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Telef (+351291)214970 Fax (+351291)223002 VIEIRA, Alberto(2003) A Vinha e o vinho na História da

VIEIRA, Alberto(2003)

A Vinha e o vinho na História da Madeira. Séculos XV a XX,

COMO REFERENCIAR ESTE TEXTO:

VIEIRA, Alberto(2003): A Vinha e o vinho na História da Madeira. Séculos XV a XX, Funchal, CEHA- Biblioteca Digital, disponível em: http://www.madeira-edu.pt/Portals/31/CEHA/bdigital/avieira/2003-av- vinhavinhomadeira.pdf, data da visita: / /

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A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA Séculos XV - XX

Alberto Vieira

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA

Séculos XV - XX

Centro de Estudos de História do Atlântico Secretaria Regional do Turismo e Cultura

2003

2 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

TÍTULO

 

A Vinha e o Vinho na História da Madeira. Séculos XV a XX

1ª Edição

 

Setembro de 2003

AUTOR

©Alberto Vieira

FOTOGRAFIA Alberto Vieira, Duarte Gomes, José Pereira da Costa Phtotograpia Museu Vicentes: Vicentes Photographos, Perestrellos Photographos

COLECÇÃO MEMÓRIAS Nº. 46

EDIÇÃO

Photographos COLECÇÃO MEMÓRIAS Nº. 46 EDIÇÃO CENTRO DE ESTUDOS DE HISTÓRIA DO ATLÂNTICO RUA DOS

CENTRO DE ESTUDOS DE HISTÓRIA DO ATLÂNTICO RUA DOS FERREIROS, 165, 9004-520 FUNCHAL TELEF. 291-229635/FAX: 291-223002 Email: ceha@nesos.net. Webpage: http://www.ceha-madeira.net

TIRAGEM 2000 exemplares

CAPA

Painel de Azulejo. Largo António Nobre(Funchal). Ass. C. A. Moutinho. Fábrica de Sacavém.1930

IMPRESSÃO

Deposito Legal

ISBN

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

ÍNDICE GERAL

3

ABREVIATURAS

4

INTRODUÇÃO

7

O VINHO NA HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA

A história do vinho

8

A historiografia do vinho

15

As fontes

25

A

bibliografia

36

DA VINHA AO VINHO

A

VITICULTURA E A PRODUÇÃO

A

Viticultura Madeirense

O

Homem e a Terra

72

As Castas e as Áreas Dominantes

103

O

Malvasia da Fajã dos Padres 112

Factores Meteorológicos e Botânicos 122

A

VINIFICAÇÃO

Da Vindima ao Lagar

139

Do Lagar ao Canteiro

148

A

produção de Vinho

166

Subsídio Literário 178

Os Preços 187

Os Complexos Vinícolas 196 Medidas do Vinho 206

O

Trato do Vinho 215

As Estufas 234

A

Questão das Aguardentes

255

O

Processo de Vinificação Hoje

275

Os Diversos Tipos de Vinho Madeira 277

A Defesa Institucional do Vinho Madeira

285

A Confraria do Vinho Madeira 258

4 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

O

MERCADO DO VINHO

 
 

Circuitos e Mercados

293

Movimento Interno

298

 

Movimento do Vinho no Mercado Madeirense

302

Imposição do Vinho

305

O

Quotidiano e o Vinho

315

 

Movimento Externo

328

 

Movimento de Exportação de Vinho

339

As Instituições Fiscais

363

Áreas e Circuitos

375

 

Os Preços e os Mercados

397

O

Negociante de Vinhos

400

Uma Nova Teoria sobre a Crise

426

Actualidade e Consumo do Vinho Madeira

454

ANEXO: Quadros

470

O

CULTO E A CULTURA DO VINHO

 

• Expressão Literária do Vinho

A

537

 

O

Vinho Madeira na Literatura

538

Personalidades Históricas e o vinho Madeira

550

 

• Vinho na História e Património

O

553

 

A

Expressão Plástica e Temática dos Rótulos

568

 

• Vinho. Uma Rota Com História

O

571

• ÍNDICE DE QUADROS

584

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

5

Abreviaturas

AANNTTTT: Arquivo Nacional da Torre do Tombo

AAFF: Alfândega do Funchal [disponível no ANTT]

AARRMM:: Arquivo Regional da Madeira [Arquivo da Região Autónoma da Madeira]

AAHHMM: Arquivo Histórico da Madeira

CCSSFF: Cabido da Sé do Funchal CCXX: Caixa

DDAAHHMM: Das Artes e da História da Madeira.

FFOOLL//ffoollss.: Fólio(s)

GGCC: Governo Civil [documentação desde 1834]

IIVVVV: Instituto do Vinho da Madeira.

NNºº:: número

PPJJRRFFFF: Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal [documentação existente no

ANTT. A Provedoria da Fazenda surgiu no século XVI sendo extinta em 1775 para dar lugar à Junta da Real Fazenda.]

PP//pppp: página(s)

RRGGCCMMFF: Registo Geral da Câmara Municipal do Funchal [tombo em que se regis-

tava toda a correspondência oficial recebida na câmara do Funchal, disponív- el no ARM]

6 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX Madeira Illustrated Capa

Madeira Illustrated

DA MADEIRA • Séculos XV - XX Madeira Illustrated Capa do livro de Henry Vizetely. 1880

Capa do livro de Henry Vizetely. 1880

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

O O vinho é uma presença indelével no devir histórico da cristandade Ocidental.

Acompanhou os primeiros cristãos nas catacumbas, a expansão monástica na

Europa e dos europeus no Atlântico. A presença no acto litúrgico e alimentação

traçou-lhe o caminho do protagonismo no quotidiano e ecnomia do mundo cristão.

As ilhas atlânticas são um dos exemplos disso. Os europeus fizeram chegar as cepas

todo o lado, mesmo àqueles onde a cultura teria dificuldades em se adaptar como

foi o caso de Cabo Verde. Apenas na Madeira, Açores e Canárias a qualidade e fama

do produto fizeram com que se assumisse uma destacada dimensão comercia, l que

animou o movimento com os mercados europeu e americano. A concorrência entre

os vinhos foi feroz. Primeiro tivemos a disputa pelo mercado inglês e, depois, no

XVIII, pelo norte-americano, onde a Madeira usufruíu uma posição de

destaque, favorecida pelos tratados e leis de navegação estabelecidos pela coroa

britânica. Nalgumas ilhas dos Açores as condições do solo e clima não propiciaram

produção de um vinho de superior qualidade. A excepção acontece no Pico e

a

século

a

Graciosa onde o vinho se igualou ao da Madeira e Canárias. Em qualquer dos casos o mercado do vinho insular desenvolveu-se por força da solicitação colonial. Os vinhos da Madeira e Canárias tiveram desde o século XV presença assídua na mesa da aristocracia europeia. O mesmo se poderá dizer do Verdelho do Pico que correu nos palácios dos czares da Rússia. Para os norte-ameri-

canos as ilhas atlânticas [Açores, Canárias e Madeira] são identificadas pelo vinho,

sendo momeadas desde o século XVIII na documentação e historiografia como as

ilhas do vinho 1 . O epíteto evidencia o papel que o seu vinho assumiu no mercado

americano. Note-se que nalguns registos alfandegários norte-americanos do século

XVIII o vinho da Madeira surge juntamente com o dos Açores 2 , tornando-se difícil

quantificar a participação de cada um dos arquipélagos.

quantificar a participação de cada um dos arquipélagos. 7 1. GUIMERÁ RAVINA, Agustin, “Las Islas del
quantificar a participação de cada um dos arquipélagos. 7 1. GUIMERÁ RAVINA, Agustin, “Las Islas del

7

1. GUIMERÁ RAVINA, Agustin, “Las Islas del Vino (Madeira, Azores y Canarias) y la America Inglesa Durante el Siglo XVIII”, in Colóquio Internacional de História da Madeira, Funchal, 1989, pp.900-934.

2. A. D. Francis, The Wine Trade, Edinburg, 1973, p.216; Ch. M.Andrews, The Colonial Period of American History, H. Haven, 1964, p.112

8 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

H

a ferrugem, a traça e o pó.

O

A história do vinho

O

vinho Madeira foi, sem dúvida, o que mais se evidenciou no universo das ilhas.

O luzidio rubinéctar, que continua a encher os cálices de cristal, é, não só, a mate-

rialização da pujança económica do presente, mas também, o testemunho dum pas-

sado histórico de riqueza. Prende-o à ilha uma tradição de mais de cinco séculos.

Nele reflectem-se as épocas de progresso e de crise. No esquecimento de todos fica,

quase

árduo

sempre, a parte amarga da labuta diária do colono no campo e adegas, o

trabalho das vindimas, o alarido dos borracheiros. Hoje, para recriar a

ambiência, torna-se necessário olhar os restos materiais e ler os documentos, donde

ainda é possível desbobinar o filme do quotidiano de luta, que se esconde por entre

Vinho Madeira, celebrado por poetas e apreciado por monarcas, príncipes,

militares, exploradores e expedicionários, perdeu paulatinamente nos últimos cem

anos parte significativa do mercado, fruto da conjuntura criada, nos finais do séc.

XVIII e princípios do séc. XIX. A desusada procura obrigou o madeirense a utilizar

todo o vinho e a acelarar o processo de envelhecimento de modo a satisfazer os pedidos. Mas o futuro não era risonho. A abertura dos mercados conduziu a um certo fastio a partir de 1814. Depois. as doenças acabaram com as cepas de boa qualidade, fazendo-as substituir pelo produtor directo que se manteve lado a lado com as europeias numa promiscuidade pouco adequada à preservação da quali- dade. O passado recente anunciou o retorno das castas tradicionais e abriu portas a novos momentos de riqueza. A presença da vinha na Madeira, associada aos primeiros colonos, é uma inevitabilidade do mundo cristão. O ritual religioso fez do pão e do vinho os ele-

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

9

mentos substanciais da prática e a tradição, fazendo deles símbolos da essência da vida humana e de Cristo. Ambos foram companheiros da expansão da Cristandade, sendo responsáveis pela revolução dos hábitos alimentares. A partir do séc. VII o comer pão e beber vinho simbolizava para o mundo cristão o sustento humano. Em meados do século XV, com o arranque do processo de ocupação e de

aproveitamento da ilha, é dada como certa a introdução de videiras do reino e, mais tarde, das célebres cepas do Mediterrâneo. João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrello, que receberam o domínio das capitanias do arquipélago sob a direcção do monarca e do Infante D. Henrique, procederam ao desbravamento e cultivo, plantando as primeiras culturas trazidas do reino, onde se incluíam as cepas.

O Vinho Madeira adquiriu desde o princípio fama no mundo colonial, tornan-

do-se na bebida preferida do militar e aventureiro na América ou Ásia. Escolhido pela aristocracia manteve-se com lugar cativo no mercado londrino, europeu e colo- nial. Perante isto, o ilhéu, desde o último quartel do século XVI, fez mudar os

canaviais por vinhedos ao mesmo tempo que conquistou novas terras à floresta a Sul

e a Norte. O madeirense, embalado pela excessiva procura do vinho, esqueceu-se

de assegurar a auto subsistência. O vinho era a fonte de redimento e a única moeda de troca para assegurar o alimento, indumentária e manufacturas. Daqui resultou uma troca desigual para o madeirense e muito rentável para o inglês. No séc. XV o vinho competia com o trigo e açúcar assumindo uma posição de relevo na economia local, assumindo-se como um meio de troca no mercado exter- no. Os trigais e canaviais deram lugar às latadas e balseiras e a vinha tornou-se na

cultura quase exclusiva. Tudo isto projectou o vinho para o primeiro lugar na activi- dade económica da ilha, mantendo-se por mais de três séculos. O ilhéu apostou, desde o último quartel do séc. XVI, na cultura da vinha, tirando dela o necessário para o sustento e manter uma vida de luxo, construir sumptuosos palácios, igrejas e conventos. A Madeira viveu, entre o século XVII e princípios do XIX, embalada pela opulência do comércio do vinho. O madeirense, com tão avultados proventos, deixou-se vencer pelo luxo, habituou-se à vida cortesã e copiou os hábitos ingleses.

A política exclusiva da cultura da vinha, imposta pelo mercantilismo inglês, mere-

ceu a reprovação quer do Governador e Capitão General, José A. Sá Pereira, através de um “regimento de agricultura” para o Porto Santo, quer do Corregedor e Desembargador, António Rodrigues Veloso, nas instruções que deixou em 1782 na Câmara da Calheta. Mas foi tudo em vão, ninguém foi capaz de travar a “febre vití- cola”, nem de convencer o viticultor a diversificar as culturas da terra. Vivia-se um

momento de grande procura do vinho no mercado internacional e as colheitas eram insuficientes para satisfazer a incessante procura. Perante tão desusada solicitação e

à falta de melhor socorriam-se dos vinhos do Norte da ilha e mesmo dos Açores e Canárias para saciar o sedento colonialista.

A rota do comércio do vinho começou a ser traçada no século XV, partindo da

10 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

Europa ao encontro do colonialista na Ásia ou América. O comerciante inglês, que surgiu a partir do séc. XVII, soube tirar o máximo partido do produto fazendo-o chegar em quantidades volumosas às mãos dos compatriotas que o aguardavam nos quatro cantos do mundo. Vários factores fizeram com que o inglês se instalasse na ilha e se afirmasse como o principal negociante do vinho. Para tanto contribuíram as condições favoráveis exaradas nos tratados luso-britânicos e o favorecimento que as regulamentações britânicas do comércio colonial atribuíram à Madeira. Do numeroso grupo de britânicos merecem referência: Richart Pickfort (1638/82), W. Boltom (1695/1714), James Leacock (1741), Francis Newton (1745), R. Blandy

(1811).

As Canárias foram desde o princípio o competidor directo da Madeira no mer- cado do vinho europeu e colonial. A união peninsular não terá sido favorável ao vinho madeirense, uma vez que abriu as portas do mercado colonial ao vinho de Canárias. A conjuntura económica, que se anunciou em 1640, abriu novas perspec- tivas para o Malvasia da Madeira, com o retorno a uma posição de privilégio do mundo português e britânico. A concorrência estava no vinho dos Açores, produzi- do nas ilhas Graciosa e do Pico. Os pactos de amizade entre as coroas de Portugal e Inglaterra sedimentaram as relações comerciais favorecendo a oferta do vinho madeirense e açoriano nas coló- nias britânicas da América Central e do Norte, como o determinavam as leis de navegação a partir de Carlos II, aprovadas em 1641 3 . A situação de privilégio con- cedida ao vinho dos arquipélagos portugueses repercutiu-se negativamente na economia das Canárias, podendo ser considerada como um travão ao desenvolvi- mento da economia vitivinícola, a partir de finais do século XVII 4 . E. Steckley, não obstante documentar uma época de prosperidade no comércio com Inglaterra,

anuncia a crise que se aproximava: Así pues durante dicha centuria algunos de los antiguos mercados canarios de vino se estancaron y las islas portuguesas demons- traron ser unos competidores capaces y eficientes para los nuevos mercados ameri-

canos de vino 5 . A mesma ideia aparece no estudo de António Macías e Agustin Millares Cantero, que definem o período de 1640 a 1670 com de crisis del prolon-

gado esplendor económico, como resultado de la oferta madeirense y de o porto que comenzó a sustituir a la Canaria en el mercado ingles 6 . A criação em 1665 da

Companhia dos Mercadores de Londres e a reacção popular que gerou com o der- rame dos vinhos, conduziu inevitavelmente à perda de importância do malvasia de Canárias no mercado europeu em favor do Jerez.

malvasia de Canárias no mercado europeu em favor do Jerez. 3. Rupert CROFT-COOKE, Madeira , Londres,
malvasia de Canárias no mercado europeu em favor do Jerez. 3. Rupert CROFT-COOKE, Madeira , Londres,

3. Rupert CROFT-COOKE, Madeira, Londres, 1961, pp.26-28; André L.SIMON, “Introduction” e “Notes on Portugal Madeira and the Wines of Madeira”, in The Bolton Letters.Letters of an English Merchant in Madeira 1695-1714, Londres, 1928

4. A. Bethencourt MASSIEU, “Canarias Y Inglaterra. el Comercio de Vinos(1650-1800)”, in Anuario de Estudios Atlanticos, nº.2, 1956, pp.195-308: IDEM, “Canarias y el Comercio de Vinos(siglo XVII)”, in Historia General de las Islas Canarias, tomo, III, 1977, 266-273;

5. ”La Economia Vinicola de Tenerife en el Siglo XVII: Relación Anglo-espanola en un Comercio de Lujo”, in Aguayro, nº. 138, Las Palmas, 1981, p. 29

6. ”Canarias en la Edad Moderna(circa 1500-1850)”, in Historia de Los Pueblos de Espana. Tierras Fronterizas(I) Andalucia Canarias, Madrid, 1984, pp.319, 321

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

11

O casamento de Carlos II de Inglaterra com D. Catarina de Bragança foi o prelú-

dio da conjuntura favorável ao vinho Madeira, sendo referido por Viera y Clavijo

como um golpe tan feliz para la isla de la Maderas como infausto para las Canárias 7

. A guerra de Cromwell contra Espanha levou ao encerramento do mercado lon- drino, no período de 1655 a 1660, ao vinho de Canárias e ao estabelecimento de medidas preferenciais para o das ilhas portuguesas. O texto da ordenança de 1663, repetido mais tarde na de 1665, era claro: Wines of the growth of Maderas, the

Western Islands or Azores, may be carried from thence to any of the lands, islands, plantatinos, & colonies, territories or places to this majesty belonging, in Asia, Africa or America, in english built ships 8 .

Com o fim da guerra de fronteiras entre Portugal e Espanha e a assinatura das pazes em Madrid a 5 de Janeiro de 1668, ratificadas a 13 de Fevereiro em Lisboa,

restabeleceram-se os contactos entre os dois arquipélagos 9. O reforço das relações é testemunhado pela presença de Bento de Figueiredo no Funchal como cônsul castelhano 10 . Mas não acabaram aqui as dificuldades pois apenas com as pazes de Ultrecht de 1713 se abriram novas perspectivas de negócio, quando os vinhos madeirenses e açorianos haviam conquistado uma posição sólida no mercado colo- nial e britânico. O arquipélago das Canárias encontrava-se na posição de perdedor

e a braços com uma crise económica por falta de escoamento do vinho 11 .

O movimento de exportação do vinho da Madeira nos sécs. XVIII e XIX liga-se

de modo directo com o traçado das rotas marítimas coloniais inglesas que tinham passagem obrigatória na ilha. São as rotas da Inglaterra colonial que faziam do Funchal o porto de refresco e de carga para o vinho no percurso para as Índias Ocidentais e Orientais, donde regressavam pela rota dos Açores, com o recheio colonial. Também os navios portugueses da rota das Índias, ou do Brasil escalavam

a ilha onde recebiam o vinho para as praças lusas. São ainda os navios ingleses que

se dirigiam à Madeira com manufacturas e retornavam por Gibraltar, Lisboa, ou Porto. E, finalmente, os navios norte-americanos que traziam as farinhas para sus- tento diário do madeirense e regressavam carregados de vinho. Por tudo isto o vinho madeirense conquistou o mercado britânico em África, Ásia e América afirmando- se até meados do séc. XIX como a bebida dos funcionários e militares das colónias. Com o movimento independentista das colónias todos regressaram à terra de origem trazendo o vinho na bagagem.

O momento de apogeu na exportação do vinho Madeira situa-se entre finais do

séc. XVIII e princípios do séc. XIX, altura em que a saída atingiu a média de 20.000 pipas. Mais de 2/3 do vinho exportado destinava-se ao mercado americano, com

do vinho exportado destinava-se ao mercado americano, com 7. Citado por A. LORENZO-CÁCERES, Malvasia y Falstaff.
do vinho exportado destinava-se ao mercado americano, com 7. Citado por A. LORENZO-CÁCERES, Malvasia y Falstaff.

7. Citado por A. LORENZO-CÁCERES, Malvasia y Falstaff. los Vinos de Canarias, La Laguna, 1941, p.19.

8. André L.SIMON, “Notes on Portugal, Madeira and the Wines of Madeira”, in The Bolton Letters. Letters of an English Merchant in Madeira 1695-1714, Londres, 1928.

9. A coroa insistiu na nova situação, recomendando às autoridades madeirenses que publicitassem o que foi feito por meio de um bando a 8 de Maio. Veja-se Arquivo Regional da Madeira, Câmara Municipal do Funchal, nº.1215, fls.37vº.38

10. Ibidem, nº.1215, fls.58-58vº, 17 de Dezembro de 1672.

11. G.STECKLEY, art.cit., pp.25-31.

12 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

destaque para as Antilhas e as plantações do Sul da América do Norte e a área de N. York. A primeira metade do séc. XIX foi pautada pela alteração no mercado consumidor do vinho da Madeira. Foi o período de afirmação de novo destino capaz de suprir a perda do mercado colonial. A Inglaterra e a Rússia substituíram as colónias a partir de 1831. O fim das guerras europeias, em princípios do séc. XIX, abriu as comportas do vinho europeu os mercados asiático e americano. A saida do colonialista foi considerada uma perda irreparável para o vinho Madeira. Hoje, passados mais de quinhentos anos sobre a introdução da vinha na Madeira, estão ainda presentes na memória madeirense os tempos áureos de apreciação e comércio do vinho. A imagem passou rapidamente à História. À euforia da procura sucedeu a crise dos mercados, agravada pela presença das doenças que atacaram a vinha (oídio e filoxera). A crise do sector produtivo, resultado de factores botânicos alastrou a todo o espaço vitícola com efeitos semelhantes na economia e mercado do vinho. Perdeu-se a ligação ancestral com as tradicionais castas europeias mas, em con- trapartida, descobriram-se novas variedades americanas. As dificuldades do negócio conduziram à debandada dos agentes que haviam traçado o mercado. A Madeira conseguiu paulatinamente recuperar ou conquistar novos mercados. Os vinhos dos Açores e Canárias seguiram uma trajectória semelhante ao da Madeira. Foram os madeirenses que levaram as primeiras cepas para os Açores e Canárias. O das Canárias concorreu de forma directa com o da Madeira no merca- do britânico já no século XV, a atestar pelas referências de Shakespeare. Para o dos Açores a competição começou apenas no século XVII. Mas a concorrência foi sem- pre entre o malvasia da Madeira e os caldos de Tenerife. Da disputa pelo mercado europeu passou-se depois ao colonial. O século XVII foi o momento de viragem no mercado atlântico do vinho, con- seguindo a Madeira levar a melhor na preferência do mercado norte-americano e colónias das Antilhas. O vinho Madeira tornou-se numa moda do quotidiano das colónias britânicas. Os viticultores e comerciantes de Tenerife para poderem sobre- viver tiveram que se sujeitar ao fabrico de um vinho semelhante ao Madeira, ou à baldeação com o de Tenerife para depois venderem com o rótulo de Madeira 12 . O século XVIII foi a época de plena afirmação do falso e verdadeiro Madeira 13 .

plena afirmação do falso e verdadeiro Madeira 1 3 . 12. Burguesia Extranjera y Comercio Atlantico.
plena afirmação do falso e verdadeiro Madeira 1 3 . 12. Burguesia Extranjera y Comercio Atlantico.

12. Burguesia Extranjera y Comercio Atlantico. La Empresa Comercial Irlandesa en Canarias(1703-1771), Santa Cruz de Tenerife, 1985, pp.317-332; G.L.Beer, The Old Colonial System. 1660-1754, N. York, vol. II, 1912, p. 287. 13. Alberto Vieira, Breviário da Vinha e do Vinho na Madeira, Ponta Delgada, 1991, p.30-31.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

13

E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX 1 3 Baco Cerâmica

Baco Cerâmica Nau (Setúbal) Loja de Vinhos Diogos Shop (Funchal)

14 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

Capa do Livro de J. A. Mason, A Treatise on the Climate and Meteorology of Madeira, Liverpool, 1850.

on the Climate and Meteorology of Madeira, Liverpool, 1850. A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

15

H

A historiografia do vinho

A

História do vinho provocou o empenho de muitos estudiosos nos últimos

anos. Desde o pioneiro trabalho de Roger Dion (Histoire

de la Vigne et du Vin en

France. Des Origines au XIX e

Siècle, 1959) sucederam-se inúmeros outros, fruto de

arrojados projectos de investigação. Foi no campo da Geografia histórica que o tema

mereceu maior relevo, sendo a França a dar o exemplo. A realização em 1977 na

cidade de Bordéus de um colóquio foi a chamada de atenção para a temática. Nas

actas (Géographie

Historique des Vignobles), publicadas em 1978 por Huetz de

Lemps o ponto da situação do tema incluia 701 títulos, sendo mais de metade refe-

rentes aos vinhos franceses e suas regiões: Bordeaux, Languedoc e Burgundy. Na

Universidade de Bordéus o

Centre d’Etudes et de Recherches sur la Vigne et le Vin

desenvolveu uma linha de investigação sobre os vinhos europeus de que resultou

uma colecção dirigida por Andre Pitte com a publicação de 10 volumes, sendo um

sobre a Madeira (1989) da responsabilidade de Alain Huetz de Lemps. Na comu-

nidade de língua inglesa, como assinala Tim Unwin, o interesse pelo tema é rele-

vante desde a década de setenta 14 . O incremento da viticultura na Califórnia, Austrália e África do Sul, na segunda metade do século XIX, conduziu à valoriza- ção do tema.

A segunda metade do século XIX foi o momento de consciencialização da maior

parte dos investigadores para a importância científica social, económica, cultural e histórica do vinho. Os estudos científicos adequaram-se ao combate da praga e espi- caçaram a curiosidade, permitindo a publicação de textos de diversa índole. Em muitos dos casos a recorrência à História era o necessário alento para levantar os ânimos enfraquecidos no combate às doenças, de modo a que a cultura assumisse a adequada dimensão na sociedade e economia. Em Portugal e Espanha foi cada vez mais evidente o interesse pelo estudo e con- hecimento da realidade em torno do vinho. A tradição francesa e inglesa do trata- mento do tema numa perspectiva historiográfica, levou a isso. Nos últimos anos sur- giram estudos de grande importância para o conhecimento e divulgação da História do Vinho. Em 1982 a Academia Portuguesa de História organizou um encontro

a Academia Portuguesa de História organizou um encontro 14. Wine and Vine. An Historical Geography of
a Academia Portuguesa de História organizou um encontro 14. Wine and Vine. An Historical Geography of

14. Wine and Vine. An Historical Geography of Viticulture and the Wine Trade.1991

16 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

sobre o Vinho na História Portuguesa séculos XIII-XIX. Depois tivemos projectos inovadores, como O Marquês de Pombal e o Vinho do Porto (1980) de Susan

Schneider, a Memória do Vinho do Porto (1990) de Conceição Andrade Martins e

O Douro e o Vinho do Porto - de Pombal a João Franco(1991) de Gaspar Martins

Ferreira. Finalmente apareceu a Enciclopédia dos vinhos de Portugal, orientada por António Lopes Vieira, que contempla os Vinhos Verdes, do Dão, do Alentejo, Bairrada, Península de Setúbal, Porto e Madeira. A Universidade do Porto mantém um Grupo para História do Vinho do Dão, pioneiro na divulgação da temática nos últimos anos. O vinho tornou-se num tema comum, cativando poetas e literatos. Hoje o vinho é uma questão cultural sendo cada vez mais numeroso o público inte- ressado em conhecer a História. Daqui deriva a profusão de estudos de divulgação e de grupos de trabalho especializados.

O vinho Madeira é considerado desde tempos muito recuados indispensável na

garrafeira dos apreciadores. Não é preciso ser escanção para reconhecer e apreciar as qualidades aromáticas e gustativas, basta apenas um pouco de atenção no

momento de o beber. Os epítetos proferidos por poetas, escritores, políticos e via- jantes, que tiveram a possibilidade de o provar e apreciar, poderão ser um dos cami- nhos para isso. Todos ficaram deslumbrados com os aromas e sabores e ninguém se escusou a tecer-lhe os maiores elogios. Prende-o à ilha uma tradição de mais de cinco séculos e reflecte-se nele a época de resplendor e os momentos de crise. O vinho assumiu uma dimensão importante nas ilhas, nomeadamente nas economias da Madeira e Tenerife a partir do século XVII. Por força disso encon- trámos na Madeira conjunto variado de textos que procuram traçar a História ou fazer o ponto da situação do problema vitivinícola entre finais do século XIX e princípios do século XX. É de considerar a obra de D. João da Câmara Leme, o Conde de Canavial, o mais destacado estudioso e conhecedor dos problemas políti- cos e enológicos madeirenses na segunda metade do século XIX. Nas Canárias os estudos são parcelares, ao clássico estudo de Andrés de Lorenzo Caceres 15 deverá juntar-se outro de A. Bettencourt Massiu 16 e, recentemente, os de A. Guimerá Ravina 17 , Manuel Lobo Cabrera 18 e Pedro Miguel Martínez Galindo 19 e o de George F. Steckley 20 , de que foi publicada uma síntese em 1981 na Revista Aguayro. Para os Açores é reduzida a atenção da historiografia à cultura e produto, não obstante ter conseguido uma posição de relevo na economia de algumas ilhas como foi o caso do Pico e Graciosa.

O Pe. Fernando Augusto da Silva diz-nos que a História do vinho da Madeira está

da Silva diz-nos que a História do vinho da Madeira está 15 . Malvasia y Falstaff.
da Silva diz-nos que a História do vinho da Madeira está 15 . Malvasia y Falstaff.

15 .Malvasia y Falstaff. Los Vinos de Canarias, La Laguna, 1941.

16. “Canarias e Inglaterra. El Comercio de Vinos(1650-1800)”, in Anuario de Estudios Atlanticos, nº 2, 1956. Publicado em livro em 1991 17. Burguesia Extranjera y Comercio Atlantico. La Empresa Comercial Irlandesa en Canarias(1703-1771), Santa Cruz de Tenerife, 1985. 18. El Comercio del Vino entre Gran Canaria y las Indias en el Siglo XVI, Las Palmas de Gran Canaria, 1993.

19 .La Vid y El Vino en Tenerife en la Primera Mitad del siglo XVI, La Laguna, 1998.

20. “La Econmía Vinícola de Tenerife en el Siglo XVII: Relación Angloespañola en un Comercio de lujo”, Aguayro, Las Palmas

de Gran Canaria, 138, 1981.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX Abertura oficial da
VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX Abertura oficial da

Abertura oficial da exposição sobre o vinho da Madeira. 1980

Capa do folheto da Exposição sobre o Vinho da Madeira. 1980

17

por fazer 21 . A monografia que pretendia realizar não era histórica mas antes uma enciclopédia à maneira do Elucidário. Assim, o entendeu ao traçar em o Elucidário Madeirense 22 um esboço da história em diversas entradas, no que muito se aproxi- ma o Pe. Eduardo Pereira 23 . Estamos perante trabalhos com grande impacto junto do público, mas que pouco avançam em relação à informação já recolhida por Paulo Perestrelo da Câmara e Álvaro Rodrigues de Azevedo. O escrito de A. R. Azevedo atem-se mais aos documentos do arquivo local, às deambulações históricas e políti- cas, mas mesmo assim é de considerar, por ser um primeiro esboço de história local em que o vinho tem lugar de relevo 24 . Se a isto juntarmos a monografia de J. Reis Gomes, e algumas referências avulsas e parcelares, temos feito o inventário da bibli- ografia sobre o vinho até à década de setenta do século XX. Hoje felizmente que o panorama é distinto e contam-se já inúmeros trabalhos. O vinho é um tema de refe- rência da Historiografia Madeirense. Os ingleses foram, entre todos estrangeiros, os que lhe dedicaram mais atenção. A posição hegemónica na exportação e consumo

atenção. A posição hegemónica na exportação e consumo 21 . Está ainda infelizmente por elaborar uma
atenção. A posição hegemónica na exportação e consumo 21 . Está ainda infelizmente por elaborar uma

21 .Está ainda infelizmente por elaborar uma completa monografia sobre os vinhos da Madeira, em que se faça a sua História, desde meados do século XV até a Época que vai decorrendo, nos variados e interessantes aspectos que ela nos oferece. Deveria para isso proceder-se a um largo trabalho descritivo e de pormenorizada coordenação, que além de abranger as diversas fases de indústria e dos processos de vinificação, fornecesse também informações seguras Acerca da escolha apropriada do solo e do plantio de bacelos, tratamento eficaz das videiras, fabrico e conservação dos mostos, preparação dos produtos destinados ao embarque, o comércio interno e no estrangeiro, a análise rigorosa dos chamados vinhos ge- nerosos e a cuidadosa conservação da celebrada fama de que universalmente gozam, constituindo outros tantos objectos de investigação e estudo, para o que seria indispensável aproveitarem os valiosos elementos que se encontram dispersos em diversas publicações”, Elucidário Madeirense, vol. III, p. 392. 22. Vide vol.I - Balseira (p. 113), Estufas (p. 408); vol. II, Filoxera (pp. 31/2), Indústria Vinícola (pp. 148/54), Mangra da vinha (p. 315), Míldio (p. 347); vol III, Os Vinhos (pp. 389/95), Vinhas (pp. 381/9, Vinhas e uvas do Porto Santo pp. 387/9), Vinho de Canteiro (p. 389), Vinho de roda (p. 389). 23. Ilhas de Zargo, vol. I, pp. 275/301. 24. Anotações às Saudades da Terra, pp. 728/30; veja-se igualmente a colaboração nos jornais locais nomeadamente na “Discussão” e “A Madeira”.

18 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

ditou a necessidade de conhecimento 25 . Aqui destacam-se as monografias de Henry Vizetely, André L. Simon, Ruppert Crooft-Cooke e as publicações recentes de Noel Cossart e Alex Liddel.

A partir de 1976 o processo autonómico permitiu a valorização do vinho da

Madeira. A regionalização das competências atribuídas à Junta Nacional do Vinho, com a criação do Instituto do Vinho de Madeira (1979), conduziu a uma diferente importância do produto e das tradições a ele ligadas. Desde 1978 a Direcção Regional de Turismo iniciou a evocação da festa das vindimas, que têm permitindo um momento de diversão e divulgação do vinho. Em 1980, no âmbito da festa, teve lugar no salão nobre do Teatro Municipal do Funchal uma exposição sobre o Vinho da Madeira, que foi uma oportunidade para recolha de materiais relacionados com a vinha e o vinho que se encontravam ao abandono. Daqui resultou a consciênciali- zação dos empresários ligados ao sector para a necessidade de valorização da cul- tura material relacionada com o produto. Foi neste contexto que a Madeira Wine Company repensou as caves de S. Francisco, adaptando à condição de espaço- museu aberto ao público. Entretanto o IVM recuperou a cave das instalações para um espaço museológico, inaugurado a 18 de Setembro de 1984. Tudo isto é corolário de um trabalho de valorização da componente cultural do vinho. O núcleo museológico do IVM tornou-se num espaço de divulgação do Vinho da Madeira e ponto de encontro de interessados no tema. O Museu do IVM apostou na pro- moção da História e cultura do vinho, de que se destaca a edição de Contributos

para uma Rota do Vinho de Madeira (1997) e o Vinhona História e Património da Cidade do Funchal (2000).

A criação do Centro de Estudos de História do Atlântico em 1985 contribuiu

para um avanço significativo no conhecimento da História do vinho, que passou a merecer um tratamento historiográfico adequado. Nas edições, colóquios e semi- nários o vinho foi presença constante. Entretanto em 1998 realizou-se um seminário sobre Os Vinhos Licorosos e a História que foi o início de um eficaz intercâmbio com investigadores do Porto, Bordéus, Málaga e Puerto Santa Maria. Podemos, ainda, assinalar que a aposta na divulgação da História do Vinho da Madeira levou o CEHA a editar em 1993 um volume sobre a História do Vinho da Madeira.

Documentos e Textos, da nossa autoria.

Todo o esforço de divulgação da História do vinho traduziu-se em inúmeras publicações sob o formato papel e digital, que continuam a merecer a atenção do público. Idêntica dedicação esteve presente ao nível museológico, ficando ao dispor dos interessados espaços específicos das empresas e instituições do sector. O vinho marcou épocas de prosperidade com evidentes reflexos no quotidiano e arte. As expressões disso estão presentes na arquitectura urbana dos séculos XVIII e XIX e em alguns museus.

urbana dos séculos XVIII e XIX e em alguns museus. 25. Aqui convém destacar as monografias
urbana dos séculos XVIII e XIX e em alguns museus. 25. Aqui convém destacar as monografias

25. Aqui convém destacar as monografias de Henry Vizetely, de André L. Simon, Ruppert Crooft-Cooke, Noel Cossart e Alex Liddel, referenciados na Bibliografia.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

19

Também nós fomos contagiados e o vinho passou a ser companheiro diário das nossas pesquisas. Ao longo dos últimos vinte anos reunimos tudo o que de mais importante existe sobre ele ou com ele relacionado. Dos materiais perdidos nos armazéns fizemos um museu. A partir daqui incidimos a nossa acção sobre os arquivos públicos e privados, testemunhos dos apreciadores, defensores e detrac-

tores. Disso demos notícia num Breviário da Vinha e do Vinho da Madeira (1990), numa compilação História do Vinho da Madeira. Documentos (1993) e o Vinho Madeira da Enciclopédia de Vinhos de Portugal. No penúltimo volume procuramos

reunir o mais importante testemunho da vivência que o vinho Madeira definiu: a economia da ilha e o papel dos directos interventores, a insistente procura dos que se tornaram apreciadores, o júbilo e o agradecimento dos que descobriram a gen- uinidade do produto e foram testemunhos da importância económica.

Formas de ver e estudar o vinho

Na actualidade é cada vez mais evidente o interesse pelo estudo do vinho. A atenção do público e comunidade científica é grande. Já na segunda metade do sécu- lo XIX, momento definido por uma conjuntura de crise da viticultura europeia, deparamos com igual euforia editorial sobre a temática da vinha e vinho. Aqui somos confrontados, para além das discussões sobre as soluções económicas e técnicas, com estudos descritivos da realidade e História da cultura e comércio do produto. Assim, podemos definir dois tipos de publicações, de acordo com a posição em que se colo- ca o autor: 1. Os estrangeiros, nomeadamente os ingleses, procuravam divulgar junto dos consumidores o historial do vinho que corria diariamente à mesa; 2. Os nacionais que, motivados por conjunturas de crise, intervém no sentido de apresen- tar soluções, indo ao encontro de causas políticas ou económicas. Assim, quando a crise se situava na esfera comercial, surgiram tratados em favor do proteccionismo e na área da produção tivemos soluções miraculosas para debelar a crise. A segunda metade do século XIX foi o momento de consciencialização para a dimensão científica social, económica, cultural e histórica do vinho. Os estudos científicos adequaram-se ao combate da praga e espicaçaram a curiosidade de todos e permitiram a publicação de inúmeros trabalhos. Em muitos dos casos a recorrên- cia à História foi o necessário alento para a aposta, debelar das doenças e fazer com que a cultura voltasse a assumir a adequada dimensão na sociedade e economia. Sucederam-se exposições 26 , congressos 27 e estações vitícolas 28 e enológicas, associ-

7 e estações vitícolas 2 8 e enológicas, associ- 26. Em Espanha tivemos em 1877 a
7 e estações vitícolas 2 8 e enológicas, associ- 26. Em Espanha tivemos em 1877 a

26. Em Espanha tivemos em 1877 a Exposición Vinicola Nacional. Em Portugal: Exposição Histórica do Vinho do Porto(1931-

32).

27. Para Espanha: 1878 - Congreso Antifiloxerico de Madrid, 1886; Congreso de Viticultores. Em Portugal: Congresso Vinicola

Nacional(1895).

28. Em Espanha: Málaga, Zaragoça(1880), Sagunto(1881), Unidad Real(1882), Tanagona(1882). Em Portugal: Quinta de Nalaria(1887), Douro(1957), Régua(1929).

20 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

adas a publicações periódicas especializadas 29 .

No caso das ilhas é na Madeira que encontramos a maior produção bibliográfica de autores nacionais e estrangeiros. O vinho havia conquistado uma dimensão inusu-

al pelo que se justificava a desmesurada atenção. Disso fizemos eco num estado onde

compilamos o que de mais importante se publicou 30 . Nos últimos anos toda a atenção tem sido dada ao sector comercial com trabalhos para o século XVIII. É, por isso, que faz falta um estudo sistemático da cultura e do produto final que contemple os cinco

séculos de História. Também subsistem algumas dúvidas para alguns campos que reputamos de grande interesse. Em primeiro lugar, no que concerne à diversidade de

castas, não temos informação segura sobre o início da presença na ilha e a dimensão que cada uma assumiu no cômputo da produção. A isto acrescem as dificuldades em conseguir definir de forma precisa as técnicas de vinificação e os tipos de vinho mais comuns que deram fama ao Madeira. Para certa literatura tudo se reduz à Malvasia e, de modo especial, à da Fajã dos Padres.

A análise da realidade vitivinícola não poderá esquecer a estrutura produtiva e

formas de evolução. Há que ter em conta o grupo de mercadores que serviram de suporte ao mercado do vinho e dele tiraram o maior rendimento. A História das casas comerciais é um tema ainda em aberto que deve ser merecedor da nossa

atenção, tendo em conta a disponibilidade de alguns e importantes arquivos empre- sariais 31 . Os estudos no âmbito da História da Empresa têm aqui um campo que aguarda a atenção do historiador.

A par disso não deverá esquecer-se a envolvência do vinho na sociedade e as

implicações daí resultantes. Assim, no caso da Madeira, é comum definir-se um modelo de criação artística e urbanística, influenciado pelo vinho, que levou alguns

a definirem para o Funchal uma cidade do Vinho. A propriedade do termo é dis- cutível mas não impede de consideramos as relações do vinho com a arte e mesmo com o quotidiano insular. A sociedade madeirense de oitocentos é herdeira do impacto provocado pela dominância da vinha e vinho, faltando estudos que o valo- rizem.

A um nível restrito poderá partir-se para um novo tipo de abordagens. Primeiro

a arte do vinho, lavrada em gravuras, avulsas ou ilustrativas de livros e rótulos. O rótulo para além da expressão plástica pode ser também um espelho da época

através das temáticas dominantes e mensagens escritas 32 . O levantamento das refe- rências que mereceu na literatura torna-se imperioso. Em prosa ou em verso o vinho

é uma constante que está ainda por descobrir.

A Etnografia é uma preciosa auxiliar do conhecimento e definição da ambiência

auxiliar do conhecimento e definição da ambiência . Revista Vinícola Jerezana (1866) The Wine and Spirit
auxiliar do conhecimento e definição da ambiência . Revista Vinícola Jerezana (1866) The Wine and Spirit

.Revista Vinícola Jerezana(1866) The Wine and Spirit Market (França-1871), The Wine Trade Review (Londres. 1864),

Revista do Comércio de Vinhos (1896) O País Vinhateiro (1884), Anais do Instituto do Vinho do Porto(1940), O Vinho(1935),

Vinicultura(1934).

30. História do Vinho da Madeira. Documentos e Textos, Funchal, 1993 31. Cf. Alberto Vieira, Guia Para a História e Investigação das Ilhas Atlânticas, Funchal, 1995, p.167. 32. Cf. José de Sains-Trueva, Heráldica de Prestígio em Rótulos de Vinho Madeira, in Islenha, nº.9, 1991, 62 e segs; F. Guichard, A Linguagem do Rótulo. O Vinho entre o Dito e o não Dito, in Os Vinhos Licorosos e a História, Funchal, 1998, pp.71-80.

29.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

21

que envolve a cultura da vinha e o fabrico do vinho. O Folclore e as tradições

definem no passado e confrontam-se com a realidade global. A tecnologia tradi- cional foi esquecida nos armazéns. São poucos os lagares tradicionais que persistem

e falta quem providencie o estudo e inventariação. O fabrico do vinho tinha lugar

em lagares de madeira e pedra. Hoje são raros e o fabrico do vinho adequou-se às inovações tecnológicas para que o produto final esteja conforme os padrões de qualidade da Comunidade Económica Europeia. No caso das Canárias é evidente nas ilhas de Tenerife e El Hierro o interesse dedicado a estas estruturas de madeira. Já nos Açores é fácil encontrar no Museu do Vinho dos Biscoitos um conjunto único de lagares e lagariças de pedra, a que se pode juntar idênticas infra-estruturas com

carácter museológico no Pico e Graciosa. Na Madeira são poucos os lagares de tabuado e pedra. As lagariças de pedra, circunscritas ao Curral das Freiras, Ponta do Pargo e S. Vicente, jazem hoje ao abandono. O Vinho ganhou raízes nas ilhas pela necessidade dos primeiros povoadores mas cedo se espalhou a fama da qualidade fazendo com que acompanhasse as rotas comerciais do Novo Mundo e tradicionais mercados europeus. Fama e comércio foram sinónimo de interesse científico e editorial. Daqui resulta que a Madeira se apresenta como um caso raro na Historiografia da Vinha e do Vinho. O vinho foi

e continuará a ser uma referência importante na definição da ilha e da labuta de

cinco séculos das gentes. As ilhas ficarão para a História como um momento do per- curso histórico do vinho entre o mundo antigo e o novo. Em 1978, confrontados com o paupérrimo panorama bibliográfico madeirense sobre o vinho, decidimo-nos por encetar uma pesquisa com o objectivo de publicar uma monografia completa sobre o vinho, através da procura doutras vias de conhe- cimento e a recolha de informações, por intermédio de uma morosa investigação arquivística. A primeira atenção foi dedicada aos núcleos documentais dos Arquivos

Regional da Madeira, da Torre do Tombo, Histórico Ultramarino e Secção de

Reservados da Biblioteca Nacional. O trabalho de recolha alargou-se depois a toda

a imprensa madeirense, com particular relevo para a do século XIX. A informação

recolhida deu lugar a textos escolares, de divulgação e estudos apresentados em colóquios. Hoje, passados mais de vinte anos, decidimo-nos por um melhor aproveitamento de toda a informação recolhida, publicando o presente volume. Ao longo da investigação duas personalidades despertaram a nossa atenção: D. João da Câmara Leme (Conde de Canavial) e José Silvestre Ribeiro. O primeiro foi uma das mais destacadas figuras da sociedade madeirense da segunda metade do século XIX, afirmando-se como escritor, cientista, naturalista, industrial, jornalista 33 , influenciando de forma decisiva o aperfeiçoamento do processo de vinificação. Do vasto espólio bibliográfico, merecem referência os estudos sobre o vinho e a situação de crise vinícola, traçando as linhas mestras da discussão em torno da crise e das

as linhas mestras da discussão em torno da crise e das 33. Não existe qualquer monografia
as linhas mestras da discussão em torno da crise e das 33. Não existe qualquer monografia

33. Não existe qualquer monografia sobre esta personalidade insulana, apenas dispomos de alguns elementos em dois jornais locais: - “A Luz”, nº 1 (1881), p. 2, e o “Diário de Notícias”, nº 5, pp. 2/3.

22 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

soluções apresentadas pelas diferentes facções políticas. Foi pioneiro no associa- tivismo cooperativo, apresentando a proposta de uma sociedade anónima de pro- moção da rede viária da ilha para transporte das mercadorias com um cabo aéreo e a criação da companhia fabril do açúcar madeirense, quer, ainda, com a criação de uma associação de proprietários, viticultores e negociantes de vinho - Associação

Vinícola da Madeira, ou Real Associação Vinícola da Madeira -, como forma de

envolver os madeirenses na solução da crise da segunda metade do século XIX. Ao mesmo nível está a figura de José Silvestre Ribeiro. A actuação situa-se mais no campo prático da governação em momentos de crise vinícola da segunda metade do século passado e nas medidas proteccionistas e incentivadoras do desenvolvi- mento agrícola, como as soluções de emergência perante a situação de calamidade pública resultante da crise. O delineamento da rede viária e a aposta no complica- do sistema de levadas estiveram na linha da frente dos planos práticos para pro- mover a agricultura e travar a emigração 34 .

Fontes e bibliografia

Os acervos bibliográficos e arquivísticos são pobres, como pouco conhecidos e usados. Com isto não queremos dizer que escasseiem ou sejam desconhecidas as fontes mais importantes, mas sim que o pouco estudado e inventariado é incom- pleto para feitura dum trabalho científico. Durante muito tempo foi evidente a ausência de um guia bibliográfico e roteiro arquivístico, onde fossem reveladas as fontes fundamentais da História 35 . A inventariação bibliográfica evidencia a existên- cia de várias tentativas, sendo de destacar as de A. Rodrigues de Azevedo 36 , José Joaquim Rodrigues 37 , Fernando Augusto da Silva 38 e o Visconde do Porto da Cruz 39 , mas nunca se apostou no sentido de nos legar uma monografia completa.

se apostou no sentido de nos legar uma monografia completa. 1847, Funchal, 1848; Uma Época Administrativa
se apostou no sentido de nos legar uma monografia completa. 1847, Funchal, 1848; Uma Época Administrativa

1847, Funchal, 1848; Uma Época Administrativa na Madeira

e Porto Santo, Funchal, 1949/50, III vols. 35 .Hoje o panorama é distinto. Foi guiado por esta ideia que em 1995 publicamos um Guia para a História e Investigação das Ilhas Atlânticas.

34. Veja-se Colleção de Documentos Relativos à Crise de Fome

,

36. Vide in Dicionário Universal de Português Ilustrado, artigo Madeira.

37. Catálogo Bibliográfico do Arquipélago da Madeira, Funchal, 1950.

38. Elucidário Madeirense, vol. II, Elementos para a História da Madeira.

39. Notas e Comentários para a História Literária da Madeira, Funchal, 1951, vol.II

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX 2 3 Cuba

23

Cuba em Madeira para envelhecimento do vinho. Madeira Wine Company

2003

24 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX Copiador de cartas

Copiador de cartas comerciais. Arquivo da Madeira Wine Company

de cartas comerciais. Arquivo da Madeira Wine Company A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX F ação temos
VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX F ação temos

F

ação temos iniciativas que merecem ser referenciadas. O

As fontes

Ao nível arquivístico o panorama é pobre. A falta de um roteiro, colectâneas

documentais, obrigou à procura demorada nos arquivos disseminados pela capital e

ilha. A ideia lançada em 1960 (por altura das comemorações henriquinas) por

Pereira da Costa de publicação de uma MADEIRA MONUMENTA HISTÓ-

RICA, certamente tendo em vista o Arquivo dos Açores de Ernesto do Canto, não

teve continuadores. Os eruditos, interessados pela História da Madeira, entre 1873

e1950 dedicaram pouca importância à divulgação documental. Contrariando a situ-

Arquivo Histórico da

Madeira apostou desde os anos sessenta na publicação de documentos e o Centro

de Estudos de História do Atlântico

seguiu o mesmo caminho com a edição de estu-

dos e documentação

40

. Foi aqui que publicamos três volumes com interesse para a

História do Vinho

41

.

Seria exaustivo enunciar todas as fontes dos séculos XVIII e XIX que reputamos

fundamentais mas, tendo em conta o tema que nos propusemos estudar, apresenta-

mos apenas uma relação sumária dos núcleos consultados. Na altura da pesquisa documental, a inexistência do necessário roteiro arquivístico complicou o nosso tra- balho, mas hoje a tarefa está facilitada pelos avanços no domínio da Arquivística.

facilitada pelos avanços no domínio da Arquivística. 2 5 Gravura humorística. Re-nhau- nhau Carta de Armas
facilitada pelos avanços no domínio da Arquivística. 2 5 Gravura humorística. Re-nhau- nhau Carta de Armas

25

Gravura humorística. Re-nhau- nhau

Carta de Armas de Ph. Cossart,

1700

40. É o caso dos livros de vereações do Funchal dos séculos XV a XVI, da responsabilidade de José Pereira da Costa. 41. História do Vinho da Madeira, Funchal, 1993; O Público e o Privado na História da Madeira 2 vols, Funchal, 1998.

26 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

Guias de fontes

Arquivo Histórico Militar, Lisboa, 1978

As Gavetas da Torre do Tombo, C.E.H.U., 12 vols., Lisboa, 1960-1977 BARROS, Fátima e Gastão Jardim, Arquivo Regional da Madeira a memória insular por-

tuguesa in Os Arquivos Insulares (Atlântico e Caraíbas), Funchal, 1997, 201-226

Guia do Arquivo Regional da Madeira, in Arquivo Histórico da Madeira, Vol. XX,

1997.

Bibliotheca Nacional de Lisboa. Inventário. Secção XIII. Manuscriptos / [José António

Moniz]. — Lisboa: Biblioteca Nacional, 1896 BRANQUINHO, Isabel, Alguns Núcleos Documentais Relacionados com os Arquipélagos dos Açores e da Madeira Existentes em Arquivos e Bibliotecas de

Lisboa, in Os Arquivos Insulares (Atlântico e Caraíbas), Funchal, 1997, 227-266. CASTRO E ALMEIDA, Eduardo, Archivo de Marinha e Ultramar. Inventário, 2 vols.,

Coimbra, 1907-1909. (Vol. I: Madeira e Porto Santo, 1613-1819; vol. II: Madeira e Porto Santo, 1820-1833).

Catálogo de Mapas, Plantas, Desenhos, Gravuras e Aguarelas, Coimbra, 1908.

Catálogo deManuscritos, Série Vermelha, vol. I (nº 1- nº 499), Academia das Ciências de Lisboa, Lisboa, 1978; Catálogo de Manuscritos, Série Vermelha, vol. II (nº 500-nº 980), Academia das Ciências de Lisboa, Lisboa, 1986.

FARINHA, Maria do Carmo Jasmins Dias, Os Documentos dos Negócios Estrangeiros na

Torre do Tombo, Lisboa, 1990. FITZLER, M. A. Hedwig, “Códices do Extinto Conselho Ultramarino”, in Inventário da

Secção Ultramarina da Biblioteca Nacional, Lisboa, 1928. Instrumentos de Descrição Documental, ANTT; Lisboa, 1992.

LEAL, Maria José Silva; PEREIRA, Miriam Halpern Roteiro de Fontes da História Portuguesa Contemporânea, Lisboa, INIC, 1984. (2 vol.) MOREIRA, Alzira Teixeira Leite, Inventário do Fundo Geral do Erário Régio, A.H.T.C., Lisboa, 1977

Do Tesouro Público ao Tribunal de Contas. Inventário preliminar dos núcleos existentes

no AHTT (1779-1933), Lisboa, 1981 [dactilografado].

Cartórios Avulsos. Inventário Preliminar, Lisboa, 1981 [dactilografado] O Conselho da Fazenda. Inventário, AN/TT, Lisboa, 1993.

RODRIGUES, Maria do Carmo Jasmins Pereira Alfândega do Funchal, ANTT, 1968 [dac- tilografado],

Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal, ANTT, 1969 [IDD dactilografado] VIEIRA, Alberto, Guia Para a História das Ilhas Atlânticas, Funchal, CEHA, 1994

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

27

Publicação de documentos

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ca entre as pp.227-393. As cartas de W. Bolton de 1695-1700]

MENEZES, Servulo D., Uma Época Administrativa da Madeira e Porto Santo

Funchal, 1949-50 NASCIMENTO, João Cabral, Apontamentos de História Insulana, Coimbra, 1927

SILVA, Maria Júlia de Oliveira e, Fidalgos-Mercadores no Século XVIII- Duarte Sodré

, 3 vols,

Pereira, Lisboa, 1992

SIMON, A. L., The Bolton Letters. The Letters of an English Merchant in Madeira, vol.

I [1695-1700], Londres, 1965,

The Bolton Letters. The Letters of an English Merchant in Madeira, vol. II (1701-1714),

Funchal, 1960, [ed. Policopiada de Graham Blandy]. VIEIRA, Alberto, História do Vinho da Madeira, Funchal, 1993;

O Público e o Privado na História da Madeira 2 vols, Funchal, 1996, 1998.

Arquivo Regional da Madeira

Aqui distinguimos quatro núcleos onde foram recolhidos elementos importantes e valiosos para o nosso estudo:

Câmara Municipal do Funchal

CCoolleeccççõõeess ddee ddooccuummeennttooss::

- Registo Geral, tomos 7/19, nº. 1219/1231 [com Índice organizado por Jesus Lamedo, nº. 1398].

- Vereações, 1700/1887, nº. 1341/1382

IImmppoossiiççããoo ddoo VViinnhhoo ee AAgguuaarrddeennttee::

- Livros das Arrematações, 1683/1804, nº.25.

- Livro dos Termos de Arrendamento da Imposição do Vinho, 3 livros, 1869/1879,

nº. 466/469. RReennddiimmeennttoo ddoo vviinnhhoo aattaavveerrnnaaddoo::

- Livro do Despacho do Vinho, nº. 60

- Livro dos Mieiros do Vinho, nº. 1396

SSoocciieeddaaddee AAggrrííccoollaa::

- Livro das Actas das Sessões da Direcção da Sociedade Agrícola, 1860/1862, nº.

1247

Governo Civil

- Alvarás, Provisões e Regulamentos sobre a Agricultura na Ilha da Madeira, 1779, nº.

70

- Actas da Comissão Anti-filoxera do Distrito, 1883/1887, nº. 86.

- Actas da comissão de Auxilio à Lavoura, 1888/1890, nº. 150

28 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

- Actas do Conselho Distrital da Agricultura, 1893/1898, nº. 249

-Actas da Sociedade Agrícola do Funchal, 1849/1854, 1854/1876, nº. 1016-1017

-Inventário dos Volumes Oferecidos ao Gabinete de Leitura da Sociedade Agrícola do Funchal, nº. 1015

IImmppoossiiççããoo ddaass EEssttuuffaass::

- Vinho, Manifestos, 1839/1872, 6 volumes, nº1069/1074.

AAccççããoo bbrriittâânniiccaa ee ssuuaa ooccuuppaaççããoo ddaa iillhhaa::

- Governo Civil, Registo de Ofícios, Rrespostas, Capitulações, Participações, Divisões e todos os mais Documentos Positivos deste Governo com as Forças e Tropas de Sua Majestade Britânica e Enviado Português em Londres, 1808/1815, nº. 516

Câmara Municipal de Machico

CCoolleeccttâânneeaass ddee ddooccuummeennttooss::

- Livro do Registo Geral da Câmara, 1637/1840, nº. 84/93

- Livro das Vereações, 1700/1895, nº. 110/144 IImmppoossiiççããoo ddoo VViinnhhoo::

- Livro de Arrematação da Imposição do Vinho, 1710/1732, nº. 3

- Livro do Registo dos Manifestos de Vinho, Aguardente e Vinagre, 1774 e 1776, nº.

145/146

NNúúcclleeoo ppaarrttiiccuullaarr

- Casa Ornelas 42

- Casa Torre Bela

Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Quanto à Madeira o arquivo nacional dispõe de três núcleos arquivísticos impor- tantes que para aí foram transferidos por portaria de 9 de Junho de 1886. Alfândega do Funchal, Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal, Cabido e Sé do Funchal.

Alfândega do Funchal

-Direitos da Cerveja e Genebra, 1818. nº. 2

MMeerrccaaddoorriiaass-- EEnnttrraaddaass ee ssaaííddaass::

Livro do Fiel dos Armazéns - Manifesto de Carga de Vinhos, 1819/1831, nº. 207

VViinnhhoo -- eexxppoorrttaaççããoo::

- Livro do Feitor do Embarque, 1789/1834, 11 volumes, nº 245/255

Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal

-Registo de Cartas Escritas a Sua Majestade por Francisco de Andrada, seu Filho Ambrósio Vieira Andrada e seu Neto Jorge Vieira de Andrada, 1646/1783, nº. 396

e seu Neto Jorge Vieira de Andrada , 1646/1783, nº. 396 42. Maria Fátima Barros Ferreira,
e seu Neto Jorge Vieira de Andrada , 1646/1783, nº. 396 42. Maria Fátima Barros Ferreira,

42. Maria Fátima Barros Ferreira, Arquivo da Família Ornelas Vasconcelos. Instrumentos Descritivos, in Arquivo Histórico da Madeira, Boletim do Arquivo Regional da Madeira, vol. XXI, 1998.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

29

- Ofícios Dirigidos à Comissão da Fazenda, 1834/1835, nº. 400

RREEPPAARRTTIIÇÇÃÃOO DDOO CCOONNSSEELLHHOO

- Avisos Expedidos, 1775/1844, nº. 402/409

- Consultas, 1775/1791, nº. 410

- Ordens, 1775/1796, nº. 411/412 CCOONNTTAADDOORRIIAA GGEERRAALL::

- Contas-correntes do Rendimento das Estufas de Melhorar Vinho, 1806/1833, nº. 441

- Notas da Contadoria – Registo, 1716/1833, nº. 458/460

- Ofícios da Contadoria – Registo, 1806/1834, nº. 461/463

- Portarias – Registo, 1830/1834, nº 465/467

- Portarias, Ofícios, Requerimentos, 1831/1832, nº 468

DDÍÍZZIIMMOOSS::

- Contas Correntes com Vinho e Verduras, 1827/1831, nº 750

EERRÁÁRRIIOO,, RReeppaarrttiiççããoo ddoo

::

- Avisos Expedidos, 1775/1832, nº. 758/759

- Ordens Expedidas, 1775/1795, nº. 760 EERRAARRIIOO RRÉÉGGIIOO::

- Consultas, 1775/1843, nº. 761/765

- Ordens Enviadas à Junta da Fazenda, 1775/1844, nº. 770-778

JJUUNNTTAA DDAA RREEAALL FFAAZZEENNDDAA::

- Assentos Extraordinários, 1802/1807, nº. 940

- Deliberações, 1775/1805, nº. 942 PPOORRTTOO SSAANNTTOO::

- Documentação sobre a Administração da Real Fazenda da Ilha

960

,

1781/1792, nº.

RREEGGIISSTTOO GGEERRAALL DDAA FFAAZZEENNDDAA EE CCOONNTTOOSS11556699//11777755,, nnºº 996633//997766

SSUUBBSSIIDDIIOO LLIITTEERRÁÁRRIIOO,, RReeppaarrttiiççããoo::

- Avisos Expedidos, 1776/1789, nº. 994

- Consultas e Ordens, 1775/1834, nº. 995/996

-- MMaanniiffeessttoo ddoo vviinnhhoo ee rreecceeiittaa ppoorr ffrreegguueessiiaa::

Arco de S. Jorge, 1834, nº. 1049

Calheta, Arco e Estreito, 1775/1834, nº. 1050/1053

Camacha e Caniço, 1832, nº. 1054 Câmara de Lobos e Estreito, 1812/1831, nº. 1055/1058

Campanário (nº. 1063 também Ribeira Brava Serra de Agua e Tabua), 1828/1830, nº.

1059/1063

Caniço (o nº. 1068 também Gaula e Camacha, nº. 1069 também Gaula), 1803/1834, nº. 1064 Estreito e Arco da Calheta, 1804/1825, nº. 1072/1073

Estreito de Câmara de Lobos, 1828/189, nº. 1074/1075

Faial, 1834, nº. 1076/1077

Fajã da Ovelha, Paul do Mar, Prazeres, Jardim do Mar, 1834, nº. 1078

Gaula, 1828/1834, nº. 1079/1080

Machico, Agua de Pena, Caniçal, Faial, Santa Cruz, 1827/1834, nº. 1081/1088

30 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

Madalena do Mar, 1803, nº. 1089

Nossa Senhora do Monte, 1829/1832, nº. 1090/1092 Ponta Delgada, 1833/184 – nº. 1093/1094

Ponta do Sol, Canhas, Madalena e Tabua, 1803/1834, nº.1059/1104

Porto da Cruz, 1816 e 1834, nº. 115/116

Porto Moniz, Ribeira da Janela, Seixal, 1829/1834, nº.1107/1112

Porto Santo, 1805/1834, nº. 1113/1119

Ribeira Brava, Campanário, Serra de Agua, Tábua, 1805/1832, nº.1120/11203 Ribeira da Janela, 1834, nº. 1124

Santa Ana, Arco de S. Jorge, 1804/1834, nº. 1125/1126

Santa Cruz, Gaula, Santa Luzia, Caniço, 1804/1834, nº. 1127/1153 Santa Luzia, S. Gonçalo, Nossa Senhora do Monte, 1834/1835, nº.1134

Santa Maria Maior, 1812/1835, nº. 1135/1142

Santo António, Camacha, 1819, nº. 1143/1144 Santo António e Curral das Freiras, 1829/1831, nº. 1145/1147 Santo António, Curral das Freiras, S. Martinho, Câmara de Lobos e Estreito, 1834,

nº. 1148

S. Gonçalo, 1804/1829, nº. 1149/1153

S. Jorge, 1834, nº. 1154

S.

Martinho, 1829/1831, nº. 1155/1156

S.

Pedro, 1804/31, nº. 1157/60

S.

Pedro, S. Roque, Nossa Senhora do Monte, Santa Maria Maior, 1834, nº. 1161

S.

Roque, 1813/1831, nº. 1162/1164

S.

Roque, Santa Maria Maior, S. Pedro, 1834, nº. 1165

S.

Vicente, 1833/1834, nº. 1166

Sé e Santa Luzia, 1831, nº. 1167

Seixal, 1834, nº. 1168 Serra de Agua e Tabua, 1813 e 1832, nº. 1169/1170 Tábua, 1813/1829, nº. 1171/1173

Cabido e Sé do Funchal

MAÇOS 4 nº. 32; 6 nº. 32; 7 nº. 3; 17 nº. 20; 20 nº. 2; 23 nº. 13; 32 nº. 39

Biblioteca Nacional de Lisboa/Secção de Reservados

Aqui apenas podemos considerar alguns manuscritos da Colecção Pombalina e ou- tros variados, especificamente sobre a Madeira

Colecção Pombalina:

- Manuscritos, nºs. 458, 462, 466, 611, 638, 642

Outros

Sobre a acção e ocupação inglesa:

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

31

- Colecção de Ordens e Providencias Militares, Civis, Económicas na Ocupação pela Força Inglesa sob as Ordens de Clinton até 1815, cod. 8022

- Papéis Vários sobre o Comércio Inglês na Madeira, MA. 219, nº. 29

Monografias manuscritas sobre a ilha da Madeira

- Documentos para a História do Archipélago da Madeira, compilados por Álvaro

Rodrigues Azevedo, Cod. 6999

- Cultura da Vinha - Notas de 1832, Cod. 598, fol. 136 vº/267 vº

- DRUMOND, João Pedro de Freitas, Documentos Históricos e Geográficos sobre a Ilha

da Madeira (cópia), Cod. 7210

- Excursions in Madeira During Autum of 1823 by T. Edward Bodwish (extractos em por-

tuguês - notícias várias, acerca da agricultura da região), cod. 298

- Miscelânea Histórica - História do Descobrimento da Ilha da Madeira, seus Donatários

e mais Notícias

Ocorridas na Ilha da Madeira, Alvarás, Editais, Proclamação

Memorial dos Terramotos, Cheias e outras Calamidades

de 1802/18

Referentes à Ilha da Madeira, cod. 10848 NÓBREGA, Januário Justiniano de, Breve Memória para a Descrição Histórica, Ttopográfica, Económica do Concelho do Funchal, 1851, cod. 8023

SSoobbrree oo ccoomméérrcciioo::

- Comércio de Importação dos Estados de 1788/1828, cod. 600

Arquivo Histórico Ultramarino

O núcleo mais importante sobre a Madeira veio do Antigo Arquivo da Marinha e Ultramar, estando já inventariado por Eduardo Castro Almeida 46 . No entanto exis- tem mais 31 maços não catalogados onde fizemos uma breve pesquisa. Posteriormente encontrámos novos elementos no códice 1162 (1673/1696).

encontrámos novos elementos no códice 1162 (1673/1696). 43. Archivo da Marinha e Ultramar -Inventário-Madeira e
encontrámos novos elementos no códice 1162 (1673/1696). 43. Archivo da Marinha e Ultramar -Inventário-Madeira e

43. Archivo da Marinha e Ultramar -Inventário-Madeira e Porto Santo, I vol (1613/1819), II vol. (1820/1833), Coimbra, Imprensa da Universidade, 1907

32 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

Copiador de cartas comerciais da empresa de Thomas Newton. Século XVIII. Arquivo da Madeira Wine Company

Newton. Século XVIII. Arquivo da Madeira Wine Company Os Arquivos Empresariais. A investigação completa de um

Os Arquivos Empresariais.

A investigação completa de um tema como o vinho deverá contemplar a consulta

aos arquivos das principais regiões de destino do vinho na Europa e América e o recurso aos arquivos privados, nomeadamente a documentação das casas inglesas.

Apenas no seio da comunidade britânica encontrámos um maior cuidado na preser- vação do arquivo empresarial, de que temos notícia detalhada dos arquivos de Cossart & Gordon 44 e família Blandy. A Madeira Wine Company mantem no acervo históri- co documentação das diversas empresas que se associaram a partir de 1925. Aqui podemos encontrar abundante informação sobre as firmas supracitadas, como é o caso das casas de Tarquinio T. Lomelino e F. F. Ferraz & Co. O arquivo da firma Cossart Gordon & Co (1745-1831) 45 é entre todos o mais significativo reunindo mais de 2000 peças documentais de 1745 a 1943.

A partir da publicação das cartas de William Bolton por A. L. Simon 46 é possível

conhecer a acção do negociante de vinhos entre 1695 e 1740. Para nós as cartas co- merciais de William Bolton, juntamente com as de Diogo Fernandes Branco (1649- 1652), João de Saldanha Albuquerque (1673-1698) e Duarte Sodré Pereira 47 permitem colmatar algumas lacunas da documentação oficial para os séculos XVII e XVII.

da documentação oficial para os séculos XVII e XVII. 44. Elizabeth Nicolas, Madeira and the Canarias
da documentação oficial para os séculos XVII e XVII. 44. Elizabeth Nicolas, Madeira and the Canarias

44. Elizabeth Nicolas, Madeira and the Canarias, Londres, 1953, p. 107.

45. Parte da documentação encontra-se nos arquivos da Madeira Wine Company e outra foi vendida pelos herdeiros à Universidade de Liverpool.Cf.Noel Cossart, Madeira the Island Vineyard, London,1984.p.XI.

46. The Bolton Letters

47. Maria Júlia de Oliveira e Silva, Fidalgos-Mercadores no século XVIII- Duarte Sodré Pereira, Lisboa, 1992

,

Londres, 1965, vol. I.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

J

depressa perderam vigor com os acontecimentos de 1823

51

.

Os Jornais

Henry Mare afirma que escrever a história do jornalismo no século XIX é escre-

. A partir de 1821 com o incremento da imprensa

ver a história do próprio século 48

os jornais assumem-se como uma fonte primordial para o conhecimento mais por-

menorizado do quotidiano e da opinião do cidadão, obviamente letrado. Tendo em

conta que o século XIX na Madeira se apresenta bem documentado de publicações

periódicas e, que seria impossível um estudo detalhado de todas, optámos por uma

selecção prévia que se alargou à medida da necessidade de informações de índole

político-económica. Primeiro incidimos a recolha nos períodos mais marcantes da

conjuntura vitivinícola, dando particular destaque aos anos de 1820/30, 1850/1855,

1870/1875.

O período de 1820/1830 é aqui apresentado por ser a fase de arranque do jor-

nalismo insulano, marcadamente criticista e comprometido com a conturbada con-

juntura da primeira metade do século XIX. Tivemos quatro tipografias para nove

jornais de publicação efémera. O Patriota Funchalense 49 , primeiro periódico publi-

cado na ilha, é o nosso maior destaque. As páginas do bissemanário estavam aber-

tas à colaboração (paga pelos autores), afirmando-se como uma tribuna de discussão

dos problemas de âmbito regional. De entre as principais preocupações temos a

salientar as questões do vinho, aguardentes, vínculos e contrato de colonia 50 . Mas,

De entre os jornais surgidos no primeiro momento podemos destacar O

Funchalense Liberal e O Defensor da Liberdade. Entre 1850/1870 estámos perante

um momento rico na publicação de jornais, com cerca de meia centena de periódi-

cos, destacando-se alguns pela incidência na discussão político-económica-social: O

33

Amigo do Povo, O Progressista, A Ordem, o Clamor Público.

O Clamor Público, surgido em 1854, agregou jornalistas de mérito com acção política nas Cortes e fora delas: António Correa Henriques, António Gonçalves de Freitas, Luís de Freitas Branco 52 . E, como diziam em editorial, a função do jornal

5 2 . E, como diziam em editorial, a função do jornal 48. Citado por A.
5 2 . E, como diziam em editorial, a função do jornal 48. Citado por A.

48. Citado por A. Aragão Mimoso de Freitas, A Madeira Adere à Revolução de 1820, Lisboa, 1958 (tese de licenciatura), p. 17.

49. Veja-se José Augusto dos Santos Alves, “O Patriota Funchalense” ou o elogio do contrapoder, in Actas do II Colóquio Internacional de História da Madeira, Funchal, Setembro de 1989, Lisboa, 1990, pp.279-400; António Marques da Silva, Preocupações Ecológicas do “Estrela do Norte”, in Atlântico, 19, 1989, pp.203-220; idem, Almeida Garrett e “O Patriota Funchalense”, Atlântico, 8, 1986, pp.289-292.

50. Um facto característico desta colaboração é o tipo de pseudónimo então usado pelos seus colaboradores a condizer ou não com o momento. Assim temos o “Ilheo Constitucional”, o “Imparcial Cidadão”, “Despertador Principiante”, “O Novo Despertador”, “O Amigo da Verdade”, “Amante da Justiça”, “Hum Amigo da Paz”, “Hum Observador Imparcial”, “O Inimigo dos Aristocratas”, “Hum Português”, “Hum filho da Madeira”, “O Sentinela do Erário”, “Hum Cidadão”, “Hum Villão do Campo”, “O Camponez Madeirense”. Dois mais se destacam: um pelo nome - Robert Machim, o outro pela sua prosa vig- orosa e contestatária - o Estrella do Norte. O primeiro, fruto dum saudosismo, marcadamente britânico, o segundo, identifi- cado com o cónego Jerónimo Alves da Silva (1770/1861) evidencia-se pela sua prosa jornalística marcadamente liberal e criticista em que ninguém escapava ao seu olhar crítico. Por outro lado temos a referenciar a colaboração assinada, donde destacamos algumas personalidades conhecidas, como Francisco Manuel Alves, Diogo Dias Ornelas, Jaime António de França Neto, J. Cardoso Giraldes, João Chrisóstomo Espínola Macedo, Francisco Paula Medina de Vasconcelos.

51. Primeiro tivemos a prisão do proprietário e redactor, Nicolau Pita, por alçada de 1823, acusado de maçónico, por outro a cri- ação em 12 de Junho de 1823 duma comissão de censura, que conduziram ao fim deste periódico.

52. Isto só até ao número 27.

34 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

era importante: Se o título de um periódico pode significar a Índole e carácter dele – ‘O Clamor Público’ - indica que ele há-de ocupar-se de todos os assuntos cuja dis- cussão é reclamada pela opinião e interesses gerais desta província. E essa missão já se vê que vai tratar dos meios de proteger as indústrias agrícola, comercial e fabril, com muita especialidade 53 .

Cada jornal tinha o devido enquadramento político-partidário, apresentando-se como o decalque da situação política. Os editoriais e artigos dos colaboradores mais directos são disso um reflexo. Daqui resultou acesa polémica que envolveu alguns jornais, nomeadamente O Clamor Público e a Ordem. Destaque especial foi dado a um periódico surgido em 1851 - O Agricultor Madeirense - que se afirmava como órgão oficial da Sociedade Agrícola Madeirense. Em O Archivista, onde se imprimia o novo periódico, temos a notícia do aparecimento e da finalidade em vista: É destinado a dar conta das Actas da

Sociedade Agrícola Madeirense e direcção - de todas as propostas, indicações, relatórios e trabalhos dos sócios e comissões - da legislação agrária, em geral, e da especial da Madeira, - e de memórias, artigos, e quaisquer escritos interessantes

sobre agricultura 54 . A ideia repete-se no editorial do primeiro número, que explicita as razões de criação da Sociedade Agrícola 55 . A informação disponível sobre o jornalismo madeirense é avulsa, fazendo falta uma monografia e inventário adequado. Apenas conhecemos duas listas incomple- tas feitas por Jordão Apolinário de Freitas 56 e pelo Visconde do Porto da Cruz 57 . Nas bibliotecas do continente e da Madeira os núcleos jornalísticos estão incompletos, tornando impossível uma relação completa. A colecção da BNL pertence em grande parte ao espólio de A. R. de Azeredo, aí incorporado após a morte, fican- do-se no século XIX. Apresentamos, de seguida, por ordem cronológica, os jornais consultados em que colhemos informações para o presente trabalho.

- O Patriota Funchalense, 2 Julho 1821/8 Fevereiro 1823, 214 números

- O Pregador Imparcial da Verdade, da Justiça e da Lei, 17 Fevereiro 1823/3 Julho

1824, 71 números

- Funchalense Liberal, 3 Fevereiro 1827/26 Abril 1828

- O Defensor, 4 Janeiro 1840/18 Maio 1847

- O Echo da Revolução, 27 Julho 1846/23 Janeiro 1847

- O Independente, 20 Agosto 1846/15 Maio 1847

- Correio da Madeira, 3 Fevereiro 1849/9 Agosto de 1851

- O Amigo do Povo, 26 Janeiro 1850/ 27 Abril 1854

- O Arrivista, 7 Dezembro 1850/27 Dezembro 1851

- O Agricultor Madeirense, 26 Março 1851/Dezembro 1851

- O Agricultor Madeirense , 26 Março 1851/Dezembro 1851 53. Nº 1, p. 1. 54. Nº
- O Agricultor Madeirense , 26 Março 1851/Dezembro 1851 53. Nº 1, p. 1. 54. Nº

53. Nº 1, p. 1.

54. Nº 15, p. 1.

55. Nº 1, pp. 1/2.

56. Vide Diário de Notícias, Funchal, nº 6385/6.

57. Notas e Comentários para a História Literária da Madeira, Funchal, 1953, vol. II, pp. 311/3.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

35

- O Progressista, 28 Agosto 1851/15 Maio 1854

- A Ordem, 15 Janeiro 1852/1 Setembro 1860

- O Clamor Público, 17 Maio 1860/15 Outubro 1877

- O Direito, 1880/1883

- O Funchalense, 17 Abril 1859/17 Fevereiro 1851

- A Voz do Povo, 17 Maio 1860/15 Outubro 1877

- Gazeta da Madeira, 1 Fevereiro 1866/27 Fevereiro 1869

- A Razão, 1867/1870

- O Popular, 1 Fevereiro 1809/12 Setembro 1869 - 1874/1877 - A Lâmpada, 21 Novembro 1876/17 Janeiro 1878

- O Popular, 1 Novembro 1876/17 Janeiro 1878

- Diário de Notícias, 11 Outubro 1876

Na imprensa do continente encontrámos várias páginas dedicadas à Madeira da autoria de madeirenses 58 , como é o caso das memórias publicadas por António Correia Heredia na Revolução de Setembro. Noutros periódicos, onde soubemos que a pesquisa seria coroada de êxito, fizemos o levantamento sumário dos ele- mentos mais importantes. Aqui tivemos em conta as publicações da especialidade. Assim do Portugal Agrícola - 1901/8 - retivemos informações sobre a lavra da vinha no continente e na Madeira, de que destacamos as monografias de Menezes Pimentel, Azevedo Menezes. Na Informação Vinícola (1950/3), órgão oficial da Junta Nacional dos Vinhos, colhemos notícias e informações de índole histórica sobre o vinho, de modo especial os textos de Rodrigo Cavalheiro, Avelar Machado, António de Almeida e José Tavares. Outros mais consultamos em que destacamos:

- A Vinha Portuguesa - Revista Mensal Dedicada ao Progresso da Viticultura Nacional,

Lisboa, 1886/1929, sob a direcção de F. Almeida Brito, Alfredo le Coca, Jorge de Melo.

- A Vinha Americana em Portugal, 1897, 2 números, revista bissemanal publicada por António Palma de Vilhena, que como o nome indica releva toda a actividade para o replantio das vinhas em Portugal por intermédio das castas americanas 59 .

- Vinicultura, 1934, [que se publicou no Porto por iniciativa de um proprietário local, Fernando Ribeiro Guimarães].

- Vinhos de Portugal, publicação de propaganda vinícola, 1954, publicado em Coimbra por A. Rocha Pinto.

- O Vinho em Portugal, Lisboa, 1967, boletim mensal do grémio dos armazenistas de vinho, sob direcção de Acácio Caldeira

- Vinho - Semanário Vitivinícola, publicado em Lisboa sob a direcção de António Batalha Reis[um especialista das questões enológicas. Foi também director do jor-

nal Informação Vinícola].

Foi também director do jor- nal Informação Vinícola ]. 58. Existem diversas publicações que compilam os
Foi também director do jor- nal Informação Vinícola ]. 58. Existem diversas publicações que compilam os

58. Existem diversas publicações que compilam os discursos parlamentares de deputados madeirenses. Veja-se Fernando Augusto da Silva, “Discursos”, in Elucidário Madeirense, vol. I, Funchal, 1984, pp.865-867. 59. Vide nº 1, pp. 1/2, onde se alude a esta finalidade prática.

36 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

B

contrato de colonia e da subordinação da ilha ao domínio britânico.

A

A Bibliografia

No século XIX lançaram-se as bases da História Insulana que teve em Álvaro

Rodrigues de Azevedo (1825/1898) o marco fundamental, com as anotações às

Saudades da Terra e na monografia sobre a Madeira publicada no Dicionário

Universal de Português Ilustrado de Fernandes Costa e numa colectânea de docu-

mentos que deixou em manuscrito

60

.

O primeiro estudo ficou como fonte base de toda

a posterior escrita sobre história da Madeira e, ainda hoje, é um elemento indispensável

de consulta. São da mesma época os textos de Paulo Perestrelo da Câmara (1810/1854),

Breve Notícia sobre a Ilha da Madeira (1841), os apontamentos manuscritos de João

Pedro de Freitas Drumond e a referência do cónego Joaquim Gonçalves de Andrade

(1795/1868), que anotou a História Insulana de António Cordeiro, no que toca à

Madeira e que teria reunido documentação para a História da Madeira, que se perdeu

juntamente com o espólio literário

61

.

Quase todos os textos publicados estão impregna-

dos pela marca ideológica do movimento liberal, como se pode comprovar nas

tomadas de posição de Álvaro Rodrigues de Azevedo sobre a questão em debate do

historiografia primeira metade do século XX (1922/50) foi marcada pela ideolo-

gia patriótico-nacionalista, como foi o caso do grupo conhecido como a

Cenáculo. Estamos perante uma agremiação onde se juntavram alguns dos vultos mais destacados da época, de que podemos salientar ao nível historiográfico, J. Reis Gomes, Fernando Augusto da Silva e Alberto Artur Sarmento. A tertúlia tinha como órgão ofi- cioso o Diário da Madeira e o Heraldo da Madeira, onde davam conta das deambu- lações históricas. Foi daqui que partiu a ideia de comemorar o V centenário da descoberta da ilha, que teve lugar entre 1922/1923. O Pe. Fernando Augusto da Silva (1863/1949), com o Elucidário Madeirense (1923), lançou as bases da História da Madeira. Estamos perante um apanhado, em modo de dicionário, dos aspectos mais importantes mas não qualquer história acaba-

da. Alberto Artur Sarmento (1878/1953) foi o elemento mais influente, espírito pers- picaz e aberto que em Os Ensaios Históricos da Minha Terra (1ª edição, 193) esboçou uma síntese de história regional.

A geração seguinte continuou o trabalho de pesquisa e divulgação da História da

Madeira. A conjuntura foi favorável, quer através do Congresso do Mundo Português em 1940, quer das comemorações henriquinas em 1960. Veja-se, por exemplo, as comemorações henriquinas celebradas no Funchal através do boletim do Arquivo Histórico 62 . Os elementos mais destacados são: o Pe. Eduardo Pereira (1887-1976),

Ernesto Gonçalves (1898-1982), Carlos Montenegro Miguel.

Geração do

A partir dos anos 30 deu-se um impulso decisivo na historiografia na valorização dos

um impulso decisivo na historiografia na valorização dos 60. BNL, Secção de Reservados , Cod. 6999.
um impulso decisivo na historiografia na valorização dos 60. BNL, Secção de Reservados , Cod. 6999.

60. BNL, Secção de Reservados, Cod. 6999.

61. Visconde do Porto da Cruz, ibidem, p. 62.

62. Vide vols. XII e XIII.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

37

fundos arquivísticos locais com a organização do arquivo local sob o impulso de João Cabral do Nascimento, que através dum boletim (1931) procedeu à sua divulgação. O trabalho teve continuidade nos anos subsequentes de forma que hoje o acesso aos fun- dos documentais está facilitado. Foi neste contexto que tivemos na década de 50, da ini- ciativa da Sociedade de Concertos da Madeira e sob os auspícios de Luís Peter Clode,

uma revista de artes, letras e História, que tomou o nome de Das Artes e da História

da Madeira. A publicação animou o panorama cultural da ilha durante duas décadas (1950/1960), tendo marcado uma fase importante da historiografia local, com os estu- dos de Pita Ferreira, Joel Serrão e Ernesto Gonçalves. As teses de licenciatura apresentadas entre 1940/60 como prova final da licenciatu- ra de História às Faculdades de Letras de Lisboa e Coimbra assumem igualmente uma importância fundamental por serem trabalhos monográficos de investigação sobre temas obscuros ou inexplorados, podendo salientar-se as de Fernando Jasmins Pereira (em Coimbra), Maria de Lurdes Freitas Ferraz, Maria do Carmo Jasmins Pereira, António Aragão, Mimoso de Freitas e João José Abreu de Sousa. Horácio Bento de Gouveia, através da obra literária, merece destaque por ser o escritor e memoralista das palpitações, problemas e quotidiano da população rural. Na obra que nos deixou perpassa um traço historiográfico, nomeadamente em A Canga, com a refutação do contrato de colonia, Aguas Mansas, com o retrato de miséria das bordadeiras, O Torna Viagem, com a saída e regresso do emigrante madeirense, Margareta, com o desvendar dos meandros da urbe funchalense dos anos 40. Alguns aspectos do quotidiano da primeira metade do século XX estão ao alcance de todos. Para os séculos XVIII e XIX não devemos desprezar o contributo dado pela litera- tura inglesa com a publicação de monografias específicas sobre a ilha. O inglês, não só, dominou os circuitos comerciais, como também se mostrou interessado na cultura e História, certamente com a intenção de defender-se das acusações que determinada historiografia local vinha fazendo. A Madeira ganhou a atenção dos aguarelistas, escritores e historiadores ingleses. Nas aguarelas testemunha a vida (e caricatura) da sociedade madeirense do século XIX, o traje, as festas, costumes e paisagens 63 . Entretanto os memorialistas que por cá passaram deixaram escritas as impressões de tudo quanto viram, dando realce ao vinho. Aqui merece destaque a memória de Henry Vizettely que em Facts about Port and Madeira (1880) dá conta do estado das vinhas madeirenses infestadas com a moléstia da Filoxera, das castas mais importantes, da forma de funcionamento das estufas, do comércio 64 . Outras monografias surgiram com carácter turístico. R. White em 1853 ao escrever Madeira its Climate and Sunny, que tinha um subtítulo significativo: A Handbook for Invalid and other Visitors. Mais recentemente tivemos W. H. Koebel, A. L. Simon, Rupert Croft-Cook que, em estilo de memória ou em forma de mono- grafia histórica, deram conta de vários aspectos da história ao público inglês.

conta de vários aspectos da história ao público inglês. 63. José Leite Monteiro, Estampas Antigas de
conta de vários aspectos da história ao público inglês. 63. José Leite Monteiro, Estampas Antigas de

63. José Leite Monteiro, Estampas Antigas de Paisagens e Costumes da Madeira, Funchal, 1951. 64. Vide Ruppert Croft Cook, Madeira, Londres, 1961, pp. 96/105.

38 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

Armas da Cidade do Funchal 65 .

• Séculos XV - XX Armas da Cidade do Funchal 6 5 . História económica e

História económica e a teoria dos ciclos.

Uma das questões mais prementes da historiografia madeirense sobre o vinho prende-se com a ideia de ciclo, usada para definir o período de afirmação da cultura e comércio do vinho. É comum apresentar-se o processo económico da Madeira de acordo com a afirmação cíclica de produtos 66 . A teoria, que teve o apogeu nas décadas de cinquenta e sessenta, não colhe hoje adeptos. Tudo começou em 1929 com Lúcio de Azevedo 67 e foi reforçado passados vinte anos com Fernand Braudel 68 , acabando por conquistar a adesão da historiografia brasileira. Ambos argumentam que o processo económico das ilhas se articulou de acordo com o regime produtivo de monocultura. Ainda, em 1949 Orlando Ribeiro 69 esclarecia, que no caso da Madeira não é possível encontrar rastros de monocultura no regime de exploração agrícola, mesmo assim Joel Serrão insistiu em 1950 em definir o ciclo dos cereais 70 .

insistiu em 1950 em definir o ciclo dos cereais 7 0 . 65. Os elementos figurativos
insistiu em 1950 em definir o ciclo dos cereais 7 0 . 65. Os elementos figurativos

65. Os elementos figurativos começam por assinalar apenas a cana de açúcar e só a partir de 1809 surgem os referentes ao vinho, através de uma parreira com uvas, confronte-se António Aragão, As Armas da Cidade do Funchal no curso da sua História, Funchal.1984.

66. O mesmo debate existe quanto às análises de História Económica Ibero-americana, veja-se Goizueta-Mimo, Felix, Bitter Cuban Sugar. Monoculture and Economie Dependence from 1825-1899, N. York, 1987.

67. AZEVEDO, Lúcio de, Épocas de Portugal Económico. Esboços de História, Lisboa, 1929.

68. BRAUDEL, F., Le Méditerranée et le Monde Méditerranéen(

69. Orlando Ribeiro, L’Île de Madère (

70. SERRÃO, Joel, Temas Históricos Madeirenses, pp.17-20 e 53-75.

), ed. de 1949, 123.

), Lisboa, 1949, 67.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

39

A mesma opinião foi também defendida para as Canárias, onde, volvidos vinte anos,

Elias Serra Rafols 71 respondia a Francisco Morales Lezcano 72 , enunciando que nunca

existiu um regime de monocultura, uma vez que a economia canária foi dominada por uma variedade de culturas, cuja actuação não foi uniforme no tempo e no

espaço. A questão foi retomada na década de cinquenta por Frédèric Mauro 73 , que aconselhado por Vitorino Magalhães Godinho 74 , afirma que a economia insular assentava apenas num regime de produtos dominantes e não de monocultura. Aliás, V. M. Godinho para desfazer os equívocos introduziu um novo conceito operatório,

o complexo histórico-geográfico.

Na Madeira a ideia dos ciclos vingou junto de historiadores e eruditos não sendo difícil encontrar expressão em qualquer análise de carácter económico. Assim, ficou assente que a História Económica da Madeira evoluiu do ciclo dos cereais, do açú- car ou ouro branco, do vinho, do turismo, banana e, certamente, da autonomia. Finalmente em 1979 esta leitura chegou à análise da História de Arte e urbanismo da cidade, surgindo pela pena de António Aragão 75 a ideia de que a cidade teve dois momentos distintos em que se definiram diversas formas de concretização artística e urbanística: a cidade do açúcar e do vinho. O impacto que o texto teve no meio académico e público interessado conduziu a que a ideia, ainda que sem qualquer fundamento, acabasse por vingar. Uma análise aturada da economia insular diz-nos que não se regeu por princípios exclusivistas, de acordo com a premência das solicitações externas. Antes pelo con- trário, o desenvolvimento socio-económico processou-se de forma variada, sendo a exploração económica resultado do confronto com as condições e recursos do meio, as solicitações da economia de subsistência. É difícil, senão impossível, definir um ciclo em que impere a monocultura de exportação, num espaço amplo e multi- facetado como é o do mundo insular. Os modelos, embora perfeitamente delineados, não se ajustam à realidade socio- económica, que é extremamente variada e enriquecida de múltiplas matizes. Embora alguns produtos, como o trigo, o açúcar, o vinho e o pastel, surjam em épocas e ilhas diferenciadas, como os mais importantes e definidores das trocas externas, não são únicos na economia insular. Na verdade, a dominância sucede

na economia insular. Na verdade, a dominância sucede 71. ”El gofio Nuestro de cada Dia”, in
na economia insular. Na verdade, a dominância sucede 71. ”El gofio Nuestro de cada Dia”, in

71. ”El gofio Nuestro de cada Dia”, in Estudios Canários, XIV-XV, 1969-1970, pp.97-99, sendo corroborrado por M. A . Ladero Quesada, España en 1492, Madrid, 1978, pp.205-218, e Eduardo Aznar Vallejo, La Integración de las Islas Canárias en la Corona de Castilla, La Laguna, 1983, p.455.

72. MORALES LEZCANO, Victor, Sintesis de la Historia Economica, Tenerife, 1966, IDEM, Las Relaciones Mercantiles entre

La Laguna, 1970;IDEM, “Cultivos Dominantes y Ciclos Agricolas en la

Inglaterra y los Archipiélagos Atlantico Ibericos (

),

Historia Moderna de las Islas Canarias”, in Historia General de las Islas Canarias, IV, 11-22.

Paris, 1960, 501; IDEM, “Conjoncture Économique et

Structure Sociale en Amérique Latine depuis d’Époque Coloniale”, in Conjoncture Économique, Sctruture Sociales, Hommage à Ernest Labrouse, Paris, 1974, 237-251.

74. GODINHO, Vitorino Magalhães, Os Descobrimentos e a Economia Mundial, vol. IV, Lisboa, 1983, pp.207-223; IDEM, “A Divisão da História de Portugal em Períodos”, in Ensaios II, 2ª ed., Lisboa, 1978, 12-14; IDEM, A Construção de Modelos para as Economias Pré-Estatísticas, Revista de História Económica e Social, 16, 1985, pp.3-16; “Entender la Praxis de los Negocios”. Esboço de Modelo para a Economia dos Séculos XV e XVI, História das Ilhas Atlânticas, vol. I, Funchal, 1997, 13-39; IDEM, “Entender la Praxis de los Negocios”. Esboço de Modelo para a Economia dos Séculos XV e XVI, in História das Ilhas Atlânticas, vol. I, Funchal, 1997, pp.40

75. ARAGÃO, António, Para a História do Funchal, Pequenos Passos da Sua Memória, Funchal, 1979

73. Frédèric MAURO, Le Portugal et l’Atlantique au XVIIe, siècle (

),

40 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

apenas no sector da exportação e nunca na globalidade da economia da ilha, onde por vezes outros, como fonte de riqueza familiar e subsistência, se tornam mais importantes.

Os ciclos de monocultivo são apenas a parte visível das exportações pelo que resumir a análise económica a isso é uma atitude reducionista uma vez que se limi-

ta a reconhecer a importância dos produtos com maior peso nas exportações. A ilha

é um microcosmo definido pela variedade de espaços ecológicos que não se com-

padecem com a unicidade agrícola. A situação de produto dominante levou à sis-

tematização do devir socio-economico em ciclos, uma ilusão da complexa realidade que serve de base. O produto define a estrutura socio-economica, numa determi- nada época, esquecendo-se a complexidade do sector produtivo e comercial. A documentação é unânime na afirmação de que o empenho do ilhéu não se resum-

ia apenas ao produto que mais girava nas relações com o exterior. Há em todos os

momentos uma preocupação das autoridades e das populações de auto-suficiência que milita em favor da manutenção das culturas da dieta alimentar que medravam,

lado a lado, com as dominantes e solicitadas pelo comércio externo. A polivalência produtiva foi uma constante do devir economico, sendo uma das características das regiões insulares. A dominância de um produto nas relações com o exterior não impede a situação de policultura, nem retira o empenho das gentes laboriosas em assegurar a sua autosubsistência. As posturas Municipais, quando regulamentam os diversos sectores económicos, evidenciam uma diversidade de interesses e movi- mento de produtos. No processo histórico madeirense é gritante a extrema dependência da ilha em relação ao exterior. A Europa assumiu uma posição dominante firmando-se como

o centro donde emanavam as orientações de ordem política e económica. A situ-

ação é comum ao mundo insular definindo uma das peculiaridades, marcada pela fragilidade e dependência económica em relação ao velho continente. Para isso con-

tribuiu a posição hegemónica das cidades-capitais dos impérios peninsulares a

pouca disponibilidade de recursos e meios das sociedades insulares.Por outro lado

a afirmação de um produto nas exportações não é possível sem a existência de um

sistema de policultura, principalmente em universos restritos como o das ilhas. Assim, os canaviais subsistem se for possível assegurar um vasto hinterland de cul- turas de subsistência. Perante isto podemos afirmar que os ciclos serão apenas a visão deformada do processo económico, a caricatura de uma realidade que sempre foi muito mais complexa. Entender a economia das ilhas e a História é reconhecer um estatuto diferencia- do aos espaços económicos. Para nós a História e a realidade económica não se compadece com teorias e tão pouco se lhes deve subjugar. Quem conhece as ilhas sabe que em todas domina a diversidade geo-económica, fruto da configuração geográfica, que provoca na Madeira um escalonamento de culturas.

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

41

Obras gerais

Estrangeiras • Temática Geral

ALBIZZI, Six mois à Madère, in La Tour de Monde, Paris, 1889, T.15, pp. 65/96

BAGUET, A., Lîle Madère, in Bulletin de la Societé de Gèographique d’Anvers, Anvers,

1879, T. VI, 367/82

BLAIZE, L., Madère, in Bulletin de la Societé de Géographique de Lyon, Lyon, 1879, T.

II, pp. 81/85 DERVENU, Claude, Madeira, Paris, Horizons de France, S/D

KOEBEL, W. H., Madeira-Impressions & Associations, London, Metwens & Ca. Ldt.,

1924

MARJAY, Frederic, Madeira, Lisboa, Livraria Bertrand, 1965

NICHOLAS, E., Madeira and the Canarias,, London, 1953 POWER, C. A. de P., Powers Guide to the Island of Madeira (the pride of Portugal),

London, George Philips &Son Ltd., 30ª edição PAJEAUX, Daniel Hneri, L’Escale du Pére Laval à Madère-1720, in Arquivos do Centro Cultural Português, Paris, 1970, vol. II, pp. 445/56. PAPILLAUD, Lucien, Un Voyage à Madère en 1858, in Bulletin de la Societé de Geographie de Rodefort, Rodefort, 1883, T. IV, pp. 190/220

BIRD, W. And Alfred, Madeira - A Guide Book of Useful Information, London, F.

Passmore, S/D WILHELM, Hartnack, Madeira, Landeskunde Liner Insul, Hambourg, Friederisheen de Gruyter & C.M.B.H., 1930

WHITE, Robert, Madeira its Climate and Scenery- a Hand-book for Invalid and other

Visitors, Edimbourgh, Adaw and Charles Black, 1850

Nacionais

CÂMARA, Paulo Perestrelo da, Breve Notícia sobre a Ilha da Madeira

Typografia da Academia de Bellas Artes, 1841

,

Lisboa,

FARIA, José Cupertino de, O Arquipélago da Madeira- Guia Descritivo, Setúbal,

Typografia de J. Santos, 1901

GOUVEIA, Horácio Bento de, Canhenhos da Ilha, Funchal, ed. Junta Geral do Funchal,

1966

- A Canga, Coimbra Editora Ltd., 1975

LAMAS, Maria, Arquipélago da Madeira - Maravilha Atlântica, Funchal, Eco do Funchal,

1956

MONTEIRO, José Leite, Estampas Antigas de Paisagens e Costumes da Madeira, Funchal,

ed. Câmara Municipal do Funchal, 1951

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OLIVEIRA, A. Lopes, Arquipélago da Madeira - Epopeia Humana, Braga, editora Pax,

1969

PEREIRA, Eduardo, Ilhas de Zargo, Funchal, ed. Câmara do Funchal, 1939, 2 vols. (ed. de

1956)

RIBEIRO, Orlando, L’Ile de Madère-Étude Geographique, Lisboa, 1940 SARMENTO, Alberto Artur, Ensaios Históricos da Minha Terra, Ilha da Madeira,

Funchal, ed. Câmara Municipal do Funchal, 1952, vol. IV

SOUSA, João José Abreu de, O Movimento do Porto do Funchal e a Conjuntura da Madeira de 1727 a 1810, Funchal, 1990

Obras específicas

Como auxiliar da consulta sobre o vinho é importante a bibliografia organizada em 1938 pelo Instituto Superior de Agronomia, por altura do V Congresso Vinícola:

-V Congresso da Vinha e do Vinho - a Vinha e o Vinho - Bibliografia, Lisboa, 1938

Monografias Históricas sobre o vinho

Em primeiro lugar convém destacar as que se debruçam sobre a História do vinho em geral, desde o aparecimento das primeiras cepas no Oriente, aos tempos que decorrem. Igualmente daremos conta das que caracterizam e definem o vinho. ALLEN, Warner, The Wines of Portugal, London, Casa de Portugal, by George Rabird, Ltd., 1962

- A History of Wine - Great Vintage Wines from Homeric Age to the Present Days,

London, Fabriand Faber, 1961 CORUCHE, Visconde de, O que é o Vinho, Lisboa, Fabriand Faber, 1961 REIS, António Batalha, O Vinho, Porto, Oficina do Comércio do Porto, 1902 SOCINI, G. Grazzi, Il Vino, Corregliano, Tipo-litografia F. Caguani, 1889

Quanto à História do vinho da Madeira, poucas são as monografias que merecem referência:

COSSART, Noel, Madeira. The Island Vineyard, London, 1984

CROFT-COOK, Ruppert, Madeira, London, Putnam & Company Ltd., 1961 HENRIQUES, Jordão Maurício, Les Vins de Madère, in Le Portugal et son Activité Économique, 1932, pp. 148/50

LEMPS, Alain Huetz de, Le Vin de Madere. Vins, Vignes,Vignerons, Grenoble, 1989.

LIDDELL, Alex, Madeira, London, Faber and Faber, 1998

A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

43

MELIN, Robert, Madeira. Och dess Vin, Suécia, 1996 SILBERT, Albert, Un Carrefour de l’Atlantique – Madère 1640/1820), in Economia e

Finanças - Anais do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Lisboa,

1954, vol. XXII, t. II, pp.299/442 [existe uma reedição bilingue feita em 1997 pelo CEHA] SIMON, André L., Madeira and its Wine, Funchal, Tipografia Casa Pathé, S/D (e Elizabeth Craik)

- Madeira Wine Cakes of Sauces, London, Contable & Ca. Ltd., 1933 SIMÕES, Nuno, Notas sobre a Evolução do Comércio dos Vinhos da Madeira, in Arquivo Financeiro e Segurador, 1935, Nº. 10, pp. 273/83 e 293

TAVARES, José da Cruz, Comercio dos Vinhos da Madeira, in Informação Vinícola, 1940, nº. 2/5, pp. I/4, I/3, I/2

- Porto Santo e a Produção do Vinho da Madeira, in Informação Vinícola, 1949, nº.

10, pp. 1 e 2 TENREIRO, Francisco, Nótula Acerca do Vinho da Madeira, in Geographica, 1965, nº. 1, pp. 26/31 THOMAS, Veronica, Madeira, Like its Wine, Improves with Age, in National Geographic (Magazine), Washington, 1973, vol. 143, nº. 4, pp. 488/51

Viticultura/vinificação

Em primeiro lugar convém destacar a acção da Academia de Ciências de Lisboa, ao longo dos séculos XVIII/XIX, com a publicação das memórias de Agricultura pre- miadas pela mesma, nomeadamente as memórias I a IV (1787/90), e até mesmo as memórias económicas publicadas entre 1789/1885.

ALARTE, Vicencio, A Agricultura das Vinhas e tudo o que Pertence a ellas até o Perfeito Recolhimento do Vinho e Relação das suas Virtudes e da Cepa, Vides, Folhas e

Borras, Lisboa, na Officina Rela Reseandesina, 1712 ALMEIDA, Gabriel d’, A Vinha- Notas Vitícolas e Vinícolas, Ponta Delgada, 18 AGUIAR, António Augusto de, Conferências sobre Vinhos, Lisboa, Typografia da Academia Real de Ciências, 1876/7 BRUNNET, Raymond, Traité de Vinification, Paris, G. Masson editeur, 1894

CANTAMESSA, Filipo, Il Vino - su Produzione, Conservazione e Commercio, Torino

Tipografia editriche, 1899 CHAPTAL, M. L Comte, L’Art de Faire de Vin, Lisboa Imprensa Nacional, 1900 COSTA, B. C. Cicinnato, O Portugal Vinícola, Lisboa, Imprensa Nacional, 1900 - As Regiões Vinícolas de Portugal, in Portugal Agrícola, 1899, N1 11, pp.265/71 - Situação Vinícola de Portugal, in Ibidem, pp. 169/175

COSTE-FLORET, P., Procédés Modernes de Vinification, Paris, 1894 DELGADO, Santos, Manual Pratico e Técnico sobre o Fabrico e Tratamento de Vinhos,

Lisboa, La Clássica Editora, 1926

44 A VINHA E O VINHO NA HISTÓRIA DA MADEIRA • Séculos XV - XX

GAILLOT, Anteriorités e Description Pratique des Pressions Pompes e Machines

Vinicoles et Hydrauliques, Beume, Imprimerie Lumbert fils, 1883

GYRÃO, António L. B. F. Teixeira, Trato Teórico e Prático de Agricultura das Vinhas de Extracção do Mosto, Bondade, e Conservação dos Vinhos e da Destilação das Agoas-

ardentes, Lisboa, Imprensa Nacional, 1822 GUYOT, Jules, Cultura de la Vigne et Vinification, Paris Librairie Agricole de la Maison Rustide, 1865

LAPA, João Ignacio Ferreira, Revista de Agricultura na Exposição Universal de Paris de

1878, Lisboa, imprensa Nacional, 1879

- Almanach do Lavrador, para 1866, 1868, 1870