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A CRISE ATUAL DO IMPERIALISMO E OS PROCESSOS REVOLUCIONÁRIOS NA

AMÉRICA LATINA E NO CARIBE1
Manoel Piñero2
1.

As Revoluções de Libertação Nacional e Social

Toda época imprime suas marcas às revoluções sociais que acontecem em tal tempo hístórico. Isto 
também é válido para os processos de libertação nacional. Lenin sublinhou esta idéia ao afirmar: "A 
época de 1789 a 1871 é uma época especial na Europa. Isto é indiscutível. Não se pode compreender 
nenhuma das guerras de libertação nacional, especialmente típicas daqueles tempos, sem compreender 
as condições gerais da época" 3
As   revoluções   de   libertação   nacional   da   fase   pré­monopolista   do   capitalismo   formaram   parte   das 
grandes   transformações   antifeudais,   de   conteúdo   democrático­burguês;   o   caráter   social   capitalista 
predominante   nelas   e,   portanto,   as   tarefas   que   lhes   correspondeu   desenvolver,   eram   inerentes   ao 
deslanchamento   mundial,   daquele   sistema.   Desde   então,   sem   deixar   de   se   considerar   o   curso   de 
expansão   e   desenvolvimento   da   formação   sócio­econômica   capitalista,   os   processos   de   libertação 
nacional anticoloniais encerravam particularidades próprias, condicionadas pelo caráter de dominação 
externa   e   as   circunstâncias   históricas   e   a   configuração   econômica   e   sociológica   específica   destes 
países.   Desta   maneira,   o   fator   nacional   representou   o   ingrediente   peculiar,   característico,   distintivo 
daquelas   revoluções,   enquanto   seu   substrato   mais   geral   foi   a   inserção   destes   países   ao   sistema 
capitalista. 
No compasso desta dupla determinação, as múltiplas experiências das lutas emancipadoras do século 
XIX   em   nossas   terras,   nos   previnem   do   equívoco   de   pretender   igualá­las   às   revoluções   européias 
daquele período histórico. Nem então, nem agora é válido aplicar de forma mecânica, sem distinções, o 
conceito geral de um tipo de revolução a cada situação específica. Neste caso, como talvez em nenhum 
outro, aplica­se a conhecida afirmação marxista­leninista: a alma do marxismo é a análise concreta da 
situação concreta.
Na   nossa   época,   as   revoluções   de   libertação   nacional   também   apresentam   caracteres   peculiares 
determinados pela  crise geral  do capitalismo, pela  existência de um poderoso sistema socialista em 
desenvolvimento e pela confrontação histórica entre os dois sistemas. Isto causa grandes diferenças 
entre   as   atuais   lutas   de   libertação   nacional   e   aquela   do   período   pré­monopolista   do   capitalismo. 
Enquanto o imperialismo cria e sustenta a opressão das nações com novas relações de dominação – 
que têm seu centro no capital monopolista e no capital monopolista de Estado –, as revoluções a que dá 
lugar nos países subdesenvolvidos tem como aspecto fundamental a destruição destas premissas e, 
portanto, seu primeiro aspecto característico é o caráter antiimperialista.
Ao mesmo tempo, e pela sua própria natureza antiimperialista as revoluções de libertação nacional são 
elos   do   processo   de   transição   do   capitalismo   ao   socialismo.   Daí   nascem,   precisamente,   as   mais 
importantes peculiaridades destas revoluções, tanto pelos seus objetivos, composição social e tarefas, 

Texto apresentado na Conferência Teórica Internacional "Características Gerais e Particulares
dos Processos Revolucionários na América Latina e no Caribe," publicado na Revista Cuba
Socialista setembro-novembro de 1982, pp. 15 a 53.
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O autor é membro do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba.

V.I.Lenin: "Sobre la caricatura del marxismo y el 'economismo imperialista".Obras Escogidas
en doce tomos. Ed. Progreso, Moscú, 1976, t.VI, p.69.
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 nossa região apresenta o maior nível de  aceleração do movimento revolucionário das áreas subdesenvolvidas e inclusive em escala mundial. Aqui amadureceram estados nacionais burgueses. apesar de suas deformações.   popular   e   antiimperialista   e   tendem. enquanto sistema de dominação  condicionante da fisionomia do capitalismo na América Latina e no Caribe. . em mãos de que classe se encontra o poder político”. o imperialismo. criaram­se  melhores   condições  para  um   avanço  mais   intenso   e  radical   das   revoluções.   de   tal  maneira que as convertem em fatos de alcance mundial. Por   outro   lado.   numa   primeira   etapa   assumem   tarefas   de  conteúdo   democrático. a realizar tarefas  puramente socialistas. que se constituíram há mais de cento e cinqüenta  anos. p.   em  prazos   e  formas   variáveis. sem  diminuir a significação do campesinato pobre e demais forças populares. É a solução inevitável dos países dependentes frente à encruzilhada em que  os coloca a exploração imperialista.   as   coloca   entre   as   principais   forças   de  transformação   do   regime   burguês. Finalmente. o domínio externo é exercido neste continente pela potência imperialista mais poderosa. Neste sentido. as quais  deram   seu   fruto   mais   completo   com   a   vitória   da   primeira   revolução   socialista   do   hemisfério.   de   um   processo   único   em   que   as   medidas   de   libertação  nacional e de caráter democrático – que em certas ocasiões tem já um matiz socialista – preparam o  terreno  para  as  tarefas  puramente  socialistas. São mais avançadas que suas predecessoras e mantém com  elas uma continuidade que culmina em superação dialética.   Estas. Estas realidades não deixaram de  expressar­se contraditoriamente ­ com avanços e retrocessos ­ durante os últimos 25 anos.  não apenas pelo seu valor qualitativo. mas também pelo seu número em vários países da região. em especial o estadunidense. Porém.  demonstração   inequívoca   do   grau   de   amadurecimento   alcançado   por   estas   sociedades. Nestas terras existe uma formidável variedade de experiências nas lutas nacionais e classistas.   são  expressão nítida e elementos constituintes destas circunstâncias gerais. Elas são parte indivisível de um único processo  revolucionário   internacional. e para citar outro  fator relevante.2 como pelo seu rumo histórico estratégico. Editado pelo Departamento de Orientação Revolucionária  do Comitê Central do PCC. fazendo assim mais difícil  ­ mas também mais radical e urgente ­ a libertação de nossos povos. de  forma direta e imediata.   em   seu   curso   dialético. 4  Plataforma Programática del Partido Comunista de Cuba.   e   sua   tendência   anticapitalista.  os processos de libertação nacional e social deste continente  tem que enfrentar. Mas. ao final  da década passada e de modo crescente no começo desta. na maioria de nossos países. a Plataforma Programática do Partido Comunista de Cuba expressa: "Não existe uma  barreira intransponível entre a etapa democrática­popular e antiimperialista e a etapa socialista.   em   que   a   contradição   fundamental   ­   socialismo   versus   capitalismo   ­   é  agudizada pelo seu avanço.39.   Na   nossa  América o proletariado – agente histórico principal da nova sociedade – é a força social mais importante. Havana. Ambas  fazem   parte.   na   época   do   imperialismo.   junto   ao   sistema   socialista   mundial   e   ao   movimento   operário  internacional. devido às premissas materiais  originadas   pela   dominação   imperialista   em   nossas   terras   ­   de   um   nível   médio   de   desenvolvimento  superior  aos  da   Ásia   e  da  África   ­. 1976. Seu   curso   antiimperialista.  que lhe atribui um caráter geopolítico estratégico para seus interesses globais. As realidades   materiais   predominantes   movem­nas.  à  liquidação   das  bases de toda opressão. Nossas revoluções como as da África e da Ásia avançam também pelo  caminho histórico mundial que se iniciou com a revolução de outubro de 1917 e fazem parte dos três  continentes subdesenvolvidos que se enfrentam ao imperialismo.   elas   encerram   modalidades   significativas   em   relação   com   os   atuais   processos   de  libertação da África e da Ásia.   As   revoluções   de   libertação   nacional   e   social   da   América   Latina   e   do   Caribe. As   revoluções   de   libertação   nacional   de   nossos   tempos   têm   um   profundo   conteúdo   social.4 Desta maneira.  O elemento  decisivo  e definitório  deste  processo é  a  questão de quem o dirige.   em   seu   desenvolvimento   ­   como   parte  indissolúvel de seu próprio processo e de acordo com seu caráter histórico geral­.

 avançar era uma necessidade  histórica.  profundidade e perspectivas da atual luta de classes em nossas sociedades. Editora Política. a especialização de produção  de bens de tecnologia mais complexa e no aperfeiçoamento da ciência e da técnica. Referindo­se à experiência de  Cuba. o auge de vários  processos revolucionários e o incremento do movimento combativo das massas populares. uma crise dos modelos  capitalistas de desenvolvimento econômico. para identificar os fatores  objetivos e subjetivos que motivam a atual crise estrutural do capitalismo no continente. ao mesmo tempo.(5) Vale   a   pena   indagar   nas   realidades   materiais   e   históricas   que   explicam   a   intensidade. por exemplo. . de uma tessitura da luta de  classes e do combate antineocolonial ou anticolonial em alguns países. Isto determinou. A   outra   permite   alcançar   o   desenvolvimento   autônomo   –   ou   verdadeiro   desenvolvimento   –   e   as  desprende   das   próprias   contradições   geradas   pelo   sistema   de   opressão   e   exploração. parar uma covardia e uma traição que nos haveria levado a ser de novo uma colônia ianque e  escravos dos exploradores". camponeses e demais camadas trabalhadoras contra a exploração latifundiária e capitalista.  tarefas  antiimperialistas  de  libertação  nacional  junto  às  de  consolidação  do poder  dos  operários. a consolidação da  hegemonia   do   grande   capital   monopolista   e   financeiro. 1982. Desta maneira o padrão de acumulação de capitais inerente à instauração da nova divisão internacional  capitalista   do   trabalho.3 Do   que   se   apresentou   até   aqui. cresce o setor dos serviços e. Havana. na integração final – ou na sua  dependência estrutural – das burguesias do continente ao grande capital monopolista e financeiro.   depreende­se   uma   original   combinação   das   tarefas   democrático­ populares e de reivindicações econômicas. que favorecem o histórico curso socialista  da  revolução. e permite a  agudização   e   complicação   das   contradições   do   subdesenvolvimento   latino­americano   e   caribenho. e se expressa. em  geral. o Comandante em Chefe Fidel Castro afirmou no Informe Central ao I Congresso do partido:  "Nossa libertação nacional e social estavam indissoluvelmente unidas. de um inter­relacionamento complexo e dinâmico. Canceladas estas opções. políticas e sociais. a nível regional.   que   se   converteu.   estão   sujeitas  desde  os  anos   setenta   ao  processo  de   instauração  de   uma   nova  divisão   internacional   capitalista   do  trabalho. Uma opera nos limites do  conjunto de estruturas capitalistas impostas pelo domínio imperialista. p. com o objetivo de  manter o controle das tecnologias mais avançadas. Os projetos de desenvolvimento autônomo ­ tentativas das  burguesias   nacionais   de   vários   países   nas   décadas   de   trinta   a   cinqüenta   e   variantes  desenvolvimentistas posteriores ­ transformaram­se em frustrações sucessivas.  promovida pelos países reitores deste sistema. em primeiro lugar. A Crise do Capitalismo e os Processos Revolucionários da América Latina e Caribe Existem na América Latina e Caribe. a crise prolongada que o afeta nos últimos anos tem uma repercussão mais direta e brutal na  América   Latina   e   Caribe.  Trata­se.   extensão.   o   socialismo  aparece   assim   como   a   única   solução   histórica   que   possibilita   vencer   os   tremendos   obstáculos   de  subdesenvolvimento. para os países desenvolvidos. O destino da evolução econômica da área depende  da dinâmica global do capitalismo em escala internacional como nunca tinha ocorrido até então.  fundamentalmente   à   polarização   da   luta   de   classes   como   expressão   inevitável   da   concentração   e  centralização do capital. em primeiro lugar do proletariado: a via socialista. as variantes  de   desenvolvimento   ficaram   reduzidas   a   uma   alternativa:   a   opção   das   empresas   transnacionais  imperialistas e as relações econômicas internacionais que elas representam.   origina   uma   maior   integração   das   economias   nacionais. que implica na  reprodução das conhecidas condições econômicas e sociais deformantes e deformadas. como reflexo do que acontece na realidade.35.   definitivamente. insolúveis dentro do sistema capitalista. As economias  latino­americanas.  confirmando­se assim  esta tendência do imperialismo assinalada por Lenin. 5  Informe Central.   no   eixo  determinante da maioria das economias da região. em síntese. I Congresso do Partido Comunista de Cuba. Por  extensão. ou o projeto revolucionário  das classes populares.  como  parte  do  regime  capitalista  mundial.   O   processo   de   transnacionalização   das   economias   latino­americanas   e  caribenhas não excluiu quase nenhum país.  aumenta  as  atividades  de  caráter  parasitário  da economia  monopolista.   Esta   nova   divisão  internacional capitalista do trabalho supõe. em conseqüência dos  limites asfixiantes impostos pelo capital monopolista estrangeiro.

 representa uma variante extrema  de dependência ao capital estrangeiro. a sobrevivência destas estruturas agrárias arcaicas – apesar de sua modernização relativa. repousam no mesmo princípio de modernização mediante a atração do capital estrangeiro. Queríamos assinalar neste sentido. Há   uma   contradição   inicial.  acentuando­se deste modo a descapitalização daqueles e sua dependência financeira. o absoluto domínio das finanças e da possibilidade  de   expandir­se   devido   a   quebra   dos   concorrentes. Como   efeito   da   nova   divisão   internacional   capitalista   do   trabalho.   Por   outro   lado.   levadas   até   eles   pelos   países   industrializados   por   causa   da   maior  densidade   relativa   de   força   de   trabalho   que   elas   exigem. Não   é   nosso   propósito   tratar   extensamente   a   complexidade   deste   processo. traduzindo­se isto tudo em  maior estagnação econômica. de concentração e centralização das riquezas naturais por ele e  pelo grande capital nacional "associado". os efeitos da moderna tecnologia utilizada em novos investimentos pelas empresas  transnacionais são minimizados no mercado interno dos países receptores. pois não tendem a elevar a  quantidade   de   empregos   e   inclusive. Algumas variantes do capitalismo de Estado. Outra contradição significativa se manifesta no interesse primordial das  empresas transnacionais por obter altos lucros para cobrir rapidamente o capital investido e aumentar  seus dividendos. Paradoxalmente.   as   empresas   transnacionais   não   se   interessam  especialmente na ruptura das relações agrárias tradicionais baseadas no latifúndio.   como  conseqüência do controle monopolista dos preços. pois  as limitações de seu mercado interno determinam que as empresas transnacionais desviem os lucros  para os novos mercados de outros países. que como demonstra plenamente o caso chileno.   o   impacto   sobre   o   mercado   interno   é   totalmente   negativo. uma das fórmulas que tem recebido mais apoio do capital transnacional é o regresso às relações  econômicas liberais.4 Os países subdesenvolvidos são ‘elevados’ a um patamar mais moderno mediante a incorporação Ir de  novas   técnicas   de   produção.   senão   assinalar   sua  importância para o exame do tema que nos ocupa. e da aplicação das mais altas taxas de superexploração dos  trabalhadores que registra a história de nossa região. De tal modo. Tal circunstância gera um antagonismo entre a necessidade dos países subdesenvolvidos de aumentar  os   investimentos   e   os   interesses   das   empresas   transnacionais   por   elevar   sua   rentabilidade   global. ou  inclusive do capitalismo monopolista de Estado ­ também dependente pela natureza da sociedade em  que nasce ­. algumas das contradições que se observam neste processo e que  de uma ou outra forma estão presentes na maioria dos países da região.   os   desequilíbrios   endêmicos   da  balança   comercial   e   de   pagamentos   dos   países   latino­americanos   são   manipulados   ainda   mais  intensamente  pelo Fundo  Monetário Internacional e pelos  bancos  privados  internacionais. .  ainda que por vezes surjam contradições com este como conseqüência de eventuais divergências de  interesse que podem chegar a ser significativas. Isto em nosso entender aumenta as condições propícias para as atividades das  vanguardas revolucionárias e ao mesmo tempo exige delas sua mais alta capacidade de luta em todas  as   frentes   e   a   compreensão   cientifica   das   novas   reacomodações   do   capitalismo   em   suas   diversas  manifestações globais e nacionais. dadas as contradições e novas circunstâncias que  suscita.  precisamente devido ao domínio exercido pelos monopólios estrangeiros.   quando   se   deslocam   as   tecnologias   velhas   e   as   atividades  artesanais.  como   conseqüência   de   outros   fatores   que   analisaremos   depois   –   e   o   aumento   sustentado   do  desemprego   e   do   subemprego   –   cuja   manifestação   mais   ostensiva   são   os   bairros   periféricos   infra­ humanos impõem fronteiras muito estreitas à expansão dos investimentos.   razão   pela   qual   são   mais   rentáveis   para  exploração dos países dependentes onde a classe operária tem níveis salariais muito menores.   que   surge   da   necessidade   das   economias   da   área   de   incrementar   os  investimentos para conseguir o desenvolvimento e os limites que lhes impõem estreito mercado interno. Apesar  disto. os benefícios de sua gestão não são reinvestidos no país que os origina. com o fim  sistemático de lhes impor uma política de acordo com os interesses do grande capital imperialista.   em   particular   a   tendência   à   redução   da   democracia   burguesa   e   a   instauração   de   regimes  militares repressivos. Assim.

  que   fracassou   em   seus   projetos   nas   décadas   de   trinta   a   de   cinqüenta.  o reformismo  econômico  e político  colocam  em prática  variantes   diferentes   a   fim   de   diminuir   os   efeitos   da   implantação   do   novo   padrão   de   acumulação  capitalista.  demarcando­se fronteiras mais claras entre as forças em pugna. Apresenta­se   uma   acelerada   tendência   para   a   polarização   entre   as   classes   da   estrutura   social. enquanto em El Salvador e Guatemala observam­se avanços muito  promissores.5 Esta   espécie   de   neodesenvolvimentismo   modernizante   do   capitalismo   dependente   eleva   a   níveis  superiores e decisivos a transnacionalização das economias  e abrange a quase todos  os países do  continente. sua debilidade não é  apenas   econômica.  Junto a consolidação da hegemonia do capital monopolista e financeiro como centro reitor  das economias da região se reforça sua aliança com os setores do grande capital local.   e. o que tem sido conseguido  apenas em alguns casos e durante breves momentos. . pela natureza  da base material que as condiciona e. Coincidindo nestes anos com o agravamento da crise econômica mundial. todas resultaram em fracassos pela sua debilidade em enfrentar as estruturas  econômicas. no qual os povos e suas organizações revolucionárias  encontram maiores potencialidades para desenvolver suas lutas. regularmente. as burocracias civis e militares. Definem­se desta maneira na maioria  de nossos países. que garantam os  altos níveis de exploração e miséria a que são submetidas as massas populares. Por isto. As camadas sociais que sustentam esta  posição são. pois as massas tendem a radicalizar ainda mais  sua atividade ao não poder resolver os problemas de fundo.  Nas  últimas  duas  décadas.   que   sabe  inalcançável. com suas especificidades de ritmos  e formas. A crise na região dos modelos capitalista de desenvolvimento. fizeram­se visíveis na área as  conseqüências negativas derivadas da nova divisão internacional capitalista do trabalho.   o  campesinato. Ao mesmo  tempo.   Elas   têm   um   objetivo   comum:   a   solução   definitiva   das   contradições   do  sistema   de   exploração   e   opressão   imperialista   pela   via   das   transformações   revolucionárias   das  estruturas econômicas e políticas. Como   se   comprovou   em   diferentes   países   e   momentos.  o  crepúsculo  dos  regimes  democráticos  burgueses   e a  tendência  de  sua  substituição   por   regimes   democráticos   burgueses   e   a   tendência   de   sua   substituição   por   regimes  militares­ditatoriais.   No   âmbito   político   costumam   aceitar   também   como   inevitável   a   imposição   de  restrições à democracia burguesa e o emprego de mecanismos estatais repressivos.   como   premissa. Elas tratam de herdar nas novas condições a função da burguesia  nacional. Este caminho é o que percorrem.   aceita.   Agora   a   situação  material dominante torna mais fatal o desenlace negativo destes projetos. que se apoiam de forma parcial e eventual  em estratos dos setores médios.   integrado   pela   classe   operária   em   primeiro   lugar. ao mesmo tempo que  promove um novo cenário para a luta de classes.   o   reformismo   aspira   apenas   a   destruir   a  economia exportadora tradicional e a compartir o poder econômico com os monopólios estrangeiros.   outro   de   ampla   base. o esgotamento  das  tentativas  reformistas. tende a provocar no plano político a crise dos agrupamentos multiclassistas de corte populista e  das organizações estatais democrático­burguesas.  Estas são mais radicais. colocaram em destaque e com maior  vigência a questão do desenvolvimento socialista como única alternativa ao subdesenvolvimento gerado  pelo  capitalismo.   Já   não   se   trata   de   conseguir   a   independência.  Cuba. num processo  onde   a   desnacionalização   se   traduz   em   níveis   superiores   de   submissão   ao   padrão   de   acumulação  imperialista. demonstrou  a viabilidade  da alternativa  e segue  por ela  vitoriosamente.   Um  propósito dos projetos reformistas tem sido o de atenuar a luta de classes. sustentado na substituição das importações e na ampliação do mercado interno. na vanguarda  histórica.   os   desempregados.   sociais   e   políticas   que   sustentam   o   sistema   de   dominação   capitalista   da   região.   subempregados   e   segmentos   crescentes   dos   chamados   setores  médios. dois grandes blocos classistas: as classes e setores vinculados organicamente ao  capital   estrangeiro. Tudo isto marca o final de uma época histórica no continente. Nicarágua e Granada.   e   tenta   obter   o   máximo  proveito para os interesses econômicos que diz representar.   Esta   dinâmica   que   corresponde   à   atual   etapa   de   crise   e   recessão   do   capitalismo  internacional.   a   dependência   do   capital   estrangeiro.   esgota   definitivamente   as   etapas   anteriores   de   relativo   desenvolvimento   industrial  nacional. que as faz aumentar a consciência sobre as  vias de como consegui­lo. se tornam mais complexas e diversas em  suas   expressões   nacionais.  opondo­lhes   o   capitalismo   de   estado. conseqüentemente. Entretanto.

 de uma formação  sócio­econômica   capitalista   subordinada   ao   sistema   imperialista   mundial   mediante   relações   neo­ coloniais.   das   relações   agrárias  obsoletas e do conjunto das relações de produção do capitalismo dependente.   por  causa da dominação imperialista e da não ruptura essencial das relações agrárias arcaicas.   a  independência e a auto­determinação. Temos  diversidade de experiências e situações.  pela  burguesia local a ele associada e pelos proprietários de terras. uma etapa de aguda polarização  de suas estruturas sociais. Estas transformações conformaram níveis – inclusive médios –  de desenvolvimento do capitalismo. que se liga com uma crise política.6 América Latina e Caribe começam desde meados dos anos setenta. em  especial a partir dos anos cinqüenta. Desde   então. suficientemente vasta e clara em suas lições fundamentais. Estes quase vinte e cinco anos  de pelejas  e sacrifícios. retrocessos temporais.  em ambos  os casos moldados  pelo  capital estrangeiro.   em   busca   de   opções   para   conseguir   o   desenvolvimento.   Nicarágua   e  Granada.   Estas   circunstâncias   acentuam   ininterruptamente   a   contradição   entre   o   caráter   e   o  desenvolvimento das forças produtivas. especialmente depois de 1959. as bases materiais dos atuais processos revolucionários latino­americanos e caribenhos  foram criadas pelas mudanças ocorridas nas relações econômicas e sociais dos nossos países.   histórica   porque   além   de   ser   econômica   e   social.   não   existirá   uma   transformação  substancial no futuro do continente sem transformações antiimperialistas e anticapitalistas. Um   fator   que   propicia   este   desfecho   factível   são   as   múltiplas   experiências   acumuladas   por   nossos  povos em suas intensas e variadas lutas. porém uma verdade  se   reafirma. a  crise   atual   da   região   é   simultaneamente   crise   da   dominação   imperialista. reafirmaram a validade do caminho ao poder aberto por Cuba  e enriqueceram o acervo da cultura revolucionária continental. Não   obstante. é uma crise global da  sociedade. portanto. além do aval teórico­científico. Formidáveis exemplos acumularam­se na utilização revolucionária  das armas pelas vanguardas e pelos povos: vivemos uma experiência interessante e útil – a chilena –  para   alcançar   o   socialismo. agravada pelos efeitos negativos crescentes da crise geral do capitalismo. impregnados  com o sangue de milhares de  combatentes. de uma compleição deformada – e deformante – que é necessário  ter muito em conta para definir o caráter das revoluções de libertação nacional e social desta parte ao  mundo. a possibilidade de  várias formas e ritmos de aproximação ao socialismo e de diferentes caminhos nacionais que facilitam o  acesso à uma primeira etapa anti­imperialista. A atividade da classe operária tem sido incessante. e de fato pressupõe. das ricas experiências acumuladas pelos nossos povos desde as  guerras   de   independência. Este caráter não excluí.   dispõe­se   de   um   volume   de   situações   vividas   por   eles   e   pelas   várias  gerações revolucionárias em lutas. Houve  uma   notável   incorporação   à   luta   de   setores   cristãos   progressistas   e   revolucionários. Em resumo. democrática e popular da revolução.   produziram­se  levantamentos de militares patriotas e instauraram­se governos nacionalistas dirigidos por eles. representam a melhor escola atual para o movimento revolucionário de nossa América.   é   importante   ressaltar   que   as   bases   materiais   criadas   pelo   desenvolvimento   do  capitalismo na maioria dos países do continente estabelecem as condições necessárias que permitem  às revoluções triunfantes  avançar de modo  ininterrupto ­ ainda  que por etapas. com suas revoluções vitoriosas. jurídica e ética. Trata­se. Precisamente neste ponto reside a natureza histórica da crise atual das sociedades latino­americanas e  caribenhas. em um só processo  histórico rumo ao socialismo.   de  diversas   experiências   nacionalistas. avanços seguros. O   crescimento   do   capitalismo   na   região   provoca   um   desenvolvimento   do   subdesenvolvimento. A   convergência   destes   fatores   e   processos   determina   o   caráter   histórico   das   revoluções  contemporâneas de nosso continente. Por isto. É uma crise simultânea  de todas estas estruturas.  assistimos   ao   desenvolvimento   de   movimentos  reformistas   democrático­burgueses. baseadas  no   latifúndio.  agora.   uma   e   outra   vez   fazendo­se   incontestável:   o   curso   histórico   rumo   ao   socialismo   não  . juntamente  com o resto do movimento popular.   Ditaduras   militares   de   velho   e   novo   tipo   proliferaram. de acirramento dos enfrentamentos políticos e de antagonismo cada vez  mais definido entre revolução e contra­revolução.

 baseando­se.  Tal   circunstância   faz   que   muitos   setores   da   burguesia   média   possam   converter­se   em   aliados  importantes do processo revolucionário.   é   conveniente   assinalar   que   a   fração   modernizadora   –   a   grande   burguesia   rural  mencionada. Este processo de dissolução de classe  dos   proprietários   de   terras   encontra­se   ainda   inconcluso   na   maioria   dos   países.7 depende   só   das   leis   objetivas   do   sistema   capitalista.  –  tende   a  estreitar   seus   nexos   com   setores   da  burguesia  comercial  e  financeira  local. . no  controle da propriedade da terra. as distintas reformas capitalistas feitas  no campo incidiram sobre esta classe. A   análise   da   estrutura   de   classes   é   inseparável   de   suas   lutas   pois   estas.   financeira   e   agrária.  debilitada   substancialmente   pelos   rigores   da   aliança   da   grande   burguesia   e   das   empresas  transnacionais. mas decorra da armação de seus interesses com diferentes ramos da economia. Em alguns países. de acordo com as circunstâncias  de cada país.   pecuaristas  modernos   e   agro­industriais. motivam nos últimos anos a conformação de uma  espécie   de   nova   oligarquia   que   representa   as   diferentes   frações   da   grande   burguesia   –   industrial. Deve registrar­se que este processo de transformações no  campo   gera   contradições   entre   os   setores   do   capital  modernizante  e   os   proprietários   de   terras  defensores do latifúndio tradicional.   assim   como   as   demais   estruturas   da   sociedade. Os processos econômicos modernizadores descritos. ainda que isto não dependa sempre de uma tática estabelecida  com relação à ela.   no   seu   desenvolvimento  modificam   aquelas. consideramos imprescindível examinar  primeiro a estrutura de classes e das forças sociais que objetivamente tendem a participar na revolução.   enquanto   subsiste   uma   parte   sob   a   forma   tradicional   de   latifundiários. fundamentalmente.   Ela   está   subordinada   e   comparte   a   mesma   estratégia   de  desenvolvimento   e   dominação   do   capital   imperialista. Estrutura de Classes e Forças Motrizes da Revolução Não nos deteremos  extensamente no tema. a que atribuímos a função condicionante principal da estrutura e  da luta de classes em nosso continente. Geralmente. na capacidade de conduzir os povos na conquista do poder. entretanto. de  fatores   ideológicos   e   de   situações   específicas   de   luta.   o   primeiro   fator   a  considerar é a dominação imperialista. Interessa aqui.  muitos dos quais se convertem em arrendatários de suas terras.   fim   de   um  complexo processo e garantia de seu desenvolvimento. Estes últimos reagem com força ante certos aspectos das reformas  agrárias e ante todas aquelas modificações que alterem seu estado. Outro   ingrediente   do   bloco   das   classes   exploradoras   é   a   declinante   burguesia   média   ou   nacional.  subordinando­se também em última instância aos interesses e ao padrão de acumulação da burguesia  imperialista – que se torna beneficiária e centro decisório principal das novas relações de exploração  capitalista na agricultura latino­americana. Em  quase   todos   os   casos.   as   vanguardas  revolucionárias têm a primeira e decisiva responsabilidade de impulsionar este processo e isto deve  demonstrar­se antes de mais nada.   ainda   que   em   ocasiões   apareçam   certas  divergências   de   interesse   que   resultam   não   desprezíveis   para   o   combate   tático   do   movimento  revolucionário. Problema cardinal de toda revolução. a propósito do objeto central da conferencia.   Por   isto. desintegrando­a ou modificando­a em uma ou outra medida. acentuando­se seu desempenho  reacionário nas lutas de classes e conformando em muitos países uma parte significativa da contra­ revolução.   e   comportará  numerosos passos e ritmos diferentes.   A   terceira   força   deste   conjunto   são   os  proprietários de terras. Em vários paises. eles mantêm seu poder. esta burguesia se vê reduzida ao setor industrial mais tradicional – bens de  consumo não duráveis – e diminuem progressivamente suas possibilidades de reprodução econômica. Entre tantos fatores vinculados ao problema de luta pelo poder.   surge   um   setor   de   empresários   capitalistas   agro­exportadores.  comercial. ele sintetiza os diversos aspectos que se devem ter em conta e  solucionar­se   corretamente   para   aumentar   as   possibilidades   deste   momento   crucial. Examinemos então o bloco das classes dominantes. Mas em seu  movimento   geral. pois na conferencia  teórica  celebrada  em 1980 tivemos  ocasião de faze­lo.   em   sua   cristalização. identificar os principais  atores da atual luta de classes no continente.

  Nas   sociedades   latino­ americanas estas forças são difíceis de definir ­ talvez mais que em outras países capitalistas.   criando­se   neles   valores   e   expectativas  próprias dela. profissionais com negócios individuais. Daí a atenção priorizada que lhes concedem  os partidos e organizações representativas das classes exploradas. se observa uma tendência à homogeneização das classes dominantes.   por   si   sós.   catalisadora   das  lutas revolucionárias de seus povos e com importante presença nas vanguardas.   empregados   públicos.  sem   descontar. devido à  diversidade de elementos  que as integram.   O  componente fundamental desta força social é a pequena burguesia urbana. Estes fatores. pelo seu valor prático evidente. Em decorrência disto.   mas   que   aspiram   a   uma   reforma   e   à  renegociação da dependência frente ao capital transnacional. entre outros.8 Para resumir. Por   um   lado. pelo que ambos sofrem as conseqüências das  crises do sistema e da imposição do novo padrão de acumulação.   no   geral. identificá­los a partir de uma posição classista.  a uma ou outra direção ou posição de classe.  trabalhadores qualificados. originam várias contradições no interior do bloco das  classes dominantes. tornam possíveis que numerosos  membros   dos   setores   médios   adotem   uma   linha   progressista   e   inclusive   de   identidade   com   os  interesses da classe operária.  componentes   numerosos   dos   setores   médios   se   convertem   numa   força   avançada. se encontra uma força que resulta decisiva para o  desenvolvimento vitorioso da revolução latino­americana. melhores possibilidades econômicas no mercado externo. Por outro lado. A   ela   se  somam   diversas   camadas   da   população   –   funcionários. entre elas se destacam: – pugna entre setores da grande burguesia local e o capital monopolista estrangeiro. Ao mesmo tempo é útil apontar.  Compartimos   o   critério   de   que   eles. que as transformações que se vêm  operando no sistema capitalista de nossa região. atrair aos membros dos setores médios.  entretanto. neutralizar e atrair o máximo de elementos ambivalentes e ganhar para a revolução aos  que   estão   objetivamente   em   condições   de   incorporar­se   neste   projeto   histórico.   não   conformam   uma   classe   social   orgânica.   Muitas   vezes. os setores médios não podem elaborar  um projeto histórico independente e é comum que seus componentes necessitem uma aliança com uma  classe determinada.  suscetíveis   de   ser   influenciados   pela   ideologia   burguesa. a reduzida estabilidade econômica de uma grande parte  delas e outros fatores da dinâmica da luta de classes. integrada por comerciantes  e empresários pequenos.   Devido à estas características.   são. como nunca antes  na história continental.   por   outro   lado. – diferença de interesses entre os latifundiários e a grande burguesia agrária. A característica distintiva dos setores médios é sua heterogeneidade econômica e social. Convêm   agora   examinar   em   seu   conjunto   aos   chamados   setores   médios.   estudantes.   que   os   diferentes   níveis   econômicos   das   sub­regiões   e   países   não  permitem uma generalização absoluta. ao comparar­se a situação de alguns países da  América Central e do Caribe com outros do continente. profissionais liberais. determinada pelos processos internacionais do capitalismo antes assinalados. Em tais setores. que os leva à miséria ou fazem­nos  diminuir sensivelmente seus níveis de vida. e as classes  exploradas de outro. ao buscarem os  primeiros. Corresponde às forças políticas da burguesia. entre outros. a ausência de garantias individuais e de uma institucionalidade democrática. etc. –   setores   médios   integrados   e   defensores   do   sistema. repercute na  posição de tais setores frente ao sistema. – conflito da burguesia média com a grande burguesia ou nova oligarquia e o capital transnacional. é muito difícil  acomodar todos estes setores no bloco das classes dominantes ou no das classes exploradas. de um lado. que determina  seu conteúdo sumamente contraditório. muitos dos membros destes setores são assalariados ou pequenos empresários não  vinculados ao capital monopolista nem a oligarquia local. por exemplo. É válido. muito numerosos na maioria de nossos  países e com um papel qualitativo sempre importante. que se inclinam pelas razões assinaladas. Algumas de suas camadas atuam como administradores do Estado capitalista e estão  plenamente comprometidas com ele.   tem   um   nível   de   vida   médio   superior   ao   dos   trabalhadores   manuais. . com o fim de isolar suas camadas  reacionárias. Além disto.

 em várias regiões.   Constitui. Para   completar   o   amplo   leque   que   abrange   a   base   social   dos   processos   revolucionários   atuais   do  continente.   para   evitar   que   se   convertam   em   obstáculos   à   unidade   da  classe operária industrial.  pois   a  modernização  capitalista do campo tende a reduzir a composição desta classe. que às vezes também se vê beneficiada por uma qualificação superior e pelas  relações com o proletariado industrial urbano.   Isto   aumenta   sua   capacidade   de  organização classista. O campesinato de nossos países segue integrado por  diversos segmentos – meeiros. proletarização e semi­proletarização. além disto.  gera   uma   maior   concentração   no   contexto   de   grandes   fazendas. que muitas vezes ocasiona a ruína ou o despojamento  de sua parcela.   todas   importantes   na   luta   pelo   poder   e   no   desenvolvimento  . Simultaneamente.   o   sujeito   histórico   das  revoluções atuais em nosso continente. de outro lado.   produziram­se   algumas   mudanças   na   correlação   interna   do   bloco   das   classes  exploradas.   que   pode   chegar   a  constituir­se   em   população   marginal. –  protagonizando   às   vezes   violentas   explosões. correspondendo à classe operária ocupar o centro fundamental  deste   multi­facético   leque   de   forças.9 Ao compasso das transformações ocorridas em anos recentes nas estruturas capitalistas da América  Latina   e   do   Caribe. camadas e setores que compartem níveis de vida semelhantes e situações de  exploração sem solução possível dentro do sistema dominante – muitas vezes.   se incrementam   sensivelmente   os   níveis   de  pauperização  relativa   e  absoluta  de  todas as classes e setores oprimidos. por exemplo.   o   que   contribui   objetivamente   para   as  possibilidades de desenvolvimento de sua aliança com a classe operária.   Toda   esta   complexa   situação   amplia   a   consciência   do  campesinato sobre a necessidade de executar profundas reformas agrárias e incrementa o potencial de  suas   lutas   reivindicativas   e   de   caráter   revolucionário. Ao lado destas classes exploradas. suas formas mais infra­ humanas seguem concentradas nas massas indígenas. e expulsão para as cidades – especialmente para os cinturões periféricos. submetidos  aos terríveis rigores de governos ditatoriais reacionários – não podem deixar de entrar em contradição  radical   com   a   formação   sócio­econômica   que   existe. pequenos proprietários.   este  processo  implica  uma  tendência   à  eliminação  do   campesinato. às vezes formando parte de uma ou outra ou separada por fronteiras  muito  sutis. O campesinato é ainda a classe numericamente mais importante da população rural em vários países  da  região. vítimas extremas do  regime capitalista ao não disporem do mínimo de possibilidades para sua subsistência. Ao  mesmo tempo.   o   que   contribui   para   fazê­la   mais   representativa   do  conjunto dos interesses populares. A ampliação das relações capitalistas no campo  suscita um incremento relativo deste segmento vital da classe operaria e. o que é ainda mais importante. Este conjunto de classes.   como   conseqüência  das  transformações  capitalistas  ocorridas   no   campo. O setor rural do proletariado também se modificou. é forçoso incluir a abundante e ascendente massa de desempregados.  Ele  representa  um numeroso  setor da população  latino­americana   e   caribenha. por exemplo.   instável   por   natureza   ou   em   via   de   transição.   enquanto  em  outros  já  não  é  assim. É conveniente  tomar   tais   diferenças   em   consideração.   tendem   a   ser  inconstantes e maleáveis pelos partidos do sistema. Devido   aos   novos   processos   de   industrialização   assinalados. Em geral.   a   fração   dos   camponeses   proprietários   sofre   a   pressão   da  concorrência das grandes fazendas produtivas.   Assim. a indústria nacional média ou pequena. e a mineração.   em   lumpenproletariado.   portanto. submetidas aos níveis mais altos de exploração  e marginalidade social.  Estas forças sociais pressionam pela resolução de seus problemas – urbanizar suas populações.   a   classe   operária   tende   a   ser   mais  heterogênea   na   sua   composição   por   setores. entre outros  – mas o fator comum que os caracteriza é sua extrema e crescente pobreza. As amplas massas do campesinato pobre constituem a  outra força fundamental dentro do bloco popular. ainda que também se demonstrou que é factível  orientá­las para objetivos revolucionários quando se realiza um trabalho efetivo com elas.   ou   incorporar­se  ao   sistema   produtivo. Isto se acentua nos lugares onde desaparecem ou diminui a importância de outros  setores econômicos.   Pelo   seu   impacto. posseiros. etc. o aumento da população faz com que não possam manter­se  como   parcelas   de   subsistência   familiar. está  o subproletariado  urbano  e rural. parceiros de vários tipos. ao diminuir notavelmente a extensão das terras às quais tem acesso  os camponeses – ou manter­se igual –. é necessário considerar que a industrialização em  curso tende a concentrar o setor de trabalhadores que lhe está associado e a estratificá­lo com relação  ao resto da classe.   Por   sua   composição   e   situação.  com as populações marginais.  de um lado.

  o   problema   central   da   revolução   é   a   tomada. os  seguintes  requisitos:  definição  do  caráter  da  revolução. A   estratégia   do   movimento   revolucionário   se   apoia   em   critérios   científicos   que. As   especificidades   e   matizes   condicionados   pelo   enfrentamento   histórico   geral   e   decisivo   de   nosso  tempo.   portanto. Neste processo. aquilo que  garante à burguesia a conservação do poder.   No  entanto   o   núcleo  do  aparelho  do  Estado. Também nos baseamos em outra verdade conhecida: quando as  revoluções são autênticas sempre respondem a leis universais.10 posterior do projeto socialista. o problema do poder  repousa sobretudo.  avaliação da correlação mundial. portanto.   nem  com  iguais   métodos. Estratégia e táticas da Revolução. seus  aliados   e   as   contradições   entre   eles.   Isto   significa  propiciar as condições materiais e subjetivas que permita fazer avançar ininterruptamente o processo  rumo  à etapa  socialista. neste sentido. mas as diferenças são mínimas com relação às formas de  organização e atuação dos aparelhos repressivos deste tipo de Estado. o inicio de um período pré­revolucionário.   seus   aliados   e   os  pontos convergentes e divergentes com estas forças. nem programável. .  menos  ainda o é o triunfo das revoluções. e pela crise do poder burguês. Vale a pena sublinhar. Nicarágua e Granada. identificação do inimigo principal.   do   poder. corresponde a suas vanguardas fazer esta análise e conseguir a correlação acertada  de suas táticas. como se torna evidente nas situações de crise. É impossível definir por igual o papel de cada uma destas forças em  todos os países. Para   os   marxistas­leninistas. durante um período mais ou menos longo. em  determinado momento. Portanto.  das forças protagonistas da dupla tarefa de destruir a velha ordem e construir a nova.   sua   força   repressiva.   foram  confirmados com o triunfo de Cuba. a estratégia  revolucionária  deve  cumprir. As múltiplas  atividades destas forças. o papel destacado que desempenharam  os   camponeses   nas   revoluções   vitoriosas   e   nas   que   estão   atualmente   em   desenvolvimento   em   El  Salvador e na Guatemala.   definição   da   classe   dirigente   da   revolução. mas também sua própria autenticidade  fazem­nas   singulares   em   relação   aos   seus   perfis   nacionais. regional e nacional de forças. a atividade incessante  dos partidos e organizações de esquerda é decisiva.   resultam  eficazes   apenas   na   medida   em   que   se   adaptam   às   condições   específicas   de   cada   país. sua destruição é a prioridade indispensável  e definitória do triunfo de qualquer revolução.   o   da   burguesia   e   o   proletariado. O aparelho repressivo é. em última a instância.   estes   ingredientes   comuns. elaboração das diretrizes principais da via de luta  selecionada e das demais formas complementares. que estão presentes nos processos atuais da  região. caracterizado por um alto grau de  enfrentamento entre as classes.  pelo  menos. Certamente   é   possível   encontrar   diferenças   substanciais   na   comparação   das   formas   de   dominação  política e ideológica dos regimes burgueses.   Queremos   expor   somente   nossas  considerações de alguns fatores e problemas mais gerais. repetem­se claramente em El Salvador e  Guatemala e demonstram sua vigência em outros processos em desenvolvimento.   incluem   contribuições   indispensáveis   para   o   triunfo   das  revoluções no continente. na validade da estratégia para alcançar este fim. Consequentemente. desde as lutas reivindicativas até os objetivos políticos e militares gera.   A primeira  e mais  importante  destas  condições  é  a  destruição  do aparelho  estatal burguês e sua suplantação por um Estado revolucionário baseado na hegemonia do proletariado  em estreita aliança com as demais classes e setores populares. Considerações Gerais Partimos de uma verdade elementar: a luta de classes não  é planificável. Neste último país é decisiva a incorporação indígena na luta pelo poder. Esta ruptura histórica é insubstituível  em toda revolução verdadeira. em função de otimizar a participação efetiva delas nas diferentes etapas e cenários de  luta. indispensáveis para o avanço da revolução. Nem  todos  os  componentes   do   Estado  burguês   podem  ser  destruídos   ao   mesmo  tempo.   O  desenvolvimento da revolução supõe o amadurecimento.   é  a   chave  para  conseguir o domínio sobre o resto do corpo estatal.   ainda   que   também   exibam   suas   tinturas   nacionais.

 Somente assim se poderá manejar a dialética da luta. se as condições subjetivas não correspondem  com a estratégia assumida. Os EUA incluem nossa região no núcleo interior e medular de sua estratégia mundial. Na vida real. Como parte de uma estratégia global.  se  define  e  desenvolve. o caráter da dominação imperialista  no continente e a política dos governos norte­americanos. não  existe tarefa mais difícil que a adequação das táticas à linha estratégica adotada pois enquanto esta  repousa numa análise científica da realidade.  em cada  momento. pode originar bruscas mudanças em favor dos mesmos. a ação cotidiana  requer  junto  com a formação  teórica  da vanguarda. devido à sua inter­relação e complementação recíprocas. O contrário acontece quando as forças  revolucionárias   são   inadequadas   ou   não   alcançam   o   nível   e   a   criatividade   que   exige   determinada  conjuntura.   As   massas   não   atuam   somente   por   uma   convicção   que   se   lhes   injete   de   fora   –   sem  diminuir o valor da propaganda revolucionária. na qual estão presentes  todos os elementos necessários para seu controle hemisférico. os objetivos táticos e as manobras  políticas do inimigo. tradição de luta e psicologia social das massas. a elaboração e aplicação vitoriosas  das táticas revolucionárias é a prova mais completa e definitiva de uma vanguarda. Esta compreensão é conseqüência de uma complexa e dinâmica participação direta e das massas que  consciente   ou   inconscientemente   assimilam   e   fazem   sua   a   estratégia   elaborada   e   dirigida   pela  vanguarda. Por exemplo. com tal flexibilidade que  permite implementar decisões rápidas e eficazes frente ao desenvolvimento dos acontecimentos. a organização. pois cada um dos  erros. frente ao problema de como fazer triunfar a estratégia somente pode­se  responder mediante as diferentes táticas de luta. e  é o que acontece na maior parte das vezes. que se  torna a principal escola na qual aprendem o caminho estratégico de sua libertação e os meios práticos  de avançar por ele. Por isto. e a  coesão e fortaleza integral da vanguarda. as vanguardas e as lideranças individuais nascem precisamente onde. é importante considerar que muitas vezes não é possível definir os limites entre a estratégia  e a tática. a  política dos EUA com relação aos seus vizinhos do Sul está sustentada em princípios simultaneamente  . a experiência indica que existem certos pontos de referência úteis de  serem   considerados   pelo   seu   valor   geral. Como se sabe. Sem pretender uniformizar os fatores que se devem ter em  conta na formulação de táticas. Deste modo.   o   fundamento   de   toda   estratégia   reside   nas   condições   objetivas   que   a  determinam e lhe dão viabilidade histórica. O desafio decisivo para toda vanguarda é a elaboração de táticas ajustadas às circunstâncias concretas  e aos objetivos estratégicos da revolução. dificilmente controláveis ou predizíveis cientificamente. Neste caso.11 A   partir   de   então   ampliam­se   as   possibilidades   de   triunfo   revolucionário   e   o   assalto   ao   poder   se  converte na prova definitiva da eficácia de estratégia assumida e da capacidade tática da vanguarda  para conduzir as massas rumo à meta decisiva. A história demonstra o alto preço que pagam os povos nestes casos. um enfoque metafísico atribui sempre à  classe dominante uma força superior à das classes oprimidas.   é   a   própria   experiência   que   acumulam   ao  confrontar seus interesses vitais com as realidades  econômicas  e políticas  de onde  vivem. O imperialismo  norte­americano mantém com relação ao nosso continente uma linha integral.  a tática  acertada   de luta. que costumam apresentar freqüentemente situações inéditas. deficiência e fracassos do movimento revolucionário é profundamente explorado pelo adversário.  uma  especial  capacidade  e sensibilidade  para  captar o concreto­real. Portanto. Ao elaborar sua estratégia e tática de lutas. Mas a correlação de forças se caracteriza  pelo   seu   dinamismo. Por conseguinte.  Este é em  síntese  o  atributo fundamental de uma legítima vanguarda. além de sua estratégia  correta. A rigor.   com   o   apoio   das  massas. consciência.   São   eles   entre   outros   a   correlação   das   forças   em   cada  instante da luta. nenhum destes fatores é estático. Finalmente.   a   ação  atinada  e   audaz   dos   destacamentos   revolucionários. além disto. o movimento revolucionário latino­americano e caribenho  tem à sua frente condicionamentos fundamentais e permanentes. é necessário utilizar as táticas adequadas que permitam  alcançar a compreensão prática da viabilidade e necessidade da estratégia assumida. isto não supõe sua substituição por outra de menor alcance. Em   primeira   instância. múltiplos  fatores conjunturais. Elas não se lançam ao combate pela simples fé nas  promessas   de   um   mundo   melhor   e   um   ideal   futuro. em  especial nos períodos revolucionários. as contradições no seio das classes dominantes. as primeiras devem ter em conta.

Por isto. pode­se observar diversidades reais nos matizes  de um ou outro governo norte­americano – e inclusive no interior de cada um deles –.   tem   uma   estratégia   coerente   e   sustentam   táticas   de   lutas   comuns. É conveniente examinar separadamente o valor específico de cada um destes fatores. Por isto.   as   vanguardas   populares   brindam   uma   especial   atenção   aos   objetivos   anti­ imperialistas. com enfoques diferenciados a respeito das formas mais adequadas  de resolver a crise e manter o domínio mundial.  Este critério é compartido por todos os partidos e organizações revolucionárias da região. É precisamente deste modo que se prova a maturidade real de uma vanguarda e a plena  entrega à causa de seu povo. populares e antiimperialista em  . Do anterior se deduz que a concepção estratégica e as táticas dos processos revolucionários latino­ americanos e caribenhos adotam como linha principal de seus esforços para a derrota do inimigo global. A experiência ensina que nas questões táticas. as massas e as armas. O processo unitário abrange todas as forças motrizes  da   revolução   e   os   setores   democráticos   aliados. tanto maior é o imperativo de unidade da vanguarda. o que implica em desalojar do  poder a cada um dos seus representantes. com o fim de identificar seus  pontos   fracos   e   deles   conseguir   os   melhores   frutos. ratificam o critério geral formulado pelo companheiro Fidel Castro sobre os três ingredientes  decisivos para alcançar o triunfo revolucionário: a unidade.   seu   nervo   vital   é   a   sólida   união   da  vanguarda. A unidade. Estas   circunstâncias   determinam   o   enfrentamento   cada   vez   mais   agudo   entre   os   processos  democráticos. e se convertem na linha principal de combate revolucionário estratégico e tático. as massas e as armas na luta pelo poder As   experiências   das   revoluções   vitoriosas   e   dos   múltiplos   processos   que   se   desenvolvem   neste  continente.   Entretanto. os revolucionários devemos conceder a mais esmerada  atenção à política que desenvolve as administrações norte­americanas. os revolucionários sabemos que a crise do imperialismo norte­americano engendra  correntes e forças políticas internas. existem enfoques particulares das relações com  determinados países e regiões. também em certos casos. a solidariedade entre  todas  as forças anti­imperialistas  é uma necessidade histórica e uma  condição ineludível para alcançar a libertação nacional e social de nossos povos.12 internacionais e continentais. desempenha  um papel significativo em sua arrogância de não admitir o triunfo de revoluções libertadoras dentro das  que considera suas fronteiras de segurança nacional. Assim. populares e revolucionários da área e o imperialismo norte­americano. militar e política que os EUA atribuem às nossas terras. Junto à importância econômica. e destes com os comunistas.   Cuba   e   Nicarágua   nos   entregam   valiosas  experiências na compreensão acertada e no uso tático conveniente das brechas abertas por diferentes  governos estadunidenses. A vida demonstra  que não é suficiente  proclamar a necessidades  da unidade para avançar em sua  realização. devem  ceder lugar aos interesses coletivos das massas.  desenvolveram­se outros partidos e organizações de esquerda que conquistaram na luta o respeito de  seus povos e muitas vezes representam destacamentos exemplares de sua condução pelo caminho da  libertação definitiva. O certo é que quando os diferentes destacamentos de esquerda conseguem cimentar sua unidade de  ação. que se expressa  logicamente em sua política para nossa região. E quanto  mais amplo é o leque de forças – nacionais e internacionais – que intervém na luta contra o inimigo  imediato.  É por isso que em  suas   estratégias. até faze­la virtualmente irreversível. As mudanças  sócio­econômicas e políticas que demandam estas sociedades têm como pré­requisito a liquidação do  domínio do imperialismo norte­americano sobre cada um dos países. é  premissa indispensável para fazer avançar as revoluções democráticas. Ao mesmo tempo.   as   massas   populares   –  solidárias entre si por instinto – multiplicam esta unidade. A esta altura  da história  revolucionária latino­americana e caribenha. a unidade de tais partidos e organizações.  isto significa  o reconhecimento  objetivo   de   que   na   maioria   de   nossos   países   junto   aos   experimentados   partidos   comunistas. As paixões individuais. os desvios sectários e demais limitações.

  No que se refere à dimensão regional. Em   vários   países   da   área. junto ao trabalho unitário. o valor  crucial   da   unidade   da   vanguarda. Nestes casos.   a   colaboração   efetiva   das   forças  revolucionárias. Mas o processo que conduz a esta unidade no terreno político e ideológico  depende  da  ação  das  vanguardas.   o   problema   da   unidade   é   hoje   o   obstáculo   principal   para   o   avanço   da  revolução.   no   terreno   prático. favorecem a identidade de propósitos e a  solidariedade recíproca da esquerda.  sua  importância   para   o  triunfo   das   revoluções  nacionais  em um  ou  outro  momento  histórico  é  tão  grande. Os   revolucionários   latino­americanos   e   caribenhos   temos   oferecido   demonstrações   convincentes   de  nossa  compreensão  do   internacionalismo.   Vemos   também   no   Chile   avanços  unitários promissores para o futuro das lutas deste povo. Ainda que na América Latina não ocorra em igual grau que em outras regiões.   É necessário. de alcance continental e mundial. entre algumas importantes questões. Guatemala  e em outros  países da América  Central. a classe operária necessita estabelecer aceleradamente laços  políticos. o enfrentamento contra um  mesmo inimigo e a interrelação política de nossas sociedades.  da  mesma  maneira. se comprova em El Salvador. é ainda mais fértil o terreno para a  criação de uma frente democrática antiditatorial.  conseguir  que  o  espírito   não­sectário. estas. É imprescindível compreender os processos unitários e evitar dar passos superficiais  que  mais  tarde  resultem  ser contraproducentes.   democráticas. A   inércia. Devemos sublinhar o caráter eminentemente popular das revoluções proletárias na América Latina e no  Caribe. As   premissas   para   a   unidade   de   ação   das   massas   populares   existem   objetivamente   nas   bases  econômicas do sistema. Para tomar o poder e mantê­lo. O triunfo sandinista reafirmou. Sendo esta uma verdade descarnada. que ainda é necessário perguntar­nos quanto  nos falta avançar e aperfeiçoar a colaboração de todos os partidos e organizações revolucionarias da  área. é indispensável priorizar a atividade que aproveite as  contradições que surgem no interior das classes dominantes de cada país aquelas que se originam em  . Impõe­se haver uma vontade individual e coletiva que demonstre praticamente o latino­ americanismo   e   o   internacionalismo   que   se   proclama. sua verdadeira soberania longe de excluir. Esta relação direta entre o desenvolvimento dos processos revolucionários e os níveis  unitários das vanguardas. inclusive.   de   efetiva   colaboração.  setores interessados somente na destruição das estruturas repressivas de corte fascista e no regresso  às normas   constitucionais democrático­burguesas.   pois   ela   não   surgirá   espontaneamente   dos  interesses econômicos comuns. como Honduras. Todo  passo adiante no caminho da unidade é um passo adiante no caminho da revolução.   antiimperialistas   e   revolucionárias. ideológicos e militares com o resto da massa. Mas também aqui estes condicionamentos existem potencialmente  e   não   podem   avançar   por   si   mesmos. A unidade da classe operária e de seus aliados  deve   colocar­se   como   uma   força   política   de   massas. e não  uma  pré­determinação  econômica. existem também evidências de que representa um  estímulo para resolver a tendência daninha à divisão da esquerda em alguns dos nossos países.  é a responsável  prática da conquista da unidade democrática e revolucionária. os fatores históricos e econômicos.   eles   desenvolvem   suas   atividades   em   espaços  geográficos e setores sociais que se revelam complementares no desenvolvimento da revolução.  é  tão  complexo  e dinâmico  o papel   da  solidariedade concreta a um ou outro processo de luta.   como   núcleo   coesionador   e   orientador   do   conjunto   das   forças  antiditatoriais. com a condição de que os partidos  e organizações  revolucionárias consigam consolidar previamente o seu núcleo dirigente.13 nosso continente. É comum o critério de que a melhor forma de avançar na unidade se dá mediante a colaboração nas  lutas concretas.   se   implante   nos   diferentes   níveis   dos   partidos   e  organizações. o campo da unidade aumenta ao abarcar.  pressupõe   a   necessidade   de   somar   os   esforços   coletivos   para   encarar   os   problemas   internacionais  comuns   e   apoiar   os   processos   revolucionários   mais   necessitados   de   solidariedade   em   um   dado  momento. nem da invocação propagandística de tais interesses. A unidade do movimento revolucionário dentro  das fronteiras de um país é uma contribuição à unidade mais ampla. Entretanto.   porque   muitas   vezes   na   vida   real.   Entretanto. Naqueles países onde imperam ditaduras militares. às vezes se apresentam  confusões   ou   desvios   da   imprescindível   e   sã   independência   que   os   partidos   e   organizações   de  esquerda têm o direito e o dever de preservar. Finalmente.   Existem   muitos   e   conhecidos   exemplos   de  solidariedade.   o   atraso   ou   o   desvio   do   caminho   unitário   é   um   presente   gratuito   que   o   movimento  revolucionário faz ao inimigo.

 políticas e econômicas de  seus povos. Mas de tal extremo não é correto deduzir  uma   posição   excludente   de   todas   as   forças   democrata­cristãs.  senão  reflexo   inevitável   das   diferentes   forças   sociais   que   a   integram   a   nível   mundial   e   regional   e   das  contradições interimperialistas. é um ato natural das vanguardas abrir suas portas aos cristãos de base. contemporâneo.  à democracia­cristã aos movimentos cristãos e os setores militares progressistas. muitas vezes ao preço de suas vidas. instável.Lenin: “La enfermedad infantil del ‘izquierdismo’ en el comunismo: Obras Completas.   durante   um   lapso   bastante   considerável   e   em   situações   políticas   bastante   variadas.  entre os diferentes grupos ou categorias da burguesia no interior de cada país.14 escala   interimperialista   ou   entre   os   países   da   região. sem  detrimento dos objetivos finais pelos quais combatem os revolucionários.  1963. devemos acentuar  esta   colaboração   nos   aspectos   políticos   que   nos   unem   e   não   nas   diferenças   ideológicas   que   nos  separam. toda contradição de interesse entre a burguesia dos distintos países. Nestes casos. porque ainda que sejam iniludíveis tampouco devem tornar­se obstáculos insuperáveis para a  ação unida em prol de objetivos coincidentes. Havana. Portanto. assim mesmo. Nos referimos à social­democracia. há que se  aproveitar as menores  possibilidades de conseguir um aliado de massas ainda que seja temporário. sacerdotes e  membros das hierarquias eclesiásticas comprometidos.   notoriamente   divergentes. Editora Política. pouco seguro. Quem não demonstrou na  prática.6 Ainda que apresentem múltiplas diferenças nos distintos países e sub­regiões. prudência e habilidade a  menor ‘fissura’ entre os inimigos. É   conhecido   nosso   amplo   enfoque   em   relação   aos   movimentos   cristãos.   Pensamos   que   em   vários   países   o   movimento  revolucionário   não   conseguiu   ainda   o   avanço   necessário   e   possível   de   alcançar   no   tocante   à  colaboração   e   integração   com   tais   forças. que em ocasiões  se viram forçados a  romper abertamente com as direções oficiais e entreguistas de seus partidos. com relação às quais o movimento revolucionário latino­ americano e caribenho desenvolve alianças táticas ou estratégicas.   Não   haverá  revoluções vitoriosas sem a participação das imensas massas cristãs que povoam nossas terras.I. Em compensação a tendência mais geral da democracia­cristã se inclina para a colaboração ativa com  a política e os interesses do imperialismo norte­americano. p. Quem não compreende isto. 6  V.  vacilante.   Por   isto   a   aliança   com   as  forças da social­democracia tem que basear­se em princípios claros e honestos de colaboração. minuciosidade. Nós  os   consideramos   irmãos   na   luta   pelas   grandes   mudanças   históricas   do   continente. Isto explica que. Por  conseguinte. e dadas as situações nacionais especificas.   em   alguns   casos.   No   seu   interior   também   existem  importantes setores  verdadeiramente democráticos  e cristãos. não obstante os posicionamentos políticos e ideológicos  comuns. inclusive na linha estratégica pela conquista do poder e a construção da  nova sociedade.   que   incluem   sacerdotes   e  membros da hierarquia católica identificados com as aspirações humanas. . 66.   A   experiência   latino­americana   neste   sentido  confirma as idéias de Lênin: “Só se pode vencer um inimigo mais poderoso colocando em tensão todas  as forças e aproveitando  obrigatoriamente  com o maior zelo. Nossa posição com relação à atividade  e ao conteúdo ideológico  e político da social­democracia  foi  claramente   exposta   no   Informe   Central   ao   II   Congresso   do   Partido   Comunista   de   Cuba   pelo  companheiro Fidel Castro.   seus   partidos   adotem   posturas   nem   sempre   coincidentes   ante   os   processos   de   luta  revolucionária   e   inclusive   em   certas   ocasiões. não compreende nem uma  palavra de marxismo nem de socialismo científico. é possível oferecer uma  caracterização de quatro forças fundamentais. com o  combate   emancipador   latino­americano   e   caribenho. Levamos  em consideração  que  a social­democracia  não  é uma  corrente  política  homogênea. condicional. tXXXV. Em diferentes ocasiões o companheiro Fidel Castro destacou o caráter decisivo das forças  marxistas­leninistas e os cristãos que atuam junto aos seus povos por iguais objetivos essenciais.   sua  habilidade para aplicar esta verdade na vida não aprendeu ainda a ajudar a classe revolucionária na sua  luta para libertar de exploradores a toda a humanidade trabalhadora". em geral.   elas   demonstram   uma   maior   vocação  prática mais certeira de seu papel revolucionário. nos cabe estender­lhes a mão franca e limpa  de preconceitos para trabalhar de comum acordo em todas as tarefas que seja possível compartir e com  disposição firme de ampliá­las.

  que   ensinam   a  imperiosa necessidade de destruir a máquina repressiva do Estado e substituí­la por um Estado de novo  tipo. É possível que o  subjetivismo conduza à substituição do papel das massas pela vanguarda à precipitação de suas ações  decisivas  –   que  devem   reservar­se  para   os   momentos   oportunos  –   ou   a   algo  tão   negativo   como   o  anterior.   em   cada   etapa   de   desenvolvimento   da   luta   de  classes. com a finalidade de conhecer as possibilidades práticas  de colaboração para o desenvolvimento da luta anti­imperialista.   existem   experiências   úteis   de   serem   consideradas. Nicarágua e Granada mostram que o programa de luta contra a ditadura e pela  democracia é o que mais possibilidades tem de mobilizar as amplas massas populares e outras forças  políticas aliadas.  Significaria   uma   grave   atitude   voluntarista   o   esboço   de   uma   única   estratégia   continental   para   uma  geografia tão extensa e abrangente de sociedades nacionais. educação. saúde. Nem receitas. não podem  ser esquecidos  certos princípios de  toda revolução. Mas como sabemos não basta conclamar a classe operária e o resto do povo para derrocar a  burguesia para que as massas acudam a esta convocatória. em ajudá­las a desenvolver suas  energias   revolucionárias   pelos   canais   mais   idôneos. ao mesmo tempo. que a  propaganda   e   a   agitação. seria  errôneo considerar todo homem uniformizado como seu servidor incondicional.   são   insuficientes   para   levar   o   povo   a   compreender   e   se  integrar nas atividades revolucionarias: para isto se necessita a própria experiência política das massas  e sentenciou.   o   emprego   das  . Sua incorporação à  revolução para  alcançar o poder e preservá­lo representa o único motor capaz de garantir ambas as  coisas. Também neste aspecto  as   experiências   acumuladas   indicam   a   conveniência   de   distinguir   os   elementos   progressistas   das  Forças Armadas. a conduta das Forças Armadas não pode ser analisada à margem do contexto histórico de cada  país e dos enfrentamentos de classes. Isto não representa um dogma. tal é a lei fundamental das grandes revoluções. Detenhamo­nos agora na análise do papel que devem desempenhar as massas.   Por   exemplo. senão uma  resultante do sistema de dominação imperante na maioria dos países latino­americanos e caribenhos. Portanto.   Entretanto.15 Outro problema que é importante abordar é o das relações com os militares progressistas. As armas são indispensáveis para fazer triunfar qualquer revolução libertadora no continente e ainda  para algo mais importante: preservar sua continuidade e plena realização.  Mas  tampouco   seria   válido   esquecer   os   princípios   fundamentais   do   marxismo­leninismo. Lenin nos ensinou. ao critério metafísico de adiar uma e outra vez as ações com o subterfúgio de que as massas  não têm ainda a preparação adequada para marchar rumo à conquista do poder.  entre outros – crescem as possibilidades de sua ação e com elas aumenta o potencial do movimento  revolucionário na luta pela conquista do poder e pelo início da etapa democrática e anti­imperialista da  revolução. é o emprego conseqüente e oportuno das armas. Uma política correta em relação aos militares não pode basear­se em esquemas rígidos e excludentes. enriquecidas pelas suas lutas históricas e  peculiaridades sociológicas. Isto não poderá derivar­se dos desejos e aspirações  finais da vanguarda.   as  revoluções de Cuba. O terceiro e último fator – junto com a unidade e as massas – que garante o triunfo das revoluções  genuínas. democrática e revolucionária. nem fórmulas gerais resolvem o problema crucial da incorporação das massas às tarefas  de   sua   revolução. Esta   afirmação   não   prescinde   da   realidade   objetiva   dos   diferentes   países. importantes em alguns países. Ao   dirigir­se   a   atividade   central   das   massas   na   conquista   de   suas   aspirações   anti­ditatoriais   e  democráticas e à solução de seus mais angustiantes problemas humanos – emprego.   por   si   mesmas. e a vida confirma. o problema consiste em contribuir à experiência das massas. Não obstante a função geral que corresponde aos aparatos militares dentro do Estado burguês. nas condições atuais da maioria de nossos países o decisivo não reside em  acentuar   os   objetivos   finais   ou   posteriores   da   luta.  Mas.   Naqueles   onde   imperam  regimes   de   extrema   direita   –   quase   sempre   ditaduras   militares   de   corte   fascista   –.   senão   nas   palavras­de­ordem   aglutinadoras  diretamente   vinculadas   com   as   circunstâncias   que   mais   asfixiam   a   vida   dos   povos   nos   planos  econômico.  ela  deve  surgir  de cada  realidade   específica e ter em  conta  todos  os  fatores   desta instituição. Então. social e político. Em nossa  opinião.

 junto a certas bases  comuns – sobretudo nas revoluções de Cuba e Nicarágua – existem diferenças nas táticas militares  empregadas.   filha   de   leis   universais   descobertas   por   Marx. Gomez.   o  conteúdo   revolucionário   de  qualquer   forma   de   luta   se   mede   pelos   seus   resultados   ou   seja   pelo   seu   avanço   ou   retrocesso  relativamente aos objetivos finais das massas populares. Por vezes.   nosso  Comandante em Chefe Fidel Castro afirmou: "Aos teóricos do socialismo científico. Marx. partindo de seus caracteres peculiares. "Assim é como se fez a revolução verdadeira em Cuba.   Em   outros.  Cespedes e tantos gigantes de nossa história pátria". Trata­se   além   disto   de   não   subordinar   a   seleção   da   via   armada   ao   instante   em   que   as   condições  políticas assim o exijam. suas  próprias tradições de luta e a aplicação conseqüente de princípios que são universais".   As  revoluções   de   Cuba.   nem   o   título   de  revolucionário  vem   dado   pelo   seu   caráter   armado. e com suas modalidades nacionais  tem sempre como razão de seu triunfo a criação e desenvolvimento de um força militar própria.   sustentadas   na   mais   estreita   vinculação   com   as  massas  e   em   condições   geográficas   adversas   –   sua   pequena   dimensão   territorial   e   outros   fatores. Não haverá esquema capaz de guiar aos processos de  libertação nacional e a construção da sociedade socialista em terras americanas.   as   experiências   de   vários   processos  revolucionários   da   área  demonstram  que   a  divisão  das   funções   políticas  e   militares   –   em   particular  quando se impõem o uso resoluto e popular das armas – dá lugar a uma mutilação de ambas. 26 de julho  de 1978. por último à necessidade de forjar  persistentemente nos acontecimentos diários da luta de classes às condições que propiciarão o avanço  pelo caminho da conquista do poder.  Neste sentido. Trata­se. a vigência das armas  não estará dada pela sua utilização inoportuna.16 formas  de luta  armada  ou  a preparação  conseqüente  da  vanguarda  nesta direção. novas  contribuições ao acervo revolucionário mundial. Por   isto.   Em  nossa   opinião.   latino­ americana e caribenha. nas formas insurrecionais. que em uma variante ou outra. Agramonte. Uma  luta   não   é   reformista   porque   seja   legal   ou   pretenda   abrir   espaços   democráticos.   Neste   sentido. que lhe permitam articular respostas enérgicas e oportunas ante as diversas mudanças  que   impõem   o   enfrentamento   classista. tem o selo característico do uso das armas. de uma atitude a ser criada em todos os revolucionários. pp. senão pela preparação psicológica e pela criação na  consciência de todos os militantes de que a confrontação militar será possível em um  outro momento ou  outro de uma forma ou outra. .7 7  Fidel Castro: Discurso pronunciado no ato central do XXV aniversário do 26 de julho. em El Salvador estão se aplicando criativas  fórmulas   revolucionárias   na   utilização   das   armas. A   capacidade   de   direção   das   vanguardas   reside   em   sua   preparação   integral   para   utilizar   todas   as  formas de luta. pois toda revolução social verdadeira é. e de avançar tudo que seja possível na  preparação militar revolucionária dos quadros e militantes. Santiago de Cuba.   Neste   sentido.   mas. Nos referimos. de acordo com  a etapa e a conjuntura de cada processo nacional.   só   uma   concepção   estratégica   politico­militar   e   a   correspondente   formação   e   preparação  proporciona às vanguardas a destreza para acometer uma nova forma de luta principal. Por exemplo. sem dúvida.59­60. Nós podemos  assegurar com  absoluta convicção que sem eles nossos povos não poderiam realizar um salto tão colossal na história  de seu desenvolvimento social e político. a sobrevivência de algumas formas democráticas comprometedoras das ações  estratégicas do movimento revolucionário e popular. Editora Política. etc. ainda que nas circunstâncias existentes isto não seja válido. Às vezes se identifica incorretamente o necessário  uso   das   armas   com   a   aplicação   mecânica   de   uma   determinada   experiência   de   luta   armada. Mas ainda com eles não haveríamos sido capazes de realizá­lo sem a semente frutífera e o heroísmo  sem limites que semearam em nosso povo e em nossos espíritos Martí. Engels e Lenin  devem os revolucionários  modernos  o imenso  tesouro de suas idéias. Maceo. Havana. ao  mesmo   tempo.   é um imperativo  virtualmente   iniludível.   Nicarágua   e   Granada   apresentam   diferenças   conhecidas.   onde   prevalecem   normas   democráticas   de   vida   e   as   vanguardas  dispõem de canais constitucionais para o adequado exercício de sua atividade.  Todas as revoluções do continente terão suas próprias características e brindarão. Cada povo fará sua  revolução   e   chegará   ao   socialismo   nutrindo­se   das   raízes   de   sua   própria   história   nacional. Discursos.   Engels   e   Lenin.  pois. E isto não será uma contradição.   entre   outros  ingredientes similares. se colocaram falsas disjuntivas ao se opor às formas armadas e não armadas de lutas.