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Hildegard Peplau - Teoria das Relações Interpessoais

Hildegard Peplau - Teoria das Relações Interpessoais

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Trabalho elaborado em contaxto acdémico no âmbito da Unidade Curricular de Teorias de Enfermagem, obtendo clissificação de 17 valores.
Trabalho elaborado em contaxto acdémico no âmbito da Unidade Curricular de Teorias de Enfermagem, obtendo clissificação de 17 valores.

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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre


















2010






Trabalho Orientado por:
Professora Maria Gabriela Calado


Discente:
Tiago Madeira, n.º 20070070
UNIVERSIDADE DE ÉVORA
ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM SÃO JOÃO DE DEUS
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
UNIDADE CURRICULAR DE TEORIAS DE ENFERMAGEM
CURSO DE LICENCIATURA EM ENFERMAGEM – BOLONHA
3.ºANO – 1.ºSEMESTRE; TURMA 1

A teoria de Hildegard Peplau
Teoria das Relações I nterpessoais
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre


ÍNDICE

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 2
NOTA BIOGRÁFICA ................................................................................................ 3
CONTEXTUALIZAÇÃO DA TEORIA DE PEPLAU .............................................. 5
Enquadramento Histórico e Fontes Teóricas ................................................... 5
TEORIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS ........................................................ 7
Enfermagem Psicodinâmica ............................................................................ 7
Principais Pressupostos ................................................................................... 8
Principais Conceitos ......................................................................................... 8
Postulados e Estágios de Desenvolvimento da Personalidade ......................... 9
PROCESSO DE RELAÇÃO INTERPESSOAL DE ENFERMAGEM SEGUNDO
PEPLAU ..................................................................................................................... 11
Fase de Orientação ........................................................................................ 11
Fase de Identificação ..................................................................................... 14
Fase de Exploração ........................................................................................ 16
Fase de Resolução ......................................................................................... 17
PAPÉIS DA ENFERMAGEM NA RELAÇÃO INTERPESSOAL .......................... 19
RELAÇÃO ENTRE AS FASES DO PROCESSO INTERPESSOAL DE PEPLAU E
O PROCESSO DE ENFERMAGEM ........................................................................ 20
O TRABALHO DE PEPLAU E AS CARACTERÍSTICAS DE UMA TEORIA ... 23
ESTUDO DE UM CASO COM APLICAÇÃO DO PROCESSO DE
ENFERMAGEM DE HILDEGARD PEPLAU ........................................................ 24
Fase de Orientação ........................................................................................ 24
Fase de Identificação ..................................................................................... 30
Fase de Exploração ........................................................................................ 30
Fase de Resolução ......................................................................................... 31
CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 32
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 33
ANEXOS .................................................................................................................. 34
Anexo 1 – Genograma e Vínculos Familiares do Sr. C.M. ............................ 34
Anexo 2 – Plano de Cuidados do Sr. C.M. .................................................... 35

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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre





INTRODUÇÃO

Uma ciência jovem como a enfermagem necessita de sedimentar os seus
conhecimentos próprios, bem como os adquiridos e adaptados de outras disciplinas
com vista à sua autonomia e especificidade.
Segundo Peterson (1977) citado pela Escola de Enfermagem Pós-básica de
Lisboa (1986), uma teoria consiste num conjunto de proposições inter-relacionadas
de uma forma sistemática implicando uma ordem na estrutura interna. Esta organiza
um conteúdo, explica e prevê os acontecimentos no campo de uma disciplina do
conhecimento servindo ainda como um guia para a prática.
Conforme a teoria das relações interpessoais de Peplau e de acordo com o
autor supracitado, a enfermagem é um processo interpessoal terapêutico, através da
relação enfermeiro-paciente, para conseguir ajudar a atingir a maturidade e facilitar
uma vida criativa, construtiva e produtiva. Deste modo, este processo de relação
enfermeiro-paciente de Peplau passa por quatro fases: orientação, identificação,
exploração e resolução.
Neste trabalho, irei começar por fazer uma breve nota biográfica de Hildegard
Peplau. Seguidamente, na contextualização da teoria de Peplau, farei referência ao
enquadramento histórico e às fontes teóricas, abordando posteriormente os principais
conceitos/definições e processo desta teórica em pormenor. No final, compararei o
trabalho de Peplau com as características de uma teoria e será apresentado um estudo
de caso com aplicação do processo de enfermagem de Peplau.
São estes os pontos que pretendo analisar neste trabalho com vista a atingir os
seguintes objectivos: adquirir e aprofundar os conhecimentos sobre esta teoria;
identificar os principais conceitos da teoria; identificar as fases da relação
interpessoal; relacionar as fases da relação interpessoal com as etapas do processo de
enfermagem; identificar os papéis profissionais assumidos pela enfermeira; e
identificar os principais contributos para a enfermagem.
Este trabalho irá ser realizado segundo as normas da APA. (Garcia-Marques,
T., 2001)
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre





NOTA BIOGRÁFICA

Hildegard Elizabeth Peplau nasceu a 1 de Setembro de 1909 em Reading, na
Pensilvânia. Durante a infância, testemunhou a epidemia de gripe de 1918, o que
influenciou em muito a sua percepção da doença e da morte sobre os indivíduos e as
famílias. (Howk, C., 2004)
Iniciou a carreira de enfermagem em 1931, em Pottstown – Pensilvânia – e de
seguida exerceu actividades como enfermeira no Bennington College, onde fez um
bacharelato em Psicologia Interpessoal, em 1943. Estudou nas instalações
psiquiátricas do Bellevue and White Institute, com Harry Stack Sullivan, distinto
psiquiatra da época, e procurou entender e desenvolver a teoria interpessoal de
Sullivan, com a finalidade de aplicá-la à prática de enfermagem. (Howk, C., 2004)
No ano de 1945, Peplau fez parte de um grupo de enfermeiras do Exército dos
EUA durante a 2.ª Guerra Mundial, grande parte do tempo no Hospital de
Neuropsiquiatria da Inglaterra e, depois da guerra, ajudou a reformular o sistema de
saúde mental nos EUA através da promulgação do National Mental Health Act de
1946. (Howk, C., 2004)
Obteve os títulos de Mestre (Enfermagem Psiquiátrica) e Doutora
(Desenvolvimento Curricular) no Teachers College da Universidade de Colúmbia,
onde foi professora e directora do programa avançado de enfermagem psiquiátrica de
1947 a 1953 – período em que formulou sua teoria. Também obteve formação em
psicanálise pelo Instituto William Alanson White de Nova York. (Howk, C., 2004)
Em 1952, lançou o livro Interpersonal Relations in Nursing, onde descreveu
a Teoria das Relações Interpessoais, uma teoria de médio alcance, centrada na
relação entre a enfermeira e o doente, que contribuiu consideravelmente para o
desenvolvimento da enfermagem, em especial para a especialidade de enfermagem
de saúde mental e psiquiatria. Esta obra criou uma mudança paradigmática na
natureza da relação entre o enfermeiro e o doente. Anteriormente, a prática de
enfermagem envolvia acção sobre, para e pelo doente. Mas, com o trabalho de
Peplau, o carácter da enfermagem mudou ao conceptualizar o doente como parceiro
no processo de enfermagem. (Howk, C., 2004)
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

Hildegard Peplau influenciou o avanço dos padrões profissionais, educativos
e práticos da enfermagem e defendeu vigorosamente que as enfermeiras deviam
tornar-se mais instruídas para poderem prestar verdadeiros cuidados terapêuticos aos
doentes, em vez do cuidado conservador que se realizava nos hospitais psiquiátricos
da época. Precursora na sua área, enfatizou a importância da auto-regulação
profissional através da credenciação e introduziu o conceito de grau de Mestre.
(Howk, C., 2004)
Enquanto professora, tornou obrigatória a entrevista de enfermagem com os
pacientes, o registo das mesmas e o estudo acerca dos padrões de interacção. Com
base nessas anotações e na sua experiência, pôde formular as definições de
ansiedade, conflito e frustração presentes na sua teoria. As publicações nas quais
Peplau continuou a desenvolver e a melhorar o seu trabalho permaneceram
consistentes no período de 1952 a 1996. (Howk, C., 2004)
Faleceu a 17 de Março de 1999, aos 89 anos, na sua casa na Califórnia. Foi
considerada a enfermeira do século e destacada, na área da psiquiatria, como a mãe
da enfermagem psiquiátrica. A partir do seu trabalho, o processo interpessoal passou
a fazer parte de forma consciente e efectiva do ensino e da prática da enfermagem.
Por isso, considera-se que a vida e o trabalho de Peplau produziram as maiores
mudanças na prática de enfermagem depois de Florence Nigthingale, tornando-a
digna de várias honras ao longo da sua vida. (Almeida, V.; Lopes M. & Damasceno
M., 2005)














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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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CONTEXTUALIZAÇÃO DA TEORIA DE PEPLAU


Enquadramento Histórico e Fontes Teóricas


Hildegard Peplau, com o objectivo de integrar o conhecimento instituído na
sua estrutura conceptual, desenvolveu um modelo de enfermagem baseado na teoria.
A sua teoria das Relações Interpessoais incluía no seu modelo, teorias de
enfermagem existentes numa altura em que o desenvolvimento destas era
relativamente novo. (Howk, C., 2004)
Ainda segundo a autora supracitada, Peplau usou o conhecimento retirado da
ciência comportamental e daquilo que pode apelidar-se de modelo psicológico para
elaborar a sua Teoria de Relações Interpessoais. E, foi esse conhecimento que
permitiu que a enfermagem se começasse a afastar de uma orientação da doença para
outra, na qual, o significado psicológico dos eventos, sentimentos e comportamentos
podia ser explorado e incluído nas intervenções de enfermagem. Deste modo, Peplau
concedeu à enfermagem a oportunidade de conduzir os doentes a vivenciarem os
seus sentimentos e a explorar com eles o modo de lidar com os mesmos. Pelo que, a
estrutura conceptual das relações interpessoais de Peplau, procura desenvolver a
aplicabilidade destes conceitos por parte dos enfermeiros.
Sullivan, Symonds, Maslow, Mittleman e Miller são algumas das principais
fontes utilizadas por Peplau no desenvolvimento da sua estrutura conceptual. Alguns
dos conceitos terapêuticos que os teóricos referidos legaram emergiram directamente
das obras de Freud e de Fromme. (Howk, C., 2004)
As teorias pré-existentes aquando da elaboração da teoria das Relações
Interpessoais descreviam o comportamento com base na teoria psico-analítica, nos
princípios da aprendizagem social, no conceito de motivação humana e de
desenvolvimento da personalidade. (Howk, C., 2004)
Embora a autora não contemplasse grande aplicabilidade clínica na teoria de
Freud, as hipóteses levantadas por este foram uma importante fonte de estudo, ao
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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enfatizar a importância da motivação, do conflito e do papel da família no inicio da
infância e descobrir a importância do inconsciente. (Howk, C., 2004)
A Teoria da Motivação Humana de Maslow diz que as pessoas são motivadas
para atingir o seu próprio potencial, processo esse que se designa auto-realização. O
trabalho de Miller centra-se na Teoria da Personalidade, em mecanismos de ajuste,
psicoterapia e em princípios de aprendizagem social. O Modelo de Resposta ao
Estímulo de Pavlov influenciou os princípios de aprendizagem social de Miller. Este
auxiliou na tradução da teoria e prática psico-analíticas para termos da teoria de
aprendizagem, criando os fundamentos para que os behavioristas ingressassem na
área da terapia. (Howk, C., 2004)
Sullivan foi precursor na área da psiquiatria moderna. Com outros teóricos e
terapeutas distintos, alargou a psicanálise Freudiana básica e trabalhou com o
objectivo de incluir determinantes culturais e sociais na visão Freudiana, enfatizando
o desenvolvimento das relações interpessoais como prolongamentos necessários da
visão psicanalítica. (Howk, C., 2004)
Deste modo, Peplau procurou combinar as diversas ideias dos teóricos
referidos para fundamentar e elaborar a sua teoria.
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre





TEORIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

A teoria de Peplau é uma teoria aplicada em contextos específicos, sendo
mais fácil a sua aplicação na prática. É considerada uma teoria de médio alcance
pois propõe efeitos menos abstractos que as grandes teorias e mais específicos para a
prática, ou seja, é descrita de forma clara e ajustável à realidade. De acordo com esta
teoria, a díade enfermeiro-paciente estabelece uma meta comum da qual resultam o
crescimento e desenvolvimento pessoais. (Howk, C., 2004)


Enfermagem Psicodinâmica


Peplau, na sua teoria, evidencia o lado psicológico do paciente, considerando
que, na relação enfermeiro-paciente, o segundo deve conseguir compreender os seus
próprios sentimentos - enfermagem psicodinâmica. Este conceito dá importância à
postura adoptada pelo enfermeiro como interferência fundamental durante o processo
de cuidado e auxilia o desenvolvimento da personalidade e do amadurecimento
orientado pelo enfermeiro. (Almeida, V.; Lopes M. & Damasceno M., 2005)
Segundo Peplau, o enfermeiro compreenderá a situação do paciente tanto
melhor quanto melhor conhecer as suas próprias funções, pois o processo vai muito
além das técnicas de enfermagem. Os alicerces da teoria de Peplau estão na relação
interpessoal entre a pessoa enferma e o enfermeiro com formação especializada para
reconhecer e responder à procura de ajuda utilizando as oportunidades disponíveis. A
autora salienta que a díade amadurece como resultado da interacção terapêutica.
Assim, quando duas pessoas se encontram num relacionamento criativo, existe uma
sensação permanente de reciprocidade e proximidade ao longo da experiência. O
binómio envolve-se num processo de auto-preenchimento, que se torna numa
experiência de crescimento. (Belcher, J. & Fish, L., 2000)
Sabe-se que a teoria das relações interpessoais apenas tem em conta o
ambiente hospitalar, isto é, não dá relevância às vivências fora do hospital, nem às
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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diferentes culturas e tradições dos diferentes pacientes e enfermeiros. Deste modo,
somente realça a relação única e interpessoal entre o paciente e o prestador de
cuidados. (Almeida, V.; Lopes M. & Damasceno M., 2005)


Principais Pressupostos


A enfermagem dinâmica, definida por Peplau, desenvolve-se tendo como
base dois pressupostos fundamentais, explicitamente:
i. A postura adoptada pelo enfermeiro interfere directamente na aprendizagem do
utente durante o processo de cuidado, ao longo da sua experiência como doente;
ii. O auxílio ao desenvolvimento da personalidade e ao seu amadurecimento é
uma função da enfermagem que exige o uso de princípios e métodos que
facilitem e orientem o processo de solução dos problemas ou dificuldades
interpessoais quotidianos. (Howk, C., 2004)
Desta feita, “a profissão de enfermagem é assim legalmente responsável pela
utilização eficaz da enfermagem e pelas suas consequências para os doentes”.
(Howk, C., 2004:428)


Principais Conceitos


Hildegard Peplau descreve quatro conceitos fundamentais que a
complementam a sua teoria, a saber: o conceito de enfermagem, de pessoa, de saúde
e de ambiente.
O conceito de enfermagem resume-se a um processo interpessoal cujo foco
principal é a relação binómio enfermeiro-paciente. Na sua teoria, a autora pretende
identificar conceitos e princípios que sustentem as relações interpessoais processadas
na prática de enfermagem, de modo a que as situações de cuidados possam ser
transformadas em experiências de aprendizagem e crescimento pessoal. (Almeida,
V.; Lopes M. & Damasceno M., 2005)
Por outro lado, Peplau define pessoa como um organismo vivo que procura a
sua realização pessoal e luta para atingir um equilíbrio. Deste modo, é um ser que se
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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encontra em desenvolvimento e esforça-se por reduzir a ansiedade provocada pelas
suas necessidades. (Almeida, V.; Lopes M. & Damasceno M., 2005)
No que diz respeito ao conceito de saúde, Peplau afirma que consiste numa
palavra símbolo que implica um movimento da personalidade para a frente e outros
processos humanos em curso, no sentido de uma vida criativa, construtiva, produtiva,
pessoal e comunitária. (Howk, C., 2004)
Por fim, a autora da teoria define o ambiente como forças existentes no
exterior do organismo e no contexto da cultura, a partir das quais a moral, os
costumes e crenças são adquiridos. No entanto, as condições gerais susceptíveis de
conduzirem à saúde incluem sempre o processo interpessoal. (Howk, C., 2004)


Postulados e Estágios de Desenvolvimento da Personalidade


De acordo com a Escola de Enfermagem Pós-Básica de Lisboa (1986:63), a
teoria de Peplau segue os seguintes postulados:
i. Todo o ser humano tem um significado e tende para uma finalidade que pode ser
a procura de um sentimento de satisfação ou de segurança, sendo que a finalidade
nem sempre é clara e expressa de uma forma criativa;
ii. Toda a interferência, bloqueio ou barreira que se atravessa na procura de uma
finalidade constitui uma frustração.
Deste modo, é importante referir que as tarefas psicológicas do
desenvolvimento da personalidade comuns a todos os indivíduos, segundo Peplau,
são as seguintes:
 Aprender a contar com os outros - aprender a comunicar-se de diversas maneiras
com o responsável pelo cuidado primário para ter a necessidades de conforto
satisfeitas;
 Aprender a atingir a satisfação das suas necessidades – aprender a satisfação de
agradar outros por adiar a auto-gratificação de pequenas maneiras;
 Adquirir uma identidade e aceitar-se a si próprio – aprender regras e
comportamentos apropriados adquirindo a capacidade de perceber as
expectativas dos outros;
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 Desenvolver a capacidade de participar – aprender as habilidades de
compromisso, competição e cooperação com os outros; estabelecimento de uma
visão mais realista do mundo e um sentimento do próprio lugar no mesmo.
(Townsend. M., 2002)
Assim, é possível compreender melhor o que Peplau afirma quando define a
pessoa como um “organismo vivo num estado de equilíbrio instável que luta para
atingir um estado de equilíbrio perfeito que não atinge senão na morte.” (Escola de
Enfermagem Pós-Básica de Lisboa; 1986:63).
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PROCESSO DE RELAÇÃO INTERPESSOAL DE ENFERMAGEM DE PEPLAU

O processo de enfermagem segundo Peplau é composto por quatro fases
inter-relacionadas e indissociáveis: orientação, identificação, exploração e
resolução. Cada uma destas fases caracteriza-se por um conjunto de funções, ligadas
aos problemas de saúde, que evoluem à medida que enfermeiro e o paciente
aprendem a trabalhar conjuntamente para resolver as dificuldades. Em cada uma das
fases são definidas as tarefas e os papéis exigidos ao enfermeiro nas distintas
situações. (Peplau, H., 1990)
Para a formulação do seu processo, Peplau tomou em consideração
numerosas questões, consideradas essenciais por si, procurando, consequentemente,
a resposta para estas, de forma a propor um processo claro, completo e aplicável na
generalidade dos casos. Algumas dessas questões são, por exemplo: Como reagem
pessoas diferentes quando ficam doentes pela primeira vez? Quando solicitam ajuda
profissional? Que tipo de atitudes caracterizam a sua conduta? As pessoas, em
geral, sabem como utilizar a ajuda profissional? Como aprendem a procurar e
utilizar a ajuda? A pessoa torna-se mais dependente quando lhe oferecemos ajuda?
Qual é a atitude normal no que se refere às questões de dependência e
independência? Como deveria sentir-se um indivíduo em relação à sua doença?
Como se sente um individuo ao obter ajuda de uma pessoa estranha no seu processo
de doença?. (Peplau, H., 1990)
Estas questões podem ser consideradas como um ponto de partida pois, é a
partir delas, que se podem desenvolver as fases da relação enfermeiro-paciente.


Fase de Orientação


Para obter sucesso nesta etapa do processo, Peplau, H. (1990) definiu ser
necessário compreender que pessoas diferentes reagem de formas diferentes perante
a doença. É ainda necessário perceber que após verificar que tem um problema de
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saúde, que pode ser mais ou menos claro para o paciente, este geralmente solicita
uma assistência profissional que considere útil. Estes aspectos indicam que o
paciente tem a impressão de que necessita de ajuda para resolver o problema. Ao
reclamar esta ajuda, o paciente pode fazê-lo de forma imediata, urgente, ou
atempada (de forma a permitir uma planificação da mesma).
Segundo Peplau, H. (1990) o solicitar assistência por necessidade sentida ou
mal compreendida, constitui o primeiro passo de uma experiência dinâmica de
aprendizagem a partir da qual pode dar-se o passo seguinte no crescimento pessoal e
social. O passo seguinte não é mais que a consideração e descodificação das
necessidades de aprendizagem do paciente. O enfermeiro deve perguntar-se que tipo
de necessidades educativas pode ter um paciente e como pode intervir de forma a
ajudar o paciente a ter consciência daquilo que lhe está a acontecer.
O essencial, segundo a autora supracitada, é fazer com que o paciente
compreenda a dificuldade que enfrenta e desenvolva uma conduta de cooperação. O
enfermeiro deve ter plena consciência que, durante esta etapa, o paciente proporciona
pistas sobre a sua forma de visualizar a dificuldade e oferece ao enfermeiro a
oportunidade de reconhecer carências de informação e compreensão. Com frequência
o paciente formula perguntas do tipo: O que se passa comigo? Porquê é que isto me
teve que acontecer a mim? O que causou isto? Como sairei desta situação?. Estas
perguntas, não são mais que a tradução da intenção de uma pessoa em ampliar a sua
impressão inicial e obter uma ideia clara daquilo que está a experimentar. As funções
do enfermeiro, nesta fase, são colaborar neste processo de clarificação com o fim de
que a experiência vivida possa ser integrada pelo paciente para desenvolver uma
aprendizagem significativa.
Orientar um paciente a respeito do que o seu problema implica é uma tarefa
bastante complexa. É necessário que o paciente compreenda as suas dificuldades e a
magnitude da sua necessidade de ajuda. O enfermeiro deve ajudar a compilar os
dados objectivos observáveis, reforçando e clarificando o que o médico comunicou
ao paciente e ajudando-o a identificar problemas periféricos ou derivados que se
associem com o problema principal. Deve ainda estimular a participação do paciente
na identificação e avaliação do seu problema. Implicar o paciente neste processo é de
extrema importância para ele (e obedece ao método democrático aplicado na
enfermagem). A possibilidade de crescer e levar a cabo tarefas pendentes de modo a
desenvolverem ou ampliarem a personalidade do paciente passa pelo consentimento
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e compreensão dos problemas dominantes, dos factores de realidade relacionados e
das condições internas existentes nos participantes no processo. (Peplau, H., 1990)
Quando se ajuda o paciente a identificar e compreender as facetas do seu
problema médico, o paciente percebe o que este implica e pode basear o seu
conhecimento e a sua actuação posterior nos dados conhecidos. Orientar é, portanto,
fazer com que o paciente compreenda, logo é primordial que todas as instituições se
questionem sobre o que podem oferecer aos pacientes, durante o período inicial,
como o objectivo de informá-los de uma forma mais clarificadora que confusa
(quando se deixa o paciente em dúvida acerca dos serviços disponíveis e do que vai
acontecer este fica mais ansioso e inseguro).
Peplau afirma que todos os pacientes devem ser ajudados a libertar a energia
que deriva da tensão e da ansiedade associada com as necessidades experimentadas,
em relação com os meios que permitem definir, compreender e satisfazer
produtivamente o problema com que se deparam. Numa situação de crise o paciente
pode desenvolver uma rápida ansiedade em relação a várias ameaças (como a
separação dos familiares); é importante orientar o paciente para que esta ansiedade
não se converta em terror. O enfermeiro deverá, por isso, explicar sempre claramente
o que se vai fazer permitindo ao paciente antecipar um acontecimento novo e receber
segurança (interna e externa). Importa reter que tudo o que se faz com o paciente
exige uma explicação orientada por parte do enfermeiro. Quando um enfermeiro
dedica algum tempo a ajudar o paciente a orientar-se nos usos e costumes do
hospital, a experiência hospitalar pode converter-se numa aprendizagem útil. É
função de enfermagem clarificar com o paciente os aspectos da sua situação, os
procedimentos a desenvolver e os acontecimentos que sucederam ao seu redor.
Diferentes pacientes têm diferentes expectativas em relação à enfermagem e, a
maioria destes, experimenta sentimentos contraditórios em relação à sua doença. Ao
paciente deve ser permitido revelar os seus sentimentos e partilhá-los. O paciente
sente o que sente, não pode reorientar os seus sentimentos para aquilo que os outros
esperam dele até tomar consciência desses sentimentos. É valiosa a presença do
enfermeiro para orientar o paciente neste auto-conhecimento. (Peplau, H., 1990)
Durante o período de orientação o paciente clarifica a sua primeira impressão
global do problema, amplia os seus aspectos e aclara detalhes à medida que as
pessoas implicadas na nova situação psicológica actuam na relação com o paciente.
(Peplau, H., 1990)
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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O paciente participa no processo de orientação formulando perguntas,
tentando averiguar o que tem que saber para se sentir seguro e observando a forma
como lhe respondem os profissionais. O doente pede ajuda e recebe assistência, o
que o faz sentir-se em casa pois sabe que lhe é permitido expressar os seus desejos e
que estes vão ser atendidos. (Peplau, H., 1990)

Fase de Identificação

Quando se aclara a primeira impressão do paciente e este acredita conhecer o
que lhe pode oferecer a situação, responde selectivamente às pessoas que parecem
oferecer-lhe a ajuda de que necessita. Alguns pacientes sentem-se como se
pertencessem e formassem parte da aventura de enfrentar um problema. Adoptam
atitudes de afabilidade, optimismo e de solução de problemas ao identificar-se com
enfermeiros que são afáveis, optimistas e úteis para a solução dos problemas. Serão
estes pacientes que se sentirão mais fortes e menos impotentes perante a doença.
Segundo Cantor, N. (1946) citado por Peplau, H. (1990), quando um
enfermeiro permite ao paciente expressar o que sente e lhe oferece a ajuda
necessária, o paciente pode sentir a experiência da doença como uma experiência que
reorienta os sentimentos e fortalece os elementos positivos da sua personalidade.
Em geral, a doença experimenta-se como uma ameaça à segurança, ao poder,
aos sentimentos de dignidade e valor. A intensidade destes sentimentos diminui
quando o paciente se identifica com as pessoas que o ajudam a sentir-se menos
ameaçado. A enfermagem simboliza a aceitação das pessoas como são e a assistência
em momentos de stress. No entanto, nem todos os pacientes podem identificar-se e
aliar-se facilmente com as pessoas que os aceitam. Com frequência, as relações
interpessoais anteriores foram tão traumáticas que o paciente acha inconcebível que o
enfermeiro o venha a aceitar tal como ele é. Outros pacientes pensam não dever fazer
pedidos de cuidados, tendem a isolar-se e são propensos a querer ser independentes
de qualquer tipo de ajuda. Nestes casos, o paciente é incapaz de remeter-se a uma
experiência anterior em que a relação humana se revista de significado. (Peplau, H.,
1990)
A enfermagem deve então desenvolver-se e oferecer experiências novas e
gratificantes permitindo ao paciente identificar-se o bastante para expressar os seus
sentimentos. (Peplau, H., 1990)
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

Acontece que alguns pacientes se identificam demasiado facilmente com os
enfermeiros e esperam que estes entendam todos os seus desejos sem exigir nada em
troca. Estes pacientes podem atravessar a etapa de orientação muito rapidamente, ao
interessar-se pouco pela participação no processo de enfrentar problemas e formular
soluções. Deixam tudo nas mãos das pessoas que cuidam deles. (Peplau, H., 1990)
Peplau compreendeu que, durante a fase de identificação, em que são
proporcionados cuidados de qualidade, são possíveis três tipos de resposta por parte
do paciente:
 Sobre a base da participação ou das relações interdependentes com um
enfermeiro;
 Sobre a base da independência ou do isolamento com respeito ao enfermeiro;
 Sobre a base do desamparo ou dependência de uma enfermeira.
Psicologicamente, nesta fase, o paciente experimenta graus dos mesmos
sentimentos que actuaram numa etapa anterior da sua vida. Pode não ser fácil para o
paciente permitir esta expressão de sentimentos “infantis”, por isso, o enfermeiro
deve ser sensível tanto aos sentimentos psicológicos como aos contra-sentimentos e
às intenções culturais para ajudar o paciente a experimentar ambos com um mínimo
de interferência para o desenlace da doença. (Peplau, H., 1990)
A identificação faz possível a aprendizagem por imitação mas este não é o
objectivo da experiência de aprendizagem que se desenvolve com o paciente. A
aprendizagem construtiva produz-se quando o paciente pode perceber e centrar-se
nas chaves essenciais da situação mediante os seus próprios esforços e quando pode
desenvolver respostas às situações independentemente do enfermeiro. (Peplau, H.,
1990)
Segundo Symonds (1949) citado por Peplau, H. (1990), muitas vezes a
identificação provoca sentimentos encontrados de “amor/ódio” pois a ajuda percebe-
se como algo de útil mas, ao mesmo tempo, tem-se inveja da pessoa que tem a
capacidade de ajudar o outro. A maioria dos pacientes identifica-se com os
enfermeiros sobre a base dos serviços que consideram úteis. Também se identificam
em relação às suas experiências anteriores (conexão inconsciente), ou por
semelhanças físicas com elementos de referência. (Peplau, H., 1990)
Como o enfermeiro não pode saber o que ocupa a mente de um paciente até
que haja alguma comunicação entre ambos, esta deve interrogar directamente o
paciente sobre quais são as suas necessidades ante o problema. Deve ainda procurar
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

saber quais são as concepções prévias do paciente perante os enfermeiros. A
observação durante a fase de identificação tem dois objectivos principais:
 O desenvolvimento de uma clarificação sobre as pré-concepções e expectativas
do paciente em relação aos enfermeiros e à enfermagem;
 O desenvolvimento de clarificação sobre as pré-concepções e expectativas com
os enfermeiros e as suas faculdades para enfrentar o problema.
O paciente aprende a fazer uso da relação enfermeiro-paciente à medida que
ambos chegam a conhecer-se e respeitar-se mutuamente, como pessoas com
semelhanças e diferenças de opinião. O enfermeiro faz uso da sua formação
profissional e da sua habilidade para ajudar o paciente a chegar a um ponto em que
seja capaz de fazer um uso pleno da relação a fim de resolver o problema médico.
(Peplau, H., 1990)
A enfermagem eficaz tem como consequência um maior desenvolvimento da
personalidade. (Peplau, H., 1990)


Fase de Exploração


Depois do paciente se identificar com o enfermeiro atravessa uma fase em
que pode usufruir em pleno dos serviços oferecidos, tentando tirar partido da relação
de acordo com a sua própria imagem da situação. Deste modo, explora todos os bens
e serviços que conhece sempre com vista aos seus interesses e necessidades. (Peplau,
H., 1990)
Se o paciente se sente cómodo, bem cuidado e membro integrante do
ambiente hospitalar, analisa todas as possibilidades de alterar a sua situação. Assim,
verifica-se que os pacientes em fase de recuperação fazem mais pedidos aos
profissionais de enfermagem do que os doentes mais graves, sendo mais autónomos e
realistas sobre a exploração dos serviços. (Peplau, H., 1990)
Espera-se que os pacientes tenham determinadas condutas de exploração: a
plena exploração dos serviços oferecidos como se estivessem a comprovar e a
assegurar-se do que realmente se oferece e, ao mesmo tempo, comece a orientar-se
para novas metas, como o regresso a casa. (Peplau, H., 1990)
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

Esta fase sobrepõe-se com a identificação e a resolução, na fase final da
relação enfermeiro-paciente. A fase que agora consideramos, representa todas as
anteriores e uma extensão do paciente para o futuro. Caracteriza-se por uma fusão de
necessidades e um movimento de “avanço e recuo”. As rápidas mudanças de
comportamento expressam as necessidades, completando a observação. Esta conduta
de “avanço e recuo” é própria da convalescença e Peplau assemelha-a ao
comportamento de um adolescente: a dificuldade parece residir na tentativa de criar
um equilíbrio entre a necessidade de ser dependente durante a doença e independente
após a recuperação. Muitos pacientes oscilam entre um pólo e outro sendo incapazes
de decidir em que direcção ir. O paciente está bem cuidado quando as suas
necessidades são satisfeitas à medida que elas surgem, em vez de se prestar atenção
às aparentes incongruências do seu comportamento, embora a enfermeira deva
compreender o que causa esta mudança de comportamento. (Peplau, H., 1990)


Fase de Resolução


Quando o paciente satisfaz as antigas necessidades e formula novas metas
(regresso a casa, ao trabalho, …) diz-se que entra numa fase de resolução. Nesta fase
abandona os antigos laços e dependências e prepara-se para voltar a casa. Sem uma
adequada acção educativa dos enfermeiros de saúde comunitária, que iria reforçar os
resultados terapêuticos da experiência hospitalar, o paciente voltaria à doença,
recordando uma época de problemas e desamparo onde precisou de ajuda. (Peplau,
H., 1990)
De facto, esta fase deveria coincidir com a resolução do problema médico ou
cirúrgico (por exemplo, com a remoção de pontos e recuperação das forças). Porem a
resolução é um processo psicológico (abandono de laços adquiridos e retorno a casa)
e nem sempre coincide com a resolução médica pois, muitas vezes, o doente mesmo
recuperado não apresenta desejo de concluir a enfermidade. Assim, verifica-se que
muitos doentes são readmitidos sem queixa física que sustente os sintomas
recorrentes. Por exemplo: muitos pacientes com levante precoce parecem muito
interessados nos seus progressos nos primeiros dias mas, posteriormente, apresentam
queixas como se não tivessem satisfeito as suas necessidades anteriores. A autora
afirma que, nestes casos, e sempre que se pressiona fisicamente o doente deve-se
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

recorrer a outros meios para assegurar que se satisfazem as necessidades de
dependência psicológica e de relação de ajuda, até o doente ser capaz de se cuidar
fisicamente por si mesmo. Sem este processo a ansiedade originária de necessidades
não satisfeitas podem converter-se em sintomas que atrasam o processo de
recuperação e criam tensão. (Peplau, H., 1990)
Esta fase implica a libertação gradual da identificação das pessoas que
proporcionaram ajuda, crescimento e fortalecimento da capacidade de actuar por si
mesmo. O paciente tem êxito quando todas as etapas anteriores foram amplamente
satisfeitas e ocorreu um encadeamento adequado entre elas. Neste contexto a autora
fala em “criança psicológica: aceitação incondicional de uma relação de apoio que
proporciona total satisfação das necessidades, reconhecimento de respostas a chaves
de crescimento na forma e no momento em que aparecem ao paciente,
desprendimento do poder do enfermeiro ao paciente quando este conseguir satisfazer
os seus desejos e aplicar os seus próprios esforços para alcançar as suas metas”.
Nesta fase de resolução o enfermeiro ajuda o paciente a organizar as suas acções até
que este esteja disposto e livre a aplicar-se a uma actividade social produtiva e a
estabelecer relações. O seu êxito dependente da cadeia de acontecimentos
precedentes. (Peplau, H., 1990)

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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre





PAPEIS PROFISSIONAIS DA ENFERMAGEM NA RELAÇÃO INTERPESSOAL

Na enfermagem psicodinâmica, Peplau apresenta vários papéis de
enfermagem: o de estranho; o de pessoa de recurso; o de professor; o de líder; o
de substituto; e o de conselheiro. Estes, são conjuntos de valores e comportamentos
específicos de posições funcionais em estruturas sociais. (Townsend, M., 2002)
No papel de estranho, o enfermeiro deve tratar o doente com cortesia, isto é,
sem o julgar. Deve partir do pressuposto que o doente é emocionalmente capaz, até
que algo contraste. (Howk, C., 2004)
No papel de pessoa de recurso, o enfermeiro oferece a informação específica
necessária de forma a ajudar o paciente a melhor compreender o seu problema e a
sua nova situação. O enfermeiro determina o tipo de resposta mais adequado à
aprendizagem construtiva, tanto ao dar respostas factuais claras como no
aconselhamento. (Howk, C., 2004)
O papel de professor é a combinação de todos os papéis e atenta para o que o
doente já sabe, mas, de outro modo, desenvolve o seu interesse e a sua capacidade de
usar a informação. No papel de líder, o enfermeiro auxilia o doente através de uma
relação de cooperação e participação activa, através de um processo democrático.
(Howk, C., 2004)
Por vezes a relação estabelece entre o binómio enfermeiro-doente é passível
de confusão e o doente confunde o enfermeiro com outra pessoa, colocando este
profissional de saúde no papel de substituto. Neste caso o enfermeiro ajuda o
paciente permitindo-lhe re-experimentar e examinar genericamente antigos
sentimentos gerados em relações anteriores. O desempenho efectivo destes papéis
proporciona ao paciente um novo símbolo de figura de autoridade e rivalidade e
permite reorientar os seus sentimentos em relação a eles. (Peplau, H., 1990)
O sexto papel, e segundo Peplau, o mais significativo, é o papel de
conselheiro, que depende da relação que o enfermeiro estabelece com o doente. É
importante que o enfermeiro ajude o doente a lembrar e a compreender o que lhe está
a acontecer, bem como a ultrapassar a situação de forma positiva. (Howk, C., 2004)
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RELAÇÃO ENTRE AS FASES DO PROCESSO INTERPESSOAL DE PEPLAU E
O PROCESSO DE ENFERMAGEM

A sequência das quatro fases de Peplau, orientação, identificação, exploração
e resolução, pode ser comparada com o processo de enfermagem. O processo de
enfermagem é definido como “uma actividade intelectual deliberada pela qual a
prática de enfermagem é abordada de maneira ordenada e sistémica. (Belcher, J. &
Fish, L., 2000:51)
Existem semelhanças entre o processo de enfermagem e as fases interpessoais
de Peplau. Tanto as fases de Peplau como o processo de enfermagem são sequenciais
e dão ênfase às interacções terapêuticas. Ambos salientam que o enfermeiro e o
paciente devem usar técnicas para solucionar problemas em colaboração, com o
objectivo final de responder às necessidades do paciente. Ambos enfatizam o auxílio
ao paciente na definição mais precisa das queixas gerais, para que as necessidades
específicas do paciente possam ser identificadas. Por último, ambos usam a
observação, a comunicação e o registo como instrumentos básicos para a prática de
enfermagem. (Belcher, J. & Fish, L., 2000)
Actualmente, devido à maior participação da enfermagem, os enfermeiros
podem ou não encaminhar o paciente ao médico dependendo das suas necessidades.
Através da ampliação da participação, a enfermagem está a tornar-se mais
competente e responsável dando ao enfermeiro mais independência legal do que
anteriormente quando a função principal do médico era reconhecer a importância
total do problema nuclear e o tipo de assistência profissional necessária. (Belcher, J.
& Fish, L., 2000)
Segundo Peplau, H. (1952) citada por Belcher, J. & Fish, L. (2000)
identificam-se as necessidades, a frustração, o conflito e a ansiedade como conceitos
importantes em situações de enfermagem. Estes conceitos são abordados para que
ocorra crescimento do paciente e do enfermeiro. Contrariamente, o enfermeiro de
hoje avalia muitos conceitos como a dinâmica intra-familiar, os aspectos socio-
económicos, os espaços pessoais e os recursos de serviço social da comunidade.
Estes conceitos proporcionam uma perspectiva mais ampla do que os conceitos de
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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necessidade, frustração, conflito e ansiedade de Peplau. Actualmente, a família, o
grupo ou a comunidade podem ser definidos como o paciente no processo de
enfermagem.
A fase de orientação de Peplau é paralela ao início da apreciação, na qual o
enfermeiro e o paciente se encontram como estranhos. Este encontro é de iniciativa
do paciente, que expressa uma necessidade. Em conjunto, enfermeiro e paciente
começam a trabalhar para reconhecer, esclarecer e colher dados importantes para
essa necessidade. Actualmente, este conjunto de acções é denominado de colheita de
dados na fase de apreciação no processo de enfermagem. A orientação e a
apreciação não são sinónimas e não devem ser confundidas. A colheita de dados é
contínua ao longo das fases de Peplau enquanto, no processo de enfermagem, a
colheita de dados inicial faz parte da apreciação, sendo as posteriores colheitas de
dados integrantes da reapreciação. (Belcher, J. & Fish, L., 2000)
No processo de enfermagem, o diagnóstico é realizado quando são
identificados os problemas de saúde; é um resumo dos dados colhidos e analisados.
Durante o período de orientação de Peplau, “o paciente esclarece a primeira e total
impressão do seu problema”. (Belcher, J. & Fish, L., 2000:53)
No processo de enfermagem, as metas mutuamente estabelecidas evoluem a
partir do diagnóstico de enfermagem, direccionando o plano de cuidados e indicando
os recursos apropriados para a assistência. De acordo com Peplau, o paciente é visto
como estando na fase de identificação. O enfermeiro e o paciente podem
experimentar conflitos aquando da colaboração para a consecução das metas comuns.
Estes conflitos são baseados nos preconceitos e expectativas de cada um (tal como na
teoria de Peplau). (Belcher, J. & Fish, L., 2000)
Na fase de planeamento do processo de enfermagem, o enfermeiro determina
a forma como o paciente irá atingir as metas estabelecidas. O enfermeiro procura a
participação do paciente integrando-o no plano de cuidados. Quando o paciente se
sente incluído no plano, há maior probabilidade de sucesso. Peplau (1952/1988)
citada por Belcher, J. & Fish, L. (2000), salienta que o enfermeiro deve desenvolver
o relacionamento terapêutico para que a ansiedade do paciente possa ser canalizada
construtivamente na busca de recursos, diminuindo os sentimentos de desespero.
Assim, o planeamento pode ainda ser considerado parte da fase de identificação de
Peplau. Nesta fase, o paciente responde selectivamente ao enfermeiro que preenche a
sua necessidade pessoal de identificação. Logo esta fase é iniciada pelo paciente. O
planeamento do processo de enfermagem dá significado às acções de enfermagem
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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visando a resolução dos problemas do paciente. O enfermeiro incorpora os pontos
fortes e as fraquezas do paciente no plano de cuidados.
Tanto na fase de execução como na exploração de Peplau, o paciente
experimenta os benefícios do relacionamento terapêutico provenientes do
conhecimento do enfermeiro. Ambas têm planos individualizados formulados com
base nas necessidades e nos interesses do paciente, sendo estes direccionados para a
obtenção das metas desejadas. Contudo, há uma diferença entre estas duas fases. Na
exploração, é o paciente quem procura os serviços para obter benefícios, enquanto
que na execução existe um plano ou um procedimento por escrito, de natureza
holística, usado para atingir metas e objectivos estabelecidos na apreciação de
enfermagem. Desta forma, a exploração é orientada para o paciente, opondo-se à
execução que pode ser realizada pelo paciente, pela sua família ou por profissionais
de saúde. (Belcher, J. & Fish, L., 2000)
Por ultimo, a fase de resolução de Peplau que determina que as fases
anteriores tenham sido realizadas com sucesso e as necessidades preenchidas. A
resolução é o resultado final. Apesar de Peplau não discutir a avaliação, ela é um
factor intrínseco na determinação da capacidade do paciente para prosseguir na fase
de resolução. No processo de enfermagem, a avaliação é um passo separado e os
comportamentos finais esperados (metas) são usados como instrumentos de
avaliação. São estabelecidos limites de tempo na obtenção das metas com finalidade
avaliativa. Na avaliação, o problema dirige-se ao seu termo. Se o problema não fica
solucionado, as metas e os objectivos não são cumpridos e deverá ser feita uma
reapreciação. (Belcher, J. & Fish, L., 2000)
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre




O TRABALHO DE PEPLAU E AS CARACTERÍSTICAS DE UMA TEORIA

Segundo Belcher, J. & Fish, L. (2000) na literatura, há uma certa divergência
quanto ao facto de o livro de Peplau ser uma teoria. Por este motivo será importante
de referir neste item o trabalho de Peplau, comparando-o às características de uma
teoria. No entanto, segundo os autores supracitados, o trabalho de Peplau, em geral,
constitui uma teoria de enfermagem.
Muito sumariamente, uma teoria apresenta sete características:
 Inter-relaciona conceitos de modo a criar uma maneira diferente de encarar um
determinado fenómeno;
 É lógicas por natureza;
 É relativamente simples, ainda que generalizáveis;
 Contribui para o aumento do corpo geral de conhecimentos, no âmbito da
disciplina e contribui para tal, através da pesquisa implementada para prová-las;
 Pode ser utilizada pelos profissionais para conduzir e aperfeiçoar a sua prática;
 E precisa de ser compatível com outras teorias, leis e princípios comprovados,
embora deixem algumas questões não respondidas em aberto, precisando de ser
investigadas.

Deste modo, é possível perceber, através do exame destas características, que o
trabalho de Peplau, datado de 1952, possui as características de uma teoria. Os seus
pontos fortes incluem a criação de uma forma singular de encarar a enfermagem e a
ampliação do corpo de conhecimentos da enfermagem. Por outro lado, as suas
limitações incluem o facto de que algumas áreas precisam de ser mais desenvolvidas
para poderem gerar hipóteses testáveis e ainda um ponto fraco no que diz respeito à
aplicação a pacientes com certas características. A pesquisa em enfermagem deve
então centrar o seu foco na testagem das hipóteses dessa teoria, na busca da sua
comprovação. (Belcher, J. & Fish, L., 2000)

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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre




ESTUDO DE UM CASO COM APLICAÇÃO DO PROCESSO DE
ENFERMAGEM DE HILDEGARD PEPLAU

Neste capítulo do trabalho, será apresentado um estudo de caso, seguindo as
fases do processo de enfermagem segundo Hildegard Peplau. Como em todos os
trabalhos realizados que envolvam utentes, é necessário tomar inúmeras precauções,
com o objectivo de proteger todas as pessoas que nele participam.
Assim, foi salvaguardado o direito ao anonimato e à confidencialidade do
utente interveniente neste estudo de caso, de modo a que nenhumas das pessoas
referidas e intervenientes possam futuramente ser reconhecidas. Assim, são
mencionadas as letras em substituição dos nomes que correspondem às iniciais dos
seus nomes.


Fase de Orientação


Nesta fase foi estabelecido o primeiro contacto com o doente - o Sr. C. M. - e
foi efectuada a entrevista de enfermagem. Foi transmitida confiança e o enfermeiro
colocou-se como alguém importante e de referência para o doente. Foi explorado o
nível cultural do Sr. C.M., a sua capacidade de estabelecer relações, a percepção que
tinha dos seus problemas e as perspectivas relativas ao internamento. Os dados de
interesse foram recolhidos para traçar o perfil do caso.

Referências Pessoais e Familiares do Sr. C.M.:
Nome: Sr. C.M.
Sexo: Masculino
Idade: 44 anos
Raça: Caucasiana
Escolaridade/Formação profissional: 12.º Ano; Curso de Hotelaria (EPRAL) e
Curso de Panificação (Porto)
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre
Residência: Évora
Constituição Familiar: Habita sozinho. (Ver Anexo 1 – Genograma e Vínculos
Familiares do Sr. C.M.)
Sistemas/ serviços de apoio: Serviço Nacional de Saúde;
Crenças religiosas/ culturais: Sem informação.
Profissão: O Sr. C. M. afirma estar aposentado. Trabalhou em vários locais nos
últimos anos, na área da hotelaria, mas acabou por ser despedido ou demitia-se
quando o trabalho não o agradava.
Data de admissão no DPSM – HESE-EPE: 06 de Maio de 2009
Motivos do internamento: Síndrome Depressivo, com Ideação Suicida;
Tipo de Internamento: Electivo.
Pessoa a contactar: Irmã, Sr.ª A.M.

História Clínica Actual:
O Sr. C. vivia com o pai de 85 anos, que faleceu subitamente há cerca de dois
meses, no dia 09 de Março de 2009. Desde essa data passou a não andar
emocionalmente bem: triste, sem apetite (anorexia), com insónias e com
pensamentos negativos (ideação suicida). No dia 4 de Maio de 2009, dirigiu-se ao
Serviço de Urgência para pedir ajuda, onde o Dr. G. lhe alterou a medicação, não
tendo sido verificadas melhoras (sic). O Sr. C. afirma que “já não aguentava passar
noites em claro e com ideias suicidas” (sic).
O Sr. C. tem problemas económicos graves (dependia economicamente do
pai); a Segurança Social não lhe concedeu pensão de sobrevivência; vive sozinho;
tem medo de ficar dependente dos irmãos; tem uma ordem de despejo, pedida pela
senhoria da casa onde habita, e não consegue suportar a ideia de perder a sua casa,
onde sempre morou. (sic) Tudo isto foram factores que desencadearam a crise
depressiva.
O Sr. C. tem défice de acuidade auditiva mal compensada. No dia 27 de Maio
de 2009 foi pedida pelo médico requisição de consulta de otorrinolaringologia
(ORL), mas ainda veio sem marcação. No dia 7 de Junho de 2009 foi pedida pelo
médico requisição de consulta pela Estomatologia, por o Sr. C. referir odontalgia,
associada a gengivite. Neste mesmo dia, foi-lhe concedida permissão para estar fora
do serviço de 10 a 13 de Junho de 2009, por manifestar vontade de estar com a sua
família.

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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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História Clínica Anterior:
O Sr. C. afirma tomar medicação calmante desde os 9 anos de idade, por ter
sido uma criança bastante agitada e que gritava muito. (sic) Aos 18 anos realizou a
primeira tentativa suicida, relacionada com a sua orientação sexual. O Sr. C. afirma
ser homossexual e que esta opção sempre o fez sofrer muito, provocando vários
desgostos e ideações suicidas ao longo da sua vida (não especificando). (sic)
O Sr. C já teve episódios de esquizofrenia, associada ao consumo de drogas
(haxixe), tendo já estado internado no DPSM (sic). (Sem informação da data do
internamento.) O Sr. C. tem défice de acuidade auditiva e dislipidémia.

História Clínica Familiar:
Toda a família paterna do Sr. C. sofre de défice de acuidade auditiva. (sic) A
sua irmã mais velha, a Sr, M.A., e o seu irmão mais novo, os Sr. J.P., têm artrite
reumatóide. (sic) A filha da sua irmã A.M. tem Síndrome de Down. O seu irmão
mais velho, o Sr. J.M., já teve problemas depressivos, relacionados com dificuldades
económicas, há cerca de 7 anos. O pai do Sr. C., como referido anteriormente,
faleceu de morte súbita e a sua mãe faleceu com patologia hepática, devido à grande
quantidade de medicamentos que tomava. (sic)

Comportamentos Observáveis Durante o Internamento:
Desde em que foi iniciado o acompanhamento com o Sr. C., este tem-se
mostrado cordial quando abordado, com fáceis pouco expressivo, com discurso
coerente e adequado e com humor deprimido, mas tendencialmente eutímico. Tem
preferência por actividades solitárias, passando a maior parte dos turnos na sala de
convívio fazendo “paciências”. Quando são propostas actividades de grupo fica um
pouco reticente devido à sua situação clínica de défice de acuidade auditiva, mas tem
participado com agrado.
Alimenta-se, geralmente, da totalidade das refeições que lhe são fornecidas,
tolerando. Refere dormir bem, por longos períodos, não apresentando insónias e,
durante o dia, não apresenta sonolência. Apresenta odontalgia associada a gengivite,
cefaleias e obstipação.
Em todas as entrevistas realizadas até ao momento, o Sr. C. refere-se
angustiado com a ordem de despejo; ansioso com a falta de resposta da Segurança
Social; medo de ficar dependente dos seus irmãos para sobreviver e de perder a sua
casa; e saudades do seu pai. Na última entrevista realizada, o Sr. C. manifestou
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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vontade de ir passar uns dias a casa para estar com os seus familiares, por ser altura
da festa de aniversário da sua irmã e da sua sobrinha. Depois de o médico ter dado
consentimento, o Sr. C. manifestou alegria, esboçando sorrisos ao longo do dia e
humor eutímico.

Apreciação Física, Psicológica e Actividades de Vida Diária:
O Sr. C. não apresenta risco de infecção, pensos, alergias ou exposição a
factores ambientais de risco. Possui casa própria, com divisões suficientes tendo em
conta a relação quarto/agregado. A sua habitação possui água canalizada, rede de
esgotos e luz eléctrica. Cumpre o calendário vacinal e automedica-se em caso de
febre e/ou cefaleias. Reconhece a necessidade de internamento e identifica as
principais características da sua doença. Apresenta anedonia e falta de interesse pela
vida, afirmando “a minha vida é uma seca (...) ” pelo que manifesta frequentemente
ideação suicida. O Sr. C. reconhece a necessidade de permanência no serviço de
internamento. Desde o inicio do acompanhamento, que não manifesta ideação
suicida ou labilidade emocional. Mantém anedonia. Requer acompanhamento
emocional.
O Sr. C apresenta uma respiração regular, superficial e curta, ruidosa – com
congestionamento nasal -, e eupneica. A respiração é caracterizada como toraco-
abdominal, não sendo visível o levantamento da asa do nariz. A sua caixa torácica é
relativamente simétrica. Não apresenta acessos de tosse produtiva ou aumento de
secreções, apesar de fumar cerca de 20 cigarros diariamente. Por avaliação, a sua Fr
é de 18 cr/min, sendo a sua Fc de 87 bc/min, sendo o pulso avaliado e, regular,
segundo o seu ritmo, e saltão, segundo a sua força/volume. Sua TA é de 91/58
mmHg. Apresenta pele integra sem qualquer tipo de comprometimento ou lesão,
sem edemas ou outros indicadores de má perfusão periférica.
O Sr. C. está consciente e orientado local, espacialmente e em relação à
pessoa. Apresenta facilidade de expressão oral e gestual, quando abordado,
apresentando um fáceis pouco expressivo. Não apresenta alterações ao nível da visão
(compensada com óculos – desde os 4 anos de idade), olfacto, tacto e paladar.
Respeitante à audição, apresenta hipoacúsia compensada sem sucesso.
Ausência da maioria das peças dentárias, sendo compensada com o uso de
placa dentária (maxilar superior; molares e pré-molares do maxilar inferior). No
entanto, ao nível do maxilar inferior, nos dentes incisivos e caninos, manifesta
odontalgia associada a gengivite.
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre
Capacidade de compreensão inalterada, aceitando facilmente qualquer pedido
ou ordem que lhe seja transmitida. Apresenta discurso coerente e adequado, com
vocabulário simples. Interage pouco com os outros doentes, técnicos, estagiários e
enfermeiros, tendo preferência por actividades solitárias.
Realiza, em média, quatro refeições diárias (pequeno almoço – uma banana e
bolachas; almoço – refeições de carne ou peixe; lanche – uma sandes e cerveja;
jantar – alimenta-se apenas de sopa), exceptuando nos períodos de maior anedonia
onde manifesta falta de apetite. As refeições são em horário regular, sendo o
pequeno-almoço cerca das 10h30, o almoço às 13h00, o lanche às 17h00 e o jantar às
19h30. É o próprio que cozinha as suas refeições, manifestando grande prazer nesta
actividade. Realiza as compras mensalmente, com a ajuda da sua irmã. Apesar de
referir odontalgia associada a gengivite, continua a ter preferência por alimentos
sólidos. Devido à sua hipotensão, aquando as refeições, tem sempre junto de si uma
embalagem de sal fino. Sem intolerâncias ou alergias alimentares conhecidas.
Apresenta-se aparentemente bem nutrido. (Sem informação do IMC).
Em internamento realiza dieta geral, alimentando-se, na maior parte das
refeições, da totalidade da dieta fornecida. Já foi alertado sobre o consumo do sal.
Controlo total dos esfíncteres sendo independente nesta actividade de vida.
Refere sofrer de obstipação, realizando eliminação intestinal cerca de duas a três
vezes/semana, com o auxílio de laxantes. Afirma que o seu padrão habitual é realizar
a eliminação intestinal uma vez por dia. Tem várias micções diárias de características
normais. Hábitos de higiene regulares.
No domicílio: Toma duche em dias alternados e realiza a higiene oral apenas
uma vez por dia. No internamento: Realiza banho total diário e higiene oral três
vezes por dia, preferencialmente após as refeições, complementando-a com o bocejo
com Tantum Verde. Apresenta aspecto geral limpo e cuidado. Roupa bem cuidada e
adequada ao seu tamanho e estado nutricional. É a sua irmã mais velha que cuida da
sua roupa, quer no domicílio, quer durante o período de internamento. Apresenta pele
limpa e integra, sem equimoses, cicatrizes, macerações ou soluções de continuidade.
Unhas sujas e pouco cuidadas. Possui alopécia na região supra-occipital, com cabelo
limpo e pouco cuidado. Desloca-se sozinho até ao quarto de banho onde realiza a sua
higiene corporal no chuveiro, pela manhã.
Sabe utilizar um termómetro. Conhece os procedimentos a adoptar em caso
de hipo ou hipertermia. Vestuário adequado à estação do ano e temperatura actual.
Durante o internamento apenas tem manifestado cefaleias, caracterizando-as como
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
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uma dor tipo “pontada”. Doente apirético sem sinais de hipo ou hipertermia (T -
36,5ºC).
O Sr. C é autónomo nesta actividade de vida, referindo nunca ter utilizado
instrumentos auxiliares da marcha. Apresenta boa postura corporal, com boa
amplitude de movimentos. Marcha lenta com passos curtos. No domicílio: Desloca-
se diariamente a pé para o part-time. Não pratica exercício físico e não possui
quaisquer próteses ósteo-articulares.
O Sr. C. afirma ter iniciado a sua vida laboral após o término do seu curso
profissional de hotelaria, tendo ainda realizado alguns complementos profissionais na
área da panificação. Ao longo dos anos trabalhou em vários locais, mas refere nunca
ter gostado de nenhum, acabando por ser despedido ou demitir-se. Afirma que, na
maior parte dos sítios, havia falta de condições de trabalho. Neste momento
encontra-se aposentado. De segunda a sexta trabalha como voluntário nos escuteiros.
Gosta de passear e de ir à praia, mas refere já não o fazer há algum tempo.
Questionado sobre os seus amigos, o Sr. C. afirma que estes se afastaram
dele. Só ainda tem um amigo, o Sr. L., com quem, de vez em quando, combina um
almoço ao domingo. Não alimenta muitas relações de amizade exteriores ao seu
núcleo familiar. Refere não gostar muito de desabafar e incomodar as outras pessoas.
(sic) (Ver Anexo 1). No internamento, a ocupação dos seus tempos livres é feita a ver
televisão na sala de convívio e a fazer jogos de paciência. Quando participa nas
actividades realizadas no serviço manifesta agrado.
O Sr. C. apresenta vestuário adequado ao seu sexo e à sua idade. Afirma ser
homossexual. Refere sentir-se sozinho e ter necessidade de reconstruir a sua vida
com outrem, pois sente falta de afectos e atenção (sic).
Antes da morte do pai, o Sr. C., afirma dormir cerca de 12h (das 21h00 às
9h00), com insónias. Após a morte do pai, o doente refere que não conseguia
adormecer antes das 6h00, devido a todos os factores associados a este caso,
alternando períodos de TV com a ingestão de ansiolíticos, que chegavam aos 7/8 por
noite. Em internamento, o Sr. C. afirma chegar ao quarto e adormecer facilmente.
Dorme geralmente bem, sente-se descansado e não apresenta sonolência.
O Sr. C., como já referido, perdeu o seu pai recentemente (morte súbita).
Afirma que a morte do pai mexeu muito consigo, principalmente porque ficou
sozinho e não era algo que esperasse. (sic) Com a morte do pai levantaram-se os
problemas económicos e sociais. Todos estes factores levaram a que o Sr. C.
constantemente tivesse ideação suicida, referindo o mesmo: “já não tinha vontade de
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre
viver” e “achei que o mundo já não tinha nada para mim”. O Sr. C. afirma já ter
tentado o suicídio. A primeira vez foi aos 18 anos de idade, devido à orientação
sexual, por se sentir rejeitado.


Fase de Identificação


Nesta fase foi feita a análise dos dados e planeadas acções de enfermagem de
acordo com os problemas detectados e com os objectivos; procurou-se que não
fossem demasiado ambiciosos, para que pudessem ser realizáveis e mensuráveis.








Na elaboração do plano de cuidados foi tentada ao máximo a não repetição de
acções. Há acções que se complementam, mas tendem a ser realizadas de acordo com
o grau de pertinência e o estado actual do Sr. C.M. Os planos de cuidados e as
respectivas intervenções de enfermagem encontram-se em anexo. (Ver Anexo 2)


Fase de Exploração


Nesta fase o doente foi ajudado a resolver os problemas, tendo sido
implementado o plano de cuidados.


Fase de Resolução


Diagnóstico de Enfermagem
Foco Juízo
AUTO-ESTIMA Diminuída
SUICÍDIO Potencial
OBSTIPAÇÃO Actual
LUTO FAMILIAR Actual
SENTIMENTOS DE IMPOTÊNCIA Actual
DOR MUSCULOSQUELÉTICA Actual
AUDIÇÃO Diminuída
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre
Gradualmente o enfermeiro foi fazendo o “desmame” do relacionamento. O
doente foi ajudado a encontrar soluções para o futuro, a rever o que aprendeu da
relação terapêutica, e foi avaliada a sua capacidade para começar uma vida mais
positiva e construtiva.

Avaliação Geral da Evolução do Doente:


A avaliação mais pormenorizada da evolução do doente encontra-se em
anexo a par do planos de cuidados e das intervenções de enfermagem. (Ver Anexo 2)

Diagnóstico de Enfermagem Avaliação
Foco Juízo 1.ª Semana 2.ª Semana 3.ª Semana 4.ª Semana
AUTO-ESTIMA Diminuída
Tende a
Melhorado
Tende a
Melhorado
Tende a
Melhorado
Tende a
Melhorado
SUICÍDIO Potencial Diminuído Nenhum Nenhum Nenhum
OBSTIPAÇÃO Actual Actual Nenhum Nenhum Nenhum
LUTO FAMILIAR Actual
Tende a
Normal
Tende a
Normal
Tende a
Normal
Tende a
Normal
SENTIMENTOS
DE IMPOTÊNCIA
Actual Actual Actual
Tende a
Diminuído
Tende a
Diminuído
DOR MUSCULO-
ESQUELÉTICA
Actual Actual Actual Nenhuma Nenhuma
AUDIÇÃO Diminuída Diminuída Diminuída Diminuída Diminuída
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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre




CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho foi abordada a Teoria das Relações Interpessoais de Peplau.
Esta teoria surge na década de 50, e reflecte a preocupação com a compreensão da
natureza da enfermagem na época, sendo importante para a prática profissional.
O núcleo desta teoria repousa no processo interpessoal que constitui parte
integrante da enfermagem actual. Este processo consiste nas fases sucessivas de
orientação, identificação, exploração e resolução. Tanto as fases de Peplau quanto as
do processo de enfermagem são sucessivas e centralizam o seu foco sobre as
interacções terapêuticas. Quando duas pessoas se encontram numa relação criativa,
ocorre um senso ininterrupto de reciprocidade e união durante toda a experiência.
Ambas as pessoas encontram-se envolvidas num processo de auto-satisfação que
passa a ser uma experiência de crescimento. (Belcher, J. & Fish, L., 2000)
A contribuição desta teoria para o campo da enfermagem dá-se nas áreas da
prática clínica, na teoria e na pesquisa, trazendo acréscimos à base de conhecimentos
em enfermagem. Contribui assim para uma nova visão da enfermagem e do papel do
enfermeiro destacando a importância da relação enfermeiro-paciente com vista ao
crescimento e ao amadurecimento mútuos. (Almeida, V.; Lopes M. & Damasceno
M., 2005)
No que diz respeito ao estudo de caso, embora o modelo teórico de Peplau
tenha sido aplicado a um doente de foro psiquiátrico, arrisco afirmar que a sua
aplicação pode ser é útil nos hospitais gerais.
Hildegard Peplau pôs ênfase nas relações interpessoais, baseadas na
comunicação efectiva e numa verdadeira relação de ajuda.
Ao analisar o plano de cuidados, poder-se-á verificar uma actuação a nível
global e constatar que a maioria desses cuidados de enfermagem são independentes.
Outro aspecto a salientar, é o facto de os critérios de resultado serem traçados
relativamente ao doente, isto é, daquilo que se pretende que o doente seja capaz, em
vez de objectivos relativamente à actuação do enfermeiro na medida do possível
foram operacionalizados, para facilitar a sua posterior avaliação.

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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre




REFERÊNCIAS

 Almeida, V.; Lopes, M. & Damasceno, M. (2005) - Teoria das relações
interpessoais de Peplau: análise fundamentada em Barnaum. Revista da
Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. 39(2), 202-210.
Consultado em Outubro, no dia 10, do ano 2010, através da fonte:
www.scielo.br/pdf/reeusp/v39n2/11.pdf;
 Belcher, J. & Fish, L. (2000) – Hildegard E. Peplau. In: George, J. (2000)
Teorias de enfermagem, os fundamentos à prática profissional. 4.ª Edição,
Porto Alegre: Artmed Editora, 45-57;
 Escola de enfermagem pós-básica de Lisboa (1986). Modelos teóricos de
enfermagem. Lisboa, 5-24,67-71;
 Garcia-Marques, T. (2001). Como escrever um relatório de um estudo
empírico de acordo com as normas da APA. Instituto Superior de Psicologia
Aplicada, Lisboa.
 Howk, C. (2004). Hildegard Peplau – Enfermagem Psicodinâmica. In:
Tomey, A. & Alligood, M. (2004). Teóricas de enfermagem e sua obra
(modelos e teorias de enfermagem. 5.ª Edição, Loures: Lusociência. 423-434;
 Peplau, H. (1990). Relaciones interpersonales en enfermería. Edição
Original, Barcelona: Salvat Editores, 11-12,15-36;
 Townsend, M. (2002). Enfermagem psiquiátrica: conceitos de cuidados. 3.ª
Edição, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 39-42. ISBN 85-277-0694-6;








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A Teoria de Peplau – Teoria das Relações Interpessoais
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre




ANEXOS

Anexo 1 – Genograma e Vínculos Familiares do Sr. C.M.

Figura 1 – Genograma e Vínculos Familiares do Sr. C. (antes e
depois do falecimento dos seus pais), com a respectiva legenda.
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau
Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre



Anexo 2 – Plano de Cuidados do Sr. C.M.


Os planos de cuidados realizados para o Sr. C. M. foram efectuados segundo a CIPE
®
(versão 1.0, 2005). No entanto, devido ao
facto deste sistema não possuir algumas expressões que considerei essenciais para a realização dos planos de cuidados, foram utilizadas
outras, para que o quadro seja perceptível. Estas expressões encontram-se em itálico.
A CIPE
®
é descrita como um sistema de linguagem de enfermagem unificado. Esta deve conseguir harmonizar e dar um sentido
às múltiplas necessidades de terminologia dos enfermeiros.
A CIPE
®
assenta num Modelo de 7 Eixos, que pretende facilitar o seu uso continuado pelos enfermeiros. As definições de cada
um dos sete eixos da CIPE® Versão 1 são:
A. Foco: área de atenção relevante para a Enfermagem (por exemplo dor, sem abrigo, eliminação, esperança de vida, conhecimento).
B. Juízo: opinião clínica ou determinação relativamente ao foco da prática de enfermagem (por exemplo nível decrescente, risco,
melhorado, interrompido, anormal).
C. Recursos: forma ou método de concretizar uma intervenção (por exemplo ligadura, técnica de treino vesical, serviço de nutrição).
D. Acção: processo intencional aplicado a, ou desempenhado por um cliente (por exemplo educar, trocar, administrar, monitorizar).
E. Tempo: o ponto, período, instante, intervalo ou duração de uma ocorrência (por exemplo admissão, nascimento, crónico).
F. Localização: orientação anatómica ou espacial de um diagnostico ou intervenção (por exemplo posterior, abdómen, escola,).
G. Cliente: sujeito a quem o diagnóstico se refere e que é o beneficiário da intervenção (por exemplo recém-nascido, prestador de
cuidados, família, comunidade).
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

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1. Auto-Estima Diminuída
Acção Cliente Foco Juízo Localização Recursos Tempo
Diagnóstico
de
Enfermagem
Sr. C.
M.
Auto-Estima Diminuída DPSM





Intervenções
de
Enfermagem




Escutar Sr. C.
M.
Auto-estima DPSM Enfermeiro; Escuta Activa. Sempre
Estabelecer Sr. C.
M.
Relação de
Confiança
DPSM Enfermeiro; Entrevista de
Ajuda; Princípios Éticos.
Sempre
Estar
Presente
Sr. C.
M.
Auto-estima DPSM Enfermeiro; Disponibilizar
Tempo e Espaço
Sempre
Incentivar Sr. C.
M.
Auto-conhecimento/
Auto-estima
DPSM Biblioterapia
(Diários/Narrativas);
Reforço Positivo; Escuta
Activa.
Frequência
1 vez dia,
mínimo
Estimular Sr. C.
M.
Expressão de
Sentimentos,
DPSM e
Domicílio
Enfermeiro; Escuta Activa;
Técnica de Feedback;
Frequência
1 vez dia,
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre








Intervenções
de
Enfermagem
Pensamentos e
Emoções
Biblioterapia mínimo
Proporcionar Sr. C.
M.
Autonomia DPSM Serviço de Terapia
Ocupacional (Actividade
de Culinária); Treino de
Aptidões; Técnica de
Distracção
Ocorrência
Supervisionar Sr. C.
M.
Relacionamentos DPSM Presença; Enfermeiro Frequência
Durante os
‘tempos
livres’
Encorajar Sr. C.
M.
Comunicação DPSM Técnica de Interacção;
Treino de Assertividade.
Dia
1 vez,
mínimo
Estabelecer
(com)
Sr. C.
M.
Metas Realistas DPSM e
Domicílio
Biblioterapia; Entrevista
de Ajuda; Técnica de
Feedback; Reforço
Positivo; Planeamento do
fim-de-semana.
Frequência
1 vez dia,
mínimo
Instigar Sr. C.
M.
Novos desafios DPSM e
Domicílio
Biblioterapia; Entrevista
de Ajuda; Programa
Semana,
1 vez,
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre






Cultural. mínimo
Monitorizar Sr. C.
M.
Cognição DPSM Entrevista de Ajuda Dia
1 vez
Elogiar Sr. C.
M.
Prossecução de
metas
DPSM Reforço Positivo; Técnica
de Feedback.
Sempre
Reforçar Sr. C.
M.
Pensamentos
Positivos
DPSM Reforço Positivo;
Biblioterapia; Técnica de
Feedback.
Sempre
Envolver Sr. C.
M.
Processo de Tomada
de Decisão
DPSM Reforço Positivo;
Biblioterapia; Técnica de
Feedback
Sempre
Avaliar Sr. C.
M.
Consciencialização
(Awareness)
DPSM e
Domicílio
Dispositivos de avaliação:
Avaliação do Dia (Diário);
Balanço positivo e
negativo e denominação.
Diariamente
Resultados de
Enfermagem
Sr. C.
M.
Auto-Estima Melhorada DPSM e
Domicílio

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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

Descrição das Intervenções de Enfermagem e Justificação:

O enfermeiro deve:
- Estabelecer com o Sr. C.M. uma relação de confiança, de forma a poder intervir terapêuticamente. Para tal, o enfermeiro deve
escutar activamente o doente; incentivá-lo à realização da Entrevista de Ajuda de Enfermagem; disponibilizar-lhe tempo e espaço;
e seguir fielmente os princípios éticos.
- Incentivar o Sr. C.M. ao auto-conhecimento/auto-estima, através de objectivos realistas e de actividades que promovam o I nsight e
o Empowerment, nomeadamente através da elaboração de diários, da exploração de narrativas (Biblioterapia), e da Entrevista de
Ajuda.
- Estimular o Sr. C.M. a expressar os seus sentimentos, pensamentos e emoções.
- Proporcionar ao Sr. C.M. autonomia e responsabilidade através da realização de algumas actividades pertinentes. É importante que
o doente tenha êxitos e, deste modo, devem ser planeadas actividades em que o sucesso seja provável. Sabe-se que um dos gostos que o
Sr. C. M. tem é o de cozinhar. Sendo assim, está planeada uma actividade de cozinha para o dia 22 de Junho de 2009.
- Supervisionar as relações interpessoais, de forma a ajudar o doente a identificar estratégias mais adaptativas. Do mesmo modo, o
enfermeiro deve disponibilizar feedback positivo perante os comportamentos positivos e/ou adequados. O doente pode necessitar de
ajuda a resolver problemas. O reforço positivo aumenta a auto-estima e encoraja a repetição de comportamentos desejáveis.
- Encorajar o Sr. C.M. à comunicação, treinando com o mesmo técnicas de assertividade: a capacidade de reconhecer a diferença
entre comportamentos passivos, assertivos e agressivos; a importância de respeitar os direitos humanos dos outros enquanto protege os
seus. A auto-estima é reforçada e aumentada através da capacidade de interagir com os outros de uma forma assertiva.
- Estabelecer com o Sr. C.M. metas realistas, delineando objectivos realistas de modo a minimizar a frustração. Para tal, o Sr. C.M.,
após identificar comportamentos e atitudes que deve mudar (através da realização dos diários, avaliação do dia, etc.), o mesmo deve
construir, inicialmente em conjunto com o enfermeiro, um planeamento para os fins-de-semana em que tem autorização médica para
ir ao domicílio.
- Desafiar o Sr. C.M. à realização de actividades lúdico-culturais, facultando ao mesmo a Agenda Cultural da Cidade de residência,
entre outros. Por outro lado, deve também desafiar o Sr. C.M. a explorar actividades de voluntariado e de ocupação dos tempos livres.
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

- Estimular o Sr. C.M. a identificar aspectos positivos de si e a desenvolver formas de mudar características que não são socialmente
aceites. Para tal o enfermeiro deve utilizar o reforço positivo, a técnica de feedback e o treino da assertividade. Os indivíduos com auto-
estima diminuída têm frequentemente dificuldade em reconhecer os seus atributos positivos. Podem também ter lacunas na
incapacidade de resolver problemas e necessitar de ajuda a elaborar um plano para implementar mudanças desejadas.
- Promover a independência no cumprimento das responsabilidades pessoais e na tomada de decisão relacionada com o auto-
cuidado. Oferecer reconhecimento e elogiar os êxitos. O reforço positivo aumenta a auto-estima e estimula a repetição de
comportamentos desejáveis. (A título de exemplo, o Sr. C. M., por apresentar higiene oral descuidada, necessita de, após as refeições,
complementar a higiene oral com Tantum Verde. Espera-se que o Sr. C. M. venha ter com o enfermeiro e não o contrário. Por outro
lado, espera-se o as metas que o Sr. C.M. definiu aquando a elaboração do diário sejam cumpridas com determinação.)
- Envolver o doente no processo de tomada de decisão – tomar as decisões pode ajudá-lo a combater a ambivalência e a procastinação
associadas com a auto-estima diminuída.
- Avaliar a condição mental do Sr. C.M., por meio de entrevista e observação, no mínimo uma vez por dia, pois se a ansiedade se
manifestar em auto-rejeição e se tornar severa, o doente poderá vivenciar desorientação e sintomas psicóticos. Por outro lado, o
enfermeiro deve também estimular o Sr. C.M. a avaliar os seus dias através de um mecanismo padrão, para que o mesmo tome
consciência dos aspectos positivos e negativos do dia; tentando que o Sr. C.M. ponha propósitos para melhorar os aspectos negativos e
reforçando os aspectos positivos.

Resultados Esperados

Pretende-se que, no final do internamento, o Sr. C. M. apresente o foco auto-estima adaptado ao juízo melhorado, sendo capaz de
verbalizar aspectos positivos de si próprio.

Avaliação
Primeira Semana - 4 a 10 de Junho de 2009:

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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

Após uma semana o Sr. C. tende a que o foco de auto-estima seja melhorado. Participou com agrado em todas as
sessões/actividades terapêuticas realizadas pelos estagiários de enfermagem e mostrou-se bastante disponível para as entrevistas de
ajuda realizadas. Manifestou alegria por ter sido dado consentimento médico para que este fosse passar uns dias a casa, para estar com a
família, e por ter recebido boas notícias da Segurança Social. No entanto, o Sr. C. continua a ter preferência por actividades mais
solitárias, interagindo pouco com os restantes membros do grupo. Tem dificuldade em manifestar aspectos positivos de si.

Segunda Semana - 15 a 19 de Junho de 2009:

Durante a segunda semana o Sr. C. tende a que o foco de auto-estima seja melhorado. Não manifestou alterações
comportamentais relativamente à semana anterior. No entanto, no dia 18 foi realizada a actividade terapêutica para explorar os seus
sentimentos, pensamentos e emoções relativamente ao fim-de-semana anterior (composição de um texto) em que foi possível determinar
alguns focos de intervenção de enfermagem, para trabalhar posteriormente. Após a análise do texto é possível notar alguns sinais de
baixa auto-estima. Contudo, a classificação do juízo tende a melhorar.
É de notar que no dia 19 realizou o planeamento do fim-de-semana e foi-lhe fornecido o diário de fim-de-semana;
O Sr. C. continua a ter preferência por actividades mais solitárias, interagindo pouco com os restantes membros do grupo.

Terceira Semana - 22 a 24 de Junho de 2009:

Durante a terceira semana o Sr. C. tende a que o foco de auto-estima seja melhorado. No dia 22, quando regressou ao serviço,
partilhou um pouco do fim-de-semana, afirmando que este tinha sido agradável apesar de alguns imprevistos e almoçou na T.O. com
alguns doentes e técnicos, interagindo de forma cordial e adequada. No dia 23 realizou novamente o planeamento do fim-de-semana,
desta vez sozinho, utilizando como recurso o material fornecido (Agenda Cultural, Programa do Fórum Eugénio de Almeida;
Planeamento da Feira de São João, entre outros.). O Sr. C.M. demonstrou bastante agrado na realização desta actividade terapêutica.
No dia 24, quando abordada e explorada a questão da alta, o Sr. C.M. ainda manifesta ainda não se sentir preparado e que esta situação
ainda o deixa algo incomodado. Foi realizada com o Sr. C. a análise do planeamento para o fim-de-semana e feito reforço positivo.
O Sr. C. continua a ter preferência por actividades mais solitárias, no entanto, estas já são realizadas mais proximamente dos restantes
doentes, interagindo mais pontualmente com os mesmos.
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

Quarta Semana - 29 de Junho a 1 de Julho de 2009:

O Sr. C. tende a que o foco de auto-estima seja melhorado. No dia 30 foi realizada a análise do fim-de-semana. Durante o dia o Sr.
C.M. manifestou humor estável e eutímico. Estava animado por ter cumprido fielmente grande parte do planeamento. No entanto,
quando questionado sobre os seus medos, ainda manifesta receio de estar sozinho em casa, apesar de pensar que devia arriscar.
No dia 1 o Sr. C.M. manifestou tristeza e ansiedade com a notícia da alta clínica para esse mesmo dia. No entanto, fica em internamento
social até dia 3 de Julho. Foi dado apoio emocional ao Sr. C.M. através do diálogo e da escuta activa, tendo este oportunidade para
partilhar os seus sentimentos. O Sr. C.M. ficou consciente que esta sua atitude é normal e foi reforçado o facto de que o mesmo
necessita de, a partir de agora, pôr em prática as novas estratégias de coping.


2. Suicídio Potencial
Acção Cliente Foco Juízo Localização Recursos Tempo
Diagnóstico de
Enfermagem
Sr. C. M. Suicídio Potencial DPSM e
Domicílio




Vigiar Sr. C. M. Comportamento


DPSM Enfermeiro; Presença Sempre
Criar Sr. C. M. Bem-Estar
Ambiente Seguro
DPSM Remover objectos
perigosos
Sempre
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre




Intervenções de
Enfermagem
















Incentivar a
expressar
Sr. C. M. Sentimentos,
Pensamentos e
Emoções
DPSM e
Domicílio
Terapia de Grupo;
Entrevista de Ajuda;
Biblioterapia; Técnica de
feedback.
Semana
1 vez,
mínimo
Determinar Sr. C. M. Suicídio (grau de
risco)
DPSM Relação de Ajuda;
Terapia do Luto; Técnica
de Feedback
Semana
1 vez,
mínimo
Questionar Sr. C. M. Ideação Suicida DPSM Enfermeiro; Entrevista
de Ajuda; Terapia do
Luto
Semana 1 a
2 vezes
Explorar Sr. C. M. Suicídio (causas) DPSM Entrevista de Ajuda;
Técnica de Feedback
Semana
1 vez,
mínimo
Redireccionar Sr. C. M. Atenção,
Pensamentos
DPSM e
Domicílio
Técnica de Interacção;
Técnica de Distracção;
Técnica de Relaxamento
Simples
Frequente
Desenvolver Sr. C. M. Estratégias de
Coping
DPSM Diálogo; Linhas de
Orientação; Terapia de
grupo; Terapia de Luto;
Frequente
Envolver Sr. C. M. Tratamento DPSM e Planeamento de Sempre
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre


Descrição das Intervenções de Enfermagem e Justificação:

O Enfermeiro deve:
- Criar um ambiente seguro para o Sr. C.M., removendo todos os objectos potencialmente perigosos a que o doente tem acesso
(objectos cortantes, tiras de tecido, cintos, gravatas, objectos de vidro, álcool…); supervisionar de forma próxima as refeições e
administrações terapêuticas; e efectuar revistas ao quarto, na medida do necessário. A segurança do doente é uma das prioridades do
enfermeiro.
- Encorajar e incentivar o Sr. C.M. a expressar sentimentos, pensamentos e emoções verdadeiras, utilizando como recurso a
elaboração de um diário, a narrativa, a entrevista de ajuda e a terapia de grupo.
- Determinar, juntamente com o Sr. C.M. o grau de risco de suicídio e as suas causas, questionando-o sobre a ideação suicida,
recorrendo à Terapia do Luto, Técnica de Interacção, e Entrevista de Ajuda de Enfermagem;



Intervenções de
Enfermagem

e Família Domicílio actividades;
Biblioterapia; Reforço
Positivo
Promover Sr. C. M. Estratégias de
resolução
DPSM e
Domicílio
Entrevista de Ajuda;
Planos de cuidados;
Frequente
Promover Sr. C. M. Apoio DPSM e
Domicílio
Família; Diálogo; Linhas
de orientação.
Sempre
Administrar Sr. C. M. Tratamento DPSM Medicação Prescrita Sempre
Resultados de
Enfermagem
Sr. C. M. Suicídio Nenhum DPSM e
Domicílio

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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

- Desenvolver com o Sr. C.M. estratégias de Coping e de promoção do insight, através da elaboração dos diários, narrativas, terapia de
grupo e entrevista de ajuda de enfermagem, entre outros. Associada a esta acção, o enfermeiro deve ajudar o doente a redireccionar os
seus pensamentos e a sua atenção através da técnica de relaxamento simples – exercícios respiratórios, por exemplo.
- Se possível, envolver a família no tratamento e reabilitação, de forma a promover a continuidade do tratamento e evitar a recaída do
doente. Tal pode ser concretizado utilizando como recursos o planeamento de actividades, a biblioterapia, reforço positivo, entrevista de
ajuda, entre outros.

Resultados Esperados

Pretende-se que, no final do internamento, o Sr. C. M. apresente o foco suicídio adaptado ao juízo “nenhum”, não colocando
em risco a sua vida e não manifestando sentimentos ou ideação suicida.

Avaliação

Primeira Semana - 4 a 10 de Junho de 2009:

O Sr. C.M. diminuiu a sua ideação suicida. È possível avaliar este progresso com base na inexistência de verbalizações
relacionadas com esta ideia.

Segunda Semana - 14 a 19 de Junho de 2009, Terceira Semana - 21 a 24 de Junho de 2009 e Quarta Semana - 29 de Junho a 1 de
Julho de 2009:

O Sr. C. M. apresenta o foco suicídio adaptado ao juízo “nenhum”. È possível avaliar este progresso com tal, uma vez que o Sr.
C.M. foi questionado sobre o assunto e negou qualquer ideação suicida.


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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

3. Obstipação Actual
Acção Cliente Foco Juízo Localização Recursos Tempo
Diagnóstico
de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Obstipação Actual DPSM
Intervenções
de
Enfermagem
Administrar
Sr. C.
M.
Obstipação

DPSM
Medicamento
(Laxante)
Situação, SOS
Supervisionar
Sr. C.
M.
Padrão Alimentar, de
Ingestão de Líquidos e de
Eliminação
DPSM
Enfermeiro;
Técnica de
Interacção;
Observação;
Frequente
Assistir
Sr. C.
M.
Obstipação/Fecalomas DPSM Enema, p.e. Situação, SOS
Ensinar
Sr. C.
M.
Sistema Gastrointestinal
DPSM e
Domicílio
Técnica de Treino
Intestinal;
Ensinos
(Massagem
Abdominal;
Horário Regular.)
Ocorrência
Sempre
Instruir
Sr. C.
M.
Dor
DPSM e
Domicílio
Ensinos; Diálogo Ocorrência
- 47 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre


Descrição das Intervenções de Enfermagem e Justificação:

O Enfermeiro deve:

- Administrar um laxante ou um enema, conforme prescrito, para promover a eliminação de sólidos e gases a partir do trata GI,
monitorizando a eficácia; No entanto, deve ser enfatizado para o doente evitar a ingestão de laxante, se possível, ou gradualmente
diminuir o seu uso para evitar trauma maior à mucosa intestinal.
- Supervisionar a ingestão e a excreção precisamente para assegurar uma terapia precisa de reposição hídrica.
- Encorajar o Sr. C.M. a realizar exercícios diários simples, tal como uma caminhada, para aumentar o tónus muscular e estimular a
circulação.
- Instruir o Sr. C.M. para evitar esforço durante a defecação, a fim de evitar dano ao tecido, sangramento e dor.
- Ensinar o Sr. C.M. na realização da massagem abdominal, para promover o conforto.
- Aconselhar o Sr. C.M. a evacuar em horários regulares, para ajudar na adaptação e rotina da função fisiológica;
Encorajar
Sr. C.
M.
Sistema Gastrointestinal
DPSM e
Domicílio
Caminhadas;
Exercícios Diários
Frequentemente
Incentivar
Sr. C.
M.
Padrão de Ingestão de
líquidos e fibras
DPSM e
Domicílio
Ensinos; Garrafa
de Água (1,5L ou ½
L); Técnica de
Nutrição,
Sempre
Resultados de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Obstipação Nenhum
DPSM e
Domicílio

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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

- Incentivar a ingestão hídrica de ≥ 2,5 L diariamente, se não for contra-indicado, para promover a hidratação; Por outro lado, deve-se
corrigir os hábitos dietéticos, estimulando o Sr. C.M. para incluir na sua alimentação frutas e vegetais frescos, cereais e pães integrais,
adequadamente, o que suprirá as necessidades de volume para a eliminação normal.

Resultados Esperados

Pretende-se que, no final do internamento, o Sr. C. M. apresente o foco obstipação adaptado ao juízo “nenhum”, não apresentando
obstipação; apresentando movimento intestinal de acordo com o padrão habitual; consumindo uma dieta rica em fibra ou rica em
volume, a menos que contra-indicado; mantenha uma ingestão hídrica ≥ 1,5L, diariamente e que expresse compreensão sobre as
medidas preventivas, tais como ingestão de frutas e pães integrais e engajamento de actividade suave, se apropriado.

Avaliação

Primeira Semana - 4 a 10 de Junho de 2009:

O Sr. C. M. mantém o foco de obstipação adaptado ao juízo de actual. No dia 6 foi administrada medicação laxante por este
referir queixas de obstipação (4 dias – note-se que o padrão habitual do Sr. C. é diário). O efeito laxante só surtiu efeito um dia depois.
No dia 9 o doente volta a referir obstipação. Tem-lhe sido administrada medicação laxante durante as refeições, para que o foco de
obstipação seja adaptado a juízo melhorado.
Foi realizado ensino (massagem abdominal) e incentivado a aumentar o padrão de ingestão de líquidos.

Segunda Semana - 14 a 19 de Junho de 2009, Terceira Semana - 21 a 24 de Junho de 2009 e Quarta Semana - 29 de Junho a 1 de
Julho de 2009:

O Sr. C. M. apresenta o foco obstipação adaptado ao juízo “nenhum”, não apresentando obstipação, isto é, não referindo queixas.

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Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

4. Luto Familiar Actual
Acção Cliente Foco Juízo Localização Recursos Tempo
Diagnóstico de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Luto Familiar Actual DPSM






Intervenções
de
Enfermagem







Desenvolver
Sr. C.
M.
Relação de
Confiança


DPSM
Relação Terapêutica;
Entrevista de Enfermagem;
Técnica de Interacção;
Técnica de feedback.
Sempre
Demonstrar
Sr. C.
M.
Disponibilidade DPSM
Enfermeiro; Presença;
Entrevista de Ajuda.
Sempre
Incentivar a
expressar
Sr. C.
M.
Sentimentos,
Pensamentos e
Emoções (morte do
pai)
DPSM e
Domicílio
Entrevista de Ajuda;
Biblioterapia; Técnica de
feedback; Terapia do Luto.
Semana
1 vez,
mínimo
Determinar
Sr. C.
M.
Luto (Fase) DPSM
Enfermeiro; Entrevista de
Ajuda; Terapia do Luto
Semana, 1
vez
Aliviar
Sr. C.
M.
Sofrimento DPSM
Terapia na Crise;
Escuta Activa; Técnica de
Feedback;
Sempre
Redireccionar Sr. C. Atenção, DPSM e Técnica de Interacção; Frequente
- 50 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre



Intervenções
de
Enfermagem

M. Pensamentos
Negativos
Domicílio Técnica de Distracção;
Técnica de Relaxamento
Simples – exercícios
respiratórios.
Reforçar
Sr. C.
M.
Pensamentos
Positivos (Memória
positiva do Pai)
DPSM
Reforço Positivo;
Biblioterapia; Técnica de
Feedback.
Sempre
Estabelecer
Sr. C.
M.
Metas Realistas
(Reforço do
compromisso de
honra)
DPSM e
Domicílio
Biblioterapia; Entrevista de
Ajuda; Técnica de
Feedback; Reforço
Positivo; Planeamento do
fim-de-semana
Frequência
1 vez dia,
mínimo
Ensinar
Sr. C.
M.
Conhecimento DPSM
Estádios do Luto; Terapia
do Luto; Técnica de
Feedback
Início
Promover
Sr. C.
M.
Mecanismos de
Coping e Insight
DPSM
Técnica de feedback;
Terapia do Luto;
Biblioterapia
Sempre
Prevenção do
isolamento
social
Sr. C.
M.
Socialização
DPSM e
Domicílio
Técnicas de Distracção;
Programa Cultural e
Lúdico; Treino de Aptidões
Frequência
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Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre


Descrição das Intervenções de Enfermagem e Justificação:

O Enfermeiro deve:
- Determinar a fase do luto na qual o Sr. C.M. está fixado e identificar comportamentos associados a essa fase. Ter noção desde
estádio é necessário para ser elaborado um plano de cuidados efectivo para o doente em luto.
- Desenvolver uma relação de confiança com o Sr. C.M.. Mostrar empatia e interesse, ser honesto, isto é, seguir fielmente os princípios
éticos associados à prática profissional. A confiança é a base de uma relação terapêutica.
- Manter uma atitude de aceitação e possibilitar ao doente a expressão de sentimentos de forma aberta. Uma atitude de aceitação oferece
ao doente de que acredita nele ou então que é uma pessoa validada. A confiança é reforçada.
- Ensinar ao doente os estádios normais do luto (choque, negação, depressão, culpa, ansiedade, agressividade, reintegração) e
comportamento associado a cada um deles. Auxiliar o doente a perceber que sentimentos direccionados ao conceito de perda são
apropriados e aceitáveis. Conhecimentos de aceitação dos sentimentos associados ao processo normal de culpa pode auxiliar o doente a
libertar-se da culpa que estas respostas originam.
- Auxiliar o doente na resolução de problemas enquanto ele tenta determinar métodos mais adaptativos de coping relativamente à
experiência de perda. Oferecer feedback positivo pelas estratégias identificadas e pelas tomadas de decisão. O feedback positivo
aumenta a auto-estima e encoraja a repetição do comportamento desejado. Associada a esta acção, o enfermeiro deve ajudar o doente a
Sociais (Planeamento do
fim-de-semana).
Avaliar
Sr. C.
M.
Capacidade para se
ajustar
DPSM
Técnica de Feedback;
Reforço Positivo.
Semana, 1
vez
Resultados de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Luto Familiar Normal
DPSM e
Domicílio

- 52 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

redireccionar os seus pensamentos negativos e a sua atenção através da técnica de relaxamento simples – exercícios respiratórios,
por exemplo.
- Prevenir o isolamento social do Sr. C.M., incentivando-o à socialização, para que este tenha uma participação activa na comunidade
e não se feche sobre si mesmo.
- Avaliar a capacidade que o Sr. C.M. tem de se ajustar à situação de luto, tendo em vista a capacidade de redução de tensão
emocional e partilha de problemas de forma natural.

Resultados Esperados

Pretende-se que, no final do internamento, o Sr. C. M. apresente o foco luto familiar adaptado ao juízo “normal”, sendo capaz de
verbalizar os normais estádios do processo de luto e comportamento associado a cada um; de associar o seu próprio estádio no processo
de luto e expressar sentimentos verdadeiros relativamente à perda; não manifestar exageros emocionais e luto disfuncional; e ser capaz
de realizar as suas actividades de vida diária.


Avaliação

Primeira Semana - 4 a 10 de Junho de 2009:

O Sr. C. M. tende a que o foco de luto familiar seja adaptado ao juízo de normal. Apesar de manifestar receio em voltar a casa
e encontrar as coisas como as deixou, fazendo-o recordar o seu pai, já fala do assunto sem manifestações de ansiedade ou angústia. A
ida ao domicílio era levada de ânimo leve, uma vez que apenas ia dormir a casa, não passando muito tempo na mesma (sic). Foi possível
determinar a fase de luto em que o Sr. C. se encontra – reintegração – através da verbalização de sentimentos “menos ansioso” (sic),
pela determinação em ir passar este tempo a casa e prontidão para melhorar o seu estado de saúde.

Segunda Semana - 14 a 19 de Junho de 2009:
- 53 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

O Sr. C. M. tende a que o foco de luto familiar seja adaptado ao juízo de normal. No dia 19 realizou o planeamento do fim-de-
semana e foi-lhe fornecido o diário de fim-de-semana. Deste modo, foi possível identificar algumas estratégias para trabalhar com o Sr.
C.M., nomeadamente ao nível da Terapia do Luto.

Terceira Semana - 22 a 24 de Junho de 2009:

O Sr. C. M. tende a que o foco de luto familiar seja adaptado ao juízo de normal. A análise do diário no dia 23 permitiu
aprofundar determinadas questões e formam formuladas novas questões. Foi também possível, aquando a entrevista de ajuda, recorrer à
Técnica Imagética, de forma a reforço do compromisso com a vontade do pai, recorrendo à memória positiva do mesmo. (Ver Anexo 3)

Quarta Semana - 30 de Junho a 1 de Julho de 2009:

O Sr. C. M. tende a que o foco de luto familiar seja adaptado ao juízo de normal. Apesar de manifestar ainda algum receio em
voltar definitivamente para casa, o próprio consegue identificar as áreas da sua vida que merecem particular atenção e que necessitam de
ser trabalhadas.









- 54 -
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Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

5. Sentimentos de Impotência Presente

Acção Cliente Foco Juízo Localização Recursos Tempo
Diagnóstico de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Sentimentos de
Impotência
Actual DPSM





Intervenções
de
Enfermagem






Intervenções
Verbalizar e
Identificar
Sr. C.
M.
Sentimentos,
Pensamentos e
Emoções (situações
de vida fora do
alcance)


DPSM
Entrevista de Ajuda;
Biblioterapia; Técnica de
feedback;
Semana
1 vez,
mínimo
Auxiliar e
Avaliar
Sr. C.
M.
Capacidade da se
ajustar
DPSM
Biblioterapia; Entrevista
de Ajuda; Técnica de
Feedback
Sempre
Encorajar
Sr. C.
M.
Participação
DPSM e
Domicílio
Actividades de Ocupação;
Planeamento de fim-de-
semana; Biblioterapia
Sempre
Valorizar
Sr. C.
M.
Capacidade de
desempenho
DPSM
Reforço Positivo; Técnica
de Feedback; Entrevista
de ajuda.
Sempre
Desenvolver Sr. C. Mecanismos de DPSM e Técnica de feedback; Sempre
- 55 -
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Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre


Descrição das Intervenções de Enfermagem e Justificação:

O Enfermeiro deve:
de
Enfermagem

M. Coping Domicílio Treino de aptidões
sociais; Biblioterapia
Programas
Sr. C.
M.
Metas Realistas
(Plano Pós-Alta)
DPSM e
Domicílio
Biblioterapia; Entrevista
de Ajuda; Técnica de
Feedback; Reforço
Positivo; Planeamento do
fim-de-semana
Frequência
1 vez dia,
mínimo
Redireccionar
Sr. C.
M.
Atenção,
Pensamentos
Negativos (medos)
DPSM e
Domicílio
Técnica de Interacção;
Técnica de Distracção;
Técnica de Relaxamento
Simples – exercícios
respiratórios.
Frequente
Preparar
Sr. C.
M.
Autonomia
DPSM e
Domicílio
Biblioterapia; Relação de
Ajuda;
Alta
Resultados de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Sentimentos de
Impotência
Diminuído DPSM
- 56 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

- Auxiliar o Sr. C.M. a identificar e verbalizar as áreas da sua situação de vida que controla, através da expressão dos seus
sentimentos, pensamentos e emoções. A condição emocional do doente interfere com a sua capacidade de resolver problemas. O
auxílio é necessário para se ter percepção dos benefícios e das consequências alternativas disponíveis.
- Auxiliar o Sr. C.M. a identificar áreas da sua situação de vida que estão fora do seu controlo. Encorajar a verbalização dos
sentimentos relacionados com esta incapacidade num esforço em lidar com assuntos por resolver e aceitando o que não consegue
mudar.
- Identificar formas através das quais o doente pode ter sucesso e encorajar a participação nestas actividades, oferecendo reforço
positivo pela participação, bem como pelos resultados. Será pertinente então, definir essas estratégias por escrito, através da realização
do diário e do planeamento do fim-de-semana, estabelecendo metas realistas e concretas, tendo sempre em vista a autonomia do Sr.
C.M. e a perspectiva da alta. O reforço positivo aumenta a auto-estima e encoraja a repetição dos comportamentos desejados.

Resultados Esperados:

Pretende-se que, no final do internamento, o Sr. C. M. apresente o foco sentimentos de impotência adaptado ao juízo
“diminuído”, verbalizando escolhas que fez relativas ao plano de manter o controlo sobre a sua própria vida; verbalizando sentimentos
verdadeiros sobre a sua situação de vida das quais não tem controlo e sendo capaz de verbalizar formas de resolver problemas de
maneira adequada ao desempenho de papéis.
Avaliação:

Primeira Semana - 4 a 10 de Junho de 2009:

O Sr. C. mantém o foco de sentimentos de impotência adaptado ao juízo de actual. Apesar de participar com
agrado nas sessões terapêuticas realizadas e de se mostrar disponível para conversar – entrevistas de ajuda e colheita de dados, o Sr. C.
ainda não consegue identificar áreas concretas da sua situação de vida que deseje alterar, de forma a melhorar a sua condição
de vida, quer familiar, social e económica.
- 57 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

É necessário delinear com o Sr. C. um projecto, para que este esteja preparado para a alta. (Exemplo: organizar com o Sr. C. um
calendário semanal, com possíveis actividades – lúdicas, recreativas, de voluntariado.)

Segunda Semana - 15 a 19 de Junho de 2009:

O Sr. C. mantém o foco de sentimentos de impotência adaptado ao juízo de actual. Apesar de no dia 19 ter realizado o
planeamento do fim-de-semana e foi-lhe fornecido o diário de fim-de-semana, o Sr. C.M. continua a manifestar alguma preocupação
com a sua situação económica e social.

Terceira Semana - 22 a 24 de Junho de 2009:

O Sr. C. mantém o foco de sentimentos de impotência tende a ser adaptado ao juízo de diminuído. O Sr. C.M. manifesta
preocupação por ainda não possuir os relatórios médicos para se dirigir à junta médica, nomeadamente os relatórios de ortopedia e de
oftalmologia, afirmando serem estes de extrema importância, para não perder a casa, uma vez que lhe precisa de ser concedida no
mínimo 60% de incapacidade.
No dia 23 a consulta com a Dr.ª C. não correu como esperava, uma vez que esta não pediu a consulta de ortopedia com urgência.
O Sr. C.M. também afirma desânimo por o hospital não possuir os medicamentos para o colesterol, tendo o próprio de pagar 35€. No
entanto, o Sr. C.M. afirma ter a solução para resolver a consulta de ortopedia, uma vez que tem um amigo médico.
No dia 23 foi fornecido ao Sr. C.M. o planeamento do fim-de-semana, tendo-o elaborado desta vez sozinho, utilizando como
recursos os materiais fornecidos (Agenda Cultural, Programa do Fórum Eugénio de Almeida; Planeamento da Feira de São João, entre
outros.)
Aquando a entrevista de ajuda o Sr. C.M. foi estimulado a pensar nas coisas que pode mudar e que estão ao seu alcance e a
pensar também naqueles que não dependem da sua vontade. A partir deste ponto, foi notória a reacção do Sr. C.M. e por isto este juízo é
classificado como tendendo para diminuído.

Quarta Semana - 29 de Junho a 1 de Julho de 2009:
- 58 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

O Sr. C. mantém o foco de sentimentos de impotência tende a ser adaptado ao juízo de diminuído. No dia 30 afirma que os
problemas da junta médica já estão resolvidos. No entanto o medo de perder a casa ainda está presente. O Sr. C.M. continua a
desenvolver positivamente as estratégias de coping.


6. Dor Musculosquelética Actual

Acção Cliente Foco Juízo Localização Recursos Tempo
Diagnóstico de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Dor Musculosquelética Actual DPSM
Intervenções de
Enfermagem
Observar
Sr. C.
M.
Dor (Intensidade)

DPSM
Enfermeiro; Técnica de
Interacção.
Sempre
Registar
Sr. C.
M.
Dor DPSM
Instrumento de
Avaliação
Duração
Administrar
Sr. C.
M.
Tratamento DPSM
Farmacoterapia
Analgésico
Situação
Proporcionar
Sr. C.
M.
Conforto DPSM Técnica de Distracção; Sempre
Incentivar
Sr. C.
M.
Hábito (Higiene Oral)
DPSM e
Domicílio
Ensinos
Tantum Verde
Dia, 3
vezes
Fornecer Sr. C. Conhecimento (Origem DPSM Ensinos Momento
- 59 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre


Descrição das Intervenções de Enfermagem e Justificação:

O Enfermeiro deve:
- Observar e registar a duração e intensidade da dor. Tomar atenção aos factores precipitantes da dor. A identificação dos stressores
precipitantes é importante para uma avaliação correcta. Esta informação será usada na elaboração de um plano de cuidados que ajude o
Sr. C.M. a lidar melhor com a dor.
- Administrar a medicação analgésica conforme a prescrição médica, ou de acordo com o protocolo do serviço e monitorizar a resposta
do Sr. C.M. á medicação. O conforto e a segurança do doente é uma prioridade de enfermagem.
- Incentivar o doente a realizar os cuidados de higiene oral após cada refeição, utilizando como auxílio o Tantum Verde, de forma a
prevenir e diminuir a inflamação.
- Fornecer conhecimento ao doente sobre a origem da dor, caso esta se trate de um efeito secundário dos medicamentos ou de qualquer
outra origem.
- Avaliar os sinais vitais, no mínimo duas vezes por turno, ou em SOS, de forma a despistar qualquer alteração significativa nos
parâmetros vitais.
M. da Dor)
Avaliar
Sr. C.
M.
Sinais Vitais DPSM
Instrumento de
Avaliação
Dia
2 Vezes
Monitorizar
Sr. C.
M.
Resposta à medicação e
Controlo da dor
DPSM
Técnica de Feedback;
Instrumento de
Avaliação
Situação
Resultados de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Dor Musculosquelética Nenhuma
DPSM e
Domicílio

- 60 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

Resultados Esperados:

Pretende-se que, no final do internamento, o Sr. C. M. apresente o foco dor musculosquelética adaptado ao juízo “nenhuma”.

Avaliação:

Primeira Semana - 4 a 10 de Junho de 2009:

O Sr. C. mantém o foco de dor musculosquelética adaptado ao juízo de actual. Diariamente o Sr. C. manifesta odontalgia,
associada a gengivite. Tem sido administrada a medicação – de acordo com o protocolo do serviço – que tem surtido efeito. Foi
realizado ensino ao Sr. C. sobre a utilização do Tantum Verde e favorecido conhecimento sobre a origem da dor.


Segunda Semana - 14 a 19 de Junho de 2009:

O Sr. C. mantém o foco de dor musculosquelética adaptado ao juízo de actual. Diariamente o Sr. C. manifesta odontalgia,
associada a gengivite. Tem sido administrada a medicação – de acordo com o protocolo do serviço – que tem surtido efeito. O Sr. C.
continua a complementar a higiene oral com Tantum Verde. Apesar da dor referida, o Sr. C.M. alimenta-se da totalidade das refeições
sem problema.

Terceira Semana - 22 a 24 de Junho de 2009:

O Sr. C. mantém o foco de dor musculosquelética adaptado ao juízo de nenhuma. Não refere queixas. O Sr. C. continua a
complementar a higiene oral com Tantum Verde.

Quarta Semana - 29 de Junho a 1 de Julho de 2009:
- 61 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

O Sr. C. mantém o foco de dor musculosquelética adaptado ao juízo de nenhuma. Não refere queixas. O Sr. C. continua a
complementar a higiene oral com Tantum Verde. No entanto, é de salientar que no dia 30 de Junho o Sr. C, realizou a extracção de uma
peça dentária (dente incisivo do maxilar inferior). Apesar de não ter seguido as indicações médicas (dieta fria e evitar fumar), o Sr. C.M.
não manifestou queixas.


7. Audição Diminuída (Hipoacúsia)

Acção Cliente Foco Juízo Localização Recursos Tempo
Diagnóstico de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Audição Diminuída DPSM
Intervenções de
Enfermagem
Falar
Sr. C.
M.
Comunicação

DPSM
Frontalmente; Técnica de
Feedback.
Sempre
Utilizar
Sr. C.
M.
Comunicação DPSM
Frases simples e curtas;
Entrevista de Enfermagem
Sempre
Evitar
Sr. C.
M.
Barreira à
Comunicação
DPSM
Escuta Activa; Ambiente
Calmo
Presente
Vigiar
Sr. C.
M.
Audição
Serviço de
saúde
Médico Anualmente
- 62 -
Teorias de Enfermagem – Estudo de um Caso com Aplicação do Processo de Enfermagem de Hildegard Peplau

Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre


Descrição das Intervenções de Enfermagem e Justificação:

O Enfermeiro deve:

- Falar frontalmente para o doente, com frases curtas e informação concisa;
- Não iniciar diálogo sem ter a certeza que o doente se apercebeu da nossa presença;
- Não elevar o tom de voz, mantendo uma cadência em termos rítmicos;
- Utilizar imagens e outros meios de comunicação alternativos sempre que não se verifique efectivação da linguagem;
- Validar a informação transmitida de forma a compreender se a mensagem foi recebida sem interferências.
- Proporcionar ao Sr. C. M. um ambiente favorável à comunicação, sem muitos ruídos para que esta seja facilitada, e também que não o
exponham ao risco de contrair uma constipação. Ter particular atenção ao Inverno em que o risco de se constipar é eminente ou
exposições excessivas ao ar condicionada.
- Informar o Sr. C. M. que deve fazer uma vigilância anual, junto dos serviços médicos, para saber como se encontra o seu quadro
clínico da audição, ou assim que notar alguma alteração, de modo a evitar o agravamento do seu problema.

Resultados Esperados:

Pretende-se que, no final do internamento, o Sr. C. M. apresente o foco audição adaptado ao juízo “melhorada”.

Resultados de
Enfermagem

Sr. C.
M.
Audição Melhorada
DPSM e
Domicílio

- 63 -
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Curso de Licenciatura em Enfermagem – 3.º Ano, 1.º Semestre

Avaliação:

Primeira Semana - 4 a 10 de Junho de 2009:

O Sr. C. mantém o foco de audição adaptado ao juízo de diminuída. È possível verificar que o Sr. C. se mostra um pouco
reticente antes de iniciar as actividades terapêuticas propostas devido a esta situação clínica. No entanto, tem manifestado agrado em
participar e tem sido feito um esforço em proporcionar ao Sr. C. um ambiente com boa acústica. Durante as entrevistas realizadas foi
notória a falta de percepção de algumas questões, tendo sido reformuladas as questões, utilizando as técnicas acima referidas. O Sr. C.
aguarda consulta de ORL.

Segunda Semana - 15 a 19 de Junho de 2009:

Sem alterações. O Sr. C. mantém o foco de audição adaptado ao juízo de diminuída.

Terceira Semana - 22 a 24 de Junho de 2009:

Sem alterações. O Sr. C. mantém o foco de audição adaptado ao juízo de diminuída. No entanto, é de notar que no dia 22 o Sr.
C.M. realizou um Audiograma. Este facto veio a agravar a situação uma vez que o Sr. C.M. ficou sem o aparelho auditivo.

Quarta Semana - 29 de Junho a 1 de Julho de 2009:

Sem alterações. O Sr. C. mantém o foco de audição adaptado ao juízo de diminuída.

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