Área de Integração

Módulo V
Tema/Problema: 9.2 A formação da sensibilidade
cultural e a transfiguração da experiência: a estética.
Professor Paulo Gomes

O que é a arte?
Texto 1
Imagine que lhe perguntam se um cofre maciço,
fechado a sete chaves, contém uma obra de arte,
sem que possa abrir esse cofre e sem que alguém
lhe tenha dito o que ele contém, se é que contém
alguma coisa. Nestas condições, tudo parece
indicar que não poderá pronunciar-se sobre a
questão de saber se este cofre esconde, ou não,
uma obra de arte. Por muito estranho que possa
parecer, esta questão é, todavia, análoga a
situação em que lhe perguntassem se um objeto
anónimo qualquer é mesmo uma obra de arte.
Entenda-se por objeto anónimo um objeto não
identificado, acerca do qual não detém informação
alguma. Não se trata de supor numa situação em
que teria a oportunidade de reconhecer esta ou
aquela obra, mais ou menos célebre, que já
conhecia, nem de perceber que determinado
objeto, em relação ao qual só sabe o que vier a
descobrir, é uma obra de arte. Contrariamente ao
que possa imaginar, o facto de abrir o cofre e de
poder livremente examinar e manipular o seu
conteúdo não lhe permitiria responder à questão
colocada. Tanto dá que o cofre esteja aberto ou
fechado, isso não altera em nada o problema. Seja
qual for a situação, não poderá dizer, a não ser que
o faça ao acaso, se esse objeto é, ou não, uma
obra de arte.
Esta afirmação parece paradoxal, ou então
absurda. Mas isso não é verdade, ele apenas visa
mostrar como é ilusório pensar que as obras de
arte são objetos que se definem por aquilo que nos
Ficha: O que é a arte?
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Ária de Integração

Módulo 5

dão a ver, a compreender, a saborear, a sentir, etc.,
ou seja, a sua aparência, ou ainda as suas
propriedades estéticas.
As obras de arte não são compostas de moléculas
de obras de arte do mesmo modo que a água é
composta de moléculas de água. As obras de arte
não têm um número atómico, não existe um código
genético das obras de arte. Numa palavra, não há
nada na aparência ou na estrutura íntima das
obras de arte que seja característico do facto de se
tratar de uma obra de arte.
Em conclusão: as obras de arte não são entidades
que nos sejam impostas enquanto tais. Em
particular, elas não são dotadas de nenhuma
característica interna que permita distingui-las dos
simples objetos. Mesmo que o cofre maciço seja
aberto, nada muda: ninguém, do simples amador
esclarecido até ao maior dos especialistas em arte,
poderá dizer se um objeto anónimo qualquer é, ou
não, uma obra de arte. O estatuto de obra de arte é
um estatuto imaginário.
FERRET, Stéphane, Aprender com as coisas –
uma iniciação à filosofia, 1ª edição, 2007. Lisboa:
Edições Asa, pp. 47-54

Três teorias sobre a Arte
Texto 2

Teoria da arte como imitação
Esta é uma das mais antigas teorias da arte. Foi,
aliás, durante muito tempo aceite pelos próprios
artistas como inquestionável. A definição que
constitui a sua tese central é a seguinte:
Uma obra é arte se, e só se, é produzida pelo
homem e imita algo.
A característica própria desta teoria não reside no
facto de defender que uma obra de arte tem de ser
Tema 9.2

produzida pelo homem, o que é comum a outras
teorias, mas na ideia de que para ser arte essa
obra tem de imitar algo. Daí que seja conhecida
como teoria da arte como imitação.
[...]
O que agora nos interessa, mais do que saber
quem defendeu esta teoria, é avaliar o seu poder
explicativo. Vejamos então os principais pontos que
perecem favoráveis a ela:
1) Adequa-se ao facto incontestável de
muitas pinturas, esculturas e outras
obras de arte, como peças de teatro ou
filmes imitarem algo da natureza:
paisagens,
pessoas,
objetos,
acontecimentos, etc.
2) Oferece um critério de classificação das
obras de arte bastante rigoroso, o que
nos permite, aparentemente, distinguir
com alguma facilidade um objeto que é
uma obra de arte de outro que o não é.
3) Oferece um critério de valoração das
obras de arte que nos possibilita
distinguir facilmente as boas das más
obras de arte. Neste sentido, uma obra
de arte seria tão boa quanto mais se
conseguisse aproximar do objeto
imitado.[...]
Mas será uma boa teoria? Para isso temos de
testar cada um dos aspetos atrás apresentados
que são favoráveis à teoria, começando pelo
primeiro.
Não precisamos de procurar muito para
percebermos que, apesar de muitas obras de arte
imitarem algo, são inúmeras aquelas que o não
fazem. O que constitui a sua refutação inequívoca.
Obras de arte que não imitam nada encontramo-las
tanto na pintura como na escultura abstratas ou
noutras artes visuais não figurativas. De forma
1 de 4

ainda mais notória encontramo-las na literatura e
na música. [...]
Em relação ao segundo aspeto, esta teoria deixa
também muito a desejar. O que referi acerca do
ponto anterior acaba também por desconsiderar o
critério de classificação apresentado. Convém,
portanto, realçar que o critério de classificação de
arte proposto por esta teoria não pode ser bom,
pois ficamos insatisfeitos ao verificar que há obras
que são reconhecidamente arte e não são
classificadas como tal.
Finalmente, o terceiro ponto também é muito
discutível. Apesar de ficarmos muitas vezes
positivamente impressionados com a perfeição
representativa de algumas obras de arte, o seu
critério valorativo falha porque muitas outras obras
de arte não poderiam ser consideradas boas nem
más, já que não imitam nada. Mas falha ainda por
haver obras que imitam algo sem que nos
encontremos alguma vez em condições de saber
se a imitação é boa ou má. Basta pensar em obras
que imitam algo que já não existe ou não é do
conhecimento de quem as aprecia. [...]
Segundo este critério Picasso seria, com certeza,
um artista menor e teríamos de reconhecer que a
fotografia é a mais perfeita de todas as artes. Só
que não é isso que acontece.

Teoria da arte como expressão
Insatisfeitos com a teoria da arte como imitação (ou
representação), muitos filósofos e artistas
românticos do século XIX propuseram uma
definição de arte que procurava libertar-se das
limitações da teoria anterior, ao mesmo tempo que
deslocava para o artista, ou criador, a chave da
compreensão da arte. Trata-se da teoria da arte
como expressão. Teoria que, ainda hoje, uma
Ficha: O que é a arte?
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enorme quantidade de pessoas aceita
questionar. Segundo a teoria da expressão:

sem

Uma obra é arte se, e só se, exprime sentimentos
e emoções do artista.
Vejamos o que parece concorrer a favor dela:
1) São
muitos
e
eloquentes
os
testemunhos
de
artistas
que
reconhecem a importância de certas
emoções sem as quais as suas obras
não teriam certamente existido. Mais do
que isso, se é verdade, como parece
ser, que a arte provoca em nós
determinadas emoções ou sentimentos,
então é porque tais sentimentos e
emoções existiram no seu criador e
deram origem a tais obras.
2) Também nos oferece, como a teoria
anterior, um critério que permite, com
algum rigor, classificar objetos como
obras de arte. Com a vantagem
acrescida de classificar como arte todas
as obras que não imitam nada, o que
acontece frequentemente na literatura e
sempre na música e na arte abstrata.
3) [...] Oferece um critério valorativo: uma
obra é tanto melhor quanto melhor
conseguir exprimir os sentimentos do
artista que a criou.
Uma
teoria
como
esta
manifesta-se
frequentemente em juízos como “Este é um livro
exemplar em que o autor nos transmite o seu
desespero perante uma vida sem sentido” ou como
“O autor do filme filma magistralmente os seus
próprios traumas e obsessões”.
Mas também ela se irá revelar uma teoria
insatisfatória. As razões são semelhantes às que
Tema 9.2

apresentei contra a teoria da arte como imitação,
pelo que tentarei aqui ser mais breve.
O primeiro ponto apresenta várias falhas. Desde
logo, é também empiricamente refutado porque há
obras que não exprimem qualquer emoção ou
sentimento. [...] Além disso, mesmo que uma obra
de arte provoque certas emoções em nós, daí não
se segue que essas emoções tenham existido no
seu autor. [...] Trata-se, portanto, de uma inferência
falaciosa. Tal como na definição de arte como
imitação, o mesmo se passa aqui, pois acaba por
não se verificar a condição necessária segundo a
qual todas as obras de arte exprimem emoções. É,
assim, uma má definição.
A deficiência em relação ao critério de classificação
é praticamente a mesma apontada à teoria da
imitação. A única diferença é que, neste caso, uma
maior quantidade de objetos podem ser
classificados como arte. Mas nem todas as obras
de arte são, de facto, classificadas como tal.
Sobre o critério de valoração, também as objeções
são idênticas às da teoria da imitação. Se
observarmos este critério, então as obras de arte
que não podem ser consideradas boas nem más
são inúmeras. Como podemos nós saber se uma
determinada obra exprime corretamente as
emoções do artista que a criou, quando o artista já
morreu há séculos? [...] E as obras de autores
anónimos ou desconhecidos não são boas nem
más? E como avaliar uma obra de arte coletiva ou
a interpretação de uma obra musical? [...]. Enfim,
todas
estas
perguntas
são
demasiado
embaraçosas para a teoria da expressão.

Teoria da arte como forma significante
Verificando que a diversidade de obras de arte é
bem maior do que as teorias da imitação e da
expressão fariam supor, uma teoria mais
2 de 4

elaborada, e também mais recente, conhecida
como teoria da forma significante (abreviadamente
referida como “teoria formalista”), decidiu
abandonar a ideia de que existe uma característica
que possa ser diretamente encontrada em todas as
obras de arte. Esta teoria, defendida, entre outros,
pelo filósofo Clive Bell, considera que não se deve
começar por procurar aquilo que define uma obra
de arte na própria obra, mas sim no sujeito que a
aprecia. Isso não significa que não haja uma
característica comum a todas as obras de arte,
mas que podemos identificá-la apenas por
intermédio de um tipo de emoção peculiar, a que
chama emoção estética, que elas, e só elas,
provocam em nós.
De acordo com a teoria formalista de Clive Bell:
Uma obra é arte se, e só se, provoca nas pessoas
emoções estéticas.
Note-se que não se diz que as obras de arte
exprimem emoções, senão estar-se-ia a defender o
mesmo que a teoria da expressão, mas que
provocam emoções nas pessoas, o que é bem
diferente. Se a teoria da imitação estava centrada
nos objetos representados e a teoria da expressão
no artista criador, a teoria formalista parte do
sujeito sensível que aprecia obras de arte. Digo
que parte do sujeito e não que está centrada nele,
caso contrário não seria coerente considerar que
esta teoria é formalista.
Tendo em conta a definição dada, reparamos que a
característica de provocar emoções estéticas
constitui, simultaneamente, a condição necessária
e suficiente para que um objeto seja uma obra de
arte. Mas se essa emoção peculiar chamada
“emoção estética” é provocada pelas obras de arte,
e só por elas, então tem de haver alguma
propriedade também ela peculiar a todas as obras
Ficha: O que é a arte?
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Módulo 5

de arte, que seja capaz de provocar tal emoção
nas pessoas. Mas essa característica existe
mesmo? Clive Bell responde que sim e diz que é a
forma significante.
Frases como “Este quadro é uma verdadeira obra
prima devido à excecional harmonia das cores e ao
equilíbrio da composição”, ou como “Aquele livro é
excelente porque está muito bem escrito e
apresenta uma história bem construída apoiada em
personagens convincentes e bem caracterizadas”,
exprimem habitualmente uma perspetiva formalista
da arte.
Para já, esta teoria parece ter uma grande
vantagem: pode incluir todo o tipo de obras de arte,
inclusivamente obras que exemplifiquem formas de
arte ainda por inventar. Desde que provoque
emoções estéticas qualquer objeto é uma obra de
arte, ficando assim ultrapassado o carácter
restritivo das teorias anteriores.
Mas as suas dificuldades também são enormes.
Em primeiro lugar, podemos mostrar que algumas
pessoas não sentem qualquer tipo de emoção
perante certas obras que são consideradas arte.
Quer dizer que essas obras podem ser arte para
uns e não o ser para outros? Nesse caso o critério
para diferenciar as obras de arte das outras de que
serviria? Teríamos, então, obras de arte que não
são obras de arte, o que não faz sentido. Também
não é grande ideia responder que quem não sente
emoções estéticas em relação a determinadas
obras não é uma pessoa sensível, como sugere
Bell, o que parece uma inaceitável fuga às
dificuldades.
Uma outra dificuldade é conseguir explicar de
maneira convincente em que consiste a tal
propriedade comum a todas as obras de arte, a tal
“forma significante”, responsável pelas emoções
estéticas que experimentamos. Clive Bell refere,
pensando apenas no caso da pintura, que a forma
Tema 9.2

significante reside numa certa combinação de
linhas e cores. Mas que combinação é essa e que
cores são essas exatamente? E em que consiste a
forma significante na música, na literatura, no
teatro, etc.? A ideia que fica é que a forma
significante não serve para identificar nada. Não se
trata verdadeiramente de uma propriedade, pois a
forma significante na pintura consiste numa certa
combinação de cores e linhas, mas na música, na
literatura, no cinema, etc., já não podem ser as
cores e linhas a exemplificar a forma significante.
Não temos, assim, uma propriedade, mas várias
propriedades. É certo que diferentes propriedades
podem provocar o mesmo tipo peculiar de
emoções nas pessoas, mas chamar a diferentes
propriedades "forma significante" é de tal forma
vago que não se imagina o que poderia constituir
uma contra-exemplo a esta definição. Também a
resposta de que a forma significante é a
propriedade que provoca em nós emoções
estéticas, depois de dizer que as emoções
estéticas são provocadas pela forma significante é
não só inútil mas dececionante, já que se trata de
uma falácia: a falácia da circularidade.
E agora?
Pelo que se viu, nenhuma das teorias aqui
discutidas parece satisfatória. Tendo reparado nas
insuficiências das teorias essencialistas, alguns
filósofos da arte, como Morris Weitz, abandonaram
simplesmente a ideia de que a arte pode ser
definida;
outros,
como
George
Dickie,
apresentaram definições não essencialistas da
arte, apelando, nesse sentido, para aspectos
extrínsecos à própria obra de arte; outros ainda,
como Nelson Goodman, concluíram que a
pergunta “O que é arte?” deveria ser substituída
pela pergunta mais adequada “Quando há arte?”.
Serão estas teorias melhores do que as
3 de 4

anteriores? Aí está uma boa razão para não
darmos por terminada esta tarefa.
Aires Almeida
http://criticanarede.com/fil_tresteoriasdaarte.html

A Arte: uma tentativa de
caracterização abrangente
Texto 3
Há inúmeras possibilidades de definição de arte.
Não há como limitá-las a determinado estilo ou
gosto. O conceito de arte foi variando muito ao
longo da História e assume significados diversos,
também, tendo em conta as coordenadas
geográficas ou culturais que servem de contexto à
sua definição.
A palavra ‘Arte’ deriva do latim ars, artis, que
significa maneira de ser ou de agir, profissão,
habilidade natural ou adquirida, e, na cultura grecoromana, possuía o sentido de ofício (próximo da
atual noção de artesanato), habilidade. Nessa
conceção, a arte estava ligada ao propósito de
fazer, ou seja, era concebida com base num
especto produtivo e manual. Podemos dizer que,
de acordo com esta conceção, a arte tem uma
natureza pragmática, utilitária, ou seja, visa sempre
atingir um objetivo exterior a ela própria. Pode ter
uma finalidade decorativa, religiosa, educativa,
evocativa, etc., mas nunca valerá poe si própria.
A arte também foi e é vista por alguns como
conhecimento, visão ou contemplação. Nesse
caso, coloca-se em segundo plano o aspeto
exterior da arte, o objeto criado, e concede-se-lhe
um sentido de visão da realidade, ou seja, de
representação de formas de ser e conhecer.
A arte também tem sido definida como expressão.
Essa visão, que é fruto especialmente do
Romantismo, define arte com base nos seus
elementos subjetivos, emocionais, sendo, acima de
Ficha: O que é a arte?
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tudo, uma forma de externalizar e provocar
sentimentos.
Certamente todas essas conceções de arte têm o
seu sentido e valor. A arte é, por excelência, o lugar
de conhecimento, produção e expressão. Em
resumo, a arte pode ser vista como um fazer, como
conhecimento e como expressão.
A definição de arte pode variar de acordo com
determinado contexto cultural, isto é a existência,
ou não, de um processo que conduz à criação de
um objeto belo, com todas as suas implicações
teóricas,
técnicas
pessoais
e
sociais,
consequências da apreciação da beleza como
parte essencial do resultado. Mas também é
possível qualificar como arte objetos ou processos
criativos de outras épocas ou civilizações,
julgamento esse realizado à margem da avaliação
concreta que teve para o seu autor ou para a
sociedade à qual pertencia. Por exemplo, a arte
pré-histórica pode ter sido encarada pelos seres
humanos que a produziram como uma
manifestação religiosa
Elencamos algumas definições de Arte:
1. Criação pelo ser humano de valores estéticos
(beleza, equilíbrio, harmonia, revolta, etc.) que
sintetizam as suas emoções, a sua história, os
seus sentimentos e a sua cultura;
2. Capacidade do homem de criar e expressar-se,
transmitindo ideias, sensações e sentimentos
através da manipulação de materiais e meios
diversos;
3. Atividade humana ligada a manifestações de
ordem estética, feita por artistas a partir de
perceção, emoções e ideias, com o objetivo de
estimular esse interesse de consciência num ou
mais espectadores (cada obra de arte possui um
significado único e diferente);
Tema 9.2

4. Reflexo do ser humano que muitas vezes
representa a sua condição social-histórica e a sua
essência de ser pensante;
5. Habilidade ou disposição dirigida para a
execução de uma finalidade prática ou teórica,
realizada de forma consciente, controlada e
racional;
6. Composto de meios e procedimentos realizados
pelo homem, através dos quais é possível a
obtenção de finalidades práticas ou a produção de
objetos; técnica para criar algo;
7. Conjunto de obras de determinado período
histórico, nação, povos, movimento artístico, por
exemplo, Arte Medieval, Arte Africana, Arte
Realista, etc.
Os seres humanos criam objetos para satisfazerem
as suas necessidades práticas – arte utilitária;
como meio de vida para que o mundo saiba o que
pensam; para divulgarem as suas crenças (ou as
de outros); para estimular e distrair-se a si mesmo
e aos outros, para explorar novas formas de olhar
e interpretar objetos e cenas, mas também como
forma de transformação da realidade.
Ernest Gombrich, famoso historiador de arte,
afirmou que nada existe realmente a que se possa
dar o nome de arte. O que existe são artistas. A
Arte é um tipo de fenómeno cultural. Regras
absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo,
mas em cada época, diferentes grupos (ou
indívíduos) escolhem como compreendem esse
fenómeno. Os historiadores de arte procuram
determinar os períodos e os grupos que empregam
certo estilo estético, atribuindo-lhes o nome de
movimentos ou estilos artísticos.
A arte regista as ideias e a cultura dos povos em
cada época histórica, sendo assim, ela torna-se
fundamental para a compreensão da história da
humanidade. As formas artísticas podem extrapolar
4 de 4

a realidade, exagerar coisas aceites ou
simplesmente criar novas formas de se observar a
realidade.
Uma das características da arte é a dificuldade que
se tem de conferir-lhe utilidade. Muitas vezes esta
dificuldade em encontrar utilidade imediata para a
arte mascara preconceitos contra arte e os artistas.
Como manifestação cultural humana, pode ser

Ficha: O que é a arte?
p.

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utilizada para coesão social, reafirmando valores
ou, pelo contrário, criticando-os.
A arte possui a função transcendente, ou seja,
manchas de tinta sobre uma tela ou palavras
escritas sobre um papel simbolizam estados de
consciência humana, abrangendo percepção,
emoção e razão. A arte pode trazer indícios sobre a
vida, a história e os costumes de um povo, de uma

Tema 9.2

época, inclusive daqueles já extintos. Assim,
conhecemos várias civilizações por meio da sua
arte.
http://www.historiadasartes.com/olhovivo/o-que-e-arte/

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