A Fundamentação da

Ética
As perspectivas de Kant e Stuart Mill

A ética e a moral
A ética é uma reflexão teórica sobre as ações
boas e más e as condições a que obedece a sua
execução.
A moral corresponde à aplicação prática dos
princípios formulados pela éticas. A moral
consiste num conjunto de normas que orientam
a ação dos homens, no sentido do bem, do justo,
do correto.
São essas normas que nos permitem julgar as
ações como boas ou más.

Há três atitudes básicas
face à moral
Moral
Amoral

Imoral

Moral
Em conformidade com a
moral.

Aquele que age de
acordo com os seus
princípios.

Amoral
Ausência de toda a obrigação
moral.

Aquele que age sem quaisquer
regras ou princípios morais.

Imoral
Contrário à moral.

Aquele que não cumpre as
regras morais.

O que determina um ação
boa?
Pode haver uma grande divergência
sobre o que é uma ação boa: na
sociedade existem muitos padrões
morais e aquilo que para um
indivíduo é uma ação boa, pode não
os ser para outros…

Será possível encontrar um padrão
de moralidade válido para todos?

No plano ético surgem três
possibilidades de resposta:
1. Uma ação boa é aquela que é praticada
com uma boa intenção,
independentemente das consequências
(resultados) da mesma.
2. Uma ação boa é aquela que tem boas
consequências (resultados),
independentemente da intenção do
agente.
3. Uma ação é boa quando tem na sua
base uma boa intenção e as suas
consequências são boas.

Se adoptarmos a terceira hipótese,
temos que concluir que a
propabilidade de serem praticadas
boas ações é muito pequena: muitas
vezes agimos com a melhor das
intenções, mas não conseguimos
atingir bons resultados, noutras,
apesar de termos uma intenção má,
as nossas ações acabam por ter
consequências positivas.
Só alguém dotado de superpoderes
poderia agir sempre de forma moral…

Kant e Stuart Mill
Na história da Ética duas perspectivas
destacaram-se na resposta ao problema do
fundamento do valor moral das ações.
Para o filósofo Kant (1724-1804), o agir
moral deve fundar-se em princípios
racionais, o que o levou a fundar todo o
agir moral na intenção do agente,
orientada por princípios racionais – o
DEVER MORAL é universal e independente
das circunstâncias exteriores…

Kant e Stuart Mill
Por seu lado, o filósofo inglês
Stuart Mill (1806-1873) considera
que a moral deve ter um
fundamento pragmático (utilitário)
– as ações boas são aquelas que
são úteis à Humanidade, ou pelo
menos à maioria de interessados
nas suas consequências.

Kant e Stuart Mill
Se para Kant quem age deve
fazê-lo por dever, sem olhar
aos seus sentimentos ou às
consequências da ação, para
Stuart Mill o objetivo último de
toda a ação moral deve ser a
Felicidade do maior número
possível de pessoas.

Kant e Stuart Mill
Mesmo sendo difícil definir a Felicidade, Stuart
Mill propôs um critério que nos permitiria avaliar
o valor moral das ações.
Para ele a felicidade mede-se pelo grau de
prazer provocado pelas ações e, o seu oposto, a
infelicidade, pelo grau e quantidade de dor que
resulta das ações. Uma ação que provoca mais
prazer do que dor a um número maior de
pessoas é preferível a uma ação que produz
mais dor que prazer.

Kant e Stuart Mill
Assim, para Stuart Mill uma ação é boa quando
promove a felicidade da maioria (mesmo quando
provoca dor no agente).

Kant e Stuart Mill
Segundo Kant a Razão formula uma lei que serve
de Imperativo Categórico para a ação moral.
Esse Imperativo Categórico exprime-se de
acordo com a seguinte fórmula:
“Age de maneira a que a máxima da tua ação se
possa tornar numa lei universal, válida para
todos os seres racionais”.

Kant e Stuart Mill
A aplicação deste princípio é, aparentemente,
fácil:
Vamos supor que alguém ameaça detonar uma
bomba num edifício público repleto de pessoas.
Um polícia tem o terrorista na mira da sua arma.
Pode, com um tiro, neutralizar aquela ameaça.
Recebe a ordem para disparar.
E, nesse momento, a sua Consciência Moral
questiona-se: Devo matar esta pessoa?

Kant e Stuart Mill
Aplicando o Imperativo Categórico o polícia deve
interrogar-se sobre se matar se pode tornar
numa lei universal. Para Kant as circunstâncias
não importam – se se trata de um terrorista, se
vão morrer muitas pessoas se houver uma
explosão.
É claro que não pode haver um mandamento
moral que diga ‘deves matar’.
Neste exemplo o que está mal é a Consciência
Moral do terrorista que não o impede de agir
mal, isso não deve servir de fundamento para
uma ação imoral praticada pelo polícia.

Kant e Stuart Mill
Já para Stuart Mill, a morte do terrorista irá
contribuir para a felicidade do maior número de
pessoas, sendo moralmente lícito que o polícia
dispare, neutralizando o seu alvo.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful