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TCC - AS DUAS FACES DA GOVERNANÇA CORPORATIVA

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Trabalho Científico sobre as duas faces da Governança Corporativa nas estatais brasileiras
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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO - UPE FACULDADE DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO DE PERNAMBUCO – FCAP GERÊNCIA SETORIAL DE PÓS-GRADUAÇÃO MBA EM GESTÃO DE CUSTOS

E CONTROLADORIA

GILSON TAVARES COSTA

AS DUAS FACES DA GOVERNANÇA CORPORATIVA

Recife 2011

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GILSON TAVARES COSTA

AS DUAS FACES DA GOVERNANÇA CORPORATIVA

Monografia apresentada à Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco – FCAP, da Universidade de Pernambuco - UPE, como requisito para obtenção do título de Especialista em Gestão de Custos e Controladoria. Orientador: Prof. Dr. Paulo Roberto Rio da Cunha. Recife 2011

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RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo demonstrar que existem duas faces na governança corporativa das empresas estatais. A PRIMEIRA FACE é aquela que se mostra na literatura, ou seja: a fundamentação teórica que é defendida nas publicações do gênero e pelos órgãos que tratam das boas práticas de governança corporativa no Brasil e no mundo, considerada modelo de qualidade, quando o assunto é sistema de controle interno eficaz, para minimizar riscos, maximizar resultados e fortalecer as organizações. Por outro lado, a SEGUNDA FACE está sendo considerada aquela que efetivamente existe nas estatais, nas quais são observadas irregularidades na constituição dos conselhos de administração, conselhos fiscais e comitês de auditoria, entre outros, com repercussão negativa nos sistemas que compõem toda a estrutura da governança corporativa, a partir da fragilização dos controles internos e evidências de conflitos de interesses que colocam em risco o patrimônio público de grandes empresas brasileiras. Em que pese a fundamentação dos estudos em dados reais, pesquisados em web sites corporativos, os nomes de tais organizações foram substituídos por denominações fictícias visando preservá-las, quais sejam: “ENERGIA S.A.”, “BRASIL S.A.” “ECONOMIA” e “CARTÃO POSTAL”. Palavras-chave: Governança Corporativa - Inadequação na composição e funcionamento dos Órgãos - Riscos corporativos para empresas estatais.

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ABSTRACT

This paper aims to demonstrate that there are two sides in the corporate governance of state run companies. THE FIRST FACE is the one shown in the literature, that is, the theoretical framework that is advocated in publications of the gender and in bodies that deal with good corporate governance practices in Brazil and the world, considered a model for quality when the subject is an effective internal control system, to minimize risks, maximize results and strengthen the organizations. On the other hand, THE SECOND FACE is being considered the one that actually exists in government companies, in which irregularities are noted in the formation of boards of directors, supervisory boards and audit committees, among others, with negative repercussions on the systems that make up the whole structure of corporate governance, starting from the weakening of internal controls and evidence of conflicts of interest, excluded word facts that are endangering the public assets of large Brazilian companies. Despite grounding the studies on real data, surveyed in corporate web sites, the names of such organizations have been replaced with fictitious names in order to preserve them, namely: "ENERGIA S.A.", "BRASIL S.A.", "ECONOMIA" and "CARTÃO POSTAL". Key-words: Corporate Governance - Inadequacy in the composition and functioning of organs - Corporate risk to state enterprises.

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABRAPP - Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada BACEN CGU COSIF COSO CVM IBGC IBGE NACD OCDE PCAOB SEC SFN TCC TCU UNB CGPAR - Banco Central do Brasil - Controladoria Geral da União - Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional - The Committee of Sponsoring Organizations of the Tradeway Commission - Comissão de Valores Mobiliários - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - National Association of Corporate Directors - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - Public Company Accounting Oversight Board - Securities and Exchange Commission - Sistema Financeiro Nacional - Trabalho de Conclusão de Curso - Tribunal de Contas da União - Universidade de Brasília - Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União FIPECAFI - Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras BOVESPA - Bolsa de Valores de São Paulo

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 8 1 OBJETIVO GERAL .................................................................................................. 9 1.1 OBJETIVO ESPECÍFICO ...................................................................................... 9 2 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE GOVERNANÇA CORPORATIVA ............... 9 2.1 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 9

2.2 METODOLOGIA .................................................................................................. 15
2.2.1 Aplicação de Questionário ................................................................................ 15 2.2.1.1 Público alvo ................................................................................................... 15 2.2.2 Pesquisas Bibliográficas................................................................................... 16

2.1.1 Conceitos de Governança Corporativa .............................................................. 9 2.1.2 História da Governança Corporativa ................................................................ 11 2.1.3 Princípios básicos da Governança Corporativa .............................................. 14

3 A GOVERNANÇA CORPORATIVA NAS ESTATAIS BRASILEIRAS .................. 17 4 ESTATAIS PESQUISADAS................................................................................... 18 4.1 ENERGIA S.A. .................................................................................................... 18
4.1.1 Organograma das áreas estratégicas .............................................................. 18 4.1.2 Comentários sobre cláusulas estatutárias ...................................................... 18 4.1.3 Remuneração dos administradores e do Conselho Fiscal ............................. 20 4.2.1 Organograma das áreas estratégicas .............................................................. 21 4.2.2 Comentários sobre cláusulas estatutárias ...................................................... 21 4.2.3 Remuneração dos administradores e do Conselho Fiscal ............................. 22 4.3.1 Organograma das áreas estratégicas .............................................................. 23 4.3.2 Comentários sobre cláusulas estatutárias ...................................................... 23 4.3.3 Remuneração dos administradores e do Conselho Fiscal ............................. 24 4.4.1 Organograma das áreas estratégicas .............................................................. 26 4.4.2 Comentários sobre cláusulas estatutárias ...................................................... 26 4.4.3 Remuneração dos administradores e do Conselho Fiscal ............................. 27

4.2 BRASIL S.A. ........................................................................................................ 21

4.3 ECONOMIA ......................................................................................................... 23

4.4 CARTÃO POSTAL .............................................................................................. 26

5 OS ÓRGÃOS QUE COMPÕEM A GOVERNANÇA CORPORATIVA E SUAS COMPETÊNCIAS ..................................................................................................... 28 5.1 COMPOSIÇÃO DA GOVERNANÇA CORPORATIVA DE ACORDO COM O IBGC ......................................................................................................................... 28
5.1.1 Assembléia Geral ............................................................................................... 28 5.1.2 Administradores ................................................................................................ 29 5.1.3 Presidência e Diretoria ...................................................................................... 30 5.1.4 Qualificação do Conselho de Administração................................................... 31 5.1.5 Conselho Fiscal - Lei nº. 6.404/76 ..................................................................... 32 5.1.6 Das responsabilidades dos membros do Conselho de Administração e Conselho Fiscal .......................................................................................................... 34

5.2 TRANSPARÊNCIAS DAS EMPRESAS PERANTE OS SEUS FUNCIONÁRIOS, ACIONISTAS E A SOCIEDADE ................................................................................ 35 5.3 CONFLITOS DE INTERESSES .......................................................................... 36 6 RISCOS CORPORATIVOS DECORRENTES DA INADEQUAÇÃO NA GOVERNANÇA CORPORATIVA ............................................................................. 37
5.3.1 Consolidação dos resultados na visão dos Profissionais que responderam ao questionário ........................................................................................................... 37

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6.1 GRANDES FRAUDES CORPORATIVAS DE REPERCUSSÃO MUNDIAL ........ 37 6.2 GRANDES FRAUDES EM EMPRESAS BRASILEIRAS ..................................... 38 6.3 MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS SOBRE AS AUDITORIAS INDEPENDENTES, NOS CASOS DE FRAUDES CORPORATIVAS........................................................ 39 6.4 MANIFESTAÇÕES DE EMPRESAS E ÓRGÃOS ESPECIALIZADOS SOBRE AS AUDITORIAS INDEPENDENTES ....................................................................... 40
6.4.1 Das críticas sobre a falta de rodízio da auditoria independente .................... 42 6.4.2 Sobre os riscos de auditoria ............................................................................. 43

CONCLUSÕES ......................................................................................................... 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 48 APÊNDICE ........................................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.

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INTRODUÇÃO

Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi desenvolvido a partir dos estudos sobre a Governança Corporativa que se pratica nas empresas estatais, comparando-o com as melhores práticas defendidas pelos principais órgãos especializados no assunto, no Brasil e no mundo. A relevância do estudo se fundamenta no fato de que o tema Governança Corporativa é, atualmente, um dos principais assuntos de discussão no mundo corporativo, pois contempla os processos decisórios na cúpula das organizações, os relacionamentos entre seus principais atores, notadamente executivos, conselheiros e acionistas ou proprietários, e os sistemas de controles internos. São consideradas empresas estatais, no presente trabalho, aquelas com 100% do capital pertencente à União, e as sociedades de capital aberto que têm a União como acionista controlador, por dispor de mais de 50% das ações com direito a voto. Os estudos foram realizados a partir da aplicação de questionários, análise dos organogramas, estatutos e demais informações disponíveis em web sites de quatro empresas públicas de grande porte, com patrimônios variando entre R$ 5 bilhões e R$ 200 bilhões, cujos nomes verdadeiros foram substituídos pelas denominações fictícias ENERGIA S.A., BRASIL S.A., ECONOMIA e CARTÃO POSTAL. Os resultados decorrentes da aplicação dos questionários e dos estudos estão apresentados nas conclusões do presente trabalho, que contempla a avaliação dos riscos patrimoniais a que estão expostas as empresas públicas que apresentarem fragilidades na sua Governança Corporativa.

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1 OBJETIVO GERAL Avaliar se a Governança Corporativa que se pratica nas grandes estatais brasileiras está de acordo com os ensinamentos da literatura e com as melhores práticas definidas pelos órgãos especializados, considerada ideal para os controles internos, redução dos riscos e sustentabilidade. 1.1 OBJETIVO ESPECÍFICO Analisar a Governança Corporativa praticada em quatro empresas públicas consideradas de grande porte, com patrimônios variando entre R$ 5 bilhões e R$ 200 bilhões, cujos nomes verdadeiros foram substituídos pelas denominações fictícias ENERGIA S.A., BRASIL S.A., ECONOMIA e CARTÃO POSTAL, verificando os sistemas de controle, possíveis conflitos de interesses, fragilidades e riscos institucionais e patrimoniais. Verificar ainda se a Governança Corporativa praticada nas mencionadas estatais guarda relação com a fundamentação teórica, que é defendida nas publicações do gênero e pelos órgãos que tratam das boas práticas no Brasil e no mundo.

2 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE GOVERNANÇA CORPORATIVA 2.1 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1.1 Conceitos de Governança Corporativa A governança corporativa apresenta diversos conceitos na literatura, porém, observa-se que há, entre eles, uma visão sistêmica equivalente, cujas variações conceituais são restritas ao uso das palavras, geralmente sinônimas ou assemelhadas. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), no Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa (2009, p.19), assim a define:
Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos

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entre proprietários, Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua longevidade.

Silva (2010, p.18) menciona que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) assim a define:
A governança corporativa é o sistema segundo o qual as corporações de negócios são dirigidas e controladas. A estrutura da governança corporativa especifica a distribuição dos direitos e responsabilidade entre os diferentes participantes da corporação, tais como o conselho de administração, os diretores executivos, os acionistas e outros interessados, além de definir as regras e procedimentos para a tomada de decisão em relação às questões corporativas. E oferece também bases através das quais os objetivos da empresa são estabelecidos, definindo os meios para se alcançarem tais objetivos e os instrumentos para se acompanhar o desempenho.

Silva (2010, p.19) cita o conceito expresso pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM):
Conceitua governança corporativa como o conjunto de práticas que tem por finalidade melhorar o desempenho de uma companhia ao proteger todas as partes interessadas, por exemplo, investidores, empregados e credores, facilitando o acesso ao capital.

A

Wikipédia,

enciclopédia

virtual

livre,

disponível

em

<http://pt.wikipedia.org>, acessada em 28 out 2010, apresenta as seguintes considerações sobre governança corporativa:
“[...] governo das sociedades ou das empresas”, afirmando que é o conjunto de processos, costumes, políticas, leis, regulamentos e instituições que regulam a maneira como uma empresa é dirigida, administrada ou controlada.

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A Enciclopédia virtual Wikipédia, ainda se referindo à governança corporativa, apresenta uma série de conceitos e objetivos comuns na relação com as empresas:
Governança corporativa é uma área de estudo com múltiplas abordagens. Uma das principais preocupações é garantir a aderência dos principais atores a códigos de conduta pré-acordados, através de mecanismos que tentam reduzir ou eliminar os conflitos de interesse e as quebras do dever fiduciário. Assim, o corporate governance (ou o governo das sociedades) é composto pelo conjunto de mecanismos e regras pelas quais se estabelecem formas de controle da gestão das sociedades de capital aberto, e onde se incluem instrumentos para monitorização e possibilidade de responsabilização dos gestores pelas suas decisões (ou atos de gestão). O corporate governance visa a diminuir os eventuais problemas que podem surgir na relação entre gestores e acionistas e, consequentemente, diminuir o risco de custos de agência. Disponível em <http://pt.wikipedia.org>, acessado em 28 out.2010.

Conforme demonstrado, todos os conceitos sobre governança corporativa mencionam a configuração que a empresa deve ter para uma gestão eficiente, melhoria dos seus resultados, proteção aos acionistas ou proprietários, e perpetuação no mercado. Referindo-se aos agrupamentos conceituais da governança corporativa, Andrade e Rossetti (2004, p.142) mencionam os valores fundamentais, que são: a) Guardiã de direitos de partes interessadas; b) Sistema de Relações; c) Estrutura de Poder; e d) Sistema Normativo. 2.1.2 História da Governança Corporativa Antes de discorrer sobre o tema governança corporativa, é importante comentar como ela surgiu, bem como a sua evolução histórica.

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Silva (2010, p. 23-7) destaca a evolução histórica da governança corporativa, que será apresentada no QUADRO 1, no qual estão consolidados os fatos mais importantes.
QUADRO 1 - História da Governança Corporativa Evolução Histórica Décadas de 1950 e 1960 Fases da Governança Corporativa Período marcado pela forte presença do acionista familiar majoritário; Conselheiros não atuantes e que desconheciam os negócios do acionista gestor. Surgiram no Brasil grandes conselhos, entre eles, nas empresas Docas, Monteiro Aranha e Alpargatas; Fundada, nos Estados Unidos, a National Association of Corporate Directors (NACD); A Criação, no Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pela Lei nº 6.385/76, de 07 de dezembro de 1976; e, Aprovação da Lei das sociedades por ações, nº. 6.404/76, de 15/12/1976. Globalização da economia, que aumentou a exigência de transparência sobre as grandes organizações; Aumento do poder das grandes empresas multinacionais; e, Muitas críticas nos países desenvolvidos, em relação à falta de transparência na administração das companhias. Escândalos envolvendo empresas brasileiras e estrangeiras, entre as quais os Bancos: Nacional, Econômico, Bandeirantes, Noroeste e Bamerindus; Discussão sobre o papel das empresas de auditoria externa, que apresentaram, durante vários anos, pareceres sem ressalva sobre os Balanços das Empresas, que, logo em seguida, estiveram envolvidas com fraudes de toda ordem; Questionamentos e exigências de maior poder para os Conselhos de Administração; Surgimento do primeiro código de Melhores práticas de Governança Corporativa da “Cadbury Comission na Inglaterra”, conhecido como Cadbury Report; Em 27 de novembro de 1997, foi fundado o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC);

Década de 1970

Década de 1980

Década de 1990

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QUADRO 1 - História da Governança Corporativa (continuação) Evolução Histórica Fases da Governança Corporativa Lançamento do Código das Melhores Práticas da NACD Report; Aprovada a lei nº. 9.457/97, que preserva as responsabilidades do Conselho de Administração e aumenta o poder da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para fiscalizar; Organization for Economic Co-operation and Development (OCDE). Organização multilateral que congrega os 29 países industrializados mais desenvolvidos do mundo. Elaboração dos Principles of corporate governance, para ajudar os países-membros na avaliação e melhoria institucional da boa governança corporativa; e, O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), amplia o código em maio de 1999, quando a expressão governança corporativa ainda era desconhecida no Brasil. Criação dos Níveis diferenciados de governança e do novo mercado pela Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA); Colapsos de grandes corporações norte-americanas como a Enron Corporation e Worldcom; Aprovação, pelo governo federal norte-americano, da Lei Sarbannes-Oxley, com o propósito de restaurar a confiança do público em geral na governança corporativa; Publicação, pela CVM, de Cartilha com recomendações sobre governança corporativa; Lançamento, pelo IBGC, do livro “Uma década de governança corporativa: história do IBGC, marcos e lições de experiências; Publicação do 1º. volume do Guia de Orientação para o Conselho Fiscal, IBGC; O IBGC lança o seu 2º. livro: Governança corporativa em empresas de controle familiar: casos de destaques no Brasil; O IBGC lança seu Código de Conduta e mais dois cadernos de GC: O Guia de Orientação para Gerenciamento de Riscos Corporativos e o seu Guia de Sustentabilidade para as Empresas; Crise financeira mundial de 2008 expõe problemas de gestão de riscos e o papel dos Conselhos de Administração; O IBGC lança a quarta edição (2009) do Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa; e, O IBGC lança a primeira Carta-Diretriz, posicionando-se sobre o tema Independência dos Conselhos de Administração – Melhores Práticas com base no Artigo 118 da Lei das Sociedades Anônimas.

Década de 1990

1ª. Década de 2000

Fonte: Silva (2010, p. 23-7)

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Segundo Andrade e Rossetti (2004, p.89) a Governança Corporativa surgiu a partir dos “conflitos de Agência”, conforme transcrição a seguir:
“O despertar da Governança Corporativa surgiu a partir dos conflitos de agência – tanto os derivados do oportunismo de gestores face à dispersão e à ausência dos acionistas, quanto os associáveis a estrutura de propriedade acionária que ensejam a expropriação dos direitos de minoritários por ações oportunistas dos majoritários”.

2.1.3 Princípios básicos da Governança Corporativa O IBGC (2009, p.19), na classificação das melhores práticas da Governança Corporativa, estabelece como princípios básicos a necessidade de que as empresas, por intermédio dos seus administradores, sejam transparentes, observem princípios de equidade, prestem contas aos seus acionistas ou proprietários e adotem políticas de responsabilidade corporativa.
QUADRO 2 - Princípios Básicos da Governança Corporativa Princípios Relações com os Investidores ou acionistas Mais do que a obrigação de informar e o desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. A adequada transparência resulta em um clima de confiança, tanto internamente quanto nas relações da empresa com terceiros. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que conduzem a criação de valor. Caracteriza-se pelo tratamento justo de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders). Atitudes ou políticas discriminatórias, sob qualquer pretexto, são totalmente inaceitáveis. Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação, assumindo integralmente as conseqüências de seus atos e omissões. Os agentes de governança devem zelar pela sustentabilidade das organizações, visando a sua longevidade, incorporando considerações de ordem social e ambiental na definição dos negócios e operações
(2009, p.19)

Transparência

Equidade

Prestação de Contas (accountability) Responsabilidade Corporativa

Fonte: IBGC

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2.2 METODOLOGIA 2.2.1 Aplicação de Questionário Com o objetivo de obter a opinião de funcionários de estatais de grande porte e da iniciativa privada, o autor elaborou um questionário com 24 perguntas sobre temas relacionados com Governança corporativa e riscos para as empresas estatais, as quais integram o APÊNDICE A. 2.2.1.1 Público alvo Foram selecionados 35 profissionais que ocupam cargos diversos em estatais de grande porte, entre os quais Auditores Internos, Gerentes de Agências Bancárias, Chefes de Departamentos, Gerentes Regionais de Auditoria e Gerente de Setor de Licitações e Contratos, e na iniciativa privada, ocupantes do cargo de Auditor Independente, todos com formação superior, especialização acadêmica e aptos a subsidiar, com as suas respostas, o presente TCC. Para tornar o questionário objetivo e propiciar as respostas rápidas, foram utilizadas perguntas fechadas de múltiplas escolhas, a maioria delas com três opções de respostas, constituídas em blocos temáticos, seguindo a ordem lógica e acessível ao entendimento das pessoas consultadas. O questionário foi encaminhado, pelo correio eletrônico, para 35 profissionais que exercem as suas atividades nas cidades de Recife (PE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Salvador (BA), Maceió (AL), Natal (RN), Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB), ficando disponível para as respostas no período de 01 a 06/07/2011, quando foi finalizada a pesquisa. Do universo de 35 profissionais consultados, 31 responderam ao questionário, cujas respostas foram consolidadas em planilha Excel, atribuídos os percentuais correspondentes; os resultados são apresentados em tabelas, quadros ou gráfico no TCC, de acordo com os temas sob discussão. Os objetivos foram atingidos, com a confirmação, em alguns casos, e rejeição de pressupostos, em outros, ressaltando que a contribuição das pessoas que responderam ao questionário foi considerada de suma importância e pode, inclusive, oferecer subsídios aos dirigentes de empresas estatais, para que possam

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reavaliar suas próprias condutas, bem como mensurar os riscos corporativos das empresas de que participam, e subsidiar Órgãos de Controle e Fiscalização, no que couber. 2.2.2 Pesquisas Bibliográficas Além da aplicação dos questionários foram realizadas pesquisas

bibliográficas sobre o tema Governança Corporativa, por meio de web sites corporativos das quatro estatais selecionadas, com ênfase nos estatutos de cada uma delas, comparação das atribuições dos Administradores, entre os quais os Conselhos de Administração, Diretorias, Presidências e as competências específicas dos Conselhos Fiscais, Auditoria Interna e Comitê de Auditoria. Realizado estudo da Lei 6.404/76, que trata das sociedades por ações, com especial atenção nos artigos relativos às atribuições dos órgãos que compõem a Governança Corporativa, entre os quais o Conselho de Administração e Conselho Fiscal. Analisadas as competências das instituições que regulam e fiscalizam as Estatais e Sociedades de Capital Aberto, a exemplo da Controladoria Geral da União (CGU), Banco Central do Brasil (BACEN), Tribunal de Contas da União (TCU) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM). E, realizadas pesquisas em web sites de Jornais e Revistas sobre notícias que tratam de fraudes corporativas e demais assuntos relacionados com Governança Corporativa. A apresentação do presente TCC segue as regras estabelecidas para trabalhos Científicos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); e as tabelas, por serem unidades autônomas, foram elaboradas com base nos ensinamentos de Furasté (2011, p.78), que recomenda a elaboração de acordo com o prescrito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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3 A GOVERNANÇA CORPORATIVA NAS ESTATAIS BRASILEIRAS Os estudos a partir da análise dos organogramas, estatutos e demais informações disponíveis em web sites de quatro empresas públicas, de grande porte, cujos nomes verdadeiros foram substituídos pelas denominações fictícias ENERGIA S.A., BRASIL S.A., ECONOMIA e CARTÃO POSTAL, revelaram práticas que contrariam procedimentos básicos exigidos nas boas governanças corporativas, ressaltando que tais inadequações podem expô-las a riscos patrimoniais. As principais inadequações reveladas nos estudos são comentadas adiante, a partir de relatos sobre as áreas estratégicas de cada uma das empresas estudadas. Especificamente com base no estudo científico, verificou-se, através das respostas do questionário aplicado, que as grandes Estatais Brasileiras promovem pouca divulgação da Governança Corporativa perante os seus funcionários. Apesar de ocuparem cargos estratégicos em empresas públicas ou atuarem nelas profissionalmente, no caso do Auditor Independente, dez profissionais que responderam ao questionário, ou 32,26%, afirmaram que tinham conhecimento apenas parcial sobre os Órgãos que compõem a Governança Corporativa, e um, ou 3,23%, informou que desconhecia a sua composição:
TABELA 1: Sobre os Órgãos que Compõem a Governança Corporativa Consolidação das respostas no questionário Afirmaram que sabem quais os órgãos que a compõe Afirmaram que tinham conhecimento parcial Não tinha conhecimento sobre os órgãos que a compõe Qtde 20 10 1 31 % 64,52% 32,26% 3,23% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

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4 ESTATAIS PESQUISADAS 4.1 ENERGIA S.A. 4.1.1 Organograma das áreas estratégicas

Figura 1: Organograma das áreas estratégicas da empresa Energia S.A Fonte: sítio corporativo: www.energia.com.br

Nota: As denominações são fictícias para preservar o nome da empresa

4.1.2 Comentários sobre cláusulas estatutárias No caso da empresa ENERGIA S.A. o Diretor-Presidente é escolhido entre os membros do Conselho de Administração, passando a acumular os dois cargos, situação que foi submetida à avaliação de profissionais quanto à configuração, ou não, de conflito de interesses.

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Com essa formatação, em determinadas reuniões do Conselho de Administração o Presidente, junto com os demais membros, aprova demandas dele próprio, e de forma mais acentuada, no momento em que ele estiver substituindo o Presidente do Conselho, quando poderá estar configurada mais ainda a prática de conflito de interesses. Sobre a participação de Presidente e Diretor no Conselho de Administração e acumulando cargos, as pessoas consultadas se posicionaram conforme consolidado na TABELA 2:
TABELA 2: Diretor e Presidente acumulando cargo no Conselho de Administração Consolidação das respostas no questionário Consideram conflito de interesses, ou seja: discordam da participação de dirigentes no Conselho de Administração. Não consideram conflito de interesses e são favoráveis à acumulação dos cargos. Qtde 22 9 31 % 70,97% 29,03% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC. .

Ressalte-se que qualquer irregularidade na constituição do Conselho

de Administração tem repercussão negativa nos principais Órgãos que compõem a estrutura da governança corporativa, em especial na Auditoria Interna, Auditoria Independente e Comitê de Auditoria, e, por consequência, fragiliza os controles internos e coloca em risco o patrimônio público de grandes empresas brasileiras Uma das cláusulas do estatuto da empresa ENERGIA S.A. prevê a participação de membros do Conselho de Administração nas reuniões, “por telefone, vídeo-conferência, ou outro meio de comunicação que possa assegurar a participação efetiva e a autenticidade do seu voto”, que será considerada como se ele estivesse presente para todos os efeitos legais, tema esse que também foi submetido à avaliação no questionário. Sobre esse assunto, a consolidação das respostas do questionário apresentou o seguinte resultado que está consolidado na TABELA 3:

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TABELA 3: Substituição da presença física, nas reuniões do Conselho de Administração, por teleconferência ou telefone Consolidação das respostas no questionário Fragiliza os controles da empresa. Não fragiliza os controles da empresa. Concorda com a reunião por teleconferência ou telefone. Qtde 18 12 1 31 % 58,06% 38,71% 3,23% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

4.1.3 Remuneração dos administradores e do Conselho Fiscal A remuneração dos administradores é decidida em Assembléia Geral, publicada em ata de domínio público na forma prevista na Lei 6.404/76, Seção 13 do Anexo 24 da Instrução CVM 480/09 e Art. 12, itens I e II da Instrução CVM 481/09. De acordo com a ata publicada no web site da CVM, as remunerações dos Administradores e membros do Conselho de Administração e Fiscal para o período de abril/2010 a março/2011, foram fixadas nos seguintes valores:
TABELA 4: Remuneração de Dirigentes e Conselheiros Cargo Valor – R$ Remuneração variável no período Diretor 58.000,00 Podendo chegar a R$ 80.000,00. Conselho de Administração 5.000,00 Podendo chegar a R$ 8.600,00. Conselho Fiscal 5.800,00 Podendo chegar a R$ 14.000,00.
Fonte: CVM, disponível em: www.cvm.gov.br. Acesso em 10 dez. 2010.

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4.2 BRASIL S.A. 4.2.1 Organograma das áreas estratégicas

Figura 2: Organograma das áreas estratégicas da empresa Brasil S.A Fonte: sítio corporativo: www.brasil.com.br

Nota: As denominações são fictícias para preservar o nome da empresa

4.2.2 Comentários sobre cláusulas estatutárias Consta no estatuto da BRASIL S.A. que o Diretor-Presidente acumula o cargo de Vice-Presidente do Conselho de Administração, ou, seja, nas reuniões do conselho poderá aprovar demandas de interesse dele próprio, e, ainda, na ausência do Presidente do Conselho de Administração, ele acumula os dois cargos, situações que podem configurar a prática de conflito de interesses, e que foram submetidas à avaliação no questionário aplicado, adiante transcrito.

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4.2.3 Remuneração dos administradores e do Conselho Fiscal De acordo com a ata publicada no web site da CVM, a remuneração dos Administradores e membros do Conselho de Administração e Fiscal para o período de abril/2010 a março/2011, foram fixadas nos seguintes valores:

TABELA 5: Remuneração de Dirigentes e Conselheiros Cargo Valor – R$ Diretor 74.000,00 Conselho de Administração 3.610,00 Conselho Fiscal 4.400,00
Fonte: CVM, disponível em: www.cvm.gov.br. Acesso em 10 dez. 2010.

Ressalte-se que no caso das duas estatais de capital aberto, ENERGIA S.A e BRASIL S.A., conforme demonstrado, foi cumprida a exigência da CVM para a divulgação pública da remuneração dos dirigentes e conselheiros, como forma de tornar transparente a relação das empresas com os acionistas.

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4.3 ECONOMIA 4.3.1 Organograma das áreas estratégicas

Figura: 3 Organograma das áreas estratégicas da empresa Economia Fonte: sítio corporativo: www.economia.gov.br

Nota: As denominações são fictícias para preservar o nome da empresa

4.3.2 Comentários sobre cláusulas estatutárias No estatuto da empresa ECONOMIA consta que o Presidente da empresa acumula o cargo de Vice-Presidente do Conselho de Administração, em situação semelhante às outras empresas citadas. Observa-se, ainda, no estatuto da mencionada empresa, exigências para ocupar o cargo de membro do Conselho de Administração, entre as quais: graduação em curso superior; cinco anos de cargos de experiência em cargos gerenciais em instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

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Mas, há uma cláusula estatutária que pode suscitar dúvidas ou falta de transparência em relação às exigências para o cargo de membro do Conselho de Administração, qual seja: “pessoa que tenha ocupado cargos relevantes em órgãos ou entidades da administração pública, por pelo menos dois anos”. A exceção mencionada, por meio da qual podem ser nomeadas, para o Conselho de Administração, pessoas com capacidade duvidosa, quanto aos requisitos necessários, pois não há uma definição clara do que seja “cargo relevante”, foi submetida à avaliação no questionário, cujas respostas estão consolidadas adiante. Na opinião de 90,32% dos profissionais que responderam ao questionário, deve ser exigida para o cargo de conselheiro, no Conselho de Administração, formação superior, especialização e experiência, que não pode ser substituída por apenas “experiência em cargo público”.
TABELA 6: Pré-requisitos para o Conselheiro de Administração Consolidação das respostas no questionário Formação superior, especialização e experiência. Sem a exigência de formação superior, especialização e experiência. Substituição do requisito acadêmico por experiência em Cargo Público. Qtde 28 3 0 31 % 90,32% 9,68% 0,00% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

4.3.3 Remuneração dos administradores e do Conselho Fiscal No estatuto da ECONOMIA não há informações sobre a remuneração dos Diretores e dos membros do Conselho de Administração e Fiscal. Consta apenas que a remuneração dos dirigentes e conselheiros será fixada pelo Ministro responsável pela pasta de vinculação. Considerando que a ECONOMIA é uma estatal, com 100% do capital pertencente à União, a CVM não tem poderes ou gestão para exigir a publicação da remuneração dos Administradores e do Conselho Fiscal em seu web site, como ocorre nas Sociedades Anônimas de Capital aberto. Com relação à falta de divulgação da remuneração dos dirigentes e conselheiros das estatais, a exemplo das companhias de Capital Aberto, a pesquisa

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confirma que mais de 90% dos profissionais que responderam ao questionário discordam desse posicionamento:
TABELA 7: Sobre os salários dos Dirigentes e Conselheiros das Estatais com 100% do capital pertencente à União Posição dos profissionais que responderam Qtde % Favoráveis à divulgação dos Salários. 29 93,55% Contra a divulgação. 2 6,45% 31 100,00%
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

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4.4 CARTÃO POSTAL 4.4.1 Organograma das áreas estratégicas

Figura 4: Organograma das áreas estratégicas da empresa Cartão Postal
Fonte: sítio corporativo: www.cartaopostal.gov.br

Nota: As denominações são fictícias para preservar o nome da empresa

4.4.2 Comentários sobre cláusulas estatutárias De acordo com o estatuto, o Presidente da empresa CARTÃO POSTAL acumula a Presidência do Conselho de Administração. Também nesse caso a questão sobre a existência, ou não, de conflito de interesses foi submetida à avaliação dos profissionais que responderam ao questionário. Ressalte-se, no caso da empresa CARTÃO POSTAL, que o exercício do cargo de Presidente do Conselho de Administração, pelo Presidente da empresa, não é ilegal, pois está previsto em Lei, mas deve ser avaliada quanto ao risco corporativo.

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Referindo-se à segregação das funções de presidente do conselho e diretorpresidente, o IBGC (2009, p.35) cita as diferenças de atribuições entre presidente de conselho de administração e diretor-presidente, ou diretores e presidentes, conforme transcrição a seguir, destacando algumas situações que podem evidenciar a prática de conflitos de interesses:
As atribuições do presidente do conselho são diferentes e complementares às do diretor-presidente. Para que não haja concentração de poder, em prejuízo de supervisão adequada da gestão, deve ser evitado o acumulo das funções de presidente do Conselho e diretor-presidente pela mesma pessoa. É recomendável que o diretor-presidente não seja membro do Conselho de Administração, mas ele deve participar das reuniões de Conselho como convidado (vide 2.12). 2.11 Sessões executivas O Conselho deve realizar regularmente sessões sem a presença dos executivos – as chamadas sessões executivas. Desta forma, o Conselho preserva um espaço de discussão formado exclusivamente por conselheiros, sem criar constrangimento às partes. 2.12 Convidados para as reuniões do Conselho Outros executivos da organização, assessores técnicos ou consultores podem ser convidados ocasionalmente para as reuniões do Conselho de Administração, para prestar informações, expor suas atividades ou apresentar opiniões sobre assuntos de sua especialidade. Não devem, contudo, estar presentes no momento da deliberação. (IBGC 2009, p.35)

4.4.3 Remuneração dos administradores e do Conselho Fiscal No estatuto da empresa CARTÃO POSTAL não há informações sobre a remuneração dos Diretores e dos membros do Conselho de Administração e Fiscal. Consta apenas a informação de que os valores são fixados pelo Ministro da pasta de vinculação, ou seja: não se observa a mesma transparência existente nas Sociedades de Capital Aberto. Também no caso da empresa CARTÃO POSTAL, que é uma estatal, com 100% do capital pertencente à União, a CVM não tem poderes ou gestão para exigir a publicação da remuneração dos Administradores e do Conselho Fiscal em seu web site, como ocorre nas Sociedades Anônimas de Capital aberto.

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5 OS ÓRGÃOS QUE COMPÕEM A GOVERNANÇA CORPORATIVA E SUAS COMPETÊNCIAS 5.1 COMPOSIÇÃO DA GOVERNANÇA CORPORATIVA DE ACORDO COM O IBGC Na figura a seguir está demonstrada a formatação dos Órgãos que compõem a Governança Corporativa de acordo com o IBGC - Código de Melhores Práticas:

Figura 5: Sistemas da Governança Corporativa Fonte: (IBGC. 2009, p. 16)

5.1.1 Assembléia Geral De acordo com o IBGC (4ª. ed. 2009. p.22), a assembléia geral é considerada o órgão soberano da organização de capital aberto, com poderes para aumentar e reduzir o capital, elaborar e alterar o Estatuto/Contrato Social, designar e destituir membros dos conselhos de administração e fiscal, aprovar ou não as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras, fusão,

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incorporação, cisão, dissolução e liquidação da sociedade, aprovar a remuneração dos administradores, que são os membros dos conselhos de administração e da Diretoria. 5.1.2 Administradores De acordo com a Lei 6.404/76, de 15 de dezembro de 1976, são considerados administradores das sociedades os membros do Conselho de Administração e os Diretores, cada um deles com competências, deveres e responsabilidades definidos para os seus principais atores ou Stakeholders. O Art. 153, que trata dos Deveres e Responsabilidades dos Administradores, estabelece que eles devam “empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios”. E, no Art. 154, está previsto que o administrador “deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa”. É importante destacar as responsabilidades dos Administradores previstas no Art. 153 e nos estatutos, bem como os seus deveres de lealdade para com as organizações, consequências. No artigo 158, que trata das “Responsabilidades dos Administradores”, consta que o administrador responde civilmente pelos prejuízos que causar nos casos de culpa ou dolo e violação da lei ou estatuto:
Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: I - dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; II - com violação da lei ou do estatuto. [...] § 5º Responderá solidariamente com o administrador quem, com o fim de obter vantagem para si ou para outrem, concorrer para a prática de ato com

os

impedimentos

quanto

a

conflitos

de

interesses

e

as

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violação da lei ou do estatuto. (BRASIL. Lei 6.404/76, de 15 de dezembro de 1976. Art.158).

Referindo-se à separação das funções de Diretor e de membro de Conselho de Administração, Andrade e Rossetti (2004, p. 271) citam:
[...] na maior parte dos países, adota-se o princípio de separar as funções. O presidente do Conselho de Administração (Chaiman) e o executivo–chefe (CEO) não acumulam os dois cargos” e complementa com a informação de que “o presidente do Conselho de Administração conduz um colegiado que tem entre suas funções essenciais a de monitorar adequadamente o executivo-chefe e avaliar o seu desempenho.

5.1.3 Presidência e Diretoria Segundo Andrade e Rossetti (2004, p.305), a missão e responsabilidades da Diretoria Executiva é “exercer a gestão executiva da organização, focada na busca incessante da eficácia estratégica, na excelência operacional, na criação do valor e na maximização do retorno dos investimentos”. As principais responsabilidades da Diretoria Executiva, citadas por Andrade e Rossetti (2004, p.305), são: a) Exercer a gestão dos negócios e das áreas funcionais, alinhando-a as crenças fundamentais, aos valores corporativos e às políticas homologadas pelo Conselho de Administração; b) Interagir permanentemente com o Conselho de Administração e com seus comitês permanentes e temporários; c) Contribuir ativamente no desenvolvimento de projetos de alto impacto corporativo; d) Definir estratégia de negócios que responda aos propósitos e às expectativas dos acionistas, colhidas e emitidas pelo Conselho de Administração; e) Definir anualmente o business plan e os orçamentos derivados da estratégia, liderando a sua execução;

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f) Antecipando-se aos demais órgãos de governança, levantar e expor ao Conselho de Administração as vulnerabilidades e os riscos corporativos, exercendo permanentemente a sua gestão; g) Propor ao Conselho de Administração mudanças substanciais na estrutura organizacional e nos processos de gestão, exigidas para implantação da estratégia; h) Prestar informações ao Conselho de Administração: - fundamentais para a eficácia do processo de governança; - relevantes e Oportunas; - de qualidade conceitual e técnica. i) Avaliar e definir medidas corretivas para os desvios em relação aos objetivos, ao business plan e aos orçamentos; j) Assumir a responsabilidade pelas demonstrações patrimoniais e de resultados da corporação; e k) Preparar sua linha de sucessão. 5.1.4 Qualificação do Conselho de Administração Sobre os pré-requisitos e qualificação para o cargo de Conselheiro, o IBGC (2009, p.32) recomenda que deva possuir, entre outros: a) Alinhamento com os valores da organização e seu Código de Conduta; b) Capacidade de defender seu ponto de vista a partir de julgamento próprio; c) Disponibilidade de tempo (vide 2.8); d) Motivação; e) Visão estratégica; f) Experiências em outros conselhos, em gestão, finanças e contabilidade; g) Conhecimento das melhores praticas de Governança Corporativa; h) Capacidade de trabalho em equipe; i) Capacidade de ler e entender relatórios gerenciais, contábeis e financeiros; e j) Noções de legislação societária.

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Sobre a competência ou atribuição do Conselho de Administração, as respostas dos profissionais no questionário apresentaram o seguinte resultado:

TABELA 8: Pré-requisitos e qualificação para o cargo no Conselho de Administração das Estatais Consolidação das respostas do questionário Qtde % Tinham conhecimento parcial sobre as qualificações. 16 51,61% Tinham conhecimento dos pré-requisitos para o cargo. 13 41,94% Não tinham conhecimento. 2 6,45% 31 100,00%
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

Sobre a fixação de apenas uma reunião mensal para que os conselheiros cumpram a suas atribuições, as respostas dos profissionais que responderam ao questionário apresentaram o seguinte resultado:
TABELA 9: Uma Reunião mensal e outra extraordinária, quando necessária Consolidação das respostas do questionário Qtde % Discordam que uma reunião mensal e extraordinárias sejam suficientes para os conselheiros exercerem as suas atividades. 20 64,52% Concordam com apenas uma reunião mensal. 8 25,81% Não souberam opinar. 3 9,68% 31 100,00%
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

5.1.5 Conselho Fiscal - Lei nº. 6.404/76 No Capítulo XIII estão fixadas as diretrizes para a Composição e o Funcionamento do Conselho Fiscal; o Art. 161 cita que o estatuto da empresa “disporá sobre seu funcionamento de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas”, destacando, no artigo 163, as suas principais competências, que são:
I – fiscalizar, por qualquer de seus membros, os atos dos administradores e verificar o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários; (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) II – opinar sobre o relatório anual da administração, fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia-geral; III – opinar sobre as propostas dos órgãos da administração, a serem submetidas à assembléia-geral, relativas a modificação do capital social,

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emissão de debêntures ou bônus de subscrição, planos de investimento ou orçamentos de capital, distribuição de dividendos, transformação, incorporação, fusão ou cisão; IV – denunciar, por qualquer de seus membros, aos órgãos de administração e, se estes não tomarem as providências necessárias para a proteção dos interesses da companhia, à assembléia-geral, os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, e sugerir providências úteis à companhia; (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) V – convocar a assembléia-geral ordinária, se os órgãos da administração retardarem por mais de 1 (um) mês essa convocação, e a extraordinária, sempre que ocorrerem motivos graves ou urgentes, incluindo na agenda das assembléias as matérias que considerarem necessárias; VI – analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e demais demonstrações financeiras elaboradas periodicamente pela companhia; VII – examinar as demonstrações financeiras do exercício social e sobre elas opinar; VIII – exercer essas atribuições, durante a liquidação, tendo em vista as disposições especiais que a regulam. (BRASIL, Lei nº. 6.404/76 de 15/12/1976).

Sobre as principais competências do Conselho fiscal, as respostas dos profissionais no questionário apresentaram o seguinte resultado:
TABELA 10: Competências dos membros do Conselho Fiscal Consolidação das respostas do Questionário Qtde Responderam que tinha conhecimento sobre as competências. 17 Tinham conhecimento parcial sobre as competências. 13 Não tinham conhecimento. 1 31

% 54,84% 41,94% 3,23% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

Sobre uma reunião mensal e outra extraordinária, quando necessária, para as atividades que competem ao Conselho Fiscal, as respostas foram consolidadas da seguinte forma:
TABELA 11: Sobre uma reunião mensal e outra extraordinária, para os membros do Conselho Fiscal exercerem as suas atividades Qtde % Consolidação das respostas do Questionário Discordam sobre uma reunião mensal e outra extraordinária. 22 70,97% Concordam com uma reunião mensal e outra extraordinária. 8 25,81% Não souberam opinar. 1 3,23% 31 100,00%
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

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5.1.6 Das responsabilidades dos membros do Conselho de Administração e Conselho Fiscal No artigo 165 da Lei 6404/76 são fixadas as responsabilidades dos administradores, que são as mesmas do Conselho Fiscal, pois respondem civil e penalmente por omissão, culpa ou dolo:
Art. 165. Os membros do conselho fiscal têm os mesmos deveres dos administradores de que tratam os artigos 153 a 156 e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo, ou com violação da lei ou do estatuto. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)

Sobre as responsabilidades dos membros do Conselho de Administração perante a Lei e Estatutos, a consolidação das respostas foi a seguinte:
TABELA 12: Responsabilidades estatutária do Conselho de Administração perante as Leis: Consolidação das respostas do Questionário Qtde % Tinham conhecimento das responsabilidades. 24 77,42% Tinham conhecimento parcial sobre as responsabilidades. 5 16,13% Não tinham conhecimento. 2 6,45% 31 100,00%
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

Sobre as responsabilidades dos membros do Conselho Fiscal perante a Lei e Estatutos, os profissionais assim se manifestaram:
TABELA 13: Responsabilidade Estatutária do Conselho Fiscal e perante as Leis: Consolidação das respostas no questionário Qtde % Tinham conhecimento das Responsabilidades. 25 80,65% Não tinham conhecimento. 6 19,35% 31 100,00%
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

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5.2 TRANSPARÊNCIAS DAS EMPRESAS PERANTE OS SEUS FUNCIONÁRIOS, ACIONISTAS E A SOCIEDADE Entre os princípios básicos da Governança Corporativa citados pelo IBGC (2009, p.19), foi destacada a transparência como obrigação da empresa disponibilizar as informações além daquelas impostas por leis ou regulamentos. Nesse contexto, observa-se a falta de divulgação, nos web sites corporativos das estatais, em especial, dos nomes dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal, alguns deles somente identificados quando constam em Balanços e Demonstrações de Resultados. Foram observadas nas respostas dos questionários que 41,94% dos funcionários das empresas públicas não identificaram, no web site corporativo das empresas estatais em que trabalham, os nomes dos dirigentes das empresas:
TABELA 14: Nomes do Presidente, Vice-Presidente e Diretores no web site corporativo Consolidação das respostas no questionário Qtde Há divulgação dos nomes dos dirigentes no web site corporativo. 18 Não há divulgação dos nomes dos dirigentes no web site. 13 31 % 58,06% 41,94% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

Com relação aos nomes dos membros do Conselho de Administração e Conselho Fiscal, apenas 22,58% afirmaram que os nomes constam no web site corporativo:
TABELA 15: Membros do Conselho de Administração Consolidação das respostas no questionário Não há divulgação dos nomes dos Conselheiros no web site. Há divulgação dos nomes dos Conselheiros no web site. Tomaram conhecimento por outros meios. Qtde 19 7 5 31 % 61,29% 22,58% 16,13% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

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No que concerne aos membros do Conselho Fiscal, apenas 12,9% afirmaram que os nomes constam no web site corporativo da estatal em que trabalham:
TABELA 16: Membros do Conselho Fiscal Consolidação das respostas no questionário Não há divulgação dos nomes dos Conselheiros no web site. Tomaram conhecimento dos nomes por outros meios. Há divulgação dos nomes dos Conselheiros no web site. Qtde 22 5 4 31 % 70,97% 16,13% 12,90% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

5.3 CONFLITOS DE INTERESSES Em face da participação de funcionários públicos e outras autoridades nos conselhos de administração das grandes empresas públicas brasileiras, o que se percebe, nos organogramas e estatutos das empresas “ENERGIA S.A.”, “BRASIL S.A.” “ECONOMIA” e “CARTÃO POSTAL.”, são Presidentes e Diretores, juntos, participando dos Conselhos de Administração. No Guia das melhores práticas de Governança Corporativa (2009, p. 67), se referindo a conflito de interesses, o IBGC assim o conceitua:
Há conflito de interesses quando alguém não e independente em relação à matéria em discussão e pode influenciar ou tomar decisões motivadas por interesses distintos daqueles da organização. Essa pessoa deve manifestar, tempestivamente, seu conflito de interesses ou interesse particular. Caso não o faça, outra pessoa poderá manifestar o conflito. E importante prezar pela separação de funções e definição clara de papeis e responsabilidades associadas aos mandatos de todos os agentes de governança, inclusive com a definição das alçadas de decisão de cada instancia, de forma a minimizar possíveis focos de conflitos de interesses. Definições de independência foram dadas, neste Código, para conselheiros de administração (vide 2.15), sócios (vide 1.4.7) e auditores independentes (vide 4.7). Critérios similares valem para diretores e qualquer funcionário ou representante da organização. Os conselheiros, assim como os executivos, têm dever de lealdade com a organização e a totalidade dos sócios e não apenas com aqueles que os elegeram.

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5.3.1 Consolidação dos resultados responderam ao questionário

na

visão

dos

Profissionais

que

Sobre a participação de Presidentes e Diretores no Conselho de Administração das Estatais, que podem participam da aprovação de demandas deles próprios:
TABELA 17: Dirigentes participando do Conselho de Administração da mesma empresa que exerce as suas atividades Na visão dos profissionais que responderam a pesquisa Consideram conflito de Interesses. Discordam da participação de Presidentes e Diretores no Conselho de Administração. Concordam com a participação de Presidentes e Diretores no Conselho de Administração. Qtde 22 5 4 31 % 70,97% 16,13% 12,90% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

6 RISCOS CORPORATIVOS GOVERNANÇA CORPORATIVA

DECORRENTES

DA

INADEQUAÇÃO

NA

6.1 GRANDES FRAUDES CORPORATIVAS DE REPERCUSSÃO MUNDIAL Silva (2010, p.199 a 201), no capítulo que trata de FRAUDES e CORRUPÇÕES, apresentou os principais escândalos corporativos no mundo, que podem servir para alertar as estatais sobre a importância dos controles internos e da inadequação no seu sistema de Governança Corporativa. Dos grandes escândalos relacionados por Silva (2010, p.199 - 201), o autor destaca aqueles com valores acima de US$ 1 bilhão, os quais serão demonstrados no QUADRO 2, a seguir:
QUADRO 2: GRANDES FRAUDES CORPORATIVAS NO MUNDO Empresas Principais Irregularidades Enron Admitiu inflar os lucros e ocultar o endividamento, manipulando parcerias não explicitadas no balanço. Pediu concordata em novembro de 2001 por dívidas no valor de US$ 31,2 bilhões; Adelphia Alvo de Investigação da Comissão de Valores Mobiliários norteamericana (SEC) sobre US$ 3,1 bilhões em empréstimos não relacionados nos balanços; Duke Energy Admitiu ter inflado suas receitas em US$ 1 bilhão, ao longo de três anos, com negócios fictícios – como dois operadores comprando e vendendo contratos de energia entre si;

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QUADRO 2: GRANDES FRAUDES CORPORATIVAS NO MUNDO (continuação) Global Sofreu investigação da SEC sobre contratos de venda de energia Crossing no mercado atacadista de longo prazo. Pediu concordata em janeiro de 2002 por dívidas de US$ 12,4 bilhões; Merck Reconheceu ter contabilizado como receita sua (e também despesa) o faturamento da subsidiária Medco, no valor de US$ 12,4 bilhões; Rite Aid Recalculou, com diferença de US$ 2,3 bilhões, o lucro antes dos impostos. Ex-Executivos foram acusados pela SEC de fraudar a contabilidade; WorlCom Pediu concordata por dívidas de US$ 32 bilhões após reconhecer que fraudou balanços em US$ 3,85 bilhões, contabilizando despesas como investimentos. Posteriormente descobriu-se que o rombo era US$ 2 bilhões maior; Sumitomo Yasuo Harmanaka era responsável pelas atividades de cobre. Fez a empresa perder US$ 2,6 bilhões, ao realizar transações fraudulentas por 10 anos de 1986 a 1996; Barings O Banco de negócios mais antigo da Grâ Betanha ficou sob controle judicial após a fuga de um dos seus corretores (Nick Leeson). Acumulou US$ 1,2 bilhão de perdas, escondidas em uma conta secreta; e, Amaranth Em 2006, apostas infelizes do trader – chefe de energia BR’AAN Advisiors HUNTER no mercado de gás natural levaram o fundo de hege da Americana Amaranth a perder mais de US$ 6 bilhões em questão de semanas.
Fonte: Silva (2010, p.199 - 201)

6.2 GRANDES FRAUDES EM EMPRESAS BRASILEIRAS Silva (2010, p. 202) destacou os maiores escândalos financeiros no Brasil, que estão demonstrados na TABELA 18:
TABELA 18 - Grandes fraudes em empresas brasileiras Empresas Ano Grandes fraudes em empresas brasileiras Coroa Brastel 1983 R$ 1,2 bilhão Banco Nacional 1995 R$ 28 bilhões Banco Econômico 1995 R$ 10,5 bilhões Banco Bamerindus 1997 R$ 5,7 bilhões Banco Marka 1999 R$ 1,05 bilhão Banco Fonte Cidan 1999 R$ 522 milhões Precatórios 1997 R$ 1,5 bilhão Papatudo 1994/95 R$ 168 milhões Banco Santos 2004/05 R$ 2,3 bilhões Banco Panamericano 2010 R$ 4,3 bilhões Total R$ 55,24 bilhões
Fonte: Silva (2010, p. 202) Nota: acrescentada a fraude do Banco PanAmericano, que se tornou pública em 2010.

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6.3 MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS SOBRE AS AUDITORIAS INDEPENDENTES, NOS CASOS DE FRAUDES CORPORATIVAS No último trimestre de 2010, a descoberta de fraude envolvendo o Banco PanAmericano, estimada em mais de R$ 4 bilhões, foi divulgada nos principais jornais, revistas de grande circulação e portais da internet, a exemplo do Portal de Notícias G1, Jornal Valor Econômico e Provedor UOL, acessados pela internet, respectivamente em 18/11 e 27/12/2010. Filtrando as reportagens e publicações sobre as fraudes, constatou-se: a) Que 90% das reportagens citaram a Auditoria Independente como responsável: b) Que 10% apresentaram, discretamente, algum tipo de citação sobre a responsabilidade de Diretores; c) Nenhuma reportagem mencionou a responsabilidade do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal; A aplicação do questionário, em relação à responsabilidade apenas da firma de auditoria, teve a seguinte resposta:
TABELA 19 – Sobre responsabilizar apenas a Auditoria Independente Consolidação das respostas do Questionário Qtde % São contra responsabilizar apenas a Auditoria Independente. 22 70,97% Favoráveis à responsabilização apenas da Auditoria independente. 9 29,03% 31 100,00%
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

40

Com relação à responsabilidade dos Administradores e Conselheiros, na opinião dos profissionais que responderam ao questionário, todos devem ser responsabilizados na mesma proporção, e não apenas as firmas de auditoria.

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

6.4 MANIFESTAÇÕES DE EMPRESAS E ÓRGÃOS ESPECIALIZADOS SOBRE AS AUDITORIAS INDEPENDENTES No web site da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), disponível em: <http://www.abrapp.org.br>, acesso em 20 nov. 2010.<http://www.abrapp.org.br>, consta a reportagem com o título “EM DEBATE A FISCALIZAÇÃO SOBRE AS AUDITORIAS”. A reportagem cita que as Agências de Classificação de Risco consideram as empresas de Auditoria como “as vilãs da crise mundial de 2009”. Menciona que no Brasil, a “má fama das avaliadoras de rating foi recentemente transferida às Big Four”, como são chamadas KPMG, Deloitte, PwC (antiga Price) e Ernst &Young Terco, em face das fraudes contábeis descobertas no Carrefour e Banco PanAmericano. E, que, por conta disso, retorna a discussão e a proposta para “a criação de um órgão independente para fiscalizar a atuação” das empresas de Auditoria.

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As discussões sugerem a criação de entidades reguladoras e citam como exemplo a CVM e o BACEN. Silva (2010, p. 59) sugere a criação de um fundo para a contratação e pagamento das firmas de auditoria:
[...] fundo de recursos pagos pelas empresas abertas para remuneração dos auditores independentes, ao invés de contratação direta pelas empresas. Esse fundo seria regulado pela CVM com regras rígidas de controle, administração e responsabilidade, que poderiam indicar um “grupo gestor” para administração dos recursos junto às empresas de auditoria independente.

Silva (2010, p.59 e 60) menciona ainda que a finalidade do fundo é “aumentar a indiferença dos auditores junto às empresas, com relação ao aspecto formal de contratação.” Sobre a contratação das firmas de Auditoria por um Fundo, os profissionais que responderam ao questionário tiveram a opinião que está consolidada na TABELA 20:
TABELA 20: Contratação das firmas de Auditoria por um Fundo administrado pela CVM ou outro órgão Consolidação das respostas do Questionário Concordam com a contratação das firmas de auditoria por um Fundo administrado pela CVM ou outro Órgão. Discorda. Não souberam opinar. Qtde 20 1 10 31 % 64,52% 3,23% 32,26% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

Sobre a caracterização de Conflito de Interesses em relação ao fato de a empresa a ser auditada contratar as firmas de auditoria e pagar pelos serviços, os profissionais que responderam ao questionário assim se manifestaram:
TABELA 21: Sobre a contratação da firma de Auditoria pela própria empresa a ser auditada Consolidação das respostas do questionário Consideram conflito de interesses a própria empresa contratar. Não consideram conflito de Interesses. Não souberam avaliar. Qtde 23 5 3 31 % 74,19% 16,13% 9,68% 100,00%

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Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

6.4.1 Das críticas sobre a falta de rodízio da auditoria independente Sobre a questão do rodízio, no web site da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), <http://www.abrapp.org.br>, consta a matéria com o título “EM DEBATE A FISCALIZAÇÃO SOBRE AS AUDITORIAS”, que, entre outras informações, menciona que “as companhias de capital aberto precisam trocar a firma que presta o serviço de auditor externo de cinco em cinco anos. O modelo foi adotado no país até 2008”. Cita ainda que: “Muitas vezes eram problemas constatados no primeiro ano de contrato, e que ele só deixou para relatar quando sabia que não teria mais relações comerciais com a empresa. É aí que sua independência é testada”. Na matéria publicada no web site da ABRAPP, foi atribuído a Guilhermo Braunbeck, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), o comentário sobre a necessidade de rodízio das Auditorias, e a citação, por ele, de que tem sido “comum que auditores façam mais ressalvas no balanço quando estão para sair das empresas”. Questionados se, no entendimento deles, a empresa de Auditoria Independente que emitir “Relatório com Ressalva” ou apontar irregularidades no Balanço e demonstrações financeiras da empresa auditada continuará prestando serviço à contratada, os profissionais que responderam ao questionário assim responderam:
TABELA 22: Sobre a Possibilidade da firma de auditoria Independente que emite Parecer com ressalva continuar prestando serviços à auditada Consolidação das respostas no questionário Responderam que a firma de Auditoria Independente não continuará prestando serviços de Auditoria. A firma de auditoria continuará prestando serviço. Não souberam opinar. Qtde 21 8 2 31 % 67,74% 25,81% 6,45% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

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Na matéria publicada no web site da ABRAPP, há ainda a seguinte citação: “Levantamento do BRASIL ECONÔMICO mostra que todas as 50 maiores empresas de capital aberto na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) são auditadas pelas cinco grandes do segmento.” Sobre a falta de rodízio regular das firmas de Auditoria, os profissionais que responderam ao questionário se manifestaram da seguinte forma:
TABELA 23 – Sobre a falta de rodízio das firmas de Auditoria Consolidação das respostas no questionário Consideram que a falta de rodízio impede o surgimento de novas firmas de Auditoria. Não impede o surgimento de novas firmas de Auditoria. Não souberam opinar. Qtde 24 5 2 31 % 77,42% 16,13% 6,45% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

Questionados sobre o tempo para o rodízio das firmas de Auditoria, os profissionais assim se manifestaram:
TABELA 24 – Sobre o tempo máximo para rodízio das firmas de Auditoria Consolidação das respostas no questionário Qtde % Rodízio máximo a cada dois anos das firmas de Auditoria. 19 61,29% Rodízio anual das firmas de Auditoria. 8 25,81% Rodízio a cada 3 anos 3 9,68% Rodízio a cada 4 anos 1 3,23% 31
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

6.4.2 Sobre os riscos de auditoria Ainda sobre a fraude do Banco PanAmericano, no portal UOL – Economia, na internet, acessado em 27 dez.2010, constam citações atribuídas a um Diretor da Deloitte ao Jornal “Folha de São Paulo, de que [...] “Se alguém maquia [balanço], não é o auditor”, e que um Diretor de Banco teria acusado o Banco Panamericano de “fornecer documentos falsos”. [...]

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Em resposta aos questionamentos sobre a possibilidade de a empresa auditada fornecer documentos falsos aos Auditores, os profissionais que responderam ao questionário assim se manifestaram:
TABELA 25: Sobre a possibilidade da empresa auditada fornecer documentos falsos ao Auditor Independente Consolidação das respostas Que existe a possibilidade da empresa fornecer documentos falsos para o Auditor Independente. Não na possibilidade do fornecimento de documentos falsos. Não soube opinar. Qtde 29 1 1 31 % 93,55% 3,23% 3,23% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

Questionados se os Auditores Independentes têm acesso a toda a documentação e aos sistemas informatizados das empresas auditadas, durante a realização dos seus trabalhos, a consolidação das respostas dos questionários foi a seguinte:
TABELA 26: Se os Auditores Independentes tem acesso à todos os documentos e Sistemas Informatizados Consolidação das respostas Os Auditores Independentes não tem acesso a todos os documentos e sistemas informatizados. Os Auditores Independentes acessa a todos os documentos e sistemas. Não souberam opinar. Qtde 19 6 6 31 % 61,29% 19,35% 19,35% 100,00%

Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

Na mesma linha de raciocínio, o questionamento sobre a possibilidade dos Auditores Internos também receberem, dos gestores, documentos com informações falsas para a realização das suas análises, considerando que eles têm autonomia para acessar todos os sistemas corporativos da empresa em que trabalham, as respostas estão consolidadas na TABELA 27:

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TABELA 27: Se os Auditores Internos podem receber documentos com informações falsas na realização dos seus trabalhos Consolidação das respostas Qtde % Consideraram remota a possibilidade de o Auditor Interno utilizar documentos com informações falsas em seus trabalhos. 17 54,84% Entendem que é possível o fornecimento de documentos com informações falsas ao Auditor Interno. 8 25,81% Que não há possibilidade do Auditor Interno ser enganado com o fornecimento de documentos falsos. 6 19,35% 31 100,00%
Fonte: Questionário respondido por 31 profissionais com atividades citadas no subitem 2.2.1.1 deste TCC.

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CONCLUSÕES

Os fatos expostos no presente TCC sugerem que a Governança Corporativa que se pratica nas estatais brasileiras, a exemplo das empresas denominadas de “ENERGIA S.A.”, “BRASIL S.A.” “ECONOMIA” e “CARTÃO POSTAL”, está aquém da ideal, longe das melhores práticas citadas pelos Órgãos especializados no assunto. No que concerne à constituição e funcionamento dos Conselhos de Administração, há constatações de prática de conflito de interesses naquele que é considerado o órgão central do sistema de governança das estatais e que tem, entre as suas atribuições, o poder de eleger Diretores, fiscalizar a gestão deles, escolher e destituir Auditores Independentes, membros do Conselho Fiscal, Auditoria Interna e Comitê de Auditoria. Os profissionais que responderam ao questionário, no geral, não concordam que seja possível aos membros do Conselho de Administração, com apenas uma reunião mensal, orientar os negócios das estatais, fiscalizar a gestão dos Diretores e Presidentes, defender seus pontos de vista nas reuniões, a partir da análise e julgamento próprio sobre as informações dos relatórios gerenciais, contábeis e financeiros, entre outras atribuições. Fato semelhante diz respeito à suposta capacidade dos membros do Conselho Fiscal de exercerem as suas atividades de fiscalização e demais atribuições com apenas uma reunião mensal. No entanto, há medidas que podem ser implementadas para o fortalecimento das instituições públicas e, principalmente, a eliminação dos conflitos de interesses, que podem ser iniciadas com a profissionalização dos Conselhos de Administração e Conselho Fiscal, que visem fortalecer a governança corporativa das estatais. Sobre as auditorias independentes, a contratação e pagamento, pela própria empresa auditada, também foi considerada outra relação conflituosa que deve ser reavaliada, pois também torna as estatais expostas a riscos, que aumentam pela falta de rodízio ou permanência de uma única empresa na prestação desse serviço por anos seguidos.

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Outro fato a ser considerado é a responsabilidade dos administradores, nos casos de fraudes corporativas, que, atualmente, ficam restritas apenas a acusações contra as auditorias independentes, quando os conselheiros, presidentes e diretores também deveriam ser denunciados na forma da lei, se comprovados envolvimentos ou omissão em suas condutas. No mesmo entendimento, cabe a atribuição de responsabilidades e punição, se for o caso, aos membros do Conselho Fiscal, Comitê de Auditoria, Auditoria Interna e Auditoria Independente. As inúmeras fraudes corporativas ocorridas no Brasil e em outros países são comprovações de que a manutenção das firmas de auditoria por diversos anos seguidos não tem sido impeditivo para evitar tais desvios, daí, a necessidade do rodízio das firmas de auditoria independente com maior frequência, para o fortalecimento das organizações. A aprovação, pelo Presidente da República, da Lei nº. 12.353, de 28 de dezembro de 2010, que dispõe sobre a participação de funcionários públicos nos conselhos de administração das empresas em que trabalham já é um avanço. No Art. 2º., faz menção às hipóteses de vedação, quando estiver caracterizado o conflito de interesse para os funcionários, porém é omissa quanto à caracterização do conflito de interesses no âmbito da Administração. Mais recentemente, com as resoluções de nº 2 e 3, de 28/03/2011, da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), publicada no Diário Oficial da União, foram aprovadas práticas modernas de direção corporativa para garantir maior transparência no relacionamento com empresas estatais e a sociedade. Por todo o exposto, fica demonstrado neste TCC que, na prática, existem DUAS FACES NA GOVERNANÇA CORPORATIVA de quatro grandes estatais brasileiras, que podem ser comuns a diversas outras não contempladas no estudo. Uma FACE é a aquela da literatura; a outra, a que efetivamente se pratica e que é significativamente diferente, ressaltando que a Governança Corporativa que atualmente existe nas Leis e nos Códigos de Melhores Práticas, entre outros, também pode não ser a ideal quando a finalidade é a transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa, pois percebe-se claramente que há muito o que se fazer para aperfeiçoá-la.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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49

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