Área de Integração – Módulo 3

DEBATE
Tema: Rendimento Básico Incondicional
O que é
O Rendimento Básico Incondicional é uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua
situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade.
Um RBI é:
- Universal - não discrimina ninguém, todos o recebem;
- Incondicional - um direito para todos, sem burocracias;
- Individual - garante autonomia às pessoas em situação vulnerável;
- Suficiente - para viver com dignidade.

Definição do Rendimento Básico Incondicional
1. Universal: Em princípio, todas as pessoas, independentemente da idade, ascendência, local de
residência, profissão, etc., têm direito a receber esta dotação. Reivindicamos, deste modo, um
rendimento básico à escala europeia que seja garantido e incondicional.
2. Individual: Todas as mulheres, todos os
homens, todas as crianças têm o direito a um
rendimento básico numa base individual, e
certamente que não numa base conjugal ou
familiar. O Rendimento Básico Incondicional
será independente das suas circunstâncias: do
estatuto marital, configuração da família ou
coabitação, ou do rendimento ou propriedade de
outros membros do agregado familiar. Esta é a
única forma de se assegurar a privacidade e de
prevenir o controlo de uns indivíduos sobre outros, permitindo a cada pessoa tomar as suas
próprias decisões.
3. Incondicional: concebemos o rendimento básico como um direito humano que não deve estar
dependente de quaisquer condições prévias, seja uma obrigação por parte do beneficiário de
integrar um emprego pago, de se envolver em serviço comunitário ou de comportar-se de acordo
com os papéis sociais tradicionais quanto ao género.
4. Suficientemente elevado: A quantia deve ser suficiente para garantir condições de vida
decentes, que estejam de acordo com os padrões sociais e culturais do país em questão. Deve
prevenir a pobreza material e garantir a oportunidade de participar na sociedade. Isto significa que
o rendimento líquido deverá, no mínimo, estar ao nível de risco de pobreza de acordo com os
padrões europeus, o que corresponde a 60% do denominado rendimento mediano por adulto
equivalente. Especialmente em países nos quais a maioria aufira de rendimentos reduzidos, e em
que por consequência o rendimento médio seja reduzido, um índice de referência alternativo (um
cabaz de bens, por exemplo) deve ser usado para determinar o valor do rendimento básico, de
modo a que este garanta uma vida com dignidade, segurança material e participação plena na
sociedade.
Porquê
Como resultado dos atuais padrões de emprego e de sistemas de apoio ao rendimento
inadequados (condicionais, dependentes da avaliação dos serviços estatais, não suficientemente
elevados), julgamos essencial a introdução do Rendimento Básico Incondicional de modo a
garantir os direitos fundamentais, especialmente a uma vida com dignidade, como enunciados na
Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

Acima de tudo, o Rendimento Básico incondicional ajudará a prevenir a pobreza e a assegurar a
liberdade a cada indivíduo, a determinar a sua vida, e a fortalecer a participação de todos na
sociedade.
O Rendimento Básico incondicional ajudará a evitar divisões sociais, debates baseados na inveja
e na injúria e as suas consequências, assim como uma burocracia de controlo e inspeção
superfluamente dispendiosa, repressiva e excludente. Enquanto pagamento por transferência livre
de discriminação e estigmatização, o Rendimento Básico incondicional previne a pobreza oculta e
diferentes tipos de doença.
O Rendimento Básico incondicional gera liberdade social, ajuda os cidadãos a identificarem-se
com a União Europeia e garante os seus direitos políticos. Favorece a concretização dos direitos
fundamentais. “A dignidade do ser humano constitui não só um direito fundamental em si mesma,
mas também a própria base dos direitos fundamentais.” (Texto das anotações relativas ao texto
integral da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia).
Como financiar
Se um rendimento básico for incondicional, isto significa que é dado a todos os indivíduos, quer
tenham ou não um trabalho remunerado, quer se encontrem acima do limiar de risco de pobreza e
mesmo de um limiar de riqueza. Mas como financiar um rendimento a que todos têm direito? Em
primeiro lugar o custo vai depender da quantia do rendimento, que não será certamente muito
elevado, mantendo-se, no entanto, que esta deve ser suficiente para garantir condições de vida
decentes de acordo com os padrões sociais e culturais dos países onde for implementada. Em
segundo lugar, admitir que o financiamento dum RBI é possível e benéfico para a sociedade no
seu todo não implica que não seja incontroverso em termos políticos, pois isso é o preço de
qualquer decisão política significativa. No entanto, o facto de muitos economistas, incluindo cinco
prémios Nobel, serem a favor da implementação dum RBI sugere que o seu financiamento é
exequível. E de facto existe um conjunto de estudos mostrando diferentes formas de financiar um
RBI.
Em Portugal, até hoje a experiência que existe mais próxima dum RBI é o pagamento de um rendimento
mínimo garantido, criado durante o Governo socialista de António Guterres. Hoje o rendimento mínimo
garantido tem outro nome: chama-se Rendimento Social de Inserção e consiste no pagamento de um
rendimento mínimo a todos os indivíduos que não se integrem no circuito do trabalho e da subsistência
social.
Também existiu durante o governo socialista de José Sócrates a intenção de implementar uma medida de
incentivo à natalidade, a “Conta Poupança Futuro”, atribuindo um cheque-bebé de 200 euros por cada
criança nascida. Mas esta medida não chegou a ser implementada, apesar de ter sido aprovada no
Conselho de Ministros, contrariamente às medidas similares implementadas em Espanha (o Cheque
bebé, atribuindo aos pais de cada criança nascida 2500 euros, mas esta medida, implementada em 2007,
deixou de existir em 2011) assim como na Grã-Bretanha (Child Fund Trust). Estas medidas, apesar de
terem um valor mais modesto, estão mais próximas dum RBI do que do RSI, já que no RSI não existe
incondicionalidade no pagamento.

Algumas possíveis fontes de financiamento de um RBI são as seguintes:






Poupança em gastos atuais na Segurança Social, de transferências sociais abaixo do valor
do RBI.
Reforma da Banca, com Bancos Comerciais impossibilitados de criar dinheiro e com esse
mesmo dinheiro gerado pelo BCE e distribuído como RBI.
Imposto sobre a posse de terra.
Aumento do IMI em 1%. Incidindo sobre toda a propriedade (móvel e imóvel), é
particularmente redistributivo dado que são precisamente aqueles com os mais altos
rendimentos que detêm maior parte da propriedade.
Imposto sobre a emissão de carbono.
Aumento nos Impostos IRS, IRC e IVA em 1%.
RBI financiado pelas pessoas através de contribuições para um fundo RBI a 50% de taxa
fixa (ou progressiva) sobre os rendimentos.

Taxas sobre os recursos naturais (combustíveis fósseis, inertes, madeira, cortiça, etc.) - os
recursos são património do país, não devendo constituir propriedade exclusiva de nenhuma
empresa. Poderá acrescentar-se ainda a devida taxação sobre a utilização de bens comuns
como o espaço aéreo e o espaço marítimo.

http://www.rendimentobasico.pt/

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