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E

Os valores Estéticos (introdução)
Filosofia 10º Ano
Professor Paulo Gomes

Líbria:
Nesta sociedade é proibido:
Sentir
Amar
Pintar/ fruir a pintura
Criar música/ ouvir música
Filmar/ ver filmes
Escrever ficção/ Ler ficção
Fotografar/ ter fotografias
Ter animais de estimação

Um mundo frio, onde as pessoas se
comportam como autómatos…

“A verdadeira fonte da desumanidade do Homem:
a sua capacidade de sentir…” Equilibrium

“A doença (que provoca a guerra e o mal)
são todas as emoções humanas”

Para erradicar a guerra foi necessário combater essa ‘doença’ .

“Líbria encontrou a cura para essa doença”: .

à tristeza.O Prozium A droga que anestesia as pessoas. ao amor. o indivíduo deixar de existir enquanto tal. tornando-as insensíveis à beleza. à alegria. à vida… Sob o seu efeito. tornando-se numa mera peça de uma engrenagem que é indiferente à dor ou à felicidade dos seus ‘componentes’. Os indivíduos vivem para o Estado (o Todo). Limitam-se a cumprir os deveres que lhes são impostos … “Libertou-nos da compaixão” .

Uma sociedade onde a Razão também se encontra limitada: quem não sente também não se interroga e não se revolta… .

brincar. explorar o mundo com a imaginação… .Até a infância é proibida: as crianças estão impedidas de chorar.

O objetivo é que todas as pessoas vivam vidas idênticas .

As pessoas vivem em função da sociedade .

Não têm sonhos .

Basta a fé no que temos. pelo sonho é que vamos. Vamos.
 ao que desconhecemos e ao que é do dia a dia. Chegamos? Não chegamos?
 – Partimos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Somos. com a mesma alegria. Basta que a alma demos.
 comovidos e mudos.Pelo sonho é que vamos. Sebastião da Gama .

Não podem apreciar a poesia e a sua força inquietante .

a sua força arrebatadora .

A força que só a arte tem a força que só a arte dá a força que só a poesia é capaz de conter em palavras .

A  poesia  liberta   Não  porque  seja  o  contrário  de  haver  prisão   Mas  porque  nem  na  prisão   Se  prende  o  coração  que  sente   A  vida  na  sua  plenitude   Nem  na  solidão   Ou  no  deserto  mais  agreste   Se  impede  a  imaginação   De  ir  além  do  que  é  concreto   E  deAinido   O  inAinito  cabe  nas  palavras    mais  pequenas   Fala  sem  Aim  que  diz  tudo   Sem  nada  dizer  de  deAinitivo .

Poderíamos viver sem arte? .

A imaginação é a capacidade de sermos livres da realidade que nos aprisiona .

Imaginar é ser capaz de criar sentido .

mas um agudizar da realização .não é uma fuga da realidade.

Como poderia a Arte ser perigosa? .

Os azuis e negros e pálidos tecidos Da noite. da luz e da meia-luz. William Butler Yeats .Fossem meus os tecidos bordados dos céus. Mas eu. Eu estendi os meus sonhos sob os teus pés Pisa suavemente. pois caminhas sobre meus sonhos. Ornamentados com luz dourada e prateada. Os estenderia sob os teus pés. sendo pobre. tenho apenas os meus sonhos.

Podemos viver sem beleza? .

Podemos viver sem CAOS? Pintura de Marco Distefano .

Conseguiríamos viver na ordem (na conformidade) absoluta? .

A rotina desgasta-nos? (Irremediavelmente?) .

Podemos viver sem um pouco de ‘loucura’? .

Mensagem . Cadáver adiado que procria?” Fernando Pessoa.“Sem a loucura que é o homem Mais que a besta sadia.

indefesa Ó minha branca e pequenina lua! Vinícius de Moraes . não eu. e estás em mim Impuro.SONETO À LUA Por que tens. por que tens olhos escuros E mãos lânguidas. loucas e sem fim Quem és. como o bem que está nos puros? Que paixão fez-te os lábios tão maduros Num rosto como o teu criança assim Quem te criou tão boa para o ruim E tão fatal para os meus versos duros? Fugaz. quem és tu. com que direito tens-me presa A alma que por ti soluça nua E não és Tatiana e nem Teresa: E és tampouco a mulher que anda na rua Vagabunda. patética.

esse império é um campo. Para o rústico cujo campo lhe é tudo. Para o César cujo império lhe ainda é pouco. que não no que elas vêem. o grande possui um campo. nelas. não possuímos mais que as nossas próprias sensações."A vida é para nós o que concebemos dela. pois." Fernando Pessoa . O pobre possui um império. esse campo é um império. temos que fundamentar a realidade da nossa vida. Na verdade.

As sensações são reações aos estímulos do meio que nos dão informações sobre o que nos rodeia e. Eis algumas vias pelas quais recebemos as sensações: . enchem de variedade e intensidade as nossas experiências. ao mesmo tempo.

O que vemos .

O que ouvimos .

O que provamos .

O que tocamos .

O que cheiramos .

O que fazemos .

Poderíamos viver sem amar(amor)? .

“Sem amor o coração é só um relógio a fazer tique-taque”Equilibrium .

.

Eugénio de Andrade . muitas espadas. é urgente permanecer. até doer. ódio. é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura. alguns lamentos. É urgente inventar alegria. solidão e crueldade. multiplicar os beijos. É urgente o amor. as searas.É urgente o amor É urgente o amor. É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras.

" Fernando Pessoa . existem momentos inesquecíveis. Por isso." O valor das coisas não está no tempo que elas duram. mas na intensidade com que acontecem. coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Kurt Tucholsky (1890-1935) Tradução de Paulo Quintela . Sim… porque é que ri a Mona Lisa? Ri-se de nós. Lisa. Porque o teu retrato. como tu sorris. Estás suspensa. Pois. as mãos cruzadas devagar. cala e sorri.O sorriso da Mona Lisa Não posso desviar de ti o olhar. contra nós – Ou que mais o teu riso diria? Calma nos ensinas o que tem de acontecer. por sobre o homem que te guarda. E sorris. por nós. apesar de nós. calada. O teu sorriso passa por ironia. És célebre como a tal Torre de Pisa. claro no-lo diz: Quem deste mundo tanto pôde ver – Cruza as mãos.

O que são as emoções? .

(…)” Damásio. surpresa ou aversão. em geral. . medo. não é fácil apresentar uma definição. “A palavra emoção traz. tristeza. cólera. António Os afectos são algo que se exprime através das emoções e que remetem para o passado.Devido à complexidade das emoções. à mente uma das seis emoções ditas primárias ou universais: alegria.

e de pensar. devido a investigações realizadas por neurocientistas como António Damásio que mostraram que o nosso cérebro usa as emoções para orientar os processos racionais. . Só passaram então a ser interpretadas como processos fundamentais no acto de decidir.Os Processos Emocionais e as Emoções Até bem recentemente as emoções eram encaradas como um obstáculo ao funcionamento adequado do nosso pensamento e da razão.

este não possui qualquer capacidade para se fazer entender e para expressar as suas necessidades e desejos.Os Processos Emocionais e as Emoções As emoções podem ser interpretadas através da alteração do tom de voz. senão através do choro ou com movimentos não coordenados e globais. das expressões faciais. e estão presentes nas interacções sociais. Têm um papel fundamental sobretudo no início da vida. . da postura corporal. pois quando nasce um ser humano.

São também algo que remete para o passado e que é expresso através das emoções.Emoções e afetos O conceito de afetividade engloba todos os "estados de alma". Sem as emoções perderíamos a capacidade de nos afeiçoarmos aos outros e de darmos um sentido pessoal às nossas experiências. as paixões ou o humor. como a emoção. os sentimentos. Os afetos são um conjunto de reações que nos ligam aos outros e às coisas que nos rodeiam. .

As emoções concretizam-se por surgirem no presente de forma intensa e manifestam-se através de modificações fisiológicas. . Estas reacções têm raízes profundas nos instintos e no inconsciente.

é um estado mais duradouro do que a emoção. a uma causa imediata. Trata-se de uma resposta biológica do organismo a um estímulo do meio. . que é um estado temporário. reportamse ao nosso interior. • O Sentimento. como as emoções. não estando relacionados. são privados e prolongam-se no tempo. marcado por modificações fisiológicas.Emoções e Sentimentos Há que distinguir emoção e sentimento: • A Emoção. As modificações fisiológicas são menos acentuadas.

Nestas relações somos afetados pelos outros e afetamo-los. em que se dá e se recebe. A nossa sobrevivência psicológica funda-se nas relações interpessoais. Os afetos que se estabelecem constroem a matriz da nossa vida pessoal. o que envolve sempre modificação dos elementos envolvidos. .Falar de afetos é falar da relação. A relação implica uma troca.

completo e longínquo. vivo de tudo em tudo. profuso. Eu torno-me sempre. Álvaro de Campos . mais tarde ou mais cedo. Aquilo com quem simpatizo.Sentir tudo de todas as maneiras. Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos Num só momento difuso. seja uma pedra ou uma ânsia. Seja uma flor ou uma ideia abstracta. E eu simpatizo com tudo. Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo. Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo. Viver tudo de todos os lados. Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.

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