Filosofia 10

Ficha Formativa: Noções Básicas de Argumentação
CORREÇÃO

I. Escolha apenas uma alternativa em cada questão:
1. Justificar racionalmente uma afirmação significa:
[A] Dar a volta ao nosso oponente com um discurso bonito e cheio de palavras difíceis;
[B] apresentar factos que provem o que dizemos;
[C] apresentar razões em que podemos basear-nos para chegar à conclusão de que o
que afirmamos é verdade;
[D] repetir o nosso ponto de vista as vezes necessárias para o nosso opositor se cansar
e desistir.
2. Os argumentos bons (fortes):
[A] São raciocínios em que as razões apresentadas nos permitem chegar à conclusão
que queremos justificar;
[B] são raciocínios em que nem sempre as razões que apresentamos são corretas ou
verdadeiras;
[C] são raciocínios em através dos quais provamos sempre que o que afirmamos não
pode ser falso;
[D] são raciocínios em que a verdade da conclusão não deriva da verdade das
premissas.
4. Os elementos de um argumento são:
[A] As premissas e as razões;
[B] as frases e as afirmações;
[C] a conclusão e as afirmações;
[D] as premissas e a conclusão.
5. As premissas dão-nos:
[A] A conclusão do argumento;
[B] as razões que apoiam a conclusão do argumento;
[C] as conclusões mais importantes do argumento;
[D] nenhuma das respostas anteriores está correta.
6. A conclusão é:
[A] A razão em que o argumento se baseia;
[B] a afirmação que o argumento pretende justificar;
[C] as bases do argumento;
[D] Nenhuma das respostas anteriores.
7. Um argumento pode ter:
[A] Duas ou três premissas e uma conclusão;
[B] duas conclusões e uma premissa;
[C] várias premissas e várias conclusões;
[D] uma ou mais premissas e uma conclusão.
8. Um argumento:
[A] Pode ter várias premissas, porque podemos ter várias razões para afirmar a
conclusão;
[B] não pode ter mais do que duas ou três premissas, porque menos é melhor do que
mais;
[C] pode ter várias conclusões, porque pessoas diferentes podem tirar várias
conclusões com base nas mesmas premissas.
[D] não pode ter mais do que duas ou três premissas, porque em Filosofia é assim.

9. Num bom argumento:
[A] as premissas não conseguem justificar a conclusão por não serem todas
verdadeiras;
[B] as premissas deverão ser todas verdadeiras;
[C] há uma maioria de razões verdadeiras, embora nem todas tenham de o ser;
[D] as premissas falsas também justificam a conclusão.
10. Um argumento é mau se tiver uma ou mais premissas falsas. Esta afirmação é:
[A] Verdadeira, porque se pelo menos uma das premissas for falsa, esta não serve de
justificação à conclusão;
[B] falsa, porque para um argumento ser mau todas as premissas têm que ser falsas;
[C] verdadeira, porque para um argumento ser mau, a maioria das premissas tem que
ser falsa;
[D] falsa, porque ter premissas falsas não é uma razão para rejeitar um argumento.
11. Num argumento dedutivo válido:
[A] As suas premissas são verdadeiras;
[B] as suas premissas são falsas;
[C] a conclusão não pode ser falsa se as premissas forem verdadeiras.
[D] a conclusão não pode ser falsa.
12. Para um argumento, ter premissas verdadeiras:
[A] é importante, porque apenas neste caso um argumento pode ser válido;
[B] não é importante, porque há argumentos válidos com premissas falsas;
[C] é importante, porque só a verdade das premissas pode justificar a conclusão;
[D] não é importante, porque a conclusão pode ser verdadeira e as premissas falsas.
13. A verdade é uma característica:
[A] Da conclusão dos argumentos;
[B] das premissas dos argumentos;
[C] das proposições;
[D] Nenhuma das respostas anteriores.
14. Um argumento falha o seu objetivo quando:
[A] As premissas não são verdadeiras;
[B] é inválido;
[C] contém pelo menos uma premissa falsa ou a conclusão não se segue das
premissas;
[D] Nenhuma das respostas anteriores;
15. Avaliar um argumento:
[A] Supõe espírito crítico;
[B] exige que nos interroguemos sobre a verdade ou a falsidade das premissas;
[C] requer assegurarmo-nos da sua validade;
[D] todas as respostas anteriores.
16. A argumentação é importante em filosofia porque:
[A] Sem argumentos não há razões para aceitar uma solução que os filósofos proponham
para um problema filosófico;
[B] sem argumentos, as teorias dos filósofos não podem ser consideradas verdadeiras ou
falsas;
[C] todas as respostas anteriores;
[D] nenhuma das respostas anteriores.

II.

Identifique a(s) premissa(s) e a conclusão dos seguintes argumentos:

1. “Não és a minha mãe biológica. Os documentos da conservatória são conclusivos:
fui adotado.
Premissa: Os argumentos da conservatória provam que fui adotado
Conclusão: Logo, não és a minha mãe biológica.
2.

“Devemos casar tarde. Só as pessoas que casam cedo correm risco de divórcio”.
Premissa: Só as pessoas que casam cedo correm risco de divórcio
Conclusão: Logo, devemos casar tarde.

3. “Os peixes não respiram porque não têm pulmões e sem pulmões não há
respiração”.
Premissas: Sem pulmões não há respiração
Os peixes não têm pulmões
Conclusão: Logo, Os peixes não respiram.
4. “Os problemas de saúde não são somente bioquímicos. Com efeito, têm a ver com
estados psicológicos e com o nosso estilo de vida. Pensar que podem ser
resolvidos só com medicamentos é, portanto, um erro.
Premissas: Há problemas de saúde com causas bioquímicas
Há problemas de saúde com causas psicológicas
Há problemas de saúde com causas relacionadas com o estilo de vida
Conclusão: Logo, Os problemas de saúde não são somente bioquímicos.
5. Um computador não pode fazer batota num jogo de xadrez. Com efeito, fazer
batota implica que haja vontade deliberada de violar as regras do jogo. Um
computador não possui esta capacidade.
Premissas: Fazer batota implica uma vontade deliberada de violar as regras de um
jogo
Um computador não possui vontade
Conclusão: Logo, Um computador não pode fazer batota num jogo de xadrez.
6. “Se todos os americanos fossem inteligentes, votariam no melhor candidato. Ora,
os americanos deram a vitória a Donald Trump que, como é óbvio, era o pior
candidato. Portanto, nem todos os americanos são inteligentes”.
Premissas: Se todos os americanos forem inteligentes elegerão o melhor candidato
Os americanos não elegeram o melhor candidato
Conclusão: Logo, Nem todos os americanos são inteligentes.

III. Analise os seguintes argumentos e decida se são bons (fortes) ou maus (falaciosos):
1. Todos os seres humanos são jogadores - Falsa
João é ser humano
Logo, João é jogador
Este argumento é mau, porque uma das premissas é falsa.
2. Todos os seres humanos são mamíferos
João é mamífero
Logo, João é ser humano
Este argumento é mau, porque é um argumento dedutivo e a conclusão não se segue
necessariamente das premissas: há mais mamíferos para além dos seres humanos, pelo
que ser mamífero não é uma condição suficiente para se ser humano.

3. Todas as pessoas ou gostam de natação ou de polo aquático
A Joana gosta de natação
Logo, A Joana não gosta de polo aquático
Este argumento não é bom porque a primeira premissa é falsa: há pessoas que nem
gostam de natação, nem de polo aquático.
4. Todos os indivíduos ou são professores ou são alunos
O João é professor
Logo, o João é aluno
Este argumento não é bom porque a primeira premissa é falsa: nem todos os indivíduos
são professores ou alunos, há médicos, advogados, padeiros, etc..
5. Ou é professor ou tem outra ocupação
Cristiano Ronaldo não é professor
Logo, Cristiano Ronaldo tem outra ocupação
Se admitirmos que todas as pessoas têm uma ocupação, este argumento é bom: as
premissas e a conclusão são verdadeiras e a conclusão segue-se necessariamente das
premissas.
6. Se a vida não faz sentido, então Deus não existe
Mas Deus existe
Logo, a vida faz sentido

Este argumento é mau, porque as premissas são questionáveis: podemos logicamente
admitir a possibilidade de um Deus que não tenha qualquer ligação com o sentido da vida
humana. E também não se pode provar, para além de qualquer dúvida racional, que Deus
existe. Pode supor-se a sua existência, mas isso não anula a possibilidade da sua não
existência.
7. Todos os homens são mamíferos
Todos os mamíferos são vertebrados
Logo, Todos os vertebrados são homens
Este argumento dedutivo é mau, porque há mais vertebrados para além de mamíferos,
pelo que a conclusão não se segue das premissas e é falsa, sendo as premissas
verdadeiras. Nos argumentos dedutivos válidos, se as premissas forem verdadeiras, a
conclusão não pode ser falsa.

8. Os alunos são como robôs de uma linha de montagem
Quanto mais depressa andar a linha de montagem mais se consegue produzir
Logo, nas aulas a matéria deve ser debitada rapidamente para aumentar a
aprendizagem dos alunos
Este argumento por analogia é mau, porque os alunos não podem ser comparados a robôs
de uma linha de montagem (a primeira premissa é falsa).
9. Cristiano Ronaldo disse numa entrevista que a Filosofia é um saber inútil
Logo, a Filosofia é um saber inútil
10. Todos os homens são mamíferos
Todos os seres racionais são homens
Logo, todos os seres racionais são mamíferos
Este argumento dedutivo, embora seja válido, tem uma premissa questionável (cuja
verdade é discutível): podem existir seres racionais que não sejam nem homens, nem
mamíferos. E mesmo que admitamos que ainda não se encontrou atividade racional em
seres não humanos (há observações científicas que podem indiciar o contrário, mesmo
relativas a animais que não são mamíferos), a ignorância não pode ser usada como prova.
IV
1. Considerando a falsidade da proposição "Todos os gatos são siameses",
apresente cada uma das suas opostas e decida do respetivo valor de verdade.
"Todos os gatos são siameses" = Falsa
Contraditória: “Alguns os gatos não são siameses". Esta proposição será verdadeira,
porque, de acordo com a regra das contraditórias, estas proposições não podem ser

ambas verdadeiras ou falsas ao mesmo tempo, se uma é verdadeira, a outra é falsa e
inversamente.
Contrária: "Nenhum gato é siamês". Esta proposição pode, de acordo com as regras da
oposição, ser verdadeira ou falsa: sabemos que é falsa porque sabemos que de facto
existem gatos siameses, mas a sua falsidade não pode ser inferida da falsidade da sua
contrária, porque duas proposições contrárias podem ser ambas falsas, não podendo ser
ambas verdadeiras.
Subalterna: "Alguns gatos são siameses". No caso desta proposição, o seu valor de
verdade também não pode ser deduzido da falsidade da universal da qual é subalternada,
porque no caso das proposições subalternas, a falsidade da universal não implica a
falsidade da particular.
2. Qual a proposição subcontrária da contraditória da contrária de “Todos os
estudantes estudam”?

3. Qual a proposição subcontrária da contraditória da contrária da contraditória
da subcontrária da subalterna da contrária da contraditória da subcontrária da
contraditória de "Todos os aviões são máquinas"?

4. Se é falso que “Alguns humanos são imortais”, qual a sua contraditória e o seu
valor de verdade?

Contraditória: “Nenhum homem é imortal”. É verdadeira, porque duas proposições
contraditórias não podem ser verdadeiras ou falsas ao mesmo tempo, se uma é
verdadeira, a outra é falsa e inversamente.

5. Dada a verdade da proposição R: ‘Alguns animais são venenosos’, decida do
valor de verdade das suas opostas.
R: ‘Alguns animais são venenosos’ = Falsa.
Contraditória: “Nenhum animal é venenoso”. É verdadeira, porque duas proposições
contraditórias não podem ser verdadeiras ou falsas ao mesmo tempo, se uma é
verdadeira, a outra é falsa e inversamente.
Subcontrária: “Alguns animais não são venenosos”. Verdadeira, porque duas
proposições subcontrárias não podem ser ambas falsas, podendo ser ambas verdadeiras.
Subalterna (subalternante): “Todos os animais são venenosos”. Falsa, porque no caso
das proposições subalternas, a falsidade da particular implica a falsidade da universal.
6. Dois amigos, referindo-se ambos a alguns europeus, defenderam teses
opostas: o João defendeu que são mentirosos e o Manuel, que não são
mentirosos. De acordo com as regras da oposição, podem ter ambos razão?
Justifique.
“Alguns europeus são mentirosos”.
“Alguns europeus não são mentirosos”.
Podem ter ambos razão, porque, tratando-se de proposições subcontrárias, podem ser
ambas verdadeiras, não podendo ser ambas falsas.

7. Se se provar que alguns homens são corajosos, também se estará a provar
que é falso que nenhum homem é corajoso? Justifique com base nas regras
da oposição.
Sim, porque são proposições contraditórias e, nesse caso, se uma é verdadeira, a outra
tem que ser falsa (não podem ser ambas verdadeiras ou falsas ao mesmo tempo.
8. Se for falso que alguns xpto são otpx, a proposição ‘Todos xpto são otpx’ pode
ser verdadeira? Justifique com base nas regras da oposição.
“Alguns xpto são otpx”;
“Todos xpto são otpx”.
Não pode ser verdadeira, porque são duas proposições subalternas e nesse caso, a
falsidade da particular implica a falsidade da universal.
9. Construa uma proposição de tipo A, com os seguintes termos:
Sujeito: ‘Flores’;
Predicado: ‘Belas’.
“Todas as flores são belas”.

9.1. Apresente as opostas dessa proposição.
Contraditória: “Algumas flores não são belas”.
Contrária: “Nenhuma flor é bela”.
Subalterna: “Algumas flores são belas”.

10. Reduza as seguintes frases declarativas à forma normal e apresente as suas
opostas:
10.1. Certos ingleses votaram no brexit.
Alguns ingleses votaram no brexit.
Contraditória: “Nenhum inglês votou no brexit”.
Subcontrária: “Alguns ingleses não votaram no brexit”.
Subalterna: “Todos os ingleses votaram no brexit”.
10.2. Não há bons estudantes a viver em Portugal.
Nenhum bom estudante vive em Portugal.
Contraditória: “Alguns bons estudantes vivem em Portugal”.
Contrária: “Todos os bons estudantes vivem em Portugal”.
Subalterna: “Alguns bons estudantes não vivem em Portugal”.
10.3. Os músicos têm bom ouvido.
Todos os músicos têm bom ouvido.
Contraditória: “Alguns músicos não têm bom ouvido”.
Contrária: “Nenhum músico tem bom ouvido”.
Subalterna: “Alguns músicos têm bom ouvido”.
10.4. Há seres humanos bondosos.
Alguns seres humanos são bondosos.
Contraditória: “Nenhum ser humano é bondoso”.
Subcontrária: “Alguns seres humanos não são bondosos”.
Subalterna: “Todos os seres humanos são bondosos”.
10.5. Praticamente todas as pessoas gostam de se divertir.
Algumas pessoas gostam de se divertir.
Contraditória: “Nenhuma pessoa gosta de se divertir”.
Subcontrária: “Algumas pessoas não gostam de se divertir”.
Subalterna: “Todas as pessoas gostam de se divertir”.
10.6. Não há marionetas que não sejam comandadas por um ser
humano.
Todas as marionetas são comandadas por um ser humano.
(É afirmativa porque a dupla negação é uma afirmação).
Contraditória: “Algumas marionetas não são comandadas por um ser
humano”.
Contrária: “Nenhuma marioneta é comandada por um ser humano”.
Subalterna: “Algumas marionetas são comandadas por um ser humano”.
10.7. Não há seres humanos que sejam marionetas.
Nenhum ser humano é marioneta.
Contraditória: “Alguns seres humanos são marionetas”.
Contrária: “Todos os seres humanos são marionetas”.
Subalterna: “Alguns seres humanos são marionetas”.

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