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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2014

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2014 Director: Américo Natalino Viveiros - Director-Adjunto:

Director: Américo Natalino Viveiros

-

Director-Adjunto: Santos Narciso

Natalino Viveiros - Director-Adjunto: Santos Narciso Diário fundado em 1920 por José Bruno Carreiro e Francisco

Diário fundado em 1920 por José Bruno Carreiro e Francisco Luís Tavares

em 1920 por José Bruno Carreiro e Francisco Luís Tavares Ano 93 n.º 30480 - Preço:

Ano 93 n.º 30480 - Preço: 0,70 Euros

Luís Tavares Ano 93 n.º 30480 - Preço: 0,70 Euros HÁ BATATA A COZER NA TERRA

HÁ BATATA A COZER NA TERRA

E COMERCIANTES A IMPORTAR

Agricultores com centenas de milhares de euros de prejuízo

Há batata em São Miguel a cozer na terra, ou- tra a vender-se abaixo do custo e, em simultâneo, comerciantes a importar de Portugal continental e Espanha porque sai mais barato.

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Apesar de estar a diminuir

Desemprego nos Açores é o mais elevado do país

Apesar de a taxa do desemprego continuar a ser a mais alta do país (15,7%), o desemprego dá sinais de diminuir na Região no 3º trimestre do ano.

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de diminuir na Região no 3º trimestre do ano. pág. 3 Batata a ser escolhida ontem

Batata a ser escolhida ontem na ‘Casa da Batata’ na Achada das Furnas

Preso em Ponta Delgada

Rapaz de 19 anos tinha 310 doses de droga em casa

A PSP prendeu um jovem de 19 anos, residente em Ponta Delgada, com 300 doses de haxixe, 10 doses de liamba; 560 euros e outros objectos.

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Caiu do trilho à lagoa

Turista resgatado pelos bombeiros nas Sete Cidades

Os Bombeiros de Ponta Delgada resgataram um turista que caiu do trilho para a lagoa das Sete Cida- des. O homem apanhou um grande susto.

última

São Martinho em S. Miguel

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do trilho para a lagoa das Sete Cida- des. O homem apanhou um grande susto. última
do trilho para a lagoa das Sete Cida- des. O homem apanhou um grande susto. última
do trilho para a lagoa das Sete Cida- des. O homem apanhou um grande susto. última

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reportagem

Correio dos Açores, 6 de Novembro de 2014

Produtores em desespero com prejuízos de várias centenas de milhares de euros

Há toneladas de batata a cozer debaixo da terra, toneladas à venda abaixo do preço do custo e comerciantes a fazer importações

Produtores de batata da Ribeira Grande e Nordeste estão a perder cen- tenas de milhares de euros com a pro- dução deste ano devido às condições meteorológicas e ao reduzido preço

a que o tubérculo está no mercado. O

presidente da Associação ‘Terra Verde’, Manuel Ledo, afirmou ao ‘Correio dos Açores’ que poderá haver este ano um excedente de batata em São Miguel en- tre as três e as quatro mil toneladas. Um dos maiores produtores, Olivé- rio Melo, que semeou mais de 60 hecta- res de batata na zona da Lomba de São

Pedro, apenas retirou 20 hectares de ter-

ra de batata que tem grande dificuldade

em escoar e a chuva dos últimos dias tem impedido que prossiga a colheita do tubérculo e poderá mesmo levar à destruição de uma parte da produção. Olivério Melo garantiu ao ‘Correio dos Açores’ que, a partir de agora, se tudo correr bem – “e isso dificilmente acontecerá até porque os preços estão muito baixos” – já perdeu à volta de 100 mil euros com a produção deste ano.

O “desastre” da batata a cozer debaixo da terra

Porque esteve a chover na Lomba de São Pedro era impossível tirar batata. A terra tem estado um lamaçal e, de uma das vezes, o tractor ficou atolado e não con- seguiu andar. Face a esta circunstância, Olivério Melo fez deslocar os seus traba- lhadores para as instalações da designada ‘Casa da Batata’, na zona da Achada das Furnas, onde a equipa de reportagem os foi encontrar a ensacar batata. Asprecáriascondiçõesmeteorológicas já fez com que perdesse num terreno cer- ca de 30 toneladas de batata que “cozeu” debaixo da terra. “É um desastre”, afirma com tristeza. O produtor tem já na ‘Casa da Batata’ (que tem espaço para cerca de 3,5 a qua- tro mil toneladas) há volta de 120 tone- ladas de batata em caixotes e em sacas. Nas condições em que se encontram as instalações, esta batata só aguenta entre dois meses e meio a três meses em boas condições para consumo. Se as instala- ções tivessem equipamento de frio ade- quado, o tubérculo poderia aguentar seis meses e até mais tempo à espera que as condições de mercado se alterassem. Face às circunstâncias, para não ter grandes prejuízos, o produtor terá que

para não ter grandes prejuízos, o produtor terá que Centenas de toneladas de batata a concentrarem-se

Centenas de toneladas de batata a concentrarem-se sem escoamento para o mercado

“Veja lá, nesta altura, eu nem sei se vou conseguir tirar a batata toda. Isso é uma loucura de vida”, afirma o produtor em desespero.

O seu drama é, também, o de ou-

tros produtores de batata de São Miguel. No meio deste drama surgiu a notícia de que um director da Asso- ciação Terra Verde importou batata para São Miguel quando poderia comprar parte da que está em ex- cedente na ilha. Quem confirmou a informação ao ‘Correio dos Aço-

res’, esclareceu que o tipo de batata adquirida no exterior é de uma qua- lidade muito específica para fritar que não existe na ilha e é a exigida pelo cliente que adquire 700 quilos por semana. O mesmo importador (director da ‘Terra Verde’) também adquiriu batata no exterior de uma outra variedade que, segundo a nos-

sa fonte de informação, também não

existe em São Miguel na quantidade

 

e qualidade desejada.

vender a batata no espaço máximo de três meses. Mas o problema é que as condi-

É mais barato importar de fora

nar, actualmente, na ‘Casa da Batata’, na Achada das Furnas – iria certamente se-

Governo diz estar atento

ções de mercado são extremamente des- favoráveis.

gurar a batata à espera de melhores con- dições de mercado. Como não existem estas condições, ao fim de três meses no máximo, é obrigado a vender o produto,

O presidente da Associação Terra Verde, Manuel Ledo, perante este cená- rio de excedentes e de elevados prejuízos

O que acontece é que uma parte da batata produzida em São Miguel desti-

para que não se perca, ao preço que o intermediário oferece, mesmo perdendo dinheiro.

dos produtores de batata, reforçou a ne- cessidade de haver instalações em condi- ções, com refrigeração, para armazenar a

na-se às outras ilhas da Região. Só que, os importadores destas ilhas optaram por

Produtor “em desespero…”

batata produzida em São Miguel por pro- dutores que, por si só, não têm condições

adquirir, este ano, batata no continente português e em Espanha onde a adquirem

Se as condições meteorológicas me-

para investir num armazém. Questionado sobre se a ‘Casa da

a

10 cêntimos o quilo e, por vezes, a um

lhorarem nos próximos dias na zona nas-

Batata’ reúne as condições para insta-

preço inferior. Ora, mesmo com os cus- tos dos transportes, esta batata chega ao

cente da Ribeira Grande e no Nordeste e Olivério Melo conseguir tirar os cerca

lar equipamento de frio, a sua respos- ta é a de que, antes de mais, técnicos

Faial, Pico e Terceira, a preços inferiores

de 50 hectares de batata que ainda tem

especializados vão fazer uma avaliação

à batata que poderia ser adquirida este

ano em São Miguel. Por exemplo, o produtor micaelense de batata, Olivério Melo, já fez contas e apercebeu-se que, este ano, para ganhar dinheiro com a batata (e ele já está numa fase de “reduzir os prejuízos no que pu- der”) teria de vender o tubérculo a 24 cêntimos o quilo. Ora, o preço de oferta ao produtor em São Miguel está nos 20 cêntimos o quilo, o que representa, já por si, um prejuízo à volta de quatro cêntimos por quilo. Se este produtor tivesse condições de refrigeração da sua batata nas instalações da Associação Terra Verde – a funcio-

na terra, vai concentrar a maior parte da produção na ‘Casa da Batata’. Isto por- que também coloca batata, nos terrenos, armazenada em caixas de costaneiras co- bertas com uma espécie de leiva e terra. Como existem outros produtores nas mesmas condições, os excessos de batata vão disparar e, em contrapartida, o con- sumo este ano diminuiu, sobretudo, por falta de poder de compra. Olivério Melo afirma mesmo, em tom lastimoso, que é produtor de batata há 27 anos e “nunca se viu perante uma situação destas”. Face a esta situação em que se encontra, não esconde do jornal que vai ter “um prejuízo brutal”.

e, só depois, se saberá se a melhor opção

não será a construção de novos armazéns com refrigeração – um projecto que o go- verno dos Açores já assumiu que vai ser enquadrado no novo Quadro Comunitá- rio de Apoio. Contactada pelo ‘Correio dos Aço-

res’, a secretaria Regional da Agricultura

e Florestas assegurou que tem acompa-

nhado a situação de dificuldade de alguns produtores e que é necessário fazer um levantamento da situação de excedentes para, depois, procurar uma solução que seja o menos lesiva possível dos agricul- tores.

João Paz/Bárbara Almeida