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Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 1 – O Primeiro dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

O que é o Partido Comunista?

A Sombra de Mão: Mãe e filho andam através da entrada do Museu Militar de


Pequim e são saudados pela grande estátua do ditador chinês Mao Tsé-tung.

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Introdução

Já faz mais de 5.000 anos desde que o povo chinês surgiu e se estabeleceu
sobre a região regada pelos rios Amarelo e Yang-tsé. Um povo que criou uma
cultura esplêndida. Ao longo de mais de dez dinastias, a cultura chinesa teve
períodos de florescimento e declínio como imensas ondas que se formam e se
desfazem; um espetáculo de comover corações.

O ano de 1840 é geralmente considerado pelos historiadores como o início da


China contemporânea; ano que marca o início do caminho da China tradicional
para a modernidade. A civilização chinesa passou por quatro grandes desafios
de grandes repercussões. Os três primeiros são: a invasão de Pequim pelas
forças aliadas anglo-francesa durante a década de 1860; a guerra entre China e
Japão em 1894; e, em 1906, a guerra entre a Rússia e o Japão a noroeste da
China. A China respondeu a tais desafios com o Movimento de Ocidentalização,
caracterizado pela importação de bens e armas; as reformas institucionais (o
Movimento de Reforma de 1898 e a Lei Constitucional da Dinastia Qing); e, mais
adiante, a Revolução Democrática de 1911.

Como depois da I Guerra Mundial, os interesses da China – um dos países


vitoriosos – não foram respeitados pelas demais potências, muitos chineses
consideraram como totalmente ineficazes as três respostas dadas àqueles três
desafios. Assim, surgiu o Movimento de Quatro de Maio, que encabeçou uma
nova resposta que culminou com a completa ocidentalização da cultura chinesa
e, pouco depois, com a revolução extrema através do movimento comunista.

Os Nove Comentários falam sobre as conseqüências desta última resposta: o


movimento comunista e o surgimento do Partido Comunista Chinês, o PCCh.
Fala dos desdobramentos da escolha do comunismo feita pela China, melhor
dizendo: de algo imposto à força. Será feita uma detalhada análise dos últimos
160 anos da história da China, nos quais cerca de 100 milhões de pessoas
morreram de forma não natural e nos quais desapareceu por inteiro a tradicional
civilização chinesa junto com sua cultura;

I. A utilização da violência e do terror para tomar e manter o poder.

“Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins.


Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela
derrubada violenta de toda ordem social existente”.

É assim que termina o Manifesto Comunista, o principal documento do Partido


Comunista. A violência é o método pelo qual esse partido obtém o poder e, além
disto, o recurso que mais utiliza. Esta é a imutável característica herdada todas
as vertentes do comunismo desde seu nascimento.

Na realidade, o primeiro partido comunista foi fundado muitos anos depois da


morte de Karl Marx. O segundo, o “Partido Comunista de Todos os Russos”
(Bolchevique, e posteriormente conhecido como Partido Comunista da União
Soviética), surgiu depois da Revolução de Outubro de 1917. Tal partido surgiu
através do emprego da violência contra os “inimigos de classe”, e se manteve
pelo uso da violência contra seus próprios membros e o próprio povo. Durante
as “purgas” stalinistas da década de 1930, o comunismo soviético matou mais
de 20 milhões de pessoas, entre estas os chamados “espiões” ou “traidores”,
aqueles que tinham opiniões diferentes.

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O Partido Comunista Chinês (PCCh) surgiu de um desdobramento da Terceira
Internacional Comunista que foi encabeçado pelo Partido Comunista Soviético.
Portanto, herdou de forma natural o uso da violência e brutalidade. Durante a
primeira guerra civil entre os comunistas e o Kuomintang (Partido Nacionalista
Chinês), entre 1927 e 1936, a população da província de Liangxi caiu de uma
população de 20 para cerca de 10 milhões de habitantes; um exemplo das
terríveis perdas decorrentes do uso de violência.

Diz-se que o uso da violência é inevitável quando se trata de obter o poder


político. Entretanto, nunca existiu um regime que matou tanto quanto esse do
PCCh, especialmente em tempos de paz. Desde 1949, quando o PCCh chegou ao
poder, o número de mortes causadas pela violência do PCCh já superou o total
de mortes ocorridas durante todas as guerras dos últimos 30 anos.

Um exemplo disso foi o apoio dado pelo PCCh à Khmer Vermelho no Camboja.
Quando o Khmer Vermelho tomou o poder, 1/4 da população do Camboja –
sendo boa parte de ascendência chinesa – foi exterminada. Até hoje, a China
Comunista esforçasse para impedir que a comunidade internacional julgue
publicamente o Khmer Vermelho, isto com o propósito de esconder a evidente
participação do PCCh nesse genocídio ocorrido no Camboja. Cabe assinalar que
muitas das forças armadas e dos regimes mais brutais dessa região têm laços
estreitos com o PCCh. Além do Camboja, os partidos comunistas da Indonésia,
Filipinas, Malásia, Vietnã, Birmânia, Laos e Nepal, foram estabelecidos com o
apoio do PCCh. Muitos líderes desses partidos comunistas nasceram na China, e
alguns estão escondidos na China. Além disto, outros partidos comunistas de
origem maoísta, como o Sendero Luminoso (Peru) e a Armada Vermelha (Japão),
foram condenados pela comunidade mundial devido as suas ações violentas e
brutais.

Uma das raízes teóricas do comunismo baseia-se na teoria da evolução de


Darwin; uma forma de darwinismo social. O Partido Comunista transportou o
pensamento de Darwin sobre competição entre as espécies animais para as
relações sociais e o desenvolvimento histórico: ele sustenta que a luta de classes
sociais é a força impulsionadora do desenvolvimento social. A luta, portanto, se
converteu na “crença” fundamental do Partido Comunista para obter e manter o
poder político. A famosa frase de Mao Tsé-tung: “Com 800 milhões de pessoas,
como poderia dar certo sem a luta?!”; é uma declaração dessa lógica do domínio
do mais forte.

Tão famosa com esta, é outra frase de Mao: “Uma Revolução Cultural deveria ser
realizada a cada sete ou oito anos”. O uso constante da força é o método
preferido do PCCh para manter o controle. O propósito dessa violência é criar o
medo. Cada luta ou movimento do PCCh serve para reforçar o terror; serve para
intimidar, dominar e subjugar o povo chinês até o ponto de convertê-lo em
escravo do terror e do medo.

Hoje em dia, o terrorismo se converte no principal inimigo do mundo civilizado


e livre. Entretanto, o brutal terror exercido pelo Partido Comunista, amparado
pelo aparato do Estado, se converteu em algo de proporções e duração ainda
maiores; algo com conseqüências ainda mais nefastas. Hoje, em pleno século
XXI, não devemos nos esquecer de tal característica (a violência) herdada do
Partido Comunista, no seu devido tempo, será determinante para o destino do
PCCh.

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II. O uso de mentiras para justificar a violência

Um dos critérios para medir o grau de civilização dos seres humanos é função
do grau de violência de um sistema social. Ao recorrer sistematicamente ao uso
da violência, os regimes comunistas representam um grande retrocesso para a
civilização humana. Claro, há pessoas que acreditam que a violência é fator
indispensável para o avanço social e, portanto, elas consideram o Partido
Comunista como um movimento progressista. Sem dúvida, ter feito com que
chineses aceitem a violência foi uma obra de mestre no uso da manipulação e da
mentira, esta outra característica inerente ao Partido Comunista.

“Desde o início consideramos os Estados Unidos como um país especialmente


amável. Isto não se deve só ao fato de ele jamais ter usado seu poderio para
invadir ou atacar a China. Os chineses, em especial, têm uma boa impressão dos
Estados Unidos em razão de sua tradição democrática e pelo caráter generoso e
aberto mostrado pelo povo americano”.

A citação acima foi extraída de um editorial publicado em 4 de junho de 1947


no diário oficial do PCCh, o Xinhua Ribao. Apenas três anos depois desta
declaração, o PCCh enviou soldados para lutar contra as tropas americanas na
Coréia do Norte, e descreveu os norte-americanos como os imperialistas mais
cruéis do mundo. Qualquer habitante da China continental se surpreenderia ao
ler tal editorial escrito a mais de 50 anos. Tanto é fato, que o PCCh proibiu a
publicação de citações como esta, divulgando versões ajustadas a sua nova
realidade.

Desde que chegou ao poder, o PCCh tem se utilizado de métodos do tipo para
eliminar os contra-revolucionários: cooperação entre empresas públicas e
privadas, a promoção de movimentos antidireitistas, a Revolução Cultural, o
Massacre da Praça Celestial e a perseguição de Falun Gong. Seu feito mais
infame foi a perseguição a intelectuais em 1957. O PCCh pediu aos intelectuais
daquela época que expressassem suas opiniões, mas logo depois usou essas
mesmas opiniões como evidência para incriminá-los, prendendo os intelectuais
com a acusação de “direitistas”. Quando alguns declararam que tal ato havia
sido um complô desonesto, Mao Tsé-tung disse abertamente: “Não foi um
complô desonesto, mas sim uma estratégia aberta”.

Enganar e mentir desempenhou um papel muito importante para que o PCCh


pudesse chegar ao poder e se manter nele. Desde tempos imemoriáveis, os
intelectuais chineses sempre depositaram grande confiança na sua historia. A
China tem a história mais longa e completa do mundo, seu povo sempre a
utilizou para analisar os fatos de uma época ou para o desenvolvimento
espiritual. Por isso, para que a história sirva aos propósitos do seu regime, o
PCCh vem escondendo e alterando a história da China. Em suas propagandas e
publicações, o PCCh vem reescrevendo a história de épocas distantes como o
período Primavera e Outono (770 – 476 a.C.) ou o período dos Estados em
Guerra (475 – 221 a.C.), e até mesmo algo recente com a Revolução Cultural. O
PCCh vem fazendo tais adulterações na história de forma ininterrupta desde
1949, bem como impedindo com violência qualquer iniciativa no sentido de que
seja restabelecida a verdade.

Quando a violência não é suficiente, é necessário ocultar ou alterar a verdade; o


PCCh recorre ao engano e a mentira. A mentira é um outro lado da violência e
também seu combustível.

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Deve-se reconhecer que enganar e a mentir não foram inventados pelo Partido
Comunista. É um comportamento mafioso de longa data que o PCCh vem
utilizando sem o menor constrangimento e com máxima competência. O PCCh
promete terra para os camponeses, fábricas para os trabalhadores, liberdade e
democracia para os intelectuais, e paz para todos. Até hoje, o PCCh não cumpriu
nenhuma dessas promessas. Uma geração de chineses enganados já está morta
e outra ainda continua a ser enganada pelas mentiras do PCCh. Isso é motivo de
máxima tristeza para o povo chinês, um aspecto sombrio para a nação.

III. Constantes mudanças de postura e princípios

Durante um debate televisivo de candidatos à presidência dos Estados Unidos


nas eleições de 2004, um de eles disse que uma pessoa pode mudar sua opinião
sobre algo, porém não pode mudar seus princípios, de outra forma, não seria
uma pessoa confiável. Esta frase gera profundas reflexões.

O Partido Comunista Chinês é um exemplo típico disso: nos anos desde sua
fundação, ele realizou 16 congressos de representantes nacionais e mudou seu
estatuto 16 vezes. Em mais de 50 nos desde que assumiu o poder político, o
PCCh realizou cinco importantes modificações na Constituição Nacional chinesa.

O ideal do Partido Comunista é a igualdade social; sua meta final é a realização


da utopia comunista. Sem dúvida, hoje, a China, sob o controle do PCCh, se
converteu num dos países com a maior distância entre pobres e ricos, e, sobre
uma base de 800 milhões de pobres, muitos dos membros do PCCh se tornaram
milionários.

A ideologia do PCCh começou com o marxismo-leninismo, agregou as idéias de


Mao Tsé-tung, depois as de Deng Xiaoping e, depois, as de Jiang Zemin (Três
Representantes). O marxismo e o maoísmo são incompatíveis com as idéias de
Deng e Jiang. Na realidade, são completamente opostas. O fato de terem sido
colocadas e cultuadas juntas e em um mesmo cenário, é realmente algo único na
história.

Os princípios pelos quais o PCCh evoluiu são extremamente contraditórios. Da


idéia da expansão internacional para a do extremo nacionalismo de hoje; da
confiscação de toda propriedade privada e eliminação da classe exploradora
para o atual conceito de atrair capitalistas. Isto mostra que seus princípios vêm
mudando em todos os sentidos. Princípios antes defendidos com firmeza, hoje
já não servem mais, e amanhã tampouco servirão os de hoje. Não importa o
quanto o PCCh mude seus princípios, sua meta segue sempre a mesma: tomar e
manter o poder, e exercer controle total sobre a sociedade.

Ao longo da história do PCCh, houve mais de dez lutas de “vida ou morte” pelo
poder do PCCh e que, na realidade, coincidiram com mudanças nos postulados
fundamentais do Partido. Toda mudança de postura e princípios ocorreu em
momentos de inevitável crise, ocorreu em momentos em que estava ameaçada a
legitimidade e sobrevivência do PCCh. Tenha sido colaborar com o Partido
Nacionalista chinês, Kuomintang, seja uma política de se aproximar dos EUA,
seja uma reforma econômica e de abertura para o mercado, ou a promoção do
nacionalismo, todas estas decisões foram tomadas em momentos de crise, e
todas buscaram manter ou consolidar o poder do PCCh. Cada período de
perseguição a determinado grupo e seu termino, sempre esteve ligado a
mudanças nos princípios orientadores do PCCh.

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Há um provérbio ocidental que diz: “As verdades são firmes e imutáveis, mas as
mentiras sempre mudam”. Há muita sabedoria nisto.

IV. A natureza do PCCh toma o lugar da natureza humana e a destrói

O PCCh é um regime leninista totalitário. Desde o começo, o PCCh estabeleceu


três linhas básicas: a política, a estratégica e a organizadora. Usando uma
linguagem simples para descrevê-las: a linha política é a base ideológica de
sustentação do Partido; a linha estratégica estabelece os objetivos do Partido, e
a linha organizadora determina a forma de se organizar para alcançar tais
objetivos (uma rígida organização). A primeira e mais fundamental exigência,
tanto para os membros do PCCh como para o povo, é a obediência total. É disto
que trata a linha organizadora.

Na China, as pessoas conhecem a dupla personalidade dos membros do PCCh.


No âmbito privado eles são como qualquer pessoa comum: sentem alegria,
raiva, preocupação, momentos de tranqüilidade ou outras emoções humanas.
Têm virtudes e fraquezas como qualquer pessoa comum. São pais, maridos,
amigos etc. Porém, sobrepondo-se a esta natureza humana está a natureza do
Partido. Esta segue as exigências do Partido e está acima de tudo. A natureza
humana é contraditória e mutável, mas, a natureza do PCCh não pode ser posta
em dúvida nem questionada ou desafiada.

Durante a Revolução Cultural, era comum ver cenas de pais contra filhos, de
marido e esposa lutando entre si, de mães e filhas delatando umas a outras, e
de inimizade e hostilidade entre alunos e professores. A natureza do Partido
fomentava o conflito e ódio entre as pessoas. No período inicial do regime do
PCCh, houve muitos casos de familiares de altos funcionários do PCCh que
foram considerados inimigos de classe e não puderam ser salvos. Está é uma
outra manifestação da natureza do Partido.

A predominância da natureza do Partido sobre o indivíduo resulta de um longo


processo de doutrinamento por parte do PCCh. Tal doutrinamento começa logo
no jardim da infância, onde as respostas ditadas pelo Partido, ainda que não
concordem com o bom senso nem com a natureza de uma criança, são usadas
como parâmetro para se obter boas notas. Durante a educação primária,
secundária e universitária, os alunos recebem uma formação política segundo a
qual devem aprender as respostas ditadas pelo Partido. Se não acatam essa
orientação, não passam nos exames e nem podem se graduar.

Qualquer membro do Partido quando fala, tem que ser coerente com a “linha
organizadora”, sem importar o que ele mesmo pense como pessoa. A estrutura
do Partido é piramidal, com um poder central que controla toda a hierarquia.
Este tipo de estrutura é uma das características mais marcantes do regime
comunista, já que permite impor e obter obediência absoluta.

Hoje, o PCCh se transformou por completo em uma organização que protege


seus próprios interesses. Deixou de ter como meta a ideológica comunista. Sem
dúvida, a estrutura organizadora do comunismo continua a mesma: exigir total
obediência. O Partido Comunista Chinês sobrevive porque se coloca acima da
condição humana e porque elimina todo e qualquer grupo ou pessoa que ele
considere prejudicial ao seu poder, não importando se é um cidadão comum ou
um funcionário do Partido.

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V. Um perverso fantasma1 que se opõe à Natureza e natureza humana

Tudo que está debaixo do Céu passa pelo ciclo: nascimento, maturidade,
degeneração e morte.

Fora o regime comunista, todas as sociedades não comunistas, não importa o


quão totalitárias ou ditatoriais sejam, concedem a seus cidadãos certo grau de
auto-organização e autodeterminação. Na antiguidade, na China, a sociedade
era governada na forma de uma estrutura bipolar: nas regiões rurais, o clã era o
centro de uma organização social independente, já nas áreas urbanas, tal
organização se dava em torno das comunidades. As autoridades do governo só
cuidavam de assuntos em nível acima de condado.

Até mesmo o nazismo – depois do comunismo, talvez o regime mais cruel que
existiu – permitia o direito à propriedade privada. Os regimes comunistas
eliminaram qualquer outra forma de organização que não seja a do Partido,
substituindo-as por uma estrutura vertical controlada por um poder central. Nas
sociedades nas quais o poder se estrutura de forma natural, da base até o topo,
a autodeterminação de indivíduos ou grupos ocorre de forma natural e
espontânea. Portanto, o regime comunista é essencialmente antinatural.

O Partido Comunista não da sustentação aos padrões universais próprios da


natureza humana. O conceito de bem e mal, assim como leis e princípios tidos
como universais, são coisas que o Partido manipula e altera arbitrariamente. O
comunismo não permite matar, entretanto, isto não vale quando se trata de
pessoas consideradas inimigas do Partido Comunista. A afeição entre pais e
filhos é bem vinda, exceto quando os pais são tidos como inimigos de classe.
Benevolência, retidão, decoro, sabedoria e lealdade são valores respeitados,
porém não se aplicam quando não convêm ao Partido Comunista. O PCCh jogou
na lata do lixo valores universais à natureza humana, ele construiu seus próprios
princípios e valores que se opõem à natureza humana.

As sociedades não comunistas levam em conta a dualidade humana quanto ao


bem e o mal, e, assim, estabelecem regras sociais para manter o equilíbrio
social. As sociedades comunistas, sem dúvida, negam tal condição da natureza
humana; tampouco reconhecem a coexistência do bem e do mal. Eliminar a
noção de bem e mal, segundo Karl Marx, serve ao propósito de enfraquecer a
estrutura dominante da velha sociedade.

O comunismo “não crê em Deus”, sequer respeita a natureza: “Lute contra os


Céus, conquiste a natureza e elimine os inimigos: viver assim é cheio de
sentido”. Este foi o lema do PCCh durante a Revolução Cultural. O povo chinês e
a natureza foram aqueles que mais sofreram as conseqüências disso.

Os chineses tradicionalmente acreditam na unidade entre os Céus e os seres


humanos. Lao Tse disse:

“Os humanos seguem a Terra, a Terra segue os Céus, os Céus seguem o Tao2, e
o Tao segue conforme sua própria Natureza”. Humanos e Natureza existem em
harmoniosa relação no indivisível universo.

O Partido Comunista é uma forma de entidade que se opõe aos Céus, à Terra e à
Humanidade; se opões à Natureza. É um fantasma que maldosamente se opõe à
Natureza do universo.
1
N.T.: Fantasma → Termo utilizado no Manifesto Comunista ao se referir ao Partido Comunista.
2
Tao (Caminho), leis e princípios do universo.

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VI. Característica da possessão malvada

Os órgãos do Partido Comunista jamais desempenham atividades produtivas ou


criativas. Uma vez que se colocam no poder, se aderem aos cidadãos para
controlá-los e manipulá-los. Temendo perder o poder, controlam até mesmo a
unidade mais básica da sociedade. Os órgãos comunistas controlam os meios de
produção e se nutrem de suas fontes de riqueza.

Na China, não há local onde o PCCh não se ramifique ou exerça controle; nada
fica fora de seu controle. Porém, ninguém conhece a contabilidade dos órgãos
do Partido. Só se tem acesso à contabilidade do Estado, de órgãos locais de
governo e de empresas. Do governo central aos órgãos rurais, os funcionários
administrativos destes estão subordinados aos quadros comunistas. Assim, os
governos locais têm que acatar ordens e diretrizes dos comitês do Partido. Os
gastos do Partido são pagos pelos governos locais sem que exista qualquer tipo
de transparência contábil.

A organização do Partido é um fantasma que parasita, é como a sombra que


acompanha o corpo; se adere a cada célula da sociedade. Ramifica-se por cada
célula da sociedade para que assim possa se nutrir da e sugar a sociedade, para
que possa controlá-la e manipulá-la. Na história da humanidade, esse tipo de
estrutura maligna e parasítica já ocorreu, porém teve alcance parcial e de menor
duração. Nenhuma dessas estruturas se sustentou durante tanto tempo ou
controlou a sociedade do mesmo modo que o comunismo.

Por tal razão, os camponeses chineses vivem na indigência e sob as mais duras
condições de trabalho. Eles não somente têm que manter com seus trabalhos os
“funcionários de carreira” do país, como também a um número não menor de
burocratas do Partido. Pela mesma razão, os trabalhadores chineses sofrem com
o alto índice desocupação, isto porque o PCCh está, em todas as partes,
sugando os recursos das fábricas. Pela mesma razão, os intelectuais chineses
encontram tão grande dificuldade para desfrutar de liberdade de pensamento.
Além disso, somado ao controle direto, há sombras por todas as partes que não
fazem outra coisa que vigiar as pessoas. Esse fantasma possessor precisa ter
controle total sobre a mente dos possuídos, para assim obter a energia que lhe
permite sobreviver.

De acordo com a moderna ciência política, o poder provém de três fontes: da


força, da riqueza e do conhecimento. O Partido Comunista se utiliza da força
para estabelecer o seu controle total e tomar as propriedades dos cidadãos. E, o
que é mais grave, cerceia a liberdade de expressão do povo e a liberdade de
imprensa. Viola o espírito de liberdade das pessoas para assim atingir o objetivo
de exercer um total controle. À luz do exposto, a possessão maléfica do PCCh
exerce um tipo de controle sobre a sociedade como nunca antes visto na
história.

VII. Reflita e se livre dessa possessão malévola

No Manifesto Comunista, o principal documento do Partido Comunista, Marx


disse em 1848: “Um fantasma ronda a Europa - o fantasma do comunismo”.
Mais de um século depois, o comunismo já não é mais um fantasma. Ele possui
um corpo de carne e osso, se materializou. Como uma epidemia, espalhou-se
por todo o mundo, matou milhões de pessoas e tomou a propriedade de outras
tantas. Cerceou a liberdade de espírito e possuiu a alma de outros milhões.

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O princípio básico do Partido Comunista é confiscar toda propriedade privada e
assim eliminar todas as “classes exploradoras”. Mas, a propriedade privada é a
base de todos os direitos sociais, a base da cultura. O povo cuja propriedade
privada é tomada, também perde a autodeterminação e liberdade de espírito;
chegando finalmente a perder a liberdade de lutar por seus direitos políticos e
sociais.

Na década de 1980, a China atravessou uma grave crise que obrigou o PCCh a
levar adiante uma reforma e abertura econômica. Foram restituídos ao povo
alguns direitos à propriedade privada. Isto gerou um buraco na estrutura de
controle que o PCCh necessita. Tal buraco se torna cada vez maior na medida
em que os próprios membros do PCCh se esforçam para acumular fortunas
pessoais se aproveitando dessa abertura econômica.

O PCCh - um fantasma maligno que mantém sua possessão pela violência,


mentiras e pelas mudanças freqüentes de fachadas - mostra agora claro sinais
de decadência. Assusta-se diante do menor problema, como um pássaro diante
de um gato. Para tentar prolongar sua existência, o PCCh tenta ainda mais
acumular recursos, riqueza e apertar o controle. Sem dúvida, são ações que
somente servem para agravar crise.

Hoje, a China aparenta prosperidade, porém os conflitos sociais são sérios;


como nunca antes visto. Com base em estratégias políticas do passado, o PCCh
talvez tente alguma tática usada no passado, como se desculpar publicamente
ou fazer alguma reparação às vítimas do Massacre da Praça Celestial ou de Falun
Gong. Ou, entre outras possíveis, fabricar um inimigo para que assim possa
continuar a exercer seu poder de terror.

Quando se viu diante de grandes crises, a nação chinesa respondeu com a


importação de bens e armas, com reformas institucionais e com revoluções
radicais e violentas. Pagou isso com incontáveis vidas, além da perda da maior
parte de sua tradição cultural. Parece que tais respostas não foram eficazes.
Quando o caos e o desespero se apoderam do povo chinês, o PCCh sabe tirar
vantagem disso para entrar em cena e se apoderar do povo chinês. O PCCh
aproveita cada oportunidade para entrar em cena e poder controlar a última
civilização de tradição antiga que ainda existe no mundo.

Quando surgirem novas crises, o povo chinês deverá voltar a escolher. Porém,
não importa como escolham, os cidadãos devem ter em mente que qualquer
esperança residual no PCCh servirá somente para agravar os danos feitos a
China e para injetar energia nova a esse monstro político que a tudo possui.

O povo chinês deve abandonar todas as ilusões. Deve fazer um profundo auto-
exame sem se deixar levar pelo ódio, pela ganância e outros desejos banais.
Somente então, poderá livrar-se dessa pesada possessão encarnada no PCCh
que já tanto dura e que rompeu o último século. Em nome de uma nação livre, é
possível restaurar uma civilização chinesa com base no respeito à natureza
humana, na compaixão por todas as coisas e na confraternização com todas as
pessoas do mundo.

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Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 2 – O Segundo dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

No Início do Partido Comunista Chinês.

Foto: GOH CHAI HIN/AFP/Getty Images

Um homem chinês olha para o quadro onde está pintado o líder comunista
chinês Mao Tsé-tung declarando a formação da República Popular da China, em
1949, no portão da Cidade Proibida.

Apesar de o PCCh alegar o contrário, a história do PCCh é feita de sangue de


inocentes e de mentiras.

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Introdução

De acordo com o livro “Explicando os ideogramas simples e analisando os


ideogramas compostos” (Shuowen Jiezi), escrito por Xu Shen ( 147 d.C.), o
tradicional ideograma dang quer dizer “partido” ou “gangue”, e é composto por
dois radicais que significam: “promover” ou “incluir” e “escuro” ou “preto”. Se
unirmos estes dois radicais, o ideograma significa “promover a escuridão”.
Partido ou membro de partido (que também se pode entender como “gangue”
ou membro da “gangue”) carrega uma conotação negativa na China. Confúcio
disse: “O homem nobre tem dignidade sem arrogância; é sociável sem ser
partidário”. Nos Anacletos (Lunyu), a interpretação dada por Confúcio sobre tal
ideograma indica que aqueles que se ajudam entre si para ocultarem seus
próprios crimes formam uma “gangue” (partido). Na China, as facções políticas
são conhecidas como “gangue de patifes”, o que mostra a associação do uso
indevido da política com a delinqüência.

Como o Partido Comunista surgiu, cresceu e conquistou o poder político na


China contemporânea? O Partido Comunista Chinês, o PCCh, tem incutido na
mente dos chineses que “foi a história e próprio povo que escolheu o PCCh” e
que “sem o PCCh não existiria uma China moderna”.

Foi povo chinês que escolheu o Partido Comunista ou foram os comunistas que
formaram um partido (uma gangue) e obrigaram o povo chinês a aceitá-lo? As
respostas devem ser buscadas na história.

Desde a última fase da dinastia Qing (1644-1911) até os primeiros anos do


período da República (1911-1949), a China sofreu forte golpes externos e
passou por várias tentativas de amplas reformas internas. A sociedade chinesa
vivenciou períodos de agitação muito profunda. Muitos intelectuais e pessoas
com ideais elevados queriam salvar o país e sua gente. Mas, o caos e as crises
nacionais fizeram com que aumentasse a ansiedade, a qual se converteu em
desilusão e logo depois em desespero total. Do mesmo modo que as pessoas
que recorrem ao primeiro médico que encontram quando estão bastante
doentes, os intelectuais foram à busca de soluções para a China fora desta.
Quando eles se frustraram com os sistemas britânico e francês, mudaram para o
sistema russo. Não hesitaram em prescrever o remédio mais extremo para a
enfermidade, na esperança de que a China se recuperasse o mais rápido
possível.

O Movimento de Quatro de Maio de 1919 foi uma nítida manifestação desse


desespero. Alguns defendiam o anarquismo, outros propunham acabar com
tudo o que dissesse respeito à doutrina de Confúcio, e outros sugeriam adotar
modelos estrangeiros. Em qualquer dos casos, recusavam a milenar cultura
chinesa e se opunham à doutrina de Confúcio do “caminho do meio”. Ávidos por
encontrarem um atalho, eles defendiam a destruição de tudo aquilo que fosse
tradicional. Os membros mais radicais desse movimento, por um lado, não
tinham propostas reais para o país e, por outro, acreditavam fortemente em
seus ideais e desejos. Estavam desesperançosos quanto ao que existia no
mundo; achavam que somente eles poderiam encontrar um caminho para o
desenvolvimento da China. E, desta forma, se entusiasmaram com a
possibilidade da revolução e do caminho da violência.

Diferentes circunstâncias levarem vários grupos a elaborar diferentes teorias e


princípios e a propor vários caminhos e soluções. Um desses grupos entrou em
contato com representantes do Partido Comunista soviético. A idéia marxista-

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leninista de “usar a revolução violenta para alcançar o poder político” seduziu
esse grupo devido à ansiedade e ao desejo dessas pessoas de salvar o país e sua
gente. Assim, de imediato, formaram uma aliança para introduzir o comunismo
na China, um conceito até então, completamente desconhecido e alheio à nação
chinesa. No total, 13 pessoas estiveram no 1º Congresso do Partido Comunista
da China. Com o tempo, alguns de eles morreram, outros fugiram e outros, de
forma oportunista e traindo o PCCh, se aliaram às forças japonesas de ocupação
ou abandonaram o Partido e se unirem ao Kuomintang (Partido Nacionalista;
doravante chamado de KMT). Em 1949, quando o PCCh tomou o poder, das 13
pessoas que iniciaram o Partido, só restavam Mao Tsé-tung e Dong Biwu. É
difícil saber se os fundadores do PCCh estavam, naquela época, conscientes de
que a “deidade” que haviam trazido da União Soviética era, de fato, um
fantasma3 maligno, e que o remédio que eles prescreviam para fortalecer a
nação era, de fato, um veneno mortal.

O Partido Comunista de Todos os Russos (Bolchevique, depois conhecido como


Partido Comunista da União Soviética), que tinha acabado de triunfar em sua
revolução, ambicionava a China. Em 1920, a União Soviética estabeleceu, na
Sibéria, a Divisão do Extremo Oriente – uma vertente da Terceira Internacional
ou Komintern – para estabelecer o partido comunista na China e em outros
países da região. O vice-diretor dessa divisão, Grigori Voitinsky, contatou a Li
Dazhao, e juntos, prepararam o caminho para fundar do Partido Comunista
Chinês - PCCh. Acertaram que Voitinsky se encontraria em Xangai com outro
líder comunista, Chen Duxiu.

Em junho de 1921, Zhang Tailei chegou a Irkutsk, na Sibéria, onde apresentou


uma proposta à Divisão do Extremo Oriente, no sentido de estabelecer o PCCh
como uma vertente do Komintern. Em 23 de julho de 1921, com a ajuda de
Nikolsky e Maring, pertencentes à Divisão do Extremo Oriente, foi oficialmente
fundado o PCCh.

O movimento comunista foi assim introduzido na China como um experimento,


porém desde então, o PCCh se consolidou e conquistou tudo a sua volta. Isto
levou a China a padecer tragédias e mais tragédias.

I. O PCCh cresceu através do acumulo de maldade

Não é tarefa fácil introduzir na China, uma civilização com mais de 5.000 anos
de história, um fantasma forasteiro e maligno, o comunismo, que é algo
totalmente incompatível com as tradições chinesas. O PCCh enganou o povo e
os intelectuais patriotas que queriam ajudar o país com a promessa da “utopia
comunista”. Também, distorceu mais ainda a teoria comunista, já gravemente
distorcida por Lênin, para estabelecer bases teóricas que permitissem destruir
as tradições e os valores da China. Destruir a tudo aquilo que se interpusesse
entre o PCCh e o poder, incluindo pessoas e grupos sociais. O PCCh optou por
destruir as crenças próprias da Revolução Industrial e adotou o ateísmo mais
feroz da ideologia comunista. Além disto, herdou a negação da propriedade
privada e importou a teoria de Lênin da revolução violenta. Ao mesmo tempo, o
PCCh adotou e fortaleceu o pior do sistema feudal chinês.

A história do PCCh é um processo de continua acumulação de maldades, tanto


dentro como fora da China. O PCCh aperfeiçoou seus nove traços herdados e
deu a estes características chinesas: ser mal, enganar, incitar, liberar a escória
social, espionar, roubar, lutar, matar, e controlar. A resposta do PCCh as
3
N.T.: Fantasma → Termo utilizado no Manifesto Comunista para o comunismo.

12/182
sucessivas crises pelas quais passou, foi consolidar e fortalecer os meios e a
extensão em que tem usado tais traços perversas.

1º Traço Herdado: Ser Mal

Vestir o perverso disfarce marxista-leninista.

O Marxismo atraiu inicialmente os comunistas chineses por sua declaração de


“usar a revolução violenta para destruir o velho sistema e estabelecer uma
ditadura do proletariado”. Esta é a raiz do mal tanto no marxismo como no
leninismo.

O materialismo marxista, na realidade, está baseado em obtusos conceitos


econômicos: forças produtivas, relações de trabalho e mais-valia. Durante o
estágio inicial do capitalismo, Marx fez a míope previsão de que o capitalismo
acabaria e o proletariado triunfaria. A história e a realidade se encarregaram de
provar o contrário. A revolução violenta e a ditadura do proletariado ditada pelo
marxismo-leninismo fomentam o poder político e a dominação popular. O
Manifesto Comunista apresentou as bases históricas e ideológicas do Partido
Comunista para a luta e o conflito de classes. A fim de alcançar o poder, o
proletariado acabou com as relações sociais e os princípios morais tradicionais.
Como princípio, as doutrinas comunistas se estabelecem em oposição à toda
tradição existente.

A natureza humana desaprova universalmente a violência. A violência faz as


pessoas cruéis e tirânicas. Assim, em todos os lugares e todas as épocas, a
humanidade tem rejeitado fundamentalmente a premissa da violência pregada
pelo Partido Comunista, uma teoria sem antecedentes históricos em qualquer
outro sistema de pensamento ou filosófico, ou em qualquer outra tradição. O
sistema de terror comunista caiu sobre a Terra como que vindo do nada.

A maldosa ideologia comunista foi construída sobre a premissa de que os seres


humanos podem conquistar a natureza e transformar o mundo. O Partido
Comunista atraiu pessoas com seus ideais de “emancipação da humanidade” e
“união mundial”. O PCCh enganou a muitos, principalmente aqueles que se
preocupam com a condição humana ou possuem fortes desejos por mudarem a
humanidade. Estas pessoas se esqueceram de que acima existe o Céu. Mas,
inspiradas na sedutora e equivocada idéia de “construir o paraíso na Terra”, elas
desprezaram as tradições e não respeitaram o direito à vida dos demais, e isto
as levou a se rebaixarem como seres humanos.

O Partido Comunista pregou a fantasia do “paraíso comunista” como verdade e,


assim, despertou o entusiasmo das pessoas para lutar por isso: "Por motivos
vindos dos Céus o novo surge; um mundo melhor está nascendo”. Guiado por
esta idéia absurda, o PCCh rompeu a relação entre o Céu e a humanidade, além
do elo que nos liga aos nossos antepassados e as tradições chinesas. O hino
comunista “A Internacional” incita as pessoas a darem suas vidas pelo
comunismo; fortalece o poder do PCCh de fazer o mal.

2º Traço Herdado: Enganar

O mal precisa enganar para se fingir de certo.

O mal precisa mentir. Para se aproveitar da classe trabalhadora, o PCCh deu a


ela títulos como “classe mais avançada”, “classe generosa”, “classe líder” e os
“pioneiros da revolução proletária”. Quando o PCCh precisou dos camponeses,

13/182
prometeu “terras para os que trabalham nelas”. Mao aplaudiu os camponeses
dizendo: “Sem os pobres camponeses não haveria revolução; negar seu papel é
negar a revolução4”. Quando o PCCh necessitou da classe capitalista a chamou
de “companheira de viajem na revolução do proletariado” e prometeu a ela a
“democracia republicana”. Quando o PCCh estava quase para ser exterminado
pelo exercito do KMT, fez o seguinte apelo: “Chineses não devem lutar contra
chineses”, e jurou se submeter à liderança do KMT. Mas, tão logo acabou a
guerra contra a invasão japonesa (1937–1945), o PCCh voltou toda a sua força
contra o KMT e destruí o governo nacionalista. Do mesmo modo, pouco depois
de tomar o poder na China, o PCCh eliminou a classe capitalista e transformou
os camponeses e trabalhadores em uma classe completamente sem nada.

A noção de uma Frente Unida é um outro exemplo de mentira do PCCh. Visando


ganhar a guerra civil contra o KMT, o PCCh abandonou sua tática de matar as
famílias de seus inimigos de classe - os proprietários de terra e agricultores
prósperos – para adotar um “pacto de união” com seus inimigos de classe. Em
20 de julho de 1947, Mao Tsé-tung anunciou que “com exceção de alguns
reacionários, devemos adotar uma postura branda com a classe proprietária...
para assim reduzir as hostilidades”. Entretanto, quando o PCCh se instalou no
poder, os proprietários de terra e agricultores prósperos não escaparam: foram
vitimas de um genocídio.

Dizer uma coisa e fazer outra é algo normal para o PCCh. Quando ele necessitou
do KMT, ele pediu que todos “se esforçassem para construir uma convivência
duradoura entre ambos, que cuidassem para que isso acontecesse, que fossem
sinceros uns com os outros, que compartilhassem as honras e fossem unidos
nas dificuldades”. Entretanto, depois de alcançar o poder em 1949, o PCCh
massacrou todos aqueles que falavam a favor da democracia ou que não se
submeteram às idéias, às ações e à organização do Partido. Marx, Lênin e todos
os líderes do PCCh sustentaram que o poder do Partido Comunista jamais seria
compartilhado com os outros. Desde começo, o comunismo mostrou que tem o
gene do totalitarismo. O PCCh é despótico e excludente. Nunca conviveu com
qualquer outro partido político ou outro grupo de modo sincero. Inclusive
durante o período “calmo”, a convivência do PCCh com outros, no melhor dos
casos, era uma encenação forçada.

A história mostra que jamais se deve acreditar nas promessas do PCCh.


Acreditar nas palavras do Partido Comunista pode custar a própria vida.

3º Traço Herdado: Incitar

Fomentar ardilosamente o ódio e incitar a luta.

É necessário enganar para incitar o ódio. O conflito se baseia no ódio. Onde não
há ódio, este pode ser criado.

O sistema de clã patriarcal enraizado nas regiões rurais da China era um forte
obstáculo para que o PCCh pudesse estabelecer seu poder político. A sociedade
rural vivia em harmonia, e a relação entre os donos de terra e arrendatários não
era das mais conflitantes. Os donos de terra proviam um meio de vida para os
camponeses e estes, por sua vez, mantinham os donos de terra.

4
“Relatório sobre uma investigação do movimento camponês em Hunan”, por Mao Tsé-
tung (1927).

14/182
O PCCh transformou tal relação de dependência em extremo antagonismo e
numa questão de exploração de classes. A harmonia se converteu em ódio,
hostilidade e conflito. O razoável se converteu em não razoável, a ordem em
caos, e republicanismo em despotismo. O Partido Comunista Chinês incitou a
expropriação, o assassinato por dinheiro, e o massacre dos donos de terra e dos
agricultores ricos junto com suas famílias e clãs. Muitos camponeses não
queriam tomar a propriedade dos outros. Alguns até devolviam de noite a
propriedade que haviam tomado no dia anterior dos proprietários de terra. Estes
eram chamados pelos grupos locais do PCCh como pessoas de “baixa
consciência de classe”.

Para incitar o ódio entre classes, o PCCh transformou o teatro chinês em uma
máquina de propaganda. Uma estória muito conhecida sobre opressão, “A Moça
de Cabelos Brancos”, era originalmente uma lenda que nada tinha que ver com a
luta de classes. Entretanto, sob as canetas dos escritores do PCCh, tal estória se
transformou em drama, ópera e balé moderno, utilizado para fomentar o ódio
entre classes sociais. Quando o Japão invadiu a China durante a Segunda Guerra
Mundial, o PCCh não combateu contra as tropas invasoras. Ao contrário, atacou
o governo do KMT e o acusou de haver traído a nação por não lutar contra o
Japão. Mesmo diante de uma calamidade nacional, o PCCh não perdeu a
oportunidade de colocar o povo contra o governo do KMT.

Instigar as massas a lutarem entre si é um truque clássico do PCCh. O PCCh


criou a formula “95:5” para classificar as classes sociais. 95% das pessoas do
povo estavam inseridas nas várias classes que podiam ser persuadidas,
enquanto que os 5% restantes eram rotulados como inimigos de classe. 95% das
pessoas estavam salvas, enquanto que as outras 5% eram consideradas
inimigos. Por medo e em busca de proteção, o povo fazia todo o possível para
pertencer aos 95%. Esta manobra levou muitas pessoas a prejudicarem as
outras, até com insultos e humilhações. Mediante o constante “incitar” em seus
movimentos políticos, o PCCh aperfeiçoou ao limite esta técnica.

4º Traço Herdado: Liberar a escória da sociedade

Delinqüentes e desocupados são as tropas do PCCh.

As revoluções comunistas foram rebeliões da escória social e da delinqüência.


Por exemplo, a “Comuna de Paris” fez uso da escória social: assassinatos,
incêndios intencionais e violência, tudo feito pela escória social. Até Marx olhou
com desprezo para o lumpenproletariado5. No Manifesto Comunista, Marx diz:
“O lumpenproletariado, esse produto passivo da putrefação das camadas mais
baixas da velha sociedade pode, às vezes, ser usada num movimento por uma
revolução proletária; mas, suas (miseráveis) condições de vida o predispõem a
se vender aos propósitos reacionários”. Camponeses, por outro lado, não eram
considerados por Marx e Engels como qualificados para formarem uma classe
social devido à falta de união e ignorância deles.

5
Lumpenproletariado, conhecidos como “trabalhadores das zonas pobres”. Este termo
se refere aos elementos marginalizados dos centros industriais. Engloba mendigos,
prostitutas, delinqüentes, chantagista, trapaceiros, vagabundos etc. Maus elementos.
O termo foi cunhado por Marx em “As Lutas de Classe na França”, 1848-1850.

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O PCCh desenvolveu o lado mais escuro das teorias marxistas. Mao Tsé-tung
disse: “A escória social e os assassinos sempre são rejeitados pela sociedade,
porém nas áreas rurais eles são os mais valentes, os mais dedicados e firmes na
revolução6”. O lumpenproletariado nutriu e fortaleceu a violenta natureza do
PCCh e consolidou o poder político do comunismo nas áreas rurais.

O ideograma chinês utilizado para “revolução” significa “tirar vidas”, algo que
soa horrível e sinistro para qualquer pessoa boa. Sem dúvida, o Partido
conseguiu associar à palavra revolução um sentido positivo. Do mesmo modo,
durante a Revolução Cultural, num debate sobre o termo lumpenproletariado, o
PCCh percebeu que termo lumpen não soava bem e, assim, simplesmente
preferiu usar o termo proletariado.

Outra conduta da escória social é agir como patifes. Quando criticados como
totalitários, os oficiais do Partido revelam sua tendência ao descaramento e
dizem: “Vocês têm razão quanto a isso. A experiência da China nas últimas
décadas mostra que é necessário o exercício de uma democracia ditatorial. Um
poder ao qual chamamos autocracia democrática do povo”.

5º Traço Herdado: Espionar

Infiltrar-se, semear a discórdia, desunir e tomar o lugar.

Além de enganar, incitar a violência e fazer uso da escória social, o comunismo


emprega a técnica de espionagem e semeia a discórdia. O PCCh é mestre em se
infiltrar. Faz algumas décadas, os três agentes secretos de postos mais altos
dentro do PCCh - Qian Zhuangfei, Li Kenong y Hu Beifeng - trabalhavam a
serviço de Chen Geng, chefe da 2ª Agência do Departamento de Espionagem do
Comitê Central do PCCh. Quando Qian Zhuangfei trabalhava como secretário de
confiança de Xu Enzeng – diretor do Escritório de Investigação do Comitê Central
do KMT – passou a Zhou Enlai7 (conhecido como Chou En-lai), através do
próprio correio interno do Comitê Central do KMT, informações secretas sobre
os planos para cercar as tropas do PCCh na província de Jiangxi. Aparentemente,
ele pertencia ao KMT e era subordinado de Qian Zhuangfei, porém, de fato, seu
verdadeiro chefe era Chen Geng, do PCCh.

Li Kenong exercia, no Comando Central do KMT, a função de decifrador de


códigos secretos. Foi ele quem decifrou a mensagem secreta urgente sobre a
prisão e traição de Gu Shunzhang8, chefe do Escritório de Segurança do PCCh.
Qian Zhuangfei enviou imediatamente uma mensagem a Zhou Enlai e evitou
desse modo que toda a rede de espiões do comunismo fosse pega na cilada.

Yang Dengying era um agente especial pró-comunista infiltrado no Escritório


Central de Investigação do KMT, com sede em Xangai. O PCCh ordenou que ele
prendesse e executasse os membros do PCCh considerados não confiáveis.
6
Palavras pronunciadas em 1927.
7
Zhou Enlai (5/3/1898 – 8/1/1976) foi o 2º em importância depois de Mao na história
do PCC. Foi primeiro ministro da República Popular da China, de 1949 até sua morte.
8
Gu Shunzhang era, inicialmente, um dos cabeças do sistema de agentes secretos do
PCC. Em 1931, foi preso pelo KMT e, na prisão, ajudou a desmascarar muitos agentes
secretos do PCC. A vingança do comunismo foi estrangular os 8 membros da família de
Gu, aos quais enterram na concessão francesa de Xangai. Para mais informação sobre o
assunto, consulte “A historia de assassinatos do PCC”.
(http://english.epochtimes.com/news/4-7-14/22421.html).

16/182
Numa ocasião, um funcionário da província de Henan, com muitos anos
trajetória no Partido, ofendeu a um grupo do Partido e Yang Dengying usou seu
próprio pessoal para colocá-lo no cárcere do KMT por vários anos.

Durante a Guerra da Libertação9, o PCCh conseguiu infiltrar um agente secreto


com o qual Chiang Kai-shek (também conhecido como Jiang Jieshi)10, do KMT,
estabeleceu uma relação de confiança. Era Liu Pei, tenente-general e seu vice-
ministro da Defesa. Ele estava encarregado de exterminar o exército do KMT já
que, na realidade, Liu era um agente secreto do PCCh. Antes que o exercito do
KMT fosse inteirado da sua próxima missão, a informação já havia chegado a
Yan’an, quartel general do PCCh. O Partido pode conhecer os planos de defesa.
Xiong Xianghui, secretário e confidente de Hu Zongnan11, revelou a Zhou Enlai
os planos de Hu para atacar Yan’an. Quando Hu Zongnan e suas tropas
chegaram a Yan’an, encontraram uma cidade deserta. Zhou Enlai disse certa vez:
“O líder Mao já conhecia as ordens militares de Chiang Kai-shek antes mesmo
que elas chegassem ao comandante do exército deste”.

6º Traço Herdado: Roubar

Tomar mediante saques e violência se converte em “nova ordem”.

Tudo o que o PCCh conseguiu foi através do roubo. Quando formou o Exército
Vermelho para estabelecer sua ditadura através da força militar, necessitava de
dinheiro para comprar armas, munição, comida e uniformes. Assim, o PCCh
obtinha recursos seqüestrando pessoas importantes, roubando bancos, numa
conduta própria de bandido. Por exemplo, em uma missão liderada por Li
Xiannian, um dos líderes de maior expressão do PCCh, o Exército Vermelho
seqüestrou pessoas das famílias ricas da região oeste da província de Hubei.
Não seqüestraram apenas uma pessoa, mas uma pessoa de cada família rica, e
as mantinham vivas para servirem como fonte permanente de financiamento
desse exército. Somente quando haviam obtido suficiente dinheiro ou esgotado
os recursos da família, é que liberavam os reféns, já à beira da morte. Alguns
recebiam maltratos e torturas de tal ordem, que morriam mesmo antes de
voltarem para seus familiares.

“Através da tirana local e do confisco de terras”, o PCCh estendeu os roubos e a


violência de seus saques para toda a sociedade, substituindo as tradições morais
com essa “nova ordem”. O Partido Comunista levou adiante toda classe de más
ações. Oferecia recompensas a qualquer um que denunciasse o outro. Como
resultado, a bondade e a virtude desapareceram da vida cotidiana e foram
substituídas pela hostilidade e a violência. A “utopia comunista” é, na realidade,
um eufemismo para saques violentos.

9
Guerra entre o PCC e o KMT, em junho de 1946. A guerra foi marcada por três
campanhas sucessivas: Liaoxi-Shenyang, Huai-Hai y Beiping-Tianjin, após as quais o
PCC derrotou o KMT, resultando fundação da República Popular China em 1/10/1949.
10
Jiang Jieshi era líder do KMT; depois do exílio se converteu em mandatário de Taiwan.
11
Hu Zongnan (1896-1962), nasceu no condado de Xiaofeng (agora parte do condado de
Anji), província de Zhejiang, foi vice-comandante, comandante interino e chefe do
Centro de Operações Militares e Administrativas do KMT no Sudeste.

17/182
7º Traço Herdado: Lutar

Destruição do sistema, da ordem e das tradições sociais da China.

Enganar, incitar a violência, utilizar a escória social, espionar e roubar são


ferramentas básicas para o delito e a violência. A ideologia comunista fomenta a
luta armada. A revolução comunista não se trata em absoluto de uma série,
desorganizada e não sistêmica, de ataques, roubos e destruições. Mao disse que
“Os principais alvos dos ataques dos camponeses são os ricos locais, a elite má,
e os ilegítimos proprietários de terra. Em meio à luta também é preciso atacar
tudo aquilo que representa as idéias e instituições patriarcais, os funcionários
corruptos das cidades e as práticas e os costumes nocivos das zonas rurais 12”.
Mao estava dando instruções precisas para destruir todo o sistema de tradições
e costumes do campo.

A luta comunista faz uso da força armada e da violência. “Uma revolução não é
como uma festa de jantar, nem como escrever um ensaio, pintar um quadro ou
bordar. Não pode ser algo refinado, pacífico, suave, sóbrio, amável, cortês,
moderado e generoso. Uma revolução é uma revolta, um ato de violência pelo
qual uma classe derrota a outra”. O PCCh recorreu à luta armada quando
planejou tomar o poder político à força. Uma década mais tarde, durante a
Revolução Cultural, utilizou o mesmo método para educar a geração seguinte.

8º Traço Herdado: Matar

Estabelecer a ideologia do genocídio.

O comunismo tem feito as coisas com extrema crueldade. O PCCh prometeu aos
intelectuais um “paraíso na Terra”. Pouco depois, os rotulou de “direitistas” e os
colocou na vergonhosa posição de 9ª classe13 de pessoas perseguidas, junto
com os proprietários de terra e espiões. Deixou os proprietários de terra e
capitalistas sem nada, eliminou os proprietários de terra e agricultores ricos,
perverteu o estado social e a ordem no campo, tirou a autoridade das figuras
locais, seqüestrou e extorquiu os mais ricos, fez lavagem cerebral nos
prisioneiros de guerra, “reformou” empresários e capitalistas, se infiltrou no
KMT e o desintegrou, se afastou da Internacional Comunista e a traiu, acabou
com todos os dissidentes através de sucessivos movimentos políticos desde que
tomou o poder, em 1949, e usou de coerção contra seus próprios membros. Fez
tudo sem deixar espaço para qualquer tipo de liberdade.

O PCCh baseia suas ações no genocídio. Cada um de seus movimentos políticos


do passado fez parte de uma campanha de terror com propósito genocida. O
PCCh, em seu início, construiu um aparato voltado ao genocídio construído com
base nos conceitos de luta de classes, revolução, combate, violência, ditadura,
manobra e controle político. Essa concepção voltada ao genocídio abarca todo o
universo de experiências que o PCCh acumulou com as mais variadas práticas de
genocídio.

12
  “Relatório sobre uma investigação do movimento camponês em Hunan”, por Mao
Tsé-tung (1927).
13
Quando o PCC iniciou a reforma agrária, fez uma classificação do povo. Entre as
classes estabelecidas como inimigas, os intelectuais vinham depois dos proprietários
de terra, dos reacionários, dos espiões etc. Os intelectuais estavam na 9ª posição.

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A característica essencial do genocídio do PCCh é o extermínio da consciência e
do pensamento independente. Desta forma, se impõe o “reinado do terror” que
serve aos interesses do Partido. O PCCh não só mata as pessoas que se opõem a
ele, como também aqueles que o apóiam e seus próprios membros. Mata a
qualquer um que julgue que deva ser eliminado. Sendo assim, todos vivem sob a
sombra do terror e temem o PCCh.

9º Traço Herdado: Controlar

Utiliza a natureza do Partido para controlar o Partido todo e a toda a


sociedade.

Todos os traços herdados apontam para apenas um objetivo: controlar o povo


através do terror. A natureza maldosa do PCCh o faz dele inimigo natural de
todas as forças sociais existentes. Desde que surgiu, o PCCh vem enfrentando
crise atrás de crise, sendo as mais críticas as que envolvem a sobrevivência do
Partido. O PCCh vive em permanente estado de medo quanto à sua própria
sobrevivência. Seu maior propósito é se manter vivo e no poder. Para poder
contornar o problema de manter seu declinante poder, o Partido Comunista se
vê obrigado a pôr em prática medidas cada vez mais perversas e com cada vez
mais freqüência. O interesse do Partido não é o interesse de nenhum membro
em especial nem um conjunto de interesses individuais, pois os interesses do
Partido, como uma entidade coletiva, estão acima de qualquer indivíduo ou
grupo de indivíduos.

A “natureza do Partido” é o que existe de mais nocivo e depravado nesse


fantasma do mal. A natureza do Partido subjugou a natureza humana a tal ponto
que o povo chinês perdeu sua humanidade. Um exemplo: Zhou Enlai e Sun
Bingwen eram camaradas. Depois da morte de Sun Bingwen, Zhou Enlai adotou a
filha dele, Sun Weishi. Durante a Revolução Cultural, Sun Weishi foi presa.
Morreu na prisão com um grande prego cravado na cabeça. A ordem de prisão
havia sido dada pelo seu padrasto, Zhou Enlai.

Um dos primeiros líderes do PCCh, Ren Bishi, estava encarregado da venda de


ópio durante a guerra de resistência ao Japão. Nessa época, o ópio era o símbolo
da invasão estrangeira à China, já que os britânicos exportavam ópio para a
China visando drenar recursos da economia chinesa viciando seu povo. Apesar
desse forte sentimento nacional contra o ópio, Ren Bishi, levado pelo “senso de
natureza do Partido”, se atreveu a ter uma vasta plantação de ópio e se arriscou
ao repúdio geral. Devido à ilegalidade do ópio e ao sentimento que despertava,
o PCCh utilizou a palavra “sabão” com palavra código ao se referir ao ópio. O
PCCh utilizava os rendimentos provenientes do comércio ilegal da droga para
custear sua existência. No dia do centenário de nascimento de Ren Bishi, um dos
líderes da nova geração do PCCh fez grandes elogios a ele por sua atitude e
senso partidário: “Ren Bishi tinha um caráter superior e foi um membro modelo
do Partido. Ele acreditava firmemente no comunismo e sua lealdade à causa do
Partido foi ilimitada”.

Outro exemplo de atitude correta para com o partido, foi a de Zhang Si. O PCCh
disse que Zhang morreu com a repentina queda de um forno sobre ele, porém o
rumor popular dizia que ele morreu enquanto torrava ópio. Como ele era uma
pessoa discreta e que havia servido a Divisão da Guarda Central sem jamais ter

19/182
pedido uma promoção, foi elogiado com a frase: sua “morte é mais solene que o
Taishan14”, como uma referência ao valor dado a Zhang Si.

Outro modelo de natureza do Partido Comunista Chinês foi Lei Feng, conhecido
como “o parafuso da máquina revolucionária que jamais enferruja”. Durante
anos, tanto Lei como Zhang foram usados como modelos para ensinar o povo
chinês como ser leal ao Partido. Mao Tsé-tung disse: “O poder do exemplo não
conhece fronteiras”. Muitos heróis do Partido foram usados para moldar “uma
vontade de ferro e um espírito partidário”.

Quando se firmou no poder, o PCCh lançou uma forte campanha para controlar
a mente dos cidadãos e fazer das novas gerações “ferramentas” e “parafusos” do
Partido. O PCCh estabeleceu um conjunto de “pensamentos apropriados” e
condutas modelo. Tais orientações foram inicialmente utilizadas dentro do
Partido, mas, rapidamente, se estenderam para toda a população. “Em nome da
nação”, tais pensamentos e condutas foram empregados para fazer uma
lavagem cerebral nas pessoas e, assim, impor a obediência e aprovação ao
mecanismo diabólico do PCCh.

II. A desonrosa fundação do PCCh

O PCCh alega ter uma história brilhante, uma série ininterrupta de vitórias.
Porém, isso é tão somente uma tentativa de dar brio e glorificar a imagem do
PCCh aos olhos do público. De fato, na história do PCCh não há nada do que se
vangloriar. Somente com o emprego dos citados nove traços herdados é que o
PCCh pode chegar e se manter no poder.

O estabelecimento do PCCh: Amamentado nos seios da União Soviética

“O som do primeiro canhão da Revolução de Outubro nos trouxe o marxismo e o


leninismo.” Assim, o PCCh se apresentava ao povo em um documentário.
Entretanto, quando o PCCh foi fundado, ele era uma ramificação asiática da
União Soviética. Desde sua origem ele foi um partido traidor.

Durante a sua fase de fundação, o PCCh não tinha dinheiro nem ideologia nem
experiência nem ao menos um fundamento sobre o qual se sustentar. O PCCh se
uniu ao Komintern para unir seu destino à violenta revolução em curso. A
revolução violenta do PCCh veio da revolução de Marx e Lênin. O Komintern
comandava o movimento para derrotar poderes políticos em todo o mundo. O
PCCh não era mais do que um braço oriental do comunismo soviético, uma
extensão do Exército Vermelho comunista. O PCCh usou da experiência do
Partido Comunista soviético na tomada violenta do poder político e na criação da
ditadura do proletariado, seguia as instruções dos comunistas russos em sua
linha política, ideológica e organizacional. Copiou seus métodos secretos e
clandestinos pelos quais uma organização ilegal pode sobreviver: rígidas
medidas de vigilância e extremo controle. A União Soviética serviu de espinha
dorsal e modelo para o PCCh.

14
De um poema de Sima Qian (de 145-135 a.C. a 87 a.C.), historiador e estudioso da
dinastia Han do oeste. Seu famoso poema dizia: “Todos têm que morrer; morrer mais
solene do que o Taishan e mais leve do que uma pluma”. O Monte Taishan é uma das
maiores montanhas da China.

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O estatuto do PCCh, aprovado no seu 1º Congresso, foi proposto pelo
Komintern e é baseado no marxismo-leninismo: na teoria de luta de classes, na
ditadura do proletariado e no estabelecimento de um partido. O estatuto do
Partido Soviético serviu como base. A essência do PCCh foi importada da União
Soviética. Chen Duxiu, um dos líderes do PCCh, tinha opiniões diferentes das de
Maring, o representante do Komintern. Maring escreveu um memorando a Chen
no qual dizia que se este fosse um verdadeiro membro do Partido Comunista,
deveria seguir as ordens do Komintern. Embora Chen Duxiu tenha sido um dos
fundadores do PCCh, não pode fazer nada mais do que escutar e obedecer
ordens. Na realidade, ele e o PCCh eram subordinados a União Soviética.

Em 1923, durante o 3º Congresso do PCCh, Chen Duxiu reconheceu


publicamente que a fundação do PCCh foi financiada quase que inteiramente
pelo Komintern soviético. Em apenas um ano, o Komintern enviou mais de
200.000 iuans ao PCCh, com resultados pouco satisfatórios. O Komintern
acusou o PCCh de não ser suficientemente diligente em seus esforços.

De acordo com estatística parciais de um documento não classificado pelo PCCh,


este recebeu 16.665 iuans desde outubro de 1921 até junho de 1922. Em 1924
recebeu US$ 1.500 e 31.927,17 iuans, e, em 1927, 187.674 iuans. A
contribuição mensal do Komintern girava em torno de 20.000 iuans. Táticas
comuns hoje do PCCh, como lobby, acordos ilegais, suborno e propinas, já eram
comuns na época. O Komintern vivia acusando o PCCh de viver pedindo
dinheiro.

“O PCCh se valia de fontes de recursos de diferentes organizações (Escritório


Internacional de Propaganda, representantes do Komintern, organizações
militares etc.) para obter fundos, já que uma organização não sabia sobre os
recursos que as outras também liberavam ao PCCh. O interessante é que os
camaradas do PCCh não só conheciam bem a psicologia dos camaradas
soviéticos, como também sabiam como e quando mudar a forma de tratar os
camaradas encarregados dos fundos. E, quando os camaradas do PCCh se
davam conta de que não conseguiriam obter recursos pelos canais oficiais, eles
evitam as reuniões. Assim, recorriam a métodos mais grosseiros como fazer
chantagens, circular rumores de que oficiais do baixo escalão do PCCh tinham
esquemas com os soviéticos, ou que o dinheiro estava sendo entregue aos
comandantes militares ao invés do PCCh15”.

A primeira aliança entre o KMT e o PCCh: um parasita se infiltra em seu


núcleo e sabota a Expedição do Norte16.

O PCCh sempre disse ao povo chinês que Chiang Kai-shek traiu o movimento
revolucionário nacional obrigando o PCCh a pegar nas armas.

Na realidade, o PCCh é um parasita, um fantasma possessor. Celebrou uma


aliança com o KMT com a finalidade de expandir sua influência tirando assim
vantagem da revolução nacional. Mais adiante, ansioso para fazer a revolução

15
Yang Kuisong: “Sinopse sobre o apoio financeiro de Moscou ao PCC nos anos entre
1920 e 1940”, Nº. 27 (30 de junho de 2004).
www.cuhk.edu.hk/ics/21c/supplem/essay/040313a.htm
16
A Expedição do Norte foi uma campanha militar dirigida por Chiang Kai-shek em
1927 e que tinha por objetivo unificar a China sob o regime do KMT e acabar com o
poder dos comandantes militares locais. Teve grande êxito nesse sentido. Durante a
Expedição do Norte, o PCC manteve uma aliança com o KMT.

21/182
impulsionada pelos soviéticos e se instalar no poder, o PCCh destruiu e traiu o
movimento de Revolução Nacional da China17.

No 2º Congresso Nacional de Representantes do PCCh, realizado em julho de


1922, aqueles que se opunham à aliança com o KMT dominavam o Congresso,
já que a impaciência para tomar o poder era grande entre os membros do
Partido. Entretanto, o Komintern vetou a resolução aprovada nesse Congresso e
ordenou que o PCCh se unisse ao KMT.

Durante a primeira aliança entre KMT e PCCh, este realizou o seu 4º Congresso
Nacional, em Xangai, em janeiro de 1925. Embora nessa época o PCCh só
tivesse 994 membros, esse Congresso levantou a questão de liderar a China.
Isso foi antes da morte de Sun Zhongshan (também conhecido como Sun Yat
Sen), ocorrida em março de 1925. Se não tivesse morrido, Sun Zhongshan teria
sido o alvo do PCCh em lugar do nacionalista Chiang Kai-shek, na corrida
comunista pelo poder.

Durante essa aliança, com apoio da União Soviética, o PCCh tomou sem freios o
poder dentro do KMT. Com tal manobra, Tan Pingshan, um dos primeiros líderes
do PCCh na província de Guangdong, se tornou o ministro do Ministério do
Trabalho do KMT. Feng Jupo (outra autoridade do PCCh na mesma província)
ficou como secretário geral do Ministério do Trabalho e recebeu total controle
para cuidar de assuntos ligados aos trabalhadores. Lin Zuhan (ou Lin Boqu, um
dos primeiros membros do PCCh) foi ministro de Assuntos Rurais, enquanto que
Peng Pai (outro líder do PCCh) foi secretário desse ministério. Mao Tsé-tung se
tornou Ministro de Propaganda do KMT. O PCCh sempre dava grande
importância às instituições educacionais militares e as lideranças militares.
Sendo assim, Zhou Enlai se tornou diretor do Departamento de Política da
Academia Militar de Huangpu (Whampoa), e Zhang Shenfu (outro fundador do
PCCh e quem trouxe Mao Tsé-tung para o Partido) foi seu diretor adjunto. Zhou
Enla foi também chefe do Departamento de Assuntos Militares e Judiciais,
conseguiu colocar conselheiros militares russos em todos os locais. Muitos
comunistas ocupavam funções de instrutores de política e eram docentes das
academias militares do KMT. Outros membros do PCCh também atuaram como
representantes do Partido KMT em vários níveis do Exército Revolucionário
Nacional18. Também ficou estabelecido que sem a autorização expressa de
representantes do PCCh, nenhuma ordem seria válida. Como resultado dessa
adesão parasitária ao movimento Revolucionário Nacional, o número de
membros do PCCh subiu de menos de 1.000, em 1925, para 30.000 em 1928.

A Expedição do Norte se iniciou em fevereiro de 1926. De outubro de 1926 a


março de 1927, o PCCh realizou três revoltas armadas em Xangai. Depois atacou
os quartéis militares da Expedição do Norte, porém fracassou e foi desarmado.
Zhou Enlai, que usava o pseudônimo de Wu Hao, foi capturado e logo liberado
depois de se retratar publicamente e reconhecer o seu erro. Na província de
Guangdong, os grevistas travavam combates diários com a polícia. O KMT
reforçou as tropas policiais com soldados do exército e agentes secretos para
vigiar aqueles que agitavam as massas. Esses levantes resultaram na limpeza
feita pelo KMT sobre o PCCh, em 12 de abril pelo 192719.

17
Movimento revolucionário durante a aliança KMT-PCC, marcado pela Expedição do
Norte.
18
O Exército Revolucionário Nacional, controlado pelo KMT, era o exército nacional da
República da China. Durante o período da aliança PCC-KMT, contava entre suas filas
com membros do PCC que integravam essa aliança.

22/182
Em agosto de 1927, os membros do PCCh que faziam parte do Exército
Revolucionário Nacional aproveitaram a oportunidade para iniciar a Rebelião de
Nanchang, rapidamente sufocada. Em setembro, para atacar a cidade de
Changsha, o PCCh organizou o Levante da Colheita de Outono, que também não
obteve sucesso. O PCCh começou a montar uma rede de controle do exército
mediante “as distintas alas do partido estabelecidas nas companhias militares”,
e se dirigiu para a região do monte Jinggangshan, na província de Jiangxi20 onde
estabeleceu seu poder político sobre o setor rural.

A Rebelião Camponesa de Hunan: a escória social é incitada à revolta.

Durante a Expedição do Norte, enquanto o Exército Revolucionário Nacional


avançava sobre os “senhores da guerra”, o PCCh fomentava revoltas nas áreas
rurais e tentava tomar o poder.

A Rebelião Camponesa de Hunan, em 1927, foi uma revolta da escória da


sociedade, aos moldes da famosa “Comuna de Paris” em 1871, este o primeiro
levante comunista. Os habitantes de Paris daquela época foram testemunhas de
que a Comuna de Paris era formado por baderneiros e vagabundos, pessoas
destrutivas e sem aspirações. Entre outras coisas, censuraram a liberdade de
imprensa. Tomaram como refém e mais tarde mataram o arcebispo de Paris,
Georges Darboy, que dava as missas para o Rei. Mataram cruelmente a 64
clérigos, incendiaram palácios por simples diversão, e destruíram escritórios
governamentais, residências, monumentos etc. O requinte e beleza da capital
francesa eram inigualáveis no mundo, entretanto, durante o levante, muitos
edifícios foram reduzidos a cinzas e pessoas a esqueletos. Tamanha atrocidade
e crueldade raramente foram testemunhadas na história.

Mao Tsé-tung admitiu: “É verdade que os camponeses são de certa maneira


incontroláveis. Ao recebem autoridade máxima, as associações de camponeses
impedem que os proprietários de terra se defendam e acabam com a dignidade
deles. Arrasam os proprietários de terra sem lhes dar qualquer tipo de chance.
Os camponeses ameaçavam os donos de terra dizendo: Vamos rebaixá-los de
categoria (para a classe dos reacionários)! Multam os tiranos e aristocratas maus
da localidade, exigindo altas somas e quebrando suas liteiras. As pessoas se
aglomeravam na frente das casas dos tiranos e aristocracia que resistem às
associações de camponeses. Abatem seus porcos e tomam suas colheitas de
grãos. Até se deitavam nas camas incrustadas de marfim das donas da casa.
Diante da menor provocação, prendem e colocam altos chapéus de papel
imitando coroas neles e os obrigam a desfilar de forma humilhante diante do
povo, dizendo: Imundos proprietários, agora vocês sabem quem nós somos! Eles
fazem tudo o que querem, subvertem tudo, e, desta forma, criam o terror no
campo21”.

Entretanto, diante de tais ações descontroladas, Mao dava sua aprovação:


“Francamente, é necessário criar o terror durante certo tempo nas áreas rurais
senão seria impossível bloquear a reação dos contra-revolucionários rurais ou

19
Em 12 de abril de 1927, o KMT, dirigido por Chiang Kai-shek, lançou uma operação
militar contra o PCC em Xangai e em outras cidades. Entre 5000 e 6000 membros do
PCC foram presos e mortos em Xangai, de 12 de abril até o final de 1927.
20
A região do monte Jinggangshan é considerada a primeira base rural revolucionária
do PCC, é chamada de “O berço do Exército Vermelho”.
21
 “Relatório sobre uma investigação do movimento camponês em Hunan”, por Mao Tsé-
tung (1927).

23/182
acabar com a autoridade dos aristocratas. Para corrigir o errado temos que
ultrapassar certos limites ou, de outra forma, isso não poderia ser corrigido...
Muitas ações revolucionárias tidas como extremas são, de fato, necessárias para
se fazer a revolução22”. Dessa forma, a revolução comunista estabeleceu um
sistema de terror.

A resistência contra o Japão: fingindo-se de vencedor.

O PCCh disse que a “Longa Marcha” foi uma operação na fronteira norte para
combater a invasão japonesa. Falou da “Longa Marcha” como se fosse um conto
de fadas revolucionário. Afirmou que tal campanha contra os japoneses foi um
“manifesto”, uma “forma de propaganda” e “gestação”, que terminou com vitória
do PCCh e a derrota de seus inimigos.

A marcha no norte para resistir contra o Japão não foi nada mais do que mais
uma mentira do comunismo chinês para encobrir seus fracassos. De outubro de
1933 até janeiro de 1934, o PCCh sofreu uma total derrota. Na 5ª operação do
KMT, cercado pelas forças do KMT e inferiorizado, o PCCh paulatinamente foi
perdendo seu poder nas áreas rurais. Perto do extermínio, o Exército Vermelho
do PCCh teve que fugir. Esta é a verdadeira origem da “Longa Marcha”.

A Longa Marcha, na verdade, buscava romper o cerco das forças do KMT em


direção à Mongólia e Rússia soviética, descrevendo um arco que ia primeiro
rumo ao oeste e depois ao norte. Uma vez alcançado esse destino, o PCCh
poderia escapar para a União Soviética em caso de derrota. O PCCh encontrou
grandes dificuldades enquanto ia em direção a distante Mongólia. Seus chefes
decidiram passar por Shaanxi e Suiyuan porque, de um lado, através da marcha
através dessas províncias do norte eles poderiam dizer que iam lutar contra os
japoneses e assim conquistar o coração do povo. Por outro lado, essas eram
áreas seguras, pois não tinham tropas japonesas por perto. O exército nipônico,
na realidade, ocupava o território ao longo da Grande Muralha. Um ano depois,
quando o PCCh chegou finalmente a Shanbei, província localizada ao norte de
Shaanxi, a força principal do Exército Vermelho tinha diminuído de 80.000 para
6.000 efetivos.

O incidente de Xi’an: O PCCh tem êxito em semear a discórdia e se alia ao


KMT pela segunda vez.

Em dezembro de 1936, Zhang Xueliang e Yang Hucheng, dois generais do KMT,


seqüestraram Chiang Kai-shek. Isto passou a ser conhecido como o “Incidente
de Xi´an”.

Segundo os textos do PCCh, o Incidente de Xi´an foi um “golpe militar” iniciado


por Zhang e Yang, os quais deram um ultimato a Chiang Kai-shek: ele deveria se
posicionar contra os japoneses ou seria morto. Zhou Enlai foi convidado para ir a
Xi´an como representante do PCCh para negociar uma saída pacífica. Com a
mediação de diversos grupos da China, o incidente foi resolvido pacificamente.
Terminou assim uma guerra civil de mais de 10 anos e foram criadas as
condições para se formar uma aliança nacional unificada contra os japoneses.
Os livros de história do PCCh dizem que tal incidente foi um ponto crucial para
solucionar a crise na China. Assim, o PCCh se coloca como um grupo patriota
que agiu segundo os interesses da nação.

22
Palavras pronunciadas em 1927.

24/182
Vários documentos revelam que muitos espiões do PCCh já haviam se juntado a
Yang Hucheng y Zhang Xueliang antes do Incidente de Xi´an. Liu Ding, um
membro secreto do PCCh, foi apresentado a Zhang Xueliang por Song Qingling,
esposa de Sun Zhongshan, cunhada de Chiang Kai-shek e membro do PCCh.
Depois do referido incidente, Mao Tsé-tung o elogiou da seguinte forma: “Liu
prestou um serviço digno de mérito no Incidente de Xi´an”. Entre os que
trabalhavam com Yang Hucheng, sua própria esposa, Xie Baozhen, era membro
do PCCh e trabalhava no Departamento de Política do Exército de Yang. Em
janeiro de 1928 e com aprovação do PCCh, Xie se casou com Yang Hucheng.
Além disso, o membro do PCCh Wang Bingnan foi convidado de honra na casa
de Yang. Wang logo se tornou o vice-ministro de Relações Exteriores do PCCh.
Na realidade, esses membros do PCCh em torno de Yang e Zhang foram quem
incitaram para que esse golpe de Xi´an acontecesse.

No início do incidente, os líderes do PCCh queriam matar Chiang Kai-shek para


vingar-se do que ele havia feito ao PCCh. Nessa época, o PCCh tinha uma base
muito débil na província setentrional de Shaanxi, e podia ser eliminado com uma
simples batalha. O PCCh, utilizando sua grande capacidade para enganar,
incitou Zhang e Yang a se revoltarem. Por outro lado, para que o Japão se
mantivesse ocupado com os chineses e não atacasse a União Soviética, Stalin
escreveu pessoalmente uma mensagem ao Comitê Central do PCCh na qual
pedia que não matassem a Chiang Kai-shek e que cooperassem pela segunda
vez. Mao Tsé-tung e Zhou Enlai também perceberam que não poderiam derrotar
o KMT com a limitada força que tinham até então. Se matassem Chiang Kai-
shek, o PCCh poderia ser eliminado pelo exército do KMT como forma de
retaliação. Sob tais circunstâncias, o PCCh mudou sua tática: obrigou Chiang
Kai-shek a aceitar uma segunda aliança entre nacionalistas e comunistas em
nome de uma resistência unificada contra os japoneses.

Primeiro o PCCh incitou uma revolta, quase dando uma sentença de morte a
Chiang Kai-shek, porém logo depois voltou atrás e, atuando como herói, o
obrigando a aceitar novamente o PCCh. Dessa maneira, o PCCh não só escapou
de uma crise que poderia terminar com seu extermínio, como também usou a
oportunidade para se juntar ao governo do KMT pela segunda vez. O Exército
Vermelho se converteu no Exército da Oitava Marcha e se tornou maior e mais
poderoso do que antes. É admirável a capacidade de enganar do PCCh.

A guerra de resistência contra o Japão: O PCCh cresce matando com armas


emprestadas.

Os livros do PCCh dizem que o comunismo chinês levou a nação a uma vitória
na guerra de resistência contra o Japão.

Quando em 1937 estourou a guerra contra os nipônicos, o KMT tinha mais de


1,7 milhões de soldados armados, navios capazes de transportar 110.000
toneladas e aproximadamente 600 aviões de combate de diversos tipos. Por
outro lado, o PCCh, somando o Novo Quarto Exército, incorporado em 1937,
não somava 70.000 soldados. A divisão política interna o debilitava ainda mais,
ao ponto de poder ser exterminado em uma única batalha. O PCCh sabia que se
ele tentasse lutar contra os japoneses sequer conseguiria vencer uma única
divisão do exército japonês. Aos olhos do PCCh, a postura de fortalecer a
“unidade nacional” servia ao propósito de se manter no poder e, de nenhuma
forma, era para assegurar a sobrevivência do país. Portanto, estabeleceu
“durante a cooperação com o KMT”, que os esforços deveriam estar voltados a

25/182
tomar o poder. Porém isto só poderia ser discutido dentro do Partido e, ao
mesmo tempo, algo a ser realizado.

Depois que os japoneses, em 18 de setembro de 1931, ocuparam a cidade de


Shenyang e estenderam assim seu controle sobre vasta área a nordeste da
China, o PCCh se pôs a lutar ombro a ombro junto com os japoneses para
derrotar o KMT. Em uma declaração escrita em resposta à ocupação japonesa, o
PCCh exortou a todo o povo das áreas controladas pelo KMT a se rebelar,
fazendo com que “operários fizessem greve, que camponeses criassem
problemas, que os estudantes boicotassem as aulas, que os pobres parassem de
trabalhar, que os soldados fizessem rebelião, para assim derrotar o governo
nacionalista chinês.

Embora o PCCh dissesse empunhar a bandeira da resistência contra o Japão,


somente dispunha de tropas locais e de forças de guerrilha em acampamentos
afastados das linhas de frente. Salvo algumas batalhas, com a do passo de
Pingxing, o PCCh quase não contribuiu para expulsar o inimigo japonês. Ao
contrário, canalizou seus esforços no sentido de expandir suas próprias bases.
Quando a Japão se rendeu, o PCCh incorporou os soldados rendidos ao seu
exército e assim afirmava que contava com mais de 900.000 soldados regulares,
além de dois milhões de combatentes. As tropas do KMT estiveram praticamente
sozinhas nas frentes importantes dessa guerra. De um lado, o KMT perdeu na
guerra cerca de 200 oficiais e, do outro lado, a comando militar do PCCh quase
não sofreu perdas. Não obstante, os textos de história do PCCh constantemente
incutem no povo chinês que o KMT não ofereceu resistência aos japoneses, que
foi o PCCh quem conseguiu a grande vitória na guerra de resistência contra o
Japão.

A Retificação de Yan’an: como criar os mais terríveis métodos de


perseguição.

O PCCh atraiu incontáveis jovens patriotas para Yan’an em nome da luta contra
os japoneses, porém perseguiu a dezenas de milhares deles durante o chamado
movimento de Retificação de Yan’an. Depois de ganhar o poder na China, o
PCCh descreveu Yan’an como “a terra santa” da revolução, sem fazer qualquer
menção aos crimes que cometeu durante tal purga.

A purga de Yan’an foi o mais terrível, mais obscuro e mais brutal jogo de poder
da humanidade. Em nome de estar limpando pequenos elementos nocivos da
burguesia, o PCCh acabou com a moralidade, a liberdade de pensamento e de
ação, bem como com a tolerância e a dignidade. O primeiro passo dessa purga
foi construir um arquivo individual de cada camarada, que incluía: 1) uma
declaração pessoal; 2) um registro da vida política da pessoa; 3) os antecedentes
familiares e suas relações sociais; 4) uma autobiografia na qual constava
qualquer mudança ideológica; 5) uma avaliação feita de acordo com a natureza
do partido.

Para o arquivo pessoal, o indivíduo era obrigado a fazer uma lista de todas as
pessoas com as quais havia se relacionado desde seu nascimento, todos os
eventos importantes, tempo e lugar onde ocorreram. A pessoa tinha que
escrever diversas vezes para o arquivo pessoal, e qualquer omissão era
considerada um sinal de má fé. Deveria escrever todas as atividades sociais das
quais a pessoa já havia participado, em especial as ligadas ao ingresso no
Partido. A ênfase era dada no modo como ela pensava quanto a essas atividades
sociais. A avaliação baseada na natureza do Partido era o ponto chave. A pessoa
deveria confessar qualquer pensamento, discurso, atitude e conduta na vida

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diária que havia sido contrária ao Partido. Por exemplo, a “avaliação de
consciência”, obrigava a pessoa a se auto-examinar para ver se ela tinha
interesses pessoais, se em algum momento já havia utilizado o Partido para
alcançar metas pessoais, se em algum momento já havia vacilado em sua
confiança no ideal revolucionário, se ela já havia tido medo de morrer durante o
combate armado ou se havia sentido falta dos familiares ou cônjuge após se
unir ao Partido ou juntar ao exército. Como não existiam parâmetros objetivos,
em quase todos os casos era encontrado algum problema.

Era usada a coerção para extrair “confissões” escritas dos membros do Partido
que eram investigados com o objetivo de se eliminar “traidores ocultos”. Isto
obviamente produziu inúmeras acusações falsas e equivocadas; um grande
número de oficiais foi perseguido por causa disso. Durante a Retificação, o PCCh
dizia que Yan’an era um “lugar para purificação da natureza humana”. Uma
comitiva foi enviada pelo PCCh para a Universidade de Assuntos Militares e
Políticos para examinar esses arquivos, causando assim o Terror Vermelho por
dois meses. Vários métodos eram usados para que os acusados confessassem:
confissões de improviso, confissões de demonstração, “persuasões grupais”,
“persuasões de cinco minutos”, persuadir através de conselhos intimidadores,
conferência de relatórios, identificação dos “rabanetes” (vermelho por fora e
branco por dentro). Também, tiravam fotos. Faziam as pessoas desfilarem para
grupos de examinadores para uma inspeção minuciosa. Aquelas que se
mostravam nervosos eram rotulados como suspeitos e sujeitos à investigação.

Até os representantes do Komintern ficavam aterrorizados com os métodos


utilizados; diziam que a situação em Yan’an era deprimente. As pessoas não se
atreviam a se relacionar com as outras. Ninguém se atrevia a dizer a verdade
para salvar amigos acusados; todos temiam por suas próprias vidas. Os espertos
– aqueles que adulavam, mentiam e insultavam os outros – eram promovidos. A
humilhação passou a ser moeda corrente em Yan’an. As pessoas foram levadas à
beira da loucura, forçadas a abrir mão da dignidade, do senso de honra ou
vergonha, e do amor mútuo, para salvarem suas próprias vidas e seus próprios
empregos. Deixaram de expressar suas próprias opiniões para recitarem os
artigos do Partido. O PCCh continua a empregar tais métodos de opressão em
suas atividades políticas na China até hoje.

Três anos de guerra civil: Trair o país para obter o poder.

A revolução da burguesia russa em fevereiro de 1917 foi um levante de classe


relativamente pacífico. O Czar colocou em primeiro lugar os interesses da nação
ao invés dos seus e assim abdicou do trono em lugar de resistir. Lênin voltou
apressadamente da Alemanha para a Rússia, organizou outro golpe, matou os
revolucionários da burguesia que haviam derrotado o Czar e assim preparou o
caminho para a revolução do proletariado. Deste modo, sufocou a revolta
burguesa da Rússia. O PCCh, como Lênin, colheu os frutos daquilo que foi uma
revolução nacionalista. Depois que terminou a guerra de resistência contra o
Japão, o PCCh iniciou uma luta revolucionária a qual batizou de a “Guerra de
Libertação” (1946-1949), para derrotar o governo do KMT, assim trazendo o
flagelo da guerra mais uma vez para a China.

O PCCh é conhecido por empregar sua “estratégia da maré humana”: o sacrifício


massivo de vidas para ganhar uma batalha. Em vários combates liderados contra
o KMT, como os de Liaoxi-Shenyang, Beijing-Tianjin e Huai Hai, o PCCh usou tal
estratégia primitiva, bárbara e desumana, e que resultou no sacrifício imenso de
vidas do próprio povo. Durante o cerco de Changchun, na província de Jilin

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(nordeste de China), o Exército da Libertação do Povo (EPL) recebeu ordens para
impedir o suprimento de alimentos da cidade e de proibir que seus habitantes
pudessem deixá-la. Nos meses que duraram o cerco a Changchun, cerca de
200.000 pessoas morreram de fome e frio. Porém o ELP não permitiu que
ninguém saísse da cidade. Depois dessa batalha, o PCCh descaradamente
anunciou de “ter tomado Changchun sem disparar um só tiro nem derramar uma
só gota de sangue”.

Entre 1947 e 1948, o PCCh firmou com a União Soviética o “Acordo de Harbin” e
o “Acordo de Moscou”, pelos quais entregou ativos da nação e os recursos
naturais do nordeste da China em troca de apoio da União Soviética em questões
de relações externas e assuntos militares. Segundo tais acordos, a União
Soviética forneceria ao PCCh 50 aviões; daria em 2 vezes as armas dos
japoneses derrotados e venderia a baixos preços munições e equipamentos
militares soviéticos a partir do nordeste da China. Se o KMT tentasse realizar um
ataque no nordeste, a União Soviética disfarçadamente ajudaria o exército do
PCCh. Além disso, a União Soviética ajudaria o PCCh a controlar a cidade de
Xinjiang a noroeste da China. O PCCh e a União Soviética estabeleceriam uma
força aérea aliada, sendo que os soviéticos ajudariam a equipar 11 divisões do
exército do PCCh e a transportar para o nordeste 1/3 das armas que a China
havia recebido dos Estados Unidos (no valor de $ 13 bilhões).

Para obter o apoio soviético, o PCCh prometeu à União Soviética privilégios


especiais para o transporte sobre as rotas por terra ou ar a nordeste, ofereceu
informações sobre as ações do KMT e das forças armadas dos Estados Unidos,
assegurou provisão de produtos do nordeste (algodão, grãos de soja etc.) e
provisões militares em troca de armamento avançado. Ainda, concedeu à União
Soviética direitos exclusivos de mineração na China e permitiu que ela instalasse
bases militares a nordeste da China e em Xinjiang, bem como que criassem na
China a Agência de Inteligência do Extremo Oriente. Havia iniciado a guerra na
Europa, e o PCCh enviaria uma força expedicionária de 100.000 homens mais
dois milhões de trabalhadores para apoiar a União Soviética. Ainda, o PCCh
prometeu que, se fosse necessário, entregaria algumas regiões das províncias
de Liaoning e Andong para a Coréia.

III. A manifestação dos traços maldosos.

O medo perpétuo marca a história do Partido.

A característica mais acentuada do PCCh é o contínuo medo, sobretudo o medo


de perder o poder. A sobrevivência é a maior meta do PCCh desde o início. Tal
meta tornou possível superar esse medo sempre encoberto pela aparência
cambiante. O PCCh é como uma célula cancerígena que se divide e se espalha
por todo o corpo, mata as células normais e se multiplica em células malignas e
fora de controle. Em nosso ciclo da história, a sociedade chinesa tem sido
incapaz de inocular um fator mutante como o PCCh e, assim, não tem alternativa
a não ser deixá-lo crescer à vontade. Tal fator mutante é tão poderoso que
nada em seu alcance de crescimento conseguiu detê-lo até agora. Como
resultado, grande parte da sociedade está contaminada e áreas, cada vez
maiores, foram inundadas pelo comunismo ou elementos comunistas. O PCCh
se aproveita e fomenta tais elementos, que degradam a moralidade e a
sociedade humana.

O PCCh não reconhece os princípios morais e de justiça aceitos em geral. Todos


os seus princípios servem exclusivamente aos próprios interesses. O PCCh é
fundamentalmente egoísta e não há nada que possa refrear ou controlar seu

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desejo pelo poder. Baseado em suas regras, o Partido muda sua aparência
vestindo novas peles. Quando em diferentes momentos sua sobrevivência foi
ameaçada, o PCCh se uniu a Partido Comunista da União Soviética, ao KMT, a
cúpula governante do KMT e a Revolução Nacional da China. Depois de obter o
poder, o PCCh se valeu de diversas formas de oportunismo, das mentes e dos
sentimentos das pessoas, dos mecanismos e estruturas sociais; em síntese, de
tudo que pudesse ajudá-lo a sobreviver. Toma cada crise como uma
oportunidade para concentrar poder ainda maior e reforçar seus métodos de
controle.

A constante busca do mal se converteu na “arma mágica” do PCCh.

O PCCh declara que a vitória revolucionaria depende de três armas mágicas: as


frentes unidas, a luta armada e a construção do Partido. A experiência com o
KMT resultou em duas armas desse tipo: a propaganda e a espionagem. Essas
armas mágicas receberam a influência dos nove traços herdados: ser mal,
enganar, incitar, liberar a escória social, espionar, roubar, lutar, matar, e
controlar.

O marxismo-leninismo é perverso por natureza. Ironicamente, os comunistas


chineses não entendem o marxismo-leninismo. Lin Baio23 disse que muitos
poucos membros do PCCh haviam lido os trabalhos de Marx e Lênin. Qu Qiubai24
foi considerou um ideólogo, entretanto, ele admitiu ter lido muito pouco sobre o
marxismo-leninismo. A ideologia de Mao Tsé-tung é uma versão rural das
teorias de Marx e Lênin e proclama a revolta dos camponeses. A teoria da fase
primária do socialismo de Deng Xiaoping tem o capitalismo como sua última
etapa. Os “Três Representantes25” de Jiang Zemin foram pedaços juntados do
nada. O PCCh realmente nunca entendeu o que é o marxismo-leninismo, mas
herdou dele os aspectos malévolos sobre as quais acrescentou seus próprios
elementos, estes ainda mais sinistros.

A frente unida do PCCh é uma conjunção de mentiras e retornos de curto prazo.


A meta da unidade foi fortalecer seu poder, passar de um grupo isolado para
algo de proporção descomunal – como logo após a guerra contra o Japão – e
mudar a relação entre aliados e inimigos. A unidade requeria discernimento:
identificar quem era inimigo e quem era aliado, quem estava na esquerda e
quem estava no centro ou direita, quem deveria ser favorecido e quando, quem

23
Lin Biao (1907-1971), um dos maiores líderes do PCCh, foi, sob o mandato de Mao
Tsé-tung, membro do Politburo, como vice-presidente (1958) e ministro de Defesa
(1959). Lin é considerado o arquiteto da Grande Revolução Cultural chinesa. Lin foi
designado sucessor de Mao em 1966, porém perdeu o apoio em 1970. Ao perceber
esta situação, Lin se envolveu numa tentativa de golpe de Estado e teve de fugir para
a União Soviética quando essa trama foi descoberta. Durante seu vôo de fuga, o avião
explodiu em solo mongol resultando na sua morte.
24
Qu Qiubai (1899-1935) é um dos líderes mais antigos do PCC e um renomado
escritor de esquerda. Foi capturado pelo KMT em 23 de fevereiro de 1935 e morreu
em 18 de junho desse mesmo ano.
25
A doutrina dos Três Representantes foi mencionada pela primeira vez num discurso
de Jiang Zemin, em fevereiro de 2000. Segundo tal doutrina, o Partido deve, a todo
instante, representar: o desenvolvimento das forças produtivas da China, a direção do
avanço de sua cultura e os interesses fundamentais da maioria do povo.

29/182
deveria ser atacado e quando. Não teve dificuldades em converter os aliados em
inimigos e logo depois novamente em aliados. Por exemplo, durante o período
da revolução democrática, o PCCh se aliou à classe capitalista, mas, durante a
revolução socialista, o PCCh eliminou os capitalistas. Outro exemplo é o de
Zhang Bojun y Luo Longji, líderes de partidos democráticos, que foram usados
como aliados do PCCh quando o comunismo tomou o poder, mas que foram
logo depois perseguidos como “direitistas”.

O Partido Comunista é uma sofisticada gangue de delinqüentes.

O Partido Comunista tem dois tipos de estratégias: uma moderada e flexível e


outra dura e rígida.

Entre suas estratégias moderadas estão: a propaganda, semear discórdia,


espionagem, instigar a rebelião, a traição, dominar a mente das pessoas,
lavagem cerebral, mentir, enganar, ocultar a verdade, abuso psicológico e a
criação de clima de terror. Ao colocar em prática tais recursos, o PCCh gera uma
síndrome de terror dentro do coração das pessoas que faz com que elas
esqueçam facilmente as coisas erradas do Partido. Tal variedade de métodos
pode reprimir a natureza humana e fomentar o lado perverso das pessoas. Entre
as estratégias duras do PCCh estão: violência, luta armada, perseguições,
manobras políticas, assassinatos para silenciar testemunhas inconvenientes, o
seqüestro, a censura de opiniões diferentes, batidas periódicas e saques. Tais
métodos agressivos geram e perpetuam o terror.

O PCCh usa simultaneamente métodos brandos e duros. Às vezes eles são


brandos, outras vezes rígidos; às vezes são brandos na política externa, mas
duros na interna: é a tática de apertar e relaxar. Em clima brando, o PCCh
encoraja a expressão de diferença de opiniões, mas – como encantando uma
serpente para que saia da toca para matá-la – aqueles que expressam suas
opiniões são logo em seguida perseguidos num período de rígido controle. O
PCCh utilizou assiduamente a democracia para enfrentar o KMT, mas quando os
intelectuais das áreas controladas pelo PCCh discordaram do Partido, eles foram
torturados e até decapitados. Como exemplo, podemos citar o infame “Episódio
dos Lírios Selvagens”, ocorrido em 1947, no qual o intelectual Wang Shiwei —
autor da peça “Os Lírios Selvagens”, na qual expressava seus ideais de
igualdade, democracia e humanidade — foi vitima do movimento de Purificação
de Yan’an ao ser executado a machadadas.

Um oficial veterano que havia sofrido torturas durante a purga de Yan’an


recorda que, sob intensa pressão, foi forçado a confessar. A única coisa que
pode fazer foi trair sua própria consciência e mentir. Sua primeira reação foi se
sentir muito mal por ter implicado seus colegas e ter agido contra eles. Sentiu
tanto ódio que quis acabar com a própria vida. Coincidentemente, um revolver
havia sido colocada sobre a mesa. Ele o tomou, apontou para a cabeça e apertou
o gatilho. A arma estava sem balas! Então, a pessoa que o havia interrogado
entrou e disse: “É bom que você admita que fez algo mal. Os policiais do partido
são condescendentes. O Partido sabia que você tinha chegado ao seu limite e
agora sabe que você é leal: você passou no teste!” O Partido primeiro coloca a
pessoa em uma armadilha mortal e desfruta do sofrimento e da humilhação da
vítima. Quando a pessoa chega a seu limite e deseja morrer, o Partido,
amavelmente, surge para mostra uma saída, e que é pior do que a morte. Há um
ditado: “É melhor um covarde vivo do que um herói morto!” O Partido se
converteu na salvação e espera gratidão. Anos depois esse oficial conheceu
Falun Gong – uma prática de meditação surgida na China – em Hong Kong e isto

30/182
lhe fez muito bem. No entanto, quando, em 1999, iniciou-se a perseguição
contra Falun Gong, reviveu as recordações do passado doloroso e nunca mais se
atreveu a dizer que Falun Gong era algo bom.

A experiência do último imperador chinês Puyi foi similar ao daquele


funcionário. Aprisionado nas celas do PCCh e vendo pessoas morrendo todos os
dias, pensou que seu fim era certo. Para poder viver, ele cooperou em passar
por uma lavagem cerebral. Pois depois escreveu uma autobiografia intitulada “A
primeira metade de minha vida”, que o PCCh utilizou como um exemplo bem
sucedido de reformulação ideológica.

Segundo estudos médicos modernos, muitas vítimas de intensa pressão


desenvolvem um sentido anormal de dependência com seus torturadores. Isto é
conhecido como a síndrome de Estocolmo: os estados de humor da vítima –
felicidade, dor, alegria e tristeza – passam a ser ditados pelos torturados. O
menor favor feito à vítima é recebido com profunda gratidão. Inclusive há casos
em que as vítimas chegam a sentir “amor” por seus torturadores. Tal estado
psicológico tem sido utilizado com êxito pelo PCCh desde longo tempo tanto
para submeter seus inimigos como para controlar a mente do povo e reformular
seus pensamentos.

O Partido é o que há de mais perverso.

Os primeiros 10 secretários gerais do PCCh foram rotulados de anticomunistas.


Certamente, o PCCh tem vida própria, é um corpo independente. O Partido é
quem decide o destino de seus lideres e não o contrário. Nas “áreas soviéticas”
da província de Jiangxi, cercado pelo KMT e com sua sobrevivência em jogo, o
PCCh, do mesmo modo, realizou limpezas internas, buscando derrotar as Forças
Antibolcheviques (AB): executava seus próprios soldados durante a noite e os
apedrejava para economizar balas. Na província de Shaanxi, com o exército
japonês de um lado e o KMT do outro, o PCCh começou o movimento de
retificação de Yan’an, que resultou na morte de inúmeros membros do Partido.
A constante repetição deste tipo de massacre em escala tão ampla não impediu
o PCCh de estender seu poder e chegar a governar a China. O PCCh estendeu
esse modelo de disputa interna e de se matar uns aos outros entre os membros
do Partido das pequenas áreas de domínio soviético para todo o país.

O PCCh se comporta como um tumor maligno: em seu crescimento frenético, o


núcleo do tumor está morto, porém ele continua se espalhando para todos os
órgãos saudáveis ao seu redor. Uma vez que se infiltra nesses órgãos, novos
tumores surgem. Não importa o quão boa seja uma pessoa, uma vez que ela se
une ao PCCh, ela é mais uma parte dessa força destrutiva. Quanto mais honrada
e reta for uma pessoa mais destrutiva ela se tornará. Sem dúvida, o tumor do
PCCh seguirá crescendo até que já não exista mais nada sadio de que se
alimentar. Então, o tumor seguramente morrerá.

O fundador do PCCh, Chen Duxiu, foi um intelectual e um líder do Movimento


Estudantil de Quatro de Maio. Chen não era partidário da violência e advertiu os
membros do PCCh que se eles tentassem converter o KMT à ideologia comunista
ou tivessem muito interesse pelo poder, isso certamente levaria a relações
tensas. Chen, um dos mais ativos da geração de Quatro de Maio, era uma
pessoa tolerante. Entretanto, ele foi o primeiro a ser etiquetado de “oportunista
de direita”. Outro líder do PCCh, Qu Qiubai, acreditava que os membros do PCCh
deveriam participar de lutas armadas, organizar rebeliões, derrotar as
autoridades e utilizar meios extremos para devolver à sociedade chinesa ao seu
estado normal. Entretanto, antes de morrer, Qu Qiubai, confessou: “Eu não

31/182
quero morrer como um revolucionário. Deixei o movimento já faz muito tempo.
A história pregou uma peça ao me trazer, um intelectual, ao cenário da
revolução durante tantos anos. Ainda hoje, não pude superar minhas próprias
idéias aristocráticas. Além disso, depois de tudo isso, eu nunca pude me tornar
um guerreiro da classe proletária26”.

O líder do PCCh, Wang Ming, por ordem do Komintern, defendeu a união com o
KMT na resistência contra os japoneses em lugar de expandir as bases do PCCh.
Em reuniões do PCCh, Mao Tsé-tung e Zhang Wentian não puderam persuadir
seu camarada nem revelar a verdade da situação: a limitada força do Exército
Vermelho não seria capaz de conter sequer uma divisão do exército japonês. Se,
contra o bom senso, o PCCh tivesse decidido lutar, a história da China seria sem
dúvida diferente. Mao Tsé-tung não teve alternativa senão se calar. Mais tarde,
Wang Ming foi expulso primeiro por ter sido considerado uma facção que se
desviou do pensamento de esquerda e, depois, como um oportunista de direita.

Hu Yaobang, outro secretário do Partido, lutou para que se fizesse justiça às


muitas vítimas inocentes que haviam sido condenadas durante a Revolução
Cultural, e, por causa disso, conquistou o coração do povo. Contudo, foi
obrigado a renunciar em janeiro de 1987. Zhao Ziyang27 quis fazer reformas
mais profundas no PCCh e isso trouxe conseqüências nefastas para ele.

Sendo assim as coisas, o que poderia aspirar qualquer novo líder do PCCh?
Reformar de verdade o PCCh implicaria na morte do Partido. O PCCh tiraria
rapidamente do poder quem tentasse uma reforma. Existe um limite definido
para o que os membros do partido podem fazer para mudar o PCCh. Por outro
lado, não existe possibilidade alguma de que reformas no PCCh sejam bem
sucedidas.

Se todos os líderes do PCCh se converterem em “pessoas más”, como poderá o


PCCh propagar sua revolução? Muitas vezes quando o PCCh estava no auge, até
os líderes mais maus - os oficiais mais graduados - perderam seus postos
quando seus níveis de maldades não eram suficientemente altos para os
padrões do Partido. Somente os mais perversos passam na seleção. Muitos
líderes do Partido acabaram suas vidas políticas tragicamente, no entanto, o
PCCh sobreviveu. Os líderes do PCCh que se mantiveram em seus postos não
foram aqueles que podiam controlar o Partido, mas aqueles que souberam
interpretar suas intenções perversas e segui-las. Essas pessoas fortaleceram a
capacidade do Partido de sobreviver às crises, se entregaram por inteiro à causa
do Partido. Portanto, não é de se estranhar que seus membros possam lutar
contra o Céu, contra a Terra e contra os seres humanos, mas nunca contra o
Partido. São instrumentos domesticados do PCCh ou, no melhor dos casos, uma
relação simbiótica com ele.

A falta de vergonha se tornou uma característica do PCCh. Segundo o PCCh,


todos os seus erros foram de indivíduos, cometidos pelos líderes do Partido. Por
exemplo, por Zhang Guotao ou a Gangue dos Quatro28. Mao Tsé-tung foi
julgado pelo PCCh como tendo três partes de erro e sete partes de acerto,
enquanto que Deng Xiaoping considerou a si mesmo como tendo quatro partes
26
De Qu Qiubai, “Umas poucas palavras a mais”, de 23 de maio de 1935, antes de
morrer em 18 de junho de 1935.
27
O último dos 10 secretários gerais do PCC, que foi dispensado por causa de
desacordo quanto ao uso de força para acabar com a manifestação estudantil da
Praça Celestial, em 1989. Foi colocado em prisão domiciliar. Faleceu em 17 de janeiro
de 2005, aos 85 anos.

32/182
de erro e seis de acerto. Entretanto, o Partido nunca esteve errado. E, mesmo
quando o Partido se equivocou, foi ele que corrigiu os erros. Por isso, o Partido
diz a seus membros para “olhar para frente” e “não ficar preso ao passado”.
Tudo é mutável no PCCh: o paraíso comunista pode se converter no modesto
desejo de comida e proteção socialista; o marxismo-leninismo pode ser
substituído pelos “Três Representantes”. Ninguém deveria se surpreender se
visse o PCCh promovendo a democracia e a liberdade de crença, abandonando
Jiang Zemin da noite para o dia, ou reavaliar a perseguição a Falun Gong, se tais
coisas fossem necessárias para que o poder fosse mantido. Contudo, a algo que
nunca mudará no PCCh, o seu objetivo básico: sobreviver e manter o poder e o
controle.

O PCCh juntou violência, terror e doutrinamento em situações de alta pressão


para assim formar a sua base teórica, a qual se converteu na natureza do
Partido, seus princípios supremos, o espírito de seus líderes, seu mecanismo de
funcionamento e critério de atuação para seus membros. O Partido Comunista é
duro como aço e sua disciplina é sólida como ferro. As intenções de seus
membros devem estar unificadas, e suas ações devem estar em total acordo com
agenda política do Partido.

Conclusão.

Por que a história escolheu o Partido Comunista ao invés de qualquer outra


força política na China? Todos sabem que existem duas forças neste mundo,
duas opções. Uma é velha e perversa, e sua meta é fazer o mal e escolher o
negativo. A outra força é reta e boa, nela prevalece o certo e o bom. O PCCh foi
uma escolha das forças velhas. A razão dessa escolha é justamente porque o
PCCh conseguiu reunir toda a maldade do mundo, seja da China o de qualquer
outro país, do passado até o presente. Sabe muito bem como se utilizar e se
aproveitar da bondade inata das pessoas para enganar e, passo a passo,
adquiriu sua atual capacidade de destruir.

O que o PCCh quer dizer quando diz que não haveria uma nova China sem ele?
Desde sua fundação, em 1921, até assumir o poder, em 1949, as evidências
mostram claramente que sem enganar e usar a violência, o PCCh não estaria no
governo hoje. O PCCh difere de qualquer outro tipo de organização que seguiu a
ideologia do marxismo-leninismo, e faz o que bem entende. Pode explicar tudo
aquilo que realiza com altas teorias e levá-las inteligentemente a certos setores
das massas, assim justificando todas as suas ações. Transmite propaganda
política, a todo o momento, na qual veste uma roupagem com suas estratégias e
diferentes princípios e teorias, e sempre mostra estar no caminho correto.

O desenvolvimento do PCCh tem sido um processo de acumulação de maldades,


sem nada de glorioso nele. A história do PCCh conta com precisão sobre a
ilegitimidade do seu poder político. O povo chinês não escolheu o PCCh, ao
contrário, foi o PCCh que impôs o comunismo - um fantasma forasteiro do mal
- ao povo chinês mediante o uso dos traços perversos que herdou do Partido

28
A “Gangue dos Quatro” era integrada pela esposa de Mao Tsé-tung, Jiang Qing (1913-
1991); Zhang Chunqiao (1917-1991), funcionário do Departamento de Propaganda; o
crítico literário Yao Wenyuan (1931), e Wang Hongwen (1935-1992), guarda da
segurança de Xangai. Sua influência começou durante a Grande Revolução Cultural
(1966-1976) e dominou a política chinesa durante o início dos anos 70.

33/182
Comunista original: ser mal, enganar, incitar, liberar a escória social, espionar,
roubar, lutar, matar, e controlar.

34/182
Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 3 – O Terceiro dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

A Tirania do Partido Comunista Chinês - PCCh

35/182
Introdução

Quando se fala de tirania, os chineses logo se recordam do regime opressivo de


Qin Shi Huang (259-210 a.C.), primeiro imperador da dinastia Qin, que queimou
os livros de filosofia e enterrou vivos os estudiosos de Confúcio. O tratamento
cruel de Qin Shi Huang para com seu povo decorreu de sua política de “manter a
autoridade com todos os recursos que há debaixo do Céu29”. Tal política tinha
quatro aspectos básicos: cobrar impostos excessivamente altos; desperdiçar o
trabalho do povo com projetos para glorificar a ele próprio, o imperador;
praticar brutalidades apoiado em duras leis, inclusive estendendo o castigo para
familiares e pessoas próximas do infrator; e tentar controlar a mente do povo
através de bloqueio da expressão intelectual, queimando livros e enterrando
vivos os intelectuais.

No regime de Qin Shi Huang, a população da China era de cerca de 10 milhões


de habitantes; o imperador recrutou mais de dois milhões de elas para fazer
trabalhos forçados. Qin Shi Huang também estendeu suas duras leis ao campo
intelectual, proibindo a liberdade de pensamento em todos os níveis. Durante
seu governo, foram assassinados estudiosos do confucionismo e pessoas que
criticavam seu governo.

Hoje, a violência e os abusos do Partido Comunista Chinês (PCCh) são ainda


mais severos do que durante a tirânica dinastia Qin. A ideologia do PCCh tem a
luta armada como seu principal elemento; seu regime foi construído através de
uma série de “lutas de classe”, “lutas entre linhas de condução” e “lutas
ideológicas”, tanto dentro como fora da China. Mao Tsé-tung, o primeiro líder
do PCCh da República Popular da China, fundada em 1949, falou sobre isso de
maneira aberta e categórica; “O imperador Qin Shi Huang não fez grande coisa
da qual possa se vangloriar. Ele matou apenas 460 estudiosos de Confúcio, mas
nós matamos 46.000 intelectuais. Há pessoas que nos acusam de praticar uma
ditadura como a de Qin Shi Huang; não negamos que isto é verdade. O problema
é que não nos dão crédito suficiente e, então, nós temos que fazer mais30”.

Vamos repassar os 55 duros anos da China sob o regime do PCCh. Com sua
ideologia a “luta de classe” aparece em primeiro lugar, desde que tomou o
poder, o PCCh cometeu amplos genocídios de classes sociais; ele conseguiu seu
reinado de terror através de violenta revolução. Matar e lavagem cerebral
andaram de mãos dadas para que o PCCh pudesse eliminar qualquer outra
crença que não fosse a teoria comunista e pudesse se colocar como um “deus”
infalível. O PCCh fez seguidas campanhas para se mostrar infalível e se colocar
com um “deus”. Seguindo sua política de luta armada e de revolução violenta, o
PCCh eliminou seus dissidentes e opositores, usando de violência e mentiras,
para assim converter povo chinês em dócil serviçal do seu regime tirânico.

29
Do livro “Anais de comidas e produtos básicos”, em “História da antiga dinastia Han
(Han Shu)”.
30
Qian Bocheng, “Cultura oriental”, quarta edição, 2000 - China.

36/182
I. Reforma Agrária: eliminar a classe dos proprietários de terra.

Apenas três meses depois de estabelecida a China comunistas, o PCCh anunciou


a eliminação da classe dos proprietários de terra como condição básica para que
pudesse realizar seu programa nacional de reforma agrária. O slogan do PCCh
“terra para quem trabalha nela” estimulou o lado egoísta dos camponeses, sem
terras, para que lutassem contra os proprietários de terra, sem considerar as
implicações morais desse ato. O programa de reforma agrária deixava clara a
necessidade de se “eliminar a classe dos proprietários de terra” e classificava a
população rural em várias categorias sociais. Nada menos do que 20 milhões de
habitantes das áreas rurais foram considerados “proprietários de terra,
agricultores ricos, reacionários ou maus elementos”. Estes novos expropriados
sofreram discriminação, humilhação e a perda dos direitos civis; entraram para a
categoria dos “cidadãos de baixa categoria”. Como a reforma agrária buscava se
estender para lugares remotos e para os povoados de minorias étnicas, as
organizações do PCCh se expandiram rapidamente. Os comitês e sucursais do
Partido se disseminaram rapidamente por toda a China, sequer uma aldeia foi
deixada de fora. Os comitês locais se converteram em porta-vozes do Comitê
Central; estavam à frente das lutas de classe e incitavam os camponeses a
lutarem contra seus senhores. Cerca de 100.000 proprietários de terra
morreram durante esta fase. Em certas áreas, o PCCh e os camponeses mataram
famílias inteiras de proprietários de terra, sem olhar sexo ou idade. A idéia era
eliminar por completo a classe dos proprietários de terra.

Nesse meio tempo, o PCCh lançou sua primeira campanha de propaganda na


qual declarava: “o líder Mao é o salvador do povo” e “somente o PCCh pode
salvar a China”. Durante a reforma agrária, os “sem terra” obtinham o que
queriam através da política do PCCh de “colher sem semear”, roubar sem se
preocupar com as conseqüências. Muitos camponeses pobres atribuíam a
melhora nas condições de vida ao PCCh e deram crédito à propaganda oficial
que dizia que o PCCh trabalhava para o interesse do povo.

Para esses “novos donos das terras”, os dias felizes da “terra para quem trabalha
nela” duraram pouco. Em menos de dois anos, o PCCh impôs uma série de
regras: grupos de ajuda mútua, cooperativas de vários tipos. Criticando o passo
lento do povo e comparando-o a “mulheres de pés atados31”, o PCCh, ano após
ano, aumentava a pressão sobre os camponeses para que chegassem “correndo
ao socialismo”. Mediante uma política nacional de unificação da compra e venda
de grãos, algodão e óleo de cozinha, não foi mais possível comercializar ou
trocar produtos agrícolas em mercado livre. Além disso, o governo comunista
estabeleceu um sistema de registro residencial que impedia que os camponeses
pudessem se mudar para as cidades ou vilas para morar ou trabalhar. Aqueles
que tinham seu domicílio registrado em áreas rurais não podiam comprar grãos
em armazéns controlados pelo governo e seus filhos eram proibidos de estudar
nas cidades. Os filhos de camponeses só podiam ser camponeses. Desta forma,
360 milhões de residentes rurais, no princípio dos anos 50, se converteram em
cidadãos de segunda categoria.

A partir de 1978, durante os 5 anos que se seguiram a passagem do sistema de


contrato coletivo para um contrato por domicílio, alguns dos 900 milhões de
camponeses melhoraram ligeiramente suas rendas e condição social. Contudo,
este insignificante benefício se perdeu logo devido a uma estrutura de preços
que privilegiava a manufatura em detrimento dos produtos agrícolas. Como
31
N.T.: Na China era costume amarrar os pés das mulheres para que não crescessem, e
isto dificultava em muito o caminhar.

37/182
resultado, os camponeses caíram novamente em extrema pobreza. A diferença
entre a renda da população urbana e a rural cresceu enormemente e continuou a
aumentar. Surgiram novos proprietários de terra e camponeses ricos nas áreas
rurais. Dados publicados pela agência de notícias Xinhua, porta-voz do governo,
indicam que desde 1997: “A renda dos camponeses nas áreas de maior
produção de grãos permaneceu a mesma e, em alguns casos, até caiu”. Ou seja,
a renda dos camponeses não aumentou nem diminuiu. Mas, a relação entre a
renda urbana e a rural passou de 1,8:1, nos anos 80, para 3,1:1 hoje em dia.

II. Reforma na indústria e no comércio: eliminar a classe capitalista.

Outra classe que o PCCh queria eliminar era burguesia nacional que detinha o
capital nas cidades e centros rurais. Durante a reforma industrial e comercial, o
PCCh afirmava que a classe capitalista e a trabalhadora eram essencialmente de
naturezas diferentes: a primeira era a classe exploradora e a segunda a classe
não exploradora e anti-exploradora. Segundo esta lógica, a classe capitalista
nacional havia nascido para explorar e não deixaria de fazê-lo até sua total
exterminação: só podia ser eliminada, pois não podia ser reformada. Sob esta
premissa, o PCCh tanto matou como também anulou capitalistas e comerciantes
através da lavagem cerebral. O PCCh recorreu ao seu já testado método de
aceitar o obediente e eliminar os rebeldes. Se alguém entregasse seus bens ao
Estado e aprovasse o Partido, isso era considerado um problema menor. Se, por
outro lado, alguém não aprovava ou se queixava da política do PCCh, era
catalogado como reacionário e se tornava mais um alvo da ditadura draconiana
do PCCh.

Durante o reinado de terror durante tais reformas, todos os capitalistas,


proprietários e comerciantes entregaram seus ativos. Muito não podiam
agüentar a humilhação e se suicidavam. Chen Yi, prefeito de Shanghai,
perguntava todos os dias: “Quantos pára-quedistas nós tivemos hoje?”, se
referindo ao número de burgueses que haviam se suicidado naquele dia pulando
de edifícios. Em poucos anos, o PCCh eliminou completamente na China a
propriedade privada.

Enquanto levava adiante seus programas de reforma agrária e industrial, o PCCh


lançou vários movimentos maciços de perseguição contra o povo. Entre eles
estavam: a supressão dos contra-revolucionários, campanhas de reforma do
pensamento, limpeza da camarilha anti-PCCh encabeçada por Gao Gang e Rao
Shushi, e a investigação do grupo contra-revolucionário de Feng32. Entre 1951 e
1952, criou dois movimentos nacionais para perseguição em grande escala de
contra-revolucionários, chamados de “Campanha dos Três Anti33” e a
“Campanha dos Cinco Anti34” com a finalidade de eliminar a corrupção pela
perseguição de burocratas, pessoas do Partido, do governo, do exército e de
organização de massas. O PCCh empregou tais movimentos para perseguir
brutalmente uma grande quantidade de inocentes.

32
Gao Gang e Rao Shushi eram membros do Comitê Central. Depois de uma tentativa
infrutífera para obter maior poder, em 1954, foram acusados de conspirarem contra o
PCC e foram expulsos do Partido. Hu Feng, erudito e crítico literário, se opôs a política
de literatura doutrinária do PCC. Foi expulso do Partido em 1955 e sentenciado a 14
anos de prisão.
33
A luta contra a corrupção, o desperdício e a burocracia.
34
A luta contra o suborno, a sonegação de impostos, a fraude, o roubo da propriedade
estatal e a obtenção de informações privilegiadas.

38/182
Em cada campanha política, o PCCh mobilizava seu aparato estatal junto com os
comitês e as agências do Partido. Três membros do Partido formaram um
pequeno grupo de combate que se infiltrava em todos os bairros e vilas. Estes
grupos estavam em todas as partes, estavam em todos os lugares. Uma rede de
controle que cobria tudo - herança dos anos de guerra do PCCh contra o Japão e
o Kuomintang (Partido Nacionalista, KMT) - desempenha desde então uma papel
crucial nos futuros movimentos políticos do Partido.

III. A repressão às religiões e perseguição a grupos religiosos.

Outra das atrocidades cometidas pelo regime comunista foi, após a fundação da
República Popular da China, fazer uma brutal repressão contra as religiões e
proibir grupos religiosos. Em 1950, o PCCh instruiu a seus governantes locais
para que proibissem todos os credos religiosos e todas as sociedades não
oficiais. O PCCh declarou que tais grupos “feudais subterrâneos” eram meras
ferramentas nas mãos dos proprietários de terra, dos camponeses ricos, dos
reacionários e dos agentes secretos do KMT. Nesta perseguição de alcance
nacional, o governo mobilizou as classes nas quais ele confiava para que
encontrassem e perseguissem “os agentes secretos do KMT”. Diferentes níveis
governamentais participaram diretamente na desintegração desses grupos
considerados “supersticiosos”: comunidades cristãs, católicos, taoístas (em
especial aqueles praticantes de Yi Guandao) e budistas. Intimaram a todos os
integrantes de igrejas, templos e sociedades religiosas a se registrarem nas
agências governamentais e para que se arrependessem de seus atos. Não
obedecer implicava em severos castigos. Em 1951, o governo promulgou leis
oficiais pelas quais aqueles que continuassem em suas atividades religiosas
poderiam ser condenados à prisão perpétua ou à pena de morte.

Esta perseguição caiu sobre um grande número de pessoas de bom coração e


respeitosas das leis e que acreditavam em Deus. Dados incompletos mostram
que o PCCh perseguiu, durante a década de 1950, pelo menos três milhões de
religiosos e membros de grupos não oficiais, uma parte dos quais foi morta. O
PCCh registrou quase todos esses lugares e interrogou exaustivamente essas
pessoas. Inclusive, o PCCh chegou a destruir as estatuas do “Deus da Cozinha”,
tradicionalmente venerado pelos camponeses chineses. As execuções sumárias
reforçavam a mensagem do PCCh de que o comunismo era a única ideologia e fé
legitima. Logo surgiu a noção de “crentes patrióticos”. Somente estes tinham a
proteção da Constituição Nacional. A situação era que, qualquer que fosse a
religião da pessoa, só havia um critério possível: seguir as instruções do PCCh e
saber que o PCCh estava acima de todos os credos. Se a pessoa era um cristão,
agora o Partido era o Deus do Deus cristão. Se a pessoa era um budista, então o
PCCh era o Mestre Buda do Buda. Entre os mulçumanos, o PCCh era o Alá de Alá.
E, quanto a um Lama Vivo do Budismo Tibetano, o Partido intervinha e decidia
quem seria o Lama Vivo. O Partido não deixou opção a não ser dizer e fazer o
que ele mandasse. Todos os religiosos deviam cumprir as determinações do
Partido e sustentarem seus credos na aparência. Se não faziam assim, eram
alvos de medidas repressivas da ditadura comunista.

Em uma reportagem publicada em 02/2002 na revista virtual “Humanidade e


Direitos Humanos”, mais de 20.000 cristãos realizaram uma pesquisa entre as
560.000 igrejas que funcionavam em domicílios de 207 cidades de 22
províncias da China. O estudo mostrou que daqueles que iam a essas igrejas
domésticas, 130.000 eram vigiados pelo governo. Segundo um livro publicado
em 1958, até 1957, o PCCh havia assassinado mais de 11.000 religiosos, sendo
que muitos mais haviam sido presos arbitrariamente e extorquidos.

39/182
Eliminada a classe dos proprietários de terra e dos capitalistas, e perseguida
grande quantidade de religiosos e pessoas cumpridoras das leis, o PCCh limpou
o caminho para que o Partido se convertesse na única religião da China.

IV. O Movimento Antidiretistas: lavagem cerebral em todo o país.

Em 1956, um grupo de intelectuais húngaros formou o Círculo Petofi, que


promovia fóruns e debates de crítica ao governo húngaro. O grupo impulsionou
uma revolução nacional nesse país, mas que foi esmagada pelos soldados da
ocupação soviética. Mao Tsé-tung aprendeu como esse evento húngaro. Em
1957, convocou os intelectuais chineses e outros grupos não comunistas para
“ajudar o PCCh a se reformar”. Este movimento foi conhecido como “Movimento
das Cem Flores” e tinha como lema: ”Deixar brotar cem flores; deixar que cem
escolas de pensamento debatam entre si”. Seu propósito real era que as pessoas
mostrassem seus “sentimentos anti-PCCh”; era uma armadilha. Em 1957, em
uma mensagem escrita aos chefes do PCCh das províncias, Mao Tsé-tung
revelou que sua intenção foi “encantar as serpentes para que saíssem de suas
tocas”; incitar os intelectuais a mostrarem suas opiniões em nome da liberdade
de pensamento e de mudanças e reformas no PCCh.

Na época, a propaganda encorajava as pessoas a exporem as suas opiniões, e


prometia e assegurava que o PCCh não faria represálias a qualquer opinião.
Entretanto, pouco tempo depois, o PCCh lançou o Movimento Antidiretista
rotulando de “direitistas” as 540.000 pessoas que se atreveram a expor suas
opiniões. Destas, 270.000 perderam seus empregos e outras 230.000 foram
classificadas como “direitistas moderadas” ou anti-socialistas. Alguém resumiu
as armadilhas políticas do PCCh para perseguir pessoas da seguinte forma:
encantar serpentes para que saiam de suas tocas; fabricar evidências de crimes,
e produzir flagrante para condenar com uma simples denúncia; atacar
cruelmente em nome do bem do povo; e obrigar a auto-incriminação e rotular
as pessoas de forma marcadamente cruel.

Quais foram as “opiniões e palavras reacionárias” desses intelectuais para que


fossem rotulados de “direitistas e anticomunistas” e fossem exilados em áreas
remotas e gélidas da nação por cerca de 30 anos? As “três principais teorias
reacionárias”, alvo de ataques freqüentes e intensos do PCCh, eram os discursos
de Luo Longji, Zhang Bojun e Chu Anping. Um olhar atento sobre o que eles
propunham mostra que seus desejos eram bastante sinceros e bons.

Luo sugeriu que fosse formada uma comissão, constituída pelo PCCh e vários
partidos “democráticos”, para investigar abusos nas campanhas “Três Anti” e
“Cinco Anti”, e nos movimentos para eliminar reacionários. Zhang sugeriu que
tanto o Comitê Político Consultivo e como o Congresso Popular tomassem parte
nas decisões do país (estes órgãos eram apenas consultivos e se limitavam a dar
sugestões e conselhos ao Conselho de Estado). Chu, por sua vez, sugeriu - já
que aqueles que não eram membros do PCCh também tinham boas idéias,
dignidade e senso de responsabilidade patriótica - que não havia necessidade
de designar um membro do PCCh para ser chefe de cada unidade de trabalho ou
de cada equipe subordinada à uma das unidades de trabalho. Também, não era
necessário que todo assunto, mesmo que não importante, tivesse que ser feito
do modo como determinavam esses membros do Partido.

Luo Longji, Zhang Bojun e Chu Anping expressaram o desejo de seguir o PCCh
e nenhuma de suas sugestões excedia os limites marcados pelas famosas
palavras do crítico e escritor Lu Xu (1881-1936): “Meu mestre sua roupa está

40/182
suja. Por favor, tire-a que eu a lavarei para o senhor”. Assim como Lu Xun, os
acusados de “direitistas” mostraram docilidade, submissão e respeito.

Nenhum desses “direitistas” condenados quis afrontar o PCCh; tudo o que eles
queriam era fazer críticas construtivas. Entretanto, e justamente por suas
sugestões, dezenas de milhares de pessoas perderam a liberdade, fato este que
trouxe sofrimento a muitas famílias. O que se seguiu foram movimentos como
“fazendo confidências ao PCCh”, “desmascarar os extremistas”, uma nova versão
da campanha dos “Três Anti”, e enviar os intelectuais para campos de trabalhos
forçados; tudo para apanhar os “direitistas” que não foram pegos na primeira
vez. Quem não concordasse com o membro do PCCh de cada unidade de
trabalho, especialmente com os secretários do Partido, era rotulado de anti-
PCCh. A direção do PCCh submetia tais pessoas a uma constante crítica ou as
enviava a campos de trabalhos para uma reeducação forçada. Algumas vezes, o
PCCh mandava famílias inteiras dessas pessoas para zonas rurais, ou proibia
que seus filhos de irem para escola, de servirem no exército ou de trabalharem
nas cidades ou proximidades. As famílias perdiam o seguro social e direito aos
serviços médicos públicos. Convertiam-se em membros inferiores da categoria
dos trabalhadores rurais ou em marginalizados entre os cidadãos de segunda
classe.

Depois da perseguição aos intelectuais, alguns de eles desenvolveram dupla


personalidade e opinião. Seguiram de perto o “Sol Vermelho” e se tornaram
“intelectuais permanentes da corte” do PCCh; faziam e falavam tudo aquilo que
o PCCh quisesse. Outros se tornaram reservados e se distanciaram de assuntos
políticos. Os intelectuais chineses, que tradicionalmente tinham forte senso de
responsabilidade com relação à nação, foram silenciados desde então.

V. O Grande Salto Avante: uma grande mentira para testar a lealdade do


povo.

Depois do movimento Antidiretista, os chineses passaram a temer a verdade.


Todos passaram a dar ouvido a mentiras e “histórias” inventadas; mentiras se
transformaram em verdades. O Grande Salto Avante foi um exercício coletivo da
mentira. O povo chinês, sob a direção do espectro malévolo do PCCh, fez coisas
descabidas, sem qualquer sentido. Tanto os que mentiam como aqueles que
ouviam as mentiras foram enganados. Nessa campanha mentirosa e ações sem
qualquer sentido, o PCCh impôs sua influência violenta e maléfica sobre o
mundo espiritual do povo chinês. Nessa época, as pessoas cantavam a canção
que promovia o Grande Salto Avante: “No Céu não há o Imperador de Jade; na
Terra não há o Rei dragão35. Eu ordeno que as três montanhas e aos cinco
desfiladeiros se afastem para que eu passe, porque aqui vou eu!”. Ano após ano,
foram impostas metas inviáveis: “alcançar uma produção de grãos de por mus”,
“duplicar a produção de aço” e “superar a Grã-Bretanha em dez anos e os
Estados Unidos em quinze”. Tal política de metas resultou em fome generalizada
que custou a vida de milhões.

Em 1959, durante o encontro do Comitê Central do Partido em Lushan, quem


dos participantes não concordaria com a opinião do general Peng Dehuai36 de
que o Grande Salto Avante de Mao Tsé-tung era um absurdo? Entretanto, a
35
Entidades espirituais tradicionalmente reverenciadas pelos Chineses.
36
Peng Dehuai (1898-1974): general e líder político do comunismo chinês. Peng foi
comandante chefe na Guerra da Coréia, foi vice-ministro do Conselho de Estado,
membro do Politburo e ministro de Defesa entre 1954 e 1959. Foi deposto de suas
funções por discordar das idéias de Mao Tsé-tung, no Plenário de Lushan de 1959.

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decisão de apoiar Mao marcava a linha divisória entre lealdade e traição; em
outras palavras, a linha entre viver ou morrer. Citando uma história popular na
China: quando Zhao Gao37 disse que um cervo era um cavalo, logicamente ele
sabia a diferença entre ambos, mas, propositadamente chamou a um cervo de
cavalo para controlar a opinião das pessoas, silenciá-las e expandir seu poder.
O resultado desse encontro do Partido, em Lushan, foi que Peng Dehuai se viu
obrigado a assinar uma carta na qual era condenado e expulso do governo. Do
mesmo modo, nos últimos anos da Revolução Cultural, Deng Xiaoping foi
obrigado a prometer que nunca apelaria da decisão do governo de destituí-lo do
cargo que ele ocupava.

A sociedade conta com a experiência acumulado do passado para entender o


mundo e expandir seus horizontes. Entretanto, o PCCh tem impedido que as
pessoas possam aprender com as lições da história. A censura do governo
chinês sobre os meios de comunicação contribui para reduzir a capacidade das
pessoas de distinguir entre o bom e o mau. Ao longo da trajetória do PCCh, as
novas gerações de chineses só têm podido escutar o ponto de vista do Partido,
sem poder ter acesso à verdade dos fatos e a seu passado. Somente conhecem
fragmentos remontados dos fatos. São incapazes de entender ou julgar novas
situações. Assim, pensam estar corretos quando, na realidade, estão afastados
da verdade. A estratégia do PCCh de manter o povo desinformado e ignorante
tem sido levada ao extremo.

VI. A Revolução Cultural. A possessão do mal põe o mundo de cabeça para


baixo.

A Grande Revolução Cultural foi uma grande armação montada pelo “espectro
comunista” para possessão de todo o país. Em 1966, nova onda de violência
tomou conta da China. “Um período de terror vermelho, como um dragão
enlouquecido, fez tremer as montanhas e congelar os rios”. O escritor Qin Mu
descreve assim tal período.

“Foi realmente uma calamidade sem precedentes. O PCCh aprisionou milhões de


pessoas por seus vínculos com famílias indiciadas pelo Partido, tirou a vida de
milhões, desintegrou famílias, transformou filhos e jovens em rufiões e vilãos,
queimou milhões de livros, destruiu monumentos históricos, profanou tumbas.
Quantas maldades feitas em nome dessa revolução cultural.” Quantas pessoas
morreram? Segundo cifras conservadoras, o número de mortes não naturais na
China durante a Revolução Cultural ultrapassou a 7.730.000 pessoas.

As pessoas sempre pensam erroneamente que a violência e o massacre da


Revolução Cultural aconteceram sob um estado de anarquia gerado pelos
movimentos rebeldes, e que foram as Guardas Vermelhas e os rebeldes que
cometeram os assassinatos. Entretanto, segundo as publicações dos milhares de
anuários oficiais dos condados chineses, durante a Revolução Cultural, o pico de

37
Zho Gao (data de nascimento desconhecida - morte em 210 a.C.): chefe eunuco
durante a dinastia Qin. Em 210 a.C. - logo após a morte do imperador Qin Shi Huang
- Zhao Gao, junto como o primeiro ministro Li Si e o 2º filho do imperador, Hu Hai,
falsificaram dois desejos do imperador e assim fizeram de Hu Hai o novo imperador, e
ordenaram que príncipe coroado, Fu Su, se suicidasse. Com o tempo, surgiram
conflitos entre Zhao Gao e Hu Hai. Zhao levou um cervo até a corte real e disse que
era o animal era um cavalo. Somente um punhado de funcionários se atreveu a
contradizê-lo e afirmar que aquele animal era um cervo. Zhao Gao considerou que tais
funcionários estavam contra ele os destituiu de suas posições na corte.

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mortes não naturais não foi em 1966, quando as Guardas Vermelhas exerciam
controle sobre a maioria das organizações do governo, nem em 1967 quando os
rebeldes lutaram com armas contra vários grupos, mas sim em 1968, quando
Mao recuperou o controle do país através do estabelecimento de “distintos
níveis de comitês revolucionários”. A violência abusiva e as matanças sangrentas
foram feitos em sua maioria por tropas e milícias do governo, e por membros do
PCCh.

Os exemplos a seguir mostram que a violência durante a Revolução Cultural


derivou de decisões políticas do PCCh envolvendo seus órgãos locais, e não do
comportamento extremado das Guardas Vermelhas ou dos rebeldes. O PCCh
ocultou a investigação direta disso e a responsabilidade de líderes do Partido e
de funcionários do governo nessas ações violentas.

Em agosto de 1966, as Guardas Vermelhas de Pequim expulsaram da cidade os


residentes que haviam sido classificados em movimentos anteriores como
“proprietários de terra, camponeses ricos, reacionários, mau elementos e
direitistas”, e os obrigaram a irem para zonas rurais. Cifras oficiais parciais
mostram que 33.695 residências foram inspecionadas e que 85.196 moradores
foram expulsos de Pequim para os lugares de origem de suas famílias. Esta ação
se espalhou rapidamente para todas as outras grandes cidades e resultou na
expulsão para o campo de mais de 400.000 pessoas residentes nas cidades.
Inclusive foram exilados funcionários com altos cargos no PCCh que tinham pais
proprietários de terra.

Na realidade, o PCCh planejou esta campanha de expulsão antes do começo da


Revolução Cultural. Peng Zhen, um ex-prefeito de Pequim, declarou que os
habitantes da capital da China, Pequim, deveriam ter uma ideologia pura como
“vidro ou cristal”; em outras palavras, todos os seus moradores com maus
antecedentes de classe deveriam ser expulsos da cidade. Em maio de 1966, Mao
ordenou que seus subordinados “protegessem a capital” e estabeleceu na cidade
de Pequim uma equipe de trabalho conduzida por Ye Jianying, Yang Chengwu e
Xie Fuzhi. Uma das tarefas desta equipe foi precisamente usar a polícia local
para expulsar os moradores de Pequim que tivessem maus antecedentes de
classe.

Isto ajuda a entender o fato de que o governo e o departamento de polícia não


somente não intervieram como deram apoio as Guardas Vermelhas enquanto
estas saqueavam residências e expulsavam mais de 2% da população de Pequim.
O então ministro de Segurança Pública, Xie Fuzhi, pediu à polícia que não
interferisse nas ações das Guardas Vermelhas e que, ao contrário, as apoiassem
e fornecessem informação a elas. De fato, o regime comunista do PCCh utilizou
as Guardas Vermelhas para levar adiante uma ação planejada: em final de 1966,
os membros das Guardas Vermelhas foram abandonados pelo PCCh. Muitos de
eles foram catalogados como contra-revolucionários e presos; outros foram
enviados para o campo, juntamente com jovens da capital, para serem
submetidos a trabalhos forçados e reformularem seus pensamentos. As Guardas
Vermelhas do oeste da cidade que haviam encabeçado a expulsão dos
moradores foi organizada sob a orientação do PCCh. A ordem de incriminar as
Guardas Vermelhas foi dada logo depois de uma revista ao local pelo secretário
geral do Conselho de Estado.

Os moradores expulsos de Pequim por “seus maus antecedentes de classe”


tiveram de suportar outra perseguição: a perseguição aos “maus elementos”
iniciada nas zonas rurais. Em 26 de agosto de 1966, durante uma reunião do

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Departamento de Segurança Pública de Daxing (Pequim), foi transmitida uma
mensagem do ministro da Segurança Pública, Xie Fuzhi, segundo a qual dizia
que a polícia local deveria assessorar as Guardas Vermelhas nas inspeções de
lugares e no fornecimento de informações sobre as “cinco classes pretas”
(proprietários de terra, agricultores ricos, reacionários, maus elementos e
direitistas), ajudá-los na invasão de casas.

O vergonhoso Massacre de Daxing38 ocorreu como resultado das instruções


dadas pela polícia daquele condado. Seus organizadores foram o chefe e o
secretário de polícia, este último do PCCh. Os assassinos, os policiais, em sua
maioria, sequer pouparam a vida de crianças.

Muitas pessoas conseguiram ingressar no PCCh por seu “bom comportamento”


durante massacres desse tipo. Segundo estatísticas parciais da cidade de
Guangxi, cerca de 50.000 membros do PCCh participaram dessas matanças.
Destes, 9.000 foram admitidos imediatamente no Partido após matar alguém, e
mais de 19.000 outros membros estiveram envolvidos de uma maneira ou de
outra nesses assassinatos.

Durante a Revolução Cultural, a ideologia de classes do PCCh também se


aplicava aos golpes dados. Se os “maus” eram golpeados pelos “bons”, isso era
porque aqueles mereciam. Era uma honra para uma pessoa “má” bater em outra
“má”. Se uma pessoa “boa” golpeava uma outra pessoa “boa”, isto se tratava de
um mal entendido. Esta teoria inventada por Mao Tsé-tung foi amplamente
difundida durante os movimentos rebeldes. A violência e o assassinato se
propagaram como resultado dessa teoria de que, na luta de classe, os inimigos
eram merecedores de todo tipo de violência.

De 13 de agosto a 7 de outubro de 1967, os policiais do condado de Dao,


província de Hunan, massacraram os integrantes da organização “Vento e
Trovões de Xiangjiang” e as “cinco classes pretas”. O massacre durou 66 dias,
sendo que mais de 4.519 pessoas de 2.778 famílias foram mortas em 468
divisões administrativas de 36 comunas populares de 10 condados. Na
jurisdição inteira, com 10 condados, foram assassinadas 9.093 pessoas, das
quais 38% pertenciam as “cinco classes negras” e 44% eram filhos de pessoas
dessas “classes”. A vítima de maior idade tinha 78 anos, e a de menor, 10 dias
de vida.

Este é apenas um caso de violência, numa pequena área, durante a Revolução


Cultural. Na Mongólia, depois do estabelecimento do “Comitê Revolucionário”,
no início de 1968, o movimento de “limpeza e purificação” de classes sociais
feito pelo “Partido Popular Revolucionário da Mongólia” resultou no extermínio
de mais de 350.000 pessoas. Em 1968, dezenas de milhares de pessoas na
província de Guangxi participaram desse genocídio em massa organizado pela
facção rebelde “422”, com um número de vítimas superior a 110.000.
38
O Massacre de Daxing ocorreu em agosto de 1966 durante a mudança da liderança do
PCC em Pequim. Nesse momento, Xie Fuzhi, ministro de Segurança Pública, fez um
discurso numa reunião do Departamento de Segurança Pública de Pequim no qual
defendia a não intervenção nas ações das Guardas Vermelhas contra as “cinco classes
pretas”. De imediato, este discurso foi enviado a uma reunião do Comitê Permanente do
Departamento de Segurança Pública de Daxing. Depois da reunião, este idealizou um
plano para incitar as massas do município de Daxing para matar as “cinco classes
pretas”.
8
De Kang Youwei, “Compilação de escritos políticos”, 1981, Zhonghua Zhuju.

44/182
Estes casos mostram claramente que os extermínios de pessoas durante a
Revolução Cultural ocorreram por incitamento e instrução direta dos líderes do
PCCh, os quais fomentaram e utilizaram a violência para perseguir e exterminar
pessoas. Os assassinos que dirigiram e levaram adiante esses crimes cruéis
foram, em sua maioria, policiais, comandantes e membros chaves do PCCh e da
Liga da Juventude.

Durante a Reforma Agrária, o PCCh usou os camponeses para derrotar a classe


dos proprietários de terra. Na Reforma Industrial e Comercial, o PCCh utilizou a
classe trabalhadora para subjugar os capitalistas e obter ativos; e durante o
Movimento Antidiretista, o PCCh eliminou a todos os intelectuais que tinham
opiniões diferentes das dele. Qual foi o propósito de tantas mortes perpetradas
durante a Revolução Cultural? O PCCh usou um grupo para matar o outro, não
confiava em nenhuma classe. Mesmo que você fosse um trabalhador ou um
camponês, duas classes que o PCCh confiou no passado, se seu ponto de vista
divergisse daquele do Partido, sua vida estaria em perigo.

Sendo assim, no final, para que serviu tudo isso?

O objetivo foi tornar o comunismo a única religião dominante em todo o


país, controlando não somente o Estado mas também a mente de cada
pessoa.
O culto a personalidade de Mao Tsé-tung, “criar um Deus”, chegou ao apogeu
com a Revolução Cultural. As teorias de Mao deveriam ser utilizadas para tomar
qualquer decisão, ditava tudo. A visão de uma pessoa – Mao – havia se instalado
na mente de dezenas de milhões de pessoas. Na Revolução Cultural – algo sem
precedentes - de forma calculada e totalmente intencional, o PCCh “não dizia
para as pessoas o que elas não se podiam fazer”. Ao invés disso, ele enfatizava
“os que devia ser feito e como fazê-lo”. Tudo aquilo que estivesse fora destes
limites não poderia ser feito nem mesmo considerado.

Durante a Revolução Cultural, todo o povo chinês praticou um ritual do tipo


religioso: “Pedir instruções ao Partido pela manhã e prestar contas à noite”;
saudar o líder Mao várias vezes por dia desejando-lhe longevidade sem limite; e
pronunciar as “preces políticas” de Mao de manhã e de noite, todos os dias.
Quase todas as pessoas alfabetizadas se habituaram a escrever autocríticas e
informes de seus pensamentos. Mao Tsé-tung era citado o tempo todo, com
axiomas como: “Combata ferozmente qualquer pensamento próprio”; “Execute
as instruções recebidas se entendidas ou não, pois você obterá um maior
entendimento sobre elas ao executá-las”.

Só era permitido adorar a um “deus”, Mao, e somente se permitia estudar a uma


só escritura: Os Ensinamentos de Mao. Em pouco tempo, o endeusamento a Mao
chegou a tal ponto que não se podia comprar comida nos mercados de
alimentos se a pessoa não pronunciasse alguma das citações de Mao ou não
dedicasse a ele alguma benção ou agradecimento. Quando se fazia compras, se
tomava o ônibus, ou se fazia uma chamada telefônica, a pessoa tinha que recitar
alguma das citações de Mao, ainda que fosse irrelevante. Ao fazer tais coisas, a
pessoa era uma fanática, entusiasta ou passiva. Todos estavam sob o manto do
controle do espectro maligno do PCCh. Mentir, aceitar mentiras e confiar em
mentiras, se tornou o estilo de vida do povo chinês.

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VII. A Reforma e a Abertura Econômica: a violência aumenta com o tempo.

A revolução Cultural foi um período caracterizado pelo derramamento de


sangue, por mortes, sofrimento, perda de consciência e falta de clareza entre o
que é certo e o que é errado. Depois da revolução Cultural, a cúpula do PCCh
mudou de propaganda mais uma vez; o governo mudou de mão 6 vezes em 20
anos. A propriedade privada voltou à China; as diferenças entre o nível de vida
das cidades e o das zonas rurais ampliaram; a área desértica cresceu
rapidamente; os rios continuam se esgotando; e cresceu o uso de drogas e a
prostituição. Todos aquilo contra o qual o PCCh diz ter lutado está ai de volta,
novamente é tolerado ou permitido.

O coração cruel do PCCh, sua natureza traiçoeira, suas ações perversas e sua
capacidade de arruinar o país não param de crescer. Durante o Massacre da
Praça Celestial em 1989, o Partido mobilizou tropas e tanques para matar
estudantes que faziam protestos nessa praça. A cruel perseguição contra os
praticantes de Falun Gong39 constituiu algo ainda mais cruel. Em outubro de
2004, para confiscar terras de camponeses, o governo local da cidade de Yuli,
na província de Shaanxi, mobilizou 1.600 policiais e prendeu e fuzilou mais de
50 camponeses. O poder do governo chinês ainda segue firme a ideologia da
luta armada e a violência do PCCh. A única diferença em relação ao passado, é
que agora o Partido possui mais capacidade e recursos para enganar.

Criação de Leis: O PCCh nunca deixou de gerar conflitos entre as pessoas. O


PCCh perseguiu uma grande quantidade de cidadãos sob a alegação de serem
“reacionários”, “anti-socialistas”, “maus elementos” ou membros de “seitas
perversas”. A natureza totalitária do PCCh continua combatendo a todo tipo de
grupos e organizações civis. Em nome de “manter a ordem e a estabilidade
social”, o Partido muda aqui e ali a Constituição, as leis e regras para assim
poder justificar a perseguição a “reacionários” e a todos aqueles que discordam
dele.

Em julho de 1999, Jiang Zemin tomou a decisão pessoal, contra a vontade da


maioria dos membros do Politburo, de eliminar Falun Gong num prazo de três
meses; difamações e mentiras contra esta prática foram semeadas por toda a
China. Após Jiang Zemin ter acusado Falun Gong de ser uma “seita perversa” em
uma entrevista ao jornal francês Le Figaro, os propagandistas oficiais do
comunismo não tardaram em fabricar e publicar artigos onde incitava toda a
nação a se colocar contra Falun Gong. O Congresso Nacional do Povo se viu
obrigado a emitir uma “decisão” condenando cultos malignos sem definir isso
com precisão; pouco tempo depois, a Corte Suprema do Povo e a Suprema
Procuradoria do Povo emitiram uma “explicação” dessa “decisão”.

Em 22 de julho de 1999, a agência de notícias Xinhua difundiu discursos dos


líderes do Departamento de Organização e do Departamento de Propaganda do
PCCh, nos quais se aprovava publicamente a perseguição de Jiang Zemin contra
Falun Gong. O povo chinês se viu envolvido em uma armadilha de “trazer a ira
divina sobre a Terra”, simplesmente por causa de uma decisão do PCCh. O povo
chinês está limitado a obedecer ordens, não se atreve a levantar qualquer tipo
de oposição ou objeção.

39
N.T.: Uma prática de meditação baseada nos princípios: Verdade, Benevolência e
Tolerância. Surgida em 1992, em 1999, já contava com mais de 100 milhões de
praticantes. Falun Gong é mais conhecido no ocidente como Falun Dafa.

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Nos últimos cinco anos, o governo destinou 1/4 dos recursos econômicos da
nação para manter a perseguição contra Falun Gong. Os habitantes40 tiveram
que passar por um teste: todos aqueles que não negavam praticar Falun Gong
ou que se recusavam a abandoná-lo, perderam seus empregos e muitos foram
condenados a realizar trabalhos forçados. Os praticantes de Falun Gong não
violaram nenhuma lei, nunca traíram o país nem se opuseram ao governo;
somente acreditam em “Verdade, Benevolência e Tolerância”. Entretanto,
centenas de milhares de eles foram presos. Além disso, o PCCh impôs total
bloqueio às informações e aos fatos. Segundo informações confirmadas pelos
familiares, sabe-se que mais de 1.100 praticantes foram torturadas até a morte.
O número real de mortes é ainda muito maior.

Comunicação e Informação: Em 15/9/2004, o jornal Wenweipao, de Hong


Kong, publicou que o 20º satélite chinês teve problemas em seu regresso para a
Terra e que havia caído e destruído a casa de uma pessoa, Huo Jiyu, na cidade
de Penglai, condado de Dayin, província de Sichuan. A reportagem citava as
palavras do diretor do departamento governamental, Ai Yuqing, desse condado:
“Confirmadamente, aquela ‘mancha negra’ são os destroços do satélite”. Ai
Yuqing era o encarregado do projeto de recuperação do satélite. Entretanto, a
agência chinesa de notícias Xinhua somente fez menção ao retorno do satélite -
dando destaque ao retorno a China do 20º satélite científico experimental - sem
fazer qualquer menção sobre o fato do satélite ter caído sobre a casa e se
destruído. Este é um exemplo de como agem os meios de comunicação na
China: obrigados pelo PCCh, eles só informam boas notícias.

As mentiras e calúnias publicadas nos jornais e transmitidas pelas emissoras de


televisão ajudaram muito a implantação das políticas do PCCh e realização de
suas campanhas políticas. Os meios de comunicação acatam de imediato as
ordens do Partido. Quando o Partido quis iniciar um movimento antidiretistas, os
jornais de todo o país falavam com uma só voz sobre os crimes cometidos pela
direita. Quando o Partido quis estabelecer as comunas populares, os meios de
comunicação elogiaram os benefícios dessas comunas. No primeiro mês da
perseguição a Falun Gong, todas as emissoras de rádio e televisão não perderam
oportunidade para difamar Falun Gong nos horários de máxima audiência para
assim fazer uma lavagem cerebral no povo e colocá-lo contra esta prática.
Falsas notícias falam de suicídios e assassinatos cometidos por praticantes. Um
exemplo disso foi a “Auto-imolação na Praça Tiananmen”, condenada pela
Organização Internacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento da
Educação, com sede em Genebra, por ser tratar de uma farsa inventada e
montada pela mídia do governo para enganar o povo. Nos últimos cinco anos,
nenhum jornal ou canal de televisão da China Continental noticiou a verdade
sobre Falun Gong.

O povo chinês está acostumado com falsas notícias. Um conhecido jornalista da


agência de notícias Xinhua disse certa vez: “Como alguém pode ainda acreditar
nas informações da Xinhua?”. As pessoas até falam das agências de noticias
chinesas como o cachorro do PCCh. Há uma canção popular que diz: “Um
cachorro criado pelo Partido, que guarda os portões do Partido. Morderá
qualquer um que o Partido mandar; morderá quantas vezes o Partido mandar”.

Educação: Na China, a educação se converteu em outra ferramenta para


controlar o povo. Um dos propósitos básicos da educação é dar conhecimento e
40
N.T.: O número de praticantes de Falun Gong, segundo dados do próprio governo
chinês, por volta de 1998, estava entre 80 e 100 milhões, numero maior do que o de
membros do PCC.

47/182
bom juízo. “Conhecimento” se refere ao entendimento cabal da informação;
“juízo” se refere à capacidade de saber analisar, pesquisar, criticar e rever o
conhecimento – um processo de desenvolvimento do espírito crítico. Aqueles
que possuem conhecimento sem a capacidade de julgamento, são chamados
“ratos de bibliotecas”, não são verdadeiros intelectuais com consciência social.
Na China, historicamente sempre se respeitou muito os intelectuais com
capacidade de julgamento, entretanto, sob o controle do PCCh, o país está cheio
de eruditos que carecem de espírito crítico nem ousam exercê-lo.

Nas escolas chinesas, o objetivo é ensinar os estudantes a não fazer nada que o
Partido não mande. Nos últimos anos, as escolas começaram a ensinar, com
livros unificados, a política e história do PCCh. Os professores não acreditam no
conteúdo desses livros, porém são obrigados pelo Partido a ensinar isso; não é
levado em conta aquilo que os professores pensam. Os alunos também não
acreditam naquilo que está nesses livros nem no que dizem seus professores,
porém precisam aprendê-lo para passarem nas provas. Recentemente foram
incluídas perguntas sobre Falun Gong nos exames para ingressar nas escolas e
universidades mais concorridas. Aqueles alunos que não recitarem as “repostas
padrão”, não conseguem entrar nas melhores escolas e universidades. Se um
estudante se atrever a dizer a verdade, será expulso da escola e perderá a
oportunidade de acesso a educação formal.

No sistema de educação chinês, devido à influência dos jornais e documentos


publicados pelo governo, muitos provérbios e citações se tidos como verdade,
como por exemplo, o de Mao: “Nós devemos abraçar a quem nosso inimigo
rechaça, e rechaçar a quem nosso inimigo abraça”. O efeito negativo disso logo
se espalhou para todos os lugares: o coração das pessoas foi envenenado,
passando por cima da benevolência e negando o princípio moral de se viver em
paz e harmonia.

Em 2004, a Central de Notícias da China analisou uma pesquisa feita pela China
Sina Net, cujo resultado mostrou que 82,6% dos jovens chineses estão de acordo
com os abusos, durante uma guerra, contras mulheres, crianças e prisioneiros.
Este dado é uma surpresa muito desagradável, porém reflete a atual
mentalidade do povo chinês, em especial das gerações mais jovens, para as
quais faltam os conceitos tradicionais de governar com benevolência e de
reconhecer como universal a condição humana.

Em 11 de setembro de 2004, um homem esfaqueou de forma selvagem a 20


crianças na cidade de Suzhou. No dia 20 do mesmo mês, na província de
Shandong, um homem atacou com uma navalha a 25 estudantes de escola
primária. Um grupo de professores de escola primária obrigou seus alunos a
fabricarem manualmente fogos de artifícios para arrecadar fundos para essa
escola, resultando em explosão e morte de alunos.

Implantação de políticas: O PCCh sempre usou de ameaças para implantar


suas políticas. Um de seus métodos é a criação de slogans políticos. Durante
muito tempo, o PCCh utilizou o número de cartazes com slogans do partido que
uma pessoa exibia como critério para medir seu nível de compromisso político.
Durante a Revolução Cultural, Pequim amanheceu, da noite pro dia, inundada
com um “mar vermelho” de cartazes dizendo: “Abaixo aos capitalistas do Partido
do Governo”. Ironicamente, no campo, os cartazes foram abreviados para
“Abaixo ao Partido Governante”.

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Recentemente, para promover a Lei de Proteção Florestal, o órgão de proteção
florestal deu ordens a todos os seus departamentos para afixar certo número de
cartazes. Não alcançar a quantidade estipulada de cartazes era considerado não
cumprir essa tarefa. Assim, esses departamentos afixaram grande número de
cartazes com o slogan: “É proibido incendiar as montanhas. Quem o fizer será
preso”. Em um escritório de administração de controle de natalidade era possível
ver slogans mais intimidadores ainda: “Se uma mulher violar a lei de controle de
natalidade, toda a vila será esterilizada”, “É preferível uma tumba a outro bebê”
ou “Se ele não fizer vasectomia terá sua casa demolida; se ela não abortar,
confiscaremos suas vacas e terras”. Havia até slogans que violavam os direitos
humanos e a Constituição, como: “Amanhã dormirá na prisão todo aquele que
não pagar hoje os impostos”.

Um slogan é basicamente uma forma de propaganda direta e persuasiva. O


governo chinês sempre utilizou slogans para promover suas idéias, crenças e
posturas políticas. É uma forma de falar diretamente ao povo. Entretanto, os
slogans do PCCh transpiram violência e crueldade.

VIII. Lavagem cerebral em todo o país até convertê-lo em uma “prisão


mental”.

A arma mais eficaz do PCCh para manter seu regime tirânico é seu sistema de
controle. Com alto poder de organização, o Partido impõe uma mentalidade de
obediência a cada um de seus cidadãos. Não importa se o Partido contradiz ou
muda constantemente sua política, o que importa é organizar uma maneira de
estar acima dos direitos humanos básicos das pessoas. Os tentáculos do
governo estão por todas as partes. Seja nas áreas rurais ou urbanas, os cidadãos
são governados pelos comitês de rua ou município. Até pouco tempo atrás, se
casar, se divorciar ou ter um filho exigia a provação do Partido. A ideologia do
Partido, sua forma de pensar, se organizar e estruturar, e seus mecanismos de
propaganda e administração servem somente a fins ditatoriais. O Partido
procura, através de seu sistema de governo, controlar a forma de pensar e agir
das pessoas.

O controle brutal do PCCh sobre o povo não se limita à tortura física. O Partido
faz as pessoas perderem a capacidade de pensar de maneira independente e as
convertem em covardes que só buscam proteção e que não se atrevem a se
expressarem. O objetivo do regime é fazer uma lavagem cerebral no povo para
que pensem e falam o Partido quer, para que, assim, possa levar adiante suas
metas.

Um ditado popular diz: “A política do PCCh é como a lua, muda a cada quinze
dias”. Não importa a freqüência com que o PCCh muda suas políticas, todos
devem segui-la ao pé da letra. Quando você é usado como meio para atacar os
outros, você deve agradecer o Partido por valorizar sua força; quando você é
atacado, você deve agradecer o Partido por “lhe ter ensinado uma lição”; quando
você é equivocadamente descriminado e logo depois o Partido corrigi isso, você
deve agradecer a generosidade do PCCh, sua abertura e capacidade de corrigir
seus erros. O PCCh impõe sua tirania mediante ciclos contínuos de repressão e
reconsiderações.

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Depois de 55 anos de ditadura, o PCCh conseguiu aprisionar a mente da nação e
colocá-la dentro dos limites permitidos por ele. Se alguém pensar além desses
limites estabelecidos, estará cometendo um crime. Depois de repetidas lutas, a
estupidez é considerada sabedoria e a covardia se tornou o único caminho para
quem quer sobreviver nesse regime. Numa sociedade moderna onde a Internet é
o meio de informação mais importante, o PCCh pede ao povo chinês que se
autocontrole e não leiam notícias estrangeiras nem pesquisem websites com as
palavras “direitos humanos” ou “democracia”.

As campanhas do PCCh para lavar o cérebro das pessoas, apesar de serem tão
absurdas, brutais e desprezíveis, são encontradas por todo lugar. O governo
comunista destorceu os valores morais e os princípios da sociedade chinesa e
reescreveu os padrões de conduta e modo de vida do povo chinês. Recorre à
tortura física e mental para fortalecer sua autoridade absoluta e com a qual
governa a China, assim como impõe a “religião do PCCh” que a tudo abarca.

Conclusão.

Por que o PCCh tem que lutar, dia após dia, para manter seu poder? Por que o
PCCh acredita que enquanto existir vida, haverá lutas? Para atingir os seus
objetivos, o PCCh não hesita em matar pessoas ou destruir o meio ambiente; o
PCCh não se preocupa com os habitantes rurais que vivem na miséria nem com
muitos outras nas mesmas condições que vivem nas cidades.

Será que é por causa da ideologia comunista que o PCCh sustenta uma luta sem
fim? A resposta é NÃO. Um dos princípios comunistas é eliminar toda
propriedade privada, algo que o PCCh tentou fazer quando subiu ao poder. O
PCCh considerava a propriedade privada como a raiz de todo o mal. Entretanto,
logo que a reforma econômica foi implantada nos anos 80, voltou a permitir a
propriedade privada na China, inclusive sob o amparo legal da Constituição. Se
perfurarmos a mascará de hipocrisia do PCCh, veremos claramente que, nos 55
anos de seu regime, ele somente encenou a redistribuição da propriedade.
Depois de vários ciclos de distribuição, o PCCh simplesmente converteu o capital
dos demais em sua própria propriedade.

O PCCh se coloca como o “defensor da classe trabalhadora”. Sua tarefa é


eliminar a classe capitalista. Entretanto, os estatutos atuais do PCCh permitem
aos capitalistas ingressarem no Partido. Seus membros já não acreditam no
Partido e no comunismo, e sua existência já não se justifica de modo algum. O
que ainda resta do Partido Comunista é apenas uma casca vazia, sem o alegado
conteúdo proclamado em sua origem.

Então, o objetivo dessa longa luta foi para manter os membros do PCCh livres da
corrupção? NÃO! Depois de 55 anos de governo, a corrupção, o desvio de
verbas, a conduta ilegal e os atos que prejudicaram o país e ao povo, são uma
constante entre os funcionários do PCCh. Nos últimos anos, dos 20 milhões de
funcionários do Partido, 8 milhões foram julgados e punidos por delitos de
corrupção. Todos os anos, cerca de 8 milhões de pessoas se queixam às
autoridades sobre funcionários corruptos que não investigados. De janeiro a
setembro de 2004, o Departamento de Comércio Exterior da China investigou
casos de cambio ilegal de divisas em 35 bancos e 41 companhias, e encontrou
que US$ 120 milhões foram de transações ilegais. Segundo estatísticas dos
últimos anos, mais de 4.000 funcionários do PCCh fugiram do país com dinheiro
desviado e que soma centenas de milhões de dólares.

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Então, essas lutas foram para melhorar a educação e o nível de consciência do
povo para que este se interesse pelos assuntos nacionais? A resposta é outro
categórico NÃO! Na China atual, a busca por ganhos matérias é feroz, o coração
das pessoas carece da tradicional virtude e honestidade. Tornou-se comum as
pessoas enganarem seus familiares e se aproveitarem de amigos. Muitos
chineses não querem saber nada sobre questões importantes como as ligadas
aos direitos humanos ou à perseguição a Falun Gong, e se sabem, preferem se
manter caladas. Esconder os próprios pensamentos e calar-se diante da verdade
se tornou um hábito essencial para se sobreviver na China. Por outro lado, o
PCCh estimula o sentimento nacionalista do povo em ocasiões específicas. Por
exemplo, o governo organizou manifestações para que o povo chinês jogasse
pedras na embaixada dos Estados Unidos e queimasse sua bandeira. O povo
chinês é tratado como uma massa obediente ou usado como força a serviço da
violência, mas nunca como cidadãos com direitos humanos. O cultivo cultural é
a base para elevar a consciência das pessoas. Nos milhares de anos da história
chinesa, os princípios morais de Confúcio e Mencius serviam para estabelecer as
bases do comportamento e da ordem social. “Se os princípios morais forem
abandonados, as pessoas deixarão de ter leis para guiá-las e para que possam
distinguir entre o bem e o mal. Assim, elas perderão o rumo... o Tao (o
Caminho) será destruído41”.

O objetivo da luta de classes do PCCh é manter um estado de caos permanente,


pelo qual ele consegue se firmar como único partido e única religião da China; é
usar a política do Partido para assim poder controlar o povo. As instituições
governamentais, as forças armadas e os meios de comunicação são as
ferramentas que o PCCh utiliza para exercer sua violenta ditadura. Entretanto,
como conseqüência do dano que o comunismo causou à China, o PCCh está por
um fio, seu colapso é inevitável.

Há pessoas que temem que o país vire um caos se o PCCh cair. Preocupam-se
com quem ocupará o lugar do PCCh no governo da China. Nos últimos 5.000
anos de história chinesa, os 55 anos do PCCh são como uma nuvem passageira.
De qualquer forma, e por infelicidade, durante este curto lapso histórico, o PCCh
acabou com as crenças e os valores tradicionais chineses; acabou com as
estruturas sociais e os princípios morais; converteu consideração e amor entre
os seres humanos em luta e ódio, transformou reverência ao Céu, à Terra e à
natureza na arrogante crença de que “o ser humano deve vencer o Céu”. Esta
contínua destruição provocou um colapso nos sistemas sociais, morais e
ecológicos. Deixou a nação chinesa em profunda crise.

Na história chinesa, todos os líderes benevolentes consideraram que cuidar,


alimentar e educar o povo eram obrigações do governo. A natureza humana
aspira à bondade, e o papel do governo é fazer essa natureza aflorar. Mencius
disse: “Este é o Tao do povo: quem possui meios de sustento estáveis terá
coração estável; aquele sem meios de sustento estáveis não terá um coração
estáveis”. A educação sem prosperidade não é existe; o povo chinês sempre
sentiu desprezo pelos líderes tirânicos que não amam seu povo e que matam
pessoas inocentes.

Nos 5.000 anos da história chinesa, existiram mitos líderes benevolentes e


amáveis como, em épocas antigas: o imperador Yao e o imperador Shun; os
imperadores Wen e Wu; o imperador Tang Taizong, da dinastia Tang; e os
imperadores Kangxi e Qianlong, da dinastia Qing. A prosperidade que se viveu
41
Kang Youwei, em Coleção de Escritos Políticos (1981). Kang Youwei (1858-1927) foi
um importante pensador reformista do último período Qing.

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nessas dinastias resultou do fato de seus líderes terem tomado “o caminho do
Tao celestial”, “seguido a doutrina do justo meio” e “buscado a paz e a
estabilidade”. A marca de um líder bondoso consiste em fazer uso de pessoas
virtuosas e capazes, em respeitar as diferenças de opiniões, em promover a
justiça e a paz, e em dar às pessoas o que elas necessitam. Desta maneira, os
cidadãos obedecerão as leis, manterão o decoro, viverão felizes e trabalharão de
forma eficiente.

Olhando para o mundo, sempre perguntamos o que faz uma nação prosperar ou
desaparecer; sabemos que há motivos para o florescimento e o declínio de uma
nação. Quando o PCCh deixar o poder, quando ele se for, retornará a esperança
de que a paz e a harmonia voltem à China. As pessoas voltarão a ser honestas e
sinceras, bondosas, modestas e tolerantes; o país cuidará das necessidades
básicas de seu povo e todas as profissões gerarão prosperidade.

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Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 4 – O Quarto dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

O Partido Comunista é uma força que se opõe ao Universo

Pôster mostrando a Guarda Vermelha batendo em pessoas, destruindo


propriedades e invadindo casas.

O slogan do pôster diz: “Esmague o velho mundo; construa um novo mundo”.

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Introdução

O povo chinês dá muita importância ao Tao - o Caminho. Em tempos antigos,


um imperador cruel era visto como “um soberano decadente que não dava valor
ao Tao”. Se uma atitude não respeitava os princípios morais – idéia esta que em
chinês é formada por dois ideogramas, Tao (Caminho) e De (Virtude)-, se dizia
que ela “não estava de acordo com os princípios do Tao”. Até mesmos os
camponeses revoltados colocavam faixas com os dizeres: “Alcance o Tao em
nome dos Céus”. Lao Tse disse: “Há algo misterioso e universal, que existe antes
dos Céus e da Terra. É silencioso, sem forma, completo e imutável. Morador
eterno da perfeição, é onipresente; é a mãe de todas as coisas. Não sei seu
nome, mas o chamo de Tao”. Estas palavras sugerem que o mundo é oriundo do
Tao.

Nos últimos cem anos, a repentina invasão do espectro comunista criou uma
força que se opõe à natureza e a humanidade, e que trouxe consigo sofrimento
e agonia sem limites. Esse espectro empurra a humanidade para a nulidade;
comete todo tipo de atrocidades que violam o Tao, que se opõe aos Céus e a
Terra. Desta forma, se tornou uma força negativa que se opõe ao universo.

“Os humanos seguem a Terra, a Terra segue os Céus, os Céus seguem o Tao42, e
o Tao segue conforme sua própria Natureza”. Desde a antiguidade, os chineses
acreditam viver em obediência e harmonia com os Céus. A humanidade está
integrada com os Céus e a Terra, existe em mútua dependência com estes. O
Tao do universo não muda. O universo segue o Tao de uma maneira natural. A
Terra segue as mudanças dos Céus para, assim, termos as quatro estações. Ao
seguir as leis naturais dos Céus e da Terra, a humanidade desfrutará de vida
harmoniosa e cheia de bênçãos. Isto está refletido na seguinte expressão:
“correspondência com os fenômenos celestiais, situação favorável na Terra e
harmonia entre as pessoas43”. Segundo o pensamento chinês, a astronomia, a
geografia, o calendário, a medicina, a literatura e até as estruturas sociais, tudo
segue este princípio.

Entretanto, o Partido Comunista, com sua ideologia de lutar, traz a idéia de que
“o homem se coloque contra o natural”, numa postura que opõe aos Céus, a
Terra e a natureza. Mao Tsé-tung disse: “Há infinita alegria em lutar contra os
Céus; há infinita alegria em lutar contra a Terra; há infinita alegria nas lutas da
humanidade”. Talvez o Partido Comunista sinta realmente prazer com estas
lutas, porém o povo é quem paga isso com terríveis sofrimentos.

42
Tao (Caminho), leis e princípios do universo.
43
Do Livro de Mencius.

54/182
I. Lutar contra o ser humano e destruir a natureza humana

Não diferenciar entre o bem e o mal leva ao fim da humanidade

O ser humano é primeiro um ser natural e depois um ser social. “Quando


nascem, os homens são naturalmente bons”; “as pessoas têm compaixão no
coração”. Estes são conceitos que guiam o ser humano desde seu nascimento,
que permitem que ele diferencie entre o certo e o errado, entre o bem e o mal.
Entretanto, para o PCCh, o homem é um animal ou até mesmo uma máquina; a
burguesia e o proletariado são somente forças materiais.

A meta do PCCh é manipular o ser humano e transformá-lo gradualmente em


um rufião revolucionário e violento. Marx dizia: “As forças materiais só podem
ser vencidas por força materiais”; “a teoria também se converte em uma força
material quando se apodera das massas44”. Ele acreditava que toda a história
humana não é nada mais do que uma contínua evolução da natureza humana, e
que a real natureza humana é social; sustentava que não há nada inato ou
inerente, que tudo é produto do meio. Marx acreditava que o homem é um
“homem social” e não aceitava o conceito de “homem natural” postulado por
Feuerbach. Lênin achava que o marxismo não podia surgir de forma natural do
proletariado, que precisava ser induzido de fora. Lênin buscou com afinco, mas
não achou um meio que fizesse com que os trabalhadores mudassem da luta
econômica para uma luta política pelo poder. Então, Lênin centrou suas
esperanças na “teoria do reflexo condicionado” de Iván Petrovich Pavlov,
ganhador do Prêmio Nobel. Lênin dizia que esta teoria “tinha uma importância
decisiva para o proletariado de todo o mundo”. Trotski45 inclusive pensou
infrutiferamente que o reflexo condicionado mudaria o comportamento das
pessoas de tal forma que as impulsionaria para a ação. Pensavam que, da
mesma forma que um cão condicionado baba quando ouvi uma campainha, os
soldados se lançariam bravamente à luta ao ouvirem o som de tiros, e dariam
suas vidas pela causa comunista.

Desde tempos antigos, o homem acredita que a recompensa vem pelo esforço, e
que é através do trabalho sacrificado que se prospera. As pessoas tendem a
menosprezar a indolência; consideram imoral ganhar sem esforços. Entretanto,
quando, como praga, o comunismo se instalou na China, a escória social e os
baderneiros foram encorajados a repartirem entre si as terras alheias, a roubar
propriedade privadas, a tiranizar homens e mulheres – tudo isto feito em nome
da justiça.

Todo mundo sabe que é bom respeitar as pessoas mais idosas e cuidar dos
jovens, que desrespeitar os idosos e professores é algo ruim. A tradicional
educação confucionista se dividia em duas partes: a educação “Xiao Xue”, que se
destinava aos menores de 15 anos e enfatizava os aspectos: higiene pessoal,
comportamento social, modo de se expressar, etc. Por sua vez, a educação “Da
Xue” enfatizava o ensinamento da virtude e transmitia o Tao. Durante as
campanhas feitas pelo PCCh visando criticar os ensinamentos de Lin Biao46 e

44
Karl Marx, “Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel”.
45
Leon Trotski (1879-1940), teórico comunista russo; historiador, líder militar e
fundador do Exército Vermelho russo. Foi assassinado no México pelos agentes de
Stalin, em 22 de agosto de 1940.
46
Lin Biao (1907-1971), um dos primeiros líderes do PCC. Sob o comando de Mao Tsé-
tung, foi membro do Politburo, vice-presidente (1958) e ministro de Defesa (1959). Foi
considerado o arquiteto da Revolução Cultural chinesa. Foi designado sucessor de Mao

55/182
Confúcio, o PCCh acabou com todos os valores morais que poderiam ser
herdados pelas futuras gerações de jovens.

Um antigo provérbio chinês diz: “Um dia com meu professor, e eu irei respeitá-
lo para sempre como um pai”.

Em 5 de agosto de 1966, Bian Zhongyun, professora de uma escola feminina


secundária ligada à Universidade de Pequim, foi forçada por suas alunas a
desfilar nas ruas com roupas manchadas de preto e um chapéu ridículo. Ela foi
forçada a desfilar batendo em um cesto de lixo como se fosse um tambor e a
carregar, pendurada no pescoço, um cartaz com dizeres humilhantes. Jogaram a
professora no chão, a golpearam com um pedaço de madeira com pontas
salientes e depois jogaram água fervendo nela. Ela foi torturada até a morte.

Estudantes da Escola Secundária da Universidade de Pequim forçaram a reitora a


se golpear contra uma pia quebrada e a gritar: “Eu sou um mau elemento”. Para
humilhá-la ainda mais, cortaram seu cabelo. Golpearam a sua cabeça até
sangrar enquanto ela era obrigada a rastejar pelo chão.

Todos acham que o asseio é bom. Entretanto, o PCCh incentivava as pessoas a


terem “corpos enlameados e mãos calejadas”, considerava positivo que “as mãos
estivessem sujas e os pés cheios de esterco de vaca”. Pessoas assim eram
consideradas como o protótipo do revolucionário, podiam freqüentar a
universidade, serem membro do Partido ou promovidas e, talvez, se tornarem
líderes do Partido.

A humanidade progride em razão do acúmulo de conhecimento, mas para o


PCCh, adquirir conhecimento se converteu em algo ruim. Os intelectuais foram
classificados como a “fedorenta nona categoria”, a mais baixa na escala. Aos
intelectuais era dito que aprendessem com os analfabetos, que se tornassem
camponeses pobres para que pudessem mudar e começar uma nova vida. Em
uma dessas re-educação de intelectuais, os professores da Universidade de
Qinghua, depois de perderem todos os seus bens, foram forçados a ir para a ilha
de Carpa, em Nanchang, província de Jiangxi, onde a esquistossomose era uma
doença tão comum que até as plantações locais foram abandonadas. Os
professores logo foram infectados logo que entraram em contato com as águas
contaminadas do local; desenvolveram cirrose e perderam a capacidade de
trabalhar e viver.

Incitados pelo então primeiro-ministro chinês, Zhou Enlai, o Partido Comunista


do Camboja (Khmer Rouge) fez cruel perseguição aos intelectuais. Aqueles que
tinham uma forma independente de pensar foram submetidos uma “reforma”:
foram aniquilados física e mentalmente. Entre 1975 e 1978, cerca de ¼ da
população do Camboja foi morta; algumas foram mortas simplesmente porque
tinham marcas de óculos (“sinal de um intelectual”) em seus rostos.

Logo após a vitória dos comunistas no Camboja, em 1975, Pol Pot começou a
lançar as bases de seu socialismo moderno: “o paraíso na sociedade humana”,
uma sociedade sem classes sociais, sem diferenças entre o urbano e o rural,

em 1966, porém perdeu o apoio em 1970. Sentindo sua queda, Lin, segundo fontes
oficiais, tentou um escapar para a União Soviética, quando percebeu que o golpe havia
sido descoberto. Morreu em seu vôo de fuga para Mongólia quando seu avião
explodiu.

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sem moeda ou transações comerciais. Nesse “paraíso”, as famílias foram
substituídas por equipes de trabalho masculinas e femininas. As pessoas foram
forçadas a trabalhar e comer juntos, e a usarem o mesmo uniforme preto que os
revolucionários e soldados usavam. Marido e mulher só podiam se encontrar
uma vez por semana e se autorizados.

O Partido Comunista declara não temer nem os Céus nem a Terra, e busca de
forma presunçosa mudar princípios dos Céus e da Terra. Uma demonstração
total de desprezo pelos elementos e forças do universo. Quando estudava em
Hunan. Mao Tsé-tung disse:

“Através dos séculos, as nações fizeram grandes revoluções. O velho é


assim removido e as coisas são impregnadas do novo. Ocorrem grandes
mudanças que agem sobre o processo de nascer e morrer, de evolução e
ruína. O mesmo se dá com a destruição do universo. A destruição, sem
dúvida, não é o fim; aquilo que morre aqui nasce ali. Eu aspiro à
destruição, porque ao se destruir o velho mundo surgirá um novo. Não
será o novo mundo melhor do que o velho?”

A afeição é uma emoção humana natural. A afeição entre casais, pais e filhos,
amigos -na sociedade em geral- é algo normal. Através de campanhas políticas
de todo tipo, o PCCh transformou o homem em lobo, ou talvez em algo ainda
mais cruel. Há o seguinte ditado antigo: “Até mesmo animais ferozes como o
tigre, não comem suas crias. Porém, sob o regime do PCCh, se tornou comum
que país e filhos, marido e mulher, denunciem um ao outro, ou que relações
familiares fossem simplesmente rompidas”.

Em meados de 1960, em uma escola primária de Pequim, uma professora, por


descuido, escreveu juntas as palavras “socialismo” e “cair”. Os alunos relataram
este fato à direção da escola. Como conseqüência, a professora começou ser
desrespeitada e esbofeteada por seus alunos todos os dias. Sua filha rompeu
relações com ela. Sempre que a luta social ficava mais intensa, a filha criticava a
própria mãe nas reuniões políticas. Nos anos que se seguiram, a tarefa dessa
professora se resumiu a limpar diariamente a escola, inclusive os banheiros.

Aqueles que viveram a Revolução Cultural jamais esquecerão de Zhang Zhixin,


presa por criticar Mao pelo fracasso no Grande Salto Avante. Muitas vezes, os
guardas da prisão tiravam as roupas dela e a punham nas celas de prisioneiros
para que fosse grupalmente violentada. Ela acabou louca. Quando ela ia ser
executada, por temerem que ela gritasse palavras de protesto, os guardas a
imobilizaram com uma tijolada na sua cabeça e, sem anestesia, cortaram suas
cordas vocais.

Em anos mais recentes, na perseguição contra Falun Gong, o PCCh continua


usando os mesmos velhos métodos para incitar o ódio e a violência.

O Partido Comunista suprime a virtude e a natureza humana, e estimula o lado


obscuro das pessoas para assim consolidar seu poder. Em suas sucessivas
campanhas, ele utilizou o medo para silenciar a consciência das pessoas. O
Partido Comunista destruiu sistematicamente os valores morais da sociedade em
sua tentativa de acabar com os conceitos de bem e mal, e de honra e vergonha,
os quais foram cultivados pela humanidade por milênios.

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A maldade que transcende a lei de mútua geração e inibição.

Lao Tse disse:

“Todos sabem que é o belo é belo porque existe o feio;

Todos sabem que o bom é bom porque existe o mau;

Todos sabem o que é a bondade porque existe a maldade;

Portanto, o ser e o não ser geram um ao outro;

O difícil e o fácil se complementam;

O longo e o curto se contrastam;

O alto e o baixo repousam um sobre o outro;

O som e a tonalidade se harmonizam;

Frente e verso seguem-se um ao outro”.

Em palavras simples, no mundo humano, há a lei de mútua geração e inibição.


Os humanos não só se dividem em pessoas boas e más, como o bem e o mal
coexistem dentro de cada pessoa.

Dao Zhi, um ícone de bandido na antiguidade da China, disse para os seus


seguidores: “Os bandidos também devem seguir o Tao”. Ele dizia que um
bandido também deve ser “honrado, corajoso, correto, sábio e bondoso”. Ou
seja, mesmo um bandido para fazer algo, também deve ter princípios.

A história do PCCh é cheia de mentiras e traições sem limites. Por exemplo, o


até os ladrões prezavam a “ética” entre eles. Inclusive, o lugar onde repartiam o
roubo era conhecido como o “Local de Divisão Justa dos Ganhos”. Entretanto,
sempre que surge uma crise entre os camaradas do PCCh, estes trocam insultos
e se acusam mutuamente.

Tomemos por exemplo o caso do general Peng Dehui47. Mao Tsé-tung era de
origem camponesa e, portanto, sabia que Peng tinha razão quando dizia que era
humanamente impossível produzir 130.000 jins de grãos por mus48. Mao
também sabia que Peng, ao dizer isso, não tinha intenção de tirá-lo do poder,
além disso, ele havia salvado a vida de Mao em várias ocasiões, como, por
exemplo, quando Peng, com tão somente 20.000 soldados, enfrentou, durante a
guerra PCCh-KMT, 200.000 soldados de Hu Zongnan. Entretanto, quando Peng
discordou dele, Mao explodiu de fúria e jogou no cesto de lixo o poema que ele
havia escrito para Peng: “Quem além do general Peng se atreveria a comandar
tropas montado em seu cavalo e empunhando uma espada!” Mao, apesar da
nobreza daquele que salvou sua vida, estava disposto a matá-lo.

47
Peng Dehuai (1898-1974): general e líder político do comunismo chinês. Peng foi
comandante chefe na Guerra da Coréia, foi vice-ministro do Conselho de Estado,
membro do Politburo e ministro de Defesa entre 1954 e 1959. Foi deposto de suas
funções por discordar das idéias de Mao Tsé-tung, no Plenário de Lushan de 1959.
48
Jin é uma unidade de peso chinesa → 1 jin = 0,5 kg;
Mu é uma unidade de área → 1 mu = 0,165 acres.

58/182
O PCCh prefere matar brutalmente a governar com bondade; persegue seus
próprios membros sem levar em conta o companheirismo ou a lealdade; se
coloca como inimigo da boa fé, mostrando falta de sabedoria; e incita o conflito
e violência entre as pessoas, ao invés de seguir um caminho sábio ao governar a
nação. Em síntese, o PCCh chegou a tal ponto que nem mesmo possui a ética
que há até entre ladrões. O PCCh se opõe à natureza e à humanidade com o
propósito de acabar com a noção de bem e mal, e perverte leis universais. Sua
arrogância desenfreada chegou ao limite e seu destino esta traçado: colapso
total.

II. Colocar-se contra Terra, violar leis naturais e gerar desastres.

A luta de classe se estende à natureza.

Jin Xunhua se graduou, em 1968, na escola Secundária Wusong Nº. 2 de


Shanghai e foi membro do Comitê Permanente das Guardas Vermelhas das
Escolas Secundárias de Shanghai. Em março de 1969, ele foi enviado a uma zona
rural da província de Heilongjiang para ser “reeducado”. Em 15 de agosto de
1969, houve uma grande enchente que inundou as áreas vizinhanças do rio
Shuang. Jin pulou na forte correnteza das águas na tentativa de recuperar dois
cabos telegráficos para sua equipe e se afogou.

Segue abaixo duas anotações do diário de Jin:

4 de julho
Estou começando a sentir a dureza e intensidade da luta de classe no
campo. Como um guarda vermelho do líder Mao, estou preparado para
lutar contra as forças reacionárias, tendo como escudo o pensamento
invencível de Mao Tsé-tung. Estou disposto a tudo, inclusive sacrificar
minha vida. Vou lutar, lutar e lutar o melhor possível para consolidar a
ditadura do proletariado.

19 de julho
Os inimigos de classe daquela equipe de trabalhadores ainda continuam
arrogantes. A juventude instruída veio para o campo justamente para
participar dos três principais movimentos revolucionários no campo.
Primeiro e acima de tudo, a luta de classe. Temos que confiar na classe
pobre e nos camponeses de classe baixa, mobilizar as massas e eliminar
a arrogância do inimigo. Nós, juventude instruída, devemos empunhar a
grande bandeira do pensamento de Mao Tsé-tung, e nunca duvidar da
luta de classe e da ditadura do proletariado.

Jin foi ao campo levado por seu ideal de lutar contra os Céus e a Terra; ele
pensava estar mudando a humanidade. Seu diário mostrava um mente cheia de
“lutas”. Ele estendeu a idéia de “lutar contra os homens” ao combate contra os
Céus e a Terra, e, ao final, perdeu a vida por isso. Jin é um caso típico da
ideologia da luta; ao mesmo tempo se converteu em sua vítima.

Engels disse certa vez que a liberdade é o reconhecimento do inevitável. Mao


Tsé-tung acrescento: “e a reforma do mundo”. Este toque final esclarece a
postura do PCCh: mudar a natureza. O “inevitável”, como é compreendido pelos
comunistas, é algo invisível aos olhos e constitui um conjunto de leis cuja
origem está além da explicação. Eles acreditam que a natureza pode “ser
conquistada” mobilizando a consciência subjetiva humana para compreender as

59/182
suas leis objetivas. Em seus esforços para mudar a natureza, o partido
Comunista levou o desastre para seus campos de experiências: Rússia e China.

As canções populares cantadas durante o Grande Salto Avante são um reflexo da


arrogância e estupidez do PCCh: “Que as montanhas me reverenciem e que os
rios se afastem. No Céu não há o Imperador de Jade; na Terra não há o Rei
dragão49. Eu ordeno que as três montanhas e aos cinco desfiladeiros se afastem
para que eu passe, porque aqui vou eu!”.

O Partido Comunista chegou! E, com ele, a destruição do equilíbrio da natureza


e o fim de um mundo originalmente harmonioso.

O desrespeito à natureza faz o PCCh colher o que ele semeou.

Fazendo do cultivo de grãos o centro da sua política agrária, o PCCh decidiu


aterrar alagados, e transformar áreas de declive montanhoso e de pastagem,
impróprias ao plantio, em terras cultiváveis. Qual foi o resultado disso? O PCCh
declarou que a produção de grãos de 1952 havia superado a do período dos
nacionalistas, mas, o que o PCCh não revelou, foi que até 1972, a produção de
grãos da China não havia superado a produção ocorrida no pacífico reinado de
Qianlong, na dinastia Qing. Inclusive, até hoje, a produção per capita de grãos
chinesa está muito abaixo daquela alcançada na dinastia Qing, e é apenas 1/3
daquela da dinastia Song, o auge da agricultura chinesa.

O corte indiscriminado de árvores, e o assoreamento dos rios e aterramento de


alagados, resultaram numa drástica deterioração do meio ambiente. Hoje, o
ecossistema chinês está à beira do colapso. A drenagem dos rios Hai e Amarelo,
a contaminação dos rios Huai e Yantze está cortando o cordão vital do qual a
nação chinês depende para sobreviver. Com o desaparecimento das terras de
pastagem de Gansu, Qinghai, Mongólia Interior e Xinjiang, as tormentas de areia
agora chegam às planícies centrais.

Nos anos 50, sob a orientação de especialistas soviéticos, o PCCh construiu a


hidroelétrica Sanmenxia, no rio amarelo. Até hoje, sua capacidade de energia se
situa na faixa de um rio de média vazão, apesar de o rio Amarelo ser o segundo
mais importante da China. Para piorar as coisas, o projeto provocou o acumulo
de areia e lama na parte superior do rio e provocou a elevação do leito do rio.
Como conseqüência, basta uma pequena enchente para causar a perda de vidas
e de propriedades ao longo das margens do rio. Na enchente do rio Wei, em
2003, ainda que o fluxo máximo de água fosse de 3.700 m3/s – um nível
relativamente comum -, essa enchente causou um desastre sem precedentes
nos últimos 50 anos.

Na localidade de Zhumadian, província de Henan, foram construídos vários


reservatórios de grande capacidade. Em 1975, os diques desses reservatórios se
romperam um atrás do outro. Em apenas duas horas, se afogaram 60.000
pessoas. O total de mortos chegou a 200.000.

O PCCh segue cometendo atos injustificáveis de destruição em território chinês.


A represa das Três Gargantas no rio Yantze e o Projeto de Levar Água do Sul
para o Norte são tentativas violentas do PCCh para “modificar” o ecossistema
natural, um investimento de bilhões de dólares. Isso sem falar de projetos de
pequeno e médio nessa “luta contra a Terra”. Em certa ocasião, alguém dentro
do PCCh sugeriu utilizar uma bomba atômica para abrir uma passagem sobre o
platô Qinghai-Tíbet para assim modificar o meio-ambiente da China Ocidental.
49
Entidades espirituais tradicionalmente reverenciadas pelos Chineses.

60/182
Embora a arrogância do PCCh e seu desdém pela Terra entristeçam o mundo,
suas atitudes são algo esperado.

Segundo os hexagramas do Livro das Mutações (Ba Gua), os antigos chineses


chamavam o Céu de Qian, o Criativo, e o veneravam como o Tao celestial. A
Terra era chamada de Kun, a Receptiva. Veneravam suas virtudes receptivas.
Kun, o hexagrama depois de Qian, é explicado da seguinte maneira no Livro das
Mutações: “estando no hexagrama de Kun, a natureza da Terra é se doar e
responder. Em harmonia com isto, as pessoas nobres agem e sustentam todas
as coisas com abundante virtude”.

Em um comentário sobre o Livro das Mutações, Confúcio diz: “Perfeita é a


grandeza de Kun, que permite o nascimento de todos os seres”.

Confúcio ainda fala sobre a natureza Kun: “Kun é maleável, porém, firme em seu
movimento. Estável e de natureza justa, por sua constância, é soberana, não
obstante, mantenha e suporte sua natureza. Ela abriga todas as coisas e é hábil
na hora de se transformar. Assim é Kun: sendo dócil, sustenta o Céu e se move
com o tempo”.

Obviamente, somente respeitando as virtudes receptivas da Mãe Terra Kun –


maleável, estável e tolerante ao seguir os Céus, é que as coisas podem se
manter e florescer na Terra. O Livro das Mutações nos ensina a atitude certa
para com o Tao celestial de Qian e as virtudes terrenas de Kun: seguir o Céu, se
guiar pela Terra e respeitar a natureza.

O PCCh, entretanto, violando esses princípios, ensina a “lutar contra os Céus e a


Terra”. Saqueia recursos da Terra arbitrariamente. No final, o PCCh será punido
pelos Céus, pela Terra e pelas leis da natureza.

III. Lutar contra os Céus, perseguir a Fé e impedir a crença em Deus.

Como pode uma vida finita compreender o espaço-tempo infinito.

O filho de Albert Einstein, Edward, certa vez perguntou a seu pai porque este era
tão famoso. Einstein, apontando para um besouro que caminhava sobre uma
bola de futebol, respondeu: “O besouro não sabe que o caminho que ele
percorre é curvo, mas Einstein sabe”. A resposta de Einstein tem, na realidade,
implicações profundas. Um provérbio chinês possui um significado similar:
“Você não conhece a face verdadeira do monte Lu, justamente porque você está
nele”. Se você quiser entender um sistema, é necessário estar fora dele para
assim poder observá-lo. Entretanto, como as teorias para se observar o espaço-
tempo infinito são finitas, o ser humano nunca chegará a entender a totalidade
do universo. Consequentemente, este será sempre um mistério para a
humanidade.

O território que está além das fronteiras da ciência pertence à espiritualidade ou


a metafísica, pertence à fé.

A fé é algo que envolve a visão pessoal na compreensão da vida, do espaço-


tempo e do universo; a fé não pode ser gerenciada por um partido político. “Daí
a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus 50”. Entretanto, baseado em
seu entendimento patético e absurdo do universo e a da vida, o PCCh considera
tudo aquilo que está fora de suas teorias como “superstição”, e, assim, submete
as pessoas que possuem crenças pessoais à lavagem cerebral e a chamada
50
Novo Testamento - Mateus 22:21.

61/182
“conversão”. Todo aquele que se recusa mudar suas crenças, sua fé, recebe
insultos e, inclusive, é morto.

Os verdadeiros cientistas buscam um entendimento amplo do universo. Eles não


negam o infinito desconhecido com as próprias e limitadas compreensões. O
cientista, Isaac Newton, em seu livro “Princípios da Matemática”, publicado em
1678, explica os princípios da mecânica e questões ligadas à formação das
marés e ao movimento dos planetas no sistema solar. Newton, que alcançou
grande reconhecimento e fama, disse em várias ocasiões que seu livro era uma
mera descrição de fenômenos superficiais e que ele não se atrevia de forma
alguma a explicar o propósito de Deus ao criar o universo. Na segunda edição
do livro “Princípios da Matemática”, Newton, como expressão de sua fé, disse:
“Este maravilhoso sistema solar, os planetas e os corpos celestes só são possível
existir sob a regência de um ser inteligente e todo poderoso... Assim como um
homem cego não pode ter a idéia de cor, nós também não temos idéia de como
Deus, que a tudo sabe, percebe ou entende todas as coisas”.

Deixemos de lado a questão se existem mundos celestiais que transcendem este


espaço-tempo, ou se um cultivador do Tao pode ou não voltar à sua origem
divina e ao seu verdadeiro eu. Há algo que todos estão de acordo: os que
seguem uma fé reta acreditam que fazer o “bem” é certo e fazer o “mal” é
errado. As crenças retas desempenham um papel muito importante quanto a
manter a moralidade humana. De Aristóteles a Einstein, as pessoas acreditam na
existem de leis universais. A humanidade busca por distintos caminhos essa
verdade do universo. Então, além da investigação científica, por que não permitir
a religião, a fé e o cultivo interno como meios para se buscar as verdades do
universo?

O PCCh destrói a fé justa da humanidade.

Tradicionalmente, todas as nações acreditam em Deus. Justamente pela fé reta


em Deus, na relação entre o bem e o mal, é que os seres humanos têm mantido
o autocontrole e a moralidade na sociedade. Ao longo das épocas, as religiões
ortodoxas no ocidente, e o confucionismo, o budismo e o taoísmo no oriente,
têm ensinado que a verdadeira felicidade resulta da fé reta em Deus, do respeito
ao divino, do amor ao próximo, de ser grato por tudo aquilo que se tem ou se
recebe, e em retribuir o bem e ter consideração pelos demais.

Uma linha central do comunismo tem sido o ateísmo: a crença de que não há
Buda nem Tao nem vidas passadas, de que não há nada depois da morte nem
retribuição cármica pelos maus atos. Desta forma, o comunismo em diferentes
países tem dito aos pobres e ao lumpenproletariado51 que eles não precisam
temer a Deus, que não precisam dar satisfação aos Céus por aquilo que fazem,
de que estão livres para fazer o que quiserem, já que não há Deus algum a
quem responder. Ao contrario, eles devem ser astutos e usar de violência para
obter bens e vantagens materiais.

Na China, os imperadores, considerados a suprema nobreza, se colocavam


abaixo dos Céus e se consideravam filhos dos Céus. Controlados e restringidos
pela “vontade dos Céus”, de tempos em tempos, eles promulgavam editos
imperiais onde julgavam a si mesmos e se arrependiam diante dos Céus. O

51
Lumpenproletariado, conhecidos como “trabalhadores das zonas pobres”. Este termo
se refere aos elementos marginalizados dos centros industriais. Engloba mendigos,
prostitutas, delinqüentes, chantagista, trapaceiros, vagabundos etc. Maus elementos.
O termo foi cunhado por Marx em “As Lutas de Classe na França”, 1848-1850.

62/182
PCCh, entretanto, usurpa o papel de representar a vontade de Deus. Sem
restrições, regras ou leis que não as suas, o PCCh se sente livre para fazer o que
quiser. Consequentemente, ele criou um inferno atrás do outro na Terra.

Marx, o patriarca do comunismo, achava que a religião é o ópio espiritual dos


povos. Temia que as pessoas, ao acreditarem em Deus, não aceitassem o
comunismo. Em “Dialética da Natureza”, Engels crítica Mendeleyev e seu grupo
de estudo sobre o misticismo.

Engels afirmava que tudo aquilo que ocorreu antes ou durante a Idade Média,
deveria ser julgado pelo tribunal da racionalidade humana. Ao fazer esta
observação, Engels considerava que ele próprio e Marx seriam juízes desse
tribunal. Mijaíl Bakunin, um anarquista amigo de Marx, descrevia Marx desta
maneira: “Marx vê a si como um Deus para o povo. Não aceita a mais ninguém
como Deus a não ser a si próprio. Quer que as pessoas o adorem como um ser
supremo e que lhe rendam homenagens com um ídolo. Se elas não agem assim,
ele as ataca verbalmente ou as perseguia”.

A tradicional fé ortodoxa é um obstáculo natural à arrogância do comunismo. O


PCCh perdeu toda a compostura na sua perseguição às religiões. Durante a
Revolução Cultural, destruiu numerosos templos e mosteiros, e fez monges
desfilarem pelas ruas de forma humilhante. No Tibet, o PCCh destruiu 90% dos
templos. Ainda hoje, o PCCh continua sua perseguição religiosa; milhares de
membros das igrejas cristãs independentes estão presos. Gong Pinmei, um
padre católico de Shanghai, foi vítima da perseguição do PCCh. Por sua crença
firme em Deus, ele foi preso em confinamento solitário durante mais de 30
anos. Pressionaram Pinmei para que ele renunciasse a sua fé e aceitasse o
controle do Comitê Patriótico Triplo52 do PCCh em troca de sua liberdade. Ele
recusou. Depois de solto, no final dos anos 80, foi morar nos Estados Unidos.
Quando morreu, com mais de 90 anos, deixou um testamento que dizia: “Quero,
quando o PCCh não mais governar na China, que levem minha tumba para
Shanghai”.

Recentemente, a perseguição aos praticantes de Falun Gong, os quais se guiam


pelos princípios Verdade-Benevolência-Tolerância, é uma continuação dessa
“luta contra os Céus” levada adiante pelo comunismo, um resultado inevitável
decorrente de obrigar pessoas a agirem contra as suas vontades.

Os comunistas, ateus, querem conduzir e controlar a fé em Deus das pessoas.


Este absurdo não pode ser descrito com palavras; “arrogância” ou “pretensão”
caracterizam apenas uma pequena porção desse absurdo.

52
 Ou Igreja Patriótica Tripla. Exigia que os cristãos chineses rompessem laços com os
cristãos fora da China. Controla todas as igrejas oficiais da China. As igrejas que não
aceitassem isto eram fechadas. Os líderes e seguidores das igrejas independentes são
perseguidos e geralmente sentenciados a pagarem taxas e a prisão.

63/182
Conclusão

A prática do comunismo fracassou por completo em todo o planeta. Jiang


Zemin, ex-líder do último regime comunista de peso no mundo, declarou para
um correspondente53 do jornal americano Washington Post, em 24 março de
2001: “Quando eu era jovem, eu acreditava que o comunismo se imporia muito
rapidamente, mas já não penso assim”. Atualmente, as pessoas que realmente
acreditam no comunismo são cada vez menos.

O movimento comunista está destinado a desaparecer por ir contra princípios


universais, ir contra os Céus. Ele se opõe ao universal e, sem dúvida, será
punido pelos Céus e seres divinos.

Ainda que o PCCh tenha sobrevivido a sucessivas crises mudando sua máscara e
se valendo de estratégias desesperadas, sua queda é evidente para todo o
mundo. Ao deixar cair suas máscaras enganadoras, uma a uma, o PCCh está
revelando sua verdadeira natureza: ambição, brutalidade, falta de vergonha,
malícia; uma natureza que se opõe ao universo. Não obstante, ainda segue
controlando a mente do povo e invertendo a ética humana, o que faz naufragar
a moralidade, a paz e o progresso humano.

O vasto universo carrega com ele a vontade irrefutável dos Céus, também
chamada de vontade divina ou leis da natureza. A humanidade somente terá um
futuro promissor se respeitar a vontade dos Céus, se seguir o curso da natureza,
e se respeitar as leis e princípios do universo e amar a todos os seres que vivem
debaixo dos Céus.

53
John Promfret.

64/182
Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 5 – O Quinto dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

A conivência de Jiang Zemin e do Partido Comunista

na perseguição contra Falun Gong

Jiang Zemin54 atiçando um cão contra uma criança que está praticando os
exercícios de Falun Gong55. O texto diz:

“Luo Gan e o Escritório 61056 - Cães maliciosos matando inocentes”.

Epoch Times

54
Ex-secretário geral do PCC e presidente da China até recentemente. Atualmente
detém o controle das forças armadas.
55
Uma prática de meditação baseada nos princípios Verdade-Benevolência-Tolerância.
56
O “Escritório 610” é uma agência especialmente criada para perseguir Falun Gong e
que tem total autonomia e poder sobre cada nível da administração do PCC e sobre
todos os outros níveis legais e judiciais oficiais.

65/182
Introdução

Zhang Fuzhen era uma mulher de 38 anos de idade que trabalhava no Parque
Xianhe, na cidade de Pingdu, província de Shandong, China. Em novembro de
2000, ela foi a Pequim para fazer uma apelação em favor de Falun Gong; após
apresentar sua apelação, Zhang foi seqüestrada pelas autoridades. Segundo
fontes do local onde ela esteve presa, a polícia raspou a sua cabeça, a deixou
nua e depois a torturou e humilhou. Ela ficou, com os membros esticados,
amarrada a uma cama o tempo todo; tinha que urinar e defecar sobre a cama
onde estava. Mais tarde, a polícia injetou nela uma espécie de droga. Depois da
injeção, Zhang sentiu dores imensas e agonizantes; ela sofreu até morrer.
Alguns funcionários do “Escritório 610” testemunharam tudo isso (extraído de
uma reportagem do Minghui, de 31 de maio de 200457).

Yang Lirong, de 34 anos, vivia na cidade de Dingzhou, distrito de Baoding,


província de Hebei. A polícia vivia intimidando e molestando sua família porque
Yang era uma praticante de Falun Gong. Em 8 de fevereiro de 2002, depois de
uma invasão noturna feita em sua casa pela polícia, o esposo de Yang, um
motorista do Escritório de Padrões e Meteorologia, ficou transtornado e com
medo de perder seu emprego. Não pode suportar a pressão das autoridades
policiais sobre ele e, na manhã seguinte, enquanto seus pais não estavam em
casa, ele estrangulou sua esposa. Imediatamente, ele informou o ocorrido às
autoridades locais; a polícia chegou rapidamente ao local e fez uma autopsia no
corpo de Yang. Tiraram vários de seus órgãos embora o seu corpo ainda
estivesse quente e jorrasse sangue. Uma pessoa do Escritório de Segurança
Pública de Dingzhou declarou: “Não foi uma autopsia, e sim é uma vivisseção”.
Foi assim a trágica morte de Yang Lirong; e, assim, uma criança de 10 anos ficou
sem a mãe. (extraído de uma reportagem do Minghui, de 25 de setembro de
200458).

No Campo de Trabalhos Forçados de Wanjia, província de Heilongjiang, uma


mulher grávida de sete meses foi pendurada em uma viga. Amarraram suas
mãos com uma corda que passava por uma polia presa em uma viga a cerca de
quatro metros de altura do solo. Um dos guardas do local segurava a outra
ponta da corda que passava pela polia. Quando o apoio sobre os pés dela era
retirado, ela ficava suspensa no ar. Quando o guarda puxava a corda, ela subia;
quando ele soltava a corda, ela despencava abruptamente para o chão. Esta
mulher grávida sofreu torturas tão violentas que acabou abortando. O detalhe
macabro foi que obrigaram o esposo dessa mulher a presenciar toda essa
tortura (de uma reportagem do Minghui, de 15 de novembro de 2004, baseada
numa entrevista da senhora Wang Yuzhi, praticante de Falun Gong, que foi
torturada durante mais de 100 dias no Campo de Trabalhos Forcados de
Wanjia59).

Estes impressionantes relatos de tragédias ocorrem na China moderna de hoje.


Acontecem aos praticantes de Falun Gong, vítimas de uma brutal perseguição.
Os casos citados são somente alguns poucos dos muitos casos que ocorreram
nos últimos cinco anos e continuam a ocorrer.

57
http:www.clearwisdom.net/emh/articles/2004/7/23/50560p.html ou
http:www.clearwisdom.net/emh/articles/2004/6/7/48981p.html
58
http:www.clearwisdom.net/emh/articles/2004/9/25/52796.html
59
http:www.search.minghui.org/emh/articles/2004/7/9/79007.html (em chinês)

66/182
Desde que a China, no final da década de 70, iniciou seu processo de reformas
econômicas, o PCCh vem fazendo grandes esforços para construir uma imagem
positiva e liberal perante a comunidade internacional. Entretanto, a recente
perseguição contra Falun Gong – absurda e sangrenta, e de escala nacional -
permitiu que a comunidade internacional testemunhasse mais uma vez a real
face do PCCh nesta sua maior violação dos direitos humanos. O povo chinês foi
condicionado a atribuir as atrocidades cometidas pelo sistema policial da China,
ao baixo nível de preparo dos policiais e à dureza das leis e, assim, acreditava
que o PCCh havia mudado e que respeitava os direitos humanos. Porém, essa
brutal perseguição a Falun Gong, em todos os níveis da sociedade chinesa,
quebrou essa ilusão. Agora, as pessoas se perguntam como pode ainda ocorrer
algo tão sangrento e absurdo na China moderna. Se a ordem social estava se
recuperando do caos da Revolução Cultural ocorrida 20 anos atrás, por que a
China entrou de novo em um pesadelo semelhante? Por que Falun Gong - que se
baseia nos princípios “Verdade-Benevolência-Tolerância” e que é praticado em
mais de 60 países – só é perseguido na China? Nesta perseguição, qual a
ligação entre Jiang Zemin e o PCCh?

Jiang Zemin carece de integridade moral, não tem qualquer idoneidade. Sem
uma máquina como o PCCh - voltada para a violência; especializada em matar e
enganar - Jiang Zemin nunca teria sido capaz de deflagrar um genocídio de
proporção nacional como é este contra os praticantes de Falun Gong, inclusive
que se estende para fora da China através das suas embaixadas. Da mesma
forma, o PCCh não teria tão facilmente feito algo que dificultaria sua estratégia
de reformas econômicas e a criação das condições para abertura e integração da
China à economia mundial, se não existisse Jiang Zemin: um ditador como
tirânico e capaz de impor sua própria vontade. O conivente apoio mútuo entre
Jiang Zemin e o espectro perverso do PCCh permitiu que a perseguição contra
Falun Gong atingisse um grau de perversidade jamais visto antes. Este apoio
mútuo se assemelha a uma terrível avalanche causada pela ressonância dos
gritos de um alpinista em uma montanha com neve acumula.

I. Contextos semelhantes geram crises semelhantes

Jiang Zemin nasceu no turbulento ano de 1926. Do mesmo modo que o PCCh
tenta esconder muitas coisas de seu passado sangrento, Jiang Zemin esconde do
povo chinês o seu passado como traidor da nação.

Quando Jiang Zemin tinha 17 anos, a guerra mundial contra o fascismo estava
em seu auge. Enquanto os demais jovens chineses defendiam a pátria lutando
nas fronteiras contra o Japão, Jiang Zemin estudava na Universidade Central,
criada pelo regime fantoche de Wang Jinwei, em Nanjing, sob o controle dos
japoneses. Segundo fontes fidedignas, a real razão disso foi que o pai biológico
de Jiang Zemin, Jiang Shijun, era um alto funcionário, a serviço do exército de
ocupação japonesa, no Departamento de Propaganda Anti-China, província de
Jiangsu. Jiang Shijun atuou como um verdadeiro traidor da China.

Em termos de traição e infidelidade, Jiang Zemin e o PCCh são iguais: ambos não
têm qualquer afeição pelo povo chinês; ambos matam chineses inocentes
simplesmente por poder.

Depois que o PCCh saiu vitorioso da guerra civil contra o Kuomintang (Partido
Nacionalista), Jiang ingressou no PCCh para assegurar seus bens pessoais e sua
posição pessoal. Então, para que isto fosse possível, inventou a mentira de que
havia sido adotado e criado por seu tio Jiang Shangqing, um membro do PCCh
desde jovem já morto. Por causa desse falso vinculo familiar, Jiang Zemin, em

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poucos anos, passou de um funcionário de baixo escalão a vice-ministro da
Industrialização Eletrônica. A ascensão de Jiang não se deveu a sua capacidade
profissional e sim a sua capacidade de manipular relações para obter favores e
vantagens pessoais. Quando já era secretário do PCCh na cidade de Shanghai,
Jiang Zemin não poupou esforços para agradar pessoas influentes do PCCh, tais
como Li Xiannian e Chen Yun, os quais, todos os anos, iam a Shanghai para o
Festival da Primavera. Como secretário do PCCh na cidade de Shanghai, certa
vez, Jiang ficou esperando, por varias horas sob forte neve, Li Xiannian para
entregar-lhe pessoalmente um bolo de aniversário.

O Massacre de Tiananmen, de 4 de junho de 1989, foi outro ponto de inflexão


na vida de Jiang Zemin. Ele se tornou secretário geral do PCCh após: ordenar o
fechamento do jornal World Economic Herald – que se atreveu a discordar do
governo; mandar colocar o líder do Congresso do Povo, Wan Li, em prisão
domiciliar; e apoiar o massacre de “4 de Junho de 1989”. Muito tempo antes do
episódio do Tiananmen, Jiang Zemin havia entregado uma carta secreta a Deng
Xiaoping, na qual pedia “medidas severas” contra os estudantes, pois, de outra
maneira, o PCCh e a nação seriam subjugadas. Nos último 15 anos, Jiang, em
nome da “estabilidade como prioridade máxima”, vem conduzindo uma brutal
repressão e um extermínio em massa de dissidentes políticos e grupos com
crenças independentes.

A Rússia e a China, desde 1991, começaram a rever suas fronteiras comuns.


Jiang Zemin, sem se opor, reconheceu as invasões feitas pelos czares e pela ex-
União Soviética, e todos os pactos desiguais entre Rússia e China desde o
Tratado de Aigun. Graças a Jiang, a China perdeu mais de 1.000.000 Km2.

Jiang Zemin fingiu ser órfão de um mártir do PCCh, quando na realidade, foi o
primogênito de um traidor da China; ele enganou ao “estilo PCCh”. Seu apoio ao
massacre aos estudantes em “4 de Julho de 1989” e a sua forma de repressão
aos movimentos democráticos e às crenças religiosas revelam sua afinidade com
a matança, tão costumeira ao PCCh. Já que o PCCh nasceu como sucursal do
Extremo Oriente da “Internacional Comunista” da Ex-União Soviética, Jiang deu
terras chinesas a aquele país, mostrando-se um especialista na traição, tão
familiar ao PCCh.

Jiang Zemin e o PCCh compartilham origens e histórias desonrosas. Por causa


disto, ambos compartilham de um aguçado senso de insegurança quando a
estar e sobreviver no poder.

II. “Verdade-Benevolência-Tolerância” – Palavras igualmente temidas por


Jiang Zemin e o PCCh.

A história do movimento comunista internacional foi escrita com sangue de


dezenas de milhões de pessoas. Quase todos os paises comunistas passaram
por processo semelhante ao da repressão contra-revolucionária impulsionada
por Stalin na ex-União Soviética. Foram massacrados dezenas de milhões de
inocentes. Na década de 1990, a União Soviética se desintegrou e, assim, a
Europa Oriental passou por mudanças drásticas. Da noite para o dia, o bloco
comunista perdeu mais da metade dos territórios sob seu controle. O PCCh
aprendeu desta lição e percebeu que parar as perseguições e que dar o direito
de liberdade de expressão significaria cavar sua própria sepultura. Se o povo
pudesse se expressar livremente, como o PCCh poderia fazer atrocidades? Como
poderia impor mentiras? Se a repressão deixasse de existir e o povo estivesse
livre de ameaças e temores, este escolheria uma forma de viver e “crença”

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diferente do comunismo, não é? Neste caso, como ainda o PCCh poderia manter
os ingredientes sociais essenciais à sua própria sobrevivência?

O PCCh é essencialmente o mesmo, ele fez apenas reformas superficiais. Depois


do massacre de “4 de Junho de 1989”, Jiang Zemin falou de “eliminar qualquer
fator de instabilidade enquanto ainda em fase embrionária”. Dominado pelo
medo, concluiu que não seria possível deixar de mentir e de reprimir o povo até
que a capacidade de mobilização deste fosse reduzida à zero. Falun Gong surgiu
na China durante este período.

No início, as pessoas consideravam Falun Gong como apenas mais uma prática
de qigong60, como algo especialmente benéfico e eficaz para a cura de doenças
e fortalecimento da saúde. Mas, com o tempo, as pessoas descobriram que a
essência e o alcance de Falun Gong ia muito além dos 5 exercícios ensinados
pela prática; as pessoas logo perceberam que a essência de Falun Gong está em
ensinar as pessoas a se tornarem melhores pessoas e cidadãos, em ensinar
princípios elevados: Verdade, Benevolência e Tolerância.

Falun Gong ensina “Verdade-Benevolência-Tolerância”, entretanto, o PCCh


ensina “Mentira, Ódio e Luta”.

Falun Gong ensina “Verdade”: dizer e agir conforme a verdade; já o PCCh se


apóia em mentiras e quer fazer uma lavagem cerebral no povo. Se os chineses
pudessem saber e falar a verdade, todos saberiam que o PCCh surgiu graças à
Ex-União Soviética; que ele cresceu plantando ópio, matando, seqüestrando,
saqueando, fugindo da luta contra a invasão japonesa quando conveniente e,
ainda por cima, tomando para si o crédito dessa luta contra a invasão japonesa
etc. O PCCh disse certa vez: “Nada que é importante pode ser conseguido sem
mentiras”. Depois de subir ao poder, o PCCh iniciou sucessivas campanhas
políticas de repressão e incorreu em inúmeras dividas de sangue. Alimentar a
“Verdade” certamente levaria ao fim do PCCh.

Falun Gong ensina “Benevolência”: pensar primeiro nos outros e fazer o bem em
todas as circunstâncias. O PCCh tem como sua essência ideológica: a “luta”;
sempre fez uso a brutalidade. O modelo de herói do PCCh, Lei Feng, disse certa
vez: “Devemos tratar os nossos inimigos sem qualquer piedade, com a frieza do
inverno”. Na realidade, o PCCh trata não somente seus inimigos desta forma, ele
dá esse mesmo tratamento a seus membros. Os fundadores do PCCh - seus
mais elevados oficiais e comandantes -, inclusive um presidente do país, foram
vítimas de interrogatórios impiedosos, brutalmente surrados e torturados pelo
seu próprio Partido. O massacre dos assim chamados “inimigos de classe” foi
tão brutal que é algo de arrepiar os cabelos. Se a “Benevolência” reinasse na
sociedade, ações sem “sustentação moral”, como as do PCCh, jamais seriam
possíveis.

O Manifesto Comunista afirma que: “A história das sociedades, passadas e


presentes, é a história das lutas de classe”. Isto mostra a concepção e a visão do
Partido Comunista sobre a história e o mundo. Falun Gong, pelo contrário, diz
para as pessoas que busquem dentro de si mesmas as próprias falhas de
conduta que levam ao conflito. Esta atitude voltada para dentro, de maestria
interna, se opõe diametralmente à filosofia do PCCh de lutar, atacar e dominar.

60
Assim como o Tai-chi, qigong é um conjunto de práticas voltadas para o bem-estar
físico e mental. Reconhecidamente para a autocura e o fortalecimento da saúde.

69/182
A luta foi o meio escolhido pelo PCCh para obter o poder e sobreviver. O PCCh
fez campanha após campanha para eliminar determinados grupos de pessoas;
isto sempre “alimentou o espírito de luta revolucionária”. Este processo cíclico
de violência, apoiado em mentiras, serve para alimentar, fortalecer e renovar o
medo do povo pelo PCCh para que, assim, este possa se perpetuar no poder.

Do ponto de vista ideológico, a filosofia do Partido Comunista é completamente


oposta aos ensinamentos de Falun Gong.

As pessoas com crenças retas não têm medo. Entretanto, o PCCh se apóia no
medo das pessoas para se manter no poder.

As pessoas que se apóiam na verdade não se acovardam. Os cristãos foram


perseguidos pelo império romano durante 300 anos. Muitos foram decapitados,
queimados vivos, enforcados e até jogados aos leões ou tigres. Entretanto, não
renunciaram sua fé. Quando o Budismo passou por tribulações ao longo de sua
história, seus praticantes agiram da mesma forma.

A propaganda ateísta é para fazer com que as pessoas acreditem que não há
nada acima da Terra – que não há Céu ou inferno. Em outras palavras, a não ser
ao próprio homem, não temos nada que temer ou responder pelos nossos atos.
Isto faz com que as pessoas não ouçam as restrições morais da própria
consciência; faz com que elas tomem os objetivos e interesses materiais como
realidade última deste mundo. Desta maneira, as fraquezas da natureza humana
podem ser usadas e manipuladas; com a intimidação e a tentação, é possível
controlar o povo. Contudo, aqueles com crenças retas podem ver além da vida e
da morte e não vivem reféns das ilusões do mundo. Tentações ou ameaças não
corrompem ou intimidam estas pessoas. E isto mina e frustra os esforços do
PCCh para manipular as pessoas.

Os elevados padrões morais de Falun Gong incomodam o PCCh.

Depois do massacre de 4 de junho de 1989, a ideologia do PCCh se desgastou


por completo. Em 1991, o Partido Comunista da União Soviética caiu; algo
seguido de mudanças drásticas na Europa Oriental. Está situação gerou medo e
enorme pressão sobre o PCCh. A legitimidade do seu governo nesse cenário de
sobrevivência, ao se confrontar com grande crise tanto dentro como fora da
China, enfrenta desafios em precedentes. O PCCh não consegue mais unir seus
membros sob as doutrinas originárias do marxismo, leninismo ou maoísmo.
Desta forma, optou pela corrupção como forma de preservar a lealdade dos
membros do Partido. Em outras palavras, os que seguem o PCCh conseguem
obter benefícios pessoais através da corrupção ou malversação de fundos, algo
impossível para aqueles que não são membros do PCCh. Especialmente depois
da viagem de Deng Xiaoping61 pelo sul da China em 1992, corre desenfreada a
especulação e corrupção de funcionários do governo no mercado de ações e
imóveis. Prostituição e contrabando estão por todas as partes. A pornografia, a
jogatina e as drogas se espalharam como epidemia por toda a China. Ainda que
não seja justo dizer que não há mais pessoas boas dentro do PCCh, faz tempo
que a opinião pública perdeu a confiança na luta contra a corrupção do PCCh. O

61
Em 1192, Deng Xiaoping saiu de um semi-isolamento e viajou para Shenzhen, ao sul
da China e próximo de Hong Kong, para dar palestras e divulgar uma economia
socialista de mercado para a China. A viagem de Deng foi muito importante por ter
promovido a reforma da economia da China (após o Massacre de 4 de Junho de 1989
na Praça Tiananmen).

70/182
povo acredita que mais da metade dos funcionários de médios e altos postos do
governo são corruptos.

Ao mesmo tempo, os elevados princípios morais mostrados pelos praticantes de


Falun Gong - Verdade, Benevolência e Tolerância - tocaram gentilmente o
coração das pessoas. Falun Gong atraiu mais de 100 milhões de pessoas que
começaram a praticá-lo. Falun Gong é um espelho de moralidade que expõe
tudo o que não é reto dentro do PCCh.

O PCCh inveja a forma como Falun Gong se difundiu e foi conduzido.

Falun Gong se difundiu de pessoa para pessoa, de coração para coração. Sua
forma de existir é livre e informal: as pessoas praticam Falun Gong por livre
escolha pessoal; qualquer um pode entrar ou sair da prática quando quiser. Ao
contrário, as atividades sociais dos membros do rígido PCCh, que ocorrem uma
vez por semana na maioria das sedes do PCCh, só existem na fachada. Poucos
membros do PCCh ainda acreditam ou concordam com a ideologia do Partido.
Diferentemente, os praticantes de Falun Gong praticam ativa e sinceramente os
princípios “Verdade, Benevolência e Tolerância”. Devido ao poderoso efeito de
Falun Gong de melhorar a saúde física e mental das pessoas, o número de seus
praticantes cresceu exponencialmente. Seus praticantes estudam os livros do
seu fundador, Li Hongzhi, e divulgavam Falun Gong de forma espontânea e sem
fazer proselitismo. Em apenas 7 anos, o número de estudantes de Falun Gong
passou de zero para mais de 100 milhões. Nesses anos, era possível ouvir, todas
as manhãs, em quase todos os parques da China, as músicas que acompanham
as práticas dos exercícios de Falun Gong.

O PCCh fala que Falun Gong “compete” pelas massas com o PCCh e que é uma
“religião”. Na verdade, o que Falun Gong leva para o povo é uma cultura, uma
proposta de vida. Trata-se de uma cultura com profundas raízes nas tradições
chinesas que o povo chinês havia perdido faz muito tempo. Jiang Zemin e o
PCCh temiam Falun Gong porque sabiam que se o povo chinês escolhesse viver
de acordo com a tradicional moralidade, nenhuma força poderia impedir que
Falun Gong se espalhasse rapidamente. As crenças tradicionais chinesas foram
adulteradas ou eliminadas pelo PCCh nas últimas décadas. Falun Gong poderia
ser uma abertura na histórica da China para que o povo pudesse voltar às suas
tradições verdadeiras; uma alternativa para o povo chinês depois de tantas
tribulações e misérias. Se fosse dada a possibilidade do povo escolher, ele
certamente saberia distinguir entre certo e o errado, e, certamente, escolheria
Falun Gong. Isto seria justamente negar e abandonar as propostas do Partido
Comunista. Seria um golpe mortal no Partido Comunista Chinês. Sendo assim,
quando o número de praticantes de Falun Gong ultrapassou o de membros do
PCCh, é fácil imaginar o tamanho do terror e da inveja do PCCh.

Na China, o PCCh exerce total controle sobre todos os seguimentos e setores da


sociedade. Nas áreas rurais, existem sucursais do Partido em cada povoado. Nas
cidades, há sedes do Partido em todos os escritórios de administração dos
bairros. Seja no exército, no governo e nas empresas, os escritórios, o PCCh
controla tudo. O monopólio e a manipulação total são controles essenciais para
que o PCCh imponha e mantenha seu regime. A Constituição chinesa descreve
isso usando eufemismo: “persistente liderança do Partido”.

Em síntese, os membros do PCCh estavam inclinados a adotar os princípios


ensinados por Falun Gong: “Verdade, Benevolência e Tolerância”. O PCCh
percebeu que isto desafiava a “persistente liderança do Partido”, algo inaceitável
para ele.

71/182
O Partido Comunista considera o teísmo de Falun Gong como uma ameaça à
legitimação do regime comunista.

Uma autêntica crença teísta é um perigo para o Partido Comunista. Já que a


legitimidade do regime comunista se baseia no “materialismo histórico” e o
desejo de construir “um paraíso na Terra”. Portanto, a liderança na vanguarda do
“novo mundo” só pode estar com o Partido Comunista. Enquanto isso, a prática
do ateísmo permite ao Partido Comunista interpretar livremente o que é virtude
e o que é o bem e o mal. Como resultado, deixa de existir a questão moral e da
distinção entre o bem e o mal. A única coisa que o povo tem que se lembrar é
que o Partido sempre é “honrado, glorioso e correto”.

O teísmo dá as pessoas uma referência imutável sobre o que é o bem e o que é


o mal. Os praticantes de Falun Gong avaliam o certo ou errado com base na
“Verdade, Benevolência e Tolerância”. Isto obviamente se transforma em um
obstáculo para o PCCh “unificar o pensamento das pessoas”.

Sem nos aprofundarmos em nossa análise, há muitas outras razões. Claro,


qualquer uma das razões dadas anteriormente é fatal para o PCCh. De fato, Jiang
Zemin proibiu Falun Gong por causa dessas razões.

Jiang Zemin começou sua carreira mentindo sobre seu próprio passado, por isso
ele teme a “Verdade”. Mediante repressão do povo, Jiang rapidamente obteve o
poder, portanto, é natural para que ele não agir com “Benevolência”. Conservou
seu poder através de intrigas e lutas políticas dentro do Partido, e, portanto,
também não entende o que é “Tolerância”.

Um simples e pequeno incidente nos mostra claramente o quão pequeno e


invejoso é Jiang Zemin. O Museu das Ruínas Culturais de Hemudu62 no condado
de Yuyao (hoje cidade), província de Zhejiang, é um importante local histórico e
cultural cuja preservação está a cargo do estado. Originalmente, Qiao Shi63
assinou a placa inaugural desse museu. Em setembro de 1992, quando Jiang
Zemin visitou esse museu, ao ver a placa inaugural com o nome de Qiao Shi, sua
fisionomia demonstrou clara desaprovação e irritação. Todos os presentes se
puseram muitos nervosos porque sabiam que ele não gostava de Qiao Shi e que
gostava de deixar seu nome onde quer que fosse; por exemplo, quando visitou a
divisão de trafego do Departamento de Segurança Pública ou quando visitou a
Associação dos Engenheiros Aposentados da cidade de Zhengzhou. O pessoal
do museu não se atreveu a ofender a Jiang Zemin e, assim, em maio de 1993,
com a desculpa de se fazer uma reforma, o museu substituiu a placa inaugural
de Qiao Shi por uma outra com o nome de Jiang.

Diz-se que Mao Tsé-tung é autor dos “Quatro volumes de escrituras profundas
e cheias de poder”; e que Deng Xiaoping é autor das “Obras selecionadas de
Deng Xiaoping”, que inclui a “teoria do gato64” – seu desejo de uma ideologia
pragmática. Jiang Zemin espremeu seu cérebro, porém, só conseguiu produzir
três frases (cujo autor verdadeiro é Wang Huning), embora ele afirme ser o
responsável dos “Três Representantes”. Os escritos de Jiang foram publicados
em um livro distribuído pelo PCCh para todos os órgãos de governo – só foi

62
Descobertas em 1973, as Ruínas Culturais de Hemudu, 7.000 anos de antiguidade, se
encontra entre os importantes achados arqueológicos na China.
63
Ex-presidente do Congresso Popular Nacional chinês.
64
Deng disse: “Gato preto ou branco, não importa, ele é um bom gato se caçar ratos”,
querendo dizer que o objetivo das reformas econômicas era trazer prosperidade para o
povo, independentemente se tivesse um viés socialista ou capitalista.

72/182
vendido porque as pessoas eram constrangidas a comprá-los. Como todos, os
membros do PCCh não sentem respeito por Jiang Zemin. Espalharam boates de
sua relação com uma cantora e episódios vergonhosos como quando cantou “O
sole mio” em uma viagem ao exterior, ou quando se penteou diante do Rei da
Espanha. Quando o fundador de Falun Gong, Li Hongzhi, um cidadão comum,
dava uma conferência, o auditório lotava de professores, especialistas e
universitários chineses que estudavam no exterior. Muitas pessoas com
doutorado e outros títulos viajavam milhares de quilômetros para escutar seus
ensinamentos. O Sr. Li falava com erudição durante várias horas, sem recorrer a
anotações ou outros recursos. Mais tarde, as palestras foram transcritas, das
gravações das palestras, na forma acabada de livro. Tudo isto era insuportável
para Jiang Zemin, um ser vaidoso, invejoso e mesquinho.

Jiang Zemin viveu uma vida de ambição, luxo e corrupção. Gastou cerca de US$
110 milhões em um luxuoso avião para seu uso pessoal. Frequentemente usava
dinheiro (dezenas de milhares de milhões) de fundos públicos para uso nos
negócios de seus filhos. Usou de despotismo ao colocar seus parentes e
protegidos nos mais altos postos do governo, e tomou medidas extremas para
encobrir a corrupção e os crimes de seus aliados. Por todas estas razões, Jiang
tem medo do poder moral de Falun Gong e de que, como ensina Falun Gong,
seja verdade que as pessoas recebem a correspondente retribuição pelo bem ou
mal que fazem.

Embora Jiang tenha em suas mãos o poder e controle do PCCh, dada a sua falta
de talento político e pessoal, ele sempre teme perder o poder como resultado de
disputas internas do PCCh. É muito sensível com relação à sua posição no centro
do poder. Para eliminar qualquer oposição, Jiang maquinou um complô que
eliminou seus inimigos políticos: Yang Shangkun e, o irmão deste, Yang Baibing.
No 15º e 16º Congresso Nacional do Comitê do Partido Comunista (CPC),
realizados respectivamente em 1997 e 2002, Jiang obrigou seus opositores a se
aposentarem de seus cargos. Por outro lado, ignorando as normas, ele não fez o
mesmo e se agarrou desesperadamente ao poder.

Em 1989, depois do massacre de Tiananmen, Jiang Zemin, como secretário do


PCCh, deu uma entrevista para os jornais chineses e estrangeiros. Um jornalista
francês lhe perguntou o porquê de uma estudante universitária - envolvida
nesse incidente de 4 de junho na Praça Tiananmen e levada para uma fazenda
para carregar tijolos - ter sido repetidamente violentada pelos camponeses do
local. Jiang respondeu: “Não sei se o que você diz sobre ela ter sido violentada é
verdadeiro ou não. Porém, essa estudante é uma desordeira e, se ela foi
realmente violentada, isto foi porque ela mereceu!”. Durante a Revolução
Cultural, Zhang Zhixin65 foi violentada repetidamente por um grupo e cortaram
sua língua para que ela não revelasse a verdade sobre sua detenção na prisão.
Possivelmente, Jiang Zemin também ache que ela mereceu. Este episódio
permite apreciar a mente criminosa e inescrupulosa de Jiang Zemin.

Em resumo, a sede de poder do ditador Jiang Zemin, a sua crueldade e o seu


medo da “Verdade-Benevolência-Tolerância” são as razões de sua irracional
campanha para eliminar Falun Gong. Isto é algo totalmente esperado por estar
de acordo com a forma como o PCCh age.

65
Uma intelectual chinesa que o PCC torturou até a morte por dizer a verdade durante
a Revolução Cultural.

73/182
III. Jiang Zemin e o PCCh conspiram conjuntamente.

Jiang Zemin é conhecido por ostentar seu poder e por suas trapaças políticas;
também por sua incompetência e ignorância. Embora ele quisesse eliminar Falun
Gong, ele não pode fazer isto porque Falun Gong estava muito ligado à
tradicional cultura chinesa e havia se tornado tão popular a ponto de ter ampla
base social. Entretanto, a máquina de violência do PCCh, aperfeiçoada ao longo
de incontáveis campanhas de extermínio, estava em pleno funcionamento e
também desejava eliminar Falun Gong. Então, do mesmo modo que o vento
alimenta o fogo, Jiang Zemin aproveitou sua posição como secretário geral do
PCCh e pessoalmente deu inicio a uma perseguição contra Falun Gong. Jiang e o
PCCh conspiraram e se apoiaram mutuamente nessa perseguição; foi como o
grito de um alpinista que causa uma avalanche de neve numa montanha.

Antes mesmo que Jiang desse a ordem oficial para perseguir Falun Gong, o PCCh
já havia começado a perseguir, espionar, investigar e fabricar acusações contra
Falun Gong. O espectro perverso do comunismo instintivamente se sentiu
ameaçado pela “Verdade-Benevolência-Tolerância”, isto sem mencionar a
rapidez sem precedentes com que Falun Gong se expandiu.

Desde 1994, agentes secretos da segurança pública do PCCh estavam infiltrados


em Falun Gong; porém, não encontraram nada de errado; inclusive alguns se
tornaram verdadeiros praticantes. Em 1996, o Diário Guangming violou as “Três
Restrições” - uma política de estado com referencia às práticas de qigong (não
recomendar, interferir ou condenar as práticas de qigong) - ao publicar um
artigo com acusações vazias contra Falun Gong. Depois disso, políticos com
formação em segurança pública ou com o título de “cientistas” continuaram os
ataques. No início de 1997, Luo Gan, secretário do Comitê Político e Judiciário
do Comitê Central do PCCh, utilizou seu poder e ordenou que o Departamento
de Segurança Pública fizesse uma investigação nacional contra Falun Gong
visando encontrar evidências que permitissem proibir a prática. Depois que Luo
Gan ficou sabendo que, em todo o país, não havia sido encontrada nada que
incriminasse a prática, ele emitiu uma circular (N° 555, de 1998), “Notificação
referente ao início de uma investigação sobre Falun Gong” a ser feita pela
Primeira Divisão do Ministério de Segurança Pública (também conhecido com
Escritório de Segurança Pública). Ele acusou Falun Gong de ser uma “seita
perversa” para que assim pudesse ordenar que os departamentos de polícia do
país fizessem uma investigação sistemática, através de agentes secretos, para
encontrar evidências que incriminassem Falun Gong. Esta investigação, como a
anterior, não encontrou nada que justificasse ou respaldasse tal acusação.

Não havia espaço ou clima para atacar diretamente Falun Gong; a prática
desfrutava de excelente reputação e tinha amplo apoio na China. Desta forma,
para que o PCCh pudesse iniciar a repressão a Falun Gong, ele necessitava ter a
pessoa certa para acionar os mecanismos de extermínio do PCCh. Assim, era
decisiva a forma como a cúpula do PCCh conduziria o assunto. Como qualquer
indivíduo, os líderes do PCCh poderiam escolher dar ouvido ao lado bom ou ao
lado mal da natureza humana. Se escolhesse o bom, poderia conter a natureza
perversa do Partido; se não, a natureza perversa do PCCh seria liberada e se
manifestaria em sua totalidade.

Durante o movimento democrático estudantil de 1989, Zhao Ziyang, o então


secretario geral do Comitê Central do PCCh, não tinha intenção de reprimir os
estudantes. Mas, os integrantes mais antigos da cúpula do PCCh insistiram na
repressão. Deng Xiaoping disse nessa ocasião: “Matar 200.000 pessoas em troca

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de 20 anos de estabilidade”. Os 20 anos de estabilidade, na realidade, eram
mais 20 anos de regime do PCCh. Esta idéia se ajusta ao objetivo do PCCh: ser
uma ditadura. Assim, a idéia foi aceita.

Com respeito à questão Falun Gong, dos sete membros do Comitê Permanente
do Politburo do Comitê Central do PCCh, somente Jiang Zemin insistiu na
repressão. A alegação persuasiva que Jiang Zemin utilizou foi que a questão
estava intimamente ligada “à sobrevivência do PCCh e do país”. Isto tocou o
nervo mais sensível do PCCh e despertou sua tendência para a luta. A intenção
de Jiang Zemin era ampliar seu poder pessoal e a do PCCh era manter sua
ditadura. Ambas as intenções convergiram e se reforçaram mutuamente.

Na noite de 19 de julho de 1999, Jiang Zemin presidiu uma conferência de altos


oficiais do PCCh. Usurpando e indo além de suas prerrogativas políticas, Jiang
Zemin usou sua influência e poder para “unificar” os pontos de vista dos
membros presentes do Comitê Permanente do Politburo e decidiu, com um
murro na mesa, lançar uma perseguição em massa contra Falun Gong. Jiang
baniu a prática de Falun Gong em nome do governo do chinês, enganando o
povo. O governo chinês e o PCChC com seus métodos violentos usaram toda a
sua artilharia contra milhões de praticantes inocentes de Falun Gong.

Se, nessa ocasião, se o secretário geral do PCCh não fosse Jiang Zemin, é bem
possível que a perseguição a Falun Gong não tivesse ocorrido. Neste aspecto
podemos dizer que o PCCh utilizou Jiang Zemin. Por outro lado, se o PCCh não
tivesse uma predisposição para cometer crimes sangrentos devido a sua
natureza imoral, criminosa e selvagem, ele não teria visto a Falun Gong como
uma ameaça.

Sem o controle ramificado e total do PCCh sobre cada setor da sociedade, a


intenção de Jiang Zemin de eliminar Falun Gong não teria encontrado o respaldo
necessário para organizar, financiar e promover essa perseguição. Jiang Zemin
não teria apoio diplomático nem recursos nem o apoio do sistema presidiário,
da polícia e do Departamento de Segurança Nacional. Não contaria com a adesão
e o apoio dos círculos religiosos, científicos e tecnológicos, sindicais, estudantis
etc. Neste aspecto, podemos dizer que foi Jiang Zemin quem utilizou o PCCh.

IV. Como Jiang Zemin utiliza o PCCh para perseguir Falun Gong.

Aproveitando-se do princípio organizativo de que “todos os membros do PCCh


devem se subordinar ao Comitê Central”, Jiang Zemin explorou a máquina
estatal controlada pelo PCCh para perseguir a Falun Gong: o aparato estatal, o
exército, os meios de comunicação, a segurança pública, o sistema judiciário, o
Congresso Nacional Popular, o pessoal diplomático, assim como falsos grupos
religiosos. O exército e a polícia militar participaram diretamente da prisão e do
seqüestro de praticantes de Falun Gong. Os meios de comunicação da China
colaboraram com o regime de Jiang disseminando calúnias contra Falun Gong. O
sistema de inteligência do Estado serviu pessoalmente a Jiang ao fornecer
informações e inventar acusações. O Congresso Nacional Popular e o sistema
judiciário deram uma aparência “legal” e um viés de constitucionalidade para
justificar os crimes cometidos por Jiang Zemin e o PCCh contra Falun Gong, e,
assim, enganar o povo. A união de todas essas forças se converteu em um
instrumento a serviço de Jiang Zemin. Além disso, os meios diplomáticos da
China espalharam mentiras na comunidade internacional e seduziram governos
estrangeiros com manobras e vantagens políticas e comerciais capazes até de
silenciar a mídia de alguns países quanto à perseguição a Falun Gong.

75/182
Na conferência do Comitê Central onde Jiang Zemin ordenou a eliminação de
Falun Gong, ele declarou: “Não posso acreditar que o PCCh não possa derrotar a
Falun Gong”. A estratégia de eliminação de Falun Gong estabelece três linhas de
ação: “acabar com a reputação de Falun Gong, arruinar financeiramente os
praticantes, e destruí-los fisicamente”. O que se seguiu foi uma campanha de
extermínio.

Utilizar os meios de comunicação para bloquear o acesso aos fatos.

A tarefa de “acabar com a reputação de Falun Gong” foi levada adiante através
dos meios de comunicação, este sob o total controle do PCCh. Em 22 de julho
de 1999, no terceiro dia de detenção de praticantes de Falun Gong ao longo do
país, os meios de comunicação fizeram ampla propaganda contra Falun Gong.
Por exemplo, durante o último semestre de 1999, a Televisão Central da China
(CCTV), de Pequim, destinou 7 horas diárias para colocar no ar mentiras sobre
Falun Gong. Estes programas começavam por destorcer e descontextualizar
trechos de palestras de Li Hongzhi, fundador de Falun Gong, e, em seguida, para
impressionar e chocar, falavam de relatos de supostos praticantes que se
suicidaram ou morreram por recusar tratamento médico. Eles faziam tudo o que
puderam para difamar e incriminar Falun Gong e seu fundador.

Um caso muito difundido foi remover a palavra “não” de uma citação de Li


Hongzhi, fundador de Falun Gong, durante um evento público no qual disse:
“Não existe a chamada explosão da Terra”. O programa de TV da CCTV tirou a
palavra “não” e deixou: “Existe a chamada explosão da Terra”. Com isto o PCCh
afirmava que Falun Gong propagava “teorias sobre o fim do mundo”. Também se
usou de subterfúgios para enganar o público; por exemplo, imputando aos
praticantes de Falun Gong crimes comuns. Um assassinato cometido em Pequim
por Fu Yibin - uma pessoa com desordem mental - e uma morte por
envenenamento de um mendigo da província de Zhejiang foram atribuídas a
Falun Gong. O PCCh usou todos os meios de comunicação para instigar o ódio
no público indefeso, para assim buscar justificar e respaldar a perseguição
impopular e sangrenta perseguição a Falun Dafa.

Mais de 2.000 jornais, mais de 1.000 revistas, e centenas de rádios ou canais de


televisão locais, sob o controle total do PCCh, se dedicaram a campanhas
mentirosas de difamação contra Falun Gong. Estas difamações foram enviadas
ao resto do mundo através da agência oficial de notícias Xinhua, do Serviço de
Notícias da China e da Agência de Notícias de Hong Kong, entre outros meios de
comunicação internacionais controlados pelo PCCh. Segundo estatísticas
parciais, em apenas meio ano, foram divulgados mais de 300.000 artigos
difamatórios contra Falun Gong. Isto, num primeiro momento, resultou no
posicionamento errado de milhares de pessoas ao redor do mundo quanto ao
que ocorreu a Falun Gong.

Embaixadas e consulados chineses no exterior divulgaram grande quantidade de


notícias e vídeos que criticavam e diziam revelar a “verdade” sobre Falun Gong.
O websites do Ministério das Relações Exteriores da China criou colunas
especiais para este fim.

Além disso, em fins de 1999, durante o encontro de Cooperação Econômica da


Ásia-Pacífico, na Nova Zelândia, Jiang Zemin, quebrando todos os protocolos,
distribui panfletos com calúnias sobre Falun Gong a cada um dos mais de dez
chefes de estado presentes no encontro. Na França, Jiang Zemin, numa clara
violação da Constituição chinesa, diante da mídia estrangeira, rotulou Falun

76/182
Gong de “seita perversa” numa tentativa de “acabar com a reputação de Falun
Gong”.

O caso mais baixo e perverso foi o incidente chamado de a “auto-imolação”.


Montado, em janeiro de 2004, para incriminar Falun Gong, ele foi difundido para
todo o mundo pela agência de notícias Xinhua com uma rapidez sem
precedentes. Numerosas organizações internacionais, como a ONG Agência
Internacional de Educação e Desenvolvimento das Nações Unidas (IED), de
Genebra, criticou o governo chinês por difundir um falso documentário com a
finalidade de enganar a opinião pública. Um membro da equipe de TV que
filmou as cenas admitiu que as cenas foram fabricadas e montadas. A sórdida
natureza do PCCh foi mais uma vez exposta. Ninguém deixou de se perguntar
como os “discípulos de Falun Gong, que encararam a morte com tamanha
firmeza,” puderam ser tão cooperativos com as autoridades do PCCh durante as
filmagens a ponto de se deixarem ficar à disposição das filmagens das cenas da
assim chamada “auto-imolação”.

Nenhuma mentira pode sobreviver à luz do dia. Ao mesmo tempo em que fazia
circular calunias e inventava mentiras, o PCCh empregava todo o seu poderio
para impedir e censurar a veiculação de informações verdadeiras. Sem medir
esforço, escondeu dos chineses todas as notícias estrangeiras que falavam sobre
Falun Gong, assim como qualquer fato em defesa de seus praticantes. Foram
recolhidos, destruídos, queimados e proibidos todos os livros de Falun Gong, a
maior prova em defesa de uma prática cuja essência é os princípios: “Verdade-
Benevolência-Tolerância”. Foram tomadas medidas extremas para impedir que a
mídia estrangeira pudesse entrevistar ou tomar depoimentos de praticante de
Falun Gong na China; jornalistas foram deportados da China, e exercida
influência diplomática e comercial sobre agências estrangeiras.

O PCCh também adotou medidas extremas para silenciar e impedir que, da


China, praticantes de Falun Gong pudessem dizer para o resto do mundo o que
se passa lá. Li Yanhua, uma mulher de uns 60 anos residente na cidade de
Dashiqian, província de Lianning, em 1 de fevereiro de 2001, foi levada pela
polícia quando distribuía material esclarecendo os fatos sobre a perseguição a
Falun Gong. No cativeiro, ela foi espancada até a morte. Para ocultar este crime,
a polícia declarou que a mulher havia se suicidado devido a um “estado de
transe hipnótico” induzido por Falun Gong.

Na Universidade de Qinghua, mais de 12 professores ou estudantes receberam


longas penas de prisão por entregarem material que esclarecia a verdade sobre
a perseguição a Falun Gong. Ainda, por terem revelado o estupro da Sra. Wei
Xingyan - uma praticante de Falun Gong pós-graduada na Universidade de
Chongqing - ocorrida na prisão, 7 praticantes de Falun Gong foram julgados e
condenados à longa prisão.

Cobrança de multas e invasão de residências sem mandato judicial.

O aparato do PCCh levou adiante uma política de “arruinar financeiramente os


praticantes de Falun Gong”. Em mais de cinco anos de perseguição, centenas de
milhares de praticantes de Falun Gong foram multados na faixa de milhares de
dólares, em uma tentativa de intimidá-los e arruiná-los financeiramente. Sem
dar justificativas, os governos locais, unidades de trabalho, a polícia e os
departamentos de segurança pública impuseram multas de forma totalmente
arbitrária. Forçados a pagar as multas, os que conseguiram não receberam
qualquer tipo de recibo nem foi feita qualquer menção a artigos legais que

77/182
explicassem o porquê das multas, isto porque não havia qualquer sustentação
legal para isto.

Tomar e saquear residências é outra forma de intimidação utilizada contra os


praticantes de Falun Gong. Aqueles que não abandonam a prática são vítimas de
buscas e invasões domiciliares sem mandato judicial. A polícia confisca e toma
dinheiro e bens sem qualquer justificativa. Em áreas rurais são levados os
produtos agrários estocados. Da mesma forma, não se faz registro daquilo que
é tomado nem se dá qualquer tipo de recibo. Normalmente, os policiais ficam
com aquilo que é tomado.

Ao mesmo tempo, os praticantes de Falun Gong perdem seus empregos. No


campo, as autoridades tiraram as terras de praticantes. O PCCh não poupa nem
sequer os aposentados, os quais perdem suas pensões e são despejados de
onde moram. Alguns praticantes de Falun Gong têm seus bens e propriedades
confiscadas e suas contas bancárias bloqueadas.

Para aumentar a eficácia de tais medidas brutais, o PCCh emprega a estratégia


de punir coletivamente. Isto significa que se forem encontrados praticantes de
Falun Gong em qualquer unidade de trabalho privada ou empresa estatal, os
chefes e empregados desses locais não recebem bonificações nem promoções.
O objetivo é instigar o ódio da sociedade contra os praticantes de Falun Gong.
Os familiares e parentes dos praticantes também recebem ameaças de serem
demitidos, de terem seus filhos expulsos da escola ou de serem despejados de
onde moram. Todas estas medidas têm um único propósito: cortar todas as
fontes de renda dos praticantes de Falun Gong para que assim abandonem
aquilo que acreditam.

Atos brutais, torturas e assassinatos desenfreados.

A infame medida de “destruir fisicamente os praticantes de Falun Gong” foi


levada adiante principalmente pela polícia, procuradoria e sistema judicial.
Segundo estatísticas não oficiais, pelo menos 1.143 praticantes morreram nos
últimos cinco anos vítimas da perseguição a Falun Gong. As mortes ocorreram
em mais de 30 províncias, regiões sob o comando direto do governo central. Por
volta outubro de 2004, a província com o maior número de mortos era
Heilongjiang, seguida por Jilin, Liaoning, Hebei, Shandong, Sichuan e Hubei. A
menor vítima tinha apenas dez meses de vida (filho de Wang Lixuen, do povoado
de Goujun, província de Shandong), e o mais idoso tinha 82 anos (Yang
Yongsho, do povoado de Qingshan, província de Sicuani). 51,3% das vítimas são
mulheres; os maiores de 50 anos representam 38,86% das vítimas. Há oficiais do
PCCh que reconhecem que o número real de praticantes mortos é muito maior.

As torturas brutais contra os praticantes de Falun Gong são amplas e variadas.


Espancamentos; acoitamentos; choques elétricos; congelamento; ficar longos
períodos pendurado amarrado, ficar algemado ou acorrentado; queimaduras
com fogo, cigarros ou ferro quente; permanecer em posições dolorosas por
longos períodos; ser espetado com bambu ou outros objetos pontiagudos;
abuso sexual e estupro, entre outros. Em outubro de 2004, os guardas do
Campo de Trabalhos Forçados Masanjia, na província de Liaoning, desnudaram a
18 mulheres praticantes de Falun Gong e as jogaram em celas junto com
presidiários para que fossem violentadas e abusadas à vontade. Todos estes
crimes estão documentados. Os crimes são numerosos demais para serem
relacionados.

78/182
Outra desumana forma comum de tortura são os chamados “tratamentos
psiquiátricos”. Praticantes de Falun Gong, perfeitamente saudáveis física e
mentalmente, são, sem quaisquer direitos de defesa, trancafiados em clínicas
psiquiátricas onde são submetidos a drogas injetáveis que destroem o sistema
nervoso central da pessoa. Como resultado, alguns têm paralisia parcial ou
total. Outros ficam completamente cegos ou surdos ou sofrem a destruição de
músculos e órgãos internos. Outros perdem a memória total ou parcialmente, ou
ficam retardados mentalmente. Outros morrem imediatamente sob a ação
dessas drogas.

Informações indicam que o “tratamento psiquiátrico” em praticantes de Falun


Gong é aplicado em 23 das 33 províncias da China, em regiões autônomas e
municipalidades sob o controle do governo central. Pelo menos 100 instituições
psiquiátricas em províncias, cidades, condados ou distritos participam dessa
perseguição. Analisando a quantidade e a distribuição geográfica dos casos, fica
evidente que o uso criminoso de drogas psiquiátricas em praticantes de Falun
Gong é uma medida planejada, sistemática e conduzida de cima. Pelo menos
1.000 praticantes mentalmente saudáveis foram enviados, contra suas vontades,
para tais clínicas psiquiátricas e centro de reabilitações de drogados. Muitos de
eles foram obrigados a injetar ou tomar drogas capazes de destruir o sistema
nervoso central da pessoa. As vítimas disso também são amarradas e torturadas
com choques elétricos. Pelo menos 15 morreram somente devido a essas
torturas.

O Escritório 610, com extensas ramificações, se colocou acima da lei.

Em 7 de junho de 1999, na reunião do Politburo, Jiang Zemin atacou Falun


Gong. Qualificou a questão de Falun Gong como uma “luta política” e rotulou os
praticantes de Falun Gong de inimigos do PCCh. Assim, estimulou o reflexo
condicionado de violência e luta do PCCh e ordenou a criação de um “Escritório
para cuidar de questões ligadas a Falun Gong” no Comitê Central. Como esse
Escritório foi criado na data de 10 de junho (6/10), ele recebeu o nome de
“Escritório 610”. Foram criadas agências do Escritório 610 por todo o país, e em
todos os níveis de governo, para cuidarem de assuntos relacionados com a
eliminação de Falun Gong. O Comitê Político e Judiciário, a procuradoria, os
meios de comunicação, os órgãos de segurança pública, as cortes populares e
os órgãos de segurança nacional subordinados ao Comitê do PCCh fazem o
trabalho sujo para o Escritório 610. Este presta contas ao Conselho de Estado,
mas, na realidade, é um órgão do PCCh que existe fora da estrutura oficial do
sistema de Estado e de governo da China. Ele está livre de qualquer restrição
legal local ou nacional. É uma organização toda poderosa muito parecida com a
Gestapo do nazismo, com poderes que ultrapassam o sistema legal e judicial,
podendo, assim, empregar os recurso e meios que julgar mais conveniente. Em
22 de julho de 1999, depois que Jiang Zemin deu a ordem para eliminar Falun
Gong, a agência de notícias Xinhua divulgou discursos de funcionários do
Ministério Central de Organização e do Ministério Central de Propaganda do
PCCh dando o apoio total à perseguição contra Falun Gong iniciada por Jiang
Zemin. Estes órgãos cooperaram entre si para sob a estrita coordenação do
PCCh para levar adiante o perverso plano de Jiang Zemin.

Muitos casos evidenciam que nem o Departamento de Segurança Pública nem a


Procuradoria nem a Corte Popular têm poder e autonomia para decidir sobre
casos que envolvem Falun Gong. Todos têm que acatar as ordens do Escritório
610. Quando os familiares dos praticantes de Falun Gong presos ou torturados
questionam ou apelam aos órgãos de segurança, a procuradoria e as cortes

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populares, eles recebem como resposta que todas as decisões são tomadas pelo
Escritório 610.

Sem dúvida, o Escritório 610 existe sem uma base legal. Quando dá ordens a
todos os órgãos sob o comando do PCCh, geralmente o faz sem mandatos ou
notificações escritas; tudo é feito de forma oral. Além disso, está estabelecido
que quem quer que seja que receba essas ordens não tem permissão para
registrá-las em áudio ou vídeo, nem mesmo na forma de uma simples nota.

Este tipo de tentáculo da ditadura - organizações que ignoram por completo a


lei - é uma algo freqüente no PCCh. Em suas chamadas “purgas”, o PCCh
sempre empregou táticas ilegais e estabeleceu organizações temporárias ilegais,
como, por exemplo, a Equipe Central da Revolução Cultural que liderou e
espalhou a tirania do Partido Comunista por todo o país.

Através de seu longo reinado de violência e despotismo, o PCCh, através da


mentira e censura, criou o sistema mais forte e impiedoso de terrorismo de
Estado que existe. A falta de humanidade e inigualável capacidade de enganar
mostram o alto nível de especialização do PCCh, de alcance e envergadura sem
precedentes. Através de todas as suas campanhas políticas, o PCCh acumulou
experiência em métodos sistemáticos e eficazes para reprimir, prejudicar e
assassinar pessoas usando as formas mais perversas, astutas e enganosas que
se pode conceber. O já citado caso do homem que estrangulou sua própria
esposa por não suportar as ameaças de policiais, bem como a atuação da polícia
no caso, é fruto do perverso terrorismo de Estado engendrado pelo PCCh e que
inclui também: usar os meios de comunicação para enganar, fazer pressão
política, e, como forma de pressão e intimidação, estender as punições a todos
ao redor de quem se deseja atingir. Tudo serve para perverter a natureza
humana e incitar o ódio.

Usar a força militar e os recursos da nação para fazer o mal.

O Partido controla totalmente as forças armadas, uma situação que lhe permite
fazer o que quiser e como quiser sem temer represálias. Durante julho e agosto
de 1999, na perseguição a Falun Gong, Jiang Zemin, além de utilizar a polícia
civil e a polícia militar, também fez uso das forças armadas, contra centenas de
milhares de cidadãos de todo o país, talvez milhões de pessoas, que marcharam
pacificamente a Pequim para apelar por Falun Gong. Todos os acessos e vias
públicas principais para Pequim foram ocupados por um enorme contingente de
soldados armados. Estes cooperaram com a polícia para interceptar e prender
aqueles que iam fazer um apelo. Com o uso das forças armadas, Jiang Zemin
abriu o caminho para uma perseguição sangrenta.

O Partido controla as finanças do Estado. Desta forma, Jiang Zemin consegue


respaldo financeiro para perseguir Falun Gong. Certa vez, um alto funcionário
do Departamento de Justiça da província de Liaoning, durante uma conferência
no Campo de Trabalhos Forçados de Masanjia, disse: “Os recursos econômicos
destinados para eliminar Falun Gong excedem o orçamento de uma guerra”.

Não se sabe ainda com clareza quanto dos recursos econômicos do Estado, que
vem do suor do povo, foi destinado pelo Partido Comunista Chinês para
perseguir Falun Gong. Entretanto, fontes do Departamento de Segurança Pública
do PCCh informaram que, somente na Praça Tiananmen, a prisão de praticantes
de Falun Gong representou um desembolso entre US$ 210.000 e US$ 310.000
por dia; ou seja, entre 77 e 113 milhões de dólares por ano. Em todo o país, de
cidades até as áreas rurais mais remotas, de posto policiais e departamentos de

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segurança pública ao pessoal das sucursais do “Escritório 610”, Jiang Zemin
utilizou milhões de pessoas para perseguir Falun Gong. Só o gasto com
soldados pode ultrapassar a 12 bilhões de dólares por ano. Além disso, Jiang
Zemin gastou cifras exorbitantes na expansão e criação de campos de trabalhos
forçados para deter os praticantes de Falun Gong, bem como instalações para
fazer lavagem cerebral. Por exemplo, em dezembro de 2001, Jiang liberou 520
milhões de dólares para a construção de centros de lavagem cerebral destinados
a “reformar” os praticantes de Falun Gong. Também deu incentivos monetários
para quem ajudasse na perseguição contra Falun Gong, assim invectivando as
pessoas a participarem dessa crueldade. Em muitas regiões, o prêmio por
prender ou entregar um praticante de falun Gong chegava a US$ 1.200. O campo
de trabalhos forçados de Masanjia é um dos lugares mais perversos utilizados
na perseguição contra Falun Gong. Em uma ocasião, o PCCh premiou o diretor
desse campo, Su, com mais de US$ 6.000 e ao vice-diretor, Shao, com US$
3.700.

Jiang Zemin, ex-secretário geral do PCCh, é a pessoa que iniciou, tramou e


dirigiu a perseguição contra Falun Gong, utilizando para isso todo o aparato do
PCCh. É inegável sua responsabilidade nesse crime histórico. De qualquer modo,
se não fosse o PCCh e sua máquina de violência - aperfeiçoada ao longo de
numerosas operações políticas - Jiang Zemin não teria podido levar adiante
tamanha perseguição cruel.

Jiang Zemin e o PCCh se sustentam mutuamente, fazem uso um do outro. Eles


se arriscam, por simples interesses pessoais e partidários, a enfrentar uma
condenação pública por se oporem a “Verdade-Benevolência-Tolerância”. A
existência desse conveniente pacto entre Jiang Zemin e o PCCh é a verdadeira
razão para que essa perseguição tão trágica e absurda pudesse acontecer.

V. Jiang Zemin, de dentro, provoca o colapso do PCCh.

Para implantar o comunismo na China, o PCCh erradicou a tradicional cultura


chinesa. A ampla derrota do comunismo no resto do mundo mostra, na prática,
o absurdo do comunismo. O PCCh não tem a capacidade, a autoridade e o
desejo de trazer de volta as tradições chinesas e assim abrir um caminho que
possibilita criar uma sociedade melhor, não comunista. O sistema político do
PCCh é totalitário, não permite que qualquer outra organização política participe
na política de Estado ou compartilhe do poder na China. Assim, parece que só
resta à China esperar até que o tumor do comunismo chinês entre em colapso e
morra; e – junto com o PCCh – desapareça.

Falun Gong, uma prática apolítica e sem ambições pelo poder, surgiu durante a
década de 1990 e tocou o coração das pessoas, despertando a cultura milenar
do povo chinês e retirando a China de seu silêncio cultural. A difusão de Falun
Gong oferece a possibilidade de resolver os problemas de forma benevolente e
de devolver a paz e a serenidade à sociedade chinesa. Quando surgiu esta
prática, muitas pessoas de visão dentro do PCCh também se deram conta de
Falun Gong poderia mudar a sociedade.

Contudo, motivado por seus interesses egoístas, Jiang, utilizando a maldade


inerente ao PCCh, lançou na China em uma perseguição a milhões de pessoas
inocentes; pessoas que buscam viver de acordo com os princípios: “Verdade-
Benevolência-Tolerância”. Jiang lançou uma campanha para punir uma força
social extremamente benéfica para a sociedade e que nunca causou qualquer
mal ao país. Esta perseguição não somente arrastou o país e o povo para a
maldade e o desastre como também vem corroendo os alicerces do Partido.

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Jiang Zemin se utilizou do PCCh para poder ter os meios para perseguir Falun
Gong. A lei, a moralidade e a humanidade foram desprezadas; e isto é algo que
destrói a credibilidade do PCCh para continuar no poder.

O regime de Jiang utilizou todos os recursos econômicos, materiais e humanos


que dispunha para eliminar Falun Gong, e isto gerou uma pesada carga para o
país e a sociedade, assim como reflexos na economia nacional. O PCCh não tem
mais como sustentar uma perseguição condenada ao fracasso e que consome
enorme quantidade de recursos.

Durante tal perseguição, o PCCh e Jiang Zemin usaram todo tipo de táticas
macabras, brutais e traiçoeiras; ambos fizeram uso de todo seu repertório de
mentiras e maldades.

O PCCh e Jiang Zemin empregaram todos os meios de propaganda à mão para


difundir calúnias, tentar macular a imagem de Falun Gong e justificar essa
absurda perseguição. Entretanto, como diz um provérbio chinês, “O papel não
pode deter o fogo”: uma vez que essa mentira e maldade sejam expostas com o
fracasso dessa perseguição, a mentirosa máquina de propaganda do PCCh não
conseguirá mais enganar o povo. O PCCh perderá então a credibilidade que lhe
resta e, junto com esta e de uma vez por todas, o apoio do povo.

Em 1999, quando se iniciou a perseguição a Falun Gong, Jiang Zemin afirmou


que a “questão de Falun Gong seria resolvida em três meses”. À luz dos fatos,
fica claro que o PCCh subestimou a força de Falun Gong e o poder da tradição e
da fé.

Desde tempos remotos, o mal nunca foi capaz de eliminar o bem. Foi incapaz de
eliminar a bondade que há no coração humano. Cinco anos se passaram,
contudo, Falun Gong é ainda Falun Gong. Mais ainda, Falun Gong se difundiu
para o mundo todo. Jiang Zemin e o PCCh sofreram uma enorme derrota nesse
combate entre o bem e o mal. E suas naturezas desonestas, violentas e más
estão sendo expostas por completo. O então célebre Jiang Zemin está cercado
agora, tanto interna como externamente. É alvo de vários processos e moções
que buscam levá-lo ao banco dos réus.

Originalmente, o PCCh queria utilizar esta perseguição para consolidar seu


poder ditatorial. Mas, o resultado disso foi que o PCCh não só não restabeleceu
sua força como também a esgotou. O Partido Comunista Chinês entrou num
caminho sem retorno, nada poderá ressuscitá-lo. Assim como uma árvore seca e
apodrecida cai ao menor vento. Toda e qualquer tentativa de ressuscitá-lo vai
contra a corrente da história. Tentar salvar o PCCh não somente será em vão
como também condenará a todos aqueles que tentarem fazer isto.

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Conclusão

O ex-secretário geral do PCCh, Jiang Zemin, foi quem tramou, iniciou e dirigiu a
perseguição contra Falun Gong. Para isto, ele utilizou integralmente o poder, a
posição, a capacidade diplomática e a máquina política do PCCh. Carrega de
forma irredimível um crime histórico. Por outro lado, sem o PCCh, ele nunca
poderia ter levado adiante tão cruel perseguição. Desde que surgiu, o PCCh se
colocou contra a virtude e a bondade. Tendo a repressão como sua ferramenta
predileta e a perseguição como sua especialidade, o PCCh apóia seu reinado em
um rígido controle que se baseia em um monopólio político. Por sua natureza, o
Partido Comunista teme a “Verdade-Benevolência-Tolerância” e, assim, vê a
Falun Gong como um inimigo. Desta forma, a repressão e perseguição a Falun
Gong foram inevitáveis. Numa tentativa de vencer a “Verdade-Benevolência-
Tolerância”, Jiang Zemin e o PCCh utilizaram amplamente a mentira, a maldade,
a violência, a tortura, a trapaça e a corrupção. A conseqüência disso foi um
aprofundamento do declínio da moralidade da sociedade chinesa, um processo
pelo qual todos foram afetados.

O pacto entre o PCCh e Jiang Zemin uniu definitivamente seus destinos. A


perseguição a Falun Gong poderá levar Jiang Zemin ao banco dos réus. No dia
em que Jiang for julgado por seus crimes, o destino do PCCh será evidente.

Os princípios que regem o universo não permitirão tão desumana perseguição a


pessoas boas e que acreditam na “Verdade-Benevolência-Tolerância”. As
maldades de Jiang Zemin e do PCCh se converterão em uma lição profunda e
eterna para a humanidade.

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Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 6 – O Sexto dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

Como o Partido Comunista Chinês destruiu as tradições culturais

Um pôster mostrando uma campanha criticando a Lin Baio e Confúcio.

(APG/Getty Images)

84/182
Introdução

A cultura é a alma de uma nação. Representa o espírito de uma nação, assim


como sua etnia e seu território são seus aspectos físicos.

O desenvolvimento cultural de uma civilização traça sua história e estabelece as


bases de uma nação. A destruição da cultura de uma nação implica no fim desta.
Esplendorosas civilizações desapareceram quando suas culturas foram
destruídas, ainda que seus povos tenham sobrevivido. A China é o único país
com uma civilização de mais de 5.000 anos de história. Destruir sua cultura
tradicional é um crime imperdoável.

A cultura chinesa, a qual se diz ter sido transmitida pelos Deuses, tem por base
mitos como o da criação do Céu e da Terra por Pangu66, o da criação da
humanidade por Nüwa67, o da identificação das centenas de ervas medicinas por
Shengnong68 e o da invenção dos ideogramas chineses por Cangjie69. “Os
humanos seguem a Terra, a Terra segue os Céus, os Céus seguem o Tao 70, e o
Tao segue conforme sua própria Natureza71”. A sabedoria taoista de união entre
os Céus e a Terra corre nas veias da cultura chinesa. O Grande Aprendizado 72
promove a virtude. Faz mais de 2.000 anos, Confúcio abriu uma escola para
ensinar as cinco virtudes essenciais: bondade ou amor-ao-próximo, honradez
ou justiça, decoro ou conduta reta, sabedoria, e fidelidade ou sinceridade
desinteressada. No século I, o Budismo de Sakyamuni chegou à China levando a
mensagem da compaixão e da salvação de todos os seres. A cultura chinesa se
tornou ampla e profunda. Desta forma, o Taoísmo e o Budismo se converteram
em crenças que integram a sociedade chinesa, levando a China, durante a
dinastia Tang (618 – 907 a.C.), ao auge de sua glória e prosperidade, como
todos sabem.

Embora o povo chinês tenha sofrido numerosas invasões e ataques ao longo de


sua história, sua cultura sempre mostrou grande força e capacidade de resistir e,
assim, sua essência foi passada de geração para geração. A união entre os Céus
e a humanidade representa a cosmologia de nossos ancestrais. É senso comum
a idéia de que “o bem é recompensado e o mal castigado”. É uma virtude
elementar não fazer aos outros aquilo que não queremos que eles nos façam.
Lealdade, devoção filial, dignidade e justiça foram valores sociais; as cinco
virtudes cardeais de Confúcio - bondade, justiça, decoro, sabedoria e fidelidade
– foram a pedra fundamental para a moral pessoal e social. Com base nestes
princípios retos, a tradicional cultura chinesa incorpora e valoriza a honestidade,
amabilidade, harmonia e tolerância. Até mesmo os funerais dos chineses
66
Pangu: o primeiro ser vivo e criador de todas as coisas, segundo a mitologia chinesa.
67
Nüwa: é a deusa mãe que criou a humanidade, segundo a mitologia chinesa.
68
Shennong (“Fazendeiro Celestial”) é uma figura legendária da mitologia chinesa que se
dizem ter vivido faz 5000 anos. Ensinou aos povos a antiga prática da agricultura.
Também lhe é atribuído ter arriscado sua vida para poder identificar a centenas de
ervas medicinais (das venenosas) e várias plantas dessa natureza, que formam a base
da tradicional medicina chinesa.
69
Cangjie, ou Cang Jie, é um personagem lendário e protagonista de fábulas da antiga
China. É tido como o historiador oficial do Imperador Amarelo e o inventor dos
ideogramas chineses. O método Cangjie de impressão dos caracteres chineses no
computador deve seu nome a ele.
70
Tao (Caminho), leis e princípios do universo.
71
Tao-te Ching ou Tao de Jing, um dos livros taoístas mais importantes, escrito com
base em Lao Zi (Lao-Tse).
72
Comentários de introdução de o “Grande Aprendizado”, do sábio Confúcio.

85/182
comuns reverenciavam os Céus, a Terra, o imperador, os ancestrais e mestres.
Uma expressão cultural das profundas raízes da cultura chinesa, que venera os
deuses (Céus e Terra), a lealdade à Pátria (o imperador), os valores familiares (os
ancestrais), e o respeito aos mestres e as pessoas mais idosas. A cultura
tradicional chinesa busca a harmonia entre o homem e o universo, e enfatiza o
lado ético e a moral de um indivíduo. Baseia-se na fé nas práticas de cultivo -
confucionismo, budismo e taoísmo - e proporcionou ao povo chinês: tolerância,
progresso social, respeito a moral humana e uma crença correta.

Diferentemente das leis, que ditam regras rígidas, a cultura atua como um fator
moderador. A lei impõe castigos depois que se comete algo ilegal; já a cultura,
ao fomentar a moral, impede que a infração ocorra. Os valores morais de uma
sociedade estão incorporados em sua cultura.

Na história da China, a cultura tradicional viveu seu apogeu durante a próspera


dinástia Tang e, com isto, veio o apogeu da nação chinesa. A ciência chinesa
também estava adiantada e desfrutava de grande prestígio em todo o mundo
daquela época. Estudiosos vinham da Europa, Oriente Médio e Japão para
estudar em Chang’an, a capital da dinastia Tang. “Os países vizinhos tinham a
China como seu estado soberano e vinham lhe render homenagens73”.

Depois da dinastia Qin (221-207 a.C.), em várias ocasiões, a China foi ocupada
por grupos minoritários. Isto aconteceu predominantemente nas dinastias Sui
(581-618 d.C.), Tang (618-907 d.C.), Yuan (1271-1361 d.C.) e Qing (1644-
1911 d.C.), e também em outras épocas. Entretanto, quase todos esses grupos
minoritários terminaram assimilando os costumes chineses. Este é um fato que
demonstra o grande poder de integração da antiga cultura chinesa. Como disse
Confúcio: “Se as pessoas de fora não aceitam o que é nosso, devemos
convencê-las pelo exemplo, cultivando (nossa) cultura e virtude74”.

Desde que em 1949 chegou ao poder, o PCCh destinou recursos nacionais para
destruir a tradicional cultura chinesa. Esta ação doentia não resulta da busca
pela industrialização (modernidade) nem de posturas tolas como reverenciar a
civilização ocidental. Ela resultado do fato de que a ideologia inerente ao PCCh e
a tradicional cultura chinesa são como água e vinho; não combinam. Desta
forma, a destruição da cultura chinesa foi algo planejado, bem organizado e
sistematizado, e levado adiante mediante o uso de violência de Estado. Desde
sua consolidação no poder, o PCCh nunca deixou de “revolucionar” a cultura
chinesa para exterminar seu espírito.

Ainda mais desprezível que a destruição da cultura chinesa pelo PCCh, é o seu
mau uso com segundas intenções ou sua distorção. O PCCh ressalta as partes
negativas da história chinesa, coisas que ocorreram porque e quando as pessoas
se afastaram dos valores tradicionais, coisas como: disputas internas pelo poder
dentro das famílias reais, momento de conspiração, ou do exercício da ditadura
e do despotismo. O PCCh recorre a exemplos e fatos isolados da história para
dar sustentação e fundamento ao seu próprio conjunto de padrões morais, das
idéias ao discurso. Com isto, consegue dar a falsa impressão de que a “cultura

73
“Registros dos historiadores” (Shi Ji, também traduzido como “O registro do grande
escrevente”), por Sima Qian (145-85 a.C.), o primeiro grande historiador chinês. Esta
obra documenta a historia da China e de seus países vizinhos desde a antiguidade até a
época em que ela foi escrita. O método historiográfico de Sima Qian foi único e se
tornou modelo oficial das historias das dinastias imperiais dos 2.000 anos que se
seguiram.
74
Dos Anacletos de Confúcio.

86/182
do Partido” é uma continuidade da tradicional cultura chinesa. Inclusive, o PCCh
se aproveitou da aversão de algumas pessoas pela “cultura do Partido” para criar
um sentimento nacional no sentido de que elas de afastem ainda mais da
genuína tradição chinesa.

Este processo de destruição da tradicional cultura chinesa trouxe nefastas


conseqüências para a China. As pessoas não somente perderam seus valores
morais como também são vitimas de um doutrinamento tendo como base as
perversas teorias do PCCh.

I. Por que o PCCh quer minar a cultura chinesa?

A extensa tradição da cultura chinesa se baseia na fé e na veneração da


virtude.

A autêntica cultura da nação chinesa se iniciou há 5.000 anos com o legendário


imperador Huang (Huangdi), considerado o primeiro antepassado da civilização
chinesa. Além disto, atribui-se ao imperador Huang ser o fundador do Taoísmo,
também conhecido como a Escola de Pensamento Huang-Lao (Lao-Tse). A
profunda influência do Taoísmo sobre o Confucionismo pode ser percebida nas
citações de Confúcio como; “Aspire ao Tao, uma-se à virtude, guie-se pela
benevolência e apóie-se nas artes” ou “Se alguém ouvir o Tao pela manhã, então
já pode morrer contente ao anoitecer75”. Considerado pelo Confucionismo como
um dos clássicos mais importantes da história, o Livro das Mutações (I Ching) é
uma compreensão metafísica dos Céus e da Terra, do Yin e do Yang, das
mudanças cósmicas, do florescimento e da decadência das sociedades e das leis
que regem a vida humana. O poder deste livro de prever mudanças não pode ser
concebido pela ciência ocidental moderna76. Além do Taoísmo e o
Confucionismo, o Budismo, especialmente o Budismo Zen, exerceu profunda
influência no pensamento da China.

O Confucionismo é parte da tradicional cultura chinesa voltada para o “viver no


mundo secular”. Enfatiza a ética baseada na família, na qual a devoção filial
exerce papel fundamental. Os chineses acreditam que a bondade começa com a
devoção filial. Confúcio ensinou: bondade, justiça, decoro, a sabedoria e
fidelidade; e também disse: “Não é acaso a devoção filial e o amor fraternal as
bases da benevolência?”.

A ética baseada na familiar naturalmente pode ser estendida à ética social. A


devoção filial e se reflete na lealdade aos governantes. Diz-se que “dificilmente
uma pessoa com devoção filial e amor fraternal é capaz de ofender aos que
estão acima77”. O amor fraternal na entre irmãos se reflete na retidão entre
amigos. O Confucionismo ensina que na família, um pai deve ser um bom pai;
um filho ser um bom filho; e que entre irmãos deve haver respeito mútuo e
cordialidade. Aqui, a bondade de um pai se reflete na bondade do governante
para com o seu povo. Enquanto forem mantidas as tradições familiares, será
mantida naturalmente a moral social. “Promover a melhora das pessoas, zelar
pela família e governa com justiça de forma a levar tranqüilidade e felicidade
para todos78”.

75
Dos Anacletos de Confúcio.
76
N.T.: O modo de compreender e interpretar este livro não tem paralelo no Ocidente.
77
Dos Anacletos de Confúcio.
78
Confúcio, em o Grande Aprendizado, disse que: “Com as pessoas buscando serem
melhores, haverá harmonia nas famílias; com famílias sólidas, as nações serão bem
governadas; e, com nações bem governadas, todos terão tranqüilidade e felicidade”.

87/182
O Budismo e o Taoísmo são as partes da tradicional cultura chinesa voltadas ao
“transcender o mundo secular”. É possível ver que a influência do Budismo e do
Taoísmo está presente em todos os aspectos da vida chinesa. Entre as práticas
com raízes no Taoísmo estão: a geomância (feng shui), a medicina tradicional
chinesa e o qigong. Estas práticas, junto com os conceitos budistas de nirvana e
samsara, e retribuição cármica, além dos princípios morais de Confúcio,
constituem o núcleo da tradicional cultura chinesa.

O Confucionismo, o Budismo e o Taoísmo, deram o povo chinês um sistema


ético-moral muito estável, que não mudará “enquanto os Céus existirem79”. Este
sistema ético-moral fornece as bases para a sustentação da paz e da harmonia
social.

A moral pertence ao campo da espiritualidade e filosofia. A cultura expressa um


sistema moral abstrato numa linguagem que pode ser entendida facilmente
pelas pessoas.

Tomemos por exemplo os quatro romances mais famosos da cultura tradicional


chinesa: [1] Jornada ao Oeste80 é um relato mítico; [2] O Sonho do Pavilhão
Vermelho se inicia com um dialogo entre uma pedra falante, um monge budista
e um monge taoista numa montanha - dialogo que introduz o drama que se
desenvolve na obra; [3] Foras-da-Lei do Pântano (também conhecida por À Beira
da Água) começa com um relato de como o primeiro-ministro Hong, chefe das
forças armadas, libera acidentalmente os 108 reis-demônios – uma lenda que
explica a origem dos “cavaleiros das 108 estrelas”; e [4] Três Reinos inicia com
um aviso dos Céus sobre uma catástrofe que se aproxima e termina com a
realização da inevitável vontade divina: “Os acontecimentos deste mundo são
como a incessante correnteza de um rio; um destino ordenado pelos Céus,
infinito em seu alcance e que recai sobre todos”. Outras estórias bem famosas,
como Os Romances Zhou do Leste e A Completa História de Yue Fei também são
lendas similares.

O uso que estes escritores fazem dos mitos não é mera coincidência e sim um
reflete o pensamento chinês sobre a natureza e o ser humano. Estes clássicos
tiveram profunda influência sobre o povo chinês. Quando se fala de “justiça”, o
conceito de justiça é logo associado à Guan Yu (160-219 d.C.), do clássico Três
Reinos, por sua irretocável conduta em relação a seus amigos; por sua infinita
lealdade - que conquistou o respeito até de seus inimigos - aos seus superiores
e ao seu irmão de juramento, Liu Bei, por sua coragem que prevaleceu no
momento mais difícil (sua derrota final no combate perto do vilarejo de Mai), e,
finalmente, seu diálogo, como divindade, com seu filho. Quando se fala em
“lealdade”, os chineses logo pensam em Yue Fei (1103-1141 d.C.), um general
79
Dong Zhongshu (179-104 a. C), pensador e seguidor do confucionismo que viveu
durante a dinastia Han e que no tratado “Três caminhos para harmonizar a
humanidade com os Céus (Tian Ren San Ce)”, disse: “Enquanto os Céus existirem, o
Tao não muda”.
80
Jornada ao Oeste, conhecido no Ocidente como O Rei Macaco, foi escrito por Wu
Cheng’em. É uma dos mais famosos clássicos chineses. Baseia-se em uma historia
verídica de um famoso monge chinês da dinastia Tang, Xuan Zang (602-664), que
viajou à pé até onde é hoje a Índia, berço do Budismo, para buscar as escrituras
sagradas. No romance, Buda faz com que o Rei Macaco, Pigsy e Sandy se convertam
em discípulos de Xuan Zang para que eles o escoltem em sua travessia para o oeste
na busca dos Sutras (Escrituras Budistas). Eles atravessam 81 perigos/calamidades
antes de chegarem ao Ocidente e atingirem o estado de Iluminação.

88/182
da dinastia Song que serviu sua pátria com integridade e fidelidade sem
reservas, e em Zhuge Liang (181-234 d.C.), primeiro-ministro do Estado de Shu
durante o período dos Três Reinos, o qual “deu tudo de si até que seu coração
parasse de bater”.

O surgimento das noções de lealdade e justiça trazidas da tradicional cultura


chinesa tem como base estes clássicos míticos. Princípios morais abstratos
puderam, a partir destas obras literárias, serem incorporados e expressos na
cultura do povo.

O Taoísmo enfatiza a verdade, o Budismo a compaixão e o Confucionismo a


lealdade, a tolerância, a bondade e a justiça. “Ainda que de formas diferentes,
seus propósitos são o mesmos... todos exortam e inspiram o povo para que
volte para a bondade81”. Estes são os aspectos mais valiosos da tradicional
cultura chinesa a qual é baseada no Confucionismo, no Budismo de Sakyamuni e
no Taoísmo.

A tradicional cultura chinesa é rica em conceitos e princípios como: Céu,


Divindades, Budas, fé, verdade, predestinação, benevolência, justiça, decoro,
sabedoria, fidelidade, honestidade, vergonha, lealdade, devoção filial, dignidade,
e muitos outros. Muitos chineses podem não serem alfabetizados, porém, eles
estão familiarizados com as obras de teatro e óperas tradicionais. Estes veículos
culturais são um importante meio para que as pessoas possam aprender os
tradicionais valores morais.

Desta forma, a contínua destruição das tradições culturais chinesas pelo PCCh, é
um ataque direto à moralidade e aniquila as bases para a paz e a harmonia
social.

A perversa ideologia comunista se opõe as tradições culturais.

A “filosofia” do Partido Comunista se opõe completamente a verdadeira cultura


chinesa. A cultura tradicional respeita os desígnios dos Céus. Confúcio disse:
“Vida e morte estão predestinadas; riqueza e posição são determinadas pelos
Céus82”. Tanto o Budismo como o Taoísmo são formas de teísta, ambas falam de
transmigração – o ciclo de nascer e morrer; reencarnar -, e da retribuição
cármica do bem e do mal. Já o Partido Comunista, ao contrário, não só é ateísta,
como também usa toda sua energia para se contrapor ao Tao e desacreditar os
princípios espirituais, em uma postura conhecida como “sem lei e sem Céus”. O
Confucionismo valoriza a família, o Manifesto Comunista prega o seu fim. A
cultura que resulta do Confucionismo exorta para a bondade, o comunismo
fomenta e incita a “luta de classes”. Confúcio fala de lealdade aos governantes e
amor à nação. O Manifesto Comunista fala em termos de fim das nações.

Para alcançar o poder e conservá-lo, o Partido Comunista teve que introduzir


suas idéias imorais em solo chinês. Mao Tsé-tung afirmava: “Se quisermos
derrubar uma autoridade, temos primeiro que trabalhar fazendo propaganda de
cunho ideológico83”. O PCCh percebeu que a violenta ideologia comunista, que
prega o uso de armas e a luta, não sobreviveria diante dos 5.000 anos de
antiguidade da profunda história da cultura chinesa. Assim, o PCCh teve de

81
Esta citação provém da Coleção Resumida de Escrituras Taoístas (Dao Cang Ji Yao),
compilada durante a dinastia Qing.
82
Dos Anacletos de Confúcio.
83
Do discurso de Mao na Oitava Sessão da Décima Reunião Plenária do PCC.

89/182
anular esta cultura para que o marxismo-leninismo pudesse dominar o cenário
político da China.

A cultura tradicional é um obstáculo para a ditadura do PCCh.

Mao Tsé-tung disse certa vez, de forma categórica, que não seguia nem o Tao
nem os Céus. A existência da cultura tradicional chinesa foi, sem dúvida, um
grande obstáculo a o PCCh em sua oposição ao Tao e aos Céus.

Na tradição chinesa, lealdade não é o mesmo que cega devoção. De acordo com
a tradição chinesa, o imperador é “filho dos Céus” e, assim, ele deve se
submeter aos Céus. Um imperador não pode acertar em todas as ocasiões, é
necessário que existam pessoas que o observem permanentemente e apontem
os erros. O sistema chinês de crônicas se desenvolveu a partir de historiadores
que registravam cada palavra e ação do imperador. Os funcionários serviam de
professores para seus sábios governantes. A conduta do imperador era julgada
de acordo com os princípios de Confúcio. Se o imperador fosse imoral, se não
fosse iluminado para o Tao, ele poderia ser destituí-lo do trono, como sucedeu
quando Chengtang atacou a Jie, ou quando o imperador Wu tomou o lugar de
Zhou84. O ato de destituir um imperador, do ponto de vista tradicional, não era
considerado uma falta de lealdade ou uma violação do Tao. Ao contrário, isto
era visto como ato tomado em nome dos Céus para fazer com que o Tao fosse
respeitado. Quando Wen Tianxiang (1236-1283 d.C.), um famoso chefe militar
da dinastia Song, se tornou prisioneiro dos mongóis, não se rendeu aos
invasores mesmo quando o imperador pediu que ele o fizesse. Isto aconteceu
porque, como um adepto do Confucionismo, Wen acreditava que “o povo era o
vinha em primeiro lugar; depois a nação e, por último, o imperador85”.

A ditadura do PCCh de nenhuma forma poderia aceitar condutas como estas. O


PCCh quer que seus líderes sejam idolatrados e canonizados, quer estabelecer
um culto à personalidade de seus líderes. Portanto, ele jamais permitiria a
existência de conceitos como estes ditados pela tradição, que implicam em se
submeter aos Céus, em não exercer suprema autoridade e poder. O PCCh sabe
que o que ele faz se constitui em uma abominável violação aos princípios dos
Céus, ao Tao, quando considerado sob o ponto de vista da cultura tradicional.
Se mantida a cultura tradicional, o povo jamais aprovaria tais condutas do PCCh
nem veria o PCCh como “grandioso, glorioso e sempre certo”. Os intelectuais, se
mantidas as tradições, “arriscariam suas vidas e apontariam os erros dos seus
governantes visando manter a justiça86” e colocar os interesses do povo acima
dos interesses dos governantes. Se isto ocorresse, o povo não se tornaria
marionete nas mãos do PCCh, e este não poderia impor ao povo uma obediência
cega nem massificar os pensamentos das pessoas.

O respeito aos Céus, à Terra, à natureza, presentes na cultura tradicional,


constituem um obstáculo para a “luta do PCCh contra a natureza” visando
“modificar os Céus e a Terra”. A cultura tradicional valoriza a vida humana e
ensina que “toda situação que envolve vidas humanas deve ser tratada com o
máximo cuidado”. Este princípio é naturalmente um obstáculo ao regime de
genocídio e terror imposto pelo PCCh. Os padrões morais estabelecidos pela

84
Jie foi o último soberano da dinastia Xia (séculos XXI-XVI a.C.), e Zhou, o último
governante da dinastia Shang (séculos XVI-XI a.C.). Ambos são tidos como tiranos.
85
De Mencius.
86
De uma frase muito famosa de Mencius: “A vida, eu desejo; a justiça, eu também
desejo. Se eu não puder obter ambas ao mesmo tempo, manterei a justiça à custas de
minha vida”.

90/182
tradicional cultura baseada no “Tao celestial” interferem diretamente com o
processo de manipulação dos princípios morais que o PCCh realiza. Com base
no exposto, o PCCh fixou a tradicional cultura chinesa como um inimigo a
vencer em seus esforços para aumentar o controle sobre o povo.

A cultura tradicional desafia a legitimidade do regime do PCCh.

A tradicional cultura chinesa acredita no Divino e no mandato celestial. Para os


governantes, cumprir um mandato celestial implica governar com sabedoria,
seguir o Tao e cumprir de forma harmoniosa o destino. Por sua vez, Divino
significa aceitar que a autoridade sobre a humanidade emana dos Céus.

O princípio que rege o PCCh pode ser resumido assim: “Nunca mais as amarras
da tradição nos prenderão. Trabalhadores! Ergam-se, já não somos escravos do
passado. A Terra se apóia sobre novas bases; nós não somos nada, somos
tudo87”. O PCCh sustenta o materialismo histórico e afirma que o comunismo é o
paraíso na Terra, cujo caminho até este é traçado pelos proletários pioneiros - o
Partido Comunista. A crença no Divino desafia diretamente a legitimidade do
poder do PCCh.

II. Como o PCCh destrói a cultura tradicional

Todas essas ações do PCCh têm um objetivo político. Para instaurar, manter e
consolidar sua tirania, o PCCh necessita substituir a natureza humana pela
natureza nociva do Partido, e a tradicional cultura chinesa pela “cultura do
Partido” de “falsidade, maldade e violência”. Este processo de destruição e
substituição abrange tanto aspectos tangíveis - acabar com relíquias culturais,
locais históricos e livros antigos – como aspectos intangíveis – acabar com a
visão tradicional sobre a moral, a vida e o mundo. Todos os aspectos da vida
humana foram afetados pelo PCCh: o modo de agir e pensar, o estilo de vida, e
os valores e a perspectiva do mundo das pessoas. Ao mesmo tempo, o PCCh
considera certas expressões insignificantes e superficiais como a “essência” da
tradicional cultura e as mantém para usá-las como fachada: o PCCh mantém a
aparência da tradição quando, na realidade, substitui a genuína tradição pela
sua. Desta maneira, o PCCh engana o povo chinês e a comunidade internacional
usando como fachada o mentiroso argumento “manter o desenvolvimento” da
cultura da China.

Extinção simultânea de três religiões.

A tradicional cultura chinesa tem raízes no Confucionismo, Budismo e Taoísmo.


Sendo assim, o primeiro passo do PCCh para destruir tal cultura foi impedir a
expressão do divino no mundo humano e, desta forma, o PCCh erradicou estas
três principais religiões.

Confucionismo, Budismo e Taoísmo – as três religiões principais – sofreram


ataques em distintos períodos da história chinesa. Vejamos o caso do Budismo,
que, em sua história, passou por quatro fortes tribulações: [1] a perseguição aos
budistas conhecida por “Tres Wu e Un Zong”, nome este que faz referência ao
nome dos quatro imperadores chineses que promoveram tal perseguição; [2] a
tentativa do imperador Taiwu, da dinastia Wei do Norte (386-534 d.C.) e do
imperador Wuzong, da dinastia Tang (618-907 d.C.) de eliminar o Budismo para
que Taoísmo prevalecesse; [3] a tentativa do Wu, da dinastia Zhou do norte
87
Adaptado do Hino “A Internacional Comunista”. A tradução chinesa literalmente
significa “Nunca existiu um salvador, tampouco acreditamos em Deus; é hora de criar
a felicidade humana, só creditamos em nos mesmos”.

91/182
(557-581 d.C.), de eliminar tanto o Budismo como o Taoísmo para que o
Confucionismo prevalecesse, [4] e, por último, o imperador Shizong, dinastia
Zhou (951-960 d.C.), que quis eliminar o Budismo simplesmente porque ele
queria usar as estátuas de Buda para fazer moedas - ele não atacou o
Confucionismo nem o Taoísmo.

O PCCh é o único regime que consegui acabar com as três religiões ao mesmo
tempo. Pouco depois de se estabelecer como governo, o PCCh começou a
destruir templos e a queimar livros sagrados, e obrigou os monges budistas a
viverem uma vida de pessoa comum. Ele não foi mais brando ao destruir outros
lugares religiosos. Por volta dos anos 60, poucos lugares religiosos ainda
estavam de pé. A Revolução Cultural trouxe ainda mais desastres para a vida
religiosa e cultura da China com a campanha conhecida como abandonar os
“Quatro Velhos88”: as velhas idéias, a velha cultura, os velhos costumes e velhos
os hábitos.

Por exemplo, o primeiro templo budista da China foi o Templo do Cavalo Branco
(Templo Bai Ma), construído no começo da dinastia Han (25-220 d.C.) próximo à
Cidade de Luoyang, província de Henan. É chamado de “o berço do Budismo na
China” e “lugar do fundador”. Durante o período do abandonar os “Quatro
Velhos”, o Templo Cavalo do Branco, como era de se esperar, foi brutalmente
saqueado.

Um secretário de uma sucursal do PCCh, em nome da “revolução”, ordenou que


o Templo do cavalo Branco fosse destruído. As estátuas de cerâmica dos
“Dezoito Arhats”, com mais de 1.000 anos de antiguidade, feitas durante a
dinastia Liao (916-1125 d.C.), foram destruídas. Queimaram as escrituras
beiye89, que um notável monge indiano levou para a china há 2.000 anos.
Transformaram em destroços um tesouro único, o Cavalo de Jade. Vários anos
depois, o rei do Camboja, Norodom Sihanouk, no exílio, pediu permissão às
autoridades chinesas para render homenagem ao Templo do Cavalo Branco.
Zhou Enlai, primeiro-ministro da China, se vendo em difícil situação, ordenou
imediatamente que fosse transportada, para Luoyang, as escrituras beiye do
palácio imperial em Pequim e as estátuas dos “Dezoito Arhats” do Templo das
Nuvens Celestes (Templo Biyun), construídas na dinastia Qing e que estavam no
Parque Xiangsha90 que fica nos arredores de Pequim. Por meio de espúria
manobra, foi “solucionado um problema diplomático91”.

A Revolução Cultural começou em maio de 1966. Na realidade, se tratou de


“revolucionar” a cultura chinesa de forma destrutiva. Em agosto de 1966, a
violência que alimentava campanha para abandonar os “Quatro Velhos” havia já
se alastrado para toda a China. Considerados como objetos do “feudalismo,
88
A campanha de abandonar os “Quatro Velhos” foi una campanha no meado dos anos
60, durante a Revolução Cultural. Em agosto de 1966, as Guardas Vermelhas
declararam “uma guerra contra o velho mundo” e anunciaram que “acabariam com
todas as velhas idéias, a velha cultura, os velhos costumes e os velhos hábitos”.
89
Na linguagem Dai, escritura Beiye se pronuncia “tanlan”. Beiye é uma planta
subtropical da família das palmeiras. É uma árvore alta com folhas grossas que
demoram a secar e resistem às traças. Na antiguidade, quando o papel não havia sido
ainda inventado, os ancestrais Daí gravavam as escrituras nessas folhas. As cartas
talhadas nessas folhas são conhecidas como “correspondência beiye”, e as escrituras
como “tanlan” (escritura beiye).
90
O Parque Xiangshan fica no centro de Pequim. Construído em 1186, dinastia Jin, se
tornou residência de veraneio da família imperial durante as dinastias Ming e Qing.
91
De “Quantas relíquias culturais foram jogadas ao fogo”, de Ding Shu.

92/182
capitalismo e reacionarismo”, templos budistas e taoístas, estátuas de Buda,
locais históricos e pitorescos, pergaminhos e escrituras, pinturas - em resumo
antiguidades de todos os tipos - se tornaram alvos de destruição para as
Guardas Vermelhas. Por exemplo, as mil estatuas coloridas de vidro no topo do
Monte da Longevidade, no Palácio de Veraneio de Pequim92, logo depois da
campanha de abandonar os “Quatro Velhos”, foram danificadas e nenhuma de
elas ficou intacta, todas foram depredadas.

Isto, que ocorreu na capital, também ocorreu no resto do país. Até os locais
mais remotos não escaparam dessa destruição.

O Templo Tiantai fica no condado de Daí, província de Shanxi, e foi construído


no período Taiyan da dinastia Wei do norte, faz 1.600 anos. Ele tinha estátuas e
afrescos de inigualável beleza. Embora este templo se localize em região
montanhosa de difícil acesso e esteja afastado da sede do referido condado, as
aqueles que participaram da campanha de abandonar os “Quatro Velhos”,
vencendo todos os obstáculos e dificuldades para chegar ao local, fizeram uma
minuciosa destruição nas estátuas e nos afrescos existentes ali.

O Templo Louguan, onde, Lao-Tse pronunciou o Tao Te Ching, há 2.500 anos,


fica no condado de Zhouzhi, na província de Shanxi. Numa área num raio de 5
km do local onde Lao-Tse discurso há mais de 50 locais históricos, entre estes o
Templo de Veneração do Sábio (Zongsheng Gong) que o imperador Gaozu Li
Yuan93, da dinastia Tang, erigiu em respeito à Lao-Tse há 1.300 anos. Hoje, o
Templo Louguan e outros lugares históricos já não existem mais; os monges
taoísta tiveram que deixar o local. Segundo os cânones taoístas, uma vez que
uma pessoa se torna monge taoista, ela não pode mais se barbear ou cortar o
cabelo. Entretanto, hoje, os monges taoísta são obrigados a cortar o cabelo, não
podem usar vestes taoístas típicas e devem ser membros das Comunas do
Povo94. Alguns se casaram com filhas de camponeses locais e se tornaram seus
“genros”...

Nos locais sagrados do Taoísmo do monte Laoshan, província de Shandong - os


Templos da Paz Suprema, da Claridade Superior, da Claridade Suprema, de
Doumu, de Ningzhen, de Guan Di e o convento de Huayan - as estátuas de
divindades, vasilhas sagradas, pergaminhos com escrituras budistas, relíquias
culturais e lápidas de templos, foram destroçados e incendiados. Durante a
campanha de abandonar os “Quatro Velhos”, o Templo da Literatura, província
de Jilin - o um dos famosos quatro Templos de Confucionismo - sofreu danos
irreparáveis95.

92
O Palácio de Veraneio, localizado a 15 km de Pequim, possui o maior e mais bem
preservado jardim da China, com mais de 800 anos de historia.

93
O imperador Gaozu, da dinastia Tang, alias Li Yuan (regeu entre 618-626 d.C.), foi o
primeiro soberano da dinastia Tang.
94
As Comunas do Povo (Renmin Gongshe), de 1958 a 1982, foram o mais elevado dos
três níveis administrativos das áreas rurais. As comunas tinham funções
governamentais, políticas e econômicas. Eram as maiores unidades coletivas; foram
posteriormente divididas em brigadas e equipes de produção. Depois de 1982, foram
substituídas pelos municípios.
95
De “Quantas relíquias culturais foram jogadas ao fogo”, de Ding Shu.

93/182
Um modo especial de destruir as religiões.

Lênin disse certa vez: “A forma mais fácil de tomar uma fortaleza é de dentro”.
Sendo filhos e netos de Marx e Lênin, os líderes do PCCh entenderam natural e
subjacentemente o que Lênin queria dizer.

No sutra Mahaparinirvana do Grande Veículo96, Buda Sakyamuni disse que,


depois que ele entrasse no Nirvana, demônios encarnariam como monges e
monjas budistas, ou em budistas laicos, para subverterem o Dharma. Como
podemos ver, não é difícil entender com exatidão a que se referia Sakyamuni. A
destruição do Budismo feita pelo PCCh, de fato, se iniciou com a formação de
uma “frente unida” que incluía budistas. Inclusive, membros do comunismo se
infiltraram clandestinamente no seio da religião budista para subvertê-la de
dentro. Em uma reunião de avaliação durante a Revolução Cultural, alguém
perguntou a Zhao Puchu (que na época vice-presidente da Associação Budista
Chinesa): “Você, como um membro do Partido Comunista, por que acredita no
Budismo?”.

Buda Sakyamuni alcançou a suprema iluminação através da prática-cultivo de


“preceitos, meditação e sabedoria”. Assim, antes de seu nirvana, Sakyamuni
disse a seus discípulos: “Defendam e cumpram os preceitos. Não os deixem nem
os violem”. Também fez uma advertência: “Os Céus, os dragões, os fantasmas e
o divino terão repulsa daqueles que violarem os preceitos. Suas reputações
perversas serão conhecidas em todos os locais... Quando chegarem ao final da
vida, estas pessoas sofrerão no inferno por seu carmas, enfrentarão inevitável
condenação. Ao conseguirem sair, continuarão sofrendo em corpos de animais e
fantasmas famintos. Elas sofrerão ciclicamente dessa forma, sem alívio, por toda
a eternidade97”.

Os monges budistas políticos fizeram ouvidos surdos às advertências de Buda


Sakyamuni. Em 1952, o PCCh enviou representantes para a reunião inaugural da
Associação Budista Chinesa. Neste encontro, muitos dos budistas presentes
propuseram abolir os preceitos budistas. Eles diziam que os preceitos haviam
causada a morte de muitos homens e muitas mulheres jovens. Outros inclusive
sustentavam que “a pessoa deveria ser liberadas para fazer o que quisesse” ou
“que os monges deveriam casar, e poderiam beber bebidas alcoólicas e comer
carne”. “Ninguém deveria interferir nestas questões”. Nessa época, o Mestre
Xuyun, que estava nessa reunião, percebendo que o Budismo corria perigo de
extinção na China, se opôs a tais propostas e defendeu a preservação dos
preceitos e dos trajes budistas. O Mestre Xuyun foi vítima de infâmias e foi tido
como “contra-revolucionário”; ele foi feito recluso num quarto da abadia, sem
receber água ou comida. Não permitiam que ele saísse de lá nem sequer para ir
ao banheiro. Também lhe foi ordenado que entregasse o ouro, a prata e suas
armas de fogo. Quando Xuyun disse que não tinha nenhuma destas coisas, o
golpearam violentamente de tão forma que ele fraturou o crânio e costelas.
Xuyun tinha 112 anos. A polícia tirou-o da cama e o jogou no chão. Quando os
policiais voltaram no dia seguinte, ao virem que Xuyun ainda estava vivo,
voltaram a golpeá-lo de maneira selvagem.
96
O sutra Mahaparinirvana do Grande Veículo é considerado o último sutra do Grande
Veículo de Buda Sakyamuni – palavras do último dia de sua vida terrena. Dizem ser a
quintessência de todas as escrituras do Grande Veículo.
97
Taisho Tripitaka Vol. T01, No. 7; Escrituras Mahaparinirvana do Grande Veículo.
Tradução não oficial.

94/182
A Associação Budista Chinesa, fundada em 1952, e a Associação Taoísta
Chinesa, fundada em 1957, declaram em seus estatutos de fundação que se
submetem à “condução do Governo do Povo”. Na realidade, submeteram-se à
condução do ateu PCCh. Ambas as associações disseram que participariam
ativamente na construção, produção e no desenvolvimento das políticas de
governo. Elas são organizações completamente mundanas. Os budistas e os
taoísta que cumpriam os preceitos eram tidos como contra-revolucionários, ou
membros de seitas supersticiosas ou sociedade secretas. Sob a bandeira
revolucionária de “purificar os budistas e taoístas”, eles foram presos e
obrigados a “se reformarem” através de trabalhos forçados, ou até executados.
Nem mesmo as religiões do ocidente, como o protestantismo e o catolicismo,
não foram poupadas.

Os limitados dados do livro “Como o Partido Comunista persegue os cristãos”,


publicado em 1958, revelam que dos clérigos acusados de “proprietários de
terra” ou “tiranos locais”, 8.840 foram assassinados e 39.200 enviados para
campos de trabalhos forçados, e que dos acusados de “contra-revolucionários”,
2.450 foram mortos e 24.800 foram enviados para campos de trabalhos
forçados98.

As religiões permitem que as pessoas possam se cultivem99 no mundo secular.


Estas se concentram na “outra margem” (a margem da perfeita iluminação) e “os
Céus”. Sakyamuni foi um príncipe indiano. Em sua busca pelo mukti – estado no
qual se alcança paz mental, sabedoria, plena iluminação; nirvana100 - ele
renunciou a seu trono e foi para um monte se cultivar através de árduo esforço e
sofrendo tribulações. Antes de Jesus iniciar sua missão, o diabo o levou para o
topo de uma montanha e lhe mostrou todos os reinos do mundo e disse: “Se te
inclinares diante de mim e me adorares, eu te darei tudo isso”. Porém Jesus não
caiu na tentação. Ao contrário destes exemplos, os monges e pastores
“políticos”, que formaram uma “frente unida” com o PCCh, elaboraram uma série
de armadilhas e mentiras como: “O Budismo do mundo humano” ou “A religião é
a verdade do mesmo modo que o socialismo”. Tais monges não tinham
constrangimento em afirmar que “não há contradições entre esta margem e a
outra margem (o mundano e o divino)”. Incentivavam budistas e taoístas a
buscarem o prazer, a fama, o esplendor, a riqueza, o prestígio social nesta vida;
corromperam as doutrinas religiosas e seus significados.

O Budismo proíbe matar. O PCCh matou pessoas como moscas durante a sua
campanha de “eliminação de contra-revolucionários101”. Os “monges políticos”,
por causa disto, elaboraram o argumento de que “matar contra-revolucionários
é um ato de misericórdia ainda maior”. Na Guerra de Resistência à Agressão dos
Estados Unidos e Ajuda à Coréia102 (1950-1953), inclusive monges foram
98
Traduzido de “Teoria e prática do Partido Comunista chinês para a eliminação da
religião”, por Bai Zhi. Website: http://www.dajiyuan.com/gb/3/4/15/n300731.htm
(em chinês).
99
N.T.: Os conceitos aqui empregados são mais facilmente entendidos por aqueles
que praticam religiões orientais. Cultivar a mente, o caráter moral a espiritualidade.
100
Nirvana, para o Budismo o Hinduismo, é um estado de paz e harmonia livre dos
sofrimentos e paixões da existência individual.
101
A Campanha de Eliminação de Contra-revolucionários resultou na morte de 2
milhões de pessoas até 1952 (muitas delas simplesmente por serem religiosas). O
número real pode ser muito maior.
102
A “Guerra de Resistência à Agressão dos Estados Unidos e Ajuda à Coréia”, como
denominada pelo PCC, se iniciou em 1950. No ocidente é conhecida como Guerra da
Coréia.

95/182
enviados para guerrear nas frentes de batalha. Vejamos o caso dos cristãos. Em
1950, Wu Yaozong103 formou a Igreja dos Três Poderes que segue os princípios
de auto-administração, auto-sustentação e auto-propagação. Wu afirmava que
estariam se libertando do “imperialismo” ao aderirem à Guerra de Resistência à
Agressão dos Estados Unidos e Ajuda à Coréia. Um amigo dele passou mais de
20 anos na prisão por se negar a fazer parte da Igreja dos Três Poderes; sofreu
todo tipo de torturas e humilhações. Quando perguntaram a Wu Yaozong:
“Como você explica os milagres que Cristo realizou?”, ele respondeu: “Eu os
neguei um a um”.

Não reconhecer os milagres de Jesus equivale a não reconhecer a divindade de


Jesus. Como poderia ser cristão alguém que nega a divindade de Jesus ou o fato
de ele ter ascendido aos Céus? Entretanto, como fundador da Igreja dos Três
Poderes, Wu Yaozong passou a integrar o comitê permanente do Conselho
Consultivo de Política. Quando ele ingressou no Grande Saguão do Povo104, ele
deve ter esquecido completamente as palavras de Jesus: "Amarás o Senhor, teu
Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
Este é o primeiro e grande mandamento" (Mateus 22:37,38) ou “Daí a César o
que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).

O PCCh confiscou propriedades dos templos, obrigou monges e monjas a


estudar o marxismo-leninismo como lavagem cerebral, e inclusive os colocou
em campos de trabalhos forçados. Por exemplo, certa ocasião o PCCh promoveu
uma “palestra sobre Budismo” na cidade de Ningbo, província de Zheijang. Mais
de 25.000 monges e monjas foram obrigados a ir assistir tal palestra. O mais
absurdo disso foi que o PCCh encorajava monges e monjas a se casarem; foi um
experimento e uma tentativa de desintegrar e acabar com o Budismo. Por
exemplo, no dia anterior ao Dia da Mulher (8 de março) de 1951, a Federação
das Mulheres da Cidade de Changsha, província de Hunan, ordenou que todas as
monjas de todas as províncias se casassem em poucos dias. Além disso, os
monges jovens e saudáveis foram obrigados se alistarem no exército e, logo em
seguida, enviados aos campos de batalha para servirem como abastecedores de
canhões105.

Vários grupos religiosos chineses forma desintegrados como resultado dessa


violenta repressão do PCCh. As genuínas hierarquias do Budismo e do Taoísmo
foram eliminadas. Daqueles que sobreviveram ou não foram presos, alguns
voltaram à vida secular, outros se converteram em membros declarados do PCCh
e, vestindo trajes budistas ou taoístas ou de padres, se especializaram em
distorcer as Escrituras Budistas, os Cânones Taoístas ou a Bíblia para, assim,
tentarem justificar as ações do PCCh.

103
Wu Yaozong (1893-1975) e outros publicaram em 1950 o escrito intitulado “Meios
para que a cristandade da China faça sua parte na construção de uma nova China”,
também conhecido como “Movimento Patriótico das Três Autonomias”, o qual depois
resultou na Igreja dos Três Poderes.
104
O Grande Saguão do Povo, construído em 1959, fica no lado oeste da Plaza
Tiananmen. É um lugar de encontro dos membros do Congresso Nacional do Povo da
China.
105
Traduzido de “Teoria e prática do Partido Comunista chinês para a eliminação da
religião”, por Bai Zhi. Website: http://www.dajiyuan.com/gb/3/4/15/n300731.htm
(em chinês).

96/182
A destruição de relíquias culturais.

As relíquias culturais, importantes partes da cultura tradicional chinesa, foram


destruídas pelo PCCh. Na campanha abandonar os “Quatro Velhos”, exemplares
únicos de livros, manuscritos e pinturas foram para o fogo ou se converteram
em lixo. Zhang Bojun106 tinha uma coleção familiar de mais de 10.000 preciosos
livros. Líderes das Guardas Vermelhas usaram considerável parte destes livros
para fazerem fogo para se aquecerem; o que restou foi enviado para fábricas de
papel (para reciclagem).

Especialista em restauração de gravuras e manuscritos, Hong Qiusheng era um


senhor idoso conhecido como “doutor milagre” por sua competência naquilo que
fazia. Ele tinha restaurado grande quantidade de obras-primas, como a pintura
da paisagem Canção do imperador Song Huizong107, a pintura de bambu de Su
Dongpo108, e as obras de Wen Zhengming49 e Tang Bohu109. A maioria das
centenas de manuscritos e pinturas restauradas durante décadas por Hong se
tornou um acervo cultural de primeira classe. Todas estas obras que Hong não
poupou esforços para restaurar e que faziam parte de sua coleção pessoal
caíram na categoria dos “Quatro Velhos” e foram parar no fogo. Depois disto,
Hong disse com lágrimas nos olhos: “Cerca de 50 quilos de manuscritos e
pinturas. Levou tempo para queimar tudo aquilo110!”.

Questões mundanas do que é antigo ou novo vêm e vão,

Rios e montanhas são perenes em suas glórias,

Nossas gerações sempre poderão observá-los111...

Se o povo chinês se lembrasse um pouco de sua história, ele provavelmente


sentiria algo diferente ao ler este poema de Meng Haoran. Locais históricos em
famosas montanhas e rios foram destruídos e sumiram após a passagem do
furacão “Quatro Velhos”. Não só o Pavilhão da Orquídea - que inspirou Wang
Xizhi112 a escrever seu famoso “Prólogo da Coleção de Poemas Compostos no
Pavilhão das Orquídeas113” - foi destruído como também seu mausoléu. A antiga
residência de Wu Cheng’en114, província Jiangsu, virou escombros; a antiga
morada de Wu Jing115, província de Anhui, virou ruína; a placa de pedra onde Su

106
Zhang Bojun (1895-1969) foi um dos fundadores do partido “Liga Democrática
Chinesa”. Foi considerado por Mao Tsé-tung o direitista “número um” da China.
107
De Wen Zhengming (1470-1559 d.C.), pintor chinês da dinastia Ming.
108
Su Dongpo (1036-1101 d.C.), famoso poeta e escritor chinês da dinastia Song. Um
dos “oito grandes mestres da prosa das dinastias Tang e Song”.
109
Tang Bohu (1470-1523), renomado erudito, pintor e poeta chinês da dinastia Ming.
110
De “Quantas relíquias culturais foram jogadas ao fogo”, de Ding Shu.
111
De um poema de Meng Haoran (689-740 d.C.), famoso poeta da dinastia Tang.
112
Wang Xizhi (321-379 d.C.), o calígrafo mais famoso da historia; dinastia Tang.
113
O prólogo original Lan Ting, que, segundo se afirma, foi escrito por Wang Xi Zhi no
auge de sua carreira (aos 51 anos, em 353 d.C.), é universalmente conhecido como a
peça mais importante da historia da caligrafia china.
114
Wu Cheng’en (1506-1582 d.C.), novelista e poeta chinês da dinastia Ming, autor de
Jornada ao Oeste, uma das quatro novelas mais famosas de China.
115
Wu Jingzi (1701-1754 d.C.), elegante escritor da dinastia Qing, autor de Os Eruditos
(Rulin Waishi, também conhecido como Historia não oficial dos Eruditos).

97/182
Dongpo entalhou seu poema foi destruída pelos “jovens revolucionários“ (guarda
vermelha) que danificaram totalmente os ideogramas gravados nelas.

A essência da cultura chinesa foi acumulada e passada ao longo de milênios.


Uma vez destruída, é impossível recuperá-la. O bárbaro PCCh, sem pudor ou
sentimento de culpa, se encarregou de destruí-la em nome da “revolução”.
Quando lamentamos pelo Antigo Palácio de Veraneio - conhecido como o
“palácio dos palácios” – destruído e reduzido a escombros pelas forças aliadas
anglo-francesas; quando lamentamos pela monumental Enciclopédia Yongle116
destruída na luta contra os invasores, Como poderíamos prever que a destruição
causada pelo PCCh seria ainda muito maior, mais duradoura e mais profunda
que aquela das forças invasoras?

A destruição das crenças espirituais.

Além de destruir as manifestações tangíveis da cultura e religiosidade, o PCCh


usou toda a sua capacidade destrutiva para apagar a identidade espiritual do
povo, estabelecida por meio da fé e cultura.

Pegue por exemplo o tratamento dado pelo PCCh às crenças étnicas. O PCCh
enquadrou as tradições do grupo muçulmano Hui dentro dos “Quatro Velhos”:
pensamento, cultura, tradição e hábitos antigos. Sendo assim, obrigou os
mulçumanos Hui a comerem carne de porco, algo tradicionalmente proibido. Os
camponeses mulçumanos e suas mesquitas eram obrigados a criarem porcos, e
cada casa era obrigada a entregar à nação dois porcos por ano. As Guardas
Vermelhas inclusive obrigaram o segundo na hierarquia dos “budas vivos”
tibetanos, lama Panchen, a comer excremento humano. Eles obrigaram três
monges do Templo da Felicidade, na cidade de Harbin, província de Heilongjiang
– o maior templo budista construído na atualidade (1921) – que andassem
carregando um cartaz com os seguintes dizeres: “Para o inferno com as
escrituras budistas; são todas um lixo”.

Em 1971, Lin Biao, vice-presidente do Comitê Central do PCCh, tentou fugir da


China, mas foi morto quando o avião que fugia caiu na cidade de Undur-Han,
Mongólia. Mais tarde, na casa de Biao, em Maojiawan, Pequim, foram achadas
citações de Confúcio. O PCCh iniciou então uma campanha desesperada para
“falar mal de Confúcio”. Um escritor com o pseudônimo de Lian Xiao publicou
um artigo na revista Bandeira Vermelha, com a insígnia do PCCh, intitulado
“Quem é Confúcio?”. O artigo mostrava Confúcio como “um louco que queria
atrasar a história” e “um astuto demagogo e enganador”. Logo se seguiram
canções e caricaturas desmoralizando Confúcio.

Desta forma, a dignidade e o sentimento de sagrado da religião foram minados


e eliminados.

A interminável destruição.

Na antiguidade chinesa, o governo central só ia até o nível de condado, abaixo


deste nível se mantinha a autonomia dos clãs patriarcais. Ao longo da história
116
A Enciclopédia Yongle ou Yongle Dadian foi autorizada pelo imperador chinês
Yongle, da dinastia Ming, en 1403. É considerada como a primeira e mais completa
das enciclopédias. Dois mil eruditos trabalharam na sua realização sobre 8.000
textos que datam da antiguidade ata o começo da dinastia Ming. A Enciclopédia,
terminada en 1408, era composta de mais de 22.000 volumes manuscritos que
ocupavam 40 metros cúbicos de espaço. Hoje, só foi possível recuperar 800 volumes,
o resto foi destruído ou perdido.

98/182
da China, ações violentas como “a queima de livros e o enterro de estudiosos
vivos de Confúcio” - feita pelo imperador Qin Shi Huang117 na dinastia Qin (221-
207 a.C.) - ou como as quatro campanhas para eliminar o Budismo entre os
séculos V e X - “Tres Wu e Un Zong” – eram impostas de cima para baixo e,
portanto, não chegavam realmente até as bases. Desta forma, não tinham o
poder de erradicar culturas. As idéias e os clássicos de Confúcio e do Budismo
sobreviviam em vastos setores da sociedade. Diferentemente, a campanha
abandonar os “Quatro Velhos”, levada adiante por estudantes jovens incitados
pelos PCCh, foi um movimento de base e de alcance nacional. O PCCh conseguiu
chegar a cada povoado por meio de suas agências locais e de forma que seu
movimento “revolucionário” se propagasse sem freios e alcançasse a todas as
pessoas em todos os lugares do território chinês.

Nunca antes na história do país um imperador pode erradicar da mente das


pessoas aquilo que elas consideravam belo ou sagrado. O PCCh conseguiu fazê-
lo mediante propaganda difamante, enganosa e desrespeitosa, somada ao uso
de violência. A eliminação de crenças resulta mais eficaz e duradoura do que
somente a destruição de seus aspectos materiais tangíveis.

A reforma dos intelectuais.

Os ideogramas chineses incorporam a essência de 5.000 anos de civilização. A


forma e a pronuncia de cada ideograma, assim como seu conteúdo expresso e
as alusões literárias que permitem suas combinações, comunicam profundos
significados culturais. O PCCh não somente simplificou os ideogramas chineses
como também tentou substituí-los pelos formatos romanos, fato que eliminaria
todo vestígio de tradição cultural permitido pelos ideogramas e pela língua
chinesa. Porém, tal plano falhou, e isto evitou dano ainda maior a identidade
cultural chinesa. Entretanto, os intelectuais chineses, herdeiros da antiga
tradição chinesa, não tiveram a sorte de escapar da eliminação.

Até 1949, a China tinha cerca de dois milhões de intelectuais. Embora alguns
tivessem estudado em países ocidentais, estavam igualmente familiarizados com
as idéias de Confúcio. O PCCh não poderia deixar de controlá-los já que, como
membros da classe “aristocrática e intelectual”, a forma de pensar deles
desempenhava importante fator na formação do pensamento do povo.

Em setembro de 1951, o PCCh iniciou um movimento de grande escala para


“reformar o pensamento”, que começou sobre os intelectuais da Universidade de
Pekin, e que propunha a “organização de um movimento para que todos os
docentes universitários, secundários e primários, e alunos, falassem com toda a
honestidade sobre suas vida”. A finalidade era “limpar qualquer traço contra-
revolucionário118”.

117
O imperador Qin Shi Huang (259-210 a.C.), alias Ying Zheng, foi o primeiro
imperador na historia da China unificada. Unificou os códigos legais, a linguagem
escrito, a moeda, os pesos e medidas, e ordenou a construção da Grande Muralha.
Tais medidas exerceram profunda influência na historia e cultura de China. Ordenou
a queima de livros de varias escolas de pensamento, entre as quais estavam os
confucianos e os taoístas, e enterrou vivos 460 eruditos confucianos. Estes eventos
foram conhecidos na história como “l queima de livros e o enterro de estudiosos
confucianos”. Construiu um grande mausoléu para sua própria glorificação. O
Exército de Terracota da Tumba do imperador Qin é considerado “a oitava maravilha
do mundo”.
118
Dos escritos de Mao Tsé-tung 1949-1976 (Vol. 2).

99/182
Mao Tsé-tung nunca gostou de intelectuais. Dizia que “eles deveriam saber que
muitos dos intelectuais são, em termos relativos, bastante ignorantes. Muitas
vezes os trabalhadores e camponeses sabem muito mais do que eles119”.
“Comparados com trabalhadores e camponeses, os intelectuais não reformados
não são limpos. Em última análise, trabalhadores e camponeses são pessoas
mais limpas do que os intelectuais ainda que tenham as mãos sujas e os pés
cheios de esterco de vaca120”. A perseguição do PCCh aos intelectuais começou
com várias formas de acusações, desde críticas a Wu Xun, em 1951, na qual se
afirmava que ele “dirigia escolas com dinheiro mendigado121”, até o ataque
pessoal de Mao Tsé-tung, em 1955, ao escritor Hu Feng122, acusando-o de
contra-revolucionário. No princípio, os intelectuais não foram considerados uma
classe reacionária, porém, em 1957, depois que vários grupos religiosos
importantes finalmente se submeteram ao movimento da “frente unida”, o PCCh
pode ser capaz de concentrar sua energia nos intelectuais. Assim, lançou o
movimento “antidiretista”.

No final de fevereiro de 1957, o PCCh, chamou os intelectuais para darem suas


sugestões e criticas ao Partido, dizendo que “brotem cem flores e debatam cem
escolas de pensamento”. O PCCh prometeu que não haveria represálias pelas
sugestões e críticas dadas. Os intelectuais estavam insatisfeitos com a forma
com que o PCCh, um leigo em vários assuntos, controla todos os campos da
sociedade, bem como com os assassinatos de inocentes na campanha feita pelo
PCCh, em 1955 e 1957, para “eliminar os contra-revolucionários”. Os
intelectuais pensaram que o PCCh finalmente havia se tornado aberto e
tolerante. Assim, eles começaram a expressar seus verdadeiros sentimentos; as
críticas se tornaram cada vez mais intensas.

Muitos anos depois ainda há pessoas que acham que Mao Tsé-tung somente
ordenou o ataque aos intelectuais quando críticas duras fizeram com que ele
perdesse a paciência. A verdade, entretanto, é bem diferente.

Em maio de 1957, Mao Tsé-tung escreveu um artigo intitulado “A situação está


começando a mudar” e o divulgou entre os altos líderes do Partido. O artigo
dizia: “Nos últimos dias, os direitistas... vêm demonstrando determinação e
fervor únicos... Os direitistas são anticomunistas, tentam desesperadamente
provocar um grande furação que arrase a China... estão fortemente inclinados a
acabar com o Partido Comunista123”. Depois desta declaração, os líderes do
PCCh que estavam indiferentes à campanha para “brotem cem flores e debatam
cem escolas de pensamento”, de pronto, se interessaram e se alarmaram com a
suposta “gravidade” da situação. A filha de Zhang Bojun em suas memórias,
intitulada O passado não desaparece como fumaça, conta:

119
De “Retificar o estilo de trabalho do Partido”, por Mao (1942).
120
Do “Discurso no Fórum de Yan’an sobre Arte e Literatura”, por Mao. (1942).
121
Wu Xun (1838-1896 d.C.), originalmente chamado de Wu Qi, nasceu em Tangyi,
Shandong. Tendo perdido seu pai cedo, teve que mendigar para poder dar de comer à
sua mãe, passando assim a ser conhecido como “o mendigo de devoção filial”. Após a
morte de sua mãe, mendigar se converteu em sua única forma de subsistência Dirigia
escolas gratuitas com o dinheiro que ganhou na mendicância.
122
Hu Feng (1902-1985), erudito e crítico literário, foi um opositor da política de
literatura doutrinaria do PCC. Ele foi expulso do partido en 1955 e sentenciado a 14
anos de prisão.
123
De “Trabalhos Selecionados de Mao Tsé-tung” (Vol. 5), “A situação está começando a
mudar” (1957).

100/182
Li Weihan, ministro do Departamento de Trabalho da Frente Unida, chamou
pessoalmente a Zhang Bojun (um intelectual) para que ele, em uma reunião,
opinasse sobre o PCCh. Zhang foi colocado na primeira fileira. Zhang, sem
suspeitar que se tratava de uma armadilha, expressou suas críticas ao PCCh.
Durante o encontro, “Li Weihan se mostrava tranqüilo. Zhang pensou que Li
estivesse concordando com suas palavras. Não sabia que, na realidade, Li estava
contente porque Zhang havia caído em sua armadilha”. Depois dessa reunião,
Zhang foi qualificado como o direitista número um da China.

Podemos citar uma série de datas, em 1957, de discursos de intelectuais com


críticas ou sugestões. 21 de maio: “Definição de Modelo Político”, por Zhang
Bojun; 22 de maio: “Perspectivas anti-soviéticas absurdas”, por Long Yun; 22 de
maio: “Comitê de Reparação”, por Luo Longji; 30 de maio: “Crítica ao socialismo
feudal do PCCh”, por Lin Xiling na Universidade de Pekin; 31 de maio: “O PCCh
deveria parar de tentar controlar as artes”, por Wu Zuguang; e, em 1 de junho,
“O PCCh quer controlar tudo”, por Chu Camping. Todas estas propostas e
discursos em repostas aos convites do PCCh, aconteceram depois que Mao Tsé-
tung já havia afiado sua faca de carniceiro.

Como era de se esperar, todos estes intelectuais foram rotulados de direitista.


De uma hora para outra, havia mais de 55.000 “direitistas” em todo o país.

Segundo a tradição chinesa, “um erudito jamais devem morrer de forma


humilhante”. Mas, o PCCh negava aos intelectuais o direito de subsistência e
inclusive incriminava suas famílias se eles não aceitassem as humilhações.
Diante disto, muitos se renderam. Durante esta fase, alguns denunciavam seus
colegas para se salvarem, algo que causou grande tristeza na população.
Aqueles que não se submetiam às humilhações eram mortos para aterrorizar
aos demais.

Assim, a “classe erudita”, os intelectuais, um dos pilares da moral social, foi


apagada das tradições. Mao Tsé-tung disse:

“Do que poderia se vangloriar o imperador Qin Shi Huang? Ele matou apenas
460 estudiosos de Confúcio, mas nós matamos 46.000 intelectuais. Quando
matamos contra-revolucionários acaso não estamos matando intelectuais? Eu
digo aos defensores da democracia, que nos acusam de agir como o imperador
Qin Shi Huang, que eles estão errados: nós fizemos cem vezes pior que o
imperador Qin124”.

De fato, Mao fez pior do que matar intelectuais. Destruiu suas mentes e seus
espíritos.

Manter a fachada da tradição cultural, mas mudando seu conteúdo para dar a
aparência de cultura.

Depois que o PCCh iniciou a reforma econômica e uma política de abertura, ele
reformou muitas igrejas e templos budista e taoístas. Também organizou
algumas exposições de templos e apresentações culturais, tanto dentro como
fora da China. Este foi o último passo do PCCh para acabar totalmente com a
cultura tradicional. O PCCh tem duas intenções ao fazer isso. De um lado, a
bondade inerente à natureza humana, a qual o PCCh não consegue erradicar de

124
Qian Bocheng, “Cultura oriental”, quarta edição, 2000 - China.

101/182
maneira alguma, poderia coloca em risco a “cultura do Partido”. Por outro lado,
o PCCh pretende utilizar a cultura tradicional como fachada para ocultar sua
perversa natureza cheia de “falsidade, maldade e violência”.

A essência de uma cultura reside no seu sentido moral, enquanto que suas
formas superficiais só servem ao entretenimento. O PCCh apenas recuperou os
elementos culturais superficiais, que entretém, para encobrir seu real propósito
de erradicar por completo a moral existente na cultura tradicional. Não importa
quantas mais exposições de artes e caligrafia o PCCh possa organizar nem
quantas apresentações de dança de leões e dragões o PCCh possa encenar nem
quantos festivais de comida da sorte possa oferecer nem quantas edificações
com arquitetura clássica possa construir: o PCCh só restaurou a fachada da
cultura tradicional, não sua essência. O PCCh segue promovendo exibições e
espetáculos culturais, tanto dentro como fora da China, com o único propósito
de se manter no poder.

Mais uma vez, os templos servem como exemplo. Os templos foram feitos com
o propósito maior de oferecer um lugar para que as pessoas possam cultivar a
espiritualidade - venerar o Buda, do ouvir o som dos sinos pela manhã ao som
dos tambores ao anoitecer. As pessoas da sociedade secular também usam os
templos para se confessarem e venerarem o Divino nos templos. A cultivação
requer um coração puro, um coração que não busca nada. A confissão e a
veneração também exigem um ambiente especial e solene. Entretanto, os
templos se converteram em lugares turísticos com fins lucrativos. Das pessoas
que visitam a China hoje em dia, quantas delas vieram com a intenção de se
melhorarem como pessoas, com um coração de respeito e sinceridade, e
banhadas e trajando roupas respeitosas?

Restaurar a fachada e aniquilar o sentido interior da cultura tradicional é a tática


do PCCh para confundir o povo. Seja o Budismo ou outras religiões ou
expressões culturais, a intenção do PCCh é degradá-las por meio dessa tática.

III. A “Cultura do Partido”

Enquanto destrói silenciosamente a semi-divina cultura tradicional chinesa, o


PCCh impõe a “cultura do Partido” através de constantes movimentos políticos.
A cultura do Partido transformou a geração mais velha, envenenou aos mais
jovens e repercute nas crianças. Sua influência é por demais profunda e ampla.
Ainda que muitas pessoas tentem expor o maléfico PCCh, não podem fazer isto
sem adotar tanto a forma de julgar o bem e o mal como o vocabulário imposto
pelo PCCh, as quais carregam inevitavelmente a marca da cultura do Partido.

A cultura do Partido não somente herdou a essência maldosa da recente e


estrangeira cultura marxista-leninista, como também combinou habilmente os
elementos negativos da milenar cultura chinesa com a ideologia de luta e de
revolução violenta que está por detrás da propaganda do Partido. Entre os
elementos negativos que o PCCh incluiu em sua cultura estão: a disputa pelo
poder dentro da família imperial, a formação de grupos para defender seus
interesses, uso de manobras políticas desleais e táticas desonestas, e a
conspiração. Durante a luta pela sua sobrevivência nas últimas décadas, o PCCh
nutriu, exercitou e fortaleceu seus traços: “ser falso, mal e violento”.

O poder despótico e ditatorial constitui a essência da cultura do Partido. Uma


cultura que serve o Partido em sua luta política e de classe. Podemos entender
como é formada a cultura do Partido, cheia de terror e despotismo, através de 4
aspectos:

102/182
O aspecto da dominação e controle.

a) A cultura de isolamento

A cultura do Partido Comunista é um isolado monopólio no qual não existe a


liberdade de pensamento, expressão, associação e credo. O mecanismo
partidário de dominação é similar a um sistema hidráulico, que se baseia na alta
pressão sobre o fluído confinado poder funcionar. Uma pequena fenda pode
comprometer todo o sistema. Por exemplo, o PCCh se negou a dialogar com os
estudantes durante o movimento de Quatro de Junho de 1989125 por medo que
essa fenda se alastrasse para o resto da sociedade; com medo que
trabalhadores, camponeses, intelectuais e militares também pedissem dialogo.
Como conseqüência, a China poderia estar indo em direção à democracia e,
assim, a ditadura de um único partido estaria em risco. Desta forma, o PCCh
preferiu matar a dialogar. Hoje, o PCCh emprega dezenas de milhares de ciber-
policiais para monitorar a Internet e assim bloquear diretamente o acesso aos
websites que são do seu desagrado.

b) A cultura do terror

Durante os últimos 55 anos, o PCCh usa o terror para anular a mente do povo
chinês. Ele tem empunhado seu chicote e facão de carniceiro – as pessoas nunca
sabem quando o terror virá sobre elas – para assim forçar o povo a resignar-se.
Pessoas, sob o medo constante, se tornam obedientes. Os defensores da
democracia, os pensadores independentes, os membros de grupos espirituais e
próprios céticos dentro do Partido se tornaram alvos da violência do Partido;
uma forma de advertência ao resto do povo. O PCCh quer cortar pela raiz
qualquer tipo de oposição.

c) A cultura da rede de controle

O controle do PCCh sobre a sociedade engloba tudo. Existe um sistema de


registro de moradores, um comitê de bairro e uma estrutura com vários níveis
de camadas de comitês partidários. “As sucursais do Partido estão no seio de
cada unidade militar.” “Até o menor dos povoados tem sua própria sucursal do
Partido.” Os membros do Partido e da Liga Juvenil têm funções específicas. O
PCCh também criou uma série de lemas convenientes. Alguns exemplos: “Cuide
da sua própria casa, vigei o seu pessoal”, “Evite as manifestações populares”,
“Cumpra firmemente suas obrigações, garanta que elas sejam cumpridas e que
você as cumpra com responsabilidades. Cumpra sempre os regulamentos e as
normas. Esteja atento às medidas de controle e prevenção.”, “A Oficina 610126
criará um comitê de vigilância para inspecionar, em intervalos regulares, as
atividades de cada região e unidade de trabalho”.

d) A cultura de incriminação

O PCCh esquece por completo os princípios que regem as sociedades modernas


e promove a política incriminatória. Utiliza seu poder absoluto para punir os
familiares daqueles que estão incluídos na categoria de “proprietários de terra,
125
O movimento de Quatro de Junho foi iniciado por estudantes universitários que,
entre 15/04 e 4/06 de 1989, fizeram manifestações pedindo por reformas
democráticas na China. O Exército de Libertação do Povo reprimiu o protesto, fato
conhecido internacionalmente como o Massacre da Praça Tiananmen.
126
A “Oficina 610” é una agência criada especificamente para perseguir a Falun Gong,
possui poder absoluto sobre todos os níveis administrativos do Partido e também
sobre os níveis políticos e judiciais.

103/182
camponeses ricos, reacionários, maus elementos e direitistas”. O PCCh até
propôs a teoria da “origem das classes127”.

Hoje, o PCCh “imporá a seus líderes principais a responsabilidade de tomar


medidas que impeçam a ida de praticante de Falun Gong a Pequim para fazer
manifestações. Quem falhar será dura e publicamente repreendido. Para casos
graves serão tomadas medidas disciplinares... Se uma pessoa praticar Falun
Gong todos os seus familiares perderão seus empregos... Se uma empresa
empregar alguém que pratica Falun Gong, todos os demais empregados da
empresa perderão suas bonificações”. O PCCh criou medidas discriminatórias
que definem crianças como “seres que podem ser educados e transformados”, e
outra que fala das “cinco classes pretas” (proprietários de terra, camponeses
ricos, reacionários, mais elementos e direitistas). O PCCh fomenta o
compromisso com o Partido e coloca o “cumprimento da lei acima da lealdade
familiar”. O PCCh estabeleceu seu sistema – como os arquivos pessoais e
organizacionais e a recolocação temporária – para assegurar e levar adiante as
suas políticas. As pessoas são incentivadas a acusar e incriminar os outros, e
são recompensadas por contribuírem com o Partido.

O aspecto da propaganda.

a) A cultura da voz única

Durante a Revolução Cultural, o PCCh saturou a China de lemas e slogans como:


“Instruções supremas”, “Uma frase (de Mao) pesa mais do que 10.000 sentenças;
e cada uma delas é a pura verdade”. Os meios de comunicação eram
incentivados a cantar louvores ao Partido e ser seu porta-voz. Quando
necessário, pessoas de todos os estratos do Partido – funcionários, militares,
líderes dos trabalhadores, líderes de associações de jovens e associações
femininas – vinham expressar seu apoio público à causa comunista. Todos eram
obrigados a passar por esta prova.

b) A cultura de fomentar a violência

Mao Tsé-tung disse certa vez: “Com 800 milhões de pessoas, Como o país
poderia funcionar se não através da luta?”. Na perseguição a Falun Gong, Jiang
Zemin disse: “Ninguém que mate ou espanque um praticante de Falun Gong será
punido”. O PCCh defendia a “guerra total”, e sua visão de que “a bomba atômica
é apenas um tigre de papel… e mesmo que morra metade da população, a
metade restante reconstruiria nossa terra das ruínas”.

c) A cultura de incitar o ódio

Tornou-se política central do país “não esquecer o sofrimentos das classes


(pobres) e manter, sob lágrimas e sangue, o inimigo firme na memória”. A
crueldade para com as classes inimigas é elogiada como virtude. O PCCh
ensinava: “agarre-se ao próprio ódio, mastigue-o e o engula. Para que assim ele
possa brotar dentro do coração128”.

127
A teoria da “origem das classes” (ou “linhagem de sangue”, ou “linha genealógica”)
afirma que a natureza de uma pessoa é determinada pela classe da família na qual ela
nasce.
128
Da canção da ópera moderna “Lenda da lanterna vermelha”, uma obra de teatro, tida
como modelo, representada durante a Revolução Cultural (1966-1976).

104/182
d) A cultura de enganar e mentir

Continuando com os exemplos de mentiras do PCCh. “O rendimento por mu


(±0,17 acre) superará os 10.000 jins”, (no Grande Salto Avante - 1958). “Não se
matou uma só pessoa na Praça Tiananmen” - depois do massacre de Quatro de
Junho de 1989. “Controlamos o vírus do SRAS (síndrome respiratória aguda)”,
em 2003. “Na atualidade se vive o melhor momento dos direitos humanos na
China.” E os “Três Representantes”.

e) A cultura de lavagem cerebral

Continuando, alguns dos lemas usados pelo PCCh para fazer lavagem cerebral
no povo: “Não existiria a China moderna sem o Partido Comunista”. “O PCCh é o
centro impulsionador da nossa causa, e a base teórica de nosso pensamento é o
marxismo-leninismo129”. “Deve-se manter um alinhamento máximo com o
Comitê Central do Partido”. “Cumpra as ordens do PCCh se as entender. Se não
as entender, cumpra igualmente; a compreensão chegará para você durante o
cumprimento das ordens”.

f) A cultura da adulação

“Os Céus e a Terra são grandes, mas ainda maior é a bondade do Partido”;
“Tudo aquilo que nós conseguimos, nos devemos ao Partido”; “Tenho o Partido
como uma mãe”; “Daria minha própria vida para salvar o Comitê Central do
Partido”; “Um Partido grande, glorioso e justo”; “Um Partido invencível”, e assim
por diante.

g) A cultura da dissimulação

O Partido estabelece modelos e exemplos incessantemente. Assim, lançou as


campanhas “progresso socialista ético e ideológico” e “educação ideológica”. No
final, eles continuam fazendo exatamente as mesmas coisas que faziam antes
dessas campanhas. Todos os discursos públicos, as sessões de estudo e a troca
de experiências se converteram em mero “mostruário de seriedade”, e os valores
morais da sociedade sofreram um retrocesso muito significativo.

O aspecto da dominação e controle.

a) A cultura da inveja

O Partido fomenta o “igualitarismo absoluto” para que “todo aquele que se


destaque se torne em alvo de ataques”. As pessoas sentem inveja daquelas que
são mais capazes ou têm mais saúde: a assim chamada “síndrome do olho
vermelho130”.

b) A cultura de pisar no outro

O PCCh estimula “a luta cara a cara e a delação”. Denunciar companheiros,


fabricar provas para incriminá-los, inventar fatos e exagerar seus erros, são

129
Discurso de abertura da Primeira Sessão do 1º Congresso Nacional do Povo da
República Popular da China (15 de setembro de 1954).
130
“Síndrome do olho vermelho” é uma expressão popular na China para expressar a
situação em que alguém se sente inferiorizado ou incomodado ao ver que outra
pessoa é melhor em algo, e acreditar que ela é quem mereceria estar em melhor
situação e não a outra pessoa.

105/182
algumas das condutas erradas usadas para medir a lealdade ao Partido e o
desejo pessoal de progredir.

Influências sutis na atitude e no comportamento das pessoas.

a) A cultura de transformar seres humanos em máquinas

O Partido quer que as pessoas se transformem em “parafuso inoxidáveis da


máquina da revolução”, em “ferramentas domesticadas do Partido”, ou que
“ataquem na direção indicada pelo Partido”. “Os soldados do líder Mao escutam
o Partido antes de tudo, e vão onde for preciso e onde houver dificuldades a
superar”.

b) A cultura de confundir o bem e o mal

Durante a Revolução Cultural: o PCCh “prefere a semente do socialismo que a


colheita do capitalismo”. O exército cumpriu ordens no massacre de Quatro de
Junho “em troca de mais 20 anos de estabilidade”. Ainda, o PCCh “fez aos outros
aquilo que não queria que fizessem a vocês”.

c) A cultura de lavagem cerebral e de obediência incondicional

“Os soldados rasos seguem as ordens dos oficiais e todo o Partido obedece ao
Comitê Central”. “Se deve lutar sem trégua para erradicar todo pensamento
egoísta que passe pela mente”; “Leve a revolução para o mais profundo da
alma.” “Mantenha ao máximo alinhamento com o Comitê Central do Partido.”
“Unam as mentes, unam os passos, unam as ordens e unam os poderes”.

d) A cultura de assegurar a posição de lacaio

“A China seria um caos sem o Partido Comunista”; “A China é tão grande! Quem
mais poderia liderá-la a não ser o PCCh”; “Se a China fracassar, será um
desastre mundial; por isso temos que colaborar com o governo do PCCh.”
Devido ao medo e um sentido de auto-preservação, os grupos oprimidos pelo
PCCh frequentemente parecem mais de esquerda que o próprio Partido.

Há muitos exemplos neste sentido. O leitor talvez encontre vários elementos da


cultura do Partido em sua experiência pessoal.

As pessoas que viveram a Revolução Cultura ainda se recordam da “Peça Modelo


das óperas modernas”, das canções com letras de Mao e da Dança da Lealdade.
Muitos talvez se recordem dos diálogos da Menina do Cabelo Branco131,
Combate do Túnel132 e Guerra das Minas133. Mediante estas obras, o PCCh fez

131
Na lenda popular, A Menina de Cabelo Branco é um ser imortal que vive em uma
caverna e tem poderes sobrenaturais para recompensar o bem e castigar o mal,
apoiar os justos e combater o mal. Entretanto, durante a Revolução Cultural, a Menina
é caracterizada como uma pessoa obrigada a fugir e se refugiar em uma caverna logo
depois que seu pai é morto por se recusar a casar com a filha de um velho
proprietário de terra. Seu cabelo fica branco por falta de alimentação. A peça passou
a ser um dos mais conhecidos dramas “modernos” da China e foi usada para incitar o
ódio de classe contra os proprietários de terra.
132
O combate do túnel (Didao Zhan), um filme em branco e preto de 1965 pelo qual o
PCCC mostra que, na China central durante os anos 40, os guerrilheiros do Partido
expulsaram os invasores japoneses através do uso de túneis.
133
Guerra de minas (Dilei Zhan), um filme em branco e preto de 1962 no qual o PCC
mostra que os guerrilheiros do Partido combateram na província de Hebei, durante os
anos 40, com minas de fabricação caseira para expulsar o invasor japonês.

106/182
uma lavagem cerebral e preencheu a mente das pessoas com mensagens do
tipo: “que glorioso e grandioso é o PCCh”; como o PCCh lutou contra os
inimigos de forma “engenhosa e valente”; como os soldados do Partido são
“incrivelmente devotos do Partido”, como estavam dispostos a se sacrificarem
pelo Partido, e como eram estúpidos e malvados os inimigos. Dia após dia, a
máquina de propaganda do PCCh injetava em cada indivíduo as crenças que o
Partido precisava. Hoje, se uma pessoa presenciasse uma representação de o
“Poema épico” da comédia musical “O oriente é vermelho”, ele perceberia o
espetáculo todo é só “morte, morte e mais morte”.

Ao mesmo tempo, o PCCh criou seu próprio sistema de comunicação e estilo de


discursar, como: a linguagem ofensiva nas críticas de massa, as canções para
adular o Partido, as banais formalidades oficiais como “ensaio de oito partes134”.
O povo é levado a falar sem refletir sobre modelos de pensamento que
fomentam “a luta de classe” e “os elogios ao Partido”, e a usar uma linguagem
tirânica ao invés de argumentação com calma e racionalidade. O PCCh faz uso
abusivo do vocabulário religioso, mas distorcendo seus significados.

Um passo adiante da verdade esta a falácia. A cultura do Partido também abusa


da moralidade tradicional. Por exemplo, a cultura tradicional valoriza a
“fidelidade” como também o faz o Partido Comunista. Entretanto, o que ele
entende por fidelidade é a “fidelidade e honestidade para com o Partido”. A
cultura tradicional valoriza a “devoção filial”. O PCCh pode prender uma pessoa
se ela não provê sustento para seus pais, porém, não por razões humanitárias,
mas sim porque os pais se tornariam um “peso” para o governo. Quando
interessa ao PCCh, ele separa os filhos de seus pais. A cultura tradicional
valoriza a “lealdade” na qual, entretanto, o “povo vem em primeiro lugar, depois
a nação e por último o governante”. A “lealdade” imposta pelo PCCh é a
“devoção cega”, tão cega que exige que a pessoa acredite incondicionalmente no
Partido e o obedeça sem questionamentos.

O vocabulário comumente usado pelo PCCh leva ao engodo. Por exemplo, o


PCCh chama a guerra civil entre o Kuomintang e os comunistas de “Guerra de
Libertação”, como se esta tivesse libertado o povo da opressão. O PCCh chama o
período após 1949 de “período posterior à fundação da nação”, quando, na
realidade, a China já existia muito antes e o PCCh simplesmente estabeleceu um
novo regime político. Os três anos da Grande Fome135 são chamados de os “três
anos de calamidades naturais”, quando não se tratou de um desastre natural e
sim de uma calamidade completamente gerada pelo homem. Entretanto, ao
ouvir tais frases diariamente, subliminarmente, o povo acaba aceitando de modo
inconsciente a ideologia do PCCh.

Na cultura tradicional, a música não visa estimular os desejos humanos. O Livro


de Song (Yue Shu), volume 24 dos Registros do historiador (Shi Ji), Sima Qian
(145-85 a.C.)136, diz que a natureza do homem é pacífica e que suas percepções

134
O ensaio de oito partes é uma composição literária incluída nos exames para o
serviço imperial. È conhecida pela sua rigidez e pobreza de idéias.

135
A Grande Fome chinesa, 1959-1961, foi a maior na história da humanidade. Estima-
se que o número de mortos por causas não naturais se situe entre 18 e 43 milhões de
pessoas.
136
“Registros dos historiadores” (Shi Ji, também traduzido como “O registro do grande
escrevente”), por Sima Qian (145-85 a.C.), o primeiro grande historiador chinês. Esta
obra documenta a historia de China e seus países vizinhos desde a antiguidade até a

107/182
são afetadas pelas sensações externas e desperta o sentimento de amor ou ódio
segundo o caráter e a sabedoria de cada um. Se tais sentimentos não são
controlados, o ser humano será seduzido pelas infinitas tentações mundanas e
será controlado por esses sentimentos que o levarão a cometer inúmeros atos
errados. Assim, diz Sima Qian, os imperadores do passado usavam os rituais e a
música para conter o povo. As canções tinham que ser “alegres, porém não
obscenas; tristes, porém não perturbadoras”. Deveriam expressar sentimentos e
desejos, porém permitirem um controle sobre as emoções. Confúcio disse nos
Anacletos: “Os trezentos versos do Louvor das Odes (um dos seis clássicos
compilados e editados por Confúcio) podem ser resumidos a uma só frase: Não
pense o mal”.

O PCCh, entretanto, usa algo tão belo como a música como método para lavar o
cérebro do povo. Do jardim da infância a universidade, o povo tem que entoar
canções como “O socialismo é bom”, “Não haveria uma China moderna sem o
Partido Comunista”, e muitas outras do tipo. Ao cantarem tais canções, as
pessoas aceitam inconscientemente o conteúdo das letras. E, o que é pior, o
PCCh rouba as melodias das mais belas canções populares e substitui suas
letras originais por outras em ao Partido. Isto não somente para destruir a
cultura tradicional como também para promover o Partido.

Sendo um dos documentos clássicos do PCCh, as palavras de Mao em seu


“Discurso no Fórum de Literatura e Artes de Yan’an137” colocavam os esforços
culturais e as questões militares como “as duas maiores frentes de batalha”. Mao
afirmava que não é suficiente contar com a força armada; também é necessário
uma “arte literária armada”. Ele afirmava que “a literatura deve servir a
propósitos políticos” e que “a literatura da classe proletariado... é a mola
propulsora da máquina revolucionária”. A partir destas afirmações se
desenvolveu um completo sistema de “Cultura do Partido”, tendo o “ateísmo” e a
“luta de classe” como seu núcleo. Obviamente, este sistema se contrapõe à
cultura tradicional. Sem dúvida, a “cultura do Partido” realiza um serviço
fundamental na hora de ajudar o Partido a obter poder e controle sobre a
sociedade. Como seus exércitos, prisões e força policial, a cultura do partido é
também uma máquina de violência, mas um tipo de brutalidade diferente: “a
brutalidade cultural”. Este fenômeno, ao destruir 5.000 anos de tradição
cultural, debilitou a determinação do povo e anulou a coesão da nação chinesa.

Hoje, são muitos os chineses que ignoram por completo a essência da cultura
tradicional. Alguns inclusive igualam os 50 anos da cultura do Partido com os
5.000 anos da tradicional cultura chinesa; isto se constitui em algo muito triste
para o povo deste país.

Muitos querem substituir o atual sistema chinês pelo sistema de democracia


ocidental. Na realidade, a democracia ocidental foi também edificada a partir de
uma cultura, a cultura cristã, a qual tem como princípio que “todos são iguais
aos olhos de Deus” e, assim, respeita a natureza e escolha das pessoas. Como a
despótica e desumana “cultura do PCCh” poderia ser usada para estabelecer um
sistema democrático ao estilo ocidental?

época em que foi escrita. O método historiográfico de Sima Qian foi único e se tornou
modelo oficial das historias das dinastias imperiais dos 2.000 anos que se seguiram.
137
Por Mao Tsé-tung (1942).

108/182
Conclusão

A China começou a se desviar de seus valores culturais tradicionais na dinastia


Song (960-1279 d.C.) e, desde então, vem sofrendo um ininterrupto processo
de degradação de seus valores culturais. Depois do movimento de Quatro de
Maio de 1919138, alguns intelectuais desejosos de encontrar um caminho para a
China que permitisse soluções rápidas e resultados imediatos, romperam com a
tradicional cultura chinesa e buscaram soluções na civilização ocidental. De
qualquer modo, os conflitos e as mudanças no campo cultural se resumiam ao
campo acadêmico, sem a participação do Estado. Entretanto, o PCCh começou a
exercer um ataque direto sobre a cultura, com o uso de meios destrutivos e com
abusivo método de “adotar o superficial e eliminar a essência (da cultura
tradicional)”.

A destruição da cultura tradicional significou o estabelecimento da “cultura do


Partido”. O PCCh subverteu a consciência humana e o juízo moral, o que levou o
povo a dar as costas à cultura tradicional. Se uma cultura nacional deixa de
existir, a essência de uma nação também desaparece, e isto faz que um país se
torne apenas um nome vazio. Não se trata de exagero.

Ao mesmo tempo, a destruição da cultura tradicional acarretou um inesperado


dano material.

A tradicional cultura valoriza a união entre os Céus e os seres humanos, e a


coexistência harmoniosa entre a humanidade e a natureza. O PCCh decretou a
infinita “luta contra os Céus e a Terra”. Esta cultura do PCCh provocou enorme
deterioração e danos ao meio ambiente que hoje assolam a China. Peguemos
por exemplo a questão dos recursos hídricos. Ao abandonar o preceito de que
“um homem nobre valoriza a riqueza sempre que obtida por meios honrados”, a
China destruiu e contaminou desenfreada mente o meio ambiente. Hoje em dia,
mais de 75% dos 50.000 quilômetros de rios que percorrem a China já deixaram
de ter peixes. Mais de 1/3 das águas subterrâneas já estão contaminadas a mais
de uma década, e a situação continua se agravando. No rio Huaihe, faz pouco
tempo, ocorreu algo curioso: um menino que brincava próximo a água
contaminada com óleo desse rio, ao provocar uma faísca que entrou em contato
com a superfície da água, provocou chamas de 5 metros de altura. As chamas
queimaram dez árvores – salgueiros – que se encontram nas proximidades139. É
fácil perceber que os que bebem essa água contrairão possivelmente câncer ou
outra doença grave. Outros problemas ambientais, como a desertificação e
salinização do noroeste da China e a contaminação industrial de zonas
desenvolvidas, estão ligadas ao fato de que hoje a sociedade perdeu o respeito
pela natureza.

A cultura tradicional respeita a vida. O PCCh declara que “as revoltas são
justificáveis” e que “a luta entre os seres humanos é fonte de alegria”. Em nome
da revolução, o PCCh matou de fome e assassinou dezenas de milhões de
pessoas. Estes fatos fizeram com que as pessoas perdessem o apreço e respeito
pela vida, uma situação que favorece a proliferação de produtos adulterados e
poluentes. Na cidade de Fuyang, província de Anhui, por exemplo, muitos bebês
desenvolveram membros atrofiados, corpos débeis e cabeças desproporcionais
durante o período de lactação. Após investigações, se descobriu que este mal

138
O Movimento Quatro de Maio (1919) foi a primeira manifestação de massa na
história da China moderna.
139
Chen Guili, Advertência do rio Huaihe (1995).

109/182
era causado por leite adulterado e contaminado fabricado por uma indústria
inescrupulosa. Várias pessoas criam caranguejos, serpentes e tartarugas com o
uso de hormônios e antibióticos, misturam álcool industrial às bebidas, usam
agentes químicos acelerados do crescimento nas plantações de arroz,
branqueiam a farinha de trigo com produtos químicos. Durante oito anos, um
fabricante da província de Henan produziu mensalmente milhares de toneladas
de óleo comestível contendo componentes cancerígenos decorrentes de
reaproveitamento de óleo já utilizado. A produção de alimentos contaminados
não é um fenômeno local ou regional, e sim algo comum em todo o país. É algo
diretamente ligado com a ambição sem limites que advém da destruição da
cultura e conseqüente degeneração da moral humana.

Diferentemente do monopólio absoluto e exclusivo da “cultura do Partido”, a


tradicional cultura chinesa possui grande capacidade de integração. Durante a
próspera dinastia Tang, os ensinamentos budistas, o cristianismo e outras
religiões ocidentais coexistiam em harmonia com o pensamento taoísta e o
Confucionismo. A genuína cultura chinesa teria mostrado uma atitude tolerante
com a moderna civilização ocidental. Os quatro “tigres asiáticos” (Singapura,
Taiwan, Coréia do Sul e Hong Kong) criaram uma nova identidade cultural
confuciana. Suas pujantes economias provam que a cultura tradicional não
impede o desenvolvimento social.

Ao mesmo tempo, a autêntica cultura chinesa mede a qualidade de vida humana


com base na felicidade e no bem-estar material. “Prefiro não ter ninguém
falando mal de mim pelas costas do que ter alguém me elogiando pela frente;
prefiro paz de espírito ao conforto físico140”. Tao Yuanming141 (367-427 d.C.)
viveu na pobreza; porém desfrutava de um espírito jovial e tinha como passa-
tempo “recolher crisântemos atrás do muro que dava para o leste, e contemplar
ao longe a Montanha do Sul”.

A cultura não oferece respostas a perguntas tais como: “Qual é o melhor


processo para aumentar a produção industrial?” ou “Qual modelo social é o mais
conveniente?”. Entretanto, desempenha importante papel na hora de oferecer
um guia moral e estabelecer limites sociais. A verdadeira restauração da cultura
tradicional será a recuperação da atitude humilde para com os Céus, a Terra, a
natureza, e respeito à vida e admiração ao Criador. Desta forma, o ser humano
poderá viver em harmonia com os Céus, a Terra, e desfrutar de uma idade de
ouro abençoada pelos Céus.

140
Prefácio de “Ver o Retorno de Li Yuan para Pangu”, por Han Yu (768-824 d.C.), um
dos “oito grandes mestres da prosa das dinastias Tang e Song”.
141
Tao Yuanming (365-427 d.C.), também conhecido como Tao Qian, foi um grande
poeta da literatura chinesa.

110/182
Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 7 – O Sétimo dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

Partido Comunista Chinês - Uma história de matanças.

Foto mostrando o ataque de ativistas do PCCh

(APG/Getty Images)

111/182
Introdução

Os 55 anos de história do Partido Comunista Chinês no poder foram escritos


com sangue e mentiras. Os casos ligados a esta história sangrenta são trágicos e
muito pouco conhecidos. Sob o regime do PCCh morreram de 60 a 80 milhões
de chineses inocentes, que deixaram para trás famílias desmanteladas. Muitos
se perguntam o porquê do PCCh matar. Enquanto o PCCh persegue cruelmente
os praticantes de Falun Gong – a pouco reprimiu com tiros as passeatas de
protesto em Hanuyan - as pessoas se perguntam se chegará o dia em que o
PCCh responderá com palavras e não com armas.

Mao Tsé-tung resumiu o propósito da Revolução Cultural com as palavras: “...


depois do caos, o mundo encontra a paz; mas, daqui a 7 ou 8 anos, o caos
necessita acontecer de novo142”. Colocando isto de outro modo, é preciso haver
uma revolução a cada 7 ou 8 anos, ou seja: pessoas serão mortas a cada 7 ou 8
anos.

Por detrás dos massacres do PCCh existe uma ideologia que se o sustenta, além
de aspectos práticos.

Ideologicamente falando, o Partido fala na “ditadura do proletariado”, na


“revolução permanente sob a ditadura do proletariado”. Assim, depois que o
PCCh tomou o poder na China, matou os proprietários de terra para resolver
problemas ligados às relações de produção nas áreas rurais. Exterminou os
capitalistas para realizar as reformas comerciais e industriais, e para resolver o
problema das relações de produção nas cidades. Do mesmo modo, o PCCh
também matou para resolver os problemas relacionados à superestrutura. A
repressão ao Grupo Anti-Partido Hu Feng143 e aos movimentos antidiretistas
eliminaram os intelectuais. O massacre de cristão, taoístas, budistas e grupos
isolados resolveram o problema das crenças religiosas. Os extermínios em
massa que ocorreram durante a Revolução Cultural, levaram ao monopólio
cultural e político do Partido. O Massacre de estudantes na Praça Tiananmen foi
utilizado para evitar a crise política e impedir reivindicações democráticas. A
perseguição a Falun Gong busca por um fim nas questões ligadas ao cultivo
espiritual e aos métodos tradicionais de cura. Todas estas medidas foram
necessárias para que o PCCh fortalecesse seu poder e mantivesse seu poder em
meio às sucessivas crises financeiras (os preços dispararam depois que o PCCh
tomou o poder e a economia por pouco não entrou em colapso depois da
Revolução Cultural); em meio às crises políticas (ocasionadas por pessoas que
não cumpriam as ordens do Partido ou que queriam dividir o poder político com
o PCCh); e em meio às crises de confiança (a desintegração da União Soviética,
mudanças que se seguiram na Europa Oriental e o crescimento de Falun Gong).
Com exceção a Falun Gong, quase todas as campanhas políticas mencionadas
serviram para reavivar o espectro maligno do PCCh e estimular seu desejo de
revolução. O PCCh também usou estes movimentos políticos para colocar à
prova os seus membros e, assim, eliminar aqueles que não atendiam suas
exigências.

Matar também é necessário por razões práticas. O Partido Comunista começou


como um grupo de bandidos e patifes que mataram para obter o poder. Uma
vez que isto aconteceu, não houve como recuar nisto. O PCCh necessita instigar
o terror constantemente para obrigar o povo a aceitar o seu poder totalitário.
142
Carta de Mao Tsé-tung a sua esposa Jiang Qing (1966).
143
Hu Feng, homem de letras e crítico literário, que se opôs à estéril política literária do
PCC. Foi expulso do Partido em 1955 e sentenciado a 14 anos de prisão.

112/182
Aparentemente, pode parecer que o PCCh se viu diante de situações nas quais
se viu “obrigado a matar”; que o espectro maligno do Partido, respondendo a
tais situações, precisou matar. A verdade é que tais situações serviram para
acobertar a necessidade de matar do PCCh. Sem contínuas lições dolorosas, as
pessoas poderiam começar a pensar que o Partido estava melhorando e assim
começar a exigir a democracia, do mesmo modo como fizeram os estudantes do
movimento democrático de 1989. Realizar massacres a cada 7 ou 8 anos serve
para que as pessoas tenham o terror sempre fresco na memória e para advertir
as novas gerações: qualquer um que aja contra o PCCh, desafie sua liderança
absoluta ou tente contar a verdade sobre a história do PCCh, sofrerá na própria
carne o “punho de ferro da ditadura do proletariado”.

Para o PCCh, matar se converteu em uma das suas ferramentas básicas para se
manter no poder. Devido à intensificação de seus atos sanguinários, se o PCCh
deixasse de lado seu mecanismo de matar, isto levaria as pessoas a buscar
vingança pelas atrocidades sofridas. Portanto, o Partido precisou levar adiante
suas matanças, e ainda da forma mais brutal possível, para poder intimidar as
massas; sobretudo no começo, quando começava a estabelecer sua ditadura. O
objetivo dessas matanças foi instaurar o terror; o PCCh escolhia alvos de
destruição de modo arbitrário e irracional. Empregou a estratégia de genocídio
em cada campanha política que fez. Por exemplo, no caso do extermínio dos
reacionários, o Partido, na realidade, não reprimiu atos reacionários e sim as
pessoas que ele considerava reacionárias. Se uma pessoa tivesse servido o
Exército Nacionalista (Kuomintang, KMT), ainda que por poucos dias, mas não
tivesse explicitado seu apoio político ao PCCh, ela seria morta por causa de sua
“história reacionária”. Enquanto fazia a reforma agrária, para remover “a raiz do
problema”, o PCCh sempre assassinava a família inteira dos proprietários de
terra.

Desde 1949, O PCCh perseguiu mais da metade da população chinesa. Estima-


se que morreram entre 60 e 80 milhões de pessoas de causas não naturais. Esta
cifra supera o número total de mortos das duas Guerras Mundiais juntas.

Da mesma forma que outros países comunistas, as mortes arbitrárias feitas pelo
PCCh incluem matar brutalmente seus próprios membros que mantém ainda um
senso de humanidade acima da ideologia do Partido. O regime de terror do
PCCh vale tanto para o povo como para os seus próprios membros, em uma
tentativa de manter uma “fortaleza invencível”.

Em uma sociedade normal, as pessoas demonstram solidariedade, respeito pela


vida e mostram gratidão a Deus. No Oriente, as pessoas dizem: “Não faça aos
outros aquilo que você não gostaria que fizessem a você144”. No Ocidente, se
diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo145”. Porém, o PCCh sustenta que “A
história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história
das lutas de classes146”. Para que a luta se mantenha viva na sociedade, é
necessário instigar o ódio. O Partido não somente se encarrega de tirar vidas,
como também incita as pessoas a matarem umas as outras. Ele se empenha para
eliminar a sensibilidade das pessoas ou embrutecê-las frente ao sofrimento das
outras por meio de constante exposição das pessoas a mortes e desumanas
brutalidades para que estas se convençam que o “o melhor a fazer é não ser
perseguida”. Todas estas lições que o PCCh ensina mediante a repressão brutal
permitem que ele se mantenha no poder.
144
Dos Anacletos de Confúcio.
145
Levítico 19:18.
146
Karl Marx, no Manifesto Comunista (1848).

113/182
Além de tirar inúmeras vidas, o PCCh também destrói a alma do povo chinês. As
pessoas se vêem obrigadas a responder às ameaças do Partido renunciando suas
próprias idéias e princípios. De certa forma, o que morre é a alma da pessoa:
algo pior que a morte física.

I. Um Terrível Massacre

Antes que o PCCh tomasse o poder, Mao Tsé-tung escreveu: “Sem dúvida, não
adotamos uma postura de compaixão em relação aos reacionários nem com as
atividades reacionárias das classes reacionárias147”. Dito de outro modo, antes
do PCCh tomar Pequim, ele já havia decidido exercer a tirania sob o eufemismo
de Ditadura Socialista do Povo. O que se segue são alguns exemplos disto:

A repressão dos reacionários e a reforma agrária

Em março de 1950, o PCCh deu “Severas Ordens para eliminar os elementos


reacionários”, medida conhecida como a campanha de “repressão dos
reacionários”.

Diferentemente de todos os imperadores que concederam anistia depois de suas


coroações, o PCCh começou a matar nem bem assumiu o poder. Mao Tsé-tung
disse em um documento: “Ainda há muitos lugares onde as pessoas se sentem
intimidadas e não se animam a matar abertamente e em grande escala os
reacionários148”. Em fevereiro de 1951, o alto comando do PCCh anunciou que,
com exceção das províncias de Zhejiang e Anhui, as “outras áreas que não
estavam matando o suficiente - sobretudo nas cidades grandes e médias -
deveriam continuar prendendo e matando até alcançar números que fossem
expressivos, e que não deveriam parar de fazer isto tão cedo”. Mao inclusive
recomendou que “nas áreas rurais, ao se matar os reacionários, deveria se matar
uma a cada 1.000 pessoas... Nas cidades este percentual deveria ser menor149”.
Naquela época, a população chinesa era de cerca de 600 milhões de habitantes,
portanto, a “ordem” de Mao deve ter causado a morte de 600.000 vidas.
Ninguém sabe de onde surgiu a proporção de 1/1.000. Talvez por capricho, Mao
decidiu que 600.000 vidas seriam suficientes para estabelecer o medo entre as
pessoas e, assim, ordenou que se materializasse seu desejo.

O PCCh não se importava se as pessoas mortas mereciam morrer ou não. “As


leis da República Popular da China para punir os reacionários”, anunciadas em
1951, inclusive diziam que aqueles que “espalhassem rumores” poderiam ser
sumariamente executados.

Enquanto se reprimia os reacionários com mão de ferro, a reforma agrária era


levada adiante em grande escala. De fato, o PCCh já havia iniciado a reforma
agrária nos territórios ocupados do final da década de 1920. Na aparência, esta
medida ia ao encontro do ideal de que todos deveriam ter terras para trabalhar,
porém, na realidade, isto não foi nada mais do que outra desculpa para matar.
Tao Zhu, que a partir de então alcançou o 4º escalão de importância no PCCh,
usava um lema para a reforma agrária: “sangue em todas as aldeias, luta em
todas as casas”. Isto significava que em cada aldeia os proprietários de terra
deveriam morrer.

147
Mao Tsé-tung, A ditadura democrática do povo (1949).
148
Mao Tsé-tung: “Devemos promover amplamente [a repressão aos reacionários] para
que todas as famílias saibam disto”. (30 de março de 1951).
149
Mao Tsé-tung: “Devemos combater os reacionários com firmeza e precisão” (1951).

114/182
A reforma agrária poderia ter acontecido sem mortes. Por exemplo, nos moldes
como o governo de Taiwan fez sua reforma agrária: comprando terras dos
proprietários de terra. Entretanto, o PCCh nasceu de um grupo de bandidos
iletrados, e o único que sabia fazer era roubar. E, depois dos roubos, ele tinha
que matar as vítimas para eliminar a possibilidade de futuras vinganças.

A forma mais comum de matar durante a reforma agrária era conhecida como
“reunião de luta”. O PCCh inventava crimes e assim incriminava os proprietários
de terra ou os fazendeiros ricos. Depois, ele perguntava à multidão como os
“culpados” deveriam ser punidos. Entre a multidão, membros ativistas do Partido
gritavam “Temos que matá-los!” e, assim, os fazendeiros ricos e os proprietários
de terras eram imediatamente mortos. Nessa época, todo aquele que possuía
terras era tido como explorador. Os que se “aproveitavam dos camponeses”
recebiam o nome de “miseráveis exploradores”; aqueles que contribuíam
socialmente conservando instalações públicas ou doando fundos às escolas e
vitimas de desastres naturais, eram chamados de “exploradores generosos”; e os
que não faziam isto de “exploradores passivos ou inativos”. Todas estas
classificações não tinham qualquer sentido já que todos os “exploradores”
acabavam sendo executados não importa a qual das categorias eles pertenciam.

No final de 1952, a lista oficial de “elementos reacionários” executados,


publicada pelo PCCh, beirava os 2,4 milhões de pessoas. Na realidade, o número
total de ex-funcionários do governo do KMT e de proprietários de terra mortos
foi de pelo menos 5 milhões de pessoas.

A repressão dos reacionários e a reforma agrária tiveram três efeitos diretos. Em


primeiro lugar, foram eliminados os ex-funcionários locais que haviam sido
eleitos por meio do autônomo sistema de clãs. Através da repressão dos
reacionários e a reforma agrária, o PCCh matou todo o pessoal hierárquico do
sistema anterior e assim tomou o controle total das zonas rurais através do
estabelecimento de uma agência do Partido em cada aldeia. Em segundo lugar,
obteve riquezas incalculáveis através do furto e roubo. E terceiro, aterrorizou os
civis com a brutal repressão exercida contra os proprietários de terra e os
fazendeiros ricos.

A campanha dos Três Anti e a campanha dos Cinco Anti.

A repressão dos reacionários e a reforma agrária se dirigiram principalmente ao


campo, enquanto que a campanha dos Três Anti ou a campanha dos Cinco Anti,
que ocorreram mais tarde, pode ser entendida como um genocídio feito nas
cidades.

A campanha dos Três Anti se iniciou em dezembro de 1951 e tinha como


objetivo eliminar a corrupção, o desperdício e a burocracia dentro do PCCh.
Alguns funcionários corruptos do partido foram executados. Pouco tempo
depois, o PCCh atribuiu a corrupção de seus funcionários ao suborno dos
capitalistas. Assim, em janeiro de 1952, foi lançada a campanha dos Cinco Anti
contra o suborno, a evasão de impostos, o roubo de bens do Estado, a
construção ilegal e as informações econômicas de Estado privilegiadas.

A campanha dos Cinco Anti consistiu em roubar os bens dos capitalistas, ou,
melhor dizendo, matá-los para ficar com seus bens. Chen Yi, o prefeito de
Shanghai à época, sentado num sofá segurando um copo de chá, perguntava
todas as noites: “Quantos pára-quedistas tivemos hoje?”, ou seja: “Quantos
homens de negócio se suicidaram hoje pulando de edifícios?”. Nenhum
capitalista conseguiu escapar da campanha dos Cinco Anti. Foi exigido que eles

115/182
pagassem os impostos “não cobrados” desde o período Guangxu (1875-1908)
da dinastia Qing (1644-1911), que foi quando se estabeleceu o comércio em
Shanghai. Não havia como os capitalistas pudessem pagar tais “impostos” nem
mesmo dando tudo aquilo que tinham. Não restava outra alternativa a não ser se
suicidar. Porém não queriam pular no rio Huangpu: se os seus corpos não
fossem encontrados, o PCCh os acusa de fugir para Hong Kong e, deste modo, a
responsabilidade de pagar os impostos recaia sobre os familiares. Assim, eles
saltavam dos edifícios mais altos para que assim seus corpos provassem suas
mortes. Nesta época, dizia-se que em Shanghai as pessoas não se arriscavam a
caminhar próximas dos edifícios por medo de serem atingidas por aqueles que
pulavam dos edifícios.

De acordo com o livro Dados das Campanhas Políticas Após a Fundação da


Republica Popular da China, publicado em 1996 por quatro órgãos de governo,
entre estes o Centro de Investigação Histórica do PCCh, durante essas duas
campanhas, mais de 323.100 pessoas foram presas e mais de 280 se suicidaram
ou desapareceram. Durante a campanha contra Hu Feng, em 1955, mais de
5.000 pessoas foram incriminadas, mais de 500 presas, mais de 60 se
suicidaram e 12 morreram de causas não naturais. Mais tarde, na época da
repressão dos reacionários, foram executadas mais de 21.300 pessoas e mais de
4.300 se suicidaram ou desapareceram.

A Grande Fome.

O maior número de mortos foi registrado durante a Grande Fome da China, que
aconteceu pouco depois do Grande Salto Avante150. O artigo “A Grande Fome”,
do livro “Registros Históricos da Republica Popular da China”, publicado em
fevereiro de 1991 pela editora Bandeira Vermelha afirma: “Estima-se que o
número de mortes por causas não naturais somado à redução de nascimentos
entre 1959 e 1961 resultou em uma perda ao redor de 40 milhões de vidas... É
provável que esta cifra seja a maior fome mundial deste século”.

O PCCh deu à Grande Fome o falso nome de “Três Anos de Desastres Naturais”.
Na realidade, estes três anos tiveram condições climáticas favoráveis e durante
este período não se registraram desastres naturais como inundações, secas,
furações, tsunamis, terremotos, geadas, granizo ou pragas. O “desastre” se
deveu somente à ação da fome. A campanha do Grande Salto Avante obrigou
que todos os habitantes da China participassem da fabricação de aço, assim,
fazendo com que fazendeiros abandonassem suas plantações e suas colheitas
se perdessem. Além disso, funcionários de todas as regiões rurais exageravam
suas estimativas de produção. He Yiran, primeiro secretário do comitê do Partido
da prefeitura de Liuzhou, inventou o escandaloso volume de “65.000 kg de
arroz por mu151” para o condado de Huanjiang. Tais episódios aconteceram
justamente depois do Plenário de Lushan, quando o movimento antidiretista do
PCCh se estendeu por todo o país. Para demonstrar que o Partido sempre estava
certo, decorreu disso que o governo expropriou colheitas ao cobrar imposto
sobre produções superestimados. Como conseqüência disto, foram confiscadas
os estoques de grãos, as sementes e os alimentos básicos dos camponeses.
Além disso, quando as estimativas não podiam ser alcançadas, os camponeses
eram acusados de esconderem suas colheitas.

150
O Grande Salto Avante (1958-1960) foi uma campanha do PCC para impulsionar a
indústria chinesa, sobretudo a indústria do aço. Foi um grande fracasso.
151
Unidade chinesa. 1 mu = 0,165 acre.

116/182
Certa ocasião, He Yiran disse que os produtores rurais deveriam alcançar o
primeiro lugar na competição por maiores colheitas, não importando a que
custo de vidas de Liuzhou. Alguns camponeses perderam tudo e só ficaram com
um punhado de arroz escondidos em latrinas. O Comitê do Partido do distrito de
Xunle, condado de Huanjiang, chegou a emitir ordens para que fosse proibido
cozinhar para assim impedir que os camponeses comessem suas colheitas. De
noite havia patrulhas que olhavam os locais e, se viam indícios de fumaça ou
fogo, iam até os lugares de onde estes vinham. Muitos camponeses sequer se
atreviam a cozinhar vegetação selvagem; morriam de inanição.

Historicamente, em épocas de fome, os governos davam pratos com sopa de


arroz, distribuíam as colheitas e permitia que as vítimas deixassem as zonas
onde havia escassez de alimentos. Entretanto, o PCCh achou que o abandono de
zonas rurais por causa da fome seria uma tragédia para o seu prestigio e, assim,
ordenou que militares bloqueassem estradas e acessos de modo a impedir que
os famintos deixassem tais zonas para escapar da fome. Quando os camponeses
tomados pela fome tentavam saquear rações dos armazéns de grãos, o PCCh
ordenava que atirassem contra eles para reprimir saques e ainda qualificava os
mortos de contra-revolucionários. Muitos camponeses morreram de fome nas
províncias de Gansu, Shandong, Henan, Anhui, Hubei, Hunan, Sichuan e
Guangxi, entre outras. Além disto, os camponeses famintos foram obrigados a
participar nos trabalhos de irrigação, na construção de represas e fabricação de
aço. Muitos caiam e morriam enquanto trabalhavam; os vivos não tinham forças
para enterrar os mortos. Muitas aldeias desapareceram por completo já que as
famílias foram morrendo uma após a outra de fome.

Nas fomes mais grave da história da China, anteriores ao PCCh, houve casos em
que as famílias trocavam seus filhos para comê-los, porém, ninguém jamais
comeu seus próprios filhos. Entretanto, sob o comando do PCCh, as pessoas se
viram obrigadas a comer os mortos, aqueles que vinham de outras regiões e,
inclusive, matar e comer os próprios filhos. O escritor Sha Qing descreve o
cenário em seu livro Yi Xi Da Di Wan (Uma terra tenebrosa e pantanosa): durante
a Grande Fome, em uma família de camponeses, só restavam o pai e seu filho e
filha. Um dia, o pai pediu que a filha fosse fazer algo. Quando sua filha voltou,
não encontrou mais o seu irmão menor; ela viu óleo branco em um caldeirão e
restos humanos ao lado do fogo. Vários dias depois, o pai, após acrescentar
água ao caldeirão, pediu que sua filha se aproximasse. A menina, do lado de
fora da porta e com medo, pediu a seu pai: “Papai, por favor, não me coma!
Posso juntar lenha e ajudar você nas tarefas. Se você me comer, quem fará isto
para você?”.

Ninguém sabe quantas tragédias, como a contada, aconteceram. Entretanto, o


PCCh colocava isto como prova de fibra e valentia, dizendo que o PCCh estava
ensinando as pessoas a lutarem com valentia contra os “desastres naturais” e
continuava a se vangloriar de ser “grande, glorioso e sempre certo”.

Depois do Plenário de Lushan de 1959, o general Peng Dehuai152 foi destituído


de seu cargo por ter defendido o povo. Um grupo de funcionários do governo e
membros do Partido que ousaram falar a verdade sobre o que acontecia, foram
presos e investigados. Depois disto, ninguém mais se atreveu a falar. Na época
152
Peng Dehuai (1898-1974): General e líder político comunista chinês. Peng foi
comandante chefe durante a Guerra de Coréia, vice-presidente do Conselho de
Estado, membro do Politburo e ministro da Defesa de 1954 a 1959. Foi destituído de
seus cargos depois de manifestar seu desacordo com as políticas esquerdistas de
Mao, no Plenário de Lushan de 1959.

117/182
da Grande Fome, ao invés de falarem a verdade, as pessoas, por medo de
perderem seus cargos, ocultavam as cifras referentes à quantidade de vítimas da
fome. A província de Gansu, inclusive se recusou a aceitar a ajuda oferecida pela
província de Shaanxi, afirmando que contava com reservas de alimentos.

A Grande Fome também serviu para colocar à prova os altos funcionários do


PCCh. De acordo com os critérios do Partido, os funcionários que podiam resistir
à tentação de dizer a verdade frente a dezenas de milhões de pessoas que
morriam de fome, sem dúvida, estavam qualificados para ocupar seus postos.
Desta forma, o PCCh podia ter certeza que nada, nem emoções nem convicções
religiosas, poderiam se converter em obstáculo para que seus funcionários não
seguissem a linha do Partido. Depois da Grande Fome, os altos funcionários das
províncias se limitaram a participar da formalidade da autocrítica. Li Jingquan, o
secretário do PCCh da província de Sichuan, onde milhões de pessoas morreram
de forme, foi promovido para o cargo de primeiro-secretário do Departamento
do Distrito Sudoeste, do Partido.

A Revolução Cultural, e do Massacre da Praça Tiananmen até Falun Gong.

A Revolução Cultural se iniciou formalmente em 16 de maio de 1966 e se


estendeu até 1976. Este período é conhecido como a Catástrofe dos Dez Anos,
chamado assim inclusive por alguns do PCCh. Mais tarde, em uma entrevista o
jornalista iugoslavo, Hu Yaobang, ex-secretário do Partido, declarou: “Nessa
época, perto de 100 milhões de pessoas foram afetadas; ou seja, 10% da
população chinesa”.

O livro “Dados das Campanhas Políticas Após a Fundação da Republica Popular


da China” afirma: “Em maio de 1984 - após 31 meses de grande investigação e
análises por parte do Comitê Central do PCCh - as cifras relacionadas com a
Revolução Cultural eram as seguintes: mais de 4,2 milhões de pessoas foram
presas e investigadas; mais de 1.728.000 morreram de causas não naturais;
mais de 135.000 foram executadas como contra-revolucionárias; mais de
237.000 foram assassinadas; mais de 7,03 milhões ficaram incapacitadas devido
a lesões causadas pela violência, e 71.200 famílias foram eliminadas”. Os
registros locais indicam que 7,73 milhões de pessoas morreram devido a causas
não naturais durante a Revolução Cultural.

Além do espancamento de pessoas até a morte, a revolução Cultural


desencadeou uma onda de suicídios. Muitos intelectuais de renome - entre eles
Lao She, Fu Lei, Jian Bozan, Wu Han e Chu Anping – se suicidaram logo no início
da Revolução Cultural começou.

Esta campanha foi o período esquerdista mais intenso da história chinesa. Matar
se converteu em uma competição para mostrar a posição revolucionária que
alguém tinha; por isso, a eliminação dos inimigos de classe foi sumamente cruel
e brutal.

A política de reforma e abertura permitiu uma maior divulgação de notícias e


assim permitiu que muitos jornalistas estrangeiros pudessem testemunhar o
Massacre da Praça Tiananmen em 1989, mostrar imagens nas quais se viam
tanques perseguindo e esmagando estudantes universitários.

Dez anos mais tarde, em 20 de julho de 1999, Jiang Zemin começou uma
campanha de repressão contra Falun Gong. No final de 2002, informações de
fontes do governo confirmaram 7.000 mortes em centros de detenção, campos

118/182
de trabalhos forçados, cárceres e hospitais psiquiátricos; uma média de 7
mortes por dia.

Hoje em dia o impulso de matar do PCCh é menor do que o do passado, quando


milhões ou dezenas de milhões de pessoas foram assassinadas. Há duas razões
importantes para esta mudança. De um lado, o Partido incutiu a cultura do
partido na mente dos chineses de modo que agora as pessoas são mais
dissimuladas e submissas. Do outro, devido ao excesso de corrupção dos
funcionários do PCCh, a economia da China se converteu em uma economia “de
transfusão”, uma economia que depende em grande parte do ingresso de
capitais estrangeiros para sustentar o crescimento econômico e a estabilidade
social. As sanções econômicas à China que se seguiram ao Massacre da Praça
Tiananmen ficaram registradas na memória do PCCh; ele sabe que matar
abertamente poderia provocar uma fuga de capitais estrangeiros e isto poderia
por em risco seu regime totalitário.

Entretanto, o PCCh jamais abandonou a prática de matar às escondidas. Hoje o


PCCh não poupa esforços para esconder as provas e evidências de suas
crueldades.

II. Formas de matar de extrema crueldade.

Tudo o que o PCCh faz tem um único propósito: conseguir se manter no poder.
Para o Partido, matar é uma forma muito importante de consolidar seu poder.
Quanto mais pessoas são mortas e quanto mais cruéis as forma de se fazer isto,
maiores são as possibilidades de gerar o terror. Este terror começou muito cedo:
antes da guerra Sino-Japonesa.

O Massacre ao norte da China durante a guerra Sino-Japonesa.

Ao recomendar o livro Inimigo Interno, do padre Raymond J. de Jaegher, o


presidente norte-americano Hoover comentou que o livro expunha totalmente o
terror gerado pelos movimentos comunistas. Ele ainda disse: recomendo que
leia o livro toda pessoa que queira entender como é possível existir uma força
tal maligna neste mundo.

No livro, De Jaegher conta casos sobre como o PCCh utilizou a violência para
gerar o medo e tornar as pessoas submissas.

“Um dia - relata De Jaegher, testemunha presencial dos fatos -, o Partido reuniu
todo os habitantes de um aldeia em sua praça central. Os professores levaram
seus alunos, crianças, da escola para o local. O propósito da reunião era a
execução de 13 jovens patriotas. Depois de dar a conhecer as falsas acusações
contra os jovens, o PCCh ordenou que uma das professoras, sob ameaça, fizesse
seus alunos cantarem hinos patrióticos. No meio da praça não havia bailarinas e
sim um carrasco que segurava uma foice afiada. O carrasco era um jovem e
robusto soldado comunista, de braços atléticos e aspecto cruel. O carrasco foi
atrás da primeira vítima, levantou sua foice e, com um violento golpe, decapitou
a vítima. A cabeça caiu no chão e o sangue jorrou. O canto das crianças se
transformou em gritos e choros de horror. A professora tentou marcar o ritmo e
manter a canção. O carrasco deu 13 golpes e decepou 13 cabeças. Pouco
depois, alguns soldados comunistas se aproximaram e abriram o peito das
vítimas e retiraram os corações das vítimas e comemoram. Tamanha brutalidade
foi feita na frente de crianças. Estas empalideceram e começaram a vomitar

119/182
diante desse macabro ritual. A professora deu uma bronca nos soldados, reuniu
as crianças e depois voltou com as crianças para a escola”.

Depois disto, o padre De Jaegher frequentemente via crianças sendo forçadas a


assistir tais crueldades. As crianças se acostumaram a tais cenas sangrentas e
ficaram insensíveis diante delas; algumas até começaram a se divertir vendo tais
cenas.

Quando o PCCh sentia que matanças comuns não mais serviam para despertar o
terror, ele inventava outros tipos de crueldades. Por exemplo, forçava uma
pessoa engolir uma grande quantidade de sal e não deixava que ela bebesse
água. A vítima sofria de sede até morrer. Ainda, fazia com que pessoas nuas se
arrastassem sobre cacos de vidro; faziam um buraco no rio congelado e jogava a
pessoa dentro: ela morria congelada ou afogada.

De Jaegher escreveu que um membro do PCCh da província de Shansi inventou


uma forma macabra de tortura. Um dia, enquanto ele caminhava pela cidade, ele
parou em frente a um restaurante e ficou olhando para uma grande tina que
fervia. Mais tarde ele comprou várias grandes tinas e, em seguida, prendeu
opositores do Partido Comunista. Durante um julgamento sumário, as tinas
foram cheias com água e colocadas para ferver. Depois do julgamento, da
condenação, as três vítimas foram despidas e jogadas dentro das tinas para
morrerem fervidas. Em Pingshan, De Jaegher viu um homem ser esfolado vivo.
Os membros do PCCh forçaram o filho deste homem a presenciar e participar de
tal desumana tortura: viu seu pai morrer em meio a dores horríveis e aos gritos.
Os membros do PCCh jogavam uma mistura de vinagre e ácido sobre o corpo do
pai e assim a pele ficava rapidamente em carne viva. Começaram pelas costas,
depois pelos ombros e, num instante, todo o corpo já estava em carne viva. O
homem morreu em questão de minutos.

O terror vermelho durante o “Agosto Vermelho” e o canibalismo em Guangxi

Depois de assumir o controle total do país, o PCCh não parou com sua violência
de forma alguma. De fato, durante a Revolução Cultural, a violência se
intensificou.

Em 18 de agosto de 1966, Mao Tsé-tung se reuniu com representantes das


Guardas Vermelhas na torre da Praça Tiananmen. Song Binbin, filha do líder
comunista Song Renqiong, colocou em Mao a insígnia das Guardas Vermelhas.

Quando Mao se inteirou do significado do nome Song Binbin, “amável e gentil”,


disse: “Necessitamos mais violência”. Assim, Song mudou seu nome para Song
Yaowu, “desejo de violência”.

Em pouco tempo, os violentos ataques armados se espalharam por todo o país.


A geração mais jovem, educada sob o ateísmo comunista, não sentia medo nem
preocupação moral. Sob a condução direta do PCCh e ordens de Mao, os
integrantes das Guardas Vermelhas – fanáticos, ignorantes e se sentindo acima
da lei – começaram a espancar pessoas e a saquear em todo o país. Em muitas
regiões, as “cinco classes pretas” (proprietários de terra, fazendeiros ricos,
reacionários, maus elementos e direitistas) e seus familiares foram assassinados
dentro de uma política de genocídio. Um caso típico é o do condado de Daxing,
próximo a Pequim, que, de 27 de agosto a 1 de setembro de 1966, mataram
325 pessoas em 48 brigadas a 13 comunas populares. A pessoa mais velha
assassinada tinha 80 anos e a mais jovem apenas 38 dias de vida. Vinte e duas
famílias foram totalmente eliminadas.

120/182
Golpear uma pessoa até matá-la era algo comum. Na Rua Shatan, um grupo da
Guarda Vermelha espancou uma senhora idosa com correntes de ferro e cintos
de couro até que ela ficasse inconsciente, então, uma mulher da Guarda
Vermelha pulou sobre ela pisoteando seu ventre. Aquela senhora idosa logo
morreu... Perto de Chongwenmeng, quando os Guardas Vermelhos
inspecionavam a casa de uma “mulher de um ex-proprietário de terra” (uma
viúva solitária), eles obrigaram que os vizinhos levassem potes com água
fervendo e jogassem no corpo desta mulher para queimá-la. Vários dias depois,
acharam aquela senhora morta, com o corpo cheio de vermes... Havia muitas
formas diferentes de matar, como açoitar com uma vara até causar a morte,
retalhar o corpo com uma foice, enforcamento... O método de matar bebês era o
mais cruel de todos: o assassino pisava sobre uma perna do bebê e puxava a
outra até partir a criança ao meio (Investigações do Massacre de Daxing, de Yu
Luowen153).

O canibalismo foi até mais desumano do que o Massacre de Daxing. O escritor


Zheng Yi, autor de Recordação Escarlate, descreveu o canibalismo como um
processo que se deu em três etapas.

Na primeira etapa o terror era dissimulado e tenebroso. Os registros dos


distritos mostram uma cena típica: à meia-noite, os assassinos entravam
silenciosamente nas casas para procurarem vítimas e, uma vez que estavam
dentro, arrancavam o fígado e o coração das pessoas. Como não tinham
experiência e estavam com medo, eventualmente removiam também os
pulmões. Depois, cozinhavam o fígado e o coração. Alguns traziam bebida de
suas casas, outros os condimentos; e assim se sentavam em silêncio para comer
os órgãos em volta do fogo.

A segunda etapa foi o auge do terror e se tornou algo aberto e público. Durante
esta fase, os assassinos já mostravam grande experiência em extirpar o fígado e
o coração enquanto a vítima estava viva. Ensinavam aos outros e refinavam e
aperfeiçoavam suas técnicas. Por exemplo, quando abriam um pessoa viva, a
única coisa que precisavam fazer era cortar o ventre em forma de cruz, subir no
corpo (se a vítima estava amarrada a uma árvore, os assassinos golpeavam o
ventre com o joelho), e, assim, o coração e demais órgãos simplesmente se
projetavam para fora do corpo. O chefe dos assassinos ficava com o coração, o
fígado ou os órgãos genitais enquanto que os demais repartiam o resto entre si;
cenas chocantes acompanhadas de bandeirolas e apoiadas por slogans.

A terceira etapa foi de demência, quando o canibalismo se tornou uma prática


massiva. No condado de Wuxuan, como cães selvagens que comem corpos em
épocas de epidemia, as pessoas, fora de controle, comiam umas as outras.
Primeiro as pessoas eram “acusadas em público”; isto sempre era seguido de
execução e de canibalismo. Nem bem a pessoa caia no chão, viva ou morta, as
pessoas tiraram as facas que traziam com elas e, em volta da vítima, pegavam a
parte que conseguiam. Nesta etapa, os cidadãos comuns participaram do
canibalismo. O furacão da “luta de classe” apagou da mente das pessoas
qualquer noção de pecado e senso de humanidade. O canibalismo se espalhou
como uma praga e as pessoas até faziam festins de canibalismo. Comia-se

153
O Massacre de Daxing ocorreu em agosto de 1966. Na época, o ministro de
Segurança Pública, Xie Fuzhi, fez um discurso numa reunião no Departamento de
Segurança de Pequim no qual pedia para que este não interferisse nas ações das
Guardas Vermelhas contra as “cinco classes pretas”.

121/182
qualquer parte do corpo humano: coração, fígado, rins, ombros, pés, tendões
etc. Os corpos eram preparados de diversas maneiras: fervidos ao vapor, no
forno, fritos, assados... As pessoas bebiam bebidas alcoólicas e jogavam jogos
enquanto comiam os corpos. Durante o “esplendor” desta etapa, até o
restaurante da mais alta organização governamental, o Comitê Revolucionário
do condado de Wuxuan, oferecia pratos preparados com carne humana.

Entretanto, o leitor não deve erroneamente pensar que tais festivais de


canibalismo eram resultado do descontrole das pessoas. O PCCh era uma
organização totalitária que dominava a todos e cada aspecto da sociedade. Sem
o apoio e a manipulação do PCCh, o movimento canibal não teria acontecido.

Uma canção que o Partido compôs em seu próprio louvor diz: “A velha
sociedade154 transformava os seres humanos em fantasmas”. Entretanto, as
matanças e os festins canibais demonstram que o partido pode converter um ser
humano em monstro ou demônio, já que o PCCh é mais cruel do que qualquer
outro monstro ou demônio.

A perseguição a Falun Gong

Como o povo chinês entrou na era da computação e era espacial e, por poderem
falar privadamente sobre direitos humanos, liberdade e democracia, muitos
acreditam que as incríveis atrocidades do governo comunista são coisas do
passado, que o PCCh vestiu roupas civis e está pronto para se integrar ao
mundo.

Entretanto, tal pensamento está muito longe da verdade. Quando o Partido


descobriu que havia um grupo que não teme as suas cruéis torturas e crimes,
começou a utilizar métodos ainda mais refinados. O grupo que sofre este novo
tipo de perseguição é Falun Gong.

A violência das Guardas Vermelhas e o canibalismo praticado na província de


Guangxi tinham como finalidade eliminar os corpos das vítimas, matava a
pessoas em questão de minutos ou horas. Os praticantes de Falun Gong –
também conhecido por Falun Dafa – são perseguidos para que abandonem sua
crença nos princípios: “Verdade, Benevolência e Tolerância”. Neste caso, as
torturas geralmente duram dias, meses ou inclusive anos. Estima-se que mais
de 10.000 praticantes de Falun Gong já morreram vítimas de torturas.

Praticantes de Falun Gong que sofreram todo tipo de atrocidades e conseguiram


escapar das garras da morte informam que há mais de 100 métodos cruéis de
tortura; os que seguem são somente alguns exemplos.

Espancamento impiedoso é o método mais comum de torturar praticantes de


Falun Gong. Policiais e prisioneiros comuns escolhidos espancam diretamente os
praticantes e também incitam os outros prisioneiros a espancá-los. Como
conseqüência dos golpes recebidos, muitas vítimas perderam a audição e
sofreram lesões e mutilações em várias partes do corpo: orelhas arrancadas,
olhos esmagados, dentes quebrados, crânios fraturados, lesões vertebrais,
costelas, clavículas e pélvis quebradas, ou a amputação de membros. Alguns
torturadores puxam e esmagam impiedosamente os testículos masculinos e dão
pontapés nas partes intimas feminina. Se o praticante não cede, continuam a
espancá-lo até deixá-lo em pele-viva e cheio de ferimentos profundos. Os
corpos ficam completamente deformados e banhados em sangue devido às
154
“A velha sociedade”, como a chamava o PCC, é o período anterior a 1949, y “a nova
sociedade” se refere ao período posterior, quando o PCC tomou o controle do país.

122/182
torturas; porém, os guardas não param ai, eles jogam água com sal sobre os
corpos das pessoas e queimam as pessoas com bastões elétricos. O cheiro de
sangue e carne queimada se mistura com os gritos de agonia e produzem uma
cena terrível. Além disso, os torturados envolvem a cabeça das pessoas com
sacos plásticos para tentar fazer a pessoa ceder pelo desespero de se sentir
sufocada. Choques elétricos é outro método comumente usado para torturar os
praticantes de Falun Gong em campos de trabalhos forçados na China. Os
policiais utilizam bastões elétricos que produzem choques elétricos nas partes
mais sensíveis dos praticantes: boca, topo da cabeça, peito, genitais, quadris,
coxas, sola dos pés, seios das mulheres e pênis dos homens. Às vezes a
descarga é feita com vários bastões elétricos de uma só vez até que a carne
desprenda um cheiro de queimado e as zonas lesionadas fiquem escuras ou
vermelhas. Outras vezes, a descarga é feita simultaneamente sobre a cabeça e
anus. Normalmente, o bastão elétrico descarrega até 10.000 Volts. Durante a
descarga ele emite uma faísca azul junto com um som de estática. Quando a
corrente atravessa o corpo, a pessoa sente como se estivesse sendo queimada
ou mordida por uma serpente. A pela da pessoa fica vermelha e se rompe, e as
feridas apodrecem. Há bastões mais poderosos que fazem com que o torturado
se sinta como que sendo golpeado por uma marreta.

Além disso, os policiais queimavam com cigarros as mãos, o rosto, a planta dos
pés, o peito, as costas, mamilos e outras partes do corpo dos praticantes, ou
usavam isqueiros para queimar as mãos e os genitais. Colocam barras de ferro
em brasa sobre as pernas dos praticantes. Também queimavam os rostos dos
praticantes com brasas. A policia queimou matando um praticante e depois
informou que a vitima havia feito uma “auto-imolação”.

Os policiais dão fortes golpes contra os seios e genitais dos praticantes. As


praticantes são violentadas individual ou coletivamente. As desnudam, jogam
nas celas de prisioneiros e deixam que elas sejam violentadas seguidamente.
Eles usam bastões para darem choques nos seios e genitais, e queimam os
mamilos das praticantes com isqueiros. Introduzem os bastões nas vaginas e
dão choques elétricos. Eles amarram 4 escovas de dentes com fibras ásperas,
introduzem na vagina e ali as giram e as esfregam. Introduzem anzóis de ferro
nas partes intimas das mulheres. Amarram as mãos das praticantes atrás das
costas, colocam eletrodos nos seus mamilos fazem circular corrente elétrica.

A policia coloca os praticantes em camisas de força; cruzam e prendem seus


braços atrás das costas e depois forçam os braços das pessoas a passarem
sobre a cabeça até o peito; amarram as pernas dos praticantes e os penduram
fora da janela. Ao mesmo tempo, amordaçam os praticantes e colocam fones de
ouvido e os fazem ouvir mensagens que difamam Falun Gong. Segundo
testemunhas oculares desses métodos de tortura, as pessoas torturadas, de
imediato, quebram os braços, ombros, punhos, cotovelos e tendões. As pessoas
torturadas assim por longo tempo sofrem fratura na coluna e morrem de forma
agonizante.

Eles também colocam as pessoas em masmorras cheias de dejetos. Pegam


pedaços de bambu e introduzem embaixo das unhas dos praticantes e os
forçam a ficar em quartos úmidos cheios de fungos de todos os tipos nas
paredes tetos e chão, fazendo que as feridas suporem. Outra maneira de
torturar é fazer com que cães, serpentes e escorpiões mordam ou piquem os
praticantes. Também injetam drogas que afetam o sistema nervoso. Estes são
apenas alguns dos métodos de tortura aos quais são submetidos os praticantes
de Falun Gong nos campos de trabalhos forçados da China comunista.

123/182
III. A cruel disputa dentro do Partido.

Pelo fato do PCCh unir seus membros pela “natureza do Partido” e não por
princípios morais e justos, a lealdade de seus membros - sobretudo entre seus
altos funcionários e cúpula - constitui uma questão de vital importância. O
Partido gera uma permanente atmosfera de terror matando seus membros.
Sendo assim, os sobreviventes sabem que quando o ditador supremo quer que
alguém morra, esta pessoa inevitavelmente morrerá de forma trágica.

As fortes disputas dentro dos partidos comunistas são bem conhecidas. Todos
os membros do Politburo do Partido Comunista Russo que serviram durante os
primeiros mandatos foram executados ou se suicidaram, exceto Lênin, que
morreu, e do próprio Stalin. Três dos cinco marechais, três dos cinco
comandantes-chefes, todos os dez subcomandantes do exército, 57 dos 85
comandantes do comando do exército e 110 dos 195 comandantes de divisão
tiveram a mesma sina: foram executados.

O PCCh sempre defendeu “lutas brutais e ataques sem piedade”. Estas táticas
não se apenas aplicam às pessoas que não pertencem ao Partido. Já no início do
período revolucionário, na província de Jianxi, o Partido tinha matado tantas
pessoas da Aliança Anti-bolchevista (Aliança AB)155 que poucos sobreviveram
para lutar na guerra. Na cidade de Yan’an, o Partido fez uma campanha de
“retificação”. Mais tarde, depois de se estabelecer politicamente, ele eliminou
Gao Gang, Rao Shushi156, Hu Feng, y Peng Dehuai. Na época da Revolução
Cultural, quase todos os membros veteranos do Partido já tinham sido
eliminados. Nenhum dos ex-secretários geral teve um final feliz.

Liu Shaoqi, um ex-presidente chinês em certa época foi a segunda figura mais
importante do país, teve uma morte trágica. No dia em que fazia 70 anos, Mao
Tsé-tung e Zhou Enlai157 deram a ordem a Wang Dongxing (o chefe da guarda de
Mao) para comprar um rádio de presente para Liu Shaoqi para que ele ouvisse as
notícias oficiais da Oitava Sessão da 12ª Plenária do Comitê Central, que dizia:
“Recomendamos a expulsão permanente do Partido, do traidor e espião e
desertor Liu Shaoqi, bem como expor e acusar Liu Shaoqi e seus cúmplices por
delitos de traição e conspiração”.

Liu Shaoqi ficou emocionalmente abalado e seu estado de saúde se deteriorou


rapidamente. Ele ficou acamado por longo tempo e não podia se mover e seu
quadro clínico era horrível. Como quando sentia muita dor, ele agarrava com
força a roupa, objetos ou o braço da outra pessoa, colocaram um vasilhame de
plástico duro em cada uma de suas mãos. Quando ele faleceu, as duas garrafas
de plástico pareciam ampulhetas devido à pressão exercida por ele.

155
Em 1930, Mao ordenou que o Partido matasse milhares de membros do PCC – de
soldados do Exército Vermelho a civis inocentes da província de Jiangxi – para
consolidar seu poder nas regiões controladas pelo PCC. Para maiores informações
(em chinês): http://kanzhongguo.com/news/articles/4/4/27/64064.html
156
Gao Gang e Rao Shushi eram membros do Comitê Central do Partido. Depois de uma
mal sucedida disputa pelo poder que ocorreu em 1954, foram acusados de tramar
para dividir o Partido e por causa disto foram expulsos.
157
Zhou Enlai (1898-1976) foi a segunda pessoa mais importante da historia do PCC
depois de Mao. Foi una figura principal do Partido e primeiro ministro da República
Popular China desde 1949 até o dia em que morreu.

124/182
Em outubro de 1969, durante sua punição, todo o corpo de Liu Shaoqi começava
a se decompor e o pus das feridas emanava um cheiro intenso. Estava
extremamente fraco e à beira da morte. Entretanto, o inspetor chefe do Comitê
Central do Partido não permitia que ele tomasse um banho ou trocasse sua
roupa. Ao invés disso, arrancaram toda sua roupa, o envolveram com uma
manta, levaram ele de avião de Pequim para a cidade de Kaifeng e o colocaram
no um porão de uma fortificação. Quando teve febre alta, não apenas não lhe
deram medicação como não permitiram que médicos fossem no local. Quando
Liu Shaoqi morreu, seu corpo estava completamente desfigurado; ele tinha
cabelos brancos com mais de 60 cm de comprimento. Dois dias depois, à meia-
noite, ele foi cremado como alguém com enfermidades altamente contagiosas.
Também queimaram suas roupas de cama, seu travesseiro e outros objetos
pessoais. No atestado de óbito de Liu Shaoqi constava o seguinte: “Nome: Liu
Weihuang; profissão: desocupado; motivo da morte: doença”. O PCCh torturou
um ex-presidente da nação até a morte sem dar qualquer tipo de explicação.

IV. Exportar a revolução: matando pessoas no exterior.

Além de matar pessoas na China e dentro do Partido, usando uma grande


variedade de métodos, o PCCh participou de matanças no exterior através da
exportação da revolução, como no caso do assassinato de chineses que se
encontravam fora do país. Um exemplo típico é o caso de Khmer Vermelho.

O regime dos Khmer Vermelho de Pol Pot, existiu por apenas quatro anos no
Camboja. Entretanto, de 1975 a 1978, mais de dois milhões de pessoas,
incluindo 200.000 chineses, foram mortos nesse pequeno país com uma
população de 8 milhões de pessoas.

Os crimes cometidos pelos Khmer Vermelho são imensos, porém, não iremos
falar deles aqui. O que iremos falar é sobre sua relação com o PCCh.

Pol Pot venerava Mao Tsé-tung. Em 1965, viajou à China quatro vezes para
escutar em pessoa os ensinamentos de Mao. Em novembro de 1965, ele ficou
três meses na China. Chen Boda e Zhang Chunqiao analisaram com ele teorias
como ”o poder político nasce do cano de uma arma”, “a luta de classe”, “a
ditadura do proletariado” e outras. Mais tarde, estas teorias serviram de bases
para que ele governasse o Camboja. Ao regressar a seu país, Pol Pot mudou o
nome de seu partido para Partido Comunista cambojano e estabeleceu as bases
revolucionárias segundo o modelo do PCCh de cercar cidades a partir do campo.

Em 1968, o Partido Comunista cambojano criou oficialmente seu exército. No


final de 1969, contava com pouco mais de 30.000 pessoas. Porém, em 1975,
antes de atacar e ocupar a cidade de Phnom Penh, ele já havia se tornado uma
poderosa e bem equipada força, com mais de 80.000 soldados. Isto não foi
possível sem o apoio do PCCh. O livro História do Apoio ao Vietnam e A Luta
Contra os Estados Unidos, de Wang Xiangen, afirma que, em 1970, a China deu
a Pol Pot armas e mais de 30.000 soldados. Em abril d 1975, Pol Pot tomou a
capital do Camboja e, dois meses depois, viajou para Pequim para se reunir com
o PCCh e receber instruções. Obviamente, se as matanças dos Khmer Vermelho
não tivessem recebido o apoio teórico e material do PCCh, elas jamais teriam
acontecido.

Por exemplo, depois de o Partido Comunista cambojano matar os dois filhos do


príncipe Sihanouk, enviou o príncipe a Pequim por ordem de Zhou Enlai. Como
se sabe, quando o Partido Comunista cambojano matava alguém, “eliminava até

125/182
o feto” para evitar futuros problemas. Porém, a pedido de Zhou Enlai, Pol Pot
obedeceu.

Zhou Enlai salvou a Sihanouk com uma palavra, porém o PCCh não questionou o
assassinato de mais de 200.000 chineses em mãos do Partido Comunista
cambojano. Naquela época, os cambojanos de origem chinesa foram à
embaixada da China em busca de proteção, porém, esta fechou a porta para
eles.

Em maio de 1998, quando, na Indonésia, aconteceu um genocídio de pessoas de


origem chinesa, o PCCh não disse uma só palavra. Não ofereceu ajuda de
nenhum tipo e inclusive impediu que se noticiasse sobre isto na China. Pelo que
parece, o governo chinês não se importa com que ocorre com seus compatriotas
no exterior; nem sequer ofereceu ajuda humanista.

V. Destruição de famílias.

Não temos como saber quantas pessoas morreram vitimas das manobras
políticas do PCCh. Não há como fazer levantamentos estatísticos devido ao
bloqueio de informações e as barreiras entre diferentes regiões, grupos étnicos
e dialetos locais. O governo do PCCh jamais faria um estudo desta natureza já
que isto significaria cavar a própria sepultura. Na hora de contar sua história, o
PCCh prefere “omitir tais detalhes”.

É ainda mais difícil saber a quantidade de famílias prejudicadas pelo PCCh. Em


uns casos, morria um de seus membros ou a família inteira era desmantelada.
Em outros, a família inteira era eliminada. Inclusive, quando ninguém morria,
muitos se viam obrigados a se separarem. Pais e filhos foram obrigados a
renunciar seus vínculos familiares. Alguns foram decapitados, outros ficaram
loucos e outros morreram prematuramente devido às torturas. As estatísticas de
todas estas tragédias familiares são muito precárias.

O jornal japonês Yomiuri News certa vez noticiou que mais da metade da
população da China foi perseguida pelo PCCh. Se for este o caso, estima-se que
o número de famílias destruídas pelo Partido supere os 100 milhões.

O caso de Zhang Zhixin158 se tornou muito conhecido devido à enorme grande


de notícias publicadas sobre ele. Muitos sabem que Zhang sofreu terríveis
torturas físicas e mentais e foi violentada grupalmente. No final, ela ficou louca
e, depois de cortarem sua língua, ela foi executada. Mas, o que muitos não
sabem, é que há uma história ainda mais cruel por detrás desta tragédia: sua
família foi obrigada a assistir a um “encontro de estudo para familiares de
condenados à pena de morte”.

Lin Lin, filha de Zhang Zhixin, conta: “No início da primavera de 1975 uma
pessoa da corte proferiu a sentença dizendo em voz alta para mim: Sua mãe é
uma contra-revolucionária e sofre de uma obstinação incorrigível. Ela se opõe

158
Zhang Zhixin foi uma intelectual que foi torturada até a morte pelo PCC durante a
Revolução Cultural por criticar o fracasso de Mao na campanha do Grande Salto
Avante e por dizer a verdade abertamente. Muitas vezes, os guardas da prisão onde
Zhang estava preso, tiravam as roupas dela, amarravam suas mãos e a jogavam nas
celas de prisioneiros para que ela fosse violentada em grupo. Por fim Zhang ficou
louca. Os responsáveis pelo presídio, temendo que ela gritasse palavras de protesto
durante a execução, cortaram sua língua antes de executá-la.

126/182
ao nosso grande líder, o presidente Mao, ao invencível pensamento de Mao Tsé-
tung e a seu governo do proletariado. Com tantos delitos, nosso governo está
considerando a possibilidade de aumentar sua pena. Se ela for executada, qual
será a sua atitude? Eu fiquei perplexa e não sabia o que dizer. Tinha o coração
destroçado. Porém simulava estar tranqüila e fazia força para que não
escapassem lágrimas. Meus pais me haviam dito que não chorássemos na frente
dos outros, do contrário, nos teríamos que renunciar nosso vinculo familiar. Meu
pai respondeu: Se este é o caso, o governo está livre para fazer o que for
necessário”.

“A pessoa da corte me perguntou em seguida: Você irá recolher seu corpo se ela
for executada? Irá buscar os pertences de sua mãe na prisão? Eu baixei a cabeça
e não disse nada. Novamente, meu pai respondeu: Não precisamos de nada.
Meu pai pegou meu irmão e eu pelas mãos e fomos saímos da corte.
Atordoados, fomos caminhando para casa em meio a uma tormenta de neve.
Não cozinhamos; meu pai repartiu um pedaço de bolo de milho que ainda
restava e nos deu. Disse-nos: Comam e vão para cama mais cedo. Meu pai se
sentou em uma banqueta e ficou mirando o longe em estado de perplexidade.
Depois de certo tempo, olhou para a cama pensando que estivamos dormindo.
Ele se levantou, abriu uma pasta que havíamos trazido de nossa antiga casa em
Shenyang e tirou a foto de minha mãe. Olhou para ela e não pode conter as
lágrimas”.

“Eu me levantei da cama e apoiei minha cabeça em seus braços e comecei a


chorar como força. Meu pai deu uma batidinha de leve em mim e disse: Não
chore, não podemos deixar que os vizinhos nos ouçam. Meu irmão se levantou
depois de me ouvir chorar. Papai nos abraçou fortemente. Não sabemos quantas
lágrimas derramamos naquela noite, mas não pudemos chorar livremente159”.

Um professor universitário tinha uma família estruturada e feliz até que sua
família se viu vítima de uma tragédia durante o processo de retificação dos
direitistas. Na época do movimento direitista, antes de se casar, sua mulher
namorou alguém considerado um direitista. Este foi preso e enviado para um
local afastado onde sofreu muito. Entretanto ela, como era muito jovem, não
teve que ir com ele. Assim, ela negou este amor e, pouco depois, se casou com
o referido professor. Quando seu antigo amor retornou da prisão para a cidade,
ela, agora mãe, se arrependeu de sua decisão e insistiu em se divorciar de seu
marido para se livrar de seu sentimento de culpa. Nesta ocasião, seu marido
tinha cerca de 50 anos de idade e, não podendo aceitar essa brusca mudança
em sua vida, ficou desnorteado. Ele abandonou tudo e foi em busca de um lugar
para recomeçar sua vida. Por fim, sua ex-esposa abandonou a todos, inclusive
os seus filhos. Os casos de separações dolorosas decorrentes do Partido se
conceituem num grande problema, é uma enfermidade incurável que leva a
separação após separação.

A família é a unidade básica da sociedade chinesa; representa a última defesa da


cultura tradicional contra a cultura do Partido. Portanto, os danos feitos às
famílias é o há de mais cruel na história de crueldades do PCCh.

Como o Partido monopoliza os recursos sociais, quando este considera que uma
pessoa se opõe à ditadura, ele ou ela terá sua vida em jogo, será acusado por
todos e terá sua dignidade arruinada. Sendo tratado tão injustamente, a família
é o único refugio e consolo para tal pessoa inocente. Porém a política do PCCh
159
De um informe da Fundação de Investigações Laogai, de 12 de outubro de 2004,
publicado em: http://www.laogai.org/news2/newsdetail.php?id=391 (em chinês)

127/182
de incriminar pessoas impede que os familiares se confortem entre si, do
contrário, também correm o risco de serem acusados de opositores da ditadura.
Zhang Zhixin, por exemplo, se viu obrigada a se divorciar. Para muitos, a traição
ou a falta de apoio dos familiares (que os denunciam, não os defendem ou os
acusam publicamente) é a última esperança que se quebra: quando está se vai, o
espírito desaba. Muitas pessoas não suportam isto e se suicidam.

VI. Os esquemas para matar e suas conseqüências.

A ideologia de matar do PCCh.

O PCCh sempre se gabou de seu talento e criatividade na implementação do


marxismo-leninismo, porém, na verdade, o que engendrou com criatividade foi
um mal sem precedentes na história e em todo o mundo. Utiliza o conceito
comunista de união social para enganar as pessoas comuns e os intelectuais.
Tenta usar a ciência e tecnologia para promover o total ateísmo. Usa o
comunismo para negar o direito de propriedade privada e emprega a teoria e a
prática leninistas da revolução violenta para controlar o país. Ao mesmo tempo,
combina e reforça tudo isto com os aspectos negativos da cultura chinesa,
aquela parte que se desviou das tradições chinesas.

O PCCh inventou toda uma teoria e a bandeira de uma “revolução permanente”


sob a ditadura do proletariado. Utiliza isto para mudar a sociedade e assim
assegurar a ditadura do Partido. É uma teoria que possui duas partes: a base
econômica e a superestrutura sob a ditadura do proletariado. A base econômica
determina a superestrutura, enquanto que esta, por sua vez, atua sobre a base
econômica. Para fortalecer a superestrutura, especialmente o poder do Partido, a
revolução teve que se sustentar sob bases econômicas. Isto incluiu:

(1) Matar os proprietários de terra para resolver os problemas das relações de


produção160 no campo, e

(2) Matar os capitalistas para resolver tais problemas nas cidades.

Dentro da superestrutura, matar constantemente é necessário para que o Partido


mantenha controle ideológico absoluto. Isto incluiu:

(1) Resolver o problema da atitude política dos intelectuais em relação ao PCCh.

Durante muito tempo, o PCCh lançou campanhas para reformar o pensamento


dos intelectuais. Acusou os intelectuais de promover o individualismo burguês, a
ideologia burguesa, o liberalismo, pontos de vista apolíticos, a falta de ideologia
de classe, etc. O Partido removeu o respeito aos intelectuais através de lavagem
cerebral e aniquilação de suas consciências. Eliminou quase que por completo o
pensamento independente e muitas outras boas qualidades desejadas nos
intelectuais, incluindo a tradição de exigir justiça e dedicarem suas vidas em
defesa do que é justo. A tradição ensina: “Não se deve abusar da riqueza e da
fama; nem se desviar quando se é pobre ou não reconhecido; tampouco
subjugar ou submeter alguém pela superioridade de força161”; “Primeiro se

160
Uma das três ferramentas (meios de produção, sistema de produção e relações de
produção) que Marx utilizava para analisar as classes sociais. O termo “relações de
produção” se refere ao vínculo que se estabelece entre aquele que possui os meios de
produção e aqueles não os possuem; por exemplo, a relação entre proprietários de
terra e camponeses ou entre capitalistas e operários.
161
De Mencius, 3º livro. Da série: Clássicos de Penguin, tradução de D. C. Lau.

128/182
preocupar com o Estado e por último com si próprio162”; “Toda pessoa deve se
sentir responsável pelo sucesso ou fracasso de seu país163”; e “Individualmente
um cidadão melhora a si mesmo e, em sociedade, melhora a todo o seu país164”.

(2) Começar uma revolução cultural e matar pessoas para obter total controle
político e cultural.

O PCCh lançou enormes campanhas dentro e fora do Partido e começou a matar


nas áreas da literatura, da arte, do teatro, da educação e dos historiadores. Os
primeiros ataques se concentraram em pessoas famosas, como A Aldeia das
Três Famílias165, Liu Shaoqi, Wu Han, Lao She, e Jian Bozan. Mais tarde, as
mortes se estenderam a “um pequeno grupo dentro do Partido” e “um pequeno
grupo dentro do exército”, até que, finalmente, se estenderam para todos os
integrantes do Partido e do exército, e a todos os habitantes da China. A luta
armada destruía o corpo e os ataques à cultura destruíam o espírito das
pessoas. Foi uma época sumamente violenta e caótica. O lado perverso da
natureza humana foi estimulado ao máximo para fazer frente à necessidade do
Partido de revigorar o seu poder em épocas de crise. Qualquer um podia matar
abertamente “em nome da revolução ou em defesa da linha revolucionária do
líder Mao”. Esta forma de exterminar a boa natureza humana se converteu em
uma prática nacional sem precedentes.

(3) O PCCh, em 4 de junho de 1989, atirou em estudantes universitários na


Praça Tiananmen em resposta as reivindicações por democracia que surgiram
depois da Revolução Cultural.

Foi a primeira vez que o exército do Partido matou civis em público como forma
de reprimir protestos contra a malversação de fundos, a corrupção e os conluios
entre oficiais do governo e empresários, bem como para reprimir a liberdade de
imprensa, de expressão e de reunião. Durante o massacre, visando instigar o
ódio entre militares e civis, o Partido fabricou cenas onde pessoas queimavam
veículos militares e matavam soldados, para assim tentar maquiar as
brutalidades cometidas pelo Exército do Povo ao massacrar seu próprio povo.

(4) Matar pessoas de diferentes crenças religiosas.

O controle da fé é vital para a sobrevivência do PCCh. A fim de que sua heresia


possa enganar as pessoas, no início, o PCCh começou seu governo eliminando
todas as crenças e sistemas de crenças. Quando se encontrou diante de uma
nova crença espiritual – Falun Gong -, o PCCh empunhou novamente seu facão
de carniceiro. A estratégia do Partido consistia em tirar vantagens dos princípios
“Verdade, Benevolência e Tolerância”, o fato dos praticantes de Falun Gong não
mentirem, não usarem de violência e não quererem causar instabilidade social.
Depois de obter experiência em perseguir Falun Gong, o PCCh se aperfeiçoou
em eliminar pessoas de outras crenças. Desta vez, Jiang Zemin e o próprio PCCh
162
Citação de Fan Zhongyan (989-1052), destacado educador, escritor e funcionário do
governo chinês da dinastia Canção do Norte. A citação é de seu poema “Subir na
Torre Yueyang”.
163
Citação de Gu Yanwu (1613-1682), distinguido erudito do início da dinastia Qing.
164
De Mencius, 7º livro. Da série: Clássicos de Penguin, tradução de D. C. Lau.
165
A Aldeia das Três Famílias era o pseudônimo que utilizavam três escritores da
década de 1960, Deng Kuo, Wu Han e Liao Mosha. Wu foi o autor da obra teatral “Hai
Rui renuncia a seu posto”, que Mao interpretou como una sátira política a sua relação
com o general Peng Dehuai.

129/182
decidiram se colocarem pessoalmente à frente das matanças ao invés de
utilizarem outras pessoas ou grupos.

(5) Matar pessoas para encobrir a verdade.

O direito à informação do povo representa um outro ponto fraco do PCCh. Ele


mata pessoas para bloquear o fluxo da informação. No passado, escutar
“emissoras de rádio do inimigo” era um delito punido com a prisão. Hoje em dia,
em resposta a múltiplos incidentes de intercepção no sistema de televisão
estatal para esclarecer a verdade sobre a perseguição a Falun Gong, Jiang Zemin
ordenou secretamente: “matar imediatamente e sem piedade”. Liu Chengjun,
que interferiu no sistema de comunicação, foi torturado até a morte. O PCCh
mobilizou o Escritório 610 (uma organização similar a Gestapo do nazismo e
que foi criada especialmente para perseguir Falun Gong), a polícia, os fiscais, os
tribunais e um massivo sistema policial para monitorar e controlar as ações das
pessoas na Internet.

(6) Privar as pessoas do direito à vida para garantir seus próprios interesses.

Na realidade, a teoria de “revolução permanente” do PCCh significa que ele não


está disposto a abrir mão do poder. Hoje em dia, a malversação de fundos
públicos e a corrupção existentes dentro do PCCh geraram um conflito entre a
supremacia absoluta do PCCh e o direito de viver das pessoas. Quando as
pessoas se organizam para proteger legalmente seus direitos, o PCCh recorre à
violência, empunha seu facão de carniceiro para os líderes destes movimentos
organizados. Para este fim, o PCCh possui mais de um milhão de policiais
armados. Atualmente, o PCCh está muito melhor aparelhado para matar do que
na época do massacre na Praça Tiananmen, quando teve que mobilizar em
caráter de urgência seu exército de operações. Entretanto, ao levar seu povo à
ruína, o PCCh está num beco sem saída. Atualmente, o PCCh se encontra em
uma situação tão vulnerável que, como diz o refrão chinês, “quando sopra o
vento, sente que até as arvores e os campos são inimigos”.

Por tudo isto, podemos ver que o PCCh, em essência, é um espectro do mal. Não
importa o modo como ele mude para se manter no poder, jamais poderá mudar
sua história de matanças: matou pessoas no passado, mata pessoas hoje em dia
e continuará matando pessoas no futuro.

Diferentes formas de matar para diferentes circunstâncias.

A. Manipulando a propaganda política.

O PCCh utiliza métodos diferentes para matar pessoas dependendo da época.


Na maioria dos casos, lança campanhas de propaganda política antes de matar.
O PCCh sempre diz: “Somente matar poder aplacar a indignação do povo”, como
se uma suposta “indignação pública” fosse um pedido do povo para o PCCh
matar.

130/182
Por exemplo, a obra de teatral “A Menina de Cabelos Brancos166”, uma completa
distorção de uma lenda folclórica, e as histórias inventadas sobre a cobrança de
aluguel e água que se contam na obra de Liu Wencai foram utilizadas como
ferramentas para “ensinar” o povo a odiar os proprietários de terra. O PCCh
normalmente endemoniza seus inimigos, como no caso do ex-presidente chinês
Liu Shaoqi. Em Janeiro de 2001, por exemplo, o Partido fabricou o incidente da
auto-imolação na Praça Tiananmen para colocar o povo contra Falun Gong, e,
logo em seguida, iniciou uma enorme campanha de genocídio contra os
praticantes de Falun Gong. O PCCh, na realidade, não abriu mão de seus
métodos de matar pessoas, apenas os aperfeiçoou através dos avanços da
tecnologia. No passado, o Partido somente podia enganar o povo chinês, porém,
na atualidade, também engana pessoas de todo o mundo.

B. Incitar o povo a matar pessoas.

O PCCh não somente mata pessoas através da máquina imposta por sua
ditadura como também incita as pessoas a se matarem umas as outras. No
começo o PCCh observa algumas leis e regulamentos, entretanto, uma vez que
consegue a adesão do povo, nada pode detê-lo em seu massacre. Por exemplo,
na época da reforma agrária, um comitê especial decidia se os proprietários de
terra mereciam viver ou não.

C. Destruir o espírito da pessoa antes de matá-la fisicamente.

Outro de matar consiste em destruir o espírito da pessoa antes de matá-la.


Mesmo a dinastia mais cruel e brutal da história chinesa, a Qin (221-207 a.C.),
não aniquilava o espírito da pessoa. O PCCh jamais deu a oportunidade das
pessoas morrerem como mártires. Estabeleceu políticas como “Clemência para
os que confessarem e castigo severo para os que resistirem” e “Baixar a cabeça e
confessar é a única saída”. O Partido obriga as pessoas a renunciarem suas
crenças e pensamentos e as faz morrer como cães, com sua dignidade em
ruínas: uma morte digna inspiraria seguidores. Somente se a vítima morre de
forma vergonhosa e humilhante é que o PCCh considera que atingiu seu objetivo
de dar uma lição para aqueles que admiram a vítima, já que acabam com tal
admiração. A razão porque o PCCh persegue Falun Gong com crueldade e
violência extremas é que os seus praticantes consideram suas crenças acima de
suas vidas. Como o PCCh viu que é impossível destruir a dignidade dos
praticantes de Falun Gong, ele faz de tudo para torturá-los fisicamente.

D. Matar pessoas através de alianças e alienação.

Para matar pessoas, o PCCh utiliza tanto o “bastão como a cenoura”, se faz de
amigo e de inimigo de outros. O Partido sempre ataca a uma “pequena” parte do
povo: 5%. A “maioria” das pessoas é sempre boa, são “educáveis”. A educação é
feita através de dois caminhos: o terror ou a proteção. A educação através do
terror busca ensinar às pessoas que aqueles que se opõem ao PCCh não terão
um final feliz, e faz com as pessoas se afastam daqueles que já foram alvos do
Partido. A educação baseada na proteção faz com que a pessoa veja que se ela
166
Na lenda popular, A Menina de Cabelo Branco é um ser imortal que vive em uma
caverna e tem poderes sobrenaturais para recompensar o bem e castigar o mal,
apoiar os justos e combater o mal. Entretanto, durante a Revolução Cultural, a Menina
é caracterizada como uma pessoa obrigada a fugir e se refugiar em uma caverna logo
depois que seu pai é morto por se recusar a casar com a filha de um velho
proprietário de terra. Seu cabelo fica branco por falta de alimentação. A peça passou
a ser um dos mais conhecidos dramas “modernos” da China e foi usada para incitar o
ódio de classe contra os proprietários de terra.

131/182
ganhar a confiança do PCCh e for fiel a este, a pessoa não somente estará a
salvo como também terá chances de ser promovida ou ganhar outros benefícios.
Lin Biao167 disse certa vez: “Uma pequena porção [reprimida] hoje e outra
amanhã se transforma com o tempo em uma grande quantidade”. É comum que
aqueles que alegram por terem conseguido sobreviver a uma ação do PCCh
sejam vítimas na seguinte.

E. cortar o problema pela raiz e matar secretamente (fora da lei).

Nos dias atuais, o PCCh utiliza um sistema de cortar o problema pela raiz e de
matar secretamente à revelia da lei. Por exemplo, como as greves dos operários
e os protestos dos camponeses apareceram em vários lugares, o PCCh acabou
com estas manifestações antes que elas crescessem, prendendo os cabeças
dessas manifestações e os sentenciando a severos castigos. Em outro exemplo,
como a defesa à liberdade e aos direitos humanos se tornou uma bandeira no
mundo, o PCCh já não “condena oficialmente” praticante de Falun Gong à pena
de morte, mas, sob a premissa de Jiang Zemin de que “ninguém será culpado
por matar praticantes de Falun Gong”, estes são torturados até à morte em todo
o país. A Constituição chinesa estabelece que os cidadãos têm o direito de
apelar se são vítimas de injustiças. Entretanto, o PCCh utiliza “policiais vestidos
à paisana” ou contrata criminosos para dissuadir, impedir, deter ou mandar de
volta para suas casas os apelantes, ou até levá-los a campos de trabalhos
forçados.

F. Matar pessoas como forma de advertência.

As perseguições de Zhang Zhixin, Yu Luoke e Lin Zhao168 são exemplos deste


tipo.

G. Usar repressão para esconder a verdade sobre as mortes.

Geralmente, o PCCh reprime, mas não mata pessoas famosas devido à opinião
internacional. O propósito disto é esconder seus crimes da opinião pública. Por
exemplo, durante a campanha de repressão aos reacionários, o Partido não
matou os generais do alto escalão do KMT - como Long Yun, Fu Zuoyi e Du
Yuming -, porém matou outros oficiais e soldados de menor patente.

Ao longo do tempo, as matanças feitas pelo PCCh perverteram a alma do povo


chinês. Na China de hoje, muitas pessoas estão inclinadas a matar. Quando os
estados Unidos sofreram o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, muitos
chineses festejaram isso através de mensagens na Internet. Defensores de uma
167
Lin Biao (1907-1971), um dos primeiros líderes do PCC. Sob o comando de Mao Tsé-
tung, foi membro do Politburo, vice-presidente (1958) e ministro de Defesa (1959).
Foi considerado o arquiteto da Revolução Cultural chinesa. Foi designado sucessor de
Mao em 1966, porém perdeu o apoio em 1970. Sentindo sua queda, Lin, segundo
fontes oficiais, tentou um escapar para a União Soviética, quando percebeu que o
golpe havia sido descoberto. Morreu em seu vôo de fuga para Mongólia quando seu
avião explodiu.
168
Yu Luoke foi um intelectual defensor dos direitos humanos que foi assassinado pelo
PCC durante a Revolução Cultural. Seu extraordinário ensaio “Sobre a tradição
familiar”, escrito em 18 de janeiro de 1967, foi um dos mais difundidos e que teve
maior influência na opinião sobre o PCCC durante a Revolução Cultural. Lin Zhao,
uma estudante universitária de Pequim que se destacou no jornalismo, em 1957, foi
considerada uma direitista por seu pensamento independente e sua crítica aberta ao
movimento comunista. Foi acusada de conspirara para a derrubada da Ditadura
Democrática do Povo e presa em 1960. Em 1962, ela foi sentenciada a 20 anos de
prisão. O PCC a assassinou em 29 de abril de 1968 como contra-revolucionaria.

132/182
“guerra total” podem ser vistos por todas as partes, fazendo pessoas tremerem
de medo.

Conclusão.

Devido ao bloqueio ao acesso às informações feito pelo PCCh, não temos como
saber exatamente quantas pessoas morreram no vários movimentos e
campanhas de perseguição que ocorreram durante sob o governo do PCCh.
Pelos menos 60 milhões de pessoas morreram. Além disso, o PCCh eliminou as
minorias étnicas em Xinjiang, no Tibet, na Mongólia, em Yunnan e em outras
regiões. É difícil achar informações sobre tais operações. O diário americano
Washington Post, certa vez, calculou que o número de pessoas mortas pelo
PCCh foi da ordem de 80 milhões169.

Além do número de mortes, não há como saber quantas pessoas sofreram em


conseqüência da violência do PCCh: que ficaram incapacitadas, enlouquecidas,
órfãs, sem família etc. Cada morte é uma tragédia nas famílias das vítimas.

Certa vez o jornal japonês Yomiuri News, noticiou170: “O governo central chinês
realizou um levantamento das mortes durante a Revolução Cultural com base
em 29 províncias e municípios diretamente administrados por ele. Os resultados
revelaram que, durante a Revolução Cultural, foram perseguidas ou incriminadas
cerca de 600 milhões de pessoas, o que equivale a metade da população
chinesa”.

Stalin disse que a morte de um homem é uma tragédia, mas a morte de milhões
é somente uma estatística. Quando falaram para Li Jingquan, na época secretário
do Partido na província de Sichuan, que muitas pessoas estavam morrendo de
fome em sua província, ele disse: “Qual a dinastia não causou a morte de
pessoas?”. Mao Tsé-tung declarou: “As baixas são uma conseqüência inevitável
das lutas. As mortes devem ocorrer”. Está é a visão que os ateus comunistas têm
da vida. Por isso, 20 milhões de pessoas morreram como resultados das
perseguições de Stalin; cifra que representa quase 10% da população da ex-
URSS. O PCCh matou cerca de 80 milhões de pessoas, também quase 10% da
população chinesas (ao final da Revolução Cultural). Os Khmer rouger mataram
dois milhões de pessoas, um quarto da população do Camboja (na época). Na
Coréia do Norte, estima-se que a fome provocou mais de um milhão de mortes.
Estas são dívidas de sangue que se acumularam sobre os partidos comunistas.

Os cultos perversos fazem sacrifícios de vidas e usam sangue humano no culto


de adoração. Desde o início, o Partido Comunista não parou de matar pessoas –
não só mata os que não pertencem ao próprio Partido como mata seus próprios
membros – para prosseguir em sua “luta de classe”, “sua luta intra-partidária” e

169
Informação baseada na Fundação de Investigações Laogai, extraído de:

http://www.laojiao.org/64/article0211.html (em chinês).

170
Extraído de “Carta aberta de Song Meiling a Liao Chengzhi” (17 de agosto de 1982)
Fonte: http://www.blog.edu.cn/more.asp?name=fainter&id=16445 (em chinês).

133/182
outras falácias. Inclusive, o partido comunista sacrificou no seu altar de culto
perverso seus próprios secretários, marechais, generais, ministros e outros
membros.

Muitos pensam que com o tempo o PCCh irá melhor, que as suas matanças
diminuíram bastante. Em primeiro lugar, matar uma só pessoa é o suficiente
para transformar alguém em assassino. Além disso, como matar é um dos
métodos que o PCCh utiliza para impor seu regime de terror, o PCCh aumenta
ou diminui a quantidade de mortes de acordo com sua necessidade e estratégia.
Em geral, a política de extermínio que ele utiliza é imprevisível. Se o povo carece
de um forte sentimento de medo, o PCCh matará para infundi-lo; se o povo é
temeroso, matar alguns serve para manter aquecido o sentimento de medo;
quando o sentimento de medo é grande, anunciar a intenção de matar sem
realmente fazê-lo é o suficiente para infundir o terror. Após atravessar por
muitos movimentos políticos e de extermínio, o povo desenvolveu uma resposta
reflexo condicionado ao regime de terror do PCCh. Portanto, o Partido nem
sequer necessita mencionar a intenção de matar; o tom de advertência da
máquina de propaganda política do Partido é mais que suficiente para que as
pessoas se lembrem dos horrores vividos.

O PCCh ajusta a intensidade de suas matanças às mudanças do grau de medo


do povo. A magnitude de seus assassinatos não é o que interessa ao Partido; o
ponto chave em matar constantemente é manter o poder. O PCCh não se tornou
doce nem guardou seu facão de carniceiro. O que ocorre agora é que as pessoas
são mais obedientes ou submissas. Se as pessoas levantarem a voz para exigir
algo que supera o nível de tolerância do Partido, este não hesitará em matar.

Para manter o terror, o método que dá melhor resultado é matar ao acaso. Nas
matanças em grande escala que ocorreram no passado, intencionalmente, o
PCCh deixava vago sobre o motivo, o delito e a sentença das vítimas. Para evitar
ser alvo das matanças, as pessoas se restringiam as “zonas seguras” com base
em seus próprios julgamentos. Às vezes, tais “zonas seguras” eram ainda mais
rigorosas do que aquelas que o PCCh pretendia. Por isso, em todas as
campanhas, as pessoas tinham que atuar com esquerdistas, não bastava não ser
um direitista. Consequentemente, muitas vezes os movimentos atingia
proporções muito maiores do que as esperadas, já que as pessoas dos vários
estratos sociais, para se sentirem seguras, se auto-impunham restrições e
exigências ainda maiores do que as do Partido. Quanto mais baixo o nível social,
maior era a crueldade da campanha. Essa intensificação voluntária do terror, que
se estendeu por toda a sociedade, se originou dos assassinatos ao caso feitos
pelo PCCh.

Em sua longa história de matanças, o PCCh se transformou em um assassino


serial e depravado. Matando, decidindo sobre o destino das pessoas, satisfez
seu pervertido desejo de poder supremo. Matando, aplaca seu medo mais
profundo. Matando, reprime a sociedade e a insatisfação decorrente dos
assassinatos realizados no passado. Hoje, as dívidas de sangue são impossíveis
de serem pagas através de soluções benevolentes. A única maneira que o PCCh
tem para se manter no poder, daqui para frente, é governar sob intensa pressão
e totalitarismo. O PCCh tenta quando conveniente dissimular sua verdadeira
natureza se justificando por seus assassinatos ou dizendo ter sido algo do
passado. Entretanto, sua natureza sanguinária jamais mudou. E é ainda mais
improvável que ela mude no futuro.

134/182
Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 8 – O Oitavo dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

O Partido Comunista é na essência uma seita do mal.

Durante a Revolução Cultural todas as pessoas

tiveram que estudar os livros de Mao Tsé-tung.

135/182
Introdução

A queda do bloco socialista encabeçado pela União Soviética, no início da década


de 1990, assinalou o fracasso do comunismo depois de quase um século de
existência. Entretanto, contrariando todos os prognósticos, o PCCh sobreviveu e
ainda governa a China, uma nação cuja população representa 1/5 dos habitantes
do planeta. Surge inevitavelmente uma pergunta: o Partido Comunista Chinês é
realmente comunista?

Ninguém mais na China acredita ainda no comunismo, começando pelos


próprios membros do Partido. Passados de 50 anos de socialismo, o PCCh apóia
a propriedade privada, há até bolsa de valores na China. Ele busca capital no
exterior para novos empreendimentos e explora trabalhadores urbanos e
camponeses o máximo que pode. O PCCh é justamente o oposto do ideal do
comunismo. Pese a adoção de práticas capitalistas, o PCCh mantém controle
total sobre o povo chinês. A Constituição chinesa, em sua reforma de 2004,
estabelece que “O povo chinês, de múltipla etnia, reafirma sua adesão ao regime
da ditadura democrática do povo e à via socialista sob a condução do Partido
Comunista Chinês e guiado pelo marxismo-leninismo, pela ideologia de Mao
Tsé-tung, a teoria de Den Xiaoping e o fundamental pensamento estabelecido
em Três Representantes...”.

“O leopardo morreu, mas a pele ainda continua171”. O PCCh faz jus a esta frase já
que continua governando apenas com a pele do comunismo e a usa para
sustentar seu regime na China.

Qual é a natureza dessa pele herdada pelo PCCh? Ou seja: Qual é o núcleo de
sua organização?

171
“O leopardo morreu, mas a pele ainda continua” é um verso do “Poema da flor da
ameixeira”, de Shao Yong (1011-1077), incluído em antigo livro de profecias
chinesas. O leopardo é usado para se referir ao território da ex-União Soviética, cuja
forma lembra um leopardo correndo. Com a queda da União Soviética, a essência do
sistema comunista desapareceu; ficou só a pele (a forma), a qual o PCC herdou.

136/182
I. As Características de seita do PCCh

O Partido Comunista é em essência uma seita do mal que prejudica a


humanidade.

Embora não se veja como uma religião, o Partido Comunista tem todas as
características de uma religião (tabela 1, adiante). Durante sua formação, ele
proclamava que o marxismo era a verdade absoluta. Venerava Marx como seu
Deus e exortava o povo a engajar em uma incansável luta para construir o
“paraíso comunista na Terra”.

Tabela 1: PCCh: Suas características de religião:

Características básicas
As características correspondentes do PCCh
de uma religião

Todos os níveis de comitê do Partido; o púlpito vai


Hierarquia religiosa, igreja
desde as reuniões partidárias até a mídia controlada
e púlpito.
pelo PCCh.

Marxismo-leninismo, a ideologia de Mao Tsé-tung,


Doutrinas a teoria de Deng Xiaoping, os “Três Representantes”
de Jiang Zemin e a Constituição do Partido.

Ritos de iniciação Cerimônia na qual se jura lealdade eterna ao Partido.

Um membro só pode acreditar no Partido


Compromisso religioso
Comunista.

Secretários do Partido e funcionários em todos os


Sacerdotes
níveis do Partido.

Maldiz a todos os Deuses para se estabelecer como


Adoração a Deus
o deus sem nome.

A morte: “ascender ao Céu


A morte é conhecida como “ir ver a Marx”.
ou descer ao inferno”

As teorias e escritos dos líderes do Partido


Leitura (Escrituras)
Comunista

Pregações, sermões e Assembléias de todo tipo; discursos dos seus


missas. líderes.

Recitação e estudo Estudos políticos; assembléias e atividades rotineiras


profundo das escrituras dos membros do Partido.

Hinos (cantos religiosos) Canções de louvor ao Partido e seus Hinos.

Contribuições obrigatórias; uso do orçamento do


Doações e dízimo governo, arrecadado como o suor e sangue do povo,
pelo Partido.

Medidas punitivas ditadas pelo Partido que vão


Castigos disciplinares e desde “prisão domiciliar e investigação” e “expulsão
Penitências do Partido” a tortura seguida de morte e castigos a
familiares e amigos do acusado.

137/182
O Partido Comunista difere claramente de qualquer religião reta. Toda religião
ortodoxa acredita em Deus e em benevolência, e tem o propósito de ensinar
princípios morais e salvar almas. O Partido Comunista não acredita em Deus e se
opõe à moral universal.

O que o Partido Comunista tem feito mostra claramente que ele é uma seita do
mal. As doutrinas comunistas pregam a luta de classe, a revolução violenta e a
ditadura do proletariado; a chamada “revolução comunista”, cheia de sangue e
violência. O terror vermelho desencadeado pelo comunismo já dura um século: é
responsável por enormes tragédias em dezenas de países e pela perda de
inúmeras vidas humanas. A crença comunista, que trouxe o inferno para Terra, é
simplesmente a seita mais perversa do mundo. As características de seita do
Partido Comunista podem ser resumidas em seis itens:

1. A mistura de doutrinas e a eliminação de opositores

O Partido Comunista tem o marxismo como sua doutrina religiosa e a prega


como “a verdade inquebrantável”. As doutrinas comunistas desconhecem a
benevolência e a tolerância e, além disso, estão cheias de arrogância. O
marxismo é produto do período inicial do capitalismo, quando a produtividade
era baixa e a ciência não havia se desenvolvido. Ele foi incapaz de entender as
relações entre o ser humano e sociedade ou entre o ser humano e a natureza.
Por desgraça, tal ideologia herética resultou na Internacional Comunista que
causou tantos danos ao mundo durante quase um século, até que os povos,
percebendo na prática o absurdo e fraude dessa doutrina, a rejeitasse.

Começando por Lênin, todos os líderes do Partido sistematicamente fizeram


alterações nas doutrinas dessa seita. Da teoria de Lênin da revolução violenta à
revolução permanente de Mao Tsé-tung sob a ditadura do proletariado, e mais
recentemente Jiang Zemin com os Três Representantes, a história do Partido
Comunista está cheia de teorias ateístas e de falácias como já citado. Embora
estas teorias estejam repletas de contradições e só tenham causado tragédias na
prática, o Partido Comunista sempre se declara correto em tudo e obriga o povo
a estudar suas doutrinas.

O meio mais eficaz que a seita maléfica do comunismo encontrou para divulgar
sua doutrina foi eliminar seus opositores ou dissidentes. Como a ideologia e
prática do comunismo são por demais absurdas, a única maneira de fazer as
pessoas aderirem ao comunismo é forçá-las a isto. Sendo assim, o Partido
recorre à violência e elimina seus opositores e dissidentes. Depois que o PCCh
tomou as rédeas do poder na China, ele fez “reforma agrária” para eliminar a
classe dos proprietários de terra, fez a “reforma social” na indústria e comércio
pra eliminar classe dos capitalistas, fez “purga de reacionários” para acabar com
as religiões independentes e com os funcionários das gestões anteriores ao
comunismo, fez o “movimento antidiretista” para silenciar os intelectuais, e a
Revolução Cultural para apagar e acabar a tradicional cultura chinesa. O PCCh
conseguiu unificar a China por meio da perversa seita do comunismo e fez com
que todo o país lesse o Livro Vermelho, bailasse a “dança da lealdade” e
aceitasse “pedir instruções ao Partido pela manhã e prestar-lhe contas à noite”.
No período após o reinado de Mao e Deng, o PCCh achou que Falun Gong (uma
tradicional prática de cultivo que acredita nos princípios Verdade, Benevolência e
Tolerância) iria competir com o ele pelas massas e, assim, decidiu perseguir e
eliminar Falun Gong. Assim, o PCCh iniciou uma perseguição genocida contra
Falun Gong que dura até hoje.

138/182
2. Culto de adoração a um líder e imposição totalitárias de pontos de vista.

De Marx a Jiang Zemin, os retratos dos líderes do Partido Comunista estão


pomposamente expostos para adoração pública. A autoridade total dos líderes
do PCCh não dá espaço para qualquer contestação. Mao Tsé-tung foi chamado
de “o sol vermelho” e “o grande libertador”. O Partido valoriza os escritos de
Mao e diz que “uma sentença de Mao equivale a dez mil sentenças comuns”.
Como “membro do Partido”, Deng Xiaoping foi durante certo período o senhor
absoluto da política chinesa. A teoria dos Três Representantes, de Jiang Zemin,
não possui mais do que 40 ideogramas, incluída a pontuação, entretanto, no
Quarto Plenário do PCCh, ela foi apresentada como “um documento que dava
respostas criativas a perguntas do tipo: O e é socialismo? Como construí-lo?
Que partido estamos erigindo e como consolidá-lo?”. O Partido também deu
grande ênfase na hora de descrever a teoria dos “Três Representantes” e chegou
ao ridículo ao defini-la como uma continuação do marxismo-leninismo, do
Pensamento de Mao e da Teoria de Deng Xiaoping.

A injustificável matança de inocentes, a catastrófica Revolução Cultural de Mao,


a ordem de Deng Xiaoping para iniciar o massacre da Praça Tiananmen e a atual
perseguição a Falun Gong sob o comando de Jiang Zemin, são os abomináveis
resultados da ditadura ateísta do PCCh.

Por um lado, o PCCh estabelece em sua Constituição: “Todo poder da República


Popular da China pertence ao povo, sendo este poder exercido através do
Congresso Nacional do Povo e das Assembléias do Povo em seus diferentes
níveis locais”. “Nenhuma organização ou indivíduo pode ter o privilégio de estar
acima da Constituição ou da lei172”. Do outro lado, a Carta Magna do PCCh
estabelece que ele é condutor da causa socialista da nação chinesa, assim seu
poder prevalece sobre o país e o povo. O presidente do Comitê Permanente do
Congresso Nacional do Povo fez “importantes discursos” em todo o país com o
intuito de fazer com que este órgão, a instância mais alta do poder do Estado, se
subordinasse ao PCCh. Segundo o princípio da “centralização democrática” do
PCCh, todos os níveis do Partido devem obedecer ao Comitê Central do Partido.
Em essência, o Congresso Nacional Popular tem que se submeter ao secretário
geral do PCCh, uma ditadura que se reveste na forma de lei.

3. Lavagem cerebral, controle de pensamento, rigidez organizacional e proibição


de abandonar o Partido.

A organização do PCCh se caracteriza por sua extrema rigidez; é necessária a


recomendação de dois de seus membros para ser admitido no Partido. Uma vez
dentro, o novo membro deve jurar lealdade ao Partido, deve pagar como os
demais membros uma taxa de filiação e mensalidades, ir às atividades do
Partido e participar dos grupos de estudos políticos. As organizações do Partido
se estendem a todos os níveis de governo; estão em cada povoado, aldeia ou
bairro. O PCCh controla não somente seus membros e as questões ligadas ao
Partido como também aqueles que não seus membros, já que todo o regime
deve “se subordinar à liderança do Partido”. Nos anos em que aconteceram as
campanhas de luta de classe, os sacerdotes da seita PCCh – os secretários do
Partido em todos os níveis –, em geral, não faziam outra coisa a não ser
subjugar o povo.

172
Constituição da República Popular China (1999).

139/182
A crítica e a autocrítica praticada nas assembléias do Partido são utilizadas como
meio usual e permanente para controlar a mente de seus militantes. Ao longo de
sua existência, o PCCh fez uma série interminável de campanhas políticas para
“purga de seus membros”, “retificar o ambiente do Partido”, “capturar os
traidores”, “purgar a Aliança Anti-bolchevista173 (Aliança AB)” e “disciplinar o
Partido”. Um teste para verificar o “senso de natureza partidária”. Em outras
palavras, empregar a violência e o terror para verificar o grau de devoção de
seus membros, e também para assegurar-se que estes sempre sigam as ordens
do Partido.

Filiar-se ao PCCh equivale a firmar um contrato de caráter irrevogável pelo qual


a pessoa entrega seu corpo e alma ao Partido. Como as regras do PCCh estão
acima das leis da nação, este pode expulsar qualquer um de seus membros
quando desejar, embora este não possa deixar o Partido sem sofrer severas
retaliações. Abandonar o Partido é considerado um ato de traição e traz duras
conseqüências. Durante a Revolução Cultural, o PCCh exerceu um controle total
sobre o povo. Era do conhecimento de todos que, se o Partido quisesse que
alguém morresse, não havia como escapar da morte; se o Partido quisesse
alguém vivesse ninguém poderia matá-lo. Se uma pessoa cometesse suicídio,
ela era considerada alguém que “havia fugido do castigo dado pelo povo por
seus crimes”, e, assim, sua família era implicada e objeto de castigo.

O processo para tomar decisões dentro do PCCh é uma “caixa preta”, já que as
disputas dentro do Partido devem ser mantidas em total segredo. Todos os
documentos do PCCh são confidenciais. Temendo ser exposto por seus atos
criminosos, o PCCh frequentemente prende opositores ou dissidentes
acusando-os de “divulgarem segredos de Estado”.

4. Exigir a violência, a carnificina e o sacrifício pelo Partido.

Mao Tsé-Tung disse certa vez: “Uma revolução não é uma festa de jantar, nem
escrever um ensaio, pintar um quadro ou bordar. Não pode ser algo refinado,
pacífico, suave, sóbrio, amável, cortês, moderado e generoso. A revolução é uma
revolta, um ato de violência pelo qual uma classe derrota a outra”.

Deng Xiaoping recomendou “matar a 200.000 pessoas em troca de 20 anos de


estabilidade”.

Jiang Zemin deu a seguinte ordem: “Destrua-os [os praticantes de Falun Gong]
fisicamente, arruíne suas reputações e arruíne-os financeiramente”.

O PCCh fomenta a violência; matou uma incalculável quantidade de pessoas em


suas campanhas políticas. Condiciona o povo para ter “a frieza do mais duro dos
invernos” na hora de lidar com os inimigos. A bandeira vermelha deve sua cor ao
“sangue dos mártires”. O Partido adora o vermelho por ser viciado em sangue e
matanças.

O PCCh recorre à exibição de exemplos “heróicos” para incitar o povo a se


sacrificar em nome do Partido. Quando Zhang Side morreu refinando ópio em
um forno, Mao Tsé-tung homenageou sua morte dizendo que ele tinha “o peso

173
Em 1930, Mao ordenou que o Partido matasse milhares de membros do PCC – de
soldados do Exército Vermelho a civis inocentes da província de Jiangxi – para
consolidar seu poder nas regiões controladas pelo PCC. Para maiores informações (em
chinês): http://kanzhongguo.com/news/articles/4/4/27/64064.html

140/182
do monte Tai174”. Naqueles anos de loucura, “frases de encorajamento” como
“Não tema a adversidade nem a morte” e “O sacrifício tempera o caráter; nós
faremos o sol e a lua brilharem em novo Céu”, iam ao encontro às aspirações
daquela época, uma época de pronunciada carência material.

No final da década de 1970, os vietcongs enviaram tropas e depuseram o regime


dos Khmer Vermelhos que, com o apoio do PCCh, cometeu crimes indescritíveis.
Embora esta situação tenha enfurecido o PCCh, este não pôde enviar tropas para
defender os Khmer Vermelhos já que China e Camboja não compartilham
fronteira. Ao invés disto, o PCCh declarou guerra contra o Vietnã – divisa entre
China e Vietnã – como retaliação aos vietcongs. Assim, dezenas de milhares de
soldados chineses sacrificaram suas vidas por uma disputa envolvendo partidos
comunistas já que tal guerra não tinha nada que ver com território e soberania
nacional. Entretanto, após anos de lutas, o PCCh comemora esta carnificina sem
sentido de vidas jovens e inocentes como “o espírito heróico da revolução”,
citado irreverentemente na cantiga “A magnífica conduta cheia de sangue”.
Foram 154 os mártires chineses que perderam suas vidas para recuperar o
Monte Faka na província chinesa de Guangxi; mas, o PCCh sem qualquer
explicação o devolveu ao Vietnã depois que China e Vietnã demarcaram suas
fronteiras pouco depois.

Quando, nos primeiros meses de 2003, o vírus da SARS (síndrome respiratória


aguda grave) se espalhou de modo fulminante na China e colocou em risco a
vida da população, o PCCh contratou uma grande quantidade de enfermeiras
jovens. Estas foram levadas sem demora aos hospitais para cuidar dos doentes
com SARS. O PCCh não hesitou na hora de expor estas jovens ao perigo para
assim reforçar sua “imagem gloriosa”, encarnada no lema “Não tema a
adversidade nem a morte”. Entretanto, o PCCh não pode explicar porque o líder
Jiang Zemin, temendo e fugindo da epidemia, mudou, com sua família e pessoas
próximas, de Pequim para Shanghai, nem explicar a omissão dos 65 milhões de
membros estáveis do Partido no caso e o exemplo dado por estes.

5. Negar a crença em Deus e reprimir a natureza humana.

O PCCh prega o ateísmo e diz que a religião é o “ópio espiritual” que vicia os
povos. Usou seu poder para esmagar todas as religiões da China e se impor
como um deus para, assim, dar à sua seita maligna o controle total do país.

Ao mesmo tempo em que acabava com as religiões, o PCCh sabotava a cultura


tradicional. Sob a alegação de que a tradição, a moral e a ética eram feudais,
supersticiosas e reacionárias, erradicou-as em nome da revolução. Durante a
Revolução Cultural, se tornou comum a violação abominavelmente as tradições
chinesas: marido e mulher se acusando mutuamente, alunos agredindo seus
professores, país e filhos se enfrentando, as Guardas vermelhas assassinado
inocentes sem qualquer motivo, e revolucionários que invadiam, destruíam e
saqueavam tudo que encontravam pela frente. Tudo isto foi um conseqüência
esperada de um regime que se dedicou a reprimir a boa natureza humana.

Depois de estabelecer seu regime, o PCCh obrigou as minorias étnicas a jurarem


apoio à liderança comunista, um apoio que colocou em cheque a sobrevivência
da rica e diversificada cultura das minorias étnicas.

174
O monte Tai (Taishan) é o primeiro de cinco montes famosos da província chinesa de
Shandong. Em 1987, as Nações Unidas o declararam patrimônio da humanidade.

141/182
Em 4 de junho de 1989, o chamado Exército de Libertação do Povo massacrou
um elevado número de estudantes de Pequim. Esta matança fez com que o povo
perdesse a esperança quanto ao futuro político da China. A partir daí, o povo só
interessa por dinheiro. Desde 1999, o PCCh persegue brutalmente Falun Gong e,
assim, se coloca contra a “Verdade, Benevolência e Tolerância” e causa uma
acelerada degradação da moralidade da sociedade chinesa.

Desde o início deste século ocorre uma nova campanha de confisco de terras175
e de recursos financeiros e materiais (executada por funcionários corruptos do
PCCh em conivência com oportunistas inescrupulosos) que tem deixado muitas
pessoas sem teto e na miséria. O número de pessoas que apelam ao governo
por se sentirem injustiçadas aumentou enormemente, e isto intensificou os
conflitos sociais. São freqüentes os protestos populares, todos reprimidos
violentamente pela polícia e pela forças armadas. A natureza fascista da
“República” salta aos olhos e a sociedade perdeu sua consciência moral.

No passado, um vilão não fazia mal a seus vizinhos e próximos. Como diz o
ditado: “O raposa caça longe de casa”. Na atualidade, quando alguém quer
trapacear alguém, ele escolhe seus parentes e amigos, uma pratica conhecida
como “tirar vantagem das relações”.

Em outras épocas, os chineses valorizavam muito a castidade; hoje as pessoas


preferem falar mal dos pobres que da prostituição. A história da aniquilação da
natureza humana e da moral humana na China está bem refletida na seguinte
canção:

Nos anos 50 as pessoas se ajudavam umas às outras,

Nos anos 60 as pessoas lutavam umas às outras,

Nos anos 70 as pessoas trapaceavam umas às outras,

Nos anos 80 as pessoas só pensavam em si mesmas,

Nos anos 90 as pessoas tiram vantagem do primeiro que encontra pela frente.

6. Manter o poder pela força; o monopólio sobre a economia e a desmedida


ambição política e econômica.

O maior propósito daqueles que fundaram o PCCh foi tomar o poder à força e,
através do Estado, manter controle sobre os monopólios decorrentes de uma
economia planificada. A ambição sem limite do PCCh ultrapassa em muito à das
religiões perversas comuns que simplesmente buscam se enriquecerem.

Em um país onde a propriedade é pública (socialista) e controlada por um só


partido (PCCh) as organizações do Partido concentram grande poder (através

175
A Campanha de Anexação de Terras integra o lado escuro das reformas econômicas
impulsionadas na China. Igual ao que ocorreu na Inglaterra durante a Revolução
Industrial (1760-1850), as terras da China atual aptas para a agricultura foram
demarcadas para criar regiões econômicas no âmbito dos condados, das cidades, das
províncias, em nível nacional. Como resultado desta ação, os agricultores chineses
perderam suas terras. Nas cidades e povoados, antigas áreas urbanas foram
confiscadas para criar zonas comerciais, e seus antigos habitantes receberam uma
indenização irrisória. Mais informações: http://www.uglychinese.org/enclosure.htm

142/182
dos comitês centrais e suas agência em seus diferentes níveis hierárquicos) e
controlam a infra-estrutura básica do país. As insaciáveis organizações do PCCh
controlam a máquina estatal e, assim, sacam recursos financeiros diretamente
dos cofres públicos em todos os níveis de governo. Como um vampiro, o PCCh
suga, das veias da nação, grande parte das riquezas do país.

II. Os danos causados pela perversa seita do PCCh

Todos sentem medo e indignação diante de tragédias como a: feita por Aum
Shinri Kyo (da Seita Verdade Suprema) que matou inocentes com sarin (um gás
venenoso) no Metrô do Japão; a Ordem do Templo Solar que, prometendo a
ascensão aos Céus, induziu ao suicídio seus seguidores; ou a seita do Templo
do Povo, de Jim Jones, que induziu ao suicídio mais de 900 de seus seguidores.
O PCCh, uma seita maligna, entretanto, foi capaz de cometer crimes cem mil
vezes piores e que resultaram em uma incalculável quantidade de vítimas.

A seita do mal se transformou em uma religião de Estado.

Na maioria dos países, se uma pessoa não segue uma religião, ela ainda pode
viver sua vida e ser feliz. Não é obrigada a ler os livros ou escutar os princípios
dessa religião. Entretanto, na China continental é impossível viver sem uma
constante exposição às doutrinas e a propaganda da seita do PCCh, dada a sua
condição de religião de Estado.

O PCCh começa a incutir sua seita política quando a pessoa ainda está no jardim
da infância ou na escola primária. Um indivíduo não chegará à universidade ou
subirá profissionalmente sem antes ser aprovado no Exame Político. Nenhuma
pergunta deste exame permite o pensamento independente. O postulante tem
que decorar as respostas padrão do PCCh se quiser ser aprovado. Infelizmente,
o chinês é obrigado a ouvir e repetir os sermões do PCCh desde criança. Isto
provoca uma lavagem cerebral nos indivíduos. Quando alguém do governo vai
ser promovido, seja membro ou não do PCCh, tem que freqüentar a Escola do
Partido. Até que não seja aprovado nesta escola ele não será promovido.

Na China, onde o Partido Comunista é uma religião de Estado, não é permitida a


existência de grupos com opiniões diferentes das do Partido. Até mesmo os
“partidos democráticos”, criados pelo PCCh meramente como vitrine política, e a
reformada Igreja dos Três Poderes é obrigada a reconhecer formalmente a
liderança do PCCh. Segundo a lógica da seita comunista, a lealdade ao Partido
vem antes de qualquer outra crença, é uma obrigação maior.

O controle social chega ao extremo.

Tal seita do mal conseguiu se tornar religião de Estado porque o PCCh exerce
um total controle social e priva o indivíduo de liberdade. É uma dominação sem
precedentes; o PCCh privou as pessoas da propriedade privada, uma das bases
da liberdade. Até a década de 1980, o único caminho para se ganhar a vida nas
cidades era trabalhando em empresas dirigidas pelo Partido. Os habitantes das
áreas rurais tinham que viver das terras que pertenciam às comunas do Partido.
Nada podia escapar ao controle do Partido. Em um país como a China, as
organizações do Partido são onipresentes: do governo central até as áreas rurais
mais remotas, passando pelas aldeias e pequenos povoados, tudo conta com
pelos menos uma organização do Partido. Este sufocante controle asfixia a
liberdade individual: liberdade de transito (impedida pelo sistema de registro de
residência), liberdade de expressão (500.000 “direitistas” foram alvos de
perseguição do PCCh por expressarem suas opiniões a pedido deste), liberdade

143/182
de pensamento (Lin Zhao e Zhang Zhixin176 foram executados por discordarem
do Partido) e liberdade de acesso às informações (é ilegal ler certos livros ou
escutar emissoras de rádio do “inimigo”; também se vigia o uso da Internet).

As pessoas dizem que agora a propriedade privada já é permitida pelo PCCh,


porém não podemos esquecer que esta política de reformas e abertura só
ocorreu quando no regime socialista chinês as pessoas quase não tinham o que
comer e a economia estava à beira do colapso. O PCCh foi obrigado a dar um
passo atrás para poder sobreviver. Entretanto, mesmo depois da reforma e
abertura, o PCCh nunca diminuiu o controle sobre o povo. A brutal perseguição
que ocorre contra os praticantes de Falun Gong só pôde ocorrer em um país
dominado pelo Partido Comunista. Se o PCCh conseguir se transformar em um
gigante econômico, como é seu desejo, sem dúvida intensificará seu domínio
sobre o povo chinês.

Apoiar a violência e desprezar a vida.

Quase todas as seitas do mal controlam seus seguidores ou exercem pressão


sobre eles. Entretanto, poucas fizeram uso de meios tão inescrupulosos e
violentos como o PCCh. As mortes causadas por todas as seitas perversas do
mundo, quando somadas, não se comparam com aquelas causadas pelo PCCh. A
seita do PCCh vê a humanidade apenas como um meio para que ela alcance sua
meta; matar não é mais do que mais um de seus métodos. Qualquer um,
inclusive membros e líderes do PCCh, pode se tornar alvo de perseguição.

O apoiou do PCCh ao Khmer Vermelho é um exemplo típico da brutalidade do


comunismo e de sua falta de consideração pela vida. Sob a inspiração e a guia
dos ensinamentos de Mao Tsé-tung, durante seu governo de três anos e oito
meses, o Partido Comunista cambojano, conduzido por Pol Pot, massacrou a
dois milhões de pessoas (um quarto da população do pequeno Camboja) para
assim “eliminar o sistema de propriedade privada”. Destes mortos, 200.000
eram descendentes de chineses.

Para que não sejam esquecidos os crimes cometidos pelo Partido Comunista e
lembradas as vítimas, o Camboja fez um museu para expor as atrocidades do
Khmer Vermelho. O museu fica onde era uma antiga prisão do regime. O local
concebido, originalmente uma escola secundária, foi transformado por Pol Pot
na prisão S-21 que foi principalmente usada para presos políticos. Muitos
intelectuais passaram seus últimos dias ali, onde foram torturados até a morte.
Junto com os aparatos de tortura estão expostas fotografias em preto e branco
de vitimas antes da execução. São mostradas barbaridades de todos os tipos:
gargantas cortadas, cérebros perfurados, crianças jogadas no chão para serem
em seguida assassinadas, entre outras. Todos estes métodos de tortura foram
ensinados pelos “peritos e especialistas” do PCCh enviados para apoiar o Khmer
Vermelho. O PCCh inclusive treinou fotógrafos para tirarem fotos de prisioneiros
antes de serem executados, isto para registro ou por pura satisfação.

Nessa Prisão S-21 que havia uma máquina para perfurar crânios e extrair
cérebros humanos para servirem de nutritivas refeições aos líderes do Partido
Comunista cambojano. Os prisioneiros eram amarrados em uma cadeira que
ficava na frente dessa máquina extratora de cérebros. A vítima extremamente

176
Dois intelectuais que o PCC torturou até a morte durante a Revolução Cultural por não
acreditarem nas mentiras do PCC e dizerem a verdade dos fatos.

144/182
apavorada aguardava o golpe de uma espécie de punção ou broca que descia e
perfurava velozmente a cabeça da pessoa e extraia eficientemente o cérebro
mesmo antes que a vítima morresse.

III. A natureza de seita do Partido Comunista.

O que faz com que o Partido Comunista seja tão perverso e tirânico? Quando o
espectro do Partido Comunismo surgiu, ele veio com uma missão de causar até
arrepios. No final do Manifesto Comunista há uma frase bastante conhecida:

“Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins.


Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela
derrubada violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes
tremam à idéia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a
não ser suas algemas. Têm um mundo a ganhar.”

A missão do espectro comunista é usar a violência para desafiar abertamente a


sociedade humana, para esmagar o velho mundo, “eliminar a propriedade
privada”, “abolir a individualidade burguesa, a independência burguesa, a
liberdade burguesa”, acabar com a exploração e com as famílias para que o
proletariado governe o mundo.

Este partido político, que fala abertamente sobre seu desejo de matar, destruir e
roubar, não só não desmentiu que seu ponto de vista é mal como também
declara com tom de satisfação o seguinte: “A revolução comunista é uma radical
ruptura com as relações tradicionais; portanto, não é de se estranhar que ela
implique numa ruptura radical com as idéias tradicionais”.

Qual a fonte dos pensamentos tradicionais da sociedade? De acordo com o


materialismo, os conceitos tradicionais provêm de leis da natureza e da
sociedade. Não resultam de princípios universais. Para aqueles que acreditam
em Deus, entretanto, as tradições humanas e os valores morais provêm do
divino. Independente de sua origem, a moral humana, as normas de conduta e
os parâmetros para julgar o bem e o mal são relativamente estáveis e, durante
milhares de anos, regularam o comportamento humano e a ordem social. Se a
humanidade perder tais padrões morais e a capacidade de discernir o bem e o
mal, é certo que ela se degenerará e o ser humano se igualará a um animal, não
é? Quando o Manifesto Comunista declara que, em essência, “rompe
radicalmente com as idéias tradicionais”, isso se torna uma ameaça à base de
uma existência normal da sociedade. O Partido Comunista é uma seita do mal
que corrompe e destrói a humanidade.

Todo o Manifesto Comunista, que estabelece os princípios do comunismo, está


cheio de declarações radicais e extremadas, sem um mínimo de bondade e
tolerância. Marx e Engels pensaram ter encontrado a lei do desenvolvimento
social através do materialismo dialético. Assim, pensando ter a “verdade” nas
mãos, eles questionaram tudo e a todos. Com obstinação impuseram a ilusão do
comunismo aos povos e não hesitaram em defender o uso da violência como
meio de destruir as estruturas sociais e as bases culturais vigentes. O que o
Manifesto Comunista deu ao Partido Comunista foi o seu ímpio espectro que se
opõe às leis dos Céus, corrói de forma arrogante a natureza humana, com
extremo egoísmo e sem limites.

145/182
IV. A teoria comunista sobre o fim do mundo - medo do Partido acabar.

Marx e Engels deram ao Partido Comunista seu espírito perverso. Lênin fundou o
Partido Comunista na Rússia e, empregando a violência dos patifes, derrubou o
governo de transição erguido depois da Revolução de Fevereiro177, sabotou a
revolução da burguesia russa, se apoderou do governo e conseguiu assim um
lugar onde a seita comunista pudesse se estabelecer. Entretanto, o êxito de
Lênin não deu ao proletariado o mundo e, ao invés disto, como declara o
primeiro parágrafo do Manifesto Comunista “Todas as potências da velha Europa
unem-se numa Santa Aliança para exorcizar (o espectro comunista)...”. Pouco
depois de surgir, o Partido Comunista enfrentou sua primeira crise de
sobrevivência e enfrenta o medo de desaparecer a qualquer momento.

Depois da Revolução de Outubro178, os comunistas russos, ou bolcheviques, não


trouxeram paz nem pão ao povo, apenas mortes injustificadas. A linha de frente
estava perdendo a guerra e revolução piorou ainda mais a situação econômica
da sociedade. Sendo assim, o povo começou a se rebelar. A guerra civil se
alastrou para todo o país e os fazendeiros se negaram a fornecer comida para as
cidades. Na área do rio Don, os cossacos se sublevaram, e a batalha contra o
Exército Vermelho resultou em um grande derramamento de sangue. As
violência e barbáries deste massacre são citadas na literatura: “Pacífico Don”, de
Mijail Sholojov, e outras obras do mesmo autor falam sobre o massacre. As
tropas comandadas pelo ex-líder do Exército Branco, Aleksandr Vailiyevich
Kolchak, e o general Anton Denikin estiveram próximas de derrotar os
comunistas. Já como uma força política recém surgida, o Partido Comunista
despertava a rejeição de quase todo o país, possivelmente porque a natureza da
seita comunista fosse demasiada perversa para ganhar o coração do povo.

A experiência do PCCh, na China, foi similar ao do seu par na Rússia. Desde o


Incidente de Mari e o Massacre de 12 de Abril179, até as repressões em áreas já
controlas pelos comunistas chineses, passando pelos 25.000 km da “Longa
Marcha”, o PCCh teve que conviver ao longo de sua história com sucessivas
crises de sobrevivência.

O Partido Comunista surgiu determinado a destruir o velho mundo de qualquer


maneira. Assim que enfrentou um problema real: como sobreviver sem ser
eliminado. Esta se converteu na principal preocupação desta seita que, desde
sua concepção, teve que destinar sua maior atenção e esforços para isto. Com o
colapso do comunismo internacional, as crises de sobrevivência do PCCh se
agravaram. Desde 1989, seu medo de “ter chegado ao fim” cresce sem cessar.

V. A maior arma a sobrevivência da seita comunista: a luta brutal.

O Partido Comunista tem como regra inquebrantável sua disciplina de ferro, sua
exigência de lealdade total e seus princípios organizacionais. O juramento que
prestam os que entram no PCCh é o seguinte:

177
A Revolução da burguesia russa de fevereiro de 1917, que depôs o Czar.
178
A Revolução de Outubro - conhecida como Revolução Bolchevique - foi liderada por
Lênin e aconteceu em outubro de1917. O movimento matou os revolucionários da
classe capitalista que haviam deposto o Czar e sufocaram a revolução burguesa.
179
O Incidente de Mari e o Massacre de 12 de Abril se referem ao ataque do Kuomintang
ao PCC. O primeiro ocorreu em 21 de maio de 1927 na cidade de Changsha, província
de Hunan. O segundo ocorreu em 12 de Abril de 1927, em Shanghai. Em ambos os
casos, militantes e ativistas do PCC forma atacados, presos e mortos.

146/182
“Quero entrar para o Partido Comunista, defender a Constituição do Partido,
obedecer as suas regras, cumprir com as minhas obrigações como membro,
obedecer as decisões do Partido, acatar estritamente a disciplina do Partido, não
revelar seus segredos, manter-se leal ao Partido, trabalhar diligentemente e
dedicar minha vida à causa comunista, estar disposto a sacrificar tudo pelo
Partido e pelo povo, e jamais trair o Partido”. (Veja a Constituição do PCCh,
capítulo I, artigo sexto).

O PCCh chama de “senso de natureza partidária” a este espírito de devoção à


seita do Partido. Ele pede que cada um de seus membros esteja disposto a
abandonar suas crenças e valores pessoas para obedecer a vontade do Partido e
de seus líderes. Se o Partido quiser que alguém seja tido como bom, este será
tido como bom; se o Partido quiser que alguém faça o mal, ele terá que fazer
mal, seu membro não terá outra opção a não ser fazer o mal. Se não o fizer, a
pessoa não cumprirá os requisitos exigidos para ser um membro do Partido já
que não demonstra um forte “senso de natureza partidária”.

Mao Tsé-Tung disse: “A ideologia marxista é uma ideologia de luta”. Para


exercitar e manter aceso o “senso de natureza do Partido”, o PCCh adota o
método de provocar periodicamente disputas dentro do Partido. Mediante a
criação de lutas e disputas violentas dentro e fora do Partido, o PCCh consegue
eliminar seus opositores e assim criar o terror vermelho. Ao mesmo tempo, o
PCCh elimina seus próprios membros para, deste modo, tornar mais rígidas as
regras de sua seita e fazer com que seus membros, pelo medo, alimentem a
natureza do Partido e, como conseqüência disto, reforçar a capacidade de luta
do Partido. Tudo isto se constitui na maior arma para prolongar a vida do PCCh.

Entre os líderes do PCCh, Mao Tsé-Tung era aquele mais apto para utilizar o
método das ferrenhas disputas dentro do Partido. Este método começou na
década de 1930, nas áreas controladas pelos comunistas chineses, conhecidas
como Área Soviética.

Em 1930, Mao Tsé-Tung iniciou uma grande onda de terror revolucionário na


província de Jiangxi, na Área Soviética: as purgas da Aliança Anti-bolchevique
(AB). Milhares de soldados do Exército Vermelho, membros do Partido e da
Aliança, além de civis das bases comunistas, foram brutalmente assassinados.
Isto se deveu ao despótico poder de Mao. Uma criada a Área Soviética na
província de Jiangxi, Mao teve que enfrentar um levante, liderado por Li Wenlin,
feito pelo Exército Vermelho local e pelas organizações do Partido da região
sudeste de Jiangxi. Mao não podia ter uma força de oposição organizada bem
diante de seu nariz e usou os métodos mais extremos para acabar com os
membros do Partido suspeitos de opositores. Para criar um clima capaz de
permitir a purga, Mao não hesitou em começar pelas tropas que estavam sob
seu comando direto. No final de novembro e meados de dezembro de 1930, o
Primeiro Regimento de Infantaria do Exército Vermelho, foi submetido a uma
“rápida retificação militar”. Foram formados grupos pata purgar os contra-
revolucionários em todos os níveis do exército: divisão, regimento, batalhão,
companhia e pelotão; assim, foram presos e executados os membros do PCCh
que pertenciam a famílias de proprietários de terra ou camponeses prósperos,
ou aqueles que se queixavam. Em menos de um mês, dos 40.000 soldados do
Exército vermelho, 4.400 foram identificados como “elementos da Aliança Anti-
bolchevique 180”, entre eles mais de 10 capitães. Todos foram executados.
180
Em 1930, Mao ordenou que o Partido matasse milhares de membros do PCC – de
soldados do Exército Vermelho a civis inocentes da província de Jiangxi – para
consolidar seu poder nas regiões controladas pelo PCC. Para maiores informações

147/182
Mao também não esqueceu de castigar seus dissidentes ou opositores na Área
Soviética. Em dezembro de 1930 deu ordens a Li Shaojiu, secretário geral do
Departamento de Política Geral da Infantaria do Exército Vermelho e também
presidente do Comitê de Purga, de ir até a cidade de Futian, província de Jiangxi,
onde ficava a sede do governo comunista. Li Shaojiu prendeu os membros do
Comitê de Ação da Província, entre estes Duan Liangbi e Li Baifang. Usou os
mais variados métodos de tortura como espancar e provocar queimaduras nos
corpos; as vítimas ficavam com ferimentos em todo o corpo, com dedos
quebrados, múltiplas queimaduras ou paralíticos. Segundo registros da época,
os gritos dos torturados eram tão fortes que “alcançavam os Céus”; as torturas
eram insanas e desumanas ao extremo.

Em 8 de dezembro, quando as esposas de Li Baifang, Ma Ming e Zhou Mian


foram visitar seus esposos presos, foram detidas com a alegação de serem
membros da Aliança Anti-bolchevique e submetidas a brutais torturas. Elas
receberam pancadas de todos os tipos; queimaram seus órgãos íntimos e
arrancaram seus seios com faca. Sob o efeito dessas torturas, Duan Liangbi
disse que Li Wenlin, Jin Wanbang, Liu Di, Zhou Mian, Ma Ming e outros eram
líderes da Aliança Anti-bolchevique e que havia muitos outros membros desta
aliança infiltrados nas escolas do Exército Vermelho.

Somente entre 7 e 12 de dezembro, durante a severa purga de Futian, em


apenas cinco dias, Li Shaojiu e seus homens prenderam mais de 120 acusados
de integrar a Aliança Anti-bolchevique além de dezenas de líderes contra-
revolucionários; foram executadas mais de 40 pessoas. Os cruéis atos de Li
Shaojiu desaguaram no Incidente de Futian181, que ocorreu em 12 de dezembro
de 193 e causou comoção na Área Soviética182.

Da Área Soviética até Yan’an, Mao aplicou suas teorias e métodos de luta, e
gradualmente conseguiu se impor como líder absoluto do Partido. Quando, em
1949, o PCCh subiu ao poder, Mao continuou a aplicar seus métodos de purga
dentro do Partido. Por exemplo, no Plenário da 8ª Reunião do Comitê Central do
PCCh (realizada em 1959, em Lushan) Mao Tsé-tung lançou um ataque
repentino contra Peng Dehuai e o destituiu de seu cargo183. Mao pediu a todos
os presentes no Plenário que se posicionassem quanto a isto; os poucos que se
atreveram a manifestar suas opiniões contrárias ao Mao foram acusados de
integrar o “bloco anti-PCCh de Peng Dehuai”. Durante a Revolução Cultural, os
“quatro veteranos” do Comitê Central do PCCh foram punidos um a um embora
não resistissem. Quem iria se atrever a desafiar Mao Tsé-tung? O PCCh sempre
valoriza, acima de tudo, a disciplina de ferro, a lealdade absoluta ao Partido e
seu princípios de organização; exige obediência total à hierarquia. A natureza
sangrenta da seita do PCCh ficou impressa nas suas constantes lutas políticas.

(em chinês): http://kanzhongguo.com/news/articles/4/4/27/64064.html


181
Liu Di, funcionário do 20º Regimento do Exército Vermelho, acusado de pertencer à
Aliança AB, encabeçou uma revolta na cidade de Futian acusando Li Shaojiu de
contra-revolucionário. O movimento tomou o controle de Futian e libertou mais de
100 presos acusados de integrar a Aliança AB, aos gritos: “abaixo Mao Tsé-tung”.
182
Da Investigação da História da Purga Feita por Mao Tsé-tung na Subdivisão AB na
Área Soviética, por Gao Hua.
183
Peng Dehuai (1989-1974), líder político. Peng foi o comandante chefe na Guerra na
Coréia, vice-premier do Conselho de estado, membro destacado do Politburo e
ministro da defesa entre 1954-1959. Foi destituído de seu posto após discordar das
opiniões de Mao no Plenário de Lushan (1959).

148/182
Durante a Revolução Cultural, Li Lisan, um antigo líder do Partido, foi levado ao
limite de sua resistência. Aos 68 anos, ele era submetido a interrogatórios umas
sete vezes por dia. Li Sha, sua esposa, foi considerada uma espiã a serviço do
“revisionismo soviético” e foi detida, seu paradeiro é desconhecido. Sem
esperança e em extremo desespero, Li Lisan se suicidou ingerindo pílulas para
dormir. Antes de morrer, ele escreveu uma carta a Mao Tsé-tung na qual refletia
sobre a natureza do Partido, segundo a qual um membro do PCCh não deve se
render, nem sequer estando à beira da morte:

Líder (Mao),

Estou a ponto de trair o Partido porque estou a ponto de me suicidar, e não


tenho como me defender de minhas acusações. Só há uma coisa que quero dizer
em meu favor: minha família e eu jamais colaboramos com os Estados inimigos.
Sobre este assunto, peço para que o governo central investigue e examine os
fatos, e tire conclusões baseado na verdade184....

Li Lisan - 22 de junho de 1967

Se de um lado a ideologia de luta de Mao Tsé-tung (traduzidas em campanhas)


mergulhou a China em uma carnificina sem precedentes, por outro lado, sua
filosofia de estimular disputas dentro do Partido, a “cada sete ou oito anos”,
permitiu a sobrevivência do PCCh. Tais campanhas de perseguição e eliminação
se basearam na idéia de que se uma minoria de 5% fosse perseguida, os 95%
restantes, ao testemunhar as violências, aprenderiam a lição de dar obediência
absoluta ao Partido. Isto aumentou o poder de coerção e destrutivo do Partido.
Tais campanhas (de luta) eliminavam qualquer força que ousasse se opor ao
Partido e também serviam para eliminar membros vacilantes que não estavam
dispostos a abrir mão de suas consciências. Tal método assegurava que só os
membros com maior disposição de luta e mais aptos para matar chegassem ao
mais alto escalão do Partido. Os líderes da seita do PCCh são, sem sombra de
dúvida, pessoas com grande experiência em lutar, são cheias do espírito do
Partido. Tais campanhas dão aos que as vivenciam uma “lição de sangue”, uma
violenta lavagem cerebral. Ao mesmo tempo, são uma injeção de energia que
revigora a fome de luta do Partido, assegura sua sobrevivência e evita que este
se torne moderado e recue diante do enfrentamento.

Tal natureza do Partido, imprescindível para ele, resulta das características de


sua seita. Para alcançar seus objetivos, o PCCh está determinado a acabar com
todos os valores tradicionais e combater sem hesitar qualquer força que esteja
em seu caminho. Assim, o Partido necessita adestrar e subjugar todos os seus
membros para que se convertam em ferramentas sem sentimentos, ou fé ou
compromisso com a justiça. A natureza do PCCh se originou do ódio que este
sente pela humanidade e sua tradições, da sua ilusória avaliação que faz de si
mesmo, e de eu extremo egoísmo e desprezo pela vida humana. Para alcançar
seu ideal, o PCCh emprega a violência a todo custo para subjugar o mundo e
eliminar seus opositores. Uma seita corrompida como esta encontra oposição
das pessoas de consciência, assim, o PCCh precisa apagar a consciência das
pessoas e seus pensamentos bondosos para que elas acreditem na doutrina do
mal de sua seita. Segundo a lógica do PCCh, a vida e os interesses do Partido
estão acima de tudo, inclusive os interesses coletivos de seus membros; assim,
cada membro deve estar preparado para se sacrificar pelo Partido.

184
De “Li Lisan: A pessoa que recebeu quatro homenagens no funeral”.

149/182
Se olharmos a história do PCCh, os indivíduos que preservaram o modo de
pensar dos intelectuais tradicionais (como Chen Duxiu e Qu Qiubai), que tiveram
em mente o bem das pessoas (como Hu Yaobang e Zhao Ziyang) ou que aspiram
ser funcionários exemplares e prestarem bons serviços ao povo, (como Zhu
Rongji), não importa o quanto eles contribuíram para o Partido ou o quão
despojado de ambições eles foram, inevitavelmente foram alvos de purgas, ou
postos de lado ou impedidos, pelas regras do Partido, de agirem.

O senso de natureza do Partido e aptidão para integrar o PCCh que os líderes do


PCCh aprenderam ao longo de anos de luta também incluem ceder terreno e
retroceder em situações críticas, já que por detrás de todo ato da seita está o
instinto de sobrevivência; este é seu interesse mais elevado. Seus membros
preferem se sacrificar ou fechar os olhos às atrocidades do Partido do que
colocar em perigo a sobrevivência do PCCh com atitudes humanas ou de
misericórdia. Este é um resultado do mecanismo de luta da seita comunista:
pessoas boas se convertem em ferramentas que o Partido utiliza segundo sua
conveniência, pessoas que adquiriram a natureza do Partido, que perderam a
consciência humana. Várias disputas internas derrubaram mais de 10 líderes dos
seus principias líderes ou seus prováveis sucessores; nenhum dos grandes
líderes do Partido tive um final feliz. Embora Mao Tsé-tung tenha sido senhor
absoluto por 43 anos, pouco depois de sua morte, sua esposa e sobrinho foram
presos, fato este comemorado pelo PCCh como uma grande vitória do maoísmo.
Comédia ou farsa?

Depois que o PCCh assumiu o poder, ocorreram incessantes manobras políticas


que levaram a lutas dentro e fora do Partido. Isto se deu durante a era Mao, e
também durante o período de “reforma e abertura” posterior a Mao. Nos anos
80, quando o povo começava a gozar de uma pequena dose de liberdade de
pensamento, o PCCh lançou a campanha de “Oposição ao Liberalismo Burguês” e
propôs os “Quatro Princípios Fundamentais185” com a finalidade de manter seu
poder absoluto. Em 1989, os estudantes que, de maneira pacífica, pediam uma
abertura democrática, foram massacrados. O PCCh não pode tolerar aspirações
democráticas. Os anos 90 testemunharam um aumento vertiginoso do número
de praticantes de Falun Gong – que acreditam em Verdade, Benevolência e
Tolerância – e isto desencadeou, em 1999, uma perseguição genocida. Aqui, o
PCCh não pode tolerar a natureza humana e os pensamentos bondosos. A seita
do PCCh precisa usar a violência para anular a consciência das pessoas e se
reafirmar no poder. Na mudança de século, a Internet permitiu a integração
global da comunicação, entretanto, o PCCh vem destinando grandes somas de
dinheiro para instalar mecanismos de controle e bloqueio do acesso à Internet
(liberdade de informação na Internet), isto porque o PCCh sente extremo medo
de que as pessoas tenham livre acesso à informação e aos fatos.

VI. A degeneração da seita maligna do PCCh.

A seita do mal do comunismo chinês governa em oposição à natureza humana e


aos princípios dos Céus. O PCCh é conhecido por sua arrogância, sua
ostentação, seu egoísmo e por seus atos brutais e sem limites. Pese que ele
tenha causado grandes desastres em inúmeras ocasiões, o PCCh nunca admitiu
ter errado; ele jamais revelaria ao povo sua verdadeira natureza. O PCCh nunca
hesitou em mudar seus slogans e lemas, e sua classificação de pessoas, uma
prática na qual se apóia grande parte de seu poder. O Partido fará o que for

185
Os Quatro Princípios são: a via socialista, a ditadura do proletariado, a liderança do
PCC, e o marxismo-leninismo e o Pensamento de Mao Tsé-tung.

150/182
necessário para se manter no poder, sem qualquer consideração pela moral,
justiça e vida humana.

A institucionalização e socialização desta seita do mal estão fadadas ao colapso


total. Com a centralização do poder, a opinião pública foi silenciada e agora já
não há mais mecanismos que refreiem o PCCh, assim, não restando qualquer
força que possa deter o PCCh em seu processo de corrupção e degeneração.

O PCCh de hoje se converteu em um partido que governa com um dos mais


elevados níveis de corrupção do mundo e desvio de recursos públicos. Segundo
estatísticas do próprio governo chinês, dos 20 milhões de funcionários, oficiais
e pessoas dos quadros do governo, nos últimos 20 anos, a justiça condenou 8
milhões por crime de corrupção, os quais receberam penas de acordo com as
regras do Partido ou governo. Estima-se que o total de funcionários corruptos
chegue a 2/3.

A obtenção de benefícios materiais mediante a corrupção e a extorsão se


converteu na força de coesão mais potente do PCCh de hoje. Os funcionários
corruptos sabem que se o PCCh cair, perderão a “galinha dos ovos de ouro”; eles
não só perderão seus cargos como também poderão ir para a cadeia. Em Ira dos
Céus, novela que fala sobre negócios ilícitos feitos pelos funcionários do PCCh,
Chen Fang, seu autor, sintetiza e revela na frase do seu personagem Hao
Xiangshou (um diretor assistente de uma secretaria municipal do governo
comunista) o maior segredo do PCCh: “A corrupção estabilizou o nosso poder
político”.

O povo chinês sabe que: “Se lutarmos contra a corrupção, o Partido cairá; se não
lutarmos, a nação se arruinará”. O PCCh, entretanto, não quer arriscar seu
próprio destino combatendo a corrupção. O que ele fará será sacrificar uns
poucos corruptos para tentar limpar a imagem do Partido. Ao custo de um
pequeno número de corruptos, o Partido estenderá sua vida por mais alguns
poucos anos. Hoje, o único objetivo da seita do mal é se manter no poder e
sobreviver.

Na China de hoje, a ética e a moral se degeneraram a ponto de acabarem. Há


produtos de má qualidade, prostitutas, drogas, quadrilhas, gangues, sindicatos
do crime organizado, trapaças, suborno etc.; predomina a corrupção de todo
tipo. O PCCh fechado os olhos a toda esta corrupção. Muitos funcionários de
alto escalão são os que extorquem e abrigam esses esquemas de corrupção. Cai
Shaoqing, da Universidade de Nanjing, estudioso da máfia e de organizações
criminosas, calcula que hoje o número de pessoas na China envolvidas com o
crime organizado supera a um milhão de pessoas. Cada vez que um criminoso é
pego, ele expõe algum tipo de conexão com juizes, policiais ou funcionários do
governo comunista.

O PCCh teme que o povo chinês adquira consciência e senso moral; por esta
razão ele não permite a fé religiosa ou a liberdade de pensamento. Emprega
todos os recursos à mão para perseguir pessoas boas que professam fé, como
os cristãos que têm que esconder sua crença em Deus, os praticantes de Falun
Gong que buscam ser Verdadeiro, Benevolentes e Tolerantes. O PCCh teme que
a democracia acabe com seu regime de único partido e, por isso, não permite
que o povo exerça sua liberdade política. Não hesita em enviar para prisão os
progressistas independentes e os militantes de direitos civis. Além disto, dá uma
falsa liberdade ao cidadão: desde que você não se ocupe de assuntos políticos
ou não questione a liderança do PCCh, você pode fazer o que quiser ainda que
sejam atos maus ou antiéticos. Como resultado disso, hoje, o PCCh sofre um

151/182
profundo processo de degeneração e a sociedade chinesa vive uma decadência
moral sem precedentes.

A frase “O caminho para os Céus está fechado e as portas para o inferno


abertas” descreve com precisão o estado de degeneração que a sociedade
chinesa chegou com a chegada da seita do mal do PCCh.

VII. Reflexões sobre o governo do mal do PCCh.

O que é o Partido Comunista?

Esta pergunta de aparência simples não tem uma resposta simples. Sob a falsa
alegação de existir “para o povo” e sob o disfarce de um partido político, o
Partido Comunista conseguiu enganar a milhões de pessoas. Não se trata de um
partido político no sentido comum da expressão, e sim de seita perversa, nociva
e possuída por um espectro do mal. O Partido Comunista é um ente com vida
própria que se manifesta neste mundo através das organizações do Partido. O
que verdadeiramente habita e controla o Partido Comunista é um espectro do
mal que se apoderou dele e que determina sua natureza perversa.

Os líderes do Partido Comunista atuam como gurus dessa seita, são os porta-
vozes do espectro e do Partido. Quando seus desejos e objetivos coincidem com
os desse espectro do mal e podem ser usados por este para conseguir seus
objetivos, eles são escolhidos como líderes. Porém, quando eles deixam de
atender as necessidades do Partido, são impiedosamente descartados. Mais de
uma dúzia dos grandes líderes do Partido caíram em desgraça, fato que
confirma isto. Na realidade, as principais lideranças do Partido caminham sobre
uma corda bamba. Alguns poucos conseguem se afastar da linha do Partido e
deixar um bom nome na história, como Gorbachov, muitos serão vítimas do
Partido como vários de seus secretários gerais. Os mecanismos de disputa do
Partido asseguram que somente os mais astutos, maus e cruéis é que podem
exercer a função de guru da seita comunista.

O povo é alvo da opressão e escravização do Partido. No governo comunista, o


povo não tem como se defender. Ao contrário, é forçado a aceitar a liderança do
Partido e obrigado a mantê-lo. É vitima de periódicas lavagens cerebrais pelas
quais se incutem as idéias da seita, às quais o povo deve se submeter sob a
coerção do Partido. Toda a nação é forçada a aceitar a seita do Partido e mantê-
la com seu suor. Isto já quase não acontece no mundo de hoje; se deve
reconhecer o inigualável talento do PCCh para exercer tal opressão.

Os membros do Partido formam uma massa física que preenche o corpo do


Partido. Muitos de eles são pessoas honestas e bondosas, e até reconhecidos
por suas vidas públicas. São estas pessoas que o Partido mais gosta de recrutar,
já que ele pode usar a reputação e idoneidade delas para melhorar sua imagem.
Muitos outros, querendo se tornar oficiais ou desfrutarem de um status social
maior, trabalham duro para pertencer ao Partido e colaborar com esse ente
perverso. Também há aqueles que ingressam no Partido para subirem na vida e
sabem que isto é muito difícil de conseguir sem ser do Partido. Outros
simplesmente buscam o Partido porque querem obter uma moradia ou prestígio.
Ente as dezenas de milhões de membros do PCCh, claro, há pessoas boas e más.
Independentemente dos motivos pelos quais entram para o Partido, uma vez
que elas juram lealdade à causa comunista, querendo ou não, elas devem
devotar suas vidas ao Partido. Você então passa por um processo de lavagem
cerebral mediante reuniões semanais de estudo político. Como resultado desta
doutrinação, um significante número de membros do Partido não tem mais

152/182
pensamentos próprios e são facilmente controlados pelo espectro perverso do
PCCh. Tais pessoas, como células de um corpo, trabalham incansavelmente para
tornar a vida do Partido possível, ainda que elas mesmas façam parte dos
escravizados. Mais triste ainda é que uma vez que alguém é escravo da natureza
do Partido, fica muito difícil se livrar dela. Uma vez que a pessoa mostra seu
lado humano, ela se torna alvo de purgas ou perseguições. A pessoa não pode
deixar o Partido por conta própria ainda que queira, porque o Partido, com sua
política de entrada livre e saída proibida, irá considerar que a pessoa é uma
traidora. Por isso, as pessoas mostram uma natureza dupla: na vida política,
mostram a natureza do Partido Comunista e, em na vida comum, a natureza
humana.

Os membros ligados aos quadros do Partido são aqueles que detêm o poder
entre os demais membros comuns. Embora possam escolher entre o bem e o
mal e tomar as próprias decisões em determinadas ocasiões, em geral, têm que
acatar as vontades do Partido. O juramento deixa claro que “todo o Partido
obedece ao Comitê Central”. Nos quadros do Partido estão os líderes nos
diversos níveis; são a coluna vertebral do Partido. Como um todo, eles são
meras ferramentas do espectro. Do mesmo modo que o povo, eles também
foram enganados, são usados e foram vítimas do PCCh durante suas recentes
manobras políticas. O PCCh busca testar cada um de seus membros para saber
se ele segue ou não seus gurus e se sua devoção é sincera.

Por que o povo segue tal seita sem se dar conta?

O PCCh tem agido de forma corrupta e perversa ao longo de seus mais de 50


anos de governo sobre a China. Então, como pode o povo ainda não ter
percebido a natureza perversa do PCCh? Por acaso os chineses são idiotas? É
claro que não. A China é a nação de maior sabedoria do mundo, e tem uma rica
tradição cultural de mais de 5.000 anos. Entretanto, vive sob o regime do PCCh,
com medo de expressar o seu descontentamento. A resposta a questão está no
controle que o PCCh exerce sobre a mente das pessoas.

Se o povo chinês tivesse liberdade de expressão e pudesse falar sem restrições


sobre as vantagens e desvantagens do PCCh, pensamos que há muito tempo já
teria descoberto natureza má do PCCh e já teria se livrado da influência desta
seita do mal. Infelizmente, o povo chinês perdeu a liberdade de se expressar e
pensar faz mais de meio século, quando o comunismo assumiu ao poder na
China. O principal propósito da perseguição aos intelectuais “direitistas” em
1957 foi acabar com a liberdade de expressão e dominar a mente das pessoas.
Privados de liberdades fundamentais, a maioria dos jovens que durante a
Revolução Cultural estudaram apaixonadamente as obras de Marx e Engels,
ironicamente, foi qualificada de “facção anti-Partido” e, consequentemente,
perseguidos. Discutir os prós e os contra do PCCh simplesmente está fora de
questão.

Poucos chineses ousariam pensar o PCCh como uma seita do mal. Entretanto, se
estivessem dispostos a comprovar a veracidade da afirmação, os chineses -
baseadas em suas próprias experiências e nas experiências de familiares e
amigos - não teriam dificuldades para encontrar evidências que de que o PCCh é
uma seita do mal.

O povo chinês não somente não tem liberdade de expressão como também foi
doutrinado com os ensinamentos e a cultura do Partido. Assim, tudo o que o
povo pode ouvir são apenas louvores ao Partido, e sua mente esta habitada de
idéias que fortalecem o PCCh. O Massacre na Praça Tiananmen é um caso que

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fornece material para reflexão. Quando em 4 de junho de 1989 se ouviram
disparos de tiros, as pessoas que estavam na Praça correram instintivamente e
se esconderem nos arbustos. Instantes depois, apesar dos riscos, saíram de
onde estavam escondidas e, juntas, começaram a cantar “A Internacional”
comunista. Estes chineses mostraram grande coragem e dignidade; porém, por
que cantaram A Internacional, o hino do comunismo, quando se viram diante
das matanças do próprio comunismo? A razão é simples. Educadas sob a cultura
do Partido, esta pobre gente jamais recebeu outra coisa que não o comunismo.
As pessoas que estavam na Praça Tiananmen não conheciam outra canção que
não A Internacional e algumas outras em louvor ao Partido Comunista.

Qual a saída?

Faz tempo que o PCCh marcha em direção à própria destruição. Infelizmente,


insiste em ligar seu destino ao da nação chinesa.

O agonizante PCCh se mostra cada vez mais fraco e seu controle sobre a mente
das pessoas está perdendo força. Com o avanço das telecomunicações e
Internet, está cada vez mais difícil para o PCCh impedir o acesso à informação e
a liberdade de expressão. Enquanto seus funcionários corruptos continuam a
roubar e oprimir pessoas, o povo começa a despertar de sua ilusão sobre o
PCCh, e muitos já começam a praticar a desobediência civil. O PCCh não
somente não consegue sustentar ideologicamente sua perseguição a Falun Gong
como também se mostra enfraquecido quanto a poder acionar sua crueldade
brutal. Este momento oportuno tem levado muitas pessoas a reconsiderarem
sua opinião sobre o PCCh, um processo que levará o povo chinês a despertar de
sua letargia ideológica e assim se libertar do maléfico espectro comunista.

Após viver mais de 50 anos sob a ditadura do PCCh, o povo chinês não necessita
de mais uma revolução violenta e sim de redimir suas almas. Isto é algo que
pode ser alcançado ajudando-se a si mesmo. O primeiro passo para isto é tomar
consciência da natureza má do Partido. Dia virá em que o povo expulsará do
aparato estatal as organizações do PCCh que se aderiram e este; isto permitirá
que os sistemas sociais funcionem com independência e respaldo da sociedade.
Com o fim de um partido ditatorial, a eficiência do governo melhorará. Este dia
se aproxima. De fato, nos anos 80, os reformadores dentro do Partido já falavam
em “separar o Partido do governo”. As tentativas de reforma dentro do PCCh não
vão adiante, já que a idéia de “liderança absoluta do Partido” ainda existe entre
os membros da seita.

A cultura do Partido gera o ambiente necessário à sobrevivência do culto do mal


da seita comunista. Como vimos, há alguns indícios de que o PCCh pode não
conseguir mais manter sua possessão sobre os administradores do Estado;
entretanto, é mais difícil acabar com sua possessão sobre o povo, porém este é
o único caminho possível para arrancar a erva daninha do comunismo pela raiz.
Isto é algo que só pode ser conseguido com o esforço do próprio povo chinês.
Livrando a mente e a natureza humana do controle das garras da seita, o povo
voltará a viver moralmente e poderá ter sucesso na transição para uma
sociedade não comunista. A chave para o exorcismo dessa possessão maléfica
do PCCh reside em identificar e expor a natureza desse espectro do mal para,
assim, o PCCh ficar sem um lugar onde se refugiar e de onde possa fazer mal ao
povo. O Partido Comunista enfatiza a dominação ideológica já o próprio
comunismo não é nada mais do que uma ideologia. Tal ideologia se dissipará da
mente do povo quando este perceber a falsidade do comunismo, a cultura

154/182
perversa do Partido e a influência maléfica do espectro que existe nele. Assim
que o povo se redimir, o PCCh se desintegrará.

As nações governadas pelo comunismo estão associadas à pobreza, ao


totalitarismo e ao desrespeito aos direitos humanos. E só restam poucas: China,
Coréia do Norte, Vietnã e Cuba, entre principais. Os dias destes regimes estão
contados.

Quando se libertar da possessão comunista, com a sabedoria do povo chinês e a


inspiração da gloriosa história da nação chinesa, a China terá um futuro
promissor.

Conclusão

O PCCh deixou de acreditar no comunismo. Sua alma morreu; permanece


apenas sua sombra. Ainda que só conserve sua pele de comunismo, o PCCh
ainda manifesta as características da seita do mal: arrogância, ostentação e
egoísmo, assim como indulgência frente à violência inaceitável. Herdeiro do
comunismo, o PCCh nega os princípios dos Céus e se opões à natureza humana.

Hoje, o PCCh segue governando a China com suas táticas de luta, aperfeiçoadas
durante anos, com seu sistema de organização reflexo da possessão do Partido,
assim como com o uso perverso da propaganda, que funciona como religião de
Estado. Os seis traços do Partido não deixam margem de dúvida: trata-se de
uma seita diabólica que só faz o mal, nenhum bem.

Na medida em que se aproxima do seu fim, acelera o ritmo em que a seita


comunista se corrompe e degenera. O maior problema é que o PCCh fará o que
for preciso para arrastar a nação chinesa com ele em sua queda no abismo.

O povo chinês precisa se ajudar, precisa refletir e assim se livrar o mal que é o
PCCh.

155/182
Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês (PCCh).

Parte 9 – O Nono dos Nove Comentários

Original em chinês, publicado em 19 de novembro de 2004.

Sobre a Natureza Inescrupulosa do Partido Comunista Chinês.

Um policial prende um praticante de Falun Gong que, em 11 de maio de 2000,


faz um apelo pacífico na Praça Tiananmen
(AFP/GettyImages).

156/182
Introdução

O movimento comunista, que esteve em plena forma por quase um século,


trouxe apenas guerras, brutalidade, pobreza e ditadura. Com a queda da União
Soviética e dos partidos comunistas da Europa oriental, este atroz flagelo
finalmente entrou, no final do século passado, em sua etapa final. Praticamente
ninguém, do cidadão comum ao secretário geral do Partido Comunista, ainda
acredita no mito do comunismo.

O regime comunista não surgiu de um mandato divino186 ou de escolha


democrática. Hoje em dia, com sua ideologia em ruínas, a legitimidade do
reinado do comunismo enfrenta um desafio sem precedentes.

O Partido Comunista Chinês, PCCh, se recusa a abandonar o cenário histórico de


acordo com a evolução da história. Ao contrário, segue utilizando seus métodos
selvagens, desenvolvidos ao longo de décadas de campanhas políticas, para dar
vida a sua luta desenfreada para alcançar legitimidade e tentar ressuscitar seu
poder já extinto.

As políticas de reforma e abertura promovidas pelo PCCh escondem o seu


desejo desesperado de se manter como organização e de manter seu poder
autoritário. Pese o fim de severas restrições, as conquistas econômicas através
do trabalho árduo do povo chinês nos últimos 20 anos não foram suficientes
para convencer o PCCh a guardar sua faca de carniceiro. Ao contrário, o PCCh
tomou como suas tais conquistas e as usou para dar substância à sua gestão:
engana e confunde para camuflar a falta de princípios que caracteriza sua
conduta. Mais alarmante é que o PCCh está conseguindo destruir as bases
morais da nação chinesa e, assim, usar os cidadãos chineses numa conspiração
que lhe permite sobreviver no tempo.

O momento histórico atual é de especial importância para entendermos que o


PCCh age como uma quadrilha e para expor sua natureza perversa. Com isto, a
nação chinesa poderá obter estabilidade e paz duradoura, viver uma era sem o
PCCh e construir um futuro de renovado esplendor.

I. A natureza inescrupulosa do PCCh permanece inalterada

Para quem é feita a reforma do PCCh?

Ao longo da história, sempre que o PCCh enfrentou uma crise, ele mostrou ter
melhorado e, assim, fazendo com que o povo se iludisse quanto a ele. Sem
exceção, todas estas ilusões se desfizeram uma após a outra. Hoje, o PCCh fixou
um objetivo de curto prazo e, com ele, produz um show de ilusória prosperidade
econômica que mais uma vez leva o povo a acreditar na fantasia comunista.
Entretanto, os conflitos fundamentais que existe na raiz dos interesses do PCCh,
da nação e do povo, fazem com que esta prosperidade esteja condenada ao

186
De acordo com o pensamento confuciano, os imperadores e reis governam segundo
um mandato dos Céus e, para fazerem jus a tal autoridade, suas conquistas morais
devem corresponder à responsabilidade suprema que lhes foi dado. Pode-se encontrar
pensamento similar em Mencius. No verso "Quem concede o poder ao imperador?",
quando perguntando sobre quem concedia na Terra a autoridade para que o imperador
Shun governasse na Terra, Mencius responde: "Os Céus". A idéia da origem divina do
poder também pode ser encontrada na ocidental tradição cristã. Na Bíblia, em
Romanos 13:1, se pode encontrar: "Toda a alma esteja sujeita às potestades
superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que
existem foram ordenadas por Deus".

157/182
fracasso. A "reforma" prometida pelo PCCh serve a um só propósito: se manter à
frente do poder. Trata-se de uma reforma débil, uma mudança na superfície,
mas não no conteúdo. Escondida por detrás insustentável se esconde uma crise
social sem proporções. Uma vez que esta crise venha á tona, o povo vai mais
uma vez sofre muito.

Com as mudanças de lideranças, a nova geração de líderes do PCCh não tomou


parte na revolução comunista e, por isto, seu prestígio e credibilidade para guiar
os destinos da nação diminuem dia após dia. Em meio a uma crise de
legitimidade, proteger os interesses do PCCh se tornou, pouco a pouco, na única
maneira de proteger os interesses pessoais de seus membros. A natureza do
Partido é egoísta. Não conhece limites. Esperar que uma organização assim se
dedique e se esforce sinceramente para desenvolver pacificamente o país é
somente mais uma grande ilusão.

O Diário do Povo, o porta-voz do PCCh, noticiou em um de seus artigos que de


primeira página de 20 de julho de 2004: "A dialética da história ensinou aos
membros do PCCh o seguinte: as coisas que devem ser mudadas, serão
mudadas, caso contrário, a decadência virá. As coisas que não precisam ser
mudadas não serão mudadas, caso contrário, isto levaria a auto-destruição".

O que deve permanecer sem mudar? O Diário do Povo explica: "A linha básica do
Partido de um "centro, dois pontos187" deve ser mantida sem vacilações por mais
cem anos”.

O povo nem sempre entende o que significa o "centro" e "os dois pontos", porém
sabe que o espectro comunista defenderá com unhas e dentes os seus
interesses e a ditadura nunca mudará. O comunismo foi derrotado no mundo, e
sua agonia é cada vez maior. O problema é que quanto maior o estado de
corrupção e degeneração de algo, mais destrutivo tende a ser esse algo quando
em estado agonizante. Pedir a democracia ao Partido Comunista é como
pretender e esperar que um tigre mude sua pele.

O que seria da China sem o Partido Comunista?

Ao mesmo tempo em que o declínio do PCCh se acentua, o povo descobriu, não


sem surpresa, que, por décadas, o espectro perverso do PCCh, como seus
métodos vis que mudam constantemente, conseguiu incutir seus elementos
maldosos em todos os aspectos da vida cotidiana das pessoas.

Quando Mao Tsé-tung morreu, foram muitos os chineses que choraram com
pesar diante da foto de Mao e se perguntaram: "O que será da China sem o líder
Mao?". Ironicamente, vinte anos depois, sem legitimidade para governar o país,
o Partido Comunista lança uma nova campanha de propaganda pela qual tenta
fazer o povo se preocupar diante de uma situação hipotética: "O que seria da
China sem o Partido Comunista?".

Na realidade, o controle político exercido pelo PCCh, com seu inigualável poder
de penetração, moldou profundamente a cultura chinesa e a forma de pensar
dos chineses, que até o critério com que o povo avalia e julga o PCCh tem a

187
O citado centro se refere ao desenvolvimento econômico, enquanto que os dois
pontos básicos são: [1] conservar os quatro princípios (via socialista, ditadura do
proletariado, liderança do PCC, e o marxismo-leninismo e o pensamento de Mao) e [2]
continuar com a reforma e a abertura econômica.

158/182
marca e o dedo do PCCh, se é que não foi criado diretamente pelo próprio PCCh.
No passado, o PCCh dominava o povo semeando suas idéias nas pessoas, agora,
o PCCh está colhendo o que semeou, já que aquilo que semeou nas pessoas
cresceu e se fortificou no povo. As pessoas pensam de acordo com a lógica do
Partido e até se colocam no lugar do PCCh para julgar o que está certo e o que
está errado. Com relação à matança de estudantes na manifestação de 4 de
junho de 1989, há pessoas que dizem: "Eu, no lugar de Deng Xiaoping, também
teria mandado tanques para reprimir a manifestação". Com respeito à
perseguição aos praticantes de Falun Gong, alguns dizem: "No lugar de Jiang
Zemin, eu também eliminaria Falun Gong". Sobre a proibição de liberdade de
expressão, alguns pensam: "Se eu fosse o PCCh, faria a mesma coisa". A verdade
e a consciência já desapareceram, o que resta é terreno livre para a lógica do
Partido. Este é um dos métodos mais cruéis e abomináveis que o comunismo
chinês empregou conduzido por sua natureza inescrupulosa. Enquanto as
toxinas morais do comunismo estiverem na mente das pessoas, o PCCh reunirá
condições e energia para prolongar sua iníqua existência.

"O que seria da China se o Partido Comunista deixasse de existir?". Esta forma
de pensar é a que melhor serve aos propósitos do PCCh de fazer com que o
povo pense conforme a própria lógica (de sobrevivência) do Partido.

A China veio de uma civilização de 5.000 anos, sem o Partido Comunista. Por
outro lado, nenhum país do mundo deteve o avanço de sua sociedade pela
queda de um regime comunista. Entretanto, após décadas de PCCh, as pessoas
ainda não se deram conta disso. A prolongada e permanente propaganda
comunista moldou o modo de pensar das pessoas para vejam o Partido como se
fosse mãe delas. A onipresente política do Partido leva as pessoas a acreditarem
que não existe vida sem o PCCh.

Sem Mao Tsé-tung, a China não desapareceu. A nação chinesa desapareceria


sem o Partido Comunista?

Qual a verdadeira fonte de caos?

São muitos os que conhecem e desaprovam a conduta perversa do PCCh, que


abominam sua política de luta e suas mentiras. Entretanto, ao mesmo tempo,
temem que reações do PCCh tragam agitação e instabilidade política e que esta
tome conta da China. Então, basta o PCCh mencionar a palavra perigo de "caos"
para que o povo se submeta silenciosamente ao regime e regras do PCCh e se
sinta indefeso diante do seu poder despótico.

Na realidade, com seus milhões de soldados e policiais armados, o PCCh é a real


fonte de caos. Os cidadãos comuns não têm a capacidade nem os meios para
iniciar tal agitação ou promover a instabilidade na China. Somente o retrogrado
Partido poderia ser tão imprudente a ponto de jogar o país no caos diante do
menor motivo ou indício de mudança. "A estabilidade está acima de qualquer
coisa" e "cortar pela raiz qualquer elemento de instabilidade" se tornaram lemas,
slogans e deram sustentação teórica para que ele reprima o povo. Mas, quem é a
maior causa de instabilidade na China? Não é o próprio PCCh, com seus
métodos tirânicos de subjugar o povo? O PCCh promove o perigo decorrente de
um clima de agitação para criar o medo na sociedade e assim impor sua
vontade. Uma conduta típica de criminosos.

159/182
II. O PCCh sacrifica o desenvolvimento econômico.

Apropria-se dos frutos do árduo trabalho do povo.

O PCCh tenta basear sua legitimidade em cima do desenvolvimento econômico


alcançado pela China nos últimos anos. Na realidade, entretanto, este
desenvolvimento só pode ser gradualmente alcançado depois que o próprio
governo comunista foi gradualmente liberando o povo de seus grilhões,
portanto, o PCCh não tem nenhum mérito neste desenvolvimento. Entretanto,
com já dito, o PCCh atribui a si o mérito do progresso econômico e pede ao
povo que seja grato por isto, como se este progresso não fosse possível sem sua
liderança. Todos nós sabemos que, na realidade, muitos países não comunistas
alcançaram este desenvolvimento muito antes da China.

Aos chineses que ganharam medalhas nas olimpíadas é pedido que agradeçam
ao Partido. O PCCh busca dar à China a imagem de uma "grande nação
desportiva" para receber elogios. A China sofreu um bocado com a epidemia
SARS, mas o Diário do Povo assegurou que o país derrotou o vírus "ao seguir a
teoria, os critérios, os princípios e a experiência do Partido". O lançamento da
nave espacial chinesa Shenzhou-V só foi possível com o trabalho de
especialistas no campo da astronomia e outras áreas da tecnologia, porém o
PCCh usa isto para provar que só ele poderia ter levado adiante semelhante
projeto e, assim, ter colocado a China entre os países mais poderosos do
mundo. Em lugar de ver a designação da China como sede dos Jogos Olímpicos
de 2008 como uma um "voto de confiança" dos países ocidentais à China para
que ela respeite mais os direitos humanos, o PCCh a usa como prova da
legitimidade de seu regime e como justificativa para reprimir o povo chinês. O
"enorme potencial do mercado chinês", cobiçado pelos investidores
estrangeiros, deriva da capacidade de consumo de uma população de 1, 3
bilhões de habitantes. O PCCh, tirando vantagem deste potencial, o usa como
arma afiada para coagir a sociedade ocidental a cooperar com seu regime e para
se promover às custa deste potencial.

O PCCh atribui a tudo o que ocorre de mal na China às forças reacionárias e a


motivos individualistas das pessoas, e atribui tudo de bom que ocorre à
condução e liderança do Partido. O PCCh fará uso de qualquer pequeno sucesso
para tentar fortalecer a legitimidade de seu regime. Até as coisas erradas feitas
pelo PCCh podem se tornar em algo que contribua para melhorara a imagem do
Partido. Por exemplo, quando a verdade da gravidade do alastramento da AIDS
se tornou alarmante e não puderam ser escondidas, repentinamente, o PCCh
criou uma nova identidade. Ele mobilizou sua máquina de propaganda,
mobilizando todos, desde artistas até o secretário geral do Partido, para
transformar o principal e verdadeiro culpado desse alastramento, o PCCh, no
salvador dos doentes, no destruidor do vírus e no inimigo da AIDS. Diante de
uma questão tão séria como está enfermidade, tudo o que o PCCh pode pensar
foi em usar essa epidemia para obter prestígio e melhorar sua imagem. Só um
degenerado como o PCCh seria capaz de uma conduta tão maldosa e
vergonhosa de buscar tirar proveito de uma situação tão difícil e ainda relegar a
vida humana a um segundo plano.

160/182
As desvantagens econômicas de ter uma visão curta.

Enfrentando uma séria crise de legitimidades, o PCCh impulsionou políticas de


reforma e abertura econômica na década de 1980 para se sustentar no poder.
Sua necessidade de sucesso imediato fez com que o PCCh colocasse a China em
uma situação de desvantagem, a qual os especialistas chamam da “maldição de
chegar tarde”.

Este conceito se aplica aos países subdesenvolvidos, os quais, pelo


desenvolvimento tardio, podem imitar os países avançados em vários aspectos.
Esta imitação pode tomar duas formas: copiar o sistema social ou copiar os
modelos tecnológicos ou industriais. A primeira possibilidade é de difícil
implementação, porque reformar um sistema social afeta os interesses
estabelecidos de determinados grupos sociais ou políticos. Assim, os países
subdesenvolvidos tendem a imitar a tecnologia dos países mais desenvolvidos.
Embora esta imitação tecnológica possa produzir crescimento econômico
acelerado, também pode esconder riscos e inclusive fazer fracassar tal
desenvolvimento ao longo prazo. Há autores que focam a parte positiva deste
fenômeno e assim o chamam de “vantagem do recém chegado”.

A “maldição de chegar tarde”, um caminho para o fracasso, foi precisamente o


caminho seguido pelo PCCh. Nas últimas duas décadas, a imitação tecnológica
conduziu a China a alguns sucessos, os quais o PCCh tomou em seu benefício
para se legitimar e frear a reforma política que ia contra os seus interesses.
Desta forma, sacrificaram os interesses de longo prazo da nação.

Um custo demasiado alto é pago para o desenvolvimento econômico do PCCh.

Embora o PCCh se gabe do progresso econômico, na realidade, atualmente, a


economia da China ocupa uma posição no ranking mundial que é pior do que
aquela que ela tinha na época do imperador Qianlong, da dinastía Qing. Durante
o mandato deste soberano, o Produto Interno Bruto (PIB) da China representava
51% do mundial. Quando em 1911 o Dr. Sun Yat-sem fundou a República da
China (Kuomintang, o período KMT), o PBI da China era 27% do total mundial.
Em 1923, este percentual caiu, porém era ainda de 12%. Em 1949, quando o
PCCh subiu ao poder, este percentual era de 5,7%. Em 2003, o PIB da China era
menos do que 4% do total mundial. O contraste reside que na queda dos índices
econômicos que ocorreram durante o governo do KMT se deveu a décadas de
ininterruptas guerras enquanto que a pronunciada decadência observada
durante o regime do PCCh se deu em tempos de paz.

Hoje, visando legitimar seu poder, o PCCh busca a qualquer preço o êxito rápido
e os benefícios instantâneos. A mutilada reforma econômica que o PCCh fez
para salvaguardar seus próprios interesses custa muito caro ao país. A
velocidade do crescimento econômico nos últimos vinte anos se baseou,
principalmente, sobre o uso excessivo ou a perda direta de recursos naturais;
vale dizer, foi obtida ás custas da destruição do meio-ambiente. Uma
considerável parte do PIB chinês de hoje é obtida através de sacrificar as
oportunidades das gerações de amanhã. Em 2003, a China contribuiu em menos
de 4% para a economia mundial, enquanto que seu consumo de aço, cimento e
outros materiais representam 1/3 do volume mundial188.

188
Informação da Agência de Noticias Xinhua, 4 de maço de 2004.

161/182
Dos anos 80 até os 90, a extensão das zonas que viraram desertos na China
aumento entre 1.000 e 2.4460 km2. As cifras das terras aptas para a agricultura
diminuíram de 2 mus por habitante em 1980 para 1,43 mus por habitante em
2003. O crescimento desmedido do confisco de terras para o desenvolvimento
levou a China a perder 100 milhões de mus de terras aptas para a agricultura em
poucos anos. Somente se utilizou 43% das terras confiscadas foram utilizadas.
Hoje em dia, a quantidade total de esgotos é de 43, 9 bilhões de toneladas, 82%
acima da capacidade ambiental. Nos sete maiores sistemas de rios, 40,9% da
água não são boas para o consumo humano ou animal. Em 75% dos lagos estão
tão contaminados que produzem vários graus de fertilização excessiva nas
águas189. Na China, o conflito entre o ser humano e a natureza tem um alcance
nunca antes visto. Nem a China nem o mundo estão em condições de suportar
um crescimento tal vertiginoso. Iludido pelo esplendor de arranha-céus e
mansões, o povo chinês não tem consciência da crise ecológica e ambiental que
está vivendo. Quando a natureza apresentar a conta aos seres humanos, as
conseqüências para a nação chinesa serão catastróficas.

Em contraste com a situação da China temos a Rússia que, desde que


abandonou o comunismo, leva adiante suas reformas políticas e econômicas ao
mesmo tempo. Depois de um breve período de sofrimento, entrou em um
desenvolvimento acelerado. De 1999 a 2003, o PIB da Rússia cresceu 29%. O
nível de vida de seus habitantes subiu de modo pronunciado. Os círculos de
negócios do Ocidente começam a falar em “milagre econômico russo” como
começam a investir no país, um novo centro pólo de investimento mundial. De
17º lugar no ranking das nações mais atraentes ao investimento em 2002, a
Rússia subiu para o 8º lugar em 2003 e, com isto, conseguiu pela primeira vez
na história estar entre os 10 principais países de destinação de capitais
estrangeiros.

Até a Índia, um país considerado pela maioria dos chineses como dominado pela
pobreza e conflitos étnicos, desfruta de um crescimento significativo e uma taxa
de crescimento entre 7 e 8% ao ano a partir de suas reformas econômicas de
1991. A Índia tem um sistema legal bastante completo em uma economia de
mercado, um sistema financeiro que goza de boa saúde, um sistema
democrático em franco desenvolvimento, e uma vida pública estável. A
comunidade internacional reconhece a Índia como um país com grande potencial
de desenvolvimento.

Por outro lado, o PCCh embarca em reformas econômicas sem reformas


políticas. Dar uma aparência de economia emergente permitiu impedir uma
natural “evolução de seus sistemas sociais” na China. Por ser incompleta, as
reformas na China são acompanhadas de desigualdades sociais crescentes e os
conflitos sociais se tornam agudos. Os benefícios financeiros que o povo obteve
não estão protegidos pro sistemas sociais estáveis. Além disto, no processo de
passar para as mãos privadas as propriedades do estado, os donos do poder do
PCCh têm usados suas influências e posições para encher seus bolsos de
dinheiro.

O PCCh engana os camponeses mais uma vez.

O PCCh se apoiou nos camponeses para conquistar o poder. Os residentes das


áreas rurais controladas pelo PCCh, em sua primeira etapa, deram tudo o que
tinham ao movimento comunista chinês. Porém, uma vez que o PCCh dominou
todo o país, os camponeses sofreram forte discriminação.
189
Informação da Agencia de Noticias Xinhua, 29 de fevereiro de 2004.

162/182
Quando o PCCh chegou ao governo, adotou um sistema muito injusto: o sistema
de registro de residências. Este classifica o povo em população rural e não rural.
Os camponeses não têm direito a assistência médica nem ao auxílio
desemprego nem a aposentadoria nem ao crédito bancário. Os camponeses õ a
classe mais pobre da China e, se isto é pouco, são os que pagam mais impostos.
Os habitantes rurais têm que pagar várias taxas e impostos: fundo obrigatório
de previdência, fundo de melhorias públicas e de administração, taxa de
educação, taxa para o controle de natalidade, taxa para organização e
treinamento dos militares, taxa para a construção de estradas rurais, e taxa para
indenizações de militares. Além destas obrigações, eles têm que vender uma
parte dos grãos colhidos para o Estado a um preço fixo e pagar impostos de
agricultura, imposto da terra, taxa especial de produção local e de comércio de
carnes, além vários outros. Em contraste, a população não rural não paga
nenhum destes impostos ou obrigações.

No início de 2004, o premier chinês, Wen Jiabao, emitiu o documento N° 1


declarando a que a china rural atravessa o pior momento desde o início da
reforma econômica em 1978. A renda da maioria dos camponeses havia
estagnado e até decaído. Eles tinham se tornados mais pobres e diferença de
renda entre residentes urbanos e residentes de áreas rurais continuava a
aumentar.

Para uma área de reflorestamento da província de Sichuan, as autoridades


distribuíram 500.000 yuanes (cerca de US$ 60.500) para um projeto de
reflorestamento. Para começar, os responsáveis pela área colocaram 200.000
yuanes nos próprios bolsos, só restando 300.000 para o projeto. Na medida em
que o dinheiro passava pelas várias instâncias do governo envolvidas os
recursos financeiros disponíveis para o projeto iam diminuindo, até que, no
final, sobrou muito pouco para os camponeses que eram os que realmente
plantariam as árvores. O governo nem ao menos tinha que se preocupar se os
camponeses iriam ou não se recusar a trabalhar no projeto por causa dos
poucos recursos que sobraram. A pobreza era tão extrema que os camponeses
trabalhariam em troca de qualquer quantia. Está é uma das razões porque os
produtos chineses são tão baratos.

Usar os interesses econômicos para pressionar os países ocidentais.

Muitas pessoas ainda acreditam que o comércio com a China irá promover os
direitos humanos, a liberdade de expressão e reformas democráticas no país.
Depois de mais de uma década, ficou claro que isto é somente a expressão de
um desejo. Uma comparação entre o modo como os negócios são feitos na
China e nos países ocidentais, serve como exemplo: A relativa transparência e
justiça nas sociedades ocidentais contrastam com o nepotismo, o suborno e a
corrupção na China. Muitas empresas ocidentais são responsáveis diretas por
esta situação ao exacerbarem a tendência de corrupção chinesa. Algumas
empresas até ajudam o PCCh a esconder suas violações aos direitos humanos e
a perseguição que promove ao seu próprio povo.

O PCCh atua como a Máfia quando usa questões economias para exercer
pressão nas questões diplomáticas. Se um contrato de fabricação de aviões será
dado à França ou aos Estados Unidos dependerá de qual destes dois países
ficará de boca calada sobre assuntos de direitos humanos na China. A vontade
de muitos homens de negócios e políticos do ocidente está sob o controle de
interesses financeiros da China. Algumas empresas de tecnologia da informação
dos Estados Unidos venderam ao PCCh produtos especiais para policiamento e

163/182
bloqueio da navegação na Internet. Para conseguir entrar no mercado chinês,
alguns websites (de busca), concordando a censura imposta a si mesmos,
aceitaram filtrar e impedir o acesso a informações que não são do agrado do
PCCh.

Segundo dados do Ministério de Comércio da China, até abril de 2004, a China


havia recebido um total de 900 bilhões de dólares de investimentos estrangeiros
através de vários contratos. Essa enorme “transfusão de sangue”, vinda do
estrangeiro para a economia do PCCh, é só aparente. Além disto, o capital
estrangeiro não ajudou a introduzir o conceito de democracia e a liberdade e os
direitos humanos como princípios fundamentais para a vida de um povo. O
PCCh tirando vantagem da ampla cooperação dos investidores e governos
estrangeiros e da adulação de alguns países faz propaganda visando fortalecer
sua posição junto à comunidade internacional. Usando a superficial
prosperidade econômica chinesa, os funcionários do PCCh se especializaram em
fazer negócios que entregam as riquezas do Estado e permitem frear qualquer
tentativa de reforma política.

III. As técnicas de lavagem cerebral do PCCh evoluíram do grotesco para


ingressar em uma etapa refinada.

Na China, é comum ouvir as pessoas dizerem: “Eu sei que era comum o PCCh
mentir no passado, mas agora ele diz a verdade”. Ironicamente, isto equivale a
dizer que as pessoas percebem cada vez mais que o PCCh cometeu graves erros
no passado. Está é mais uma mostra da habilidade de enganar que o PCCh
adquiriu através das décadas.

Com o tempo, as pessoas desenvolveram uma resistência às fábulas do PCCh. A


resposta do Partido Comunista foi refinar seus métodos de propaganda e
mentira: agora são mais sutis e profissionais. Evoluindo do embuste dos lemas e
slogans do passado, se converteram em técnicas refinadas de propaganda. Em
especial, com a censura e o bloqueio ao acesso às informações exercido na
China, o PCCh se dedica a inventar histórias baseadas em fatos parciais para
confundir o público, algo mais nocivo e enganoso que mentiras planas e fábulas.

Chinascope, um jornal chinês em idioma inglês, publicou um artigo em outubro


de 2004 no qual analisa casos onde o PCCh usou meios mais sutis para mentir e
encobrir a verdade. Quando em 2003 a epidemia de SARS surgiu na China
continental, o mundo suspeitava que o governo chinês estivesse ocultando
informações sobre a epidemia; entretanto, o PCCh se negava a reconhecer isto.
Para descobrir se o Partido Comunista tinha dito a verdade sobre a SARS, o autor
leu mais de 400 documentos noticiados no website Xinhua que foram
produzidos desde abril de 2003.

Os documentos contam o seguinte: nem bem surgiu a SARS, o governo central e


os governos locais mobilizaram especialistas que cuidaram dos enfermos, que
na medida em que se recuperavam, voltaram para seus locais de origem. Em
resposta aos criadores de boatos que incitaram as pessoas a acumularem
mercadorias para evitarem sair de casa quando a doença tivesse se espalhada, o
governo, sem perda de tempo, deteve tais rumores e tomou medidas para que
novos rumores não se espalhassem e assim restabeleceu a ordem social. Ainda
que alguns poucos grupos anti-China suspeitassem que o governo chinês
escondesse os fatos, a maioria dos países e do povo chinês deixou de acreditar
nos rumores. A Feira de Comércio de Guangzhou, de realização iminente na
época, ia contar com a maior participação de empresas da história. Turistas de

164/182
outras partes do mundo obtiveram confirmação de que era seguro viajar para a
China. Em particular, especialistas da Organização Mundial de Saúde (vitimas
das mentiras do PCCh) declararam publicamente que o governo chinês havia
atuado com presteza e tomado todas as medidas adequadas para erradicar a
SARS, que não havia qualquer tipo de perigo. Os especialistas deram seu aval
(após uma demora de 20 dias) para uma inspeção de campo na província de
Guangdong.

Esses mais de 400 documentos deram ao autor a impressão de que o PCCh


havia sido transparente durante aqueles 4 meses, que ele havia atuado com
responsabilidade na proteção da saúde da população e que não havia ocultado
nada. Entretanto, em 20 de abril de 2003, o Departamento de Informação do
Conselho de Estado disse em uma conferência de imprensa que, na verdade, a
SARS havia se espalhado na China. Assim, indiretamente admitiu que o governo
ocultou a verdade dos fatos sobre a epidemia. Só então o autor pode ver a
verdade e entender o alcance dos métodos de enganar e da maldade do PCCh,
que sem dúvida evoluíram no decorrer do tempo.

Durante as eleições gerais em Taiwan, o PPC, mediante as mesmas técnicas


refinadas e sutis, introduziu a idéia de que a eleição presidencial havia causado
uma catástrofe social: aumento da taxa de suicídio, queda na bolsa de valores,
“enfermidade estranhas” e transtornos mentais, êxodo de habitantes da ilha,
disputas familiares, atitudes de insensibilidade em relação à vida, depressão
econômica, ataques indiscriminados com armas de fogo nas ruas, protestos e
manifestações públicas, clima de instabilidade social, intrigas políticas e etc. O
PCCh diariamente incutia tais idéias na cabeça do povo da China continental
para fazê-las acreditarem que tais calamidades era o resultado das eleições e
que a China jamais deveria propor uma eleição democrática.

Na questão de Falun Gong, o PCCh mostrou um nível ainda maior para difamar e
incriminar a prática. O comunismo chinês montou uma série de encenações e
farsas, uma atrás da outra. Não é de se surpreender que tantas pessoas tenham
sido enganadas. A propaganda perversa do PCCh foi tão eloqüente e tão
enganosa que as vítimas acreditavam nas mentiras e pensavam que eles estavam
apresentando a verdade.

A lavagem cerebral que o PCCh exerce com sua propaganda nas últimas décadas
se tornou mais refinada e sutil ao iludir e enganar, um aspecto da inescrupulosa
natureza do PCCh.

IV. A hipocrisia do PCCh sobre a questão dos Direitos Humanos.

De usurpar da democracia para tomar o poder a fingir democracia para


governar com despotismo.

“Em uma nação democrática, a soberania deve repousar nas mãos do povo, estar
em conformidade com os princípios dos Céus e da Terra. Se um país se declara
democrático, porém a soberania não repousa sobre seu povo, esta não esta no
caminho certo; está errada e simplesmente não se trata de uma nação
democrática... Como pode se possível uma democracia se ela é feita sobre o
governo do Partido e não há eleições democráticas? Os direitos devem voltar ao
povo!”.

Estas palavras soam como as de um “inimigo estrangeiro” que pretende atacar o


PCCh, não é? Entretanto, estas palavras apareceram nas páginas do Diário de
Xinhua, órgão oficial do PCCh, de 27 de setembro de 1945.

165/182
O PCCh, que clamava por “eleições populares” e exigia “que os direitos do povo
voltassem para o seu legítimo dono”, rotulou o tema de sufrágio popular de
tabu desde que usurpou o poder. O povo que deveria ser “o soberano e dono do
Estado” não tem direito a tomar suas próprias decisões. As palavras são
incapazes de descrever a natureza inescrupulosa do PCCh.

Se alguém acha que o que passou, passou, e que a seita perversa do PCCh que
cresceu matando e governa a nação com mentiras é capaz de reformar-se, de
praticar a benevolência e de estar disposta a “devolver ao povo seus direitos”,
está equivocado. Vejamos o Diário do Povo, porta-voz do PCCh, disse em 23 de
novembro de 2004, 60 anos depois da declaração anterior: “Um controle rígido
sobre o pensamento é a base ideológica e política para consolidar o regime do
Partido”.

Recentemente, o PCCh propôs o “Princípio dos Três Não190", sendo o primeiro o


desenvolvimento sem discussões. A palavra “desenvolvimento” é completamente
falsa aqui, porém “sem discussão” reflete o conceito de uma “única voz” que o
Partido utiliza, é o propósito verdadeiro do comunismo chinês.

Quando em 2000 o destacado correspondente da CBS Mike Wallace perguntou a


Jiang Zemin porque na China não se convocava eleições populares, Jiang
respondeu: “O povo chinês tem um nível de educacional muito baixo”.

Entretanto, em 25 de fevereiro de 1939, o PCCh dizia em seu Diário Xinhua:


“Eles [o KMT] acreditam que a democracia não é algo aplicável à China de hoje,
só daqui a alguns anos. Pensam que para a democracia deve esperar até que o
conhecimento e a educação do povo alcancem níveis como os das sociedades
democráticas da burguesia da Europa e dos Estados Unidos... Porém, somente
em uma democracia o povo poderá ter acesso à educação e ao conhecimento”.

A hipócrita diferença entre o que foi dito no Xinhua em 1939 e o que expressou
Jiang Zemin em 2000 reflete a natureza do PCCh.

Com o Massacre de Tiananmen, feito em 1989, o PCCh voltou ao cenário do


mundo com um episódio deplorável de violação de direitos humanos. A história
deu ao PCCh duas opções: respeitar seu povo e avançar nas questões de direitos
humanos, ou seguir cometendo abusos enquanto finge ao mundo ser o guardião
dos direitos humanos das pessoas para assim evitar ser condenado pela
comunidade internacional.

Infelizmente, coerentemente com sua natureza despótica, o PCCh não hesitou


em ficar com a segunda opção. Reunião um grande número de pessoas
inescrupulosas, mas competentes nos campos da ciência e religião, e as instruiu
para que difundissem ao mundo informações enganosas sobre um fictício
avanço do PCCh no campo dos direitos humanos. Juntou uma série de falácias
como o “direito à sobrevivência”, o direito a teto e à comida. O argumento era o
seguinte: Quando o povo tem fome, acaso ele não exerce o direito de falar? Se o
povo que passa fome não fala, deveriam aqueles que não passam fome falem
em nome dos famintos? O PCCh tenta enganar o povo chinês e as democracias
ocidentais jogando com os direitos humanos, tendo a audácia de dizer que “hoje
190
O “Principio dos Três Não” foi proposto por Deng Xiaoping em 1979 para incentivar o
povo a expressar suas opiniões: Não rotular, não atacar e não apontar os erros. Esta
campanha lembra a feita por Mao, durante os anos 50 para que os intelectuais
revelassem suas idéias, a que se seguiu uma perseguição brutal sobre aqueles que se
animaram a falar. Atualmente, os “Três Não” refere-se ao “desenvolvimento sem
discussões, avanços sem debates e progresso sem interrupções”.

166/182
se vive o melhor momento dos direitos humanos na China”.

O artigo 35 da Constituição chinesa estabelece que os cidadãos da República


Popular da China têm liberdade de expressão, de imprensa, de reunião,
associação, protesto e manifestação. O PCCh faz simplesmente jogo de palavras.
Sob o governo do PCCh, um número incrível número de pessoas não podem
usufruir o direito de crença, expressão, imprensa, reunião e defesa legal. O
PCCh chegou a dar ordem para que as apelações jurídicas de determinados
grupos fossem consideradas ilegais. Em mais de uma ocasião ao longo de 2004,
alguns grupos civis solicitaram permissão para fazer manifestações em Pequim.
O governo não só não deu permissão como prendeu os membros desses
grupos. A política de “um país, dois sistemas” aplicada a Hong Kong e
referendada na Constituição do PCCh é outro ardil para distrair. O PCCh afirmou
que não haverá mudanças em Hong Kong nos próximos 50 anos e, ainda assim
quis unir os dois sistemas em um buscando tentando aprovar uma lei tirânica –
o artigo 23 da Lei Básica191 – apenas 5 anos depois de Hong Kong voltar às mãos
da China.

O novo truque sinistro do PCCh é “mitigar o discurso” para ocultar o alcance do


controle que exerce sobre tudo. Os chineses parecem que agora falam com mais
liberdade e, além disto, a Internet possibilita que as notícias cheguem mais
rápido. Assim, o PCCh alega que permite a liberdade de expressão, e muitas
pessoas acreditam nisto. É apenas uma falsa aparência. Não é que o PCCh tenha
se tornado benevolente, e sim que é incapaz de deter o desenvolvimento
tecnológico e o avanço social. Vejamos como o PCCh se comporta com relação à
Internet: bloqueia sites, filtra informações, monitora salas de bate-papos,
controla o correio eletrônico e incrimina navegantes da WEB. Tudo o PCCh faz é
repressivo por natureza. Hoje, com a ajuda de alguns capitalistas sem respeito
pelos direitos humanos e liberdade de consciência, o PCCh possui equipamentos
de lata tecnologia com os quais pode monitorar e policiar, de dentro de um
carro de patrulha, todos os movimentos de usuários da Internet. Quando
observamos no nível de degeneração que o PCCh chegou – que o leva a cometer
más ações a plena luz do dia – no contexto global de liberdades democráticas,
como ainda esperar avanço em direção aos direitos humanos? O PCCh disse
tudo quando falou: “Frouxo por fora e rígido por dentro”. A natureza
inescrupulosa do PCCh não mudará jamais.

A fim de causar uma boa impressão na Comissão de Direitos Humanos das


Nações Unidas, em 2004, o PCCh encenou estar avançando quanto aos direitos
humanos; encenou estar castigando supostos violadores dos direitos humanos.
Foram encenações montadas para os observadores estrangeiros; tudo mentira.
Na China quem mais viola dos direitos humanos é o próprio PCCh, é seu ex-
secretário geral Jiang Zemin, seu ex-secretário da Comissão Política e Judiciária,
Luan Gan, e seu vice-ministro da Segurança Pública, Zhou Yongkang e Liu Jing.
Tais encenações de se estar punindo violações dos direitos humanos foi como
um ladrão gritando “Pega ladrão!”.

Pode-se fazer uma analogia com um “serial violentador” que, escondido do


público violenta dez mulheres por dia e, quando há pessoas por perto, só

191
O artigo 23 da Lei Básica de Hong Kong foi proposto em 2002 pelo governo de Hong
Kong sob pressão de Pequim. O artigo sufocava a liberdade e os direitos humanos em
Hong Kong, e se opunha à política de “um país, dos sistemas” prometida pelo PCC. O
artigo 23 foi condenado em todo o mundo e finalmente tirado fora em 2003.

167/182
violenta uma mulher por dia. Podemos dizer que o violentador melhorou? Passar
a violentar às escondidas ao invés de publicamente só prova que o violentador é
pior e mais descarado do que antes. A natureza de ele não mudou de forma
alguma. A única coisa que mudou é a forma de violentar, pois já não é mais tão
fácil fazê-lo publicamente.

O PCCh é um serial violentador. A natureza ditatorial do PCCh e seu medo


instintivo de perder o poder fazem com que ele não respeite os direitos das
pessoas. Os recursos humanos, materiais e econômicos empregados para
ocultar violações de direitos humanos superam largamente os esforços para
verdadeiramente melhorar a situação dos direitos humanos. A indulgência do
Partido nos massacres e nas perseguições injustificadas em todo o território da
China tem sido uma grande desgraça para o povo.

O PCCh se veste de legalidade para assim cometer os mais perversos atos.

Para proteger os interesses de certos grupos, de um lado, o PCCh eliminou a


fachada anterior e abandonou à sorte os trabalhadores, camponeses e o povo, e,
por outro lado, progride em seus métodos de enganar e fazer maldades na
medida em que a comunidade internacional, mais e mais, doa abusos cometidos
pelo comunismo chinês no campo dos direitos humanos. Para confundir o povo,
O PCCh emprega termos como “estado de direito”, “mercado”, “para o povo” e
“reforma”. O Partido não consegue mudar sua natureza má mesmo quando se
veste ao estilo ocidental. Esta imagem confunde mais do que quando ele se
“vestia ao estilo de Mao”. No livro Rebelião doa Animais, de George Orwell,
publicado em 1945, os porcos aprendem a ficar de pé e andar sobre duas patas.
Esta habilidade deu aos porcos uma nova e boa imagem, porém sem mudar sua
natureza de porco.

A. Fazendo leis e normas que violam a Constituição chinesa.

São aprovados leis e decretos que violam a Constituição chinesa para que os
encarregados de fazer cumprir as leis possam impedir os esforços das pessoas
de deter as perseguições, de conseguir a liberdade e de defender os direitos
humanos.

B. Questões não políticas são conduzidas e resolvidas com fins políticos.

Uma simples questão social pode ser transformada pelo PCCh em: uma questão
de “disputar pessoas com o Partido”, “uma desgraça para o Partido e o país”,
“uma fator de agitação e instabilidade social” e “o fortalecimento das forças
inimigas”. O Partido pode, com segundas intenções, politizar uma questão não
política e assim justificar a mobilização de recursos e fazer propaganda para
incitar o ódio do povo à trabalho dos interesses do Partido.

C. Questões políticas são tratadas de forma desonesta.

O último ardil do PCCh contra aqueles que são a favor da democracia ou contra
intelectuais independentes foi criar armadilhas para prendê-los. Ardis como
fabricar falsas acusações de delitos civis como prostituição ou sonegação de
impostos. Os encarregados de fazerem tais acusações são recrutados entre as
pessoas comuns para evitarem a condenação ou crítica de grupos externos. Os
delitos fabricados e imputados às pessoas são suficientes para arruinar a

168/182
reputação do acusado e humilhá-lo publicamente.

A única mudança na natureza inescrupulosa do PCCh – se é que se pode


considerar uma mudança – foi se tornar mais nocivo e desumano.

O PCCh mantém cerca de 1 bilhão de pessoas reféns de sua lógica degenerada.

Imagine que um criminoso entra para roubar uma casa e violenta uma menina.
No julgamento, o criminoso se defende com a alegação de que não matou a
menina, que apenas a violentou. Pelo fato de matar se pior do que matar, o réu
sustenta que é inocente e que deve ser solto imediatamente. Também diz que as
pessoas deveriam tê-lo em estima pelo fato de ter violentado e não matado.

Tal argumento é absurdo, porém é o mesmo que o utilizado pelo PCCh para
defender o Massacre de Tiananmen feito por ele em 4 de junho de 1989. O
argumento foi que a “repressão aos estudantes” evitou um possível caos na
China. Para evitar o “caos interno”, a repressão era justificável.

“Matar ou violentar, o que é melhor?”. Um criminoso que faça tal pergunta ao um


juiz durante um julgamento é um insolente. Do mesmo modo, ao se julgar o
Massacre de Tiananmen, não se levou em conta se o PCCh e seus comandados
foram ou não culpados por matarem. Ao invés disto, perguntaram à sociedade o
que esta preferia: “A repressão aos estudantes ou o caos interno que levaria a
uma guerra civil?”.

O PCCh controla totalmente o aparato estatal e os meios de comunicação. Em


outras palavras, os 1,3 bilhão de chineses estão reféns do PCCh. Com tamanho
número de reféns, o PCCh pode sempre que quiser aplicar a sua “teoria para
reféns“: deve-se reprimir um pequeno grupo de pessoas para evitar que a nação
caia no caos e desastre. Com está carta na manga, o PCCh pode atacar à vontade
a qualquer indivíduo ou grupo, pois sempre terá uma justificativa. Usando uma
lógica enganosa e argumentos tão enganosos, há no mundo algum criminoso
mais desavergonhado que o PCCh?

A cenoura e pontapé: de conceder a “liberdade” a aumentar a repressão.

Muitos chineses acham que agora gozam de mais liberdade que antes, e se
mantêm esperançosos de que o PCCh melhore. De fato, o grau de “liberdade”
que o PCCh concede ao povo depende de sua percepção de crise. O PCCh fará o
que for preciso para manter os interesses coletivos do Partido, entre estas, dar
um pouco de democracia, liberdade e direitos humanos ao povo.

Entretanto, a liberdade do PCCh não conta com amparo na legislação. Tal


“agrado” dado ao povo é simplesmente uma ferramenta para enganar e dominar
o povo em meio a um cenário internacional em torno da democracia. Em
essência, uma verdadeira liberdade conflitaria irreconciliavelmente com a
ditadura do PCCh. Uma vez que o conflito excedesse o nível de tolerância do
Partido, este retiraria imediatamente tal liberdade. Na história do comunismo
chinês, houve vários períodos com certa liberdade de expressão, seguidos por
outros de rígido controle. Este padrão cíclico sempre ocorreu a longo da história
do partido e servem para demonstrar a natureza perversa do PCCh.

Em plena era da Internet, se alguém visitar o website oficial do PCCh, Xinhua, ou


o do Diário do Povo, verá informações negativos sobre a China. Isto se deve, de
um lado, ao fato de que hoje circula uma grande quantidade de informações
negativas na China e as agências de notícias precisam noticiar algumas para

169/182
manter certa credibilidade. Por outro lado, estas notícias importam ao PCCh já
que as críticas menores podem ser de grande ajuda. Estas notícias sempre
atribuem a causa dos problemas a determinados indivíduos, sem ligação com o
Partido, enquanto que as soluções são creditadas ao PCCh, O PCCh decide
habilmente quando e o que noticiar ou não. Noticia o que lhe interessa na China
ou no mundo através dos meios de comunicação internacionais que controla ou
possui influência.

O PCCh é especialista em manipular as notícias ruínas para e transforma-las em


algo que conquiste o coração das pessoas. Muitos jovens da China continental
acreditam que agora o PCCh já permite um bom grau de liberdade de expressão,
e, assim, colocam suas esperanças e apreciação nele. São vítimas das refinadas
estratégias da perversa imprensa estatal. Por exemplo, esta imprensa inventa
uma situação de caos na sociedade chinesa e dá a esta certa difusão; pouco
depois, o PCCh convence o povo de que somente ele é capaz de controlar uma
sociedade tão caótica e instável e, assim, consegue que as pessoas apóiem as
regras e o regime do PCCh.

Portanto, não devemos erroneamente pensar que o PCCh mudou por decisão
própria quando vemos certa melhora na situação dos direitos humanos. Olhando
em retrospectiva, quando o PCCh lutava para derrotar o governo do KMT, ele
fingia que estava lutando por uma nação democrática. O PCCh possui uma
natureza tão perversa que não se pode confiar em nenhuma de suas promessas.

V. Aspectos da natureza inescrupulosa do PCCh.

O PCCh vende territórios da nação por vaidade e traindo em nome da “unidade


nacional”.

“Libertar Taiwan” e “Incorporar Taiwan” foram lemas do PCCh durante as últimas


décadas. Com está propaganda, o PCCh se mostra como nacionalista e
patriótico. Importa realmente ao PCCh a integridade do território nacional? Muito
pouco. Taiwan é somente um problema histórico que resultou da luta entre
PCCh e KMT, um meio usado para atacar a seus opositores e conseguir o apoio
do povo.

Quando o PCCh criou a região chamada de “China Soviética”, durante o regime


do KMT, o artigo 14 da Constituição do Partido sustentava que “qualquer grupo
étnico ou província chinesa podia reclamar sua independência”. Para obedecer a
União Soviética, o lema do PCCh naquela época era “proteger os soviéticos”.
Durante a guerra sino-japonesa, o objetivo principal do PCCh era aproveitar as
oportunidades que se apresentavam para se fortalecer e crescer como grupo,
não era lutar contra a invasão japonesa. Em 1945, o Exército Vermelho soviético
entrou no território chinês (noroeste) e cometeu todo tipo de crimes: roubos,
assassinatos, estupro etc. Entretanto, o PCCh não disse uma só palavra. Da
mesma maneira, quando a União Soviética apoiou a Mongólia Exterior a se
tornar independente da China, o PCCh também se manteve calado.

Ao final de 1999, o PCCh e o governo russo firmaram Acordo para Revisão das
Fronteiras entre China e Rússia pelo qual a primeira aceitou todos os acordos
(injustos) firmados entre a dinastia Qing (1644-1911) e a Rússia assinados a
mais de 100 anos. Assim, a China perdeu mais de um milhão de quilômetros
quadrados de seu território, uma área equivalente a várias vezes o território de
Taiwan. Em 2004, o PCCh e os russos firmaram o Acordo Completar das
Fronteiras Orientais entre China e Rússia pelo qual a primeira cedeu à segunda
metade da ilha Heixiazi, na província de Heilongjiang.

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Com relação a outras disputas de fronteira, como as da ilha Nansha e da ilha
Diaoyu, o PCCh não mostra nenhum interesse em ganhar, pois estas não afetam
em nada o seu poder. O PCCh proclama aos quatro ventos sua campanha de
“Unificação de Taiwan” e usa esta para incitar o patriotismo cego e desviar a
atenção pública dos problemas internos.

Políticos corruptos que quaisquer pudores morais.

Em nome da dialética, o PCCh destruiu por completo o pensamento holístico, a


faculdade da razão e o espírito indagador da filosofia. Enquanto o PCCh fala de
“distribuição relacionada à contribuição”, o processo de ”permitir a alguns se
enriquecerem primeiro” acontece de fato ligada “à distribuição relacionada ao
poder”. O PCCh utiliza o disfarce de “servir de coração ao povo” para enganar
aqueles que defendem ideais: uma vez que consegue seduzi-los, lava os seus
cérebros, os domina por completo e gradualmente os transforma em dóceis
ferramentas que em seu serviço honesto não se atrevem a defender a posição do
povo.

O objetivo da revolução do PCCh era a concretização da propriedade pública


como meio de produção. Desta forma, tem enganado muitos jovens que se
afiliaram ao Partido indo atrás do ideal do comunismo e da unidade. Alguns
destes inclusive deram as costas a seus familiares com propriedades. Porém,
agora, através da corrupção, os membros do Partido se converteram nos novos
ricos do capitalismo burocrático, inclusive mais ricos do que os capitalistas que
existiam antes. 83 anos depois da fundação o Partido Comunista Chinês,
somente que agora o capitalismo voltou dentro do próprio PCCh, que nasceu
sob a bandeira do igualitarismo.

O governo necessita de mecanismos para controlar. Nos países democráticos, a


independências entre os poderes junto com a liberdade de expressão e de
imprensa constituem mecanismos de vigilância adequados. As crenças religiosas
dão um freio moral à sociedade.

O PCCh fomenta o ateísmo; assim, não há natureza divina que restrinja sua
conduta. O PCCh é uma ditadura, não lei o que o controle politicamente. Com
resultado, o PCCh age sem limites de nenhum tipo e sem consciência moral que
o detenha, assim libera sua natureza tirânica e criminal. Segundo o PCCh, que o
controla? “O PCCh controla por si mesmo” foi durante décadas o lema usado
para enganar o povo. Inicialmente se chamava “autocrítica”, depois
“autocontrole”, mais tarde “auto-aperfeiçoamento da conduta do Partido” e mais
recentemente “auto-reforço da capacidade de governar”. O PCCh põe ênfase no
super-poder que tem ao qual denomina “auto-melhoramento”. Não somente diz
isto como age assim, como mostra o seu Comitê de Central Inspeção Disciplinar,
o Escritório de Apelações e outros órgãos do tipo. Estes são meros elementos
decorativos sem nenhuma função de controle real, que somente servem para
confundir e enganar o povo.

Sem restrições morais ou legais, o auto-melhoramento do PCCh equivale ao


provérbio chinês que diz: “os demônios que emergem do próprio coração”. Este
auto-melhoramento é somente uma desculpa que o PCCh usa para evitar as
inspeções externas e prolongar seu controle sobre a liberdade de imprensa e
sobre os partidos políticos. Os bandidos políticos do comunismo recorrem a
artimanhas como estas para enganar o povo e se manter seu poder e interesses
políticos.

O PCCh é um especialista em intrigas políticas. A Ditadura Democrática Popular,

171/182
Centralismo Democrático, Convergência Política, são alguns nomes dos ardis
que usa. Exceto pela palavra ditadura, todo o resto não passa de mentiras.

As artimanhas: da falsa resistência à invasão japonesa a o fraudulento anti-


terrorismo.

O PCCh sempre disse ter liderado o povo chinês na vitória contra o invasor
japonês. Entretanto, existe abundante material histórico que revela que o PCCh
evitou a todo custo participar da Guerra Sino-Japonesa. Ao contrário, a única
coisa que fez foi atrapalhar o KMT na sua luta contra o Japão e aproveitar a
situação para aumentar o próprio poder.

Outra tática má do PCCh é tergiversar sobre definições de conceitos culturais e


logo em seguida utilizar tais definições adulteradas para criticar e controlar o
povo. O conceito de “partido” é um exemplo disto. Desde que surgiu o sistema
de partidos políticos, estes se estabeleceram em seus países de origem e no
estrangeiro. Somente o Partido Comunista exerce o poder mais além do campo
de influência de âmbito partidário. Se alguém se afilia ao PCCh, este controlará
todos os aspectos da vida desse alguém, com a consciência, os meios de
sustento e a vida privada. O PCCh domina a sociedade, o governo e o aparato
estatal. Decide sobre todas as matérias, desde as mais importantes, como quem
será o Presidente do país ou o Ministro da Defesa, ou que leis ou decretos
devem ser aprovados, até as insignificantes, como em que lugar deve morar
uma pessoa, com quem deve se casar e quantos filhos pode ter. O PCCh abarca
todos os métodos de controle imagináveis.

As únicas batalhas que o PCCh lutou foram a Batalha do Passo de Pingxing e a


Batalha dos Cem Regimentos. Na primeira, o PCCh não foi em absoluto o líder
ou a força predominante no combate. As tropas comunistas somente serviram
para fazer uma emboscada a unidades japonesas de suprimento. Quanto à
segunda batalha, dentro do PCCh se acredita que o fato de ter participado dela
foi na realidade uma violação da estratégia do Partido Central. Depois destas
duas batalhas, Mao e os exércitos do PCCh não se envolveram em batalhas
importantes. Tampouco produziram heróis nesta batalhas, ao estilo de Dong
Cunrui durante a guerra contra o KMT em 1948 e de Huang Jiguang na Guerra
da Coréia. Somente um reduzido número de chefes militares do alto escalão do
PCCh morrereu no campo de batalha durante a invasão japonesa. Até hoje, o
Partido foi incapaz de publicar uma lista das baixas que sofreu durante este
conflito armado, nem tampouco podemos ver em território chinês muitos
monumentos sobre heróis da resistência chinesa por parte do PCCh.

Naquela época, o PCCh estabeleceu um Governo de Fronteira nas províncias de


Shaanxi, Gansu ey Ningxia, longe da frente de batalha. Para usar uma linguagem
atual, o PCCh propunha “um país, dois sistemas”, ou “duas Chinas” dentro da
China. Embora não faltasse paixão aos comandantes do PCCh na hora de
resistirem aos japoneses, os oficiais do alto escalão não eram sinceros em sua
intenção em participar do combate. Ao invés disto, estes tratavam de proteger
seus recursos e usavam a guerra para fortalecer suas posições. Quando em
1972 a China e Japão reataram relações diplomáticas, Mao Tsé-tung deixou
escapar a verdade diante do primeiro-ministro japonês Kakuei Tanaka: “O PCCh
é grato ao povo japonês já que sem sua invasão, o Partido não teria a
oportunidade de aumentar seu poder”. As afirmações do PCCh sobre sua
liderança sobre o povo chinês durante os 8 anos que durou a resistência contra
o invasor japonês não passa de mais outra mentira.

Mais de meio século depois, com os ataques terroristas de 11 de setembro de

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2001 aos Estados Unidos, o combate contra o terrorismo se converteu numa
questão global. O PCCh novamente emprega estratégias de enganar
semelhantes às empregadas durante a invasão japonesa. Usando o anti-
terrorismo, o PCCh rotulou de terroristas muitos praticantes religiosos,
opositores políticos e grupos ligados à conflitos étnicos ou territoriais. Sob o
disfarce de luta contra o terrorismo internacional, o PCCh lança violentas
campanhas repressivas.

Em 27 de setembro de 2004, a Agência de Noticias Xinhua, citando o jornal


Xinjing, noticiou que Pequim estaria prestes a abrir a primeira agência anti-
terrorismo do país. Algumas agências de noticias, que trabalham para o PCCh,
publicaram artigos com títulos como: “O Escritório 610 une esforços contra o
terrorismo” (O Escritório 610 é uma rede de agências governamentais dedicadas
a perseguição dos praticantes de Falun Gong), alegando que a agência anti-
terrorista teria como função combater “grupos terroristas”, entre estes Falun
Gong.

O PCCh coloca o rótulo de “terroristas” em pessoas que nunca usaram uma


arma, nunca responderam à agressão e que apenas apelaram pacificamente pelo
direito de sustentarem sua crença. Aproveitando o clima reinante, o PCCh
mobilizou sua “força especial anti-terrorismo”, armada até os dentes, para
reprimir com ferocidade a este grupo (Falun Gong) indefeso de defensores da
paz. Além disto, o PCCh usou o terrorismo como justificativa para desviar a
atenção e a condenação da comunidade internacional sobre a perseguição a
Falun Gong. Os tipos de mentiras que o PCCh utiliza hoje não diferem das que
empregou durante a invasão japonesa, embustes que constituem uma maneira
vergonhosa de tratar um assunto tão delicado como os atuais esforços
internacionais anti-terrorismo.

Fingir um fictício apoio e ocultar uma real oposição.

O PCCh não acredita em suas próprias doutrinas, porém obriga os outros a


acreditarem nelas. Este é um dos métodos mais pérfidos da seita do comunismo
chinês. O PCCh sabe que sua base ideológica é falsa e que a idéia do socialismo
não é autentica. Entretanto, persegue aos que não aceitam seu monopólio sobre
o pensamento. Sem a mínima noção de vergonha, o PCCh inclui sua ideologia de
embustes na Constituição como a pedra fundamental do estado chinês.

Na vida real se dá um fenômeno interessante. Muitos funcionários do alto


escalão do PCCh perdem seus postos em disputas pelo poder, na arena política
da China, devido à corrupção. Entretanto, são estas pessoas as mesmas que
defendem a generosidade e honestidade em público, mas secretamente
participam de suborno, corrupção e outras atividades decadentes. Muitos
“servidores do povo” caíram nesse caminho, como Li Jiating, ex-governador da
província de Yunnan; Liu Fangren, secretário do Partido na província de Guizhou;
Cheng Weigao, secretário do Partido na província de Hebei; Tian Fengshan,
ministro da Terra e Recursos, e Wang Huaizhong, vice-governador da província
de Anhui. Entretanto, se alguém examinar o discurso destas pessoas verá que
todas elas, sem exceção, promoveram campanhas anticorrupção e exigiram de
seus subordinados uma conduta honesta, enquanto que, eles mesmos,
desviavam recursos públicos e aceitavam subornos.

Embora o PCCh tenha em seu seio pessoas admiráveis e com freqüência seduza
pessoas idealistas e diligentes para se filiarem a ele a fim de melhorara a
imagem do Partido, é óbvio para todo mundo que a China entrou em uma etapa
de declínio moral muito difícil de deter. Por que propaganda do PCCh que

173/182
promove a “civilização espiritual” não tenta corrigir esta tendência?

De fato, os líderes do partido Comunista transmitem palavras vazias quando


falam de “qualidade moral comunista” ou sobre o lema “servir o povo”. A
incoerência entre a ação e as palavras dos líderes do comunismo remonta aos
tempos do seu fundador, Karl Marx. Marx teve um filho ilegítimo. Lênin contraiu
sífilis com prostitutas. Stalin foi processado por obrigar uma cantora a manter
relações sexuais com ele. Mao Tsé-tung se entregou a luxúria. Jiang Zemin é
uma pessoa promiscua. O líder do comunismo na Romênia, Nicolau Ceausescu,
enriqueceu toda sua família de forma opulenta. O líder do comunismo cubano,
Fidel Castro, tem centenas de milhões de dólares em conts em bancos
estrangeiros. O perverso assassino da Coréia do Norte, Kim Song II, e seus filhos
levam uma vida decadente e esbanjadora.

Na vida cotidiana, as pessoas comuns do povo detestam as sessões de estudo


político sem nenhum sentido. Cada vez mais, o povo emprega linguagem
ambígua ao se referir aos assuntos políticos, já que qualquer um sabe que se
trata de jogos enganosos. Mas ninguém, nem os que falam nem os que ouvem
nessas reuniões políticas ousam falar a verdade sobre essas reuniões
enganosas. O povo chama a isto de “dissimulação sincera”. As teorias do PCCh -
tanto a dos Três representantes de anos atrás, como a de “melhorar a
capacidade de governar” que veio depois, ou a dos “três corações” (aquecer,
estabilizar e conquistar o coração das pessoas) de hoje, são vazias de conteúdo.
Que Partido governante não dirá que representa os interesses do povo? Que
partido não estaria interessado em melhorar sua capacidade de governar? Que
partido político não gostaria de conquistar o coração do povo? Todo grupo
político que não falar sobre estes objetivos desaparecerá em pouco tempo do
cenário político. Porém, o PCCh trata seus lemas vazios como teorias intricadas
e profundas, e obriga a toda a nação a estudá-los.

Quando o fingimento vai se convertendo pouco a pouco na maneira de pensar e


atuar de milhões de pessoas e se torna a cultura do partido, a sociedade toda se
torna falsa, pretensiosa e vazia. A sociedade entre em crise ao carecer de
honestidade e confiança. Por que o PCCh criou tal situação? No passado, se devi
a sua ideologia; agora, em seu próprio benefício. Os membros do Partido fazem
que estão fingindo, porém seguem dessa forma. Se o PCCh não promovesse
esses slogans e formalidades, não poderiam enganar as pessoas. Não poderia
fazer com o povo o seguisse e o temesse.

Abandonar a consciência e sacrificar a justiça pelos interesses do Partido.

No livro “O desenvolvimento moral do Partido Comunista”, Liu Shaoqi192 fala da


necessidade de que os “os membros do Partido renunciem a seus interesses
individuais em nome do interesse do Partido”. Entre os membros do PCCh nunca
faltarem pessoas retas, preocupadas com o país e seu povo, tampouco oficiais
honestos e justos que servem de verdade o povo. Porém na máquina a serviço
do interesse do PCCh, tais pessoas não sobrevivem. Sob a pressão constante de
“submeter à natureza humana à natureza do Partido”, eles não conseguem
continuar nesse caminho, são depostos de seus postos ou, o que é pior, se
tornam corruptos.

192
Liu Shaoqi, presidente chinês entre 1959 e 1968, era considerado o sucessor de Mao
Tsé-tung. Durante a Revolução Cultural (1966-1976), foi perseguido como traidor,
espião e renegado. Morreu em 1969 devido aos tremendos maltrato, pelo PCC, na
prisão.

174/182
Outra tática má do PCCh é tergiversar sobre definições de conceitos culturais e
para logo em seguida usá-las com definições alteradas para criticar e controlar
o povo. O conceito de “partido” é um exemplo disso. Desde o começo do
sistema de partidos políticos, eles se estabeleceram sem seus países de origem
e no exterior. Somente o Partido Comunista exerce o poder além do campo de
influência comum as partidos. Se alguém se filia ao PCCh, este controlará todos
os aspectos da vida da pessoa, como a consciência, os meios de sustento e a
vida privada. Quando usa a autoridade política, o PCCh o faz para dominar a
sociedade, o governo e o aparato estatal. Decide sobre todas as matérias, desde
as importantes, como quem será o presidente ou ministro da defesa, até as
insignificantes, como onde alguém irá morar, com quem casar e quanto filhos
ter. O PCCh possui todos os métodos imagináveis de controle.

O povo chinês tem sentido na própria carne a brutalidade do regime do PCCh e


assim desenvolveu um profundo medo da violência comunista. Por isso, as
pessoas não se atrevem a defender a justiça e deixaram de crer nas leis
celestiais. Primeiro se submeteram à humilhação do poder do Partido. Pouco a
pouco, deixaram de se preocupar que não as afetavam de maneira direta. Até a
lógica do modo de pensar delas foi intencionalmente moldada para que
terminassem se rendendo ao PCCh. Este é o resultado de da natureza mafiosa
do PCCh.

O PCCh busca despertar os sentimentos de patriotismo para manipular o povo.

O PCCh recorre a ideais como “patriotismo” e “nacionalismo” para mobilizar o


povo e manipula-lo na direção que lhe interessa. Estes não são apenas
exortações ao povo, são também ordens e estratégias. Se lerem a propaganda
nacionalista da edição estrangeira do Diário do Povo, alguns chineses que vivem
no estrangeiro, e que durante décadas nunca se atreveram a voltar para China,
podem até de tornarem mais nacionalistas que os chineses residentes na China.
Sob a manipulação do PCCh, o povo chinês, que não ousa contestar as políticas
comunistas, se tornou suficiente ousado para atacar a Embaixada e o Consulado
dos Estados Unidos na China, atirando ovos e pedras e queimando automóveis e
bandeiras americanas, tudo sob o rótulo de patriotismo.

Sempre que o partido Comunista encontra um tema de importância que exige


mobilização popular, ele, de imediato, recorre ao “patriotismo” e ao
“nacionalismo”. No caso de Taiwan, ou Hong Kong, ou Falun Gong, ou da colisão
de um avião espião norte-americano e uma aeronave de combate chinesa, o
PCCh recorre a uma combinação de inspirar o terror máximo e fazer uma
lavagem cerebral, com isto obtém do povo um estado de animo de guerra. Uma
tática similar a utilizada pelo nazismo na Alemanha.

Mediante o bloqueio de informações segundo conveniências, a lavagem cerebral


feita pelo PCCh obtém pleno êxito. Mesmo aqueles do povo chinês que não
gostam do PCCh, terminam pensando da forma incutida pelo PCCh. Por
exemplo, com a invasão dos Estados Unidos ao Iraque, muita gente é moldada e
condicionada quando vêem as analises do CCTV193. Sentem profundo ódio, um
sentimento de vingança e desejo de lutar, como se estivessem em uma guerra.

A desfaçatez de colocar o Partido acima do país e forçar pais e filhos a se


colocarem um contra o outro.

193
CCTV (Televisão Central da China) pertence e é dirigida diretamente pelo governo
central. É a maior rede de televisão da China continental.

175/182
Uma das frases que o PCCh sempre usa para intimidar as pessoas é: “o fim do
Partido, fim do país”, colocando-se assim a si mesmo acima da nação. O
princípio que se enraizou na China é: “Não haverá uma nova China sem o PCCh”.
Educam-se os cidadãos desde criança para “escutar o Partido” e “portar-se
como seus filhos obedientes”. Elas cantam louvores ao Partido: “Vejo o Partido
como minha mãe”. “Oh, Partido, minha querida mãe”. “A graça salvadora do
Partido é mais profunda que o oceano”. “O amor que sinto por meu pai e minha
mãe não pode o que sinto pelo Partido” 194. Os cidadãos “irão e lutarão onde o
PCCh mandar”. Quando o governo ofereceu ajuda durante uma catástrofe, o
povo tinha que “agradecer ao Partido e ao governo”: primeiro ao Partido e
depois ao governo. Um lema militar prega: “O Partido governa com armas”.
Quando os especialistas chineses desenharam o uniforme dos juizes dos
tribunais de justiça, colocaram quatro botões dourados na pala do uniforme. Os
botões são alinhados e simbolizam, de cima abaixo, o Partido, o povo, a lei e o
país. Esta distribuição indica que mesmo que alguém seja um juiz, ele deve
sempre se recordar que o Partido está acima da lei, do país e do povo.

O Partido se transformou no ente supremo da China, e o país, em seu


subordinado. O país existe para o Partido, e este diz ser a encarnação do povo e
o símbolo do país. O amor ao Partido, aos seus líderes e ao país se misturam;
está é a razão fundamental pela qual a idéia de patriotismo na China se desviou
de seu sentido original.

Sob a sutil, porém persistente influência da educação e da propaganda do PCCh,


muitas pessoas, militantes comunistas ou não, começam a confundir o Partido
com o país, muitas vezes sem estar consciente disto. Terminam por aceitar que
“o interesse do Partido” está acima de tudo, e que “os interesses do Partido
equivalem aos do povo e do país”. Esta conseqüência da doutrinação do Partido
criou o clima para que este pudesse trair os interesses nacionais.

Jogar com “reparações” e considerar atos criminosos como “grandes feitos”.

O PCCh tem cometido muitos erros crassos ao longo de sua história. Entretanto,
sempre colocou a culpa em indivíduos ou determinados grupos através da
“reparação e reabilitação”. Isto não só gera gratidão dos acusados, como
permite que o PCCh se esquive completamente de qualquer responsabilidade
por seus delitos. O Partido se declara “estar seguro de não cometer erros, como
também estar saber como corrigi-los195”; isto se converteu na poção mágica com
que sempre escapa da culpa. Assim, o Partido se mantém “grande e glorioso, e
sempre tem razão”.

Talvez um dia, o PCCh decida ressarcir as vítimas do Massacre da Praça


Tiananmen e restaurar a reputação de Falun Gong. Porém isto será somente
mais uma tática maquiavélica usada pelo Partido em seu desespero para sua
vida agonizante. O PCCh nunca terá a coragem para refletir sobre seus atos,
reconhecer seus crimes e pagar por seus pecados.

VI. O PCCh manifesta sua natureza perversa usando o terror de Estado na


tentativa de livrar-se dos princípios “Verdade, Benevolência e Tolerância”.

A farsa da “imolação da Praça Tiananmen” montada pelo PCCh pode ser


considerada a mentira do século do Partido Comunista Chinês. Para reprimir
194
As frases transcritas são títulos de canções que se escreveram e cantaram durante a
época de Mao, durante os anos 60 e princípio dos anos 70.
195
Mao disse em uma oportunidade: “Temos medo de cometer erros, porém estamos
dispostos a corrigi-los”.

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Falun Gong, a perversidade do governo alcançou tamanho grau que utilizou
cinco pessoas para que, fazendo-se passar por praticantes de Falun Gong,
encenassem a fraudulenta imolação196 da Praça Tiananmen. Por participar em
semelhante fraude, essas cinco pessoas, sem saber, estavam decretando suas
próprias sentenças de morte: foram mortos a golpes no local ou assassinados
posteriormente. O vídeo da cadeia de TV chinesa CCTV, quando em câmara
lenta, mostra claramente que Liu Chunling, um dos imolados, morreu quando
um policial o atingiu com um forte golpe. Outras falhas na encenação é a errada
postura de meditação de Wang Jingdong, com uma garrafa plástica (com
combustível) que permaneceu intacta depois que o fogo foi apagado. Também, a
conversa do médico com a vítima mais jovem, Liu Siying, e a presença do
câmera-men pronto para filmar as cenas. Estes e outros fatos são provas mais
do que suficientes para concluir que a suposta imolação de Tiananmen foi uma
farsa planejada pelo perverso Jiang Zemin para incriminar e difamar Falun Gong.

Jiang Zemin e o PCCh manipularam noções familiares às pessoas de modo que


estas acreditassem em mentiras para que com isto pudessem incitar a repulsa
das pessoas a Falun Gong. Vocês acreditam em ciência? O PCCh disse que Falun
Gong é superstição. Vocês pensam que política é algo ruim? O PCCh diz que
Falun Gong está envolvido com política. Vocês sentem inveja das pessoas que se
enriquecem na China ou no exterior? Segundo o PCCh, Falun Gong nada em
abundância. Acredita que as organizações têm aspectos negativos? Segundo o
PCCh, Falun Gong é uma organização rígida. Está cansado do culto da
personalidade quer houve na China durantes décadas? Segundo o PCCh, Falun
Gong controla a mente das pessoas. Você é um patriota? Segundo o PCCh, Falun
Gong é um grupo anti-China. Vocês têm medo de agitação social? Segundo o
PCCh, Falun Gong promove a instabilidade social. Se você pergunta se Falun
Gong defende os princípios “Verdade-Benevolência-Tolerância”? O PCCh diz que
Falun Gong não defende a verdade, benevolência e tolerância. O PCCh chega a
contrariar a lógica quando diz que a benevolência pode despertar o desejo de
matar.

O PCCh utilizou métodos cruéis e indescritíveis em sua declarada campanha


para eliminar Falun Gong. Usurpou dos recursos da nação acumulados nos
últimos vinte anos de reforma e abertura da economia chinesa. Mobilizou o
Partido, o governo, as forças armadas, a polícia, agências de inteligência,
diplomatas no estrangeiro, e outras organizações governamentais ou não.
Manipulou os meios de comunicação para que eles fizessem um rígido bloqueio
da informação com monitoramento individualizado e alta tecnologia. Fez tudo
isto para perseguir a um grupo de pessoas pacíficas que aderiram a Falun Gong,
uma tradicional prática chinesa para refinar o corpo, a mente e o caráter moral
através dos princípios Verdade-Benevolência-Tolerância. Uma perseguição tão
brutal a gente inocente devido a suas crenças revela e expõe a degenerada
natureza do PCCh.

O PCCh proíbe tudo que tenha relação com Falun Gong: fazer apelações, fazer
queixas, distribuir panfletos, bandeiras, reunir-se, praticar exercícios nos
parques; tampouco permite que qualquer mídia fale a verdade sobre falun Gong.
O patrulhamento na Internet montado por Jiang Zemin e o PCCh, bloqueia todos
os websites estrangeiros que falam a verdade sobre Falun Gong. Apesar da
intensidade e extensão da perseguição, há muitas pessoas na sociedade que não
196
Para uma análise detalhada do vídeo referente à imolação, visite o website:
http://www.clearharmony.net/articles/200109/1165.html

177/182
acreditam que algo assim possa estar acontecendo.

Você acredita que o governo chinês não inventaria mentiras como as citadas?
Então, o PCCh fabrica mentiras ainda maiores e mais chocantes, desde suicídios
até imolações, de matar familiares a assassinatos em série. São tantas as
mentiras que é difícil você não acreditar nelas. Você se simpatiza com Falun
Gong? O PCCh vincula sua avaliação política com a perseguição a Falun Gong:
rebaixa você, despede você, suspende você, ou não distribui bônus a você se os
praticantes da área de trabalho sob a sua responsabilidade fazem manifestações
em Pequim. Desta forma, as pessoas se vêem obrigadas a se tornarem inimigas
da prática.

O PCCh raptou inúmeros praticantes de Falun Gong e os submeteu a sessões de


lavagem cerebral para obrigá-los a abandonar suas crenças, denunciar Falun
Gong e prometerem abandonarem a prática. O PCCh utilizou a vários métodos
perversos para persuadi-los a abandonar a prática: pressão de parentes, pressão
em seus trabalhos e escolas, torturas cruéis, castigar parentes e amigos.
Quando conseguem obter sucesso na lavagem cerebral de um praticante, este é
usado para torturar e fazer lavagem cerebral nos outros. O vicioso PCCh insiste
em converter pessoas boas em más, em obrigá-las a trilharem uma caminho
escuro até o fim de suas vidas.

VII. O iníquo socialismo com “características chinesas”.

O PCCh usa o termo “características chinesas” para encobrir seus crimes. O


PCCh sempre alega que ele deve seu sucesso na revolução a “integração do
marxismo-leninismo com a concreta realidade da revolução chinesa”. O PCCh
faz uso abusivo do termo “característica” para dar suporte ideológico a suas
políticas perversas e movediças.

Métodos movediços e enganosos.

Por detrás da fachada de “características chinesas”, o PCCh não conseguiu nada


além de absurdos.

Hoje, entre os filhos e parentes dos líderes do Partido, muitos são prósperos
capitalistas com fortunas pessoais, e muitos membros do PCCh se juntaram aos
novos ricos. No passado, o PCCh eliminou os proprietários de terra, os
capitalistas em nome da revolução e lhes tomou as propriedades. Atualmente, a
nova “realeza” do PCCh se enriqueceu ainda mais do que aqueles através do
suborno e da corrupção. Os que seguiram o Partido nas primeiras revoluções
agora se lamentam: “Se eu soubesse que esta seria a situação atual, eu nunca os
teria apoiado”. Depois de várias décadas de suor e lutas, estas pessoas se deram
conta de que entregaram suas propriedade e de seus irmãos e pais, inclusive
suas vidas, à seita do PCCh.

O PCCh diz que a base econômica determina a superestrutura197 quando, na


realidade, é a base econômica da burocracia dos funcionários corruptos do PCCh
que decide a “superestrutura de alta pressão”, que apóia sua existência
justamente no exercício da pressão. A repressão do povo se converteu assim na
política básica do PCCh.

A superestrutura no contexto da teoria social marxista se refere à forma de interação


197

entre a subjetividade humana e a substância material da sociedade.

178/182
Em nome da dialética, o PCCh destruiu por completo o pensamento holístico, as
faculdades da razão e o espírito indagador da filosofia. Enquanto o PCCh fala de
“distribuição em relação à contribuição”, o processo de “permitir a alguns
enriquecerem primeiro” foi sendo desenvolvido junto com “a distribuição feita
com base no poder”. O PCCh utiliza o disfarce de “servir ao povo de coração”
para enganar aqueles que defendem ideais: uma vez que consegue seduzi-los,
lava-lhes o cérebro e os domina por completo para, gradualmente, transforma-
los em dóceis ferramentas que “servem ao partido de todo coração” sem se
atreverem a defender os direitos do povo.

Um partido maquiavélico com “características chinesas”.

Usando um princípio que valoriza seus interesses sobre qualquer outra coisa, o
PCCh, com sua seita perversa, corrompeu a sociedade chinesa; e assim criou
uma entidade realmente grotesca para toda a humanidade. Esta entidade é
distinta de qualquer outro Estado, governo ou organização. Seu princípio é não
ter princípios; não há sinceridade por detrás de seu sorriso. Assim, as pessoas
bondosas não podem entender o porquê do existir do PCCh. Baseados em
princípios morais universais, não podem conceber que uma entidade com
tamanho grau de perversidade possa representar um país. O PCCh, com a
desculpa das “características chinesas”, conseguiu seu lugar entre as nações do
mundo. “Características chinesas” é um eufemismo para as “características
perversas do PCCh”.

Com as “características chinesas”, o frustrado capitalismo da China se


transformou em “socialismo de mercado”, desemprego passou a se chamar
“esperar por um emprego”; “ser despedido do trabalho” se converteu em “não
estar a serviço”, a “pobreza” voltou à “fase inicial do socialismo”; e “direitos
humanos e liberdade” foram reduzidos a mero “direito de sobrevivência”.

A nação chinesa enfrenta uma crise moral sem precedentes.

No início dos anos 90, na China circulava a seguinte frase: “Sou um malfeitor e
não tenho medo de ninguém”. Está é a lamentável conseqüência de tantas
décadas de um regime que promoveu a injustiça e a impôs a corrupção á nação.
A falsa prosperidade da economia chinesa está de mãos dadas com o acentuado
declínio moral em todas as áreas da sociedade.

O PCCh sente medo de que o povo tenha a capacidade de diferenciar entre o


correto e o incorreto. Se uma pessoa atuasse com consciência, a maldade do
PCCh não contaria com a condição principal para a sua existência. Por isso, o
PCCh faz todo o possível para converter os chineses em mafiosos de diferentes
graus.

A revolução cultural foi um típico movimento envolvendo todo o povo, e


justamente por causa disto, muitas pessoas se envolveram em lutas violentas,
depredação, roubos, incêndios, assassinatos, assim como reuniões de crítica,
denuncias secretas, acusações – às vezes falsas – a familiares ou pessoas
relacionadas por temor, entre outras ações. Os que chegaram a tais extremos,
no mínimo, tiveram que passar as provas das manifestações, onde a pessoa
devida demonstrar que enfrentava os “inimigos de classe”, aos quais “o Partido
incriminava e a nação inteira condenava”.

Sob tais circunstâncias, o povo inteiro ficou enlouquecido, ninguém pode dizer
que não tem responsabilidade pelos sofrimentos dos demais. Então, fazer uma
crítica sobre a Revolução Cultural é um tabu para o governo, e o povo

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automaticamente evita refletir sobre os efeitos desastrosos causados pela sua
obediência cega, sua ignorância e sua loucura. Ao contrário, muitos chineses
adotam intencionalmente o caminho de dar razão ao PCCh e transferem todos
os crimes aos que encabeçaram o movimento, à Gang dos Quatro.

Os congressistas da China só falam sobre a questão “honestidade e lealdade”


durante o Congresso Popular Chinês. Nos exames para ingresso nas
universidades, os estudantes têm que escrever um ensaio sobre a honestidade e
a confiança. Este fato revela a falta de honestidade e confiança, assim como a
decadência moral se converteu em assunto invisível mais recorrente na realidade
chinesa. A corrupção, a malversação, falsificação de produtos, a mentira, a
malícia e a degeneração das normas sociais estão por todas as partes. A
confiança mútua é um valor que saiu de modo.

Para aqueles que afirmam estar satisfeitos com a melhora no nível de vida, não é
a instabilidade sua preocupação principal? Qual é o fator determinante da
estabilidade social? A moral. Uma sociedade com uma moral degradada é
incapaz de oferecer segurança.

O PCCh já reprimiu energicamente a quase todas as religiões tradicionais e


desmantelou o tradicional sistema de valores. A maneira inescrupulosa com que
o PCCh se aproveita da riqueza e engana as pessoas gera um efeito dominó em
toda a sociedade: corrompe as pessoas e as encaminha para o mal. Um partido
que governa por meios espúrios também precisa de uma sociedade corrupta
para sobreviver. Por isso, o PCCh faz todo o possível para fazer as pessoas
decaírem a seu nível, e tenta colocar a população chinesa em vários esquemas.
Assim é como a natureza enganosa do PCCh está eliminando toda base moral
que durante tanto tempo sustentada pelo povo chinês.

Conclusão:

“É mais fácil o curso dos rios e as montanhas de lugar do que mudar a própria
natureza198”. A história mostra que cada vez mais o PCCh afrouxa as amarras,
ele o faz sem a intenção de abandoná-las. Depois da Grande Fome, ocorrida no
início dos anos 60, o PCCh adotou o programa das “Três Liberdade e Um
Contrato199” (San Zi Yi Bao), voltado a recuperar a produção agrária, porém sem
nenhuma intenção de mudar a condição de “escravos” dos camponeses
chineses. A “reforma econômica” e a “liberalização” dos anos 80 não impediram
que o PCCh usasse seu facão de carniceiro contra o povo em 1989. No futuro, o
PCCh seguirá modificando sua fachada sem mudar de forma alguma a sua
natureza vil.

198
É um provérbio chinês que confirma a resistência às mudanças da natureza de uma
pessoa. O provérbio também é traduzido como: “A raposa pode mudar a pêlo, mas
não muda suas manias”.
199
As políticas de reforma econômica, conhecidas como o programa “Três Liberdade e
Um Contrato” (San Zi Yi Bao) foi proposta por Liu Shaoqi, então presidente de China.
O programa estipulava lotes de terra uso privado, mercados livres, empresas com
jurisdição total sobre seus lucros e perdas, e a fixação de quotas de produção para
cada local.

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Algumas pessoas pensam que não há sentido em revolver o passado, que a
situação mudou e que agora o PCCh não é o mesmo de antes. Algumas podem,
elevados pelas aparências, acreditarem erroneamente que o PCCh melhorou; que
está num processo de mudança para melhor. Tais pessoas talvez tenham se
esquecido de tudo o que aconteceu. Agindo assim, estão dando a um bando de
vilões, como é o PCCh, a oportunidade de sobreviver e por em perigo toda a
humanidade.

Todos os esforços do PCCh se destinam a que as pessoas esqueçam o passado.


Todas as lutas do povo são um relembrar de injustiças que o povo sofreu nas
mãos do PCCh. De fato, a história contata pelo comunismo chinês é uma história
que tenta apagar a memória do povo, que faz com que os filhos não saibam do
passado dos pais, uma história em que centenas de milhões de cidadãos vivem o
dilema entre desconsiderar o passado sangrento do PCCh e abrigar a esperança
de no futuro do PCCh.

Quando o espectro perverso do comunismo entrou no mundo dos humanos, o


Partido Comunista incitou o pior da sociedade e utilizou a rebelião da escória de
marginais para obter e conservar o poder. O que ele fez, através de carnificinas
e métodos tirânicos, foi instaurar e consolidar a despotismo na forma de uma
“possessão partidária”. Mediante a chamada ideologia da luta – que se à
natureza, às leis universais, à essência humana e ao universo – destrói a
consciência e a benevolência humanas, e, como conseqüência, acaba com a
civilização e a moral tradicionais. Recorre a crimes sangrentos e a lavagem
cerebral para impor uma seita do mal e criar uma nação de mentes desviadas, e
assim governar o país.

Ao longo da história do PCCh, houve períodos em eu o terror vermelho alcançou


o pico, e etapas de torpeza em que o PCCh se salvou por pouco da extinção. Em
cada oportunidade, recorreu a seu amplo repertório de métodos astutos para
ressurgir das crises, ainda que para se lançar em um novo ciclo de violência e
mentiras contra o povo. Quando a maioria das pessoas reconhecer a natureza vil
do comunismo chinês e não se deixar enganar pro suas falsas imagens, o PCCh
encontrará um fim.

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Em comparação com 5.000 anos da civilização chinesa, os 55 anos do regime


comunista são um piscar de olhos na história. Antes da existência do PCCh, a
China havia criado a civilização mais magnífica da história da humanidade. O
PCCh aproveitou a oportunidade gerada pos problemas internos e por uma
invasão estrangeira para tomar o poder e dominar a nação chinesa. Acabou com
a vida de milhões de pessoas, destroçou inúmeras famílias e sacrificou recursos
ecológicos dos quais depende a sobrevivência da China. O que é pior ainda, o
PCCh aniquila quase que totalmente a base moral e a rica tradição cultural da
nação.

Qual o será o futuro da China? Que rumo tomará? Questões como estas são
demasiadas sérias e complexas para serem ditas em poucas palavras.
Entretanto, uma coisa é certa: se não houver uma renovação da moral nacional,
uma recuperação da harmonia nas relações entre os humanos e a natureza,
entre os humanos, os Céus e a Terra, se não existir a fé ou a cultura para uma
coexistência pacifica entre os seres humanos, será impossível que a nação
chinesa tenha um futuro brilhante.

Depois de várias décadas de lavagem cerebral e repressão, o PCCh conseguiu

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incutir ao povo chinês seu modo de pensar e seu padrão quanto ao que é bom e
mal. Isto leva as pessoas a aceitar e internalizar a perversidade e a falsidade do
PCCh, a se converterem em parte de sua dissimulação e dar sustentação para a
existência de sua ideologia.

Eliminar das nossas vidas as iníquas doutrinas instaladas pelo PCCh, discernir
sua natureza inescrupulosa e recuperar nossa essência e consciência humanas
constituem o primeiro passo e o mais importante no caminho de uma transição
equilibrada para uma sociedade livre do Partido Comunista.

Poder trilhar este caminho com passos firmes e pacíficos depende de ocorrer
uma mudança no coração de cada cidadão chinês. Mesmo que o PCCh pareça
contar com todos os recursos e aparato de repressão do país, se todos os
cidadãos acreditarem no poder da verdade e salvaguardarem a moralidade, o
espectro maligno do comunismo perderá as bases para sua existência. Todos os
recursos voltarão de imediato às mãos dos justos. Ninguém pode dizer que não
tenha responsabilidade sobre o sofrimento dos demais. Então, fazer uma crítica
sobre a Revolução Cultural é um tabu para o governo, e o povo automaticamente
evita refletir sobre os efeitos desastrosos causados por seu acatamento cego,
sua ignorância e sua loucura. Pelo contrário, muitos chineses adotam
intencionalmente o caminho do PCCh e imputam todos os crimes aos que
encabeçaram a Revolução Cultural, a Gangue dos Quatro.

Tudo isto levará ao renascimento da grande nação chinesa.

Somente sem o Partido Comunista haverá uma nova China.

Somente sem o Partido Comunista chinês a nação poderá ainda ter esperança
sobre seu futuro.

Sem o Partido Comunista Chinês, o povo chinês, reto e de bom coração, poderá
reconstruir sua magnífica história.

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