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10/8/2014 Estruturas estaiadas | Infraestrutura Urbana

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Transporte
Estruturas estaiadas
Aplicações indicadas, tipos de ancoragem e de tabuleiros e principais métodos
construtivos para uso de estais em pontes e passarelas
Por Juliana Nakamura
Edi ção 10 - Dezembro/2011

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O uso de estruturas
estaiadas para transpor
obstáculos não é
propriamente uma
novidade. Pelo menos
desde os anos 1940
pontes e passarelas
sustentadas por cabos de
aço (estais) são erguidas
em todo o mundo para
vencer médios e grandes
vãos. Mas nos últimos
anos, esse sistema
construtivo vem
apontando, no Brasil,
como principal tendência
para a construção de
pontes e viadutos, em
detrimento das pontes
pênseis e fixas. As razões
para isso vão desde a
maior preocupação dos
administradores públicos
com o impacto estético
desses grandes
elementos na estética das
cidades, ao
aperfeiçoamento da
tecnologia, que culminou
em aços de alta
resistência, estais e
ancoragens mais
avançados, bem como
softwares que facilitaram
e análise das estruturas.
No modelo estaiado, os
esforços são absorvidos pela
parte superior do tabuleiro,
por meio de vários cabos
que se concentram em uma
torre apoiada em um bloco
de fundação. A fixação dos
cabos pode ser feita em
forma de leque (com um
ponto fixo no pilar), em
forma de harpa (com cabos
paralelos partindo de vários
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10/8/2014 Estruturas estaiadas | Infraestrutura Urbana
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Ícone arqui tetôni co da capi tal paul i sta, a ponte Octavi o Fri as de Ol i vei ra sobre o ri o
Pi nhei ros tem 144 estai s, que consumi ram 500 t de cordoal ha de aço, numa
extensão de 378 mi l m. O proj eto da ponte foi o pri mei ro a possui r duas pi stas em
curva, sustentadas por um mesmo mastro. Ao todo, a ponte possui 144 estai s, cada
um com dez a 24 cabos de aço, protegi dos por tubos amarel os de pol i eti l eno al
A ponte estaiada sobre o rio Paranaíba liga os municípios de Alencastro
(MS) e Carneirinho (MG)
pontos do pilar) ou em
forma mista.
O engenheiro Ubirajara
Ferreira da Silva, projetista
estrutural e vice-presidente
da Associação Brasileira de Pontes e Estruturas, conta que, em geral, esse tipo de
ponte é eficiente para vãos acima de 200 m, mas não é indicado quando o traçado
da rodovia exige curvas acentuadas e rampas íngremes.
Para a pista de rolagem de veículos, as pontes estaiadas podem utilizar dois tipos
de tabuleiros: os inteiramente em aço, formando uma placa ortotrópica (placa
enrijecida de aço), e os de concreto. De acordo com o manual "Pontes e viadutos
em vigas mistas", publicado pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA),
os tabuleiros de aço são muito utilizados para pontes que precisam vencer grandes
vãos. Isso porque o tabuleiro de aço é mais leve. Já os tabuleiros de concreto
substituem com vantagem os tabuleiros metálicos para pequenos e médios vãos,
funcionando solidariamente às vigas metálicas e gerando as chamadas pontes
mistas. Em pontes com vãos superiores a 1.500 m, os esforços transmitidos ao
tabuleiro pelos estais passam a ser muito elevados. Para esses casos é mais
recomendado o uso de pontes pênseis.
Evolução do sistema
Com o passar do tempo,
as pontes e viadutos
estaiados ficaram mais
esbeltos e flexíveis.
Inicialmente, essas obras
de arte possuíam poucos
estais muito espaçados,
suportando tabuleiros
rígidos. Em seguida as
pontes começaram a
apresentar um grande
número de estais e o
espaçamento entre eles
diminuiu. Neste caso, o tabuleiro possui um comportamento similar a uma viga
apoiada em apoios elásticos, conduzindo a uma baixa rigidez e à flexão do
tabuleiro.
A evolução das pontes estaiadas fez com que essas obras de arte passassem a
apresentar múltiplos estais chegando à suspensão total do tabuleiro, inclusive
próximo às torres. Esse tipo de estrutura permitiu simplificar a transmissão dos
esforços, bem como substituir os estais quando danificados, sem a necessidade de
interromper a utilização da estrutura. Além disso, agregou facilidades construtivas,
como a possibilidade de se erguer as pontes por balanços sucessivos.
O engenheiro Catão F. Ribeiro destaca vários fatores que distinguem as estruturas
estaiadas das demais. Primeiro é a característica estética. De uma maneira geral,
ela tem uma arquitetura requintada, atrativa ao gosto popular. Além disso, a obra
estaiada está no estado da arte, ou seja, é a tecnologia mais sofisticada de projeto
e construção de pontes do mundo. "Quando se faz uma ponte estaiada, equipara-
se aos países do primeiro mundo na sua tecnologia de ponta", disse o engenheiro
que é sócio-diretor da Enescil durante a 4
a
edição do Congresso Brasileiro de
Pontes e Estruturas, realizado este ano. Ainda segundo Ribeiro, outra explicação
para o maior uso das estruturas estaiadas é que os problemas que este tipo de
obra tinha no passado, como falta de hardwares e de programas de cálculo, estão
sanados. "Os problemas que elas apresentaram de manutenção e durabilidade
também foram resolvidos. Hoje uma ponte estaiada é a que exige menos
manutenção que as outras, ela deve durar mais de 100 anos."
A evolução não deve parar por aí. Ubirajara Ferreira da Silva conta que estudos
importantes estão sendo desenvolvidos em todo o mundo, principalmente na
China, Japão e Europa, no sentido de se chegar a vãos principais cada vez
maiores. Apesar disso, por envolver tecnologia pouco explorada, altamente
complexa, e dominada por poucas empresas, o custo de uma ponte estaiada pode
chegar a ser três vezes mais elevado que o de uma ponte convencional.
Componentes do sistema
As pontes estaiadas são
formadas basicamente por:
tabuleiro (composto, por sua
vez, por vigas e laje), sistema de
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Estais aguardando para serem içados
Erguida com aproximadamente 1.700 t de aço e 8 mil m³ de
concreto, a Ponte da Passagem em Vitória (ES) - a primeira
ponte estaiada no País a empregar torres metálicas
cabos (que suportam os
tabuleiros), torres que suportam
os cabos e os blocos ou pilares
de ancoragem. Os principais
métodos construtivos para
viadutos e pontes estaiados são:
1) Cimbramento geral - Fixo ou
móvel, o cimbramento é usado
quando a ponte está localizada
em uma zona de baixo gabarito e
com solo resistente.
2) Lançamentos progressivos - Nesse método a superestrutura é fabricada nas
margens da obra e empurrada para sua posição final ao longo dos vãos,
comportando-se como um balanço. Esta é uma solução competitiva quando se
está na presença de rios ou vales profundos e obras de grande extensão, como o
Viaduto Millau, no sul da França.
3) Balanços sucessivos - É o sistema mais utilizado e particularmente indicado
quando a altura da ponte em relação ao terreno é grande, em locais sujeitos à
correnteza forte e onde é necessário obedecer a gabaritos de navegação durante
a construção. O método consiste na construção da obra em segmentos (aduelas)
formando consolos que avançam sobre o vão a ser vencido. A cada nova aduela
os estais correspondentes são protendidos de forma a suportar todo o seu peso.
Licitação
"Para que não ocorram
contratempos na execução do
projeto, o edital de licitação deve
listar todas as especificações de
materiais e serviços
adequadamente. O contrato deve
prever cláusulas contratuais
rígidas a serem atendidas",
afirma Ubirajara da Silva. Deve-
se exigir, por exemplo, que todos
os projetos atendam às normas
técnicas da ABNT.
Como forma de garantir o mínimo de qualidade na prestação dos serviços, tanto
em relação ao projeto, quanto na execução, os contratantes normalmente exigem
que a empresa/escritório tenha histórico comprovado de realização de obra
estaiada. Esse ponto, aliás, é um gerador de polêmica. Há quem defenda que
restringir as empresas com experiência prévia comprovada é fundamental para a
perfeita execução da obra. Em São Paulo, inclusive, isso culminou na proibição da
formação de consórcios pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), no edital
para a construção da ponte estaiada sobre o rio Pinheiros.
Entidades como o SindusCon-SP, porém, defendem que há dezenas de empresas
de engenharia aptas a enfrentar com sucesso o desafio de executar esse tipo de
obra sem terem feito uma ponte semelhante. Proibi-las de disputar sob alegação
de complexidade seria restringir a concorrência. Uma solução meio-termo é
utilizada nos editais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte
(DNIT), que exigem a qualificação técnica na construção de pontes estaiadas ou
em pontes de concreto protendido executadas por balanços sucessivos.
Executar um projeto de ponte ou viaduto estaiado exige uma equipe de
engenheiros com experiência e conhecimento técnico apurado. "Todas as fases de
execução são importantes e merecem acompanhamento rigoroso", diz Silva. Isso
se aplica desde a execução das fundações das torres, à execução das aduelas do
tabuleiro e disposição dos tirantes. O engenheiro destaca, ainda, outros três
momentos críticos da execução de estruturas estaiadas aos quais o contratante
precisa fiscalizar: o controle da resistência do concreto, o tracionamento dos
estais e, finalmente, o controle das flechas do tabuleiro.
"As estruturas estaiadas são muito sensíveis ao erro de execução. Por isso, é
fundamental que a construtora disponha de uma equipe de profissionais
qualificada", ressalta o vice-presidente da Associação Brasileira de Pontes e
Estruturas. Entre as falhas que ocorrem com certa frequência, segundo o
engenheiro, está a protensão malrealizada, que exige retrabalho e pode
comprometer o andamento da obra.

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Etapas de produção
A forma de execução muda de projeto a projeto, mas, em geral, pontes e viadutos estaiados
são construídos conforme a seguinte sequência de eventos:
1º) Execução das fundações.
2º) Construção dos pilares permanentes e da
estrutura provisória.
3º) Construção do tabuleiro. No caso da obra da foto,
utilizou-se tabuleiro metálico. Mas é mais comum o
uso de tabuleiro de concreto.
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5º) Instalação das caixas de
ancoragem com guindaste.
4º) Levantamento dos mastros.
6º) Levantamento dos cabos.

7º) Retirada das estruturas provisórias e execução
de serviços de pavimentação.


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