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SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR DO PIAUÍ / SESPI

FACULDADE PIAUIENSE - FAP


COORDENAÇÃO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

Administração Financeira e Orçamentária II


PROF. HENRIQUE MELO

APOSTILA

ALUNO: _______________________________________________
TURMA:_______________ BLOCO: ______________

PARNAÍBA / PI

Administração Financeira e Orçamentária II 1


SUMÁRIO

Análise das Demonstrações Financeiras / Contábeis ..................................................... 04


Índices Complementares ..................................................................................................... 04
Rotação de Estoques ........................................................................................................ 04
Rotação de Matéria-Prima ............................................................................................... 06
Rotação de Produtos em Elaboração ................................................................................ 06
Rotação de Créditos ......................................................................................................... 07
Prazo Médio de Pagamentos ............................................................................................ 08
Giro do Ativo Total .......................................................................................................... 09
Valor Patrimonial das Ações ............................................................................................ 09
Lucro Líquido por Ação ................................................................................................... 10
Preço / Lucro das Ações ................................................................................................... 10
Capacidade de Pagamento ................................................................................................ 10
Capacidade de Pagamento (fórmula) ............................................................................... 14
Estado de Insolvência / Falência ......................................................................................... 15
Capital de Giro – Terminologia .......................................................................................... 15
Capital de Giro ................................................................................................................. 18
Capital de Giro Próprio .................................................................................................... 18
Capital em Giro ................................................................................................................ 18
Capital de Giro Necessário .................................................................................................. 19
Retorno do Ativo (ROA) ..................................................................................................... 21
Retorno do Capital Próprio (ROE) ...................................................................................... 21
Taxa de Crescimento Interno .............................................................................................. 21
Taxa de Crescimento Sustentável ....................................................................................... 22
Exercícios ........................................................................................................................... 22
Análise de Balanços ............................................................................................................ 25
Estudo de Caso 1 ................................................................................................................. 26
Estudo de Caso 2 ................................................................................................................. 29
Estudo de Caso 3 ................................................................................................................. 32
Estudo de Caso 4 ................................................................................................................. 35
Estudo de Caso 5 ................................................................................................................. 38
Alavancagem, Ponto de Equilíbrio (contábil, econômico e financeiro) e Margem de
Segurança ........................................................................................................................... 40
Alavancagem Operacional .................................................................................................. 41
Ponto de Equilíbrio ............................................................................................................. 44
Ponto de Equilíbrio Contábil ........................................................................................... 44
Ponto de Equilíbrio Econômico ....................................................................................... 46
Ponto de Equilíbrio Financeiro ........................................................................................ 48
Ponto de Equilíbrio com múltiplos produtos ................................................................... 49
Margem de Segurança ........................................................................................................ 50
Exercícios ........................................................................................................................... 51
Estudo de Caso 1 ................................................................................................................ 54
Estudo de Caso 2 ................................................................................................................ 55
Estudo de Caso 3 ................................................................................................................ 56

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Estudo de Caso 4 ................................................................................................................ 57
Formação do Preço de Venda .......................................................................................... 58
Formação do Preço com base no Custo .............................................................................. 58
Formação de Preço com base na Margem de Contribuição ............................................... 59
O “verdadeiro” lucro embutido no preço de venda ............................................................ 60
Exercícios ........................................................................................................................... 61
Estudo de Caso 1 ................................................................................................................ 66
Estudo de Caso 2 ................................................................................................................ 68
Estudo de Caso 3 ................................................................................................................ 69
Referências ........................................................................................................................ 71

Administração Financeira e Orçamentária II 3


ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS / CONTÁBEIS

ÍNDICES COMPLEMENTARES

Na disciplina “Administração Financeira e Orçamentária I” foram examinados os Índices


Básicos, indispensáveis para qualquer análise financeira. Sendo assim, os índices que
estudaremos a seguir serão complementares. Esses índices complementares são de grande
importância para se analisar as demonstrações financeiras / contábeis das empresas, como:
o índice de rotação de estoques e de créditos e o prazo médio de pagamentos, os índices de
desempenho da empresa como o ROA e o ROE, os indicadores de capital de giro, enfim
índices que têm influência direta no controle interno impactando diretamente nas tomadas
de decisões dos gestores, importante frisar que tais decisões são influenciadas pelo modelo
de gestão adotado. Os procedimentos internos também fazem parte do meio do controle
organizacional e podem ser entendidas como, “conjunto das normas e procedimentos e de
controles internos formais estabelecidos com o propósito de padronizar o comportamento
administrativo” (NASCIMENTO E REGINATO, 2006). Ou seja, tais procedimentos
monitoram de maneira continua as ações executadas pelos membros da organização.
Segundo Figueiredo e Caggiano (2006), modelo de gestão é um conjunto de princípios e
definições que decorrem de crenças especificas e traduzem o conjunto de idéias, crenças e
valores dos principais executivos, impactando assim todos os demais subsistemas
empresariais.

A administração financeira, contabilidade gerencial e contabilidade de custos, estão


diretamente ligada a análise financeira das demonstrações, pois, se tais ciências fornecerem
de forma coerente as informações vistas nas demonstrações financeiras, facilitara a analise
e o parecer dos profissionais que trabalham na analise financeira. Para Savytzky (2006), “a
análise de balanços verifica os resultados de uma administração em um determinado
período, conclui se foram satisfatórios ou não, examina o estado patrimonial da empresa,
definindo a situação econômico-financeira e, se for o caso, aponta as anormalidades, para
que medidas corretivas sejam tomadas”.

Os problemas do dia a dia da administração financeira, gerencial ou de custos, que utilizam


dados contábeis, impactam diretamente nos dados mostradas nos balanços. Ou seja, os
balanços refletem através dos dados corretos os tratos gerenciais da empresa, passiveis
então de serem analisados, tais dados serão transformados em informações que serão
utilizados pelos gestores para melhor controle da organização.

Segundo Savytzky (2006) “Sem o intuito de menosprezar tantos outros índices que
eventualmente podem ser úteis para determinadas finalidades de análise, são a seguir
relacionados e demonstrados os índices considerados complementares de maior uso”.

ROTAÇÃO DE ESTOQUES

O índice de rotação de estoques, mostra a média em que o estoque é renovado, através da


seguinte fórmula:

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Rotação de Estoques = Custo de vendas ÷ Estoque médio
40.000 ÷ 10.000 = 4 vezes

ou seja

360 ÷ 4 = 90 dias

ou ainda

Rotação de Estoques = (Estoque médio x 360 ) ÷ Custo de vendas


(10.000 x 360) ÷ 40.000 = 90 dias

Considere isto...

O valor do estoque médio é obtido pela soma dos saldos mensais, dividido pelo número dos meses
considerados, em geral de 12. Não existindo saldos mensais, a alternativa é o valor da soma do estoque do
balanço anterior com o do balanço sob exame, dividido por 2 (SAVYTZKY, 2006).

Pelo exemplo acima verifica-se que o estoque sofreu uma rotação de 4 vezes durante o ano
ou se preferir, se renovou a cada 90 dias em média. Segundo Hoji (2004) “as empresas
procuram aumentar o giro dos estoques, pois, quanto mais rápido vender o produto, mais o
lucro aumentará”.

Tal índice confirmará ou não se foi adequado a classificação integral do estoque o ativo
circulante (a curto prazo). Segundo Savytzky (2006) “se para efeito de análise mais
rigorosa fosse estabelecido como “curto prazo” para os valores realizáveis, por exemplo,
até 120 dias, e se o quociente fosse de 2 em vez de 4, estaríamos diante de uma má
classificação, porque o estoque só se renovaria a cada 180 dias”. Se isso ocorrer,
influenciará no calculo do índice de “liquidez corrente”, ou seja, tal indicador será
calculado incorreto. Sendo assim deverá ser feito a retificação, mediante a reclassificação
de parte da conta “estoque” do ativo circulante (curto prazo) para o ativo realizável a longo
prazo.

Se a análise fosse de uma empresa com a atividade de “supermercado”, talvez a rotação de


90 dias fosse muito lenta, caracterizando excesso de estoque em relação às vendas ou,
então, estoque normal para o ramo, mas fraco o volume de vendas. O índice serve, pois,
como importante elemento de pesquisa: existe excesso de estoque? As vendas são fracas?
Podem ser melhoradas? (SAVYTZKY, 2006).

Para uma melhor análise financeira, não só o índice de rotatividade de estoque mais todos
que foram estudados e que ainda o serão deverão ser comparados com os anteriormente
apurados e, se possível, com os de empresas concorrentes (do mesmo ramo de atividade),
para que se tenha um parâmetro gerencial satisfatório e a partir verificar qual a estratégia
mais coerente a se adotar para se conseguir otimizar seu desempenho no cenário dos

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negócios. Ghemawat (2007), afirma que um cenário de negócios mapeia a elevação de cada
estratégia de acordo com sua lucratividade econômica. O desafio central da estratégia é
direcionar um negócio a um ponto relativamente alto nesse cenário. Segundo Matarazzo
(1997), “os índices de prazos médios não devem ser analisados individualmente, mas
sempre em conjunto.

Entende-se que quanto maior o giro dos estoques melhor deverá ser a lucratividade da
empresa. Mas para Hoji (2004) “esse raciocínio é válido desde que a margem de
contribuição seja positiva e o aumento do giro não implique “custos extras” em volume
superior ao ganho obtido pelo aumento do giro”.

Sabe-se que quando a rotatividade do estoque é lenta, a empresa comercializando pouco,


com isso poderá ocorrer um decréscimo na lucratividade impactando diretamente em sua
situação financeira.

Tal calculo poderá ser trabalhado com o estoque de matéria-prima e de produtos em


elaboração (estoque médios), tendo como numerador o valor do consumo de matéria-prima
e do custo de produção, respectivamente, conforme exemplos abaixo:

ROTAÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA

Rotação de Matéria-prima = Consumo de matéria-prima ÷ Estoque de matéria-prima


médio
18.000 ÷ 3.000 = 6 vezes

ou seja

360 ÷ 6 = 60 dias

ou ainda

(3.000 x 360) ÷ 18.000 = 60 dias

ROTAÇÃO DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO

Rotação de Produtos em Elaboração = Custo de produção ÷ Estoque de PE (médio)


27.000 ÷ 6.000 = 4,5 vezes

ou seja

360 ÷ 4,5 = 80 dias

ou ainda

(6.000 x 360) ÷ 27.000 = 80 dias

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Os índices acima revelam que a reposição dos estoques se dá a cada 60 dias e 80 dias
respectivamente para a matéria-prima e produtos em elaboração. Dependendo do ramo de
atividade em que a empresa atue, talvez esses dias sejam excessivos ou normais. É bom
salientar que os dois índices isolados são de pouca valia. Por isso, para uma melhor
interpretação é importante e necessário à obtenção de indicadores de demonstrações
anteriores.

ROTAÇÃO DE CRÉDITOS

Indicadores que são bem usados, e que informa o prazo médio de retorno dos créditos por
vendas a prazo, é calculado através da seguinte fórmula:

Rotação de Créditos = Vendas a prazo ÷ Cientes (média)


60.000 ÷ 12.000 = 5 vezes

ou seja

360 ÷ 5 = 72 dias

ou ainda

(12.000 x 360) ÷ 60.000 = 72 dias

Considere isto...

O saldo médio de clientes é obtido pela soma dos saldos mensais, dividida pelo número de meses
considerados, normalmente de 12. como alternativa, somam-se o valor da conta de clientes do balanço
anterior com o do que está sendo analisado, dividindo-se por 2 (SAVYTZKY, 2006).

De acordo com o exemplo acima, constata-se que os créditos oriundos de vendas a prazo
demoram para ser recebidos em média 72 dias.

Se por acaso o quociente fosse menor, ou seja 2, a cobrança se daria a cada 180 dias. Se o
“curto prazo” da empresa fosse de 120 dias, então os cálculos dos índices de liquidez seca e
corrente estariam errados, com isso teria que se fazer um ajuste na conta “créditos” ou
“clientes” do ativo circulante (curto prazo) para o ativo realizável a longo prazo.

Segundo Savytzky “a outra utilidade do índice é verificar a qualidade dos créditos ou a


eficiência da cobrança”. Se as vendas são efetuadas em média em 60 dias de prazo e o
recebimento se dá em torno de 72 dias, significa que a média de atraso é de 12 dias. Isso
significa que a empresa estão financiando esses 12 dias com capitais alheios para custear o
possível atraso do recebimento das vendas.

As causas para esse atraso poderiam ser: vendas forçadas a clientes não selecionados, pouca
agressividade na cobrança, crise de mercado, etc. Para Hoji (2004), “a alteração do giro do

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período atual em relação ao período anterior pode ser causada por diversos fatores:
alteração na política de financiamento de clientes, aumento (ou redução) da eficiência de
cobrança, etc.

Para Savytzky “quanto maior for a rotação de créditos, menores recursos financeiros serão
necessários para sustentar as vendas a prazo, podendo a empresa usar sobra de recursos
para a expansão de seus negócios ou evitará maiores endividamentos, se for o caso”.

PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTOS

Índice que determina o prazo médio de pagamentos aos fornecedores, através da seguinte
fórmula:

Prazo Médio de Pagamentos = Compras a prazo ÷ Fornecedores (média)


24.000 ÷ 4.000 = 6 vezes

ou seja

360 ÷ 6 = 60 dias

ou ainda

(4.000 x 360) ÷ 24.000 = 60 dias

Considere isto...

Segundo Savytzky (2006), a publicação dos balanços não consigna o valor das compras. Assim, esse valor só
poderá ser obtido quando se tem acesso à empresa. Quando ao saldo médio da conta de Fornecedores
procede-se como no caso do saldo médio de Clientes.

No exemplo acima tem-se que os pagamentos são feitos, em média a 60 dias.

Sabe-se que é importante que o prazo de pagamento seja superior ao prazo de recebimento
das vendas, para que a empresa não incorra em endividamento. Ou seja, é interessante que
as empresas recebam primeiro e depois com esse dinheiro paguem as obrigações que foram
incorridas na compra de matéria-prima ou materiais para produção dos produtos para
comercialização, caso contrário (o prazo de pagamento menor que o de recebimento) a
empresa deverá financiar o déficit do saldo com capitais alheios, em relação ao exemplo
anterior a empresa precisou custear em 12 dias (72 dias – 60 dias) a diferença do
recebimento com o do pagamento com capitais de terceiros.

Com isso as empresas costumam buscar prazos mais longos de pagamento e prazos cada
vez menores de recebimentos.

Para Savytzky (2005) “diante do exposto, conclui-se que é sempre vantajoso para a
empresa a obtenção de maiores quocientes de rotação de estoque e de créditos e menores

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quanto aos prazos médios de pagamentos aos fornecedores, reduzindo, assim, as
necessidades de capital de giro”. Os quocientes trabalham com o número em que o estoque,
os créditos de recebimento e o de pagamento giram, os mesmos não devem ser confundidos
com o número de dias dos indicadores citados.

GIRO DO ATIVO TOTAL

Afastando-nos de contas especificas, como estoque ou contas a receber, podemos


considerar um índice global importante, o índice de giro do ativo total. Como seu nome
sugere, o giro do ativo total é:

Giro do ativo total = Vendas ÷ Ativo total


2.311 ÷ 3.588 = 0,64 vezes

Em outras palavras, para cada real de ativo, geramos 0,64 em vendas.

Um índice que está intimamente relacionado a esse é o índice de intensidade de capital, que
é justamente o recíproco do giro do ativo (isto é, 1 dividido pelo giro do ativo total). Pode
ser interpretado como sendo o investimento em reais em ativos necessários para gerar 1 real
de vendas. Valores altos correspondem a indústrias de capital intensivo (tais como serviços
de utilidade pública). No caso do exemplo acima, o giro total de ativo é 0,64; portanto, se
invertermos esse número, obteremos a intensidade de capital, que é 1/64 = 1,56 reais. Isso
significa que precisa-se de 1,56 reais de ativos para gerar 1 real de vendas (ROSS,
WESTERFIELD, JORDAN 2002).

Exemplo:

Suponha que você encontre uma determinada empresa que gera R$ 0,50 de vendas para
cada real de ativo total. Quão freqüentemente essa empresa gira seu ativo total?

O giro do ativo total, aqui neste caso, é 0,50 vezes por ano. Portanto, a empresa leva
1/0,50 = 2 anos para girar completamente seus ativos.

VALOR PATRIMONIAL DAS AÇÕES

O valor patrimonial da ação é calculado em relação ao patrimônio liquido.

Exemplo:
Patrimônio Liquido
Capital......................................................... 10.000
Reservas de capital..................................... 6.000
Reservas de lucros...................................... 2.000
Lucros acumulados..................................... 2.000
20.000

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O capital é dividido em 10.000 ações de R$ 1,00 cada uma.

Valor Patrimonial das Ações = Patrimônio liquido ÷ número de ações


20.000 ÷ 10.000 = R$ 2,00

Pelo exemplo acima verifica-se que uma ação do valor nominal de R$ 1,00 tem o valor
patrimonial de R$ 2,00.

LUCRO LÍQUIDO POR AÇÃO

De acordo com a lei das sociedades anônimas determina que o lucro liquido ou prejuízo do
exercício deve ser demonstrado por ação do capital social, através da seguinte fórmula de
cálculo:

Lucro Líquido por Ação = Lucro líquido ÷ número de ações


2.000 ÷ 10.000 = R$ 0,20
Pelo exemplo acima tem-se que é de R$ 0,20 o lucro liquido por ação.

PREÇO/LUCRO DAS AÇÕES

Preço da ação ÷ Lucro por ação


1,80 ÷ 0,20 = 9

Pelo exemplo acima, se o investidor adquiriu ações pelo preço de R$ 1,80, tem-se que o
retorno do capital investido se dará em 9 anos, desde que os lucro futuros não sejam
inferiores ao do exercício sob exame.

O lucro do investidor, sobre o valor aplicado, 11,1% ao ano, determinado pela seguinte
fórmula:

(Lucro por ação x 100) ÷ Preço por ação


( 0,20 x 100) ÷ 1,80 = 11,1%

CAPACIDADE DE PAGAMENTO

Para Savytzky (2006) a capacidade de pagamento de uma empresa confunde-se, até certo
ponto, com a sua posição financeira, isto é, com o grau de liquidez, tendo-se por base os
recursos que já possui em determinada data. A capacidade de pagamento que aqui será
examinada refere-se à capacidade que a empresa tem para gerar recursos financeiros
próprios no decorrer do tempo.

Por exemplo: a liquidez corrente é de 1,50 e a geral e de 1,33. o analista poderá chegar à
conclusão que a situação financeira é de bom equilíbrio. Todavia, a empresa pretende obter

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um empréstimo de longo prazo, para aquisição de bens do ativo imobilizado, no valor de
R$ 7.000. Obtido o empréstimo, a liquidez geral torna-se deficitária de 0,84, conforme
abaixo exemplificado.

ATIVO PASSIVO
Circulante 15.000,00 Circulante 10.000,00
Realizável a Longo Prazo 1.000,00 Exigível a Longo Prazo 2.000,00
Imobilizado 10.000,00 Capital 14.000,00
26.000,00 26.000,00

Liquidez corrente 15.000,00 1,50


10.000,00

Liquidez geral 16.000,00 1,33


12.000,00
Fonte: Savytzky (2006)

Situação após o empréstimo:

ATIVO PASSIVO
Circulante 15.000,00 Circulante 10.000,00
Realizável a Longo Prazo 1.000,00 Exigível a Longo Prazo 9.000,00
Imobilizado 17.000,00 Capital 14.000,00
33.000,00 33.000,00

Liquidez corrente 15.000,00 1,50


10.000,00

Liquidez geral 16.000,00 0,84


19.000,00
Fonte Savytzky (2006)

Pelos exemplos acima verifica-se que antes do empréstimo a empresa possuía recursos
realizáveis suficientes para pagamento das dividas a curto e longo prazo. Após a obtenção
do empréstimo os seus atuais recursos tornaram-se insuficientes para o pagamento do
financiamento, apresentando um índice de liquidez a longo prazo negativo, de 0,84.

Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo .............................................................. 16.000


Passivo Circulante e Exigível a Longo Prazo .............................................................. 19.000
Déficit financeiro ..........................................................................................................(3.000)

Está claro que não seria de boa política ficar a empresa na dependência da obtenção de
novo empréstimo para liquidar o anterior.

Torna-se necessário, pois, determinar a sua futura capacidade de pagamento. Se não hover
elevação do capital em dinheiro, o aumento de recursos próprios somente poderá se

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concretizar se houver lucros futuros, em valor suficiente para superar o déficit financeiro de
longo prazo.

Tem-se, pois, que a capacidade de pagamento depende da potencialidade que a empresa


tem para gerar novos recursos financeiro, por meio de lucros, porque sem eles não formará
capital próprio condizente com as suas necessidades. Aliás, o próprio financiamento pode
destinar-se a aquisição de máquinas ou ampliação industrial, visando maior lucro com o
aumento de produção projetada.

Não havia, porém, gerar lucros; é necessário capitalizá-los. Exemplificando:

Lucro liquido do exercício ........................................................................................ 2.500


Depreciação contabilizada no ano ............................................................................ 500
3.000
Dividendos a distribuídos .......................................................................................... 1.000
Lucro retido ............................................................................................................... 2.000

Sendo:
- Reserva Legal ........................................................................................................ 125
- Lucro acumulado ................................................................................................ 1.375
- Depreciação acumulada ...................................................................................... 500
Capacidade de pagamento gerada ............................................................................. 2.000

No exemplo acima verifica-se que a empresa gerou novos recursos no valor de R$ 3.000,
mas porque distribuiu R$ 1.000, sobraram R$ 2.000. Assim, a capacidade de pagamento
gerada no ano foi de R$ 2.000.

A retenção dos lucros foi contabilizada nas contas de Reserva Legal, Lucros Acumulados e
Depreciação Acumulada. Os lucros acumulados serão utilizados, no futuro, para aumento
de capital. Se assim não for, isto é, se houver distribuição adicional de dividendos, a
capacidade de pagamento gerada será diminuída na proporção da distribuição que se
verificar.

A formação do fundo para depreciação (Depreciação Acumulada) corresponde à retenção


do lucro pelo fato de que a parcela destinada a esse fundo não será distribuída. Também
não importa se a formação do fundo é contabilizada, em contrapartida, como acréscimo do
custo de produção, periodicamente, ou se ao final do exercício simplesmente a débito de
conta de resultado, especificamente para reposição de bens depreciáveis. O efeito da
retenção de lucros é o mesmo.

Os lucros retidos correspondentes à depreciação, que indiretamente (acréscimo aos custos),


quer especificamente, não aumentam o capital próprio, como no caso das reservas de
lucros. O fundo de depreciação, em verdade, compensa a perda sofrida pelo desgaste ou
absolescência dos bens e, assim, mantém integro o capital aplicado em bens depreciáveis.
Mas, por outro lado, os recursos retidos pelo fundo de depreciação aumentam o meio

Administração Financeira e Orçamentária II 12


circulante da empresa e, conseqüentemente, a sua capacidade de pagamento, até que ela use
esses recursos para aquisição de outros bens destinados ao ativo imobilizado.

Os fenômenos acima referidos podem ser facilmente observados com exemplos práticos
como segue:

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Veículos 100 Capital 100
Fonte: Savytzky (2006)

Resultado ao final do Exercício


Receitas de fretes 200
Custo (salários, combustíveis etc.) 100
Depreciação 20 120
Lucro líquido 80
Fonte: Savytzky (2006)

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Caixa 100 Capital 100
Veículos 100 Lucro 80
- Depreciação -20 180
180
Fonte: Savytzky (2006)

Pelo exemplo acima, verifica-se:

- A empresa recebeu 200 de frete e pagou despesas no valor de 100, restando, portanto, 100
em caixa. O lucro, entretanto, foi somente de 80, porque além das despesas que pagou
contabilizou mais 20 de depreciação (desgaste de veículos).
- Note-se que a capacidade de pagamento gerada foi de 100 (em caixa), superior ao lucro de
80. essa diferença de 20 corresponde à depreciação contabilizada. Deu-se o fenômeno da
desimobilização de recursos, com transferência para o ativo circulante, até que, pela
aquisição de novos bens de produção esses recursos retornem ao ativo imobilizado.
Conclui-se, pois que a depreciação aumenta a capacidade de pagamento, ainda que
temporariamente.
- A depreciação contabilizada não aumenta o capital próprio, como reservas de lucros. Mas
o mantém íntegro. Se a empresa quisesse distribuir o lucro de 80, o capital inicial de 100
permaneceria íntegro e restaria a importância de 20 em caixa, correspondente ao valor
retido para reposição de bens, sob a forma de fundo de depreciação. Veja o exemplo
abaixo:

Balanço após o pagamento de dividendos


ATIVO PASSIVO

Administração Financeira e Orçamentária II 13


Caixa 20 Capital 100
Veículos 100
- Depreciação -20
100
Fonte: Savytzky (2006)

- O fundo de depreciação (depreciação acumulada) deve ser deduzido do valor dos bens
depreciados (ativo imobilizado) para fins de estruturação e análise dos balanços, porque
assim demonstra-se o valor analisado dos bens (custo, menos o desgaste sofrido). Se o
percentual de depreciação não espelhar a realidade, o problema é outro. O analista tem
liberdade para promover os ajustes que se tornarem necessários. O que não pode ignorar a
modificação do valor contábil dos bens pelo desgaste ou absolescência.

Pelo exposto, ficou demonstrado que a depreciação contabilizada aumenta a capacidade de


pagamento da empresa, ainda que temporariamente, a par dos lucros retidos. Resta, pois,
estabelecer a fórmula que determine o índice da “Capacidade de Pagamento”, abaixo
demonstrada, com base nos dados do seguinte exemplo:

Passivo Total (circulante e exigível a longo prazo) ..................................................... 10.000


Lucro obtido e retido no ano ........................................................................................ 1.800
Depreciação contabilizada no ano ............................................................................... 200

CAPACIDADE DE PAGAMENTO (fórmula)

Capacidade de Pagamento = (Passivo total x 12) ÷ (Lucro líquido obtido e retido no ano
+ depreciação contabilizada no ano)

Capacidade de Pagamento = (10.000 x 12) ÷ (1.800 x 200) = 60 meses


Considere isto...

Para Savytzky (2006), o fator 12 do numerador da fórmula refere-se ao número de meses considerados (um
ano).

Pelo índice acima chega-se à conclusão que se as condições futuras de lucratividade e de


exigibilidade não se modificarem de modo significativo, a empresa tem uma capacidade de
pagamento que lhe permitirá liquidar todas as suas dividas em 60 meses (5 anos),
substituindo o capital alheio por capital próprio. Essa capacidade de pagamento nada mais é
que a formação de capital próprio pela retenção de lucros.

Na prática, sabe-se que a tendência das empresas é a expansão dos negócios além do que o
capital próprio pode suportar e, por isso, mesmo que hajam substanciais lucros retidos,
sempre haverá a participação de capitais alheios, em menor ou maior escala.

O mesmo índice pode ser estabelecido em percentual:

Administração Financeira e Orçamentária II 14


[(Lucro + depreciação) x 100] ÷ Passivo total = (2.000 x 100) ÷ 10.000 = 20%

Significa que o lucro retido de um ano pode liquidar 20% do total dos capitais alheios.

Em condições normais, quando é de bom equilíbrio a liquidez a curto prazo, pode-se


determinar a capacidade de pagamento somente para financiamento a longo prazo, já que as
dividas de funcionamento renovam-se com certa facilidade, dentro das necessidades da
empresa.

Capacidade de pagamento para dividas a longo prazo:

(Passivo Exigível a Longo Prazo x 12) ÷ (Lucro + depreciação) = (6.000 x 12) ÷ 2.000 =
36 meses

Pelo exemplo acima, dir-se-á que a empresa tem condições para pagar o financiamento de
R$ 6.000 em 3 anos, se a retenção de lucros, acrescida da depreciação, for igual à que
serviu de base para o cálculo.

Nos casos de estudos de financiamentos para ampliação industrial, quando se prevê


aumento de produção e de lucros, pode-se acrescentar aos lucros retidos o valor estimado
dos lucros futuros, projetando-se, assim, a capacidade de pagamento com os novos recursos
(SAVYTZKY, 2006).

ESTADO DE INSOLVÊNCIA / FALÊNCIA

Para Savytzky (2006), “são as seguintes as principais causas do desequilíbrio financeiro,


que podem ocasionar o estado de insolvência e a conseqüente falência da empresa”:

 Excesso de imobilização em relação ao capital próprio, que reduz ou elimina o


capital de giro próprio;
 Desequilíbrio entre os prazos de compras e de vendas e baixa rotação de estoques e
de vendas;
 Prejuízos operacionais, que consomem em primeiro lugar o capital de giro próprio;
 Conseqüente aumento do endividamento para sustentar o meio circulante por falta
de giro próprio.

CAPITAL DE GIRO – TERMINOLOGIA

É mais ou menos freqüente a pergunta sobre o valor do Capital de Giro da empresa, mas de
modo dúbio, principalmente para fins cadastrais. Segundo Vieira (2005), capital de giro se
refere ao total dos investimentos de curto prazo realizados pela empresa, enquanto a
expressão capital de giro líquido se refere ao saldo líquido de aplicações e fontes efetuados
neste horizonte de tempo.

Administração Financeira e Orçamentária II 15


Descrição Ativo Realizável Perm anente Total do Passivo Exigível Patrimônio Total do Capital de Capital de
Circulante Longo Ativo Circulante longo Líquido Passivo Giro Giro líquido
Prazo Prazo
TOTAL 500 R$ 253.511,00 168.171,00 571.572,00 993.254,00 272.167,00 334.808,00 386.279,00 993.254,00 253.511,00 (18.656,00)
% 25,52% 16,93% 57,55% 100,00% 27,40% 33,71% 38,89% 100,00%
Bebidas R$ 4.733,00 2.518,00 7.445,00 14.696,00 3.271,00 8.514,00 2.910,00 14.695,00 4.733,00 1.462,00
% 32,21% 17,13% 50,66% 100,00% 22,26% 57,94% 19,80% 100,00%
Celulose e Papel R$ 6.567,00 2.518,00 22.363,00 31.448,00 8.972,00 10.861,00 11.593,00 31.426,00 6.567,00 (2.405,00)
% 20,88% 8,01% 71,11% 100,00% 28,55% 34,56% 36,89% 100,00%
Eletricidade R$ 33.891,00 2.496,00 150.435,00 186.822,00 44.299,00 91.168,00 83.084,00 218.551,00 33.891,00 (10.408,00)
% 18,14% 1,34% 80,52% 100,00% 20,27% 41,71% 38,02% 100,00%
Metalurgia R$ 22.305,00 34.225,00 53.746,00 110.276,00 22.240,00 30.994,00 32.436,00 85.670,00 22.305,00 65,00
% 20,23% 31,04% 48,74% 100,00% 25,96% 36,18% 37,86% 100,00%
Saneamento R$ 4.805,00 9.619,00 36.194,00 50.618,00 5.447,00 18.253,00 18.986,00 42.686,00 4.805,00 (642,00)
% 9,49% 19,00% 71,50% 100,00% 12,76% 42,76% 44,48% 100,00%
Telecomunicações R$ 6.567,00 1.687,00 22.363,00 30.617,00 8.972,00 10.861,00 11.593,00 31.426,00 6.567,00 (2.405,00)
% 21,45% 5,51% 73,04% 100,00% 28,55% 34,56% 36,89% 100,00%
Obs.: Valores arrendodados em milhões de reais.
Fonte: Conjuntura Econõmica, ago. 2003 Apud. Veira (2003)
Figura 1: Capital de giro e capital de giro líquido

Com pequenas variações na terminologia, a resposta poderá ter grandes variações de valor.

O capital de giro é o que está em circulação, ou seja, o que está sujeito a permanente
renovação, como as disponibilidades, os estoques e os créditos da empresa, a curto e a
longo prazo. Não deve ser confundido com o Ativo Circulante previsto na Lei. 6.404/76,
porque este pe um grupamento do balanço que se refere apenas a valores realizáveis em até
12 meses.

O giro, a renovação ou a circulação de capitais aplicados pode ser a curto, médio ou a longo
prazo. Pela ótica contábil, entende-se como capital de giro líquido a diferença entre o ativo
circulante (bens e direitos de circulação a curto prazo – caixa, bancos, duplicatas a receber,
estoques etc.) e o passivo circulante (obrigações a curto prazo – fornecedores, obrigações
trabalhistas, obrigações fiscais etc.).

Capital de giro é o montante (parcela) de recursos, destinados à aplicação dos meios, para
fazer com que a empresa complete o ciclo operacional, ou seja, a aquisição da matéria-
prima, do material secundário, sua transformação em produtos acabados e a distribuição
deles no mercado consumidor, reiniciando-se o ciclo.

O ciclo operacional da empresa segue alguns passos importantes, que se alteram em função
das vendas à vista ou a prazo. Quando a empresa vende à vista, o ciclo da empresa inicia
com as compras de insumos (matéria-prima, material secundário e outros); em seguida
efetua-se a transformação em produtos acabados que são colocados à venda. Quando essa
ocorre, os recursos vão para o caixa e inicia-se novamente o ciclo, como demonstramos na
figura a seguir.

Administração Financeira e Orçamentária II 16


CAPITAL DE GIRO – ESQUEMA COM VENDAS À VISTA

CAIXA

Matéria-prima
VENDAS Mat. Secundário
Outros

PRODUTOS
ACABADOS

Fonte: Berti (2007)

Quando as vendas são a prazo, a diferença das vendas á vista é apenas uma fase
intermediaria denominada de cobrança, ou emissão do documento (duplicatas a receber ou
outro tipo de documento) conforme se demonstra na figura a seguir.

CAPITAL DE GIRO – ESQUEMA VENDAS A PRAZO

CAIXA

Matéria-prima
VENDAS Mat. Secundário
Outros

Venda Produtos
a Acabados
Prazo

Fonte: Berti (2007)

Administração Financeira e Orçamentária II 17


Para Savytzky (2006), diante do exposto, o Capital de Giro pode ser observado sob os
seguintes aspectos:

 Capital de Giro
 Capital de Giro Próprio
 Capital em Giro

O Capital de Giro é a soma dos recursos que se acham em circulação, a curto e a longo
prazo, ou seja, correspondente à soma do Ativo Circulante com o Realizável a Longo
Prazo. Em outros termos, é a parcela dos capitais próprios e alheios que estão em
circulação.

O Capital de Giro Próprio é somente a parcela do capital próprio que está em circulação.
A sua apuração já foi vista quando se tratou do índice de “Grau de Imobilizações”. Pode
também ser determinado por outra fórmula, que a seguir será exemplificada. Segundo
Bernardi (2004), é a diferença entre o valor do Patrimônio Líquido e o Ativo Permanente da
empresa, ou seja, a parcela excedente de capital próprio que a empresa não imobilizou.

O Capital em Giro, de modo impróprio, é tido por alguns como o total dos capitais
aplicados na empresa, próprios e alheios, correspondendo ao total do ativo, que engloba os
valores que estão em circulação (em giro) e os que estão imobilizados.

Exemplos:

ATIVO PASSIVO
Circulante 300 Circulante 200
Realizável a Longo Prazo 100 Exigível a Longo Prazo 50
Permanente 200 Patrimônio Líquido 350
600 600

Capital de Giro
Ativo Circulante ................................................................................................................ 300
Realizável a Longo Prazo .................................................................................................. 100
Capital de Giro .................................................................................................................. 400

Capital de Giro Próprio


Patrimônio Líquido ........................................................................................................... 350
Ativo Permanente .............................................................................................................. 200
Capital de Giro Próprio ..................................................................................................... 150

ou

Ativo Circulante ............................................................................................... 300


Realizável a Longo Prazo ................................................................................ 100 400

Administração Financeira e Orçamentária II 18


Passivo Circulante ........................................................................................... 200
Ativo Permanente ............................................................................................ 50 250
Capital de Giro Próprio ..................................................................................................... 150

Capital em Giro
Ativo Circulante ................................................................................................................ 300
Ativo Realizável a Longo Prazo ....................................................................................... 100
Ativo Permanente .............................................................................................................. 200
* Capital em Giro .............................................................................................................. 600

* Terminologia imprópria, usada por leigos em termos contábeis. Trata-se do total das
aplicações da empresa (ativo).

CAPITAL DE GIRO NECESSÁRIO

Conquanto não seja da área de análise de balanços e sim de administração financeira, não
raro o analista é solicitado a determinar o valor do capital de giro que a empresa necessita,
geralmente para fins de financiamento por parte de instituições financeiras ou para estudo
de aumento de capital destinado a capital de giro próprio (SAVYTZKY, 2006).

Esse capital de giro é o referente às operações normais da empresa a curto prazo, mas que
pode envolver parcela de aplicações a médio e longo prazo, como para vendas a prazo mais
longo ou ciclo operacional moroso. (Não confundir capital de giro com o capital de giro
prórpio).
Uma fórmula para cálculo, simples e eficiente, é a seguinte:

(Rotação de Estoques + Rotação de Créditos x Gastos gerais) ÷ 360 = Capital de giro


necessário

Os gastos gerais compreendem os custos e as despesas gerais de produção e de


administração realizadas no ano, como segue:

 Matéria-prima consumida, materiais secundários e embalagens


 Despesas com mão-de-obra e previdência social
 Despesas gerais de produção
 Despesas administrativas, inclusive salários, previdência social, honorários da
diretoria, etc.
 Despesas financeiras (menos as receitas financeiras)
 Despesas com impostos
 Despesas diversas

Pelo esquema acima ficam excluídas as depreciações porque referem-se a desgaste de bens
do ativo imobilizado e não originam dispêndios financeiros.

Administração Financeira e Orçamentária II 19


A fórmula pode ser usada para a determinação do capital de giro necessário tanto com base
em dados contábeis pré-existentes como em projeções nos casos de implantação ou
ampliação comercial ou industrial.

Exemplos:

CICLO OPERACIONAL:
- Rotação de matéria-prima ......................................................................................... 30 dias
- Rotação de produtos acabados .................................................................................. 40 dias
- Rotação de créditos ................................................................................................... 60 dias
Ciclo operacional ....................................................................................................... 130 dias

GASTOS GERAIS EM 1 ANO:


- Matéria-prima e embalagens ................................................................................ 200.000,00
- Mão-de-obra e previdência
social ................................................................................ 100.000,00
- Gastos gerais de produção ................................................................................ 10.000,00
- Despesas administrativas ................................................................................ 120.000,00
- Despesas financeiras ................................................................................ 30.000,00
- Impostos ................................................................................ 15.000,00
- Despesas diversas ................................................................................ 5.000,00
480.000,00

Capital próprio (patrimònio


líquido) ................................................................................ 300.000,00
Ativo permanente ................................................................................ 220.000,00
Capital de giro próprio ................................................................................ 80.000,00

Cálculo:

(130 x 480.000) ÷ 360 = 173.333

Pelos dados acima chega-se à conclusão que a empresa necessita de uma capital de giro da
ordem de R$ 173.000,00. Sabendo-se que o capital de giro próprio é inferior (80.000), o
restante deverá ser suprido com capitais alheios (fornecedores, financiamentos, etc.):

Capital de giro necessário ................................................................................ 173.333


Capital de giro próprio ................................................................................ 80.000
Capital de giro suplementar
necessário ................................................................................ 93.333

O suprimento do capital de giro com capitais de terceiros é sempre oneroso: os


financiamentos bancários (desconto de duplicatas) são dispendiosos e nas compras a prazo
o fornecedor se não acrescenta um percentual compensatório, não baixa o preço. Por essas
razões a empresa que opera com capital de giro próprio satisfatório, sempre obtém
vantagem operacional, que, a par da tranqüilidade administrativa, afasta despesas
financeiras o obtém melhor preço na compra.

Administração Financeira e Orçamentária II 20


RETORNO DO ATIVO (ROA)

O retorno do ativo (ROA) é uma medida de lucro por real em ativos. Pode ser definida de
diversas maneiras, mas a mais usual é:

Retorno do ativo = Lucro líquido ÷ Total do ativo


363 ÷ 3.588 = 10,12%

RETORNO DO CAPITAL PRÓPRIO (ROE)

Para Ross, Westerfield e Jordan (2002), “o retorno do capital próprio (ROE) é uma medida
de desempenho do investimento dos acionistas durante o ano. Uma vez que beneficiar os
acionistas é o nosso objetivo, o ROE é, em termos contábeis, a verdadeira medida de
desempenho em termos de lucro. O ROE, geralmente, é medido da seguinte maneira”:

Retorno do capital próprio = Lucro líquido ÷ Patrimônio líquido


363 ÷ 2.591 = 14%

Segundo Ross, Westerfield e Jordan (2002) para cada real de capital próprio, portanto, de
acordo com o exemplo acima, foi gerado 14 centavos de lucro, mas, novamente, isso está
correto apenas em termos contábeis. Como o ROA e o ROE são números comumente
citados, enfatizamos o fato de que é importante lembrar que são taxas de retorno contábeis.
Por tal razão essas medidas deveriam ser adequadamente denominadas retorno do ativo
contábil e taxa de retorno do patrimônio liquido contábil.

TAXA DE CRESCIMENTO INTERNO

Para Ross, Westerfield e Jordan (2002) suponha que uma empresa tenha como política de
financiamento de crescimento o uso apenas de financiamento de crescimento o uso apenas
de financiamento interno. Isso significa que a empresa não tomará recursos emprestados e
não venderá nenhuma nova ação. Quão rapidamente pode a empresa crescer? A resposta é
dada pela taxa de crescimento interno.

Taxa de crescimento interno = (ROA x b) ÷ (1 – ROA x b)

Onde:

ROA = Taxa de retorno dos ativos = Lucro líquido ÷ Ativo total


b = Taxa de retenção de lucro = Adição a lucro retido / Lucro liquido (vamos
considerar o b com sendo 2/3)

A taxa de crescimento interno é a taxa máxima de crescimento que uma empresa pode
alcançar sem o uso de fontes externas de financiamento.

Administração Financeira e Orçamentária II 21


TAXA DE CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL

Segundo Ross, Westerfield e Jordan (2002) se uma empresa basear-se apenas no


financiamento interno, a longo prazo seu índice de endividamento geral diminuirá. Isso
acontecerá porque os ativos crescerão, mas a divida total permanecerá a mesma (ou até
diminuirá se for parcialmente liquidada). Freqüentemente, as empresas possuem um
determinado índice de endividamento geral ou multiplicador de capital próprio que é visto
como ótimo.

Com isso em mente, consideremos quão rapidamente uma empresa pode crescer se (1)
deseja manter um determinado índice de endividamento geral e (2) não deseja vender novas
ações. Existem diversas razões pelas quais uma empresa deseja evitar a emissão de novas
ações, e na realidade, a emissão de ações por empresa estabelecidas, é uma ocorrência rara.
Dadas essas duas premissas, a taxa máxima de crescimento que ser alcançada, denominada
taxa de crescimento sustentável.

Taxa de crescimento sustentável = (ROE x b) ÷ (1 – ROE x b)

Onde:

ROE = Taxa de retorno do Patrimônio liquido = Lucro liquido ÷ Patrimônio liquido


b = Taxa de retenção de lucro = Adição a lucro retido / Lucro liquido (vamos considerar
o b com sendo 2/3)

A taxa de crescimento sustentável é a taxa máxima de crescimento que uma empresa pode
alcançar sem financiamento externo de capital próprio e mantendo o quociente capital
próprio / capital de terceiros constante.

EXERCÍCIOS:

Exercício 1
O balanço de 31 de dezembro de 2006 da Jordan and Jordan Manufacturing Inc. apresentou
um ativo circulante de R$ 900 e um passivo circulante de R$ 400. O balanço de 31 de
dezembro de 2007 apresentou ativo circulante de R$ 1.150 e passivo circulante de R$ 475.
Qual foi a variação de capital de giro liquido, ou CGL, da empresa em 2007?

Exercício 2
A seguir, encontram-se as demonstrações financeiras mais recentes da Wildhack. Prepare
uma demonstração de resultado em % (percentual) com base nessas informações. Como
você interpreta essa demonstração de resultado padronizada? Qual a porcentagem das
vendas que vai para o custo da mercadoria vendida?

WILDHACK CORPORATION
Demonstração de Resultado em 2007 (R$ milhões)
Vendas 3.756

Administração Financeira e Orçamentária II 22


Custo da mercadoria vendida 2.453
Depreciação 490
Lucro antes de juros e impostos 813
Juros pagos 613
Lucro tributável 200
Impostos (34%) 68
Lucro líquido 112
Dividendos 46
Adição a lucros retidos 86

Exercício 3
Com base nos balanços e na demonstração de resultado do problema anterior, calcule os
seguintes índices para 2007.

a) Índice de liquidez corrente


b) Índice de liquidez seca
c) Giro do estoque
d) Giro de contas a receber
e) Dias de venda em estoque
f) Dias de venda em contas a receber
g) Giro do ativo
h) Endividamento geral
i) ROA
j) ROE

WILDHACK CORPORATION
Balanço em 31 de dezembro de 2005 e 2006 (R$ milhões)
2006 2007
Ativo
Ativo circulante
Caixa 120 88
Contas a receber 224 192
Estoque 424 368
Total 768 648
Ativo permanente
Instalações e equipamentos
(Líquido) 5.228 5.354

Ativo total 5.996 6.002

Passivo
Passivo circulante
Contas a pagar 124 144
Títulos a pagar 1.412 1.039
Total 1.536 1.183
Exigível a longo prazo 1.804 2.077
Patrimônio líquido

Administração Financeira e Orçamentária II 23


Capital mais reservas 300 300
Lucros retidos 2.356 2.442
Total 2.656 2.742
Passivo total 5.996 6.002

Exercício 4
Com base nas informações a seguir, qual é a taxa de crescimento interno que a Corwin
poderá manter se não utilizar financiamento? Qual é a taxa de crescimento sustentável?

CORWIN COMPANY
Demonstração de Resultado
Vendas $ 2.750
Custo da Mercadoria Vendida 2.400
Imposto (34%) 119
Lucro líquido $ 231
Dividendos $ 77

CORWIN COMPANY
Balanço Patrimonial
Ativo Exigível a
Circulante $ 600 Longo prazo $ 200
Ativo Patrimônio
Permanente Líquido 1.200
líquido 800
Total $ 1.400 Total $ 1.400
Fonte: Ross, Westerfield e Jordan (2002).

Exercício 5
Mudança no índice de Liquidez corrente. Que efeito produziriam as seguintes ações no
índice de liquidez corrente? Suponha que o capital de giro liquido seja positivo.

a) Compra de mercadoria para estoque.


b) Pagamento de fornecedor.
c) Pagamento de empréstimo bancário a curto prazo.
d) Liquidação antecipada de empréstimo a longo prazo.
e) Cliente paga à empresa vendas realizadas a prazo.
f) Estoque é vendido a preço de custo.
g) Estoque é vendido com lucro.

Exercício 6
Uma empresa possui um capital de giro liquido de R$ 950, passivo circulante de R$ 2.500 e
estoque de R$ 1.100. Qual é seu índice de liquidez corrente? E seu índice de liquidez seca?

Exercício 7

Administração Financeira e Orçamentária II 24


Uma empresa possui vendas de R$ 30 milhões, ativo total de R$ 42 milhões e divida total
de R$ 12 milhões. Se a margem de lucro liquida é 7%, qual é seu lucro liquido? Qual é o
ROA? Qual é o ROE?

Exercício 8
A Fred´s Print Shop possui um saldo de contas a receber de R$ 575.358. O total de vendas
a prazo realizadas durante o ano foi R$ 2.705.132. qual é o giro de contas a receber? Qual é
o número de dias de vendas em contas a receber? Quanto tempo levou em média para os
clientes liquidarem suas contas durante o ano passado?

Exercício 9
A Mary´s Print Shop encerrou o ano com um estoque de R$ 325.800 e o custo da
mercadoria vendida totalizou R$ 1.375.151. Qual é o giro do estoque? O número de dias de
venda em estoque? Quanto tempo ficou uma unidade de estoque na prateleira, em média,
antes de ser vendida?

Exercício 10
Em 2007, a DRK Inc. teve um custo de mercadoria vendida de R$ 9.273. Ao final do ano, o
saldo de contas a pagar era R$ 1.283. Quanto tempo levou, em média para a empresa pagar
seus fornecedores em 2007? O que um valor alto deste índice significaria?

ANÁLISE DE BALANÇOS

A seguir são apresentados diversos balanços de empresas com diferentes ramos de


atividades e em variadas situações econômico – financeiras, que foram analisados e
interpretados, transcritos com os respectivos pareceres técnicos.

Na indicação do ano do balanço o Ano X1 não significa ser o início de negócio, mas
simplesmente o ano anterior ao do último balanço analisado em seqüência.

Administração Financeira e Orçamentária II 25


Estudo de Caso 1
FÁBRICA DE CIMENTO
ANÁLISE DE BALANÇOS
ATIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 385.950 35,69% 100,00% 510.613 40,03% 32,30%
Caixa e Bancos 27.908 2,58% 100,00% 50.440 3,95% 80,74%
Aplicações Financeiras 89.161 8,25% 100,00% 248.068 19,45% 178,22%
Estoques 143.470 13,27% 100,00% 148.374 11,63% 3,42%
Clientes 82.348 7,62% 100,00% 34.319 2,69% -58,32%
Outras Contas 43.063 3,98% 100,00% 29.412 2,31% -31,70%

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 1.959 0,18% 100,00% 4.664 0,37% 138,08%


Contas a Receber 1.959 0,18% 100,00% 4.664 0,37% 138,08%

PERMANENTE 693.433 64,13% 100,00% 760.282 59,60% 9,64%


Investimentos 362.146 33,49% 100,00% 417.825 32,76% 15,37%
Participações Societárias 362.146 33,49% 100,00% 417.825 32,76% 15,37%
Imobilização 330.980 30,61% 100,00% 341.079 26,74% 3,05%
Terrenos 39.051 3,61% 100,00% 40.413 3,17% 3,49%
Edificações e Instalações 267.970 24,78% 100,00% 310.577 24,35% 15,90%
Máquinas e Equipamentos 423.268 39,14% 100,00% 495.399 38,84% 17,04%
Veículos 58.363 5,40% 100,00% 52.671 4,13% -9,75%
Móveis e Utensílios 14.826 1,37% 100,00% 13.042 1,02% -12,03%
Depreciação Acumulada -472.498 -43,70% 100,00% -571.023 -44,77% 20,85%
Diferido 307 0,03% 100,00% 1.378 0,11% 348,86%

TOTAL DO ATIVO 1.081.342 100,00% 100,00% 1.275.559 100,00% 17,96%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

PASSIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 220.440 20,39% 100,00% 354.573 27,80% 60,85%
Fornecedores 50.627 4,68% 100,00% 26.488 2,08% -47,68%
Financiamentos Bancários 17.868 1,65% 100,00% 17.248 1,35% -3,47%
Títulos a Pagar 35.814 3,31% 100,00% 2.938 0,23% -91,80%
Salários e Prev. Social 16.569 1,53% 100,00% 20.812 1,63% 25,61%
Impostos a Pagar 41.932 3,88% 100,00% 91.545 7,18% 118,32%
Outras Contas 38.723 3,58% 100,00% 35.506 2,78% -8,31%
Antecipações de Clientes 9.381 0,87% 100,00% 62.397 4,89% 565,14%
Dividendos 9.526 0,88% 100,00% 97.639 7,65% 924,97%

EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 22.180 2,05% 100,00% 8.003 0,63% -63,92%


Financiamentos Bancários 17.475 1,62% 100,00% 2.966 0,23% -83,03%
Sociedade Interligada 4.705 0,44% 100,00% 5.037 0,39% 7,06%

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 838.722 77,56% 100,00% 912.983 71,58% 8,85%


Capital 435.642 40,29% 100,00% 459.076 35,99% 5,38%
Reservas de Lucros 109.339 10,11% 100,00% 154.296 12,10% 41,12%
Lucros Acumulados 293.741 27,16% 100,00% 299.611 23,49% 2,00%

TOTAL DO PASSIVO 1.081.342 100,00% 100,00% 1.275.559 100,00% 17,96%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Administração Financeira e Orçamentária II 26


DRE simplificada
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
Vendas 821.908 100,00% 100,00% 1.217.374 100,00% 48,12%
C.P.V 767.601 93,39% 100,00% 1.071.199 87,99% 39,55%
Lucro Líquido 54.307 6,61% 100,00% 146.175 12,01% 169,16%
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Pede-se
a) Capital de giro;
b) Capital de giro líquido;
c) Capital de giro próprio;
d) Capital em giro;
e) ROA (Retorno do capital próprio);
f) ROE (Retorno do PL);
g) Giro do ativo;
h) Liquidez seca;
i) Liquidez geral;
j) Grau de imobilização;
k) Grau de endividamento;
l) Rentabilidade sobre o PL;
m) Rentabilidade sobre as vendas;
n) Giro do estoque;
o) Dias de vendas de estoque;
p) Giro de contas a receber;
q) Dias em vendas de contas a receber;
r) Taxa de crescimento interno;
s) Taxa de crescimento sustentável.

Analise o parecer, abaixo:

PARECER

I - Situação Patrimonial

- Sólida posição patrimonial, com satisfatória evolução do patrimônio liquido, de


aproximadamente 9%. Tal evolução é sintetizada pelo aumento do ROE em
aproximadamente 147% do Ano 1 ao Ano 2.

II - Situação Financeira

- Boa situação financeira. Houve certo decréscimo nos índices de liquidez em relação ao
exercício anterior, mas continuam com bom equilíbrio, ou seja com uma razoável folga no
que tange ao índice de liquidez geral. Os dias em vendas de contas a receber teve um
decréscimo (de 72% aproximadamente), determinando uma entrada mais rápida do dinheiro

Administração Financeira e Orçamentária II 27


em caixa ou no banco, influenciando sua situação financeira. O capital de giro ratifica o
bom estado financeiro da empresa, pois, o mesmo obteve uma evolução de
aproximadamente de 33%. As taxas de crescimento interno e sustentável também mostram
a boa situação financeiras, pois, ambas evoluirão 145% e 175% aproximados.

III - Grau de Imobilização

- É elevado o grau de imobilização com aproximadamente 80% do total do capital próprio,


o que, entretanto, não prejudica a situação financeira, tendo-se em vista que a empresa está
conseguindo otimizar sua rentabilidade sobre o PL e sobre as vendas.

IV - Grau de Endividamento

- A participação de capitais de terceiros é de aproximadamente 28% no total das aplicações


da empresa. É bom salientar que o mesmo sofreu um aumento aproximado de 27 pontos
percentuais, mas, como a empresa está conseguindo manter sua situação financeira
satisfatória, tal evolução não preocupa a curto ou a médio prazo.

V - Rentabilidade

- No Ano X1 a rentabilidade foi apenas razoável de cerca de 6%, mas no Ano X2 houve
substancial elevação no volume de vendas de aproximadamente 48%, impactando
diretamente no crescimento de sua rentabilidade sobre as vendas que chegou a 82%
aproximadamente.

VI - Conclusão

- Em resumo, conclui-se que a empresa encontra-se em boa situação econômico-financeira.


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Sendo assim,
a) Só as afirmações I e II estão corretas;
b) Só as afirmações I, II e III estão corretas;
c) Todas as afirmações estão corretas, menos a Conclusão (VI);
d) O Parecer estão correto;
e) O Parecer estão incorreto.

Administração Financeira e Orçamentária II 28


Estudo de Caso 2
FÁBRICA DE PAPEL
ANÁLISE DE BALANÇOS
ATIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 659.997 34,98% 100,00% 1.252.691 37,44% 89,80%
Caixa e Bancos 17.178 0,91% 100,00% 16.209 0,48% -5,64%
Aplicações Financeiras 37.199 1,97% 100,00% 80.110 2,39% 115,36%
Estoques 195.563 10,36% 100,00% 481.722 14,40% 146,33%
Clientes 357.144 18,93% 100,00% 567.113 16,95% 58,79%
Outras Contas 42.754 2,27% 100,00% 69.354 2,07% 62,22%
Reflorestamentos 10.159 0,54% 100,00% 38.183 1,14% 275,85%
REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 96.554 5,12% 100,00% 168.079 5,02% 74,08%
Reflorestamentos 96.188 5,10% 100,00% 167.264 5,00% 73,89%
Outras Contas 366 0,02% 100,00% 815 0,02% 122,68%
PERMANENTE 1.130.337 59,90% 100,00% 1.925.107 57,54% 70,31%
Investimentos 469.003 24,86% 100,00% 927.209 27,71% 97,70%
Imobilizado (líquido de depreciação) 661.334 35,05% 100,00% 997.898 29,82% 50,89%

TOTAL DO ATIVO 1.886.888 100,00% 100,00% 3.345.877 100,00% 77,32%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

PASSIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 520.685 27,59% 100,00% 920.358 27,51% 76,76%
Fornecedores 120.404 6,38% 100,00% 318.072 9,51% 164,17%
Duplicatas Descontadas 10.144 0,54% 100,00% 12.102 0,36% 19,30%
Financiamentos Bancários 107.146 5,68% 100,00% 44.840 1,34% -58,15%
Salários e Encargos Sociais 27.150 1,44% 100,00% 55.494 1,66% 104,40%
Impostos a Pagar 79.983 4,24% 100,00% 159.463 4,77% 99,37%
Dividendos a Pagar 81.533 4,32% 100,00% 163.065 4,87% 100,00%
Outras Contas 13.315 0,71% 100,00% 36.365 1,09% 173,11%
Provisão p/ Imo=posto de Renda 81.010 4,29% 100,00% 130.957 3,91% 61,66%

EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 936 0,05% 100,00% 2.189 0,07% 133,87%


Fornecedores 253 0,01% 100,00% 2.189 0,07% 765,22%
Financiamentos 683 0,04% 100,00% 0 0,00% -100,00%

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 1.365.267 72,36% 100,00% 2.423.330 72,43% 77,50%


Capital 1.066.326 56,51% 100,00% 1.746.390 52,20% 63,78%
Reservas de Lucros 54.089 2,87% 100,00% 57.159 1,71% 5,68%
Lucros Acumulados 244.852 12,98% 100,00% 619.781 18,52% 153,12%

TOTAL DO PASSIVO 1.886.888 100,00% 100,00% 3.345.877 100,00% 77,32%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Administração Financeira e Orçamentária II 29


DRE simplificada
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
Vendas 1.334.268 100,00% 100,00% 2.564.409 100,00% 92,20%
C.P.V 1.150.513 86,23% 100,00% 2.073.552 80,86% 80,23%
Lucro Líquido 183.755 13,77% 100,00% 490.857 19,14% 167,13%
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Pede-se
a) Capital de giro;
b) Capital de giro líquido;
c) Capital de giro próprio;
d) Capital em giro;
e) ROA (Retorno do capital próprio);
f) ROE (Retorno do PL);
g) Giro do ativo;
h) Liquidez seca;
i) Liquidez geral;
j) Grau de imobilização;
k) Grau de endividamento;
l) Rentabilidade sobre o PL;
m) Rentabilidade sobre as vendas;
n) Giro do estoque;
o) Dias de vendas de estoque;
p) Giro de contas a receber;
q) Dias em vendas de contas a receber;
r) Taxa de crescimento interno;
s) Taxa de crescimento sustentável.

Analise o parecer, abaixo:

PARECER

I – Situação Patrimonial

- Sólida posição patrimonial, com excelente evolução do patrimônio liquido (77%). Esse
aumento patrimonial é decorrente da retenção dos bons lucros que vem obtendo. Tais lucros
evoluirão 167% aproximadamente do Ano 1 ao Ano 2. O ROE foi influenciado pela sólida
posição financeira, sofrendo uma evolução aproximada de 50%.

II – Situação Financeira

- Situação financeira de bom equilíbrio e verifica-se que houve certa melhora nos índices
em relação ao exercício anterior. Principalmente o índice de liquidez geral que cresceu 6%
aproximadamente. Índice que denota a boa situação financeira é o capital de giro e o capital
em giro, evoluindo respectivamente 88% e 77% do Ano 1 ao Ano 2.

Administração Financeira e Orçamentária II 30


III – Grau de Imobilização

- O grau de imobilização é bastante elevado, mas nota-se que houve decréscimo em relação
ao ano anterior, cerca de 4% o que se refletiu na melhora dos índices de liquidez.

IV – Grau de Endividamento

- A incidência de capitais de terceiros é de apenas 27% aproximadamente no total das


aplicações da empresa, que conta com boa capacidade de pagamento. Sua taxa de
crescimento sustentável cresceu 63% aproximadamente, refletindo a baixa opção por
capitais alheios.

V – Rentabilidade

- Vem obtendo muito boa rentabilidade, com significativo aumento no último exercício.
ROE (50%) e sobre as vendas (39%) aproximadamente. Verifica-se, também, que houve
expressivo incremento de vendas e no lucro, ou seja, de aproximadamente 92% 167%
respectivamente.

VI – Conclusão

- Diante do acima exposto, conclui-se que a empresa encontra-se em boa situação


econômico-financeira e conta com boa capacidade de pagamento.
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Sendo assim,
a) Só as afirmações I e IV estão corretas;
b) Só as afirmações I, II e VI estão corretas;
c) O Parecer estão correto;
d) O Parecer estão incorreto;
e) Todas as afirmações estão incorretas, somente a opção II está correta.

Administração Financeira e Orçamentária II 31


Estudo de Caso 3
INDÚSTRIA DE TINTAS GRÁFICAS
ANÁLISE DE BALANÇOS
ATIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 2.473 74,00% 100,00% 2.247 74,83% -9,14%
Caixa e Bancos 201 6,01% 100,00% 31 1,03% -84,58%
Clientes 712 21,30% 100,00% 841 28,01% 18,12%
Estoques 1.409 42,16% 100,00% 1.314 43,76% -6,74%
Impostos a Recuperar 121 3,62% 100,00% 29 0,97% -76,03%
Outras Contas a Receber 30 0,90% 100,00% 32 1,07% 6,67%

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 56 1,68% 100,00% 22 0,73% -60,71%


Titulos a Receber 56 1,68% 100,00% 22 0,73% -60,71%

PERMANENTE 813 24,33% 100,00% 734 24,44% -9,72%


Imobilizado 813 24,33% 100,00% 734 24,44% -9,72%

TOTAL DO ATIVO 3.342 100,00% 100,00% 3.003 100,00% -10,14%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

PASSIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 1.635 48,92% 100,00% 1.303 43,39% -20,31%
Fornecedores 464 13,88% 100,00% 229 7,63% -50,65%
Financiamentos Bancários 977 29,23% 100,00% 758 25,24% -22,42%
Salários e Encargos Sociais 22 0,66% 100,00% 22 0,73% 0,00%
Impostos a Pagar 34 1,02% 100,00% 63 2,10% 85,29%
Outras Contas 97 2,90% 100,00% 119 3,96% 22,68%
Provisões 41 1,23% 100,00% 112 3,73% 173,17%

EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 1.014 30,34% 100,00% 185 6,16% -81,76%


Financiamentos Bancários 1.014 30,34% 100,00% 185 6,16% -81,76%

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 693 20,74% 100,00% 1.515 50,45% 118,61%


Capital 405 12,12% 100,00% 405 13,49% 0,00%
Reservas de Lucros 12 0,36% 100,00% 59 1,96% 391,67%
Lucros Acumulados 276 8,26% 100,00% 1.051 35,00% 280,80%

TOTAL DO PASSIVO 3.342 100,00% 100,00% 3.003 100,00% -10,14%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Administração Financeira e Orçamentária II 32


DRE simplificada
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
Vendas 3.478 100,00% 100,00% 8.087 100,00% 132,52%
C.P.V 3.191 91,75% 100,00% 7.184 88,83% 125,13%
Lucro Líquido 287 8,25% 100,00% 903 11,17% 214,63%
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Pede-se
a)Capital de giro;
b) Capital de giro líquido;
c) Capital de giro próprio;
d) Capital em giro;
e) ROA (Retorno do capital próprio);
f) ROE (Retorno do PL);
g) Giro do ativo;
h) Liquidez seca;
i) Liquidez geral;
j) Grau de imobilização;
k) Grau de endividamento;
l) Rentabilidade sobre o PL;
m) Rentabilidade sobre as vendas;
n) Giro do estoque;
o) Dias de vendas de estoque;
p) Giro de contas a receber;
q) Dias em vendas de contas a receber;
r) Taxa de crescimento interno;
s) Taxa de crescimento sustentável.

Analise o parecer, abaixo:

PARECER

I – Situação Patrimonial

- Apresenta-se com excepcional evolução do patrimônio líquido (119%), decorrente da


retenção dos elevados lucros que vem obtendo, ou seja, de aproximadamente 215%. A
evolução do capital próprio impactou diretamente no ROE evoluindo aproximados 44
pontos percentuais.

II – Situação Financeira

- Regular posição financeira, mas em compensação o índice de liquidez geral atualmente


estão em crescimento (60%) isso favorece a futura estabilidade financeira da empresa. O
índice de liquidez seca é algo baixo, mas a rotação de estoques é satisfatória, da ordem de
66 dias, muito boa a de créditos, em média de 37 dias. Tal índice, sofreu uma queda de

Administração Financeira e Orçamentária II 33


aproximados 49%, significando que a empresa está recebendo dinheiro mais rápido,
influenciando na evolução da liquidez geral e na recuperação financeira da empresa. O
ROA reflete essa evolução, pois, o mesmo cresceu incríveis 250 pontos percentuais
aproximados. A taxa de crescimento interno está diretamente relacionada com o ROA com
isso sofreu uma evolução de 358% aproximadamente, refletindo a boa situação financeira
da empresa.

III – Grau de Imobilização

- No primeiro ano sob exame a empresa tinha 117% do capital próprio imobilizado, já no
Ano 2 houve um decréscimo do mesmo de aproximadamente 59%, influenciando no
aumento da liquidez geral que foi de 60%.

IV – Grau de Endividamento

- O grau de endividamento no Ano 1 era elevadíssimo, de 80% aproximadamente, mas no


Ano 2 o percentual de capitais alheios baixou para 49% aproximadamente, uma queda de
aproximadamente 37%. Com o índice de endividamento ficou aceitável, tendo-se em vista
boa capacidade de pagamento e a evolução da situação financeira da organização. A taxa de
crescimento sustentável corrobora para essa afirmação, pois a mesma cresceu 109 pontos
percentuais aproximados.

V - Rentabilidade

- A empresa vem obtendo muito bons lucros, mantendo-os como reforço de capital e
gerando muito boa capacidade de pagamento. Suas vendas e lucro tiveram uma evolução de
133% e 215% respectivamente de um ano para o outro.
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Sendo assim,
a) Só as afirmações II e IV estão corretas;
b) Só as afirmações I, III e VI estão corretas;
c) O Parecer estão incorreto;
d) O Parecer estão correto;
e) Todas as afirmações estão incorretas, somente a opção III está correta.

Administração Financeira e Orçamentária II 34


Estudo de Caso 4
FÁBRICA DE MALAS
ANÁLISE DE BALANÇOS
ATIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 53.646 75,38% 100,00% 56.465 68,46% 5,25%
Caixa e Bancos 794 1,12% 100,00% 15 0,02% -98,11%
Clientes 29.848 41,94% 100,00% 26.451 32,07% -11,38%
Estoques 22.567 31,71% 100,00% 28.804 34,93% 27,64%
Outras Contas 437 0,61% 100,00% 1.195 1,45% 173,46%

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 3.027 4,25% 100,00% 1.821 2,21% -39,84%


Titulos a Receber 3.027 4,25% 100,00% 1.821 2,21% -39,84%

PERMANENTE 14.499 20,37% 100,00% 24.187 29,33% 66,82%


Investimentos 11.668 16,39% 100,00% 667 0,81% -94,28%
Participações Societárias 11.668 16,39% 100,00% 667 0,81% -94,28%
Imobilizado 2.831 3,98% 100,00% 23.520 28,52% 730,80%
Imóveis 606 0,85% 100,00% 5.242 6,36% 765,02%
Máquinas e Equipamentos 309 0,43% 100,00% 10.305 12,49% 3234,95%
Veículos 255 0,36% 100,00% 3.382 4,10% 1226,27%
Móveis e Utensílios 313 0,44% 100,00% 427 0,52% 36,42%
Obras em Andamento 2.017 2,83% 100,00% 9.316 11,30% 361,87%
Depreciação Acumulada -669 -0,94% 100,00% -5.152 -6,25% 670,10%

TOTAL DO ATIVO 71.172 100,00% 100,00% 82.473 100,00% 15,88%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

PASSIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 50.859 71,46% 100,00% 52.511 63,67% 3,25%
Fornecedores 7.432 10,44% 100,00% 13.218 16,03% 77,85%
Financiamentos Bancários 28.575 40,15% 100,00% 28.365 34,39% -0,73%
Titulos a Pagar 6.426 9,03% 100,00% 3.396 4,12% -47,15%
Comissões e Fretes a Pagar 2.323 3,26% 100,00% 2.162 2,62% -6,93%
Outras Contas 2.404 3,38% 100,00% 3.057 3,71% 27,16%
Provisão p/ Imposto de Renda 3.699 5,20% 100,00% 2.313 2,80% -37,47%

EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 4.900 6,88% 100,00% 1.319 1,60% -73,08%


Financiamentos Bancários 4.900 6,88% 100,00% 1.319 1,60% -73,08%

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 15.413 21,66% 100,00% 28.643 34,73% 85,84%


Capital 14.590 20,50% 100,00% 28.643 34,73% 96,32%
Lucros Acumulados 823 1,16% 100,00% 0 0,00% -100,00%

TOTAL DO PASSIVO 71.172 100,00% 100,00% 82.473 100,00% 15,88%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Administração Financeira e Orçamentária II 35


DRE simplificada
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
Vendas 116.629 100,00% 100,00% 120.808 100,00% 3,58%
C.P.V 111.793 95,85% 100,00% 118.208 97,85% 5,74%
Lucro Líquido 4.836 4,15% 100,00% 2.600 2,15% -46,24%
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Pede-se
a) Capital de giro;
b) Capital de giro líquido;
c) Capital de giro próprio;
d) Capital em giro;
e) ROA (Retorno do capital próprio);
f) ROE (Retorno do PL);
g) Giro do ativo;
h) Liquidez seca;
i) Liquidez geral;
j) Grau de imobilização;
k) Grau de endividamento;
l) Rentabilidade sobre o PL;
m) Rentabilidade sobre as vendas;
n) Giro do estoque;
o) Dias de vendas de estoque;
p) Giro de contas a receber;
q) Dias em vendas de contas a receber;
r) Taxa de crescimento interno;
s) Taxa de crescimento sustentável.

Analise o parecer, abaixo:

PARECER

I – Situação Patrimonial

- Houve substancial aumento do capital próprio Ano 2, cerca de 86%. É que a empresa
incorporou outra sociedade, com patrimônio líquido da ordem de 10.000 (informação
gerencial). Não fosse isso, haveria diminuição do capital próprio, tendo-se em vista o
decréscimo dos lucros que foram de 46%. Tal informação foi ratificada pelo decréscimo do
ROA e do ROE com respectivamente 54% e 71% aproximadamente.

II – Situação Financeira

- Situação financeira de extremo aperto, com índices de liquidez a curto e a longo prazo de
mero equilíbrio e muito baixo o índice de liquidez seca. O giro do ativo decresceu 11
pontos percentuais, ou seja, quanto menor o giro maior a instabilidade financeira e maior

Administração Financeira e Orçamentária II 36


desembolso de ativos para efetuar as vendas. Isso significa que precisa-se de 0,68 reais de
ativos para gerar 1 real de vendas, que no Ano 1 se precisava de 0,61 reais. A taxa de
crescimento interno enfatiza a má fase financeira da organização, com uma queda de
aproximadamente 55%.

III – Grau de Imobilização

- As imobilizações da empresa são muito elevadas, absorvendo 85% aproximadamente do


patrimônio liquido, restando pouco capital de giro próprio.

IV – Grau de Endividamento

- Os capitais alheios elevam-se a 78% no total das aplicações da empresa no Ano 1, e no


Ano 2 cerca de 65%. Mesmo com essa baixa (17%), a posição da empresa frente aos
capitais de terceiros ainda é muito complicada.

V – Rentabilidade

- Vem obtendo boas vendas (4% de aumento), mas o desequilíbrio financeiro é decorrente
dos prejuízos e do alto endividamento a curto prazo. Tendo em vista que tal desequilíbrio
foi impactado pelo crescimento de dias de estocagem cerca de 21% e o decréscimo dos dias
de recebimento com cerca de 14%.

VI – Conclusão

- Ante o exposto, conclui-se que a empresa corre sério risco de insolvência a curto prazo.
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Sendo assim,
a) Só as afirmações III e IV estão corretas;
b) O Parecer estão correto;
c) Todas as afirmações estão incorretas, somente a opção II está correta;
d) O Parecer estão incorreto;
e) Só as afirmações I, III e V estão corretas.

Administração Financeira e Orçamentária II 37


Estudo de Caso 5
INDÚSTRIA QUIMICA
ANÁLISE DE BALANÇOS
ATIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 10.291 66,34% 100,00% 15.468 70,40% 50,31%
Caixa e Bancos 128 0,83% 100,00% 164 0,75% 28,13%
Clientes 5.746 37,04% 100,00% 9.243 42,07% 60,86%
Estoques 3.802 24,51% 100,00% 5.213 23,73% 37,11%
Outras Contas 615 3,96% 100,00% 848 3,86% 37,89%

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 121 0,78% 100,00% 212 0,96% 75,21%


Empresa Coligada 121 0,78% 100,00% 212 0,96% 75,21%

PERMANENTE 5.100 32,88% 100,00% 6.292 28,64% 23,37%


Investimentos 2.830 18,24% 100,00% 2.483 11,30% -12,26%

Imobilizado 2.270 14,63% 100,00% 3.809 17,34% 67,80%

TOTAL DO ATIVO 15.512 100,00% 100,00% 21.972 100,00% 41,65%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

PASSIVO
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
CIRCULANTE 8.848 57,04% 100,00% 12.219 55,61% 38,10%
Fornecedores 5.001 32,24% 100,00% 7.720 35,14% 54,37%
Financiamentos Bancários 2.515 16,21% 100,00% 3.531 16,07% 40,40%
Salários e Encargos Sociais 188 1,21% 100,00% 290 1,32% 54,26%
Impostos a Pagar 248 1,60% 100,00% 515 2,34% 107,66%
Outras Contas 896 5,78% 100,00% 163 0,74% -81,81%

EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 3.660 23,59% 100,00% 1.381 6,29% -62,27%


Financiamentos Bancários 3.660 23,59% 100,00% 1.381 6,29% -62,27%

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 3.004 19,37% 100,00% 8.372 38,10% 178,70%


Capital 381 2,46% 100,00% 5.661 25,76% 1385,83%
Lucros Acumulados 2.623 16,91% 100,00% 2.711 12,34% 3,35%

TOTAL DO PASSIVO 15.512 100,00% 100,00% 21.972 100,00% 41,65%


Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Administração Financeira e Orçamentária II 38


DRE simplificada
(Em R$ 1 mil) % % (Em R$ 1 mil) % %
Ano X1 AV AH Ano X2 AV AH
Vendas 38.585 100,00% 100,00% 57.029 100,00% 47,80%
C.P.V 36.996 95,88% 100,00% 56.435 98,96% 52,54%
Lucro Líquido 1.589 4,12% 100,00% 594 1,04% -62,62%
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Pede-se
a) Capital de giro;
b) Capital de giro líquido;
c) Capital de giro próprio;
d) Capital em giro;
e) ROA (Retorno do capital próprio);
f) ROE (Retorno do PL);
g) Giro do ativo;
h) Liquidez seca;
i) Liquidez geral;
j) Grau de imobilização;
k) Grau de endividamento;
l) Rentabilidade sobre o PL;
m) Rentabilidade sobre as vendas;
n) Giro do estoque;
o) Dias de vendas de estoque;
p) Giro de contas a receber;
q) Dias em vendas de contas a receber;
r) Taxa de crescimento interno;
s) Taxa de crescimento sustentável.

Analise o parecer, abaixo:

PARECER

I – Situação Patrimonial

- Apresenta-se com significativo aumento do patrimônio liquido em relação ao ano


anterior,(cerca de 179%), decorrente na sua maior parte do aumento de capital de R$
381.000,00 para R$ 5.661.000,00, ou seja, 1.386%. Refletido pelos indicadores capital de
giro, capital de giro próprio e capital em giro que cresceram aproximados 51%, 81% e 42%
respectivos.

II – Situação Financeira

- De aperto, com índices de liquidez de mero equilíbrio. Nota-se, entretanto, que houve
certa melhora em relação ao exercício anterior, e a rotação de estoques e de crédito é
satisfatória.

Administração Financeira e Orçamentária II 39


III – Grau de Imobilização

- É elevado o grau de imobilização do capital próprio (Ano 1 = 170% e Ano 2 = 75%), mas
a empresa obteve financiamento de longo prazo, (no Anos 1 e 2), a par do aumento do
capital social, o que lhe permitiu manter equilibrada a situação financeira, embora de
aperto.

IV – Grau de Endividamento

- O endividamento da empresa que era elevadíssimo, de 80% aproximadamente, baixou


para 62%, um decréscimo de 23%. Com isso, pode ser tido como aceitável, tendo-se em
vista que a empresa vem apresentando resultados positivos, gerando razoável capacidade de
pagamento. Contudo a taxa de crescimento sustentável sofreu uma queda de 93%,
traduzindo o alto grau de endividamento com terceiros.

V – Rentabilidade

- Apresentou razoável lucro no Ano 1 (4%) e fraco no Ano 2 (1%). A empresa vem tendo
então resultado insatisfatórios no que tange a situação econômica, podendo influenciar a
médio ou curto prazo o resultado da empresa.

VI – Conclusão

- A situação da empresa é de aperto financeiro. Vem operando com resultados positivos. A


situação patrimonial da empresa é boa, contudo pelo crescimento do seu capital próprio.
Teve bom incremento de vendas, mas a rentabilidade declinou, o que aconselha seja feita
análise gerencial para determinar a causa. Caso continue em decréscimo, terá impacto na
sua situação financeira influenciando negativamente em sua perpetuidade.
Fonte: Savytzky (2006), adaptado pelo autor.

Sendo assim,
a) O Parecer estão correto;
b) Só as afirmações III e VI estão corretas;
c) O Parecer estão incorreto;
d) Só as afirmações I, III e IV estão corretas;
e) Todas as afirmações estão corretas, somente a opção VI está incorreta.

ALAVANCAGEM, PONTO DE EQUILÍBRIO (Contábil, Econômico e Financeiro) e


MARGEM DE SEGURANÇA

Administração Financeira e Orçamentária II 40


Alavancagem Empresarial

O conceito de alavancagem empresarial é similar ao conceito de alavanca comumente


empregado em física. Por meio da aplicação de uma força pequena no braço maior da
alavanca, é possível mover um peso muito maior no braço menor da alavanca. Como disse
Arquimedes, com uma alavanca e um ponto de apoio seria possível mover o mundo.

10 Kgf

1m 1 Kgf
10 m

Figura 1. O conceito físico da alavancagem.


Fonte: Bruni e Fama (2004).

Pode-se entender que a alavancagem empresarial permite que uma variação nas vendas de
aproximadamente 3%, transforme-se em uma variação no lucro final de aproximadamente
30%.

Variação
no Resultado
30%
Variação
das Vendas
3%

Gastos Fixos

Figura 2. Conceito de alavancagem empresarial: efeito da variação percentual das vendas


no resultado.
Fonte: Bruni e Fama (2004), adaptado pelo autor.

Sendo assim, os gastos fixos, são a razão existente entre os braços da alavanca. Os gastos
fixos podem situar-se nos dois lados do balanço patrimonial, com isso podem ser
classificados como:

Administração Financeira e Orçamentária II 41


 Alavancagem operacional: vinculam-se da existência de gatos fixos, que são
relacionados a ativos (investimentos) e atividades operacionais comumente
incorridas nas empresas, como por exemplo: salários e encargos, energia elétrica,
depreciações, etc. Para Hoji (2004), “o aumento no nível de atividade produz efeito
no resultado econômico. A essa relação de causa-efeito dá-se o nome de
alavancagem operacional;
 Alavancagem financeira: decorre da existência de gastos fixos, que se relacionam
ao passivo (obrigações / financiamentos) da organização. Exemplos:
financiamentos, juros pagos, etc.

Passivo Custos Fixos do Passivo


Custos Fixos do Ativo ou Financeiros
ou Operacionais Ativo

PL

Figura 3. Estrutura de gastos fixos.


Fonte: Bruni e Famá (2004).

Observando a Figura 3. constata-se que os gastos fixos do ativo acarretam a alavancagem


operacional. Em relação aos gastos fixos do passivo proporcionam a alavancagem
financeira.

Trabalharemos agora com um exemplo, observaremos duas empresas: Conservadora e a


Agressiva, sendo assim, iremos comparar qual grau de alavancagem de cada uma delas.

Tabela 1. Empresa Conservadora S.A. Tabela 2. Empresa Agressiva S.A.


DRE Situação DRE Situação
Empresa Conservadora -20% Base 20% Empresa Conservadora -20% Base 20%
(+) Receitas 80 100 120 (+) Receitas 80 100 120
(-) Custos fixos -20 -20 -20 (-) Custos fixos -40 -40 -40
(-) Custos variáveis (40%) -32 -40 -48 (-) Custos variáveis (40%) -32 -40 -48
= Lucro operacional (lajir) 28 40 52 = Lucro operacional (lajir) 8 20 32
(-) Juros 0 0 0 (-) Juros 0 0 0
= Lucro antes do IR 28 40 52 = Lucro antes do IR 8 20 32

Variação -30,00% 30,00% Variação -60,00% 60,00%

As empresas atuam em mercados diferentes, porém, de acordo com sua situação base, seus
faturamentos são idênticos: $ 100.000,00 por mês. O que diferencia uma da outra é a
composição de seus custos fixos e variáveis. Enquanto a Conservado apresenta um LAIR
igual a $ 40.000,00, a Agressiva apresenta um LAIR de $ 20.000,00.

Administração Financeira e Orçamentária II 42


Analisando o efeito dos custos fixos, supomos duas variações: positiva e negativa a 20%.
Verifica-se que enquanto a variação no lucro da empresa Conservadora foi de 30%, da
empresa Agressiva foi de 60%.

Segundo Bruni e Famá (2004), a alavancagem pode ser expressa por meio dos graus de
alavancagem.
Grau de Fórmula O que expressa
Alavancagem
Operacional (GAO) % Lucro Operac / %  Vendas Relação entre variações no lucro
operacional em decorrência de variações
nas vendas. Decorre da existência de
custos fixos operacionais.
Financeira (GAF) % Lucro Liq / % Lucro Operac Relação entre variações no lucro líquido
em decorrência de variações no lucro
operacional. Decorre da existência de
custos fixos financeiros.
Combinada (GAC) % Lucro Liq / %  Vendas Relação entre variações no lucro líquido
ou em decorrência de variações nas vendas.
GAO x GAF Decorre da existência de custos fixos
operacionais e financeiros.

GAC = GAO x GAF = (% Lucro Operacional ÷ % Vendas) x (% Lucro Líquido ÷ %


Lucro Operacional)

então

GAC = % Lucro Líquido ÷ % Vendas

Sendo assim, de acordo com os demonstrativos analisados acima das empresas:


Conservadora e Agressiva, temos:

Grau de Alavancagem Conservadora Agressiva


Operacional (GAO) 30% ÷ 20% = 1,5000 60% ÷ 20% = 3,0000
Financeira (GAF) 30% ÷ 30% = 1,0000 60% ÷ 60% = 1,0000
Combinada (GAC) 30% ÷ 20% = 1,5000 60% ÷ 20% = 3,0000

Verifica-se então que, a empresa Conservadora tem grau de alavancagem operacional de


1,50, enquanto a empresa Agressiva possui 3,000. Entende-se que, para cada variação
percentual nas receitas, o lucro operacional da empresa Agressiva cresce três vezes mais.
Em outras palavras, para cada 1% de crescimento ou queda, os lucros operacionais
crescerão ou cairão 3%.

Administração Financeira e Orçamentária II 43


No que tange ao GAF (grau de alavancagem financeira), constata-se que nem a
Conservadora e nem a Agressiva possuem movimentação financeira (juros, financiamentos
etc) com isso, não apresentam os efeitos da alavancagem financeira. Pode-se perceber que,
para cada 1% de crescimento ou queda do lucro operacional, ocorre 1% de crescimento ou
queda do lucro líquido.

Em relação ao GAC (grau de alavancagem combinada), tem-se que a empresa


Conservadora com um grau de alavancagem combinada igual a 1,5000 (valor idêntico ao
GAO). Entende-se então que, para cada 1% de variação nas receitas, o resultado liquido da
empresa variará em 1,5%.

Já a empresa Agressiva, possui um grau de alavancagem combinada de 3,000, (valor igual


ao GAO, já que a empresa não possui dividas). Entende-se que para cada 10% de variação
no faturamento, o lucro liquido da empresa variará 30%.

Ponto de Equilíbrio

Podemos dizer que Ponto de Equilíbrio é o ponto em que o total da Margem de


Contribuição se equipara aos custos e despesas fixas do período. Em suma, o Ponto de
Equilíbrio faz o calculo do montante e mostrando assim a capacidade mínima em que a
empresa deve operar (produzir) para que no final do período, não tenha prejuízo, mesmo
que para isso, ocorra o valor ao custo de um lucro zero. Denominamos o Ponto de
Equilíbrio também com ponto de ruptura (break-even point). O ponto de equilíbrio
expressa o volume a ser comercializado a fim de que o Lucro seja 0 (zero), isso é, que os
custos e despesas totais sejam iguais a receita.

Para Padoveze (2004), evidencia, em termos quantitativos, qual é o volume que a empresa
precisa produzir ou vender, para que consiga pagar todos os custos e despesas fixas, além
dos custos e despesas variáveis que ela tem necessariamente que incorrer para
fabricar/vender o produto. No ponto de equilíbrio, não há lucro ou prejuízo. A partir de
volumes adicionais de produção ou venda, a empresa passa a ter lucros.

Segundo Crepaldi (2004), Antes que seu negócio possa gerar lucro, devemos entender o
conceito de equilíbrio. Para alcançar o equilíbrio nas linhas de produção e/ou serviço do
departamento, deveremos calcular o volume de vendas necessário para cobrir os custos e
como usar essa informação. Devemos também entender como os custos reagem com
mudanças de volume............a expressão ponto de equilíbrio, tradução de break-even-point,
refere-se ao nível de venda em que não há lucro nem prejuízo, ou seja, onde os custos totais
são iguais às receitas totais.

Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC)

Segundo Bruni e Famá (2004), a análise dos gastos variáveis e fixos tornam possível obter
o ponto de equilíbrio contábil da empresa: representação do volume (em unidades ou $) de
vendas necessário para cobrir todos os custos e no qual o lucro é nulo. Sendo assim, temos:

Administração Financeira e Orçamentária II 44


Lucro = Receitas Totais – Gastos Totais

ou seja,

Lucro = [(Preço unitário x quantidade) – (CDFs + CDV unitários x quantidade)]

transformando-se em:

(Preço x quantidade) = CDFs + (CDV unitários x quantidade)

sendo assim,

(Preço x quantidade) – (CDV unitários x quantidade) = CDFs

Colocando a quantidade em evidencia:

Quantidade x (Preço – CDV unitários) = CDFs

Dessa forma, a quantidade pode ser entendida como:

PEC(q) = CDFs ÷ (Preço – CDV unitários)

As venda em valor monetário pode ser calculado pela seguinte equação:

PEC($) = Preço x PEC(q)

ou

PEC($) = Preço x [CDFs ÷ (Preço – CDV unitários)]

Exemplo:

Uma empresa possui CDFs da ordem de $ 100.000,00 por mês. Sabe-se que o CDV
unitário de seus produtos vendidos é aproximadamente igual a $ 50,00 por unidade, e o
preço de venda unitário dos produtos da empresa é igual a $ 70,00.

Para saber qual o volume de vendas do ponto de equilíbrio contábil, bastaria aplicar a
fórmula anterior. Em outras palavras:

PEC(q) = CDFs ÷ (Preço – CDV unitários)


100.000,00 ÷ ( 70,00 – 50,00) = 5.000 unidades

Administração Financeira e Orçamentária II 45


A empresa deverá vender 5.000 unidades para permanecer no pronto de equilíbrio contábil
sem lucros ou prejuízos, mantendo, portanto, a receita total igual aos custos totais.

Para se conseguir o valor em moeda do PEC, bastaria multiplicar as vendas em unidades


pelo preço de cada unidade comercializada.

PEC($) = Preço x PEC(q)


70,00 x 5.000 = $ 350.000,00

A empresa deverá faturar $ 350.000,00 para cobrir todos de seus gastos e não apresentar
nem lucros e nem prejuízos. Pode-se averiguar a veracidade através dos seguintes cálculos
na DRE:

DRE
quant. vlr. Unit. Total
(+) Receita 5.000 $ 70,00 $ 350.000,00
(-) Gastos variáveis 5.000 $ 50,00 $ 250.000,00
= MC 5.000 $ 20,00 $ 100.000,00
(-) Gastos fixos 5.000 $ 20,00 $ 100.000,00
= Lucro 5.000 $ 0,00 $ 0,00

$
Ponto de
Equilíbrio
Receitas
Custos e Totais
Variáveis Despesas
Totais
Fixos
Figura 4. Ponto de Equilíbrio Contábil.
Fonte: Martins (2006).

Entende-se que quanto mais próximo uma empresa estiver operando do seu ponto de
equilíbrio, mais riscos ela correrá, pois, fica iminente que é mais fácil ela incorrer em
prejuízo do que alcançar lucro.

Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE)

Administração Financeira e Orçamentária II 46


O conceito de PEE apresenta a quantidade de vendas (ou do faturamento) que a empresa
deveria obter para conseguir um mínimo de lucro desejado.

Sendo assim,

PEE(q) = [(Lucro desejado + CDFs) ÷ (Preço – CDV unitários)]

PEE($) = Preço x PEE(q)

ou

PEE($) = Preço x [(Lucro desejado + CDFs) ÷ (Preço – CDV unitários)]

Exemplo:

Uma empresa possui CDFs da ordem de $ 100.000,00 por mês. Sabe-se que o CDV
unitário de seus produtos vendidos é aproximadamente igual a $ 50,00 por unidade, e o
preço de venda unitário dos produtos da empresa é igual a $ 70,00. A empresa deseja obter
um lucro de $ 10.000,00 por mês.

Para saber qual o volume de vendas do ponto de equilíbrio contábil, bastaria aplicar a
fórmula anterior. Em outras palavras:

PEE(q) = [(Lucro desejado + Gastos CDFs) ÷ (Preço – CDV unitários)]


[( 10.000,00 + 100.000,000 ÷ ( 70,00 – 50,00)]
110.000,00 ÷ 20,00 = 5.500 unidades

A empresa deverá vender 5.500 unidades para conseguir obter um lucro de $ 10.000,00
desejado pelos gestores.

Para se conseguir o valor em moeda do PEC, bastaria multiplicar as vendas em unidades


pelo preço de cada unidade comercializada.

PEC($) = Preço x PEC(q)


70,00 x 5.500 = $ 385.000,00

A empresa deverá faturar $ 385.000,00 para cobrir todos de seus gastos e apresentar um
lucro desejado de $ 10.000,00. Pode-se averiguar a veracidade através dos seguintes
cálculos na DRE:

DRE

Administração Financeira e Orçamentária II 47


quant. vlr. Unit. Total
(+) Receita 5.500 $ 70,00 $ 385.000,00
(-) Gastos variáveis 5.500 $ 50,00 $ 275.000,00
= MC 5.500 $ 20,00 $ 110.000,00
(-) Gastos fixos 5.500 $ 18,18 $ 100.000,00
= Lucro 5.500 $ 1,82 $ 10.000,00

Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF)

Entende-se como PEF, o valor que se equipara a receita com o total dos gastos que
representam desembolso para a organização. Sendo assim, o referido cálculo não deve
constar as depreciações, amortizações e ou exaustões, pois tais gastos não representam
desembolso para a empresa.

Sendo assim,

PEF(q) = [(CDFs – CDFs não desembolsáveis) ÷ (Preço – CDV unitários)]

As venda em valor monetário pode ser calculado pela seguinte equação:

PEF($) = Preço x PEF(q)

ou

PEF($) = Preço x [(CDFs – CDFs não desembolsáveis) ÷ (Preço – CDV unitários)]

Exemplo:

Uma empresa produziu 50.000 unidades de um único produto, seu preço de venda é $
25,00. Sabe-se que a empresa incorreu nos seguintes gastos. Com base nesses gastos, qual
seria o ponto de equilíbrio financeiro da empresa?

Gasto Valor
Embalagens $ 150.000,00
Matérias-primas $ 250.000,00
Depreciação fabril $ 200.000,00
MOD $ 50.000,00
Salários e encargos adm (fixos) $ 120.000,00
Outros gastos fixos $ 80.000,00

Custos variáveis ........................... $ 450.000,00 ÷ 50.000 = $ 9,00 / unidade


Despesas variáveis ....................... $ 0,00
Custos e despesas variáveis ....... $ 450.000,00 ÷ 50.000 = $ 9,00 / unidade

Administração Financeira e Orçamentária II 48


CDFs ............................................ $ 200.000,00
CDFs não desembolsáveis ........... $ 200.000,00
Total dos CDFs ........................... $ 400.000,00

Colocando na fórmula:

PEF = [(CDFs – CDFs não desembolsáveis) ÷ (Preço – CDV unitários)]


( 400.000,00 – 200.000,00 ) ÷ ( 25,00 – 9,00 )
200.000,00 ÷ 16,00 = 12.500 unidades

Para obter o valor monetário do PEF, basta multiplicar o PEF(q) encontrado, pelo preço de
venda, ficando:

PEF($) = Preço x PEF(q)


25,00 x 12.500 = $ 312.500,00

Ponto de Equilíbrio com múltiplos produtos

Quando ocorre de uma empresa produzir apenas um produto, a obtenção do ponto de


equilíbrio contábil, econômico e financeiro é bem simples. Quando a empresa trabalha com
muitos produtos, a obtenção do ponto de equilíbrio torna-se mais complexa.

Para Bruni e Famá (2004), nas situações em que se elabora mais de um produto ou serviço,
a expressão do ponto de equilíbrio em quantidades diferentes de produtos diferentes perde,
em boa parte, seu sentido. A melhor forma de expressá-lo seria pela receita total das
vendas.

Exemplificando, poderíamos apresentar uma empresa que fabrica uma certa quantidade de
produtos, o lucro seria função das margens de contribuição percentuais individuais
multiplicadas pelas quantidades estimadas de vendas em unidades monetárias somadas e,
posteriormente, subtraídas dos gastos fixos. Algebricamente ficaria assim:

Lucro = Margem de Contribuição (%)1 x Vendas ($)1 + Margem de Contribuição (%)2 x


Vendas ($)2 + Margem de Contribuição (%)3 x Vendas ($)3 ............................... Margem
de Contribuição (%)n x Vendas ($)n - CDFs

tem-se que,

Margem de Contribuição (%)1 x Vendas ($)1 + Margem de Contribuição (%)2 x Vendas


($)2 + Margem de Contribuição (%)3 x Vendas ($)3 ............................... Margem de
Contribuição (%)n x Vendas ($)n = CDFs

Substituindo as margens e vendas individuais dos diferentes produtos por valores médios, a
expressão (Margem de Contribuição (%)1 x Vendas ($)1 + Margem de Contribuição (%)2 x

Administração Financeira e Orçamentária II 49


Vendas ($)2 + Margem de Contribuição (%)3 x Vendas ($)3 ............................... Margem de
Contribuição (%)n x Vendas ($)n) pode ser substituída por:
Margem de Contribuição (%)méida x Vendas ($)média = CDFs

Sendo assim, o ponto de equilíbrio em unidades monetárias de vendas seria:

Vendas ($)totais = CDFs ÷ Margem de Contribuição (%)média

Exemplo:

Uma empresa fabrica e vende fardamentos escolares e corporativos. Cada unidade de


fardamento escolar é vendida por $ 38,00, em média, enquanto os fardamentos corporativos
são vendidos pro $ 45,00. Os custos e despesas variáveis unitários são estimados em $
16,00 e $ 20,00, para ambos os produtos, respectivamente. Os custos e despesas fixos
anuais da empresa são estimados em $ 40.000,00 e as participações de vendas dos dois
produtos são estimados em 30% e 70%, respectivamente.

Para encontrar o ponto de equilíbrio contábil, a empresa precisa encontrar a margem de


contribuição média. As margens de contribuição de percentuais para cada um dos dois
produtos podem ser apresentadas como:

 Fardamento escolar: margem de contribuição = ($ 38,00 - $ 16,00) ÷ $ 38,00 =


57,89%;
 Fardamento corporativo: margem de contribuição = ($ 45,00 - $ 20,00) ÷ $ 45,00 =
55,56%.

A margem média resulta da ponderação das margens individuais pela participação de cada
produto nas vendas, ou

Margem média = (57,89% x 30%) + (55,56% x 70%) = 56,26%.

Como a margem de contribuição média encontrada foi 56,26% e os CDFs são iguais a $
40.000,00, o faturamento da empresa no ponto de equilíbrio contábil seria igual a:

Vendas ($) = $ 40.000,00 ÷ 56,26% = $ 71.098,47

Assim, o ponto de equilíbrio poderia ser expresso no volume de vendas em unidades


monetárias, ou $ 71.098,47. O mesmo critério pode ser aplicado para o cálculo do ponto de
equilíbrio econômico e do ponto de equilíbrio financeiro.

Margem de Segurança

A margem de segurança consiste na quantia ou índice das vendas que excedem o ponto de
equilíbrio da empresa. Representa o quanto as vendas podem cair sem que a empresa
incorra em prejuízo, podendo ser expressa em quantidade, valor ou percentual. Pode ser

Administração Financeira e Orçamentária II 50


calculada em quantidade (MSq), em unidades monetárias (MS$) ou em percentual (MS%)
(BRUNI E FAMÁ, 2004). Segundo Crepaldi (2004), a margem de segurança é um
indicador de risco que aponta a quantidade a que as vendas podem cair antes de se ter
prejuízo.

Margem de Segurança em Quantidade (MSq) = Vendas atuais – Ponto de Equilíbrio em


Quantidade

Margem de Segurança em $ (MS$) = MSq x Preço de Venda

Margem de Segurança em % (MS%) = MSq ÷ Vendas atuais

Exemplo:

Uma indústria incorreu em $ 54.000,00 de CDFs. Seu custo e despesas variáveis unitário
foram estimados em $ 4,50, seu preço de venda foi estimado em $ 7,50 e seu volume de
vendas é igual a 25.000 unidades.

Com base nos dados fornecidos, para encontrar a margem de segurança seria preciso,
inicialmente, calcular o ponto de equilíbrio. Aplicando a fórmula, é possível determinar que
o ponto de equilíbrio seria igual a $ 54.000,00 ÷ ($ 7,50 - $ 4,50) = 18.000 unidades.
Como a empresa possui vendas iguais a 25.000 unidades, as margens de segurança em
quantidade, unidades monetárias e percentual são assim respectivamente calculadas:

MSq = 25.000 – 18.000 = 7.000 unidades


MS$ = 7.000 x $ 7,50 = $ 52.500,00
MS% = 7.000 ÷ 25.000 = 28%

Tais valores poderiam ser analisados da seguinte forma: para a empresa entrar na região de
prejuízo, a empresa precisaria perder 7.000 unidades de vendas, se significariam $
52.500,00 em valor monetário que aproximadamente seria 28% das vendas atuais.

EXERCÍCIOS:

Exercício 1

A empresa Rokwater Ltda., fabrica e vende mensalmente 100 unidades de um único


produto. O preço unitário de venda é igual a $ 50,00. Sabe-se que os custos fixos mensais
da empresa são iguais a $ 2.500,00 e os custos variáveis unitários, iguais a $ 20,00. Calcule
os graus de alavancagem da empresa, supondo variações positivas e negativas das vendas
iguais a 20%.

Exercício 2

Em relação ao Exercício 1, calcule:

Administração Financeira e Orçamentária II 51


a) Grau de Alavancagem Operacional;
b) Grau de Alavancagem Financeira;
c) Grau de Alavancagem Combinada.

Exercício 3

Dos Demonstrativos contábeis financeiros da empresa XYZ foram extraídas as seguintes


informações: custos e despesas fixos anuais iguais a $ 30.000,00 e custo e despesas
variáveis igual a $ 32,00 a unidade. Se o preço de venda da empresa é igual a $ 60,00, qual
a quantidade do ponto de equilíbrio contábil da empresa?

Exercício 4

Os custos e despesas fixos mensais da Good Quality são estimados em $ 1.000,00 por mês.
Sabe-se que a margem de contribuição da empresa é aproximadamente igual a 48% do
preço de venda. Qual o valor das vendas no ponto de equilíbrio contábil?

Exercício 5

Alguns gastos anuais da empresa Ceras do Brasil S.A., estão apresentados na tabela
seguinte. Sabe-se que no ano analisado as vendas da empresa foram iguais a 50.000
unidades, comercializadas unitariamente por $ 250,00. Para poder criar e manter a empresa,
os sócios investiram cerca de $ 5.000.000,00, pois desejam remuneração anual próxima a
30%. Com base nos números fornecidos, pode-se para estimar, em quantidades, o ponto de
equilíbrio:

a) Contábil (PEC);
b) Financeiro (PEF); e
c) Econômico (PEE).

Gastos Valor $
Aluguel industrial 480.000,00
Depreciação fabril 560.000,00
Materiais diretos 1.520.000,00
Salário de supervisores (fixos) 120.000,00
Mãode-obra direta 1.640.000,00
Outros custos indiretos fixos 480.000,00

Exercício 6

Uma indústria de alimentos fabrica exclusivamente dois produtos: Biscoitos e Bolachas.


Sabe-se que a empresa tem o ponto de equilíbrio contábil em 1.800 caixas dos biscoitos e
1.400 das bolachas. Sabendo-se que o preço de venda da caixa de biscoito é de $ 80,00
(custo variável a $ 50,00) e o da caixa de bolachas é de $ 90, o custo fixo é igual a $
100.000,00, estime o custo variável unitário das caixas de bolachas.

Administração Financeira e Orçamentária II 52


Exercício 7

Os custos fixos totais da Fábrica de Embalagens S.A., são estimados em $ 40.000,00, e os


variáveis, em $ 6,00 (unidade). Seus produtos são comercializados a $ 16,00 por unidade
para vender entre 8.000 e 12.000 unidades.
Com base nos dados fornecidos, pede-se:

a) calcular o ponto de equilíbrio contábil;


b) calcular o lucro a 8.000 unidades de vendas;
c) calcular o lucro a 12.000 unidades de vendas;
d) o que acontece com o PE contábil, se o custo fixo aumentar em 15%;
e) se o custo unitário variável aumentar em 15%;
f) se o preço de venda unitário aumentar em 15%.

Exercício 8

A seguir, estão apresentados alguns dados da empresa Fármacos do Nordeste Ltda., que no
período analisado vendeu 1.000 kg de fármacos. Pede-se:

a) calcular o ponto de equilíbrio contábil;


b) calcular o PE contábil, supondo que os custos fixos elevem-se em 20%;
c) calcular o PE contábil, supondo que somente os custos variáveis sejam aumentados
em 20%;
d) calcular o PE contábil, supondo que os preços de vendas sejam elevados em 20%.

DRE
(+) Receitas $ 30.000,00
(-) Custos
Fixos $ 8.000,00
Variáveis $ 19.000,00
(=) Lcro Líquido $ 3.000,00

Exercício 9

As empresas Confiança Ltda., e Atiçada S.A., são concorrentes no mercado, e o preço de


seus produtos é igual a $ 20,00 por unidade. A Confiança Ltda., tem custos fixos anuais de
$ 294.000,00, contra $ 520.000,00 da Atiçada S.A. Esta última, em compensação, tem
custos e despesas operacionais variáveis de $ 10,00 por unidade, contra $ 13,00 da
concorrente. As vendas da Confiança são iguais a 50.000 unidades por ano, enquanto as
vendas da concorrente alcançam 57.600 unidades anuais. Existe perspectiva de aumento ou
redução das vendas de ambas as empresas em 10%. Analise comparativamente as duas
empresas em termos de ponto de equilíbrio contábil, grau de alavancagem e margem de
segurança.

Exercício 10

Administração Financeira e Orçamentária II 53


Calcule a margem de segurança em termos percentuais, quantidade e valor da Fábrica de
Brinquedos Brinque e Festa Ltda. Sabe-se que seus custos fixos são iguais a $ 2.000,00;
seus custos variáveis são iguais a $ 0,80 e o preço de venda praticado é igual a $ 1,50.
Suponha vendas iguais a 4.000 unidades.

Exercício 11

A empresa Frango Sadio Ltda., apresenta custos fixos mensais iguais a $ 15.000,00 por
mês. Sabe-se que a empresa costuma comercializar 40.000 kg de frangos por mês, a um
preço de venda igual a $ 1,50 por kg. Os custos variáveis da empresa equivalem a $ 0,80
por kg. Pede-se:

a) qual o ponto de equilíbrio contábil da empresa (em quantidade e em unidades


monetárias)?
b) Quais as margens de segurança da empresa?
c) Se há dois meses o preço de venda do frango era igual a $ 0,94, qual o ponto de
equilíbrio e as margens de segurança da empresa?

Exercício 12

Calcule o GAO, GAF e GAC da empresa Turística do Nordeste Ltda., com base nos dados
fornecidos a seguir. Sabe-se que a empresa possui endividamento de $ 1.800,00, sobre o qal
incide uma taxa de juros de 10% a.m. Suponha variações positivas e negativas de 10% nas
vendas. As vendas mensais da empresa são iguais a 120 unidades a $ 28,00. Os custos fixos
mensais são estimados em $ 560,00 e os custos variáveis alcançam a $ 13,00 por unidade.

Exercício 13

Em relação ao exercício anterior, calcule o ponto de equilíbrio econômico e as margens de


segurança em quantidade, em unidades monetárias e em percentual. Analise a situação
financeira geral da empresa.

ESTUDO DE CASO 1: Companhia de Tecidos Santos

A Companhia de Tecidos Santos é dotada da seguinte estrutura de vendas, custos e


despesas:

Preço de Venda: $ 63,50/metro


Custos e Despesas Variáveis: $ 16,00/metro
Custos e Despesas Fixas: $ 38.000,00/mensais

A capacidade de produção da empresa é de 15.000 metros / mês. O nível atual de operação


pe de 10.000 metros / mês.

Administração Financeira e Orçamentária II 54


Pede-se:

a) Calcular o PE contábil em unidades e em valores monetários;


b) Elaborar o gráfico do PE contábil;
c) Calcular a atual margem de segurança, identificando no gráfico;
d) Calcular o lucro operacional para a atual faixa de produção e vendas;
e) Um aumento de 2.000 metros na atual margem de segurança causará que efeito
sobre o lucro?
f) Se conseguir uma redução de 20% sobre os custos e despesas fixas atuais, o que
acontecerá com a margem de segurança em termos percentuais?;
g) Caso a empresa deseje obter um lucro mensal de $ 21.850,00, quantos metros de
tecido deverão ser produzidos e vendidos por mês para atingir esse montante?;
h) Se a empresa desejar um aumento de 40% sobre seus lucros atuais, quanto deverá
aumentar em quantidade de vendas? (considerar para tanto que não haverá alteração
dos atuais custos e despesas.);
i) Identificar o PEF da Cia. Santos, sabendo-se que do total dos custos e despesas
fixas mensais, $ 11.875,00 representam as depreciações dos equipamentos e
instalações;
j) Caso a Cia., tivesse compromissos fixos mensais, por força de amortização de
financiamentos anteriormente contratados, de $ 5.700,00, qual seria o PEF nessa
circunstância?

ESTUDO DE CASO 2: CIA. Santa Helena S.A.

A CIA Santa Helena S.A., é uma empresa líder no setor de produção de cerâmica. No
exercício encerrado em 31-12-20X1, apresentou os seguintes valores em sua demonstração
de resultados:

Companhia Santa Helena S.A.


Exercício encerrado em 31-12-20X1

(em Reais)
Vendas 16.268.000,00
(-) CPV 12.640.000,00
Resultado Bruto 3.628.000,00
(-) Despesas Vendas e Administrativas 2.120.000,00
Resultado Operacional 1.508.000,00

Os custos fixos de fabricação da empresa correspondem a R$ 5.308.800,00 e as despesas


fixas de vendas e administração representam R$ 1.229.600,00.

A empresa havia produzido e vendido 83.000 unidades durante o ano, abaixo de sua
capacidade total, que é de 100.000 unidades.

Administração Financeira e Orçamentária II 55


Em meados do segundo semestre, recebeu uma proposta para vender 15.000 unidades ao
preço de R$ 123,00 cada, para uma empresa do exterior. Todavia, o gerente de
Contabilidade da Companhia Santa Helena não apoiou o fechamento do negócio por
entender que o preço do pedido não era suficiente para cobrir os custos de produção.

Sabendo-se que o custo variável unitário é de R$ 88,33 e que a despesa variável unitária e
de R$ 10,73.

a) analise os motivos que levaram o gerente a não concordar com a proposta;


b) explique a abordagem mais adequada para subsidiar questões dessa natureza.

ESTUDO DE CASO 3: A Rede de Lojas O Botikário Ltda.

A Rede de Lojas O Botikário apresentava em fins de 2007 sério problema – a rentabilidade


de suas lojas não era satisfatória. Uma das sócias acreditava que uma solução poderia ser
obtida por meio do fechamento de lojas deficitárias.

A empresa operava cinco lojas, localizadas na região metropolitana de Salvador (Camaçari,


Simões Filho Lauro de Freitas, São Sebastião e Candeias, denominadas respectivamente de
A, B, C, D, e E), além de um escritório administrativo central, que funcionava também
como centro de estocagem de mercadorias provenientes de São Paulo para a posterior
distribuição para as lojas. O rateio das despesas do escritório central era feito com base na
área de vendas de cada uma das lojas.

O custo das mercadorias vendidas correspondia, em média, a 40% do preço de venda.


Dados de uma auditoria independente indicaram a impossibilidade de redução dos gastos
atuais da empresa – que já operava de forma muito eficiente. O escritório central possui
capacidade de atendimento de até 10 lojas.

Alguns dados financeiros da empresa estão apresentados na tabela a seguir. Pede-se:


a) qual ou quais lojas deveriam ser fechadas?
b) A decisão de fechamento das lojas melhoraria a situação financeira da empresa?

Item A B C D E Escritório
Energia elétrica 1.500,00 2.200,00 1.800,00 1.250,00 1.400,00 2.400,00
Salários e encargos 4.800,00 5.200,00 5.400,00 5.000,00 6.200,00 9.500,00
Depreciação 500,00 400,00 450,00 300,00 550,00 2.500,00
Aluguel 12.000,00 17.000,00 16.000,00 15.000,00 11.000,00 -
Condomínio 3.600,00 2.000,00 1.600,00 2.800,00 3.100,00 -
Telefone 1.200,00 1.400,00 1.300,00 1.250,00 1.600,00 2.200,00
Faturamento 50.000,00 49.000,00 53.000,00 46.000,00 49.000,00 -
Área de vendas 20,00 30,00 25,00 42,00 36,00 -

Administração Financeira e Orçamentária II 56


ESTUDO DE CASO 4: A Gráfica Quality e Performance Ltda.

A empresa gráfica Quality e Performance Ltda., foi criada em dezembro de 2006. seu único
produto fabricado consiste em cardernos escolares. Alguns de sue s principais dados
financeiros no ano de 2007 estão apresentados na tabela a seguir. De forma inovadora, a
empresa optou por trabalhar no sistema Just in time – não possui estoque nenhum.

Descrição Valor
Seguro da fábrica $ 800,00
Compra de papel $ 30.000,00
Depreciação de máquinas industriais $ 2.500,00
Mão-de-obra fabril e encargos diretos $ 12.000,00
Compra de espirais $ 8.000,00
Salários e encargos fixos de vendedores $ 4.000,00
Energia elétrica da fábrica $ 6.000,00
Mão-de-obra fabril e encargos indiretos fixos $ 10.000,00
Depreciação do prédio da fábrica $ 3.000,00
Manutenção fabril $ 2.500,00
Energia elétrica da administração $ 500,00
Gastos fixos com propaganda $ 1.800,00

Genericamente, os gastos com a mão-de-obra direta são considerados variáveis, os gastos


com a mão-de-obra indireta são considerados fixos. Os gastos com propaganda são,
também, fixos. Gastos com energia são considerados indiretos e variáveis.

Situação 1

Sabendo que em 2007 foram produzidos e vendidos 20.000 cadernos, pode-se para
determinar:

a) Qual o custo direto da empresa?


b) Qual o custo de transformação anual?
c) Qual o custo fabril unitário de cada caderno vendido?
d) Qual o custo integral (gasto total) de cada caderno?
e) Se a empresa desejasse uma margem de lucro liquida igual a $ 1,35, por quanto
deveria vender cada caderno?

Situação 2

Sabendo que o preço praticado pela empresa é igual a $ 5,41 por caderno, encontre e
analise:

a) Qual o ponto de equilíbrio da empresa, em unidades de produtos comercializados?


b) Qual o ponto de equilíbrio em $?
c) Qual a margem de segurança trabalhada pela empresa no ano de 2007?

Administração Financeira e Orçamentária II 57


Situação 3

Supondo que a empresa adquira nova máquina, integralmente automática, que barateie o
gasto de produção variável (em decorrência de menor desperdício de matéria-prima) em
20%, porém aumente os gastos fixos anuais em 5%. Supondo a manutenção de uma
produção anual de 20.000 cadernos, encontre:

a) Qual a nova margem de contribuição da empresa?


b) Qual o novo lucro unitário?
c) Qual o novo ponto de equilíbrio da empresa?
d) A nova aquisição seria valida?

FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA


A determinação do preço de venda é uma questão fundamental para a empresa. Se ela
praticar um preço muito alto inibirá a venda, e se o preço for muito baixo poderá não cobrir
os custos e despesas. Os resultados econômicos e financeiro favoráveis dependem de um
preço de venda adequado. No mercado globalizado, em muitos ramos de negócios, os
preços são impostos pelo mercado, e as empresas precisam se ajustar para acompanhar tais
preços.

Qualquer que seja a abordagem de fixação do preço de venda, dentro das estratégias e
políticas estabelecidas, as empresas analisam diversos aspectos para maximizar o lucro, tais
como análise da elasticidade do preço, aspectos mercadológicos, market share, função
social do produto etc.
Muitos produtos lançados no mercado após sucessivos testes mercadológicos e análises
econômico-financeiras favoráveis não atendem a expectativas iniciais, em razão de muitas
variáveis não consideradas adequadamente ou impossíveis de ser previstas na época do
estudo da viabilidade de fortes concorrentes no mercado, mudanças bruscas das condições
econômicas etc.

Por mais impositivo que seja o preço de mercado, a empresa não deve vender um produto
que gera retorno negativo no longo prazo, a não ser que tenha objetivos estratégicos ou
outras vantagens e interesses.

Formação de preço com base no custo


Tradicionalmente, as empresas calcular o preço de venda mediante a seguinte equação:
preço de venda = custos + despesas + lucro.

A formação de preço baseado nos custos é bastante simples. Uma vez calculado o custo de
produção, sobre ele adicionam-se os impostos, as despesas de comercialização e
administrativas e o lucro desejado.

Administração Financeira e Orçamentária II 58


Formação de preço com base na margem de contribuição

Se a empresa já conhece a MCU do produto, o cálculo do preço final de venda é


relativamente simples. Suponham-se as seguintes premissas para período de um ano:

a) a empresa estima vender 10.000 unidades do produto;


b) os Custos e despesas variáveis são de $ 5,20 por unidade produzida e vendida
(custo = $ 4,30; despesa = $ 0,90);
c) os Custos e despesas fixos identificados para esse volume de produção são de $
36.000, ou seja, $ 3,60 por unidade vendida;
d) a empresa deseja obter lucro de 15% sobre o preço de venda liquido de impostos;
e) as alíquotas de impostos são: 18% de ICMS; 20% de IPI; e 2,65% de PIS/Cofins.

O Preço de Venda Unitário (PVU) pode ser calculado em duas etapas, para melhor
compreensão da forma de inclusão dos impostos no preço.

O Lucro resulta da Receita Líquida deduzida de custos e despesas. Então, temos:

Onde: RLU = CDVU + CDFU + LU

 RLU = receita liquida unitária;


 CDVU = custos e despesas variáveis unitários;
 CDFU = custos e despesas fixos unitários;
 LU = lucro unitário.

RLU = 5,20 + 3,60 + 0,15 RLU


RLU – 0,15 RLU = 5,20 + 3,60
0,85 RLU = 8,80
RLU = $ 10,3529

A RLU é o valor que se iguala à soma dos CDVU, CDFU e LU.

A seguir, calcula-se o PVU, conforme a seguinte equação:

PVU = [RLU ÷ (1 - % ICMS)] x [1 + (% IPI + % PIS/Cofins)]

Onde:

 PVU = preço de venda unitário;


 %ICMS = alíquota do ICMS;
 %IPI = alíquota do IPI;
 %PIS/Cofins = alíquota do PIS/Cofins.

Administração Financeira e Orçamentária II 59


PVU = [$ 10,3529 ÷ (1 – 18%)] x [1 + (20% + 2,65%)]
PVU = $ 12,6255 x 1,2265 = $ 15,4852

A estrutura de preço e mostrado no Quadro 1.

Quadro 1 Estrutura de preço.

Quantidade de vendas Unitário 10.000 %


Receita bruta $ 15,4852 $ 154.852,00 149,57%
(-) IPI + PIS/Cofins (22,65%) 2,8597 28.597,00 27,62%
(=) Base de cálculo dos impostos 12,6255 126.255,00 121,95%
(-) ICMS (18%) 2,27259 22.725,90 21,95%
(=) Receita líquida 10,35291 103.529,10 100,00%
(-) Custos variáveis 4,30 43.000,00 41,53%
(-) Despesas variáveis 0,90 9.000,00 8,69%
(=) Margem de contribuição total 5,1529 51.529,10 49,77%
(-) Custos e despesas fixos totais 3,60 36.000,00 34,77%
(=) Lucro $ 1,5529 $ 15.529,10 15,00%

No exemplo apresentado no Quadro 1, o IPI e a Cofins são calculados “por fora” sobre a
“Base de cálculo dos impostos”, que tem o ICMS incluso. Para obter um lucro de 15%
sobre a Receita líquida, o preço bruto de venda deve ser acrescido em 49,57%, de acordo
com as alíquotas de impostos e estrutura de custos e despesas consideradas.

Nota: As formas de cálculo para inclusão dos tributos no preço foram apresentadas
somente com a finalidade didática. Na pratica, devemos nos certificar da forma correta de
cálculo de cada tributo, bem como das respectivas alíquotas, pois a legislação tributária
sofre constantes alterações.

2.3 O “verdadeiro” lucro embutido no preço de venda


A formação do preço de venda do Quadro 1 foi feita sem considerar o conceito do valor do
dinheiro no tempo. Os recebimentos e pagamentos são diferentes nos prazos e valores, o
que provoca distorções sobre o lucro esperado. Vamos apurar o “verdadeiro” lucro no
Quadro 2, considerando-se o custo do dinheiro, à taxa de 5% a.m., mediante a seguinte
fórmula:

Valor real = valor corrente x (1 + i)(prazo/30)

Quadro 2 Estrutura de preço em valor REAL.

Prazos Valores Valores


(dias) Correntes Reais
$ $
Receita bruta -40 154.852,00 145.099,00

Administração Financeira e Orçamentária II 60


(-) IPI + Pis/Cofins (22,65%) -18 28.597,00 $ 27.771,98
(=) Base de Cálculo do ICMS 126.255,00 117.327,02
(-) ICMS (18%) -10 22.725,90 $ 22.359,29
(=) Receita líquida 103.529,10 94.967,73
(-) Custos variáveis 76 43.000,00 $ 48.657,30
(-) Despesas variáveis -6 9.000,00 $ 8.912,60
(=) Margem de contribuição
total 51.529,10 37.397,82
(-) Custos e despesas fixos 32 36.000,00 $ 37.923,15
(=) Lucro (prejuízo) $ 15.529,10 -$ 525,33

Considerando-se que todos os valores estão expressos em moedas de datas de recebimentos


ou pagamentos, devem ser calculados para uma data focal (que pode ser a data da venda).
No exemplo apresentado, considerou-se que a Receita bruta será recebida 40 dias após as
vendas; o PIS e Cofins serão pagos 18 dias após as vendas; o ICMS será recolhido 10 dias
após as vendas; as Despesas variáveis serão pagas seis dias após as vendas. Esses valores
foram descontados para a data focal (os prazos são “negativos’, pois os valores estão sendo
descontados para a data focal).

Os Custos variáveis e CDFs são pagos antes das vendas, e foram atualizados para a data
focal. Os custos, geralmente, são pagos muito tempo antes das vendas e ficam “estocados”
(os prazos são “positivos”, pois os valores, estão sendo atualizados para a data focal).

O lucro contábil previsto de $ 15.529, na realidade, será um prejuízo de $ 525, se for


considerado o custo do capital, conforme os cálculos demonstrados no Quadro 2.

O lucro “aparente” pode transformar-se em prejuízo, se a formação do preço de venda não


levar em conta o efeito do dinheiro no tempo. Portanto, os cálculos para a determinação do
preço de venda devem ser feitos em valor presente.

EXERCICIOS:

Exercício 1

A Indústria Máquina de Ouro quer saber qual será seu provável preço de venda.
Suponhamos as seguintes premissas para o ano corrente:

 a empresa estima vender 10.000 unidades do produto;


 os Custos e despesas variáveis são de $ 5,50 por unidade produzida e vendida
(custo = $ 4,30; despesa = $ 1,20);
 os Custos e despesas fixos identificados para esse volume de produção são de $
40.000, ou seja, $ 4,00 por unidade vendida;
 a empresa deseja obter lucro de 20% sobre o preço de venda liquido de impostos;
 as alíquotas dos impostos são: PIS/Cofins 2,70%, ICMS igual a 17% e IPI de 5%.

Administração Financeira e Orçamentária II 61


Pede-se:

a) a receita liquida unitária;


b) o preço de venda; e
c) a DRE (demonstrando do lucro desejado respectivo).

Exercício 2

As Fábricas de Espoletas Ltda., quer saber seu preço de venda. Suponha as seguintes
premissas para o ano corrente:

 a empresa estima vender 10.000 unidades do produto;


 os Custos e despesas variáveis são de $ 6,00 por unidade produzida e vendida
(custo = $ 4,80; despesa = $ 1,20);
 os Custos e despesas fixos identificados para esse volume de produção são de $
45.000, ou seja, $ 4,50 por unidade vendida;
 a empresa deseja obter lucro de 15% sobre o preço de venda liquido de impostos;
 as alíquotas dos impostos são: PIS/Cofins 2,50%, ICMS igual a 7% e IPI de 3%.

Pede-se:

a) a receita liquida unitária;


b) o preço de venda; e
c) a DRE (demonstrando do lucro desejado respectivo).

Exercício 3

As Indústrias Alimentícias Quero Mais Ltda., precisam saber qual seu preço de venda para
seu produto. Assim sendo suponha as seguintes premissas para o ano corrente:

 a empresa estima vender 20.000 unidades do produto;


 os Custos e despesas variáveis são de $ 120.000,00 (custos = $ 80.000,00 e despesas
= $ 40.000,00);
 os Custos e despesas fixos identificados para esse volume de produção são de $
90.000,00;
 a empresa deseja obter lucro de 25% sobre o preço de venda liquido de impostos;
 as alíquotas dos impostos são: PIS/Cofins 2,50%, ICMS igual a 17% e IPI de 15%.

Pede-se:

a) a receita liquida unitária;


b) o preço de venda; e
c) a DRE (demonstrando do lucro desejado respectivo).

Exercício 4

Administração Financeira e Orçamentária II 62


Em relação ao exercício 1, a empresa deseja saber seu verdadeiro lucro embutido no preço
de venda. Assim sendo considere os seguintes prazos de recebimento e pagamento:

 a Receita bruta será recebida 40 dias após as vendas;


 o PIS e Cofins serão pagos 20 dias após as vendas;
 o ICMS será recolhido 10 dias após as vendas;
 as Despesas variáveis serão pagas seis dias após as vendas;
 os Custos variáveis e CDFs são pagos antes das vendas (80 e 30 dias
respectivamente);
 taxa = 5% am.

Pede-se para calcular:

O valor REAL da:


o Receita bruta;
o PIS e Cofins;
o ICMS;
o Despesas variáveis;
o Custos variáveis;
o CDFs; e
o DRE (valor futuro).

Exercício 5

Em relação ao exercício 2, a empresa deseja saber seu verdadeiro lucro embutido no preço
de venda. Assim sendo considere os seguintes prazos de recebimento e pagamento:

 a Receita bruta será recebida 30 dias após as vendas;


 o PIS e Cofins serão pagos 20 dias após as vendas;
 o ICMS será recolhido 8 dias após as vendas;
 as Despesas variáveis serão pagas 10 dias após as vendas;
 os Custos variáveis e CDFs são pagos antes das vendas (70 e 30 dias
respectivamente);
 taxa = 6% am.

Pede-se para calcular:

O valor REAL da:


o Receita bruta;
o PIS e Cofins;
o ICMS;
o Despesas variáveis;
o Custos variáveis;

Administração Financeira e Orçamentária II 63


o CDFs; e
o DRE (valor futuro).

Exercício 6

Em relação ao exercício 3, a empresa deseja saber seu verdadeiro lucro embutido no preço
de venda. Assim sendo considere os seguintes prazos de recebimento e pagamento:

 a Receita bruta será recebida 50 dias após as vendas;


 o PIS e Cofins serão pagos 15 dias após as vendas;
 o ICMS será recolhido 10 dias após as vendas;
 as Despesas variáveis serão pagas 12 dias após as vendas;
 os Custos variáveis e CDFs são pagos antes das vendas (76 e 35 dias
respectivamente);
 taxa 5,5% am.

Pede-se para calcular:

O valor REAL da:


o Receita bruta;
o PIS e Cofins;
o ICMS;
o Despesas variáveis;
o Custos variáveis;
o CDFs; e
o DRE (valor futuro).

Exercício 7

As Indústrias Pira-Pirou Ltda., gostariam de vender seus produtos com uma margem de
lucro (lucro desejado) igual a 10%. Sabe-se que seu custo variável da empresa é igual a $
54,00 por unidade, as despesas variáveis estão em torno de $ 10.000,00 no total, seus custos
e despesas fixas são 50% a mais que os custos variáveis. Os impostos que incidem na venda
são:

o ICMS = 17%; IPI = 15% e PIS/Cofins = 3%

Com base nessas informações e sabendo, pede-se:

Obs.: foram produzidas e comercializadas 10.000 unidades

a) a receita liquida unitária;


b) o preço de venda; e
c) a DRE (demonstrando do lucro desejado respectivo).

Administração Financeira e Orçamentária II 64


Exercício 8

Em relação ao exercício anterior, a empresa deseja saber seu verdadeiro lucro embutido no
preço de venda. Assim sendo considere os seguintes prazos de recebimento e pagamento:

 a Receita bruta será recebida 55 dias após as vendas;


 o PIS e Cofins serão pagos 20 dias após as vendas;
 o ICMS será recolhido 10 dias após as vendas;
 as Despesas variáveis serão pagas 15 dias após as vendas;
 os Custos variáveis e CDFs são pagos antes das vendas (76 e 40 dias
respectivamente);
 taxa 7% am.

Pede-se para calcular:

O valor REAL da:


a. Receita bruta;
b. PIS e Cofins;
c. ICMS;
d. Despesas variáveis;
e. Custos variáveis;
f. CDFs; e
g. DRE (valor futuro).

Exercício 9

Os administradores da Indústria Cofag, produtora de amortecedores para veículos pesados,


têm um Capital Integralizado no valor de $ 3.333.333,33 e tem como meta um lucro de $
2.000.000 por ano sobre o capital integralizado. A empresa possui uma capacidade prática
pra produzir até 58.000 unidades por ano, mas vem conseguindo efetuar cerca de 90% da
produção total.
Seus custos e despesas variáveis são os seguintes (em $):
Matéria-prima (por unidade) 110,00
Embalagem (por unidade) 28,00
Mão-de-obra direta (por ano) 300.000,00
Comissões sobre vendas (por mês) 12.000,00
Seus custos e despesas fixas, por ano, são (em $):

Supervisão da fábrica 100.000,00


Depreciação de máquinas da produção 900.000,00
Despesas de administração geral 200.000,00

Os impostos que a Indústria costuma recolher são: ICMS, IPI e PIS/Cofins com suas
respectivas alíquotas, 12%, 15% e 3,70%.

Administração Financeira e Orçamentária II 65


Com base nessas informações e sabendo que os prazos de recebimento e pagamento, são:

 a Receita bruta será recebida 60 dias após as vendas;


 o PIS e Cofins serão pagos 30 dias após as vendas;
 o ICMS será recolhido 20 dias após as vendas;
 as Despesas variáveis serão pagas 25 dias após as vendas;
 os Custos variáveis e CDFs são pagos antes das vendas (76 e 40 dias
respectivamente);
 taxa 4% am.

Pede-se para calcular:

O valor corrente e REAL da:


a. Receita bruta;
b. PIS e Cofins;
c. ICMS;
d. Despesas variáveis;
e. Custos variáveis;
f. CDFs; e
g. DRE (valor corrente e futuro).

ESTUDO DE CASO 1: Restaurante Aquilo Delícias.

Após a expansão da cidade em direção ao litoral norte, criou-se considerável demanda por
restaurantes na região.

Visando atender a essa potencial clientela, Petros Andrade, ex-executivo de um importante


grupo europeu, resolveu aplicar suas economias na construção de um moderno e eficiente
restaurante de comida por quilo: o Aquilo Delicias.

Os investimentos orçados para o restaurante podem ser vistos na tabela seguinte:

Item Valor ($)


Compra do imóvel 100.000,00
Reforma e adequação do imóvel 40.000,00
Compra de máquinas 28.000,00
Compra de móveis e utensílios 22.000,00
Investimento em capital de giro 10.000,00

Os gestores desejam obter por mês uma margem de lucro (lucro desejado) de 10% sobre os
investimentos.

Administração Financeira e Orçamentária II 66


Estima-se que a depreciação do prédio ocorrerá em 20 anos e a dos moveis, maquinas e
utensílios, em 10 anos. A empresa é isenta de Imposto de Renda.

O restaurante deverá ser operado com nove funcionários (produção) e três funcionários dos
setores administrativo, de acordo com a relação apresentada a seguir. Os encargos e
provisões sobre o salário-basse alcançam 126%.

Relação de funcionários:

Funcionário Quantidade Salário-base mês


Cozinheiro 02 $ 400,00
Copeiro 01 $ 300,00
Garçons 04 $ 280,00
Ajudantes Gerais 02 $ 250,00
Gerente Financeiro 01 $ 1.000,00
Auxiliar administrativo 02 $ 380,00

Materiais consumidos mensalmente:

Item Consumo (kg) Preço médio (kg)


Carnes 1.800 8,00
Cereais 2.100 6,00
Verduras 1.300 5,00
Frutas 800 4,50
Temperos 90 3,00
Diversos 20 18,00

Além dos gastos já mencionados, a empresa estima os custos e despesas fixas, descritos
como:

Descrição Valor mensal


Serviços externos de segurança 800,00
Energia elétrica 260,00
IPTU 180,00
Contador 300,00
Total 1.540,00

A empresa recolhe ICMS com alíquota igual a 12% sobre o preço de venda, já considerados
os eventuais créditos fiscais. Despreze o imposto de renda nos cálculos.

Sabendo que deverão ser comercializados 6.000 kg por mês, estime qual deve ser o preço
mínimo cobrado pelo kg da refeição, de forma a remunerar competitivamente os recursos
colocados na empresa.

Administração Financeira e Orçamentária II 67


ESTUDO DE CASO 2: Empresa de Fármacos _ Kenion

A Kenion, empresa de fármacos, através de seus gestores, decidiram expandir seus


negócios, para conseguir crescer em seu mercado (ramo de atividade) e conseqüentemente
obter maior faturamento e rentabilidade, assim sendo, obteve os seguintes gastos:

INVESTIMENTOS

Descrição Valor ($)


aquisição de maquinas e equipamentos para a produção 80.000,00
aquisição de computadores e softwares 30.000,00
compra de veiculos para a produção 60.000,00
compra de móveis e utensilios 15.000,00
Investimento em capital de giro 50.000,00
As taxas de depreciação de maquinas e equipamentos / móveis e utensílios são de 10% ao
ano, e as de veículos, são de 20% ao ano.

Os gestores desejam obter um lucro de 18.000% ao ano.

A empresa Kenion, opera com 100 funcionários, ou seja:

funcionários quantidade salario-base mês


linha de produção 80 500 média salarial
supervisores 5 800
administrativo 10 750
vendas 5 850

Obs.: os encargos e provisões sobre o salário-base alcançam 130%.

O consumo de gastos diretos estão apresentados na tabela abaixo:


descrição consumo (Kg) preço médio (kg)
matéria-prima 40.000 6,00
insumos 8.000 10,00
combustiveis 50.000 2,50
solventes 10.000 7,50
embalagens 5.000 0,50

O consumo de outros custos e despesas fixos estão apresentados na tabela abaixo:


descrição valor mensal
energia eletrica 40.000
seguros da fabrica 8.000
manutenção de maquinas 50.000
limpeza e conservação 10.000

A empresa recolhe ICMS, IPI e PIS/Cofins, com alíquotas de 12%, 15% e 3,65%,
respectivamente.

Administração Financeira e Orçamentária II 68


Sabendo que deverão ser vendidos 500 kg por mês, estime qual deve ser o preço de venda
por mês, mínimo cobrado pelo kg dos produtos fabricados, de forma a alavancar os
recursos investidos na empresa.

Exercício 12

Em relação ao Estudo de Caso 2, a empresa deseja saber seu verdadeiro lucro embutido no
preço de venda. Assim sendo considere os seguintes prazos de recebimento e pagamento:

 a Receita bruta será recebida 70 dias após as vendas;


 o PIS e Cofins serão pagos 20 dias após as vendas;
 o ICMS será recolhido 15 dias após as vendas;
 as Despesas variáveis serão pagas 15 dias após as vendas;
 os Custos variáveis e CDFs são pagos antes das vendas (60 e 30 dias
respectivamente);
 taxa de 60% aa.

Pede-se para calcular:


O valor REAL da:
a. Receita bruta;
b. PIS e Cofins;
c. ICMS;
d. Despesas variáveis;
e. Custos variáveis;
f. CDFs; e
g. DRE (valor futuro).

ESTUDO DE CASO 3: A Oficina Mecânica dos Ônibus Seguros Ltda.

A empresa Transportadora Ônibus Seguros Ltda., consiste na principal operadora de


transporte urbano, intermunicipal e interestadual de uma grande cidade do Sudeste do país.
Sua frota consta, atualmente, de mais de 4.000 ônibus que, periodicamente, precisam ser
revisados e ajustados.

Com o objetivo de melhorar os serviços mecânicos da empresa, a direção optou por abrir
uma nova filial, destinada exclusivamente às atividades de revisão. No inicio do ano de
2001, a empresa Oficina Mecânica dos Ônibus Seguros Ltda., foi aberta.

Os gastos incorridos durante todo o ano inicial estão apresentados na tabela seguinte:

Itens Valor
Compra de equipamentos mecânicos para as revisões 1.500.000,00
Gastos com a aquisição de móveis e computadores para a área 50.000,00
administrativa da nova empresa

Administração Financeira e Orçamentária II 69


Gastos com a construção do prédio da oficina mecânica 4.000.000,00
Salários e encargos do pessoal administrativo da nova empresa 100.000,00
Aquisição de suprimentos para as revisões (80% foram consumidos) 600.000,00
Salários e encargos de mecânicos 400.000,00
Outros custos fixos da oficina 200.000,00

Os equipamentos da oficina e da área administrativa deverão ser depreciados em dez anos.


O prédio é quase integralmente utilizado pela área de revisões da oficina e deve ser
depreciado segundo a sua vida útil, estimada em 20 anos.

No período analisado, foram feitas 5.000 revisões mecânicas, com características bastante
similares.

A empresa pretende obter um lucro de R$ 30.000,00 por ano.

A empresa recolhe ICMS com alíquota igual a 12% sobre o preço de venda, já considerados
os eventuais créditos fiscais. Despreze o imposto de renda nos cálculos.

Pede-se:

a) Qual o preço estimado das revisões por mês?

Exercício 13

Em relação ao Estudo de Caso 3, a empresa deseja saber seu verdadeiro lucro embutido no
preço de venda. Assim sendo considere os seguintes prazos de recebimento e pagamento:

 a Receita bruta será recebida 76 dias após as vendas;


 o ICMS será recolhido 10 dias após as vendas;
 as Despesas variáveis serão pagas 15 dias após as vendas;
 os Custos variáveis e CDFs são pagos antes das vendas (70 e 30 dias
respectivamente);
 taxa de 60% aa.

Pede-se para calcular:


O valor REAL da:
a. Receita bruta;
b. ICMS;
c. Despesas variáveis;
d. Custos variáveis;
e. CDFs; e
f. DRE (valor futuro).

Administração Financeira e Orçamentária II 70


REFERÊNCIAS

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fundamentos. São Paulo: Atlas, 2004.
BERTI, Anélio. Contabilidade e análise de custos. Curitiba: Juruá, 2007.
BRUNI, Adriano Leal. Administração de custos, preços e lucros. São Paulo: Atlas, 2006.
BRUNI, Adriano Leal; FAMÁ Rubens. Gestão de Custos e Formação de Preços. São
Paulo: Atlas, 2004.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade Gerencial: teoria e pratica, São Paulo: Atlas,
2004.
FIGUEIREDO, Sandra e CAGGIANO, Paulo César. Controladoria: teoria e prática. São
Paulo: Atlas, 2006.
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2007.
HOJI, Masakazu. Administração Financeira: uma abordagem prática. São Paulo: Atlas,
2004.
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São Paulo: Atlas, 1997.
NASCIMENTO, Auster Moreira e REGINATO, Luciane. Controladoria: um enfoque na
eficácia organizacional. São Paulo: Atlas, 2006.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade Gerencial: um enfoque em sistema de informação
contábil. São Paulo: Atlas, 2004.
ROSS, Stephen A; WESTERFIELD, Randolph W; JORDAN, Bradford D. Princípios de
Administração Financeira. São Paulo: Atlas, 2002.
SAVYTZKY, Taras. Análise de balanços: método prático. Curitiba: Juruá, 2006.
VIEIRA, Marcos Villela. Administração estratégica do capital de giro. São Paulo: Atlas,
2005.

Administração Financeira e Orçamentária II 71