EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....ª JUNTA TRABALHISTA DA COMARCA DE .... ESTADO DO ....

Autos nº .... ...., pessoa jurídica de direito privado, com sede na Rua .... nº ...., na Comarca de ...., devidamente inscrita no CGC/MF sob o nº ...., vem por suas advogadas ao final firmadas, (Instrumento Procuratório incluso), com sede na Rua .... nº ...., na Comarca de ...., onde recebem intimações, notificações, respeitosamente a presença de Vossa Excelência, face à RT contra si proposta por .... já qualificado, apresentar sua DEFESA pelas razões de fato e de direito que passa a aduzir: Primeiramente a Reclamada quer impugnar todos os documentos que estão acostados à inicial e que não preencham as formalidades ditadas pelo artigo 830 da CLT. Outrossim, se contrapõe a tudo quanto consta da maliciosa, insegura e confusa Inicial, pois não condiz com o que realmente aconteceu. Na verdade, e isto é preciso que o Reclamante reconheça, os fatos ocorreram conforme a seguir e serão contestados item por item na exata seqüência em que foram arrolados. I - DEFESA INDIRETA AUSÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO - CHAPA CARÊNCIA DE AÇÃO O Reclamante alega que laborou para a Reclamada na função de descarregador de caminhão e na forma do art. 3º da CLT, razão pela qual pleitea declaração de vínculo empregatício, anotação na CTPS, pagamento de aviso prévio, gratificações natalinas, férias + 1/3 constitucional, horas extras + adicional + reflexos, FGTS + multa de 40%, seguro-desemprego, multa do art. 477 da CLT e honorários advocatícios. O Autor falta com a verdade. Jamais foi empregado da Reclamada, mas sim e sempre, CHAPA, prestando serviços como trabalhador autônomo que sempre foi. Contrário ao que forçosamente quer nos fazer crer o Autor, ausentes os requisitos do artigo 3º da CLT. Entre o Reclamante e a Reclamada jamais aconteceu qualquer relação jurídica de emprego, face à inexistência de continuidade e subordinação. Diligenciando a respeito do autor, a Reclamada, foi informada de que o mesmo, eventual, ocasional e esporadicamente era utilizado para o carregamento dos caminhões das mercadorias de seu depósito. A Reclamada possui o seu quadro próprio de empregados registrados, para o mister a que o Autor foi, em raras vezes, chamado, ocasiões estas em que havia excesso de trabalho. Sobre o caso em tela, a r. decisão do E. TRT, da 1ª Região: "Não é empregado quem presta serviço quando há excedente de trabalho." Ac. (Unânime) TRT 1ª Reg., 1ª T. (RO 4545/90) Rel. Juiz José Maria da Cunha, "Boletim de Jurisp.", março/abril 92, p. 29. E ainda: "Relação de emprego. Chapa. Inexiste vínculo empregatício quando caracterizada a atividade de chapa, trabalhando os autores na carga e descarga de veículos, somente quando existiam estes serviços, sem obrigação de comparecimento ou de permanecer à disposição da empresa." (TRT - 12ª Reg. - RO-V-006205/93 - 2ª JCJ de Tubarão - Ac. 3ª T. - 007193/95 - unân. - Rel.: Juíza Ângela M. Almeida Ribeiro - Rectes: João Ferreira e outro - Recdo.: Nelci Chaves Zanichelli - Advs.: Carlota Feuerschuette Silveira e outro; Alexandre D'Alessandro Filho e outro - Fonte: DJSC, 28.09.95, pág. 45). Como exposto acima, em raras ocasiões o Autor efetuou trabalho de descarregamento de caminhão para a Reclamada, inexistindo, portanto, um dos requisitos essenciais à relação de emprego, qual seja, a não eventualidade. Quanto à alegada subordinação sofrida pelo Autor, resta totalmente impugnada, visto que completamente inverídica ao seu pedido. Na realidade, como será provado por ocasião da instrução processual, o Reclamante sempre foi o "responsável" (líder) de um grupo de 3 pessoas, as quais, face a localização da Reclamada, região de várias transportadoras e saída da cidade, a qual sempre atraiu a presença de vários "chapas, oferecendo seus serviços a quem desejasse, especialmente na carga e descarga de mercadorias, em atividade promíscua, prestada a vários tomadores em um mesmo dia, conforme sua vontade e conveniência financeira. Sobre o caso em tela a jurisprudência abaixo:

"Chapa. Inexistência da relação empregatícia. Eventual o trabalhador denominado 'chapa', que presta serviços de carga e de descarga de caminhões para mais de uma empresa, sem fixação jurídica nem subordinação, elemento nuclear da relação de emprego, que não pode ser meramente presumida. (TRT - 3ª Reg. - RO15112/94 - 10ª JCJ de Belo Horizonte - Ac. 1ª T. - maioria - Rel.: Antonio Fernando Guimarães - Fonte: DJMG II, 27.01.95, pág. 26). O Autor e as pessoas escolhidas e comandadas por ele, como já dito acima, em algumas poucas ocasiões (excesso de trabalho, quando os empregados da Reclamada não conseguiam dar cabo ao trabalho) prestaram serviços para a Reclamada, mais sempre sem qualquer subordinação, estando os demais chapas subordinados ao Autor que era quem acertava o valor do serviço com a empresa, recebia em nome de todos, pelo serviço realizado e depois, pagava pessoalmente seus camaradas. As RPAs juntadas pelo Autor só vem confirmar o acima descrito pois, o valor ali consignado, por óbvio não é o relativo a um mês de trabalho na função de chapa, quanto menos a um dia, sendo por conseguinte, a prova de que o Autor contratava outras pessoa, as quais sob sua direção, prestavam serviços a inúmeras empresas, tendo os respectivos salários pagos pelo próprio Autor. Pelo exposto, inexistente na relação de trabalho havida com o Autor qualquer indício de subordinação, exclusividade e, até mesmo, salário, pois como dito acima, a remuneração paga ao Autor e seus "camaradas" era mutuamente combinada. Inexistente qualquer um dos requisitos elencados no art. 3º celetário não há que se falar em vínculo empregatício. Neste sentido: "Relação de emprego. Para que se verifique a relação empregatícia faz-se necessária a reunião dos três requisitos ínsitos no art. 3º da CLT (serviço de natureza permanente, subordinado e salário). A ausência de qualquer um desses torna evidente a possibilidade de reconhecimento de vínculo empregatício entre as partes." Ac. TRT, 10ª Reg., 1ª T. (RO 1567/91), Rel. (designado) Juiz Franklin de Oliveira, DJU 21/10/92, p. 3367. "(Dicionário de Decisões Trabalhistas, B. C. Bonfim e Silvério dos Santos, 24ª edição, ET. p. 649, verbete 4539)" "Ex Positis", pela ausência de vínculo de emprego, cabem rejeitados todos os pedidos formulados na exordial. Em homenagem ao princípio da eventualidade, contesta, a Reclamada, um a um, todos os pedidos do Autor. DEFESA DIRETA I - DO ALEGADO CONTRATO DE TRABALHO A - DATA DE ADMISSÃO E DEMISSÃO O Reclamante falta com a verdade, quando alega que foi admitido em .../.../... para exercer a função de descarregador de caminhão e, que foi demitido em .../.../... Como já afirmado acima, o Autor nunca foi admitido pela Reclamada. A empresa, nas poucas ocasiões em que necessitou do serviço de chapas, contratou o Autor e seus colegas, comandados pelo primeiro, para prestação de serviço específico. Os mesmos residiam na localidade e, quando viam algum container no pátio da Reclamada se aproximavam do portão e ofereciam seus serviços ou, em outras oportunidades, quando necessitasse do serviço de chapas, um representante da empresa se dirigia até um bar (ponto dos chapas), onde permanecem todos os chapas a espera de algum serviço e, lá contratava o Autor e sua equipe para descarregamento do(s) container. As ocasiões em que o Autor prestou serviços para a Reclamada estão abaixo descritas e se comprovam pelas RPAs ora juntadas: a) .../.../... - refere-se a descarga de 05 containers - de 40 pés e 01 de 20 pés; b) .../.../... - refere-se a descarga de 05 containers 40 pés e 01 de 20 pés; c) .../.../... - refere-se a descarga de 02 containers 40 pés; d) .../.../... - refere-se a descarga de 03 containers 40 pés e 01 de 20 pés; e) .../.../... - refere-se a descarga de 02 containers 40 pés e 01 de 20 pés; f) .../.../... - refere-se a descarga de 02 containers 40 pés; g) .../.../... - refere-se a descarga de 04 containers 40 pés;

h) .../.../... - refere-se a descarga de 04 containers 40 pés; i) .../.../... - refere-se a descarga de 04 containers 40 pés e empilhamento de 480 caixas de fósforo; j) .../.../... - refere-se a descarga de 01 containers 40 pés; k) .../.../... - refere-se a descarga de 03 containers 40 pés; e l) .../.../... - descarga de containers 40 pés. Pelo exposto, conclui-se que durante o período alegado pelo Autor, como de trabalho para a Reclamada, o mesmo trabalhou somente em 14 oportunidades, totalmente esporádicas, sem qualquer relação de continuidade e, juntamente com seus "camaradas" realizou o trabalho sem qualquer subordinação, da forma como sempre fez na função de "chapa" autônomo, com a maior agilidade possível para poder efetuar novos trabalhos a outras empresas. B - DA SUBORDINAÇÃO A visão moderna do instituto se consubstancia na obra de Paulo Emílio de Vilhena (Relação de Emprego, SP, Saraiva, 1975), onde a subordinação é conceituada "como a participação integrativa da atividade do trabalhador na atividade do credor do trabalho". Tal conceituação se explica numa visão dinâmica do vínculo subordinante que mantém o trabalhador junto à empresa, como um dos componentes do seu giro total em movimento, compondo todo o processo produtivista ou de fornecimento de bens. Desse encontro de energias e, em especial, da certeza e da garantia de que tal encontro venha a ocorrer permanentemente, através da atividade vinculada surge a noção de trabalho subordinado. Como descrito no item anterior, o Autor nunca teve qualquer expectatividade em relação a compor o processo produtivista da Reclamada, pois nos mais de 02 anos alegados pelo Autor como de trabalho para a Reclamada, trabalhou somente em 14 oportunidades. Inexistente subordinação, não há que se falar em vínculo de emprego. Confirmando a tese acima esposada a jurisprudência abaixo do E. TRT, 10ª Reg.: "Relação de emprego. Autônomo. Não constitui relação de emprego a atividade de pessoa física visando prestação de serviços específicos, cujo resultado decorra de seu empenho profissional, eqüidistante e sem total controle subordinativo por parte do contratante. Tal atuação pressupõe autonomia, apesar da nãoeventualidade, essencialidade, onerosidade e pessoalidade, elementos ínsitos na prestação de serviços autônomos ou como empregado. Apenas a subordinação, ou seja, a inserção da pessoa nos mecanismos dirigidos de produção da empresa, representa meio seguro para constatação do vínculo. Esta inexiste se há liberdade na execução dos serviços." (TRT- 10ª Reg. - RO-5616/94 - 6ª JCJ de Brasília - Ac. 1ª T.-2895/95 Rel.: Juíza Terezinha Célia Kineipp Oliveira - j. em 17.10.95 - Fonte: DJU III, 03.11.95, pág. 16.299). C - DA REMUNERAÇÃO O Autor mais uma vez falta com a verdade, agindo com inegável má-fé, quando sustenta que a média do seu salário mensal era de R$ .... (....) com fundamento nas RPAs que junta. Como já retro afirmado, o Reclamante prestava serviço com mais três colegas. O valor ajustado entre o Autor (representante dos outros três colegas) e a Reclamada para descarregamento de containers era de R$ .... (....) para o container com 40 pés e, de R$ .... (....) para o container com 20 pés. O item de letra "A", acima descrito, demonstra todas as vezes em que o Autor e seus camaradas prestaram serviço de descarregamento de containers. Pois bem, a título de exemplo, verifica-se que no dia .... ocorreu o descarregamento de .... containers, sendo que .... com .... pés e .... com .... pés. Pelo trabalho o Autor e seus colegas receberam o valor total de R$ .... (....) conforme documento em anexo, RPA datada de ...., emitida em nome do Autor, líder do grupo, que rateava o valor com os outros três chapas, donde se concluiu que o mesmo recebeu por este descarregamento a importância de R$ .... (....) e assim ocorreu nos demais meses. Ora Excelência, é óbvio que nenhuma empresa paga a importância de R$ .... (....) mensais para alguém que desempenhe a função do Reclamante, como o mesmo pretende fazer crer nas razões da inicial. Pelo exposto, se conclui que o Autor não recebia remuneração, mas sim pagamento pelos serviços prestados eventualmente. Caso não seja este o entendimento de Vossa Excelência, o que se admite somente em prol do argumento, requer seja feita uma média, de acordo com as RPAs em anexo, cujos respectivos valores deverão ser divididos por quatro para então se obter o valor efetivamente recebido pelo Autor nos seis meses anteriores, o que dará uma média de R$ .... (....), nunca o valor apontado na exordial. II - DO REGISTRO NA CTPS

Conforme já descrito acima. tão somente por quatorze oportunidades. 13º salários e férias.: Pedro Antonio Coelho de Souza Furlan e Marcos Apollini Neumann . descabe a aplicação da dobra. ausente labor contínuo.DO HORÁRIO DE TRABALHO Como acima descrito. decisão do E. enfim. Entretanto. conforme já mencionado.1ª JCJ de Foz do Iguaçu . .RO-04495/95 . Neste sentido. Controvertido o vínculo empregatício. o mais mínimo controle de jornada. seja pelo abandono de emprego caracterizada e até a ausência de atraso para pagamento de qualquer verba rescisória. e buscou a Reclamada somente agora e por esta via. discussão. 5402/90. Atraso. pág. 477. Juiz Euclides Alcides Rocha). ocasional o trabalho. sem qualquer fixação de horário a cumprir. V . descabe o reconhecimento de vínculo empregatício. existindo dúvidas a cerca da legitimidade do pedido articulado pelo Autor. . 26.9ª Reg. gratificação de natal e FGTS mais 40%.. Além de que o pedido da parcela não é líquido e certo. III . cumpre ressaltar que a dobra salarial de que trata o artigo 467.04. Em reconhecida eventual relação de emprego. a r. sem qualquer regularidade. Isto posto. da CLT. pelo Autor na Reclamada. Verbas rescisórias.96. visto que sempre desenvolveu a função de chapa." (TRT .DOBRA DO ARTIGO CELETÁRIO Conforme exposto. improcede pedido de férias e gratificação de natal. a natureza incontroversa da verba salarial. GRATIFICAÇÃO NATALINA E FGTS (8 e 40%) Ausente liame empregatício. aviso prévio. Vê-se que há polêmica. Rel. salário dia em última data da prestação de serviço. controvérsia.. por abandono de emprego. resta totalmente improcedente pleito de nº 04 letra "a" da exordial. sendo totalmente eventual a atividade. seja pela espécie de relação de fato mantida. a Reclamada contesta todos os pedidos pleiteados na exordial. . só é aplicável aos salários em sentido restrito. . natalinas e férias proporcionais. in verbis: "A dobra salarial prevista no artigo 467. como de hábito.: Juiz Roberto Dala Barba . ademais. fatal a caracterização de ruptura contratual por justo motivo. Ausente mesmo. prestando serviços há várias outras empresas no mesmo período.VERBAS RESCISÓRIAS. não mais compareceu à Reclamada em busca de serviços esporádicos. 4ª T.Advs. anos. ainda.Fonte: DJPR. mais FGTS e multa ao tempo da "rescisão" e só porque a ré não demitiu o Autor. IV . Rejeite-se "in totum". Art. Conforme as RPAs em anexo. Multa. da CLT.Recdo: Dirceu Silveira de Souza .MULTA DO ART. Esse último. ou mesmo horas extras.Recte: Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras Ltda. o Autor prestou serviços na Ré. inaplicável a dobra salarial.maioria .Rel. 477 da CLT porque inexigível a carga de verbas rescisórias do trabalhador reclamante anteriormente ao decreto judicial que assim deferiu a natureza da prestação de serviços. sem qualquer exclusividade para com a Reclamada. afasta a dobra salarial. durante quase . habitual. Indevido. Aliás. Além disto. simplesmente auferiu. Em face da controvérsia estabelecida.. FÉRIAS. TRT 9ª Região: "CLT. ainda que posteriormente judicialmente reconhecido como tal." (TRT-PR-RO 3670/89 . Qualquer controversia razoável. A aplicação do dispositivo legal pressupõe ainda. Ademais. nesse sentido é que tem. jamais laborou nos dias e horários consignados na exordial.08278/96 . como próprio da relação mantida. decidido nosso tribunal. 477 CELETÁRIO Descabe o pedido de multa por atraso no pagamento de verbas rescisórias. sem a continuidade capaz de autorizar a aquisição desses direitos.Ac. Existente controvérsia. VI . Inverídico. o que a toda evidência lhe retira qualquer direito em buscar aviso prévio. previsto no artigo 467 da CLT.Ac. 279). logo inaplicável a dobra do artigo 467. nela não se compreendendo o aviso prévio. 3ª T. férias com mais terço constitucional. Logo as razões apresentadas são suficientes para configurar pela improcedência do pleiteado. refere-se unicamente a salários 'strictu senso'. descabe a condenação à multa do art. o período apontado na exordial. da CLT.

a Justiça do Trabalho é incompetente para processar e julgar a matéria. Sobre o caso em tela.: Sergio Aroeira Braga . 11).1ª JCJ de Maringá ...Rel. decair da ação.95. ficará obrigado a pagar ao devedor. VIII .JUSTIÇA GRATUITA O Reclamante requer o benefício da justiça gratuita.." (TRT .Rel. horas.suplemento -. quando prestou serviços para a Reclamada. ou pedir mais do que for devido. restam indevidos pedidos de letras "d" e "e" da exordial. horas às . qual seja. 09. Atualmente. não ocorreu. no segundo. Pelo exposto improcede pleito de letra "I" da exordial.906/94. .01. mormente ante a edição do Enunciado de nº 329. Isso não deixa de ser extorsão. por lhe estar prescrito. e no percentual fixado no Enunciado nº 219/TST. 9ª Reg. pág. do C. é comum muitos ex-empregados irem a Justiça reclamar valores que já receberam do desligamento da empresa. TST. coercitivo e de má-fé... não há se falar em indenização de seguro desemprego. Através da documentação anexa. a jurisprudência abaixo: "Tendo sido judicial a declaração do vínculo empregatício. DA MÁ-FÉ DO LITIGANTE Preceitua o artigo 1. de segunda a sexta-feira. Juiz Euclides Alcides Rocha .906/94." Alega o Autor. como por exemplo." (TRT. mesmo porque. das .. Os honorários advocatícios somente são devidos no processo do trabalho quando o trabalhador seja beneficiário de assistência judiciário sindical nos termos da Lei nº 5. como já mencionado acima. sempre o fez durante a jornada normal de trabalho dos empregados da empresa.DJPR . Esse tipo de conduta não honra a dignidade do Poder Judiciário e expõe a Justiça sobre larga margem de erro. pelo Excelso STF.maioria .RO-11188/95 . Cabimento.. conforme lhe incumbia nos exatos termos da legislação vigente: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Incabíveis vez que a presente RT não se enquadra a Lei nº 5. de acordo com o Enunciado de nº 219.. a Reclamada não permitiria que uma pessoa estranha ao seu quadro pessoal permanecesse nas suas dependências após o expediente normal. no primeiro caso. Além disso. por absoluta falta de respaldo legal.. 40). o dobro do que houver cobrado e. mormente quando se considera o que pode suceder em situações análogas envolvendo empresas consideradas . a ruptura contratual tal como alegada no item de nº III (das verbas rescisórias) não confere ao Autor direito à percepção de seguro desemprego.96. Incabíveis ainda.127-8. horas.584/70.maioria . com uma hora e meia de intervalo e aos sábados das .SEGURO DESEMPREGO Indevida a pretensão descrita no item de letra "I" da exordial.584/70 (art. salvo se. Em prol do eventual. ter trabalhado mais que seis meses para a Reclamada. comprova-se que o pedido do Autor é descabido. mas em nenhuma oportunidade prova não ter condições de arcar com as custas do processo. e da suspensão. sem ressaltar as quantias recebidas. o que de fato.531 do Código Civil: "Aquele que demandar por dívida já paga. da Lei nº 8. 3ª T.. eis que de ordem previdenciária.Eventualmente. em caráter cautelar do art. na ADIN de nº 1. .. o equivalente do que dele exigir. horas às . inúmeras inverdades. no todo ou em parte. cabe alegar que o recebimento do benefício está sujeito a cumprimentos de requisitos administrativos não comprovados pelo Autor. do C. 14). "Ex positis" ausente jornada suplementar além de oito horas dia. TST. estar desempregado.JCJ de Curvelo .Fonte: DJMG II. 14349/95 .. por quanto o próprio Supremo Tribunal Federal deixou certo na ADIN resultante da Lei nº 8.. Neste sentido temos que: "Honorários Advocatícios. RO-10922/94 . Demais disto. pág.03. 3ª T. que resta preservado o 'jus postulandi' na justiça do Trabalho. 23. algumas devidamente comprovadas nos autos e outras que se provarão na fase oportuna. VII .3ª Reg.Ac. 1º. Conforme a documentação inclusa a Reclamada prova que o Reclamante vem faltando com a verdade dos fatos.Ac.

do equivalente ao preceituado nos supra artigos. É aplicável nesta Justiça Especializada o art. No momento que esta se desfaz e que o ex-empregado ingressa em juízo. da CLT: aplicação subsidiária do direito comum ao direito do trabalho. processualmente. 3907/92 . 43 da Lei nº 8. no total da condenação deve ser abatido o valor correspondente a parcela do empregado para a Previdência Social. e que se dará em face dos preceitos protetivos ao empregado. 8º. Não se pode dar ensanchas para atitudes assim reprováveis. APLICABILIDADE NA JUSTIÇA DO TRABALHO. Pede deferimento. ainda que estejam em discussão direitos relativos ao contrato de trabalho. Assim. vejamos o seguinte julgado. sob pena de confessa. por força do disposto no art. Tal encargo por constituir responsabilidade por ato ilícito.Rel. devendo o valor correspondente. de maneira tão sorrateira e maliciosa. se aplicando os princípios fundamentais do trabalho.RO 4289/91. o que se admite apenas como argumento. Diante do acima exposto. o qual serve como uma luva no caso em tela: "EMENTA: ARTIGO 1. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA Em caso de eventual condenação. protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas. a solução do litígio. durante o período laborativo conforme o artigo 767 da CLT. deve ser abatido o valor do Imposto de Renda do total a ser recolhido pelo Reclamante. aí.212/91 alterada pela Lei nº 8. artigos 17 e 18 do Código de Processo Civil e condenado ao pagamento a Reclamada. não se afastam com suposta alegação de pobreza e declarações sacadas de ocasião. segundo o a alínea c.620/93. e o mais das vezes. na oportunidade do pagamento. Isto porque. não se justifica que a empresa deva arcar sozinha com as contribuições. COMPENSAÇÃO: "Ad cautelam". que é encargo do Reclamante. ele se equipara. RECOLHIMENTOS FISCAIS E PREVIDENCIÁRIOS Em caso de eventual condenação deve a sentença descriminar as verbas sob as quais incidem contribuição previdenciária. os juros e correção monetária devem seguir os ditames da Legislação pertinentes em vigor. do parágrafo único do artigo 16 do Decreto 2173/97 Ora. com isso. devendo ser deduzida do total do crédito do Autor o valor da parte que lhe cabe para a Previdência Social. a parte passiva. só existe enquanto existir a relação de emprego.531 do Código Civil. 1.PR . certeza do engano. o que já foi pago. há incompatibilidade com os princípios fundamentais que norteiam o direito trabalhista. requer-se a compensação de todos os valores comprovadamente pagos a qualquer título. condenando-se a Autora em todas as cominações de direito. posto que a proteção do hipossuficiente. sim. o oportunismo de se arriscar no processo para pleitear o que não tem direito. E para corroborar a posição da ora contestante e fulminar de vez as postulações." (TRT .531 do CC. e. deturpando o regular exercício do direito de ação e opondo-lhes a trapaça. requer-se que o Reclamante seja declarado como incurso nos artigos 1. parágrafo único. juntada de novos documentos e prova pericial. CONCLUSÃO Face ao exposto e a tudo mais que dos autos consta. advindo condenação ao pagamento de quaisquer das verbas pleiteadas. Ainda. ser deduzido do total de seus créditos e recolhido aos cofres públicos. Tem o Autor a ciência do mal. requerida pela Reclamante se necessário for. Ac. Requer desde já a improcedência total do pedido. meritoriamente. o que a lei não contempla. 1ª T. . mesmo assim pleiteou pedido inexistente em contravenção aos preceitos legais.531 DO CÓDIGO CIVIL. o maior dos princípios deste ramo jurídico. segundo orientação do Provimento nº 01/93 da Corregedoria Geral da Justiça que estabelece em seus artigos 1º e 2º. nos termos do art. havendo obrigação legal do recolhimento por parte do empregado. relativamente ao tempo em que detinha esta qualidade. pois constitui obrigação do empregado tal recolhimento. bem como demais despesas efetuadas. Nestes termos. com juros e correção monetária legal. que só lembra a má-fé. se a ação não for julgada improcedente. O mesmo ocorre com o Imposto de Renda. Não se diga que.a revelia. o que se admite apenas por argumentar. notadamente pelo depoimento pessoal da Autora.: Juiz Tobias de Macedo Filho).

PARÁGRAFO 2º DO ART...... inciso XIII.. 13º salário... e em observação à intatibilidade exigida pela nossa Carta Magna vigente. O pagamento das comissões do Obreiro eram realizados através de depósitos em conta corrente (comprovante em anexo).. Não há que se falar.. n.... com a vigência da Constituição Federal de 1988. CONTRATO DE TRABALHO O Reclamante foi contratado na data de .. quais sejam... o qual não foi por ela recepcionado.. cabe alguns esclarecimentos: A Nova Constituição Federal.. Assim.. Contra qualquer alegação de que o Obreiro fazia parte da exceção representada pelo artigo 62 alínea "a" da Norma Consolidada.... 1ºT-3834/92Rel... 224 DA CLT." (TRT-PR-RO-2025/91-Ac.. a aplicação do artigo 62 alínea "a" para o caso em foco.. com reflexos sobre férias. social e econômica.......... FGTS. Diante do exposto. o que equivalia em média. conclui-se que a intenção do legislador Constituinte.. O Reclamante não recebeu o 13º salário referente ao ano de 1992... significa claro desrespeito à Norma Constitucional. portanto.. durante todo o pacto laboral... usando-se do divisor 220..88.. sem distinção ou exceção. 44º semanal... laborava das 8:00 às 18:00 horas.. o Reclamante faz jus a receber horas extras.. em seu artigo 7º. no percentual de 10% sobre as vendas no varejo e de 3% sobre as vendas no atacado. com intervalo de uma hora para refeições...º ... inscrita no CGC/MF sob n. vem perante este MM.. Prestando jornada de labor ampliada..º .. a .. Assim. e de todos os pedidos formulados pelo Reclamante.. (qualificação). no Diário da Justiça . que não fogem à razão humana..... com integração do piso normativo.Pg. IN VERBIS: FUNÇÃO DE CONFIANÇA . na função de vendedor.. com reflexos . garante uma jornada máxima de oito horas diárias e quarenta e quatro semanais para todos os obreiros.. Sua CTPS jamais foi anotada.... 13º SALÁRIO. Não destoam deste entendimento as decisões de nosso Egrégio Tribunal Regional do Trabalho. cep nº.... Assim a Reclamada deve ser compelida a juntada de todos os controles de venda do Reclamante. pelos motivos que passa a expor: 01... na aplicação desse dispositivo para afastar a condenação nas sétima e oitava horas como extras.... 224 da CLT. 02. no adicional de 50%.. 220º mensal. Juiz Pretextato Pennafort Taborda Ribas . n. por seu procurador judicial (procuração em anexo). sob as penalidades do artigo 359 do CPC... residente na Rua . 04.. das horas extras e da média das comissões.. 03....10.º .Publicado. sendo que aos sábados... DA REMUNERAÇÃO O Reclamante recebia na forma de comissões sobre as vendas de . sendo demitido sem justa causa em data de .... VARA DO TRABALHO DE .. Cidade de . sem nenhum intervalo.... em 22/05/92)........ laborava das 8:00 às 12:00 horas. Juízo apresentar: RECLAMAÇÃO TRABALHISTA contra .. todas que extrapolem a 8º hora diária de labor. uma ferida profunda à legalidade e aos direitos básicos do cidadão.. ....... aviso prévio e demais verbas rescisórias.EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA MMª. com integração ao salário para todos os efeitos....... DAS HORAS EXTRAS O Reclamante. constante no artigo 5º desta Carta Magna. ressaltando o princípio da igualdade.. é clara a revogação do artigo 62 alínea "a" em respeito ao princípio da subordinação das normas. DSR.. 115. pessoa jurídica de direito privado... promulgada em 1988... NÃO RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.... Cidade de . "A partir de 05.. salários mínimos mensais. foi de revogar todas as exceções à jornada máxima de oito horas com objetivos de natureza biológica. com sede a Rua .. Assim impõe-se o pagamento dobrado deste salário.. deixou de existir o parágrafo 2º do art... horas extras.

não podendo portanto. 09. por sua natureza. DO FGTS A Reclamada deve comprovar os depósitos fundiários do Reclamante. fazendo jus portanto. Ainda. extinguindo a capacidade postulatória das partes nos processos trabalhistas. Sendo necessária a presença do profissional em Juízo.Procuradoria Geral da Justiça do Trabalho. "(Ac. e demais verbas rescisórias inerentes à espécie. mês a mês. A Norma Constitucional. DSR. 07. Ltr. os parâmetros para a atuação do advogado. diante da demissão injusta do Obreiro. Juiz Presidente Dr. derrogou o artigo 791. que permitisse o "JUS POSTULANDI". "in" Revista do Ministério Público do Trabalho . requerer este benefício de que trata a Lei 7.sobre férias.988/90. por motivos que não fogem a lógica. a Reclamada deve ser condenada a indenizar o empregado no montante das parcelas que este deveria receber a título de seguro desemprego (4 salários) nos termos do artigo 159 e seguintes do Código Civil Brasileiro. multa rescisória (FGTS 40%). das partes e jurisdicional." (Guilherme Mastrichi Basso. Não pagando as verbas rescisórias do obreiro. 4º JCJ. o Reclamante não percebeu as verbas rescisórias inerentes à demissão sem justa causa. deve ser condenada ao pagamento de juros de mora de 1% ao dia.ART.Atualmente (. "ipso facto". não objetivou a criação de uma brecha a este preceito. sobre os depósitos fundiários devidos e atualizados.º 4. são devidos os honorários advocatícios (art. DAS VERBAS RESCISÓRIAS No momento da rescisão contratual. saldo de salário (20 dias). da CLT. DA MULTA DO ARTIGO 477 DA CLT. férias vencidas acrescidas de 1/3. Assim. João Oreste Dalazen) "Havendo sucumbência. 133 da Magna Carta. por força do princípio da sucumbência (artigos 769 da CLT e 20 do CPC). de interesse público. quando o legislador constituinte impõe um limite ao artigo 133. TRT 1º Região . set. 05 .. norma cogente. 1992. 113) "Conquanto não esteja a Autora assistida por sua entidade de classe. com a consagração da indispensabilidade do advogado na administração da Justiça do Trabalho e. não admite exceções. 133/CF . n. cumpre salientar que o art. FGTS. Assim. 20 CPC). 08. bem como ao pagamento de multa de 20% sobre o valor total do FGTS não depositado. aviso prévio e demais verbas rescisórias. No caso de não comprovação dos depósitos fundiários.3 Turma - . DO SEGURO DESEMPREGO No momento de sua demissão o Obreiro não recebeu as guias de seguro desemprego. ano II. sendo esta a interpretação mais plausível. mas sim.. nada mais justo e coerente do que o deferimento de honorários advocatícios.EXTINÇÃO DO "JUS POSTULANDI" DAS PARTES NA JUSTIÇA DO TRABALHO . assim. prevista em uma remuneração mensal do empregado demitido. 113 da Constituição Federal vigente tornou o advogado "indispensável à administração da Justiça." Com isso. p. a Reclamada deve ser condenada ao pagamento do valor equivalente a todos os depósitos fundiários de toda a relação de emprego. ao pagamento de aviso prévio. durante toda a relação de emprego. mês a mês. tornou o advogado indispensável à administração da Justiça. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O artigo 133 da Constituição Federal. inclusive ao advogado particular. Ed.) com a promulgação da CF de 1988 em face do art. pela aplicação do artigo 22 da Lei 8. reforçada a tese consubstanciada na súmula 327 do STF. 13º salário proporcional (6/12 avos).036/90." (sentença proferida nos autos 570/90.INDISPENSABILIDADE DO ADVOGADO . no que tange especificamente aos honorários advocatícios. São Paulo.. por óbvio.2% sobre todos os pleitos anteriores. revogando o "JUS POSTULANDI" das partes.. a Reclamada extrapolou o prazo de que trata parágrafo 6º do artigo 477 da CLT. sob pena de complementação das diferenças existentes.SÚMULA 327/STF . 06. É devido o pagamento de FGTS no percentual de 11. senão vejamos: "ADVOGADO . o Reclamante faz a perceber a multa que trata o parágrafo 8º deste mesmo artigo. pelo MM.

. RECLAMANTE EDSON MOURA DE DEUS RECLAMADA PICOS MOTOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA – NEW MOTOS SENTENÇA Vistos etc. conforme o exposto no item 04 supra.Anotação da CTPS do Obreiro de toda a relação de emprego.. .. de .Pagamento indenizado de todas as parcelas do seguro desemprego.. B . Advogado OAB/. conforme o exposto no item 08 supra. com seus respectivos reflexos. DSR. horas extras. E . ISTO POSTO. possa apresentar defesa... com juros e multa legais.....pág. 1. II . devendo todas as verbas serem apuradas em liquidação de sentença. especialmente testemunhal e juntada de novos documentos." DIANTE DO EXPOSTO. RECLAMA: A ...062 e seguintes do Código Civil para o período anterior à propositura da Reclamação Trabalhista.Seja notificada a Reclamada. Juiz Roberto Davis.) 01 supra. III . aviso prévio e demais verbas rescisórias.... para que..Honorários advocatícios. 110) Ainda assim. .. Dá-se à causa o valor de R$ .620/89. conforme o exposto no (. conforme o exposto no item 07 supra.2% sobre todos os pleitos anteriores. FGTS..Juros de mora nos termos da Lei 8. G .. conforme o exposto no item 03 supra.Pagamento de todas as verbas rescisórias inerentes a demissão sem justo motivo... para efeitos de alçada..Parte incontroversa em dobro...Pagamento de todas as horas extras laboradas pelo Obreiro.Correção monetária V .. com integração ao salário para todos os efeitos. H . querendo..... Termos em que pede e espera deferimento. REQUER: I .. C . em face da demissão sem justo motivo do Obreiro. com reflexos sobre férias. 13º salário. sob pena de revelia e confissão. conforme o exposto no item 06 supra..Pagamento do 13º salário relativo ao ano de 1992. de . .177/91 a contar da data da propositura da ação. VI .Pagamento da multa prevista no artigo 477 da CLT. Protesta-se pela produção de todas as provas em direito admitidas. IV .. F .RO 8. "indo" DO/RJ. conforme o exposto no item 05 supra..... no seu respectivo adicional.Pagamento de todas as parcelas de FGTS não depositadas...Juros de mora nos termos do artigo 955. D . 13/09/90 .. não devemos esquecer a lição de que "a atuação da Lei não deve representar uma diminuição patrimonial para a parte a cujo favor se efetiva.. Rel..FGTS no percentual de 11.

razão pela qual pede a improcedência do pedido articulado na inicial. cujo desate ensejará ou não eventuais desdobramentos. DA CONTROVÉRSIA E SEUS LIMITES. é toda construída . a tese da reclamada. A preliminar de carência de ação levantada pela reclamada. DA EXISTÊNCIA OU NÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO NOS TERMOS DO DIPLOMA DISCIPLINADOR. No mérito. II . típico de uma relação de emprego. É o quanto basta relatar. para onde então deve ser dirigida. admitindo apenas a prestação de serviço de natureza autônoma. ajuizou reclamação trabalhista em face de PICOS MOTOS E SERVIÇOS LTDA . Melhor equacionada a questão. em face de alegada inexistência de relação de emprego e da ilegitimidade passiva é matéria que se confunde com a questão de fundo.00. vieram para julgamento.04. honorários advocatícios. se discutida na abordagem de mérito da demanda. invocou a inexistência de vínculo empregatício. Foram colhidos os depoimentos pessoais das partes.I – RELATÓRIO EDSON MOURA DE DEUS. encerrada a instrução processual. com fundamento no seguinte suporte Fático/jurídico aduzido na inicial.000. regularmente representado por advogado. dado que se insere na competência desta especializada o dizer se. Pediu ainda a condenação da reclamada em custas processuais.NEW MOTOS.RAZÕES DE DECIDIR. Se trata. Distribuídos. bem como os benefícios da justiça gratuita. De fato. juntou procuração e documentos. rejeito a preliminar. preliminarmente. Frustradas as tentativas de conciliação. Presentes as partes. alega carência de ação. Partes regularmente notificadas para comparecimento em audiência. PRELIMINARMENTE. MÉRITO. DA CARÊNCIA DE AÇÃO. Razões finais remissivas aos respectivos articulados.2006. existe ou não o vínculo empregatício. pois. A empresa reclamada apresentou defesa escrita na qual. os respectivos patronos. O desnovelo da presente liça passa necessariamente pela análise a respeito da existência ou não de uma relação típica de emprego. de recedente indispensável. De seu lado. numa dada relação jurídica. Deu à causa o valor de R$14. qualificado na inicial. Reduzido a termo o depoimento de uma testemunha apresentada pela reclamada. pois. que foi designada para 06. em face da ilegitimidade passiva para responder a presente demanda. Mercê disso. a reclamante alega em seu favor a prestação de serviço subordinado. Com a inicial. razão pela qual pede a condenação da empresa reclamada nas parcelas e cominações descritas também na inicial e que integram o presente relato. Não havendo mais provas a serem produzidas.

em linhas gerais. guarda coerência com a tese desfiada na defesa. esta apresentada pela reclamada. do CPC. mas tão somente vendedores internos na condição de empregados. de forma objetiva. intermediando vendas de cotas de Consórcio Nacional Honda Ltda e a empresa reclamada. procura vincular o reclamante ao Consórcio Nacional Honda como se a este – ente desprovido de personalidade jurídica – o reclamante fosse formalmente vinculado. o que não passa de uma forma de precarizar os . a todo instante. dando-lhe contornos jurídicos diversos sob o argumento de ausência de elementos suficientes à configuração do vínculo empregatício. Ora. bem com na coleta de prova oral. em face do que não seria devida ao reclamante nenhuma das verbas postuladas. quando se estar a falar de relação de emprego. Alguma renda a empresa reclamada há de auferir com a venda de consórcios da Honda. Ao reverso. onerosidade. Ocorre que o argumento utilizado pelo preposto da reclamada que. O depoimento do presposto da reclamada. a) DA ANÁLISE DA PROVA ORAL. reproduz a tese da defesa. I. Nos presentes autos. nessa condição. como a presente. peças e consórcios) e serviços (assistência técnica). na forma de depoimentos pessoais e de apenas uma testemunha. Inteligência. do CPC e por força da presunção da relação de emprego. a reclamada utiliza-se dos chamados “vendedores autônomos”. Ocorre que para desenvolver suas atividades e se a venda foi do tipo externa. sem qualquer subordinação. de a pessoa indicada como empregador negar como sendo de emprego a relação de trabalho afinal existente. é certo que a reclamada ao ser autorizada a fazer a venda do CNH não o faz apenas a título de trabalho voluntário ou de filantropia. II. que seriam autônomos. porquanto fato constitutivo de seu direito. já que admitida a prestação de serviço. com o fim de demonstrar a inexistência de relação de emprego se prende no fato de que o reclamante era vendedor externo e. nada obstante admita a prestação de serviço por parte do reclamante na condição de vendedor autônomo. porquanto. do art. Para a hipótese. constitui-se encargo do autor tão somente demonstrar. resta evidente que parte do lucro obtido pela reclamada é proveniente da venda de consórcios. 333. tais como a subordinação jurídica. DO DEPOIMENTO DO PREPOSTO DA RECLAMADA EM CONFRONTO COM A PROVA DOCUMENTAL APRESENTADA PELO RECLAMANTE. atrai para si a obrigação de provar que a prestação de serviços não tem natureza empregatícia. Neste passo. ante a dicção do art. autônomo. como se a reclamada – que atua no ramo de vendas de consórcios e motocicletas – não pudesse ter vendedores externos empregados. E lembre-se que a atividade fim da reclamada é a revenda de bens (motocicletas. pessoalidade e não eventualidade. 333.sob o argumento de negativa de vínculo. a produção de provas consistiu na juntada de documentos por parte da reclamante. Tem mais: a reclamada. nesse sentido. a existência da prestação do serviço em favor daquele que alega ser o seu empregador.

se revela inverossímil. em vão. pelo reclamante. Ainda que o depoimento do representante da reclamada não tenha contrariado os interesses da mesma. ou seja. Há de se perguntar então: se é que vínculo nenhum existe entre as partes. contrato de compra e venda. 15. como se reconhece) se encontra juntados aos autos. Da mesma forma que não consegue explicar – se é que vínculo nenhum existe entre reclamante e reclamada – as razões pelas quais o documento de fl. muito embora também tenha declarado (sic) que o ponto de apoio do vendedor externo é a loja reclamada. além de modelos de contratos de vendas do aludido consórcio interno.direitos sociais do trabalhador. Mas semelhante tentativa se revela debalde. É certo que o reclamante nenhuma prova testemunhal produziu. É que a testemunha apresentada pela reclamada apenas reproduziu o discurso feito anteriormente pelo preposto. ficha cadastral. camisetas. fardamentos ou logomarcas da reclamada. E não é só. os documentos referenciados se constituem em indícios fortes da existência de uma relação de . hilário até. De igual modo. DA PROVA TESTEMUNHAL. porque os referidos documentos se encontravam na posse do reclamante. b) DA PROVA DOCUMENTAL E DOS INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. traduzem verdadeiros indícios e presunções da existência da relação de emprego. assim como o certificado de fl. como se fossem ferramentas de trabalho? Ou será que qualquer pessoa do povo pode ter livre acesso aos mesmos? O certo é que. a afirmação do preposto da reclamada no sentido de que o vendedor externo é pago pelo Consórcio Nacional HONDA não passa de mais uma tentativa no sentido de afastar qualquer vinculação direta com o reclamante. a afirmação da reclamada no sentido de que qualquer pessoa pode livremente participar de cursos de formação de vendedores patrocinados pela reclamada e que qualquer pessoa pode se utilizar de ferramentas. 29 (padrão na empresa. Entrementes – e na espécie. à medida que o próprio preposto ao admitir a existência de consórcio interno criado e administrado pela própria reclamada não consegue explicar a razão pela qual se encontra nos autos formulário padrão “CONTRATO DE ADESAO GRUPO DE AMIGOS” de fl. os documentos juntados aos autos com inicial. vez que as testemunhas que se apresentaram para depor revelaram ausência de isenção de ânimo para depor e foram dispensadas. Referem-se a recibos de pagamentos efetuados ao reclamante emitidos pela própria reclamada. 41/42). os vários recibos juntos aos autos – não só aqueles que se referem a comissões CNH – mas outros que se referem a gratificações (fls. a meu sentir. como já registrado. dentre outras. insiste na tecla de que vendedor externo não tem vínculo com a reclamada. 45 firmado por preposto da reclamada comprovam a vinculação direta do reclamante com a reclamada. Nesse sentido. o ônus da prova recaiu sobre a reclamada – a prova testemunhal apresentada pela reclamada não revelou hábil à prova da negativa de vínculo.

porquanto a defesa limitou-se em negar o vínculo de emprego. infere-se a existência de outro. por si só. pois. mas processos mentais de raciocínio lógico pelas quais. sob pena de depor contra o próprio sistema. Diante. . DA UNIDADE DE CONVICÇÃO. resta evidenciado que os referidos documentos se referem a uma folha de pagamento. Portanto. porquanto não se pode conceber que à luz dos mesmos fatos possam surgir decisões judiciais conflitantes entre si. fato ou coisa. Nesses casos. razão pela qual declaro como existente o vínculo de emprego firmado entre as partes no período declarado na inicial e que não foi objeto de impugnação específica. de acordo com o princípio da unidade de convicção. partindo-se de um fato conhecido. o que se constitui. segundo o magistério do cultuado Wagner D. As presunções não são provas. o que se recomenda é que as decisões devem guardar harmonia entre si. revelando-se assim incontroverso. 28/43 se constituem em prova de pagamento efetuado ao reclamante. os recibos de fls. desconhecido” ( e negado. Giglio. só para ficar nesses exemplos. Com efeito. os raciocínios lógicos são as presunções. imperioso reconhecer. A matéria ora posta em debate já foi objeto de apreciação por este magistrado em demandas anteriores envolvendo a mesma situação fática jurídica e que mereceram procedência em parte. A esse ‘outro fato ou coisa’ se dá o nome de indício. o que se faz agora. se há reconhecimento no sentido de que os aludidos recibos foram produzidas pela reclamada. “ o convencimento do julgador resulta de prova direta. realizada pela narração histórica (oral ou escrita) do fato a ser provado. acrescento). Na espécie. Sendo assim. a presença dos supostos configuradores da relação de emprego. depõe contra o próprio sistema oficial de solução de conflito (exercício do poder jurisdicional) o existir decisões divergentes quando examinadas uma situação que tem uma origem comum. ou de prova indireta . já existem decisões judiciais que. presume-se que esteja com pressa” É o caso dos autos. razão pela qual hei de invocar os mesmos fundamentos esposados naqueles autos para concluir pela procedência do presente pleito. por meio de narração ou exibição de um raciocínio lógico. pela inspeção ou exibição de prova. os fatos aqui agitados são os mesmos que foram objeto de reflexão nas decisões anteriores. Os contratos de fls.emprego. De igual modo não há controvérsia acerca da natureza da rescisão contratual. em prova indiciária da existência da relação de emprego contestada. examinando os mesmos fatos e a mesma reclamada e a mesma categoria de pessoas (vendedores) concluíram pela existência da relação de emprego entre as partes. E pelo que restou apurado nos presentes autos. da prova produzida nos autos. Se alguém é visto correndo para apanhar um ônibus. ou seja uma mesma situação fática jurídica. 12/16 são formulários padrões da reclamada. DA REMUNERAÇÃO DECLARADA NA INICIAL.

resolvo por bem deferir o pedido do reclamante no particular para condenar a reclamada no pagamento. AVISO PRÉVIO.Omitiu-se também a reclamada. natureza da rescisão contratual. já reconhecida na presente decisão. 477 DA CLT. defere-se. Defere-se. Ante a natureza controvertida de toda a demanda. Não existindo nos autos qualquer comprovação de regular recolhimento do FGTS. ante a ausência de amparo legal. DA MULTA DO ART. nos termos da lei. DA ANOTAÇÃO DA CTPS DA RECLAMANTE. inclusive no que se refere à multa de 40%. em face da declaração da existência da relação de emprego e da ausência do prévia comunicação da dispensa. defere-se. a reclamada não comprovou nos autos a regular concessão. nos termos do pedido. FÉRIAS ADQUIRIDAS E PROPOCICIONAIS ACRESCIDAS DO TERÇO CONSTITUCIONAL. razão pela qual invocando os mesmos argumentos acima. das férias adquiridas e proporcionais relativas a todo o período laborado. Indefere-se. ao exame dos pedidos em espécie. Defere-se então. De igual modo. FGTS DO PERÍODO LABORADO ACRESCIDO DA INDENIZAÇÃO COMPENSATÓRIA DE 40%. período laborado. defiro o pedido em espécie. ante a rescisão contratual sem justa causa.se. indefere. 467 DA CLT. DA COMINAÇÃO DO ART. ante a ausência de impugnação. por seu zeloso causídico. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.00) de igual maneira reputada incontroversa. gozo e quitação das férias regulamentares. Na fala do cumprimento da obrigação de fazer. acrescidas do terço constitucional. . Trata-se de obrigação que decorre da simples existência da relação de emprego. Ante a ausência de qualquer documento comprovando a regular quitação. 13º SALÁRIO DO PERÍDO LABORADO. converte-se a mesma na correspondente indenização correspondente a 05 parcelas no valor de 01 salário mínimo cada parcela. SEGURO DESEMPREGO. Não comprovada a regular quitação das verbas rescisórias no prazo da lei de regência. de impugnar a remuneração declarada na inicial (média de R$550. valor da remuneração). SALÁRIO FAMÍLIA. Estabelecidas as premissas básicas (existência de relação de emprego.

Liquidação mediante simples cálculos. calculadas sobre o valor de R$5.00. 879. Ante a simples declaração de estado de pobreza. defere-se o benefício postulado. DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. no mérito. das seguintes parcelas.Nada mais. julgar PROCEDENTE EM PARTE o pedido veiculado na reclamação trabalhista para condenar a reclamada no pagamento ao reclamante. 28 de abril de 2006. f) Multa do art. d) Férias adquiridas e proporcionais.ME. rejeitar a argüição de carência de ação.00. por intermédio de advogado. deferem-se no percentual correspondente a 10% do valor de condenação que for apurado em liquidação. em resumo. c) FGTS do período laborado acrescido de 40%. na forma permitida pelo art. que trabalhou para a . Condena-se ainda a reclamada na anotação da CTPS da reclamante relativa a todo o período laborado. preliminarmente.CONCLUSÃO. nos termos da lei. Verba honorária a cargo da reclamada no percentual correspondente a 10% do valor que fora apurado a título de condenação. POSTO ISTO. alegando. Publique-se e registre-se.Pi. decide este Juízo. Picos-Pi. II .. utilizando-se como base de cálculo a remuneração correspondente a R$550. MARLON CORDEIRO DIAS. b) 13º salário do período laborado. da CLT e com os acréscimos legais de juros e correção monetária. SENTENÇA RECLAMANTE MARLON CORDEIRO DIAS ADVOGADO(S) JOSÉ CLENARTO SANTOS RECLAMADA OLIVEIRA & AUTO PEÇAS LTDA . Reclamante e reclamada já previamente cientificados. 70/72 e nos termos da Súmula 197 do TST. 477 da CLT..000. também qualificada nos autos. ajuizou a presente RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em face de OLIVEIRA & AUTO PEÇAS LTDA . e) Indenização do seguro desemprego. com jurisdição na Vara Única do Trabalho de Picos . caput.ME ADVOGADO(S) FRANCISCO PEREIRA NETO Vistos etc. do período laborado acrescidas do terço constitucional. Concede-se à reclamante os benefícios da Justiça Gratuita. INSS e imposto de renda nos termos da lei.Em homenagem ao princípio da sucumbência. consoante ata de fls. no prazo de 48 horas após o trânsito em julgado da presente decisão.00 pela reclamada. Custas de R$100. estimado como valor de condenação. tudo nos termos da fundamentação supra que integra o presente dispositivo: a) Aviso prévio. devidamente qualificado na exordial.

Dispensada a leitura da peça de ingresso.2004. Assim. vale transporte.2002) e remuneração (dois salários mínimos). 72/74).2005. 96/97. da CLT. nos sábados. encerrou-se a . Depois passou a ganhar o equivalente a dois salários mínimos. Cópia juntada tempestivamente (fls.2002 a 31. tendo sua CTPS anotada apenas em 01. Contestação apresentada pela parte reclamada (fls. férias + 1/3 proporcionais. por ter laborado em sobrejornada e nada percebeu sobre tais valores. custas processuais e honorários advocatícios (fl. 487. Sem mais provas. 467. Prova testemunhal às fls. 23/46). 83). da CLT. mais multa de 50% por tal descumprimento.467. Aditamento a inicial quanto aos honorários advocatícios (fl. Juntou procuração e vários documentos (fls. As gratificações natalinas e o FGTS foram quitados somente quanto ao período registrado e a menor. com jornada de trabalho das 07:30 às 18:30 horas. da CLT. seguro desemprego. 13º salário.00 (quinze mil reais). 86/92). a condenação da demandada no pagamento da diferença salarial nos seis primeiros meses do pacto laboral. quando fora dispensado. que era o valor anotado na CTPS. além dos benefícios da Justiça Gratuita. 93/94). horas extras e adicional convencional de 60% e seus reflexos. com base tão-somente no piso da categoria. Informa que nos seis primeiros meses do pacto laboral a parte reclamada pagava apenas o salário mínimo legal.até completar dois salários mínimos . multa do art. 70). desrespeitando o piso salarial da categoria dos comerciários. Atribuiu à causa o valor de R$ 15.empresa reclamada. cláusula 1ª da Convenção Coletiva de Trabalho de 2000 (fls. sempre sem intervalo intrajornada. aviso prévio. Afirma. 97/98. Manifestação tempestiva (fls. e das 07:30 às 16:00 horas. Frustrada a primeira tentativa de conciliação (fls. de segunda a sexta. salário família. saldo de salário. a reclamada apresentou procuração e documentos. no período de 15. diferenças salariais nos termos da cláusula 2ª das CCT’s com 50% de multa e seus reflexos. Requer. 08/65). Determinado que a reclamada deposite em Juízo cópia do contrato social da empresa bem como eventuais aditivos contratuais. são devidos reajustes salariais e seus reflexos nas demais parcelas.09. que trata do reajuste salarial. férias dobradas e simples em todo o período laborado.06. contudo sua CTPS foi registrada apenas com o piso salarial da categoria. nos termos do art. sem justa causa. Aduz que faz jus ao pagamento de horas extras. na função de vendedor.06. Concedido prazo para a parte reclamante se manifestar acerca dos documentos juntados com a defesa. aviso prévio para todos os efeitos – art. ficando o restante .000. percebendo o equivalente a dois salários mínimos. Depoimentos pessoais às fls. bem como ao respectivo adicional convencional de 60% mais repercussões no aviso prévio. ao final. FGTS mais 40% e RSR. 70). bem como as retificações na sua CTPS – admissão (15.sendo pago extra folha. 13º salários.05. também. Alega que o descumprimento da cláusula 2ª das CCTs. que jamais gozou férias nem recebeu o respectivo pagamento. férias + 1/3.

2002 a 31. A reclamada. Das Questões de Mérito: Do período contratual: Alega. Designada audiência de julgamento para o dia 19. para todos os efeitos. de segunda a sexta. quando fora dispensado. . haja vista a percepção de tão-somente o piso salarial da categoria. visto que a jornada diária de trabalho era de oito horas. FUNDAMENTAÇÃO: 1. das 07:30 às 11:30 horas e das 13:30 às 17:30 horas. requer que a reclamação seja julgada improcedente. pois este reside próximo ao antigo local de trabalho. com jornada de trabalho das 07:30 às 18:30 horas. Entende a reclamada que o reclamante não faz jus ao pagamento de horas extras e respectivo adicional de 60% e seus reflexos. em síntese. as verbas rescisórias requeridas. Ressalte que não há direito às férias dobradas e simples. não fazendo jus. Quanto ao saldo de salário não tem direito. nos sábados. tais como: aviso prévio. o reclamante. De tudo o referido. o piso salarial da categoria. ou seja.2002. neste ano. tendo sua CTPS anotada apenas em 01. 13º salário e férias + 1/3 proporcionais. E em relação ao vale transporte. face aos reajustes previstos na cláusula 2ª das CCTs. ficando cientes os litigantes e seus procuradores. de segunda a sexta. nos sábados. Diz. uma vez que durante todo o período laboral percebia apenas o piso da categoria profissional.09.06. pois estas parcelas já foram pagas. Conciliação final rejeitada. no ato da sua demissão. ainda. também não assiste razão ao reclamante. Afirma também não ser devida a diferença salarial. e das 07:30 às 11:30 horas. na função de vendedor. o reclamante já fez beneficiou das parcelas que tinha direito quando de sua demissão. Quanto a indenização relativa ao seguro desemprego. considerandose parte integrante deste relatório.instrução processual. desse modo.05.09. Assevera que o reclamante não faz jus à diferença salarial do salário mínimo para o piso salarial da categoria. às 12:25 horas. não necessitando de condução para se deslocar até o local. conforme seu salário anotado na CTPS. tendo como base o salário apontado pelo reclamante. nos termos do TRCT (fl. sem justa causa. 72/74). nos seis primeiros meses do pacto. e seus reflexos. a reclamada que o autor não forneceu cópia de certidão de nascimento. e seus reflexos. por sua vez. saldo de salário. sempre sem intervalo intrajornada. que laborou para a reclamada. no período de 15. E. sendo que prestava serviço apenas quando havia cobrança a ser feita. à cota de salário-família. e das 07:30 às 16:00 horas. vez que pagava o salário do piso da categoria dos comerciários. alega que o reclamante não foi admitido em 15. nem deu conhecimento à empresa que tinha filho. também prestando serviços de cobrança para outras empresas. percebendo o equivalente a dois salários mínimos. pois. Por fim.2005. ainda. em contestação (fls. ele prestava serviço externo como cobrador da firma e recebia por comissão. Razões finais remissivas aos articulados. pedindo.2005. informa ter pago ao obreiro.2004. incorpora-se o teor respectivo ao presente.06. 19).

13 e 29. do art. no entanto. 97). mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. é obrigação do empregador promover as devidas anotações do contrato de trabalho. em média.2005). Diante do conjunto probatório dos autos. na função de vendedor interno. com cautela. Do período contratual: Para o exercício de qualquer emprego – em face da presunção por força da regra geral .ide arts. a condenação do reclamante na verba indenizatória por litigância de máfé.06. como o registro do empregado em livro ou ficha devidamente autenticados ou através de sistema eletrônico. Defere-se. a contestação. À luz do disposto no inciso XIII. CLT). fixo o período contratual no interstício de 15. entendo como devido o pagamento de horas extras ao obreiro (art. conforme modelos e instruções do Ministério do Trabalho. sendo 8 horas diárias. à base de 1h (uma hora) por dia. para que conste a data correta da admissão – 15. Como se verifica. facultada a compensação de horários e a redução da jornada.É OBRIGATÓRIO O CUMPRIMENTO DE CERTAS FORMALIDADES (obrigações de fazer).06.00 (quatrocentos reais) (fl. CPC).ainda. e o depoimento da própria parte reclamada “que o reclamante foi admitido em janeiro de 2004. 73). se o limite legal é de 44 horas semanais. bem como da ausência de anotações em sua CTPS. sendo 8 horas diárias e não havendo nos autos acordo ou convenção coletiva de trabalho capaz de autorizar a compensação do labor ou a redução da respectiva jornada – ônus afeto ao empregador . além das anotações de sua CTPS 1.neste ano (2002).05.. 131. ele prestava serviço externo como cobrador da firma e recebia por comissão” (fl. 13). a duração do trabalho normal é de 44 horas semanais. onde fará prova de que o contratou ou o demitiu em data distinta daquela alegada na exordial. mormente no ser crível que a loja fique aberta ao público até 19:00 horas e. como relatado pela parte reclamada em depoimento (fl. 464. a prestação dos serviços além da oitava. equivalente a dois salários mínimos. Do trabalho em sobrejornada: O serviço suplementar é fato constitutivo do direito ao recebimento de horas extras e respectivos reflexos. “. Examinemos ponto por ponto. 96).2005. com dispensa imotivada da parte reclamante.tenho como hora extraordinária.e a remuneração equivalente a dois salários mínimos legais. . em média. de segunda a sexta e aos sábados 4h (quatro horas). que antes de 2004 o reclamante trabalhou como cobrador para o depoente e outras empresas” (fl.06. impondo a fixação das horas extras. Das anotações em CTPS: Defere-se o pedido de retificação da CTPS. então. CLT Em que pese os argumentos lançados na peça defensória.. em especial o recibo no valor de R$ 400. 1. Trago à baila o PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL. o pagamento da diferença salarial nos seis primeiros meses do pacto laboral (art.2002 a 31. 7º da Constituição Federal de 1988.2002 a 31.2002 . ficando o reclamante com sua CTPS e a reclamada com o respectivo registro. durante todo o período laborado (15. o empregador dispensa os empregados às 17:30 horas.05. Ora.

considerando as afirmações constantes da inicial. nem deu conhecimento à empresa que tinha filho. verifica-se o não pagamento do salário-família. o reclamante faz jus ao recebimento da parcela salário-família. isso não o exime do pagamento de tal parcela. 133. notadamente a impugnação da reclamada. 477 da CLT. saldo de salário. descontados os já recebidos. Dos benefícios da Justiça Gratuita: Basta a declaração de pobreza para assegurar o direito à gratuidade da Justiça (art. do conjunto probatório dos autos. consiste na qualificação da conduta. daquele que atua em Juízo. não é crível a argumentação da reclamada. 17. Defere-se. convencido de não ter razão. haja vista as divergências entre a anotação da CTPS e o valor da remuneração. conforme fl. então. ou criar-lhe obstáculo ao . o pleito remanescente. verifica-se que o autor não demonstrou que tenha trabalhado. Do salário família: Analisando os autos. 13º salário. sob o argumento de que o reclamante não forneceu cópia de certidão de nascimento. em horário extraordinário. Contudo. acompanhando desta forma a jurisprudência dominante do Egrégio TRT d 22ª Região. § 4. 13º salário proporcional. 4º. deferem-se os benefícios da Justiça Gratuita ao reclamante. posto que cumpridas as formalidades legais para a sua concessão. CLT). independentemente de atestado.060/50). 14) razão pela qual defere-se o pleito em referência. repetimos. Assim. Do vale transporte: Observa-se que o trabalhador em seu depoimento afirmou “que se deslocava ao local de trabalho utilizando carro próprio” (fl. O Código de Processo Civil. Da litigância de má-fé: Entende a demandada ser o reclamante litigante de má-fé. 20. o pleito em referência. dispõe que é reputado litigante de má-fé aquele que adotar procedimento enquadrável nos incisos I a VII do art. Defere-se. sob o prisma processual. férias + 1/3 constitucional integral. Assim. em tais dias. verifica-se que há diferença entre os valores recebidos pelo obreiro a título de seguro desemprego e os valores efetivamente devidos ao reclamante. 96). do CPC. Das horas extras (domingos e feriados): Indefere-se o pleito. conforme cópia de certidão de nascimento juntada aos autos (fls. férias + 1/3 constitucional proporcional. 464. nos termos do art. da CF/88. então. aplicável subsidiariamente ao processo trabalhista.com reflexos nas parcelas rescisórias lançadas no TRCT de fl. o pagamento de férias simples e em dobro em todo o período laborado.906/94. pois. então. da Lei nº 1. legalmente sancionada. e FGTS. art. descontando-se os valores já pagos. Defere-se. 19 e 82. ainda mais quando. em homenagem ao Princípio da Sucumbência. Das férias: Compulsando os autos. além dos reflexos sobre: aviso prévio. Dos honorários advocatícios: Fixo a verba honorária à base de 15% (quinze por cento) sobre o montante apurado. da Lei Nº 8. com ânimo de prejudicar adversário ou terceiro. então. e. 19. A má-fé. Do seguro desemprego: De plano. além dos depósitos fundiários e multa de 40%.º. Indefere-se. o pagamento das horas extras e adicional convencional de 60%. verifica-se que não há comprovantes de pagamento de férias (art. multa do art. art 22.

férias + 1/3 constitucional proporcional. Correção monetária e juros na forma da lei e nos termos da Súmula nº 200.00 (duzentos reais). as horas extras e adicional convencional de 60% e respectivos reflexos sobre: aviso prévio. descontando-se os valores já pagos. TST). Verba honorária à razão de 15% sobre o montante apurado. Partes e procuradores cientes da presente decisão (Súmula 197. sob pena de execução. no vertente caso. perante a Secretaria desta Vara o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre todo o período laborado. a DRTb-PI para as providências cabíveis. ainda. comunicando. saldo de salário. a qual passa a integrar o presente dispositivo. sob pena de multa diária de R$ 200. salário família e indenização correspondente às diferenças do seguro desemprego. 19 de setembro de 2005. Publique-se e registre-se.00-0 CLASSE: RECURSO ORDINÁRIO ORIGEM: 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO-RO RECORRENTE: J. calculadas sobre o valor de R$ 10. do Colendo TST. como se nele estive transcrito. julgo PROCEDENTE EM PARTE o pedido objeto da presente RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. 477 da CLT.000. LONDE RAPOSO ADVOGADOS: VALDOMIRO JACINTHO RODRIGUES E OUTRA . M.00 (dez mil reais). até o limite de 10 (dez) dias. Demais pedidos IMPROCEDENTES à míngua de respaldo legal. pelo que rejeito a argüição. bem como os demais limites e parâmetros aqui decididos.14.2003. após o trânsito e liquidação do julgado.exercício de direito. 13º salário proporcional. Concedo ao reclamante os benefícios da Justiça Gratuita. Não vislumbro. 13º salário. as parcelas decorrentes da diferença salarial nos seis primeiros meses do pacto laboral. pela parte reclamada. atribuído à condenação. no prazo de quarenta e oito horas. PROCESSO: 00437. PicosPI.ME para o fim de condenar a reclamada ao pagamento. a parte reclamada a proceder às retificações necessárias na CTPS do reclamante. A sentença deverá ser liquidada por simples cálculos. no prazo de 05 (cinco) dias após o trânsito em julgado do decisum. férias simples e em dobro em todo o período laborado. multa do art. Custas processuais no importe de R$ 200. indícios de má-fé por parte do reclamante. férias + 1/3 constitucional integral. e FGTS. em quinze dias do trânsito em julgado da decisão.005.00 (duzentos reais). aforada por MARLON CORDEIRO DIAS em face de OLIVEIRA & AUTO PEÇAS LTDA . ainda. Imposto de Renda na forma da lei. DISPOSITIVO: Isto posto. Tudo em fiel observância à fundamentação supra. observando a remuneração mensal percebida pelo reclamante. com os acréscimos legais. sem prejuízo de ser feita pela própria Secretaria da Vara. A reclamada fica ainda obrigada a comprovar. Condena-se.

inclusive com pagamentos de salários através de recibos confeccionados pela própria reclamada. para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenhará (ainda Amauri Mascaro Nascimento). restaram presentes os requisitos caracterizadores do . PROPAGANDISTAS VENDEDORES E VENDEDORES DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS DO ESTADO DE RONDÔNIA . 2 FUNDAMENTAÇÃO 2. mas em seu lugar. conforme certidão de fls. pois estão preenchidos os pressupostos legais de admissibilidade. a palavra subordinação. condenando-a ao pagamento das verbas trabalhistas. se o trabalho é prestado. Se o trabalhador não é subordinado. 1 CONHECIMENTO Conhece-se do recurso ordinário patronal. Em se tratando de trabalhador autônomo não há o poder de direção sobre a atividade exercida.1. A CLT. será considerado trabalhador autônomo. RECONHECIMENTO DO CONTRATO DE EMPREGO. sob a dependência deste e mediante salário'. Verificar. e um dos pontos primordiais é o exame do requisito dependência. em cada caso. pelas razões que doravante serão sustentadas. Como não existe definição legal de subordinação. 3º da CLT: 'Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador. 798. segundo nos ensina Amauri Mascaro Nascimento. ou seja. deve ser mantida a sentença de 1º grau. sustentando que o reclamante era na verdade representante comercial e laborava sem os requisitos do artigo 3° da CLT. generalizou-se na doutrina e jurisprudência. com autonomia. É o relatório aprovado em sessão. Sem contrarazões. 1 VÍNCULO EMPREGATÍCIO . A definição legal usa a palavra dependência. 2.VENDEDOR EXTERNO Versam os presentes autos de recurso em que a recorrente-reclamada insurge-se contra a sentença que reconheceu o vínculo empregatício de vendedor externo a partir de 17. O autônomo não está subordinado às ordens de serviços de outrem.SERVIPROFARO ADVOGADO: JOSÉ ADEMIR ALVES PROLATOR: JUIZ SHIKOU SADAHIRO REPRESENTANTE COMERCIAL. 2 MÉRITO 2. A Juíza Relatora lançou as seguintes premissas. ASSISTIDO PELO SINDICATO DOS EMPREGADOS VENDEDORES E VIAJANTES DO COMÉRCIO PROPAGANDISTAS. como quiser e segundo os critérios que determinar. não empregado. Recurso Improvido. uma vez que sendo independente trabalhará quando quiser. a doutrina a conceitua como uma situação em que se encontra o trabalhador. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA DE 1º GRAU. interpõe o presente recurso. pelo que a sentença não deveria ser mantida. 2. se há. Empregado é um trabalhador subordinado. na forma do artigo 3º da CLT. decorrente da limitação contratual da autonomia da sua vontade. o empregado. Para o deslinde da questão posta em juízo necessário se faz analisarmos a distinção entre empregado e trabalhador autônomo. e não é aplicável a trabalhadores autônomos. RELATÓRIO O recorrente inconformado com a sentença prolatada pela Juíza Isabel Carla de Melo Moura Piacentini que julgou procedente em parte a reclamação trabalhista entendendo pela existência do vínculo empregatício alegado pelo autor. ou não contrato de trabalho é a tarefa do juízo. durante a leitura do seu voto: "Os requisitos legais da definição de empregado estão no art. a Juíza Relatora não reconheceu o vínculo empregatício." Mas. uma vez que o vínculo existente era de emprego. passo seguinte. ou não. ou seja. Restando configurada a fraude na pactuação entre as partes. No presente caso.2000. de maior importância eis que permite distinguir o trabalho subordinado do trabalho autônomo. o que não merece prevalecer.RECORRIDO: ANÍSIO REIS FERNANDES FILHO. a legislação trabalhista é voltada para a proteção do trabalhador subordinado. empregado é um trabalhador cuja atividade é exercida sob dependência de outrem. FRAUDE.

não havendo contratação de terceiros para ajudá-lo.754). editora Saraiva. não havia a proximidade física com os superiores hierárquicos. no qual nem sempre haverá contato diário ou direto.Havia dependência jurídica do reclamante. asseverando que a questão da subordinação acaba ficando mitigada. pelo fato de ser vendedor externo.O reclamante recebia salários pelo labor executado. PESSOALIDADE. corroborado com o depoimento da testemunha IZABEL CRISTINA REI DA FRANÇA GARRA (fls. o que implica também em haver dependência econômica. nº24.O reclamante prestava os serviços por conta alheia.01. os vendedores não poderiam vender produtos de concorrentes" (fl. mas por vezes apenas a estipulação das orientações gerais e necessárias às tarefas a ser cumpridas pelo empregado. O professor Octávio Bueno Magano muito bem expressou a evolução no campo do trabalho ao dizer que a aglutinação de trabalhadores em um mesmo local de trabalho vai converter-se em fato de freqüência cada vez menor. CONTINUIDADE . juntamente com a peça de defesa. era um trabalho sem qualquer assunção de riscos pelo trabalhador. a prova documental revela também a continuidade das atividades do reclamente. como o elo entre o empregado e o empregador. por relatórios e outras formas ("in" TRABALHO À DISTÂNCIA. SUBORDINAÇÃO . observandose que em alguns casos poderá verificar-se muito mais autonomia do que subordinação. como no presente caso em que a atividade é simplesmente vender os produtos da empresa e isso o reclamante efetivamente executou. 754). A tecnologia acaba criando uma nova forma de subordinação. sem necessidade de repetir tais orientações diariamente. na contestação. conforme foi afirmado pela testemunha IZABEL CRISTINA REI DA FRANÇA GARRA: "que ao que sabe. A situação clássica do patrão. o início do contrato em 17. também. em outra praça de atuação diferente da sede da empresa. na forma a seguir discriminada. ONEROSIDADE. O não menos ilustre doutrinador Sérgio Pinto Martins assevera que o trabalho à distância não é somente aquele realizado na residência do empregado. como o teletrabalho. artigo publicado na revista TRABALHO & DOUTRINA. tanto que a própria reclamada não nega. pois a tendência é que o exercício da atividade econômica se distancie do modelo de concentração em grandes fábricas e armazéns ("in" TRABALHO À DISTÂNCIA. ALTERIDADE.vínculo empregatício.04/05).O próprio reclamante executava a atividade de vendedor.2000. é no sentido de não ter ocorrido dedução por inadimplência de clientes (transferência dos riscos da atividade econômica). até porque havia exigência de exclusividade. conforme declarou a testemunha PERCIVAL STORTO. realizar a fiscalização pessoal já não existe em diversas profissões. sendo que existem outras modalidades. mediante o pagamento de remuneração. Quanto ao cumprimento de horário. mas neste ponto é necessário entender que as relações de trabalho vêm sofrendo modificações com o passar do tempo. encontramos vários empregados que trabalham a quilômetros de distância do empregador e nem por isso deixam de ser empregados. Note-se que a tese da defesa. além de reconhecer o comparecimento do obreiro pelo menos uma vez ao mês para efetuar "acertamentos de contas e recebimentos" ("sic"). pág. no tópico referente ao pleito de restituição de descontos indevidos. ou seja. 753/754). Hodiernamente. mas . editora Saraiva. nº24. uma vez que este exercia as atividades de venda em conformidade com as orientações da empresa. pág. Ademais. artigo publicado na revista TRABALHO & DOUTRINA. e ressalte-se que os recibos de salários de fls. por produção. com vendas no campo de atuação mencionado na petição inicial.O trabalho do reclamante não era eventual. 663 a 669 foram apresentados pela própria reclamada.03). Tais recibos de salários eram confeccionados pela empresa. da mesma forma há diversos trabalhadores que não possuem controle de horário e nem por isso deixam de ser empregados. A subordinação deve ser compreendida. ou outra pessoa designada. E o empregador pode ter o controle da atividade do empregado por intermédio do computador. diretor financeiro da reclamada (fl. Obviamente. fruto por exemplo da maior eficiência nos meios de comunicação e intercâmbio econômico.

Destarte. por tal razão.sim por se referirem tais descontos aos adiantamentos de valores. conforme também ressaltado pelo Juízo de 1º grau. que reconheceu o contrato de emprego. conforme asseverado em linhas passadas. Sem razão. neste particular. o liame empregatício foi reconhecido. 2. Logo. na parte dispositiva da sentença. 772) não possui o condão de sanar a omissão. há outros que merecem registro.2. na inexistência do contrato de emprego e.2. 2. Neste tópico. que fixou a remuneração do obreiro em observância ao disposto na Cláusula 29ª dos Instrumentos Normativos. 753). ou seja. colacionados aos autos juntamente com a petição inicial. tendo em vista o reconhecimento do liame de emprego. verifica-se que a reclamada agiu em total fraude aos direitos trabalhistas (artigo 9º da CLT). Nada a reformar. Quanto à utilização de veículo da empresa. usava uma motocicleta. 2. inexiste qualquer contrato da ventilada representação comercial e os recibos eram emitidos em nome do próprio reclamante. Com efeito.5 DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O recorrente pleiteia a exclusão dos honorários advocatícios no percentual de 10%. uma vez que o vínculo entre as parte era empregatício. ficando naquela época pactuado uma comissão sobre as vendas de 6% (seis) por cento. fl. Ressalte-se que a mera transcrição de "tudo conforme termos e parâmetros da fundamentação supra que integra a presente decisão. 2. 654) Do exposto pela afirmação da própria reclamada. tanto que a testemunha IZABEL CRISTINA REI DA FRANÇA GARRA declarou: " que nesta cidade trabalham 8 vendedores externos e 1 interno" (fls. neste tópico. verifica-se que na peça de defesa a reclamada reconheceu o fornecimento. de conseguinte. ou seja. a condenação em honorários advocatícios. não possui objeto. na medida em que até o veículo foi fornecido ao obreiro para a execução das atividades de venda. tendo em vista a manutenção da sentença quanto ao reconhecimento do contrato de emprego entre as partes. no presente caso. novamente. reforça-se a vinculação empregatícia. o que implica na ausência de condenação da mencionada verba. seria o percentual aumentado para 7% (sete) por cento de comissão mensal sobre as vendas efetuadas" (fl. Ocorre que o recurso. foi emprestado um veículo da empresa. mas o argumento é singelo no sentido de não existir vínculo empregatício. neste particular. "in verbis": "como o reclamante na época que laborava como preposto. devendo ser mantida a r. aduzindo que a sucumbência foi parcial e que o recorrido percebia valor mensal superior a dois salários mínimos. Além dos fundamentos supra. sentença de 1º grau. 2. Deve ser mantida a sentença. tal parcela não constou no respectivo dispositivo. 2. a média dos valores recebidos nos últimos cinco meses. o recorrente também faz menção ao FGTS. 2 DA REMUNERAÇÃO O recorrente requer a reforma da sentença quanto à remuneração. não conseguiu desconstituir os fundamentos da sentença "a quo". a própria reclamada sustentou a alteridade do contrato. pretende a não obrigatoriedade de anotar a CTPS do obreiro. na medida em que não houve. Ademais. enquanto fosse utilizado o veículo da empresa. mas a argumentação também é apenas no sentido de não existir direito a tal verba para os autônomos. Ocorre que. para todos os efeitos legais" ("sic". apesar de ter constado a apreciação da verba honorária na fundamentação da sentença. Pois bem. e quando fosse adquirido o veículo próprio do vendedor viajante. necessita de vendedores. a inexistência de vínculo empregatício com a conseqüente desnecessidade de pagar verbas rescisórias. até que o mesmo pudesse adquirir o seu próprio. A atividade-fim da reclamada é a comercialização de produtos e. na forma do artigo 3º da CLT. novamente. pois a remissão refere-se aos fundamentos e .3 DA RESCISÃO CONTRATUAL Alega o recorrente que a sentença reconheceu a data de extinção do pacto como sendo em outubro de 2001 e sustenta.4 DA ANOTAÇÃO NA CTPS O inconformismo do recorrente é fundamentado.

: 00091. Não houve interposição de embargos de declaração e. a incidência do art. fl.PROC. a faculdade de pronunciar-se. conheço do recurso ordinário e. NU. assim. à fl. Será prolator do acórdão o Juiz Shikou Sadahiro. verbalmente.00-4 RECURSO ORDINÁRIO RECORRENTE: ELIZABETE ALVES BATISTA RECORRIDA: MARIA DUCILEIDE BATISTA NUNES (IGUATUBUS) E M E N T A: RELAÇÃO DE EMPREGO. Prejudicado o recurso. Sessão de julgamento realizada no dia 28 de setembro de 2004. O Ministério Público do Trabalho. negar-lhe provimento. 62 da CLT. Inconformada. intempestivas.56. posteriormente dispensadas. No presente caso. destaca que a prestação de serviços externos não é óbice ao reconhecimento do liame laboral alegado. as parcelas efetivamente deferidas estão discriminadas na parte conclusiva da sentença. pela recorrida. 2. às fls. portanto. calculadas sobre R$ 56. Requer. 49/51. 74. e isto. Por fim. Trata-se de recurso ordinário proveniente da Vara do Trabalho de Souza/PB. indubitavelmente. A liberdade na prestação dos serviços por parte da reclamante foi. 59. pois afirma que tal prova oral esclarece a favor da relação de emprego. ressalvando. por maioria. recorrida. Porto Velho (RO).2004.13. os benefícios da Justiça Gratuita para isenção no pagamento das custas. A Juíza a quo. Vistos etc.428. fundada na declaração de pobreza acostada à fl. ou pedir vistas dos autos. 55/57. fls. 3º da CLT. 3 DECISÃO ACORDAM os Juízes do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região.012. portanto. não só a partir da interpretação de lições doutrinárias que transcreve. Custas pela reclamante.não a algum deferimento de pedido que tenha sido omitido no dispositivo. 66/70. sustenta devidamente provada a vinculação empregatícia aduzida na exordial. conhecer do recurso ordinário. por completo. recorre a reclamante. o provimento do recurso para que a ação seja julgada procedente em todos os seus termos. contra MARIA DUCILEIDE BATISTA NUNES (IGUATUBUS). no entanto. no importe de R$1. pleiteando. ora recorrente. à unanimidade. deixou de opinar. Recurso ordinário ao qual se nega provimento. mas também pelos próprios depoimentos de que se valeu a magistrada para indeferir o pleito exordial. Contra-razões. apenas neste particular. 58. a tênue distinção existente entre esta e o serviço autônomo. restou preclusa a oportunidade de sanar a omissão quanto à verba em comento. inicialmente. no mérito. nego-lhe provimento.3 CONCLUSÃO Dessa forma. julgou improcedente os termos dos pedidos formulados pela reclamante em face da reclamada.128. sendo certo que o dispositivo é que transita em julgado. na sessão de .00. pela sentença às fls. No mérito. NÃO CARACTERIZAÇÃO. nos autos da reclamação trabalhista proposta por ELIZABETE ALVES BATISTA. Em seguida. o que revela a condição autônoma da reclamante e afasta. ante a previsão legal insculpida no inciso I do art. vencidos os Juízes Relator e Revisor. 04 de outubro de 2004 ACÓRDÃO . a tônica resultante do conjunto probatório dos autos.

50 da decisão atacada. No particular. porque preenchidos os pressupostos atinentes à espécie. A irresignação em apreço.. ADMISSIBILIDADE Conheço do recurso interposto. afigura-se esclarecedora da liberdade da reclamante na execução dos serviços. na medida em que só reafirmou a natureza Pautônoma dos serviços prestados. se corrobora nos próprios depoimentos das partes colhidos na fase instrutória Assim.)”. além de não apresentar relatórios das atividades à empresa reclamada. segundo sustenta. da CLT. uma única vez ao mês. consignado à fl. eis que. cuidava de suas atividades com total liberdade. do CPC. para percepção de comissão. e que. em verdade.. São da própria autora as afirmações de que “(. era da própria reclamante a escolha destes mesmos clientes. não serviram para fortalecer a tese autoral. inclusive.. a transcrição de parte do depoimento autoral. na medida em que. às fls. fato este que. É o relatório.julgamento. em síntese. a orientação da autora na escolha da rota de vendas fornecida pela reclamada não tem. a autora foi ..) a depoente não precisava pedir autorização para fazer as vendas (.. os elementos probatórios dos autos conduzem à existência de relação empregatícia havida entre si e a recorrida. seja quanto ao horário. quando a reclamada sustenta que tais serviços lhe foram prestados de forma autônoma. sob o argumento de que. MÉRITO A recorrente visa a reforma da sentença sob a alegação de que. a total ausência desta prática também reafirma a inexistência de subordinação entre as partes. 333. caso entenda necessário. Segue seu raciocínio. Ressalta-se. mas que não teve sua CTPS anotada. o qual demandava constante ação externa. a demandante prestou-lhe serviços na condição de representante comercial.) se encarregava de fazer seu próprio itinerário de vendas. E pelo contexto do referido depoimento. 40/41. 62. conclui seu arrazoado invocando o art. como permissivo legal ao reconhecimento da figura do empregado vendedor externo. além do que o seu comparecimento perante à demandada. visava tão-somente o ajuste de contas. a prova colhida nos autos revelou-se favorável à tese patronal. justifica-se pelas próprias condições do labor que exercia. ex vi do art. (. conforme confessado em seu depoimento. ao contrário do que decidiu o Juízo de Primeiro Grau.. bem como no fato de a demandada influir na escolha dos clientes. é seu o ônus da prova. ao final. Por fim. inclusive para fins de cumprimento da meta alegadamente estipulada pela recorrida. A reclamante afirmou na exordial que laborou na função de empregada vendedora para a reclamada no período de 01/11/1998 a 31/01/2004. o condão de erigir a natureza subordinativa da relação entre as partes. como tenta fazer crer a recorrente em suas razões recursais. portanto. Quanto ao controle de jornada. De fato. Entretanto. apresentadas pela reclamante à empresa reclamada. ventilando que a hipótese de subordinação estaria espelhada nos aspectos acima. mais uma vez. A reclamada defendeu a tese de inexistência de vínculo empregatício. I. volta-se claramente contra a avaliação procedida pelo Juízo a quo da prova oral produzida. como vendedora autônoma. que as fichas cadastrais dos clientes. II. Assevera que isto só se deu a partir do ano de 2000. por si só. seja quanto ao estabelecimento de rota e de escolha dos clientes. aduz que a afirmação contida em seu depoimento pessoal de que só ia ao estabelecimento reclamado uma vez ao mês. como afirmou o preposto em seu interrogatório. autônoma.

Negada a relação de emprego. incumbia ao reclamado o ônus de provar a inexistência dos requisitos definidores da pretendida relação de emprego (art. a falta do controle em questão contribuiu para distanciar a alegada subordinação na relação jurídica havida entre as partes. relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas. para revenda. os riscos do negócio ficavam a cargo da reclamante. A experiência tem mostrado que.AUTÔNOMO OU VENDEDOR EMPREGADO . a ausência do elemento subordinação vem sendo o parâmetro recorrente para fundamentar a negativa de vínculo em decisões dos nossos tribunais: “RELAÇÃO DE EMPREGO. A hipótese revela que. a sua força de trabalho.: MÁRCIA MAZONI CÚRCIO RIBEIRO) “RELAÇÃO DE EMPREGO . era uma prática adotada pela reclamante. assim acusado na contestação à fl. como se deu in casu. revelando-se na direção . I.. A situação lhe resguardava autonomia profissional e possibilitava auferir renda superior à percebida caso empregada fosse. apenas para ajustes de contas. em proveito próprio. modelo e tempo em que se desenvolve a representação comercial.) o horário era estabelecido pela depoente (.25. aliás. Aqui não se cuida da isolada apreciação do art. como bem destacou a magistrada na sentença recorrida. dispondo ao seu alvedrio do método. Some-se a isso. de que se valeu a recorrente. 62. só por isto. sem a ingerência da Reclamada. no montante de R$ 4. à fl. INEXISTÊNCIA.” (TRT 10ª Região. porque arcava com débitos originários da inadimplência dos seus clientes perante a reclamada. Aliás. mas admitida a prestação de serviço. decisão.955.peremptória em afirmar que “(. Vistos.NATUREZA DA RELAÇÃO JURÍDICA HAVIDA. ROPS: 00220.. da habitualidade no comparecimento da autora à empresa reclamada. vez que propiciava a percepção de comissão por cadastro realizado. nesse sentido. A adesão da reclamante à rotina de trabalho. cada uma. E a condição externa da prestação dos serviços não afastaria. o que não se verificou nos presentes autos. de fato. A forma de prestação de trabalho e as condições de desenvolvimento das obrigações entre as partes contratantes indicam a real qualificação de cada uma delas e sua exata titularidade jurídica. dentre outros elementos. no presente caso. o real empregado da sede do labor. para certas categorias profissionais. Para a Justiça do Trabalho o elemento definidor da existência de relação de emprego é a presença de subordinação jurídica entre as partes. o fato de que a compra de mercadorias à reclamada. A vendedora autônoma exerce habitualmente e por conta própria atividade profissional remunerada. Mantenho a r. método próprio à separação das personalidades. é muito tênue a linha que separa o profissional autônomo do empregado. tendo. foi pacífica e sem qualquer oposição. impossível o acolhimento do pleito inicial. Rel.. De toda sorte. 50. da CLT. O problema gerado pela miscelânea de feições não é privativo do Direito do Trabalho. ANO: 2003. explorando. a ausência de permanente fiscalização da obreira poderia apenas afastar a caracterização do trabalho extraordinário.. E. 3º. instituída no reclamado. Outras esferas do direito padecem do mesmo mal.)”. No pólo antiético a subordinação é apreendida pelo poder de comando empresário. Em tais hipóteses. confessou a autora a existência de um débito atual junto à reclamada. do que se desincumbiu. possibilitando-o a uma esporádica presença no estabelecimento. Provada a condição operária de profissional autônomo. 20 e admitido no depoimento autoral. ante a ausência. da CLT). matéria estranha à lide.

na aplicação de sanções ao tempo do desatendimento de ordens expedidas. 1999. convergindo. qualificando-se como comerciante. Nesse raciocínio. a tônica resultante do conjunto probatório dos autos. tendem a caracterizar a relação empregatícia: “(. 593) aponta similitudes entre ambos os liame jurídicos: “São estes os traços fronteiriços usualmente identifi-cados: remuneração parcialmente fixa. nos conclusivos termos da sentença recorrida. cláusula de não-concorrência. exigência estrita de cumprimento de horário de trabalho. agindo como o dominus negotii. João Pessoa/PB. REL. Juíza Emília Facchini) Oportuno ainda destacar o reconhecimento doutrinário acerca da sutil diferença da relação empregatícia e da representação comercial... presença de diretivas e orientações gerais do representado ao representante. pelo tomador.) reporte cotidiano do trabalhador ao tomador de serviços. 2º. 2ª edição. como se viu. presença de planos específicos de atividades em função de certo produto. pág. 20 de outubro de 2004. a incidência do art. eis que a inobservância a tal critério formal não conduz. O acervo probatório. ACORDAM os Juízes do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região.” (TRT: 3ª Região. aponta alguns elementos que.da prestação de serviços. Isto posto. negar provimento ao recurso. 3º da CLT. Nem mesmo a ausência de prova do efetivo registro da reclamante como representante comercial (art. por unanimidade. no período em discussão. não poderia suplantar a confissão autoral flagrada com o depoimento da reclamante. tais exemplos não se amoldam ao caso em apreço.” Antes. RO: 1259. indubitavelmente. à conclusão da existência de relação laboral. QUARTA QUESTÃO .886. com todos os aspectos fáticos advindos da instrução processual. por completo. não demonstraram a necessária intensidade. de forma que se pudesse efetivamente identificar a tipificação do elemento subordinação. o que revela a condição autônoma da reclamante e afasta. das atividades desenvolvidas pelo obreiro. fruto do fato modificativo alegado na defesa. visando nortear a distinção das relações em comento. repetição e continuidade de ordens por parte da reclamada. trazendo ínsita a idéia lecionada por Ribeiro de Vilhena de ‘preparo e conclusão do negócio em nome próprio’. existência de sanções disciplinares. que pelo seus próprios fundamentos se mantém. A liberdade na prestação dos serviços por parte da reclamante foi. Nenhum desses elementos ficou provado. a Reclamante exerceu suas funções com liberdade dentro do critério tempo-espaço. Nesse tom é que a lição de Maurício Godinho (in “Curso de Direito do Trabalho”. de 09/12/65) serviu para enfraquecer a tese da defesa. controle cotidiano. descrevendo o roteiro e tarefas desempe-nhadas. nego provimento ao recurso.” Mas. impondo conclusão de que. porém. é de se concluir que a adoção da técnica processual tão-somente fundada no ônus probatório a cargo da reclamada. visando a direção dos serviços pactuados. da Lei 4. por si só.

contratado pela empresa "Refrigerantes Ltda. e na forma do princípio da primazia da realidade do fatos que informa o Direito do Trabalho. 62 foi objeto de recepção por tratar de situação excepcional. possui direito o autor ao recebimento das horas extras uma vez configurado o labor excedente de oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. pois a bem da verdade o autor era controlado em sua jornada e exercia atividade compatível com a fixação de horário de trabalho. a partir de carteira de clientes de sua área. I da CLT não impede a aplicação da proteção mínima referente ao instituto da Duração do Trabalho. que em média era de 10 horas. de manutenção de controle de horário pelo empregador. dada a exceção a que estavam sujeitos os seus vendedores. 7°. em que pese o empregador haver preenchido as formalidades legais para adoção do mencionado modelo excepcional. restou evidenciada a existência de controle indireto da jornada do reclamante. há de se reconhecer que a formalidade efetuada pelo empregador quanto ao enquadramento do reclamante na exceção do art. conforme seu art. DIAS CASTRO . Dessa forma.PROCESSO TRT RO Nº 816-02 RECORRENTE: MARCELINO MIGUEL DE OLIVEIRA (PATRONOS: AUGUSTO CRUZ E OUTROS) 1º RECORRIDO: D. onde pretende o pagamento de horas extras. onde restaria configurada a impossibilidade. pela própria natureza do trabalho. provendo no mínimo 20 (vinte) visitas diárias. o que induz a possibilidade de manipulação da quantidade de trabalho a ser desenvolvida pelo empregado. bem como a fiscalização dos horários de início e término de visita a cada cliente por telefone. FARIA) (PATRONOS: HUDSON DE CASTRO MAGALHÃES E OUTRO) ORIGEM: MM. de segundas a sábados. I da CLT somente é aplicável ao trabalhador externo cujo serviço seja incompatível com a fixação de horário de trabalho. ACÓRDÃO Nº 716/03 . onde não se pretende precarizar a situação do trabalhador. conforme comando legal em interpretação estrita. seja porque tinha que se apresentar pela empresa na parte da manhã. Assim. R. Em seu labor Alberto Alves comparecia à empresa pela manhã e elaborava em roteiro de visitas. A. quando informava o horário de chegada e saída em cada cliente. apresentando fundamentos.Um vendedor. mas apenas se reconhecer a inviabilidade da aplicação do modelo tradicional de fixação de jornada de trabalho. Alberto Alves não registrava em controle de freqüência a sua jornada.ARMARINHO DIAS (PATRONO: ELISEU DE OLIVEIRA) 2º RECORRIDO: ARMARINHO FARIA (A.empregadora. Dispensado.ME . inciso I da CLT. para realizar as visitas mantendo contato por telefone. devendo ser objeto de interpretação estrita. Em sua defesa "Refrigerantes Ltda. Aberto Alves. Resolva a questão. No caso em análise. então. XIII. apresentada pela empresa.". Tal anotação também constava da sua ficha de registro de empregados. seja porque ocorria o controle do horário de término do serviço pelo envio por fax do relatório diário. teve anotada em sua CTPS a exceção do artigo 62. cumprindo roteiro de visitas estabelecido pelo empregador com meta mínima. Encerradas as visitas o vendedor enviava o relatório destas via "fax". Alberto Alves propôs Reclamação Trabalhista em face de sua ex . entende-se pacificamente que a norma da CLT constante do art. 62. sem intervalos. tudo a demonstrar que o trabalho do reclamante era compatível com a fixação de horário. Saía. A exceção contida no art. 62. em que pese a Constituição da República haver fixado como direito mínimo de todos os trabalhadores urbanos e rurais a duração do trabalho limitada a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. 2ª VARA DO TRABALHO DE RIO BRANCO/AC RELATOR: JUIZ SHIKOU SADAHIRO .) Em primeiro lugar." Sustenta nada dever a título de horas extras.

060/50 c/c Lei nº 5. deferiu o pedido de isenção de custas processuais nos termos do artigo 60. os autos devem retornar ao Juízo a quo para apreciação dos demais pedidos. oriundos da MM. seguro-desemprego. FGTS com 40%. Disse que a remuneração média contratada era de R$1. e anotação na CTPS. rejeitou os pedidos formulados pelo autor e julgou improcedente a reclamatória. Refutou todos os pedidos e pugnou pela improcedência da ação. DIAS CASTRO . como recorridos.800. a fim de evitar a supressão de instância. na qual o reclamante adquiria mercadorias e revendia a outros compradores. Inconformado.MG. preliminarmente. em seu parecer (fl. Faria . quanto às contra-razões que houve um lamentável erro na Secretaria da 2ª Vara .REVISORA: JUÍZA ELANA CARDOSO LOPES LEIVA DE FARIA VÍNCULO EMPREGATÍCIO. a cada dois meses. FARIA). o reclamante interpôs o presente recurso ordinário (fls. o Juízo a quo prolatou a sentença de fls. D.ME). 2ª Vara do Trabalho de Rio Branco (AC ). com representação processual regular. visto que o empregador não vinha cumprindo com as obrigações do contrato de trabalho. despacho de fl. RETORNO DOS AUTOS PARA JULGAMENTO COMO ENTENDER DE DIREITO. sentença recorrida. I-RELATÓRIO VISTOS. 13º salários. Argumentou que cumpria jornada de trabalho de 7:00/7:30 às 11:30 horas das 13:30 às 17:00 horas e quando estava viajando a serviço sua jornada era da 7:00 às 19:30/20:00 horas. O Ministério Público do Trabalho. É o relatório II . alegando que as provas carreadas aos autos. em grau de recurso. O recorrido apesar de notificado (fls. 95/104). Pugnou pela reforma da r. horas extras e reflexos. férias integrais e em dobro com 1/3 constitucional. PRESSUPOSTOS CONTIDOS NO ARTIGO 3º DA CLT. inciso IX. O obreiro ajuizou reclamatória trabalhista a termo contra a empresa D. do Regimento Interno desta egrégia Corte. 122. com intervalo de aproximadamente 30 minutos para o almoço de segunda a sábado. relatados e discutidos os presentes autos de RECURSO ORDINÁRIO. O recorrente via petição de fl. RECONHECIMENTO. alegando. Havendo o reconhecimento do pacto laboral. Juíza Flora Maria Ribas Araújo. especificamente os "Vales de adiantamento de salário" e os depoimentos das testemunhas. A. Desse modo requereu o pagamento de diferença de salários atrasados (comissões). em síntese. preenchendo os requisitos legais de admissibilidade. 12/20) os pedidos alegando.584/70. MARCELINO MIGUEL DE OLIVEIRA e. através de r. negativa de vínculo empregatício asseverando que entre as partes existira uma relação comercial de natureza de compra e venda. O artigo 3º da CLT contém os pressupostos necessários para a caracterização do liame empregatício. Registre-se.12. requereu a gratuidade da justiça nos termos da Lei nº 1.2001. e alegou rescisão indireta em 6.1. 105. como recorrente.ARMARINHO DIAS. comprovam que efetivamente existiu vínculo empregatício entre os litigantes.ME ARMARINHO DIAS e ARMARINHO FARIA (A. multas dos artigos 467 e 477 da Consolidação das Leis do Trabalho. eis que tempestivo. em que são partes. sugeriu o prosseguimento do feito. passagens de ida e volta à Divinópolis-MG. A. sendo que a então Relatora. que foi admitido em 10. DIAS CASTRO (ME) . Inconciliadas as partes. aviso prévio indenizado. 118). A empresa contestou (fls. sem prejuízo de eventual manifestação em Plenário. no mérito alegou que o reclamante jamais fora seu empregado uma vez que este apenas comprava mercadorias para revendê-las a outros compradores e que o serviço prestado fora de maneira autônoma. 74/77. 113) não apresentou contra-razões ao recurso obreiro.00 mais uma passagem ida e volta à Divinópolis .1998. Denunciou à lide no pólo passivo a empresa Armarinhos Faria (A.V O T O ADMISSIBILIDADE Conheço do recurso ordinário apresentado.

é necessário entender que as relações de trabalho vem sofrendo modificações com o passar do tempo. FARIA-ME (ARMARINHO FARIA). pois o verdadeiro empregado é dirigido pelo empregador. A subordinação deve ser compreendida. nos quais resta configurada a dependência financeira. O artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho considera empregado "toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador.de Rio Branco. sendo que este causídico é patrono apenas do litisconsorte A. como o elo de ligação entre o empregado e o empregador. ficando patente que efetivamente executava a tarefa de vender as mercadorias. temos pela prova testemunhal (fls. São cinco os requisitos que caracterizam a condição de empregado: continuidade. A situação clássica do patrão. subordinação.ME (ARMARINHO DIAS) foi intimado (fl. No caso vertente. 52.ME (ARMARINHO DIAS) é o Dr. não havia eventualidade. Assim. ou seja. encontramos vários empregados que trabalham a quilômetros de distância do empregador e nem por isso deixam de ser empregados. mas por vezes apenas a estipulação das orientações gerais e necessárias às tarefas a ser cumpridas pelo empregado. Entretanto. que isentou o reclamante das custas processuais. ao contrário. 66/67) trazida pelo recorrente que o trabalho do empregado era a venda de mercadorias de maneira continuada. exarado pela Juíza relatora que me antecedeu. pelo que era compensado mediante o pagamento de remuneração. o que implica na dependência econômica. 21. entendi sanada a questão tendo em vista que da intimação do r. fruto por exemplo da maior eficiência nos meios de comunicação e intercâmbio econômico. Hodiernamente. no qual nem sempre haverá contato diário ou direto. Ora. conforme instrumento de mandato de fl. pessoalidade e alteridade. da mesma forma há diversos empregados que não possuem controle de horário e nem por isso deixam de ser empregados. E o reclamante. Quanto ao cumprimento de horário. No que se refere à subordinação. que é um dos principais requisitos da relação de emprego. a quem se subordina. DIAS CASTRO. pois a tendência é que o exercício da atividade . sendo que não se insurgiu quanto a uma possível nulidade e nem se mostrou interessado em apresentar contrarazões. não podendo ser esporádico. sob a dependência deste e mediante salário". Eliseu de Oliveira. 126) e tomou conhecimento da existência do presente recurso. Entretanto. MÉRITO VÍNCULO EMPREGATÍCIO VENDEDOR O empregado. o advogado do reclamado D. o que demonstra que o empregador assumia o risco do negócio. também. 122. como no presente caso em que a própria reclamada noticia que o reclamante não prestava qualquer caução para retirar a mercadoria. realizar a fiscalização pessoal já não existe em diversas profissões. O advogado do reclamado D. conforme procuração de fl. mas por ele próprio. é autônomo. Se o trabalhador não é dirigido pelo empregador. sem necessidade de repetir tais orientações diariamente. despacho de fl. por seu turno. DIAS CASTRO. ou outra pessoa designada.A. deve ser contínuo. corrobora esta afirmação. pois a notificação de fl. O professor Octávio Bueno Magano muito bem expressou a evolução no campo do trabalho ao dizer que a aglutinação de trabalhadores em um mesmo local de trabalho vai converter-se em fato de freqüência cada vez menor. defende a tese de que entre as partes efetivamente existiu vínculo empregatício considerando que o reclamado sempre emitia "Vales de adiantamento de salário". 109 endereçada para que o reclamado e o litisconsorte pudessem contra-arrazoar o recurso do reclamante foi feita em um único documento. o serviço prestado pelo empregado deve ser de natureza não eventual. onerosidade. fica superada tal questão. nas razões recursais. portanto. como se o advogado Hudson de Castro Magalhães fosse patrono daqueles. o reclamado adiantava valores para as despesas pessoais do obreiro.

por relatórios e outras formas (in TRABALHO À DISTÂNCIA. 4/5). pois o reclamante ficava com as mercadorias sem ter que pagá-las. também corroborou a situação típica de empregado. quando se fala em salários obviamente estamos tratando de um contrato de . o que foi efetivamente cumprido até que o reclamante mudou-se para Rio Branco". o que por si só já evidencia que o reclamante recebia de alguma forma uma remuneração. o reclamante laborava sem os riscos do empreendimento comercial. constata-se através dos "Vales Adiantamento" (fls.. o reclamado adiantava os valores referentes às despesas pessoais. (fl. Quanto à passagem para viagem. ao contrário. o tipo de atividade era simples. logicamente. não existia necessidade de todo o tempo haver uma orientação do que deveria ser feito. asseverando que a questão da subordinação acaba ficando mitigada. situação que não pode ser concebida em relação a um autônomo. Da mesma forma. 42. 67). A testemunha Raul César de Oliveira nada acrescentou. nº 24. como o teletrabalho. preenchidos com valores intitulados de adiantamento de salário. observando-se que em alguns casos poderá verificar-se muito mais autonomia do que subordinação. O não menos ilustre doutrinador Sérgio Pinto Martins assevera que o trabalho à distância não é somente aquele realizado na residência do empregado. o obreiro. pois retirava as mercadorias para vender e. ou seja. E o empregador pode ter o controle da atividade do empregado por intermédio do computador. que tais vales materializam a prova do efetivo pagamento de salário pelo reclamado. A testemunha Daniel Xavier dos Santos. Ademais..)que quando o vendedor não pretende mais continuar vendendo para o reclamado ou litisdenunciado existe a obrigatoriedade de fazer a comunicação". Assim como ocorre com o vendedor externo. fazia o acerto. A testemunha Francisco Carrilho Torres reforçou a existência do liame empregatício ao aduzir que "o local de realização das vendas era sempre determinado pelo representante do reclamado ou do litisconsorte. pois o reclamante recebia comissão sobre o valor efetivamente recebido. sendo que a sobra e as trocas eram aceitas pelo reclamado.econômica se distancie do modelo de concentração em grandes fábricas e armazéns (in TRABALHO À DISTÂNCIA. além do que já havia sido instruído com as testemunhas anteriores. necessita de vendedores para tal fim. 38/40). o reclamante realizava a venda de mercadorias. sendo que a mercadoria era encaminhada em confiança e várias vezes o reclamante vendeu mercadorias até um determinado valor e recebeu menos do que o vendido. Conforme pode ser observado na declaração de firma individual de fl. reforçando mais uma vez a situação de simples empregado vendedor. por produção. ainda que não fosse aquela declinada no termo de reclamação. o objetivo da empresa é comercializar produtos no atacado e no varejo e. A tecnologia acaba criando uma nova forma de subordinação. 66). A testemunha Nervilo Fernandes. artigo publicado na revista TRABALHO & DOUTRINA. nº 24.03). 65 e 66) É patente a grande vinculação que existia entre as partes. sendo que existem outras modalidades. embora não tenha apresentado provas documentais de que recebia o salário declinado na petição inicial. aduziu que "se não vendesse todas as mercadorias retiradas podia devolver a sobra para o reclamado" (fl. que foi prometido ao reclamante o fornecimento de uma passagem no final do ano. Note-se que o preposto afirmou que "o reclamante não prestava qualquer caução para retirar a mercadoria. editora Saraiva.. pág. editora Saraiva. No presente caso. sendo que neste caso o prejuízo era do reclamado. No que se refere ao pagamento de salário.) que o acerto de contas era feito a cada 02 meses e no intervalo era fornecido vales para os vendedores (. o reclamado adiantava valores para despesas pessoais do obreiro. ainda que houvesse sugestão do vendedor (. (fls. também demonstra a existência de benefício logicamente ligado à vinculação muito mais empregatícia do que autônoma. pág. conforme confessado pelo preposto. Ora.. no prazo de 60 dias. por sua vez. artigo publicado na revista TRABALHO & DOUTRINA. por óbvio porque era empregado e não vendedor autônomo.

mantendo-se a sentença apenas em relação ao litisconsorte A. mantendo-se a sentença apenas em relação ao litisconsorte A. de maneira que a sentença de 1º grau deve ser mantida neste particular.C O N C L U S Ã O DESSA FORMA. não houve vínculo empregatício com o litisconsorte (ARMARINHO FARIA-A. determinar a baixa dos autos à Vara de origem. DIAS CASTRO. 13 de maio de 2003.01. uma vez que o contrato entre as partes era de emprego. era um trabalho sem qualquer assunção de riscos pelo trabalhador. conheço do recurso ordinário interposto. dá-se provimento ao recurso obreiro para. dou-lhe provimento para. não se confundem com um recibo qualquer. à unanimidade.A. reconhecendo o vínculo empregatício havido entre o reclamante e a empresa D.FARIA). a fim de que julgue os demais pleitos como entender de direito. na forma do artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho. nada impede que um empregado tenha outra atividade.12. Porto Velho/RO. como os negativos.2001.. Dias Castro-ME (Armarinho Dias). pois os vales de fls. 38/40 foram impressos em gráfica e com vários dados da empresa. tanto os resultados positivos. III . sendo que o fato de ter outra atividade econômica não desnatura o contrato de emprego. verifica-se que em relação ao período vindicado pelo reclamante. Ou seja.1998 a 06. no período de 10. até porque. no mérito.A. Ressalte-se. Sala de Sessões do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região. razão pela qual. também.ME (ARMARINHO DIAS). Destarte. No mérito. FARIA-ME (ARMARINHO FARIA). tais documentos foram juntados pelo próprio reclamado.1. e fazem menção a "funcionário" e "adiantamento do meu salário referente ao mês de. determinar a baixa dos autos à Vara de origem.. Funcionou. Juízes Carlos Augusto Gomes Lôbo e Osmar João Barneze.1998 a 6. Luís Antônio Barbosa da Silva. neste feito. os Exmºs. É O VOTO D E C I S Ã O.ME (ARMARINHO DIAS) no período 10. o Exmº. ou seja. dar-lhe provimento para reconhecer o vínculo empregatício havido entre o reclamante e a empresa D. o que demonstra que não se restringem a pouca quantidade ou que seja uma produção fortuita. o próprio reclamante confessou que não laborou simultaneamente para as duas empresas. Por maioria determinar a baixa dos autos à Vara de origem. O próprio reclamante executava o serviço. FariasME (Armarinho Faria). DIAS CASTRO. ou seja. ACORDAM os Exmºs Juízes do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região. Nem se diga que seria mero erro. conhecer do recurso ordinário. Por tais fundamentos. que o recurso do obreiro foi no sentido apenas de reformar a sentença para efeito de ser reconhecido o vínculo empregatício com o reclamado.no período 10.’ Tem o empregador algumas características. se houver compatibilidade de horário.12. a fim de que julgue os demais pleitos como entender de direito. A. ". não fazendo menção ao liame de emprego com o litisconsorte. pois os autônomos não recebem "salários". o que foi confessado pelo preposto.2001. Resta presente também a alteridade. Após a análise supra. trabalhou para o litisconsorte somente após trabalhar para o reclamado. ou seja. Com efeito. verifica-se que o reclamado agiu em total fraude aos direitos trabalhistas (artigo 9º da CLT).A.12. no particular.1998 a 6. reconhecendo o vínculo empregatício havido entre o reclamante e a empresa D. a fim de que julgue os demais pleitos como entender de direito. a saber: assumir riscos de sua atividade. sem qualquer ressalva na contestação.2001. Procurador do Trabalho. pois o reclamante prestava os serviços por conta alheia. FARIA-ME (ARMARINHO FARIA).1. em relação ao lapso temporal pleiteado especificamente nesta reclamatória não existiu liame empregatício com o litisconsorte. esses riscos da atividade econômica não . vencidos. pois a exclusividade não é requisito do contrato de emprego. conforme já analisado anteriormente. Dr. Ademais. na presente sessão de julgamento. mantendo-se a sentença apenas em relação ao litisconsorte A.emprego. Sr.

c) dependência. por força da sua atividade econômica. técnico e manual" (CLT art. sem que o empregado tenha a perspectiva de complementar sua renda. da qual o obreiro somente tomará conhecimento com dez dias de antecedência. responsabilizar o empregado pelos prejuízos resultantes – art. normas disciplinares no âmbito da empresa. talvez. assumir os riscos da atividade econômica: somente o empregador sabe como se deve atingir os fins da empresa. A intenção do legislador com o texto em tela foi. e) prestação pessoal de serviços. O empregador admite o empregado. 3º. Impõe. não havendo distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador. mas sim pelo empregador e. c) disciplina. portanto. de uma forma geral.podem ser transferidos para o empregado. Portanto. o que implica em dizer que até os prejuízos causados por seus empregados deverão ser assumidos pelo "patrão". constitui modo sutil de o empregador fugir ao cumprimento do mínimo legal ou piso da categoria profissional. desobrigar-se o tomador de serviços. com pagamento de salários por unidade de tempo. buscando. que é justamente quem tem capacidade econômica e patrimonial para suportar os . quem assume os riscos da atividade econômica (ou riscos econômicos da atividade) é o EMPREGADOR e não o EMPREGADO. parágrafo único). O sistema é nefasto. Em relação ao empregado a legislação trabalhista diz que "É considerado empregado toda pessoa física que presta serviços de natureza não-eventual a empregador. É princípio norteador do direito do trabalho que os riscos da atividade econômica não são suportados pelo empregado. outra atividade profissional. implicando ilegal transferência dos riscos da atividade econômica. para se constatar a condição de empregado é preciso verificar os seguintes requisitos: a) pessoa física. vez que se subordina juridicamente de forma absoluta ao poder patronal de direção. Não há a certeza da jornada que irá cumprir e o quanto irá perceber.o empregador dá ordens e acompanha sua execução. respeitada a especificação do serviço contratado e os direitos do empregado. sob dependência deste e mediante salário. remunerando-o pelo trabalho prestado. Isto é. contrata-o para a prestação de serviços. estabelecendo. Dirige o empregador a atividade do empregado. Este poder de direção abrange: a) utilizar a força de trabalho que o empregado coloca à sua disposição. mas este remunerará somente as efetivamente trabalhadas. ao empregado manter-se à disposição do empregador durante a totalidade das horas semanais (44). inclusive. nula é a estipulação contratual que impõe ao empregado o cumprimento de jornada semanal de no mínimo oito e no máximo quarenta e quatro horas. na medida em que impossibilita o contratado de se auto-organizar social e financeiramente. Não pode ele. nem entre trabalho intelectual. Além disso. d) pagamento de salário. b) não-eventualidade na prestação de serviços. pagando salários. 462 CLT Em resumo. visto que ofende princípios básicos de proteção ao trabalhador. em “escala móvel e variável”. b) fiscalização . pois tem o primeiro poder sobre o segundo. aplicando penalidades. com isso. imputar ao empregador a responsabilidade por quaisquer prejuízos causados à empresa.

11. AMAURI MASCARO NASCIMENTO: “Aceita a transação. desobrigar-se o tomador de serviços. O descumprimento.5ª Turma . seria o mesmo que transferir para o empregado todos os riscos da atividade produtiva. o recorrido não poderá ficar desamparado. Gelson de Azevedo DJ 28. que é justamente quem tem capacidade econômica e patrimonial para suportar os ônus resultantes de qualquer contrato de trabalho.3°)”.é que autoriza o estorno mencionado pela lei especial” (pág. pois se esta não tiver como suportar tais encargos. o recorrente deve responder subsidiariamente pelos créditos do reclamante que decorram do extinto contrato de trabalho havido com a empresa locadora de mão-de-obra. acerca do risco concernente às vendas. pelo comprador. 1985. porém.207/57 atenua. Só num caso o vendedor perderá o direito. O vendedor terá direito às comissões ainda que o negócio não se realize por motivos independentes da participação do vendedor. 466 da CLT).Rel.Proc. mas sim pelo empregador e. os quais. O pagamento das comissões somente é exigível depois de ultimada a transação (art.” (TST . A Lei n. 3º da Lei nº 3. ao contrário. arcando com os riscos da atividade econômica. caput. o que é inadmissível no direito do trabalho. seria o mesmo que transferir para o empregado todos os riscos da atividade produtiva. que efetivamente usufruiu da sua força de trabalho.207/57). diz: “O princípio justrabalhista da alteridade coloca. cabe ao empregador o direito de estornar a comissão que houver pago”. devem ser suportados pelo tomador de serviços. O inadimplemento contratual pelo comprador. Dessa forma. o risco do negócio pertence ao empregador. os riscos da atividade econômica não devem ser suportados pelo empregado.ônus resultantes de qualquer contrato de trabalho. caso em que a lei autoriza até mesmo o estorno das comissões que tiverem sido pagas (art. É na hipótese de insolvência do cliente comprador.206/207 . da CLT). pág.” Nesse mesmo sentido são os arestos que se seguem: “RECURSO DE REVISTA. págs. COMISSÕES. fato que não foi negado. CONTRATOS CANCELADOS.e não seu mero inadimplemento . por quebra do . Recurso de revista a que se nega provimento. Min. Também em igual sentido. 2a. estabelecida fora do Estado-Membro ou no exterior (art. como se sabe. essa regra geral. edição.INVIABILIDADE. está confirmado na petição inicial e documentos juntados pelas reclamadas (fls. Não há dúvida de que o reclamante-recorrido era empregado da empresa locadora de mãode-obra. entretanto.COMISSÕES POR VENDA ULTIMADA CANCELAMENTO . Assim. assegura a empresa vendedora o direito de exigir a correspondente indenização. fora das hipóteses legais.207).43/52). A transação será considerada ultimada (aceita) se não for recusada pelo empregador nos prazos legais (art. somente a insolvência do adquirente . 2°. “verificada a insolvência do comprador. os riscos concernentes aos negócios efetuados em nome do empregador sob ônus deste (art. Esse preceito. É que o art. o que é inadmissível no direito do trabalho. em última instância.ESTORNO DAS COMISSÕES . Prosseguindo.2003) “RECURSO DE EMBARGOS .083/1999. que reduz vantagem obreira clássica.320). LTr.7º)” (in MANUAL DO SALÁRIO. nº TST-RR-579. não confere ao empregador o direito de proceder ao estorno das comissões auferidas pelo empregado que realizou a venda. Ed. deve ser. interpretado restritamente: desse modo. 3.5 . 7° do diploma estatui que. das obrigações decorrentes do negócio celebrado.

01) .contrato. das obrigações decorrentes do contrato de compra e venda ou até mesmo o seu cancelamento.Rel. nº E-RR319248/96 . transferir ao empregado o risco do exercício da atividade econômica.SDI-1 . Recurso de embargos não provido. Milton de Moura França . pois o descumprimento.Proc. quer direta. implicaria em supressão do direito ao salário daquele que procedeu a venda.” (TST .04. para o descumprimento das obrigações comerciais entre as duas pessoas jurídicas. razão pela qual inviável legalmente que possa deixar de remunerar seu empregado que trabalhou e que não contribuiu.DJ 06. pelo comprador. Admitir-se o contrário seria. em última análise. quer indiretamente.

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