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FRIEDRICI{

N IETZSCI.Iffi

ÜtsRAS INCON4PLETAS
CtrP-Brasil. Catalogação-na-Publicação Câmara Brasileira do Livro, SP Nietzsche, Friedrich Wilhelm, 1844-1900. Obras incompletas ,/ Friedrich Nietzsche ; seleção de textos de Gérard Lebrun ; tradução e notas de Rubens Rodrigues São 3. ed. Torres Filho ; posfácio de Antônio Cândido.

N5Blo
3.ed.

Paulo : dbril Cultural, 1983.

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Os pensadores

Inclui vida e obra de Nietzsche. Bibliografia. Filosofia alemã2. Nietzsche, Friedrich Wilhelm, I. Lebrun, Gérard, 1930 - II. Cândido, Antônio, l91B - XIL Título. IV. Série.
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Seleção de textos de Gérard I-ebrun

1844-1900

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83-0257

Tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Fitrho Posfácio de ÀnÍômio Cândido

-190.92

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índices para catálogo sistemático:

Alemanha; Filosofia

193

2. Filosofia alemã 193 3. Filósofos alemães 193 4. F'ilósofos modernos : Biografia e obra 190.92 5. Nietzsche : Obras filosóficas 193

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1983

EDITOR.: VICTCIR. CWTIA

A. 1983. Direitos exclusivos sobre as traduções deste volume."Im Sueden" "Der Wanderer der Armut des Reichsten" .A. Artigo publicado sob licença de dntônio Cândido de Mello e SÕuza. - 3l edição. T'ítulos originais: Die Geburt der Tragoedie aus dem Geist der Musik Die Philosophie im íragischen Zeitalter der Griechen Ueber Vlahrheit und Luege in aussermoralischen Sinne Unze i t gemaesse B e t rac h tu n g en Menschliches Allzumenschliches (19 e 29 vot. São Paulo ("O Portador"). Cultural e Industrial.A. 1974. ' Der Antichrist NmffiTZSffiffiffi O Copyright Abril S.Vida e Obra". São Paulo. Abril S. São Faulo. Direitos exclusivos sobre "Nietzsche . Abril S. Also sprach Zarathustra Jenseits von Gut und Boese ' Zur Genealogie der Moral Goetzen-Daemmerung Ecce Homo Die ewige Wìederkunft "Dichters Berufung" . VilDA F OtsRA Pesquisa: @lgária Ctrnairn Ferez Consultoria: Marilena de Souza Chauí .. Cultural 23 edição. São Paulo. e trndustrial.) Morgenroete Die froehliche Wíssenschoft (La Gayq Scienza) . 1978. CulturaÌ e Industrial.

na consideração do processò atê agora. Mas nas menores como nas maiores felicidades é sempre o mesmo aquilo que faz da felicidade felicidade: o poder esquecer ou. a ponto de dizer. e mesmo ao nojo ! De tal modo que o mais temerário açabarâ. vê tudo desmanchar-se em pontos móveís e se perde nesse rio do vir-a-ser: finaimente. do T.C ONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS 59 rem confiantes: "Mas os próximos vinte serão os melhores". são aqueles de quem David Hume zombeteiramente diz: Itr - DA UTILIDADE E DESVANTAGEM DA HISTÓR.IA PAR. Fênsem o exemplo extremo." (N. um homem que não possuísse a força de esquecer. de tal modo que um que entendesse essas necessidades não poderia aprender. Portanto: é possível viver quase sem lembrança. cada um deles fundamentará diferentemente. nunca fará algo que torne outros felizes.) . por espera- Não fundamentado de outro modo. Decerto mais uma ve4 cor'n um Não ! mas com um $r () Se é uma feÌicidade. aquilo que Íìrma o vivente na vida e o força a viver. não chegaria ele à saciedade.2 Vamos denominá-los homens históricos. What thefirst sprightly runníng could not gíve. sem vertigem e medo. entenderem o presente e aprenderem a desejar com mais veemência o futuro. cuja primeira resposta ouvimos. esquecendo todos os passados. que fosse digno De tuas emoções. Um homem que quisesse sempre sentir apenas historicamente seria semelhante àquele que se forçasse a abster-se de dormir.A A VIDA ( r 874) Andfrom the dregs of life hope to receíve. mas também escuro. nada mais. simplesmenl-e viver. à saturação. entre o purc desprazer. eles pensam e agem. Esses homens históricovacreditam que o sentido da existência. Uns. para explicar-me aìnda mais simplesmente sobre meu tema: há um grau de insônía. nada de novo: assim o pensador supra-histórico ilumina toda a história dos povos e dos indivíduos de dentro para fora. em contraposição a todos os modos históricos de considerar o que passou. cansado. virtude ou expiaquanto a isto os homens supra-históricos nunca estiveram de acordo entre si. não acredita inais em si. que é o cínico perfeito. a faculdade de. como onipresença de tipos imperecíveis. seja ele um homem ou ttm povo ou uma civilízação. até mesmo da escrita de signos que continua a jorrar sempre nova: pois como. que venha somente como um episódio. pode também ser res pondida de outro modo. mas. se é uma ambição por uma nova felicidade-em um sentido qualquer.e o presente são um e o nJesmo. em toda diversidade são tipicamente iguais e. a seu coração: "Nada vive. por assim dizer como humor. sentír a-hístoricamente. ou seja. que não vê a salvação no processo. . mal ousará levantar o dedo. inflama seu ânimo a ainda por mais tempo concorrer com a vida. mas esse Não!. sem esquecimento. no decorrer de seu processo. pior ainda. e como até mesmo sua ocupação com a história não está a serviço do conhecimento puro. a despeito de toda a sua história. chegam à total unanimidade da proposição: o passado. que estivesse condenado a ver por toda parte um vir-a-ser: tal homem não acredita mais em seu próprio ser. nunca saberá o que é felicidade e. na infinita profusão do acontecimento. a avidez e a privação. com Giacomo Leopardi. que os dez anos passados não loram c^pazes de ensinar ! Agora. em todas as línguas. de que a felicidade está atrás da montanha em cuja direção eles caminham. enquanto dura a feiicidade. para quem o mundo em cada instante singular está pronto e aÌcançou seu termo. é a prova viva da razão do cinismo. então talvez nenhum lrlósofo tenha mais razão do que o cínico: pois a felicidade do animal. O que poderiam ensinar dez novos anos. Dor e tédio ê nosso ser e o mundo é lodo Aquiela-te". mas da vida. se o sentido da doutrina é felicidade ou resignação. e mesmo viver feliz. é sem comparação mais felicidade do que a maior delas. . e a Terra não merece um só suspiro. se simplesmente é ininterrupta e faz fehz ininterruptamente. talvez. virâ cadavez mais à luz. (. Ou. ção. como incidente extravagante. como mostra o animaÌ. como o bom cÌiscípulo de Herâclito. Assim como as centenas . uma formação estável de valor inalterado e significação eternamente igual. eÌes só olham para trás paÍa. no qual o viv'ente chega a sofrer dano è porfim se at'ruína. - t "E dos detritos da vida esperam arrecadar/O que o primeiro vivo jorro não pode dar. mas é inteiramente impossívei. de sentido histórico. adivinhando com clarividência o sentido primordial dos diferentes hieróglifos e pouco a pouco afastando-se. Não sabem quão a-historicamente. acende a esperança de que a justiça ainda vem. o olhar ao passado os impele ao futuro. quem não ê capaz de manter-se sobre um ponto como uma deusa de vitória. Com o Nàô do homem supra'histórico. ) Quem pergunta a seus conhecidos se desejariam viver mais uma vez os últimos dez ou vinte anos perceberá facilmente quem dentre eles está preparado para aquele ponto de vista supra-histórico: decèrto todos responderão: Não !. ou ao animal que tivesse de sobreviver apenas da ruminação e ruminação sempre repetida. talvez. de ruminação. Todo agir requer esquecimento: assim como a vida de tudo o que é orgânico requer não somente luz. Mas aquela pergunta. dito mais eruditamente. Quem não se instala no limiar do instante.de línguas diferentes correspondem às nìesmas necessidades tipicamente estáveis dos homens. A menor das felicidades.

recorrerei a um procedimento algumas teses' servou intacto através das idades. que existiu uma vez' foi. ( . (-) . l A Éistória. Mas a questão: geral do serviço da história. para. que está guardado como um amuleto no coração dos empreendedores. segue com ânimo sua marcha. de uma civilização. até lá se deslouma vez precipita. um astro luminoso e soberbo. quando ocorre a mesma constelação dos corpos celestes. ao infinito. só provaria que nunca sairá de novo um resultado exatamente igual no jogo de dados do futuro e do acaso. para dar cabo do eruditismo que precisamente agoÍa se tornou moda na pela ciêncía.u. sua e terrestre desse lenômeno potência histórica. a vida desmorona e com essa degeneração. para aquele que o conhece. essa potência tofnou-se para ele. o que vive. Alemanha. caso pudermos. pela exigência de que a históconstelação efetivamente se alterou ria seja'ciêncta.n qu". completamente conhecida. se interpôs. o que sabe. sempre depreciará a dilerença dos motivos e das ocasiões. o ocupar-se com os çlássicos e oS Íaros de tempos antigos? Ele aprende iom isso que a grandeza. pois ag-ora a dúvida.. e sempre' em uma outra Conjuntura. em todo caso. â mesma catástrofe. por uma vez. portanto ela somente quando é domìnada e'çonduzida por uma força superior e não é está a serviço da vida. a paixão cega. é. aquilo que loi possível uma vez só poderia comparecer pela segunda vez como possível se os pitagóricos tivessem Íazão eÍn acreditar que. conhecido pura e completamente e resolvido em um fenômeno de conhecimento. preconceito oçidental. renças é preciso negligenciar. quão inexata. para que elafaça aquele efeito fortifiçante. para tiás. a . Nenhuma geração viu ainda a hisum espetáculo tão inabarcável como o que a ciência do vir-a-ser universal. . um estóico pode aliarSe Outra Vez COm um epicurista e assassinar César. nessa subordinação. no caso de uma certa desmedida de história. nossa falta de sabedoria terá mais fruto do que a sabedória deles. no interior desses preconceitos' pelo menos façamos progresso e não nos detenhamos ! Contanto que aprendamos cada vez / Então . impotente: talvez ainda não para ele. cada fato precisamente descrito em sua especificidade e singularidade: provavelmente. morto: pois ele conhesombrio ce:u nele a ilusão. Colombo descobrirá outra vez a América. em todo caso. a história -'monumental não poderá usar daquela veracidade total: sempre aproximará. isto é. é uma das questôes e cuidados precisa em mesma que domina e Que conduz. digamos. ê útil ao homem do presente a consideração monumental do passado. de pensar que talvez queira o impossível é eliminada. degenera. Até então. Agora. está a serviço de uma potência a-histórica e por isso nun. na medida em que a vida mais alios no tocante à saúde cJe um homem. degenera também a própria história' e por fìm. Admitamos que alguém acredite que não seria preciso mais do que cem homens produtivos. por exemplo. educados e atuantes em urn novo àspírito. A cultura histórica. Somente se a Terra iniciasse sempre de novo Sua peça de teatro depois do quinto ato. poderoso contrário. . à custa das causas. E para que não subsista nenhuma dúvida sobre o sentido que se conáessa oposição entre vida ç sabèdoria.'simplesmente. estar seguros de possuir mais vida do que èles: pois assim. a cultivar história em função dos hns da vida grado aos supra-históricos que eles possuem mais sabedoconcederemos de bom ria do que nós. só é algo salutar e que promete luturo em decorrência de um e nôuo fluxo de vida. poderia o forte desejar a história monumental em toda a sua veraciddde icõnica. ou Seja' apresentá-los como modelares e dignos de imitação: de tal modo que' porque ela prescinde o mais possível das causas. (. pode ser que çja possível mais uma vez. se os outros têm uma certa disposição entre si. poderá e deverá toraté que grau nar-se ciência pura. Agora não é mais Somente a vida que rege e refreia o sab€r em que era torno do passado: todas as estacas de limite foram arrancadas e tudo o o homem. e em geral todo o horizonte e aO mcsmo tempo conheceu' preCisamente nisSo. a injustiça. de uma civilização vindo a ser. monumentalizar oS effectus. aprender ainda aÌgo de novo E. e isso até os mínimos pormenores: de tal modo que sempre. portanto' não antes que os astrônomos se tenham tornado outra vez astrólogos. também sobre a Terra tem de se repetir o m€smo. pieciiamente isso. que o assalta em lÌoras mais fracas. CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS 6I ' Ìvlas deixemos o homem supra-histórico com seu nojo e sua sabedoria: hoje preferimos. e não a conexão verdadeiramente histórica de causas e efeitos que. como se Íôssemos os ativos e em progresso' como oS nossa apreciação do histórico seja apenas um adoraàores do processo. nos dias comemorativos religiosos ou guerreiros. Pois. nesse mesmo exemplo. a matemática.se sobre caram. ) certamente um tal astro. ao perceber que a civilização do Renascimento ergueu-se Sobre os ombros de um tal grupo de cem homens. com que violência é preciso meter a individualidade do passado dentro de uma forma universal e quebráìa em todos os ângulos agudos e linhas' em beneficio da concordância ! No fundo. uma coletânea de "efeitos em Si". e estabelecerei diretamente Um fenômeno histórico.possívelumavez ei-por isso. Até onde houve um vir-a-ser.nËtno.ro 'NInrzscHr : . se estivesse fìrmemente estabelecido que o mesmo nó de motivos. universalizarâ e por fim igualará o desigual.. Íetornassem a int€i'valos determinados. aliás. no entanto quão fluida e oscilante. então. como. como ele haveria de se sentir fortalecido. Aquilo que é celebrado nas festas populares. todas as perspectivas. contantoique. de acontecimentos que em todos os tempos larão efeito. para. poderíamos denominá-la. com pouco exagero. alegrai-nos de coração com nossa falta de sabedoria e fazer para nós um bom dia. seria essa comparação ! Quantas dife-. é propriamente um tal l'efeito em si": é ele que não deixa dormir os ambiciosos. o mesmo deus ex machína.) $2 $4 È. de um povo. A história pensada como ciência pura e tornada soberana seria uma espécie pelo de encerramento e balanço da vida para a humanidade.

aquilo que é efetivamente motivo e que' () Em que situações desnaturadas. fala-se. que ela o mostra com a perigosa audácia do lema que escolheu:y'at veritãs. isso não pode ser. funcionários. um . a que não corresponde nenhum interior. agora a coisa mesma. É certo que se diz. ele não seria. ninguêm vive filosoÍicamente.conto. caso tivesse uma vez jurado fidelidade ao Pórtico.". Que se ali tem um único desejo grego passando diante de uma tal cultura: ele perceberia pense. provavelmente havia preservado em mente aberta. o que é estrangeiro e desconexo entre si se agÌomèra. a memória abre todas as suas portas e no entanto ainda não está suficiente- -. a honrada deusa nua.ser interior: ele a baniria. não tem direitos. ocasionalmente. homens do povo. porque estes não são homens. e um exterior. ela permanece monólogo erudito do passeador solitário. que ainda. contenta-se em revestir envergonhadamente sua nudez. É na interioridade que repousa então a sensação' igual à cobra que engoliu coelhos inteiros e em seguida. e todo o resto é simplesmente impossível: assim o quer. agora. uma deplorável imitação ou mesmo um grotesco esgar. quieta e serena. então. um heleno antigo extraviado em nosso tempo nos dirigisse a palavra.L NIETZSCHE demasiado distante C ONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS refiro-me justamente aos gregos ÕJ tória. isso túo está tão profundamente oculto que não . ensina-se hiosoÍìçamente permitido. de nós mesmos. se deita ao sol e evita todos os movimentos. mas apenas compêndios encarnados e. e permanece escondido em um certo mundo interior caótico. com curioso orgulho. pelo menos. O processo interno: tal ê. somente no agir. coiho romanos. não acho. que é absorvido em desmedida sem fome. pereat víta. no período de sua máxima força. Nossa cultura moderna. Se é que têm carâter e modopróprio. Com esses ioncos denuncia-se a propriedade mais própria desse homem moderno: a notável oposição entre um interior. a mais verdadeira de todas as ciências. nós modernos não temos nada. em um tempo que sofre de cultura gerâl. absolutamente não pode ser concebida. por assim dizer. dela não resulta nenhuma decisão-de-cuitura. tempestuosa e combatente. fortuita presa de caça do indivíduo. que se tem o conteúdo e que falta somente a forma. que esse homem moderno. Todo hlosofar moderno está política e policialmente limitado à aparência erudit. a portar-se como estóico. Se então ele pronunciasse sua frase: alguém pode SeÍ muito culto e no entanto não ter nenhuma culturà histórica. (N. que impele para fora. na alma do homem moderno.). com aquela lealdade simples. do E. muito mais intran- acharia os gregos muito "incultos". em todo caso. então. por. O hábito a uma tal vida doméstica desordenada. embora esteja fora de questão que eSSa Segunda ÍaÏnreza é muito mais fraca.) Goethe diz uma vez de Shakespeare: "Ninguém mais que eÌe desprezou o traje material. Ninguêm pode ousar cumprir a lei da Íìlosofia em si mesmo. designa como a "interioridade" que lhe é própria. porque.3 F'ormemos agora uma imagem do evento espiritual que se produziu. e mesmo contra a necessidade. no interior da cultura histórica. penaté aí tudo é sa-se. sempre de novo e cada vez mais. mas. abstrações concretas. já não atua mais como motivo transformador. Agora pergunto eu se seria sequer possível apresentar nossos literatos.la a verdade. esta é uma oposição completamente indevida. de escrever e de falar? como ato. ordená-los e honrá-los. ou seja. por exemplo. em todo vivente. . no Sentimento-de-cultura. com isso. o saber. artificiais e. caso queira ser mais do que uú saber interiormente recolhido. () $5 qüila e em tudo menos sadia do que a primeira.. com o que então o segredo tão meticulosamente oculto da cultura moderna seria descoberto.a cultura pergunta-se então ou talvez apenas máquinas histórica. Diz-se que ele mostrou com perfeição os romanos. onde quer que estivesse. si. O homem moderno acaba por arrastar consigo. São homens ainda de pensar.isso mesmo. se. um sentido a-histórico. fica no tura efetiva. igrejas. que obrigava um antigo. a filosoha. sem dúvida. impÍime-se. A fìlosofia. políticos de hoje. Sim. não é nada de vivo. é diferente: ali o permitido é sempre um só. por toda parte. para a zambaria pública: pois. e como tais. rnas apenas uma espécie de saber pensamento-de-cultuia. torna-Se pouco a pouco uma Segunda natureza. apenas um. isto é: não é de modo em torn6 da cultura. na assim chamada vida. além dos mais necessários. muitas Vezes não significa. mas. enciclopêdias ambulantes. são puros ingleses encarnados. mas estes mesmos estão em conrbate entre si. oposição que os povos antigos não conhecem. escreve-se. e aos quais se adapta perfeitamente também a toga romana". filosofias e reiigiões alheios que nos tornamos algo digno de atenção. oculto segredo de gabinete ou inofensiva tagarelice entre anciãos acadêmicos e crianças. roncam na barriga. ele conhece muito bem o traje humano interior. acreditafiam não ter ouvido bem e sâcudiriâm a cabeça. Em um tal mundo da uniformidade exterior forçada. Em contrapartida. Todo aquele que passa por que uma tal cultura não morra de indigestão. pereça a vida. e aí todos são iguais. por magia. porém. tal é propriamente a "cultura". uma quantidade descomunal de indigestas pedras de saber. o que quer que fizesse. oü no reconhecimento: "era uma vez". de um passado não 3 Ha. artes. ele permanece no suspiro: o'mas se. costumes e covardias dos homens.que paÍA os homens modernos SeÍ "culto" e ter uma "Cultura hiStórica" parecem - -. academias. muito mais do que uma convenção indiferente. se um homem contemporâneo tivesse de retornar. costumes. é somente por nos enchermos e abarrotarmos com tempos. talvez. também em suas inimizades. sem aquela oposialgum uma culção. a Íatufeza se esforça ao extremo para acolher esses hóspedes estrangeiros. Aquele pequeno povo bem conhecido. o homem moderno fosse corajoso e decidido. como se diz no. a que não corresponde nenhum exterior. homens são homens desde o fundo. e parece neCessário dominar e vencer todos eles. àquele mundo. O saber histórico jorra de fontes inexauríveis. sem efeito. para não perecer' ela mesma' nesse combate entre eles.. indignas há de cair. mostra agora: é certo. tão soliclários como se fossem um só e Somente se distinguissem pelo número das 'paiavÍas. por governos.a. se torna visível na exterioridade.

pelo contrário.ìeíder nur schlechte Form. lindamente "objetiva". está sempre em meus lábios a pergunta: mas por que justo Demócrito? For que não Heráclito? Ou Filon? Ou e assim por diante.. está destruindo e limpando tcrreno para esperança construa sua casa Sobre o chão desimpedido. Que ninguém suponha' por trás disso. . mas Sempre apenaS neutros ou. como . é necessariamente desbaratada: Somente no amor. E. como o mais rigoroso tirano-. sob a regência da pura justiça. eleì mesmos.o . e desempenha um papéis.. em sentido figurado. porém. provavelmente muito contra a vontade. Mas.para o eunuco utu n-ìuih.. sendo neutros' tomais a também a história como algo neutro. então o instinto criador é despojado de sua lorça e de seu ânimo.und überdies Uníform. um orador? E: por que em geral um que justo um hlósofo? Por g. 1 E possa ser assim entendida e ponderada minha proposição: a história só pode ser suportada por personalidades fortes. no entanto. somente na qual elas podem viver. não animais.. em particular' a ção. vós o rebaixais até vós e. que apenas destrói. até chegarem à eterna despersonalização ou. o homem cria. eterno femipor aqueiós que nunca podem. está a sãrviço do écrasez voltairiano.. CONSIDERAçÕES NtrETZSCHE EXTEMPORÃNEAS 65 pode desentranhar-se à luz do dia: se é que são homens. porêm.ern historischetFildungsgebilde' ganz und gar Btldung' Bild' Form a presença Inhalt. erradica o futuro. uma religião que em todo e por tudo seja conhecida cientiÍlcamente. . porém.l. o-castiga".6. espectador. é uma geração de eunucos. de fato. a história é o oposto da arte: e somente quando a história suporta ser transformada em. si. é uma virtude pavorosa' porque sempre solapa o que é vivo e o faz cair. grosseiro. Por um bom tempo é possível ocupaÍ-se com a história em toda inocência e despreocupaqualquer outra. somente na crença incondicional na perfeição e na justiça. como'foi dito. ela pode. desumano.) sond. nesse caso seria preciso tomar a assim chamajurista Floltda aìsociação protestante por matriz de uma nova religião e talvez o prelaciador da ainda mais assim chamada Bíblia protestante) zendorf (o editor e por João no rio Joráão.t. por selho junto à história: "Como devo sentir aqui?. são pequenos rapazoias petulantes que vemos tratar com oS romanoS' como e se estes fossem seus iguais: e nos restos mortais de poetas gregos eles revolvem também estes corpora estivessem jazendo prontos para sua discavam.feminino' quero antes enunciar claramente que a sêrio a história com o considero. à vontade. não hámens. sofisticados e desnaturados seus insìrumentos: pois tais homens destroem ilusões e "quem destrói a ilusão em si mesmo e nos outros.1ogo-qu" o texto laz em seguida com a palavra ''[orma"). como se diz. ou Seja. mas formações culturais hitóricas. do T. uniforme. mas involuntar:iamente. além disso. como eterno masculino: só que para aqueles que cm tudo e por iudo têm "cultura histórica"' há de ser devidamente indiferente que eia sequer Seja um ou outro: eles mèsmos. forma e.obra de arte e. unicamente cultura. forma sem conteúdo demonstrável.do texto (por exemplo. Nesses efeitos. que a piedosa disposição à ilusão. portanto' tornar-se pura forma artística. que não um inglês. justamente contanto que a própria história fìque guardada. sem que a conduza um impulso construtivo interior.formação" antecipa à. para que não se crela que comparo eterno. educar) e do substantivo Sild(ima' do radical bitd -nos rermos: BÍtdun'g (eiltura). Gebitde (rotmação. Poi algum tempo. como ato' como poesia. uô fint desse caminho estará aniquilada.111 cabeças mais idosas. este se torna pouco a pouco' papel. nem comuns-de-dois. precisamente apenas uma mulher. ajude a propagação daquela inocência. o eternamente inacessível e assim é indiferente o que fazeis. d justiça histórica. totalmente. absurdo. em seguida: mas por Éacon? Ou Descartes? . pede conQuem não ousa mais confiar e111 Si. sempre vem à luz tanto de falso. formação. quando a justiça reina rorinhu. talvez. A todo aquele que obrigaram a não mais amar incondicionalmente. e justamente por isso desempenha cada um deles tão mal e superficialmente. infelizmente apenas má. quando estes não são suhcientemente fortes para servirem de medida ao passado' para sentir. numa expressão mais culta. Pouco a pouco falta toda congruência entre o homem e seu domínio histórico. Uma tal historiografia. apenas os eternamente-objetivos. como seus próprios corpora literários poderiam ser. com o tempo. e ainda agora mal quer notar que cóm isso.gt. {. torna. a mulher em agir sobre elas. somente na qual pode viver tudo o que quer viver. não são homem nem mulher. encontre algo junto ao qual vós mesmos não ficásseis tão ridiculamente gratuitos? Mas. pode acontecer seja o que for de bom ejusto. desonesto.Jma vez esvaziadas as subjetividades da maneira descrita. po. O lundamento disso está em que. como música: logo o oco homem-de-cultura olha para além da obra e pergunta pela história do autor. .en (formàr. talvez a Íilosoha hegeliana' ainda fumepor exem. um turco? O passado não é suficientemente grande purá q. asÍracas Lh-e*ttÁgu. construtivo. Somente envolto em sombras pela ilusão do amor.por exemplo. estaria em total contradição com o traço analítico e inartístico de nosso tempo .Isso vem de que ela confunde o sentimento e asensação. ÏJma religião. violento.1 . seu julgamento é sempre uma Çondenação à morte. ro parentesco entre cultura e imagem). ou seja. no cômputo históriço. E como o nino nunau vos atrairâ para Si. cortaram aS raízes de sua força: ele tem de se tornar árido. (N.l. Em todo caso.Ìnânti." iorr" uma ocupação tão boa como nova teologia parece ter-se deixado envolver com a história por pura inocência. porque destrói as ilusões e retira às coisas sua atmosfera.. A dificuldade consiste em ressaltar do verbo bild. (. e atê mesmo será sentida por ele como falsificação. çonservar instintos ou mesmo despertii los. imagem. fazer história. só o são. História. é como a outra. a tradução de Form (propriamente Gábilde por. que seja transposta em saber histórico. Para todos os OUITOS São algO OutrO... n. Admitináo que um deles se ocupe com Demócrito. como se secção e fossem vilia. para aquete "que examina as entranhas". estrutura) e Bild' Impossivel reconstituir o gem.. cópia) "iogo'r. a n+tureza. quando reína irrefreado e traz todas as suas conseqüências.:9 No 'baren iunt.) . à objetividade' nada mais é capaz de ohne nachweistexto: (.) $7 O sentido histórico.que não um poeta. novos e vigorosos instintos construtivos. moldar e. no mais das vezes até muitos pusilanimidade. mesmo quando ê exercida efetivamente e em intenção pura. Quàndo por trás do impulso histórico não atua nenhum impulso que um futuro já vivo na qìanao não t.

e esprai4. clamada em oposição a ele: memento vívere. Aquilo que se dava outrora à igreja dá-se agora. alcança igualmente seu alvo quando se alia com a cultura histórica. isto ê. CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS 67 'rrlo. sob o efeito de um tratamento historicizante. o dissolve em puro saber em torno do cristianismo. e se não é possível fazè-lo em linha reta. ora ali. obra do espírito moderno. quase. para que no início de um tal tempo se possa ainda falar em'Juventude" e na conclusão já em "velhice da humanidade" ! Não se aloja. O que querem dizer alguns milênios (ou expresso de outro modo: o espaço de tempo de trinta e quatro vidas humanas consecutivas. sobre ele o sentimento do tardio e do epigonal. em todo caso. ele - Aquilo que se pode aprender com o cristianismo. repudiá-lo ou sacrificá-lo como um aliciador à existência. olhar para trâs.rsticado e desnaturado. que assumiu aquela coloração histórica de que agora estão soturnamente envoltas toda educação e cultura superiores. manuscritos. restou um profundo sentimento de desesper. ainda não pôde arrancar para o ar livre. à ciência: mas. na forma certamente mais pura de todas.) A cultura histórica também é. se se dá. Assim.equase que somente por esquecirnento momentâneo. A espécie humana. nessa crença paraliQ. máscaras. onde cada parte se encontra ora aqui.se torna massa fluida. do mesmo modo. se tornou sof.ante em uma humanidade jâ em fenecimento. precisamente na intermitência desse sentido. liquefez-se na consciência cética de que. mas em que devemos pensar? se encontramos o cristianismo designado pelo "maior teóÌogo do século" como . dando de ombros. (N. erâ um aguilhão sempre torturante e como que o ápice do saber e da consciência medievais. isso foi obra da igreja em outros tempos e não. s Lembra te que hás de morrer. cultura histórica. efetivamente. isso se pode estudar em tudo o que tem vida: que cessa de viver quando é dissecado ãtê o fim e vive dolorosa e doentiamente quando se começam a praticar sobre ele exercícios de dissecação histórica. quando distinguem a "Idéia do cristianísmo" de suas "formas de manifestação" diversamente imperfeitas e quando se dizem que é o "diletantisúo da ldéia" revelar-se em formas cada vez mais puras. ou seja. concluir. em suma. Nesse sentido vivemos ainda na ldade Média. A palavra do tempo moderno. ainda bastante intimidada. é bom saber todo o acontecido. em suma. o mal-entendido de uma representação cristiano-teoiógica herdada da ldade Média. que ele. até que finalmente um tratamento completamente histórico. a despeito de seu mais poderoso bater de asas. desejo livre. tudo o que vem a ser. porém. por prepotência. tão logo a ação tenha passado. ou seja. finalmente. tentativa audaciosa. algo de desonesto. as forças mais profundas e mais nobres. não vem a plenos pulmões e tem. porque ali não ama. isto é. com certeza. e se a "verdadeira igreja" deve ser aquela que . Aquilo que fizeram os florentinos quando. espelhos. a história é sempre ainda uma teologia embuçada: como. mais transparente e mesmo quase invisível. todo por esse pontinho de átomo infinitamente pequeno. e aqueles que trazem em si seus sinais desde a infância têm de cfregar à crença instintiva na velhice da humanidade: à velhíce.ança. fazer as contas.I NIETZSCTIE . Pois a humanidade ainda está f. justo. e então. resisïe contra todo vôo ao desconhecido. o encanecimento inato. do E.) i . Mas. que. recusa. mas é hostil a toda nova implantação. A consideração amarga e profundamente séria sobre o desvalor de todo o acontecido. convém agora uma ocupação senil. do julgamento esperado com temor? Transveste-se €ssa representação na crescente necessidade histórica de juiz. o mais das vezes até mesmo à sua revelia. dos possíveis.) $8 (. dissecar seu ato. mas sim de. no cérebro do arual theologus líberalis vulgaris. como um mentiroso sobre o valor da existência. em que devemos pensar? que a crença cristã de modo nenhum esp€rava do homem. para falar abertamente. o terror sagrado com que o leigo não-cienúfico trata a casta científìca é um terror s. . soa. de modo nenhum. uma espécie de encanecimento inato.hlho do homem"? Outrora esse memenlo mori. o pensamento da proximidade do fim do mundo. poÍque é tarde demais para fazer algo de melhor. e por fim. ser observada como um -. e com isso o aniquila. ser observada em seus passos para diante e para trás isto ê. mas do . o doente de febre histórica se torna atiío'.agrado herdado do clerg. onde não há contornos. calcqladas em sessenta anos). não espera: somente contra a vontade deixa impor-se a ela o que vem a ser. o sentido histórico torna seus servidores passivos e retrospectivos. no devido tempo. o cristianismo gostaria de fazer com toda cultura que estimule à continuação do esforço e traga aquele memento vívere como lema. o indiúduo humano. ressequi-lo em "históriâ". e não quer após milênios. o último.religião que permia te "sentir-se integrado em todas as religiões efetivas e ainda em algumas outras meramente possíveis". paia. é uma coisa lenaz e persistente.rrmemente assentada sobre o memento mori e denuncia isso pela sua universal necessidade históricar o saber. ou seja. o ouvinte imparcial tem freqüentemente a impressão de que não se trata absolutamente do cristianismo. impedir por meio da consideração analítica a continuação de seu efeito e.. que piediz uma conclusão da vida terrestre em geral e condena tudo o que vive a viver no quinto ato da tragédia excita. Mais uma vez. considera a última como a mais importante. falando a partir dela. como se nosso tempo. sobre o estar-maduro-parao-julgamento do mundo. ao ouvir esses cristianismos mais puros de todos se pronunciarem sobre os anteriores cristianismos impuros. estivesse ele mesmo autorizado a promover esse Juizo universal.'para. proburar consolo no que foi por meio de recordações.5 clamado à humanidade assim como ao indivíduo. de todas as horas de uma vida humana. porém. (. sob o impacto das prédicas de penitência de Savonarola. somente agora. uma religião que. embora com mais parcimônia.. nem mesmo após centenas de milhares de anos... promoveram aquela célebre queima sacrificial de quadros.. e tudo se mistura pacificamente entre si". em vez disso. não quer.

) E. lhados toda a esçada dos "sucedidos" ! Como.e no entanto.outras boas quaÌidades. seguirem seu "assim deve ser". no entanto. que um Rafael tenha tido de morrer com trinta e seis anos de idade: um tal ser não deveria morrer. contra a potência cega do efetivo. vosso ídolo: enquanto o fato é sempre estúpido e em todos os tempos sempre teve aspecto mais semelhante a um bezerro do que a um deus. Sim.'(N. direis: ele enunciou tudo o que estava neÌe. propriamente e. pois somente por não saberdes o que é uma natura naturans 7 tal como Rafael não ficais acalorados ao perceber que ele foi e não será mais. do fato. havia sobrevivido a si mesmo. como apologista do fatual. não se zangat com nada. aprendeu-se universalmente a usar a lormulação muito mitológica e além disso bern alemã: "levar em conta os fatos". como julu Sem ira e dedicação. tem sabidamente algo de ayateza e desconhece a nobre arte da generosidade. primícias. e por submeter-se a ieis que não são as leis daquelas flutuações históricas. Se. Não levar sua geração ao úmulo. ao mesmo tempo. porém. como supérfluas. se todo acontecimento é o triunsn[[s. contra o desmedido gosto pelo processo. se inçlina? E que escola de bom-tom é uma tal consideração da história ! Tomar tudo objetivamente. seja esta um governo ou uma opinião pública ou uma maioria numérica. dessa maneira. enquanto a mentira urde ao seu redor sua rede cintilante. do E. em detrimento do ser t Natureza naturante (Deus como causa). da justiça. isto é. Esse Deus porém tornou-se. Isso ele não disse: em compensação. contraposto à moral ! Fois que se fale de qual virtude se queipor toda ra. ainda mais propriamente. no interior da caixa craniana de Hegel. Deus este que entretanto. por alguns anos do Goethe "sobrevivido". do gadora dessa amoraìidade fatual ! Ofende a moral. e para. contrapostos a tais mortos.. as religiões eçtariam à morte? Vede simplesmente a religião da potência histórica. $e (.] NtrETZSCHE C ONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS 6i pelo contrário. e coisas semelhantes. como isso torna brando e maleável. Que pensamentos antiquados contra um tal complexo de mitologia e virtude tenho no coração! Mas algumaveztereí de po-los para fora. e percorrei ajoefo do lógico ou da "Idéia" -. Sobre Goethe. Quão gravemente erraria aqufle que visse a história. ela guarda também a memória dos grandes que combateÍam contra a históría. a história não fosse nada mais do que o "sistema universal da paixão e do erro". à chinesa. por seu lado. prestai. com seus oitenta e dois anos. por mais que riam. em vez disso. se vivesse mais só teria podido criar beleza como beleza igual.Ë. só ó feito pela história. o direito de viver ! Se muitos vivem e aqueles poucos não vivem mais. . inteiramente sine ira et studío. Aliás. transparente e inteligível para si mesmo e já galgou os degraus dialéticos possíveis de seu vir-a-ser. . não amar nada. o homem teria de ler nela assim como Goethe aconselha que se leia o Werthef. e movimenta seus membros precisamente no ritmo em que alguma "potência" puxa os fios.u diria. (N. para ainda tomar parte em conversações tais como Goethe as teve com Eckermann. ejustamente por fazerdes do sucedido. Assim sois os advogados do diabo. . e mesmo quando um educado nessa escola alguma u3z sezanga publicamente e se irrita. () Essa história entendida hegelianamente foi chamada com escárnio a perambulação de Deus sobre a Terra. t. ê íra e studium e. bravura. com sereno orgulho. que pouco se afligem com o "assim ê".te. alguém quis recentemente ensinar-nos que ele. Quão poucos vivos têm. Como apologistas da história insuflavos. então: a história sempre carimba: "era uma vez". seu "sim" a toda potência. isso não passa de uma verdade brutal. mas fundar dma nova geração ê isto que os impele incaniavelmente para diante: e se eles mesmos nasceram como retardatários há um modo de viver que faz esquecer isto as gerações vindouras só os conhecerão como -. Mas quem aprendeu antes a curvar as costas e inclinar a cabeça diante da "potência da história" acaba por acenar mecanicameú. contra a tirania do efetivo. isso causa alegria. de modo geral.) i:. ao lado de suas. por exemplo. todos de joelhos. eu daria de bom grado vagões inteiros cheios de frescas vidas ultramodernas. em geral. Se todo sucedido contém em si urna necessidade racional. pois bem se sabe que a intenção é apenas artística. a ignorância.) De fato. sendo mais forte e mais pesada. de um rude 'oassim é" contraposto à moral "não deveria ser assim". eli teria mesmo de dizer que todas as coisas que viriam depois dela só devem ser avaliadas.' como se ela clamasse. seja quando combate suas paixões como a mais próxima fatuaÌidade estúpida de sua existênçia ou quando assume o dever da honestidade. Se agora quereis vir em auxílio da história. atenção nos padres da mitologia das ldéias e em seus joelhos esfolados I Não estão até mesmo todas as virtudes no séquito dessa nova crença? Ou não é abnegação quando o homem histórico se deixa reduzir a um espelho objetivo? Não ê granQeza renunciar a toda potência no céu ou sobre a Terra. agora. Assim a história se torna um compêndio de amoralidade fatual. além disto. para. adorando em cada potência a potência em si? Não é justiça ter sempre nas mãos os pratos de balança das potências e observar com finura qual delas. implantou nas gerações fermentadas por ele aquela admiração diante da iÉpotência da história" que praticamente converte todos os instantes em admiração do sucedido e conduz à idolatria do fatual: culto €ste para o qual. como a coda musical de um rondó da história universal ou. até chegar a essa auto-revelação: de tal modo que para Hegel o ponto culminante e o ponto Íïnal do processo universal coincidiam em sua própria existência berlinense. não como beleza nova. ao destacar precisamente aqueles como as naturezas propriamente históricas. compreender tudo. de uma estupidez incorrigível. Ele sempre nada contra a correnteza da história. a moral: 'onão deveis" ou "não devíeis". "sê um homem e não me sigas l" Por felicidade. grandeza. depressa.6 . da sabedoria e da paixão do homem parte ele é 'rirtuoso por levantar-se contra aquela cega potência dos fatos. e coloca a si mesma no cadafalso. está mais que no tempo de avançar contra os descaminhos do sentido histórico. isto ó. Iìcar protegido de todos os ensinamentos contemporâneos dos legionários do instante. não haveria mais mitologias reinantes? Como.

como um geniâl paíodista que. o guia que conduz. com todo o batalhão de maldades satíricas. a seu modo cativante. como se pode ler por toda parte. um "para quê". natural.instrução agora costumeiro. apareceria.. (.eito da filosofia kantiana.t Se. tão logo Kant comece a exercer um efeito popular. "travei conhecimento com a filosofia kantiana. quando voltarão os homens a sentir dessa forma kleistiana. leve-a o'diabo e a estatística! Como. fazer com que ele fosse sentido ainda mais agudamente. desde o feito desse tranqüilo erudito deveria ter irrompido uma revolqção em todos os domínios do espírito. nos câricâtos enunciados de sua "Spass-Philosophie". tão dolorosamente quanto a mim. precisamente Schopenhauer ou seja. da fluidez de todos os conceitos. as leis não valem nada e a história não vale nada.Mas. Somente sob três perspectivas as massas me parecem merecer um olhar: uma vez. de modo geral. aquele abalo e desespero de toda verdade. Morre por ele melhor para a vida do que morrer pelo grandioso e pelo impossível.) Esse foi o primeiro perigo à sombra do qual Schopenhauer cresceu: isolamento.prosélito de Hegel.rns de pilhagem contra os não-irmãos. e. para nós. o cêu .) ! 'Que sacrifica a sua vida. ironicamente. o arremedo. se ninguém te pode dizê-lo. da falta de toda diferença cardeal entre homem e animal doutrinas que considero como verdadeiras. e deve ser sempre dito em louvor do autor d. nós o perceberemos na forma de um corrosivo e demolidor ceticismo e relativismo. Se é este último. que Nietzsche apresenta aqui.SCFIOPENFIAUER COMO EDUCADOR. e semelhantes criações de vulgaridade utilitária entrarão em cena no palco do futuro. irmandades para f. que foi vivido. um alvo. em contrapartida. por Heinrich von Kleist. nunca perde a cornpostura de uma verdadeira -"Ernst-Philosophie". mas para que tu. meu supremo alvo foi a pique. Não podemos decidir se aquilo que denominamos verdade é verdadeiramente verdade ou se':apenas nos parece assim. antes que quaisquer domínios inteiros pud€ssem sê-lo. Este perigo acompanhá todo pensador que ioma seu caminho a partir da filosofia kantiana. Meu único. como cópias esmaecidas dos grandes homens.:. Aliás. por exemplo. (N. as doutrinas do vir-a-ser soberano. ( r 874) : $3 () : . forem lançados ao povo âinda de tais -. do E. (N. enhm. Mas sabemos todõs muito bem que vergonhosa é a situação. animae tnagnae prodigus. contra o insensato desÌocamento de todas as perspectivas. o amor e a fome? Ora. portanto as leis de movimento das mais baixas camadas de lama e de argila da sociedade. então a verdade que juntamos aqui não é mais nada depois da morte e todo esforço para adquirir um bem que nos siga até mesmo no úmulo é vão. pois não posso temer que ele te abalarâ tão profunda. em seguida como obstáculo contra os grandes e. que somente em pouquíssimos homens Kant atuou vivamente e transformou sangue e seivas. durante uma geração. como ef. talvez sistemas de egoísmos individuais. Para pieparar o caminho a essas criações. Para que está isso por enquanto não'deve aí o "mundo". então. "Há pouco". quando reaprenderão a medir o sentido de uma filosoÍia em seu "íntimo maís sagrado"? E no entanto isso é necessário antes que se possa avaliar o que pode ser. se se desagregar e deixar de ser povo: em lugar disso. eanão apenas uma sacolejante máquina de pensar e de calcular. a estatístíca prova que há leis na história? Leis? Sim. tipos e espécies. escreve ele. da caverna do desâ-" nimo cético ou da abstinência crítica à alturà'da consideração tiâgica. depois de Kant..a Fito' safia do Inconscientes que ele foi o primeiro a conseguir sentir agudamente o ridículo da representação'do "processo universal" e." Sim.NIETZSCHE e da vida. que nunca agüentaram permanecer na dúvida. mas com isso também se estabelece a proposição: enquanto há leis na história. vamos admitiìo. do T. tenta apenas uma vez legitimar o sentido de tua existência como que a posteríorí. não conheço nenhuma Íìnalidade um alto e nobre "para quê". -. ninguém deve admirar-se se o povo naufragar iro egoisticamente pequeno e mísero. Se a ponta desse pensamento não atinge teu coração. de resto. por assim dizer como as bolhas que se tornam visívèis sobre a torrente das águas. ou seja. Mas é precisamente aquela espécie de história que está agora universalrnente em apreço. aquela que toma os grandes impulsos de massas como o mais importante e o principal na história e considera todos os grandes homens apenas como a expressão mais nítida. pela curiosa seriedade da sua exposição. propondo tu a ti mesmo um Íìm. precisamente quanto a esse pressuposto. basta que se continue a escrever a história do ponto de vista das massas e a procurar nela aquelas leis que podem ser derivadas das necessidades das massas. como instrumentos dos grandes. impressas em mau papel e'com chapas gastas.. e somente nos espíritos mais ativos e mais nobres. em seu íratimo mais sagrado. O segundo é: desespero da verdade. e a1ora tenho de comunicar-te um pensamento tirado dela. estás aí? isso te pergunto. pressuposto que seja um homem vigoroso e inteiro no sofrer e desejar. e até mesmo me paÍece. mâs como morno furor . mas não posso acreditar nisso. ela prova como é comum e repugnantemente uniforme a massa: devemos chamar de leis o efeilo dessas forças de gravidade que são a estupidez. na ossificação e no amor-próprio. a não ser que queiramos fazer uma-piada: pois o atrevimento do pequeno verme humano é o que há de mais jocoso e de mais hilariante sobre o palco terrestre. indivíduo. pâra que está aí a ''humanidade" trXT nos afligir.) a Edward von HarÍmann. não sorrias de um outro que se sente profundamente ferido por ele. e não tenho mais nenhum. no lugar dela.. Pois não o vejo claramente em homens que antes de tudo teriam de ser eles mesmos revolucionados. certa vez.