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CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

FPV Disciplina: FPV Formação de Preços de


Vendas
Instituto de Ciências Sociais Prof.: ELYSEO CICERO DOS SANTOS
Material
e Comunicação
Campus Paraíso Pg 17 a 21

IMPOSTOS INCIDENTES SOBRE AS COMPRAS

Devem ser excluídos dos valores dos materiais adquiridos os valores dos impostos que forem recuperáveis
pro ocasião da venda dos produtos fabricados com esses materiais.

Por outro lado, devem integrar o custo de aquisição os valores dos impostos e taxas que incidirem sobre as
compras dos materiais cujos impostos e taxas não sejam recuperáveis no momento da venda dos produtos
com eles fabricados.Esses impostos e taxas mais comuns são: ICMS, IPI, Imposto de |Importação, Taxas
Alfandegárias etc..

ICMS

O ICMS ( Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre as Prestações de


Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ) é um imposto de competência
estadual incidente sobre a circulação de mercadorias e sobre prestação de alguns serviços como o
fornecimento de energia elétrica, transporte e comunicações.

É considerado por dentro, porque o seu valor está incluído no valor das mercadorias.

O ICMS é calculado mediante a aplicação de uma alíquota (porcentagem) sobre o valor das mercadorias e
dos serviços. Essa porcentagem pode variar de acordo com sua origem e destinação.Nas operações
realizadas dentro do Estado de São Paulo, a alíquota atualmente é de 18%.

O ICMS é considerado imposto não cumulativo, isso significa que o valor do imposto pago em uma
operação é compensado do valor do imposto a pagar na operação subseqüente.

Nos casos em que a empresa industrial pode compensar o valor do ICMS pago na compra dos materiais
aplicados na produção, o valor desse imposto deve ser excluído do valor total da Nota Fiscal.

Para atender a essa exigência fiscal, existem várias maneiras de se contabilizar o referido imposto, veja
uma delas:

Suponhamos que uma determinada empresa industrial compre matérias primas por RA$ 1.000,00 como
ICMS de R$ 180,00. Havendo incidência do ICMS na saída do produto fabricado com essas matérias
primas, o custo das compras será registrado por R$ 820,00, debitando a conta Estoque de Matérias Primas.
Os R$ 180,00 referentes ao ICMS serão registrados em uma conta apropriada , ICMS a Recuperar do Ativo
Circulante.

Agindo dessa maneira, as matérias primas em estoque estarão sendo registradas pelo valor líquido, ou seja,
pelo valor da Nota Fiscal excluído do valor do ICMS em cada compra.
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Por outro lado, quando a empresa industrial vende os seus produtos como incidência do ICMS, o valor da
venda constante da Nota Fiscal é registrado integralmente a crédito da conta Venda de Produtos. O ICMS
incidente na respectiva venda, incluído no seu valor, é lançado separadamente, debitando-se uma conta de
despesas (utilizaremos a conta ICMS sobre Vendas) e creditando-se a mesma conta utilizada por ocasião
da compra (ICMS a Recuperar). Veja melhor:

Na compra, o valor do ICMS representa Direito para a empresa, por isso debita-se a conta ICMS a
Recuperar ; na venda, o valor do ICMS representa Obrigação, por isso é registrado a crédito da conta
ICMS a Recuperar .

No último dia de cada mês, apura-se o saldo da conta ICMS a Recuperar. Se esse saldo for credor
(Obrigação), significa que a empresa terá que recolher (pagar) o referido valor aos cofres do governo do
estado nos primeiros dias do mês seguinte; caso o saldo seja devedor (Direito) não haverá recolhimento a
ser efetuado, pois representa Direito da empresa para com o governo do estado.

Essa apuração deverá coincidir com os registros fiscais contidos nos livros Registros de Entradas de
Mercadorias, e Registro de Saídas de Mercadorias e Registro de Apuração do ICMS.

Outro exemplo (com os lançamentos contábeis):

Compra a prazo de Matéria Prima R$ 500,00 com 18% de ICM incluso.

Débito: Estoque de Matéria Prima R$ 410,00

Débito: ICMS a Recuperar R$ 90,00

Crédito: Fornecedores R$ 500,00

Venda a prazo de Produtos Acabados, com 18% de ICMS incluso.

Débito: Clientes R$ 1.200,00

Crédito: Venda de Produtos R$ 1.200,00

Lançamento do ICMS.

Débito: ICMS sobre Vendas R$ 216,00

Crédito: ICMS a Recuperar R$ 216,00

Saldo final do ICMS.

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Considerando-se que a empresa tenha efetuado durante o mês apenas essas duas operações, no último dia
do mês a conta ICMS a Recuperar apresentaria um saldo credor de R$ 126,00, que seria transferido para o
Passivo Circulante, conta de ICMS a Recolher, com o seguinte lançamento:

Débito: ICMS a Recuperar R$ 126,00

Crédito: ICMS a Recolher R$ 126,00

Como o saldo da conta ICMS a Recolher é credor, a empresa terá de recolher essa importância ao governo
estadual nos primeiros dias do mês seguinte.

Quando o saldo da conta ICMS a Recuperar for devedor, não haverá procedimento contábil a ser efetuado
porque a referida conta sendo do Ativo Circulante e apresentando saldo devedor, corresponde a Direito da
empresa, e esse saldo automaticamente passará para o mês seguinte.

IPI

O IPI (Imposto dobre Produtos Industrializados) é um imposto de competência federal exigido das
empresas industriais. É considerado imposto por fora, pois seu cálculo é feito sobre o valor dos produtos ao
qual é adicionado.

O IPI é calculado mediante aplicação de uma alíquota sobre o valor dos produtos. Essa alíquota varia em
função do tipo do produto.

O IPI não incide sobre todos os produtos e é, também, considerado imposto não cumulativo, pois o valor
do imposto pago na compra de matérias primas ou de outros materiais aplicados na produção é
compensado do imposto a pagar das operações subseqüentes de vendas de materiais ou de produtos.

Em situação normal, a empresa paga IPI na compra de seus materiais e também tem seus produtos
tributados. Nesse caso, funciona ela como simples intermediaria entre o pagador final do imposto e o
Governo Federal. Não possui ela nenhuma receita quando cobra IPI de seu cliente, como também não tem
nenhuma despesa ou custo quando paga o encargo a seu fornecedor.

Ao saldar sua dívida para com o fornecedor, paga-lhe, por exemplo, R$ 1.000.000,00 pela matéria-prima
adquirida mais R$ 100.000,00 pelo IPI de 10% incidente nessa operação. Ao utilizar o material para
produzir um bem qualquer e vendê-lo, digamos, por R$ 1.800.000,00 acaba por cobrar de seu cliente R$
1.980.00 (R$ 1.800.000 mais R$ 180.000, supondo alíquota igual à da entrada).

Por já haver pago R$ 100.000,00 de imposto na compra, ou seja, haver feito um adiantamento por conta
do que iria cobrar futuramente, ao receber os R$ 180.000,00 de seu cliente. considera R$ 100.000,00 como
devolução do adiantamento feito, e R$ 80.000,00 como dívida à União; ao receber este último montante,
(do cliente), tem a simples liquidação de uma dívida como outra qualquer (o pagamento dos R$ 80.000,00
à Receita Federal).

Nem os R$ 180.000 fazem parte de sua receita nem os $80.000 e os $100.000 são despesa ou incorporam o
custo do produto elaborado. A contabilização poderia ser:

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Pela Compra

a) Débito: Matéria-prima R$ 1.000.000

Débito: IPI R$ 100.000

Crédito: Fornecedores R$1.100.000

Pela utilização da matéria-prima para elaboração do produto

b) Débito: Produtos Acabados R$ 1.000.000

Crédito: Matéria-prima R$ 1.000.000

(omitidosos lançamentos intermediários de produção em processamento e dos custos dos outros fatores
de produção).

Pela Venda dos Produtos

c) Débito: Clientes R$ 1.980.000

Crédito: Vendas R$ 1.800.000

Crédito : IPI R$ 180.000

Fazer razonetes

A conta IPI, enquanto tinha saldo devedor, representava o Direito pelo adiantamento feito pela
empresa e era conta de Ativo; ao passar a saldo credor, passa a representar a dívida à União e torna-se
conta de Passivo, Obrigação. Ao ser feito o recolhimento dos R$ 80.000,00, haverá um débito a essa
conta, que terá então anulado o seu saldo.

Existe uma alternativa de lançamento contábil que seria:

Débito: Clientes R$ 1.980.000

Crédito: Vendas Brutas R$ 1.980.. E,

Débito: IPI Faturado nas Vendas R$ 180.000

Crédito IPI R$ 180.000

No final do período, a conta IPI Faturado nas Vendas será jogada contra Vendas Brutas e se obterá o valor
líquido de impostos das Vendas, que são sua verdadeira receita. Nada é de fato alterado como relação ao
procedimento anterior.

(Obs.: Não efetuamos os lançamentos dos demais custos de produção nem a baixa dos produtos vendidos,
por estarmos com a atenção presa ao problema do IPI)
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Poderia existir outra hipótese em que a indústria pagasse o IPI nas compras de seus materiais, mas que, por
força de uma disposição legal específica não tivesse o direito de ressarcimento desse encargo quando da
venda do produto; é o caso das exportações, quando a empresa, além de não ter IPI incidindo sobre a
venda, recebe às vezes um direito de recuperação do IPI pago sobre os materiais utilizados na produção de
seus bens exportados. Nesse caso, contabiliza como anteriormente visto. E a conta IPI, com saldo agora só
devedor, representa um Direito que poderá ser usado para pagamento de outros impostos federais ou
mesmo de fornecedores, funcionando como se fosse um título qualquer.

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