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Contabilidade Gerencial

Profº. Ulisses

1. Conceito Contabilidade Gerencial


A Contabilidade Gerencial está voltada única e exclusivamente para a administração da
empresa, procurando suprir informações que se “encaixem” de maneira válida e efetiva no
modelo decisório do administrador. Engloba outros campos de conhecimento além da
contabilidade como administração da produção, estrutura organizacional, administração
financeira, planejamento e outros.

PASSADO PRESENTE FUTURO

Acúmulo Tomada
de de Objetivo
Informações Decisão

Avaliação e Controle

Informação: representa para quem recebe uma comunicação que pode produzir reação
ou decisão.
As demonstrações financeiras da Contabilidade fornecem os dados (números ou
descrição de objetos ou eventos) que após serem analisados “interpretados” geram a
informação para tomada de decisão.
Os relatórios contábeis obrigatórios pela Lei das SAs são:
• Balanço Patrimonial
• Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
• Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
• Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos (desobrigado pela Lei
11.638/07)
• Demonstração de Fluxo de Caixa (obrigatoriedade instituída pela Lei 11.638/07)
• Demonstração do Valor Adicionado (obrigatoriedade instituída pela Lei 11.638/07
somente para as S.A)
Tomar uma decisão em cima de um Balanço Patrimonial ou Demonstração de Resultado
sem “codifica-las” com certeza poderá incorrer no erro, uma vez que uma empresa com
prejuízo pode estar sendo lucrativa (gerando retorno) e pronta para alcançar resultados
muito satisfatório no curto prazo. Isto pode ocorrer em uma empresa que está em fase de
investimento (nova tecnologia, linha produção, expansão) visando alcançar nova fatia do
mercado e superar seus concorrentes.
Este é o campo de atuação da Contabilidade Gerencial, “codificar” os dados das
demonstrações financeiras para gerar informações para decisão que conjuntamente com
o planejamento e controle, alcança o resultado.
Podemos identificar na Contabilidade Gerencial os seguintes processos:
• Orçamento anual (Planejamento)
• Desempenho (Controle de Execução do Planejamento)
• Decisões
• Gerar Resultados
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Decisões

Escolha Comparação Diagnóstico


de com ou Decisão
Indicadores padrões Conclusões

Análise

Processo de tomada de decisão


Fonte: Matarazzo, Dante C. Análise Financeira de Balanços. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2003

Avaliação de Desempenho = Análise das Demonstrações Contábeis


São seus usuários: Fornecedores, Clientes, Bancos Comerciais, Bancos de Investimento,
Concorrentes, Dirigentes, Governo, etc.
Técnicas de Análise:
• Análise Através de Índices
• Análise Vertical e Horizontal
• Análise de Capital de Giro e Prazos Médios
• Análise de Rentabilidade
• Análise de Fluxo de Caixa

Padronização das Demonstrações Financeiras


As demonstrações financeiras das empresas se apresentam com títulos de contas
bastante diferentes, porque não existe um plano de contas padrões, assim cada empresa
adapta à sua necessidade. Exceção para as demonstrações de instituições financeiras.
Deste modo antes de se iniciar qualquer análise torna-se necessário examinar
detalhadamente as demonstrações financeiras, consultando: parecer dos auditores, notas
explicativas, manual de contas e até mesmo solicitar informações para a empresa em
análise.
A Padronização das demonstrações financeiras ajuda neste processo permitindo:
• Simplificação
• Comparabilidade
• Adequação aos objetivos de análise
• Precisão nas classificações de contas
• Descobertas de erros
• “Intimidade” do analista com as demonstrações financeiras da empresa
Para facilitar o nosso processo de análise vamos utilizar o modelo de padronização
sugerido pó Dante C. Matarazzo (2003) que tem como principais características:
• O ativo representa apenas as contas essenciais
• O passivo circulante é divido em Operacional e Financeiro, sendo que as
“Duplicatas Descontadas” fazem parte deste último.
• No lado do Passivo, acha-se um subtotal representado por Capitais de Terceiros
(Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo)
• No Patrimônio Líquido aparecem apenas o “Capital Social” já deduzido de
eventuais “Capital a Realizar” e somado às “Reservas”
• A Demonstração de Resultados evidencia apenas os valores fundamentais para
análise.
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• A Receita Líquida de Vendas está deduzida das “Devoluções e Abatimentos” e
“Impostos”.

Análise Através de Índices


Índice é a relação entre contas ou grupo de contas das Demonstrações financeiras, que
via evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma
empresa.

ESTRUTURA

SITUAÇÃO FINANCEIRA

LIQUIDEZ

SITUAÇÃO ECONÔMICA RENTABILIDADE

Situação Financeira: refere-se a dinheiro.

Situação Econômica: refere-se ao lucro.


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SÍMBOLO ÍNDICE FÓRMULA INDICA INTERPRETAÇÃO


Estrutura de Capital
1. CT/PL • Participação de Capital CapitalTerceiros Quanto a empresa tomou de capitais de terceiros Quanto menor, melhor.
de Terceiros × 100 para cada $ 100 de capital próprio
(Endividamento) PatrimônioLíquido
2. PC/CT • Composição do PassivoCirculante Qual o percentual de obrigações a curto prazo em Quanto menor, melhor.
Endividamento × 100 relação às obrigações totais.
CapitaisTerceiros
3. AP/PL • Imobilização do AtivoPermanente Quantos reais a empresa aplicou no Ativo Quanto menor, melhor.
Patrimônio Líquido × 100 Permanente para cada $ 100 de Patrimônio
PatrimônioLíquido Líquido

4. • Imobilização dos AtivoPermanente Que percentual dos Recursos não Correntes Quanto menor, melhor.
AP/PL+ELP Recursos não Correntes × 100 (Patrimônio Líquido e Exigível a Longo Prazo) foi
PatrimônioLíquido + ExigívelLongo Pr azo destinado ao Ativo Permanente
Liquidez
5. LG • Liquidez Geral AtivoCirculante + Re alizávelLongo Pr azo Quanto a empresa possui de Ativo Circulante + Quanto maior, melhor.
Realizável a Longo Prazo para cada $ 1 de dívida
PassivoCirculante + ExigívelLongo Pr azo total.

6. LC • Liquidez Corrente AtivoCirculante Quanto a empresa possui de Ativo Circulante para Quanto maior, melhor.
cada $ 1 de Passivo Circulante.
PassivoCirculante
7. LS • Liquidez Seca Disponíuvel + Titulos Re ceber + Outros Quanto a empresa possui de Ativo Líquido para Quanto maior, melhor.
cada $ 1 de Passivo Circulante
AtivosRápidaConversibilidade
PassivoCirculante
Rentabilidade (ou
Resultados)
8. V/AT • Giro do Ativo VendasLíquidas Quanto a empresa vendeu para cada $ 1 de Quanto maior, melhor.
investimento total
Ativo
9. LL/V • Margem Líquida LucroLíquido Quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 Quanto maior, melhor.
× 100 vendidos
VendasLíquidas
10. LL/AT • Rentabilidade do Ativo LucroLíquido Quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 Quanto maior, melhor.
× 100 de investimento total
Ativo
11. LL/PL • Rentabilidade do LucroLíquido Quanto a empresa obtém de lucro para casa $ 100 Quanto maior, melhor.
Patrimônio Líquido × 100 de capital próprio investido, em média, no exercício
PatrimônioLíquidoMédio
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1. Estrutura de Capitais: os índices desse grupo mostram as grandes linhas de decisões
financeiras, em termos de obtenção e aplicação de recursos.

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO PASSIVO (terceiros) e


PATRIMÔNIO LÍQUIDO
(próprio)

Aplicações Origens

1.1 Participação de Capitais de Terceiros


CapitalTerceiros
Fórmula: × 100
PatrimônioLíquido
Indica: quanto a empresa tomou de capitais de terceiros para cada $ 100 de
capital próprio
Interpretação: quanto menor, melhor.

O índice de Participação de Capitais de Terceiros ou índice de Grau de


Endividamento deve ser interpretado do ponto de vista financeiro, do risco de
insolvência. Quanto maior for à participação de capitais de terceiros menor será a
liberdade de decisões financeiras da empresa, uma vez que se encontrará
dependente destes terceiros.

Do ponto de vista econômico, obtenção de lucro, se os capitais de terceiros


tiverem uma remuneração menor do que o lucro conseguido com a sua aplicação
nos negócios será então vantajoso para a empresa.

Algumas variáveis importantes na definição da capacidade de endividamento:


• Geração de recursos: para amortizar as dívidas, ou seja, os recursos de
terceiros estão sendo investidos no Ativo Circulante e gerando resultados,
como por exemplo, aquisição de mercadorias em volumes maiores com
menor custo seguido de uma promoção de vendas eficiente irá gerar lucro
que vai permitir amortizar as dívidas.
• Liquidez: efeito menor se a empresa toma recursos e investe no seu giro
comercial e dispõe de um bom capital próprio investido no Circulante, caso
a empresa venha imobilizar os recursos tomados de terceiros a liquidez
tende a ser afetada, aumento o risco de insolvência.
• Renovação: “dívida não se paga, administra-se”, a empresa que consegue
sucesso em renovar as dívidas vencidas, não terá problemas de
insolvência, desde que esteja obtendo resultado maior do que a
remuneração destas dívidas.
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1.2. Composição do Endividamento


PassivoCirculante
Fórmula: × 100
CapitaisTerceiros
Indica: qual o percentual de obrigações de curto prazo em relação às obrigações
totais.
Interpretação: quanto menor, melhor.
Qual o percentual das dívidas de curto e longo prazo é o resultado de índice. Será
preferível um maior percentual de longo prazo pois a empresa poderá dispor de
tempo para gerar recursos (normalmente lucro+depreciação) para pagar estas
dívidas.
Curto Prazo
%
100% Capitais de Terceiros
Ativo
Circulante Longo Prazo
%

Ativo
Permanente Patrimônio
Líquido

1.3. Imobilização do Patrimônio Líquido


AtivoPermanente
Fórmula: × 100
PatrimônioLíquido
Indica: quanto a empresa aplicou no Ativo Permanente para cada $ 100 de
Patrimônio Líquido.
Interpretação: quanto menor, melhor.
Através deste índice é possível calcular o CCP (Capital Circulante Próprio) que é a
parcela do Patrimônio Líquido que a empresa aplicou no Ativo Circulante, para
garantir o giro do negócio.
Em termos financeiros o ideal é a empresa dispor de Patrimônio Líquido suficiente
para cobrir o Ativo Permanente e ainda sobrar CCP para assim, dispor da
necessária liberdade de comprar e vender sem precisar sair todo o tempo
correndo atrás de bancos.

Ativo Passivo
Circulante Circulante

Exigível a Longo CCP = PL – AP


Prazo

CCP Onde: CCP = Capital Circulante Próprio


PL = Patrimônio Líquido
Patrimônio
AP = Ativo Permanente
Líquido
Ativo
Permanente
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1.4. Imobilização dos Recursos não Correntes
AtivoPermanente
Fórmula: × 100
PatrimônioLíquido + ExigívelLongo Pr azo
Indica: que percentual de Recursos não Correntes a empresa aplicou no Ativo
Permanente.
Interpretação: quanto menor, melhor.
Os elementos do Ativo Permanente têm vida útil que pode ser de 2, 5, 10 ou 50
anos. Assim não é necessário financiar todo o imobilizado com recursos próprios.
É perfeitamente possível utilizar recursos de longo prazo, desde que o prazo seja
compatível com o de duração do Imobilizado ou então que o prazo seja suficiente
para a empresa gerar recursos capazes de resgatar as dívidas com a utilização
deste imobilizado.
A parcela de Recursos não Correntes destinada ao Ativo Circulante é denominada
Capital Circulante Líquido (CCL) que será formado de duas parcelas: o Capital
Circulante Próprio e o Exigível a Longo Prazo.
Assim:

CCL = CCP + ELP onde: CCL = Capital Circulante Líquido


CCP = Capital Circulante Próprio
ELP = Exigível a Longo Prazo
Situação desejada

Ativo Passivo
Circulante Circulante

Exigível a Longo
Prazo
CCL Recursos
CCP
não
Patrimônio Correntes
Líquido
Ativo
Permanente

Situação maior dependência de capitais de terceiros, no entanto a longo prazo.

Ativo Passivo
Circulante Circulante

CCL
Exigível a Longo
Prazo
Recursos
Insuficiência de PL = CCP não
Ativo Patrimônio Correntes
negativo Permanente Líquido
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2. Liquidez: os índices desse grupo mostram a base da situação financeira da empresa.


Não podem ser confundidos com índices de capacidade de pagamento pois não são
extraídos do fluxo de caixa. São índices que procuram medir quão sólida é a base
financeira da empresa.
Uma empresa com bons índices de liquidez tem condições de ter boa capacidade de
pagar suas dívidas, mas não estará, obrigatoriamente, pagando suas dívidas em dia em
função de outras variáveis como prazo, renovação de dívidas, etc.

2.1. Liquidez Geral


AtivoCirculante + Re alizávelLongo Pr azo
Fórmula:
PassivoCirculante + ExigívelLongo Pr azo
Indica: quanto a empresa possui no Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo
para cada $ 1,00 de dívida total
Interpretação: quanto maior, melhor.
O índice de liquidez geral evidencia qual percentual do Patrimônio Líquido foi
investido no Ativo Circulante através do Capital Circulante Próprio, caracterizando
uma “folga”, “reserva” ou “margem de segurança”, tornando a situação financeira
satisfatória quando o índice é superior a $ 1,00. Quando o índice foi inferior
demonstra a insuficiência de recursos do Patrimônio Líquido e inexistência de CCP
criando dependência de geração de resultado para o pagamento da dívida.

Situação Satisfatória

> 1,00 1,00


Ativo Passivo Capitais de Terceiros
Circulante Circulante
ou
Exigível Total
Exigível a Longo
Prazo

CCP
Capital Circulante Próprio

Ativo Patrimônio
Permanente Líquido

Situação Insatisfatória (dependência de geração de recursos)

1,00
< 1,00 Passivo
Circulante Capitais de
Ativo
Circulante Terceiros
ou
Exigível a Longo Exigível Total
Prazo

Insuficiência de PL = CCP
Ativo Patrimônio
negativo Permanente Líquido
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2.2. Liquidez Corrente


AtivoCirculante
Fórmula:
PassivoCirculante
Indica: quanto a empresa possui no Ativo Circulante para cada $ 1,00 de Passivo
Circulante
Interpretação: quanto maior, melhor.
Demonstra a “folga” criada pelo Capital Circulante líquido quando o índice for
superior a $ 1,00 ou seja, a empresa tem condições de pagar todo o ativo
circulante e ainda sobre recursos para o exigível a longo prazo. Quando for inferior
a $ 1,00 a empresa pode estar tendo problemas para pagamento de suas dívidas
de curto prazo.
O Capital Circulante Líquido pode ser encontrado também através da diferença
entre Ativo Circulante e Passivo Circulante.

CCL = AC - PC onde: CCL = Capital Circulante Líquido


AC = Ativo Circulante
PC = Passivo Circulante

Ativo Passivo
Circulante Circulante

Exigível a Longo
Prazo
CCL
CCP

Patrimônio
Líquido
Ativo
Permanente

Podemos também ilustrar com o seguinte esquema as fontes de recursos do Ativo


Circulante:

Patrimônio Passivo
Líquido Capital Circulante
Circulante Ativo
Próprio Circulante
menos mais
Ativo Capital Circulante
Permanente Líquido
mais
Exigível a
Longo Prazo

Fonte: Matarazzo, Dante C. Análise Financeira de Balanços, 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2003.
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2.3. Liquidez Seca: LS


Disponíuvel + Titulos Re ceber + Outros
AtivosRápidaConversibilidade
Fórmula:
PassivoCirculante
Indica: quanto a empresa possui de Ativo Líquido para cada $ 1,00 de Passivo
Circulante
Interpretação: quanto maior, melhor.
Este índice é um teste de força aplicado à empresa, visa medir o grau de
excelência da sua situação financeira ele deve ser conjugado com o índice de
Liquidez Corrente.

LIQUIDEZ LIQUIDEZ CORRENTE


Nível ALTA BAIXA

L
I A
Situação financeira em princípio insatisfatória, mas
Q L
Situação financeira boa atenuada pela boa liquidez seca. Em certos casos pode
U T
A até ser considerada razoável
I
D
E
Z Situação financeira em princípio satisfatória. A baixa
B
A liquidez seca não indica necessariamente
S I comprometimento da situação financeira. Em certos Situação Financeira insatisfatória
E X casos pode ser sintoma de excessivos estoques
C A "encalhados"
A
Fonte: Matarazzo, Dante C. Análise Financeira de Balanços, 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2003.

3. Rentabilidade: os índices deste grupo mostram qual a rentabilidade dos capitais


investidos, isto é, quanto renderam os investimentos e, portanto, qual o grau de êxito
econômico da empresa.

3.1. Giro do Ativo


VendasLíquidas
Fórmula:
Ativo
Indica: quanto a empresa vendeu para cada $ 1,00 de investimento total
Interpretação: quanto maior, melhor.
Este indicador é conhecido também como “produtividade”.
O volume de vendas tem relação direta com o montante de investimentos. Não se
pode dizer que uma empresa está vendendo pouco ou muito olhando-se apenas
para o valor absoluto de suas vendas. Uma empresa que vende $ 10.000.000 por
mês tem vendas elevadas se o seu Ativo é de $ 5.000.000. Certamente, suas
vendas serão baixas se o Ativo for de $ 200.000.000.
O desempenho comercial da empresa pode variar por diferentes causas:
• Retração do mercado com um todo
• Perda da participação de mercado
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• Estratégia da empresa: aumentar seus preços, dispondo-se a vender
menor volume mais com margem de lucro maior o que pode ser
comprovado através do índice de margem líquida.

3.2. Margem Líquida


LucroLíquido
Fórmula: × 100
VendasLíquidas
Indica: quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 vendidos
Interpretação: quanto maior, melhor.
Este indicar é conhecido como lucratividade.
Este índice demonstra a margem de lucro (rentabilidade) obtida nas vendas
(ganho por unidade vendida).

3.3. Rentabilidade do Ativo ou ROI (Return on Investment) ou TRI (Taxa de Retorno


sobre o Investimento).
LucroLíquido
ROI = TRI = × 100
Ativo
Indica: quanto à empresa obtém de lucro para cada $ 100 de investimento total.
Interpretação: quanto maior, melhor.
Este índice demonstra quanto à empresa obteve de Lucro Líquido em relação ao
Ativo. É uma medida da capacidade da empresa em gerar lucro líquido e assim
poder capitalizar-se.
Para uma melhor compreensão quando comparar o desempenho deste índice
entre vários exercícios, se faz necessário à verificação de quanto tempo (payback)
com a rentabilidade encontrada levará para que a empresa obtenha de volta seus
investimentos.

Exemplo:
Lucro Líquido: 185.162
Ativo Total: 925.744
ROI = 0,20 ou 20%

Haverá um demora de cinco anos.

O ROI tem relação direta com a Margem Líquida e o Giro do Ativo uma vez que
sua fórmula pode ser obtida através do produto destas:

ROI = Margem Líquida X Giro do Ativo

LucroLíquido VendasLíquidas
ROI = X
VendasLíquidas Ativo

LucroLíquido
ROI =
Ativo
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3.4. Rentabilidade do Patrimônio Líquido ou ROE (Return on Equity) ou TRPL (Taxa
de Retorno sobre o Patrimônio Líquido).

LucroLíquido
ROE = TRPL =: × 100
PatrimônioLíquidoMédio
Indica: quanto a empresa obteve de lucro para cada $ 100 de Capital Próprio
investido
Interpretação: quanto maior, melhor.
Para calcular o Patrimônio Líquido Médio deve-se usar a seguinte fórmula:
PatrimônioLíquidoInicial + PatrimônioFinal
2
O papel deste índice é mostrar qual a taxa de rendimento do Capital Próprio. Essa
taxa pode ser comparada com outras opções do mercado como: Caderneta de
Poupança, CDBs, Letras de Câmbio, Ações, Fundos de Investimentos, Aluguéis,
etc., para verificar se a empresa oferece rentabilidade superior ou inferior a estas
opções.

4. Linguagem Descomplicada
O resultado da análise das demonstrações financeiras são relatórios escritos com
linguagem corrente como se fossem dirigidos a leigos. Na medida do possível
recomenda-se o uso de gráficos como auxiliares para simplificar as conclusões mais
complexas.
Deve-se evitar:
“O índice de endividamento é de 220%; isto significa que para cada $ 100 de capital
próprio existem $ 220 de terceiros. Esse índice mostra um crescimento de 10% em
relação ao ano anterior que, por sua vez, já crescera 18%. Os recursos de terceiros são
predominantemente de curto prazo (85%). Já os índices de liquidez encontrados foram
respectivamente: liquidez geral – 1,25; liquidez corrente – 1,40; e liquidez seca – 1,01, o
que mostra que a empresa tem mais reais realizáveis do que dívidas de curto prazo.”

Observe que o relatório acima só nós traz dados e não informação, assim um relatório
adequado deve expor:
“O grau de endividamento da empresa encontra-se em nível razoável em relação ao ramo
de atividade; entretanto, vem crescendo de maneira indesejável, pois há dois anos podia
ser considerado bom. A composição do endividamento mostra um perfil de dívida
insatisfatório devido à excessiva participação das obrigações de curto prazo. Já a liquidez
da empresa pode ser considerada boa.”

5. ANÁLISE VERTICAL/HORIZONTAL
A análise das Demonstrações Financeiras deve partir do geral para o particular. Assim
inicia-se análise propriamente dita (após o trabalho de preparação – padronização) com o
cálculo de índices. Em seguida aplica-se a Análise Vertical/Horizontal.
Os índices podem informar, por exemplo, que a empresa está com alto endividamento. A
análise vertical/horizontal aponta qual o principal credor e como se alterou a participação
de cada credor nos últimos dois exercícios. Ou então, os índices indicam que a empresa
teve reduzida sua margem de lucro; a análise vertical/horizontal apontará, por exemplo,
que isso se ocorreu pelo crescimento desproporcional das despesas administrativas.
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5.1. ANÁLISE VERTICAL (PARTICIPAÇÃO)


Análise Vertical baseia-se em valores percentuais das demonstrações financeiras. O
percentual de cada conta mostra sua real importância no conjunto.
No Balanço Patrimonial se calcula o percentual de cada conta em relação ao Total do
Ativo ou Total do Passivo. E na Demonstração de Resultado o percentual é encontrado
em relação ao valor das vendas que é igualada a 100%.

5.2. ANÁLISE HORIZONTAL (EVOLUÇÃO)


Baseia-se na evolução de cada conta de uma série de demonstrações financeiras em
relação a uma demonstração financeira básica (encadeada) ou à uma demonstração
anterior (anual). Esta evolução mostra os caminhos trilhados pela empresa e as possíveis
tendência.

6. ÍNDICES DE PRAZOS MÉDIOS


Os índices de prazos médios evidenciam em média quantos dias a empresa terá que para
receber suas duplicatas, pagar seus fornecedores e renovar seus estoques. Estes índices
não devem ser analisados individualmente, mas sempre em conjunto. A conjugação dos
três índices de prazos médios leva à análise do ciclo operacional e de caixa,
fundamentais para a determinação de estratégias empresariais, tanto comerciais quanto
financeiras.

6.1 PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS – PMRV


DR
Fórmula: PMRV = 360
V
onde:
DR = Duplicatas a Receber
V = Vendas Anuais

Para obter vendas diárias das demonstrações financeiras deve-se utilizar a seguinte
V
fórmula:
360

O prazo para recebimentos de vendas acaba evidenciando o volume de investimento da


empresa em Duplicatas a Receber. Por exemplo, se as vendas diárias forem de $ 10 e o
PMRV é de 30 dias o volume investido em Duplicatas a Receber será de 300 ( 10 x 30).
Podemos representar isto graficamente como um reservatório.
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Vendas Diárias

Recebimento Diário

Duplicatas a
Receber
Nível determinado
por PMRV x Vd
Caixa

Fonte: Matarazzo, Dante C. Análise Financeira de Balanços, 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2003.

DIAS
1º 2º 3º .......... 30º 31º 32º
Vendas 10 10 10 .......... 10 10 10
Recebimentos 0 0 0 .......... 0 10 10
(Entrada em Caixa)
Duplicatas a Receber 10 20 30 .......... 300 300 300

Alterações no prazo médio de recebimento influenciam:

=> CAIXA

Alterações no prazo médio de recebimento afetam o fluxo de entradas em Caixa.


Exemplo: alteração do prazo de 30 para 45 dias para recebimento de duplicatas a
receber.

33º 34º 35º ... 62º 63º 64º ... 77º 78º 79º
Vendas 10 10 10 ... 10 10 10 ... 10 10 10
Recebimentos 10 10 10 ... 10 0 0 ... 0 10 10
(Entrada em Caixa)
Duplicatas a
Receber 300 300 300 ... 300 310 320 ... 450 450 450

=> ENDIVIDAMENTO
Aumento o prazo para recebimento também aumentam o nível de financiamento porque
nos dias que não ocorre recebimento não entra dinheiro no caixa para pagamento das
obrigações que continuam existindo assim a empresa precisa encontrar uma fonte as
suas necessidades neste período.

=> LUCRO
A alteração de prazo de recebimento também influencia no lucro, pois os novos
financiamentos representam uma despesa extra que será deduzida da receita, diminuindo
assim o lucro.
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6.2. PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO DE COMPRAS – PMPC
O PMPC é análogo (semelhante) nas considerações ao PMRV.
F
Fórmula: PMPC = 360
C
onde:
F = Saldo de Fornecedores do Balanço
C = Compras

Para obter o valor das Compras utiliza-se a equação do Custo Mercadorias Vendidas:
CMV = EI + C – EF

onde:
CMV = custo das mercadorias vendidas
EI = Estoque Inicial
C = Compras
EF = Estoque Final

Assim teremos o valor do CMV na DRE, EI e EF no Balanço Patrimonial, substituindo na


equação encontramos o valor das compras:
C = CMV + EF - EI

6.3. PRAZO MÉDIO DE RENOVAÇÃO DE ESTOQUES – PMRE


E
Formula: PMRE = 360
CMV
onde:
PMRE = Prazo Médio de Renovação de Estoques
E = Estoques
CMV = Custo das Mercadorias Vendidas

Mostra quantos dias o estoque é suficiente em relação as vendas diárias a preço de


custo.

6.4. A INTER-RELAÇÃO DOS ÍNDICES DO PRAZO MÉDIO


Ciclo Operacional: compreende o período entre a compra da mercadoria, venda e o seu
recebimento, portanto PMRE + PMRV = Ciclo Operacional.

Ciclo de Caixa: compreende o período entre o recebimento das vendas e o pagamento


aos fornecedores, portanto Ciclo Operacional – PMPC = Ciclo de Caixa.

a) Os Fornecedores financiam totalmente os estoques e uma parte das vendas:


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CICLO OPERACIONAL

Compra Venda Pagamento Recebimento

PMRE PMRV

PMPC CICLO DE CAIXA

b) Os fornecedores financiam apenas parte do estoque:

CICLO OPERACIONAL

Compra Pagamento Venda Recebimento

PMRE PMRV

PMPC CICLO DE CAIXA

c) os Fornecedores financiam totalmente estoques e vendas


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CICLO OPERACIONAL CICLO DE CAIXA

Compra Venda Recebimento Pagamento

PMRE PMRV

PMPC