Crónica Nº 100 « Mille millions, de mille milliards, de mille sabords, de tonnerre de Brest !

»

Por Henrique de Almeida Cayolla

PREÂMBULO
Haverá muitos leitores que ficarão intrigados com o título desta crónica, mas também haverá outros tantos, novos ou de mais idade, que á relacionam a frase com alguma coisa! " que é certo, é que no decorrer da leitura, irão a#erceber$se do motivo #elo qual escolhi tal título, #ara a escrita de ho e, dia %& de 'aneiro de ()%*! A #roveni+ncia vem da célebre #ersonagem da banda desenhada da série ,intim de Hergé, o famoso ca#itão Haddoc-, que frequentemente utili.ava uma linguagem com termos muito #ró#rios, em variadas circunst/ncias tais como, quando ficava zangado, ou irritado, ou quando acontecia alguma coisa má, surpreendente, intrigante, etc A variedade e a rique.a das #alavras ou #alavr0es usados é tal, que ocasionou que ,eresa 1irmino, achou #or bem criar uma es#écie de “Dicionário para perceber o capitão Haddock2! 3"s mais curiosos em saber #ormenores, #oderão recorrer ao 4oogle5! A lista de im#ro#érios é enorme6 7as edi80es dos livros do ,intim em #ortugu+s, não se fa.ia uma tradu8ão 9 letra, mas ada#tava$se o que se refere em título, com frases tais como:2 Com mil milh0es de macacos2! Ainda acerca do título em franc+s, achei #ertinente transcrever 3conforme lá está5 o resultado de uma #equena #esquisa que fi.: ; <e Sabord est un terme d=architecture navale désignant une ouverture dans le flanc d=un navire, #ar laquelle #assent les f>ts de canons, les avirons ou sim#lement une #rise d=air! <=origine du sabord n=est #as établie avec #récision mais elle est liée 9 l=a##arition de l=artillerie 9 #oudre sur les navires au ?@Ae$?Ae siBcle!

L'expression Tonnerre de Brest vient du cou# de canon qui annon8ait chaque
our l=ouverture et la fermeture des #ortes de l=arsenal 9 C heures et 9 %D heures auE #ieds du ch/teau de Frest!G 37",A : retirado da Hi-i#édia, onde tem mais eE#lica80es elucidativas5!

O MO!"#O $% E&'OL(% $O !)!ULO *

Com bastante frequ+ncia ao fim do dia, #assando em revista mental o que li, vi, consultei, ou que constatei, ocorrem$me temas a desenvolver nas minhas crónicas, e surgem$me flashes #ara tirar #artido ao escrever as mesmas! 7o momento traumático em que os #ortugueses vivem, não nos faltam motivos, #ara diariamente, soltarmos im#reca80es, #erante tanta quantidade de assuntos que nos fa.em ficar irritados, aborrecidos, #reocu#ados, descrentes!

I assim ou não éJ Ke#are$se, que mais acima, realcei a #reto, as circunst/ncias em que o ca#itão Haddoc-, utili.ava a sua linguagem! Lntão, #assemos 9 fase seguinte, a#licando o título a muitos acontecimentos nossos, actuais!

MILLE MILLIONS, MILLE MILLI!" S#$
1 - GRITE-SE po*+ticos,(

E

!E “ " REI #$I %&'()"s

Com desassombro, seria necessário sermos muitos a gritar que M" rei vai nNM, #rocurando sacudir o tor#or, a a#atia, a falta de coragem de tantos, que não são ca#a.es de chamar os bois #elos nomes, e de #rocurar meter na ordem tantos #olíticos, que tantos dislates cometem, ansiosos #or #rotagonismo! Lstamos cheios de ouvir falar o Oeguro, o Pário Ooares, e muitos do PO em geral, que se tivessem um bocadinho, só um bocadinho, de consci+ncia e de vergonha, estavam calados durante Q anos, enquanto durasse a travessia no deserto, face a tantas enormidades de actua80es dos PO, que atiraram o País #ara a desgra8ada situa8ão em que estamosR e ainda t+m a lata de #assar a vida a criticar e a amea8ar, como o Oeguro que di. que não negoceia com uma faca encostada 9 garganta6 Porque é que eles não emigram em massa #ara Angola, Po8ambique, China, e #rocuram im#lementar lá as suas formas de estar na vidaJ L agora até há uma em#resa que aceita inscri80es #ara uma viagem a Parte, e OS TL @TA6

- - $ taxa de .erti*idade no /0ndo1 e e/ partic0*ar e/ 2ort03a*
Oegundo o que vi recentemente na ,A, ao noticiarem quais tinham sido os #rimeiros bebés a nascer em Portugal no #rincí#io deste ano de ()%*, foi referido que em ()%( a#enas tinham havido D)!))) nascimentos no nosso #aís, o que significava menos U!))) nascimentos que no ano anterior6 I o#ortuno referir a este #ro#ósito,G " KL<A,SK@" 4KVP" TL P@OOW" T" CTO$ PP, sobre X7A,A<@TATL Y " TLOA1@" P"K,V4VZO2, feito em 7ovembro ())U: @7,K"TV[W" Y Lm ())C nasceram em Portugal a#enas %)\!*\% bebés, menos Q%)C que em ())\! ,rata$se do nNmero mais baiEo desde %D*\, ano a #artir do qual há estatísticas oficiais sobre a matéria! " +ndice de .ec0ndidade baixo0 de 114 para 1156

.i*7os por /0*7er e/ idade .8rti* )dos 19 aos 4: anos,1 sit0ando-se bastante abaixo dos -11 necessários para a reposi;ão das 3era;<es( Tesde meados da década de sessenta que se observa uma diminui8ão da natalidade! Pas #orventura foram estes nNmeros que fi.eram soar, definitivamente, a sirene de alarme e colocar a questão entre nós com uma centralidade nova! A baiEa natalidade e o aumento da es#eran8a média de vida concorrem decisivamente #ara o envelhecimento da #o#ula8ão, tra.endo #roblemas transversais muito relevantes e que a todos tocam!G! 1@P TL C@,A[W"! A estes factos eu lembraria que, #aralelamente, os #artidos de esquerda em Portugal, t+m se #reocu#ado em admitir os chamados Xcasamentos X homosseEuais, a legali.a8ão do aborto, a ado#8ão de crian8as #or #ares do mesmo seEo, destruindo assim a família tradicional, de Pai, Pãe e filhos, e continuando a atacar e a rebaiEar a @gre a Católica! Como #or outro lado, não tem havido real #reocu#a8ão dos governantes em criar melhores condi80es #ara que os Pais normais #ossam ter, educar, e sustentar os seus filhos, a natalidade vai drasticamente descendo, caminhando o País, alegremente cantando e rindo 3onde é que eu á ouvi istoJ5 #ara a sua eEtin8ão a #ra.o muito breve6 I "V 7W" I TL @K FVOCAK "O @PPK"PIK@"O T" CAP@,W"J 0anto ao =0e se passa no /0ndo1 con>ido-os a abrir e *er atenta/ente1 o =0e está contido nos dois *inks abaixo? htt#:]]^^^!indeEmundi!com]ma#]Jt_)`v_*%`r_EE`l_#t htt#:]]#t!^orldstat!info]Horld]<istaofacountriesabya,otalafertilityarate Claro que este tema daria #ara encher #áginas e #áginas, mas não é adequado, aqui, estar a desenvolv+$lo!

5 - $ @"RR!2AB"

@"RREI" D$ C$%HB

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FIO DE PRUMO

Paulo de Porais Y Professor Vniversitário

'ORRUP+,O
A corru#8ão é a #rinci#al causa da crise em que estamos mergulhados! I este fenómeno que está na origem de sucessivos negócios ruinosos, verdadeiros roubos, que condu.iram ao descalabro das contas #Nblicas! 7as Nltimas décadas, assistimos a um regabofe sem limite com os dinheiros #Nblicos! A LE#o D& transformou um #erímetro industrial degradado numa .ona urbani.ável, gerou mais$valias urbanísticas milionárias, através da constru8ão de hotéis, equi#amentos e a#artamentos de luEo! L, a#esar disso, no final deu #re uí.o! As acusa80es de corru#8ão foram tíbias e até ho e ninguém foi condenado! Pas foi assim também o Luro ())Q, cu os estádios tiveram derra#agens de custo colossais! ,ambém aqui o #rocesso A#ito Tourado borregou e a cul#a morreu solteira! L foi ainda a com#ra dos submarinos, com #agamento de luvas a #ortugueses! A corru#8ão foi #rovada na Alemanha, os corru#tores foram ulgados e #resos! Lm Portugal, o Pinistério PNblico não sabe de nada! Pas os eEem#los não acabam nunca! 7os Nltimos anos, os mais criminosos de todos os negócios #Nblicos são os contratos de #arceiras #Nblico$#rivadas 3PPP5, nomeadamente as rodoviárias! Através deste modelo de negócio, garantem$se aos #rivados rentabilidades de ca#ital su#eriores a %Ub, ha a ou não tr/nsito! " Lstado assume todos os riscos e cede todos os #otenciais lucros! A #rimeira de todas as PPP foi a Ponte Aasco da 4ama! "s #rivados financiaram a#enas um quarto do valor da #onte e, com isso, ganharam o direito 9s receitas com #ortagens da Ponte Aasco da 4ama, da =(\ de Abril= e ainda o eEclusivo das travessias rodoviárias do ,e o #or toda uma gera8ão! " governante que concebeu este calamitoso negócio, 1erreira do Amaral, #reside ho e 9 em#resa concessionária, a <uso#onte! "s seus sucessores seguiram$lhe o triste eEem#lo! 'orge Coelho e Aalente de "liveira, ministros das "bras PNblicas de 4uterres e Farroso, são administradores na maior concessionária de PPP, a Pota$Lngil! Todos estes ne3Dcios r0inosos para o Estado tE/ responsá>eis1 =0e a F0sti;a port030esa Ga/ais p0ne( L t+m como consequ+ncia os sacrifícios #or que ho e #assamos! L continuaremos a #assar se não for erradicada a causa que está na origem desta situa8ão a que chegámos: a corru#8ão!

4 - Empresas públicas.

Se o buraco é gigante, as regalias também.
'ornal i Por 1ili#e Paiva Cardoso, #ublicado em ( "ut! ()%%
Empresas públicas de transportes concedem mordomias inconcebíveis aos trabalhadores
Pedro Azevedo

XA em#resa cCarrisd manterá uma barbearia devidamente a#etrechada, #ara uso #rivativo de todo o seu #essoal, inclusive reformados!2 Lste é um #equeno eEem#lo dos fardos históricos que alguns Acordos de Lm#resa do sector em#resarial do Lstado carregam consigo e que t+m im#edido reestrutura80es mais a#rofundadas que as que t+m vindo a ser feitas Y es#ecialmente na Carris!
As empresas do Estado, tal como o i noticiou quinta-feira, apresentam um risco potencial para o Orçamento do Estado – vul o contribuinte – superior a oito mil milh!es de euros" Ainda assim, estas empresas mant#m re alias aos trabalhadores di nas de um $ill %ates" &e undo os acordos de empresa em vi or, tanto na 'P, (etro, 'arris ou )ranste*o, s+o pa os pr,mios por cada dia de trabalho concluído – al,m do sal-rio –, ou mesmo subsídios de ./0 euros mensais caso o trabalhador n+o falte nenhum dia num m#s" 1alores que acrescem ao sal-rio e acabam a contarem para subsídios de 2atal e f,rias" Por falar em f,rias3 os trabalhadores da 'arris t#m direito a /0 dias de descanso anual - al,m do direito a tirar um dia por m#s para assuntos pessoais -, assim como os do (etro de 4isboa" 2esta última, por,m, , preciso cumprir requisitos3 se faltar s5 uma vez no ano anterior e ozar f,rias fora da ,poca alta, tem ent+o /0 dias" Ainda nestas transportadoras, h- outras re alias que che am aos reformados, isto al,m da barbearia da 'arris" )anto a 'arris como o (etro pa am complementos de reforma aos seus e6-trabalhadores, de forma a que a pens+o se*a i ual 7 do último sal-rio recebido no activo – al o que tamb,m ocorre nos &)'P" &e acha que h- um limite a este complemento, desen ane-se3 h- reformados que apesar de terem pens!es acima de quatro e cinco mil euros mensais, continuam a receber complementos de reforma pa os pelas empresas, se undo apurou o i - tal situaç+o, contudo, n+o ocorre nos &)'P, cu*os complementos est+o limitados" Baixas a 100% &e undo os AE, o absentismo de lon a duraç+o parece compensar nas empresas de transporte" 8uando um trabalhador fica de bai6a, tem direito a receber n+o s5 o subsídio de doença como o empre ado comum, mas tamb,m um complemento de bai6a pa o pela empresa, de forma a que mesmo de bai6a o vencimento mensal se*a 900: do que recebia no activo" Ou se*a, a empresa compensa o que o Estado penaliza – nos primeiros ;0 dias de bai6a um trabalhador comum recebe apenas <=: do vencimento" (as al,m do sal-rio normal que recebem por trabalhar, h- tamb,m v-rios subsídios pa os por estas empresas para premiar quem aparece ao trabalho >ver ao lado com mais detalhe?" @ maquinistaA Ent+o tem direito a um subsídio por cada quil5metro percorrido, isto al,m do sal-rio" E caso n+o falte mais de cinco horas no m#s, tamb,m tem direito a um pr,mio de <B euros no m#s se uinte" 2+o faltou no m#s todoA Ent+o tome l- um pr,mio de ../ euros este m#s – tudo e6emplos retirados dos AE das empresas"

Irmã solteira? Ela que venha A complementar tudo isto, sur em as re alias mais comuns neste tipo de empresas, ainda que alar adas" 2a eneralidade das empresas de transporte os empre ados e reformados, al,m das respectivas famílias podem via*ar ratuitamente" Por famílias entende-se n+o s5 cCn*u es, como os pais, filhos, enteados e mesmo eventuais irm+s solteiras que os trabalhadores tenham, como no caso da 'P" &5 a Defer, onde os trabalhadores que transitaram da 'P t#m direito a este benefício, asta perto de E milh!es de euros por ano em via ens que os seus colaboradores usufruem ratuitamente" Até ao buraco A diferença entre as re alias concedidas aos trabalhadores e os pre*uízos que v+o provocando aos contribuintes, s+o abissais nestas empresas" &5 no ano passado, a 'P, (etro de 4isboa e a 'arris re istaram perdas totais de quase /;0 milh!es de euros, tendo visto os capitais pr5prios afundar ainda mais3 estas mesmas tr#s empresas est+o em fal#ncia t,cnica e com um buraco latente de mais de /,= mil milh!es de euros"

9 H $S GRE#ES

Quase20 mil comboioscanceladosem 2011
Jornal Público 7.6.2012

As greves dos trabalhadores da CP realizadas em 2011 levaram à supressão de quase 20 mil comboios e tiveram como consequência uma perda de receita de cerca de oito milhões de euros, segundo o relatório e contas da empresa ferroviária. O ano de “2011 foi muito penalizado pelas greves, que ocorreram maioritariamente nos meses de Fevereiro, Março, Novembro e Dezembro”, lê-se no relatório e contas da CP - Comboios de Portugal. No ano passado, a CP enfrentou 12 dias de greve total (contra seis dias registados em 2010) e 83 dias de greves parciais (em comparação com os nove dias registados em 2010). As paralisações dos trabalhadores da empresa ferroviária tiveram como consequência a supressão de 19.904 comboios, a maioria no serviço suburbano de Lisboa. “As maiores taxas de supressão verificaram-se, contudo, nos serviços de longo curso e regional”, de acordo com o documento. A CP avança que as greves ocorridas em 2011 “tiveram um impacto directo muito significativo, estimando-se a perda de cerca de dois milhões de passageiros, apenas por via de bilhetes não

vendidos”. No que respeita à receita, a empresa estima uma perda “de cerca de oito milhões de euros” devido às greves, “sendo o valor mais significativo registado no serviço de longo curso”. A CP fechou 2011 com um prejuízo de 289 milhões de euros, um agravamento face ao resultado líquido negativo de 201 milhões de euros registado no ano anterior, de acordo com o relatório e contas da empresa.

%p-s terem lido os . temas que escol/i 0e poderiam ser centenas, n1o 234 para serem ilustrados com vários dos improp2rios que proferia a nossa personagem em causa5 perante tantos assuntos que nos irritam e incomodam, terminemos com uma ilustra61o que cont2m a frase do t7tulo

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