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Rondônia, aspectos históricos e geográficos

O Estado de Rondônia foi criado através da lei complementar 041, de 22 de dezembro de


1981, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República João
Baptista de Oliveira Figueiredo. Seu primeiro governador foi o coronel do Exército Jorge
Teixeira de Oliveira, nomeado no dia 29 de dezembro de 1981, pelo presidente da
República João Baptista de Oliveira Figueiredo. A instalação do Estado (posse do
governador e secretariado) ocorreu no dia 04 de janeiro de 1982.

No ano de sua criação o Estado de Rondônia estava constituído por 13 municípios (Porto
Velho, a capital, Guajará-Mirim, Ariquemes, Jaru,Ouro Preto do Oeste, Ji-Paraná,
Presidente Médici, Cacoal, Espigão do Oeste, Pimenta Bueno, Vilhena, Colorado do Oeste
e Costa Marques).

Aspectos Geográficos

Área Geográfica: 238.512,8 km2, representando 6,19% da região Norte e 2,80% do País.

Rondônia é 3º Estado em extensão territorial da região Norte. No contexto nacional,


constitui-se o 15º em extensão territorial e o 23º em termos populacionais.

Limites: ao Norte e Nordeste, estado do Amazonas; ao Sul e Oeste, República da Bolívia;


a Leste e Sudeste, estado de Mato Grosso; a Noroeste, os estados do Acre e do
Amazonas.

A extensão da fronteira do Estado de Rondônia com a república da Bolívia é de 1.342


quilômetros.

- Os municípios rondonienses localizados na faixa da fronteira boliviana são: Guajará-


Mirim, Nova Mamoré, Costa Marques, Alta Floresta do Oeste, São Francisco do Guaporé,
Alto Alegre dos Parecis, , Pimenteiras do Oeste e Cabixi.

Divisão geopolítica: o estado de Rondônia é formado por 52 municípios e 57 distritos.

Municípios Rondonienses

Guajará-Mirim, Nova Mamoré, Porto Velho, Candeias do Jamary, Itapuã do Oeste, Alto
Paraíso, Monte Negro, Buritis, Campo Novo de Rondônia, Rio Crespo, Cujubim,
Ariquemes, Cacaulândia, Machadinho do Oeste, Vale do Anari, Theobroma, Governador
Jorge Teixeira, Jaru, Vale do Paraíso, Nova União, Mirante da Serra, Teixeirópolis, Ouro
Preto do Oeste, Ji-Paraná, Presidente Médice, Urupá, Alvorada do Oeste, São Miguel do
Guaporé, Seringueiras, São Francisco do Guaporé, Costa Marques, Nova Brasilândia do
Oeste, Novo Horizonte do Oeste, Castanheiras, Alta Floresta do Oeste, Alto Alegre dos
Parecis, Santa Luzia do Oeste, Rolim de Moura, Ministro Andreazza, Cacoal, Espigão do

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Oeste, Primavera de Rondônia, São Felipe d'Oeste, Parecis, Pimenta Bueno, Chupinguaia,
Colorado do Oeste, Corumbiara, Cerejeiras, Pimenteiras do Oeste, Cabixi e Vilhena.

Dois municípios rondonienses estão entre os 15 municípios brasileiros que obtiveram as


maiores taxas nacionais de médias de crescimento populacional. Buritis, com 29,09% e
Campo Novo de Rondônia com 23,20%.

Setor Primário do Estado

- Agricultura, pecuária, piscicultura, apicultura, extrativismo vegetal e mineral.

- O extrativismo mineral destaca-se pela ocorrência de ouro, cassiterita, diamante,


nióbio, quartzo, granito e água mineral.

- O extrativismo vegetal destaca-se pela produção de cacau, madeira em toras, castanha-


do-pará e borracha silvestre.

- O setor agrícola destaca-se nacionalmente por produzir cereais, café, soja, milho,
banana, mandioca e algodão, além de hortifrutigranjeiros.

- O efetivo pecuário é composto, principalmente, de rebanhos bovinos de corte e de leite,


com mais de cinco milhões de cabeças e uma Bacia leiteira em franca expansão,
notadamente nas regiões de Porto Velho, Jaru e Ouro Preto do Oeste.

Setor secundário

Prevalece a agroindústria, notadamente na produção de laticínios, na região central do


Estado. Mas crescem as indústrias de transformação destinadas aos setores moveleiro,
de confecções, couro e calçados.

Setor terciário

Envolve comércio e serviços, é o que mais cresce no Estado, tendo em vista a evolução
urbana, a exemplo de municípios como Vilhena, Pimenta Bueno, Rolim de Moura, Cacoal,
Ji-Paraná, Jaru, Ouro Preto e Ariquemes.

Principais relevos

Planície Amazônica (vale do Madeira), serra dos Parecis e serra dos Pacaás Novos (vale
do Guaporé). Nesta serra localiza-se o ponto mais elevado de Rondônia, o Pico do Tracuá.

Principais rios

Rios Machado ou Ji-Paraná; Guaporé, Mamoré, Madeira, Jacy-Paraná, Mutum-Paraná,


Aripuanã ou Roosevelt, e Jamary.

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Os principais rios que formam estas Bacias hidrográficas:

Rio Guaporé

Nasce na serra dos Parecis, região de Mato Grosso, seu percurso é de 1.716 km com
direção inicial para o sul, seguindo depois para o oeste. Ao alcançar a cidade de Vila Bela,
toma a direção norte-oeste entrando em terras rondonienses na cidade de Pimenteiras
do Oeste, passando por Cabixi, Cerejeiras, São Miguel do Guaporé até Costa Marques. A
12o de latitude sul recebe as águas do rio Mamoré. Seu trecho navegável é de 1.500
quilômetros e se constitui em fronteira natural entre o Brasil e a Bolívia.

Seus afluentes brasileiros são os rios Cabixi, Corumbiara, Mequéns, Colorado, São Miguel,
Cautário e Cautarinho, todos com nascentes na Chapada dos Parecis;

Rio Mamoré

Nasce na Cordilheira dos Andes, em território boliviano com o nome Grande de La Plata,
passando a ser designado Mamoré quando alcança a Serra dos Pacaás Novos, região de
Guajará-Mirim. Constituindo-se em fronteira natural entre o Brasil e a Bolívia, recebe as
águas do rio Guaporé e, ao juntar-se ao Beni, outro rio boliviano, recebe a designação
Mamoré e passa a formar a nascente do rio Madeira. Seu curso possui uma extensão de
1.100 quilômetros e é totalmente navegável. Tem como principais afluentes brasileiros os
rios Sotério, pacaás Novos, Bananeiras e Ribeirão ou Lajes. Seus acidentes hidrográficos
são as corredeiras Lages, Bananeiras, Guajará-Acu e Guajará-Mirim;

Rio Ji-Paraná ou Machado

Nasce da junção dos rios Barão de Melgaço, também chamado de Comemoração de


Floriano, e Apediá, chamado de Pimenta Bueno, na chapada dos Parecis. Seu curso tem
uma extensão de 800 quilômetros, atravessando a região central do Estado até
desembocar no rio Madeira, região de Calama, no município de Porto Velho. Tem como
afluentes pela margem direita os rios Riozinho, Lourdes, São João e Tarumã. Pela
margem esquerda os afluentes são os rios Luiz de Albuquerque, Rolim de Moura, Ricardo
Franco, Preto, Jaru, Boa Vista, Urupá e Machadinho. Seu principal acidente hidrográfico,
dentre os vários existentes e que dificultam a navegação, é a cachoeira 02 de Novembro,
localizada no município de Machadinho do Oeste.

Rio Madeira ou Caiary

Nasce na junção dos rios Beni e Mamoré, sendo o maior afluente do rio Amazonas pela
margem direita. Sua extensão é de 3.240 quilômetros, sendo 1.700 em território
brasileiro. Mas, devido aos diversos acidentes hidrográficos, seu curso navegável é de
1.116 quilômetros, a partir da cachoeira de Santo Antonio, em Porto Velho até
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Itacoatiara,AM. Seus afluentes pela margem direita são os rios Ribeirão, Mutum-Paraná,
Jacy-Paraná, Jamari e Machado. Pela margem esquerda os afluentes são os rios Abunã,
Ferreiros, José Alves, São Simão e o igarapé Cuniã.

- Os acidentes hidrográficos existentes no rio Madeira são os seguintes: (trecho Porto


Velho/Guajará-Mirim)

Corredeiras: Periquitos, Três Irmãos, Macaco, Morrinhos, Pederneiras, Chocolatal, Araras


e Lages. Guajará-Açu e Guajará-Mirim;

Cachoeiras: Santo Antonio, Caldeirão do Inferno, Paredão, Misericórdia, Madeira, Pau


Grande e Bananeiras;

Saltos: Teotônio, Girau e Ribeirão.

As principais Ilhas do Estado:

No Rio Madeira, Santana, Jacy-Paraná, Três Irmãos, 7 de Setembro, Misericórdia, 15 de


Novembro, Marina e Anús ou da Confluência:

No Rrio Mamoré, Soares e Saldanha:

No Rio Guaporé, Comprida.

Principais grupos indígenas existentes

- Suruí, Gavião, Cinta Larga, Karipuna, Pakaas Nova, Arara, Kaxarari, Eu-Uru-Uau-Uau,
Nhanbiquara e Karitiana.

Clima Predominante:

- Equatorial quente-úmido ou tropical úmido, variando de acordo com a altitude, com a


temperatura variando entre 18o e 33o centígrados. A variação mínima ocorre no
município de Vilhena e região, e a máxima no de Porto Velho e região. A estação chuvosa
vai de outubro a março e o período de seca, de maio a setembro.

Localização Geográfica:

Região Norte, ao sul da Amazônia Ocidental.

A região amazônica abrange os seguintes países: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana,


Suriname, Peru, Venezuela e Brasil. No Brasil, onde fica localizada a Amazônia Ocidental,
a Amazônia corresponde a 50% do território nacional e abrange os estados do Pará,
Amazonas, Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins, parte do Maranhão e do Mato
Grosso.
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Poder Político

A representação política do Estado de Rondônia é constituída por três senadores e oito


deputados federais que atuam no Congresso Nacional. Em nível estadual, a Assembléia
Legislativa é composta por 24 deputados estaduais. No plano municipal, existem 537
vereadores, 52 prefeitos e 52 vice-prefeitos. O Poder Executivo Estadual é exercido pelo
governador e, nos seus impedimentos, pelo vice-governador.

Formação Étnica

É semelhante ao restante do país, formada por brancos, negros e índios. Mas em virtude
das fases de atração imigratória e migratória ocorrentes durante os ciclos de produção
econômica, diversos povos dessas raças deram sua contribuição para o elemento
humano rondoniense, cuja identidade regional ainda está em formação.

Ocupação humana

O processo de povoamento do espaço físico que constitui o estado de Rondônia começa


no século XVIII, durante o ciclo do Ouro, quando mineradores, comercializadores,
militares e padres jesuítas fundam os primeiros arraiais e vilas nos vales Guaporé-
Madeira.

A decadência desse ciclo de produção aurífera causa a involução populacional desses


arraiais, vilas e cidades surgidas no auge do ciclo do Ouro, com o êxodo dos portugueses
e paulistas que formavam o topo da sociedade da época. Mas ficam os negros
remanescentes do escravismo, os mulatos e os índios já aculturados.

No século XIX, o primeiro ciclo da Borracha, em sua fase primária, atraiu basicamente
nordestinos e bolivianos para o trabalho nos seringais, mas não gerou núcleos de
povoamento nesse espaço geográfico tendo em vista o conceito econômico, que não
produzia riquezas locais, por tratar-se de uma economia de exportação, cujos principais
núcleos localizavam-se Manaus e Belém.

No entanto, os sub-ciclos gerados em decorrência da construção e funcionamento da


Ferrovia Madeira-Mamoré, o Ferroviário, e das Estações Telegráficas da Comissão
Rondon, o do Telégrafo, atraíram povoadores para as terras rondonienses originários de
várias regiões brasileiras e de outros países, que se fixaram e formaram núcleos urbanos.

As estações telegráficas da Comissão Rondon atraíram, principalmente, matogrossenses,


paulistas e nordestinos, que trabalhavam nos serviços de telegrafia, e acomodavam-se
em suas cercanias gerando pequenos núcleos urbanos, como Ariquemes, Presidente
Pena ou Urupá, Pimenta Bueno e Vilhena.

A Madeira-Mamoré atraiu vários contingentes imigratórios destinados ao trabalho nas


obras da ferrovia, nos setores técnicos e administrativos da empresa com seus diversos
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ramos de exploração, comercialização e serviços, e ao comércio que se formava ao


redor.

Nesta fase de imigrações instalaram-se em terras rondonienses, notadamente nos


núcleos urbanos de Porto Velho, Jacy-Paraná, Mutum-Paraná, Abunã, Guajará-Mirim e
Costa Marques, imigrantes turcos, sírios, judeus, gregos, libaneses, italianos, bolivianos,
indianos, cubanos, panamenhos, porto-riquenhos, italianos, barbadianos, tobaguenses,
jamaicanos e bolivianos.

A migração ocorreu com a fixação de nordestinos procedentes dos estados do Ceará,


Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba, além de amazonenses, paraenses e
matogrossenses.

O segundo ciclo da Borracha, iniciado em 1942, funcionou completamente diferenciado


do primeiro e encontrou a região com sua infra-estrutura em fase de consolidação. Os
povoadores dos seringais eram nordestinos, mas divididos em duas categorias, os
seringueiros civis e os soldados da borracha, estes, incorporados ao Batalhão da
Borracha.
Os núcleos urbanos desenvolveram-se. O sistema de saúde pública melhorou
consideravelmente e as ações de governo estenderam-se para o interior. A geopolítica
regional passa por total transformação tendo em vista a criação do Território Federal do
Guaporé em terras desmembradas dos estados de Mato Grosso e do Amazonas.

Nesse período, as estações telegráficas da Comissão Rondon funcionavam como


receptores de uma ocupação humana rural-rural, procedente do Mato Grosso, destinada
á pecuária, formando grandes latifúndios onde funcionavam antigos seringais.

O ciclo do Diamante promoveu mudanças substanciais na ocupação humana e


desenvolvimento dos povoados de Rondônia (hoje Ji-Paraná) e Pimenta Bueno, enquanto
o ciclo da Cassiterita expandiu a ocupação humana no espaço físico que compreende as
microrregiões de Porto Velho e Ariquemes.

O ciclo da Agricultura, cuja atração migratória começou desordenadamente em 1964,


fixou em Rondônia contingentes migratórios procedentes do Mato Grosso, Goiás, Paraná,
São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Amazonas, Pará, Acre e do
Nordeste, destacando-se os estados do Ceará, Bahia, Piauí, Paraíba e Sergipe.

As microrregiões formadas pelos municípios de Vilhena, Pimenta Bueno e Rolim de


Moura, receberam migrantes mato-grossenses, gaúchos e paranaenses, em sua maioria.
As microrregiões formadas pelos municípios de Cacoal, Presidente Médice e Ji-Paraná,
recebem gaúchos, paranaenses, paulistas, e nordestinos, em sua maioria. Migrantes
capixabas, paranaenses, mineiros e baianos formam a maioria dos que se fixaram nas
microrregiões de Ouro Preto, Jaru e Ariquemes.

As regiões de Porto Velho e Guajará-Mirim receberam povoadores, mas em menor escala


e de categorias diferentes, considerando-se que o ciclo da Agricultura atraiu, em
princípio, uma migração rural-rural, para, em seguida, fixarem-se migrantes de
características rural-urbana.

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ASPECTOS HISTÓRICOS

Século XVII

Uma importante parcela da área geográfica que constitui o Estado de Rondônia passou a
ser percorrida no início do século XVII, época em que aventureiros e exploradores
holandeses, franceses e ingleses, penetravam na floresta para coletar as chamadas
"drogas do Sertão", como eram conhecidos nas Cortes de Portugal, Espanha, Inglaterra,
França e Holanda essências e frutos tipo pimenta-do-reino, anil, urucum, baunilha,
âmbar, canela, cravo, pau-brasil, pau-preto, e, principalmente, o cacau, abundantes no
vale do Madeira e valiosamente comercializados naqueles países.

Posteriormente, após o controle de Portugal sobre a região, a exploração desses frutos e


essências era feita por colonizadores portugueses com a utilização de mão-de-obra
indígena, escravizada, apesar da Coroa portuguesa reconhecer os índios como os
naturais senhores da terra, desde 1609 quando foi baixado o Alvará que declarava o
direito dos índios à liberdade, situação que evoluiu até ser instituído o regime de
capitães-de-aldeia, em 1611.

As primeiras expedições portuguesas que percorreram, total ou parcialmente, o rio


Madeira, procediam do Grão-Pará ou do Maranhão e eram formadas por militares, civis
contratados, índios escravos, e mestiços. Estas expedições, exploradoras ou de limites,
combatiam e aprisionavam índios, que eram comercializados nas capitanias de São
Paulo, São Vicente, Grão-Pará e Maranhão.

Do final do século XVI até meados do século XVII (1580/1640), Portugal e suas colônias
estavam sob domínio da Espanha, no que se chamou de União Ibérica.

Portal Amazônia

Fonte: Rondonotícias

23.02.2006-GC

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