANIMAÇÃO

388

INTRODUÇÃO

389

1.

CRITÉRIOS DE RCP

389

2.

CONCEITO DE NORMA

391

3.

PRINCÍPIOS ÉTICOS ESSENCIAIS

392

3.1. Morte súbita numa perspectiva global

393

3.2. Prognóstico e resultados

393

4.

DECISÕES DE NÃO REANIMAR (DNR)

393

5.

DNR E O PRÉ - HOSPITALAR

395

6.

CRITÉRIOS DE SUSPENSÃO DA RCP

397

7.

COMISSÃO DE ÉTICA

400

Bibliografia

402

Manual de Suporte Avançado de Vida

Departamento de Formação em Emergência Médica

Manual de Suporte Avançado de Vida Departamento de Formação em Emergência Médica

Índice de Figuras

Capítulo 1

Figura 1 - Estrela da Vida com as fases do SIEM

7

Capítulo 2

Figura 2 - Cadeia de sobrevivência da vítima adulta

17

Figura 3 - Avaliação do estado de consciência

25

Figura 4 - Primeiro pedido de ajuda

25

Figura 5 - Extensão da cabeça e elevação do queixo

26

Figura 6 - Activação do sistema de emergência

27

Figura 7 - Posicionamento / compressões torácicas

28

Figura 8 - Colocação da máscara de bolso (pocket mask) / Ventilação boca-máscara

29

Figura 9 - Manobras de SBV a 2 reanimadores (com máscara de bolso e com insuflador manual)

30

Figura 10 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

35

Figura 11 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

35

Figura 12 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

36

Figura 13 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

36

Figura 14 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

36

Figura 15 - Desfazer a Posição Lateral de Segurança (PLS)

37

Figura 16 - Obstrução da via aérea

39

Figura 17 - Desobstrução da via aérea, Aplicação das pancadas interescapulares

41

Figura 18 - Desobstrução da via aérea, Colocação das mãos na Manobra de Heimlich

42

Figura 19 - Desobstrução da via aérea, Manobra de Heimlich

43

Capítulo 3

Figura 20 Cadeia de sobrevivência

52

Capítulo 6

Figura 21 Permeabilização da via aérea com extensão da cabeça e elevação da mandíbula

103

Figura 22 Permeabilização da via aérea com sub-luxação da mandíbula

104

Figura 23 Tubo Oro-Faringeo: medição e colocação

106

Figura 24 Tubo Naso-Faringeo: medição e colocação

107

Figura 25 Pocket Mask

109

Figura 26 Ventilação boca-máscara: posição lateral

110

Figura 27 Ventilação boca-máscara: posição cefálica

111

Figura 28 Dispositivos para administração de oxigénio por inalação

112

Figura 29 Ventilação com Insuflador Manual: 2 reanimadores

112

Figura 30 Máscara Laríngea

116

Figura 31 Combitube

118

Figura 32 Tubo Oro-Traqueal

120

Figura 33 Kit de Cricotirotomia

125

Figura 34 Aspirador e aspiração de secreções

127

Capítulo 7

Figura 35 Ritmo Sinusal Normal

142

Figura 36 Bradicardia Sinusal

142

Figura 37 Taquicardia Sinusal

143

Figura 38 BAV do 1º Grau

143

Figura 39 BAV do 2º Grau Mobitz I (Wenckbach)

143

Figura 40 BAV do 2º Grau Mobitz II

143

Figura 41 BAV do 3º Grau ou BAV Completo

144

Figura 42 Taquicardia Supra-Ventricular

144

Figura 43 Fibrilhação Auricular

144

Figura 44 Flutter Auricular

144

Figura 45 Taquicardia Ventricular

145

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Departamento de Formação em Emergência Médica

Manual de Suporte Avançado de Vida Departamento de Formação em Emergência Médica

Figura 46 Fibrilhação Ventricular Fina

145

Figura 47 Fibrilhação Ventricular Grosseira

145

Figura 48 Traçado de Assistolia

145

Figura 49 Ritmo de PaceMaker

146

Figura 50 Extra-Sístoles Ventriculares

146

Figura 51 Ritmo Juncional

146

Figura 52 Torsade de Pointes

147

Figura 53 Ritmo Agónico

147

Capítulo 8

Figura 54 Exemplo de Onda Bifásica

159

Capítulo 12

Figura 55 Sistema Electrofisiológico Cardíaco

216

Capítulo 17

Figura 56 - Cadeia de sobrevivência pediátrica

304

Figura 57 - Avaliação da resposta

307

Figura 58 - Grito de ajuda

308

Figura 59 - Permeabilização da via aérea com extensão da cabeça e elevação da mandíbula

308

Figura 60 -Posição neutrana extensão da cabeça no lactente

308

Figura 61 - Pesquisa de respiração normal (VOS)

309

Figura 62 - Posição de recuperação

309

Figura 63 - Ventilação boca-máscara na criança

310

Figura 64 - Ventilação boca-a-boca e nariz no lactente

310

Figura 65 - Ventilação com máscara de bolso

311

Figura 66 - Pesquisa de corpos estranhos

311

Figura 67 - Pesquisa de sinais de circulação

312

Figura 68 - Compressões torácicas no lactente

314

Figura 69 - Compressões torácicas na criança

314

Figura 70 - Ventilação na criança

315

Figura 71 - Ventilações sem perder a referência do ponto das compressões torácicas

315

Figura 72 - Ventilações e compressões torácicas com dois reanimadores

316

Figura 73 - Pancadas interescapulares no lactente

324

Figura 74 - Compressões torácicas no lactente

324

Figura 75 - Pancadas inter-escapulares e compressões abdominais na criança

325

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Departamento de Formação em Emergência Médica

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Índice de Esquemas

Capítulo 2

Esquema 1 - Algoritmo de SBV Adulto

31

Esquema 2 - Algoritmo de Desobstrução da Via Aérea no Adulto

41

Capítulo 5

Esquema 3 Síndromes Coronários Agudos

74

Esquema 4 Algoritmo de abordagem inicial do Síndrome Coronário Agudo

82

Capítulo 8

Esquema 5 - Algoritmo de Desfibrilhação Automática Externa

151

Capítulo 11

Esquema 6 - Algoritmo de SAV Adulto

199

Capítulo 13

Esquema 7 - Algoritmo de tratamento das Bradiarritmias

233

Esquema 8 - Algoritmo de tratamento das Taquiarritmias

237

Capítulo 16

Esquema 9 - Algoritmo de Reanimação Intra-Hospitalar

296

Capítulo 17

Esquema 10 - Algoritmo de SBV Pediátrico

306

Esquema 11 - Obstrução da Via Aérea por corpo Estranho em Pediatria

323

Capítulo 18

Esquema 12 - Algoritmo de SAV Pediátrico

344

Capítulo 18

Esquema 13 - Algoritmo de Suporte de Vida Neonatal

355

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LISTA DE ACRÓNIMOS

AAS

Ácido acetilsalicílico

ABC

Via Aérea, Ventilação, Circulação

AEsp

Actividade eléctrica sem pulso

AINEs

Anti-inflamatórios não esteróides

ANPC

Autoridade Nacional de Protecção Civil

ARAII

Antagonistas dos Receptores da Angiotensina II

AutoPulse

Cinta de Reanimação por Dispersão de Pressão

AVC

Acidente Vascular Cerebral

BAV

Bloqueio Aurículo-Ventricular

BCRE

Bloqueio Completo de Ramo Esquerdo

bpm

Batimentos por minuto

BRE

Bloqueio de Ramo Esquerdo

cpm

Ciclos por minuto

CAPIC

Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise

CDI

Cardioversor Desfibrilhador Implantado

CIAV

Centro de Informação Antivenenos

CO2

Dióxido de Carbono

CODU

Centros de Orientação de Doentes Urgentes

CODU MAR

Centro de Orientação de Doentes Urgentes Mar

CoSTR

International Consensus on CPR Science with Treatment Recommendations

CVP

Cruz Vermelha Portuguesa

DAE

Desfibrilhação Automática Externa

DNI

Dinitrato de Isossorbido

DNR

Decisão de Não Reanimar / Doente a Não Reanimar

DPOC

Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

EAD

Exames Auxiliares de Diagnóstico

ECG

Electrocardiograma

ECG 12d

Electrocardiograma de 12 derivações

ECIE

Equipas de cuidados intensivos externas

EEM

Equipas de emergência médica

EAM com SST

Enfarte Agudo do miocárdio com supra-desnivelamento do ST

EAM sem SST

Enfarte Agudo do miocárdio sem supra-desnivelamento do ST

EOT

Entubação Oro-Traqueal

ERC

European Resuscitation Council

ETCO2

CO2 tele-expiratório

EV

Endovenoso

FA

Fibrilhação Auricular

FC

Frequência Cardíaca

FiO2

Fracção de O2 no ar inspirado

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FR

Frequência Respiratória

FV

Fibrilhação Ventricular

FV/TV

Fibrilhação Ventricular / Taquicardia Ventricular

GCS

Glasgow Coma Scale

GEM

Gabinete de Emergência Médica

Gp IIb/IIIa

Glicoproteína IIb/IIIa

GSA

Gasimetria de Sangue Arterial

HBPM

Heparinas de baixo peso molecular

HNF

Heparina não fraccionada

ICP

Intervenção coronária percutânea

ICPP

Intervenção coronária percutânea primária

IECA

Inibidor da enzima de conversão da angiotensina

ILCOR

International Liaison Committee on Resuscitation

INEM

Instituto Nacional de Emergência Médica

IO

Intra-óssea

LCR

Líquido cefalo-raquidiano

LUCAS

Sistema de RCP da Universidade de Lund

ML

Máscara laríngea

MNI

Mononitrato de Isossorbido

Nódulo AV

Nódulo Aurículo-Ventricular

NTG

Nitroglicerina

NRBQ

Nuclear, Radiológico, Biológico e Químico

O2

Oxigénio

OVA

Obstrução da Via Aérea

OVA CE

Obstrução da Via Aérea por Corpo Estranho

per os

por via oral

PCR

Paragem Cardio-respiratória

PCR-PH

Paragem Cardio-respiratória - pré hospitalar

PEM

Posto de Emergência Médica

PLS

Posição Lateral de Segurança

PNI

Pressão Não-invasiva

Pós-PCR

Pós-Paragem Cardio-respiratória

PSP

Policia Segurança Publica

RCE

Retorno da Circulação Espontânea

RCP

Reanimação Cardio-Pulmonar

SAE

Serviço de Ambulâncias de Emergência

SaO 2

Saturação da hemoglobina no sangue arterial

SAV

Suporte Avançado de Vida

SBV

Suporte Básico de Vida

SCA

Síndrome Coronário Agudo

SCA-EAM sem SST

Síndrome Coronário Agudo /Enfarte do Miocárdio sem supra-desnivelamento do ST

SF

Soro fisiológico

SHEM

Serviço de Helicópteros de Emergência Médica

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SIEM

Sistema Integrado de Emergência Médica

SIV

Suporte Imediato de Vida

SNA

Serviço Nacional de Ambulâncias

SNC

Sistema Nervoso Central

SNG

Sonda Naso-gástrica

SNP

Sistema Nervoso Periférico

SpO 2

Saturação da hemoglobina medida por oximetria de pulso ou saturação periférica

SU

Serviço de urgência

SVP

Suporte de Vida Pediátrico

TA

Tensão Arterial

TAE

Técnico de Ambulância de Emergência

TCE

Traumatismo Cranio-Encefálico

TEP

Tromboembolia Pulmonar

TAS

Tripulante de Ambulância de Socorro

TOT

Tubo Oro-Traqueal

TSV

Taquicardia Supra-Ventricular

TV

Taquicardia Ventricular

TVsp

Taquicardia Ventricular sem pulso

UCI

Unidade de Cuidados Intensivos

UdT

Unidades de dor Torácica

UMIPE

Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência

VA

Via Aérea

VIC

Viaturas de Intervenção em Catástrofe

VIH

Vírus da Imunodeficiência Humana

VMER

Viatura Médica de Emergência e Reanimação

VOS

Ver, Ouvir e Sentir

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CAPÍTULO 1 - SISTEMA INTEGRADO DE EMERGÊNCIA MÉDICA

OBJECTIVOS

No final desta unidade modular, os formandos deverão ser capazes de:

1. Descrever a organização e o funcionamento do Sistema Integrado de Emergência

Médica.

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1. CONCEITOS E DEFINIÇÕES

1.1. Emergência Médica

É a actividade na área da saúde que abrange tudo o que se passa desde o local onde ocorre uma situação de emergência até ao momento em que se conclui, no estabelecimento de saúde adequado, o tratamento definitivo que aquela situação exige.

1.2. Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)

Conjunto de acções coordenadas, de âmbito extra-hospitalar, hospitalar e inter-hospitalar, que resultam da intervenção activa e dinâmica dos vários componentes do sistema de saúde nacional, de modo a possibilitar uma actuação rápida, eficaz e com economia de meios em situações de emergência médica. Compreende toda a actividade de urgência/emergência, nomeadamente o sistema de socorro pré-hospitalar, o transporte, a recepção hospitalar e a adequada referenciação do doente urgente/emergente.

2. EVOLUÇÃO PORTUGAL

DA

EMERGÊNCIA

MÉDICA

PRÉ-HOSPITALAR,

em

2.1. O início do Socorro a Vítimas de Acidente na Via Pública, em Lisboa.

Em 1965 iniciou-se o socorro a vítimas de acidente na via pública em Lisboa. As ambulâncias eram activadas através do número de telefone „115‟, a tripulação era constituída por elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e o transporte efectuado para o hospital. O serviço estendeu-se de seguida às cidades do Porto, Coimbra, Aveiro, Setúbal e Faro.

2.2. O Serviço Nacional de Ambulâncias (SNA)

Com o objectivo de „assegurar a orientação, a coordenação e a eficiência das actividades respeitantes à prestação de primeiros socorros a sinistrados e doentes e ao respectivo transporte‟ foi criado, em 1971, o Serviço Nacional de Ambulâncias (SNA). Este serviço constituiu os chamados „Postos de Ambulância SNA‟, dotados de ambulâncias com

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equipamento sanitário e de telecomunicações, sedeadas na PSP (nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal), na GNR e em Corporações de Bombeiros, organizando uma rede que abrangia todo o país.

2.3. O Gabinete de Emergência Médica (GEM)

No ano de 1980, após um ano de trabalho desenvolvido por uma Comissão de Estudo de Emergência Médica e que culminou com a apresentação de uma proposta de desenvolvimento de um Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), foi constituído o Gabinete de Emergência Médica (GEM) que tinha como principal atribuição a elaboração de um projecto de organismo que viesse a desenvolver e coordenar o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM).

2.4. O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)

Como resultado do trabalho desenvolvido pelo GEM, em 1981 foi criado o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) sendo extintos o SNA e o GEM.

O

INEM, dispondo à partida dos meios de socorro/transporte (instalados pelo SNA na PSP

e

em Quartéis de Bombeiros), das centrais 115 e de uma rede de avisadores SOS

colocados em estradas nacionais e, tendo como principal objectivo o desenvolvimento e coordenação do SIEM, reorganiza e desenvolve as Centrais de Emergência e os Avisadores SOS e remodela os Postos de Ambulância, estabelecendo acordos com Bombeiros, Polícia e Cruz Vermelha para a constituição de Postos de Emergência Médica (PEM) e Postos Reserva.

2.4.1. O Centro de Informação Antivenenos (CIAV)

Logo no ano seguinte, o INEM põe em funcionamento na sua sede a primeira Central medicalizada de informação toxicológica, o Centro de Informação Antivenenos (CIAV). Criado em 16 de Junho de 1982 no INEM, o CIAV teve a sua origem no „SOS - Centro Informativo de Intoxicações‟, serviço privado fundado em 1963 pelo médico Filipe Vaz, o qual mais tarde viria a ceder toda a documentação deste Centro ao INEM.

2.4.2. O Centro de Formação de Lisboa

Nos anos seguintes o INEM põe em funcionamento o Centro de Formação de Lisboa, que tem como finalidade a formação de Médicos, Enfermeiros, Operadores de Central e Tripulantes de Ambulância em Técnicas de Emergência Médica.

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Actualmente existem Centros de Formação em Lisboa, Porto, Coimbra e Faro

2.4.3. Os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)

O INEM desenvolve e põe a funcionar em Lisboa, em 1987 o primeiro Centro de

Orientação de Doentes Urgentes (CODU), uma nova central medicalizada para atendimento das chamadas de emergência médica, triagem telefónica, aconselhamento e

accionamento dos meios de emergência adequados.

Na actualidade existem quatro Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), situados em Lisboa, Porto, Coimbra e Faro. Fazem a cobertura de todo o território do continente, medicalizando o alerta (os pedidos socorro da área da Emergência Médica feitos através do 112, o Número Europeu de Emergência).

2.4.4. O subsistema de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco

Ainda em 1987, com o objectivo de prestar uma melhor e mais adequada assistência e transporte medicalizado a prematuros e recém-nascidos em risco, para uma unidade de saúde com neonatologia, o INEM implementa o subsistema de Transporte de Recém- Nascidos de Alto Risco.

O INEM mantém este subsistema de assistência e transporte com a colaboração dos

Hospitais Pediátricos no Porto e Coimbra, e da Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, tendo alargado o seu âmbito a todos os grupos etários pediátricos.

2.4.5. As Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER)

Complementando e melhorando a medicalização do socorro e do transporte, o INEM implementa em 1989 um sistema que consiste na deslocação de uma viatura ligeira com uma equipa médica e equipamento adequado, Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) que, sob orientação do CODU Lisboa, não só pode acorrer a situações de extrema urgência, no domicílio ou na via pública, medicalizando o seu transporte, como pode acorrer e apoiar o socorro/transporte de doentes que se desloquem para unidades de Saúde em ambulâncias de socorro, medicalizando-as.

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Na actualidade, este tipo de socorro medicalizado estende-se a todo o território do continente, também com colaboração dos Hospitais das áreas geográficas de referência, com equipas médicas formadas pelo INEM e coordenadas pelos CODU.

2.4.6. O Centro de Orientação de Doentes Urgentes Mar (CODU MAR)

De modo a permitir o aconselhamento médico, o eventual accionamento de meios de evacuação e o encaminhamento hospitalar de situações de emergência que se verifiquem em inscritos marítimos o INEM implementa, em 1989, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes Mar (CODU MAR).

2.4.7. O Serviço de Helicópteros de Emergência Médica (SHEM)

Tendo como objectivo a melhoria da assistência e do transporte de doentes críticos para as unidades de saúde mais adequadas, em Julho de 1997, o INEM implementou o Serviço de Helicópteros de Emergência Médica (SHEM), colocando em serviço dois aparelhos dedicados em exclusivo à Emergência Médica, o Heli 1 no aeródromo de Tires (em Cascais) e o Heli 2 no aeródromo de Espinho. Actualmente, o Heli 1 está sediado em Salemas e o Heli 2 no Hospital de Pedro Hispano, em Matosinhos.

Estes helicópteros, inicialmente a funcionar apenas durante o período diurno, passaram a funcionar 24 horas por dia em Outubro de 2002.

Durante o ano de 2000, em colaboração com o antigo Serviço Nacional de Bombeiros, actualmente Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), foi iniciado o Helitransporte nocturno de doentes críticos, através da medicalização do Helicóptero de Santa Comba Dão. Para isso, além de garantir o material necessário, o INEM passou a assegurar a presença física de uma equipa médica durante a noite na Base de Santa Comba Dão até

2010.

Em Abril de 2010, iniciaram a sua actividade mais 3 helicópteros dedicados em exclusivo à Emergência Médica: o Heli 3 em Macedo de Cavaleiros, o Heli 4 em Santa Comba Dão e o Heli 5 em Loulé.

Actualmente, o Serviço de Helicópteros de Emergência Médica (SHEM) funciona vinte e quatro horas por dia, cobrindo todo o território do continente, com 5 aeronaves.

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2.4.8. O Serviço de Ambulâncias de Emergência (SAE)

Com a mobilização nacional motivada pela realização do Campeonato da Europa de Futebol de 2004, o maior evento desportivo até aí realizado em Portugal, integrado nos preparativos necessários para garantir que esse evento viesse a ser um êxito e onde o INEM teve um papel preponderante, foi criado o Serviço de Ambulâncias de Emergência (SAE), inicialmente em Lisboa e no Porto. Assim, a partir do „Euro 2004‟ o INEM começou

a dispor de ambulâncias de Suporte Básico de Vida (SBV) com a valência de

Desfibrilhação Automática Externa (DAE), tripuladas por Técnicos de Ambulância de

Emergência (TAE), devidamente qualificados.

No âmbito do SAE foram ainda implementados, em Lisboa e no Porto, os Motociclos de Emergência Médica. Tripulados por um TAE, estes meios permitem um socorro particularmente rápido em situações onde o intenso trânsito citadino poderia condicionar algum atraso.

A partir de 2007, com o enquadramento proporcionado pela Reestruturação da Rede de Urgências planeada pelo Ministério da Saúde, o SAE estendeu-se a todo o território nacional. Ainda no âmbito da Reestruturação da Rede de Urgências, foram criadas as ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), tripuladas por 1 TAE e 1 Enfermeiro.

2.4.9. O Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC)

Também desde 2004, o INEM dispõe de Psicólogos que permitem melhorar a resposta

dada em diversas situações de emergência. Para atingir este objectivo, foi criado o Centro

de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC).

Os psicólogos do CAPIC garantem, 24 horas por dia, o apoio psicológico das chamadas telefónicas recebidas nos CODU que o justifiquem e, através das UMIPE (Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência) podem ser accionados para o local das ocorrências onde seja necessária a sua presença.

O CAPIC assegura ainda a prestação de apoio psicológicos aos operacionais do SIEM, em todas as situações em que estes são confrontados com elevados níveis de stress.

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2.4.10. Outros Meios do INEM

Além dos serviços e dos meios de intervenção já referidos, o INEM dispõe ainda de vários meios com capacidade de intervenção em situações excepcionais, nomeadamente catástrofes ou acidentes graves de que resultem vítimas em números elevados.

Entre estes meios podem ser referidas as Viaturas de Intervenção em Catástrofe (VIC), as viaturas para intervenção em situações envolvendo agentes NRBQ (Nuclear & Radiológicos, Biológicos e Químicos) e o Hospital de Campanha.

As VIC estão sedeadas em cada uma das quatro Delegações Regionais do INEM (Lisboa,

Porto, Coimbra, e Faro) e podem ser accionadas a qualquer momento. Estas viaturas permitem a montagem de Postos Médicos Avançados, melhorando as condições em que

as equipas dos vários meios de socorro intervêm e permitindo a prestação de melhores

cuidados de Emergência no local das ocorrências.

As viaturas NRBQ dispõem dos equipamentos adequados à intervenção em situações envolvendo radioactividade, agentes biológicos ou agentes químicos.

O Hospital de Campanha garante ao INEM a capacidade de montar rapidamente uma

estrutura provisória de tipo hospitalar que permite receber, assistir e, se necessário, manter em regime de internamento um número considerável de doentes. Constituído por vários módulos que permitem dimensionar o Hospital de Campanha em função de necessidades específicas, além de várias enfermarias, dispõe de um Bloco Operatório e uma Unidade de

Cuidados Intensivos e capacidade para realização de várias análises e radiografias.

3. FASES DO SIEM

Tendo como base o símbolo da „Estrela da Vida‟, a cada uma das suas hastes corresponde uma fase do SIEM.

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de Vida Departamento de Formação em Emergência Médica Capítulo 1. Figura 1 - Estrela da Vida

Capítulo 1. Figura 1 - Estrela da Vida com as diversas fases do SIEM

3.1. Detecção

Corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma ou mais vítimas de doença súbita ou acidente.

3.2. Alerta

É a fase em que se contactam os serviços de emergência, utilizando o Número Europeu de

Emergência - 112.

3.3. Pré-socorro

Conjunto de gestos simples que podem e devem ser efectuados até à chegada do socorro.

3.4. Socorro

Corresponde aos cuidados de emergência iniciais efectuados às vítimas de doença súbita ou de acidente, com o objectivo de as estabilizar, diminuindo assim a morbilidade e a mortalidade.

3.5. Transporte

Consiste no transporte assistido da vítima numa ambulância com características, tripulação

e carga bem definidas, desde o local da ocorrência até à unidade de saúde adequada, garantindo a continuação dos cuidados de emergência necessários.

3.6. Tratamento na Unidade de Saúde

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Esta fase corresponde ao tratamento no serviço de saúde mais adequado ao estado clínico

da vítima. Em alguns casos excepcionais, pode ser necessária a intervenção inicial de um

estabelecimento de saúde onde são prestados cuidados imprescindíveis para a estabilização da vítima, com o objectivo de garantir um transporte mais seguro para um hospital mais diferenciado e/ou mais adequado à situação.

4. INTERVENIENTES NO SIEM

São intervenientes no sistema:

O público;

Operadores das Centrais de Emergência 112;

Técnicos dos CODU;

Agentes da autoridade;

Bombeiros;

Tripulantes de ambulância;

Técnicos de Ambulância de Emergência;

Médicos e enfermeiros;

Pessoal técnico hospitalar;

Pessoal técnico de telecomunicações e de informática.

5. ORGANIZAÇÃO DO SIEM

A capacidade de resposta adequada, eficaz e em tempo oportuno dos sistemas de

emergência médica, às situações de emergência, é um pressuposto essencial para o

funcionamento da cadeia de sobrevivência (Capítulo 2).

5.1. O INEM

O INEM - Instituto Nacional de Emergência Médica, é o organismo do Ministério da Saúde

ao qual cabe coordenar o funcionamento do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), no território de Portugal Continental, de forma a garantir às vítimas em situação de

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emergência a pronta e correcta prestação de cuidados de saúde. A prestação de socorros no local da ocorrência, o transporte assistido das vítimas para o hospital adequado e a

articulação entre os vários intervenientes no SIEM (hospitais, bombeiros, polícia, etc.), são

as principais tarefas do INEM.

A organização da resposta à emergência, fundamental para a cadeia de sobrevivência,

simboliza-se pelo Número Europeu de Emergência - 112 e implica, a par do reconhecimento da situação e da concretização de um pedido de ajuda imediato, a existência de meios de comunicação e equipamentos necessários para uma capacidade de resposta pronta e adequada.

O INEM, através do Número Europeu de Emergência - 112, dispõe de vários meios para

responder com eficácia, a qualquer hora, a situações de emergência médica.

As chamadas de emergência efectuadas através do número 112 são atendidas em Centrais de Emergência da PSP. Actualmente, no território de Portugal Continental, as chamadas que dizem respeito a situações de saúde são encaminhadas para os CODU do INEM em funcionamento em Lisboa, Porto, Coimbra, e Faro.

5.2. CODU

Compete aos CODU atender e avaliar no mais curto espaço de tempo os pedidos de socorro recebidos, com o objectivo de determinar os recursos necessários e adequados a cada caso. O funcionamento dos CODU é assegurado em permanência por médicos e técnicos, com formação específica para efectuar:

O atendimento e triagem dos pedidos de socorro;

O aconselhamento de pré-socorro, sempre que indicado;

A selecção e accionamento dos meios de socorro adequados;

O acompanhamento das equipas de socorro no terreno;

O contacto com as unidades de saúde, preparando a recepção hospitalar dos doentes.

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Em caso de acidente ou doença súbita ligue, a qualquer hora, 112. A sua colaboração é fundamental para permitir um rápido e eficaz socorro às vítimas, pelo que é fundamental que faculte toda a informação que lhe seja solicitada.

Ao ligar 112 deverá estar preparado para informar:

A localização exacta da ocorrência e pontos de referência do local, para facilitar a chegada dos meios de socorro;

O número de telefone de contacto;

O que aconteceu (ex. acidente, parto, falta de ar, dor no peito etc.);

O número de pessoas que precisam de ajuda;

Condição em que se encontra(m) a(s) vítima(s);

Se já foi feita alguma coisa (ex. controlo de hemorragia);

Qualquer outro dado que lhe seja solicitado (ex. se a vítima sofre de alguma doença ou se as vítimas de um acidente estão encarceradas).

Ao ligar 112, esteja preparado para responder a:

O Quê? Onde? Como? Quem?

Siga sempre as instruções que lhe derem, elas constituem o pré-socorro e são fundamentais para ajudar a(s) vítima(s). Desligue apenas o telefone quando lhe for indicado e esteja preparado para ser contactado posteriormente para algum esclarecimento adicional.

Os CODU têm à sua disposição diversos meios de comunicação e de actuação no terreno, como sejam as Ambulâncias INEM, os Motociclos de Emergência, as VMER e os Helicópteros de Emergência Médica. Através da criteriosa utilização dos meios de telecomunicações ao seu dispor, têm capacidade para accionar os diferentes meios de socorro, apoiá-los durante a prestação de socorro no local das ocorrências e, de acordo com as informações clínicas recebidas das equipas no terreno, seleccionar e preparar a recepção hospitalar dos diferentes doentes.

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5.3. AMBULÂNCIAS

As ambulâncias de socorro coordenadas pelos CODU estão localizadas em vários pontos do país, associadas às diversas delegações do INEM, sedeadas em Corpos de Bombeiros ou nas Delegações da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP). A maior parte das Corporações de Bombeiros estabeleceu com o INEM protocolos para se constituírem como Postos de Emergência Médica (PEM) ou Postos Reserva. Muitas das Delegações da CVP são Postos Reserva.

As Ambulâncias dos Postos de Emergência Médica (PEM) são ambulâncias de socorro do INEM, colocadas em corpos de Bombeiros com os quais o INEM celebrou protocolos, destinadas à estabilização e transporte de doentes que necessitem de assistência durante o transporte, cuja tripulação e equipamento permitem a aplicação de medidas de Suporte Básico de Vida. A tripulação é constituída por dois elementos da corporação e, pelo menos um deles deve estar habilitado com o Curso de TAS (Tripulante de Ambulância de Socorro). O outro tripulante, no mínimo, deve estar habilitado com o Curso de TAT (Tripulante de Ambulância de Transporte).

As Ambulâncias SBV do INEM são ambulâncias de socorro, igualmente destinadas à estabilização e transporte de doentes que necessitem de assistência durante o transporte, cuja tripulação e equipamento permitem a aplicação de medidas de Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa. São tripuladas por 2 TAE do INEM, devidamente habilitados com os Cursos de TAS (Tripulante de Ambulância de Socorro), Condução de Emergência e DAE (Desfibrilhação Automática Externa).

As Ambulâncias SIV do INEM constituem um meio de socorro em que, além do descrito para as SBV, há possibilidade de administração de fármacos e realização de actos terapêuticos invasivos, mediante protocolos aplicados sobre supervisão médica. São tripuladas por 1 TAE e 1 Enfermeiro do INEM, devidamente habilitados. Actuam na dependência directa dos CODU, e estão localizadas em unidades de saúde.

Têm como principal objectivo a estabilização pré-hospitalar e o acompanhamento durante o transporte de vítimas de acidente ou doença súbita em situações de emergência.

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5.4. MOTAS

As Motas de Emergência, tripuladas por um TAE, graças à sua agilidade no meio do trânsito citadino, permitem a chegada mais rápida do primeiro socorro junto de quem dele necessita. Reside aqui a sua principal vantagem relativamente aos meios de socorro tradicionais.

Naturalmente limitada em termos de material a deslocar, a carga da moto inclui Desfibrilhador Automático Externo, oxigénio, adjuvantes da via aérea e ventilação, equipamento para avaliação de sinais vitais e glicemia capilar entre outros. Tudo isto permite ao TAE a adopção das medidas iniciais, necessárias à estabilização da vítima até que estejam reunidas as condições ideais para o seu eventual transporte.

5.5. UMIPE

As Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência (UMIPE) são veículos de intervenção concebidos para transportar um psicólogo do INEM para junto de quem necessita de apoio psicológico, como por exemplo, sobreviventes de acidentes graves, menores não acompanhados ou familiares de vítimas de acidente ou doença súbita fatal. É conduzida por um elemento com formação em condução de veículos de emergência. Actuam na dependência directa dos CODU, tendo por base as Delegações Regionais.

5.6. VMER

As Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) são veículos de intervenção pré-hospitalar, concebidos para o transporte de uma equipa médica ao local onde se encontra o doente. Com equipas constituídas por um médico e um enfermeiro, dispõem de equipamento para Suporte Avançado de Vida em situações do foro médico ou traumatológico.

Actuam na dependência directa dos CODU, tendo uma base hospitalar, isto é, estão localizadas num hospital. Têm como principal objectivo a estabilização pré-hospitalar e o acompanhamento médico durante o transporte de vítimas de acidente ou doença súbita em situações de emergência.

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5.7. HELICÓPTEROS

Os Helicópteros de Emergência Médica do INEM são utilizados no transporte de doentes

graves entre unidades de saúde ou entre o local da ocorrência e a unidade de saúde. Estão equipados com material de Suporte Avançado de Vida, sendo a tripulação composta

por um médico, um enfermeiro e dois pilotos.

Os CODU coordenam:

Ambulâncias de socorro dos Bombeiros e da CVP;

Ambulâncias SBV e SIV do INEM;

Motociclos de Emergência;

UMIPE;

VMER;

Helicópteros.

O

INEM presta também orientação e apoio noutros campos da emergência tendo, para tal,

criado vários sub-sistemas:

5.8. CODU MAR

O Centro de Orientação de Doentes Urgentes Mar (CODU MAR) tem por missão prestar

aconselhamento médico a situações de emergência que se verifiquem em inscritos marítimos. Se necessário, o CODU MAR pode accionar a evacuação do doente e organizar o acolhimento em terra e posterior encaminhamento para o serviço hospitalar adequado.

5.9. CIAV

O Centro de Informação Antivenenos (CIAV) é um centro médico de informação

toxicológica. Presta informações referentes ao diagnóstico, quadro clínico, toxicidade, terapêutica e prognóstico da exposição a tóxicos em intoxicações agudas ou crónicas

O CIAV presta um serviço nacional, cobrindo a totalidade do país. Tem disponíveis

médicos especializados, 24 horas por dia, que atendem consultas de médicos, outros profissionais de saúde e do público em geral.

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Em caso de intoxicação ligue:

CIAV

808 250 143

5.10. Transporte de Recém-Nascidos e Pediatria de Alto Risco

O Subsistema de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco é um serviço de transporte inter-hospitalar de emergência, permitindo o transporte e estabilização de bebés prematuros, recém-nascidos e crianças em situação de risco de vida, para hospitais com Unidades de Neonatologia, Cuidados Intensivos Pediátricos e/ou determinadas especialidades ou valências.

As ambulâncias deste Subsistema dispõem de um Médico especialista, um Enfermeiro e um TAE, estando dotadas com todos os equipamentos necessários para estabilizar e transportar os doentes pediátricos.

Em 2010 foi concluído o processo de alargamento do âmbito deste serviço ao transporte de todos os grupos etários pediátricos. Este serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano.

TÓPICOS A RETER

É fundamental saber ligar 112 e dar a informação correcta e adequada;

Todos nós somos intervenientes no SIEM;

Actualmente o INEM através dos CODU e dos seus meios cobre a totalidade do território continental.

Para mais informações: www.inem.pt

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CAPÍTULO 2 - SUPORTE BÁSICO DE VIDA NO ADULTO

OBJECTIVOS

No final desta unidade modular, os formandos deverão ser capazes de:

1. Descrever os elos da Cadeia de Sobrevivência;

2. Reconhecer a importância de cada um dos elos desta cadeia;

3. Identificar as principais causas de Paragem Cardio-Respiratória (PCR);

4. Listar e descrever as técnicas de reanimação em vítima adulta de acordo com o algoritmo;

5. Listar e descrever os passos para colocar a vítima em Posição Lateral de Segurança (PLS);

6. Reconhecer a obstrução da via aérea no adulto;

7. Listar e descrever a sequência de procedimentos adequada à desobstrução da via aérea no adulto.

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INTRODUÇÃO

- Emergência médica, boa tarde.

- Mande-me uma ambulância, rápido! O meu vizinho acabou de desmaiar e está a ficar roxo!

- Ele respira?

- Acho que não. Depressa! Querem deixar o homem morrer?

- A ambulância vai já a caminho, bem como uma equipa médica. Quer fazer alguma coisa para ajudar a salvar o seu vizinho? Sabe fazer suporte básico de vida?

- Eu já lhe disse que o que quero é uma ambulância

Quando surge uma paragem cardíaca e/ou respiratória as hipóteses de sobrevivência para a vítima variam em função do tempo de intervenção. A medicina actual tem recursos que permit